UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA         Paulo Roberto Pinheiro LopesUM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NAS CAMPANHAS ...
Paulo Roberto Pinheiro LopesUM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NASCAMPANHAS DE VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO       ...
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Dedico este trabalho a minhafamília e a todas as crianças.
AGRADECIMENTOS   Aos meus professores e à Universidade Pública.    A minha orientadora Patrícia Rocha de Araújo.A Secretar...
“Com um gesto, uma palavra,um abraço... eu me comunico.Com a comunicação, euinformo. Com a informação, eumobilizo. Com a m...
RESUMO UM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NAS CAMPANHAS DE         VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO DO COITÉ-BAO estud...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO                                                  091. DISCUSSÃO CONCEITUAL DE COMUNICAÇÃO, SAÚDE E VACIN...
9INTRODUÇÃO          A vacinação das crianças no primeiro ano de vida é essencial paraprotegê-las de diversas doenças tran...
10equipes de profissionais que integram as unidades de saúde da atenção básica.Portanto, não se pode pensar em obter bons ...
11responsáveis não tenham a noção exata da importância da vacinação ou algo podeestar bloqueando o acesso à vacina ou ao p...
12campanhas de vacinação em crianças com até um ano de idade no município deConceição do Coité-Bahia. Assim, tem-se a poss...
131. DISCUSSÃO CONCEITUAL DE COMUNICAÇÃO, SAÚDE E VACINAÇÃO  1.1 Comunicação           Todo mundo fala sobre a importância...
14Não há relação humana sem que haja uma forma de comunicação: uma palavraescrita ou falada, um gesto, um sinal, um símbol...
15relacionada às questões práticas e cotidianas das pessoas. A comunicação seráentendida sob diferentes ângulos, necessida...
16  1.2 Saúde            A Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo internacional que seintegra ao conjunto de instit...
17bem-estar ou felicidade a categorias que existem por si mesmas e não sujeitas auma descrição dentro de um contexto que l...
18                     A saúde aqui como a entendemos, em termos de relações de saber/poder,                     não age s...
19defesa contra as diversas doenças infecciosas passíveis de prevenção.                                   Imunidade é o es...
20(2) O esquema de vacinação atual é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade com a vacina Tetravalente e dois reforços com a Trí...
212. A COMUNICAÇÃO NA SAÚDE  2.1 Articulação entre comunicação e saúde           A aproximação entre os campos do conhecim...
22população recebesse as informações e mudasse seu comportamento. Assim, semnenhuma resposta da população, sem se preocupa...
23mobilização social por uma melhor qualidade de vida e pela saúde em todos osseus aspectos (TOVAR, 2007).          “A com...
24apenas realizado sob a demanda de informação da população. Há que se estudar oveículo, a credibilidade da fonte da infor...
25coqueluche. Ao longo da história, diversas campanhas foram desenvolvidas paracontrolar ou erradicar doenças consideradas...
261999   Implementado o Plano de Erradicação do Sarampo.       Primeiro ano da Campanha de Vacinação para a terceira idade...
27meios.                       Na saúde, a propaganda buscou influenciar e ajustar as pessoas a normas                    ...
28para lutarem contra a poliomielite. O Brasil se engajou nesta luta, levando no seubojo experiências anteriores a este pe...
29recheados de informações, normalmente com informações técnicas, complexas, oque dificulta a sua compreensão por parte da...
303. METODOLOGIA  3.1 Aspectos essenciais do Grupo Focal          Com a sanção da Lei Orgânica da Saúde, Lei 8080 de 1990,...
31população. Através das discussões em grupos, pode-se avaliar os anseios de cadacomponente e sua integração ao todo, no s...
32          Por se tratar de um estudo qualitativo, não há uma fórmula pronta para sedeterminar a quantidade de grupos foc...
33Após a definição dos objetivos do estudo ora apresentado, definiu-se que seriaapropriado a utilização de uma técnica qua...
34imperativo o gerenciamento do sistema de saúde com garantia e qualidade dosserviços sob a responsabilidade de cada gesto...
35            Dados da cobertura vacinal de 2005 a 2009 (tab. 2), revelam quealgumas vacinas ficaram abaixo da meta estabe...
36conhecedoras dos elementos da pesquisa, eram interrogadas se aceitavamparticipar. Para garantir a presença das mães que ...
37agente de saúde, facilitadora dos encontros, não poderia estar presente na reunião.          Para facilitar a condução d...
384. RESULTADOS E DISCUSSÃO          Os resultados obtidos a partir dos grupos focais nos deram aoportunidade de acessar i...
39pessoas receberam orientação sobre a vacina que foi realizada; 70,0% sobre asreações que poderiam ocorrer e 68,6% sobre ...
40pra que a vacina serve”. “Não vacinou porque a criança estava com febre”.          As justificativas apontadas pelas mãe...
41dos pais...” No entendimento de algumas mães, as propagandas deveriam chamaras famílias ao engajamento no processo da va...
42                    não somente as habilidades e competências requeridas pelo meio técnico,                    mas també...
43                     dever da administração pública e um direito dos usuários e consumidores                     dos ser...
44social. A técnica do grupo focal é um meio eficiente para dialogar com mães, pais eresponsáveis por crianças. É uma mane...
45CONSIDERAÇÕES FINAIS          Os objetivos que conduziram este trabalho procuraram ir além do que umsimples levantamento...
46          A conclusão deste trabalho demonstra a importância de se articular acomunicação e a saúde, pela onipresença do...
47REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASARAÚJO, I. S.; CARDOSO, J. M.; MURTINHO, R., A comunicação no SistemaÚnico    de      Saúde:  ...
48americanos. Petrópolis-RJ: Vozes, 1998.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Nacional de Imunizações – 20 anos.Brasília; 2009.MO...
49SILVEIRA , A S de Azevedo; SILVA, B. M. F. da; PERES, E. C.; MENEGHIN, P.Controle de vacinação de crianças matriculadas ...
50ANEXOS
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Um estudo sobre a comunicação empregada nas campanhas de vacinação infantil em conceição do coité   ba
Um estudo sobre a comunicação empregada nas campanhas de vacinação infantil em conceição do coité   ba
Um estudo sobre a comunicação empregada nas campanhas de vacinação infantil em conceição do coité   ba
Um estudo sobre a comunicação empregada nas campanhas de vacinação infantil em conceição do coité   ba
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Um estudo sobre a comunicação empregada nas campanhas de vacinação infantil em conceição do coité ba

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Paulo Roberto Pinheiro LopesUM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NAS CAMPANHAS DE VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO DO COITÉ-BA Conceição do Coité 2010
  2. 2. Paulo Roberto Pinheiro LopesUM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NASCAMPANHAS DE VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO DO COITÉ-BA Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora Patrícia Rocha de Araújo. Conceição do Coité 2010
  3. 3. Paulo Roberto Pinheiro LopesUM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NASCAMPANHAS DE VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO DO COITÉ-BA Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora Patrícia Rocha de Araújo. Data:________________________ Resultado:_____________________ BANCA EXAMINADORA Professora Patrícia Rocha de Araújo Assinatura:____________________ Professor Tiago Sampaio Assinatura:____________________ Professora Vilbégina Monteiro Assinatura:____________________
  4. 4. Dedico este trabalho a minhafamília e a todas as crianças.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Aos meus professores e à Universidade Pública. A minha orientadora Patrícia Rocha de Araújo.A Secretaria Municipal de Saúde de Conceição do Coité. Ao estudante de Administração Leandro Brandão. A Drª Inesita Soares de Araújo
  6. 6. “Com um gesto, uma palavra,um abraço... eu me comunico.Com a comunicação, euinformo. Com a informação, eumobilizo. Com a mobilização,eu realizo uma campanha.Com uma campanha, eu salvomuitas vidas”.Paulo Roberto Pinheiro Lopes
  7. 7. RESUMO UM ESTUDO SOBRE A COMUNICAÇÃO EMPREGADA NAS CAMPANHAS DE VACINAÇÃO INFANTIL EM CONCEIÇÃO DO COITÉ-BAO estudo teve como objetivo identificar que significado tem para os pais ouresponsáveis a comunicação empregada nas campanhas de vacinação emcrianças com até um ano de idade no município de Conceição do Coité-Bahia.Utilizou-se da técnica do grupo focal como metodologia qualitativa, formando-sedois grupos, conduzidos através de questões norteadoras. Os diálogos gravados etranscritos, foram sistematizados a partir da técnica de análise de conteúdo. Osresultados revelaram que há deficiência na comunicação, que as campanhaspriorizam a vacinação contra a poliomielite, em detrimento de outras vacinas, e quemuitas mães ou responsáveis, provavelmente, não estejam plenamenteconvencidos da importância da imunização.Palavras-chave: vacinação, comunicação, saúde, criança.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO 091. DISCUSSÃO CONCEITUAL DE COMUNICAÇÃO, SAÚDE E VACINAÇÃO 13 1.1 Comunicação 13 1.2 Saúde 16 1.3 Vacinação 182. A COMUNICAÇÃO NA SAÚDE 21 2.1 Articulação entre comunicação e saúde 21 2.2 As campanhas de vacinação 243. METODOLOGIA 30 3.1 Aspectos essenciais do Grupo Focal 30 3.2 Caracterização do município de estudo 33 3.3 A seleção dos participantes 35 3.4 A moderação dos grupos 364. RESULTADOS E DISCUSSÃO 38CONSIDERAÇÕES FINAIS 45REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 47ANEXOS 50
