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10       Este trabalho organiza-se em quatro capítulos. No primeiro capítulo apresentam-se ospressupostos teóricos da soci...
11                                        CAPÍTULO I           TEORIA VARIACIONISTA: UMA PERSPECTIVA LABOVIANA       Lança...
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19   (3b) we go shopping on Saturdays       É importante notar que as formas padrão e não padrão têm o mesmo significadore...
20       Nessa mesma linha de pesquisa podemos cita os trabalhos de Parrott (2001), queobjetiva fornecer os primeiros esbo...
21         A análise de resultados foi desenvolvida a partir de fatores linguísticos, tais como,polaridade, tipo de assunt...
22       Para além das regras da gramática tradicional ensinada nas escolas, atualmente com asnovas propostas de ensino da...
23       É exatamente esta noção de “erro” que impede que os professores ensinem a língua talcomo é falada pelas comunidad...
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25Últimos Dias de Conceição do Coité, de origem americana, um outro informante é de origeminglesa, residente em Londres. O...
26também foram submetidos a esse teste. O objetivo foi comparar os julgamentos desses doistipos de falantes do inglês.    ...
27        Nos trabalhos de Green (2007), por exemplo, é comprovada a existência de formasvariantes com o verbo BE no tempo...
28variação quanto à concordância com o sujeito, enquanto, nas frases afirmativas, não há apresença desta variação.       A...
29III Variáveis independentes sociais       Além dos elementos estruturais, foram utilizados métodos que buscaram investig...
30                             CAPÍTULO IV: ANÁLISE DE DADOS       Este capítulo consiste na apresentação da análise dos d...
31(23) “I don’t use them, except by accident. Usually when I decide on a better way to expressan idea in the middle of say...
32       Nos testes de percepção, o informante de origem britânica afirmou que faz uso dediferentes formas de variação de ...
334.2.1.1 Grupo (1) Uso do Skype/ Redes Sociais       O Skype é uma tecnologia que permite a transmissão de sinais de voz ...
34            Este grupo apresenta uma faixa etária entre 21 a 28 anos e estudam a língua hámais de 2 anos. Os sujeitos de...
35          Dessa forma, serão demonstradas aqui as estruturas mais utilizadas por estesgrupos, assim como a porcentagem d...
36              Gráfico 3: Variação no passado do verbo to be (were) polaridade negativa.         A estrutura apresenta um...
37       Na estrutura acima, houve uma variação no uso do auxiliar do, pois o sujeito seapresenta na 3ª pessoa do singular...
38Os informantes pertencentes a este grupo estudam inglês há mais de 3 anos e apresentam faixaetária de 21 a 26 anos, a ma...
39questão 4 do teste de atitude linguística (Quando você ouve o discurso de algumas pessoas emum padrão de variação linguí...
40                Gráfico 10: Variação no passado do verbo to be (was) com polaridade positiva.          Gráfico 11: Varia...
414.3 Resultados         Os dados mostraram que um número considerável de aprendizes de língua inglesa fazuso de variantes...
425 CONSIDERAÇÕES FINAIS       O desenvolvimento da sociolinguística como ciência possibilitou ao longo das décadasa desmi...
43                                       REFERÊNCIASADGER, Carolyn. CHRISTIAN, Donna. Sociolinguistic variation and educat...
44LABOV, Willian. The Social Stratification of English in New York City, 2 edition. NewYork: Cambridge University Press, 2...
45APÊNDICE A: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Falantes Nativos.              UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – U...
46           UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB           DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV           CURSO DE LET...
47APÊNDICE B: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Aprendizes de L2.              UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – U...
48           UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB           DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV           CURSO DE LET...
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Aceitabilidade de concordância verbal na língua inglesa por aprendizes de inglês como língua estrangeira

  1. 1. 0 UNEB – UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV DALILA OLIVEIRA DE ARAUJOACEITABILIDADE DE CONCORDÂNCIA VERBAL NA LÍNGUA INGLESA POR APRENDIZES DE INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  2. 2. 1 DALILA OLIVEIRA DE ARAUJOACEITABILIDADE DE CONCORDÂNCIA VERBAL NA LÍNGUA INGLESA POR APRENDIZES DE INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus XIV, como requisito final à conclusão do Curso de Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Inglesa. Orientadora: Profª Drª Irenilza Oliveira CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  3. 3. 2 DALILA OLIVEIRA DE ARAUJO ACEITABILIDADE DE CONCORDÂNCIA VERBAL NA LÍNGUA INGLESA POR APRENDIZES DE INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus XIV, como requisito final à conclusão do Curso de Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Inglesa.Aprovada em: ___/___/___ Banca examinadora_________________________________________Irenilza Oliveira e Oliveira - OrientadoraUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV_________________________________________Neila Maria Oliveira SantanaUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV_________________________________________Cristina dos Santos CarvalhoUniversidade do Estado da Bahia – Campus XIV CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  4. 4. 3 AGRADECIMENTOS A Deus por me conceder a vida, por iluminar o meu caminho para que eu pudesse concluiresta etapa da minha. Aos meus pais, por todo amor, carinho, educação, dedicação para comigo e por terem sidopeça fundamental para que eu tenha me tornado quem hoje sou. A Vicente pelo apoio em todos os momentos que precisei, pelo companheirismo e porestar ao meu lado neste trabalho. A minha orientadora, professora Irenilza Oliveira, pelo ensinamento e dedicação paraconcretização dessa monografia, pelo apoio e contribuição aos conhecimentos que pudeadquirir durante todo o curso. A todos os meu professores do Curso de Letras pelo apoio e dedicação e pelosensinamentos durante esses 4 anos, vocês foram peças fundamentais para me torna quem hojesou, especialmente às professoras Neila Maria Santana e Cristina Carvalho pela suascontribuições neste trabalho. Aos meus queridos e inesquecíveis colegas de curso, pela amizade, pelo companheirismo,sem vocês essa trajetória não seria tão prazerosa.
  5. 5. 4 O real estado da língua é o das águas de um rio, que nunca paramde correr e de se agitar, que sobem e descem conforme o regime daschuvas, sujeitas a se precipitar por cachoeiras, a se estreitar entre as montanhas e a se alargar pelas planícies... Marcos Bagno
  6. 6. 5 ResumoEste trabalho apresenta um estudo sobre a aceitabilidade de concordância verbal na LínguaInglesa por aprendizes de inglês como segunda língua, especificamente graduandos do cursode Letras com habilitação em LI da UNEB – Universidade do Estado da Bahia. Este estudo ébaseado na Teoria Sociolinguística Laboviana, a qual tem por pressuposto básico que avariação é ordenada por restrições linguísticas e extralinguísticas, que levam o falante a usarcertas formas, quando faz uso da língua falada. Trabalhos de pesquisas sobre variações deconcordância verbal em diversas comunidades do idioma inglês, também contribuíram parafundamentar este trabalho. A pesquisa foi feita a partir de métodos qualitativos de cunhosociolinguístico, como questionários de fatores sociais, atitudes linguísticas e testes depercepção a fim de avaliar a aceitabilidade de variação na concordância verbal existente naLíngua Inglesa por estudantes de Inglês como Língua Estrangeira. Os resultados mostram queos falantes nativos do idioma inglês apresentaram algum tipo de preconceito linguísticoquanto à utilização das variantes de concordância verbal, enquanto os aprendizes de inglêscomo língua estrangeira mostraram um grau de aceitabilidade maior e afirmaram fazer usodas várias formas não padrão de concordância verbal.Palavras-chave: Concordância Verbal. Variação. Aceitabilidade. Língua Inglesa.
  7. 7. 6 AbstractThis paper presents a study on the acceptability of verb agreement variation in English bylearners of English as a second language, specifically, by undergraduate students of Letterswith Specialization in English Language of Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Thisstudy is based on the Theory Sociolinguistics Laboviana, which has the basic assumption thatthe variation is ordered by language and extra constraints that lead the speaker to use certainforms, while making use of spoken language. Research works on variations of verb agreementin several communities of the English language also contributed to support this work. Theresults show that native english speakers exposed some kind of linguistic prejudice in relationto the usage of verbal concordance variants, while english learners as a foreign languageshowed a greater degree of acceptability and claimed to use various non-standard verbagreement forms.Key-words: Verbal agreement. Variation. Acceptability. English Language.
