O movimento cinema novo e glauber rocha

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O movimento cinema novo e glauber rocha

  1. 1. O MOVIMENTO CINEMA NOVOE GLAUBER ROCHA Arístocles CarvalhoResumo O Objetivo deste artigo é fazer um resumo do movimentocinematográfico brasileiro que ficou conhecido como Cinema Novo. Estetrabalho aborda a sociedade brasileira da época,como ela influenciou a criaçãodesse movimento; as principais fases do cinema brasileiro que antecederam ocinema novo; e os principais personagens, com ênfase no trabalho de GlauberRocha.Palavras-chave: Cinema Novo. Sociedade brasileira. Glauber RochaIntrodução O cinema brasileiro antes do Cinema Novo se destacou com asproduções de duas companhias cinematográficas: a Atlântica, e a Vera Cruz.Essas companhias se destacaram com a Chanchada (Atlântica) e asproduções ao estilo Hollywood (Vera Cruz). E o Cinema Novo vem para rompercom esses padrões e revolucionar o cinema brasileiro. O motivo deste trabalho,de revisão,é elencar as mudanças que estavam ocorrendo na sociedadebrasileira, que de certa forma colaboraram para o surgimento do movimento, otipo de cinema que era feito, e porque ele gerou revolta nos criadores doCinema Novo. Na década de 1940, com a fundação da companhia cinematográficacarioca Atlântica o cinema brasileiro passou por um período de grandesucesso. Com o surgimento da chanchada, um tipo de cinema que fazia humorbem debochado em forma de musicais e abordando temas carnavalescos,asproduções agradaram ao público que transformou as chanchadas em sucessode bilheterias.1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  2. 2. A chanchada consagrou grandes comediantes, entre eles a duplaOscarito e Grande Otelo. Seus personagens incorporavam o jeito malandro defalar e se comportar do carioca. Em 1949 surgi a Vera Cruz, companhia cinematográfica criada porempresários paulistas com o intuito de produzir filmes com conteúdo e níveltécnico parecidos com os das produções hollywoodianas. Para isso acompanhia investiu pesado, montou um grande estúdio, e importou osequipamentos mais sofisticados da época, e mão-de-obra especializada daEuropa. A Vera Cruz produziu dezenas de filmes de longa-metragem, e investiualto nas produções, alguns foram premiados, inclusive em festivais na Europa.Mas o sonho de uma indústria brasileira de sucesso não durou muito, apenasquatro anos. A companhia entrou em decadência, não suportou a concorrênciadas produções norte-americanas que contavam com um sistema eficiente elucrativo de distribuição. A sociedade brasileira da época era muito influenciada pela norte-americana, seja no campo econômico, social ou cultural. As paisagens urbanasse modernizavam, o consumo dos bens de produção em massa só aumentava,a música e o cinema norte-americano faziam cada vez mais parte do cotidiano.O modelo norte-americano de sucesso deixava os brasileiros em êxtase e naesperança de transformar a nação subdesenvolvida em um país independentee moderno. Deixar de ser agrário e se tornar industrial. O Cinema Novo surgiu no final dos anos 50 e início dos 60, idealizadopor jovens cineastas do Rio de Janeiro e da Bahia, num cenário dedesenvolvimento dos grandes centros brasileiros, o país passava por umatransformação econômica com o surgimento cada vez maior das indústrias, ecom isso o grande aumento na migração e na urbanização. Nesse cenáriotambém aparecem os intelectuais esquerdistas e populistas com ideias deigualdade e em busca da soberania da nação, considerada por eles comosubdesenvolvida. Foi esse contexto sócio-político que inspirou os jovens cineastasbrasileiros a desenvolverem suas ideias de libertação de um país alienado eculturalmente colonizado. Jovens indignados com massificação da culturaestrangeira na sociedade brasileira criaram um movimento que revolucionou o1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  3. 