Dempeo ii sexta parte

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Dempeo ii sexta parte

  1. 1. PATRICK:Não é que alguma vez houve um momento em que eu decidi que ia ter umcaso. Se eu tentei descrever para você as emoções que passavam pela minhacabeça enquanto eu segurava uma Ellen chorando nos meus braços, eu nãoconseguiria.O que ela tinha dito, quando estava comigo, ela sentia que o resto do mundopodia ir embora, era perfeitamente verdade. Eu me sentia da mesma maneira eassim o disse a ela. O fato de que eu era casado, o fato de que eu tinha umafilha, o fato de que eu tinha uma vida inteira que não girava em torno da mulherque eu estava segurando em meus braços, não parecia importar. A única coisaque sentia era que, sendo Derek ou Patrick, quando eu estava com ela, eu mesentia vivo. Eu me sentia mais vivo e mais alguma coisa que eu nunca tinhasentido antes.Não que eu já soubesse de alguma coisa, naquela manhã. Não que uma pilhagigante de tijolos tivesse caído sobre minha cabeça no parque e me falasseque esta mulher era o amor da minha vida. Não, a vida é um pouco maiscomplicada que isso. Lembro-me mais como se fosse uma decisão. Essamudança ocorreu dentro de mim.Todas as coisas que poderiam ter me segurado antes, aqueles pouquinhos dedúvida, essas coisas que diziam que esta não era a coisa certa a fazer,começaram a desmoronar. A pequena voz na minha cabeça que começou adizer "E se?" E se você pudesse se sentir vivo o tempo todo? E se essa idéiadoida dela, de somente fazer essa coisas no set, poderia dar o que você maisqueria, sem nenhum detalhe aborrecido? Mas, como qualquer vício, o que vocêprecisa em primeiro lugar é apenas uma pequena correção.Aquele dia do parque, eu voltei para casa atordoado. Jill se desculpou por nãoter dado mais apoio na minha oportunidade, e eu prometi ser mais presente emcasa, mas eu estava mais no piloto automático de ser marido do que qualqueroutra coisa.Por mútuo acordo não houve mais visitas ao parque (com Ellen quero dizer).Realizei todos os meus encontros sobre o filme Encantada durante o dia,peguei T todas as tardes, depois da escola, e tentei fazer o que era esperadode mim. Mas era como ser um astronauta na Lua, ou um alien dentro do corpode outra pessoa, eu me sentia tão desligado de tudo.Eu voltei para o set de filmagem com uma série de cenas cirúrgicas, que seriachamado do episódio da bomba. As coisas estavam tão agitadas na mesa deleitura que eu quase não conversei com Elly. Foi só quando tivemos queensaiar uma das cenas mais importantes da história da série, que eu comecei adesistir do astronauta na lua.
  2. 2. ***Também, por mútuo acordo, decidimos que o trailer seria demasiado privadopara a gente ensaiar dentro dele. Não que qualquer um de nós realmentetivesse dito isso em voz alta um para o outro, mas quando eu sugeri que, paraobter a sensação da cena, devíamos ensaiar juntos, Ellen saltou para dentrodele.Eu fiquei secretamente aliviado. Não que eu pensasse que, se nós ficássemossozinhos dentro do trailer, eu iria saltar sobre ela ou outra coisa, mas eucertamente não tinha esquecido o que tinha não acontecido lá um dia antes dohiato.Nós dois tínhamos cenas para filmar no final da tarde, colocando um limite naquantidade de tempo que poderíamos gastar juntos. Eu tinha conseguido acharalguns amendoins para gente, por isso nós nos sentamos frente a frente comuma tigela de amendoins para compartilhar.O trailer está tranquilo, assim eu estou tentando ignorar o fato de que Ellenestá gemendo, enquanto ela agarra o seu décimo punhado de amendoim. Eunão posso evitar de achá-la tão linda, e dou uma risadinha."O que foi?" Ela pergunta, enquanto ela mantém a sua mão sobre a página doscript. Sua outra mão está coberta com a poeira do amendoim. Isso me faz rirainda mais. Ou talvez seja o bocado de nervosismo que rastejou para debaixo da minhapele, esta manhã. Nesta manhã, ela concordou em se encontrar comigosozinha. Eu tinha andado como um tonto todos os dias, impaciente no set,tanto que Peter teve de dizer-me para ficar quieto de forma que a câmerapudesse focar minhas feições. Eu não estava analisando porque me sentiaassim, mas no fundo eu sabia."Sabia que você geme quando está comendo algo que você gosta?" Eu explicoa razão do meu riso, com as pernas cruzadas na frente do meu corpo."Eu?" Ela pergunta fingindo-se de séria, mas eu posso ver as bordas dos lábios
  3. 3. enrolando-se num sorriso. Ela põe o dedo em um ponto para marcar algumacoisa no script e se vira para olhar para mim. Seus olhos verdes brilham.E então eu me lembro de outra vez que ela é propensa a gemer: quando elasente meu gosto. Como quando estamos nos beijando. O sorriso deixa o rostodela. Eu sinto como se formigas estivessem correndo para cima e para baixono meu corpo. Mas ela se vira. Volta para o seu script. Eu posso ver sua orelhasaindo sob os cabelos, quando as extremidades de seu cabelo ondulado sevoltam e descansam tranquilamente sobre seus ombros."Você deveria estar me ajudando com isso." Ela me dá uma reprimenda,enquanto fica manuseando o script, mas eu sei que ela está evitando o meulapso. Congratulo-me com o lembrete."Não posso trabalhar com o estômago vazio." Eu respondo, oh, tão sutilmenteapontando o fato de que a tigela do lanche está ao seu lado, um fato que meimpede de fazer qualquer gesto para chegar perto dele, a não ser que ela ... ..não, ideia ruim."O que?" Ela pergunta confusa, e então percebe o que estou falando e cora,enquanto ela diz: "Ah." E move a tigela quase acabada entre nós.Eu suspiro de gratidão e mergulho na tigela. É isso ou continuar a olhar para avista muito agradável que tenho, de seus seios através da camisa de cortebaixo ela está usando. Deus, o que há de errado comigo? Pare com isso!"Obrigado." Digo como alternativa, e descubro que comer não me impede deolhar para os seus seios. Coma os amendoins, Patrick, coma os amendoins.Ela diz ainda com o olhar longe: "Agora, pare de comer e me ajude com isso."Sim, há definitivamente algum tipo de laço em seu sutiã. "Ajudá-la como?" Eupergunto quando, propositadamente, coloco minha mão de volta na tigela."Você deveria estar me dizendo por que diabos você está aqui." Ela comentacom um pequeno grau de exasperação.O quê? “Estou aqui porque precisamos praticar." Digo confuso.Ela se vira para mim divertida e diz: "Não é isso, me diga por que você,DEREK, está aqui.""Ah." É tudo que eu posso dizer, por isso eu mergulho minhas mãos na tigelanovamente para cobrir minha gafe. "Beemm .... Acho que é bastante óbvio."Ela levanta as sobrancelhas como se dissesse: se fosse tão óbvio porque euestaria perguntando, cretino? Ela inclina-se para tirar a tigela de mim, e eu nãoconsigo tirar os olhos do sutiã de renda que segurava dois seios muitoperfeitos. "Você quase morreu!" Eu digo com um encolher de ombros eevitando o contato visual.Ela olha para mim com desconfiança. Merda, eu acho que ela pode ter mepegado. Ela coloca a tigela ao seu lado, e o movimento faz com que seus seios
  4. 4. fiquem tensionados sob a camisa. Eu sei disso porque eu não consigo tirarmeus olhos de lá. Eu passei os meus olhos tão rápido quanto eu pude, mas eusei que eu fui descoberto. Eu sei disso porque ela não tirou os olhos de cimade mim. Ela foi quem sugeriu esta coisa de só no set. E desde que ela tinhaconfirmado que ela estava sugerindo o que eu achava que ela tinha pensado,eu não conseguia parar de pensar nisso. É apenas ela e eu.Seu peito sobe e desce rapidamente. Eu não consigo tirar meus olhos. "Temque haver algumas regras." Ela diz sussurrando."Regras?" Pergunto olhando seus seios, mas depois penosamente levantar osolhos para seu rosto. Apenas um toque de verde permanece em torno danegritude de suas pupilas. "Que tipo de regras?"Seus olhos estão desfocados. Por que precisamos de regras? "Só pode seralgo que Meredith e Derek fariam." De repente, ela deixa escapar.Eu levanto minhas sobrancelhas com isso. Ela responde às minhassobrancelhas arqueadas com um sarcástico: "quero dizer no script, homemsujo".Isso só me faz sorrir. Eu não aguento mais, eu tenho que agarrar alguma coisadela. O cabelo é uma escolha benigna. Ela endurece quando eu pego uma desuas mechas. "Isso não está no script." Ela diz respirando profundamente. Masela não se afastou.“Ah, mas está." Eu digo enquanto levanto a mecha de seu cabelo até meu narize inalo a essência inebriante de lavanda. É engraçado como as partes denosso ser real são incorporadas ao roteiro. Eles aproveitaram a mania de Ellenlavar seus cabelos só com xampu de lavanda e passaram essa predileção paraMeredith. Obrigado Shonda. "Derek queria fazer isso há muito tempo.""Você tem que ... você tem que dizer as falas." Ela disse com uma vozquebrada. Eu estou contente por não ser o único tonto e agitado. Mas hátambém um excitamento inerente. Um sentimento de Estou realmente fazendoisso’, que só torna o momento muito mais doce."Você quase morreu hoje." Digo baixo, tentando acabar com aquele jogoafetuoso. Eu tenho dito que é errado? Estou fazendo o certo? Eu solto umgrande suspiro. O cheiro quase doentiamente doce de um dia de verãopermeia o ar."Sim. Quase morri hoje." Ela responde timidamente enquanto seu corpo sevira na minha direção. Minha mão direita sobe para seu couro cabeludo e,lentamente, passo a mão em seus cabelos, penteando-os para baixo. Elaquase fecha os olhos, mas persevera a dizer: "Eu não posso ..."Mas eu a impedi. "Vire-se." Eu ordeno.Ela olha para mim. Seus olhos verdes questionam minha ordem. "Vire-se."Ordeno novamente.
