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um         Ganho um      relógio barato       do meu irmão      SABE, quando você tem doze anos, você espera que sua vida ...
Minha vida “mais ou menos” começou a mudar naquela noite de terça-feira.O dia seguinte ia ser o ultimo dia de aula na A.P....
Comecei a pensar quantos anos meu pai tinha. Eu sempre o imaginava comominha mãe o descrevia, bem parecido comigo (cabelos...
comprimento que resultava em cerca de um metro e largura de vinte e cinco cm. Aponta era sombria. Tinha forma de um bico d...
– Concentre-se, defenda-se. Você é capaz de se defender.       Ele veio me atacar, tentei me concentrar e consegui. Por um...
– Estava esquecendo de uma coisa – ele disse rapidamente com intenção clarade me interromper – esse escudo, seja lá como v...
Dois   Uso uma espada       mágica        DEPOIS DA noite estranha, acho que meu dia não podia ser mais anormal.E eu estav...
O bicho veio para cima de mim, me lembrei do que Marte dissera ontemsobre me concentrar e desviar. Fiz isso, desviei para ...
– Cuida do mundo.       Ah, meu pai cuida do mundo, que legal! Vou levar ele na escola no dia daprofissão. Que idiota, com...
Ia ser muito legal, mas deixar minha mãe sozinha não era bom. Ela não gostade ficar sozinha e estava me propondo para ir. ...
– Eu, Marte, deus da guerra dou minha benção a Erick Griffin, em suaconsciência. Eu Marte divido parte de meu poder com es...
Três            Viro biscoito               canino        O QUE EU mais gosto na minha cidade é o transito. Sempre engarra...
– Mas como Marte pode ter esse poder de proteger o bairro?       – É seu pai. Ele era diferente de todos, Erick. Ele era s...
armadura de guerra escura com detalhes de fogo por toda ela, segurava em sua mãouma espada comprida com uma caveira grande...
– Ele não fugirá, enquanto sua mãe estiver presa ele vai permanecer conosco.       Um frio se apossou de mim, e tive a sen...
Fizemos que não com a cabeça e ele resmungou algo sobre jovens chatos quenão conhecem nada.       – Vou parar de explicar ...
– Os jovens sabiam – Quíron continuou – que o que encontraram tinha osmaiores poderes do mundo. Eles decidiram então que o...
por que lutar aqui. Mas ela também não estava completamente bem. Parecia umaaura espectral presa, estava adormecida em um ...
Quatro Apanho para uma    garotinha         EU ESTAVA abalado e não parecia o único, acho que todos viram o queeu vi desta...
Coloquei ele no pulso sem Aron e a garota ver e depois os segui até a mesa com osescudos e espadas.       – Mostrem – diss...
Ele saiu saltitando em seus cascos imundos floresta afora nos deixandosozinhos. Selina me encarava com o canto do olho enq...
– Muito bom! – ele exclamou – Acho que vocês dois tem chance desobreviver.        – Chance? – eu disse enquanto tirava a e...
– Ah, tudo bem, vamos ver se eu sei alguma coisa. Não sou muito inteligente,mas não custa tentar.       – Já sabe lutar? –...
– Ei – Bruno disse – vocês já se conhecem não é? – eu e Selina fizemos quenão com a cabeça – Serio, eu achei que se conhec...
CincoVencemos um jogo        SAÍMOS para o campo e todos estavam lá, o menino da nossa cabana veiocorrendo na nossa direçã...
– O que é? – Bruno perguntou – Qual é o premio?       – Surpresa, mas é um bom premio. Acreditem vale a pena ganhar. Eu nã...
– Não tem problema, quero um presente então... – ele deu de ombros – Voutentar defender a bandeira. Boa sorte e não morram...
– Estamos empatados, Erick pega a bandeira, se pegarmos ganhamos.       Ela atacou Bruno, os dois lutavam bem, mas acho qu...
Seis          Marte perde o           controle         O ASSUNTO assustou a todos, tiveram sussurros e alvoroços, algunsac...
devia se posicionar em uma mesa, sem trocas, mas é claro que houve trocas. Brunoveio para nossa mesa, alguns azuis para a ...
– Então Aron – eu disse – e o nosso presente?       – Ah claro – ele disse – eu estava me esquecendo. São cavalos.       –...
– Não comente isso para ninguém, ninguém deve saber. Você é a segundapessoa que sabe.       – Espera, você não mostra isso...
– Poseidon – o homem de cabelos brancos, que pelo que percebi liderava,disse – se não formos capazes de evitar uma rebeliã...
meia noite teremos a resposta se o juramento será feito ou não. Mais algum assuntoa tratar?       – Irmão, – Poseidon diss...
Sete       Ganho um belo        par de chifres        ESTAVA com a cabeça parecendo que ia explodir e sentia meu rostoquei...
– É, talvez seja você, pode ser qualquer um não é mesmo?        – Uau! – Pedro exclamou – Calma. Me expliquem primeiro, o ...
sanduiche e sucos de caixinha), colocamos a armadura e fomos até os estábulos,para onde Aron nos levou.       – Aqui, os p...
– Andou sonhando, não é? É importante que sonhe, muito importante, vocêtem que saber da verdade, tem que saber que tudo is...
Os poderes perdidos
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Uma história de um semideus como você nunca viu antes.

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Os poderes perdidos

  1. 1. 1
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  4. 4. um Ganho um relógio barato do meu irmão SABE, quando você tem doze anos, você espera que sua vida siga um ritmocomo ir à escola, sair com a família, jogar videogames, ler livros, jogar bola... essascoisas. Mas acredite, nem todo mundo vive assim. Meu nome é Erick, Erick Griffin. Sou de uma família normal e não muitorica do Rio Grande do Sul. Moro em Porto Alegre em um apartamento pequenocom minha mãe. Pai? Assunto complicado, minha mãe sempre diz que ele nosabandonou quando eu era pequeno o que me faz sentir muita, muita raiva dele.Tios? Avós? Amigos? Bem meus tios (por parte de mãe, nunca conheci os parentesdo meu pai, minha mãe disse que ele era filho único e que seus pais haviammorrido) não gostam de mim. Eu e minha mãe somos o lado pobre da família.Minha avó é legal comigo (a única) e com minha mãe, ela está sempre querendoajudar, mas minha mãe nunca aceita, ela sempre diz que é melhor assim comovivemos. Como vivemos? Bem, levamos uma vida normal. Minha mãe trabalha em umapastelaria como garçonete, o salário não é bom, mas é o suficiente para nossustentar e pagar as contas da casa. Levamos a vida numa rotina. Levantamosjuntos, ela vai para o trabalho e eu para escola, chegando na escola eu estudo edepois almoço e então volto para casa. Enquanto minha mãe não chega eu dou umaarrumada na casa (o que não demora muito já que só tem quatro peças: meu quarto,quarto da minha mãe, banheiro e a cozinha e a sala são juntas) depois olho TV, ouleio um pouco os livros que ganho da vovó (livros de historias antigas, a maioriasobre mitos). 4
  5. 5. Minha vida “mais ou menos” começou a mudar naquela noite de terça-feira.O dia seguinte ia ser o ultimo dia de aula na A.P.P.A (quer dizer EscolaPreparatória Para Adolescentes), que eu chamo de A.P.P.D (Escola PreparatóriaPara Delinquentes), por que é só isso que você encontra lá. Estava lendo um livroque vovó me deu antes de dormir, o livro se chamava contos antigos e eu estava naparte de mitologia grega. Nessa parte explicava um pouco sobre os deuses quedominavam o Olimpo e tal. Já tinha decorado isso, mas continuava lendo porqueachava interessante. – Erick – minha mãe me disse entrando no meu quarto. Seus cabelos loirosescuros na altura do ombro um pouco emaranhados, olhos azuis, com sua camisetada pastelaria (compre o de frango e ganhe o de carne, escrito ao centro e compasteis por toda ela), calça jeans e de chinelo de dedos. – Está na hora de ir dormir.Amanhã temos um longo dia em. O que eu mais gostava em minha mãe é que mesmo com as coisas indo mal,ela nunca desanimava, sempre com um sorriso no rosto e me animando. Esse mêsela teve dificuldade com as contas da casa, então eu fui fazer um “bico” nomercadinho da esquina. O dono é legal, conhece a gente, então às vezes quandoprecisamos, ele me deixa ficar de empacotador e me dá uns trocados. Não é muitacoisa, mas já ajuda. – Não estou com sono mãe. – Deite, você vai ver, vai ficar com sono logo. Não contrariei. Escovei os dentes, abracei minha mãe e fui dormir. Demoreium pouco para pegar no sono, mas quando dormi tive um sonho estranho. Estava de pé em uma sala com muitas armaduras antigas (gregas ou romanas,tem figuras assim nos livros da vovó), espadas, escudos de diferentes tamanhos.Alguns escudos eram quadrados de madeira com desenhos de águias, espadascruzadas e fogo. Outros eram redondos de bronze ou couro com desenhosabstratos. No fim da sala estava um homem sentado em uma cadeira. Cabelos curtos,como os de um militar, pretos, olhos castanhos claros, pele clara, e uma leve barbamal aparada. Usava roupas semelhantes às de acampar, uma camiseta preta, calçajeans e botas. Ele sorria com o canto da boca para mim. – Olá irmão? Como vai? – ele perguntou. Apenas depois que ele falou quepercebi a lança enorme em suas mãos. Sua voz era um tanto rouca e suave – Desculpe, acho que você se enganou, eu sou filho único. Depois que eu disse isso fui perceber o quão estúpido e ignorante isso soava. – Até onde eu sei – me corrigi, afinal meu pai não me mandou noticias, masacho que aquele cara tinha idade para ser meu pai, aparentava ter seus o que? Vintee sete, vinte e oito anos? Teria que ter sido pai bem cedo, admito. Ele riu, seus dentes eram brancos como a neve e seu sorriso tranquilizador. – Você tem mais irmãos do que pensa. – Serio? Tipo, quantos? – Não sei ao certo, mas mais de cinco. Seu pai tem muitos filhos. 5
  6. 6. Comecei a pensar quantos anos meu pai tinha. Eu sempre o imaginava comominha mãe o descrevia, bem parecido comigo (cabelos loiros, olhos azuis cor docéu lá com seus vinte e sete anos quando me abandonou, mas pelo jeito havia algumengano nessa historia...) – Eu sou Erick. – disse estendendo a mão para o homem, ele apertourespondendo: – Me chamo Marte. Sabe por que eu te trouxe aqui Erick? Estava tão ocupado pensando na idade de meu pai que não havia percebidoque estava longe de casa sozinho com um cara esquisito. Por mais que eu quisesse,eu não conseguia sentir medo dele. – Não. Por que me trouxe aqui? – Você vai encarar muitos desafios criança. Você tem um futuro nebuloso ecom muitos perigos. Seu futuro porem é importante, muito importante, para sersincero, queria que um de meus filhos ocupasse seu lugar. Fala serio, o cara estava pirado. Futuro nebuloso, futuro importante (filhos?caramba era tio e nem sabia). – Como é que é? – Você enfrentará muitos monstros garoto. E temo que a força do nosso painão sege o suficiente para te proteger até os dezesseis anos. – O que quer dizer, eu vou morrer? – Espero que não herói, você é importante. Você ainda não sabe do que écapaz. Enfim, eu te trouxe aqui para te ensinar a lutar. – Ensinar a lutar? Ele assentiu. – Você precisará de toda a ajuda que conseguir, pois seus inimigos são muitopoderosos. Venha, pegue uma espada, vamos treinar um pouco. Ele saiu e eu o acompanhei. Ele me deu uma espada, pesada para burro, edepois procurava o escudo certo em meio a vários na mesa. Ela analisava cada umcuidadosamente, como se estivesse procurando o perfeito na grande mesa no meioda sala. Ele pegou um escudo na mão. Era redondo de bronze e liso, apenas comum grande Alfa circulado no meio. – Um presente – ele anunciou – as imagens de suas aventuras ficarãogravadas conforme elas forem acontecendo. – Minhas... aventuras? – Sim, você vivenciará muitas. E precisará estar pronto para elas, por isso vimtreinar você. – Como posso confiar em você? – Vai ter que confiar maninho. Se não tiver minha ajuda, dificilmente vaiconseguir outro deu... outra pessoa para te ajudar. – Quando... hã, vai começar minhas aventuras? – Temo que esta semana rapaz. Ele se virou para mim e pude ver sua lança com clareza. Sua lança era feita decouro no cabo e tinha uma faixa vermelha enrolada em espiral por todo o 6