3. cinema nacional. Embalados pelo tema “uma câmera na mão e uma ideia nacabeça” pensaram uma forma de produção com liberdade de criação, novastécnicas de filmagem, e uma estética diferente. Onde não seria preciso grandesinvestimentos. O pensamento nacionalista de fazer um cinema realmente brasileiro,mostrando a realidade do povo como ela é de fato - sem sofre restrições porparte dos grandes estúdios de cinema, que estavam preocupados apenas emfaturar alto com as produções – tomou conta do movimento e fez surgir novosmétodos de produção. Essa forma de fazer cinema inovou com movimentoslentos e escassos da câmera, ambientes naturais, e diálogos mais longos dospersonagens principais. O primeiro filme nos moldes do cinema novo foi Rio, 40Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. O Cinema Novo pode ser dividido em três fases principais, de acordocom os temas abordados nas produções. A primeira fase do movimento vai de1960 a 1964. Nessa fase as produções têm como temas principais as mazelase os camponeses nordestinos. Os filmes que mais se destacam são VidasSecas (1963), de Nelson Pereira dos Santos; Os Fuzis (1963), de Ruy Guerra;e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha. Este último éconsiderado o filme que projetou o Cinema Novo internacionalmente, comcríticas favoráveis após sua exibição no Festival de Cannes. A segunda fase vai de 1965 a 1968. As produções desse período sãomarcadas por temas ligados a situação política e econômica do Brasil, emespecial a ditadura militar, fazendo análises sobre os rumos da história do país.Os filmes de maior destaque são O Desafio (1965), de Paulo Cezar Saraceni;Terra em Transe (1967), filme premiado no Festival de Cannes, de GlauberRocha; e O Bravo Guerreiro (1968), de Gustavo Dahl. A terceira fase compreende ao período de 1968 a 1972. O cinemabrasileiro, nessa fase, sofreu grande influência do Tropicalismo, e incorporouos símbolos típicos do Brasil como os índios, e as aves exóticas da nossa terra.Durante essa fase alguns cineastas foram presos e exilados pelo regimemilitar, entre eles Glauber Rocha, outros tentaram se adequar a nova realidadepolítica, mas as produções em sua maioria fracassaram e o Cinema Novochegou ao fim. O grande destaque dessa fase é Macunaíma (1969), deJoaquim Pedro de Andrade, o filme é baseado na obra de Mario de Andrade.1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  4. 4. Os filmes tiveram grande repercussão no exterior e receberam críticaspositivas e vários prêmios em importantes festivais de cinema. No Brasil forampoucas as produções que alcançaram sucesso de bilheteria. O grande públiconão se adequou a linguagem usada– considerada, em alguns filmes, de grandecomplexidade intelectual- que ficou restrito a uma pequena parte da população.Além da linguagem usada nos filmes, os produtores enfrentaram outro grandeproblema, a distribuição no mercado brasileiro era mal organizada e osproprietários de cinemas davam preferencia aos filmes americanos, já que osucesso de bilheteria era garantido. Para realizarem suas produções, os cineastas contavam com ofinanciamento junto aos bancos, uma lei que obrigava as salas de cinema hádisponibilizarem 56 dias no ano a filmes brasileiros, e com um incentivofinanceiro do governo. O Sindicato dos Produtores era o meio usado pararepresentá-los. Outro órgão criado para facilitar a vida dos produtores foi aDIFILM, ela começou a operar em 1965 e era o responsável pela distribuiçãodos filmes. "Pela primeira vez, a gente tinha contato com a realidade daeconomia do cinema" (“Luz e Ação”, documentário exibido em três capítulospelo Canal Brasil), disse Cacá Diegues sobre a DIFILM. Mas distribuidora nãodurou muito, e os produtores voltaram a enfrentar o grande problema queimpedia a maior penetração dos seus filmes na sociedade. Os principais nomes do movimento tentaram criar uma revista chamada“Luz e Ação”. A revista não chegou a ser publica, mas Carlos Diegues, GlauberRocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Miguel Faria Jr., NelsonPereira dos Santos e Walter Lima Jr., publicaram o artigo “Luz e Ação” (de1963 a 1973) com o objetivo de explicar a ideologia do Cinema Novo e justificaras produções por eles realizadas. O grande nome do Cinema Novo foi Glauber Rocha, nascido em Vitóriada Conquista, interior da Bahia. Rocha além de cineasta era escritor, ator,poeta, um homem de múltiplos talentos. Muito polêmico, era considerado louco,por muitos. Foi o diretor mais premiado do cinema brasileiro. Glauber Rocha produziu mais de vinte filmes, obteve sucesso comvários deles, entre eles Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme que retrata a vidadura dos habitantes do sertão nordestino e a questão agrária, virou símbolodos movimentos de reforma agrária. Esse filme obteve grande repercussão1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  5. 