Reportagem cuba exame informática

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Reportagem cuba exame informática

  1. 1. Todososlivros noTableT Duas turmas de uma escola alentejana vão fazer todo o ano letivo sem livros impressos. Será desta que os tablets substituem os manuais escolares? por Hugo Séneca ocontráriodoquesucedetodososanoseemtodasastur- mas,asmochilasdosalunosdo7ºanodaEscolaBásicaFia- lho de Almeida (EBFA), em Cuba, vão ficar mais leves no regressoàsaulas.Emvezdemanuaisimpressosempapel, mais de 40 adolescentes da escola alentejana vão passar a transportar tablets que dão acesso a todos os livros escolares em formato eletróni- co. Caso as avaliações intercalares sejam favoráveis, os tablets deverão acompanhar as duas turmas até ao 9º ano. Para os jovens alunos, a en- tregadostabletsnãoserápropriamenteumaestreiatecnológica.«Sim, é a mesma geração que recebeu os Magalhães, mas este projeto é dife- rente. Tenho a sensação de que a maioria dos professores não usava os Magalhães», explica Germano Bagão, diretor da EBFA. Asaulaspoderiampassaraserdadasapenasesócommanuaiseletró- nicos? A legislação é omissa quanto ao assunto. Por tradição, são ado- tados manuais impressos – mas não há restrição para o uso de recursos a tendencias^ Manuais escolares Setembro 2013 exame informática 78 didáticosnoutrossuportes.Oquesignifica,queno limite,osmanuaisdepapelpodemmesmosersubs- tituídos, na totalidade, por versões eletrónicas. O que coloca desafios que nem sempre são notórios com os "livros de papel". «Este é um meio peque- no...epodehaveralunosquenãotêmacessoàNet emcasa.Eporissofoinecessáriogarantirapartici- pação de um operador de telecomunicações neste projeto», explica Germano Bagão. O diretor da EBFA admite que a introdução de manuaisescolareseletrónicospodealteraraforma comodecorremasaulas,masacreditaqueospro- fessoresnãoterãodificuldadeemadaptar-se,uma vez que têm recebido formação e «estão à vonta- de com o uso das tecnologias». No que toca aos alunos, o prognóstico é igualmente otimista: «O manual eletrónico contém mais recursos que um livro. Tem ligações para as várias matérias e dis- põedesistemasdepesquisa.Epodetervantagens ao nível motivacional», explica Germano Bagão. Alémdooperadordetelecomunicações,opro- jeto piloto conta com a participação da Fujitsu, que cede os tablets; da Porto Editora, que cede os acessos à plataforma onde estão alojados os ma- nuaisescolares;daPromethean,quedisponibiliza © Todos os direitos reservados. A cópia ou distribuição não autorizada é proibida. Ficheiro gerado para o utilizador 1431570 - hugomguerreiro@gmail.com - 85.138.121.172 (29-08-13 07:28)
  2. 2. Setembro 2013 exame informática 79 o software que permite a gestão de ativi- dadesescolares;edaNovabitqueassegura amanutençãoeaintegraçãodossistemas. Tambémvaiserfeitoumseguroparacobrir eventuais avarias ou extravios. Ao contrário das versões de papel, os manuais eletrónicos exigem a cooperação entre múltiplas entidades. O que não sig- nifica que as aulas do 7º ano da EBFA vão representar um corte radical com o pas- sado: «Não vamos deixar de usar caneta e papel. Os alunos vão continuar a fazer a fichas de papel», atenta Germano Bagão. Só para algunS Hoje,nãoháumplanonacionalparaouso dos manuaiseletrónicosnassalasdeaula– atéporque,nomercadonacional,aofertaé escassaeresume-seaosmateriaiscomple- mentares disponibilizados pelas platafor- mas da Porto Editora ou da Texto Editora. O acesso a estas plataformas não é uni- versal: nalguns casos são estabelecidos acordos entre editoras e escolas (maiori- tariamenteprivadas)paragarantiroacessoaosrecursosdigitais;enou- troscasossãoosencarregadosdeeducaçãoque,poriniciativaprópria, desembolsam o valor necessário. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) ainda não definiu a estratégia a seguir no que toca a modelos de acesso e ao financiamento dos manuais eletrónicos – e é improvável que tome uma decisão antes de se conhecerem os resultados dos pri- meiros projetos-piloto. Qualquerdecisãoquevenhaasertomadaterádetersempreemconta o contexto escolar. «Houve escolas que compraram acessos para estas plataformasderecursoseletrónicos,masquedepoissedepararamcom um novo tipo de problema: as redes Wi-Fi não estavam dimensiona- das para tantos utilizadores simultâneo», explica António Domingos, professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCTUNL). Entre2007e2011,AntónioDomingosliderouumestudodaUnidadede Investigação, Educação e Desenvolvimento (UIED) sobre o uso as tecno- logiasnoensinodamatemática.Noestudoparticiparammaisde100pro- fessorese700alunosdoensinobásicoesecundário,de20escolasdoPaís. Entreasmuitasconclusões,odocentedaFCTUNLdestacauma:éneces- sário formar os professores para que possam tirar partido das novas fer- ramentasqueajudam«oalunoaexplorareacons- truiroseuconhecimento». «Aindanãosepodesubstituirtodososmanuais impressospormanuaiseletrónicos,porqueases- colasnãoestãopreparadas.Hásituaçõesemquea versãoeletrónicapermitequealunosquenãotêm manuais acompanhem as aulas. É uma tendên- cia natural, mas essa substituição terá de ser feita gradualmente», acrescenta António Domingos. Mas não são só os professores e alunos que te- rão de aprender a dominar as novas ferramentas. António Ramos, presidente da Associação Nacio- naldeProfessoresdeInformática(ANPRI),lembra quetambémaseditorasterãodereverestratégias: «Há editoras que só vendem versões eletrónicas emCDaquemcompraaversãoempapel.Nasau- las de TIC, a versão eletrónica é suficiente e tem a vantagemdepoderseratualizada.Oqueéimpor- tante,setivermosemcontaqueasescolasadotam os mesmos manuais durante três anos». o que diz a lei A legislação atual não aplica qualquer limitação ao uso de manuais escolares em suporte eletrónico. A Lei n.º 47/2006 contempla o uso de recursos alternativos aos manuais impressos, «independentemente da forma de que se revistam, do suporte em que são disponibilizados e dos fins para que foram concebidos, apresentados de forma inequivocamente autónoma em relação aos manuais escolares». Ana Luísa Neves, responsável pelo Departamento de Manuais Escolares na Direção Geral de Educação (DGE), recorda que, tal como está, a lei atual apenas incide nos conteúdos que deverão ser lecionados e não sobre o suporte que é usado. «No caso de se enveredar pelo suporte eletrónico, subentende-se a existência de computadores... e é possível que nem todas as famílias portuguesas tenham um. O manual deve dar autonomia ao aluno, quando está em casa. Não pode tornar-se um fator de discriminação entre quem tem e quem não tem computador», frisa a responsável da DGE. Uma eventual migração generalizada para os manuais eletrónicos dependerá sempre de um estudo e respetivas conclusões que permitam sopesar prós e contras. O que não invalida alguns projetos pioneiros para alunos com necessidades especiais. Em outubro de 2012, a DGE, a Fundação Vodafone e a Porto Editora relançaram um projeto de produção de audiolivros para alunos do 5º ao 12 anos, que sofram de limitações visuais ou dislexia. O programa, conhecido como Daisy 2012, implica o uso de tecnologia EasyReader, que "lê" textos para os alunos, sempre que necessário. No final do ano letivo passado, foram abrangidos pelo projeto 500 alunos e, pela primeira vez, os Exame Nacionais foram disponibilizados com tecnologia compatível. «É uma ferramenta muito importante e os alunos reagiram muito bem, porque cresceram com as tecnologias. É uma solução que traz mais-valias para alunos com necessidades especiais, mas acredito que as soluções que são boas para estes alunos acabam por também revelar-se úteis para os alunos em geral», conclui Filomena Pereira, responsável pelos Serviços de Educação Especial da DGE. Além dos links e das pesquisas, os manuais eletrónicos podem ter um efeito motivador para os alunos, recorda Germano Bagão © Todos os direitos reservados. A cópia ou distribuição não autorizada é proibida. Ficheiro gerado para o utilizador 1431570 - hugomguerreiro@gmail.com - 85.138.121.172 (29-08-13 07:28)

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