Contos que elevam a alma

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Contos que elevam a alma

  1. 1. CONTOS QUEELEVAMA ALMA Livro I Material recolhido no sitehttp://aeradoespirito.sites.uol.com.br por Antonio Celso 1
  2. 2. ÍNDICEA ÁGUA DO PARAÍSOA ÁGUIA E A GRALHAA ÁGUIA E O PARDALA ÁRVORE DOS PROBLEMASA ÁRVORE ORGULHOSAA BALSA DA MEDUSA (Novo)A BUSCA DO REINOA CARTAA CASA QUEIMADAA CAUDA DO MUNDOA CIDADE DOS RESMUNGOSA DANÇAA ESTÓRIA DO MARTELOA ESTRELA VERDEA FÁBRICA DOS PENSAMENTOSA FACE DE DEUSA FELICIDADE NÃO ESTÁ ONDE SE PROCURAA FITA ROXAA FORTUNA E O MENDIGOA GALINHA E A ÁGUIAA GALINHA VERMELHAA HISTÓRIA DA LAGARTAA HISTÓRIA DE UM JARDIMA LATINHA DE LEITEA LENDA DA CONCHA!A LENDA DAS ORQUÍDEASA LENDA DO PEIXINHO VERMELHOA LIBÉLULAA LIÇÃO DO FOGOA LOJA DE DEUSA LUZ AZULA MACIEIRA ENCANTADAA MAIS BELA FLORA MARAVILHOSA HISTÓRIA DO GRANDE MÚSICO TANSENA MEDITAÇÃO E O GATOA NUVEM E A DUNAA PAZ INTERIOR E AS REAÇÕESA PEQUENINA LUZ AZULA PORCELANA DO REIA RAPOSA ALEIJADAA RAPOSA E AS UVASA SUA VERDADE!A TAÇA TRANSBORDANTEA TEMPESTADE E AS GAIVOTASA TERRA DA ALEGRIAA VERDADE 2
  3. 3. A VIDA DOS HUMANOS QUE SE DISTANCIAM DE DEUSADELAIDE, UMA POMBAAONDE VOCÊ VAI?APENAS UM MINUTO?APRENDA A ESCREVER NA AREIAAPRENDENDO A CONVERSAR COM DEUSAS CODORNASAS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE PARECEMAS NOVE COISASAS TRÊS RECOMPENSASCASAMENTOCERTO E ERRADOCHINELOS DOURADOSCÍRCULO DOS 99COMO O MAL GERA O MALCOMO ORAR CORRETAMENTE?CORRENDO RISCOSCORTAR LENHACULPADO OU INOCENTEDA SINCERIDADEDESARRUMADO OU PERFEITO?DESEJOSDEUS, A CRIANÇA E O ANJODOENTE, GRAÇAS A DEUSDOR DE OLHODORMIR ENQUANTO OS VENTOS SOPRAMDOZE PRATOSÉ DEUS TIRANDO FOTOS MINHASECO DA VIDAERA UMA VEZ...ESCOLA DE ANJOSESPINHO ALHEIOESTABELECIMENTO DE UMA TRADIÇÃOEU CREIO EM TIEU POSSO FAZEREX-SUICIDAFABULA DA CONVIVÊNCIAFURO NO PNEUHÁ MAIS LUZ POR AQUIIDEIONILDO E A CHAVE AZUL (Novo)INVESTIMENTO APIMENTADOISAAC MORRELENDA DAS LÁGRIMASLENDA JUDAICALENDA DE TRADIÇÃO JUDAICAMEDITAÇÃO E MACACOSMENTE EM MOVIMENTOMINHA ROSA E MINHA RAPOSA (Trecho de Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery)NADA EXISTENÃO CONHEÇO TÍTULOSNÃO SE DEIXE INCOMODARNINGUÉM CONTROLA TUDO O QUE ACONTECE NA PRÓPRIA VIDANÓ DO CARINHO 3
  4. 4. A ÁGUA DO PARAÍSO (Sabedoria sufi) Havia um beduíno que ia de um lugar para outro do deserto, vivendo de tâmaras, animais e águas salobras. Um dia descobriu um novo manancial no areal e, conquanto fosse desagradavelmente salgada a outras pessoas, pareceu-lhe ser a própria água do paraíso, comparada com as que conhecia. - Vou levar a quem possa apreciar! Rumou, pressuroso, ao palácio de Harun el-Raschid, levando um odre para ele beber e outro para o Califa. Admitido em audiência, falou: - Ó Comendador dos Crentes. Conheço todas as águas do deserto e acabo de descobrir esta água do Paraíso, digna de vossos lábios! Harun provou da água, agradeceu, mandou que lhe dessem mil moedas de ouro e recomendou que o levassem imediatamente de volta ao deserto, sem que pudesse provar da água do palácio. E acrescentou ao beduíno: - Sê o guardião da “água do paraíso” e distribui-a gratuitamente a todos, em meu nome! REFLEXÕES: A ÁGUA É A VERDADE.Todos os níveis de verdade são úteis, como numa escola, para atender às necessidadesdos diferentes graus das pessoas. É impiedade desviar alguém de sua fé ou ridicularizar alimitada verdade que pode alcançar. .....................................A maioria das doutrinas tem a pretensão de ser a única expressão da verdade, porém,somente será útil, aquela que produzir mais homens de bem e menos hipócritas, querdizer, que pratiquem a lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua aplicação maisampla. Esse é o sinal para reconhecer que uma doutrina é boa, pois toda doutrina quetiver por conseqüência semear a desunião e estabelecer divisões entre os filhos de Deus sópode ser falsa e perniciosa. O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec *** A ÁGUIA E A GRALHA Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara a tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa. 4
  5. 5. Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobreuma ovelha, com a intenção de também carregá-la presa às suas garras.Ocorre que estas acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, eisso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças.O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortousuas penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite a levou para casa, e entregoucomo brinquedo para seus filhos."Que pássaro engraçado é esse?", perguntou um deles."Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia."Moral da História:Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites. Esopo *** A ÁGUIA E O PARDALO sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardalque não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchiaseus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como ofazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia,não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza... Umdia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiuda sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foiquando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grandeáguia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo defrente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode veraquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito,suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietudeapenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:- Por que estás a me vigiar, Andala?- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtase vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além doque podes alcançar com tuas pequenas asas?- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar estesonho...O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passoo dia a observar-te.- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan. 5
  6. 6. - Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas sãodemasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, comgraça e experiência, tu cortas harmoniosamente...- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizerque nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que aáguia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenasuma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á apossibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequenopássaro que a ouvia atentamente:- Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinaresincansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento ecompreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática atua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas paraaqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmenteconhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade emteu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado anenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, seesta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende oequilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são sereslivres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender eser feliz com tua escolha! *** A ÁRVORE DOS PROBLEMASCerto fazendeiro resolve contratar um carpinteiro para uma série de reparos em suapropriedade. O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou,fazendo com que ele deixasse de ganhar uma hora de trabalho. Sua serra elétricaquebrou, e aí ele cortou o dedo. Como se não bastasse, no final do dia, seu carro nãofuncionou.Assim, o fazendeiro resolve oferecer carona para casa. Percorrida a viagem, ocarpinteiro convidou-o a entrar e conhecer sua família. Quando os dois se dirigiam àporta da casa, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou aspontas dos galhos com as duas mãos.Ao abrir a porta de casa, o carpinteiro já parecia outro: os traços tensos do seu rostotransformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou os filhos e beijou a esposa.Após uma alegre refeição, o fazendeiro agradeceu e despediu-se de todos. Ocarpinteiro acompanhou seu convidado até o carro.Assim que passaram pela árvore, o fazendeiro questionou seu anfitrião sobre o motivopelo qual ele tocara na planta antes de entrar em casa. 6
  7. 7. - Ah! Esta é a minha planta dos problemas. Eu sei que não posso evitar todos osproblemas no meu trabalho, mas eles não devem chegar até os meus filhos e minhaesposa. Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta árvore quando chego emcasa, e só os pego de volta no dia seguinte. E o senhor quer saber de uma coisa? Todamanhã, quando volto para buscar meus problemas, eles não são nem metade daquiloque eu lembro de ter deixado na noite anterior.Jamais descarregue seus problemas e frustrações nos outros, principalmente naquelesque você tanto ama. *** A ÁRVORE ORGULHOSANo livro Fábulas e Lendas de Leonardo da Vinci, encontramos uma adaptação do conto“A árvore orgulhosa”. Diz ele: “No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia acada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outrasárvores. Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própriabeleza. E a castanheira foi removida. Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foiarrancada. Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E asmacieiras se foram.Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, atéficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. Olindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Maso vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, comgrande estrondo, derrubou-o ao chão. *** 7
