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Lugares e nao_lugares_em_marc_auge_-_teresa_sa

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Texto de Tereza Sá sobre os conceitos de lugar e não-lugar do Autor Marc Augé.

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  1. 1. ART TEXTOS03. DEZEMBRO 06 179 lugares e Não-lugares em More Augé Teresa Sá Sociólogo, Assistente convidado do F.A.U.T.L. teresoso@fo. utl .pt Resumo Este artigo pretende mostrar o importância dos conceitos lugares e não-lugares, poro o compreensão do cidade/sociedade contemporâneo. Tem como temo principal o análise dos diversos abordagens que More Augé foz dos termos ao longo do suo obro. No final , apresento-se uma leitura possível dos lugares-não-lugares, considerando-os ideal-tipos no sentido weberiono, ou seja, enquanto instrumentos de análise poro o compreensão do diferença e do mudança no sociedade contemporâneo. Palavras-chave: Lugares, não-lugares, modernidade, sobremodemidode. Introdução Quando o conceito de "paradigma" se tomou objecto dos atenções do comunidade científico com Thomos Khun, lembro-me de ter lido num texto de Eduardo Prado Coelho, que esta noção de "paradigma" era extremamente interessante devido à suo ombiguidode. Éo que se posso em relação à noção de não-lugares. Como diz MAl em Le sens des outres, "afirmar que alguém ou alguma coisa não é nem boa nem má, ou que uma proposição não é verdadeiro nem falso , é partir do terreno do ombiguidode. Implico postular o necessidade de um terceiro termo: sugerir por exemplo que Ulisses não amo nem o guerra nem o suo mulher, mas o viagem que lhe permite passar de uma o outro". Talvez seja por isso que MA vai ao longo do suo obro repensar esta dicotomia, como que procurando um terceiro elemento que dê conto e razão do relação entre o espaço e o sociedade no octuolidode. Poro além do suo ombiguidode, estes conceitos significam algo sobre o qual nós à partido já sabemos qua lquer coisa - eles têm o ver com o realidade que nos rodeia, com o espaço construído, com o relação dos pessoas nele: é por isso que1 More Augé (MA) conseguimos perceber o seu sentido, o suo definição.
  2. 2. Lugares e Não-Lugares em More Augé180 Os não-lugares ao longo da obra de More Augé MA escreve em 1994 o livro Não-/ugores2 , onde apresento este conceito, que vai (des)construindo e (re)construindo oo longo do suo obro. Vamos, neste artigo, percorrer os vários formos e os novos questões que o autor coloco ao longo do tempo, procurando relacionar o seu pensamento com o de outros autores que directo ou indirectomente pensam e discutem esta ideio de não-lugares. Comecemos então pelo primeiro definição o partir do livro referido. Os não-lugares aparecem como o oposto, o inverso, dos lugares antropológicos. Estes correspondem o uma relação forte entre o espaço e o social, que caracterizo os sociedades arcaicos, e são portadores de três dimensões: são identitários, históricos e relocionois. Estes lugares acompanham o modernidade, mos com os recentes transformações do sociedade eles vão-se perdendo, desaparecendo, e sendo substituídos por outros o que MA vai chamar não-lugares. Poro os definir, o autor vai analisar os principais transformações que se verificaram nos sociedades ocidentais criando um novo conceito, o de sobremodemidade, que será caracterizado por três excessos: excesso de tempo, de espaço, e do figuro do indivíduo. Estamos numa sociedade do velocida de e do consumo, que se materializo no espaço através dos auto-estrados, grandes supermercados, centros comerciais, aeroportos, etc. São estes os não-lugares, que correspondem o um espaço físico, mos também à formo como os odores sociais aí se relacionam, correspondem o uma lógico funcional cujo preocupação é tornar cada vez. mais rápido o movimentaçã o no sociedade e o satisfação dos necessidades. O que acontece, é que no sobremodemidode os vivências pressupõem uma relação meio/fim, pressupõem o consecução de objectivos, ideio que se conjugo perfeitamente com o «ocção-rocionol em relação o um objectivo» weberiono, onde 11 11 11 o que está em causo não é o espaço "entre , mos o fim o atingir. Esta formo de viver implico que o presente apenas tenho sentido por ser pensado em relação o um objectivo futuro que se quer atingir. Kundero, Num dos seus romances, A Imortalidade (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 5° ed., 2004), exprime muito bem esta ideio quando distingue o "estrado" (não-lugar) em oposição ao "cominho" (lugar): "A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mos também por ser uma simples linho ligando um ponto o outro. A estrado não tem em si próprio quo/quer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é umo homenagem oo espaço. Codo trecho do cominho é em si próprio dotado de um sentido e convido-nos o uma pouso. A estrada é uma desvalorização triunfo/ do espaço, que ho;e ió não posso de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo(... ) E também o suo vida, ele ió não o vê como um caminho, mos como uma estrada: como umo linha conduzindo 2 I.Jvro publicado em Fronc;o em de uma etapa à seguinte, do posto de capitão oo posto de general, do estatuto de 1992, troduvdo poro português em esposo ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se o um simples obstáculo, 1994 pelo Bertrond, e octuolmente com umo novo edoçõo do edotoro 11 que é preciso ultrapassar o uma velocidade sempre crescenfe • 90".
