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O ensino interdisciplinar de lingua inglesa
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  • 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS XIV CRISTIANE SOUZA ANDRADEO ENSINO INTERDISCIPLINAR DE LÍNGUA INGLESA Conceição do Coité 2011
  • 2. 2 CRISTIANE SOUZA ANDRADE O ENSINO INTERDISCIPLINAR DE LÍNGUA INGLESA Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus XIV, como requisito final à conclusão do Curso de Letras com Habilitação em Língua Inglesa. Orientador: Raulino Batista Figueiredo Neto. Conceição do Coité 2011
  • 3. 3 CRISTIANE SOUZA ANDRADE Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus XIV, como requisito final à conclusão do Curso de Letras com Habilitação em Língua Inglesa. Orientador: Raulino Batista Figueiredo Neto.Aprovada em: ___/___/___ Banca examinadora_______________________________Raulino Batista Figueiredo NetoUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV_________________________________________Neila Maria Oliveira SantanaUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV_________________________________________Fernando SodréUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV Conceição do Coité 2011
  • 4. 4Dedico este trabalho a Deus, que por tantas vezes me sustentou nos momentos de desânimo, iluminando-me com sua graça. A minha família, principalmente minha irmã, pelo incentivo e paciência na elaboração deste trabalho, porque sem apoio deles não teria chegado até aqui. Minha gratidão. O meu professor Raulino Batista Figueiredo Neto, pelo empenho, dedicação, competência, e por ter acreditado no meu trabalho. Meu reconhecimento.
  • 5. 5 RESUMOEste trabalho tem como objetivo observar a importância do ensino de Língua Inglesano currículo e apresentar a interdisciplinaridade como suporte da abordagemContent-Based Instruction, a qual atuará de modo a auxiliar para um ensino maiscrítico e integral do educando. A questão que conduziu essa investigação partiu dasobservações feitas nas escolas públicas de Conceição do Coité-Ba cuja práticapedagógica prioriza o Método Gramática e Tradução que não estimula o aluno adesenvolver sua competência comunicativa em Língua Inglesa.Palavras-chave: Língua Inglesa. Ensino. Prática Pedagógica. Interdisciplinaridade.
  • 6. 6 ABSTRACTThis work aims to observe the importance of the English language teaching in thecurriculum and present an interdisciplinary approach with the support of the Content-Based Instruction, which will work as a means to support a more critical andcomprehensive teaching to the student . The question that conducted this researchcame from the observations made in public schools in the city of Conceição do Coité- Ba whose practice emphasizes the pedagogical grammar and the translationmethod, a process that does not encourage students to develop their communicativecompetence in the English language.Keywords: English Language. Teaching.Teaching Practice. Interdisciplinary.
  • 7. 7 SUMÁRIOINTRODUÇÃO......................................................................................................7CAPÍTULO I1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA1.1 O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA NO CURRÍCULO ........................91.2 A INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO DE LE.....................................111.3 CONTENT BASED E A INTERDISCIPLINARIDADE..................................16CAPÍTULO II2 METODOLOGIA..............................................................................................18CAPÍTULO III3 ANÁLISE DE DADOS.....................................................................................20CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................29REFERÊNCIAS..................................................................................................31APÊNDICE.........................................................................................................33
  • 8. 8 INTRODUÇÃO O presente trabalho traz reflexões sobre uma proposta para o ensino de LI(língua inglesa) em uma perspectiva interdisciplinar, proposta esta que encontrasuporte na abordagem CBI-Content-Based Instruction que enfatiza acontextualização do ensino de língua inglesa através da interdisciplinaridade, vistoque esta permite um trabalho integrado dos conteúdos das diversas áreas deconhecimento. Desse modo, a LI seria usada como meio de comunicação e nãocomo objeto de estudo no qual destaca-se um trabalho quase sempre gramatical,nos moldes como é geralmente explorada no contexto de sala de aula. Esse trabalho teve como ponto de partida as inquietações e discussõestravadas nas interações em sala de aula, durante o II semestre do curso de Letrascom habilitação em Língua Inglesa, e as observações realizadas em uma escolapública de Conceição do Coité, no decorrer do Estágio Supervisionado I, de maio atéjulho de 2009. Tais momentos se converteram em uma oportunidade de confirmarque a prática pedagógica dos professores de LI ainda se encontra centrada nométodo tradicional – gramática e tradução. Sabe-se, entretanto, que essa prática épouco eficiente, haja vista o número elevado de estudantes que concluem o EnsinoMédio sem ter desenvolvida a habilidade comunicativa em língua inglesa. Há duashipóteses que justificam os resultados pouco satisfatórios: a primeira diz respeito aonotório desinteresse dos alunos nas atividades em sala de aula, provavelmenteassociado às reais situações sociais nas quais estão inseridos. A segunda refere-seao método gramática-tradução, como uma alternativa para se alcançar os objetivosdo ensino de uma segunda língua. Entretanto, vale ressaltar que os alunos deescolas públicas, em sua maioria, vivem num difícil contexto social que muitas vezesnão lhes permitem enxergar o sentido de se aprender uma segunda língua emvirtude das poucas oportunidades, que lhe são oferecidas, de ingressarem nomercado de trabalho. Essa questão pode ser melhor entendida a partir da compreensão da escolapública como uma instituição social que acolhe indivíduos oriundos das maisdiferentes classes sociais. Logo, pressupõe-se que a escola não pode deixar depreencher cada vez mais o requisito da formação do sujeito, considerando os vários
  • 9. 9aspectos – históricos, culturais, sociais e cognitivos - que influenciam no seuaprendizado, contribuindo assim para uma formação mais completa e cidadã. Acredita-se que o caminho seja a reformulação da prática pedagógica,conscientizando o aluno da importância do desenvolvimento não apenas dehabilidades gramaticais, de modo a valorizar durante o processo ensino-aprendizagem, situações reais de comunicação da língua em diferentes contextos,procedimento este que deve estar embasado em uma concepção de língua maisvoltada para a diversidade discursiva que permeia o mundo no qual está inserido oeducando. E nesse ponto, a leitura de diferentes textos que circulam na mídia e detextos de outras disciplinas podem contribuir para um aprendizado mais dinâmico econtextualizado, levando o aluno a uma aprendizagem significativa e crítica. Esta primeira parte da monografia está subdividida em três tópicos: Aimportância do ensino de LI no currículo para formação cultural e intelectual dosujeito; A interdisciplinaridade no ensino de LE como um instrumento eficaz paraconstrução do saber mais integrado e significativo para o educando; A abordagemContet Based Instruction que utiliza textos de outras disciplinas na aprendizagem dalíngua alvo. Os principais teóricos que embasaram essa revisão bibliográfica foramFazenda(1993), Luck(2007) e os PCNs. De acordo com Moita Lopes(1996), a pesquisa desenvolvida nesse trabalho éde natureza etnográfica, cujo foco é colocado na investigação de uma possibilidadede se modificar a situação existente em sala de aula.
