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Convite Gpita 07 04 2010

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Conversas em torno de um livro

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  • 1. NEW S 6 letter Junho 2010 COORDENAÇÃO: Ana Maria Kauppila Editorial Alberto Vieira (Presidente CEHA) Reflexões plebeias Passado apenas um ano de publicação, esta Newsletter apa- acerca da História, rece com algumas alterações no seu formato, criando-se, assim, condições para uma maior inter-acção com os investigadores, nos tempos que correm através de breves contributos temáticos, a solicitação dos coor- denadores de cada número publicado. Desta forma, a informa- ção passa a estar estruturada em rubricas, de que destacamos Ana Maria Kauppila “Ao balcão: da História, das Artes e das Letras” em que, tomando por mote o título de uma publicação de destaque na sociedade 1 madeirense [Das Artes e da História da Madeira, publicada entre 1949-1971, primeiro como suplemento de “O Jornal” e, depois, como revista independente] se pretende criar um espaço de escritas e testemunhos variados, sem a pretensão da revista de outros tempos. A isto se pode aliar a rubrica de “Memórias” em que se procura extrair da vivência e do registo dos de mais idade os testemunhos de épocas recentes que muitos não recordam, não tiveram oportunidade de vivenciar ou relativamente ao que, por vezes, nalguns casos, o registo da documentação his- tórica é omisso. É uma breve incursão pelos domínios da Histó- ria oral, até que alguém se lembre de fazer desta disciplina um campo para o registo e descoberta da nossa memória colectiva contemporânea. Falando de História, é importante trazer à aten- ção de todos o nosso Arquivo, aquilo que de mais precioso a Ilha tem para preservar e divulgar o seu património histórico. É a sal- vaguarda da nossa memória colectiva, através dos registos da documentação, maioritariamente oficial, mas onde os privados também passaram a ter um lugar de destaque. A coordenação deste número da Newsletter representa um de- A par disso, este boletim continuará a ser um veículo de safio lançado pelo seu Presidente, e corresponde a uma renovada divulgação de todos os eventos insulares que cheguem até ao dinâmica que o CEHA imprime à sua existência como Centro de nosso conhecimento, dando lugar à sugestão de livros publica- Estudos que há 25 anos se afirmou como dinamizador das comu- dos há muito e que são rememorados, como recentes e outros, que, sob a forma de teses de Mestrado ou Doutoramento, mere- nidades que se interessam por assuntos da Cultura e que são, afinal, çam uma próxima publicação e assim será com o texto e futuro de todos nós. livro de Susana Caldeira, que se encontra na lista de publicações O desafio, dirigido aos investigadores que, no CEHA, desenvol- do CEHA, para o presente ano. vem actividade, resultará em diversas Coordenações, entregues a di- De entre os eventos do presente trimestre, o destaque resi- ferentes pessoas, sendo que, nesta primeira, o conceito se subordina dirá, sem dúvida, no Congresso, a realizar entre 26 e 30 de Julho, em que, pela primeira vez, se abrem as portas da Ilha e do CEHA à conjugação da Missão do Centro, com os contributos emanados a um espaço de debate alargado a todos os espaços insulares e de estudos, publicados ou a publicar, na Região, nas diversas áreas em que teremos distintos especialistas de diversas ilhas, incluin- das Ciências Sociais e Humanas. Além destes, incluímos contribu- do o Pacífico. Neste quadro de promoção dos estudos insulares, tos de natureza mais subjectiva e idiossincrática, sempre acerca da merece um lugar de destaque o Projecto Digit@insulae, uma das apostas actuais e futuras do CEHA, em que se pretende a divul- Continua na página 2 gação daqueles que lutaram e ainda o continuam pela afirma- ção e valorização da cultura da sua terra. Na verdade, se somos insulares e temos essa mesma alma de insular, a Nessologia não Sumário pode ser apenas um exercício académico que atrai especialistas pela novidade e prazer do confronto académico, antes uma via • Ao balcão 4-11 para a realização e afirmação da cultura insular, não importando • F ora da Estante 12 o espaço oceânico que nos banha. O nosso empenho é que este • D igit@ndo 14 espaço se transforme, cada vez mais, numa janela aberta para a • Notícias 15 afirmação do mundo insular, um refrigério neste mundo de om- • D estaque 16 nipresença dos continentes e da continentalidade. • Memórias 18 • Pre-vistas 20 Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 2. Ilha-Madeira, no intuito de atingir um público-alvo que obrigatoriamente, a componente da divulgação e esta sabemos vasto, diversificado e com diferentes interesses, ainda mais se torna necessária numa instituição au- apostando na vertente de divulgação [no sentido mais tonómica financiada pelos fundos da região. (…) As- lato] e, também, numa vertente mais académica [em sim, o CEHA  publica um boletim electrónico com formato adequado ao propósito desta publicação] que periodicidade trimestral, com o intuito de permitir a projecte os investigadores das ilhas. “Falemos”, então, de divulgação das iniciativas da instituição, bem como Missão a propósito deste número que subordinamos ao de colocar à disposição dos interessados informações tema: Vistas sobre a ilha…: sobre o que vai acontecendo, em termos de encontros, publicações e qualquer outro tipo de notícias que in- “A passagem de 25 anos de actividade é teressem à investigação sobre as ilhas e, em especial, a oportunidade para encerrar um ciclo de ac- sobre a Madeira.   O presente boletim é um espaço 2 tividade da instituição e iniciar um outro de aberto ao contributo de todos os interessados. Deste acordo com novas condições definidas com a modo, apelamos para que nos enviem as informações instalação no novo espaço. (…) O novo espa- que considerem interessantes para publicação, para ço permitirá uma maior inter-actividade com que participem com notas críticas sobre publicações, o meio local e científico tornando-se possível ou com breves informações sobre investigação ou de uma maior assiduidade de iniciativas aber- interesse para a mesma. Tudo isto, para que este es- tas ao público e uma maior cooperação com paço seja de todos e para todos os que se interessam as instituições e investigadores da região, do sobre a temática das ilhas.”2 país e do estrangeiro. A disponibilidade de um auditório, biblioteca, depósitos para acervos Este número, como acima referido, pretende representar um e espaços de trabalho abrem-nos novas for- contributo para o acolhimento a diversas “vozes”, “olhares” ema- mas de intervenção, definidas na programa- nados de diversas áreas que se entrecruzam e – convenhamos – ção de actividades, cooperação e projectos de enriquecem a construção do Saber. Assim, as diferentes rubricas investigação”.1 que incluímos, visam situar, de diversos pontos, “as vistas sobre a Ilha”. Ao Balcão da História, das Artes e das Letras congrega Convido-vos, assim, a percorrer, através da riqueza uma série de contributos que radicam em diferentes domínios e, das letras e das imagens, diferentes modos de perscrutar numa grande maioria, resultantes de Dissertações de Mestrado a terra e as suas gentes, numa diversidade de contributos ou da actividade da escrita criativa [novela, conto ou romance]. que saudamos e que agradecemos vivamente. O amplo Graça Alves e Cláudia Faria contribuem com textos de natureza quadro das Ciências Sociais e Humanas, no qual se inclui literária, subjectivamente marcada, numa escrita de prosa-poé- a História, torna-se, por si só, catalizador de uma enri- tica que nos embala no universo onírico da Ilha. Paula Almeida, quecedora míriade de estudos e propostas que, compar- historiadora, reporta-nos à sua Dissertação de Mestrado, em tindo desígnio, se afigura única no seu respectivo valor. breve publicada pelo CEHA, numa interessante e reveladora in- Destes aportes, resulta um renovado interesse na reflexão cursão por uma área quase desconhecida do público madeirense acerca da mesma, dos legados e da sua preservação, do - a da História do Cinema, na Madeira. Aliás, a protagonista da valor da memória, do património [imaterial e material] rubrica Memórias é testemunha disso mesmo. Seguem-se três que consubstanciam as diferentes concepções do Ho- estudos que também nos honram com o seu contributo: Rita mem e da Natureza, ao longo dos tempos. Em pleno Rodrigues leva-nos, no domínio da História da Arte, às “Obras século de incertezas e de mudança de paradigmas, a His- de Martim Conrado, no arquipélago da Madeira”. Especialista tória parece reencontrar uma renovada importância. A da época Barroca, esta historiadora conduz-nos, de forma rigo- percepção que o Homem tem do Tempo e que, fruto das rosa e atraente, pelo legado deste pintor, presença, por exem- mudanças sociais profundas dos últimos anos, se alterou plo, numa das Igrejas mais importantes da cidade do Funchal, a radicalmente, implicou uma modificação, igualmente, no Igreja do Colégio. Teresa Vasconcelos tem prestado pertinente modo como a disciplina se desenvolveu cientificamente atenção ao tempo do revivalismo arquitectónico tardio. Prova- e do qual, esta Newsletter, pretende ser locus de reflexão -nos, com o seu texto, como a deambulação, no sentido rousse- e difusão: auniano do termo, pode guiar-nos a vista para pormenores de “A produção científica tem de privilegiar, marca histórica muito relevantes. Visitamos, com o rigor do seu estudo, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Estalagem 1 Disponível, em linha, sítio http://www.madeira-edu.pt/CEHA/ 2 Idem. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 3. da Quinta do Monte. Finalmente, nesta debate à questão das fontes do Web rubrica, o contributo de Cristina Trinda- 2.04. de, também historiadora, recorda como, no Algo permanece: o facto de, no séc. XVIII, algumas “vistas de fora” sobre âmbito das Ciências Sociais, a verda- a Ilha, se colocavam, estrategicamente, “de de ser relativa [em algum contexto, cima” num interessante estudo acerca de será absoluta?]