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6                                          RESUMO         Aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação como      ...
7                                         LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 – Mapa do Território do Sisal ........................
8                                                     SUMÁRIOCapítulo 1: Tecnologias da Informação e da Comunicação e seus...
9                                       INTRODUÇÃO       Os avanços da eletrônica vêm sendo responsáveis por enormes mudan...
10de desenvolvimento de um povo. Para muitos o próprio grau de desenvolvimento pode sermedido de acordo com a produção e a...
11        No segundo capítulo chegamos ao recorte que nos interessa nessa pesquisa:compreender as TIC no contexto do desen...
12                                        CAPÍTULO I                 Tecnologias da Informação e da Comunicação e         ...
13populações, antes de promover mudanças de hábitos e posturas tão radicais.        1.1 O Papel das TIC na Formação da Soc...
14pessoas, que por sua vez, utilizaram-no também para produzir conhecimentos, com o adventona Internet, esse conhecimento ...
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23informatização ainda é escasso no território em comparação com outras partes do Brasil,sobretudo quando comparado o que ...
24“produto espacial do embate entre classes sociais e da relação capital-trabalho”.       Segundo Brunet (1990), o territó...
25       O autor menciona projeto, neste caso um projeto nacional. Mas, em se tratando de umterritório, pensar num projeto...
26de sustentabilidade, o que necessita da descoberta das potencialidades locais, nasce então aideia do desenvolvimento sus...
27elemento dinamizador, que automatiza tarefas, que proporciona economia, fortalecendo açõescoletivas e colaborativas é es...
28informativos institucionais de entidades da sociedade civil e prefeituras, além de blogs e sitesde notícias.       A cul...
29       Assim como ocorre em muitas regiões distantes dos grandes centros urbanos do país, oterritório sisaleiro, ainda c...
302004, aos poucos o uso de modens que permitem acesso através da banda de telefonia celularvem se disseminando, o mesmo a...
31muitas localidades.                      CAPÍTULO III
32                                 As TIC e as Instituições                             Sociais do Território Sisaleiro   ...
33Promoção do Desenvolvimento.        Na visão de Touraine (1977) movimentos sociais podem ser definidos como ações   cole...
34comunidades rurais, ou aquelas que chegam a ter uma atuação em boa parte do território, estáo trabalho CODES, surgido a ...
35Valente, que concentra boa parte dos investimentos voltados para o movimento social. Alémde declararem-se parceiras, amb...
36   Caracterização            APAEB                 FATRES                  Sicoob-coopereCaráter Jurídico       Associaç...
37        A Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário Da Região Sisaleira(APAEB), segundo consta no site da inst...
38       O escritório central coordena a gerência de todos os setores, estes por sua vez possuemcoordenação própria. Tudo ...
39       A tarefa de promoção da melhoria da qualidade de vida da população, conforme constana missão institucional da ent...
40        A FATRES, que a exemplo da APAEB também possui um website1 é uma instituiçãoque articula 18 sindicatos de trabal...
41          Computadores                         14          Rede interna                         Interligando 7 computado...
42político-pedagógico aos sindicatos filiados. Todo esse trabalho é gerido a partir da sede,localizada em Valente. O traba...
43economia solidária, através da prestação de serviços financeiros e assistência técnica, visandoo desenvolvimento sustent...
44                             Infra-estrutura tecnológica do Sicoob-Coopere      Computadores                            ...
45instantâneos e softwares livres, ainda que o sistema operacional instalado nos computadoresserá pago.        É através d...
46                        METODOLOGIA APLICADA NA PESQUISAA metodologia aplicada na coleta e análise dos dados utilizados ...
47pelas entidades aos setores responsáveis pela área de informática, com exceção á FATRESque não possui um setor dedicado....
48                               CONSIDERAÇÕES FINAIS       Numa visão global está sociedade está se tornando um padrão ci...
49aproveitamento destas tecnologias;       - Explorar o potencial das TIC em momentos de planejamento de atividades;      ...
50                                      REFERÊNCIASANDRADE, Manuel Correia. A questão do território no Brasil. São Paulo: ...
51RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. SãoPaulo: Ática, 1993.SANTOS, Milton. M...
52                                         ANEXOS                        Figura I – Mapa do Território do SisalFonte: Inst...
Aplicação das tecnologias da informação e comunicação como ferramentas para o desenvolvimento do território do sisal
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  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Toni Chagas de CarvalhoAPLICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO TERRITÓRIO DO SISAL Conceição do Coité 2010
  2. 2. 2 Toni Chagas de CarvalhoAPLICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO TERRITÓRIO DO SISAL Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em comunicação, sob a orientação da professora Hanayana Brandão Guimarães Fontes Lima. Conceição do Coité 2010
  3. 3. 3 Toni Chagas de CarvalhoAPLICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO TERRITÓRIO DO SISAL Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia sob a orientação da professora Hanayana Brandão Guimarães Fontes Lima Data: Resultado: BANCA EXAMINADORA Prof. (a) orientador: __________________________ Assinatura: Prof.: Assinatura: Prof.: Assinatura:
  4. 4. 4DEDICATÓRIA Este trabalho é dedicado em especial à minha mãe Rilza, meu pai Antônio e minha irmã Adriana. Dedico também a todos os meus familiares que depositam tanta confiança no rumo de minha caminhada.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS Muitos foram aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para minha formaçãocomo cidadão, não apenas na academia, como na vida. Nós somos tudo aquilo que tiramos da vida, e a vida vem em grande parte das trocas que fazemos, das vivências com pessoas e coisas. Todos constroem a si próprios sozinhos, mas toda a matéria prima surge a partir da interação, de conselhos que se dá e recebe, de informações compartilhadas e da confiança mútua. O resultado desta caminhada ao longo do curso, muito se deve ao fato de tantaspessoas terem acreditado em mim. A família vem em primeiro lugar, por ter acreditado desde o princípio, e pelo fato de que essa confiança e todo o carinho que sempre recebi nunca cessarão. Este trabalho também é fruto das discussões, aprendizado e a convivência com minha orientadora Hanayana Brandão, com quem felizmente compartilho o gosto pelatemática que escolhi. Aproveito também para agradecer às instituições que fizeram parte dessapesquisa, sobretudo as pessoas com as quais interagi durante os últimos meses, não medindo esforços para me munir de informações e vivências. Por fim agradeço aos colegas eprofessores do curso de comunicação social do campus XIV da UNEB, sem deixar de incluiro corpo de funcionários com quem também troquei muitas experiências e, aprendi que a vida acadêmica não está apenas na sala de aula.
  6. 6. 6 RESUMO Aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação como Ferramentas para o Desenvolvimento do Território do Sisal Na primeira década do século XXI estamos acompanhando e fazendo parte dareafirmação da condição das tecnologias da informação e comunicação (TIC), comoferramentas essenciais para as mais diversas atividades humanas, tais como a comunicação eo acesso à informação. O desenvolvimento passa a depender cada vez mais de açõeslocalizadas, muitas delas sem o apoio do Estado, nesse panorama é necessário entender qual opapel dessas tecnologias junto a iniciativas de promoção do desenvolvimento, não só porparte de governos e empresas, como também das instituições sociais. Muitas destasinstituições, como acontece no Território Sisaleiro da Bahia, se tornaram o carro chefe dasiniciativas de promoção do desenvolvimento em suas regiões, a exemplo da Fundação deApoio aos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares da Região do Sisal e Semi-Árido daBahia (FATRES), A Cooperativa Valentense de Crédito Rural (Sicoob-Coopere) e aAssociação de Desenvolvimento Sustentável Solidário da Região Sisaleira (APAEB), ambassediadas no município de Valente. O objetivo deste trabalho é verificar como essas trêsinstituições estão aplicando as tecnologias da informação e comunicação para a promoção dodesenvolvimento no território. Palavras Chaves: TIC, tecnologia, informação, comunicação, desenvolvimento,território. AbstractApplication of Information Technology and Communication as Tools for Development of Territory of SisalIn the first decade of this century we are witnessing and being part of the reaffirmation of thestatus of information and communication technologies (TIC) as essential tools for a variety ofhuman activities, such as communication and access to information. At a time when thedevelopment comes to depend more and more localized actions, many without the supportgovernments, it is necessary to understand what role these technologies together to initiativespromoting development not only by governments and businesses, but also by socialinstitutions. Many of these institutions, such as sisal in the Territory of Bahia became theflagship initiatives to promote development in their regions, such as the Foundation for theSupport of Rural Workers and Family Farmers in the region of Sisal and semi-arid of Bahia(FATRES), Cooperative Rural Credit Valentense (SICOOB-Cooperate) and the SustainableDevelopment Fund of the Sisal Region (APAEB), both based in the municipality of Valente.The objective of this study is to see how these three institutions are applying informationtechnology and communication development perspective of the territory.Key words: ICTs, technology, information, communication, development, territory.
