• Like
Cultura popular smba de roda em riachão do jacuípe
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

Cultura popular smba de roda em riachão do jacuípe

  • 1,660 views
Published

 

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
1,660
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
13
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. CULTURA POPULAR: SAMBA DE RODA EM RIACHÃO DO JACUÍPE Alice Ribeiro de Souza Oliveira1ResumoEsse artigo faz um estudo acerca do samba de roda no município de Riachão do Jacuípe. Foirealizado um levantamento dos grupos de samba de roda existentes e da composição de seusmembros. Analisa as condições de produção e perpetuação dessa manifestação cultural; asrelações dos sambadores tanto entre si quanto com a sociedade; a função e a importância damulher no samba de roda e a visão dos sambadores em relação à elas. Há ainda a análise doconteúdo e dos temas mais recorrentes nas músicas compostas e/ou cantadas pelossambadores. Por meio das entrevistas foi-lhes dada a oportunidade de serem os protagonistasde sua própria história.Palavras chave: Samba de Roda – Riachão do Jacuípe – História Cultural Abstrat:This article is a study about the samba de roda in Riachão do Jacuípe, state of Bahia. Weregathered groups of samba de roda in the municipality and its composition. It analyzes theconditions of production and perpetuation of this cultural event, the relationships ofsambador, both among themselves and with society, the role and importance of women in thesamba de roda and vision sambador about them. There is also the analysis of the content andthe most recurrent themes in songs written and / or sung by sambador. Through woman, wasgiven the opportunity to be the protagonists of their own history.Keywords: Samba de Roda, Riachão do Jacuípe, Cultural History.1-Introdução: O presente artigo faz uma análise a respeito do samba de roda no município deRiachão do Jacuípe visando torná-lo mais conhecido, respeitado e valorizado como práticacultural significativa. Assim ao analisar o modo de ser, de agir e as estratégias desobrevivência dos grupos de sambadores, este trabalho pretende mostrar para a sociedade a1 Graduanda do VIII Semestre do Curso de Licenciatura em História, Campus XIV, da Universidade do Estadoda Bahia-UNEB.
  • 2. importância que o samba de roda tem para os seus praticantes, contribuindo para a produção eperpetuação dessa manifestação cultural. A Nova História Cultural tem possibilitado o estudo de vários aspectos da sociedadeantes negligenciados pela historiografia tradicional. Ela tem um grande interesse peloinformal e o popular e o papel das classes subalternas na dinâmica das sociedades. Entre osvários estudiosos da cultura, Marta Abreu e Jacques Le Goff vêem a cultura popular e o lazerque é parte do cotidiano de um povo - como um lugar privilegiado para se analisar umadeterminada sociedade . Abreu fez uma extraordinária análise da sociedade carioca do século XIX, utilizandocomo objeto de estudo uma festa: a Festa do Divino. Assim como a festa, o samba de roda,uma forma de entretenimento de trabalhadores rurais, é um objeto de análise cujo estudopoderá contribuir para a compreensão da sociedade jacuipense. O objetivo deste artigo éexaminar as relações dos sujeitos que vivenciam essa prática cultural, tanto entre si quantocom a sociedade. A História cultural abriu um leque de possibilidades de análise de vários temas,inclusive o de cultura popular antes não estudado. Assim muitos historiadores, inclusive os jácitados acima compreenderam que os conflitos humanos não ocorrem apenas no campopolítico e social, mas também no cultural Neste trabalho foi feita uma caracterização da sociedade jacuipense para secompreender a amplitude das dificuldades encontradas pelos sambadores para a manutenção epreservação do samba de roda e um levantamento dos grupos existentes no município, ondeconstatou-se que são formados por trabalhadores rurais, e a cor predominante nos grupos é aparda. Por meio da análise das entrevistas foi possível perceber a rede de sociabilidades; bemcomo problematizar o papel da mulher no samba de roda, que apesar de ser para ossambadores inspiração para a maioria de suas músicas e exercerem um papel fundamental naroda do samba – o de animadoras – ainda há muitos grupos que são formados exclusivamentepor homens. É nesse contexto de inquietude que se inscreve este trabalho, que tem por finalidadeconstatar as dificuldades enfrentadas por sambadores e sambadoras de Riachão do Jacuípepara a realização da prática do samba de roda.
