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4Dedicamos este trabalho aos nossos pais, irmãos, parentes,amigos.
5                                   AGRADECIMENTOSA Deus...A Terezinha Araújo Carneiro, João Ramos Carneiro, Antonia Carne...
6Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprendeensina ao aprender.                                 Paulo Freire
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8                                         ABSTRACTThrough the production of a documentary video, this paper seeks to show ...
9                                         LISTA DE TABELAS E FIGURASGráfico - Pesquisa “O mapa da tecnologia”................
10                             LISTA DE SIGLASCETIC - CENTRO DE ESTUDOS SOBRE AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DACOMUNICAÇÃO...
11                                                       SUMÁRIO1.    INTRODUÇÃO ............................................
12      3.3.6 Roteiro .......................................................................................................
131.     INTRODUÇÃO        Com o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) houve mudançasimportantes nos di...
14       Por isso, o nosso objetivo geral é justamente compreender, tendo o vídeo como suporte,de que forma as tecnologias...
15Freire pra apresentar os conceitos de aprendizagem. Ainda no mesmo capitulo, abordamos ohistórico da inserção da TIC no ...
162.     TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR       Este capítulo discute a admissão das TIC no processo ensino-...
17aprender” (FREIRE, 1983, p.69). O pensamento pedagógico de Freire funda-se na linguagemhistoriada e na experiência human...
18animal, em laboratório, transferindo posteriormente suas pesquisas para a área da aprendizagemhumana, através da analogi...
19       Para Masetto (2000, p. 139-140) o conceito de aprender está ligado mais diretamente aosujeito (que é o aprendiz) ...
20lo de forma sutil, mas gradativa. Após a redemocratização, no início dos anos 90, as escolasrecebem as inovadoras antena...
21de ensino-aprendizagem, sem desmerecer, nem subestimar o mais importante na correlação deensinar/aprender: a função do p...
22                                  Gráfico: Pesquisa “O mapa da tecnologia”       Fonte: www.revistaescola.abril.com.br -...
23       A fim de aproveitar os recursos existentes, as experiências que estão sendo desenvolvidascaminham nessa direção, ...
24vislumbrar essa realidade. O professor pode assim estar mais próximo dos alunos, receberemmensagens via e-mail com dúvid...
25estadual ou mesmo federal, aos professores da rede pública. As capacitações e qualificações emserviço em cursos de forma...
26a utilização das TIC nas escolas. Ações conjuntas dos governos Federal e Estadual, através deprogramas como o PROINFO, t...
27          No entanto é importante ratificar que o foco recai, em especial, na constatação de quemuitos dos profissionais...
28superou mais uma vez as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação relativas ao IDEB,calculado pelo Instituto Nacio...
29          O Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido (CEEPS3) está localizado emSão Domingos, pequena cidad...
30       Na parte Administrativa o CEEPS conta com oito computadores sendo sete com internet,no laboratório de informática...
31haver curso para tal finalidade na cidade de Serrinha, oferecido pela DIREC, através do NTE –(Núcleo de Tecnologia) em p...
323.      VÍDEO DOCUMENTÁRIO: Conceito, Linguagem, Técnica.        Está pesquisa de TCC é idealizada através de um produto...
33chegaram a uma concepção para o termo documentário. Por isso, estudiosos são unânimes aoafirmar que não há um conceito f...
34a voz fílmica tem um estilo ou „natureza‟ própria, que funciona como uma assinatura ouimpressão digital” NICHOLS (2005, ...
35       No documentário há o entrelaçamento de histórias. Como atesta Nichols (2005, p.93)“para cada documentário, há pel...
36       Enquanto meio que representa o mundo histórico, o documentário é dotado, de formaacentuada, de uma linguagem soci...
37Porém, os alemães são pioneiros na utilização do cinema como um meio formador de opiniãopública. Os nazistas disseminara...
38pelo Estado para propaganda política, embora mais discreta do que nas primeiras décadas doséculo XX, em épocas de guerra...
393.3.2. Enquadramento       É a ação de enquadrar uma imagem, dando-lhe a dimensão exata de como ela seráapresentada aos ...
40       Apesar da importância, os planos não são rigorosamente fixados por padrões e medidasexatas. Permitem sim variaçõe...
413.3.4. Angulação       Os ângulos de visão são determinados pela posição da câmera em relação ao assuntotratado. A depen...
42cunhou um modo de unir os sons e as imagens que deu margem ao argumento de que o som seriaum mero acompanhamento daquela...
43tentam compreender ou responder a tais perguntas. Para muitos autores é possível estabeleceruma combinação harmônica par...
44       Baseado neste conceito, o roteiro do vídeo documentário “Escola Digital?” constitui-seem variadas temáticas que c...
454.     ESCOLA DIGITAL? - Descrevendo as etapas de realização do vídeo.       Esse capítulo evidencia as etapas de pré-pr...
46       O modo expositivo valoriza a objetividade e enaltece mais o discurso do que as imagens.Bill Nichols (2005, p.143)...
47Escolha do tema                      X   X                                 xSeleção e leitura das fontes             Xte...
E scola digital as tecnologias da informação e da comunicação aplicadas à educação
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E scola digital as tecnologias da informação e da comunicação aplicadas à educação

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Rilzimar Carneiro Silva Teones Araújo Carneiro ESCOLA DIGITAL?Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação Conceição do Coité, 2011
  2. 2. 2 Rilzimar Carneiro Silva Teones Araújo Carneiro ESCOLA DIGITAL?Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social - Habilitação em Radialismo e TV, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social, sob a orientação da professora Kátia Morais. Conceição do Coité 2011
  3. 3. 3 Rilzimar Carneiro Silva Teones Araújo Carneiro ESCOLA DIGITAL?Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social - Habilitação em Radialismo e TV, da Universidade do Estado da Bahia, Campus XIV – Conceição do Coité, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social, sob a orientação da professora Kátia Morais. Data:_______________________________________ Resultado:___________________________________ BANCA EXAMINADORA Prof. (orientador) MS.Kátia Morais Assinatura___________________________________ Prof. Dr. Raimundo Cláudio Silva Xavier Assinatura____________________________________ Prof. MS. Emanuel Rosário dos Santos Nonato Assinatura___________________________________
  4. 4. 4Dedicamos este trabalho aos nossos pais, irmãos, parentes,amigos.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSA Deus...A Terezinha Araújo Carneiro, João Ramos Carneiro, Antonia Carneiro da Silva Silva, eEveraldo Fagundes da Silva, pelo apoio afetivo, moral e financeiro.A professora orientadora Kátia Morais, nossa general nessa batalha...A Carla Goveia de Melo...!Aos professores e estudantes, protagonistas do documentário.A todos os professores do curso.A direção das escolas pesquisadas.A direção do Campus XIV - UNEB, pelos suportes técnicos.
  6. 6. 6Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprendeensina ao aprender. Paulo Freire
  7. 7. 7 RESUMOPor meio da produção de um vídeo-documentário, o presente trabalho busca mostrar como astecnologias da informação e comunicação (TIC) têm sido aplicadas no processoensino/aprendizagem em escolas públicas do semi-árido baiano, ressaltando as mudanças daspráticas pedagógicas em relação ao ensino tradicional, sob a perspectiva dos alunos, especialistase profissionais da área. O vídeo discute a inserção das TIC no universo escolar, a articulaçãodesses recursos com o projeto pedagógico, como o Estado tem atuado no sentido de preparar osdocentes e no investimento/manutenção em suportes tecnológicos, com ênfase para o Territóriodo Sisal, onde se localizam as escolas pesquisadas. Embora as TIC tenham inovado asmetodologias educacionais, entendemos, a partir dos discursos dos sujeitos expressos no vídeo,que as Tecnologias da Informação e Comunicação são suportes que potencializam o papel doprofessor e não subestimam suas funções no processo de ensino-aprendizagem.Palavras-Chave: Tecnologia; Educação; Território; Vídeo.