  8. 8. A BALSA DA MEDUSA Óleo sobre tela - Théodore Géricault Tela do pintor francês THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824)A BALSA DE MEDUSA (Museu do Louvre, Paris. - 40,64 cm X 56,69 cm)Antes do Titanic, houve um naufrágio que, tragicamente, entrou para os anais dosgrandes desastres marítimos.Foi a notícia mais terrível de 1816: a fragata Medusa naufragara quase no fim da suaviagem entre a França e o Senegal.A tragédia, ocorrida na ensolarada manhã de 2 de julho, deveu-se à superlotação e àimperícia do Comandante Hugues Chaumareys, um protegido de Luís XVIII, rei daFrança.Sabe-se que aproximadamente quatrocentos passageiros estavam à bordo, na entãoconsiderada a mais rápida e moderna embarcação de todos os tempos.As 147 pessoas que não conseguiram lugar no botes salvavidas amontoaram-se emuma pequena jangada construída precariamente com tábuas, cordas e partes domastro no qual ainda tremulavam pedaços da vela.Chamaram-na "A balsa da Medusa".Esfomeados e sem água para beber, muitos brigaram por um único pacote debiscoitos.Na escuridão da primeira noite, vinte dos que se equilibravam nas bordas da jangadadesapareceram no oceano.No segundo dia, 65 dos sobreviventes foram mortos a tiros pelos oficiais:aparentemente haviam enlouquecido e, furiosos, tentaram destruir a jangada.Dentre os náufragos famintos, desidratados e queimados pelo sol, estava o médicoJean-Baptiste Henry Savigny, que assumiu a liderança dos desesperados e, de imediato,mandou que todos bebessem água do mar diluída com urina, para diminuir os efeitosda desidratação. 8
  9. 9. O Dr. Savigny começou, então, a dissecar os corpos dos que iam morrendo e adependurar as tiras de carne para secar ao sol e depois serem consumidas comoalimento.O tabu do canibalismo desfez-se como nas palavras de Dante, no canto XXXIII doInferno, ao descrever a cena em que o Conde Ugolino, preso numa torre, com os seusfilhos pequenos e sem alimento, tentou manter-se vivo comendo a carne dos quehaviam morrido: “Dois dias após a sua morte ainda os chorava, depois a fome foi maisforte do que o luto.”Decorridos 13 dias à deriva, os quinze sobreviventes restantes da “Balsa da Medusa”foram resgatados pelo Argus, um pequeno navio mercante.Inspirado nas narrativas dos sobreviventes da “Balsa da Medusa”, o pintor francêsThéodore Géricault (1791-1824), pintou, em 18 meses de trabalho ininterrupto, o queveio a ser a sua obra prima, em óleo sobre tela: “A balsa da Medusa.” http://www.interconect.com.br/clientes/pontes/diversos/medusa.htm ***Esta semana, durante minhas pesquisas na rede, me deparei com uma tela do pintorfrancês THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824) A BALSA DE MEDUSA (Museu do Louvre,Paris . 40,64 cm X 56,69 cm), que gostei muito. A pintura despertou minha curiosidadee então comecei a pesquisar os seus detalhes.Fiquei surpreso ao saber o seu significado e o que o pintor quis transmitir. Apósdescobrir o que inspirou o trabalho feito por Géricaut, decidi usar o mesmo nome“ABalsa de Medusa” para o nosso Blog. Assim como ocorreu com os personagens dahistória do naufrágio, também estaremos lidando com as adversidades enfrentadas porgestores, líderes, gerentes e funcionários de todos os níveis hierárquicos, no dia-a-diaprofissional e pessoal.Esta tela tinha como base um acontecimento contemporâneo, um naufrágio quecausou um grande escândalo político. O Medusa, navio do governo que transportavacolonos franceses para o Senegal, encalhou e afundou na costa oeste da África(próximo à costa de Marrocos em 2 de julho de 1816), em virtude da incompetência docapitão, nomeado por motivos políticos. O capitão e a tripulação foram os primeiros aevacuar o navio e embarcaram nos barcos salva-vidas, que puxavam uma jangadaimprovisada com os destroços do navio, com 149 passageiros amontoados. A certaaltura cortaram a corda que puxava a balsa, deixando os emigrantes à deriva sob o solequatorial por 12 dias (outras fontes relatam que a tempestade os arrastou por maraberto por mais de 27 dias sem rumo), sem comida nem água. Só 15 pessoassobreviveram. Géricault investigou o caso como um repórter, entrevistando ossobreviventes para escutar suas histórias terríveis de fome, loucura e canibalismo. Fezo máximo para ser autêntico, estudando até mesmo os corpos das vítimas. Construiuuma jangada-modelo em seu ateliê e chegou a se amarrar ao mastro de um pequenobarco durante uma tempestade, para melhor poder retratar o desespero dos 9
  10. 10. sobreviventes. A linguagem corporal da luta, das pessoas contorcidas e dos passageirosdesnudos diz tudo a respeito da luta pela sobrevivência, tema que obcecava o artista.No quadro, pode-se observar as diferentes ATITUDES HUMANAS que se manifestamnos momentos cruciais da vida, naqueles momentos difíceis, em que uns se deixamabater pelo desânimo, mas outros não desanimam e agitam panos na esperança deserem vistos por algum navio.Esse quadro nos leva a uma reflexão: e se você estivesse naquela situação donaufrágio, em que lugar você estaria nessa pintura? http://balsademedusa.blogspot.com.br/ *** A BUSCA DO REINOLogo após Jesus concluir o famoso Sermão da Montanha, um homem do povo oprocurou, em particular, e assim se manifestou:– Senhor, que devo fazer para alcançar o Reino de Deus?O senhor examinou o íntimo daquele homem, apontou para a montanha onde haviafeito o seu sermão e recomendou:– Terás que rodear esta montanha!A exigência foi tão pequena que o homem ficou um pouco descrente. Ora, imaginava,rodear a montanha não seria tão difícil. Conhecia o lugar e, com um pouquinho só deesforço, atingiria aquele objetivo. De tão perplexo, voltou a perguntar:– Senhor, bastará rodear a montanha? E o Mestre repetiu:– Sim, faze isso!O candidato ao céu começou, naquele instante, sua caminhada. Deu alguns passos esua mente, bastante excitada pelo desejo de conquistar o Reino de Deus, caiu emprofunda meditação. Viu-se no Paraíso, coberto de luz e glórias celestes. Sentiu fortesemoções como a paz, a gratidão, o amor, a misericórdia e todos os sentimentosnobres. Sentiu que amava e era amado. Percebeu como eram mesquinhas aspreocupações dos homens, diante de tanta felicidade que o Reino de Deusproporcionava.Moveu-lhe um impulso muito forte de enxugar as lágrimas dos que choram, desocorrer os aflitos e de levar a luz a todos os lugares onde há trevas. Percebeu quediáfanas luzes caíam do alto, tocando-lhe o coração, deixando-o enternecido e feliz.Como desejava que todos os homens participassem daquele momento divino! E assimcaminhou, sem observar o caminho por onde passava, apenas sonhando, sonhando esonhando.Com uma sensação de fadiga, saiu daquele estado de ilusão. Neste instante, teve umgrande susto e ficou bastante impressionado: ele se encontrava exatamente no localonde iniciara a caminhada! Havia ou não circulado a montanha? Ele não sabiaresponder. Não se lembrava de absolutamente nada. 10
  11. 11. Com imensa dúvida, e sem compreender o que se passara, ele decidiu que faria novaempreitada, desta vez mais atento ao caminho. Deu alguns passos e, sem se aperceber,voltou a sonhar com o Reino de Deus. as mesmas sensações se repetiram. Umafelicidade indescritível dominava-lhe o ser, fazendo-o viver a paz, a caridade, afraternidade, o amor ao próximo e todas as virtudes ensinadas pelo meigo Rabi daGaliléia.Quando despertou, com a mesma sensação anterior de fadiga, ficou perplexo: ele seencontrava, novamente, no local onde iniciara a caminhada! Não havia saído do lugar.Não conseguira rodear a montanha.Fez a terceira tentativa e a mesma coisa. Quando lembrou de si, estava ali, no ponto departida. Do que se passara, nada recordava. Desapontado, foi à procura do Mestre, aquem se dirigiu nestes termos:– Senhor, por que eu não consigo rodear a montanha?– Que buscavas? – perguntou Jesus.– O Reino de Deus – disse o homem.– Que viste? – completou o Senhor.– Nada, nada!– Que viste? – perguntou de novo o Senhor, agora tocando-lhe na testa.– Senhor!... agora lembro! Das três vezes que tentei circundar a montanha, eu fuitomado por uma visão celestial. Vi o Reino de Deus, representado pela paz, pelo amor,pela misericórdia, pela caridade...– Onde viste?– Em minha imaginação, em minha mente.– Tu que viste a paz, a gratidão, o amor, a misericórdia e todos os puros sentimentossaindo de dentro de ti, onde achas que encontrarás o Reino de Deus?Só então o homem recordou uma das lições do Mestre: “O Reino de Deus está dentrode vós”.APONTAMENTOS:  Se o Reino de Deus está dentro de nós, podemos dizer, por analogia, que o inferno também está dentro de nós. Fazer aflorar as delícias do reino ou as amarguras do Inferno é opção de cada um.  Em mão se espera que a felicidade venha de fora para dentro. Ela é um estado da mente. O jovem apaixonado é feliz ao lado de sua amada, quer estejam num palácio ou numa choupana.  Felicidade ou desgraça estão aí e vão continuar. Se você se sente na desgraça, saia dela. Inove, recomece, planeje, sonhe, crie, faça algo diferente. Não é a desgraça que nos deixa, somos nós que a deixamos. 11
