A linguagem utilizada nas redes sociais e a interferência nas produções realizadas pelos adolescentes na sala de aula

  • 35,727 views
Uploaded on

 

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
No Downloads

Views

Total Views
35,727
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
310
Comments
0
Likes
3

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. UNIVERSID RSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB AHIA DEPARTA TAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMP MPUS XIV COLEGIADO DO CURSO DE LETRAS COM HABIL GIADO ABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS – M LÍN URAS LICENCIATURA GEORJEAN LEITE CORDEIRO A LINGUAGEM UTILIZADA NAS REDES SOCIAIS E A GEM S SOCINTERFERÊNCIA N CIA NAS PRODUÇÕES REALIZAD LIZADAS PELOS ADOLE OLESCENTES NA SALA DE AUL AULA Conceição do Coité 2012
  • 2. GEORJEAN LEITE CORDEIRO A LINGUAGEM UTILIZADA NAS REDES SOCIAIS E AINTERFERÊNCIA NAS PRODUÇÕES REALIZADAS PELOS ADOLESCENTES NA SALA DE AULA Monografia apresentada ao Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Curso de Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas – Licenciatura, como parte do processo avaliativo para obtenção do grau de Licenciado em Letras. Orientador: Prof. Wilson Oliveira Carneiro Conceição do Coité 2012
  • 3. Do rolo ao códice medieval, do livroimpresso ao texto eletrônico, váriasrupturas menores dividem a longa historiada maneira de ler. Roger Chartier
  • 4. AGRADECIMENTOS A Deus, em primeiro lugar, pois é o autor da minha vida, que me dá forças paracontinuar a caminhar.Os meus Pais, pelo esforço e dedicação durante todos esses anospara me dar condições de poder chegar até aqui. À Verônica Danila Costa, minha esposa, pelo incentivo, amor, ajuda e pelapresença nos momentos de fragilidade. À Wilson Oliveira Carneiro, meu orientador, pela paciência e dedicação com queorientou meus passos até aqui. Enfim, a todos que fizeram e fazem parte da minha vida e que contribuíramsatisfatoriamente na construção deste trabalho e que um dia se importou com meubem-estar e com minha formação, enquanto pessoa.
  • 5. RESUMO Este trabalho visa demonstrar a linguagem utilizada nas redes sociais e ainterferência que estes causam nas produções realizadas pelos adolescentes nasala de aula, demonstrando a trajetória da internet, sua grande importância ecrescimento entre as pessoas nas últimas décadas. Vem elencar a maior partedas redes sociais, como: Orkut, facebook, Messenger (MSN) e twitterdemonstrando à utilidade de cada uma destas, sua pertinência, contribuição asociedade e a influência destes ambientes virtuais na prática de leitura e escritano ambiente escolar. Esta pesquisa surgiu para demonstrar que o hábito daescrita vem caindo em desuso, à medida que o computador se dissemina,surgindo assim uma grande preocupação entre os pais de alunos e professores,pois os estudantes passaram a usar uma linguagem abreviada na internet,possivelmente para poderem se comunicarem com maior rapidez entre si, vindoa transcrever essas palavras nos trabalhos e avaliações realizadas em sala deaula. A pesquisa foi desenvolvida com alunos do Ensino Fundamental II do 9ºano, demonstrando que essa linguagem formada por códigos e/ou fragmentosde palavras, que eram usadas inicialmente na internet e passaram a serdifundidos também no ambiente escolar, através dos textos escritos.Palavras-chave: Internet. Linguagem. Redes sociais.
  • 6. SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................... 06CAPÍTULO 1 ORIGEM DA INTERNET.............................................................. 081.1 Nos dias atuais .................................................................................. ......... 091.2 Redes sociais..................................................................................... ......... 101.2.1 Orkut........................................................................................................... 111.2.2 Facebook………………………………………………………………............. 121.2.3 Messenger (MSN)…………………………………………………………....... 131.2.4 Twitter………………………………………………………………….............. 13CAPÍTULO 2 ESCRITA NO PAPEL VERSUS DIGITAL................................... 142.1 Linguagem usada nas redes sociais............................................................. 15CAPÍTULO 3 PROCESSOS METODOLÓGICOS............................................. 173.1 O local e os sujeitos da pesquisa................................................................. 203.2 Instrumentos de pesquisa............................................................................. 21CAPÍTULO 4 A PESQUISA E SEUS RESULTADOS....................................... 224.1 Análise dos dados........................................................................................ 22CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS................................................................. 26REFERÊNCIAS.................................................................................................. 29ANEXOS............................................................................................................. 32
  • 7. INTRODUÇÃO O uso da internet está cada vez mais presente no cotidiano dos nossosestudantes, através da leitura/escrita nos diversos gêneros digitais, como as salasde bate papo, Orkut, Messenger (MSN), Twitter, facebook entre outros. Assim, diante da evolução tecnológica, nos últimos anos, o computadorpassou a se disseminar entre os jovens, principalmente no que diz respeito àInternet, uma grande ferramenta de entretenimento e comunicação que trouxegrandes benefícios à humanidade, uma vez que a maioria das pessoas sente umagrande necessidade de utilizar-se da rede, seja para procurar empregos, fazerpesquisas escolares, transferência de valores, a interação com pessoas de outroslugares e entre outras inúmeras utilidades que esta ferramenta de comunicação einteração pode proporcionar. Nessa perspectiva, surge uma grande preocupação no ambiente escolarvivida pelos pais de alunos e professores, pois muitos estudantes estãotranscrevendo abreviaturas e fragmentos de palavras usadas no ambiente virtualpara suas atividades e até mesmo para suas avaliações realizadas em sala de aula. Dessa forma, este estudo foi fundamentado e embasado tendo comodestaque os teóricos: Pierre Lévy (1993) que aborda a evolução da internet e suasferramentas de comunicação; Raquel M. Freitag (2006) que destaca os variadosambientes de interação e comunicação na rede. Além destes, é necessário destacarRoger Chartier (2002) e sua contribuição acerca da linguagem utilizada no ambientevirtual. Tendo esta pesquisa como objetivo geral demonstrar desde a criação daInternet, sua utilização e funcionamento de alguns de seus ambientes virtuais maisusados pelos jovens, como as salas de bate papo, Messenger (MSN), Orkut efacebook, entre outros existentes e conhecidos pelos jovens, citando a grandeimportância desta ferramenta de comunicação para a maioria das pessoas. Assim,apresentam-se também os objetivos específicos: analisar cada um dessesambientes virtuais, demonstrando as linguagens que surgiram nesse ambiente;verificar como a escrita utilizada nas redes sociais e aparatos tecnológicos afetamna produção textual em sala de aula, principalmente em turmas do Ensino
