Your SlideShare is downloading. ×
Contos que elevam a alma
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Introducing the official SlideShare app

Stunning, full-screen experience for iPhone and Android

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

Contos que elevam a alma

3,678
views

Published on

Published in: Spiritual

0 Comments
3 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
3,678
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
3
Actions
Shares
0
Downloads
93
Comments
0
Likes
3
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. CONTOS QUEELEVAMA ALMA Livro I Material recolhido no sitehttp://aeradoespirito.sites.uol.com.br por Antonio Celso 1
  • 2. ÍNDICEA ÁGUA DO PARAÍSOA ÁGUIA E A GRALHAA ÁGUIA E O PARDALA ÁRVORE DOS PROBLEMASA ÁRVORE ORGULHOSAA BALSA DA MEDUSA (Novo)A BUSCA DO REINOA CARTAA CASA QUEIMADAA CAUDA DO MUNDOA CIDADE DOS RESMUNGOSA DANÇAA ESTÓRIA DO MARTELOA ESTRELA VERDEA FÁBRICA DOS PENSAMENTOSA FACE DE DEUSA FELICIDADE NÃO ESTÁ ONDE SE PROCURAA FITA ROXAA FORTUNA E O MENDIGOA GALINHA E A ÁGUIAA GALINHA VERMELHAA HISTÓRIA DA LAGARTAA HISTÓRIA DE UM JARDIMA LATINHA DE LEITEA LENDA DA CONCHA!A LENDA DAS ORQUÍDEASA LENDA DO PEIXINHO VERMELHOA LIBÉLULAA LIÇÃO DO FOGOA LOJA DE DEUSA LUZ AZULA MACIEIRA ENCANTADAA MAIS BELA FLORA MARAVILHOSA HISTÓRIA DO GRANDE MÚSICO TANSENA MEDITAÇÃO E O GATOA NUVEM E A DUNAA PAZ INTERIOR E AS REAÇÕESA PEQUENINA LUZ AZULA PORCELANA DO REIA RAPOSA ALEIJADAA RAPOSA E AS UVASA SUA VERDADE!A TAÇA TRANSBORDANTEA TEMPESTADE E AS GAIVOTASA TERRA DA ALEGRIAA VERDADE 2
  • 3. A VIDA DOS HUMANOS QUE SE DISTANCIAM DE DEUSADELAIDE, UMA POMBAAONDE VOCÊ VAI?APENAS UM MINUTO?APRENDA A ESCREVER NA AREIAAPRENDENDO A CONVERSAR COM DEUSAS CODORNASAS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE PARECEMAS NOVE COISASAS TRÊS RECOMPENSASCASAMENTOCERTO E ERRADOCHINELOS DOURADOSCÍRCULO DOS 99COMO O MAL GERA O MALCOMO ORAR CORRETAMENTE?CORRENDO RISCOSCORTAR LENHACULPADO OU INOCENTEDA SINCERIDADEDESARRUMADO OU PERFEITO?DESEJOSDEUS, A CRIANÇA E O ANJODOENTE, GRAÇAS A DEUSDOR DE OLHODORMIR ENQUANTO OS VENTOS SOPRAMDOZE PRATOSÉ DEUS TIRANDO FOTOS MINHASECO DA VIDAERA UMA VEZ...ESCOLA DE ANJOSESPINHO ALHEIOESTABELECIMENTO DE UMA TRADIÇÃOEU CREIO EM TIEU POSSO FAZEREX-SUICIDAFABULA DA CONVIVÊNCIAFURO NO PNEUHÁ MAIS LUZ POR AQUIIDEIONILDO E A CHAVE AZUL (Novo)INVESTIMENTO APIMENTADOISAAC MORRELENDA DAS LÁGRIMASLENDA JUDAICALENDA DE TRADIÇÃO JUDAICAMEDITAÇÃO E MACACOSMENTE EM MOVIMENTOMINHA ROSA E MINHA RAPOSA (Trecho de Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery)NADA EXISTENÃO CONHEÇO TÍTULOSNÃO SE DEIXE INCOMODARNINGUÉM CONTROLA TUDO O QUE ACONTECE NA PRÓPRIA VIDANÓ DO CARINHO 3
  • 4. A ÁGUA DO PARAÍSO (Sabedoria sufi) Havia um beduíno que ia de um lugar para outro do deserto, vivendo de tâmaras, animais e águas salobras. Um dia descobriu um novo manancial no areal e, conquanto fosse desagradavelmente salgada a outras pessoas, pareceu-lhe ser a própria água do paraíso, comparada com as que conhecia. - Vou levar a quem possa apreciar! Rumou, pressuroso, ao palácio de Harun el-Raschid, levando um odre para ele beber e outro para o Califa. Admitido em audiência, falou: - Ó Comendador dos Crentes. Conheço todas as águas do deserto e acabo de descobrir esta água do Paraíso, digna de vossos lábios! Harun provou da água, agradeceu, mandou que lhe dessem mil moedas de ouro e recomendou que o levassem imediatamente de volta ao deserto, sem que pudesse provar da água do palácio. E acrescentou ao beduíno: - Sê o guardião da “água do paraíso” e distribui-a gratuitamente a todos, em meu nome! REFLEXÕES: A ÁGUA É A VERDADE.Todos os níveis de verdade são úteis, como numa escola, para atender às necessidadesdos diferentes graus das pessoas. É impiedade desviar alguém de sua fé ou ridicularizar alimitada verdade que pode alcançar. .....................................A maioria das doutrinas tem a pretensão de ser a única expressão da verdade, porém,somente será útil, aquela que produzir mais homens de bem e menos hipócritas, querdizer, que pratiquem a lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua aplicação maisampla. Esse é o sinal para reconhecer que uma doutrina é boa, pois toda doutrina quetiver por conseqüência semear a desunião e estabelecer divisões entre os filhos de Deus sópode ser falsa e perniciosa. O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec *** A ÁGUIA E A GRALHA Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara a tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa. 4
  • 5. Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobreuma ovelha, com a intenção de também carregá-la presa às suas garras.Ocorre que estas acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, eisso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças.O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortousuas penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite a levou para casa, e entregoucomo brinquedo para seus filhos."Que pássaro engraçado é esse?", perguntou um deles."Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia."Moral da História:Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites. Esopo *** A ÁGUIA E O PARDALO sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardalque não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchiaseus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como ofazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia,não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza... Umdia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiuda sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foiquando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grandeáguia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo defrente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode veraquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito,suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietudeapenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:- Por que estás a me vigiar, Andala?- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtase vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além doque podes alcançar com tuas pequenas asas?- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar estesonho...O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passoo dia a observar-te.- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan. 5
  • 6. - Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas sãodemasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, comgraça e experiência, tu cortas harmoniosamente...- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizerque nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que aáguia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenasuma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á apossibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequenopássaro que a ouvia atentamente:- Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinaresincansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento ecompreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática atua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas paraaqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmenteconhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade emteu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado anenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, seesta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende oequilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são sereslivres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender eser feliz com tua escolha! *** A ÁRVORE DOS PROBLEMASCerto fazendeiro resolve contratar um carpinteiro para uma série de reparos em suapropriedade. O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou,fazendo com que ele deixasse de ganhar uma hora de trabalho. Sua serra elétricaquebrou, e aí ele cortou o dedo. Como se não bastasse, no final do dia, seu carro nãofuncionou.Assim, o fazendeiro resolve oferecer carona para casa. Percorrida a viagem, ocarpinteiro convidou-o a entrar e conhecer sua família. Quando os dois se dirigiam àporta da casa, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou aspontas dos galhos com as duas mãos.Ao abrir a porta de casa, o carpinteiro já parecia outro: os traços tensos do seu rostotransformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou os filhos e beijou a esposa.Após uma alegre refeição, o fazendeiro agradeceu e despediu-se de todos. Ocarpinteiro acompanhou seu convidado até o carro.Assim que passaram pela árvore, o fazendeiro questionou seu anfitrião sobre o motivopelo qual ele tocara na planta antes de entrar em casa. 6
  • 7. - Ah! Esta é a minha planta dos problemas. Eu sei que não posso evitar todos osproblemas no meu trabalho, mas eles não devem chegar até os meus filhos e minhaesposa. Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta árvore quando chego emcasa, e só os pego de volta no dia seguinte. E o senhor quer saber de uma coisa? Todamanhã, quando volto para buscar meus problemas, eles não são nem metade daquiloque eu lembro de ter deixado na noite anterior.Jamais descarregue seus problemas e frustrações nos outros, principalmente naquelesque você tanto ama. *** A ÁRVORE ORGULHOSANo livro Fábulas e Lendas de Leonardo da Vinci, encontramos uma adaptação do conto“A árvore orgulhosa”. Diz ele: “No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia acada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outrasárvores. Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própriabeleza. E a castanheira foi removida. Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foiarrancada. Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E asmacieiras se foram.Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, atéficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. Olindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Maso vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, comgrande estrondo, derrubou-o ao chão. *** 7
  • 8. A BALSA DA MEDUSA Óleo sobre tela - Théodore Géricault Tela do pintor francês THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824)A BALSA DE MEDUSA (Museu do Louvre, Paris. - 40,64 cm X 56,69 cm)Antes do Titanic, houve um naufrágio que, tragicamente, entrou para os anais dosgrandes desastres marítimos.Foi a notícia mais terrível de 1816: a fragata Medusa naufragara quase no fim da suaviagem entre a França e o Senegal.A tragédia, ocorrida na ensolarada manhã de 2 de julho, deveu-se à superlotação e àimperícia do Comandante Hugues Chaumareys, um protegido de Luís XVIII, rei daFrança.Sabe-se que aproximadamente quatrocentos passageiros estavam à bordo, na entãoconsiderada a mais rápida e moderna embarcação de todos os tempos.As 147 pessoas que não conseguiram lugar no botes salvavidas amontoaram-se emuma pequena jangada construída precariamente com tábuas, cordas e partes domastro no qual ainda tremulavam pedaços da vela.Chamaram-na "A balsa da Medusa".Esfomeados e sem água para beber, muitos brigaram por um único pacote debiscoitos.Na escuridão da primeira noite, vinte dos que se equilibravam nas bordas da jangadadesapareceram no oceano.No segundo dia, 65 dos sobreviventes foram mortos a tiros pelos oficiais:aparentemente haviam enlouquecido e, furiosos, tentaram destruir a jangada.Dentre os náufragos famintos, desidratados e queimados pelo sol, estava o médicoJean-Baptiste Henry Savigny, que assumiu a liderança dos desesperados e, de imediato,mandou que todos bebessem água do mar diluída com urina, para diminuir os efeitosda desidratação. 8
  • 9. O Dr. Savigny começou, então, a dissecar os corpos dos que iam morrendo e adependurar as tiras de carne para secar ao sol e depois serem consumidas comoalimento.O tabu do canibalismo desfez-se como nas palavras de Dante, no canto XXXIII doInferno, ao descrever a cena em que o Conde Ugolino, preso numa torre, com os seusfilhos pequenos e sem alimento, tentou manter-se vivo comendo a carne dos quehaviam morrido: “Dois dias após a sua morte ainda os chorava, depois a fome foi maisforte do que o luto.”Decorridos 13 dias à deriva, os quinze sobreviventes restantes da “Balsa da Medusa”foram resgatados pelo Argus, um pequeno navio mercante.Inspirado nas narrativas dos sobreviventes da “Balsa da Medusa”, o pintor francêsThéodore Géricault (1791-1824), pintou, em 18 meses de trabalho ininterrupto, o queveio a ser a sua obra prima, em óleo sobre tela: “A balsa da Medusa.” http://www.interconect.com.br/clientes/pontes/diversos/medusa.htm ***Esta semana, durante minhas pesquisas na rede, me deparei com uma tela do pintorfrancês THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824) A BALSA DE MEDUSA (Museu do Louvre,Paris . 40,64 cm X 56,69 cm), que gostei muito. A pintura despertou minha curiosidadee então comecei a pesquisar os seus detalhes.Fiquei surpreso ao saber o seu significado e o que o pintor quis transmitir. Apósdescobrir o que inspirou o trabalho feito por Géricaut, decidi usar o mesmo nome“ABalsa de Medusa” para o nosso Blog. Assim como ocorreu com os personagens dahistória do naufrágio, também estaremos lidando com as adversidades enfrentadas porgestores, líderes, gerentes e funcionários de todos os níveis hierárquicos, no dia-a-diaprofissional e pessoal.Esta tela tinha como base um acontecimento contemporâneo, um naufrágio quecausou um grande escândalo político. O Medusa, navio do governo que transportavacolonos franceses para o Senegal, encalhou e afundou na costa oeste da África(próximo à costa de Marrocos em 2 de julho de 1816), em virtude da incompetência docapitão, nomeado por motivos políticos. O capitão e a tripulação foram os primeiros aevacuar o navio e embarcaram nos barcos salva-vidas, que puxavam uma jangadaimprovisada com os destroços do navio, com 149 passageiros amontoados. A certaaltura cortaram a corda que puxava a balsa, deixando os emigrantes à deriva sob o solequatorial por 12 dias (outras fontes relatam que a tempestade os arrastou por maraberto por mais de 27 dias sem rumo), sem comida nem água. Só 15 pessoassobreviveram. Géricault investigou o caso como um repórter, entrevistando ossobreviventes para escutar suas histórias terríveis de fome, loucura e canibalismo. Fezo máximo para ser autêntico, estudando até mesmo os corpos das vítimas. Construiuuma jangada-modelo em seu ateliê e chegou a se amarrar ao mastro de um pequenobarco durante uma tempestade, para melhor poder retratar o desespero dos 9
  • 10. sobreviventes. A linguagem corporal da luta, das pessoas contorcidas e dos passageirosdesnudos diz tudo a respeito da luta pela sobrevivência, tema que obcecava o artista.No quadro, pode-se observar as diferentes ATITUDES HUMANAS que se manifestamnos momentos cruciais da vida, naqueles momentos difíceis, em que uns se deixamabater pelo desânimo, mas outros não desanimam e agitam panos na esperança deserem vistos por algum navio.Esse quadro nos leva a uma reflexão: e se você estivesse naquela situação donaufrágio, em que lugar você estaria nessa pintura? http://balsademedusa.blogspot.com.br/ *** A BUSCA DO REINOLogo após Jesus concluir o famoso Sermão da Montanha, um homem do povo oprocurou, em particular, e assim se manifestou:– Senhor, que devo fazer para alcançar o Reino de Deus?O senhor examinou o íntimo daquele homem, apontou para a montanha onde haviafeito o seu sermão e recomendou:– Terás que rodear esta montanha!A exigência foi tão pequena que o homem ficou um pouco descrente. Ora, imaginava,rodear a montanha não seria tão difícil. Conhecia o lugar e, com um pouquinho só deesforço, atingiria aquele objetivo. De tão perplexo, voltou a perguntar:– Senhor, bastará rodear a montanha? E o Mestre repetiu:– Sim, faze isso!O candidato ao céu começou, naquele instante, sua caminhada. Deu alguns passos esua mente, bastante excitada pelo desejo de conquistar o Reino de Deus, caiu emprofunda meditação. Viu-se no Paraíso, coberto de luz e glórias celestes. Sentiu fortesemoções como a paz, a gratidão, o amor, a misericórdia e todos os sentimentosnobres. Sentiu que amava e era amado. Percebeu como eram mesquinhas aspreocupações dos homens, diante de tanta felicidade que o Reino de Deusproporcionava.Moveu-lhe um impulso muito forte de enxugar as lágrimas dos que choram, desocorrer os aflitos e de levar a luz a todos os lugares onde há trevas. Percebeu quediáfanas luzes caíam do alto, tocando-lhe o coração, deixando-o enternecido e feliz.Como desejava que todos os homens participassem daquele momento divino! E assimcaminhou, sem observar o caminho por onde passava, apenas sonhando, sonhando esonhando.Com uma sensação de fadiga, saiu daquele estado de ilusão. Neste instante, teve umgrande susto e ficou bastante impressionado: ele se encontrava exatamente no localonde iniciara a caminhada! Havia ou não circulado a montanha? Ele não sabiaresponder. Não se lembrava de absolutamente nada. 10
  • 11. Com imensa dúvida, e sem compreender o que se passara, ele decidiu que faria novaempreitada, desta vez mais atento ao caminho. Deu alguns passos e, sem se aperceber,voltou a sonhar com o Reino de Deus. as mesmas sensações se repetiram. Umafelicidade indescritível dominava-lhe o ser, fazendo-o viver a paz, a caridade, afraternidade, o amor ao próximo e todas as virtudes ensinadas pelo meigo Rabi daGaliléia.Quando despertou, com a mesma sensação anterior de fadiga, ficou perplexo: ele seencontrava, novamente, no local onde iniciara a caminhada! Não havia saído do lugar.Não conseguira rodear a montanha.Fez a terceira tentativa e a mesma coisa. Quando lembrou de si, estava ali, no ponto departida. Do que se passara, nada recordava. Desapontado, foi à procura do Mestre, aquem se dirigiu nestes termos:– Senhor, por que eu não consigo rodear a montanha?– Que buscavas? – perguntou Jesus.– O Reino de Deus – disse o homem.– Que viste? – completou o Senhor.– Nada, nada!– Que viste? – perguntou de novo o Senhor, agora tocando-lhe na testa.– Senhor!... agora lembro! Das três vezes que tentei circundar a montanha, eu fuitomado por uma visão celestial. Vi o Reino de Deus, representado pela paz, pelo amor,pela misericórdia, pela caridade...– Onde viste?– Em minha imaginação, em minha mente.– Tu que viste a paz, a gratidão, o amor, a misericórdia e todos os puros sentimentossaindo de dentro de ti, onde achas que encontrarás o Reino de Deus?Só então o homem recordou uma das lições do Mestre: “O Reino de Deus está dentrode vós”.APONTAMENTOS:  Se o Reino de Deus está dentro de nós, podemos dizer, por analogia, que o inferno também está dentro de nós. Fazer aflorar as delícias do reino ou as amarguras do Inferno é opção de cada um.  Em mão se espera que a felicidade venha de fora para dentro. Ela é um estado da mente. O jovem apaixonado é feliz ao lado de sua amada, quer estejam num palácio ou numa choupana.  Felicidade ou desgraça estão aí e vão continuar. Se você se sente na desgraça, saia dela. Inove, recomece, planeje, sonhe, crie, faça algo diferente. Não é a desgraça que nos deixa, somos nós que a deixamos. 11
  • 12.  Veja o lado bom da vida. Viva cada momento com a consciência de que você é feliz. No trabalho, na rua, no lar, na cama ou no chuveiro, deixe-se impregnar pela certeza de que você está usufruindo o melhor, para aquele momento.  Empolgue-se pela vida. Exercite a técnica do “valeu a pena”. Seja agradecido à vida. Recorde seu passado, mesmo os instantes menos felizes, com a conclusão de que “valeu a pena”.  Valeu a pena Ter nascido aqui; Ter conhecido determinadas pessoas; Ter passado por tal ou qual sofrimento; Ter namorado alguém. Valeu a pena.  “Vós sois a luz do mundo”(Mateus 5-14)Extraído do livro: “Histórias que Ninguém Contou, Conselhos que Ninguém Deu”Melcíades José de Brito – pg. 42 *** A CARTAUma carta escrita em um momento de desespero assinalaria o final de uma existência.Entre prantos e lágrimas, eram narradas todas as dificuldades de uma jornada marcadapor desilusões e infelicidades.Finalmente acabaria com essa trajetória trágica, não mais haveria dor. Ficariam paratrás todos aqueles que foram os seus algozes. Sim, não haveria outra saída para umaexistência marcada por tanto sofrimento.Contudo havia um problema, para quem escreveria aquela carta? Em meio a tanta dor,não se lembrava de um amigo. Aliás, se o tivesse, não precisaria recorrer a esse últimorecurso. Isto fortalecia sua decisão, não havia motivo para continuar, queria o descansoeterno.Porém, o problema continuava: quem receberia sua carta? De repente, em meio ao seudesequilíbrio, teve uma idéia: colocaria no correio enviando para sua própria pessoa, equando chegasse executaria a ação derradeira.Saindo para o correio percebeu que o céu estava com um lindo azul e que algumas avesvoavam apesar da poluição da cidade, não encontrando uma árvore sequer para osseus ninhos. Algumas flores, mesmo estando em terreno árido, insistiam emapresentar as suas cores.Suas observações foram interrompidas por uma colisão. Batendo em uma pessoa quevinha em direção oposta derrubou a carta, a qual se misturou com tantas outras cartasque a pessoa trazia.Pegou a carta e resmungando, "Nem para morrer se tem paz".Decidiu, então, não prosseguir para o correio, voltaria para casa e deixaria a cartaexposta, testemunha de sua dor para quem a encontrasse.Ao chegar em casa percebeu que aquela não era a sua carta; na colisão pegou a errada.E agora, quais serão as suas últimas palavras?Parou para ler a carta trocada e espantou-se com o que encontrou. A carta dizia: 12
