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Acrimat - Diretrizes para o desenvolvimento da pecuaria de corte de mato grosso, nov/11
 

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    Acrimat - Diretrizes para o desenvolvimento da pecuaria de corte de mato grosso, nov/11 Acrimat - Diretrizes para o desenvolvimento da pecuaria de corte de mato grosso, nov/11 Document Transcript

    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTODA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO Associação dos Criadores de Mato Grosso
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTODA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSOVISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS MATO GROSSO - 2012
    • PREFÁCIO O documento Diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte de MatoGrosso – Visão de Universitários e Pecuaristas ora apresentado à sociedade brasilei-ra pela ACRIMAT – Associação dos Criadores de Mato Grosso, representa um passoà frente em direção ao futuro da bovinocultura de corte no mato Grasso e no Brasil. Com uma metodologia participativa, envolvendo a academia e o setor produtivo,a Associação soube mostrar como pode se trabalhar de forma harmônica e democrá-tica para que se possam identificar e transpassar os maiores problemas que afligemsegmentos do setor rural brasileiro. Esta antevisão de futuro coloca a ACRIMAT e a Academia Matogrossense numarota positiva de colaboração na qual cada setor é imprescindível ao outro. Um pelaciência e o outro pela práxis. A junção dos dois representa uma melhoria no ambientede produção podendo resultar em benefícios e externalidades positivas para toda asociedade brasileira. A melhoria do ambiente de negócios, o desafio da harmonização dos elos da ca-deia produtiva e a melhoria das relações com o sistema industrial são desafios quecomeçam a ser transpostos com projetos como este desenvolvido pela ACRIMAT, emtempo recorde, é bom que se registre. Honrado pelo convite de prefaciar este trabalho e dele ter participado, sinto queo Brasil avança a passos largos para atingir seu destino de grande fornecedor deproteínas animais tanto no plano doméstico quanto no plano internacional, com altaqualidade, sustentabilidade e longevidade na produção. Prof. Samuel Ribeiro Giordano, Dr. Sc. Coordenador Adjunto do PENSA USP Centro de Conhecimentos em Agronegócios
    • EXPEDIENTE Presidente José João Bernardes 1º Vice-Presidente Jorge Antônio Pires de Miranda 2º Vice-Presidente Luciomar Machado Filho 1º Diretor Secretário Mauricio Campiolo 2º Diretor Secretário Marco Antônio Dias Jacinto 1º Diretor Tesoureiro Júlio Cesar Ferraz Rocha 2º Diretor Tesoureiro Francisco Sales de Manzi Diretor de Relações Públicas Mário Roberto Cândia de Figueiredo Superintendente Luciano de Souza Vacari Autores Amado de Oliveira Filho Prof. Dr. Samuel Giordano – Grupo Pensa USP Wilton Rogério Santos Maciel Equipe Clarissa dos Santos Rosa Christiane Fernandes Ribeiro Criciane de Paula Fernandes Ribeiro Lais Costa Marques Rodrigo José Faria Zanuzzo Revisão Doralice Jacomazi Projeto gráfico, capa e diagramação Neemias Alves Foto capa Rafael Manzutti REPRESENTANTES REPRESENTANTE UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO Campus de Cáceres Campus de SinopProfa. Dra. Zulema de Figueiredo Prof. Dr. Eduardo Henrique B. de Moraes Campus de Pontes e Lacerda Profa. Dra. Jocylaine Garcia Campus de Alta Floresta Prof. Dr. João Massaroto Campus de Nova Xavantina Prof. Dr. Gilmar Laforga Campus de Tangará da Serra Prof. Dr. José R. Rambo
    • SUMÁRIOIntrodução............................................................................................................................................ 7Metodologia......................................................................................................................................... 71 Abrangência geográfica dos workshops .......................................................................................... 92 Caracterização da pecuária de corte no Brasil e em Mato Grosso...................................................11 2.1 Pecuária de corte no Brasil . ...................................................................................................13 2.2 Pecuária de corte em Mato Grosso..........................................................................................213 Principais conclusões dos encontros por tema discutido.................................................................29 3.1 Cria.........................................................................................................................................31 3.2 Confinamento..........................................................................................................................37 3.3 Integração Lavoura Pecuária (ILP)...........................................................................................43 3.4 Reforma e recuperação de pastagens degradadas..................................................................47 3.5 Sustentabilidade.....................................................................................................................514 Matriz de priorização de ações.......................................................................................................545 Sugestões de encaminhamentos de ações oriundas das conclusões ..............................................57 5.1 Projetos.................................................................................................................................59 5.2 Ações de políticas públicas....................................................................................................61 5.3 Ações Parlamentares............................................................................................................63 5.4 Ações Educacionais................................................................................................................63 5.5 Ações Institucionais..............................................................................................................65Referências.........................................................................................................................................66Anexos................................................................................................................................................67
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASIntrodução A pecuária de corte do Brasil e, muito especialmente, a de Mato Grosso, estávivenciando um momento de grandes transformações e de oportunidades para osdiversos agentes e detentores dos fatores de produção que fazem de Mato Grosso oEstado que, além de maior produtor do Brasil, produz carne bovina de qualidade. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), objetivando conhecer osentraves da atividade e, ciente de que sem a solução destes entraves seus associa-dos, os pecuaristas, poderão não aproveitar das transformações que estão ocorrendoe das que ainda irão ocorrer, resolveu identificar nas diversas regiões do Estado deMato Grosso que barreiras são estas e como ultrapassá-las. Para tanto buscou parcerias com as universidades públicas com campus no inte-rior do Estado e realizou eventos denominados Workshops da Pecuária de Corte deMato Grosso 2012, com a participação de docentes e discentes da Universidade doEstado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT),campus de Sinop. O propósito foi construir uma visão coletiva sobre as soluções viáveis. Estas se-rão, posteriormente, apresentadas aos diversos níveis interessados, transformando-se possivelmente em ações. Todas essas ações visam impulsionar a formação deuma base de apoio à pecuária de corte respaldada na produção sustentável em todosos seus aspectos, ou seja, sócio, econômico e ambiental.Metodologia A metodologia utilizada foi a do diálogo orientado, com adoção da matriz de priori-zação de ações que é uma ferramenta de uso prático que visa facilitar o planejamentoestratégico, quando se tem variadas sugestões de ações oriundas de trabalhos feitosem workshops. Tratando-se de uma sequência de passos coordenados com gruposde alunos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, orientados portécnico da Acrimat, com o apoio de professores e criadores associados à Acrimat, coma função de trazer a experiência prática à sala de discussões. Depois da explanação dos temas a serem trabalhados a plenária se dividiu em cincogrupos, sendo cada grupo representado por um professor, um pecuarista e oito alunos, 7
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASpara que, através da discussão, se pudessem levantar às principais barreiras/obstácu-los e possíveis soluções para transpô-las referentes aos cinco temas propostos. Os temas de discussão que orientaram cada grupo são: 1 - Cria 2 - Reforma e recuperação de pastagens 3 - Confinamento 4 - Integração Lavoura Pecuária (ILP) 5 - Sustentabilidade Em cada grupo, utilizando-se da matriz de priorização de ações, elencaram-se asmedidas em ordem decrescente, significando que o número um era a que teria o pontomais forte e assim sucessivamente. Antecedendo os trabalhos dos grupos foram eleitos pelos participantes um co-ordenador e um relator. Após os debates seguiu-se o preenchimento de fichas deentrada para cada diretriz dos temas acima e todos os grupos de trabalho retornaramao plenário inicial, onde cada um apresentou os seus resultados que foram discutidospor todos os participantes. Não se estabeleceu na identificação de barreiras ao desenvolvimento da pecuá-ria qual o grau de frequência com que cada uma delas ocorre em cada propriedadecom a atividade de pecuária de corte no Estado de Mato Grosso. Certamente que emcentenas delas nenhuma destas barreiras ocorra, por outro lado, da mesma forma,é possível que em grande parte delas exista importante frequência de tais barreirasconcorrendo contra o desenvolvimento da atividade. O trabalho Diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte de Mato Grosso -Visão de Universitários e Pecuáristas, se delimita a atividade da bovinocultura de corte.8
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS1 Abrangência geográfica dos workshops ALTA FLORESTA SINOP TANGARÁ DA SERRA NOVA XAVANTINAPONTES E LACERDA CUIABÁ CÁCERES 9
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    • 2 Caracterização da pecuária decorte no Brasil e em Mato Grosso
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS2.1 Pecuária de corte no Brasil O Brasil é um país de características continentais. Seu território, de 8,5 milhõesde km², é dividido em cinco grandes regiões, estruturadas sobre 26 estados e oDistrito Federal. Com 47,8% da área total da América do Sul, figura como o quintomaior país do mundo, atrás da Rússia, Canadá, Estados Unidos e China. Sua fron-teira seca, com 10 países do continente, é de 16,9 mil km, e sua costa percorre 7,5mil km (FIESP, 2008). Diante desta vastidão territorial a pecuária de corte iniciou sua produção majo-ritariamente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, Dias-Filho (2010), emsua manifestação sobre “Características importantes da pecuária brasileira”, registra oprocesso de migração das regiões Sul e Sudeste para as regiões de fronteira agrícola,receptivas a este processo e verificadas no Centro-Oeste e Norte brasileiros. Claro que a principal razão dessa migração se deu em função dos elevados cus-tos da qualidade das terras que passaram a gerar elevados custos de oportunidades.Assim, ainda segundo o autor, este processo migratório possibilitou obter a reduçãode custos pretendida, onde o pasto surge como base alimentar da pecuária de corte. Desta forma a produção da pecuária de corte avança nestas regiões e, em fun-ção da grande disponibilidade de terras, inicia-se uma fase de ocupação na qual aprincipal característica é a produção extensiva com baixo nível de intensificação epadrão tecnológico. Nessa fase também se verifica que as funções planejamento e avaliação eram ex-tremamente deficientes, e os empreendedores tinham baixa visão empresarial. A tudoisto se associava a baixa produtividade que comprometia a rentabilidade. A infraestrutura disponível era caracterizada por estradas de péssima qualidadee a mão de obra na região não possuía qualificação adequada para fazer frente àsdemandas da pecuária de corte. Sob o aspecto da propriedade rural, o que se via erauma insegurança jurídica de toda ordem. Por outro lado, nessa fase inicial da pecuária de corte, era comum identificar pes-soas que exerciam a postura especulativa em relação a esta atividade. Ou seja, bus-cava-se o lucro via compra e venda de terra e extraía a madeira encontrada. Tratava-se de uma visão de pioneirismo e não empresarial. Ainda segundo Dias-Filho (2010), à época a abundância de terra contribuía paraa diminuição da demanda tecnológica nas regiões de fronteira agrícola brasileiras.Assim, a escassez de áreas naturais para a expansão da atividade seria um motivadorpara a adoção de tecnologias. 13