  • 8. Fundamental II; além de observar com que frequência as redes sociais são utilizadaspelos estudantes. Justificando esse estudo como necessário, visto que na contemporaneidadeobservam-se transformações nas formas de leitura e escrita na sala de aula, isto é,significa dizer que diversas mudanças foram provocadas pelas tecnologias, emespecial a Internet. A pesquisa teve como sujeitos alunos do nono ano do Ensino Fundamental II,do Centro Educacional Estefânio Simões Dias, no município de Valente. Paraalcançar os objetivos esperados, realizou-se uma pesquisa de abordagemqualitativa, fazendo uso de instrumentos como questionários respondidos por cincoalunos e análise de produções textuais escritas. Quanto à estrutura, esta monografia está organizada em quatro capítulos, aolongo dos quais se discute acerca da temática. No primeiro capítulo, que tem como título “Origem da internet”, discute-sedesde o surgimento da internet aos dias atuais com a influência das redes sociais,como o Orkut, twitter, facebook e MSN (Messenger) descrevendo-as em suaspeculiaridades. O segundo capítulo, “Escrita no papel versus Digital”, fala sobre as mudançasocorridas em torno da escrita no papel e a escrita digital, da revolução do textoeletrônico fazendo este uma profunda transformação nas relações com a escrita,bem como a linguagem usada nas redes sociais. No terceiro capítulo, enfatiza-se sobre a metodologia adotada, o tipo depesquisa, os sujeitos envolvidos e as formas de coleta para obtenção dos dados quenortearam nossa discussão, bem como a análise dos dados obtidos na pesquisa,tecendo comentários acerca das respostas do questionário para, assim,compreendermos a interferência da linguagem utilizada nos ambientes virtuais naescrita textual dos estudantes em sala de aula. Ao final, mostram-se algumas considerações conclusivas acerca das análisesfeitas através dos dados obtidos, destacando os resultados, na intenção decolaborar para uma discussão, no contexto escolar, sobre a interferência dessalinguagem utilizada nas redes sociais, nos textos escritos escolares, por entenderque a linguagem usada na internet configura-se por ser extremamente abreviada eoralizada, estilo correspondente aos internautas jovens, para uma maior rapidez na
  • 9. comunicação entre os envolvidos. Sendo que essa linguagem, de alguma forma,acabou adentrando o ambiente escolar.CAPÍTULO 1 - ORIGEM DA INTERNET Com o avanço das telecomunicações e com um grande aumento do uso daInternet foi possível estabelecer maior rapidez nas informações entre pessoas,empresas e países. A transmissão da informação de forma rápida e oferecida poressas tecnologias gera inúmeras oportunidades de negócios. Agora, podendo asempresas utilizar-se de informações de melhor qualidade, retiradas de um universocom maior número de dados e em um curto espaço de tempo. Pode-se definir internet como uma gigantesca rede mundial de computadores, interligados por linhas de telefone, linhas de comunicação privadas, cabos, canais de satélite e diversos outros meios de telecomunicação. (FEDELI, 2010, p.211) Essa grande transformação que a sociedade está vivenciando possibilita queas empresas e as pessoas se comuniquem de forma cada vez mais eficiente. Hoje,a realização de uma videoconferência, na qual várias pessoas, em diferentes partesdo mundo, se comunicam por meio de som e imagem, praticamente como seestivessem em uma mesma sala de reunião, está cada vez mais freqüente eacessível. E, sem dúvida, a principal rede propulsora dessa transformação é ainternet. Se fizermos um paralelo com a estrutura das estradas de ferro, a internetfunciona como uma ferrovia pela qual a informação contida em textos, som eimagem pode trafegar em alta velocidade entre qualquer computador conectado aessa rede. É por essa razão que a internet é muitas vezes chamada da supervia dainformação.
  • 10. Surgindo durante a década de 1970, durante a Guerra Fria entre os EstadosUnidos e a extinta União Soviética, a partir de um projeto militar, desenvolvido peloDepartamento de Defesa Norte-Americano, o objetivo do projeto era criar uma redede computadores interligados às principais bases militares norte-americanas e quepudesse continuar funcionando mesmo que a central de computadores doPentágono fosse destruída por um eventual ataque atômico, levando ao caos ascomunicações militares. Depois de a internet estarem funcionamento, a criação foi estendida àsuniversidades norte-americanas. Não demorou muito para que países da EuropaOcidental e o Canadá aderissem a essa rede, que passou a funcionar em âmbitomundial. Quando isso aconteceu, a rede ARP Anet tornou-se internacional,ganhando a denominação de internet. (FEDELI, 2010) Nos anos 90, para facilitar a navegação pela Internet, surgiram muitosprogramas navegadores, como, por exemplo, o Internet Explorer da Microsoft e oNetscape Navegator. A Internet começou a ser usada por vários segmentos sociais,muitos estudantes passaram a buscar informações para pesquisas escolares,desempregados iniciaram a busca de empregos através de sites de agências deempregos ou enviando currículos por e-mail. As empresas descobriram na Internetum excelente caminho para melhorar seus lucros e as vendas online dispararam,transformando a Internet em verdadeiros shopping centers virtuais.1.1. Nos dias atuais A internet tem sido o meio mais usado pelas pessoas para fazer várias tarefasdo dia a dia, pois esta tem um enorme e extenso acervo de informações,entretenimento e comunicações, porém, não são todos que tem acesso a eladiariamente ou pelo menos freqüentemente. Mas a maioria das pessoas não vivemais sem a rede e sem os grandes benefícios que proporciona, sendo um dosmaiores meios de geração de renda e empregos, muitas pessoas dependem delapara sobreviver e criar seus filhos. O fato é que a internet é extremamenteimportante na vida dos brasileiros e dos demais povos do mundo, sendo geração derenda e desenvolvimento para os países e para as pessoas que fazem uso dela,podendo notar que sua importância para a atualidade não é pequena, afinal de
  • 11. contas, além de divertimento, comunicação, entretenimento, fontes de pesquisas eestudos, exerce um importante papel no desenvolvimento econômico e social dopaís. Muitas pessoas fazem uso da internet atualmente, sendo que através dela, aspessoas realizam diversas tarefas, uma vez que esta permite com que as pessoaspossam fazer várias coisas sem sair de casa, com muita praticidade e segurança. Com a internet, as pessoas podem conversar de vários locais do mundo,diminuindo assim a distância entre elas. Permitindo com que pessoas consigamconversar de maneira rápida através de comunicadores instantâneos, ela é um dosmeios de comunicação mais utilizados atualmente, podendo as pessoas fazeremdiversas tarefas, podendo consultar a conta bancária, pagar contas entre outrastantas tarefas que antes só eram realizadas pessoalmente, facilitando assim a vidada população.1.2. Redes sociais A massificação do uso da Internet na chamada “sociedade em rede” estáproporcionando grandes mudanças em diferentes âmbitos da sociedadecontemporânea. Segundo Castells (1999), o surgimento de um sistema eletrônico decomunicação de alcance global que possibilita a integração de todos os meios decomunicação e que possui interatividade potencial está mudando e mudará parasempre nossa cultura. O contato com alguns dos “serviços” disponibilizados pelos sistemas convoca osusuários a participar ativamente nas redes, produzindo e consumindo diferentesmídias, pessoas, compartilhar sons, imagens ou vídeos, discutir sobre temáticasespecíficas, são alguns dos “serviços” disponibilizados pelos sistemas queconvocam os usuários a participar ativamente nas redes, produzindo e consumindodiferentes mídias. Algumas das redes sociais mais difundidas na Internet e representativas emtermos de popularidade, segundo o Alexa apud Santana (2009) são o Orkut,Facebook, MSN Messenger,Twitter e ainda as famosas salas de bate-papo, como asda UOL, BOL, YAHOO entre outras.
