O Romance De Uma Sombra

218 views
187 views

Published on

Published in: Education, News & Politics
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
218
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
6
Actions
Shares
0
Downloads
1
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

O Romance De Uma Sombra

  1. 1. O romance de<BR>uma sombra | O POVO Online - Vida & Arte Adicionar como Página Inicial Adicionar como Favoritos RSS Siga-nos no Twitter Política Cidades Mundo Negócios Diversão & Arte Tecnologia Esportes Saúde Colunas Empregos Blogs Classificados Jornal de Hoje Serviços Promoções Novos Talentos Ombudsman Galeria de Arte Veículos Contato Trabalhe Conosco O romance de ENQUETE Qual é a melhor atração uma sombra das férias? Estreia do novo Harry Em Cantos de Outono, Ruy Câmara constrói, entre a realidade e a ficção, a vida do Conde de Lautréamont, Potter pseudônimo de Isidore Ducasse, autor que vai influenciar, já morto, o surrealismo. O livro concorre ao Jabuti, mais Estreia de A Era do importante prêmio literário brasileiro. O autor conversou com o Vida & Arte Gelo 3 Os shows do Férias Eleuda de Carvalho no Ceará da Redação Praia todos os dias 05 Jun 2004 - 04h20min Votar Resultado A+ A- Mudar tamanho Imprimir Corrigir Mais tempo do que serviu Jacó a Labão, por amor de Rachel, serrana bela, segundo o Velho Testamento e a rima de Camões, um romancista estreante Mais Notícias porfiou os caminhos da vida obscura e efêmera de um moço epilético e suicida, Últimas + Lidas + Comentadas que se gastou entre nuvens de tabaco e goles de absinto na pestilenta Paris do fim do século 19. Oito anos. De pesquisa e persistência. E uma boa grana, que CHARGE 19:29 Governo libera R$ 1,374 bilhão para lhe permitiu cobrir as pegadas de Isidore Ducasse, o auto-intitulado Conde de municípios atingidos por enchentes e Lautréamont, que viveu 24 anos e deixou um livro único, enigmático e terrível, para o Haiti Os Cantos de Maldoror, publicado no Brasil em 1970, cem anos após a primeira edição. Foi lido por poucos. Entre estes, Ruy Câmara, o autor de 19:26 Novas regras do aluguel favorecem Cantos de Outono, o romance da vida de Lautréamont, indicado ao Prêmio proprietários e inquilinos que pagam em Jabuti 2004. dia No discurso do lançamento nacional de Cantos de Outono, ano passado, no Ideal Clube, o imortal, poeta, tradutor e crítico literário Ivan Junqueira disse: Ao 19:12 Chávez volta a acusar os EUA de invadir ler as primeiras páginas do romance de Ruy Câmara, confesso aos senhores militarmente o Haiti que levei um susto. Levei um susto porque eu estava diante de um milagre, de um milagre apoiado não apenas no lado documental, mas também numa 19:10 AFP adota programa de detecção de imaginação que trabalhava e elaborava arduamente esse lado documental. Ruy informações pirateadas Câmara fez demoradas pesquisas em Montevidéu, na França e na Bélgica. Mas o mérito do seu romance reside quase que numa total identificação com o 19:05 UE aprova a compra da Sun pensamento do poeta, porque em cima dessa parca documentação, na França Microsystems por parte da Oracle ou em qualquer outro país, nunca se produziu nada que sequer possa ser de longe comparado a este romance prodigioso. É o romance de uma vida que Mais Notícias » estava faltando ser contada. Ananda Metais Ruy Câmara gosta de dizer: veio ao mundo no Recife por acaso. Foi em Painel Isotermico - Fortaleza que ele tomou contato com a magia da palavra escrita, na infância Sala Limpa Cà passada em Messejana, onde nasceu José de Alencar. Sociólogo diplomado e ¢mara FrigorÃfica filósofo por gosto, Ruy Câmara é também dramaturgo, formado pelo extinto anandametais.com.br Instituto Dragão do Mar, e poeta. Confira, nesta entrevista exclusiva, a saga de Cantos de Outono, da concepção às recusas locais até a consagração pela crítica e o público. E agora, com o aval da indicação ao Jabuti. Curso de Gestão O POVO - Como você recebeu a indicação do Cantos de Outono ao mais Pública Curso 100%file:///C|/Documents%20and%20Settings/Davi%20Studart%20Câmara/Desktop/370806.html[21/1/2010 20:20:13]
