MOURARIA                                                              CUMPLIAasCIDADE S de BAIRRO | 2013                  ...
Pré-contextos de uma reflexão     “Lisboa são seus bairros” …  O “entrar” na pesquisa da realidade urbana lisboeta (princí...
Pressupostos de uma reflexão       “De facto, não nos interessa saber unicamente como uma determinada       sociedade se o...
Pré-contextos de uma reflexão    Bairro: um espaço vivido …•   Conhecer Lisboa, a partir dos seus bairros, foi uma intençã...
Pré-contextos de uma reflexão   Um bricolage do quotidiano• Os resultados do estudo permitiram observar que,  paralelament...
Pré-contextos de uma reflexão   Bairro – casa – rua … Um pretexto de estudo para compreender a cidade• Finalizado o estudo...
Pré-contextos de uma reflexão   Bairro – casa – rua … Um pretexto de estudo para compreender a cidade• Os trabalhos de Fir...
Bairro da Mouraria | Lisboa
Gravura de Lisboa |Fins sec. XVI: Demarcação aproximada do bº da Mouraria
Carta de Lisboa – 1650 (J. Tinoco): Demarcação aproximada do bº da Mouraria
Ponto de partida de um estudo antropológico na Mouraria   A partir da relação entre a casa e a rua, quais são os aspectos ...
BAIRROMouraria como objeto de estudo1. A partir da história urbana e social do bairro:• Reflexão sobre a dualidade da inve...
Fonte: Menezes, 2004, 2012
Fonte: Menezes, 2004, 2012
A Mouraria a partir da Severa           MUNDO DO VÍCIO                                                             MUNDO D...
BAIRROMouraria como objeto de estudo5. A percepção dos limites e fronteiras do bairro:•   A inserção do território da Mour...
Elementos de síntese da identificação do lugar Mouraria na paisagem urbanaSITUAÇÃO GEOGRÁFICA E   Situado no lado Oriental...
A plasticidade da extensão do território do bairro                                               «ISTO TUDO» «ESTE BOCADIN...
Da plasticidade do lugar à especificidade da gramática social do espaço                      Linguagens e formas de orient...
Mouraria como objeto de estudo6. A partir das práticas de uso e apropriação do espaço público:• Captar como a experiência ...
Ex. Microgeografias quotidianas de uso e apropriação do espaço público                            Fonte: Menezes, 2004, 20...
Quartier du MourariaMouraria sec. XXI
Mouraria como objeto de estudo7. A partir das representações, visões e tipos de experiências que sustentamdeterminadas ima...
Mouraria como objeto de estudo7. A partir das representações, visões e tipos de experiências que sustentamdeterminadas ima...
Das intervenções nas «imagens» do bairro Mouraria …Mouraria como objeto de reabilitaçãourbana• É em meados dos anos 80 do ...
A atualidade da Mouraria comoobjeto de reabilitação urbana• Programa Ação Mouraria (Câmara  Municipal de Lisboa - CML).• “...
Mas como que a intervenção em espaço público altera comportamentos?   Princípios | Programa Ação Mouraria   • Percurso tur...
Ex. A intervenção na Praça do Martim Moniz  Princípios | Cf. Responsável pela empresa  passou a gerir a Praça  O que ali s...
Mas como é que a “educação para as boas práticas de convivialidadeem espaço público” resolve as contradições locais?  A pr...
Das metáforas às imagens identitárias de um BAIRROMÁ FAMA E TIPICIDADE       COMPLICADO /             MULTICULTURALIDADE /...
Das metáforas às imagens identitárias de um BAIRRO    Quando iniciei o trabalho na Mouraria muitos me disseram coisas como...
Bibliografia citadaCOSTA, A. Firmino da (1999). Sociedade de Bairro; Celta Editora, OeirasCORDEIRO, Graça I. (1997). Um Lu...
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Apresentações do colóquio As cumplicidades do Bairro, realizado pelo CEACT/UAL, a 22 de janeiro de 2013.