  • 12. 1.2.1. Orkut O Orkut surgiu em 2004 nos Estados Unidos e é muito utilizado pelosusuários do Brasil. É um site de comunidade online que foi criado para amigos,tendo como objetivo principal tornar a vida social das pessoas mais ativa eestimulante. A rede social do Orkut funciona da seguinte forma: tanto serve paramanter relacionamento, como para adquirir novas amizades com pessoasdesconhecidas, que cada usuário é quem decide com quem quer interagir, sendopossível ainda visualizar rede de amigos da pessoa que se pretende adicionar comoamigo. Cada usuário dessa rede possui uma conta e um perfil, só podendo criar umaconta aquele que é convidado por um usuário. No perfil de cada integrante dessarede, encontramos algumas afinidades e características pessoais como descriçõesfísicas, listas de preferências literárias, músicas, filmes e um texto de apresentação. O Orkut é um imenso banco de informações sobre quem é amigo de quem,ou seja, sobre uma rede de amigos, onde você pode encontrar de maneira rápida efácil pessoas que compartilhem seus Hobbies e interesses. O Brasil é o país com o maior número de membros, superando inclusive osEUA. Aproximadamente 73,2% dos usuários do sistema, quase oito milhões e meio(8.400.000) são brasileiros (FEDELI, 2010). Na verdade, esse número nãoapresenta muita exatidão, já que muitos membros se inscrevem como habitantes deoutros países ou criam mais de um perfil por usuário. Portanto, as estatísticasoficiais do site não podem ser consideradas precisas. Os EUA são o segundo país com o maior número de membros, possuindouma fatia de aproximadamente 9,8%, o que equivale a cerca de 1.127.000 usuários.Dentre os EUA, o estado que mais participa é a Califórnia, com cerca de 23%.
  • 13. 1.2.2. Facebook O facebook é uma rede de relacionamento que foi criada em 2004 peloamericano Mark Zuckerberge e pelo brasileiro Eduardo Saverin, que estudaramCiência da Computação na Universidade de Havard. Com a finalidade de colocar osestudantes em contato uns com os outros, compartilharem fotos e se fazer novasamizades. Logo no início, o site era chamado thefacebook.com, sendo querapidamente se tornou popular nas universidades americanas. Em pouco tempoalcançou a marca 5(cinco) milhões de usuários ativos, logo depois tendo seu nomemudado para o atual facebook (RABÊLO, 2011). Foi criado inicialmente para estudantes universitários, mas, nos dias de hoje,qualquer pessoa pode se unir a essa rede, tendo como propósito um intuito deconhecer diversas nacionalidades e culturas, compartilhando informações de umaforma fácil e divertida. Para usar o facebook, deve-se primeiramente criar uma conta gratuita no site,tendo idade mínima de treze anos, sendo que os membros de treze a dezoito anosdevem estar na escola. O Facebook fornece várias maneiras de encontrar amigos, pode-se navegar efiliar às redes, organizadas em quatro categorias: regiões (redes ligadas a cidadesou países específicos), universidades, locais de trabalho e colégios; pode classificaras pessoas por idade, sexo, estado civil, opiniões políticas e outros critérios; podedeixar o Facebook extrair os contatos de uma conta de correio eletrônico na web,além disso, pode usar a busca do Facebook para procurar por uma pessoaespecífica. Digitar o nome da pessoa no campo de busca e o este apresentaráquaisquer perfis que combinem com o nome. Atualmente, segundo Rabelo (2011),“o site possui mais de 500 milhões de usuários ativos espalhados por todos oscontinentes e de acordo com o ranking de tráfego de visitantes (Alexa) está em 7ºlugar como o mais acessado”.
  • 14. 1.2.3. Messenger (MSN) MSN, Messenger, é um programa de mensagens instantâneas criado pelaMicrosoft Corporation. O serviço nasceu a 22 de Julho de 1999, anunciando-secomo um serviço que permitia falar com uma pessoa através de conversasinstantâneas pela Internet. Assim, Marcuschi, (2005, p.42 e 51) enfatiza que, Trata-se de um programa de conversas on-line agendado: os usuários realizam as conversas quando estão on-line e só interagem com amigos ou conhecidos que tenham adicionado à sua lista de contatos e que também estejam conectados. É um tipo de interação particular, diferente das salas abertas, em que todos os usuários têm acesso às mensagens enviadas por todos (p. 42-51). O programa permite que um usuário da Internet se relacione com outro quetenha o mesmo programa em tempo real, podendo ter uma lista de amigos "virtuais"e acompanhar quando eles entram e saem da rede. Ele foi fundido com o WindowsMessenger e originou o Windows Live Messenger. Além disso, é muito utilizadopelas diversas faixas etárias, de crianças a adultos.1.2.3. Twitter Uma das redes sociais, o Twitter, é um serviço gratuito que pode ser utilizadopor qualquer pessoa, não precisa de convite, e pode escrever até o limite de 140(cento e quarenta) caracteres. Para criar uma conta, é bastante fácil e rápido, sóseguir as instruções que são fornecidas na página deste. Já criada uma conta, estápronto para responder as perguntas do site. No Twitter, é preciso ser bem objetivo, porém, como em qualquer página embranco, tem-se a liberdade para escrever o que quiser, desde fazer brevesconfissões sobre o seu cotidiano “acabei de chegar do banho de piscina! E vcsamigos por onde andam?”, ou relatar, tal qual um repórter com câmera na mão osfatos que se estar testemunhando naquele momento. ("Ñ peguem a Br 324 nestemomento, pq esta bastante congestionada) acabou de virar um caminhão"). Comodiz Valente (2010), “através do Twitter o usuário pode manifestar sua opinião acercade diversos acontecimentos, influenciando o que está sendo dito pelo mundo alémde divulgar notícias, piadas, promoções etc”.