  7. 7. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 – Mapa do Território do Sisal ............................................................................ 50Figura 2 – Mapa dos Territórios de identidade .............................................................. 51
  8. 8. 8 SUMÁRIOCapítulo 1: Tecnologias da Informação e da Comunicação e seusimpactos na sociedade ................................................................................. 13 1.1 O papel das TIC na formação da sociedade da informação................................................................................................ 15 1.2 Características de uma nova sociedade............................................... 15 1.3 O Contexto Brasileiro............................................................................ 18Capítulo 2: As TIC e a questão regional.................................................... 22 2.1 O papel das TIC e o desenvolvimento regional ................................. 23 2.2 O território do Sisal .............................................................................. 27 2.2.1 Infra-estrutura tecnológica do território sisaleiro da Bahia ................ 28 2.2.2 O avanço das TIC e seus impactos no território sisaleiro ............... 30Capítulo 3: As TIC e as instituições sociais do território sisaleiro ........ 32 3.1 O papel dos movimentos sociais e a existência de políticas públicas para a promoção do desenvolvimento................................................... 33 3.2 Três iniciativas de destaque na promoção do desenvolvimento regional.................................................................................................. 34 3.2.1 A APAEB............................................................................................ 37 3.2.2 FATRES ........................................................................................... 40 3.2.3 Sicoob-coopere ............................................................................... 42Metodologia aplicada na pesquisa ............................................................. 46Considerações finais ................................................................................... 48Referências ................................................................................................... 50Anexos ........................................................................................................... 52
  9. 9. 9 INTRODUÇÃO Os avanços da eletrônica vêm sendo responsáveis por enormes mudanças na formacomo as pessoas têm acesso e lidam com a informação. O rádio e o cinema, dentre tantasoutras tecnologias surgidas a partir do final do século XIX foram extremamente importantespara os fenômenos que vislumbramos a partir da década de 1970. A partir daí vieram ocomputador pessoal e a internet, que provocaram uma aceleração jamais vista na circulação dainformação, criando as bases fundamentais para o que se tornaria a “sociedade da informação”.Como toda revolução tecnológica, esta, impulsionada pelas tecnologias da informação ecomunicação também suscitou dilemas a partir de questionamentos sobre benefícios emalefícios trazidos junto com elas. A revolução que temos em curso se difere bastante do que vimos na primeira e nasegunda revolução industrial. A primeira revolução industrial apoiou-se no amplo uso deinformações, aplicando conhecimentos que já estavam disponíveis décadas antes. Já nasegunda revolução industrial, ocorrida depois de 1850, a ciência teve um papel fundamental napromoção das inovações tecnológicas, participação que pode ser exemplificada no importantepapel dos primeiros laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D), na indústria químicaalemã no final do século XIX. A centralidade dos conhecimentos e informação foi umacaracterística marcante em ambas as ocasiões. Vivemos um momento histórico ondenovamente nossa cultura material sofre grandes transformações, mas o potencial departicipação de empresas, governos e pessoas em esfera global é o seu grande diferencial. Talnível de participação se deve principalmente à livre fluência da informação em meio àspossibilidades de interação entre as pessoas de forma jamais vista, além da impossibilidade decentralização do controle desse infindável fluxo de informação e comunicação. O potencialdesse fluxo hoje é medido para ser base para várias constatações, inclusive em relação ao nível
  10. 10. 10de desenvolvimento de um povo. Para muitos o próprio grau de desenvolvimento pode sermedido de acordo com a produção e acessibilidade às tecnologias da informação ecomunicação. No Brasil e mais especificamente no estado da Bahia a política dos territórios nos dá aoportunidade de pensar o desenvolvimento a partir de necessidades localizadas, e promovidopor quem conhece as demandas e desafios de sua realidade. Uma região que não inova os seusmeios de produção e comunicação e que não busca uma infra-estrutura institucional e atémesmo material, pode se distanciar muito da direção que hoje aponta para o desenvolvimento,um caminho que perpassa cada vez mais pelo uso das TIC, já que sem elas é impossívelinserir-se no globalizado mundo das redes telemáticas. Para começar, comunicação é umelemento fundamental para quem busca o desenvolvimento, e esta vem sendo cada vez maisatrelada às novas tecnologias, sobretudo as que utilizam a Internet. Quando se trata de umterritório, com toda sua diversidade política e cultural, percebemos que o desenvolvimentonecessita de uma infra-estrutura de comunicação informatizada, que explore o potencial dastecnologias implantadas de uma maneira que vá além da comunicação, mas também dacirculação e processamento da informação. A partir dessas premissas, veremos ao longo dopresente trabalho, um panorama do uso das tecnologias da informação e comunicação naperspectiva do desenvolvimento no Território Sisaleiro. No primeiro capítulo veremos como se deu a partir da década de 1970, odesenvolvimento e disseminação das novas tecnologias da informação e comunicação,inicialmente a partir do uso crescente dos computadores pessoais e logo depois da Internet,importantes ferramentas que nos possibilitam hoje vivenciar a chamada “sociedade dainformação”. Veremos também como essa nova sociedade se caracteriza e, como astecnologias da informação e comunicação que tanto colaboraram para sua instalação estãoinseridas em seus diferentes contextos.
  11. 11. 11 No segundo capítulo chegamos ao recorte que nos interessa nessa pesquisa:compreender as TIC no contexto do desenvolvimento. Neste ponto traremos um panorama douso das TIC no Território Sisaleiro da Bahia, com um levantamento sobre a infra-estruturavoltada para essas novas tecnologias e os impactos da crescente adesão a estas, principalmentenesta primeira década do século XXI. No nosso terceiro e último capítulo, faremos uma análise do papel das TIC para apromoção do desenvolvimento no território a partir da adesão de instituições sociais à essastecnologias, aplicando-as em suas atividades, abordaremos aqui o trabalho de três instituiçõesque se destacam na promoção de desenvolvimento no território: a Fundação de Apoio aosTrabalhadores Rurais e Agricultores Familiares da Região do Sisal e Semi-Árido da Bahia(FATRES), da Cooperativa de Valentense de Crédito Rural (Sicoob-Coopere) e da Associaçãode Desenvolvimento Sustentável Solidário da Região Sisaleira (APAEB). Por fim serãoapresentadas as considerações finais, como resultado das análises das informações coletadas.
  12. 12. 12 CAPÍTULO I Tecnologias da Informação e da Comunicação e Seus Impactos na Sociedade Desde o início do século XX pesquisadores agrupados em escolas, movimentos ousimplesmente linhas de pensamento vem tentando entender a importância da comunicação esuas implicações na sociedade. Do telefone aos primeiros computadores foram décadas depesquisas científicas e evoluções tecnológicas que para os padrões de hoje não promoverammudanças tão rápidas na sociedade, mas o impacto e possibilidades surgidas desde então -principalmente no campo da comunicação – são inquestionáveis. Para Wolton (2000) o quedifere a revolução causada por tecnologias como o rádio, o telefone, a televisão e mais tarde ocomputador é a violenta ruptura causada por elas, a introdução e a assimilação dessastecnologias se deu de forma tão rápida que nos parece que estão aí desde sempre. O que vemosdesde a década 1970 é uma aceleração ainda maior desse processo. O autor chega a afirmarque “para muitos, a quantidade de computadores conectados à internet parece o índice maispreciso sobre o grau de desenvolvimento de um país, até mesmo de inteligência...” (2000). Astecnologias da informação e comunicação segundo o conceito de Castells (1999) são “oconjunto convergente de tecnologias de microeletrônicas, computação (software e hardware),telecomunicações/radiodifusão e optoeletrônica”. Na América latina o contexto apontado por Wolton ganha uma dimensão cultural cheiade questionamentos, principalmente ao relacionarmos a disseminação das TIC e odesenvolvimento. Já Barbero (2002), também se preocupa com o tema, e afirma que naAmérica Latina, a imposição acelerada dessas tecnologias aprofunda o processo demascaramento da modernização, que talvez não esteja se dando de maneira realmente eficaz,já que é preciso antes de tudo avaliar o potencial de apropriação e identificação cultural das
  13. 13. 13populações, antes de promover mudanças de hábitos e posturas tão radicais. 1.1 O Papel das TIC na Formação da Sociedade da Informação Se na década de 1950 computadores pesando toneladas deram início a uma incrívelrevolução tecnológica, fazendo com que governos e empresas promovessem mudançasradicais no modo de vida das pessoas, foi a partir da década de 1970 que iniciou-se umprocesso em que pessoas comuns em suas casas ou no trabalho, passariam a participar deforma direta e extremamente ativa nas transformações sociais promovidas pelo uso crescentedas novas tecnologias. A situação do capitalismo mundial nesse período foi decisiva para o impulso edesenvolvimento das tecnologias advindas do computador. Mattelart (2008) traz uminteressante panorama dessa época quando surge um alarmante diagnóstico da situação dosistema capitalista vigente, com ênfase no que ocorria nas Europa Ocidental, América do Nortee Japão. Esse fenômeno possibilitou uma aproximação entre países mais ricos, principalmenteo que compunham o G81, o que trouxe grandes avanços no que diz respeito a intercâmbios,movimento de capitais e uma “flexibilização” das empresas na fluidez das redes planetárias. Asociedade da informação pareceu o ambiente mais propício para o capitalismo, que em crise seapegou à uma industrialização focada no surgimento de novas tecnologias. O que ocorreu apósesse período, segundo este autor, foi uma apropriação quase sem fronteiras dos muitosbenefícios dessa nova ordem econômica. Na década de 1980, principalmente nos Estados Unidos os computadores deixaram deser usados exclusivamente pelas grandes empresas, para estarem presentes nas casas das1 O grupo G8 reúne os líderes (presidentes e primeiros ministros) do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão,Rússia, Reino Unido e os Estados Unidos.
