• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Livro nutrientes e-terapeutica
 

Livro nutrientes e-terapeutica

on

  • 21,820 views

 

Statistics

Views

Total Views
21,820
Views on SlideShare
21,820
Embed Views
0

Actions

Likes
2
Downloads
332
Comments
1

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel

11 of 1 previous next

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
  • Muito bom este livro !!super legal!!
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Livro nutrientes e-terapeutica Livro nutrientes e-terapeutica Document Transcript

    • Nutrientes eTerapêutica como usá-los quando usá-los como avaliar suas carências radicais livres na saúde 2ª Edição REVISADA E AMPLIADAJosé Gilberto Perez de Moura
    • Direitos desta edição reservados ao autor. casamoura@terra.com.br Revisão Científica Dra. Margot Fetter Costa Capa: Fernando Giusti Impressão e acabamento Visão Artes GráficasAbril, 2009.VISÃO ARTES GRÁFICASAv. Pres. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 2440CEP:96080-000 - Pelotas – RS - Brasil
    • Para Cláudia,Fonte constante de equilíbrio, discernimento e amor.Sua sabedoria e apoio são uma inspiração e uma dádiva paramim.Para meus filhos Gabriel e Nathália.Pelo tempo que deixamos de estar juntos.Para meus pais e irmãos.Pelo carinho e apoio em todas as horas. A todos aqueles que, através da busca da saúde, descobriram o significado maior de suas vidas. Aos que, através de seu sofrimento, foram o motivo de nossa busca de uma forma mais branda e eficaz na arte de curar.
    • “A história da medicina vem sendo escrita sobre erros eacertos, com a superação de conceitos antigos e o surgimentode novos conhecimentos. Algo que hoje consideramos muitopromissor corre o risco de ser completamente esquecidoamanhã. Da mesma forma, o que foi subestimado na época deseu descobrimento, pode se tornar, no futuro, a peça que faltavapara uma nova tese revolucionária.” Dr. Helion Póvoa Fº Rio de Janeiro
    • PREFÁCIO O livro “Nutrientes e Terapêutica”, decididamente,preencheu a finalidade a que se propôs o autor, qual seja a dedespertar nos colegas o interesse pelos nutrientes, os quaisdesempenham papel de relevância no corpo humano, comodestacamos recentemente em nosso livro “ Nutrição Cerebral”. O uso em quantidade correta dos nutrientes leva a um maisperfeito funcionamento do corpo humano, como se podeverificar através de exames laboratoriais específicos. A descoberta dos radicais livres por Harman, em 1956,comprovou a relevância destas substâncias nos processosbiológicos; pode ainda haver entre alguns uma certa descrençacom relação a esses conceitos, mas o fato é que, após a criaçãode um Departamento de Radicais Livres no NIH (NationalInstitute of Health – Instituto de Saúde Publica), não pode havermais dúvidas sobre a grande importância do estudo dos RL, queatuam na gênese da quase totalidade dos processos patológicos;nesse mesmo Departamento, estudam-se, acuradamente, osantioxidantes, que impedem a formação dos radicais livres elhes aceleram a destruição . No livro, após o 1º capítulo, sobre generalidades dosnutrientes, faz o autor uma excelente revisão sobre os mineraisessenciais (capítulo 2), destacando o papel fisiológico do cálcio,magnésio, estrôncio, boro, potássio, zinco, ferro, manganês,molibdênio, cobalto, cobre, cromo, vanádio, lítio e silício. O capítulo 3 versa sobre a importância das vitaminas e, emespecial, sobre sua potente ação antioxidante, assim comoinibidora da glicação oxidativa, de fato o mais poderoso agentelesivo sobre os processos fisiológicos. Outros suplementosnutricionais são os Omega-3 (ácido Eicosapentaenoico – EPA eDocosahexaenoico - DHA), que transportam em suas moléculas
    • de gorduras enormes quantidades de plasmalógenos, poderososantioxidantes cerebrais. O EPA e o DHA têm, ainda, açãobenéfica sobre o intestino, bem como sobre o organismohumano. Isto explica porque os países com ingestão alimentar altade Omega-3 têm maior expectativa de vida média (Japão,Noruega, Suécia e Islândia); o mesmo ocorre com os alimentosvegetais que formam Omega-3. Igualmente, são bem abordados no livro o ácido lipoico, acoenzima Q10, o ginkgo biloba, o inositol e os hormônios comoo DHEA e a melatonina; esta última se acha bem estudada nolivro, dada a sua enorme relevância; ela não é apenas um agentesedativo, como se relata habitualmente, mas é o mais poderosoantioxidante endógeno, anticancerígeno, além de desempenharvárias outras funções, nem todas ainda conhecidas. No capítulo 4 deparamo-nos com um magnífico textosobre os aminoácidos. A taurina, o GABA e a glicina têm umpapel preponderante no metabolismo cerebral; a arginina e osaminoácidos de cadeia ramificada têm papel relevante nometabolismo muscular. O glutation é um poderoso antioxidante intracelular, queinibe a glicação oxidativa, sem dúvida alguma, responsável porarteriosclerose, nefropatias, catarata, artrite e lesõesneurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson, retinopatias). Outros nutrientes são precursores de neurotransmissores ea glutamina é um potente imunoestimulante. A melatonina, associada às vitaminas, B6, B12 e ao ácidofólico, bloqueia a produção de homocisteína, que aumenta aformação de trombos vasculares. Através do mineralograma, pode-se diagnosticar acarência ou o excesso desses minerais, o que constitui um
    • excelente método diagnóstico para problemas ósseos, cerebrais,etc. Também enfoca o livro a dosagem de metais tóxicos(capítulo 7) como chumbo, mercúrio, níquel, cádmio, alumínio,antimônio, paládio, arsênico, bário, berílio, platina, paládio,estanho, tálio, tungstênio, tório e urânio. Recentemente, o Mineralograma se tem demonstrado umexcelente método diagnóstico para a detecção de níveis tóxicosde bismuto; o bismuto é usado em cosméticos e no tratamentode gastrites e nas diarréias, e na terapia do Helicobacter pylori.O bismuto pode provocar problemas cerebrais (insônia) everificou-se, recentemente, que 18% das amostras de cabeloapresentam níveis elevados de bismuto. Em vista das considerações acima, podemos, comsegurança, afirmar que este livro de José Gilberto Perez deMoura se constitui em uma obra respeitável e que deve ser lidacuidadosamente por todos aqueles que se interessam porNutrologia. Ao final do livro, há um maravilhoso capítulo (6) sobre osRadicais Livres. Só nos resta, então, terminando este prefácio, dar parabénsao amigo Gilberto: seu livro é excelente! Dr. Helion Póvoa Filho
    • Helion Póvoa Fº é um dos mais renomados especialistas na áreamédica de nutrição e bioquímica. Membro titular da Academia Nacional deMedicina, professor titular de Patologia Clínica da Uni-Rio; professortitular de Bioquímica da Escola Médica da Universidade Gama Filho,professor titular de pós-graduação da PUC-Rio e professor visitante daUniversidade de Harvard. Póvoa é autor de sete livros e possui mais deduzentos trabalhos publicados no exterior.