  • 15. CAPÍTULO 2 - A ESCRITA NO PAPEL VERSUS DIGITAL A revolução do texto eletrônico é uma transformação profunda nas relaçõescom a cultura escrita, pois atinge a produção dos textos, o suporte do escrito e aspróprias práticas de leitura (CHARTIER, 2002). A partir da mudança nessas relaçõessurgem os atuais gêneros digitais: e-mail, blog, chats, redes sociais entre outros.Nos EUA, especificamente no Estado da Indiana e mais quarenta estados queutilizam o mesmo currículo educacional, recentemente, o governo desobrigou asescolas de ensinar à escrita cursiva recomendando o uso contínuo da digitação emteclados de computador. Segundo a Revista VEJA, os efeitos do computador sobre a tradição daescrita em papel foi objeto de uma recente pesquisa na área da neurociência, Por meio da observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se que a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativa mais intensa que a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas na memória, o que tem conexão direta com a elaboração e a expressão de idéias. Provou-se que o ato de escrever desencadeia ligações entre os neurônios na parte do cérebro que faz o reconhecimento das palavras, contribuindo para a fluidez da leitura. Dessa forma, com a digitação essa área fica inativa (BARRUCHO, 2011 p.41). O hábito da escrita vem caindo em desuso à medida que o computador sedissemina. O computador traz uma nova dimensão à aquisição de conhecimento e àinteração entre as gerações que chegam aos bancos escolares. Para elas, escreverà mão corre o risco de se tornar apenas mais um registro do passado guardado emarquivo digital. A escrita extremamente abreviada, oralizada e cheia de recursos visuais esonoros não é um mero estilo criado pelo internauta: corresponde ao ambientediscursivo eletrônico em que esses textos são produzidos, no qual prevalece arapidez em atender às necessidades imediatas de uma relação semelhante a que seestabelece no diálogo cotidiano. Consoante aos pressupostos bakhtinianos, essamotivação é precisamente o que torna o chat e as redes sociais em gênerossecundários, oriundos da transmutação de um gênero anterior baseado na oralidade(ARAÚJO, 2005).
  • 16. 2.1 - Linguagem usada nas redes sociais A Internet é um grande facilitador do encontro de pessoas que compartilham asmesmas opiniões, gostos, curiosidades e interesses. Graças a blogs, e-mails,programas como o MSN e redes sociais como o Orkut, faz-se amigos por todo oBrasil e exterior. E isso se dá porque um dos grandes motivos pelos quais a interneté tão interessante é a maneira como eliminar as distâncias geográficas. É noterritório digital da Internet, uma das facetas do acontecimento tecnológico doséculo XX, que a língua é analisada em seu funcionamento no espaço digital desalas de bate-papo, redes sociais, e conversas instantâneas. Mas existe uma grande preocupação que nos cerca nos dias de hoje, comonos sites de redes sociais (Orkut, Facebook, MSN e Twitter) é quando a internetcomeça a influenciar nas vidas dos internautas segundo Fasciani (1998, p.119),“nenhum instrumento ou tecnologia inventada pelo homem pode ser intrinsecamentepositivo ou negativo, certo ou errado, útil ou perigoso. É só a utilização que disso sefaz que pode ser julgada com regras éticas”. Entende-se que esse público ao utilizar cada vez mais a internet para secomunicar nas redes sociais e nos chats aos poucos vai ficando com seu raciocíniolimitado, já que os discursos utilizados nas salas de bate-papo e na maioria dasredes sociais caracterizam-se por frases curtas e abreviações, sendo que autilização freqüente dessa linguagem pode interferir nas produções realizadas pelosadolescentes na sala de aula. A partir desse momento, deparamo-nos comquestionamentos que nos fazem pensar sobre até que ponto a influência é saudávele não surge como um empecilho no processo de aprendizado nas escolas. Deacordo com Freitag: A invasão do “internetês”, especialmente entre os jovens em fase escolar, tem preocupado aos pais e professores, receosos quanto a influencia dessa modalidade no ensino/aprendizagem da norma padrão da língua portuguesa. É necessário discutir mais aprofundadamente o uso da língua na internet e a sua relação com o ensino da norma padrão (2006, p 09). Esta linguagem ou dialeto surgiu no meio online para acelerar a comunicaçãoentre usuários. É utilizada, principalmente, em salas de bate-papos e sites derelacionamento, e difundida em todas as idades, mas principalmente entreadolescentes. Quanto mais fácil for para digitar mais aproveitamento terá da
  • 17. agilidade que o mundo online proporciona. Na frase: “– Og v6s naum tm 9da10?”,temos um exemplo da linguagem utilizada nas salas de bate-papo, e o leitorconsegue interpretar o que está escrito, uma vez que está lendo como se estivesseouvindo. Ele sabe que esse código significa: - “Hoje vocês não tem novidades?”.Porém, no momento de escrever de maneira formal, podem surgir erros degramática, já que, conforme Freitas, A maioria das características do pensamento e da expressão fundadas no oral é relacionada com a interiorização do som. As palavras pronunciadas são ouvidas e internalizadas. Com a escrita, precisa-se de outro sentido: a visão (2005, p.13). As palavras não são mais ouvidas, mas vistas; entretanto, o que se vê não sãoas palavras reais, mas símbolos, que evocam na consciência do leitor palavrasreais; o som se reduz ao registro escrito. Uma frase escrita conforme o exemplo acima não apresenta mais a maneiraformal da escrita e, sim, um novo símbolo e, agora, a visão não é mais suficiente nomomento de interpretá-lo e inseri-lo em suas produções textuais, pois no código“Og” não é possível identificarmos o tipo de letra correta para transformá-lo napalavra “Hoje”. Considerando que, no ambiente virtual, a compreensão se dáprincipalmente através da fonética, é preciso refletir sobre a extensão dessaalternativa de percepção, para poder avaliar/analisar sua influência sobre aprodução textual. A escrita está presente em nosso dia-a-dia, seja em uma carta, uma notícia lidaem revista ou jornal, no bilhete da geladeira ou então, naquele e-mail querecebemos ou enviamos. Por isso, ela tornou-se cada vez mais importante eprioritária para nossa existência, já que agora também nos comunicamos através daescrita, ainda que de maneira diferente daquela feita através das cartas: “Sim, pelaprimeira vez nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendoprimeiramente pela palavra escrita. A evolução da escrita trouxe consigo seus benefícios, mas também algumaspreocupações, principalmente, em se tratando da formação de adolescentes, poisesse público está em fase de amadurecimento pessoal, construindo valores quefarão parte da sua personalidade, e as influências ao seu redor muito contribuem, deforma positiva ou negativa, nessa formação.
