Curso Capacitação Em Educação Para o Trânsito

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Curso Capacitação Em Educação Para o Trânsito

  1. 1. Capacitação em Educação para o TrânsitoConteudistaRubiane Pereira Bezerra – Policial rodoviário federalCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 1
  2. 2. ApresentaçãoOs conflitos da convivência humana e a divisão entre o bem individual e o bemcoletivo têm refletido no alto índice de acidentes automobilísticos e,consequentemente, mortes no trânsito, requerendo por parte do Estado medidasurgentes de controle, combate e prevenção de acidentes de trânsito.Nesse contexto, a polícia rodoviária federal tem por competência atuar em 65.000kmde rodovias federais, onde, além de fiscalizar e autuar veículos e usuários infratores,conscientiza os condutores da necessidade de atenderem as normas de convivênciano trânsito, a fim de reduzir os índices de mortes nas rodovias federais.Para que isso ocorra, são necessárias várias medidas e uma delas é oaperfeiçoamento profissional de acordo com as exigências de uma sociedademoderna, ou seja, o policial rodoviário federal deve ser versátil o bastante paraatuar não só no combate à criminalidade e no atendimento aos acidentes de trânsito,como também na sua prevenção.Bom estudo!Com o curso a distância de Educação para o Trânsito, o DPRF espera:● Conscientizar o policial rodoviário federal de que esse papel social demanda detodos uma postura ética, o conhecimento da legislação em vigor e o compromissocom a construção de um trânsito mais consciente e harmonioso;● Agregar ações educativas preventivas às ações fiscalizatórias, como um doscaminhos para a melhoria da qualidade do trânsito, garantindo, assim, ocumprimento do Código de Trânsito Brasileiro e o fortalecimento da imageminstitucional da Polícia Rodoviária Federal enquanto componente do Sistema Nacionalde Trânsito; e● Demonstrar que, além das ações rotineiras, a categoria específica de educador detrânsito requer técnicas próprias de didática, de comportamento humano, unindo oCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 2
  3. 3. conhecimento com sua forma adequada de exposição. Dessa forma, conseguir maioreficiência em sua missão principal, que é “salvar vidas”.Além do aperfeiçoamento profissional é importante observar que os projetos,programas, campanhas e outras propostas para desenvolver ações voltadas àeducação para o trânsito no Brasil surgiram a partir da implementação do primeiroCódigo Nacional de Trânsito (Decreto-Lei nº 3.651, de 25 de setembro de 1941).Desde então, o Brasil – especialmente por meio dos órgãos executivos de trânsito –não parou mais de produzir materiais educativos na área. De 1950 a 1980, foramelaborados manuais, cartilhas, fitas cassete, slides e até discos de vinil... Oconteúdo? Obediência e reconhecimento ao policial de trânsito, punições para odescumprimento das leis, regras e mais regras de trânsito. Na verdade, essesmateriais não poderiam ser diferentes, pois refletiam a ideologia política da época.Veja um exemplo.Campanha Educativa de Trânsito(…) O homem sofre para conhecer, como a criança é castigada para aprender. Nuncaserá, com efeito, mal empregado um puxão de orelhas como corretivo para astravessuras de um menino endiabrado. (…) Se a criança se submete ao imério daforça que pune, também o adulto aceita com submissão a ação repressora do Estado.(…) Tudo isso vem a propósito dos ciclistas, as crianças grandes do tráfego. (…) Masde todas as faltas, a mais grave é, sem dúvida, esse hábito inveterado que eles têmde circular nos passeios. (…) Para acabar com esse abuso só há um remédio: multaselevadas. Não há outro jeito, não; perder dinheiro é o que dói. Só o temor dessesbárbaros pelo prejuízo a que ficassem, assim, sujeitos, poderia por fim a isso.PEQUENO, Waldemar. Campanha Educativa de Trânsito (palestras). Belo Horizonte,1955.Era um produto do autoritarismo dessa época e da manipulação por ele dos aparelhospoliciais. A atividade policial foi caracterizada pela sociedade como repressora eantidemocrática, truculenta, conservadora, gerando de fato uma divisão entresociedade e polícia, como se a última não fizesse parte da primeira.De 1990 aos dias atuais, o crescimento da democracia e o avanço tecnológicopossibilitaram a ampliação e a reflexão de várias questões que envolvem asatividades de Segurança Pública, bem como a sensibilização para a problemática doCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 3
  4. 4. contexto trânsito. Na elaboração dos recursos educativos, os slides foramsubstituídos pelos vídeos; os discos de vinil, por CDs e CD-ROMs. Hoje, é possívelencontrar uma enorme variedade desses recursos. Os manuais e as cartilhasresistiram ao tempo, mas de resto, quanto mais moderno melhor.Será que o conteúdo desses materiais reflete os valores democráticos queprecisam ser trazidos à luz,debatidos e ensinados num país em processo dedemocratização? Atende às expectativas das pessoas? Estimula a reflexão sobre anecessidade de mudanças das atuais políticas de Segurança Pública, buscandopriorizar a dimensão pedagógica/educativa do policial em sua formaçãoprofissional? Educa – realmente – para a construção de um trânsito melhor?São muitos os questionamentos, porém, não é necessário solucioná-los agora. Espera-se que no decorrer deste curso, importantes aprendizados sejam construídos parapossibilitar mudanças significativas na consciência, postura e atuação do policialrodoviário federal.O curso de Formação de Educadores para o Trânsito, da Polícia RodoviáriaFederal, criará condições para que você possa:● Ampliar os conceitos que norteiam a atuação pedagógica no contexto policial;● Identificar a legislação pertinente acerca das ações de educação para o trânsito nocontexto escolar e no âmbito da polícia rodoviária federal;● Identificar os valores culturais e éticos necessários à boa convivência e segurançano trânsito, relacionando-os à prática educacional;● Compreender a dimensão coletiva das relações sociais e a necessidade decontextualizá-la ao inalienável direito de ir e vir;● Compreender a dinâmica e a natureza de comportamentos arriscados no trânsito,considerando-os no planejamento de ações educativas de trânsito, bem como naatuação policial● Reconhecer a importância da transversalização do tema trânsito nas escolas;● Identificar os principais recursos educativos a serem utilizados em ações deeducação para o trânsito, bem como sua finalidade na aplicação;● Apropriar-se do funcionamento da área de educação para o trânsito no âmbito doDepartamento de Polícia Rodoviária Federal;Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 4
  5. 5. ● Utilizar os passos para a elaboração de projeto básico ou termo de referência,visando ao planejamento e à operacionalização de ações educativas de trânsito; e● Fortalecer uma atitude consciente e crítica em relação à postura e aresponsabilidade na construção de um trânsito mais educado.Para alcançar seus objetivos, o curso está dividido em 3 módulos:Módulo 1 – Legislação, ética e convivênciaMódulo 2 – Trânsito: Um enfoque comportamental e pedagógicoMódulo 3 – O DPRF e a educação para o trânsitoUma pesquisa realizada em 2005, pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica eAplicada, Denatran e ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos demonstraque, nas rodovias federais, os atropelamentos ocupam o segundo lugar no ranking demortalidade por acidente. A cada 34 atropelamentos ocorrem 10 mortes; ocorremcerca de 4 mil atropelamentos por ano, aproximadamente um a cada duas horas.Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Paraná lideram com 54%das mortes de pedestres e 12 rodovias federais detêm 75,3% das ocorrênciasenvolvendo pedestres, das quais, as três primeiras (BR-116, BR-101, BR-040)respondem por 50% das mortes.A maioria dos acidentes envolvendo pedestres ocorre à noite, sendo mais crítico operíodo das 18h às 20h. Os estados e as rodovias identificadas dão um indicativo deque as travessias urbanas das rodovias federais podem ser a principal área dessaviolência contra a vida dos pedestres.Os acidentes com motocicletas guardam proporções semelhantes. Embora elestenham representado 10,8% de todos os acidentes, causaram 15,2% de todas asmortes.A pesquisa também visa fornecer indicativos para a formulação de políticas públicase programas efetivos voltados, não só para a redução do número de acidentes, mas,sobretudo, para a redução da gravidade desses acidentes. O custo médio associado àpessoa de um ileso corresponde a R$ 1.040,00, já uma vítima classificada comoCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 5
  6. 6. ferida apresenta um custo médio de R$ 36.305,00, uma vítima fatal gera custo de R$270.165,00, e o custo total de um acidente é de R$ 407.000,00.Considerando o número de mortos em 2008, estima-se que nesse mesmo ano foramgastos, diariamente, R$ 4.862.970,00 e, anualmente, R$ 780.387.350,00 com vítimasfatais nas rodovias brasileiras.Veja a tabela com os dados dos acidentes referentes ao ano de 2006, 2007 e 2008.Fonte: ROD On Line – Polícia Rodoviária FederalAtualmente, os acidentes de trânsito se tornaram questão de saúde pública e atendência mostra que a educação para o trânsito está entre as principais armas naluta contra essa triste realidade. É urgente e necessário implementar medidas para oconstante aperfeiçoamento das ações educativas pelos órgãos componentes doSistema Nacional de Trânsito. Não basta sinalizar as vias públicas ou colocar radaresnas avenidas, é preciso educar.É a educação para o trânsito a ação capaz de sensibilizar os cidadãos brasileiros paraa mudança de comportamentos arriscados. A educação para o trânsito, enquantoação preventiva, constitui um instrumento de transformação da cultura no trânsito.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 6
