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Ler e escrever na escola

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  • 1. Ler e escrever na escolaO real, o possível e o necessário Délia Lerner Editora Artmed Profª: M. Bárbara Floriano
  • 2. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessárioEnsinar a ler e a escrever é um desafio que vai além da alfabetização. É um desafio que a escola tem de incorporar todos os alunos na cultura do escrito e conseguir que esses tornem-se membros da comunidade de leitores e escritores.Para que todos os alunos tornem-se praticantes da cultura escrita é preciso reconceitualizar o objeto de ensino, tomando como referência as práticas sociais de leitura escrita.
  • 3. O necessário é fazer da escola uma comunidade deleitores que recorrem aos textos buscando respostaspara os problemas que precisam resolver .O necessário é fazer da escola uma comunidade deescritores que produzem seus próprios textos paramostrar suas ideias.O necessário é fazer da escola um âmbito onde leiturae escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler eescrever sejam instrumentos poderosos que permitemrepensar o mundo e reorganizar o própriopensamento, onde interpretar e produzir textos sejamdireitos que é legítimo exercer e responsabilidades queé necessário assumir. ( LERNER, p. 18)
  • 4. O necessário e o realNecessário= preservar Real= levar à prática o o sentido do objeto necessário é uma de ensino para o tarefa difícil para a sujeito da escola. Antes de aprendizagem. formular soluções é Preservar na escola o preciso enunciar e sentido que a leitura analisar as e a escrita têm como dificuldades. práticas sociais.
  • 5. A tarefa é difícil porque:1) A escolarização das 4) A necessidade institucional práticas de leitura e de de controlar a aprendizagem escrita apresenta leva a por em primeiro problemas árduos; plano somente os aspectos2) Os propósitos que se mais acessíveis à avaliação; perseguem na escola ao 5) A maneira como se ler e escrever são distribuem os direitos e diferentes dos que obrigações entre o orientam a leitura e a professor e os alunos escrita fora dela; determina quais são os3) A inevitável distribuição conhecimentos e estratégias dos conteúdos no tempo que as crianças têm ou não pode levar a parcelar o têm oportunidade de objeto de estudo; exercer e, quais poderão ou não exercer.
  • 6. Dificuldades envolvidas na escolarização das práticasPor serem atividades práticas, a leitura e a escrita oferecem resistência tanto à análise como à programação sequencial, portanto são atividades que dificultam sua escolarização.Além disso são atividades aprendidas por participação nas atividades de outros leitores e escritores.Portanto, não é simples determinar com exatidão o que, como e quando os sujeitos aprendem.
  • 7. Instaurar a leitura e a escrita na escola supõeenfrentar e encontrar caminhos para resolver atensão entre mudança e conservação e a funçãoexplícita de democratizar o conhecimento e afunção implícita de reproduzir a ordem socialestabelecida.
  • 8. Tensões entre os propósitos escolares e extra- extra- escolares da leitura e da escritaNa escola não são “naturais” os propósitos que nós perseguimos fora dela. Usar a leitura e a escrita para nos comunicarmos com alguém distante é um exemplo de propósito que perseguimos fora da escola e isso fica relegado ou até excluído da escola, que trata a leitura e a escrita em primeiro plano com propósitos didáticos.Tal situação cria uma divergência, pois se a escola ensina a ler e escrever com o único propósito de que os alunos aprendam a fazê-lo eles não o aprenderão para outras finalidades. E se a escola assume os propósitos sociais de leitura e escrita abandona sua função ensinante.
  • 9. Relação saber- duração versus saber- preservação do sentidoA estrutura do ensino é feita conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear, acumulativa e irreversível.Essa organização do tempo no ensino entra em contradição com o tempo de aprendizagem, que não é linear e com a natureza das práticas de leitura e escrita, que resistem ao parcelamento e à sequenciação.
