Elthon de Aguiar PastorelloO PERFIL EDITORIAL DO JORNAL DA GLOBO:Uma análise das editorias de política e economia do telej...
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Agradeço a minha família pelo apoio em todos os momentos dessacaminhada, entendendo as especificidades momentâneas imposta...
RESUMOUm telejornal que vai ao ar no fim da noite tem de buscar uma forma atrativa de conquistarseu telespectador, uma vez...
LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1: Distribuição do tempo da edição de segunda-feira dia 19/05/2008 ........................37Gráf...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
61 INTRODUÇÃOA pesquisa apresentada teve como foco a análise do Jornal da Globo (JG) com o intuito deapontar as caracterís...
7No capítulo 4 foi feita a análise dos dados obtidos com o material empírico coletado, queapontam indicadores que comprova...
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9Erbotato (1991) enfatiza que a preocupação com a forma de escrever deve ser constante.                 Pode-se escrever c...
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12Num segundo momento, já no século XX, surgiu o conceito de objetividade. No entanto, esteconceito, ao contrário do que s...
13amizade e cumplicidade entre a fonte e a empresa de comunicação ou o jornalista, o qualmesmo que sutilmente, influenciar...
14Com isso, os jornais impressos não ficaram apenas mais bem paginados, mas passaram aorganizar seu conteúdo dando à infor...
15O homem tem necessidade de se informar para ser considerado plenamente um cidadão,variando apenas os assuntos pelos quai...
16Colombo (1998) identifica duas outras formas de se gerar uma notícia. São elas: a invenção ea desinformação. Sendo a pri...
17Em virtude da complexidade de compreensão por parte do público em geral de algumaseditorias, os jornais optam muitas vez...
183 A CHEGADA DA TELEVISÃO3.1 Televisão no BrasilBrasil (2005) e Paternostro (1999) afirmam que a primeira transmissão exp...
19emissoras de rádio (Rádio Tupi). Graças à ousadia dele o Brasil foi o quarto país do mundo apossuir uma emissora de tele...
20Fica evidente a importância do jornalismo na Rede Globo de Televisão ao se perceber que foiexatamente o Jornal Nacional ...
21Segundo Borelli e Priolli (2000), já em 1987, a Rede Globo atingiu uma receita estimada de500 milhões de dólares e um va...
223.3 Assim se faz telejornalismoUma das funções do telejornalismo, além de informar, é entreter o telespectador, é divulg...
23processadas. Esse fluxo de informações jornalísticas é classificado por Machado (2003) comouma sucessão de versões do me...
24observações que se justifica o uso de uma linguagem coloquial, uma vez que é assim que sefaz a comunicação na cultura br...
25Para Rezende (2000), o imediatismo da televisão faz com que se produzam matérias maiscurtas, mais diretas e sem uma cont...
263.5 O tripé jornalístico da Rede GloboA tão comentada qualidade globo, ou padrão globo de qualidade teve início em 1968 ...
273.6 O padrão Globo de qualidadeIniciado na década de 1960 com o prime-time, e aliado a um padrão de produção, tecnologia...
28equipamentos como do pessoal empregado. Baseada no envio de funcionários aos EstadosUnidos para que treinassem o modelo ...
29Com isso, fechava-se uma fórmula de sucesso inegável que é copiado até hoje por outrasemissoras e que ainda mantém a Red...
30                 Com relação às telenovelas torna-se possível a indicação de algumas tendências: há claros              ...
31novos mecanismos de distribuição de sinais como o cabo, a transmissão direta via satélite, afibra-ótica etc., que cria c...
324 O JORNAL DA GLOBO NO AR4.1 Metodologia de pesquisaOs mecanismos utilizados para se atingir os objetivos pretendidos ne...
33Já a análise qualitativa se deu em um segundo momento com a separação das editorias depolítica e de economia. Neste pont...
34Três anos mais tarde Leila Cordeiro se afastou da bancada do JG e deu lugar a FátimaBernardes, que após alguns meses tev...
35Já Christiane Pelajo tem 34 anos e foi apresentadora da Globo News de 1996 a 2005, à frentedas edições noturnas do telej...
36a criação da hidrelétrica de Belo Monte, a qual os índios são contrários, além dos demais fatosrelacionados a esse episó...
37Esses valores referentes à análise quantitativa dos segundos destinados a cada editoria naprimeira edição da semana cole...
38Destaca-se nesta edição principalmente a editoria de política, com uma exposição de matériasentre 700 e 800 segundos. On...
39em cidades do interior do Amazonas e com o quadro de charges de Chico Caruso, e a segundacom os jogos da Copa Libertador...
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434.4 O tratamento da políticaA partir da análise quantitativa em que aponta a editoria de política com maior tempo deexpo...
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  1. 1. Elthon de Aguiar PastorelloO PERFIL EDITORIAL DO JORNAL DA GLOBO:Uma análise das editorias de política e economia do telejornal. Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2008
  2. 2. Elthon de Aguiar PastorelloO PERFIL EDITORIAL DO JORNAL DA GLOBO:Uma análise das editorias de política e economia do telejornal. Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientador(a): Prof.a Erika Savernini Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2008
  3. 3. Agradeço a minha família pelo apoio em todos os momentos dessacaminhada, entendendo as especificidades momentâneas impostaspela vida que me impediram de abreviar o percurso. Aos meus amigosde forma geral, que de alguma forma me acompanharam na realizaçãodesse sonho. E aos mestres que compartilharam comigo do único bemque ninguém nos tira, o conhecimento. Obrigado!
  4. 4. RESUMOUm telejornal que vai ao ar no fim da noite tem de buscar uma forma atrativa de conquistarseu telespectador, uma vez que as notícias do dia já foram conhecidas por esse de algumamaneira durante o dia, seja por meio de rádio ou jornal impresso. Como fazer isto? Comoobter um público fiel a um telejornal a esta hora do dia, e sobre quais assuntos falar? Combase nesse problema, a pesquisa buscou delimitar quais os meios utilizados pelo Jornal daGlobo (JG) para cativar seu público e ainda informar, de uma maneira diferente, o que já foidito durante o dia em outros meios de comunicação. Após uma coleta de cinco edições dotelejornal, foi possível analisar as editorias que são postas em destaque e de que forma isso éfeito. Com esses dados em mãos, percebeu-se que o telejornal privilegia as editorias depolítica e de economia, mesclando diversos gêneros jornalísticos a comentaristas fixosespecialistas nos assuntos e infografias para facilitar a compreensão das matérias. Com issoconclui-se que as técnicas utilizadas pelo Jornal da Globo têm como objetivo a permanênciada linha editorial escolhida pelo telejornal desde a sua criação, quando assuntos de política ede economia norteavam o programa. Com o avanço das técnicas e tecnologias no fazerjornalístico, o telejornal procura facilitar a compreensão desses complexos assuntos por partedos telespectadores, além de selecionar desta forma o público alvo do desejado.Palavras-chave: Telejornalismo; Editoria; Jornal da Globo.
  5. 5. LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1: Distribuição do tempo da edição de segunda-feira dia 19/05/2008 ........................37Gráfico 2: Distribuição do tempo da edição de terça-feira dia 20/05/2008..............................38Gráfico 3: Distribuição do tempo da edição de quarta-feira dia 21/05/2008 ...........................39Gráfico 4: Distribuição do tempo da edição de quinta-feira dia 22/05/2008 ...........................40Gráfico 5: Distribuição do tempo da edição de sexta-feira dia 23/05/2008 .............................41Gráfico 6: Somatório das editorias durante a semana de 19 a 23/05/2008...............................42
  6. 6. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................62 O QUE GERA NOTÍCIA .....................................................................................................82.1 Importante ou apenas mais um fato corriqueiro? .................................................................92.2 A influência do jornalista ...................................................................................................112.3 Dividir para absorver melhor..............................................................................................163 A CHEGADA DA TELEVISÃO........................................................................................183.1 Televisão no Brasil .............................................................................................................183.2 O surgimento da Globo ......................................................................................................193.3 Assim se faz telejornalismo................................................................................................223.4 Adequando a linguagem .....................................................................................................233.5 O tripé jornalístico da Rede Globo .....................................................................................263.6 O padrão Globo de qualidade .............................................................................................273.7 A perda da hegemonia ........................................................................................................294 O JORNAL DA GLOBO NO AR ......................................................................................324.1 Metodologia de pesquisa ....................................................................................................324.2 Breve histórico do Jornal da Globo ...................................................................................334.3 O Jornal da Globo em números ..........................................................................................354.3.1 Proporcionalidade de inserções apresentadas pelo jornal em segundos..........................354.4 O tratamento da política .....................................................................................................434.5 O tratamento da economia..................................................................................................465 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................48REFERÊNCIAS .....................................................................................................................50
  7. 7. 61 INTRODUÇÃOA pesquisa apresentada teve como foco a análise do Jornal da Globo (JG) com o intuito deapontar as características editoriais mais marcantes no telejornal. Com base nessascaracterísticas foi possível sinalizar as matérias que têm maior destaque no telejornal e ainfluência dessas editorias no formato do programa.É de extrema importância esta análise, uma vez que aponta para um formato de telejornalismodistante dos padrões estabelecidos como de qualidade da Rede Globo de Televisão. É umformato que utiliza-se de recursos disponíveis no meio televisivo, porém que não sãoaproveitados em todos os telejornais, e encaixaram-se de forma harmoniosa na proposta doJG.O objetivo principal da pesquisa foi determinar quais as editorias têm maior destaque notelejornal e de que forma isso ocorre, através de quais técnicas é possível se perceber isso.A fim de alcançar esse objetivo principal, se buscou respostas para questionamentossecundários como a repetição de matérias dentro das editorias de destaque, forma detratamento dessas matérias, formatos utilizados nas editorias e tempo de exposição dentro decada edição.No capitulo 2 da pesquisa foi feito um levantamento bibliográfico com o intuito de apontarcritérios utilizados pelo jornalismo como um todo no momento da seleção dos fatos a seremnoticiados. Autores como Mario Erbolato, Silvia Helena Simões Borelli, Gabriel Priolli eGuilherme Jorge Rezende foram utilizados como base para se determinar o que caracterizaum fato como algo digno de ser noticiado, e de que forma esse fato é escolhido em meio atantos outros.O capítulo 3 foi o momento em que se entrou propriamente dito na mídia em que se encontrao objeto da pesquisa, que é na televisão. Nesse capítulo foi feito um breve apanhado históricoda televisão no Brasil, incluindo a criação e a evolução da Rede Globo de Televisão ao longodos anos. Para esse capítulo foram utilizados como fonte de informação autores comoMarialva Barbosa, Ana Paula Goulart Ribeiro, Vera Íris Paternostro e novamente SilviaHelena Simões Borelli e Gabriel Priolli.