  3. 3. ARTTEXTOS03. DEZEMBRO 06 181 Logo no início do apresentação destes dois elementos inseparáveis (não podemos pensar o não-lugar sem o ideio de lugar), o autor vai-nos mostrando o ombiguidode e o complexidade de ambos: "o estatuto inteleduol do lugar antropológico é ambíguo. Não é senão o ideio, parcialmente materializado, que aqueles que o habitam fazem do suo relação com o território, com os que lhes são próximos e com os outros." (2005, 49) Oro, esta ideio vario com o lugar e com o ponto de visto de cada um. Posso-se exodomente o mesmo com os não-lugares, onde temos, por um lado, o espaço construído para diversos fins: transporte, trânsito, comércio, lazer), e por outro, o relação que os indivíduos estabelecem com esses espaços. Esta questão que passo pelo diferença entre o espaço físico e as relações que os adores sociais aí estabelecem, será retomada, por More Augé, em todas as obras posteriores. Mas, para além destes aspedos subjedivos e imprevistos resultantes da produção do espaço, que aparecem também muito explicitamente tratados no pensamento de Michel de Certeou, o que se posso é que, tal como os lugares antropológicos são produtores de um conjunto de relações sociais, os não-lugares criam ao nível das relações sociais uma "contratualidade solitária"3 . Estes novos espaços caraderísticos do sobremodemidade impõem aos indivíduos experiências e provas de solidão muito novas. O que liga os indivíduos aos espaços dos não-lugares são as palavras, as imagens, a publicidade, que cria "novos mundos" ou "outros mundos" . MA diz que se "verifica uma evasão do espaço através do texto" , na qual o que prevalece é o texto, a informação, a publicidade, significando que o nosso quotidiano passa cada vez mais por odes mecânicos, pré-determinados, através de uma "representação" igual para todos. O autor exemplifico dizendo-nos o que se passa quando chegamos a um grande supermercado: "as grandes superfícies nas quais o cliente circula silenciosamente, consulta as etiquetas, pesa os legumes ou a fruta numa máquina que lhe indica, juntamente com o seu peso, o seu preço, depois estende o cartão de créd ito a uma mulher jovem também ela silenciosa, ou pouco faladora, que submete cada artigo ao reg isto de uma máquina descodificadora, antes de verificar o bom funcionamento do cartão de crédito." (2005, 84) Étambém no prólogo ao mesmo livro que MA nos conto a viagem de trabalho de Pierre Dupont, narrando todos os gestos que acompanharam Dupont desde que saiu de coso até o avião ter descolado (entrar no automóvel, levantar dinheiro no multibanco, o trajedo e o pagamento do portagem com o cartão de crédito, o chec in, passar pelo dutuy-free shop, ver as montras luxuosas e parar na livraria, o embarque, a leitura dos jamais e revistos, o avião descolar e a inscrição "feosten seot belt" que se apago- nessa altura Dupont coloca os auscultadores e ouve o Concerto n° 1 em dó maior de Joseph Hoyden, "estaria enfim só"). Quer no "ida o o supermercado", quer " no viagem de a vião" estamos sempre sós sem disso termos consciência, porque há um conjunto de odes mecânicos 3 Podemos fazer uma anolog•a entre a div1sõa da trobalha social e que "temos que cumprir" e há um conjunto de pessoas que nos rodeiam. Essesa 1 deia de solidanedade mecânica e orgân.ca em Durkheim. odes põ em-nos em contado com os outros, sem de fado estarmos com ninguém.