  12. 12.  Veja o lado bom da vida. Viva cada momento com a consciência de que você é feliz. No trabalho, na rua, no lar, na cama ou no chuveiro, deixe-se impregnar pela certeza de que você está usufruindo o melhor, para aquele momento.  Empolgue-se pela vida. Exercite a técnica do “valeu a pena”. Seja agradecido à vida. Recorde seu passado, mesmo os instantes menos felizes, com a conclusão de que “valeu a pena”.  Valeu a pena Ter nascido aqui; Ter conhecido determinadas pessoas; Ter passado por tal ou qual sofrimento; Ter namorado alguém. Valeu a pena.  “Vós sois a luz do mundo”(Mateus 5-14)Extraído do livro: “Histórias que Ninguém Contou, Conselhos que Ninguém Deu”Melcíades José de Brito – pg. 42 *** A CARTAUma carta escrita em um momento de desespero assinalaria o final de uma existência.Entre prantos e lágrimas, eram narradas todas as dificuldades de uma jornada marcadapor desilusões e infelicidades.Finalmente acabaria com essa trajetória trágica, não mais haveria dor. Ficariam paratrás todos aqueles que foram os seus algozes. Sim, não haveria outra saída para umaexistência marcada por tanto sofrimento.Contudo havia um problema, para quem escreveria aquela carta? Em meio a tanta dor,não se lembrava de um amigo. Aliás, se o tivesse, não precisaria recorrer a esse últimorecurso. Isto fortalecia sua decisão, não havia motivo para continuar, queria o descansoeterno.Porém, o problema continuava: quem receberia sua carta? De repente, em meio ao seudesequilíbrio, teve uma idéia: colocaria no correio enviando para sua própria pessoa, equando chegasse executaria a ação derradeira.Saindo para o correio percebeu que o céu estava com um lindo azul e que algumas avesvoavam apesar da poluição da cidade, não encontrando uma árvore sequer para osseus ninhos. Algumas flores, mesmo estando em terreno árido, insistiam emapresentar as suas cores.Suas observações foram interrompidas por uma colisão. Batendo em uma pessoa quevinha em direção oposta derrubou a carta, a qual se misturou com tantas outras cartasque a pessoa trazia.Pegou a carta e resmungando, "Nem para morrer se tem paz".Decidiu, então, não prosseguir para o correio, voltaria para casa e deixaria a cartaexposta, testemunha de sua dor para quem a encontrasse.Ao chegar em casa percebeu que aquela não era a sua carta; na colisão pegou a errada.E agora, quais serão as suas últimas palavras?Parou para ler a carta trocada e espantou-se com o que encontrou. A carta dizia: 12
  13. 13. "Meu Deus, como posso lhe agradecer a presença amorosa em todos esses anos devida? É verdade que foram anos difíceis, mas nunca me abandonastes, mesmo nosmomentos de dor e solidão sempre encontrei Tua presença, aliviando o meu fardo.Hoje me arrependo por um dia ter pensado em pôr fim a minha vida, atentado contraTua Lei esquecendo-me que a morte não existe.Agora compreendo a necessidade de experiências difíceis para o meu crescimento. Porisso gostaria de fazer algo de bom. Pensei em escrever várias cartas pela cidadetransmitindo o seu amor. Confio que me guiarás para chegar às pessoas quenecessitam.Estou feliz, não porque as dores acabaram, mas porque encontrei a Tua companhia ecom ela vencerei todos os obstáculos.Irmão que recebeste esta carta confie, ore e prossiga. Não existem males intermináveise nem dores infinitas; a cada porta que se fecha novas luzes entram por outras janelasque se abrem.Confie, Deus guiará o seu caminho, lhe retirando as estradas das trevas para o caminhoda luz. Lembre-se que nenhuma ovelha se perderá".Ao terminar a leitura chorou de arrependimento e conversou com o Pai de InfinitaMisericórdia. Novas energias chegaram ao seu coração, que se acalentou. Então,percebeu que há muitos dias não abria as suas janelas, havia se fechado para a vida.Correu e abriu as janelas, deixando a luz entrar e retomou a vida, agradecendo a Deuspor ela e por aquela carta que lhe trouxera nova direção. *** A CASA QUEIMADAUm certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus, esabia que Deus o protegeria.Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar um dos motores falhou e o piloto teveque fazer um pouso forçado no oceano.Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que oconservasse em cima da água.Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por este livramentomaravilhoso da morte.Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas.Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço conseguiu construir umacasinha para ele.Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significavaproteção.Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormirsem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha. 13
  14. 14. Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca. Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual tamanha não foi sua decepção, ao ver sua casa toda incendiada. Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos: "Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar e o Senhor deixou minha casa se queimar todinha. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?" Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo: "Vamos rapaz?" Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro todo fardado e dizendo: "Vamos rapaz, nós viemos te buscar" "Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?" "Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante." MORAL DA HISTÓRIA É comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas vão mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Lembrem-se: Se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até nós algo mais importante e melhor. Procure nunca pensar no pior, pois Deus é justo e bom e visa sempre o nosso bem. *** A CAUDA DO MUNDO Havia um homem pobre que desejava algum dinheiro e tinha ouvido dizer que se conseguisse agarrar um gênio poderia ordenar-lhe que lhe trouxesse dinheiro ou qualquer outra coisa que desejasse. Estava, portanto, muito ansioso para agarrar um gênio. Foi procurar um homem que lhe desse um gênio, e acabou por encontrar um sábio com grandes poderes. Solicitou seu auxílio e o sábio perguntou-lhe o que faria ele com um gênio. - Desejo um gênio para trabalhar em meu benefício. Ensinai-me como agarrar um, senhor. Desejo isso mais que tudo. Mas o sábio respondeu: - Não vos preocupeis. Voltai para a vossa casa. No dia seguinte, o homem tornou a procurar o sábio, e começou a chorar e a suplicar:- Dai-me um gênio. Preciso de um gênio, senhor, para ajudar-me. 14
  15. 15. O sábio acabou por aborrecer-se, e disse-lhe:- Tomai este talismã, repeti esta palavra mágica e o gênio virá, fazendo o que quer quelhe ordeneis fazer. Mas tende cuidado. Os Gênios são terríveis e devem ser mantidosconstantemente ocupados. Se deixardes de dar trabalho ao vosso, ele vos tirará a vida.O homem respondeu:- Isso é fácil. Posso dar-lhe trabalho por toda a sua vida.Então, foi à floresta, e depois de Ter repetido longamente a palavra mágica, um enormegênio lhe apareceu e disse:- Sou um gênio. Fui conquistado por tua magia, mas deves manter-me constantementeocupado. No momento em que deixares de me dar trabalho, eu te matarei.O homem disse:- Constrói-me um palácio.O gênio respondeu:- Está feito. O palácio já está construído.- Dá-me dinheiro - falou o homem.- Aqui está o seu dinheiro - replicou o gênio- Derruba esta floresta e constrói uma cidade em seu lugar.- Está feito - disse o gênio - Mais alguma coisa?Então o homem começou a se assustar e pensou que nada mais poderia ordenar aogênio, que fazia tudo num abrir e fechar de olhos.O gênio declarou:- Dá-me algo para fazer senão eu te comerei.O pobre homem já não encontrava ocupação para ele e estava apavorado. Correu,correu, e por fim encontrou o sábio e disse-lhe:- Oh! Senhor, protegei a minha vida.O sábio perguntou-lhe o que lhe acontecia, e o homem respondeu:- Não tenho mais nada para ordenar ao gênio. Tudo o que eu lhe digo, ele faz nummomento, e ameaça comer-me se não lhe der trabalho.Nesse momento chegou o gênio, dizendo:- Eu te comerei.E ia comer o homem, que começou a tremer, suplicando ao sábio que lhe salvasse avida. O sábio falou:- Encontrarei uma saída. Olhai para este cão, que tem a cauda curva.Arrancai rapidamente a vossa espada e cortai-lhe a cauda, dando-a ao gênio paraendireitá-la.O homem cortou a cauda e, lenta e cuidadosamente, o gênio endireitou-a. Mal, porém,largou dela, eis que de novo se enrolou. Assim ficou durante dias e dias, até que sesentiu exausto e disse:- Nunca na minha vida tive transtorno igual. Sou velho, um gênio veterano, mas nuncacheguei a transtorno igual. Vou fazer uma combinação contigo:liberta-me, e poderás conservar tudo quanto lhe dei, com a minha promessa de que nãote farei mal.O homem ficou encantado e aceitou alegremente a oferta. 15
  16. 16. Este mundo é como a cauda enrolada de um cão, e as pessoas levam a lutar paraendireitá-la durante centenas de anos. Quando largam dela, eis que de novo se enrola.Como poderia ser de outra maneira?É preciso, primeiro, saber como trabalhar sem apego, par que não se chegue a ser umfanático. Quando soubermos que este mundo é como a cauda enrolada de um cão,cauda que jamais poderá ser endireitada não nos tornaremos fanáticos. Se não houvessefanatismo no mundo, ele progrediria muito mais do que agora. É um erro supor que ofanatismo pode impulsionar o progresso da humanidade. Pelo contrário, é um elementoque retarda esse progresso, gerando ódio e cólera, e levando os indivíduos a lutarem unscontra os outros, fazendo-os sentirem-se mutuamente antipáticos.Pensamos que o que quer que possuamos ou façamos é a melhor coisa do mundo, e queo que não possuímos nem fazemos nada vale. Lembrai-vos sempre, portanto, da históriada cauda enrolada do cão, de cada vez que tiverdes tendência para vos fanatizar. Nãoprecisai preocupar-vos ou ficar insones por causa do mundo, ele seguirá sem vós.Quando tiverdes evitado o fanatismo, e só então, trabalhareis bem. O homem de cabeçabem equilibrada, o homem calmo, de bom julgamento e nervos frios, dotado de grandecapacidade de simpatia e amor, é o que faz bom trabalho, e assim fazendo, faz bem a sipróprio. O fanático é insensato e não tem simpatia. Jamais pode endireitar o mundo,nem se tornará puro ou perfeito. Por Swami Vivekananda (Texto extraído do livro As Quatro Yogas de Auto-Realização – Swami Vivekananda - Ed. Pensamento.) *** A CIDADE DOS RESMUNGOS William Bennett Era uma vez um lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam, resmungavam. No verão, resmungavam que estava muito quente. No inverno, que estava muito frio. Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair. Quando fazia sol, reclamavam que não tinham o que fazer. Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs. Todos tinham um problema, e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa. Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto às costas. Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, pôs o cesto no chão e gritou: - Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras estão cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundância. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade. 16