  7. 7. comprimento que resultava em cerca de um metro e largura de vinte e cinco cm. Aponta era sombria. Tinha forma de um bico de um de foguete porem um tantoafiada. Ali, perto da ponta, havia o desenho de um javali de olhos vermelhos. De repente sua lança começou a se transformar até virar uma espada parecidacom a minha. Ele me atacou, e eu levei um corte no braço. Ele sorriu. – Viu porque precisa de minha ajuda? – Escute – eu disse tocando o ferimento – eu queria saber mais sobre o nossopai. O sorriso desapareceu de seu rosto. Ele ficou com a expressão fria e seria. Eleacariciou a lamina da espada e desviou o olhar para o chão. Ele pareceu pensar umpouco sobre assunto. – Vamos fazer um acordo, se você colaborar e se sair bem hoje, eu te contoalguma coisa sobre nosso pai, tudo bem? – Está bem, mas, se eu sobreviver a você, posso saber tudo sobre ele? – Ainda é cedo garoto, cedo demais, mas te concederei uma pergunta. Fiquei pensando em qual pergunta eu faria. Quem ele é? Não, muitoestranho, e ele podia me responder comé uma pessoa. Onde ele mora? Não iriavisitar ele mesmo. O que ele faz? É... podia ser, eu nunca soube nada sobre aprofissão do meu pai. – Pronto para começar? – ele disse com a espada em mãos. Os aspectos eramidênticos aos da lança só que menores (o desenho do javali continuava na lamina daespada, o cabo de couro, e a faixa vermelha enrolada no cabo) – Temos muitotrabalho. Eu assenti. Ele veio para cima de mim, eu desviei (para o lado errado) e eleme acertou no ombro direito. – Você precisa olhar alem do que vê em uma luta. – Como assim? – estava espantado, eu estava com dois cortes, mas eles sequerdoíam. Eles não sangravam, não ardiam, era como se eu não estivesse ferido. Olheipara meu braço e dei um pulo para traz, pois o machucado estava cicatrizando, sóhavia um leve resquício do ferimento que já estava sumindo. – Eu não... memachuquei. – Você não se machuca a menos que eu queira. Mas como eu dizia, você temque ver alem da luta. Você nasceu com um dom para lutar, mas não é o suficientesem treinamento. Você já se sentiu como se às vezes não conseguisse ficar paradoalguma vez? Ou como se tudo estivesse passando mais devagar e você não estivesseno mesmo ritmo que todos? Eu assenti. Senti isso muitas vezes. Parecia que tudo era devagar e que isso meangustiava, o tempo não se alterava, mas eu parecia a mil por hora. – Então, esses são seus instintos. Você tem isso por que é um modo de semanter vivo em uma guerra. Se você conseguir usar esse seu “poder” você podelutar melhor. Tente. – Como faço isso? 7
  8. 8. – Concentre-se, defenda-se. Você é capaz de se defender. Ele veio me atacar, tentei me concentrar e consegui. Por uma fração desegundo eu consegui ver o seu próximo movimento. Quero dizer, não verclaramente, mas o seu movimento para a direita. Coloquei o escudo na frente, eletrocou de lado e eu bloqueei novamente e o golpeei tão rapidamente em seu braçoque ele não pôde desviar. O mais estranho é que minha espada sequer o feriu. Foicomo se eu batesse com ferro em ferro. Me afastei de olhos arregalados e boquiaberto. Ele parecia normal (tirando ofato de ser completamente misterioso, vim me visitar do nada dizendo que é meuirmão e saber lutar como um profissional falando das minhas aventuras futuras)não de ferro. – Eu não machuco você e você não me machuca, justo? Assenti, mas anda assim achei estranho. – Tudo bem, mas – tentei procurar a palavra certa – você é de ferro? – Fico vulnerável quando quero. Vamos continuar o treinamento irmão,daqui a pouco você vai acordar e... Caramba, me distraí tanto com os assuntos, lutas e tal que nem percebi queestava sonhando. Agora tudo fazia sentido, um louco que lutava, falava coisas semsentido, de certo eu estava misturando com os livros que li antes de dormir. – Isso é real ou é um sonho? – perguntei – Você está sonhando, mas é real. – Ah, claro – murmurei – ótimo, entendi tudo agora. Ele atacou de novo, mais rápido desta vez, mas me concentrei e desvieinovamente, e o ataquei, ele desviou facilmente dizendo: – Não está com a espada certa garoto, quando estiver vai ser melhor. Ele continuou me ensinando táticas de guerra por horas, como ondeposicionar o escudo no inicio da luta, ataques novos, como desarmar oponentes, ospontos em que se deve golpear quando estiver lutando para desmaiar, paralisarinstantaneamente e até matar. *** Ele se sentou, não parecia cansado ao contrario de mim que estavaencharcado de suor, exausto, com as pernas bambas, as mãos tremulas, e a cabeçagirando. Ele me mostrou outra cadeira ao seu lado e eu sentei largando o escudo e aespada no chão e me avançando na garrafa da água que ele me deu. Houve uns minutos de silencio enquanto apreciava o campo e as armas eolhava minha perna arranhada que ainda não havia cicatrizado. – Então, – eu disse enfim – como me saí? – Para um primeiro dia bem, muito bem. Vou treina-lo todas as noites queeu puder. Aquilo não foi uma pergunta, mas respondi assim mesmo. – Por mim tudo bem, até que foi legal. Bem, já que você disse que eu fuibem... 8
  9. 9. – Estava esquecendo de uma coisa – ele disse rapidamente com intenção clarade me interromper – esse escudo, seja lá como você vai chama-lo, ele é seu. – Meu? Mas tipo, como eu vou andar pela casa ou pela rua com um negociodeste tamanho? – Deseje, deseje que ele encolha. – Como assim? Ele vai encolher? – Erick me diga, você tem relógio? – Não, mas... – Gostaria de ter? Um modelo barato não muito chamativo. – É... ta – Então, pegue o escudo – eu obedeci – Você está vendo este símbolo nocentro dele? Assenti – O Alfa? A primeira letra do alfabeto grego. – Sim, muito bem, encoste sua mão nela e imagine um relógio, simples. Fiz o que ele me falou, imaginei um relógio normal que vi na vitrine de umaloja não devia custar mais de vinte reais e o escudo magicamente se transformounele. Fiquei surpreso, mas não muito (afinal era sonho mesmo). – E como faço para ele virar escudo de novo? – Coloque os dedos sobre os botões de Alfa e deseje que ele vire. – Simples assim? – Simples assim. Que horas são? – Seis horas da manhã. – Está na minha hora irmão. Tchau Erick, nos veremos amanhã à noite emseus sonhos. Vê se dorme cedo para podermos ter mais tempo. – Tchau Marte. – Treine e ganhe a guerra! Um trovão rugiu nos céus, um raio caiu perto de nós, a imagem de Martedesapareceu de vez e eu acordei assustado na minha cama. Foi um sonho, pensei,então olhei minha perna e ela ainda estava cicatrizando. Quase caí da cama, o ferimento ia se fechando lentamente até cicatrizar porcompleto. Foi um sonho, comecei a repetir para mim mesmo tentando meconvencer. Olhei minha mão, nela estava um relógio barato igual ao que vi nosonho. Não, isso não foi sonho, foi real. 9
  10. 10. Dois Uso uma espada mágica DEPOIS DA noite estranha, acho que meu dia não podia ser mais anormal.E eu estava certo. Fui para aula e foi tudo normal, nada de estranho (a mesmagalera apanhando no recreio, os mesmos valentões batendo e os mesmos professoresfingindo que não veem nada). Meu dia, então, foi completamente normal tirando pela noite. Fui ler oslivros da vovó um pouco, mas fui dormir cedo, queria ver Marte de novo eperguntar sobre meu pai. Não demorou muito para que eu dormisse, pois andeicom sono o dia inteiro porque me cansei em meu sonho anterior. Estava no mesmolugar de sempre, o campo, as armaduras, tudo menos o Marte. – Oi Marte – eu chamei procurando por ele – você está aí? Sou eu Erick. Silencio, não havia ninguém. Comecei a sentir uma presença atrás de mim,apertei os botões do meu relógio e quis que ele se transformasse e ele setransformou em Alfa ligeiramente em minha mão (sim, estava tentando achar umnome para o escudo e acho que Alfa foi o melhor que pude pensar). Virei para trása tempo de bloquear o ataque de alguém, primeiro achei que era Marte, depois vique não. O cara era super estranho. Tinha uns dois metros de altura e usava umsobretudo preto, coturno, luvas, óculos escuros, chapéu e tinha a pele marrommadeira. Em suas mãos estava um porrete de espinhos. Corri desesperadamente pelo campo procurando uma espada e peguei aprimeira que encontrei, esta era mais pesada ainda que a peguei na noite anteriormas não podia me dar o luxo de escolher. Estava escuro exceto pela luz da lua e poralgumas lâmpadas que haviam no local. As “prateleiras” com armaduras faziamcirculo me deixando sem escolha a não ser lutar, que para mim era sinônimo demorrer. 10
  11. 11. O bicho veio para cima de mim, me lembrei do que Marte dissera ontemsobre me concentrar e desviar. Fiz isso, desviei para o lado e desferi um golpecontra seu calcanhar e dele começou a sair fumaça. Eu posso feri-lo e ele pode meferir, que ótimo! Ele me deu um tapa e eu caí. Ele levantou o porrete e eu pude verexatamente para onde tinha que sair. Rolei para o lado e levantei a tempo de cortarseu braço estranho do punho ao cotovelo de onde começou a sair mais fumaças quese dissipavam logo a cima, de modo que não formava uma “nuvem” como se fosseuma fogueira. Ele urrou de dor, acho, e tentou me acertar. Eu desviei de novo como se jásoubesse lutar a anos, me sentia bem, me sentia como se tivesse sido feito para lutaraté levar um soco na barriga e cair de cara no chão. Deixei minha espada cairquando apanhei e o “esquisito” a chutou para longe me deixando apenas com Alfa.Foi aí que o momento mais esquisito da noite aconteceu, estiquei a mão para aespada desejando que ela viesse para a minha mão e ela veio. Não havia tempo parapensar em como fiz aquilo, apenas corri em direção ao oponente e o feri no peito,desviei de seu golpe, passei por baixo do seu braço e feri suas costas. Ele estavasentado no chão com uma das mãos no peito e a outra tentando pegar o porrete. – Melhor não – eu disse confiante com a espada em seu pescoço. Esperavaque ele fosse me bater enquanto eu fazia cena, mas ele apenas ficou me olhando erosnando. Do fundo do campo, atrás de uma prateleira saiu um homem batendopalmas. Marte. – Isso foi incrível irmão! Eu achei que ia ter que me meter, mandar ele pararou coisa do tipo, mas pelo que vejo você aprendeu rápido! Isso é ótimo! Nuncatinha visto ninguém alem de mim derrotar um ogro da caverna com tanta facilidade. – Ogro o que? – É um ogro que eu criei em uma caverna para treinar. Esse aí é filhote, masos maiores são bem mais fortes, embora acho que não sege problema para você. – Ah, obrigado Marte. – eu disse enquanto transformava Alfa de volta em umrelógio e largava a espada na prateleira de onde tirei – Eu, bem – começou a me darum mal estar – eu vou sentar um pouco. Sentei em uma cadeira próximo a Marte e tomei um pouco de água. – Não se preocupe Erick – ele disse ainda orgulhoso – é assim mesmo, atéseu corpo se acostumar. – A levar socos na barriga? – Não, a lutar usando os poderes. – Ah, aquela espada é... mágica? – Não irmão. Você é, você pode fazer isso. Você herdou os poderes dopapai. – Que poderes? – Harg maninho, sabendo lutar desse jeito como ensinei, quem precisa depoderes?! – Sobre o nosso pai, o que ele faz? 11