  8. 8. 8 ABSTRACTThrough the production of a documentary video, this paper seeks to show how information andcommunication technologies (ICTs) have been applied in the teaching / learning in publicschools in the semi-arid region of Bahia, highlighting the changes in teaching practices inrelation to traditional methods, from the perspective of students, specialistsand professionals. The video discusses the integration of ICT in the school environment, thearticulation of these resources with the educational project, as the state has worked toprepare teachers and investment / maintenance on media technology, with emphasis onthe Territory of Sisal, which locate the schools surveyed. Although ICTs have innovativeeducational methodologies, we understand from the speeches of the subject expressed in thevideo, the Information and Communication Technologies are supports that enhance the teachersrole and do not underestimate their role in the process of teaching and learningKey words: Education. Technology. Territory. Vídeo
  9. 9. 9 LISTA DE TABELAS E FIGURASGráfico - Pesquisa “O mapa da tecnologia”........................................................................... 22Tabela 1 - Cronograma das Atividades.................................................................................. 46Tabela 2 - Orçamento............................................................................................................. 48
  10. 10. 10 LISTA DE SIGLASCETIC - CENTRO DE ESTUDOS SOBRE AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DACOMUNICAÇÃODIREC- DIRETORIA REGIONAL DE EDUCAÇÃOGC- GERADOR DE CARACTERESGESAC - GOVERNO ELETRONICO SERVIÇO AO CIDADÃOIAT - INSTITUTO ANISIO TEIXEIRAIDH - INDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANOIBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICANTE - NUCLEO DE TECNOLOGIAPAM - PLANO AMERICANOPC - PLANO CONJUNTOPG - PLANO GERALPP-PRIMEIRO PLANOPROINFO - PROGRAMA DE INFORMATICATIC - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃOTCC - TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
  11. 11. 11 SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 131.1 ESTRUTURA DO MEMORIAL .............................................................................. 142. TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR ........... 162.1 CONCEITOS DE ENSINO APRENDIZAGEM ..................................................... 162.2 A INSERÇÃO DAS TIC NO UNIVERSO EDUCACIONAL .............................. 19 2.2.1 O papel do Estado ........................................................................................ 24 2.2.2 Contexto regional no campo da Educação ................................................. 26 2.2.2.1 Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido ......................... 28 2.2.2.2 Colégio Estadual João Carneiro ................................................................. 30 2.2.2.3 Colégio Estadual José ferreira ................................................................... 313. VÍDEO DOCUMENTÁRIO: CONCEITO, LINGUAGEM, TÉCNICA ......... 323.1 CONCEITOS ........................................................................................................... 323.2 LINGUAGEM SOCIAL DO VÍDEO ..................................................................... 353.3 TÉCNICA: IMAGENS E SONS .............................................................................. 38 3.3.1 Imagens ......................................................................................................... 38 3.3.2 Enquadramento ........................................................................................... 39 3.3.3 Movimento de câmera ................................................................................. 40 3.3.4 Angulação ..................................................................................................... 41 3.3.5 O Som no vídeo ............................................................................................ 41
  12. 12. 12 3.3.6 Roteiro .......................................................................................................... 434. ESCOLA DIGITAL? - Descrevendo as etapas de realização do vídeo.................. 454.1 PRÉ-PRODUÇÃO .................................................................................................... 45 4.1.1 Cronograma .................................................................................................. 46 4.1.2 Orçamento ..................................................................................................... 484.2 PRODUÇÃO ............................................................................................................ 48 4.2.1 Detalhamento das gravações ...................................................................... 494.3 PÓS-PRODUÇÃO ................................................................................................... 51 4.3.1 Edição ........................................................................................................... 52 4.3.2 Trilha Sonora ................................................................................................ 53 4.3.3 Finalização .................................................................................................... 53 4.3.3.1 Ficha Técnica ................................................................................................ 545. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 566. REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 587. ANEXOS .................................................................................................................. 618. APÊNDICE ……………………………………………………………………....... 66
  13. 13. 131. INTRODUÇÃO Com o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) houve mudançasimportantes nos diferentes setores da sociedade. A Educação, não exclusa desse processo,começa a usufruir esses recursos de forma sistemática, provocando inovação na aplicação dasmetodologias de ensino, no final do século passado. O avento da informática alterou o modo dedisseminação da informação e a escola enquanto ambiente de construção de conhecimento passaa utilizar as ferramentas das TIC como suporte metodológico. A atual geração de estudantes lidadiariamente com os aparatos tecnológicos e já não admite apenas aulas expositivas. É inclusiveuma exigência mercadológica, que o sistema educacional acompanhe os passos do avançotecnológico. Uma pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e daComunicação (CETIC), divulgada em agosto de 2011, mostra que os alunos sabem manipular asferramentas digitais mais do que os professores. Por isso é fundamental a capacitação dosdocentes. O Estado, na condição de gerenciador das escolas públicas, deve oferecer a preparaçãoconforme as demandas das escolas. No Território do Sisal, as escolas estaduais são gerenciadaspor Diretorias Regionais de Educação (DIREC), vinculadas à Secretaria de Educação do Estado.Para manutenção dos laboratórios de informática implantados pelo Programa de Informática(Proinfo), existem os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), ligados ao Instituto AnísioTeixeira. Embora as tecnologias não tenham provocado uma revolução na educação, é evidente queimplicaram em mudanças relevantes nas práticas pedagógicas, sem substituir o papel doprofessor, nem ignorar o modo tradicional de ensino. Percebendo essa mudança de perto, umavez que estamos inseridos no ambiente escolar diariamente, entendemos que este tema éinteressante para ser pesquisado, explorado e melhor compreendido. Diante desse cenário, este trabalho se norteia a partir do seguinte problema de pesquisa: De que forma tem sido o uso das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) emescolas públicas do semi-árido baiano no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem?
  14. 14. 14 Por isso, o nosso objetivo geral é justamente compreender, tendo o vídeo como suporte,de que forma as tecnologias da comunicação têm sido aplicadas no processo de ensino –aprendizagem em escolas públicas do Território do Sisal, a partir da realidade dos municípios deConceição de Coité e São Domingos. A partir desse objetivo, surgem os objetivos específicos:  Comparar de forma genérica os modos tradicionais de ensino com os atuais adotados pelos professores no contexto das novas tecnologias da informação e da comunicação;  Apontar as vantagens e os limites destes recursos no processo de ensino- aprendizagem. Para formular a resposta do problema de pesquisa, bem como aos objetivos apresentadosacima, consideramos crucial a realização de uma pesquisa de campo e o registro de depoimentosdos sujeitos envolvidos no referido contexto. Optamos por desenvolver tal investigação tendocomo suporte básico a produção de um vídeo documentário. A presente pesquisa pode motivar os professores das escolas públicas na busca dequalificação inerente a adaptação das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem,sobretudo provocar a discussão acerca da temática, que remete a aspectos tais como políticaspúblicas, o papel do professor, articulação do projeto político pedagógico com as TIC, dentreoutros. A pesquisa tem como público alvo os Profissionais da Educação – professores ediretores, alunos, gestores e estudiosos do assunto. A proposta do projeto nasceu do interesse de realizar um produto (vídeo) de Trabalho deConclusão de Curso, pois na condição de estudantes de Comunicação Social, é importante paraaperfeiçoamento dos conhecimentos práticos sobre vídeo documentário. Tal investida se dá pelametodologia da gravação depoimentos dos sujeitos e imagens das atividades escolares.1.1 ESTRUTURA DO MEMORIAL O capitulo 2 aborda a questão da relação Tecnologia/Educação, destacando a inserção e autilização da TIC no processo de ensino-aprendizagem em escolas públicas. Para embasar taldiscussão recorremos a pesquisadores e estudiosos como Piaget, Skinner, Vigotsky e Paulo
  15. 15. 15Freire pra apresentar os conceitos de aprendizagem. Ainda no mesmo capitulo, abordamos ohistórico da inserção da TIC no universo escolar, e também como tem sido o papel do Estadonessa conjuntura, bem como o contexto regional no campo da Educação, mostrando dados eapresentando as unidades pesquisadas. No capitulo seguinte, abordagem se concentra no suporte utilizado para a construção donosso produto TCC. É importante discutir conceitos, linguagem social e técnicas inerentes aodocumentarismo. No ultimo capitulo, evidenciamos como ocorreram as fases do projeto, da pré-produção após-produção, ou seja, a descrição das tarefas de fomento do TCC. Nas considerações finais, em síntese, expressamos nossa conclusão do projeto, partindodas pesquisas teóricas e dos discursos dos sujeitos envolvido no processo em debate.
  16. 16. 162. TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR Este capítulo discute a admissão das TIC no processo ensino-aprendizagem em escolaspúblicas, apresentando, a priori “conceitos de aprendizagem” segundo estudiosos epesquisadores da área, tais como Piaget, Skinner, Vigostsky e Paulo Freire, os quais explicam aconstrução do conhecimento e o desenvolvimento da aprendizagem na perspectiva da PsicologiaEducacional e do contexto sócio-histórico do individuo. Em seguida discorre-se sobre a“inserção das TIC no universo educacional”, destacando a efetivação do uso das novastecnologias como suporte na prática pedagógica em escolas públicas, ressaltando a relaçãotecnologia e educação, através de um recorte histórico. Para os docentes se adaptarem ao contexto das TIC e mediante a possibilidade deestabelecer inovações nas metodologias de ensino, “o papel do Estado” é primordial. Estaquestão aqui abordada enfatizando-se a necessidade da ação estatal na efetivação de políticaspublicas na região, no que tange as demandas de investimentos em tecnologias na educação,apontando-se ainda as eventuais carências e deficiências inerentes neste processo. O capitulo se encerra com a apresentação do cenário educacional através do qual sedesenvolve o produto descrito por esse memorial.2.1 CONCEITOS DE ENSINO APRENDIZAGEM A educação já passou por diversas tendências pedagógicas em função de um dadocontexto social. Juntamente com essas tendências começam a surgir novas demandas e recursos.Variadas metodologias de ensino vem sendo utilizadas, inclusive com uso da repressão, atravésde castigos e palmatórias, segundo a história oral. Não havia intercâmbio de saberes. Neste tipode ensino os alunos são tidos como produtos do meio e são reativos a ele. Estudiosos e pesquisadores discutiram e fomentaram concepções para explicar aconstrução do conhecimento e o processo de ensino-aprendizagem. Paulo Freire, educadorbrasileiro do mais expoentes, define-o como um procedimento político de formação e detransformação de pessoas aonde “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao
  17. 17. 17aprender” (FREIRE, 1983, p.69). O pensamento pedagógico de Freire funda-se na linguagemhistoriada e na experiência humana compartilhada e mediada pelo mundo histórico-social. Paraeste pedagogo, o conhecimento é algo a ser construído na coletividade, com diálogo, pelo qual omovimento da ação–reflexão é tido como primordial. “O pensar do educador somente ganhaautenticidade na autenticidade do pensar dos educandos, mediatizados ambos pela realidade,portanto, na intercomunicação” (FREIRE, 1979, p. 73). Freire ainda critica o método tradicional de ensino: O educador faz “depósitos” de conteúdos que devem ser arquivados pelos educandos. Desta maneira a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. O educador será tanto melhor educador quanto mais conseguir “depositar” nos educandos. Os educandos, por sua vez, serão tanto melhores educados, quanto mais conseguirem arquivar os depósitos feitos. (FREIRE, 1983, p. 66) A metáfora do educador explica como o professor se posiciona perante o alunado:injetava informação. Os alunos deveriam ser capazes de repetir os elementos transmitidos. Nãose estabelecia uma relação dialógica. Por oposição à educação “bancária”, a educação, segundoFreire (2005), é libertação. Esta educação libertadora sugere compreender os sujeitos doprocesso educativo como seres ativos, criativos, que possuem uma concepção de mundo, de simesmos e da cultura. Portanto, para Freire o conhecimento tem de constituir uma funçãolibertadora, na medida em que é instalado de forma dialógica e o aprendizado tem um sentidopara o individuo, a partir da sua leitura do mundo, partindo do princípio de que a comunicação éa que transforma essencialmente os homens em sujeitos. Skinner, pesquisador americano, pioneiro da psicologia experimental, reformulou a teoriado behaviorismo, desenvolvida por John Watson1, que visou estudar cientificamente o homem edescrever comportamentos observáveis para explicar como se dá processo de aprendizagem.Para Watson, cada comportamento é sempre uma resposta a um estímulo especifico. Em suatese, Skinner sugere algumas formas de controle para o processo de aprendizagem através desituações arranjadas com o intuito de possibilitar ou aumentar a ocorrência de uma resposta a seraprendida-condicionada. O psicólogo realizou inúmeras experiências sobre comportamento 1 P sicó lo go a me r ic a no f u nd ad o r d a co rre nt e b e h a vio ri st a d e n tro d a P si co l o gi a .
