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Planejamento escolar um instrumento facilitador do trabalho docente

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  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV COLEGIADO DE LETRAS GILVANDA DO NASCIMENTO SANTOS PLANEJAMENTO ESCOLAR: UM INSTRUMENTO FACILITADOR DO TRABALHO DOCENTE Conceição do Coité 2010
  • 2. 2 GILVANDA DO NASCIMENTO SANTOSPLANEJAMENTO ESCOLAR: UM INSTRUMENTO FACILITADOR DO TRABALHO DOCENTE Monografia apresentada ao Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), curso de Letras Vernáculas, como parte do processo avaliativo para obtenção do grau de Licenciado em Letras. Orientador: Prof. Paulo de Tarso Vellanes Conceição do Coité 2010
  • 3. 3Dedico este trabalho àqueles que contribuíram para suarealização. Minhas colegas professoras que secomprometeram a colaborar conforme minhasnecessidades de pesquisa, em especial Solange amigaverdadeira para todas as horas.
  • 4. 4Gosto de ser gente porque, inacabado, sei quesou um ser condicionado, mas consciente doinacabamento, sei que posso ir mais alémdele. Paulo Freire
  • 5. 5 Agradecimentos Agradeço a força superior que nos irradia luz e que nos faz fortes parasuperar etapas difíceis, transformando-as em gratificantes, aos amigos queacompanharam meus passos mesmo quando foi preciso correr para andarmosjuntos, entre eles: Solange, Lissandra, Mara e Sandrinha e ao meu colegaLuciano. Também para aqueles que esperaram minhas visitas que nuncaacontecia. A painho que mesmo na sua simplicidade me ensinou o melhorcaminho a seguir, os estudos. Aos amores da minha vida Na e Lu quesuportaram com paciência minhas queixas, minhas ausências e a falta dosmeus carinhos. Aos professores que, de coração, se dedicaram pelo melhordesempenho dos seus alunos em especial meu professor e orientador Paulo deTarso Vellanes Enfim, a todos aqueles que participaram ao meu lado desta jornada àsvezes cansativa, mas necessária e prazerosa.
  • 6. 6 RESUMOEste trabalho monográfico apresenta uma análise crítica sobre a importânciado planejamento escolar como instrumento facilitador do trabalho docente. Se omesmo ajuda a resolver os problemas da escola. A pesquisa realizou-se naEscola Municipal Áurea Nogueira no município de Serrinha - BA no intuito deinvestigar o planejamento escolar enquanto instrumento do trabalho do corpodocente, o papel do professor na elaboração do planejamento escolar eidentificar qual a participação da comunidade escolar na construção doplanejamento. Como referencial teórico que contribuiu para a pesquisaencontra-se: Vasconcellos (2006), Luck (1995) entre outros. O percursometodológico se sustenta na abordagem qualitativa, na pesquisa de campo eno estudo de caso. A pesquisa evidenciou a relevância deste instrumentopedagógico, além de apresentar a insatisfação por parte de alguns educadoresna construção do mesmo.Palavras chave: Professor, planejamento, comunidade escolar
  • 7. 7 ABSTRACTThis monograph presents a critical analysis of the importance of schoolplanning as a facilitator of teaching. If it helps solve the problems of the school.The research took place at the Municipal School Áurea Nogueira in the city ofSerrinha - BA in order to investigate the school planning as a tool of the work offaculty, the teachers role in preparing the school planning and to identify whichcommunity participation in school construction planning. The theoreticaldiscussion that contributed to the research is: Vasconcellos (2006), Luck (1995)among others. The methodological approach relies on a qualitative approach infield research and case study. The research showed the importance of thisteaching tool, and shows the dissatisfaction of some teachers in the samebuilding.Keywords: Educators, planning, community school
  • 8. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO.....................................................................................................9CAPÍTULO 1– PLANEJAMENTO EM FOCO...................................................111.1 Planejamento: conceitos e importância.......................................................121.2 Planejamento Escolar..................................................................................131.3 Planejamento Escolar na escola: o papel dos sujeitos ...............................18CAPÍTULO 2 – METODOLOGIA .....................................................................202.1 Abordagem qualitativa ................................................................................212.2 Métodos e técnicas .....................................................................................212.3 Lócus da pesquisa ......................................................................................23CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DE DADOS .............................................................243.1 O conceito de planejar ................................................................................243.2 A ideia de planejamento escolar .................................................................253.3 Planejamento e plano de aula ....................................................................273.4 O papel do professor na elaboração do planejamento escolar ..................29CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................32REFERÊNCIAS.................................................................................................34
  • 9. 9 INTRODUÇÃO A educação é importante para contribuir com o processo dedesenvolvimento do homem, seja ela informal que acontece no dia a diaatravés da observação, da convivência com os grupos sociais, ou a educaçãoformal que se aprende na escola. Através da educação formal, o homemadquire os conhecimentos essenciais para ser inserido no mercado detrabalho. Passa a ser cidadão consciente dos seus deveres e direitos. Como a sociedade passa por constantes transformações e o indivíduotem que estar preparado para acompanhar essas mudanças, é na educaçãoque ele acredita encontrar o caminho seguro para enfrentar tais mudanças. Nesse contexto de transformações, de construções, observa-se aimportância do educador que precisa estar apto para acompanhar e tentarsatisfazer às exigências da sociedade perante o cidadão, ter a capacidade deconstruir a própria vida, relacionar-se bem com todos viver num mundocompetitivo etc. O professor sozinho não conseguirá resolver estes e outros tantosproblemas existentes na escola. Ele precisa trabalhar em conjunto e fazer usode instrumento que o auxilie na sua jornada pedagógica, a exemplo doplanejamento escolar. Dentro desse contexto, surgiu o desejo de pesquisar sobre planejamentoescolar; como ele é visto pelo educador, o papel do educador na elaboração doplanejamento e a participação da comunidade escolar. A pesquisa vem traçar discussão acerca da postura de algunsprofissionais da educação da rede pública do município de Serrinha sobre oplanejamento. Nesse víeis, foram pensados objetivos como: analisar o planejamentoescolar enquanto instrumento facilitador do trabalho docente. Além disso,procura-se refletir sobre a importância do planejamento enquanto objetivocomum da escola, analisar o papel do professor na elaboração doplanejamento escolar e identificar qual a participação da comunidade escolarna elaboração do planejamento. Para o desenvolvimento desta investigação, fez-se uso da abordagemqualitativa, tendo como tipo de pesquisa a pesquisa de campo. As técnicas de
  • 10. 10coletas de dados foram: o questionário, a observação participante e o estudode caso. O planejamento escolar um instrumento facilitador do trabalho docente.A escolha dessa temática se deu pela inquietação da pesquisadora que atuana área da educação e percebeu através de discussões que alguns colegasreconhecem a importância do planejamento, mas não executa sua construção. Assim este trabalho monográfico está organizado em três capítulos. Oprimeiro traz as discussões sobre o planejamento, conceitos e importância, anecessidade dele no ambiente escolar e o papel dos sujeitos. O segundo capítulo apresenta a fundamentação metodológica dapesquisa, o texto baseia-se em: CHAUÍ (2000), DEMO (2002), GIL (1999),MARCONI e LAKATOS (2002). Esse capítulo, ainda apresenta métodos etécnicas de coletas de dados, a observação, o questionário, os sujeitos e olócus. O terceiro capitulo refere-se à análise de dados com o objetivo deanalisar as falas dos professores, e está dividido em quatro categorias:conceito de planejar, ideia de planejamento, planejamento escolar e plano deaula e o papel do professor na elaboração do planejamento. Para finalizar o trabalho, traça-se as considerações finais a respeito doque foi observado sobre o tema, para que a sociedade perceba a relevânciaem se discutir e por em prática instrumentos que ajude e reconheça a práticado educador. Espera-se que esta pesquisa possa colaborar com o educador na suaprática pedagógica.