  • 18. CAPÍTULO 3 - PROCESSOS METODOLÓGICOS Partindo da necessidade em se procurar respostas para suas dúvidas einquietações, o homem recorreu ao processo de pesquisa que tem como objetivosegundo Marcone e Lakatos (2002, p. 83) “conseguir informações ouconhecimentos acerca de um problema para o qual se procura uma resposta, ouainda descobrir novos fenômenos”. Desta forma, entende-se por pesquisa a buscade novos conhecimentos, e o desejo dos sujeitos em se aprofundar de certoassuntos, em busca de respostas, neste caso a mesma tem a função de verificarfatos, através de experimentos planejados com o objetivo final de explicar tais fatos. A pesquisa proporciona não só a produção do conhecimento, mas sim, criar umespaço de interação e debate com o fenômeno a ser pesquisado, confrontandoteoria e contexto, em busca de uma construção coletiva. Pesquisar não seriasomente, [...] produzir conhecimentos, [mas], sobretudo aprender em sentido coletivo [...]. Dialogar com a realidade talvez seja a definição mais apropriada [...], o porquê a apanha como princípio científico e educativo. Quem sabe dialogar com a realidade de modo crítico e criativo [fez] da pesquisa condição de vida, progresso e cidadania. (DEMO, 2002 p.44). De acordo com Ludke e André (1986), para se realizar uma pesquisa, é precisopromover o confronto entre os “dados”, as evidências, as informações coletadassobre determinado assunto. Essas investigações são feitas por um método, com oobjetivo de analisar dados, ou seja, com a pesquisa científica podemos disponibilizarpara a sociedade construções teóricas e produtos que visem beneficiá-las. A pesquisa é iniciada a partir de uma necessidade, onde se escolhe um tema egradativamente define-se um problema e as formas de solucioná-los. Assim, utilizando a pesquisa, que segundo Pádua (2000) irá possibilitar nocampo da ciência “elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos,que nos auxilie na compreensão desta realidade e nos oriente em nossas ações”. Quando partimos para o âmbito educacional, devemos considerar que apesquisa não deve ser encarada apenas como “função que se exerce rotineiramente
  • 19. para preencher expectativas legais”, e sim ser uma atividade com vistas aenriquecer o trabalho do educador. Assim, a pesquisa em educação surge através dos atos, ações e atividades deinvestigação de atores, situações, proporções que envolvem seres humanos eprocesso de vida. No campo educacional, a pesquisa trará resultados ao solucionar problemasque afetam o ensino aprendizagem, implicando em um processo que deve aparecerem todo o projeto educativo, tornando a pesquisa como princípio científico eeducativo, instituindo-a na prática cotidiana educacional, como enfatiza Demo(2000): “a pesquisa não é qualquer coisa, ela parte de um desejo que visa conhecera problemática do fato educacional e assim produzir novos conhecimentos”, o quede fato através de seus resultados os sujeitos mantêm-se atualizados dasnecessidades educacionais, impondo desafios para sua prática reflexiva. Deste modo, diversos fatores levam a uma investigação cientifica significativano que diz respeito aos processos de desenvolvimento da linguagem e escrita nocontexto de sala de aula, nessa perspectiva nasce o estudo da linguagem utilizadanas Redes sociais e a interferência destas nas produções realizadas pelosadolescentes em sala de aula, tendo como objetivo geral: Demonstrar desde acriação da internet, sua utilização e funcionamento de alguns de seus ambientesvirtuais mais usados pelos jovens, como as salas de bate papo, Messenger (MSN),Orkut e facebook, entre outros existentes e conhecidos pelos jovens citando agrande importância desta ferramenta de comunicação para a maioria das pessoas.Assim, tendo como objetivos específicos: analisar cada um desses ambientesvirtuais, demonstrando as linguagens que surgiram nesse ambiente; verificar como aescrita utilizada nas redes sociais e aparatos tecnológicos afetam na produçãotextual em sala de aula, principalmente, em turmas do Ensino Fundamental II; alémde observar com que freqüência as redes sociais são utilizadas pelos estudantes. Dessa forma, buscamos ter um contato com os textos escritos produzidospelos alunos do Ensino Fundamental II a fim de analisar os códigos linguísticos comintuito de verificar a ocorrência ou não de termos utilizados nos ambientes virtuais.Assim, realizamos uma pesquisa qualitativa, uma vez que esta tem como alicerceinterpretar e descrever os fenômenos, atribuindo sentido à relação entre o sujeito e arealidade, como diz Goldenberg:
  • 20. Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de situações como o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos. Estes dados não são padronizáveis como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá-los e analisa-los. (2003, p.53) Pensando na perspectiva qualitativa como norteadora deste estudo, define-seeste trabalho através da observação de produções textuais, entrevista com ossujeitos e, em seguida, análise de tais documentos. Sabemos que o campo de pesquisa qualitativa não é passível de definição éum método que desafia os paradigmas de interpretação, pois a realidade não é dadae sim construída. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Segundo os dois autores, a pesquisa qualitativa supõe o contato direto do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via regra através do trabalho de campo. (ANDRÉ E LÜDKE, 1986, p.11). André (1986) definiu a concepção qualitativa de pesquisa como “sendo umabusca pela interpretação e descoberta do conhecimento”, que considerava que fatose valores estariam relacionados tornando-se inaceitável uma postura neutra dopesquisador. Já para Demo (2000), a pesquisa qualitativa se caracterizaria pela“abertura de perguntas, rejeitando-se toda resposta fechada, dicotômica, definitivaem função da sua capacidade de acolhimento a complexidade do mundo vivido”. E, é a partir de todos esses fatos, que se pretende através de estudosepistemológicos aprofundados, fazer a descrição tematizando e problematizando arealidade pesquisada compreendê-la à medida que se vai interpretando-a, numapercepção sensibilizadora, sem esquecer os princípios do rigor científico. Diante do exposto, cumpriu-nos destacar que a pesquisa A linguagemutilizada nas Redes sociais e a interferência nas produções realizadas pelosadolescentes na sala de aula surgiu ao longo das experiências durante os estágiosda UNEB e das interfaces que construímos com os estudos teóricos realizados nocurso de Letras – Campus XIV. Processo esse, que resultou na problemática quemotivou essa investigação. Frente ao desafio criado por essa problemática, avalieique teria um trabalho árduo e cuidadoso pela frente. Para tanto, inspirei-me emCardoso (1986), quando esta propôs que a pesquisadora e o pesquisador
