0       UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB                 AIRAM DA SILVA COSTA     GÊNERO E MÍDIA: A REPRESENTAÇÃO DA...
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7                                       ABSTRACT       GENDER AND MEDIA: THE REPRESENTATION OF HOMOSEXUALITY IN THE MEDIA ...
8                                       LISTA DE QUADROSQuadro 1: Meios/veículos de Comunicação do Território do Sisal ......
9                                LISTA DE SIGLASSIT – Sistema de Informações TerritoriaisIDH – Índice de Desenvolvimento H...
10                                                        SUMÁRIOLISTA DE QUADROSLISTA DE SIGLASINTRODUÇÃO ..................
11INTRODUÇÃO                                                         "A televisão é a primeira cultura                    ...
12seu sistema informacional conceitos que perpetuam os homossexuais comoindivíduos discordantes sociais.      Prioriza-se ...
13         Definiu-se o desenvolvimento desse estudo com o Na Cangaia por verificar, apartir de uma pesquisa exploratória ...
14conteúdos de referências à homossexualidade, entendido aqui como forma deestigmatizar os estereótipos que reforçam a hom...
15                                                 "O jornalismo é popular, mas é popular                                 ...
16regras sociais dominantes, de que o corpo é constituído ou “armado” copiandoexcessivamente o sujeito que ridiculariza. A...
17      Assim, a Teoria Queer pensa a representação homossexual como marcasprovenientes do social, no qual é classificada ...
18       Assim, a cultura propicia ao sujeito uma visão de mundo, e é através dela queo homem atua. Neste ponto de vista, ...
19masculinas,    quando       apresentam   discursos   pejorativos   que   estereotipamnegativamente os sujeitos.      As ...
20identidades culturais em meio aos ambientes socioculturais da modernidade e dapós-modernidade.      Dessa forma, percebe...
21de uma orientação que não condiz com a linearidade entre corpo, gênero, sexo edesejo.1.2. Homossexualidade: uma configur...
22Butler (2003) diz que não existe uma identidade de gênero por trás das expressõesde gênero, ou seja, não de define o gên...
23determina um comportamento social. Partindo dessa perspectiva, compreende-seque a ideia de identidade homossexual é hist...
24como    elementos    que    em    vista    dos    conceitos     sociais    representaria      ahomossexualidade.1.3. A p...
25      Assim, compreende-se que o sujeito é percebido dentro de um modeloheteronormativo, quando as representações homoss...
26estereótipos que os mantém como sujeitos favoráveis a caricatura gay que serve depiada na maioria dos programas. Partind...
27      A ideia de representação surge de conceitos apresentados pela mídia comodiscursos associados ao jogo do poder que ...
28dado natural e o gênero como um dado construído, determinado culturalmente, seriaaceitar também que o gênero expressaria...
29      Portanto se todo sexo for definido como uma divisão entre masculino efeminino, toda sexualidade será preenchida de...
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31      O poder das regras heteronormativas nos faz pensar de forma homogênea etenta nos fazer perceber essa homogeneidade...
32comunicação estigmatizam os indivíduos desfavorecidos, quando se utilizam deideias que reforçam os estereótipos que mant...
33crescido muito. De acordo com o GGB um gay nordestino corre 84% mais risco desofrer qualquer violência do que no Sudeste...
34       Dessa forma, percebe-se que mesmo com a construção de programas, comoBrasil sem Homofobia4, o crescimento da homo...
35segundo dados do SIT - Sistema de Informações Territoriais5, o território do sisal écomposto por 20 municípios: Araci, B...
36   FONTE: SIT. Disponível em: <http://serv-sdt-1.mda.gov.br>. Acesso em: 15 de abril de 2008.      O território do sisal...
37com destaque ao rádio como o veículo de comunicação de maior expressividade, noterritório. As rádios comunitárias são re...
38      Assim, no território do sisal os agentes sociais preocupam-se em começar abatalhar por transformações que reconhec...
392.2. O sistema comunicativo do território do sisal      A informação é um dos fundamentais bens, direitos e instrumentos...
40                     A comunicação convertida em elemento de disputa na re-significação e                     valorizaçã...
41de proporcionar aos movimentos sociais participação igualitária e mais funcional, noque diz respeito a construção social...
42                          7:00 – Jornal da Sisal - noticiário                          8:30 – Show da Sisal – música e  ...
43                      Mulher                      Mundo                      Podcast                      Política      ...
44                          back.                          8:00 às 10:00 Bom Dia Alegria e                          INFOFO...
45                 Cidade                 16:00 às 17:00 – Programa                 Igreja Deus e Amor                 17:...
46                    18:00 - Programa da igreja                    católica - despertando a fé.                    19:00 ...
47             Sertão – músicas sertanejas,             informações agrícolas.             7:00 às 8:00 – Despertar com   ...
48               Cultura FM;               Sábado               06:00 às 07:00 - Abrindo o Baú               Musical.     ...
49                    8:00 Às 12:00 Bom Dia Cidade                    Tucano Fm                    12:30 Às 13:00 O Povo N...
50                         5:30 ás 8:00 – Raízes do Sertão                         8:00 às 10:00 – Mega Mix               ...
512.3. O silêncio presente no território do sisal      No território do sisal, os meios de comunicação como rádio, sítios ...
52pelas mídias radiofônicas, ou entendidas como conteúdos desinteressantes aopúblico local, por se tratar de questões que ...
Gênero e midia a representação da homossexualidade nos meios de comunicação do território do sisal
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Gênero e midia a representação da homossexualidade nos meios de comunicação do território do sisal

  1. 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB AIRAM DA SILVA COSTA GÊNERO E MÍDIA: A REPRESENTAÇÃO DAHOMOSSEXUALIDADE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO TERRITÓRIO DO SISAL Conceição do Coité – BA 2010
  2. 2. 1 Airam da Silva Costa GÊNERO E MÍDIA: A REPRESENTAÇÃO DAHOMOSSEXUALIDADE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO TERRITÓRIO DO SISAL Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Profª Esp. Vilbégina Monteiro dos Santos e co-orientação da Profª Ms. Zuleide Paiva da Silva. Conceição do Coité – BA 2010
  3. 3. 2 Airam da Silva Costa GÊNERO E MÍDIA: A REPRESENTAÇÃO DAHOMOSSEXUALIDADE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO TERRITÓRIO DO SISAL Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Rádio e TV, da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da Profª Esp. Vilbégina Monteiro dos Santos e co- orientação da Profª Ms. Zuleide Paiva da Silva. Data: _________________________________________________ Resultado: _____________________________________________ BANCA EXAMINADORA Profª. (orientadora): Vilbégina Monteiro dos Santos Assinatura: _____________________________________________ Profª. (co-orientadora): Zuleide Paiva da Silva Assinatura: _____________________________________________ Profª. : Carolina Ruiz de Macêdo Assinatura: _____________________________________________
  4. 4. 3 DEDICATÓRIA Dedico primeiramente a Deus – por me fazer este serhumano que vos fala - o que seria de mim sem o Senhor detodos os pais. Posteriormente dedico aos meus pais pelaimensa força e apoio que me deram, aturando-me nessainesquecível jornada, além de serem peças fundamentais paraa minha formação e existência – a base sempre será o primeiropasso de um homem. Enfim, dedico a todos e todas que diretaou indiretamente contribuíram para o meu sucesso.
  5. 5. 4 AGRADECIMENTOS A Deus, mestre de todos os mestres, por ter me proporcionado mais essa vitória epor me mostrar que sou apto de realizar o que anseio. Além de ter me dado forças, garra, dedicação, empenho e coragem. Aos meus pais pelo ser humano que me tornaram e pela grande dedicação que tiveram comigo desde o início, me mostrando o melhor caminho a seguir. A todos os professores do curso de Comunicação Social da UNEB Campus XIV, pela grande aprendizagem que me proporcionaram e pela dedicação que tiveramcom a turma, além da grande amizade que levarei em meu coração por onde estiver.A minha orientadora Vilbégina Monteiro e a minha co-orientadora Zuleide Paiva pelagrande força, dedicação e paciência que tiveram comigo, além das experiências que me proporcionaram.Aos meus queridos amigos e amigas que direta ou indiretamente contribuíram para que eu pudesse realizar mais um trabalho com ímpeto e bravura. A Matteus Freitas de Oliveira pelo grande empenho em me auxiliar sempre que necessário com suas ideias muito bem aproveitadas e de imensa significância. A Aline dos Santos Lima pelo grande auxílio na construção deste meu trabalho, dando-me informações precisas e de grande relevância. Enfim, a todos e todas que contribuíram de forma direta ou indireta para que eupudesse concluir essa minha trajetória, que transformou a minha vida me ensinando fazer dos pontos negativos uma reflexão para sempre melhorar e dos tombos um degrau para conseguir a realização dos meus sonhos.
  6. 6. 5“as culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre „a nação‟, sentidos sobre os quais podemos nos identificar, constroem identidades”. Stuart Hall (2003)
  7. 7. 6 RESUMO GÊNERO E MÍDIA: A REPRESENTAÇÃO DAHOMOSSEXUALIDADE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO TERRITÓRIO DO SISALEste trabalho estudou o silêncio presente no sistema midiático do território do sisal,locus da luta pela cidadania, procurando esclarecer que a omissão de conteúdos arespeito da homossexualidade pelos meios de comunicação corrobora paraestigmatização desses os sujeitos como abjetos e discordantes do desejoheteronormativo. Analisou-se a representação da homossexualidade no sítio NaCangaia, veículo de comunicação que se apresentou como um exemplo deinstrumento de informação que apresentava conteúdos de referência àhomossexualidade. O trabalho foi realizado através de estudo bibliográfico, pesquisaexploratória e entrevistas semiestruturadas com técnica de emparelhamento, paraaveriguar os prováveis aspectos que motivam ou que corroboram a existênciadesses termos de representação e referência. Levou-se em consideração que osmeios de comunicação constituem uma significativa ferramenta cultural que contribuipara a formação de identidades. Dessa forma, foi analisado como o sítio Na Cangaiainterfere na construção cultural de um indivíduo, já que nenhum ser está isento dasinfluências midiáticas. Com análise de seus conteúdos, na expectativa de averiguarcomo acontece a representação do homossexual, tornam-se inúmeros e variados osexemplos que se poderia listar que apontam a comunicação midiática como reforçoaos estereótipos que contribuem significativamente na construção das identidades.Os meios de comunicação semeiam ideias que, de tal forma incrustadas em nossocotidiano, espelham-se em conceitos que não permitem o amadurecimento eaceitação da diversidade e liberdade sexual, ou ainda da diferença, que não se querassimilar e tolerar.Palavras-chave: Homossexualidade, mídia, gênero, silêncio.