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Coloquio cumplicidades bairro, apresentação Marluci Menezes

  1. 1. MOURARIA CUMPLIAasCIDADE S de BAIRRO | 2013 | LISBOA | 22 | JANEIRODE QUE SE FALA QUANDO SE DIZ QUE É UM BAIRRO? Marluci Menezes – marluci@lnec.pt
  2. 2. Pré-contextos de uma reflexão “Lisboa são seus bairros” … O “entrar” na pesquisa da realidade urbana lisboeta (princípio dos anos 90): • Dois estudos em bairros degradados: Casal Ventoso e Quinta da Casquilha (Menezes et. al, 1992; Machado et. al, 1992). Evidenciação de alguns aspectos relacionados com os modos de apropriação e organização social do espaço: • As múltiplas influências que o modelo físico de arranjo espacial, o grau de abertura ou fechamento socio-urbanístico dos contextos, as relações entre espaço exterior e interior, as práticas e a visibilidade dos grupos em presença, exercem sobre as configurações socio-espaciais e sobre a construção de uma ideia de «bairro».
  3. 3. Pressupostos de uma reflexão “De facto, não nos interessa saber unicamente como uma determinada sociedade se organizou no sentido de encontrar satisfação para as suas necessidades materiais e espirituais; queremos também saber como ela reflecte sobre essas mesmas necessidades, isto é, não nos basta saber como vive, queremos saber como pensa e sente” Jorge DIAS (1961) Estudos de Antropologia; vol. I, Temas Portugueses, LisboaMM - NESO/LNEC
  4. 4. Pré-contextos de uma reflexão Bairro: um espaço vivido …• Conhecer Lisboa, a partir dos seus bairros, foi uma intenção desde que passei a viver em Lisboa.• Fui morar num destes bairros – Madragoa – , pois outras realidades residenciais não eram propriamente aquilo que, até então, considerava como sendo a alma lisboeta.• Paralelamente iniciei um processo de tese de mestrado, tendo a Madragoa se constituído o contexto socio-espacial de estudo.• Realizei um estudo antropológico sobre o espaço social do bairro observando os aspectos socio-espaciais que, a partir da relação casa, rua e bairro, mais eram valorizados pelos moradores na construção de uma ideia de bairro. Fonte: Menezes, 2002
  5. 5. Pré-contextos de uma reflexão Um bricolage do quotidiano• Os resultados do estudo permitiram observar que, paralelamente à afirmação e preservação da identidade socio-espacial – onde as imagens passadas, as presentes e as perspectivas futuras eram constantemente postas em relação –, dava-se uma mudança nos valores socioculturais locais de organização e arranjo do espaço.• Tal permitiu inferir sobre a existência de um processo constante de reformulação socio-espacial que enriquecia o campo das significações imaginárias do bairro.
  6. 6. Pré-contextos de uma reflexão Bairro – casa – rua … Um pretexto de estudo para compreender a cidade• Finalizado o estudo na Madragoa, quis conhecer como a relação entre determinados símbolos urbanos, valores socioculturais, arranjo formal do espaço, representações, práticas e as experiências dos indivíduos se articulavam com os processos de reformulação socio-espacial e o campo de significações imaginárias da cidade.• Visava aprofundar o estudo da relação entre casa - rua - bairro no sentido de analisar como essa relação contribuía para a reconfiguração da imagem da ideia de bairro.• Com o interesse em alargar os horizontes socio-espaciais, considerou-se oportuno estudar um outro bairro que não a Madragoa.
  7. 7. Pré-contextos de uma reflexão Bairro – casa – rua … Um pretexto de estudo para compreender a cidade• Os trabalhos de Firmino da Costa (1999) – sobre Alfama – e Graça Í. Cordeiro (1997) – sobre a Bica –, foram referências incontornáveis que, não esgotando novas perspectivas de abordagem, mostraram que, apesar da idealização e mesmo mitificação dos bairros típicos de Lisboa, os seus universos socioculturais ainda eram relativamente desconhecidos.• Considerei que um eventual contributo poderia ser no sentido de enriquecer o conhecimento desses contextos, analisando e interpretando o quotidiano de um outro bairro que não Alfama, Bica ou Madragoa.• Quanto mais caminhava pelos bairros populares da cidade, quanto mais sobre eles lia, um bairro, sobre todos os outros mostrou-se particularmente expressivo.• Com muita «má fama», poucos estudos de carácter sociológico, muita mistura social e cultural, muito destruído nos anos quarenta, misto de atração e repulsa, a Mouraria mostrava-se um desafio …
  8. 8. Bairro da Mouraria | Lisboa
  9. 9. Gravura de Lisboa |Fins sec. XVI: Demarcação aproximada do bº da Mouraria
  10. 10. Carta de Lisboa – 1650 (J. Tinoco): Demarcação aproximada do bº da Mouraria
  11. 11. Ponto de partida de um estudo antropológico na Mouraria A partir da relação entre a casa e a rua, quais são os aspectos socioculturais que atualizam a ideia de bairro?• A Mouraria revelou-se como um contexto particularmente interessante para analisar os processos de reformulação socio-espacial e perceber como tais reformulações se repercutiam na imagem identitária do bairro.• Inocentemente julguei que a Mouraria poderia ser um interessante contraponto com as informações de que já dispunha relativamente ao bairro da Madragoa.• Consoante as leituras feitas sobre o bairro, e as primeiras investidas em terreno de pesquisa, dei-me conta que a motivação de partida teria de ser enquadrada num outro tipo de problemática: Como é que as metáforas que fazem menção ao bairro projetam imagens culturais e urbanas que ao mesmo tempo que viabilizam a sua emblematização podem segregá-lo e marginalizá-lo?
