Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”  ...
Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010partir de um presente, recortes parciais de uma época,      da afetividade (sen...
Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”  ...
Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010                                               Tabela 1 Imagens de Cruz–CE (amb...
Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”pe...
Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010                                                   Figura 3                  Ín...
Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”  ...
Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010O jovem, que comumente é um ser questionador, traz          relaciona-se, també...
Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”so...
Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010Costa, J. F. (2004). O vestígio e a aura. Rio de Janeiro: Gara-      2ª. revisã...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Juventude e afetividade - tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos

787 views
704 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
787
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
6
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Juventude e afetividade - tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos

  1. 1. Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos” JUVENTUDE E AFETIVIDADE: TECENDO PROJETOS DE VIDA PELA CONSTRUÇÃO DOS MAPAS AFETIVOS YOUTH AND AFFECTION: MAKING PROJECTS OF LIFE USING THE CONSTRUCTION OF AFFECTIVE MAPS Daniela Dias Furlani e Zulmira Áurea Cruz Bomfim Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, BrasilRESUMOA pesquisa teve como objetivo analisar projetos de vida de jovens de ambientes rural e urbano no Ceará, a par-tir da afetividade em relação ao ambiente do qual fazem parte. Participaram da pesquisa 38 jovens de ambosos sexos. Para apreensão dos afetos, utilizou-se o método dos mapas afetivos e para questões relacionadas aoprojeto de vida foram utilizadas entrevistas. A análise dos dados qualitativos foi realizada por meio da análisede conteúdo e de uma análise estatística complementar. O fato de alguns jovens morarem em ambiente rural eoutros em ambiente urbano não diferiu completamente seus projetos de vida. Jovens do ambiente rural tendema buscar mais cedo trabalho. Jovens do ambiente urbano apresentaram queixa em relação à violência urbana.Conclui-se como sendo necessária a disseminação de práticas sociais que visem um posicionamento crítico dosujeito diante das questões sociais.Palavras-chave: mapas afetivos; projeto de vida; psicologia ambiental; juventude; ambiente urbano-rural.ABSTRACTThe goal of this research was to analyze the life projects of adolescents from rural and urban areas in the Stateof Ceara, taking into consideration their emotional bonds to the environment to which they belong. The samplewas comprised of 38 male and female adolescents. The method of affective maps was used to assess emotions,and interviews were used to tap into participants’ life projects. Content analysis and statistical analysis wereused to interpret the qualitative data. Living in urban or rural areas did not make a difference on adolescents’ lifeprojects. Those of rural areas tend to seek work earlier in life. Those of urban areas presented concerns regard-ing urban violence. In conclusion, the wider use of social practices is necessary. Such practices ought to offer acritical position toward social concerns.Keywords: affective maps; life project; environmental psychology, adolescence; urban-rural environments. Introdução e evolutivo, dentro de uma lógica desenvolvimentista, em que a infância é o início do trajeto, passando pela A Psicologia Social de base histórico-cultural juventude até a fase adulta. Considera que o modoconcebe o homem como um indivíduo inserido em como essas teorias concebem uma fase da vida, peloum contexto histórico que é dinâmico, processual e desenvolvimento, prioriza o vir a ser, e não a dimensãomediado por relações sociais. Tal enfoque pretende um presente, contextualizada, no aqui e agora. Tais teoriasdirecionamento crítico e reflexivo, que vai contra os desenvolvimentistas consideram a infância e a juventu-postulados positivistas que naturalizam os fenômenos de como fases necessárias para se alcançar a fase adulta,humanos e sociais. Muitos dos estudos e pesquisas em fase esta que é a central, pois as primeiras fases ficampsicologia tratam do jovem e de fenômenos peculiares convencionalmente estereotipadas com a imagem daa essa fase de vida, a partir de uma concepção natu- imaturidade e irresponsabilidade. Castro (2001) refleteralista e universal. Isso acaba por produzir rotulações uma nova perspectiva: “que se rende à razão desenvol-referentes à juventude, que levam à ideologização nas vimentista, mas que aposte na emergência do novo e doconclusões dos estudos. imprevisível” (p. 28). Essa posição acolhe as diferenças, Castro (2001) aponta para uma posição de inves- a alteridade, aquilo que não está previsto, normatizado,tigação que abre mão do enfoque normativo, sequencial que não pretenda a previsão do futuro. Referencia, a50