  12. 12. – Cuida do mundo. Ah, meu pai cuida do mundo, que legal! Vou levar ele na escola no dia daprofissão. Que idiota, como ele ia cuidar do mundo? – Você vai conhecê-lo quando chegar a hora certa. Só ele pode te dizerquando é. Vamos treinar? – Vamos, mas como eu faço aquilo com a espada? Ele tentou me explicar dizendo que era só eu querer, mas disse que meucorpo não estava preparado ainda e muitas coisas sem sentido que não conseguientender. Eu e ele lutamos um pouco e depois a imagem dele começou a tremeluzir. – Está na minha hora irmão. Você começará a colocar a prova seutreinamento daqui a alguns dias. Eu não entendia bem o que ele queria dizer com colocar o treinamento aprova, mas acho que deve ser mais um ogro da caverna ou coisa assim que ele vaime dar para treinar. *** Sexta feira chegou, eu todos os dias treinando a noite com Marte eaprendendo coisas de guerra. Na noite passada ele me ensinou aonde deve atingirum ogro adulto para desarma-lo (é na parte de baixo de seu punho, porque láficavam as correntes e a pele estava machucada), ensinou táticas como se sua espadafor menor que a do oponente tente sempre ficar mais perto, essas coisas. Era noite, minha mãe e eu estávamos jantando (pastéis que ela ganha dapastelaria quando sobra no dia). Eu comentei com ela que estava com sono e logoiria dormir. Ela estava me achando estranho nos últimos dias. Eu não gostava de irdormir cedo, mas andava indo cada dia mais cedo pra cama. – É que eu ando cansado – eu disse – e gosto de dormir. – Você está de férias Erick, não precisa ir se não quiser. Não tem mais aula,pode dormir até que hora que quiser. – Eu sei, mas estou realmente com sono. Fiquei tentado a contar tudo a ela. Sempre contei tudo para minha mãe, masaquilo era loucura e a deixaria preocupada então achei melhor mentir, dizer que eracansaço mesmo. Ultimamente à tarde eu andava brincando com Alfa e uma espátulada minha mãe (a espátula era a espada) refazendo os golpes que Marte me ensinara. – Vamos conversar um pouco – ela disse – Eu estava pensando, podíamos irna sua avó este final de semana, o que você acha? Eu adoro ir na minha avó, quando ela vai para o sitio é mais legal ainda.Gosto de brincar com os animais, andar a cavalo, e lá eu podia brincar com meuprimo David a vontade sem o pai dele se implicar. Nossa ia ser tão legal, ia podermostrar ao David o Alfa, os golpes, a gente podia brincar de corrida com cavalos,jogar juntos... – Eu ia adorar, ela está no sitio? – Está, o David está junto com ela. Eu andei pensando se você não querpassar a semana lá com eles. 12
  13. 13. Ia ser muito legal, mas deixar minha mãe sozinha não era bom. Ela não gostade ficar sozinha e estava me propondo para ir. Fiquei pensando um pouco. – Mas e você? Vai ficar sozinha? – Sou grande Erick, sei me cuidar. – Não tem problema então, se eu quiser ficar lá? – Não. Prepare suas malas, vamos amanhã pela manhã. Fui para meu quarto preparar as malas, ia ser super legal, minha vó, eu eDavid, ela sempre dava livros para nós dois. Nunca entendi porque só pra a gente,no natal os outros ganhavam roupas, brinquedos, nós dois sempre ganhamos livrose jogos como mytomania e outros do tipo. Alfa ficou em meu braço, afinal precisava dele a noite para treinar com Marte.Coloquei meus assessórios de toalete, roupas de banho (no sitio da minha vó tempiscina, embora eu não goste muito de água. Quase sempre quase me afogo ou coisaassim). Coloquei uns livros que vovó me deu para ler na viagem ou coisa assim. Deitei, querendo dormir o mais rápido possível para falar com Marte. Dormie apareci no mesmo lugar de sempre, ele me esperava com um sorriso no rosto. – Pronto para mais um dia de treinamento? – Sim, acho que sim. E aí vamos aprender o que hoje? – Primeiro uma pergunta, Erick. Se eu me rebelasse e lutasse contra você.Vamos dizer, eu seria poderoso, poderia te reduzir a pó se quisesse, o que vocêfaria? Não entendi o motivo da pergunta. Ele estava pensando em se rebelar? Ele iame reduzir a pó? Dei de ombros. – Eu te enfrentaria. – seria a única opção já que correr eu não poderia cogitarse não ia virar pó instantaneamente. Ele riu como se aquilo o animasse. – Ótimo, você é corajoso e ousado e é isso que mais gosto em você irmão.Vamos lá. Treinamos táticas de guerra e lutamos um contra o outro algumas vezes. Umadelas eu ganhei, então ele disse que ia aumentar o nível de dificuldade e eu perdi asoutras duas seguidas. – Você tem um gênero forte. – ele disse enquanto bebíamos água – É umgrande líder, difícil de dobrar e autoritário. – E isso é bom? – Oh céus, Erick, claro que é! Você é um líder nato, espero ver vocêliderando exércitos um dia. Bem, tenho que ir – ele parou como se sentisse umpressentimento ruim – na ida, quando você estiver indo para a sua vó, ele vai... elevai te achar. A imagem tremeluzia, eu não o enxergava direito. – O que? Do que você está falando? – Aceite a minha benção. Aceite e você lutará melhor. Aceita? Fiquei confuso, por um momento não sabia o que responder. Quer dizer eunão sabia de nada, nada fazia sentido, mas senti que tinha que ser rápido e resolviaceitar. 13
  14. 14. – Eu, Marte, deus da guerra dou minha benção a Erick Griffin, em suaconsciência. Eu Marte divido parte de meu poder com esse mortal. Que a guerraviva em Griffin como vive em mim! – ele gritou e desapareceu Um trovão rugiu nos céus, um raio deve ter caído perto de mim, mas nemsenti. Eu estava me sentindo ótimo. Por um momento pude ver uma fraca luzdourada entrando em mim. Comecei a me sentir forte, como se sentisse que a lutaestava em mim. Olhei para meu punho. Lá estava uma marca que eu nunca tive. Uma marcade duas espadas cruzadas na parte de baixo do meu punho estava lá, como se eutivesse feito uma tatuagem. Acordei em minha cama. Sentei e olhei as horas eram cinco horas da manhã.Marte foi mais cedo hoje. Olhei meu punho, a marca estava lá. Resolvi levantar. Oque mais me intrigava era a frase que ele disse: “na ida, quando você estiver indopara a sua vó, ele vai... ele vai te achar”. Conferi minha mala, estava tudo lá. ConferiAlfa, em meu pulso. Conferi as horas: seis horas, minha mãe levantou, entramos nocarro e saímos. Comecei a pensar no que ia acontecer. Ele vai te achar, quem? Quem serápoderia estar interessado em mim assim. Só sei que isso não parecia nada bom. 14
  15. 15. Três Viro biscoito canino O QUE EU mais gosto na minha cidade é o transito. Sempre engarrafado,ou com acidentes, ou com greves e coisas do tipo. Eu estava nervoso afinal alguémia me achar nesse caminho hoje, e ainda tentava assimilar aquilo que aconteceu nanoite passada com Marte. Tenho que parar de pensar nisso, isso só me deixa pior. Comecei então a brincar com Alfa. Olhar os botões, e trocar ele de formaescondido da minha mãe. Comecei a ficar com frio, estava só com a camiseta pretada escola, calça jeans e tênis porque era verão e no sitio geralmente é mais quente doque na cidade. Revirei a mochila procurando um casaco mas não achei, talvez eutivesse esquecido de colocar roupas de inverno. – Seu irmão andou te visitando, não foi? – minha mãe indagou como setivesse certeza disso. Fiquei sem palavras, ela não sabia dele, eu acho. Quer dizer, ela conhecia odeus da guerra (como Marte se intitulou naquela noite). – Eu imaginei que ele viria ver você um dia. Mas isso me deixa com medoErick. Ele sempre te protegeu e disse que ia ajudar, mas estamos bem. – Você conhece Marte? Vi o rosto de minha mãe pelo espelho retrovisor do carro e a expressão erade quem é Marte?. Ela pensou um pouco, talvez lembrando da historia, oulembrando do nome, não sei. – Marte... – sua voz falhou – Ele sempre te protegeu Erick. Você sabeporque tem uma vida tranquila? Eu lembro quando você comentou sobre aquelesenhor de um olho só que te seguiu até parada quando vinha da escola... – Um ciclope – eu interrompi – ... Ele poderia ter seguido você para dentro do bairro, ou invadido nossacasa, mas ele não pode porque Marte nos protege. Ele não deixa que os mausentrem para dentro de nosso bairro para proteger você. – Por isso não visitamos muito a vovó? Porque é arriscado sair. – Sim, exatamente. 15
  16. 16. – Mas como Marte pode ter esse poder de proteger o bairro? – É seu pai. Ele era diferente de todos, Erick. Ele era simpático, formal, eleparecia... poderoso. – minha mãe virou-se ligeiramente para mim e sorriu – Ele eracomo você... Eu olhei para frente e tinha um cachorro na frente do carro, o cão era enormee negro. Seus olhos eram vermelho sangue e ele tinha... três cabeças? Sim. – Mãe! – eu gritei. Ela freou o carro o máximo que pôde, mas o carro bateu no cão. A estradaestava deserta, só o nosso carro e o cachorro estranho. Ele vai te achar, Martedissera. Será que ele estava falando desses cachorros monstros? Desci do carro olhando Alfa em meu punho. O cachorro estava bem, mas ocarro estava amassado na frente. O cachorro de três cabeças é de ferro! Ele olhoupara mim e rosnou, voltei correndo para dentro do carro. – Aqui dentro somos alvos fáceis filho – minha mãe disse. – temos quecorrer! Já estávamos perto de uma floresta, perto do sitio da vovó. Olhei pela janela.O cão começou a crescer até ficar com uns quatro metros de altura. Joguei minhamochila nas costas, minha mãe e eu saímos correndo na hora certa, demos doispassos e o Cérbero pegou parte do nosso carro com a boca. Nos enfiamos no meio das arvores, quis que Marte tivesse me dado umaespada também, assim seria mais fácil de enfrentar um cão gigante de três cabeças.Comecei a seguir uma trilha que dava perto do sitio da minha vó, esperando que ocão não nos achasse. – Erick, temos que chegar no sitio da sua avó, lá é seguro, temos... Uma sombra abaixo dos meus pés me fez olhar para cima, um pedaço donosso carro (grande o suficiente para matar a mim e a minha mãe) estava vindo nanossa direção por cima de nossas cabeças. Gritei para minha mãe se abaixar e elaabaixou, o carro passou por cima da gente e caiu em frente a nossos pés. Corremospara a direita, mas o Cérbero estava na nossa frente. Ativei Alfa e minha mãe ficousurpresa. O cão deu uma patada no meu escudo fazendo três arranhões que logosumiram. – Aí do meio – eu gritei – a da direita te chamou de feia. Por um momento eu acho que as duas cabeças iam brigar, mas a da esquerdapuxou a orelha delas e trouxe-as para a realidade. Uma delas me jogou paracima, enquanto eu caía pude ver outra pegando minha mãe pela blusa. Encostei emAlfa, caí no chão e desmaiei. Geralmente eu não tenho pesadelos, coisa que começou a mudar depoisdaquele dia... Eu estava em um lugar escuro, rodeado de fogo escuro. Era um belolugar, admito. Feito de mármore preto no chão com desenhos de morte (é, essesdesenhos não eram bonitos) e de tortura que acho melhor eu não descrever, asparedes pareciam ser feitas da mesma coisa mas pareciam se mexer conforme ovento frio escoava na sala. Quatro estatuas de um homem, um homem de cabeloscurtos e escuros com barba até um pouco abaixo do queixo, ele usava uma 16