  2. 2. O romance de<BR>uma sombra | O POVO Online - Vida & Arte importante prêmio literário brasileiro, o Jabuti? Ruy Câmara - Confesso que fiquei surpreso, sobretudo porque sequer Online por apenas sabia que estava inscrito. Só mais tarde fui informado de que a Editora R$30. Receba o Record, assim como todos as editoras do Brasil, inscrevem anualmente seu Certificado seus autores e suas obras para o Prêmio da Câmara Brasileira do Livro. em Casa! www.Cursos24Horas.com Mas não alimento esperança de arrepanhar o prêmio de melhor romance do ano, em primeiro lugar porque ainda sou visto como estreante; em Reiforma - 11 segundo lugar porque vivo distante do centro das decisões; em terceiro, 4455-7857 porque não disponho do suporte midiático que está ao alcance dos meus Indique essa notícia Balcões e Cà ilustres colegas. Então, almejar mais do que a indicação é devaneio, ¢maras FrigorÃ- principalmente quando estamos a falar de nomes consagrados como Seu nome: ficas Projetos para Ruben Fonseca, Carlos Heitor Cony, Chico Buarque, Bernardo Carvalho, açougues e Assis Brasil e outros ilustres escritores. Só o fato de ser posto nesse rol Seu e-mail: mercados. de autores já é um prêmio que eu não esperava. www.reiforma.com.br OP - Mesmo antes da indicação ao Jabuti, seu romance causou reboliço Nome do destinatário: Roupas para nos meios acadêmicos e literários. O poeta Gerardo Mello Mourão chama o livro de monumental, aterrador e comovente... Câmara Fria RC - É verdade que o romance causou frisson e mereceu os aplausos da Somos fabricantes E-mail do destinatário: de vestimentas crítica especializada, não só no Brasil, mas também no Chile, Uruguai, Argentina, Espanha e França, onde está sendo traduzido. Aqui no Ceará, térmicas para minha pátria, o romance foi e continua solenemente ignorado pelos câmaras-frias. Enviar www.qualiflex.com.br núcleos acadêmicos. Aliás, em 2000, o romance, à época ainda inédito, foi inscrito num concurso da Academia Cearense de Letras. Pouco depois recebi a devolução dos originais sem um único vestígio ou mesmo um sinal de que tivera sido tocado. O júri sequer se dignou a abrir os envelopes contendo os originais. Diante do fato, não tardei em tirar as minhas conclusões acerca do que poderia ter ocorrido nos bastidores da ACL. Meses depois, um dos membros da comissão (composta de cinco nomes que transitam impunemente por aí), confessou que o prêmio Osmundo Pontes, categoria romance, já tinha dono antes mesmo da publicação do edital do concurso. OP - Em algum momento, nas suas andanças no rastro de Isidore, algo de estranho aconteceu? O quê? RC - Ninguém sobrevive impunemente a uma temporada nas trevas de um gênio. Nos momentos de absoluta incriatividade, pensei em abandonar o projeto. Noutro momento, quando surgia uma sacação mais ousada, o trabalho era retomado com tanta euforia, que ficava difícil conter o ímpeto. Só depois, quando visualizei as circunstâncias que me levariam adiante, percebi que, quando a arte precisava triunfar sobre a racionalidade seca e objetiva exigida numa dada ação, minha consciência escapava para a ante- sala da razão e eu me via novamente perambulando em Paris, Pau, Tarbes, Bruxelas, Montevidéu, ora diante de uma tumba, ora encafuado naqueles cenários taciturnos, cercado de pensamentos e aflições, como se fizesse mesmo parte de todo aquele imaginário que recriava. Lembro-me bem de um episódio ocorrido em Paris, no quarto 56 do Hotel do Cais Voltaire, o mesmo que serviu de refúgio e covil a Baudelaire, Wagner, Lautréamont e Oscar Wilde. Era madrugada e chovia intensamente. Eu estava completamente esgotado e desmotivado para escrever o epílogo, quando tive a estranha sensação de que o gênio de Baudelaire conseguia transitar nas zonas de intransitividade dos meus sentidos. O que ocorreu, aos parâmetros da razão absoluta, parece surreal, mas aos parâmetros da arte literária, tudo é possível. Consegui levar o personagem ao calvário e finalizei o livro. OP - Numa primeira entrevista, você me disse que leu Lautréamont quase adolescente... Como foi reencontrá-lo para escrever o livro? RC - Só foi possível quando entendi que o futuro não passa de um efeito de perspectiva e eu precisava dar-me à pena para valer a pena viver intensamente o presente. Se olharmos para esse ponto da reflexão, veremos que o que conta e pesa sobre nós, seres reais, é o presente, mesmo que dure apenas o tempo de uma atitude. Enquanto eu reconstituía uma época, o que o pensamento ia apreendendo era um vestígio de memória do que tivera sido a França de Lautréamont. Então era como se fosse um presente resgatado. Aí, precisamente, entendi que o presente é o real onde mais longe eu pretendo chegar. Por isso me dedico à literatura, instância onde se pode transpor o tempo sem a menor interrupção, porque o tempo está aí como experiência real, um tempo que dura, sem com isso parar de avançar. Já não me iludo com a noção de eternidade.file:///C|/Documents%20and%20Settings/Davi%20Studart%20Câmara/Desktop/370806.html[21/1/2010 20:20:13]