  • 13. "Meu Deus, como posso lhe agradecer a presença amorosa em todos esses anos devida? É verdade que foram anos difíceis, mas nunca me abandonastes, mesmo nosmomentos de dor e solidão sempre encontrei Tua presença, aliviando o meu fardo.Hoje me arrependo por um dia ter pensado em pôr fim a minha vida, atentado contraTua Lei esquecendo-me que a morte não existe.Agora compreendo a necessidade de experiências difíceis para o meu crescimento. Porisso gostaria de fazer algo de bom. Pensei em escrever várias cartas pela cidadetransmitindo o seu amor. Confio que me guiarás para chegar às pessoas quenecessitam.Estou feliz, não porque as dores acabaram, mas porque encontrei a Tua companhia ecom ela vencerei todos os obstáculos.Irmão que recebeste esta carta confie, ore e prossiga. Não existem males intermináveise nem dores infinitas; a cada porta que se fecha novas luzes entram por outras janelasque se abrem.Confie, Deus guiará o seu caminho, lhe retirando as estradas das trevas para o caminhoda luz. Lembre-se que nenhuma ovelha se perderá".Ao terminar a leitura chorou de arrependimento e conversou com o Pai de InfinitaMisericórdia. Novas energias chegaram ao seu coração, que se acalentou. Então,percebeu que há muitos dias não abria as suas janelas, havia se fechado para a vida.Correu e abriu as janelas, deixando a luz entrar e retomou a vida, agradecendo a Deuspor ela e por aquela carta que lhe trouxera nova direção. *** A CASA QUEIMADAUm certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus, esabia que Deus o protegeria.Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar um dos motores falhou e o piloto teveque fazer um pouso forçado no oceano.Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que oconservasse em cima da água.Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por este livramentomaravilhoso da morte.Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas.Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço conseguiu construir umacasinha para ele.Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significavaproteção.Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormirsem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha. 13
  • 14. Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca. Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual tamanha não foi sua decepção, ao ver sua casa toda incendiada. Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos: "Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar e o Senhor deixou minha casa se queimar todinha. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?" Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo: "Vamos rapaz?" Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro todo fardado e dizendo: "Vamos rapaz, nós viemos te buscar" "Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?" "Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante." MORAL DA HISTÓRIA É comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas vão mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Lembrem-se: Se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até nós algo mais importante e melhor. Procure nunca pensar no pior, pois Deus é justo e bom e visa sempre o nosso bem. *** A CAUDA DO MUNDO Havia um homem pobre que desejava algum dinheiro e tinha ouvido dizer que se conseguisse agarrar um gênio poderia ordenar-lhe que lhe trouxesse dinheiro ou qualquer outra coisa que desejasse. Estava, portanto, muito ansioso para agarrar um gênio. Foi procurar um homem que lhe desse um gênio, e acabou por encontrar um sábio com grandes poderes. Solicitou seu auxílio e o sábio perguntou-lhe o que faria ele com um gênio. - Desejo um gênio para trabalhar em meu benefício. Ensinai-me como agarrar um, senhor. Desejo isso mais que tudo. Mas o sábio respondeu: - Não vos preocupeis. Voltai para a vossa casa. No dia seguinte, o homem tornou a procurar o sábio, e começou a chorar e a suplicar:- Dai-me um gênio. Preciso de um gênio, senhor, para ajudar-me. 14
  • 15. O sábio acabou por aborrecer-se, e disse-lhe:- Tomai este talismã, repeti esta palavra mágica e o gênio virá, fazendo o que quer quelhe ordeneis fazer. Mas tende cuidado. Os Gênios são terríveis e devem ser mantidosconstantemente ocupados. Se deixardes de dar trabalho ao vosso, ele vos tirará a vida.O homem respondeu:- Isso é fácil. Posso dar-lhe trabalho por toda a sua vida.Então, foi à floresta, e depois de Ter repetido longamente a palavra mágica, um enormegênio lhe apareceu e disse:- Sou um gênio. Fui conquistado por tua magia, mas deves manter-me constantementeocupado. No momento em que deixares de me dar trabalho, eu te matarei.O homem disse:- Constrói-me um palácio.O gênio respondeu:- Está feito. O palácio já está construído.- Dá-me dinheiro - falou o homem.- Aqui está o seu dinheiro - replicou o gênio- Derruba esta floresta e constrói uma cidade em seu lugar.- Está feito - disse o gênio - Mais alguma coisa?Então o homem começou a se assustar e pensou que nada mais poderia ordenar aogênio, que fazia tudo num abrir e fechar de olhos.O gênio declarou:- Dá-me algo para fazer senão eu te comerei.O pobre homem já não encontrava ocupação para ele e estava apavorado. Correu,correu, e por fim encontrou o sábio e disse-lhe:- Oh! Senhor, protegei a minha vida.O sábio perguntou-lhe o que lhe acontecia, e o homem respondeu:- Não tenho mais nada para ordenar ao gênio. Tudo o que eu lhe digo, ele faz nummomento, e ameaça comer-me se não lhe der trabalho.Nesse momento chegou o gênio, dizendo:- Eu te comerei.E ia comer o homem, que começou a tremer, suplicando ao sábio que lhe salvasse avida. O sábio falou:- Encontrarei uma saída. Olhai para este cão, que tem a cauda curva.Arrancai rapidamente a vossa espada e cortai-lhe a cauda, dando-a ao gênio paraendireitá-la.O homem cortou a cauda e, lenta e cuidadosamente, o gênio endireitou-a. Mal, porém,largou dela, eis que de novo se enrolou. Assim ficou durante dias e dias, até que sesentiu exausto e disse:- Nunca na minha vida tive transtorno igual. Sou velho, um gênio veterano, mas nuncacheguei a transtorno igual. Vou fazer uma combinação contigo:liberta-me, e poderás conservar tudo quanto lhe dei, com a minha promessa de que nãote farei mal.O homem ficou encantado e aceitou alegremente a oferta. 15
  • 16. Este mundo é como a cauda enrolada de um cão, e as pessoas levam a lutar paraendireitá-la durante centenas de anos. Quando largam dela, eis que de novo se enrola.Como poderia ser de outra maneira?É preciso, primeiro, saber como trabalhar sem apego, par que não se chegue a ser umfanático. Quando soubermos que este mundo é como a cauda enrolada de um cão,cauda que jamais poderá ser endireitada não nos tornaremos fanáticos. Se não houvessefanatismo no mundo, ele progrediria muito mais do que agora. É um erro supor que ofanatismo pode impulsionar o progresso da humanidade. Pelo contrário, é um elementoque retarda esse progresso, gerando ódio e cólera, e levando os indivíduos a lutarem unscontra os outros, fazendo-os sentirem-se mutuamente antipáticos.Pensamos que o que quer que possuamos ou façamos é a melhor coisa do mundo, e queo que não possuímos nem fazemos nada vale. Lembrai-vos sempre, portanto, da históriada cauda enrolada do cão, de cada vez que tiverdes tendência para vos fanatizar. Nãoprecisai preocupar-vos ou ficar insones por causa do mundo, ele seguirá sem vós.Quando tiverdes evitado o fanatismo, e só então, trabalhareis bem. O homem de cabeçabem equilibrada, o homem calmo, de bom julgamento e nervos frios, dotado de grandecapacidade de simpatia e amor, é o que faz bom trabalho, e assim fazendo, faz bem a sipróprio. O fanático é insensato e não tem simpatia. Jamais pode endireitar o mundo,nem se tornará puro ou perfeito. Por Swami Vivekananda (Texto extraído do livro As Quatro Yogas de Auto-Realização – Swami Vivekananda - Ed. Pensamento.) *** A CIDADE DOS RESMUNGOS William Bennett Era uma vez um lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam, resmungavam. No verão, resmungavam que estava muito quente. No inverno, que estava muito frio. Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair. Quando fazia sol, reclamavam que não tinham o que fazer. Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs. Todos tinham um problema, e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa. Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto às costas. Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, pôs o cesto no chão e gritou: - Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras estão cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundância. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade. 16
  • 17. Ora, a camisa do mascate estava rasgada e puída. Havia remendos nas calças e buracosnos sapatos. As pessoas riram que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como serfeliz. Mas enquanto riam ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre osdois postes na praça da cidade.Então segurando o cesto diante de si, gritou:- Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam seus problemas numpedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!A multidão se aglomerou ao seu redor. Ninguém hesitou diante da chance de se livrardos problemas. Todo homem, mulher e criança da vila rabiscou sua queixa num pedaçode papel e jogou no cesto.Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Quando eleterminou, havia problemas tremulando em cada polegada da corda, de um extremo aoutro. Então ele disse:- Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puderencontrar.Todos correram para examinar os problemas. Procuraram, manusearam os pedaços depapel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema. Depois de algumtempo a corda estava vazia.Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto. Cadapessoa havia escolhido os seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo. E sempreque alguém sentia o desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na suacorda mágica. *** A DANÇAHá uma linda história, que eu gostaria de contar. Aconteceu na vida de um grandemúsico indiano, Tansen. Ele estava na corte do grande Akbar – e era incomparável.Uma vez, Akbar perguntou:– Não consigo imaginar que alguém possa superá-lo. Parece quase impossível. Massempre que eu penso nisso, uma idéia me vem à mente: que você deve ter sido discípulode um mestre, e – quem sabe? – talvez ele o supere.– Quem é seu mestre?, está vivo ainda? Se estiver vivo, convide-o para vir à corte.– Ele está vivo – respondeu Tansen –, mas não pode ser convidado para a corte, porqueé como um animal selvagem. Não é um homem de sociedade. É como os ventos oucomo as nuvens. Um andarilho sem lar. E mais: você não pode pedir a ele que cante outoque, isso não é possível. Quando quer que ele sinta, ele canta. Sempre que sente,dança. Teremos que ir até ele, esperar e observar.Akbar ficou tão encantado, louco pelo que disse Tansen.– E o mestre dele está vivo. Onde quer que esteja eu irei – disse Akbar. 17
  • 18. O mestre era um faquir errante. Seu nome era Haridas. Tansen enviou mensageiros para investigar onde estava. Foi encontrado perto do rio Jamuna, numa cabana. Akbar e Tansen foram ouvi-lo. Os aldeões lhes disseram: – Perto das três da manhã, bem no meio da noite, às vezes ele canta e dança. Mas, por outro lado, permanece sentado em silêncio durante o dia todo. Assim, no meio da noite, Akbar e Tansen, escondidos como ladrões atrás da cabana, ficaram esperando. Em seguida Haridas começou a cantar e a dançar. Akbar estava hipnotizado. Não podia proferir uma única palavra, porque nada teria sido suficiente. Chorava. E enquanto voltavam, depois que a canção parou, ele permaneceu silencioso. As lágrimas ainda rolavam. Quando chegou ao palácio, ainda nos degraus, disse ele a Tansen: – Eu costumava pensar que ninguém era capaz de superá-lo; costumava pensar que você era o único, mas agora tenho que admitir que você não é nada, comparado a seu mestre. Por que tanta diferença? – A diferença é simples – respondeu Tansen. – Eu canto, eu toco para ganhar alguma coisa: poder, prestígio, dinheiro, admiração. Minha música ainda é um meio para outro fim. Eu canto para conseguir alguma coisa e meu mestre canta porque ele já conseguiu. Essa é a diferença. Ele canta somente. Quando está pleno do Divino e não pode contê-lo mais, quando transborda, somente então ele canta. Seu canto é um fim em si mesmo. Ele celebra! Extraído do Livro “Histórias Maravilhosas para Ler e Pensar” – Neila Tavares *** A ESTÓRIA DO MARTELO Quando ficamos muito preocupados e sofremos por antecipação, geralmente imaginamos coisas ou tiramos conclusões antecipadas de algo que ainda nem ocorreu, muitas vezes equivocadas. É a tal ansiedade tomando conta de nós. Não devemos deixar essa sensação de medo, de insegurança tomar conta do nosso íntimo, fazendo com que sofremos por antecipação, ou pior, que tomemos atitude “insanas" pelo simples fato de não sabermos esperar. Veja o que acontece quando nos antecipamos aos acontecimentos: Um homem queria pendurar um quadro. O prego ele já tinha, só faltava o martelo. O vizinho possuía um, e o nosso homem resolveu ir até lá pedi-lo emprestado. Mas ficou em dúvida:"E se o vizinho não quiser me emprestar o martelo?Ontem ele me cumprimentou meio secamente.Talvez estivesse com pressa.Mas isso devia ser só uma desculpa.Ele deve ter alguma coisa contra mim. 18
  • 19. Mas por quê? eu não fiz nada!Ele deve estar imaginando coisas.Se alguém quisesse emprestar alguma ferramenta minha eu emprestariaimediatamente.Por que ele não quer me emprestar o martelo?Como é que alguém pode recusar um simples favor desses a um semelhante?Gente dessa laia só complica a nossa vida.Na certa, ele imagina que eu dependo dele só porque ele tem um martelo. Mas, agorachega!"E correu até o apartamento do vizinho, tocou a campainha, o vizinho abriu a porta. Masantes que pudesse dizer "Bom Dia", o nosso homem berrou:"Pode ficar com o seu martelo, seu imbecil!" Do livro: Sempre Pode Piorar ou A Arte de Ser (In) Feliz - Uma abordagem psicológica de Paul Watzlawick - Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Quantas vezes deixamos de realizar algo bom pensando no que os outros iriam pensar de nós! www.metaforas.com.br http://flavissimazary.blogspot.com/2011_03_01_archive.html *** A ESTRELA VERDE Era uma vez... Milhões e milhões de estrelas no céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, lilazes, prateadas, douradas, vermelhas, azuis. Um dia, elas procuraram o Senhor Deus, Todo-Poderoso, o Senhor Deus do Universo e disseram-lhe: - Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens. - Assim será feito - respondeu Deus. - Conservarei todas vocês pequeninas, como são vistas, e podem descer à Terra Conta-se que naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar e correr com os vaga-lumes, no campo, outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada. Porém, passado algum tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o Céu, deixando a Terra escura e triste. - Por que voltaram? - perguntou Deus, a medida que elas chegavam ao Céu. - Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria, muita desgraça, muita fome, muita violência, muita guerra, muita maldade e muita doença. E o Senhor lhes disse: - Claro, o lugar real de vocês é aqui no Céu. A Terra é o lugar do transitório, daquilo que se passa, do ruim, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, é onde nada é 19
  • 20. perfeito. Aqui no Céu, é o lugar da perfeição. O lugar onde tudo é imutável, onde tudo éeterno, onde nada padece.Depois de chegarem todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo:- Mas está faltando uma estrela. Perdeu-se no caminho?Um anjo, que estava perto retrucou:- Não, Senhor. Uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que seu lugaré exatamente onde existe imperfeição, onde há limites onde as coisas não vão bem.- Mas que estrela é essa? - Voltou Deus a perguntar.- Por coincidência, Senhor, era a única estrela dessa cor.- E qual é a cor dessa estrela? - insistiu Deus.E o anjo disse:- A estrela é verde, Senhor. A estrela verde do sentimento de esperança.E quando então olharam para a Terra, a estrela não estava só.A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma estrela verde no coração decada pessoa. Porque o único sentimento que o homem tem e Deus não tem é aesperança. Deus já conhece o futuro, e a esperança é própria da natureza humana.Própria daquele que cai, daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele queainda não sabe como será seu futuro. *** A FÁBRICA DOS PENSAMENTOSEra uma vez, uma linda fábrica chamada mente que produzia pensamentos. Essespensamentos eram neutros – nem bons nem ruins. Para produzir esses pensamentosela ia buscar a matéria prima no fornecedor chamado coração.O coração lhe fornecia os insumos básicos chamados sentimentos. Na fábrica cadapensamento produzido era mergulhado num sentimento escolhido e assim ficavapronto o produto final: um pensamento revestido de sentimento.A matéria prima sentimentos era encontrada de dois tipos: densa ou sutil. Na densaencontramos uma grande variedade em forma de mágoa, culpa, intolerância,ressentimento, ciúme, crítica, orgulho, ansiedade, medo, exagero, vingança,agressividade, compulsão, gula, raiva, ódio, preconceito, egoísmo, desonestidade,ilusão, solidão, rigidez, insegurança, mentira, pressa repressão, tristeza, vício, vaidade,impaciência, depressão, etc...Na sutil também tinha uma enorme variedade de sentimentos: humildade, perdão,coragem, amor, compaixão, honestidade, compreensão, solitude, paz, justiça,paciência, tolerância, segurança, sinceridade, desapego, calma, tranqüilidade, alegria,serenidade, confiança, esperança, etc...Esse produto final era enviado ao mercado chamado meio ambiente para que aspessoas pudessem escolher, por sintonia, e levá-los consigo, passando a vibrar namesma freqüência vibratória do produto escolhido; ou então, o produto final eraenviado diretamente ao cliente, que só recebia se tivesse sintonia, ou seja, se vibrassena mesma freqüência do produto pensamento lhe enviado. 20