  • 10. 10 CAPÍTULO I FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA1.1 O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA NO CURRÍCULO Dentre os princípios que norteiam a educação moderna, encontra-se o deaprender a interagir com diferentes situações e culturas. Assim, entende-se que épreciso que a escola esteja atenta no sentido de promover um espaço interativo,buscando promover uma educação em que se desenvolvam atividades referentesaos saberes necessários a cada área de conhecimento sem, no entanto desvinculardesse processo as identidades culturais, sociais, históricas, ideológicas. Estreitar arelação entre conteúdo e contexto possibilita uma mudança na perspectiva deensino, desperta no educando a importância de ser aprendiz, resultando noenriquecimento da sua formação enquanto ser social. O ensino de Línguas Estrangeiras tem adquirido cada vez mais importânciano currículo das escolas de Ensino Fundamental e Médio. Asseguradas pela LDB,encontram-se, atualmente, incluídas na área de Linguagens, Códigos e suasTecnologias. Assim sendo, tornaram-se parte integrante do leque de conhecimentosindispensáveis à vida dos estudantes uma vez que o currículo tem buscado adaptar-se cada vez mais às demandas da sociedade globalizada. Compreendidas como umsistema simbólico, característica de qualquer linguagem, as Línguas Estrangeirasfiguram como meio de acesso ao conhecimento, proporcionando ao indivíduo umaformação mais ampla, pois além do conhecimento de uma nova cultura, proporcionaa construção de uma consciência crítica sobre sua própria cultura. De acordo comos PCN: O aprendizado de idiomas estrangeiros deve propiciar que o aluno perceba as possibilidades de ampliação de suas interações com os outros. Este aprendizado, contudo, não deve constituir processo de desvinculação cultural; pelo contrário, é reforçador de trocas culturais enriquecedoras e necessárias para a construção da própria identidade. (PCN, 2002, p.100)
  • 11. 11 Ao se discutir a inclusão do ensino de uma língua estrangeira no currículo,não raro, tem-se como argumento o fato de que ela se constitui numa exigência demercado, essa concepção revela uma visão realista e pragmática do ensino,contudo, é preciso ampliá-la, pois além de corresponder às demandas do momento,norteadas pelo modelo econômico e cultural da globalização, ela possibilita aoindivíduo o diálogo com outras culturas sem que necessariamente anule oudesvalorize a sua própria, pelo contrário, o educando estará ampliando seushorizontes culturais bem como a sua capacidade crítica de compreender melhor suarealidade e as dos outros que o cercam através do conhecimento lingüístico.Seguindo essa perspectiva, Jorge afirma que O caráter educativo do ensino de uma LE está nas possibilidades que o aluno pode ter de se tornar mais consciente da diversidade que constitui o mundo. As múltiplas possibilidades de ser diferente, seja pela cultura, seja pelas identidades individuais, podem fazer com que o indivíduo se torne mais consciente de si próprio, em relação a seu contexto local e ao contexto global. (JORGE, 2009, p.163) Nessa perspectiva, cabe a escola assegurar um ensino de qualidade quecontribua na vida do educando para que este possa exercer a sua cidadania comautonomia, avaliando melhor o seu contexto social, comparando-o a outras culturas. O ensino de língua estrangeira pressupõe a compreensão da linguagem tantodo ponto vista teórico quanto do seu uso nas diversas situações no contexto socialdo indivíduo. É por meio da linguagem que ele interage construindo significados.Essa interação com o outro se dá por meio do discurso sendo necessário consideraras condições de uso, atentando para o fato de que os discursos denotam ideologiase visões diferentes do mundo. Portanto, O estudo e o ensino de uma língua não podem, neste sentido, deixar de considerar – como se fossem pertinentes – as diferentes instâncias sociais, pois os processos interlocutivos se dão no interior das múltiplas e complexas instituições de uma dada formação social. A língua, enquanto produto desta história e enquanto condição de produção da história presente
  • 12. 12 vem marcada pelos seus usos e pelos espaços sociais destes usos.(GERALDI, 1996, p.28) Inserir no universo da sala de aula diferentes situações de comunicaçãoatravés da leitura e compreensão de textos verbais orais e escritos, estimular oaluno a buscar novas informações fora da sala de aula, contribuirá para que o alunoconstrua seu próprio conhecimento no idioma estrangeiro. Segundo os PCN, Ainda que em situação de simulação, a mobilização de competências e habilidades para as atividades de uso do idioma – ler manuais de instrução, resolver questões de vestibular, solicitar e fornecer informações, entender uma letra de música, interpretar o anúncio de um emprego, traduzir um texto, escrever um bilhete, redigir um e-mail, entre outras – deve ocorrer por meio de procedimentos intencionais de sala de aula. (PCN, 2002, p. 94) Portanto, os conteúdos programáticos de língua estrangeira devem estarvoltados para o desenvolvimento das competências e habilidades, buscandopreparar o aluno para utilizar a linguagem nos níveis de competência interativa,gramatical e textual. Para Bertoldo: [...] o objetivo principal de quem ensina uma LE é o de levar o aluno a ler, escrever, falar e ouvir de maneira satisfatória, de tal forma que esse aluno atenda às exigências mínimas de um perfil de sujeito considerado fluente na língua alvo. (BERTOLDO, 2005, p.112) Desse modo, o aluno vai além das aulas de gramática, passando acompreender a língua estrangeira como um meio eficaz de interação e deconhecimento.1.2 A INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO DE LE Num contexto em que é preciso integrar para melhor construir umconhecimento mais global, faz-se imprescindível a elaboração de um planejamento
  • 13. 13coletivo com vistas a desenvolver uma prática interdisciplinar de maneira que atendaaos objetivos específicos das disciplinas e também aos aspectos que se referem àformação cidadã, pois os educandos vivem inseridos em uma sociedade diversa eem constante transformação. Nessa perspectiva, a interdisciplinaridade torna-se uma ferramenta eficaz naconstrução desse saber integrado, permitindo ao aluno compreender que as áreasde estudo possuem características específicas, mas que se complementam. Esseponto de convergência entre as áreas do conhecimento é muito importante para aconstrução de um saber mais amplo e integrado. Luck afirma que [...] para o desenvolvimento da interdisciplinaridade, é fundamental que haja diálogo, engajamento, participação dos professores, na construção de um projeto comum voltado para a superação da fragmentação do ensino e de seu processo pedagógico. ( LUCK, 2007, p. 80) O argumento acima denota que a construção de uma prática interdisciplinarrequer do educador uma percepção da diferença, a confirmação da incompletude, eao mesmo tempo necessidade de se encontrar o lugar comum. Experimentar esse diálogo entre as disciplinas constitui-se numa proposta deum ensino que tem ganhado força por se acreditar que assim se dê ao aluno aoportunidade de uma formação integrada em que os conteúdos sejam trabalhadosde maneira mais articulada, permitindo uma construção do conhecimento maissignificativa para o aluno. O Content-Based Instruction é uma abordagem de ensinoque objetiva essa contextualização do ensino de Língua Inglesa a partir do viésinterdisciplinar. Essa abordagem pode levar os alunos a atingir uma aprendizagemsignificativa tanto no âmbito escolar quanto no social, pois os estudantes sãoenvolvidos em situações-problema que devem ser solucionadas pelos mesmos. Oconteúdo de outras disciplinas é usado na língua alvo, provocando assim o caráterinterdisciplinar, encorajando o educando a dividir informações, desenvolver eaprender com os demais. Além disso, o professor de língua inglesa selecionaatividades relacionadas a contextos reais de uso da língua para que os aprendizespercebam a relevância no que está sendo ensinado.