  8. 8. 7 ABSTRACT GENDER AND MEDIA: THE REPRESENTATION OF HOMOSEXUALITY IN THE MEDIA OF THE TERRITORY OF SISALThis work studies the present silence of the media system in the territory of sisal,locus of the struggle for citizenship. Seeking to clarify that the default content in themedia supports to stigmatize the subjects as abject and inconsistent with the desireheteronormative. We analyzed the representation of homosexuality in the siteCangaia communication vehicle that sounded like an example of an information tool,which at the time of the research presented contents reference to homosexuality,considering the genre news produced in the territory of sisal. The work wasaccomplished through literature research, exploratory and semi-structured techniqueof pairing, to ascertain the likely issues that motivate or corroborate the existence ofthese terms of reference and representation. It took into account that the mediaconstitute a significant cultural tool that contributes to the formation of identities. Thuswas analyzed as the site in Cangaia, interferes with the cultural production of anindividual, as none is exempt from being media-influences. With analysis of itscontents, hoping to find out how true representation of the homosexual, becomemany and varied allusions that could list relating to the communication media toreinforce stereotypes that contribute significantly to the construction of identities. Themedia sow ideas, which is so embedded in our daily life, still reflect on concepts thatdo not allow the maturation and acceptance of diversity and freedom of sexualdifference and yet you do not want to assimilate and tolerate.Keywords: Homosexuality, media, gender, silence.
  9. 9. 8 LISTA DE QUADROSQuadro 1: Meios/veículos de Comunicação do Território do Sisal ........................41Quadro 2: Programas humorísticos do Na Cangaia ..............................................56Quadro 3: Personagem do quadro Ronda 24 ........................................................59Quadro 4: O Quadro Ronda 24 ..............................................................................64
  10. 10. 9 LISTA DE SIGLASSIT – Sistema de Informações TerritoriaisIDH – Índice de Desenvolvimento HumanoAMAC - Agência Mandacaru de Comunicação e CulturaUNEB – Universidade do Estado da BahiaABRAÇO - Associação Brasileira de Rádios ComunitáriasGT-Com – Grupo Temático de ComunicaçãoMOC – Movimento e Organização ComunitáriaAPAEB – Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da RegiãoSisaleiraERECOM – Encontro Regional de Estudantes de ComunicaçãoLGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e TransgênerosGGB – Grupo Gay da BahiaLBL – Liga Brasileira de LésbicasRS – Rio Grande do SulINEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio TeixeiraFIPE – Fundação Instituto de Pesquisas EconômicasANATEL - Agência Nacional de TelecominucaçõesCODES sisal - Conselho de Desenvolvimento Sustentável do Território do Sisal
  11. 11. 10 SUMÁRIOLISTA DE QUADROSLISTA DE SIGLASINTRODUÇÃO ..........................................................................................................111. "Queer" homossexualidade é essa?............................................................151.1. Representação homossexual no discurso midiático.................................171.2. Homossexualidade: uma configuração associada à construção social.......211.3. A performatividade dos corpos: processo cultural de constituiçãodo gênero...................................................................................................................242. O silêncio no processo comunicativo das mídias......................................302.1. O território do sisal: locus da luta pela cidadania..........................................342.2. O sistema comunicativo do território do sisal............................................392.3. O silêncio presente no território do sisal.....................................................513. Na Cangaia.com: instrumento de comunicação do território do sisal...............543.1. Uma voz que soa: veículo de comunicação NA Cangaia.com........................583.2. O quadro Ronda 24 ........................................................................................603.3. Homossexualidade: o que pensa o Na Cangaia.com....................................62CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................66REFERÊNCIAS..........................................................................................................69APÊNDICES ..........................................................................................................74ANEXOS....................................................................................................................77
  12. 12. 11INTRODUÇÃO "A televisão é a primeira cultura verdadeiramente democrática - a primeira cultura disponível para todos e totalmente governada pelo que as pessoas querem. A coisa mais aterrorizante é o que as pessoas querem. “ (Clive Barnes) O exercício da cidadania está ligado à garantia dos direitos civis, sociais,políticos e culturais, porém, sabe-se que a diversidade perpassa esses direitos e quea liberdade sexual não está limitada à divisão binária entre masculino e feminino,pois o sexo e o gênero são construtos sociais. Dessa forma, tratar a homossexualidade como exercício da cidadania é defini-la como sujeita ao jogo da exclusão, obedecendo a lógica do mais que um – em queo enlace da classe, da raça e da sexualidade determina os padrões aceitáveis equais comportamentos os cidadãos devem possuir e desenvolver. Assim, aidentificação, entendida como um processo em que os sujeitos desenvolvemcaracterísticas no contato social permeado por uma contínua e cultural construção,se desenvolve como um processo gerado a partir das diferenças. Os meios de comunicação desempenham um efeito significativo e influente naconstrução das diferenças aceitáveis que norteiam o nosso autoentendimento e onosso entendimento do outro. Logo, os meios de comunicação colaboram para aconstrução dos sujeitos. Percebe-se dessa forma a relevância de estudar como amaioria das mídias omite-se ao lidar com questões de gênero e como constroemdiscursos provenientes de ideias que estigmatizam a homossexualidade comodesprezível, alimentando também com a ausência de referências homossexuais em
  13. 13. 12seu sistema informacional conceitos que perpetuam os homossexuais comoindivíduos discordantes sociais. Prioriza-se entender como veículos de comunicação que fazem uso de termosou de conteúdos de referência à homossexualidade, como o sítio Na Cangaia, vemrepresentando a homossexualidade em seus quadros, a exemplo do quadro Ronda24, e como este veículo de comunicação do território do sisal ainda reforça osestereótipos que são utilizados para configurar a homossexualidade comoidentidade discordante do socialmente esperado. Assim, levando em conta osmarcadores sociais que me constroem, enquanto homossexual e estudioso dacomunicação social, necessito entender a homossexualidade no contexto midiático,pois compreendo que a mídia contribui para a (des) construção do indivíduo, devalores, comportamentos, etc. Portanto, percebo que a construção midiática estápermeada de estereótipos utilizados para reforçar a estigmatização homossexual. Assim, é relevante fazer um estudo teórico dos termos utilizados para sereferir à homossexualidade; realizar o mapeamento dos conteúdos homossexuaisnos meios de comunicação do território do sisal; averiguar a presença de conteúdoshomossexuais ou de referência à homossexualidade nas mensagens difundidaspelos veículos de comunicação; estudar o silêncio das mídias no território do sisalsobre a temática homossexualidade; e observar o tratamento que conteúdoshomossexuais ou de referência à homossexualidade tem recebido. Para alcançar os objetivos almejados neste trabalho, tornou-se relevantedesenvolver um estudo com base em revisão bibliográfica. Realizou-se um estudoqualitativo, por meio de coleta de dados, a partir da realização de entrevistassemiestruturadas com o produtor do sítio para que conjuntamente, pudesse realizaranálise de conteúdo desse veículo com técnica de emparelhamento.
  14. 14. 13 Definiu-se o desenvolvimento desse estudo com o Na Cangaia por verificar, apartir de uma pesquisa exploratória priorizando o gênero jornalístico, que o sítio fazreferência direta à homossexualidade e, por isso, robustece os estereótiposconstruídos pela sociedade dominante. Assim, utilizou-se como estudo as formas de referências que o sítio NaCangaia, através de seu programa Ronda 24 vem utilizando, para poder identificar otratamento em que a homossexualidade tem recebido e, dessa forma, conhecer ospossíveis fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dessesfatos. No 1º capítulo intitulado “Queer” homossexualidade é essa?, buscou-se reunire resgatar conceitos sobre as categorias que constituem o sujeito, sua produção eos discursos sobre identidade e construção cultural do sexo e do gênero. A intençãoaqui é demonstrar como o sexo e o gênero têm sido apresentados de formaequivocada, associados à divisão binária entre masculino e feminino, devido ahierarquia dos discursos que são empregados aos corpos e às normasheteronormativas que desconsideram os indivíduos que infringem suas regras. Já no 2º capítulo, O silêncio no processo comunicativo das mídias, éconstruído um panorama do atual sistema comunicacional dos meios decomunicação do território do sisal, a fim de servir como diagnóstico paraidentificação das principais dificuldades enfrentadas pela homossexualidade, e agravidade do silêncio a respeito da temática abordada, pelo fato da omissão deconteúdos serem tão grave quanto os discursos utilizados para estigmatizar ossujeitos. Foram essas dificuldades que embasaram a construção do 3º capítulo, NaCangaia.com, que oferece uma análise do veículo de comunicação, enfatizando ogênero noticioso no território do sisal que faz uso de termos homossexuais e
  15. 15. 14conteúdos de referências à homossexualidade, entendido aqui como forma deestigmatizar os estereótipos que reforçam a homossexualidade como identidadediscordante das regras heteronormativas. Por fim, discute-se sobre os reflexos das representações homossexuais pelosmeios de comunicação no território do sisal. E compactua-se com a ideia de que osdiscursos heteronormativos empregados aos corpos como forma de definir que sexoe gênero se esperam dos indivíduos e que esta é uma maneira de distorcer aideologia de que o indivíduo é construído culturalmente.