. O que existe, como fontes que “olham” os povos da Madeira sabemos, são pontos de vista. Toda a de forma crítica e sobranceira. Trata-se de História, sempre foi e será, interpre- um marcante contributo que permitirá, tação, logo subjectividade. Diante de eventualmente, outros de natureza com- uma diversidade de “fontes” e de “do- paratista, por exemplo. Salientamos a di- cumentos” que a contemporaneidade 3 vulgação de sítios, na rubrica Digit@ndo, oferece aos múltiplos olhares que os que se reportam a entidades promotoras perscrutam, o que predomina, então, da cultura, na RAM, assim como a do na História? A memória? Esta ques- Blogue de Joana Homem da Costa, estu- tão, debatida por todo o cânone his- dante de Mestrado, em Engenharia e cuja toriográfico antes referido, enquanto escrita já tem cunho público. Escolhemos dever de toda a investigação históri- uma sua divagação idiossincrática acerca ca, permanece uma das questões cen- da “Ilha”. Recolhemos, ainda, um depoi- trais da epistemologia das Ciências mento que evoca a memória do Funchal dos primeiros anos do históricas. Dois interessantes e fundamentais estudos, século vinte – o de Alice Guerra; procedemos à apresentação de datados do início desta década [emanados de pensadores três publicações diversas e anunciamos o próximo grande evento de outras áreas do Saber], conduzem-nos pelos “labirín- organizado pelo CEHA – o Congresso das Ilhas (26-30 Julho ticos” percursos da memória e do esquecimento, do dever 2010), assim como um dos projectos já em curso, Digit@insulae de memória e da sua perniciosa sacralização: refiro-me a que visa a constituição de um acervo de obras e de estudos críti- trabalhos de Ricoeur5 e Todorov.6 Provocadores de de- cos referentes a autores das Ilhas, na rubrica Pre-vistas. bate, ao mais alto nível intelectual, fazem da razão da Todos estes contributos reportam-nos à reflexão acerca da História, a razão da Humanidade, do dever do passado, História: a do passado e que é feita no presente; a que será feita o dever do presente e do futuro e enunciam as questões no futuro e que será - como sempre - do passado. No entanto, que a historiografia actual pode e deve assumir como correntes como a “História imediata” afirmam-se, com cada vez suas. Diante de fenómenos globais como racismo, xeno- mais pertinência, no panorama da historiografia actual, sobre- fobia, exclusão e decisão transnacional [para citar apenas tudo ligada à História das Instituições. Esta História do tempo alguns], todos os contributos científicos, rigorosos, sérios, presente coloca já, em pleno séc. XXI, no quadro da investigação, coerentes são bem-vindos ao esclarecimento e à marca- dimensões que faziam parte, até há pouco, da indagação filosó- ção da agenda de progresso para a Humanidade. Esta fica acerca da cientificidade da investigação e do devir da His- edição da Newsletter, todos os que nela colaboraram e a tória. Em termos contextuais e metodológicos, o conhecimento quem, uma vez mais, prestamos o nosso sincero agrade- histórico, neste século, confronta-se com realidades e questões cimento, pretende conceder, a esse nível, o seu modesto, algo diversas do cânone. “Longe” de Braudel, Lefebvre, Bloch, mas rigoroso, contributo. Ao Presidente do CEHA, um Duby, Le Goff, Le Roy Ladurie etc., as sociedades actuais, num voto público de reconhecimento pela ousadia de fazer da tempo e num espaço invadidos pela tecnologia, formatadas por História, em particular e da Cultura, em geral, a agenda uma complexa rede de informações, proporcionam aos contri- e a razão do devir. butos historiográficos uma panóplia de recursos com a qual o historiador deve contar: testemunhos orais, filmes, documen- tários, redes sociais, blogues, internet [em especial, o canal de difusão ”Youtube”], enfim. De salientar, o facto da Biblioteca do Congresso norte-americano estar, igualmente, a proceder ao registo arquivístico de todos os “tweets” realizados no mundo, 4 http://portal.unesco.org/ci/fr/ev.php-URL_ID=30520&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SEC- desde 19963, e da UNESCO ter consagrado, recentemente, um TION=201.html 5 Ricoeur, Paul. (2003). La Mémoire, l’Histoire, l’Oubli. Paris : Ed. Seuil, Coll. Points Essais. ISBN-13 : 978-2020563321. 6 Todorov, Tzvetan. (2004). Les abus de la Mémoire. Paris : Ed. Arléa, Coll. Arléa Poches. 3 http://digitalpreservation.gov/ ISBN-13 : 978-2869594050. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 4. Daqui vejo sempre a minha ilha AO BALCÃO Daqui vejo sempre a minha ilha. Serena. Tranquila. Azul. É mar. A minha ilha é da cor do mar. Azul intenso, brilhante, estonteante nos dias de sol. Azul-escuro, quase cinzento, tão cinzento que se confude com o calhau, nos dias encobertos. Mas é azul. Sempre azul e cheira a maresia, a imensidão, a caminho por desbravar... a ida ... a vontades ... a sonhos .... A minha ilha nem sempre é minha, é de todos: dos estrangeiros que, desde criança, de mão dada com a minha avó, aprendi a 4 chamar “ingleses”. Sim. Os nossos turistas eram todos ingleses... e eu acreditava. A minha avó não mentia e eu nem sabia de onde vinham nem tão pouco porque nos visitavam. Não sabia, mas aprendi. Aprendi: - primeiro, a língua destes visitantes de Além- Mancha e tive pena de não a poder ensinar à minha avó. Ela não sabia ler nem escrever. E depois visitei a sua pátria: a Grã-Bretanha. A Ilha de sua Majestade Elisabeth II... tão imensa, tão cosmopolita ... e aprendi a amar Londres, de onde não se vê o mar. - que as ruas por onde todos os dias passo, que as habitações No balcão que caracterizam a cidade onde nasci, que o mobiliário que ainda hoje decora muitas das nossas residências, que os jardins onde me Abri a janela sobre a margem do mar, no lugar escondia para namoriscar, guardam em si a marca dos britânicos preciso onde a pedra e a água se amaram, no fogo dos que durante o século XIX se estabeleceram na capital funchalense tempos. Bordei o meu balcão a ponto luz e estendi nele e se dedicaram ao comércio do Vinho da Madeira projectando o saboroso líquido, mas igualmente o nome da minha terra além mar. o meu silêncio para ver a ilha passar. - que o bordado da Madeira diz-se ter sido trazido por Mrs E ela veio, firme, em seu andar de sal e de basalto, Phelps e embora a minha avó passasse tardes inteiras a bordar, de cabeça levantada olhando o céu com orgulho, com insistindo pacientemente para que eu aprendesse nem que fosse a um vestido verde, caseado de espuma, meneando as fazer uns garanitos, nunca aprendi. (Pois é. Sei ler e escrever mas não sei usar uma agulha). ancas ao ritmo das marés. - que as quintas madeirenses pertenciam quase todas aos Traz flores nos cabelos e derrama gargalhadas de ingleses e que a casinha de prazeres é mais um toque anglístico que sol sobre o peito que espalhei sobre os meus braços. ainda perdura na Pérola do Atlântico. Aprendi que a 1ª. fábrica de cerveja pertenceu a Henry Prince Miles e que a 1ª fábrica de Canta. Os versos falam de ventos e asas de pássaros, manteiga a John Blandy. Que o carro de bois foi ideia do Major falam das lágrimas que a chuva chora quando o Outono Buckley e que o carro de cestos, que ainda hoje desce o caminho do a despe, falam dos homens que seduzem as encostas e Monte, foi projectado por Russel Gordon. - que a fábrica, onde durante toda a minha infância e as vergam sob o peso dos seus braços. juventude, se produzia açúcar pertencia à família Hinton e que a Os olhos da ilha encontram os meus. Sorri. E o seu família Blandy era a dona da casa onde vivia a minha avó e de todas sorriso pendura colares nos pescoços das árvores do as outras casas das redondezas. - que o cônsul Henry Veitch mandou construir não apenas a meu jardim que, pelas noites quentes de Junho hão-de casa que se destaca na margem da Ribeira de Santa Luzia como explodir em fogos de artifício e rasgar a escuridão. também a Quinta Calaça e a Quinta do Jardim da Serra, onde A ilha estende-me, então, um cálice de Malvasia. cultivou chá; e que o Reid’s Hotel é o sonho de William Reid Na transparência do topázio, bebo a terra e o suor, tornado realidade. E mais. Muito mais. Tanto, que não cabe nesta pequena página. Mas, sobretudo aprendi a amar o meu canto ... tão deixo-me ir nas caravelas e voltar, branca de açúcar da cheio de encantos ... Flandres, casar-me com o mar. Deixo-me embriagar E reencontrei-te. Aqui. Na minha ilha. Ao pé do mar, no pelo seu ósculo de mel, de funcho e de hortelã. calhau ... e sentados ficámos a olhar o Atlântico ( Oh! Como é bom partilhar o meu balcão.) numa amena tarde de Primavera. Tu. Eu. Debruçada sobre quem sou, sinto o beijo de Deus, E a nossa ilha e o nosso sonho, azul... da cor do mar. fecho a janela: a ilha dentro de mim. Cláudia Faria Graça Alves Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 5. paredes de uma outra já existente, no interior da sua AO BALCÃO Quinta de N.ª S.ª da Conceição, no Monte, …”3. Não havendo descendentes directos, herdou a Quinta o médico oftalmologista João de Gouveia, primo de M.ª Albertina Belmonte de Freitas. Nascido na freguesia de St.ª Cruz, em Setembro de 1912, também ele era filho único. Com a transferência da Quinta para o novo proprietário, caiu em desuso a sua denominação inicial, passando a denominar-se Quinta de João de Gouveia. Recentemente, o filho desde médico, Sr. João Manuel 5 de Gouveia, vendeu esta propriedade ao engenheiro Rui Relvas, tendo ficado a cargo deste a reformulação dos espaços para adaptação como Estalagem Belo Monte que, entretanto, passou a designar-se Estalagem Quinta do Monte. Concluída a 29 de Dezembro de 1936, no dia do Vista do exterior da Capela Vista do interior da Capela. 33.º aniversário de M.ª Albertina, ficou encarregue do projecto o já então conceituado arquitecto Edmundo Tavares4. Este, inspirou-se no sentimento romântico por épocas áureas do passado nacional, como foi A Capela de Nossa o reinado de D. João V, em que o Barroco, pela sua exuberância, demonstrou a riqueza do país. Desenhados Senhora da Conceição, pelo pintor Américo Tavares5 e pintados por G. Renda na fábrica de Sta. Anna, em Lisboa, aqui encontramos na Estalagem Quinta um rico espólio de painéis de do Monte. azulejos monocromos a azul sobre esmalte branco nas paredes interiores e exteriores, Teresa Vasconcelos relatando passagens bíblicas. Evidencia-se também os vitrais O sol já ia alto quando me apercebi que estava a folhear executados na famosa fábrica livros desde madrugada. Resolvi fazer uma pausa e espraiar de Ricardo Leone, em Lisboa, a vista pelos arredores da casa. Fui até ao balcão. Dali podia com destaque para o que alude avistar grande parte do Funchal. À minha direita, erguia-se a à Virgem, envolto por elaborado freguesia do Monte, verdejante. Um brilho cerâmico, de cor óculo em cantaria do Estreito de verde, despertou-me a atenção. Reconheci-o: era o telhado da Câmara de Lobos, numa adesão Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Estalagem Quinta do aos materiais da Ilha. Monte. Um edifício religioso associado ao gosto neo-barroco e Este é, pois, um bom ao revivalismo arquitectónico tardio. testemunho da persistência de Em Portugal, o revivalismo arquitectónico não teve o mesmo valores artísticos do passado destaque que em outros países, como Alemanha, França ou na arquitectura da primeira Pedido de Licença à Câmara Inglaterra. Entre nós, a arquitectura dos “neos” chegou mais metade do século XX. tarde, entrando mesmo pelo século XX adentro, ainda com bastante vigor. NOTAS Se, para o continente português, podemos encontrar exemplos do revivalismo tardio no Palácio da Pena, em Lisboa, 1 O capitão José Sotero e Silva casou a 3 de Fevereiro de 1897 com D. Maria Augusta de 2 Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo Meneses, Elucidário Madeirense, Funchal, nesta Capela do Monte, dedicada à padroeira de Portugal, Ornelas Frazão, neta do 1.º Conde da Calçada. 3 Câmara Municipal do Funchal, Departamento de Obras, Requerimento para Licença de encontramos contributos para a compreensão dos revivalismos edição em CD-ROM do CEHA, com base na 2.ª edição, entrada <<José Sotero e Silva>>. na Madeira. 4 Natural de Oeiras, onde nasceu em 1892, cursou Arquitectura Civil em Lisboa. Esteve Obras n.