Cálculo de riscos aplicado a atividades industriais
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Exemplos de cálculo de riscos, através da análise das perdas provocadas.

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Cálculo de riscos aplicado a atividades industriais Cálculo de riscos aplicado a atividades industriais Document Transcript

  • Cálculo de Riscos aplicada a atividades industriais: taxação para fins de Seguros Utilização de Softwares Específicos Antonio Fernando Navarro1 www.scribd.com/antoniofernandonavarro Um pequeno histórico sobre o Mercado Segurador Inúmeros são os critérios atualmente existentes para a taxação dos denominados riscos industriais. Sob essa denominação podem estar acobertadas refinarias siderúrgicas, e outros empreendimentos de mesma grandeza. Antigamente, quando ainda existiam tarifas para a taxação de riscos únicas para todas as seguradoras, seguia-se uma rotina de taxação, que era submetida à apreciação do Instituto de Resseguros do Brasil, monopolista nas atividades de resseguro e de retrocessão. Para quem não está familiarizado com a linguagem do seguro, as seguradoras possuíam um Limite Técnico para a aceitação dos riscos e um Limite Operacional. As seguradoras poderiam assumir a responsabilidade pela assunção dos riscos sozinhas, repassando o que excedesse ao seu limite de retenção ao IRB, que providenciava, antes da remessa dos excessos de riscos para as várias seguradoras do mercado segurador brasileiro. Do que restava de riscos não assumidos, o IRB os enviava segundo contratos o que ainda excedia de riscos para o mercado internacional. Essa via era de mão dupla, ou seja, da mesma forma que se enviava riscos recebia-se riscos. O vai e vem de riscos é na verdade um vai e vem de recursos, já que risco significa uma taxa, a qual aplicada ao valor segurado do bem, o risco, é transformado no valor do prêmio de seguros. Nesta fase ainda está se referindo aos prêmios de riscos sem os carregamentos habituais devido às comissões de corretagem, despesas operacionais, impostos e encargos e taxas técnicas ou carregamentos, que supre, eventuais desvios de taxas ou de riscos. O modelo abaixo exemplifica o limite de retenção da seguradora. Ultrapassado esse limite há um receptáculo para o mesmo, em linguagem figurada, denominado aqui IRB. O que ultrapassa à retenção do IRB é repassado a outros resseguradores. Os limites de retenção aqui relatados são limites por riscos e não limites por carteiras de seguros. 1 Antonio Fernando Navarro é Físico, Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho (da Universidade Federal Fluminense) e Mestre em Saúde e Meio Ambiente, tendo atuado em atividades industriais por mais de 30 anos como Gerente de Riscos, principalmente em seguradoras e para o IRB Brasil Re, nesse, como Perito de grandes sinistros. Também é professor da Universidade Federal Fluminense – UFF do curso de Ciências Atuariais.
  • A “moeda” de negociação eram riscos, a exemplo do BBB de uma televisão, onde a moeda é “estalecas”. Ocorre que o risco era que se segurava. Assim, o risco poderia ser uma pessoa (no seguro de vida), poderia ser uma edificação (no seguro de incêndio), poderia ser um equipamento (no seguro de riscos de engenharia ou riscos diversos), poderia ser uma embarcação ou uma aeronave, nos seguros de cascos marítimos ou aeronáuticos, e por aí segue. Uma relação importante qualquer que fosse o risco a ser oferecido a uma seguradora era de que para cada risco há uma taxa. Essa taxa aplicada sobre a importância segurada do bem termina por se transformar no prêmio de seguros. A taxa pode ser agravada ou reduzida em função da boa experiência da seguradora e do segurado não apresentar sinistros, aqui entendidos como a efetivação do evento segurado. Em uma apólice que acoberte um edifício como o risco de incêndio, se houver o incêndio, não importa a causa e desde que essa esteja contemplada como risco coberto, o incêndio ocorrido é o sinistro. Se não houver possibilidade de salvar-se nada diz-se que houve a perda total. Caso haja a possibilidade de se salvar algo diz-se salvados do incêndio, que podem ficar de posse do segurado, reduzindo a perda da seguradora, ou ficarem com a seguradora, que indenizará o segurado da perda. Portanto, o equilíbrio da operação está no correto dimensionamento da taxa em função do risco assumido. Risco Taxas Havia seguradoras especializadas em seguros específicos, onde em suas carteiras de negócios, o principal era o seguro de aeronaves, por exemplo, aquelas onde a maior parte dos riscos assumidos eram seguros de automóveis, enfim, havia uma especialização e toda uma forma de negociação. Os seguros industriais, pelas suas características, eram sempre seguros mais técnicos, exigindo das seguradoras análises de gerenciamento de riscos realizadas por engenheiros. Pelo porte das empresas quase sempre chegavam a ser seguros vultosos, aqueles onde a retenção do mercado nacional era pequena e havia um excesso de transferência de riscos para o mercado internacional. Página 2 de 55
  • A qualificação do mercado e de distribuição dos riscos, associada a uma contínua fiscalização auditora, transformava as empresas em empresas com grande liquidez. Um sinistro, a efetivação do risco sobre o evento segurado, não prejudicava financeiramente a seguradora. Havia sinistros de riscos vultosos onde todo o mercado segurador participava com a sua quota de retenção de risco, na mesma proporção dos riscos aceitos. Nos seguros industriais isso também ocorria. Essa pequena introdução serve para alertar que os seguros industriais possuíam critérios de taxação específicos e que eram vistoriados periodicamente pelos engenheiros das seguradoras e do Ressegurador (IRB), que avaliavam se o que constava dos critérios de avaliação realmente era o que existia. Assim, as visitas, dependendo do porte das empresas, poderiam durar dias, com o acionamento dos sistemas de combate a incêndios e, algumas vezes, com simulados. Tudo era feito para se saber se a preço que se estava pagando para a aceitação dos riscos era justo ou não. Havia indústrias, que pelo longo histórico de seguros sem qualquer sinistro eram merecedoras de descontos nas taxas dos riscos. Um aspecto interessante é que o grau de especialização das empresas ia crescendo na medido em que o mercado segurador crescia e as demandas desse mercado eram maiores. Isso é normal em qualquer área. O Mercado Londrino, considerado como referência durante centenas de anos, começou a se estruturar após o grande incêndio que atingiu a cidade de Londres em 1.666. A partir da descoberta do risco, a cidade e a Prefeitura começaram a impor sanções e ao mesmo tempo obrigar a existência de dispositivos de combate a incêndios, desde pá a baldes de couro, enfim, a população, preocupada com o risco e com a possibilidade de não ter como repor o que foi perdido, passou a se proteger. Na Inglaterra, logo após o grande incêndio e após frustradas as inúmeras tentativas individuais, que mais se assemelhavam a brigadas de incêndio de bairros, surgiu a primeira seguradora, constituída em 1.710, sob o nome de T. A Determinação das Taxas de Riscos Quase sempre os critérios de determinação das taxas de riscos iniciavam com a análise das plantas (desenhos) das instalações da empresa. Nessas plantas eram indicados os principais riscos, os meios de proteção existentes contra o combate a riscos, as distâncias entre os demais locais, os valores envolvidos, os meios de desocupação do local, a possibilidade dos sinistros (eventos) serem debelados através de meios próprios e em caso contrário, as facilidades existentes que poderiam possibilitar o acesso de meios externos de apoio. Em resumo, analisavam-se todos os aspectos positivos e negativos supondo que os riscos pudessem ocorrer em qualquer ponto da indústria e alastrar-se por qualquer meio. Nessa primeira fase as tarifas do IRB e os manuais técnicos não saiam de sobre as mesas dos taxadores, ou underwriters. Esses visitavam várias vezes as instalações do IRB para conversas e obtenção de dados. Também eram iniciadas as visitas às seguradoras parceiras, para saber-se o quanto de risco poderia ser retido por essas antes de serem repassados, os excessos, ao IRB. Em uma segunda fase eram analisadas as estatísticas do mercado segurador nacional e internacional, incluindo-se a experiência dos resseguradores e brockers, aqui denominados os grandes conglomerados de corretores de seguros. Mas, Página 3 de 55
  • enfim, todas as experiências são bem vindas e aceitas, desde que representem os riscos reais a que estarão expostos os seguradores. Muitas vezes essas atividades poderiam durar de um a dois meses. Assim, a determinação de taxas para uma indústria, como um todo, sempre foi uma das tarefas menos fáceis, mesmo com toda a tecnologia existente, porque, em uma mesma empresa há riscos com características de todos os tipos, com vários níveis de gradação de perdas, enfim, há milhares de riscos, os quais, se somados para a obtenção de uma única taxa para uma indústria tornaria o processo de taxação inviável para a empresa seguradora e para a própria indústria, essa em função dos custos que seriam cobrados. Por exemplo, em uma única área, como o de processamento de uma petroquímica, pode haver riscos de explosões de quebra de equipamentos, de acidentes elétricos, de perda de produção, de derrames de materiais, enfim, muitos são os riscos. Um dos conceitos que nunca mudou foi o de se avaliar os riscos das indústrias em função dos níveis de proteção existentes, na medida em que, quanto mais eficazes fossem os sistemas de detecção e combate aos riscos, menores seriam as perdas ocorridas. De certa maneira, a lógica é bem simples. Maiores proteções podem corresponder a menores riscos. Entretanto, mesmo nesses processos de simplificações deve-se contar sempre com a possibilidade do dispositivo de segurança adotado não vir a funcionar corretamente, assim, não basta apenas possuir os equipamentos e esses serem os adequados, também deve estar funcionando adequadamente. Um desses exemplos é o do risco de explosão de caldeiras e vasos de pressão. Quando há uma explosão são formadas ondas de impacto que se irradiam do ponto onde foi formada. Essas ondas vão quanto mais distante se encontram do ponto de origem, perdendo força. No início podem destruir edificações, ao final podem apenas sacolejar vidros de uma janela. Nesse caso, não há um dispositivo de proteção específico. Os equipamentos possuem válvulas de alívio. Os equipamentos possuem pontos onde o excesso de pressão pode ser extravasado. Ou seja, os projetistas preveem que os riscos, quando ocorridos, possam ser minimizados. Nas panelas de pressão caseiras, para o cozimento do feijão, há uma válvula central cujo peso produz uma pressão interna de uma atmosfera e outra válvula de segurança. Falhando a válvula principal é acionada a válvula complementar. O mesmo ocorre com os equipamentos de pressão das indústrias, que trabalham com pressões centenas de vezes maior do que a de uma simples panela de pressão caseira. Entretanto, as falhas podem ocorrer. Até por essa razão é que houve tanto progresso dos estudos de Confiabilidade de Processos, associando-se estudos de confiabilidade a estatísticas, mecânica, instrumentação, processos, enfim, a união de vários conhecimentos. Nos tempos mais antigos, quando esses estudos ainda não eram tão sofisticados e técnicos, as empresas terminavam por enclausurar as áreas de riscos, construindo grossas paredes de alvenaria ou de concreto, auto portantes, direcionando as ondas de explosão para cima, e não radialmente. Desta maneira protegiam-se os equipamentos nas proximidades e os custos dos seguros eram menores. Página 4 de 55
  • Uma das seguradoras mais antigas do mercado segurador, fundada em 1866 foi The Hartford Steam Boiler Inspection & Insurance Company, conhecida como Hartford Insurance Company, notabilizou-se por possuir elevada expertise na análise de equipamentos sujeitos à pressão, como caldeiras, por exemplo. Atualmente a empresa faz parte do grupo Munich Re e possui mais de 1.200 engenheiros especializados na análise de riscos industriais. Ainda existiam situações onde os equipamentos críticos, em termos de geração de riscos, ficavam distantes dos demais, quase que da mesma forma que o empregado na distribuição dos paióis de pólvora, onde os mesmos são construídos semi enterrados e tendo ao redor elevações de terra formando pequenas colinas. As taxas aplicadas contemplavam a existência dessas distâncias. Ainda hoje, quando se refere ao depósito de material explosivo, o volume admitido para estocagem em um só lugar depende da distância que o depósito se encontra das demais construções. Desta maneira, mesmo simplificando ao máximo os processos de taxação ainda assim a questão da adequada mensuração torna-se uma tarefa bem difícil. Em um simples exemplo, um sistema de combate a incêndio através de hidrantes é considerado como um bom dispositivo. Uma rede de hidrantes bem dimensionada e com os dispositivos adequados pode combater praticamente todos os tipos de incêndio, inclusive os envolvendo subestações. Nesses casos empregam-se dispositivos do tipo protector spray nas saídas, ao invés de lançar-se um jato contínuo. Contudo, para que o sistema funcione, em cada uma das saídas das canalizações, onde há registros, devem ter mangueiras e esguichos. Além disso, o sistema deve ter sistema de bombeamento, cuja adução se faz através de reservatórios elevados que são alimentados por cisternas. Se não há água suficiente na cisterna ou no castelo de água, mesmo que a equipe seja muito boa e as mangueiras estejam posicionadas corretamente pode-se ter uma falha no processo. As probabilidades de falhas, processos esses que até algumas décadas atrás não eram tão importantes assim passaram a ser importantes, na medida em que cada componente de um sistema deve ter o desempenho esperado, não menor ou maior, mas sim aquele esperado para que o conjunto funcione adequadamente. Desta maneira, passamos a compreender que em uma indústria passa-se a considerar como sistemas ou blocos, tanto os riscos, quanto os processos e os sistemas de detecção e combate a incêndios. Se um desses blocos falha todo o conjunto passa a apresentar um resultado que não é o esperado. Uma das teorias que não é específica para o caso em questão, mas que se aplica muito bem ao que informamos é a teoria dos dominós. Nessa, cada peça representa uma etapa do processo ou um bloco do sistema. Se esse falha a tendência é a de todo o conjunto falhar. Na cadeia dos dominós terminamos torcendo para que a peça que caia não seja a primeira, e sim, se tiver que cair, a última, já que a primeira tem a probabilidade de derrubar todas as demais. Desta maneira, um simples critério de taxação de riscos abrange um enorme gama de disciplinas. Trata-se da matemática pura, da estatística, dos estudos de processos, da análise de Página 5 de 55