  7. 7. Após as considerações introdutórias leia o texto “História do lápis” e reflita sobre aquestão colocada.REFLEXÃO: “HISTÓRIA DO LÁPIS”Você conhece a história do lápis? Um menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura perguntou: -Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é umahistória sobre mim? A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto: - Estouescrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras,é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele quando crescesse. Omenino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial: - Mas ele é igual atodos os lápis que vi em minha vida! Respondeu a avó: - Tudo depende do modocomo você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las,será sempre uma pessoa em paz consigo mesmo, com os outros e com Deus. Primeira qualidade: Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecernunca que existe uma mão que guiará seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus,e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade. Segunda qualidade: De vez em quando eu preciso parar o que estouescrevendo e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas nofinal, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores porque elas ofarão ser uma pessoa melhor. Terceira qualidade: O lápis sempre permite que usemos uma borracha paraapagar aquilo que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é,necessariamente, algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho dajustiça. Quarta qualidade: O que realmente importa no lápis não é a madeira ou suaforma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo queacontece dentro de você. Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Damesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços...Paulo CoelhoCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 7
  8. 8. Com base nos conceitos iniciais, na problemática atual do trânsito e na mensagemacima, reflita sobre o que pode ser feito pelo policial rodoviário federal, enquantoeducador, na busca por um trânsito mais humanizado?Módulo 1 – Legislação, ética e convivênciaAntes de iniciar o estudo deste módulo, assista ao vídeo(http://www.youtube.com/watch?v=A3WbWOBJxks ) da música Rua da Passagem(Trânsito), ou leia a sua letra( http://vagalume.uol.com.br/lenine/rua-da-passagem-transito.html ). Em seguida, pense sobre a seguinte questão:De que maneira valores como cooperação, respeito, colaboração, tolerância,equilíbrio pessoal, amizade, vida, liberdade, justiça, solidariedade, igualdade eresponsabilidade podem subsidiar as ações de educação para o trânsito?Por que somente os aspectos legais não bastam para tornar aconvivência no trânsito segura?Neste módulo, você estudará os aspectos legais e éticos relacionados à convivênciahumana no trânsito.Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:● Identificar os aspectos legais nos quais a educação para o trânsito está inserida;● Analisar os aspectos contextuais que limitam a relação entre o Código de Trânsitobrasileiro versus Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional;● Reconhecer a importância de se pensar e agir ética e coletivamente;● Utilizar valores como a base da elaboração de ações de educação para o trânsito.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 8
  9. 9. Este módulo está dividido em:Aula 1 – Aspectos legaisAula 2 – Ética e cidadania no trânsitoAula 3 – Convivência humana no espaço coletivoAula 1 – Aspectos legaisA educação para o trânsito inclui a percepção da realidade, educação, assimilação eincorporação de novos hábitos e atitudes perante o trânsito, enfatizando aresponsabilidade do governo e da sociedade, em busca da segurança e bem-estar.Nesse sentido, Freire (1999) lembra que se a educação sozinha não transforma asociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.A educação para o trânsito tem fundamento na Constituição da República Federativado Brasil, de 1988:Art. 23 É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dosMunicípios:(...)XII – Estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.Nesse dispositivo constitucional, fica clara a abrangência que deverá possuir adimensão educativa, priorizando as políticas de educação e a segurança no trânsito.Veja o que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB – Lei n 9.503, de23/09/1997):Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 9
  10. 10. Art. 1º§ 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos eentidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbitodas respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.(...)§ 5º Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsitodarão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação dasaúde e do meio ambiente.Veja também o artigo 75 da citada legislação e o artigo 76 que se refere, maisdiretamente, a educação.Art. 75 O CONTRAN estabelecerá, anualmente, os temas e os cronogramas dascampanhas de âmbito nacional que deverão ser promovidas por todos os órgãos ouentidades do Sistema Nacional de Trânsito, em especial, nos períodos referentes àsférias escolares, feriados prolongados e à Semana Nacional de Trânsito.§ 1º Os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão promoveroutras campanhas no âmbito de sua circunscrição e de acordo com as peculiaridadeslocais.§ 2º As campanhas de que trata este artigo são de caráter permanente e os serviçosde rádio e difusão sonora de sons e imagens explorados pelo Poder Público sãoobrigados a difundi-las gratuitamente, com a frequência recomendada pelos órgãoscompetentes do Sistema Nacional de Trânsito. Nessa mesma perspectiva, veja o artigo que mais diretamente se refere aotema educação:Art. 76 A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos eentidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados,do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação.Parágrafo único. Para a finalidade prevista neste artigo, o Ministério da Educação edo Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho de Reitores dasUniversidades Brasileiras, diretamente ou mediante convênio, promoverá:I - A adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo interdisciplinar comconteúdo programático sobre segurança de trânsito;Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 10
  11. 11. II - A adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas escolas deformação para o magistério e o treinamento de professores e multiplicadores;III - A criação de corpos técnicos interprofissionais para levantamento e análise dedados estatísticos relativos ao trânsito; eIV - A elaboração de planos de redução de acidentes de trânsito junto aos núcleosinterdisciplinares universitários de trânsito, com vistas à integração universidades-sociedade na área de trânsito.O primeiro Código Nacional de Trânsito (Decreto-Lei nº 3.561, 25 de setembro de1941, que revogou o Decreto-Lei nº 2.994, de 28 de janeiro de 1941) não mencionavao tema educação de trânsito em qualquer um de seus 12 capítulos.Após 25 anos, com a lei nº 5.108, de 21 de setembro de 1966, que instituiu osegundo Código Nacional de Trânsito, estão as primeiras citações referentes ao tema.A educação de trânsito começou a ser mencionada.( http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/1950-1969/L5108.htm )Passados trinta e um anos (repletos de resoluções e decretos), a Lei nº 9.503, de 23de setembro de 1997 foi sancionada, instituindo o Código de Trânsito Brasileiro(CTB), que dispensa um capítulo (com 6 artigos) exclusivo ao tema educação para otrânsito“No Código Nacional de Trânsito de 1961, a palavra educação aparece duas vezes; otermo campanhas educativas, quatro vezes; a palavra aprendizagem, duas vezes.Assim, o tema educação aparece num total de oito vezes, o que representa poucomais de 6%, levando em conta os 131 artigos da Lei.No CTB, a palavra educação pode ser lida 28 vezes, além de mais 13 palavras etermos correlatos (aprendizagem, campanha educativa, especialização, nível deensino, currículo de ensino, currículo interdisciplinar, escola pública, etc.) queaparecem 21 vezes.” ALMEIDA, Dílson de Souza. Palestra proferida em 1999.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 11
  12. 12. A importância da educação para o trânsito fica evidente nesses artigos do CTB,como resultado de constante evolução, na medida em que o tema é abordado 49vezes, representando 15% do total de 341 artigos da Lei. E, como se podeobservar, sua promoção é obrigatória nos ensinos infantil, fundamental, médio esuperior, além de ser uma das atribuições legais da polícia rodoviária federal. Noentanto, quando o CTB foi instituído, a Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, já vigorava e dispõeclaramente que os currículos do ensino fundamental têm base nacional comum(Parâmetros Curriculares Nacionais) e que cabe a cada sistema de ensino e a cadaescola oferecerem uma parte diversificada, de acordo com as característicasregionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.Base nacional comumA base comum é o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento domundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente no Brasil. Oensino da arte e da educação física (facultativa nos cursos noturnos) também écomponente curricular obrigatório. O ensino da história do Brasil levará em conta asdiferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.Para atender a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394, de20 de dezembro de 1996, assim como à Constituição Brasileira, que estabelece anecessidade e a obrigação de o Estado elaborar parâmetros claros capazes deorientar ações educativas do ensino obrigatório, de forma a adequá-los aos ideaisdemocráticos e à melhoria do ensino nas escolas brasileiras, foram criados osReferenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil (RCNEI), os ParâmetrosCurriculares Nacionais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio (PCN).Como se pode notar, a LDB não contempla o estudo do trânsito em sua basenacional comum. Da mesma forma, os RCNEI e os PCN não indicam o trânsito sequercomo tema transversal.Os temas transversais no ensino fundamental foram estabelecidos conforme osseguintes critérios:Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 12
  13. 13. ● Urgência social: questões graves que se apresentassem como obstáculos para aconcretização da plena cidadania;● Abrangência nacional: questões que fossem pertinentes a todo o país;● Possibilidade de ensino e aprendizagem no ensino fundamental: temas aoalcance da aprendizagem nessa etapa de ensino;● Alcance da aprendizagem nessa etapa de ensino; e● Que favoreçam a compreensão da realidade e a participação social.De acordo com os critérios, já vistos anteriormente, os temas transversais eleitos,para o ensino, foram: Ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, eorientação sexual.Nos PCN é encontrada uma concepção reducionista sobre o tema. O trânsito émencionado apenas nos PCN do ensino fundamental, como sugestão de tema local,não havendo referência alguma sobre o tema nos RCNEI, assim como nos PCN doensino médio. Ao contrário do que muitos pensam, o tema trânsito não é tematransversal eleito pelo MEC, pior ainda, não é obrigatório por lei dar aulas de trânsitonas escolas. É importante que qualquer profissional de educação do trânsito estejaciente desses fatos.Entende-se que a educação para o trânsito é um direito de todos e não se podemais aceitá-la apenas como um fenômeno isolado, característico dos grandescentros urbanos. Ela deve estar fundamentada em valores relacionados ao nossosistema de convivência e que envolvam o pensar e o agir de cada pessoa,respeitando sua liberdade.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 13