  14. 14. 14pessoas, que por sua vez, utilizaram-no também para produzir conhecimentos, com o adventona Internet, esse conhecimento ganhou um importante de espaço de disseminação e troca.Vemos cada vez mais a influência da iniciativa privada, muitas vezes em sinergia com essanova configuração de produção e consumo de bens não apenas materiais. Nas décadas 1970 e1980 o capitalismo vislumbrou e, portanto, ajudou a criar uma sociedade na qual a partir dadécada 1990 as tecnologias da informação e da comunicação passaram a ditar as regras daprodução do mercado de bens e, até mesmo constituir este mercado. Para Castells (1999), doisaspectos desse período que valem até os dias de hoje merecem destaque: o primeiro deles é ofato de que as descobertas e as aplicações – e foram muitas – interagiam entre si e eramtestadas continuamente, assim, aprendia-se fazendo. Os usuários passaram a utilizartecnologias recentemente desenvolvidas, decorrendo novas potencialidade de uso e, até mesmoaprimorando-as, a exemplo do uso cada vez mais freqüente das linguagens de programação. O segundo aspecto diz respeito à multiplicidade de atores nesses processos, comocentros de pesquisa, universidades, empresas de tecnologia avançada, e para citar algumasestavam lá a IBM, a Xerox e as recém nascidas e não menos importantes nesse processo,Apple e Microsoft. E apesar da já estabelecida rede on-line a concentração espacial tambémfoi fundamental, o maior exemplo deles é o famoso Vale do Silício nos Estados Unidos, queabrange várias cidades do estado da Califórnia, ao sul de São Francisco, como Palo Alto eSanta Clara, estendendo-se até os subúrbios de San José. Pode-se dizer este lugar, comatuações destas e outras empresas de tecnologia, foi o grande celeiro que possibilitou o atualestágio de informatização que o mundo vive. Enquanto a Inglaterra sediou boa parte dosgrandes acontecimentos ocorridos na primeira e na segunda Revolução Industrial, os EstadosUnidos foram palco do nascimento da sociedade da informação. Atualmente as inovações proporcionadas pelas tecnologias da informação ecomunicação vão desde a telefonia via internet, oferecendo possibilidades de conversas em
  15. 15. 15áudio sem custos adicionais, à criação de verdadeiras comunidades virtuais visando desde oentretenimento às ações educacionais e colaborativas. As TIC estão atreladas à boa parte dasatividades de rotina dos indivíduos, possibilitando interação de pessoas e grupos, reunião deinformações, compartilhamento e distribuição destas, cristalizando a formação de uma novasociedade. Para tanto, uma gigantesca infra-estrutura tecnológica foi erguida em escalamundial, através de ações sinérgicas de governos e empresas, estão inclusas redes de telefonia,interconexões de cabos de fibra ótica, satélites, sistemas energéticos e centros empresariais. Asociedade da informação só foi possível mediante uma logística técnica e operacional,impulsionadas principalmente por grandes conglomerados econômicos, envolvendo empresasde telecomunicações, entretenimento e governos. Sem a venda desenfreada de computadores,máquinas associadas ao desenvolvimento e ao acesso ao mundo de possibilidades que aconectividade oferecida pelo sistema de redes gerou, sem a telefonia celular, cada vez maispresente no cotidiano de praticamente todos os países, e sem Internet, maior fluxo deinformação e comunicação já criado, a sociedade da informação estaria apenas em histórias deficção científica, aguardando um futuro propício acontecer, mas, essa grande revolução jáconfigura nossa realidade. 1.2 Características de Uma Nova Sociedade. Antes de abordamos sobre as características dessa nova sociedade que vivenciamos, éimportante ressaltar que mesmo o termo para denominar essa sociedade é alvo de muitosdebates. Os termos “Sociedade da informação” e “Sociedade do Conhecimento” são os maisdifundidos. Em 1973, o sociólogo estadunidense Daniel Bell usou a noção da sociedade deinformação. Ele o utilizou ao falar que essa nova sociedade - a partir daquela década - seria
  16. 16. 16sustentada pela informação. O termo sociedade do conhecimento, muito usado em publicaçõesda UNESCO, por exemplo, se popularizou bem depois, principalmente em publicações nadécada de 1990. Alguns teóricos preferem ainda outras terminologias. Castells (1999), porexemplo, prefere adotar o termo: Sociedade em rede. A exemplo da maioria das publicações, a Organização das Nações Unidas (ONU)também parece ter adotado o termo “informação” ao realizar a Cimeira Mundial da Sociedadeda Informação (CMSI), o termo cimeira é comumente substituído por cúpula. Nos encontrospromovidos pela cimeira, o debate entre adeptos dos termos “conhecimento” e “informação”também ocorreu. O fato é que o termo sociedade da informação é tão difundido, que nasformulações de outras propostas, ele tende a ser tomado como referência, apesar de ser alvo decríticas de quem o vê como alusão exclusiva às tecnologias, preferindo assim, o termoconhecimento por sua maior amplitude. Como mostrado no início deste capitulo, Barbero (2002) analisou a sociedade dainformação na América Latina tomando a cultura como um elemento importante em suaanálise, ainda que esta seja muitas vezes desconsiderada nos planos de globalização com umlargo alcance das TIC como parte de interesses “transnacionais”. O fato é que a revoluçãopromovida a partir do uso massivo das TIC pode ser vista como fruto de uma mudança radicalem nossa cultura material, mas com consequências inevitáveis em nossa cultura imaterial,perpassando assim pelos vários âmbitos da sociedade. Para Wolton (2000) essas tecnologias“encorajam a capacidade de criação”. É importante, claro, ressaltar outra afirmação onde Wolton (2000) diz que é normal veruma simetria entre o sonho de uma sociedade “mundialista” e a própria globalização daeconomia, esta ultima pode até ser o objetivo principal, sendo a integração cultural ecomunicacional de forma global, apenas uma forma de manutenção dessa globalizaçãoeconômica. Mas, ainda assim, o que se verifica nas relações entre empresas, entre estas e seus
  17. 17. 17funcionários, entre governos, e até mesmo entre pessoas comuns é um processo deapropriação, uso e criação que não parece cessar, ou até mesmo desacelerar tão cedo, sem falarda diversificação de seus usos, oferecendo possibilidades que vão além dos interesses demultinacionais e governos. Como afirma Mattleart (2008), “uma nova configuração de atoressociais e profissionais começou a distanciar-se das dinâmicas dominantes e a reapropriar-se daquestão das tecnologias da informação e da comunicação”. Um fenômeno interessanteapontado por ele, mostra que a informação e o saber são cada vez mais considerados comobens imateriais passivos de apropriação. De fato, ao analisarmos o contexto das patentes nosúltimos 100 antes, veremos que enquanto no início do século XX as invenções ocuparam comsoberania as discussões acerca das patentes, hoje, cada vez mais idéias são patenteadas,produtos intelectuais não palpáveis, como codificações de softwares são motivos deverdadeiras guerras jurídicas e, constituem o maior patrimônio de muitas dessas empresas.Não por coincidência, existe atualmente um amplo debate em torno do direito intelectual.Ainda resgatando análises comparativas entre o que ocorre hoje e o que aconteceu nasprimeira e segunda revolução industrial, vale resgatar uma importante caracterização dessesdois períodos trazida por Castells: ... um aumento repentino e inesperado de aplicações tecnológicas que transformou os processos de produção e distribuição, criou uma enxurrada de novos produtos e mudou de maneira decisiva a localização das riquezas e do poder no mundo, que, de repente, ficaram ao alcance dos países e elites capazes de comandar o novo sistema tecnológico. (Castells, 1999, p 71). Verificamos hoje o que Wolton (2000) chama de “oferta e demanda de informação”,onde a constatação das necessidades de informação e comunicação, sobretudo nas“sociedades desenvolvidas” acaba por legitimar mercados como o da Web e, atender a taisnecessidades acaba sendo para muitos um caminho fundamental para o progresso, e como
  18. 18. 18questiona Wolton, “quem se colocaria contra o progresso?”. Esse mercado comum promovidopela Internet está reforçando cada vez mais o fenômeno das convergências. Nosso consumo há muito tempo já não está mais restrito à feira livre de nossacomunidade, às lojas no centro ou a negociar com pessoas próximas, com as quais precisamossentar juntos e negociar. A “rede e o ser” citados por Casttels (1999) se confundem. Aidentidade do ser está cada vez mais constituída de fragmentos que permeiam a imensa redemundial, traçada por uma integração que não é meramente virtual, essa integração virtualparece ser apenas o primeiro passo, o terreno no qual rapidamente uma integração concreta seconstitui. Culturas diversas nos chegam através do cinema, televisão, rádio e Internet, e logoabrem caminho para equipamentos eletrônicos, roupas e até alimentos. 1.3 O Contexto Brasileiro No Brasil, o que ocorreu nas últimas quatro décadas não é muito diferente do queaconteceu em muitos países da América Latina. Depois do populismo de Vargas com o projetode modernização do país, veio a troca da modernização pela idéia do progresso, o que foilevado a cabo pela ditadura militar. Na busca pelo desenvolvimento foi necessário instituiruma verdadeira integração nacional, começava a nascer a grande e complexa infra-estruturade telecomunicações no país, o que antes serviu prioritariamente as redes de televisãoprincipalmente, com a ação do para promover a importante integração e consolidação de umanação, hoje se converte numa infra-estrutura tecnológica que vai além das telecomunicações,o que só foi possível com intervenção da iniciativa privada, principalmente a partir da décadade 1990 e as privatizações no Governo Fernando Henrique Cardoso. A infra-estrutura trazidapelas empresas de telefonia também impulsionou a disseminação do acesso à internet, hoje