  • equipamentos, do conhecimento dos processos, ou seja, a visão deixa de ser apenas um “achismo” para uma análise onde se consiga provar que é correta, seguindo do princípio para o fim ou do fim para o começo. O seguro, em uma descrição simplificada é uma operação contratual onde o proprietário de um bem oferece a alguém, empresa, a responsabilizá-lo repondo ou reparando o bem, bastando para isso que o proprietário pague o que se denomina de prêmio de seguros. Assim, há um acordo com regras bem claras, onde se discrimina o que será acobertado, quais os riscos que serão levados em consideração, o que será excluído e o que não será objeto do seguro. Ajustadas as partes assina-se a apólice de seguros. Todavia, essa é a parte mais simples do processo. O quanto custará o risco assumido normalmente é a grande preocupação dos Atuários e dos gerentes de Riscos das Seguradoras, já que, com seu conhecimento, compreensão do risco e experiência pessoal e do mercado poderá informar o valor do custo do risco. Análise da Questão Denomina-se custo do risco a parcela do preço do seguro onde o segurador passa a ser o responsável pela indenização. O custo é na verdade uma taxa. Essa, aplicada ao valor dos bens representa o custo do risco. A esse são agregados outros custos melhor exemplificados mais adiante (despesas de comercialização, impostos e encargos financeiros, despesas operacionais, entre outras), transformando-se em custo do seguro. Em 1996, sob o título: Gerenciamento de Riscos Industriais, registramos na Fundação Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura - Escritório de Direitos Autorais - Certificado de Registro ou Averbação nº 123.087, Livro 190, Folha 202 a publicação de onde iremos tirar alguns conceitos sobre o tema. Apesar de se tratar se material preparado em meados da década de 90, os conceitos técnicos necessários para melhor elucidação das questões. No início de nosso interesse pelo tema do Gerenciamento de Riscos voltado à área industrial, descobrimos que quase todos os trabalhos existentes estavam direcionados para o seguro, enquanto ciência. Havia um ou outro artigo ou livro que enveredava mais para o lado da matemática ou de estudos de Confiabilidade, e outro para seguros de Vida ou de Acidentes Pessoais. A Gestão de Riscos era tema de pouquíssimos autores e quase sempre relacionados à avaliação das condições do ambiente do trabalho que pudessem por em risco a segurança do trabalho dos operários, ou condições de pudessem ampliar as condições de aumento do risco de incêndio. Assim, no início da prática do Gerenciamento de Riscos, nos finais da década dos anos 70, observamos que os conceitos terminavam se mesclando, e que o seguro quase nunca era a causa e sim o efeito, ou a consequência, para o resultado da aplicação da técnica de gestão. Entendemos que o seguro é Página 6 de 55
  • uma das formas de tratamento dos riscos. É uma das maneiras de se recompor um patrimônio afetado por uma perda ou por um dano. O mercado de seguros sempre foi um dos pioneiros no incentivo ao desenvolvimentos de ações para a identificação das perdas e danos, com o objetivo da aplicação de medidas de prevenção. As análises de conduziram aos estudos que redundaram em estratificações das principais causas dos acidentes é muito semelhante ao das técnicas de gerenciamento de riscos. Nesses trabalhos pode-se citar: A The Travelers Insurance Company contratou os serviços de H. W. Heinrich e Roland P. Blake para a análise dos acidentes que tinham a morte como causa maior. Em 1931 foi desenvolvido o primeiro e o mais conhecido modelo de causa, bem como estimativa de custo de acidentes a partir de conclusões baseadas na análise de cerca de 5.000 casos de empresas seguradas, estendendo essas análises nas próprias empresas participantes através de entrevistas com membros do staff dos serviços de administração e produção. Heinrich, em 1959, já tendo consolidado suas pesquisas escreveu o livro Industrial Accident Prevention, onde aponta que os acidentes de trabalho com ou sem lesões são devidos a uma série de fatores como: personalidade do empregado; prática de atos inseguros; existência de condições inseguras nos locais de trabalho, entre outros. Disso resulta que as medidas preventivas devem assentar-se sobre o controle desses três tipos de causas de acidentes, as predominantes nas análises. As medidas preventivas a serem adotadas dependem do reconhecimento das causas que podem ser identificadas por meio da coleta de dados durante a investigação dos acidentes, como a Técnica dos Por Quês, no nosso exemplo anterior. O uso dos quadros estatísticos (baseados nos dados coletados) pode ser considerado, portanto, como fundamental para a programação de prevenção de acidentes. Ainda como mérito de Herbert William Heinrich, concluiu-se que em qualquer discussão sobre causas e modelos para estimativa de custo de acidentes, não se pode esquecer que não há uma lógica para definir a ocorrência de um acidente, mas sim, dados estatísticos que apontam para algumas questões dominantes. Essas questões podem ser posicionadas tal qual dominós, onde a queda de um termina por provocar a queda de todos. Algumas das questões pesquisadas partiam da hereditariedade e do meio, passando pela inadequação pessoal e terminando com o ato perigoso, o acidente e, finalmente, à lesão. H. W. Heinrich e Roland P. Blake foram os primeiros a apontar que apenas a reparação de danos não era suficiente e, sim, a necessidade de ações tão ou mais importantes, que além de assegurar o risco de lesões, tendessem a prevenir os acidentes. Isso significava que 88,0% dos acidentes são provocados por atos inseguros, 10,0% por condições inseguras e 2,0% por causas fortuitas e ou imprevisíveis. Em nossa história inicial tivemos o ato inseguro, o ambiente inseguro, condições inseguras e causas fortuitas. A conclusão dos estudos dos dois profissionais ficou conhecida como Pirâmide de Heinrich, publicado inicialmente em 1931, onde para um acidente com lesão incapacitante, correspondiam 29 acidentes com lesões não incapacitantes e 300 acidentes sem lesão, que não necessariamente não eram relevantes. Esses acidentes eram considerados sem lesão pois Página 7 de 55
  • que não havia a cobertura de seguros para os mesmos. Heinrich teve o grande mérito de entender essa questão, que poderiam existir outras causas que muitas vezes não se dava a importância devida porque não era indenizadas. Essa grande parcela de acidentes sem lesão não vinha sendo considerada, até então pelas seguradoras, pois que não representavam indenizações, ou seja, não eram perdas que pudessem ser reclamadas. Entretanto, os pesquisadores notaram que havia uma lógica nos números e que essa poderia ser estendida a todas às demais empresas pesquisadas. A partir de então, a preocupação maior não era mais a reparação, mas sim a aplicação de medidas preventivas que impedissem a ocorrência de um acidente. Certamente os custos de tais medidas preventivas seriam menores do que os custos das indenizações promovidas. Pirâmide de Herbert William Heinrich e Roland P. Blake 1931 A evolução da Pirâmide para os Dominós somente ocorreu 28 anos depois, com a evolução de suas pesquisas, indo além da simples preocupação para com as indenizações pelos acidentes, mas indo além, para o que efetivamente provocava o acidente. Os cinco fatores na seqüência do acidente - HEINRICH, 1959. 1. personalidade; 2. falhas humanas no exercício do trabalho; 3. causas de acidentes (Atos Inseguros e Condições Inseguras); 4. acidente; 5. lesão. Uma das conclusões era que, removendo uma única peça do dominó a sequência de quedas seria interrompida, evitando, assim, a ocorrência do acidente. Portanto, as ações de prevenção deveriam se concentrar nos fatores que antecedem a ocorrência do evento indesejável. Assim Heinrich recomendava atuar-se na remoção das causas dos acidentes, representada por atos ou condições inseguras. Mais posteriormente, A Dupont transforma essas questões em desvios, como base de seu processo. Página 8 de 55
  • Para Heinrich (1959), o erro humano é o que apresenta a maior probabilidade de contribuir para a ocorrência do acidente, podendo ser considerado como ponto central. O erro pode ser decorrente de modos de falha como: conhecimento, atitude, aptidão e habilidade. Outra seguradora americana, dos segmentos de property, ou danos materiais, Insurance Company of North America, desenvolveu análise semelhante a que tinha se dado há 30 anos, contando com o apoio de Frank Bird Jr., estudioso da área prevencionista, que no princípio da década de 50, tomando por base a indústria de seu país, verificou que a prevenção contra acidentes estivesse limitada somente à prevenção contra lesões incapacitantes. Julgava que, para haver algum progresso, não se poderia esperar a morte do trabalhador para reconhecer o acidente. Já naquela época a Pirâmide de Heinrich que apresentava uma relação de 1 para cada 29 e para cada 300, já estava sendo aceita no meio industrial como uma das formas de prevenção dos riscos. Assim, passou a se preocupar também com os acidentes que provocavam lesões sem perda de tempo e com os acidentes sem lesão. Em 1954, Bird deu um notável passo no desenvolvimento prevencionista, quando iniciou, na companhia siderúrgica Luckens Steel Company, com mais de 5.000 empregados, da Filadélfia, um programa de controle de danos à propriedade. Nesse programa havia a necessidade de se buscar a identificação, registro e investigação dos acidentes com danos à propriedade, e a determinação de seus custos para a empresa, para, em seguida, serem tomadas as devidas ações preventivas. De 1959 a 1966, a Luckens Steel Company estabeleceu um programa de controle de todos os acidentes, envolvendo uma análise de 75.000 envolvendo danos patrimoniais e 15.000 acidentes pessoais, com lesões, dos quais 145 se classificaram com incapacitantes, durante um período de sete anos. Através dessas investigações Bird propôs um programa de Controle de Perdas e Danos. Essa estratégia tinha como finalidade principal reduzir ou eliminar as perdas dos acidentes com danos materiais, sem descuidar dos acidentes com danos pessoais. Os resultados práticos dessas análises nunca foram efetivamente discutidos, para que se pudesse evidenciar estarem os números apresentados correspondentes ao que existia na prática. Da mesma forma que seu antecessor, definiu quatro aspectos principais em que se baseava para o desenvolvimento de programas de controle de perdas: informação, investigação, análise e revisão do processo. O resultado de seu trabalho foi publicado em 1966 sob o título de Pirâmide de Bird. Nessa verifica-se que para cada acidente com lesão incapacitante, ocorriam 100 acidentes com lesões não incapacitantes e outros 500 acidentes com danos à propriedade. Bird (1966) estabeleceu também em seu trabalho a proporção entre os custos indiretos (não segurados) e os custos diretos (segurados). Tais custos têm por objetivo dar uma idéia de como cada empresa pode estimar os seus custos individuais em seus programas de Gerenciamento de Riscos. Na década de 70 foram implantados os programas baseados em conceitos de Taylor e Fayol. Em 1969, ou seja, três anos após ter concluído a série de pesquisa na Luckens Steel Company, Bird, estando agora a serviço do Instituto Internacional de Controle de Perdas, contribuiu com sua experiência para o estudo sobre acidentes industriais que a Insurance Company of North America realizou. Foram analisados 1.753.498 acidentes, informados por 297 empresas que representavam 21 grupos Página 9 de 55
  • industriais, com 1.750.000 empregados que trabalharam mais de três bilhões de horas-homem, durante o período de exposição analisada. Pelos números apresentados, praticamente todos os trabalhadores expostos sofreram algum tipo de acidente ou se envolveram, direta ou indiretamente para com o surgimento de um acidente. Foi uma amostra consideravelmente maior, que propiciou chegar a uma relação mais precisa que a que Bird apresentou e, 1954. Nesse estudo, foi introduzida também a análise do quase-acidente, ou seja, acidentes sem lesão ou danos visíveis, pois eles revelam potenciais enormes de 69 acidentes, situações com risco potencial de ocorrência sem que tenha havido ainda a perda pessoal ou não pessoal. O resultado final desse estudo indicou que para cada acidente com lesão incapacitante (lesão grave), ocorriam 10 acidentes sem perda de tempo (lesões leves), 30 com danos à propriedade e 600 acidentes que não representavam lesões ou danos visíveis (quase-acidente). Em conseqüência dos resultados das diversas experiências em que Bird atuou ou orientou, criou-se interesse para que muitos especialistas viessem a conhecer sua obra dentro de vários países. Com isso, numerosos programas de controle de danos foram implantados e novas experiências realizadas. Pirâmide de resultados de Frank Bird (1969) da Insurance Company of North America No final da década de 90 a DUPONT (Du Pont du Neymors) com base em sua experiência em mais de 200 anos de existência, e apoiando-se nos estudos anteriores criou uma Pirâmide de Desvios, acrescentando um nível a mais do que o acrescentado por Bird, em relação ao trabalho original de Heinrich. Pode ser destacado que os dois primeiros trabalhos voltavam-se a ações de redução dos níveis de perdas indenizadas seja envolvendo pessoas quanto o patrimônio, trabalho esse bastante enfatizado por Bird. A visão da DUPONT foi a de unificar os conceitos de prevenção de perdas, migrando para o conceito de prevenção de Riscos. Em programa de capacitação em setembro de 2006, relatava-se que, de cada 100 ocorrências 96% deviam-se a atos praticados pelos próprios trabalhadores e o restante a fatores externos ou do ambiente do trabalho. No desenvolvimento das explicações, ressaltava, sem exposição de números, os seguintes resultados: Página 10 de 55
  • Apenas o mau posicionamento das pessoas e o emprego de ferramentas e equipamentos fora de padrões ou com algum tipo de comprometimento eram responsáveis por mais da metades dos desvios observados. Isoladamente, o trabalhador tinha uma grande expressão nesse cenário por cometer os desvios intencionalmente ou não, e até por isso a principal vítima do processo de “fabricação de acidentes”, Baseando-se em sua própria experiência a empresa chegou a números como os apresentados a seguir. Pirâmide definida por Du Pont du Neymors Uma questão que deve ser destacada é a que em todas as três pirâmides os valores crescem decuplicados. Também em todas há um evento topo, ou evento indesejado. Talvez por isso essas pirâmides possam ser aplicadas a outras áreas como a de Meio Ambiente e a de Saúde, como poderemos observar mais adiante. Durante o período entre 1978 a 2000 atuamos como gerente de riscos de empresas seguradoras. Nesse período tivemos a oportunidade de aplicar os conceitos de gerenciamento de riscos em mais de 500 empresas. Seguramente nessas também ocorriam problemas semelhantes aos encontrados por Heinrich e por Bird. A técnica de Gerenciamento de Riscos voltava-se à identificação das origens de eventuais sinistros, os quais, reclamados pelos segurados transformavam-se em perdas indenizadas. Ao longo de todo esse período de mais de 30 anos, avaliamos não só as questões de property (danos ao patrimônio), como casualty (danos de responsabilidade), marine (danos a embarcações e todo o meio flutuante), engeneering Página 11 de 55