º 10.857, de 22 de Maio de 1936, p. 1. Segundo o Elucidário Madeirense, esta Capela terá sido na Madeira entre 1932 e 1939, tendo sido nomeado pelo governo de Salazar para professor fundada pelo capitão José Sotero e Silva1, nas primeiras décadas efectivo da Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar, actual Francisco Franco. O do século passado e, posteriormente, o Sr. João José de Freitas Funchal deve-lhe valiosos contributos arquitectónicos, entre os quais se destacam o Mercado 5 Nasceu no Porto em 1890, onde cursou Pintura Histórica na Escola de Belas Artes. Foi dos Lavradores, o Banco de Portugal e o Liceu do Funchal. Belmonte a “… fez concluir e aplicar ao serviço de culto”2 Tendo a única filha deste último falecido em 1935, quando contava professor da Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, desde 1935. A morte de Alfredo Miguéis, em 1943, colocou-o como director do Curso Artístico. Sendo especialmente apenas 31 anos de idade, supostamente de tuberculose, o pai conhecido pelos seus retratos a sanguínea, prestou grande colaboração no desenvolvimento dos embutidos na Madeira. mandou construir uma Capela em sua memória, “… sobre as Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 6. As obras de Martim Conrado no Arquipélago da Madeira: Martírio de Santa Úrsula e das Onze Mil Virgens AO BALCÃO Rita Rodrigues Pintor da geração proto-barroca portuguesa, Martim flamenga e, salvo algumas excepções, deixaram a pena correr Conrado surge pela primeira vez citado na bibliografia sobre o Maneirismo e, muito raramente, sobre os séculos XVII madeirense por Henrique Henriques de Noronha, em e XVIII, ignorando, quase por completo, o Barroco. Para esta 1722: “hum vistozo Retabulo da Imagem da Senhora época, citamos as contribuições dadas pelos padres Eduardo das Merces / obra de Martim Conrado insigne Pintor Pereira, Pita Ferreira, Fernando Augusto da Silva e, ainda, por estrangeiro / orago da mesma caza”1. Peter Clode, Artur Sarmento, Jácome Correia e Emanuel Ribeiro. 6 Martim Conrado assinou, pelo menos, seis obras para Robert Smith e Santos Simões incidindo os seus estudos sobre a o Arquipélago da Madeira: Imaculada Conceição, Santa talha e azulejo, ainda “deitaram os olhos”, com grande sentido Ana e São Joaquim, com doadores (1646), Igreja Matriz de observação analítica-descritiva, às obras datáveis dos séculos do Caniço; Arcanjo São Miguel e as almas do purgatório XVII e XVIII. Cabe, ainda, referir a contribuição de vários artigos (1649), Igreja Matriz da Ribeira Brava; Martírio de Santa publicados nas revistas Das Artes e da História da Madeira, Úrsula e das onze mil virgens (1653), Museu de Arte Sacra e, mais tarde, na Atlântico, Islenha, Girão, Origens, etc., e as do Funchal; Nossa Senhora da Piedade (1653), capela de investigações mais específicas de Vitor Serrão, José Meco e São José, Camacha; Noli me tangere (1653), Igreja Matriz Isabel Santa Clara e, também, alguns estudos iniciados por Rui do Porto Santo; Nossa Senhora das Mercês (c.1653-1654, Carita. desaparecido). A obra de Martim Conrado incorpora-se no ciclo do vinho e Aproveitamos a Newsletter do C.E.H.A. para divulgar, na prosperidade económica que se fez sentir na Ilha da Madeira numa primeira fase, as obras assinadas por Martim durante o século XVII, respondendo ao grande sentido e espírito Conrado, seguida de outra etapa de divulgação das obras piedoso dos nobres e mercadores, e das suas mulheres, sob atribuídas a este pintor2. forte orientação jesuítica que motivou a edificação de ermidas e A integração do Martírio de Santa Úrsula e das Onze altares ricamente decorados e ornamentados. Mil Virgens no núcleo de pintura portuguesa, do século A sua pintura apresenta-se segundo dois valores fundamentais XVII, no Museu de Arte Sacra do Funchal (Inv. MASF460), para a igreja contrarreformada: o sentido devocional e afectivo sob a direcção de Luiza Clode e, mais recentemente, na das imagens sagradas e o seu carácter de utilidade de acordo brilhante exposição Obras de Referência dos Museus com os preceitos do Concílio de Trento. Primeiro, através da da Madeira – 500 anos de História de um Arquipélago sua clareza, objectividade, decência, honestidade e decoro, isto (Galeria do Rei D. Luís I - Palácio Nacional da Ajuda, é, distante das interpretações duvidosas ou de falso dogma. Novembro 2009 /Abril 2010), coordenada por Francisco Segundo, a função pedagógica e didáctica da imagem, enquanto de Sousa Clode, expressa um novo olhar sobre o memória visual das histórias e feitos das figuras sagradas - Cristo, património pictórico seiscentista existente na Ilha da Virgem e Santos, temas que Conrado tão bem soube representar, Madeira. longe, é verdade, da ostentação e aparato das grandes obras dos Os historiadores, madeirenses e nacionais, que mestres proto-barrocos. dedicaram algumas palavras à arte sacra madeirense É nesta conjuntura que Martim Conrado pinta o retábulo do estiveram demasiados deslumbrados com a arte Martírio de Santa Úrsula e das onze mil virgens para a capela desta invocação da Igreja do Colégio de São João Evangelista (Funchal), instituída pelo capitão e mercador Simão Nunes 1 Referência ao extinto (e desaparecido) convento de Nª. Srª. das Mercês (Funchal). Henrique Henriques de Noronha, Memórias Seculares e Eclesiásticas para a composição da Machado, ali enterrado em 16453, e pela sua mulher, D. História da Diocese do Funchal na Ilha da Madeira (1722), Funchal, S.R.T.C. / C.E.H.A., 1996, Joana Telo4. Esta capela é digna de um estudo que abarque as p. 284. problemáticas de bel composto e arte total tendo em conta a 2 Sobre Martim Conrado ver: Vitor Serrão, O triunfo do naturalismo e do tenebrismo, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1992, II Vol., Tese de Doutoramento (policopiado); Idem, riqueza artística e programa iconográfico da sua pintura (retábulo “As ilhas atlânticas: a experiência isolada de Martim Conrado na Madeira”, in A pintura proto- citado, remate com tela da Virgem com o Menino e pintura -barroca em Portugal: 1612-1657 – O triunfo do naturalismo e do tenebrismo, Lisboa, Ed. Colibri, 2000, pp. 417-418; Idem, “Martim Conrado”, in José Fernandes Pereira (Dir.), Dicioná- mural do tecto), da talha (retábulo, esculturas e relicário) e dos rio da Arte Barroca em Portugal, Lisboa, Ed. Presença, 1989, p. 131; Rita Rodrigues, Martim Conrado, “insigne pintor estrangeiro”, Um pintor do século XVII na Ilha da Madeira, Funchal, azulejos5. Obedecendo à estética seiscentista, o painel assinado UMa, Tese de Mestrado (policopiado); Idem, “Capela de Nossa Senhora da Boa Hora”, in Girão,Vol. II, nº. 3, Junho, 2007; Idem, “A propósito do retábulo Imaculada Conceição, Santa Ana e São Joaquim, com doadores, assinado por Martim Conrado -1646, hoje na Igreja Matriz 3 A.R.M., Sé, Óbitos:1620-1654, Lº. 73, fl. 168vº.; A.R.M., Doc. Avulso, Cx. 92, Prº. 8, fls.2vº. e 6vº. do Caniço”, in Origens, Santa Cruz, Junho de 2007, pp. 10-49; Idem, “Retábulo de Nossa 4 Ver Rui Carita, O Colégio dos Jesuítas do Funchal - Memória Histórica, Vol. I, G.R.M./S.R.E., Funchal, Senhora da Piedade, de Martim Conrado, hoje na capela de São José (Camacha)”, in Origens, 1987, pp. 214-227, e Descrição e Inventários, Vol. II, pp. 67-79; Nelson Veríssimo, Relações de poder na Santa Cruz, nº. 17, Janeiro de 2008, pp. 32-49; Isabel Santa Clara e Rita Rodrigues, “Algumas sociedade madeirense do século XVII, Funchal, S.R.T.C./D.R.A.C., 2000, pp. 70, 86 e 336; Rita Rodrigues, pinturas religiosas dos séculos XVI e XVII pertencentes à Fundação Berardo, in Islenha, nº. 38, Martim Conrado,“Insigne Pintor estrangeiro”- Um pintor do Século XVII na Ilha da Madeira, UMa / 2000, Janeiro-Junho de 2006, pp.55-69; Isabel Santa Clara, Notas para o estudo de duas pinturas pp. 117-132 e 224-227 (policopiado). de Nossa Senhora da Piedade, trabalho curricular de História da Arte inserido no curso de Mestrado de História, UMa, 1997 (policopiado); Rui Carita, História da Madeira - As dinastias 5 Este será assunto desenvolvido na nossa tese de doutoramento, em curso, A Pintura Protobarroca e Habsburgo e Bragança 1600-1700, S.R.E.J.E.,1992. Barroca no Arquipélago da Madeira, entre 1646 e 1700: A eficácia da Imagem. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 7. por Martim Conrado é de 16536, os azulejos de 16547 e a talha, atribuída ao imaginário madeirense Manuel Pereira é, também da segunda metade do séc. XVII8. Através do testamento dos instituidores e escritura de dotação da capela sabemos que os padres da Companhia receberam 400$000 réis “de contrato (...) ou em letras boas (…) para as obras da ditta igreja, (…) que (…) vão logo na ditta capella, altar, e retabullo dourado com seo Painel das ditas santtas Ursulla e suas companheiras (…) e tudo o mais em sua prefeição” e dote de 5$500 rs anuais9. Assim, tendo por base este documento e a qualidade do programa artístico desta capela, é aceitável que AO BALCÃO a encomenda fosse da responsabilidade dos jesuítas. Devemos referir que os Nunes Machados viviam rodeados, por laços familiares, de figuras eclesiásticas que poderiam ter exercido alguma influência nesta encomenda: o padre Manuel Mourão foi procurador dos instituidores nos anos quarenta; o padre Retábulo do Martírio de Francisco Telo “religioso da mesma Companhia [de Jesus], e Santa Úrsula e das onze mil sugeito de grande erudição na Predica”, irmão do instituidor, virgens cobrindo o relicário (Igª. do Colégio). e o padre António Moniz de Meneses, irmão da fundadora, Foto publicada por Rui Carita. foram testamenteiros de Simão Nunes Machado10; o padre João 7 Ribeiro, “varam insigne em virtudes, da Companhia de Jezus”, foi confessor de D. Isabel de França, mulher do capitão Gaspar de Andrade Berenguer, fundadores do Convento das Mercês11, e gozava “de maior consideração pelas suas eminentes virtudes e rara cultura de espírito”12. Aquando da encomenda, a Martim Conrado, do retábulo do Martírio de Santa Úrsula e das onze mil virgens, assinada em 1653, já se encontravam na Madeira pelo menos duas obras assinadas por este pintor: a Imaculada Conceição, Santa Ana e S. Joaquim, com doadores (1646) e S. Miguel e as almas do purgatório (1649). E, do ano de 1653, são também os retábulos de Nossa Martírio de Santa Úrsula e das onze mil virgens, Martim Senhora da Piedade e Noli me tangere. Estas obras documentam Conrado, 1653. a relação do mercado madeirense com um pintor sediado na Foto DRAC/DSPC – Roberto capital, Lisboa13, da geração proto-barroca portuguesa com José Pereira do Avelar Rebelo, Domingos da Cunha, André Reinoso, Baltasar Gomes Figueira e Domingos Vieira Serrão, mas eventualmente, de factura mais modesta. O tratamento artístico dos martírios foi apadrinhado pelos seguidores de Santo Inácio de Loyola, dentro do espírito da Contra-Reforma, pela acção de afectação e emoção incutida aos fiéis, mas as constituições sinodais portuguesas ressalvavam que as imagens eram representações e não continham em si divindade ou virtude. A hagiografia dos mártires enobrecia o heroísmo em prol da religião católica e o Martírio de Santa Úrsula Gravura de Johan Sadeler e das onze mil virgens enquadra-se no espírito e estética da Igreja I (1550-1600) (after Pieter contrarreformada, quer pelo tema, quer pela plasticidade: a Candid, referente à pintura existente em Michaelskirche, variação modeladora de claro que clarifica a vertente naturalista- Munich) – Martírio de tenebrista; as nuances de cromatismos manchados; os sfumatos Santa Úrsula e das suas dos fundos; os efeitos lumínicos modeladores de profundidade; companheiras. Legenda na margem superior: ”ICON. D. VRSVLE. ET. SODAL. AD. COL. AGRIP. 