  • 14. 14 Assim, por entender que o ensino de língua inglesa não pode estar dissociadoou à margem desse processo, ele deve ir além do desenvolvimento das habilidadeslingüísticas, contribuindo para que os alunos se tornem protagonistas das suashistórias, autônomos na construção do seu conhecimento, utilizando o conhecimentoadquirido, nas diferentes situações do cotidiano. Estimular a autonomia do educando consiste em assumir uma práticapedagógica que estimule o aluno a realizar atividades dentro e fora da sala de aulacomo forma de aperfeiçoar cada vez mais a nova língua. Segundo Cruz, [...] o aprendiz autônomo é aquele que reflete criticamente sobre o próprio processo de aprendizagem, que traça objetivos, de acordo com suas necessidades, e assume a tarefa de decidir o que, como e quando estudar para alcançar os resultados desejados.” ( CRUZ, 2009, p.60) É importante deixar claro que o papel do professor não é colocado de lado, aocontrário, ele é o responsável por fornecer os mecanismos necessários para que oaluno caminhe em direção à autonomia. Em uma escola onde seja implementada uma educação crítica e participativa,esse educando, certamente terá as ferramentas necessárias para odesenvolvimento da sua autonomia enquanto estudante e também como cidadão. Para que essa ideia vigore, é preciso uma mudança na concepção deensino por parte dos educadores, que trazem na sua formação uma concepção deensino na qual o conhecimento fragmentado ainda prevalece. A partir daimplementação de uma prática interdisciplinar de ensino, podemos proporcionar odesenvolvimento das habilidades e competências do aluno para a promoção de umaeducação em que o processo de ensino-aprendizagem torne-se mais significativo emenos reprodutivo, pois, o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. Tenta, pois o diálogo, com outras formas de conhecimento, deixando-se interpenetrar por elas. (FAZENDA, 1993, p17).
  • 15. 15 Portanto, integrar os conhecimentos é um caminho para que o aluno construasentido para aquilo que aprende, e a interdisciplinaridade, pode contribuir noenvolvimento desse educando nos procedimentos desenvolvidos em sala de aula,pois ela traz uma proposta cooperativa e integrada em que os conteúdos encontram-se relacionados estabelecendo um diálogo entre as diferentes áreas deconhecimento, favorecendo, portanto, a realização de um planejamento construídonum contexto coletivo. O ensino de língua inglesa, assim como o de qualquer disciplina, necessitaestar alicerçado numa concepção de ensino, neste caso, essa visão é ainteracionista cujo objetivo é estreitar as relações entre os envolvidos no processo eo objeto de estudo. O ensino de língua inglesa deve estar voltado para a consciênciacrítica da linguagem, valorizando a diversidade discursiva e cultural que permeia omundo que o cerca. Produzir linguagem significa produzir discurso: dizer alguma coisa a alguém, de uma determinada forma, em um determinado contexto histórico e em determinadas circunstâncias de interlocução. Isso significa que as escolhas feitas ao produzir um discurso não são aleatórias – ainda que possam ser inconsistentes -, mas decorrentes das condições em que o discurso é realizado. (PCNs, 1997, p.22) Os educandos terão, nessa perspectiva, a oportunidade de interagir, inferir,levantar hipótese e relacionar o conhecimento adquirido com aquele que já possui,buscando sempre uma ponte para esse saber e a sua realidade enquanto cidadãodo mundo. O ensino de língua inglesa proporciona um contexto propício para odesenvolvimento de atitudes cidadãs, visto que oferece ao aluno novaspossibilidades de se expressar e posicionar-se em situações diferentes. Esseprocedimento de ensino condizente com a realidade do aluno possibilita-lhe umacompreensão crítica dos acontecimentos do mundo e suas implicações na vidaprática. E para isso é preciso que a escola eduque para a autonomia. Portanto, énecessário ir além da assimilação dos conteúdos, relacionando o saber adquirido àvivência do educando, levando-o a compreender as relações que possam ocorrerentre o saberes das diferentes áreas do conhecimento. O ensino fragmentado já não
  • 16. 16tem mais espaço nessa sociedade globalizada e informatizada. Para Luck ainterdisciplinaridade contempla essa concepção de ensino: Interdisciplinaridade é o processo que envolve a integração e o engajamento de educadores, num trabalho conjunto de interação das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade; de modo a superar a fragmentação do ensino objetivando a formação integral do aluno, a fim de que possa exercer criticamente a cidadania, mediante uma visão global de mundo e ser capaz de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual.( LUCK, 2007, p.64) O ensino interdisciplinar proporciona tanto ao professor quanto ao aluno, odesenvolvimento de habilidades como tolerância na vivência em grupo, respeitomútuo e cidadania, despertando a consciência social e os valores que asseguramuma formação integral. O ensino de Língua Inglesa precisa ser encarado como umaatividade sócio-histórica, viva e reflexiva em acordo com realidade que circunda osalunos.1.3 A ABORDAGEM CONTENT BASED E A INTERDISCIPLINARIDADE A abordagem Content- Based Instruction (CBI) consiste numa proposta deensino que visa utilizar o conteúdo de outras áreas do conhecimento, na tentativa depromover um ensino de LI mais abrangente e significativo para os alunos. Com o uso do CBI, há um engajamento entre a língua estudada e o conteúdode outras áreas, o que contribui para uma aprendizagem mais crítica, formandoassim, cidadãos pensantes. De acordo com o ensino de língua centrado noconhecimento de mundo, Stoller afirma que ¹“1through content-based instruction,learners develop language skills while becoming more knowledgeable citizens of theworld”. (STOLLER, 2002 apud RICHARDS. RENANDYA, 2002, p.107) Assim, de acordo com essa perspectiva, os alunos se sentem mais motivadosquando a atividade é centrada em outros assuntos, e não somente no uso de regras1 Através do Content-Based Instruction, os aprendizes desenvolvem as suas habilidades linguísticas enquanto setornam cidadãos mais conscientes do mundo.