  14. 14. Aula 2 – Ética, cidadania e trânsitoÉtica, cidadania e trânsito são assuntos complexos e envolventes, porém, defundamental importância para a análise das relações sociais e onde o contexto dotrânsito se apresenta como cenário ideal, com uma reflexão baseada no textoexposto.O agente ético é pensado como sujeito ético, isto é, como um ser racional econsciente que sabe o que faz, como um ser livre que decide e escolhe o que faze como um ser responsável que responde pelo que faz. A ação ética é balizadapelas idéias de bem e mal, justo e injusto, virtude e vício. Assim, uma ação só seráética se consciente, livre e responsável, e será virtuosa se realizada emconformidade com o bom e o justo. A ação ética só é virtuosa se for livre e só oserá se for autônoma, isto é, se resultar de uma decisão interior do próprioagente e não de uma pressão externa. Evidentemente, isso leva a perceber que háum conflito entre a autonomia da vontade do agente ético (a decisão emana apenasdo interior do sujeito) e a heteronomia dos valores morais de sua sociedade (osvalores são dados externos ao sujeito).Esse conflito só pode ser resolvido se o agente reconhecer os valores de suasociedade como se tivessem sido instituídos por ele, como se ele pudesse ser o autordesses valores ou das normas morais, pois, nesse caso, ele será autônomo, agindocomo se tivesse dado a si mesmo sua própria lei de ação.Enfim, a ação só é ética se realizar a natureza racional, livre e responsável do sujeitoe se esse respeitar a racionalidade, liberdade e responsabilidade dos outros agentes,de sorte que a subjetividade ética é uma intersubjetividade socialmentedeterminada.O trânsito é um campo fértil para se discutir a vida em sociedade. Diariamente, osespaços urbanos reproduzem cenas que, de tão comuns, já se tornaram familiares amaior parte das pessoas. O curioso é que as cenas se repetem, mas as questões queessas cenas provocam raramente são levadas em conta. Conheça uma delas, por meioda história a seguir:Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 14
  15. 15. Esta vaga é minhaDayse estava em seu automóvel, esperando pacientemente por uma vaga em umestacionamento. Ela contava os minutos no relógio para não chegar atrasada ao seucompromisso. Eis que surge uma vaga! Cuidadosa e atenta, sinaliza e faz menção deocupar a vaga. Então, de uma hora para outra, eis que surge alguém que corta suatrajetória e ocupa o lugar.O tipo de situação, exposta na história da página anterior, via de regra envolvetemperamentos naturalmente tensos ou estressados. As chances de um conflito sãograndes e as consequências previsíveis. Mas, considerando que esse exemplo siga porum caminho mais civilizado, e a pessoa cuja vaga acabou de ser tomada, apesar deeducada e tranquila em seu cotidiano, reclame, buzine e faça vários gestos. Inútil:como se não tivesse nada a ver com a história, quem ocupou a vaga tranca o carro e,com toda a calma, vai fazer suas compras.● Quem está certo?● Quem tomou a atitude correta?● Com base em quais critérios pode-se chegar a uma conclusão?● Afinal, o que é certo e o que é errado?Considerando o usuário que “perdeu” sua vaga para outro no estacionamento, nocampo da ética um conflito gerado a partir de perspectivas internas e externas –autonomia da vontade do agente (“eu cheguei primeiro, portanto tenho direito auma vaga”) e heteronomia dos valores morais de sua sociedade (regra social: “quemchegar primeiro, tem direito a uma vaga”), é possível considerar ética ou no mínimoaceitável sua atitude?Por outro lado, que critérios poderão ser considerados para analisar com aamplitude adequada o comportamento do outro condutor? É realmente reprovávelsua atitude, com base em uma regra social existente? E se ele por algum motivo nãoviu que alguém esperava pela vaga? E se estivesse distraído, preocupado, doente? Ese fosse surdo e não pudesse ouvir os gritos do motorista?Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 15
  16. 16. Os níveis de entendimento das ações – as diversas leituras que se pode fazer de umaação – ilustram esse fascinante campo de debates: a ética. Nesse plano, pode-serefletir sobre os julgamentos e comportamentos – os próprios e os das outras pessoas– quando a intenção é entender o sentido de um ato atribuindo-lhe valor. Isso éética.Falar de ética não é algo simples, mesmo porque, muitas vezes, há atitudesreprováveis no campo da moralidade.MoralidadeOriginariamente a palavra moral vem do latim mos/mores, que significa costume. E,em geral, essas três palavras – costume, norma, lei – se entrecruzam. (…)Antigamente, quando ainda se trafegava com carros de bois pelas cidades, alguéminiciou o costume de usar sebo nos eixos para neutralizar o ruído estridente dasrodas. Com o tempo, o que era costume de um ou mais puxadores de bois passou avirar norma (não obrigatória) para a maioria. Entendiam, para o bem da comunidade,a pertinência dessa prática. Ainda com o passar do tempo, quem não lubrificava oscarros para trafegar em silêncio pela cidade começou a receber, com certeza,reclamações dos moradores. Conclusão: Ainda hoje, no Fórum de Bragança Paulista,está em vigor uma lei que obriga os puxadores de carros de bois a untar os eixos comsebo, a fim de não perturbar o silêncio da comunidade. Dessa forma, por váriasdécadas, o descumprimento daquilo que foi acordado juridicamente entre osindivíduos e a comunidade implicava sanções. Uma sanção é sempre a recompensa oucastigo em face de um pedido, uma advertência ou uma lei. No caso dodescumprimento da lei, ela é punição (não apenas de “efeito moral”, como ocastigo); punição legalizada. Assim, na ordem hierárquica, um costume pode vir a seruma norma e uma norma virar lei. (PEREIRA, Otaviano. O que é moral. São Paulo:Braziliense, 1998)É aceitável no plano da ética, roubar para alimentar filhos que passam fome, porexemplo. Refletir a dimensão ética significa considerar várias óticas, ampliar a visãodaquele fato, buscando aproximar as ações daquele sujeito aos valores socialmenteconstruídos. Somente assim, a ação poderá ser considerada ética, ou seja, quando osujeito a pratica percebendo-se como parte de um todo onde sua subjetividade éproduto da construção ativa de valores sociais.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 16
  17. 17. Caso a ação só seja ética quando realiza a natureza racional, livre e responsáveldo sujeito e se esse respeita a racionalidade, liberdade e responsabilidade dooutro, é possível dizer que a máxima da ética é o bem comum.As pessoas convivem em sociedade e precisam se perguntar, por mais difícil que sejaa resposta: “como devo agir perante os outros?”. Pensar sobre nossa conduta esobre a conduta dos outros a partir de valores e não de receitas prontas pode ser umbom caminho.No plano da ética, as verdades podem mudar de acordo com as circunstâncias. Isso setorna ainda mais importante ao se considerar que os costumes mudam com o passardo tempo. Afinal, as sociedades mudam porque as pessoas mudam. O que é costumehoje, pode não ser amanhã. O que é considerado errado agora, também pode servisto como certo daqui a algum tempo.Fato históricoNo Brasil, no ano de 1800, era deselegante permanecer com chapéu no interior dosveículos. A norma era tirar o chapéu, colocá-lo sobre os joelhos ou junto ao peito,sempre com o forro de seda virado para dentro.Se os costumes mudam, as sociedades mudam, as pessoas mudam, por que algunsconceitos na educação de trânsito perduram por tantos anos em nosso país?“Trânsito é a integração entre veículo, via e homem”.“O acidente de trânsito é consequência de um comportamento inadequado dousuário, produto de algum processo psicológico que não funciona bem”.“O objetivo da educação de trânsito é formar motoristas do futuro”.“Trânsito é um fenômeno dos grandes centros urbanos”.(Trechos retirados de cartilhas publicadas entre 1970 e 1995) “Quando damos um passo para trás, toda a humanidade dá”. GandhiÉ curioso pensar que, num mundo em que os valores mudam com tantavelocidade, os conceitos tratem o trânsito ainda de forma extremamentesimplista. Parece que, nessa área, as verdades são eternas e as definições valemCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 17
  18. 18. para sempre. Mas no trânsito, como na vida, não existem verdades absolutas. E,como na vida, é preciso estar preparado para aprender, mudar conceitos, evoluir.Refletindo sobre a questão...Observe os diversos contextos no trânsito presentes nas imagens abaixo e reflitasobre os aspectos éticos trabalhados até aqui.A nova perspectiva em estar preparado para aprender, mudar conceitos, evoluir,comentados na aula anterior, permite pensar em trânsito como um DIREITO.Afinal, trânsito envolve o direito fundamental de ir e vir. Seja a pé, de automóvel,de barco, de mula, de avião.A proposta de pensar em trânsito como algo inerente à vida abre muitas esurpreendentes possibilidades. Locomover-se é tão importante quanto respirar. Odesejo humano de locomoção vem dos tempos mais remotos. Na tentativa de ampliarseus horizontes, de descobrir novos lugares, de procurar ambientes favoráveis às suasnecessidades de sobrevivência, as pessoas partiram em busca do desconhecido.Assim, em cada momento histórico, descobriram formas e criaram meios para atingiro objetivo de locomover-se, de transitar no espaço. Por isso, o trânsito é muito maisantigo que qualquer veículo ou qualquer via.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 18
  19. 19. Com o passar dos tempos, as cidades cresceram, os veículos apareceram e as pessoasperceberam que era necessário organizar o espaço público. Então, criaramsinalizações capazes de atender sua necessidade de locomoção: os semáforos, asplacas de sinalização, o apito dos agentes de trânsito.É possível pensar em trânsito de forma ainda mais aberta, mais ampla. Ao se pensarna cidade onde se vive, por exemplo: nas ruas e avenidas, nas praças, nos parques enas calçadas. Esse lugar pertence a cada pessoa, indistintamente, e também a seuspais, a seus filhos, ao seu marido ou à sua mulher, ao seu vizinho, ao mendigo, aolixeiro, ao empresário, ao carroceiro e a todas as pessoas que vivem nele. Sendoassim, todas as pessoas têm o direito de usufruí-lo e precisam, para isso, aprender aconviver.“O trânsito é algo que todos enfrentam, portanto, é algo normal. Não desejado, masnormal. É preciso encará-lo com naturalidade. Se você estiver dentro do mar e tentarreagir a uma onda, será derrubado. É preciso seguir com ela.”(...)A agressividade nasce de achar que o outro é diferente de mim, que não é meuirmão. Ao consideramos o outro como parte da família, a raiva se dissipará.” Atmatattwananda, 1995-2009, WebMotors S.AÉ impossível pensar em qualquer ação educativa de trânsito sem uma atençãoespecial ao campo da ética. E essa tarefa não é fácil. Fácil é produzir uma cartilhaou qualquer outro material com um amontoado de regras:Atravesse na faixa de pedestres;  Obedeça às leis do trânsito;  Não dirija falando ao celular;  Use o cinto de segurança;  Quando beber não dirija, quando dirigir, não beba.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 19