  17. 17. armadura de guerra escura com detalhes de fogo por toda ela, segurava em sua mãouma espada comprida com uma caveira grande no cabo, e em sua outra mão umelmo. O elmo era diferente, não era um elmo comum como os que vi nos treinoscom Marte, ele era como uma coroa, só que preto, e parecia mais poderoso do queum simples elmo, mesmo sendo estatua. Ouvi vozes e resolvi segui-las, passei por uma porta e dei direto a uma sala detrono. Um trono alto, muito alto como se alguém de uns três metros de alturasentasse ali estava no fundo da sala. Um homem igual a estatua estava de pé. Usavauma túnica vermelho sangue (o mais bizarro é que parecia sangue mesmo, a roupameio que se mexia involuntariamente), sandálias, tinha a pele pálida, era meiomagro, cabelos pretos curtos e ondulados, barba escura até pouco abaixo do queixoe os olhos que expressavam medo e terror, não que ele estivesse com medo, mas queme deixou com medo e terror. Seus olhos eram negros (todo negro, sem partebranca) como as sombras, não consegui olhar nos olhos dele por muito tempo,aquilo me torturava. – Você sabe o que está me pedindo? – o homem gritou para a outra pessoa.A outra pessoa era baixa, porte atlético, de um jovem talvez, usava uma capa preta eum capuz e estava de costas para mim então não pude ver seu rosto. – Já tentamosisso muitas vezes e fracassamos... – Eu sei pai, mas dessa vez tenho uma coisa que não tínhamos antes – disse aoutra pessoa. A voz mudava o tom varias vezes me impedindo de identificar ououvir claramente. – Uma nova peça no jogo. A pessoa se moveu até a mesa. Havia uma mesa no centro da sala, uma mesade concreto alta com umas peças no centro. Eram estatuetas de deuses gregos,monstros e pessoas. O estranho colocou uma nova peça na mesa, uma estatueta malfeita de um menino com um raio na mão. – Acha que o filho de Zeus pode nos ajudar? – indagou o homem – Acha queele vai concordar em nos ajudar? – Se ele não souber para quem estiver lutando, não vai questionar. E temosseu motivo para continuar, pegamos a mãe dele, ele vai lutar. – Talvez tenha razão, talvez ele colabore conosco. Não é fácil encontrar ummestiço treinado por um deus por aí. Quanto ao elmo, tenho que pensar... – Pai, – o garoto insistiu – eu tenho que ir, tenho que estar de espião econfrontar os guardiões, mas sem o elmo fica difícil escapar. O homem bufou, ele pareceu me perceber na sala, encarou o lugar onde euestava. Não me mexi, talvez fosse pior se me mexesse. E mesmo que eu quisesseparecia que ele tinha me petrificado. – Vou empresta-lo a você, mas terei que omitir a legião, sabe como eles sãoignorantes. Terei que agilizar dessa vez, os deuses estão desconfiando, temo quePoseidon tenha desconfiado depois da ultima vez que seu filho escapou do forte. –ele fitou o filho(a) com raiva e terror – Você não pode deixar que o filho de Zeusescape, se ele chegar ao Olimpo, isso vai ser terrível! Eles podem anular ojuramento! 17
  18. 18. – Ele não fugirá, enquanto sua mãe estiver presa ele vai permanecer conosco. Um frio se apossou de mim, e tive a sensação de que “o garoto” de quemfalavam era eu. – Você deve ir, leve o elmo e tome cuidado, espero que tenhamos êxito destavez. – o homem disse e a outra pessoa desapareceu em sombras. Trimmmmmmmmmmmmmmm. Um sinal, como um sinal de escola tocou eeu acordei, estava deitado em uma sala escura e pequena. Dois beliches haviam nela,eu estava na parte de cima do da direita com uma dor de cabeça horrível. Por ummomento pensei que acordaria na escola, talvez eu estivesse dormindo na aula etudo fosse um pesadelo, mas infelizmente não estava. No beliche ao lado, na cama de baixo estava um garoto, de uns treze,quatorze anos talvez. Cabelo curto e castanho claro cortados em forma decogumelo, olhos verdes amarelados, vestia um casaco azul por cima de uma blusabranca, calça jeans e parecia estar tão perdido quanto eu. – Sabe onde estamos – eu e ele falamos juntos em uníssono – não. –respondemos juntos de novo. Uma pessoa levantou, estava abaixo de mim no mesmo beliche. Uma garotaque devia ter entre doze e treze anos de cabelos castanhos claros ondulados, olhosverdes, pele clara. Usava uma blusa rosa, calça jeans e tênis e estava com cara dequem se perdeu. – Vocês dois sabem...? – ela começou a perguntar – Não, nenhum de nós sabe que lugar é esse. – respondi Alguém bateu na porta, na verdade era mais como se estivesse esmurrando aporta. A pessoa nem esperou nós abrirmos e já foi entrando com cara de raiva pura.Um cara moreno e forte com uma barbicha e cabelos curtos militares, pretos. Eleestava com uma couraça e segurava um pedaço de madeira como se quisesse nosespancar. A sua parte de baixo porem era meio perturbadora, em sua cinturacomeçava a ter pelos e seus pés eram de... bode. Pernas peludas e cascos sujos delama. – Uou! – eu disse, e vi na expressão dele que perdi um bom momento de ficarcalado. – O que foi? Nunca viu um fauno antes? – ele rosnou – Para ser sincero não. Olhei para os outros, eles estavam tão assustados, surpresos e espantadosquanto eu. – Novatos! – ele resmungou – Sempre incrédulos e céticos! – ele respiroufundo, tomando fôlego como se dissesse tenho que se gentil, então vou meapresentar – Eu sou Aron, o treinador histórico, o que treinou grandes heróis... – Esse aí não é Quíron? – a menina disse – Não, menininha simpática – o fauno falou entre dentes – Quíron treinouos heróis mais famosos, mas eu treinei muitos também. Conhecem aquele garotoque matou um cão infernal? 18
  19. 19. Fizemos que não com a cabeça e ele resmungou algo sobre jovens chatos quenão conhecem nada. – Vou parar de explicar isso, vocês não vão entender – o entender soou maiscomo um conhecer – venham para fora, tenho que mostra-los porque estão aqui, oque tem que fazer e blá, blá, blá. Saímos do quarto minúsculo e lá nos esperava um campo. Um campo bonitocom flores, arvores, um riacho correndo firme a direita. O dia estava lindo, o solbrilhava por trás das arvores, poucas nuvens no céu extremamente azul e um ventoagradável que passava pelo local aliviando o calor. Era um belo lugar, admito. Emcircunstancias diferentes eu teria adorado fazer um piquenique ali, ou brincar commeu primo, mas agora estava realmente preocupado com o que havia acontecidocom minha mãe, ou onde eu estava e o que teria que fazer. Comecei a notar outras pessoas, a maioria crianças, saindo de outros quartos,que vistos de fora eram cabanas pequenas. Havia duas fileiras delas, mas apenasquatro estavam inteiras, as outras estavam destruídas. O Aron nos levou até ocentro do campo e se virou para um outro cara. Esse outro cara tinha cabelosmarrons na altura do ombro , barba comprida e a parte de baixo era de cavalo.Achei que estava ficando louco. Sátiros e centauros, estava maluco, mas só acheiisso porque não sabia o que estava por vir. – Bem, crianças, – começou Aron – vocês agora são prisioneiros. – todos nóscomeçamos a murmurar – É, isso aí, prisioneiros, vão fazer o que eu mandar, nãotem saída, não tem escolha e não tem reclamação. Agora vocês vão trabalhar... – Calma Aron – disse o centauro se aproximando. Sua voz era muito suave etranquila – ele está nervoso, estamos aqui a muito tempo. Vocês serão treinadospara... ajudar eu e Aron a pegar uma coisa. Aron largou o pedaço de pau e pegou uma flauta resmungando, comosempre. Quíron se posicionou no meio do circulo formado pelos jovens que saíramdessas cabanas. Deviam ser umas quinze pessoas fora Aron e Quíron. A musica queAron tocava na flauta era calma e me deixou com sono, lutei para ficar de pé. – Uma vez – Quíron começou – três irmãos passeavam em uma praia escura.– sua voz calma começou a me tontear, e eu comecei a ver... ver o que ele contava –Eles tiveram uma infância difícil e haviam fugido de casa naquela noite. Vi três jovens andando em uma praia escura. Não podia ver seus rostosclaramente. Era como uma escadinha, um mais alto, outro mais ou menos e outromais baixo. Eles andavam um ao lado do outro, o mais alto parecia maispreocupado, mas o menor que dava as ordens. – Eles estavam dividindo as coisas quando acharam algo mágico – Quíroncontinuou, sua voz estava mais baixa dentro da historia, mas ainda sim conseguiaouvir – eles acharam algo que mudariam suas vidas. Um dos meninos (o do meio) pegou uma caixa no chão, ele a abriu e dentrohavia quatro cristais brilhantes em forma de losango. Um era azul marinho e estavano canto, o outro era marrom madeira, o outro era vermelho alaranjado e o ultimoera azul claro da cor dos céus mas pude notar relâmpagos dentro dele. 19
  20. 20. – Os jovens sabiam – Quíron continuou – que o que encontraram tinha osmaiores poderes do mundo. Eles decidiram então que o mais velho ficaria com ofogo, o do meio com as águas e o mais novo com o céu. Cada um pegou um, como Quíron citou, mas o marrom ainda estava lá enenhum deles se apossou. Minhas pernas estavam tremulas, a cabeça ainda doía e osono aumentava por causa da musica que estava cada vez mais alta e clara na minhamente. Claro, já havia lido muitas vezes sobre a musica hipnotizadora dosfaunos/sátiros. – A terra sobrou, eles eram três e o quarto elemento sobrou. Eles decidiramentão dividir o poder do ultimo. A terra estava em parte para os três. Eles erampoderosos, mas precisavam proteger os cristais, os poderes eram cobiçados, elesprecisavam de seres fortes o suficientes para proteger os cristais daquele que comintenções impuras que desejasse aquele poder. Cada um deles convocou umguardião para proteger seu poder, e é por isso que vocês estão aqui. Saí do transe que eu havia entrado, ainda com sono, as pernas moles, a cabeçadoendo, quase desmaiei, mas me apoiei em um menino que estava ao meu lado.Olhei em volta, não foram todos que sofreram igual a mim, na verdade acho que sóeu, a garota do beliche e mais um que ficamos abalados (embora eu tenha sido oúnico que perdeu o equilibre), não sei se os outros tinham visto o que eu vi, mas seique isso foi cansativo. Todos começaram a reclamar sobre o assunto. – Você quer que a gente proteja esses poderes? – um reclamou – Por que a gente terá que fazer isso? – indagou o outro – Nós... – a menina do beliche disse, sua falhou, ela tomou fôlego econtinuou – nós teremos que busca-los não é? Fez-se silencio, todos a olhavam e pensavam. Se existissem esses poderescomo a historia relatou, fazia sentido que alguém quisesse pegá-lo, mas não faziasentido porque essa pessoa raptou crianças. E ainda sim, como a menina do belichepodia saber disso? – Sim – Aron disse ainda com a flauta na mão – vocês estão aqui porque ochefe quer os cristais. Ele deseja os poderes e vocês talvez possam pegá-los. – Por que ele mesmo não pega? – o meu companheiro de quarto falou – Por que ele não pode – disse Quíron, com calma – a lenda diz que aquelede coração impuro não pode pegar o poder. Por isso temos vocês. – E por que faríamos isso? – um outro menino perguntou Me lembrei do sonho que tive, a minha mãe estava presa, talvez não só aminha, talvez a de todos que estavam ali. Esse era o motivo, eles iam nos fazer pegaros poderes em troca de nossas famílias. – Nossas famílias – eu e a garota do beliche murmuramos juntos. Nós nos olhamos, por um momento tive a sensação que ela também haviatido sonhos sobre o assunto. Fiquei feliz por não ser o único anormal e esquisito domundo. Aron preparou a flauta e eu vi minha mãe, ela estava meio transparente o queme causou uma dor no peito. Ela não podia estar morta, se estivesse eu não teria 20
  21. 21. por que lutar aqui. Mas ela também não estava completamente bem. Parecia umaaura espectral presa, estava adormecida em um lugar escuro cujo eu não pudeidentificar, mas se parecia muito com o lugar dos meus sonhos. 21
  22. 22. Quatro Apanho para uma garotinha EU ESTAVA abalado e não parecia o único, acho que todos viram o queeu vi desta vez. Estávamos todos espantados e pálidos e nós não sabíamos o quedizer até Quíron começar. – Eu estou aqui a muito tempo, treino jovens e mais jovens para a capturados poderes e sempre tenho que fazer isso de novo... – Sabem por que? – interrompeu Aron – Porque todos eles morrem! Elesnunca voltam vivos! E vocês não vão ter um destino diferente, adolescentes fracos! – E o que acontece com a família de quem morreu? – eu perguntei – Morrem junto! – disse Aron impaciente como se isso fosse obvio – Eu nãoaguento mais treinar crianças! – Aron, acalme-se. – disse Quíron Eles já estão aí? Ah sim, vejo que estão. Disse uma voz na minha cabeça, umavoz conhecida... a voz do homem do meu sonho, o que conversava com ofilho. Vocês serão classificados em equipes conforme a cabana em que estavam, asda direita são um e dois, as da esquerda três e quatro. Falta alguma coisa? Ah sim,Aron cuida da um e dois e Quíron da três e quatro. Que maravilha ia ter queaguentar Aron. Minha cabana era a dois então ia ter que aguenta-lo. Quíron fez um sinal para nos dividirmos e vi que não era só eu que tinhaouvido isso, todo mundo tinha escutado. Nos separamos, cada qual para o ladocorrespondente do instrutor. Que comece o treinamento. Vocês vão sair amanhã, vão trazer o cristal daterra a mim e veremos como vão se sair. Aron olhou para nós com desprezo, depoisdisse: – Alguém ai sabe lutar? Eu e a menina do beliche (preciso aprender o nome dela, “menina dobeliche” fica estranho) levantamos a mão. – Sabem manusear uma espada? Assentimos e ele pareceu surpreso. Ele nos levou até um canto da florestaonde havia uns escudos e umas espadas. Na hora me lembrei de Alfa, olhei meupulso e estava sem relógio. Havia perdido ele talvez, ou tivessem me confiscado.Apalpei o bolso da calça e tinha um volume lá, peguei e era Alfa, ainda bem. 22