    • APRESENTAÇÃO O tema de “Nutrientes e Terapêutica” merece umadivulgação mais ampla, tendo em vista a sua relevância, suaatualidade e contribuição para a melhoria da saúde. No Brasil, onúmero de universidades e centros de difusão destes temas, nãoé expressivo, a bibliografia não é numerosa e os textos, porvezes, escritos somente em linguagem técnica. Este livro foi escrito sem a intenção de ser definitivo, nãotendo a pretensão de esgotar o assunto, mas sim despertar ointeresse do leitor em idéias e conhecimentos adquiridos aolongo da história. Está destinado a enriquecer-se permanentemente pelacontribuição de todos aqueles que queiram acrescentar, criticarou sugerir. Este livro não foi concebido como um manualtécnico para médicos; ainda assim sua leitura pode conterinformações preciosas, atualizadas e apresentadas, na medida dopossível, em uma linguagem acessível que dará a todos uma boanoção da importância dos nutrientes, dos radicais livres e dosmetais tóxicos em nosso organismo. Quinze anos de estudos, estão condensados nesta obra. Ostemas abordados estão se tornando tópicos de grande interesse,mesmo fora das esferas científicas. Atualmente, é difícil folhearum jornal ou revista e periódicos médicos, ou assistir a televisãosem encontrar referências a nutrientes, radicais livres ouantioxidantes. Conhecimentos essenciais estão se difundindo eformando um quadro que está realmente transformando aMedicina. A Bioquímica, a Genética e a Biologia têmexperimentado um fabuloso avanço nos últimos 50 anos. Maisdo que nunca, milhões de pessoas estão ingerindo suplementosnutricionais. Surpreendentes descobertas sobre a inter-relação
    • entre nutrição e saúde acontecem a cada dia. Em sua elaboração, contei com a colaboração inestimávelde numerosos amigos que, de forma notável, influenciaram ostemas desenvolvidos. Como Galileu, em minha vida científicaestive apoiado sobre ombros de gigantes, para longe poderobservar. Entre os gigantes destaco o Prof. Dr. Helion PóvoaFilho (RJ), cientista e pesquisador que me iniciou nos segredosdos radicais livres; e o Prof. Dr. Juarez Callegaro (RS), médicopsiquiatra, sem dúvida o amigo a quem mais ouvi, com quemmais aprendi e quem mais influenciou esta obra. Agradeço, em especial, a Dra. Margot Fetter Costa e aoDr. Darci Gustavo Post, pela minuciosa e excelente revisão; aDarryl Hickock do Laboratório Doctors Data (EUA), pelaconsultoria no capítulo 8 (Mineralograma). Espero que esta obra seja uma agradável leitura e sirva demotivação e iniciação àqueles com interesse no tema. José Gilberto Perez de Moura
    • NOTA À 2ª EDIÇÃO As razões que levaram o autor a escrever a segundaedição de “Nutrientes e Terapêutica” continuam as mesmas.Desde sua publicação persistem o interesse dos médicos pela“arte de formular”, a importância dos nutrientes na saúdehumana e a ação dos radicais livres como agentesdesencadeadores de patologias. A importância da correta nutrição ultrapassa, hoje, omeio científico e toma as páginas dos jornais e revistas, ondeencontra grande interesse popular. O reconhecimento dosnutrientes como agentes promotores de saúde bem como asbases científicas de sua utilização já estão bem estabelecidas porcientistas e instituições de pesquisa. No entanto, continuamescassos os cursos para prescritores, e raros os livros dedivulgação em língua portuguesa. Novas substâncias terapêuticas são continuamentelançadas no mercado, outras tantas são retiradas, o que tornamos poucos livros sobre o assunto rapidamente obsoletos. Poressa razão são necessárias novas edições editadas com maiorfrequência. A segunda edição de Nutrientes e Terapêutica épublicada três anos após seu lançamento, revisada e ampliada. A ciência e a experiência clinica demonstram que osnutrientes terão um importante papel na medicina do futuro eque este futuro está chegando. As antigas resistências ao uso dosnutrientes estão chegando ao fim, graças a uma nova geração deprofissionais, mais abertos às novas idéias e às novas formas deterapêutica. José Gilberto Perez de Moura Pelotas, RS, abril de 2009
    • ÍNDICE1. GENERALIDADES .............................................................172. MINERAIS ............................................................................273. VITAMINAS .......................................................................1034. AMINOÁCIDOS .............................................................1635. OUTROS SUPLEMENTOS................................................2016. RADICAIS LIVRES (RLs) .................................................2477. METAIS TÓXICOS ...........................................................2718. DOSAGENS DE NUTRIENTES ........................................305 8.1 Mineralograma ..............................................................305 8.2 Vitaminograma..............................................................316 8.3 Aminoacidograma.........................................................318 8.4 Dosagens de nutrientes no sangue, hemácias e urina ...321BIBLIOGRAFIA .....................................................................325ANEXOS .................................................................................335
    • Capítulo 1 - GENERALIDADES “Uma nova realidade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo-os ver a luz, mas sim porque seus oponentes, finalmente, vão desaparecendo e os segue uma nova geração que está familiarizada com a ideia!” Max Planck Há pouco menos de um século, o papel dos nutrientes nasaúde era quase desconhecido. Coube a Gabriel Bertranddemonstrar que esses elementos, embora presentes em pequenasquantidades, eram indispensáveis à vida. Ainda hoje, porém, aMedicina pouco tem valorizado os nutrientes, julgando que ofundamental já é conhecido de todos. Ignorando que houveprofunda modificação dos hábitos alimentares e que o refino, opreparo dos alimentos e as novas técnicas de cultivo alteraramradicalmente a biodisponibilidade dos nutrientes;principalmente, ignorando sua participação vital nos processosbiológicos. Hipócrates, médico grego, escreveu no ano 400 a.C. queos alimentos e os hábitos de vida deveriam ser a base de nossamedicina. Hoje, decorridos mais de 2.000 anos, a Medicinapassa a reconhecer a importância dos nutrientes na manutençãoda saúde. Um indivíduo de 70 anos vive 25.550 dias, ingerindode três a quatro refeições diárias; isso equivale a ingerir 76.650a 102.200 refeições durante sua existência. É através dasrefeições que obtemos os 45 aminoácidos, vitaminas e mineraisnecessários à vida. Os primeiros experimentos sobre nutriçãoforam realizados por Antoine Lavoisier, químico francês. Doenças resultantes de carências nutricionais são tãoantigas quanto à espécie humana, uma vez que esqueletos pré-históricos apresentam sinais evidentes de raquitismo e escorbuto(entre outros achados). Carências como o béri-béri (falta de
    • 18 GENERALIDADESvitamina B1) e a cegueira noturna (falta de vitamina A), eramdo conhecimento dos médicos antigos e relatadas em livros daépoca. Póvoa, Callegaro e Ayer no excelente “Nutrição Cerebral”(vide bibliografia) relacionam as mudanças nos padrõesalimentares do homem paleolítico com a própria evolução daespécie. A introdução de peixes, moluscos e ovos ocorrida 2milhões de anos atrás, possibilitaram, segundo os autores, aevolução da massa encefálica e das funções cerebrais. Aalimentação básica do homem paleolítico, até então consistia defrutas, legumes e carnes de caça. Enquanto caçador e coletor, ohomem teve acesso à quantidades adequadas de vitaminas,minerais e aminoácidos. Com sua a fixação à terra e osurgimento da agricultura (10 mil anos atrás) a nutrição humanasofreu nova e radical alteração com a introdução dos grãos,pães, leite e derivados. As doenças continuam a desafiar os progressos damedicina e continuam sendo responsáveis pela morte prematurade milhões de pessoas. Algumas doenças são tratadas comabsoluto sucesso, outras são extremamente difíceis de combatere constituem causa de mortalidade ou diminuição da qualidadede vida da população. A descoberta de novos meios paraaumentar a eficiência das terapêuticas atuais e odesenvolvimento de um novo estilo de vida devem continuar.Várias doenças podem ser prevenidas modificando hábitos devida e hábitos alimentares, incluindo neles alimentos que tem opoder de combater as doenças em sua origem e impedir seudesenvolvimento. Os alimentos possuem compostosfitoquímicos ricos em moléculas com ação muito potente,podendo lutar contra doenças sem efeitos colaterais. Presentemente estamos começando a viver uma novarevolução alimentar com a introdução dos alimentosindustrializados, ricos em gorduras, açúcares, sal e aditivos,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 19além de importante redução no consumo de frutas legumes everduras. As consequências desta nova alimentação são umaincógnita. Pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de CirurgiaBariátrica e Metabólica em 5 regiões do país mostraram que osbrasileiros não se alimentam de forma saudável. Foramentrevistadas, em suas casas, 2179 pessoas de todas as classessociais nas 5 regiões do país. A pesquisa apontou que 63,1% dosbrasileiros estão acima do peso. As consequências dos errosalimentares são as chamadas doenças crônicas, como ahipertensão, o diabetes e os males do coração. A pesquisarevelou, ainda, que 43% dos brasileiros fazem suas refeiçõesdiante da televisão, por isso, habitualmente, consomem maisalimentos do que o necessário, por simplesmente não terem sedado conta de que ingeriram mais do que a quantidade ideal etampouco mastigaram a comida de maneira adequada (21% dosentrevistados tomam o café em 12 minutos, almoçam em 22minutos e jantam em 23 minutos). Em todas as classes sociais,14% das pessoas têm o hábito de fazer refeições rápidas, tipofast-food. A pesquisa mostrou, ainda, que 36% dos brasileiros‘beliscam’ fora das refeições e dos lanches recomendados,comendo principalmente chocolate, biscoito recheado, coxinha,pastel, bolo, pipoca e balas. A fritura está presente em mais de50% dos pratos brasileiros. Os grelhados, frequentam a mesa deapenas 18% dos brasileiros. Os alimentos crus são consumidos,no dia-a-dia, por pouco menos de metade da população. A necessidade de suplementos dietéticos é um temadebatido no mundo todo. A maioria dos médicos opina que osnutrientes devem proceder dos alimentos, negando, portanto,valor aos suplementos dietéticos. Em sua prática diária, porém,ao tratarem anemia, osteoporose, bócio carencial, por exemplo,não o fazem através da dieta somente, valendo-se de