  • risks (riscos de engenharia, com construção e montagem, obras civis e equipamentos), e personal lines (riscos a pessoas). Utilizando todo o material coletado, os resultados de nossas pesquisas e os relatórios elaborados definimos também uma Pirâmide de Desvios, que resolvemos denominar de Matriz de Desvios, pois que os resultados práticos dessas análises são muito mais de gestão e prevenção. O resultado a que chegamos foi que, antes mesmo que os desvios possam se manifestar, há questões envolvendo o conhecimento (cultura) das pessoas e a vontade. Relembrando nossa história inicial, um visitante cego entra em uma empresa cuja secretária encontra-se com muitas outras atividades e que até mesmo em função da distração orienta o visitante como se fosse uma pessoa que não tivesse uma necessidade especial. Essa pessoa, em um ambiente desconhecido a ela e sem ter a menor percepção do risco que a rondava tropeça em um balde deixado por uma pessoa que poderia ter solicitado à amiga que anotasse o número do telefone, para que, assim que concluísse seu trabalho retornaria a ligação. O outro obstáculo, a escada, poderia ter sido removida pelo funcionário da manutenção e deixada nas proximidades, em uma área onde não viesse a representar riscos. Em uma análise global, houve uma falha gerencial que possibilitou que alguém entrasse na empresa sem ser informada à pessoa que seria visitada. Houve uma falha da secretária, que não preparada para a função, quis fazer tudo ao mesmo tempo, não se apercebendo que em sua distração poderia cometer riscos. Também erraram os profissionais de limpeza e de manutenção. Ou seja, tivemos uma série de dominós enfileirados, onde o ponto dominante foi a falta de uma estruturação gerencial das pessoas. Assim, entendemos que o desvio não é o último degrau do processo. Aqui o desvio é o descumprimento a uma norma ou procedimento, formal ou não. Nos anos de 2000 a 2008 fomos multiplicadores do programa de Auditoria Comportamental, de importante empresa nacional do segmento de Óleo e Gás. Nesse período capacitamos pessoas, gerenciávamos os lançamentos das informações no sistema, acompanhávamos os profissionais, enfim, estávamos acompanhando o tempo todo não só o resultado de seus trabalhos como também dos progressos em relação à redução dos acidentes. Nos primeiros três anos os auditores tinham que ir ao campo diariamente e auditar pelo menos uma empresa, ou seja, despendia no mínimo 45 minutos. Nos dois anos seguintes a obrigação passou a ser de três idas ao campo para a elaboração de suas auditorias comportamentais. Nos anos subsequentes havia a obrigatoriedade da elaboração de uma auditoria comportamental. Como o nome indica, trata-se de uma auditoria, ou avaliação, do comportamento do trabalhador que possa estar conduzindo-o a um acidente. Assim, eram avaliados os seguintes aspectos: 1. Emprego correto dos EPIs conforme atividades desenvolvidas 2. Utilização correta e adequada de Ferramentas e Equipamentos 3. Identificação da posição das pessoas quanto a possibilidade de sofrerem acidentes 4. Atendimento aos procedimentos adotados para a execução das atividades 5. Reação comportamental das pessoas com a aproximação dos membros da equipe auditora Página 12 de 55
  • 6. Organização e limpeza da área de Trabalho De posse dos resultados dessas auditorias, lançadas em cadernetas, no início, e posteriormente no sistema, pelo próprio auditor, eram extraídos o total de atos inseguros, o total de condições inseguras, o total de desvios apontados e o total de pessoas observadas. O resultado final era representado por uma planilha, por unidade, com a indicação do HH programado, HH realizado, % de realização de auditorias, total de desvios observados durante o período (mês) e a quantidade de desvios observados por hora de auditoria realizada. No período foram analisadas 18.300 auditorias realizadas e 1.280.000 desvios significativos e confirmados. Sim, porque, periodicamente tínhamos que ir ao campo, e avaliar o panorama geral, para que pudéssemos nos certificar se poderia haver um auditor lançando mais desvios do que os efetivamente existentes. Transformando esses períodos para períodos anualizados, chegamos ao seguinte resultado: Acidente com Afastamento 50 Acidente sem Afastamento Nível de ações 120 Quase Acidentes reativas 310 Desvios Nível de ações 750 Desconhecimento dos Riscos proativas 1300 Desconhecimento Técnico 3500 Triangulo de Desvios de Navarro (2012) Em nossa análise dos desvios nos baseamos, como dissemos anteriormente, em várias fontes/registros. A apresentação ocorrida em 2006 citada anteriormente apresenta com um percentual de 30% a questão do posicionamento das pessoas como causa dos desvios. Nossas investigações nos levaram, através de mais de 200 entrevistas, a depurar esses números e atribuir esses atos citados em 2006 a dois fatores importantes, mas não ressaltados pelos autores anteriores, qual seja, a do desconhecimento técnico e ao desconhecimento do risco. Parece ser simples, ou evidente, que alguém ao se aproximar de algo que para nós seja um perigo tenha a mesma impressão. Lêdo engano. A ignorância quanto à questão faz com que as pessoas não se apercebam que estão prestes a sofrer um acidente. Na atividade de movimentação de cargas não são raros os casos de pessoas que morrem esmagadas pelo simples fato de estarem passando ou sob cargas em movimentação. Página 13 de 55
  • Na avaliação anualizada, a exemplo das demais pirâmides estudadas e apresentadas, o desconhecimento técnico do empregado faz com que ele não tenha o adequado conhecimento dos riscos. Pelo fato de desconhecer os riscos termina por cometer desvios técnicos, de procedimentos e de conduta. Ao cometer os desvios pode estar sujeito a assumir postura ou posição onde haja maior probabilidade de sofrer acidentes. Assumindo a postura ou posição inadequada ou desconforme passa a ter maior probabilidade de ser atingido ou se envolver em acidentes, a princípio sem afastamento, posteriormente, e na continuidade da postura não conforme tem maior probabilidade ainda de sofrer acidente com afastamento e, por fim, acidente grave incapacitante ou até morte. O estudo das Perdas Nos programas de Gerenciamento de Riscos, da mesma forma que nos estudos desenvolvidos por Heinrich (1931), Bird (1954), DUPONT (1998) e Navarro (2012), através de Pirâmides de Desvios, objetivava-se, a partir da eleição ou escolha de um evento denominado de topo, quase sempre o acidente mais grave ou letal, galgar-se, degrau por degrau as causas que contribuíram para a ocorrência do evento topo. Nos programas de Gestão de Riscos ou de Perdas, percebe-se sempre que há situações corriqueiras, que olhadas com maior atenção podem vir a representar um acidente. Uma poça de água no chão, o descumprimento momentâneo de uma norma, o salto de uma etapa do processo é o primeiro degrau. A esse pode ser dado o título de Desvio. No Gerenciamento de Riscos, nesse degrau tem-se as perdas mais corriqueiras e de menor valor. Por exemplo, ao longo do dia em uma fábrica de parafusos, de uma produção de cinco milhões de parafusos pode-se perder 100 parafusos, por exemplo. O custo deles em relação ao total não é relevante. As ações para a correção dos problemas muitas vezes custa muitas vezes mais do que as despesas com as perdas. Contudo, certas perdas costumam ser freqüentes, bem como conduzir a prejuízos de pequena monta. Nesses casos, a contratação de seguros de pouco vai adiantar. Para essas perdas que terminam sendo habituais nos processos, passam a ser denominadas de Perdas Normais Esperadas. Um arranhão na porta de um carro que fica muito tempo em um estacionamento termina sendo uma perda norma. Para as seguradoras, essas perdas normais, que têm uma frequência de ocorrências maior do que a severidade das perdas essas passam a ser chamadas de Perdas Normais Esperadas. Há uma relação entre as Perdas Normais Esperadas e o que se denomina de Franquia, ou participação obrigatória do segurado. Faz-se até sentido que, aquilo que é corriqueiro termine sendo assumido pelo segurado, sob a denominação de Franquia. Uma PNE apresenta como principal característica o fato de ocorrer com uma maior periodicidade do que as demais perdas, porém com valores (severidade) baixa. No segundo degrau de nossa escalada temos as Perdas Máximas Prováveis. Também pode ser lido em algumas literaturas a respeito a tradução para Dano Máximo Provável. Essa perda é mensurada como aquela que ocorre a partir do momento em que um evento é percebido até o momento em Página 14 de 55
  • que ele é controlado. Por exemplo, o evento Incêndio. Esse pode ser percebido por meio de sensores, ópticos ou de calor ou de luz. Com a detecção, o sistema de prevenção entre em funcionamento. As ações podem envolver o deslocamento de brigadas de incêndio, a extinção do incêndio por qualquer pessoa que esteja no ambiente, ou o acionamento de um bico de sprinklers, que provoca a extinção do incêndio. Todos os custos decorrentes do evento, somados, são denominados de Perdas Máximas Prováveis. São assim chamadas, de admissíveis, porque as empresas devem ter seus sistemas de prevenção e segurança corretamente instalados. No terceiro e último degrau, de maneira semelhante às Pirâmides, se tem a Perda Máxima Admissível. A perda é caracterizada como tendo um início que pode ser ou não detectado visualmente ou através de algum dispositivo de segurança e que é extinto sem que tenha havido a intervenção de nenhum equipamento, sistema ou equipe de segurança. Assim, o evento termina da mesma forma que começou, sem a intervenção de ninguém ou de nenhum sistema. As perdas poder vir a ser totais ou não, dependendo para isso da concentração ou da dispersão dos bens nas edificações e no espaço ocupado pela empresa. Ao nos aprofundar nas pesquisas, descobrimos, gradualmente, que poderíamos gerenciar qualquer tipo de risco e que uma das funções dessa nova ciência que estava desabrochando e talvez a principal, era a da redução das perdas humanas e patrimoniais. Nessa linha, o Gerenciamento de Riscos passava a ser uma das ferramentas a serem empregadas em programas de Qualidade e de Produtividade. Assim, pensando-se que gastos desnecessários conduzem sempre ao aumento de despesas, e por conseguinte, a um aumento dos custos dos produtos, é que procuramos direcionar todo o nosso estudo. No final dos anos setenta as características das atividades de Gerenciamento de Riscos era muita mais próxima das características da Segurança Industrial, do que da Segurança Patrimonial ou da Segurança do Trabalho. Se focarmos a questão, os acidentes patrimoniais e os envolvendo pessoas terminam sendo uma decorrência das atividades industriais, daí que passar de Gerenciamento de riscos para Estudos de Confiabilidade foi um mero momento. Gerenciando Riscos O Gerenciamento de Riscos surgiu nos Estados Unidos nos anos sessenta, voltados às questões armamentistas de fabricação de armamentos para a guerra fria e a Guerra do Vietnam. Assim, a cada instante e em cada serviço desenvolvido há acréscimos de experiências e de metodologias que vieram a dar certo, ou seja, acrescenta-se um pouco da própria experiência profissional do Gerente de Riscos, incorporando experiências passadas, que tiveram por mérito, conduzir a resultados positivos. Aqui cabe um parêntese, voltado à aqueles que não trabalham na área de seguros: O risco, tratado no Gerenciamento de Riscos, é um evento que tem probabilidade de materializar-se em um determinado tempo, acarretando perdas materiais significativas, que podem vir a ser objeto de análise por uma Seguradora para fins de emissão de uma apólice de seguros; Os riscos abordados em uma cessão ou uma transferência de resseguro, são as apólices ou as coberturas de seguro, objeto do estudo, tanto por parte da Seguradora quanto por parte do Ressegurador. O conceito de risco varia, de certa maneira, na área de investimentos financeiros, no segmento imobiliário, nos riscos cirúrgicos, na área de projeto, enfim, em cada Página 15 de 55
  • atividade humana há riscos. Assim, generalizando pode-se dizer que risco passa a ser significado de insucesso. A evolução sentida nos últimos anos não se passou somente na apresentação dos relatórios. O conteúdo dos mesmos também passou a ficar bem estruturado. Isso representou um avanço, porque até então, as empresas asseguradas recebiam somente as apólices contratadas. Se existia alguma dúvida à respeito de algum tema envolvendo condições de cobertura esse cliente recebia cópias de tarifas adotadas pelas seguradoras. Com o passar dos tempos a técnica de Gerenciamento de Riscos tem evoluído gradativamente, com a incorporação de conceitos adotados em programas de Qualidade e conceitos de Confiabilidade de Processos, e, por último, de técnicas de avaliação de riscos, empregando-se softwares, alguns poderosos. Os segurados passam a ser mais exigentes quanto a coberturas pretendidas e passam também a questionar os valores de custos com seguros oferecidos pelas seguradoras. Descobriu-se também que se pode chegar, durante os estudos, bem mais próximo do momento da ocorrência do evento gerador de danos, por meio do estudo do comportamento anterior desses mesmos eventos, em outras circunstâncias e em outras empresas, e do emprego de conceitos estatísticos e atuariais. Hoje, estudos mais acurados nos informam, com uma probabilidade de acerto quase próxima a 100%, qual o risco dominante, qual a perda que ele poderá gerar, e quando será o momento em que isso pode ocorrerá. É importante que se frise que a certeza de 100% ainda não é para nós, os humanos. Mas, para quem tinha uma dose maior de incertezas já significa uma grande evolução. Outro aspecto a ser ressaltado é que, quanto mais próximo nos aproximamos do momento da ocorrência mais próximos também nos aproximamos no momento em que as ações de prevenção tem que estar sendo aplicadas, já que prevenção significa o inverso de dano. f (P) = 1/f (D) Para ser capaz de gerar danos um risco materializa-se em função de um infindável número de situações. É como o projeto de se lançar uma sonda espacial para fora do sistema solar a fim de se estudar outros corpos celestes. Para que o empreendimento venha a ter sucesso, além de se esperar que tudo venha a dar certo com o veículo lançador e com a nave espacial, deve-se aguardar o alinhamento dos planetas, o que só vem a ocorrer a intervalos de tempo definidos, e mesmo assim não se tem total certeza do sucesso da missão. É o que chamamos de imponderável. O Gerenciamento de Riscos avalia o imponderável. Chega-se a determinar, por intermédio de técnicas de avaliação de riscos, qual a probabilidade de se ter sucesso no empreendimento, e qual a probabilidade de se ter um fracasso. Para modelos de análise mais simples, consegue-se descobrir os prováveis fatores causadores do insucesso. Assim, elaboram-se previsões com elevado percentual de acertos. Algumas técnicas de Estudos de Confiabilidade de Processos apresentam resultados bem confiáveis e próximos de 100%. Página 16 de 55
  • O Risco O risco, ou o evento, contra o qual se está elaborando um plano de prevenção ou de eliminação de perdas, ou também contratando uma apólice de seguros, deve atender a algumas particularidades para que seja enquadrado como tal, ou seja: deverá ter que ser futuro; ser incerto; ser possível; ser independente da vontade das partes, e conduzir a uma perda que poderá vir a ser mensurável. Procura-se entender como e porquê esse risco vem a se manifestar, qual a periodicidade das manifestações, ou da freqüência das ocorrências ou eventos, e qual é a extensão das perdas sentidas ou observadas, com fins de se reduzir a severidade dos prejuízos. Ainda, buscam-se meios de reduzir a extensão das perdas a outros ambientes, locais ou equipamentos, com o emprego de mecanismos de proteção, confinando as conseqüências dos eventos. Os conceitos de riscos são muito amplos. Risco não é somente aquilo que está para acontecer ou aquilo que temos receio de que aconteça em um determinado momento: • Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite; • Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras; • Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirarem boas notas; • Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque. Para cada um dos exemplos citados a palavra risco tem um significado diferente. Não chegar junto com o temporal apresenta o inconveniente, e não o "risco" da pessoa molhar-se. No caso do assalto efetivamente há um risco de perda monetária ou de danos à própria vida ou à saúde. Nas provas a pessoa pode ser reprovada. O único risco, que não é aquele objeto de nossa análise é o da perda financeira de ter que repetir o ano letivo ou ter o dissabor do constrangimento pessoal. Finalmente, no caso do chuveiro, o risco envolve a vida da própria pessoa. Se essa estiver sobre um piso molhado poderá sofrer um choque mortal. Para toda causa há sempre uma conseqüência. Se há um risco é porque há um cenário de insegurança, ou uma prática insegura. Fazer um equipamento funcionar sem ler o manual de instruções é um risco. O equipamento poderá se queimar. A palavra Risco dá margem a uma série de interpretações. Contudo, está sempre associada, em qualquer caso, a: um insucesso, um perigo, uma perda ou um dano. Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados. Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades. Algumas das que procuramos destacar são as seguintes: • procedimentos cirúrgicos; • operações financeiras; • construções civis; • montagens industriais; • implantação de empreendimentos, etc. No vocabulário das Seguradoras a palavra risco pode representar: • o próprio segurado, o contratante do seguro, o estipulante da apólice ou o beneficiário principal; Página 17 de 55