  • 10. Tensão entre duas necessidades institucionais: ensinar e controlar a aprendizagemDevido a responsabilidade assumida pela escola ela necessita conhecer os resultados de seu funcionamento e essa necessidade costuma ter consequências indesejadas: como se tentar exercer controle sobre a leitura, se lê somente para que o professora avalie a compreensão e a fluência em voz alta; como a avaliação é baseada naquilo que é “correto ou incorreto”, a ortografia ocupa lugar mais importante que problemas mais graves envolvidos no processo de escrita.
  • 11. É aqui que se cria um conflito de interesses entre o ensinoe o controle: se o ensino é colocado em 1º plano épreciso renunciar ao controle; se o controle dasaprendizagens é colocado em 1º plano, é preciso renunciaro ensino de aspectos essenciais das práticas da leitura eescrita.Uma outra dificuldade é advinda da distribuição dedireitos e obrigações entre o professor e os alunos.O que fazer na escola para que o sentido da leitura e daescrita tenha o mesmo sentido que fora dela?O possível é criar situações didáticas que permitam porem cena uma versão escolar da leitura e da escrita maispróxima da versão social dessas práticas.
  • 12. Escolarização das práticas sociaisEm 1º lugar é preciso Em 2º lugar é possível formular como articular os conteúdos do ensino propósitos didáticos não só os saberes com os propósitos linguísticos como comunicativos que também as tarefas do tenham leitor e do escritor. correspondência com os que orientam a leitura e a escrita fora da escola.
  • 13. Resolvendo o paradoxo...Uma das formas de Os projetos também resolver esse favorecem o paradoxo é trabalhar desenvolvimento de com projetos, pois estratégias de auto eles permitem que controle da leitura e todos os integrantes da escrita por parte da classe orientem dos alunos e abre as suas ações para uma portas da classe para finalidade um nova relação compartilhada. entre o tempo e o saber.
  • 14. Atenção !!!Trabalhar apenas com projetos não resolve o problema da relação tempo- saber que considere o tempo da aprendizagem e preserve o sentido do objeto de ensino.Para consegui-lo é necessário articular muitas temporalidades diferentes,ou seja, diferentes tipos de atividades.
  • 15. Quando há conflito entre o que é necessário para queas crianças aprendam e o que é necessário paracontrolar a aprendizagem, é indispensável optar pelaaprendizagem.É preciso proporcionar aos alunos oportunidades deautocontrolar o que estão compreendendo ao ler e decriar estratégias para ler cada vez melhor, embora issotorne mais difícil conhecer os erros e acertosproduzidos em sua primeira leitura. É preciso delegar(provisoriamente) às crianças a responsabilidade derevisar seus escritos, permitindo assim que se defrontemcom problemas de escrita que não poderiam descobrir,se o papel de corretor fosse sempre assumido peloprofessor.Analisar e enfrentar o real é muito duro, mas éimprescindível quando se assumiu a decisão de fazertudo o que é possível para alcançar o necessário: formartodos os alunos como praticantes da cultura escrita.
  • 16. Para transformar o ensino da leitura e da escrita Qual é o desafio?O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam “decifrar” o sistema de escrita. Formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e assumir uma posição própria frente à mantida pelos autores dos textos que interagem.Formar pessoas dispostas a identificar-se com o semelhante ou solidarizar-se com o diferente e capazes de apreciar a capacidade literária.
  • 17. Isso significa...Abandonar as atividades mecânicas e sem sentido, que levam à criança a se distanciar da leitura por considerá-la uma mera obrigação escolar, significa também incorporar situações em que ler determinados materiais seja imprescindível para o desenvolvimento dos projetos que se estejam levando a cabo ou que produzam o prazer que é inerente ao contato com textos verdadeiros e valiosos.