  • 17. 17gramaticais da língua. O autor também afirma que os professores nas aulas de CBI,quando criam um ambiente de aprendizagem vibrante, promovem um envolvimentoentre eles, dando aos estudantes responsabilidades para construir seu próprioconhecimento. Portanto, é preciso que, tanto os conteúdos das disciplinas, quanto oda língua alvo, sejam definidos a partir da necessidade comunicativa dos alunos,pois, desenvolver habilidade comunicativa não se restringe apenas à oralidade, mastambém ao desenvolvimento das outras habilidades tais como ler e escrever. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais O estudo das outras disciplinas, notadamente de História, Geografia, Ciências Naturais, Arte, passa a ter outro significado se em certos momentos forem proporcionadas atividades conjugadas com o ensino de Língua Estrangeira[...] (PCN, 1998 p.37) Para Larsen-Freeman (2000) os alunos são motivados porque estão aprendendoum conteúdo que é relevante para eles. A autora defende que os trabalhos escritospelos alunos devem ser realizados de forma processual, de modo que essa técnicaapresente a seguinte ordem: 1) os alunos fazem uma discussão prévia do assunto escolhido para a confecção do texto. 2) Conferência do professor com os outros alunos para que o autor receba sugestão sobre seu texto. 3) Reescrita baseada nas observações feitas. Com isso, os alunos aprendem a revisar seus próprios textos e os dos colegas.Além disso, eles percebem que a escrita é vista como um meio de comunicação, enão apenas como uma atividade que tem como único objetivo avaliar o aluno. O sucesso dessa proposta interdisciplinar no ensino de língua, depende demuitos fatores, entretanto, o papel do professor de língua inglesa se destaca vistoque ele, como orientador dos trabalhos, necessita estar cada mais preparado paraenfrentar esse desafio, e isso se dá através de uma prática refletida e umembasamento teórico sólido, contínuo. Enfim, sendo um investigador, e buscando
  • 18. 18novos caminhos para o ensino aprendizagem no ensino de LI como destaca Vilaçaem seu artigo: [...] o professor precisa estar cada vez mais preparado para não só lecionar, mas também administrar o processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira. Para isto, a formação do professor requer atenção especial. Embora estejamos numa era que permite e, em muitas situações, exige o ecletismo, um dos fundamentos necessários a esta formação é conhecimento e estudo crítico dos métodos e das abordagens de ensino, para que a sua participação no ensino seja fundamentada em princípios teórico-metodológicos, competências e conhecimentos sólidos e compatíveis com a sociedade e o tempo em que vivemos. (VILAÇA, 2008, p.85) Com base no que foi exposto, pode-se afirmar que o uso do CBI leva os alunosa desenvolver a habilidade comunicativa da língua de forma mais participativa eautônoma, pois a variedade dos conteúdos desenvolvidos no decorrer daaprendizagem dá aos alunos a oportunidade de construir conhecimento de mododiversificado.
  • 19. 19 CAPÍTULO II METODOLOGIA Para a realização deste trabalho, o método aplicado foi o método dedutivo,que se caracteriza pelo embasamento conceitual a partir do que foi dito por outrosteóricos sobre o tema. Para obter o corpus da pesquisa, realizei uma pesquisa decampo descritiva por propiciar um contato direto com o fenômeno em estudo. Apesquisa desenvolvida nesse trabalho é de natureza etnográfica, cujo foco écolocado na investigação e descrição de situações existentes em sala de aula. Dessa forma, fiz uso da técnica de observação e aplicação de questionáriospara melhor explicitar as idéias sobre o tema. Durante a aplicação dos questionários,ocorreram alguns transtornos de modo que a pesquisa não pode ser realizadaapenas em uma escola em função do número reduzido de professores por escola.Além disso, o retorno dos questionários se deu de forma muito morosa, reduzindo otempo para análise dos dados e eventuais necessidades de refazer as perguntas.Em virtude desse retardo na entrega dos referidos questionários, não foi possívelfazer a reelaboração dos mesmos, uma vez que, a partir da análise das questõespercebi que algumas delas mereceriam ser reformuladas, de modo a ficarem maisobjetivas. No entanto, a escassez de tempo já referida não possibilitou a reescritadessas questões. O principal objetivo da pesquisa é refletir acerca da importânciada interdisciplinaridade e o uso da abordagem Content Based Instruction, a fim demelhorar a qualidade do ensino de LI, ao invés de continuar utilizando métodostradicionais que não apresentam resultados positivos. Essa investigação se justificapor entender que é possível organizar um ensino de LI com base no princípio dainterdisciplinaridade. A pesquisa iniciou-se a partir de um levantamento acerca de como se efetivao ensino nas escolas, considerando as exigências previstas na LDB (Lei deDiretrizes e Bases), nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) instrumentosestes que subsidiam a prática interdisciplinar do ensino. A realização dessa investigação exigiu um aprofundamento em torno daconcepção do ensino de LI no currículo, que norteia os docentes em sua práticapedagógica. Buscou-se ainda compreender a escola nas suas múltiplas interfacesnuma perspectiva de escola que trabalha em favor da cidadania.