  16. 16. 15 "O jornalismo é popular, mas é popular principalmente como ficção. A vida é um mundo, e a vida vista nos jornais é outro." (G. K. Chesterton)1. “Queer” homossexualidade é essa? Os homossexuais abarcam hoje um número de cidadãos que vai além de umgrupo de indivíduos que se limitam a redes de amizades. Esses sujeitos seconstituem na verdade em um conjunto de instituições que participa, por exemplo,do enriquecimento da economia do país, e por serem constitucionalmente iguais aosdemais cidadãos, precisam de respeito e tolerância. Dessa forma, entendendo queos meios de comunicação contribuem para a construção de discursos, percebe-secomo importante sua participação social no processo de democratização cultural,que em resumo poderia ser entendida como uma forma de organização do social sefosse baseada em princípios éticos de liberdade, igualdade, diversidade,solidariedade e participação. A homossexualidade tem sido perpetuada por discursos que a desconsideramconstrução cultural e que acabam reforçando a ideia de que o sexo e o gênero sãoprovenientes dos conceitos heteronormativos utilizados pelo grupo dominante.Sendo assim, a palavra inglesa queer é muito utilizada para adjetivar asrepresentações que se referiam à homossexualidade, sendo ela entendida de formadepreciativa, ligada a prática ofensiva de pontuar o desenvolvimento da sexualidadeconsiderada desviante como esquisita, estranha e excêntrica. O interesse da Teoria Queer está na ação subjetiva e na transgressão dogênero, considerando que as marcas constituídas pela sociedade e pela cultura sãovistas como aspectos fundamentais na construção de conceitos provenientes de
  17. 17. 16regras sociais dominantes, de que o corpo é constituído ou “armado” copiandoexcessivamente o sujeito que ridiculariza. Assim, armando-se dos discursos queerutilizados pelos opressores, os movimentos gay e lésbico adotaram essas ideiascomo maneira de apresentar as diferenças que não querem ser assimilada outolerada. Dessa forma, buscando apoio teórico em Michael Foucault (1984) e JudithButler (2003), Guacira Louro apud Sabat (2005) procura esclarecer a ideia de que ocorpo está imbricado em relações de poder que são utilizadas para preencher ossujeitos com discursos que descartam a ideia de que o sexo, assim como o gênero,não são produtos discursivos e culturais. Longe de negar a materialidade doscorpos, o que a autora Guacira Louro apud Sabat (2005, p. 2) enfatiza é que: Se nos voltamos para os discursos existentes, podemos identificar relações estreitas entre transformações políticas, econômicas e sociais e o modo de olhar para o corpo e a sexualidade em diferentes momentos históricos. [...] São os processos e as práticas discursivas que fazem com que aspectos dos corpos se convertam em definidores de gênero e de sexualidade e, como conseqüências, acabem por se converter em definidores dos sujeitos. Partindo desta perspectiva, rumo a compreensão de como os corpos sãodiscursivamente produzidos, utilizamos o conceito de performatividade de JudithButler, um dos fundamentos da Teoria Queer. Neste sentido, o conceito deperformatividade emerge da lingüística e será utilizado para identificar a maneiracomo os corpos e os sujeitos são discursivamente constituídos, com base emFoucault, na afirmativa de que a construção da sexualidade deve-se a açõesdiscursivas.
  18. 18. 17 Assim, a Teoria Queer pensa a representação homossexual como marcasprovenientes do social, no qual é classificada pela heterossexualidade compulsóriacomo corpos e sujeitos estranhos e esquisitos ou ainda simplesmente queer. Para Louro apud Sabat (2005), a Teoria Queer pode abarcar uma concepçãofundamentada na ambigüidade, na multiplicidade e na fluidez das identidadessexuais e de gênero, mas, além disso, também sugere novas formas de pensar acultura, o conhecimento, o poder e a educação por meio da desconstrução depadrões supostamente rígidos, tal como o biologismo dos gêneros e suacorrespondência performática.1.1. Representação homossexual no discurso midiático O fenômeno da globalização despedaça os sujeitos, apresentando-lhesdiscursos que dispersam os modos de ser construindo novos conceitos. Dessaforma, no mundo contemporâneo, esses sujeitos tornam-se vulneráveis àsinformações multilaterais que os descentralizam. Segundo Rogério Costa (2009, p. 2): A partir da abordagem socioantropológica, observamos, no entanto, que a representação de determinados comportamentos podem variar com o contexto imediato, numa fluidez que muitas vezes coloca o sujeito à deriva, posto que é um tipo de representação associada a determinantes culturais, mostrando com isso a historicidade dessa condição, a construção social que determina uma cultura e assim se faz atuante. Mostrando que a discussão sobre identidade sexual, na realidade, está num plano de construção simbólica em que intervêm valores e concepções de mundo que extrapolam o âmbito da sexualidade, portanto, a identidade sexual não é uma mera descrição das práticas, nem está diretamente associada a comportamentos específicos.
  19. 19. 18 Assim, a cultura propicia ao sujeito uma visão de mundo, e é através dela queo homem atua. Neste ponto de vista, Rogério Costa (2009) diz que a maneira de vero mundo está associada a uma ordem moral e valorativa, identificando econformando diferentes comportamentos sociais com propriedades invulgares(COSTA, 2009, p. 7), discurso este elucidado nas ideias de R. Laraia, (2002, p. 67-68): A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante. Até recentemente, por exemplo, o homossexual corria o risco de agressões físicas quando era identificado numa via pública e ainda é objeto de termos depreciativos. Tal fato representa um tipo de comportamento padronizado por um sistema cultural. Esta atitude varia em outras culturas. Entre algumas tribos das planícies norte-americanas, o homossexual era visto como um ser dotado de propriedades mágicas, capaz de servir de mediador entre o mundo social e o sobrenatural, e por isso respeitado. Dessa forma, por ideias provenientes de discursos heteronormativos,tomados como única maneira de ver o mundo e os sujeitos, muitos homossexuaisaté hoje sofrem agressões e têm sua cultura descartada e ignorada. A ideia de sujeito emergente de uma hierarquia cultural afasta-se da ideiadas autoras Butler (2003) e Wittig (1980), que defendem o sexo e o gênero comoprovenientes da construção social e cultural, desmistificando a ideia de que osdiscursos sobre o sujeito não derivam do sexo, pois ele não determina o gênero eeste não se limita a divisão binária entre masculino e feminino, mas transpassaessas categorias dualistas. Os conceitos de identidade sexual e gênero são utilizados de forma dúbiapela sociedade, apresentando os sujeitos como indivíduos presos a ideologias
  20. 20. 19masculinas, quando apresentam discursos pejorativos que estereotipamnegativamente os sujeitos. As transformações de uma sociedade em que as ideias e os discursos detêmo poder dão lugar a perspectiva que se propõe pós-moderna, em que asinformações interferem na vida social constantemente e de forma rápidaarquitetando os sujeitos. As identidades são formadas por meio da fabricação da diferença. Talvez porisso Silva (2003) diz que o chamado multiculturalismo se apoia em um vago ebenevolente apelo à tolerância e ao respeito para com a diversidade e a diferença.Para Stuart Hall (2007), as unidades que as identidades proclamam, a exemplo asidentidades coletivas, são na verdade constituídas do jogo do poder e da exclusão.Dessa forma, as identidades construídas estarão sujeitas à hierarquia do poder eserão definidas a partir do ponto de vista do grupo dominante. Sabemos que as experiências identitárias se ampliam com a globalização.Antes do advento da mídia, a comunicação era praticamente desenvolvida por meioda comunicação oral e o conhecimento era sempre restrito ao monopólio do gruposocial dominante. As mídias contribuíram para o desenvolvimento da globalização,permitindo a interconexão do planeta através de satélites, sendo que a comunicaçãoascende a um lugar decisivo no circuito produtivo. Dessa forma, as mídias ampliamo processo de globalização, possibilitando uma constante produção de novasidentidades e discursos. A mídia contribuiu para a construção da imagem do homossexual, uma vezque divulga conteúdos de referência à homossexualidade como identidadediscordante do esperado. Gioielli (2005) afirma que as diferentes dinâmicas marcam
  21. 21. 20identidades culturais em meio aos ambientes socioculturais da modernidade e dapós-modernidade. Dessa forma, percebe-se ainda que as identidades tidas como discordantesdos padrões utilizados como norma, vêm ocupando lugar na mídia, mas aindaenfrentam preconceitos derivados das ideias que ainda hoje prevalecem comoformas de pensar e, que tornam a sociedade excludente. A homossexualidade se configura como uma construção cultural que sedesenvolve, assim como as demais orientações, a partir do contato do ser com omeio social, e que também pretende incluir-se na construção da cidadania, tantocomo cidadão apto a intervir na sociedade quando necessário, quanto indivíduopertencente a um mundo pluricultural, onde a diferença constitui a diversidade. Marques (2002) vem nos dizer que a representação e a visibilidade de gruposde sexualidade nas mídias auxiliam a perceber, num momento especifico, aarticulação de três importantes processos sociais: a) A reflexividade – acentuadapelos fluxos simbólicos da mídia, que permeia nosso autoentendimento e nossoentendimento do outro; b) A interseção das questões identitárias com asquestões de reconhecimento – prescindindo da intersubjetividade para serealizarem e a mobilização; e c) Busca de razões próprias, diante da tematizaçãode assuntos capazes de instaurar esferas públicas de discussão. Fernando Barroso (2008) diz que os discursos midiáticos podem ser vistoscomo práticas culturais construtoras e solidificadoras de novas identidades -identidades homossexuais, por exemplo - e de novas comunidades. Então, percebe-se que o conceito de identidade sexual e de gênero podeganhar novos significados quando estes são apresentados de forma confusa, pelosquais a sociedade exclui da participação social, política e cultural, aqueles que são