    • 20 GENERALIDADESsuplementos com vitaminas, ferro, cálcio, iodo, entre outros. Aadministração de minerais e vitaminas, além de mais simples ecômoda, é mais eficaz do que a correção pela dieta, embora oideal seja a combinação de ambos. Muitos anos foram necessários para tornar evidente arelação entre nutrição, saúde e doença. As pesquisas sobre ometabolismo humano identificaram cerca de 5 mil reaçõesbioquímicas necessárias à manutenção da vida; tambémcomprovaram a necessidade de 45 “nutrientes essenciais”provenientes dos alimentos (essenciais porque o organismo nãoos sintetiza). A moderna Bioquímica demonstrou que ahomeostase do organismo está assegurada por nutrientesperfeitamente identificáveis, com funções definidas, atuandocomo cofatores essenciais ao metabolismo bioquímico. O papeldos nutrientes é fundamental ao metabolismo celular, para aativação das enzimas e à proteção das membranas, frente aosprocessos oxidativos. O progresso da Bioquímica fez surgirnovas perspectivas de interesse clínico, cujos princípios seassentam em bases inatacáveis. A nutrição e a terapêutica através de nutrientes têm afinalidade de manter ótima no organismo a relação molecularentre os elementos internos (hormônios, enzimas, funçõesmetabólicas e fisiologia das membranas) e o balanço nutricional(proteínas, lipídios, glicídios, vitaminas, minerais, ácidos graxose aminoácidos). Esta é uma relação essencialmente bioquímica. É pensamento geral que a dieta variada é suficiente paraprover o organismo de todas as vitaminas, aminoácidos eminerais, essenciais ao seu bom funcionamento. Trabalhosamericanos relatam que são poucos os adultos (9%) queingerem 3 porções diárias de legumes e hortaliças. A ingesta defrutas, diariamente, também é muito baixa. Embora sejam asfrutas uma importante estratégia nutricional, graças à intensapresença de vitaminas, fibras, carotenóides, bioflavonóides,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 21polifenóis e outros tantos fitoquímicos. A carência de nutrientesparece ser mais intensa em determinados grupos, comogestantes, idosos, pessoas enfermas e naquelas submetidas adietas hipocalóricas. Os médicos brasileiros, em sua grande maioria,desconhecem o importante papel que os alimentos podem tersobre a saúde ou a sua recuperação em caso de doença. Osconselhos médicos sobre alimentação restringem-se, quasesempre, a proibições de alguns ítens alimentares como, porexemplo, restrição ao sal, diminuição da ingesta de gorduras, deaçúcar, álcool e café, desconhecendo ou não enfatizando aspropriedades terapêuticas dos compostos fitoquímicos presentesnos alimentos, sua capacidade de prevenir e combater osmecanismos que favorecem o desenvolvimento das doenças. Todos os animais, inclusive os homens, regulam aingestão de alimentos por meio das cinco sensações gustativas:doce, amargo, azedo, salgado e gosto da carne. O doce indicaprincipalmente a presença de alimentos altamente energéticos;o salgado garante o reconhecimento e o equilíbrio de eletrólitosno corpo; o amargo e o azedo alertam para a presença desubstâncias potencialmente tóxicas ou venenosas e o sabor dacarne reconhece os aminoácidos das proteínas. O conteúdo de minerais e vitaminas presentes noslegumes e cereais sofre profunda influência dos micronutrientese do pH do solo, uma vez que existem tipos diferentes de solo(argilosos, arenosos, terra preta, terra roxa, entre outros), comdistintos conteúdos minerais, com variações de pH e com aconsequente diferença na biodisponibilidade dos nutrientes. Alguns médicos consideram que uma alimentaçãoequilibrada e variada é suficiente para evitar a carêncianutricional; outros consideram difícil a obtenção dasquantidades adequadas, exclusivamente através da alimentação.
    • 22 GENERALIDADESA carência moderada de vitaminas, aminoácidos e mineraisexplicaria um grande número sinais e sintomas (astenia,ansiedade, insônia, alergias, pseudo-depressões), que nãoprecisariam ser tratados por terapêuticas mais agressivas alémdos suplementos nutricionais. Em 1968, o Departamento deAgricultura dos EUA publicou extenso trabalho demonstrandoque 20% da população americana estava ingerindo dietasnutricionalmente pobres. O brasileiro alimenta-se mal, concluiu a Universidade deSão Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo(UNIFESP), após pesquisa com 2.420 pessoas, em todas asregiões do país. Entre os importantes déficits nutricionaisobservados, destacaram-se o baixo consumo de cálcio (400mgao invés dos recomendáveis 1.200mg/dia), as baixas taxas devitamina D constatadas (ingesta de 1,4mg/dia ao invés das10mg recomedáveis), e da vitamina E (média de 2,4mg/dia aoinvés de 10mg/dia). A superalimentação habitual de antigamente, mantinha osindivíduos longe do risco carencial ou subcarencial. Todos osregimes hipocalóricos, hipolipídicos ou hipoglicídicosaumentam o risco de carência das vitaminas A, C, E e dosminerais magnésio, cálcio, potássio, zinco e ferro; dos ácidosgraxos essenciais e de centena de outros compostosfitoquimicos importantes. Os vegetarianos apresentam,frequentemente, carência de ferro, de alguns aminoácidos(lisina, cisteína, triptofano), de vitamina B12 e de folatos; oconsumo excessivo de fitatos (cereais não refinados) induz àcarência de minerais. Os macronutrientes, presentes em maior quantidade nosalimentos e em nosso corpo, foram mais e melhor estudadosquanto a sua química e as suas funções. O estudo das ações dosmicronutrientes é bem mais recente. Sua presença e suas açõessó foram evidenciadas após os notáveis avanços dos métodos de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 23análises bioquímicas. Embora presentes em micro quantidades,nem por isso apresentam menor importância. A década de 50 possibilitou extraordinários avanços àMedicina com o surgimento de novas e revolucionárias teorias.Em 1956, Denham Harman formulou a teoria dos RadicaisLivres (RLs), explicando o envelhecimento humano e osurgimento e agravação de algumas doenças em consequênciada ação destes. RLs são elementos que surgem no organismocomo um subproduto da respiração celular, quando o oxigênio étransformado em energia no interior da mitocôndria (5% dooxigênio origina espécies reativas, os temidos RLs). Assimcomo ocorreu com outros pioneiros, suas ideias foram recebidascom ceticismo e levou tempo para que obtivessem oreconhecimento, que veio a ocorrer na década de 70, quando suateoria foi novamente divulgada pela American Academy ofMedical Preventics. Graças a seus trabalhos (6 livros e mais de150 artigos) foi indicado duas vezes para o prêmio Nobel deMedicina. Harman é professor de Medicina e Bioquímica naUniversidade de Nebraska (USA). A terapêutica através dos nutrientes teve como pioneiros:os canadenses Hoffer e Osmond, com artigo publicado em 1962,na prestigiada revista inglesa Lancet; Linus Pauling, duas vezesprêmio Nobel, além de 50 títulos de Dr. “Honoris Causa”, eautor de 600 artigos científicos, vários livros e pesquisas nasáreas de Química, Medicina, Bioquímica e Biologia Molecular;Carl Pfeiffer (Brain Bio Center, Princeton) com suas obras naárea da psiquiatria; Michael Lesser, fundador da Sociedade deMedicina Ortomolecular da Califórnia (1975); Roy Walford,autor das obras “A vida mais longa” e “Um regime de vidalonga”; Patrick Quillin, fundador da revista Nutrition Times(EUA) e autor do livro “Healing Nutrients”; Denham Harman(Universidade de Nebraska ), criador da teoria dos RLs; obioquímico Richard Passwater, autor do conceito de super-
    • 24 GENERALIDADESnutrição e de vários livros; Roger J. Williams, professor daUniversidade do Texas, criador do conceito de individualidadebioquímica e pai da moderna vitaminoterapia; EmanuelCheraskin, médico e dentista, idealizador do conceito deingestão diária ótima; Elmer Cranton, autor do livro “TraceElements, Hair Analysis and Nutrition”; e o médico enutricionista Jeffrey Bland, professor da Universidade deTacoma (USA) e autor de vários livros. Por iniciativa do Food and Nutrition Board, no ano de1941 , foram criadas as RDAs ( Recomended DietaryAllowances) , doses diárias recomendadas, tabelas para orientara ingestão e suplementação de nutrientes nos EUA. A Academia Nacional de Ciências (EUA), reconhecendoque a carência de nutrientes estava associada a doenças empopulações mal nutridas, editou as primeiras RDA´s, que são,portanto, recomendações de ingestão de nutrientes e tem porfinalidade evitar a desnutrição e doenças a ela relacionadas. Apartir dos anos 80, muitos médicos têm aumentado as doses denutrientes buscando explorar as propriedades terapêuticasdestes nas doenças crônicas, doenças cardiovasculares,osteoporose, alguns tipos de câncer e numerosas outraspatologias. Hoje a utilização de suplementos (aminoácidos ,vitaminas e minerais) a nível mundial é uma realidade ,chegando, em alguns países, a serem consumidos por cerca de40% da população. Foi Pauling quem popularizou o termo ortomolecular, noartigo - “Ortomolecular Psychiatry” – (revista Science 1968).Nele referia-se aos trabalhos de Hoffer - com pacientespsiquiátricos graves, afetados por delírios e alucinações - queutilizavam suplementação proteica e altas doses de vitamina C ede vitamina B3 (niacina). Fundou o Linus Pauling Institute ofScience of Medicine, em Palo Alto (Califórnia), onde trabalhouaté o final dos seus dias, em 1994. Publicou seu último livro em
