Your SlideShare is downloading. ×
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

A correlação entre a ética ambiental a percepção e a gestão de riscos

976

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
976
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
28
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE Programa de Mestrado em Saúde e meio AmbienteDisciplina:Orientadora: Profª Drª Mônica Lopes GonçalvesMestrando: Engº Antonio Fernando de Araújo Navarro PereiraTema: A correlação entre a Ética Ambiental, a Percepção dos Riscos e o Gestão de RiscosI. Introdução: Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ouépoca e não de todo esperados. (Navarro 1996) A partir dessa primeira abordagem iremos estabelecer uma correlação entre osmétodos tradicionais de Gestão de Riscos, baseados em pesquisa, coleta de dados,análises, etc., a percepção, pura e simples, baseada nos sentimentos das pessoas, nasua informação anterior, nos seus medos e receios, nos seus comprometimentos, etc.e as questões baseadas na ética ambiental. È importante fazer-se essa apresentação haja vista que se pretendecorrelacionar a eficácia das duas formas de avaliação, e consolidá-las, através dainterpretação de que quando se tratam de riscos, principalmente os ambientais, nãobasta apenas informar as pessoas dos riscos que estão presentes ao redor daspessoas, inerentes ao meio e à atividade ali desenvolvida. Deve-se levar emconsideração também, a sensação de segurança ou de insegurança repassada porelas assim como as questões ético-ambientais envolvidas. As técnicas de Gestão de Riscos têm evoluído gradativamente, com aincorporação de conceitos adotados em programas de Qualidade e em Confiabilidadede Processos, e a adoção das técnicas de avaliação de riscos, empregando-sesoftwares, e, mais recentemente, envolvendo conceitos de "percepção de riscos". Astécnicas de gerenciamento trabalham com números, com evidências, comprognósticos, ao passo que a percepção trabalha com o sentimento das pessoas. As técnicas e conceitos relacionados à gestão ou Gestão de Riscos foramintroduzidos objetivando-se avaliar prematuramente os riscos, por meio da aplicação deconceitos físico-matemáticos. Com a proximidade dos riscos a áreas povoadas, e ainteração entre as populações vizinhas e os empreendimentos, passou-se a valorizarmais a percepção que as pessoas têm efetivamente dos riscos, associada aoempreendimento próximo. Grandes projetos de engenharia sempre alteraram fundamentalmente o meioambiente, como por exemplo: usinas hidrelétricas, portos, túneis, pontes, indústriasquímicas e petroquímicas, mineradoras, etc. Algumas vezes os empreendimentoschegaram primeiro e as populações depois, essas quase sempre motivados pela ofertafarta de empregos e pelas facilidades geradas pelo poder púbico, pela proximidade derodovias, aeroportos e portos. Em outros momentos, os empreendimentos vieramdepois, justamente atrás de facilidades geradas pelos governos e pela disponibilidadede mão-de-obra. Todavia, não só esses grandes empreendimentos alteram comotambém o licenciamento para a construção de casas em encostas de morros, como porexemplo. O que se verifica de comum é que muitos empreendimentos foram 1 / 14
  • 2. implantados sem que a primeira preocupação fosse com as pessoas ou com o meioambiente. Muitos viraram notícias de jornais, através dos acidentes ambientais queocasionaram ou dos problemas gerados pela sua atividade. Mais recentemente, umaindústria de papel em Minas Gerais teve rompida uma barreira de uma lagoa derejeitos, com grandes danos ecológicos, comprometendo seriamente o abastecimentode água de cidades, até mesmo do Rio de Janeiro. O mais inusitado é que os atuaisdonos informavam que adquiriram a indústria e que as bacias já existiam, como se aoadquirir uma empresa não fossem responsáveis por seus passivos ambientais. Pelizzoli, em seu livro Correntes da Ética Ambiental, comenta: “falar emambiente é falar em pessoas e suas relações, ou seja, falar em ética, o que por sua veznão é apenas falar em normas morais e comportamentos, mas em formas deconhecimento (que são sempre relações), visões de mundo, daí a cosmologia, aontologia e a antropologia envolvidas, a saber, visões de sentido do mundo/universo,do ser/essência e do humano / ético (Pelizzoli, 2003)”. O mesmo autor, citado no parágrafo anterior, quando aborda as perspectivasgerais de uma ótica holística, assim o faz: O ponto de partida comum é a crítica aomodelo civilizatório baseado na noção de progresso material e desenvolvimentoeconômico nos moldes da modernidade científica e industrial, e o que ocorre com o serhumano e com os seres naturais em termos de desequilíbrio e perda deharmonia/interligação com aspectos fundamentais da vida (Pelizzoli, 2003). Mais uma vez entra em choque as ações dos seres humanos baseados em suabusca incessante pela modernidade a qualquer custo e os gravames abandonados noscolos dos indivíduos que co-habitam os mesmos espaços. Mais uma vez cabe areflexão sobre o futuro ou o amanhã. Projetos de hoje têm que levar em consideração oamanhã, como não muito distante. O planejamento e a administração hoje não podem mais suprimir a baseambiental e o modus civilizatório, assim como não poderão mais prescindir de umaética de futuro. Não é mais possível, como enfatizou José Lutzenberger, vivermoscomo se fôssemos à última geração. As éticas anteriores não contemplaram adinâmica de