  • 18. O desafio continua...Orientar as ações para a formação deescritores (pessoas que saibam se comunicarpor escrito);Conseguir que os alunos sejam produtoresde língua escrita;Conseguir que as crianças manejem comeficácia os diferentes escritos que circulamna sociedade;Conseguir que a escrita deixe de ser naescola somente um objeto de avaliação, parase constituir realmente num objeto deensino;
  • 19. Promover a descoberta e a utilização da escrita comoinstrumento de reflexão para o próprio pensamento, comorecurso para organizar e reorganizar o conhecimento; Combater a discriminação que a escola operaatualmente, não só quando cria o fracasso explícitodaqueles que não consegue alfabetizar, como tambémquando impede aos outros chegar a ser produtores eleitores de textos competentes e autônomos; Unir esforços para alfabetizar todos os alunos,assegurando que todos tenham oportunidades de seapropriar da leitura e da escrita como ferramentasessenciais de progresso cognoscitivo e de crescimentopessoal.
  • 20. É possível a mudança na escola?Os desafios apresentados implicam em uma mudança profunda e realizá-la não será tarefa fácil para a escola, pois as reformas educativas costumam encontrar fortes resistências.A escola vive uma tensão entre a rotina repetitiva e a moda. Ao mesmo tempo em que a tradição opera como um fator suficiente para justificar a adequação de conteúdos e métodos, costumam aparecer e se difundir “inovações” que nemsempre estão claramentefundamentadas.
  • 21. A inovação tem sentido quando faz parte da história doconhecimento pedagógico e quando, ao mesmo tempo,retoma e supera o anteriormente produzido. ( LERNER,p.30).A ausência de uma história científica torna possível oinovacionismo, e o inovacionismo dificulta a construção deuma história científica. Para que o inovacionismopermanente se mantenha é preciso sempre mostrar ofracasso da inovação anterior.Para se difundir com suficiente velocidade, uma inovaçãonecessita do ritmo que só os processos da moda podempermitir-lhe. Para permitir esse ritmo, é preciso que asinovações não afetem nada essencial nas partes profundasdas práticas dos professores e portanto nada podeproporcionar à didática. ( BROUSSEAU p. 30).
  • 22. É importante que haja uma distinção entre as propostasde mudança que resultem da busca rigorosa de soluçõespara os problemas educacionais que enfrentamos daquelasque pertencem a moda.As propostas sérias encontram muita dificuldade deexpandir-se no sistema educativo, pois afetam o núcleo daprática didática vigente, as propostas da moda se irradiamporque tratam de aspectos superficiais e parciais da açãodocente.Como fazer para ajudar a produzir e generalizar umamudança na concepção do ensino da leitura e da escritatornando possível que todos os que têm acesso à escolapossam ser leitores e escritorescompetentes e autônomos?
  • 23. A capacitação: condição necessária, mas não suficiente para a mudança na proposta didática A atualização se faz necessária paraos professores latino-americanos sobretudoporque ocorreu uma mudança radical emrelação à alfabetização e tal mudança não tevesuficiente eco nas instituições formadoras deprofessores, a função social do docente temsofrido grande desvalorização, o acesso a livrose revistas especializadas é difícil (dificuldadeseconômicas), e os professores têm poucosespaços próprios para a discussão de sua tarefa.
  • 24. Para que haja mudança não basta apenas capacitar osprofessores, é necessário estudar as condiçõesinstitucionais para a mudança.Não é possível modelar o sistema de ensino à imagem esemelhança de nossos desejos, conseguindo que ele deixede cumprir a função implicitamente reprodutivista e passeapenas a cumprir a função explícita de democratizar oconhecimento. Mas tampouco podemos renunciar amodificar de forma decisiva o sistema de ensino.Reconhecer que a capacitação não é condição suficiente paraa mudança na proposta didática porque esta não depende sódas vontades individuais dos professores, significa aceitar que,além de continuar os esforços de capacitação, será necessárioestudar os mecanismos ou fenômenos que ocorrem naescola e impedem que todas as crianças se apropriem dessaspráticas sociais que são a leitura e a escrita. ( LERNER, p. 33)
  • 25. Acerca da transformação didática: a leitura e a escrita como objetos de ensinoLeitura e escrita na escola: Leitura e escrita fora da Fragmentada em escola: pedacinhos não- Escrita criada para significativos; representar e comunicar significados; Maior ocorrência da Leitura silenciosa ocorre leitura em voz alta em com muita frequência e detrimento da silenciosa; para a busca de Escrever textos num informações; tempo muito breve e na Escrever é um processo versão final. longo que requer muitosA leitura e a escrita na rascunhos e revisões. escola parecem atentar Por que ensinar algo tão contra o senso comum. diferente do que as crianças terão que usar ?