  • • a atividade principal exercida no empreendimento industrial; • uma edificação segurada ou um bem segurado; • eventos que possam atingir o patrimônio acobertado por uma apólice; • ramos ou modalidades de seguros (seguro Incêndio - risco de Incêndio, seguro de Transportes - risco de Transportes, seguros de Engenharia - Riscos de Engenharia, seguro de Vida - riscos de Vida, e outros seguros e riscos.). Para que a definição fique mais clara, o insucesso é traduzido como um fato gerador de perdas materiais, financeiras ou pessoais. Tem-se então uma ampliação do conceito para o mercado segurador. Falar de um risco é comentar sobre alguma coisa que poderá vir a ocorrer, em um empreendimento industrial, e caso isso se verifique, poderá trazer consigo danos materiais ou danos pessoais. Diferenciamos perdas de danos por considerarmos que os danos são os prejuízos sofridos por um bem patrimonial, e as perdas estão comumente relacionadas a uma redução patrimonial ou financeira. Um risco é um evento capaz de conduzir a danos, que se caracteriza por ser futuro, ser possível, ser incerto, ser independente da vontade das pessoas, e conduzir à perdas, as quais sejam mensuráveis. Assim, o risco é algo sempre futuro, ou que pode ocorrer no próximo momento, capaz de causar danos. Entretanto, deve-se salientar que para a sua correta mensuração há necessidade desses danos poderem vir a ser perfeitamente dimensionados e avaliados. Se o risco existir, mas não houver a perda financeira ou o dano material, não se poderá atribuir a ele um custo. Esse é extremamente relevante em qualquer processo de análise ou de tratamento do risco, inclusive para a sua mensuração. A Gerência de Riscos, enquanto ciência, ocupa-se de uma série de atividades, todas elas voltadas para a gerência ou a administração de riscos, ou de eventos que possam vir a causar perdas ou danos, envolvendo: PRODUÇÃO PROCESSOS PATRIMÔNIOS PESSOAS FINANÇAS Dentro do nosso enfoque de apreciação os Riscos são todos os fatos, situações, bens ou atividades sujeitos a perdas. Para fins de estudos podem ser classificados em: • voluntários; • acidentais; • aleatórios. Existem várias outras formas de classificação dos Riscos. Uma das mais empregadas pelo Mercado Segurador é a seguinte: Página 18 de 55
  • Riscos puros Os riscos puros são aqueles onde há somente duas possibilidades: perder ou não perder. Não existe a chance de nada acontecer, ou seja, quase que o risco materializou-se. Riscos especulativos Nos riscos especulativos há possibilidade, além da perda ou da não perda, do ganho. O componente adicional desse enquadramento é o do ganho, que até então não era abordado. Em um jogo, qualquer que seja ele, pode-se perder, pode-se ganhar e pode-se não perder se não houver a participação do jogador. O risco especulativo é diferenciado dos demais riscos por possuir um componente adicional de ganho, componente esse inexistente nas outras categorias de eventos. Por exemplo, a análise de um empreendimento imobiliário, em lançamento, é um risco especulativo, já que o mesmo poderá redundar num ganho. Aplicações em mercados financeiros também são riscos especulativos. O risco de um jogo é totalmente especulativo A Gerência de Riscos por nós tratada abrange única e exclusivamente os riscos puros. Riscos Voluntários Riscos voluntários são todos aqueles incorridos conscientemente pela empresa ou por seus funcionários. A morte de soldados durante uma guerra travada entre dois países é um risco voluntário do país invasor. A navegação em um mar revolto é um risco voluntário do comandante da embarcação. Atravessar a pé uma grande avenida com o sinal de pedestres fechado é um risco voluntário do próprio pedestre. Riscos voluntários também podem ser identificados como todos aqueles em que há um ato voluntário o qual induz à participação humana no evento. A criança que acende uma fogueira está praticando um risco voluntário, porque ela assim o quer, ou seja, deseja acender o fogo. Pode estar praticando o ato de forma consciente ou não. O risco voluntário enquadra-se na categoria de riscos puros. Riscos Acidentais Riscos acidentais são os riscos ocorridos sem que tenha havido contribuição voluntária para tal. O desabamento de um prédio, o alagamento de um pátio de estocagem são riscos acidentais. Os riscos a que estão sujeitos os construtores são também riscos acidentais. Para que não haja conflito de interpretação os riscos acidentais podem ser enquadrados dentro das características daqueles decorrentes das atividades normais de uma empresa, gerados acidentalmente. Da mesma forma como nos riscos voluntários, os riscos acidentais também são riscos puros. Página 19 de 55
  • Riscos Aleatórios Riscos aleatórios são aqueles eventos ocorridos sem a participação humana, tais como: terremotos, tremores de terra naturais, vendavais, furacões, enchentes, inundações. Na linguagem de seguros são considerados os eventos de causa externa. Os riscos aleatórios também são conhecidos como riscos da natureza. A aleatóriedade dos riscos indica que não podem ser previstos. Podem ocorrer a qualquer momento. Hoje em dia, com a evolução da informática, o homem já consegue modelar parâmetros da natureza, com uma margem de erro bastante reduzida. A nível de condições atmosféricas as análises já indicam uma previsão com até 5 dias de antecedência, com margens de erro inferiores a 10%. Computadores mais poderosos já conseguem aumentar o percentual de Confiabilidade das informações, auxiliando em muito os agricultores em suas tarefas. Isso não quer dizer que os riscos, com essas análises estarão deixando de possuir algumas daquelas particularidades a eles inerentes, quais sejam, a de serem futuros, possíveis, incertos, independentes da vontade das partes, capazes de gerarem perdas ou danos, e de que apresentem danos que possam vir a ser mensurados. Uma segunda classificação define os riscos como: Estáticos Dinâmicos Riscos Dinâmicos São os derivados da atividade financeira especulativa. O risco do sucesso de um lançamento imobiliário é um risco dinâmico, da mesma forma que o lançamento de um novo produto no mercado consumidor. Esses riscos não são sujeitos, normalmente, a um processo de Gerenciamento de Riscos. Até o podem ser. Dentre os fatores que impedem uma avaliação mais criteriosa estão: dependência de fatores externos ao processo, como por exemplo conjunturas econômicas; execução inadequada do projeto ou execução do projeto por empresa ou pessoa que não levou em consideração ou não foi convenientemente informada de parâmetros importantes. Se uma empresa resolve lançar um empreendimento imobiliário em um momento em que o País está em crise ou com falta de liquidez certamente terá dificuldades em vendê-lo. Por outro lado, se o projeto é maravilhoso mas o local não é adequado com certeza o maior impeditivo da venda será o preço cobrado de cada uma das unidades lançadas. Página 20 de 55
  • Riscos Estáticos São todos aqueles em que a efetivação do evento pode ou deve pressupor uma perda ou uma redução do patrimônio humano ou material da empresa. Um incêndio ou um alagamento são riscos estáticos. A determinação da magnitude ou da gravidade dos riscos estáticos deve ser feita partindose dos seguintes dados: • aleatóriedade das ocorrências de perdas; • freqüência das ocorrências; • valores médios das perdas; • valores acumulados de perdas previsíveis e esperadas; • perda máxima possível, e outros dados estatísticos. Na medida em que se define uma freqüência de ocorrências, quantificando-a e se avalia a extensão provável das perdas verificadas tem-se uma real noção da magnitude do risco, de seu tamanho ou expressão. Esse dimensionamento possibilita que se determine o risco, em termos numéricos. Qualquer processo de avaliação de riscos conduz sempre a dados empíricos. Quando se diz que a probabilidade de uma pessoa morrer pela descarga elétrica de um raio é de 0,0000001% não se está afirmando que a cada 1.000.000 de pessoas morrerá uma eletrocutada. Quer dizer que de um universo de pessoas estudadas, o número de mortes por eletrocussão é de 1 para cada 1.000.000. Assim, a freqüência da ocorrência será de 1 para cada 1.000.000, ou 1:1.000.000. Ainda tratando do mesmo exemplo de queda de raio, a medida do risco é dada, principalmente, por dois parâmetros, a saber: # freqüência: um acidente a cada 1.000.000 de pessoas da amostra; # gravidade: uma morte por eletrocussão ou uma morte para cada parcela da população sujeita a risco. No segmento industrial são utilizadas técnicas de Engenharia de Confiabilidade para a mensuração de riscos, complementarmente às várias técnicas de Gerenciamento de Riscos existentes, envolvendo conceitos de Confiabilidade. Modernamente estão sendo disponibilizados continuamente para os especialistas softwares de avaliação de perdas, enfocando os riscos de incêndio e de explosão, bem como programas específicos para análises de poluentes atmosféricos. Os softwares de incêndio, por exemplo, trabalham na determinação da temperatura de flashover, ou seja, a temperatura na qual todas as substâncias existentes em um ambiente entram em combustão no mesmo momento. Trata-se de um momento crítico porque conduz a Página 21 de 55
  • uma perda total de todo o patrimônio existente no ambiente. Já os softwares de explosão calculam, para ambientes abertos, a intensidade das perdas que poderão vir a ser sofridas pelos bens ao redor da fonte geradora de explosão. Risco Possível Um risco passa a ser possível quando há uma probabilidade de ocorreu. Assim, a possibilidade encontra-se associada a ocorrência. Se a ocorrência é baixa o risco tem os predicados de vir a ser segurado. Se as frequências são elevadas, há menor probabilidade desse risco ser segurável. Assim, as seguradores tendem a transferir a responsabilidade dessas ocorrências para o próprio segurado, que termina sendo o cossegurador, arcando com as perdas frequentes. A frequência elevada também pode estar associada aos cuidados com o bem pelo segurado. As técnicas de Gerenciamento de Riscos são modernas. Muitos tendem a aprimorá-la constantemente, principalmente na área de seguros, face aos elevados valores segurados e à complexidade dos empreendimentos industriais. Através do Gerenciamento de Riscos consegue-se estudar procedimentos que promovem a redução do número de ocorrências ou a redução da extensão das perdas, fatores esses importantíssimos para a mensuração das taxas de riscos. O Gerenciamento dos Riscos O Gerenciamento de Riscos (Risk Management) é um conjunto de técnicas de abordagem, com vistas à análise qualitativa e quantitativa dos eventos, por meio das quais busca-se identificar, avaliar e tratar os riscos que sejam emergenciais e/ou latentes, capazes de provocar perdas financeiras, pessoais, patrimoniais e de responsabilidades civis. As técnicas de Gerenciamento de Riscos, quando bem empregadas transformam-se em um elemento de antecipação ou de previsão de um cenário de perdas futuras. O Gerenciamento de Riscos pode ser utilizado como uma das ferramentas dos programas de qualidade e produtividade, na medida em que, com a identificação dos riscos que possam vir a afetar bens, e com a análise das conseqüências, diretas ou indiretas, de forma prematura ou preventiva, consegue-se evitar que um empreendimento industrial venha a sofrer paralisações ou perdas. O processo, ou o conjunto de tecnologias empregadas no Gerenciamento de Riscos possibilita o surgimento de meios que atenuam as perdas ameaçadoras dos patrimônios das empresas, reduzindo suas severidades ou gravidades, através da eliminação dos riscos ou do controle dos eventos e de suas conseqüências. De uma certa forma, ao se controlar as perdas e por conseguinte, reduzir a parte dos custos variáveis, estar-se-á aumentando o nível de Produtividade da empresa. Página 22 de 55
  • A Gestão dos Riscos e a Produtividade A Produtividade pode vir a ser expressa pela razão entre o Faturamento e os Custos incidentes para a obtenção do faturamento. Os custos devidos a perdas não são todos perfeitamente mensuráveis ou previsíveis. Pela inexistência de um maior controle ou de dados confiáveis parte-se para a contratação de seguros, como um atenuante ou como uma forma de transferência dos riscos. Ocorre que, quase sempre, as coberturas oferecidas pelas seguradoras prevêem a inclusão de franquias ou de participações obrigatórias para a empresa, obrigando-as a retenção de parte dos riscos incidentes. Muitas vezes, um bom programa de prevenção de perdas conduz a diminuição das ocorrências, ou então, à limitação da extensão de suas conseqüências a um nível aceitável ou gerenciável. Em função disto tudo, as empresas que têm um maior controle sobre o seu patrimônio e sobre as suas perdas costumam praticar a política do auto-seguro, transferindo para as Seguradoras somente a parcela de risco que seria financeiramente insuportável. Graficamente, um dos principais conceitos de Qualidade e de Produtividade pode vir a ser expresso, de maneira simplificada por: Faturamento Produtividade = Custos Matematicamente a nossa formulação pode ser transformada em f(P) = f(F) ÷ f(C) Pela amplitude de sua área de atuação a Gerência de Riscos não é uma técnica exata, mas sim de aproximação. Não é uma técnica ou um conjunto de procedimentos que defina de modo preciso: haverá um incêndio naquele equipamento nos próximos 200 dias de operação; mas sim, e tão somente que, dentre uma amostra de 2.000 equipamentos existentes em um empreendimento industrial e em funcionamento ocorre, em média, um incêndio a cada 200 dias. Essa aproximação se deve ao fato de não se ter condições de matematizar totalmente os riscos, face às suas inúmeras variáveis. O que se faz é, por meio de processos matemáticos, estatísticos ou atuariais, e levando-se em conta o histórico de eventos ocorridos, projetar um comportamento provável e futuro para os riscos. Exemplificando o que acabamos de apresentar anteriormente, consideremos a análise de um determinado equipamento, sujeito ao risco de incêndio. De modo amplo, para que esse venha a estar envolvido pelo incêndio deverá estar operando sob certas variáveis, dentre as quais destacamos: Estar sobrecarregado; Estar operando continuamente, sem interrupção; Estar envolto por uma atmosfera propícia (com presença de substâncias combustíveis ou comburentes); Não possuir um adequado plano de manutenção corretiva ou preventiva; Estar empregando materiais, substâncias ou produtos que facilitem a ação do incêndio, sem os cuidados necessários. Página 23 de 55