  2. 2. Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010partir de um presente, recortes parciais de uma época, da afetividade (sentimentos e emoções) em relaçãosem a presunção de assumir a configuração de teorias às localidades das quais fazem parte. Ou seja, qual aque deem conta de uma totalidade. relação que as escolhas, anseios, metas e desejos, que Tomando como base essa forma de entender a conferem sentido de vida aos jovens, podem ter com osjuventude, buscamos neste estudo a compreensão de sentimentos e emoções que os mesmos têm em relaçãoaspectos relevantes da afetividade de jovens de duas ao lugar em que moram. Investigamos se característi-realidades distintas: os jovens de um ambiente rural do cas de cada ambiente (rural e urbano) influenciam nainterior do Ceará e os jovens de ambiente urbano em construção e escolha dos projetos de vida. Dessa forma,Fortaleza-CE. Relacionamos a afetividade (sentimen- fazemos uma comparação entre os projetos de vida detos e emoções) dos jovens com relação ao lugar onde jovens de ambientes distintos.moram e com o projeto de vida desses sujeitos. Ao partirmos da perspectiva histórico-cultural, te- Objetivosmos como concepção de homem um ser que, ao mesmotempo, é produto e produtor da história. O fenômeno Fundamentamos-nos na investigação da afe-que propomos investigar, que se volta para a questão tividade (sentimento e emoções), evidenciando odo projeto de vida de jovens, está envolto por uma caráter social das emoções. Para tanto, tivemos comorealidade objetiva vivida pelos indivíduos e também objetivos:por uma dimensão subjetiva de homens históricos. As Geral: Analisar os projetos de vida de jovens dedimensões (objetiva e subjetiva) não se excluem, mas ambiente rural no município de Cruz (CE) e de jovenssim dialogam entre si. de ambiente urbano em Fortaleza (CE), a partir da Consideramos, portanto, o homem como sujeito afetividade (sentimentos e emoções) em relação àssocial que, imerso em relações sociais, tem a possibi- localidades das quais fazem parte.lidade de ir se desenvolvendo, estabelecendo trocas Específicos: Identificar projetos de vida de jovensconstantes com o meio em que se encontra e com ou- do ambiente rural e urbano. Investigar como os ambien-tros sujeitos. Esses indivíduos são possuidores de uma tes urbano e rural podem influenciar na construção dosreferência cultural e histórica peculiar que influencia projetos de vida de jovens. Verificar se existe algumasuas formas de sentir, pensar, agir e ser. Essa cultura relação entre intenção de migração de jovens do meioé entendida como um resultado da atividade humana, rural e urbano com seus projetos de vida.que se configura em um meio social que modifica e émodificado pelo homem, estabelecendo-se assim umaunidade dialética (Freire, 1980). Partindo da concepção Procedimentos metodológicosde Lane (1994), que afirma que “Emoção, linguagem epensamento são mediações que levam à ação, portanto Em termo de profundidade, o estudo será dosomos as atividades que desenvolvemos, somos a cons- tipo exploratório, de referência transversal, quanto aociência que reflete o mundo e somos a afetividade que tempo de execução, e terá como perspectiva o modeloama e odeia este mundo” (p. 62), buscamos priorizar a de investigação humanista-interpretativo que, segundoidentificação dos sentimentos dos jovens relacionando- Almeida e Freire (1997), comumente é designado deos com suas experiências de vida, a partir do ambiente investigação qualitativa.onde vivem, e com seus projetos de vida. A amostra do tipo intencional foi composta por Nossa pesquisa foi realizada com dois grupos de procedimento não-probabilístico, conforme os seguintesjovens. Os jovens de cada grupo foram indicados por critérios de especificação da população: sujeitos jovenslíderes comunitários de cada região. Um dos grupos foi (entre 13 e 19 anos), de ambos os sexos e indicados