  12. 12. BAIRROMouraria como objeto de estudo1. A partir da história urbana e social do bairro:• Reflexão sobre a dualidade da invenção do bairro como contexto segregado para os «mouros vencidos» e como contexto «tradicional» e «típico».2. A partir dos mitos ligados ao bairro:• Severa e Martim Moniz: mitos de fundação do bairro?3. A partir dos processos de estigmatização e de emblematização:• Assinala-se que algumas dinâmicas que suportam os continuados processos de estigmatização territorial e de emblematização, enquadrando uma perspectiva continuada de reconstrução da realidade simbólica e da imagem urbana do bairro.4. A partir da análise socio-demográfica e habitacional:• Assinala-se como que a complexidade e a multidimensionalidade do espaço local ultrapassam as dimensões colocadas por quadros estatísticos de caracterização e descrição.
  13. 13. Fonte: Menezes, 2004, 2012
  14. 14. Fonte: Menezes, 2004, 2012
  15. 15. A Mouraria a partir da Severa MUNDO DO VÍCIO MUNDO DA VIRTUOSIDADE Pobreza / Miséria / Doença Riqueza / Boas condições de vida / Saúde OPOSIÇÃO E INTERSECÇÃO ENTRE ESPAÇOS SOCIAIS DISTINTOS Baixo estatuto social Médio / Alto estatuto social AmbiguidadeMulheres nas tascas, tabernas, à porta Encontro nos espaços públicos da Mulheres na casa / Mães de família / Prostitutas cidade Homens vadios e fadistas Fortes e destemidos Homens elegantes e cavaleiros Pobreza no trajar Recursos aos acessórios da moda Riqueza no trajar (lenços, brincos, capotes, chapéus, etc.) Submissão às autoridades Insubordinação Autoridade Risco / Liberdade Aventura Compromissos sociais / Acomodação Menos esperança de vida (Severa Média esperança de vida (Conde de Mais esperança de vida morre aos 26 anos de idade) Vimioso morre aos 47 anos de idade) Fonte: Menezes, 2004
  16. 16. BAIRROMouraria como objeto de estudo5. A percepção dos limites e fronteiras do bairro:• A inserção do território da Mouraria na paisagem urbana.• Como os indivíduos se pronunciam relativamente à extensão do território do bairro e quais são as referências sociais, topográficas, arquitectónicas e simbólicas que são utilizadas como meios de orientação no espaço (importou as noções de multilocalidade e multivocalidade).• Como os limites e os referenciais de orientação são mais dependentes das relações sociais de que de factores de ordem geográfica e urbanística, desse modo inferindo a importância das lógicas duais, ambíguas e ambivalentes na forma como o espaço é apropriado e percebido. Fonte: Menezes, 2004
  17. 17. Elementos de síntese da identificação do lugar Mouraria na paisagem urbanaSITUAÇÃO GEOGRÁFICA E Situado no lado Oriental da cidade entre as colinas da Graça e Colina do Castelo (vertentes Norte e Poente).ADMINISTRATIVA DOTERRITÓRIO DO BAIRRO Sem delimitações precisas, de extensão irregular e elástica, podendo estender-se pelo território administrativo de várias freguesias ou restringir-se a determinadas áreas. Administrativamente não existe bairro ou local de nome Mouraria. Com uma área central localizada no interior da freguesia do Socorro. O território do bairro insere-se numa área de intervenção e reabilitação urbana.ORGANIZAÇÃO DO Malha urbana de consolidação pré-pombalina, com influência dos períodos seguintes.ESPAÇO URBANO Próximo de importantes eixos viários. Acessibilidades locais condicionadas e deficitárias devido à situação de declive, malha urbana apertada e densidade construtiva; existência de transportes públicos na envolvência urbana. Do ponto de vista urbanístico, o bairro encontra-se relativamente fechado para o exterior. Área com predomínio da actividade residencial e comercial.INDÍCIOS GEOGRÁFICOS, Identificação por aproximação do território do bairro a partir das colinas do Castelo, da Graça, do Monte e de Sant’Ana.URBANOS E SOCIAIS Indícios assinalados no território: edifícios (Coleginho, Centro Comercial da Mouraria, Edifício Amparo, Capela de N.