  3. 3. O romance de<BR>uma sombra | O POVO Online - Vida & Arte OP - Muito tempo de pesquisa, de viagens, para a feitura do livro, além dos percalços de quem vive na periferia da aldeia... O que o levou adiante? RC - A aventura começou em 1996, no número 7 da Faubourg-Montmartre, em Paris, e logo se estendeu para o sul da França, onde palmilhei as ruas de Biarritz, Bayonne, Pau, Tarbes, Bruxelas e, por fim, Montevidéu. Tive de superar dificuldades de toda ordem, inclusive financeira, para levar o projeto adiante. O baque foi quando tive a certeza do nada biográfico desse personagem estranhíssimo. A dificuldade maior foi achar o momento certo para penetrar na sua redoma de tédio e desvelar seu anti- universo obscuro e aterrador, que se encolhia a cada tentativa de sondar suas profundezas. Quando sentei para escrever o romance, experimentei na própria carne um sofrimento quase expiatório. Demorei três anos pesquisando, mais quatro para finalizar a obra, temendo atentar contra a vontade dolorosa e degradada do meu personagem. OP - O que você descobriu para o livro mas, propositalmente, deixou de fora? RC - Que eu não cometia nenhuma heresia realinhando o pensamento de Aristóteles na direção de uma alternativa para justificar o real fundamento do drama humano. Descobri-me capaz de revelar para o leitor que todo conflito de circunstâncias é mero reflexo de uma dramaturgia humana aplicada no real, em todas as suas formas miméticas e ilusórias de se revelar. Descobri ainda que a força de vontade de um indivíduo deve ser compatível e proporcional aos seus objetivos concretos. No que tange ao aspecto biográfico, deixei de fora alguns elementos menos importantes: os endereços de Montevidéu, que sofreram modificações em função do novo traçado da cidade onde o personagem viveu sua orfandade na infância; não indiquei a tumba nº 713 do Cemitério de Montevidéu, onde despejaram os restos do seu pai; omiti que o nome de sua mãe, após o suicídio, fora alterado para Celestina Juaquina; omiti os nomes dos tios que fugiram para Argentina e Espanha, enfim, omiti os elementos que só têm importância do ponto de vista da justificativa da existência biográfica. OP - O novo livro - No Leito dos Gênios Malditos - foi provocado por este encontro com Lautréamont e outros contemporâneos dele (Poe, Mallarmé, Rimbaud...). Quando será o lançamento? RC - A idéia de escrever No Leito dos Gênios Malditos surgiu numa noite chuvosa em Paris, durante o processo de recriação de Lautréamont. É um romance terrivelmente sedutor, apesar de volumoso. Finalizei o livro no ano passado, assinei um contrato com a Editora Record, mas voltei ao texto para fazer uns ajustes e nisso já se passou um ano. O original está na gaveta e deverá esperar a publicação de O Alfarrabista, que vem sendo escrito e tem total prioridade de publicação em 2005. No Leito dos Gênios Malditos deverá ser preservado para garantir a minha velhice gozando de certas comodidades materiais que só o dinheiro pode comprar. VENTILAÇÕES O romance causou frisson e mereceu os aplausos da crítica especializada, não só no Brasil, mas também no Chile, Uruguai, Argentina, Espanha e França, onde está sendo traduzido. Aqui no Ceará, minha pátria, o romance foi e continua solenemente ignorado A dificuldade maior foi achar o momento certo para penetrar na sua redoma de tédio e desvelar seu anti-universo obscuro e aterrador, que se encolhia a cada tentativa de sondar suas profundezas SERVIÇO Cantos de Outono - O Romance da Vida de Lautréamont. Livro de Ruy Câmara. Editora Record. 520 páginas. Preço Médio: R$ 48,90. Dê sua nota clicando nas estrelasfile:///C|/Documents%20and%20Settings/Davi%20Studart%20Câmara/Desktop/370806.html[21/1/2010 20:20:13]
  4. 4. O romance de<BR>uma sombra | O POVO Online - Vida & Arte Compartilhar essa notícia o que é isso? Espaço dos leitores: comente Comentar essa notícia Seu nome: Seu e-mail: Sua cidade: Comentário: Enviar IMPORTANTE: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar. Adicionar como Página Inicial Adicionar como Favoritos Política Cidades Negócios Diversão & Arte Tecnologia Esportes Saúde Colunas Empregos Blogs Classificados O POVO Contato Galeria de Arte Ombudsman RSS Siga-nos no Twitter Escute nossas Rádios » Grupo de Comunicação O POVO · O POVO/CBN Calypso FM Rádio Mix Fundação Demócrito Rocha Instituto Albanisa Sarasate TV O POVO © 2008 O POVO - Todos os direitos reservadosfile:///C|/Documents%20and%20Settings/Davi%20Studart%20Câmara/Desktop/370806.html[21/1/2010 20:20:13]

×