porcomposto por jovens que vivem em um ambiente rural um líder da comunidade.litorâneo, em Cruz, município localizado ao norte do O grupo de jovens do ambiente rural foi compos-estado do Ceará. O município se encontra a 243 km da to por moradores do município de Cruz-CE, indicadoscapital (em linha reta), tem uma área de 334,83 km2 e por uma integrante da Associação dos Moradorespopulação de 23.000 habitantes. Já o outro grupo foi do Córrego das Panelas (AMCP). Alguns tinhamformado por jovens que vivem em um meio urbano, estudado na Escola Família Agrícola, outros não. Jána cidade de Fortaleza. Procuramos analisar essas duas no grupo do ambiente urbano, foram sujeitos jovensrealidades de vida (rural e urbana) por considerarmos que fazem parte do Movimento Encontro de Jovensrelevante entender as relações entre fatores ambientais, Shalom (MEJSh), moradores dos bairros: Joaquimpsicossociais e projeto de vida. Távora Pio XII, São João do Tauape, Monte Castelo, Neste trabalho, buscamos analisar o projeto de São Gerardo, Parquelândia, Ellery, Rodolfo Teófilo evida dos jovens do ambiente rural e urbano a partir Barra do Ceará. (Ver figura 1) 51
  3. 3. Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos” Figura 1 O instrumento gerador dos mapas afetivos é Mapa Geográfico do Estado do Ceará composto pelos seguintes itens: desenho, significado do desenho, sentimentos, palavras sínteses e categorias da escala Likert. Inicialmente, solicita-se um desenho que represente a forma do sujeito ver e sentir o lugar onde mora. Segun- do Bomfim (2003), o desenho permite uma deflagração das emoções e sentimentos. Em seguida, solicitamos o significado do desenho, que é o momento em que o indivíduo explicará o que quis representar com o dese- nho. Logo depois é solicitado do sujeito que expresse e descreva os sentimentos suscitados a partir do desenho. Posteriormente, sugerimos que sejam escritas palavras sínteses, e o sujeito tem a oportunidade de resumir ainda mais os sentimentos evocados a partir do desenho. O respondente elenca seis palavras sínteses que podem variar entre sentimentos, substantivos ou qualidades que o indivíduo atribui ao seu desenho. Depois, indagamos ao respondente: “caso alguém lhe perguntasse o que pensa sobre o lugar em que mora, o que diria?”, como também: “se tivesse que fazer uma comparação do lugar, com o que compararia?”. Seguimos com algumas perguntas de identificação do respondente, como idade, sexo, ambiente em que mora (rural e urbano) etc.FONTE: http://www2.ipece.ce.gov.br/atlas/capitulo1/11/132.htm Por fim, temos as categorias da escala Likert. Essas categorias correspondem a afirmações que seInstrumento gerador dos mapas afetivos baseiam em dimensões levantadas no momento do pré-teste, voltadas para a avaliação dos sujeitos em uma Esse instrumento metodológico busca acessar os escala de 0 a 10. Tais afirmações podem se enquadrarsentimentos por intermédio de desenhos, metáforas e em distintas dimensões, como a de Pertinência (senti-palavras, direcionando uma compreensão da relação da mentos, emoções ou palavras de identificação com opessoa com o entorno físico. Bomfim (2003) reconhece lugar); Contrastes (sentimentos, emoções e palavraso desafio que é trabalhar com emoções e sentimentos. que se contradizem); Agradabilidade (palavras queFundamentada em Vigotski (2001), considera os afetos demonstram sentimentos de vinculação ao lugar ondecomo parte do subtexto da linguagem. Para entendermos os jovens moram em relação às qualidades positivas);o pensamento de uma pessoa, torna-se necessário enten- Insegurança (sentimentos e palavras que envolvemdermos sua base afetivo-volitiva. Entendemos, então, situações inesperadas, instáveis e até negativas).que os mapas afetivos podem ser um caminho paraalcançar o sentido que está velado nos significados daspalavras. As metáforas, por sua capacidade de síntese Apresentação e discussão dos resultadospela analogia, também cumprem esse objetivo. De acordo com Bomfim: “As metáforas podem Levantamento dos mapas afetivosser formas eficazes de apreensão dos afetos, porque Através da análise dos mapas afetivos, encon-vão além da cognição. Seu alvo maior é a conquista tramos as imagens de Agradabilidade, Pertinência,da intimidade” (2003, p. 131). Fizemos, portanto, uma Insegurança e Contraste.adaptação do método criado por Bomfim (2003) em sua A Tabela 1 sintetiza as qualidades e sentimentospesquisa, fruto de seu doutorado, intitulada Cidade e relacionados às imagens de contraste, agradabilidade,Afetividade: Estima e construção dos Mapas Afetivos insegurança e pertinência encontradas no ambientede Barcelona e São Paulo. rural. E a Tabela 2 corresponde às mesmas imagens relacionadas ao ambiente urbano.52