ª Sr.ª da Saúde); rede do metropolitano (estação do Martim Moniz); toponímia local. Indícios sociais: práticas específicas de uso e apropriação do espaço público urbano; concentração local de um comércio grossista controlado por indianos, chineses, portugueses e africanos.CONTEXTO DE A organização física do território, as práticas ligadas à actividade residencial e comercial, as características socioculturais eINTERACÇÃO SOCIAL económicas da população, a espessura das redes sociais, familiares e dos laços de vizinhança, os modos de habitar, viver e experimentar a rua, os modos de vinculação, experimentação e representação do contexto local, o envolvimento em determinadas actividades associativas, a reiteração e intensidade das interacções quotidianas, os modos e as formas de apropriação e reprodução da historicidade local, a influência e os modos de inserção das instituições supralocais, a rivalidade interbairrista, a expressividade e continuidade de determinadas formas culturais e simbólicas como a procissão, as festas, o arraial e a marcha popular, tornam pertinente a consideração de que a Mouraria é um «quadro de interacção» com força para se reproduzir, a par das suas permanências e transformações, como um lugar na cidade (Cordeiro e Costa: 1999). Fonte: Menezes, 2004
  18. 18. A plasticidade da extensão do território do bairro «ISTO TUDO» «ESTE BOCADINHO» TERRITÓRIO DE GRANDE DIMENSÃO, IMPRECISO IRREGULAR E TERRITÓRIO DE PEQUENA DIMENSÃO, COM MAIS REGULARIDADES NA AMBÍGUO SUA DEMARCAÇÃO SOBREPOSIÇÃO/ RECONFIGURAÇÕES CONTINUIDADE CENTRO / «CORAÇÃO DO ESPAÇO SEGMENTADOCORRESPONDÊNCIA BAIRRO» PONTOS NODAIS DOIS CENTROSCOM TERRITÓRIO DA SIMBÓLICOSFREG. DO SOCORROLÓGICAS SIMBÓLICAS DESTACAM-SE A PARTIR DE CERTAS VINCULAÇÃO E VENDA E CONSUMO CENTRO SEPARA DESTRUIÇÃO FORMAS CULTURAIS E SENTIMENTO DE DE DROGA RESIDENCIAL/ URBANÍSTICA SIMBÓLICAS PERTENÇA COMÉRCIO DE «CORAÇÃO DO AGRUPA FESTAS E RITUAIS VALIDAÇÃO SIMBÓLICA REVENDA / PONTO BAIRRO» MESCLA REDEFINIÇÃO DOS LIMITES DAS DE ENCONTRO DE CENTRO DO CONFUNDE DESVALORIZAÇÃO FREGUESIAS DISTINTOS COMÉRCIO SIMBÓLICA INDIVÍDUOS SUBSTITUIÇÃO DO TECIDO DESTRUÍDO CENTRO COMERCIAL DA MOURARIA ALTERAÇÃO DAS DINÂMICAS LOCAIS REABILITAÇÃO URBANA TRANSFORMAÇÃO CONTINUADA DAS ESPAÇOS INTERCALARES AMBÍGUOS, DINÂMICAS SOCIAIS E INTERSTICIAIS E LIMINARES URBANAS CONSTITUIÇÃO DE ESTRATÉGIAS SOCIO- SIMBÓLICAS DE DEMARCAÇÃO E DISTINÇÃO RELAÇÕES AMBÍGUAS E/OU AMBIVALENTES LÓGICAS SIMBÓLICAS E ESPACIAIS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO Fonte: Menezes, 2004
  19. 19. Da plasticidade do lugar à especificidade da gramática social do espaço Linguagens e formas de orientação no espaçoEm cima / embaixo Distinção entre «centro» e «arredores»Longe / perto Conotação topográfica de menos valor simbólico que conotação socialDentro / fora Complexa lógica de ordenação e hierarquização social do espaçoFrente / Atrás Reforço de um processo de segregação Visibilidade ou resguardo socio- socio-espacial espacial Relações ambíguas e/ou ambivalentes Lógicas simbólicas e espaciais de inclusão e exclusão Fonte: Menezes, 2004
  20. 20. Mouraria como objeto de estudo6. A partir das práticas de uso e apropriação do espaço público:• Captar como a experiência fenomenológica do lugar participa do processo de construção de imagens identitárias do bairro.• Descrição das microgeografias quotidianas de uso e apropriação do espaço público.• A visibilidade das práticas quotidianas associadas aos ritmos que lhe conferem vida, estimulam a criação de metáforas que se reflectem como imagens do bairro.• Reflexão sobre as transformações temporárias do espaço público nas situações extraordinárias.