  22. 22. 21de uma orientação que não condiz com a linearidade entre corpo, gênero, sexo edesejo.1.2. Homossexualidade: uma configuração associada à construção social A ideia de que o sexo e o gênero são construções culturais pode serentendida como discordante dos padrões heterossexuais, que associam o sexoapenas à divisão conjugada entre homem e mulher. Como afirma Bourdieu apudAnjos (2003), a oposição ativo/passivo traz consigo a heterossexualidade comonorma, e dispõe homens e mulheres segundo a “natureza”. Assim, entende-se que ahomossexualidade infringe as regras e se torna inferior por não ser a consideradasexualidade “normal”. Nascemos com um sexo, no que diz respeito a nossas genitálias, porém estesexo não determina o gênero. Gênero não é uma divisão binária entre o masculino eo feminino; se adotarmos essa perspectiva de gênero alimenta-se a idéia de que háapenas dois gêneros. Contudo, se fizermos um estudo empírico, veremos que hámuito mais que dois gêneros. Não existe heterossexual que seja apenas homem ousó mulher, uma vez que os seres possuem características femininas e masculinas,mesmo sendo os mais machos e as mais fêmeas, pois o gênero é uma produçãocultural. Dessa forma, o sexo é construído pela cultura, assim como a linguagem éuma produção também cultural. Como afirma Judith Butler (2003), o sexo não énatural, mas é ele também discursivo e cultural como o gênero. A noção de gêneroestava relacionada com a opção sexual, como decorrente dessa escolha. Porém,
  23. 23. 22Butler (2003) diz que não existe uma identidade de gênero por trás das expressõesde gênero, ou seja, não de define o gênero como binário, e que a identidade éperformativamente constituída - que é desenvolvida com um bom desempenho etem uma interpretação adequada. Ainda temos Wittig apud Areda (2006a) queconcorda com Butler, colocando que não se nasce homem, nem se é homem,empenha-se constantemente na busca de tornar-se Homem. A virilidade representajustamente o investimento numa rede de relações com a busca de reconhecimentoda masculinidade. Portanto, o sexo não nasce feito, ele é desenvolvidoculturalmente, e se definirmos sexo como sendo somente masculino e feminino todosexo e toda sexualidade será heterossexual. E como diz Brandão apud Paula(2009), as identidades são o reconhecimento da própria diferença, onde o ser podeser pensado não como um fundamento em si, mas a partir do que o diferencia. Aconstrução das imagens com que os sujeitos e povos se percebem passa peloemaranhado de suas culturas, nos pontos de intersecção com as vidas individuais. A homossexualidade representada como categoria identitária de adequaçãodo indivíduo a certa conduta, não se restringe a descrições de suas práticas, essaideia de mundo não está permeada apenas na identificação da pessoa seguindosuas preferências sexuais, vai muito além. Pouco importa a condição ou amplitudedo ato em si, pois essas ideias prevalecem de conceitos determinados socialmente eaparentemente associados à história, tendo toda uma magnificência de identificaçãosócio-sexual obrigatória que se autentica e é demarcada não só pelo ato sexual,mas por comportamentos culturalmente criados e associados a eles, e por issoesperados socialmente. Dessa forma, Costa (2009) afirma que a sexualidadeinscreve-se como uma determinação, uma maneira de ser obrigatória e “natural”,enquanto “essência” do ser, quando é associada a uma preferência sexual que
  24. 24. 23determina um comportamento social. Partindo dessa perspectiva, compreende-seque a ideia de identidade homossexual é historicamente ligada e pensada atravésda determinação de ações sexuais, associando certas preferências aocomportamento, não levando em consideração a pluralidade dessas associações.Assim, essa determinação de representação homossexual afasta-se da ideia desexo como produção discursiva e cultural, como se pode afirmar com a ideia deGuacira Louro (1996, p. 1): O conceito de gênero veio contrapor-se ao conceito de sexo. Se este último refere-se às diferenças biológicas entre homem e mulher, o primeiro diz respeito à construção social e histórica do ser masculino e do ser feminino, ou seja, às características e atitudes atribuídas a cada um deles em cada sociedade. O que quer dizer que agir e sentir-se como homem e como mulher depende de cada contexto sócio-cultural. Dessa forma, o sexo é visto como divisão binária e o gênero associado aosinteresses culturais de cada sociedade. Contudo, sabemos que o sexo vai muitoalém da divisão entre homem e mulher. Levando em consideração o conceito de representação homossexualapresentada por Costa (2009), a ideia de identidade homossexual pode estar ligadaa questões do homoerotismo, sendo que as crenças são os fundamentos dascondições de determinações do sujeito. Porém, quando atribuímos discurso aocorpo, estamos determinando conceitos de como desejamos que ele se constituísse,empregando discursos dentro dos padrões socialmente esperados. Dessa forma,percebe-se que os discursos atribuídos a homossexualidade permeiam por ideiasque produzem um conceito performático considerado heteronormativo, que tentamdefinir a identidade homossexual a partir de representações simbólicas - entendida
  25. 25. 24como elementos que em vista dos conceitos sociais representaria ahomossexualidade.1.3. A performatividade dos corpos: processo cultural de constituição do gênero Colling (2007) apresenta que os homossexuais são representados pela mídia,em específico pela rede Globo em suas telenovelas, como indivíduos criminosos,afetados e heterossexualizados. Para Butler apud Colling (2007) o gênero é performativo porque é resultantede um regime que regula as diferenças de gênero. Neste regime os gêneros sedividem e se hierarquizam de forma coercitiva. Segundo Colling (2007, p. 4): [...] De uma forma resumida e incompleta, podemos dizer que a teoria da performatividade tenta entender como a repetição das normas, muitas vezes feita de forma ritualizada, cria sujeitos que são o resultado destas repetições. Quem ousa se comportar fora destas normas que, quase sempre, encarnam determinadas ideais de masculinidade e feminilidade ligadas com uma união heterossexual, acaba sofrendo sérias conseqüências. Neste sentido, a ideia de gênero é associada a uma performatividade ligada àmatriz heterossexual como afirma Guacira Louro apud Colling (2007): O sujeito é chamado a identificar-se com uma determinada identidade sexual e de gênero sobre a base de uma ilusão de que essa identidade responde a uma interioridade que esteve ali antes do ato de interpelação. O qual é precisamente um dos aspectos fundamentais da concepção performativa do gênero.
  26. 26. 25 Assim, compreende-se que o sujeito é percebido dentro de um modeloheteronormativo, quando as representações homossexuais não refletem as própriasculturas sociais atuais. Com isso, Judith Butler apud Nardi (2003, p. 1) contrapõe-seao modelo heterossexual de perceber os sujeitos: “O corpo não é um lugar sobre o qual uma construção tem lugar, é uma destruição que forma o sujeito. A formação desse sujeito implica o enquadramento, a subordinação e a regulação do corpo. Ela implica igualmente o modo sobre o qual esta destruição é conservada (no sentido de sustentada e embalsamada) na normalização”. Dessa forma, entende-se que a constituição do sujeito depende da destruiçãodo corpo, que em resumo é entendido segundo Foucault apud Nardi (2003) comouma alegoria da formação do sujeito a partir do “inconsciente cultural” que delimitaos sistemas implícitos dos quais somos prisioneiros. Segundo Butler apud Nardi (2003) o sujeito surge quando o corpodesaparece, portanto, a imitação é a forma sintomática da reinstalação do poder quesubmete o sujeito na captura identitária gerando aquilo que Butler denominaenquanto performatividade. Dessa forma, o conceito de identidade sexual tem sido apresentado de formaconfusa e empregado a aspectos heteronormativos que determinam os discursossocialmente esperados. Assim, a representação homossexual na mídia é feitabaseada no papel sexual, que não é o elemento determinante da homossexualidade,mas que é utilizado para classificar os indivíduos cujo papel sexual não esteja deacordo com seu sexo. Para Baggio (2009) os homossexuais são representados como indivíduosmarcados por uma especificidade da linguagem e pelo humor, que perpetua por
  27. 27. 26estereótipos que os mantém como sujeitos favoráveis a caricatura gay que serve depiada na maioria dos programas. Partindo dessa perspectiva, pode-se compreenderque as identidades homossexuais são representadas como padrão de vidadominado e inferior como podemos entender com a ideia de Bucci apud Baggio(2009, p.6): [...] é impossível encontrar algum [programa humorístico] que não se baseie em escarnecer os pobres, os analfabetos, os negros, os homossexuais etc. O mecanismo parece ser o mesmo dos melhores filmes cômicos: o espectador é chamado a rir daquilo que o envergonha e que o machuca. A questão é que, nos programas da nossa TV, o espectador não ri para redimir o personagem que se debate em seu ridículo, mas para reiterar a opressão que pesa contra esse mesmo personagem. [...] É por isso que, diante da TV, ri dos negros quem não é negro, ri dos gays quem não é gay, ri dos pobres quem não é pobre (ou pensa que não é). Ri deles quem quer proclamar, às gargalhadas, que jamais será como eles. É o riso como recusa e chibatada. Levando em consideração que o sexo não é nato nem é naturalizado e tãopouco essencializado, percebe-se que ele emerge de símbolos que determinam anossa construção identitária. Dessa forma, o sistema da construção do gênero dar-se, principalmente, pela sexualidade e pela sexualização dos sujeitos que definemsexo como divisão entre o masculino e feminino, desconsiderando a ideia de que osexo é discursivo e cultural assim como o gênero. Assim, segundo Souza (1995, p. 5): É importante assinalar que a categoria “gênero” tem passado por significativas transformações, possibilitando-lhe assim um caráter mais dinâmico. A princípio, vinculada a uma variável binária arbitrária, que reforçava dicotomias rígidas, passou a ser compreendida como uma categoria relacional e contextual, na tentativa de contemplar as complexidades e conflitos existentes na formação dos sujeitos.