  9. 9. 9INTRODUÇÃO A vacinação das crianças no primeiro ano de vida é essencial paraprotegê-las de diversas doenças transmissíveis e é um dos fatores que contribuisignificativamente para a diminuição da taxa de mortalidade infantil. A identificaçãodos fatores responsáveis pelos baixos índices de cobertura vacinal econseqüentemente atraso no calendário de vacinação, é fundamental para seestabelecer diretrizes capazes de eliminar os gargalos que impedem a manutençãode bons índices vacinais. Campanhas de vacinação infantil têm sido realizadas em todos osmunicípios brasileiros com o objetivo de diminuir a mortalidade em menores de umano de idade e manter a qualidade de vida nas fases posteriores. Quando umacampanha é organizada, toda infra-estrutura deve ser estabelecida para sealcançar um índice de cobertura vacinal desejável, preconizada pela OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) e regulamentada pelo Ministério da Saúde em todo o paíspara as diversas vacinas empregadas. A estrutura montada para realizar uma campanha ou para se estabeleceruma vacinação de rotina, deve compreender diversos fatores que contribuam paraa sua efetivação: equipes bem treinadas, transportes adequados, equipamentossuficientes, enfim, toda logística suficiente para atender a demanda. Mas, de nadaadianta uma boa infra-estrutura se não houver um bom planejamento nacomunicação, que passa pelo treinamento das equipes, campanhas publicitárias, osveículos utilizados e a própria mensagem. Na área da saúde, especificamente, é essencial saber lidar com aspessoas, isso porque, este setor, tem como base das suas ações as relaçõeshumanas, sejam elas com os usuários dos serviços de saúde ou até mesmo com as
  10. 10. 10equipes de profissionais que integram as unidades de saúde da atenção básica.Portanto, não se pode pensar em obter bons resultados nas ações implantadas,sem levar em consideração o processo comunicativo envolvido, uma comunicaçãoque seja dialógica. Nesta perspectiva, devemos entender a comunicação como um meiopara o desenvolvimento da sociedade de forma participativa. O modo de secomunicar como é feito por determinados meios ou instituições, apenas uminstrumento de transmissão de dados, de persuasão, não é suficiente para alcançarum padrão que satisfaça a necessidade das comunidades, na direção do seupróprio desenvolvimento, principalmente quando se trata de promoção da saúde equalidade de vida. A comunicação na saúde é tão complexa como a própria saúde. Envolveaspectos subjetivos da vida pessoal, familiar ou da comunidade. Ela envolve umasérie de fenômenos, como elementos psicológicos e sociais que ocorrem entre aspessoas e dentro de cada uma delas, em contextos interpessoais, grupais,organizacionais e de massa. Os comunicadores, em todos esses níveis, manipulamsignos e, desse modo, afetam a si mesmos e aos outros (SILVA, 2006). Podemos dizer que, no Brasil, a associação entre comunicação e saúde existe pelo menos desde a década de 20, quando foi criado o Serviço de Propaganda e Educação Sanitária, no então Departamento Nacional de Saúde. A partir daí, passou-se a investir na divulgação das medidas de higiene para se evitar a propagação de doenças. Mais convencimento e menos coerção era a fórmula para diminuir a resistência da população às inovações científicas, como as vacinas, que eram eficazes, mas que muitas vezes iam contra sua cultura e dos valores (CARDOSO, 2005, p. 20 e 21). A vacinação da criança depende da adesão da mãe ou responsável aoato de vacinar. No entanto, coberturas vacinais abaixo do esperado nas campanhasde vacinação sugere que esta adesão não é satisfatória. Talvez os pais ou
  11. 11. 11responsáveis não tenham a noção exata da importância da vacinação ou algo podeestar bloqueando o acesso à vacina ou ao posto. A identificação dos fatoresresponsáveis pela falta de imunizações é fundamental para a adequadamonitorização dos programas de vacinação e para se atingir satisfatoriamente ascrianças que não são vacinadas, contribuindo sobremaneira com a coberturavacinal e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida das crianças. Uma das maneiras de se conhecer os mecanismos que interferem,positiva ou negativamente, nas campanhas de vacinação, é a realização dapesquisa qualitativa. Neste propósito, a técnica do grupo focal pode ser empregadaem estudos desta natureza. O trabalho com grupos focais permite compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado (GATTI, 2005, p.11). A convivência com os meios de comunicação e o desenvolvimento dascampanhas de vacinação no município de Conceição do Coité, nos dá subsídiossuficientes para compreender a importância de um planejamento bem estruturadoem comunicação. Este processo envolve o estudo do veículo, a credibilidade dafonte da informação e a mensagem propriamente dita. Este trabalho justifica-seexatamente porque vai ao encontro dos elementos necessários para se planejaruma campanha de vacinação, a partir da possibilidade de apropriação dapopulação acerca da mensagem recebida. Este trabalho é o resultado de uma pesquisa que se destina a identificarque significado tem para os pais ou responsáveis a comunicação empregada nas
  12. 12. 12campanhas de vacinação em crianças com até um ano de idade no município deConceição do Coité-Bahia. Assim, tem-se a possibilidade, a partir do conhecimentoadquirido com a realização deste trabalho, de elaborar estratégias comunicacionaisque possam produzir maior adesão às campanhas e, conseqüentemente, elevar oíndice de cobertura vacinal. Tendo em vista essas informações, começo este trabalho com umadiscussão conceitual que abrange a comunicação, a saúde e a vacinação. Asdiferentes teorias acerca do conceito da comunicação, as críticas que perpassamno campo da saúde e o significado da vacinação para manter uma melhorqualidade de vida das crianças. Prossigo na análise da articulação entre a comunicação e a saúde, seussignificados e suas interconexões. Embora sejam fenômenos distintos, mas têmsido chamados a contribuir para o desenvolvimento de um sistema de saúde maisigualitário. A seguir relato algumas experiências adquiridas, pelo Brasil, nascampanhas de vacinação ao longo da história. Desde as primeiras vacinações, atéa criação da figura de maior sucesso nas campanhas de vacinação infantil, o ZéGotinha. No capítulo seguinte, demonstro, na metodologia, a técnica do GrupoFocal como uma ferramenta significativa no campo da pesquisa das ciênciassociais, especificamente quando lidamos com as áreas da comunicação e dasaúde. Dando ênfase a um modelo de participação popular. Por fim, o resultado e a discussão do trabalho desenvolvido. Oenvolvimento das mães de crianças menores de um ano de idade na discussãosobre o tema da vacinação e o seu significado para uma vida mais saudável.
  13. 13. 131. DISCUSSÃO CONCEITUAL DE COMUNICAÇÃO, SAÚDE E VACINAÇÃO 1.1 Comunicação Todo mundo fala sobre a importância da comunicação e da informação.As instituições públicas dizem que a comunicação é fundamental para que apopulação fique sabendo sobre o que se está planejando e que tipo de açãodesejam implementar em benefício da comunidade. Encontrar elementos paraconceituar a comunicação é um desafio tão atraente, quanto complexo. O ato decomunicar ou comunicar-se, transmitir informações, repassar dados, dialogar,requer um estudo detalhado, visto que, o termo em questão, estará sempre inseridonum contexto, numa determinada cultura e se prestará a algum propósito: seja elesocial, empresarial ou político. A etimologia da palavra sugere que se trata de um conceito eminentemente social na sua origem. Assim sendo, em primeiro lugar diz respeito ao homem, e por extensão a seres vivos que mantenham relações sociais entre si. Em segundo lugar, trata-se em princípio de um fenômeno concreto, objetivo, que ocorre quando um ser A transfere informação para um ser B. Em terceiro lugar, a comunicação seria um processo ativo, ou seja, envolve na sua essência um propósito (ainda que geneticamente programado) que é o de um ser, modificar seu comportamento, obter uma resposta. Donde, em quarto lugar, a tendência da relação comunicativa a se fechar em círculo, ou mais propriamente a evoluir segundo uma espiral de influências recíprocas e sucessivas. Essas características do ato comunicativo estão reunidas na mais típica forma de comunicação, a humana, na sua modalidade mais típica, a falada. (PEREIRA, 2005, p.10) Quando se comunica algo, essa comunicação deve ser comum a ambos,quem transmite a mensagem e quem a recebe, é necessário que haja uma mútuacompreensão. Quando uma notícia é transmitida ela passa a fazer parte de umacomunidade, de uma nação. Parte daí essa discussão sobre o conceito social dacomunicação, que na sua essência é comunhão e estão intimamente relacionadasà mesma idéia de algo em comum, algo partilhado ou compartilhado. “O mundo humano é um mundo de comunicação” (FREIRE, 1985, p.66).