  • 26. A diferença...A distância entre o objeto de conhecimento que existe fora da escola e o objeto que é realmente ensinado na escola vai além da leitura e da escrita, é um fenômeno que afeta todos os saberes que ingressam na escola para serem ensinados e aprendidos.O saber adquire diferentes sentidos em diferentes instituições, funciona de um modo na instituição que o produz e de outra na instituição que o comunica. Todo saber e toda competência estão modelados pelo aqui e agora da situação institucional em que se produzem.
  • 27. O objetivo da escola é comunicar o conhecimentoelaborado pela sociedade para as novas gerações e paratanto o objeto de conhecimento transforma-se em “objetode ensino”. Ao sofrer essa transformação o saber ou aprática a ensinar se modificam: é necessário selecionar-sealgumas questões em vez de outras; é necessário privilegiar-se certos aspectos; há que se distribuir as ações no tempo;há que se determinar uma forma de organizar os conteúdos.A necessidade de comunicar o conhecimento leva a modificá-lo .A questão do tempo é um dos fenômenos que marca deforma mais decisiva o tratamento dos conteúdos, nainstituição escolar. O conhecimento vai-se distribuindoatravés do tempo, e essa distribuição faz com que adquiracaracterísticas particulares, diferentes da do objeto original.A graduação do conhecimento leva ao parcelamento doobjeto.
  • 28. A graduação do conhecimento faz com que a prática daleitura e da escrita se tornem fragmentadas, pois sãodetalhadas de tal modo que perdem sua identidade. Primeiroa leitura é mecânica e só mais tarde compreensiva; as letrasou sílabas se apresentam em forma sequenciada antes dapalavra, da oração, do texto.A fragmentação alimenta duas ilusões da tradição escolar: Contornar a complexidade dos objetos de conhecimento reduzindo-os a seus elementos mais simples; Exercer um controle estrito sobre a aprendizagem.
  • 29. A transposição didática é inevitável porque o propósito daescola é comunicar o saber, porque a intenção de ensinofaz com que o objeto não possa aparecer exatamente damesma forma, nem ser utilizado da mesma maneira que éutilizado quando essa intenção não existe, porque assituações que se apresentam devem levar em conta osconhecimentos prévios das crianças que estão seapropriando do objeto em questão.Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazerfuncionar o aprendido fora da escola, em situações que jánão serão didáticas, será necessário manter uma vigilânciaepistemológica que garanta uma semelhança fundamentalentre o que se ensina e o objeto e a prática social que sepretende que os alunos aprendam. A versão escolar daleitura e da escrita não deve afastar-se demasiado daversão social não-escolar. ( LERNER, p. 35)
  • 30. Acerca do “contrato didático”O conceito de contrato didático elaborado por G. Brousseau (1986) ao analisar as interações entre professores e alunos acerca dos conteúdos, pode- se postular que tudo acontece como se essas relações respondessem a um contrato implícito, como se as atribuições que o professor e os alunos têm com relação ao saber estivessem distribuídas de uma maneira determinada, como se cada um dos participantes na relação didática tivesse certas responsabilidades e não outras quanto aos conteúdos trabalhados, como se tivesse sido tecido e enraizado na instituição escolar um interjogo de expectativas recíprocas. (LERNER, p. 36)
  • 31. Contrato:Não compromete apenas o professor e seus alunos, mas também o saber, já que esse sofre modificações ao ser comunicado, ao ingressar na relação didática.A distribuição de direitos e deveres entre professor e alunos adquire características específicas em cada conteúdo.Com relação à leitura parece que a única interpretação válida é a do professor. Assim sendo, como farão as criançaspara tornarem-se leitoresindependentes?