  8. 8. 7 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9CAPÍTULO I: TEORIA VARIACIONISTA: UMA PERSPECTIVALABOVIANA .................................................................................................................. 111.1 A Metodologia da Pesquisa Variacionista ........................................................... 13CAPÍTULO II: CONCORDÂNCIA VERBAL NA LÍNGUA INGLESA: UMFENOMENO VARIÁVEL ........................................................................................ 172.2 A Variação e o Ensino de Língua Inglesa ............................................................ 21CAPÍTULO III: METODOLOGIA .......................................................................... 243.1 Sujeitos ..................................................................................................................... 243.2 Instrumentos selecionados para a coleta de dados ............................................... 253.2.1 Aplicação de testes .............................................................................................. 253.2.2 Aplicação de questionário ...................................................................................... 263.3 Caracterização das variáveis ............................................................................... 26CAPÍTULO IV: ANÁLISE DE DADOS ..................................................................... 304.1 Variação de Concordância Verbal utilizadas por Falantes Nativos.................... 304.2 Aceitabilidade das formas variantes de Concordância Verbal por aprendizesde L2 ........................................................................................................................... 324.2.1 Estudantes de língua estrangeira do II semestre: Do conhecimento linguístico aouso das variantes ..................................................................................................... 324.2.1.1 Grupo (1) Uso do Skype/ Redes Sociais....................................................... 334.2.1.2 Grupo (2) Curso livre ......................................................................................... 334.2.1.3 Grupo (3) Uso da língua estrangeira na Universidade ..................................... 344.2.2 Teste de aceitabilidade das variantes por aprendizes do II semestre .................... 344.2.3 Estudantes de língua estrangeira do VIII semestre: Uma análise de aceitabilidadedas estruturas variantes de concordância verbal ..................................................... 384.2.3.1 Grupo (1) Uso do Skype/ Redes Sociais........................................................ 384.2.3.2 Grupo (2) Curso Livre ..................................................................................... 38
  9. 9. 84.2.3.3 Grupo (3) Uso da língua estrangeira na Universidade/sala de aula em escolaspublica ................................................................................................................ 394.2.4 Teste de aceitabilidade das variantes por aprendizes do VIII semestre ................ 394.3 Resultados ............................................................................................................. 415 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 43REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 44APÊNDICE A: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Falantes Nativos ......... 47APÊNDICE B: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Aprendizes de L2 ........ 49
  10. 10. 9 INTRODUÇÃO A língua, por ser flexível, está sujeita às interferências de diversos fatores linguísticose extralinguísticos, que levam o falante a usar certas formas quando faz uso da língua falada.Esta diversidade funcional e social da língua pressupõe a existência de formas linguísticaschamadas de variantes. Foi a partir desse pressuposto que William Labov iniciou a Teoria da Variação, quebusca descrever a língua através de seus aspectos sociais e como estes aspectos influenciam alinguagem. Estudos dessa natureza ganharam ênfase na década de 60 e deram origem àsociolinguística como ciência, fornecendo fundamentos necessários para a crescenteinvestigação da língua e seus aspectos sociais. Observando-se os aspectos variacionistas da língua inglesa, nota-se a ocorrência devariações no âmbito fonológico, mais especificamente morfossintático e sintático. O objeto deinvestigação deste trabalho se detém no campo sintático, na concordância verbal, umfenômeno variável que se realiza através de duas alternativas semanticamente equivalentes,verificando-se a presença da marca de concordância do verbo ou a ausência desta marca deconcordância. Busca-se investigar se há uma aceitação dessas formas linguísticas variantespor falantes nativos do idioma inglês, assim como por aprendizes de inglês como línguaestrangeira. Pretende-se ainda observar se estes últimos fazem uso dessas formas variáveisnos diversos contextos em que utilizam a língua inglesa. Dessa forma, o presente trabalho buscou, na sociolinguística qualitativa instrumentos,tais como testes de percepção e questionários, com o objetivo de apontar as formas deconcordância que são consideradas mais aceitáveis pelos sujeitos elencados. Nasociolinguística quantitativa, o trabalho se baseou para fazer o levantamento dos dadosreferente às estruturas variantes de concordância verbal, assim como foi utilizada também avertente qualitativa para a análise dos fatores extralinguísticos (fatores sociais e atitudelinguística dos falantes) que levariam o falante à aceitação ou não das formas variantes deconcordância verbal da língua inglesa. Este trabalho se justifica, uma vez que trabalhos sobre a aceitabilidade da variação deconcordância verbal podem servir como fonte de pesquisa para que, ao se ensinar, os docenteslevem em conta as variações existentes nessa língua e, dessa forma, facilitem ao seu aluno ummaior conhecimento do sistema linguístico em questão sem haver lugar para o preconceito emrelação às variantes menos prestigiadas.
  11. 11. 10 Este trabalho organiza-se em quatro capítulos. No primeiro capítulo apresentam-se ospressupostos teóricos da sociolinguística, a princípio com um breve histórico da teoriavariacionista, bem como algumas noções da relação entre língua e sociedade, tecendoconsiderações sobre o fenômeno em estudo. Ainda neste capítulo, descrevem-se os aspectosmetodológicos da pesquisa sociolinguística, delineando cada etapa e instrumentos que podemser utilizados na realização de pesquisas deste cunho teórico. No segundo capítulo, tecem-se considerações sobre a variação de concordância verbalem que se trazem à tona importantes pesquisas que já foram desenvolvidas em diferentescomunidades linguísticas do idioma inglês sobre o fenômeno em questão. Após faz-se umaabordagem teórica do fenômeno variacionista no ensino de línguas. No terceiro capítulo, discorrem-se os procedimentos metodológicos, em que seevidenciam os elementos constituintes desta pesquisa; os sujeitos, os instrumentosselecionados para a coleta de dados e a caracterização das variáveis de concordância verbal asquais foram julgadas como aceitas ou não pelos sujeitos desta pesquisa. No quarto capítulo apresentam-se os resultados detalhados obtidos nesta pesquisa,analisando-se o grau de aceitabilidade dos sujeitos elencados das estruturas de variação deconcordância verbal não padrão. Contudo, são feitas as considerações finais, tecendo os resultados alcançados com odesenvolvimento desta pesquisa, assim como, pontos relevantes a respeito da teoriavariacionista em consonância com a análise dos dados obtidos com esta pesquisa.
  12. 12. 11 CAPÍTULO I TEORIA VARIACIONISTA: UMA PERSPECTIVA LABOVIANA Lançando um olhar sobre a evolução da linguística como ciência, observamos que aprincípio os estudos da língua delimitavam-se apenas ao seu sistema interno. Teóricos dalinguística como Saussure (1916), Chomsky (1965) e Bloomfield (1933) definem à linguísticaem seus estudos puramente sobre seus aspectos estruturalistas, excluindo os elementosexternos à língua. Somente em meados da década de 60, é que se iniciam os estudos da língua e seusaspectos sociais por meio do linguista William Labov, o qual constatou na fala um dosaspectos fundamentais da construção do fenômeno da linguagem, estabelecendo, assim, aligação desta com a sociedade. Labov relata, em entrevista para a Revista Virtual de Estudos da Linguagem (2007)que quando deu inicio a seus estudos, suas ideias objetivavam uma mudança para um campomais cientifico voltado para a investigação de como as pessoas utilizavam a linguagem na suavida cotidiana; Através da realização de entrevistas gravadas, Labov percebe que a falacotidiana era repleta de variantes linguísticas, fato este com que a teoria padrão da época, omodelo gerativo, não se encontrava preparada para lidar, por tratar apenas dos aspectosestruturais da língua. Seus estudos, então, fornecem respostas claras para o tratamento da variação emudança linguísticas ocorrentes na língua, dando origem, assim, à Teoria da Variação,também conhecida como Teoria Laboviana, Sociolinguística Variacionista, SociolinguísticaQuantitativa, a qual procura descrever a língua sob seus aspectos sociais, uma vez que parte daexplicação da inter-relação entre língua e sociedade, considerando os fatores externos aosistema linguístico e não somente os fatores internos à língua. Portanto, cabe àSociolinguística investigar e descrever as variantes linguísticas existentes, observando ainfluência que elas exercem dentro do contexto de fala dos diversos grupos sociais. Tarallo (1986, p. 08) afirma que "variantes lingüísticas são diversas maneiras de sedizer a mesma coisa em um mesmo contexto e com o mesmo valor de verdade. A umconjunto de variantes dá-se o nome de variável lingüística". Estas variantes podem ser influenciadas por fatores sociais, regionais, culturais dofalante, o que possibilita a produção de sentenças diversificadas, muitas vezes não seguindo as
  13. 13. 12regras gramaticais padrão da língua, mas permitindo o entendimento da comunicação entredois ou mais indivíduos em seus grupos sociais. Voltando o olhar para essas variantes linguísticas, elas são perceptíveis em qualquersociedade, pois estão presente na fala de qualquer individuo de diferentes línguas ou grupossociais distintos. Ao observarem-se os discursos, ou melhor, a fala de sujeitos de faixas etáriasdiferentes, ou níveis de escolaridade distintos, ou pertencentes às várias classes sociais, pode-se ver, mais claramente, como a língua é heterogênea e diversificada. Nota-se também que o uso da língua pode ser diferenciado de acordo com o ambienteem que o falante está inserido, por exemplo, em ambientes mais informais, em conversas coma família, amigos, etc., tende-se a utilizar as formas não padrão, já em situações comoentrevista de emprego, na escola, no trabalho, há uma propensão a se fazer uso da línguapadrão. Isso implica que o uso de variações linguísticas é comum na fala dos mais diversosgrupos sociais. Portanto, podem-se encontrar variantes que são estigmatizadas ou não dentrode uma comunidade de fala, visto que, há certo preconceito quanto ao uso de certas varianteslinguísticas, consideradas “erros linguísticos” no meio social, geralmente essas variaçõesestigmatizadas são formas vindas das classes sociais de camadas baixas. Por outro lado,quando vindas das camadas de alto status social as variantes linguísticas são previsivelmenteaceitas e utilizadas pelos grupos sociais sem o olhar de estigma. Portanto, cabe salientar que o objetivo da sociolinguística é o estudo e sistematizaçãodas variantes na língua falada. A análise de uma variante em uma determinada comunidade defala ou grupo social é determinada por fatores de natureza linguística e extralinguística,exercendo pressão sobre os usos e aumentando ou diminuindo a frequência em que elasocorrem. Segundo Labov, tais fatores são determinantes em qualquer estudo sociolinguístico,pois o pesquisador deve levar em conta os fatores sociais como; sexo, grau de escolaridade,faixa etária, etc., e os fatores internos, estruturais da língua para a sistematização e análise dasvariantes. No campo sintático, há a ocorrências de variações no uso dos diversos elementosgramaticais. Como já foi mencionado, o foco deste trabalho restringe-se à variação deconcordância verbal na língua inglesa e a aceitabilidade dessas variantes por aprendizes deinglês como língua estrangeira. Em entrevista para a Revista Virtual de Estudos da Linguagem, em 2007, Labovtambém fala sobre o futuro da sociolinguística. Segundo o linguista, “O que irá determinar ofuturo serão os resultados dos estudos em variação linguística, se eles provarem ser uma rota
  14. 14. 13positiva e cumulativa para responder nossas questões fundamentais sobre a natureza dalinguagem e das pessoas que a utilizam1". Nos dias atuais o campo da linguística variacionista vem sendo bastante explorado porpesquisadores que almejam desvendar questões da natureza da linguagem, o uso da língua esua mutabilidade dentro de diversos grupos sociais. Estudos dessa essência, já foram e vemsendo realizados em diversos países. No Brasil, encontram-se trabalhos importantes quecontribuíram e contribuem para a área da pesquisa sociolinguística realizados por Taralho(1986), Naro (2008), entre outros linguistas. Os trabalhos já existentes fornecem o alicercepara estudos contínuos e novas descobertas no campo variacionista. Porém, para ainvestigação de determinados fenômenos linguísticos variáveis dentro de uma comunidadelinguística, é necessário que o pesquisador conheça os métodos necessários para a realizaçãoda pesquisa sociolinguística. Para tanto, na seção seguinte, serão abordados procedimentos dametodologia da pesquisa sociolinguística proposta por Labov.1.1 A Metodologia da Pesquisa Variacionista O variacionismo parte do pressuposto de que a heterogeneidade manifestada na fala pode ser analisada de forma coerente. (MONTEIRO, 2008). Desde as descobertas feitas por Labov de que há variação linguística, estudos destanatureza ganharam ênfase, permitindo investigar e constatar variantes presentes na línguafalada. Na busca pela explicação desses fenômenos variáveis ocorrentes nas diversascomunidades de fala, o pesquisador assume o difícil papel de integrar-se em um grupo socialou comunidade, a qual será o seu foco de pesquisa para o estudo e análise de um determinadoelemento linguístico variável que se encontra em mudança nesse ambiente. Partindo do pressuposto teórico de que a língua, como um sistema heterogêneo, podeser analisada e sistematizada, o uso da língua por dois ou mais falantes permite a constataçãode fenômenos variantes, os quais possibilitam ao investigador coletar dados e analisá-los. Para toda ciência, há uma teoria e, para cada teoria, há métodos de investigaçãocaracterísticos. Na teoria da variação linguística, há procedimentos metodológicos específicose rígidos a serem seguidos para se chegar a resultados válidos.1 LABOV, William. Sociolinguística: uma entrevista com William Labov. Revista Virtual de Estudos da Linguagem - Revel. Vol. 5, n. 9, agosto de 2007. Tradução de Gabriel de Ávila Othero.