  23. 23. Coloquei ele no pulso sem Aron e a garota ver e depois os segui até a mesa com osescudos e espadas. – Mostrem – disse Aron. – O que? – eu perguntei, por um momento achei que ele estava falando deAlfa, mas como falou no plural... – Falaram que sabiam lutar, mostrem. Provem, lutem. – ele murmuroualguma coisa como crianças burras. Eu e ela trocamos olhares que diziam ele é louco. A menina se dirigiu até amesa com as espadas e notou uma diferente das outras. A espada era de aço ouprata não sei, era brilhosa, tinha alguma coisa escrita mas não consegui ler. Entreseu cabo e sua lamina tinha três laminas pequenas, ao final da terceira um desenhode uma águia se formava (a primeira e a segunda eram as asas e a terceira formava acauda). Seu cabo era de couro com tiras de prata e na ponta do cabo havia doisraios desenhados como pequenas estatuetas. – Se eu fosse você não tentaria essa aí menina. – Aron advertiu – Muitos játentaram e todos sempre se decepcionaram. – Como assim? – ela perguntou – Tente levantá-la e verá. Ninguém conseguiu em cinco anos... – Você está aqui a cinco anos? – indaguei surpreso. Quando Quíron disseque estavam ali a muito tempo, achei que era uns dois ou três meses mas não cincoanos. – Sim, e ninguém nunca conseguiu levantá-la ou usá-la. Acho que ela podeestar aqui a espera de alguém em especial. Tente, pode ser você. – ele dissedescrente Ela encostou na espada e recuou ligeiramente segurando a mão que haviatocado o objeto. – Me queimou! – Isso sempre acontece. – disse Aron decepcionado – Você menino, tentepegar. Me aproximei com cuidado e encostei na espada, nada me aconteceu.Levantei ela e era perfeita! Nem leve demais e nem pesada demais como as quetinha no acampamento do Marte. Senti como se ela se conectasse comigo, umacarga elétrica passou de mim para ela e vice e versa. – Você... conseguiu – ele soltou um rosnado meio parecido com um sorriso oque me deixou surpreso –Isso é um sinal. Bem, vamos lá, pegue uma espada e umescudo, garota. E você, rapaz, trate de arranjar um escudo. Ah, qual os nomes devocês? – Erick – Selina – Tudo bem, Erick e Selina. Arranjem armas, eu já volto. Vou chamarQuíron. 23
  24. 24. Ele saiu saltitando em seus cascos imundos floresta afora nos deixandosozinhos. Selina me encarava com o canto do olho enquanto olhava as espadas eparecia esconder alguma coisa. – Então – eu disse – nenhum desses escudos parecem bons, não acha? – Os escudos são bons, não gostei das espadas. – ela tirou uma corujinha deprata do bolso – Sei que você tem uma arma, vamos fazer um trato: não contosobre a sua e você não fala sobre a minha, ok? – Trato feito. Transformei Alfa e ela abriu a asa direita da corujinha que se transformou emuma espada de tamanho médio em suas mãos. A espada tinha uma coruja no cabo,na verdade era como se houvesse uma coruja espelhada e era um tanto aterrorizante.Devia ser feita da mesma coisa que a minha, talvez, aço ou prata quem sabe. – Titânio primordial – ela disse como se estivesse lendo minha mente – é aúnica lamina mortal para monstros, dizem que pode ferir até mesmo imortais. – Você já passou por isso antes? – Não exatamente, já lutei pela minha vida antes, Erick. Mas não temostempo para isso agora. Aron saiu da floresta com Quíron. Eles olharam e fizeram sinal paracomeçarmos a lutar. Selina havia dito que já havia lutado por sua vida antes, issonão soava como que ela ia ser um adversário fácil. Ela pegou um escudo da mesa eperguntou se eu estava pronto, assenti e ela me atacou. Com os poderes que recebi de Marte eu parecia saber tudo, onde ela iagolpear, como bloquear, tudo. Bloqueei seu golpe que teria me atingido no ombro econtrataquei no mesmo lugar. Ela defendeu, sorriu de modo travesso, me atacou eeu defendi de novo, mas não era isso que ela estava fazendo, enquanto defendi ogolpe ela me deu uma escudada na barriga e eu caí. Aron e Quíron observavam sempiscar a luta. Eu me levantei e ataquei, ela defendeu mas eu fui mais rápido desferindo umgolpe contra seu braço direito. Ela me chutou e depois me cortou o braço direitotambém. Começamos a lutar empatados, defendendo todos os golpes até que euconsegui desarma-la e coloquei a espada em seu pescoço. Achei que havia vencidoaté ela bater em minha espada com o escudo com tanta força que tirou-a de mim eme bateu com o escudo na cabeça. Ela se virou e correu atrás de sua espada e eu atrás da minha. Quando estavaalcançando a minha uma lamina passou de raspão em meu braço e prendeu minhablusa na arvore (ela havia jogado uma espada comum em meu braço). Selina veiocaminhando com sua espada em mãos e antes que eu pudesse levantar Alfa parabater ela colocou a espada em meu peito e segurou meu braço. – Você luta bem Erick, – ela disse – mas é impulsivo e previsível, se tivesseum plano ganharia com certeza. Aron veio batendo palmas com um enorme sorriso no rosto como se aquilotivesse salvado seu dia. 24
  25. 25. – Muito bom! – ele exclamou – Acho que vocês dois tem chance desobreviver. – Chance? – eu disse enquanto tirava a espada da blusa – Ah, obrigado,melhorou o dia. – O que vamos enfrentar? – Selina perguntou – Não tenho permissão para dizer, mas vocês dois são incríveis! Quemtreinou vocês? Nós dois fizemos silencio, ele pareceu notar algo estranho, então insistiu. – Quem treinou vocês? Falem. – Meu irmão – eu disse – Minha prima – respondeu Selina. – Vocês não precisam de treinamento. Estão prontos para a batalha, notreinamento a gente ensina muito menos do que vocês sabem. Vocês podem nosajudar a treinar, ou ajudar a encontrar os cristais ou guardiões. – Fico com a segunda opção – Selina disse – Prefiro a primeira – eu disse – Tudo bem, podem fazer cada um o que quiser. Ou podem fazer os dois asduas coisas. Ele nos conduziu até a salinha dos beliches e nos entregou papeis, um bolodeles, folhas antigas ou pergaminhos. Aron disse que devíamos organizar edescobrir os guardiões conforme aqueles papeis. Eu odiei, gosto de estar em açãonão de ficar parado. – Fogo, quem pode estar para o fogo? – eu disse – Um dragão talvez – Selina disse – Não há muitos animais, são só dragão,fênix... acho que é isso. – Olha aqui, tem uma coisa sobre... línguas de fogo, acho que é isso. – Deixa eu ver – ela disse pegando o papel – ta escrito, ilhas de fogo. Olhando de longe parecia que estava escrito em outra língua, as línguas defogo pareciam mais com Νησιά της φωτιάς. Pisquei e olhei de novo e as letrasestranhas ainda estavam lá. – Que língua é essa? – perguntei espantado – Isso é... latim? – Grego antigo, – ela respondeu – ilhas de fogo. Separa ali naquele canto oque tiver a ver com fogo. Alguém bateu na porta. Falamos para entrar e ele entrou. Um menino decabelos pretos, olhos negros, uma pinta na bochecha, devia ter seus quinze,dezesseis anos mas era de porte atlético. Usava armadura de couro e a espada nabainha. – Licença – ele disse entrando – é aqui que as pessoas descobrem sobre osguardiões? – Bem vindo ao clube. – eu disse – Estamos tentando desvendar o fogoprimeiro. – Na verdade não – Selina disse – estamos lendo os pergaminhos eorganizando qual é qual. Testamos o fogo por que as opções são poucas. 25
  26. 26. – Ah, tudo bem, vamos ver se eu sei alguma coisa. Não sou muito inteligente,mas não custa tentar. – Já sabe lutar? – eu perguntei a ele – Já, minha família é meio que “bem de vida” – ele fez aspas com os dedos –então eu fazia aulas de esgrima no tempo livre. Talvez por isso que raptaram, talvezqueiram resgate. E vocês, também são ricos? Eu e Selina fizemos que não com a cabeça. – Eu sou de uma família pobre do sul. Não tenho muito a oferecer – eu disse– o resgate seria baixo. – a não ser que minha avó pagasse, mas não quis entrar emdetalhes. – Eu não tenho muito dinheiro, nada a oferecer a eles. Afinal, nem sei o quequerem comigo. – Selina disse – Bom, temos que continuar, temos muito trabalho. – Tem razão – o rapaz disse – ah, ia me esquecendo, sou Bruno. – Erick – Selina Ele se sentou ao meu lado e começou a analisar os papeis. Ele fez uma caracomo se aquilo fosse fácil, muito fácil. – Aqui, os olhos de pedra, górgonas! – Selina exclamou como se fosse obvio,já havia lido essa muitas vezes mas não associei uma coisa com outra – Como nãovi isso antes, pedras, terra, claro! – Você é bem inteligente – Bruno disse a ela – para a sua idade, muitointeligente. Talvez por isso tenham escolhido você. Não achei aquilo nada de mais, afinal ela já tinha lutado pela vida, devia saberde algumas coisas. – Obrigada, ah, olhe aqui o repouso da... – ela pareceu ter dificuldade de ler– coruja? –É, coruja – eu confirmei – alguma floresta ou coisa assim? Tipo, é lá que ascorujas repousam não? – É – Bruno concordou – mas não deve ser tão assim. A gorgona não estavaescrito, tipo, gorgona. Quero dizer a coruja pode ter um sentido figurado, símbolo,código, marca... – Parthenon! – eu exclamei – A primeira coisa não é gorgona? A Medusa eAtena tiveram um desentendimento e... – me interrompi, Selina me encarava ecomecei a pensar que podia ter dito algo errado. – Você não é tão burro quanto eu pensava Erick. – ela disse – Tem razão, fazsentido. – Muito obrigado pela parte que me toca. – Ei, isso foi um elogio! – Ah claro, você é muito gentil. – Ah, fala menos e trabalha mais. – ela disse – Estou trabalhando se você não percebeu. – resmunguei – Não, eu não percebi 26
  27. 27. – Ei – Bruno disse – vocês já se conhecem não é? – eu e Selina fizemos quenão com a cabeça – Serio, eu achei que se conheciam, vocês parecem que seconhecem e que não são bons amigos... – Graças aos deuses eu não conheço ele – ela bufou – Ah, cala a boca. – Você é tão idiota. – Você é tão chata. – Insuportável – Ah, eu...? – Chega – disse Bruno calmamente pondo a mão no meu ombro – acalmem-se, não briguem. Temos a Medusa no Parthenon as ilhas de fogo, precisamos demais dois, os guardiões do ar e água. Começamos a trabalhar de novo. O motivo da briga era meio besta, mas dealgum modo estava com raiva como se a conhecesse e não gostasse. Alguma coisaassim. Aron abriu a porta com cara de decepção de novo. Ele nos encarou com carabrava e depois tentou aliviar a rispidez na face, mas não funcionou. – Venham, vamos começar um jogo. Um jogo comum no acampamento... –Aron se interrompeu como se aquela palavra o trouxesse lembranças ruins, ou boas– Ah, acharam alguma coisa? Nós assentimos. – Ah, ótimo, anotem e me entreguem a noite no jantar. – Aron – Bruno disse – Não tem como trocar de equipe? É que eu mefamiliarizei com eles e minha equipe não é tão... – Me desculpe garoto, mas não posso desfalcar uma equipe, essa equipe jáestá espetacular – ele encarou a mim e a Selina – se eu tirar você de sua equipetodos eles vão morrer! Eles não aguentarão sem um líder bom de espada ouinteligente, eles vão fracassar e morrer. Sinto muito amigo, mas não posso desfalcaruma equipe. – Então vamos salvar vidas – Selina disse se levantando – me troque deequipe, coloque-me em outra, me deixe trocar para as outras. – Não, trocar duas pessoas é demais, não posso fazer isso, ia dar muitabagunça. – Eu disse para me trocar, sou uma pessoa, como assim duas? – O que? Nem pensar, eu preciso de vocês dois trabalhando juntos – eleapontou para mim e eu me levantei – O que? Não vou trabalhar com ela. – Isso não é uma opção, é uma ordem! – Aron disse com autoridade – Se euseparar vocês dois não teremos chance, vocês precisam ficar juntos. Venham, vamosjogar a coroa de louros. 27