  • 32. Se o aluno não tem direito de atuar como um leitor reflexivo e crítico na escola, qual será a instituição social que lhe permitirá formar-se como tal?Se o aluno tem a obrigação de escrever a versão final deum texto, sem poder revisá-lo, corrigi-lo, nem fazerrascunhos, porque a correção é tarefa exclusiva doprofessor, como poderá ser praticante autônomo ecompetente da escrita?Fica assim evidente a contradição existente entre amaneira como se distribuem os direitos e obrigações deprofessores e alunos, dentro das instituições escolares.
  • 33. Ferramentas para transformar o ensinoPara produzir uma mudança profunda nas propostas didáticas não basta apenas capacitar os professores, é necessário que haja modificações no currículo, na organização institucional, criar consciência em relação à opinião pública e desenvolver a pesquisa no campo da didática da leitura e da escrita. É necessário também traçar novamente as bases da formação dos professores e promover a hierarquização social de sua função.
  • 34. Mudança no currículo:Deve cuidar para que o objeto apresentado na escola conserve as características essenciais que tem fora dela. Devem ser levadas em conta as seguintes questões:1) A necessidade de estabelecer objetivos por ciclos, em vez de grau. Isso permite elevar a qualidade da alfabetização, pois acaba reduzindo a fragmentação do conhecimento.2) A importância de atribuir aos objetivos gerais prioridade absoluta sobre os objetivos específicos. A ação educativa deve estar permanentemente orientada pelos propósitos essenciais que lhe dão sentido.
  • 35. Atenção...As perguntas: “Qual é o objetivo geral que este objetivo específico permite cumprir?” e “ Corre-se o risco de que transmita alguma metamensagem que não seja coerente com o que nos propomos?” deveriam orientar a análise avaliativa de todas as propostas que são feitas no currículo.
  • 36. 3) Necessidade de evitar o estabelecimento de umacorrespondência termo a termo entre objetivos eatividades. Deve-se considerar que uma situação didáticacumpre em geral diferentes objetivos específicos.4) A necessidade de superar a tradicional separação entre“alfabetização em sentido estrito” (apropriação do sistemade escrita) e “alfabetização em sentido amplo”(desenvolvimento da leitura e escrita). Essa separação éuma das responsáveis da educação fundamental centrar-sena sonorização sem significado.Sabemos que a leitura é desde o começo um ato centradona construção do significado, então por que manter umaseparação com efeitos negativos?O objetivo deve ser de formar leitores, portanto aspropostas devem estar centradas na construção dosignificado.
  • 37. Para construir significados ao ler é fundamental terconstantes oportunidades de envolver-se na cultura doescrito. Por isso a escola deve fazer as criançasparticiparem em situações de leitura e de escrita: énecessário pôr à sua disposição materiais escritos variados,é necessário ler para elas muitos e bons textos para quetenham oportunidade de conhecer diversos gêneros.
  • 38. Mudança na organização institucional É imperiosa a necessidade do trabalho em equipe, de abrir espaç espaços de discussão que permitam confrontar experiências e superar o isolamento no qual alguns professores trabalham.É necessário também discutir outras modificações que possam tornar a escola um espaço mais democrático que permita revalorizar a posição do professor dentro do sistema.Também é necessário definir modificações que aceite a diversidade cultural e individual dos alunos.
  • 39. Novo x VelhoÉ necessário criar-se a consciência de que a educação também é objeto da ciência e que a cada dia são produzidos novos conhecimentos que deveriam ser implantados nas instituições escolares, os quais permitiriam melhorar substancialmente a situação educativa, assim como mostrar os efeitos nocivos dos métodos e procedimentos tradicionais que são “tranquilizadores” para a comunidade, e tornar públicas as vantagens das estratégias didáticas que realmente contribuem para formar leitores e escritores autônomos.