  20. 20. Fácil é ensinar o que fazer. Difícil é ensinar como ser. Trabalhar em favor de umaeducação para a vida, que contribua para o desenvolvimento das pessoas em suasocialização.Ensinar além do que fazerÉ possível ensinar uma criança a atravessar na faixa destinada aos pedestres, muitoembora, em diversas situações, ela não encontre tal faixa. Mas, além desseensinamento, pode-se mostrar como é possível ajudar uma pessoa deficiente visual aatravessar a rua, por exemplo. É possível e necessário ir muito além de ensinar o quefazer. Compromisso a ser assumido por todos os profissionais da área. Não existemfórmulas mágicas para trabalhar nesse sentido. Deve existir, sim, muita criatividadee força de vontade, além de uma visão abrangente sobre trânsito. Para isso, épreciso seguir em frente, sem medo de se arriscar e de experimentar.“Por que cometer erros antigos se há tantos novos a escolher?”Bertrand Russel, matemático inglês (1872-1970)Aula 3 – Convivência humana no espaço coletivoA educação para a segurança no trânsito se apresenta como novo desafio no dia-a-diado policial rodoviário federal. Não por opção do servidor, mas pela necessidade demudanças na forma de agir das polícias, para melhor proteger uma sociedade quesofre com os altos índices de mortalidade e acidentes de trânsito.É necessário que o policial agregue em seu perfil ações educadoras, embasadas emtécnicas pedagógicas e dados reais que lhe permitam atuar com confiança ecompetência na multiplicação de medidas preventivas. É preciso pensar e definirquais valores devem ser incentivados em nossa sociedade quando o assunto étrânsito. Esses valores devem regular nosso sistema de convivência e envolver opensar e o agir de cada pessoa, respeitando sua liberdade.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 20
  21. 21. No contexto do que se tem estudado, está claro que educação de trânsito não é umaeducação qualquer. Para torná-la realidade, são necessárias ações educativascomprometidas com informações, mas, sobretudo, com valores ligados a cidadania.Caro profissional de trânsito, se ser cidadão é adotar uma postura em favor do bemcomum, é possível perceber a razão pela qual ética e cidadania são temas tãoligados. Certamente, uma não existe sem a outra.Refletindo sobre a questão...Como educar para a cidadania, já que vive-se em um mundo repleto de violência,desrespeito ao espaço público, egocentrismo, desonestidade, injustiças?Quando o assunto é trânsito, parece que tudo fica ainda mais complicado. Osprofissionais da educação de trânsito, certamente, podem encontrar dificuldades.Começando pelos órgãos de trânsito (federais, estaduais e municipais). Alguns nãopossuem recursos financeiros e humanos suficientes para a implementação deprojetos educacionais de qualidade. Outra barreira pode ser encontrada nas escolasde ensino regular. Vários professores resistem muito ao projeto da educação detrânsito. Eles têm seus motivos: ganham pouco, precisam dar conta do conteúdo dasdisciplinas obrigatórias, não têm tempo, etc. No entanto, com criatividade, bomsenso, estudo permanente e boa vontade é possível realizar um bom trabalho, o queé sempre aceito e reconhecido. O que importa é a qualidade. E em tudo o que sefizer, jamais se pode perder de vista essa tal cidadania.É fundamental propor participação da sociedade (cidadania ativa) nas questõesrelativas ao trânsito da cidade: o que as pessoas pensam, quais os seus anseios, quaisas suas necessidades. Pesquisar é fundamental, investigando e analisando osproblemas antes de dar as soluções. Geralmente, as campanhas educativas detrânsito, os recursos pedagógicos, os projetos e tantas outras iniciativas sãorealizados sem objetivos concretos. Partem de uma cúpula de especialistas queacham que aquilo é bom e está certo. Não será por esse motivo que há tantasdécadas se faz educação de trânsito sem resultados visíveis?A educação de trânsito deve ser para todos. É importante que o profissional detrânsito, ao assumir essa responsabilidade, entre em contato com organizações deCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 21
  22. 22. bairro, conheça a região onde atua, proponha parcerias com conselhos de educação,instituições interessadas, etc. e ouça o que essas pessoas têm a dizer. Só assimpoderá elaborar projetos que atendam às necessidades e às expectativas das pessoasem favor do bem comum. Talvez não consiga resolver todos os problemas levantados,mas, com certeza, saberá que eles existem e que algo precisa ser feito.Sabe-se que existem pessoas que “roubam” uma vaga, “furam” uma fila, dirigem emalta velocidade, despejam lixo pelas janelas de seus carros, furam o sinal, acelerampara obstruir a passagem de outro veículo, enfim, pessoas que, em pequenas açõesdo dia-a-dia, não agem eticamente, pois perderam ou ainda não adquiriram o hábitode pensar coletivamente.É fundamental para o educador de trânsito, em especial o policial rodoviário federal,saber que ninguém nasce ético nem é completamente cidadão e que, numasociedade em processo de evolução cultural, ainda tão violenta e com tantosestímulos que favorecem condutas individualistas e antiéticas, deve-se assumir aresponsabilidade de educar para o trânsito sem se questionar se o trabalho vale apena ou se é possível. Também é urgente e necessário reformular valores internos,compreender a natureza de tantos comportamentos negativos e inadequados, deforma que possa realizar a sua parte sem restrições.Talvez não seja possível mudar o mundo. Mas é possível começar a trilhar ocaminho da ética e da cidadania hoje, a partir de agora.ConclusãoNeste módulo, você estudou que...► O Código de Trânsito Brasileiro e a Lei de Diretrizes da Educação Nacionalpossuem abordagens e prioridades diferenciadas sobre o tema trânsito.► Enquanto o CTB evolui para priorizar a educação como meio de promover asegurança no trânsito, a LDB, bem como os Referenciais Curriculares Nacionais daEducação Infantil (RCNEI), os Parâmetros Curriculares Nacionais do EnsinoCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 22
  23. 23. Fundamental e do Ensino Médio (PCN) tratam o tema de forma reducionista, sendotratado apenas no PCN do Ensino Fundamental como sugestão de tema local.► A educação para o trânsito não pode ser compreendida apenas como um fenômenode grandes centros urbanos. Deve estar fundamentada em valores relacionados a umsistema de convivência onde o pensar, o agir e a liberdade de cada pessoa devem serrespeitados.► O trânsito é um campo fértil para a análise do comportamento ético na vida emsociedade.► Refletir a dimensão ética, como foi proposto, significa considerar várias óticas,ampliar a visão daquele fato, buscando aproximar as ações daquele sujeito aosvalores socialmente construídos. Muitas atitudes reprováveis no campo da moralidadesão aceitáveis no plano da ética – roubar para alimentar filhos que passam fome, porexemplo.► É possível dizer que a máxima da ética é o bem comum, considerando que a açãosó é ética quando realiza a natureza racional, livre e responsável do sujeito e se esserespeita a racionalidade, liberdade e responsabilidade do outro.► No plano da ética, as verdades podem mudar de acordo com as circunstâncias,principalmente porque os costumes mudam com o passar do tempo. As sociedadesmodificam porque as pessoas mudam. As pessoas convivem em sociedade e precisamrepensar suas condutas a partir de valores e não de receitas prontas.► O trânsito envolve o desejo humano de locomoção, o direito fundamental de ir evir – seja a pé, de automóvel, de barco, de mula, de avião – e a necessidade deconvivência e organização do espaço coletivo.► Para tornar a educação para o trânsito uma realidade são necessárias açõeseducativas comprometidas com informações, mas, sobretudo, com valores ligadosa cidadania.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 23
  24. 24. ► Ser cidadão é adotar uma postura em favor do bem comum, eis a razão pela qualética e cidadania são temas tão ligados. Portanto, é fundamental propor participaçãoda sociedade (cidadania ativa) nas questões relativas ao trânsito da cidade – o que aspessoas pensam, quais os seus anseios e necessidades – com vistas à elaboração deprojetos em favor do bem comum.Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensãodo conteúdo.O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas naspáginas anteriores.1. Acerca do tema trânsito e seus aspectos legais, marque V ou F: ( ) A Educação para o Trânsito tem fundamento na Constituição Federal, é de competência comum da União, estados, Distrito Federal e municípios e constitui prioridade das políticas de educação e segurança no trânsito. ( ) A Educação para o Trânsito é formalmente reconhecida como tema transversal na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. ( ) Urgência social e abrangência nacional foram alguns dos critérios utilizados para para estabelecer temas transversais no ensino fundamental.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 24
  25. 25. 2. Acerca da ética e da moral relacione cada conceito às definições correspondentes: (1) Moral (2) Ética ( ) Possui como características a racionalidade, responsabilidade e liberdade de escolha de cada um, balizada por idéias pré-concebidas. ( ) Relacionada ao cumprimento ou descumprimento de leis, normas ou costumes. ( ) Determinada pela sociedade, diz respeito aos comportamentos que devem ser considerados bons ou maus. ( ) Propicia a reflexão sobre os julgamentos e comportamentos quando a intenção é entender o sentido de um ato atribuindo-lhe valor. 3. Marque a alternativa incorreta: Ser cidadão é: ( ) Adotar atitudes em favor do bem comum, com base em valores éticos. ( ) Respeitar as lei de trânsito, e agir conscientemente respeitando os limites de convivência. ( ) Adotar uma postura com base em interesses e necessidades individuais, definindo objetivos concretos para o alcance dessas metas.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 25