  28. 28. 27 A ideia de representação surge de conceitos apresentados pela mídia comodiscursos associados ao jogo do poder que entende sexo como determinante dogênero que é visto como a divisão binária entre masculino e feminino. Dessa forma,pode-se dizer que os conceitos sobre a homossexualidade, estão ligados as práticassexuais, determinando que o sexo, assim como as demais ideias sobre gênero,trabalham no sentido de produzir os sujeitos numa perspectiva heteronormativa. Os indivíduos são classificados em categorias que lhes são empregadascomo forma de definí-los. Guacira Louro (2004), diz que as formas que os corpos eas marcas que os definem e descrevem culturalmente estão implicadas em relaçõesde poder. Dessas marcas, é indiscutível que aquelas que identificam o feminino e omasculino (a saber, os órgãos genitais) são primordiais. Assim, pode-se dizer que osprocessos de desenvolvimento podem atribuir discurso ao corpo e as práticasdiscursivas produzem aspectos nos sujeitos. As características dos indivíduos são atribuídas a partir das interações com osocial e as práticas discursivas os classificam como discordantes ou leais às normasempregadas. Dessa forma, Stuart Hall (2003) critica o conceito de identidademarcadamente estabelecida, unificada e imutável, ao dizer que: O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas. No entanto, o conceito de gênero tem sido muitas vezes utilizado de formaequivocada, apresentado não como fenômeno social, mas como derivado do sexo.O que precisa compreender é que sexo é discursivo e não natural, assim como ogênero, é construído pela cultura. Segundo Butler (2003) aceitar o sexo como um
  29. 29. 28dado natural e o gênero como um dado construído, determinado culturalmente, seriaaceitar também que o gênero expressaria uma essência do sujeito. E para Butlerpreencher os indivíduos de discurso é definir por antecipação as possibilidades dasconfigurações. Não há nada que nos garanta que nascer mulher ou homem nostornará indivíduos machos ou fêmeas. O que Butler quis dizer é que não existe umaidentidade de gênero por trás do próprio gênero, as identidades sãoperformaticamente construídas pela interação cultural e social. Não é nenhuma diferença particular ou qualquer tipo privilegiado de diferença, mas sim uma diferencialidade primeira em função da qual tudo o que se dá só se dá, necessariamente, em um regime de diferenças (e, portanto, de relação com a alteridade). Em outras palavras, nada é em si mesmo, tudo só existe em um processo de diferenciação. Assim, a identidade não é algo, mas é efeito que se manifesta em um regime de diferenças, num jogo de referências (BUTLER, 2003). Pode-se dizer que a diferença sexual é uma ideia determinada pelamentalidade heterossexual como afirma Monique Wittig apud Gabriel (2008), quandodiz que diferença sexual e heterossexualidade estão ligadas e a serviço dahierarquia entre homens e mulheres. Assim, entende-se que formas de pensarainda impedem que novos conceitos surjam livres de padrões sociais de corpo, sexoe desejo. Foi uma restrição política, e aquelas que resistiram à essa restrição foram acusadas de não serem mulheres de „verdade‟. Mas ficamos orgulhosas disso, vendo que na acusação já existia algo como uma sombra de vitória: o aval dos opressores dizendo que „mulher‟ não é algo que acontece por acaso, sendo que para ser uma, precisa-se ser „verdadeira‟. Fomos, ao mesmo tempo, acusadas de querermos ser homens. Hoje, essa dupla acusação renovou-se no contexto do movimento de liberação das mulheres por algumas feministas e também, infelizmente, por algumas lésbicas que parecem ter como objetivo político se tornarem cada vez mais femininas (WITTIG apud LESSA, 2007).
  30. 30. 29 Portanto se todo sexo for definido como uma divisão entre masculino efeminino, toda sexualidade será preenchida dentro dos padrões socialmenteesperados. O processo de constituição do gênero acontece pela sexualidade e pelasexualização. Segundo Foucault apud Areda (2006): É pelo sexo efetivamente, ponto imaginário fixado pelo dispositivo de sexualidade, que todos devem passar para ter acesso a sua própria inteligibilidade (já que ele é, ao mesmo tempo, o elemento oculto e o principio produtor de sentido), à totalidade de seu corpo (pois ele é uma parte real e ameaçada deste corpo do qual constitui simbolicamente o todo), à sua identidade (já que ele alia a força de uma pulsão à singularidade de uma história). Assim, essa divisão no imaginário masculino e feminino, não é igualitária, mashierarquizada. E com isso, heterossexualiza-se os sujeitos e os corpos,empregando-lhes discursos socialmente esperados.
  31. 31. 30 "Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida." (Thomas Jefferson)2. O silêncio no processo comunicativo das mídias O sistema midiático é formado por meios de comunicação que sãoestruturados exaustivamente para fins políticos das empresas. Segundo Gentilli(2007), é preciso compreender que jornais são instituições da sociedade civil comuma função decisiva: “produzir informações para a cidadania”. Apesar disso, nota-seque os jornais têm apresentado de forma parcial a realidade, pois antes dedivulgarem as informações, estabelecem o que será favorecido. Assim,compreende-se que as mídias são instrumentos controlados pelos cidadãos, maisespecificamente pelos que integram os grupos dominantes, para construir métodosde excluir outros sujeitos por meio dos discursos, principalmente aqueles quesegundo a hierarquia do poder, infringem as regras. Dessa forma, as classesdominantes desenvolvem processos internos de controle social por meio do discursoe estabelecem uma divisão social a partir das normas, códigos e símbolosempregados como socialmente normais e esperados para o bom desempenhoeconômico, social e político. Os grupos que detêm o poder dos meios de comunicação impõem certasregras e limites. Assim, algumas das regiões do discurso não são igualmenteacessíveis e compreendidas, por haver um jogo ambíguo de segredo e divulgação.Dessa forma, percebe-se que ocorre uma atuação negativa entre a comunicação e atroca, pelo fato de se constituir a partir desse jogo um sistema de exclusão.
  32. 32. 31 O poder das regras heteronormativas nos faz pensar de forma homogênea etenta nos fazer perceber essa homogeneidade, individualizando os grupos e nãopermitindo desvios. Dessa forma, a disciplina, tenta regular as multiplicidades doindivíduo, definindo os gestos, comportamentos, as circunstâncias e todo o conjuntode signos que devem acompanhar o discurso, além de determinar o que umindivíduo deve ou não fazer. No discurso midiático, nota-se que existe um esquema comunicacionalpensado e estruturado para satisfazer o uso do poder dos dominantes e estabelecerum sistema de classificação que determine e perpetue as normas produzidas pelaheteronormatividade. Assim, um jogo de exclusão – em que os sujeitos são taxadospor meio de discursos pejorativos, é criado para que os desfavorecidos construamum sentimento de culpa, propício a uma conduta de isolamento individual e que iráobedecer à hierarquia. Segundo Foucault apud Gentilli (2007), soberania e disciplina sãoconstitutivas dos mecanismos gerais de poder na sociedade; não há exercício dopoder sem uma economia dos discursos que estão em funcionamento neste poder.Somos submetidos, e somente pode-se exercer o poder mediante a produção dosdiscursos utilizados como verdade. Acredita-se que a omissão da verdade tem sido muito extensiva pelos meiosde comunicação, pois nota-se que eles ainda disseminam informações que cultivamparadigmas favoráveis a manutenção de seu poder alienante e que impossibilitam osurgimento de novas ideias. Há no sistema comunicacional das mídias uma negaçãoe certo silêncio em conduzir assuntos que são considerados discordantes dosocialmente esperado. Dessa forma, compreende-se que os veículos de
  33. 33. 32comunicação estigmatizam os indivíduos desfavorecidos, quando se utilizam deideias que reforçam os estereótipos que mantém um sistema de exclusão. O silêncio presente no sistema midiático estabelece um aumento significativoda desigualdade social, percebendo que a omissão de conteúdos é tratada comonormal pela classe dominante e como a forma de manter a hierarquização dossujeitos. Dessa forma, compreende-se que as informações a que os indivíduos têmacesso, são filtradas pelos meios de comunicação e classificadas como favoráveisou não, com referência aos padrões sociais. Os meios de comunicação, ao produzirem imagens estereotipadasnegativamente dos sujeitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis etransexuais), também fortalecem a intolerância e a homofobia/lesbofobia. Segundo Areda apud Dodsworth (2007) o discurso heteronormativo, estaassim chamada “matriz hegemônica de inteligibilidade”, tem o poder de penetrar atémesmo o universo gay, atravessando todas as relações e adequando tudo o queencontra a uma lógica hegemônica. De acordo com Barroso (2008), estes discursosexprimem, portanto, práticas culturais forjadas no interior de relações de poder.Militantes do movimento homossexual brasileiro apontam contradições decisivas nomodo como os homossexuais são representados pela mídia hegemônica no Brasil,segundo Barroso (2008). Os estudos gays e lésbicos destacam os discursos daimprensa sensacionalista, principalmente da televisão e do cinema, comoemblemáticos das representações midiáticas a respeito da homossexualidade. Na Bahia, as estatísticas são alarmantes. Segundo dados do GGB – GrupoGay da Bahia, o preconceito aliado à falta de políticas públicas é o que estariacontribuindo para a perpetuação da violência. A violência contra homossexuais tem
  34. 34. 33crescido muito. De acordo com o GGB um gay nordestino corre 84% mais risco desofrer qualquer violência do que no Sudeste ou no Sul1. No caso da existência lésbica, a intolerância dos meios de comunicação temse revelado de forma mais contundente. Por meio de séculos repousou-se nosilêncio, na mudez, sem fazer referência. Seguramente a supressão deste assuntonão se deu por ingenuidade ou esquecimento, mas, encobrir a vivência lésbicaconsiste em manter a autoestima das lésbicas baixa2. A lesbofobia também éalimentada pelo silêncio midiático, pois os meios de comunicação ao omitirem-sereforçam a invisibilidade dessas mulheres por desejarem sexualmente outrasmulheres, contradizendo a ordem androcêntrica e heterossexual do mundo quedetermina que a mulher deva satisfazer os desejos do homem. O silêncio só aumenta as formas de preconceitos. Segundo informações doblog Lésbicas Feministas – LBL – RS, o ambiente escolar também tem sido um localde resistência à diversidade, ou reconhecimento das diferenças. De acordo com osítio, pesquisas realizadas em 500 escolas públicas em maio de 2009, pelo InstitutoNacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP e FundaçãoInstituto de Pesquisas Econômicas – FIPE, de 55% a 72% dos estudantes,professores, diretores e profissionais de educação corroboram com a resistência àdiversidade através do indicador “distância social” 3. Os meios de comunicação, enquanto instrumentos de poder, produzemseletivamente a realidade, pois antes de divulgarem qualquer tipo de informaçãodeterminam o que será favorecido. Deste modo, não são imparciais, e a longo prazocontribuem para a construção de conceitos e conduta.1 Informações colhidas no sítio do GGB – Grupo Gay da Bahia, disponível em: http://www.ggb.org.br,acesso em 19 de janeiro de 2010.2 Informações colhidas no sítio http://gonline.uol.com.br, acesso em 19 de janeiro de 2010.3 Informações extraídas no sítio http://lblrs.blogspot.com, acesso em 19 de janeiro de 2010.