  • 21. precisariam ter bom senso para poder interpretar e compreender o fenômeno a serpesquisado sem retirá-lo do contexto histórico. Portanto, esta pesquisa fez com que se compreendesse melhor o problemabuscado, permitindo diversas e novas interpretações sobre a relação existente entreteoria e prática.3.1. O local e os sujeitos da pesquisa Como forma de adentrar o mundo vivido das práticas textuais dos discentes,escolhi alunos do Centro Educacional Estefânio Simões Dias, além de optar pelaconcepção qualitativa de pesquisa, selecionei como abordagem o estudo de caso.Isto em função da demanda de compreender de modo específico uma instânciasingular e especial. E pelo fato de ter sido realizada num espaço institucional, oestudo de caso em questão assumiu o caráter histórico e organizacional. Diante disto, considerei relevante uma breve contextualização do lócus doestudo. O Centro Educacional Estefânio Simões Dias está localizado no município deValente (Região sisaleira, a 29 km do município de Conceição do Coité). A escolapertence à rede pública municipal. A escola citada funciona das 08h00min às 11h45minh da manhã, com EnsinoFundamental I; e das 13h10min às 17h30min da tarde, com o Ensino FundamentalII. Esta, possui oito (8) turmas, sendo quatro (4) pela manhã e quatro (4) a tarde euma média de 120 (cento e vinte) alunos, funcionando do 1º ano ao 9º ano doEnsino Fundamental I e II. Alguns alunos residem em comunidades próximas àescola, utilizando o transporte escolar para se locomover até ela. Com relação àsdependências da escola, esta possui cinco (5) salas de aula, dois (2) banheiros,além de secretaria, sala de professores, sala de leitura e pátio.
  • 22. 3.2.Instrumentos de pesquisa A coleta de dados se deu através de questionário e análise de produçõestextuais. Questionário é definido por Ruiz (1996) como “[...] um elenco de questõescuidadosamente elaboradas” aplicadas aos sujeitos. Escolhi o questionário e as produções textuais por compreender que estesconstituem em instrumentos úteis em investigações relacionadas às ciências sociais,visto que pode-se buscar as informações de maneira direta aos sujeitos ligados aoproblema. Os questionários, constituídos de cinco questões (anexo), foram aplicadoscom os discentes. As produções textuais foram realizadas com a temática “Drogas”,uma vez que este trata de um assunto atual e instigante.
  • 23. CAPÍTULO 4 - A PESQUISA E SEUS RESULTADOS Para a realização da coleta de dados, foi solicitada pela docente da turma do 9ºano a produção de um texto com a temática drogas. No momento de viabilizar ainvestigação, foi escolhida como instrumentos mediadores da coleta de informaçõeso questionário e a análise dos documentos. Assim, enfatiza-se que a priorização pela observação parte do pressuposto deque os pontos importantes desta técnica são observados, que segundo Freire (1997)“é altamente reflexiva, quando o olhar está pautado para buscar ver o que ainda nãose sabe. E esse olhar não é vago e sim um olhar focalizado para diagnosticar osaber e não saber dos grupos pesquisados”. Para realizar uma pesquisa é necessário que o pesquisador se coloquepróximo ao objeto a ser estudado para que possa efetivamente haver uma maiorinteração do pesquisador, local da pesquisa e objeto. A partir daí, há necessidade dever o mundo através de um “olhar sensível”. Como a intenção foi identificar em que medida as relações de escrita atravésda internet e salas de bate papo poderiam influenciar na escrita de textos escolares,foram escolhidas como sujeitos da pesquisa cinco alunos do 9º (nono) ano doEnsino Fundamental II, uma vez que estes irão, posteriormente, adentrar o EnsinoMédio, além da maturidade mais avançada comparados com os demais discentesda referida escola. Os sujeitos foram denominados como A1, A2, A3, A4 e A5.4.1. Análise dos dados Após a pesquisa de campo, através da qual coletei informações significativas,faz-se necessária uma análise desses dados, observando a prática textual dossujeitos da pesquisa e a interferência da escrita utilizada nas redes sociais nostextos escritos produzidos em sala de aula. É inquestionável a crescente utilização das redes sociais, em especial oMessenger (MSN), Orkut e facebook pelos adolescentes de todo o território
  • 24. nacional. Em vista disso, ao perguntar com que frequência a internet é utilizada poreles, estes afirmaram: Uso a internet sempre para fazer pesquisas que a professora pede, mas, entro mais no Orkut e no MSN para falar com meus amigos e conhecer novas pessoas. (A1) Adoro a internet. Entro quase todos os dias nas salas de bate-papo da UOL e no Orkut. Pesquiso também. (A2) Só uso a internet de vez em quando, às vezes vou no cyber para fazer pesquisas da escola e usar o MSN. (A3) Uso sempre. Gosto muito de bater papo e conhecer novas pessoas. (A4) Diante dessas falas, fica evidente o uso constante pelos alunos do 9º ano dainternet e das redes sociais. Percebe-se que estes sujeitos consideram a Internetcomo um meio de comunicação entre indivíduos, além desta também ser utilizadacomo fonte de pesquisa bibliográfica, como fica evidente na fala de A1. As respostas acima nos mostram que todos os estudantes consultados fazemuso da rede para realizar também as pesquisas escolares, em virtude da praticidadenão encontrada em outros suportes de pesquisa, como por exemplo, o livro(biblioteca), já que pela internet ele tem um leque de possibilidades para pesquisa eprodução de textos. É perceptível ainda, nas três falas descritas acima, que os discentes usam e,com frequência, as redes sociais para se comunicarem e interagirem com o mundoatravés destas. Ao perguntar, por meio do questionário, com que frequência utiliza as redessociais, os discentes responderam: Uso quase todos os dias. Quando mainha deixa usar o computador. Abro o Orkut e o MSN. Não conheço o facebook. (A4) Abro meu MSN todos os dias, já virou vício. [risos] (A1) Olho meu Orkut sempre e as vezes entro no MSN. (A5) Normalmente entro dia sim e dia não para ver as novidades no Orkut. (A3)
  • 25. As respostas mostraram que é irrefutável a presença constante das redessociais no cotidiano dos estudantes, principalmente no uso do Orkut e MSN(Messenger) que foram os mais mencionados pelos discentes nas respostas aoquestionário. É interessante ressaltar também que estes estudantes apresentamcerta consciência da contribuição da internet para sua formação intelectual, já que ausam também como fonte de pesquisa. Ao considerar que o acesso a internet passou a fazer parte do cotidiano dosnossos estudantes que recorrem, cada vez mais, a esse recurso, questionei aosalunos a respeito do uso que eles fazem das redes sociais e se a escrita utilizada nainternet, uma escrita que tem como predominância a construção de palavrasabreviadas, tem interferência nos seus textos escritos na escola. Como respostas,eles disseram: Tem vezes que a professora passa um texto e acabo esquecendo e escrevo igual ao que escrevo no MSN. Quando ela pede para corrigir, conserto. (A1) Depende. Se a professora quiser que a gente faça o texto em apenas uma aula, tenho que escrever rápido, assim não tem como não escrever algumas palavras abreviadas. (A4) No Msn abrevio as palavras,até porque todo mundo faz isso, mas quando escrevo um texto para entregar a professora, escrevo corretamente. (A5) Não. Escrevo de um jeito na internet e de outro nos textos na sala. (A2) Ao analisar as falas dos alunos, percebi que alguns deles afirmam nãotranscrever as abreviações utilizadas no meio virtual para o papel escrito. Noentanto, percebe-se que alguns também afirmam que dependem do tempo propostopara a realização da produção escrita em sala de aula. O sujeito A1, ao declarar que sua escrita é influenciada a depender da açãodo docente, percebe-se que este tem consciência de que se deve escrever demaneira adequada, ou seja, de acordo com as normas linguísticas. Já o estudante A4 considera que sua escrita textual depende do tempo queeste tem para a realização desta atividade. Prática essa não tão comum no cotidianoescolar. Em contrapartida, os discentes A5 e A2 afirmam que não utilizam a mesma