  14. 14. 14Não há relação humana sem que haja uma forma de comunicação: uma palavraescrita ou falada, um gesto, um sinal, um símbolo, o silêncio, a dor. Essa comunhãode idéias, do pensar, concretiza-se na medida em que a mensagem transmitida sejacompreensível, dialógica. Dessa forma, a comunicação se define como algoconcreto, objetivo, tornando-se comum. Rabaça e Barbosa (apud Bitelli 2007, p.27-28), definem comunicaçãocomo “um conjunto dos conhecimentos lingüísticos, psicológicos, antropológicos,sociológicos, cibernéticos etc., relativos aos processos de comunicação”. Eles vãoalém deste conjunto de conhecimentos: enquanto disciplina, a comunicação,envolve o conjunto de técnicas adequadas à sua manipulação eficaz. E nesta“manipulação”, torna-se salutar a participação da sociedade civil, seja elaorganizada ou não. No que diz respeito à atividade, é aquela voltada para autilização desses conhecimentos e técnicas através dos diversos veículos, algunspopulares, outros nem tanto assim, são os impressos, audiovisuais, eletrônicos etc.,ou para a pesquisa e o ensino desses processos. Discutir comunicação não é tão somente discorrer sobre seus conceitos,suas definições em si. A comunicação vai além do que a entendemos numaabordagem cotidiana. Quando Melo, em seus estudos, relata sobre a comunicaçãocomo uma ciência a ser pesquisada, ele a demonstra como: [...] o estudo do comunicador, suas intenções, sua organização, sua estrutura operacional, sua história, suas normas éticas ou jurídicas, suas técnicas produtivas. É o estudo da mensagem e do canal, seu conteúdo, sua forma, sua simbologia, suas técnicas de difusão. É o estudo do receptor, suas motivações, suas preferências, suas reações, seu comportamento perceptivo. É o estudo das fontes, sua sistemática para a recuperação de informações. É, enfim, o estudo dos efeitos produzidos pela mensagem junto ao receptor, a partir das intenções do consumidor (1998, p.20). A comunicação só adquire sentido para o público ou receptor se estiver
  15. 15. 15relacionada às questões práticas e cotidianas das pessoas. A comunicação seráentendida sob diferentes ângulos, necessidades e interesses, principalmente se elapassa pelo processo da democratização, da participação popular, inclusive com opoder de decidir. Esse direito de participar das decisões que ocorrem no Sistema deSaúde, passa inclusive na definição de estratégias de comunicação. O moldeemergente da comunicação em saúde pode ser apresentado como um modelodialógico por ser o próprio diálogo seu instrumento necessário. Quem usa osserviços de saúde é reconhecido sujeito detentor de um certo grau deconhecimento, que embora diferente do saber técnico-científico não pode serdeslegitimado pelos serviços. Várias correntes teóricas da comunicação podem ser invocadas para ajudar a entender esse processo. Como a teoria da ação comunicativa proposta por Habermas que supõe interações possíveis de produzir acordos e coordenar ações entre diferentes atores sociais, mediante o uso de processos comunicativos dialógicos. Também teorias como a do interacionismo simbólico, as de Paulo Freire, ou outros modelos praxeológicos de comunicação que enfatizam o entendimento e as mudanças nas práticas sociais compartilhadas como processos significativos de produção de significados para os atores sociais. A nosso ver, elas muito podem contribuir para entender e estabelecer processos dialógicos de participação popular no SUS, ao contrário das teorias que enfatizam a natureza prescritiva e instrumental da comunicação[...] (OLIVEIRA, 2004, p.61).A essencia da comunicação dialógica não é o de apensa informar para que hajaum melhor entendimento do campo da saúde, mas de transformar saberes pré-existentes. O ato comunicativo, numa perspectiva avançada, objetiva odesenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos indivíduos no cuidadocom a saúde, não pela imposição de um saber científico detido pelo profissional desaúde, mas sim pelo crescimento da compreensão da situação de saúde.
  16. 16. 16 1.2 Saúde A Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo internacional que seintegra ao conjunto de instituições da Organização das Nações Unidas (ONU),fundado em 1948, define saúde como estado de completo bem-estar físico, mentale social, e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez. Evidente que areferência à ausência de enfermidade ou invalidez é componente essencial desteconceito de saúde. Na definição de saúde, cabe analisar todos os aspectosinerentes ao completo bem-estar, que vai do acesso ao trabalho, lazer, educação,informação até a ausência de enfermidades, através de procedimentos preventivoscomo a vacinação. Scliar (2007) relata que a extensão do conceito de saúde anunciada pelaOMS acarretou críticas de vários estudiosos, algumas de natureza técnica: comoconceituada, a saúde seria algo inatingível; e outras de natureza política, libertária:o conceito permitiria abusos do Estado, que interviria na vida dos cidadãos, sob opretexto de promover a saúde. O conceito de saúde reflete a conjuntura social,econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa paratodas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social, das mudançasclimáticas, das tecnologias. Dependerá inclusive de valores individuais, concepçõescientíficas, religiosas, filosóficas. As críticas recaem sobre o que seria um “completo bem-estar” ou“perfeito bem-estar”, sugerido pelo conceito de saúde da OMS. Para Segre e Ferraz(1997, p.539), ainda que se recorra a conceitos “externos” de avaliação, a“perfeição” não é definível. Se se trabalhar com um referencial “objetivista”, isto é,com uma avaliação do grau de perfeição, bem-estar ou felicidade de um sujeitoexterna a ele próprio, estar-se-á automaticamente elevando os termos perfeição,
  17. 17. 17bem-estar ou felicidade a categorias que existem por si mesmas e não sujeitas auma descrição dentro de um contexto que lhes empreste sentido, a partir da suaexperiência, linguagem, convívio, suas crenças e valores sociais. Na realidade brasileira, bem como na América-Latina, essa definição é muito vaga e fora da nossa realidade. Assim, por ocasião da VIII Conferência Nacional de Saúde – 1986, a saúde foi definida como “a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde” (BARCHIFONTAINE, 2005, p.11). É improvável que os serviços de saúde possam contemplar aabrangência do seu conceito. Sendo assim, Segre e Ferraz (1997, p. 542)concluem o artigo com uma interrogação: “... não se poderá dizer que saúde é umestado de razoável harmonia entre o sujeito e a sua própria realidade?” No Brasil, na década de 1980, se efetiva a noção de saúde como umaquestão de direito, de cidadania, que tomará consistência jurídico-política com aimplantação do SUS, baseada na Constituição de 1988: A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País (Lei Federal, n° 8080/90, art. 3°, p. 22). O conceito de saúde é amplo em diversos aspectos, é um tematransversal, que vai variar suas concepções de acordo com a disciplina estudada:psicologia, biomedicina, antropologia. Ela pode mudar de cultura para cultura, deacordo com suas crenças, seus valores. Ou seja, saúde não representa a mesmacoisa para todas as pessoas. É também política, na medida em que se estruturamprogramas de saúde e se estabelecem metas para serem cumpridas.
  18. 18. 18 A saúde aqui como a entendemos, em termos de relações de saber/poder, não age sobre o indivíduo, mas sobre sua ação. Assim, quando a saúde é definida como uma questão integral, plural, na ânsia de integrar, de tornar o sujeito indivisível, completo, não se está agindo sobre o indivíduo, mas sobre a relação, as ações que ele estabelece consigo e os outros em termos de cuidados e atenção integral. O que se quer apontar é que não existe uma unidade do conceito de saúde, mas formas que o conceito vai assumindo de acordo com os campos que o atravessam. Saúde pode estar ligada às políticas públicas e objetivada como uma questão plural, biopsicossocial, mas também pode estar relacionada ao culto do corpo. (MEDEIROS, 2005, p.264). Por fim, a OMS atualiza o princípio de promoção de saúde, incorporandoa questão do desenvolvimento econômico e social. Saúde passa a ser descritacomo um estado de bem-estar físico, psíquico e social, em consonância com asdiscussões sobre meio ambiente, ou seja, saúde ambiental como prioridade social.O ambiente passa a ser visto como um aspecto importante, a ser considerado comoprática na área de saúde: levando-se em consideração a sua degradação e seusefeitos sobre a saúde coletiva, a poluição das águas, do ar e do solo,principalmente. 1.3 Vacinação As vacinas são imunobiológicos utilizados para indução artificial deresposta imunológica (produção de anticorpos: as células de defesa do organismo)a um agente infeccioso (vírus e bactérias, principalmente), que simule a da infecçãonatural, com pouco ou nenhum risco para seu receptor. Esta imunização prévia fazcom que, em novo contato com o agente infeccioso, o organismo do receptor reaja,produza as células de defesa, rápida e eficientemente, evitando a ocorrência dedoença. As vacinas são produtos biológicos, amplamente utilizados pelos governosem campanhas que visam à proteção de determinados grupos de pessoas, sendoas crianças as grandes beneficiadas deste processo (FERREIRA et al, 2009). A vacinação está diretamente relacionada ao estado de imunidadeadquirida por determinado organismo, esse estado proporciona a capacidade de
  19. 19. 19defesa contra as diversas doenças infecciosas passíveis de prevenção. Imunidade é o estado de resistência geralmente associada à presença de anticorpos que possuem ação específica sobre o microrganismo responsável por determinada doença infecciosa ou sobre suas toxinas. A imunidade pode ser natural ou artificial, podendo ser natural passiva, adquirida por via placentária, natural ativa adquirida em conseqüência de uma infecção. A artificial também tem a mesma divisão, sendo que a passiva é obtida através da inoculação de soros e a ativa é obtida a partir da aplicação de vacinas. Imunização significa a indução de forma natural ou artificial da resposta imune, em particular quando esta dá ao hospedeiro a capacidade de proteção contra a doença, já vacinação significa a imunização com antígenos administrados para a prevenção de doenças infecciosas. Portanto, a vacinação é uma imunização realizada de forma artificial (SANTOS, 2009, p.25). Atualmente, é inqüestionável a importância que as vacinas têm naproteção à saúde e na prevenção de doenças imunopreveníveis, principalmentedurante a infância. Como conseqüência, as autoridades de saúde, em todo omundo, estabeleceram calendários específicos de vacinas de acordo com a faixaetária infantil (tab.1) (SILVEIRA et al, 2007).Tabela 1 – Calendário de vacinação infantil, Ministério da Saúde, 2009. IDADE VACINAS DOSES DOENÇAS EVITADAS BCG - ID dose única Formas graves de tuberculoseAo nascer Vacina contra hepatite B (1) 1ª dose Hepatite B1 mês Vacina contra hepatite B 2ª dose Hepatite B Vacina tetravalente (DTP + Hib) (2) 1ª dose Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo2 meses Haemophilus influenzae tipo b VOP (vacina oral contra pólio) 1ª dose Poliomielite (paralisia infantil) VORH (Vacina Oral de Rotavírus 1ª dose Diarréia por Rotavírus Humano) (3) Difteria, tétano, coqueluche, meningite e Vacina tetravalente (DTP + Hib) 2ª dose outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b VOP (vacina oral contra pólio) 2ª dose Poliomielite (paralisia infantil)4 meses VORH (Vacina Oral de Rotavírus 2ª dose Diarréia por Rotavírus Humano) (4) Difteria, tétano, coqueluche, meningite e Vacina tetravalente (DTP + Hib) 3ª dose outras infecções causadas pelo6 meses Haemophilus influenzae tipo b VOP (vacina oral contra pólio) 3ª dose Poliomielite (paralisia infantil) Vacina contra hepatite B 3ª dose Hepatite B9 meses Vacina contra febre amarela (5) dose inicial Febre amarela12 meses SRC (tríplice viral) dose única Sarampo, rubéola e caxumba15 meses VOP (vacina oral contra pólio) reforço Poliomielite (paralisia infantil) DTP (tríplice bacteriana) 1º reforço Difteria, tétano e coqueluche DTP (tríplice bacteriana 2º reforço Difteria, tétano e coqueluche4 - 6 anos SRC (tríplice viral) reforço Sarampo, rubéola e caxumba 10 anos Vacina contra febre amarela reforço Febre amarela(1) A primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser administrada na maternidade, nas primeiras 12 horas de vida do recém-nascido. Oesquema básico se constitui de 03 (três) doses, com intervalos de 30 dias da primeira para a segunda dose e 180 dias da primeira para aterceira dose.