6 Assinatura e data pintadas a vermelho de cochonilha, como é comum nas outras obras deste pintor. MART. AFF: I[N]. ?DE. SAC. 7 Santos Simões, Corpus da Azulejaria Portuguesa - Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira, SOC. IESV. MONACH. I[N]. Lisboa, F.C.G., 1963, p.173. SACELLO. SEREN.mi AC. 8 Robert Smith, A Talha em Portugal, Lisboa, Livros Horizonte, 1962, p. 61. Preparamos, em parceria REVER.mi. ERNESTI. PR. com Isabel Santa Clara, uma intervenção no Congresso Internacional sobre as ilhas: as ilhas do mundo e o ELECT. COL. etc”. mundo das ilhas, Funchal, C.E.H.A., Julho de 2010, com o título “Manuel Pereira, entalhador e imaginário, e os circuitos de divulgação de modelos para as periferias”. Legenda na parte inferior: “EIDEM SERENISS. AC 9 A.R.M., Doc. Avulso, Cx. 92, Prº. 8, fls. 2vº., 16, 16vº., 17. REVERENDISS. ERNESTO 10 Henrique Henriques de Noronha, Memórias Seculares e Eclesiásticas…, p. 249. Julgamos que o PRINC. ELECT. &cc. DIC. ab autor está a se referir ao padre Francisco Nunes (e não Telo), irmão do capitão Simão Nunes Machado, que tomou conta da capela durante os anos da sua construção. Sereniss. Bavariae Ducis Guilielmi chalcograp. I. 11 Idem, Ob. Cit., p. 283. Sadeler Belg.”. 12 Fernando Augusto da Silva, Subsídios para a História da Diocese do Funchal, Funchal, Tipografia “O Jornal”, 1946, p.180. 13 Em 1647, eram pagos “Ao pintor Martim Comrrado de fazer oito paineis e dous quadros mais pi- quenos sincoenta e dous mil rs.”. Arquivo da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Sé de Lisboa, Livro de Receita e Despesa de 1642-1672, fl. 38 Vº. Informação inédita gentilmente cedida por Vitor Serrão. Deste conjunto de dez peças apenas uma, de formato oval, está inventariada e identificada - Adoração do Santíssimo Sacramento pelos Anjos. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 8. o desenho cuidado. Esta pintura é marcada pela paleta cromática de Martim Conrado: vermelhos, azuis, violáceos, acompanhados AO BALCÃO de tons e matizes suaves, cálidos e desmaiados, numa experiência cromática e formal de influência sevilhana (Francisco Pacheco, Juan de Roelas, Juan del Castillo), madrilena e andaluza (Vicente Carducho, Eugénio Cajés, Juan Bautista Maino, Pablo Legot) e toscano-lígures (Pietro Sorri, Giovanni Battista Paggi). Apesar de seguir Martírio de Santa Úrsula e das onze mil virgens, Martim fielmente, sem invenção, a gravura de Johannes Sadeler Conrado, 1653 (pormenor). I14 e pintura de Peter Candid15, Conrado mostra conhecer Foto ISOPO. bem a obra de José do Avelar Rebelo do qual assimilou 8 a plasticidade, o domínio do tenebrismo e naturalismo, celestial, povoado de anjos esvoaçantes que, segurando palmas os efeitos de claro-escuro e jogos de luminosidades, as e ramos, polvilham com folhas, pétalas e flores o espaço superior palpitações cromáticas e as vaporosidades do espaço16. permitindo que algumas flores atinjam o solo; e o terreno A qualidade estético-formal do Martírio de S. Úrsula e composto por Santa Úrsula e as suas companheiras martirizadas das onze mil virgens justifica-se por ser obra de uma fase pelos hunos. amadurecida do pintor17, por se tratar de encomenda Por Santa Úrsula passa uma linha vertical imaginária para uma igreja jesuíta, onde prevalecia a qualidade, que divide o quadro em dois rectângulos, ficando o lado bem como pela dotação feita pelos instituidores para as esquerdo mais “pesado” que o lado direito. No primeiro, obras do altar e retábulo. estão representadas duas imponentes figuras masculinas A composição é caracterizada por um sentido em contrapposto, corporeamente volumosas e de marcada cenográfico e dramático: a postura de Santa Úrsula, musculação, que seguram flechas e espadas, ferindo e degolando de mãos e olhos direccionados para o céu, revela uma as santas virgens. Um anjo esvoaça sobre o cenário do massacre resignação ímpar de sofrimento perante o martírio, com uma coroa de louros e palma de martírio. enquanto a coroa simboliza a sua origem principesca; os Misteriosamente, circulam entre as santas três figuras gestos, particularmente das duas mártires (canto inferior masculinas, sendo uma delas um homem de idade avançada e direito), uma com flecha já crivada no pescoço e outra longas barbas brancas que clama aos céus em pose de oração. A levantado os dois braços em acto de entrega voluntária tiara tripla (triregnum) remeterá para o imaginário papa Ciríaco. ao sofrimento; dos corpos das virgens prostrados no Uma paisagem marítima de boa perspectiva compõe o centro solo, sem vida, crivados de flechas, jorram gotículas do quadro enquanto os hunos e anjos pela sua obliquidade de sangue; a virgem, que preenche uma mancha acrescem dinamismo à composição18. significativa da composição (canto inferior direito), O Martírio de Santa Úrsula e das onze mil virgens, de Martim de seio desnudado, apresenta um desenho cuidado, Conrado, retábulo “maravilhoso de concepção”19 encontra-se embora convencional, onde as dobras e transparências registado nos inventários do século XVIII: “Item hum Retabulo de dos tecidos e as qualidades vítreas dos objectos de adorno (colar e brinco) estão plasticamente valorizados; Santa Ursula pintado em pano com molduras de pao douradas de olhar estupefacto, mas sereno, a multidão feminina que cobre o santuário”; “Item hum painel com a imagem de Stª. (lado direito) aceita o massacre; os hunos irrompem na Ursula pintado em pano com molduras de pao douradas que retaguarda matando impiedosamente as santas cujos cobre o santuário”. corpos, ao se afastarem do espectador, tornam-se difusos Só nos anos 80 do século XX, por diligências de Rui Carita e e amorfos, contrapondo-se ao grupo central, Santa Úrsula de D. Teodoro de Faria, então Bispo do Funchal, foi apeada a tela e companheiras, muito bem desenhado e definido; que cobria o excelente relicário da Capela da Onze Mil Virgens20. apesar das inúmeras figuras existe certa preocupação de A pintura transitou, mais tarde, para a sala que antecede a individuação (rostos, expressão, indumentária, adorno). sacristia do lado do Evangelho do Colégio e depois para o Museu Dois mundos são apresentados ao espectador: o de Arte Sacra do Funchal. Maio de 2010 14 Johan Sadeler I ou Johannes I Sadeler ou Jan I Sadeler. 15 Peter Candid ou Pieter Candid ou Pieter de Witte. 18 Para a análise desta pintura seguimos o nosso texto “Martírio de Santa Úrsula e das Onze Mil Vir- 16 Outros retábulos proto-barrocos portugueses representam esta lenda seguindo a gens”, in Obras de Referência dos Museus da Madeira – 500 anos de História de um Arquipélago, Galeria gravura de Johannes Sadeler I e muito próximos dos formalismos de Martim Conrado: Museu do Rei D. Luís I - Palácio Nacional da Ajuda, Novembro 2009 /Abril 2010, Lisboa, 2009, (catálogo). Nacional de Arte Antiga, Inv. 1008 Pint, proveniente do Mosteiro da Esperança de Lisboa; Pa- 19 Eduardo Pereira, Ilhas de Zargo, Vol. II, 4ª. Ed., Funchal, C.M.F., p. 708. Fernando Augusto da Silva lácio Fronteira; Sé Velha de Coimbra. Ver Vitor Serrão, A Pintura Proto-Barroca em Portugal: repete textualmente a opinião do autor das Ilhas de Zarco. Colégio e Igreja de São João Evangelista do 1612-1657 - Os pintores e as suas obras, Vol. II, Dissertação de Doutoramento em História Funchal – Breve monografia histórica, Tip. Minerva, Funchal, 1947, p. 27. da Arte, Coimbra, 1992, pp. 873-892; José Alberto Seabra Carvalho, José Luís Porfírio, Maria João Vilhena, A Espada e o Deserto, Lisboa, M.N.A.A., 2002, pp. 26-27; Luís de Moura Sobral, 20 A desmontagem da tela foi realizada em Março de 1984, na presença do Exª. Revª. D. Teodoro de Pintura Portuguesa do século XVII - histórias, lendas, narrativas, Lisboa, M.N.A.A., 2004, pp. Faria, Bispo do Funchal, por Rui Carita e Flores Gomes (Historiadores), pelos Aspirantes Tavares e Pereira 190-191. (estudantes de Engenharia das Faculdades de Lisboa e Porto), e ainda por Rui Oliveira (Pintor). 17 Segundo Vitor Serrão “trata-se de uma obra avantajada e que mais assegura as poten- cialidades do artista”. O triunfo do naturalismo e do tenebrismo…, Vol. II, p. 880. 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  • 9. Vistas de “cima” e de fora: olhares AO BALCÃO sobre os madeirenses, no século XVIII. Cristina Trindade Até ao advento da autonomia regional, a governação das terras do arquipélago da Madeira era, excepção feita às câma- ras municipais, protagonizada por uma série de personalidades enviadas do Reino que, frequentemente, vinham para a Ilha muito pouco informadas sobre o que iriam encontrar. 9 Quando, por acaso, coincidiam os períodos de início de fun- ções dos dirigentes vindos de fora – governador, bispo, provedor da fazenda e juiz de fora - a situação podia tornar-se delicada, conforme se depreende das palavras do governador D. Álvaro José Xavier Botelho de Távora que, em 1754, se preparava para trocar a Ilha pelo Brasil, onde fora colocado. Dizia, então, o go- vernador, em missiva que enviou a um dignitário da corte que “com governador novo; bispo novo; juiz de fora novo e prove- dor novo, que novidades se não podem esperar de inquietação nesta Ilha, vindo 4 cabeças com 8 olhos cegos que, se se guiam ra, Eusébio de Freitas Barreto, afirmava serem os ilhéus pelos da terra, vão parar a um precipício; e se se guiam a si, vão “pela sua ambição (…) faces de levantar testemunhos parar a uma cova” 1 . A mesma ansiedade perante o desconheci- huns aos outros para melhorarem as sua pretensões”, do se pressentia no bispo D. Frei Manuel Coutinho (1725-1741) enquanto o padre Filipe de Ocanha, ouvido no âmbito que, querendo prover benefícios eclesiásticos pouco depois de de um outro processo para o mesmo fim, não hesitava ter chegado à Madeira, acusava o desconforto de ser “necessa- em declarar que “na Ilha da Madeira e cidade do Funchal rio atinar sem ver por onde”2. Passado, porém, algum tempo de havia por costume antigo nos moradores della o terem presença na terra, os contornos do local e as características da por christãos-novos todos os sogeitos que ahy hião mo- população começavam a desenhar-se com maior nitidez, o que rar de outras terras”5. O vigário geral do bispo seguinte, já permitia aos forasteiros pronunciar-se com outro conheci- D. Frei Manuel Coutinho, também não tinha os madei- mento de causa e produzir um conjunto de apreciações de onde renses em muito melhor consideração, conforme se de- se seleccionaram algumas que aqui serão agora apresentadas. preende do teor de uma missiva que enviou a António Assim, em 1686, o reitor do colégio da Companhia de Jesus, de Miranda, desembargador da Relação Patriarcal, na Luís Severim, em memorial enviado aos inquisidores de Lisboa, qual