  • 11. 11 CAPÍTULO 1O PLANEJAMENTO EM FOCO O ser humano está sempre idealizando um futuro e para que este futurovenha a se realizar de maneira mais precisa possível se faz necessário não sóa obstinação e a perseverança, mas planejar este futuro a médio e longo prazo;pois ao planejar o indivíduo se vê comprometido com a ação. O processo de planejamento consiste em preparar, organizar, criar eestruturar o objetivo por meio do pensamento do sujeito. Há quem acredite noplanejamento como uma obrigação enfadonha, mas não percebe que aoacordar nosso pensamento já se projeta no que se vai fazer durante o dia e aomesmo tempo começa a se planejar. Todo planejamento precisa de uma elaboração e segundo Vasconcellos(2006), essa elaboração se dá tendo como referência as três dimensões daação humana consciente: realidade, finalidade e mediação. I. Realidade – Tanto para que quanto o que estão referidos à situação, àrealidade. Ela é o ponto de partida e o de chegada (só que já transformada). Ao ser conhecida, a realidade pode trazer possibilidades nãoexploradas, à medida que revela o que temos, portanto, os meios que dãocondições para nossas eventuais realizações. II. Finalidade – Diz respeito aos fins, ao estado futuro de coisas, àdireção para transformar, o que é naquilo que deve ser. Ao assumir finalidades, o homem nega a realidade presente e afirmauma outra ainda não existente. A determinação da ação passa a vir nãosimplesmente do passado ou do presente, mas também do futuro. III. Mediação – É a previsão das ações, do movimento, da seqüência deoperações a serem realizadas para a transformação da realidade. Em qualquer instituição o planejamento deve estar sempre em foco, serdiscutido, revisto, reelaborado, pois o planejamento é uma atividade de caráterpolítico e ideológico pois representa tomada de decisões e posicionamentos eque vem provocar transformações.
  • 12. 121.1 Planejamento: conceitos e importância Em seu texto “Planejamento em Orientação Educacional”, Luck, (1991),expõe alguns conceitos sobre planejamento, baseando-se em outros autores. 1. “Processo permanente e metodológico de abordagem racional e científica de problemas” (BAPTISTA, 1981, p. 13). 2. “Processo de tomada de decisão, execução e teste de decisões” (GOLDBER, 1973, p.64). 3. “Processo de antecipação e antevisão de condições, estabelecidos ou situações futuras, desejadas, e a previsão de todos os aspectos necessários para a obtenção desses resultados” (CHRUDEN e SHERMAN, 1972, p.52). 4. “Processo que consiste em preparar um conjunto de decisões tendo em vista agir, posteriormente, para atingir determinados objetivos”(TURRA et al. 1975, p.13). 5. “Processo de direção e controle das ações de uma pessoa, em busca de um objetivo determinado (KAUFMAN, 1978). 6. “Visão antecipada de estágios mais avançados de desenvolvimento e de qualidade de instituição e previsão dos passos necessários para atingi- los” (JULIATTO, 1991). 7. “Processo que se inicia com a fixação de objetivos e define as estratégias, as políticas e os planos detalhados para os atingir” (HAMPTON, 1980, p. 120). Segundo uma descrição mais específica e analítica, o planejamento éconceituado como sendo: 8 Processo de estruturação e organização da ação internacional, realizado mediante: -análise de informações relevantes do presente e do passado, objetivando, principalmente, o estabelecimento de necessidades a serem atendidas;- estabelecimento de estados e situações futuros, desejados;
  • 13. 13 -previsão de condições necessárias ao estabelecimento desses estados e situações; -escolha e determinação de uma linha de ação capaz de produzir os resultados desejados, de forma a maximizar os meios e recursos disponíveis para alcançá-los. (LUCK, 1991). Para Padilha (2001, p. 30), Planejamento é o processo de busca deequilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhorfuncionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizaçõesgrupais e outras atividades humanas. O ato de planejar é sempre processo dereflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo de previsão denecessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos(humanos) disponíveis, visando à concentração de objetivos, em prazosdeterminados e etapas definidas, a partir dos resultados das avaliações. Ao planejar, antecipamos uma série de acontecimentos que podemocorrer na ação e nos preparamos para lidar com eles, diminuindo assim aquantidade de imprevistos e tornando as nossas ações mais precisas e demelhor qualidade. Além de aprendermos que o planejamento fornece a reflexãosobre a prática educativa e, dessa forma funciona também como uminstrumento de aprendizagem. Quando planejamos tomamos uma série dedecisões e fazemos uma série de relações entre conhecimentos teóricos,científicos e conhecimentos práticos de nossa experiência pessoal eprofissional. O planejamento é importante, pois ele ajuda a aprender coisas tãoimportantes como à relação ensino-aprendizagem.1.2. Planejamento Escolar O planejar é uma ação indispensável à vida pessoal e tambémprofissional seja na área da educação ou as demais áreas. Contudo a pesquisavem refletir a importância do professor fazer uso do planejamento na práticadas suas atividades profissionais já que o planejamento escolar é uminstrumento facilitador do trabalho docente ele conduz ao debate, a reflexão e amelhoria da qualidade de ensino. É um instrumento importante em qualquersetor da vida da sociedade, pois torna possível definir o que se deseja a curto,