  15. 15. 14 Portanto, realizar uma pesquisa sociolinguística não é tão simples como se imagina;não é apenas perceber um determinado fenômeno variável de natureza linguística na línguafalada, estudá-lo e descrevê-lo; é necessário conhecer os métodos de investigação empíricaantes mesmo de se iniciar a pesquisa sociolinguística. Segundo Monteiro (2008), é essencialestabelecer e observar algumas questões como: o tipo de comunidade de fala, os elementosque irão interessar ao investigador, a quantidade de informantes necessários para acomposição da amostra e o meio para entrar em contato com os informantes. Ao se integrar na comunidade ou grupo social em que se percebe um fenômenovariável, o pesquisador se depara com o problema de registrar de dados. Claro que não énecessário coletar dados de todos que fazem parte da população para se chegar a um resultadorepresentativo; segundo Monteiro (2008), a primeira decisão que o investigador deve tomarnesse sentido é a de delimitar a população de onde poderá extrair a amostra. Mas como saberquantos informantes são necessários para a constituição da amostra? Neste contexto, “o tamanho da amostra dependerá da natureza linguística da variável aser estudada. Uma variável fonológica, por exemplo, é bastante recorrente na fala; já umavariável sintática ocorre com menos frequência, exigindo, portanto, uma amostragem maior.”(TARALLO, 2008, p. 28). Por conseguinte, o investigador já tendo delimitado a população de onde poderáextrair a amostra, determinado quais os elementos variantes que serão investigados dentro dacomunidade, partirá para a coleta de dados, que é a principal etapa da pesquisasociolinguística Laboviana. Para configurar os princípios da pesquisa sociolinguística, Labov (1994) versa: A ambição teórica da sociolingüística como ciência é construir um modelo de análise que, contendo elementos especularmente relacionados aos elementos da estrutura lingüística, possa demonstrar as possibilidades de relacionamento entre esses elementos estruturais a partir da correlação com os fatos empíricos. (LABOV, 1994, p.4). Para tanto, o investigador deverá pensar quais instrumentos de pesquisa serãoutilizados para a coleta de dados. De acordo com Monteiro (2008), normalmente, ainvestigação sociolinguística deverá partir de registros da fala e, por isso, às vezes, énecessário estabelecer-se um plano de entrevista direcionado. Um dos desafios encontrados na coleta de dados é captar a fala natural do entrevistadovisto que a presença do pesquisador pode causar um efeito negativo e ocasionar uma maiorpreocupação ao utilizar a fala por parte do entrevistado, evitando, assim, as ocorrências de
  16. 16. 15elementos informais na fala, dificultando o trabalho do pesquisador, pois o objetivo dapesquisa linguística na comunidade deve ser descobrir como as pessoas falam quando nãoestão sendo observadas; porém, só é possível a obtenção de tais dados por meio da observaçãosistemática (LABOV, 2008, p.244). Portanto, é importante, como cita Monteiro (2008), opesquisador ter um primeiro contato com o grupo a ser analisado, antes do registro de dados. Nessa linha de pesquisa, é importante ressaltar algumas técnicas para a coleta dedados, que podem ser observações através de conversas rápidas e anônimas, ou seja, opesquisador não deixa claro para os informantes que irá analisar a língua tal como é falada nacomunidade; narrativas da vida pessoal do informante, método este que favorece o usoespontâneo da fala, pelo fato de o falante não se preocupar em monitorar o seu própriodiscurso. Ademais, Labov (apud MONTEIRO, 2008, p. 87) sugere também que é válida aobtenção de dados sistemáticos até mesmo de programas de rádio, ou de televisão,principalmente no caso de entrevistas, palestras ou debates, sendo necessário se observar oestilo da fala, que geralmente é mais formal do que uma entrevista face a face. Além dos métodos apresentados, podem ser incluídos questionários centrados noselementos linguísticos que estão sendo observados, testes que, segundo Tarallo (2008), irãorefletir um estilo ainda mais pensado, mais intencional que um dado não-natural como o daentrevista, pois será lembrado ao informante que preste muita atenção a questões delinguagem que refletirão a avaliação dada pelo informante às variantes. Indo um pouco mais além das questões da linguagem, segundo Monteiro (2008), ametodologia proposta por Labov não se limita à análise das estruturas linguísticas; hámétodos de coleta de dados em que se apresentam variantes condicionadas por fatores deordem social, que funcionam como símbolo de identificação na comunidade e, quandoestigmatizadas, chegam a produzir sentimentos de inferioridade linguística. Neste caso,podem ser utilizados testes para medir o grau de aceitabilidade ou grau de insegurançalinguística, que permitam ao informante considerar as formas presentes na fala queconsideram mais corretas. A partir dessa árdua investigação, o investigador perceberá alguns elementos centrais,seja de ordem social ou linguística, que permitirão o levantamento de hipóteses que, por suavez, irão ser comprovadas ou não após a análise de dados, etapa final da pesquisasociolinguística. As hipóteses de trabalho serão dadas pelo levantamento de todos os contextos oufatores que potencialmente influenciam a realização de uma variável, de uma ou de outra
  17. 17. 16forma, e decorrerão consequentemente das entrevistas (ou de outros métodos utilizados) feitascom os informantes. (TARALLO, 2008, p. 36). Realizada a coleta de dados, a próxima etapa da pesquisa consiste em descrever osdados e analisá-los. Para isso, o investigador deve selecionar o conjunto de dados para aanálise e fazer o levantamento e a transcrição dos dados. Para o procedimento de análise dosdados, há, por exemplo, o GoldVarb 2001, uma versão para ambiente Windows do pacote deprogramas VarbRul - do inglês Variable Rules Analysis, “um conjunto de programascomputacionais de análise multivariada, especificamente estruturada para acomodar dados devariação sociolinguística” (GUY; ZILLES, 2007, p. 105). Ao optar pela análise feita a mão, o pesquisador terá a árdua tarefa de descrever osdados e interpretá-los e, somente através da correlação entre fatores linguísticos e não-linguísticos, esse pesquisador terá um melhor conhecimento de como a língua é usada e deque é constituída”. (TARALLO, 2008, p.62) Cabe salientar um aspecto quanto aos métodos utilizados para a coleta de dados,abordados nesta seção. O investigador deve selecionar aqueles que ele acredita que sãoeficazes na sua pesquisa, relacionados com aos aspectos sociais que influenciam a variaçãolinguística que está sendo investigada e com os elementos linguísticos a serem analisados nascomunidades linguísticas.
  18. 18. 17 CAPÍTULO II VARIAÇÕES DE CONCORDÂNCIA VERBAL NA LÍNGUA INGLESA "Nenhuma língua permanece a mesma em todo o seu domínio e, ainda num só local, apresenta um sem-número de diferenciações”. (CUNHA, 1975). A variação sintática gira em torno das diversas relações entre os núcleos de umaoração (substantivo e verbo) e os outros elementos gramaticais (artigos, adjetivos, objetos,complementos, conjunções, preposições etc.), além das relações das frases entre si, quepermitem a formação de diferentes sentenças contendo um mesmo significado. Comoexemplo, vejam-se as sentenças em (1): (1) a) Don’t nobody want no tea. b) “Nobody wants tea” or “There isn’t anybody who wants tea” c) Nobody don’t want no tea. d) “Nobody wants tea” Lisa Green (2007) releva a variação linguística considerando a sintaxe de dialetos eminglês e o uso não padrão da língua inglesa a partir dos fatores sociais, analisando diversascomunidades linguísticas do idioma inglês, em que estão presentes diferentes estruturasgramaticais. Segundo Green, a teoria sintática procura estudar os princípios que explicam asconstruções gramaticais. Pesquisas realizadas em diversas comunidades da fala que têm comolíngua oficial o inglês observaram variações sobre as propriedades sintáticas. A concordância verbal é um fenômeno variável que se realiza através de duasalternativas semanticamente equivalentes, observando, desta forma, a presença da marca deconcordância do verbo ou da ausência desta marca de concordância. Na língua inglesa, a relação de concordância verbo-nominal tende a assumir diferentesformas na medida em que o verbo se adapta ao sujeito da oração. Como exemplo, pode-seobservar a variação da forma do verbo BE (ser/estar), que muda de acordo com os traços denúmero e pessoa, refletidos no sujeito sintático da oração empregado na oração.