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 251986, sob o título de “Como Viver Mais e Melhor”. Foi ele,também, quem elaborou o conceito de doença da molécula, que,no organismo, pode ser controlada através da modificação naconcentração dos nutrientes essenciais (vitaminas, minerais eaminoácidos). A introdução da terapêutica através dos nutrientes(ortomolecular) no Brasil deve-se, entre outros, ao professor Dr.Helion Póvoa Filho, famoso médico e pesquisador carioca e aoDr. Etelvino Bechara, bioquímico de renome internacional eprofessor da USP. Em 1976, Póvoa tomou conhecimento dateoria e da terapêutica ortomolecular. Passou a dedicar-se aotema, proferir palestras e, posteriormente, publicar trabalhos(mais de 400 no Brasil e no exterior). Desenvolveu váriastécnicas laboratoriais para a determinação de RLs. Póvoa, é professor convidado de diversas universidades epresidente de honra de várias sociedades científicas. Outrosnomes, como os doutores Toufik Mattar, José de Felippe Jr.,Efrain Olszewer, Guilherme Deucher, Virgínia Junqueira eJuarez Callegaro foram importantes para a divulgação e aaceitação das novas ideias sobre nutrição e RLs. O desenvolvimento da nutrigenética e da nutrigenômica,ocorreu rapidamente a partir de 2001, logo após a finalização doprojeto Genoma, que mapeou o DNA humano. Ambas têmcomo objetivo estudar a interação entre os alimentos e os geneshumanos. A nutrigenética estuda como os genes podem afetar aforma pela qual o corpo aproveita o alimento. Por sua vez, anutrigenômica, investiga como os nutrientes influenciam ocomportamento dos genes. Acredita-se que dentro de poucosanos, cinco anos talvez, estejam à disposição, regimes dealimentação elaborados para cada pessoa, escolhidos a partir doperfil genético. Pesquisadores da Universidade de Ohio (EUA), estudam a
    • 26 GENERALIDADESrelação entre os alimentos e o câncer. Realizaram experimentoscom extratos secos de frutas vermelhas e verificaram suaeficácia no tratamento de alguns tipos de câncer, pela ação dosprincípios ativos fitoquímicos agindo sobre uma centena degenes envolvidos no desenvolvimento do tumor (Garry Stone inCancer Research). Crianças brasileiras entre 2 e 6 anos comem mais do quedeveriam, mas, mesmo assim, carecem de nutrientes essenciaiscomo, vitaminas, minerais e fibras, segundo trabalho da Nutri-Brasil Infância (2007), realizado com três mil cento e onzecrianças matriculadas em creches e pré-escolas da rede pública eparticular de 9 estados brasileiros. O estudo mostrou umarealidade inquietante pois as crianças brasileiras costumamdeixar no prato parte das frutas, legumes e verduras oferecidas,dando preferência a alimentos como arroz, feijão, macarrão ebiscoitos, que não oferecem a totalidade dos nutrientesnecessários. A principal carência observada foi a de cálcio,encontrado em quantidades reduzidas em 57% das crianças.Outro problema alimentar detectado foi a baixa ingesta de fibrasalimentares, que afeta 95% das crianças. Trabalhos realizados na USP (SP), sob a coordenação doprofessor Dr. Fernando Moreno, mostraram que o princípioativo do espinafre, o geranilgeraniol, é capaz de impedir a açãode genes importantes para a proliferação de células tumorais.Também é estudada a ação dos princípios ativos do chá verdecontra os tumores de mama e, dos princípios ativos da soja,capazes de interferir no funcionamento de cento e vinte e trêsgenes envolvidos no tumor de próstata.
    • Capítulo 2 - MINERAIS “Se um cientista diz que algo é possível é provável que esteja correto; mas se ele diz que algo é impossível, muito provavelmente ele estará errado.” Arthur Clark O corpo humano necessita de, pelo menos, dezesseteminerais para suas funções, como o cálcio - o mais abundante -(1000-1500g), o enxofre (175g), o magnésio (350g), o fósforo(800g) e elementos-traço (necessários em micro quantidades),como o molibdênio, o vanádio e outros. Os minerais presentesem grande quantidade são conhecidos como macroelementos eos presentes em pequena quantidade, como microelementos. Proteínas, gorduras e carboidratos não serãotransformados em energia, se os minerais não estiverempresentes como catalisadores. Sem vitaminas e mineraisespecíficos, a energia não pode ser extraída dos alimentos. As reações bioquímicas no organismo são catalisadas porum ou dois minerais, que se ligam ao centro ativo das enzimas.Os minerais bioativadores de enzimas são: ferro, magnésio,manganês, cálcio, zinco, cobre, cobalto, molibdênio, vanádio eselênio. Mesmo num país relativamente bem alimentado, como osEUA, observam-se carências minerais importantes, quandoconsiderada a nutrição a nível intracelular: carência demagnésio em 75% da população; de ferro, em 60%; de zinco,em 40% e de cálcio, em 68%. Mineralogramas analisados em Pelotas (RS), no ano de1998, mostraram resultados semelhantes: carência de magnésioem 78%; de ferro, em 40%; de cálcio, em 70%; de selênio, em90% e de cromo em 92%.
    • 28 MINERAIS A deficiência mineral afeta os sistemas biológicos: osistema imune depende de cobre, zinco, manganês, ferro eselênio; a produção de energia, de magnésio, fósforo emanganês; a produção de hormônios, de ferro, manganês,zinco, cobre, magnésio e potássio; a produção dos elementosfigurados do sangue, de cobre, zinco e ferro; os sistemasenzimáticos, de cobre, zinco, manganês, magnésio e ferro; porfim, a reprodução humana depende de fósforo, cobre, potássio,manganês, zinco e magnésio. Liebig (1920) foi o autor da Lei do Mínimo - o conceitonúmero um da nutrição mineral. Diz a Lei que, numdeterminado sistema biológico, a velocidade de um sistemaenzimático que dependa de dois ou mais minerais serádeterminada pela concentração do mineral presente em menorquantidade. Quando se dosam níveis minerais no exame de sangue, oque se está avaliando é o mineral que está sendo transportadode um lugar para outro no organismo. Quando o exame é feitona urina, o que está sendo dosado é aquilo que foi transportado(não aproveitado e excretado). Já no exame do cabelo, o que édosado é o estoque desse mineral, ou seja, a parte que estáarmazenada e que deverá ser usada em condições denecessidade. Os minerais disponíveis para suplementação podem serencontrados na forma inorgânica (carbonatos, sulfatos), naforma orgânica (citratos, aspartatos, gluconatos) ou quelados. Os inorgânicos são menos absorvidos, devendo seringeridos em maior quantidade. Os minerais aminoácidos quelados tiveram sua estruturaquímica definida em 1894, pelo alemão Warner. O termo quelado provém do grego “chel” (garra), ligadoao metal. O laboratório Albion (Utah, EUA) foi o pioneiro na
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 29pesquisa e produção de minerais quelados para uso humano. Um mineral aminoácido quelado é definido como oproduto resultante da reação de um íon metálico polivalentecom aminoácidos, tendo uma razão molar de 1:1, 1:2 ou 1:3,formando ligações covalentes e iônicas entre eles. Paraabsorção efetiva do quelado intacto pelas células da mucosaintestinal, este deve ter um peso molecular menor do que 800daltons. São vantagens dos minerais aminoácidos quelados emrelação aos minerais inorgânicos: apresentarem altas taxas deabsorção; serem praticamente isentos de efeitos colaterais;independerem da quantidade de ácido clorídrico para suaabsorção; serem resistentes à ação de substânciassequestradoras da dieta; não competirem entre si ou comalimentos pelos sítios de absorção no intestino e também nãointeragirem com nenhum medicamento. Os minerais quelados com aminoácidos são ideais parafins nutricionais por não serem liberados no estômago, nãoserem ionizáveis e por serem rapidamente absorvidos nointestino delgado. Já os sais inorgânicos não são absorvidos emtaxas maiores do que 5 a 30%. Sua absorção também decai napresença de alimentos. O Dr. Hans Nieper (Hannover) preconiza o usopreferencial de minerais ligados a orotatos, pois acredita queesta forma de quelado é mais eficaz, devido a sua grandeafinidade pela mitocôndria. Os minerais quelados “taste-free” (sem sabor) permitemque sejam feitas preparações farmacêuticas na forma desuspensões e xaropes. Estão indicados nos casos em que aapresentação em cápsula não é a mais adequada (pediatria,geriatria, intolerância às cápsulas, estreitamento esofágico ealterações neurológicas da deglutição). Podem ser associados a
    • 30 MINERAISvitaminas e a outros produtos farmacêuticos, ou simplesmenteser ingeridos sob forma de pó (diretamente).Boro Foi identificado como novo elemento quimico em 1824pelo sueco Jöns Berzelius. Graças ao trabalho dos Drs. CurtisHunt e Forrest Nielsen, do USDA Human Nutrition ResearchCenter (Dakota do Norte-EUA), o boro foi reconhecido comomineral importante em nutrição humana (1981). Nielsen demonstrou que mulheres menopauseadastiveram uma considerável redução na excreção de cálcio,magnésio e fósforo pela urina depois da administração de3mg/dia de boro. Pensavam que este poderia elevar o nível deestrógeno no sangue das mulheres na menopausa. A carência de boro aumenta a excreção urinária de cálcioe magnésio (em até 44%), reduzindo as concentrações séricasde 17-beta-estradiol e testosterona. O boro é necessário ao metabolismo dos hormôniostireoidianos e, em quantidades mínimas, à absorção eassimilação do cálcio. Exerce, ainda, ação sobre apermeabilidade das membranas celulares. Sob ação dos raios UV o 7-dehidrocolesterol (pró-vitamina D) presente na pele é transformado em colecalciferol(vitamina D3). No fígado, é convertido enzimaticamente em25-OH-colecalciferol, 5 vezes mais potente que a vitaminaD3, e no rim, sob a ação de outra enzima, em 1-25-OH-colecalciferol (ou calcitriol), 10 vezes mais ativo que avitamina D3. O boro é fundamental para esta conversão, e a doestrogênio (muitas mulheres em menopausa apresentam altosníveis de 25-OH-vitamina D3 e baixos níveis de 1-25-OH-vitamina D3).