  • 40. Investigação didática na área da leitura e da escritaÉ necessário continuar produzindo conhecimentos que permitam resolver os inúmeros problemas que o ensino da língua escrita apresenta.Se se pretende produzir mudanças reais na educação, e em especial na alfabetização, é imprescindível propiciar a investigação didática, dando-lhe um apoio muito maior que o que atualmente se oferece em nossos países.
  • 41. Preparação dos professoresDeve-se assegurar sua Todo currículo deveria formação como contribuir para leitores e produtores mostrar aos de textos e considerar estudantes os como eixo da progressos que se vão formação o registrando na conhecimento didático produção do (relacionado à leitura e conhecimento de tal à escrita) modo que eles tenham consciência da necessidade de aprofundar e atualizar seu saber de forma permanente.
  • 42. Apontamentos a partir da perspectiva curricularQuando se elaboram documentos curriculares percorre- se um caminho problemático.Vamos analisar ideias essenciais à perspectiva curricular adotada pela autora:1) Todos os problemas que se enfrentam na produção curricular são problemas didáticos. Portanto somente a didática da língua pode resolver. Os saberes de outras disciplinas relacionadas a linguística proporcionam uma ajuda fundamental, porém não são suficientes para resolver os problemas curriculares.2) quando se propõe uma transformação didática, é necessário prever como articular a proposta que se tenta levar à prática com as necessidades e pressões da própria institução.
  • 43. 3) O problema didático que devemos enfrentar é o dapreservação do sentido do saber ou das práticas que seestão ensinando.Apresentar propostas capazes de contribuir paraconcretizar, na escola, condições geradoras de uma certafidelidade à forma como funcionam socialmente fora daescola os objetos que serão ensinados e aprendidos.A apresentação do objeto de ensino deve favorecer: a fidelidade ao saber ou à prática social que sepretende comunicar; as possibilidades do sujeito de atribuir um sentidopessoal a esse saber, de se constituir participante ativodessa prática.
  • 44. Transposição didática Selecionar é imprescindível. É impossível ensinartudo. Ao selecionar conteúdos estamosseparando-os do contexto em que estão imersose portanto são transformados e reelaborados. Éfundamental que haja uma vigilância evitando odistanciamento excessivo entre o objeto deensino e o objeto social de referência. toda seleção supõe uma hierarquização, umatomada de decisão acerca do que se consideraprioritário. como se apresenta essa questão no caso daleitura e da escrita?
  • 45. O maior propósito educativo do ensino da leitura e daescrita é o de inserir as crianças na comunidade de leitorese escritores, formar os alunos como cidadãos da culturaescrita.Por esse motivo o objetivo do ensino deve-se definirtomando como referência fundamental as práticas sociaisde leitura e escrita.Para formar leitores e escritores, é necessário dedicarmuito tempo escolar ao ensino da leitura e ao da escrita,sem dar ênfase em apenas um delas em detrimento dooutro.
  • 46. Práticas de leitura e escritaAs práticas de leitura parecem ter sido, em primeiro lugar, intensivas e depois extensivas. Isso quer dizer que primeiro se liam poucos textos de maneira intensa, profunda e reiterada e depois houve uma mudança na maneira de ler, abarcando uma enorme quantidade de textos de maneira mais rápida e superficial.As duas maneiras de ler podem existir em uma mesma sociedade. Nos setores mais letrados as práticas tendem a ser mais extensivas, enquanto que as práticas intensivas ficam por conta dos setores populares.
  • 47. Praticas Intensivas x Extensivas Intensivas Extensivas Geralmente Leitura ocorre em solitária voz alta Se Realizada em desenvolve comunidade na intimidade
  • 48. Leitura nas relações sociaisO domínio da escrita é uma condição social; quando lemos ou escrevemos um texto, participamos de uma “comunidade textual”, que compartilham uma determinada maneira de ler e entender um corpus de textos. Tornar-se leitor em um domínio específico significa aprender a participar de um paradigma.Para dominar a escrita, não basta conhecer as palavras, é necessário aprender a compartilhar o discurso de alguma comunidade textual, o que implica saber quais são os textos importantes, como devem se aplicados na fala e na ação...