mutação e a exclusão inerente à sociedade tecnoindustrial. Tem seusparâmetros inócuos e, muitas vezes, trazem em seu bojo as disposições profundas dosriscos da razão instrumental e egológica hegemônica. São por vezes éticasindividualizadas e que não conseguem pensar os sujeitos e os objetos não-humanos,ou pensar em longo prazo, ou ainda pensar a globalização econômica como ela seimpõe hoje. (Pelizzoli, 2003) O que se observa é que as questões relacionadas à preservação do meioambiente ou a adoção de mecanismos seguros de prevenção de riscos são ou forampassados para trás em detrimento da pressa em se iniciar as atividades ou a questõesfinanceiras, principalmente de obtenção de financiamentos de bancos públicos a jurosfortemente subsidiados. Muitos problemas causados pelas indústrias foram encerradossem qualquer solução porque era melhor ter como vizinha uma indústria poluente, quegerava mão-de-obra para a família toda, do que um ambiente limpo e com as pessoasdesempregadas, ou tendo que se deslocar dezenas de quilômetros atrás de umaoportunidade de emprego. De outra feita, era muito melhor ter um grandeempreendimento próximo à sua residência, proporcionando mais segurança e melhorinfraestrutura urbana do que tê-la por longe. Diz-se na gíria: ruim com ela pior sem ela. A primeira questão que sobressai é a da importância da percepção das pessoasfrente a riscos, algumas vezes não palpáveis ou percebíveis frente o emprego de 2 / 14
  • 3. técnicas de avaliação baseadas em estatísticas, confiabilidade, estudos de situaçõesassemelhadas, pesquisas baseadas em bancos de dados, tudo com o objetivo dedefinir-se medidas preventivas e/ou mitigadoras. Algumas vezes, como dito noparágrafo anterior, a percepção era fruto de uma conivência entre uma população àmercê das incertezas da vida ou de uma população sem muitas opções. As pessoassabiam que aquilo não era bom para elas mas aceitavam o fato pacificamente. Nessescasos, apresentar elementos convincentes, mesmo baseados em formulaçõesmatemáticas de que o risco não era bom era a sentença de morte do gestor do risco.II. Objetivos: O Objetivo principal foi o de avaliar-se, dentro de condições normais, a eficáciade alguns métodos empregados no processo de Gestão de Riscos, notadamentenaqueles relativos a Meio Ambiente e à sua degradação. Sabe-se hoje que em muitas circunstâncias o que mais vale é as pessoas sesentirem seguras frente aos riscos que as envolvem do que o seu convencimento poroutro caminho que não o de sua própria percepção. A escolha dos riscos aos quais sedeve dar atenção não é simplesmente o reflexo de preocupações com a proteção dasaúde, da segurança e do ambiente. A escolha reflete também outros aspectos, comoas crenças das sociedades acerca dos valores, instituições sociais, natureza, justiça emoral - sendo estes determinantes na superestimação ou subestimação dedeterminados riscos (Douglas & Wildavsky, 1982). Um ponto que cabe ser destacado é a importância que os sujeitos dão aosriscos, e aos seus reflexos quanto a questões ambientais. Quase sempre asprioridades das pessoas não obedecem à mesma cronologia da prioridade dasempresas, mormente se aquelas estiverem diretamente envolvidas com os resultadosdas implantações dos empreendimentos. Ou seja, se as pessoas percebem que podemvir a se beneficiar com a implantação dos empreendimentos, costumam relegar a umplano inferior suas preocupações com outros aspectos que não o de sua contrataçãoou de seus familiares. Assim, não adianta querer envolvê-los em questões maistécnicas demonstrando por A mais B que poder-se-á ter problemas se suapreocupação naquele momento é apenas a empregabilidade. O enfoque das técnicas de avaliação sempre foi o de avaliar-se projetos eprocessos com vistas à identificação dos riscos, para o seu tratamento, posteriormente.Mais recentemente passou-se a incluir nesse rol de técnicas a avaliação do consumidorquanto à sua percepção de risco. Um aspecto, importante, é o de se avaliar o que podeocorrer de errado em um projeto, sistema ou equipamento, que venha a causar perdas.Outro aspecto é a da avaliação sob a ótica dos consumidores ou dos usuários.Especificamente na avaliação de impactos ambientais espera-se que os moradores dacircunvizinhança do empreendimento também possam opinar sobre as questões quedizem respeito à contaminação ambiental, antes mesmo de virem a se afetados poressa. Um exemplo clássico da percepção de riscos, digamos assim, intuitivo, é o deum martelo. Isoladamente essa ferramenta não apresenta qualquer tipo de risco e nemé motivo de preocupações, como por exemplo, o martelo em uma caixa deferramentas, ou sobre uma bancada de trabalho. Todavia, na mão de uma criançapode vir a representar um risco para sua própria vida. Uma mãe, ao ver seu filho commenos de dois anos andar pela casa com um martelo na mão tem a reação imediata detirá-lo do filho, por ter razões de sobra para perceber que pode ocorrer algo de ruim. Omesmo pensamento pode não ocorrer com um pai. Que pode até querer entregar um 3 / 14