  5. 5. Seus olhos continuam a olhar incertos, mas ela faz o que eu digo. Ela selevanta e vira as costas para mim.Eu tive que mandar ela se virar, pois seus seios me chamavam, através dodecote da sua camisa. Não havia nada remotamente mencionado sobre tocarseus seios no script. Além disso, desta forma eu não ficaria tentado a beijá-la."Continue." Eu sussurro, fazendo-a começar de novo."Eu não consigo ... Não consigo lembrar do nosso último beijo." Ela diz,mas então pára, quando ela sente que eu pego um punhado de seus cabelos.Isso é uma mentira. Ambos sabemos exatamente quando foi nosso últimobeijo. Eu ainda posso sentir o seu corpo estendido sob o meu. Mas elacontinua: "Tudo que conseguia pensar era: ‘Não posso lembrar nossoúltimo beijo’, o que é patético, mas a última vez em que estivemos juntose felizes, eu quero poder lembrar disso. E não consigo, Derek. Nãoconsigo lembrar.O tempo todo ela foi falando, e eu apenas brincava com seus cabelos: sentia opeso dele na minha mão, escovava meus dedos sobre as extremidades. Eudeixo cair as minhas mãos para dizer: "Ainda bem que você não morreuhoje".Eu posso sentir que ela tentava não se virar para mim. Meus dedos, por suaprópria vontade ao que parece, enredam-se no seu couro cabeludo. Ela soltaum suspiro profundo. Eu tento não suspirar junto. Eu enterro minhas mãos emseu cabelo, e eu o puxo de volta para mim, assistindo seu brilho que serpenteiapor entre os meus dedos. "Era uma quinta de manhã."Meu olhar segue o caminho quase metódico dos meus dedos. "Você estavacom aquela camiseta velha da Dartmouth que fica tão bem em você.Aquela com um buraco atrás da nuca."Chego ao fim e começo tudo de novo. Eu jogo minhas mãos para cimanovamente e começo a passar a mão por ele novamente. Seu pescoço seinclina para trás. "Tinha acabado de lavar o cabelo e cheirava a algum tipode flor."Sua coluna se derrete em minhas mãos, e eu passo minhas mãos através deseus cabelos uma última vez. Ela se acomoda contra o meu peito e eu tiro ocabelo para fora de seu rosto. Todos os pedaços do meu corpo, onde a peledela se encosta, estão em chamas. "Eu estava atrasado para uma cirurgia.Você disse que me veria mais tarde. Daí se apoiou em mim. Colocou suamão no meu peito e me beijou."Penso em como seria fácil virá-la para mim e fazer exatamente isso, beijá-la. Oque eram um bando de regras bobas de qualquer maneira? Mas eu não faço."Levemente. Foi rápido, como se fosse por hábito".Isto poderia ser um hábito. Se eu quebrasse as regras, ela poderia nunca maisme deixar fazer isto novamente. É tudo tão novo. Não posso fazer estabagunça. Minha mão passa por sua orelha e eu a deixo demorar lá, traçando o
  6. 6. seu contorno. "Sabe, como se fôssemos fazer de novo pelo resto denossas vidas".Ela inclina a cabeça em meu pescoço, enchendo minhas narinas com lavandae expondo sua orelha ainda mais. Meu dedo indicador faz um caminhopenosamente lento ao longo das bordas exteriores de sua orelha. "Vocêvoltou a ler o jornal e eu fui trabalhar. Foi a última vez que nos beijamos".O som SSS deixa minha respiração lenta, evaporando em seu cabelo. Euposso sentir o ar enchendo seus pulmões quando ela diz, "Lavanda. Meucabelo cheirava a lavanda. Do meu condicionador. "Como Derek não descobriu isso há muito tempo, eu não tinha idéia. Por queele não tinha visto os vidros de xampu em seu banheiro, nas muitas vezes quetinha ficado ali, ou perguntado a ela no dia inebriante da descoberta, nunca foiexplicado para mim. "Lavanda. Huh " Termino.Esta não pode ser a última fala. Devia haver cem, não, mil falas. Essaspessoas têm um milhão de coisas que precisam dizer um ao outro. Mas isso éo fim. Nós realmente não temos muito tempo até que tenhamos que sair dotrailer e filmar outras cenas. Nós gastamos os poucos momentos que aindatínhamos desse jeito: ela de costas pressionada contra o meu corpo, o cabelodela em meu pescoço. Eu brinco com as pontas de seu cabelo e fico pensandoem qual maravilha o próximo script vai trazer. Pois esse é o problema: eledeixa você só querendo mais.Nesta mesma noite…
  7. 7. CHRIS:O clique da porta da frente me alerta para a presença dela. Eu olho para orelógio: apenas alguns minutos antes das nove. Uma noite mais cedo. Apenasquando 9 horas da noite tornou-se cedo, eu não tenho idéia. Eu pensei que euia ter outra solitária sessão de Lost.Nós começamos a assistir Lost juntos no hiato, mas agora ela estava de voltapara o trabalho ‘árduo’. Não que qualquer um de nós tivéssemos alguma idéiado que acontecia nesta série (Lost), mas ela sempre pareceu entender ascoisas antes de mim. Pegue a escotilha, por exemplo. Ela tinha chamado aatenção sobre isso. Eu simplesmente não podia acreditar. Existem pessoas emuma ilha no meio do Pacífico fazendo experimentos psicológicos em outraspessoas? Que doidera. Elly acha que é uma corporação do mal que necessitade cobaias, ou algo assim.Eu escuto os pequenos pés de Ellen, na porta da frente e depois na cozinha.Mesmo que eu não os tivesse ouvido, eu saberia onde ela estava. Ela estásempre faminta, quando ela chega em casa do set. Ela sempre teve um apetitesaudável. Eu imediatamente salto de cima do sofá e grito, enquanto caminhoaté a cozinha: "Ei, está passando ‘Lost’, querida."Ela já está na frente da geladeira, retirando coisas. Pão, hamburger, queijo ....Ah, a sua noite de sanduíche. Eu acho que vou fazer um também. Ela nãoparece ter me escutado. Ela parece estar cantarolando baixinho algo, enquantoela joga mais coisas sobre o balcão. Picles, mostarda, alface, tomate .... Elarealmente está muito bonita. Seu cabelo está solto em volta de seus ombros eseus jeans confortáveis marcam o contorno de seu corpo. Ela parece estar ...feliz.Eu dou uma pancadinha em seu ombro e começo a dizer: "Você ouviu ...?"Quando ela se vira surpresa e deixa o recipiente de molho cair no chão delinóleo. Graças a Deus que ele não se abriu!“Deus Chris, você me assustou!" Ela declara com a mão no peito. Ela não estáralhando, porém. O exato oposto: seu sorriso é enorme. Deve ter sido um bomdia no trabalho."Desculpa." Digo envergonhado, impulsionado pelo seu bom humor.Geralmente, quando chega do trabalho ela está esgotada e irritada, assim estaera uma surpresa agradável. Eu pego o molho e digo: "Eu te chamei. Você nãodeve ter me escutado. "Ela me dá um olhar estranho e, em seguida, cora. Cora? Mas depois o rubor foiembora e ela pega o saco de pão e começa a arrancar pedaços para fazer umsanduíche. Ela se volta para mim, quando ela diz de forma moderada, "Oh sim,eu estava pensando sobre o trabalho."Isso chama a minha atenção. Eles têm feito algumas coisas bem legais
  8. 8. ultimamente, como bombas em cavidades do corpo e etc. Eu não estouautorizado a dizer a ninguém, mas sei tudo o que acontece na série antes detodo mundo, na América. Eu gosto disso."Mais coisas da névoa rosa?" Pergunto animadamente enquanto me deslocopara o outro lado do balcão e pego um pedaço de queijo.Ela esguicha um pouco de molho em seu sanduíche, não olhando para mim,quando ela pega uma faca e diz: "Ah, nada que você ache interessante.Apenas uma cena que Patrick e eu trabalhamos."Ela pega algumas fatias de peru e de queijo e faz camadas sobre o pão. Elaainda não olha para mim, mas o sorriso que ela tinha quando entrou está indoembora de seu rosto. Isso é interessante. As coisas devem estar melhorandopara Meredith e Derek. Isto sempre a fazia feliz. Mas era algo que me faziasorrir um pouco desconfortável. Mas eu empurrava esta sensação para o lado."Oh sim, o que?" Eu casualmente pergunto quando eu pego mais queijo. Elagosta quando eu converso com ela sobre a série. Eu gosto de falar sobre isso.É legal."É mais uma cena da garota. Você não ia gostar." Ela disse.Uma cena da garota? Oh, ela quer dizer algo piegas. Eu a vejo pegar uma dasgrandes facas de cozinha para cortar seu sanduíche ao meio. Ela estácortando quando eu pergunto: "Mas eu pensei que ele era casado?""Merda!" Ellen grita de dor e corre para a pia. Eu corro para ela para ver qual éo problema. Uma piscina escura de sangue está escorrendo de um corte emseu polegar. Ela pega um papel toalha e tenta parar o sangramento."Eu me cortei com a estúpida faca." Ela resmunga desnecessariamente."Jesus Cristo, Elly! Você me assustou!" Eu digo enquanto meu coração tentase desacelerar."Então, nós estamos quites!" Ela cospe mal-humorada, me dá as costas e fogepara, presumivelmente, encontrar um band-aid. Ok, o bom-humor foi embora.Então eu começo a limpar as coisas na cozinha. Eu não acho que eu nuncasoube sobre o que essa cena era. Talvez eu devesse saber.ELLEN:É uma semana mais tarde, e meu cabelo ainda está formigando. Bem,tecnicamente, seria meu couro cabeludo, mas ainda sinto como se eleestivesse passando as mãos pelos meus cabelos. Espere, o que ele ...? Eupego meu cabelo de volta quando eu percebo que Patrick está, REALMENTE,brincando com o meu rabo de cavalo."Pare com isso!" Eu murmuro para ele, enquanto nós estamos juntos naestação dos enfermeiros. Nós dois estamos com nossos uniformes cirúrgicos e
  9. 9. ele já está com seu jaleco, e a equipe de filmagem ainda está montando ascoisas.Eu posso ver o homem puxando os punhos de seu casaco, o homem que vaifazer o papel de Mark Sloan, Eric Dane. Ele parece bom, mas um homem virildemais para mim. Uma jaqueta de couro? Sério?Patrick vem fazendo essa coisa a semana toda, puxando ou brincando com omeu cabelo em momentos casuais. Não que eu esteja reclamando, mas elenão está exatamente disfarçando e isso não faz parte do script. Eu não consigodecidir se estou chateada ou não."Parar o quê?" Patrick responde, enquanto ele tenta fingir que não estavafazendo o que eu tenho certeza que ele estava. Ele tem este pequeno sorrisoem seu rosto e seus olhos estão brilhando, por isso posso dizer que ele estátramando algo. Como nós estamos inclinados na superfície plana, eu nãoposso ver onde suas mãos estão. Mas tenho uma ideia."Eu estou te observando." Advirto, mas ele não está mais prestando atençãoem mim.Ao contrário, ele se vira para olhar para Eric e pergunta: "Então, é por causadele que vocês, garotas, então tão excitadas?”"Nós, garotas?" Eu questiono com uma risadinha. "Por que, você não estápronto para um pouco de competição? Não está gostando de não ser o únicoMc rondando por aqui?"Ele levanta uma sobrancelha sarcástica para mim, olha disfarçadamente osmeus lábios, e então olha para Eric, enquanto diz: "Não é como se ele fosseficar para sempre, nem nada. Ele flerta com você, eu dou um soco nele, ele fazuma pequena cirurgia, e ele vai para casa.""Você parece um pouco feliz com isso." Eu comento falsamente. Ele está! Eleestá praticamente reprimindo um sorriso. "Será que alguém comeutestosterona demais no seu café da manhã?"