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Desta forma o Brasil viu aumentar sua produção de carne bovina, por ampliaçãode suas áreas de pastagens, ou seja, um crescimento horizontal, no qual a produtivi-dade real obtida era muito diferente da produtividade potencial que toda a região defronteira agrícola já exibia. Hodiernamente pode-se afirmar que o Brasil passa a experimentar um novo mo-delo de desenvolvimento de sua pecuária de corte. O que já se testemunhou nosgrandes estados produtores de carne bovina é um processo que o autor chama de‘Fase 2’ da pecuária, na qual se pode perceber um “refinamento” da atividade. Neste estágio de desenvolvimento já é percebida com clareza a adoção do pro-cesso de intensificação, ou expansão vertical, da atividade da pecuária de corte.Sem dúvidas este processo se dá em função de uma conjugação de fatores, comoa escassez da disponibilidade da terra, pressões ambientais e de mercados, soma-dos a uma nova postura do pecuarista e à introdução de elevado profissionalismo.Assim, verificada a expansão vertical da pecuária, surge a busca do lucro pela co-mercialização da produção, e também se observa uma visão mais empresarial doque a “pioneira” da Fase 1. Outro fator econômico importante é que a terra passa a ser mais valorizada, e seobserva a utilização de tecnologias para aumento da produtividade das pastagens,inclusive, com novas cultivares de plantas forrageiras. Desta forma se constata menordistância entre a produtividade real e a produtividade potencial e, ainda, aumento daprodução por meio da intensificação. É possível que já se esteja vivenciando a Fase 3 da pecuária brasileira. Em espe-cial pelo fato de que todos os estudos apontam que esta atividade deverá se concen-trar em áreas de fronteira agrícola do Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil. Em que pese à grande transferência de áreas de pastagens onde a terra possuiaptidão agrícola, deverá ser fortalecido um modelo produtivo eficiente e sustentávelbaseado na produção a pasto. Isto é possível em função da necessidade de se manterpreços competitivos e qualidade elevada. Entende Dias-Filho (2010) que os altos custos e a relativa demora para o retornodo capital investido dificultam a adoção de tecnologias de recuperação de pastagens.No entanto, afirma que a recuperação de pastagens é a principal alternativa para con-ciliar o crescimento da pecuária na Amazônia com a preservação ambiental. Mas qual será o tamanho deste negócio? Somados, os empreendimentos da pe-cuária de corte no Brasil serão do tamanho da demanda do seu mercado. Ou seja, otamanho da demanda interna que continuará a ser atendida plenamente, somada àdemanda internacional que se conseguir alcançar em função de nossa capacidade deprodução e inserção de nosso produto em outros mercados.14
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS A pecuária de corte é um valioso setor estratégico nacional por ser fornecedor dealimento construtor de alto valor proteico. Além disso, pelas dimensões dessa ativida-de, o Brasil é autossuficiente na geração de proteína animal de alta qualidade. O setorgera externalidades positivas para toda a sociedade brasileira na forma de segurançaalimentar, independência de mercados externos, alimentos acessíveis à população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) o efetivo de bo-vinos e bubalinos no ano de 2011 foi de 214,08 milhões de cabeças, o que equivalea 1,6% de aumento em relação ao registrado em 2010, conforme mostra o gráfico 1.Este efetivo encontrava-se disperso por todo o Território Nacional, embora seja encon-trado em maior número na Região Centro-Oeste do País (33,98%). As demais regiões apresentam os seguintes percentuais de participação: Norte(20,58%), Sudeste (18,44%), Nordeste (13,88%) e Sul (13,13%). O Estado de MatoGrosso apresentou o maior efetivo de bovinos, 13,68%; seguido por Minas Gerais,com 11,19%; Goiás, com 10,18%; e Mato Grosso do Sul, com 10,08%. Salienta-seque os dez principais estados detentores do maior rebanho de bovinos e bubalinosconcentram 81% de todo o efetivo nacional (IBGE, 2011). GRÁFICO 1 - Rebanho bovino brasileiro - 1995 a 2011 230 210 190 170 150 130 Fonte: IBGE 15
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Quando se analisa o crescimento do rebanho brasileiro, se verifica um cresci-mento a uma taxa de 5,72% ao ano de 1961 a 2011, representando um aumento de286% no plantel, com a produtividade média de 1,28 cabeça por hectare. Constatam-se também ganhos em produtividade nos últimos anos, tendo a produção de carnecrescido 11,4% ao ano contra um crescimento nas taxas de abate da ordem de 9,5%no mesmo período, refletindo uma melhora na taxa de desfrute2 dos animais, que al-cançou 19,2% em 2011. Enquanto a produção de carne bovina no país apresentou um crescimento de 36%entre 2000 e 2011, os volumes totais exportados passaram de 358,7 mil para 1.097,3mil toneladas no mesmo período, representando um acréscimo superior a 200% emvolume e 542% em valor. No gráfico 2 é mostrado o valor da exportação das carnes, quando comparada aosprincipais produtos do agronegócio, com dados de 2011 do Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento. As Carnes referem-se à somatória das três carnes: bovina,aves e suína. O segmento da carne bovina, segundo dados da Secretaria de ComércioExterior (Secex), contribuiu com US$ 4,9 bilhões em 2011 na geração de divisas. Como bem demonstra o gráfico 2, o segmento carnes supera de forma expressivasegmentos como o de produtos de base florestais, café, fumo e tabaco, além de fibrase têxteis. Desta forma, ao destacar as exportações de carne bovina de aproxima-damente US$ 4,9 bilhões e que a pecuária de corte atende plenamente a demandabrasileira, surge então a característica desta atividade que cumpre sua função so-cial como grande fornecedora de proteína à população e, ainda, oferece importantecontribuição para a economia em termos da formação dos constantes superávits nabalança comercial brasileira. A pecuária brasileira, no ano de 2011, foi afetada pelo agravamento da crise dealgumas das mais importantes economias mundiais, sobretudo a europeia. Como re-flexo da desaceleração econômica global, no âmbito externo assistiu-se à queda emvolume nas exportações de vários produtos comercializados pelo Brasil, tais comocarnes bovina e suína congeladas, couro e pele. O gráfico 3 a seguir demonstra o desempenho das exportações de carne bovi-na brasileira no período compreendido do ano de 2007 até o mês de setembro de2 Taxa de desfrute dado em %D=[A+(RTt – RTt-1)]x100/RTt ondeD=Taxa de desfruteA=Número de animais abatidos no anoRTt= Rebanho Total num determinado anoRTt-1= Rebanho Total no ano anterior16
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS GRÁFICO 2 - Agronegócios: Principais Produtos Exportadores em 2011 US$ Bilhões – Total= US$ 94,6 bilhões (37% do total) 30 Superávit= US$ 77,5 bilhões 25 24,1 20 16,2 15,6 15 9,6 10 8,7 4,2 5 2,9 2,8 2,6 2,2 0,9 0,4 0,2 0,2 0 Fonte: Ministério da Agricultura ______________________________________________________________________________________________________2012. Interessante destacar que entre os anos de 2009 e 2011 o mercado interna-cional reduziu as importações, mas o Brasil faturou mais. Para reverter este quadro, novos mercados fora da rota da crise foram alcançadospelos produtos brasileiros como alternativa para contornar a situação. No mercado in-terno, entretanto, observou-se a elevação dos preços da carne bovina, a falta de boispara abate e, em algum grau, o aumento do descarte de vacas, além da substituiçãono consumo da carne bovina pela suína e a de frango (IBGE, 2011). As pastagens também foram prejudicadas por alguns períodos de estiagem (espe-cialmente no segundo e terceiro trimestres) em parte dos municípios dos Estados doRio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Minas Gerais e do Ceará,impactando tanto a produção de carne bovina quanto a produção de leite, emboraesta situação tenha se revertido com as chuvas no segundo semestre (IBGE, 2011). Os aumentos do preço da soja em grão e dos insumos produtivos tiveram reflexossobre a atividade pecuária, sobretudo nos preços da ração animal, produto este utili- 17
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS GRÁFICO 3 - Exportação de Carne Bovina – Brasil - 2007 a 2012* 6.000 2.500 Volume (ton) Valor (US$) 5.000 2.000 Volume (milhões de toneladas) Valor (milhões de US$) 4.000 1.500 3.000 1.000 2.000 500 1.000 - - 2007 2008 2009 2010 2011 2012* * Ref. exportações até set. 2012 Fonte: Secexzado como principal ferramenta para intensificação no processo produtivo dos semi-confinamentos e confinamentos. O agronegócio tem grande influência no crescimento econômico brasileiro, pois éem grande parte responsável pela geração de divisas internacionais através da expor-tação de seus produtos agrícolas e pecuários. As informações relativas à pecuária bovina devem ser analisadas com caute-la para evitar erros de interpretação. Ser detentor do maior rebanho mundial debovinos não significa, propriamente, ser o maior produtor de carne. Ser o maiorprodutor de carne não resulta em maior geração de riqueza e valor, pois dependedo acesso aos melhores mercados consumidores e da capacidade de agregaçãode valor ao produto.18
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS2.2 Pecuária de corte em Mato Grosso Com a criação do Fundo de Apoio à Bovinocultura de Corte (Fabov) foi elabora-do o mais completo ‘Diagnóstico da Cadeia Produtiva Agroindustrial da Bovinocultu-ra de Corte do Estado de Mato Grosso’, concluído em outubro de 2007 (MEISTERE MOURA, 2007). Diversos foram os aspectos e cenários estudados, à época naquele Diagnósticoe boa parte do seu conteúdo ainda se encontra parcialmente atualizada. É o caso dacaracterização da Pecuária de Corte em Mato Grosso, cuja atualização basicamentenecessita ser tão somente do tamanho do seu rebanho e da quantidade de pastagens.Portanto, será utilizado o item 5.3 deste Diagnóstico, ajustando apenas a questão dorebanho e pastagens. “A tradição da criação extensiva da pecuária em Mato Grosso, utilizando pastosnaturais do Pantanal e pequenos capões de mata permitiram maior produção de reba-nhos, desde o século XVI, quando foi introduzido o gado em terras além-Paraná, porAleixo Garcia, buscando os “Caminhos de Peabiru”, até os tempos atuais, quando oEstado de Mato Grosso conta com mais de 26 milhões de cabeças. Todavia, a pecuária, de maneira oficial, foi reconhecida no Cerrado mato-gros-sense no século XVIII, quando houve necessidade de carne para abastecer ostrabalhadores que construíam a estrada que ligava Cuiabá a Vila Boa, de Goiás,em 1750. Dessa forma, compreende-se que, além da alimentação da populaçãoresidente praticante de extrativismo mineral, como principal atividade econômicada Capitania, a pecuária tinha a função de abastecer os demais moradores (BOR-GES, 1991). A introdução da bovinocultura extensiva pode ser, portanto, considerada um mar-co histórico da atividade econômica em Mato Grosso, ainda no século XVIII, dentrode um processo de produção descrito com base na derrubada de vegetação para oplantio de pasto, sendo a carne produto desta atividade destinada ao abastecimentoda população, assim como o couro, que era utilizado na fabricação de material detransporte, como bruacas, alforjes e silos. Dessa maneira, a abertura de terras do Cerrado, em torno dos garimpos de ouro,destinava-se ao abastecimento – seja humano ou animal –, e pode ser identificado nosdiversos trabalhos de historiadores relativos aos períodos que vão desde a fundaçãode Cuiabá, em 1719, passando pela manutenção do território mato-grossense duranteos séculos XVIII e XIX, até os anos recentes quando é retomada, considerando-se asustentabilidade de diferentes regiões do Estado. 21