  • 4. prego para que o filho possa pregá-lo sobre uma tábua. Se forem tios ou avós,certamente acharão graça da criança andar pela casa com o martelo, ao invés deandar com um brinquedo. A percepção dos riscos pode variar de acordo com o momento econômico peloqual as pessoas estão passando, com o nível de cultura, com o nível de informações,com os interesses envolvidos, com aspectos familiares, etc.. Se há necessidade de seconstruir um depósito de lixo em determinada localidade, e se houver tratamentoadequado, esse projeto poderá ser uma fonte de emprego para famílias dedesempregados, ou uma fonte de riscos para famílias estruturadas financeiramenteque não dependam da existência desse para sua subsistência. Outro fato interessanteé o que diz respeito à estrutura de família. Um rapaz solteiro que viva sozinho poderáter uma reação frente os riscos bem diferente do que se for casado, e mais diferenteainda se tiver filhos pequenos. O mesmo ocorre com famílias com filhos pequenos. Apreocupação das mães, principalmente, torna-se maior quando esses são pequenos.III. Metodologia: O Gestão de Riscos (Risk Management) pode ser entendido como um conjuntode técnicas de abordagem, com vistas à análise qualitativa e quantitativa dos eventos,por meio das quais busca-se identificar, avaliar e tratar os riscos que sejamemergenciais e/ou latentes, capazes de provocar perdas financeiras, pessoais,patrimoniais e de responsabilidades civis. As técnicas de Gestão de Riscos, quandobem empregadas transformam-se em um elemento de antecipação ou de previsão deum cenário de perdas futuras. (Navarro 1996) Através do Gestão de Riscos consegue-se estudar procedimentos quepromovem a redução do número de ocorrências ou a redução da extensão das perdas,fatores esses importantíssimos para a mensuração das taxas de riscos. (Navarro 1996) O processo, ou o conjunto de tecnologias empregadas no Gestão de Riscospossibilita o surgimento de meios que atenuam as perdas ameaçadoras dospatrimônios das empresas, reduzindo suas severidades ou gravidades, através daeliminação dos riscos ou do controle dos eventos e de suas conseqüências. De umacerta forma, ao se controlar as perdas e por conseguinte, reduzir a parte dos custosvariáveis, estar-se-á aumentando o nível de Produtividade da empresa. Todavia, sob oenfoque do consumidor ou da população sob risco, o conceito passa a estar voltadopara a sensação de segurança. Um aspecto importante é saber-se o quão a empresaencontra-se segura. Outro aspecto é saber-se o quão a população vizinha entendeestar segura. Se a população não se achar segura o empreendimento deve passar aimagem de empresa segura, empregando, para tal, técnicas específicas de abordagemque a convençam do contrário. (Navarro 1996) Nessa apresentação vê-se que a utilização das técnicas de Gestão de Riscosestá mais voltada para a empresa em si e os seus riscos. Quando se volta o foco dasatenções para os "terceiros", vislumbra-se a questão da responsabilidade civil daíadvinda. Também deve ser ressaltado que o uso de técnicas de gestão de riscos dá-semais na fase do estabelecimento das premissas básicas de projeto, do que naimplantação do empreendimento. Trata-se de uma fase com pouca reverberação deopiniões, ou seja, a portas fechadas, quando se avaliam os prós e os contras. A Gerência de Riscos surgiu como técnica nos Estados Unidos, no ano de1963, com a publicação do livro Risk Management in the Business Enterprise, deRobert Mehr e Bob Hedges. Seguramente uma das fontes de consulta ou de 4 / 14
  • 5. inspiração dos autores foi um trabalho de Henry Fayol, divulgado na França em 1916.A origem da Gerência de Riscos é a mesma da Administração de Empresas, a qual,por sua vez, conduziu aos processos de Qualidade e de Produtividade. (Navarro1996) Os conceitos de riscos são muito amplos. Risco não é somente aquilo que estápara acontecer ou aquilo que se tem receio de que aconteça em um determinadomomento: (Navarro 1996)· Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite;· Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras;· Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirarem boas notas;· Não empreste dinheiro para seu amigo porque ele está desempregado, há risco de você perder o amigo ao cobrá-lo;· Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque. Para cada exemplo citado a palavra “risco” tem um significado diferente. Nãochegar junto com o temporal apresenta o inconveniente, e não o "risco" da pessoamolhar-se. No caso do assalto efetivamente há um risco de perda monetária ou dedanos à própria vida ou à saúde. Nas provas a pessoa pode ser reprovada. O únicorisco, que não é aquele objeto da análise é o da perda financeira de ter que repetir oano letivo ou ter o dissabor do constrangimento pessoal. Finalmente, no caso dochuveiro, o risco envolve a vida da própria pessoa. Se essa estiver sobre um pisomolhado poderá sofrer um choque mortal. (Navarro 1996) A palavra Risco dá margem a uma série de interpretações. Contudo, estásempre associada, em qualquer caso, a: um insucesso, um perigo, uma perda ou umdano. Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ouépoca e não de todo esperados. (Navarro 1996) Dentro do enfoque escolhido por nós, de correlacionar os processos deavaliação metodológica com a avaliação empírica, torna-se importante apresentaralgumas considerações sobre o que vem a ser um risco, como ele se materializa ecomo pode ser avaliado, através de processos metodológicos. Riscos são todos os fatos, situações, bens ou atividades sujeitas a perdas oudanos. Para fins de estudos podem ser classificados em:· voluntários;· acidentais;· aleatórios. Riscos voluntários são todos aqueles em que há um ato voluntário presente,ato esse que induz à participação humana no evento. A empresa que não faz umaavaliação correta do lançamento de seus efluentes está consciente que de essespodem atingir o meio ambiente. Pode também estar consciente de que estaráconstruindo um passivo ambiental. A indústria que adquire equipamentos sem fazeruma avaliação criteriosa de seu funcionamento corre o risco de vir a provocar danos aomeio ambiente e mesmo não ter a produtividade esperada. A criança que acende umafogueira está praticando um risco voluntário, porque ela assim o quer, ou seja, deseja 5 / 14