  28. 28. CincoVencemos um jogo SAÍMOS para o campo e todos estavam lá, o menino da nossa cabana veiocorrendo na nossa direção sorrindo com armadura de couro, arco e aljavapendurado nas costas. – Gente olha só, vocês tem que ver, eu sempre fui bom de mira mas nuncatinha usado um arco-e-flecha antes. Eu acertei todos, achei alguma coisa em que soubom de verdade. – Que bom cara – eu disse – hã, qual é o seu nome? – Pedro, você é Erick não é? E você Selina? – Sim, mas como sabe? – Selina perguntou – Ah o Aron falou de vocês, que vocês lutavam bem e que você era... comoele falou? Estratégica e lutava mais ou menos e o Erick era... um ótimo gladiadormas burro, sem ofensas cara, Aron que disse. – Olha, eu e Aron concordamos em alguma coisa. – Selina disse Pedro e Bruno tentaram não sorrir, mas riram igual. Estava pensando emalguma coisa boa para dizer, mas não achava nada, não era bom com palavras. – Eu sou o forte, bom gladiador – comecei – poderoso, consegui a espada evocê é inteligente e o que mesmo? Eles riram novamente, parecia aqueles colegas de escola que ficam falandobriga, briga, briga antes de uma discussão. Aquele argumento parecia ter me dado avitoria, mas ela sempre tinha uma resposta na ponta da língua. – Inteligente e experiente, mas não importa, foi o suficiente para te vencernão foi? Depois de dizer isso ela saiu. Bruno colocou a mão no meu ombro. – Um dia você consegue. – Depois saiu rindo. Pedro estava rindo ao meulado, ele me olhou, me estudou e depois disse: – Vocês se conhecem não é? Você e Selina. – Não, você é a segunda pessoa a me dizer isso. Conheci ela agora. – Para mim parece que vocês dois se conhecem e que não são amigos. – Silencio – Aron pediu, ou melhor, ordenou – Vamos jogar um jogocomum. Vocês tem que capturar a bandeira do inimigo e levar até a sua cabana.Quem conseguir mais bandeiras ganha um premio, não é uma coroa de louros, masé algo que vai ajudar vocês nas batalhas. 28
  29. 29. – O que é? – Bruno perguntou – Qual é o premio? – Surpresa, mas é um bom premio. Acreditem vale a pena ganhar. Eu não seiquem vai ganhar – ele encarou a mim, Pedro e Selina que estávamos juntos em umcanto – mas boa sorte a todos. Ah, uma coisa, vocês vão ser separados por cores, aum é azul, dois vermelho, três verde e quatro amarelo. Tem camisetas para vocês ali,coloquem vai ficar melhor de identificar os parceiros e os inimigos. Lembrem-se:cada cabana é uma equipe e as equipes devem ser unidas – ele deu uma ultimaencarada em nós e se virou para pegar as bandeiras – Aqui, cada uma com a corcorrespondente, peguem e escondam. Vão! Eu, Selina e Pedro colocamos as camisetas vermelhas, as armaduras de couro,pegamos as espadas (arcos), escudos (aljava) e a bandeira e fomos floresta adentrocomo as outras equipes fizeram. – Então sabe-tudo, – eu disse – qual o plano? – Pedro: vá para alto da arvore e deixe a bandeira aqui no chão. Tomadinha:fica aqui e cuida da nossa bandeira e eu vou pegar as outras bandeiras. – O que? – eu reclamei – Você acha que eu vou ficar aqui parado? – Eu sei onde estão as outras bandeiras, Tomadinha! – Ah é? Como você sabe onde elas estão? Não entendi a reação dela, ela encostou em uma arvore e segurou minha mão.Tive uma visão como aquelas que tive quando Aron tocava a flauta, só que maislenta e com cor amarela por causa do sol. Vi Bruno correndo com a bandeira verdeno meio da mata e colocando ela no centro de um riacho, ele deu ordens para seusamigos protegerem ela. Selina soltou minha mão e quase desmaiei. Não estavaacostumado com isso e como ela conseguia fazer isso? Pedro me segurou e aencarou com cara de o que você fez com ele? – Como você... – eu disse tomando fôlego e tentando me endireitar, tenteificar de pé mas ia cair de novo se ela não tivesse me segurado – faz isso? – O que as arvores veem, viram, escutam ou escutaram eu consigo saber. – Por que? – Ai, uma longa historia. Você se acostuma com o tempo, eu ficava assim noinicio mas agora já acostumei. Só não sei como achar o rio. O vento soprando na minha direção, comecei a melhorar instantaneamente eme situei completamente. Sabia para onde era o rio, as cabanas, os campos deflores.... – O rio é ali, para o leste – eu disse – não sei como sei, mas só sei que sei Depois de dizer isso vi que era muito idiota, mas era tarde demais. – Você tem certeza? – ela perguntou, o que me surpreendeu pois achei queela ia zombar da quantidade de sei que eu disse – Sim, eu tenho certeza. Não sei porque mas eu sei que é para lá. Ela olhou para Pedro, ele sorriu e assentiu. – Tudo bem Pedro? – ela perguntou – Não tem problema se formos nósdois? 29
  30. 30. – Não tem problema, quero um presente então... – ele deu de ombros – Voutentar defender a bandeira. Boa sorte e não morram. – Não vou dar esse gostinho para ela – eu disse e eles riram. Deu um barulho de um berrante e a gente soube que era para começar. Eu eSelina resolvemos ir atrás da bandeira do time três, já que foi a que vimos antes enão sabíamos se teríamos tempo para ter outra visão. Eu a levei até o rio, ela bolouuma coisa de ela distrair o guarda enquanto eu pegava a bandeira que funcionou.Levamos a bandeira verde até a nossa cabana com facilidade e Selina teve uma ideiaque era melhor do que eu achava. – Ei Tomadinha, eu tive ideia. – ela disse – Vou te mostrar mais umabandeira, você vai atrás enquanto eu fico aqui e tomo a de quem passar, está bem? – Ah, ta, eu acho que consigo achar mais uma. Ela encostou em outra arvore e segurou minha mão novamente. Vi umaspessoas tentando pegar a nossa bandeira, mas Pedro se saiu muito bem. Ele atiravaflechas nos braços das pessoas prendendo-as nas arvores e protegendo a bandeira.Depois a visão mudou e vi uma bandeira azul pendurada em uma arvore grande queeu sabia que ficava ao centro da floresta. Selina tirou a mão da arvore e me segurou.Quase desmaiei umas duas vezes enquanto ela me segurava e reclamava que eu erapesado com armadura. Depois que me recuperei fui atrás da bandeira na arvore. Estava fácil para falar a verdade, nenhuma pessoa guardando a bandeiraapenas um oponente. Um garoto alto de uns dezesseis anos, seu rosto estavaencoberto por um elmo, sua camiseta verde por baixo da armadura de couro, calçajeans e botas. – E aí Erick, infelizmente teremos que nos enfrentar. Era Bruno, ele saiu correndo e eu também até a arvore. Ele começou a escalare eu também, ele estava na frente até eu puxar seu pé e ele quase cair, então eupeguei a bandeira. Pulei da arvore e rolei pro lado a tempo de não ser atingido porBruno que pulou atrás de mim. Corri desesperadamente com ele atrás em direção ascabanas, quando estava passando por uma poça de lama Bruno pulou em cima demim e eu caí na lama. Ele desembainhou a espada. Era uma espada semelhante a deesgrima, cabo redondo e ponta fina, mas mesmo assim não parecia nem um poucoagradável ser atingido por uma daquelas em qualquer parte do corpo que seja. Eleveio pra cima de mim, eu estava sem escudo porque segurava na mão direita aespada e na esquerda a bandeira. – Ei, não pode deixar essa passar? – eu disse enquanto defendia seu golpecom minha espada. – Desculpe Erick, mas quero esse presente. Ele lutava muito bem, diria que era profissional. Consegui defender muitosdos seus golpes mas levei um corte na bochecha. Corri de novo e estava vendo aminha cabana quando fui atingido por um escudo voador nas costas. – Foi mal Erick – ele disse pegando a bandeira – não leve para o lado pessoal. Ele se virou e a bandeira voou longe. Selina estava com duas espadas nasmãos, idênticas. 30
  31. 31. – Estamos empatados, Erick pega a bandeira, se pegarmos ganhamos. Ela atacou Bruno, os dois lutavam bem, mas acho que Selina perdia essa, iaser legal assistir, mas não tinha tempo. Me levantei e fui em direção a bandeira masestava longe, Bruno empurrou Selina e correu na direção do objeto que definiria aequipe vencedora. Estiquei a mão e a bandeira veio até mim, corri em direção acabana, mas lá me esperavam alguns guerreiros amarelos e verdes. Todos vieram para cima de mim, não tinha como proteger a bandeira detodos eles, nem como abrir caminho. Alguém atrás de mim gritou joga pra cá e eujoguei, Selina vinha correndo empurrando a maioria das pessoas. Ela pegou abandeira e o foco da metade das pessoas foram nela. Eu lutava contra a outrametade que ainda me atormentava. – Pega – Selina gritou e agarrei a bandeira ainda no ar. Estávamos a uns dois metros da entrada da nossa cabana, ficávamos jogandoa bandeira de um para o outro para despistar os outros quando a coisa apertava elutávamos em sinfonia como se lutássemos juntos a anos. Talvez estivesseentendendo o que Aron queria dizer que não podia nos separar, eu sabia quando elaia precisar de ajuda, quando me abaixar para ela golpear alguém que tentava mebater pelas costas. Eu estava com a bandeira a uns trinta centímetros da entrada dacabana, a trinta centímetros da vitoria, quando alguém me derrubou, era um dosazuis, a pessoa estava pegando a bandeira quando uma flecha passou de raspão nobraço dela e ela soltou a espada. Pedro havia chegado sujo de lama e estava com oarco em mãos. Passei a bandeira para Selina, mas Bruno ficou entre ela e a porta. Ela meolhou com o canto do olho e murmurou desculpe. De primeira não entendi, até elame puxar e me empurrar por cima Bruno, ele caiu, mas eu consegui ficar de pétempo suficiente para ser puxado para dentro da cabana. Os outros guerreirosfizeram cara de raiva, decepção, frustração, menos Bruno. Ele sorria para nós, eu eSelina atirados no chão da cabana, ela com a bandeira nas mãos. – Me deixem passar. – Aron dizia – Olha, o que temos aqui? Uma equipevencedora? Quantas bandeiras? – Duas – eu disse – verde e azul. Me levantei e estendi a mão para Selina levantar. Ela levantou comdificuldade e então percebi um grande corte em seu braço direito. O pior é queestava roxo na volta. – O que houve com seu braço? – eu perguntei – Não sei. Está doendo. Alguém me acertou pelas costas quando estávamosperto de ganhar, senti isso. – Deixa eu ver – Quíron disse se aproximando – espada envenenada, alguémaqui está com espada envenenada. É proibido usar veneno na espada aqui, quemusou errou o corte, ninguém usa espada envenenada para acertar o braço de alguém.Quem usou estava em busca de morte. 31