  • 14. 14médio e longo prazo e não pode ser encarado como ação puramente formal,mas como uma ação viva e decisiva, pois é um ato político decisório, comobem coloca Luckesi (1990): O planejamento, entendido como ato político, será dinâmico e constante, pois estará afeito a uma constante tomada de decisão. Não necessariamente deverá ser registrado em documento escrito. Poderá tão somente ser assumido como uma decisão e permanecer na memória viva como guia de ação. Aliás, só como memória viva ele faz sentido. Papéis e formulários são simplesmente mecanismo de registro e fixação gráfica do decidido. Diante desse contexto percebe-se que a escola atravessa um momentode grande crise e não tem conseguido preparar o homem para vida social, nemdesenvolver sua visão de mundo, tampouco preparar-lhe para o exercício dacidadania, da sua profissão e consequentemente para o exercício de suaprofissão. E nesses termos a formação profissional do educador se constituiem um problema: fornece técnica de ensino – receitas, mas não conhecimentoque o embasa e conscientiza para sua prática do planejar. Portanto, pensar aprática pedagógica se torna um reflexo da formação do educador para que amesma seja bem estruturada e bem planejada, pois enquanto parte integrantedo processo educativo, o planejamento deve ser alvo de constantesindagações, quanto a sua validade, instrumento de melhoria qualitativa dotrabalho, do professor, uma vez que não é abordada a orientação teóricasubjacente ao planejamento. Além da importância do planejamento social, profissional e acadêmico oplanejar pessoal se constitui uma situação real que estabelece o que se quermudar, estruturar e organizar para que a mudança da sua realidade setransforme, pois o individuo muitas vezes vê o planejamento como mais umatarefa a ser realizada, não como algo que venha a facilitar o seu trabalho. Porconta desse pensamento a vida se torna uma caixa de surpresa, em que omomento será sempre o presente, que as suas decisões não serãoconscientes, articuladas de acordo às suas necessidades, o que se pretendealcançar, quais interesses reais da sua realidade e o resultado do que seespera do futuro.
  • 15. 15 O planejamento constitui-se a instrumento utilizado pelo educador paradirecionar a sua ação, deve partir do conhecimento da realidade concreta, deveestá em permanente processo de avaliação e reflexão e, principalmente, deveser construído coletivamente, atentando para a dimensão técnica, já que sedefine a maneira como será estruturado e também política, pois, proporcionaráa mudança de atitude. Essa capacidade de planejar, segundo Marx, é própriado ser humano, quando diz: Uma aranha executa operações semelhantes ás do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas distingui o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. Ele não transforma apenas o material sobre o qual opera; ele imprime ao material o projeto que já tinha conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu modo de operar e ao qual tem de subordinar sua vontade (1980, livro 1, v. 1, p.202). Nota se que a ação realizada, deve deixar a formalidade, ou obrigaçãode ser executada, como ocorre na realidade escolar e passar a ter significânciae sentido, resgatando o seu potencial transformador. Fusari (1988), em seu texto O Planejamento do trabalho pedagógico:Algumas Indagações e Tentativas de Resposta, aborda a superação doplanejamento enquanto instrumento tecnicista para a concepção doplanejamento como expressão da práxis (ação/reflexão). Através de perguntase respostas procura demonstrar a problemática do planejamento e a visãoequivocada de que o mesmo serve apenas burocraticamente. Distingue o planejamento do plano: Enquanto o planejamento do ensino é o processo que envolve a atuação concreta dos educadores no cotidiano do seu trabalho pedagógico, envolvendo todas as suas ações e situações, o tempo todo, envolvendo a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos (FUSARI, 1989, p.10). O plano de ensino é um momento de documentação do processoeducacional escolar como um todo. Plano de ensino é, pois, um documento
  • 16. 16elaborado pelo(s) docente(s), contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho,numa área e/ou disciplina específica. A sua função como meio de capacitação dos professores fica explicitoquando diz: A ausência de um processo de planejamento do ensino nas escolas, aliadas às demais dificuldades enfrentadas pelos docentes no exercício do seu trabalho, tem levado a uma continua improvisação pedagógica nas aulas. Em outras palavras, aquilo que deveria ser uma prática eventual acaba sendo uma regra, prejudicando, assim, a aprendizagem dos alunos e o próprio trabalho escolar como um todo”. (FUSARI 1989, p. 10) Além disso, toda a elaboração do planejamento deverá estar pautada narealidade concreta do ambiente escolar e é imprescindível que aja a reflexãodas ações determinadas nos planos ou projetos com o intuito de avaliá-los. Apráxis deve estar presente a todo o momento, como forma de análise doplanejamento, significando, portanto, um olhar crítico do professor em ralação asua própria conduta, como também do desenrolar do processo. Sendo o planejamento um processo permanente e contínuo de umprocesso que inclui a reflexão, a análise e a ação como componentes básicos eindispensáveis Luck (1995), cita algumas qualidades interdependentes doprocesso de planejamento, que comprovam a indispensável presença doplanejamento, no ambiente escolar, proporcionando um melhor andamento dotrabalho desenvolvido na escola, como: continuidade - a ininterrupção entre um objetivo e outro, um momento e outro, uma atividade e outra;  flexibilidade – a capacidade do plano ou projeto de adaptar-se a situações novas surgidas durante a sua execução;  inclusividade – assegurada na medida em que os objetivos, estratégias, atividades levam em consideração todos os aspectos essenciais dos problemas e são suficientes para resolvê-los;  objetividade – resulta de observações, anotações, análises, interpretações precisas e pertinentes dos fatos como se apresentam o que permite a apresentação de propostas de solução ajustadas e adequadas ao mesmo;