opinava que “esta gente” era “de ânimos inquietos” pronunciava-se sobre os estudantes madeirenses, afirmando e vivia “dominada de sua vontade e apetites com atrevi- que “nesta terra são livres e indomaveis commumente”, pelo mento e soltura”, e temendo que o interlocutor achasse que era difícil corrigir os abusos que praticavam em alguns ofí- que exagerava, desafiava-o a que cá “viesse estar humas cios de defuntos que faziam “de modo ridiculo” e “por mais que ferias, e depois disso estou por tudo o que Vossa Merce os reitores antigos os prendião, não se tiravam estas enormes quizer a respeito dos ilheus”6. indecências”. Não lhe restando outra alternativa, apelara para o O entendimento que os detentores do poder político bispo “cujas forças”, porém, “aqui não chegam a tudo porque a faziam da índole dos gentios não era substancialmente terra he conquista enfim onde se vive muito potentadamente”, diferente dos juízos produzidos pela hierarquia religio- ideia que voltava a reforçar mais para o fim do texto, quando sa, o que facilmente se demonstra pela opinião expressa observava que “nesta terra tudo são fumos de fidalguia”3. pelo corregedor Francisco Moreira de Matos que, em Uns anos mais tarde, em 1707, era a vez do bispo do Fun- carta de 1768 dirigida a Francisco Xavier de Mendonça chal, D. José de Sousa de Castelo Branco (1698-1722), usar a Furtado, não ocultava o desencanto quando afirmava sua permanência na Ilha para afirmar que “ (…) a assistência de que “Em quatro meses que vivo neste lugar (…) tenho dez anos, e o trabalho de sofrer esta gente me tem dado conhe- conhecido que a maior parte dos seus habitantes são cimento do seu orgulho e dos seus atrevimentos. Saiba Vossa homens de perversa natureza e que, esquecidos das leis Senhoria que não estou entre gente, senão em hum bosque de divinas e humanas, vivem sugeitos a sua vontade desor- feras sem nenhum conhecimento nem obediencia da razão, le- denada, e amor próprio e paixoens particulares. (…) Sem vados tão somente de suas paixoens como brutos sem temor ser emcarecido, posso afirmar a Vossa Excia que a lei de Deus, nem da honra, nem previzão de futuros”4. Em 1716, porque se governa a maior parte destes habitantes sam este mesmo prelado, chamado a pronunciar-se no processo de os sete pecados mortais (…)”7. Em 1774, era a vez de o habilitação ao Santo Ofício de um homem de negócios da ter- governador João António de Sá Pereira manifestar o seu Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 10. desagrado em relação à principal nobreza insular, que considerava possuidora de “espíritos inquietos, livres, Ao Balcão soberbos e indomáveis”8. No mesmo ofício, dirigido ao AO BALCÃO ministro Martinho de Melo e Castro, acrescentava, um pouco mais adiante, que “Alguns dos Principais desta Paula Almeida Ilha, ou por verem reprimida a sua mal intensionada li- Sábado, 15 de Maio de 1897 berdade, ou por terem sido advertidos e castigados, (…), he certo que sofrem mal tudo o que lhes obsta aos seos O Funchal assistiu à primeira sessão de animatógrafo reali- escandalozos costumes”, opinião que o ministro destina- zada na Ilha1. Esta sessão foi promovida pelos irmãos Henrique tário da carta subscrevia, em 1781, nas Instruções que Augusto (1856-1934)2 e João Anacleto Rodrigues (1869-1948)3, entregou ao governador D. Diogo Forjaz Coutinho, pelas proprietários do primeiro animatógrafo que figurou no Funchal quais alertava o governante para o facto de na Madeira e que fora adquirido em Paris. 10 se encontrar “ (…) hum corpo de Nobreza digno de mui- Antes da primeira sessão pública ocorreram vários ensaios ta atenção pelos seos destinctos nascimentos, e antigui- com o animatógrafo, no Teatro D. Maria Pia (actual Teatro Bal- dade das Familias do mesmo Corpo: tem elle, porem, a tazar Dias), tendo tido a imprensa regional um convite especial. infelicidade de ser na maior parte criado desde a Infan- cia sem alguma educação, vivendo em huma profunda O programa das sessões de Sábado, Domingo e Segunda- inacção e ociozidade, e preocupado de hum espírito de -feira, publicado nos jornais Diario de Noticias e Diario do vaidade e soberba, e destes defeitos não se podendo es- Commercio, era composto por doze curtas-metragens, regis- perar grandes acertos; mas antes pelo contrario garves e tos documentais à moda dos irmãos Lumière. Numa primeira repetidos desmandos (… )”9. parte, foram exibidos seis quadros. Após um intervalo de vinte Este conjunto de pontos de vista, tão consonante minutos, na segunda parte, os espectadores viram outros seis e tão pouco abonatório para as gentes da Madeira, só quadros. pode ser entendido à luz de uma tenaz oposição que os O espectáculo começou às vinte horas e trinta minutos, madeirenses oporiam, por sistema, a umas personagens mas a entrada dos espectadores deveria efectuar-se meia hora que, vindas de contextos exteriores e desconhecedoras antes, o que dava, pensamos nós, um carácter cerimonioso à da realidade regional, pouco depois de cá chegarem se sessão. arrogavam o direito de lhes dizer como deviam conduzir as suas vidas. A visão que os ilhéus, particularmente os O agrado foi geral e o público, que aplaudiu com entusias- nobres, tinham de si próprios conflituaria, com certeza, mo, esperava, ansiosamente, por novos espectáculos4. As ses- com a forma como os recém-chegados os encaravam, sões de Sábado e Domingo foram muito apreciadas pela novi- pois enquanto os “principais” da terra, na falta de hori- dade e pelas excelentes vistas exibidas5. A diversão foi muito zontes mais vastos, estavam habituados ao respeito que concorrida, “ (…) sendo de presumir que todos os que lhes suc- o seu estatuto localmente lhes conferia, os governantes, cederem levem ao theatro grande concurso de espectadores, provenientes de uma corte onde pululavam indivíduos porque a cousa é boa e barata”6. Os espectáculos eram abri- de muito elevada estatura social e económica, não reco- lhantados pela música de uma orquestra regida por Nuno Gra- nheciam nos gentios condições para outro procedimen- celiano Lino7. to que não o da obediência respeitosa. O choque des- tas duas formas de encarar o mundo conduziu, então, à Os filmes exibidos nas primeiras sessões de animatógrafo, construção de um universo de juízos muito pejorativos no Funchal, são do formato Joli-Normandin. Estas películas, de que tem, no entanto, de ser analisado tendo em conta as origem francesa, datam de 1896 e 1897. Estas fitas raras são, circunstâncias que presidiram à sua emissão. actualmente, de importância internacional. A raridade destes filmes de 35 mm reside no facto de terem cinco perfurações Notas 1 Rui Carita, História da Madeira, vol. IV, O século XVIII: arquitectura de poderes, Fun- laterais em vez das habituais quatro, sendo apenas compatíveis chal, ed. da Secretaria Regional de Educação, 1996, p. 40. 2 ARM, APEF, Memorias dos Acontecimentos …, fl. 121. 1 A primeira projecção mundial ocorreu, em Paris, em Dezembro de 1895; e em Lisboa seis meses 3 Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha, A Madeira nos arquivos da Inquisição, em Actas mais tarde, em Junho de 1896. do I Colóquio Internacional de História da Madeira, vol. I, Funchal, edição da DRAC, SRTCE, 1989, pp. 718-720. 2 Natural de Câmara de Lobos, bem como os irmãos, Henrique Augusto fez parte do Partido Republi- 4 Idem, A Inquisição na Madeira no período de transição entre os séculos XVII e XVIII cano Português, tendo, após a Implantação da República, desempenhado vários cargos públicos, entre (1690-1719), em Actas do III Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, edição, eles o de Vogal da Câmara Municipal do Funchal. Foi, ainda, um dos corpos dirigentes do Auxílio Mater- 1993, p. 887. nal. Foi, juntamente com os irmãos, dono e fundador do estabelecimento comercial Bazar do Povo. 5 DGARQ, TSO, CG, Habilitações, Eusébio, mç. 1, doc. 21, fl. 60v. e Nicolau, mç. 5, doc. 3 Fotógrafo amador fotografou alguns aspectos da vida madeirense, como transportes e paisagens do 79., fl. 17v. Arquipélago da Madeira, dos Açores e das Canárias. Foi também sócio da firma H. M. Borges Sucrs., Lda. 6 ARM; APEF, Memorias dos acontecimentos…, fls. 253 e 258. e chefe da firma Henriques & H. Rodrigues & Cª. Simultaneamente, foi Vice-Presidente da Assembleia- -geral da Associação Comercial do Funchal. Politicamente, ocupou o cargo de Vogal Vereador da Câmara 7 AHU, Madeira, cx. 2, doc. 302. Municipal do Funchal. 8 AHU, Madeira, cx. 3, doc. 430 4 Diario de Noticias, ano XXI, Nº 6058, Terça-feira, 18 de Maio de 1897, p. 2 9 Nelson Veríssimo, As Instruções para o governador D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho (1781-1798), em As sociedades insulares no contexto das interinfluências culturais do século 5 O Diario do Commercio, ano I, Nº 204, Terça-feira, 18 de Maio de 1897, p. 2 XVIII, Funchal, ed. do CEHA, SRTC, 1994, p. 192. 6 O Diario do Commercio, ano I, Nº 204, Terça-feira, 18 de Maio de 1897, p. 2 7 Diario de Noticias, ano XXI, Nº 6062, Sexta-feira, 22 de Maio de 1897, p. 2 Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 11. AO BALCÃO 11 com o projector Joli-Normandin, cujo nome deriva da junção - CARITA, Rui; MELO, Luís Francisco de Sousa, 100 Anos do Teatro Muni- dos apelidos dos dois engenheiros franceses que os concebe- cipal Baltazar Dias, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1988. ram. Estes concorrentes dos Lumière criaram uma câmara, um - CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses – sécs. projector e um tipo de filme. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983. - FREITAS, António Aragão de; VIEIRA, Gilda França, Madeira, Investiga- A Madeira tem hoje uma das maiores colecções de filmes ção Bibliográfica, 3 vol., Funchal, SRTC/DRAC, 1984. neste invulgar formato. A colecção é “especialmente importante - MARQUES, João Maurício, Os faunos do Cinema Madeirense, Fun- não só por terem sido os primeiros filmes a terem sido exibidos chal, Editorial Correio da Madeira, 1997. na Madeira mas também por terem uma relevância internacio- - Cinema na Madeira. Prontuário do Cinema. [Em Linha]. [Consultado nal porque são bastante raros”8, afirmou Tiago Baptista aquan- em 28 de Março de 2008]. Disponível em <http:// www.cineme- do da sua deslocação à Madeira em 2006. E acrescentou que dia-mac.com/index_port.asp>. “só se conhecem três colecções em todo o mundo, de formato - FLORENÇA, Teresa, Museu “Vicentes” guarda Filmes Raros. [Em Li- Joli-Normandin, incluindo esta do Museu Vicentes”9. As outras nha]. [Consultado em 5 de Abril de 2008]. Disponível em <http:// colecções encontram-se na Filmoteca Espanhola de Madrid e ilhadamadeira.Weblog.com.pt/arquivo/236718.html>. na Cinemateca Suíça. - PORTUGAL. Arquivo Regional da Madeira – Registos de baptismo [Em Linha]. Funchal: A.R.M., 28/04/2007. [Consultado em 28 de Abril 2007]. Disponível em <http://62.48.223.202:81/bds/baptismospt/ BIBLIOGRAFIA E WEBGRAFIA ClistaBaptismolist.asp>. - CALDEIRA, Abel Marques, O Funchal no Primeiro Quartel do Século XX, 2ª edi- - Programação da Cinemateca – Abrir os Cofres. [Em Linha]. [Consulta- ção, Funchal, Editorial Eco do Funchal, 1995. do em 5 de Abril de 2008]. Disponível em <www.madeira-edu.pt/ SRELinkClick.aspx?p1=0&p2=6847&p3=f>. 