  21. 21. Ex. Microgeografias quotidianas de uso e apropriação do espaço público Fonte: Menezes, 2004, 2010; Magnani, 2000
  22. 22. Quartier du MourariaMouraria sec. XXI
  23. 23. Mouraria como objeto de estudo7. A partir das representações, visões e tipos de experiências que sustentamdeterminadas imagens culturais e urbanas da Mouraria na atualidade:• Captar como os de «dentro» (tidos como os “filhos do bairro”) refletem o bairro.• Captar como os de «fora» refletem o bairro.• «Dentro» e «fora» como noções recíprocas que se influenciam mutuamente.• Demonstrar como através da relação entre os de «dentro» e os de «fora», entre o tempo de «antes» e o de «agora», novos elementos são introduzidos no processo de construção de imagens identitárias, enquanto outros se reproduzem de forma continuada.• Ampliação do campo das significações imaginárias do bairro, onde a Mouraria tanto pode ser evocada como um bairro típico e tradicional, multicultural e multiétnico, como um contexto repleto de liminaridades sociais e espaciais.
  24. 24. Mouraria como objeto de estudo7. A partir das representações, visões e tipos de experiências que sustentamdeterminadas imagens culturais e urbanas da Mouraria na atualidade:• Captar como os de «dentro» (tidos como os “filhos do bairro”) refletem o bairro.• Captar como os de «fora» refletem o bairro.• «Dentro» e «fora» como noções recíprocas que se influenciam mutuamente.• Demonstrar como através da relação entre os de «dentro» e os de «fora», entre o tempo de «antes» e o de «agora», novos elementos são introduzidos no processo de construção de imagens identitárias, enquanto outros se reproduzem de forma continuada.• Ampliação do campo das significações imaginárias do bairro, onde a Mouraria tanto pode ser evocada como um bairro típico e tradicional, multicultural e multiétnico, como um contexto repleto de liminaridades sociais e espaciais.
  25. 25. Das intervenções nas «imagens» do bairro Mouraria …Mouraria como objeto de reabilitaçãourbana• É em meados dos anos 80 do séc. XX que se dá inicio, em Lisboa, uma política de reabilitação urbana.• Os bairros de Alfama e da Mouraria serão os primeiros onde se constituem gabinetes técnicos locais de reabilitação urbana.
  26. 26. A atualidade da Mouraria comoobjeto de reabilitação urbana• Programa Ação Mouraria (Câmara Municipal de Lisboa - CML).• “Intervenção de maior visibilidade e indutora de novos comportamentos” ---» “requalificação do espaço público”• Atividades programadas: “dimensão identitária e de integração” a partir ---» Ação Corredor Intercultural.• Foi desenvolvido um Plano de Desenvolvimento Comunitário para apoiar o Programa.
  27. 27. Mas como que a intervenção em espaço público altera comportamentos? Princípios | Programa Ação Mouraria • Percurso turístico-cultural • Espaços de lazer • Educação para as boas práticas de conviabilidade pública • Corredor intercultural Iniciativas | Já implementadas • Intervenção pontual em micros espaços públicos locais (próxima do conceito “acupuntura urbana” • Renovação de edifícios tidos como “estrutura identitária” (para lazer ou equipamento de apoio social) • Intervenção em EPU de maior dimensão (Largo do Intendente, Praça do Martim Moniz: Mercado de Fusão)MM - NESO/LNEC
  28. 28. Ex. A intervenção na Praça do Martim Moniz Princípios | Cf. Responsável pela empresa passou a gerir a Praça O que ali se pretende é que … • “Além das marcas reconhecidas, no mercado vão entrar também pequenos negócios dos bairros envolventes e que ajudarão a divulgar as culturas que tornam a Mouraria um sítio pleno de diversidade” “Urbanalização” do território? Sendo que … Um “triunfo absoluto do comum” • “Não é tanto a ideia do mercado do por contraposição à minimização artesanato, mas de uma galeria de da presença da complexidade e negócios” (in Dinheiro Vivo, 11.05.2012) das diferenças (Muños: 2004)? .
