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Dempeo ii   segunda parte +1
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Dempeo ii segunda parte +1

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  • 1. PATRICK:Sento-me encostado a meu carro de prata alugado na frente de uma casa queeu nunca vi antes. Eu só passei o dia tentando convencer o objeto do meuafeto que devíamos sair para um encontro, mas sem sucesso. Eu descobriatravés da fofoca do hospital que ela estava dando uma festa que eu nemsequer fui convidado. Isto tinha me magoado, mas eu gostaria de perseverar.Eu sou um neurocirurgião, pelo amor de Deus. Ela me quer. Eu sei. Ela precisaapenas de um pouco de persuasão. Eu queria chegar mais cedo, mas um dosinternos, Alex Karev, tinha se enganado em uma situação e fez com que umviciado em drogas esmagasse seu crânio contra uma superfície dura.Eu acho que tinha chegado muito tarde, porque a garota que eu queria ver,estava abraçando uma garrafa quase vazia de tequila e dançando bêbada emseu alpendre. Algo sobre esta situação parece um pouco fora do lugar, comose eu não devesse estar aqui, ou que algo está faltando.Pessoas passam por ela para dentro da casa e, ocasionalmente, ela toma umgole, mas parece que é um ato automático, em vez de uma sede profunda.Pelos movimentos errantes de seus pés e por sua instabilidade, elaprovavelmente tinha bebido bastante já. Mas ela estava tão bonita com seucabelo loiro-mel balançando para a frente e para trás e seu corpo sexypequenino, que era difícil tirar os olhos de cima dela.Fico encostado no carro com minha calça e blazer verdes, apenas observando-a dançar uma música que com certeza só está presente em sua mente. Seusolhos estão fechados, de modo que ela ainda não pode me ver ali. Eurealmente não sei como serei recebido, pois não havia sido convidado, masalgo sobre ela me faz querer correr esse risco de qualquer maneira. Ela tomaoutro gole, e vejo-me dizendo:"Você sabe, em alguns estados você pode ser presa por isso.”Ao ouvir minha voz, ela anda cambaleando em frente de sua varanda e sorripara mim dando as boas-vindas. Ah, então ela está feliz em me ver. Eu sabia.Caminho até ela e a pego mordendo o lábio inferior quando eu digo:"Então, você me trocou por uma garrafa de tequila? Me dispensou por umagarrafa de tequila. Tequila não é bom para você; ela não te liga; não teescreve. E nem é tão divertido de se acordar ao lado.”Ela ri para mim com um sorriso que diz tudo e nada ao mesmo tempo. Suéterrosa de mangas compridas complementa sua pele perfeitamente, e os lábiospintados parecem corresponder. Ela pega no meu casaco e me puxa para afrente, enquanto seus olhos me dizem o que eles querem: que eu a beije.Eu avanço, trago os nossos rostos e corpos mais próximos. Eu não vejo o queestá acontecendo, nem mesmo quero pensar nisso. Em um momento estou apoucos metros de distância dela e, em seguida, tudo o que eu posso ver é sãoseus olhos e seus lábios carnudos.
  • 2. E logo eu não conseguia ver mais nada, porque só estava sentindo. Seuslábios são macios e carnudos, tudo com o que eu tenho sonhado a semanatoda. Meus lábios estavam formigando com a nova sensação. Havia um levegosto de tequila, mas o sabor geral era de doçura da mulher e do calor que sedesprendia dela. Eu só queria mais. Meus braços em volta dela a puxarammais. Nossos lábios se moviam uns sobre os outros de acordo mútuo, mas euparei só para apreciar o sentimento.E nesse momento, ela propõe, "Me leva para dar uma volta, Patrick.”***Passa o tempo, e eu estou de repente no meu carro com uma garota muitobonita em cima de mim. Estamos nos beijando apaixonadamente quando eupasso minhas mãos para cima e para baixo em suas costas, debaixo de seucasaco. Eu já tinha tirado minha camisa. Tudo o que eu sentia era a bocaquente e o contato de nossos corpos se esfregando juntos. Antes que eupercebesse, minhas mãos ergueram a sua blusa e já estava pensando em abrirsuas calças."Oh meu Deus, Ellen, esta sensação é tão boa”. Digo entre beijos.Ela responde surpresa entre beijos, "Mas esta não é a sua fala”.O que ela disse? "O que você disse?” pergunto enquanto minhas mãosencontram seu cabelo e escorregam por eles.Ela fala mais severamente, "Esta não é a sua fala”.
  • 3. "O que você está falando?” pergunto em confusão crescente. Meu corpo podeestar em chamas, mas é como se uma pequena quantidade de ar frio seespalhasse sobre a minha mente febril."Você deveria dizer que a festa acabou agora”. Ela diz, mas continua a beijar-me um pouco mais. Mas logo antes que ela atinja os meus lábios, elaacrescenta, “Mas só depois que eu me vestir completamente. E não seesqueça de me dar sua camisa”.Quero perguntar apenas sobre o que ela está falando, mas sua boca tocameus lábios de novo e todos os pensamentos voam do meu cérebroimediatamente. Então, meus dedos vão para o botão de seu jeans, e ela recua."O que você está fazendo?" Ela exige.Ela está se fazendo de tímida? Eu lhe dou o meu melhor sorriso encantador esussurro, "o que você acha que estou fazendo?"Ela me olha em estado de choque e raiva. E então ela abre a porta do carro."Peter!" Ela grita e de repente estamos rodeados de pessoas. A câmera está lácom suas luzes me cegando momentaneamente antes que seja removida.Bailey está lá também. Será que ela veio para a festa também? E um monte deoutras pessoas que eu sinto que eu deveria lembrar agora, mas de onde euestou não tenho idéia.Um homem que eu deveria reconhecer anda até Ellen, e ela reclama de mim."Peter, ele tentou transar comigo de verdade! Eu acho que não posso trabalharnestas condições! Quer dizer, eu achava que ele era um profissional!"O grupo inteiro olha para mim como se eu fosse um pária. O homem chamadoPeter se aproxima e diz: "Derek, vamos ter um problema aqui?""Derek? Quem é Derek?" Pergunto baixinho. O que diabos está acontecendoaqui? Num minuto eu estou fazendo amor com a pessoa que eu gostaria quefosse minha namorada e no seguinte eu estou cercado por todas essaspessoas. E quem diabos é Derek?"Derek Shepherd. É você o homem. Ator do novo hit médico? Lembra algumacoisa?" Peter responde com uma pequena quantidade de preocupação, maseu posso ver o desespero também.“O quê??!”***Eu dou um pulo na cama. Gotas de suor se reúnem e se derramam pelo meurosto como um rio. Eu apenas tive um pesadelo. Eu posso sentir minharespiração curta e rápida."Papai, você teve um sonho ruim?” A vozinha sonolenta vem do lado de ondeminha cabeça costumava descansar. Eu olho para baixo para ver que T, mais
  • 4. uma vez, se juntou a nós na cama. Seu rosto está um pouco amassado contraJill, que está dormindo. Devo tê-la acordado com o meu pulo."Sim, sim, apenas um sonho ruim”. Eu digo enquanto eu tento normalizar aminha respiração.T imediatamente caiu no sono, mas não tenho tanta sorte. Eu coloco minhacabeça no travesseiro e tento relaxar, mas o sono não vem. Apenas o quê foiaquilo? Por que eu sonharia que estava beijando minha co-estrela? Tínhamospraticado aquela cena no dia anterior (as falas, não a parte do beijo), mas afilmagem estava agendada para esta noite.Nós iríamos para uma casa em Los Angeles que se assemelhasse à casa quetinha sido usada em Seattle para o episódio piloto. Talvez eu estivesse apenasinternalizando o trabalho. Sim, era isso. Internalização de trabalho. Mas comoeu demorava para dormir de novo, eu continuava com esse pensamentolancinante que não tinha sido um sonho mau de todo. Na verdade, ele estavasendo muito gostoso até eu acordar. Mas eu não estava preparado para pensarsobre o que isso significava. Não, não mesmo.*******************************************************Oh Deus. Lá está ela dançando em sua falsa varanda, com a garrafa de tequilafalsificada balançando nas mãos dela. Isso é muito estranho. Ela está vestindoa mesma camisa. O mesmo equipamento. Seu cabelo é o mesmo do sonho! Eestamos na mesma casa, que loucura! Como você sonha com uma casa ondevocê nunca foi?! É simples. Estou ficando louco. Perdido. Ou eu ainda estousonhando? Estou tendo um sonho dentro de um sonho? Eu vou me beliscar.Isto é o que vou fazer.Eu estou fazendo exatamente isso, me beliscando repetidamente, quando Ellenme vê e vem falar comigo. O diretor, que não era Peter (ok, isso pode não sertão louco. Pelo menos não é o mesmo diretor que me lembro do sonho), estavafalando com o câmera man sobre os figurantes, iluminação e outras coisas."O que você está fazendo?” Ellen pergunta com uma risadinha e eu mesmoestou tentando descobrir exatamente o que, diabos, eu estou fazendo comigomesmo."Oh, uh, eu pensei que tinha um inseto em mim ou alguma coisa”. Eu respondoum pouco gago quando finjo limpar algo na minha manga.Espero que ela não tenha percebido minha gagueira. Isso é simplesmentemuito estranho. As emoções que senti no sonho estão mexendo com minhacabeça e me fazendo olhar Ellen sob uma nova luz. Eu sempre a achei linda(eu não vou mentir sobre isso), e eu adoro sair com ela, mas, eu sou casado.Eu amo a minha esposa. Nós temos uma grande vida juntos. Posso olhar parauma bela mulher, como uma espécie de apreciação por uma bela obra de arte,mas, como em um museu, onde só isto é permitido. Eu não queria mesmo