  • 20. 20 Como procedimentos da pesquisa, escolhemos a observação do cotidianoescolar através de questionários que serão respondidos pelos professores emdiferentes escolas do município de Conceição do Coité. As questões versam sobreconcepção de ensino de LI, currículo, prática pedagógica, interdisciplinaridade. Ainvestigação também se estendeu aos alunos que responderam questões acerca daimportância do ensino de LI e de como se efetiva o aprendizado da mesma na visãodeles. Dez professores responderam os questionários de modo que possibilitou aampliação do corpus para uma análise mais ampla da problemática em questão.Esses profissionais trabalham nas seguintes unidades escolares: Escola EstadualAlmir Passos, Colégio Estadual Hamilton Rios de Araújo, Escola Polivalente deConceição do Coité, Escola João Paulo Fragoso, Escola Evódio Ducas Resedá eEscola Durval da Silva Pinto. É importante ressaltar que as observações para arealização do projeto foram feitas apenas em três das escolas citadas acima. A escolha por professores de escolas diferentes justifica-se devido à cargahorária pequena da disciplina. Outro aspecto levado em consideração foi confrontaros pontos de vista sobre a concepção do ensino de LI e também constatar, ou não,se a interdisciplinaridade faz parte do cotidiano das aulas, e se ela é compreendidapelos docentes como uma metodologia que contribui para a formação global doeducando. A análise feita é caracterizada como qualitativa, já que as perguntas serãodescritas para assim serem analisadas e relacionadas às teorias apresentadasnesse estudo.
  • 21. 21 CAPÍTULO III ANÁLISE DOS DADOS As três primeiras questões mostram que dos dez professores participantesda pesquisa, seis têm pós-graduação, dois graduação, dois estão concluindo o cursode Letras com Língua Inglesa, atuam na rede estadual de ensino e lecionam noEnsino Fundamental II e Ensino Médio. Quando questionados acerca da “importância do ensino de Língua Inglesa nocurrículo” obtivemos às seguintes respostas:Professor 1: “ A importância reside no fato de que o ensino e aprendizagem da LIpode fornecer ferramentas úteis para o pleno exercício da cidadania”Professor 2: “Fundamental uma vez que o domínio de uma língua franca énecessário para a formação multicultural do indivíduo.”Professor 3: “Promover a inserção do aluno no mundo globalizado quanto aosestudos culturais, sociais e econômicos dos países que falam a LI e a influência queestes exercem na nossa sociedade.”Professor 4: “ A LI é de suma importância no currículo, pois vivemos num mundoglobalizado e a aquisição (ou que seja simplesmente contata com outra língua)permite o conhecimento cultural, bem como o reconhecimento de sua própriaidentidade cultural” Observa-se que as afirmações convergem para a importância do aprendizadode uma segunda língua, para além das necessidades do mercado, apontando parauma formação emancipatória integral e inclusiva do sujeito no mundo globalizado,que vai requerer dele um posicionamento crítico quanto a seu papel no mundo. Essaconcepção de ensino de LI está de acordo com a perspectiva de ensino quedefendemos nesse estudo e também em consonância com as orientações contidasnos PCNs que defendem um aprendizado de idiomas estrangeiros vinculado àaquisição de um conhecimento multicultural para a construção da própria identidade.
  • 22. 22É interessante que nessa ótica, as chances de um ensino integrado a outrasdisciplinas se tornam maiores visto que a idéia já não condiz com o ensino pautadoem estudo de regras e repetições de frases, pois muitas pesquisas já apontaram aineficiência do ensino de nomenclaturas desvinculadas de seu contexto de uso. Seis professores responderam a questão numa perspectiva voltada para aformação cultural e profissional, que não é de forma nenhuma entendida aqui comoerrônea ou desnecessária, mas unilateral.Professor 5 “Proporcionar ao aluno a oportunidade de conhecer uma outra cultura,expandindo seus conhecimentos.”Professor 6 “ Conhecer outra cultura, ler livros ou assuntos abordados em línguainglesa em blogs, revistas, preparar o aluno para o vestibular, etc”Professor 7 “Em um mundo globalizado, faz-se necessário cada vez mais umaprendizado na língua inglesa, pois o inglês está presente em todos os locais.Professor 8 “Além de possibilitar crescimento pessoal ao conhecer uma novacultura, é uma ferramenta indispensável no mercado de trabalho atual”Professor 9 “A importância do ensino de língua inglesa vem crescendo devido adiversos fatores: a exigência do mercado de trabalho, o grande avanço nos meios decomunicação, as viagens internacionais entre outros.”Professor 10 “ Com a globalização e o avanço da tecnologia é cada vez maisnecessário o aprendizado da língua inglesa para que o aluno tenha uma formaçãomais ampla e condizente com a vida moderna”.Nessa visão, o ensino permite uma formação que estimula o indivíduo a expandirseus conhecimentos, de modo a promovê-lo na escala social bem como a suainserção nesse mundo globalizado. Entretanto, nessa questão não se percebe umapreocupação em confrontar os aspectos socioculturais do seu próprio país e dospaíses que falam LI. Sem dúvida, estabelecer esse contraste certamente vaicontribuir para a identificação do educando enquanto cidadão do mundo. Essa
  • 23. 23observação coincide com o posicionamento de outros estudiosos que sugerem aadoção de um procedimento mais interpretativo no qual a ênfase é dada àcompreensão e ao intercâmbio de informações. De acordo com Lima, [...] ao invés de se concentrar no ensino de fatos sobre determinado país de fala inglesa, talvez fosse aconselhável adotar uma estratégia mais interpretativa, na qual fosse dada ênfase à compreensão intercultural, por meio de comparação e contraste da cultura do aprendiz com a cultura da língua-alvo. ( LIMA, 2009, p.183) Quando questionados quanto à motivação dos alunos para aprender à línguainglesa obteve-se a seguinte resposta: Os dez professores assinalaram no item “em parte” justificando a falta deinteresse por diferentes motivos:Professor 1 “A motivação às vezes soa muito repleta de “imediatismos” sendo queos alunos sentem-se apegados a uma música de um cantor, marcas de roupas etc.esse conhecimento da língua estrangeira é o mais freqüente que buscam.”Professor 2 “Há casos em que estudantes tem a habilidade natural e outros quecriam um bloqueio que impossibilita a aquisição.”Professor 3 “Os alunos demonstram gostar da disciplina pela versatilidade que elaapresenta, mas sentem-se “incapazes” de dominar a língua por não perceber a suaimportância no dia-a-dia.”Professor 4 “Normalmente os alunos mais motivados são os das séries iniciais 5ªe 6ª e também alguns alunos que têm mais contato com a internet.”Professor 5 “Alguns já tem uma motivação natural ao participar das aulas de LE,outros, por mais que se faça atividades diferentes, nunca estão motivados.”Professor 6 “Os alunos do Ensino Fundamental II são mais motivados, maiscuriosos e acham engraçado a pronúncia de algumas palavras da Língua Inglesa.”