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS A pecuária e seus produtos, em todos os períodos históricos de Mato Grosso, ti-veram importante participação na economia, tanto como produtores de bens necessá-rios à alimentação da população quanto como justificativa de uso e manutenção dasterras, bem como reserva de valor (FIGUEIREDO, 1994; ALEIXO, 1995; VOLPATO,1987; BORGES, 1991). Quando da decisão governamental de abertura e ocupação do Cerrado, nos anosde 1970, foram criadas políticas públicas, visando organizar o sistema produtivo emmoldes capitalistas, incorporando-o à economia mato-grossense e articulando-o aoscentros hegemônicos do Centro-Sul. Com isso, houve imensa derrubada de áreaspara transformação em pastagens para o gado de corte. Durante dezenas de anos a abertura era realizada por técnicas rudimentares e,de certa maneira, ainda o é. O processo de implantação das pastagens incluía aderrubada e o fogo. Desse modo, dependendo do período do ano, criavam-se, apósa derrubada, clareiras expostas ao clima. Assim a terra ficava degradada e nasceriauma vegetação natural, chamada genericamente capoeira, na qual se criava o gado. A produtividade dessa atividade era bastante baixa, aliada às perdas em trans-porte em pé para frigoríficos distantes. Essa maneira de produzir ainda é comum emalgumas regiões de Mato Grosso, como no Pantanal; por exemplo, o fogo é utilizadopara “limpar pastos”. Desnecessário, por evidente que essa forma de limpeza trazia como ainda trazconsequências ambientais danosas, destruindo ou afastando espécies vivas, bemcomo queimando cercas, currais e, às vezes, residências e, portanto, gerando no-vas despesas. A sustentabilidade da terra passou, portanto, a exigir adequada técnica para aocupação e uso do solo, incorporada ao longo dos anos de 1970 e 1980. Isso implicouno bioma Cerrado a correção do solo com calcário para quebrar a acidez do terreno,criando-se, dessa maneira, um processo de amansamento do solo em relação às er-vas e a consequente formação de capoeiras, bem como a reconstrução produtiva dealgumas terras degradadas. Com a introdução da agricultura moderna em Mato Grosso, cujo modelo tecnológi-co passou a propor a neutralização da acidez natural do solo, com o uso de calcário, ea mecanização do processo produtivo, a pecuária passou a utilizar, também, o espaçorural em áreas cuja topografia fosse ondulada ou quebrada. No Cerrado, antecipando a agricultura e os pastos plantados, o plantio de arrozhistoricamente permitia “amansar a terra”, ou seja, reduzir ervas daninhas. O exemploda agricultura passava a ser utilizado na pecuária: articulada ao desmate, um sistemaque pode ser conhecido como madeira-arroz-pecuária de corte se implantava.22
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS A atividade de bovinocultura em Mato Grosso responde por diferentes aspectos doprocesso histórico e econômico relativo à ocupação do território e sua manutenção,mesmo considerando as diferentes porções desmembradas, como em Mato Grossodo Sul e Rondônia, onde continua sendo uma importante atividade. Essa evidência pode ser ressaltada levando-se em conta que o rebanho, em1995, ocupava a maior porção de terras do Estado, detendo 21 milhões de hectares(SEPLAN-MT, 1998). Em 2006, o rebanho foi estimado em 26.172.578 cabeças, dasquais 99,45% foram vacinadas, nas 105.961 unidades com atividade pecuária, das125.185 propriedades instaladas no Estado (INDEA-MT, 2006). A principal forma de criação é a extensiva, havendo, todavia, outras técnicas,como: confinada, semiconfinada, aquela desenvolvida pela “agricultura familiar”, entreoutras. Porém, a mais representativa é a extensiva. Mais recentemente, na busca pela eficiência, os produtores passaram a moder-nizar seus processos produtivos com o uso da biomassa, racionalização de pastose manejo de raças. Em razão das pressões ambientais, exercidas por legislação docomércio exterior, os países compradores passaram a exigir o “selo verde” como cer-tificação da origem para fornecimento de carne. Na mesma direção, o espaço estadual é considerado “livre de aftosa com vacina-ção”, pela OIE – “Circuito Internacional Epizootias”, instituição ligada à Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) para o comércio internacional de produtos de origem ani-mal, unindo-se assim aos estados brasileiros como São Paulo, Paraná, Minas Geraise Goiás. Essa certificação permite exportar carne de origem bovina para países daUnião Europeia, Estados Unidos e Ásia. É preciso compreender que as atividades de pecuária em Mato Grosso e, talvez,as de agricultura, estão condicionadas a um processo de colonização, usualmenteconfundido com reforma agrária (IANNI, 1979), que lhes dá características fundiárias,culturais e infraestruturais específicas de cada região ou zona de planejamento. A pecuária de corte de Mato Grosso avançou significativamente década após dé-cada, se caracteriza como uma atividade praticada por todos os portes de produtores.O gráfico 4, mostra a introdução da técnica de confinamento na terminação de bovi-nos, é um indicativo deste cenário. Observa-se no período compreendido entre os anos de 2005 e 2009 um expressi-vo crescimento no rebanho bovino confinado. O Estado saiu de aproximadamente 117mil cabeças para mais de 637 mil cabeças, alcançando aproximadamente 814 mil ca-beças em 2011 e em 2012 a expectativa é de que sejam confinadas 740 mil cabeças.Este cenário de retração do rebanho bovino confinado em 2012 certamente impactaráos preços da carne bovina, que já apresentam viés de alta. 23
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS GRÁFICO 4 - Rebanho confinado em Mato Grosso – 2005 a 2012 900 813,95 800 740,42 700 637,98 592,83 600 536,59 500 426,51 Mil Cabeças 400 300 180,68 200 117,88 100 0 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012* Fonte: Imea Quanto ao abate total de bovinos no Estado no período compreendido entre osanos de 2003 e 2012, verifica-se uma performance bastante atípica. Enquanto seconstata o abate de 3,10 milhões de cabeças de gado no ano de 2003, houve umcrescimento constante alcançando os 5,37 milhões de cabeças em 2007. O abate bovino começa a cair a partir do ano de 2008 e inicia uma retomada lentaaté o ano de 2011, ainda um pouco abaixo do número alcançado em 2007. Porém,a expectativa para o ano de 2012 é que o total de abate de 2007 seja superado emfunção do desempenho do abate bovino no último quartil deste ano. A irregularidade verificada no abate total em Mato Grosso tem ligação com o as-pecto da produção de bezerros, que tem o volume de produção comprometido em fun-ção da dupla aptidão das fêmeas, que é um bem de capital na produção de bezerrose um bem de consumo quando encaminhada para o abate. O gráfico 5 mostra o totalde bovinos abatido entre 2003 e 2012. Outro aspecto importante e que comprova o desempenho positivo da pecuária de corteem Mato Grosso é a performance das exportações. No gráfico 6, seguindo o mesmo com-portamento da pecuária nacional, o Estado exportou 186 mil toneladas no decorrer do ano de2009, com um faturamento na ordem de US$ 473 milhões, 220 mil toneladas em 2010, alcan-çando US$ 681 milhões, 195 mil toneladas em 2011 e um faturamento de US$ 790 milhões.24
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS GRÁFICO 5 - Abate Total de Bovinos em MT – 2003 a 2012* 6,00 5,50 5,37 5,00 5,22 4,87 4,66 4,50 4,33 4,09 Milhões de cabeças 4,00 4,18 4,12 3,77 3,50 3,10 3,00 2,50 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: Indea * Abate considerado até o mês de Set/2012 Analisando o ano de 2007 verifica-se que o Estado exportou mais de 306 mil to-neladas, no entanto o faturamento foi de tão somente US$ 591,68 milhões. E, quandose compara o valor recebido por tonelada de 2007 em relação ao período de 2009 a2011, constata-se que, de menos de US$ 2,0 mil em 2007, passou-se para mais deUS$ 4,0 mil no ano de 2011. Desta forma testemunha-se no período de 2007 a 2011 uma grande valorizaçãoda carne exportada pelo Estado de Mato Grosso. No decorrer de todos os workshops realizados, o tema denominado recupera-ção ou reforma de pastagens foi um dos que chamaram a atenção dos estudantese professores. Não se discute também que é um dos fatores que impulsionam as transformaçõesna pecuária mato-grossense, em função de várias nuances, porém duas em especial.A primeira se trata das proibições da expansão destas áreas por desmatamento. Asegunda pela transferência de áreas de pastagens para a agricultura. No gráfico 7 a seguir verifica-se uma disparada no crescimento de áreas depastagens em Mato Grosso. No ano de 1997 eram 22,1 milhões de hectares depastagens, que saltam para 25,8 milhões no ano de 2006 e depois se estabilizamaté o ano de 2012. Na metodologia deste trabalho não se buscou aferir a frequência que se verificanas propriedades rurais das diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte. 25
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS GRÁFICO 6 - Exportação da pecuária de corte - Mato Grosso 2003 a 2012* 350 900 Volume (ton) Valor (milhões de US$) 800 300 700 Valor (milhões de US$) 250 600 Volume (mil t) 200 500 150 400 300 100 200 50 100 0 0 Fonte: Imea *Ref. Exportações até setembro 2012 GRÁFICO 7 - Área de pastagem em Mato Grosso (em milhões de hectares) 27 25,8 25,8 26 25,7 25,8 25,8 25,8 25,8 25 25,3 Milhões de hectares 24,5 24 24,0 23,6 23,3 23 23,1 22,5 22 22,1 21 Fonte: Acrimat/Sinoptica26
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASPode-se perceber que, apesar de aceitar e entender a existência delas em milhares depropriedades, existem propriedades produtivas que contribuem fortemente para que oEstado de Mato Grosso possa continuar oferecendo ao Brasil carne bovina de qualida-de satisfatória e quantidade necessária para o pleno atendimento da demanda. 27 FOTO: stock.xchng
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    • 3 Principais conclusões dosencontros por tema discutido A seguir são apresentadas as diretrizes para cada tema discutido no âmbito dos workshops realizados. Estes resultados são fruto de debates verifi- cados entre os membros do grupo composto por estudantes, professores e pecuaristas no decor- rer de aproximadamente oito horas de trabalho em grupo em cada um dos workshops realizados. Deve-se destacar que, de acordo com a me- todologia utilizada, não se avaliou com que frequ- ência cada uma das barreiras ao desenvolvimen- to da pecuária de corte ora apresentadas ocorre nas aproximadamente 110 mil propriedades que desenvolvem a atividade da pecuária de corte no Estado de Mato Grosso. Sabe-se, no entanto, que no Estado existe importante frequência de propriedades com produção adequada em todos os temas estudados.