  17. 17. Ora, a camisa do mascate estava rasgada e puída. Havia remendos nas calças e buracosnos sapatos. As pessoas riram que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como serfeliz. Mas enquanto riam ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre osdois postes na praça da cidade.Então segurando o cesto diante de si, gritou:- Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam seus problemas numpedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!A multidão se aglomerou ao seu redor. Ninguém hesitou diante da chance de se livrardos problemas. Todo homem, mulher e criança da vila rabiscou sua queixa num pedaçode papel e jogou no cesto.Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Quando eleterminou, havia problemas tremulando em cada polegada da corda, de um extremo aoutro. Então ele disse:- Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puderencontrar.Todos correram para examinar os problemas. Procuraram, manusearam os pedaços depapel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema. Depois de algumtempo a corda estava vazia.Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto. Cadapessoa havia escolhido os seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo. E sempreque alguém sentia o desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na suacorda mágica. *** A DANÇAHá uma linda história, que eu gostaria de contar. Aconteceu na vida de um grandemúsico indiano, Tansen. Ele estava na corte do grande Akbar – e era incomparável.Uma vez, Akbar perguntou:– Não consigo imaginar que alguém possa superá-lo. Parece quase impossível. Massempre que eu penso nisso, uma idéia me vem à mente: que você deve ter sido discípulode um mestre, e – quem sabe? – talvez ele o supere.– Quem é seu mestre?, está vivo ainda? Se estiver vivo, convide-o para vir à corte.– Ele está vivo – respondeu Tansen –, mas não pode ser convidado para a corte, porqueé como um animal selvagem. Não é um homem de sociedade. É como os ventos oucomo as nuvens. Um andarilho sem lar. E mais: você não pode pedir a ele que cante outoque, isso não é possível. Quando quer que ele sinta, ele canta. Sempre que sente,dança. Teremos que ir até ele, esperar e observar.Akbar ficou tão encantado, louco pelo que disse Tansen.– E o mestre dele está vivo. Onde quer que esteja eu irei – disse Akbar. 17
  18. 18. O mestre era um faquir errante. Seu nome era Haridas. Tansen enviou mensageiros para investigar onde estava. Foi encontrado perto do rio Jamuna, numa cabana. Akbar e Tansen foram ouvi-lo. Os aldeões lhes disseram: – Perto das três da manhã, bem no meio da noite, às vezes ele canta e dança. Mas, por outro lado, permanece sentado em silêncio durante o dia todo. Assim, no meio da noite, Akbar e Tansen, escondidos como ladrões atrás da cabana, ficaram esperando. Em seguida Haridas começou a cantar e a dançar. Akbar estava hipnotizado. Não podia proferir uma única palavra, porque nada teria sido suficiente. Chorava. E enquanto voltavam, depois que a canção parou, ele permaneceu silencioso. As lágrimas ainda rolavam. Quando chegou ao palácio, ainda nos degraus, disse ele a Tansen: – Eu costumava pensar que ninguém era capaz de superá-lo; costumava pensar que você era o único, mas agora tenho que admitir que você não é nada, comparado a seu mestre. Por que tanta diferença? – A diferença é simples – respondeu Tansen. – Eu canto, eu toco para ganhar alguma coisa: poder, prestígio, dinheiro, admiração. Minha música ainda é um meio para outro fim. Eu canto para conseguir alguma coisa e meu mestre canta porque ele já conseguiu. Essa é a diferença. Ele canta somente. Quando está pleno do Divino e não pode contê-lo mais, quando transborda, somente então ele canta. Seu canto é um fim em si mesmo. Ele celebra! Extraído do Livro “Histórias Maravilhosas para Ler e Pensar” – Neila Tavares *** A ESTÓRIA DO MARTELO Quando ficamos muito preocupados e sofremos por antecipação, geralmente imaginamos coisas ou tiramos conclusões antecipadas de algo que ainda nem ocorreu, muitas vezes equivocadas. É a tal ansiedade tomando conta de nós. Não devemos deixar essa sensação de medo, de insegurança tomar conta do nosso íntimo, fazendo com que sofremos por antecipação, ou pior, que tomemos atitude “insanas" pelo simples fato de não sabermos esperar. Veja o que acontece quando nos antecipamos aos acontecimentos: Um homem queria pendurar um quadro. O prego ele já tinha, só faltava o martelo. O vizinho possuía um, e o nosso homem resolveu ir até lá pedi-lo emprestado. Mas ficou em dúvida:"E se o vizinho não quiser me emprestar o martelo?Ontem ele me cumprimentou meio secamente.Talvez estivesse com pressa.Mas isso devia ser só uma desculpa.Ele deve ter alguma coisa contra mim. 18
  19. 19. Mas por quê? eu não fiz nada!Ele deve estar imaginando coisas.Se alguém quisesse emprestar alguma ferramenta minha eu emprestariaimediatamente.Por que ele não quer me emprestar o martelo?Como é que alguém pode recusar um simples favor desses a um semelhante?Gente dessa laia só complica a nossa vida.Na certa, ele imagina que eu dependo dele só porque ele tem um martelo. Mas, agorachega!"E correu até o apartamento do vizinho, tocou a campainha, o vizinho abriu a porta. Masantes que pudesse dizer "Bom Dia", o nosso homem berrou:"Pode ficar com o seu martelo, seu imbecil!" Do livro: Sempre Pode Piorar ou A Arte de Ser (In) Feliz - Uma abordagem psicológica de Paul Watzlawick - Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Quantas vezes deixamos de realizar algo bom pensando no que os outros iriam pensar de nós! www.metaforas.com.br http://flavissimazary.blogspot.com/2011_03_01_archive.html *** A ESTRELA VERDE Era uma vez... Milhões e milhões de estrelas no céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, lilazes, prateadas, douradas, vermelhas, azuis. Um dia, elas procuraram o Senhor Deus, Todo-Poderoso, o Senhor Deus do Universo e disseram-lhe: - Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens. - Assim será feito - respondeu Deus. - Conservarei todas vocês pequeninas, como são vistas, e podem descer à Terra Conta-se que naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar e correr com os vaga-lumes, no campo, outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada. Porém, passado algum tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o Céu, deixando a Terra escura e triste. - Por que voltaram? - perguntou Deus, a medida que elas chegavam ao Céu. - Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria, muita desgraça, muita fome, muita violência, muita guerra, muita maldade e muita doença. E o Senhor lhes disse: - Claro, o lugar real de vocês é aqui no Céu. A Terra é o lugar do transitório, daquilo que se passa, do ruim, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, é onde nada é 19
  20. 20. perfeito. Aqui no Céu, é o lugar da perfeição. O lugar onde tudo é imutável, onde tudo éeterno, onde nada padece.Depois de chegarem todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo:- Mas está faltando uma estrela. Perdeu-se no caminho?Um anjo, que estava perto retrucou:- Não, Senhor. Uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que seu lugaré exatamente onde existe imperfeição, onde há limites onde as coisas não vão bem.- Mas que estrela é essa? - Voltou Deus a perguntar.- Por coincidência, Senhor, era a única estrela dessa cor.- E qual é a cor dessa estrela? - insistiu Deus.E o anjo disse:- A estrela é verde, Senhor. A estrela verde do sentimento de esperança.E quando então olharam para a Terra, a estrela não estava só.A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma estrela verde no coração decada pessoa. Porque o único sentimento que o homem tem e Deus não tem é aesperança. Deus já conhece o futuro, e a esperança é própria da natureza humana.Própria daquele que cai, daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele queainda não sabe como será seu futuro. *** A FÁBRICA DOS PENSAMENTOSEra uma vez, uma linda fábrica chamada mente que produzia pensamentos. Essespensamentos eram neutros – nem bons nem ruins. Para produzir esses pensamentosela ia buscar a matéria prima no fornecedor chamado coração.O coração lhe fornecia os insumos básicos chamados sentimentos. Na fábrica cadapensamento produzido era mergulhado num sentimento escolhido e assim ficavapronto o produto final: um pensamento revestido de sentimento.A matéria prima sentimentos era encontrada de dois tipos: densa ou sutil. Na densaencontramos uma grande variedade em forma de mágoa, culpa, intolerância,ressentimento, ciúme, crítica, orgulho, ansiedade, medo, exagero, vingança,agressividade, compulsão, gula, raiva, ódio, preconceito, egoísmo, desonestidade,ilusão, solidão, rigidez, insegurança, mentira, pressa repressão, tristeza, vício, vaidade,impaciência, depressão, etc...Na sutil também tinha uma enorme variedade de sentimentos: humildade, perdão,coragem, amor, compaixão, honestidade, compreensão, solitude, paz, justiça,paciência, tolerância, segurança, sinceridade, desapego, calma, tranqüilidade, alegria,serenidade, confiança, esperança, etc...Esse produto final era enviado ao mercado chamado meio ambiente para que aspessoas pudessem escolher, por sintonia, e levá-los consigo, passando a vibrar namesma freqüência vibratória do produto escolhido; ou então, o produto final eraenviado diretamente ao cliente, que só recebia se tivesse sintonia, ou seja, se vibrassena mesma freqüência do produto pensamento lhe enviado. 20