5. nacional e internacional; Terra em Transe é outro filme aclamado dentro e forado país, ganhador de dois prêmios em Cannes, o filme faz uma análise dapolítica da época; e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, filme quelhe rendeu o prêmio de melhor diretor, em Cannes - o filme é como se fosseuma sequência de Deus e o Diabo na Terra do Sol – retrata o ambiente sócio-político do interior do Nordeste. Rocha buscou inspiração em escritores regionais, como José Lins doRego e Jorge Amado, para produzir os filmes que retratam o sertão nordestino.Abordou temas políticos e religiosos, produziu documentários, como DiCavalcanti Di Glauber, que é uma narrativa do velório do pintor Di Cavalcanti. Em 1971 Glauber Rocha foi exilado, durante esse período ele passoupor vários países, como Estados Unidos, Chile, Uruguai, Espanha. Produziudocumentários, e alguns longas-metragens, mas sem muito sucesso. Asproduções de destaque desse período são os longas: Cabeças Cortadas,filmado na Espanha e pouco compreendido até mesmo por outros intelectuais,e O Leão de Sete Cabeças, o filme é definido pelo autor como "uma históriageral do colonialismo euro-americano na África, uma epopeia africana,preocupada em pensar do ponto de vista do homem do Terceiro Mundo, poroposição aos filmes comerciais que tratam de safáris, ao tipo de concepçãodos brancos em relação àquele continente. É uma teoria sobre a possibilidadede um cinema político. Escolhi a África porque me pareceu um continente comproblemas semelhantes aos do Brasil". Depois do exiliorealizou várias produções fracassadas dentro e fora doBrasil, em destaque para o filme A Idade da Terra, que foi exibido no Festivalde Veneza em 1980e teve a sala esvaziada durante sua exibição, além de tersido massacrado pela crítica gerando revolta em Glauber Rocha que saiu pelasruas de Veneza acompanhado por dezenas de pessoas, e rebateu as críticasao seu filme atacando a mostra e o vencedor do festival daquele ano, LouisMalle, que de acordo com Glauber Rocha, não tinha a menor condição devencê-lo. Em 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, Glauber morreu devido aproblemas pulmonares que já vinham lhe perseguindo. Sua morte gerougrande comoção e seu nome voltou a ser exaltado. Teve todo seu velóriofilmado, assim como havia feito no velório do seu amigo Di Cavalcante.1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  6. 6. O Cinema Novo existiu num momento complicado da historia brasileira.O regime militar impediu uma quantidade maior e melhor de produções, já queos cineastas não tinham a total liberdade para produzir e expressar a realidadevivida naquele momento.O cenário da sociedade brasileira no período daditadura parecia ideal para a proposta do cinema novo. Muitas produçõesforam influenciadas por esse contexto político, mas nada de formaescancarada e mesmo assim tiveram suas exibições proibidas. Alguns cineastas foram para o exilio por terem pensamentosconsiderados de esquerda, outros optaram por se adequar ao regime, “traíramsuas ideias” e se lançaram nas pornochanchadas, novo estilo de fazer filmesque estava fazendo sucesso nas bilheterias brasileiras. E uma nova geração decineastas surgiu e criou outro movimento chamado de Cinema Marginal, essemovimento tinha a intenção de romper com a linguagem cinematográfica daépoca e fazer um cinema mais irresponsável e debochado sem se preocuparcom o que estava acontecendo na sociedade. Esse novo cinema praticamentedá fim ao Cinema Novo.ReferênciasALTMANN, E. “Dois Cineastas, Duas Críticas”; “A Recepção de GlauberRocha”. __________. O Brasil imaginado na América Latina: a crítica defilmes de Glauber Rocha e Walter Salles. Rio de Janeiro: Contra CapaLivraria/FAPERJ, p. 41-81; 85-145. 2010.ARTE EM REVISTA: anos 60. São Paulo: Centro de Estudos de ArteContemporânea (CEAC)/KAIRÓS. Ano 1, no 1, jan-mar., 1979 [“Manifesto„Luz & Ação‟: de 1963... a 1973” (Carlos Diegues e outros) – p. 5-9; “UmaSituação Colonial” (Paulo Emílio Salles Gomes) – p. 11-14.TLENDER, Sílvio.Especial Glauber Rocha: Glauber o Filme, Labirinto doBrasil.Brasil, 2002. Documentário. 98 min.1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.
  7. 7. GERBER, R. “Premissas a um estudo sobre a cultura nacional”; “A História e aEternidade”. in: __________. O Mito da Civilização Atlântica: GlauberRocha, Cinema, Política e a Estética do Inconsciente. Petrópolis: Vozes, p.21-32; 33-82. 1982.Online!O Cinema Novo. Disponível em: http://paulo-v.sites.uol.com.br/cinema/cinemanovo.htm1.“Luz e Ação”, documentária que investiga o que deu certo e errado no cinema brasileiro, exibido emtrês capítulos pelo Canal Brasil.

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