  4. 4. Lugares e Não-Lugares em More Augé182 Ag imos todos do mesma maneira•, somos todos igualmente <<Solitários)), sem nu nca estarmos sós: "O espaço do sobremodemidode, esse, é trabalhado pelo seguinte contradição: só conhece indivíduos (clientes, passageiros, utentes, ouvintes), mas estes não são identificados, socializados e localizados (nome, profissão, local de nascimento, local de residência) senão à entrado e à saído." (2005, 93) Em Pour une anthropologie des mondes contemporoins, /l/IA refere três aspectos que têm vindo o ser (re)pensodos pelos ciências sociais e que permitem ir conhecendo o sentido do contemporoneidode: o indivíduo, os fenómenos religiosos e o espaço urbano. É ao analisar o cidade que o autor vai retomar os noções de lugar/ não-lugar. Essa análise assento agora em três dimensões: o simbolizoção do espaço, o definição de não-lugar, e os "ameaças" que tonto o "lugar" como o "não-lugar" representam poro o indivíduo contemporâneo. A simbolizoção do espaço é um dos temos fundamentais do antropologia, onde o espaço é sempre investido por grupos humanos, é sempre um espaço simbolizado, " Esta simboliz.oção, que existe em todos os sociedades humanos, permite tomar legível a todos aqueles que frequentam um mesmo espaço um certo número de esquemas organizadores, de marcos ideológicos e intelectuais que ordenam o social. Estes três temos principais são o identidade, o relação e, precisamente o história." (1994 , 14). Oro, é o partir destes três elementos que /l/IA vai definir o lugar antropológico. Este é triplamente simbólico, porque simbolizo o relação de cada um dos seus ocupantes consigo próprio (identidade), com os outros ocupantes (relacionei) e com o história comum (1994, 156). O não-lugar coroderizo-se exodomente pelo ausência destes símbolos, visto que é o negação do lugar. Em re lação à definição do não-lugar, fAA. mostro os diversos sentidos que aquele pode ter, ao coroderizó-lo como um espaço empírico, que corresponde o zonas de circulação (auto-estrados, vias aéreos ... ); de consumo (grandes superfícies, grandes cadeias de hotéis... ); de com unicação (telefones, fax, televisão) . Ou seja, o não -lugar remete poro " espaços onde coexisti mos ou coabitamos sem vivermos juntos, onde o estatuto de consumidor ou de passageiro solitário posso por uma relação contratua l com a sociedade. Estes não-lugares empíricos (e os atitudes de espírito, os relações com o mundo que suscitam) são coroderísticos do estado de sobremodernidode definido por oposição à modernidade." (1994 , 157); Nos termos do representação que os indivíduos fazem desse espaço, o autor dó o exemplo do aeroporto que não tem o mesmo estatuto poro o passageiro que o atravesso, ou poro quem lá trabalho todos os dias. 4 Augé refere como exemplo o Poro lá deste desdobramento dos não-lugares em qualquer coisa de objedivo : noção de llomem médio de Mareei Mouss. o auto-estrada, e qualquer coisa de profundamente subjedivo: o vivência dos 5 Este temo é posteriormenle pessoas nesses sítios5 - o autor termino o livro chamando o atenção poro o aprofundado em Le temps en ruines, (2003). Num outro orttgo ameaço inerente aos lugares, que não permitem, por exemplo, uma vi da urbano procuraremos onoltsor mots coroderiz.ado pelo possibilidade do anonimato (o posseonte de Certeau pressupõe concretamente os relações entre o sociedade, os não-lugares, os o liberdade de não ser reconhecido) ; e o ameaço que ronda com os não-lugares, pr61icos soctots e o orqurleduro.