  • 17. 17  operacionalidade – diz respeito á sua capacidade de aplicação e de execução, isto é, corresponde a sua capacidade de ser viável factível e executável;  orientação - condição de apresentar clara, precisa e objetivamente diretrizes de ação, de especificar os efeitos que pretende produzir, o que se pretende fazer e em que circunstância;  responsabilização – perpassa pela capacidade de ser uma criação coletiva, definindo-se responsabilidades: quem fará o que, em que momento, com que objetivo, etc. A percepção da importância do planejamento enquanto resultado práticodeve estar presente, ou seja, por possuir uma dimensão política já queenvolverá interesses de indivíduos isoladamente ou de um grupo social, comação que afeta a vida das pessoas e da sociedade envolvidas, deverá haver areflexão constante daqueles que estão envolvidas no processo, com afinalidade de possibilitar a mudança e proporcionar ações práticas. Pode-seafirmar que é necessário o planejamento para nortear e garantir a coerênciafrente a uma realidade concreta e dinâmica. Vasconcellos (1995, p.41) relata que: Os autores mais progressistas, ao abordarem a problemática, lembram que, antes de ser uma mera questão técnica, o planejamento é uma questão política, na medida em que envolve posicionamentos, opções, jogos de poder, compromisso com a reprodução ou com a transformação, etc. Isso é um avanço, mas ainda não da conta da sua significação. Para ter sentido, o enfoque do planejamento, com a reprodução, com efeito, necessita desse deslocamento. Todavia não basta trabalhar numa nova abordagem; é preciso trabalhar também a descrença que o professor traz, portanto, a percepção, o conhecimento, as representações prévias que já tem quanto ao planejamento. Há, então, esta questão mais elementar hoje colocada, que é a valorização do planejamento, o estar mobilizado para fazê-lo, entendê-lo realmente como necessidade. Trata-se de um problema filosófico-axiológico, de posicionamento valorativo, de ver sentido, acreditar. O planejamento é político, é hora da tomada de decisões, de resgate dos princípios que embasam a prática pedagógica. Mas para chegar a isto, é preciso atribuir-lhe valor, acreditar nele, sentir que planejar faz sentido. O primeiro passo, portanto, é chegar ao ponto do: Planejamento ser necessidade do professor!
  • 18. 18 Com tantas possibilidades de reflexão, de construção de conhecimentopode-se perceber a importância do planejamento na atuação do professor eentender que o processo de planejamento tem como uns dos principaisobjetivos evitar a rotina e a improvisação.1.3 O planejamento escolar na escola: o papel dos sujeitos Como já foi citado anteriormente o planejamento escolar tem umaimportância relevante no processo de ensino aprendizagem, porém oplanejamento escolar para a grande maioria dos professores é apenas umaatividade rotineira, elaborada isoladamente, que consiste em copiar algumobjetivo do livro didático, definir conteúdo, documentar e engavetar. Ele não édiscutindo, analisado pelo corpo docente, a comunidade escolar não participa,não há uma reflexão a cerca da prática dos professores, das metodologiasutilizadas, ou mesmo a socialização das estratégias utilizadas em sala de aula,que são bem sucedidas. Portanto, não define um ideal de grupo, não explicita odesejo da comunidade escolar em torno de um desejo único de transformaçãoda realidade da instituição, enquanto ação e reflexão da prática docente eavaliação do conjunto da instituição. A forma tecnicista de elaboração causa um desencontro, uma aversãoao planejamento, os professores não percebem um sentido ao realizá-loapenas tem uma obrigação que deve ser mecanicamente comprida com afinalidade de ser entregue à secretaria da escola, como uma exigênciaburocrática. O planejamento é um forte aliado contra o ativismo que frequentimente toma conta do cotidiano escolar e que transforma o professor em uma máquina de dar aulas e executar tarefas, ás vezes sem consciência do significado das mesmas. É um processo que envolve discussões de questões básicas – e muitas vezes esquecidas – como a responsabilidade da educação escolar, os princípios e objetivos da escola e os compromissos dos professores com essas definições (FUSARI, 1989). Contudo, por mais que se busque aclarar a necessidade de elaboraçãoe execução do planejamento escolar para que a decisão não seja meramenteum ato burocrático é preciso que explicite, discuta suas finalidades mais
  • 19. 19específicas: facilitar o trabalho do professor e fornecer a reflexão sobre aprática educativa. Toda a comunidade escolar deve estar voltada na realização das açõesdo planejamento não só o professor; e esta deve reconhecer o planejamentoescolar como movimento contínuo que não se esgota no período previsto emcalendário escolar, mas antecede e ultrapassa esse limite.
  • 20. 20 CAPITULO 2METODOLOGIA O Ser humano durante sua existência se questiona com a realidade,busca entendê-la e explicá-la. Primeiro ele usa o seu conhecimento pautadonas suas próprias inferências, juntamente com suas hipóteses e informação,ele tem o senso comum como única fonte do saber e informação adquirida. Com o passar do tempo e diante das necessidades de cada contextosocial, este ser a partir do seu conhecimento investigativo motiva-se a buscarprovas concretas que ultrapassam os limites do senso comum. A pesquisasurge de uma vontade, de uma curiosidade de procurar provas concretas parase ter conclusões a respeito de suas inferências. Logo diante de suacuriosidade e da vontade de buscar sempre mais ele percebe que suasopiniões por se só não basta para confirmar suas descobertas, é precisoultrapassar o senso comum, criar métodos para conhecer melhor tudo que ocerca. Para Chauí (2000) O senso comum baseia-se em hábitos e tradições,cristalizadas o que difere dos processos científicos de pesquisa que necessitade instrumentos metódicos e sistemáticos que busca rigorosamente a verdadedas coisas. Desta forma, a racionalidade está à frente das questões subjetivasdo senso comum. Sobre a ciência Demo (2002, p.43) acrescenta que: É possível alargar ainda mais a desmistificação do conceito esteriotipado de pesquisa tendo em vista que aparece naturalmente, porque necessariamente na formação histórica do sujeito social competente. Essa competência deve ser formal (domínio cientifico- tecnológico) e político ( construção e cidadania), onde dialogar crítica e produtivamente com a sociedade e com a realidade é própria demonstração da competência e da cidadania.Assim a pesquisa científica é indispensável como forma de investigação, pois amesma se utiliza de métodos, de técnicas seguras que vão desde a percepção,formulação do problema até a apresentação dos resultados.