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.1 Cria3.1.1 Diretrizes ORD. BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pastagens em quantidade e qualidade necessárias, Falta de manejo do reba- através da adubação das pastagens, Integração Lavoura nho provocando degra- 01 Pecuária (ILP), melhoria das taxas de lotação antecipadas dação e morte súbita de de mudanças de conceitualização de extrativismo para sus- pastagens. tentabilidade, promover melhor divisão de pastos e utilizar piquete maternidade com localização estratégica. Incentivar a prática de melhoramento genético, promoven- Falta de investimentos do o acesso a financiamento público através dos diversos 02 em melhoramento gené- programas existentes, objetivando a melhoria do rebanho tico dos rebanhos. que permitirá fazer frente ao investimento realizado. Garantia de mercado e preço do bezerro através de Dificuldades na comer- contratos envolvendo os setores primário e secundário da 03 cialização e baixo preço cadeia da bovinocultura de corte tendo como pressuposto do bezerro. a valorização da qualidade. Desenvolver um programa de capacitação envolvendo o Falta de capacitação dos Senar regional, as universidades públicas e buscar par- 04 criadores e acessibilida- ceiros de outros setores para a introdução de tecnologias de às tecnologias. neste ciclo da produção bovina de corte. Falta de infraestrutura de Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regi- 05 logística de transporte. ões produtoras da bovinocultura de corte. Realizar exames andrológicos e ginecológicos; melhorar a alimentação dos machos e fêmeas ao definir o período Baixa eficiência 06 da estação de monta; promover o desmame precoce e a reprodutiva. liberação da matriz à reprodução, descartar as fêmeas com problemas de fertilidade após a estação de monta. Adoção de um plano mínimo de manejo sanitário. Detecção de causas de aborto ou reabsorção embrionária, manejo Deficiência no 07 profilático (mesmo quando não obrigatório) e utilização das manejo sanitário. práticas de conforto animal (adultos e cria) através do uso de instalações adequadas, bosques, etc. Critérios de seleção bem definidos com relação à reali- dade do sistema de produção; acasalamento dirigido de reprodutores mais adequados para grupos de fêmeas Baixa qualidade das 08 favorecendo a produção de progênie mais adequada ao fêmeas e crias. sistema de produção (correção de aprumos, melhoria na conformação, etc.). Uso de touros provados e adequados ao conjunto de matrizes. 31
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Vedação de pastagens, estratégias de suplementação Falta de planejamento conforme época do ano. Ensilagem, estratégias de suple- 09 nutricional. mentação, uso de creep-grazing2 e banco de proteínas e aproveitamento de agrorresíduos. Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas, equipamentos e im- Descapitalização 10 plementos, além da obtenção de melhores resultados dos do setor. seus negócios na atividade da pecuária de corte. Viabiliza- ção de acesso às linhas de créditos com juros favorecidos.3.1.2 Análise das diretrizes do tema CRIA Os resultados da análise2 dos Workshops nos campus da Unemat e da UFMT(Campus Sinop), mostram de forma incisiva que a falta de manejo do rebanho bovinoé um dos componentes que atuam fortemente na degradação e morte de pastagens. Indicam as modernas técnicas para aumento da produtividade como o uso deadubação e Integração Lavoura Pecuária (ILP). Porém, é necessária a adoção denovos conceitos onde o pecuarista deixe de visualizar a pecuária como uma atividadeagroextrativista, buscando a produção sustentável sob todos os aspectos. Por outro lado, apresentam ainda no tema CRIA a falta de investimentos em me-lhoramento genético dos rebanhos como uma barreira que leva a atividade a não ob-ter a renda necessária para fazer frente aos investimentos que são demandados, ouseja, grande parte dos pecuaristas de cria não tem renda porque não tem qualidade enum caminho inverso não tem qualidade porque não tem renda. Para que se possa reverter este quadro, as análises indicam a necessidade de incen-tivo a prática de melhoramento genético. Isto é possível através da promoção do acessodestes pecuaristas às diversas linhas de crédito com juros que a atividade possa suportarcomo os do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO) e do Programa Agricultura deBaixo Carbono (ABC), hoje com taxas de 2,5% e 5,0% ao ano, respectivamente. Outra barreira indicada é a dificuldade de comercialização de bezerros e os preçosbaixos praticados no mercado de reposição. Este é um entrave que atinge de formadiferenciada as diversas regiões do Estado de Mato Grosso, pois na região do Guapo-ré se verifica a falta de bezerros que é suprida pelo Estado de Rondônia.2 Creep-grazing é definido como uma forma de suplementar os bezerros ainda em aleitamento, por meio de dispositivos que per-mitem o acesso exclusivo da cria a áreas contendo forragens de melhor qualidade em relação àquelas onde suas mães são mantidas.32
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Destarte, nas regiões onde a oferta de bezerros é maior, se verificam preços bai-xos para os bezerros. Assim, resolvida a questão da baixa oferta e qualidade de pas-tagens, indicam como solução a formação de uma parceria entre os setores primárioe secundário da cadeia de bovinocultura de corte, tendo como pressuposto indissoci-ável a melhoria genética e a consequente valorização da qualidade. Segundo os participantes, a atividade de CRIA no Estado ressente da falta decapacitação dos criadores, tendo como agravante o fato de que eles não conseguemacessar as tecnologias. Esta barreira é recorrente em todas as regiões visitadas e severifica de forma transversal nos demais temas. Ainda segundo os participantes, é neste ciclo da pecuária de corte que se definea qualidade da carne que será ofertada ao mercado. Portanto, sugerem que seja de-senvolvido um amplo programa de capacitação envolvendo o Senar Regional de MatoGrosso, universidades públicas e outros atores para buscar a introdução de tecnolo-gias neste importante ciclo da pecuária. Na análise dos resultados dos workshops, a logística disponível no Estado deMato Grosso surge também como importante obstáculo para o desenvolvimento daatividade de CRIA na pecuária de corte. Indicam os participantes a necessidade de sedesenvolver um amplo programa governamental que proporcione a inclusão de obraspúblicas nas regiões produtoras da bovinocultura de corte. Outra questão apontada e de elevada relevância para a atividade de CRIA no Es-tado de Mato Grosso é a ‘baixa eficiência reprodutiva’, que é seguida de forma conca-tenada pelas barreiras: ‘deficiência no manejo sanitário’; ‘baixa qualidade das fêmease crias’; ‘falta de planejamento nutricional’. Como obter elevada eficiência reprodutiva se a atividade possui deficiência nomanejo sanitário, baixa qualidade das fêmeas e crias e ainda falta de planejamentonutricional? Como já abordado, está imperando no segmento de cria a vocação agro-extrativista do produtor. Assim, surge logo na sequência do grupo de trabalho que discutiu o tema CRIA abarreira seguinte, que nada mais é que a consequência desta impressionante coleçãode problemas a serem resolvidos: a descapitalização do setor que somente será solu-cionada se resolvidas as barreiras que a antecedem. Para mitigar em curto prazo e resolver em médio e longo prazos são apresentadas paraa barreira de baixa eficiência reprodutiva a realização de exames andrológicos e ginecológi-cos e a melhoria da alimentação de machos e fêmeas ao definir a estação de monta. Em seguida se faz o desmame precoce para se colocar a matriz em novo pro-cesso de reprodução. Destaca-se ainda a necessidade de avalição de fêmeas queapresentaram problemas de fertilidade e promoção do descarte. 33
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Quanto a questão da falta de manejo sanitário indicada no tema CRIA certamentepromove um forte impacto na produtividade deste segmento. Neste caso as discus-sões indicam a necessidade de se estabelecer um plano mínimo de manejo sanitárioque deve ser elaborado por profissional capacitado e seguido à risca pelo produtor. Ainda quanto à questão de manejo sanitário são indicadas medidas como a iden-tificação de causas de aborto e/ou reabsorção embrionária, além da utilização daspráticas e conforto animal. Já a baixa qualidade de fêmeas e crias é igualmente impactante na atividade. Nãose resolve sem que ocorra a decisão do pecuarista em adotar critérios de seleção,promoção do acasalamento dirigido e a destinação de reprodutores adequados aogrupo de fêmeas e, ainda, utilizando-se de touros provados. Por outro lado, a falta de planejamento nutricional é dentro dos fundamentos daprodução da pecuária uma barreira que vem comprometendo toda a cadeia da pecu-ária de corte. Uma vez que não há segurança de oferta de alimentos para o rebanho,também não há segurança em todos os elos dos ciclos que se seguem, além de quese vê inviabilizada a possibilidade de aumento de renda neste segmento. Se não resolvidos todos os problemas apresentados pelas barreiras anteriores,vai-se encontrar um número cada vez maior de pecuaristas em fase de descapitaliza-ção ou já descapitalizados. Trata-se de um estágio de difícil solução. Chegando a esteperverso cenário resta ao pecuarista buscar as oportunidades oferecidas pelas linhasde crédito disponíveis com juros favorecidos. Por outro lado, o grupo de trabalho indica à Acrimat a necessidade da revisão depolítica fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas,equipamentos e implementos. Essa revisão se faz necessária para a adoção, pelosegmento, de tecnologias para o aumento da produtividade e produção sustentável.34
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.2 Confinamento3.2.1 Diretrizes ORD. BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Desarmonia e falta de Estabelecimento de parcerias e alianças que favoreçam e coordenação entre os 01 criem ambientes de negócios onde as transações possam elos da cadeia da pecu- ser suportadas por contratos. ária de corte. Realizar planejamento envolvendo estudos para avaliação Dificuldades na aquisi- dos custos na aquisição de animais com qualidade genéti- 02 ção de animais. ca, logística de transporte em relação à aquisição e abate dos animais, e observando a situação sanitária do rebanho. Planejamento e controle da compra de insumos e utiliza- Elevados custos com a 03 ção de mão de obra envolvida na atividade, bem como dos atividade. custos para a manutenção dos animais confinados. Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a Impacto ambiental da 04 exploração da geração de bioenergia tendo como base o atividade. gás metano gerado, aumentando a receita da atividade. Associação de produtores para comercialização em escala, Complexidade na comer- 05 bem como utilização de derivativos da BM&F travando cialização dos animais. preços no Mercado Futuro. Homogeneização dos lotes de animais, adaptando-os às Dificuldade de manejo dietas e praticando adequado manejo de cocho, observan- 06 dos animais. do as frequências de fornecimento promovendo a redução do período de confinamento. Pesquisar e normatizar os níveis aceitáveis deste resí- Elevada utilização de 07 duo para que não comprometa a qualidade e palatabili- caroço do algodão. dade da carne. Capacitação e treinamento com cursos especializados na 08 Falta de mão de obra. área abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e opera- cionais para maquinários. Utilização de vacina contra pneumonia e outros 09 Problemas sanitários. manejos sanitários. 37