  19. 19. 19em sua maioria operacionada por elas. A Política Nacional de Informática do País foi estabelecida da Lei nº 7.232, de 1984, etem como objetivo “a capacitação nacional nas atividades de informática, em proveito dodesenvolvimento social, cultural, político, tecnológico e econômico da sociedade brasileira”.Muitos dos dispositivos foram substituídos posteriormente pelas Leis nº 10.176, de 2001, e nº11.077, de 2004, visando a adequação a uma realidade em que estavam se fortalecendo aprodução e à comercialização de bens de informática e a abertura do mercado. ConformeBarbosa (2009) país pode mostrar agora em dados estatísticos o quanto as TIC estão sedifundindo em boa parte de seu extenso território. Os resultados da pesquisa para o ano de2008 mostraram que houve a intensificação no uso e na posse das Tecnologias de Informaçãoe Comunicação no Brasil: 18% dos domicílios brasileiros possuem computador com acesso àInternet e 34% da população nacional é usuária efetiva, ou seja, acessou a Web nos últimostrês meses daquele ano. Os números ainda estão longe do ideal, com a informatização da sociedade cada vezmaior, acessar produtos e serviços dependerá cada vez do acesso às tecnologias a quais elesestão condicionados, sem falar da própria acessibilidade oferecida pelo governo, que cada diaque passa se informatiza, o governo eletrônico está cada vez mais presente, mas acessá-loainda é um problema para a parcela da população desfavorecida nas estatísticas mostradaspelo relatório 2009 do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI). Até a TV e o rádio digital no país passarão a oferecer e estimular o mercado deprodutos e serviços computacionais dentro de seus universos como produtoras de demandasmercadológicas, principalmente no que se refere à televisão. Após o governo Fernando Henrique, marcado pelas privatizações e pela iniciativaprivada, assumindo em boa parte e informatização do país e uma consequente popularizaçãode TIC, os dois mandados do Governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva estão sendo
  20. 20. 20marcados por iniciativas de inclusão digital, uso sistemático de softwares livres e aimplantação gradativa de práticas de governo eletrônico, a partir da informatização deserviços e bancos de dados, por exemplo, algo que teve início no Governo Fernando HenriqueCardoso. As Nações Unidas realiza um estudo anual, onde os países são classificados deacordo com a sua infra-estrutura tecnológica. São utilizados os seguintes indicadores:percentual da população conectada à Internet; número de telefones fixos e móveis; quantidadeestimada de computadores; e número relativo de aparelhos de televisão. O Brasil se tornou em2009 o quinto maior do mundo, em termos absolutos, em acesso à Internet, por exemplo. A questão mais preocupante no Brasil segundo Nazareno (2006), é o cenário brasileiroda “infoexclusão”. No relatório chega-se a usar o termo “apartheid digital” entre as regiõesgeográficas brasileiras, e camadas sociais da população. Outros dados obtidos a partir dapesquisa realizada pela CGI, mostram alguns avanços importantes, e dizem respeito ao acessoindividual à contas de e-mail. O número de usuários da Internet que possuem conta de e-mailgratuita passou de 55% em 2005 para 80% em 2008, um dado que também nos remete aosurgimento de novas demandas trazidas até mesmo pelo grande aumento na vendas decomputadores. Outras tecnologias da informação e comunicação também foram alvos do estudo daCGI. O acesso ao telefone celular continuou com um crescimento significativo em 2008,comparado com 2006 e 2007, sendo um dos “principais vetores de inclusão da populaçãobrasileira ao uso de Tecnologias de Informação e Comunicação”. O ranking traçado peloComitê Gestor da Internet no país confirma que a televisão continua sendo um equipamento“praticamente universal” na área urbana (98%), seguida pelo rádio (87%) e pelo telefonecelular (76%). Sobre o uso de computadores, a proporção de domicílios com é maior nasregiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, nos domicílios com renda familiar elevada e de classessociais mais altas. Mesmo com o avanço desses índices, fica claro que tudo isso deve vir
  21. 21. 21acompanhado de políticas públicas voltadas não apenas para a acessibilidade, como tambémpara a educação e capacitação do cidadão. CAPÍTULO II
  22. 22. 22 As TIC e a Questão Regional É importante considerar que a própria informação é cada vez mais considerada comoum instrumento básico para quem quer pensar em desenvolvimento. As modernas redestelemáticas e toda a sua ramificação estrutural que a cada dia chega mais longe, tem servidode suporte indispensável para isso. O uso das tecnologias da informação e comunicação quecada vez mais convergem entre si, tem sido uma verdadeira arma na busca pelo crescimentoeconômico e, isso vai desde a acessibilidade a produtos e serviços essenciais como o própriogoverno eletrônico, cada vez mais presente em cidades interioranas. Outro fator determinantena relação entre TIC e desenvolvimento é a própria oferta de serviços básicos que necessitamde uma boa infra-estrutura de comunicação, como por exemplo, possibilitar maneiras maiseficazes e rápidas de comunicação entre pessoas e grupos. Para Castells (1999) a sociedade se organiza hoje a partir de vários fluxos, como os decapital, de informação e de tecnologias, todos sem dúvida intimamente ligados, em boa partepelo sistema capitalista vigente. A informação, segundo o autor, passa a ser um fator críticonesse processo e, neste caso, uma boa infra-estrutura tecnológica torna-se essencial. Tecnologias como a internet via rádio e via wirelles1, possibilitam o acesso a Internete, consequentemente permite ao acesso a serviços que em sua maioria só podem ser acessadosatravés dela, um benefício com resultados positivos principalmente em localidades maisisoladas. Porém, devemos considerar que algo básico como até mesmo o transporte de pessoase a rede elétrica chegam a ser precários em alguns lugares e, no caso da energia elétrica podesimplesmente não existir. Essas limitações destoam o território, assim como vários outros,das regiões metropolitanas do país. O acesso aos produtos e serviços advindos da1 Uma rede sem fio que conecta computadores sem a necessidade do uso de cabos – sejam eles telefônicos,coaxiais ou ópticos – por meio de equipamentos que usam radiofrequência (comunicação via ondas de rádio) oucomunicação via infravermelho.
  23. 23. 23informatização ainda é escasso no território em comparação com outras partes do Brasil,sobretudo quando comparado o que se vê na região sudeste. 2.1 O papel das TIC e o desenvolvimento territorial. Um dos primeiros autores de destaque que abordaram o conceito de território foiClaude Raffestin (1993). Merece destaque na sua obra o caráter político do território, bemcomo a sua compreensão sobre o conceito de espaço, geográfico, pois o entende comosubstrato, um palco, pré-existente ao território. É essencial compreender bem que o espaço é anterior ao território. O território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstratamente […] o ator “territorializa” o espaço. (RAFFESTIN, 1993, p. 143). Dentro dessa concepção o território é tratado, principalmente, com ênfase político-administrativa, como o território nacional, espaço físico onde se delimita uma ordem jurídicae política; um espaço medido e definido pela ação humana. Santos (1996) adverte que nãodevemos confundir território e espaço, para ele “a mesma paisagem, a mesma configuraçãoterritorial, nos oferecem, no transcurso histórico, espaços diferentes” (SANTOS, 1996, p. 77).Já Rogério Haesbaert (1997) analisa o território com diferentes enfoques. No jurídico-político,segundo ele, “O território é visto como um espaço delimitado e controlado sobre o qual seexerce um determinado poder, especialmente o de caráter estatal”. Há também a abordagemculturalista, prioriza dimensões simbólicas e mais subjetivas, o território é visto como“produto da apropriação feita através do imaginário e/ou identidade social sobre o espaço”. Epor fim a visão econômica, que destaca a desterritorialização sob a perspectiva material, como
  24. 24. 24“produto espacial do embate entre classes sociais e da relação capital-trabalho”. Segundo Brunet (1990), o território é um espaço "construído como um espaço derelações sociais, onde há o sentimento de pertencimento dos atores locais à identidadeconstruída”. O autor ainda se refere a possíveis laços de solidariedade que são criados entre osatores desse processo. Já Scheren-Warren (1998) fala de uma perspectiva multiculturalista. Defato, no caso participar do território do sisal, muitas são as discussões por parte da populaçãoem relação a sua demarcação, principalmente por parte de municípios cuja atividadeeconômica não gira em torno da cadeia produtiva do sisal, uma postura errônea, se levarmosem conta as acepções aqui levantadas. Com base na política dos territórios instituída pelo Ministério do DesenvolvimentoAgrário (MDA), em 2004 a Coordenação Estadual de Desenvolvimento (CET) homologouoficialmente o Território do Sisal. A planta Agave, popularmente conhecida como sisal deuorigem ao nome do território. O cultivo do sisal não deve ser considerado o único edeterminante elo entre os municípios para que eles sejam considerados integrantes de ummesmo território. Devem-se considerar também, os diversos fatores históricos comuns a essesmunicípios, fatores culturais e geográficos, fatores estes que os tornam próximos. A própria maneira como os diversos poderes dominantes se estruturam e atuamtambém devem ser levados em conta. A construção social de um território, portanto, pode ounão ser associada a estratégias de valorização de produtos locais, de forma diferenciada,conforme afirma Flores (2006). Ao discutirmos sobre desenvolvimento em um território énecessário também abordar sobre o próprio conceito de desenvolvimento. Vejamos o que dizSachs (2005): O potencial de desenvolvimento de um país depende em primeira instância da sua capacidade de se pensar, em segundo da sua habilidade a por em obra o projeto político e só em última instância, do grau de desenvolvimento do seu aparelho produtivo. (Sachs, 2005. p. 15)