  18. 18. 18animal, em laboratório, transferindo posteriormente suas pesquisas para a área da aprendizagemhumana, através da analogia. Segundo o pesquisador, dadas as condições adequadas o individuofomenta a aprendizagem, quando se obtém o chamado reforço positivo, ou seja, há um retorno.Concluiu que o aprendizado é constante, e que o homem atua e age sobre o mundo modificando-o, a partir da interação. Para Jean Piaget (1974, p.38), “o conhecimento procede a partir, não do sujeito, nem doobjeto, mas da interação entre os dois”. A aprendizagem é sempre provocada por situaçõesexternas ao sujeito, supondo a atuação do individuo sobre o meio, mediante experiências.Segundo a perspectiva construtivista de Piaget, conhecer consiste em operar sobre o real etransformá-lo a fim de compreendê-lo, é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objetode conhecimento. Ainda refletindo o tema em discussão neste capítulo, Lev Vygotsky (1989), é outroestudioso da área, chamado de interacionista, pois defende, assim como Piaget e Skinner, que odesenvolvimento da aprendizagem é estabelecido pela interação entre os sujeitos e o meio. Deacordo com Vigotsky, é fundamental que o professor desperte a curiosidade dos alunos,acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. A invenção e o uso de símbolos para representação de signos, facilitou a comunicação,permitiu ao homem selecionar, separar, conhecer, relatar e lembrar-se de situações e eventos.Para o estudioso, a interação do individuo com mundo é mediada por signos, de naturezasimbólica, e por instrumentos, quando utiliza ferramentas para tarefas do cotidiano, uma açãoconcreta sobre o meio. Por isso, alega que o aprendizado é construído pela interação, a partir deexperiências concretas e do conhecimento prévio individual. Na perspectiva da Psicologia Educacional, o aprender é um procedimento de descoberta: A aprendizagem é processo de descoberta das relações existentes entre os eventos (...) é um processo de organização das relações descobertas e não apenas a soma das partes (...) a pessoa que aprende responde à situação de acordo com sua interpretação e percepção dessa situação (CORIA-SABINI, 1986, p.2) As concepções de aprendizagem estão assentadas no Construtivismo, no qual processode constituição e fomento de conhecimento se concebe a partir da interação do sujeito com omeio físico e social, de forma inacabada, ou seja, o sujeito está sempre aprendendo de modoconstante e evolutivo.
  19. 19. 19 Para Masetto (2000, p. 139-140) o conceito de aprender está ligado mais diretamente aosujeito (que é o aprendiz) que, por suas ações, envolvendo ele próprio, os outros colegas e oprofessor, busca e adquire informações, dá significado ao conhecimento, produzem reflexões econhecimentos próprios, pesquisa, dialoga, desenvolve competências pessoais e profissionais,atitudes éticas, política, muda comportamentos, transfere aprendizagens, integra conceitosteóricos com realidades práticas, relaciona e contextualiza experiências, dá sentido às diferentespráticas da vida cotidiana, desenvolve sua capacidade de considerar e olhar para os fatos efenômenos sob diversos ângulos, compara posições e teorias, resolve problemas. Portanto, partindo dessas premissas, compete aos docentes definir as tarefas e colocar àdisposição dos estudantes algumas sugestões de conteúdos, mas são os alunos que através depesquisas e discussões constroem o seu conhecimento, com a contribuição do mediador, doinstigador, que é justamente o professor. Partindo do pressuposto de que o processo de ensino-aprendizagem compreende a organização do ambiente educativo, a motivação dos participantes,a definição do plano de formação, o desenvolvimento das atividades e a avaliação do processo edo produto, o uso das TIC vem provocar inovações nos modos de ensinar e aprender, exigindodos docentes uma adaptação para encarar o desafio de fomentar um aprendizado consistente,qualificado, usando tais recursos como suporte, neste cenário que se consolida cada vez mais nonovo século.2.2 A INSERÇÃO DAS TICS NO UNIVERSO EDUCACIONAL Em artigo publicado na revista TV Escola, intitulado “Educação: O que a televisão tem aver com isso?”, Catarina Chagas relata e contextualiza o processo historico da inserção dasTecnologias da Informação e da Comunicação no ambiente escolar em escolas públicas noBrasil. Em sintese, descreve que a partir da década de 1970, em pleno regime militar, a indústriacrescia de modo consistente e a produção de bens de consumo se expandia cada vez mais eaproveitando a expansão da economia, o governo investiu nas tecnologias da comunicação, como intuito de propagar os ideais do poder vigente em campos estratégicos, como as escolaspúblicas. Televisores com vídeo cassete começaram a compor o quadro de recursos para ametodologia de ensino. No inicio dos anos 80 as escolas públicas brasileiras começam a utilizá-
  20. 20. 20lo de forma sutil, mas gradativa. Após a redemocratização, no início dos anos 90, as escolasrecebem as inovadoras antenas parabólicas com televisores mais modernos. Desde 1996, oMinistério da Educação distribuiu kits (antena parabólica, TV e videocassete) para escolaspúblicas sintonizarem a programação educativa e em 2011 alcançaram 21 mil escolas, segundo osite do Ministério. O objetivo principal era utilizar a TV Escola como suporte de métodos econteúdos para professores do ensino público. A emissora de iniciativa pública, fundadaespecialmente para a educação, transmite programas de debates, nos quais se discutem as novaspossibilidades de ensino-aprendizagem, e, sobretudo veicula documentário e reportagens dasdiferentes disciplinas, sugerindo planejamentos de aula e interferindo na metodologia, inclusiverepassando toda grade de programação para as escolas. (CHAGAS, Catarina. Revista TV Escola,abril de 2010, p. 32-33). Com o advento da informática, houve uma mudança no modo de processamento deinformação e disseminação de conhecimento. Assim a pioneira TV Escola tornou-se menosutilizada. Para o pedagogo Arnaud Soares de Lima Júnior, “o acesso às redes digitais decomunicação e informação é importante para o funcionamento e o desenvolvimento de qualquerinstituição social, especialmente para a educação que lida diretamente com a formação humana”(1997, p.22). Partindo do pressuposto de que a educação lida com a formação intelectual e social doindividuo, na sociedade globalizada e capitalista, o acesso a essas tecnologias é fundamental paraa inclusão digital, sobretudo considerando as exigências de mercado. Para Manuel Castells (1999) o modo de aplicação dos recursos caracteriza a revolução datecnologia: O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimento e de diapositivos de processamento - comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativa entre a inovação e seu uso. (CASTELLS, 1999. p.50) O argumento de Castells busca evidenciar as mudanças que as tecnologias provocaram demodo geral na sociedade, enfatizando a questão da construção de conhecimento através doacentuado processo de disseminação da informação, mediante o uso dos meios avançados. Apartir deste pressuposto, supõe-se que a escola enquanto espaço de propagação do saber egeração de conhecimento, tende a acompanhar estas tecnologias, para apropriá-las ao processo
  21. 21. 21de ensino-aprendizagem, sem desmerecer, nem subestimar o mais importante na correlação deensinar/aprender: a função do professor e participação do aluno. Segundo Maria Luiza Belloni “modelos pedagógicos foram quebrados, tornando-sedesatualizados frente aos novos meios de armazenamento e difusão da informação”. (BELLONI,2005, p 17). A inserção das TIC nas escolas representa desse modo, uma possibilidade de reduziras desigualdades de acesso, pois alunos de baixa renda passam a ter contato com osequipamentos, com o computador, por exemplo, que fora do ambiente escolar não têm. Assim, apriori, a inclusão digital é um aspecto relevante, enquanto resultado imediato desse processo.Dessa potencialidade do virtual a educação passa a contar com uma poderosa aliada no processode ensino aprendizagem: as tecnologias digitais que, se bem aplicadas, pedagogicamentefalando, além de romperem as barreiras de espaço e tempo como é o caso da EaD. Segundo pesquisa do grupo CIVITA, divulgada no site da Revista Escola 2, realizada em400 escolas públicas do Brasil, a quantidade de aparatos existentes implica no número de acessoàs mídias digitais pelos alunos. As escolas pesquisadas usam variadas tecnologias para finspedagógicos e administrativos. De caráter mais quantitativo do que qualitativo, não aponta dadosrelevantes quanto ao ensino e aprendizagem, pois se trata de uma pesquisa objetiva, o infográficomostra que as escolas estão cada vez mais equipadas. Portanto, não esboça um diagnostico daspráticas pedagógicas com os recursos. A Revista Escola divulgou na sua edição 223, de junho de 2009, uma pesquisa que traçaum panorama quantitativo em relação ao uso das tecnologias nas escolas públicas do Brasil. Em400 escolas públicas pesquisadas verificou que a televisão, o DVD e o computador são nestaordem, os equipamentos mais utilizados como suportes metodológicos. De forma objetiva, oestudo aponta que a quantidade de aparatos nas escolas influencia na maneira da utilização: ondeexistem mais de 20 computadores, verificou-se a realização de tarefas diversas e maiscomplicadas. Abaixo deste número, elaboram-se tarefas mais simples. Onde há menos de 15maquinas disponíveis, são utilizadas basicamente para funções administrativas. A pesquisa também cita, de forma superficial, a questão do acesso à internet em escolaspúblicas, a partir da instalação da chamada banda larga. Segue abaixo, o gráfico descrito edivulgado na citada edição da revista.2 www.revistaescola.abril.com.br
  22. 22. 22 Gráfico: Pesquisa “O mapa da tecnologia” Fonte: www.revistaescola.abril.com.br - Edição 223 | Junho 2009 Deste modo, entende-se que o gráfico da pesquisa expressa uma realidade que se constatana maioria das escolas públicas do país. Mas há um contraste em relação as escolas do Territórioem pesquisa, pois ainda não é oferecida na região, a internet em banda larga para os laboratóriosdas unidades escolares. Vale ressaltar que a pesquisa apresentada é essencialmente quantitativa,por isso não esboça um panorama quanto à maneira pela qual as ferramentas têm sido utilizadasno processo de ensino-aprendizagem.