  19. 19. 18 Vejamos os exemplos em (2): (2) a) The children were happy. b) The child was happy. c) The children was happy. Nos exemplos (2a) e (2b), uma variação de forma exibida pelo verbo BE paraestabelecer concordância com o sujeito THE CHILDREN/CHILD, estando de acordo com anorma padrão. Porém o fato de a sentença (2c) não estar em conformidade com a normapadrão não significa que esta oração não seja uma variação aceitável. A mensagem da frasenão foi perdida, e pode ser perfeitamente aceitável por falantes de determinadas comunidades. Essas variações, em muitos dialetos, são aceitas de forma natural e sem nenhumconstrangimento linguístico. Já em outros, essas variações são tidas como uma característicamarcante de um determinado contexto cultural, histórico e social que serve para diferenciaressas comunidades de outras. Outra pesquisa que comprova a existência de variação de concordância verbal noinglês é a realizada por Cheshire (2006). Essa autora relata uma pesquisa realizada com 16adolescentes britânicos de idades entre 11 e 16 anos, idade em que, segundo Naro (2008), oindivíduo está mais apto a adquirir certas formas faladas. Inicialmente, foi analisado o comportamento de cada indivíduo quanto aos aspectossociais da cultura local (o grau de escolaridade, a classe social) e aos fatores linguísticos. Combase nestes aspectos, os adolescentes foram divididos em 4 grupos de acordo com o índice dacultura popular. O grupo 1 foi composto de meninos que se assujeitam fortemente às normasda própria língua e cultura, enquanto os meninos no grupo 4 não tiveram praticamentenenhuma característica da cultura popular. Os grupos 2 e 3 eram intermediários no queconcerne à sua adesão à cultura popular. Na sequência, foi analisada a frequência com quecada um dos quatro grupos de rapazes usou formas de concordância não padrão. Os dados apresentados pela autora mostram uma variação de concordância verbal nouso da primeira pessoa do plural (We). Como se percebe no exemplo (3) abaixo, o sujeitoapresenta uma concordância não padrão na claúsula (3a), e na sentença (3b) concorda sujeitoe verbo segundo à norma padrão. (3) verbal –s: (3a) we goes shopping on Saturdays
  20. 20. 19 (3b) we go shopping on Saturdays É importante notar que as formas padrão e não padrão têm o mesmo significadoreferencial e a mesma função gramatical, sendo assim, as sentenças (3a) e (3b) não diferemem significado. De acordo com a pesquisa de Cheshire o indicador mais sensível é não padrão (verbal-s), que ocorre muito freqüentemente na fala dos meninos do grupo 1 (aqueles que mais seassujeitam às normas linguísticas da sua comunidade) e cada vez menos freqüente no discursodos grupos 2, 3 e 4. Sendo assim, o recurso lingüístico não padrão (verbal-s) funciona comoum poderoso indicador de lealdade vernacular. Segundo a autora, o mesmo ocorre nos exemplos que se seguem abaixo, com o verboHAVE e o auxiliar DO. O grupo 1 utiliza com mais frequência as formas exibidas nassentenças (4a ) e (5a ), pelo fato de estarem mais presentes em seu contexto cultural. (4) has (4a) we has a little fire, keeps us warm (4b) we have a little fire, keeps us warm (5) auxiliary DO (5a) how much do he want for it? (5b) how much does he want for it? De acordo com Cheshire, esse uso do grupo 1 aconteceu em decorrência da poucafrequência desses sujeitos na escola e pelo fato de não apresentarem um envolvimento com acultura do contexto escolar. Quanto aos grupos 2, 3 e 4, houve uma predominância do uso dasformas apresentadas em (4b) e (5b). Para a autora, esse fato se justifica pelo contexto socialem que os alunos desses grupos estão inseridos. Esses sujeitos frequentam a escolaregularmente e se envolvem no contexto escolar, onde os professores fazem uso apenas dasformas padrão. Assim, a autora conclui que, quando se estar analisando os aspectos sociolinguísticosda variação sintática, precisamos levar em conta não apenas de funções gramaticais, mastambém o contexto sócio-histórico-cultural. Deste modo, a análise da variação sintática nosfornece uma gama de perspectivas intrigantes e complexas sobre como os falantes usam alinguagem para criar significados sociais.
  21. 21. 20 Nessa mesma linha de pesquisa podemos cita os trabalhos de Parrott (2001), queobjetiva fornecer os primeiros esboços de uma visão mais geral da variação de concordânciaverbal ocorrentes na Smith Island. Os dados apresentados no seu trabalho advêm de umapesquisa sociolingüística realizada na Smith Island nos anos de 1999 e 2000. Os entrevistadoseram do sexo feminino e todos nascidos e criados na Ilha com idade entre 13- 90 anos. Dentre os fenômenos variantes encontrados em seus dados, Parrott deteve-se navariação de concordância verbal envolvendo a cópula BE e o auxiliar DO com polaridadenegativa. As sentenças mostradas em (5) e (6) abaixo ilustram o tipo de variação encontrado. (6) She werent there. (7) It dont matter Em (6), o sujeito pronominal SHE aparece com o verbo BE no passado na formaWEREN’T. Em (7) o sujeito pronominal IT concorda com o auxiliar DO. De acordo com osdados coletados por Parrott, este tipo de variação é utilizado com muita frequência e aparecepraticamente a todo o momento na fala dos entrevistados, tanto nas falantes de meia-idadequanto na fala das adolescentes. O autor salienta que, com os sujeitos no plural não ocorre este tipo de variação, ouseja, nas sentenças em que os sujeitos apareciam no plural encontram-se sentenças de acordocom a norma padrão. Para o autor, seus estudos sugerem que o sistema de concordância verbal, na SmithIsland, está dividido em duas partes; os verbos de negação e os verbos não negativos.Segundo ele, cada parte do sistema é afetado por formas diferentes de variação, que se dãoparalelamente e envolvem os níveis de concordância. Outro trabalho sobre variação entre sujeito e verbo no inglês que merece destaque é odesenvolvido por Cheshire e Fox (2009), que estudaram a variação do uso de WAS e WEREem comunidades linguísticas. A pesquisa foi realizada no interior e na área externa de Londres em duas localidades,em Hackney e Havering, com o objetivo de investigar o inglês falado por adolescentes deidade entre 16-19 anos e idosos nascidos e criados nessas localidades, levando em conta osaspectos sócio-históricos. Segundo as autoras, trata-se de locais que refletem omulticulturalismo, assim como o multilinguismo, o que torna ainda mais possível encontraruma multiplicidade de variantes.
  22. 22. 21 A análise de resultados foi desenvolvida a partir de fatores linguísticos, tais como,polaridade, tipo de assunto, ordem das palavras e tipo de cláusula (interrogativas, declarativasou marca) e fatores extralinguísticos como idade, sexo e etnia. Os resultados mostraram que,em contextos de polaridade positiva, é mais frequente o uso não padrão de WAS e o usopadrão de WERE na fala dos adolescentes das duas comunidades Londrinas. É importantedestacar, que nos resultados apresentados, o uso não padrão de Was entre os adolescentes deHavering (58%), consideravelmente maior que entre os adolescentes de Hackney (42,4%). Nafala de idosos, constatou-se que no interior de Londres 51.5% utilizam a concordância nãopadrão de WAS, e somente 19.2% entre os falantes da área externa de Londres utilizam essaforma. Com relação à polaridade negativa, Cheshire e Fox ressaltam que se trata de umfenômeno igualmente complexo em Londres. Os resultados mostram que o índice do uso nãopadrão de Weren’t vem aumentando na fala de adolesentes, mostrando 41% de uso poradolescentes no interior de Londres e 69% de uso por falantes fora de Londres, sendo que amaior parte dos falantes que fazem uso dessa variante são do sexo feminino. Um aspecto importante relatado nos trabalhos desses autores é o fato de que a variaçãode concordância verbal pode ocorrer em todos os países em que há falantes do inglês, o queparece indicar que esse fenômeno está sujeito à influência de fatores linguísticos e sociais, jáque depende do contexto social em que o sujeito falante está inserido, e influencia o modo deexpressão desse falante e nos seus diversos grupos sociais. Trazendo essa realidade para o ensino de inglês como segunda língua, é indispensávelque o aprendiz tenha contato com essas variantes durante o processo de aprendizagem, paraque ele possa fazer uso destas em contextos diversos de comunicação.2.1 A Variação e o Ensino de Língua Inglesa Durante décadas, o ensino de língua inglesa, nas escolas do Brasil, esteve (ou aindaestá) centrado no ensino de regras da gramática tradicional. Tal método de ensino não sepreocupa em trabalhar as variações existentes na língua. Em consequência, o aprendizado sereduz em uma forma mecânica de adquirir regras gramaticais. Segundo Bagno (2007), os PCN publicados em 1997 reúnem novas propostas pararenovação no ensino de línguas. Nas palavras do autor; “Os PCN introduziram algunsconceitos até então pouco conhecidos na prática docente, conceitos provenientes de umadisciplina relativamente nova dentro dos estudos da linguagem, a Sociolinguística”. (p. 28).
  23. 23. 22 Para além das regras da gramática tradicional ensinada nas escolas, atualmente com asnovas propostas de ensino da língua inglesa, os professores procuram desenvolver as quatrohabilidades, ler, escrever, ouvir e falar, com a finalidade de fazer com que os alunos utilizema língua na sala de aula, para isso, é bastante utilizado o método comunicativo. Porém essetrabalho com a LI tem sido feito pautado nas regras da norma padrão. Mas por que não incluiras variações linguísticas no ensino de Língua Inglesa? Será que o ensino voltado apenas paraa norma padrão linguística está capacitando o aluno a utilizar a língua estrangeira nos maisdiversos contextos? O professor pode mostrar ao aluno não uma única forma de uso linguístico, e sim asvárias formas que podem ser usadas em diferentes comunidades linguísticas. Principalmentena abordagem comunicativa de ensino, “é importante que o professor trabalhe as variaçõeslinguísticas na sala de aula, uma vez que o seu papel é capacitar o aluno para o uso dalinguagem apropriada, adequada à situação em que ocorre o ato da fala e ao papeldesempenhado pelos participantes”. (LEFFA, 2001 apud RODRIGUES, 2005, p. 31) Apesar da renovação das propostas de ensino, com o advento dos PCN, asociolinguística pouco foi adequada à prática no ensino de línguas, talvez muitos dosprofessores de línguas ainda acreditem no velho mito de que as variações ocorrentes no uso dalíngua são “erros” linguísticos; e, com isso, surge o preconceito lingüístico, que impede oprofessor de aceitar e, por conseguinte, de ensinar essas variações na escola. Antes deresponder às questões levantadas acima, é interessante abordar rapidamente por que asvariantes linguísticas são consideradas formas “incorretas” na prática linguística. Segundo Bagno (2007, p. 19), “a noção de erro nasce, no mundo ocidental, junto comas primeiras descrições sistemáticas de uma língua especifica, a língua grega”. O autor relataque, com a formação do grande império formado pelas conquistas de Alexandre, a línguagrega tinha se tornado o idioma internacional, com isso surgiu a necessidade de se criar umpadrão uniforme para superar as diferenças regionais e sociais; e esta foi apreendida pelosfilólogos, que constituíram uma norma unificada, um padrão linguístico único e correto queserviu até hoje de modelo para a sociedade. Veja-se que um padrão linguístico estabelecido no século III a.C ainda é seguido atéos dias atuais, e pior, ensinado nas escolas até hoje, deixando excluídas as formas linguísticasutilizadas pela maior parte da população. Segundo Fiorin, “se observarmos alguns fatos doportuguês contemporâneo, verificaremos que as formas consideradas "erradas" são frequentes,mesmo na fala de pessoas cultas, ocorrendo de forma bastante variável em alguns casos.”(2002, p.20)
  24. 24. 23 É exatamente esta noção de “erro” que impede que os professores ensinem a língua talcomo é falada pelas comunidades. No caso do inglês especificamente, os estudantes, desde oensino fundamental e até mesmo na Universidade, estudam a língua puramente sobre seuaspecto formal. Portanto, deve-se sim, ensinar as variantes, seja padrão, não padrão, estigmatizadas ounão, na sala de aula. O estudante deve conhecer tais formas, pois poderão fazer uso destas emdiferentes contextos. Como abordado nos Parâmetros Curriculares Nacionais, “a questão davariação linguística em Língua Estrangeira pode ajudar não só a compreensão do fenômenolinguístico da variação na própria língua materna, como também do fato de que a línguaestrangeira não existe só na variedade padrão, conforme a escola normalmente apresenta”.(PCN, 1998, p. 20) Assim, caberia às instituições de ensino trabalhar as variedades da língua estrangeira,permitindo que o aluno tenha contato com elas, possuindo conhecimento necessário parasaber em quais contextos utilizá-las. Visto que as variedades linguísticas constituem umarealidade nas interações sociais, o ensino de língua inglesa não deve ser restringido somenteao ensino da norma padrão, pois esta não é a única forma de manifestação linguística. Para que as variações linguísticas sejam trabalhadas em sala de aula, é necessário quehaja uma mudança no comportamento do próprio professor, assim como a inclusão dasociolinguística no processo de formação do docente para que o mesmo tenha consciência deque não existe uma única forma correta de se dizer algo, tanto na língua materna, quanto nalíngua estrangeira.