  20. 20. 20(2) O esquema de vacinação atual é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade com a vacina Tetravalente e dois reforços com a Tríplice Bacteriana(DTP). O primeiro reforço aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos.(3) É possível administar a primeira dose da Vacina Oral de Rotavírus Humano a partir de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias de idade (6 a 14semanas de vida).(4) É possível administrar a segunda dose da Vacina Oral de Rotavírus Humano a partir de 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias de idade (14 a24 semanas de vida). O intervalo mínimo preconizado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.(5) A vacina contra febre amarela está indicada para crianças a partir dos 09 meses de idade, que residam ou que irão viajar para áreaendêmica (estados: AP, TO, MA MT, MS, RO, AC, RR, AM, PA, GO e DF), área de transição (alguns municípios dos estados: PI, BA, MG, SP,PR, SC e RS) e área de risco potencial (alguns municípios dos estados BA, ES e MG). Se viajar para áreas de risco, vacinar contra FebreAmarela 10 (dez) dias antes da viagem. Para Ferreira et al (2009) algumas vacinas produzem proteçãoduradoura contra determinada doença, outras conferem proteção parcial e, outrasainda, conferem proteção temporária, devendo ser aplicadas, após certo período detempo. A manutenção da imunidade por longos períodos com algumas vacinasvirais ou bacterianas inativadas, geralmente, requer a administração de mais deuma dose básica e de doses de reforço. Esses aspectos justificam a necessidadede, no calendário vacinal, haver vacinas que exijam apenas uma dose para conferirimunidade, outras que exijam mais de uma dose. Daí surge a importância de seestimular os pais ou responsáveis a completar todo o esquema de vacinaçãooferecido às crianças.
  21. 21. 212. A COMUNICAÇÃO NA SAÚDE 2.1 Articulação entre comunicação e saúde A aproximação entre os campos do conhecimento da comunicação, emtodos os seus aspectos, e da saúde, torna-se mais evidente na atualidade. Emtodos os meios que veiculam notícias e a todo momento, estamos sendoalimentados com informações sobre saúde: a gripe H1N1, a lei anti tabagista, afalsificação de medicamentos, o uso indiscriminado de drogas, campanhas devacinação. Tais informações são, em certos momentos, desencontradas edesarticuladas com o momento, com a contextualização, que por fim acabam nãoinformando exatamente o que as pessoas querem saber, ou não sãocompreensíveis para muitos. A comunicação há tempos possui uma estreita relação com o campo dasaúde, no sentido de promover a mobilização da sociedade para se engajar noprocesso da prevenção contra agentes causadores de enfermidades, como relataAraújo et al. A Comunicação está intimamente vinculada ao campo da Saúde, desde os princípios do século XX, tomando-se como marco a criação, em 1923, do Serviço de Propaganda e Educação Sanitária, no então Departamento Nacional de Saúde Pública. Na época, as descobertas da ciência apontavam para a existência de agentes patológicos específicos para cada doença e processos de transmissão, o que deslocava a atenção das condições sócio-ambientais para o indivíduo e colocavam no centro das prioridades as medidas de higiene. Em decorrência, apontava para a necessidade da mudança de comportamento e de hábitos, vistos como causa das doenças, portanto, indesejáveis à saúde (2009, p.1). Na verdade, eram, principalmente, ações de comunicação paraprevenção, realizadas em escolas, locais de trabalhos, espaços públicos, algummaterial informativo. Era uma comunicação que seguia uma única direção: saia deemissor e chegava a um receptor, palavras de autoridades que desejavam que a
  22. 22. 22população recebesse as informações e mudasse seu comportamento. Assim, semnenhuma resposta da população, sem se preocupar com as característicaspeculiares aos grupos populares: seus costumes, o acesso ao serviço de saúde. Mas é a partir da década de 70 que se constata a adoção, pelo campo da administração sanitária, de inovações como o "ajuste da linguagem" à "população alvo" como forma de transferir conhecimentos ou propor "modelos de comportamento" a indivíduos ou grupos de indivíduos. A verticalidade destes processos levam à formulação, por movimentos pedagógicos mais críticos, de propostas que indicam uma necessidade de horizontalização do diálogo, ou do diálogo entre iguais, que tem como principal expressão, na década de 60, o trabalho de Paulo Freire. (PITTA, 1996, p.16) Moraes (apud Moraes 2007) demonstra que a comunicação, as novastecnologias, as redes e os processos informacionais são algumas das condições docotidiano que provocam encantamento, articulações, mudanças sociais, relacionaise produtivas de diferentes naturezas e também preocupações pelas suaspossibilidades e efeitos. Nas últimas décadas, as instituições, a sociedade e aspolíticas de saúde têm dependido cada vez mais de um uso racional e generalizadoda comunicação e dos processos informacionais, do poder que estes têm deformular ações e influenciar no cotidiano. Mas, sem comunicação e informação não é possível construir um sujeitosocial que exerça sua cidadania em saúde. Esse inclusive é um preceitoestabelecido no Sistema Único de Saúde, quando trata a participação dacomunidade, representada pelos Conselhos de Saúde, na regulação do Sistema deSaúde implantado no país. Nesse contexto, faz-se necessário o desenvolvimentode processos de comunicação comunitária em saúde que superem a simplestransmissão de informação, para desenvolver uma comunicação dialógica, queofereça elementos de compreensão e análise à cidadania sobre sua realidadesanitária e que contribua no fortalecimento de seus processos organizacionais e de
  23. 23. 23mobilização social por uma melhor qualidade de vida e pela saúde em todos osseus aspectos (TOVAR, 2007). “A comunicação em saúde envolve mais do que a simples e mecânicadifusão de informações valorizadas por profissionais. Esse processo revela-seautoritário e incapaz de responder pelas demandas coletivas que são plurais”(MORAES, 2007, p.63). Comunicação e saúde não se restringe ao uso dos meiosmais eficazes ou atuais do ponto de vista tecnológico. Não se fala emequipamentos ou instrumentos sofisticados, dispendiosos como se esse fato fosseúnico para estabelecer uma comunicação infalível. Comunicação é o desafio daslinguagens verbais e não verbais, é a capacidade de dialogar entre todos ossujeitos envolvidos na construção e transmissão de informações. Rocha (2003) lembra que o Programa Nacional de Imunização-PNI,preconizava o diálogo entre os pais e responsáveis por todas as crianças menoresde um ano de idade, alvo das vacinas ofertadas nos serviços públicos de saúde. Ainformação e mobilização das comunidades deveriam ter como propósitos garantira adesão informada da população ao programa e, assim, assegurar o seu êxito. A comunicação que deve se aproximar da saúde é aquela simples, clara,compreensível, participativa. Para Freire (1985, p. 67) “[...] na comunicação não hásujeitos passivos. Os sujeitos co-intencionados ao objeto do seu pensar secomunicam seu conteúdo”. A comunicação deve possibilitar a apropriação do saberpela população e que seja passível de praticidade. Fica claro que é necessário elaborar uma maneira de promover,efetivamente, uma mudança de comportamento, além da simples divulgação deinformação. Aprimorar a persuasão envolve técnicas apuradas de comunicação.Neste sentido a comunicação em saúde pública deve ser um ato planejado, não
  24. 24. 24apenas realizado sob a demanda de informação da população. Há que se estudar oveículo, a credibilidade da fonte da informação e a mensagem propriamente dita(LOGULO, 2009). A mudança nos padrões de comportamento de uma determinadapopulação não acontece subitamente, não é através de uma comunicaçãoemergencial que se estabelece critérios duradouros sobre a apropriação designificados em saúde. Rangel nos lembra a prática da comunicação em saúde naprevenção do dengue: O modelo de comunicação que se caracteriza, portanto por ter cunho campanhista, pontual, descontínuo, com ênfase em situações epidêmicas, quando seria necessário que o dengue estivesse na pauta da mídia durante todo o ano, assim como que nas mídias alternativas, aquelas produzidas pelo próprio serviço e se encontrassem respostas às duvidas mais freqüentes, de forma correta e precisa (2008, p. 436). É importante sensibilizar os profissionais e os gestores de saúde, parareconhecerem a importância da comunicação em saúde, como forma de melhorar aqualidade dos cuidados de saúde prestados e a cobertura vacinal, não apenas paracumprir metas estabelecidas, mas, sobretudo, zelar pela qualidade de vida docidadão. Promover a eqüidade, a igualdade e a universalidade no uso dos serviçosde saúde. 2.2 As campanhas de vacinação Desde as primeiras vacinações, em 1804, o Brasil acumulou quase 200anos de imunizações, sendo que nas últimas décadas, com a criação do PNI,desenvolveu ações planejadas e sistematizadas. Estratégias diversas, campanhas,varreduras, rotina e bloqueios erradicaram a febre amarela urbana em 1942, avaríola em 1973 e a poliomielite em 1989, controlaram o sarampo, o tétanoneonatal, as formas graves da tuberculose, a difteria, o tétano acidental, a
  25. 25. 25coqueluche. Ao longo da história, diversas campanhas foram desenvolvidas paracontrolar ou erradicar doenças consideradas graves, como mostra o quadro abaixo:Quadro 1 – Linha do Tempo (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009)1962 Instituída a Campanha Nacional contra a Varíola.1966 Criada a Campanha de Erradicação da Varíola.1970 Criada a Superintendência de Campanha de Saúde Pública (SUCAM) resultado da fusão do Departamento Nacional de Endemias Rurais, da Campanha da Erradicação da Varíola e da Erradicação da Malária.1971 Implantado o Plano Nacional de Controle da Poliomielite. Últimos casos de varíola no Brasil. Iniciada a produção do BCG liofilizado pelo Butantan.1972 Início do Programa de Vacinação Anti-sarampo.1973 Formulado o Programa Nacional de Imunizações, com o objetivo de controlar ou erradicar doenças infecto-contagiosas e imunopreviníveis.1974 Criado o Programa Ampliado de Imunizações. Epidemia de meningite meningocócica no Brasil.1975 Campanha Nacional de Vacinação contra a Meningite Meningocócica.1981 Lançada a Campanha Nacional de Conscientização sobre a febre amarela.1984 Iniciada em todo o país a vacinação de crianças de 0 a 4 anos de idade contra poliomielite, sarampo, difteria, coqueluche e tétano.1986 Criado o Zé Gotinha, personagem símbolo da campanha pela erradicação da Poliomielite no Brasil.1989 Registrado o último caso de poliomielite no Brasil.1992 Campanha Nacional contra o Sarampo. Implantada a vacina tríplice viral. Implantada a vacina Anti-hepatite B para grupos de risco. Lançado o Plano de Eliminação do Tétano Neonatal.1996 Campanha Nacional de Vacinação contra a Hepatite B, envolvendo escolares e odontólogos.1997 Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, em crianças menores de cinco anos.1998 Vacinação contra a Hepatite B em todo o Brasil.