  • 21. Uma parte, do que a fábrica produzia, não podia ser reciclada, e era lançada ao riochamado corpo físico. A depender do tipo de matéria prima utilizada – sentimentosdensos ou sentimentos sutis – o rio ficava ou não poluído.O rio corpo físico ficava poluído, sempre que recebia material dos produtos feitos coma matéria prima dos sentimentos densos.O processo de limpeza do rio corpo era chamado de doença. Esta expurgava do corpotodo o material denso que a fábrica tinha lhe lançado. Quanto mais matéria prima desentimento denso era utilizada na produção do produto pensamento, mais poluído orio ficava e mais grave era a doença como processo de limpeza do rio corpo.Após o processo de doença o rio corpo voltava a respirar tranqüilo, sereno, alegre efeliz.O rio corpo físico permanecia saudável e radiante, sempre que a fábrica produziapensamentos recheados de sentimentos sutis. *** A FACE DE DEUSHavia um pequeno menino que queria se encontrar com Deus.Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente, portanto ele encheu sua mochilacom pastéis e guaraná, e começou sua caminhada.Quando ele andou umas 3 quadras, encontrou um velhinho sentado em um banco dapraça olhando os pássaros.O menino sentou-se junto dele, abriu sua mochila, e ia tomar um gole de guaraná,quando olhou o velhinho e viu que ele estava com fome, então ofereceu-lhe um pastel.O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu ao menino.Seu sorriso era tão incrível que o menino quis ver de novo, então ele ofereceu-lhe seuguaraná.Mais uma vez o velhinho sorriu ao menino.O menino estava muito feliz!Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pastel e bebendo guaraná pelo resto da tardesem falarem um ao outro.Quando começou a escurecer o menino estava cansado e resolveu voltar para casa,mas antes de sair ele se voltou e deu um grande abraço no velhinho.O velhinho deu-lhe o maior sorriso que o menino já havia recebido.Quando o menino entrou em casa, sua mãe surpresa perguntou ao ver a felicidadeestampada em sua face!"O que você fez hoje que te deixou tão feliz?Ele respondeu."Passei a tarde com Deus" e acrescentou "Você sabe, ele tem o mais lindo sorriso queeu jamais vi"Enquanto isso, o velhinho chegou em casa radiante, e seu filho perguntou:"Por onde você esteve que te deixou tão feliz?" 21
  • 22. Ele respondeu:"Comi pasteis e tomei guaraná no parque com Deus".Antes que seu filho pudesse dizer algo ele falou:"Você sabe que ele é bem mais jovem do que eu pensava?"REFLEXÃO:Nunca subestime a força de um sorriso, o poder de uma palavra, de um ouvido paraouvir, um honesto elogio, ou até um ato de carinho.Tudo isso tem o potencial de fazer virar uma vida.Muitas vezes, por medo de nos "diminuir" deixamos de crescer, por medo de chorar,deixamos de sorrir!!!A face de Deus está em todas as pessoas e coisas se forem vistas por nós com os olhosdo amor e do coração. *** A FELICIDADE NÃO ESTÁ ONDE SE PROCURA Conto sufiNasrudin (*) encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho eperguntou-lhe os motivos de tanta aflição- Não há nada na vida que interesse, irmão. Tenho dinheiro suficiente para não precisartrabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vidaque levo em casa. Até agora, eu nada encontrei.Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo,correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boadistância. A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por váriosatalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que haviaroubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro.Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz doque nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão,correu para pegá-la, dando gritos de alegria.- Essa é uma maneira de se produzir felicidade - disse Nasrudin. ***(*) Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveuhistórias onde ele próprio era personagem. São histórias que atravessaram fronteirasdesde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjuntoque integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, filosofia de autoconhecimento deantiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. 22
  • 23. O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. Asordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islã sunita, islã xiita, a umacombinação de várias correntes, ou a nenhuma delas. O pensamento sufi se fortaleceuno Médio Oriente no século VIII e encontra-se hoje por todo o mundo.De acordo com as grandes escolas de jurisprudência islâmica, o sufismo é consideradocomo um movimento herético, tendo sido, por isso, perseguido inúmeras vezes aolongo da história.Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia deautoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nemsempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a umobservador que esteja fora do contexto de trabalho. Estas práticas devem ser aplicadaspor um professor. Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por este conceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelos próprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus. Fontes: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/sufin.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo *** A FITA ROXAUm certo professor tinha o hábito de dar, no fim dos estudos, um fita roxa na qual sepodia ler: “A pessoa que sou faz toda a diferença” (Impressas com letras douradas.)Nessa altura, dizia a cada estudante porque razão o apreciava e porque razão as aulaseram diferentes graças a ele.Um dia, teve a idéia de estudar este processo sobre a comunidade, e enviou os seusestudantes para entregar fitas a todos aqueles que conheciam e que “faziam toda adiferença”.Deu-lhes 3 fitas pedindo-lhes o seguinte:“Entreguem uma fita roxa à pessoa que escolherem dizendo-lhe porque razão ela faztoda a diferença para vocês, e dêem-lhe duas outras fitas para que ela própria entreguetambém a alguém e assim sucessivamente. Depois, façam-me um relatório dosresultados.”Um dos estudantes saiu e foi entregar a fita ao patrão (porque trabalhava a meiotempo) um fulano bastante rabugento, mas que, no fundo, apreciava.O patrão ficou surpreendido, mas respondeu: 23
  • 24. “Pois bem, pois bem, claro, com certeza...” O rapaz continuou, “E aceitaria ficar com as 2 outras fitas roxas para as dar a alguém que, para si, faz toda a diferença, tal como acabei de fazer? É para um inquérito que estamos a realizar na universidade.” “Esta bem.” E, a noite, o nosso homem voltou para casa com a fita presa no casaco. Cumprimentou o filho de 14 anos, e contou-lhe o sucedido: “Hoje, aconteceu-me uma coisa espantosa. Um dos meus empregados deu-me uma fita roxa na qual está escrito, como podes ver: “A pessoa que sou faz toda a diferença”. "Deu-me uma outra fita para entregar a alguém que conte muito para mim. Hoje o dia foi difícil, mas no regresso pensei que havia uma pessoa, uma só, à qual tinha mesmo vontade de dar. Estás a ver, ralho muitas vezes contigo porque não trabalhas o suficiente, porque só pensas em sair com os amigos, porque o teu quarto é uma perfeita desordem... Mas hoje quero dizer-te que tu és muito importante para mim. Tu fazes, juntamente com a tua mãe, toda a diferença na minha vida e gostaria que aceitasses esta fita roxa como testemunho do meu amor. Não te digo muitas vezes, mas és um miúdo formidável!" Mal acabou de falar, o rapaz começou a chorar, a chorar, com o corpo todo a tremer de soluços. O pai agarrou-o nos braços e disse-lhe: “Bom, bom... Disse alguma coisa que te magoou?” “Não pai... mas... snif... tinha decidido suicidar-me amanhã. Tinha tudo organizado porque tinha a certeza de que não me amavas apesar dos meus esforços para te agradar. Agora tudo mudou.” Pense nisso, você pode mudar o rumo da vida de alguém! Para melhor! *** A FORTUNA E O MENDIGO(William J. Bennett - org. O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral Editora Nova Fronteira) Um dia, um mendigo esfarrapado estava se arrastando de casa em casa, carregando uma malinha velha; em cada porta, pedia alguns centavos para comprar comida. Queixava-se da vida, imaginando por que as pessoas que tinham bastante dinheiro nunca estavam satisfeitas, sempre querendo mais. - Por exemplo, o dono desta casa disse - , eu o conheço muito bem. Sempre foi bem nos negócios e, há muito tempo, ficou imensamente rico. Pena que não teve a sabedoria de parar por ali. Podia ter transferido os negócios a outra pessoa e passado o resto da vida descansando. Mas, em vez disso, o que foi que ele fez? Resolveu construir navios, 24
  • 25. enviando-os para comerciar com países estrangeiros. Pensou que ia ganhar montanhas em ouro. "Mas caíram fortes tempestades; os navios naufragaram e toda a sua riqueza foi engolida pelas ondas. Agora, todas as suas esperanças jazem no fundo do mar, e sua grande riqueza desapareceu, como se acordasse de um sonho." "Há muitos casos como esse. Os homens nunca ficam satisfeitos enquanto não conseguem ganhar o mundo inteiro!" "Quanto a mim, se tivesse o suficiente para comer e me vestir, não ia querer mais nada!" Nesse momento, a Fortuna veio descendo a rua e parou quando viu o mendigo. Disse- lhe: - Escute! Há muito tempo venho querendo ajudá-lo. Segure sua malinha enquanto eu despejo umas moedas de ouro nela. Mas só faço isso com uma condição: o que ficar na malinha será ouro puro, mas o que cair no chão vai virar poeira. Está compreendendo? - Sim, sim, claro que compreendo - disse o mendigo. - Então tome cuidado - disse a fortuna. - Sua malinha está velha, é melhor não a encher muito. O mendigo estava tão contente que mal podia esperar. Abriu rapidamente a malinha e uma torrente de moedas de ouro foi despejada ali dentro. Logo, a malinha foi ficando muito pesada. - Já é o bastante? - perguntou a Fortuna. - Ainda não. - Mas ela já não está rachando? - Que nada! As mãos do mendigo começaram a tremer. Ah, se a torrente de ouro pudesse fluir para sempre! - Agora você já é o homem mais rico do mundo! - Só mais um pouquinho - disse o mendigo. - Só mais uns punhados. - Pronto, já está cheia. Essa malinha vai explodir! - Mas ainda agüenta um pouquinho, só mais um pouquinho! Caiu mais uma moeda - e a malinha estourou. O tesouro caiu ao chão e virou poeira. A Fortuna havia desvanecido. Agora, o mendigo só tinha mesmo a malinha vazia, ainda por cima rasgada de alto abaixo. Estava mais pobre do que antes. *** A GALINHA E A ÁGUIAEra uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. 25
  • 26. - De fato - disse o homem - é uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é maiságuia. É uma galinha como as outras.- Não, - retrucou o naturalista - ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um diavoar às alturas.- Não - insistiu o camponês - ela virou galinha e jamais voará como águia.Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e,desafiando-a, disse:- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abrasuas asas e voe!A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente aoredor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!- Não, - tornou a insistir o naturalista - ela é uma águia. E uma águia sempre será umaáguia. Vamos experimentar novamente amanhã.No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.Sussurrou-lhe:- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar juntodelas.O camponês sorriu e voltou a carga:- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!- Não, - respondeu firmemente o naturalista - ela é águia e possui sempre um coração deáguia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia,levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos dasmontanhas.O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suasasas e voe!A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então,o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhospudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.Foi quando ela abriu suas potentes asas.Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cadavez mais para o alto.Voou. E nunca mais retornou. De Edna Feitosa Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. 26
  • 27. *** A GALINHA VERMELHAUma galinha vermelha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:- Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?- Eu não!, disse a vaca.- Nem eu!, emendou o pato.- Eu também não!, falou o porco.- Então eu mesma planto!, disse a galinha vermelha.E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.- Quem vai me ajudar a colher o trigo?, quis saber a galinha.- Não faz parte de minhas funções!, disse o porco.- Eu não me arriscaria a perder o seguro-desemprego!, exclamou o pato.- Então eu mesma colho!, falou a galinha. E colheu o trigo ela mesma.Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.- Quem vai me ajudar a assar o pão?, indagou a galinha vermelha.- Só se me pagarem hora extra!, falou a vaca.- Eu não posso por em risco meu auxílio-doença!, emendou o pato.- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão!, disse o porco.Ela então assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmentedisse- Não, eu vou comer os cinco pães sozinha.- Lucros excessivos!, gritou a vaca.- Sanguessuga capitalista!, exclamou o pato.- Eu exijo direitos iguais!, bradou o ganso.O porco, esse só grunhiu.Eles pintaram faixas e cartazes dizendo "Injustiça" e marcharam em protesto contra agalinha, gritando obscenidades.Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:- Você não pode ser assim egoísta!- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor!, defendeu-se a galinha.- Exatamente!, disse o funcionário do governo.- Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quantoquiser. Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadoresmais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada!E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha, que sorriue cocoricou:- Eu estou grata! Eu estou grata! 27
  • 28. Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez um pão, porque após um ano todos morreram de fome, e por que a fazenda faliu...Moral da estóriaQuando não se valoriza quem trabalha, corre-se o risco de entrar em falência moral,intelectual, social, econômica e cultural!O trabalho, é lei da Natureza mediante a qual o homem forja o próprio progressodesenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando osrecursos de preservação da vida, por meio das suas necessidades imediatas nacomunidade social onde vive. Desde as imperiosas necessidades de comer e beber,defender-se dos excessos climatéricos até os processos de garantia e preservação daespécie, pela reprodução, o homem vê-se coagido a lei do trabalho.A lei do trabalho impõe-se a todos e ninguém fugirá dela impunemente, deixando deser surpreendido mais adiante... A homem algum é permitido usufruir os benefícios dotrabalho de outro sem a justa retribuição e toda exploração imposta pelo usuáriorepresenta cárcere e algema para si próprio.Ninguém logrará resultado excelente, sem esforçar-se, conferindo à obra do bem omelhor de si mesmo. *** A HISTÓRIA DA LAGARTAImagine uma lagarta. Passa grande parte de sua vida no chão, olhando os pássaros,indignada com seu destino e com sua forma."Sou a mais desprezível das criaturas", pensa."Feia, repulsiva, condenada a rastejar pela terra."Um dia, entretanto, a Natureza pede que faça um casulo.A lagarta se assusta - jamais fizera um casulo antes.Pensa que está construindo seu túmulo, e prepara-se para morrer.Embora indignada com a vida que levou até então, reclama novamente com Deus."Quando finalmente me acostumei, o Senhor me tira o pouco que tenho."Desesperada, tranca-se no casulo e aguarda o fim.Alguns dias depois, vê-se transformada numa linda borboleta.Pode passear pelos céus, e ser admirada pelos homens.Surpreende-se com o sentido da vida e com os desígnios de Deus. *** A HISTÓRIA DE UM JARDIMAmanheceu, o dia era lindo, o sol brilhava, o jardim cheio de flores, cada uma delasmais imponente e perfumada que a outra, começava enfim a primavera.Haviam rosas desabrochando, papoulas excitadas, jasmins que balançavam ao vento,margaridas em grupos, violetas excêntricas. 28
  • 29. O jardim mais parecia uma festa a luz do dia.Todos que ali passavam admiravam a riqueza daquele instante, a profundidadedaquele momento e podiam sentir aquele aroma que trazia paz.O colorido era maravilhoso, rosas vermelhas, margaridas amarelas, violetasroxas....tudo perfeito, tudo completo.A grama completava aquele cenário irretocável e os raios de sol pousavam paraemoldurar aquele momento.Chegou então o JARDINEIRO, para dar amor e carinho àquelas flores, fez o seu serviçoem silêncio.Podou, regou, plantou novas sementes, quando de repente percebeu que eraobservado por alguém que lhe disse:- Que belo jardim, você é um artista, conseguir manter assim tudo perfeito, é uma arte.Ele então respondeu: ...mas não está tudo perfeito! Olhe ali no centro do jardim, está vendo aquelaorquídea? Ela está triste, ela está chorando, ela está sofrendo muito.- Mas você consegue enxergar isso? Eu não estou conseguindo perceber, ela me parecetão linda!- Você não consegue perceber, porque a beleza que ela traz por fora esconde a tristezaque ela carrega por dentro, mas eu posso perceber, porque os meus olhos, moram nomeu coração e é só por isso que sou um artista.Conservar a beleza de um jardim, não é ser artista, ser artista é perceber, entender,aceitar e sentir a tristeza de uma única flor que se esconde no meio de tantas. *** A LATINHA DE LEITEUm fato real. Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um deles de cincoanos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira omorro. Estavam famintos "vai trabalhar e não amole", ouvia-se detrás da porta; "aquinão há nada moleque...", dizia outro...As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma senhoramuito atenta disse-lhes "Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!"Evoltou com uma latinha de leite.Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez anos"vocêé mais velho, tome primeiro..." e olhava para ele com seus dentes brancos, a bocasemi-aberta, mexendo a ponta da língua.Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando de ladopara o pequenino! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente oslábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. Depois, estendendo a lata,diz ao irmão: 29
  • 30. "Agora é sua vez, só um pouco." E o irmãozinho, dando um grande gole exclama"comoestá gostoso!""Agora eu", diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebenada. "Agora você", "Agora eu", "Agora você", "Agora eu"...E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado,barrigudinho, com a camisa de fora esgota o leite todo... ele sozinho.Esse "Agora você", "Agora eu" encheram-me os olhos de lágrimas...E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou acantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o estômago vazio,mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a naturalidade de quem não feznada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazercoisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância.Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, "quem dá é mais feliz do quequem recebe". É assim que nós temos de amar. Sacrificando-nos com tal naturalidade,com tal elegância, com tal discrição, que os outros nem sequer possam agradecer-nos oserviço que nós lhe prestamos. *** A LENDA DA CONCHA!Há muito tempo não chovia naquela terra. Estava tão quente e seco que as floresficaram murchas, o capim tornara-se marrom e até mesmo as árvores grandes e fortesestavam morrendo.A água evaporou nos rios e nos córregos, os poços estavam secos e as fontes pararamde jorrar. As vacas, os cães, os cavalos, os pássaros e todas as pessoas tinham muitasede. Todos se sentiam incomodados e doentes.Havia uma menininha cuja mãe ficara muito doente. - Oh! Se eu puder encontrar umpouco d’água para minha mãe, tenho certeza de que ela ficará bem outra vez. Eupreciso achar água.Então ela pegou uma concha de lata e começou a procurar água. Encontrou umapequenina fonte no alto da encosta da montanha. A fonte estava quase seca. A águapingava muito devagar por sob a pedra.A menininha posicionou a concha cuidadosamente e colheu as gotas. Ela esperoumuito, muito tempo até que a concha ficasse cheia d’água. Então, ela começou adescer a montanha segurando a concha com muito cuidado, por que não queriaderramar uma gota sequer.No caminho ela encontrou um pobre cachorrinho. Ele mal se arrastava. Arfavasofregamente à procura de ar e sua língua estava pendurada de tão seca.- Oh, pobre cachorrinho! - disse a menininha - você está com muita sede. Eu não possodeixá-lo sem um pouco de água. Se eu lhe der só um pouquinho, ainda restará bastantepara minha mãe. Então a menininha verteu um pouco d’água em sua mão e deu debeber ao cachorrinho. 30