  35. 35. 34 Dessa forma, percebe-se que mesmo com a construção de programas, comoBrasil sem Homofobia4, o crescimento da homofobia/lesbofobia é notável edisseminado pelo sistema midiático que reforça os discursos heteronormativos,apresentando-o como norma e padrão de corpo, gênero, sexo e desejo.2.1. O território do sisal: locus da luta pela cidadania A partir do silêncio percebido nos meios de comunicação, principalmente osmassivos, busca-se entender como acontece a omissão de conteúdos no sistemamidiático do território do sisal, uma vez que neste espaço a luta pela democratizaçãoé constante. O Território do Sisal, situado na região sisaleira da Bahia, apresenta consigouma história de organização dos movimentos sociais e de articulação de propostasvoltadas para o desenvolvimento do meio rural, tendo como objetivo desenvolver aagricultura familiar, que tem como elemento econômico a fibra do sisal. O sisal, de acordo Silva (2001), foi introduzido na Bahia no início do séculoXX, mas só se expande como importante lavoura no final da década de 30, graçasàs ações do Governo do Estado como uma alternativa para o desenvolvimento deregiões semiáridas. Sendo um elemento significante nas mudanças do território dosisal, tornou-se símbolo, principalmente, das profundas transformações históricas,sociais e culturais. Com uma abrangência de 21.256,50 quilômetros quadrados,4 Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra LGBT e de Promoção da CidadaniaHomossexual.
  36. 36. 35segundo dados do SIT - Sistema de Informações Territoriais5, o território do sisal écomposto por 20 municípios: Araci, Barrocas, Biritinga, Candeal, Cansanção,Conceição do Coité, Ichu, Itiúba, Lamarão, Monte Santo, Nordestina, Queimadas,Quijingue, Retirolândia, Santaluz, São Domingos, Serrinha, Teofilândia, Tucano eValente, conforme Figura 1. A população total do território é de 568.600 habitantes,dos quais 337.480 vivem na área rural, o que corresponde a 59,35% do total. Com,aproximadamente 64.350 agricultores familiares, 2.344 famílias assentadas, 1comunidade quilombolas e 1 terra indígena reconhecida, seu Índice deDesenvolvimento Humano - IDH médio é 0,606. Figura 1. Bahia – divisão territorial5 Sistema de Informações Territoriais que disponibiliza dados sobre os Territórios Rurais organizadospor tema, tais como: Demografia e Aspectos Populacionais, Economia, Saúde, Educação e Outros.Disponível em: http://sit.mda.gov.br, acessado dia 12 de outubro de 2009.6 Informações extraídas do Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário sítio que disponibilizainformações sobre o desenvolvimento agrário dos territórios da cidadania. Disponível em:http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/dosisalba/one-community?pagenum=0, acessado em 09 de janeiro de 2010.
  37. 37. 36 FONTE: SIT. Disponível em: <http://serv-sdt-1.mda.gov.br>. Acesso em: 15 de abril de 2008. O território do sisal está localizado na área semiárida da Bahia, e écaracterizado pelo clima seco, com irregular distribuição pluviométrica e suapaisagem é predominantemente densa, de vegetação de caatinga. Sua economiaestá estruturada na pecuária de pequeno porte e na agricultura de subsistência,cultivando-se em grande escala o sisal. Esse território é marcado pela pobreza emiséria da população, e pela descontinuidade de políticas públicas no que se refereà educação, saúde e geração de renda. Para Silva (2001), o território podeexpressar um complexo e dinâmico conjunto de relações sócioeconômicas, culturaise políticas, historicamente desenvolvidas e contextualmente espacializadas,incluindo sua perspectiva ambiental (p. 1). Sendo um território caracterizado pelo desenvolvimento agrário, suapopulação é multicultural e caracterizada por lutar por direitos negados às classesdesfavorecidas. Essa população possui um sistema de comunicação muito variado,
  38. 38. 37com destaque ao rádio como o veículo de comunicação de maior expressividade, noterritório. As rádios comunitárias são responsáveis em desenvolver uma coberturade massiva, abrangendo muitos grupos sociais. No território ainda há a cobertura dejornais impressos e sítios, que veiculam informações regionais e muitas vezesnacionais. Neste território há a presença de alguns movimentos sociais, como rurais emovimentos de Mulheres, que não existiram sempre, nem em toda parte, mas quepossuem uma história de expressão de reivindicações, principalmente no territóriodo sisal. Segundo Alonso (2009) esses movimentos sociais surgem da sociedadecivil, e são constituídos por indivíduos que não querem governar o mundo, nem oEstado, mas que possuem ideais coletivos, e que são portadores de um projetocultural, que busca uma democratização social ao invés de uma democratizaçãopolítica. Dessa forma, os movimentos sociais lutam por questões redistributivas, masengajados numa luta emblemática em torno de melhores condições de vida. Assim,poderiam ser entendidos como “subculturas defensivas” que lutam contra acolonização do mundo pela classe dominante. Segundo Gohn apud Siqueira (2009),movimentos sociais: são ações coletivas de caráter sociopolítico, construídas por atores sociais pertencentes a diferentes classes e camadas sociais. Eles politizam suas demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas ações estruturam-se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em situações de: conflitos, litígios e disputas. As ações desenvolvem um processo social e político-cultural que cria uma identidade coletiva ao movimento, a partir de interesses em comum. Esta identidade decorre da força do princípio da solidariedade e é construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo.
  39. 39. 38 Assim, no território do sisal os agentes sociais preocupam-se em começar abatalhar por transformações que reconhecem enquanto identidade coletiva, ou seja,ideais coletivos, com a possibilidade de organizações, estruturadas em espaços dediscussões sobre políticas públicas que promovam mudanças em busca de umdesenvolvimento mais igualitário. Habermas apud Hamel (2009) assinala para a precisão de se garantir aoscidadãos direitos de comunicação e direitos de participação política tendo em vista,até mesmo, a própria legalidade do processo legislativo, explicando que, na medida em que os direitos de comunicação e de participação política são constitutivos para um processo de legislação eficiente do ponto de vista da legitimação, esses direitos subjetivos não podem ser tidos como os de sujeitos jurídicos privados e isolados: eles têm que ser apreendidos no enfoque de participantes orientados pelo entendimento, que se encontram numa prática intersubjetiva de entendimento. Os movimentos sociais do território do sisal buscam desenvolver açõespensadas e baseadas em propostas que amparem a população e lhes tragambenefícios no que tange o acesso à comunicação e a vida social mais justa. Portanto, o território do sisal é marcado como um espaço de importantes lutassociais em vistas de melhorias para seus habitantes, e valorizado pela diversidadecultural que proporciona uma visão mais ampla das ideias que norteiam osestereótipos que caracterizam a região como lugar do sertanejo, do povo humilde.