  26. 26. 261999 Implementado o Plano de Erradicação do Sarampo. Primeiro ano da Campanha de Vacinação para a terceira idade, com a finalidade de imuniza-los contra gripe, tétano e difteria. Implantada a vacina contra Haemophilus influenzae b, para menores de 2 anos.2001 Intensificada a vacinação das mulheres em idade fértil, com o intuito de zerar a ocorrência do tétano neonatal.2002 Implantada a vacina tetravalente (DTP + Hib), para menores de 1 ano. Campanha Nacional de Vacinação contra a Rubéola destinada à mulheres.2004 Apresentada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) as seis vacinas prioritárias para desenvolvimento nos próximos três anos: pentavalente (contra difteria, coqueluche, tétano, hepatite B e Haemofilus Influenzae), contra a raiva humana e canina, imunização das meningites A e B, e contra a leishmaniose canina.2005 Distribuição da nova Caderneta da Criança por maternidades públicas e privadas.2006 Incorporada a vacinação contra o Rotavírus no Calendário Básico de Vacinação da Criança. Instituído o “Dia Nacional de Prevenção da Catapora”, celebrado anualmente no dia 5 de agosto, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da vacinação contra a doença. As campanhas de vacinação implantadas e implementadas ao longo dahistória, aqui no Brasil, passou por mudanças significativas, não só no seu aspectotécnico-científico, com o advento de novas vacinas, novos métodos deadministração. Esse fato, bem verdade, foi decisivo para o sucesso de muitasconquistas no setor da saúde. No entanto, as ações desenvolvidas nas campanhas,vão muito além do aspecto já mencionado. Houve mudanças, não menosimportantes, no comportamento da população, nas estratégias políticas ecomunicacionais. Na verdade, nos lembra Rocha (2003), a utilização do instrumental dacomunicação remonta à década de 1920, quando formalmente se propôs associar apropaganda na educação da população com o objetivo de modificar conhecimentose atitudes, tendo em vista a adoção de comportamentos favoráveis. Naquela época,entre 1920 e 1930, o rádio e o cinema consolidaram-se como instrumentos depropaganda política, pois encantavam os políticos e aqueles que tinham acesso aos
  27. 27. 27meios. Na saúde, a propaganda buscou influenciar e ajustar as pessoas a normas e prioridades definidas epidemiologicamente, utilizando como recursos acessórios o reconhecimento de crendices e superstições, bem como o conhecimento sobre transmissão de doenças. São, da mesma forma, reconhecidas e abordadas as lideranças locais, os veículos de comunicação existentes, as igrejas e escolas. Os planos de ação incluem estratégias de persuasão com a finalidade de levar os indivíduos a cumprirem as recomendações estabelecidas pelas autoridades sanitárias (idem). Embora as campanhas de saúde pública, desenvolvidas no início doséculo XX, fossem encaradas com certas restrições pela população, inclusive commovimentos de forte rejeição como foi a Revolta da Vacina, uma verdadeira guerraem área urbana, ocorrida no Rio de Janeiro,Temporão (2010, p.604) nos lembraque “o sucesso da campanha de erradicação da varíola fortaleceu, dentro doMinistério da Saúde, uma corrente que defendia maiores investimentos no controlede doenças infecciosas preveníveis por imunização”. Foi um período fértil no campoda prevenção, criou-se, em 1973, o PNI, consolidando as diversas experiências jáutilizadas em atividades anteriores, e com a responsabilidade de traçar novasdiretrizes. A comunicação de massa difundindo a importância de se vacinar contra várias doenças passou por uma série de inovações, após o advento dos dias nacionais de vacinação contra a poliomielite, instituídos em 1980. Ainda na década de 1970, visando a incorporação de novos hábitos e práticas de saúde, o Ministério da Saúde fez ajustes de linguagem à população alvo em suas campanhas, aproximando-se das comunidades e de outras realidades regionais. Os dias nacionais de vacinação adotaram como estratégia a produção de material informativo, como cartazes, folhetos e manuais, veiculados em diversos meios e divulgadores de sua linha de ação. Seu objetivo era despertar a consciência da população para a necessidade da vacina, em especial pais e responsáveis por crianças menores de cinco anos, mobilizar a sociedade em torno dessa questão e envolver outras entidades nesta tarefa (PÔRTO, PONTE, 2003, p.735-736). Pôrto e Ponte (2003) nos lembram que em meados da década de 80, aOrganização Panamericana de Saúde (OPAS), convidou os países das Américas
  28. 28. 28para lutarem contra a poliomielite. O Brasil se engajou nesta luta, levando no seubojo experiências anteriores a este período, e várias iniciativas são adotadas,inclusive a criação de uma logomarca que caracterizasse a campanha. O artistaplástico mineiro, Darlan Rosa, cria o personagem, até hoje traduzido como símboloda vacinação, o Zé Gotinha. Esse nome surgiu a partir de um concurso nacionalrealizado pelo Ministério da Saúde. O Governo continuou buscando novasmetodologias e técnicas de aproximação com a população. Associou-se a grandesagências de publicidade, modernizando sua linguagem escrita e visual. Passou afazer uso de figuras conhecidas no cenário nacional. Diante das campanhas de saúde realizadas pelo Ministério da Saúde,duas se destacaram historicamente, a grande campanha para erradicar a varíola,inclusive com o episódio da Revolta da Vacina; e a campanha para erradicar apoliomielite, que até hoje perdura com seu símbolo maior: o Zé Gotinha. Umtrabalho, em grande parte, desenvolvido através da comunicação, com seusdiversos meios e veículos. O marketing, a publicidade, comunicação interpessoal,comunicação organizacional, o uso da televisão, do rádio, de material impresso. Em Conceição do Coité diversas campanhas já foram executadas, mas aque se destaca no cenário da prevenção é a vacinação contra a poliomielite, aparalisia infantil, como é conhecida no meio popular. O material publicitário(algumas cópias em anexo) baseia-se em:a) cartazes, cartilhas, vídeos, jingles e vinhetas produzidos a nível central, peloMinistério da Saúde;b) folders, faixas e comunicados dirigidos aos sites, rádios, carros de som,produzidos a nível local, pela Secretaria Municipal de Saúde. Os folders e comunicados produzidos no município, apresentam-se
  29. 29. 29recheados de informações, normalmente com informações técnicas, complexas, oque dificulta a sua compreensão por parte da maioria da população alvo,responsável pelas crianças. Os comunicados dirigidos aos carros de som, sãolongos, impróprios para este tipo de veículo. Como ele está em movimento, depoisde uma certa distância, não se saberá o que foi dito no início do texto. Hoje, ao analisarmos os cartazes e outros materiais das campanhas,“quase não se usam mais palavras, basta um sinal. O gesto da criança mostrando alíngua e pedindo a gotinha supre a necessidade de produzir linguagem” (idem).