  8. 8. 7No capítulo 4 foi feita a análise dos dados obtidos com o material empírico coletado, queapontam indicadores que comprovam o foco do telejornal nas editorias de política e deeconomia. Neste capítulo aparecem os gráficos da distribuição de matérias por editorias e umaanálise mais pormenorizada das duas editorias em foco.E finalizando a pesquisa, no capítulo 5 foram feitas considerações finais a respeito dasconclusões que se chegou com o estudo, apontando características do formato jornalístico doJornal da Globo e suas diferenças com o padrão de telejornalismo adotado em outrosprogramas.
  9. 9. 82 O QUE GERA NOTÍCIAA escolha do que é importante, do que o interessa e do que garantirá lucros para o veículo emque se trabalha, sempre foi um dilema do fazer jornalístico.Segundo Borelli e Priolli (2000), acredita-se que a palavra, tanto impressa como falada, écapaz de derrubar governos, modificar hábitos, alterar pensamentos e até melhorar condiçõesde vida. No entanto, isso só ocorre se a notícia estiver adequada a determinado tipo depúblico, o que muitas vezes não acontece. Percebe-se hoje em dia que muitas pessoas são malinformados pelos meios de comunicação, uma vez que se noticia corriqueiramente fatosdistantes de suas realidades, tornando-os familiarizados com acontecimentos em outrospaíses, por exemplo, e desinformados sobre fatos de seu próprio país.Segundo Erbolato (1991), a formação atual de um jornalista não se dá como antigamente,quando o aspirante a jornalista era forjado na labuta de uma redação, iniciando pela revisão detexto, passando pelas editorias como colaborador e podendo chegar até a editor ou chefe dereportagem. O caminho percorrido hoje para que uma pessoa torne-se jornalista é através dasuniversidades. O jornalista da atualidade se forma em cadeiras acadêmicas, em meio às teoriase aos autores renomados.O novo perfil de jornalista não é mais aquele que conhece o fazer jornalístico na prática, comsuas nuances. Por mais que as universidades coloquem à disposição de seus alunos umaestrutura de oficinas e laboratórios de jornalismo capazes de aproximá-los ao jornalismodiário, nunca o será.Não se pode esquecer que não é só gostar de escrever que leva uma pessoa à profissão dejornalista, é preciso ter vocação, ter contato com o fazer jornalístico, viver aquela atmosferaúnica. Para Erbolato (1991), somente assim o aspirante aprenderá a escolher o que publicarem meio a milhares de notícias que chegam numa redação enviadas poragências, pelos repórteres, redatores, informantes, órgãos particulares, repartiçõesgovernamentais, além de correspondentes ou enviados especiais.
  10. 10. 9Erbotato (1991) enfatiza que a preocupação com a forma de escrever deve ser constante. Pode-se escrever corretamente, do ponto de vista gramatical, mas se forem empregados palavras difíceis, termos técnicos, neologismos ou excesso de adjetivação, o leitor que tenha apenas o curso primário não entenderá a notícia, ficará irritado e deixará de lê-la até o fim. Não é impossível que ele até se torne um inimigo do jornal... Na sua filosofia, raciocinará que pagou pelo exemplar, comprando-o avulsamente ou por assinatura, e que por isso tem o direito de compreender o que está em todas as colunas, desde a primeira até a última página.(ERBOLATO,1991, p.20)Dessa forma, é preciso que se delimite o público para o qual se escreve, qual o grau deescolaridade esperado deste público, quais assuntos estão mais próximos da realidade dessaspessoas, pois somente assim é possível suprir a maior parte das expectativas de informaçãoque o leitor deposita no meio de comunicação, uma vez que todas não é possível.2.1 Importante ou apenas mais um fato corriqueiro?A escolha de um acontecimento para que se torne um fato jornalístico noticioso não pode serfeita de forma aleatória e sem critério. Para isso, é necessário que o fato em primeiromomento não seja algo comum e cotidiano, ou seja, é preciso que tenha uma baixaprobabilidade de repetição.Segundo Rodrigues (1999) existem alguns registros da notabilidade dos acontecimentos quesão usados como justificativa para a sua relevância. São elencados três registros: o excesso,em que o extrapolar de alguma atitude prevista e bem delimitada torna-se relevante para suaelevação ao grau de fato noticioso; a falha, onde por falta de zelo, capacidade ou até mesmoalgo alheio ao agente, ocorre um resultado que não o pretendido; e a inversão, pois se esperaalguma atitude ou resultado que não ocorre conforme o previsto, mas sim muitas vezes nosentido oposto do pretendido.No entanto, os fatos noticiosos não se restringem os registros de notabilidade já esperados oupré-estabelecidos, mas também aos meta-acontecimentos. Os quais não são necessariamenteacontecimentos noticiáveis em sua essência, mas sim simulacros de acontecimentos que sãocriados em cima de fatos reais para que somente assim atinjam o estatuto de algo noticiável.Têm como objetivo explícito ganhar a mídia, a notoriedade, logo, ganhar importância comoalgo que realmente tivesse rompido acidentalmente a ordem esperada do mundo natural.Formam um discurso próprio do acontecimento. Surgem muitas vezes apoiados em um desses
  11. 11. 10registros de notabilidade elencados acima, relevantes sim, no entanto perversos, pois motivama criação de um meta-acontecimento partindo desse registro, que se apóia em algo real paraadquirir uma visibilidade, que é o objetivo de um meta-acontecimento.Como os meta-acontecimentos podem ser criados a qualquer momento, uma vez que seapóiam em acontecimentos anteriores que quebraram com a ordem natural, não é possívelprever um meta-acontecimento. De acordo com Rodrigues (1999), é devido a essaimprevisibilidade que se torna possível algo ser noticioso com base no querer-dizer, no saber-dizer e no poder-dizer. Ou seja, um fato que não se restringe ao acontecido, mas sim emfantasiar e criar um acontecimento com base em fatos reais, como é o caso dos meta-acontecimentos, não têm nenhuma obrigatoriedade com a verdade nem tampouco com aoportunidade. Não existe hora para que seja veiculado e difundido, basta ser um momentopropício para quem difunde.Ao se relatar um acontecimento, pressupõe-se que esse seja relevante, com base nos critériosde notabilidade. Por outro lado, a forma de transmitir esse acontecimento acompanha umaadequação do discurso. Essa adequação ocorre não só por parte de quem oferece ainformação, como por quem a recebe. Partindo de quem está disposto a informar, a adequaçãopode ser empregada meramente para facilitar a compreensão do assunto, mas também parauma eliminação da multiplicidade de interpretações de quem vai receber a informação,direcionando assim a compreensão do que se informa.Segundo Rodrigues (1999), os acontecimentos não estão apenas sujeitos às avaliações deverdadeiro ou falso, certo ou errado, mas também estão relacionados aos valores dacredibilidade de quem o produz e do contexto em que se emite essa notícia.Concomitante ao relato do acontecimento pode advir diferentes formas de se abordar oassunto e de se produzir uma notícia, sendo algumas mais relacionadas aos meta-acontecimentos. Ou seja, com base no fato ocorrido e noticiável em sua essência, essas formasde abordagem dão vida a outro fato noticioso, criam um meta-acontecimento com objetivodiretamente voltado ao interesse de quem veicula essa notícia.Até mesmo por precaução, orienta-se que quem produz a notícia deva se ater apenas a relataros fatos e não tender para nenhum ponto de vista, minimizando assim a parcialidade inerente
  12. 12. 11ao ser humano. Orientação essa que não é inteiramente eficaz quando a fonte da informação,sabendo dessa não interferência do repórter no fato narrado, tenta usar dessa imparcialidadepara que sua fala ou informação alcance o objetivo por ele pretendido nas entrelinhas. Utiliza-se exatamente da não interpretação do jornalista para veicular o seu ponto de vista.É claro que para amenizar essa talvez velada tendência ao relatar, existem diversos artifíciosutilizados pelos jornalistas, dentre eles o uso de interlocutores que comentem, ou expliquem oacontecimento com um ponto de vista muitas vezes mais técnico, e aprofundado, porém deacordo com a linha de pensamento do veículo em que se está. A escolha dos termos, a ordem da sua apresentação, a selecção dos factos expostos pressupõem inevitavelmente a existência de juízos de valor fundamentados em critérios partilhados por uma comunidade de palavra com um conjunto de definições de critérios, algumas equívocas, outras não equívocas, acerca das quais se exige o estabelecimento da um acordo. (RODRIGUES, 1999, p.32)Portanto, nos tempos atuais é necessário que se organizem os fatos existentes, traçando umatrama compreensível para o ouvinte e que faça com que ele, apenas ele, tome partido dedeterminada informação. Tornando-se assim um discurso unitário, ou seja, sem distorções oudirecionamentos e que dessa forma contribua para o pensamento coletivo, uma vez que deixaa cargo de quem absorve essa informação o juízo de valor a respeito.2.2 A influência do jornalistaOs órgãos de informação lidam com acontecimentos, com fatos e por isso devem se manter omais fiéis possível ao que ocorreu. Com base nisso, Nelson Traquina (1999) diz em seu textoAs Notícias, que essa característica inseparável se consolidou na profissão em dois momentoshistóricos distintos.Inicialmente, o ato de informar foi dividido em fatos e opiniões, tendo como objetivoaproximar-se o máximo possível da tão almejada imparcialidade. Separando assim osacontecimentos propriamente ditos, das opiniões emitidas por jornalistas ou conhecedores doassunto. Essa separação no jornalismo foi criada em 1856 por um correspondente daAssociated Press, a mais antiga agência de notícias norte-americana.