  5. 5. ARrTEXTOS03. DEZEMBRO 06 183 que permitem exoctomente o contrário, o excesso de uma liberdade tomado vazio ou insignificante, que pode desencadear o loucura do solidão. É o partir destes "perigos" que MA vai pensar o cidade hoje, chamando o atenção poro o risco da uniformidode6 . A uniformidade enquadro-se no noção de não- lugar. Tem o ver com o construção em qualquer porte do mundo de espaços semelhantes e despersonalizados: aeroportos, grandes cadeias de hotéis, grandes supermercados, grandes centros comerciais, são espaços onde o estrangeiro não se sente deslocado, exoctomente porque os reconhece, porque o espaço lhe é familiar. São espaços onde não se está em coso, nem num local estranho, nem com os outros. A ideio do estrongeiro 7 é repetidamente lembrado por Augé e significo exoctomente o impossibilidade de se reconhecer totalmente no outro, porque entre os dois, há uma diferença intransponível. Quando todo o espaço se assemelha, somos de certo modo todos estrangeiros porque já nado nos identifico. A uniform idade do cidade verifico-se também nos espaços construídos à volto dos pequenos cidades: os zonas industriais e comerciais correspondem o grandes superfícies e parques de estacionamento, que marcam o paisagem de uma grande monotonia, transformando-o num território que não é nem rural nem urbano8 (199 4, 165). Em Les sens des outres, MA comparará os novos formos do espaço com o dissolução dos laços sociais. Os não-lugares enquanto materialização do dissolução dos laços sociais aparecem relacionados com duas imagens: o sociedade enquanto espectáculo e o surgimento dos espaços residuais. A primeiro imagem corresponde o um temo trabalhado por uma série de pensadores e cientistas sociais (Lefebvre, Debord, Boudrillord, Certeou entre outros), que MA vai fazer corresponder o um espaço: "O não-lugar, é o espaço dos outros sem o presença dos outros, o espaço constituído em espectáculo, o próprio espectóculo tomado nos palavras e nos estereótipos que o comentam em avanço no linguagem próprio do folclore, do pitoresco ou do erudição." (1994°, 167). A «sociedade espectáculo» é representado poro MA através do metáfora do viagem, que combino o movimento com o olhar, que mantém uma relação obstrocto com o outro, no6 Roymond ledrvt voi referir também essa homogeneizoçõo do cidade medido em que o outro foz porte do espectáculo, do representação, que está o ser defendendo que o produção do alojamento, dos carros, auto- observado. Esta posição em espectáculo pode dor-se no sentido estrito (quando estrados, tendem o ser muito semelhantes. Vemos surgir cada vez olhamos os monumentos iluminados, ... ); no sentido mediático (através de todos os mais o mundo do onommoto e do mensagens e imagens do televisão, rádio, publicidade, ... ); através do distância (os 1mpessool. respondedores, os ecrãs e monitores, ... ). Todos estes mecanismos são dispositivos 7 Encontramos esta temático do • estronge~ra• no texto clóssiCo de que não permitem o diálogo ou o encontro entre os indivíduos. S1mmel, O Estrangeiro. B lembremos oqu1 o noção de A segundo imagem tem o ver com o situação em que os indivíduos "perdem" o seu po1sogem de George S1mmel em •pnilosophie du Poysoge• lugar no espaço e no sociedode9• Ao contrário do metáfora da viagem, onde cada 9 Numa abordagem diferente, um se torno "observador do outro", mos mantém o seu lugar social, aqui cada um, podemos evocar aqui Vincent deixo de pertencer o um espaço físico e o um espaço social. Troto-se dos campos Goulejoc e o seu livro lo Lutte des ploces. de refugiados, dos campos de trânsito, onde se encontram os sem-obrigo, os
  6. 6. Lugares e Não-Lugares em More Augé184 desempregados, os refugiados das guerras, etc. São os campos onde se instalam os abandonados do planeta, os que não têm lugar. MA diz que todas estas situações, embora sejam muito diferentes, correspondem à perda de um lugar social e de um lugar geográfico. (1994°, 169) No final do texto, o autor volta a chamar-nos a atenção para o facto de os noções de lugar e não-lugar serem evidentemente noções limites. Há não-lugares em todos os lugares e em todos os não-lugares os lugares podem recompor-se: "lugares e não-lugares correspondem a espaços muito concretos mas também a atitudes, a posturas, à relação que os indivíduos mantêm com os espaços onde vivem ou que eles percorrem. (1994°, 167) Em Fidions fin de siede, Augé vai analisar o relação entre o local/nacional/ internacional através dos não-lugares. Estes são exemplares em termos de informação, ou seja é possível aí saber o que acontece ao nível