  • 3. 2. Característica da sociedade Jacuipense Riachão do Jacuípe localiza-se na mesorregião do nordeste da Bahia, na microrregiãode Serrinha. Sua população, segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística) de 2000 é de 31.633 habitantes, predominando os pardos (56,5% da população),que somados aos que se declararam negros totalizam 64,1% da população. Riachão do Jacuípefaz parte do espaço denominado de polígono da seca por, entre outros motivos, seu clima sersemi-árido. As condições naturais são apontadas como principal fator para justificar adecadência econômica do município a partir da década de 1980. Já que na década anterior,segundo escreveu Marinélia Silva, em sua dissertação de mestrado, o município eraconsiderado um dos maiores produtores de sisal da região e a região sisaleira uma das maisricas do estado da Bahia. Porém, a partir da década de 80, a cultura do sisal entra em colapso,devido a substituição da fibra derivada dessa planta por fibra sintética, derivada do petróleo,na indústria naval e automobilística. Sem apoio do poder público, a partir de então osrespectivos agricultores destruíram os campos de sisal, substituindo-os pelo capim (planta nãoresistente à estiagem). Houve grande migração de jacuipenses para São Paulo, Rio de Janeiroe Salvador em busca de meios de sobrevivência. Relacionar a decadência econômica do município de Riachão do Jacuípe apenas comàs condições naturais, é uma idéia construída pela elite e políticos “oportunistas” para sepromoverem às custas da miséria do povo desse lugar (a chamada indústria da seca, onde sãorealizadas ações imediatistas que não visam encontrar soluções definitivas para o problema)”(SILVA, 2005 ). Em A Invenção do Nordeste Durval Muniz de Albuquerque analisou profundamenteesse discurso, mostrando que quem construiu essa imagem negativa do Nordeste foi a nossaelite. Esta preferiu a miséria para a maioria da população dessa região como forma demanutenção de seus privilégios. O autor supracitado afirma ainda que a Bahia até 1940 nãofazia parte da região Nordeste, vindo a inserir-se após esse período, por interesse da elitepolítica baiana para usufruir dos recursos da SUDENE – órgão criado como mecanismo deauxílio aos estados da região para amenizar os reflexos da seca. Os políticos e a “elite” jacuipense não agem de forma diferenciada do restante da elitenordestina. Divulgam a idéia de decadência econômica como consequência direta das
  • 4. condições naturais. Tal idéia, segundo Marinélia Silva “invade o imaginário da população,tornando-a inerte, incapaz de lutar e encontrar soluções para tais problemas, já que são vistoscomo algo imutável” (SILVA, 2005). Tal comportamento pode ser percebido na músicacriada pelo sambador Pedro João Carneiro, denominada de “Seca do Aqueta aí”: “De noventa à noventa e seis,A seca era geral / as nuve se levantaro,Os tanques não tem mais água / o gado, já se acabô / mode a foia do sizá,A plantação que fizeram / eu vi tudo,se acabá / o pobre passano fome,num acha um dia pra ganhá / pobre num,tem pra onde ir / a seca do Aqueta aí, o pobre,tem que aquetá”. No trecho desta música o sambador relata sobre a seca que houve em Riachão doJacuípe na década de noventa. Nesse, período a população rural passou por muitasdificuldades, já que não havia água e nem alimentação para o rebanho. O gado era obrigado acomer folhas de sisal por não haver pastagens, mas morriam, pois este alimento não faziadigestão. As pessoas não tinham oportunidade de trabalho e nem um bom poder aquisitivopara ir em busca de melhores condições de sobrevivência, por isso acabavam se conformandocom tal situação. Mal informados dos seus direitos essa população não recebia o apoio devidodo poder público para amenizar os reflexos da seca.3. O Samba de Roda de Riachão do Jacuípe: origem, características edisputas O samba de roda, no Brasil surgiu no período colonial, visto que foi trazido pelosescravos africanos. É importante ressaltar que nessa pesquisa pode-se perceber que a maioriados sambadores guarda viva em sua memória o continente de origem dessa prática cultural tãoimportante para eles, como pode-se perceber nesse depoimento. Seguindo uma perspectiva semelhante a de Alessandra Cruz a análise dos depoimentosdos sambadores como documento oral evidencia elementos de uma “memória fragmentada,subjetiva, mas absolutamente precisa aos seus princípios” (CRUZ, 2006) “A origem do samba de roda veio da África. No tempo dos escravos, provavelmente nos dias que eles folgava, que o patrão dava uma folguinha para eles. Eles formavam aquele grupo de escravos e fazia o samba (...) A origem do samba de roda aqui no Brasil, ela veio através do... do... dos africanos (...) e trouxe essa cultura...” ( JOSÉ CANDIDO CARNEIRO, 62 anos, 08/09/2007)
  • 5. Em Riachão do Jacuípe não há um momento preciso para o surgimento do samba deroda, porém, segundo o depoimento da maioria dos sambadores o primeiro grupo de sambaorganizado, o senhor Misael Carneiro diz que: Foi trazido por Zuza das Pedrinha. Veio de Mundo Novo (...) Ele era tropeiro. Ele veio morar na fazenda Pedrinha. Ele sambava lá e trouxe uma dupla (...) já tem mais de 150 anos. Izidro da Pedrinha herda a tradição do pai e ficou conhecido o melhor sambador de Riachão.