  • 5. fazer nada com ninguém, porque tenho tudo o que eu poderia querer e precisarera de Jill. Mas é como se agora eu olhasse para ela com os olhos de Derek."Você está bem?” Ellen pergunta com um olhar interessado. Ela está tãobonita e confusa que eu, automaticamente, começo a sorrir."Sim, sim, eu só estou me sentindo um pouco estranho o dia todo.”Ok, isso agora não era uma mentira. Eu estava me sentindo mesmo estranhoo dia todo, mas não apenas por essas razões. Mesmo agora, com ela de pé emuma distância segura, eu de repente só queria fugir. Eu dobro meus braçossobre o peito de modo a me sentir protegido e caminho de volta para o carro.Ela me dá um olhar estranho e avalia uma suspeita, uma vez mais, mas nãopode perceber qualquer outra coisa, pois Dan, o diretor, e seus asseclaspedem que fiquemos em nossos lugares. Ele começa a dizer-nos que ele queracabar essa cena.Eu sei muito bem o que ele quer, doçura e química, assim me sinto livre paradar uma piscadela para Ellen por cima do ombro. Ela apenas balança a cabeçacomo se ela não soubesse o que fazer comigo, e, em seguida, vamos de voltaao nosso local designado. Eu respiro um pouco mais fácil quando ela não estátão perto de mim. Então eu penso que tenho de beijá-la em poucos minutos.Foda.***ELLEN:Algo está errado com Patrick. Ele está agindo como se estivesse tenso.Normalmente, no set, ele é bem engraçadinho, com suas piadas, seus apartese seus comentários, intervindo em tudo. Quando ele está Derek, ele pode sermuito arrogante, e eu acabo sempre revirando meus olhos muito. Mas estanoite ele está diferente. Hoje à noite ele está quieto e intranquilo. Quietodemais para ele. Deprimido talvez.Ele troca algumas palavras com o Dan, e em seguida, Dan me chama, "OkEllen, vá em frente e faça o que tem fazer com a tequila enquanto Patrick ficaassistindo você dançar na varanda”.Eu faço sinal de positivo para Dan e sorrio para Paddy, mas ele só pisca-meuma pálida imitação do seu sorriso habitual. Humm.. Tudo bem, não importa.Eu estou bêbada agora. Bêbada, bêbada, bêbada. A música continua, as luzesdas câmeras, e eu estou bêbada. Finjo dançar uma batida invisível com osolhos fechados, com alguns figurantes caminhando pela casa. Eu balanço agarrafa de tequila, tomo um gole ou dois, e geralmente tento reviver meus diasde festa. Por que eu estou bebendo sozinha na frente da minha casa está alémde mim, mas isto não cria uma cena romântica."Você sabe, em alguns estados você pode ser presa por isso”. Ele fala dealgum lugar, e essa é a minha sugestão para abrir os olhos. Ele ainda está
  • 6. encostado no carro. Ele parece ter se acalmado um pouco e inclina-se agoraapenas casualmente. Seus braços estão juntos para baixo e suas contraçõesestão controladas, mas ainda está faltando algo.Eu sorrio para ele de qualquer maneira como se estivesse contente de vê-lo.Bem, eu estou contente, mas é Meredith que está contente em ver Derek. Euvou na direção dele. A câmera estava em mim o tempo todo, assim, tivemosque parar e eu tive que voltar para o meu ponto e fazer tudo novamente.Desta vez, as câmeras capturam as suas reações. Eu faço tudo novamente edesta vez eu vejo seu sorriso ficar um pouco mais brilhante. Ele parece estarcomeçando a relaxar do que quer que o estava incomodando.Desta vez, quando eu caminho até ele, ele continua com o diálogo, "Então,você me trocou por uma garrafa de tequila? Me dispensou por uma garrafa detequila. Tequila não é bom para você; ela não te liga; não te escreve. E nem étão divertido de se acordar ao lado.”Mas alguma coisa está errada. As falas estão todas lá, a entrega é boa, mas háalgo em seus olhos que está faltando. Geralmente, quando ele está no seumodo Derek, ele tem esta confiança, é um neurocirurgião e eu sei que eledomina tudo. Como se Paddy tomasse uma pequena dose de testosterona e seamplificasse um pouco. Ele tem o guarda-roupa de Derek, seu cabelo é o estilodo Derek, mas os olhos dizem que é Patrick quem está ali.Eu sorrio para ele com o meu melhor sorriso Meredith bêbada e pego em seucasaco, mas ele hesita e recua.Dan pergunta de trás da câmera, confuso, “O que foi?”Ele parece não saber o que fazer, pois quando Dan lhe pergunta o que estáacontecendo, ele simplesmente encolhe os ombros e diz: “Sinto muito. Não seipor que fiz isto”.Todos nós começamos tudo de novo, Paddy diz suas últimas falas, e euaproximo-me novamente. Eu sorrio novamente em antecipação bêbada e pegoseu casaco. Ele não parece vacilar neste momento, mas eu posso sentir ahesitação de seu corpo. Ele dá um passo à frente e olhamos para dentro denossos olhos. Seus lábios são forçados para cima em um sorriso, mas seusolhos e seu corpo dizem algo completamente diferente. Isso não é Derek."Corta!” Eu digo para Dan e apenas olho para Paddy, quando ele pergunta comos olhos porque eu parei a cena. Eu não sei responder. Peço a Dan, "Podenos dar cinco minutos?”Dan concorda prontamente, mas posso dizer que ele não ficou feliz por isto.Eu dou um outro olhar para Paddy, pego sua mão, e o conduzo para a varandada frente da casa. Sento-me na escadaria frontal e puxo-o comigo. Assim queele se senta, eu pergunto alegremente, "Ok, então, qual é o problema?"Que problema?” Ele pergunta com um suspiro. Mas eu tenho ainda maiscerteza de que algo está errado quando ele passa a mão nervosamente pelos
  • 7. cabelos. Ele se senta ao meu lado na escada com as mãos nos joelhos, entãoeu não posso ver seu rosto.Tomo outro gole da minha garrafa ao tentar pensar o que dizer. Isso faz comque ele me olhe. Ele tem um olhar engraçado no rosto, quando ele me vêrealmente entornando tequila, assim digo desafiadoramente, “Isto é suco demaçã. Quer?”Ele concorda e toma um gole. E então ele diz algo que eu não esperava. "Eutive um sonho com esta cena”."Esta?” Pergunto, um pouco atordoada."Esta cena”. Ele diz, enquanto olha para a frente e não para mim. Mas entãoele vira a cabeça. O que exatamente ele está tentando me dizer?"E exatamente o que estávamos fazendo essa cena?” Pergunto suspeita.Ele fica vermelho brilhante. Uh oh. E então eu começo a rir. Eu não possoajudá-lo. Ele só parece tão embaraçado com a coisa toda. Quero dizer, eu o vinu e agora ele está todo envergonhado por causa de um pequeno sonho?Pequeno suspiros saem do meu nariz, por isso ele se sente obrigado adefender-se com, "Isto não é engraçado! Eu não posso sair por aí tendosonhos pornôs com a minha co-estrela! Isto não é profissional”."Oh ho, agora espera um minuto aqui. Você não pode dizer qualquer coisasobre pornografia!” Eu digo ainda rindo, mas com o meu próprio embaraçocomeçando a chegar ao pelotão da frente.Se for possível, ele se volta ainda mais vermelho. "É isso. Pornô, ok!” Ele dizisto e ele começa a rir. "Nós estávamos fazendo a cena, e foi como se eu fosseDerek, mas então quando você diz a fala que eu tenho que levar você para umpasseio, você diz Patrick, em vez de Derek, e coisas mais estranhasacontecem”.“Estranhas como?” Eu pergunto.Ele me olha com um brilho nos olhos uma vez mais. Aguardo ansiosa demais,não consigo esconder a curiosidade. Eu tento esconder meus sentimentos emum lugar mais neutro, mas eu acho que não estou sendo muito bem sucedida.O brilho parece estar de volta em seus olhos."Como nós fomos até a cena do carro e ficamos fazendo aquilo”. Ele respondede forma mais confortável."Fazendo o quê?” Pergunto um pouco diabolicamente. Isso é bom demaispara deixar passar.Ele me dá um olhar que diz ‘Eu sei que você sabe’, mas me responde dequalquer maneira, " Estávamos nos beijando”.
  • 8. "Mas nós já nos beijamos antes. Por que isso é diferente?”Seus olhos imediatamente mandam dardos em direção a minha boca, masdepois se voltam rapidamente para os meus olhos. "Bem, para uma coisa ondevocê estava em cima de mim”. Ele responde com um olhar malicioso."E nos beijando”. Eu comento sorrindo.Ele me envia um olhar do mal e concorda, "E nos beijando. Mas isso não étudo. Era como se eu fosse Derek. Não havia câmeras. Eu não estava dizendotodas as minhas falas. Mas então eu devo ter dito algo errado, porque entãovocê começou a corrigir minhas falas e depois você me acusou de tentar teagarrar, e correu para reclamar com Peter. Foi uma completa confusão”.Oh, pobre Paddy. Quero rir de novo, mas ele parece tão sério sentado tentandome fazer compreender seu sonho. Pus a mão no ombro dele e quando ele olhapara mim, digo-lhe honestamente, "Eu acho que isso é perfeitamentecompreensível”.“Você acha?” Ele pergunta como um menino."Nós passamos longas horas trabalhando. Quer dizer, olhe para tudo isso”. Eudigo e indico a casa e tudo em nossa visão. “São onze horas de noite e aquiestamos. Isso acaba se infiltrando em nossa vida real.Ele sorri de acordo, e eu acrescento, "Além disso, eu também sonhei comvocê”.Eu sabia que ele iria se surpreender com essa. Seus olhos se arregalaram eele me olhou especulativamente. "O quê?” Eu pergunto com toda inocência."Então o que aconteceu neste sonho em que supostamente eu estava?” Elepergunta sugestivamente.“Nada pornô, se é isto que você está pensando”. Eu respondo quando eu melevanto e agarro a minha garrafa. Ele a toma de minha mão e a coloca ao ladodele para que eu não a alcance.“Me dá a garrafa”. Eu exijo."Não até você me dizer como eu estava no seu sonho”. Ele brinca quando eutento agarrar a garrafa e falho."Eu digo quando você me entregar a garrafa”. Eu ofereço.Ele me olha cautelosamente, mas lentamente traz a garrafa para nossa frentede qualquer maneira. Eu a seguro por um lado enquanto ele a segura poroutro. Tento puxá-la, mas ele se mantém firme. Eu levanto uma sobrancelha edigo: "Na contagem de três: um, dois....”Ambas as sobrancelhas dele estão levantadas especulando sobre o que eu
  • 9. poderia dizer. Ele começa a afrouxar a mão em torno da garrafa, e eu tenho aminha chance. Eu tomo a garrafa da mão dele, me afasto, e digo por cima doombro: "Você estava passando esmalte nas minhas unhas dos pés!”Eu nunca esquecerei a surpresa, o desapontamento e a perplexidade em queele estava naquele momento. Eu realmente tive um sonho onde ele pintava asunhas dos meus dedos? Não é provável. Mas eu acho que o deixaria acreditarnisso de qualquer maneira. Ele parecia tão desamparado sentado lá pensandoque o que ele havia sonhado era uma coisa tão má. E eu realizei meu objetivo:ele desceu as escadas rindo e voltou a seu antigo eu.Ele voltou ao seu lugar de começo, e eu voltei para o meu. A primavera voltoupara o seu passo. Seu ego inflado de volta para o neurocirurgião importante.As câmeras rolaram novamente e as falas foram ditas com uma sensação deprazer recém-descoberta por nós dois. Quando eu puxei o seu casaco, eleapenas riu de mim com os olhos. Quando ele se adiantou para me beijar, eleestava de volta ao Derek sendo, até um pouco mais.Mas nesse beijo eu senti que alguma coisa mudou. A última vez que nostínhamos beijado, nós mal nos conhecíamos. Éramos poucos conhecidos e erafácil fingir que éramos essas outras pessoas. Para ficarmos separados, paranos mantermos longe. Mas desta vez, desta vez éramos amigos. Quandopassamos para a cena do carro, onde ambos estávamos sem camisa e eu dejoelhos, era quase como se um recanto houvesse sido transformado. Então, elesonhou comigo. Que seja. Nós vivemos na fantasia de cada dia.