  21. 21. Uma parte, do que a fábrica produzia, não podia ser reciclada, e era lançada ao riochamado corpo físico. A depender do tipo de matéria prima utilizada – sentimentosdensos ou sentimentos sutis – o rio ficava ou não poluído.O rio corpo físico ficava poluído, sempre que recebia material dos produtos feitos coma matéria prima dos sentimentos densos.O processo de limpeza do rio corpo era chamado de doença. Esta expurgava do corpotodo o material denso que a fábrica tinha lhe lançado. Quanto mais matéria prima desentimento denso era utilizada na produção do produto pensamento, mais poluído orio ficava e mais grave era a doença como processo de limpeza do rio corpo.Após o processo de doença o rio corpo voltava a respirar tranqüilo, sereno, alegre efeliz.O rio corpo físico permanecia saudável e radiante, sempre que a fábrica produziapensamentos recheados de sentimentos sutis. *** A FACE DE DEUSHavia um pequeno menino que queria se encontrar com Deus.Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente, portanto ele encheu sua mochilacom pastéis e guaraná, e começou sua caminhada.Quando ele andou umas 3 quadras, encontrou um velhinho sentado em um banco dapraça olhando os pássaros.O menino sentou-se junto dele, abriu sua mochila, e ia tomar um gole de guaraná,quando olhou o velhinho e viu que ele estava com fome, então ofereceu-lhe um pastel.O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu ao menino.Seu sorriso era tão incrível que o menino quis ver de novo, então ele ofereceu-lhe seuguaraná.Mais uma vez o velhinho sorriu ao menino.O menino estava muito feliz!Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pastel e bebendo guaraná pelo resto da tardesem falarem um ao outro.Quando começou a escurecer o menino estava cansado e resolveu voltar para casa,mas antes de sair ele se voltou e deu um grande abraço no velhinho.O velhinho deu-lhe o maior sorriso que o menino já havia recebido.Quando o menino entrou em casa, sua mãe surpresa perguntou ao ver a felicidadeestampada em sua face!"O que você fez hoje que te deixou tão feliz?Ele respondeu."Passei a tarde com Deus" e acrescentou "Você sabe, ele tem o mais lindo sorriso queeu jamais vi"Enquanto isso, o velhinho chegou em casa radiante, e seu filho perguntou:"Por onde você esteve que te deixou tão feliz?" 21
  22. 22. Ele respondeu:"Comi pasteis e tomei guaraná no parque com Deus".Antes que seu filho pudesse dizer algo ele falou:"Você sabe que ele é bem mais jovem do que eu pensava?"REFLEXÃO:Nunca subestime a força de um sorriso, o poder de uma palavra, de um ouvido paraouvir, um honesto elogio, ou até um ato de carinho.Tudo isso tem o potencial de fazer virar uma vida.Muitas vezes, por medo de nos "diminuir" deixamos de crescer, por medo de chorar,deixamos de sorrir!!!A face de Deus está em todas as pessoas e coisas se forem vistas por nós com os olhosdo amor e do coração. *** A FELICIDADE NÃO ESTÁ ONDE SE PROCURA Conto sufiNasrudin (*) encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho eperguntou-lhe os motivos de tanta aflição- Não há nada na vida que interesse, irmão. Tenho dinheiro suficiente para não precisartrabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vidaque levo em casa. Até agora, eu nada encontrei.Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo,correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boadistância. A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por váriosatalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que haviaroubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro.Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz doque nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão,correu para pegá-la, dando gritos de alegria.- Essa é uma maneira de se produzir felicidade - disse Nasrudin. ***(*) Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveuhistórias onde ele próprio era personagem. São histórias que atravessaram fronteirasdesde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjuntoque integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, filosofia de autoconhecimento deantiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. 22
  23. 23. O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. Asordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islã sunita, islã xiita, a umacombinação de várias correntes, ou a nenhuma delas. O pensamento sufi se fortaleceuno Médio Oriente no século VIII e encontra-se hoje por todo o mundo.De acordo com as grandes escolas de jurisprudência islâmica, o sufismo é consideradocomo um movimento herético, tendo sido, por isso, perseguido inúmeras vezes aolongo da história.Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia deautoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nemsempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a umobservador que esteja fora do contexto de trabalho. Estas práticas devem ser aplicadaspor um professor. Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por este conceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelos próprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus. Fontes: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/sufin.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo *** A FITA ROXAUm certo professor tinha o hábito de dar, no fim dos estudos, um fita roxa na qual sepodia ler: “A pessoa que sou faz toda a diferença” (Impressas com letras douradas.)Nessa altura, dizia a cada estudante porque razão o apreciava e porque razão as aulaseram diferentes graças a ele.Um dia, teve a idéia de estudar este processo sobre a comunidade, e enviou os seusestudantes para entregar fitas a todos aqueles que conheciam e que “faziam toda adiferença”.Deu-lhes 3 fitas pedindo-lhes o seguinte:“Entreguem uma fita roxa à pessoa que escolherem dizendo-lhe porque razão ela faztoda a diferença para vocês, e dêem-lhe duas outras fitas para que ela própria entreguetambém a alguém e assim sucessivamente. Depois, façam-me um relatório dosresultados.”Um dos estudantes saiu e foi entregar a fita ao patrão (porque trabalhava a meiotempo) um fulano bastante rabugento, mas que, no fundo, apreciava.O patrão ficou surpreendido, mas respondeu: 23
  24. 24. “Pois bem, pois bem, claro, com certeza...” O rapaz continuou, “E aceitaria ficar com as 2 outras fitas roxas para as dar a alguém que, para si, faz toda a diferença, tal como acabei de fazer? É para um inquérito que estamos a realizar na universidade.” “Esta bem.” E, a noite, o nosso homem voltou para casa com a fita presa no casaco. Cumprimentou o filho de 14 anos, e contou-lhe o sucedido: “Hoje, aconteceu-me uma coisa espantosa. Um dos meus empregados deu-me uma fita roxa na qual está escrito, como podes ver: “A pessoa que sou faz toda a diferença”. "Deu-me uma outra fita para entregar a alguém que conte muito para mim. Hoje o dia foi difícil, mas no regresso pensei que havia uma pessoa, uma só, à qual tinha mesmo vontade de dar. Estás a ver, ralho muitas vezes contigo porque não trabalhas o suficiente, porque só pensas em sair com os amigos, porque o teu quarto é uma perfeita desordem... Mas hoje quero dizer-te que tu és muito importante para mim. Tu fazes, juntamente com a tua mãe, toda a diferença na minha vida e gostaria que aceitasses esta fita roxa como testemunho do meu amor. Não te digo muitas vezes, mas és um miúdo formidável!" Mal acabou de falar, o rapaz começou a chorar, a chorar, com o corpo todo a tremer de soluços. O pai agarrou-o nos braços e disse-lhe: “Bom, bom... Disse alguma coisa que te magoou?” “Não pai... mas... snif... tinha decidido suicidar-me amanhã. Tinha tudo organizado porque tinha a certeza de que não me amavas apesar dos meus esforços para te agradar. Agora tudo mudou.” Pense nisso, você pode mudar o rumo da vida de alguém! Para melhor! *** A FORTUNA E O MENDIGO(William J. Bennett - org. O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral Editora Nova Fronteira) Um dia, um mendigo esfarrapado estava se arrastando de casa em casa, carregando uma malinha velha; em cada porta, pedia alguns centavos para comprar comida. Queixava-se da vida, imaginando por que as pessoas que tinham bastante dinheiro nunca estavam satisfeitas, sempre querendo mais. - Por exemplo, o dono desta casa disse - , eu o conheço muito bem. Sempre foi bem nos negócios e, há muito tempo, ficou imensamente rico. Pena que não teve a sabedoria de parar por ali. Podia ter transferido os negócios a outra pessoa e passado o resto da vida descansando. Mas, em vez disso, o que foi que ele fez? Resolveu construir navios, 24
  25. 25. enviando-os para comerciar com países estrangeiros. Pensou que ia ganhar montanhas em ouro. "Mas caíram fortes tempestades; os navios naufragaram e toda a sua riqueza foi engolida pelas ondas. Agora, todas as suas esperanças jazem no fundo do mar, e sua grande riqueza desapareceu, como se acordasse de um sonho." "Há muitos casos como esse. Os homens nunca ficam satisfeitos enquanto não conseguem ganhar o mundo inteiro!" "Quanto a mim, se tivesse o suficiente para comer e me vestir, não ia querer mais nada!" Nesse momento, a Fortuna veio descendo a rua e parou quando viu o mendigo. Disse- lhe: - Escute! Há muito tempo venho querendo ajudá-lo. Segure sua malinha enquanto eu despejo umas moedas de ouro nela. Mas só faço isso com uma condição: o que ficar na malinha será ouro puro, mas o que cair no chão vai virar poeira. Está compreendendo? - Sim, sim, claro que compreendo - disse o mendigo. - Então tome cuidado - disse a fortuna. - Sua malinha está velha, é melhor não a encher muito. O mendigo estava tão contente que mal podia esperar. Abriu rapidamente a malinha e uma torrente de moedas de ouro foi despejada ali dentro. Logo, a malinha foi ficando muito pesada. - Já é o bastante? - perguntou a Fortuna. - Ainda não. - Mas ela já não está rachando? - Que nada! As mãos do mendigo começaram a tremer. Ah, se a torrente de ouro pudesse fluir para sempre! - Agora você já é o homem mais rico do mundo! - Só mais um pouquinho - disse o mendigo. - Só mais uns punhados. - Pronto, já está cheia. Essa malinha vai explodir! - Mas ainda agüenta um pouquinho, só mais um pouquinho! Caiu mais uma moeda - e a malinha estourou. O tesouro caiu ao chão e virou poeira. A Fortuna havia desvanecido. Agora, o mendigo só tinha mesmo a malinha vazia, ainda por cima rasgada de alto abaixo. Estava mais pobre do que antes. *** A GALINHA E A ÁGUIAEra uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. 25