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 31 O boro fornece grupos hidroxilas, essenciais para asíntese das formas ativas de alguns hormônios esteroides,especialmente os hormônios relacionados ao metabolismoósseo e ao crescimento muscular. Um nível adequado de boro é necessário para a produçãode testosterona e 17-beta-estradiol (forma mais ativa deestrogênio). Níveis baixos de boro podem ocorrer devido à baixaingesta ou à má-absorção, e resultam em baixa deposição decálcio nos ossos e perda da elasticidade da pele. O boropresente no cabelo apresenta estreita correlação com os níveissistêmicos. O boro antagoniza a vitamina B2; por isso, quando osníveis de boro estiverem elevados, uma suplementação devitamina B2 deve ser providenciada. O metabolismo do boro está relacionado de forma indiretaao metabolismo do cálcio, magnésio e fósforo. Em doses altasparece exercer ação supressora sobre a atividade da paratireoide.É necessário à fisiologia da membrana celular. O boro desempenha importante papel na deposição decálcio na matriz óssea, especialmente na coluna vertebral (adeposição de cálcio nesta região é bastante efetiva sob a açãohormonal e o boro parece possuir uma ação “estrogênio like”). A deposição de cálcio no fêmur não está ligada à açãohormonal, mas sim à ação da vitamina D. Nesta região a ação doboro é menos efetiva do que na coluna cervical. Em mulheres, acarência de boro está correlacionada com um aumento da perdade cálcio pela urina e também com uma diminuição do nível doestrogênio. O cabelo é ligeiramente sensível à contaminaçãoexterna por boro.
    • 32 MINERAIS Após constatar que pessoas com artrite reumatoidepossuíam baixas concentrações de boro nos ossos e no líquidosinovial, o Dr. R. E. Newnham (Nova Zelândia) administrou aseus pacientes suplementos de boro (6mg/24 hs), revertendo ossintomas em 80% deles. O Hospital Real de Melbourne (Austrália), em trabalhorecente, confirmou os achados do Dr. Newnham. Outrostrabalhos mostram que a incidência da doença atinge 20 a 70%da população, nas regiões onde a taxa de ingestão de boro estáabaixo de 1mg/dia; naquelas onde a ingesta está entre 3-5mg/dia, a incidência oscila ao redor de 10%. O excesso de boro costuma desencadear náuseas, vômitos,diarreia e letargia. As intoxicações pelo boro não costumamestar relacionadas aos suplementos minerais, mas sim a ingestado boro a partir do ácido bórico, usado como integrante deformulações de pastas baraticidas, para o extermínio das baratasdomésticas. São fontes de boro: o feijão, os legumes de folhas verdes,as frutas, as amêndoas, o suco de uva e o vinho. Uma garrafa devinho tem tanto boro quanto as reservas do corpo humano.Outras fontes de boro são os antiácidos, os descongestionantes,alguns produtos de higiene dental e alguns laxativos.Os níveisde boro contidos nos alimentos dependem, fundamentalmente,da quantidade de boro assimilável presente no solo. A dosediária ótima é de 0,04mg/kg de peso corporal.Cálcio O cálcio foi descoberto em 1808 pelo químico inglêsHumphry Davy. É o mineral mais abundante no corpo humano- cerca de 1,6% do seu peso - (1000-1500g de cálcio). A formade cálcio encontrada no leite é o lactato; o cálcio dos alimentos
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 33é o carbonato; o dos ossos e dos dentes, é o fosfato de cálcio;nos legumes, encontra-se o gluconato de cálcio. O citrato de cálcio possui 24% de cálcio e 76% de citrato;o lactato de cálcio, 13% de cálcio; o gluconato, 9% de cálcio; ofosfato de cálcio, 29%; o carbonato de cálcio 40%; o ascorbatode cálcio, 10%; o aspartato, 20%; o orotato, 20%; opantotenato, 45%; o trifosfato, 39%, e o cálcio glicina, 20%. A presença de sais biliares, gorduras e substâncias ácidas(vitamina C, por exemplo) ajudam na absorção do cálcio. Poroutro lado, stress físico ou emocional, o sedentarismo, a altaingestão de fósforo e as dietas hiperproteicas prejudicam suaabsorção. Pelos padrões tradicionais de avaliação do cálcio sérico,as deficiências encontradas estão na ordem de 30%; a nívelintracelular, é significativamente maior (68%). Pelo menos 30% das mulheres acima de cinquenta e cincoanos e dos homens acima de sessenta anos têm deficiência decálcio suficiente para justificar fraturas patológicas. Nos EUA 1,3 milhões de fraturas/ano são atribuídas àdeficiência de cálcio, a um custo de US$3,8 bilhões. Umadeficiência média de cálcio não é bem diagnosticada pelaavaliação no sangue, uma vez que o organismo tende a manteros níveis sanguíneos de cálcio, mesmo tendo que retirá-lo damatriz óssea. A dieta americana média contém 700mg de cálcio; noBrasil, os níveis médios são ainda menores. As mulheres deveriam fazer suplementação de cálcio emagnésio após os 30 anos, para atingir o pico máximo de massaóssea evitando, assim, a osteoporose, que costuma ter inícioentre os 45/55 anos. Graças à magnitude da falta de cálcio entre
    • 34 MINERAISas mulheres a osteoporose tem sido comparada a uma“epidemia silenciosa”. Outros elementos essenciais à formação do osso sãozinco, manganês, cobre, ferro, boro, vitamina D e vitamina K.O cálcio é mais eficaz quando ingerido em doses fracionadas,durante o dia e antes de dormir. Quando administrado à noite,ajuda a atingir o sono profundo. A perda de cálcio aumenta na menopausa; os estrógenos,embora não produzam ossos novos, impedem umadescalcificação acelerada. O boro e a vitamina D também contribuem para deter adesmineralização óssea. O cálcio depositado nos ossos, 1% no extracelular e 0,1%no citosol, sob a forma de sais de cálcio, é fundamental para amanutenção da integridade do esqueleto; no extracelular e nocitosol desempenha papel essencial em uma variedade deprocessos bioquímicos celulares. O cálcio extracelular circula no plasma sob 3 formas, asaber: 50% sob a forma ionizada, fisiologicamente a maisimportante; 40% ligado às proteínas e 10% sob a forma de“complexos” (principalmente em bicarbonato, citrato e fosfato). Segundo Jefrey Bland, baixos níveis de cálcio no cabeloindicam reservas corporais diminuídas, habitualmente nãoevidenciáveis através das dosagens plasmáticas, devido aosmecanismos reguladores mediados pelo PTH, calcitriol e cálcioiônico (dentre outros fatores), que concorrem para a manutençãodos níveis fisiológicos circulantes. Cabelos grisalhosapresentam baixos níveis de cálcio em relação aos cabelos nãogrisalhos. A necessidade diária de cálcio está em torno de 1000mg(obs: 1ml de leite fornece cerca de 1mg de cálcio). Sua absorção
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 35é melhor em pH ácido e pode ser melhorada em presença dealimentos ricos nos aminoácidos lisina, arginina e histidina. Aelevação do pH decorrente da produção diminuída de HCl noidoso é um dos fatores que concorrem para o balanço negativodo cálcio na terceira idade. Este fenômeno tem início quando aingesta é inferior a 380mg/dia, estimulando os mecanismosresponsáveis pela remoção do cálcio ósseo, para a manutençãodos níveis fisiológicos circulantes deste mineral. Osteoporose éo resultado final deste processo. O cálcio removido dos ossostende a depositar-se nos tecidos (má distribuição), podendoocorrer a formação de cálculos renais. A Inglaterra fortifica sua farinha de trigo com a adição decarbonato de cálcio (235 a 390mg/100g) para garantir adequadaformação de massa óssea a sua população. São sintomas da carência de cálcio: câimbra, insônia,ansiedade, irritabilidade, unhas quebradiças, excitabilidadeneuromuscular exacerbada, eczema, retração da linha gengival edoença periodontal (secundária à osteoporose maxilar). A mádistribuição do mineral resulta na deposição em partes moles(principalmente tecido conjuntivo). A hipocalcemia grave(cálcio sérico inferior a 7mg/100ml) pode causar laringo-espasmo e convulsões generalizadas. A história clínica do paciente poderá mostrar hábitos devida e sintomas que revelam a carência de cálcio. Odesequilíbrio entre a ingesta de cálcio e magnésio (adequada naproporção de 2:1), a ingesta excessiva de cafeína (café, chápreto e chimarrão), álcool, fosfatos, bebidas tipo “cola”, ahipocloridria (uso continuado de inibidores da bomba deprótons e antagonistas H2), o sedentarismo, a falta de exposiçãoà luz solar (deficiência de vitamina D), concorrem para umadeficiência nas reservas corporais totais de cálcio. As carnesvermelhas contêm cálcio e magnésio na proporção de 20:1 (oideal é 2:1). Esta desproporção favorece o deslocamento do