local, nacional e internacional. Essa é exactamente uma das características dos não-lugares, que tem o ver com o super-abundância de imagens 10 : "O local adquire valor de ilustração, de citação. Assim cobrimos de ardósia os albergues e boutiques dos estações de serviços das auto-estradas do Oeste de França, paro mostrar o seu corácter bretão, enquanto no Provenço é o telha que é utilizado. Da orquitectura antigo extraem-se signos que funcionam como painéis indicadores. Poro que ninguém se engane, poro que saibamos onde estamos e saibamos ver (ao passar) o que há poro ver, os inscrições (... ) precisam: «Paisagens de Cézonne)) ou Nignoble du BeaujolaiS>>." (2000, 161 ). Podemos ver que o lugar está "sobre-exposto" nos não-lugore. , estamos num s mundo carregado de imagens e de informações. Este fenómeno tem como resultado (des)realizar o mundo exterior (que se tomo cada vez mais próximo das imagens que nos apresentam), e de certo modo substituí-lo pelos imagens a ele associadas. Numa última abordagem deste livro, em relação aos não-lugares, MA ao considerá-los os espaços da sobremodemidode, considero-os também como os grandes espaços do Design, definindo-os como plurifuncionois: os grandes aeroportos são também hipermercados; os hipermercados contêm agências de viagem; o avião também é uma solo de espectáculos onde possam os filmes e os discos mais recentes; os automóveis também se transformam em solos de concerto privados (163). Esta situação causo problemas ao designer que dificilmente consegue "exprimir ao mesmo tempo o liberdade e o identidade, o multiplicidade dos possíveis e o necessidade de existir" (2000, 164). Em Pour quoi vivons-nous? O autor volto a analisar estes conceitos a partir do simbolizoção do espaço. Sustenta mais uma vez que não há espaços inocentes, ou seja, que não há espaços desconectados do social, e que o espaço é sempre muito mais constrangedor do que parece à primeira vista. Esta ideio é relativamente fácil de aceitar num etnólogo, que estudo as sociedades arcaicas. No estudo que 1O Este temo é d1scuttdo no Guerra MA realizou nos aldeias marítimas dos Alladien da Costa do Marfim, refere que dos Sonhos, concretamente no capítulo "Alertai•, que vamos referir os relações entre filiação, aliança e residência são facilmente legíveis no espaço, posteriormente.
  7. 7. ART TEXTOS03. DEZEMBRO 06 185 "De facto, a situação de cada um no espaço da aldeia indicava teoricamente toda a sua situação social" (2003, 45). A forma como fvtA. vai procurar compreender a "urbanização do mundo" tem a ver com esse pressuposto da inexistência de espaços desconectados do social. Posição que se aproxima da de Lefebvre, quando este autor discute a concepção do espaço que parte da semiologia, ao dizer que o que se passa em relação ao espaço é a existência de uma proibição que não é a mesma coisa que um signo: "O que se passa é que o espaço ordena porque implica uma ordem, e portanto uma desordem. O espaço comanda os corpos: prescreve os gestos, os trajedos, os percursos ... trata -se de uma obediência cega, espontânea, vivida." (167/168). Segundo IVIA, a teoria do espaço é totalizadora (porque não há espaço neutro), mas parcial (porque só funciona em relação com as outras teorias: a da pessoo, do acontecimento e da mediação) (2003, 55). O autor retoma as duas classificações de lugar/não-lugar o partir do formo construída (que permite classificar os espaços físicos em duas categorias), e da forma vivida, onde o que está em causa é a forma como os indivíduos os vivem segundo um conjunto de práticas sociais - nesta situação são as práticas sociais que permitem classificá-lo como lugar ou não-lugar. O que More Augé quer acentuar agora, é que para lá das vivências que possam ocorrer no espaço e que contêm sempre uma certa imprevisibilidade, o espaço contém em si um poder coercivo muito forte. Isto significa que os não-lugares, que caracterizam a sobremodernidade e que estão diredamente relacionados com as dimensões da circulação, consumo e comunicação (em contraste com as dimensões identitárias, históricas e relacionais que caracterizam os lugares), vão "obrigar" a determinadas práticas sociais que surgem como "independentes da nossa vontade": "Mas na medida em que o não-lugar é o negativo do lugar, podemos admitir que o desenvolvimento dos espaços de circulação, da comunicação e do consumo são um traço empírico pertinente da nossa contemporaneidade, e que esses espaços são menos simbólicos que codificados, qualquer sinalético é um conjunto de mensagens específicas (através de monitores, de vozes sintéticas) que