(MISAEL CARNEIRO,71 anos, 23/05/2009). Esse grupo participou do filme Coronel Delmiro Goveia, o qual tinha comoprotagonista o ator da Globo Rubem de Falco. Esse filme tinha Oney São Paulo, cineastajacuipense como um dos seus produtores. Segundo o jornalista Evandro Matos a participaçãodo grupo das Pedrinhas nesse filme refletiu de forma positiva, pois aumentou as apresentaçõesdo samba de roda fora do município. Ele ainda afirmou em depoimento que realmente osenhor Izidro tinha muito talento para o samba, mas principalmente no bater a cuia(instrumento feito de uma cabaça com pescoço muito pequeno). (Misael Carneiro,71 anos,23/05/2009). “Samba de apresentação/ de rádio e televisão,a Pedrinha já foi rei/ o samba euestou,fazendo/ é pra apresentá a vocês,Por orde do criadô/ a Pedrinha já chorou,a falta queIzido fez.,(Chula em homenagem a Izido falecido em 1988)” Zuza deixou o filho Izidro como responsável pelo grupo de samba das Pedrinhas comorelata Misael Carneiro. Analisando os depoimentos do senhor Misael Carneiro e cruzandocom dados do Jornal Breviário, editado em 1981, onde o mesmo fez uma reportagem sobre osamba de roda das Pedrinhas no qual afirma que: “há mais de 100 anos que o samba de rodadas Pedrinhas vem se preservando”, percebe-se uma grande evidência de ser este primeirogrupo a se organizar em Riachão do Jacuípe. A partir desse grupo foram surgindo outros. Os motivos dos desmembramentos serãodiscutidos adiante. Até aqui pude confirmar a existência de dez grupos, expostos no quadroabaixo.Quadro I.Grupos de samba de roda do município de Riachão do Jacuípe. GRUPOS DE SAMBA DE RODA – 2007 A 2009 NOME DO GRUPO COORDENADOR Pedrinhas Edilson Carneiro Ramos José Ramos
  • 6. Sereno da Madrugada Miguel Calmom Sufoco da Fumaça José Cândido Carneiro Chuva de Prata Tonho de Nié Barrerense Atenor Ponto Novo Pedro Luis Bom Sucesso Silvinho Cultura do Sertão Renato de Anísio Fumacinha Leninha – Baixa Nova FONTE: Quadro (Entrevistas com os sambadores de Riachão do Jacuípe). Por meio do samba de roda pode-se perceber as experiências vividas por esses artistas: Todos são pessoas pobres da zona rural. Uma parte mora na zona rural outra já mora aqui na cidade, mas veio da zona rural por não ter condições de morar na zona rural, mora aqui, mais não deixou o seu lazer, continua sendo sambadô e por aí eu tenho uma parte de sambadores que são daqui, mas que vieram da roça e tenho outras que moram na zona rural até hoje (...) (JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos, 08/09/2007) O samba de roda do município de Riachão do Jacuípe, de acordo com o depoimentoexemplificado acima como o do Sr. José Carneiro, é uma manifestação da cultura popular, umespaço de lazer do homem da roça, pois como afirma o entrevistado, quem não reside na zona ruralcertamente tem ainda uma grande relação com ela, já que continua com seu pedacinho de terra. Amaioria dos que vieram para a cidade, “foi por falta de renda ou porque se aposentou” (JoséCândido Carneiro, 62 anos, 08/09/2007). A faixa etária dos sambadores é de sessenta anos, com exceção de Gilmário, de 26anos, do grupo Sufoco da Fumaça e da maioria dos membros do grupo Fumacinha, uma novidadeno samba de roda do município. Este último, O Fumacinha é coordenado por uma mulher, algoinédito no mundo do samba de roda de Riachão, mas esse grupo se diferencia ainda pela idade deseus componentes, pois a maioria são jovens. “Mas o meu grupo tudo mais é jovem, tudo gosta datradição do samba.” (Maria Madalena Carneiro, 52 anos, 02/04/2009). O grupo Fumacinha se destaca ainda dos demais por cantarem apenas o batuque e D. Leninha explica porquê: “A gente só canta batuque (...) porque os meninos gosta, porque é mais quente, mais mimada”... (Maria Madalena Carneiro, 52 anos, 02/04/2009). O cotidiano, se o perscrutarmos atentamente, revela-se como um dos lugares privilegiados das lutas sociais. (VAINFAS, 1997).
  • 7. Nessa perspectiva, o espaço do lazer, no caso aqui o samba de roda torna-se um lugarespecial para se estudar as relações tanto dos sujeitos praticantes dessa manifestação culturalentre si quanto com a sociedade. Analisando o perfil dos sambadores percebe-se que a maioria não domina a escrita,nem exerce cargo “importante”, ou de poder na sociedade jacuipense, assim o samba de rodaé um espaço onde essas pessoas conquistam respeito perante a comunidade. São nesses momentos que o samba vai se tornando um elemento de afirmação deidentidades, de conquista de espaços e de poder junto à comunidade. (CRUZ,1996) Da disputa por espaços sociais foi que surgiram muitos grupos de samba de roda emRiachão do Jacuípe. Algo que está explícito na narrativa do senhor José Cândido Carneiro,como podemos ver no depoimento abaixo: Existia um grupo de samba qui chamava grupo de Mano (...) no meio daqueles sambadores tinha sambadores milhor do que outros (...) uma pessoa mais ingraçada começava arriliar, maltratar aquelas pessoas mais fraca. Um dia aquelas pessoas mais fraca resolveu a criar um samba e chegou no centro da cidade e começou a batê um samba (...) aí um dos engraçados do grupo de Mano passou e viu aqueles sambadores, tudo fraquinho, aí chamou o outro e disse: oi só tem bagaço aí. Oi os bagaço formaro um samba, só bagaço! (...) por aí ficou o nome de Bagaço e lá vai desgostano os do grupo de Mano. Sai uma dupla de lá, passa pro Bagaço, sai outra passa pro Bagaço. Virou um grande grupo de samba. (JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos,62 anos, 08/09/2007). Assim percebe-se que os conflitos sociais não acontecem apenas no âmbito político esocial, como também no cultural. Isso porque o sambador é um ser humano completo desentimentos, valores e contradições e tudo isso é levado para roda de samba, já que é ali o seuprincipal espaço de lazer. Porém essa disputa não se encerra aí. Zé Cândido continua sua narrativa: (...) Chegou um determinado tempo que o organizador do samba do Bagaço se achou entusiasmado e começou a nos maltratar e aí um senhor (...) conhecido por Zezinho do Cafundó achou de criar um samba pra nois sambá fora do Bagaço. Comprou os aparelhos e aí a gente começamos a sambá sem nome. Passando um pouco de tempo eu resolvi a nois arrumar uma farda de samba de roda e botá um nome no nosso grupo. Eu falei com os colegas: vamos fazer de conta qui o grupo do Bagaço acabô e sobrô o sufoco de fumaça. (JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos,08/09/2007).