  13. 13. 12Num segundo momento, já no século XX, surgiu o conceito de objetividade. No entanto, esteconceito, ao contrário do que se pensa, não é apenas reproduzir o fato como ele aparece. Pelocontrário, segundo Traquina (1999), com o surgimento das relações públicas e da propagandalargamente utilizada na Primeira Guerra Mundial, tornou-se necessário que se colocasse emdúvida todos os fatos, para que somente assim, questionando o que nos é mostrado, fossepossível se chegar a eles sem dúvida de sua veracidade, sem interferências nem manipulações.Traquina (1999) diz ainda que para transformar um acontecimento em notícia, os jornalistasse vêem presos a narrativas já existentes, o que parece uma falta de criatividade, mas naverdade se trata de uma imposição velada do fator tempo. Isso se dá em virtude do chamadodead-line, ou seja, um horário estabelecido previamente para que as matérias estejam prontaspara serem veiculadas. Para que se atenda a essa exigência temporal já existem formatos pré-estabelecidos em quase todas as redações. Por fim, essas narrativas, por estarem já dentro dospadrões estabelecidos pelo veículo, acabam sendo escolhidas com base em pontos de vista dojornalista sobre o assunto, e não da realidade do fato com todos os seus detalhes, indo contra oque espera do ato de informar.A escolha de um acontecimento digno de ser transformado em notícia não pode ser analisadasem que se tenha em mente a imagem do jornalista inserido em uma organização, a qual nãoapenas o orienta como o induz a noticiar algo que lhes é conveniente e da forma que lhes éinteressante, chamada de política editorial da empresa.Em muitos casos, a empresa já possui fontes de informação fixas em diversos pontos de seuinteresse, como em setores governamentais, empresariais, e esportivos que lhe alimentam cominformações base para as matérias. Por vezes a cumplicidade existente entre essas fontes e oseditores do veículo é tão grande que as notícias para serem publicadas dispensam apreciaçãodos editores.Contudo, Traquina (1999) acredita que ainda exista a preocupação com a não revelação dasfontes, pois, uma vez que se encontre uma fonte confiável, que lhe alimente de informaçõesverídicas e sem distorções, um compromisso de não revelar quem está auxiliando o jornalistadeixa a fonte mais tranqüila para continuar informando sem medo. Por isso é preciso tersempre várias formas de acesso à informação, tanto oficiais como paralelas. Dessa forma oveículo não fica nas mãos das mesmas fontes, já que uma hora se estabelecerá o vínculo de
  14. 14. 13amizade e cumplicidade entre a fonte e a empresa de comunicação ou o jornalista, o qualmesmo que sutilmente, influenciará no ato de informar.O fazer jornalístico norteia-se baseado pelo fator tempo, em todos os sentidos. Com isso, éinteressante salientarmos que o noticiável se restringe basicamente ao atual, e quando não o é,tem como gancho o dia de hoje. Isso quer dizer que se utiliza de algum fato já acontecido paracontextualizar o acontecimento de hoje, como por exemplo, quando se comemora ou selembra um acontecimento que se deu no mesmo dia de hoje, só que 5 anos atrás. Isso mostraque a relação com ao atual tem que existir sempre, nem que seja apenas para servir de cabidepara uma notícia passada.Outro aspecto importante levantado por Traquina (1999) é que das seis perguntas habituais dolead, quem? o quê? quando? onde? por quê? como? , as duas que não são tão factuais enecessitam de uma explicação mais aprofundada (como? por quê?) são exatamente as que oleitor mais quer ver respondidas na notícia. No entanto, o fator tempo dificilmente possibilitaque essas respostas sejam dadas em uma só matéria. Seja em virtude do horário defechamento de um jornal, como também pelo tempo que demanda uma pesquisa maisaprofundada sobre determinado assunto. Fatores esses diretamente relacionados à restriçãoque o tempo causa no jornalismo.O jornalismo interpretativo surgiu diante da dificuldade enfrentada pelos jornais impressos defazerem frente à televisão e suas tecnologias, tendo em vista que a matéria televisiva não ésomente dita, mas também mostrada, e também para responder essas perguntas que faltavamser respondidas. Trata-se de uma forma de jornalismo que mostra os antecedentes dosacontecimentos a fim de contextualizar o fato ao mesmo tempo em que se aprofunda mais namatéria. Posto assim, as ocorrências devem ser projetadas jornalisticamente de forma a que oleitor conheça os antecedentes e as conseqüências possíveis do fato.Este novo formato jornalístico se atreve até mesmo a ensinar, e oferecer uma interpretação, amais ampla possível, levando ao conhecimento de todos os níveis sociais matérias complexascomo de economia, política e internacional, além de deixar claro que não existem fatosisolados, sem desdobramentos passados ou futuros, valorizando assim a opinião pública.
  15. 15. 14Com isso, os jornais impressos não ficaram apenas mais bem paginados, mas passaram aorganizar seu conteúdo dando à informação um aspecto mais profundo e permanente,avançando em relação às seis questões primárias de Kipling (Quem? Quê? Quando? Onde?Por quê? Como?) uma vez que a televisão já satisfazia às iniciais. Erbolato (1991) relata que: Hoje, novos esquemas são adotados. O recurso foi o de dar ao leitor reportagens que sejam complemento do que foi ouvido no rádio e na televisão. Adotou-se, para isso, a pesquisa, tendo como fonte os arquivos dos jornais e as bibliotecas e, ao lado deles, a obtida através da movimentação de equipes de repórteres, que coliguem dados secundários ou que ocorreram concomitantemente com o fato principal. (ERBOLATO, 1991, p.33-31)Para Borelli e Priolli (2000), a televisão e o rádio não podem competir em profundidade,dramaticidade e busca de antecedentes de um fato com qualquer boa reportagem escrita.Gastaria horas no ar, e não conseguiria patrocínio para uma transmissão tão demorada. Alémdo que qualquer informativo de televisão morre pouco depois de projetado, e nos jornais não,as histórias continuarão despertando interesse enquanto não forem jogados fora.Contudo, importante mencionar que alguns jornalistas ainda confundem a interpretação com aopinião, o que são pontos bem distintos, tanto que são tidos como formatos diferentes dejornalismo. No primeiro, o jornalismo interpretativo, o objetivo é apenas obter um históricorelacionado com o acontecimento a fim de situá-lo no tempo e na sociedade, enquanto ojornalismo opinativo é utilizado pelos editoriais das empresas de comunicação a fim deexporem suas idéias e valores para o público.Para que essa confusão inaceitável não ocorra, alguns jornais não admitem que seusjornalistas sejam especialistas em assuntos dos quais produzem matérias, pois acreditam queassim afastam o risco de uma opinião pessoal na notícia.Erbolato (1991) acredita em uma crise que atinge a imprensa diária em nosso país, a qual estáno descompasso entre o nível cultural dos seus produtores e o nível cultural do mercadoconsumidor. Para ele, a linguagem dos jornais é uma linguagem elevada e inacessível aogrande público. A falta de compreensão por parte do público pode criar desinteresse pelasnotícias. Essa crise é notada ao vermos pessoas de renda baixíssima comprometendo seusustento familiar para adquirir um televisor em diversas parcelas, pois acredita ser uma formamais fácil de conseguir informação e diversão ao mesmo tempo.
  16. 16. 15O homem tem necessidade de se informar para ser considerado plenamente um cidadão,variando apenas os assuntos pelos quais se interessa. No entanto, a forma com que vai teracesso a essa informação depende muito do tempo que dispõe e de suas condições financeiras.Em alguns casos em que a renda é muito baixa, a assinatura de um matutino pode representarum terço da renda familiar, além de demandar um maior tempo de entrega à leitura ecompreensão das matérias em comparação com a notícia ouvida no rádio ou vista no vídeo,que pode ser assimilada sem qualquer esforço específico e de forma mais cômoda.A análise feita por Colombo (1998) levanta outro aspecto interessante, em que questiona porque existem algumas notícias capazes de circularem em um determinado grupo, em umdeterminado público, e a resposta a essa pergunta se baseia na função da notícia.Erbolato (1991) entende que a notícia não passa de um produto, e sendo assim, não seria útilaos produtores desta notícia lançar no mercado algo que não é popular ou da preferência dacultura dominante. Com base nisso é que surgem jornalistas que só buscam matérias sobredeterminados assuntos, e as veicula até o momento em que se aprofunda a discussão arespeito, o que já não é mais interessante do ponto de vista comercial. Ou seja, escolhe-sealgum tema que dê audiência ou aumente a vendagem de exemplares e o explora até omomento em que o assunto não é mais visto superficialmente. Neste momento se procuraoutra notícia semelhante à primeira, e a explora novamente de forma superficial, poisaprofundando o assunto restringirá o número de interessados somente a quem tem capacidadepara analisá-lo a fundo.Essa busca pela matéria superficial se dá em virtude da guerra por audiência, vendagem,ouvintes etc. por parte dos veículos de comunicação em massa. Os quais não se interessampor um nicho mais especializado em determinado assunto, mas sim em algo genérico e quetenha aceitação em quase todos os públicos, gerando assim maior lucro à empresa.Importante também citar alguns pontos que influenciam diretamente na veracidade dos fatos,como o número de passagens intermediárias por quem essa informação se submeteu até serpublicada. O número de vezes que uma notícia é veiculada demonstra diretamente o valordessa notícia para a sociedade, no entanto, se for retransmitida, muito provavelmente irá sedesvirtuar da realidade, pois cada pessoa terá uma versão sobre o fato.
  17. 17. 16Colombo (1998) identifica duas outras formas de se gerar uma notícia. São elas: a invenção ea desinformação. Sendo a primeira, a invenção, criada com o intuito de ser descoberta, poréma notícia inventada nem mesmo o desmentido é tido como verdade, o que fica é a primeiraversão. E a segunda forma é a desinformação, onde se cita fatos verdadeiros queposteriormente se desenrolam para a criação, a invenção. E acabam por serem tidos comoverdade devido ao surgimento baseado em algo real.2.3 Dividir para absorver melhorDentro de um veículo jornalístico, independente da mídia utilizada, os assuntos são divididosem editorias nas quais um editor responsável orienta a produção jornalística. SegundoErbolato (1991), existem algumas editorias que são permanentes em diversos jornais, entreelas: Esporte, Política, Internacional, Saúde e Educação. No entanto, pode ocorrer de algunsnomes utilizados não serem exatamente esses, ou um assunto transitório tomar o lugar dedeterminada editoria como: Eleições, Visita do Papa, dentre outros. De modo geral, noentanto, os jornais veiculam matérias sobre esses assuntos.Em jornais diários, as editorias podem ser organizadas em Cadernos e Suplementos, que sãofascículos de encadernação separada incluídos no conjunto publicado e de periodicidadepredeterminada.Quanto à necessidade da existência das editorias, Jorge (2008) diz em seu livro que: Uma experiência de repórteres sem vinculação com editorias foi tentada, tempos atrás, pelo Correio Braziliense. O processo tem seus prós e seus contras. Para os editores, é sempre bom saber que poderão dispor de repórteres a qualquer tempo. E não haverá na redação profissionais parados à espera de pauta. Do ponto de vista do repórter, o excesso de generalização impede uma relação íntima com as fontes. Com isso, se perde a oportunidade de, como dizem os veteranos, educar a fonte, ou seja, conversar, explicar, burilar, quebrar as resistências dos informantes e levá-los a identificar a notícia que interessa. (JORGE, 2008, p.81)A política editorial do jornal é que direciona o espaço que determinada editoria terá noveículo. Diversos critérios podem ser utilizados para essa escolha, como o volume deinformações que a redação recebe de determinado assunto, a influência direta de determinadoassunto nos leitores, telespectadores ou ouvintes do jornal, ou também o desdobramento dealgum acontecimento que se mostrou importante para a sociedade.