  • 10. Duas semanas se passaram. A série continuou a atrair avaliaçõesmaravilhosas e todo o elenco e a equipe estavam em êxtase. Era ainda muitocedo para chamá-lo de um sucesso, mas o show teve uma média de quase 19milhões de espectadores e crescia. Ninguém queria enganar muito a sorte,mas você podia sentir a emoção e a felicidade por toda parte.Eu sei como me senti na manhã em que começamos a filmar o episódio 1.07.Após o episódio "piloto", Meredith e Derek pareciam estar progredindo emdireção a algum tipo de relacionamento. O último episódio aparentemente tinhasido tudo sobre Meredith decidir se ela queria estar em um relacionamento comDerek. Eu tendia a pensar que uma vez que você dormiu com um cara por uma
  • 11. segunda vez, depois que você aprendeu o nome dele e saiu em um encontrono café da manhã, normalmente significa que você tem algum tipo deentendimento. Não tão em Greys.Mas esta cena começava com nós dois na cama, e eu estava indo para o set.Estava um pouco adiantada, mas isso me dava algum tempo para relaxar ebeber o meu café antes de eu ter que entrar na maquiagem. Patrick não estavano trailer. Eu não me surpreenderia de saber onde ele estava. Ele devia estararrumando os cabelos e se maquiando (Eu mencionei quanto tempo ele gastalá? Essa mulher!), quando através da casa falsa de Meredith eu ouço um sommuito estranho: o farfalhar das páginas. Poderia ser qualquer um, mas algo mediz que é Patrick.E o que meus olhos vêem? Nada mais do que Paddy sentado na minha(Meredith) cama lendo um jornal com uma mão e tomando um gole de cafécom a outra. Ele está vestido com uma calça de se exercitar e uma t-shirtcinzenta, mas ele poderia muito bem estar na sua própria cama em casa lendoo jornal da manhã."O que você está fazendo?" Pergunto descrente e divertida.Seus lábios interrompem a descida para sua xícara de café e seus olhos sevoltam na minha direção, quando ele ouve a minha voz. Eu ainda não passeida entrada. Estou muito surpreendida. Seus lábios aparecem nas bordas e osseus olhos brilham com bom humor quando ele vê a expressão do meu rosto."Estou confortável". Ele responde sem desculpas ou explicação alguma."Bem, isso é um pouco óbvio." Concordo divertida. "Mas ainda não respondeuà minha pergunta.""E que questão é essa?" Ele pergunta quando ele dobra seu jornal um pouco eo coloca no colo. Eu mencionei que ele está mesmo em cima do alcochoado?A ousadia do homem!"Só que você está lendo o jornal na minha cama." Eu arrelio com ele, quandoeu dou um passo para o quarto falso e coloco a minha bolsa sobre a superfíciemais próxima.Ele observa meus movimentos, enquanto diz: "Primeiro: não é a sua cama. É acama de Meredith, uma cama na qual eu fui convidado para estar esta manhã.E dois: não há lugar para me esticar no trailer. Pensei em poupar algumtempo."Eu presto atenção a este discurso enquanto ou andava em volta da cama, masnão sem antes chutar meus sapatos e subir no outro lado. A cama não é assimtão grande, por isso estamos muito perto, mas nós dois estamoscompletamente vestidos. E é confortável. Eu coloco algumas almofadas portrás de mim e, finalmente, coloco meus próprios pés calçados com meias noalcochoado.
  • 12. "Eu tenho munchkins também." Ele diz quando ele puxa um saco brancoDunkin donuts do lado de seu travesseiro. Ele levanta o saco para mim, e eufico indecisa.Ele sacode o saco pois ele sabe que eu quero um pouco, assim eu pego uma."Ok, agora você nunca vai se livrar de mim." Eu falo quando a doçuraaçucarada da manteiga chega na minha boca."Esse é o plano." Ele diz com um sorriso falso, que me diz que não é nadasério e abre o seu jornal de volta.Um confortável silêncio se segue enquanto ele volta a ler o seu jornal e eucontinuo comendo munchkins um pouco mais. Eu realmente não tinha nadapara fazer, (não sabia que eu estaria em um café da manhã na falsa cama como meu co-estrela demente), e ainda temos um pouco de tempo até filmarmosnossa cena, assim eu volto minha atenção para ele e pergunto: "Então, nósestamos agindo metodicamente?"Ele se vira para mim e sorri. "Não. Jill teve de viajar para Nova York paraalguma reunião de negócios e ela levou Tallulah com ela. Estava muito quieta acasa".Ah. Ele estava solitário. De alguma forma, isso só o fez ainda mais cativante."Você sempre pode vir e tomar café com a gente. Eu não me importaria”. Euofereço.Ele só bufa. E vira uma página do jornal."O que?" Eu pergunto.Ele não responde. Ele só balança a cabeça e ri secretamente."O que?" Volto a insistir um pouco mais enérgica.Ele olha-me uma vez mais para ver se eu estou falando sério. Estou, por issoele fala vagamente, "Oh sim, Chris iria amaaar.""Ele não se importaria". Eu respondo talvez um pouco inocente.Ele só me dá uma olhada. Um olhar que diz que eu estou completamentelesada se eu acreditasse mesmo nisso. Defensivamente, eu respondo "O quê?Você é meu amigo!""Não, você é minha co-estrela; uma coisa completamente diferente.""Co-estrelas não podem ser amigos?" Pergunto um pouco incrédula. Eurealmente pensei que éramos amigos.Ele deve ter ouvido a raiva na minha voz, porque ele se vira, coloca o jornalpara baixo compreensivamente e diz: "Sim, você é minha amiga. Mas você
  • 13. também é minha co-estrela. Eu sou o Derek da sua Meredith. Em umapequena parte da minha mente eu sou Derek, e uma pequena parte de você éMeredith. É difícil para outras pessoas entenderem isso"."Acho que sim. O que Jill diz sobre isso?" Eu pergunto com tristeza, quando eume lembro da cara de Chris, quando ele tinha me visto nua no episódio piloto edepois mais tarde, no elevador, na cena em que nos beijávamos. Tentei dizer-lhe que estávamos apenas atuando, mas eu acho que não-atores jamaispoderão entender isso inteiramente."Ela diz que está tudo bem com ela. Ela é uma mulher forte. Ela sabe que é sóatuação." Ele responde calmo, mas esta é o tipo de frase que todos os atoressabem de cor.Ele olha para mim de uma maneira que diz que talvez não fosse tudo atuação,mas ele nunca diria isso em voz alta. A cama que estava cheia de conforto ecamaradagem antes, agora parece ficar muito pequena. Gostaria de chegar epegar outra rosquinha para quebrar o silêncio, mas, de repente, não pareciauma boa idéia fechar o espaço entre nós. Nós dois ficamos nos olhando, pormuito tempo.Peter chega ao quarto, seguido pela equipe de câmera e companhia. Elelevanta as sobrancelhas para nós e comenta bem-humorado, "Agora, isso é oque eu gosto de ver! Pessoas prontas para atuar”.Nossos olhos se empurram longe um do outro com a intrusão repentina, masnós dois rapidamente fingimos que nada aconteceu. Somos atores, afinal."Jill viajou esta semana”. Patrick explica para Peter. Os dois parecem ter algumtipo de empatia que desenvolveram quando trabalharam juntos, porque Peterapenas acena com a cabeça em compreensão."Munchkin?” Eu pergunto quando eu estendo o saco agora quase vazio paraPeter."Não obrigado”. Ele diz enquanto esfrega o estômago. "É demasiado cedo. Istoé realmente apenas uma cena curta de qualquer maneira, e eu estou muitoocupado hoje. Tudo o que precisamos é de vocês dois rolando um pouco nacama e pronto".Eu sorrio para Peter. Ele sorri de volta, e eu pergunto, com um suspiro falso,“Ok, então qual é a minha motivação aqui?”Os olhos de Peter brilham. Nós sempre brincávamos toda vez que Patrick e eutínhamos que fazer uma cena íntima, então eu perguntava a Peter qual seria aminha motivação. Mas Paddy não queria fazer deste modo hoje. Ele me agarrapor trás e me puxa para ele, enquanto dizia, "Eu! Eu sou a sua motivação!”Ele faz cosquinhas em mim onde ele sabe que eu sou mais sensível, e eu ficotoda arrepiada. "Você está desperdiçando o tempo de Peter! Você não oescutou? Ele é um homem ocupado!” Eu digo entre risos. Ele não liga e
  • 14. continua fazendo cócegas sob as minhas costelas, onde ele sabe que eu nãoresisto.“Eu também sou um homem muito ocupado. Estou ocupado agradando você”.Ele diz brincando.Um inexpressivo Peter, por trás da câmera diz, "Patrick, se você vai continuarfazendo isso, você poderia, pelo menos, fazê-lo com menos roupa?Paddy não tem necessidade de qualquer persuasão mais que isso. Ele deixa-me ir e antes que eu pisque, ele já estava sem suas calças e sua camisa,ficando apenas com suas cuecas-boxer favoritas. Então ele olha para mimcomo se eu estivesse perdendo tempo. Reviro os olhos para ele e puxo oacolchoado sobre mim para que eu possa despir-me sem a equipe inteiravendo. Nisso, ele revira os olhos. Homens.A equipe arruma o set para a cena e me coloca em posição de ouvir meudespertador falso. Cobertores são arrumados modestamente, o alarmecolocado ao meu alcance e iluminação trabalha para se assemelhar como sefosse de manhã cedo."Tudo bem, isso vai ser moleza. Patrick, eu quero que você se enrosque emtorno dela, mas movendo seu corpo por trás o suficiente para não atrapalhar oobjetivo. Nós queremos que seja uma surpresa”. Peter chama a ação.Eu me deito sobre o meu lado virada para a janela, quando joelhos vêmdescansar contra as minhas pernas. Seu tronco está mais para trás, portanto,são apenas suas pernas tocando as minhas pernas, mas eu sinto isso maisíntimo do que se tivesse sido a sua língua na minha boca. A câmera começa arolar, e eu olho ao redor para o despertador, mas estou muito ciente de cadalugar onde a nossa pele se toca. A cena continuou fluindo. No início, meu corpofica tenso com a sensação dos pelos da perna apoiada contra os meus recém-raspados (especialmente para essa cena). Na atuação, a perna dele se movepara cima para cobrir a minha e eu chego a esfregar sua coxa com as minhasmãos.Primeiro, suas pernas ficam tensas quando em contato com a minha mão.Então nós relaxamos em cena e é como se a nossa pele sempre estivesseuma ao lado do outra. A próxima vez que fazemos isso, a mão surgenaturalmente para agarrar o meu braço. Sua mão grande me acaricia e meusbraços formigam. Eu acho que é um toque agradável esfregar minha mão para
  • 15. cima e para baixo em sua perna. Eu sinto seus músculos tensos sob minhamão.“Você tem que acordar agora”.Ele finge estar dormindo e pergunta: “O que? Meu Deus, que horas são?”São 5:20 e eu tenho os pré-turnos. Precisa sair antes que te vejam”.Neste momento eu me enrolo nele.Sua respiração atinge o meu peito primeiro, seguido pelo resto do seu corpo,até que eu estou envolvida em seu abraço. Ou mais precisamente, eu abraçoele. Eu tenho meus braços em volta da sua cabeça e ele a coloca na curva domeu pescoço. Eu empurro o gesto íntimo longe dizendo minhas falas pré-eliminatórias, mas eu ainda tenho que rolar para a direita sobre ele. É precisoter cuidado para não ficar no caminho da câmera ou em posições incômodas,mas funciona melhor quando nós dois apenas relaxamos e eu rolo para ele.Eu me lembro que no último rolamento, ele me rola de volta de diz “Ah, vamoslá. Por que não deixa eles verem?” e começa a fazer cócegas no meu pescoço.Eu ri com a sensação de sua barba contra o meu pescoço e ele deu umarisada na hora. Ele realmente fez-me cócegas com a barba, para que a câmerapegasse. "Não”. Eu estava realmente protestando contra as cócegas. Mas istonão é o que eu lembro. Lembro-me do relaxamento total. Lembro-me doabandono de estar deitada na cama só com a nossa roupa de baixo e comonós brincamos de lutar na frente da câmera.Quando a câmera se apaga, nós dois apenas ficamos relaxados ondeestávamos. Meu corpo inteiro está relaxado e formigando, e posso dizer porquão facilmente ele descansa ao meu lado, que ele sente o mesmo. Meupescoço sente-se sensível a partir de onde ele roçou minha nuca. Eu me sintoliberada. E, oh sim, sinto-me ligada. Eu nunca diria isso, porém. Movo minhacabeça um pouco e os nossos olhos se encontram. Eu sei que ele está sesentindo da mesma maneira. Talvez não, obviamente, não o suficiente para serperceptível, mas o suficiente.E então seu rosto muda. Ele desliga. É como se um interruptor fosse atingido,alguma coisa desligada. Ele rola para o outro lado da cama. Eu mantenho umsorriso brincalhão no rosto com força. Ele recolhe as roupas dele, e eu colocoas minhas. De costas para mim, ele puxa as calças, e pergunta, "Então vocêainda quer que eu vá tomar café da manhã com vocês?”"Por que não?” Digo com um sorriso falso agradável quando eu saio pela porta.Eu poderia jurar que eu vi um olhar da confusão, ouso dizer decepção, cruzarsua face, mas depois sumiu. Ele sorri um de seus sorrisos conhecido-como-McDreamy e diz: “Vejo você às 8 horas então”."Às 8 então!” Eu falo sobre meus ombros, sem olhar para trás. Eu não queriaque ele visse a minha confusão. Eu não queria que ele visse que eu não tinha