  4. 4. Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010 Tabela 1 Imagens de Cruz–CE (ambiente rural) conforme as qualidades e sentimentos dos respondentes destes lugares Sentimentos doIMAGENS Qualidades do município de Cruz município de Cruz Fé, educação, tempo, beleza, natureza exuberante, diversão, Alegria, amor, felicidade, har- liberdade, simplicidade, arborização, monia, esperança, tranquilidade,Agradabilidadede vida, solidariedade, convivência, animação, orgulho, sossego, paz, acolhi-Cruz (11) verde, frutas, plantas, águas, animais, agricultura, pesca, mento, liberdade, paixão, união, paraíso, paisagem, agradável, generosidade, fé. lugar pequeno. Compreensão - briga Entendimento - brigas Paz - perigo Alegria - tristezaContraste Calmo - agitado Raiva - amorCruz (7) Miséria - prosperidade Ódio - amor Bom - ruim Tempestade - tranquilidadeInsegurança Dor, sofrimento, saudade, Túmulos, choro, morte.Cruz (1) tristeza.PertinênciaCruz (0) Tabela 2Imagens de Fortaleza-CE (ambiente urbano) conforme as qualidades e sentimentos dos respondentes destes lugares IMAGENS Qualidades do município de Fortaleza Sentimentos do município de Fortaleza Sujeira - bela Felicidade - tristeza Lixo - bela Contentamento - inconformismo Miséria - animada Angústia - alívio Contraste Doença - bela Raiva - felicidade Fortaleza (11) Dificuldade - determinismo Conscientização - decepção Dificuldade - hospitalidade Orgulho - revolta União - adversidade Segurança - insegurança Colaboração - perigo Insegurança Realidade, violência, aspiração, mudança, Medo, raiva, inconformação, angústia, revolta, Fortaleza (04) justiça, coragem. vingança, ódio, insegurança, indignação. Sem incômodo, limpeza, lazer, adrenalina, Agradabilidade Tranquilidade, despreocupação, prazer, aventura, natureza, calor humano, descontra- Fortaleza(02) alegria. ção, calor. Harmonia, fé, união, vontade de mudar o Pertinência Tranquilidade, determinação, diálogo, dedica- mundo, compaixão, amizade, colaboração, Fortaleza(02) ção, amigos. interesse. No ambiente rural, a categoria que apareceu com os jovens alegam que o local, mesmo sendo muitoum maior percentual foi a de agradabilidade (57,89%). agradável, possui problemas de administração, faltaA agradabilidade associada ao ambiente rural se deu de emprego e oportunidade para seus moradores. Emdevido às qualidades do local, que evocam sentimentos seguida, temos a categoria de insegurança (5,26%) comde bem-estar nas pessoas que lá habitam. O lugar é baixo percentual. A categoria de pertinência não aparecepermeado por lagoas e vegetação. A segunda categoria no ambiente rural pelas respostas do mapa afetivo, masmais representada foi a de contraste (36,84%), já que quando o respondente é estimulado de outra maneira, 53
  5. 5. Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”pelas frases relacionadas ao lugar (escala Likert), já sentou o mesmo percentual de 47,4% para jovens queexprime a categoria de pertinência em relação ao lugar trabalham e que não trabalham. Em relação aos jovens(rural), mas adiante retomaremos esse aspecto. Já em que corresponderam à imagem de agradabilidade,relação às imagens do ambiente urbano, a categoria de 36,8% não trabalham e 31,6% afirmam trabalhar. Acontraste teve um percentual de 57,89%. O contraste imagem de pertinência também apresentou percentuaisse deu quando os jovens associaram Fortaleza a um semelhantes: 50% tanto para os jovens que trabalhamlugar belo, agradável, porém com queixas em relação como para os que não trabalham. Já todos os jovens queà violência urbana. Logo em seguida temos a categoria corresponderam à imagem de insegurança (100%) nãode insegurança com 21,05%, depois 10,53% correspon- exercem nenhuma atividade de trabalho. Tal dado nosdendo à agradabilidade e 10,53% de pertinência. leva a refletir sobre a importância que o trabalho tem para esses jovens, principalmente os jovens de ambienteO trabalho rural, que afirmaram em seus projetos de vida um desejo A Figura 2 faz referência aos jovens que tra- em ter trabalho remunerado. Ferreira (2006) considera,balham ou não, em relação às imagens geradas nos em sua pesquisa com jovens nordestinos de um meiomapas afetivos. A diferença entre esses percentuais semi-árido, que os jovens se afastam cada vez mais donão foi estatisticamente significativa - a não ser a de trabalho agrícola, buscando estudo e trabalho para seinsegurança (p<0,001). A imagem de Contraste apre- afastarem da vulnerabilidade do pequeno agricultor. Figura 2 Índice dos jovens que trabalham ou não em relação às imagens A Figura 3 faz referência aos jovens que afirma- 73,6% não trabalham, ao passo que 26,4% trabalham.ram trabalhar ou não de acordo com o ambiente em que Já em relação aos jovens do ambiente rural, 57,8%vivem (rural e urbano). Dos jovens do ambiente urbano, trabalham, e o restante, 42,2%, não trabalha.54