  10. 10. Ele não responde. Seus olhos brilham em diversão. E sua mão começa a semover através do balcão."Você não deveria estar de pé ali?" Eu digo enquanto eu aceno com a cabeçapara a sala de conferências atrás de nós, antecipando o que o movimento damão significa.Ele olha também, mas ele não se move. Seu jaleco de laboratório roça meucotovelo. "Eu não quero ir para lá." Ele diz presunçosamente enquanto eu vejosua mão desaparecer novamente."Se você tocar o meu rabo de cavalo de novo, eu vou ..." Advirto, rindo, até queeu sinto um ínfimo puxão no meu cabelo."Você vai fazer o quê?" Ele arrelia enquanto eu luto contra o desejo de fechar oespaço restante entre os nossos corpos. Aromas puramente masculinos saempara fora dele e seus olhos azuis me puxam para dentro. Como sempre.Eu não posso pensar coerentemente por um segundo, mas depois tenho umaidéia de gênio. "Vou pedir a Shonda para escrever uma cena elaborada com oAndrew Dice Clay (ator e comediante americano) ali." Digo, apontando paraEric.Nós dois olhamos para ele. Agora Peter está falando com ele. O pobre rapazparece um pouco nervoso. O casaco parece um pouco duro e ele continuapuxando os punhos. "Você não teria coragem." Ele comenta com certeza. Masseus olhos seguem Eric avaliadoramente e depois voltam para mim. Ele parecetotalmente certo de que eu nunca faria algo assim, o que só me fez quererfazer aquilo ainda mais.Eu dei um sorriso e fui falar com Eric. Eu não precisava olhar para saber quePatrick não estava muito atrás de mim. Porém, ele me surpreendeu, pegando aminha mão, me empurrando pelas costas e me arrastando pelo corredor afora.Eric olhou estranho para nós, mas o resto da equipe já estava acostumado comisso. Eles nem sequer piscavam enquanto ele me arrastava através das portasfalsas do falso hospital. Eu ria da reação descontrolada de Paddy.
  11. 11. Eu não estou mais rindo, quando ele me joga contra a parede de um escritórioe começa a me beijar ferozmente. Estive querendo beijá-lo tanto, desde aqueledia na sua casa, que eu não faço nenhum tipo de protesto.A força de vontade que eu tive para não me virar na semana passada, quandoele passava aquelas mãos fortes pelo meu cabelo volta a assombrar-me. Achoque eu a usei toda naquele dia. Não tenho mais nenhuma força de vontade deresistir.Suas mãos agarram os dois lados da minha cabeça e eu estou perdida. O beijoé tão quente que meu corpo está imediatamente em chamas. Meus braçossobem ao redor de seu pescoço, enquanto suas mãos enredam-se no meucabelo. Sua língua explora minha boca, como se dissesse: "minha, minha,minha" na linguagem mais primitiva de todos. Estou em chamas. Eu sou ofogo. Eu estou viva.Eu sinto como se meu corpo inteiro estivesse vibrando. Oh espere, não, isso éo meu quadril. Não, isso é o telefone no bolso dele que está encostado em meuquadril. E só assim, o feitiço é quebrado. Quando nós vamos pegar o ar, eudigo, "Paddy, o seu telefone.""Não é importante." Ele diz, enquanto ele tenta mergulhar mais em mim. Seusolhos estão fechados, como se estivesse em êxtase. Eu amo mais do quequalquer outra coisa ficar beijando ele, mas não posso. Nós não temosnenhuma desculpa para isso. E a equipe, provavelmente, está procurando pornós agora."Não podemos ficar aqui." Digo, colocando as mãos sobre seu peito paraempurrá-lo. "E você deve responder seu telefone."
  12. 12. Seus olhos se abrem, vidrados de prazer. Ele leva alguns instantes para seconcentrar e processar as minhas palavras. Ele abre as mãos e me soltaquando ele percebe onde elas estão. Ele parece estar tão surpreso ao se verme beijando, como eu estou de ser beijada."Eu sinto muito." Ele diz dando um passo para trás."Não se desculpe." Digo desafiadoramente, quando, por alguma razão, meusolhos se enchem de lágrimas.Algo muda em seu rosto. O olhar perdido desaparece e ele olhadivertido/convencido para mim. Ele dá um passo para a frente, e volta a sepressionar contra mim. Ele descansa suas mãos contra a parede de cada ladoda minha cabeça. Seus lábios pairam no ar a um milímetro dos meus. Suarespiração rola sobre a minha, e meus olhos se fecham quando ele sussurra,"eu não sinto muito".Tão perto e tão longe. Eu sei que se nós nos beijássemos novamente, eu nãoconseguiria parar. E eu era, obviamente, a única pessoa com uma pitada deforça de vontade, por menor que ela fosse. Além disso, eu provavelmente sabiaquem estava chamando. Há apenas uma pessoa para quem ele deixaria seutelefone ligado."Eu sei". Eu sussurro, escapando por baixo de seus braços. A porta se fechasilenciosamente atrás de mim, e eu não olho para trás.Eu vou até o banheiro com a desculpa de me refrescar, mas é realmente parame olhar no espelho. E, para dar tempo de me recompor antes de eu ter queenfrentar uma sala cheia de pessoas. O meu cabelo tinha se soltado do rabode cavalo, assim eu os arrumo de volta. Eu lavo meu rosto com água fria. Eunão sei se meus lábios parecem ter sido beijados, mas meus olhos certamentedão bandeira. E enquanto eu tento limpar o poder daquele beijo para fora demim, eles brilham ainda mais. Eles parecem felizes. Eles parecem perigosos. Enada satisfeitos.PATRICK:
  13. 13. Toda manhã, ao acordar, eu tenho o mesmo pensamento: Tenho que acabarcom isso. Vou acordar em uma cama com minha esposa e filha e pensar quenão pode haver coisa melhor no mundo do que acordar com uma menininhaaconchegada ao seu lado.Mas então eu vou acordar um pouco mais e descobrir que o contentamento erauma miragem. Esta não é a minha vida. Essa foi a minha velha vida. Comoquando as filmagens de uma cena no palco e as câmeras caem, e as paredesfalsas se afastam da esposa falsa, que está fazendo o café da manhã. Mas é aminha vida. Minha vida tornou-se uma miragem.Mas não importa o quão desligado eu me sinto, eu sei em algum lugar daminha mente, que o que estou fazendo é errado. A primeira vez que Ellen e eutínhamos começado o nosso pequeno jogo, eu realmente não tinha pensado noque iria realmente acontecer.A cada segundo eu esperava que ela me impedisse: que gritasse comigo ejogasse minhas mãos para longe. Mas ela não tinha feito isso. Ela não tinha. Eeu cheguei em casa, esperando que tudo fosse transparecer em meu rosto,mas isso não aconteceu.Eu cheguei ao trabalho no dia seguinte pensando que isto era uma anomalia;que Ellen iria me empurrar. Mas ela não tinha feito isso. Eu penso toda dia quenada mais vai acontecer. Eu não irei mais longe. Mas eu vou. Ah, mas eu vou.Já se tinham passado duas semanas desde aquele beijo, mas eu pensei sobreele todos os dias. Não, praticamente a cada segundo. Quem disse que oshomens pensam sobre sexo a cada 7 segundos está subestimando. Grandehora. Nós não tivemos nenhum momento ‘merder’, como gosto de chamá-los,com exceção de um triste, quando ela aceita o meu convite de amizade.Então, eu não tinha que me preocupar. Mesmo que eu não pudesse ter umadesculpa legítima para beijá-la depois disso. Embora eu ainda não tivesseexatamente uma boa razão quando a arrastei pelo corredor e praticamente adestruí em um escritório de alguém. Hmm.. Mas ela tinha me provocado.Andrew Dice Clay, uma ova.Mas hoje é uma história completamente diferente. Meredith e Derekconcordaram em serem amigos. Eles estão andando com Doc na TigerMountain Trail (um parque local, em Los Angeles). Ela está muito bonita comum leve casaco de capuz verde escuro e de gola falsa por baixo.Estamos filmando duas cenas hoje, a última do último episódio, e a primeira deum novo, então esta é a nossa segunda troca de roupas para o dia. Seu cabeloestá de volta em um rabo de cavalo solto que eu iria pegar, se a câmera nãoestivesse filmando.
  14. 14. "E você, você não tem quaisquer problemas em me dizer isso?" Ellenpergunta à minha esquerda como ela dá um gole em uma garrafa de água."Sinceramente, neste momento eu não tenho quaisquer problemas. Nemum único." Eu digo a minha fala, mas é absolutamente verdadeiro. O sol estábrilhando, o clima ameno, mas com um leve calor no ar, e ao meu lado, minhagarota loira. Que está brilhando para mim com um olhar que diz que ela está sedivertindo também. Agora de quem vem este olhar: de Meredith ou de Ellen?De alguma forma, eu não acho que isso importa."E corta!", Diz Peter de trás da câmera. A cena é longa. A equipe se divide.Mark e sua câmera móvel se volta e ele a coloca com cuidado sobre umacadeira próxima. Ele é um grande homem, mas deve estar cansado por mexercom essa coisa o dia todo. Várias outras pessoas relaxam agora.