  23. 23. 23 A fim de aproveitar os recursos existentes, as experiências que estão sendo desenvolvidascaminham nessa direção, de fomentar metodologias adequadas, adaptadas ao contexto das TIC.Através da integração das tecnologias de informação e comunicação ao cotidiano escolar, demodo criativo, competente, planejado, consistente, o docente atua como instigador, adaptando-seao contexto, para fomentar um aprendizado qualificado, reconhecendo os limites e aspossibilidades do uso dos aparatos informatizados. Isso poderá permitir ao aluno explorar novaslinguagens, vivenciando experiências importantes para desenvolver tarefas do cotidiano, segundoos paradigmas exigidos pela sociedade da informação, cada vez mais globalizada, digitalizada. A integração de novas tecnologias nas escolas precisa, reafirmando, enfatizar aimportância do contexto sócio-histórico-cultural em que os alunos vivem, bem como os aspectosafetivos que suas linguagens representam. A tecnologia posta à disposição dos estudantes tem por objetivo desenvolver as possibilidades individuais, tanto cognitivas como estéticas, através das múltiplas utilizações que o docente pode realizar nos espaços de interação grupal. Se nas aulas resolvemos problemas autênticos e não de “brinquedo” isto é, se propomos problemas reais para gerar processos de construção do conhecimento, somos conscientes de que utilizamos as tecnologias que foram transformando as mentes dos estudantes ao longo de sua vida (LITWIN, 1997, p. 10). O desafio então da atual geração de professores é como utilizar essas ferramentas nouniverso escolar e instigar a construção do conhecimento, considerando a multiplicidades desaberes intrínsecos ao sujeito. É importante ressaltar que a ligação inevitável das TIC com aEducação deve ser compreendida e abarcada por disciplinas múltiplas, na busca de construção deconhecimentos diversificados, e não menos relevante, para a formação pessoal e intelectual doindividuo. Estamos diante de uma bela demonstração de que a modernização da educação é séria demais para ser tratada somente por técnicos. É um caminho interdisciplinar e a aliança da tecnologia com o humanismo é indispensável para criar uma real transformação. (...) Em síntese, só terá sentido a incorporação de tecnologia na educação como na escola, se forem mantidos os princípios universais que regem a busca do processo de humanização, característico caminho feito pelo homem até então (RENATO, 1997, p.05). Deste modo, o uso das TIC como ferramentas de mediação pedagógica, abarca umdinamismo, inovação e poder de comunicação até agora pouco utilizados. Porém, essas sãosuposições de um cenário pouco notório. A educação pública ainda demanda conceber e
  24. 24. 24vislumbrar essa realidade. O professor pode assim estar mais próximo dos alunos, receberemmensagens via e-mail com dúvidas, passar informações complementares para os alunos, adaptara aula para o ritmo de cada um. Portanto, entende-se que o compromisso do professor é com o desenvolvimento humanopara a vida em área profissional e social, portanto sua mediação deve explorar os recursospresentes nessa realidade para que o indivíduo saiba utilizá-los de maneira consciente, ética,crítica e progressiva a fim de exercer efetiva participação em seu meio. Por isso é importantebuscar um método que não comprometa o aprendizado, e para não deixar o aluno se acomodarno uso destes meios ao ponto de inibir o desenvolvimento de habilidades. Compete aos docentesperceber os limites das TIC, incrementando-as conforme as competências individuais e coletivasdos alunos. Para tanto é primordial a ação do Estado na medida em que precisa oferecer suportetécnico para as escolas públicas.2.2.1 O papel do Estado. No âmbito das escolas publicas dos municípios de Conceição do Coité e São Domingos,o impacto proporcionado pelos investimentos estaduais na “modernização da educação” trouxeuma nova perspectiva ao processo de ensino e de aprendizagem. Para as escolas, este incrementonas tecnologias informáticas vem permitindo a busca e acesso rápido à informação, além deservir como um meio de representação do conhecimento. Contudo, talvez uma perspectiva muitootimista a respeito da incorporação da TIC nas escolas públicas, deixou de considerar asdificuldades suscitadas neste processo de implementação, que dizem respeito às condiçõesestruturais da escola e à formação docente, o que exige investimentos significativos etransformações profundas e radicais em espaços físicos escolar; formação de professores;pesquisa voltada para metodologias de ensino; modos de seleção, aquisição e acessibilidade deequipamentos; materiais didáticos e pedagógicos, além de muita criatividade. Netto (1987) pressupõe que a utilização generalizada da tecnologia nas escolas dependerádo treinamento dos professores, tanto no uso como na produção de bons materiais curriculares.Como forma de intervir no processo de melhoria da qualidade da educação, as políticas deInformática Educativa foram inseridas a partir de 1997 nas escolas públicas da Bahia. (BRASIL,2007, p.39) Em atendimento a estas políticas, diversos cursos têm sido oferecidos, em âmbito
  25. 25. 25estadual ou mesmo federal, aos professores da rede pública. As capacitações e qualificações emserviço em cursos de formação continuada têm sido implementadas visando promover apreparação destes profissionais para atuar com os ambientes tecnológicos de aprendizagem. Umexemplo é o Programa Mídias na Educação, desenvolvido pela Secretaria de Educação aDistancia do Ministério da Educação, com o objetivo de proporcionar formação a distancia, comestrutura modular, voltada a professores da educação básica, para o uso pedagógico dasdiferentes tecnologias da informação e da comunicação. A Secretária de Educação da Bahia oferece, em parceria com Instituto Anísio Teixeira(IAT), curso de preparação para uso das TIC. Apesar disso, muitos professores não participam,principalmente pela localização centralizada dos pólos das DIREC. Com vistas à inserção dosrecursos tecnológicos propiciados pelas TIC na escola, mostrou-se relevante no campoeducacional, acentuando os desafios da geração atual de professores e dos gestores da educação. Compreender as diferentes formas de representação e comunicação propiciadas pelas tecnologias disponíveis na escola bem como criar dinâmicas que permitam estabelecer o diálogo entre as formas de linguagem das mídias são desafios para a educação atual que requerem o desenvolvimento de programas de formação continuada de professores (BRASIL, 2007, p. 40). É considerável a responsabilidade dos sistemas educativos em relação ao desafio deformar os educadores para o fomento de disciplinas que são as ciências da informação ecomunicação. O Estado vem promovendo ações de formação e treinamentos para docentes, mascom deficiências notáveis, como aparatos defeituosos e sem a preparação eficiente. A Secretaria de Educação do Estado distribuiu às unidades escolares as TVs PENDRIVES. Trata-se de um monitor adaptado com entrada de USB e cartão de memória. Com apossibilidade de passar vídeos, slides, fotos, as apresentações de seminários, aulas podem ou nãose tornar mais dinâmicas e interessantes, tanto para alunos quanto para professores. Mas osprofessores têm reclamado dos freqüentes defeitos destes aparelhos, fato que os obriga a recorrera outras ferramentas, ou ao método tradicional. Além disso, em alguns casos os equipamentosficam trancados, longe do manuseio de alunos e professores. Para que a disseminação das tecnologias nas escolas públicas brasileiras aconteçaefetivamente, o Governo Federal vem distribuindo computadores para algumas escolas atravésdo Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo). Os Núcleos de TecnologiaEducacional (NTE), ligados ao Instituto Anisio Teixeira, prevê a formação dos professores para
  26. 26. 26a utilização das TIC nas escolas. Ações conjuntas dos governos Federal e Estadual, através deprogramas como o PROINFO, têm implantado nas escolas da rede pública salas de informáticacom acesso à internet. Entre as tecnologias da comunicação, o computador aparece com ênfase, pois permite arealização de tarefas interdisciplinares. É sem dúvida uma ferramenta muito importante,indispensável na metodologia pedagógica contemporânea e no processo do ensino-aprendizagem, neste novo século. Silva (2010), em recente pesquisa, abordou as implicações do uso das tecnologias dainformação e comunicação para a aprendizagem de alunos do ensino médio de uma escola darede pública estadual de Salvador. O estudo apontou que a maioria dos docentes entrevistados jáhavia participado de cursos para uso pedagógico do computador e da internet. Por outro lado,também a maioria deles informou não fazer uso destes recursos na escola, devido à falta decondições estruturais do laboratório de informática (equipamentos com defeitos, falta de conexãoa internet, entre outras questões) ou mesmo por sentirem ainda grandes dificuldades para autilização principalmente do computador e seus softwares. A aquisição de ferramentas pelas escolas como computadores, DVDs, rádios, televisores,maquinas fotográficas, projetores, não significa, a priori, que as instituições estão desenvolvendoa aprendizagem adequada aos meios. Os programas têm sido importantes, mas não basta montarsalas com computadores modernos e com acesso a internet sem professores capacitados para estautilização. Evidentemente, a simples introdução de um suporte tecnológico não significa inovação educacional. Esta só ocorrerá quando houver transformação nas metodologias de ensino e nas próprias finalidades de educação. (BELLON, I 2005, p.89) A apropriação das TIC por parte dos professores deve estar apoiada em um material queinstigue e o ajude a apropriar-se das mesmas. Mas esta apropriação não é passível de umasimples leitura; para que os professores realmente assimilem esta forma de produção deconhecimento. Atrelada a esta concepção de mudança do paradigma está a compreensão de que o papel do profissional de educação na atualidade é o de estimular os alunos a aprenderem a buscar e selecionar as fontes de informações disponíveis para a construção do conhecimento, analisando-as e reelaborando-as (PIMENTEL, 2007, p.37)