  • 24. 24Professor 7 “A maioria dos alunos, não mostra interesse nenhum, alegando quefuturamente não precisarão da LI. Cabe ao professor mudar essa situação.”Professor 8 “Alguns possuem uma motivação, pois se identificam com o idioma,outros não têm maturidade suficiente para entender a importância de saber e/oudominar uma LE.”;Professor 9 “Eles ainda não são capazes de perceber que o mundo atual nãopermite que nos dediquemos apenas a nossa cultura. E que este idioma é um dosmais falados no mundo.”Professor 10 “Alguns poucos alunos se interessam pela língua inglesa, em geralsão aqueles que estão almejando uma boa profissão, que pretendem prestarvestibular.” A primeira compreensão que se tem a partir das falas acima, é que, na visão doprofessor, o aluno deve possuir uma motivação intrínseca. A escola não émencionada como um espaço responsável por oferecer uma dinâmica de ensino deLI capaz de motivar o aluno a interessar-se por aprender uma LI, exceto peloprofessor 7 que afirmou “Cabe ao professor mudar essa situação.” Essa afirmação épositiva, pois sinaliza para a reflexão da prática pedagógica, para a atenção que sedá a disciplina LI no currículo e sua contextualização na proposta pedagógica daescola. Entendemos que a motivação deve realmente partir do sujeito, e que os fatoresexternos ajudam de modo decisivo, para que a motivação seja desenvolvida pelosujeito/aprendiz que se lança na aprendizagem de LI. No entanto, o que se observanos relatos da maioria dos professores é a crença de que é do aluno aresponsabilidade única quanto ao desenvolvimento motivacional. É importante acrescentar ainda que aqueles que se sentem motivados“almejando uma boa profissão, que pretendem prestar vestibular” não figuram comoregra, no contexto do ensino público, mas como exceção, e geralmente, são osmesmos que se motivam em outras disciplinas também.
  • 25. 25 Portanto, no que se refere à motivação pessoal do aluno, a escola nem semprevai encontrá-la visto que a desmotivação tem um alcance mais amplo: o aluno nãovê a educação como caminho para o seu crescimento integral enquanto cidadão. Aescola precisa ter esse papel conscientizar de que hoje não vivemos isolados, masem rede, e que o acontece nessa aldeia global afeta a todos. É preciso ressaltar também que a família figura como mola propulsora, quandoassume um papel motivador, e esses alunos certamente terão maiores chances dedesenvolver a aprendizagem, não apenas em língua inglesa, mas também emoutras disciplinas. Esses aprendizes, no entanto, representam uma minoria, o que nos sinalizapara o desenvolvimento de procedimentos metodológicos e atitudinais quecontemplem os outros sujeitos/aprendizes (a maioria dos alunos) que nãoapresentam a mesma motivação daqueles que se mostram afins com a LI ealmejam, a partir da aprendizagem de LI, um futuro profissional de sucesso. Nessesentido, a LI sem dúvida, precisa ser trabalhada de modo a alcançar a coletividadeda sala de aula onde sua prática ocorre. Quanto à questão “Quais as maiores dificuldades dos alunos em aprenderlíngua inglesa?” Das alternativas listadas seis das respostas apontaram as alternativas: “ Falta de interesse na disciplina” “ Falta de material.” Nenhum professor assinalou a alternativa: “Falta de empenho dos profissionais.”Cinco assinalaram:“Falta de estrutura nas escolas.”E todos escolheram a alternativa referente à:“Pouca carga horária da disciplina.” É sabido que os fatores apontados são importantes no desenvolvimento deatividades de ensino de LI. Portanto, essas questões precisam ser discutidas
  • 26. 26quando da construção de projeto pedagógico da escola, momento em que sedefinem prioridades, com exceção da carga horária, pois a escola ainda não temautonomia para defini-la. Contudo, nenhum professor mencionou as dificuldades deordem comunicativa, lingüística ou discursiva, nem tão pouco citou como dificuldadeo desnível lingüístico das turmas ou ainda as habilidades que deixaram de serdesenvolvidas na série anterior. Em relação aos recursos utilizados em sala como suporte para a metodologiaoito afirmaram utilizar músicas, dinâmicas, filmes, jogos, computador, textos deacordo com a realidade do aluno. O professor 3 citou os recursos acima e tambéma conversação. O professor 10, além dos recursos citados, criou um blog parainteragir com os alunos fora da sala de aula. Observa-se que mesmo tendo esses recursos como auxiliares na metodologia,os alunos se não se sentem motivados para aprender a LI, como fora citadoanteriormente pelos educadores. No quesito método apenas o professor 4 declarou conhecer e utilizar como eixonorteador das atividades o Content Based Instruction, mas afirma que alia aométodo a perspectiva eclética. Outros sete afirmaram a opção por uma perspectiva eclética, uns alegando queo público apresenta “diferentes perfis” ou que é preciso estar atento às necessidadesda turma e que só um método não satisfaz... “É necessário adequar a metodologia”.Os demais afirmaram usar o método gramática-tradução e o método comunicativo.O professor 3 enfatiza o método instrumental, priorizando a habilidade da leitura. Oprofessor 1 não justificou sua resposta. Percebe-se que a maioria das justificativas não elucidam em que aspecto ométodo escolhido facilita ou dificulta o desenvolvimento das quatro habilidades(ouvir,falar, ler e escrever). Como já fora mencionado, a carga horária não permitedar atenção igual a todas as habilidades, sendo assim, necessário que o professorpincele todas ou privilegie uma ou duas delas no desenvolvimento de sua propostade ensino. Na pergunta referente à utilização de textos de outras disciplinas nas aulas delíngua inglesa, obtivemos as seguintes respostas :