  15. 15. "Isso foi muito bom, caras." Peter diz quando ele vem até nós e me dá umtapinha no ombro. Traduzo os elogios a Ellen com meus olhos. Elasilenciosamente balança a cabeça como se ela não soubesse o que fazercomigo. Peter é esquecido quando ele se vira e vai conversar com Mark.Ellen e eu partilhamos um sorriso feliz. Eu brinco com ela: "Então, eu acho queisto é um envolvimento." Eu não sei o que quero dizer com isso, mas eurealmente não quero que o nosso tempo junto se acabe."Você tem mais cenas para filmar hoje?" Ela pergunta, não se movendo emdireção ao carro. Todo mundo está reunindo os seus pertences."Eu tenho uma hoje à noite, mas a minha tarde está livre. Por quê?" Eupergunto, esperando saber o que ela vai pedir, mas não querendo ter umaesperança muito grande."Eu não sei. Parece um desperdício vir todo o caminho até aqui e nãoaproveitar o tempo bonito." Ela timidamente coloca a questão.Ah, eu estava certo. Eu olho para longe, não querendo mostrar a minhaemoção. "Você já esteve aqui?" Eu pergunto, fingindo examinar a trilha. Emvez disso, fico olhando para ela com o canto do meu olho."Não, você já?" Ela pergunta, sabendo o que eu estou fazendo, mas nãoquerendo demonstrar."Não." Eu digo quando nós sorrimos um para o outro novamente. "Vocêgostaria de andar?"Os olhos dela dizem que ela tem certeza de que caminhar não é o que eutenho em mente. Dou um olhar tão inocente quanto possível. Tenho certeza deque eu fracasso miseravelmente. Ela não pareceu se importar. Ela começa aandar pela trilha. Eu observo suas ancas balançarem de um lado para o outro,enquanto o resto da equipe se desvanece atrás de nós."Então, quanto tempo você acha que essa coisa de amigos vai durar?" Eupergunto com uma pequena ponta de sarcasmo."O que você quer dizer?" Ela pergunta inocentemente. Ou tenta fingir. Mas elasabe o que eu quero dizer. Com a nossa concordância, tudo está começando aassumir um significado completamente diferente."Você sabe o que quero dizer." Eu respondo."Não, eu não. Acho que você vai ter que explicar." Ela responde flertando.Eu dou-lhe um olhar avaliador e, em seguida respondo: "Derek não quer serseu amigo."Seus olhos brilham. "Oh sim, e o que ele quer ser?", Diz ela com um pequenoflerte puxando seu pescoço. Se não estivéssemos no meio de uma trilha muito
  16. 16. freqüentemente usada, gostaria de beijá-la ali mesmo e mostrar-lheexatamente o que ele queria ser, mas eu avisto outra pequena trilha que vaipara o que eu acho que é o gorgolejar de um rio."Ei, vamos até ali." Digo com um aceno para a trilha.É a sua vez de me dar uma olhada avaliadora. "O quê? Acho que há um riachoou algo assim. Você não pode ouvir a água?"Ela olha interrogativamente para mim, mas eu sou a imagem da inocência. Oupelo menos eu gosto de pensar assim. Ela se vira para caminhar pela trilha, eeu dou vivas interiormente. A trilha, se você ainda pode chamar assim, cabeapenas uma pessoa, então eu sou privilegiado com uma bela vista de sua partetraseira. Eu faço uma análise aprofundada da sua natureza, em todas as suasformas."Você ainda não respondeu à minha pergunta." Ela diz olhando para trás, queme diz que ela sabe exatamente o que eu estou fazendo."E qual pergunta seria essa?" Pergunto quando a trilha faz uma curvaacentuada para baixo em um aterro. Os pinheiros abafam qualquer som,fazendo-nos sentir como se estivéssemos sozinhos por quilômetros. Não hánenhuma maneira de eu responder a esta pergunta. Evasão é a minha melhortática.Ela ri com impaciência. Ela sabe o que estou fazendo. "Bem, se ele não quer
  17. 17. ser seu amigo, então o que estamos fazendo na floresta juntos?" Ela pergunta,trabalhando seu modo de encarar a questão.Não há nenhuma maneira de eu responder a essa pergunta também. Nósandamos em torno de uma curva, ao descobrir que a trilha de fato levava atéuma bela piscina de água. Nada fantástico, mas uma corrente muito agradávelde água que corre.A beleza da cena me bate em uma só pancada. Uma forma para baixo é umapequena poça aparentemente feita de vidro transparente. Tenho uma vontadesúbita de tirar fora as minhas botas e mergulhar meus pés na água fria."É tão lindo!" Ellen diz com arrebatamento suprimido em seu rosto. Eu nãopoderia concordar mais enquanto eu assisto a excitação de suas feições.Porém, ela não presta nenhuma atenção em mim. Seus pés já se afastaram docaminho, e ela já desceu para o aterro. Eu a sigo, com pedras e pedaços depau dispersos sobre o nosso caminho.Ela deve ter tido a mesma idéia que eu, porque ela encontra uma área seca nocapim e se senta para tirar seus sapatos. Antes que eu saiba, eu a segui eestou sentado ao lado dela. Eu sinto como se tivesse dez anos novamente,andando pelos sertões do Maine."Isso é muito bom." Eu comento, enquanto eu me encosto apoiando-me emmeus cotovelos."É mesmo." Ela concorda de todo o coração, os olhos levantando-se para olharpara os meus.Eu automaticamente me inclino para a frente, levantando a mão para empurrarum cacho errante do seu cabelo para trás de sua orelha. Meus dedos sedemoram. Eu vejo suas pupilas aumentarem. Eu sei que ela quer que eu abeije, mas ela diz: "Amigos não se beijam.""Eu lhe disse que eu não quero ser seu amigo." Digo com sinceridade. Estoudizendo como Derek, ou como Patrick? Naquele momento, eu não acho queisso faz a menor diferença."E quanto a ...?" Ela pergunta, e as palavras Addison, Jill, minha esposa,filtram-se através do ar ao nosso redor."E quanto a ... isto?" Eu pergunto quando eu, inadvertidamente, lambo meuslábios. Se ela não vai dizer os nomes, eu não vou citar qualquer um.Ela hesita, mas então a resposta é clara. Ela se levanta para me beijar. Então,o beijo é leve como uma pena no meu rosto. Eu abro minha boca para recebermais, e ela aperta seus lábios ainda mais contra a minha boca.A faísca que eu sempre sinto quando nossa pele se toca chameja entre nós. Ofogo começa e corre para inflamar os confins do meu corpo. Ou pelo menos eu
  18. 18. pensava assim até que ela me empurra para a grama e coloca o seu corpo aolongo do meu. Tenho medo de fazer qualquer som, sob pena de quebrar ofeitiço.Lembro-me de que fiquei todo doendo, quando ela me tocou sem me tocar,desejando o tempo todo que ela fechasse a distância, mas esperando que elanão fosse.Isto é muito melhor do que eu pensei que seria. Suas mãos suaves tiravam ocabelo da minha testa. Seus olhos irradiavam para mim, cheios de promessase de calor quente vermelho. Nossos corpos se acomodaram um contra o outro,num crescendo de calor, mesmo sem o menor atrito.Tenho que remediar isso. Quando seus lábios descem novamente na minhadireção, eu empurro para cima e os envolvo com os meus. Sem sequer pensarnisso, rolo sobre ela e agora estou deitado por cima dela. Eu nunca fui bom emser o parceiro passivo.Eu tenho que estar sentindo seu gosto e lambendo e me movendo. E gostodisso. Sua boca tem gosto dos raios de sol. Essa é a única maneira dedescrevê-la. Os raios que me aquecem, que me enchem por dentro. Seu corpoé como uma terra acolhedora, que se molda para saudar o meu.Eu tenho que tocar, eu tenho que provar, eu tenho que sentir. Eu levanto suablusa e uma olhada rápida me faz perceber que seus mamilos estão duros portrás do tecido preto rendilhado, e eu sorrio quando eu reconheço a peça delingerie."Por que você está sorrindo?" Ela pergunta com seus cabelos espalhados pelagrama. Seu rabo de cavalo já se soltou há muito tempo. Não vou dizer a elaque o cheiro de lavanda preenchia meus sonhos todas as noites, com os meuslábios sobre este exato laço, e algo a ver com rasgá-lo fora dela. Em vez deresponder, eu levanto seu sutiã para substituí-lo com minha boca."Oh Deus." Ela geme, levantando seus quadris para pressioná-los firmementecontra os meus. Meu pênis está tão duro neste momento; não posso fazermais nada do que suspirar e rezar para manter o controle. Ou a próxima melhorcoisa: tomar distância dela.Eu lambo, eu chupo, o tempo todo minha mão esfrega círculos ao redor dooutro mamilo: provocando e beliscando levemente e revelando toda a suaglória. Seu corpo se contorce e se torce abaixo do meu. Eu gostaria de podertirar suas calças para fora, mas ainda não podemos justificar ir tão longe.Ela faz com que seja muito difícil me controlar com os sons que ela estáfazendo. Sua respiração é rápida e ela geme. Ela arqueia seu corpo para cima,pressionando meu pênis, em silêncio, pedindo mais. E oh, eu dou mais. Eu memovo por cima dela, friccionando meu quadril contra o dela. Nossos lábiosestão perdidos um dentro do outro. Minhas mãos acariciam seus mamilos. Otempo passa. Não tenho conhecimento disso.
  19. 19. E apenas quando eu acho que ela não vai, ela faz. A respiração trava em suagarganta, seu corpo se arqueia mais alto contra o meu, e o som mais doce domundo sai de seus lábios. Eu me seguro firme, para não me libertar junto comela. Seu corpo todo treme, antes de relaxar ao extremo. Eu suspiro decontentamento. Bem, mais ou menos. Eu não cheguei ao êxtase, por pouco,claro, mas estou relaxado.Deixei meu rosto descansar sobre o seu peito. O que acabei de fazer? Não éhora de pensar sobre isso, Paddy. Minha respiração é tão tremida quanto adela. Porque é que quando dois seres ficam tão próximos entre si, os seuscorpos começam a agir em conjunto? Será que com a diminuição da distânciaentre eles, começam a perder a identidade?Depois de um tempo, eu me deito ao lado dela e a puxo para meus braços.Nenhuma palavra é trocada. Os pensamentos começam a voltar lentamentepara mim. O rio murmura novamente, o vento sussurra através das árvores,mas não é o mesmo que era antes. Eventualmente, nós nos levantamos ecolocamos nossos sapatos de volta. Ela puxa sua blusa para baixo e endireitaa gola, e estou triste por ver dois globos perfeitos cobertos pela humanidade.No caminho de volta até a rampa, eu lhe dou a minha mão para ajudá-la asubir, e de forma alguma eu não queria largá-la. A caminhada de volta parecemuito curta.Eu nem sequer noto o SUV familiar preto parado no estacionamento. Oumesmo a mulher loira e a menina que sai do banco de trás. A mulherreconhece-me, porém. Os olhos dela foram imediatamente para nossas mãos.É demasiado tarde quando Tallulah grita: "Surpresa, papai!" E corre em minhadireção.ELLEN:Ele solta minha mão.Eu sou uma prostituta suja imunda. Eu estou no clube dos amantes sujos,literalmente, quando estou certa de que meu traseiro está todo coberto desujeira e de manchas de grama. Patrick tentou limpar o quanto ele pôde, masnão tinha ficado exatamente preocupado com a descoberta.Oh, meu Deus. Isso é sua filha correndo para cá. Acabei de ter a experiênciamais erótica da minha vida, e eu tenho que enfrentar sua filha e sua esposa.Sua esposa! Eu vou para o inferno. Não há um lugar especial no purgatóriopara as mulheres que roubam os maridos de outras pessoas.Exceto que eu não roubei nada. Eu só o tenho a título de empréstimo, quandoem algum lugar no meu cérebro torcido, eu posso justificar o que Meredithfaria. Só que ela realmente não iria fazer nada, porque eles não estão fazendonada agora. Ela tem princípios. Eu certamente não tinha.
