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Copa sem escola_13 05 14

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Série de reportagens "Copa sem escola", produzida pelo jornalista Bruno Moreno e o fotojornalista Samuel Costa. Terceira da série.

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Copa sem escola_13 05 14

  1. 1. MinasEditor:AmilcarBrumano-abrumano@hojeemdia.com.br CUIABÁ – A capital do Mato Grosso teve mui- tasdesapropriaçõesrela- cionadasàCopadoMun- do em imóveis comer- ciais para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Entretan- to,porpressãoda comu- nidade do bairro Caste- lo Branco, a prefeitura desistiu do projeto de abertura da avenida do córrego do Barbado, on- de 400 famílias estavam ameaçadas de remoção. Apenas 33 que mora- vam em área de risco de inundação, na beira de um curso d’água, foram realocadas para a cons- trução de uma rotatória. A obra não faz parte da Matriz da Copa, mas in- diretamente está ligada ao Mundial. Para muitos morado- res, a mudança de ende- reçonãoévistacomone- gativa. Mas o que os aflige é para onde foram leva- dos: um imenso conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida, o Altos do Parque, distante 14 quilômetros, onde não há escola para as crianças das mais de mil famílias. Segundo a presidente da Associação de Morado- resdoBairroCasteloBran- co, Deumaci Freitas Afon- so, algumas famílias fo- ram para o conjunto habi- tacional “divididas”. “Como não hávagas pa- ra todo mundo nas esco- las próximas, houve quem deixasse os filhos com parentes aqui perto, para que continuem a es- tudar. Mas nem todos pu- deram fazer isso. Então, muitas crianças ficaram fora da escola”. A Secretaria da Copa do Mato Grosso (Secopa) não se manifestou sobre o casoatéofechamentodes- taedição.SegundoaSeco- pa,houvecercade700de- sapropriações na capital mato-grossense. Criançasrealocadasem conjuntohabitacional semescolaemCuiabá BrunoMoreno bmoreno@hojeemdia.com.br SÃO PAULO – Desde pe- quena, Raquel*, de 14 anos, sonha ser atriz. Há quatro anos, ela conse- guiu umabolsa noThea- tro Municipal de São Paulo para estudar balé, um importante passo na futura carreira. Mas, em 2013, quase na metade do curso, abandonou o salãoespelhado,assapa- tilhas e o tutu. Antiga moradora do Buraco Quente, comunidade ao lado do aeroporto de Congonhas, a família da garota foi uma das desa- propriadas em função da obra do monotrilho Linha 17 – Ouro. Raquel deixou o balé por falta de tempo. Co- mo não conseguiu vaga em escola perto da nova moradia, gasta quase 5 horasnotrânsitoparaes- tudar: sai de casa às 10h30evoltaàs20h.Por isso,acarreiraartísticafi- cou em segundo plano. O irmão mais velho de Raquel, Fábio*, de 17 anos,tambémfoiimpac- tado pela mudança. Em 2013,sóencontrou vaga em uma escola distante de casa. Faltava dinhei- ro para ir à aula, e ele perdeu o ano. Em 2014, disseàmãe,acabeleirei- ra Regina Almeida, de 35 anos, que não iria mais estudar. A indenização recebi- dadevidoàdesapropria- ção permitiu à família comprar um lote na zo- na Sul de São Paulo, mas não erguer a casa. Hoje, Regina, o marido eosfilhosmoramdealu- guel no Jardim Selma, a 12quilômetrosdo Bura- co Quente. Raquel e Fábio fazem parte do grupo de 57,3 mil a 76,5 mil brasilei- ros de zero a 19 anos quevivemnascidades-se- dedoMundialdefutebol e foram impactados pela Copa. Obrigados a mu- dar de casa, enfrentam dificuldades para conti- nuar estudando, como mostra o Hoje em Dia desde ontem. Não há le- vantamento de quantos estão nessa situação. De acordo com o MetrôSP, a Linha 17 – Ouro não tem relação com o Mundial de fute- bol. Entretanto, orçada em R$ 1,8 bilhão, a obra esteve na Matriz de Res- ponsabilidade da Copa até 2012, dois anos após o anúncio de que o está- dio do torneio na cidade seria o Itaquerão, e não mais o Morumbi. O últi- mo será atendido pela Li- nha 17 – Ouro. A assessoria do MetrôSP afirmaqueas desapropria- ções “respeitam os trâmi- tes judiciais”, mas não in- forma o valor da interven- ção ou quantas pessoas fo- ram removidas. No entan- to, no site da companhia constaque161famíliasse- riam desapropriadas. Já o Comitê dos Atingidos pela CopaemSãoPauloaponta mais de 430. Para a defensora pública de São Paulo, Anaí Aran- tesRodrigues,éprecisoob- servarqueodireitoàmora- dia inclui outros. “Quando a pessoa vai parar em um lugar tão distante, onde não há como manter o fi- lho na escola, o direito de- la à moradia digna e a to- dos os outros direitos, sem dúvida, ficam prejudica- dos”, avalia. (*Os nomes são fictícios) > Em São Paulo, obra do monotrilho que passa junto ao estádio do Morumbi afetou 161 famílias LINHA17–ComoomonotrilhopaulistafoiexcluídodaMatrizdaCopaem2012,aMetrôSPnegarelaçãocomoMundial Novoendereçofazgarotadesistir desonhoe irmãolargarestudo SEGUNDADEUMASÉRIE LONGE–ParaacabeleireiraRegina,remoçãofoiruim: clientessumiramefilhostêmdificuldadeparaestudar ALTOSDOPARQUE–Porenquanto, salasdeaulaestãoapenasnoprojeto COPA SEM ESCOLACOPA SEM ESCOLA FOTOS SAMUEL COSTA hojeemdia.com.br 29BeloHorizonte,terça-feira,13.5.2014 HOJEEMDIA

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