  • 31. Ele tomou a água bem depressa e se sentiu tão melhor que pulou e latiu como quedizendo: "obrigada menininha". A menina não reparou, mas sua concha de lata se havia transformado numa concha deprata e estava tão cheia de água quanto antes.Pensou em sua mãe e andou o mais depressa possível. Chegou em casa no final datarde, quando já escurecia. A menininha abriu a porta e correu para o quarto da mãe.Quando entrou no quarto, a velha empregada que ajudava no serviço e trabalhara odia inteiro sem descansar tomando conta da doente, caminhou até a porta. Ela estavatão cansada e com tanta sede que nem conseguiu falar com a menininha. - Dê-lhe um pouco d’água! - disse a mãe - ela trabalhou o dia inteiro, e precisa mais deágua do que eu.A menininha levou a concha aos lábios da velha e ela bebeu parte da água. Na mesmahora, a empregada se sentiu melhor e mais forte; caminhou até a mãe e a levantou.A menininha não reparou que a concha transformara-se em ouro e estava tão cheia deágua quanto antes.Então levou a concha até os lábios da mãe, que bebeu e bebeu. A mãe se sentiu tãomelhor! Quando terminou de beber, ainda havia um pouco de água na concha. Amenininha ia levá-la aos próprios lábios, quando ouviu uma batida na porta.A empregada foi abrir e lá estava um forasteiro muito abatido e coberto de poeira daestrada.- Estou com sede - disse - quer me dar um pouco de água?A menininha respondeu:- Claro que sim, tenho certeza de que você precisa mais do que eu. Beba tudo.O forasteiro sorriu e tomou a concha nas mãos; quando a segurou, ela transformou-senuma cocha de diamantes.Ele a virou de cabeça para baixo e a água derramada se infiltrou no chão. No lugar ondea água se infiltrou, surgiu uma fonte. A água fresca minava e corria tão farta que deu debeber a todas as pessoas e a todos os animais daquela terra para sempre.APONTAMENTO:Se observarmos ao nosso redor muitos são os que necessitam de um pouco de água, aágua da esperança e do amor. Temos tanto e negamos as pessoas. Possamos refletirnessa antiga lenda e observarmos que quanto mais nós dermos com amor, maisteremos! *** A LENDA DAS ORQUÍDEASEra uma vez...Em uma cidade chinesa, existia uma jovem famosa chamada Hoan Lan, que divertia-se,em fazer penar suas paixões aos seus numerosos adoradores.Por um sorriso, o jovem Kien Fu, tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado cominfinita paciência as mais lindas peças de jade. 31
  • 32. A ingrata, após se adornar com todos os presentes do nobre apaixonado, riu-se dele eo desprezou. Kien Fu, desesperado, acabou com a própria vida atirando-se ao RioVermelho.O pintor Nguyen Ba conseguiu obter cores desconhecidas para pintar o retrato de suaamada. Esta, porém, depois de ter exibido para satisfação de sua vaidade a magníficapintura, desprezou o artista que desapareceu para sempre no mistério das selvas...Mai Da, apaixonado também, quis patentear seu amor à jovem volúvel, inventando umperfume delicioso somente digno dos anjos. A ingrata perfumou-se e mandou pôr narua o seu adorador que, nada mais aspirando na vida, se envenenou...Cung Le levou sua perseverança a incrustar nácar numa pulseira de ébano, que foirecebida pela ingrata. O pobre endoideceu...Mas, o poderoso Deus das cinco flechas, Deus que a tudo via e tudo ordenava, julgouque era o momento de castigar tanta maldade, fazendo a jovem volúvel apaixonar-sepelo formoso Mun Cay.Desde então, Hoan Lan sonhava no seu leito de nácar e sedas bordadas, com seuadorado, cujo nome, esvoaçava sobre seus lábios de carmim, como uma borboletasobre a rosa.Ao despertar, descia à piscina, banhava-se e adornava-se com suas jóias mais preciosas,para ver passar seu querido Mun Cay, que apenas se dignava a levantar os olhos paraela.Nunca tinha considerado a formosa jovem, nem se interessado pela fama de belezaque tinha ardido à sua volta.Os dias iam passando e Mun Cay não saía de sua indiferença cruel...Um dia, Hoan Lan decidiu sair-lhe ao encontro e declarar-lhe paixão..."Não me interessas rapariga!" - disse ele. "És como todas as outras. Para mim nãovales nada! Se fosses como aquela que eu amo... Esta sim, é uma deusa! Tu, míseraHoan Lan, com toda tua vaidade, não serves nem para atar-lhe as fitas das sandálias!".E, com um sorriso desdenhoso, afastou-se...Em meio de seu desespero, Hoan Lan lembrou-se do deus todo poderoso que vivia namontanha de Tan Vien. Talvez ele pudesse lhe valer...Apesar da noite escura e chuvosa, a jovem dirigiu-se ao monte sagrado, onde residiasua última esperança.A entrada do templo subterrâneo, era guardada por um terrível dragão.Suplicou-lhe a concessão de entrada e ao cabo de muitos pedidos conseguiu penetrarnum extenso corredor, por entre serpentes horríveis que lhe babujavam os pés nus.Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostrou-se e implorou:"Cura-me, que sofro horrivelmente! Amo Mun Cay que me despreza!""É justo o castigo" - respondeu o deus - "pelo que tens feito aos teus apaixonados"."Oh! Todo poderoso! Tem dó de mim! Concede o amor de meu querido Mun Cay! Sabesbem que não posso viver sem ele!""Vai-te daqui!" - rugiu o gênio - nada conseguirás! O castigo que pesa sobre ti, foiimposto pelo Kama que tudo sabe! É justo que sofras! Saia de meu templo!"À saída, Hoan Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra! 32
  • 33. "Formosa jovem" - disse-lhe a bruxa - "sei que és muito desgraçada. Queres vingar-sede Mun Cay? Vende-me a tua alma e juro-te que, embora Mun Cay não te ame, nãoamará à outra mulher!"Hoan Lan voltou à sua casa que lhe parecia um cárcere.Saía pelos bosques para distrair sua pena, mas sempre em vão. . .Um dia, vendo ao longe seu adorado Mun Cay, correu para ele e quando se preparavapara abraçá-lo, o jovem foi transformado numa árvore de ébano!Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, lhe disse:"Desta maneira, o teu amado não pode ser nunca de outra mulher!""Bruxa infame!" - exclamou chorando, a pobre Hoan Lan - "o que fizeste a meuadorado? Devolva-me ou mata-me!""Contratos são contratos!" - replicou a bruxa, rindo satanicamente."Cumpri o que prometi! Mun Cay, embora nunca te ame, não amará a outra mulher!Prometi e cumpri! A tua alma me pertence!"Hoan Lan, abraçada ao pé da árvore, clamava desesperadamente a seu tronco imóvel..."Perdoa-me Mun Cay! Tem para mim, uma só palavra de amor, de indulgência ecompaixão! Não vês como me arrasto aos seus pés? Como te abraço? Como sofro?"Mas a árvore nada respondia. . .A jovem ali ficou por muito tempo. . .Uma manhã, passou por ali um gênio, que se compadeceu de sua dor. Acercando-sedela, pôs-lhe um dedo na testa e disse:"Mulher, procedeste muito mal! Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez!Procedeste muito mal! Mas a tua dor purificou a tua alma!Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, voutransformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada,que de a impressão do que foi a tua vida maldosa!Quem vir as tuas pétalas, facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso,volúvel, cruel e a tua preocupação constante pela elegância...Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás da sua seiva,parasita do teu amado!"Assim falou o poderoso gênio e enquanto falava, a túnica rósea de Hoan Lan iaempalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás...Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram atonalidade do nácar.Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica."E assim, apareceu a primeira orquídea no mundo..." *** 33
  • 34. A LENDA DO PEIXINHO VERMELHO Transcrito do prefácio do livro "LIBERTAÇÃO" [Emmanuel (fev. 1949)], de André Luiz Psicografia de Francisco Cândido XavierNo centro de formoso jardim, havia um grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através degrade muito estreita.Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem,nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dosconcidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamentedespreocupados, entre a gula e a preguiça.Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Osoutros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias eocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ouatormentado de fome.Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempopara muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todosos buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lamapor ocasião de aguaceiros.Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade doescoadouro.À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"Optou pela mudança.Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu váriasescamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego dágua, encantado comas novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado deesperança...Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes,palácios e veículos, cabanas e arvoredo. 34
  • 35. Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e aagilidade naturais.Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia paraquem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração;impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com oselementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo domonstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida,porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntesmarinhas.O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu aevitar os perigos e tentações.Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitasriquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis eflores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitospeixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentiamaravilhosamente feliz.Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas deamigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio asaber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia,de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude,continuariam a correr para o oceano.O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quemconvivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los,prestando-lhes a tempo valiosas informações?Não hesitou.Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio deCoral, empreendeu comprida viagem de volta.Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para oscanaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava,varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pelaproeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa eentusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressaverificou que ninguém se mexia.Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhoslodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas,moscas ou minhocas desprezíveis.Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquantoninguém, ali, havia dado pela ausência dele. 35
  • 36. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladoraaventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo epermitiu que o mensageiro se explicasse.O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outromundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podiadesaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-seoutra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rioscaudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vezmais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas eesqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que virao céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos,cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos eofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos etranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinhaigualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se dedevorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudartanto quanto era necessário à venturosa jornada.Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.Ninguém acreditou nele.Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelhodelirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas históriade riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram adeclarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados paraeles unicamente.O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhiadele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou,borbulhante:- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-tedaqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguémpossui vida igual à nossa!..."Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se,em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidososesvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama... *** 36
  • 37. A LIBÉLULA Extraído do livro Sabedoria em Parábolas, Prof. Felipe AquinoNum lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago...Certo dia surgiu um casulo...E quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda libélula.E ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedacinho...Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens...E quando ela tinha conhecido tudo... no alto de uma colina, avistou uma casa...A casa do homem... e a libélula havia de conhecer a casa do homem... e foi voando pralá...E então, a libélula entrou por uma janela, justo a janela da cozinha...E nesse dia, uma grande festa era preparada.Um homem com um chapéu branco... grande... dava ordens para os criados...Mas a libélula não se preocupou com isso, brincou entre os cristais se viu na bandeja deprata, explorou cada pedacinho daquele novo mundo...Quando de repente, ela viu sobre a mesa... uma tigela cheia de nuvens!!!E a libélula não resistiu, ela tinha adorado brincar nas nuvens... e mergulhou...Mas quando mergulhou... ahhhhh... aquilo não eram nuvens, e ela foi ficando todagrudada, e quando mais ela se mexia tentando escapar... ahhhh... mais ela afundava...E a libélula começou a rezar, fazia promessas e dizia que se conseguisse sair dali,dedicara o resto de seus dias a ajudar os insetos voadores... e ela rezava e pedia...Até que o chefe da cozinha começou a ouvir um barulhinho, e ele não sabia que erauma libélula rezando e quando olhou na tigela de claras em neve... arghhh um inseto!!!E ele pegou a libélula e a atirou pela janela...A libélula então se arrastou para um pedacinho de grama, e sob o sol começou a selimpar... e quando se viu liberta... ahhhh ela estava tão cansada que se virou pra Deus edisse:- Eu prometi dedicar o resto de minha vida a ajudar os outros insetos voadores, masagora estou tão cansada, que prometo cumprir minha promessa a partir de amanhã...E a libélula adormeceu... Mas o que ela não sabia, e você também não sabe, é quelibélulas vivem apenas um dia... E naquele pedacinho de grama, a libélula adormeceu, enão mais acordou.REFLEXÃO:Se tiver que fazer alguma coisa de bom, faça hoje, faça agora, faça já, pois amanhãpode ser tarde demais. *** 37
  • 38. A LIÇÃO DO FOGOUm membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, semnenhum aviso deixou de participar de suas atividades.Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria.O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia umfogo brilhante e acolhedor.Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a umagrande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada.No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno dasachas de lenha, que ardiam.Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram ecuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-apara o lado.Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo eseu fogo apagou-se de vez.Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de umnegro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligemacinzentada.Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os doisamigos.O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil,colocando-o de volta no meio do fogo.Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor doscarvões ardentes em torno dele.Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.Deus te abençoe!Reflexão:Aos membros de um grupo vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe dogrupo eles perdem todo o brilho. Aos lideres vale lembrar que eles são responsáveis pormanter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, paraque o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro. *** 38
  • 39. A MACIEIRA ENCANTADA Autora: Maria Madalena de Oliveira Junqueira Leite e-mail: madjl@uol.com.br Master Practitioner em Programação Neurolingüística, com especialização em Saúde http://www.metaforas.com.br/metaforas/g50metaf.htmEra uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha.Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira mágica, queproduzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentandotodas as situações que aparecessem no caminho. Nunca ninguém havia conseguido essafaçanha, conforme dizia a lenda.O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prêmio àquele que se dispusesse a fazer essaviagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da pobreza edas dificuldades que o povo enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía amão da princesa em casamento.Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil.Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos: 1º - rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma dificuldade; 2º - rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas situações a serem enfrentadas; 3º - longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.Foi efetuado um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um desses caminhos.O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo sorteadoescolheu o Segundo caminho. O terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou oTerceiro caminho.Eles partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo apenas uma mochila contendoalimentos, agasalhos e algumas ferramentas.O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha, subiu, feliz poracreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu defelicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegaraté as maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O tronco eramuito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até lá em cima. Ficouesperando o Segundo chegar para resolverem juntos a questão.O Segundo enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se deparou, porémlogo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumasdelas um tanto difíceis de superar. Ele acabou ficando cansado, esgotado até ficar doente,e cair prostrado. Quando se deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado aretroceder e voltou para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.O Terceiro teve seu primeiro teste quando acabou sua água e ele chegou a um poço.Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então, rapidamente, com suas 39
  • 40. ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada para descer até o poço e retirar aágua para saciar sua sede. Resolveu levar a escada consigo e também a corda remendada.Percebeu que estava começando a gostar muito dessa aventura.Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma correntezafortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu comoapoio, conseguiu chegar do outro lado do rio, protegendo assim sua mochila, seusagasalhos e todo o material que levava consigo para o momento que precisasse deles,incluindo a jangada.Em um outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar por cima degrossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para facilitar o transporte do seumaterial, usando também a corda para puxar.E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não tinha pressa,calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo nessa viagem e do materialque, prudentemente guardara, resolvia facilmente a questão.A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e logo chegou o momentoesperado, quando ele se defrontou com a Macieira Encantada. O Primeiro havia secansado de esperar e também retornara ao povoado.O encanto da Macieira tomou conta do Terceiro. Ela era tão linda, grande, alta, brilhante.Os raios do sol incidindo nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixouextasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, epercebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse momento elesentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa sensaçãomaravilhosa ele se deixou ficar, inebriado, durante longo tempo. Depois do impacto ele sepôs a trabalhar e preparou cuidadosamente, seu material, fazendo uso de todos os seusrecursos. Transformou a jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro, subiuna árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes.Tudo isso e mais algumas providências que sua criatividade lhe sugeriu para facilitar seutrabalho, que havia se transformado em prazer.Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia voltar ali quandoquisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu a Deus por ter chegado, por terconseguido concluir seu objetivo. Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem epersistência na utilização de todos os seus recursos, como inteligência e criatividade.Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu trabalho e de seusesforços, frutos esses colhidos com muita competência e merecimento. Descobriu, entreoutras coisas que:  tudo que apareceu em seu caminho foi útil e importante para sua vitória;  cada uma das situações que ele resolveu, foi de grande aprendizado, não só para aquele momento, mas também para vários outros na sua vida futura;  quando você faz do seu trabalho um prazer, suas chances de sucesso são muito maiores;  quando seu objetivo vale a pena, não há nada que o faça desistir no meio do caminho; 40