  26. 26. 4. Marque a alternativa incorreta: A cidadania ativa é: ( ) Fundamental para o sucesso de uma ação educativa. ( ) Parte de uma cúpula de especialistas que estabelecem metas e definem necessidades a serem supridas. ( ) Parte do princípio que a sociedade deve ser participativa, portanto os projetos a serem elaborados devem contemplar os anseios e as necessidade coletivas de determinada comunidade. Este é o final do módulo 1 - Legislação, Ética e convivência Gabarito 1. V – F – V 2. 2-1-1-2 3. Adotar uma postura com base em interesses e necessidades individuais, definindo objetivos concretos para o alcance dessas metas. 4. Parte de uma cúpula de especialistas que estabelecem metas e definem necessidades a serem supridas.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 26
  27. 27. Anexo 1 1. TEMA TRANSVERSALTodas as pessoas aprendem na escola a ler, a escrever, a somar, a dividir. Ao longoda vida escolar, aprendem centenas, talvez milhares, de conteúdos: sinônimos,antônimos, relevo, hidrografia, raiz quadrada, equação numérica, colônia, república.Mas, desde sempre, os professores – além de conteúdos – trabalham com valores,embora sem saber disso. Também se aprende na escola que “xingar” o colega não écorreto; que não se deve riscar as carteiras, pois é preciso cuidar da escola...Qualquer pessoa é capaz de lembrar diversas ocasiões em que seu professor ou suaprofessora interrompeu a aula para falar sobre a importância do respeito aos colegas,da preservação do meio ambiente, das diferenças entre as pessoas. Assuntos que –aparentemente – não tinham nada a ver com a aula. Entretanto, sempre que fizeramisso, transversalizavam um tema.Na escola hoje, estas conversas informais precisam ser planejadas. Ou seja: oprofessor, ao programar sua aula, já deve saber que, além do conteúdo formal,precisa criar situações que possibilitem a aquisição de valores, posturas e atitudes. Énesse momento que os temas transversais aparecem. Eles têm por objetivo trazer àtona, em sala de aula, questões sociais que favoreçam a prática da democracia e dacidadania.Os temas transversais não são novas disciplinas. São conteúdos educacionais –fundamentados em aspectos da vida social – que transpassam pelas disciplinas.Portanto, o professor não vai dar ”aulas de ética” ou “aulas de meio ambiente” e tãopouco “aulas de trânsito”. Ele vai inserir, em sua aula, atividades que favoreçam aanálise e a reflexão sobre estes temas, a fim de que os alunos realizem sua própriaaprendizagem e traduzam em comportamentos os conhecimentos construídos.Tema Transversal: Caderno do Curso de Educação de Trânsito /2007 , do Projeto"Capacitação de Profissionais de Trânsito"DENATRAN/Ministério das Cidades/SEST/SENAT. (Coordenação: Juciara Rodrigues)Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 1SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 27
  28. 28. Módulo 2 – Trânsito: Um enfoque comportamental e pedagógicoApresentaçãoDe que forma a polícia rodoviária federal poderá contribuir para estimular umaproposta de trabalhar o trânsito, como tema transversal nas escolas?Neste módulo, você estudará o enfoque comportamental e pedagógico relacionado aotema trânsito.Ao final deste módulo, você será capaz de:● Compreender a dinâmica e a natureza de comportamentos arriscados no trânsito,considerando-os no planejamento de ações educativas, bem como na atuaçãopolicial;● Reconhecer a importância da transversalização do tema trânsito nas escolas;● Utilizar conceitos sobre linguagem e comunicação na transmissão de informaçõessobre educação e segurança no trânsito; e● Identificar os principais recursos educativos a serem utilizados em ações deeducação para o trânsito.O conteúdo deste módulo está dividido em 3 aulas:Aula 1 – Psicologia e segurança de trânsitoAula 2 – Trânsito como tema transversalAula 3 – Recursos educativos, linguagem e comunicaçãoCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 1
  29. 29. Aula 1 – Psicologia e segurança de trânsitoPara trabalhar de maneira mais eficiente a educação para o trânsito, é importanteque você conheça alguns conceitos referentes aos aspectos comportamentais queenvolvem, em especial, os condutores no trânsito. Embora considerando que todos –condutores, ciclistas, motociclistas, pedestres – são elementos ativos desse cenário,deve se dar merecida atenção ao condutor pela potencial capacidade de contribuirpara o bem-estar social no trânsito.É indispensável o aprimoramento do comportamento e das atitudes do ser humanoao volante. Em direção defensiva, por exemplo, aprende-se as habilidades técnicaspara dirigir com segurança, utilizando elementos primários na prevenção deacidentes, como atenção constante, capacidade de previsão, a agir em caso deemergência, etc. Porém, é possível constatar que conhecimentos e técnicas apenas,assim como os aspectos legais, não são suficientes para que se tenha um trânsitoseguro, pois o que ocorre na prática é que os condutores, ao se envolverem emacidentes, conheciam os procedimentos de segurança, mas, por algum motivo, nãoaplicaram esses conhecimentos de maneira satisfatória. Ou seja, entre conhecerprocedimentos de segurança e aplicá-los constantemente, existe uma distânciaconsiderável, que passa por uma decisão do próprio condutor. E essa decisãodepende, dentre outros, dos fatores psicológicos.De maneira simplificada, a psicologia é a ciência que estuda o comportamentohumano e suas relações com o meio físico e social. Comportamento é o conjuntode ações de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, nas mais diversas situaçõesda vida. É formado por fatores internos e externos.Fatores internosTambém chamados de fatores psicológicos ou de personalidade, caracterizam aindividualidade de cada um. Embora todos os seres humanos sejam diferentes entresi, há muitas reações semelhantes, classificadas em grupos pela psicologia.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 2
  30. 30. Certamente, você conhece alguém que se encaixa no grupo de pessoas consideradasirritadas, que perdem a calma com facilidade ou que, dificilmente, mudam deopinião. Essas são as características psicológicas internas do indivíduo.“Para o entendimento dos fatores próprios e individuais, ou seja, os fatoresinternos inerentes ao comportamento humano, deve-se considerar que o serhumano é um animal social; entretanto, cada sujeito possui aspectos que os tornamúnicos. Existem diferenças sociais, culturais e particulares que influenciam nospadrões de comportamento, na formação da personalidade, nas aspirações,valores, aptidões, e motivações de cada um. Cada pessoa é considerada umfenômeno multidimensional.”(Chiavenato, 1998)Fatores externosJá os fatores externos são as influências que o meio físico e social exerce sobre oindivíduo. Veja esta situação: Num estádio de futebol, influenciado pela torcida,pelo ambiente, pelo resultado do jogo e por diversos outros fatores externos, oindivíduo poderá comportar-se de maneira muito diferente do que se comportanormalmente. As pressões e acontecimentos do dia-a-dia, ou estímulos, podemalterar o padrão de comportamento. Constantemente, você recebe estímulos epressões do meio físico e do social onde vive.Grupos sociaisAs características psicológicas ou pessoais formam o padrão ou predisposição quedefine o comportamento do indivíduo ou do grupo em determinada situação. E essepadrão será influenciado pelos estímulos externos. Com esses conceitos já é possívelentender um pouco mais as reações individuais e os diferentes tipos decomportamento.Os indivíduos formam os grupos sociais e esses a sociedade. É importante salientarque você, como indivíduo, tem pouco contato com toda a sociedade, mas temcontato direto e participa de vários grupos sociais. Cada ser humano é livre paraescolher os grupos sociais aos quais deseja pertencer, ou seja, pode escolher o seuCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 3
  31. 31. grupo de amigos, grupo religioso, com quem se deseja constituir família, o grupopolítico, o grupo de trabalho, etc. E um dos fatores que possibilita a escolher ou serescolhido pelos grupos é a afinidade de comportamentos.Se você pertence a determinado grupo estará, automaticamente, aceitando os seuspadrões de comportamento.“O fato é que o ser humano se diferencia dos outros animais, por ser capaz deinterferir conscientemente no mundo. Além disso, ao mesmo tempo em que preservae deseja manter-se isolado e em sua individualidade, sente-se impelido para o grupo,formando a sociedade humana.A sociabilidade ou a capacidade de viver, sobreviver e existir em coletividade pareceser uma das melhores caracterizações do homem. Diferentemente do que ocorre comoutras espécies, o homem não se associa por instinto, mas por vontade. O homemnão é dependente, mas senhor da sociedade; não está nela devido aos instintos, masporque assim o quer.” (Carneiro, 2009)A sociedade e o trânsitoAnalisando o trânsito como fenômeno social e resultante da necessidade que o serhumano tem de movimentação e deslocamento, fica evidente a vulnerabilidade ediversidade de estímulos a que o ser humano é exposto diariamente em função desua complexidade.Veja quais são estes estímulos.Estímulos a que o ser humano é exposto diariamente em função de suacomplexidade.● É cada vez maior o espaço ocupado por estradas, ruas, avenidas, estacionamentos,viadutos, etc. Dessa forma, o carro está “tomando” o espaço do homem e danatureza;● O trânsito, ao contrário dos grupos sociais, é um local que reúne pessoas de todosos níveis sociais e culturais e com os mais diversos tipos de personalidade, objetivose padrões de comportamento;● Essa diversidade e o amplo espaço proporcionado pelo trânsito, permite que oindivíduo comporte-se inadequadamente protegido pelo anonimato;Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 4
  32. 32. ● A crescente violência é resultado da descarga diária das pressões, frustrações eproblemas pessoais;● O trânsito lidera as estatísticas mundiais de mortes violentas, tanto no Brasil comono restante do mundo; e● Por estar diariamente no trânsito, o ser humano tende a banalizar os seus efeitose, muitas vezes, não percebe como ele afeta o seu comportamento e como as suasações podem alterá-lo.O automóvelO automóvel é considerado um dos maiores sucessos como produto de marketing. Osveículos automotores estão hoje presentes em todas as partes do mundo, sendoutilizados indistintamente por todos os tipos de pessoas, nas mais variadas situações,assumindo diferentes significados:Meio de transporteDecorrente da necessidade humana de “ir e vir”, esta invenção proporcionou uminevitável progresso ao homem, “reduzindo as distâncias”, poupando tempo emultiplicando as oportunidades.Símbolo de posição socialPara muitas pessoas, o automóvel ainda é um objeto de desejo. Possuir um passou asignificar liberdade, contentamento, status e outras subjetividades.Símbolo de poderA máquina passou a ser uma verdadeira extensão do homem. Alguns indivíduos usamo tamanho e a potência dos seus veículos para demonstrar superioridade ou atenderàs suas vaidades.AutoafirmaçãoExiste hoje uma verdadeira “cultura sobre rodas”: o veículo deixou de ser umaferramenta de trabalho e passou a representar um artigo de luxo.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 5