  6. 6. Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010 Figura 3 Índice dos jovens que trabalham ou não em relação ao ambiente onde vivem Percebemos em nossa amostra que os jovens do O desejo de permanecer no meio em que vivemambiente rural tendem a se engajar em trabalhos mais (rural e urbano).cedo do que os jovens do ambiente urbano. No entanto, Na Figura 4 percebemos que 47,4% dos jovens dopor meio das entrevistas, eles nos revelam que esses ambiente urbano desejam permanecer morando no lugartrabalhos são informais - como ajudar a família na em que vivem, seguidos de 26,4%, que afirmaram teragricultura, trabalhos domésticos e artesanais. Nenhum em seus projetos a vontade de não continuar morandojovem afirmou ter trabalho assalariado, com direitos tra- no mesmo lugar. E o mesmo percentual, 26,4%, afirmabalhistas garantidos. Isso também ocorreu na pesquisa não saber. Em relação ao ambiente rural, a maioria dosde Ferreira (2006) com jovens de um sertão semi-árido jovens, 52,6%, não deseja permanecer morando nocearense. O trabalho investigava o desejo de ficar ou lugar onde reside. Pois, diferentemente dos jovens dopartir dos jovens em relação ao lugar em que moravam ambiente urbano, os do ambiente rural sentem falta de(Município de Tauá-CE). A autora demonstra que di- oportunidades de trabalho e emprego. Um dos respon-reitos básicos de quem trabalha com carteira assinada dentes, quando questionado sobre esse tema, responde:é um fator que influencia os jovens a buscarem outros “Eu tenho vontade de morar num município onde tivesselocais para morar (Ferreira, 2006). trabalho mais fácil”. 36,8% dos jovens do ambiente rural afirmam que querem continuar morando no mesmo lugar, e apenas 10,6% não sabem o que querem. 55
  7. 7. Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos” Figura 4 Índice do desejo em permanecer no lugar onde moram dos jovens de ambiente rural ou urbano no Ceará.Os jovens e seus projetos de vida de opções de projetos de vida, seja para os jovens do Por meio das entrevistas, pudemos perguntar aos ambiente urbano, seja para os do rural.jovens pesquisados quais seriam seus projetos de vida, A maioria dos jovens (26 entre 38 indivíduos, ose eles estabeleciam estratégias para alcançá-los, se que corresponde a 68,4%) estabelece estudar como umaachavam que tais projetos eram concretizáveis, entre estratégia para seus projetos de vida. Dos 38 jovens en-outras questões. A partir de uma análise categorial, trevistados, apenas nove (23,6%) afirmaram estabelecerdiscutimos os resultados encontrados. estratégias para alcançar seus projetos que diferissem de A maior parte dos jovens tem como projeto de apenas estudar e/ou trabalhar. Esses jovens elencaramvida concluir os estudos, fazer uma faculdade, ter um estratégias como: namorar, evitar sair, ir para acade-trabalho e/ou emprego fixo e constituir uma família. mia, escolher bem as amizades, manter contato com Dos jovens do ambiente rural, 78,9% optam por pessoas interessantes, se espelhar no modelo paterno,concluir os estudos. Tal plano é expresso por 31,5% automotivar-se através de planejamento de metas parados jovens do ambiente urbano. Alguns almejam mais alcançar crescimento pessoal, ser sincero, agregar osdo que apenas concluir os estudos do ensino médio, amigos, dedicar-se ao teatro, fazer reflexões, leituras equerendo também ingressar em uma faculdade e tra- observar as pessoas. balhar. 89,4% dos jovens do ambiente urbano queremfazer uma faculdade, ao passo que somente 36,8% dos Considerações finaisjovens do ambiente rural expressam o mesmo desejo. Osque querem fazer uma faculdade são em maior parte do É comum termos a representação da juventudeambiente urbano, já que no ambiente rural pesquisado como o “futuro da nação”. Mas será que os jovens, hoje,não existem faculdades, sendo o acesso mais difícil para têm condições de ter clareza sobre o que pretendem paraos jovens daquela região. o seu próprio futuro? A maioria dos jovens, 89%, estabelece estratégias O projeto de vida é, a nosso ver, uma questãopara seus projetos de vida. Apenas quatro indivíduos de fundamental importância na vida de qualquer serentre os 38 jovens entrevistados (10,5%) afirmaram humano que se posiciona de maneira crítica e coerentenão estabelecer estratégias para seus projetos de vida. diante de si mesmo e do meio em que vive. Tal questão,Verificamos que quase não foi constatada diversidade para os que vivem a juventude, é um grande desafio.56