  • 8. Analisando alguns trechos da entrevistas, percebe-se um sentimento de desprezo pelogrupo quando o entrevistado diz: “o Bagaço acabô e sobrô o sufoco da fumaça”. Nota-se,então, que as relações dos sambadores entre si são muitas vezes conflitivas o que reforça aidéia de Marta Abreu. Para os historiadores, as manifestações populares são um campo fértilde estudo da sociedade.da própria sociedade onde estão inseridos. Segundo o senhor José Cândido, o grupo Sufoco da Fumaça é registrado. (...) por uma questão de desentendimento entre eu e o outro organizador. Qui existia dois organizador. Nois organizava em parceria. Em morte do finado Zezinho do Cafundó que foi quem criou o samba (...) o outro companheiro começou a desentender mais eu (...) chegou uma maneira de romper comigo (...) e tentou mudar o nome do grupo de samba (...) eu qui tinha amor ao nome do grupo, ao nome do grupo qui foi eu que criei. Eu tinha farda adquirida por mim. Eu cheguei e chamei os outros componentes e continuei o grupo e ele com outro nome, o nome Renascer. Dois anos depois ele fez uma farda e botou o nome Sufoco da Fumaça I. (...) Eu não aceitei, a gente tivemos um grande desentendimento. Eu cheguei, registrei, fiz uma associação com o nome Sufoco da Fumaça. (...) o companheiro achou no direito e registrou também, mas não deu certo (...) por falta da população acreditar (...) ele resolveu com o passar do tempo e deu baixa na associação dele. (JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos,08/09/2007). Tratando dos méritos da História Oral, Paul Thompson ressaltou que esta possui umamaior amplitude do que a maioria das fontes, permitindo que se recrie a multiplicidadeoriginal de pontos de vista ( TOMPSON, 1992). É uma característica importante da história oral, essa capacidade de mostrar diversasvisões dos sujeitos envolvidos no processo histórico. Vejamos então a versão do senhorManoel Pedro Ramos, ex-componente e organizador do grupo Sufoco da Fumaça: Já que tive o grupo Sufoco da Fumaça qui justamente fui eu Zezim do Cafundó que foi que afundô o grupo aqui em Riachão no ano de noventa e seis (...) Em noventa e seis Zezinho formô esse grupo me entregô pra eu tomá conta. Então colocaram o nome de Sufoco da Fumaça. Mas tem um amigo qui ele ajudaria fazer a participação do grupo. Então teve uma diferençazinha piquena entre nois dois e nois se separamos. Ele ficou com o nome Sufoco da Fumaça, eu passei pro nome Sufoco da Fumaça I, mas depois terminei pra ficar com um só e coloquei o nome do grupo Ramos. (MANOEL PEDRO RAMOS, 67 anos,15/09/2007). Analisando os depoimentos pode-se perceber que muitos grupos de samba de roda deRiachão do Jacuípe têm sua origem no desmembramento de outros grupos. Assim ocorreucom o grupo Bagaço, cujos membros pertenciam ao grupo de Mano, o mesmo ocorreu com oSufoco da Fumaça e o Grupo Renascer, que posteriormente passou a chamar-se Ramos. Nessa
  • 9. última disputa entre os dois organizadores do grupo Sufoco da Fumaça, fica evidente que omotivo de tal disputa é a coordenação do grupo. Nas falas dos personagens fica claro osentimento de posse em relação ao grupo, pois os dois utilizam muito a primeira pessoa dosingular .O senhor José Cândido ao registrar o grupo procurou, por meios legais, preservar onome do mesmo, o que, a princípio não dá certo, já que foi permitido ao senhor Ramosregistrar seu grupo com o nome semelhante. Sufoco da Fumaça I. Enfim, esse conflito seencerra com a desistência do senhor Ramos em manter o nome do seu grupo, Sufoco daFumaça I, o qual foi substituído por Renascer. Seguindo a perspectiva de Alessandra Cruz, o que talvez os dois personagens dessahistória não tenham consciência é de que o samba de roda é coletivo, portanto não tem dono.Suas chulas e batuques podem até ser criados individualmente, mas só existem, de fato, naroda - complementados com as vozes dos companheiros, os instrumentos, a dança e a respostadas palmas. De acordo com a autora: “aqui é o limite do indivíduo humano com o sabercoletivo”. (CRUZ, 2006 ). O samba de roda é uma prática cultural secular de trabalhadores rurais em Riachão doJacuípe. Se essa prática cultural sobrevive em meio às dificuldades vividas pelos sujeitospraticantes é porque, certamente, tem um grande significado para eles, como expressa osenhor Manoel Pedro Ramos, 67 anos: (...) É uma coisa na minha vida que eu tenhounicamente na minha vida desde eu pequeno. É uma coisa na minha vida que eu tenho alegriaé um samba de roda. É uma coisa na minha vida mesmo...“ (RAMOS, 67 anos , 15/09/2007). Sendo ainda o samba de roda uma forma de lazer que pra os sambadores é a única,como confirma o senhor Edilson Carneiro de Oliveira, 67 anos: “O samba de roda é... ele mefaz muito feliz e representa toda alegria na minha vida (...) a vez eu tô até triste assim...pensano alguma coisa, mas pra fazer aquilo, até eu me sinto feliz sabe, esquece todos osproblemas da vida” (OLIVEIRA, 67, 23/05/2009) Nota-se nos depoimentos da maioria dos sambadores, representados nesses dois acima,um forte sentimento de pertencimento. O samba de roda nessa perspectiva é algo primordialpara suas existências. Sem ele a vida não tem sentido. Na roda de samba eles conseguemesquecer, pelo menos momentaneamente, os problemas do cotidiano. É sambando que eles eelas gastam a energia do corpo e recarregam a da alma.