  18. 18. 17Em virtude da complexidade de compreensão por parte do público em geral de algumaseditorias, os jornais optam muitas vezes por abrir espaço dentro da editoria para especialistascomentarem os fatos, emitindo análises, opiniões e críticas, atitude essa que o jornalista nãopode ter. Normalmente isso ocorre nas editorias de política, economia e esportes.Sendo assim, não se pode pensar em um telejornal, da mídia que for, sem editorias separadasque tratem de assuntos específicos. Tanto do ponto de vista estético e organizacional do jornalcomo da compreensão de quem consome essa informação, é primordial que assuntos sejamagrupados em categorias que mostrem uma afinidade e a te mesmo uma relação uns com osoutros. Facilitando dessa forma a consulta e assimilação da informação.
  19. 19. 183 A CHEGADA DA TELEVISÃO3.1 Televisão no BrasilBrasil (2005) e Paternostro (1999) afirmam que a primeira transmissão experimental datelevisão brasileira ocorreu no dia 10 de setembro de 1950, quando foi exibido um filme noqual Getúlio Vargas fala sobre o seu retorno à vida pública. Já a inauguração oficial daprimeira emissora de TV no país se deu em 18 de setembro de 1950 quando entrou no ar aPRF-3 TV Difusora. Chamada logo em seguida de TV Tupi de São Paulo, canal 3, sendoentão a emissora pioneira da América Latina. Os estúdios instalados no Palácio do Rádio, em São Paulo, foram cenário do primeiro programa da televisão brasileira no dia 18 de setembro de 1950, transmitido pela PRF-3 TV Difusora. Cassiano Gabus Mendes dirigiu um show, com artistas de sucesso, que tinha sido criado e escrito por Dermival Costa Lima, diretor artístico. (PATERNOSTRO, 1999, p.29)A Televisão chegou ao Brasil por intermédio do jornalista Francisco de Assis ChateaubriandBandeira de Melo, e já no dia seguinte à instalação da primeira emissora brasileira, a paulistaTV Tupi Difusora, foi ao ar com um programa de caráter jornalístico que se chamava Imagensdo Dia, com texto e reportagem de Rui Rezende e cinegrafia de Paulo Salomio. O jornal ficouno ar por aproximadamente dois anos sendo que sua estréia ocorreu em 19 de setembro de1950 indo ao ar entre as 21h30 e 22h.Segundo Paternostro (1999), o formato do jornal era simples. As locuções eram feitas emmodelo off 1, da mesma forma que era utilizado no rádio, pois ainda não se tinha umparâmetro para a televisão. Privilegiava-se a expressão verbal, explorando de formarudimentar os recursos visuais do novo veículo de comunicação.Assis Chateaubriand foi proprietário do primeiro império de comunicação do país, por chegara ter trinta e seis emissoras de rádio, trinta e quatro jornais e dezoito canais de televisão: alémde incorporar vários jornais (Diário da Noite, Diário de São Paulo), revistas (O Cruzeiro) e1 Forma reduzida de off the records, ou seja, o que não é gravado pelo repórter. Usado quando a fonte não queraparecer, informação de bastidor. Na TV, voz em off é o comentário em que o repórter não é enquadrado pelacâmera.
  20. 20. 19emissoras de rádio (Rádio Tupi). Graças à ousadia dele o Brasil foi o quarto país do mundo apossuir uma emissora de televisão.Segundo Brasil (2005), Chateaubriand gastou 5 milhões de dólares para importarequipamentos dos Estados Unidos para o Brasil. Mas como o brasileiro não tinha o televisorpara receber o sinal e os valores destes equipamentos eram muito altos na época,Chateaubriand contrabandeou 200 aparelhos receptores de TV e os espalhou por São Paulo eRio de Janeiro para que algumas pessoas pudessem assistir às transmissões que se iniciavam eassim despertar um interesse inicial.3.2 O surgimento da GloboA discussão levantada pelas estudiosas Marialva Barbosa e Ana Paula Goulart Ribeiro (2005),ao produzirem o artigo Telejornalismo na Globo: vestígios, narrativa e temporalidade, nãotem a pretensão de esgotar a história do telejornalismo na Rede Globo de televisão, masrecuperar aspectos particulares da trajetória do telejornalismo brasileiro.Desde a fundação da Globo em 26 de abril de 1965, a emissora apresenta telejornais em suaprogramação. Inicialmente com o Tele Globo, com duração de meia-hora, sendo exibidas umaedição às 12h. e outra às 19h45. Já no ano seguinte, surgiram mais dois telejornais, oUltranotícias, que ocupou a segunda edição do Tele Globo, com uma edição de 15 minutos,iniciando às 19h45. E o Jornal da Semana, que foi o primeiro jornal televisivo da Globo emum horário mais avançado, exibido às segundas-feiras às 23h.No entanto, o telejornal mais importante dessa época foi o Jornal da Vanguarda, umprograma que já havia sido exibido em outras emissoras como TV Excelsior e TV Tupi, queao chegar à Globo, em abril de 1966, trouxe uma outra linguagem jornalística, mais coloquial.Foi exatamente nessa época que o jornalismo da Rede Globo passou por suas maioresmudanças. Com a chegada de Armando Nogueira na direção de jornalismo da emissora, otelejornal Ultranotícias deu lugar ao Jornal da Globo também exibido às 19h45, programaesse que ficou no ar até 31 de agosto de 1969. Nessa data surgiu o Jornal Nacional,considerado o principal jornal televisivo do Brasil de todos os tempos em virtude se suaabrangêcia nacional e por ser o pioneiro nas transmissões ao vivo para todo o país.
  21. 21. 20Fica evidente a importância do jornalismo na Rede Globo de Televisão ao se perceber que foiexatamente o Jornal Nacional o escolhido para iniciar as transmissões simultâneas da Globopara o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Por se tratar de uma época voltadapara a valorização do patriotismo, em face ao regime militar, o telejornalismo viu-se obrigadoa adequar sua linguagem para que pudesse permanecer no ar.Segundo Barbosa e Ribeiro (2005), o discurso jornalístico tomou proporções políticas muitofortes, pois se tornou o principal meio garantidor da homogeneidade pretendida pelo projetode integração nacional dos militares. Ao transmitir a mesma informação para vários lugaresdo país, garantir o imediatismo através de falas dos próprios entrevistados e não apenas dosapresentadores e possibilitar que em determinado horário a população soubesse o que de maisimportante aconteceu no país, assumiu uma importante postura frente à política e à sociedade.A década de 1970 foi marcada pela expansão da Rede Globo, tanto pela sua ampliação de 2cobertura como pela adoção das transmissões a cores, a utilização do teleprompter e osurgimento de novos telejornais, por exemplo: o Jornal Hoje (1971), o Globo Repórter e oFantástico (1972), o Bom Dia São Paulo e o Jornal da Globo (1979) e o Bom Dia Brasil e oGlobo Rural (1980).Barbosa e Ribeiro (2005) argumentam que essas inovações concretizam a narrativa pretendidapelo telejornalismo da Globo, pois trazem a veracidade e a espontaneidade para otelespectador. O apresentador passa a “falar” com o telespectador, e não mais ler as notícias.Assim como as notícias a cores transportam os fatos para os olhos dos brasileiros como seeles próprios estivessem no local do acontecimento.Deve-se mencionar também que nessa época foram inaugurados os escritórios internacionaisda Rede Globo em Nova York, em Londres, em Paris, na Colômbia e em Washington. Talmedida deu uma maior credibilidade para o telejornalismo, além de uma impressão deonipresença à emissora, pois transmitia imagens dos repórteres brasileiros diretamente dospaíses e não mais apenas o apresentador lendo reportagens internacionais.2 Um teleprompter ou teleponto é um equipamento acoplado às câmeras filmadoras que exibe o texto a ser lidopelo apresentador.
  22. 22. 21Segundo Borelli e Priolli (2000), já em 1987, a Rede Globo atingiu uma receita estimada de500 milhões de dólares e um valor patrimonial de 1 bilhão de dólares, o que a colocava comoa quarta maior rede privada do mundo. No fim década de 1980, a Globo cobria 99 % doterritório nacional.Barbosa e Ribeiro (2005) informam que surgiu, então, a figura do comentarista nastransmissões televisivas. Jornalistas especializados em temas como política e economiapassaram a contextualizar os acontecimentos de uma forma mais compreensível para opúblico. A partir de 1992 foi adotada a utilização de desenhos e de conversas diretas entre osrepórteres, sem a intermediação dos apresentadores, mudando, assim, a estética dostelejornais.Segundo Zahar (2004), nessa época também ocorreu uma mudança importante na direção daCentral Globo de Jornalismo. A saída dos diretores Armando Nogueira e Alice-Maria de seuscargos, responsáveis pelo Jornal Nacional desde sua estréia, após 24 anos de emissora. O queacabou diminuindo o peso dos temas políticos nos telejornais da emissora, voltando-se para ocontato com a população através de um jornalismo mais investigativo e de prestação deserviços.Os telejornais passaram a ser apresentados por jornalistas e não mais por locutores, o que dáuma maior maleabilidade ao apresentador que passa a ser alguém capacitado para fazerinterferências nas matérias em pleno ar.Zahar (2004) afirma que com essas inúmeras mudanças, o jornalismo televisivo começou anão mais ser visto como uma forma de reunir a família em torno de um televisor na sala, massim diversas formas de se transmitir uma notícia, possibilitando que o telespectador assista aotelejornal de qualquer lugar de sua casa e compreenda perfeitamente o que se quer informar.Hoje em dia, o fazer jornalismo requer uma análise muito mais aprofundada que antes. Énecessário delimitar qual será o público desejado, e utilizar de diversos recursos existentespara obter audiência e consequentemente longevidade no ar.