  32. 32. Seis Marte perde o controle O ASSUNTO assustou a todos, tiveram sussurros e alvoroços, algunsacharam que era eu quando estávamos perto da porta ou entrando. Quíron trouxealgumas plantas medicinais e colocou no braço dela, a ferida ainda estava bemexposta e “feia”. Estava escurecendo, Pedro e eu estávamos na cabana esperando ainspeção. Aron ia passar de cabana em cabana a procura da espada envenenadaenquanto Selina ficava em uma sala ao oeste que eles disseram que era uma alahospitalar. – Nossa – Pedro disse quebrando o silencio – alguém aqui quer matar aSelina, por que será? – Eu não sei, ela é chatinha, mas não chega a esse ponto de matar. Bom,podemos descartar eu, você e Bruno. – Eu não gosto dele. – Por que? – Ah, não sei dizer. Ele é meio exibido e não me parece boa gente. Ele queriatomar meu lugar na equipe – Como sabe? – Ele me falou. Quero dizer não com essas palavras, ele disse eu queria ficarna sua equipe – Pedro disse imitando a voz de Bruno de um jeito engraçado que mefez rir – eles são legais, brigam bastante mas são legais. – Ele me pareceu um cara legal. Acho que ele pode ser nosso amigo, nossoaliado. – É, talvez sege implicância minha mesmo. – Com licença – Aron disse abrindo a porta – vou pegar as espadas e flechasde vocês e levar para analisar. É hora do jantar venham, vou levar vocês. Ele nos conduziu até um tipo de templo. O lugar estava meio destruído, masainda dava para ficar debaixo dele. Devia ter sido um lugar bonito, piso brilhoso,paredes bem arquitetadas (as que sobraram) e colunas bem elaboradas. Havia umasquatro mesas ali, o suficiente para nós, cada uma com comidas diferentes. Tinha carne, refrigerante, arroz, feijão, batata, alface... estava no paraíso poisestava com muita fome. Peguei um prato e me servi, provavelmente uma serra decomida mas já que estava com fome e a pessoa que me prendia estava com a minhamãe, acho que falir o cara não era uma má opção. Foi anunciado que cada cabana 32
  33. 33. devia se posicionar em uma mesa, sem trocas, mas é claro que houve trocas. Brunoveio para nossa mesa, alguns azuis para a amarela e assim foi... Pouco antes de eu começar a comer Selina veio com o braço enfaixado doombro ao cotovelo. Ela se serviu e sentou com a gente. – Como está? – eu perguntei – Ainda dói? – Não, Quíron é bom com plantas medicinais. E aí, perdi alguma coisa? – Não – Bruno respondeu – Quíron apenas recolheu as armas de todo omundo para analisar. Olha se isso não era apavorante o bastante agora ficou. – Se está para você, – Pedro disse – imagina para ela que foi o alvo. Selina pensou um pouco enquanto mexia na comida. Ela parecia pensar seme dizia algo ou não porque as vezes ela olhava com o canto do olho para mim. – Algum palpite – eu disse a Selina – sobre quem fez isso? – Não tem que ter palpite – Pedro disse – agora que eles vão olhar aslaminas vão descobrir na hora. – É mais complexo do que isso, – Selina disse me olhando com o canto doolho – a pessoa que fez isso é esperta, muito esperta, ela não faria nada assim tãofácil de descobrir e se descobrirem alguém logo aposto que é truque. A pessoa queestá fazendo isso é um traidor – ele olhou diretamente para mim – ele pode seesconder de nós. De alguma maneira ela tinha tido o mesmo sonho que eu e sabia que eu tive.Com esse comentário tudo começou a se encaixar, o traidor era o filho daquelehomem que estava comandando tudo, ele tinha um elmo que podia fazer ele ficarinvisível. Ele tinha o elmo da escuridão, a terceira arma mais poderosa da mitologiagrega, ele tinha o elmo de Hades. Eu ia dizer alguma coisa inteligente como não deve ser tão difícil achar umfilho de Hades por aí, mas Selina me lançou um olhar “cala a boca” e eu não faleinada. – O que foi? – Bruno disse – Vocês sabem de alguma coisa não é? – É – Pedro disse – vocês estão se olhando... estranho – É que... bem, nós – eu comecei, eles eram meus amigos eu devia contar aeles – Nós temos um palpite – Selina interrompeu – um azul, ele vem meobservando a um tempo e acho que possa ser ele. Ele estava atrás de nós dois naluta. Qualquer que sege a coisa que eu ia falar antes, tenho certeza que isso saiumais convincente. Não devia contar a eles sobre o sonho, isso eu entendi, mas nãosabia por que. Nós comemos em silencio. Ninguém falou mais nada sobre oassunto, Bruno e Pedro olhavam constantemente para mim e para Selina como setentassem descobrir o que escondíamos. Aron nos mandou ir dormir porqueamanhã teríamos que acordar muito cedo para buscar o cristal da terra. Eu e Selinaficamos na mesa por ultimo para falar com Aron, cobrar ele do presente que nosdevia. Pedro estava tão cansado que foi dormir, disse para a gente contar para eleamanhã. 33
  34. 34. – Então Aron – eu disse – e o nosso presente? – Ah claro – ele disse – eu estava me esquecendo. São cavalos. – Como cavalos vão ajudar contra a gorgona? – Selina disse – Eles vão virarpedras! – Ah sim, vocês erraram, quero dizer, ela se despediu dhsbfhs – ele arranjouuma enrolada no final – Não é gorgona amanhã é um outro monstro que não tenhopermissão para dizer. Agora vão dormir, amanhã terão muito trabalho. Obedecemos. Perto da porta da cabana Selina me segurou antes que euentrasse. – Preciso falar com você. – Ah ta, lá dentro você fala, to com frio. – Você não entendeu, é só com você. Fomos para perto de uma outra cabana, uma destruída, aos pedaços. – É sobre aquele assunto da espada envenenada. – ela disse – Eu sei tudo sobre isso, e porque Pedro não pode saber? – Alguém tentou te matar hoje, sabia? – Não diga! Quer a lista em ordem alfabética ou cronológica? – Ah cala a boca, eu estou falando serio! Quando eu levei a espadada nobraço foi quando estávamos a uns dois metros da entrada. Você estava com abandeira e eu vim atrás de você... foi aí que fui apunhalada. – E...? – Pelos céus Erick você é muito burro! Eu entrei na frente sem querer.Quíron falou que quem envenenou a espada estava atrás de morte. Alguém ia teapunhalar pelas costas! – E você me salvou sem querer? – Claro! – Quem pode ser? – Qualquer um, por isso não queria falar na frente do Pedro. Ele é legal masnão pode confiar em ninguém. – Tem razão, ainda mais que ele não estava lá na hora. Ele apareceu apenasdepois com o arco. Você sonhou também não é? Na noite passada, você viu o queeu vi não foi? – Acho que sim, eu vi um filho de Hades pedindo o elmo emprestado. Vocêviu isso também? Assenti. Por que será que só nós dois sonhamos? Por que os outros nãosonham também? Ela pegou meu braço e olhou a marca que Marte me deu. – Ah, por isso você é tão ignorante. – O que? – Tem a benção de Ares, por isso não nos damos bem. – Você tem a benção de quem? Ela esticou o braço para mim deixando a vista uma marca também. Umacoruja. A marca de Atena. – Ah, sabe-tudo. 34
  35. 35. – Não comente isso para ninguém, ninguém deve saber. Você é a segundapessoa que sabe. – Espera, você não mostra isso aí para ninguém, mas mostra para mim? – Eu não sei porque, mas confio em você cabeça de vento. Vamos dormir,amanhã o dia promete. Deitei sem sono. Não sei o que viria dessa vez, não sei se viria Marte ou otraidor, mas com certeza viria alguma coisa. Dormi em fim e apareci em lugardiferente. O lugar era magnífico. Feito de pedras brancas e colunas de mármore e, éclaro, o lugar era enorme. Havia doze tronos espalhados formando um U. Ostronos eram feito cada um de uma coisa. O primeiro da ponta da direita era feito deum metal acinzentado, tinha um desenho de um urso na ponta do encosto e davadireto para a lua. O próximo era feito de um metal avermelhado e brilhoso. Havia desenhos deguerra, uma lança sangrenta e um javali no encosto e nos braços do trono. O outroparecia ser feito da mesma coisa que o local (pedras brancas e mármore) com umacoruja no topo do encosto. O quarto era feito de um metal brilhoso, muito brilhoso e dourado, talvezfosse ouro, com um arco-e-flecha no topo do encosto. O quinto era feito de pedrascom videiras e uvas crescendo por ele. No topo havia um tigre e uma garrafa devinho. O sexto era feito de ouro, era o maior e o mais majestoso de todos. Tinhadesenhos de grifos, raios, e águias por todo ele. Em seu encosto (no topo) havia odesenho de uma águia envolvida por dois raios cruzados. O sétimo era majestosotambém, nem tanto quanto o sexto, mas era majestoso, feito de prata com umaromã no topo. O oitavo era feito de ferro e tinha umas ferramentas no topo. O nono tinhaum caduceu no topo. O décimo era feito de conchas marinhas e tinha um enormetridente no topo do encosto. O décimo primeiro era rosa e tinha uma pomba noencosto. O décimo segundo e ultimo era feito tipo de arvores e tinha no encosto umacevada. O local estava vazio, mas ficou assim por pouco tempo. Logo chegaram asdoze pessoas e sentaram cada um em seu trono. A maioria estava usando túnicas,mas havia uns que usavam armadura de guerra e um deles eu reconheci: era o Marte. – A grande reunião chegou! – anunciou o homem do trono majestoso comautoridade. Seus cabelos eram curtos e brancos e sua barba igual. Seus olhos eramazuis da cor do céu, usava uma túnica branca e sandálias – Teremos que decidir ofuturo do mundo. – Irmão, – o homem do trono de conchas disse. Usava uma armadura queparecia ter sido feita do mar, sandálias, cabelos castanhos e grisalhos e olhos azuisda cor da água – creio que somos capazes de evitar uma guerra. Apenas devemosnos manter atentos a qualquer rebelião e impedi-la. 35
  36. 36. – Poseidon – o homem de cabelos brancos, que pelo que percebi liderava,disse – se não formos capazes de evitar uma rebelião ou mesmo não percebê-la, asconsequências serão graves, muito graves. – Com sua permissão Zeus. – uma mulher disse. Sua aparência era de uns 24anos, cabelos castanhos avermelhados, usava armadura grega e levantava de seutrono como todos que falaram fizeram – Acredito que uma guerra deve ser evitada.O poder do senhor é muito cobiçado por todos. Levanto a questão aqui de umahipótese de um traidor entre nós, talvez um amante da guerra que queira promove-la. Marte levantou de seu trono com javalis e lanças tão rapidamente que chegueia me assustar. Por baixo do elmo pude ver seus olhos ardendo em chamas. – Como ousa me acusar de traição? – ele perguntou aos berros para a mulher – Acalme-se Ares! – Zeus rugiu – Eu não lhe acusei irmão, mas se a carapuça serviu... Marte pegou sua lança e foi enfurecido para cima da mulher, tiveram quesegurá-lo. Eu também fiquei com raiva dela, ela estava acusando meu irmão detraição! – Ares mantenha a calma! – Zeus rugiu novamente – Se perder o controlemais uma vez vou expulsá-lo da reunião. – ele se virou para a mulher que falavaantes – Atena, continue, qual a sua sugestão? – Um juramento. Sabemos que se a guerra acontecer será provocada por umdos três grandes... – As profecias nem sempre são claras – interrompeu Poseidon – A batalha épica por um dos três grandes será travada – Atena continuou –,parece bem claro para mim. – As palavras da profecia geralmente são mistérios – disse um homemlevantando. Seus cabelos castanhos arrepiados, olhos amarelados, dentes brancosque chagavam a brilhar. Usava roupas da atualidade: calças jeans, tênis e uma blusabranca escrito eu amo o Apolo em amarelo. Estava com arco e aljava nas costas;parecia um galã de filmes americanos. – Mas desta vez pareceu bem claro. Sabemosquem são os três grandes e suspeitamos de quem pode se rebelar. – Por isso sugiro que os três grandes façam um juramento – Atena continuou– um juramento que evite a guerra e a volta dos titãs. Sugiro que os irmãos sedesfaçam temporariamente de seus poderes até termos certeza que não há chancesde Olimpo ser destruído. – Protesto! – Poseidon gritou – Se os deuses se desfizerem de seus poderescomo vamos combater os inimigos em uma guerra? – Se vocês se desfizerem de seus poderes então não haverá guerra. – Você não pode decidir o futuro do Olimpo! Você não pode obrigar osdeuses a fazerem o que você quiser! – Poseidon estava descontrolado e gritava – Silencio! – Zeus berrou – Temos que considerar a proposta de Atena. – eladeu um sorriso maldoso para Poseidon e ele só olhava com raiva – Faremos umavotação, amanhã a meia noite todos tragam respostas sobre o assunto. Amanhã à 36