  • 10. Enfim, estudar origem, características e as disputas existentes entre os sambadores éinteressante, pois através disso pode-se conhecer as experiências vividas por estes artistas eajudá-los a preservar esta prática cultural.4. A mulher no samba de roda Em Riachão do Jacuípe, a presença da mulher no samba de roda não é tão freqüente,já que existem grupos como o das Pedrinhas e o Sufoco da Fumaça que são formadosapenas por homens, apesar dos sambadores em geral, mesmo dos grupos aqui citados,considerarem-nas peças importantes. “(...) as mulheres são as dançarinas, as animadoras do Samba de Roda (...) o samba só com home fica disanimado”. (...) Tem hora delas entrá e hora delas sair. Agora a gente sente dificuldade, pois não é todas qui aprendero fazer esse trabalho”. (JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos,08/09/2007). Para o depoente não é “qualquer mulher” que pode entrar na roda do samba. É precisoconhecer as regras. É preciso ter disciplina e nem todas que querem entrar “aprendero fazeresse trabalho”. Homem e mulher tem papéis diferenciados no samba de roda, como relata o seguintedepoimento de Sr. Manoel: “Nois temos um regime qui na área do salão só brinca asmulheres, as damas é quem dança e os home é só pra sambá (...) as mulheres tem a áreadelas e nois temos a nossa área também”. (MANOEL PEDRO RAMOS, 67 anos, 15/09/2007) Mesmo havendo papéis diferenciados para ambos os gêneros, como afirma odepoente, há também uma relação de complementaridade enfatizada na fala do Sr. HermesRoque dos Santos: “(...) Quem faz a parada do samba é as mulher. Elas ajuda a respondê osbatuque (...) sem as mulher a gente sofre muito.”(HERMES ROQUE DOS SANTOS,70 anos,14/11/2009) Entre homens e mulheres entrevistados é unânime o reconhecimento do papel deanimadora que a figura feminina exerce no samba. “toda mulher também, ela anima o samba. As pessoas que estão assistindo gosta de vê dançar. Gosta de vê elas tudo alegre. É uma coisa muito importante e bunita. É uma mistura do masculino com o feminino e aí a gente faz o samba animado”.( ANTONIO MATOS DE LIMA, 67 anos, 12/09/2008)
  • 11. A mulher ainda pode ser fonte de inspiração para as canções improvisadas pelossambadores como afirma o sambador: “A gente vê alguma moça bonita no salão, a gente fazum batuque falando daquela moça.” (GILMÁRIO LIMA CARNEIRO, 26 anos, 15/10/2007)“Que sorriso tão lindo, eu preciso te dizer / qui a moça bunita da festa hoje chama você..”. Se a mulher é peça tão importante na roda do samba como afirmam os entrevistados.Se com suas vozes elas contribuem tanto para que o samba não saia do ritmo, quanto para queenquanto elas sambem, os sambadores descansem e se ainda são elas as principaisresponsáveis pela animação é, no mínimo curioso que existam grupos sem a presença damulher. Dona Madalena, 52 anos, dá a sua opinião: “(...) hoje em dia ninguém quer sambá.As maioria até arrilia, fala mal do samba de roda...” ( MADALENA CARNEIRO,52 anos,02/04/2009). O preconceito em relação ao samba de roda é algo histórico e os motivos são diversos,como por exemplo por ser o samba uma festa de origem africana. Festas consideradas,segundo o historiador João José Reis pela elite baiana como um entrave à europeização doscostumes, dificultando o projeto de civilização da província no século XIX. Além de “ferir(...) a moralidade das famílias brancas das cenas públicas de sensualidade negra exibidas nasdanças que acompanhavam os Batuques” (REIS, 2005). Assim o preconceito em relação ao samba de roda por ser uma festa de origemafricana, além da exigência de que para entrar na roda do samba a mulher deve saber as regraslocais do samba, talvez explique a pouca participação da mulher no samba de roda. Entendendo o samba como uma forma de expressão dos sentimentos dos trabalhadoresrurais, a música torna-se o principal mecanismo utilizado para expressar tais sentimentos,vejamos como a figura feminina é representada nas letras: A música é essencial para a cultura brasileira: para nossa memória, individual e coletiva (...) ela acompanha a nossa existência, delimita e marca os episódios significativos da vida. (AGNES MARIANO, 2009, p.13). Nessa perspectiva, a música torna-se um elemento fundamental por meio do qual oartista, no caso aqui o sambador, se expressa. Ela nesse caso pode ser compreendida comoforma de comunicação tão importante quanto o discurso. A música sempre esteveintimamente ligada à vida do povo brasileiro. Em Contos Populares do Brasil, Silvio Romero