  40. 40. 392.2. O sistema comunicativo do território do sisal A informação é um dos fundamentais bens, direitos e instrumentos dasociedade para entender e se mobilizar na realidade. E por isso, necessitaria circularatendendo exatamente ao interesse público a que precisa estar sujeita emdecorrência destas suas características e emprego social. Porém, sua disseminaçãoacaba sendo prioridade de alguns em função da promoção e fortalecimento de seusvalores. Dessa forma, o ideal seria haver uma comunicação democrática e querealmente expressassem os interesses da sociedade em vista da circulação epluralidade da informação, em termos de não existir desviados tanto da recepçãoquanto da transmissão. Os meios de comunicação comerciais, em especial as rádios, entendidoscomo instrumentos dos grupos hegemônicos e que não desenvolvem propostaspopulares, mas que atendem aos interesses dos dominantes, é desenvolvidoprincipalmente pelas emissoras que detêm as maiores potências. As rádioscomerciais apresentam-se como ferramentas de poder e de exclusão social, sendomeios de comunicação regidos pelos discursos heteronormativos que antes dedivulgar informações estabelecem o que será beneficiado. Os meios de comunicação popular, com ênfase nas rádios por serem maisacessíveis e encontrar fácil aceitação, apresentam-se como estratégias de re-afirmação dos significados locais, e motivação emancipatória do sertão. Para Gomes(2006, p. 4) essa ação definir-se-ia como:
  41. 41. 40 A comunicação convertida em elemento de disputa na re-significação e valorização das identidades locais, na constituição de redes e mobilização de agentes sociais, capaz de promover a circulação e difusão de informações de interesses comunitários. Dessa forma, os processos comunicativos se configuram como umaferramenta importante para o desenvolvimento estratégico do território do sisal. No território do sisal, o rádio imperou como aparelho privilegiado de acesso àinformação, tornando-se um companheiro na vida das pessoas. As rádioscomunitárias surgem no final dos anos 90 e início de 2000, como ações dosmovimentos sociais, e como resposta a apropriação dos grupos hegemônicos dosmeios de comunicação do território. Sendo assim, as rádios comunitárias emergemcomo ferramentas para desenvolver, sendo novos instrumentos alternativos àinserção dos grupos sociais nas práticas sociais e a construírem experiênciascomunitárias de comunicação. Contudo, muitos grupos hegemônicos, como políticose emissoras comerciais, reagiram de forma agressiva, desenvolvendo perseguição emarginalização das rádios comunitárias. Com isso, muitas rádios comunitárias foramfechadas pela ação repressiva da ANATEL (Agência Nacional deTelecominucações) e da Polícia Federal. Pensando em desenvolver uma comunicação justa e solidária, os movimentossociais elaboram projetos que proporcionem suporte organizacional e assessoria naconstrução de uma política cultural comunicativa para o território. Assim, desdobram-se a criação de entidades regionais que fortaleçam os movimentos, como a AgênciaMandacaru de Comunicação e Cultura (AMAC), com o intuito de desempenhar umaprodução comunicacional para os movimentos locais, além da ABRAÇO Sisal(Associação Brasileira de Rádios Comunitárias) e o curso de Comunicação Social noCampus XIV da UNEB (Universidade do Estado da Bahia) que surgiu com o objetivo
  42. 42. 41de proporcionar aos movimentos sociais participação igualitária e mais funcional, noque diz respeito a construção social e para atender às necessidades dessesmovimentos em lutar pela democratização da comunicação. Compreende-se que oapoio de entidades é um elemento fundamental no sistema comunicativo do territóriodo sisal, que promovem a inserção da comunicação como estratégia da política dedesenvolvimento territorial. O sistema midiático do território do sisal é composto por uma diversidade demídias, conforme Quadro 1, que corroboram para a disparidade de informações queparcialmente reproduzem a sociedade, em vista do controle hegemônico que aindaprevalece sobre os meios de comunicação que inviabilizam sujeitos e produzemdiscursos heteronormativos. Portanto, o sistema comunicacional pensado pelos movimentos sociais,emerge da proposta de viabilizar um projeto de comunicação, com a consolidaçãode grupos como o CODES sisal (Conselho de Desenvolvimento Sustentável doTerritório do Sisal), que valorize e defenda a ideia da população como produtora deconhecimento. Quadro 1. Meios/veículos de comunicação do território do sisal7MEIOS /VEÍCULOS DE LOCAL DE CONTEÚDOS/PROGRAMAÇÃO COMUNICAÇÃO. ATUAÇÃO 5:00 – Forró Repente – música Conceição do Coité Sisal AM sertaneja.7 Mapeamento realizado no território do sisal com os responsáveis pelos meios de comunicação, noperíodo de 12 de setembro a 23 de outubro de 2009.
  43. 43. 42 7:00 – Jornal da Sisal - noticiário 8:30 – Show da Sisal – música e informação 10:00 – Estação Mulher – música e informação 12:00 – MAX Esporte notícias esportivas 13:30 – Paradão 900 – música popular 15:00 – Show do Moreno – música popular 16:00 – Forrobodó - forró 18:30 – Sindicatos - informativos 19:00 - A Voz do Brasil 20:00 – Noite Sertaneja – música sertaneja 22:00 – Encerramento 5:00 - Alô Sertão 7:00 - Programa de Notícias 9:00 - Onda Livre 12:00 - FMPB 14:00 - Tarde Sabiá Sabiá FM 16:00 - Forró de todos nós 18:00 - Comendo a Bola 18:30 - Jornal da Educadora 19:00 - A Voz do Brasil 20:00 - Noite Sabiá 22:00 – Encerramento Aconteceu Coiteense Colunistas Sítio Informe Coité Sobre a cidade Utilidades Rede Social Agricultura Artigos Bahia Beleza Brasil Ciência e Saúde Concursos e Emprego CulturaAgência Calila Notícias Curiosidades Economia e Negócios Esporte Eventos Fatos Policiais Geral Histórias de Vida Loterias
  44. 44. 43 Mulher Mundo Podcast Política Ponto do Cafezinho Religião Sociais Tecnologia Últimas Notícias Vestibular e Educação + Municípios Registrados Fotos Programa da Semana Eu e o Jegue Aió de Cangaia Eu sou a música Perfis do Semi-árido Ronda 24 FofoCangaia Sintonia do amor Sítio Na Cangaia Pirracinha do João Programas de Rádio Notícias em áudio Esporte em áudio Músicas Poesias Entrevistas Curiosidades Spots e chamadas Ponto de Opinião Personalidade de Fibra Empreendimentos e Imobiliários Jornal impresso – Indicações Literárias Correio do Mês Divertimentos Hoje em Dia Correio Social Correio Esportes Conceição do Coité Cultura PolíticaJornal impresso – O Esporte Sertão Educação Página Policial Saúde e Informações Jornalismo esportivo – jogos,Sítio Esporte Sisal história do futebol. 6:00 às 7:00 – Manhã Sertaneja – músicas sertanejas. Serrinha Morena FM 7:00 às 8:00 – Vale Apena Ouvir de Novo – as mais tocadas, flash
  45. 45. 44 back. 8:00 às 10:00 Bom Dia Alegria e INFOFOCA – músicas de todos os ritmos. 10:00 às 11:00 – TOP 3 – participação do ouvinte. 11:00 às 12:00 – Sucessos de Novela – as melhores músicas que passaram nas novelas. 12:00 às 13:00 – Emoções 98 – músicas nacionais e internacionais. 13:00 às 15:00 – 98 Graus - as melhores músicas e informações gerais sobre esporte. 15:00 às 17:00 – Desafio Morena FM – teste seus conhecimentos musicais. 17:00 às 18:00 – Sucessos Morena FM – as melhores mais pedidas. 18:00 às 19:00 – Brega Total e Tropa do Riso – músicas no estilo arrocha, seresta e quadro com a galera do riso. 20:00 às 22:00 – Show da Noite – seleção das melhores músicas. 22:00 às 24:00 – Love Hits e Rádio Recado – as músicas que marcaram, recadinho do ouvinte. Jornalismo esportivo – Sítio Esporte informações gerais sobre Comunitário esporte. Jornalismo regional –Blog do Clériston Silva informações sobre fatos locais. Jornalismo – informações Sítio Notícias do Dia regionais e nacionais.Sítio Nos Bastidores da Jornalismo – informações Cidade regionais e nacionais. 5:00 às 6:00 – Despertar Regional 6:00 às 6:30 – Programa O Guardião 6:30 às 9:00 – Passando a limpo Regional AM 9:00 às 11:30 – Mulher em Movimento 11:30 às 12:00 – Madame Geilza 12:00 às 13:00 – Regional e os Esportes 13:00 às 16:00 – Boa Tarde
  46. 46. 45 Cidade 16:00 às 17:00 – Programa Igreja Deus e Amor 17:00 às 18:00 – Forró Regional 18:00 às 19:00 – Igreja 19:00 às 20:00 – Voz do Brasil 6:30 às 7:00 – Os Astros em seu Caminho 7:00 às 9:00 – Jornal da Serrinha Hoje 9:00 às 10:00 – Jornal da Região 10:00 às 11:00 – Espaço Aberto 11:00 às 12:00 – Sindicato dos Trabalhadores 12:00 às 13:00 – Jornal dos Esportes 13:00 às 14:30 – Jornal das Cidades 14:30 às 15:00 – Poder Sobrenatural da FéContinental AM 15:00 às 16:00 – Jornal da Continental 16:00 às 17:00 – Poder da Fé 17:00 às 18:00 – Revista Continental 18:00 às 19:00 – Igreja Viva 19:00 às 20:00 – Voz do Brasil 20:00 às 20:30 – Esporte Comunitário 20:30 às 21:00 – Continental Dentro da Noite 21:00 às 22:00 – No Terreiro da Fazenda 22:00 às 23:00 – Show da Fé 6:00 - Bom dia alegria (sertanejo). 7:00 - Momento informativo. 8:00 - Show da manhã - toca musicas variadas. 9:00 - Balada tropical - musicas variadas, horóscopo, dicas de novela, dicas de saúde. Valente Tropical FM 12:00 - Tropical nos esportes. 13:00 - Tarde tropical - música variada, dicas de saúde, entrevistas quando tem... 16:00 – As campeãs do dia - toca as mais pedidas e tocadas durante a programação. 17:00 - A zona do brega.