  • 41.  a sua vitória poderia beneficiar a vida de muita gente e também servir de exemplo a outras pessoas, a quem ele poderia ensinar tudo o que aprendeu nessa trajetória.O resto da história vocês podem imaginar. E como toda história que se preze, viveramfelizes para sempre...Eu gostaria de convidar a todos que lerem essa metáfora a fazerem uma reflexão sobreseu conteúdo e acrescentar, de acordo com a sua própria experiência e compreensão dotexto, novas descobertas e possíveis benefícios e aprendizado, tanto para si, quanto paraoutras pessoas. *** A MARAVILHOSA HISTÓRIA DO GRANDE MÚSICO TANSEN Rabindranath Tagore (De Tagore Selected Poems, Nova Delhi, 1976.)O sufi Inayat Khan conta-nos a maravilhosa história do grande músico Tansen, da corte doimperador Akbar:- Dize-me, grande músico - perguntou o imperador -, quem foi teu mestre?E ele respondeu:- Magestade, meu mestre é um músico bastante famoso; porém, mais do que isso, nãoposso chamá-lo de músico, mas de a Música em si.E o imperador insistiu:- Posso ouvir teu mestre cantar?E Tansen respondeu:- Talvez. Posso tentar, mas não podeis pensar em trazê-lo para esta corte.E o imperador insistiu:- Poderei então ir ao encontro dele?E o músico respondeu:- Seu orgulho poderia até fazê-lo revoltar-se por ter de cantar diante de um rei.E Akbar insistiu:- E se eu for como teu servo?Tansen respondeu:- Bem, há certa esperança nisto.Assim, ambos foram aos Himalaias, para as altas montanhas, onde um sábio tinha seutemplo musical numa caverna, vivendo em contato com a Natureza e em sintonia com oInfinito. Lá chegando, estando o músico a cavalo e Akbar a pé, o sábio observou que oimperador se humilhara para poder ouvir sua música e sentiu-se inclinado a cantar paraele. E, quando veio a vontade de cantar, cantou. E seu canto foi grande, verdadeirofenômeno psíquico. Era como se todas as plantas e árvores da floresta estivessemvibrando. Era uma canção universal. A profunda impressão que isso causou em Akbar eTansen foi maior do que poderiam suportar. Mergulharam ambos, num estado de transe,de tranqüilidade, de paz. Quando abriram os olhos, o Mestre já não estava mais ali. Oimperador disse: 41
  • 42. - Que estranho fenômeno! Mas... para onde foi o Mestre?Tansen respondeu:- Jamais o vereis nesta caverna novamente, pois, se uma vez apenas um homem provardesta canção, há de persegui-la para sempre, ainda que isto lhe custe a vida.Certo dia, quando estavam em casa, o imperador perguntou ao músico:- Dize-me que tipo de Raga, que canção teu Mestre cantou?Tansen disse-lhe o nome da Raga e cantou para ele. O imperador, porém, não se sentiusatisfeito e disse:- Sim é a mesma música, porém não é o mesmo espírito. Por que isto?- É que eu estou cantando diante do meu imperador e meu Mestre canta diante de Deus.Eis a diferença. *** A MEDITAÇÃO E O GATONum antigo mosteiro chinês, no alto de uma montanha no Nepal, era o centro de uma pazabsoluta, e monges de toda a China procuravam aquele monastério tão tradicional ereservado.Todos os dias sempre às quatro e meia da manhã, o mosteiro se reunia em silêncio para aprimeira meditação matinal, este momento era sagrado para os monges, e o silêncio damadrugada deveria sempre ser respeitado, mas em uma manhã de verão esse silênciosagrado foi quebrado por um gato, o animal procurando comida e abrigo resolveu morarna cozinha do templo, e neste dia ele começou sua busca por comida caçando os ratosque também se instalaram por ali, o bichano iniciou uma balburdia insuportável,derrubando panelas, vasilhas, miando e correndo atrás dos ratos da cozinha, isto nãoseria problema para os monges se o gato não tivesse escolhido justamente o horário damadrugada para realizar suas caçadas, atrapalhando a concentração dos momentos demeditação.Sob a ótica de conduta dos monges, eles deveriam ser piedosos com o animal, e nuncaenxotariam o gato do mosteiro ou lhe fariam algum mal, durante alguns dias elestentaram aceitar o barulho e deixar o gato livre, mas a arruaça foi ficando insuportável, eo mestre abade do templo resolveu tomar uma providência, pedindo que os mongesamarrassem e amordaçassem o gato durante os períodos de meditação e o soltassemlogo após a prática matinal.Este procedimento foi feito durante muito tempo, resolvendo o problema de barulhodurante as meditações da madrugada, os anos se passaram, o mestre abade morreu, emesmo assim continuavam a amarrar o gato diariamente durante os momentos demeditação matinal, mais alguns anos se passaram e o gato morreu, e os mongespreocupados, resolveram encontrar outro gato para colocar no lugar do antigo, e o novogato continuou sendo amarrado diariamente.As décadas se passaram, e novas gerações de monges e mestres mantiveram o hábitodiário de amarrar o gato, que acabou se tornando um importante ritual naquele famoso erespeitado templo, e a esta altura, ninguém mais sabia o porquê de amarrar o gato, mas 42
  • 43. justamente por isso, aquele ritual se tornou muito importante, sendo uma característicafamosa daquele monastério. Monges veteranos cobiçavam a importante função deamarrador de gatos, manuais foram criados com as normas e procedimentos de todo oprocesso para amarrar o gato, ensinando como pegar o gato, que tipo de corda e mordaçautilizar, quantas voltas com a corda deveriam ser dadas, que tipo de nó poderia ser feito,enfim, uma verdadeira enciclopédia do ritual de como amarrar e amordaçar o gato.O tempo passou, e vários grupos de estudiosos começaram a dedicar suas vidas a estudaros manuais e a origem do ritual sagrado de amarrar o gato. Estes grupos se dividiram, ecomeçaram a divergir sobre várias questões, várias interpretações surgiram, e correntesde seguidores começaram a defender teorias diversas sobre o ritual sagrado, estasdivergências geraram conflitos internos, e as origens e processos do ritual passaram a sero ponto de discórdia entre os dois grupos formados.Um dos pontos principais de divergência era que, um dos grupos acreditava que somentegatos brancos poderiam ser amarrados, pois o branco simbolizava a pureza da alma e aevolução espiritual, o outro já defendia que qualquer gato poderia ser amarrado e queisto não fazia diferença nenhuma e resolveu ir embora do famoso monastério para fundaruma nova ordem, que daria continuidade ao ritual da forma que achavam correta, sendoassim, estes dois grupos passaram a divergir constantemente e não mantiveram maiscontato, pois o primeiro era acusado de ser radical e o segundo de ser extremamenteliberal.Após a separação, novas correntes começaram a se formar, e um terceiro grupo começoua se formar, divulgando uma teoria que unia as duas linhas divergentes, eliminando seusdefeitos e absorvendo suas qualidades.O antigo monastério da montanha em Kathmandu no Nepal foi aos poucos se dividindo, ehoje nenhuma das linhagens existe mais, e o ritual de amarrar o gato caiu noesquecimento.Este conto é muito interessante para evidenciar o que acontece em muitas empresas einstituições, instituições religiosas, é muito comum ver pessoas que cumprem normas eprocedimentos totalmente sem sentido e sem fundamentos, que simplesmente são feitosporque alguém que já os fazia antes, e terminam sendo os fatores geradores daestagnação de muitas empresas.A falta de questionamento e análise, afunda organizações, impede o processo criativo einovador, emperrando o desenvolvimento dos negócios, precisamos desamarrar os gatosde nossas empresas, e desmistificar atitudes e conceitos retrógrados, muitas vezes semsentido e ultrapassados.Analise sua vida profissional e pessoal, e perceba quantos gatos existem aguardando paraserem desamarrados. Texto esparso recebido via e-mail em Monday, August 18, 2008 9:03 PM de Waldir de Oliveira. *** 43
  • 44. A RAPOSA E AS UVAS EsopoUma Raposa, morta de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas gradesde uma viçosa videira, alguns cachos de Uvas negras e maduras.Ela então usou de todos os seus dotes e artifícios para pegá-las, mas como estavam forado seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu.Por fim deu meia volta e foi embora, e consolando a si mesma, meio desapontada disse:- Olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e nãomaduras como eu imaginei a princípio. -------Moral da História:Ao não reconhecer e aceitar as próprias limitações, o vaidoso abre assim o caminho parasua infelicidade. *** OUTRAS VERSÕES DESTA FÁBULAUma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passouhoras pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Saiu murmurando, dizendoque não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um poucomais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... voltoucorrendo pensando ser as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenasuma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-seembora. -------Moral da História:Quem desdenha quer comprar.Aqueles que são incapazes de atingir uma meta tendem a denegri-la, para diminuir o pesode seu insucesso.É fácil desprezar aquilo que não se pode alcançar. 44
  • 45. ***Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. Asafra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposalambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguiaalcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:- Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem.Se alguém me desse essas uvas eu não comeria. -------Moral da História:Desprezar o que não se consegue conquistar é fácil. ***Contam que certa raposa astuta, quase morta de fome, sem eira nem beira, andando àcaça de manhã, passou por uma parreira carregada de cachos de uva bem maduros, todospendentes na grade que oferecia suporte à videira.Mas eles estavam altos demais e a raposa não podia alcançá-los. De bom grado ela ostrituraria, mas sem lhes poder tocar disse:- Estão verdes ... já vi que são azedas e duras. Só os cães podem pegá-las.E foi embora a raposa, deixando para trás os cachos de uva, madurinhos e doces, prontospara quem por ali passasse e pudesse alcançá-los. -------Uma raposa com muita fome sai à caça de alimentos. Por sorte, vê uma parreiracarregada de belos cachos de uva maduros. Apressa-se e chega à videira para alcançar asfrutas. Todo o impulso interior da raposa está direcionado instintivamente para o ataquerepentino.Inicia-se, então, a movimentação e, depois de várias tentativas, ela não consegue apanharnem sequer um dos cachos. Reúne-se à fome instintiva uma estranha e nova sensação: adecepção, o desapontamento de não poder atender à sua necessidade básica. Assucessivas investidas são em vão, e uma certa atmosfera de incapacidade começainfundir-se no seu mundo mental.Nesse determinado momento, a raposa, frustrada, pensa, reflete sobre o seu fracasso. Elanão quer ser considerada um animal falido ou derrotado. 45
  • 46. A propósito, uma crise existencial provoca mais danos internos do que uma necessidadebiológica não atendida.A princípio, a busca de saciar a fome estava totalmente circunscrita ao "estado físico";depois, a ocorrência leva a raposa a entrar em contato com um conteúdo agravante edificultoso que atingirá sua essencialidade. Antes uma façanha extraordinária; agora umasensação de desestima e rejeição de si mesma. Que futuro a esperava daí em diante?Mas, quando tudo parecia estar perdido, eis que a raposa põe as cartas na mesa, dá um"xeque-mate" e diz para si mesma: "Estão verdes ...já vi que são azedas e duras. Só os cãespodem pegá-las”. Seu sistema mental precisava adaptar-se diante da frustrante e durarealidade, e daí tirou uma vantagem: fez uma afirmação contrária ao fato real, contouuma mentira para si mesma.Admirável mentira (racionalização), uma conclusão que não condiz com a realidade, massalva a estrutura íntima da raposa.Racionalizar é inventar para nós mesmos uma história falsa. É um procedimentopsicológico que permite a negação dos reais motivos, cobrindo as sensaçõesdesagradáveis que vivenciamos com justificativas equivalentes ou histórias similares.Do mesmo modo que a raposa inventou desculpas e álibis convincentes para manter oauto-respeito, nós também, os homens, buscamos "boas razões", ainda que falsas, paranossas atitudes e fracassos; e criamos "explicações" altamente descaracterizadas parajustificar nossa frustração.Muitos racionalizam dizendo que falam mal da vida dos outros porque metade do mundomaldiz a outra metade. Na realidade, o que está subentendido nessa atitude é quegostamos de difamar ou desvalorizar as pessoas, porque quando fazemos isso nós nossentimos pretensamente melhores, mais eficientes, mais capazes ou superiores peranteos outros. Aí está a intencionalidade inconsciente ou não dos maledicentes. -------Moral da História:Um julgamento inadequado pode ser uma forma de objetivar e de compensar nossosfracassos. Objetivar é um processo pelo qual o ser humano experimenta uma alienação dereal natureza subjetiva, projetando para fora e construindo uma suposta realidadeexterna. Uma objetivação pode ser salvadora, como a raposa da fábula dizendo para simesma "estão verdes", quando uvas maduras e apetitosas estavam fora de seu alcance.As objetivações são, portanto, formas que permitem resignificar um fato mediante umacerta afirmação ou conduta que compensa uma frustração. É comum encontrar entre oshomens aqueles que, tais qual a raposa, quando não conseguem realizar seus negócios, 46
  • 47. acusam as circunstâncias, ou mesmo, por não atingirem um intento, tendem a denegri-lo,diminuindo dessa forma a gravidade de seu insucesso. (livro LA FONTAINE E O COMPORTAMENTO HUMANO - ditado por HAMMED - médium FRANCISCO DO ESPÍRITO DO SANTO NETO) ***Mais três versões:Sumeriana, greco-romana e no Evangelho encontra-se a lição da Raposa e as Uvas.Na Babilônia encontra-se uma versão próxima da alegoria bíblica de Caim matar Abel porinveja - Anunnakis educando homens primitivos para combater a inveja dos maisatrasados enciumados e atacando os mais aplicados, apresentaram um espetáculocolocando um grupo de raposas em um cercado de paredes lisas onde haviam estendidouma parreira com lindos cachos de uvas fora do alcance dos saltos das raposas e osbroncos primitivos riram a valer dos esforços dos animaizinhos para alcançar as uvas.Quando as raposas desistiram, um anunnaki jogou uma pedrinha ao meio do cercado e asraposinhas voltaram rápidas, e algumas brigaram para pegar a pedrinha. Outras, de raboentre as pernas nem olharam para as uvas de novo e os professores concluíram para oshomens - Não desdenhem do que não conseguem alcançar e o valorizem para merecê-loe um dia o alcançarão.ESOPO, contador de fábulas de fundo moral na Grécia contou assim:Era uma vez uma raposa que vinha pela estrada e viu, pendentes de uma latada, lindoscachos maduros de uvas. Tentou muitas vezes saltando para alcançar as uvas. Nãoconseguindo, murmurou: As uvas estão verdes. Não as quero! - e foi saindo como queorgulhosa da decisão. Um vento derrubou umas folhas e ela ainda se voltou para ver...E conclui o narrador:Quem despreza o que não consegue alcançar, é um invejoso que não o merece ter.Disse Jesus Cristo: Os olhos são a luz do corpo. Se o teu olho for bom, viverás na luz e tuserás a luz. Porém, se teu olho for mau, tua luz são trevas e tu serás a tua treva, e entãoquão tenebrosas serão tuas trevas.Nossa Análise: A lição é universal e se repete todos os dias. Inveja é o grande mal doshomens inferiores e todas as civilizações ruíram quando esses inferiores em maioria seatiram sobre quem é melhor para matá-lo porque não conseguem ser como ele e queremespezinhá-lo para serem iguais rebaixando-o. Quando nos livraremos dessa alucinação de 47
  • 48. nossas leis e de nossas escolas exigindo por decreto que o olho tenebroso iguale todos nopior? (http://pt.shvoong.com/books/childrens-literature/1819199-raposa-uvas-f%C3%A1bulas/) ***PESQUISA: ESOPOFonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/EsopoEsopo (em grego Αἴσωπος, transl. Aisōpos) é um lendário autor grego, que teria vivido naAntigüidade, ao qual se atribui a paternidade da fábula como gênero literário.As Fábulas de Esopo serviram como base para recriações de outros escritores ao longodos séculos, como Fedro e La Fontaine.Fabulista grego do século VI a.C.. O local de seu nascimento é incerto — Trácia, Frígia,Etiópia, Samos, Atenas e Sardes todas clamam a honra. Eventualmente morreu em Delfos.Na verdade, todos os dados referentes a Esopo são discutíveis e trata-se mais de umpersonagem lendário do que histórico.A única certeza é que as fábulas a ele atribuídas foram reunidas pela primeira vez porDemétrio de Falero, em 325 a.C..Esopo teria sido um escravo, que foi libertado pelo seu dono, que ficou encantado comsuas fábulas. Ao que tudo indica, viajou pelo mundo antigo e conheceu o Egipto, aBabilónia e o Oriente. Concretamente, não há indícios seguros de que tenha escritoqualquer coisa. [1]Entretanto, foi-lhe atribuído um conjunto de pequenas histórias, de carácter moral ealegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos por animais. Na Atenas do século Va.C., essas fábulas eram conhecidas e apreciadas. ***JEAN DE LA FONTAINEFonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_de_La_FontaineJean de La Fontaine era filho de um inspetor de águas e florestas, e nasceu na pequenacidade de Chateau-Thierry. Estudou teologia e direito em Paris, mas seu maior interessesempre foi a literatura.Por desejo do pai, casou-se em 1647 com Marie Héricart, na época com apenas 14 anos.Embora o casamento nunca tenha sido feliz, o casal teve um filho, Charles. 48
  • 49. Em 1652 La Fontaine assumiu o cargo de seu pai como inspetor de águas, mas alguns anosdepois colocou-se a serviço do ministro das finanças Nicolas Fouquet, mecenas de váriosartistas, a quem dedicou uma coletânea de poemas.Escreveu o romance "Os Amores de Psique e Cupido" e tornou-se próximo dos escritoresMolière e Racine. Com a queda do ministro Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido daDuquesa de Bouillon e da Duquesa dOrleans.Em 1668 foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado "FábulasEscolhidas". O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. LaFontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís 14. As fábulas continham histórias deanimais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral. Escritas em linguagemsimples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.Em 1683 La Fontaine tornou-se membro da Academia Francesa, a cujas sessões passou acomparecer com assiduidade. Na famosa "Querela dos antigos e dos modernos", tomoupartido dos poetas antigos.Várias novas edições das "Fábulas" foram publicadas em vida do autor. A cada novaedição, novas narrativas foram acrescentadas. Em 1692, La Fontaine, já doente,converteu-se ao catolicismo. A última edição de suas fábulas foi publicada 1693.Antes de vir a ser fabulista, foi poeta, tentou ser teólogo e cafifa. Além disso, tambémentrou para um seminário, mas aí perdeu o interesse.Aos 26 anos casou-se, mas a relação só durou onze anos. Depois disso, La Fontaine foipara Paris, e iniciou sua grande carreira literária. No início, escrevia poemas, mas em 1665escreveu sua primeira obra, chamada “Contos”. Montou um grupo literário que tinhacomo integrantes Racine, Boileau e Molière.No período de 1664 a 1674, ele escreveu quase todas as suas obras. Nas suas fábulas,contava histórias de animais com características humanas. Em 1684, foi nomeado para aAcademia Francesa de Letras.Onze anos depois, já muito doente, decidiu aproximar-se da religião. Até pensou emescrever uma obra de fé, mas não chegou a escrevê-la.[carece de fontes?]A sua grande obra, “Fábulas”, escrita em três partes, no período de 1668 a 1694, seguiu oestilo do autor grego Esopo, o qual falava da vaidade, estupidez e agressividade humanasatravés de animais.La Fontaine é considerado o pai da fábula moderna. Sobre a natureza da fábuladeclarou: “É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”.Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O Homem, OMenino e a Mula, O Leão e o Rato, e O Carvalho e o Caniço.Está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em Paris, ao lado do dramaturgo Molière. 49