8 Tiago Baptista, Investigador de História do Cinema Português ligado a projectos de restauro da Cinemateca Portuguesa do Departamento do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento, citado em PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS Jornal da Madeira – Revista Olhar, nº 165 (17/06/2006). [Em Linha]. [Consultado em 21 de Janeiro de - Diario de Noticias, Março de 1895 a Junho de 1897. 2007]. Disponível em <http://www.cinemedia-mac.com/index_port.asp> - Diario do Commercio, Setembro de 1896 a Junho de 1897. 9 Tiago Baptista citado em Idem Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 12. Convite à leitura de textos publicados e a publicar proximamente Fora da Estante Retirámos da estante, desta feita, três livros que correspondem a trabalhos do Presidente do CEHA, Professor Alberto Vieira e de duas jovens que, não tendo formação inicial, em História, revelam para esta uma enorme apetência que colocam, com qualidade, nas suas investigações. A produção científica destas jovens investigadoras, neste caso resultante das respectivas Dissertações de Mestrado, revela, claramente, o paradigma do investigador em Ciências Sociais e Humanas, do séc. XXI. Em primeiro lugar, porque se enriquece com os aportes pluridisciplinares; em segundo, no âmbito de uma importante revalorização da História, uma marca de lúcida evolução na medida em que, da e na História, o investigador, em SCH, recolhe e sedimenta os fundamentos das suas hipóteses e das suas conclusões. 12 Do Éden à Arca de Noé – do século XVIII [ter perdido] o medo ao mundo circundante e [ter passado] a olhá-lo com maior curiosidade” (p.31). Este facto o madeirense e o quadro natural, implica que sucessivas expedições se desloquem à Região, com esse propósito exclusivo, ou em passagem em direcção a outros Alberto VIEIRA1 distintos destinos. A região-rota-do-mundo marcará, de forma perene, formas de estar e de intervir, de crescer e relacionar-se Deste texto, sobressai a com o Outro, que são absolutamente únicas. Gradualmente, o qualidade literária do legado porto do Funchal (p. 35) afirmou-se como porta global e propor- histórico que o autor apresenta cionou novas realidades: “O Turismo caminhou lado a lado com e organiza numa data prévia às o vinho e o aparecimento de novas actividades” (p.35). grandes manifestações globais Incluindo uma importante colectânea de textos literários acerca das questões ambien- (prosa e poesia) acerca da ilha-Madeira, este livro inclui, igual- tais. Trata-se de um relevante mente, uma colectânea de documentos e estudos dos primeiros estudo relativo ao ímpeto eco- relatos da chegada à Ilha [Relação de Francisco Alcoforado] a ou- lógico, da decisão económica e tros mais recentes. Permanece um importante acervo de infor- financeira, da importância da mação avant la lettre relativamente a uma vertente das preocu- Ilha da Madeira nesse quadro e pações actuais do planeta: a [re]valorização do legado primeiro: no da preservação da casa glo- a natureza. bal, situando a Eco-História como discurso científico. Esta publicação recolhe diversos contributos, neste domínio, que consubstanciam a evolu- Phelps, percursos de uma Família Britânica ção da Ilha, em termos humanos, organizada em função na Madeira de oitocentos, do que o seu autor designa como “projecto de investiga- ção em que se pretende aclarar e fundamentar as refe- Cláudia FARIA2 rências com uma abordagem exaustiva da inter-acção do madeirense com o quadro natural” (p.11). Refere o au- tor a importância do ambiente – para além da “denúncia Esta obra, publicada por “Funchal pública” (p.12). Com efeito, o âmbito da “reflexão histó- 500 Anos”, em 2008, exibe uma orga- rica e historiográfica” (p.12) é, amplamente, situado em nização irrepreensível, amiga do leitor, termos de contributos, no texto introdutório deste livro. cuidada e rigorosamente criteriosa, Do impacto da agricultura aos jardins (sempre a par de quanto ao anexo documental, fontes e referências importantíssimas nos respectivos domínios), bibliografia. A selecção de imagens é este livro faz-nos percorrer as definições terminológi- envolvente, interessante. No entanto, cas dos novos campos científicos e do lugar ímpar que a uma precisão mais cuidadosa relativa- Ilha-Madeira ocupa como campo de estudo e de acção. mente à localização seria bem-vinda. Percorrendo os tempos desde o início do povoamento da As primeiras mundializações, trou- Madeira, as rotas das principais produções com relevância xeram à Madeira uma significativa económica e financeira, o autor releva o facto do “homem 1 Vieira, Alberto (1998). Do Éden à Arca de Noé – o madeirense e o quadro natural. Ed. 2 Gouveia, Cláudia (2008). Phelps, percursos de uma Família Britânica na Madeira de oitocentos. Ed. Secretaria Regional do Turismo e Cultura/CEHA, Col. Documentos (nº 8). ISBN 972-8263-12-0. “Funchal 500 Anos”, Col. Funchal 500 Anos (nº 5). ISBN 978-989-95637-6-6 Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 13. presença britânica que vastas gerações, pré-paradigma de mul- Da Madeira para o Hawai: a emigração e o ticulturalidade recordam como marca da sociedade madeirense. contributo cultural madeirense Fora da Estante Cláudia Faria aventura-se, então, pela História dessa presença através da descoberta de uma família – Phelps – cujas “peripé- Susana Caldeira, 3 cias” não adivinhamos na frequente passagem, no Funchal, pelo O trabalho resultante da Dissertação de Mestrado de largo que ostenta o seu nome. O legado desta família - como Susana Caldeira será, muito brevemente, publicado pelo muitas outras famílias britânicas que para a Madeira se desloca- CEHA, na sua colecção digital “Teses”. Mais um passo ram - encontra-se ligado ao comércio do vinho mas destacam-se deste Centro na perenização dos contributos científicos “pelo papel activo que mantém na vida quotidiana madeirense de para o estudo da Madeira, da sua diáspora, em suma, da oitocentos, fazendo parte não apenas da Associação Comercial Ilha e do modo como ela se realizou [e realiza] no Mun- do Funchal como também de outras associações de âmbito so- do. 13 cial, cultural, e filantropo (…)”(p 17). Logo no capítulo “Introdução” deste trabalho, a au- O casal Phelps, em especial a esposa, dedicou-se, igualmente, tora estabelece um percurso ausente de “fronteiras entre “às causas da cultura e da educação, fundando a Escola Lancaste- domínios da História, Antropologia, da Sociologia ou riana” que, a par de muitas actividades de natureza social, cultural Etnologia” (p.8). Assim, do cruzamento científico entre e humanitária, justificam, segundo a autora deste estudo, a sua os olhares com que constrói e sedimenta este estudo, a pertinência e relevância. A rigorosa preocupação que a autora autora realiza uma cativante viagem, a espaços quase “ro- revela com as fontes primeiras denota estirpe de historiadora e manesca”, diríamos, para este surto emigratório, referen- assinala o que referimos quanto ao paradigma do investigador tes a um “panorama económico débil”. Penosa diáspora em CSH, no século XXI. que “chapeava” a dignidade com o metal e o número - o “ Interessam-nos, particularmente, a actividade cultural e bango” (p.129) - etiquetando, então, a multiculturalidade educativa deste casal Phelps pelo que significa na Historia das com o sinal menor de ofensa à dignidade. Instituições Educativas, no séc. XIX, na Região e que contribui, Da vida na plantação, das tradições e de um relevante ainda hoje, de forma relevante através, por exemplo, de outras papel da mulher na “administração da casa”, do registo da instituições como, por exemplo, a Escola Britânica no Funchal. faielense Antónia Pereira que chegou a atingir a, marca- A Escola Lancasteriana, imbricada nos passos do ensino público, damente masculina, posição de “luna”4 a autora acentua com métodos inovadores, nas redes religiosas que presidiram à o modo como a replicação de hábitos e costumes madei- sua formação e as que dominavam a Madeira de então - confi- renses se processava. Assim, as vivências da “ilha velha” se gura uma espécie de “franchising” educativo, formato que se es- conservam no museu da vida, a que juntaram os rituais tendeu a diversos países europeus, como descritos no ponto 4.2.3. religiosos a par de familiares que perpetuaram modos de (p.106), deste estudo. estar e de agir, agregaram a comunidade mas favoreciam a Aliás, interessantes também, as referências (p.107) que são discriminação. Com efeito, cedo os “Pokiki” (p.160) com- feitas ao curriculum proposto do qual “destacamos a urgência do preenderam que as “fronteiras” da identidade são fonte de ensino das línguas em particular do latim, do Inglês e do Fran- isolamento e que a ‘assimilação’ se imporia como meio de cês, a reformulação geral do método de ensino, a criação de um diluir as diferenças, garantindo, até, demografica, e acul- inspector e de vigilantes e sobretudo conservar-se o útil, criar-se turadamente a continuidade da população havaiana que, o necessário e dispensar-se o supérfluo e inútil” (p.107). Opina por esta altura, ameaçara os graves efeitos de redução. a autora acera da “actualidade destas palavras” e corroboramos Culturalmente importa referir a ascensão e queda das no sentido de relevar o interesse desta investigação e o desafio associações portuguesas e dos jornais de língua portugue- que representa ler este texto, tomar conhecimento acerca deste sa indicadores, respectivamente, do enfoque na identida- legado, fundamental no quanto é pertinente e precursor não só de lusa e na subsequente aculturação/americanização dos em termos curriculares mas, também, no que respeita à formação ilhéus idos [pp 223-24]. de professores. As “serious acquisitions of americanism” (p. 163), fa- Como docente, incido o olhar muito mais interessadamente vorecidas pela anexação, representaram, então como ago- nestes capítulos [os referentes à Educação]. É, no entanto, com ra, a absoluta necessidade que os madeirenses experimen- vivo prazer e atenta curiosidade que lemos este texto que po- taram no sentido da “fusão cultural”. Então, como agora, a derá, mais tarde, ver enriquecidas as suas páginas com análises deslocalização de mão-de-obra barata feriu os sonhos de mais aprofundadas, em especial no que respeita ao “Diário” de estabilidade financeira de muitos dos ilhéus portugueses Mary Phelps que, segundo a autora, será o alvo das suas provas que foram, gradualmente, assistindo à sua substituição, de Doutoramento. nos campos, por asiáticos. 3 Tese de Mestrado (UMa, texto policopiado). 4 Nota 404 da p.137 do texto referido na nota anterior. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 14. DIGIT@NDO sítios e blogues que recomendamos sítios De entre os muitos sítios que consagram a Madeira como rota de cultura e que relevam o excelente trabalho que muitas instituições – particulares e oficiais – desenvolvem com reconhecida qualida- Digit@ndo de, recomendamos, neste número da Newsletter, os que se seguem. O sítio da UNESCO contribui – a par dos outros referidos - para a projecção global deste riquíssimo património. Manifestamos, assim, o nosso profundo reconhecimento por esse trabalho. http://whc.unesco.org/en/list/934 [acedido a 30.05.2010] Sítio da Unesco sobre a herança cultu- ral do Mundo: Floresta Laurissilva madeirense. http://www.pnm.pt [acedido a 30.05.2010] Sítio do Parque Natural da Madeira. 