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.2.2 Análise das diretrizes do tema Confinamento Uma das diretrizes apresentadas ao tema confinamento se trata da desarmonia e faltade coordenação entre os elos da cadeia da pecuária de corte. As soluções desta barreiracertamente são transversais a praticamente todos os setores da pecuária de corte. A necessidade de resolver a questão da desarmonia na cadeia da pecuária decorte é uma das ações lembradas por pecuaristas de todos os municípios, inclusiveem outras oportunidades de pesquisas. Tanto que se verificou a desarmonia ora de-nunciada à montante e à jusante da atividade da pecuária. Ou seja, tanto a indústriade insumos como a indústria frigorífica impõem preços ao pecuarista. Desta forma a solução encontrada pelo grupo de trabalho é o estabelecimento deparcerias e alianças que favoreçam e criem ambientes de negócios onde as transa-ções possam ser suportadas por contratos. Esta solução implica um estreitamento derelações institucionais entre os setores primário, secundário e terciário da cadeia dapecuária de corte. A atividade de confinamento apresentou um forte crescimento no período de 2005a 2011, saindo de um pouco mais de 100 mil cabeças para mais de 800 mil cabeçasem 2011. Para este ano a expectativa era se aproximar de um milhão de cabeças degado bovino confinado. Não ocorreu e deve fechar o ano com 740 mil cabeças degado terminado nesta modalidade. Esta redução se deu em função da escassez de grãos provocada pela forte quedada produção de soja e milho nos Estados Unidos, que refletiu em todos os países con-sumidores de grãos na produção de carnes. Para o Brasil e Mato Grosso o impacto foiforte, já que os países compradores de grãos dos Estados Unidos voltaram seus olhospara o Brasil e levaram boa parte dos grãos que seriam ofertados no mercado interno. Destarte, a dificuldade de aquisição de animais que surge como barreira foi leve-mente arrefecida em 2012 em função da tomada de decisão de reduzir o fechamentodo gado nos confinamentos. Porém, é um problema existente que voltará a recrudes-cer a partir de 2013 numa eventual normalidade da safra agrícola dos Estados Unidos. Ao observar a pecuária de corte setorizada e com elevado nível de especializa-ção em seus diversos ciclos, verifica-se que a dificuldade para aquisição de animaisdos confinadores se forma a partir do ciclo de cria. Se não for melhorada a qualidadedo bezerro não haverá bois com qualidade para o confinamento e seus custos serãosempre crescentes, em função da necessidade de maior tempo para a engorda. Desta forma, a solução deste problema exige um planejamento prévio pelos con-finadores em relação ao custo de aquisição dos animais, à genética, à logística, a38
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASmontante e a jusante do processo produtivo, e, ainda, à situação sanitária do rebanhoque se formará em cada confinamento. Por outro lado a atividade de confinamento no Estado de Mato Grosso está tendoa oportunidade de, em função de que ainda é uma atividade que busca sua consoli-dação, ofertando apenas em torno de 16,0% do abate total do Estado, criar uma am-biência de parcerias e alianças que promovam a oferta de gado para confinamento apartir da premissa de que a atividade possa remunerar adequadamente o fornecedorde bois que passará a ofertar gado com a qualidade que esta modalidade de termina-ção necessita. Os elevados custos com a atividade foi outra barreira encontrada pelo grupo quetrabalhou o tema Confinamento. Esta é uma característica desta atividade, especial-mente quando a oferta mundial de grãos reduz significativamente, como verificadoem 2012. Entretanto, tomando-se um ano considerado normal, se verá que as margens sãodemasiadamente apertadas, especialmente para confinadores que não produzem re-síduos agrícolas. Por isso mesmo que a indicação para a solução dos elevados custos com a ati-vidade necessita de um rigoroso planejamento e controle da compra de insumos eutilização de mão de obra envolvida na atividade, bem como dos custos para a manu-tenção dos animais confinados. Outro entrave identificado é o que se refere ao impacto ambiental que a atividadegera. Afinal a concentração dos animais provoca a acumulação de resíduos. No en-tanto, o processo de mitigação deste impacto ambiental é uma verdadeira oportunida-de de negócios. A solução indicada é o tratamento e disposição adequada dos resíduos, com aexploração da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado, au-mentando a receita da atividade. Certamente que ao se aprofundar nesta questãooutras receitas serão geradas a partir do estrume, como, por exemplo, a produçãode adubo orgânico. A produção de bioenergia e adubo é importante instrumento de aumento de re-ceita, pois estudos indicam que cada boi produz em média 20 kg de estrume por dia.Assim, um boi, em 60 dias de confinamento, produzirá 1,2 tonelada de matéria-primapara utilização como fator de aumento de renda. A questão da comercialização do animal quando acabado também surge comouma barreira. De fato, os níveis de concentração promovidos pela indústria frigoríficaprovocam insegurança aos confinadores, especialmente no Estado de Mato Grosso,onde apenas uma empresa detém 48,0% da capacidade de abate. 39
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS A solução indicada foi a associação de produtores para comercialização em escala,bem como a utilização de derivativos da BM&F travando preços no Mercado Futuro. Desta forma o grupo de trabalho apresentou duas ferramentas importantes paraassegurar a rentabilidade do segmento de confinadores. No entanto, o gado bovinoconfinado tem elevada importância inclusive para a indústria frigorífica que necessitadeste rebanho para a manutenção de suas escalas de abate. Além disso, os mercados interno e externo necessitam da continuidade da ofertado gado confinado para o atendimento aos consumidores fidelizados a esta importan-tíssima fonte de proteína. Portanto, novamente surge a necessidade do estreitamento das relações insti-tucionais para o aprimoramento da relação comercial de uma atividade que possuielevado grau de interdependência. Outra conclusão do grupo de trabalho é que existe dificuldade de manejo dosanimais. Em confinamento este é um fato esperado, pois são juntados num espaçopequeno, animais de variadas origens e que passaram por diversos procedimentosde manejo. A solução indicada para esta barreira exige também um planejamento adequadoonde a homogeneização dos lotes é importante, bem como a formulação e adaptaçãode dietas associadas a adequado manejo de cocho. Segundo o grupo é necessárioainda observar cuidadosamente a frequência do fornecimento da alimentação de for-ma que se possa reduzir o período de confinamento. Como o Estado de Mato Grosso é o maior produtor de algodão do Brasil, o caroçodesta cultura é largamente utilizado na ração animal, especialmente de bovinos, eapresenta excelentes resultados em relação aos custos das dietas. Surgiu então a barreira em relação à qualidade da carne de gado bovino terminadoem confinamento em função da elevada utilização de caroço de algodão destas dietas. O encaminhamento de solução para este problema foi realizar pesquisas e nor-matizar os níveis aceitáveis da utilização de caroço de algodão de forma a não com-prometer a qualidade e, em especial, a palatabilidade da carne de bois origináriosde confinamentos. Por outro lado, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), em parceriacom o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), realizaram experimentos com a utili-zação de caroço de algodão entre 10% e 20% da dieta. Neste caso não foi observadoqualquer desvio de qualidade da carne produzida. Da mesma forma a ‘Tese Pesce’ (2008), de Domingos Marcelo Cenachi Pesce,que em tese apresentada à Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos como,parte dos requisitos para obter o título de doutor em Zootecnia, tratou do ‘Efeito da40
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASdieta contendo caroço de algodão no desempenho, características quantitativas dacarcaça e qualitativa da carne de novilhos nelore confinados’. Nesta tese, Pesce testou a utilização de caroço em nível de até 20%, e assimcomo a Assocon e o IFTMT não encontrou nenhuma consequência tida como negativana alimentação de novilhos nelore confinados. No entanto, ao aumentar para até 34% da dieta total, já surgem problemas, tantoem relação à qualidade da carne como em termos de conversão alimentar com severaperda de ganho de peso dos confinados cujo lote fora objeto da pesquisa. Concluíram ainda que é necessária a continuidade da pesquisa, pois não é possí-vel apenas em função do que realizaram poder afirmar de forma conclusiva a respeitoda utilização de caroço de algodão em dietas para bovinos de corte. A mão de obra se apresenta em dois momentos como barreira para a atividade deconfinamento no Estado de Mato Grosso. Num momento em função da quantidade enoutro em função da qualidade. Este problema se agrava quando o confinador não é um pecuarista tradicional e preci-sa dispor de mão de obra para uma atividade que se desenvolve de forma sazonalizada. Assim, a indicação de solução são a capacitação e treinamento através de cur-sos especializados na área, abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e opera-cionais para maquinários. A última e não menos importante barreira do tema Confinamento trata de proble-mas sanitários, que podem acarretar graves problemas para o confinador. A soluçãopara este problema é a utilização das vacinas necessárias, precedidas de um bemelaborado planejamento sanitário e dos manejos necessários. 41
    • FOTO: Marisa Bastos
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.3 Integração Lavoura Pecuária (ILP)3.3.1 Diretrizes ORD. BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Realizar planejamento e parcerias com pecuaristas próxi- Dificuldade de o agri- mos a sua propriedade e firmar contratos que lhes garan- 01 cultor formar lotes para tam o fornecimento de animais com a necessária qualidade confinamento. para a modalidade de integração lavoura pecuária (ILP). Falta de conhecimento Disseminação de informações através de palestras, 02 do agricultor com workshops, dias de campo, orientações através do Senar e a atividade. assistência técnica especializada. Promover eventos direcionados aos pecuaristas demons- trando as vantagens da terminação de gado de corte em integração lavoura pecuária (ILP), especialmente diante da 03 Tradicionalismo. possibilidade da recuperação de pastagens degradadas, bem como da possibilidade de oferecer pastagens de quali- dade pela utilização da técnica a cada 3 anos. Investimento inicial em máquinas, equipamen- tos e implementos e Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e 04 investimento inicial para buscar linhas de crédito existentes para financiamento. adequação da área de pasto agricultável. Treinamento intensivo e capacitação programada e contí- Dificuldade na readapta- 05 nua da mão de obra para o atendimento necessário. Esta- ção da mão de obra. belecer políticas de participação nos resultados.3.3.2 Análise das diretrizes do tema IntegraçãoLavoura Pecuária (ILP) Pode-se entender Integração Lavoura Pecuária (ILP) como um sistema produtivode grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia, implantados na mesma área, emrotação, consórcio ou em sucessão. A mais comum desta integração é o plantio de 43
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASgrãos e a recuperação ou implantação de pastagens (Secretaria de DesenvolvimentoAgropecuário e Cooperativismo – SDC) Não se trata de uma técnica recente. Desde há muitas décadas já se praticava oplantio de lavouras para recuperar pastagens degradadas. No entanto, atualmente,também se pratica a ILP com o objetivo de aumentar a oferta de carne bovina. Considerando o aumento desta prática, associada à do confinamento, verifica-se que a primeira barreira para a ILP é a dificuldade de o agricultor formar seuslotes para confinamento. Isto se dá em função de que a principal atividade que eledesenvolve é a agricultura. Por outro lado, entende-se que este é um cenário que deverá deixar de existir,pois, com a especialização que está chegando à atividade da pecuária de corte, todosos ciclos deverão conseguir ofertas de todos os insumos e da principal matéria-primapara terminação: o boi. Acertadamente a solução indicada é um dos primeiros passos para que se consigaharmonizar a demanda com a oferta de gado bovino para a integração lavoura pecu-ária, bem como para confinamento, ou seja, a realização de planejamento e parceriascom pecuaristas próximos a sua propriedade e firmar contratos que lhes garantam ofornecimento de animais com a necessária qualidade para a modalidade ILP. Surge também como obstáculo a falta de conhecimento do agricultor sobre a ati-vidade. Seguramente é um problema, porém, com facilidade será suplantado, atravésda disseminação de informações através de palestras, workshops, dias de campo,orientações através do Senar e assistência técnica especializada. Quando a ILP é tratada no sentido de o pecuarista ser o agente desta integração,surge a barreira caracterizada como ‘tradicionalismo’. É uma barreira, porém, de im-pacto menor sobre a técnica de ILP, pois a primeira avaliação a se fazer é a verificaçãoda aptidão de suas terras para atividades agrícolas. Considerando a quantidade de terras que estão sendo transferidas para ativida-des agrícolas, pode-se estimar que o próximo cenário a se consolidar é o de que nãohaverá mais áreas com aptidões agrícolas onde se possa praticar ILP, ou ainda inte-gração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Destarte, enquanto ocorrer a existência de tais áreas, este cenário pode ser muda-do com a promoção de eventos direcionados aos pecuaristas demonstrando as van-tagens da terminação de gado de corte em ILP, especialmente diante da possibilidadeda recuperação de pastagens degradadas, bem como da possibilidade de oferecerpastagens de qualidade pela utilização da técnica a cada três anos.44