  • 6. acender o fogo. Pode estar praticando o ato de forma consciente ou não. Muitas vezesa voluntariedade pode estar vinculada a algum propósito, como o da economia, apostergação dos problemas ou aproveitar-se de determinada situação momentânea,etc. O risco voluntário enquadra-se na categoria de riscos puros. (Navarro 1996) Riscos acidentais são os riscos ocorridos sem que tenha havido contribuiçãovoluntária para tal. O desabamento de um prédio, o alagamento de um pátio deestocagem são riscos acidentais. Os riscos a que estão sujeitos os construtores sãotambém riscos acidentais. Não se deve confundir a acidentalidade dos riscos com avoluntariedade. O princípio básico é que neste caso em questão tanto o desabamento,quanto o alagamento não se deveram porque o projeto foi mal executado ou o pátio deestocagem não teve limpas as suas galerias de esgoto e de águas pluviais. Para quenão haja conflito de interpretação os riscos acidentais podem ser enquadrados dentrodas características daqueles decorrentes das atividades normais de uma empresa,gerados acidentalmente. Da mesma forma como nos riscos voluntários, os riscosacidentais também são riscos puros. (Navarro 1996) Uma questão importante é relativa ao enquadramento dos riscos na natureza.Os riscos causados por uma enchente ou um alagamento podem estar relacionados aum risco acidental ou a um risco voluntário. Uma indústria que assenta seuempreendimento na foz de um rio, por ser mais vantajoso para ela, poderá estarcausando um sério risco à população da cidade em um momento subseqüente.Contínuos assoreamentos dos rios e o estreitamento da foz provocado pelaimplantação da indústria poderão ser causadores de transbordamento de rios. Nestecaso, o risco é voluntário para a indústria. Riscos aleatórios são aqueles eventos ocorridos sem a participação humana,tais como: terremotos, tremores de terra naturais, vendavais, furacões, enchentes,inundações. São os eventos de causa externa, ou seja, não dependem de nenhumainfluência do empreendimento para que ocorram. Os riscos aleatórios também sãoconhecidos como riscos da natureza. A aleatoriedade dos riscos indica que nãopodem ser previstos. Podem ocorrer a qualquer momento. (Navarro 1996) Para ser capaz de gerar danos um risco materializa-se em função de uminfindável número de situações. No projeto de se lançar uma sonda espacial para forado sistema solar a fim de se estudar outros corpos celestes, deve-se aguardar, paraque o empreendimento venha a ter sucesso, que o veículo lançador e a nave espacialnão venham a falhar, deve-se aguardar o alinhamento dos planetas, o que só vem aocorrer a intervalos de tempo definidos, para que se aproveite ao máximo as forças deatração dos astros para aumento da velocidade da espaçonave, e mesmo assim nãose tem total certeza do sucesso da missão. É o que se chama de imponderável. OGestão de Riscos avalia o imponderável. Chega-se a determinar, por intermédio detécnicas de avaliação de riscos, qual a probabilidade de se ter sucesso noempreendimento, e qual a probabilidade de se ter um fracasso. Para modelos deanálise mais simples, consegue-se descobrir os prováveis fatores causadores doinsucesso. Assim, elaboram-se previsões com elevado percentual de acertos. Algumastécnicas de Estudos de Confiabilidade de Processos apresentam resultados bempróximos de 100% de acerto. (Navarro 1996) O risco, ou o evento, contra o qual se está elaborando um plano de prevençãoou de eliminação de perdas, deve atender a algumas particularidades para que sejaenquadrado como tal, ou seja: deverá ser: futuro; incerto; possível; independente davontade das partes, conduzir a perdas mensuráveis. Um risco presente não é umrisco e sim um fato consumado. Um risco certo também não é um risco porque já se 6 / 14
  • 7. sabe quando e de que forma irá ocorrer. Um risco impossível também não é um risco,já que não gerará qualquer tipo de perda ou dano. Por exemplo, não se pode falar emincêndio em uma caixa dágua porque simplesmente lá, principalmente quando essaestá cheia de líquido, não apresenta as condições para o início de um incêndio, oufogo. Todavia, pode-se falar em um dano elétrico no motor de acionamento da bombaque esteja próxima da caixa dágua. Um risco que dependa de um dos sujeitos para seriniciado também não é um risco. Lógico é que há exceções, como o risco de umacidente provocado por uma pessoa demente. Aqui, nessa situação, a pessoa não temtotal domínio de suas faculdades mentais. Finalmente, um risco que não gere nem umaperda e nem um dano também não pode ser entendido como risco, já que não se tem oque reclamar e o que repor, porque não haverá perdas. Procura-se entender como e porquê esse risco vem a se manifestar, qual aperiodicidade das manifestações, ou da freqüência das ocorrências ou eventos, e qualé a extensão das perdas sentidas ou observadas, com fins de se reduzir à severidadedos prejuízos. Ainda, buscam-se meios de reduzir a extensão das perdas a outrosambientes, locais ou equipamentos, com