  8. 8. Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010O jovem, que comumente é um ser questionador, traz relaciona-se, também, com o fato de o meio urbanoem si um grande potencial para ser o grande autor oferecer mais alternativas para o ingresso no ensinode sua vida. No entanto, as dificuldades pelas quais superior, instigando quem está perto a almejar umapassa, sejam elas de cunho individual (crises existen- participação nesses níveis mais avançados da educação.ciais, alterações de humor, modificações hormonais Ao passo que, em um ambiente rural, onde não exis-etc.) ou de cunho social (situação socioeconômica, tem faculdades e universidades, ocorre o desinteressedesigualdades sociais, crise de valores etc.), podem a partir da impressão de que esse projeto seja distanteinfluenciar na atuação consciente e planejada desse de suas realidades.jovem em sua própria vida. Na pesquisa de Matheus (2003) sobre as expecta- O fato de alguns jovens da amostra pesquisada tivas e ideais de jovens de classes populares na regiãoneste estudo morarem em ambiente rural e outros em urbana de São Paulo, foi verificado algo semelhante comambiente urbano não resultou, a partir de nossa análise, o que nos deparamos neste estudo: a falta de perspecti-em uma diferenciação completa de seus projetos de vas, que gera esforço para construir projetos de acordovida. Contudo, observaram-se influências do meio em com as referências que os jovens encontram, resultandoque residem sobre algumas características específicas na restrição de expectativas a metas mais tangíveis. Ma-de seus projetos de vida. Identificamos que os jovens do theus (2003) encontrou na fala dos jovens expectativasambiente rural tendem a buscar mais cedo o trabalho em para conquista da profissão, construção de uma famíliarelação aos jovens do ambiente urbano. Observou-se, ou estabelecimento de laços de solidariedade. Nossoainda, que esses trabalhos são, em geral, informais, sem resultado foi congruente em relação aos de Matheusa garantia de direitos trabalhistas, o que gera neles uma (2003), acrescentando a expectativa de ter trabalho.insegurança em relação ao lugar em que moram. A restrição de expectativas apontada por Matheus Percebemos uma grande queixa dos jovens do (2003) relaciona-se à limitada diversidade de projetosambiente rural sobre a dificuldade de encontrarem tra- verificada por nós no posicionamento dos jovens en-balho no lugar em que vivem. Esse fato se relaciona com trevistados, tanto os do ambiente rural quanto os doo projeto deles de pretenderem morar em outro lugar, ambiente urbano. Concordando com Matheus (2003),na tentativa de buscarem melhores oportunidades de parece existir uma relação entre condições sociais es-trabalho. Muitos afirmaram que, se não fosse por esse pecíficas de cada região e a maneira como cada um sefato, gostariam de permanecer morando lá mesmo. Já posiciona, faz escolhas e vivencia situações.em relação aos jovens do ambiente urbano, identifica- A desigualdade econômica que impera atualmentemos uma queixa em relação à violência urbana, à qual em nossa sociedade leva à exclusão social, que é ex-estão cada vez mais expostos, gerando sentimentos de perimentada pelos jovens como ameaça que fragilizacontraste em relação ao lugar que habitam. Ao mesmo seus projetos de vida. Tanto os jovens do ambiente ruraltempo em que gostam do lugar, devido a suas carac- quanto os do ambiente urbano pertencem a classes so-terísticas atrativas (praias, clima quente, hospitalidade ciais economicamente mais desfavorecidas. Foi comumdas pessoas etc.), sentem-se mal com assaltos, crimes encontrar falas semelhantes nos jovens do ambientee violência. A violência urbana que amedronta - não só urbano e rural que expressavam a falta de criatividadeaos jovens - provoca um sentimento de desconforto, e motivação para projetar planos objetivos e metasmedo, insegurança, que leva a uma certa imobilização diversificadas para suas vidas.das pessoas em geral. Os jovens, foco específico desta Identificamos uma séria restrição de possibilida-pesquisa, expressaram muitas vezes o fato de não des. Uma resposta a isso talvez seja a tendência, encon-conhecerem verdadeiramente sua cidade por causa do trada em nossos resultados, de o jovem viver o