  • 12. já ressaltava a importância da música no cotidiano do povo :“(...) lavrando a terra ou deitandomatas ao chão. (...) o trabalhador vai cantando e improvisando” (ROMERO, 1985). Há diferentes ritmos e formas de músicas como a chula, o arremate e o batuque nosamba de roda. Os quais podem ser reproduzidos, ou seja herdadas dos antepassados dossambadores, ou ainda criados e improvisados por eles. O mesmo podemos dizer em relaçãoaos temas abordados, a esse respeito vejamos a tabela abaixo: Quadro II. Músicas cantadas pelos sambadores do município de Riachão do Jacuípe.TEMA SUJEITO ADJETIVOS1- Romance Mulher Amada2- Samba Mulher Linda, morena, flor3- Festa Mulher Morena, meu bem4- Romance Homem e mulher Ingrata5- Festa Moça Sorriso lindo, moça bonita6- Medo de fazer amor Mulher Amorosa7- Desencontro Mulher Ingrata8- Comportamento Mulher Sem respeito9- Preciso de você Mulher Amor indispensável10- Namoro Mulher Amor verdadeiro11- Saudade Mulher Meu bem12- Sonho Mulher Morena bonita, pele bronzeada13- Namoro Iolanda Carente14- Tempestade Maria Vaqueira15- Razão dos problemas Mulher Nova, bonita, carinhosa
  • 13. 16- Perda Mulher Razão do meu viver17- Vida de Cigano Mulher CiganinhaFONTE:Quadro(CDS Gravados por grupos de samba de roda do município de Riachão do Jacuipe). Seguindo a mesma perspectiva de Agnes Mariano, em A Invenção da baianidade, quetem como objetivo descobrir nas letras das canções que retratam a Bahia, o que e como se falado jeito de ser baiano, optou-se nesse trabalho apenas por uma temática - a mulher - por sereste o tema mais recorrente. Assim, percebe-se nas letras das canções que os sambadores utilizam de muitosadjetivos positivos como amada, amorosa, bonita carinhosa para referirem-se à figurafeminina. Essa mulher cantada por eles é idealizada, pois em nenhum momento é feitaqualquer referência à elas como esposas, nas suas atividades laborais diárias. Quando amulher parece real é evocada com saudosismo, pois é como se permanecesse viva em suasmemórias as aventuras amorosas dos tempos de jovens: “menina bonita da pele bronzeada,sonho com você toda madrugada. Em sua pele não posso tocar, em sua boca não posso beijar”(...) (Música gravada pelo Grupo Sufoco da Fumaça, 2006). Eles também se referem à mulher de forma negativa chamando-a de “ingrata” quandonão correspondem ao seu amor e de “sem respeito”, quando fogem aos padrões sociais como,por exemplo, a forma de vestir-se. Tem muita mulé no mundo qui ta perdeno o respeito / vestido curto demais, bem acima do juelho, umas mostra as pernas outras mostra os seios a saia deixa cair, mostra a coluna do meio, isso é coisa do maldito, o home acha bunito, mais Jesus Cristo acha feio (Música gravada pelo grupo sufoco da fumaça – 2006) Apesar de a mulher ser o tema mais recorrente, os sambadores também falam nas suascanções do contextos que marcaram suas vidas como períodos de seca, inflação, devastaçãoambiental. Enfim, a música é um canal pelo qual eles expressam seu modo de ser, agir nasociedade, e suas visões sobre ela. Eles sempre colocam as canções na roda dos contextos desuas vidas.
  • 14. 5. Mecanismos de preservação do samba de roda em Riachão do Jacuípe O samba de roda em Riachão do Jacuípe, apesar das dificuldades encontradas para amanutenção da tradição, principalmente dificuldades financeiras, assim como é confirmadono depoimento: “(...) tem muita dificuldade cum transporte, nem sempre os dono da casapaga as dispesa, nem sempre as pessoa tem dinheiro pra pagá” (TEREZINA PEREIRA DEJESUS, 73 anos, 20/12/2009).Essa prática cultural tem sobrevivido até aqui, de acordo com aopinião dos sambadores, exemplificada na fala de Edílson Oliveira, de 67 anos, por ser tãosignificante pra eles. “O samba de roda é... ele me faz muito feliz e representa toda aligria naminha vida (...)”. Sendo tão importante para os sambadores, muitos deles, direta ouindiretamente herdaram das gerações passadas e transmitiram para as futuras esse gosto pelosamba. Assim, esse foi até o final do século passado o principal mecanismo de preservação dosamba de roda em Riachão do Jacuípe. A memória aí exerce papel fundamental, pois, segundoEcléa Bosi, por meio da memória o passado sobrevive (BOSI, 1994). Algo perceptível na falado sambador José Matos de Lima, 67 anos: “Eu lembro qui era meu avô que era sambador,chamava Nicolau Guedes e era a diversão nessa época. Em 1990 por aí foi qui eu comecei asambá (...)”. A partir da primeira década do século XXI dois eventos acontecem anualmente etransformaram-se ou deveriam transformar-se em espaços especiais para a preservação dosamba: O 1º de maio e o Festival de samba de roda. O 1º de maio é uma festa de trabalhadoresrurais, os quais chegam de várias comunidades com seus instrumentos musicais com muitaexpectativa para se apresentarem. Porém estes disputam com políticos e representantes doSindicato de Trabalhadores Rurais o espaço e a atenção do público. O pouco tempo que sobrapara as apresentações do Samba de roda ainda é dividido com vários grupos que apresentamou encenam outras manifestações, como o boi de roça, as rezas de Cosme e Damião e oBumba meu Boi, dentre outras, mas o que incomoda os sambadores são os políticos, com seusdiscursos prolongados. O espaço é pouco, purque eles come mais tempo cum político. Lá, quando parte pra brincadeira, o tempo já acabo, mas o tempo o político já cumeu e é por isso que a gente esse ano ficou de fora.(EDÍLSON CARNEIRO DE OLIVEIRA, 67 anos,23/05/2009)