  23. 23. 223.3 Assim se faz telejornalismoUma das funções do telejornalismo, além de informar, é entreter o telespectador, é divulgar asnotícias com um tom melodramático, criando personagens que fazem parte da história, querelacionem o telespectador à notícia.Segundo Bucci (1997), o telejornal é composto por uma mistura de distintas fontes deimagens e sons, como gravações em fita, filmes, material de arquivo, fotografia, gráficos,mapas, textos, além de locução, música e ruídos.O principal artifício da notícia televisiva é a imagem: se não há uma imagem impactante, oque é um grande acontecimento pode se transformar em apenas uma nota comentada peloapresentador, sem chamar a atenção do telespectador. A utilização de imagens se tornou tãoessencial que não se importa mais com a qualidade obrigatória da imagem que existia noinício das transmissões televisivas, podendo hoje até mesmo ser utilizada filmagem de celularnos telejornais, desde que seja um fato inusitado que somente daquela forma seja possível sernoticiado, tanto pela oportunidade como pela unicidade.O apresentador também é um elemento importante para o sucesso de um telejornal. Bucci(1997) afirma que ele desenvolve um vínculo afetivo com o público, como se fosse um ídolo,um astro de cinema. No Brasil, o telejornalismo tem todos os ingredientes de uma ficção: temsuspense, lição de moral, mocinhos e bandidos, além do papel de mediador, desempenhadogeralmente pelo âncora.Apenas a figura carismática do apresentador não é suficiente. Arlindo Machado (2003) afirmaque as tomadas em primeiro plano enfocando pessoas que falam diretamente para a câmera(stand up), sejam elas jornalistas, protagonistas, âncoras, correspondentes, repórteres ouentrevistados, também são características fundamentais de um telejornal. Machado (2003) dizainda que é imprescindível para um telejornal que a notícia venha na maioria das vezespersonalizada, através de legendas que especificam quem fala, qual a sua função, e, às vezes,também de onde se fala.Mesmo com todos os recursos, é necessário saber que por mais que se queira ou se possamanipular as informações, elas chegam aos telespectadores ainda não inteiramente
  24. 24. 23processadas. Esse fluxo de informações jornalísticas é classificado por Machado (2003) comouma sucessão de versões do mesmo acontecimento. Por mais que o telejornal seja acusado demaniqueísmo ou comprometimento, ele turva qualquer perspectiva clara dos acontecimentos.Há certa tendência de chamar de tradicional ou convencional o telejornalismo de tipopolifônico, onde as notícias é resultado de uma relação entre múltiplas vozes. E chamar demoderno ou pós-moderno, o jornalismo de tipo opinativo, que se qualifica pela fortepersonalização do apresentador, que existe desde os primórdios da televisão.Para Arlindo Machado (2003), do ponto de vista de seus efeitos, ambos os modelos detelejornal têm as suas virtudes e os seus problemas. Um telejornal opinativo pode serpreferível, uma vez que exerce uma influência mais ativa junto à opinião pública e produzuma mobilização real, deixa entrever mais abertamente seus compromissos, em lugar deesconder o seu ponto de vista sob a máscara de uma pretensa neutralidade.3.4 Adequando a linguagemRezende (2000) discute a procura por um código lingüístico que se adeqüe à audiência dedeterminado telejornal, fazendo com que a notícia seja mais bem compreendida peloespectador. Partindo desse problema, chega-se à conclusão que a oralidade é o processo maisadequado para o meio televisivo.Segundo Rezende (2000) a relação estabelecida entre o falante e o ouvinte, caracterizada pelacumplicidade, não esgota a necessidade de adaptação dessa fala para o meio televisivo. Énecessária a utilização de recursos não-verbais para o êxito na comunicação, como gestos,expressões faciais, entonação da voz, pausas e hesitações na fala; o que, por inúmeras vezes,torna-se mais importante que um uso irretocável das normas gramaticais, e dão a tão esperadafunção fática do discurso televisivo, que nada mais é que uma forma de atrair a atenção doespectador.Para Rezende (2000), a elaboração da oralidade televisiva requer um estudo aprofundado daprópria sociedade brasileira, pois é, com base nas formas pessoais existentes no dia-a-dia, quetorna uma comunicação eficaz por meio da televisão. E com base nesses estudos e
  25. 25. 24observações que se justifica o uso de uma linguagem coloquial, uma vez que é assim que sefaz a comunicação na cultura brasileira.É importante analisar qual é o público que se pretende atingir, para que esse linguajar sejadirecionado, evitando que o telespectador não compreenda a notícia. Dessa forma se evita ouso de uma linguagem muito diferenciada da que o público utiliza habitualmente. Rezende(2000) recomenda aos redatores de rádio e televisão que se inspirem no linguajar da rua paratransmitir uma mensagem a seus emissores primários, de forma que eles o reconheçam comoseu.Erbolato (1991) alinha-se a esse pensamento de Rezende (2000), uma vez que entende a faltade compreensão por parte de um telespectador devido a vocábulos inadequados e muitocomplexos utilizados pelo jornalista como o principal problema de desinteresse pelas notícias.Confrontando o coloquial à norma culta da língua portuguesa, encontramos o que seria alinguagem jornalística. Não com o intuito de criar uma nova forma de linguagem, mas simconciliando o domínio da língua e a improvisação. Para Erbolato (1991), esse domíniopropicia ao jornalista oferecer uma notícia-produto muito mais direta, que atenda àsnecessidades de seu consumidor, o qual muitas vezes restringido pela falta de tempo para seinformar, prefere notícias mais curtas e objetivas.Segundo Rezende (2000), com base em uma linha editorial escolhida e um tipo detelespectador esperado, cada empresa de comunicação estabelece orientações a seremseguidas por seus jornalistas com o intuito de melhor atingir esse público. No entanto,algumas empresas pecam por padronizar seus jornalistas, parecendo que é apenas uma pessoaque escreve todas as matérias, afastando as características pessoais dos jornalistas.A solução encontrada para isso é que se tenha profissionais capacitados para manejar alinguagem a ponto de conciliar a responsabilidade ética à habilidade lingüística e criatividadedo jornalista. Deve-se lembrar de uma dica importantíssima que vem descrita no manual deredação do jornal O Estado de S. Paulo: “A simplicidade é condição essencial do textojornalístico. Lembre-se que você escreve para todos os tipos de leitor e todos, sem exceção,têm o direito de entender qualquer texto, seja ele político, econômico, internacional ouurbanístico” (REZENDE, 2000,p.68).
  26. 26. 25Para Rezende (2000), o imediatismo da televisão faz com que se produzam matérias maiscurtas, mais diretas e sem uma contextualização anterior, exatamente o contrário dos meiosimpressos, caracterizados investigação ao produzir. Outro fator importante para a adoçãodesse tipo de característica na televisão é o fato de que o telespectador possui apenas umachance de compreender a matéria veiculada, ao contrário do impresso onde ele pode voltar àpágina e reler a notícia. Isso faz com que textos mais curtos tenham mais efeito sobre essacompreensão do telespectador.Em paralelo, a televisão possui o que a qualifica como o meio de comunicação maisfascinante: a imagem. Essa possibilidade de exibir imagens dos fatos, e não somentedescrevê-los, faz com que a televisão assuma uma postura de predominância da imagem sobrea fala propriamente dita.Muito se discute sobre a necessidade ou não da imagem prevalecer sobre as outras formas decomunicação na televisão. E mesmo assim, independente dessa prevalência, a televisãopreocupa-se com a escolha apropriada da linguagem a ser utilizada em conjunto com aimagem. Procura-se sempre o perfeito casamento entre a imagem e a palavra para que seobtenha o sucesso desejado, pois cada circunstância exige uma adequação diferente.Rezende (2000) argumenta que a imagem possui a característica de permanecer mais tempona memória do telespectador do que a escrita ou o som. Por isso, é preciso que se economizenas falas, somente utilizando-as para orientar o público na interpretação das imagens. Nãoesquecendo que essas explicações devem ser bem diretas, evitando ambigüidade, pois ainformação só tem valor quando permite apenas uma significação.A escolha das palavras mais curtas e de fácil compreensão, aliada a um ritmo de fala maislento que favoreça a concentração de quem assiste à televisão, permite até mesmo que serepita palavras já ditas para uma melhor compreensão da notícia. Muitas vezes se tornandoredundante com a imagem, mas com o intuído de se reforçar a mensagem.
  27. 27. 263.5 O tripé jornalístico da Rede GloboA tão comentada qualidade globo, ou padrão globo de qualidade teve início em 1968 a partirda proposta de Walter Clark, então diretor-geral da TV Globo, de criar uma programaçãobaseada em um telejornal localizado entre duas novelas. Surgia assim o chamado Prime-Timena Globo.O prime-time utiliza-se das novelas das sete e das oito horas envolvendo o telejornal deveiculação nacional mais assistido no país, o Jornal Nacional. Com isso, cria-se um hábitopor parte das famílias em ver televisão que acaba se transformando em fidelidade. Borelli ePriolli (2000, p.85) dizem que “alguns acompanham à primeira telenovela, enquanto esperamo telejornal e outros assistem ao telejornal, enquanto aguardam a próxima telenovela”.Esse formato sanduíche como também é chamado o prime-time aliado ao aparecimento dovideoteipe no país, em meados da década de 1960, são considerados os elementos maissignificativos para o início da consolidação do padrão globo de qualidade e o monopólio deaudiência exercido pela Globo até o fim da década de 1980.Outro aspecto bastante importante em todo esse processo levantado por Borelli e Priolli(2000) é que além de se tornar o horário de vertiginosa ascendência nos índices de audiênciada Rede Globo, o formato prime-time criou o maior captador de verbas publicitárias datelevisão brasileira. O período entre o Jornal Nacional e a telenovela das oito horas é o espaçode programação de maior prestígio do mercado publicitário e conseqüentemente os breaksmais caros da televisão brasileira.Apenas para uma exemplificação melhor de quanto é o custo em termos de comerciais noprime-time, Borelli e Priolli (2000, p.23) apresentam os seguintes valores trabalhados em1999: “o preço de 30 segundos de veiculação de comerciais no prime-time está calculado aoredor de US$ 24 mil.”.