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Uma séria barreira indicada se refere ao investimento inicial em máquinas,equipamentos, implementos e investimento inicial para a adequação da área depasto agricultável. Certamente que este pode ser o maior entrave para a adesão do pecuarista à ILP.Sabe-se a que rentabilidade da pecuária não é algo de que o pecuarista se pode or-gulhar e as inversões financeiras são elevadas para esta diversificação. Entretanto, as soluções encontradas e indicadas são factíveis de se alcançar,como a utilização de parcerias, inclusive a de arrendamento, e busca de linhas decrédito existentes para financiamento. Sabe-se que diante de variados fatores ma-croeconômicos a oferta de linhas de crédito para investimento nesta área tem sidoabundante e com juros favorecidos. Novamente surge a questão da adaptação da mão de obra a uma atividade sa-zonal. Isto se dá em função de que se estão testemunhando fortes movimentaçõesna matriz produtiva do Estado de Mato Grosso, o que se cristaliza nesta atividade deprodução agrícola com integração de pecuária. A indicação de treinamento intensivo e capacitação programada e contínua damão de obra para o atendimento necessário vem como solução adequada, bem comobuscar a implantação de políticas motivacionais. 45
    • FOTO: Rafael Manzutti
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.4 Reforma e recuperação de pastagens degradadas3.4.1 Diretrizes ORD. BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nos quais o pecuarista possa conhecer casos de 01 Perfil cultural. sucesso envolvendo técnicas e custos, bem como o au- mento de renda da propriedade. Integração com atividades agrícolas objetivando a redução de custos; realizar planejamento adequado para recuperar Elevado custo de ou reformar as pastagens mediante a tomada de recursos 02 recuperação. de programa como o ABC e/ou através de investimentos programados, recuperar os pastos menos degradados, permitindo o aumento da receita da fazenda. Implementação pelos governos federal e estadual, atra- Reduzidas pesquisas vés de suas instituições de pesquisas e universidades, de 03 de pastagens em estudos aplicados, regionalizados, que possam oferecer relação à agricultura. variedades resistentes a pragas e que ofertam elevados níveis de proteínas. Desenvolver programas de treinamento que demonstrem Visão agroextrativista aos pecuaristas que a pastagem é um bem econômico 04 do pecuarista. (bem de produção), devendo, portanto, ser objeto de inver- sões financeiras. Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pastagens em quantidade e qualidade necessárias, melho- Falta de manejos 05 rar as taxas de lotação antecipadas, mudar a conceitualiza- de pastagens. ção de extrativismo para sustentabilidade, promover melhor divisão de pastos e adotar a adubação das pastagens. 47
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.4.2 Análise das diretrizes do tema Reforma e recuperaçãode pastagens degradadas A questão das pastagens degradadas no Estado de Mato Grosso se apresentacomo um grande óbice ao desenvolvimento de sua pecuária de corte. Certamente queeste não é um problema somente deste Estado. Por outro lado, sabe-se também queboa parte dele está diretamente ligada ao perfil cultural do pecuarista. O combate a esta barreira passa por ações que venham a romper as caracte-rísticas do perfil cultural de seus produtores. Neste caso, é necessário romper cominformações como a de que pastagens adubadas não geram renda suficiente aoseu financiamento. Por esta razão, uma das alternativas é a realização de dias de campo, semináriosou workshops, nos quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso que envolvatécnicas, custos, bem como o aumento de renda da propriedade. Os custos de recuperação ou reforma de pastagens são de fato elevados em re-lação aos atuais níveis de remuneração dos fatores de produção da pecuária de corteem Mato Grosso e no Brasil. Entretanto, se nada for feito para dotar a propriedade rural de pecuária de cortedas condições mínimas para se manter oferta de alimentação a pasto para o rebanhobovino, a possibilidade da manutenção do proprietário/produtor na atividade será algode difícil realização. Assim, a diretriz indica que é necessário realizar planejamento apropriado tantopara adequar, recuperar ou reformar as pastagens mediante a utilização de linhas definanciamento com recursos do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC). A questão de pesquisas nas pastagens é duramente questionada, inclusive sendo ob-jeto de comparação com a agricultura. De fato isto historicamente é verificado. Sem som-bras de dúvidas, como já citado, o perfil dos pecuaristas concorre para que isto ocorra. Portanto é chegada a hora de os governos em todos os seus níveis, instituiçõesde representação de classe, universidades e outras instituições de pesquisas, atribu-írem como maior prioridade o desenvolvimento de variedades e técnicas para que aspastagens sejam recuperadas ou reformadas. A visão agroextrativista do pecuarista surge novamente neste tema. Também éoportuno, pois assim como na integração lavoura pecuária (ILP) este perfil do produtore o cenário que se cria em torno dele são verdadeiros. Vários são os fatores que olevaram a adotar tal comportamento.48
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Portanto é necessário o desenvolvimento de programas de treinamento que de-monstrem aos pecuaristas que as pastagens são um bem econômico, consequen-temente, um bem de produção e assim, como todo bem econômico, para continuarprodutivo necessita ser objeto de reinvestimentos. A questão da degradação das pastagens tem, na maioria das vezes, a falta de ma-nejo como principal responsável. Desta forma é necessário dotar as propriedades demanejo adequado para que se possa ofertar aos rebanhos pastagens em quantidadee qualidade necessárias. 49
    • FOTO: Rafael Manzutti
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS3.5 Sustentabilidade3.5.1 Diretrizes ORD. BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Realizar ações demonstrativas de que é necessário trabalhar com eficiência e eficácia, mostrando que alta produtividade pode ser alcançada (produzir mais em uma Baixa produtividade região menor), sem afetar o ambiente, evitando expansão 01 por hectare. de novas áreas; melhorar as pastagens, minimizar o tempo de permanência do animal em cada setor, reduzindo assim a idade ao abate, alcançando assim a sustentabilidade econômica e ambiental. Elaborar e executar planejamento com metas e objetivos, com avaliação de solo, clima, estimativa de produtividade, tipo de pastagem, manejo de pastagens, cálculo dos índi- Planejamento inadequa- 02 ces zootécnicos, planejamento certo da produção, cálculo do das atividades. de alimentação animal em que o ganho médio de peso seja mensurado e avaliado possibilitando o aumento de renda da atividade. Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos científicos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor Escassez de profissio- 03 remuneração. Implantar Empresa Júnior na área de Agro- nais especializados. nomia, implantar curso de Zootecnia contemplando regiões com elevada produção de gado bovino. Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação ambiental, adotando práticas sustentáveis como uso racio- 04 Ambiental. nal da água, proteção de nascentes, qualidade da água, SAFs como base de bem-estar animal (bosque). Dotar as propriedades de condições adequadas de habi- 05 Social. tabilidade, educação e trabalho e, em especial, ao cumpri- mento da legislação trabalhista. Preparar os produtores para atenderem as modificações Adequação ao novo 06 nas leis ambientais evitando restrições impostas por barrei- Código Florestal. ras ambientais. Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através de difusão e prática da produção em Integração Atendimento às imposi- 07 Lavoura Pecuária (ILP), Integração Lavoura Pecuária Flo- ções ambientais. resta (ILPF), recuperação de áreas degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas. 51
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS ‘Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural Falta de estímulos para como fator de motivação para que as próximas gerações 08 a sucessão familiar. tenham incentivo para continuar a produzir proteínas para a sociedade. Matriz curricular contem- pla insuficiente carga ho- Readequar a matriz curricular do curso de Agronomia rária para disciplinas na aumentando a carga horária para disciplinas da área de área de Zootecnia para Zootecnia, de forma que a ementa contemple conheci- 09 o curso de Agronomia. mentos para aplicação na pecuária de corte aos alunos do Dificuldade de realização curso de Agronomia. de estágios em proprie- Desenvolver um cadastro de proprietários e alunos com dades de pecuária disposição para formalizar um contrato de estágio. de corte.3.5.2 Análise das diretrizes do tema Sustentabilidade A questão da produtividade ainda é um forte óbice a ser resolvido pela atividadede pecuária de corte. Todos os temas tratados vêm apresentando barreiras ao desen-volvimento desta atividade, que culminam por denunciar que algo de grande montanecessita ser levado a efeito. Destarte, quando se avalia sustentabilidade na pecuária de corte em que é focadaa variável produtividade como fator de desenvolvimento, sem contar com o tamanhodo rebanho e outras variáveis como aumento do peso do boi abatido, evolução daspastagens e ampliação da capacidade de apascentamento, poderia se chegar a umcenário irreal da atividade. O rebanho do Estado de Mato Grosso continua crescendo numa ordem muito su-perior ao crescimento das pastagens. Mas também se pode afirmar que as pastagensestão em seu limite de capacidade de suporte. Por isso mesmo é que as indicações encontradas para este tema devem ser im-plementadas, especialmente a de realização de ações demonstrativas em que se pos-sam orientar os pecuaristas de que é necessário trabalhar com eficiência e eficácia,mostrando que alta produtividade pode ser alcançada, sem que necessariamente sejaafetada a sustentabilidade ambiental. É necessário nestas ações demonstrativas orientar de que dificilmente será possí-vel o aumento de produção via expansão de novas áreas e que para tanto a melhoriadas pastagens é fundamental. Também deve ficar claro que é preciso reduzir ainda52