  • 50. ele tinha um problema nos intestinos por isso foi operado aos 16anos!! A partir dai ficoumelhorLa Fontaine andava na rua com os seus colegas de trabalho a brincar as corridas depássaros. Ele era um papagaio com bico fino de cavalo. Tinha orelhas grandes parecidasde burro e iguais a morcego. Anos apos as suas edições o povo começou a pensar que LaFontaine era uma mulher. Porque com aquela sua juba parecia um cavalo. ***JESUSFonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus#cite_note-Jesus-3Jesus [nota 3][nota 4] (8-4? a.C. – 29-36? d.C. [2][3][4]) é a figura central do cristianismo[5]. Para a maioria dos cristãos ele é a encarnação de Deus, o "Filho de Deus", que teriasido enviado à Terra para salvar a humanidade. Acreditam que foi crucificado, morto,desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia (na Páscoa) [5]. Para os adeptosdo islamismo, Jesus é conhecido no idioma árabe como Isa (‫ ,ىسيع‬transl. Īsā), IbnMaryam (Jesus, filho de Maria). Os muçulmanos tratam-no como um grande profeta eaguardam seu retorno antes do Juízo Final [6] [7]. Alguns segmentos do judaísmo oconsideram um profeta [8], outros um apóstata [9]. A Bíblia é umas das principais fontesde informação sobre ele.Embora tenha pregado apenas em regiões próximas de onde nasceu, a província romanada Judéia, sua influência difundiu-se enormemente ao longo dos séculos após a suamorte. Ele pode ser considerado como uma das figuras centrais da cultura ocidental.NOTAS:[3] O nome Jesus é a versão portuguesa da forma grega Ίησους, transliterado Iēsous quepor sua vez é a tradução do nome hebraico Yeshua, que por ser filho de Maria e de José, ocarpinteiro, em Belém, é reconhecido oficialmente na genealogia da Casa Real de Davidcomo Yeshua ben Yoseph, ou seja, "Jesus, filho de José".[4] Jesus também é conhecido como Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia,os cristãos o chamam de Jesus Cristo e os muçulmanos o conhecem por Isa. ***[1] Fábulas de EsopoA Formiga e a Pomba · A Galinha e os Ovos de Ouro · A Mulher e sua Galinha · A Mula · As Árvores eo Machado · As Lebres e as Rãs · O Asno, a Raposa e o Leão · O Asno e o Velho Pastor · O Boi e a Rã · O 50
  • 51. Cão e o Lobo · O Asno em Pele de Leão · O Cachorro e sua Sombra · O Carvalho e os Juncos · O Cavaloe o Tratador de Cavalos · O Cego e o Filhote de Lobo · O Filhote de Cervo e sua Mãe · O Galo e a PedraPreciosa · O Galo de Briga e a Águia · O Gato e o Galo · O Ladrão e o Cão de Guarda · O LeãoApaixonado · O Leão e o Javali · O Leão e o Rato · O Leão e os Três Touros· A Lebre e o Cão de Caça · OLobo e a Garça · O Cervo Doente · O Lobo e a Ovelha · O Cão Raivoso · O Corvo e o Jarro · O Leão, oUrso e a Raposa · A Raposa e as Uvas · A Raposa e a Cegonha · A Lebre e a Tartaruga · O vento Nortee o Sol · O Menino que Criava Lobo[2] A maioria dos historiadores e eruditos bíblicos definem as datas de nascimento e morte de Jesusnesse período. Entre eles: D. A. Carson, Douglas J. Moo e Leon Morris. An Introduction to the NewTestament. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1992, 54, 56[3] Michael Grant, Jesus: An Historians Review of the Gospels, Scribners, 1977, p. 71; John P.Meier, A Marginal Jew, Doubleday, 1991–, vol. 1:214; E. P. Sanders, The Historical Figure of Jesus,Penguin Books, 1993, pp. 10–11, e Ben Witherington III, "Primary Sources," Christian History 17(1998) No. 3:12–20.[4] Cronologia da Vida de Jesus Cristo (em inglês) Catholic Encyclopedia. Página visitada em 14 deoutubro de 2008.[5] Ratzinger, Joseph. Jesus de Nazaré (em português). 1º Edição.ed. Planeta do Brasil, 2007. pp. 312.ISBN 978-85-7665-278-6[6] A visão Islâmica sobre Jesus (em português) Sociedade beneficente Muçulmana do Rio deJaneiro. Página visitada em 14 de outubro de 2008.[7] Carlos Brazil. Jesus é profeta para muçulmanos (em português) Universia Brasil. Página visitadaem 14 de outubro de 2008.[8] John T. Pawlikowski. Vistas Modernas Judaicas de Jesus (em português) RelacionamentosJudaicos-Cristãos. Página visitada em 14 de outubro de 2008.[9] Sergio Feldman. Judaísmo e cristianismo: reflexões históricas (em português) Visão Judaica.Página visitada em 14 de outubro de 2008. *** A TAÇA TRANSBORDANTE Malba Tahan in Lendas do Céu e da TerraContam que um califa de Bagdá tinha um filho, já moço, muito acanhado e tímido. Nãosaía à rua para que o não vissem e dessem tento do seu modo de andar e o apontassemcomo sucessor do rei.O pai, a quem muito mortificava a timidez do filho, um dia chamou-o e disse-lhe:– Toma esta taça de cristal. Hás de leva-la com água a transbordar, desde este palácio atéa mesquita, sem, contudo entornares uma gota sequer. È essa a minha ordem. Muitotriste ficarei se me desobedeceres!Pelas longas e tortuosas ruas sai o moço a caminhar com imensa cautela, completamentealheio ao rebuliço da massa popular, e indiferente aos olhares dos curioso espectadores.Era preciso obedecer a seu pai. E ele fez exatamente como lhe fora ordenado. Tornando acasa, perguntou-lhe o rei se havia notado a curiosidade dos transeuntes. 51
  • 52. – Como me seria possível fazê-lo, respondeu, tendo na mão a taça a transbordar?Assim também, se tu, meu bom amigo, andasses pela vida preocupado com uma taça atransbordar, afastarias de ti o despeito humano, e caminharias pela estrada do dever comtranqüila confiança. Ora, essa taça mais frágil que o vidro, mas que deve absorver os teussentidos, é a tua alma de cristão. E se possuis essa preciosa e delicada taça e desejastransportá-la, por que emprestar tanta importância aos olhares e críticas dos transeuntesque querem perturbar a tua jornada pela vida. *** A tempestade e as gaivotasGigantesco transatlântico deixava, um dia, o porto de partida e, como todos os navios quepartem, era escoltado por uma nuvem de gaivotas prateadas. Ao fim de meia hora deviagem o tempo tornou-se ameaçador. Um vento violento levantava ondas de espuma.Esboçava-se no céu uma tempestade tremenda. Ora, ainda que lutando com toda a forçade suas máquinas contra os elementos desencadeados, o possante navio avançavapenosamente entre as vagas agitadas.– Pobres avezinhas – dizia um viajante que olhava do tombadilho as gaivotas as lastimava– As nossas máquinas, que representam milhares de cavalos-vapor, com dificuldaderesistem à tempestade. Como podeis vós, com as vossas débeis asas, lutar contra o tufão,desamparadas no céu?E, de repente, aquele homem, que tão compadecido se mostrava pelas avezinhasgaivotas, estendendo as asas que o Criador do universo lhes deu, abandonaram o navio naprocela e ergueram-se acima da tempestade; passaram a voar numa região serena do céu.Enquanto isso o homem, com sua presunçosa ciência lutava penosamente para resistir àfúria dos elementos. ***REFLEXÃO:Reparai bem, meu amigo. Esse navio é o homem que pretende lutar unicamente commeios próprios. As asas das gaivotas são as mãos débeis, de quem ora. ***Pelas asas poderosas da prece eleva-se o homem acima das tempestades da vida e podevoar placidamente, como as gaivotas ligeiras, numa região que, jamais, será atingida pelosvendavais das paixões. *** 52
  • 53. AS COISAS NEM SEMPRE SÃO OQUE PARECEMDois Anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica. Afamília era rude e não permitiu que os Anjos ficassem no quarto de hóspedes da mansão.Em vez disso, deram aos Anjos um espaço pequeno no frio sótão da casa. À medida queeles faziam a cama no duro piso, o Anjo mais velho viu um buraco na parede e o tapou.Quando o Anjo mais jovem perguntou: Porque?, o Anjo mais velho respondeu: "As coisasnem sempre são o que parecem".Na noite seguinte, os dois anjos foram descansar na casa de um casal muito pobre, mas osenhor e sua esposa eram muito hospitaleiros. Depois de compartilhar a pouca comidaque a família pobre tinha, o casal permitiu que os Anjos dormissem na sua cama onde elespoderiam ter uma boa noite de descanso. Quando amanheceu, ao dia seguinte, os anjosencontraram o casal banhado em lágrimas. A única vaca que eles tinham, cujo leite haviasido a única entrada de dinheiro, jazia morta no campo. O Anjo mais jovem estava furiosoe perguntou ao mais velho:"Como você permitiu que isto acontecesse? O primeiro homem tinha de tudo e, noentanto, você o ajudou"; o Anjo mais jovem o acusava. "A segunda família tinha pouco,mas estava disposta a compartilhar tudo, e você permitiu que a vaca morresse"."As coisas nem sempre são o que parecem", respondeu o anjo mais velho. "Quandoestávamos no sótão daquela imensa mansão, notei que havia ouro naquele buraco daparede. Como o proprietário estava obcecado com a avareza e não estava disposto acompartilhar sua boa sorte, fechei o buraco de maneira que ele nunca mais o encontraria.Depois, ontem à noite, quando dormíamos na casa da família pobre, o anjo da morte veioem busca da mulher do agricultor. E eu lhe dei a vaca em seu lugar. As coisas nem sempresão como parecem."REFLEXÃO:Algumas vezes, isso é exatamente o que acontece quando as coisas não saem da maneiracomo esperamos.Se você tiver fé, somente necessita confiar que aconteça o que for com você, algumpropósito há.Provavelmente alguma coisa muito melhor virá a seguir. *** AS NOVE COISASUm sofista se aproximou de Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia Antiga, etentou confundi-lo com as perguntas mais difíceis. Porém o Sábio de Mileto esteve àaltura da prova porque respondeu a todas as perguntas sem a menor vacilação e assimmesmo com a maior exatidão. 53
  • 54. 1 - Qual é a coisa mais antiga?-- Deus, porque sempre tem existido.2 - Qual é a coisa mais formosa?-- O Universo, porque é obra de Deus.3 - Qual é a maior de todas as coisas?-- O Espaço, porque contém todo o Criador.4 - Qual é a coisa mais constante?-- A esperança, porque permanece no homem depois que haja perdido todo o mais.5 - Qual é a melhor de todas as coisas?-- A Virtude, porque sem ela não existe nada de bom.6 - Qual é a mais rápida de todas as coisas?-- O Pensamento, porque em menos de um minuto pode voar até o final do Universo.7 - Qual é a mais forte de todas as coisas?-- A Necessidade, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.8 - Qual é a mais fácil de todas as coisas?-- Dar conselhos.Porém, quando chegou à nona pergunta, nosso Sábio disse um paradoxo. Deu umaresposta que, estou seguro, não foi jamais entendida pelo mundano interlocutor, e que,para a maioria das pessoas terá um sentido superficial. A pergunta foi esta:9 - Qual é a mais difícil de todas as coisas?E o Sábio de Mileto replicou:-- Conhecer a si mesmo. *** As três recompensas Malba Tahan in “Lendas do deserto”Era em Mossul, na terceira lua do mês de Rajeb-aul do ano 403 da Héjira.A grande caravana de mercadores, que seguia anualmente para Baçorá, com estofos esedas, terminará os últimos preparativos para a longa jornada pelo deserto.Ao cair da noite, o jovem Abul Firaz ibn Kharsian — o mercador — chamou seus guias,servos e escravos e disse-lhes:— Amanhã, ao nascer do dia — se Allah quiser! Partiremos com a nossa caravana paraBaçorá, acompanhado a estrada de Erbil e Kerkuk. Quero, à hora da partida, que todos oshomens estejam prontos, os camelos carregados e as tendas arrumadas! Mahissalemá!Podem ir! Que Allah os proteja!Saíram todos, Abul Firab ficou a sós em meio de sua tenda a meditar. Sobre seus ombrospesavam as responsabilidades de chefe da caravana! Seria bem sucedido? Seria infeliz? Só 54
  • 55. Allah — o Altíssimo — conhece o futuro dos homens; tudo o que ocorre na terra estáescrito — Maktub! Que adianta, pois pensar no dia de amanhã?Assim meditava o jovem Abul Firaz, quando ouviu alguém de fora chamava repetidasvezes pelo seu nome.— Uallah! Quem chama por mim que entre! — exclamou.Surgiu então, diante dele, um homem alto, forte, vestido com apurado gosto. Fazia-seacompanhar por um escravo hindu que empunhava grande lanterna de duas luzes.— Por Allah sobre ti! — exclamou Abul Firaz — Que desejas de mim? Qual o motivo de tãoinesperada visita? Não sabes, ó muçulmano! Que devo partir amanhã para Baçorá?— Perdoai-me, ó jovem! — respondeu — se em tão má hora venho procurar-vos! O meuamo e senhor, o cheique Chihab-Eddin El-Ghazzaru El-Kahyyat, deseja falar-vos com amáxima urgência!Abul Firaz conhecia, desde muitos anos, o xeique El-Kahyyat — o homem mais rico egeneroso de Mossul. Aquele chamado estranho e inesperado causou-lhe porém, indizívelsurpresa.— Irei dentro de alguns minutos ao palácio do cheique — respondeu sem hesitar — Seique ele é justo e honrado. Queira Allah, porém, que não me venha a suceder, por suacausa dessa viajem desgraça!Momentos depois chegava Abul Firaz ao grande palácio de El-Kahyyat. O ancião, que seachava no leito, gravemente enfermo, pediu ao mercador que se sentasse perto dele e,depois de fazer com que todas as outras pessoas deixassem o aposento, disse-lhe, emtom confidencial:— Só hoje, ó jovem, fui avisado da tua partida para Baçorá como chefe da grandecaravana de mercadores. Sei que és honesto e valente. Julgo-te o único homem capaz delevar até Baçorá uma vultosa quantia em dinheiro.— E para quem é esse dinheiro? — perguntou Abul Firaz.Respondeu o Xeique:— Escuta, meu filho. Estou velho e sinto-me doente; bem sei que poucos dias me restamde vida. Não quero, entretanto, morrer sem ter enviado uma boa recompensa e melhorauxílio a três homens de Baçorá.— Samaan wua taatam! Escuto-vos o obedeço-vos! — respondeu Abul Firaz. — Juro peloprofeta e pelo Livro Sagrado que farei exatamente o que por vós me for determinado!O rico Xeique depois de agradecer, comovido, a dedicação de Abul Firaz, apontou paratrês caixas que estavam no chão e disse-lhe:— Aquelas caixas encerram o dinheiro que desejo enviar. Na primeira que é menor detodas — há mil dinares de ouro; a segunda contém dois mil dinares; a terceira — que é dastrês a maior — encerra cinco mil! Em Baçorá, quando lá chegares, deverás entregar aprimeira caixa a um velho joalheiro chamado Walid BenHamid que mora junto aomercado; a segunda entregarás ao famoso escriba, Ali Mahomed Selam, El-Batal; aterceira, finalmente a mais valiosa — deverá ser entregue a um dos ulemás de Baçorá ojudicioso Hamed Abdallah El-hasein, que mora no quarteirão de Ech-Chunha!— Xeique dos Xeiques! — exclamou Abul Firaz. — Perdoai-me a curiosidade! Que fizeram,porém, esses homens para receber tão grandes recompensas? 55
  • 56. — Prestaram-me inestimáveis serviços! O primeiro, a quem mando a caixa de cinco mildinares arriscou, certa vez, a vida para salvar todos os meus haveres! A esse homemgeneroso devo a riqueza que possuo!— Por Allah! — contraveio Abul Firaz. — Creio bem que a esse corajoso muçulmano é quedevia caber a maior recompensa! Por que recebem os outros dois quantia muito maior?— O motivo é simples — explicou o ancião. — Se na verdade o primeiro, livrou-me damiséria salvando os meus bens, o segundo, a quem mando dois mil dinares, salvando-mecerta vez a vida, livrou-me da morte! E bem sabes, ó jovem, que acima das maioresriquezas da terra devemos colocar a nossa vida!— Xeique generoso! — retorquiu o jovem. — Se, pela vontade do Onipotente, AliMohamed vos arrancou das garras da morte, por que não cabe então a esse vossoabnegado salvador a dádiva mais preciosa? Não há, penso eu, para o homem, bem maisprecioso que a vida! Não vejo, pois motivo algum para que o sábio Hamed receba arecompensa maior!— Em teu julgamento escasseia a ponderação — advertiu o Xeique. — Garanto-te, porém,que dando ao ulemá a maior recompensa, procedo com lealdade e justiça. E a razão ésimples. O generoso Hamed Abdallah conseguiu, certa vez, desfazer uma grande intrigaque contra mim preparavam os homens perversos e invejosos. Não fora o valioso auxíliodesse grande amigo eu seria acusado injustamente e preso como ladrão! Ao sábio HámedAbdallah eu devo, portanto, o nome puro e honrado que hoje tenho!E o ancião concluiu com voz pausada e clara:— Bem sabes, ó jovem! Que acima das riquezas e da própria vida deve o homem colocar,bem alto, a sua honra! *** CERTO E ERRADOQuando Bankei realizava seus retiro semanais de meditação, discípulos de muitas partesdo Japão vinham participar. Durante um destes Sesshins um discípulo foi pego roubando.O caso foi reportado a Bankei com a solicitação para que o culpado fosse expulso.Bankei ignorou o caso. Mais tarde o discípulo foi surpreendido na mesma falta, e novamente Bankei desdenhouo acontecimento. Isto aborreceu os outros pupilos, que enviaram uma petição pedindo adispensa do ladrão, e declarando que se tal não fosse feito eles todos iriam deixar o retiro.Quando Bankei leu a petição ele reuniu todos diante de si."Vocês são sábios," ele disse aos discípulos. "Vocês sabem o que é certo e o que é errado.Vocês podem ir para qualquer outro lugar para estudar e praticar, mas este pobre irmãonão percebe nem mesmo o que significa o certo e o errado. Quem irá ensiná-lo se eu não ofizer? Eu vou mantê-lo aqui mesmo se o resto de vocês partirem."Uma torrente de lágrimas foram derramadas pelo monge que roubara. Todo seu desejode roubar tinha se esvaecido. *** 56
  • 57. CHINELOS DOURADOS Tradução: Sergio Barros"Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tuaalma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E osegundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." Mt 22.37-39Faltavam apenas cinco dias para o Natal. O espírito da ocasião ainda não tinha meatingido, mesmo que os carros lotassem o estacionamento do shopping. Dentro da loja,era pior.Os últimos compradores lotavam os corredores. - Por que vim hoje? Perguntei a mimmesmo. Meus pés estavam tão inchados quanto minha cabeça. Minha lista continhanomes de diversas pessoas que diziam não querer nada mas eu sabia que ficariammagoados se eu não os comprasse qualquer coisa.Comprar para alguém que tem tudo e com os preços das coisas como estão, fica muitodifícil. Apressadamente, eu enchi meu carrinho de compras com os últimos artigos e fuipara a longa fila do caixa.Na minha frente, duas pequenas crianças - um menino de aproximadamente 10 anos euma menina mais nova, provavelmente de 5 anos.O menino vestia roupas muito desgastadas. Os tênis me pareceram grandes demais e ascalças de brim muito curtas. A roupa da menina assemelhava-se a de seuirmão. Carregava um bonito e brilhante par de chinelos com fivelas douradas.Enquanto a música de Natal soava pela loja, a menina sussurrava desligada mas feliz.Quando nos aproximamos finalmente do caixa, a menina colocou, com cuidado, oschinelos na esteira. Tratava-os como se fossem um tesouro. O caixa anunciou a conta.- São $6,09. Disse.O menino colocou suas moedas enquanto procurava mais em seus bolsos. Veiofinalmente com $3,12.- Acho que vamos ter que devolver - disse. Nós voltaremos outra hora, talvez amanhã.Com esse aviso, um suave choro brotou da pequena menina. - Mas Jesus teria amadoesses chinelos. Ela resmungou.- Bem, nós vamos para casa e trabalharemos um pouco mais. Não chore. Nósvoltaremos. Disse o menino.Rapidamente, eu entreguei $3,00 ao caixa. Estas crianças tinham esperado na fila pormuito tempo. E, além de tudo, era Natal. De repente um par de braços veio em torno demim e uma pequena voz disse:- Agradeço, senhor.- O que você quis dizer quando falou que Jesus teria gostado dos chinelos? Eu perguntei.O pequeno menino me respondeu:- Nossa mãe está muito doente e vai pro céu. Papai disse que ela pode ir antes mesmo doNatal, estar com Jesus. 57