  • 16. certeza se eu o queria na minha mesa do café. Eu queria o café da manhãquando estávamos confortáveis e em paz. Antes que eu houvesse sentido ojoelho dele na parte de trás da minha perna. Antes de eu sentir seus lábios naponta da minha clavícula. Antes que eu tivesse que agir como se eu nãoestivesse ligada. Antes que eu quisesse ser a Meredith. Antes eu quisesse quePatrick fosse Derek. E nós realmente tínhamos sido nós naquela cama.PATRICK:Na manhã seguinte, encontro-me vestido e pronto para ir para a casa de Ellenpara o café, mas algo me impede. Eu tinha levantado, tomado um banho,colocado um de meus mais agradáveis jeans e uma camisa de corrida favorita,e praticamente pulei no corredor, até que os meus lábios vibraram com alembrança de estar nela. Em seu pescoço. Em seus cabelos. Eu fiquei gelado. Eu não tenho cenas com ela hoje, e sim com T.R. e algum anestesistabêbado, portanto o café seria minha única chance de vê-la hoje. Se euquisesse, era isto. Normalmente eu estaria pronto para ir. Nestes últimos doismeses, eu normalmente não conseguia esperar para sair de casa para ir aotrabalho. Jill e T ainda estavam em Nova York, por isso eu ainda estavasozinho por aqui, mas de repente eu senti que seria uma idéia melhor não ir.Talvez eu só precisasse de um pouco de café. Sim, isto era uma idéia boa. Eutinha ficado muito levado ontem. Eu tinha deixado a situação ficar fora decontrole. Eu era pago para rolar na cama com ela e meu corpo reagiu emconformidade. Sim, isto é o que era. Não havia nada de errado com isso. Eusou um homem, tenho reações varonis. Quando você rola na cama com umamulher bonita, as coisas estão prestes a acontecer. Não adianta brigar comisso. No entanto, por que eu não quero ir lá agora? Humm..Entro na cozinha e o cheiro de café novo entra pelas minhas narinas. Ah, sim,um das compras que Jill fez que eu nunca teria pensado e que fazia a minhavida muito melhor: uma máquina de café com um temporizador. Ela estavaprogramada para fazer o café todos os dias, na mesma hora. Eu não tinha nemmesmo que pensar, era só ir lá. Eu devo ter esquecido de mudar otemporizador. Eu verifiquei a temperatura e ainda estava quente. Cheiravabem.Eu ainda tenho um pouco de tempo antes que eu tivesse que sair de casa. Oque devo fazer? Fui ler o jornal. Nas manhãs quando T estava ao meu redor, ojornal normalmente era jogado de lado em favor de Cheerios lançados ou dealgum biscoito untado que pareciam entrar em lugares que eu não conseguiamesmo saber como eles chegavam lá. Eles dizem que os bebês são maisdesorganizados, mas você já viu criança de 3, quase 4 anos de idade, comgeléia de morango? Segunda-feira de manhã, ler o jornal era um luxo, ontemeu não pude lê-lo no quarto falso, porque Ellen tinha se juntado a mim. O rostodela quando me viu era impagável! Eu acho que vou vê-la. Não, espere!Eu coloco o café em uma dessas canecas de cerâmica que se parece com algo
  • 17. que você poderia comprar em uma Feira de Arte. Jill gostava dessas coisas.Antes de eu ter casado com ela, eu tomava café em uma série de canecas comnomes de empresas e eventos que eu tinha ido há muito tempo. Eraengraçado como as pequenas coisas mudam quando você tem alguém paracuidar de você. Isto é o que eu amo sobre ela. Ela é suave, ela é tímida, masela é bonita e ela me ama. Eu posso apenas "ser" com ela. Eu não sei comoexplicar isso. O dia que eu tinha ido cortar cabelo no salão dela tinha mudado aminha vida para sempre. Para melhor. Se alguém me tivesse dito há cincoanos atrás que eu estaria tomando café em canecas de cerâmica e me sentirsolitário depois de alguns dias sem a minha família, eu zombaria dele. Deixaeles rirem. Estou feliz.O quintal perto da fogueira parece ser uma boa idéia. Pego o jornal nogramado da frente, pego o meu café, e estabeleço-me em uma das cadeiras deAdirondack em torno da fogueira. O dia ainda estava frio pois o sol mal tinhasurgido, mas você pode sentir que não vai ficar assim por muito tempo. Overão chegou mais cedo no sul da Califórnia. O quintal vira-se para o leste, demodo que este é um lugar maravilhoso para estar na parte da manhã.Eu estou sentado no mesmo arranjo de cadeiras que Ellen e eu tínhamos nossentado na noite do meu churrasco. Eu tinha ficado atraído por ela, então. Eutinha. Eu deveria ter reconhecido isso. Mas tudo tinha começado noentusiasmo do episódio piloto, e encontrar uma nova pessoa. Eu tinha pensadoque ela tinha um olhar tão bonito, sentada em uma cadeira que a tinhadiminuído de tamanho de alguma forma. A lareira tinha jogado luz em seurosto, acentuando os hipnotizantes olhos. Fascinação? Jesus Cristo. Você estáprofundo, Paddy.Foi o café da manhã. O café da manhã era um problema. Eu não tinha nada adiscutir acerca do café da manhã. Tinha sido confortável, tinha sido divertido.Nós tínhamos partilhado um saco de Munchkins. Era isso. Foi o que aconteceudepois do café, que me fazia hesitar em ir para a casa dela hoje, tomar café.Meus olhos instintivamente foram para meus joelhos. Sim, eles ainda estavamvestidos com o mesmo jeans que eu tinha colocado há uma hora atrás. Mas osjoelhos não eram os mesmos de 24 horas atrás. Não eram os mesmos joelhos.Eram os joelhos que tinham se descansado contra a traseira de Ellen e tinhamvibrado. E eles continuavam vibrando, mesmo agora com a lembrança.
  • 18. Isso devia ter sido a minha primeira advertência. Ou talvez a minha segunda. Osonho havia sido a primeira. Eu deveria ter prestado mais atenção a essesonho. Eu devia ter sabido o que tinha significado. Eu sabia que não estava sóinternalizando meu trabalho. O sonho estava tentando me dizer algo. Dizer-mealgo que eu estava ignorando desde a primeira vez que eu tinha meencontrado com ela. Dizendo-me algo que eu estava negando o tempo todo.Eu estava atraído por ela. Eu gostava dela. Bem, mais do que gostava. Ela erainteligente, engraçada e linda. Ela era tudo o que Meredith era, mas de algumaforma melhor. Ela era minha amiga, talvez não. Apenas o que ela era?Eu mudo de posição em minha cadeira, enquanto o jornal nunca-mesmo-abertofica dobrado e arrumado no chão ao lado de meus pés. Mudando de posição,fico me lembrando do caminho lento em que ela acariciava minha coxa com amão pequena. Café, eu preciso de café. Eu me levanto e pego a ainda quasecheia caneca de cerâmica perto do poço da fogueira. Estava frio. Estavaquente apenas uns segundos atrás. Eu olho para o meu telefone para ver queos alguns segundos, transformaram-se em quinze minutos. Se eu estava indotomar café com ela, eu devia sair agora. Ok, fico ou vou? Por que eu não estouquerendo ir? É porque Chris vai estar lá? É provavelmente uma boa idéia Chrisestar lá. Espere, por eu não queria que Chris estivesse lá? Merda.Eu sabia por que eu não queria ir para lá. Era aquele olhar em seus olhosquando eu tinha levantado os meus para ela. Esse momento depois que acâmera tinha ido embora, e nós tínhamos ficado ali com os nossos corposquase se tocando, algo se passara entre nós. Seu rosto e pescoço estavamvermelhos e os olhos brilhantes e dilatados. Seu cabelo estava despenteadopor causa dos nossos rolamentos na cama. Rolando na cama comigo. E eutinha percebido o que eu tinha feito. Eu tinha feito isso. Eu tinha perdido a mimmesmo no período de tempo entre a partilha dos biscoitos com ela e depois. Eutinha parado de pensar se eu era Derek ou Patrick. Eu tinha me deixado ir.Apenas gostava da sensação de uma bela mulher em meus braços. Asensação de sua pele contra a minha. A forma como a minha barba lhe fezcócegas. A sensação de suas mãos contra o meu rosto. A sensação de seucorpo contra o meu.Isso é ruim. Isto é tão ruim. Por que isso tinha que acontecer? Este é o meutrabalho. Eu posso fazer o meu trabalho. Eu tenho feito este trabalho por umtempo muito longo. Houve um tempo, sim, quando eu era mais jovem quecoisas como esta poderiam ter acontecido. Talvez tivesse acontecido. Isso metransformou em uma pessoa que eu não gostava. Eu não podia me olhar noespelho por muito tempo depois. Eu era jovem e arrogante (sim, você pode lerisso em qualquer coisa que você quiser) e tinha muito a aprender. Mas agoraeu era mais velho e mais maduro. Eu tenho uma esposa. Eu tenho uma filhalinda que eu adoro. Eu não posso deixar isso acontecer comigo. Eu não possodeixar isso acontecer comigo e com Ellen. Eu tenho que encontrar umamaneira de colocar isto sob controle. Somos amigos. Eu gosto dela. Se eu nãofosse casado, e ela não tivesse um namorado, as coisas poderiam ter sidodiferentes. Mas eu tinha e ela também. Tinha que haver uma maneira decorrigir isso. Primeiro, eu preciso do texto dela. Depois, eu preciso conversarcom Peter.
  • 19. ELLEN:Ok, eu tenho geléia, manteiga, guardanapos, pratos. O que mais eu preciso?Eu estava vestida com uma roupa casual, mas agradável. Apenas jeans e umat-shirt, mas estavam limpas e eu passei delineador e rímel. Eu tinha ficadoindecisa sobre qual tipo de gloss seria apropriado, mas acho que ele terianotado isso. Eu não sei porque eu estava fazendo TANTO esforço para isso.Era apenas café da manhã, ora. Exceto que parecia estar faltando a parte maisimportante da refeição."Chris! Onde estão os bagels?” Eu grito da copa para o resto da casa.Nossa casa é muito moderna, eu tinha colocado uma mesa no espaço entre acozinha e as portas de correr de vidro com vista sobre o quintal. O sol vinharasgando em quase todas as manhãs, assim pode ser um lugar muitoagradável para sentar-se nas manhãs frias como esta. Nós quase nuncautilizamos este espaço, nos dias de semana, mas eu pensei que seria divertidodecorar a mesa com guardanapos reais e algumas flores."Eles estão em cima do balcão!" Ele grita de dentro do quarto. Eu tinha feito eletrocar a camisa. A esposa agitadora? Sério? Quem usa isso nestes dias?Eu colocava o saco cheio de bagels (só porque alguém foi convidado, nãoqueria dizer que eu estava realmente indo cozinhar alguma coisa), então eutinha feito Chris sair e chegar tarde ontem à noite, quando algo me chama aatenção: um flash de prata, passando na frente da casa. A nossa casa é umretângulo comprido com os quartos de um lado e as áreas comuns do outro,mas de trás para a frente é um pouco superficial. Então, estando de pé na salade café e olhando para fora dava para ver a rua. As janelas bastante grandesde cada lado da porta, me dá uma visão clara da rua. Isto que passou era ocarro de Paddy? Eu tinha reconhecido o Cadillac vintage dele. Mas isso nãopode ser! |Estou prestes a sair e verificar aquilo, quando o meu celular toca dentro daminha bolsa. Eu pego o telefone e eu vejo uma mensagem de texto:De: PaddyPara: Ellen"Acordei tarde. Desculpa. Posso vir da próxima vez? Espero não ter causado muito problema!"Huh.