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASmais a idade média do abate, minimizando o tempo de permanência do animal emcada setor (ciclo) de produção. No campus da Unemat, ocorreu também uma importante discussão a respeito dagrade curricular do curso de Agronomia. Os estudantes entendem que carecem demaior carga horária e professores, para a disciplina de Zootecnia. Afirmam com segu-rança que estão sendo preparados mais para as atividades agrícolas. Importante destacar que esta diretriz proposta foi amplamente discutida por estu-dantes filhos de pecuaristas que conhecem na prática a lide da atividade da pecuária decorte. Outro registro importante que ocorreu durante os debates foram as dificuldadesque os estudantes estão tendo para fazer estágios na atividade de pecuária de corte.Uma sugestão para solucionar o problema foi elaborar um banco de dados compostopor pecuaristas e estudantes com disposição para a prática de estágios. As instituiçõesde classe e as universidades provocariam o encontro dos agentes interessados. A seguir estão classificadas por função as diretrizes obtidas nos workshops nosquais se buscou conhecer os procedimentos para o desenvolvimento da pecuáriade Mato Grosso sob a visão de universitários e pecuaristas. Deve-se observar que algumas diretrizes estão alocadas em mais de uma funçãoe isto se dá pelo fato de serem atribuições de mais de um nível de governo, ou aindapelo aspecto da transversalidade. 53
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS4 Matriz de priorização de ações A matriz de priorização de ações é uma ferramenta de uso prático que visa facilitaro planejamento estratégico, quando se tem muitas sugestões de ações oriundas detrabalhos feitos em workshops. Este foi o presente caso. Dentre os cinco temas trabalhados o capítulo 6 elenca as diretrizes sobre as quaisa Acrimat possa ter influência no direcionamento. São elas: Projetos, Ações Educacio-nais e Ações Institucionais. As ações de políticas públicas federais, estaduais e municipais e as ações parla-mentares, por serem mais complexas e envolverem negociações políticas, não foramincluídas na matriz. A matriz estabelece no seu eixo vertical a gravidade da ação, que variará, a partirdo zero, em baixa, média e alta. No eixo horizontal estabelece a urgência da ação,que variará, a partir do zero, em baixa, média e alta. Na legenda em cores atribuem-seo padrão preto para projetos muito difíceis e complexos, vermelho para projetos querepresentam um bom desafio, e azul para aqueles que são fáceis de implementar. As curvas separam as ondas de implementação dos projetos em primeira onda esegunda onda. Neste caso foram escolhidos três de cada um dos projetos, ações educacionais eações institucionais. PROJETOS: P1 - Planejamento inadequado das atividades P2 - Complexidade na comercialização dos animais P3 - Elevados custos com a atividade confinamento AÇÕES EDUCACIONAIS: AE1 - Visão agroextrativista do pecuarista AE2 - Reduzidas pesquisas de pastagens em relação à agricultura AE3 - Falta de capacitação dos criadores e acessibilidade às tecnologias54
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASAÇÕES INSTITUCIONAIS:AI1 - Adequação ao novo Código FlorestalAI2 - Desarmonia e falta de coordenação entre os elos da cadeia da pecuária de corteAI3 - Falta de estímulos para a sucessão familiar GRÁFICO 7 - Priorização das ações por áreas de trabalho As 3 principais ações foram alocadas no mapa de priorização considerando: gravidade, urgência e facilidade de implementação 55
    • FOTO: Rafael Manzutti
    • 5 Sugestões de encaminhamentosde ações oriundas das conclusões
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    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS5.1 Projetos BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pastagens em quantidade e qualidade necessárias, através da adubação dasFalta de manejo do rebanho pastagens, Integração Lavoura Pecuária (ILP), melhoria das taxasprovocando degradação e de lotação antecipadas de mudanças de conceitualização de extra-morte súbita de pastagens. tivismo para sustentabilidade, promover melhor divisão de pastos e utilizar piquete maternidade com localização estratégica. Realizar ações demonstrativas de que é necessário trabalhar com eficiência e eficácia, mostrando que alta produtividade pode ser alcançada (produzir mais em uma região menor), sem afetar o am-Baixa produtividade biente, evitando expansão de novas áreas; melhorar as pastagens,por hectare. minimizar o tempo de permanência do animal em cada setor, redu- zindo assim a idade ao abate, alcançando assim a sustentabilidade econômica e ambiental. Realizar exames andrológicos e ginecológicos; melhorar a alimenta- ção dos machos e fêmeas ao definir o período da estação de monta;Baixa eficiência reprodutiva. promover o desmame precoce e a liberação da matriz à reprodução, descartar as fêmeas com problemas de fertilidade após a estação de monta. Realizar planejamento envolvendo estudos para avaliação dos custosDificuldades na aquisição na aquisição de animais com qualidade genética, logística de trans-de animais. porte em relação à aquisição e abate dos animais, e observando a situação sanitária do rebanho. Planejamento e controle da compra de insumos e utilização de mãoElevados custos com de obra envolvida na atividade, bem como dos custos para a manu-a atividade. tenção dos animais confinados. Associação de produtores para comercialização em escala, bemComplexidade na comercia- como utilização de derivativos da BM&F travando preços no Mercadolização dos animais. Futuro. Homogeneização dos lotes de animais, adaptando-os às dietas eDificuldade de manejo praticando adequado manejo de cocho, observando as frequênciasdos animais. de fornecimento promovendo a redução do período de confinamento.Elevada utilização de Pesquisar e normatizar os níveis aceitáveis deste resíduo para quecaroço do algodão. não comprometa a qualidade e palatabilidade da carne. Integração com atividades agrícolas objetivando a redução de custos; realizar planejamento adequado para recuperar ou reformar as pas-Elevado custo de tagens mediante a tomada de recursos de programa como o ABC e/recuperação. ou através de investimentos programados recuperar os pastos menos degradados, permitindo o aumento da receita da fazenda. 59
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Implementação pelos governos federal e estadual, através de suasReduzidas pesquisas de instituições de pesquisas e universidades, de estudos aplicados,pastagens em relação à regionalizados, que possam oferecer variedades resistentes a pragasagricultura. e que ofertam elevados níveis de proteínas. Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pasta- gens em quantidade e qualidade necessárias, melhorar as taxasFalta de manejos de de lotação antecipadas, mudar a conceitualização de extrativismopastagens. para sustentabilidade, promover melhor divisão de pastos e adotar a adubação das pastagens. Elaborar e executar planejamento com metas e objetivos, com ava- liação de solo, clima, estimativa de produtividade, tipo de pastagem,Planejamento inadequado manejo de pastagens, cálculo dos índices zootécnicos, planejamentodas atividades. certo da produção, cálculo de alimentação animal em que o ganho médio de peso seja mensurado e avaliado possibilitando o aumento de renda da atividade. Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação ambien- tal, adotando práticas sustentáveis como uso racional da água, prote-Ambiental. ção de nascentes, qualidade da água, SAFs como base de bem-estar animal (bosque). Dotar as propriedades de condições adequadas de habitabili-Social. dade, educação e trabalho e, em especial, ao cumprimento da legislação trabalhista.Adequação ao novo Código Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis am-Florestal. bientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.60
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS5.2 Ações de políticas públicas5.2.1 Municipais BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a exploraçãoImpacto ambiental da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado,da atividade. aumentando a receita da atividade. Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através deAtendimento às difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),imposições ambientais. Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.5.2.2 Estaduais BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADASFalta de infraestrutura de Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regiões produ-logística de transporte. toras da bovinocultura de corte. Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em rela- ção aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além daDescapitalização do setor. obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com juros favorecidos. Adoção de um plano mínimo de manejo sanitário. Detecção de causasDeficiência no manejo de aborto ou reabsorção embrionária, manejo profilático (mesmo quan-sanitário. do não obrigatório) e utilização das práticas de conforto animal (adultos e cria) através do uso de instalações adequadas, bosques, etc. 61
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Critérios de seleção bem definidos com relação à realidade do siste- ma de produção; acasalamento dirigido de reprodutores mais adequa-Baixa qualidade das dos para grupos de fêmeas favorecendo a produção de progênie maisfêmeas e crias. adequada ao sistema de produção (correção de aprumos, melhoria na conformação, etc.). Uso de touros provados e adequados ao con- junto de matrizes. Vedação de pastagens, estratégias de suplementação conforme épo-Falta de planejamento ca do ano. Ensilagem, estratégias de suplementação, uso de creep-nutricional. grazing e banco de proteínas e aproveitamento de agrorresíduos.Problemas sanitários. Utilização de vacina contra pneumonia e outros manejos sanitários. Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nosPerfil cultural. quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade.5.2.3 Federais BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em rela- ção aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além daDescapitalização do setor. obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com juros favorecidos.Falta de infraestrutura de Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regiões produ-logística de transporte. toras da bovinocultura de corte. Incentivar a prática de melhoramento genético, promovendo o acessoFalta de investimentos em a financiamento público através dos diversos programas existentes,melhoramento genético dos objetivando a melhoria do rebanho que permitirá fazer frente ao inves-rebanhos. timento realizado. Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural como fatorFalta de estímulos para a de motivação para que as próximas gerações tenham incentivo parasucessão familiar. continuar a produzir proteínas para a sociedade.Investimento inicial emmáquinas, equipamentos e Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e buscar linhasimplementos e investimento de crédito existentes para financiamento.inicial para adequação daárea de pasto agricultável.62
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS5.3 Ações Parlamentares BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADAS Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em rela- ção aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além daDescapitalização do setor. obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com juros favorecidos.Investimento inicial emmáquinas, equipamentos e Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e buscar linhasimplementos e investimento de crédito existentes para financiamento.inicial para adequação daárea de pasto agricultável. Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através deAtendimento às difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),imposições ambientais. Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.5.4 Ações Educacionais BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADASFalta de capacitação dos Desenvolver um programa de capacitação envolvendo o Senar regional,criadores e acessibilidade as universidades públicas e buscar parceiros de outros setores para aàs tecnologias. introdução de tecnologias neste ciclo da produção bovina de corte. Desenvolver programas de treinamento que demonstrem aos pecu-Visão agroextrativista aristas que a pastagem é um bem econômico (bem de produção),do pecuarista. devendo, portanto, ser objeto de inversões financeiras. Capacitação e treinamento com cursos especializados na áreaFalta de mão de obra. abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e operacionais para maquinários. 63