aí asseguram a circulação dos passagens e dos passageiros." (2003, 138). fvtA. vai analisar uma noção fundamental para o pensamento do cidade, o espaço público 11 , comparando-o com o Não-lugar12 • O que se passa é que ambos os conceitos se misturam com os seus opostos (espaço privado e lugar), consoante o nossa análise assento num espaço geográfico ou num espaço de relações. Um grande centro comercial enquanto espaço é, em princípio, um não-lugar, mas11 Sobre o noção de espaço público não queno deixar de chamar o aí pode surgir um espaço de relações que correspondo ao lugar; assim como olençõo poro o excelente capitulo o espaço da família, a casa, pode também corresponder a um espaço público, ·Condição público e social do cidade• do livro de Vftor Motoos quando se torna um espaço de formação da opinião pública. Ferreiro, Fosdnoo do Ctdode. 12 Segundo MA, não se pode fazerum paralelo enlre o espoço-públoco/ O autor procura clarificar os conceitos apresentando uma definição mais espaço provado e o lugor/ nõo-lugor porque o espaço público tem uma rigorosa: vai distinguir entre «espaço público», que corresponde à prática de um definição positivo e o nõo-lugor debate público, e pode ter formas diversas e até não empiricamente espaciais nõo. É o portar do lugar que se crio o nõo-lugor. (por exemplo: a televisão); e «espaços do público», onde efectivomente os adores
  8. 8. Lugares e Não-Lugares em More Augé186 sociais se cruzam, se encontram, eventualmente debatem, e que pressupõe a existência de um suporte físico. Disti ngue também entre «espaço privado>>, que corresponde aos assuntos privados, e «espaço do privado», no sentido estritamente espacial da residência privada (140). Em relação ao espaço-público a distinção que MA faz permite separar os locais onde a informação corre mas não se verificam interacções entre os indivíduos, que correspondem exadamente aos não-lugares; e os locais onde é através do processo relacionei entre os i ndivíduos, que se constrói o espaço público, "A oposição mais explícita será então entre a ógora, enquanto espaço público e espaço do público, e a autoestrada ou o supermercado enquanto não-lugares materializados de errôncia si ngular e consumiste." (2003, 141 ). A posição de MA é que não é possível encontrar nos «não-lugares» um «espaço do público», porque eles pressupõem uma ausência do i ndivíduo ao nível da decisão. A televisão não pode corresponder à nova ógora , porque nela a opinião pública não nasce da discussão mas sim da informação. O público frente ao ecrã, corresponde à ideia de público enquanto assistência passiva de alguma coisa. Do mesmo modo, MA chamará «lugar objedivo» ao espaço onde se inscrevem as marcas objedivas da identidade, da relação e da história (monumentos, igrejas, lugares públicos, escolas, etc.); e «lugar simbólico» ao espaço definido pelos modos de relação com os outros que neles prevalecem (residência, trocas, linguagem); «não-lugares objedivos» aos espaços de circulação, de comunicação e de consumo, e «não-lugares subjedivos» aos espaços definidos pelos modos de relação com o exterior predominantes: passagens, mensagens, cartazes, códigos. (141 ) Nestas definições de lugar e não -lugar aparece claramente a diferença e ao mesmo tempo a relação, entre a materialização do próprio espaço (o espaço construído) e as práticas sociais que aí se estabelecem (o espaço vivido). Uma leitura possível Podemos considerar estes conceitos enquanto ide al-tipos 13 no sentido weberiano, ou seja como instrumentos de análise para a compreensão da diferença e da mudança na sociedade contemporânea. 13 O conceoto de ideal tipo não corresponde aos coroderes apresentados por todos os ondivíduos Enquanto ideal-tipos, nem os lugares nem os não-lugares existem na real idade onduidos no extensão do conceoto, correspondendo apenas a formas "típicas" dessa mesma rea lidade. Isto significa nem pelos coroderes médios dos ondovíduos consoderodos, mos som que podemos encontrar na sociedade espaços que se aproximam/ afastam dos troto-se de procurar o típico, o essencool que coroderizo esse grupo lugares-não-lugares 1 ~, mas nunca um espaço empírico com as características de de indovíduos (Aron, 496). lugar ou de não -lugar. 14 Nesta perspectiva, a criloco de Connen Bolloni (in. Ferreiro) que defende que é dolicil aceitar que os Em relação ao estudo da "diferença", problemática antropológica por excelência, não-lugares não retenham nenhuma porte importante do experiêncoo Augé num pequeno texto, Alerta/ 15 chama -nos a atenção sob a forma de uma socool deixoró de lazer sentodo.