  • 15. Assim, o momento e o espaço deles se expressarem acabam se transformando emespaço de promoção de políticos. Com o Festival de samba ocorre algo semelhante, pois um espaço que deveria serreservado principalmente aos grupos de samba do município é dado a outros de outrasregiões. No último Festival não havia grupos de Riachão do Jacuípe disputando. Apenas ogrupo “Sufoco da Fumaça” se apresentou sem concorrer, já que, esse grupo é o organizadoroficial desse evento, mas na prática apenas um membro, o Senhor José Candido assume essafunção. Eu organizo o Festival de Samba de Roda aqui na nossa cidade (...) passo dois, três meses antes do dia do evento pedino à todos os amigos, não só os pulíticos como os amigos, ao comércio local (...) contrato aquele grupo de samba pra fazê a festa e pego um caixazinho àqueles grupo de samba.( JOSÉ CÂNDIDO CARNEIRO, 62 anos, 08/09/2007). Nesse contexto, há uma apropriação desse espaço de poder e prestígio proporcionadopelo samba de roda. Desse modo, o Festival de samba de roda não está exercendoefetivamente sua principal função que é divulgar e promover, principalmente, os grupos desamba de roda do município. Pois o espaço maior no palco, que deveria ser dos grupos locais,está sendo cedido na maior parte das vezes aos de outras localidades. Além disso, a ajudafinanceira dada pelo comércio e pelos políticos, é retribuída na forma de propaganda parapromovê-los, o que também ocupa o tempo do samba. O samba de roda assume aí uma perspectiva, confirmada por Cláudio Noel R. Júnior,de legitimação da lógica social capitalista em que esse sujeitos, os sambadores, estão inseridos(JÚNIOR,1982).6.Considerações Finais A partir da pesquisa realizada para este artigo foi possível identificar a existência dedez grupos de samba de roda de Riachão do Jacuípe. Percebemos que a principal dificuldadepara a manutenção dos grupos é a falta de apoio financeiro, pois na opinião dos própriossambadores nem sempre quem convida os grupos para uma apresentação em sua casa, porexemplo, paga as despesas de transporte, dentre outras.
  • 16. As estratégias de preservação como o Festival de Samba de Roda e o 1º de maiofazem isso de forma restrita, pois o espaço e tempo disponível são ocupados por grupos deoutras localidades. Percebeu-se ainda que em alguns casos a liderança dos grupos de samba é muitodisputada, por ser esta uma oportunidade das pessoas conquistarem respeito perante acomunidade. Esse trabalho não tem a pretensão de esgotar as discussões acerca do samba de rodaem Riachão do Jacuípe, pois tenho a consciência que toda pesquisa é limitada pelo tempo epela escassez de fontes. Espero que as lacunas aqui existentes se tornem um convite a umainvestigação mais ampla dessa manifestação cultural secular que sobrevive, apesar dasdificuldades. Como disse uma das sambadoras: “precisa de um projeto para essa cultura numacabá (...) a gente cresce quando recebe apoio” (MARIA CÉLIA DOS S. CONCEIÇÃO, 42anos, 20/12/2009) Diante das dificuldades de sobrevivência do samba de roda em Riachão do Jacuípe edos sujeitos que vivenciam essa prática cultural, os sambadores, foi constatado que énecessário um engajamento tanto do poder público, dando condições materiais à esses sujeitose apoio efetivo à projetos voltados para essa área, quanto da sociedade, pois o samba é umpatrimônio local. A idéia de preservação de patrimônio deve ser vista como algo discursivo,devendo não apenas ser identificado como um bem imaterial, mas como prática cultural,podendo também promovê-los por meio de apoio à organização de espaço físico para apromoção de eventos culturais para que assim essas práticas culturais sejam reconhecidas evalorizadas pelas futuras gerações (FONSECA, 1997). A preservação do samba de roda é muito difícil, purque o jove num interessa muito, mas eu acho qui o ponto certo era fazê uma iscola, aqueles qui se interessasse ia participá e pudia aprende pra que preservasse. (ANTONIO MATOS DE LIMA, 67 anos, 12/09/2008). Como afirma o próprio sambador, a educação tem papel fundamental na preservaçãodo samba de roda, pois cabe também à escola despertar nos educandos a consciência daimportância desse bem imaterial tão relevante não só para os sambadores, como para todasociedade jacuipense, já que o samba de roda é parte da própria história desse município.