seu pre-medo de transitar pelas ruas. Diferentemente dos jovens sente imediato, sem tecer muitas reflexões e indagaçõespesquisados por Almeida e Freire (2003), que demons- sobre sua vida. E quando as faz, restringe os projetos aotraram ter um estilo de vida em que se deslocam conti- que lhes parece mais possível de conquistar – profissão,nuamente nos espaços de sua cidade, principalmente à trabalho e família. Esse resultado confirma a ideia denoite, quando estão buscando vivências de lazer, nossos Costa (2004), que explica que características da atualjovens pesquisados mostraram ter um estilo de vida em sociedade complexa (hedonismo e narcisismo) levam oque se restringem a transitar basicamente no bairro ou sujeito a agir a partir de um imediatismo preponderante,localidade onde moram, próximos as suas residências tendendo a limitar seu envolvimento a questões pessoaise ao colégio onde estudam. e relacionadas com o presente vivido. Os jovens do ambiente urbano expressaram um De acordo com Matheus (2003), para alguns, amaior desejo de ingressar na faculdade do que os jo- conquista do trabalho e a constituição de uma famíliavens do ambiente rural. Consideramos que isso não se representam as pequenas e possíveis mudanças querelaciona somente com a situação financeira dos jovens; estão ao seu alcance. O reconhecimento e a inserção 57
  9. 9. Furlani, D. D. e Bomfim, Z. A. C. “Juventude e afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos mapas afetivos”social, para a maioria, podem ser alcançados através Esta pesquisa nos fez refletir sobre como as ca-do trabalho e profissão. E, ainda assim, para alguns, até racterísticas dessa sociedade atual estão contribuindoisso pode se fragilizar devido às dificuldades financeiras para a falta de condições para que os jovens consigame às condições locais de cada ambiente. estabelecer com clareza e maturidade seus projetos de Percebemos que a maior parte dos jovens está vida. A consequência dessa inexatidão de perspectivamuito presa ao presente imediato (estudar e/ou traba- norteadora tende a levar ao aumento dos índices delhar), e que se limita a essa realidade. De acordo com violência juvenil, ao consumo e tráfico de drogas, àVelho (2003), os códigos culturais e processos históricos depressão, ao suicídio etc.têm influência sobre os projetos em nível individual, Depois de uma reflexão sobre os resultados encon-no que tange aos níveis de exploração, desempenho, trados a partir da pesquisa de campo e sobre as ideiasperformance, avaliação e definição da realidade. Ou discutidas, concluímos como necessária a inclusão deseja, ao conhecermos as características de nossa cultura, práticas sociais que visem um posicionamento crítico dopodemos entender as influências dessa no projeto de sujeito diante das questões sociais e particulares que osvida dos jovens. cercam. Uma das possibilidades para nortear uma práti- Nossa cultura valoriza o trabalho - você é a partir ca dessa qualidade seria a propagação do que Giddensdo que você faz – e, ao mesmo tempo em que atribui (2002) denominou de reflexividade do eu, como formaalto valor ao trabalho, por conta do capitalismo, não sistemática e contínua de reflexão e construção.oferece oferta de trabalho para toda a população, sendo Esse estilo de prática, com tal fundamentação,o desemprego ou subemprego um grave problema da poderia ser disseminado em programas educativos queatualidade. Questionamos até que ponto os códigos viessem a atingir os jovens de classes sociais distintas.culturais também estão contribuindo para limitação de Poderia ocorrer, por exemplo, com a inclusão de disci-opções de projetos de vida para nossos jovens. plinas de filosofia nas grades curriculares das escolas, Um contraponto para amenizar tal quadro supo- em projetos educativos promovidos por organizaçõesmos ser a participação dos jovens em grupos de iguais não-governamentais (ONGs) ou outras instituições,- sejam eles religiosos, esportivos, artísticos ou sociais - nos grupo de jovens de igrejas, em associação deque sejam meios pelos quais o jovem possa se expressar moradores, grupos de teatro etc. O governo poderiae ter estímulos para refletir sobre alguma realidade da investir mais em programas de geração de primeiroqual se sinta pertencente. Além de ter a oportunidade emprego e renda voltados para população juvenil,de troca de experiências, que leva à aprendizagem, além de incentivar empresários a desenvolverem talautoconhecimento, sentimentos de bem-estar, cresci- prática. Acreditamos que este estudo possa suscitarmento pessoal, o jovem que