  33. 33. O automóvel passou a ser utilizado como indicador socioeconômico, mostrando onível ao qual o seu proprietário pertence ou gostaria de pertencer. Para a maioriados adolescentes, o veículo preenche a necessidade de autoafirmação e de projetaruma boa imagem sobre seus amigos e outros jovens, porém, muitos adultos imaturosainda carregam essa necessidade, em alguns casos por toda a vida. O trânsito, noqual “cada um quer aparecer mais do que o outro”, acabou virando um palco devaidades, base sólida para gerar e alimentar conflitos.Comportamento no trânsitoO indivíduo com bom grau de maturidade e de equilíbrio é aquele que sabeidentificar as suas tendências e atitudes inadequadas, controlando-as para que nãointerfiram negativamente no seu comportamento no trânsito.Pode-se afirmar sem sombra de dúvidas:o trânsito é um indicador muito preciso das características de cada indivíduo.Inicialmente, convém esclarecer que as estatísticas mostram que a maioria dosmotoristas (mais de 2/3) raramente comete infrações ou envolve-se em acidentes detrânsito. Todos os problemas de trânsito são causados por uma minoria de motoristascujo comportamento, sob o ponto de vista psicológico, está quase semprerelacionado à dificuldade de lidar com as pressões da vida. Motoristas com essacaracterística sempre procuram alguma justificativa para os seus comportamentosinadequados, como se eles tivessem mais motivos para errar do que os outros. Sóque, se outra pessoa comete os mesmos erros que os seus, eles imediatamente acriticam e a reprimem.Essa dificuldade em lidar com as pressões externas do cotidiano, aliada a outrosfatores, como a personalidade e a própria educação do indivíduo, pode levá-lo aapresentar alguns tipos de comportamento.AnsiedadeA ansiedade é a sensação de estar sempre fora do horário ou fora do lugar. Quando apessoa está num lugar, tem a sensação que deveria estar em outro. Esses fatorescausam atitudes imprevisíveis no trânsito, pois a mente continuamente ansiosa nãoCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 6
  34. 34. consegue concentrar-se, erra frequentemente o caminho e perde mais tempo, o querealimenta a ansiedade. A má administração do tempo também está presente noperfil dessas pessoas e o indivíduo não pensa que a pressa e a correria vãoeconomizar apenas alguns minutos, isso se não causar um acidente pelo caminho.RaivaA raiva é uma explosão momentânea que ocorre, geralmente, nas pessoas que têmfacilidade de perder o controle. No trânsito, essa explosão pode levar acomportamentos extremamente perigosos, causados pelo desatino instantâneo, pelareação exagerada, impensada e descontrolada. O trânsito é o cenário propício paradesencadear atitudes desequilibradas. É muito difícil para o indivíduo com raiva terreações sensatas. De maneira geral, a raiva é uma reação inadequada a situaçõesfrustrantes, tem efeito cumulativo. Indivíduos que manifestam a raiva comfrequência devem aprender a administrar melhor suas frustrações.EgoísmoO egoísmo coloca sua vítima no centro das atenções. O egoísta não cede nemcompartilha, e isso sempre é problema no trânsito, que é um espaço compartilhadopor excelência. Ele não facilita a vida das outras pessoas e não é capaz de umacortesia ou de uma gentileza. Sente-se no direito de parar em fila dupla, bloquear oscruzamentos, estacionar em entradas de imóveis, entre uma centena de outrosabsurdos, simplesmente porque não imagina que possa estar incomodando.CompetiçãoO espírito competitivo parece ter tomado conta da sociedade moderna. Está bemclaro para todos, homens ou mulheres, jovens ou adultos, que a competitividade temtudo a ver com o sucesso, pois essa mensagem é passada em todos os lugares. Muitosacidentes ocorrem dessa forma, pois no trânsito, o indivíduo com espíritocompetitivo encontra facilmente um concorrente. É preciso fazer uma séria reflexão,pois o trânsito é um ambiente altamente inadequado para competições.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 7
  35. 35. AgressividadeAlgumas pessoas são de índole agressiva. Essas pessoas normalmente tendem asubestimar os riscos e as consequências das suas atitudes, o que as tornaimprudentes. Além disso, perdem o controle com facilidade, estando sujeitas aexplosões repentinas. Quando aliada à competitividade, gera o desejo de dominarcompletamente o oponente, ocasionando muitas vezes resultados trágicos. Quandoisso ocorre no trânsito, as pessoas podem envolver-se em acidentes de grandeproporção.HostilidadeO indivíduo hostil tem como característica predominante a intolerância automática.É aquele que mostra extrema irritação com acontecimentos banais, lança toda sortede grosserias e explora os erros alheios a seu favor. É fácil prever o que acontecequando um indivíduo hostil encontra pessoas semelhantes. Nessas ocasiões é queacontecem discussões, agressões, brigas e outras cenas até mais graves.UrgênciaA sensação de urgência também é prejudicial, decorre da ansiedade de lidar comatividades diárias, devido a uma má administração do tempo. Essa característicadenota desorganização e falta de planejamento, pois a urgência surge quando aspessoas assumem mais compromissos do que são capazes de atender. Quando estãocom pressa, as pessoas utilizam todos os truques possíveis no trânsito: trafegam noacostamento, na contramão, nas calçadas, etc. Assumindo riscos desnecessários epraticam todo tipo de imprudências, simplesmente para conseguirem vencer orelógio.EuforiaA euforia pode advir de variações hormonais, da ingestão de drogas ou bebidasalcoólicas, de fortes emoções, de surpresas, dentre outros fatores. É um estado degrande felicidade e alegria manifestado com exagero e descontrole. Nessas ocasiões,o indivíduo que estiver dirigindo pode perder a concentração e a noção do perigo,descuidando-se, cometendo imprudências ou envolvendo-se em acidentes.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 8
  36. 36. ImpulsoAs pessoas que agem por impulso só irão pensar no que fizeram depois do fatoocorrido. O indivíduo impulsivo faz pouca ou nenhuma reflexão sobre suas ações,tornando-se altamente irresponsável, imprudente e inconsequente. No trânsito, ofato de ter atitudes imprevisíveis, cria em torno de si mesmo uma área de perigopermanente.DistraçãoA distração é um grau de indisciplina interna que necessita ser corrigido. O “aéreo ouavoado” tem sua capacidade de concentração altamente prejudicada. O grau deconcentração e foco que um indivíduo dedica para a atividade de dirigir, mesmoquando rotineira, determina o grau de segurança. Ao permitir que acontecimentosparalelos desviem a sua atenção (música, pedestres, objetos no interior do veículo,conversa com passageiros, etc.), o distraído expõe-se a riscos, oferecendo perigotambém para os demais elementos do trânsito.Em primeiro lugar é importante ressaltar que apresentar, ocasionalmente, um dessestraços é muito diferente do que ser portador de um padrão comportamentalsintomático ou, até mesmo, um distúrbio psicológico. Além disso, entre um extremoe outro, existem diferentes níveis de gravidade. Todo indivíduo apresenta um oumais desses fatores em determinadas ocasiões ou determinadas fases da vida. Operigo é que, muitas vezes, não percebe isso.A maior finalidade em aprender sobre os fatores psicológicos é perceber a influênciadas características comportamentais na segurança do trânsito, identificando-as em simesmo e nas demais pessoas. Só assim será possível desenvolver mecanismos maiseficientes para lidar com esses episódios, de forma que os comportamentos setornem mais conscientes, seguros e menos automáticos.Exemplo:Algumas pessoas simplesmente não conseguem resistir à tentação de responder namesma medida quando são provocadas, muitas vezes esquecem que continuar ouaceitar a provocação só serve para agravar a situação. É necessário reconhecer essasCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 9
  37. 37. reações, fazer reflexões constantes sobre elas para, consciente e efetivamente,mudar o comportamento, com responsabilidade e maturidade.Conflitos no trânsitoInternosMuitos são os conflitos internos que você precisará administrar no cotidiano, emfunção das pressões externas: não poder viver da maneira como gostaría, ocumprimento do orçamento doméstico, trabalho em excesso, tarefas desagradáveis,relacionamentos indesejáveis, são apenas alguns dos exemplos, numa listainterminável. A maneira de administrar os conflitos ainda sofre influência de fatoresfísicos, como cansaço, estado de saúde, alimentação, sono, ingestão de álcool,drogas, etc.ExternosOs conflitos externos, isto é, com as outras pessoas, ocorrem principalmente porqueas pessoas têm interesses e necessidades diferentes e nesse ponto a combinação doestado físico e mental poderá agravar ou solucionar esses conflitos.No cotidiano do trânsito é inevitável que surjam alguns conflitos, porque osinteresses são distintos. Os condutores de automóveis particulares geralmente têmalguns objetivos e necessidades bem definidos, tais como: fazer o percurso demaneira fácil e rápida, encontrar uma vaga próxima, evitar trânsito congestionado,muitos ônibus, etc. Já os condutores de transporte coletivo têm obrigações eobjetivos bem diferentes: cumprir seus horários, independentemente da fluidez notrânsito, conduzir veículos nem sempre em boas condições, administrar situaçõesadversas (reclamações de passageiros, trânsito lento, paradas cheias, etc.). Soma-sea isso os interesses dos motociclistas, ciclistas, pedestres, caminhoneiros, etc.Inversões de papéisOs papéis que cada um assume no trânsito não são fixos. Mesmo que na maior partedo tempo seja um papel de condutor, por exemplo, quando se encontra na qualidadede pedestre, facilmente inverterá os papéis, reclamando, disputando espaço eCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 10