  25. 25. 24 CAPÍTULO III: METODOLOGIA A proposta metodológica do presente trabalho consistiu na pesquisa de campo que tevepor finalidade coletar dados sobre a aceitabilidade da variação de Concordância Verbal poralunos do Curso de Letras/Inglês do Departamento de Educação – Campus XIV da UNEB. Ouseja, neste trabalho, foram apresentadas para esses informantes produções linguísticas queenvolviam variações de concordância verbal socialmente significativas em seu contexto defala, e foi solicitado que eles indicassem as formas que utilizam normalmente. A Língua Inglesa tem um grande número de falantes não nativos que estão espalhadosem diversos países, fator esse que contribui para consideráveis variações fonéticas, léxico-semânticas e morfossintáticas. Os falantes não nativos geralmente aprendem/adquirem a LI em contextos formais deensino. Desta forma, o que se espera é que estes sujeitos utilizem majoritariamente asestruturas do inglês conforme o padrão gramatical. Por outro lado, é possível que um númeroconsiderável desses aprendizes tenha contato com falantes nativos com o objetivo deaprimorar a língua inglesa, através do skype ou outros meios tecnológicos, ou até mesmo daparticipação de grupos de conversação, cursos de idiomas etc., o que os colocam em umambiente propício para adquirir certas formas linguísticas variantes. Dessa forma, o presente trabalho buscou avaliar, de forma qualitativa e quantitativa, aaceitabilidade de variação na concordância verbal existente na Língua Inglesa por estudantesde Inglês como Língua Estrangeira. Nessa empreitada, buscou-se comparar a aceitabilidadedessas formas variáveis entre os aprendizes de língua inglesa com a aceitabilidade dessesfenômenos por falantes nativos do idioma inglês, com o intuito de perceber se as diferentesformas de aquisição/aprendizagem da língua influenciam a aceitabilidade das formasvariáveis. Assim, esta pesquisa se configura como uma investigação etnográfica já que se baseou emdados obtidos a partir da aplicação de questionários que tiveram como objetivo apontar asformas de concordância que são consideradas mais corretas pelos sujeitos arrolados.3.1 Sujeitos Os sujeitos participantes da pesquisa para primeira parte da análise são 3 falantesnativos do idioma inglês, dois deles são frequentadores da Igreja Jesus Cristo dos Santos dos
  26. 26. 25Últimos Dias de Conceição do Coité, de origem americana, um outro informante é de origeminglesa, residente em Londres. Os dados que foram coletados desses informantes nativosserviram como base para subsídio desta pesquisa visto que já existem materiais quecomprovam o uso de variações de concordância verbal por falantes nativos de língua inglesa. Os informantes que foram o foco de estudo desta pesquisa são 36 estudantes do Cursode Letra/Inglês da UNEB – Departamento de Educação – Campus XIV, do II e VIII semestres. Todos os estudantes participam do mesmo ambiente de ensino, porém se prevê quecada um tenha suas particularidades quanto ao aprendizado do idioma e seu uso. Por isso, estapesquisa buscou investigar se é possível a aceitação por parte desses sujeitos de estruturassintáticas que divergem da forma padrão.3.2 Instrumentos selecionados para a coleta de dados Os instrumentos para a coleta de dados foram selecionados com base na metodologiada pesquisa variacionista utilizada por autores como Tarallo (2007), Monteiros (2008),Mollica e Braga (2008), e a partir de pesquisas variacionistas sobre a variação de concordânciaverbal utilizadas por falantes nativos de língua inglesa como os trabalhos de Green (2007),Cheshire (2006) e Parrott (2001). Esses textos serviram de base para a composição dos testesde percepção e questionários. Portanto, cabe delinear cada um dos instrumentos selecionadospara a constituição dos dados.3.2.1 Aplicação de Testes Tarallo (2007) sugere testes que podem ser utilizados na pesquisa sociolinguística, quediferem segundo a natureza da variável: o teste de percepção e o teste de produção. Como,neste trabalho, o objetivo foi testar a aceitabilidade da variação de concordância verbal, o testefoi montado com o objetivo de percepção, ou seja, foi solicitado do informante que semanifestasse em relação à aceitabilidade de alguns enunciados. Este teste foi composto de 20 sentenças; algumas exibiam concordância verbalconforme a norma padrão e outras, não padrão. Essas sentenças foram retiradas de pesquisas jáexistentes na língua inglesa as quais foram abordadas no capitulo II deste trabalho. Esteinstrumento objetivou levantar dados sobre o julgamento dos sujeitos participantes destapesquisa de estruturas com concordância verbal não padrão da língua inglesa. Falantes nativos
  27. 27. 26também foram submetidos a esse teste. O objetivo foi comparar os julgamentos desses doistipos de falantes do inglês. Labov (1972 apud MONTEIRO, 2008) sugere uma série de testes formais para seaferir que atitudes os falantes mantêm em relação à linguagem. Para este propósito, foiconstituído para este trabalho um teste de atitude linguística com seis questões, as quais sereferem ao sentimento linguístico do sujeito quanto ao uso da sua linguagem.3.2.2 Aplicação de questionários Além desses testes, foi elaborado um questionário que visa investigar os fatores sociaisque influenciam a aceitabilidade das variações de concordância verbal por aprendizes delíngua inglesa. O questionário foi composto de seis questões voltadas para a investigaçãosobre os contextos em que os aprendizes têm contato com tais variantes, visto que se defende ahipótese de que muitos aprendizes aprendem/adquirem a LI em outros contextos fora daUniversidade, sendo possível, assim, o contato com falantes nativos e, consequentemente, ouso de variações.2.3 Caracterização das variáveis Considerando-se trabalhos já existentes em relação às variações linguísticas do inglês,e tendo como foco os elementos de variação de concordância verbal, foram selecionadas asvariáveis dependentes e independentes para a elaboração dos testes que serviram para a análisede aceitabilidade destas formas linguísticas por alunos de língua inglesa como segunda línguae por falantes nativos. Torna-se relevante agora caracterizar essas variáveis.I Variável dependente  Presença de concordância (8) a. you were outside. b. There are lots of people in the room.  Ausência de concordância (9) a. you was outside. b. There is two boys running.
  28. 28. 27 Nos trabalhos de Green (2007), por exemplo, é comprovada a existência de formasvariantes com o verbo BE no tempo presente (is/are), que podem apresentar + ou –concordância em relação ao sujeito. Neste caso, o uso do IS encontra-se em variação, podendoocorrer em sentenças com o sujeito no plural, já o uso de ARE é mais frequente nas formaspadrão.II Variáveis independentes linguísticas1. Tempo verbal  Pres. Ind.(10) The children is sad.  Passado(11) The children was happy. Nas pesquisas realizadas por Cheshire e Fox (2006), observamos a ocorrência devariação no passado do verbo BE (Was/Were). Os resultados mostraram que, em contextos depolaridade positiva, é comum o uso não padrão de WAS e o uso padrão de WERE; já comrelação à polaridade negativa, constatou-se que é frequente o uso de WEREN’T nas formasnão padrão e o uso de WASN’T nas formas padrão. Sendo assim, foram selecionadas assentenças listadas abaixo:2. Polaridade da sentençaa. Afirmativa(12) They were still like partying hard.(13) The women was making a dinnerb. Negativa(14) She weren’t there.(15) I wasnt there. Portanto, nas sentenças apresentadas, há a presença de + concordância verbal no uso deWERE nas sentenças afirmativas, já nas sentenças negativas há - concordância com autilização de WEREN’T. Em relação à utilização de WAS em frases negativas, nota-se que há
  29. 29. 28variação quanto à concordância com o sujeito, enquanto, nas frases afirmativas, não há apresença desta variação. Além dessa variação com o verbo BE, nota-se o uso de variantes no uso do verboauxiliar HAVE; é frequente o uso de HAS com o sujeito no plural, enquanto o uso de HAVEse dar apenas nas formas padrão. Esses dados encontram-se nas pesquisas realizadas porCheshire(2006). Ademais, um outro fenômeno variável da língua inglesa discutido na literatura (Cf.Parrott, 2005, Green, 2007, Cheshire, 2006), é o uso dos auxiliares DO/DOES nas formasinterrogativas e negativas. Encontra-se em variação o uso de DO com o sujeito na terceirapessoa, já o DOES é utilizado apenas na forma padrão; as sentenças listadas abaixodemonstram tais usos.3. Presença/ausência de forma variável contraída ao NOT(16) It don’t matter.(17) How much do he want for it? Cabe salientar o uso variável do morfema flexional verbal ‘s’: Segundo Cheshire(2006), o ‘s’ pode ser acrescentado ao verbo com sujeitos no plural na língua falada, como nassentenças abaixo:4. Variável do morfema flexional verbal ‘s’(18) The girls likes pizza.(19) The patatoes looks awful.(20) Only two apples seems to be left. Dessa forma, os fenômenos variantes analisados pelos autores acima citados servirãode base para a constituição dos questionários para a coleta de dados. Além disso, foramcompostos testes que buscaram investigar os elementos sociais que podem influenciar no usodestas variantes, tanto dos sujeitos nativos quanto dos aprendizes de língua estrangeira.