  20. 20. "Meu doce de abóbora!" Patrick diz em sua melhor voz de pai feliz quando elea pega no colo, mas posso dizer que ele está abalado. "O que você estáfazendo aqui?""Mamãe e eu decidimos surpreendê-lo com um piquenique. Surpresa! Vocêestá surpreso, papai?" Ela silvava como só as meninas podem fazer.Acho que foi uma surpresa de proporções gigantescas. Eu ainda podia sentirsua boca em meu mamilo.Toda a sua atenção está sobre T. Eu me sinto como uma intrusa. Umaprostituta suja. Jill caminha até a gente, com uma cesta de piquenique em seusbraços. Ela olha para nós dois com uma incerteza que me diz que ela não podedecidir o que fazer com a cena diante dela. Não consigo pensar em nada paradizer.“O estúdio disse que você estaria livre por volta da hora do almoço, e nós nãotemos visto muito você ultimamente, por isso ..." Ela diz, com um fantasma deum sorriso."Oh sim, nós acabamos a filmagem mais cedo, por isso decidimos caminharum pouco." Patrick respondeu automaticamente. Ele não olha pra mimenquanto diz isso. Ele olha diretamente para Jill, silenciosamente, respondendoa pergunta não dita: não, não há nada acontecendo.Exceto que está acontecendo. Ele é obviamente mais rápido nos pés do queeu. E um ator muito melhor. Se não fosse por uma languidez familiar em todo omeu corpo e uma umidade na minha calcinha, eu acreditaria nele também.Eu posso ouvir a pergunta, Por que vocês estavam de mãos dadas? voando noar entre nós, mas Jill não é uma daquelas pessoas que vai dizer algo comoisso, na frente de sua filha. Em vez disso, foi T que, entre nós três, chega asuas próprias conclusões."Papai, você fez Ellen ficar triste de novo? É por isso que você estavasegurando a mão dela novamente? Aqui não tem balanço, mas podemos voltarpara o parque de novo. Papai poderia empurrar a gente de novo e então vocênão ficaria mais triste, ok?"Olhos de Jill se viraram para mim. Oh, merda. Você é uma atriz, Ellen. Émelhor atuar agora. Eu não vou ser a mulher que acaba com uma família. Eufiz a minha melhor cara de inocente e rindo, disse: "Ah, você quer dizer aqueledia no parque, docinho?"Ela balança a cabeça afirmativamente, então eu minto pra caramba. "Oh, nãofoi seu pai que me deixou triste. Meu namorado e eu brigamos. Seu pai estavaapenas fazendo-me sentir melhor."Eu assisto Jill absorver a informação. Ela não olha suspeita, mas ela não querficar amolecida. Patrick acrescenta, "papai e Ellen ficam de mãos dadas natelevisão. Você se lembra de eu lhe dizer que quando eu vou trabalhar, tenho
  21. 21. que fingir que sou esta pessoa, que é um médico de cérebros e trabalha emum hospital?""Cérebros são toscos, papai." É a sua única resposta. É sempre surpreendentepara mim o que a mente de uma criança vai agarrar. Todos riem, e diminui atensão no ar. Mas também é evidente que não há câmeras filmando.Eu olho para a família feliz e decido que esse seria o melhor momento para eucomeçar atirar o meu traseiro para fora de lá. "Bem ... bem, eu vou ... vocêsabe ... embora." Digo, enquanto procuro meu carro com os olhos. Patrick veiocomigo, mas ele pode encontrar seu próprio caminho de volta para casa. Euvou sair daqui."Oh, fique com a gente." Jill oferece com um sorriso. "Eu trouxe emabundância."Eu sou uma prostituta suja que deseja ficar em um piquenique. Sem ela. SemT. Só com ele, e o beijando na luz solar. A céu aberto. Com seus lábios nosmeus.Se ele olhasse para mim eu ficaria. Talvez. Mas só para dissipar suspeitas.Mas ele não olha. Ele fica com T em seus braços e descobre algo fascinantenos botões de sua camisa."Não, obrigada, aproveitem o piquenique." Digo com o sorriso mais brilhanteque eu posso dar, mas por dentro estou morrendo. Basta olhar para mim, seubastardo de merda."Adeus docinho." Eu digo para T, dou um sorriso falso para Jill, e me viro parasair.Mas ela me pára. "Ellen, você tem folhas grudadas no seu cabelo!" Ela dissecom uma risada e começa a tirar as coisas gratuitamente. Grande, a esposa dapessoa que as colocou lá, está limpando gratuitamente. Parece apropriado, dequalquer maneira.Viro a cabeça um pouco para ver se Patrick está vendo isso. Seus olhos estãofixados nas mãos dela. Ou nos meus cabelos. Eu não posso decidir em qual.Um, dois, três, a evidência é removida. Nossos olhos se encontram. Sombrasdo calor que estava latente há não muito tempo atrás ainda queimam, mas sãocobertas por uma camada de culpa, que eu tenho certeza que está refletidanos meus olhos. Estivemos brincando com fogo. Nós não somos as únicaspessoas no mundo.Com o meu primeiro sorriso genuíno em dez minutos, eu me viro e digo"Obrigada Jill."Ela não tinha culpa por eu ter me apaixonado por seu marido.E esse foi o momento em que eu percebi que estou apaixonada por Patrick.Não Derek; Patrick. E eu estava apaixonada por um tempo. Há quanto tempo
  22. 22. eu não tinha idéia. Talvez tivesse sido a primeira vez em que aquelas esferasazuis olharam para mim, ou em poucos segundos depois disso. Não importa.Acabei de compreender. Ela devolveu o meu sorriso e eu fui até o meu carro.Eu estou atordoada. Eu não digo adeus.***PATRICK:Foi como se o esguicho frio da realidade tivesse se derramado sobre a minhacabeça. O carro estava tranqüilo nos últimos vinte minutos. Esta era aquantidade exata de tempo que passou desde que T adormeceu. Eu estoufingindo tranqüilidade por causa dela. Realmente, eu estou em estado dechoque. Eu fiz aquilo. Eu realmente fiz aquilo lá.Eu dei um orgasmo a outra mulher e depois menti para a minha esposa sobreisso. Eu sou ... Eu nem me reconheço. E o rosto de Ellen. Meu Deus, eu vouser perseguido por aquele olhar de traição para o resto da minha vida. O queela queria que eu fizesse? Jill é minha esposa.Estamos quase em casa. Mais cinco minutos. E depois? Eu assisto as casasirem passando por onde passo todos os dias. Há aquela árvore antiga com acasca estranha. Há aquela casa feita em um tom muito claro de verde. Sóporque você vive na Califórnia, não significa que você tem o direito de serjamaicano.Os nós dos dedos de Jill estão brancos sobre o volante. Oh cara. Isso não vaiser bonito. Tudo o que ela viu foi nossas mãos dadas. E Ellen tinha algumasfolhas em seus cabelos. Posso dizer a verdade? O que exatamente é averdade?Sua boca está uma linha, quando chegamos. Assim que o carro pára dentro dagaragem, abro a porta do lado do passageiro e pego T. Ela dormiu sentada.Ela tinha se divertido muito, correndo e pegando coisas do chão. Foi uma coisaboa ter ela naquele momento, de modo que as palavras esparsas entre seuspais como "Você pode passar a mostarda?" poderiam ser quebradas por nossaconcentração sobre ela. Ainda agora ela me dá uns minutos para pensar,enquanto eu a levo para seu quarto e coloco as cobertas por cima do seuqueixo.Jill está de pé na porta me observando. Seus braços estão cruzados. Quandoeu saio da sala, ela está muito à frente de mim no corredor. Eu sei aonde elaestá indo. Vamos para fora, para não acordar T. Jill senta em cima da mesa depiquenique e tira um maço de cigarros. Eu não sabia que ela tinha voltado afumar novamente. Eu me sento no banco de abaixo dela. O clique do isqueiroanuncia a criação do fogo. Ela dá uma tragada e pergunta: "Então?"Eu suspiro e me encosto contra o banco. Eu honestamente não sei o que dizer.Em todo esse tempo, eu não pensei nem uma vez sobre o que aconteceria seeu fosse pego. Eu acho que a honestidade era a melhor política. "Eu só ... Eume empolguei. Me desculpe." Eu digo quando eu olho para cima para vê-la.
  23. 23. Ela é minha esposa. Quando eu tinha esquecido esse fato?"Isto é porque eu não te dei apoio sobre Encantada?" Ela pergunta com seusolhos baixos.O quê? "Encantada?" Eu pergunto, incrédulo."É óbvio que você está com raiva de mim desde então ... você sabe, desdeaquela noite no jantar."É claro que ela ficou pensando sobre isso por um tempo. Ela bate algumascinzas na grama e continua: "Eu sinto muito por não ter dado mais apoio paravocê. Não que isso seja desculpa para você ficar de mãos dadas com outramulher."Então ela olha para cima, e eu posso ver o quanto isso a estava incomodando.Eu sou um idiota. Mas ela tem mais a dizer."É porque você nunca está por perto, e eu sinto saudades ... mas mesmoquando você está aqui, você não está realmente aqui. Você está esgotado oucom sua cabeça em algum lugar, e eu estava ansiosa por algum tempo a sós,e depois só ... "Ok, agora eu me sinto realmente mal. "Não, não." Eu digo quando eu melevanto e a puxo para meus braços. Esta é a minha mulher. Esta é a mulhercom quem me casei. Esta é a pessoa para quem eu fiz juras de amor. Porém...,de alguma forma, fico decepcionado quando não sinto o cheiro de lavandaflutuando debaixo do meu nariz.Eu sacudi minha cabeça para tirar estes pensamentos dela e disse: "Não, eusó estava animado e então quando você não ficou animada, fiquei chateado.Mas eu já esqueci isso." Eu não me esqueci disso, mas minto. Ela sente aminha falta, isso é tudo. Alguém, por favor, atire em mim por ser um idiotainsensível.Hora da verdade. "Eu apenas estou ficando muito preso no trabalho. Eu estousendo esta outra pessoa o tempo todo e, às vezes eu ... me deixo levar portudo isso. Não tem nada a ver com você. Eu lamento".Sendo levado, beijando minha co-estrela, penso. Essa é apenas a explicaçãosimples, mas é tudo que eu posso falar no momento.Ela suspira em meus braços. "Sim, eu posso ver isso." Ela dizconscientemente. Ela sempre foi capaz de ver as coisas do meu ponto de vista.Tirando Encantada, ela sempre foi minha maior torcedora. Ela não mereceisso.Ela levanta a cabeça e sugere: "Você sabe, T vai ficar dormindo pelo menosmais uma hora, e você não tem que sair para filmar até a noite, certo?"Eu acho que o tempo de falar acabou. Isso é algo que nós costumávamos
  24. 24. fazer, algo que eu desfrutava. Quantas vezes fizemos amor durante o cochiloda tarde? Quando T nasceu, eram as únicas vezes que nós poderíamos ficarjuntos sem um bebê chorando. Então por que eu estou resistindo? Eu tenhoque confessar: meus beijos e meus sentimentos estão desconectados de Jill,especialmente, hoje.Mas eu não posso negar isso a ela. Eu não posso fazer isso com ela. Eu nãoposso ser aquele cara. Talvez eu seja apenas egoísta. Talvez eu não tenhatentado o suficiente. Eu não tenho sido um bom marido e parte disso é culpaminha. Vou fazer mais um esforço. Essa coisa que eu tenho com Ellen, éapenas loucura. Ela tem um namorado. Tenho uma esposa. Eu não sei o quevou dizer a Ellen, mas tenho certeza que ela vai entender.Eu levei Jill para a cama. Naquela tarde, eu fiz amor com minha esposa. Nãofoi espetacular ou inimaginável. Era uma coisa familiar e foi reconfortante. Eunão senti qualquer sensação inebriante, e quando eu esperava para descobriros sons que ela ia fazer, eu não percebi nenhum.Se eu estava desapontado porque não escutei nenhuma risadinha contagiante,eu fingi. E, se eu me senti um pouco morto por dentro, eu não analisei muitotambém.***ELLEN:A porta do carro batendo sacode-me do meu torpor. Eu abro a porta da frentesem nem mesmo saber como fiz. O som da televisão me direciona para a sala."Chris, eu acho que devemos romper." Anuncio para a sala antes mesmo dechegar à entrada.Sua colher batendo na tigela de sorvete que estava tomando, é o único sompor vários minutos.****************************************O corte do seu terno foi feito sob medida, e o preto combina com seu cabelo. Acor da sua camisa é azul clara. Sem gravata. Como ele consegue olhar casual,mas arrojado, tudo ao mesmo tempo? Sinto-me careta ao lado dele na minhacamisa roxa e calça cinza.Disseram-nos que era por nos vestirmos casualmente. Obviamente, algumaspessoas não sabiam o que isso significava, em ambos os sentidos: Katieparece que ela está indo para uma festa de jardim, enquanto Peter poderia serpendurado no seu quintal.Mas eu acho que isso não importa, porque este é o momento para o nossoelenco brilhar. Fomos honrados por sermos convidados a participar do FestivalPaley: uma festa realizada todos os anos em que escritores, diretores,
  25. 25. produtores, atores, críticos e jornalistas estão reunidos para discutir a indústriada televisão. Eu li isso no panfleto.Os jornalistas estão nos perguntando como chegamos a participar do elenco.TR contou uma história hilariante sobre como ele tinha recebido um monte deofertas, James Pickens seguiu com algo sobre ser agente de TR, e agora Kateestá contando uma história sobre o lado chato das coisas. Eu não tenho idéiado que vou dizer.Patrick está sentado ao meu lado, virado e ouvindo atentamente o que osoutros falam. Ou ele está me ignorando? Tenho uma vontade súbita de chutarsua canela. Tudo bem, agora é a vez dele falar."Eu me lembro de entrar na reunião, e a gente estava indo fazer o piloto - algosem título, não foi?" Ele começa e eu escuto, extasiada, a sua história. Ouambos (a história e ele), eu não sei qual. Eu vejo todas as outras mulheres naplatéia inclinadas para ouvir o que ele tem a dizer. Oh, ele está definitivamenteencantador hoje!"Oh, e Peter Horton vai dirigir o piloto. E eu digo é uma coisa grande, eu seiPeter. Então eu vou para a sala. Peter está muito animado e muito carinhosocomigo, nos conectamos. Ainda é maravilhoso." Oh, rapaz, ele está sepreparando agora. Kate parece estar praticamente salivando sobre ele lá.Quantas vezes que ela vai cruzar e descruzar as pernas afinal?Eu ouço-me rir, quando ele continua, porque eu já ouvi essa história váriasvezes. Eu sei exatamente o que está por vir. "Betsy Beers, muito quente edepois ... Shonda Rhimes olha para mim. Nenhuma expressão, apenas olhapara mim." Continua Patrick. A sala inteira fica extasiada, eu inclusive. E elesabe disso.E ele continua, "A reunião inteira, apenas olhando para mim. Nenhumaexpressão, nenhum calor, nada. Todo mundo está falando, tudo está muitocalmo, e eu saio. Eu chamo o meu agente e fico pensando: Shonda Rhimesme odiou. Não, não fiz bem a cena da sala. É disso que eu me lembro. E euestava completamente aterrorizado com ela. Eu pensei, oh meu Deus, ela éassustadora. Não há nenhuma maneira de eu trabalhar com ela." Patricktermina.