  • Se qualquer um dos fatores elencados acima, envolvendo a operação de um motor, vier a ocorrer de forma isolada ou em conjunto isso já será suficiente, com uma grande probabilidade, para o surgimento de um incêndio. A imprevisibilidade das ocorrências Deve-se salientar que muitas correntes de disseminação da cultura do Gerenciamento de Riscos pregam a identificação e a mensuração de riscos, através da utilização de fórmulas matemáticas. Entendemos que, para os riscos extremamente simples, ou para as análises de riscos com poucas variáveis ou com variáveis previamente conhecidas, uma fórmula é um elemento simplificador de uma análise ou de uma idéia, visto que não demanda, para a conclusão do trabalho, de qualquer análise pessoal. Porém, para riscos de maior complexidade a simples adoção de uma fórmula ou de uma regra de análise não significa um prérequisito para uma boa análise, ou para uma análise confiável. Cabe-se destacar que análises pessoais podem enriquecer o resultado de um trabalho como também podem vir a comprometê-lo. Se o trabalho de análise precisa ser despersonalizado a aplicação de fórmulas passa a ser importante. Por outro lado, se o mais importante é a exteriorização do conhecimento do engenheiro de risco de nada valerá a aplicação de formulações matemáticas. Não faz tanto tempo assim quando aguardávamos nos noticiários de televisão, principalmente em vésperas de feriados, a repórter informar se ia chover ou não. A intuição e experiência do meteorologista prevalecia sobre qualquer tipo de cálculo. Com o passar do tempo, foram desenvolvidos programas de computação extremamente potentes e complexos, que determinam, com uma razoável precisão, se irá chover dentro dos próximos 4 ou 5 dias. É lógico que nem todos os riscos têm a complexidade de uma previsão do tempo, principalmente se podemos traçar um modelo matemático confiável. Para uma previsão de risco de incêndio os conceitos poderão variar desde resultados bem simples até resultados mais complexos. Tudo dependerá do que irá se fazer com essa análise. Em grandes empreendimentos industriais espera-se poder oferecer, com uma pequena margem de erro um cenário mais realista possível. Para trabalhos menos sofisticados e que não requerem maior conhecimento técnico pode-se pensar em algo bem simples, como por exemplo, o incêndio iniciando-se em uma lixeira, dessas de escritório. As perguntas que podem vir a ser feitas para a obtenção de dados preliminares são as seguintes: Qual a probabilidade de um cesto de lixo de escritório vir a pegar fogo? A probabilidade desse evento ocorrer dependerá do local em que ela estiver localizada, do tipo de lixo contido nele, do grau de cultura das pessoas que transitam pelas proximidades, do fato de possuir ou não tampa, e outros fatores mais. Se a lixeira não estiver em um local com grande tiragem de ar certamente o incêndio demorará para irromper-se. Se o lixo nela contido não for combustível não haverá chance para o incêndio Página 24 de 55
  • iniciar-se. Se as pessoas tiverem um elevado nível de conscientização certamente não permitirão que alguém jogue algo que possa gerar um incêndio. Se a lixeira tiver uma tampa, pela falta de oxigenação em seu interior a possibilidade de um incêndio ocorrer será remota. Provavelmente, não há necessidade de criar-se modelos probabilísticos para a determinação da possibilidade de ocorrência de incêndio em uma lixeira. O mais provável é que alguém já tenha alguma estatística montada em cima de ocorrências verificadas em uma determinada instalação industrial ou em conjuntos de escritórios. É importante abordar este assunto desta forma, porque muitas vezes somos compelidos a dar pareceres ou esclarecer se determinado risco irá materializar-se, e, mesmo se ocorrendo, será capaz de gerar perdas humanas, materiais ou financeiras, equivalentes a milhares de unidades monetárias. Voltando à exemplificação anterior percebe-se que, mesmo se tratando de um estudo aparentemente simples, como o envolvendo uma lixeira, dessas mais baratas, não se deve descuidar da boa interpretação dos dados obtidos. Normalmente, em atividades de escritório, e nesse recipiente que começam a maioria dos incêndios. Podemos mesmo afirmar que ultrapassa a 60% a estatística de incêndios originários em lixeiras. Lembramo-nos de um trabalho de Gerenciamento de Riscos que envolvia um parecer acerca de uma obra marítima, caracterizada pela deposição de um enrocamento que avançava sobre o mar uns 400 metros, e a seguir projetava-se da direção paralela à costa, por uns 500 metros. Durante a fase do projeto executivo e bem no início dos serviços, optou-se por construir-se o molhe do enrocamento em duas fases, ao invés de uma só fase. Ao sermos consultados fomos verificar as cartas náuticas de correntes marinhas e o Departamento de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha, a fim de obter dados referentes à altura e à força da “onda centenária”. Como o próprio nome indica, uma onda centenária é aquela que ocorre somente a cada 100 anos, e com uma intensidade tal que a torna ímpar. Pois bem, analisamos os fatos e chegamos à conclusão que a possibilidade de ocorrer uma onda centenária, naquela época do ano era bem remota. Esclarecemos os riscos que se corria ao mudar-se o planejamento da execução. Em um período de um ano e meio ocorreram duas ondas centenárias, com elevadas perdas para o projeto. Para melhor exemplificar, pedras de 4 a 6 toneladas foram arrastadas como se fossem cascalhos de rio, por longas distâncias. O número de etapas básicas empregadas no processo de identificação e Gerenciamento de Riscos pode variar substancialmente de autor para autor, não sendo algo pré-determinado. Entretanto, alguns parâmetros devem ser conhecidos. A função do Gerenciamento de Riscos A função do Gerenciamento de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seus efeitos. Isso quer dizer que assume-se a existência de perdas em todos os processos industriais, como um fato perfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas, basicamente de inspeções e de análises, procura-se Página 25 de 55
  • evitar que essas perdas venham a ocorrer com certa freqüência, ou reduzir os efeitos dessas mesmas perdas, limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seus orçamentos anuais. Quando o gerenciamento dos riscos é bem acurado em seus resultados são apresentadas planilhas onde constam questões associando as frequências com a severidade. Aqui frequência tem o mesmo conceito de periodicidade e gravidade de tamanho das perdas. Gravidade Pequena Média Elevada Frequencia Pequena Média Elevada Pelo gráfico acima, recomenda-se o risco quanto maior for a frequência e maior a severidade. Assumindo o segurando quanto menor for a frequência e menor a severidade. Ocorre que há soluções para frequências elevadas, da mesma maneira que para severidades elevadas. A frequência elevada gera uma maior exposição do risco. Assim cuidar-se para reduzir-se essa exposição já é uma medida paliativa. Quanto à severidade, o melhor tratamento da mesma é a de evitar-se o alastramento das perdas, razão pela qual a empresa deve investir em alterações de processos, metodologias, meios de trabalho, projetos e equipamentos de segurança, sem nos delongarmos. O estudo do Gerenciamento de Riscos Não existe um método único de Gerenciamento de Riscos, ou uma metodologia padrão. Costuma-se confrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão para aquele tipo de etapa, analisando as possíveis alterações existentes, através de um amplo conhecimento das atividades analisadas. O Gerenciamento de Riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou de quasedefeitos, com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamados riscos. Risco é uma chance de perda e provavelmente, o mais importante degrau no processo de identificação e gerenciamento das perdas. Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicas adotadas no Gerenciamento de Riscos e o emprego de metodologias específicas pode-se também quantificar riscos. A partir do momento que se qualifica e quantifica um risco tem-se a sua real magnitude ou sua expressão matemática. Página 26 de 55
  • A qualificação é a identificação do tipo de risco ou da qualidade, se é que podemos assim dizer à respeito das características dos eventos que podem surgir. Trata-se de um risco de incêndio, ou de um risco de explosão, ou de um risco de danos elétricos, etc.. A quantificação é a determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro. O risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria. A perda potencial é de cerca de $ 500,000. Como veremos adiante, tanto o tipo de risco quanto o valor da perda gerada são bastante importantes para a fixação do custo do risco, ou seja, do valor que a perda, se ocorrida, pode assumir. Essa informação é muito importante para a execução de um programa de tratamento do risco. Em função do custo do risco, que pode vir a ser razoavelmente calculado por processos simples, consegue-se elaborar um plano de retenção das perdas ou de transferência para uma Seguradora, por intermédio de um contrato de seguros. Se as perdas são pequenas e a probabilidade de virem a ocorrer é baixa, com toda a certeza pode se tratar de um caso de retenção do risco, ou de um auto-seguro, Em nossa tavla anterior preferimos tratar da questão relacionando-a a franquia. Ou participação obrigatória. Por outro lado, se a perda tem características de vir a apresentar danos severos, é o momento de se pensar em transferi-la, por intermédio da contratação de uma apólice de seguros. Diferença entre Franquia e Participação obrigatória do Segurado Denomina-se franquia a um valor quase sempre fixo, que está a cargo do segurado. Ele é o responsável pela integralização da indenização completando o processo de indenização para a reposição do bem repondo a franquia. A aplicação da franquia nivela a todos, acobertando somente acima de uma linha de corte definida através da perda normal esperada. Participação obrigatória do Segurado, praticada em muitas modalidades de seguros, inclusive para a redução das taxas, está relacionada a um percentual da indenização. Normalmente baixo, que deve ser integralizado pelo segurado. Quase sempre essas participações se dão quando há possibilidade do segurado contribuir ou não para com o agravamento das perdas. Em nosso gráfico anterior a POS pode ser aplicada nas áreas de zonas verdes. A POS pode, em alguns cálculos atuariais, representar a média das indenizações que suplantam o Dano Máximo Provável. Página 27 de 55
  • Passaremos a entender nos capítulos que se sucederão que uma transferência de risco não é uma operação isolada. O fato de se transferir um risco não é um pressuposto de que todas as preocupações da empresa estarão resolvidas, ou todos os prejuízos serão reembolsados, ou as perdas reparadas. Normalmente existem mecanismos dentro do contrato de seguros que transformam a empresa em coresponsável pelas perdas, ou seja, se um sinistro vier a ocorrer, a empresa terá que bancar uma parte do mesmo e a seguradora a quem ela transferiu a responsabilidade será responsável pela diferença. Esse mecanismo de co-responsabilidade é o que denominamos de franquia ou participação obrigatória do segurado (POS). Assim, a empresa por não ter condições técnicas de repassar 100% tem que se preparar para evitar as ocorrências dos eventos. Uma das formas de prevenção se dá por intermédio da aplicação das técnicas corretas de Gerenciamento de Riscos, associada a adoção de mecanismos ou de sistemas de prevenção de perdas. No tocante a esses, iremos destinar alguns capítulos para tratar do assunto especificamente. A Gerência de Riscos surgiu como técnica nos Estados Unidos, no ano de 1963, com a publicação do livro Risk Management in the Business Enterprise, de Robert Mehr e Bob Hedges. Seguramente uma das fontes de consulta ou de inspiração dos autores foi um trabalho de Henry Fayol, divulgado na França em 1916. A origem da Gerência de Riscos é a mesma da Administração de Empresas, a qual, por sua vez, conduziu aos processos de Qualidade e de Produtividade. Por ser uma técnica relativamente nova, sua divulgação e adaptação pelos países variou de acordo com as necessidades de momento, das experiências dos técnicos que a difundiram, da fase de desenvolvimento pela qual estava passando o país e outros motivos mais. No Brasil o seu ingresso deu-se na segunda metade da década de 1970, com aplicação voltada especificamente para a área de seguros, com vistas à prevenção de riscos em bens patrimoniais, segurados pelas empresas do setor. Desta forma, seus conceitos começaram a se propagar juntamente com os conceitos prevencionistas do Mercado Segurador Brasileiro, principalmente no que diz respeito ao risco de incêndio. Porém, com o intercâmbio entre os países e a melhor compreensão da técnica vislumbrou-se um melhor futuro para a mesma. Quase ao final da década de 70, com o desenvolvimento da Engenharia de Confiabilidade de Sistemas, ou a Engenharia de Segurança de Sistemas, alguns conceitos comuns passaram a se mesclar, dando nova configuração à Gerência de Riscos. Página 28 de 55
  • Existem inúmeros eventos que constantemente ameaçam o patrimônio das empresas. Porém, em linhas gerais, dos eventos geradores de danos que incidem em instalações industriais, tanto no que diz respeito à freqüência de ocorrências, como também no tocante à severidade das perdas, o Incêndio é o mais comum. Na ilustração a seguir apresenta-se um gráfico com os percentuais médios, aplicados aos riscos maiores ou geradores das ocorrências, verificados nos acidentes envolvendo indústrias. 60 Que bra de Máquina s Incêndio Da nos Elétricos Ex plosão Equipa m e nt. Y Ex plosão Substância s Im pa cto de Ve ículos 15 5 5 5 De rra m e de Ma te ria is 5 1 2 1 X Corrosão Erosão Finalmente, cumpre ressaltar que muitas vezes a Gerência de Riscos é confundida com a Segurança Industrial. Ambas têm caráter preventivo. Entretanto, na Gerência de Riscos procura-se tratar o risco sob o prisma matemático de sua ocorrência, quase que para fins de estudos, enquanto que a Segurança Industrial parte direto para as medidas corretivas. A linha de trabalho que consideramos ideal é aquela que associa os métodos de análise empregados na Gerência de Riscos com os procedimentos da Segurança Industrial. O livro Gerenciamento de Riscos Industriais vem a tratar das formas de identificação, mensuração e tratamento dos eventos, ou dos riscos, que atingem indústrias, causando-lhes danos ou perdas, preenchendo uma lacuna na análise de perdas para fins de tratamento dos riscos. Existem inúmeras ocorrências que são objeto de análise pelos Gerentes de Riscos, da mesma forma que existem dezenas de significados para a palavra Risco. Confiabilidade Confiabilidade é a probabilidade de um sistema ou algum de seus componentes vir a desempenhar satisfatoriamente as funções a ele atribuída em projeto, dentro de condições normais de utilização e operação. A não Confiabilidade, ou o insucesso, é denominada de probabilidade de falha. O conjunto de falhas ocorridas em um intervalo de tempo é conhecido como taxa de falha. Normalmente atribui-se à palavra confiabilidade uma quase certeza de que tudo ocorrerá a contento. Por exemplo: tenho a maior confiança de que tudo correrá bem. Ë uma definição quase que intuitiva. Lançam-se mão de estudos de Confiabilidade quando se quer analisar o comportamento de um sistema, com vistas à análise de prevenção de riscos. Os estudos de Confiabilidade também são empregados na elaboração de planejamentos de manutenção preditiva. Página 29 de 55