  30. 30. 29III Variáveis independentes sociais Além dos elementos estruturais, foram utilizados métodos que buscaram investigar osfatores sociais que influenciam no uso das estruturas variáveis aqui apresentadas, tais comoidade e atitude ao comportamento linguístico.1. Tipos de falantes Indica fatores referentes aos participantes da pesquisa, se é falante nativo ou aprendizde inglês como língua estrangeira.a. Falantes nativos A atitude linguística do falante foi o foco de investigação deste grupo, pois a análise sedeteve na aceitação das formas linguísticas não padrão, assim como nas atitudes linguísticasdo falante referentes a variantes linguísticas da sua própria língua.b. Aprendizes de inglês como língua estrangeira Estes sujeitos caracterizam-se como foco do trabalho, portanto, buscaram-se métodosde investigação dos diversos fatores sociais que poderiam influenciar no uso ou aceitação dasvariantes investigadas, como; grau de uso da língua, idade, sexo e atitude linguística.
  31. 31. 30 CAPÍTULO IV: ANÁLISE DE DADOS Este capítulo consiste na apresentação da análise dos dados levantados. Inicialmente,torna-se relevante descrever os dados obtidos através de testes aplicados cujo objetivo foiinvestigar o uso das variantes linguísticas e atitudes linguísticas de falantes nativos da línguainglesa por meio de uma metodologia de cunho qualitativo.4.1 Variações de Concordância Verbal utilizadas por Falantes Nativos Como já foi mencionado os dados aqui analisados foram obtidos através da aplicaçãode testes de percepção e um teste de atitude lingüística. Primeiramente, serão analisados osdados obtidos pelos informantes de origem americana, frequentadores da Igreja Jesus Cristodos Santos dos Últimos Dias, pelo fato de haver semelhanças quanto ao julgamento do uso dasvariantes linguísticas, assim como às atitudes linguísticas apresentadas por esses falantes. O pensamento desses sujeitos sobre a sua própria fala reflete um certo preconceitoquanto ao uso das variações linguísticas. Segundo esses falantes, eles fazem ou tentam fazeruso de uma linguagem mais ‘intelectual’ e tentam não cometer ‘erros’ quando fazem uso dalíngua falada. Tal postura pode ser percebida nas respostas para a pergunta: “What do youthink about your own speech?(21) a. – I like it. I find that my form of speech to be very expressive, others have told me itsound ‘intellectual’ or ‘educated’. (E.R, Ohio, USA) b. – (…)“I was raised speaking English correctly, my parents always corrected me whenI made a mistake so I hope my speech is good”. (E.R, Las Vegas, USA) Outras questões solicitam que esses informantes de origem americana analisem se elesconsideram incorretas algumas formas de variações de concordância verbal, tais como essasapresentadas em (20).(22) a. She weren’t there. b. It don’t matter. Um deles apresenta a seguinte informação:
  32. 32. 31(23) “I don’t use them, except by accident. Usually when I decide on a better way to expressan idea in the middle of saying the sentence”. (E.R, Ohio, USA). Observa-se que o falante admite que faz uso dessas variantes, mas ainda remetepreconceito quanto a essas formas linguísticas. O informante E.R (USA), apesar de ter apresentado um julgamento de inferioridade emrelação às variantes lingüísticas não padrão, quando foi solicitado que se pronunciasse quantoao uso destas em algumas situações, assinalou que se sente mais confortável utilizando oinglês não padrão:(24) “Well I don’t really think anyone speaks ‘Standard English’everybody just speaks Englishlike everyone else just some people speak more correctly”. No entanto, nos testes de percepção em que se apresentavam as variantes nas formaspadrão e não padrão, os dois sujeitos de origem americana julgaram apenas fazer uso dasformas do inglês padrão. Ao analisar os dados obtidos pelo informante P.S (London, UK), nota-se que essesujeito não apresenta nenhum sentimento de preconceito linguístico quanto ao uso dasvariantes e que ele faz uso destas em diversos contextos. Ao perguntar se o informante utilizaas variantes não padrão do inglês, ele apresenta a seguinte resposta:(25) “Yes, depends on who I’m talking to.” (P.S, London, UK). Voltando especificamente para as variantes de concordância verbal, ao se aferir se ofalante britânico considera incorretas as sentenças em (22), ele expressa a seguinte ideia:(26) “No. Depends on who you are talking to or which situation”. Em relação a se ele se sente mais confortável utilizando o inglês não padrão, P.Safirma:(27) “Yes, when I’m with my friends. It’s just a way of cutting down long sentences and gostraight to the point.”
  33. 33. 32 Nos testes de percepção, o informante de origem britânica afirmou que faz uso dediferentes formas de variação de concordância verbal, tais como as sentenças em (28) abaixo.(28) a. Only two apples seems to be lefts. b. She weren’t there. c. It don’t matter. Contudo, todos os sujeitos nativos participantes desta pesquisa fazem uso das varianteslinguísticas, até mesmo aqueles que apresentam um grau de preconceito em relação ao usodessas variantes, como demonstrados no exemplos (21), (23) e (24), pois a língua édiversificada e influenciada por aspectos sociais de diversas comunidades linguísticas.4.2 Aceitabilidade das formas variantes de Concordância Verbal por aprendizes de Língua Estrangeira A Sociolinguística qualitativa “tem por objetivo investigar o caráter social e a funçãosocial da linguagem, bem como as suas respectivas repercussões no comportamento dosindivíduos”. (PAULA, 2008, p. 26). Sendo assim, esta pesquisa buscou, além de verificar se osaprendizes de inglês como língua estrangeira fazem uso das variantes de concordância verbal,observar se estes apresentam preconceitos linguísticos quanto ao uso destas variantes. Visto que os sujeitos participantes desta pesquisa foram estudantes do II e VIIIsemestres do curso de Letras com Habilitação em língua inglesa da UNEB – Campus XIVtorna-se relevante uma análise processual por turma levando-se em conta os diversos fatoresde investigação (linguísticos e sociais) que podem influenciar no uso das variantes deconcordância verbal e a aceitabilidade dessas variantes.4.2.1 Estudantes de língua estrangeira do II semestre: do conhecimento linguístico ao uso das variantes Os sujeitos contribuintes para esta primeira análise são 17 estudantes de língua inglesado II semestre de Letras com Inglês. Levando-se em conta as diferentes formas de contato/usoda língua pelos participantes, torna-se necessário a divisão de (3) grupos, os quais buscamaprender a língua em diferentes contextos, fator este que influencia o uso ou não das varianteslinguísticas.
  34. 34. 334.2.1.1 Grupo (1) Uso do Skype/ Redes Sociais O Skype é uma tecnologia que permite a transmissão de sinais de voz pela Internetatravés da qual o aprendiz pode se comunicar com falantes nativos; assim como outros meiostecnológicos, como redes sociais, comunidades e sites, que permitem aos aprendizes aprenderuma língua estrangeira através do contato com a própria língua alvo. Acredita-se que por meiodessas tecnologias, o sujeito está mais apto a adquirir variantes presentes na língua falada. O grupo (1) é composto de (5) informantes que fazem uso destes recursos e estudaminglês há aproximadamente 4 anos, a faixa etária varia de 18 a 27 anos e fazem uso do skypeou redes sociais e comunidades de idiomas semanalmente ou mensalmente. Todos os sujeitosdeste grupo julgam que tentam fazer uso da forma padrão optando pelo inglêsgramaticalmente correto. Isso ocorre pelo fato de a Universidade trabalhar apenas com aforma padrão. Por outro lado, esses aprendizes estão também expostos a um ambiente (Skype ououtras ferramentas da internet) em que se deparam com variantes linguísticas. Dois dessesinformantes dizem que não aplicam variantes presentes na fala; no entanto, não apresentampreconceito algum quanto à utilização dessas variantes e respeitam o uso destas por diferentesgrupos sociais. Outros três informantes pertencentes a este grupo consideram que aplicam asvariantes na língua falada. No que concerne ao teste de percepção em que apresentam sentenças nas formaspadrão e não padrão misturadas entre si, todos esses informantes julgam fazer uso de varianteslinguísticas de concordância verbal, o que será mostrado no tópico 4.2.2.4.2.1.2 Grupo (2) Curso Livre Um número considerável de alunos recorre a um curso de idiomas para conseguiruma melhor proficiência na língua estrangeira. Dentre os sujeitos desta pesquisa, cincoestudantes participam de grupos de conversação oferecidos por cursos livres; três dessesinformantes afirmam que fazem uso de variantes linguísticas. Segundo um destes sujeitos:(29) “Por que no próprio processo de aprendizagem nós adquirimos tudo que nos é passado,então quando pratico inglês no cursinho acabo usando essas variantes” (M. S., II semestre).
  35. 35. 34 Este grupo apresenta uma faixa etária entre 21 a 28 anos e estudam a língua hámais de 2 anos. Os sujeitos deste grupo estão em processo de aprendizagem do idioma inglêse julgam estar no nível básico, exceto um deles que diz apresentar um inglês gramaticalmentecorreto. Apesar de afirmarem fazer uso das variantes linguísticas, na questão 3 do teste deatitude linguística em que se pergunta se eles consideram incorretas certas estruturas usadasno idioma Inglês, como She werent there e It dont matter todos os aprendizes deste grupojulgam incorretas as estruturas, pois analisaram do ponto de vista na norma padrão da língua.4.2.1.3 Grupo (3): Uso da língua estrangeira na Universidade Este grupo de estudantes, composto por sete aprendizes, faz uso da língua apenasno ambiente de aprendizagem da própria Universidade. Levando-se em conta que desteambiente participam diversos sujeitos que fazem uso das variantes linguísticas, cinco destesestudantes disseram fazer uso destas estruturas em conversas com os colegas na própriaUniversidade e apenas dois afirmaram que não aplicam nenhum tipo de forma não padrão nalíngua falada. Um outro dado importante encontrado nos resultados desses sujeitos foi a falta depreocupação em utilizar a forma correta. Isto pode ser explicado pelo fato de eles terem aindapouco conhecimento em relação às formas gramaticais, preocupando-se principalmente emcomunicarem-se na língua e serem entendidos. Cinco desses aprendizes fazem uso da línguahá apenas 6 meses enquanto outros dois estudam a língua acerca de 3 anos. Voltando-se para o teste de Atitude linguística, quanto ao julgamento dasestruturas não padrão, se percebe que os informantes apresentam conhecimento sobre aexistência das variações linguísticas, pelo fato de emitirem que consideram incorretas asestruturas não padrão apenas do ponto de vista gramatical.4.2.2 Teste de aceitabilidade das variantes por aprendizes do II semestre Neste quesito, no que se refere aos aprendizes de inglês como língua estrangeira doII semestre, a análise dos dados nos mostra que os sujeitos fazem uso de algumas estruturasde variação de concordância verbal na língua falada, não emitindo preconceito quanto ao usodessas estruturas.