  26. 26. - De fato - disse o homem - é uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é maiságuia. É uma galinha como as outras.- Não, - retrucou o naturalista - ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um diavoar às alturas.- Não - insistiu o camponês - ela virou galinha e jamais voará como águia.Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e,desafiando-a, disse:- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abrasuas asas e voe!A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente aoredor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!- Não, - tornou a insistir o naturalista - ela é uma águia. E uma águia sempre será umaáguia. Vamos experimentar novamente amanhã.No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.Sussurrou-lhe:- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar juntodelas.O camponês sorriu e voltou a carga:- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!- Não, - respondeu firmemente o naturalista - ela é águia e possui sempre um coração deáguia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia,levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos dasmontanhas.O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suasasas e voe!A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então,o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhospudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.Foi quando ela abriu suas potentes asas.Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cadavez mais para o alto.Voou. E nunca mais retornou. De Edna Feitosa Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. 26
  27. 27. *** A GALINHA VERMELHAUma galinha vermelha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:- Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?- Eu não!, disse a vaca.- Nem eu!, emendou o pato.- Eu também não!, falou o porco.- Então eu mesma planto!, disse a galinha vermelha.E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.- Quem vai me ajudar a colher o trigo?, quis saber a galinha.- Não faz parte de minhas funções!, disse o porco.- Eu não me arriscaria a perder o seguro-desemprego!, exclamou o pato.- Então eu mesma colho!, falou a galinha. E colheu o trigo ela mesma.Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.- Quem vai me ajudar a assar o pão?, indagou a galinha vermelha.- Só se me pagarem hora extra!, falou a vaca.- Eu não posso por em risco meu auxílio-doença!, emendou o pato.- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão!, disse o porco.Ela então assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmentedisse- Não, eu vou comer os cinco pães sozinha.- Lucros excessivos!, gritou a vaca.- Sanguessuga capitalista!, exclamou o pato.- Eu exijo direitos iguais!, bradou o ganso.O porco, esse só grunhiu.Eles pintaram faixas e cartazes dizendo "Injustiça" e marcharam em protesto contra agalinha, gritando obscenidades.Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:- Você não pode ser assim egoísta!- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor!, defendeu-se a galinha.- Exatamente!, disse o funcionário do governo.- Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quantoquiser. Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadoresmais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada!E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha, que sorriue cocoricou:- Eu estou grata! Eu estou grata! 27
  28. 28. Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez um pão, porque após um ano todos morreram de fome, e por que a fazenda faliu...Moral da estóriaQuando não se valoriza quem trabalha, corre-se o risco de entrar em falência moral,intelectual, social, econômica e cultural!O trabalho, é lei da Natureza mediante a qual o homem forja o próprio progressodesenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando osrecursos de preservação da vida, por meio das suas necessidades imediatas nacomunidade social onde vive. Desde as imperiosas necessidades de comer e beber,defender-se dos excessos climatéricos até os processos de garantia e preservação daespécie, pela reprodução, o homem vê-se coagido a lei do trabalho.A lei do trabalho impõe-se a todos e ninguém fugirá dela impunemente, deixando deser surpreendido mais adiante... A homem algum é permitido usufruir os benefícios dotrabalho de outro sem a justa retribuição e toda exploração imposta pelo usuáriorepresenta cárcere e algema para si próprio.Ninguém logrará resultado excelente, sem esforçar-se, conferindo à obra do bem omelhor de si mesmo. *** A HISTÓRIA DA LAGARTAImagine uma lagarta. Passa grande parte de sua vida no chão, olhando os pássaros,indignada com seu destino e com sua forma."Sou a mais desprezível das criaturas", pensa."Feia, repulsiva, condenada a rastejar pela terra."Um dia, entretanto, a Natureza pede que faça um casulo.A lagarta se assusta - jamais fizera um casulo antes.Pensa que está construindo seu túmulo, e prepara-se para morrer.Embora indignada com a vida que levou até então, reclama novamente com Deus."Quando finalmente me acostumei, o Senhor me tira o pouco que tenho."Desesperada, tranca-se no casulo e aguarda o fim.Alguns dias depois, vê-se transformada numa linda borboleta.Pode passear pelos céus, e ser admirada pelos homens.Surpreende-se com o sentido da vida e com os desígnios de Deus. *** A HISTÓRIA DE UM JARDIMAmanheceu, o dia era lindo, o sol brilhava, o jardim cheio de flores, cada uma delasmais imponente e perfumada que a outra, começava enfim a primavera.Haviam rosas desabrochando, papoulas excitadas, jasmins que balançavam ao vento,margaridas em grupos, violetas excêntricas. 28
  29. 29. O jardim mais parecia uma festa a luz do dia.Todos que ali passavam admiravam a riqueza daquele instante, a profundidadedaquele momento e podiam sentir aquele aroma que trazia paz.O colorido era maravilhoso, rosas vermelhas, margaridas amarelas, violetasroxas....tudo perfeito, tudo completo.A grama completava aquele cenário irretocável e os raios de sol pousavam paraemoldurar aquele momento.Chegou então o JARDINEIRO, para dar amor e carinho àquelas flores, fez o seu serviçoem silêncio.Podou, regou, plantou novas sementes, quando de repente percebeu que eraobservado por alguém que lhe disse:- Que belo jardim, você é um artista, conseguir manter assim tudo perfeito, é uma arte.Ele então respondeu: ...mas não está tudo perfeito! Olhe ali no centro do jardim, está vendo aquelaorquídea? Ela está triste, ela está chorando, ela está sofrendo muito.- Mas você consegue enxergar isso? Eu não estou conseguindo perceber, ela me parecetão linda!- Você não consegue perceber, porque a beleza que ela traz por fora esconde a tristezaque ela carrega por dentro, mas eu posso perceber, porque os meus olhos, moram nomeu coração e é só por isso que sou um artista.Conservar a beleza de um jardim, não é ser artista, ser artista é perceber, entender,aceitar e sentir a tristeza de uma única flor que se esconde no meio de tantas. *** A LATINHA DE LEITEUm fato real. Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um deles de cincoanos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira omorro. Estavam famintos "vai trabalhar e não amole", ouvia-se detrás da porta; "aquinão há nada moleque...", dizia outro...As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma senhoramuito atenta disse-lhes "Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!"Evoltou com uma latinha de leite.Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez anos"vocêé mais velho, tome primeiro..." e olhava para ele com seus dentes brancos, a bocasemi-aberta, mexendo a ponta da língua.Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando de ladopara o pequenino! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente oslábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. Depois, estendendo a lata,diz ao irmão: 29
  30. 30. "Agora é sua vez, só um pouco." E o irmãozinho, dando um grande gole exclama"comoestá gostoso!""Agora eu", diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebenada. "Agora você", "Agora eu", "Agora você", "Agora eu"...E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado,barrigudinho, com a camisa de fora esgota o leite todo... ele sozinho.Esse "Agora você", "Agora eu" encheram-me os olhos de lágrimas...E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou acantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o estômago vazio,mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a naturalidade de quem não feznada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazercoisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância.Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, "quem dá é mais feliz do quequem recebe". É assim que nós temos de amar. Sacrificando-nos com tal naturalidade,com tal elegância, com tal discrição, que os outros nem sequer possam agradecer-nos oserviço que nós lhe prestamos. *** A LENDA DA CONCHA!Há muito tempo não chovia naquela terra. Estava tão quente e seco que as floresficaram murchas, o capim tornara-se marrom e até mesmo as árvores grandes e fortesestavam morrendo.A água evaporou nos rios e nos córregos, os poços estavam secos e as fontes pararamde jorrar. As vacas, os cães, os cavalos, os pássaros e todas as pessoas tinham muitasede. Todos se sentiam incomodados e doentes.Havia uma menininha cuja mãe ficara muito doente. - Oh! Se eu puder encontrar umpouco d’água para minha mãe, tenho certeza de que ela ficará bem outra vez. Eupreciso achar água.Então ela pegou uma concha de lata e começou a procurar água. Encontrou umapequenina fonte no alto da encosta da montanha. A fonte estava quase seca. A águapingava muito devagar por sob a pedra.A menininha posicionou a concha cuidadosamente e colheu as gotas. Ela esperoumuito, muito tempo até que a concha ficasse cheia d’água. Então, ela começou adescer a montanha segurando a concha com muito cuidado, por que não queriaderramar uma gota sequer.No caminho ela encontrou um pobre cachorrinho. Ele mal se arrastava. Arfavasofregamente à procura de ar e sua língua estava pendurada de tão seca.- Oh, pobre cachorrinho! - disse a menininha - você está com muita sede. Eu não possodeixá-lo sem um pouco de água. Se eu lhe der só um pouquinho, ainda restará bastantepara minha mãe. Então a menininha verteu um pouco d’água em sua mão e deu debeber ao cachorrinho. 30