  • 26. linguagem da internet nos textos escritos. Isso nos deixa a entender que estes têmconsciência da importância do uso correto da língua portuguesa nos textos escritos. Ao ler as produções escritas pelos alunos sobre o tema drogas, observa-se afrequente utilização da linguagem peculiar a internet presente também nos textosproduzidos no ambiente escolar. Os erros mais frequentes podemos observar, O uso desse produto tem causado muita violência, pq as pessoas usuárias não sabem o q/ fazem [...] p/ aumentar o seu consumo. (A1) Vc q/ ñ usa droga nunca tente esperimentar pq quando ela entra em sua vida é muito difícil dela sair a ñ ser q vc esteja no início [..] (A2) As drogas estão acabando c/ a vida das pessoas. As famílias estão desestruturadas e n conseguem dar conta do vício dos seus filhos [...](A3) Quando a pessoa esperimenta uma vez, acaba ficando viciado e n consegue se livrar mais desse vício [...] (A4) O vício tbm ocorre pq a pessoa n quer fazer nada. Ñ procura um trabalho, um emprego [...] (A5) Após a análise dos dados coletados, com base nas leituras realizadas acerca da temática investigada, fica evidente a relevância dessa discussão no contexto escolar, uma vez que as redes sociais estão a cada dia fazendo parte do cotidiano do aluno e que, esta linguagem peculiar usada nessa tecnologia, se não monitorada pelo docente, podem prejudicar a escrita textual dos alunos em sala de aula. Assim, cabe ao docente, principalmente aos de língua portuguesa, um monitoramento e um maior enfoque na diferenciação desse novo tipo de linguagem, que é utilizado na internet, aos da língua padrão necessários a qualquer tipo comunicação.
  • 27. CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS A Internet vem transformando a comunicação como nenhuma outra invençãofoi capaz de realizar anteriormente, sendo um grande mecanismo de disseminaçãode informação no mundo, propondo ser uma grande ferramenta de interação entrepessoas e computadores. A Internet trouxe muitas mudanças, até mesmo novocabulário usado nas conversas dentro e fora do ambiente virtual. Os ambientes de comunicação virtual, como as salas de bate-papo, e as redessociais são caracterizados pelo uso de uma nova variedade da língua portuguesa,repleta de abreviações, gírias e emotions (símbolos que representam sentimento),sem respeito às normas ortográficas. Os textos estão cada vez mais curtos. Cada época tem tido uma forma própria de comunicar-se: os sons de tambor, o fogo, os sinais com panos ou bandeiras, o bilhetinho, o telefone, o telégrafo, e agora o telefone fixo-móvel, a Internet e os telemóveis. O século XXI não foge à regra de qualquer outra época. As necessidades de comunicação têm sido muitas, o ritmo de vida é muito rápido, e o Homem continua a inventar sempre o material que faz avançar os seus sonhos e sempre aperfeiçoando e indo mais além, de descoberta em descoberta. E assim o homo sapiens está a converter-se em homo digitalis com a introdução, na vida diária, dos computadores, da Internet e dos telemóveis. (BENEDITO, 2003, p. 191) A comunicação textual na Internet é fundamentada na escrita, apesar dos seusaltos recursos de som e de imagem, a escrita ainda é essencial. Os jovens queusam a rede tratam a variedade linguística como uma “fala escrita”, ou seja, umatransposição do falar para a escrita. Porém, é preciso considerar que a ideia de uma"fala por escrito" deve ser vista com cautela, pois a escrita (regida, em ambientesvirtuais, mais por normas fonéticas do que por normas ortográficas) está entrelaçadaa representações semióticas, não importando qual seja o idioma materno dosusuários remetentes e destinatários. No que diz respeito a universalização da línguados ambientes virtuais, vale considerar a posição de Lévy (1998), que sugere ahipótese do surgimento de uma linguagem, a "ideografia dinâmica", um hibridismo apartir do princípio de escritas que utilizam conceitos ou idéias ao invés de símbolos
  • 28. fonéticos– com o caráter dinâmico dos novos suportes multimídia. Essa novalinguagem é uma espécie de interface em que abreviações substituem palavras. A"ideografia dinâmica" não seria uma nova escrita, atrelada a uma língua, mas umanova linguagem, uma forma de comunicação universal, compreensível a todos osinternautas – uma verdadeira revolução nas relações humanas. A variedade linguística utilizada na Internet não tem nada de caótico, masainda assim muitos pais e professores a temem. Um dos motivos do temor estárelacionado aos mitos difundidos sobre aspectos da variedade da Internet quepoderiam influenciar negativamente o ensino da norma padrão, como a proliferaçãode abreviaturas e o uso de semioses. Então, quando aparecer um "elemento estranho" no texto dos alunos, comouma abreviatura, mesmo que seja em uma avaliação, o professor não pode culpar aInternet, apesar das práticas precederem a ela, a sociedade cobra umposicionamento da escola, mais especificamente, dos professores de línguaportuguesa. Educadores posicionam-se favoravelmente à inclusão da nova variedade norol dos conteúdos de língua portuguesa. Ramal (2003) propõe que a escola devavalorizar também a linguagem codificada que os alunos usam em ambientes decomunicação virtual, porém, mostrando as diferenças de uso de acordo comcontexto. Assim como uma tese exige linguagem formal e um bate-papo no bar,descontração, a comunicação na Internet precisa de códigos e sinais mais rápidos ecurtos. Gírias com os amigos e abreviaturas no computador são adequadas adeterminadas situações comunicativas, num currículo ou carta comercial, a normapadrão é requisitada. Segundo Ramal (2003, p.28), "o cidadão preparado para ofuturo tem que dominar tantas linguagens quantas forem as janelas que se abrirempara ele". Apesar da inclusão, não se pode deixar de lado o ensino da normapadrão, pois a capacidade de decodificar as mensagens na interação virtual estáatrelada à intuição lingüística aguçada. Com relação à Internet e ao ensino, pode-se fazer duas constatações: (1) osjovens leem hoje cada vez mais por causa da Internet; e (2) os jovens tambémescrevem cada vez mais por causa da Internet, ficando o professor no ambienteescolar responsável pela correlação entre a norma e o uso da língua, adequada aosgêneros discursivos, novos ou emergentes.