o emprego de mecanismos de proteção,confinando as conseqüências dos eventos. (Navarro 1996) A função do Gestão de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seusefeitos. Isso quer dizer que se assume a existência de perdas em todos os processosindustriais, como um fato perfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas,basicamente de inspeções e de análises, procura-se evitar que essas perdas venham aocorrer com certa freqüência, ou reduzir os efeitos dessas mesmas perdas, limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seusorçamentos anuais. (Navarro 1996) Não existe um método único de Gestão de Riscos, ou uma metodologia padrão.Costuma-se confrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão paraaquele tipo de etapa, analisando as possíveis alterações existentes, através de umamplo conhecimento das várias etapas da atividade analisada. (Navarro 1996) O Gestão de Riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou dequase-defeitos, com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamadosriscos. (Navarro 1996) Risco é uma chance de perda e provavelmente, o mais importantedegrau no processo de identificação e gerenciamento das perdas. (Navarro1996) Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicasadotadas na Gestão de Riscos e o emprego de metodologias específicas pode-setambém quantificar riscos. A partir do momento que se qualifica e quantifica um riscotem-se a sua real magnitude ou sua expressão matemática. A qualificação é a identificação do tipo de risco ou da qualidade, se é quepodemos assim dizer a respeito das características dos eventos que podem surgir.Trata-se de um risco de incêndio, ou de um risco de explosão, ou de um risco de danoselétricos, ou de um risco de contaminação ambiental, etc.. A quantificação é a determinação do valor da perda, expressa em percentualdo valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar nofuturo. P.ex O risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% dopatrimônio da indústria. A perda potencial é de cerca de $ 500,000. No tocante aquestões ambientais, há que se considerar os danos diretos, os danos conseqüentes e 7 / 14
  • 8. os danos indiretos. Os danos diretos podem ser avaliados com certa precisão. Osdemais, necessita-se conhecer as características do empreendimento, da região e dapopulação atingida. As técnicas empregadas nos estudos de Gestão de Riscos podem variar deacordo com os objetivos inicialmente propostos para a análise das situações, como:a) Check-list O Check List é um método de caráter geral, com abordagens qualitativas,através do diagnostico de situações de riscos a partir de um cenário, com o empregode perguntas previamente estabelecidas. Seu sucesso depende muito das análisesposteriores que se seguirão, bem como dos resultados pretendidos. Os relatórios, deum modo geral, contém um grupo de perguntas básicas que serão formuladas aoperadores dos equipamentos, supervisores, vizinhos do empreendimento, terceirosnão envolvidos com o empreendimento, as quais permitirão que sejam traçados perfisaproximados do risco.b) What if Trata-se de um método qualitativo, ou seja, um método que permite chegar aotipo e ao tamanho de risco, muito importante no emprego em discussões de carátergeral acerca de um sistema, e para a abordagem das conseqüências maiores de umacidente. Deve-se sempre separar, na aplicação da técnica, as causas dasconseqüências. As causas são os fatos geradores, e as conseqüências os resultados.Existem perguntas clássicas que podem vir a ser feitas, como por exemplo:È E se de repente uma pessoa atravessar a rua com o sinal de pedestres fechado?È E se a caldeira vier a explodir?È E se a pressão da linha de vapor subir muito?È E se a informação recebida da direção da empresa, para a desocupação da área, não for confiável?c) Técnica de Incidentes Críticos Trata-se de uma técnica operacional qualitativa, que busca obter informaçõesrelevantes acerca de incidentes ocorridos durante determinada fase ou períodorelatados por testemunhas que os vivenciaram. Os incidentes são os quase acidentes,ou os acidentes não geradores de perdas. A metodologia emprega, principalmente, entrevistas com os operadores oumantenedores dos sistemas sujeitos a estudos. Alternativamente poderá se lançar mãode trabalhos de bancos de dados, onde todos os acidentes ou incidentes foramrelacionados por tipo de ocorrência. Dentre as inúmeras formas de classificação dosincidentes podemos ter o seguinte critério:Classe I : Aqueles que provocam alterações no planejamento ou na produção.Classe II : Aqueles que provocam atrasos no planejamento ou na produção;Classe III : Aqueles que provocam paralisações ou o insucesso do planejamento;Classe IV : Aqueles que afetam a integridade física das pessoas; O incidente é importante como dado estatístico porque comprova aexistência de falhas operacionais ou de controle, possibilitando a sua imediatareparação. (Navarro 1996) 8 / 14