  31. 31. Ele tomou a água bem depressa e se sentiu tão melhor que pulou e latiu como quedizendo: "obrigada menininha". A menina não reparou, mas sua concha de lata se havia transformado numa concha deprata e estava tão cheia de água quanto antes.Pensou em sua mãe e andou o mais depressa possível. Chegou em casa no final datarde, quando já escurecia. A menininha abriu a porta e correu para o quarto da mãe.Quando entrou no quarto, a velha empregada que ajudava no serviço e trabalhara odia inteiro sem descansar tomando conta da doente, caminhou até a porta. Ela estavatão cansada e com tanta sede que nem conseguiu falar com a menininha. - Dê-lhe um pouco d’água! - disse a mãe - ela trabalhou o dia inteiro, e precisa mais deágua do que eu.A menininha levou a concha aos lábios da velha e ela bebeu parte da água. Na mesmahora, a empregada se sentiu melhor e mais forte; caminhou até a mãe e a levantou.A menininha não reparou que a concha transformara-se em ouro e estava tão cheia deágua quanto antes.Então levou a concha até os lábios da mãe, que bebeu e bebeu. A mãe se sentiu tãomelhor! Quando terminou de beber, ainda havia um pouco de água na concha. Amenininha ia levá-la aos próprios lábios, quando ouviu uma batida na porta.A empregada foi abrir e lá estava um forasteiro muito abatido e coberto de poeira daestrada.- Estou com sede - disse - quer me dar um pouco de água?A menininha respondeu:- Claro que sim, tenho certeza de que você precisa mais do que eu. Beba tudo.O forasteiro sorriu e tomou a concha nas mãos; quando a segurou, ela transformou-senuma cocha de diamantes.Ele a virou de cabeça para baixo e a água derramada se infiltrou no chão. No lugar ondea água se infiltrou, surgiu uma fonte. A água fresca minava e corria tão farta que deu debeber a todas as pessoas e a todos os animais daquela terra para sempre.APONTAMENTO:Se observarmos ao nosso redor muitos são os que necessitam de um pouco de água, aágua da esperança e do amor. Temos tanto e negamos as pessoas. Possamos refletirnessa antiga lenda e observarmos que quanto mais nós dermos com amor, maisteremos! *** A LENDA DAS ORQUÍDEASEra uma vez...Em uma cidade chinesa, existia uma jovem famosa chamada Hoan Lan, que divertia-se,em fazer penar suas paixões aos seus numerosos adoradores.Por um sorriso, o jovem Kien Fu, tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado cominfinita paciência as mais lindas peças de jade. 31
  32. 32. A ingrata, após se adornar com todos os presentes do nobre apaixonado, riu-se dele eo desprezou. Kien Fu, desesperado, acabou com a própria vida atirando-se ao RioVermelho.O pintor Nguyen Ba conseguiu obter cores desconhecidas para pintar o retrato de suaamada. Esta, porém, depois de ter exibido para satisfação de sua vaidade a magníficapintura, desprezou o artista que desapareceu para sempre no mistério das selvas...Mai Da, apaixonado também, quis patentear seu amor à jovem volúvel, inventando umperfume delicioso somente digno dos anjos. A ingrata perfumou-se e mandou pôr narua o seu adorador que, nada mais aspirando na vida, se envenenou...Cung Le levou sua perseverança a incrustar nácar numa pulseira de ébano, que foirecebida pela ingrata. O pobre endoideceu...Mas, o poderoso Deus das cinco flechas, Deus que a tudo via e tudo ordenava, julgouque era o momento de castigar tanta maldade, fazendo a jovem volúvel apaixonar-sepelo formoso Mun Cay.Desde então, Hoan Lan sonhava no seu leito de nácar e sedas bordadas, com seuadorado, cujo nome, esvoaçava sobre seus lábios de carmim, como uma borboletasobre a rosa.Ao despertar, descia à piscina, banhava-se e adornava-se com suas jóias mais preciosas,para ver passar seu querido Mun Cay, que apenas se dignava a levantar os olhos paraela.Nunca tinha considerado a formosa jovem, nem se interessado pela fama de belezaque tinha ardido à sua volta.Os dias iam passando e Mun Cay não saía de sua indiferença cruel...Um dia, Hoan Lan decidiu sair-lhe ao encontro e declarar-lhe paixão..."Não me interessas rapariga!" - disse ele. "És como todas as outras. Para mim nãovales nada! Se fosses como aquela que eu amo... Esta sim, é uma deusa! Tu, míseraHoan Lan, com toda tua vaidade, não serves nem para atar-lhe as fitas das sandálias!".E, com um sorriso desdenhoso, afastou-se...Em meio de seu desespero, Hoan Lan lembrou-se do deus todo poderoso que vivia namontanha de Tan Vien. Talvez ele pudesse lhe valer...Apesar da noite escura e chuvosa, a jovem dirigiu-se ao monte sagrado, onde residiasua última esperança.A entrada do templo subterrâneo, era guardada por um terrível dragão.Suplicou-lhe a concessão de entrada e ao cabo de muitos pedidos conseguiu penetrarnum extenso corredor, por entre serpentes horríveis que lhe babujavam os pés nus.Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostrou-se e implorou:"Cura-me, que sofro horrivelmente! Amo Mun Cay que me despreza!""É justo o castigo" - respondeu o deus - "pelo que tens feito aos teus apaixonados"."Oh! Todo poderoso! Tem dó de mim! Concede o amor de meu querido Mun Cay! Sabesbem que não posso viver sem ele!""Vai-te daqui!" - rugiu o gênio - nada conseguirás! O castigo que pesa sobre ti, foiimposto pelo Kama que tudo sabe! É justo que sofras! Saia de meu templo!"À saída, Hoan Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra! 32
  33. 33. "Formosa jovem" - disse-lhe a bruxa - "sei que és muito desgraçada. Queres vingar-sede Mun Cay? Vende-me a tua alma e juro-te que, embora Mun Cay não te ame, nãoamará à outra mulher!"Hoan Lan voltou à sua casa que lhe parecia um cárcere.Saía pelos bosques para distrair sua pena, mas sempre em vão. . .Um dia, vendo ao longe seu adorado Mun Cay, correu para ele e quando se preparavapara abraçá-lo, o jovem foi transformado numa árvore de ébano!Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, lhe disse:"Desta maneira, o teu amado não pode ser nunca de outra mulher!""Bruxa infame!" - exclamou chorando, a pobre Hoan Lan - "o que fizeste a meuadorado? Devolva-me ou mata-me!""Contratos são contratos!" - replicou a bruxa, rindo satanicamente."Cumpri o que prometi! Mun Cay, embora nunca te ame, não amará a outra mulher!Prometi e cumpri! A tua alma me pertence!"Hoan Lan, abraçada ao pé da árvore, clamava desesperadamente a seu tronco imóvel..."Perdoa-me Mun Cay! Tem para mim, uma só palavra de amor, de indulgência ecompaixão! Não vês como me arrasto aos seus pés? Como te abraço? Como sofro?"Mas a árvore nada respondia. . .A jovem ali ficou por muito tempo. . .Uma manhã, passou por ali um gênio, que se compadeceu de sua dor. Acercando-sedela, pôs-lhe um dedo na testa e disse:"Mulher, procedeste muito mal! Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez!Procedeste muito mal! Mas a tua dor purificou a tua alma!Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, voutransformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada,que de a impressão do que foi a tua vida maldosa!Quem vir as tuas pétalas, facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso,volúvel, cruel e a tua preocupação constante pela elegância...Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás da sua seiva,parasita do teu amado!"Assim falou o poderoso gênio e enquanto falava, a túnica rósea de Hoan Lan iaempalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás...Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram atonalidade do nácar.Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica."E assim, apareceu a primeira orquídea no mundo..." *** 33
  34. 34. A LENDA DO PEIXINHO VERMELHO Transcrito do prefácio do livro "LIBERTAÇÃO" [Emmanuel (fev. 1949)], de André Luiz Psicografia de Francisco Cândido XavierNo centro de formoso jardim, havia um grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através degrade muito estreita.Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem,nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dosconcidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamentedespreocupados, entre a gula e a preguiça.Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Osoutros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias eocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ouatormentado de fome.Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempopara muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todosos buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lamapor ocasião de aguaceiros.Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade doescoadouro.À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"Optou pela mudança.Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu váriasescamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego dágua, encantado comas novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado deesperança...Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes,palácios e veículos, cabanas e arvoredo. 34