  • 27. 27 Em oito dos questionários, as respostas asseveram que há a utilização de textosde outras disciplinas nas aulas de língua inglesa. Em duas das respostas, noentanto, afirmaram não usar esses textos e tão pouco justificaram a resposta. Quanto à pergunta “Qual a importância do ensino interdisciplinar nas aulas deLI?” tivemos as respostas:Professor 1 “Permite ao aluno ter um conhecimento integrado do mundo que orodeia e o habilita a ler textos que tratem do assunto dado e dessa forma, favorece acompreensão e interpretação de textos.”Professor 2 “Para comprovar a teoria da multiculturalidade.”Professor 3 “Ajuda a estabelecer conexões as quais permitem ao aluno perceberque a língua inglesa não é algo solto, desprovido de sentido em relação à suarealidade.”Professor 4 “É importante para que os conteúdos trabalhados em língua inglesasejam ou se tornem mais relevantes para os alunos.”Professor 5 “O aluno pode perceber que LE não é uma disciplina isolada, mas quese relaciona com outras matérias de forma intrínseca e interessante.”Professor 6 “ Internalizar o conteúdo de maneira branda e agradável”Professor 7 “É a forma dos alunos adquirir a LI a partir das leituras de assuntosrelacionados à língua inglesa.”Professor 8 “Os alunos percebem o ensino/conhecimento como um “todo”onde as disciplinas se complementam.”Professor 9 “Contribui para a compreensão e produção através de estratégiascognitivas como identificar, deduzir, comparar, memorizar.”
  • 28. 28Professor 10 “Quando tratamos de assuntos conhecidos pelos alunos, eles sesentem mais seguros e abertos a aprendizagem, além disso, reforça o aprendizadodos conteúdos de uma maneira global.” Vê-se que há um reconhecimento por parte dos professores acerca daimportância da interação entre as disciplinas, entretanto generalizam o conceito deinterdisciplinaridade. Essa imprecisão evidencia que os textos são usados demaneira superficial sem um objetivo a ser alcançado, apenas direcionando àinterpretação de textos. Na verdade, a interdisciplinaridade deveria ser entendidacomo um meio de trabalhar não somente a leitura, mas também as outrashabilidades referentes ao ensino de LI, além de proporcionar o desenvolvimento dehabilidades sócio-formativas. Um planejamento interdisciplinar requer das áreas de conhecimento envolvidasum ponto de convergência, ou seja, o assunto delimitado que vai ser explorado sobdiversos aspectos para que assim o aluno compreenda a relação existente entre osconteúdos de diferentes disciplinas. As justificativas referentes às “dificuldades enfrentadas acerca da práticainterdisciplinar no ensino de LI”, foram listadas da seguinte forma:“falta de tempo para se encontrar com o colega”;“falta de colaboração dos colegas”;“falta de um orientador pedagógico”;“a impossibilidade de contextualizar o vocabulário estudado a assuntos de outrasdisciplinas;“material didático e desvalorização da disciplina”;“carga horária; metodologia escola”;“falta de apoio da escola;“o aluno não ter base para ler sobre um determinado conteúdo de outra disciplinaem outro idioma”; Acerca da abordagem Content Based Instruction, sete afirmaram desconhecê-la, dois disseram ter conhecimento, mas não utilizam-na em sala, e apenas umafirmou misturar a abordagem a outros métodos de ensino de LI. O que se
  • 29. 29observa, nesse recorte de dez professores questionados, são as queixas acerca dasdificuldades encontradas no ensino de LI. E ainda que a interdisciplinaridadedefinitivamente não é uma prática priorizada no currículo dessas escolas. Embora osprofessores considerem-na importante, ela não se encontra solidificada cotidiano dasala de aula, sob alegação de vários motivos. Percebe-se também que a metodologia é realmente diversificada, mas nãosegue uma abordagem pedagógica bem definida que estimule o aluno aodesenvolvimento de sua competência comunicativa.
  • 30. 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa sociedade globalizada na qual vivemos, o conhecimento de uma LínguaEstrangeira é muito valorizado visto que é entendido como um requisito que leva oeducando a ascender na vida profissional. No entanto, é preciso que esseconhecimento seja compreendido em suas múltiplas faces, possibilitando ao sujeitoagir como um cidadão crítico, frente aos problemas da realidade. Essa concepção de ensino não condiz com um ensino fragmentado e isolado,mas integrado de modo que as habilidades e competências desenvolvidaspossibilitem ao educando uma consciência intercultural. Nesse sentido, aabordagem interdisciplinar colabora para um aprendizado de maneira mais amplaque abarca os aspectos lingüístico, sociocultural, sócio-econômico. [...] o ensino de língua estrangeira, reiteramos, não pode nem ser nem ter um fim em si mesmo, mas precisa interagir com outras disciplinas, encontrar interdependências, convergências, de modo a que se restabeleçam as ligações de nossa realidade complexa que os olhares simplificadores tentaram desfazer; precisa, enfim, ocupar um papel diferenciado na construção coletiva do conhecimento e na formação do cidadão( ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 2008, p.131) Desenvolver um ensino de LI, nessa perspectiva, exige dos educadoresabertura para mudança, compreendendo que este constitui-se num processo lento egradual em que serão construídas relações de sentidos com outras disciplinas, semno entanto, deixar de desenvolver as habilidades e competências que lhe sãopertinentes. É certo que a busca pelo novo vai propiciar uma modificação no modelo deensino, visto que, o educador será desafiado cotidianamente a avaliar sua práticapedagógica, para que assim se certifique de que o seu trabalho atende aosobjetivos de ensino de LI, e para isso o professor precisa ser um investigador, estarem constante formação para assim adquirir a proficiência da língua estrangeira.