  27. 27. 27 No entanto é importante ratificar que o foco recai, em especial, na constatação de quemuitos dos profissionais que hoje atuam na docência, em escolas públicas de educação básica,não foram preparados para os constantes avanços tecnológicos que se vivencia nos temposatuais.2.2.2 Contexto regional no campo da Educação. Esta pesquisa se desenvolve, tendo como objeto empírico de investigação o Território do Sisal da Bahia, especificamente através dos municípios de Conceição do Coité e São Domingos, semi-árido do estado. O município de Conceição do Coité está localizado na zona fisiológica do nordeste, na Microrregião de Serrinha e Mesorregião Nordeste Baiano. Situado a 240 km da capital baiana, tem uma população estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010, de 62.042 habitantes. Limita-se em Serrinha (ao sul), Retirolândia (ao norte), Araci (ao leste). Riachão do Jacuipe (ao oeste), Ichu (ao sudeste), e Santa Luz (a noroeste). No setor educacional o município conta com escolas de 1º e 2º graus, públicas eparticulares, além da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e faculdades particulares (FTC,UNOPAR). A rede estadual de ensino é coordenada por Diretorias Regionais de Educação(DIREC), estando às escolas de Coité sob gerência da DIREC 12, com sede em Serrinha. Osparâmetros curriculares, as logísticas de direção e os projetos pedagógicos seguem o padrão dasescolas do Estado da Bahia. O município obteve a nota 3.2 do IDEB (Índice deDesenvolvimento da Educação Básica) do ano de 2009 nas escolas da rede municipal no ensinofundamental, da 1ª a 4ª séries, tendo ultrapassado a meta de 3.0. Nos ensinos da 5ª a 8ª séries,pertencentes à rede estadual, o município alcançou o índice de 2.9, enquanto que a meta era de3.1. Já São Domingos, também localizado no nordeste Baiano, na região sisaleira, namicrorregião de Serrinha. Está situado próximo de Valente, Conceição do Coité, Retirolândia,Gavião, Nova Fátima, Riachão do Jacuípe, Santa luz, e distante da capital em 234 km. Segundoo IBGE, em 2010 o município teve uma população estimada em 9.195 habitantes. O município
  28. 28. 28superou mais uma vez as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação relativas ao IDEB,calculado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), através decritérios que levam em conta a aprovação, reprovação, evasão escolar e desempenho dos alunosde 4ª e 8ª séries do ensino fundamental na Prova Brasil. Em São Domingos não há curso deensino superior. O índice atingido pelo sistema municipal de ensino nas séries iniciais - 1ª a 4ª série -passou de 3,9 em 2007 para 4,3 em 2009, superando a meta de 3,4 estabelecida pelo MEC etambém a média da Bahia. No entanto, foi nas séries finais do ensino fundamental - 5ª a 8ª série– que o município conquistou o maior avanço, passando de 3,4 para 4,4, superando a meta e asmédias estadual e nacional, o que fez São Domingos se destacar na 3ª posição entre os melhoressistemas de educação municipal do estado da Bahia. As escolas do Território têm sido equipadas com aparatos tecnológicos tais como, TV pendrive, aparelhos de DVD, retroprojetor, computador, câmara digital fotográfica, data show, entreoutros equipamentos tecnológicos. Porém, especificamente em escolas dos dois municípiosanalisados, há um déficit no que tange a preparação técnica dos docentes para o uso das TIC nasala de aula. O problema consiste nas condições materiais e técnicas, além da falta de preparodos professores para esta tarefa. A DIREC 12 oferece em parceria com o IAT, cursos detreinamentos para uso das TIC. Mas pelo fato do difícil acesso e a localização centralizada dasDIREC, onde acontecem esses treinamentos os docentes estão poucos se preparando para estenovo cenário com a isenção das TIC. Apesar da falta de preparação dos docentes, percebe-se quecada vez mais as tecnologias têm sido usadas para fins pedagógicos nestas escolas. Ainda não hápesquisas concretas a cerca dos efeitos das TIC no ensino aprendizagem nessa região, mas deforma geral, nota-se que há certa motivação por parte dos alunos e dos professores em aprender. Considerando que o aprendizado se dá forma dialógica, partindo da premissa freiriana, asTIC têm sido primordiais neste processo, uma vez que estabelecem uma relação interativa entreeducador e educando, essencial no ensino-aprendizagem, sendo explorada como suporte nesseprocesso. Para centralizar a pesquisa, três escolas dos citados municípios foram selecionadas.2.2.2.1 Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido
  29. 29. 29 O Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido (CEEPS3) está localizado emSão Domingos, pequena cidade do interior da Bahia a cerca de 240 km de Salvador. Trata-se de uma unidade escolar de Porte Especial, pois é o único colégio da região doSisal que possui o ensino técnico, profissional direcionado a alunos do segundo grau. Segundo odiretor do CEEPS, Crispim Silva, a implantação da unidade no município de São Domingosbusca articular a educação profissional de forma inovadora com a educação básica, proposta estade uma educação atual integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e àtecnologia, conduzindo a um processo permanente do desenvolvimento de aptidões para a vidaprodutiva na perspectiva do exercício pleno da cidadania. O público atendido pelo Centro Estadual de Educação Profissional faz parte dosTerritórios de Identidade do Sisal e da Bacia do Jacuipe, sendo nove municípios contemplados:São Domingos, Valente, Retirolândia, Conceição do Coité, Santaluz, Gavião, Barreiros (distritode Riachão do Jacuípe) e Nova Fátima. Uma boa parcela dos alunos é oriunda da zona rural. Afaixa etária vai dos quinze aos vinte e cinco anos, totalizando 410 alunos, distribuídos nos trêsturnos. O motivo da escolha do CEEPS para integrar esta pesquisa se deve ao fato de o mesmocontribuir com o desenvolvimento social, econômico e ambiental, bem como, a interação daeducação profissional com o mundo do trabalho e o incentivo à inovação e desenvolvimentocientífico- tecnológico de uma das regiões mais carentes do país, a região do semiárido. Alémdisso, o CEEPS organiza seus cursos em torno de eixos de formação, sendo um deles o eixo“Comunicação e Informação”, que contempla, dentre outros, o curso de Técnico em Informática. No Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido, diretores, coordenação,professores e alunos compartilham a busca de alternativas para enfrentar os problemas e tornarviável a integração das TIC aos espaços da escola. Para o uso das tecnologias pelos alunos, oCEEPS conta com vinte e cinco professores, um diretor, dois vice-diretores e três outrosfuncionários que fazem parte da coordenação.3 O CEEPS foi instituído no âmbito do Sistema Público Estadual de Ensino pelo Decreto nº 11.355 de 04 dedezembro de 2008 e Portaria de Criação 8.677/09 - Diário Oficial de 17 de Abril de 2009.
  30. 30. 30 Na parte Administrativa o CEEPS conta com oito computadores sendo sete com internet,no laboratório de informática são vinte e duas maquinas todas com internet, espaço esse queacaba sendo o mais utilizado pelos alunos. O Centro Estadual também possui em seu aparato deequipamentos que fazem parte das TIC recursos educacionais como: dois aparelhos de TV, trêsaparelhos de som (micro sistem), duas caixas amplificadas de som com microfone, umretroprojetor, um notebook, duas câmeras fotográficas, uma câmera filmadora, cinco aparelho deDVD e sete TVs pendrive que são fixas nas salas de aulas. É importante salientar que, segundo o diretor do colégio, desde que esses equipamentoschegaram ao CEEPS, em 2009, nunca passaram por manutenção e alguns se encontram comdefeito e em péssimo estado de conservação. Quanto à preparação dos docentes em relação aouso das TIC, alguns professores foram capacitados pelo Programa Mídias na Educação,oferecido pela SEC – BA.2.2.2.2. Colégio Estadual João Carneiro O colégio Estadual João Carneiro, situado no povoado de Vila Carneiro, município deConceição do Coité – BA é uma unidade de médio porte e está bem equipada com recursostecnológicos. Pelo fato de um dos autores desta pesquisa conhecer a realidade desta unidade, uma vezque estudou todo o ensino fundamental e atualmente trabalha na função de auxiliar de secretario.Fundado em 1987, no Colégio há três modalidades de ensino: Fundamental, Médio e Ensino deJovens e Adultos. Há um total de 143 alunos, divididos nos turnos vespertino (65) e noturno(76). Doze professores lecionam nesta Unidade. Desde 2009 a Escola começou a se equipar comferramentas tecnologias, como a implantação do laboratório de informática através do GovernoEletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão - GESAC - um programa de inclusão digital doGoverno Federal, coordenado pelo Ministério das Comunicações – através do Departamento deServiços de Inclusão Digital, que atende a população com baixo índice de IDH, e onde nãointernet banda larga. Também adquiriu um retroprojetor digital (data show), em cada sala há umaTv com entrada para pendrive, há DVD e TV para passar filmes, câmara digital fotográfica,caixa de som amplificada. Os professores não são treinados para lidar com as TICs, apesar de
  31. 31. 31haver curso para tal finalidade na cidade de Serrinha, oferecido pela DIREC, através do NTE –(Núcleo de Tecnologia) em parceria com o IAT (Instituto Anisio Teixeira) Os equipamentos recebem manutenção quando necessário e, segundo a direção da escola,apresentam bom estado de conservação. Na grade curricular há a disciplina Ciência eTecnologia, que aborda conteúdo inerente as tecnologias, inclusive as da informação e dacomunicação.2.2.2.3 Colégio Estadual José ferreira Fundado em 1983, o Colégio Estadual José Ferreira está situado na rua Felipe dos Santos,em Salgadália, Conceição do Coité - BA. Nesta Unidade são oferecidos os ensinos Fundamental,Médio e Ensino de Jovens Adultos. Há um total de 295 alunos, na faixa etária de 10 a 65 anos.São 26 professores que lecionam neste Colégio, que desde 2008 começou a se equipar com asTIC, com a implantação de laboratório de informática. O motivo da escolha é pelo fato doColégio ter oferecido, até ano de 2010, o curso de Magistério, formação de professores, etambém por se encontrar equipado. No Colégio há os seguintes equipamentos: DVD, TV, TVs pen drive, câmara digital,retroprojetor e datashow, utilizados com freqüência pelos professores e alunos de formacomplementar as tarefas das disciplinas. Conforme apuramos na visita prévia os docentes nãorecebem treinamento para uso e aplicação dos meios nas salas de aula. Com auxilio do professorde Informática, os professores planejam suas aulas com antecedência para aplicar os ferramentaisnas metodologias. Os equipamentos recebem regularmente a manutenção técnica, contratadopela SEC. Tal como as Unidades Estaduais, há a disciplina Ciência e Tecnologia, cuja demandaconteúdos de uso das TIC.