  29. 29. Mas como é que a “educação para as boas práticas de convivialidadeem espaço público” resolve as contradições locais? A prolífera imaginação urbana – enquanto reflexão política-técnica sobre o que a “cidade deve ser” (Gorelik, 2004) – permite considerar que agora “há vida na Mouraria”, como se antes não houvesse … . Fonte: Arquivo Fotográfico CML
  30. 30. Das metáforas às imagens identitárias de um BAIRROMÁ FAMA E TIPICIDADE COMPLICADO / MULTICULTURALIDADE / CULTURAL CONTRADITÓRIO MULTIETNICIDADE Vício Insalubridade Lenda de Martim Moniz Culturas Miséria Falta de civilização Centro Comercial (da Todos Tempestuoso Crime Mouraria e do Martim Práticas antigas Prostituição Desordem pública Moniz) Património material Descaracterizado Marginal Mistura social Património imaterial Fado Ilegalidades Convívio multiétnico Gastronomia árabe Fadista Gueto Mundos Gastronomia galega Bairrismo Vale dos vencidos Mundo português Internacional Antigo Texas ESPAÇO PLURAL Festas populares Chaga Social Outros Marcha Insegurança Cosmopolita Procissão Prostituição Outra geografia Pitoresco (ruas e Sem-abrigo Fragrâncias e Odores edifícios) Sem papeis / Imigrantes Cores Toxicodependentes / Paladares Traficantes Degradação do parque edificado Precariedade social Sujidade Fonte: Menezes, 2004, 2012
  31. 31. Das metáforas às imagens identitárias de um BAIRRO Quando iniciei o trabalho na Mouraria muitos me disseram coisas como:• “Bairro ? Qual bairro”• “A Mouraria deixou de existir nos anos 40 ….” E, nos dias de hoje, pergunto-me: bairro, qual bairro? Mas, a prolífera imaginação urbana ….• Continua por contribuir para a continuidade da Mouraria …• Para além dos tantos fazedores de imagem identitárias de bairros …., julga-se, contudo, que resta estudar as imagens que a «academia» tem vindo a produzir sobre o bairro …
  32. 32. Bibliografia citadaCOSTA, A. Firmino da (1999). Sociedade de Bairro; Celta Editora, OeirasCORDEIRO, Graça I. (1997). Um Lugar na Cidade – Quotidiano, Memória e Representação no Bairro da Bica;Publicações Dom Quixote, LisboaDIAS, Jorge (1961) - Estudos de Antropologia; vol. I, Temas Portugueses, LisboaGORELIK, Adrián (2004). Imaginarios urbanos e imaginación urbana. Para un recorrido por los lugares comunes delos estudios culturales urbanos. Bifurcaciones.MACHADO, P.; LUTAS CRAVEIRO, J.; MENEZES, M. (1992). Contributos para o estudo de um Bairro Degradado daCidade de Lisboa - análise socio-ecológica da Quinta da Casquilha, ITECS 10, LNEC: Lisboa.MAGNANI, José G. Cantor (2000). “Quando o campo é a cidade: fazendo antropologia na metrópole”; in MAGNANI,José G. Cantor, TORRES, Lilian de Lucca (org.), Na Metrópole – Textos de Antropologia Urbana; 2ª ed., EDUSP, SãoPaulo, pp. 12-53MENEZES, M. (2012). Debatendo mitos, representações e Convicções acerca da invenção de um bairro lisboeta. InSociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), Número temático: Imigração,Diversidade e convivência Cultural, pp. 69-95.MENEZES, M. (2004). Mouraria, retalhos de um imaginário: significados urbanos de um bairro de Lisboa. CeltaEditora: Oeiras.MENEZES, M. (2010). Ser urbano em espaço público: Captar a (in)visibilidade das práticas de (in)sustentabilidadeurbana. In Gomes, M.F.; Barbosa, M. J. Cidade e Sustentabilidade: Mecanismos de Controle e Resistência. TerraVermelha: Rio de Janeiro, pp. 41-58.MENEZES, M.; REBELO, M. e CRAVEIRO, J. (1992). Bairro Casal Ventoso - elementos para uma caracterização socio-ecológica, ITECS 17, LNEC: Lisboa.

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