  • 21. 21 O homem é um ser que constantemente esta em busca de mais, eleprocura superar seus desafios, suas descobertas. E a pesquisa cientifica é ummeio seguro pelo qual ele encontrará respostas.2.1 Abordagem Qualitativa A opção pela pesquisa qualitativa se faz importante porque a mesmacompreende um conjunto de métodos e técnicas que visa descrever umfenômeno no campo das ciências sociais. Por estas questões este trabalho monográfico tem caráter qualitativo,pois ela estuda os sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem emque o planejamento escolar caracteriza-se como fenômeno que deve serdiscutido e analisado, uma vez que ele pode ser considerado um entrave noprocesso educativo. Neste sentido, a abordagem qualitativa será uma aliadapara a compreensão e explicação da dinâmica dos sujeitos envolvidos nesseprocesso. De acordo com Bell (2008, p.15) Os pesquisadores que adotam uma perspectiva qualitativa estão mais preocupados em entender as preocupações que os indivíduos tem do mundo. Eles põem em dúvida a existência de “fatos” sociais e questionam se uma abordagem “cientifica” pode ser utilizada ao lidarmos com seres humanos. Adotar a abordagem qualitativa de pesquisa foi necessário, já que estetrabalho está voltado para o ensino/aprendizagem, processo em que estáenvolvida toda a comunidade escolar. Sendo, assim, essa abordagem se fazideal dentro de um contexto que não deve ser quantitativo, mas refletido,analisado e compreendido.2.2 Métodos e técnicas A técnica utilizada para coleta de dados foi o questionário, pelanecessidade de garantir o anonimato dos sujeitos envolvidos, já que estes sãocolegas de trabalho do lócus da pesquisa, além de esta ser uma técnica queajuda o investigado responder no momento que julgar conveniente sem receberinfluência do investigador. Outro fator que levou a opção pelo questionário foi
  • 22. 22por estar próximo ao final do ano letivo e a possibilidade de os professoressaírem de férias. Com o questionário, as respostas poderiam ser enviadas pore-mail. O questionário direcionado para professores teve 10 questões abertasvoltadas para a concepção que estes professores tem sobre o planejamentoescolar. Essas questões foram divididas em quatro categorias como: o conceitode planejar; a ideia de planejamento escolar; planejamento e plano de aula e opapel do professor na elaboração do planejamento escolar. A observação participante ou outra técnica de investigação desta pesquisa,pois como professora do quadro do lócus estudado, estou envolvidadiretamente com a problemática em questão. Segundo Marconi e Lakatos (2002) na observação participante em suaforma natural, o pesquisador está muito próximo à comunidade investigada,participando de forma real das suas atividades. Descombe (1998 apud BELL 2008) ainda afirma que a observaçãoparticipante propicia aos pesquisadores o convívio com os indivíduospesquisados para que os primeiros enxerguem as coisas da mesma forma queos segundos. De modo que compartilhem, as mesmas experiências. Assim, pertencer à mesma comunidade desses profissionais da educaçãoé a justificativa para a adoção dessa outra técnica de pesquisa. Como procedimento de investigação dos instrumentos para analise dosdados foi utilizado o estudo de caso, que segundo Yin (apud GIL 1999, p. 73):“É um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seucontexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto nãosão claramente definidos e no qual são utilizadas várias fontes de evidência.” Este método propicia um estudo mais detalhado sobre a temática abordadae traz oportunidades para que um problema seja estudado com maisprofundidade dentro de um tempo limitado. O pesquisador pode se torna parteno caso a partir de sua constante presença ou a permanência no campo dapesquisa. O estudo de caso ainda ajuda a relacionar a teoria com a prática
  • 23. 232.3 Lócus da pesquisa O universo da pesquisa foi a Escola Municipal Áurea Nogueira, situada narua, Leovigildo Ribeiro, 434 na zona urbana do município de Serrinha- BA.Esta escola funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno comaproximadamente 300 alunos distribuídos nos respectivos turnos. A escola possui uma boa estrutura física, com 07 salas de aulas, uma salade leitura com um pequeno acervo, almoxarifado, sala de professor que nomomento divide o mesmo espaço com a diretoria, 02 banheiros, uma cozinha eum pequeno espaço de lazer para os alunos. Na área externa foi construída emoutubro de 2009 uma horta escolar e em novembro o início da construção deuma quadra poliesportiva. O corpo discente é oriundo da periferia da cidade. Alguns são filhos de paisanalfabetos ou com um grau mínimo de escolaridade Muitos alunos são defamílias carentes e, portanto, trabalham na feira livre aos sábados para ajudarno sustento da família. Mesmo assim todos eles frequentam regularmente asaulas. O corpo docente é composto por 12 professores, sendo que 10 sãoconcursados. Destes, 8 possuem graduação em Pedagogia e 2 em LetrasVernáculas. Todos com jornada de trabalho superior ou igual a 40 horassemanais. Como modalidade de ensino a escola oferece o ensino fundamental Iescolhido para a aplicação da pesquisa e EJA I.
  • 24. 24 CAPÍTULO 3ANÁLISE DE DADOS Com a finalização da pesquisa que teve como temática, planejamentoescolar um instrumento facilitador do trabalho docente realizado na escolamunicipal Áurea Nogueira em Serrinha – Bahia e aplicada através dequestionário com 10 perguntas abertas e da observação participante, parte-separa a análise de dados que: Segundo (GIL 1999) a análise tem o objetivo de organizar e sumariar osdados de forma que estes possibilitem o fornecimento de respostas aoproblema proposto para investigação. A análise possibilitou respostas ao problema desta investigação,planejamento escolar realmente colabora no trabalho do professor e se ajudaa resolver os problemas da escola. A partir do questionário, da observação participante foi possível decidirem quatro categorias, para obter respostas à problemática da pesquisa. Cadacategoria será analisada a partir das falas dos sujeitos investigados que serãoclassificados como P1, P2, P3 e P4. Todas as discussões serão pautadas a luzde teóricos como, Luck (1995), Vasconcellos (2006), entre outros.3.1 O conceito de planejar Este ponto se faz relevante por fazer conhecer melhor que pensamentoo professor da escola Áurea Nogueira tem sobre a questão abordada e se ele autiliza na sua vida profissional e pessoal. Quanto a este questionamento a fala de P1 vem demonstrar que:“Planejar significa traçar caminhos para se chegar a determinado objetivo,significa prever uma ação futura”. Os demais professores parecem seguir o mesmo conceito de P1.