  32. 32. 323. VÍDEO DOCUMENTÁRIO: Conceito, Linguagem, Técnica. Está pesquisa de TCC é idealizada através de um produto audiovisual: um documentário,pois na condição de estudantes de Comunicação, é interessante para aprimorar os conhecimentospráticos sobre vídeo, para retratar, mesmo que seja um resumo de uma dada realidade, o contextodas escolas públicas do semiárido baiano no que diz respeito a inserção da TIC para finspedagógicos.Por isso, este capitulo trata de vídeo e aborda as conceituações teóricas acerca dedocumentário, considerando fatores relevantes que envolvem a produção audiovisual, tais comoconceitos, estilos, linguagem, técnica e a implicância sócio-cultural. Para tanto é interessante enecessário abordar a partir de referenciais acerca do vídeo para embasar a discussão proposta nodecorrer deste capitulo. Em seguida recorrer a autores que enaltecem o potencial de vídeodocumentário, apresentando estilos e técnicas de produção que constituem a linguagemaudiovisual.3.1. CONCEITOS O surgimento do termo documentário está creditado ao escocês John Grierson4 pioneirono estudo do documentarismo e criador da escola britânica de documentários, conhecida como aprimeira no mundo a se dedicar ao estudo do assunto. Robert Flaherty, precursor dodocumentário, com o filme longa metragem “Nanook, o esquimó” em 1922, priorizava aexploração de temas antropológicos nas suas históricas produções, um modo de produzir que seconvencionou como Cinema Direto. Mas Grierson não acreditava na abordagem “exótica”,etnográfica e propôs a aproximação com o mundo que está à sua volta, em meio aos problemaseconômicos e sociais, inaugurando assim a corrente chamada Cinema Verdade. Embora os diretores, produtores e cineastas, notavelmente, venham buscando desde asprimeiras produções do documentarismo “retratar” a realidade por meio da representação, não4 John Grierson é considerado um dos principais nomes da história dos primórdios do documentário. Foi o fundadorda escola inglesa de documentário, na época em que trabalhou no Empire Marketing Board, agência governamental.Tal escola foi responsável pela afirmação institucional do gênero ao lançar as bases para o que hoje se denominadocumentário clássico.
  33. 33. 33chegaram a uma concepção para o termo documentário. Por isso, estudiosos são unânimes aoafirmar que não há um conceito fechado. Uma produção de vídeo documentário contextualiza uma dada realidade através darepresentação, e não de uma reprodução da mesma. Representa uma visão de mundo, segundo aperspectiva do realizador. O documentário busca, como o nome sugere documentar ourepresentar o mundo histórico sob uma perspectiva conveniente e/ou uma proposta artística,baseada nas convicções políticas acerca de um determinado tema, e nos contextos culturais esociais dos sujeitos. Para Sheila Curran Bernard (2008), O documentário é um discurso de auto-expressão, como romances, canções ou pinturas, podendo ser criado em diferentes formatos. Quando bem formulado, é um instrumento que, de certa forma, compensa o descompasso entre culturas ou expõe realidades desconhecidas. E, apesar de muitas vezes promover entretenimento, o conteúdo deve possuir um caráter inspirador, motivador e educacional (BERNARD, 2008, p.153). O avanço tecnológico implicou em inovações técnicas no vídeo, e interferiu na maneirade se produzir, logo nas concepções. Embora essas tecnologias sejam influentes em taismudanças, é relevante ponderar, na medida em que os aspectos históricos, políticos, sociais eculturais modelam os estilos, as linguagens e as abordagens dos documentários contemporâneos.Os diferentes conceitos inerentes se modificaram e se adaptaram conforme tais transformações.Assim uma definição apenas não abarca os filmes considerados documentários. Segundo Ramos (2008, p.21), “o conceito de documentário confunde-se com a formaestilística da narrativa documentária em seu modo clássico, provocando confusão”. Isso ocorredevido à generalização. O modo clássico pode ser resumido nas seguintes característicasestruturais: fusão de música e ruídos, montagem rítmica e narração em voz off, a chamada “vozde Deus”. Sua função era, a priori, educativa e social, com objetivo de formar a opinião pública. As produções contemporâneas incrementaram novos estilos, diferentes linguagens enarrativas, na medida em que os aparatos técnicos mais modernos implicaram em tais avanços,da mesma maneira que os aspectos econômicos, políticos e sócio-culturais. Partindo de suas formulações conceituais, Bill Nichols classificou os documentários emseis categorias: poético, expositivo, observativo, participativo, reflexivo e performático. O autoradota o critério do “estilo” para diferenciar os tipos de documentários: “como toda voz que fala,
  34. 34. 34a voz fílmica tem um estilo ou „natureza‟ própria, que funciona como uma assinatura ouimpressão digital” NICHOLS (2005, p. 135) Segundo Nichols, cada cineasta tem uma peculiaridade ao produzir um filme. Sendoassim, classifica os documentários baseado na idéia de que a maneira pela qual o realizadorconstrói a narrativa e constitui a voz fílmica apresenta certas distinções, gerando diferenciaçõesem relação aos demais modos. Mas pondera que há uma predominância de um modo, numacomposição que agrega diferentes estilos, já que “nem todos os documentários exibem umconjunto de características comuns (...). Abordagens alternativas são constantemente tentadas e,em seguida, adotadas por outros cineastas”, NICHOLS (2005, p.48) A classificação é explicada dessa forma: o documentário poético reúne fragmentos domundo de modo poético e teve evidencia nos anos 1920. Já o expositivo trata diretamente dequestões do mundo histórico, tendo característica didática como marca. O tipo observativo, comênfase nos anos 1960, evita o comentário e a encenação, observa os eventos. O modoparticipativo, por sua vez, entrevista os participantes ou interage com eles. Usa imagens dearquivo e pode ser invasivo demasiadamente. O reflexivo tem como característica marcantequestionar as demais formas de produção audiovisual, com predomínio nos anos 1980. Efinalmente, o performático, que enfatiza aspectos subjetivos de um discurso classicamenteobjetivo. Os documentários estão em constante modificação, através de experiências inovadoras,sejam adotadas ou não como paradigmas. Assim, entende-se que o vídeo estabelece ligaçõesentre os assuntos retratados e o mundo em que os espectadores estão inseridos, através de umaconexão entre imagem e som, como afirma Ramos: Documentário é uma representação narrativa que estabelece inserções com imagens e sons, utilizando-se das formas habituais de linguagem falada ou escrita, ruídos ou musica. As imagens predominantes na narrativa documentária possuem a mediação da câmara, fazendo assim que as asserções faladas sejam flexionadas pelo peso do mundo. RAMOS (2008, p.23) Os recursos técnicos utilizados contribuem para a formação da narrativa, mas o discursomoldado pela historicidade dos sujeitos, pelos contextos sociais, culturais e políticos, éprimordial para a mensagem que se pretende passar, mediados pela lente da câmara, que simulade forma alusiva (metáfora) a visão de mundo do realizador.
  35. 35. 35 No documentário há o entrelaçamento de histórias. Como atesta Nichols (2005, p.93)“para cada documentário, há pelo menos três histórias que se entrelaçam: a do cineasta, a dofilme e a do público”. O cineasta deixa sua marca pela proposta de arte, pelas convicçõespolíticas, pela visão social, mediante o seu contexto cultural. Segundo o autor, NICHOLS (2005,p.72) “os documentários representam questões, aspectos, características e problemas encontradosno mundo histórico, pode-se dizer que falam desse mundo por meio de sons como de imagens”.Ou seja, constitui e apresenta uma questão discursiva. Assim, a construção do discurso se dá poruma “voz”, que transmite um ponto de vista, mostra um argumento, para tentar convencer,persuadir. O próprio filme é carregado de significados intrínsecos, mas complementados peloreceptor, que por sua vez, interpreta a mensagem, sabendo que vem de algum lugar e de alguém.Esta relação constitui a narrativa fílmica. Por isso o público tende a perceber a linguagem e odiscurso através de um conhecimento antecipado. O autor explica: “cada expectador chega a novas experiências, como a de assistir a umfilme, com pontos de vista e motivações baseadas em experiências prévias, NICHOLS (2005,p.26)”. Por isso o publico vai absorver o conteúdo conforme seu conhecimento, podendo seconvencer ou não pela retórica, tecer críticas, questionar, analisar, compreender as metáforas e aalusões, adquirir novos conhecimentos. A complexidade de conceituação se reduz na medida emque se estabelece a interação discursiva entre as três histórias, pontuadas pelo autor, pois assim aexplicação para documentário se torna mais compreensível. Cineastas, estudiosos, pesquisadores, estudantes têm diferentes concepções para formularum conceito, mas de certa forma, suas considerações se complementam. Portanto, com base naspremissas apontadas, mesmo considerando que não há um conceito convencional, nem apenasuma definição, em síntese, pode-se afirmar genericamente: documentário é uma representaçãoparcial e subjetiva do mundo histórico, um fragmento temporal e espacial de uma realidaderegistrada pela câmera, partindo da perspectiva de quem o produz, considerando que osignificado do vídeo será complementado tanto pelo próprio filme, quanto pelo receptor.3.2. LINGUAGEM SOCIAL DO VÍDEO
  36. 36. 36 Enquanto meio que representa o mundo histórico, o documentário é dotado, de formaacentuada, de uma linguagem social. A Escola Griersoniana defende a tese de que odocumentário tem um potencial educacional sobre as “massas”, podendo contribuir para adiscussão acerca de problemas econômicos, sociais ou políticos através da conscientização daspessoas a respeito de suas responsabilidades como cidadãos. Partindo desta afirmativa, subentende-se que o vídeo documentário pode possibilitar aopublico, (re) conhecer uma dada realidade, refletir sobre a mesma e adotar respaldo para umadiscussão que interesse a coletividade, na medida em que carrega o potencial de expressar ocontexto social, político e cultural da sociedade, mesmo sob um ponto vista socialmenteconstruído, regado de ideologias e convicções políticas associado a uma estética fílmica. O sistema capitalista implicou mudanças importantes na sociedade pelo viés dos meios decomunicação de massa, incrementando novos princípios, ditando normas de consumo,interferindo nos costumes e nas relações sócio-econômicas. Sendo assim, faz-se necessárioressaltar, neste contexto, a relação entre arte, entretenimento e sociedade com a indústriacultural, termo primariamente utilizado pelo filósofo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno5,para designar a sociedade onde tudo se torna negocio. As produções culturais, antes empregadasao lazer, são exploradas para fins comerciais de forma sistemática. Para Adorno, o homem não passa de mero aparelho de trabalho e de consumo. Então oprocesso de individualismo gerado deste contexto, tornou o homem tão bem manipulado que atémesmo o seu lazer virou uma extensão do trabalho, segundo o pensador. A televisão e o cinema são historicamente instrumentos da indústria cultural. Desde oinicio do século XX, quando a produção cinematográfica começava a se expandir, cada vez maisapreciadas pela burguesia e depois pela plebe, os produtores perceberam a força de influencia docinema. Durante a crise de 1929, os filmes de Hollywood já enalteciam a questão do patriotismoe a abordagem política, enfatizando as medidas do poder vigente para contornar a situaçãoeconômica adversa. Charles Chaplin, o ícone do cinema mudo e gênio da teledramaturgiacriticou o capitalismo, a exploração da mão de obra, com o clássico “Tempos Modernos” (1936).5 Foi um filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos expoentes da chamada Escola deFrankfurt.