  36. 36. 35 Dessa forma, serão demonstradas aqui as estruturas mais utilizadas por estesgrupos, assim como a porcentagem de alunos que as utilizam, levando-se em conta que onumero total de participantes foram 17 estudantes. Gráfico 1: Variável verbo to be no presente do indicativo. A sentença acima apresenta um grau menor de concordância entre o sujeito thechildren, que está no plural, e o verbo is que se apresenta no singular; uma forma varianteutilizada por 53% dos estudantes do II semestre do curso de língua inglesa. Gráfico 2: Variável morfema flexional verbal –s. Na sentença acima, a concordância verbal não segue o padrão linguístico. O sujeito thegirls está na 3ª pessoa do plural, mas o verbo está seguindo a regra de concordância de 3ªpessoa do singular (he, she, it), marcado pelo morfema –s. No entanto, esta forma é aceita por76% dos informantes do II semestre.
  37. 37. 36 Gráfico 3: Variação no passado do verbo to be (were) polaridade negativa. A estrutura apresenta uma variação de concordância entre o sujeito, que está naterceira pessoa do singular she, e o verbo to be está no plural (weren’t). Esta sentença foimarcada positivamente por 35 % dos sujeitos. Gráfico 4: Variação do verbo to be na forma interrogativa. No exemplo acima, a forma do verbo to be está no singular enquanto o sujeito the eggsestá no plural, havendo um desencontro entre as marcas de concordância do sujeito e doverbo. Gráfico 5: Variação do auxiliar do com o sujeito na terceira pessoa.
  38. 38. 37 Na estrutura acima, houve uma variação no uso do auxiliar do, pois o sujeito seapresenta na 3ª pessoa do singular it e, de acordo com o padrão da língua inglesa, com osujeito na terceira pessoa é utilizado o auxiliar does. O mesmo ocorre no gráfico (6) abaixo. Gráfico 6: Variação do auxiliar do na forma negativa com o sujeito na terceira pessoa. A partir das amostras dos dados aqui levantados, nota-se que os informantes do IIsemestre fazem uso das variantes línguisticas no próprio ambiente da universidade, havendodessa forma, um ambiente propício à aquisição das estruturas línguisticas fora da formapadrão. Outro fator que contribui para a utilização destas estruturas é o fato de que essesaprendizes estão no nível inicial de aprendizagem/aquisição da língua. Por isso, a maioriadeles não tem conhecimento quanto a diferir as estruturas padrão das não padrão. Outro fator importante é que não houve diferenças entre o grupo que utiliza o skype eaqueles que não utilizam, pois nota-se claramente que todos os sujeitos destes grupos fazemuso de estruturas não padrão, não havendo distinções no grau de aceitabilidade.4.2.3 Estudantes de língua estrangeira do VIII semestre: Uma análise de aceitabilidade das estruturas variantes de concordância verbal Levando-se em consideração as particularidades de cada sujeito quanto ao uso dalíngua e sua aprendizagem, foram formados três grupos a partir do ambiente em que osinformantes buscam aprender ou fazer uso da língua inglesa.4.2.3.1 Grupo (1) Uso do Skype/ Redes Sociais Este grupo é formado por oito sujeitos que fazem uso de recursos tecnológicos para oaprendizado/aquisição do inglês, em sua maioria através da comunicação com falantes nativos.
  39. 39. 38Os informantes pertencentes a este grupo estudam inglês há mais de 3 anos e apresentam faixaetária de 21 a 26 anos, a maioria deles possui um inglês fluente ou intermediário. No teste deatitude linguística, seis desses informantes afirmaram fazer uso de variantes no ato da fala,enquanto dois destes julgam não aplicar as formas variantes e optam pelo inglês padrão. Noentanto, no teste de aceitabilidade, todos marcaram estruturas com concordância verbal nãopadrão como formas utilizadas por eles. Nenhum dos sujeitos apresentou preconceito em relação às formas variantes. Para elessão formas que podem ser utilizadas e bem entendidas.4.2.3.2 Grupo (2) Curso Livre Cinco informantes, de faixa etária entre 23 a 33 anos estudam inglês na própriaUniversidade e em cursos de idiomas há aproximadamente 4 anos ou seja, estão menosexpostos a ambientes linguísticos em que poderiam se deparar com formas linguísticas nãopadrão. Por este motivo, consideram que fazem uso do inglês padrão. Direcionando-se para as atitudes linguísticas apresentadas por esses sujeitos, percebe-se que dois desses informantes julgam as estruturas não padrão de concordância verbalincorretas, enquanto três destes sujeitos julgam estas variantes aceitáveis e compreensíveis emcontexto comunicativo.4.2.3.3 Grupo (3) Uso da língua estrangeira na Universidade/sala de aula em escolas publica Este grupo é composto de seis sujeitos que usam a língua inglesa na Universidade ouexercendo a função de professor de inglês. Logo esses sujeitos estão expostos a ambientesmais formais de uso da LI. Esses sujeitos estão numa faixa etária entre 21 e 30 anos, estudam a língua inglesa hámais de 3 anos. Dois deles utilizam o inglês também em conversas com colegas nauniversidade, enquanto os outros quatro utilizam a língua na Universidade ou ambiente desala de aula. No que se refere as atitudes linguísticas destes sujeitos, a maioria deles considera quetenta fazer uso do inglês padrão; quatro desses informantes consideram que aplicam asvariantes quando fazem uso do inglês assim como aceitam as estruturas não padrão, nãoapresentando preconceito algum quanto às estruturas variantes de concordância verbal,enquanto dois desses informantes julgam essas estruturas incorretas. Dessa forma, diante da
  40. 40. 39questão 4 do teste de atitude linguística (Quando você ouve o discurso de algumas pessoas emum padrão de variação linguística diferente do que você aprendeu, o que pensa sobre estegrupo de pessoas?), todos eles disseram que reconhecem a existência das variaçõeslinguísticas presentes na língua inglesa. A título de ilustração, segue abaixo a resposta de T.L:(30) “Assim como em nossa língua existem variações quando nos comunicamos é normalhaver também em outras línguas” (T.L., VIII semestre).4.2.4 Teste de aceitabilidade das variantes por aprendizes do VIII semestre Quanto à aceitabilidade de estruturas variantes, percebeu-se que apesar de estaremmais expostos a um ambiente de ensino/aprendizagem em que o padrão é privilegiado,somente dois dos sujeitos afirmaram não fazer uso de nenhuma das estruturas não padrão queforam apresentadas a eles. Sobre o teste de percepção, destacam-se algumas estruturas que foram julgadas comomais utilizadas pelos aprendizes do VIII semestre, como mostram os gráficos a seguir. Gráfico 7: Variável morfema flexional verbal –s. Gráfico 8: Variação no passado do verbo to be (were) polaridade negativa. Gráfico 9: Variação do Verbo to be na forma interrogativa.
  41. 41. 40 Gráfico 10: Variação no passado do verbo to be (was) com polaridade positiva. Gráfico 11: Variação do auxiliar do na forma negativa com o sujeito na terceira pessoa. Note-se que o uso dessas variantes por parte desses sujeitos ocorre com menorfrequência se for comparado com o uso dos estudantes do II semestre; isto certamente decorredo fato de os aprendizes do VIII semestre estarem expostos à língua padrão há mais tempo. Ao analisar a aceitabilidade das variantes de concordância verbal por parte destessujeitos observa-se que os grupos que fazem uso do inglês na Universidade e cursos deidiomas apresentam um menor grau de aceitabilidade quando comparado com aqueles queutilizam o Skype/redes sociais, isso ocorre devido ao contexto linguístico, o qual estes gruposestão expostos, ou seja, a um ambiente linguístico padrão.
  42. 42. 414.3 Resultados Os dados mostraram que um número considerável de aprendizes de língua inglesa fazuso de variantes de concordância verbal não padrão e que nos mais diversos contextos deutilização da língua há aceitabilidade destas variantes, como demonstrado na descrição de cadagrupo. Ao se aferir as sentenças variantes julgadas pelos aprendizes do II semestre,destacam-se algumas destas como mais utilizadas pelos sujeitos arrolados, como em (31) avariável do morfema flexional verbal –s utilizada por 76% dos sujeitos e em (32) a variável doverbo to be no presente do indicativo julgada como aceitável por 53% dos aprendizes. Na análise da turma do VIII semestre, nota-se um menor grau de utilização dasestruturas não padrão, das quais a assinalada como mais utilizada foi a variação no passado doverbo to be (was) com polaridade positiva como em (33), apontada como utilizada por 53%dos sujeitos desta turma. (31) The girls like pizza. (32) The children is sad. (33) The women was making a dinner. Ao se comparar o grau de aceitabilidade destas estruturas variantes por falantesnativos e os aprendizes de inglês, percebe-se que estes últimos apresentaram um grau deaceitabilidade maior e afirmaram fazer uso das várias formas não padrão apresentadas a estes.Ao se analisar o julgamento das sentenças de concordância verbal não padrão pelos falantesnativos, observa-se que estes apresentaram um maior interesse em utilizar a norma padrão etambém mostraram algum tipo de preconceito linguístico quanto à utilização dessas variantes.