    • 36 MINERAIScálcio e a consequente deposição em partes mole (e/ou excreçãorenal). A reposição do cálcio deve se fazer acompanhar deproporções adequadas de magnésio e zinco. O cálcio alto no mineralograma (falsamente elevado)também pode ser devido à contaminação externa, especialmenteatravés de “permanente” ou tratamentos capilares. Está indicadodosar o nível de cálcio excretado na urina de 24 horas. Níveis baixos de cálcio e magnésio podem estarrelacionados ao desenvolvimento da hipertensão na gravidez ena pré-eclâmpsia. Estudos observaram uma correlação inversaentre ingesta de cálcio e incidência de hipertensão. O cálcio baixo no sangue ou no mineralograma sugereingesta insuficiente (necessidade diária igual a 1g), má-absorçãodo mineral (requer pH ácido) ou deslocamento por altaconcentração de fósforo; osteopenia, osteoporose, hipocloridria(por stress, com deficiência de zinco e/ou vitamina B6), emborasubclínicos, podem estar associados. A absorção do cálcio inorgânico (o mais utilizado é ocarbonato de cálcio) depende do pH do estômago e de suaionização no intestino. Estudos feitos em mulheres pós-menopausa mostraramque 40% delas apresentavam severa deficiência na secreção deHCl. Pessoas com hipocloridria conseguem absorver somente 4a 7% do carbonato de cálcio ingerido, enquanto que, emcondições normais, a absorção varia de 11 a 22%. Os astronautas, no espaço, perdem muito cálciodiariamente, pela falta de atividade física e de gravidade.Doentes acamados por longos períodos perdem massa ósseapela inatividade. A fixação do cálcio no osso depende (além de nutrientes)de exercício, para que o efeito piezo-elétrico ocorra.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 37 Situações especiais como carência de cálcio e gravidez,por exemplo, podem aumentar em muito a taxa de absorçãointestinal do cálcio (a gravidez, em até 50%). A sudorese profusa pode gerar perdas de cálcio de até1000mg/dia (exercícios extenuantes exigem suplementação decálcio). A suplementação diária de 1000mg de cálcio reduz aincidência de fraturas vertebrais em até 50% e diminui o riscode osteoporose na menopausa. Ingesta de cálcio superior a2g/dia, na ausência de magnésio e vitamina B6, pode causarhipercalcemia e a formação de cálculos renais. A ingestão diária de leite (média brasileira de 300ml)fornece cerca de 30% das necessidades diárias de cálcio parauma pessoa normal (1ml de leite contém aproximadamente 1mgde cálcio). O cálcio é melhor absorvido quando ingerido à noite. Ohábito de tomar leite à noite, antes de dormir, garante excelenteabsorção e uma boa indução ao sono fisiológico. A casca de ovo tem a biodisponibilidade de cálciomelhorada se for preparada com vinagre ou suco de limão (opH ácido favorece a absorção do cálcio), no entanto, devido àcontaminação por coliformes fecais, não está indicada para usohumano. A simples lavagem com água não remove as bactérias,fazendo-se necessária sua esterilização para poder serconsumida. São elementos que concorrem para a osteoporose: déficitnutricional (especialmente de cálcio), excesso de bebidasgaseificadas (por seu alto teor de fósforo), sedentarismo,excesso de vitamina D, pouca exposição ao sol, deficiência deestrogênio, excesso de álcool e/ou cafeína e intoxicação pormetais pesados. Um dos primeiros ossos a sofrerdescalcificação é o osso alveolar (arcada dentária), o que
    • 38 MINERAIScontribui para a instalação da doença periodontal observada ematé 8% da população. A dose diária ótima de cálcio é de12mg/kg de peso corporal. São fontes de cálcio: leites e derivados (400mg a800mg/100g), salmão, sardinha, amendoim, feijão, sementes degirassol e vegetais verdes folhosos (brócolis, couve, repolho).Uma das tomadas diárias de cálcio deve ser feita antes dedormir, para contrabalançar a grande perda que ocorre duranteo sono devido a menor atividade do corpo.Cobalto O cobalto foi descoberto em 1737 pelo químico GeorgeBrandt, quando analisava um mineral que denominou “kobold”,que significa espírito. Em 1948, foi reconhecido como essencialà nutrição humana. Já no antigo Egito (2600 a.C.), empregavam-se os sais decobalto no preparo de cerâmicas, como pigmentos de cor azul.Atualmente, ainda é utilizado em pigmentos cerâmicos e comopigmento azul para tintas. Sua concentração no organismo é extremamente baixa, elocalizado fundamentalmente no fígado. Sua principal funçãono organismo é fazer parte do centro ativo da vitamina B12 (ocobalto corresponde a 4% da composição desta vitamina) e dacoenzima B12, importantes na função e na vitalidade dosglóbulos vermelhos (estimula a eritropoiese e favorece aincorporação de ferro e protoporfirina). Também e consideradoum dos minerais que ativam as funções do sistema imunológico(os demais são cobre, ferro, manganês, selênio e zinco). Em 1966, Quebec observou uma estranha doençaacometer seus “pesados” tomadores de cerveja: amiocardiopatia do bebedor de cerveja, decorrente da interação
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 39entre o cobalto orgânico e o etanol. Todos eles tomavam entre 6e 30 cervejas por dia. A análise da cerveja canadense mostrou1,2 ppm de cobalto, o qual era empregado como estabilizadorde espuma, uma vez que os detergentes estavam diminuindoseu “colarinho”. O cobalto é ingerido sob forma orgânica (vitamina B12),forma quelada (cobalto quelado) ou forma inorgânica (cloretode cobalto), sendo todas pouco absorvidas por via oral. A formamelhor absorvida é a quelada, contendo 0,2% de cobalto. Os seres humanos são incapazes de converter o cobaltoinorgânico em vitamina B12. A taxa de cobalto contida na dietavaria muito, dependendo do tipo de alimento, área geográfica etipo de solo. Vegetarianos têm níveis de cobalto baixos. Sinais da intoxicação aguda por cobalto incluemdistúrbios gastrointestinais, dor abdominal e vômitos. Tambémsão observadas dermatites, alterações renais, de tireoide,respiratórias e insuficiência cardíaca congestiva. As principais fontes de intoxicação por cobalto são: solose águas ricas em cobalto, mineração, operações e lixamento depedras e metais, manuseio de tintas, agentes para lavagem aseco, esmaltes e eletrogalvanoplastias. Baixos níveis de cobalto no sangue ou no mineralogramasugerem deficiências na ingesta ou má absorção; pode haverdiminuição da função imune e tendência à depressão. Níveiselevados são raros. O nível de cobalto no cabelo é fidedignopara monitorar os estoques do corpo, não estando sujeito àcontaminação externa. São sintomas da deficiência de cobalto:fadiga crônica, falta de resistência física, anemia megaloblásticae parestesias. O cobalto é pobremente absorvido no intestino, o quetorna interessante a suplementação via sublingual.