  • Confiabilidade (R) pode ser traduzida como a probabilidade de um equipamento, ou de um sistema, desempenhar satisfatoriamente suas funções específicas, por um período de tempo determinado e sob determinadas condições. Probabilidade de Falha (Q) representa o inverso da Confiabilidade, ou a não Confiabilidade. Q=1-R ⇔ R=1-Q Para Sistemas de componentes em Série, a Confiabilidade assume a seguinte configuração matemática: 1 Para : 2 3 R1 = 0,90 R2 = 0,90 R3 = 0,90 R4 = 0,90 4 5 R5 = 0,90 Rt = R1 x R2 x R3 x R4 x R5 = 0,90 x 0,90 x 0,90 x 0,90 x 0,90 = 0,59 (59%) Se quisermos aumentar a Confiabilidade de sistemas de componentes em série teremos que aumentar a Confiabilidade de cada um de seus componentes, visto que a confiabilidade total é a do conjunto e não a de cada parte desse.. Para Sistemas de componentes em Paralelo, a Confiabilidade assume a seguinte configuração: 1 input output 2 Para: R1 = 0,90 R2 = 0,80 Q1 = 1 - 0,90 = 0,10 } } Qt = Q1 x Q2 = 0,10 x 0,20 = 0,02 Q2 = 1 - 0,80 = 0,20 } Rt = 1 - Qt = 1 - 0,02 = 0,98 (98%) Página 30 de 55
  • A Confiabilidade total em sistemas em paralelo é maior do que a Confiabilidade de cada um de seus componentes. Aplicada a estudos de Confiabilidade tem-se a Lei Exponencial de Confiabilidade. -λt -t/T λ R = e = e , onde: e = 2,718 λ = taxa de falha (número de falhas por cada hora de operação ou número de operações do sistema) t = tempo de operação T = tempo médio entre falhas T = 1/t Como exemplo numérico do que acabamos de apresentar podemos ter o seguinte: { 4 falhas em 1.000 horas de operação; { λ = 0,004; { T = 250 horas; TMEF = T = 0,25 x 105 horas} t = 1.000 horas } λ = 1/T = 1/ (0,25 x 10 )5 = 4 x 10-5 falhas / hora e = 2,718 } -λt - 4x10-5 x 103 λ R=e =e = 0,9608 (96,08%) Q = 1 - R = 1 - 0,9608 = 0,0392 (3,92%) As técnicas empregadas nos estudos de Confiabilidade podem variar de acordo com os objetivos inicialmente propostos para a análise das situações. Algumas das que poderemos empregar são as seguintes: Check-list O Check List é um método é de caráter geral, com abordagens qualitativas, ou seja, diagnostica situações de riscos a partir de um certo cenário, avaliado por intermédio de perguntas previamente estabelecidas. Por essa razão não deve ser empregado como um único método. Na verdade, trata-se de um relatório elaborado com antecedência, específico para cada sistema, onde são anotados dados que servirão de base para outros métodos. Usualmente é um descritivo do sistema e de suas condições de segurança e operação. O sucesso do emprego de Check-list depende muito das análises posteriores que se seguirão, bem como dos resultados pretendidos. Os relatórios poderão vir a ser extremamente complexos ou Página 31 de 55
  • ao contrário, abordar somente alguns poucos assuntos. De um modo geral contém um grupo de perguntas básicas que serão formuladas a operadores dos equipamentos, as quais, analisadas juntamente com outros dados, permitirão que sejam traçados perfis aproximados do risco. Por exemplo, iremos supor que se deseja realizar uma palestra a noite, em uma sala de aula. Os requisitos mínimos indispensáveis poderiam ser analisados através do Check List, como se segue: 1. Quais são as condições de limpeza do ambiente? ótima boa regular deficiente 2. Existem canetas para o Quadro de aula? sim não 3. O sistema de ar condicionado está funcionando? sim não 4. Arrumação das cadeiras está de acordo com o planejado? sim não 5. Há cadeiras em número suficiente ao de inscritos? sim não 6. O acendimento das luminárias está correto? sim não 7. Existirá uma equipe de manutenção para resolver todos os problemas que poderão surgir? sim não 8. Alguém estará encarregado de acompanhar o palestrante? sim não 9. Houve divulgação suficiente para o evento? sim não 10. Os equipamentos de apoio ao palestrante estão funcionando plenamente? sim não Para que a análise fique completa teremos que verificar o que falta para o evento não ser um fracasso. Assim, se as condições de limpeza não forem boas teremos que limpar a sala. Se não houverem canetas no quadro o palestrante não poderá escrever. Se o ar condicionado não estiver funcionando e for uma época de muito calor haverá o desconforto da platéia. Se as cadeiras não estiverem arrumadas teremos que arrumá-las. Se as luminárias não estiverem acendendo poderá não haver a palestra. E assim por diante. Página 32 de 55
  • O importante não é a montagem do questionário de verificações, mas sim a sua correta interpretação, que deverá estar compatível com o resultado a que se pretende. Gerentes de Riscos mais experientes costumam montar listas de verificações como forma de direcionar o seu trabalho, evitando que alguma informação mais importante possa vir a ser esquecida durante os trabalhos. Até mesmo os especialistas de grandes empresas não deixam de programar as suas perguntas ou as suas dúvidas. “Preciso verificar essa situação. Não devo me esquecer de perguntar à respeito da última compra efetuada. Será que o equipamento X sofreu uma reforma ultimamente?” Existem sempre algumas questões-chave, para as quais nos preparamos previamente, anotando em nossos blocos de notas ou elaborando um questionário. What if Trata-se de um método qualitativo, ou seja, um método que permite chegar ao tipo e ao tamanho de risco, muito importante no emprego em discussões de caráter geral acerca de um sistema, e para a abordagem das conseqüências maiores de um acidente. Deve-se sempre separar, em um acidente, as causas das conseqüências. As causas são os fatos geradores os as razões da deflagração do evento. As conseqüências são os resultados. Existem uma série de perguntas clássicas que podem vir a ser feitas, como por exemplo: E se de repente uma pessoa atravessar a rua com o sinal de pedestres fechado? E se a caldeira vier a explodir? E se a pressão da linha de vapor subir muito? O mais interessante da metodologia é que para cada pergunta há várias respostas. Por meio dessas identifica-se o problema e as prováveis soluções. O objetivo do método é o de identificar, através da discussão do tema os problemas mais comuns que possam afetar o bom desempenho do sistema ou de seus componentes. A metodologia trás consigo uma importância maior porque associa causas a conseqüências. Por exemplo: E se a pessoa atravessar a rua com o sinal de pedestres fechado? A causa é o ato em si de atravessar a rua. ë um ato voluntário. A conseqüência é o que poderá ocorrer com esse pedestre. Poderá ser atropelado? poderá vir a cair ao chão? poderá vir a chegar ao outro lado da rua incólume? As respostas que poderão vir a ser fornecidas estabelecerão o padrão de segurança necessário para evitar-se o risco em si. Costuma-se empregar o método juntamente com outros, especialmente o Check-list e a Análise Preliminar de Riscos. Página 33 de 55
  • Técnica de Incidentes Críticos Trata-se de uma técnica operacional qualitativa, que busca obter informações relevantes acerca de incidentes ocorridos durante determinada fase ou período, relatadas por testemunhas que os vivenciaram. Os incidentes são os quase acidentes, ou os acidentes não geradores de perdas. A metodologia emprega, principalmente, entrevistas com os operadores ou mantenedores dos sistemas sujeitos a estudos. Alternativamente poderá se lançar mão de trabalhos de bancos de dados, onde todos os acidentes ou incidentes foram relacionados por tipo de ocorrência. Na área naval um dos bancos de dados mais requisitados é o WOAD Statistical Report (Statistics on Accidents to Offshore Units Engaged in Oil and Gas Activities). O WOAD Worldwide Offshore Accidente Databank, uma publicação da Det Norske Veritas (DNV) relaciona freqüências de acidentes, a exposição, estatísticas e várias outras informações as quais possibilitam obter dados necessários à interpretação da forma de ocorrência dos mesmos. O incidente é um evento negativo com potencial para provocar danos. Dentre as inúmeras formas de classificação dos incidentes podemos ter o seguinte critério: Classe I : Aqueles que provocam alterações no planejamento ou na produção. Classe II : Aqueles que provocam atrasos no planejamento ou na produção; Classe III : Aqueles que provocam paralisações ou o insucesso do planejamento; Classe IV : Aqueles que afetam a integridade física das pessoas; Algumas perguntas envolvendo equipamentos que sofreram acidentes são clássicas, como as que se seguirão. Ocorre que também aqui não se deve rotular procedimentos. Cada Gerente de Riscos pode buscar obter dados que lhes sejam mais familiares ou que se enquadrem dentro de conceitos já estabelecidos. Como exemplo citamos: ⇒ Que tipo de acidente pode ocorrer com este equipamento? • • • • • • • Como? Em que circunstâncias? Qual foi o resultado? Como foi controlado? Houve uma extensão dos danos a outros equipamentos ou instalações? Quanto tempo durou a paralisação? A reposição das perdas foi imediata? Página 34 de 55
  • ⇒ Já ocorreu algum tipo de paralisação? • • • • • • • De que ordem? Quanto tempo a máquina ficou parada? Houve parada de produção? Quantos acidentes ocorreram? Em que época? Com que freqüência? Quais foram os tipos de danos verificados e de que ordem? ⇒ Quantas horas os equipamentos ficaram parados? • Qual ou quais foram as razões dessas paralisações? • Como se deu o reinicio das operações? • Quais foram as medidas tomadas durante a paralisação e após o reinicio das atividades? O incidente é importante como dado estatístico porque comprova a existência de falhas operacionais ou de controle, possibilitando a sua imediata reparação. De um modo geral, com as entrevistas com os operadores dos equipamentos conseguemse obter inúmeras informações elucidatórias dos problemas operacionais mais comuns que tenham ocorrido em um intervalo de tempo estipulado para a análise. A grande questão é que, na maioria das vezes, não se tem uma precisão de dados estatísticos ou matemáticos, principalmente quanto à data dessas ocorrências, visto que a maioria dessas não é registrada adequadamente, ou então as informações fornecidas para o registro não estão completas. A partir daí, monta-se um quadro com os incidentes alocados por tipo de severidade de perda. A técnica tem um emprego bastante difundido quando há uma precariedade de informações no tocante a perdas ocorridas. Ou seja, não há um registro ou esse não é tão confiável, que possa vir a ser empregado em análises matemáticas. A partir daí, em função da quantidade dos incidentes relatados consegue-se fazer uma extrapolação para a obtenção do número de acidentes, que é o objetivo maior. Desta forma, em função dos dados apurados e de sua correlação consegue-se obter a razão entre faixas de incidentes. Por exemplo, imaginemos que através de um estudo em uma indústria obteve-se informações relativas a 100 incidentes, ocorridos em um período de 5 anos. Desses 5 foram de gravidade correspondente a 100% do valor dos bens. A análise efetuada conduziu à seguinte apresentação gráfica: Página 35 de 55
  • 5 40 60 80 100 Na extrapolação feita poderemos ter cerca de 80% dos acidentes com uma gravidade de 60%, cerca de 60% dos acidentes com uma gravidade de 40%, e cerca de 40% dos acidentes com uma gravidade de 20%. Basta termos a quantidade de acidentes registrados para podermos extrapolar os incidentes, por faixas de gravidade de perdas. O mais interessante disso tudo, é que com estes dados determinaremos o custo dos riscos ou o custo das perdas ou o custo dos seguros, bastando apenas que nos seja informada a quantidade de acidentes. Análise Preliminar de Riscos (APR) Trata-se de uma técnica de inspeção desenvolvida com o objetivo de se obter análise superficial dos possíveis riscos, de suas causas, das conseqüências advindas com a materialização desses bem como das medidas corretivas ou preditivas adotadas. Em resumo, a APR visa à identificação de elementos perigosos do sistema, das situações de risco, das falhas potenciais, etc., determinando a gravidade de suas efetivações, normalmente obtidas por meio de simulações. A Análise Preliminar de Riscos procura enquadrar os riscos segundo categorias, definidas de acordo com os efeitos destrutivos que podem vir a ser observados, tabeladas como a seguir: Desprezível ou Negligenciavel (Classe I) Risco desprezível ou negligenciável é aquele que gera efeitos imperceptíveis, não conduzindo a degradações físicas ou ambientais que não sejam facilmente recompostas. Normalmente essa categoria de riscos é perfeitamente absorvida pela empresa, juntamente com os custos de manutenção ou revisão; Marginal ou Limítrofe (Classe II) Risco marginal ou limítrofe é o que gera ocorrências moderadas, controláveis, necessitando porém de ações saneadoras a médio prazo. São riscos que podem surpreender em termos de perdas. Usualmente as perdas estão associadas às conseqüências dos eventos; Página 36 de 55
  • Crítica (Classe III) Ocorrência crítica é aquela que afeta substancialmente o meio ambiente, o patrimônio ou pessoas, necessitando de ações corretivas imediatas. Esse tipo de perda é tratada através do repasse a uma Seguradora; Catastróficas (Classe IV) Ocorrência catastrófica é normalmente geradora de efeitos irreversíveis, afetando pessoas, sistemas, patrimônios ou ambientes. Quase todos os Gerentes de Risco recomendam, como técnica de tratamento de riscos o afastamento, ou seja, a empresa deve renunciar a essa atividade. A APR é uma técnica qualitativa, não permitindo mensuração matemática do risco. Exemplo 1 - se uma bomba de São João fosse atirada no meio de uma rua poderia ser enquadrada como uma ocorrência desprezível. Atirada próxima a uma pessoa já teria efeito marginal. Se atingisse o seu ouvido poderia ser classificada como crítica ou catastrófica, dependendo das extensões dos danos. Exemplo 2 - citamos o emprego de maçarico de solda e corte, seguramente um dos equipamentos com elevado potencial de geração de perdas. Os fatos iniciadores de perdas seriam: inaptidão do operador; falha de manutenção do equipamento; defeitos de fabricação e outros mais. As conseqüências dos acidentes seriam: queimaduras; princípios de incêndio; soldaduras ou cortes inadequados; danos materiais aos produtos manuseados. As medidas corretivas poderiam ir desde o treinamento do operador até uma melhor manutenção do equipamento. Um modelo de relatório de Análise Preliminar de Riscos de uma situação bem simples é apresentado a seguir. Observe-se que a maior preocupação é a de associar-se as causas às suas conseqüências. No modelo exemplificamos com a atividade de desenho com grafite sobre um papel, não importando de que tipo. O modelo é o seguinte: ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS Identificação: Elaboração de um desenho com o emprego de lapiseira Subsistema : Grafite RISCO CAUSA EFEITO CAT. MEDIDAS PREVENTIVAS RISCO Rasgo no Emprego de grafite Papel rasgado e III Empregar um grafite mais papel muito duro desenho inutilizado macio ou um papel mais resistente Borrão no Emprego de grafite Desenho borrado e III Empregar um grafite menos desenho muito macio papel manchado macio ou um papel mais liso Página 37 de 55
  • Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) AMFE é um método de análise detalhada, gerando resultados qualitativos e quantitativos, ou seja, identifica o risco ao mesmo tempo em que o mensura. A AMFE permite a análise das falhas dos equipamentos, dos componentes e dos sistemas com estimativas de freqüência de ocorrências (taxa de falhas) e a determinação dos efeitos ou conseqüências dessas mesmas falhas. A técnica, também conhecida como FMEA - Failure Modes and Effects Analysis, consiste em se estudar o sistema por partes, em conjuntos ou subconjuntos, sob a forma de diagramas de bloco, analisando não só as ocorrências isoladamente como também a interpelação existente entre essas e os demais subconjuntos. Dessa análise particularizada obtém-se: revisão dos modos de falha de cada componente; efeitos que tais falhas terão sobre outros componentes que, ao falhar gerarão danos a todo o sistema. Como resultado final tem-se o calculo de probabilidade das falhas do sistema, gerado a partir das falhas de seus componentes. Logicamente, através desses estudos determinam-se as alternativas de redução das probabilidades de falha. Cada falha observada deve ser analisada separadamente como se fosse um evento independente, sem qualquer relação com os demais, exceto no que diz respeito às suas conseqüências que poderão ser as mesmas. A FMEA é por demais eficiente quando aplicada a sistemas simples. Para os casos mais complexos associa-se à FMEA um estudo de Análise de Árvores de Falha. Também costuma-se associar a um estudo de criticidade denominado de FMECA Failure Modes and Effects and Criticality Analysis. Nesse caso, atribui-se para cada modo de falha uma classe de gravidade ou severidade. No conjunto estudado tem-se a taxa do risco ou o custo do risco, informação muito importante para a avaliação dos programas de transferência ou manutenção dos riscos. As classes de gravidade são as mesmas adotadas no método de Análise Preliminar de Riscos, ou seja, vão crescendo à medida em que a severidade das perdas vai aumentando. A pior situação é aquela que envolve vidas humanas. Outro ponto também interessante é que avalia-se a perda de um ponto menor para um maior, ou seja, de um subsistema para um sistema, e desse para uma unidade e daí para toda a empresa: Classe I : Falha resultando em excessiva manutenção do sistema; Classe II : Falha resultando potencial atraso ou perda de disponibilidade imediata; Classe III : Falha resultando potencial ameaça ao sistema ou às pessoas; Página 38 de 55
  • Classe IV : Falha resultando potencial perda do sistema e/ou de vidas humanas; Especialmente em plantas industriais complexas, com grande número de subsistemas interagindo, emprega-se o método preliminar de HAZOP - Hazards and Operability Study. A seguir, apresentamos um modelo bem simples de uma FMEA, tendo como área de análise uma unidade de carbonatação de uma indústria química. Para essa FMEA, ou AMFE, tomamos como origem do problema uma disfunção elétrica em um painel de alimentação elétrica de um compressor de gás carbônico, de uma unidade de carbonatação. Através da análise discute-se a tipo de falha, as razões de tal falha e o que estará conjugado a essa, ou seja, as conseqüências da paralisação do painel. O modelo é o que se segue: Página 39 de 55
  • FMEA - UNIDADE DE CARBONATAÇÃO Descrição Fase Operação normal Painel de alimentação elétrica PUE 8 Função Controla o funciona mento do compressor de CO2 Modo de Falha Desligamen to do painel Causa Efeitos Próximo nível Local Método de detecão de falha Sistema Classe Medidas Compensa tórias Vasamento de corrente Atuação proteção da Desligamen to do compressor Parada unidade da Visual painel controle no de 2 Revisão dos dispositivos de proteção Falha acidental Atuação proteção da Desligamen to do compressor Parada unidade da Visual painel controle no de 2 Revisão dos dispositivos de proteção Desligamen to proposital Não há for necimento de energia Parada unidade da Parada fábrica da Supervisão, controle e manutenção 3 Supervisão Curto to Não há fornecimen to de energia Parada unidade da Parada fábrica da Revisão dos dispositivos de proteção 3 Controle circui
  • Análise de Árvore de Falha (FTA) Análise de Árvore de Falha é dos métodos de Confiabilidade de Sistemas o mais conhecido. A AAF, também conhecida como FTA - Failure Tree Analysis, foi desenvolvida nos Estados Unidos na década de 60, com o objetivo de estudar o comportamento de mísseis balísticos intercontinentais. Esses mísseis representavam um alto custo unitário, de milhões de dólares e um elevado risco potencial, não só durante a armazenagem e transporte como também no lançamento. Os graus de acerto tinham de ser da ordem de 100%. Afora esse fato, durante a montagem da arma encontravam-se envolvidas centenas de empresas de todos os tamanhos, fabricando desde simples arruelas até complexos sistemas de direção de vôo. As probabilidades de perdas materiais eram enormes. Assim sendo, partindo-se de um raciocínio lógico da ocorrência de um evento indesejável, ou evento de topo, desenvolveu-se uma metodologia interativa, com o fim de se descobrir qual ou quais as falhas que, atuando em conjunto ou isoladamente poderiam gerar o evento não desejado. Com o objetivo de se ilustrar melhor a metodologia buscaremos um exemplo bem simples, qual seja: haverá uma palestra à noite em um auditório, bastante importante, com a presença de pessoas ilustres. O evento negativo seria aquele que inviabilizasse o encontro. Dentre esses escolhemos a falta de luz no auditório. A montagem da árvore de falhas obedece quase sempre a mesma seqüência. Uma seqüência de algumas etapas pode ter uma forma como a apresentada a seguir: ⇐ (1) (2) evento topo (3) eventos conseqüentes (4) (8) (16) (5) (6) (7) (9) (10) (11) (12) (13) (14) (15) (31) Página 41 de 55
  • (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) (11) (12) (13) (14) : Falta de luz : Falha do interruptor : Falha de suprimento : Interruptor com defeito : Interruptor desligado : Falta de fornecimento : Acidentes com a linha de transmissão : Defeito de fabricação : Quebra de componentes : Desligamento acidental : Desligamento proposital : Desligamento da rede por diferença de tensão : Desligamento da subestação : Acidentes com queda de linha (15) (16) (17) (18) ...... (31) : Acidentes com quedas de posteamento ou equipamento : Falha de componentes : Falha de processo : Quebra acidental : Choque acidental com veículos A continuação da árvore poderia conduzir a problemas envolvendo até à falha do interruptor, provocada por um componente defeituoso, ou até um simples acidente com a linha aérea externa dos condutores de energia elétrica. Para cada um dos eventos determinados chega-se a uma taxa de falha ou a uma probabilidade de falha, vista no tópico de Confiabilidade. Através da Álgebra Booleana se verifica a correlação entre esses vários eventos, resultando na probabilidade de ocorrência do conjunto. Caso a probabilidade seja muito grande pode-se pensar em sistemas alternativos que garantam o fornecimento de energia elétrica (redundância de sistemas ou sistemas em paralelo). Ocorrendo o inverso, qual seja, probabilidade muito baixa, pode-se correr riscos. Na avaliação quantitativa considera-se a probabilidade do evento ocorrer de forma isolada, quando então emprega-se a comporta “E”, ou a possibilidade do evento ocorrer concomitantemente com outro, empregando-se a comporta “OU”. Na análise da probabilidade de falha, para cada caminho crítico determinado opera-se matematicamente, as probabilidades de falha, somadas, se a comporta for “OU”, e multiplicadas entre si, se as comportas forem “E”. Os métodos anteriormente descritos geram análises qualitativas e quantitativas, através do emprego de simulações computacionais e emprego de banco de dados de acidentes. As questões mais comumente envolvidas nas análises são: • que tipo de risco pode ocorrer? • qual a sua freqüência? • Qual o dano mais comum? Página 42 de 55
  • A partir dessa fase têm-se condições de conhecer a taxa do risco ou o custo do mesmo, visto ser essa produto de uma freqüência de ocorrências (f) por uma severidade de perdas ou gravidade (g). O resultado é o que se segue: tr = f x g No momento que se quantificam as perdas em unidades monetárias tem-se condições de saber quanto custaria cada evento, se ocorrido, e além disso, se a perda poderia ser assimilável pela empresa, dentro de programas normais de financiamento de riscos. É importante salientar que um evento, quando materializado, nunca traz consigo somente um tipo de perda. Associado a essa poderão existi outras do tipo: • • • • • • • perda material ou de insumos para a produção; perda de produção; perda financeira; perda pessoal; perda de imagem; perda de mercado; responsabilidades civis, etc. Exemplo 3 - quando um funcionário apaga um princípio de incêndio com um simples extintor, de conseqüências primárias, tem-se que agregar ao custo do material que pegou fogo outros custos do tipo: # # # # # # custo da recarga do extintor; custo de homem/hora empregado na extinção; perda de tempo de produção medida momentos anteriores à extinção até ao restabelecimento normal das atividades; custo com a divulgação do acidente e do treinamento dos funcionários; custo com a análise do acidente; restauração do ambiente, incluindo a limpeza da área. Até agora vimos que →os riscos existem e que precisam ser controlados, avaliados e quantificados. →os métodos empregados nessa avaliação, bem como que essa pode ser quantitativa ou qualitativa. →o custo do risco não deve ser mensurado somente pelos seus efeitos mais imediatos, agregando-se a esses custos outros mais, incorridos em função da ocorrência do evento. A determinação do Dano Máximo Provável, para aplicação na taxação de seguros, especialmente o de incêndio, sempre foi complexa, visto que a sua conceituação era variável de acordo com o grau de conhecimento do vistoriador, o avaliador ou do engenheiro de riscos. Por inúmeras vezes verificamos que os valores constantes dos relatórios de inspeção do Ressegurador para o DMP, abrangendo cada um dos riscos isolados, eram aceitos e reproduzidos pelas seguradoras, sem qualquer questionamento, mesmo que contivessem informações do tipo: DMP da planta 15 = 12% Página 43 de 55
  • Qual o parâmetro ou metodologia empregada que permitia chegar-se a esse grau de precisão? Durante anos buscamos obter informações acerca do assunto, inclusive da existência de parâmetros que permitissem a avaliação consistente de um risco. Só mais recentemente começaram a surgir softwares abrangendo a avaliação de perdas, localizadas ou específicas. Porém, nenhum desses se reportando à determinação do DMP. Creditamos a não existência dessas ferramentas de avaliação à complexidade de um incêndio, onde a quantidade de variáveis a ser pesquisadas é muito grande. Em uma linguagem mais acadêmica, poderíamos dizer que o número de incógnitas é sempre maior do que o número de equações. O que fazer então? Inicialmente, buscamos tornar algumas dessas variáveis fatores conhecidos, através da fixação de valores razoáveis, fruto de nossa experiência na área. Por exemplo, o tempo de detecção. Outra variável fixada foi a referente ao ambiente em que o incêndio estava se propagando. Outra variável é a correspondente aos dispositivos de prevenção existentes no risco. A partir do momento em que começamos a simplificar a quantidade de variáveis o trabalho tornou-se mais simples. Não quer dizer com isso que estejamos abrindo mão da técnica em função de uma fórmula mágica. Muito pelo contrário, queremos iniciar um processo no qual à proporção que for sendo empregada possa ser aprimorada, até que esteja bastante completa. Se assim não o fizéssemos estaríamos incorrendo no grave erro de descobrir a causa ao invés do efeito. Parâmetros básicos Por muitos anos a correta determinação do DMP foi discutida pelos técnicos de seguros, por ser este um parâmetro importante para o aumento da retenção dos riscos. Em função do percentual indicado pelo inspetor de riscos a retenção poderia ser ampliada em até 4 vezes. Entretanto, face às peculiaridades de cada risco, bem como ao comportamento dos incêndios, com inúmeras variações em termos de evolução, fica extremamente difícil precisar-se quais os itens relevantes a serem considerados. Por exemplo, para o estudo de um incêndio é importante a análise do tipo de material que está sendo consumido pelo fogo, o local onde está se dando o incêndio, as condições ambientes, umidade, temperatura, correntes de vento, etc. Buscando botar pouco mais de lenha na fogueira preparamos o presente artigo, com sugestões que auxiliem a elaboração de modelos confiáveis. É interessante notar que está para ser aprovada a tarifa referencial para pacotes de seguros do tipo multirriscos ou assemelhados. Alguns dos pacotes ora existentes possuem limites de resseguro automático bastante elevados, chegando-se a trabalhar com riscos vultosos como se fossem riscos comuns ou normais. Por isso entendemos que o estudo de parâmetros para obtenção de Danos Máximos Prováveis seja tão importante. Conceitos Página 44 de 55
  • O Dano Máximo Provável é o maior dano que se verifica entre o lapso de tempo decorrente do início de um incêndio até a sua completa extinção. Na verdade, todos os danos ou todas as perdas que se verificam nesse lapso de tempo devem ser somadas, para a determinação do DMP. Uma sequência elementar do processo é a que se segue: ·início do incêndio; ·detecção; .formação da equipe de combate; .início da debelação do fogo; ·controle do fogo; ·extinção do incêndio. Em todos os processos de detecção e combate a incêndios pode-se empregar sistemas e equipamentos com a participação humana ou não. Caso haja o envolvimento do homem, como no emprego de extintores e hidrantes, o tempo de resposta, tanto para a detecção quanto para o combate é mais longo. Os dispositivos podem ser ativos, quando combatem ou permitem o combate a incêndios, e passivos, quando apenas detectam, ou protegem as estruturas e equipamentos. O DMP difere da Perda Máxima Admissível porque nessa última o incêndio deve autoextinguir-se. Como empregado hoje o Dano Máximo Provável é indicado sob a forma de um percentual para cada planta ou risco isolado segurado, representando o quanto de material poderá ser perdido nas condições já citadas. Atualmente não há uma fórmula ou um método matemático que permita se chegar a esses percentuais com alguma margem de segurança. Os peritos costumam empregar nos seus relatórios suas experiências pessoais e conhecimentos técnicos adquiridos ao longo de seus trabalhos. Desta forma, um relatório elaborado por um inspetor com muita experiência contém dados muito mais confiáveis do que o elaborado por um outro inspetor sem a mesma experiência. Isso não que dizer que o mais inexperiente não esteja empregando as metodologias indicadas para cada caso. Quer dizer sim, que na ausência de fórmulas que independem da experiência de cada um o conhecimento individual é muito importante. Como dissemos o DMP é igual à perda verificada entre o início do incêndio e sua completa debelação. Desta forma há que se considerar a existência de um tempo entre cada uma das etapas do processo. Pode-se dizer que: DMP = f(t2 - t1) Onde: t1 = tempo inicial do surgimento do incêndio t2 = tempo final correspondente à extinção do incêndio Página 45 de 55