  43. 43. 425 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento da sociolinguística como ciência possibilitou ao longo das décadasa desmitificação de preconceitos linguísticos. De acordo com Aguilera (2008), “a atitudelinguística assumida pelo falante implica a noção de identidade, que se pode definir como acaracterística ou o conjunto de características que permitem diferenciar um grupo de outro,uma etnia de outra, um povo de outro.” (AGUILERA, 2008, p.105-106). Ou seja, a atitudelinguística é determinada por fatores sociais. Este trabalho, além de avaliar a aceitabilidade de variação na concordância verbalexistente na Língua Inglesa por falantes nativos e aprendizes de inglês como segunda língua,mostrou as atitudes linguísticas desses sujeitos com relação ao uso das variantes.Concluiu-se que há uma aceitação por parte desses sujeitos de estruturas sintáticas quedivergem da forma padrão. Esse resultado foi obtido levando-se em conta os fatoreslinguísticos e extralinguísticos. Dessa forma, a teoria sociolinguística foi de grande valia para o desenvolvimento destetrabalho, visto que, a partir desta, desenvolveu-se todo um referencial teórico que deu a basepara a investigação. Trabalhos de pesquisas sobre as variantes de concordância de verbal nas diversascomunidades do idioma inglês também foram fundamentais para se chegar aos resultadosdeste trabalho, uma vez que seus dados foram utilizados nos testes de atitude linguística eaceitabilidade. Um ponto relevante observado na análise de dados é que os aprendizes que adquirem asestruturas de variação de concordância verbal em contatos com nativos através de ambientesde comunicação, como meios disponibilizados na internet trazem essas estruturas para seucontexto de comunicação com os colegas dentro da Universidade, o que permite que mesmoaqueles sujeitos que julgaram fazer uso do inglês apenas na Universidade utilizem essasformas variantes. Conclui-se, então, que, apesar de os estudantes de inglês como língua estrangeiraaprenderem/adquirirem a língua inglesa em um ambiente formal, em que a norma padrão éprivilegiada, o contato com outras comunidades falantes do inglês favoreceu o uso de formasvariantes não padrão de LI.
  44. 44. 43 REFERÊNCIASADGER, Carolyn. CHRISTIAN, Donna. Sociolinguistic variation and education. In:BALEY, Robert. LUCAS, Ceil. Sociolinguistic variation: theories, methods, andapplications. New York: Cambridge University Press , 2007. p. 237 – 256.AGUILERA, Vanderci. Crenças e atitudes linguísticas: o que dizem os falantes das capitaisbrasileiras. Disponível em:http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/37/EL_V37N2_11.pdf . Acesso em:20.jan.2012.BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística.São Paulo: Parábola, 2007.BATTISTI, Elisa. O estudo sociolingüístico da variação. Departamento de Letras –Universidade de Caxias do Sul (UCS), 2008. Disponível em:<http://www.celsul.org.br/Encontros/08/elisa_battisti.pdf >. Acesso em: 10 out. 2010.BLAIR, David. COLLINS, Petter. English in Australia: Varieties of English around theworld. Germany: General series, 2001.BELL, Alan. Style in dialogue: Bakhtin and sociolinguistic theory. In: BALEY, Robert.LUCAS, Ceil. Sociolinguistic variation: theories, methods, and applications. New York:Cambridge University Press, 2007. p. 90 – 109.CHESHIRE, Jenny. Syntactic variation and beyond. Department of Linguistics QueenMary, University of London. Disponível em: <http://webspace.qmul.ac.uk/jlcheshire/pdf%20papers/%20reader_syn%20varn%20and%20beyond.pdf >. Acesso em: 12 agos. 2010.CHESHIRE, J. and Fox, S. Was/were variation: a perspective from London. LanguageVariation and Change. Cambridge University Press. Londres, 2009. Disponível em: <http://journals.cambridge.org/action/displayFulltext?type=1&fid=5319252&jid=LVC&volumeId=21&issueId=01&aid=5319244 >. Acesso em: 12 agos. 2010.CORNIPS, Leonie (orgs). Variationist Sociolinguistics – Syntax. University ofAmsterdam,2006. Disponível em: < http://www.pdfcari.com/Title:-Variationist-Sociolinguistics---Syntax.html>. Acesso em 6 nov. 2010.CUNHA, Celso. Uma Política do Idioma. 3 ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Lingüística. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2003.GREEN, Lisa. Syntactic Variation. 2007. In: BALEY, Robert. LUCAS, Ceil. Sociolinguisticvariation: theories, methods, and applications. New York: Cambridge University Press ,2007. p. 24-44.HUDSON, Richard Subject-verb agreement in English. Association of Great Britain andthe Cambridge University Centre for English UCL, July 1998.
  45. 45. 44LABOV, Willian. The Social Stratification of English in New York City, 2 edition. NewYork: Cambridge University Press, 2006.LABOV, W. Principles of linguistic change. Internal factors. Oxford: Black Well, 1994.MARGOTTI, Felício Wessling. Abordagem empiricista em trabalhos de variaçãosociolingüística. Revista Linguagem em Discurso, v. 4, n 1, jul/dez. 2003.MOLLICA, Maria Cecília. BRAGA, Maria Luiza (orgs). Introdução à Sociolingüística oTratamento da Variação. São Paulo: Editora Contexto, 2008.MONTEIRO, J. Lemos. Para Compreender Labov, 3 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.NAVARRO, Ana Maria Mattos. Contribuições da Sociolingüística para o TratamentoDidático da Variação Lingüística na Escola. Disponível em<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/611-4.pdf?PHPSESSID=2009051809195946>. Acesso em: 20 nov. 2010.OWELL, Charles. EDWARDS, Corony. The Impact on Teachers of Language Variationas a Course Component. UK: The University of Birmingham, 2005.PARROTT, J. K. A preliminary sketch of variation in the verbal agreement system ofSmith Island English. Disponível em:<http://www.punksinscience.org/jeffrey/docs/Parrott%20%282001%29%20A%20preliminary%20sketch,%20SIE%20Agreement.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2010.PAULA, Claudemir. Língua(gem), educação e cultura afro-brasileira: Uma análisesociolingüística dos efeitos da lei 10.639/03 na dinâmica das Relações Étnico-raciais nasescolas Públicas de Vilhena(RO). 2008. 128f. Dissertação (Mestrado em Ciências dalinguagem) – Universidade Federal de Rondônia , Campus de Guajará Mirim, 2008.RODRIGUES, Daniel de Sá. O Tratamento da Variação Lingüística em livros didáticosde Língua Inglesa. Disponível em: < http://www.academicoo.com/tese-dissertacao/o-tratamento-da-variacao-linguistica-nos-livros-didaticos-de-portugues>. Acesso em: 18 demar. 2011.SALI A. Tagliamonte. Analysing Sociolinguistic Variation. New York: Cambridgeuniversity press, 2006.SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais :terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília :MEC/SEF, 1998.TARALLO, Fernando. A Pesquisa Sociolinguística. 8 Ed. São Paulo: Ática, 2007.TORTORA, C., DIKKEN, M. Subject agreement variation: support for the configurationalapproach. Disponível em:<http://web.gc.cuny.edu/dept/lingu/dendikken/docs/lingua_proofs.pdf >. Acesso em: 25 maio2010.
  46. 46. 45APÊNDICE A: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Falantes Nativos. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV CURSO DE LETRAS COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA Linguistic Questionnaire Attitude 1. What do you think about your own speech? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________. 2. Have you ever tried to change your speech? What particular things have you tried to change? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _________________________________________________. 3. Do you apply variants of the non-standard English language when you use spoken language? In which situations? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________. 4. Do you consider ‘incorrect’ certain forms of speech used in the English language, such as: (1) She werent there. (2) It dont matter? Why? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________. 5. Are there some situations that you feel more comfortable to speak non-standard English than the Standard English? Which ones? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________. 6. When you hear some persons’ speech in a linguistic variation pattern different of yours, what do think about this group of people? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________.
  47. 47. 46 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV CURSO DE LETRAS COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA Questionnaire1- Are the sentences below applied for you when using the spoken language? 1) The children is sad. ( )Yes ( )No 2) The girls likes pizza. ( )Yes ( )No 3) They are happy. ( )Yes ( )No 4) The children have arrived. ( )Yes ( )No 5) The potatoes looks awful. ( )Yes ( )No 6) They are old friends. ( )Yes ( )No 7) They were still like partying hard. ( )Yes ( )No 8) Us students is going. ( )Yes ( )No 9) Him and me are going. ( )Yes ( )No 10) Only two apples seems to be left. ( )Yes ( )No 11) There are lots of people in the room. ( )Yes ( )No 12) There is two boys running. ( )Yes ( )No 13) She werent there. ( )Yes ( )No 14) Is the eggs craked? ( )Yes ( )No 15) It dont matter. ( )Yes ( )No 16) The mothers were shouting at you to come in. ( )Yes ( )No 17) The women was making a dinner. ( )Yes ( )No 18) how much do he want for it? ( )Yes ( )No 19) You see Mary (yesterday)? ( )Yes ( )No 20) Go you away. ( )Yes ( )No
  48. 48. 47APÊNDICE B: Questionários de Pesquisa Preenchidos por Aprendizes de L2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV CURSO DE LETRAS COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA Questionário: Fatores Sociais Nome:__________________________________________________________ Idade:__________________ Sexo:________________Semestre:___________  Há quanto tempo você estuda inglês? ________________________________________________________________.  Você utiliza a língua inglesa fora da universidade? Em que situações? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________.  Estuda inglês em outros contextos? (Curso livre, grupo e conversação, etc). _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________.  Você utiliza o skype ou outro meio tecnológico para se comunicar com falantes nativos da língua inglesa? ( ) Sim. ( ) outros meios, ___________________________________. ( ) Não. (* Se você não utiliza o skype, não é necessário responder as questões seguintes).  Quantos contatos você possui no skype? _____________________________________________________________________.  Com que freqüência você utiliza o skype? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________.  Em média quanto tempo você permanece no skype, quando faz uso deste meio?________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________.
  49. 49. 48 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV CURSO DE LETRAS COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA Questionário de Atitude Linguística O que você acha do seu inglês? É fluente ou gramaticalmente correto? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ __________________________________________________________________. Você aplica as variantes do inglês não padrão quando você faz uso da língua falada? Em que situações? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. Você considera incorreto certas estruturas usadas no idioma Inglês, como: (1) She werent there. (2) It dont matter? Por quê? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. Quando você ouve o discurso de algumas pessoas "em um padrão de variação lingüística diferente do que você aprendeu, o que pensa sobre este grupo de pessoas? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________.

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