  • 9. d) Análise Preliminar de Riscos (APR) Trata-se de uma técnica de inspeção desenvolvida com o objetivo de se obteranálise superficial dos possíveis riscos, de suas causas, das conseqüências advindascom a materialização desses bem como das medidas corretivas ou preditivasadotadas. Em resumo, a APR visa à identificação de elementos perigosos do sistema,das situações de risco, das falhas potenciais, etc., determinando a gravidade de suasefetivações, normalmente obtidas por meio de simulações. A Análise Preliminar deRiscos procura enquadrar os riscos segundo categorias, definidas de acordo com osefeitos destrutivos que podem vir a ser observados, tabeladas como a seguir:· Desprezível ou Negligenciavel (Classe I) É aquele que gera efeitos imperceptíveis, não conduzindo a degradações físicasou ambientais que não sejam facilmente recompostas. Normalmente essa categoria deriscos é perfeitamente absorvida pela empresa, juntamente com os custos demanutenção ou revisão;· Marginal ou Limítrofe (Classe II) É o que gera ocorrências moderadas, controláveis, necessitando porém deações saneadoras em médio prazo. São riscos que podem surpreender em termos deperdas. Usualmente as perdas estão associadas às conseqüências dos eventos;· Crítica (Classe III) É a que afeta substancialmente o meio ambiente, o patrimônio ou pessoas,necessitando de ações corretivas imediatas. Esse tipo de perda é tratado através dorepasse do risco a uma instituição financeira ou uma seguradora;· Catastróficas (Classe IV) Ocorrência catastrófica é normalmente geradora de efeitos irreversíveis,afetando pessoas, sistemas, patrimônios ou ambientes. Quase todos os Gerentes deRisco recomendam, como técnica de tratamento de riscos o afastamento, ou seja, aempresa deve renunciar a essa atividade.e) Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) A AMFE é um método de análise detalhada, gerando resultados qualitativos equantitativos, ou seja, identifica o risco ao mesmo tempo em que a mensura. A AMFEpermite a análise das falhas dos equipamentos, dos componentes e dos sistemas comestimativas de freqüência de ocorrências (taxa de falhas) e a determinação dos efeitosou conseqüências dessas mesmas falhas. A técnica, também conhecida como FMEA - Failure Modes and EffectsAnalysis, consiste em se estudar o sistema por partes, em conjuntos ou subconjuntos,sob a forma de diagramas de bloco, analisando não só as ocorrências isoladamentecomo também a interpelação existente entre essas e os demais subconjuntos. Dessa análise particularizada obtém-se: revisão dos modos de falha de cadacomponente; efeitos que tais falhas terão sobre outros componentes que, ao falhargerarão danos a todo o sistema. Como resultado final tem-se o calculo deprobabilidade das falhas do sistema, gerado a partir das falhas de seus componentes.Logicamente, através desses estudos determinam-se às alternativas de redução dasprobabilidades de falha. 9 / 14
  • 10. f) Análise de Árvore de Falha (FTA) A Análise de Árvore de Falha é dos métodos de Confiabilidade de Sistemas omais conhecido. A AAF, ou Failure Tree Analysis - FTA, foi desenvolvida nos EstadosUnidos na década de 60, com o objetivo de estudar o comportamento de mísseisbalísticos intercontinentais. Esses mísseis representavam um alto custo unitário, demilhões de dólares e um elevado risco potencial, não só durante a armazenagem etransporte como também no lançamento. Os graus de acerto tinham de ser da ordemde 100%. As probabilidades de perdas materiais eram enormes. Assim sendo,partindo-se de um raciocínio lógico da ocorrência de um evento indesejável, ou eventode topo, desenvolveu-se uma metodologia interativa, com o fim de se descobrir qual ouquais as falhas que, atuando em conjunto ou isoladamente poderiam gerar o eventonão desejado. É importante salientar que um evento, quando materializado, nunca traz consigosomente um tipo de perda. Associado a essa poderão existir outras do tipo:· perda material ou de insumos para a produção;· perda de produção;· perda financeira;· perda pessoal;· perda de imagem;· perda de mercado;· responsabilidades civis;· danos ambientais, etc. O contraponto da aplicação dessas técnicas, informadas anteriormente, é o dapercepção da perda ou do risco. Para Douglas & Wildavsky (1982), os indivíduosselecionam alguns riscos pela impossibilidade de estarem conscientes de todos. Entredecidir dentre os milhares que os cercam, a opção é a de pensar naqueles quedeveriam ser relevados e os ignorados. Os indivíduos podem não se preocupar, em umprimeiro momento, com o lançamento de resíduos poluentes em um rio, mas sim nafumaça que sai pela chaminé da fábrica, porque ainda não estão preocupados com acontaminação das águas e porque o rio não passa junto à sua cidade. Quase semprenos preocupamos com aquilo que vemos ou sentimos. Para a mensuração dos riscos, pelos processos matemáticos, como vistoanteriormente, basta que conheçamos as metodologias e tenhamos experiência emaplicá-las, empregando para tal conhecimento de campo e uso de banco de dadosconfiáveis. Para a obtenção de informações sobre a percepção de riscos não há bancode dados e nem metodologias específicas, visto que o sentimento quanto a riscos éindividualizado e fruto de um determinado momento. Assim, uma pessoa podeapresentar um sentimento em um momento e outro, em momento seguinte. Podetambém vir a ser influenciada por informações que passa a ter. Por isso o processo deavaliação é mais demorado e subjetivo. Quase sempre empregam-se entrevistaspessoais e preenchimento de formulários específicos. A elaboração dos formuláriosdeve ser feita de maneira tal que não conduza o raciocínio das pessoas entrevistadaspara um determinado viés. O formulário deve ser o mais isento possível. Pelas razões apresentadas anteriormente, ou seja, pela dificuldade de se obteruma quantidade de respostas significativas que expressem a opinião da maioria daspessoas envolvidas, costuma-se relegar a importância da obtenção das informaçõesdos envolvidos, priorizando apenas a utilização de processos e técnicas comocomentados anteriormente. É mister ressaltar-se que não se deve prescindir da 10 / 14