  26. 26. Oh, este é o Paddy. Ele e suas histórias. Ele dirige a sua atenção para Shondae ela termina a história dizendo como ela estava tentando descobrir o que odiálogo deveria dizer. Que ele era tão sonhador, que ela estava estupefata ouqualquer coisa assim. Eu tenho que concordar, mas todos estes elogios inflamseu ego já enorme, assim eu decido abaixá-lo um pouco. "E o spin-off vai sechamar, Anatomia de um Mcmonster".Sinto-me recompensada pelo timbre quente de seu riso. Todos riem, mas eu sóescuto a risada ele. Seus olhos brilham com embaraço bem-humorado, entãoeu dou um tapinha no braço dele para tentar diminuir o tormento das minhaspalavras."Boa, boa." Ele comenta com sua mão no rosto varonil, fingindo esconder seuconstrangimento. A platéia inteira apenas ri um pouco mais. Ele está adorando.Nada que do que ele dissesse poderia me fazer pensar o contrário."E então eles disseram, você vai voltar, você tem que fazer um teste de tela, eé aí que nos estamos até hoje." Ele disse, tentando desviar o meu comentário."Agora é sua vez de me pegar também." Respondo e partilhamos umarisadinha. É bom rir. Ele está todo atrapalhado, puxando o seu pescoço eacariciando a perna nervosamente, mas o seu sorriso é largo.Certo, minha vez agora. Deus, o que diabos eu vou dizer? Aqui vai. "Eu tinharealmente testado um piloto diferente na ABC, que não foi tão bem,aparentemente." Eu puxo o ar, mas estou muito consciente de que ele virouseu corpo em minha direção. Se ele movesse a mão, mesmo que ligeiramente,ela iria descansar na minha poltrona. Sinto seus olhos repousando em meuslábios, no meu cabelo, na minha cara, enquanto eu falo.Será que ele apenas riu comigo? "Mas quando uma porta se fecha, outra seabre. Shonda abriu a porta e eu entrei. Aqui estou eu! " Ok, ele não lambeu osbeiços, lambeu?***PATRICK:Deus, está muito mais difícil do que eu pensava que ia ser. Olhe para ela, todaradiante e bonita. Quero dizer, quantas mulheres poderiam prejudicar os seuscabelos e ainda sair sorrindo como rosas?A palestra sobre a experiência do elenco me levou de volta para o primeiro dia.Naquele dia, ouvi pela primeira vez aquela risadinha, olhei nos seus olhos, eouso dizer, relaxei? Lembro-me de partilhar um sorriso pequeno em segredocom ela. Lembro-me de segurar a mão dela por um tempo longo demais.Lembro-me de me sentir transformado.
  27. 27. E é isso que eu sinto, cada vez que eu estou com ela. Bem, eu apenas tereique manter a minha transformação para mim mesmo, daqui em diante. Estepensamento me fazia suspirar. Às vezes eu posso esquecer o fato de que eutenho uma esposa, mas eu tenho uma. O nome dela é Jill. Apenas continuedizendo isso a si mesmo, Patrick. Mais e mais.Katie está falando sobre como o tempo passou, e como Shonda ficou nosconhecendo, como as nossas personalidades começaram a vazar em nossospersonagens e algumas coisas clicaram no fundo da minha mente."Porque a maior parte do tempo eu não quero admitir que sou assim." Ela diz, eeu penso em todas essas conversas que Ellen e eu tivemos entre nós, sobre oque Derek ou Meredith fariam ... e algumas coisas começam a se encaixar.Justin fala sobre a força de seu personagem, Alex, e que ele é emocionalmenteretardado e Ellen se vira para rir e partilhar a piada comigo. Minha mão estádescansando no repouso de braço do sofá de Ellen. Seus olhos são luminosose felizes e cheios de alegria, e eu não quero tirar isso dela. Quando Isaiah fala,eu me inclino para a frente para ouvir o que ele está dizendo, mas ao mesmotempo, Ellen também inclina-se, e nossos cotovelos se encostam. Eu não meafasto.Nossos cotovelos ficam juntos, o tempo inteiro que Sandra fala, uma pequenaligação que me faz feliz. É só quando Justin faz algum comentário e é a vez deEllen falar, que ela se afasta e diz: "Bem, eu nunca disse isso antes empúblico, mas vou falar agora. Eu realmente tenho uma queda por ele, ok?"A platéia toda ri, e uma coisa quente enche meu coração. A única coisa queposso fazer em público é bater de leve em seu joelho e me segurar para nãopuxá-la para meus braços e lascar beijos para cima e para baixo do seupescoço.Eu ainda a escuto falar sobre ela ser mais parecida com Meredith, que elaqueria ser boa em seu trabalho, e escondo o quanto bem suas palavras mefizeram sentir. Quero retribuir o favor, então eu faço a próxima melhor coisa:digo-lhe, um pingo, de como me sinto."Bem, eu tenho uma queda por você, também." Digo com muita pressa,remexendo um pouco na minha cadeira. Eles têm que me lembrar a perguntaque me fizeram. Minha mente está muito cheia de lavanda e risadinhascontagiantes. "Esta é uma pergunta difícil de responder." Encontro-merespondendo, "porque você fica tão dentro do personagem, que você não sabequem você realmente é."Faço alguns comentários sobre Derek; digo que sua característica mais forte éa sua compaixão pelos seus pacientes, mas estou, realmente, apenas merecuperando da verdade que brotou dos meus lábios."Eu acho que a cirurgia permite-lhe se esconder da realidade e não ter quelidar com ela ..." As palavras foram vindo, e eu olhava para Kate, enquantodizia isso, mas eu realmente estava pensando em minha própria situação.
  28. 28. Kate faz algum tipo de piada, mas minha mente ainda está no "Sim, eu achoque esta é a questão. Eu acho que ele encontrou uma emoção através deMeredith (minha mente insere Ellen), que perdeu com a sua relação com (...Addison .... Jill) ... e agora ele tem sorte de ter que lidar com isso."E o garoto sou eu.*** ELLEN:Mais tarde naquela noite, eu estou caminhando para o meu carro, depois deum jantar partilhado com o elenco, quando sinto uma mão no meu cotovelo.Sinto-me leve e flutuando. As mulheres que rompem com seus namoradosdeveriam ficar tristes e deprimidas? Eu não. Sinto-me leve como o ar. Paddytinha se sentado ao meu lado durante todo o jantar, sendo, naturalmente,encantador.Além disso, eu não sei bem como eu me se sentia sobre o que aconteceu nasexta-feira. E ele não me deu nenhuma indicação de como ele se sentia sobreisso também. Às vezes ele me assusta com o quão bom ator ele pode ser. Eudeveria ter esperado por ele, eu sabia que ele viria atrás de mim de qualquermaneira, mas por alguma razão quando ele pediu licença para ir ao banheiro,eu tinha fugido.Talvez eu já tivesse pressentido o que estava para vir. Talvez quando eutivesse visto o seu olhar uma ou duas vezes durante o jantar, eu tinhadetectado algo. Talvez eu quisesse ficar no meu mundo de fantasia um poucomais. Mas, não era para ser assim."Ellen". Ele diz quando ele agarra meu cotovelo.Eu paro e finjo que eu não sabia que ele estava atrás de mim. "Patrick!Assustou-me!" Eu observo com uma mão no meu peito. Eu não preciso fingirfalta de ar quando ele está por perto."Eu teria caminhado com você até o seu carro." Ele diz com seu charmehabitual, mas alguma coisa está errada. Alguma coisa está faltando. Suaembaralhação de pés na calçada, dizem que ele está nervoso, e eu começo asentir uma sensação muito ruim.”Eu sou uma menina grande. Sou capaz de andar sozinha até meu carro." Eudigo um pouco mais rispidamente do que pretendia."Não foi isso que eu quis dizer." Ele disse com um suspiro e em seguida,nervoso, acrescenta, "eu realmente queria falar com você sobre ... huum ...sexta-feira passada." Sua mão esfrega nervosamente a parte traseira de suacabeça.