  37. 37. 37Porém, os alemães são pioneiros na utilização do cinema como um meio formador de opiniãopública. Os nazistas disseminaram a ideologia (racista) ariana, apontando Hitler como um líder eherói, enquanto que judeus, negros, analfabetos eram os vilões da humanidade. O crescimentopolítico do partido nazista deveu-se a intensa utilização do cinema. O ministro da Propaganda deHitler, Goebbels, considerava o meio mais moderno de influenciar a população na época. Outrosgovernos totalitários usaram o cinema para propaganda ideológica, como o fascismo estalinismo. Nos anos 1970 e 1980, alguns filmes contestavam as ditaduras implantadas na América ena Europa, com uma narrativa politizada. No Brasil, na mesma época, além de censurar os filmes“subversivos”, o regime militar usou a linguagem televisiva para manter a “ordem vigente”, sobo lema de integração e segurança nacional, através de programas como o Telecurso, pautadonuma pedagogia conservadora, pregando os valores da “moralidade civil”. Segundo Laurindo Leal Filho (1988, p.33) depois do golpe militar e da implantação deuma política de controle dos meios de comunicação, o governo autoritário articulava aapropriação da televisão para fins políticos: Se Vargas soube usar com eficiência o rádio e o cinema para subordinar as oligarquias regionais ao seu projeto, os generais de 64 vão montar uma sofisticada rede de telecomunicações capaz de servir como um dos principais sustentáculos para sua política autoritária e centralizada (FILHO 1988, p. 31 e 32) A popularização da televisão potencializou a influência do vídeo na sociedadeconsumista. Os costumes, os comportamentos, a escolha de determinadas marcas começaram asofrer implicância da televisão. Segundo Arlindo Machado (2000), a televisão é um meioparadoxal, pois pode ser tanto perigoso quanto indispensável para a sociedade, tanto servir demeio de alienação quanto de educação nacional. Para o autor, o caráter coletivo da televisãopoderia ser utilizado para o convite à mobilização e participação na sociedade em torno de uminteresse comum e acrescenta que para haver qualidade nesse meio de comunicação de massa épreciso valorizar a produção de “programas e fluxos televisuais que valorizem as diferenças, asindividualidades, as minorias, os excluídos, em vez de a integração nacional e o estímulo aoconsumo (MACHADO, 2000, p.25). As produções audiovisuais, atualmente, são na maioria realizadas para abastecer omercado cinematográfico. Mas, há exceções, como os vídeos institucionais ou aqueles usados
  38. 38. 38pelo Estado para propaganda política, embora mais discreta do que nas primeiras décadas doséculo XX, em épocas de guerra. Há também os vídeos com os propósitos educativos e culturais,nos quais se percebe o autêntico papel social do filme, seja televisivo ou de cinema. Mediante as novas possibilidades de reprodução e disseminação através de softwares deregravação, da internet (download) e dos dispositivos móveis (celular, smartphone, pen drive),conteúdos audiovisuais podem ser acessados com facilidade, sem custo direto, em detrimento àlógica mercadológica. Entretanto, o consumismo inevitavelmente se acentua, mediante a relaçãoarte, entretenimento e sociedade capitalista. A linguagem e a narrativa do vídeo são constituídas com a contribuição de técnicasfundamentais na produção audiovisual.3.3. TÉCNICAS – IMAGENS E SONS O registro, a organização e a relação entre o som e a imagem com o conteúdo são pontosfundamentais na produção de um documentário, pois a forma em que os mesmos são captados,organizados já deixa implícito o ponto de vista do autor, que dar-se inicio a partir da escolha dotema. Para uma boa produção faz-se necessário recorrer a procedimentos, recursos que irãonortear e contribuir com o vídeo. A imagem (enquadramentos, movimento de câmeras,angulação) e o som (trilha sonora, som ambiente, silêncio, etc.).3.3.1. Imagens Desde os primórdios das civilizações, o homem usava a imagem como representação parase comunicar, através de pinturas nas pedras. Após muitos anos desenvolveu a prática dedesenhar e pintar em tecidos e papéis. Bem mais recente, com a descoberta da fotografia surgiuuma nova forma de reproduzir figuras. Com a invenção e fomento da eletricidade surgiramequipamentos capazes de gravar e armazenar o som e as imagens em movimentos: a câmerafilmadora. Assim inventou-se o vídeo. Para realização de uma produção audiovisual é necessárioempregar algumas técnicas principais.
  39. 39. 393.3.2. Enquadramento É a ação de enquadrar uma imagem, dando-lhe a dimensão exata de como ela seráapresentada aos espectadores na tela. Determinar o enquadramento significa pensar sobre qualárea vai aparecer na cena e qual o ponto de vista mais indicado para que a ação seja registrada. Oenquadramento pode reforçar sentimentos e intenções da cena. O tamanho da figura humana dentro do quadro serve como referencial para aclassificação dos planos em se tratando do tipo de enquadramento. Santos (1993, p. 24-27)classifica os planos cinematográficos em oito tipos, que vão desde planos que retratam oambiente, ate os que valorizam a ações dos personagens. O plano geral (PG) abrange uma vasta e distante porção de espaço, como uma paisagem.Os personagens, quando presentes no PG, normalmente não são identificados na tela. O PG podeser um conjunto de casas, uma cena geral e aberta das ruas de uma cidade, um grande campopara agricultura e outras cenas de iguais proporções. Este plano serve para contextualizar o localonde se passa a historia; O plano conjunto (PC) é um pouco mais fechado, pode mostrar umgrupo de personagens, já reconhecíveis, e o ambiente em que se encontram. Assim como noPlano Geral, este plano serve para contextualizar o local onde ocorrerá todo o resto da cena,como também para mostrar quais personagens participam dela; Plano médio (PM) é um planomuito utilizado no jornalismo televisivo. O sujeito aparece da cintura para cima, o ambientesurge, mas não é o foco e caracteriza-se fundamentalmente pela ação da parte superior do corpo.É um intermédio entre a ação e a expressão. Um plano médio mais aberto pode serconsiderado plano americano (PA) que é bastante utilizado no cinema e vídeo, pois enquadra opersonagem dos joelhos para cima. Facilita a visualização da movimentação e reconhecimentodos personagens. Já o primeiro plano (PP) costuma enquadrar os personagens do busto para cimadando destaque ao semblante do sujeito, registrando a emoção, a fisionomia, dirigindo a atençãodo espectador. O primeiríssimo plano (PPP) enquadra apenas o rosto, objetos ou qualquer outraparte do corpo, nele a ação não é percebida, mas o espectador percebe a emoção da personagem.Por fim o plano detalhe (PD) que enquadra e destaca partes do corpo (um olho, uma mão) ouobjetos (um lápis sobre a mesa).
  40. 40. 40 Apesar da importância, os planos não são rigorosamente fixados por padrões e medidasexatas. Permitem sim variações, que serão definidas pelo equilíbrio entre os elementos do quadroe pelo bom senso do cinegrafista, pois ele é o será o responsável da escolha do melhorenquadramento.3.3.3. Movimento de câmera Diversas técnicas de filmagem são utilizadas e intercaladas em um filme. É dever de odiretor escolher quando e como as câmeras devem realizar movimentos. Os movimentos de câmera são ações executadas com uma câmera cinematográfica ou devídeo através de trilhos, gruas e outros mecanismos para dar mais dinamicidade aoenquadramento de uma cena ou acompanhar uma ação de personagens de um filme ou vídeo. A câmera pode realizar todos os movimentos que se deseje, porem eles devem ter ummotivo e uma intenção. Uma cena pode pedir ou não determinado movimento. O movimentopode unir, separar, revelar ou esconder algo. Pode também acelerar ou não uma cena. Santos(1993) afirma que só existem dois movimentos de câmera: O Travelling é o movimento físico da câmera que pode acompanhar o movimento dapersonagem ou de alguma coisa que se move à mesma velocidade, podendo ser para frente (in),para trás (out), para cima, para baixo, para os lados ou combinado. O outro tipo de movimento de câmera, chamado de Panorâmica ou Pan, é o movimentode câmera a partir de uma posição fixa. A pan possui a rotação da câmera em torno de seu eixohorizontal (para cima e para baixo) ou vertical (para um ou outro lado). Costuma ser empregadopara mostrar o ambiente ou acompanhar o movimento de um personagem ou veículo. Osmanuais de vídeo recomendam que a pan deva ser uniforme e ter a mesma velocidade doprincípio ao fim. O início e o fim do movimento devem ser estudados antecipadamentedefinindo-se corretamente o enquadramento nas duas pontas. Santos (1993, p. 35) coloca ainda um movimento de objetiva chamado de Zoom. Nele avariação se dá pela angulação de visão da objetiva de um enquadramento mais aberto para ummais fechado (ZOOM IN) ou o contrário, de um enquadramento mais fechado para um maisaberto (ZOOM OUT).