  38. 38. muitas vezes conflitando com os motoristas. Larga-se a “armadura” que o carrorepresenta e passa-se a sofrer na pele as fragilidades de ser pedestre. Porém, aoretornar ao papel de condutor, rapidamente volta-se a desrespeitar os pedestres.Esse exemplo ilustra bem a dificuldade que o ser humano tem para se colocar nolugar do outro, para entender e respeitar suas necessidades e direitos.Reconhecer comportamentos inadequados, descobrir e modificar maus hábitos nãosão tarefas fáceis. Primeiramente, porque reconhecer algumas característicasnegativas em si mesmo exige honestidade e autocrítica. Partindo dessa premissatorna-se possível adotar um padrão de comportamento mais adequado, cooperativo,solidário, tolerante e civilizado. Em segundo lugar, porque existe um fator internochamado resistência que dificulta as mudanças. É como se algo dentro de nóspreferisse continuar da maneira que somos. Para algumas pessoas, dependendo dagravidade, é muito difícil conseguir mudar isso sozinho. É necessário procurar ajudaespecializada sempre que um comportamento esteja afetando negativamente asegurança e a integridade.EstresseO estresse ou stress é um conjunto de sintomas psicológicos e físicos que prejudicamo desenvolvimento das atividades diárias e a própria saúde do indivíduo e está setornando uma verdadeira epidemia nos dias de hoje.Existe um tipo de estresse muito leve e que, em alguns casos, é positivo, pois tira aapatia do indivíduo, deixando-o mais alerta, potencializando seu desempenho. Mas,quando se trata do estresse negativo, ocorrem alterações indesejáveis nometabolismo e no comportamento da pessoa, podendo ter consequências perigosastanto para a vida pessoal quanto para a vida profissional.O estresse apresenta sintomas psicológicos e físicos.Veja os principais sintomas de cada fase:Em sua fase inicial destacamos:Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 11
  39. 39. - Insônia, falta de concentração, perda de memória, baixo desempenho profissional;- Alteração do apetite, do peso, para mais ou para menos;- Dores de estômago, problemas digestivos (náuseas, azias, gastrite);- Dores de cabeça, dores nas costas, tensões musculares, formigamentos;- Emoção exagerada, irritabilidade, alterações no humor;- Alergias, dificuldade de pele;- Alterações na pressão arterial, tonturas, mal-estar.Em fase avançada do estresse, os sintomas são caracterizados por um quadrosintomático mais grave, que poderá colocar a vida do indivíduo em risco:Hipertensão arterial;- Infarto do miocárdio;- Úlceras, vômitos, diarreia frequente;- Impotência;- Insônia constante;- Agressividade, apatia, depressão;- Impossibilidade de trabalhar.Dicas para combater o estressePrevenir-se, conscientizando-se e abandonando maus hábitos é o melhor remédiocontra o estresse. Identificar os próprios pontos vulneráveis que predispõem aoestresse, bem como reconhecer fatores estressantes no ambiente, é o primeiropasso. A segunda e decisiva etapa é realmente adotar um padrão de vida maissaudável.Conselhos úteis: - Organize sua vida, separando o essencial do que não é importante; - Selecione suas tarefas por prioridades e faça uma coisa de cada vez, mesmo as mais simples; - Não se sobrecarregue, aprenda a “passar a bola” de vez em quando; - Durante suas jornada de trabalho, faça pequenos intervalos para recuperar as energias;Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 12
  40. 40. - Reveja seus objetivos de vida e elimine o menos importante, vivendo o presente e planejando a longo prazo; - Seja generoso com você mesmo, parabenize-se diariamente pelas pequenas conquistas; - Procure estimular pensamentos positivos em relação aos acontecimentos do dia-a-dia; - Mantenha uma vida social regular, mantendo contato com os familiares e amigos; - Identifique os momentos de ansiedade e combata-os com relaxamentos ou atividades que distraiam ou que deem prazer; - Alimente-se bem e regularmente, não pule refeições; - Consuma bastante líquido durante o dia; - Reserve 50 minutos do seu dia para cuidar de si mesmo, do seu bem-estar, de sua saúde e físico. Nesse intervalo, pratique exercícios físicos pelo menos 3 (três) vezes por semana.Pense sobre o processo de estresse e como o policial rodoviário pode auxiliar naconscientização dos sintomas pelo usuário, seja no trabalho preventivo, seja naatuação ostensiva.Aula 2 – Trânsito como tema transversalAo iniciar esta aula, retome inicialmente o conceito de trânsito, conforme o CTB:Art. 1º§ 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais,isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada,estacionamento e operação de carga ou descarga.”Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 13
  41. 41. A palavra trânsito nos remete ao “inalienável direito de ir e vir” das pessoas. Osseres humanos se locomovem por diversas maneiras: automóveis, motos, bicicletas,ônibus, lotação, canoas, animais, a pé, dentre outras.Vasconcelos (1985), destaca a complexidade da sua dinâmica:“O trânsito é uma disputa pelo espaço físico, que reflete uma disputa pelo tempo epelo acesso aos equipamentos urbanos; é uma negociação permanente do espaço,coletiva e conflituosa.(…)O dono do veículo julga-se com muito mais direito à circulação do que os demaisparticipantes do trânsito, o que está ligado às características autoritárias da nossasociedade e a falta de conscientização sobre os direitos do cidadão, que faz com queos motoristas ocupem o espaço viário com violência. O pedestre, por sua vez, assumeo papel de cidadão de segunda classe, numa cidade que é cada vez mais o habitat doveículo e o anti-habitat do homem.”A complexidade das relações humanas gera conflitos individuais e coletivos notrânsito, cuja superação passa pelo respeito aos direitos e aos deveres. É nossaresponsabilidade transformar o trânsito em um bem social, resgatando seu realsignificado de convivência humana.Nesse cenário, a educação para o trânsito surge como elemento de transformaçãosocial, como sugere a Política Nacional de Trânsito (2004):“A educação para o trânsito ultrapassa a mera transmissão de informações. Temcomo foco o ser humano e trabalha a possibilidade de mudança de valores,comportamentos e atitudes. Não se limita a eventos esporádicos e não permite açõesdescoordenadas. Pressupõe um processo de aprendizagem continuada e deve utilizarmetodologias diversas para atingir diferentes faixas etárias e clientela diferenciada.”O trânsito não foi eleito pelo MEC como tema transversal.Porém, se quiserem, as escolas podem encaminhar sua prática educativa nessadireção.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 14
  42. 42. Para compreender melhor o conceito de tema transversal, leia o texto “TemaTransversal”.(Anexo)A partir de uma visão ampla é possível propor às escolas um trabalho detransversalização do tema. Entretanto, implementar o trânsito como tematransversal nas escolas é um grande desafio para os órgãos gestores de trânsito. Essetrabalho requer a elaboração de um projeto sério: objetivos bem definidos, recursoseducativos de qualidade, acompanhamento e avaliação permanentes, corpo técnicocapacitado.Outras ações também podem ser desenvolvidas com sucesso, como por exemplo:Encontros de professores: Seminários, oficinas, etc., que sensibilizem e incentivemos educadores para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao trânsito naescola;Espetáculos teatrais: Peças de teatro bem montadas, com textos adequados àsdiferentes faixas etárias, com espaço para debate ao final da peça;Sessões de vídeo: A produção de programas educativos, abordando valores, gerandodebates entre os alunos;Oficinas com os alunos: A apresentação de pesquisas e de outros trabalhosproduzidos pelos alunos; eEncontros com pais, alunos e comunidade: A promoção de eventos com o objetivode debater questões relacionadas ao trânsito.Sugestão!Caso haja interesse em um maior aprofundamento do tema transversalidade, faça ocurso a distância Formação de Formadores disponibilizado pela SENASP.Nenhuma ação educativa destinada às escolas deve ter como objetivo formarfuturos motoristas. Isso porque não existe lei alguma determinando que todas aspessoas devem ser motoristas. Além disso, mais do que ensinar às crianças a valorizarum bem material, o importante é despertar para tantos outros valores a seremaprendidos. A função da escola é analisar, refletir e debater sobre o respeito às leisde trânsito e ao espaço público; sobre a convivência entre as pessoas pelas ruasCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 15
  43. 43. da cidade, baseada na cooperação; sobre tolerância, igualdade de direitos,responsabilidade, solidariedade e tantos outros valores imprescindíveis para umtrânsito mais humano.Aula 3 – Recursos educativos, linguagem e comunicaçãoA importância do recurso humanoQuando o assunto é educação, é fundamental tratar especificamente do “recursohumano” envolvido com o trânsito. Os profissionais de educação para o trânsito,especialmente o policial educador, são peças fundamentais para o sucesso dequalquer iniciativa da Instituição para qual trabalham.Quando desenvolve suas atividades, o policial recebe pessoas em eventos, propõeações em diversas instituições e empresas, realiza orientações durante umaabordagem, enfim, nas mais variadas situações do contexto policial, o servidorrepresenta sua instituição. Ele é responsável pela construção de uma imagem entre oDPRF e os usuários das rodovias, por isso deve se preocupar com a forma de seapresentar, com o tom de voz empregado e com a devida urbanidade.A conduta do policial educador também é fundamental, tanto no ambiente detrabalho quanto no dia-a-dia, como uma pessoa comum. De nada adianta falar sobrecinto de segurança e não usá-lo ou fazer uma campanha de redução de velocidade edirigir sempre acima do limite. Dar o exemplo é imprescindível, é moral e conferecredibilidade.Como ensina Paulo Freire (2000):“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de talforma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”É necessário que o policial agregue em seu perfil ações educadoras, embasadas emtécnicas pedagógicas e dados reais que lhe permitam atuar com confiança ecompetência na propagação de medidas preventivas. Os projetos de educação para oCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 16
  44. 44. trânsito não devem transmitir apenas as normas, regras e preceitos legais. Devemcontemplar também aspectos éticos e de cidadania, ampliando o nível deconscientização dos diversos atores do trânsito, para que adotem atitudes prudentes,compatíveis com as necessidades de segurança de todos.ComunicaçãoObserve a propaganda abaixo:Quais foram os elementos utilizados pelo autor da mensagem para comunicá-la?Como você pode perceber, na mensagem transmitida na página anterior, não estácontida apenas no texto (comunicação verbal) ou na imagem (comunicação não-verbal). Mas sim, um conjunto de elementos que, em sintonia, possibilitam acomunicação entre quem a emite e quem a recebe. A comunicação verbal é a formade expressão por intermédio da palavra falada ou escrita. A comunicação não-verbalé estabelecida pelo uso de elementos sem a palavra, tais como: imagens, figuras,desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal, pintura, música, mímica,Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 17