participa desses grupos reflexões junto a profissionais que se interessem emtem também a oportunidade de ajudar o próximo e se trabalhar com jovens e queiram contribuir com umainserir em sua comunidade. Todos esses fatores foram mudança nos comportamentos individuais e de formaexpressos pelos jovens em suas falas. abrangente da sociedade como um todo. Notamos a importância dada pelos indivíduospesquisados à convivência com outros jovens em Agradecimentosgrupos dos quais participavam. Este estudo nos levoua considerar que o grupo de iguais, inserido em tra- Agradecemos a Deus, acima de tudo, e a todos os jovens entre-balhos sistemáticos de cunho social, pode contribuir vistados, pela disponibilidade e pela emoção suscitada a partirdiretamente para elaboração de projetos de vida mais de nossos encontros, à CAPES, pelo apoio financeiro com aconscientes, estruturados e críticos. Isso leva o jovem manutenção da bolsa-auxílio.a agir de forma mais esclarecida em sua vida e em suacomunidade. O potencial do jovem para mobilização, Referênciasreflexão, busca de superação de desafios que geremmudanças pessoais e grupais deve ser aproveitado Almeida, L. S. & Freire, T. (1997). Metodologias da investigaçãoe incentivado por educadores e por profissionais de em psicologia e educação. Coimbra: APPORT.diferentes áreas; e um caminho para incentivar esse Bomfim, Z. Á. C. (2003). Cidade e afetividade: estima e cons-potencial é por meio desses grupos em que os jovens trução dos mapas afetivos de Barcelona e São Paulo. Tese de Doutorado, Psicologia, Pontifícia Universidade Católicacompartilham vivências comunitárias e sociais em uma de São Paulo, São Paulo.mesma realidade. Acreditamos que esse é um dever e Castro, L. R. (2001). Da ivisibilidade à ação: crianças e jovensum desafio em nossa sociedade atual, principalmente em na construção da cultura. In L. R. Castro (Org.), Crianças eum país como o Brasil, em que os jovens representam jovens da cultura (1ª ed., pp. 20-66). Rio de Janeiro: NAU/uma grande parcela da população. FAPERJ.58
  10. 10. Psicologia & Sociedade; 22 (1): 50-59, 2010Costa, J. F. (2004). O vestígio e a aura. Rio de Janeiro: Gara- 2ª. revisão em: 06-09- 2009 mond. 3ª. revisão em:  23-11- 2009Ferreira, K. P. M. (2006). Ficar ou partir? Afetividade e migra- Aceite final em: 15-03-2010 ção de jovens do sertão semi-árido cearense. Dissertação de Mestrado, Psicologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. Freire, P. (1980). Conscientização: teoria e prática de libertação Daniela Dias Furlani é psicóloga, Psicoterapeuta - uma introdução ao pensamento de Paulo Freire (3ª ed.). clínica, com mestrado em Psicologia pela UFC, estudante São Paulo: Moraes. de dotourado em educação pela UFC. Endereço: RuaGiddens, A. (2002). Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Carlos Vasconcelos, 3100, apto 902. Fortaleza/Ceará. Jorge Zahar. CEP 60115-191Lane, S. T. M. (1994). A mediação emocional na constituição do Email: furlanidaniela@gmail.com psiquismo humano. In S. T. M. Lane & B. B. Sawaia (Orgs.), Novas veredas da Psicologia Social (pp. 55-63). São Paulo: Zulmira Áurea Cruz Bomfim é Psicóloga e professora Brasiliense. do Programa de Pós-Graduação em Psicologia daMatheus, T. C. (2003). O discurso adolescente numa sociedade na Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem Mestrado em virada do século. Acesso em 07 de maio, 2010, em: http://ba- Psicologia Social e da Personalidade pela Universidade ses.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/ de Brasília (UnB) e doutorado em Psicologia Social pela iah.xis&src=google&base=ADOLEC&lang=p&nextAction= Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). lnk&exprSearch=355433&indexSearch=ID Velho, G. (2003). Projeto e metamorfose: antropologia das Especialista em intervenção socioambiental e investigadora sociedades complexas (3ª ed.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. em Espaço Público e Regeneração Urbana pelaVigotski, L. S. (1999). O significado histórico da crise da psico- Universidade de Barcelona. Endereço: Rua Adolfo Moreira logia. In Teoria e método em Psicologia (2ª ed., pp. 204-417). de Carvalho n.140. Fortaleza/Ceará. CEP 60811-740. São Paulo: Martins Fontes. Email: zulaurea@uol.com.brVigotski, L. S. (2001). A construção do pensamento e da lingua- gem. São Paulo: Martins Fontes. Como citar: Furlani, D. D. & Bomfim, Z. A. C. (2010). Juventude eRecebido em: 03-09-2008 afetividade: tecendo projetos de vida pela construção dos1ª. revisão em: 13-03-2009 mapas afetivos. Psicologia & Sociedade, 22(1), 50-59. 59

×