  • 11. obtenção de informações dos envolvidos, principalmente se estamos tratando daanálise de riscos de empreendimentos que sejam potencialmente danosos ao meioambiente. Orway & Thomas (1982) consideravam que apesar de podermos conhecer, pelomenos em princípio, cada aspecto acerca da percepção de riscos, devemos considerarque esta percepção dependerá das informações que as pessoas têm recebido, bemcomo em que tipos têm escolhido acreditar, dos valores e experiências sociais aosquais têm sido expostas e da sua visão de mundo. Por sua vez, esses fatoresdependeriam da dinâmica dos interesses dos grupos, da legitimidade das instituições,das características do processo político e do momento histórico que vivem. Wynne (1982 e 1983) fez algumas considerações sobre qual deveria ser o papelda pesquisa sociológica sobre a percepção de riscos. Para o autor, a tecnologiadeveria ser conceitualizada primariamente como uma organização social, e não comouma entidade física. Esse conceito esclareceria que o risco, em si mesmo, pode serfreqüentemente uma categoria de pensamento inserida artificialmente na mente daspessoas, direcionando de algum modo à questão de como deveria ver os sistemas deprocessos decisórios sobre o desenvolvimento e controle da tecnologia. Ainda segundo Wynne (1987), suprimir a dimensão da experiência socialenvolvida em uma dada tecnologia ou risco seria encobrir a legitimidade de valoressociais e ansiedades que surgem desta experiência. A supressão da experiência socialpela Gestão de Riscos ou regulamentação colocaria em perigo a própria credibilidadeao dizer para os indivíduos expostos que suas experiências sociais e busca designificado não contariam. A percepção de riscos não deve ser tomada como isolada ou dissociada dasquestões concretas relacionadas às situações e eventos de riscos, já que interage cominúmeros aspectos sociais. De modo geral, os estudos demonstram que, se queremos estabelecerestratégias de Gestão de Riscos mais eficazes, devemos considerar os aspectospsicológicos, sociais, culturais e os valores morais que conformam as percepções dopúblico. Como argumentam Flynn et al. (1993), a racionalidade científica por si não irásubstituir, nem tampouco ser uma resposta final as preocupações do público, de modoque, sozinha, não deverá guiar as políticas públicas e o gerenciamento de tecnologiasperigosas. Há espaço e necessidade para a aplicação dessas abordagens distintas. Aempresa ou o empreendimento não pode só se valer da percepção das pessoas arespeito dos riscos que poderá causar. Os organismos de licenciamento,principalmente os ambientais, não podem somente se basear no que as pessoas dizemou pensam. Devem se preocupar com a análise técnica, com as avaliaçõesestatísticas, com as verificações de projeto e, com a aplicação de tecnologias quequalifiquem e quantifiquem os riscos. Sabe-se que muitos riscos somente sãopercebidos depois que se manifestaram. Ou seja, a percepção das pessoas não foisuficiente para afastá-las dos riscos. A Norma NBR ISO 14.001 - Sistemas de gestão ambiental comenta, em subitem4.3.3 - Objetivos e Metas - "Ao estabelecer e revisar seus objetivos, a organizaçãodeve considerar os requisitos legais e outros requisitos, seus aspectos ambientaissignificativos, suas opções tecnológicas, seus requisitos financeiros, operacionais ecomerciais, bem como a visão das partes interessadas". Dentro desse enfoque, não sóos problemas da organização estão em cheque, como também a visão das partes 11 / 14
  • 12. interessadas. A vizinhança é parte interessada. As organizações não governamentaistambém podem ser enquadradas como partes interessadas, na medida em querepresentem legitimamente os interesses das comunidades afetadas. No anexo "A" da mesma norma citada no parágrafo acima, no que diz respeito aplanejamento (subitem A.3) é informado: è recomendado que o processo para aidentificação dos aspectos ambientais significativos associados às atividades dasunidades operacionais considere, quando pertinente, ... letra f - outras questões locaisrelativas ao meio ambiente e à comunidade. Há outras citações relativas à participaçãoda comunidade expressando a preocupação dos legisladores com o atendimento,também, às necessidades das comunidades locais. A norma não faz referênciasexplícitas à percepção da comunidade frente a riscos, mas menciona os interesses dascomunidades afetadas.IV. Conclusão: O próprio Wynne (1987) conclui pela necessidade se considerar as experiência evivências de cada um, especialmente daqueles que serão envolvidos direta ouindiretamente pelos projetos, opinião que também concordamos, haja vista que, parase ter sucesso na análise dos resultados das avaliações técnicas deve-se aplicartambém parte do conhecimento adquirido pelo avaliador, mesmo que aplique inúmerastécnicas. Assim, para a opinião pública envolvida em um projeto ambiental vale mais osseus conceitos de risco e a sua percepção desses mesmos riscos do que a leitura deextensos relatórios tentando lhes provar o contrário. Hoje em dia, quando se realizamaudiências públicas para a avaliação de um risco ambiental, reuni-se a população local,apresentam-se os resultados do EIA/RIMA e discute-se a questão. Os estudos