  • 29. A Internet, no que se refere ao uso da língua nesse ambiente virtual, não deveser ignorada, uma vez que a linguagem usada na rede por esses usuários tambémestão sujeitas a regras e devem ser respeitadas. Cabe ao professor integrar alinguagem da internet ao rol das variedades sócio-estilísticas da língua, fazendo ascorrelações entre a norma e o uso da língua.
  • 30. REFERÊNCIASARAÚJO, Júlio César Rosa de. A conversa na web. O estudo da transmutação deum gênero textual. In: MARCUSCHI, L. A. & XAVIER, A. C. (Orgs.). Hipertexto egêneros digitais. 2ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.BARRUCHO, Luís Guilherme. A mão ativa o cérebro. Revista Veja. 2227ed, ano44, nº 30, 27 de julho de 2011.CARDOSO, Ruth C. L. Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar dasarmadilhas do método. In: CARDOSO, Huth. (org). A aventura antropológica:teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. Tradução de Fulvia M. L. Moretto. SãoPaulo: UNESP, 2002.DEMO, Pedro. Pesquisa: princípios científicos e educativos. São Paula: Cortez,2002._____________________. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo:Atlas, 2000.DIONÍSIO, Ângela Paiva. Gêneros multimodais e multiletramento.In: KARWOSKI,Acir Mário et al. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexões e ensino. 2ed. Rio deJaneiro: Lucerna, 2006.FEDELI, Ricardo Daniel et al.Introdução à Ciência da Computação. São Paulo:Cengage Learning, 2010.FREIRE, Madalena. Observação, registro e reflexão- instrumentos metodológicosI. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1997.FREITAG, R.M.K; FONSECA e SILVA, M. Uma análise sociolingüística da línguautilizada na internet: implicações para o ensino de língua portuguesa. Revistaintercâmbio, v.15, 2006.GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar. 7ed.Rio de Janeiro: Record, 2003.
  • 31. KOCH, Ingedore Villaça. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez,2002.LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era dainformática. Rio de Janeiro: 34ed, 1993._________. A emergência do ciberespaço e as mutações culturais. In: PELLDANDA,Nice Maria Campos; PELLNADA, Eduardo Campos (orgs). Ciberespaço: umhipertexto com Pierry Lévy. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000.LUDKE, Menga e ANDRÉ, Marli. Pesquisa em educação: AbordagensQualitativas. São Paulo: EPU, 1986.MARCONI, Marina de Andrade. LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa:Planejamento e Execução de Pesquisa; Amostragens e Técnicas de Pesquisa;Elaboração, Análise e Interpretação de Dados. São Paulo; Atlas, 2002.MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologiadigital. In: MARCUSCHI& XAVIER, A. C. (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais.2ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.PÁDUA, Elisabete Matello Marchesini de. Metodologia da pesquisa- Abordagemteórico-prática. Campinas: Papirus, 2000.RABÊLO, Adlani A. T.de Barros ET e AL. Outdoor: Facebook1. Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XVIII PrêmioExpocom 2011 – Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação. Disponívelem < http://intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2011/expocom/EX28-0801-1.pdf>. Acesso em: 06 set 2011.RAMAL, Andrea Cecília. Ler e escrever na cultura digital. Disponível em<http//www.revistaconecta.com/destaque/edicao04.htm_>. Acesso em 07 set 2011.RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos.4ed.São Paulo: Atlas, 1996.
  • 32. SANTANA, Vagner Figuerêdo de ET AL. Redes sociais online: desafios epossibilidades para o contexto brasileiro. Disponível em<https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:31p8yYILY3cJ:portalsbc.sbc.org.br/download.php%3Fpaper%3D1315+Alexa+2009+as+redes+sociais+mais+difundidas+na&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESj41aj7CcGOgJhp8S2nRzzC-LnvRcHjC6inKr3dYWuGAC43qVSfce1K3hacvuLrLvVzvgNZGnFGa2zENzajZybVIa1fwSDUGuUZRf8One6qVrR8JlE47ZthggCuBgCoinWM1760&sig=AHIEtbTd4-zmdjJGOpv8-yyMSZppP2UJ8A> Acesso em: 05 jan 2012SILVA, Ezequiel Theodoro da. (Org.). A leitura nos oceanos da internet. SãoPaulo: Cortez, 2003.VALENTE, Mariana Reis Mendes; SILVA, Maurílio Luiz Hoffmann da.A utilização doTwitter na campanha política e sua aplicação no Tocantins: estudo de caso doperfil do candidato a Governador eleito Siqueira Campos. Disponívelem:http://www.ipea.gov.br/panam/pdf/GT3_Art3_Val.pdf. Acesso em: 06 set 2011.
  • 33. ANEXO 1ROTEIRO PARA ENTREVISTA COM ALUNOS DO 9º ANO DO ENSINOFUNDAMENTAL II1. Você tem acesso à internet? Com que freqüência?2. Para que você utiliza a internet?3. Você tem acesso às redes sociais, como: Orkut, facebook, twitter, MSN?4. Com que freqüência utiliza essas redes sociais?5. Na sua opinião, a escrita utilizada na internet, ou seja, uma linguagem comabreviações, tem interferência nos seus textos escritos na escola?