  • 25. 25 P2: “Planejar é a tentativa de construir um caminho seguro para aaprendizagem significativa é organizar estratégias a ser aplicada em sala deaula, envolvendo questões diversas é o caminho que conduz a metas eobjetivos a serem alcançados “. P3: “Planejar significa traçar meios sobre ações que se deseja alcançarno futuro.” P4: “É projetar o que desejamos desenvolver durante um curto e longoprazo, é programar suas ações para que seu objetivo seja alcançado”. A partir das falas citadas pelos professores acima, observa-se que elescomungam das mesmas ideias quanto ao conceito de planejar. Que para LUCK(1995, p. 25) “Planejar vem levantar a situação presente para estabelecer oque se quer, organizar a ação futura para se chegar a uma maior eficiência,certeza, além de determinar melhores resultados dos esforços.” É notável que os depoimentos dos professores P1, P2, P3 e P4 apontamo planejar como algo essencial para se obter certa segurança nos objetivos quese deseja alcançar tanto na vida profissional como pessoal. Vasconcellos(1995) diz que: “Planejar é antecipar uma interferência na realidade buscandosua mudança.” Ao planejar o indivíduo antecede suas ações, traça os objetivos ecomeça a estabelecer mudanças no ambiente familiar e profissional. Estaconcepção de planejar ficar clara nas falas dos professores do lócus dapesquisa, porém foi observado que na prática os professores realizam comfreqüência suas ações na improvisação, isto no ambiente escolar.3.2 A ideia de planejamento escolar Este ponto traz, mais uma vez, a discussão no âmbito educacionalsobre a elaboração e importância do planejamento escolar para o professor.Temos na fala do P1 que: “Planejamento escolar é um instrumento que auxiliana resolução de resultados de problemas que surgem na e da escola,envolvendo todos que nela trabalham.” Nota-se na fala do professor 1 que ele entende que o planejamentoescolar é realmente um instrumento importante para auxiliá-lo nas suasatividades educativas como também pode ajudar ou alcançar objetivos tanto
  • 26. 26individual como coletivo. O que é percebido na fala de P2: “O planejamentonorteia e evita a improvisação, além de ajudar a intermediação dialógica entreprofessor e aluno, como também colabora com toda a comunidade local..” Para estes educadores o planejamento é uma atividade que se faznotória, pois envolve a comunidade na qual a escola encontra-se inseridaatravés de elaboração e execução de atividades diversas, demonstrando destaforma que este instrumento não se restringe a aspecto teóricos, mas simenfatiza também a realidade vigente. O professor 3, ao se referir ao planejamento escolar, esclarece oseguinte: “Não posso responder sobre algo que nunca fiz. Nas escolas em quetrabalhei não havia planejamento escolar. Sempre realizei o plano de aula, queacredito ser o suficiente para ajudar nas minhas aulas.” Nota-se no depoimento deste professor que ele não vê tanta importânciano planejamento, já que ele acredita ser o plano de aula suficiente. Ele afirmanão conhecer o planejamento escolar, talvez por falta de interesse ou decompromisso do próprio professor, pois é importante salientar que ele atua naárea a cerca de 10 anos, seis em sala de aula como educador. Às vezes fica difícil acreditar que ainda exista professor com formaçãoacadêmica na área da educação que diz desconhecer instrumentospedagógicos. Principalmente por que no município onde atua este educadorsempre é realizada a jornada pedagógica além de outros encontros deeducadores com temas que sempre englobam tais instrumentos. Até onde se sabe, é correto afirmar que no lócus da pesquisa até 2008não havia documentos como matriz curricular, projeto político pedagógico eplanejamento escolar. Em março de 2009, a matriz curricular foi entregue aescola pela Secretaria de Educação do município que diz pretender junto comos funcionários da escola elaborar o PPP. O planejamento escolar, no períododa jornada pedagógica foi discutido com professores do ensino fundamental I.Mas até o final do ano letivo de 2009 o que se pode constatar na escola foi:matriz curricular guardada, PPP e planejamento em discussões raras esuperficiais. Pode se levar em conta também que a ação para construção doplanejamento envolve habilidades de trabalho em grupo, está ciente que nemsempre sua opinião será acatada, saber articular com os outros, e o professor
  • 27. 273 muitas vezes se mostrou introspectivo, intolerante. Provavelmente problemascomo estes incentivem o professor a não ir além do que já conhece. Para P4 “É um guia para a realização de uma aula inovadora eenvolvente e que evita a rotina e a improvisação num ambiente tão dinâmicocomo a escola.” Constata-se que, os professores 1,2 e 4 vê o planejamentoescolar como instrumento necessário, algo que visa objetivos, desejos e que iráajudar o educador a estar sempre inovando, não deixando que suas aulassejam repetitivas e monótonas. Sobre esta questão Luck (1995, p. 38) “afirmaque o planejamento feito com responsabilidade, serenidade e determinação deaplicação, resulta uma série de contribuições que recompensa todo o esforçodo professor e o seu tempo gasto na função de organização.” A autora vem comprovar que o planejamento vai além de uma meraatividade escolar, ele salienta um desejo, uma satisfação de torna algo real. Sobre a questão discutida anteriormente, os professores admitem quepela complexidade na elaboração do planejamento, por ter tantas outrasatividades escolares a cumprir além da falta de tempo já que todos trabalham40 ou mais horas semanais o planejamento escolar se torna uma atividade anão ser realizada. Vasconcellos (2006, p. 16) afirma que: “Há uma ambigüidadena prática dos professores, Pois ao mesmo tempo em que não negam aimportância do planejamento, percebem sérias limitações em sua realização.” O que se percebe é que a construção do planejamento nesta unidade depesquisa demonstra ser uma atividade, uma situação não desempenha, nemproduzida pelos sujeitos entrevistados. O que vai confirmar na observação dopesquisador na categoria 3.2 O conceito de planejar em que o professor naprática não planeja, mas reconhece sua importância.3.3 Planejamento e plano de aula Esta categoria vem tentar esclarecer se existe realmente diferença parao educador entre planejamento escolar e plano de aula. Ao se pronunciar sobre esta questão o professor 1 cita: “Planejamentoescolar é mais global, prevê ações mais coletivas. Plano de aula é maisespecífico, prevê ações mais direcionadas.”