  29. 29. Eu acho que eu não deveria ter comido tanto frango. A comida é um pesomorto no meu estômago."Não há nada para falar. Nós temos sido levados por nossos personagens. Fimda história." Eu digo enquanto tento andar para frente.Mas ele me pára. Com uma mão ao redor do meu antebraço, que queimaquando ele me toca. "Mas veja você, esse é o problema." Ele fala em umsussurro.Ok, meu zumbido desapareceu oficialmente."Você não precisa dizer nada." Eu digo enquanto encaro seus olhos tristes. Oque eu estava pensando? O que eu poderia ter pensado? Mas eu soulembrada da sensação de formigamento quente no pequeno espaço onde asua pele toca a minha.Ele deixa cair sua mão. "Sim, eu sei. Você não está sozinha nisso. Eu sou umaparte disso como você. Eu ... Eu...." Ele tenta fazer com que as palavras saiampara fora, mas eles ficam grudadas em sua garganta. Eu quero chorar. Mas eunão vou chorar."Você significa mais para mim do que eu posso dizer." Eu podia ler nasentrelinhas o que ele queria dizer, coisas do tipo: porque eu sou levado pelassensações; porque eu não posso dizer essas coisas para outra mulher."Quando estou com você, o mundo inteiro vai embora. E eu esqueço .... Euesqueço ... "Meu Deus, eu acho que ele vai se engasgar. Se ele engasgar, eu vouengasgar, e eu não posso deixar isso acontecer. Não importa o quanto eugostaria de correr gritando para o outro lado, eu pego a mão dele, quando elediz, "E eu não posso esquecer. Eu não posso esquecer. "E eu tinha esquecido também. Eu tinha esquecido o quanto um cara bom eleera. Eu tinha esquecido quem era o homem por quem eu me apaixonei. Masaqui está ele na minha frente.Dizendo-me com poucas palavras que o que tínhamos acabou. Seja o quetivesse sido. Eu não estou realmente certa. Eu não posso deixá-lo ver o quantoele me machuca."Acompanha-me até o meu carro?" Eu pergunto, mas é mais uma ordem.Seu sorriso diz que ele está arrependido. Surpreendentemente, eu não estou.Eu sinto que tenha acabado, mas não sinto muito que eu tive uma chance. Seusorriso pergunta se ainda podemos ser amigos. Eu posso negar nada para estehomem.Ele anda comigo até meu carro, segurando minha mão durante todo ocaminho. Quando alcançamos o carro, eu não quero deixá-lo ir, mas eu tenho
  30. 30. que fazê-lo e solto sua mão. Ele é mais relutante, quase deixando meus dedosem queda livre, quase como se ele estivesse saboreando sentir pela última veza minha pele na sua. Eu quero fazer o mesmo. Abro a porta do carro e me viro.Sua mão chega a limpar o cabelo do meu rosto. Ele se inclina e coloca umbeijo um pouco atrasado em meus lábios. Poucos segundos ... e então eles seforam."Adeus, Patrick." Eu digo."Adeus, Ellen." Ele fala com olhos tristes.Entro no meu carro e vou embora. No espelho retrovisor, a única coisa quevejo é o contorno de seu terno preto e cabelos negros sobre o negro da noite eeu penso: mesmo ele esmagando meu coração, eu o amo ainda mais!***Ellen:Sexta-feira passada"Chris, eu acho que temos que romper."Depois do barulho da colher ter parado, ou talvez muitos minutos após isso, eunão sei, Chris, hesitante, diz: "Será que você acabou de dizer que pretendeterminar comigo?"Eu pensei que estivesse claro. Eu não passo da porta, quando eu respondo,"Sim". Eu cruzo meus braços, me preparando para o discurso que eu sei queestá para vir.Mas ele me surpreende. Ele coloca sua tigela no chão, obviamente pensandono que vai dizer, e em seguida, levanta os olhos para perguntar: "Isto é porcausa de Patrick?"Meu queixo cai. Isso definitivamente não era o que eu estava esperando queele dissesse. "Eu não sou estúpido, Elly. Eu já tinha uma suspeita por umtempo." Ele responde com um pouco da raiva que eu esperava."Mas ... como?" Eu pergunto."Eu não estava certo ..." Ele diz, e depois olha para o tapete, "até agora".Eu não sei o que fazer. Nunca em um milhão de anos eu achava que elesuspeitava. Quero dizer, ele tinha ciúmes no início, mas depois ele parecia bemcom tudo. Ele nunca agiu como o namorado ciumento. Meus pés de algumaforma fizeram o caminho até o sofá, e eu me sentei pesadamente."Eu não sabia .... Eu não quis ...." Eu digo quando as lágrimas começam a seformar em meus olhos.Ele não diz nada. Ele só fica lá com os cotovelos sobre os joelhos olhando para
  31. 31. a frente. Estou compartilhando anos da minha vida com esse homem. Odeiovê-lo sofrendo. Eu nunca quis machucá-lo. Eu simplesmente não poderiacontinuar com ele, sabendo o tanto que eu amava Patrick. Era simples assim."Você pode me responder uma coisa?" Ele pergunta quando ele olha para mim.Seus olhos estão lacrimejantes também. Piscinas de chocolate que eucostumava achar cativante."Claro." Digo, querendo chegar a ele, mas sabendo que não é o que eledeseja."Você não me ama mais?" Ele diz com uma rachadura na sua voz, e eu achoque racha o meu coração também.As lágrimas deixam faixas no meu rosto. "Claro que eu amo." Digohonestamente.Ele pensa nisto por um momento, e em seguida, comenta: "Mas você o amamais."E era a verdade. Ele deixa a sala para embalar suas coisas. Eu fico onde estououvindo os sons dele esvaziando o seu armário. Fico pensando no que eu fiz.Mas não estou arrependida. Estou triste, mas não estou arrependida.Quando suas malas estão prontas, eu ofereço para colocá-lo em um hotel, masele se recusa. Ele faz algum comentário sobre ir visitar alguns parentes emBoston. E quando ele está saindo me diz: "Eu sempre vou te amar Elly. Sevocê precisar de alguma coisa, eu estou a apenas um telefonema dedistância."**********************************************Talvez fosse apenas algo para dizer quando ele saiu pela porta. Talvez elenunca quisesse dizer isso, mas significou o mundo para mim. Tínhamos sidoamigos antes, tínhamos nos tornado amantes, e talvez isso tivesse sido o quenós fomos feitos para ser.Nenhum de nós sabia o quão importante suas palavras iriam se tornar,futuramente.PATRICK:Acho que Ellen está me ignorando. Nós não tivemos nenhuma cena juntos estasemana, hoje é a primeira, mas eu não a vi, nem o seu cabelo, desde a noitedo restaurante.Toda vez que eu penso sobre essa noite, meu coração se aperta um pouco nomeu peito. Eu não posso imaginar como ela deve estar se sentindo. Mas éminha culpa. Eu sou o idiota que deixei que as coisas se empolgassem. Não
  32. 32. que ela fosse um participante forçado, e isto realmente tinha sido a sua idéiaem primeiro lugar, mas ainda não muda o fato de que eu sou casado.Eu sou um homem casado. Eu tenho uma filha, pelo amor de Deus. Não quenamorados não signifiquem nada, mas você sabe ... casamento significa maisque namoro, ou algo assim. Ótimo, agora os meus pensamentos internos estãocomeçando a soar como ela também. Não é surpreendente, uma vez que aouvi dizendo adeus para mim, na minha cabeça várias vezes desde que issoaconteceu. Ah sim, e há a sua risada. Eu estou sentindo tanta falta dela, queeu estou começando a ter alucinações auditivas.Eu nem deveria mesmo estar aqui tão cedo. Eu sei que ela também não (não,eu não verifiquei a programação. Ou talvez eu tivesse verificado. Por umsegundo). Tinha uns amiguinhos de T em casa, e eles estavam sendo muitobarulhentos, e tirando a minha concentração, então eu tinha decidido vir maiscedo.Jill não estava, aparentemente, chateada comigo por me ver segurando a mãode Ellen. Por alguma razão, isso me incomodava. Acho que eu preferiria vê-laficar louca de raiva, gritar, virar a cara para mim. Alguma coisa. Qualquer coisa.Mas em vez disso, era como se nunca tivesse acontecido. Eu não sei se ficofeliz ou chateado.Eu continuo no meu caminho através da sala de criação do escritor, na verdadeapenas para conversar um pouco com Peter, quando eu a escuto novamente.A risada contagiante.Espere um minuto ....! Isto está vindo de uma das salas de conferência. Eu nãoestou alucinando, Ellen está mesmo lá. Na verdade, eu acho que é a mesmasala onde nós nos encontramos pela primeira vez. Alguém deixou a portaaberta, então eu não tenho mesmo que fazer uma entrada triunfal. Eu só andoaté a porta e espreito dentro dela.O que eu espero ver, eu não faço idéia, mas definitivamente não é MichaelVartan inclinado sobre a mão de Ellen, colocando um beijo nela. E ela estárindo. Rindo! Ele parece um idiota. Ele está a bajulando toda! Ele está vestidocom uma ‘fantasia’ de terno marrom que eu tenho certeza que ele escolheupara combinar com seus olhos, mas me faz pensar em uma barra de chocolategigante. Ele não deveria soltar a mão dela já? Ele está praticamente babandoem cima dela. Como ela pode ...?
  33. 33. "Patrick!" Peter chama do outro lado da sala. Ergo minha cabeça para cima. Eunem percebi que ele estava na sala. E eu estou na soleira da porta olhandocomo um idiota. "Não estávamos esperando por você até mais tarde, mas porque você não se junta a nós?"Peter é só sorrisos, e eu sou imediatamente suspeitas. Eu não estouexatamente vestido para conhecer pessoas: estou de calça jeans, camisaesporte favorita, e meu boné esportivo favorito. Eu nem sequer arrumei meucabelo. Daí a razão para o boné.
  34. 34. "Tinha uns amigos de T em casa. Gritando como doidos." Eu digo a Peterquando ele me leva até Michael e Ellen. Ele está, finalmente, largando a mãodela."Ah, o homem de família consumado." Michael me cumprimenta alegremente.Eu já não gosto dele. Ele é muito alegre ou algo assim.O sorriso de Ellen é frágil quando ela olha para mim. Provavelmente, não tinhaum melhor para trazer ao rosto até agora. Mas depois ela se vira para Michaele luzes acedem em seu rosto. "Michael está ensaiando para tentar ser o meu
  35. 35. novo interesse amoroso." Ela disse para mim, mas olha para Michael quandofala isso. Ele sorri para ela com seus dentes perfeitos. Eu o odeio ainda mais.Espere um minuto ... interesse amoroso? Dirijo-me a Peter e levanto umasobrancelha para ele. "Sim, nós vamos introduzir um novo interesse amorosopara Meredith na próxima semana, você vai ver na leitura de hoje"."Hã, hã ... desculpem-nos um segundo." Digo a todos na sala (Shonda e Betsyestão sentadas em um sofá no fundo da sala rindo sobre alguma coisa. Eu meacostumei a isso. Acho que ouvi as palavras bonito e bunda, mas eu nãotenho certeza. Elas definitivamente não estão falando de mim, então eu não meimporto), e agarro Peter pelo braço para levá-lo um pouco afastado."Patrick?" Ele pergunta com um sorriso bem-humorado."Quando você iria me dizer sobre isso?" Eu sussurro fervorosamente, para queninguém mais possa ouvir, mas não sou capaz de manter a minha voz tãobaixa como eu quero."Na leitura, como eu disse." Peter responde em confusão.Normalmente, isso não me incomoda, mas por algum motivo isso me fazenxergar tudo vermelho. "Você não acha que isso é importante o suficientepara que eu soubesse antes? Quer dizer, eu tenho certeza que vamos estarjuntos em algumas cenas..." eu digo.Peter responde, "não no início, mas eventualmente, sim."Mas eu continuo asperamente "Bem, então não seria importante eu estar aquihoje?"Eu sei que estou sendo um idiota, mas eu não consigo parar. Peter me dá umolhar avaliador, quase divertido mesmo, e depois chega a uma decisão. "Sim,sim, você está absolutamente certo. Patrick."Ele põe a mão levemente no meu ombro e nos leva de volta para os outrosocupantes da sala. Enquanto nós andamos mais, diz ele, "Você estáabsolutamente certo, Patrick. Você pode ficar ao meu lado e você pode me dara sua impressão enquanto eu os conduzo no teste."Eles? Ellen também iria participar do teste? Ai…. Será que haveria cenas deamor? De beijo? Preferia não saber…***ELLEN:"Ele parecia um caipira." Patrick diz ao meu lado enquanto ele cruza os braçossobre o peito e se assemelha a uma criança tendo um acesso de raiva.Por que ele está fazendo isso? Eu sou a única que teve que passar toda asemana tentando não chorar toda vez que o via. Ou pensava nele. Ou
  36. 36. simplesmente deitada na minha cama vazia, na minha casa vazia, porque eutinha jogado fora a única pessoa que me amava.Eu não falei com Chris desde que ele tinha me deixado. Eu esperava que eleestivesse bem em Boston. É estranho não tê-lo na minha vida. Ele esteve emminha vida por tanto tempo que me sentia estranha. Ok, pare de sentir pena desi mesma.Porém, isso não tem nada a ver com agora. Peter me disse para vir hoje e nãocontar a ninguém sobre isso. Ele não queria que a palavra dele vazasse paraninguém, especialmente Patrick. Às vezes eu penso que Peter sabe mais doque ele deixa transparecer, mas ele nunca diz nada e eu nem sequer sei comoperguntar a ele.Eu tinha acabado de começar a me divertir um pouco com o Michael (MichaelVartan beijando minha mão! Quem não gostaria de sentir um pouco de cabeçaleve?), quando Patrick chegou com uma nuvem de trovão acima de suacabeça. E tinha piorado depois disso."Ryan Gosling não é um caipira." Eu respondo com um olhar para ele. "Ele é dosul.""Você realmente acha que Meredith estaria interessada em um veterinário doAlabama?" Ele diz com um pouco de zombaria no final. Ele pode estar certosobre isso."E sobre Johnny Messner?" Eu pergunto com irritação crescente. "Ou ele se
  37. 37. parece muito com um corretor de ações, como Andrew Lincoln? Apenas o quefaz um corretor de ações, afinal?Ele ignora a minha última pergunta e responde mal-humorado: "Vamos lá, eleestava em Anaconda, pelo amor de Deus. Você realmente quer alguém quelutou com uma cobra de 100 pés para tratar do seu cão?" Shonda e Betsyestão sentadas, assistindo nós dois, fascinadas, balançando suas cabeçasentre nós. Peter se senta na cadeira com o seu habitual ar de diversão. Elecertamente sabe de alguma coisa.Na última hora e meia que nós tivemos, quase uma meia-dúzia de atoresvieram para ler a parte de Finn. O tempo inteiro Patrick ficou sentado nomesmo lugar que ele está agora, olhando para cada um deles. Eu não sei qualé seu o problema! Foi ele que terminou comigo.Volto-me para ele e cuspo de volta, "Eu não acho que você deva escolherqualquer coisa, Sr. Faz-Sexo-Na-Igreja e utiliza inadequadamente seusapetrechos de couro."É claro que estou me referindo a uma de suas piores escolhas de filme de suacarreira. Seus olhos ficam mais amplos e não tenho certeza se é porque euestava vagamente insultuosa, ou porque eu mencionei o sexo e palavras sobreo couro. Não importa, porque ele cospe para mim, louco de raiva "Era para euestar filmando com o diabo".Eu não posso remediar. As palavras simplesmente derramaram. "Bem, istoexplicaria o corte de cabelo horrível." Eu sei que isto soa malvado, nós todostivemos escolhas profissionais ruins, mas eu não consigo parar.Ele senta-se, tenho certeza de que iria falar algo, mas Peter o impede com "Okcaras. Eu não sei o que está acontecendo com vocês dois, mas precisamosfazer uma escolha aqui. "Patrick me envia brilhos, mas ele não diz nada. Então, da porta se escuta, "Ei,este é o lugar certo?"Eu olho para a porta para ver ... Robin. Quero dizer, Chris ODonnell.Por um minuto eu tenho uma imagem dele em seu terno de morcego com seusmamilos minúsculos. Oh meu Deus, Grey’s deve ter subido no mundo, ou eletinha ido para baixo. Eu tive uma paixonite por ele no filme que ele contracenoucom Minnie Driver. Eu nunca consigo lembrar o nome do filme, porém. Ele eratão bonito que você queria beliscar suas bochechas. Mas agora ... Patrick nãoera o único homem que ficou melhor com a idade.