  37. 37. meia noite teremos a resposta se o juramento será feito ou não. Mais algum assuntoa tratar? – Irmão, – Poseidon disse – uma linha da profecia ainda me atormenta. Opríncipe mestiço é a decisão pelo Olimpo tomará, e o deus dos mares vaidestronar. Um de seus filhos irá me destronar, não podemos fazer nada para evitar?Como eliminar as crias semideusas. – Como você mesmo disse Poseidon, – Atena disse – o príncipe mestiço é oúnico que salvará. Não podemos exterminar nossas chances de sobreviver a umaguerra. – Atena tem razão, – Zeus concordou – se um de meus filhos pode nos salvarfuturamente não posso mata-lo. Não deixarei ele te destronar irmão. Mais algumassunto? Houve silencio, ninguém falou nada. Atena olhava com o canto do olho paraMarte e ele bufava de raiva enquanto tomava um calmante medeia (no vidro dizia:acalma até cães infernais famintos!). – Reunião encerrada. – anunciou Zeus – Hermes, leve a mensagem a Hadesda proposta de Atena, quero que ele venha votar aqui amanhã. A visão começou a enfraquecer e o sonho mudou. Apareci novamente naquelelugar escuro, na sala do trono. O homem e o traidor conversavam. O traidor usava amesma capa preta e estava de costas me impedindo novamente de ver seu rosto. – E então – o homem disse – acha que ele sabe de alguma coisa? – Acho que não, – a voz da pessoa estava equalizada – ele conseguiu levantara espada hoje. – Omega? – Sim. Estou próximo a ele, ele é um bom lutador. Vai nos ajudar a pegar oscristais e depois o matamos, assim conseguimos a confiança de Poseidon. – Claro, se Poseidon estiver do nosso lado teremos as chances dobradas.Quanto ao garoto, quanto antes conseguir mata-lo melhor. – Conto com a ajuda de Poseidon. No cristal da água ele pode nos ajudarfazendo seu monstro perseguir o garoto... – Senhor Hades – um espírito entrou pela porta. – O barqueiro anunciouque o senhor tem visita, seu irmão veio vê-lo. – Mande-o entrar. Vá filho e tome cuidado. – Não se preocupe pai. Ele nunca desconfiará de mim, o que me preocupasão seus amigos. Eles podem desconfiar de mim se já não desconfiam. – Livre-se deles, mate todos se for necessário, mas o menino não podesobreviver. A imagem se desfez em sombras e eu acordei com Selina me sacudindo ePedro de olhos arregalados ao meu lado. 37
  38. 38. Sete Ganho um belo par de chifres ESTAVA com a cabeça parecendo que ia explodir e sentia meu rostoqueimar. A visão tinha me atormentado. Estava próximo a mim, eu nunca iadesconfiar. Quando acordei a primeira pessoa que vi foi Selina, ela estava mesacudindo e gritando acorda e me deu um frio na barriga. Ela estava próxima amim, ganhando minha confiança e se não fosse o sonho nunca iria desconfiar dela. – Ah, graças aos deuses você acordou – ela disse me soltando. – Cara você nos assustou – Pedro disse, ele estava com expressão deassustado. – O que foi? – eu perguntei assustado – O que houve comigo? – Você começou a falar um monte de coisas – Pedro disse – em sei lá quelíngua. – Você começou a falar em grego antigo, a gritar na verdade. – Selinaexplicou – Depois eu tentei te acordar, estamos tentando te acordar há mais decinco minutos. – Ela te sacudia, eu te bati – isso explica meu rosto queimando –, mas vocênão acordava. Teve um pesadelo? – Mais ou menos – eu respondi, ainda pensava na possibilidade de Selina sertraidora o que me incomodava. Se ela fosse, talvez Aron também fosse, afinal elenão deixou a gente trocar de equipe. Mas porque Aron trairia? Ele queria serlibertado, sair dali; talvez ele não soubesse que Selina era traidora e achasse que elafosse uma pessoa de bem que podia me ajudar – na verdade foi um sonho revelador,acho que foi bom, me abriu os olhos. Eu a encarava e ela franziu as sobrancelhas. – Eu não acredito que você... – ela se interrompeu, Pedro a olhou – Eu o que? – ele disse Ela bufou. – Não é você, é o cabeça de vento. Ele está desconfiando de mim agora. – O que? Como você...? – eu comecei – Ah, fala serio! Você me encarou e disse: acho que me abriu os olhos. – eletentou me imitar de forma ridícula, fez voz de retardada! 38
  39. 39. – É, talvez seja você, pode ser qualquer um não é mesmo? – Uau! – Pedro exclamou – Calma. Me expliquem primeiro, o que estáacontecendo? – Sabemos que há um traidor. – eu disse – Eu tive uns sonhos que merevelaram algumas coisas... – Ah é? – Selina interrompeu – O que por exemplo? O que você alucinouque me viu como traidora? – Não é da sua conta – Claro que é! Você me acusa de traição sem provas e diz que não é da minhaconta! – Sei o suficiente para te acusar – Ta bom. – Pedro berrou – Os dois vão me explicar agora o que estáacontecendo. Erick, explica para nós o que você viu. Contei parte do sonho do mundo inferior para eles, omiti a parte que falavano irmão de Hades e a parte que falava nos amigos mortos e a confiança dePoseidon. – Espera aí – Selina começou – ta me dizendo que só porque você ouviu queo traidor está próximo a você sou eu? É isso? – Sim, eu não ia desconfiar de você se não tivesse sonhado, e foi isso que eledisse. – Como pode ter certeza que sou eu? – Como posso ter certeza de que não é você? – Se fosse eu você nunca ia desconfiar! – É um motivo convincente – Pedro disse ainda meio perdido – e Erick, sedesconfiar de alguém não o encare. – Não sei mais em quem confiar – eu disse triste. Não sabia com quemcontar, a única pessoa com quem eu podia falar era com Selina e Marte mas agorajá não sabia mais. – Pode ser qualquer um, pode ser você – eu apontei para Pedro –ou até mesmo você – apontei para Selina –, mas de qualquer forma, ainda são meusamigos. – Se você ficar junto do traidor – Selina disse mais calma – vai ser perigoso,mas se você se isolar vai ser pior ainda. – Eu tive uma ideia, você pode fazer aquelas coisas que você faz com asarvores e tentar ver se elas viram quem estava com a espada envenenada. – Como você faz aquilo? – Pedro perguntou a Selina – Eu não sei, – ela disse, mas me pareceu que ela sabia ou pelo menos tinhaum palpite – já tentei fazer isso Erick, a visão delas foram bloqueadas pelas pessoas,elas estavam na frente. Mas eu vi uma coisa que quero te mostrar... O sinal bateu, como um sino escolar. Aron bateu na nossa porta e mandounós irmos pegar as armaduras, espadas, escudos e tudo mais para lutar. Pegueiminha espada e consegui ler o nome escrito em grego na sua lamina: Omega. Fiqueicom Alfa em forma de relógio porque pesava menos. Tomamos café da manhã (um 39
  40. 40. sanduiche e sucos de caixinha), colocamos a armadura e fomos até os estábulos,para onde Aron nos levou. – Aqui, os presentes – ele apontou para três cavalos, dois brancos e ummalhado de branco com marrom. Eles eram lindos, pelos brilhosos, crina penteadae já estavam selados. O malhado deu três passos para frente na minha direção eabaixou a cabeça perto da minha mão. Eu o acariciei e ele se afastou novamente, asvezes a sua imagem ficava turva e eu não conseguia vê-lo claramente – Vejo que orebelde escolheu você. Bom dia parceiro, uma voz falou na minha cabeça e não era a voz do Hades,era uma voz mais fina e engraçada, tentei não demonstrar que a ouvi mas acho queera impossível. Aqui, sou eu, na sua frente, parceiro. Eu olhei para frente e só estavao cavalo malhado me olhando fixamente. É sou eu mesmo, nunca viu um cavalofalar não? – Para ser sincero não – murmurei – O que? – Selina perguntou – Ah, nada, eu estava falando, que lindo esse garanhão. Se o cavalo podia falar comigo pela mente, talvez eu também pudesse falarcom ele. Ei, ta me ouvindo cavalo? Claro, eu não sou surdo! Que maravilha, agoraeu estava falando com cavalos, estava ficando completamente louco. – Aí estão, – Aron disse – montem neles, e venham para cá para o campoprincipal, temos uma longa jornada pela frente crianças idiotas – ele não podiaterminar a frase sem um insulto. Eu montei no cavalo, ele tinha uma mancha marrom no focinho que envolviaseus olhos, seu pelo era brilhoso e ele estava limpo e escovado. Meus amigosfizeram a mesma coisa, Selina parecia nervosa. – O que foi? – eu perguntei a ela – Você tem medo de cavalos? – Não, é que – ela titubeou – bem, cavalos não gostam de mim, sabe, eles sãomeio que crias de Poseidon e eles... me perseguem de vez enquanto. – Porque Poseidon e Atena não se dão. – É, isso. Aí as vezes ele me segue. – Cadê o Pedro e o Aron? – Já saíram. Nós fomos atrás deles. O campo estava cheio de pessoas armadas comespadas, escudos, arcos, aljavas, facas, adagas e outras armas. Quíron estavaconduzindo todos e Aron me chamou em um canto. – Ei, garoto. Tome cuidado, a espada que você possui é muito valiosa, sóvocê pode pegá-la, mas não mostre ela para ninguém entendeu? – Por que? – Ela está aqui a muito tempo, a mais tempo que eu, e tem uma grandehistoria. Ela apareceu aqui em um relâmpago, o símbolo do senhor do Olimpo querdizer que só um descendente dele pode levanta-la. O traidor não pode descobrirque você a pegou. – Ele já sabe, ele sabe que estou aqui, ele está próximo a mim. 40
  41. 41. – Andou sonhando, não é? É importante que sonhe, muito importante, vocêtem que saber da verdade, tem que saber que tudo isso é uma farsa e que tudo issoé... – Aron – Pedro veio correndo – Quíron mandou te chamar, ele disse que nãotem mais tempo, se não vamos perder o sei lá o que. – Ah, claro, vamos Erick. Temos muito trabalho. Chegando no meio do campo tinha um grande circulo em espiral azulescuro. Eu olhei em volta e todos pareciam estar tão confusos quanto eu sobre oassunto. – Vocês estão diante de um portal. – anunciou Quíron – O cristal da terrafoi escondido em um lugar mágico que não tem como encontrar se não for por umportal. Vocês passarão por ele e sairão em terras mágicas. – Ele olhou o relógio emmeu braço e olhou as horas. – Temos cinco minutos. Vão, passem. Todos nós ficamos com medo mas acabamos passando pelo portal. Assimque passei saí em um deserto, um deserto quente e não havia ninguém lá alem denós. Quíron começou a nos guiar areia adentro e o seguimos, Pedro estava ao meulado e começamos a conversar. – Como era sua vida antes daqui? – eu perguntei a ele – Ah, normal. Vivia em uma casa mais ou menos em São Paulo, minha mãetrabalhava em uma empresa de eletrônicos. Eu e meu irmão estudávamos em umaescola que dava aula de manhã e de tarde, assim não ficávamos sozinhos. E você? – Normal também, eu e minha mãe moramos em um apartamento pequenono Rio Grande do Sul. Ela trabalha em uma pastelaria e eu estudava de manhã eficava sozinho em casa a tarde. Estão com sua mãe e seu irmão? – É, eles pegaram eles. Sabe Erick, eu fico com medo. A vida deles está emminhas mãos, mas e se... e se eu morrer? Eu nunca lutei bem nem nada do tipo, eunão tenho chances. Eu acho que vou ter que dar adeus a minha família. – Não fale assim. Eu também não sou lá essas coisas, tem que pensarpositivo, você não vai morrer. Nenhum de nós vai. – Para você falar é fácil. Você sabe lutar, tem uma espada boa, tem osinstrutores, e eu? Eu não tenho nada a meu favor, estou sozinho. Parei para tentar me colocar no lugar dele. Realmente era difícil, ele não teveMarte para treina-lo e nem tinha uma espada significativa ou sonhos com o queestava acontecendo. – Ei, vamos fazer um trato. Vamos cuidar um do outro, não pode deixar ooutro morrer, ok? – Ok. – ele riu – Nessa eu levo vantagem. Mas fala aí, qual é a de você eSelina? Vocês dois sabem de alguma coisa a mais, não sabem? Titubeei um pouco. Pensei, ela havia dito para eu não contar nada a ninguéme Aron me advertiu sobre isso também, ma Pedro era um cara legal. – Eu não sei porque – eu disse enfim – mas nós sonhamos com algumascoisas. – contei a ele sobre meu primeiro sonho com o traidor e recontei o segundo– Você não tem esse tipo de sonho também? 41

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