  • 20. *** Eu chego no trabalho um pouco mais tarde, com um ponto de interrogaçãosobre minha cabeça. Foi que o carro de Paddy que eu vi passando pela minhacasa? Ou será que alguém no bairro tem um carro prata semelhante ao dele?Eles não poderiam. É um clássico. Então, por que ele não iria vir para o café?Por que nem sequer me ligou diretamente e pediu desculpas? Talvez elepensasse que eu ainda estava dormindo? Por que ele faria isso? Peraí, elementiu para mim? Ele não poderia ter feito isso, poderia?O pensamento me faz dar um pausa enquanto eu estou indo para o trabalho,colocando o meu uniforme e a camisa rosa-alaranjada que me deram paracolocar debaixo da roupa, e deixam-me com bastante maquiagem e produtosno cabelo. Eu venho para o set principal, apenas para descobrir que eu tinhaesquecido de que a imprensa iria estar aqui ao longo dos próximos dois dias.Todo mundo já está sendo colocado em ordem, bem como os equipamentoshospitalares diversos do nosso ER falso para uma foto de grupo. O fotógrafoestá um pouco longe e as pessoas estão sendo chamadas. Paddy não estáaqui ainda, mas há um lugar livre e aberto ao lado de Sandra, então eu fujopara perto dela. Talvez ele esteja atrasado depois de tudo."Merda, eu esqueci completamente que tínhamos que fazer isso hoje." Digo aSandra.Com tantas cenas juntas, nós ficamos bastante amigas. Quando eu comecei,pensei que ela seria pretensiosa, tendo acabado de sair de Sideways e muitoaclamada pela crítica, mas ela era realmente muito bonita e realista. Muito maiscalorosa e amigável do que sua personagem Cristina, com certeza!"Então, aconteceu o café da manhã?” Sandra pergunta levantando um poucoas sobrancelhas e com um alargamento dos olhos que parece ser sugestivo.Eu tinha dito na véspera sobre como Patrick estava tão bonitinho triste, queestava com a síndrome do homem de família solitário. Isto levou-me a contar-lhe sobre o pequeno café da manhã que tive com ele na cama. Isto a tinhalevado a provocar-me furiosamente sobre o meu trabalho de namorada dele.
  • 21. Eu tinha tentado provocá-la acerca de Isaiah, mas ela tinha razão quando melembrou que Isaiah nunca foi pego tomando café em uma cama falsa de set.Eu estreito meus olhos para ela e suas sugestões não ditas e digo devagar, "Ocafé da manhã? Ele não foi. Algo sobre acordar tarde ou alguma coisa assim”."Isto é estranho”. Ela disse surpresa. "Ele está escondido no escritório de Peterdesde que cheguei aqui. Falando do demônio ......”Eu olho para frente e vejo o objeto de nossa conversa, entrando na salaconversando com Peter. Ele já está com seu uniforme cirúrgico e seu jaleco. Oseu cabelo está perfeito. Não havia maneira nenhuma de que ele tivesseacordado tarde. Eu sei quanto tempo levava para por o cabelo dele em ordem!"Humm”. Eu exclamo com um pequeno sopro de ar."O quê?” Sandra pergunta ao meu lado. "Hey, Patrick, você pode ficar aí mesmo?” O fotógrafo pede/exige e Peterinclina-se contra uma estante, no extremo esquerdo da foto. Paddy nem sequerolha em minha direção. Ele fica parado olhando para a câmera, com sua mãodireita enfiada no bolso do casaco; agora ele é Derek Shepherd personificado.Ah, então hoje o dia era de Derek. Isto faria as coisas mais fáceis."Esperem um segundo”. Eu digo quando eu pego meu telefone do bolso demeu uniforme cirúrgico, escrevo algo rapidamente, e envio.***PATRICK:Eu senti a vibração inesperada sob meus dedos por um segundo. Será o meutelefone? Eu o puxo e leio:De: EllenPara: PaddyMentiroso.Merda.Ok, espera aí, mentiroso pode se referir a qualquer coisa. Eu viro minhacabeça e o meu corpo apenas o suficiente para dar ela um flash do meu sorrisoMcDreamy. Seus olhos dizem que ela não está com raiva de mim, mas seuslábios estão sorrindo. E Sandra também está sorrindo. Acho melhor ficar aquino meu lugar e fingir que nada me incomoda. Você sabe, como qualquer outroneurocirurgião faria.Eu sei que não deveria ter mentido, mas eu estava dividido quando tomei estadecisão. Se eu tivesse ligado, eu me sentiria pior, e provavelmente, teria cedido
  • 22. e ido para lá. Agora que eu penso sobre isso, acho que tomei a decisão certa,além disso, eu precisava falar com Peter.Uma hora antes:"Olá Patrick, o que posso fazer por você?” Peter me pergunta por trás de suamesa, quando me vê chegando com todo o encanto e sagacidade que eu pudereunir às 8 horas da manhã."Uma, bem, atualização. Posso entrar?” Pergunto indicando a porta aberta. Oque eu quero perguntar é sobre protocolo. Eu sei que se eu pedir a Peter combastante amabilidade, ele me responderia."Claro, claro”. Ele disse bem-humorado, se não um pouco confuso com o meucomportamento.Eu lhe dou o meu sorriso mais encantador, entretanto eu fechei a porta esentei-me em uma das cadeiras em frente de sua mesa de trabalho, como oque eu iria pedir fosse tão trivial que só gastaria um segundo. Peter é meuamigo, mas eu não quero que ele saiba do meu tumulto interior.As palavras estão todas prontas para sair, na ponta da minha língua, mas elasnão saem. Segue-se um breve silêncio, antes de Peter dizer diretamente,"Você quer saber quantas mais cenas de cama que você tem que fazer?”Surpreso, tudo o que posso fazer é arquear as sobrancelhas para ele. Ele medá um olhar de que-sabe-das-coisas. "Patrick, eu estou neste negócio hámuito tempo. Eu já vi um monte de coisas na minha vida, mas uma coisa queeu nunca vi é a química que existe entre você e Ellen. Você acha que eu nasciontem?” "Não”. Eu respondo, deixando o som morrer enquanto meu fôlego deixa o meucorpo. Eu dou um enorme suspiro e depois me sento na cadeira. Ótimo. Eunão somente estava alheio a minha crescente atração por ela, como eutambém estava alheio a que todo mundo estava sabendo que eu estava atraídopor ela. "Eu não estou feliz”. Digo me sentindo derrotado, com a cabeça entreas mãos."Eu não me preocuparia com isso, se eu fosse você”. Ele diz tão sabiamente,como um duende com seu pequeno segredo no final do arco-íris. Mas o tom dasua voz atrai minha atenção."O que você quer dizer?” Eu pergunto com curiosidade crescente.Ele me dá um olhar divertido, e eu posso ver as rodas girando em sua mente,se é sábio me dizer ou não. Mas então ele deve ter tido piedade de mim,porque ele me diz tudo o que preciso saber. Quando ele me conta o que vaiacontecer, um grande alívio se derrama através do meu sistema, ao mesmotempo que uma grande tristeza toma conta dele. Terá somente mais um poucode cenas românticas, mas as cenas íntimas iriam ser escassas por um bomtempo, se o que ele me disse era verdade. Acho que eu sabia no fundo daminha mente que este romance não seria para sempre. Eu tinha o que eu
  • 23. queria: não mais cenas íntimas que ameaçaria o meu estado de espírito. Acoisa era: eu não sabia se sentia miserável ou exultante."Patrick! Patrick!” Eu ouço o chamado do fotógrafo, seguido pelo riso dapessoa dos meus pensamentos por trás de mim e percebo que o fotógrafo estáchamando o meu nome repetidamente."Hein? Digo com um sorriso flexível que venho aperfeiçoando recentemente.Uma parte charme de menino e uma parte ego do neurocirurgião quente, quefunciona cada vez mais.O fotógrafo é só sorrisos e faz sinais de me virar para o outro lado.“Acho que precisamos da interna e do atendente lado a lado. Ellen, fica pertode Patrick”. O fotógrafo pede.Eu a ouvi sussurrando algo a Sandra, mas todos estão tagarelando, então eunão entendi nada do que elas diziam. Eu mantenho o meu corpo posicionadopara a frente quando ela vem para ficar ao meu lado e se posiciona em seulugar."Por que eu sou um mentiroso?” Eu sussurro fingindo ignorância."Você sabe porque”. Ela sussurra de volta vagamente.Eu começo a rir. "Eu não tenho idéia do que você está falando”. Respondo.
  • 24. ***ELLEN:Ele está mentindo tanto para mim. Nesse momento ele está dando entrevista.As perguntas entram por um fone de ouvido, por isso tudo que eu posso ouvir ésua resposta. Agora ele apenas está conversando sobre como a série deu-lheo emprego, a história era ótima, blá blá blá. Eu me pergunto se ele é realmentehumilde.A hora da minha entrevista está próxima, assim eu fico na porta ouvindo suasrespostas e tentando descobrir o que significava a mentira. Eu realmente não oconhecia bem o suficiente para dizer se ele não mentiu para mim antes, masde alguma forma isso parece diferente. Pensei que éramos amigos. Eu estouali, contemplando tudo isto, quando Sandra aparece ao meu lado.“O que você está fazendo?" Ela pergunta."Tentando descobrir por que Paddy mentiu para mim." Eu digo enquanto eucontinuo a olhar para as costas dele.Eu a vejo olhar para ele com o canto do meu olho e me pergunta, "Mentiusobre o quê?"