  28. 28. 273.6 O padrão Globo de qualidadeIniciado na década de 1960 com o prime-time, e aliado a um padrão de produção, tecnologia euma proposta específica de trabalho, o padrão de qualidade da Rede Globo norteia até hojetodas as demais televisões brasileiras.O padrão de qualidade foi introduzido no Brasil através da parceria firmada entre a RedeGlobo e o grupo norte-americano Time Life. O grupo trazia ao país uma experiênciaadministrativa muito grande, e tinha como base que o corpo diretivo da emissora seriacentralizado e a atividade fim mais flexível. Com isso o produto da emissora seria tratadocomo outro qualquer, independente do ramo, ou seja, tinha que gerar lucro.Um dos principais responsáveis pela implementação desse modelo mais empresarial à RedeGlobo foi Walter Clark. Foi atribuído a ele o padrão globo de qualidade, o prime-time e oreconhecimento da Rede Globo como uma televisão de alcance nacional. Vale destacar comoidéia de Clark a venda de horários comerciais no intervalo das novelas e do Jornal Nacional,o que serviu mais tarde para financiar boa parte do padrão globo de qualidade.Borelli e Priolli (2000, p.80) evidenciam a importância de Walter Clark ao dizer que:“Quando assumiu o cargo de diretor geral, em 1965, a Globo tinha uma média de 9% daaudiência; quando saiu, em 1977, os índices chegavam a 80 pontos.”.Outro ponto interessante e presente no padrão globo de qualidade é a horizontalidade everticalidade na organização da programação. A horizontalidade trata-se da alocação deprogramas ao longo de uma semana ou um mês nos mesmos horários, e a verticalidade aalocação também de programas só que nas seqüências diárias. Sendo repetida semana asemana, mês a mês.Para Borelli e Priolli (2000), foi isso que fez com que o espectador criasse o hábito de assistirtelevisão, muitas vezes relacionando seus afazeres diários a programas que lhe interessassem.Surgindo nessa época também uma íntima relação com o sucesso das telenovelas.Um ponto importantíssimo a ser destacado nesse processo de implementação do padrão globode qualidade é a preocupação permanente com a qualificação técnica não somente dos
  29. 29. 28equipamentos como do pessoal empregado. Baseada no envio de funcionários aos EstadosUnidos para que treinassem o modelo americano de fazer TV.Essa atualização tecnológica buscada pela Rede Globo, também era presente na TV Tupi nofinal da década de 1960, no entanto não foi administrada da mesma forma profissional comque foi na Rede Globo. Na Globo, por outro lado, com o aproveitamento do know-how empresarial trazido pela parceria com o grupo Time Life, nada era deixado ao acaso. Estratégias de curto e médio alcance eram traçadas e seguidas. Investindo num programação mais popular e evitando um confronto direto com outras emissoras no horário nobre da TV Globo, em seus primeiros anos, foi lentamente construindo sua liderança, inicialmente no Rio de Janeiro e pouco depois em São Paulo. (BORELLI; PRIOLLI, 2000, p.83)Daí em diante, a qualificação técnica e a tecnologia de ponta sempre utilizada pela RedeGlobo contribuíram para torná-la a maior e mais importante emissora do país. Essaatualização sempre presente é evidente ao lembrarmos que a TV Globo contava com ovideoteipe desde sua fundação, o que foi fundamental para esse ajuste qualitativo naprogramação, pois possibilitava fugir dos imprevistos comuns em transmissões ao vivo.A preocupação com a qualidade atravessou as barreiras tecnológicas dos equipamentos echegou até o núcleo de dramaturgia e de cenografia. Atores e autores de grande experiênciano teatro e cinema foram contratados e cidades cenográficas foram construídas para dar umrealismo nunca antes visto na TV brasileira. E deu certo, tanto que até hoje o acervo defigurino e objetos cenográficos da Rede Globo é o maior da América do Sul.Percebe-se que o padrão globo de qualidade foi sendo construído através de diversas açõesque juntas alcançaram a eficiência copiada até hoje. Uma delas está diretamente relacionada àintervenção política no regime militar. Foi uma guinada no público alvo dos programas, assimcomo pretendia o governo, e que tinha como objetivo acabar com o que o governo classificoude baixo nível cultural das emissoras. Um modelo produtivo e gerencial eficiente, já testado nos Estados Unidos, centralização no comando e no cumprimento de metas previamente traçadas, um forte esquema comercial, produção otimizada, tecnologia de ponta, construção de uma programação homogênea e voltada para um público médio: aí estão alguns elementos importantes para a construção do padrão de qualidade da TV Globo, ainda na década de 70. Soma-se a isso um resultado, um produto visual revestido por uma tecnologia que possibilitava uma imagem nítida, e uma proposta estética limpa. Limpa de improvisos, limpa de mau gosto, limpa de qualquer tipo de ruído tanto estético quanto político.(BORELLI; PRIOLLI, 2000, p.86)
  30. 30. 29Com isso, fechava-se uma fórmula de sucesso inegável que é copiado até hoje por outrasemissoras e que ainda mantém a Rede Globo de televisão líder absoluta do mercado, mesmodiante da crescente queda de audiência que enfrenta.3.7 A perda da hegemoniaSilvia Helena Simões Borelli e Gabriel Priolli (2000), em A Deusa Ferida: porque a globonão é mais a campeã absoluta de audiência, fazem um estudo aprofundado sobre o declínioda audiência da Rede Globo de Televisão nas últimas três décadas. O objetivo desse estudofoi obter, de forma técnica e com base nos números da década de 1990, uma resposta sobre osmotivos desse declínio, afastando as repetidas insinuações e opiniões que surgem na mídiasobre o fato.O estudo apresenta conclusões importantes como a constatação que a emissora realmente vemperdendo audiência ao longo dos anos, e ao contrário do que se pensava, não é apenas parauma concorrente. Fato esse que ainda não foi capaz de fazer com que a Rede Globo fosseultrapassada por qualquer outra emissora e nem que se vislumbre o momento futuro em queserá ultrapassada, ou mesmo se isso acontecerá.Borelli e Priolli (2000) apresentam a criação de novas emissoras abertas e o surgimento dastelevisões pagas como alguns fatores que contribuíram para a perda de espaço da antigagigante platinada, como era chamada a Rede Globo de Televisão na década de 1970. Outrodado importante é a porcentagem de queda da audiência da emissora nos anos entre 1987 e1997, que passou de uma média anual de 53,5% para 37%, isso quer dizer perda de 16,5% depontos percentuais em uma década, o que equivale a três vezes a audiência da RedeBandeirantes de Televisão.Os dados foram coletados por Borelli e Priolli (2000) antes do sucesso da novela TerraNostra, fazendo com que o impacto do folhetim não fosse analisado no estudo, o que nãoinvalida duas constatações: a tendência de queda na audiência da Globo e a crise no gênerotelenovela. Mesmo com uma possível inversão na curva descendente da audiência, os índicesdas telenovelas da Rede Globo estão aquém dos estratosféricos alcançados por PecadoCapital e O Astro, ambas na década de 1970.
  31. 31. 30 Com relação às telenovelas torna-se possível a indicação de algumas tendências: há claros indícios de que o espaço reservado à veiculação de telenovelas, passa por uma crise de audiência, nos últimos anos. E isso, obviamente, afeta não só o lócus a elas reservado, mas também a situação específica do Jornal Nacional e, conseqüentemente, o contexto mais geral do prime-time. Se antes era possível falar da Globo como detentora de um quase- monopólio da audiência no campo televisual brasileiro – e as telenovelas sempre foram as grandes responsáveis por esta confortável situação - , este não parece ser mais o quadro, neste final de milênio. (BORELLI; PRIOLLI, 2000, p.162-163)Quanto a essa atual perda de audiência enfrentada pela Rede Globo, Hoineff (1996) acreditaque após 40 anos de uma característica genérica de programação e massificante nas notícias, asolução é que as programações tornem-se voltadas a segmentos isolados que se interessam porcada oferta específica de programação, cada nicho de assunto.Essa mudança no modo de se fazer televisão é caracterizada pelo foco dado agora noindivíduo, na vontade singular e não mais coletiva como antigamente. Por isso o surgimentode canais temáticos que atendam a determinados públicos, mais comuns na televisão paga.Segundo Hoineff (1996), é evidente que o país chegou atrasado à era da televisão porassinatura em virtude de diversos fatores enraizados na nossa sociedade. Circunstâncias comoa má distribuição de renda, o concentracionismo da teledifusão, baixo nível educacional dapopulação, alta qualidade da teledramaturgia nacional, prolongado período de regimetotalitário nas décadas de 1960 e 1970 são alguns dos fatores que contribuíram para essademora na aceitação de outra forma de televisão que desde a década de 1980 já é aceita emoutros países.Borelli e Priolli (2000) levantam o problema da pirataria de sinal enfrentado no país para aimplantação da TV paga, onde domicílios têm acesso à programação por meio de ligaçõesclandestinas sem pagar a mensalidade para tal. Segundo estimativa das operadoras, no final dos anos 90, perto de 150 mil brasileiros pirateavam os sinais de TV paga. Isso equivaleria, aproximadamente, a 6% do número total de assinantes e representaria uma perda anual de cerca de R$ 90 milhões, mais do que o faturamento com a publicidade do setor, com cifras estimadas ao redor de R$ 70 milhões. (BORELLI; PRIOLLI, 2000, p. 135)Em meio a interesses estatais e particulares pelo controle deste veículo, devido às suascaracterísticas diretamente ligadas ao poder, surge a nova televisão. E surge baseada em
  32. 32. 31novos mecanismos de distribuição de sinais como o cabo, a transmissão direta via satélite, afibra-ótica etc., que cria condições para uma diluição desse poder centralizado, umaautonomia e um afastamento definitivo da obediência cega que a mídia exigia do espectador.Todos esses novos sinais e formas de difusão da televisão criam não somente um aumento naquantidade de canais, mas principalmente na qualidade das programações. Surge assim umatelevisão mais segmentada voltada para um público alvo mais definido e diferenciada domodelo antigo em termos de sustentabilidade da programação. Esta televisão inaugura também mecanismos diferenciados de comercialização: o que ela vende, prioritariamente, não são os anúncios que interrompem a programação ou tomam carona no meio dela. O que ela vende é a própria programação – e ainda por cima diretamente para o telespectador -, o que cria uma nova situação ética e revela o absurdo de um sistema aceito durante tanto tempo, no qual o produto a ser vendido era simplesmente escamoteado. Se quem paga – pelo menos diretamente – não é o espectador, pouco importa que a eles sejam dadas caixas pretas, desde que isso possa ser de interesse de quem as dê, de quem está vinculando programação. A programação dada não se olham os dentes. (HOINEFF,1996, p.36-37)Com isso, fica claro o salto qualitativo que o telejornalismo alcançou nos anos 1990 emcomparação com os anos anteriores. Expandiu o seu universo temático, alcançou novasformas de tratamento da matéria, e tem como produto único de venda a sua programação, oque faz com que se atenha mais à busca pela imparcialidade.Em virtude de tantas mudanças de estrutura e de objetivo, não se trata mais do mesmo meio,não é apenas mais uma mera ampliação de atributos, mas sim uma nova interface entre oespectador e o veículo. Passa a dar espaço ao discernimento do espectador, retorna seu poderde escolha e de autodeterminação caracterizando uma sociedade de solidões organizadas, deexpectativas organizadas.Dessa forma, a oposição entre a programação feita anteriormente para satisfazer os diversospúblicos de maneira genérica, e a edição nova que permite que os espectadores elejam oproduto que querem assistir, sem estar atrelado a diversos outros, demonstra que o novomodelo de televisão é o futuro do sistema. É o momento em que o telespectador retoma acapacidade de discernimento nas mãos e torna o zapping a forma mais direta de se demonstraressa independência.