  9. 9. ARTTEXTOS03. DEZEMBRO 06 187 parábola para o que se está a passar hoje na sociedade, sem que disso tenhamos a maior parte das vezes consciência. O autor começa por nos contar uma série americana, Les Envahisseurs (os Invasores) dos anos da guerra fria, de grande sucesso. Tratava-se de invasores cujo objedivo era conquistar o nosso planeta, substituindo-se aos habitantes humanos que faziam desaparecer. Os invasores pareciam-se em tudo connosco, apresentando apenas uma pequena diferença muito difícil de detedar: o dedo mais pequeno da mão esquerda era muito rígido. Havia um herói, David Vincent, que conhecia o seu segredo e cujo objedivo era exadamente destruir esses invasores. A tarefa era difícil, porque por um lado, era muito complicado convencer os humanos que os outros não eram humanos, e por outro lado, por vezes o herói tinha dúvidas, em distinguir quem era invasor ou quem era humano. A história funciona como uma metáfora da invasão das imagens, essa sim, caraderística da sociedade oduol, começando nós "a sentir os efeitos sem entendermos muito bem as causas" (1998, ?). Os não-lugares que permitem o "excesso de tempo", o "excesso de espaço" e o "excesso de indivíduo" vão criando novas formas de interacção social e originando novos "modos de vida". 11 Sobre a "mudança , problemática sociológica por excelência, Augé procura perceber como muda a cidade/sociedade, tendo como objedo central a transformação do espaço, a sua percepção e a memória que guardamos desse espaço 16 • Em Le temps en ruines, ao falar de Paris, e da sua memória da cidade, o autor evoca a cidade dos tempos da sua infôncia 17 , referindo-se a uma zona "que desenha o quadrilátero aproximativo no interior do qual me tomei parisiense e fora do qual me sinto sempre um pouco estrangeiro; não exilado (a palavra seria abusiva), mas em visita, em viagem, na expedativa de um regresso a não sei lá muito bem que origem" (2003°, 121). Quando MA observa a construção dos novos edifícios ou novos bairros em Paris, mantém de certo modo uma atitude expedante, afirmando que ajuizar dessas novas construções é difícil: são 15 In. A guerro dos sonhos. "os caminhantes de amanhã que poderão dizer se Paris continua a ser Paris ao 16 Em relação à mem6no, transformar-se." (2003°, 127).Holbwochs refere que cada mem6no ondividuol é um ponto de vosto do Nesta citação percebemos o entrelaçar entre o espaço construído e o espaço vivido.memóno colectivo, e que o sucessão de recordações, mesmo os mais E este parece-me ser um dos pontos fundamentais do pensamento de More Augé. pessoais, se explico sempre pelos mudanças dos relações com os O que está em causa não é uma relação dicotómica entre lugares/não-lugares, doversos meios colectovos. criticada aliás por Metias Ferreira 18, mas antes a tentativa de analisar a relação que 17 Estamos o falar do Poris dos se estabelece entre o <<espaço construído» e o «espaço vivido». anos 1940-1944. 18 Recordo o critoco de Vhor MotiosFerreoro onde o autor argumenta que Como vimos, More Augé vai relacionar os não-lugares com uma diversidade de os não-lugares oferecem uma vosõodocot6moco do espaço enquanto uma fenómenos: o espaço construído e a relação dos indivíduos com o espaço; o risco anólise sostémoco (exemplofoco com o 11 on61ose morfológico de MortonoHi), da "uniformidade" ao nível do espaço construído e o risco da "solidão ao nível permite detector um •sistema urbano dos laços sociais; o espaço constituído em espedáculo, utilizando a metáfora da complexo constotuído certamente delugares e espaços, mos estrenamente viagem; o surgimento de uma nova relação espaço/tempo o partir da possibilidade articulados com o ccodode central.· (166). de se "ultrapassar" o tempo; a importância do peso constrangedor do espaço.