  30. 30. 303. METODOLOGIA 3.1 Aspectos essenciais do Grupo Focal Com a sanção da Lei Orgânica da Saúde, Lei 8080 de 1990, que criou oSistema Único de Saúde – SUS, e a Lei 8.142/90, que dispõe sobre a participaçãoda comunidade na gestão do SUS, reconhecem-se os direitos de que toda apopulação deva ter acesso à informação e participar ativamente das decisõesrelacionadas ao sistema de saúde implantado no país. Esse fato levou os gestorese profissionais de saúde a buscarem novos caminhos de atuação. Planejar ações em saúde, prevê a participação popular através dosConselhos de Saúde. Com muita freqüência nos deparamos com situaçõesdivergentes entre o que pensam os gestores sobre o que a população precisasaber, e o que as comunidades entendem como importante para elas. É necessárioouvir segmentos da população acerca de ações possíveis de serem executadas ecomo devem ser conduzidas. Nas ciências sociais, têm-se utilizado cada vez mais a metodologia dogrupo focal como instrumento norteador nas pesquisas qualitativas. Para Mckinlay eYach(apud Lervolino e Pelicioni), Como técnica de pesquisa qualitativa, o grupo focal obtêm dados a partir de reuniões em grupo com pessoas que representam o objeto de estudo. O grupo focal têm sido utilizado internacionalmente para a estruturação de ações diagnósticas e levantamento de problemas; para o planejamento de atividades educativas, como objeto de promoção em saúde e meio ambiente; podendo ser utilizado também para a revisão do processo de ensino-aprendizagem. Relativamente simples e rápido, o grupo focal parece responder a contento à nova tendência da educação em saúde, que em se deslocado da perspectiva do indivíduo para a do grupo social e da educação calcada em conteúdos e abordagens universais para a educação centrada na perspectiva cultural de seus possíveis beneficiários (2001, p.116). Com o grupo focal obtém-se uma melhor compreensão sobre oselementos que interferem no desenvolvimento de certas ações destinadas à
  31. 31. 31população. Através das discussões em grupos, pode-se avaliar os anseios de cadacomponente e sua integração ao todo, no sentido de desvendar algo que o sejapouco compreensível e, naquele momento, venha a ser esclarecido. Quando o tema abordado está intimamente ligado à saúde, o uso dogrupo focal pode minimizar o número de programas e ações governamentais ounão, que frequentemente resultam em baixa efetividade, tornando-se obsoletos.Não só isso, no momento em que as pessoas estão reunidas, ocorre uma maioraproximação e envolvimento com um assunto comum a todos. Esse encontro geraum debate mais rico de conteúdo, contribuindo significativamente com o trabalho aser aplicado. Na escolha do grupo focal como metodologia qualitativa podemosdestacar alguns aspectos como a quantidade de participantes, o número de gruposa ser formado, o local dos encontros e a interpretação dos resultados. Para Gondim, o tamanho do grupo é um aspecto a se destacar, Apesar de se convencionar que este número varia de quatro a 10 pessoas, isto depende do nível de envolvimento com o assunto de cada participante; se este desperta o interesse de um grupo em particular, as pessoas terão mais o que falar e, neste caso, o tamanho não deve ser grande, para não diminuir as chances de todos participarem; com mais de 10 elementos, sendo o tema polêmico, fica difícil o controle do processo pelo moderador, havendo uma tendência a polarizar e entrar em conflito (2002, p.6). O número de participantes de um grupo focal é definido a partir de doisfatores: deverá ser pequeno o suficiente para que todos tenham a oportunidade deexpor suas idéias e evitar ruídos desnecessários e grande o bastante para que hajadiversidade e consistências nas opiniões. Quantificando esse raciocínio, podemosconcluir que uma sessão de grupo focal deve ser composta por no mínimo quatro eno máximo 12 pessoas ( KRUEGER apud NETO et al, 2009, p. 12).
  32. 32. 32 Por se tratar de um estudo qualitativo, não há uma fórmula pronta para sedeterminar a quantidade de grupos focais a serem formados durante a pesquisa emexecução. Deve-se, no entanto, esgotar o tema proposto, esse parâmetrodetermina quantos grupos serão necessários. O emprego de mais de um grupo permite ampliar o foco de análise e cobrir variadas condições que possam ser intervenientes e relevantes para o tema. O número de grupos nesse caso depende do planejamento do estudo em relação à cobertura de variados tipos de participantes necessários a ela. A decisão sobre a quantidade de grupos a serem utilizados deve levar em conta a homogeneidade/heterogeneidade da população-alvo em relação ao objeto da pesquisa e os objetivos desta. O número de grupos dependerá também do número de membros da equipe envolvida no trabalho, ou ainda das possibilidades do apoio financeiro recebido (GATTI,2005, p 22). Uma vez definidos os grupos, deve-se pensar no local dos encontros.Este deve ser tranqüilo, sem ruídos que possam interferir nas gravações que serãooriginadas a partir das falas; de fácil acesso; confortável; boa iluminação e seminterferências de terceiros. Os participantes podem estar sentados em cadeirasavulsas, em círculo, ou até mesmo em volta de uma mesa. Alguns cuidados devem ser tomados na interpretação dos resultadosobtidos. Os dados colhidos através de grupos focais são de natureza qualitativa.Isto vai implicar a necessidade de se analisar os dados também de formaqualitativa. Neste caso não há tratamento estatístico envolvido, mas um conjunto deprocedimentos que visam a organizar os dados de modo que eles revelem, com aobjetividade e isenção possíveis, como os grupos em questão percebem e serelacionam com o foco do estudo em pauta (COTRIM, 1996). A decisão de lançar mão da técnica de grupos focais com pais ouresponsáveis por crianças menores de um ano em Conceição do Coité, foi surgindocom o desenvolvimento do projeto de pesquisa sobre a comunicação em saúde.
  33. 33. 33Após a definição dos objetivos do estudo ora apresentado, definiu-se que seriaapropriado a utilização de uma técnica qualitativa, vislumbrando nos grupos focais ocaminho a ser seguido durante o processo na busca dos dados. Para conhecer o significado atribuído à comunicação empregada nascampanhas de vacinação em crianças com até um ano de idade no município deConceição do Coité, na Bahia, dois grupos focais foram realizados entre os mesesde outubro à dezembro de 2009. Com base na literatura sobre a composição dogrupo focal, resultou na formação de dois grupos homogêneos quanto aos aspectosde gênero, local de residência e estado civil; porém heterogêneo quanto à idade,freqüência de uso do serviço público de saúde, escolaridade e condiçõessocioeconômicas. A teoria a respeito de grupos focais sugere que a quantidade degrupos seja o suficiente para exaurir o assunto. Baseado no público alvo e asdistâncias geográficas entre este público, postulou-se que a formação de doisgrupos seriam suficientes para atender aos objetivos da pesquisa. 3.2 Caracterização do município de estudo Segundo o Plano Diretor de Regionalização (PDR), Conceição do Coitépertence à Macrorregião Centro-leste; Microrregião Serrinha (região econômica, deplanejamento, e administrativa) e a 12ª Diretoria Regional de Saúde (DIRES). Estimativa do IBGE em 2009, aponta o município com uma população de62.893 habitantes, deste total, 1.224 são de crianças menores de um ano de idade.A população geral está distribuída em uma área de 1.086 km², densidadedemográfica de 57,91 hab/km2, distante da capital do estado 210 km. Limita-se comos municípios de Retirolândia, Araci, Santaluz, Nova Fátima, Ichú, Serrinha eRiachão do Jacuípe. O preceito constitucional do SUS em cada esfera do governo torna
  34. 34. 34imperativo o gerenciamento do sistema de saúde com garantia e qualidade dosserviços sob a responsabilidade de cada gestor. As ações desenvolvidas nomunicípio visam assegurar a toda população o que foi pactuado pelos gestoresFederal, Estadual e Municipal, sempre com o objetivo da implementação das açõese serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, conseqüentementevisando a redução de risco de doenças. A reorganização do sistema municipal de saúde começa a acontecercom a organização da atenção básica, considerada como porta de entrada para osserviços de saúde. O sistema de saúde é composto de: 14 Equipes de Saúde daFamília (ESF), distribuídas em 09 unidades de Saúde da família, 03 Postos deSaúde Tradicional, 03 Unidades Satélites, 12 equipes de saúde bucal namodalidade I, sendo 09 vinculadas as ESF. A população coberta pela Estratégia deSaúde da Família é de 96,8% da população geral. Recentemente foi implantado o Centro de Referencia de Especialidades,contemplando as áreas de: Cardiologia, Ortopedia, oftalmologia,otorrinolaringologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, Planejamento Familiar,Serviço de Fisioterapia, Laboratório de Análise Clínica, Centro de Especialidade emOdontologia – CEO, Farmácia Básica, Sala de Imunizações, Serviço de Prevençãode Câncer Uterino e outros serviços. Para complementaridade da assistência o município dispõe de doisHospitais conveniado ao SUS e três clínicas com internamento nas quatroespecialidades básicas (clínica obstétrica, clínica médica, clínica cirúrgica e clínicapediátrica) e três clínicas do setor privado e conveniado com o SUS, sendo uma naárea de pediatria uma em ginecologia e obstetrícia e outra clínica médica, cirúrgicae obstétrica.