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS Disseminação de informações através de palestras, workshops,Falta de conhecimento do dias de campo, orientações através do Senar e assistência técnicaagricultor com a atividade. especializada. Promover eventos direcionados aos pecuaristas demonstrando as vantagens da terminação de gado de corte em integração lavouraTradicionalismo. pecuária (ILP), especialmente diante da possibilidade da recuperação de pastagens degradadas, bem como da possibilidade de oferecer pastagens de qualidade pela utilização da técnica a cada 3 anos. Treinamento intensivo e capacitação programada e contínua da mãoDificuldade na readaptação de obra para o atendimento necessário. Estabelecer políticas de parti-da mão de obra. cipação nos resultados. Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nosPerfil cultural. quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade. Implementação pelos governos federal e estadual, através de suasReduzidas pesquisas de instituições de pesquisas e universidades, de estudos aplicados,pastagens em relação à regionalizados, que possam oferecer variedades resistentes a pragasagricultura. e que ofertam elevados níveis de proteínas. Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos cientí- ficos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor remuneração.Escassez de profissionais Implantar Empresa Júnior na área de Agronomia, implantar cursoespecializados. de Zootecnia contemplando regiões com elevada produção de gado bovino. Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através deAtendimento às difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),imposições ambientais. Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.Adequação ao novo Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis am-Código Florestal. bientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.64
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS5.5 Ações Institucionais BARREIRAS SOLUÇÕES ENCONTRADASDificuldades na comercia- Garantia de mercado e preço do bezerro através de contratos envol-lização e baixo preço do vendo os setores primário e secundário da cadeia da bovinocultura debezerro. corte tendo como pressuposto a valorização da qualidade.Desarmonia e falta de co- Estabelecimento de parcerias e alianças que favoreçam e criemordenação entre os elos ambientes de negócios onde as transações possam ser suportadasda cadeia da pecuária por contratos.de corte. Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a exploraçãoImpacto ambiental da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado,da atividade. aumentando a receita da atividade. Associação de produtores para comercialização em escala, bemComplexidade na comercia- como utilização de derivativos da BM&F travando preços no Merca-lização dos animais. do Futuro. Realizar planejamento e parcerias com pecuaristas próximos a suaDificuldade de o agricultor propriedade e firmar contratos que lhes garantam o fornecimento deformar lotes para animais com a necessária qualidade para a modalidade de integra-confinamento. ção lavoura pecuária (ILP). Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nosPerfil cultural. quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade. Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos cientí- ficos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor remuneração.Escassez de profissionais Implantar Empresa Júnior na área de Agronomia, implantar cursoespecializados. de Zootecnia contemplando regiões com elevada produção de gado bovino. Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação ambien- tal, adotando práticas sustentáveis como uso racional da água, prote-Ambiental. ção de nascentes, qualidade da água, SAFs como base de bem-estar animal (bosque). Dotar as propriedades de condições adequadas de habitabilidade,Social. educação e trabalho e, em especial, ao cumprimento da legislação trabalhista.Adequação ao novo Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis am-Código Florestal. bientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais. Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural como fatorFalta de estímulos para a de motivação para que as próximas gerações tenham incentivo parasucessão familiar. continuar a produzir proteínas para a sociedade. 65
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASReferências1 - Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp). Agronegócio Brasileiro,2008. Disponível no site: http://www.fiesp.org.br2 - Moacyr Bernardino Dias-Filho.Características Importantes da Pecuária Brasileira, 2008. Disponível no site: http://diasfilho.com/palestras3 - Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC)Manual de Integração Lavoura Pecuária. Disponível no site: http://www.agricultura.gov.br4 - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Anuário Estatístico do Brasil,2011. Volume 71.5 - Borges, F.T.M. Do Extativismo a Pecuária, Algumas Observações.6 - Luís Carlos Meister e Altair Dias de Moura. Diagnóstico da Cadeia Produtiva Agroin-dustrial da Bovinocultura de Corte. 2007.7 - Associação Nacional dos Confinadores do Brasil (Assocon). Uso do caroço de al-godão na pecuária e sua Influência no sabor da carne. Disponível no site: http://www.beefpoint.com.br8 - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Produção da Pecuária Muni-cipal, 2011. Disponível no site: http://www.ibge.gov.br66
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASAnexosANEXO 1 - Colaboradores Pontes e LacerdaCrislaine M de S. Santos Antonio Carlos Sabino FilhoRaquel Joana Trautmann Machado Erik R. FerreiraDilma Alves da Silva Diego Camargo dos SantosElissandra Silva Basílio Ismaily RezendeDébora Masuti Santana Rosa Jonas LobatoDalila Pereira Soares Renata LimaJuliana Eloy paixão Oliveira Rodrigo PachecoNoêmia Andreza de A. Paiva Samara BorgesElizane Andrade Campos Cassia Joel MinetoElói Marcolin Helaine FernandaIrineu Chicarolli Eldania Soares FerreiraCamila de Silva Souza Rafael AndersonAndréa M.C. de Almeida Mariella AlvesGeisa Carla S. dos Santos Antonio RolisEvaldo M. Parra Vagner Jean Barbosa InocenciaCristiano Alvarenga de Souza Thiago Wilton Kaepp MunizGabriel Celidonio Luiz Carlos Monteiro da SilvaRuth E. Santos Ronan LevyLuiz Eduardo Cantão Veloso Ronivaldo Dias GomesEdnalda Martins de Oliveira Kenedy Correa de MoraesEdimar Barbosa de Oliveira Luiz Juliano V. GeronPablo Rodrigo Muniz Jocilaine garciaDiogo Oliveira Rocha Josemir Piovesan 67
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASANEXO 2 - Colaboradores CáceresMarcus Vinicus Moreira de Melo Alisson Henrique BragaNatan Santos Bastos Guilherme DuarteJareni Pereira Togo Kamila Mara F. de LimaEduardo Godoy Joziane da Cruz MendonçaMarcus Vinícius Pádua Dania Cardoso F. da SilvaNayaro Renero Barbosa Carolina de Paula FerreiraMaria Camila Oliveira Ferreira Milton de Paula Ferreira Jr.Weverton Moraes Leite Emanuel Moron Pereira leiteDébora S. de Moraes Lucas José LenteSara Macedo Arthur Pedro dias de OliveiraAline Ellen Venancio Genisllan ToledoAlanagrand da Silva Muniz Roberto Fernandes CorreaErick Marinho Samogim Nathalia AraújoMagnum Nascimento Cuiabano Thallita GuimarãesRaphael Ranzani Renan SalomãoGuilherme Santana da Silva Thiago DiasGabriel Andrade Renan de Azevedo paulaGuilherme Koch Lucilene da Silva CastroVinícius Novaes do Amaral Nyellen Costa ferreiraNustania dos Santos da Silva Jonathan E. NogueiraCassiano Cremom Jefferson W. da S. CorreaCristiane Diniz Francielly da Silva de Souza DiasFelipe Martini Wictor Zumack SallesFernando Lamon Daniella Garcia de OliveiraDaiane Leticia Alves Valdomiro José CoelhoThaisa Coutinho Ribeiro João Batista de Souza DiasMatheus Hentique Viola68
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASANEXO 3 - Colaboradores SinopHeivanor senh Celma PalhaniDouglas Emerick Knupp Wilson A. MartinelliTiago Adriano Simioni Claudio V. de A.Libini Bendler Rodrigues Eduardo Henrique MoraesDouglas dos Santos Pina Helio StinguelNatália K paiva Adriano Borges CardosoGeferson Antonio Fernandes Cleber Vanderson Bravo MagalhãesLeonardo Antonio Botini Mircéia Angele MombachUbiara Henrique G. Teixeira Alvair HoffmmanDiego Cordeiro de Paula Manuel P. H. DonellesRafael Soares Josiana CavalliJéssica Coutinho da Silva Antonio Carlos BuchettTainara Cristina Reis Verri Urives Bruno Henrique R. GonçalvesLeandro Cazelli Alencar Daniel de MenesesKamila Andreatta Marcos DemicheliGiovane nunes Silva Giordani Ferraz MarognoLucas Maciel Gomes Olini Anna Karolina Santos SilvaFagner junior Gomes Maira lais Both BourscheudtRafael Souza Almodovar Anderson LangeClaudio Jonasson Mousquer Marcelo MiguelANEXO 4 - Colaboradores Alta FlorestaVanessa Ferreira de Souza Maykon TakahasiSoraia Olivastro Teixeira Roseane MarinhoLigia Lopes Leandro Lucas BarellaMeridiana Canabarro Ritter Robson Henrique da SilvaMarlon Adriano Arenhardt Carlos José CardosoArien Nava Mariely Lopes dos SantosCristiano da Veiga Ottonelli Cleverson Meurer GomesDanilo de La Queyffer da Silva Gonçalves Bruno Pereira DinizJosivan de Sá da Mascena Tiago Henrique PiresGilberto de Almeida Seba Vanessa Bezerra dos Santos 69
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASEduardo Teixeira Maia Katia Karolini MesneroviczMarlon Anderson Marcondes Bruna SacchiBruna Zonta de Brito Adriano Maltezo da RochaHugo Fernandes Volpe Bravo Cristian de Paula NunesSuelen Vivien de Andrade Watson Costa SantosFranciande Cazelato Costa Maykon A. dos SantosRobson Lima Souza Pedro Julio PelegriniPedro Luiz Botaro Mancuzzo Mauricio ArrudaAry Antunes de Lima Neto Elton Douglas R. MendesFrancisco Rogério Beckmann Duilhio da Silva LouresHenrique Lehrbach Humberto Felipe CelantiIsadora Avanci Belido Valcleir NunesNathaly Panassol da SivalANEXO 5 - Colaboradores Nova XavantinaAna Flavia Gomes e Silva Jessica Morgana SantosJorge Enan Brande Horlenurerger Dieter Gustavo PeterJuliana Fonseca de Moura Larissa Rodrigues AraujoPriscilla Guimarães Dalla Costta Arthur Vilela RibeiroLetícia Bach Dias Geuzimar O. SouzaVanessa Nunes de Abreu Neuzilene das Graças RossiJakeline Pinheiro Arthur Vinicius de Siqueira SouzaJanaina Andrade Viana Gerson Luis ErpenIsabella Aires Brito Nelci Miranda de AzevedoNaroah Caroline Fonseca Andre Luiz de BarrosCamila Candida de Jesus Alex Castro SouzaDouglas Ferreira de Souza Guilherme G. VilelaRafael de Almeida Montilli Larissa Alves de SouzaAmarildo Campos Luz Sonia França CostaRenata del Carratore Carneiro Duana Viana RamosLuiza Aires Brito Taylaine L. RodriguesWhatilla Moreira de Jesus Cristiane Borges CaetanoGianni Queiroz Haddad Hugo E. da Silva AguiarEder Reinaldo Leigh Gotz Ana Heloisa Maia70
    • DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTASVinicius O. Silva Thiago Sales SilvaBrunno Henrique N. S. da Silva Ana Paula Pinheiro ZorotinVinicius Gabriel Fernandes BoechatANEXO 6 - Colaboradores Tangará da SerraJosé Roberto Rambo Oliane Cristina de SouzaDydmo Vasconcellos Nayara Fernanda FrattaKain Daniel Prestes da Silva Vinicius Ricardo EidtAngelica Danieli Furlanetto Eugenio Carlos Queiroz JuniorWellington Costa Medrado Tulio Martine SantosThiago Cugresto C. dos Santos Saulo MendesAlex Michelau Policarpo da Silva Tacyane N. Ramos de SouzaRaul Wilson Andrade Guilherme Augusto Castelli VieiraPaulo Cesar Bittencourt de Carvalho Ronaldo Coutinho RibeiroThais Lohaine Braga dos Santos Maria Carolina Vilhena MeirellesEzequiel Ermita Amanda Viana CamposEsdras da Silva Santos Heullon Diogo de Oliveira RamosJoao Paulo Ascari Gean R. NascimentoInes Roeder Nogueira Mendes Leandro Rafael FachiEmily Tayna Alves Simon Cleiton Lopes da SilvaEldo Sá Correa Filho Romeria C. RochaFabio da Silva Melo Ocimar Edson de OliveiraJose Renato Meireles Weverson de Jesus LimaMirian Simon Joao Pedro Rigui TrentinJurandir Ambrosio Alex Michellan PolicarpoFelice Maciel de Azevedo Eduarda Patricia Moreira SantosAdriano Paetzold Marafon Thomas Edson FregonezeGiovani Junior Bagatini Eduardo Souza CostaLuiz Augusto do Amaral Airton Guimaraes Botaro Junior 71
    • REALIZAÇÃO
    • Associação dos Criadores de Mato GrossoRua B, esquina com Rua 02, Edifício Famato, Sala Acrimat, Bairro Centro Político Administrativo CEP: 78.049-908 - Fone/Fax: (65) 3622 2970 - email: acrimat@acrimat.org.br www.acrimat.org.br