  • 17. Referências BibliográficasABREU, Martha, O Império do Divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro,1830-1900______, “Cultura popular: um conceito e várias histórias” in ABREU, Martha e SOIHET, Raquel,(orgs.), Ensino de História: conceitos, temáticas e metodologia, Rio de Janeiro, Faperj/Casa da Palavra, 2003, pp.83-102.ALBUQUERQUE JR, Durval Muniz de : A Invenção do Nordeste e outras artes. Recife. FNJ, Ed Massangama, São Paulo: Ed Cortez, 1999.BOSI, ECLÉA. Memória e Sociedade: lembrança dos velhos /Ecléa Bosi-3 ed- São Paulo,Companhia das Letras,1994.BURKE PETER, 1937. O que é história cultural?/ Peter Burke; tradução: Sérgio Góes dePaula. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.CRUZ, Alessandra, “O samba na roda”. Samba e cultura popular em Salvador, 1937-1954.2006.CENSO DEMOGRÁFICO, 2000: Disponível em:http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/universo.php?tipo=31o/tabela13_1.shtm&paginaatual=1&uf=29&letra=R. Acesso em 15/09/2009.DANTAS, Beatriz Góis, “Uma festa de negros e caboclos”, Aracajú, cadernos UFS, 1998.FONSECA, Maria, Cecília Lourdes, “A prática de tombamentos: 1970-1990” in o patrimônioem processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil, Rio de Janeiro,UFRJ/IPHAN, 1997, pp.202-246.JUNIOR, Jorge Cláudio Noel Ribeiro. A festa do povo-Pedagogia de Resistência. EditoraVozes Ltda. Petrópolis, Rio de Janeiro.MARIANO, Agnes, A invenção da baianidade, Agnes Mariano – São Paulo: Anablue, 2009.5 Baianidade.REIS, Demian,” A dramaturgia histórica na dança do quilombo”, in greiner, C. e Bião,A,(orgs).REIS, João José, ”Tambores e Teimores: A festa negra na Bahia na primeira metade d séculoXIX”, in Cunha, M.C.P.(org), Carnavais e outros f® estas, Campinas, Ed. Unicamp, 2005, pp109-155.
  • 18. ROMERO, Silvio, 1851-1914, Folclore brasileiro: Cantos |Populares do Brasil/ SilvioRomero – Belo Horizonte: Ed. Itatiaia: São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1985.SILVA, Marinélia sousa da, “ Padre não deve se meter em política?.” Conflitos de política ereligião em Riachão do Jacuípe nas últimas décadas do século XX/ Marinélia Sousa da Silva –Salvador: Dissertação de Mestrado em História. UFBA. 2005.THOMPSON, Paul,1935. A voz do passado: história oral/ Paul Thompson; Tradução LoioLourenço de Oliveira, Rio de Janeiro; Paz e Terra, 1992.VAINFAS, Ronaldo, ETC.... ”História das mentalidades” in Cardoso, CF e Vaifas, Ronaldo(orgs.), Domínios da História. Rio de Janeiro. ED. Campos, 1997. Arquivos OraisCarneiro,Carmito da Natividade. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 08/09/2007Carneiro, Gilmário Lima. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 15/10/2007.Carneiro, José Cândido. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 08/09/2007.Carneiro, José Roque de Oliveira. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 08/09/2007.Carneiro, Maria Madalena. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 02/04/2009.Carneiro, Misael. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 23/05/2009.Conceição , Maria Célia dos Santos. Depoimento tomado em Chapada – Riachão do JacuípeJesus, Terezinha Pereira de. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 20/12/2009.Lima, Antonio Matos de. Depoimento tomado em Chapada - Riachão do Jacuípe, 12/09/2008.Lima,Risoleta dos Santos. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 08/09/2007Lima, José Neves de. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 15/11/2009.Marcenio,José Jesus. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 08/09/2007.Oliveira, Edílson Carneiro de. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 23/05/2009.Oliveira, Azeny Almeida de. Depoimento tomado em Chapada – Riachão do Jacuípe,20/12/2009Ramos, Pedro Manoel. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 15/09/2007.Santos, Hermes Roque dos. Depoimento tomado em Riachão do Jacuípe, 20/12/2009.
  • 19. Oliveira, Azeny Almeida de. Depoimento tomado em Chapada – Riachão do Jacuípe,20/12/2009Santos, Luis Ferreira dos. Depoimento tomado em Chapada – Riachão do Jacuípe,12/09/2008. Músicas 01. Seca do Aqueta Aí – Gravada pelo grupo das Pedrinhas. 02. Homenagem a Izidro - Gravada pelo grupo das Perdinhas 03. Sorriso lindo – Gravada pelo grupo Sufoco da Fumaça. 04. Mulher sem respeito – Gravada pelo Grupo Sufoco da Fumaça. 05. Festa – Gravada pelo Grupo Sufoco da Fumaça. 06. Vem Amor – Cantada por José Cândido e José Moisés. 07. Se essa mulher não te ama – Cantada por José e Cândido e José Moisés. 08. Festa na cidade – Cantada por Mandinho e Tiago. 09. Preciso de você – Cantada por Nadinho e Dunga 10. Vem morar mais eu – Cantada pelo Grupo Chuva de Prata. 11. Eu tenho uma namorada – Cantada por Nadinho e Dunga. 12. Abre a porta meu bem – Cantada por Geraldo e Arnaldo 13. Morena bonita da pele bronzeada – Cantada por Geraldo e Arnaldo. 14. Iolanda – Cantada por Geraldo e Arnaldo 15. Maria leva teu chale – Cantada por Geraldo e Arnaldo 16. Mulher nova, bonita e carinhosa – Cantada pelo Grupo Chuva de Prata 17. Linda cigana – Cantada por Carmito e José de Rosália 18. Medo de fazer amor – José Cândido e José Moisés 19. Quatro horas da manhã –Cantada por José Cândido 20. Lhe desejo ser feliz – Cantada por José Cândido e José Moisés