    • 40 MINERAIS As principais fontes de cobalto são as proteínas de origemanimal (carne, rins, fígado, ostras, mexilhões e leite). Osvegetarianos têm maior probabilidade de desenvolver quadroscarenciais de cobalto. O cobalto é parte integrante da moléculada vitamina B12 (cianoCOBALamina). Podem ser utilizadossais inorgânicos (como o cloreto de cobalto), porém suaabsorção é baixíssima (1%). A dose diária ótima de cobalto é1mcg/kg de peso corporal.Cobre Foi um dos primeiros metais que o homem conheceu(5000 a.C.). A associação do cobre ao estanho marcou onascimento da idade do bronze. É um componente essencial emdezenas de sistemas enzimáticos responsáveis pela produção deenergia, ação anti-RLs, integridade do colágeno e formação damelanina e elastina. Desde a década de 20, é conhecido o papel do cobre naresposta às anemias ferroprivas (80% dessas apresentam,concomitantemente, deficiência de cobre e zinco). O cobreparticipa do metabolismo do ferro e da síntese da hemoglobina,sendo necessário à incorporação do ferro ao grupamento heme. Encanamentos de cobre para água quente podem intoxicarseus moradores, por liberarem continuamente pequenasquantidades do metal, especialmente em cidades ou zonas cujaágua tiver pH ácido. Os quadros de pré- intoxicação cursamcom periódicas indisposições gastrointestinais. A primeira águada manhã, por permanecer mais tempo em contato com oscanos, apresenta os maiores teores. Baixos níveis de cobre no sangue ou no mineralogramasugerem deficiência na ingesta, má absorção ou deslocamentopelo zinco, molibdênio ou enxofre. Dietas exclusivamentelácteas e/ou diarreias frequentes são causas possíveis de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 41carência de cobre. Clinicamente, os baixos níveis de cobre estão associadosaos distúrbios do metabolismo do ferro, anemia, retardo nocrescimento, carência proteica, lesões cardiovasculares,aterosclerose, síntese fosfolipídica imperfeita, dermatoses,diminuição da produção de melanina (levando à pigmentaçãoanormal da pele ou à perda da cor do cabelo), desmineralização,fraturas e deformações nos ossos, hipercolesterolemia,alterações no metabolismo da tireoide, dores articulares e baixaimunidade. Este mineral costuma encontrar-se diminuído nascolagenoses e esta diminuição pode também favorecer à rupturada túnica elástica dos vasos sanguíneos. O excesso demolibdênio torna o cobre indisponível, ao formar complexosCu/Mo. O cobre é um cofator essencial à atividade de uma série deenzimas, incluindo citocromo C oxidase, lisil oxidase,ferroxidase, SOD, catalase, tirosinase, MAO, ácido ascórbicooxidase, uricase, dopamina hidroxilase, ureidosuccinase edescarboxilase oxaloacética. Também está envolvido naformação das catecolaminas e na conversão do triptofano emserotonina. Parece estar envolvido na absorção e transporte deferro e na síntese da hemoglobina; sua interação com o ferro éessencial para a eritropoese. Ainda, concorre para a manutençãoda mielina, do colágeno e da elastina, assim como para aformação dos ossos. Os níveis de cobre e, particularmente, da proteína que ocarrega - a ceruplasmina - são elevados pelos estrógenos. Seusníveis aumentam durante a gravidez. Os níveis altos de cobre podem ser fator de depressão pós-parto ou de psicose pós-parto.
    • 42 MINERAIS As mulheres que utilizam D.I.U. de cobre absorvem 30-50mcg/dia, quase 1% da quantidade absorvida através da dieta.Pessoas que aderiram à moda dos braceletes de cobre referirammelhora dos sintomas de artrite: o bracelete, sob a ação do suor,libera traços de cobre continuamente, que é absorvido pela pele. Os gluconatos e os aspartatos são melhor absorvidos doque os sais inorgânicos, porém a melhor absorção é a dosquelados. O cobre quelado com glicina é de 3 a 6 vezes melhorassimilado do que os sais inorgânicos de cobre; o magnésioquelado, cerca de 3 vezes melhor; o ferro quelado, 5 vezes; ozinco, cerca de 3 vezes. O colesterol é transformado em ácidos biliares pelametaloenzima hepática colesterol-7-alfa-hidroxilase, cobredependente; a carência deste mineral concorre para ahipercolesterolemia. O cobre e o zinco são necessários para a produção deTSH. O cobre (assim como o zinco) é necessário para ometabolismo periférico da tiroxina (T4) em triiodotironina (T3);logo, desequilíbrios na relação cobre/zinco poderão ser um fatorcausal de anormalidades na produção e utilização do hormônioda glândula tireoide. A deficiência de cobre pode favorecer o desenvolvimentode aneurismas, uma vez que diminui a atividade da enzimalisiloxidase, responsável pelo “cross-linking” das fibras decolágeno e elastina das paredes dos vasos. A ingesta de doses elevadas de cobre (acima de 5mg/dia),sem a devida reposição de zinco (na proporção de 1:5 a 1:15),diminui a ação da SOD citoplasmática, cobre e zincodependente, pois o excesso daquele reduz a absorção deste (evice-versa). O gosto de metal na boca pode ser indicador de excesso decobre, embora muitos outros metais produzam o mesmo
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 43sintoma. O excesso de cobre pode ser causa de hiperatividadeinfantil (outras causas são: déficit de vitamina B3, vitamina B6,taurina e magnésio, ou, ainda, excesso de fósforo). A forma em que um mineral se apresenta pode determinarsua utilização médica ou sua toxidez. O arsenito de cobre étóxico e o sulfato de cobre não é apropriado para uso humano. Ocobre glicina é muito bem tolerado. A associação do mineral a um aminoácido visa a aumentaro tropismo do mineral por um determinado órgão: o aspartatotem tropismo pelo coração; a arginina, pelos orgãosreprodutores; a histidina, pelo tecido nervoso; a lisina, pelasarticulações e o orotato, pelas mitocôndrias. A cardiopatia isquêmica é mais comum em pacientes comcarência de cobre. O miocárdio sofre intensa peroxidação,quando há insuficiente atividade da SOD (cobre/zincodependente). Pode-se usar o cobre como indicador da atividadeda cobre/zinco SOD, a qual contém 60% do cobre eritrocitário. A deficiência de cobre pode precipitar quadros deenfisema pulmonar, devido à diminuição da atividade da SOD, epor deficiência de alfa-1-antitripsina (cobre dependente) com aconsequente diminuição da elasticidade dos alvéolos. A administração de cobre, zinco, manganês e coenzima Q-10 parece atuar positivamente nos quadros iniciais dessapatologia. Embora as amostras de cabelos enviadas para análise(mineralograma) sofram lavagens nos laboratóriosespecializados, a remoção do cobre exógeno a ele aderido não éefetiva, interferindo, assim, com os resultados. O zinco aderidoao cabelo é um pouco melhor removido, embora ainda persistamníveis suficientes para evidenciar a contaminação externa. Umafonte importante de contaminação são os encanamentos decobre; ainda, “permanentes”, tinturas para o cabelo e algicidas
    • 44 MINERAIS(água de piscina). É trinta vezes mais fácil ocorrercontaminação externa pelo cobre do que pelo zinco. A dose diária ideal é de 0,014mg/kg de peso corporal. São fontes de cobre: fígado (8mg/100g), rins, coração,carnes vermelhas, frutos do mar (ostras possuem altasconcentrações), frutas, trigo, soja, levedo de cerveja, cacau,feijão e ervilha. O leite é pobre em cobre (0,2mg/100ml).Cromo Esse mineral foi isolado pelo químico francês Louis-Nicolas Vauquelin, em 1797, que o denominou cromo, queprovém da palavra grega ¨chroma¨, que significa cor, devido àscores variadas de seus sais. Em 1957, Kenneth Schwarz eWalter Mertz - nutricionistas do U. S. Agricultural ResearchService - foram os primeiros a relacionar a açãohipoglicemiante da levedura de cerveja (100mcg decromo/10g de levedura) à presença do cromo GTF (fator quese liga à insulina, favorecendo sua atividade). Em 1989,graças ao trabalho do Dr. Mertz, o cromo foi reconhecido comoelemento essencial ao metabolismo da glicose e dos ácidosgraxos, à ação da insulina e ao crescimento da massa muscular,já que facilita a liberação deste hormônio e sua ligação aostecidos. O cromo é um componente do “Fator de Tolerância aGlicose” (GTF), substância que trabalha com a insulina parafacilitar a entrada da glicose nas células, regulando os níveisglicêmicos. A molécula de GTF contém vitamina B3 (niacina),cromo e os aminoácidos glicina, ácido glutâmico e cisteína. A presença da vitamina B3 é importante para a respostaaos suplementos de cromo. A deficiência de cromo é comumnos diabéticos não insulino dependentes (DMNID) e pode