  10. 10. • 188 blo........., • "O•• OI CIOI"Wia o~ cet*oll parvo co•..,w46o do IO!Ail~ A~· ~~pQPOqo....&q!r«<o.o .... ~o~~ C» •II"ICtc» Ôl WJo• QlA Wo::twCDCJIII O mcdemicfode-, ptfiiAd>N:II ,..,.00 0 Ql.le,. .::me». díwtr~IIQOI ..... o o~ nOtró ....lOS o-.: CoMo a&m., ~d 1von.. -todo o toüc~ • ......, ~ lilldetdo PI)" o nat;bda ~ eM Cti IQC»~,~toblo.«<sCJOI""t:xlollC.!IWPlCU~ tJOJ ~ *" por ~ fiC)ml:l • ~ Oli. no tm.t. OQUI1o Qut o f6o oi. "- ~O ..,.... do Qlolll foi vffldo tem qut _ . ..,tido .-.hCJ ado doto potO OI qvt O ......m.• (•96) .mir;IOIN)a ... on.go ~~ os .... cot.gorios do tobt~tnododt o .~...to dt ,.mpo, t1t~ ôe espoço t ~ de iondMduo - O po~of doJ quo•• MA po11t po1o o c:on11rvc;:6o dos nóo-luvCJres, poro, 01rovfs del.., pen.or o tOCitdodt kOjt "b!ot ~g~o~ms do sobre~idodt ;rnpftcom um porodow:o • ~ contiOdiç6o· POt ~o~m lodo elos obt.m wdo i*i<lvo 6 ptUefICiO dot cutiOl• .,Lot c~ o UIIIO ~ rroes ~doe~~ cb coilol • doa · - - - ...,., ela& lupMlem o irldMduo ool>t •• PÓOIQ, 101110~"""" fllltmUnho lfiOis do~ nloltf oe10r do vido c~ Wo COOI.. a6.ç6o ~-M ..........,.,_._ noi.P"(( que,.,. PfOPA d1omor ft6o.. .._... (199•. 1661. ~ ft..lo. ..,....... aqui t.no ~e o ~do r;wCJPOIIOiiT.... •-.to ~ CQft::-.101 . . pc:llltol M !jogo. quonclo ~ 6eeo•·~ ~ oompMI . . O mufldo W" QW ~-OU~ tcJb.r mel~ - de ocordo com o t t.Ao ;6 c!!Odo eM""" do. ~101 ôt Mote~ . po10 QIA ""••of AR0N. Ro,.._,ci, ~>o E- do ,_,.,.,.,,.., JOCoOiógoeo, U.boo, Cem Cu-. 1991 . AlJGt MO«, N<lo-Wg<J..s, 90°,ll•boo. 2005 (1992). """*·MO«, """ ..... ~.. dos moncJe. ""~-· """"" Aommotof. ~~~~. Aubotr, 1994. AUGt "-4orc, Le tem d.l outres, Pans, Foyord, 1994° "-"*· Mo",AG......,doo SoMos. Oo•""· C..O, 1998 (199n. """*·........ """-................. """""do """*·........ Lo- .. -. ~~>os. Mdo.llons. foyon!. 2000 Pano. Fo,onl. 2003 """*·........ Got ... 2003" QmAIJ, M.d>ol ele.. t •......- du ~ I . Mo do-· - · IJNoo ~o · E-.1980 Ft••!AA. V.OO. ........ ,._.oodoc.dodo. Loboo. to-()o,op, 200 -~-•. u.-.~.M>inM<I..r.-. 1997 (19SOI. ~ - .c.o-.o.. ...,.._,~. -r~oo...........9n I(I)NI)(IV., Molon, A ,..,.t,<Jodo, Laboo, O Qu-. 2001 (1910) lfOitiJT. ~IIIOfld. Lo NYolu,oiOfl ~. Pena, Costermon, 1979. lfffi!VIt[, - . ..... p«>duct.... O . l -............. 1o.... 2000, (197•) . SIMMfl, Goo<vo. F.HI.dodo t Go- • _ , """" luboo, R.IOgoo O ·~. 200• to •ronge•ro • FiiOIOfio do poisogem)

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