  41. 41. 413.3.4. Angulação Os ângulos de visão são determinados pela posição da câmera em relação ao assuntotratado. A depender da intencionalidade que se tem ao produzir um vídeo, a angulação da câmerapode influenciar para intensificar o conteúdo da cena. Santos (1993, p. 64) apresenta três ângulosdiferentes: Câmera Normal é a posição mais comum em que se aponta a câmera para a cenanuma superfície plana; Na Câmera Alta (Plongée) a objetiva enquadra as pessoas e os objetos decima para baixo, a pessoa filmada parece abatida, comunicando aos espectadores uma sensaçãode esgotamento, como o acusado do crime, durante a mesma cena de julgamento. A CâmeraBaixa (Contre - Plongée) é usada para valorizar o assunto enquadrado, a câmera enquadra debaixo para cima. Tomando como exemplo personagens de filmes, a câmera baixa atribui ao atorum ar de importância, um ar dominador. Caracteriza personagens prepotentes ou tirânicos, oupersonagens que, num dado momento, estão em situação vantajosa em relação a outros, como opromotor de acusação durante uma cena de julgamento. É importante frisar que essas são convenções no universo do mundo audiovisual, o quenão impede que tais angulações sejam utilizadas em sentido inverso ao apontado pelos manuais.Pois não existe uma imposição no que diz respeito à produção audiovisual tanto noenquadramento, nos movimentos de câmera e na angulação que são formas de construir umsentido ao vídeo a partir das imagens.3.3.5. O Som no vídeo Desde o nascimento do cinema, pretendeu-se que o som sempre estivesse unido àsimagens. Essa união só não existiu desde o início por conta de limitações técnicas. É importantefrisar este argumento, uma vez que quando se diz que o chamado "período mudo" durou cerca detrinta anos, isso pode levar a crer que o advento do som não era desejado, quando, na verdade, severifica o oposto; o que nos leva à questão: por que existiam essas limitações em relação àgravação e reprodução do som, enquanto a imagem já passava por esses processos de forma“satisfatória,” e ainda, por que o advento do cinema sonoro quando finalmente aconteceu,
  42. 42. 42cunhou um modo de unir os sons e as imagens que deu margem ao argumento de que o som seriaum mero acompanhamento daquelas. Ou seja, como se forjou uma hierarquização entre os doiselementos, onde a imagem, na teoria e na análise dos filmes, seria o ator principal e o som ocoadjuvante. Mas o que parecia ser apenas um complemento ou até mesmo um retrocesso nalinguagem, já que pensava-se que ele poderia tirar a poética da construção da imagem, hojetornou-se indispensável em uma boa produção. Desta forma com o decorrer dos tempos o som,não só passou a ser uma forma de se contar a história através de diálogos e narração comotambém passou a ser utilizado de modo cada vez mais interessante nos filmes. Leal (2006) afirma que a utilização, a manipulação do som em relação com a imagemcomeçou a ser intensificada a partir da década de 60 e ganhou o nome de Sonoplastia por ser amanipulação de registros sonoros, criação de ambientes musicais, de paisagens sonoras e deefeitos sonoros. Não há como negar que a sonoplastia é uma parte essencial de qualquer produçãoaudiovisual. O ritmo e a intensidade são muitas vezes aqueles que definem o tom das imagensque vemos, e sutilmente manipula os sentidos para gerar emoções fortes. O som por si só estimula a imaginar os recursos visuais em nossa mente, criando umaexperiência única para cada ouvinte. Segundo definição do Dicionário da Língua PortuguesaLarousse Cultural (1992, p. 1048), sonoplastia é o estudo, seleção e aplicação de efeitos sonorosem rádio, teatro, cinema e televisão. Sendo assim, é a união de sons, sejam eles na forma demúsicas ou sons ambientes, também chamados de ruídos. É importante trabalhar o som juntamente com a imagem, o que Salles (2002) chama desimbiose do som e da imagem, pois manifestações de naturezas diversas se complementam,gerando um significado único, resultante da interação de dois ou mais sistemas. Segundo o autor,a utilização sistemática nas artes, na comunicação e nos rituais da relação som-imagem é muitoantiga e tem sido largamente explorada nos dias atuais. Na era da reprodutibilidade técnica, amáquina reproduz indefinidamente uma gravação e com a evolução tecnológica, foi permitidoum sincronismo perfeito entre som e imagem. Mas sobre esse fato o autor comenta que geroucerto incômodo e diversos questionamentos acerca da relação do som e da imagem. Seria elaparasitária ou simbiótica? Vários estudos nasceram a partir daí e os profissionais de comunicação
  43. 43. 43tentam compreender ou responder a tais perguntas. Para muitos autores é possível estabeleceruma combinação harmônica para gerar uma confluência de sentidos. Beleboni (2004) contribui com a reflexão proposta acima ao relatar em seu artigo “Adifícil relação entre imagem e som no audiovisual contemporâneo” que a sociedadecontemporânea apresenta uma extensa gama de produtos audiovisuais, porém integra suaslinguagens constituintes em diferentes níveis de resolução. Na era denominada da imagem,assistimos e escutamos a diferentes formas de relação entre som e imagem: em alguns casos hásubmissão dos sons à imagem, em outros o domínio do som e, em poucos o diálogo entre essasexpressões. Jan Roberts-Breslin em seu livro Produção de imagem e som, fala: O som mediado é uma grande parte de nossa vida – sozinho ou combinado com imagens. A música, a voz e o som ambiente nos informam, nos entretêm e movem as nossas emoções. Independentemente da dominância visual de nossa cultura, a comunicação eficiente através do é uma poderosa ferramenta de mídia (ROBERTS-BRESLIN, 2009: 147). De modo abarcante, o que fica explícito em todas as áreas de estudos sobre sonoplastia(linguagem sonora) em vídeo é que faze-se necessário a harmonia entre esses dois ícones dacomunicação o som e a imagem.3.3.6. Roteiro Para Puccini (2009, p.16), “roteirizar significa recortar, selecionar e estruturar eventosdentro de uma ordem que necessariamente encontrará seu começo e seu fim”. O roteiro funcionacomo uma bussola que norteia as filmagens, o caminho que as cenas têm de seguir para chegarao objetivo traçado. O autor também aponta de forma genérica como se processa o roteiro de documentário: O processo de seleção se inicia já na escolha do tema, desse pedaço de mundo a ser investigado e trabalhado na forma de um filme documentário. Continua com a definição dos personagens e das vozes que darão corpo a essa investigação. Inclui ainda a escolha de locações e cenários, a definição de cenas, seqüências, até chegar uma prévia elaboração dos planos de filmagem, dos enquadramentos, do trabalho de câmera e som, entre outros detalhes técnicos que podem contribuir para a qualidade do filme. (PUCCINI, 2009, p.16)
  44. 44. 44 Baseado neste conceito, o roteiro do vídeo documentário “Escola Digital?” constitui-seem variadas temáticas que cercam o tema central, tais como: inserção das TIC no ambienteescolar; território; políticas publicas e práticas pedagógicas. Professores, alunos e gestores são osprotagonistas e as vozes que discursarão no documentário. Os sujeitos envolvidos no processo deensino e aprendizagem das escolas públicas selecionadas exprimem suas opiniões sobre umadada realidade que contempla a relação entre tecnologia e educação, a qual tende a se consolidargradativamente no âmbito regional da presente pesquisa, embora com notáveis entraves, atrasose desafios que permeiam o tema em discussão. O roteiro esboçado na pré-produção se formoudefinitivamente após as filmagens, pois nos possibilitou ajustar os depoimentos conforme nossaproposta, com material gravado.
  45. 45. 454. ESCOLA DIGITAL? - Descrevendo as etapas de realização do vídeo. Esse capítulo evidencia as etapas de pré-produção, produção e pós-produção de toda aconjuntura de realização do Trabalho de Conclusão de Curso, como exigem as normas queregem as atividades acadêmicas. Trata-se da descrição da diferentes etapas das tarefas realizadas.4.1. PRÉ-PRODUÇÃO A pré-produção é fundamental para o desenvolvimento do produto, pois é nesta fase deconcepção de um projeto que se afirmam as questões de tipologia e finalidade. Aqui buscamosconstruir a base do projeto: leitura das referências, definição de modelo de vídeo, agendar visitanas escolas, conversa com professores e alunos sobre a proposta. Começamos a pensar no roteiroe formular um esboço da produção do documentário. Também, a produção textual do memorial,sob orientação da professora Kátia Morais, se iniciou nesta etapa. Fizemos reconhecimento decampo (reco), ou seja, visitas in loco nas escolas, para observar a viabilidade das gravaçõesnesses locais, ver o que seria necessário de equipamento complementar, começamos a pesquisasobre trilha, e fizemos um esboço do cronograma e do orçamento que seria fechado após a etapade pós-produção do vídeo. Vale salientar que optamos por não realizar um roteiro durante a fase de pré-produçãopor entendermos que tal recurso poderia nos levar ao risco de um maior controle durante asgravações. E substituição ao roteiro, uma pesquisa aprofundada, acompanhada pelas visitas inloco, e um esboço de gravações, serviram para conduzir o trabalho durante as externas. O roteirofinal foi desenvolvido após a gravação, servindo para direcionar a edição do vídeo. Considerando a classificação do documentário em gêneros, o produto da presentepesquisa, se enquadra no gênero expositivo, pois demanda argumentação, com objetividade. Amontagem e a narrativa supostamente serão nos moldes desta categoria, partindo daconceituação: Os documentários expositivos dependem muito de uma lógica informativa transmitida verbalmente. (...) o cineasta expositivo muitas vezes tem mais liberdade na seleção e no arranjo de imagens do que o cineasta de ficção. O documentário expositivo facilita a generalização e a argumentação abrangente. (NICHOLS, 2005, p.143-144)
  46. 46. 46 O modo expositivo valoriza a objetividade e enaltece mais o discurso do que as imagens.Bill Nichols (2005, p.143) ressalta que “os documentários expositivos dependem muito de umalógica informativa transmitida verbalmente”. Outra característica marcante é a tradição da “voz de Deus”: uma narração explicativa emoff, que busca construir credibilidade através da neutralidade. Nichols (2005, 144) explica “ocomentário com voz over parece literalmente “acima” da disputa; ele tem a capacidade de julgarações do mundo histórico sem se envolver nelas”. Apesar da voz-over caracterizar de forma marcante o modo expositivo, na nossaprodução, não será utilizado o recurso da narração. Partindo do pressuposto de que num vídeodocumentário há vários modos entrelaçados com predominância de um, a produção “EscolaDigital” segue o padrão expositivo, mas com momentos do modo participativo e observativo. Pretende-se através desta produção audiovisual, propor a discussão sobre o uso dastecnologias da comunicação no ambiente educacioanal, mediante as demandas do ensinopúblico, num momento em que a tarefa de fomentar um ensino-aprendizado qualificado torna-seum desafio, pois nota-se que a aprendizagem através dos aparatos tecnológicos, tem seus limitese suas vantagens.4.1.1. Cronograma O cronograma é a disposição gráfica do tempo que será gasto para a realização doprojeto, de acordo com as atividades a serem cumpridas. Serve para auxiliar no gerenciamento econtrole da produção, permitindo de forma rápida a visualização de seu andamento. Segue abaixo o cronograma do projeto “Escola Digital?”: Tabela 1: Cronograma das Atividades 2010 2011 ATIVIDADES Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set
  47. 47. 47Escolha do tema X X xSeleção e leitura das fontes Xteóricas xElaboração do pré-projeto x xAjustes no projeto X X xPesquisa exploratória X X x xEntrevistas prévias X X X x x x x x xFilmagens das entrevistas e X X X X Xgravações xDecupagem e edição do vídeo X X X X X x xElaboração do Memorial X X x xEntrega do produto X xApresentação do TCC X x xFonte: Elaborado pelos autores

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