sobre percepção demonstram que as questões relacionadas aosriscos não podem ser restringidas somente aos processos físicos, químicos ebiológicos. O mundo em que se situam - seres humanos em suas relações sociais - éconstituído por outros aspectos, como os estilos de vida e as relações interpessoais, asinterações simbólicas e os movimentos sociais, as questões de poder e de distribuiçãode riscos, controle social e instituições sociais. Estes aspectos conformatarão nãosomente o modo como os indivíduos e especialistas percebem os riscos, mas tambémo próprio modo como este risco ocorre (Freitas & Gomez, 1997) Os riscos existem dentro de toda atividade humana. Uns ocorrem no início dasatividades, outros ao longo dessa. Há aqueles que têm um tempo de recorrência muitolongo, ou alongado com a adoção de medidas preventivas. Contudo, existem.Considera-se também que as tecnologias empregadas para a detecção desses estáem contínuo processo de evolução. Sabe-se também que essas tecnologias apuraminformações e dados que precisam ser interpretados e que essa interpretação é feitapor profissionais com conhecimento específico. Influi bastante, no resultado dessasanálises o conhecimento específico dos profissionais. Algumas vezes esseconhecimento não é tão profundo ou não é profundo o suficiente para avaliar toda agama de riscos. Nessas circunstâncias, a percepção do risco é importante e deve serrelevante na avaliação final da análise. Também se deve reforçar a tese de que oslaços de afetividade entre a comunidade vizinha e o empreendimento devem sersempre fortes. Para reforçá-los é importante ouvir a opinião de seus representantes. Finalmente, conclui-se que a percepção de riscos deve ser uma ferramenta amais, além das técnicas, utilizadas na avaliação dos riscos, em programas de Gestãode Riscos, face à sua importância dentro de um contexto social. Também se concluique a percepção não deve ser um elemento único ou isolado na avaliação dos riscos, 12 / 14
  • 13. porque há possibilidade de não ser completamente verdadeira, face ao fato de quecontribui para o seu insucesso a falta de informação ou o comprometimento daspessoas com o empreendimento. Não se deve deixar de considerar o emprego das técnicas de gestão de riscos,assim como não se deve deixar de ouvir a opinião dos sujeitos que irão serprejudicados com um acidente ambiental que envolva o empreendimento, comotambém deixar de levar em consideração os aspectos éticos de todo o processo. Todosos processos encontram-se inter-relacionados. A sociedade como um todo não podedeixar de lado a premissa básica de que a semente de hoje será a arvore de amanhã.O empreendimento de hoje poderá ser o algoz da população amanhã. Deve-se ter omáximo cuidado nas avaliações técnicas bem como no respeito à opinião das pessoasenvolvidas.V. Bibliografia: 1. American Society of Insurance Management Study of the Risk Manager and ASIM - New York Woodward and Fondiller Inc, 1969. 2. Baglini, N.A. “Risk Management in American Multinational and International Corporations - New York Risk Studies Foundation - 1976. 3. C. Arthur Williams,Jr. & Richard M. Heins - Risk Management and Insurance - McGraw-Hill Book Company - 1976. 4. Carlos Machado de Freitas, A contribuição dos estudos de percepção de riscos na avaliação e no Gestão de Riscos relacionados aos resíduos perigosos, artigo contido no livro Resíduos Sólidos, Ambiente e Saúde. 5. Fayol, H. General and Industrial Management - New York Pitman Publishing Corporation - 1949. 6. Greene, Mark R. & Seirbein, Oscar N. - Risk Management - Text and Cases - Reston Publishing Comp. Inc. 7. Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management Concepts and Applications” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1974. 8. Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management in the Business Enterprise” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1963. 9. Navarro, Antonio Fernando - A evolução da Gerência de Riscos - Revista FUNENSEG nº 53 – 1990 10. Navarro, Antonio Fernando - A evolução da Gerência de Riscos - Revista FUNENSEG nº 53 - 1990 11. Navarro, Antonio Fernando - A gerência de riscos aplicada a riscos industriais - Revista FUNENSEG nº 40 - 1988 12. Navarro, Antonio Fernando - A gerência de riscos aplicada a riscos industriais - Revista FUNENSEG nº 40 – 1988 13. Navarro, Antonio Fernando – A importância de dados estatísticos na Segurança Industrial - Boletim Informativo FENASEG - Ano XV - nº 739 - 1983 14. Navarro, Antonio Fernando - Gerência de Riscos - Prevendo o Imprevisível - Revista de Seguros nº 759- 1985 15. Navarro, Antonio Fernando - Gestão de Riscos Industriais - registrado na Biblioteca Nacional sob nº 123.087/1996 16. Navarro, Antonio Fernando - Os efeitos da poluição - Revista de Seguros nº 762 - 1985 17. Navarro, Antonio Fernando – Os riscos da industrialização – Jornal Gazeta Mercantil – Caderno Paraná – 25/09/98 18. Navarro, Antonio Fernando – Pobre rio Iguaçu – Jornal Gazeta Mercantil – Caderno Paraná – Ano II – nº 592 13 / 14
  • 14. 19. Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 61 – 199220. Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte II - Revista FUNENSEG nº 64 – 199221. Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte III - Revista FUNENSEG nº 66 – 199322. Pelizzoli, M.L., Correntes da Ética Ambiental, Editora Vozes, 200323. Risk Management - A Reader Study - New York ASIM - 1973. 14 / 14

×