  35. 35. 35 Dados da cobertura vacinal de 2005 a 2009 (tab. 2), revelam quealgumas vacinas ficaram abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, devacinar no mínimo 95% da população alvo. Vale ressaltar, que os dados de 2009estão incompletos e ainda podem ser revistos, de acordo com o PNI.Tabela 2: Cobertura por Imuno e Ano; Conceição do Coité; 2005-2009, PNIImuno 2005 2006 2007 2008 2009 TotalBCG (BCG) 90,74 99,21 91,89 87,04 95,66 92,90Contra Febre Amarela (FA) 62,51 84,22 80,51 62,17 79,05 73,69Contra Hepatite B (HB) 70,08 87,57 74,25 81,22 79,89 78,60Oral Contra Poliomielite (VOP) 80,8 89,42 83,07 80,25 79,58 82,62Oral Contra Poliomielite (Campanha 1ª etapa)(VOP) 95,44 96,67 89,62 92,54 90,87 93,02Oral Contra Poliomielite (Campanha 2ª etapa)(VOP) 95,53 104,8 92,92 93,15 95,93 96,46Oral de Rotavírus Humano (RR)(iniciado em 2006) 0 31,66 31,83 43,83 55,87 40,79Tetravalente (DTP/Hib) (TETRA) 77,51 88,45 82,54 78,31 74,92 80,34 116,7Tríplice Viral (SCR) 82,34 4 79,63 76,01 75,66 86,073.3 A seleção dos participantes A seleção dos participantes ocorreu com o apoio dos agentescomunitários de saúde de duas equipes do Programa Saúde da Família. As microáreas de Ipoeirinha e Boa Vista, pertencentes as unidades de saúde dos distritos deSão João e Aroeira, respectivamente, foram selecionadas por apresentarem gruposde crianças menores de um ano. Os grupos eram compostos de mães, comcaracterísticas desejadas aos objetivos do trabalho, tais como: menor distânciageográfica entre elas, algum nível de escolaridade e já ter tido contato comcampanhas de vacinação infantil. No primeiro momento houve o contato com a agente de saúde da microárea selecionada. Uma vez informada sobre os objetivos da pesquisa, a agenterepassava as informações às mães das crianças menores de um ano, que
  36. 36. 36conhecedoras dos elementos da pesquisa, eram interrogadas se aceitavamparticipar. Para garantir a presença das mães que aceitavam participar dasdiscussões nos grupos, contatos posteriores eram estabelecidos com as agentesde saúde para relembrar o dia do encontro, o horário e o local determinado. Foram agendados dois encontros, com dois grupos de mães. Cada grupodeveria possuir entre 4 a 10 participantes. No grupo da micro área de Ipoeirinha,por motivo desconhecido, participaram 4 mães. Em Boa Vista registrou-se apresença de 10 participantes. 3.4 A moderação dos grupos O mediador é responsável pelo início, pela motivação e todo o desenrolardos debates, sendo o único que deve interferir e interagir com os participantes, demodo a conduzir o grupo. Para Lervolino e Pelicioni (idem) “cabe ao moderador dogrupo criar um ambiente propício para que diferentes percepções e pontos de vistavenham à tona[...]” O próprio autor fez a moderação dos encontros, que contou com acolaboração de um aluno do curso de graduação em Administração, do Campus XIda UNEB-Universidade do Estado da Bahia, para anotar e observar osacontecimentos ocorridos nos grupos. As falas foram gravadas em fita cassete e oáudio foi modificado para o formato MP3, através do software Sound Forge, antesda sua transcrição. Este processo foi utilizado para facilitar a re-escuta no momentode transcrever o material gravado. Antes de iniciar cada, em cada grupo foram apresentadas algumasregras básicas para o bom desempenho na condução dos encontros: a) umapessoa deveria falar de cada vez; b) a discussão não deveria ser dominada poruma ou por outra pessoa; c) todas tinham o direito de falar o que pensavam; d) a
  37. 37. 37agente de saúde, facilitadora dos encontros, não poderia estar presente na reunião. Para facilitar a condução dos grupos focais foi elaborado um roteirocomposto por cinco questões norteadoras (Quadro 2). Este roteiro permitiu ummaior aprofundamento da discussão e foi bastante útil ao fornecer insumossignificativos para análise dos fatores envolvidos na comunicação empregada nascampanhas de vacinação infantil.Quadro 2. Questões norteadoras.1) Quando se fala em vacina o que vocês mais lembram?2) Que importância tem as vacinas para as crianças?3) Por que algumas mães não levam seus filhos menores de um ano para tomartodas as vacinas?4)Vocês entendem as propagandas que falam em vacinação?5) Como deveriam ser as propagandas?
  38. 38. 384. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados obtidos a partir dos grupos focais nos deram aoportunidade de acessar informações mais apuradas, para que pudéssemoscompreender como se dava a comunicação empregada no processo dascampanhas de vacinação infantil, como os pais ou responsáveis por criançasmenores de um ano se apropriavam e convertiam em prática as mensagensrecebidas. As informações também foram úteis para estabelecermos hipótesessobre as possíveis relações entre o índice de cobertura vacinal e a comunicaçãoempregada nas campanhas. Os diálogos gravados e transcritos foram sistematizados a partir datécnica de análise de conteúdos descrita por Bardin (apud Ferreira 2009). Os temascentrais de cada grupo foram sublinhados a partir dos tópicos do roteiro quenortearam as discussões e foram retirados trechos das conversas que aparecementre aspas e apresentados em itálico, sugerindo a fala de um participante ou partedela. Os argumentos elaborados a partir dos trechos permitiram uma melhorcompreensão dos significados buscados nos objetivos da pesquisa. Através das informações colhidas nos grupos focais, a vacina foilembrada como uma forma de “prevenção de doenças”, de “evitar doenças” e “bompara a saúde”. Nota-se um entendimento, embora superficial, sobre a vacina e oprocesso da vacinação. Esse fato surge a partir das poucas palavras pronunciadas,ou o silêncio de algumas mães, quando a questão proposta sobre vacina foiapresentada para discussão. O baixo nível de conhecimento acerca da imunização, por deficiência nacomunicação, já foi detectado em outras pesquisas. Um estudo realizado porMolina et al (2007), no interior de São Paulo, observou que apenas 68,2% das
  39. 39. 39pessoas receberam orientação sobre a vacina que foi realizada; 70,0% sobre asreações que poderiam ocorrer e 68,6% sobre o agendamento da próxima vacina,ou seja, cerca de 30% das pessoas não foram devidamente orientadas nessesquesitos. Ao perguntarmos sobre a importância atribuída as vacinas, buscamosidentificar a significação da imunização para o grupo. “É eu acho assim... que aimportância da vacinação porque as vezes a gente pensa... ah essa vacina não temnem tanta serventia, acha que as doenças tá tão distante da gente... teve assim umcaso recente de uma colega minha que por conta da criança ter um baixo peso, nãofoi vacinar contra aquela rotavírus e a criança contraiu... foi ai que eu analisei aimportância da gente vacinar a criança (...)” O valor da vacinação foi atribuídoquando uma situação real, um adoecimento, foi presenciado na comunidade.Provavelmente muitas mães ou responsáveis não estejam plenamente convencidosda importância da imunização. Silva et al (1999) sugere que uma das estratégiaspara o aumento da cobertura vacinal seja o incremento das atividades da educaçãoe comunicação em saúde, no intuito de difundir informações aos grupos-alvo,respeitando suas culturas e suas limitações educacionais. Se foi atribuída alguma importância a vacinação, por que algumas mãesnão levam seus filhos menores de um ano para tomar todas as vacinas? Quandoindagamos sobre esta questão, informações relevantes surgiram nos grupos: (...)ainda não quebrou esse tabu... tem muitas mães que as vezes até comprimemseus filhos nos braços na hora de aplicar uma vacina”. O medo da vacina foilembrado em diversos momentos, “outras mães não levam porque não quer ver ascrianças sendo maltratadas(...)”, “ela nunca levou a filha pra dar vacina porque nãoqueria ver o sofrimento da filha, é medo mesmo”. “Fica com medo porque não sabe
  40. 40. 40pra que a vacina serve”. “Não vacinou porque a criança estava com febre”. As justificativas apontadas pelas mães para não vacinarem as criançaspode contribuir no esclarecimento de problemas encontrados na conclusão de todoo esquema de vacinação, preconizado pelo Ministério da Saúde. Em CampinaGrande, Paraíba, “a resistência dos pais foi apontada como a principal barreira parao alcance da cobertura vacinal podendo esta ser fruto das crenças, cultura dos maisvelhos e até mesmo o medo da reação da vacina“ (FRANÇA et al, 2009, p.262).Essa observação reforça a importância das práticas comunicativas, não só atravésde campanhas publicitárias, mas também na comunicação interpessoal, comrelação à vacinação feita na data correta, contribuindo significativamente paracompletar todo o esquema vacinal. Transmitir informações na área da saúde é algo vital para o sucesso decampanhas, sejam elas de vacinação ou de qualquer outra natureza. Mas osresultados desejados só serão alcançados pelos diversos públicos a depender dacapacidade de entendimento de cada sujeito. O Ministério da Saúde, em âmbitonacional, e as Secretarias Municipais de Saúde, em âmbito local, utilizam diversosmeios de comunicação para criar e veicular mensagens. Porém, os projetos decomunicação em saúde se deparam com situações que envolvem questõesemocionais, sociais, de ordem econômica, etc. Isso torna o planejamento emcomunicação, nesta área da saúde, um desafio muito grande. Apesar de todo o aparato usado na comunicação, ouvimos, nos gruposfocais que “as vezes eu acho as campanhas de vacina mais direcionadas para ascrianças, do que para os pais”. “Eu não vejo que chama a atenção dos pais não”.Eu lembro mais da pólio, por causa do Zé Gotinha”. Sendo assim, “(...) as campanhas deveriam... chamar mais a atenção