  • 49. Pensamos no domínio da escrita como umacondição ao mesmo tempo cognitiva e social: acapacidade de participar ativamente em umacomunidade de leitores que concordam comprincípios de leitura, um conjunto de textos quesão tratados como significativos e uma hipótesede trabalho sobre as interpretações apropriadasou válidas desses textos.( Olson, 1998)
  • 50. Explicitar conteúdos envolvidos nas práticasLemas educativos (práticas de leitura e escrita como objetos de ensino) Aprende-se a ler, lendo Aprende-se a escrever, escrevendo
  • 51. Apesar desses lemas serem bastante difundidos , suaconcretização nas atividades rotineiras em sala de aula épouco frequente.Ao planejar um currículo é imprescindível esclarecer oque é que se aprende quando se lê ou se escreve em aula,quais são os conteúdos que se estão ensinando eaprendendo ao ler e escrever.Ao se instituir como conteúdos escolares as atividades deleitura e escrita na vida cotidiana, consideram-se duasdimensões: A B Psicológica Social Interpessoal Pessoal Pública Privada
  • 52. Fica estabelecido... Os comportamentos do leitor e do escritorsão conteúdos, porque são aspectos do que seespera que os alunos aprendam. O conceito de “comportamentos do escritor edo leitor” não coincide com o de “conteúdosprocedimentais” (é mais que isso). Ao exercer comportamentos de leitor e deescritor, os alunos entram no mundo dostextos. Ao atuar como leitores e escritores, osalunos se apropriam de conteúdos linguísticosque adquirem sentido nas práticas.
  • 53. Preservar o sentido dos conteúdosDeixar claro os conteúdos implícitos nas práticas é indispensável,mas também supõe correr riscos em relação à preservação do sentido.Preservar o sentido dos comportamentos do leitor e do escritor supõe propiciar que sejam adquiridos por participação nas práticas das quais tomam parte, que se ponham em ação, em vez de substituídos por meras verbalizações.
  • 54. Conteúdos em ação e conteúdos objeto de reflexãoConteúdo em ação= cada vez que éposto em jogo pelo professor ou alunosao lerem ou escreveremConteúdo objeto de reflexão= quandoos problemas apresentados pela escritaou leitura o requeiram.
  • 55. A leitura e a escrita são atos globais e indivisíveis; Somente é possível se apropriar dos comportamentosque as constituem, dentro da escola, em situaçõessemelhantes às que têm lugar fora da escola; No âmbito escolar é imprescindível construir condiçõesdidáticas favoráveis para o desenvolvimento das práticas deleitura e de escrita; Tratar os alunos como leitores e escritores plenos, paraque possam começar a atuar como tais; A escola não pode limitar-se a reduzir as práticas deleitura e de escrita tal qual são fora dela; A tarefa educativa supõe formar sujeitos capazes deanalisar criticamente a realidade.
  • 56. Comportamentos do leitor na escola: tensões e paradoxosA escola enfrenta um estranho dilema: centrar-se na leitura em voz alta ou leitura silenciosa?Geralmente a escola obtém exatamente o contrário do que se propõe. Por quê? Conflito entre obrigatório e eletivo. Fora da escola, a leitura se mantém alheia ao obrigatório, dentro dela não pode escapar da obrigatoriedade. Devido sua responsabilidade com o ensino a escola exerce forte controle sobre a aprendizagem, portanto acaba-se lendo apenas aquilo que é possível comentar em aula, o que dificulta a questão dos alunos poderem escolher suas leituras.
  • 57. Como se pode começar a resolver essas tensões?Inserção da leitura e da escrita em projetos;Abrir espaços onde a escolha dos alunos passe parao primeiro plano;Limitar as exigências do controle, abrindo espaçospara os alunos escolherem algo a compartilhar coma turma.Abrir espaços onde os alunos possam exercer naescola a prática extensiva da leitura que é apredominante em nossa sociedade.