  25. 25. 25 O autor menciona projeto, neste caso um projeto nacional. Mas, em se tratando de umterritório, pensar num projeto que abranja um único território, como no caso particular doterritório sisaleiro, é necessário pensar em desenvolvimento local. Num território onde alémdas instituições privadas e governos sociedade civil também exerce intensa influência nosprocessos sociais e econômico, essa rede de grupos e pessoas se torna ainda mais complexa,muitas vezes com choque de interesses, ações paralelas sem a mesma eficácia de possíveisações convergentes. Streek (1997) destaca a importância dessas redes sociais para aestratégia a inovação, influenciando até mesmo no nível de competitividade. Nesse sistema deorganização social entram cena as tecnologias da informação não apenas como merascoadjuvantes, já que um capital social, bem estruturado, que conta com uma infra-estruturaque dê conta de suas demandas de acesso, troca, processamento e distribuição da informação,terá mais possibilidade de êxito em suas atividades. A visão dicotômica do Estado e mercado como reguladores do desenvolvimentonecessitam de agente intermediários, segundo Muls (2008), neste caso são as instituições comações de cunho produtivo e/ou de regulação social, o que corrobora com a visão de Santos(1996) em que o processo de desenvolvimento humano, não há uma separação do homem e danatureza. A natureza se socializa e o homem se naturaliza. Sobre o desenvolvimento local nostrás um interessante enfoque: É a partir do espaço geográfico que se dá a solidariedade orgânica; tais atividades, não importa o nível, devem sua criação e alimentação às ofertas do meio geográfico local […] na verdade, mudadas as condições políticas, é nesse espaço banal que o poder público encontraria as melhores condições para sua intervenção. Trata-se, aqui, da produção local de uma integração solidária, obtida mediante solidariedades horizontais internas, cuja natureza é tanto econômica, social e cultural como propriamente geográfica. A sobrevivência do conjunto, não importa que os diversos agentes tenham interesses diferentes, depende desse exercício da solidariedade, indispensável ao trabalho, e que gera a visibilidade do interesse comum (Santos, 2000, p. 110). A essa ideia de desenvolvimento citada por Milton também pode ser somada a noção
  26. 26. 26de sustentabilidade, o que necessita da descoberta das potencialidades locais, nasce então aideia do desenvolvimento sustentável, o que abandona a visão de desenvolvimento apenas sobo aspecto econômico. Este conceito de desenvolvimento preza pelo reprocessamento dosrecursos naturais e valorização do capital humano, bem como a melhoria das condições devida das populações. Sachs (1993) aponta algumas dimensões da sustentabilidade: 1) Sustentabilidade social: consiste na criação de um processo de desenvolvimentocivilizatório baseado no ser e que seja sustentado por uma maior eqüidade no ter, nos direitose nas condições das amplas massas da população, diminuindo a distância entre os padrões devida dos mais ricos e dos mais pobres; 2) Sustentabilidade econômica: possibilita uma eficiência macro-social, reduzindo oscustos sociais e ambientais; 3) Sustentabilidade ambiental: aumenta a capacidade de uso dos recursos naturaisatravés da utilização de recursos renováveis e da limitação do uso de recursos não-renováveisou ambientalmente prejudiciais; 4) Sustentabilidade espacial: está voltada a uma configuração rural-urbana maisequilibrada; 5) Sustentabilidade cultural: respeita a continuidade das tradições culturais e atémesmo a pluralidade das soluções particulares. O desenvolvimento sustentável se refere principalmente às conseqüências dessarelação na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente como futura. Poristo, atividade econômica, meio ambiente e bem –estar social formam o tripé básico do seuconceito. Ele tem várias dimensões: cultural, política, econômica, ambiental, espacial e social(BRASIL, 2002) O papel das tecnologias da informação e comunicação desempenhando uma função de
  27. 27. 27elemento dinamizador, que automatiza tarefas, que proporciona economia, fortalecendo açõescoletivas e colaborativas é essencial na busca pelo desenvolvimento sustentável. 2.2.1 O Território do Sisal O Território do Sisal está localizado no semi-árido do nordeste do estado (a cerca de240 km de Salvador). Segundo dados do IBGE (2007) o território possui 552.713l habitantes,dos quais 63% ocupam a área rural, sendo formado por 25 municípios: Serrinha, Conceiçãodo Coité, Araci, Monte Santo, Tucano, Itiúba, Santaluz, Cansanção, Riachão do Jacuípe •Queimadas, Quijingue, Valente, Teofilândia, Pé de Serra, Biritinga, Barrocas, Capela do AltoAlegre, Lamarão, Nordestina, Retirolândia, Candeal, São Domingos, Nova Fátima, Ichu eGavião. A economia do território é baseada na agricultura familiar, com destaque para o sisal,que historicamente tem em sua fibra um dos principais sustentáculos do desenvolvimentosustentável da região. Há ainda a forte contribuição de estabelecimentos comerciais e dasfeiras-livres. A agricultura familiar é também uma importante fonte de renda no Território, econstitui um dos critérios para dividir o território. Não há muitas indústrias, mas algumasempregam um número satisfatório de pessoas nos municípios onde estão instaladas, já asprefeituras são os maiores empregadores. O veículo de comunicação mais popular e de maior impacto presente no território é arádio comunitária, presente em praticamente todos os municípios. Muitas dessas rádios aindaenfrentam dificuldade para manter-se no ar (além da falta de financiamento) por ainda nãoestarem homologadas, o que gera problemas junto à ANATEL (Agência Nacional deTelecomunicações). O órgão recebe inúmeras críticas pelos seus métodos em visitas defiscalização junto com a polícia federal. A região também conta com jornais impressos e
  28. 28. 28informativos institucionais de entidades da sociedade civil e prefeituras, além de blogs e sitesde notícias. A cultura é bastante diversificada, os municípios têm fortes traços culturais que vãodesde as artes como a música, artesanato às festas tradicionais (religiosas ou não). Para asmanifestações coletivas o destaque fica por conta das festas juninas, o São Pedro, festas depadroeiros e padroeiras, e diversas outras manifestações religiosas como o candomblé. Naculinária algumas “iguarias” da região como a farinha de mandioca está sempre presente,além do licor, que é muito apreciado, principalmente nos festejos juninos. A literatura é outrotraço cultural – apesar do apoio escasso – importante. A região aos poucos vem sendonaturalmente influenciada por fenômenos como a cultura digital e sua sociedade dainformação, provocando uma convivência entre traços culturais advindos da globalização comaspectos culturais nativos do território, como a música e a culinária O Território é amplamente conhecido pela atuação do terceiro setor nos seus diversosmunicípios, destacam-se iniciativas que funcionam sob as bases do associativismo e docooperativismo, é o que ocorre no município de Valente a cerca 240 KM de Salvador. Omunicípio, que segundo o IBGE conta com 21 mil habitantes ganhou muito destaque naregião quando passou a sediar três das instituições sociais com maior abrangência em suasatividades no território: a Fundação de Apoio aos Trabalhadores Rurais e AgricultoresFamiliares da Região do Sisal e Semi-Árido da Bahia (FATRES), a Cooperativa Valentense deCrédito Rural Sicoob-Coopere e a Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário daRegião Sisaleira (APAEB). A APAEB se dá por meio de projetos sociais como assistênciatécnica a agricultores familiares ligados à cadeia produtiva do sisal e a ovinocaprinocultura.Infra-estrutura Tecnológica do Território Sisaleiro da Bahia
  29. 29. 29 Assim como ocorre em muitas regiões distantes dos grandes centros urbanos do país, oterritório sisaleiro, ainda carece de um mapeamento que realmente leve em conta toda a suainfra-estrutura tecnológica, sobre tudo as que possibilitam acesso às TIC. Com a implantaçãodo Centros de Difusão Digital (CDCs), salas com computadores conectados a Internet edisponibilizados gratuitamente para a população, isso através da iniciativa da Secretaria deCiência, Tecnologia e Inovação do estado, exemplo das demais cidades do estado, todo osmunicípios do território do sisal contam com pelo menos um CDC, funcionando através dosuporte de instituições como no casa da câmara municipal de Vereadores do Município deValente. A infra-estrutura que possibilita a conexão à internet são em sua maioria segundo ospróprios provedores de acesso, links contratados juntos a empresa Telemar. A imensa maioriados usuários domésticos e comerciais dos territórios tem acesso à internet graça a pequenosprovedores que a partir de um link contratado, que normalmente não supera os 20 Megabytespor segundo. Geralmente são oferecidos planos de acesso que vão de 64 Kbps (60 kbytes porsegundo) à 300 Kbps. Algo muito longe da média dos grandes centros urbanos. Poucas cidades oferecem serviços com link de Internet com uma velocidade aceitávelpara os padrões atuais de banda Larga que devem ser de no mínimo 300 kbps, a exemplo deSerrinha e Conceição do Coité, que já possuem acesso através de empresas coma a Velox,oferecendo links de até 500 Kbps. A conexão oferecida pelos provedores locais se dá via rádiocom uso de antenas, o que tem possibilitado, por exemplo, o acesso de pessoas que moram emcomunidades rurais. O sistema via cabo ainda é pouco utilizado, tendo como maior exemplo omunicípio de Valente, onde dois provedores oferecem o serviço através do cabeamento derede em boa parte da sede do município. Os maiores parques tecnológicos são de posse dasprefeituras, e suas estruturas ramificadas através de departamentos e secretarias. Com ainstalação de torres de telefonia celular em boa parte dos municípios, acelerada a partir de
  30. 30. 302004, aos poucos o uso de modens que permitem acesso através da banda de telefonia celularvem se disseminando, o mesmo acontece com redes wireless que ainda são raras. 2.2.3 O Avanço das TIC e seus Impactos no Território Sisaleiro No território sisaleiro, até fins da década de 1990 só era possível contar em largaescala com acesso a rádio e televisão, este último, sem produção local. Nos primeiros anosdessa primeira década do século XXI, acompanhando diversas outras regiões do país, oterritório vivenciou uma verdadeira proliferação de estabelecimentos onde se cobra o acesso acomputadores conectados à Internet, popularmente chamado de Lan House, que são ainda osprincipais meios de acesso a Internet para a população em geral1, e provedores locais deacesso à grande rede, que a cada dia tem mais clientes domésticos. A informatização já é visível em vários setores da produção de bens e serviços, que vaidesde o uso de computadores em pequenas mercearias, a redes que interligam dezenas decomputadores em instituições da sociedade civil, instituições governamentais e empresas.Essa realidade aos poucos vem instalando na maioria dos municípios do território, ainda queas mudanças mais visíveis estão restrita às sedes dos municípios, estas normalmenteconcentram apenas a metade da população local. Esses impactos não podem ainda seremvistos com clareza entre a população rural, mas já é possível ver aparelhos celulares emcomunidades onde não há sinal de telefonia móvel, além de computadores instalados emassociações de moradores que os recebem ou compram através de doações. Um dos maioresentraves ainda é a falta de estrutura básica, como a acesso à energia elétrica, um problema quevem sendo amenizado, principalmente nos últimos dez anos, mas ainda não foi sanado em1 Segundo o Comitê Gestor de Internet no Brasil, o CGI.br, em 2007, as lan houses detém hoje cerca de 49% dosacessos à internet no país