  • 58. E a menina completou:- Meu professor disse que as ruas no céu são de ouro, brilhantes como estes chinelos.Mamãe não ficará bonita andando naquelas ruas com esses chinelos?Meus olhos inundaram-se de lágrimas e eu respondi:- Sim, tenho certeza que ficará.Silenciosamente agradeci a Deus por usar estas crianças para lembrar-me do verdadeiroespírito de Natal.O importante no Natal não é a quantidade de dinheiro que se gasta, nem a quantidade depresentes que se compra, nem a tentativa de impressionar amigos e parentes.O Natal é o amor em seu coração, é compartilhar com os outros como Jesus compartilhoucom cada um de nós.O Natal é o nascimento de Jesus que Deus nos enviou para mostrar o quanto nos amarealmente. *** COMO O MAL GERA O MALUm eremita caminhava por um lugar deserto quando chegou a uma gruta enorme cujaentrada não era facilmente visível. Decidiu descansar e entrou. Logo notou o brilhantereflexo da luz sobre um monte de ouro.Assim que se deu conta do que tinha visto, o eremita começou a correr fugindo o maisdepressa que pode.Acontece que havia três ladrões que passavam muito tempo naquele ponto do desertocom a intenção de roubar viajantes. Logo o homem piedoso passou por eles. Os ladrões sesurpreenderam, alarmaram-se até, vendo o homem correndo sem que ninguém operseguisse. Saíram de seu esconderijo e detiveram-no, perguntando-lhe o que estavaacontecendo.- Estou fugindo do diabo, irmãos - disse. - Ele está me perseguindo.Os bandidos não conseguiram ver ninguém perseguindo o devoto.- Mostra-nos quem está atrás de ti - disseram.- Eu o farei - falou o eremita, com medo deles.Levou-os em direção à gruta, rogando-lhes que não se aproximassem dela. A essa altura,naturalmente, os ladrões estavam muito curiosos com a advertência e insistiram em ver omotivo de tanto alarme.- Aqui está a morte que me perseguia - disse o ermitão.Os malfeitores, é claro, ficaram encantados. Evidentemente consideraram o eremita meiolouco e o deixaram ir, enquanto se felicitavam por sua boa sorte.Em seguida começaram a discutir sobre o que deveriam fazer com sua presa, pois tinhamreceio de deixar o tesouro novamente só. Decidiram por fim que um deles apanharia umpouco do ouro, iria à cidade, onde trocaria por comida e outras coisas necessárias, edepois procederiam à divisão.Um dos ladrões se apresentou voluntariamente para realizar a missão. Pensou consigomesmo: 58
  • 59. "Quando chegar à cidade poderei comer tudo o que quiser. Depois envenenarei o resto dacomida. Assim os outros dois morrerão, e o tesouro será só meu ".Na sua ausência, porém, os outros dois também tinham estado pensando.Tinham decidido que, mal o espertalhão regressasse, o matariam. Depois comeriam suacomida e dividiriam o tesouro em duas partes, em vez de três.No momento em que o pilantra chegou à gruta com as provisões, os outros dois caíramsobre ele e, a punhaladas, o mataram. A seguir comeram toda a comida, e morreram porcausa do veneno que seu companheiro havia posto nela.Dessa maneira, como o eremita predissera, o ouro realmente tinha significado a mortepara os que tinham deixado se influenciar por ele, e o tesouro permaneceu onde estava,na gruta, por muito tempo. Extraído de Histórias da Tradição Sufi Edições Dervish 1993 *** Culpado ou inocente?Conta uma antiga lenda que na Idade Media um homem muito religioso foi injustamenteacusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente doreino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" paraacobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo oresultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucaschances de sair vivo desta história.O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou umjulgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.Disse o juiz:- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor:vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavraCULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhordecidirá seu destino, determinou o juiz.Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papeis, mas em ambos escreveuCULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado selivrar da forca.Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os doispapeis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.O homem pensou alguns segundos e pressentindo a vibração aproximou-se confiante damesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu.Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.- Mas o que você fez? E agora ? Como vamos saber qual seu veredicto?"- E muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemosque acabei engolindo o contrário. 59
  • 60. Imediatamente o homem foi liberado.Reflexão:Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento.Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída.Não desista, não entregue os pontos, não se deixe derrotar!Persista, vá em frente apesar de tudo, de todos, creia que pode conseguir! *** Da SinceridadeHavia um mestre sufi, estremamente iluminado e que era extremamente misericordioso.Ele vivia isolado perto de um rio, onde pescava diariamente. Era tão misericordioso quecortava a cabeça dos peixes, fazia uma sopa com ela, da qual se alimentava e entregava orestante dos peixes para os pobres e necessitados. E vivia uma vida muito simples, namais simples das casas, no local mais humilde.Um dia, esse mestre se sentiu estagnado. Passaram-se alguns anos e ele pensava que nãoprogredia, que estava perdendo tempo, que nada ocorria. Triste, pediu para um discipulopara procurar aquele que era o seu mestre, a dias de viagem. Solicito, o discipulo foi atéonde morava o mestre de seu mestre.Lá chegando na cidade, perguntou do famoso mestre. E todos apontavam para uma colinaonde havia um palácio. O dervixe estranhou e foi até lá. Antes de chegar, viu uma enormepropriedade, com muitos rebanos e extensas plantações. Perguntou para um dosempregados quem era o dono e este disse que era não menos aquele a quem eleprocurava e que este era o dono de tudo aquilo, e que residia no palácio ! Pasmo, odervixe continuou até o palácio, imaginando como um alguém tão rico e poderosopoderia ser o mestre daquele homem iluminado e humilde que o orientava.Lá chegando, viu uma enorme caravana, onde estava o dito mestre, vestido como umprincipe. O dervixe ficou ainda mais pasmo. Não voltou para casa, sem cumprir a tarefa,apenas pela mais sincera lealdade.E assim o dervixe se aproximou do poderoso homem que iria orientar seu mestre. Eexplicou a situação. O homem pensou e disse: "Seu mestre é muito ligado as coisasmateriais". O dervixe ficou revoltado! Como?! Seu mestre era o homem mais humilde detodos! Resolveu não contar a ele a resposta, por piedade...Voltando, o mestre pediu ao discipulo que disse-se o que havia ouvido. E o dervixe nãoquis contar. Após muita insistencia, acabou por ceder. Nesse momento seu mestre seiluminou, glorificou a Allah e sentiu que tinha subido vários degraus em sua escalada.Mas pasmo ainda, o pobre dervixe inquiriu o mestre para saber onde estava o sentidodaquilo tudo. E o mestre disse: "Sabe quando dava o corpo dos peixes e ficava só com acabeça? Eu sempre pensei: Como seria bom se ficasse com ele inteiro!!!"Tenhamos sinceridade em nossa ações! *** 60
  • 61. SINCERIDADEDescrição operativa (como funciona)Quem tem essa virtude manifesta, se é conveniente, à pessoa idônea e no momentoadequado, o que fez, o que viu, o que pensa, o que sente, etc., com clareza, com respeito asua situação pessoal ou a dos demais.A EDUCAÇÃO DA SINCERIDADE1. Ensino aos filhos/alunos a ser sinceros consigo próprios, mediante uma ajuda nodescobrimento de suas possibilidades e limitações pessoais.(Não é possível manifestar a verdade se previamente não se sabe o que há quemanifestar).2. Ensino aos filhos/alunos quais são os valores importantes na vida, de tal maneira quepossam fixar-se no importante e não no secundário.(Por exemplo, se não mostro ao filho/aluno que seus sentimentos são importantes, épossível que não se fixe neles, nem chegue a manifestá-los nunca).3. Em minha atuação habitual com os meninos/as, tendo a premiar a sinceridade.(Se se utilizam castigos como conseqüência de que algum menino/a tenha contado averdade, é possível que não queira continuar sendo sincero no futuro).4. Me baseio na sinceridade dos filhos/alunos para a seguir orientar-lhes.(A orientação deve ser personalizada, e portanto necessita de uma informação corretacom respeito ao filho/aluno. Não se trata de orientar genericamente sem conhecer arealidade de cada um).5. Prefiro confiar no que dizem os filhos/alunos sem ser ingênuo, mas sem mostrardesconfiança continuamente.(Se estimula a sinceridade mediante expressões de confiança. A desconfiança conduz amentir e a falsificar a realidade).6. Me preocupo de ajudar aos adolescentes a reconhecer os aspectos mais importantesde suas vidas.("Importante" significa qualquer coisa que pode influir de uma maneira significativa nosvalores que se querem viver na vida).7. Ajudo às crianças a distinguir entre a realidade e a fantasia.(É importante que as crianças desenvolvam sua imaginação, mas não convém mesclar arealidade e a fantasia).8. Estou pendente dos filhos/alunos que contam muito, com o fim de que vãocompreendendo que se trata de contar as coisas à pessoa adequada e no momentooportuno.(Talvez haverá que explicar os resultados, ou os possíveis resultados, de haver contadouma informação inadequada. Por exemplo, o desgosto de um irmão ou a humilhação deum amigo). 61
  • 62. 9. Crio situações para que os filhos/alunos que têm dificuldades de expressar-se possamfazê-lo com a máxima confiança.(Muitas vezes isto significa fazer coisas juntos. Assim, a atenção dos dois estará centradana ação, e se poderá expor o tema e estimular a comunicação).10. Tento conhecer a causa das mentiras de meus filhos/alunos, se é o caso, com o fim deatuar sobre essa causa.(Por exemplo, as crianças podem sentir-se com necessidade de mentir para serem iguais aseus colegas, ou querer ser mais, ou podem temer um possível castigo).A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A SINCERIDADE11. Tento criar um clima aberto de comunicação e confiança na família ou na classe com ofim de que os filhos/alunos vivam a sinceridade.(De fato, viver qualquer virtude requer que haja um ambiente de "virtude". Todas estãorelacionadas. E é necessário vivê-Ias com naturalidade mais que planificá-las).12. Reconheço minha própria realidade, minhas qualidades, minhas limitações, e possíveispreconceitos e tenho claro o que é importante.(Se não se tem claro o que é importante, e como alguém o é, tampouco se poderá ajudaraos filhos/alunos a reconhecer essas coisas em suas próprias vidas. Sem reconhecer aprópria realidade não é possível manifestá-la).13. Reconheço que o mais importante é ser filho de Deus e tentar melhorar de acordocom uma visão objetiva do que é bom.(É possível reconhecer a própria realidade de uma maneira limitada. Por exemplo, fixando-se nos próprios gostos e caprichos e algo mais. Desta maneira a manifestação da verdadeserá insuficiente e não conduzirá a uma melhora pessoal).14. Habitualmente manifesto os diferentes aspectos da realidade que percebi à pessoaidônea.(Não se trata de contar tudo a qualquer pessoa. Por exemplo, será convenientecompartilhar algumas coisas com o cônjuge ou com um amigo íntimo, outras com oscolegas ou com os conhecidos).15. Habitualmente manifesto os diferentes aspectos da realidade que percebo nomomento oportuno.(Não se trata de contar as coisas em qualquer momento. A virtude da sinceridade deve sergovernada pela prudência).16. Quando compartilho informação, idéias, sentimentos etc. sobre aspectos da realidadeque conheço, o faço buscando a possibilidade de enriquecer a outros ou buscando umaajuda para meu próprio processo de melhora.(Não se trata de estar consciente em cada momento da melhora que se pretende mas sim,em troca, convém reconhecer que a sinceridade pretende este tipo de enriquecimento.Não se trata de contar tudo a qualquer pessoa e em qualquer momento).17. Ao manifestar o que sei, o que penso, o que vi, etc., o faço prudentemente e comclareza.(A sinceridade requer prudência, mas também a caridade para pensar no bem dos 62
  • 63. demais).18. Baseio minha sinceridade na confiança e na naturalidade.(Não se trata de criar "estratégias" de sinceridade, mas entretanto, relacionar a ação coma simplicidade, a franqueza e a honradez).19. Cuido de que meu exemplo seja positivo para os filhos/alunos sem mentir nemencobrir a verdade com intenção de induzir ao erro.(Por exemplo: "Diga-lhes que não estou em casa", "Vou ver o jogo mas ligue ao meutrabalho e diga-lhes que estou doente").20. Reconheço as ocasiões em que não posso nem devo manifestar a verdade.(Por exemplo, o segredo profissional, mas também saber guardar um segredo ou nãocontar algo da intimidade familiar desnecessariamente a outros). *** DORMIR ENQUANTO OS VENTOS SOPRAMAlguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Eleconstantemente anunciava estar precisando de empregados. A maioria de pessoasestavam pouco dispostas a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam ashorrorosas tempestades que variam aquela região, fazendo estragos nas construções enas plantações.Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas. Finalmente, um homembaixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.- Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram. Respondeu o pequeno homem.Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. Opequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvoreceraté o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou umlampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou,- Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejamarrastadas!O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente,- Não senhor. Eu lhe falei, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Emvez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do empregado,trataria depois.Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertoscom lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, osfrangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas eseguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado.O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer, então retornou para suacama para também dormir enquanto o vento soprava. 63
  • 64. O que eu quero dizer com esta história, é que quando se está preparado -espiritualmente, mentalmente e fisicamente - você não tem nada a temer.Eu lhe pergunto: você pode dormir enquanto os ventos sopram em sua vida?Espero que você durma bem! E com Deus em seu coração! *** DOZE PRATOSUm príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antigaprocedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística edecorativa.Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz deixou que se quebrasse uma das peças.Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria,o príncipe condenou à morte odedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita.A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor,apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem àcoleção, se o servo fosse perdoado.Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Estesolicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho,bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados emvolta do móvel.Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou atoalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore earrebentando-as todas.Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi.Agora podeis mandar matar-me.Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando- se que sou idosoe já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro,quando cada uma dessas peças for quebrada.Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante dessesobjetos nada valem.Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo quenada há mais precioso do que a vida em si mesma.Reflexão:Quantas vezes, deixamos o nervosismo do momento tomar lugar nas nossas vidas e duraspalavras ferem a quem amamos! Quantas coisas colocamos na frente do amor, dorespeito, da compreensão que deveríamos ter?Que todos os dias, apenas por alguns minutos, possamos meditar se não estamosmatando por um prato quebrado... *** 64
  • 65. ECO DA VIDAUm pequeno garoto e seu Pai caminhavam pelas montanhas.De repente o garoto cai, se machuca e grita:- Aai!!!Para sua surpresa escuta a voz se repetir, em algum lugar da montanha:- Aai!!!Curioso, pergunta:- Quem é você?Recebe como resposta:- Quem é você?Contrariado, grita:- Seu covarde!!!Escuta como resposta:- Seu covarde!!Olha para o pai e pergunta aflito:- O que é isso?O Pai sorri e fala:- Meu filho, preste atenção!!!Então o pai grita em direção a montanha:- Eu admiro você!A voz responde:- Eu admiro você!De novo o homem grita:- Você é um campeão!A voz responde:- Você é um campeão!O garoto fica espantado sem entender nada. Então o pai explica:As pessoas chamam isso de ECO, mas na verdade isso é a VIDA. Ela lhe dá de volta tudo oque você diz ou faz. Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações.Se você quer mais amor no mundo, crie mais amor no seu coração.Se você quer mais responsabilidade da sua equipe, desenvolva a sua responsabilidade.Se você quer mais tolerância das pessoas, seja mais tolerante.Se você quer mais alegria no mundo, seja mais alegre.Tanto no plano pessoal quanto no profissional, a vida vai lhe dar de volta o que você deu aela.REFLEXÃO:SUA VIDA NÃO É UMA COINCIDÊNCIA;SUA VIDA É A CONSEQÜÊNCIA DE VOCÊ MESMO!!! *** 65
  • 66. EU CREIO EM TIHavia um casal de ateus que tinha uma filha.Os pais jamais lhe falaram de Deus.Uma noite, quando a menina tinha cinco anos, seus pais brigaram e o pai atirou em suamãe.Em seguida se suicidou.Tudo isto diante da menina.Ela foi enviada a um lar adotivo.Sua nova mãe, levou-a à uma igreja.Nesse dia, a nova mãe explicou à professora das crianças que a menina jamais haviaescutado falar de Jesus e que por favor, ela tivesse paciência.A professora apanhou uma figura de Jesus e perguntou a todos:"Alguém sabe quem é essa pessoa?".A menininha respondeu:"Eu sei, eu sei, esse é o homem que estava segurando minha mão na noite em que meuspais morreram...".REFLEXÃO:Eu acredito no sol mesmo quando não ilumina.Eu acredito no amor, mesmo quando não o sinto.Eu acredito em Deus, mesmo quando permanece calado. *** EU POSSO FAZER MAIS QUE ISSOA mãe, com apenas 26 anos, parou ao lado do leito de seu filhinho de 6 anos, que estavamorrendo de leucemia. Embora o coração dela estive pleno de tristeza e angústia, elatambém tinha um forte sentimento de determinação.Como qualquer outra mãe, ela gostaria que seu filho crescesse e realizasse seus sonhos.Agora, isso não seria mais possível, por causa da leucemia terminal.Mas, mesmo assim, ela ainda queria que o sonho de seu filho se transformasse realidade.Ela tomou a mão de seu filho e perguntou:– Billy, você alguma vez já pensou o que você gostaria de ser quando crescer? Você jásonhou o que gostaria de fazer com sua vida?– Mamãe, eu sempre quis ser um bombeiro quando eu crescer.A mãe sorriu e disse:– Vamos ver se podemos transformar esse sonho em realidade. 66
  • 67. Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao corpo de bombeiros local, na cidade dePhoenix, Arizona, onde se encontrou com um bombeiro de enorme coração, chamadoBob. Ela explicou a situação de seu filho, seu último desejo e perguntou se seria possíveldar ao seu filhinho de seis anos uma volta no carro dos bombeiros em torno doquarteirão.O bombeiro Bob disse:– Veja, NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Se você estiver com seu filho pronto àssete horas da manhã, na próxima quarta-feira, nós o faremos um bombeiro honorário portodo o dia. Ele poderá vir para o quartel, comer conosco, sair para atender as chamadasde incêndio! E se você nos der as medidas dele, nós conseguiremos um uniformeverdadeiro para ele, com chapéu, com o emblema de nosso batalhão, um casaco amareloigual ao que vestimos e botas também. Eles são todos confeccionados aqui mesmo nacidade e conseguiremos eles rapidamente.Três dias depois, o bombeiro Bob pegou o garoto, vestiu-o em seu uniforme de bombeiroe escoltou-o do leito do hospital até o caminhão dos bombeiros.Billy ficou sentado na parte de trás do caminhão, e foi levado até o quartel central.Ele estava no céu. Ocorreram três chamados naquele dia na cidade de Phoenix e Billyacompanhou todos os três. Em cada chamada ele foi em veículos diferentes: no caminhãotanque, na Van dos paramédicos e até no carro especial do chefe do corpo de bombeiros.Ele também foi filmado pelo programa de televisão local.Tendo seu sonho realizado, todo o amor e atenção que foram dispensadas a ele acabarampor tocar Billy, tão profundamente que ele viveu três meses mais que todos os médicoshaviam previsto.Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente e a enfermeira-chefe, que acreditava no conceito de que ninguém deveria morrer sozinho, começou achamar ao hospital toda a família.Então, ela lembrou do dia que Billy tinha passado como um bombeiro, e ligou para o chefee perguntou se seria possível enviar algum bombeiro para o hospital naquele momento depassagem, para ficar com Billy.O chefe dos bombeiros respondeu:– NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Nós estaremos aí em cinco minutos. E faça-meum favor? Quando você ouvir as sirenes e ver as luzes de nossos carros, avise no sistemade som que não se trata de um incêndio. É apenas o corpo de bombeiros vindo visitar,mais uma vez, um de seus mais distintos integrantes. E você poderia abrir a janela doquarto dele? Obrigado!Cinco minutos depois, uma Van e um caminhão com escada Magirus chegaram nohospital, estenderam a escada até o andar onde estava o garoto e 16 bombeiros subirampela escada até o quarto de Billy. Com a permissão da mãe, eles o abraçaram e segurarame falaram para ele o quanto eles o amavam.Com um sopro final, Billy olhou para o chefe e perguntou:– Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?– Billy, você é um dos melhores – disse o chefe.Com estas palavras, Billy sorriu e fechou seus olhos pela última vez. 67