  47. 47. 46 18:00 - Programa da igreja católica - despertando a fé. 19:00 - Programação - nesse horário não tem locutor, ficam tocando músicas variadas, programadas no computador, essa programação fica até as 22h ou 23h e depois a rádio sai do ar e retorna as 6:00. 6:00 às 7:30 – Vozes da Terra – talentos da terra, sertanejo, forró pé de serra e rádios notícias. 7:30 às 11:00 – Ligação Direta – sucessos, MPB, flash back, participação do ouvinte no ar e rádio notícias. 11:00 às 11:30 – Conversa da Gente - produção de acordo linha da rádio. 11:30 às 13:00 – Rádio Comunidade – enfoque para notícias locais e regionais. 13:00 às 14:00 – FMPB – clássicos. 14:00 às 17:00 – Sucessos da Valente FM – só sucessos do momento. Valente FM 17:00 às 18:00 – Pra Matar a Saudade – românticas dos anos 70/90 e popular light. 18:00 às 19:00 – Bola na Rede – locais, regionais, estaduais e nacionais. 19:00 às 20:00 – Voz do Brasil – notícias dos Três Poderes. 20:00 às 22:00 – Noite de Sucessos – sucessos diversos, flash back, e participação do ouvinte no ar. 22:00 às 24:00 – Românticas em Alta Temperatura – românticas locais e nacionais. 00:00 às 6:00 – Esperando o Amanhecer – românticas internacionais. Experiências Aió de Notícias RetirolândiaAgência Mandacaru Região Sisaleira Últimas Notícias Santaluz FM 5:00 às 7:00 – Amanhecer no Santaluz
  48. 48. 47 Sertão – músicas sertanejas, informações agrícolas. 7:00 às 8:00 – Despertar com Cristo – músicas gospel. 8:00 às 11:00 – Manhã Legal – músicas, entretenimento, momento infantil, flash informativos, músicas variadas. 11:00 às 12:00 – MPB 12:00 às 13:00 – Rádio Notícias – Jornalismo. 13:00 às 14:00 – Programa Girando a Bola – notícias sobre esporte. 14:00 às 16:00 – Tarde da Gente – participação do ouvinte, culinária e músicas. 16:00 às 17:30 – Forró Total – pé de serra, mecânico e misturado 17:30 às 18:00 – Programa das Entidades 18:00 às 19:00 – Programa da Igreja Católica 19:00 às 20:00 – A Voz do Brasil 20:00 às 22:00 Super noite – músicas variadas 22:00 às 00:00 – Momento de romantismo – poesias, recadinhos e músicas. 06:00 às 7:00 – Orvalho Sertanejo. 07:00 às 08:30 – Patrulha da Cidade. 8:30 às 10:30 – Manhã de Sucesso. 10:30 às 12:00 – Almoçando com Música. 12:00 às 13:00 – Associação em AraciCultura FM Destaque – Vários Representantes. 13:00 às 14:00 – Resenha Esportiva. 14:00 às 16:00 – Seu signo seu sucesso. 16:00 às 18:00 – Ligação. 18:00 às 19:00 – Brega Legal. 19:00 às 20: 00 – Voz do Brasil 20:00 às 22:00 – Emoções
  49. 49. 48 Cultura FM; Sábado 06:00 às 07:00 - Abrindo o Baú Musical. 7:00 às 9:00 – Debate em Destaque. 9:00 às 10:30 – Juventude Ativa. 10:30 às 12:00 – Super Seqüência. 12:00 às 15:00 – As mais pedidas da semana. 15:00 às 17:00 – Conexão Direta. 17:00 às 19:00 – Clima de Festa. 19:00 às 22:00 – Dance Mania/Night Love. 6:00 às 9:00 – amanhecer na roça. 9:00 às 11:00 – Antonio 11:00 às 12:00 – Super Manhã e Bola rolando. 12:00 às 14:00 – A missa da Riacho FM Graça. 14:00 às 18:00 – Show do Ouvinte. 18:00 às 19:00 – A Hora Santa. 19:00 às 20:00 – A Voz do Brasil. 20:00 às 22:00 – Fim de noite. 5:30 às 22:00 – MusicalBaianinha FM Sertanejo / Esporte / São Domingos Informativos. 5:00 às 7:00 - Bom dia Sertão 8:00 - Nossa Missão | Antônio 8:00 às 11:00 - Show da Manhã 11:00 às 12:00 - Sequência do Show da Manhã 12:00 às 14:00 - Momento PopularCruzeiro FM 14:00 às 16:30 - Super Sintonia 16:30 às 17:30 - Forrozão da Tucano Cruzeiro 17:30 às 19:00 - Arquivo da Cruzeiro 19:00 às 20:00 - Voz do Brasil 20:00 às 22:00 - Mistura Musical22:00 às 00:00 - Show Love Tucano FM 5:00 Às 7:00 Da Manhã – Sertão Maravilha Tucano Fm
  50. 50. 49 8:00 Às 12:00 Bom Dia Cidade Tucano Fm 12:30 Às 13:00 O Povo No Rádio 13:00 Às 15:00 Tarde Legal 15:00 Às 17:00 Atividade Musical 17:00 Às 18:00 É Du Forro 19:00 Às 20:00 A Voz Do Brasil 20:00 Às 22:00 Momento De Amor Tucano FM 22:00 Às 23:00 Programa Palavra De Esperança Programação Aos Sábados 5:00 Às 8:00 Programa Som Da Terra 8:00 Às 12:00 Festa Da Manhã Tucano FM 12: Às 13:00 Especial Tucano FM 13:00 Às 16:00 Zorra Geral Tucano FM 16:00 Às 17:00 Programa Aliança Com Deus Programação Aos Domingos 7:00 As 08:00 Momento Do Rei Com Roberto Carlos 08:00 As 12:00 Festa Da Manhã 12:00 Às 13:00 Especial Tucano FM 13:00 Às 16:00 Zorra Geral 16:00 Às 17:00 Programa Aliança Com Deus 6:00 às 8:00 – Encanto da Terra 8:00 às 12:00 – Programa Rádio Ativo 12:00 às 13:00 – Programa destinados as entidades 13:00 às 14:00 – 104 MPB 14:00 às 17:00 – SintoniaIndependente FM Independente 17:00 às 18:00 No Terreiro da Ichu Fazenda 18:00 às 19:00 – A Voz dos Agricultores 19:00 às 20:00- Voz do Brasil 20:00 às 22:00 – Bons Tempos Noticiário em geral sobre Ichu –Blog André Nilton informações sobre esporte, Comunicador religião, educação, saúde.
  51. 51. 50 5:30 ás 8:00 – Raízes do Sertão 8:00 às 10:00 – Mega Mix 10:00 às 12:00 – Controle Remoto 12:00 às 14:00 - Bons Tempos 14:00 às 16:00 – Tarde amiga 16:00 às 17:00 – Parada de Piquaraçá FM Monte Santo Sucesso 17:00 às 18:00 – Forró da Piquaraçá 18:00 às 19:00 – Luiz Gonzaga e Convidados 19:00 às 20:00 – A Voz do Brasil 20:00 às 22:00 – Show da Noite 22:00 às 00:00 – Noite do Prazer Os meios de comunicação listados no quadro acima possuem umadiversidade ampla de conteúdos compreendidos entre os gêneros humorísticos,cultural e jornalístico. O contexto presente na grade de programação desses meiosde comunicação, todos pertencentes ao território do sisal, constitui-se eminformações regionais e nacionais, porém, omissa de conteúdos discordante dospadrões sociais heterossexuais. Ressalvando o sítio Na Cangaia, uma voz que soacomo veículo que utiliza conteúdos homossexuais que fortalece a ideia dehomossexualidade como identidade não “normal”. Assim, enfatizando o gênerojornalístico, percebe-se que o Na Cangaia, por meio do quadro Ronda 24, fortalecevisões heteronormativas de que os padrões sociais devem estar associados àsregras da oposição ativo/passivo, devendo o feminino estar disposto ao masculino evice-versa.
  52. 52. 512.3. O silêncio presente no território do sisal No território do sisal, os meios de comunicação como rádio, sítios e meiosimpressos como jornais, são fontes importantes de informação. Utilizando-se comoferramentas de interação com a comunidade, os meios de comunicação tornam-seelementos presentes na vida social dos indivíduos. Os movimentos sociais potencializam sua atuação e conquistam espaço natentativa de construir processos comunicativos diferenciados. Assim, para elaboraras estratégias na área comunicacional do território, foi criado o Grupo Temático deComunicação GT-Com, que reunia um grupo mais específico e direcionado adesenhar as propostas nesta área, segundo Gomes (2006). Esse GT deComunicação era composto por representantes das rádios comunitárias (ABRAÇO –Sisal), da Agência Mandacaru, e das organizações como MOC e APAEB Valente,além do Pólo Sindical e da Universidade do Estadual da Bahia, Campus XIV. Emerge daí um processo de comunicação que se apresentava numaconfiguração mais extensa que o padrão antigo emissor-receptor. Os meios decomunicação do território do sisal apresentam-se como instrumentos na luta peloexercício da cidadania e pela democratização da comunicação. Através de veículosde comunicação como sítios, os meios interagem com a sociedade com informaçõesque satisfazem muitas vezes as necessidades de seu idealizador. Em outrasoportunidades, os meios de comunicação são instrumentos da luta traçada pelosmovimentos sociais na busca de ideais que valorizem os direitos de sua população.Muitas rádios veiculam apenas o que lhe traz ibope, ou ainda aquilo que é dointeresse de uma determinada camada da sociedade. Alguns assuntos são omitidos
  53. 53. 52pelas mídias radiofônicas, ou entendidas como conteúdos desinteressantes aopúblico local, por se tratar de questões que a classe dominante considera comoquestões perturbadoras dos discursos que retroalimentam os padrões sociais. Dessa forma, surgia uma midiatização das informações que deveriam serapresentadas, e assim, o sistema comunicacional pode ser entendido como ummodelo de mutismo, em que a sociedade passa a ser silenciosa, onde sua voz não éum som autêntico, mas uma imitação dos comandos do opressor. Segundo Freireapud Moreira (2007), o mutismo seria, portanto, constituinte de um sistema decomunicação pautado em mecanismos de exclusão e opressão. O sistema comunicativo dos meios de comunicação do território do sisalestigmatiza grupos que, muitas vezes, não estabelecem um contato direto,reforçando-os como desinteressante ao contexto social. Dessa forma, o sistemamidiático silencia-se em tratar de assuntos que infringem as regras heteronormativasou que desvalorizam a hierarquia do poder usado para estigmatizar outros gruposcomo irregulares. Os meios de comunicação são, dessa forma, estruturados para atender osinteresses de uma classe que hierarquiza a sociedade e dissemina suas normascomo únicas e aceitáveis, desconsiderando outros grupos e construindo discursosque criarão estereótipos negativos sobre esses indivíduos desfavorecidos. Os meios de comunicação que constituem o sistema midiático do território dosisal consistem em rádios, jornais impressos e sites. Estes meios trabalham comprogramação musical; cultural – apresentando informações regionais e nacionaisaos agricultores e entidades religiosas; esportiva; educacional e jornalística –expondo conteúdos informativos sobre o território para a sociedade. Nota-se a partirdesse contexto comunicacional que boa parte dos meios de comunicação do

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