  35. 35. Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e aagilidade naturais.Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia paraquem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração;impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com oselementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo domonstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida,porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntesmarinhas.O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu aevitar os perigos e tentações.Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitasriquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis eflores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitospeixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentiamaravilhosamente feliz.Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas deamigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio asaber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia,de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude,continuariam a correr para o oceano.O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quemconvivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los,prestando-lhes a tempo valiosas informações?Não hesitou.Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio deCoral, empreendeu comprida viagem de volta.Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para oscanaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava,varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pelaproeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa eentusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressaverificou que ninguém se mexia.Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhoslodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas,moscas ou minhocas desprezíveis.Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquantoninguém, ali, havia dado pela ausência dele. 35
  36. 36. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladoraaventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo epermitiu que o mensageiro se explicasse.O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outromundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podiadesaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-seoutra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rioscaudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vezmais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas eesqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que virao céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos,cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos eofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos etranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinhaigualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se dedevorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudartanto quanto era necessário à venturosa jornada.Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.Ninguém acreditou nele.Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelhodelirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas históriade riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram adeclarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados paraeles unicamente.O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhiadele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou,borbulhante:- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-tedaqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguémpossui vida igual à nossa!..."Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se,em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidososesvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama... *** 36
  37. 37. A LIBÉLULA Extraído do livro Sabedoria em Parábolas, Prof. Felipe AquinoNum lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago...Certo dia surgiu um casulo...E quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda libélula.E ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedacinho...Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens...E quando ela tinha conhecido tudo... no alto de uma colina, avistou uma casa...A casa do homem... e a libélula havia de conhecer a casa do homem... e foi voando pralá...E então, a libélula entrou por uma janela, justo a janela da cozinha...E nesse dia, uma grande festa era preparada.Um homem com um chapéu branco... grande... dava ordens para os criados...Mas a libélula não se preocupou com isso, brincou entre os cristais se viu na bandeja deprata, explorou cada pedacinho daquele novo mundo...Quando de repente, ela viu sobre a mesa... uma tigela cheia de nuvens!!!E a libélula não resistiu, ela tinha adorado brincar nas nuvens... e mergulhou...Mas quando mergulhou... ahhhhh... aquilo não eram nuvens, e ela foi ficando todagrudada, e quando mais ela se mexia tentando escapar... ahhhh... mais ela afundava...E a libélula começou a rezar, fazia promessas e dizia que se conseguisse sair dali,dedicara o resto de seus dias a ajudar os insetos voadores... e ela rezava e pedia...Até que o chefe da cozinha começou a ouvir um barulhinho, e ele não sabia que erauma libélula rezando e quando olhou na tigela de claras em neve... arghhh um inseto!!!E ele pegou a libélula e a atirou pela janela...A libélula então se arrastou para um pedacinho de grama, e sob o sol começou a selimpar... e quando se viu liberta... ahhhh ela estava tão cansada que se virou pra Deus edisse:- Eu prometi dedicar o resto de minha vida a ajudar os outros insetos voadores, masagora estou tão cansada, que prometo cumprir minha promessa a partir de amanhã...E a libélula adormeceu... Mas o que ela não sabia, e você também não sabe, é quelibélulas vivem apenas um dia... E naquele pedacinho de grama, a libélula adormeceu, enão mais acordou.REFLEXÃO:Se tiver que fazer alguma coisa de bom, faça hoje, faça agora, faça já, pois amanhãpode ser tarde demais. *** 37
  38. 38. A LIÇÃO DO FOGOUm membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, semnenhum aviso deixou de participar de suas atividades.Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria.O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia umfogo brilhante e acolhedor.Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a umagrande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada.No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno dasachas de lenha, que ardiam.Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram ecuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-apara o lado.Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo eseu fogo apagou-se de vez.Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de umnegro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligemacinzentada.Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os doisamigos.O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil,colocando-o de volta no meio do fogo.Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor doscarvões ardentes em torno dele.Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.Deus te abençoe!Reflexão:Aos membros de um grupo vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe dogrupo eles perdem todo o brilho. Aos lideres vale lembrar que eles são responsáveis pormanter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, paraque o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro. *** 38
  39. 39. A MACIEIRA ENCANTADA Autora: Maria Madalena de Oliveira Junqueira Leite e-mail: madjl@uol.com.br Master Practitioner em Programação Neurolingüística, com especialização em Saúde http://www.metaforas.com.br/metaforas/g50metaf.htmEra uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha.Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira mágica, queproduzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentandotodas as situações que aparecessem no caminho. Nunca ninguém havia conseguido essafaçanha, conforme dizia a lenda.O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prêmio àquele que se dispusesse a fazer essaviagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da pobreza edas dificuldades que o povo enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía amão da princesa em casamento.Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil.Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos: 1º - rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma dificuldade; 2º - rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas situações a serem enfrentadas; 3º - longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.Foi efetuado um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um desses caminhos.O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo sorteadoescolheu o Segundo caminho. O terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou oTerceiro caminho.Eles partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo apenas uma mochila contendoalimentos, agasalhos e algumas ferramentas.O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha, subiu, feliz poracreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu defelicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegaraté as maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O tronco eramuito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até lá em cima. Ficouesperando o Segundo chegar para resolverem juntos a questão.O Segundo enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se deparou, porémlogo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumasdelas um tanto difíceis de superar. Ele acabou ficando cansado, esgotado até ficar doente,e cair prostrado. Quando se deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado aretroceder e voltou para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.O Terceiro teve seu primeiro teste quando acabou sua água e ele chegou a um poço.Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então, rapidamente, com suas 39

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