  • 25. Enquanto estou ali, eu posso ouvi-lo responder a algumas perguntas sobre Jill."Bem, uh, é sempre difícil. Você sabe, eu não quero que ela se sinta insegura,mas ela é uma mulher muito forte”."Ele não estava atrasado esta manhã. Ele só não quis vir para o café damanhã. Ele mentiu para mim." Respondo para Sandra.Sandra olha ligeiramente interessada, mas só responde: "Por que você achaque ele fez isso?"Nós continuamos a olhar para ele, e ainda o ouvimos responder à mesmapergunta, "Ela está realmente bem com essa situação. Você sabe, às vezes éuma situação difícil, mas ela é uma mulher forte".E de repente eu sei qual é a pergunta que está sendo feita. E as pequenascoisas começam a se encaixar. A maneira como ele tinha reagido antes edepois do sonho. A forma como os seus olhos tinham mudado quando ele selevantou para se vestir após a cena da cama. E as palavras, "Você ainda querque eu vá para o café?"Meus olhos se estreitam. Eu poderia me sentir atraída por ele naquelemomento, mas eu pensei que éramos amigos. Amigos não mentem uns paraos outros.Eu sei que ele não vai conseguir ler até depois de sua entrevista, mas eu pegoo meu telefone de qualquer jeito e digito, "Você sabe exatamente do que estoufalando".Sandra só olha para mim como se eu tivesse perdido minha cabeça.PATRICK:Na manha seguinte:Eu sou um covarde. Um covarde doente. Eu a evitei ontem. Sim, depois que euvi a mensagem de texto, eu sabia que ela sabia que eu estava mentindo. Boa,Ellen, olé. Ela não fincou o pé em torno da questão, ela só me mandou umamensagem de texto simples. E eu sabia que eu tinha que pedir desculpas. Masdesculpas de quê? Me desculpe, eu descobri que eu estava loucamenteatraído por você ontem e isto praticamente me assustou, assim eu mandei umamensagem de texto estúpida, que ainda soa estúpida em minha cabeça, maseu não poderia admitir que eu menti, porque então eu teria que admitir que eutinha mentido, em primeiro lugar, e isso seria ruim, porque, ah... pois isso seriaapenas ruim. Melhor simplesmente ignorar a coisa toda, manter uma distânciade profissionais, e tudo vai ficar bem. Jill estaria de volta no domingo, e ascoisas vão voltar ao normal. Então, eu sou um covarde. Sim.Toc, toc.Será que tem alguém na porta? Olho para o relógio de cabeceira e vejo que é
  • 26. muito cedo para que alguém esteja batendo na minha porta. O alarme maltinha tocado, e eu ainda estava na minha cama, imaginando como eu iria lidarcom as coisas hoje. Estávamos começando a primeira parte do novo episódioesta manhã, e eu iria ficar todo o dia na companhia dela.Toc, toc.Saco. Quem era o doente? O aquecimento da casa me confortava pelocaminho e eu estava calçando meus chinelos. Era melhor a pessoa ter umadesculpa muito boa. Coloco o meu roupão de banho e vou até a porta dafrente, tentando não bocejar. Não consegui, embora. Eu parecia um ursoquando eu dei um bocejo e estou certo de que meu cabelo parecia que tinhatomado um choque elétrico.Quando eu chego mais perto da porta, eu posso ver que tem um homem de pélá fora. É o Chris? O Chris de Ellen? Sua forma é facilmente visível no ladoesquerdo das duas grandes janelas de um lado da porta. Ohhh, ele parece tãofeliz por estar na minha porta da frente, neste momento, de manhã, e, ohhhh,estou tão feliz por vê-lo. Patrick, não seja irônico!!!! Ele me dá um sorrisofrouxo. Huffff!Abro a porta devagar e olho para ele, curioso e digo, "Olá homem, que é quehá?”"Isto é para você”. Ele diz enquanto me empurra um saco, com o mesmo olharque eu tenho quando Jill está me obrigando a fazer algo que eu realmente nãoqueria fazer. Ele sorri para mim se desculpando.Eu olho para o saco. Não é muito pesado, nem muito leve. “O que?” Eu olhopara Chris. Ele alega inocência com um encolher de ombros e diz: "Ellen disseapenas para lhe falar para parar de pintar as unhas dos pés dela”.Trocamos um olhar viril que transmite a nossa total falta de compreensão cadavez mais, com as mulheres de nossas vidas, e ele voltou a descer a rua.Embora ainda de pé na porta, a minha curiosidade foi maior e eu abri o saco.Dentro tinha dois bagels, um pacote de creme de queijo, uma faca, e umapequena nota que dizia: "Mentirosos ainda precisam comer”.Eu não pude segurar o riso que saiu da minha garganta.***ELLEN:Ok, então eu tinha certeza de que ele pegou os bagels. Chris disse que deu aele. Bem, na verdade, Chris apenas grunhiu afirmativamente quando lheperguntei se ele deu a ele e voltei a dormir, mas tomei isso como um sim. Eusabia que Patrick ficaria doente se eu fosse lá, vendo que eu tinha certezasobre o motivo que ele não apareceu para o café da manhã ontem. Os homense seus egos estúpidos. Eu admito que eu tinha inicialmente ficado um poucoassustada sobre a minha reação física com ele também, mas quanto mais eu
  • 27. pensava nisso, mais estúpida minha reação parecia. Não era como qualquerum de nós estivesse realmente indo fazer alguma coisa sobre isso. Noesquema mais amplo das coisas, isto realmente poderia ser uma coisa boa.Certamente ajudaria a minha capacidade de atuar.Eu decidi não ir ao trailer, esta manhã apenas para dar-lhe algum espaço. Meucabelo e maquiagem estavam feitos, e eu estava próxima do local onde todaessa porcaria tinha começado. As pessoas da equipe me colocam próxima dacama, e fui informada para não me mover até a hora em que tivesse que fazê-lo. A esteticista arrumava meu cabelo em meus ombros, enquanto eu ouvia oresmungar baixo de Patrick, e Peter segurava a câmara por trás da porta dobanheiro falso. A equipe se instala no cenário, e a ação é chamada.Patrick passeia pelo quarto com uma camisa bege parcialmente aberta,fingindo colocar desodorante. Seu cabelo está liso levemente encaracolado esua nuca está em ampla evidência. Ele me dá um sorriso bonitinho que euacho difícil de interpretar. Não é o médico arrogante de ontem, mas tambémnão é o sorriso acolhedor que normalmente Patrick tem. E fica ali por um brevesegundo antes de sua visão ser focada em seus adereços: o desodorante, asua camisa, algum tipo de escova de dente, e sua bolsa. É muito fácil para euapenas olhar para ele e sorrir de vez em quando. Eu me sinto bem sorrindo.Sorrir é divertido.Fazemos tomada após tomada com ele dando sorrisos diferentes para mim, eusorrindo para ele, e ele colocando a blusa de frio por cima da camisa. Eupermanecia no personagem, ele permanecia no personagem. Em entre astomadas não digo nada. Eu lhe dei a minha salva de abertura, esta manhã,agora é sua vez. Ele escova seus dentes, e eu falo:“Vamos dormir na sua casa hoje”.“O que?”“Por que sempre dormimos na minha? Você sequer tem uma?”“Uma o quê?”“Uma casa. Com um armário. Com suas coisas lá dentro. Suas coisaspessoais. Tem sequer uma dessas?”Sua única resposta é espontaneamente pegar meu queixo em seu caminhopara fora do banheiro falso e fazer um biquinho para mim. Oh, a batalha estásó começando.***PATRICK:"Bom dia!” Eu grito para a cozinha falsa, quando a cena muda para o andar debaixo e TR e KH se juntam à filmagem. Muito bem, então eu sei que tenho de
  • 28. pedir desculpas. Eu devo fazer isso. Ela está totalmente certa, eu estavatotalmente pintando suas unhas dos pés. Quer dizer, eu entendi o que ela quisdizer. Que eu estava agindo como quando tive o sonho. Talvez eu tenhaestragado tudo com esta coisa fora de proporção. Talvez porque Jill nãoestivesse ao meu redor. Talvez eu estivesse perturbado pela casa vazia.Ok, então eu estava atraído por Ellen. Grande coisa. Nada aconteceu. Nadajamais iria acontecer. Isto acontecia, provavelmente, porque Derek eraloucamente atraído por ela. Eu tinha apenas que arrumar a pequena parte demim no modo de Derek e chamá-lo para o dia. Sim, é isto que vou fazer."Ei, vocês querem um “bolinho? Izzie os fez”. TR pergunta e eu respondo,segurando meu estômago e fazer uma cara pseudo-revoltada, “Ah, não”.Ellen está usando uma blusa verde pequena bonitinha que faz com que osolhos pareçam ainda mais verdes do que são e me dá um sorriso, quando elatoma seu lugar na mesa da cozinha, como ela tem feito toda a manhã.Sorrindo, quero dizer. TR e Katherine olham divertidos para nós, mas nos osignoramos e nos concentramos na cena. Eu faço bravata enquanto caminhoaté o armário e digo, "Eu gosto daqui. Você mesmo disse que gostava dassuas coisas por perto, de dormir na sua cama”.“Você é do tipo viciado em saúde, não é? Pergunta George. “Come mueslitodas as manhãs”.“Não como não”.“Ok, a coisa do muesli, você come sim. Pelo menos nos últimos sete dias”.Izzie fala.“Ah, pára com isso”. Eu respondo. “Não estou aqui há uma semana. Estou?”“Viu?” Retruca Meredith. “Até eles acham estranho”.Nesta cena eu tinha que perceber que já estava na casa de Meredith a semanatoda. Nós brincamos quando em pego caixa de muesli de dentro do armário,quando eu digo que a minha fala, e quando eu pego outros objetos.Trabalhamos em um ritmo agradável, aberto. Há uma conversa sobre se o leitedeve ficar em cima da mesa já ou se eu deveria deixá-lo fora da geladeira.Na primeira tomada, eu supostamente tenho que pegar duas taças, mas euesqueço e pego apenas uma. Peter acha que isto é divertido e o incorpora nacena, como se Derek fosse um bastardo egoísta. O tempo inteiro Ellenconsegue dizer apenas as falas de Meredith e nada mais. Quando finalmenteme sento na mesa em frente a ela, seu sorriso atingiu proporçõesmonumentais. Eu brinco com a minha colher na frente dela e a encaro. Euestou em apuros. Eu sei que tenho de pedir desculpas, mas agora sou Derek, eDerek não fez nada de errado. Pelo menos ainda não.
  • 29. ***ELLEN:Paddy foi irritantemente Derek o dia todo. Nós filmamos algumas cenas noquarto onde Meredith aborrecia Derek praticamente até a morte perguntandocoisas sobre a vida dele. Ambos, Paddy e Derek, fugiam às minhasperguntas, como os merdinhas que são. Eu nunca soube que uma pessoapoderia se esconder atrás de sua personagem, a fim de evitar perguntaspegajosas sobre seu próprio personagem, mas de alguma forma ele consegueisso. Acho que agora eu sei melhor! Todas as cenas de cirurgia acontecerão napróxima semana, quando os atores convidados chegarão. Mas esta noitevamos ter uma filmagem em um pedaço de terra onde Derek tem um trailer.Um neurocirurgião de renome mundial vive em um trailer? Oras.Meu cabelo e minha maquiagem já foram feitos no estúdio, então estou prontapara ir. Tivemos de esperar um tempo para que escurecesse e pudéssemosfilmar a cena. Você sabe como o por-do-sol é tarde em uma noite de verão naCalifórnia? Pense nisso. Estou de calça jeans e camisa de cor escura, mas eutenho que pegar o casaco branco e o lenço no banco de trás do carro. Essacoisa é quente! Eu acho melhor colocá-los. Ugh."Sobre o tempo que você tem aqui”. Uma voz familiar flutua até mim de dentroda escuridão do estacionamento (todos os carros da equipe estão lá). Quandomeus olhos se acostumam, eu mal posso ver um homem descansando contraum carro de cor clara. Eu via pessoas ao redor do trailer estacionado a poucospassos de distância, mas aqui estamos sozinhos. Luzes enormes estão sendomovidas para simular uma lua cheia. Mas tudo que eu vejo é o esboço tênuede um homem se aproximando de mim no escuro, e eu tenho certeza de quemé.No início, tudo o que eu posso ver é a brancura do colarinho e um pequenopedaço de sua camisa debaixo de sua suéter. À medida que se aproxima, a luzdistante mostra o contorno de seus ombros e dos cabelos perfeitamentepenteados. Ele chega a poucos metros e pára, com as mãos nos bolsos, e umolhar de desculpas em seu rosto. Ele pode estar vestido com as roupas deDerek, mas seu rosto é todo Patrick.”O quê? Você tinha que tirar seu uniforme cirúrgico para pedir desculpas?”Pergunto baixinho, mas com uma pequena risada.Os cantos dos lábios dele relaxam em ambos os lados, e eu posso ver que ascoisas voltaram ao normal. Ele embaralha um pouco os pés, como se estivessedançando, e eu percebo que ele faz isto quando está desconfortável."Como você sabia?” Suas faces ficam um pouco vermelhas. Suas mãos ficamnos bolsos."Que você mentiu para mim, você quer dizer?" Eu pergunto."Sim". Ele responde com uma vozinha aprofundando as mãos em seus bolsos.