  33. 33. 324 O JORNAL DA GLOBO NO AR4.1 Metodologia de pesquisaOs mecanismos utilizados para se atingir os objetivos pretendidos nesta pesquisa são umaanálise quantitativa sobre as editorias que têm maior destaque no formato do telejornal e umaanálise qualitativa de quais as técnicas utilizadas pelo Jornal da Globo para delimitar o seuuniverso jornalístico. Com base nisso foram recortadas as editorias de política e economia.Mesmo tendo aparecido ainda a editoria de esportes com grande espaço no telejornal, ele nãofará parte do recorte qualitativo por entender-se que obteve tamanha exposição em virtude dasnoticias pontuais a respeito dos jogos das semifinais da Copa Libertadores da América e daCopa do Brasil, jogos do Campeonato Brasileiro, e a última disputa profissional de GustavoKuerten no torneio de Roland Garros.Desta forma, foi conduzida uma análise de conteúdo das edições do Jornal da Globo de 19 a23 de maio de 2008. O telejornal é exibido na Rede Globo de Televisão de segunda a sexta-feira por volta das 23h. Dentre os critérios de análise utilizados, estão os de noticiabilidadeempregados pelo veículo, as editorias principais e a utilização de formatos e de recursosconjuntos por certas editorias, neste caso as de política e de economia, para enfatizar ou darmaior destaque a determinados assuntos.A análise quantitativa foi baseada no levantamento do espaço dado para cada editoria, porémcom o foco voltado para as de política e de economia, em virtude de serem as únicas quecontam com comentaristas fixos no telejornal.Para realizar a análise quantitativa, cada edição da amostra foi analisada separadamente. Essaanálise também foi dividida em três categorias:a) Proporcionalidade de inserções apresentadas pelo telejornal sobre cada assunto, que foramclassificados como: política, política internacional, economia, país, ciência, internacional,cultura, esporte e outros.b) Será mencionada a existência ou não de infografias, comentarista, charges, crônicas emúltiplos recursos em um mesma matéria como forma de destacar o assunto.c) Tempo total dedicado pelo telejornal a cada tipo de inserção em cada edição, independentedo fato noticiado, levando apenas em consideração a editoria em que se enquadra.
  34. 34. 33Já a análise qualitativa se deu em um segundo momento com a separação das editorias depolítica e de economia. Neste ponto foram levantados os recursos que caracterizam cadaeditoria e como foram utilizados para destacar determinadas matérias.4.2 Breve histórico do Jornal da GloboO Jornal da Globo estreou no dia 2 de Abril de 1979 e desde então, segundo o site daemissora3, passou por dez fases importantes para sua consolidação.A primeira fase ocorreu de sua inauguração até o ano de 1982. Nessa etapa o telejornal eraapresentado por Sérgio Chapelin e contava com a participação de repórteres especiais,analistas e entrevistadores. Com um tempo de duração sempre determinado pela principalentrevista do dia, o telejornal já apresentava as matérias internacionais diretamente deLondres e Nova York.Em sua segunda fase, de 1982 a 1983, o Jornal da Globo sofreu uma pequena mudança emseu formato, pois passou a dedicar um dos blocos da edição para a análise do fato maisimportante do dia, além de complementar o material gravado com entrevistas ao vivo noestúdio. Nessa época, os apresentadores eram Renato Machado, Belisa Ribeiro e LucianaVillas, além de Carlos Monforte, que por vezes participava como comentarista. Ainda com 30minutos de duração, o JG tinha editorias de política, economia e cultura, no Brasil e nomundo, mas também começou a abrir espaço para o esporte.Em 1983, o JG teve como marco de sua terceira fase o início das participações do humoristaJô Soares e do cartunista Chico Caruso. Jô apresentava comentários diários e Chico punha noar semanalmente4 suas charges.Em 1986 mais uma mudança de apresentadores caracterizou a quarta fase do telejornal, queagora era apresentado pelos jornalistas Eliakim Araújo e Leila Cordeiro.3 http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,TLA1027-16024,00.html4 A periodicidade semanal era em virtude das dificuldades tecnológicas enfrentadas para confecção de desenhosanimados em movimento. Dificuldade enfrentada até hoje.
  35. 35. 34Três anos mais tarde Leila Cordeiro se afastou da bancada do JG e deu lugar a FátimaBernardes, que após alguns meses teve como seu parceiro na apresentação do telejornalWilliam Bonner, então apresentador do Fantástico e do SPTV.A sexta fase do Jornal da Globo é tida como a de maior mudança conceitual do telejornal,uma vez que, em 19 de abril de 1993, Lílian Witte Fibe assumiu o posto de âncora doprograma, cumulativamente com o cargo de editora do jornal, tendo assim autonomia paradecidir e fazer comentários sobre determinados assuntos quando necessário. Foi a primeiravez, também, que a Globo transmitiu um jornal de São Paulo.Quanto ao conteúdo, o telejornal passou a priorizar notícias de Brasília e a prestação deserviços na área econômica. Alexandre Garcia (política), Joelmir Beting (economia), JucaKfouri (esporte) e Paulo Francis (Nova York) passaram a atuar como colunistas fixos do JG.Três anos mais tarde, já em 1996, a jornalista Mônica Waldvogel assumiu como editora eâncora do telejornal no lugar de Lílian Witte Fibe. E logo no ano seguinte, Sandra Annenbergestréia como âncora e editora executiva do jornal.Após uma período de negociações, em 07 de agosto de 2000, Ana Paula Padrão assumiu abancada de titular na ancoragem do telejornal, onde ficou até maio de 2005, dando então lugarpara a equipe atual.Desde 30 de maio de 2005, a bancada do JG é ocupada pela dupla de repórteres WilliamWaack e Christiane Pelajo, o que dá um maior dinamismo ao telejornal. Além de possuircomentaristas fixos de economia e Política como Carlos Alberto Sardenberg e Arnaldo Jabor,ainda conta com participações dos repórteres e comentaristas de política, Heraldo Pereira e deesporte, Cleber Machado.Os apresentadores do JG são um diferencial importante para o telejornal. William Waackpassou pelas principais redações do País, com destaque para O Globo, Jornal do Brasil, OEstado de S.Paulo e Veja. Desempenhou as funções de editor de economia, internacional epolítica. Foi secretário de redação e editor chefe, mas repórter é a função na qual ficou maistempo.
  36. 36. 35Já Christiane Pelajo tem 34 anos e foi apresentadora da Globo News de 1996 a 2005, à frentedas edições noturnas do telejornal Em Cima da Hora e também do programa Pelo Mundo. Nabancada do jornalismo da Globo News, foi âncora de grandes coberturas como o enterro daprincesa Diana, numa transmissão ao vivo de mais de cinco horas, e a prisão de SaddamHussein, também ao vivo.4.3 O Jornal da Globo em númerosA análise quantitativa da presente pesquisa se estruturou a partir do recorte do materialempírico colhido durante uma semana, e, por conseguinte, o estudo das cinco ediçõesselecionadas Jornal da Globo. Depois de analisadas, foi estabelecido um gráfico para cadadia nas categorias relacionadas anteriormente, como pode ser visto a seguir.4.3.1 Proporcionalidade de inserções apresentadas pelo jornal em segundosO primeiro passo para que fosse feito o levantamento quantitativo dos segundos para cadaeditoria foi a escolha das editorias e a nomenclatura utilizada. Para isso optou-se por oitoeditorias bem delimitadas e uma mais abrangente. Foram elas: política, política internacional,economia, país, ciência, internacional, cultura, esporte e outros.Para a editoria de Política foram destinadas as matérias que tratavam de assuntos da políticainterna, mesmo que com a participação de outros países.Já a editoria de Política Internacional se restringiu à separação das eleições americanas noperíodo estudado, por se tratar do único evento estrangeiro ligado à política que se repetiudurante a semana.Em seguida a editoria de Economia tratou de assuntos relacionados a economia interna alémde bolsa de valores, cotação do dólar e barril de petróleo e decisões que influenciaram a rendae o consumo das pessoas.A editoria País tratou de assuntos relacionados ao Brasil como um todo, em especial o caso deum engenheiro atacado por índios durante uma palestra em Altamira no Pará quando defendia
  37. 37. 36a criação da hidrelétrica de Belo Monte, a qual os índios são contrários, além dos demais fatosrelacionados a esse episódio.A editoria de Ciência abrangeu as matéria relacionadas à descobertas no campo da ciência,porém não foi contemplada por nenhuma matéria no período coletado.A editoria intitulada de Internacional tratou de assuntos dos demais países que não seenquadram nem em política nem em política internacional, assim como conflitos internos edecisões soberanas de outros países.A editoria de Cultura ficou com as matérias relacionadas a qualquer tipo de manifestaçãocultural, independente do local em que ocorreram, desde música, teatro, shows, pintura atémanifestações homossexuais conhecidas como paradas gay.A editoria de Esportes também foi bastante trabalhada, por se tratar de um telejornaltransmitido após os jogos de futebol dos campeonatos nacionais e internacionais em que timesbrasileiros participam, como é o caso da Copa Libertadores da América e da Copa do Brasil.Esporte não recebeu só o futebol, mas também tênis e outros esportes.E por fim a editoria intitulada como Outros, onde assuntos variados que não se enquadravamnas definições acima eram encaixados, principalmente casos policiais.No primeiro dia de coleta, segunda-feira dia 19 de maio de 2008, o somatório dos segundosde cada editoria mencionada anteriormente ficou dividido assim: 439 segundos (7 min. e 19seg.) destinados à editoria de política durante os quatro blocos do telejornal; 196 segundos (3min. e 16 seg.) para a editoria de economia; 100 segundos (1 min. e 40 seg.) destinados àinternacional; 192 segundos (3 min. e 12 seg.) à cultura; 411 segundos (6 min. e 51 seg.) paraa editoria de esportes e 124 segundos (2 min. e 04 seg.) para a editoria criada chamada outros.Destacando-se as editorias de política e de esportes, com um somatório das matérias girandona entre 400 a 450 segundos de veiculação. Isso, no caso de esportes, devido à rodada defutebol do final de semana, já no caso da editoria de política, o assunto principal foi a troca daMinistra de Meio Ambiente, Marina Silva, pelo então secretário de meio ambiente do Rio deJaneiro, Carlos Minc.