  • 28. 28 O professor 2 segue o mesmo raciocínio que o professor anteriorquando diz: “Planejamento escolar é mais amplo, mais global, suas ações sãocoletivas e o plano de aula é mais específico com ações mais direcionadas.” Estes professores, tem a concepção que planejamento e plano de aulasão diferentes. Enquanto um é construído em conjunto, o outro é particular,uma atividade elaborada quase que exclusivamente pelo professor. No depoimento do professor 3 ele acredita que: “O escolar é oplanejamento coletivo e o plano de aula é o individual, logo deixa o professormais livre para executar as atividades a sua maneira.” É possível identificar na fala de P3 a ideia que ele faz sobre plano deaula, para ele parece ser algo que lhe dá liberdade para escolher quando fazer,como fazer. É evidente que existe distinção entre estes dois instrumentos. Porémpara elaborá-los o sujeito envolvido deve reconhecer a realidade em que está eque se deseja melhorar, fazendo em grupo uma leitura do contexto em que sevive. O plano de aula como afirma P3 dá ao professor mais liberdade, mas issonão implica fazê-lo a sua maneira, porque como o planejamento escolar, suaconstrução está voltada para a prática do professor e para a aprendizagem docorpo docente. Logo deve ser compartilhado, discutido. Fusari (1989) esclareceque: ”Planejamento e plano são coisas diferentes se completam e interpretamno cotidiano da prática dos professores.” Assim como os demais professores P4 também concorda que hádiferença entre plano e planejamento, pois ele acredita que: “Plano de aula émais restrito a objetivos referentes a determinados conteúdos e o planejamentoescolar é mais amplo que diz respeito à comunidade escolar.” Através dos depoimentos dos professores e da colaboração do autorcitado fica claro que planejamento escolar representa o processo, a açãoplanejada a longo prazo, a rota que deve seguir o curso e o plano de aula aatividade de curto prazo, o objeto diário. Portanto, instrumentos distintos.
  • 29. 293.4 O papel do professor na elaboração do planejamento escolar Em seu depoimento P1 aponta: “O professor juntamente com acomunidade escolar representa o “conjunto” que deve planejar coletivamente.Todos os envolvidos no processo, contribuem para a aprendizagem do aluno.” Para Vasconcellos (2006. p, 50) “Embora o professor entre só na sala deaula, esta imbuído nele um projeto coletivo da sociedade no sentido daformação das novas gerações. Tornando o exercício do professor de caráterpublico.” P2 assim como P1 mostra a importância do professor na elaboração doplanejamento e que o ato de construí-lo não é apenas responsabilidade docorpo docente. O papel do professor é o de possibilitar caminhos ao conhecimento, às mudanças e as transformações que são os objetivos da educação. O planejamento deve estar de acordo com o nível dos estudantes. Relacionando os conteúdos, os conhecimentos próprios e a realidade de forma a criar novos conhecimentos que auxiliem na vida cotidiana do educando. E que a construção do planejamento deve ser em conjunto Percebe-se, ainda na fala de P2, que o planejamento escolar precisaestá pautado na realidade do aluno, assim projetar novos conhecimentos queos ajude no seu dia a dia a superar melhor seus desafios. P3 demonstratambém ter a mesma opinião que seus colegas, pois ele explica: “O professortem um papel importante na elaboração do planejamento, mas ele precisa dacolaboração dos demais funcionários: diretor, vice, coordenador e outros.” Acredita-se que o planejamento deva ser um ato coletivo construído apartir de experiências individuais. Ele é considerado um ato políticopedagógico, necessita ser pensado, repensado, discutido e colocado emprática com todos os atores sociais inseridos na escola. O planejamento escolar não deve seguir uma tendência descendente,com posturas e ideologias determinadas e estáticas, mas sim de formaascendente e horizontal em que todos tenham a oportunidade de expressão eque sejam respeitadas as experiências alheias. Seria vantajoso envolver naelaboração, discussão, e execução alguns pais de alunos, gestores entre
  • 30. 30outros funcionários, afinal cada um tem suas particularidades e ricascontribuições. Talvez assim o planejamento tenha maior impacto na escola. Quando questionado sobre o papel do professor na elaboração doplanejamento P4 explicitou: O professor constitui um integrante fundamental, pois conhece a realidade da sala de aula e o comportamento dos alunos, já que estão em contato direto com este ambiente. Assim, quando o professor participa da discussão, da elaboração e execução do planejamento escolar, ele se sente integrante deste, fazendo o possível para que os objetivos sejam alcançados. Trago uma metáfora que relaciono com este tema é através do livro a Águia e a Galinha, Boff(1997), onde há o confronto entre duas dimensões fundamentais da existência humana: a dimensão do enraizamento, do cotidiano, do limitado, que seria o símbolo da galinha e a dimensão da abertura, do desejo, do ilimitado, o qual seja o símbolo da águia. Ocorre o questionamento de como equilibrar essas duas dimensões e como impedir que a cultura da homogeneização afogue a águia dentro de nós e nos impeça de voar. A história da águia e a galinha evoca dimensões profundas do espírito, indispensáveis para o processo de realização humana: o sentimento da auto-estima, a capacidade de dar a volta por cima nas dificuldades quase insuperáveis, a criatividade diante de situações de opressão coletiva que ameaçam o horizonte da esperança. Assim, o professor se sente parte integrante do processo quando atua em todas as fases da elaboração do planejamento escolar. Ao passar para o relato de P4, nota-se que há uma relação com osdepoimentos dos professores anteriores, porém P4 enfatiza que este agente éuma peça muito importante porque ao notar que está de fato inserido no ato deplanejar ele se sente comprometido com o planejamento. Um indivíduo que se percebe parte significante de um processo que tempor finalidade, como deixa cloro Vasconcellos (2006, p. 60): Resgatar a intencionalidade da ação (marca essencialmente humana), possibilitando a (re)significação do trabalho, o resgate do sentido da ação educativa. Combater a alienação: explicitar e criticar as pressões sociais e os compromissos ideológicos; tomar consciência de que projeto está envolvido. Dar coerência à ação da instituição, integrando e mobilizando o coletivo em torno de consensos (provisórios); superar o caráter fragmentário das práticas em educação, a mera justaposição.