  31. 31. 31muitas localidades. CAPÍTULO III
  32. 32. 32 As TIC e as Instituições Sociais do Território Sisaleiro Oliveira (1987) relata que vários fatores evitaram inicialmente o surgimento deorganizações e movimentos sociais no território sisaleiro, dentre os quais destacam-se aatuação das oligarquias que souberam ao longo da história, controlar a população através dainsegurança, do medo, e da dependência econômica, o segundo fator não menos importantefoi o relativo isolamento da região. Foi só a partir da década de 1970 - período em que não sóno Vale do silício iniciou-se uma revolução – que algumas oligarquias locais, juntamente comseguimentos da Igreja Católica, partiram para a criação dos primeiros sindicatos detrabalhadores rurais, com atuação meramente assistencialista e, num primeiro momentooferecendo serviços como assistência odontológica, ainda que precária.Em meados daquela década, outros segmentos da Igreja Católica – da ala progressista –lideraram o surgimento de iniciativas de organização social através das chamadasComunidades Eclesiais de Base (CEBs), promovendo a integração de pautas comuns entrevárias comunidades, voltadas pra temáticas como acesso à terra e trabalho. Após alguns anoslá estavam os camponeses disputando eleições nos sindicatos até então dominados pelasoligarquias. Logo sindicatos passaram a surgir a partir da iniciativa de lideranças sociais. Aospoucos se estabelecia no território do sisal um ambiente propício fervilhar práticas decooperativismo e associativismo. O mapeamento dos empreendimentos sociais e solidários doterritório, por parte do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável da Região Sisaleirado Estado da Bahia (CODES) ainda está em curso, sem prazo para seu término, mas até 2007,contava com 117 iniciativas catalogadas. 3.1 O Papel dos Movimentos Sociais e a Existência de Políticas Públicas para a
  33. 33. 33Promoção do Desenvolvimento. Na visão de Touraine (1977) movimentos sociais podem ser definidos como ações coletivas associadas à luta por interesses, associados à organização social, a mudanças na esfera social e cultural. GOHN (1995) afirma que os novos movimentos sociais se contrapõem aos “velhos” e historicamente tradicionais movimentos sociais em suas práticas e objetivos: São ações coletivas de caráter sociopolítico, construídas por atores sociais pertencentes a diferentes classes e camadas sociais. Eles politizam suas demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas ações estruturam- se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em situações de: conflitos, litígios e disputas. As ações desenvolvem um processo social e político-cultural que cria uma identidade coletiva ao movimento, a partir de interesses em comum. Esta identidade decorre da força do princípio da solidariedade e é construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo. Para GOHN (1995, p. 44). Num território marcado pelo clima seco, e que muito depende da agricultura,problemas como falta de empregos e infra-estrutura básica como energia elétrica, saneamentobásico e desemprego, a atuação dos poderes públicos municipais, que estão mais próximos dapopulação, ainda que com a ajuda dos governos estadual e federal, estão longe de seremsuficientes para garantir um mínimo de qualidade de vida para a população permitindo oacesso a direitos básicos como saúde, educação e alimentação. Entre os municípios doterritório sisaleiro, poucos se destacam por ações isoladas que podem ser caracterizadas comopolíticas eficazes para a promoção do desenvolvimento, entram em cena as instituiçõessociais, que tomam para si, a tarefa contribuir com a sustentabilidade das localidades por meiode projetos financiados por editais de ministérios como o do desenvolvimento agrário, um dosque mais atuam junto às instituições locais. Em paralelo à atuação das instituições, sejam elas de pequeno porte atuando em
  34. 34. 34comunidades rurais, ou aquelas que chegam a ter uma atuação em boa parte do território, estáo trabalho CODES, surgido a partir das mobilizações da sociedade civil que culminaram coma efetivação do território, instituição que gerencia boa parte dos investimentos captados juntoao governo federal para serem aplicados ao desenvolvimento do território, a exemplo dosArranjos Produtivos Locais (APLs), que destinam recursos para determinadas áreas comoagricultura a partir de uma série de ações pré-estabelecidas. A diretoria do CODES écomposta por representantes de instituições sociais do território. 3.2 Três Iniciativas de Destaque na Promoção do Desenvolvimento Regional Apesar do grande número de instituições sociais sediadas no território sisaleiro,poucas têm foco em uma atuação que atinja mais de um município, seja pelos própriosobjetivos que elas têm, seja por limitações financeiras e/ou operacionais para dar maiorabrangência às suas atividades. Dificuldades como contratação e manutenção de um quatro defuncionários que atenda as demandas geradas por uma atuação em um território tão vasto, afonte de investimentos que garantam a continuidade do trabalho são alguns dos principaisentraves. Apesar de tais desafios, algumas iniciativas vêm realizando um trabalho voltadopara populações de vários municípios, e não apenas das que possuem sede, é o caso daAPAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário da Região Sisaleira),FATRES (Fundação de Apoio aos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Semi-árido da Bahia), e Sicoob-Coopere (Cooperativa Valentense de Crédito Rural). As trêsinstituições, sediadas no município de Valente possuem pontos em comum - apesar danatureza jurídica e atuação - que merecem ser destacados, como o fato de terem surgido apartir do fortalecimento do movimento sindical no território, em especial no município de
  35. 35. 35Valente, que concentra boa parte dos investimentos voltados para o movimento social. Alémde declararem-se parceiras, ambas as instituições têm como foco principal de atuação apromoção do desenvolvimento no território a partir de suas práticas de cooperativismo,associativismo e atuação sindicalista. Vale aqui destacar que em sua natureza jurídica, apesar de terem objetivos com umalto grau de convergências, estas entidades têm suas distinções, sendo elas uma cooperativa,uma fundação e uma associação. Conforme consta na conceituação de associação no códigocivil brasileiro, a APAEB se organiza a partir da união de pessoas que se organizam para finsnão econômicos. O Sicoob-coopere se enquadra no artigo 3º da Lei nº5.764/71, que defineuma cooperativa como uma instituição que tem por finalidade a prestação de serviços aosassociados para o exercício de uma atividade comum, econômica, sem que tenham objetivo delucro. No caso da FATRES o código civil define fundação como sendo uma pessoa jurídicade direito privado sem fins lucrativos. Uma fundação é constituída pela destinação de umpatrimônio para a execução de determinados fins, no caso dela, a execução de projetos quebeneficiam os sindicatos e consequentemente as pessoas filiadas. A APAEB, a FATRES e oSicoob-Coopere adotam para si o conceito de desenvolvimento sustentável, o que parece sermais apropriado, sobretudo para um território sitado no semi-árido baiano, onde problemacomo desemprego e seca são históricos. Para entendermos melhor como se dá a atuação delas,bem como se organizam, foi traçado um perfil destas entidades, conforme pode ser visto natabela a seguir: Tabela – Caracterização das instituições estudadas
  36. 36. 36 Caracterização APAEB FATRES Sicoob-coopereCaráter Jurídico Associação Fundação Cooperativa de CréditoÁreas de atuação Assistência técnica Educação do campo, Crédito rural Rural, produção de crédito rural, política tapetes e carpetes, agrícola e agrária, apoio político e preservação do meio pedagógico à cadeia ambiente, produtiva do sisal e sindicalismo e caprinovinocultura, segurança alimentar. educação do campo, inclusão digital, atividades de preservação ambiental.Cidades onde atua Valente, São São Domingos, Valente, Retirolândia, domingos, Valente, Santa Luz, Coité, Quixabeira, Retirolândia, Santa Queimadas, Itiúba, Nova Fátima, Gavião, Luz, Queimadas Nordestinha, Capim grosso. Cansanção, Monte Santo, Tucano, Araci, Serrinha, Ichú, Candeal, Coité, Retirolândia, Barrocas, Biritinga e Quijingue.Quantidade de 500 Aproximadamente 45funcionários 50Pessoas associadas - 12 milPessoas Beneficiadas 3.000 famílias 3.000 famílias - 3.2.1 A APAEB
  37. 37. 37 A Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário Da Região Sisaleira(APAEB), segundo consta no site da instituição1 é uma associação sem fins lucrativos,fundada em 1980, que tem como missão promover o desenvolvimento social e econômicosustentável e solidário, visando a melhoria da qualidade de vida da população da RegiãoSisaleira. A associação surgiu a partir da municipalização da APAEB que até o início dadécada de 1990 era uma entidade estadual com filiais em Feira de Santana, Serrinha, Araci eValente. Com a separação cada filial se tornou independente, a situada em Valente logoganhou grande projeção, sendo a mais conhecida, o principal motivo que a levou a ter tantodestaque foi o fato de ter adotado atividades produtivas, não se limitando à ações de cunhosocial. A APAEB Valente manteve a sigla antiga e, vem atuando com um conjunto de açõesvoltadas para o desenvolvimento sustentável, não apenas em seu município sede, sendoreconhecida como a maior entidade da sociedade civil do Território Sisaleiro. Todas ações visam a melhoria da qualidade de vida de agricultores e indiretamente detoda a população, tendo como princípio norteador “promover o desenvolvimento econômico esocial sustentável, visando a melhoria da qualidade de vida do pequeno produtor rural daRegião Sisaleira”. Dentre suas ações destacam-se o programa de convivência com o semi-árido dando ênfase a seca, o trabalho de fomento às cadeias produtivas do sisal e dacaprinovinocultura. A associação possui sua sede no município de Valente, bem como as sedes de seusvários projetos, a exemplo de um clube sócio-recreativo, uma escola agrícola, uma indústriade tapetes e carpetes de sisal, uma batedeira comunitária2, uma loja de produtos do artesanatode sisal e um laticínio com produção voltada para o leite de cabra.1 www.apaeb.com.br2 A batedeira comunitária o local onde a fibra do sisal é selecionada conforme sua qualidade, processada epesada, sendo a partir daí destinada para a comercialização da fibra como matéria prima para diversos fins.