  38. 38. 37Esses valores referentes à análise quantitativa dos segundos destinados a cada editoria naprimeira edição da semana coletada estão representados no gráfico abaixo. 450 439 411 400 350 300 Tempo em segundos 250 196 192 200 150 124 100 100 50 0 0 0 0 Política Internacional Economia País Ciência Internacional Cultura Esporte Outros Política Gráfico 1: Distribuição do tempo da edição de segunda-feira dia 19/05/2008Já na edição de terça-feira dia 20 de maio de 2008, ocorreu uma anomalia na distribuição dasmatérias, onde apareceu uma grande discrepância do tempo destinado às editorias. A editoriade política alcançou números de exposição maiores que o somatório de oito das nove editoriasdo dia, fato esse incomum nos telejornais como um todo.O tempo de exposição das matérias foi dividido assim: 746 segundos (12 min. e 26 seg.)destinados às matérias da editoria de política; 84 segundos (1 min. e 24 seg.) para políticainternacional; 22 segundos destinados à economia; 166 segundos (2 min. e 46 seg.) para aeditoria país; a editoria internacional teve 124 segundos (2 min. e 04 seg.) de matériasveiculadas; esportes ficou com 233 segundos (3 min. e 53 seg.) e a editoria chamada de outrosveiculou 318 segundos (5 min. e 18 seg.) neste dia.
  39. 39. 38Destaca-se nesta edição principalmente a editoria de política, com uma exposição de matériasentre 700 e 800 segundos. Onde o assunto principal foi o suposto dossiê sobre gastos dogoverno de Fernando Henrique Cardoso produzido pela Casa Civil do Governo. 800 746 700 600 Tempo 500 em segundos 400 318 300 233 190 166 200 100 22 0 18 0 0 Política Internacional Economia País Ciência Internacional Cultura Esporte Outros Política Gráfico 2: Distribuição do tempo da edição de terça-feira dia 20/05/2008A edição de quarta-feira, dia 21 de maio de 2008, teve sua distribuição de matérias dentro danormalidade de um telejornal, onde as matérias têm um tempo de exposição similar, semnenhuma que destoe muito das outras, como ocorreu na terça-feira. Foram 423 segundos (7min. e 03 seg.) para política; 62 segundos (1 min. e 02 seg.) para a editoria de políticainternacional; para a editoria de economia foram destinados 244 segundos (4 min. e 04 seg.);193 segundos (3 min. e 13 seg.) para país; 273 segundos (4 min. e 33 seg.) para a editoria decultura; 410 (6 min. e 50 seg.) para a editoria de esporte e por fim 155 segundos (2 min. e 35seg.) para a editoria intitulada outros.Destaque para as editorias de política, economia, cultura e de esportes por alcançarem a faixade 200 a 450 segundos de exposição. A primeira com matérias de má administração pública
  40. 40. 39em cidades do interior do Amazonas e com o quadro de charges de Chico Caruso, e a segundacom os jogos da Copa Libertadores da América ocorridos no dia. 450 423 410 400 350 300 273 Tempo 244 em segundos 250 200 193 155 150 100 62 50 0 0 0 Política Internacional Economia País Ciência Internacional Cultura Esporte Outros Política Gráfico 3: Distribuição do tempo da edição de quarta-feira dia 21/05/2008Na edição de quinta-feira, dia 22 de maio de 2008, a divisão das matérias foi a seguinte: 108segundos (1 min. e 48 seg.) para a editoria de política, 337 segundos (5 min. e 37 seg.) paraeconomia, 296 segundos (4 min. e 56 seg.) para país, a editoria de cultura teve 231 segundos(3 min. e 51 seg.) nesta edição, 323 segundos (5 min. e 23 seg.) para a editoria de esporte e289 (4 min. e 49 seg.) para outros.Apesar de ser a edição mais equilibrada da amostragem, as editorias que se destacaram porestarem entre 300 e 350 segundos de exposição foram economia e esporte, sendo a primeiradevido à alta do barril de petróleo que atingiu 135 dólares o barril e a segunda devido ao jogoda Copa Libertadores da América novamente.
  41. 41. 40 350 337 323 296 289 300 250 231 Tempo 200 em segundos 150 108 100 50 0 0 0 0 Política Internacional Economia País Ciência Internacional Cultura Esporte Outros Política Gráfico 4: Distribuição do tempo da edição de quinta-feira dia 22/05/2008Na edição de sexta-feira dia 23 de maio de 2008 as editorias dividiram as matérias da seguinteforma: 370 segundos (6 min. e 10 seg.) para a editoria de política, 237 segundos (3 min. e 57seg.) para a editoria de economia, 208 segundos (3 min. e 28 seg.) para a editoria país, 242segundos (4 min. e 02 seg.) para cultura, esporte com 218 segundos (3 min. e 38 seg.) e aoutros com 145 segundos (2 min. e 25 seg.) nesta edição.Esta edição teve como destaque a editoria de política atingindo a casa entre 350 e 400segundos de veiculação e a de economia na casa dos 200 a 300 segundos de exposição, o quese deu principalmente em virtude da criação da União das nações Sul-Americanas (UNASUL)visando aprofundar a integração dos países da região.
  42. 42. 41 400 370 350 300 237 242 250 Tempo 218 em segundos 208 200 145 150 100 50 0 0 0 0 Política Internacional Economia País Ciência Internacional Cultura Esporte Outros Política Gráfico 5: Distribuição do tempo da edição de sexta-feira dia 23/05/2008Com isso, caso se some os valores referentes a cada editoria durante a semana coletada,chegaremos aos seguintes valores: política com 2086 segundos (34 min. e 46 seg.) deveiculação, política internacional com 252 segundos (4 min. e 12 seg.), economia com 1036segundo (17 min. e 16 seg.) de exposição, a editoria país com 863 segundos (14 min. e 23seg.), a editoria de ciência não teve matérias veiculadas neste período, a editoria internacionalobteve 118 segundos (1 min. e 58 seg.) de espaço no telejornal, cultura veiculou 938 segundos(15 min. e 38 seg.) de matérias, a editoria de esporte obteve 1595 segundos (26 min. e 35 seg.)de espaço no telejornal e por fim a editoria outros com 1031 segundos (17 min. e 11 seg.).
  43. 43. 42 Somatório da semana Editorias Ciência 0 Internacional 118 Política Internacional 252 País 863 Cultura 938 Outros 1031 Economia 1036 Esporte 1595 Política 2086 0 500 1000 1500 2000 2500 Tempo em segundos Gráfico 6: Somatório das editorias durante a semana de 19 a 23/05/2008Diante dos dados levantados, é possível perceber que as editorias que tiveram maior destaqueforam política, esportes e economia.Importante reconhecer o motivo do destaque dado à editoria de esportes nesse período, poistratou-se de uma conjuntura especial em que três campeonatos de futebol se intercalaram,sendo que no mais importante deles (Copa Libertadores da América) um time do Brasilchegou às semifinais e posteriormente à final, tendo assim um destaque fora do comum notelejornal.Outra fator interessante a se mencionar é a representatividade da política no contexto dotelejornal. A editoria alcançou o primeiro lugar em termos de exposição, o que seria ampliadocaso fossem computados os valores atribuídos à política internacional nessa editoria.Já a editoria de economia merece destaque não somente por ter alcançado o terceiro lugar emexposição no período, mas também por possuir um comentarista fixo no telejornal, assimcomo política. Evidenciando ainda mais a relevância atribuída a esse assunto.
  44. 44. 434.4 O tratamento da políticaA partir da análise quantitativa em que aponta a editoria de política com maior tempo deexposição no telejornal, percebe-se uma tendência em se tratar de assuntos dessa natureza deforma diferenciada.Tal forma teve inicio na escalada de cada edição, pois os assuntos de política foram os únicosque repetiram em todas as escaladas das edições da semana. O que aponta para umapreocupação maior por parte do telejornal em utilizar desse assunto como chamariz para otelespectador, com o intuito de que este permaneça atento ao jornal.Dentre os assuntos de política que foram destaque nas escaladas da semana, estão a transiçãodo comando do Ministério do Meio Ambiente da então Ministra Marina Silva para o MinistroCarlos Minc na segunda-feira dia 19 de maio.Na terça-feira, dia 20 de maio, política apareceu na chamada do telejornal com o caso dovazamento de um suposto dossiê feito pela Casa Civil, a respeito de gastos do governo deFernando Henrique Cardoso.No dia seguinte, quarta-feira dia 21, o assunto de política que pontuou a escalada das matériasfoi o caso do então Reitor da Universidade Federal de Brasília, que estava sendo pressionadopor movimentos estudantis para deixar o cargo e apoiado por políticos e intelectuais da capitalfederal.A política assistencialista adotada pela prefeitura de Carmópolis, no interior de Sergipe, foi oassunto de política abordado na escalada de quinta-feira, dia 22 de maio. O assunto tevedestaque porque a prefeitura dessa cidade distribuiu geladeiras, televisores, máquinas de lavarroupa, entre outros eletrodomésticos para a população, alegando ser assistência social.Já na sexta-feira, dia 23 de maio, o assunto foi a criação da União das Nações Sul-Americanas(UNASUL) em Brasília. Uma tentativa de unir mais os países da América do Sul, para quedefendam juntos os interesses da região.

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