  45. 45. escultura e gestos como meio de comunicação. A comunicação não-verbal tambémpode ser percebida nos animais: quando um cachorro balança a cauda quer dizer queestá feliz, quando coloca a cauda entre as pernas tem medo, tristeza.No trânsito há uso intenso de comunicação não-verbal.Exemplos de comunicação não-verbal no trânsito:Sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar aatenção ou exprimir uma mensagem.É importante que todos que participam do trânsito conheçam e utilizem essasimbologia.No processo de comunicação é utilizada a comunicação verbal e não-verbal de formacombinada, como no exemplo da propaganda, ou mesmo na forma que você seexpressa (você fala e gesticula ao mesmo tempo), isso fortalece o conteúdo damensagem que deseja transmitir e amplia a possibilidade de compreensão. Lembre-se de que uma forma de comunicação que apresente elementos verbais e não-verbaispossibilitará uma comunicação rica, variada e significativa.Apresentação de palestrasPostura, apresentação e domínioComo você já estudou, o policial representa a instituição e por isso deve primar pelaapresentação individual. Além da necessidade de autorização da chefia para arealização de palestras, elas só deverão ocorrer com o policial devidamenteuniformizado.Frequentemente, os policiais, a trabalho ou não, são questionados sobre legislaçãode trânsito. As palestras são ocasiões em que os usuários se sentem mais confortáveisem fazer determinadas perguntas sobre trânsito, assim, dominar o assunto do qual sepretende falar e estar atualizado com a legislação, são premissas básicas. Sem isso,por mais que uma pessoa detenha todas as técnicas pedagógicas, fatalmente perderáa atenção do público.O domínio do conteúdo resulta em uma postura segura doCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 18
  46. 46. policial. Dar uma palestra torcendo para que não surjam indagações é o primeiroindicativo que você precisa se aprofundar mais em um assunto.Cada palavra deve ser facilmente entendida e, para isso, empregar um tom de vozadequado é imprescindível. Falar baixo demais, sussurrar ou gritar pode ser umrecurso interessante para uso eventual numa palestra, mas jamais usualmenteaplicado. O microfone pode ser um aliado ou um vilão, é preciso dosar o volume e adistância entre o microfone e a boca.É prudente evitar certos vícios de linguagem e posturas, como usarconstantemente as expressões “né", “ãhhh” e “então”, além de passar na frenteda projeção, sentar-se/escorar-se em mesas ou colocar a mão na parede querecebe a projeção para indicar algum conteúdo. O palestrante policial não deveutilizar a posição de entrevista durante a palestra, visto que o público desconheceseu fundamento. Ela pode originar gracejos e interpretações errôneas. Mesmo que aparticipação na palestra esteja concentrada em algum ponto, o palestrante deveevitar direcionar o olhar para apenas um ouvinte ou “grupinho”. Nunca isole seupúblico. Movimentar-se lentamente enquanto fala, indo a todos os lados doambiente é uma forma interessante de manter a atenção de todos.Ao fazer perguntas, evite direcioná-las especificamente a um indivíduo. Emboraalguns digam que é uma forma de retomar a atenção daquela pessoa, ela podesentir-se constrangida se não souber a resposta ou se estiver “voando” no assunto.Faça a pergunta ao público e pergunte quem pode respondê-la (trabalhe comvoluntários). Se o assunto corrupção for mencionado, procure informar sobre otrabalho que a instituição está realizando no sentido de “limpar a casa” ecomente que essa mancha não é exclusividade da Polícia Rodoviária Federal. Falesobre a Corregedoria Participativa e destaque a existência em cada regional dascorregedorias e das comissões de ética, orientando a todos que esses setoresestão sempre à disposição da sociedade.A apresentação pessoal do policial em palestras, seja para crianças ou adultos, emcolégios ou empresas, deve primar pela doutrina utilizada na postura policial voltadaao atendimento do cidadão. Em palestras, o policial deve sempre portar oequipamento que utiliza rotineiramente, lembrando que a arma é parte integrantedo uniforme. Nas exposições para crianças, deve-se ter em mente que a utilização deCapacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 19
  47. 47. elementos dispersores da atenção, como colete, lanterna, brevês, algema, bastão,faca e muitos carregadores, irá desviar a atenção do conteúdo a ser transmitido,transformando o policial educador e cidadão no policial “super-herói caçador debandidos”, o que não estaria condizente com a atual imagem que a sociedadeprocura na polícia, a imagem de “segurança do público”. Caso num ambiente escolaro policial seja questionado quanto ao uso da arma no interior de colégios, deve-sepassar a sensação de segurança aos questionadores, lembrando de que a instituiçãopolicial representa a proteção aos cidadãos e não ameaça. O porte da sua arma éautorizado somente a você, não podendo ser entregue a outrem, nem para guardatemporária. Previna os acidentes: mantenha seu equipamento pessoal sob totaldomínio em locais com muitas crianças, pois o descuido associado à curiosidadeinfantil pode ser fatal.Linguagem adequada ao público-alvoA linguagem sempre deve ser adequada ao público a que está se dirigindo. Oemprego de uma linguagem simples demais ou excessivamente rebuscada, ou comtermos técnicos mal empregados ou, ainda, em volume inadequado, cria desinteresseno público, para não dizer pânico.Não é a vastidão do vocabulário que determina o bom palestrante, mas suacapacidade de ser entendido pelo público-alvo do evento.Como você já estudou é importantíssimo caracterizar o público-alvo da ação. Alémdo tipo de linguagem a ser utilizada, ele poderá determinar quais temas, recursos aserem utilizados e a logística necessária. A proposta de um trabalho educativo a serrealizado com crianças portadoras de deficiência auditiva, por exemplo, exige umaadequação técnica de equipe especializada composta de intérprete, recursoseducativos e materiais voltados para a comunicação não-verbal. Esse trabalho éperfeitamente possível e já foi realizado pelo DPRF.Recentemente, foi promovido, por iniciativa do Ministério da Justiça, um curso deLibras que contou com a participação de alguns policiais rodoviários federais. Oobjetivo da participação da PRF no referido curso é o de inclusão dessa clientela notrabalho de educação para o trânsito.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 20
  48. 48. Dimensionamento do tempoToda palestra deve ser elaborada com uma duração prevista. Com o tempo, umpalestrante experiente saberá dar uma “corridinha” com o conteúdo sem trazerprejuízos ao aprendizado ou, ainda, intercalar comentários e questionamentosoportunos a fim de “esticar” um pouco mais sua apresentação. Atrasos ou excessosna duração da palestra podem ser entendidos como presunção, descaso, esnobismoou irresponsabilidade.Os materiais de apoio, como, por exemplo, músicas e vídeos, devem ser empregadoscom equilíbrio, não devem ser exagerados, de forma a esgotar o tempo sem atingirplenamente o conteúdo planejado para aquela atividade, nem poucos a ponto de opalestrante precisar unicamente da participação dos presentes ou de seu talentopara manter a atenção no assunto.Uma boa dica é respeitar o horário de início e elaborar palestras com muitosvídeos incorporados ou “linkados”, não havendo a obrigatoriedade de empregartodos. A opção do palestrante em usá-los dependerá do tempo disponível.Dispor de um espaço para debater ou esclarecer dúvidas ao final de sua palestraproduzirá maior interação e, consequentemente, maior eficiência naquilo que foiproposto. Se o número de questionamentos for grande demais e você tiver algumcompromisso em seguida, crie algum mecanismo, como dar seu e-mail para posterioratendimento, ou ficar além do tempo, no final, com aquelas pessoas interessadas.Evite que o público saia com a sensação de não ser atendido. Caso possa ficar paradirimir as dúvidas, primeiramente agradeça e encerre sua exposição. Permita quepermaneça no local somente com os interessados, liberando aqueles que nãodesejam ou não podem mais ali permanecer.Utilização de materiais de apoioOs materiais de apoio são muito úteis para uma palestra, porém, o recurso humanoé, sem sombra de dúvida, o principal agente de transmissão das informações. Hápalestrantes no mundo inteiro que são capazes de manter a atenção da plateia e“passar o seu recado” sem usar essas ferramentas. Contudo, é preciso considerar quea sociedade moderna se encontra imersa em imagens, sons,informações e tecnologia.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 21
  49. 49. De acordo com os princípios da Andragogia, o ser humano retém 10% do que lê, 20%do que escuta, 30% do que vê, 50% do que vê e escuta e 80% do que vê, ouve e logopratica.Observe a tabela: Método de ensino Dados retidos após 3 Dados retidos após horas 3 (três) dias Somente oral 70% 10% Somente visual 72% 20% Oral e visual (simultaneamente) 85% 65% Fonte: Oficina de Estudos na Sociedade Norte Americana Socondy Vacuum Oil Co. Studies (1971)Os recursos audiovisuais (que conjugam audição e visão) são os mais eficazes paraa aprendizagem. Utilizar recursos como o datashow, teatro, músicas e fantochessignifica seguir uma tendência mundial para garantir maior absorção do conteúdo.A escolha correta dos materiais de apoio depende de critérios, devendo opalestrante: Optar pelo recurso audiovisual de acordo com o objetivo que deseja atingir; Avaliar quais assuntos necessitam de melhor compreensão/fixação; Optar por um recurso que conheça totalmente o seu manuseio, as vantagens e as desvantagens; Considerar o horário para o uso dos recursos. Após o almoço, por exemplo, vídeos longos tendem a causar sonolência e diminuição do grau de interesse.Quadro-de-gizEmpregado em conjunto com giz branco ou colorido, é o recurso didático maissimples. Com baixo custo, serve como recurso auxiliar para qualquer tipo de assunto,sendo ideal para explicações rápidas, resumos ou recapitulação de ideias. Usadocomo base para diversos recursos audiovisuais.Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 22

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