14 http://www.madeirarotadacal.com/Default.aspx [acedido a 30.05.2010] Sítio do Núcleo Museoló- gico da Rota da Cal. por entre livros e leituras. Da leitura à escrita foi um pequeno passo (…)”. Do seu blogue Alguns Anos Depois “criado em Abril de 2006, (…) registo de um percurso de auto-descoberta e aná- lise do mundo que a rodeia” escolhemos este texto, publicado a 10.02.2010: “ILHA Pequena? Não é nada pequena! Falta de espaço é algo que A denominada Blogosfera proporciona, também na não existe quando a limitação está simplesmente na nossa Madeira, amplo acervo de “olhares” acerca da Ilha. Fon- cabeça. Únicos? Isso de certa forma seremos sempre, como te, como referido, da “História imediata” o blogue é uma seres individuais, mas não seremos nunca únicos naquilo que referência importantíssima, monólogo, diálogo, locus fazemos, porque o que nos torna melhores ou piores não é privilegiado de debates e discussões, marca da subjecti- o isolamento no sucesso, mas sim a existência na imensidão. vidade e das relações intersubjectivas que o mundo ac- Melhores? Isso seremos sempre que acordarmos para a vida tual assim vai “formatando”, a par das designadas redes e quisermos evoluir. Melhores que os outros, isso não exis- sociais. te, porque nunca teremos a verdadeira noção da realidade do As escolhas são, por isso, rigorosamente discutíveis, que são os outros e às vezes nem teremos a noção de quem subjectivas, enfim. Do percurso e, num quadro de coe- somos nós mesmos… rência com os propósitos enunciados para este núme- Neste espaço considerado pequeno não terei mais espaço ro, aportámos no Blogue de Joana Homem da Costa de se afastar de mim todos os que me põem em causa. Concor- onde retiramos, com a sua anuência, um texto que con- rência? É a representação da nossa insegurança e medo de fa- sideramos paradigmático do desafio que estas “novas lhar que está fora de nós, porque um dia fizeram-nos acreditar fontes” representam para o historiador. que a solução era sermos únicos e que a existência de mais No seu sítio1, Joana Homem da Costa diz-nos ter nas- poria a nossa existência em causa. Inveja? Isso existe muitas cido “no dia 11 de Março de 1981, no Funchal, na Região vezes na nossa cabeça para justificar os importunos que vêm Autónoma da Madeira. No Instituto Superior Técnico (…) do exterior e que nos fazem questionar ou duvidar… encontra-se a concluir a sua Dissertação de Mestrado” Queremos ser únicos à força, por isso afastamos a con- subordinada ao tema “Avaliação do Desempenho dos corrência, achamos que somos melhores e por isso mesmo Sistemas de Gestão de RSU na Região Autónoma da Ma- únicos. Falta de espaço para mais que um? Falta de espaço deira”. “Pertencendo a uma família de docentes, princi- para querermos ser o que realmente importa, únicos em nós palmente ligados às letras, embora tal não tenha pesado mesmos, originais e simplesmente nós. E se existirem outros? na sua escolha académica, sempre esteve imersa e aten- Se o caminho é para a frente, podemos contornar a multidão, ta às realidades inerentes à escrita. Despertou para esta desviarmo-nos pelo caminho, mas não existe a necessidade de forma de observar e descrever a vida durante os longos passar por cima de ninguém, nem querer que o espaço esteja passeios com o seu avô, professor de Português, Gusta- despovoado para nos sentirmos realizados. Nós somos nós, vo Caetano, vindo mais tarde a trabalhar ainda mais este únicos pelo valor que conquistamos, valor esse que não rou- desenvolvimento mental na psicoterapia. (…) Cresceu bamos de ninguém, existe para todos…” 1 In http://www.joanahomemdacosta.com Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 15. notícias 1. NOvAS PUBLICAÇÕES 3. REvIStAS a. online International Journal of Science Educa- tion - Vol.32, n°9, juin 2010 Notícias Sítio de uma nova publicação online visando a divulgação da Cultura num espaço geográfico alargado e que inclui as Ilhas. http://www.paralelo33.com/ Paedagogica Historica - Vol.46, n°3, juin 2010 b. papel Lançamento do primeiro de três vo- 4. ORgaNizaçõES tRaNS-NaciONaiS 15 lumes da obra Património de Origem Portuguesa no Mundo, dedicado à [dEStaquES da Eu acERca da cultuRa E América do Sul. Arquitectura e Urba- daS ilhaS] nismo, obra coordenada pelo historia- dor José Mattoso, com Edição de prestígio, da Fundação Calous- Sítio da EU acerca da Cultura te Gulbenkian. http://www.gulbenkian.pt/index.php?object=160&article_ id=2523&cal=eventos http://europa.eu/pol/cult/index_en.htm 2. EvENtOS Sítio da EU acerca da vulnerabilidade das Ilhas 2010/07/26-30, Funchal [Madeira]: Congres- so sobre as ilhas do Mundo - CEHA 2010/07/18-25: Norfolk Island: 2010 Islands of History Conference [Conference for profes- sional historians]. http://www.islandvulnerability.org/europeanu- nion.html 2010/Agosto/18-22 Bretanha [France]: Salão Internacional do Livro Insular Coordenação dos próximos números 2010/10/ 25-29 Funchal [Madeira]: Semi- Setembro 2010 Ana Madalena Trigo nário: República e Republicanos na Madeira (1880-1926) Dezembro 2010 Filipe dos Santos Março 2011 Nélio Pão 2010/10/? Las Palmas [Islas Canarias]: Colo- quio de Historia Canario-Americana Governo Regional da Madeira 2010/08/23-26, Bornholm [Denmark]: ISISA Conference Islands of the World XI Secretaria Regional da Educação e Cultura Centro de Estudos de História do Atlântico 2010/08/27-30, Ven [Sweden]: Finding their Rua das Mercês, 8 Place: Islands in Social Theory 9000-224 Funchal 2011/05/4-8, Malta: Taking Malta out of the Telef. (+351) 291 214 970 Box: Island Cultures, Economies, and Identi- ties Fax (+351) 291 223 002 Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 16. Destaque Papel principal - um destaque na Cultura madeirense 16 Escolhemos para destaque, nesta Newsletter, uma visitas me encheram de “orgulho madeirense” [com toda a “car- Instituição que, a par do Centro de Estudos de Histó- ga emocional” e até, talvez, irracional, que a expressão compor- ria do Atlântico, representa um insubstituível legado ta]. A todos os que contribuem para os que os actuais e os vin- da “Madeira-nova”, às gerações futuras. O Arquivo Re- douros possam conviver com os registos da nossa marca – a da gional da Madeira1 [http://www.arquivo-madeira.org/ cultura – o meu respeito. À Dra. Fátima Barros, em especial, o index.php] divulgado, neste Centro, aquando de uma nosso profundo agradecimento, por tudo. Cinco séculos de His- Conferência proferida pela sua Directora, Dra. Fátima tória, rigorosamente preservados, memórias que, esperemos, Barros, visa a “conservação e divulgação do património o futuro saiba acarinhar. Admitimos as manifestações de muita da Região, para memória futura”. É possuidor de um emoção, ao percorrermos este espaço, olharmos estes legados, vasto e diversificado acervo de onde podemos destacar partilharmos a certeza da Missão cumprida. Bem-hajam. um pergaminho datado de 1378 (pertencente ao legado de Rui Carita). Trata-se de uma Instituição-guardiã des- Deixemo-nos, então, guiar por Fátima Barros: ses mesmos, dado que uma das suas mais nobres mis- sões é a de – promovendo o acesso às fontes primeiras – torná-las disponíveis para a consulta diletante, ou de carácter científico, de quem o Arquivo procura. Fascina- dos pelo Edifício [do qual somos frequentes visitantes] e pelo seu valiosíssimo significado, propusemos à Dra. Fátima Barros que nos “guiasse” pelos meandros do seu “tesouro”. Dessas duas visitas, registamos o brilho/brio nos olhos e nas obras de todos os que contactámos, que nos explicaram e falaram do seu mister com o orgulho de quem – mais do que cumprir um desígnio profissio- nal – zela, cuidada e “religiosamente” por esses [muitas vezes] ténues legados dos avoengos. O Edifício é, no alto da colina, imponente. Uma grande obra. Digo, muitas “As minhas escolhas vezes, por convicção e por orgulho de aqui nascida, a nesta Casa da Cultura… grande obra da Madeira, no pós-25 de Abril. Aqui, foram O contemporâneo, am- construídas estradas e avenidas pelas quais passam os plo e luminoso hall de en- documentos antes de permanecerem disponíveis para trada. A distinta escadaria consulta. Observámos os depósitos de desinfestação, que nos conduz às salas de errámos pela arquivística, pela secção de digitalização. leitura do Arquivo Regional Estamos no séc. XXI: laboratórios fantásticos, bem equi- da Madeira e da Biblioteca pados, técnicos de altíssimo nível de especialidade e Pública Regional, dois es- rigor, preparados cientificamente. Por imposição dos paços de conhecimento e saber. Luminosidade. Infinidade. A tempos, observámos as diversas etapas de recuperação por que passam alguns, importantíssimos, documentos – plenos ainda da lama de 20/02. Essa também é uma tarefa que, actualmente, ocupa o ARM. No CEHA, como no ARM, a História da Região triunfa na certeza da sua preservação e edifica – projectando – as raízes do futu- ro. Muito idiossincraticamente, posso afirmar que estas 1 Daqui, em diante, designado pela sigla ARM. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 17. Destaque 17 arquitectura de um espaço que nos impele a entrar e convida à Bases de dados. Digitalização. Site. Newsletter. Ferra- quietude e leitura.O evidente contraste com as antigas instala- mentas de eleição nos arquivos da contemporaneidade. ções do Arquivo Regional. Outras portas de acesso ao Arquivo Regional. Tecnolo- gias que nos permitem ir mais além na nossa missão de As áreas de higienização e expurgo. Pelos estranhos equi- comunicação, informando melhor os nossos utilizadores pamentos. Pela dinâmica gerada com a entrada das grandes e aproximando públicos outrora tão distantes. O resulta- caixas plásticas azuis carregadas de “novos” documentos. Des- do do paciente e moroso trabalho dos nossos arquivistas carregar, desempacotar, higienizar, expurgar, inspeccionar, rea- e bibliotecários agora ao dispor de um clique. condicionar, transportar para os depósitos. De forma ordeira, com método, com rigor. E pelo que significam: que se cumpre o desiderato de enriquecimento e salvaguarda de memórias para as gerações futuras. Os depósitos do Arquivo Regional da Madeira. As cinzentas estantes geometricamente dispostas pelos vastos espaços. Os livros de séculos rigorosamente alinhados, etiquetados. As as- sépticas caixas cinzentas que protegem os documentos. O silên- cio e a semi-obscuridade. O novo a guardar o velho, em segu- rança e comodidade. Modernidade e antiguidade. Jovens alunos a invadir e explorar os nossos serviços. A Sala de Leitura com visitantes atentos. Professores a experimentar e usar os nossos instrumentos pedagógi- cos. Os coloridos e atraentes materiais pedagógicos do Serviço Educativo. A renovada loja do ARM. Tudo isto demonstra a vitalidade de uma instituição secular. Um arquivo que se quer vivo, dinâmico, aberto a toda a co- munidade. Eis o Arquivo da actualidade”. As áreas de restauro, acondicionamento e encadernação. Mãos pacientes e experientes consolidam papéis gastos, rein- tegram folhas perfuradas, restauram encadernações, concebem caixas de mil e um feitios e medidas. Um trabalho admirável. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 18. Memórias: na primeira pessoa Alice Guerra 18 Alice Ludgero Guerra é uma cidadã madeiren- fica desses mesmos registos. Em qualquer dos casos, tê-los se, com cento e quatro anos, a quem a imprensa re- em conta, na forma de registo que a actualidade permite, gional, nomeadamente o “DN Madeira”, já prestou representa uma importante mudança de paradigma histo- atenção e homenagem, em especial, com um inte- riográfico. ressantíssimo trabalho, da autoria da jornalista Zélia Castro, no “DN revista” a 04 de Janeiro, do corrente Optámos, neste caso, por colocar uma questão: “Como ano. era a cidade do Funchal do seu tempo?” e deixar fluir o discurso, não interrompendo, permintindo que os fios da As suas memórias confundem-se, por isso, com o memória se desenrolassem. “Escutemos”, então, um extrac- advento do séc. XX, na Madeira, e com a sua longa to do seu depoimento: história até hoje. Exemplo disso são os seus rela- tos acerca do modo como viu o Porto do Funchal “O Funchal do meu tempo era muito diferente. Lem- abraçar o mar, a construção de toda a rede viária bro-me, da “Pontinha” muito, muito pequenininha. Aquela asfaltada, percorrendo, ainda, a história da aviação, parte onde está, agora, a “Companhia da Luz” também foi, entretanto, muito alargada. Aquilo era tudo muito mais es- contando-nos, aliás, as múltiplas viagens a bordo treito, o chão de terra, terreno (no sentido de “em terra”). do hidrovião. Alice Guerra é detentora, como se diz O Mercado era apenas em baixo, depois subíamos uma es- nesse trabalho, de uma invulgar lucidez e de uma, cada para comprar o peixe. O Funchal era todo terreno, até também inusitada, agilidade mental. Descobrimos, aquela rua onde está agora o correio (refere-se à Avenida neste âmbito, os seus modos de relembrar a terra e Zarco) era também terreno. Os carros eram, maioritaria- as gentes que ilustram um modo de ver a Madeira mente, de bois. Lembro-me daqueles casamentos chiques, com o olhar que a maior parte de nós já só conhece na Sé. O carro de bois da noiva era engalanado com rendas. dos postais – os reais, os que os livros reproduzem As damas de honor seguravam na cauda do vestido, ao sair e os que, felizmente, a Internet ajuda a divulgar. A do carro de bois. Lembro-me da “Pontinha” ser aumentada. História conta, desde sempre, em termos metodo- Aos poucos foram acrescentando. Os barcos eram em gran- lógicos, com aportes de diversa natureza que com- de número. Ficavam ao largo. Fiz muitas viagens, saíamos põem o modus operandi de disciplinas mais recentes, do barco numa lancha e desembarcávamos, depois, no cais. como a Etnografia. Com efeito, os registos de His- Havia muito movimento de barcos. Também fiz muitas tória Oral consubstanciam uma importante fonte viagens no hidrovião. Havia muitos poços de “ar”. O lanche da historiografia actual, a par de outros métodos et- consistia em duas fatias de pão. As pessoas gritavam muito nográficos, que se afiguram igualmente, importan- por causa dos poços de ar. Demorava muito, a viagem, qua- tes. O confronto com outro tipo de fontes – que os tro horas. Aterrávamos [amarávamos] ao pé da “Pontinha”. ratifiquem ou excluam – no sentido da construção O hidroavião tinha um corredor, dois assentos de cada lado, da Ciência, completará o ciclo da validação cientí- uma casinha de banho e uma pia para lavar a cara. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com
  • 19. 19 No Funchal, fazia-se muitas quermesses que eram mui- No Natal, íamos à Missa do Galo. A empregada to divertidas. Às quintas-feiras e aos Domingos, no Jardim deixava a canja já feita. Chegávamos por volta das Municipal, havia música, pela Banda Militar. As pessoas, duas ou três da madrugada. Tomávamos a canja. De ao Domingo, iam até à “Pontinha” e vinham para o Cais. manhã, a Mamã preparava um cálice de vinho e uma Do terraço da nossa casa (à Rua Nova de São Pedro) as- fatia de bolo que era uma tradição. Cada uma de nós sistíamos às sessões de cinema no Jardim Municipal. Essa [as três irmãs] recebia o nosso vestido novo. Na pri- rua era, e ainda é, muito pequena. Mas era de muito boas meira oitava, era dia de visitar os Avós. O Fim-do- famílias. Havia muitas raparigas novas. A nossa casa tinha -Ano não era bonito como agora. Dávamos uns po- imensas janelas para o lado do Jardim o que levava a termos tes. Reuníamos a família, havia canja e bolo de mel. muitas visitas para os espectáculos. Da Rua Nova de São Pedro, viemos morar para a Rua Pedro José de Ornelas. Eram frequentes os casamentos à noite. Fomos Tinha um jardim grande e flores. Vivi, também, na Rua a muitos. Em muitas das festas, tocavam bandolim, das Hortas, mas não me lembro do número. Era à direita, era divertido. Depois começou a haver o rádio. Mas quem sobe. eu casei em Lisboa, na Igreja da Graça. Não tenho saudades de nada, gosto muito da vida. As melhores [Lembro-me perfeitamente do discurso do Salazar, no memórias da vida são do tempo de solteira e tam- Terreiro do Paço. O meu marido era de Lisboa, estávamos bém de casada: tive um marido muito bom e uma lá e fomos ouvi-lo. Lembro-me da voz dele, meia esquisita, sogra muito boa. O meu Pai comprava bilhetes para não era uma voz bonita. Lembro-me, ainda, das Aparições as temporadas de Teatro, dez espectáculos de cada de Fátima, debaixo de uma latada. Fomos logo a Fátima, companhia. Vinham companhias muito boas. No estava um povo…] Carnaval íamos ao Teatro, camarotes de primeira. A vida era muito boa, no Funchal. Podíamos ir a todo No Funchal, os namoricos eram diferentes. Rapariga o lado, as pessoas eram muito respeitadoras. Tínha- que namorava um rapaz numa janela baixa, já era apontada. mos segurança. Tive uma vida muito boa. Os bailes, Já ninguém a queria. Era preciso ver se os negócios eram fi- no Reid’s e no Savoy eram muito bem frequentados. nos para aceitar uma proposta de casamento. Quando uma Lindos. Vestíamo-nos muito bem. Mas isso já é do rapariga era pedida, o noivo vinha sempre com uma pessoa meu tempo de casada. Dos bailes lembro-me muito mais velha, de valor, superior. bem. Todos “bem-postos”, dançávamos sempre aos Em criança morei em São Martinho. Vínhamos para o pares. As pessoas tinham gosto, era tudo muito fino Colégio, na Rua dos Aranhas, a pé. As pessoas mais velhas e muito bonito”. vinham a cavalo ou em redes, também. Funchal, um Domingo de Abril de 2010 Na Rua Conde de Carvalhal íamos ver os Romeiros…. [pausa, sem continuidade]. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • ceha.conferencias@gmail.com
  • 20. Pre-vistas Antevisão de eventos, de projectos e de publicações do CEHA 1. CONGRESSO Pre-vistas Congresso internacional sobre as ilhas AS ILHAS DO MUNDO E O MUNDO DAS ILHAS Funchal (Madeira) 26 - 30 Julho 20 O CEHA realiza, no Funchal, na data acima referida, os espaços e especialistas dessa área. um importante Congresso internacional, responsável O debate acerca das questões à volta das ilhas do mundo pela vinda, à região, de reputados especialistas no do- realizar-se-á em dois momentos. Agora, abrimos o palco para mínio dos estudos insulares que, a par de outros tantos as diversas apresentações livres de todos aqueles que submete- contributos de investigadores, de múltiplas proveniên- ram comunicações para o efeito. Teremos, assim, oportunidade cias científicas, que fazem da Madeira, local privilegiado de, durante vários dias, estabelecer contacto com muito do que das suas investigações. se trabalha na vertente dos estudos insulares. Teremos, tam- Pela sua importância, espera o CEHA que este Con- bém, dois painéis de debate: um, dedicado à reflexão acerca da gresso dinamize a comunidade académica e o público problemática das insularidades numa perspectiva interdiscipli- em geral interessado por estes temas e que, mais uma nar; outro, resultado da junção de um seminário internacional vez, esta Instituição inscreva, na História da Madeira, de sobre as Mobilidades Humanas [que realizamos, anualmente, que tem sido, ao longo de vinte e cinco anos, porta-voz, com o Centro John dos Passos, que pretende ser uma primeira um importante registo. abordagem sobre o tema Nós e os outros: escritas e correspon- Incluímos, neste número da Newsletter, o texto da dências e, por isso, terá lugar na vila da Ponta do Sol, sede deste carta que o Presidente deste Centro e do Congresso, Centro. Para o próximo ano, de 6 a 11 de Junho, teremos outros Prof. Doutor Alberto Vieira endereçou aos Congressistas: debates sob a forma de painéis temáticos: Turismo sustentável nas ilhas no século XXI, Transnacionalismos insulares, ilhas e continentes: as Ilhas no espaço do Império Português no século “SAUDAÇÕES DO PRESIDENtE DO CONGRESSO” XVI; CEHA- 25 anos: a sua missão no presente e no futuro (uma Estimados colegas, reflexão e debate sobre os últimos 25 anos dos Estudos e Insula- O centro de Estudos de história do atlântico [CEHA] res como forma de perspectivar o futuro). A estes, adicionar-se- organiza e acolhe o presente Congresso, num momento -ão outros dois: Nacionalismos Insulares e Economias Insulares. em que se evocam os 25 anos de fundação da institui- Desde 1985 que o CEHA apostou neste tipo de eventos ção. Surgimos em 1985 para dar voz, expressão, apoio como forma de promover o intercâmbio entre investigadores e divulgação, a um grupo específico de ilhas Atlânticas, dos diversos espaços insulares, firmando-se os nossos encon- ditas Macaronésia. Hoje, queremos ir mais longe e abrir tros como um ponto de encontro e partilha de informação, de novos caminhos para outro debate e uma diferente afir- convívio e de descoberta da História e das vivências culturais da mação dos Estudos insulares, chamando à tribuna todos nossa Ilha. Hoje, queremos acolher a todos, de forma especial, num novo espaço, que oferece condições dignas de acolhimen- 2. Digit@insulae to e de trabalho para todos os intervenientes. Os temas são desafiantes e – temos a certeza – estarão a cargo de investiga- dores que, por força das provas dadas em inúmeros momentos Edição, em CD-ROM, da obra de autores e trabalhos publicados, nos enriquecerão com os seus conhe- insulares, digitalizada, no âmbito da valori- cimentos. zação e da preservação das culturas e A partir daqui, queremos instituir este espaço como uma identidades das regiões insulares envol- plataforma de convergência dos interesses insulares que seja vidas como alavanca para o desenvolvi- capaz de catapultá-los para um posicionamento mais afirmati- mento de produtos culturais transversais, vo do universo das ilhas, no âmbito dos diversos saberes. Hoje, promovendo o acesso digital ao conhe- institucionaliza-se este espaço de debate do mundo insular que cimento de forma a facilitar o encontro queremos seja o porta-voz de todos os nossos anseios quanto à entre as múltiplas culturas insulares que afirmação e à divulgação das ilhas.” compõem o mosaico cultural do Mundo. Página web: http://www.madeira-edu.pt/ceha • Email: ceha.conferencias@gmail.com