  • 31. 31 Para que isso ocorra, é necessário que o educador se desvincule dasbarreiras que o impedem de se articular com os colegas como fora citado nosquestionários da pesquisa. Não se pode refutar que os encontros, a pesquisa e a elaboração de materialadequado para o desenvolvimento dessas aulas implica muito tempo e o professornem sempre dispõe desse tempo em virtude da excessiva carga horária em uma,duas ou até três escolas. Entretanto, os encontros pedagógicos da escola podemser uma alternativa para a elaboração de programa em que os conteúdos sejamtrabalhados de maneira integral, uma disciplina contribuindo com a outra, para aconstrução de saber unificado. Sabe-se que para a efetivação dessa abordagem de ensino, é precisotambém que a proposta curricular da escola seja integrada, elaboradacriteriosamente de modo que a seleção dos conteúdos esteja condizentes com anecessidade dos educandos, que seja dialógica, oferecendo cada vez maiscondições para um ensino crítico e reflexivo.
  • 32. 32 REFERÊNCIASBERTOLDO, Ernesto S. Leitura e produção oral no contexto de formação deprofessores de língua estrangeira. In: CARVALHO, Regina Célia de; LIMA,Paschoal, (Org.).Leitura e Múltiplos Olhares. Campinas, SP: Mercado de letras,2005. p. 111-151.BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Orientaçõescurriculares para o ensino médio: linguagens, códigos e suas tecnologias.Brasília: MEC, 2008.BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica.Parâmetros Curriculares Nacionais, Códigos e suas Tecnologias. LínguaEstrangeira Moderna. Brasília: MEC, 2002.BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros curricularesnacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental, Língua estrangeira.Brasília: MEC/SEF, 1998.BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros curricularesnacionais: ensino de primeira à quarta série, língua portuguesa. Brasília: MEC,1997.CRUZ, Giêdra Ferreira da. O papel do centro de aprendizagem autônoma de línguasestrangeiras no desenvolvimento da autonomia dos alunos de letras. In: LIMA,Diógenes Cândido de (org.). Ensino e aprendizagem de língua inglesa: conversascom especialistas. São Paulo:Parábola, 2009. p.59-68.FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: definição, projeto, pesquisa.In:____. Práticas Interdisciplinares na escola. São Paulo: Cortez Editora, 1993. p.15-18.GERALDI, João Wanderley. O ensino e as diferentes instâncias de uso dalinguagem. In:____. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.Campinas:SP. Mercado das letras, 1996. p. 27-45.JORGE, Miriam Lúcia dos Santos. Preconceito contra o ensino de língua estrangeirana rede pública. In: LIMA, Diógenes Cândido de (org.). Ensino e aprendizagem delíngua inglesa: conversas com especialistas. São Paulo: Parábola, 2009. p. 161-168.
  • 33. 33LIMA, Diógenes Cândido de .O ensino de língua inglesa e a questão cultural.In________. Ensino e aprendizagem de língua inglesa: conversas comespecialistas. São Paulo: Parábola, 2009. p. 179 - 189.LARSEN-FREEMAN, D. Techniques and Principles in Language Teaching. HongKong: Oxford University Press, 2000.LUCK, Heloísa. Pedagogia Interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos.15. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.MOITA LOPES, Luiz Paulo da. Oficina de LInguística Aplicada: a natureza eeducacional dos processos de ensino/aprendizagem em línguas. São Paulo:Mercado das letras, 1996.STOLLER, Fredick L. Project Work: A Means To Promote Language and Content. In:RICHARDS, jack C.; RENANDYA, Willy A. Methodology in Language Teaching.Cambridge, 2002, p. 107-119.VILAÇA, Márcio Luiz Corrêa. Métodos de Ensino de Línguas Estrangeiras:fundamentos, críticas e ecletismo. Disponível em:<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/con. pdfII>Número XXVI. Acesso: 14 dez. 2009.
  • 34. 34 APÊNDICE Questionário para professores1. Escola_____________________________________________________( ) Pública ( ) Particular2. Grau de formação:( ) graduação ( ) pós- graduação ( ) graduando( ) Outros ___________________________________________________3. Qual a série que leciona?( ) 5ª ( ) 6ª ( ) 7ª ( ) 8ª( ) 1º ano ( ) 2º ( ) 3º4. Qual a importância do ensino de Língua Inglesa no currículo?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.Você percebe que os alunos se sentem motivados em aprender a língua inglesa?( ) Sim ( ) Não ( ) Em parteJustifique sua resposta_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6. Quais são as maiores dificuldades dos alunos em aprender língua inglesa?( ) Falta de interesse na disciplina( ) Falta de material (dicionário, livros, etc.)( ) Falta de empenho dos professores( ) Falta de estrutura nas escolas (acústica boa, laboratório de línguas, vídeo, etc.)
  • 35. 35( ) Pouca carga horária da disciplina( ) Outros___________________________________________________________7. Quais os recursos você utiliza para motivar seus alunos durante as aulas?( ) músicas ( ) computador ( ) teatro( ) filmes ( ) textos de acordo com a realidade do aluno.( ) jogos ( ) Dinâmicas( ) outros___________________________________________________8. Quais são os métodos que você utiliza nas aulas de língua inglesa?( ) Método de Gramática e tradução ( ) Método Comunicativo( ) Content Based Instruction ( ) Segue uma perspective ecléticaJustifique sua resposta_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9. Você trabalha textos de outras disciplinas nas aulas de língua inglesa?( ) Sim ( ) NãoQuais: __________________________________________________________10. Qual a importância do ensino interdisciplinar nas aulas de língua inglesa?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________11. Quais dificuldades o professor enfrenta para a prática interdisciplinar no ensinode língua inglesa?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________12. Você conhece a abordagem Content Based Instruction?( ) Sim ( ) Não
  • 36. 3613. Você aplica essa abordagem na sala de aula?( ) Sim ( )NãoPor quê?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________14. Quais desses métodos contribuem para melhorar a aprendizagem dos alunosnas aulas de língua inglesa?( ) Método da gramática e tradução (AGT)( ) Abordagem direta ou método direto( ) Abordagem para leitura ou método da leitura( ) Método áudio-lingual( ) Abordagem comunicativa( ) Task-based Instruction ( tarefas)( ) Content Based Instruction