  38. 38. "Chris! Nós não tínhamos certeza se você iria fazer isso!" Peter diz quando elesalta para cumprimentá-lo. "Seu agente disse algo sobre a Romênia ou aIugoslávia ou algo assim?""Ah, sim, mas jatinhos são meus amigos hoje. Mas se eu cair no sono em cimado sofá, apenas empurre-me um pouco e eu vou acordar." Ele fala com seucharme de menino enquanto Peter o puxa para dentro da sala. Ele realmentenão tem olhos azuis."Bem, agradecemos a você por ter vindo hoje." Peter diz a ele jovialmente, e,em seguida, volta-se para o resto de nós. Ele faz as apresentações. "Eu achoque você conheceu Shonda Rhimes e Betsy Beers antes. Trata-se de comquem você vai ler hoje, Ellen Pompeo. Você já a conhecia?""Não, eu não acho que eu tive o prazer." Chris diz, quando ele estende suamão para mim.Eu a seguro, enquanto falo, "É um prazer conhecer você."Ele tem um sorriso muito bonito. "E este é o Patrick. Vocês dois já seconheceram?" Peter diz."Não, eu não acho que não." Chris diz enquanto ele estende sua mão de novo.Patrick levanta a mão de má vontade, e eu quero dar-lhe pontapés.Repetidamente."Não ligue para ele. Alguém lhe deu um descafeínado, em vez de regular o seucafé expresso, e ele tem parecido um urso desde então." Digo docemente,para compensar a atitude de Patrick. Eu mesmo me levanto para fazer Chris sesentir mais confortável."Oh, eu entendo perfeitamente, então, o homem. Eu sou um pesadelo total, atéeu tomar pelo menos duas xícaras de café." Chris respondeu bem-humorado.Seu comportamento alegre era como uma explosão de sol quente.***
  39. 39. PATRICK:Ele é bom. Eu odeio caras bons. Em seu favor, ele não tentou beijar a mão oucolocar um beijinho na bochecha dela como alguns dos outros palhaços. E eletem essa imagem de bom rapaz que Peter está procurando. Eu certamentepoderia imaginá-lo como um veterinário. Ele ainda tem aquele olhar de quemadora cachorros. Os olhos de Ellen lembram os de um gato, de vez emquando. Grandes e luminosos e ... bem, pare com isso. Essa linha depensamento acabou. Finnito. Dessa forma, as coisas ficam ruins. Ou boas.Bem, são somente coisas. Que eu não estou fazendo mais."Olá. Sou Finn Dandridge. Você deve ser a Dra. Grey, a outra dona deDoc. Nós finalmente nos encontramos. Olá". Chris diz em uma cadeira defrente para Ellen. O resto da sala é todo sorrisos. Ele é perfeito. Ele diz istocomo um veterinário mesmo: simpático e chato. Oh Deus, acho que eu vouficar emperrado com ele.********************JILL:Tudo bem, eu acho que nós temos os ovos aqui. Bem, só dois, mas T não vaicomer mais do que algumas mordidas e deixá-lo de lado. Se ela for mesmocomê-lo. Eu não vejo o bacon. Onde está o bacon? Oh, lá está ele, escondidosob um pedaço de pizza restante. Quando foi a última vez que tivemos pizza? Lembre-se de jogar isso fora quando chegar em casa, Jill. Por que é que,justamente na manhã que eu tenho que ir para uma reunião com a Avon, é queo meu atraente marido quer fazer bacon e ovos no café da manhã? Dirijo-mepara a grelha e espero que eu não suje minha roupa nova.Patrick entra na sala bocejando, de olhos turvos e se senta em sua cadeiranormal. Ele está agradavelmente vestido com um jeans e um pullover azulescuro, mas a minha simpatia acaba e eu pergunto chateada. "Você seesqueceu de alguém?"Suas sobrancelhas formam um V profundo enquanto ele se concentra e depois
  40. 40. a ficha cai. "Merda!" Ele diz enquanto ele mergulha de volta pelo corredor. Eucoloquei o bacon na grelha e ele está chiando bem, quando ele timidamenteretorna com uma T completamente vestida e ... com pasta de dentes noscabelos."Eu gosto do meu cabelo no estilo do papai, mamãe!" T diz com orgulhoevidente de sua bagunça em seu cabelo. Parece bem interessante em umaespécie de azul e branco. Só que isto eu não preciso esta manhã: o cabeloazul. É melhor sair."Desculpa." Ele disse timidamente. Ele devia levá-la pronta para a creche, estamanhã, mas ele dormiu tarde. Nós todos dormimos tarde. E tinha acontecidode T ouvir ele falar de experimentar a dieta de Atkins (que ele precisa perderpeso para, o que eu não sei) e ela tinha que saber o que era aquilo, e ele tinhasido estúpido o suficiente para explicar, por isso agora massa estava fora domenu da família Dempsey. Grande."Patrick, você pode tomar conta do bacon, enquanto eu tento tirar isso?"Pergunto-lhe já lhe entregando a espátula."Mas eu quero ficar como o papai!" Ela chora, e anda para longe de mim.Patrick transfere todo o bacon para uma toalha de papel e começa a rachar osovos, quando ele diz, "Eu não tenho nenhuma idéia de que hora vou chegar emcasa à noite ..."“O que mais há de novo?” Eu pergunto um pouco nervosa, enquanto,finalmente T começa a cooperar, e eu, lentamente, removo a pasta de dentede seu cabelo. Eu não estou totalmente prestando atenção, quando eu oescuto dizer "e então eu tenho que supervisionar uma cena com ChrisODonnell."Supervisionar? Por que você tem que supervisionar? Não é este o trabalho dePeter?" Eu pergunto. Essa é nova para mim. Atores não devem somenteatuar? Assim eu deixo T ir para o seu lugar à espera do alimento Atkins.“Sim, mas Peter parece estar tomando umas decisões estranhas ultimamente."Ele diz isto enquanto termina os ovos e os coloca em duas placas. Eu já comialgumas torradas enquanto eles estavam no banheiro. Quando ele os leva atéa mesa, eu pergunto: "Como o quê?" Aproveito também para pegar um pedaçode bacon quando ele se senta."Eu não sei. Primeiro ele faz Meredith transar com meio mundo. Em seguida,Mark Sloan aparece e a coisa acontece com George. E agora essepersonagem Finn! É como ele estivesse tentando fazer de Meredith alguma ..."Ele se interrompe quando ele lembra que a nossa filha muito jovem estásentada à mesa. Nossa filha muito jovem que está olhando para a comidacomo se estivesse crescendo algo nela."O que Ellen tem a dizer sobre isso?" O nome causa ranhuras na minhagarganta, mas eu não deixo ele perceber alguma coisa. Eu ainda não tinha
  41. 41. engolido as mãos-dadas, mas eu não ia deixar que ele visse isso. Ele tinha sedesculpado e ficado muito triste sobre isso, mas por algum motivo eusimplesmente não podia esquecer.Flashes passaram pelos seus olhos. Um olhar que eu não tinha visto em umtempo muito longo. É tão rápido, que eu quase acho que estou vendo coisas,mas seus olhos chamejam. Eles chamejam com uma raiva reprimida quetransforma seus olhos em aço, e sua face se cerra. Mas apenas tãorapidamente como veio, vai embora. Mas ele não pode esconder o veneno emsua voz quando ele diz, "Ela não tem nenhum problema com isto." E mergulhaem seus ovos.E um pensamento começa a infiltrar-se na parte de trás do meu cérebro.Pontes entre as sinapses que não estavam lá antes de ligar e eletrificar: eleestá com ciúmes, ele está com ciúmes de Ellen. Ele tem sido um urso essasduas últimas semanas. Desde ... desde então ... oh meu Deus.Acho que a expressão no meu rosto é de um choque extremo. Mas Patrick estámuito ocupado com a comida em sua boca, e T está demasiado ocupada aolhar para o seu alimento para notar. É ela que me traz de volta à terra quandoela diz: "Papai, você sabe que eu não gosto de ovos."Ele olha para T com seu sorriso mais encantador e diz: "Mas eu pensei quevocê queria comer Atkins como o papai?""Uh uh cereais. Cereais. Não ovos. Os ovos são toscos."Então você não se importa se eu comê-los, não é?" Ele responde com bomhumor, pois ele sempre soube o que ia acontecer. Ele joga o prato em cima deum vazio e vai para os cereais. Tento conter a batida frenética do meu coração.Externamente, eu estou calma, por dentro eu estou tonta. Ele não percebenada, embora. Ele nunca percebe. Eu vou para o meu compromisso, ele vaisair com T e depois trabalhar, mas o mundo como eu o conhecia acabava defazer uma curva acentuada à esquerda. Moveu-se de dentro para fora. Ia levaralgum tempo para minha ficha cair completamente.Porem, muito menos tempo do que eu pensava.

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