  • 31. 31 Sente-se capaz de tomar decisões, de ter opiniões, de atuar melhor noseu contexto educacional. Ele realiza passos que se complementam e seinterpenetram na ação didática pedagógica. Se o professor é um sujeito principal na construção do planejamentoescolar ele por está diretamente em contato com o aluno passa a conhecersuas maiores necessidades de aprendizagem. Este contato leva o professor aser ou a se tornar mais dinâmico, original àquele que cria e inova a sua práticaem sala de aula, ou seja, um sujeito que acredita em si e junto com seusalunos produzirá conhecimento. Este indivíduo irá produzir o planejamento escolar consciente e imbuídona melhoria dos índices educacionais brasileiros. Nas falas dos educadores, identifica-se que ele é o elo principal naconstrução do planejamento escolar, mas também é primordial a participaçãode todos os funcionários, pois o corpo docente não é o único responsável pelaaprendizagem e o desenvolvimento do aluno. Ele é o sujeito que aprende emedia o objeto de aprendizagem e o estudante, portanto as atividadespedagógicas devem ser construída coletivamente.
  • 32. 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante a pesquisa pode se observar que o planejamento escolar temsido constantemente discutido na área da educação. Principalmente no períododa jornada pedagógica, o que traz a idéia de que apesar deste instrumento àsvezes parecer para alguns professores apenas um atividade corriqueira quenão tem utilidade. Além do mais, não resolve os problemas da escola, pode virsim a atrapalhar já que a sua construção toma o pouco tempo que o professortem para resolver questões mais urgente como repetência e evasão escolar. Com tantas queixas ou limitações, fica difícil mesmo o envolvimento do professor com qualquer coisa que diz respeito a planejar. Podemos perceber, pois, no discurso dos professores uma série de eventos obstáculos epistemológicos (cf.Bachelard,1884-1962) em relação ao planejamento, que devem ser trabalhado.(VASCONCELLOS 2006,p.20) Mas a pesquisa também constatou que existem professores como os dolócus pesquisado que veem no planejamento qualidades como as enumeradaspor Luck (1995 ) que são: continuidade, flexibilidade, inclusividade,objetividade, responsabilização entre outras. Estas qualidades fazem do planejamento escolar um instrumento tãoimportante quanto outros, que tem finalidades iguais ou semelhantes, como é ocaso do PPP, Projeto Político Pedagógico. Os professores acreditam que o planejamento evita as centralizações,por que cada membro da comunidade escolar irá decidir de acordo a suaespecificidade, mas as iniciativas serão tomadas em conjunto. Infelizmente, a pesquisa constatou também que o comportamento dosprofessores não condiz com suas falas, seus desejos em relação aoplanejamento escolar. Talvez por ser o instrumento de exigências burocráticas,vertical e por tantos outros entraves, paralisa a ação do professor. Sendo assim parece correto afirmar que o planejamento facilita, porém,não resolve todos os problemas da escola. De certa forma ameniza-os,direciona a comunidade escolar a melhor maneira de solucioná-los.
  • 33. 33 Basta ao educador ir além desta consciência e não ausentar-se destemomento, nem tão pouco, estar nele de forma superficial. Não esperar paraquando instâncias superiores venham decidir o momento de por em açãoatividades que dever ser de praxe do educador.
  • 34. 34 REFERÊNCIASBAPTISTA, Myriam V. Planejamento: introdução à metodologia doplanejamento social. São Paulo: Moraes, 1981, p. 13.BELL, Judith. Projeto de pesquisa: guia para pesquisadores iniciantes emeducação, saúde e ciências sociais. 4. ed. Porto Alegre: Artmede, 2008.CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 7 ed. São Paulo: Ática, 2000.DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas,2002.FUSARI, J.C. O papel do planejamento na formação do educador. SãoPaulo: [s.n.], 1988._____. O planejamento da educação escolar: subsídios para ação-reflexão-ação. São Paulo, SE/COGESP, 1989.GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. 2 ed. Petrópolis:Vozes, 1994._____. Planejamento como prática educativa. 7 ed. São Paulo. Loyola,1994.GIL. Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo:Atlas, 1999.LÜCK, Heloisa. Planejamento em orientação educacional. Petrópolis. Vozes,1991._____._____.Petrópolis. Vozes, 1995.LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem escolar: estudos eproposições. São Paulo: Cortez, 1990.MARCONI. Marina de Andrade; LAKATOS. Eva Maria. Técnicas de pesquisa.São Paulo: Atlas, 2002.MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual para elaboração de monografias edissertações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.MARTINS, Jorge dos Santos. Guia para elaboração de Projetos dePesquisa. Salvador: [s.n], 1998.MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1980, livro 1, v, 1 e 2.
  • 35. 35MENEGOLLA, Maximiliano; SANT’ANNA, Ilza Martins. Porque planejar?Como planejar?: currículo área – aula. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1996.PADILHA, R. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto políticopedagógico da escola. São Paulo: Cortez /Instituto Paulo Freire, 2001.VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento, plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo: elementos metodológicos paraelaboração e realização. São Paulo: Libertad, 1997.______. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e ProjetoPolítico-Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realizaçãoSão Paulo: Libertad, 1995.______.______. 16 ed. São Paulo: Libertad, 2006.
  • 36. 36ANEXO
  • 37. 37 Questionário para educadoresTempo de trabalho:________________________________________________Formação:_______________________________________________________1 – O que significa planejar?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2 – Na sua vida profissional e pessoal é necessário planejar?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3 – A escola em que você atua possui planejamento escolar? Este instrumentoajuda a resolver os problemas da escola?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4 – O planejamento escolar é um instrumento facilitador do trabalho docente?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5 – O planejamento escolar deve ser um ato coletivo ou individual?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6 – Há diferença entre planejamento escolar e plano de aula?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 38. 387 – O planejamento evita a rotina e a improvisação?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________8 – O planejamento favorece a reflexão sobre a prática educativa?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9 – Qual o papel do professor na elaboração do planejamento escolar?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________10 – Planejamento é uma atividade de caráter político e ideológico?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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