  38. 38. 38 O escritório central coordena a gerência de todos os setores, estes por sua vez possuemcoordenação própria. Tudo é interligado por uma rede de quase cem computadoresinterligados via rede. No escritório central também funciona um setor de informática comprofissionais que buscam atender as necessidades – principalmente emergenciais – dainstituição que também mantém seu próprio servidor de internet. A APAEB faz um usosistemático de diversas TIC, conforme pode ser verificado na tabela abaixo, o parquetecnológico da instituição conta com uma significativa estrutura, se levarmos em consideraçãoo fato de se tratar de uma associação de pequenos agricultores. Infra-estrutura tecnológica da APAEBComputadores 92Rede interna Interliga todos os computadoresAcesso à Internet Em todos os computadoresRamais 72“Plano Empresa” de telefonia 30 linhas móveis com comunicação gratuita entreCelular diretores, gerentes e outros funcionários.Site Hospedado em servidor próprioServidor próprio 3 servidoresComunicação via VOIP Não possuiSetor de informática Emprega 3 funcionários Dentre as três instituições pesquisadas, a APAEB é sem dúvida a que mais investe emtecnologia e a que possui um parque tecnológico mais complexo, é também a que mais tempessoas em seu quadro de funcionários. A aplicação de tecnologias da informação ecomunicação está presente em todos os seus setores e departamentos. Com exceção àindústria de tapetes que a associação mantém, todos os outros setores exigem umconhecimento específico da área de informática, sobretudo na utilização do sistemaoperacional e aplicações para tarefas específicas. As TIC só não estão presentes em tarefas decampo, como a assistência técnica feita por agrônomos da associação.
  39. 39. 39 A tarefa de promoção da melhoria da qualidade de vida da população, conforme constana missão institucional da entidade, é a visão de desenvolvimento empregada por suadiretoria. Para atingir um nível de desenvolvimento satisfatório, a associação acredita que énecessário oferecer conhecimento e apoio técnico aos agricultores para se tornarem cada vezmais autônomos em suas atividades, o que inclui também a adesão aos mais modernosmétodos de trabalho. Outra preocupação apontada pela direção da entidade está nas atividadesde formação, que visam mudanças de postura e ações mais eficazes entre os agricultoresfamiliares, principalmente nas cadeiras produtivas do sisal e da caprinovinocultura. A utilização de tecnologias para gerir as atividades em seus departamentos tem sidoumas das prioridades da APAEB nos últimos anos, segundo a diretoria da associação. Apesardisso, quando se trata do trabalho junto às famílias assistidas por ela, agricultores ecomunidade em geral, faltam referências metodológicas para implantar o uso das TIC comesse direcionamento. A alegação da entidade é a falta de um modelo de utilização destastecnologias que vá além do simples processo de troca de e-mails entre gerentes, e o uso deplanos de telefonia móvel para a redução de custos. Não há dúvida de que o resultado do uso das TIC nesses processos de gerenciamentode atividades influencia nos resultados percebidos entre a população, mas ter consciência doreal potencial das tecnologias para a sua atuação é indispensável para que a associaçãoencontre a melhor maneira de canalizar o uso de sua estrutura que vem a cada ano sendomodernizada, para seus esforços de promoção de desenvolvimento. 3.22 FATRES
  40. 40. 40 A FATRES, que a exemplo da APAEB também possui um website1 é uma instituiçãoque articula 18 sindicatos de trabalhadores rurais em vários municípios do território2, tendosua sede no município de Valente. É uma entidade civil, sem fins lucrativos, de naturezabeneficente, considerada de utilidade pública municipal e estadual. Desde sua fundação em1996, a FATRES direciona sua atuação aos trabalhadores rurais, tendo como foco deestratégia de atuação o trabalho junto a diferente e lideranças sindicais rurais. A FATRESprioriza ações de cunho formativo com temas como as políticas públicas para o fortalecimentoda agricultura familiar, cooperativismo, associativismo e formação sindical. Suas ações sãorealizadas através de projetos voltados para a captação de recursos para a implementação deprojetos que beneficiam agricultores tendo os sindicatos como seus principais parceiros. Devido a sua composição, que se estabelece como uma verdadeira rede de instituições,o uso de tecnologias para a gerência de atividades e, principalmente a comunicação, torna-seindispensável. A sua missão institucional visa contribuir para a construção dodesenvolvimento social e ambientalmente sustentável, voltado para a melhoria das condiçõessociais de vida dos agricultores as familiares do território, visando a sua permanência naunidade produtiva familiar, numa perspectiva de fortalecimento da agricultura familiar. Oparque tecnológico da instituição, conforme pode ser visto na tabela abaixo, não possui umnúmero significativo de instrumentos, mas segundo sua diretoria é o suficiente para suasdemandas. Infra-estrutura Tecnológica da FATRES1 www.fatres.org2 Sindicatos Filiados à FATRES: São Domingos, Valente, Santa. Luz, Queimadas, Itiúba, Nordestina, Cansanção,Monte Santo, Tucano, Araci, Serrinha, Ichú, Candeal, Conceição do Coité, Retirolândia, Barrocas, Biritinga,Quijingue.
  41. 41. 41 Computadores 14 Rede interna Interligando 7 computadores Acesso à Internet Em todos os computadores Ramais 7 “Plano Empresa” de 20 linhas móveis com telefonia Celular comunicação gratuita entre os sindicatos além outros funcionários. Site Hospedado em servidor de terceiro Servidor próprio Não possui Comunicação via VOIP Não possui Setor de informática Todo o suporte é terceirizado A FATRES, apesar de sua demanda de comunicação abranger tantas instituições emsua rede de articulação, é a instituição - entre as estudadas – que menos emprega pessoas, eque menos investe em tecnologia, porém pela própria natureza de sua constituição e atuação,que se dá à partir de uma rede, o seu trabalho é descentralizado. Cabe à fundação apenas atarefa de gerenciar processos que por sua vez são operacionados nas comunidades através dossindicatos filiados, sua grande demanda acaba sendo a de comunicação. Ao contrário dasoutras instituições abordadas neste trabalho, ela não possui um setor de informática, tampoucodispõe de funcionários para esta área. O uso de TIC se restringe à troca de e-mails e o uso decomunicadores instantâneos. Conforme consta em sua missão institucional, a FATRES tem como principal objetivoem seu trabalho pelo desenvolvimento das comunidades por ela assistidas, não é, muitodiferente do que é proposto pela APAEB e Sicoob-Coopere, a idéia central é contribui para odesenvolvimento social do território, por meio do fortalecimento da economia, sobretudo emrelação à agricultura familiar. O seu trabalho é realizado por meio de projetos, em sua maioriafinanciados pelo governo federal. As linhas de ação da FATRES são postas em prática através do assessoramento
  42. 42. 42político-pedagógico aos sindicatos filiados. Todo esse trabalho é gerido a partir da sede,localizada em Valente. O trabalho em campo é realizado por técnicos e agentes, contratadosatravés dos projetos desenvolvidos nas áreas de assistência técnica rural, e ações de formação,através de oficinas, cursos e palestras voltados para políticas publicas rurais, que abrangemtemas como política agrária, segurança alimentar. O uso das TIC é voltado principalmentepara a comunicação entre a sede os sindicatos filiados, o site da FATRES (www.fatres.org) éutilizado para a divulgação da instituição, publicação de editais e outras informações deinteresse de seu público, mas não constitui um canal direto com as comunidades, já que estasem sua maioria não possuem acesso à internet. A exemplo da APAEB, para a diretoria da FATRES, falta-lhes um modelo de gestãodas TIC, para que elas não sejam sub-aproveitadas apenas como meros instrumentos deautomação e aceleração de processos diários, como envio de documentos e comunicaçãointerna e externa. 3.2.3 Sicoob-Coopere A economia solidária supõe ações através da organização de trabalhadores que secontrapõem ao formato vigente de relações econômicas excludentes, principalmente na gestãode meio de produção, comercialização e cŕedito. No quesito crédito solidário, no território odestaque fica por conta da Cooperativa Valentense de Crédito Rural (Sicoob-Coopere).Conforme consta em seu site website1, a cooperativa surgiu em meio ao movimento social quedesde os anos 70 vinha lutando para criar melhores condições de vida na região, por meio daunião e organização dos trabalhadores rurais. Sua missão institucional é “promover a1 www.sicoob-coopere.coop.br
  43. 43. 43economia solidária, através da prestação de serviços financeiros e assistência técnica, visandoo desenvolvimento sustentável da região sisaleira do estado da Bahia”. A cooperativa tem sua sede localizada no município de Valente e outros seis postos deatendimento cooperativo (PACs) em diferentes municípios do Território Sisaleiro1. Além dasatividades financeiras, como movimentação bancária, a cooperativa que é composta por umquadro de cooperados também promove cursos de capacitação em cooperativismo e gestãofinanceira para grupos e pessoas filiadas a ela, através de seu departamento de educaçãocooperativista (DEC). Por se tratar de uma instituição financeira, o uso das tecnologias da informação ecomunicação é crucial em sua rotina de trabalho. A sede da instituição – a exemplo da APAEB– também possui um setor de informática. Sua diretoria afirma que a cooperativa é a maior doNordeste do país em número de associados contabilizando em 2009 doze mil. Sua missãoinstitucional é “promover o desenvolvimento econômico e social sustentável, visando amelhoria da qualidade de vida do pequeno produtor rural da região sisaleira”. A exemplo dasdemais instituições, sua missão foi definida quando o termo território do sisal ainda não tinhasido adotado pelo governo federal. A exemplo da APAEB, a cooperativa tem um parquetecnológico significativo, conforme pode ser visto na tabela a seguir.1 PACs do Sicoob-coopere: Retirolândia, Conceição do Coité, Nova Fátima, Gavião, Capim Grosso eQuixabeira.