  • 30. "Você tem um carro muito distinto, você sabe”. Eu falo com um pouco de brilhonos meus olhos.Ele processa as informações, e os cantos de seus lábios sobem ainda mais,talvez até mesmo dentro de uma parcela mínima de um sorriso verdadeiro."Sim”. Ele diz e retrocede até o carro mais próximo. Ele não olha para mim, eleolha para seu pé batendo na borracha E então ele ri. Ele ri de si mesmo.”Isto não precisa ficar estranho, você sabe”. Digo no meu melhor tomconciliatório."Não?” Ele pergunta quando ele levanta a cabeça para olhar para mim.Eu sorrio como uma rainha sorriria para um de seus súditos e digo de formasimples e suave, “Não”.Ele sorri para mim de acordo, e com um alívio óbvio. Eu sei que não deveriaperguntar, as coisas estão precárias ainda, mas algo me faz verbalizar, "Então, por que?”"Por que o quê?” Ele pergunta com o mesmo sorriso flexível que ele me temdado nos últimos dois dias.Mas eu continuo. "Por que você mentiu?”Ele olha para baixo de novo, ainda segurando as duas mãos nos bolsos, e diz:"Você sabe o porquê”.Na última palavra ele levanta os olhos para mim e minhas suspeitas seconfirmam. Eu não sei o que ele lê na minha cara, mas eu tenho certeza deque ele lê a mesma coisa no meu rosto que eu vejo no seu: reconhecimento.Mas isto é tudo o que poderia ser, assim eu falo, "Sim, eu pareço estarcanalizando bastante a Meredith ultimamente também.Eu vejo uma série de emoções passar em seu rosto, mas eu não poderia dizero que eram. Surpresa, decepção, descrença: elas estão todas lá. E aceitaçãoem seguida. Oh, aceitação. Quem é o mentiroso agora?Nós acenamos com a cabeça um para o outro e sorrimos com o nosso novoentendimento. Nós andamos por todo o gramado até a iluminação de palco, esomos novamente Meredith e Derek. Eu escuto seu discurso de como o nomede solteira de sua mãe é Maloney, que tem nove sobrinhas, que gosta depescar, etc etc Tudo o que tenho a fazer é ficar lá ouvindo esse discursobonito. Seus olhos brilham quando ele diz as palavras e isto é bonito. Seurosto, seus olhos, a noite, as palavras, tudo isso é bonito. E esta noite, voufingir que tudo que esse homem bonito está dizendo é para mim. Minhas mãosformigam, quando ele as toma para nós caminharmos na direção do trailer,mas eu nunca vou contar isso para ele. Isto tudo trata-se de mim.
  • 31. Na manhã de domingo, Chris e eu fomos até a casa de Patrick para um café damanhã reforçado a pedido de uma mensagem de texto singelamenteformulada. Nós sentamos e apreciamos o pão francês que Paddy faz na grelhada churrasqueira, com os gritos de T flutuando em torno da piscina. Paddy eChris conversam sobre esportes, enquanto eu e Jill conversamos sobremaquiagem. Nenhuma menção é feita sobre os cafés da manhã, porque istodeve ser esquecido. Um domingo perfeito. Um domingo com amigos. Pelomenos, é assim que eu gosto de lembrar.**********************************PATRICK:Então aqui estou eu no programa Regis and Kelly. Eu sou esse suposto médicoquente em um seriado, e ainda estou fervendo de emoções. Na superfície, euestou em êxtase. Estou aqui em Nova York, com minha esposa e filha,promovendo a série que me deu novo impulso na carreira. Toda semana, aaudiência da série parece aumentar. E eu não sei o que fazer com isso. Porque esta série? Por que este grupo de pessoas? Por que agora? Depois deanos e anos de praticamente nada, então um falso recomeço com Sweet HomeAlabama, e agora isto? Eu não podia entender isso.Eu posso ouvir Regis anunciando-me como ator da ABC, um médico quente.Escuto meu nome sendo chamado e então eu estou dentro. Oh meu Deus, opúblico está cheio de mulheres gritando descontroladamente. Eu dou-lhes umsorriso constante, e meu peito enche-se com a apreciação. Não podia fazernada além de sorrir e acenar, mas eu estava me pavoneando um poucotambém. Sob o ruído ensurdecedor de tantas mulheres gritando, eu agitavaminhas mãos.
  • 32. Eu sutilmente ajusto o meu casaco. Os gritos mantêm-se continuamente. Éagradável se sentir apreciado. Eu não vou mentir. Em alguns aspectos, agritaria é agradável. Isto certamente é bom para o meu ego. Mas por outrolado, eu só quero parar e perguntar-lhes se eles e eu estamos realmentevendo a mesma pessoa no espelho."Uau”. Digo com grande surpresa e me viro para Regis.Regis olha para mim com um olhar que diz ‘você é um sortudo de uma formaque me faz odiar você oh tanto’. Kelly ajuda o processo, oh, muito, quando mediz, "Todas as garotas estão desmaiando, todos produtores estão desmaiando.Está todo mundo desmaiando”."Não é ruim, né?” Regis fala."Isso é muito bom. Estou muito feliz. Obrigado”. Eu respondo. O que mais eupoderia dizer?"Alguém disse que você era como um sorvete”. Kelly fala. Oh, meu Deus, o queela espera que eu fale? Eles querem lamber-me? Eu me sinto adulado, noentanto. Melhor ser honesto."Está bem, eu não sei como responder a isso”. “Eu respondo com sinceridade,com uma risada tipo zurro de burro que só sai quando eu estou extremamenteembaraçado.Regis felizmente transforma a conversa sobre a vinda para NY, como foi aviagem de avião, mas minha mente não está pensando sobre estas questões.Eu converso sobre Tallulah, falo que tivemos que esperar duas horas parapegar nossas malas, que Tallulah não ficou muito feliz com isso. Falo algumashistórias sobre a criação dos filhos e corridas. Coisas chatas, realmente. Seráque as pessoas realmente querem ouvir sobre esta coisa?É só quando Regis começa a falar em GA, que os acontecimentos de ontem ànoite começam a se intrometer.”Atualmente, ele é um médico cirurgião famoso que está tendo um caso comuma jovem interna”.Encontro-me segurando a minha perna esquerda por cima da outra,descansando no banco, balançando um pouco na memória de todas aquelascenas que eu filmei com Ellen. São todas as lembranças felizes, então eurelaxo na minha cadeira e espero pelo que vem a seguir."Sim”. Eu respondo, apenas para ser educado. Acho que devo deixá-loprosseguir."Espero que isto não volte para assombrar você”. Ele joga com umaquantidade alarmante de destreza.
  • 33. "Uh”. É só o que eu respondo. Eu sei o que está prestes a acontecer, masninguém mais sabe. Eu estou com medo da leitura conjunta no set, quando euvoltar. "Vamos ver o que acontece no próximo ano”. Eu respondi não tãosuavemente.Regis entende minhas reticências. Ele sabe que eu não posso dizer nada. Sóespero que Ellen seja tão indulgente. Eu queria dizer a ela, mas Peter foiinflexível sobre este assunto. Algo sobre querer reações realistas para ascenas. Se ela soubesse que a esposa de Derek estava chegando, ela poderiaatuar de forma diferente. Ele apenas me disse por causa da minha atração porEllen. Minhas reações eram muito menos importantes do que as dela, poiscomo um personagem eu teria sabido de qualquer maneira. Dizer que fiqueisurpreso que Derek era casado teria sido o eufemismo do século, mas euestava começando a entender a genialidade de tudo. Como um ator. No ladopessoal, eu não queria estar perto de Ellen quando ela descobrisse."E ela, por sinal, parece Renee Zellwegger”. São os comentários de Kelly.Eu não acho isto de jeito nenhum, mas eu concordo apenas para jogar bonito."Eu posso ver isto”. Eu respondo. Mais tarde, quando eu assisti a fita, eu mepeguei lambendo os meus lábios naquele momento. Nem tinha percebido queeu tinha feito isso na época. Talvez o meu corpo estivesse inadvertidamenteme traindo?"Ela tem uma grande beleza por trás de seus olhos. Isto é algo que é realmentemuito mágico”. Encontro-me dizendo involuntariamente. Eu percebo aenormidade de minhas palavras um pouco tarde demais, porém, eu tentodespistar dizendo, “Ellen Pompeo é o seu nome”.Perguntam-me mais sobre o que eu espero que aconteça no episódio piloto dasegunda temporada, mas minha mente ainda está nos olhos mágicos de Ellen.
  • 34. ***Ela parece triste. Esse foi o primeiro pensamento que eu tinha tido enquanto eume sentava para jantar. Todo o elenco e alguns produtores e escritores,Shonda, Betsy, Peter, Krista, James e Mark inclusive, tinham decididoaproveitar a oportunidade de estar perto de alguns dos melhores restaurantesdo mundo para comemorar o sucesso da série. Nós estávamos ali parapromover a série no front da ABC. A maioria do elenco estava neste jantarfestivo para comemorar o sucesso da série, e você tinha uma receita para umanoite estridente.O restaurante é lindo de uma maneira que eu acho bem legal e um poucopretensioso, tudo ao mesmo tempo. As paredes são de um tom castanhochocolate, o chão de uma noz rústica, e o tecido de malha castanha de marfime marrom. Apropriadamente, ele foi chamado ‘Wild Salmon’. Ellen e eu nos sentamos no final de uma longa fileira. Há quinze de nós, porisso, ocupamos todo o espaço. Sento-me de costas para a cabine, Ellen está àminha direita, e Sandra Oh na minha frente em uma cadeira. Peter, Shonda,Betsy, e Krista dividem uma mesa ao nosso lado com Mark, Parriott James,James Pickens, e Isaiah que compõem a mesa depois disso. E ao longe, osmembros mais jovens do grupo Katie, TR, Justin, e Chandra.