  41. 41. 41dos pais...” No entendimento de algumas mães, as propagandas deveriam chamaras famílias ao engajamento no processo da vacinação, assumir a responsabilidadesobre a saúde da criança: “acho que precisa mais de incentivos às famílias”. O governo tem elaborado estratégias para melhorar o nível de saúde dapopulação, em 2004 o Ministério da Saúde lançou a Agenda de Compromissos paraa Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil. Integrando-se aesta agenda, a família com crianças menores de sete anos, que detenham a BolsaFamília, tem que levar a criança para tomar as doses de vacina e manter atualizadoo calendário de vacinação, caso contrário o benefício será passível decancelamento. A estratégia funciona mais como uma obrigatoriedade em manter obenefício, do que a importância de se preservar a saúde através da vacinação.Deve-se considerar também que o programa Bolsa Família atende apenas umaparte da população. O tema obrigatoriedade foi lembrando nos encontros: “(...) ogoverno que tá obrigando a gente ir até o posto... propaganda fosse diferente, quea pessoa mesmo se conscientizasse...” Deveria ser desenvolvida uma campanhaonde as propagandas mostrassem as “conseqüências, os benefícios e osmalefícios ou não”; “...mais clara”. “A propaganda precisa passar com mais calma,mais vezes. As vezes a gente tá na cozinha e quando chega a propaganda jápassou.” Quando se planeja uma campanha publicitária que almeja atingir umpúblico diversificado, tanto no seu aspecto educacional, da educação formalpropriamente dita, quanto ao seu ponto de vista cultural, deve-se atentar não sópara o meio técnico que se usa, mas conhecer ao mínimo possível o públicotrabalhado. Quando indivíduos codificam ou decodificam mensagens, eles empregam
  42. 42. 42 não somente as habilidades e competências requeridas pelo meio técnico, mas também várias formas de conhecimento e suposições de fundo que fazem parte dos recursos culturais que eles trazem para apoiar o processo de intercâmbio simbólico. Estes conhecimentos e pressuposições dão forma às mensagens, à maneira como eles as entendem, se relacionam com elas e as integram em suas vidas. O processo de compreensão é sempre uma ação recíproca entre as mensagens codificadas e os intérpretes situados, e estes sempre trazem uma grande quantidade de recursos culturais de apoio a este processo (THOMPSON, 1998, p.261). A comunicação em saúde, principalmente quando se deseja alcançaríndices satisfatórios na qualidade de vida da população infantil, deve chamar ospais à responsabilidade através de ações contínuas, não apenas uma comunicaçãopontual. Outro aspecto a ser levado em consideração são os veículos utilizados,devem ser respeitados as particularidades locais e o acesso aos meios decomunicação. Utilizar todos os meios possíveis, inclusive o engajamento de todosos profissionais das Equipes de Saúde da Família. A partir do conhecimento acerca da comunicação e da saúde, dosdiálogos produzidos nos grupos focais, da necessidade do engajamento cada vezmaior da população na construção de uma saúde igualitária, do comprometimentodos comunicólogos e dos profissionais de saúde, agrupamos algumas idéiaspráticas sobre estratégias em campanhas de vacinação. Primeiro, as campanhas devem ser pensadas em nível local, respeitandoas particularidades de cada município, levando em consideração as crenças,costumes e idéias do seu povo. Segundo, um planejamento eficiente emcomunicação, e aqui Gaudêncio Torquato, contribui com três funções, das dez emque a administração pública precisa espelhar seus programas: 1. A comunicação como forma de integração interna – diapasão. Função: ajustamento organizacional. Os ambientes internos, alimentados por eficientes fontes de comunicação, motivam-se e integram-se ao espírito organizacional contribuindo de forma mais eficaz para a consecução das metas. 2. A comunicação como base de cidadania. Função: direito à informação. A comunicação deve ser entendida como um
  43. 43. 43 dever da administração pública e um direito dos usuários e consumidores dos serviços. Sonegar tal dever e negar esse direito é um grave erro das entidades públicas. Os comunicadores precisam internalizar esse conceito, na crença de que a base da cidadania se assenta também no direito à informação. 3. A comunicação como forma de integração social. Função: social. A comunicação tem o dom de integrar os grupos pelo elo informativo. Ou seja, quem dispõe das mesmas informações pode entender melhor seus semelhantes, dialogar, colocar-se no lugar do interlocutor. A comunicação, como a língua, exerce o extraordinário poder de integrar as comunidades, unindo-as em torno de um ideal (2002, p. 122- 123). Sobre as três funções: primeiro, é necessário manter toda a equipe deprofissionais de saúde atualizados com as informações sobre o setor em quetrabalham. Embora estejamos falando de campanhas, a comunicação empregadaneste processo deve ser contínua e não campanhista. Todos, do agenteadministrativo ao médico, do enfermeiro ao agente de saúde, precisam estarinformados sobre as vacinas e vacinação. Isso facilita a aproximação com os paisou responsáveis pelas crianças, vai ser possível dirimir qualquer dúvida. Segundo, a informação é imprescindível na saúde. Daí a comunicaçãocomo base da cidadania, o direito à informação, e essa informação precisa serapresentada de forma clara, inteligível, contínua também. Utilizar todos os meios decomunicação possíveis: o rádio, a televisão, os impressos, os carros de som, rádioposte, a comunicação interpessoal em associações comunitárias, igrejas, clubes,reuniões. Não se pode perder a oportunidade de se esclarecer sobre as vacinas,todas elas, não se concentrar em apenas uma, isso é um erro. Como já foi visto,nos dados sobre a cobertura vacinal em Conceição do Coité, a poliomielite aparece,nos últimos cinco anos, com a maior média. Coincidentemente, é a mais lembradatambém nos grupos focais, e a que possui o maior número de peças publicitáriasproduzidas. Terceiro, a comunicação não pode ser individual, precisa-se de duas oumais pessoas para que ela aconteça. A comunicação como forma de integração
  44. 44. 44social. A técnica do grupo focal é um meio eficiente para dialogar com mães, pais eresponsáveis por crianças. É uma maneira de dar oportunidade para que todostenham vez e voz, preconizado inclusive pela integralidade do Sistema Único deSaúde (SUS). Com isso as pessoas se sentem valorizadas e integradas aoprocesso, tornam-se agentes ativos, na construção de uma saúde cidadã.
  45. 45. 45CONSIDERAÇÕES FINAIS Os objetivos que conduziram este trabalho procuraram ir além do que umsimples levantamento de conhecimentos, atitudes e práticas podem mostrar comoresultado de investigação. Através da informações colhidas nos grupos focais, nasobservações, nas conversas informais com profissionais de saúde, na pesquisabibliográfica, foi possível chegar a algumas conclusões. Percebemos que as mães,os pais e responsáveis por crianças, carecem de informações que os conduzam aum melhor entendimento sobre a importância da vacinação, sobre os tipos devacinas que existem, para que servem, quais as possíveis reações. Que énecessário um maior comprometimento dos profissionais de saúde com acomunicação. Apesar do avanço das tecnologias da informação e da comunicação,com o surgimento dos celulares cada vez mais modernos, DVD, TV e rádio digitais,Internet, com todo esse novo aparato, as campanhas organizadas pelos governoscontinuam seguindo apenas uma direção. Embora tenhamos registrado uma maiormobilização da sociedade civil organizada na questão da comunicação social,principalmente através das Conferências de Comunicação já realizadas, bem comoas Conferências de Saúde, mudanças nas peças publicitárias, ainda há um longocaminho a percorrer, no sentido de construirmos uma política pública decomunicação em saúde que seja duradoura e convincente. Outros estudos qualitativos são prioritários para confirmar os achadosdescritos neste trabalho. A comunicação em saúde e uma política pública nestesetor, merece atenção especial das universidades e outras instituições que desejamencontrar um ponto de equilíbrio entre os campos da comunicação social e asaúde.
  46. 46. 46 A conclusão deste trabalho demonstra a importância de se articular acomunicação e a saúde, pela onipresença dos meios técnicos da comunicação, aidentificação e a interatividade de tais meios no cotidiano do público responsávelpela vacinação de crianças. E não menos importante, os meios desempenham umpapel fundamental nos processos de significação e ressignificação da noção desaúde junto a esta população, a partir da sua própria vivência. Nessa perspectiva, sugerimos um aprofundamento na análise daimportância desta pesquisa e de outras de cunho qualitativo, no intuito de fortalecerou construir as políticas de comunicação em saúde e melhorar o desempenho dascampanhas de vacinação infantil.
  47. 47. 47REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASARAÚJO, I. S.; CARDOSO, J. M.; MURTINHO, R., A comunicação no SistemaÚnico de Saúde: cenários e tendências. Disponível em:www.projetoradix.com.br/arg_artigo/alaic200812.pdf, acesso em 11/11/2009.BARCHIFONTAINE, C. De P. de, Saúde pública é bioética? São Paulo: Paulus,2005.BITELLI, Marcos Alberto Santanna. O direito da comunicação e da comunicaçãosocial. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.CARDOSO, Janine Miranda. Comunicação e saúde: Uma idéia e cinco desafiospara ampliar a participação e o controle social. IN: Seminário de Comunicação,Informação e Informática em Saúde. Ministério da Saúde, Brasilia, 2005.COTRIM, Beatriz. Potencialidades da técnica qualitativa grupo focal eminvestigações sobre abuso de substâncias. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.30, n. 3, jun.1996.FERREIRA, M. C.; GROSSEMAN, S.; VIEIRA, R. S., O que os profissionais desaúde que lidam com saúde materno infantil deveriam saber sobre vacinas.Disponível em:http://bases.bireme.br/, acesso em 16/11/2009.FRANCA, I. S. X. de; SIMPLICIO, D. da N.; ALVES, F. P. and BRITO, V. R. de S.Cobertura vacinal e mortalidade infantil em Campina Grande, PB, Brasil. Rev. bras.enferm. [online]. 2009, vol.62, n.2, pp. 258-271.FREIRE, P. Extensão ou comunicação? Paz e Terra, 8ª ed. Rio de Janeiro, 1985.GATTI, Bernadete Angelina. Grupo focal na pesquisa em ciências sociais ehumanas. Liber Livro, Brasília, 2005.GONDIM, Sônia Maria Guedes. Grupos focais como técnica de investigaçãoqualitativa: desafios metodológicos. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v.12, n. 24, 2002 .LERVOLINO, Solange Abrocesi; PELICIONI, Maria Cecilia Focesi. A utilização dogrupo focal como metodologia qualitativa na promoção da saúde. Rev. esc. enferm.USP, São Paulo, v. 35, n. 2, June 2001.LOGULO, Patrícia. Comunicação em saúde pública. Disponível em:www.projetoradix.com.br, acesso em 05/06/2009.MEDEIROS, Patricia Flores de; BERNARDES, Anita Guazzelli; GUARESCHI,Neuza M. F.. O conceito de saúde e suas implicações nas práticaspsicológicas. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 21, n. 3, Dec. 2005.MELO, José Marques de. Teoria da Comunicação: paradigmas Latino-
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