  • A função é direta na medida em que quanto maior for esse maior será o prejuízo verificado. Por exemplo, suponhamos que um detector de incêndio esteja calibrado para um tempo de resposta de 30 segundos. Após o disparo do alarme na central o tempo de resposta da brigada de incêndio seja de 60 segundos. Após o acionamento dos seus membros se dê o OK dos sistemas em 60 segundos, e, finalmente, o combate esteja concluído em 120 segundos. Então o tempo total dispendido será o somatório de cada um dos tempos indicados, redundando em 270 segundos. Se o tempo de resposta for maior todos os demais tempos envolvidos também o serão. Com isso os resultados diferirão dos inicialmente previstos. Se o socorro demora a chegar os prejuízos vão se acumulando. Para o cálculo da função tempo deve ser considerar o tempo de cada uma das fases do processo. O DMP será exposto pelo conjunto de perdas que se verifiquem durante esse tempo. Tf = ti + t2 + t3 + t4 A forma como os materiais se encontram influencia não só o tempo de combustão como o modo em que essa se processa. O algodão solto queima muito mais facilmente do que o algodão em fardos. A serragem da madeira queima muito mais fácil do que uma tora de madeira. O óleo Diesel queima mais facilmente do que o óleo de soja, apesar de ambos apresentarem características físicas de óleo. Face à variedade de materiais deveremos grupá-los de acordo com algumas de suas propriedades, como por exemplo: - sólidos combustíveis; - sólidos inflamáveis; -líquidos combustíveis; -líquidos inflamáveis; - gases combustíveis. Algumas das classificações internacionais explicitam a diferenciação entre os materiais de acordo com pontos de fulgor, ou outros parâmetros. Por exemplo, uma classificação americana para estudo de incêndio considera: -líquidos insolúveis em água com ponto de fulgor abaixo de 76,6ºC (petróleo, benzeno, querosene, estireno, tolueno, xileno, naftaleno, etc.) - líquidos solúveis em água com ponto de fulgor abaixo de 76,6ºC (acetaldeido, acetona, a1cools metílico, etílico e butílico, dissulfeto de carbono, éter vinílico, etc.) -líquidos insolúveis em água com ponto de fulgor acima de 76,6ºC (óleos lubrificantes, óleos APF, óleos vegetais, etc.) - líquidos solúveis em água com ponto de fulgor acima de 76,6ºC (glicerol, benzil, acetatos, dietilenoglicol, dipropilenoglicol, dietilcarbitol, dimetoxitetraglicol, etileno, metilglicol, etc.) Voltando à igualdade anterior, com o acréscimo da função Material (M), tem-se: DMP = f(t), f(M) Página 46 de 55
  • Para obtenção do DMP outro fator importante é o ambiente (A) em que o incêndio ocorre. Muitas vezes dizemos que o DMP é uma fotografia instantânea de uma dada situação. Se considerarmos o incêndio ocorrendo em uma sala com as portas e janelas fechadas teremos um resultados final. Se a porta ou alguma das janelas for aberta o resultado será outro. Os ambientes podem ser considerados como: - abertos; - fechados, com ventilação natural; - fechados, com ventilação contínua; - fechados, sem ventilação. Com a adição do fator ambiente tem-se: DMP = f(t), f(M), f(A) Um novo item que deve constar da igualdade é o fator prevenção (P). De nada adianta um rápido atendimento ao incêndio se não há equipamentos para combatê-lo. Com isso chega-se a: DMP = f(t), f(M), f(A), f(P) Onde: f(t) = função do tempo f(M) = função dos materiais envolvidos f(A) = função do ambiente onde o fogo surgiu (P) = função de sistemas de prevenção existentes no local Se a análise for feita de forma crítica poder-se-á até mesmo dispensar a função ambiente. Assim sendo, tem-se: DMP = f(t), f(M), f(P) O DMP é uma função direta do tempo. Quanto maior o tempo gasto maior será o dano. Da mesma forma, quanto mais favorável ao incêndio for o material maior será o prejuízo ou a perda. Contrariamente, quanto maior for o nível de prevenção menor será a perda. Com isso, nossa igualdade passa a ser: DMP = f(t), f(M), f(i/P) Encontrar-se uma fórmula onde se adeque todos os parâmetros requeridos não é uma das tarefas mais fáceis, já que são vários os fatores a serem considerados, cujas associações entre si não estão ainda totalmente estudadas ou conhecidas. Os riscos envolvendo inflamáveis líquidos já estão em um nível bem adiantado de estudo, o mesmo não ocorrendo com os demais riscos. Página 47 de 55
  • A evolução da informática nos permite concluir que dentro de pouco tempo nosso desejo será realizado. Enquanto não chegarmos a esse nível podemos sugerir o que se segue: Definição de um modelo matemático onde o número de variáveis não seja um fator impeditivo para o desenvolvimento da técnica. Para tanto, poderemos considerar o fogo originando-se em um ambiente fechado, e não ao ar livre. Outro ponto é o da detecção. Para facilidade de cálculo empregaremos um sensor, ou detector. Mesmo que o sensor não exista poderemos extrapolar um determinado tempo de atendimento ao incêndio. Com esses dados sobra-nos muito pouco em termos de variáveis, já que não estaremos considerando os efeitos externos provocados pelo ambiente natural, bem como estaremos dispensando as análises que levem em conta o tempo de atendimento, já que esse pode ser pré-fixado em vista do resultado da inspeção de risco. A título de ilustração fixaremos alguns dados, tais como: Função do Tempo Para a função partiremos de um tempo inicial de dois minutos e meio, soma do tempo de detecção correspondente a 30 segundos com o tempo de atuação da brigada de incêndio em dois minutos. O tempo inicial deve ser agravado como resultado da inspeção de risco, mais exatamente em função da existência de equipamentos de detecção e combate a incêndios, tais como: a) empresa com sistema de detecção adequado, constituído por brigada de incêndio, extintores, hidrantes, detectores e sprinklers. Deve-se agravar o tempo inicial em 1 minuto b) empresa com sistema de proteção regular constituído por brigada de incêndios, extintores e hidrantes. Deve-se agravar o tempo inicial em 4 minutos c) empresa com sistema de prevenção deficiente, constituído por uma brigada de incêndio incompleta, extintores e rede de hidrantes parcial Deve-se agravar o tempo inicial em 8 minutos Função Material Para a função material o ideal é se procurar obter uma divisão que não seja muito extensa, para não inviabilizarmos o trabalho. Como sugestão indicamos: · Classe A : Combustíveis comuns; · Classe B : Líquidos inflamáveis não voláteis; · Classe C : Líquidos inflamáveis voláteis; · Classe D : Líquidos combustíveis comuns; · Classe E : Líquidos combustíveis inflamáveis. Função Prevenção Como dissemos anteriormente a função prevenção está intimamente associada ao tempo de atendimento. Página 48 de 55
  • Para um razoável enquadramento e até mesmo para uniformizar unidades optamos por associar a prevenção a um agravamento na função tempo. Os coeficientes de agravação são os constantes da tabela ao lado. Na montagem da tabela consideramos a existência de um número mínimo de dispositivos de proteção contra incêndio. Nesse caso, a existência desses dispositivos é obrigatória. Grande Médio Pequeno Risco Risco Risco Brigada de Incêndio S S S Vigilância Patrimonial S S S/N Extintores e Carretas S S S Hidrantes Internos S S S/N Hidrantes Externos S S/N S/N Canhões monitores S/N S/N S/N Mangotinhos S/N S/N S/N Moto-bombas S S/N S/N Detectores S S S/N Sprinklers automáticos S S/N S/N Sprinklers Manuais S/N S/N S/N Sistemas fixos de gases S/N S/N S/N Sistemas fixos de espuma S/N S/N S/N Sistemas fixos de pó S/N S/N S/N Botoeiras de alarme S S S/N Carros de bombeiros S S/N S/N Coeficiente de agravação a ser aplicado (1) (2) (3) Se a existência desses for opcional, o fato deles existirem significará um aumento da Equipamentos disponíveis Qde de pontos 10 10 01 02 02 05 01 02 05 10 05 10 08 08 02 05 pontuação, gerando, consequentemente, a uma redução do fator de agravação. Notas: s/n indica que o sistema é opcional . (1) até 50 pontos de 40 a 50 pontos de 30 a 40 pontos abaixo de 30 pontos - > sem agravação > agravação de 10% > agravação de 30% > agravação de 100% (2) até 30 pontos de 20 a 30 pontos abaixo de 20 pontos - > agravação de 10% > agravação de 30% > agravação de 100% (3) ate 15 pontos de 10 a 15 pontos abaixo de 10 pontos - > agravação de 20% > agravação de 40% > agravação de 100% Parâmetros Básicos A proposta é a de se encontrar um modelo mais simples de determinação do DMP, o qual pode vir a ser sofisticada à proporção em que forem sendo obtidos novos parâmetros. Desta forma, escolhendo um ambiente fechado reduz-se o número de variáveis aleatórias. A escolha da detecção via detectores de fumaça ou iônicos recai no fato deles poderem vir a ser sensibilizados de acordo com as circunstâncias. Página 49 de 55
  • A partir daí a única variável restante é a referente a característica do material existente. Para fins de estudo a escolha do material recai sobre o que apresente maior risco de incêndio, se existirem vários materiais no mesmo ambiente. Face ao modelo escolhido os parâmetros que poderão vir a sensibilizar os detectores são: Aumento da pressão O fluxo de ar para alimentação da reação de combustão gera um incremento na pressão ambiente. Mesmo sendo pequeno pode ser um dado utilizável. Aumento do fluxo de ar O consumo de oxigênio gera um aumento da velocidade do ar, provocado pela reposição do oxigênio consumido. As correntes de convecção do ar também aumentam a velocidade do fluxo de ar. Aumento da temperatura O aumento da temperatura é um dos dados relevantes. Para se criar uma situação agravante poderemos posicionar a origem do foco do incêndio a 9 metros de distância de um detector hipoteticamente instalado no ambiente. Cubando-se o volume de ar do ambiente e sabendo-se a quantidade de calor gerado com a queima tem-se o tempo necessário à sensibilização do instrumento. Aumento da umidade Determinadas substâncias ao oxidarem-se liberam água, aumentando o percentual de umidade do ar. Aumento da luminosidade Este conceito deve ser empregado caso o detector seja ótico ou de chamas. A título de ilustração, a queima de 230 gramas de algodão poderá sensibilizar um detector instalado em uma sala com um volume de ar correspondente a 1.610 m3. Para tanto o instrumento deverá estar calibrado para uma velocidade de ar correspondente a 0,2 m/s, a um percentual de umidade relativa a 60%, a uma pressão de ar ambiente de 750 mmHg e a uma temperatura de 20°C. Complementarmente ao proposto apresentamos um modelo desenvolvido por nós a alguns anos, para a avaliação de risco de incêndio, com base em um trabalho divulgado pelo Prof. Jesus Peres Obeso. Uma das preocupações que tivemos foi a de permitir que a avaliação do risco pudesse ser feita independentemente da qualificação profissional do inspetor. Ou seja, quisemos excluir o achismo, evitando dados desnecessários. Outro ponto foi o de permitir que se avaliasse a empresa segurada sob os aspectos de: ·Características das construções; Página 50 de 55
  • . Fatores de localização; . Fatores inerentes ao processo; · Fatores de concentração; · Destrutibilidade de substâncias/materiais; · Propagabilidade do fogo; · Sistemas de combate a incêndio existentes na empresa; ·Sistemas de combate a incêndio existentes no maior setor de incêndio. A cada tópico há uma pontuação máxima e a pontuação recebida pelo item durante a inspeção. A diferença entre elas demonstra o grau de deficiência do setor ou da empresa. MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE RISCOS POR PONTUAÇÃO DE ITENS EMPREGADO NA ACEITAÇÃO PRÉVIA DE RISCO INCÊNDIO AVALIAÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO I - Características das construções A) Número de andares ou altura da maior edificação ou risco 1 ou 2 menor do que 6 metros 3 a 5 de 9 a 15 metros 6 a 9 de 18 a 27 metros 10 ou mais acima de 30 metros 5 pontos 4 pontos 2 pontos 0 ponto B) Superfície do maior setor de incêndio de 0 a 500 m2 de 501 a 1.500 m2 de 1.501 a 2.500 m2 de 2.501 a 3.500 m2 de 3.501 a 4.500 m2 acima de 4.501 m2 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1 ponto 0 ponto C) Resistência ao fogo das estruturas do maior risco Resistente ao fogo Não combustível Combustível 10 pontos l5 pontos 0 ponto D) Existência de tetos ou forros falsos Sem tetos ou forros falsos Tetos ou forros abaixo de lajes de concretos Tetos ou forros de material não combustível Tetos ou forros de material combustível 5 pontos 4 pontos 12 pontos 0 ponto E) Isolamento contra incêndio do maior risco Isolado por portas e paredes corta-fogo Isolado por portas e paredes incombustíveis Isolado por portas e paredes combustíveis Sem qualquer tipo de isolamento 10 pontos 5 pontos 2 pontos 0 ponto Página 51 de 55
  • F) Qualidade dos pisos do maior risco de incêndio Pisos incombustíveis Pisos metálicos - não vazados Pisos metálicos – vazados Pisos combustíveis comuns 5 pontos 4 pontos 2 pontos 0 ponto G) Resistência ao fogo do telhado e de sua estrutura Resistente ao fogo Não combustíveis Combustíveis 5 pontos 2 pontos 0 ponto H) Existência de aberturas confrontantes com outros riscos Aberturas protegidas contra o alastramento dos incêndios Aberturas não protegidas 5 pontos 0 ponto II - Fatores de Localização A) Distância aos corpos de bombeiros e guarnições de incêndio Menor do que 5 Km ou 5 minutos Entre 5 a 10 Km ou até 10 minutos Entre 10 a 20 Km ou até 15 minutos Acima de 20 Km ou 15 minutos 5 pontos 10 pontos 3 pontos 0 ponto B) Acessibilidade aos edifícios pelas viaturas dos bombeiros externos Boa Média Ruim 5 pontos 3 pontos 0 ponto C) Densidade de edificações ao redor do maior risco de incêndio Área densamente construída Área mediam ente construída Área parcialmente construída Área esparsamente construída 0 ponto 3 pontos 6 pontos 10 pontos III - Fatores de risco inerentes ao processo A) Perigo de reativação do fogo Baixo Médio Alto 10 pontos 5 pontos 0 ponto B) Carga térmica Baixa (até 50 Mcal/m²) Média (até 150 Mcal/m²) Alta (até 300 Mcal/m²) Muito alta (acima de 300 Mcal/m²) 10 pontos 5 pontos 3 pontos 0 ponto C) Aspectos de ordem e limpeza Ruim Regular 0 ponto 3 pontos Página 52 de 55
  • Bom 5 pontos D) Altura de armazenamento de mercadorias e matérias-primas na vertical Até 3 metros de altura Ate 6 metros de altura Acima de 6 metros de altura 5 pontos 2 pontos 0 ponto E) Áreas de armazenamento de mercadorias e matérias-primas na horizontal Até 500 metros quadrados Até 1.000 metros quadrados Até 3.000 metros quadrados Acima de 3.000 metros quadrados 5 pontos 3 pontos 1 ponto 0 ponto IV - Fatores de concentração de valores e de conteúdo A) Concentração de valores dos bens no maior risco de incêndio Até US$ 1,000,00Im2 Até US$ 5,000,00Im2 Acima de US$ 5,000,00Im2 10 pontos 5 pontos 3 pontos B) Características do conteúdo do maior risco De difícil reposição De média reposição De fácil reposição De imediata reposição 0 ponto 2 pontos 4 pontos 5 pontos V - Propagabilidade do fogo na área do maior risco A) Propagabilidade na vertical Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto B) Propagabilidade na horizontal Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto VI - Destrutibilidade das substâncias e materiais A) Por calor Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto B) Por fumaça ou por gases tóxicos Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto Página 53 de 55
  • C) Por corrosão Baixa Média Alta. 5 pontos 2 pontos 0 ponto D) Por água Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto E) Por agentes químicos de combate a incêndios Baixa Média Alta 5 pontos 2 pontos 0 ponto Sub-total X Máx. 160 pontos VII -Sistemas de combate a incêndio existentes na empresa A) Extintores B) Hidrantes internos C) Hidrantes externos D) Mangotinhos E) Carros de bombeiro ou moto-bombas F) Chuveiros automáticos contra incêndio G) Detectores automáticos contra incêndio H) Sistemas fixos de gases I) Botoeiras de alarmes J) Reserva de água contra incêndio Até 120.000 m3 Até 500.000 m3 Mais de 500.000 m3 1 ponto 3 pontos 5 pontos 2 pontos 1 ponto 10 pontos 2 pontos 5 pontos 1 ponto 2 pontos 5 pontos 10 pontos L) Brigada contra incêndio Multiplicar os pontos obtidos anteriormente por 1 Sub-total Máx. Y pontos 80 pontos VIII – Sistemas de proteção contra incêndio existentes no maior risco A) Extintores B) Hidrantes C) Chuveiros automáticos contra incêndio D) Detectores automáticos E) Outros tipos de dispositivos de combate F) Brigada de incêndio 1 ponto 4 pontos 10 pontos 3 pontos 2 pontos pontos Multiplicar os pontos obtidos anteriormente por Sub-total Máximo IX - Índice de proteção contra incêndio 1 Z 40 pontos PCI = (4 x X) + (3 x Y) + (2 x Z) + {(0,5 V)+(0,5 B)} 160 80 40 Página 54 de 55
  • V =Vigilância permanente na empresa B=Existência de Bombeiros profissionais permanentemente PONTUAÇÃO PCI até 4.pontos PCI até 6 pontos PCI até 8 pontos PCI até 9 pontos PCI acima de 9 pontos = = = = = risco aceitável risco regular risco bom risco muito bom risco ótimo Página 55 de 55