  • 35. O restaurante está quase vazio, pois é muito tarde para os padrões dorestaurante. Mas a maioria dos nossos estômagos ainda estava na hora doPacífico, por isso, fomos jantar. Algumas pessoas ainda estavam em algumasmesas restantes, mas só vejo Ellen com um olhar perturbado.O seu vibrante sorriso está ausente, substituído por uma linha dura. O brilhosempre presente em seus olhos está desativado. Mesmo os cabelos onduladosparecem estar um pouco caídos e sem seu brilho habitual. Ela sorri e brincajunto com a conversa, mas ela pega sua colher em volta de sua comida,distraidamente movendo-a aqui e ali, sem nada realmente comer. O maispreocupante de tudo era que seus olhos de esmeralda pareciam ter absorvidoo cinza, a cor de seu personagem homônimo "Grey" e se assemelham mais aooceano de um dia nublado do que o habitual turquesa brilhante.Sandra tinha percebido isto também, mas sempre que a questão era levantada,ela dizia, “Estou apenas cansada”. Eu já ia provocá-la novamente sobre agrande carranca em seu rosto, quando Katie e TR, de repente aparecem nanossa mesa e Katie diz, “Ei, gente nós estamos indo para algum clubedançante. Vocês estão dentro?”"TR dançando?” Sandra brinca com um sorriso bem-humorado em seu rosto.TR envia punhais falsos com os seus olhos, para Sandra, dizendo: "Claro, evocês dois?” Disse se virando-se para mim e Ellen.Naquele momento, todos os produtores e escritores em conjunto levantam-se
  • 36. de seus lugares. O barulho de uma meia dúzia de pessoas levantandoaumenta o quociente de ruído, enquanto Peter coloca sua mão no ombro deTR diz: "Vocês, jovens, devem se divertir. Nós homens de idade temos umshow business para cuidar. Além disso, eu não acho que o meu fígado serecuperou de meus próprios dias de juventude nos clubes dançantes”.Ok, agora me sinto muito velho. Na minha juventude, eu era responsável porum desses horríveis filmes de dança dos anos 80. Eu não acho que Jill seimportaria se eu saísse com os membros da minha série. Eu poderia apenasparar para uma bebida e depois voltava mais cedo. Senti-me mal em terdeixando Jill sozinha com Tallulah quando eu vim para esse jantar, mas Testava cansada com a viagem de avião e Jill queria que ela descansasse osuficiente para ir em todas as atrações turísticas.Mas Ellen me salva. "Você sabe, eu não estou me sentindo muito jovem hoje.Porque vocês não vão indo?”"Sim, eu também tenho que levantar cedo. Eu vou levar Jill e Tallulah para umpasseio cedo”. Eu digo.Todos os outros encolhem os ombros para nós e felizmente seguem em frente.Cara, até mesmo Chandra e JPJ estão indo? Talvez eu deva mudar meupensamento só para ver James na pista de dança. Mas quando eu me viro evejo os olhos umedecidos de Ellen, fico feliz com minha decisão."Você caminharia comigo até o hotel?” Pergunto, invertendo a ordem natural docavalheirismo.Recebo um sorriso verdadeiro dela, por isso fico feliz. Ela pega sua bolsamarfim de cima da mesa, que combina com seu longo pescoço que apareceatravés do V da gola da sua blusa de mangas compridas, e se levanta. Eu asigo e nós andamos juntos atrás do grupo que agora está falandoanimadamente sobre exatamente aonde eles vão. A van que nos trouxe atodos aqui do hotel espera lá fora para nos levar para onde quisermos ir, masEllen e eu decidimos andar.“Então, fale, o que está acontecendo?” Exijo após estarmos no meio doquarteirão."O que você quer dizer?” Ela responde, mas sem negar muito. Eu posso dizerque ela não quer falar a respeito do assunto."Oh, vamos lá, você pode me dizer. Você esteve tristinha todo o jantar e nemmesmo quis sair com a Sandra. Você adora sair com a Sandra! E perder ochefe dançando? Tsk, tsk. Então, anda, extravase”.Ela me dá um olhar duro, e eu posso ver as rodas girando dentro da cabeça,pensando se ela vai me dizer ou não. Humm, geralmente ela não tinhaproblemas em me contar as coisas. Eu me pergunto o que a deixou tãochateada.
  • 37. Então, ela sorri e diz: "Você também não está indo dançar”."Sim, mas eu sou um homem velho. Eu sou casado e tenho uma filha e muitoscabelos brancos. Homens da nossa idade gostam de corridas e de vertelevisão em nosso hotel, em vez de correr a noite bêbado”. Eu respondo comum ar de sabedoria.Ela cintila de volta para mim e responde, "Ah, sim, eu tinha me esquecido quea Indy é daqui a duas semanas. Como eu poderia ter esquecido?”Sim, ela certamente me conhecia bem. Mas ela estava tentando evitar apergunta, assim eu voltei a ela, “Mas isso não tem nada a ver com isso quevocê não quer me contar”."Eu apenas não me sinto bem”. Ela responde vagamente.Eu sei disso, mas não estou disposto a deixá-la descansar. Eu amo como asruas têm todas essas luzes brancas ao redor de cada árvore no centro dacidade, assim parece que as ruas têm uma qualidade do mundo de contos defadas. A noite é quente o suficiente para fazer casacos e suéteresdesnecessários, mas não está tão quente a ponte de você suar. Não estáventando, por isso o ar está calmo e quieto. Vozes passam e as conversas vãoe vêm, mas a sensação é a de estamos os dois sozinhos na noite de NovaYork.Ela sorri e me diz, "Além disso, você não tem cabelo grisalho”."Eu odeio dizer isso, mas eles têm essa coisa chamada tintura de cabelo. Naverdade, eu sou completamente careca. Isto é uma peruca”.Meus comentários fazem-na rir ainda mais, e eu sou recompensado por parteda luz vir de volta em seus olhos. Mas então algo deve entrar em sua mente,porque eles escurecem novamente e olhando em volta vi que estávamos emuma praça. Eu a sento em um banco da praça. "Ok, você vai me deixar loucose você não me contar. Alguma coisa está, obviamente, te incomodando”.Ela corajosamente se senta e solta um suspiro enorme. Ela olha para asunhas, mas depois deixa as mãos em seu colo a olha para mim. "Tive umagrande briga com Chris”.Oh, bem que fazia sentido. Não é o que eu estava esperando, mas eu continuocom isto. "Sobre o que?” Pergunto no meu melhor modo de bom amigo. Eu atécruzo uma perna sobre a outra e expresso a minha total atenção.Ela olha para as pernas cruzadas, mas depois hesita. Eu estava a ponto dedizer algo mais, quando ela responde, " Foi sobre você, realmente”.Isso faz-me sentar um pouco mais reto. Eu tenho um pressentimento sobre oque isto possa ser, mas eu não estou prestes a tirar conclusões precipitadas."Eu? O que sobre mim?”
  • 38. "Bem” ela responde com alguma hesitação. "O episódio The Self DestructButton passou na TV outro dia”.Minha mente acelerou com a sua declaração. Qual foi este episódio? Esse foium com o George e o anestesista. Ele estava zangado comigo por causa deum anestesista ..... Oh”.“Ele viu a cena do quarto, não viu?” Eu pergunto com uma nova compreensão.“Sim”. Ela responde com um suspiro ainda maior. Mas então ela diz: “Eleapenas não entende que eu estou só atuando! É meu trabalho! O que ele querque eu faça, que eu abandone a série?”“Eu não sei se é isso que ele quer”. Digo-lhe com toda a honestidade. Achoque eu deveria ter sabido que isso ia chegar mais cedo ou mais tarde. Jill e eutínhamos discutido a mesma coisa sobre Reese Whitherspoon em Sweet HomeAlabama. Cara, eu poderia lembrar as brigas.“Eu disse a ele que isso não significa nada”. Ela reitera.“Este não é o ponto”. Eu digo quando eu tento pensar no ponto de vista deChris. Eu provavelmente ficaria chateado também se minha mulher estivessesendo paga para rolar na cama com outra pessoa. Inferno, eu fico chateadocom Ellen beijando Chris às vezes quando não estava fingindo ser Derek o diatodo!“Então, qual é o ponto?” Ela pergunta em frustração.Eu olho para seus traços obviamente incomodados e frustrados e não meajuda nada pensar o quão bonita ela é. Inferno, acostume-se com isso, Patrick!Cerrando os punhos, ela diz, “Quero dizer ele simplesmente não querentender”.Mas então, ela diz algo muito perigoso, que me transforma: Quero dizer, eupoderia beijar você agora e nada aconteceria. Você não acha?”Eu pisco de surpresa e tento não reagir. Eu não sabia se era somente bravatada parte dela, mas nós já não havíamos passado por isso? E ela me disse quequalquer reação de sua parte era porque ela ficava muito no seu personagem.Isto era algum tipo de teste?“Humm, sim”. Eu me atrapalho um pouco. Eu concordo. “Somos pagos parafazer isto. Eles apenas não entendem isso”.Nós não tínhamos reconhecido que tivemos algum tipo de atração um pelooutro, não tínhamos? Aquela noite no trailer de Derek, parecia que ela sabiado que eu estava falando. Eu não queria dizer aquilo para ela, mas ela meperguntou diretamente e eu tive que responder. Mas ela veio com umadesculpa de que nós ficávamos muito presos em nossos personagens, e eu
  • 39. fiquei bem com isso. As coisas tinham sido tranqüilas entre nós desde então.Então, por que ela estava fazendo isso agora?"Bem, eu acho que devemos fazer isto”. Ela declara corajosamente."O quê? Pergunto em completa surpresa. Ela está realmente dizendo o quepenso que ela está dizendo?"Acho que devemos nos beijar agora. Sem câmeras, nem nada. Isto vai nosmostrar que não temos nada a ver”.Eu olho para ela como se ela tivesse perdido a cabeça."Então, se nós nos beijarmos fora das câmeras, como Patrick e Ellen, vocêacha que isso vai provar que nós não sentimos nada um pelo outro?”"Sim”. Ela responde com um aceno de cabeça determinado e só olha para mimcomo se estivesse esperando que eu falasse alguma coisa.Humm. Eu devo ter perdido a cabeça também porque isto realmente soa comouma boa opção. Se eu beijá-la agora e não sentir nada, isto significa que todasessas coisas que tenho sentindo por ela é realmente apenas esta imagem queeu tenho construído a partir de Derek e eu estou levando o meu trabalhodemasiado a sério. Ela quer provar a Chris, e para ela mesma, que isto nãosignifica nada. Mas isso não significa nada? O que significaria se eu sentissealguma coisa? Eu quero mesmo saber o que isso significa?Eu olho em seus olhos e os vejo escuros novamente. Era disso que se tratava.Ela está duvidando de si mesma. Ela precisava que isso não significasse nada,tanto como eu precisava. Eu daria qualquer coisa para ter a luminosidade devolta em seus olhos. Eu vou fazer isso. Eu tenho que fazê-lo. Para ela, paramim, eu tenho que provar que isso não significa nada.Nós olhamos um para o outro em silêncio. Eu posso ver que ela pode ver queeu vou fazer isso. Isto não significa que será mais fácil me dobrar para a frentee realmente tocar seus lábios com os meus. Há muita coisa sobre isso, e nósdois sabemos. Ela põe a mão desajeitadamente na lapela do meu casaco e seinclina para a frente. Minha perna ainda está atravessada uma sobre a outra, enão me atrevo a mexê-la. Ela move seu rosto para mais perto do meu, e eu mesento rigidamente olhando para os lábios grossos dela. Ela coloca sua outramão no outro lado do casaco e meu rosto se move involuntariamente para afrente. Quando nossos lábios estão a poucos milímetros um do outro, meuúnico pensamento é que este é o melhor trabalho.O que eu senti quando meus lábios tocaram realmente os dela? Comocomparar este momento com o elevador ou no despertar na casa de Meredith?Eles eram macios e eles eram flexíveis, hesitantes, mas firmes. Assim comotodas as outras vezes que se encontraram, eles estremeceram. Pequenoschoques passaram pelo meu corpo quando eu ampliei meus lábios epressionei os dela sem mover. A resposta que eu tinha era como um espelhodelicado da minha própria. Um movimento infinitesimal de ar quente e os lábios
  • 40. sensíveis. Eu custo a segurar um gemido que vinha de dentro de minhagarganta, então eu me afasto, com medo de que se eu não o fizesse agora, eunão seria capaz de dar credibilidade à mentira que eu devo dizer agora.Voltamos a uma distância segura, e ela tira as mãos de minha lapela. Meupeito sente-se infeliz, ainda sentindo o toque de seus pequenos dedos."Então?” Ela pergunta. A pergunta mais importante.Eu finjo e respondo, "Não, eu não senti coisa alguma. E você?”Ela suspira e concorda com um enorme, "Não”.Coloco minhas mãos em meus joelhos para mantê-las longe de qualquer coisaou de pegá-la em meus braços de novo. Eu era um mentiroso. Eu senti a coisamais distante possível do que nada: eu senti tudo. Desta vez tinha sido melhore mais completo e mais forte do que qualquer outra vez. Talvez fosse porquedesta vez não houvesse outras pessoas assistindo, sem poses ou falas. Euestava na merda. Mas eu não podia fazer isso com ela. Eu não podia fazer issocomigo ou a minha família. Então eu menti.***