  • 68. REFLEXÃO:E você, diante do pedido de seus amigos, filhos e parentes, tem respondido "EU POSSOFAZER MAIS QUE ISSO!?Reflita se sua vida tem sido em serviço ao próximo, e tome uma decisão hoje mesmo. *** EX-SUICIDAAndré, um jovem da sociedade carioca acostumado a ter todas as comodidades sociais eas facilidades materiais que os seus pais promoviam, resolve por insatisfação psíquicasuicidar-se.Ao invés dos outros que já se suicidaram inconscientes por intermédio dos carros emotocas, ele estava consciente da despedida que iria fazer. Mas antes de tudo faria umaúltima visita ao Frei Fabiano de Cristo, no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.- Frei Fabiano! - prorrompe André, com lágrima nos olhos e abraçando-o ternamente. - Vim despedir-me! Não poderia partir sem o abraçar pela última vez. Sabe que devo aosenhor a saúde, o entendimento e todas as orientações que meus pais e a sociedade nãome deram.Fabiano sente algo mais naquele abraço. Era como que a sensação de dor indefinível,dessas que nascem da alma e pergunta:- Vai viajar?- Sim! Será uma viagem sem retorno. Não mais virei a esta região onde fui feliz, mas ondesofro agora uma dor sem remédio.- E viaja por ser infeliz?- O que me resta aqui, Frei Fabiano? Minha namorada largou-me por outro e acostumadoestou a receber tudo e a não perder nada. Além do mais não mais agüento as chacotasdos amigos chamando-me de rei do gado.Eu perdi meus amigos, se é que já não os tinha. Nem meus pais me compreendem. Sóresta você. Além do seu coração paternal, nenhum outro encontrei que me dessecompreensão. Partirei portanto cansado e desiludido e não mais farei alguém infeliz.- Mas... você se despede para sempre?- Para sempre! Tomarei novos rumos...- Há caminhos, meu filho, que são desvios traiçoeiros que nos conduzem a sofrimentosmaiores. Se ainda pesa aqui, qual será o peso dessa vida amanha?- De tudo me livrarei!- Também pensei livrar-me, um dia, de muitas coisas. Descobri que ninguém se livra de simesmo, salvo quando se esquece de si, para viver pelos outros. Há partidas que nos levampara o bem, fazendo desabrochar virtudes adormecidas em nossos corações e há aquelasque nos arrojam a despenhadeiros insondáveis.- Partirei para onde não haja mais amarguras da vida.- Você quer anular-se para esquecer? 68
  • 69. - Creio que sim, respondeu André.- Antes de partir, ajuda-me no conforto a um velhinho cego da enfermaria. Faltam-meforças hoje. Levará assim uma lembrança inesquecível que talvez o faça recordar da nossaamizade.Como o jovem relutasse, Fabiano tomou-o pelo braço e quase o arrastou para aenfermaria. Os dois ficaram diante do modesto leito e o frei falou:- Juvenal, acorde, trouxe-lhe uma palavra de conforto.- Oh! Meu doce paizinho. Volta a ver-me!- Como está agora meu bom Juvenal?- Mais sereno, pai Fabiano! Nesta interminável noite de minha cegueira, somente agoracomecei a ver o sentido da vida. Tenho revisado cada um de meus dias rogando a Jesus aoportunidade de reparar todos os males que pratiquei.- Quer viver muito, Juvenal?- Oh! Sim! Preciso viver muito, se Deus o permitir. Os pecados de minha indiferença portodos, deixaram-me em solidão completa e imensa amargura.O velho chorava agora, através de seus olhos cegos.- Eu queria abraçar meu filho que, diante dos meus destemperos e dos maus-tratos,abandonou esta vida pela porta do suicídio. Até ontem, julgava que esse meu pecado nãoteria perdão. Esta noite meu filho visitou-me em sonho. Pude vê-lo e conversei com ele umbom tempo. Ele me perdoou e contou-me da sua dor espiritual, porque a vida continua noAlém.André estremeceu ao ouvir Juvenal dizer estas palavras:- Ele não sabia, Frei Fabiano, que embora bruto e grosseiro como sempre fui, eu o amava...e por temor de perdê-lo, tornei-me agressivo, aparentando indiferença.Frei Fabiano, muito esperto e percebendo a atenção de André nas sábias palavras deJuvenal, diz:- Deixo-os agora.André o ajudará a alimentar-se.Ele também veio despedir-se para buscar regiões ignoradas do coração.Duas horas mais tarde, André saiu da enfermaria com outra fisionomia e dirigindo-se aFrei Fabiano, lhe diz:- Até amanhã!- Não parte mais, meu filho?- Não. O Além talvez não seja a região ideal para fugir da vida. Pois atrás ficam os quechoram profundamente. Além disso amanhã tenho um encontro com um pai que não temfilho e que precisa de alguém para guiá-lo na cegueira em que aprendeu a ver... e me fezluz.- Muito bom, caro André. O suicídio não é uma porta de chegada. A travessia é umagrande tormenta. É o princípio de todas as dores e tormentos infindos, porque a vida éeterna para nós. Afinal, há sempre os que nos amam, cada um a seu jeito, e é precisoentender a linguagem do amor. *** 69
  • 70. FÁBULA DA CONVIVÊNCIAHá milhões de anos atrás, durante uma era glacial, quando parte do nosso planeta estevecoberta por grandes camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio e morreram,indefesos por não se adaptarem às condições.Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger esobreviver, começou a se unir, juntar-se mais e mais.Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro.E todos juntos, bem unidos, se agasalhavam uns nos outros, aqueciam-se mutuamente,enfrentando por muito mais tempo aquele frio rigoroso.Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros maispróximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questãode vida ou morte.E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos.Dispersaram-se, por não suportarem por mais tempo os espinhos dos seus semelhantes.Doíam muito...Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer defrio, congelados.Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com cuidado,de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima,mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.Assim, suportaram-se, resistindo a longa era glacial. Sobreviveram.REFLEXÃO:É fácil trocar palavras, difícil é interpretar os silêncios!É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!É fácil apertar as mãos, difícil é reter o seu calor!É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe! *** LENDA DAS LÁGRIMASContam as lendas que, quando o Criador concluiu a sua obra, dividiu-a em departamentose os confiou aos cuidados dos Anjos.Após algum tempo, o Todo Poderoso resolveu fazer uma avaliação da sua criação econvocou os servidores para uma reunião. O primeiro a falar foi o Anjo das luzes. Postou-se respeitosamente diante do Criador e lhefalou com entusiasmo: 70
  • 71. - Senhor, todas as claridades que criastes para a Terra continuam refletindo as bênçãos dasua misericórdia.O Sol ilumina os dias terrenos com os resplendores divinos, vitalizando todas as coisas danatureza e repartindo com elas o seu calor e a sua energia. Deus abençoou o Anjo dasluzes, concedendo-lhe a faculdade de multiplicá-las na face do mundo.Depois foi a vez do Anjo da terra e das águas, que exclamou com alegria:- Senhor, sobre o mundo que criastes, a terra continua alimentando fartamente todas ascriaturas; todos os reinos da natureza retiram dela os tesouros sagrados da vida. E aságuas, que parecem constituir o sangue bendito da sua obra terrena, circulam no seioimenso, cantando as suas glórias.O Criador agradeceu as palavras do servidor fiel, abençoando-lhe os trabalhos.Em seguida, falou radiante, o Anjo das árvores e das flores.- Senhor, a missão que concedestes aos vegetais da Terra vem sendo cumprida comsublime dedicação. As árvores oferecem sua sombra, seus frutos e utilidades a todas ascriaturas, como braços misericordiosos do vosso amor paternal, estendidos sobre o solo doplaneta.Logo após falou o Anjo dos animais, apresentando a Deus seu relato sincero.- Os animais terrestres, Senhor, sabem respeitar as suas leis e acatar a sua vontade. Todostêm a sua missão a cumprir, e alguns se colocam ao lado do homem, para ajudá-lo. Asaves enfeitam os ares e alegram a todos com suas melodias admiráveis, louvando asabedoria do seu Criador.Deus, jubiloso, abençoou seu mensageiro, derramando-lhe vibrações de agradecimento.Foi quando, então, chegou a vez do Anjo dos homens.Angustiado e cabisbaixo, provocando a admiração dos demais, exclamou com tristeza:- Senhor, ai de mim! Enquanto meus companheiros falam da grandeza com que sãoexecutados seus decretos na face da Terra, não posso afirmar o mesmo dos homens...Os seres humanos se perdem num labirinto formado por eles mesmos.Dentro do seu livre-arbítrio criam todos os motivos de infelicidade. Inventaram a chamadapropriedade sobre os bens que Lhe pertencem inteiramente, e dão curso ao egoísmo e aambição pelo domínio e pela posse. Esqueceram-se totalmente do seu Criador e vivem sedigladiando.Deus, percebendo que o Anjo não conseguia mais falar porque sua voz estava embargadapelas lágrimas, falou docemente:- Essa situação será remediada. Alçou as mãos generosas e fez nascer, ali mesmo no céu,um curso de águas cristalinas e, enchendo um cântaro com essas pérolas líquidas,entregou-o ao servidor, dizendo:Volta à Terra e derrama no coração de meus filhos este líquido celeste a que chamaráságua das lágrimas...Seu gosto é amargo, mas tem a propriedade de fazer que os homens me recordem,lembrando-se da minha misericórdia paternal.Se eles sofrem e se desesperam pela posse passageira das coisas da Terra, é porque meesqueceram, esquecendo sua origem divina. 71
  • 72. ... E desde esse dia o Anjo dos homens derrama na alma atormentada e aflita dahumanidade, a água bendita das lágrimas remissoras.A lenda encerra uma grande verdade: cada criatura humana, no momento dos seusprantos e amarguras, recorda, instintivamente, a paternidade de Deus e as alvoradasdivinas da vida espiritual. *** LENDA JUDAICADeus convidou um Rabino para conhecer o céu e o inferno.Ao abrirem a porta do inferno, viram uma sala em cujo centro havia um caldeirão onde secozinhava uma suculenta sopa.Em volta dela, estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas.Cada uma delas segurava uma colher de cabo tão comprido que lhe permitia alcançar ocaldeirão, mas não suas próprias bocas.O sofrimento era imenso.Em seguida, Deus levou o Rabino para conhecer o céu.Entraram em uma sala idêntica à primeira, havia o mesmo caldeirão, as pessoas em volta,as colheres de cabo comprido.A diferença é que todos estavam saciados.- Eu não compreendo, disse o Rabino, por que aqui as pessoas estão felizes, enquanto naoutra sala morrem de aflição, se é tudo igual?Deus sorriu e respondeu:- Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros... *** Minha Rosa e Minha Raposa Trecho de Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery.Mas aconteceu que o principezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochase pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas na direção doshomens.- Bom dia – disse ele.Era um jardim cheio de rosas.- Bom dia – disseram as rosas.O principezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.- Quem sois? – perguntou ele estupefato.- Somos rosas – disseram as rosas.- Ah! – exclamou o principezinho...E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de suaespécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim! 72
  • 73. "Ela haveria de ficar bem vermelha", pensou ele, "se visse isto... Começaria a tossir,fingiria morrer, para escapar ao ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela;porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade..."Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosacomum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quaisexistindo para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande..."E, deitado na relva, ele chorou. XXIE foi então que apareceu a raposa:- Bom dia – disse a raposa.- Bom dia – respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.- Eu estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...- Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...- Sou uma raposa – disse a raposa.- Vem brincar comigo – propôs o principezinho. – Estou tão triste...- Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.- Ah! Desculpa – disse o principezinho.Após uma reflexão, acrescentou:- Que quer dizer "cativar"?- Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?- Procuro os homens – disse o principezinho. – Que quer dizer "cativar"?- Os homens – disse a raposa - têm fuzis e caçam. É bem opressor! Criam galinhastambém. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?- Não – disse o principezinho. – Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?- É uma coisa muito esquecida – disse a raposa. – "Significa criar laços..."- Criar laços?- Exatamente, disse a raposa. Tu não é ainda para mim senão um garoto inteiramenteigual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tensnecessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outrasraposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mimúnico no mundo. E eu serei para ti única no mundo...- Começo a compreender – disse o principezinho. – Existe uma flor... creio que ela mecativou.- É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...- Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.A raposa pareceu intrigada:- Num outro planeta?- Sim.- Há caçadores nesse planeta?- Não. 73
  • 74. - Que bom! E galinhas?- Também não.- Nada é perfeito – suspirou a raposa.Mas a raposa voltou à sua idéia.- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhasse parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho depassos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe,os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo nãome lembram coisa alguma. E isso é triste. Mas tu tens cabelos cor de outro. Então serámaravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. Eeu amarei o barulho do vento no trigo...A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:- Por favor... cativa-me! – disse ela.- Bem quisera – disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos adescobrir e muitas coisas a conhecer.- A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têmmais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como nãoexistem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!- Que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.- É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longede mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. Alinguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...No dia seguinte o principezinho voltou.- Teria sido melhor voltares à mesma hora – disse a raposa. – Se tu vens, por exemplo, àsquatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estareiinquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento,nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.- Que é um rito? – perguntou o principezinho.- É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa. – É o que faz com que um dia sejadiferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo,possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então éo dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia,os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposadisse:- Ah! Eu vou chorar.- A culpa é tua – disse o principezinho – eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eute cativasse... 74
  • 75. - Quis – disse a raposa.- Mas tu vais chorar! – disse o principezinho.- Vou – disse a raposa.- Então, não sais lucrando nada!- Eu lucro – disse a raposa – por causa da cor do trigo. Depois ela acrescentou:- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para medizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.O pequeno príncipe foi rever as rosas.- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguémainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como a era minha raposa. Era umaraposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.E as rosas estavam desapontadas.- Sois belas, mas vazias – disse ele ainda – Não se pode morrer por vós. Minha rosa, semdúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém,mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob aredoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (excetoduas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, oumesmo calar-se se algumas vezes. É a minha rosa.E voltou, então, à raposa.- Adeus... – disse ele...- Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com ocoração. O essencial é invisível aos olhos.- O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.- Foi o tempo que eu perdi com a minhas... – repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.- Os homens esqueceram essa verdade – disse a raposa. – Mas tu não a deves esquecer. Tute tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...- Eu sou responsável pela minha rosa... – repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. *** NÃO CONHEÇO TÍTULOSUm dia, o grande general Kitagaki foi visitar seu velho amigo, o superior do temploTofuku. Ao chegar, disse a um noviço de forma algo desdenhosa como comumente sedirigia às pessoas que considerava seus subordinados no exército:"Diga ao Mestre que o grande general Kitagaki está aqui."O noviço foi ao seu mestre e disse:"Mestre, o Grande General Kitagaki está aqui."O mestre respondeu:"Não conheço Grandes Generais."O noviço voltou à presença do militar com o recado enquanto o velho sábio observava dopórtico:"Desculpe, o mestre não pode vê-lo. Ele não conhece nenhum Grande General." 75
  • 76. O General inicialmente ficou surpreso, depois indignado, e finalmente compreendeu.Humildemente disse ao noviço:"Desculpe minha arrogância. Por favor, diga-lhe que Kitagaki deseja vê-lo."O monge assim o fez. Logo, o mestre aproximou-se com um sorriso e cumprimentou:"Ah, Kitagaki! Há quanto tempo! Por favor, entre." *** NÓ DE CARINHOUm pai, numa reunião de pais, explicou, com seu jeito humilde, que não tinha tempo defalar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana.Quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo.Quando voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família.Mas contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e quetentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que ocobria.Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo.Quando o filho acordava e via o nó, sabia través dele, que o pai tinha estado ali e o haviabeijado.O nó era o meio de comunicação entre eles.A diretora ficou emocionada e surpresa quando constatou que o filho desse pai era umdos melhores alunos da escola.O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem presentes, de secomunicarem com os outros.Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas eficiente.E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhedizendo.REFLEXÃO:Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas que esquecemos oprincipal: a comunicação através do sentimento.Simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho,muito mais que presentes ou desculpas vazias.É válido que nos preocupemos com as pessoas, as é importante que elas saibam que elassintam isso.Para que haja a comunicação, é preciso que as pessoas "ouçam" a linguagem do nossocoração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que aspalavras. 76
  • 77. É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, oarranhão no joelho, o medo do escuro.As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar umgesto de amor.Mesmo que esse gesto seja apenas um nó.Um nó cheio de afeto e carinho. *** 77