  44. 44. 44 Infra-estrutura tecnológica do Sicoob-Coopere Computadores 50 Rede interna Interliga todos os computadores Ramais 30 distribuídos nas 3 principais agências (Valente, Coité e Capim Grosso) “Plano Empresa” de telefonia 30 linhas móveis Celular com comunicação gratuita entre diretores, gerentes e outros funcionários. Site Hospedado em servidor de terceiros Servidor próprio 2 servidores Comunicação via VOIP Comunicando todas as agências Setor de informática Emprega 1 funcionário Entre as três instituições aqui estudadas o Sicoob-Coopere é a que demonstra maiordependência em relação o uso da TIC. Praticamente todo o seu sistema de gerenciamento dedados e comunicação se dá por meio de sua rede interna e sue conexão à Internet. Diretores,funcionários e a própria gerência de informática da cooperativa afirmam que sem o plenofuncionamento da rede, boa parte dos serviços prestados a população são inviabilizados,principalmente pelo fato que uma instituição financeira tem como um dos principaisrequisitos técnicos para o seu funcionamento, a sua conectividade com o sistema que integraas demais instituições, e isso inclui o próprio Banco Central do Brasil, com o qual elespossuem uma conexão direta que não necessita de seu link de Internet. Das instituições pesquisadas, a cooperativa é que a mais emprega tecnologias quevisam a economia de gastos, para isso ela utiliza a comunicação via VOIP1, comunicadores1 Voz sobre IP, também chamado VoIP, telefonia IP, telefonia Internet, telefonia em banda larga e voz sobre
  45. 45. 45instantâneos e softwares livres, ainda que o sistema operacional instalado nos computadoresserá pago. É através do seu departamento de educação cooperativista que a cooperativa exercesuas principais atividades que a aproxima da comunidade, através de visitas a localidadesrurais, cursos, palestras, oficinas, e assessoramento a pequenas iniciativas que também seutilizam do sistema de organização por cooperativa. Os responsáveis pelo setor afirmam quemuitas das atividades realizadas só são viabilizadas graças ao investimento que a instituiçãoemprega em seu parque tecnológico, mas também afirmam que devido às carências de muitaslocalidades do território, como a falta de energia, inviabilizam o uso dessas tecnologias emdiversas ocasiões. A partir dos relatos de funcionários do setor, e de seus programas de trabalho, verifica-se uma preocupação em aplicar com eficácia as TIC disponíveis, ainda que elas sejam vistasna maioria dos casos, como meras ferramentas que facilitam o dia-a-dia, diferentes das demaisinstituições aqui estudadas, a cooperativa viabiliza muito de sua interação direta com ascomunidades assistidas a partir do uso de TIC,seja nas oficinas e atividades similares, seja emsua intensa rotina de comunicação com grupos organizados em pequenas cooperativas quetambém são encorajadas a se utilizar de tecnologias da informação e comunicação em suasatividades.banda larga é o roteamento de conversação humana usando a Internet ou qualquer outra rede de computadoresbaseada no Protocolo de Internet, tornando a transmissão de voz mais um dos serviços suportados pela rede dedados.
  46. 46. 46 METODOLOGIA APLICADA NA PESQUISAA metodologia aplicada na coleta e análise dos dados utilizados nesta pesquisa está descritano quadro a seguir: Etapas Técnicas ProcedimentosFase I Análise documental Leituras de livros, revistas,Pesquisa Bibliográfica e documentação indireta pesquisas na Internet, sistematização de anotações e relatórios de palestras e seminários.Fase II Documentação direta Leitura de relatóriosPesquisa Exploratória institucionais, estatutos das instituições e sistematizações de anotações em reuniõesFase III Entrevistas - Observações in loco ePesquisa Descritiva e análise de documentação entrevistas com funcionáriosQuantitativa/ Pesquisa indireta das instituições;Bibliográfica - Leitura de livros e pesquisas na Internet.Fase IV Entrevistas Observações in loco ePesquisa Descritiva entrevistas com dirigentesQualitativa das instituições. Entrevistas No caso específico das entrevistas, os dados colaboraram tanto para a análisequantitativa quanto a análise qualitativa. As entrevistas foram feitas em duas etapas (conformevisto na tabela acima). Na primeira etapa foram realizadas entrevistas com dois grupos defuncionários, no primeiro os ligados à área de informática. Com essas entrevistas coletadosdados sobre a infra-estrutura tecnológica das instituições, e a verificada a importância dada
  47. 47. 47pelas entidades aos setores responsáveis pela área de informática, com exceção á FATRESque não possui um setor dedicado. O segundo grupo de funcionários entrevistadoscompreendeu aqueles que lidam diretamente com a população assistida pelas entidades, aexemplo de técnicos agrícola e educadores. O principal enfoque nestas entrevistas foi maneiracomo esses profissionais que utilizam os recursos tecnológicos em suas atividades, a exemploda realização de palestras, oficinas, e a até mesmo a comunicação rotineira com pessoas egrupos. A segunda etapa de entrevistas foi realizada com dirigentes das instituições, com oobjetivando a compreensão do papel das TIC nas tomadas de decisão das entidades. Coleta de dados em campo A coleta de dados em campo foi extremamente necessária para a obtenção deinformações relacionadas ao território em áreas como infra-estrutura e indicadores sociais.Foram coletadas informações a partir de pesquisas realizadas pelos CODES, APAEB e pelaSECTI, além de dados disponíveis em websites a exemplo da página do Ministério doDesenvolvimento Agrário, uma importante fonte de informações sobre os território deidentidade.
  48. 48. 48 CONSIDERAÇÕES FINAIS Numa visão global está sociedade está se tornando um padrão civilizatório, o abismodigital entre nações ainda é evidente, por sua vez, dentro dos países também existem essesabismos. O grande desafio para um território como o sisaleiro é vencer suas limitações deinfra-estrutura. Enquanto essas limitações não forem drasticamente sanadas, o território estarálonge de vivenciar plenamente o que se pode chamar de sociedade da informação, destoandodo novo padrão civilizatório supracitado. Por entender a importância do investimento na áreade tecnologias as próprias entidades aqui abordadas destoam do território do sisal, que lheoferece inúmeros obstáculos até mesmo para a utilização dos recursos tecnológicos que elaspossuem. No que se refere ao uso das tecnologias da informação e comunicação, ambas asentidades enxergam a importância do uso qualificado e sistemático destas para o bomdesempenho das atividades cotidianas, mas não parecem perceber essas ferramentas além desuas funções operacionais. O uso de computadores, internet, telefonia além de outros aparatostecnológicos são enxergados na maioria das vezes apenas como ferramentas que facilitam otrabalho do dia-a-dia, não é evidenciada nenhum correlação com o objetivo das atividades. Acompreensão do potencial de integração, automação, comunicação e inclusão das TIC éextremamente necessária para que se tenha o devido proveito de todo o seu potencial. Baseado no que foi coletado e discutido com as instituições pesquisadas, podemosindicar aqui algumas linhas de ação que visam um melhor proveito do uso das TIC com afinalidade de usá-las como ferramentas que possam contribuir ainda mais na caminhadasdessas instituições que buscam melhorar a qualidade de vida do público que elas assistem: - Elaborar e executar programas de educação com base nas TIC´s pra um melhor
  49. 49. 49aproveitamento destas tecnologias; - Explorar o potencial das TIC em momentos de planejamento de atividades; - Visualizar o campo de trabalho onde serão usadas determinadas tecnologias antes deaplicar investimentos no parque tecnológico; - Não restringir o uso das TIC como meras ferramentas para comunicação, aceleração eautomação de tarefas, compreendo que novas alternativas de uso podem surgir a partir dasdemandas locais. - Fazer do uso de tecnologias uma política e não apenas uma instrumentação operacionalpara as atividades cotidianas; Vale salientar que essas ações precisam ser acompanhas de políticas e iniciativas maisgerais, para tanto, é necessário o diálogo com os poderes públicos, sobre tudo municipais eestadual, com a perspectiva voltada para políticas públicas que garantam estruturação e acessoà tecnologias hoje tão fundamentais para desenvolvimento social de um território. Algo maisalém da implantação de centros comunitários de acesso a internet precisa ser feito por partedo, como políticas nascidas a partir de discussões que levem em conta demandas locais. Alémde equipar-se tecnologicamente, é preciso adotar novas posturas, já que mudanças de açõesdevem ser acompanhadas de mudanças de posturas. É preciso compreender que TIC nãorequerem apenas investimentos, mas, sobretudo processos que envolvem tomadas de decisõesnão raro ousadas, e que permitam canalizá-las juntamente com os esforços históricos que elesjá empreendem em sua luta pelo bem estar social do seu povo.
  50. 50. 50 REFERÊNCIASANDRADE, Manuel Correia. A questão do território no Brasil. São Paulo: Hucitec; Recife:IPESPE, 1995.BARBERO, Jesus Martin. Tecnologias: Inovações Culturais e Usos Sociais. EdiçõesLoyola. São Paulo. 2002.BARBOSA, Alexandre F. Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e daComunicação no Brasil: TIC Domicílios e TIC Empresas 2008. São Paulo: Comitê Gestorda Internet no Brasil, 2009.BELL, Daniel. O Advento da Sociedade Pós-Industrial: uma tentativa de previsão social.São Paulo: Ed. Cultrix, 1973.BRASIL, Antônio C.P Júnior. Fundamentos para o Desenvolvimento Sustentável. Brasília:CDS/UnB, 2002BRUNET, R.. Le territoire dans les turbulences. Paris, Reclus, 1990.CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999FLORES, M. A identidade cultural do território como base de estratégias dedesenvolvimento – uma visão do da arte. RIMISP, 2006.GOHN, Maria da Glória. Movimentos e lutas sociais na história do Brasil. São Paulo:Loyola, 1995HAESBAERT, Rogério. Des-territorialização e identidade: a rede “gaúcha” no nordeste.Niterói: EdUFF, 1997.MULS, Leonardo Marco. Desenvolvimento Local, Espaço e Território: O Conceito deCapital Social e a Importância da Formação de Redes entre Organismos e Instituiçõeslocais. Niterói, UFF, 2008.NAZARENO, Cláudio. Tecnologias da informação e sociedade: O Panorama Brasileiro.Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2006.WOLTON, Dominique. Internet, e depois? Uma Teoria Crítica das Novas Mídias. PortoAlegre : Sulina, 2007.OLIVERA, Ildes Ferreira de. A Luta pela Autonomia e a Participação Política dosCamponeses; um estudo nas micro-regiões de Feira de Santana e Serrinha, no Estado daBahia. Dissertação de Mestrado. Campina Grande. UFPB, 1987.
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  52. 52. 52 ANEXOS Figura I – Mapa do Território do SisalFonte: Instituto Tecnológico do Sisal (IDR)

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