  • 58. É possível ler na escola?Ler é entrar em contato com outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita...( LERNER, 2008)
  • 59. É possível ler na escola???Parece um tanto estranha essa pergunta, uma vez que é função primordial da escola ensinar a ler e escrever.Todo o tratamento que a escola faz da leitura é fictício, começando pela imposição de uma única interpretação possível.O tratamento que é dado à leitura na escola pode ser perigoso, pois corre o risco de “assustar as crianças”, ou seja, distanciá-las da leitura, em vez de aproximá-las dela.
  • 60. A escola precisa tornar-se um âmbito propício paraa leitura e isso deve acontecer antes mesmo dascrianças saberem ler no sentido convencional epara isso o professor deve assumir o papel deintérprete, deixando que os alunos leiam atravésdele.Fazer da escola um âmbito propício para a leitura éabrir para todos as portas dos mundos possíveis, éinaugurar um caminho que todos possampercorrer para chegar a ser cidadãos da culturaescrita.
  • 61. Dificuldades na formação de leitores1. A realidade não se responsabiliza pela perda de suas ilusões.( Não é possível ler na escola). As semelhanças entre as práticas escolares da leitura e o uso social são muito escassas.2. A escola como microssociedade de leitores e escritores.(É possível ler na escola). É preciso conciliar os objetivos institucionais com os objetivos pessoais dos alunos.
  • 62. Avaliar a leitura e ensinar a lerA avaliação é um instrumento que permite determinar em que medida o ensino alcançou seu objetivo, em que medida foi possível fazer chegar aos alunos a mensagem que o docente se propôs comunicar.Entretanto a prioridade da avaliação deve determinar onde começa a prioridade do ensino.Por em primeiro plano o propósito de formar leitores competentes nos levará a promover a leitura de livros completos, textos diferenciados, dar um lugar mais relevante às situações de leitura silenciosa.
  • 63. Saber que o conhecimento é provisório, que os erros nãose “fixam” e que tudo o que se aprende é objeto desucessivas reorganizações permite aceitar, commaior serenidade, a impossibilidade de controlartudo.Proporcionar às crianças todas as oportunidadesnecessárias para que cheguem a ser leitores no plenosentido da palavra impõe o desafio de elaborar novosparâmetros de avaliação, novas formas de controle quepermitam recolher informação sobre aspectos da leituraque se incorporam ao ensino.Para formar leitores autônomos a avaliação precisa deixarde ser função privativa do professor e capacitar os alunospara decidir quando sua interpretação é correta e quandonão o é, ou seja, é preciso proporcionar às criançasoportunidades de construir estratégias de autocontrole daleitura.
  • 64. Tornar possível essa construção requer que os alunosenfrentem as situações de leitura com o desafio de validarpor si mesmos suas interpretações e, para que issoaconteça, é necessário que o professor retarde acomunicação de sua opinião para as crianças, que delegueprovisoriamente para elas a função avaliadora.O docente precisa fazer algumas intervenções durante asinterpretações dos alunos, pois tais intervenções sãodecisivas.O professor continua tendo a última palavra, mas éimportante que seja a última e não a primeira, que o juízode validade do docente seja emitido, depois que os alunostenham tido a oportunidade de validar por si mesmossuas interpretações.
  • 65. O professor: um ator no papel de leitorPara comunicar às crianças os comportamentos que são típicos do leitor, é necessário que o professor os encarne em sala de aula, que proporcione a oportunidade a seus alunos de participar em atos de leitura que ele mesmo está realizando, que trave com eles uma relação de leitor para leitor.Ao ler para as crianças, o professor ensina como se faz para ler.Operar como leitor é uma condição necessária,mas não suficiente para ensinar a ler. Algumas vezes é preciso outras intervenções do docente( diferentes estratégias de leitura).