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 45contribuir para a resistência insulínica e para a elevação dosníveis de triglicerídeos e colesterol sérico. A administração decromo em portadores de diabetes mellitus 2 (DMNID) regula osníveis de glicose, diminui os níveis séricos de insulina,colesterol total e triglicerídeos e aumenta os níveis do HDL. Baixos níveis de cromo no sangue ou no mineralogramasugerem deficiência na ingesta e/ou má absorção; podem estarrelacionados à idade avançada, gravidez, alta ingesta decarboidratos refinados, diabete juvenil, alteração nometabolismo de proteínas e/ou depleção de reservas porconsumo metabólico excessivo. A carência de cromo induz à redução na atividade dainsulina, deficiência no metabolismo de açúcares (tolerância àglicose diminuída), deficiência no metabolismo de gorduras(especialmente colesterol), podendo também ser indicador dedepressão. A deficiência de cromo pode causar aumento da placa deateroma, elevação do colesterol LDL, aumento da dependência àinsulina (em diabéticos), alteração da resposta ao estresse eopacidade da córnea. O metabolismo da glicose pode ser avaliado no sangue outambém através do mineralograma, pelos níveis de cromo(juntamente com zinco, vanádio e manganês); baixos níveissugerem alteração no metabolismo da glicose. O cromo é o primeiro dos minerais a ter sua absorçãodiminuída, à medida que a idade avança; o lítio é o segundo,pois sua absorção é facilitada pelo cromo. A intolerância ao álcool pode ser um sinal de deficiênciade cromo. A excreção urinária de cromo aumenta sob a ação dostress de qualquer natureza, regime hipoproteicos, exercíciosfatigantes, hemorragia aguda, e infecções.
    • 46 MINERAIS O uso do cromo picolinato em alguns casos de obesidadetem demonstrado resultados encorajadores. A perda de peso ocorre pelo aumento da sensibilidadedas células à insulina, o que, além de regular níveis glicêmicos,também estimula a termogênese e aumento da massa muscular. A suplementação de cromo picolinato em atletasmostrou ser capaz de acelerar a redução da gordura corporalem 12,2% após 30 dias de suplementação (200mcg, 2 vezesao dia). A deficiência de cromo é muito comum nos EUA e noBrasil. O exame de confirmação pode ser feito no sangue.Atualmente, 90% dos americanos com mais de 50 anos têmdeficiência de cromo, devido à ingesta diária de apenas 50mcg(Richard Anderson e Adrianne Kozlovsky - Academia Nacionalde Ciências – EUA). Nos brasileiros, a deficiência é semelhante. No diabetesmellitus, a associação de cromo, manganês e zinco ajuda nocontrole dos níveis glicêmicos. Diabéticos que requerem de 60-80U/dia de insulina,podem reduzir para 30-40U/dia com o auxílio de cromo GTF. O aporte diário de cromo nos países nórdicos tambémestá abaixo das necessidades mínimas diárias. O cromo apresenta-se em dois estados de valência: ocromo III (biológico), e o cromo VI (industrial), que épotencialmente tóxico. Os sais de cromo VI podem causar lesões renais,hepáticas e neoplasias; à exposição da epiderme (trabalhadoresda indústria de cimento, cromagens, metalúrgicas) ocorredermatite química irritativa, que aparece nas zonas expostas. A inalação do pó de cromo VI ocasiona lesões nas viasaéreas superiores. O cromo III (existente no organismo), que
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 47faz parte da molécula de GTF, é apresentado comercialmentecomo cromo DNG (dinicotinato de glicina) ou cromo GTF(fator de tolerância à glicose). O cromo atua em sinergismo com a insulina, glicose,magnésio, vitamina B6, zinco, vitamina B3, glicina, cisteína eácido glutâmico. Suplementos de cromo devem ser tomados por quempratica exercícios físicos, por pessoas que se alimentam deprodutos refinados (cujo processo industrial expolia o cromo)e por indivíduos idosos (o processo de envelhecimento costumacursar com carência de cromo). Todos os diabéticos e pré-diabéticos têm deficiência decromo. O cromo, necessariamente, precisa ser administrado sobforma de quelado. Os sais de cromo inorgânico (como o cloreto) têm baixaabsorção (1%) e são tóxicos. O diabetes mellitus é a terceiracausa mortis nos EUA. A dieta americana, atualmente, é tremendamentedeficiente em cromo. O diabetes mellitus atinge 7,6% dosbrasileiros com mais de 30 anos; dentre outros fatores, a históriafamiliar, o excesso de peso e o sedentarismo colaboram para oseu desenvolvimento. Várias plantas medicinais são utilizadas no controle dastaxas glicêmicas (pata de vaca, pau ferro, carqueja, jambolão),sendo o alto teor de cromo e manganês o traço comum entreelas. O nível de cromo no cabelo é um bom indicador dosníveis teciduais e é mais confiável do que a dosagem na urina ouno sangue. Em geral, não é afetado por contaminação externa. O colesterol não é uma gordura, como muitos pensam,mas sim um álcool, que se combina com ácidos graxos. Cerca
    • 48 MINERAISde 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, nofígado; o restante provém dos produtos de origem animal.Níveis elevados de colesterol estão associados à aterosclerose. Há diferentes tipos de colesterol. Na realidade são amesma substância, só que ligada a diferentes lipoproteínas. O colesterol ligado à apo-lipoproteína-A forma o HDL,que é o colesterol “bom”; quando ligado à apo-liproteína-B,origina o LDL, que é o colesterol “ruim”. O HDL impede a oxidação do LDL em condiçõesnormais. Sob situações de grande stress (como grandescirurgias ou grandes infecções) o HDL pára de ativar a enzimaparaoxinase, perdendo, então, suas propriedades antioxidantes. A administração de 100mcg de cromo (2 vezes ao dia),durante 6 semanas, induz a uma elevação do HDL (da ordem de17,8%), com decréscimo igual do indesejável LDL. Osresultados são melhores em períodos mais prolongados, comdoses um pouco mais elevadas (400mcg/dia). Doses de até 600mcg/dia de cromo são consideradasseguras. São fontes de cromo: levedo de cerveja (a melhor fonte),cereais integrais, condimentos (pimenta preta, tomilho), carnes,fígado, ostras, mexilhões, ovos, queijos, cogumelos. Osalimentos refinados apresentam teores mais baixos. No melaçopuro encontramos 0,26mcg/g de melaço, 0,16mcg/g no açúcarnão refinado e somente 0,02mcg/g no açúcar refinado. Afarinha integral contem 1,75mcg/g , a farinha branca 0,60mcg/ge o pão branco 0,14mcg/g. ( Wolff, 1974).
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 49Enxofre As propriedades terapêuticas do enxofre são conhecidasdesde a Antiguidade. Afrescos descobertos em Pompeia jámostravam seu uso naquela época. O grego Homero, ainda naAntiguidade, termina seu magistral clássico “A Odisseia” coma purificação (com enxofre) da casa de Ulisses, após o massacredos pretendentes de sua esposa e de seus servos infiéis(Odisseia XXII, 605-621). Foi Lavoisier quem demonstrou queo enxofre era um elemento químico e não um composto, comoaté então se pensava. O enxofre é componente de todos os tecidos do corpo,especialmente do cabelo, músculos e pele. A maior parte do enxofre corporal está ligada aaminoácidos (metionina, taurina, cistina e cisteína); também éum componente da vitamina B1, da biotina, da insulina, daglutationa, da queratina, do ácido hialurônico, da coenzima A,do SAME, da condroitina sulfato e da glucosamina sulfato. Está envolvido na formação dos ossos, dos dentes e dosácidos biliares (a cisteína origina taurina, que, por sua vez,forma o ácido taurocólico). Ativa inúmeros sistemasenzimáticos; favorece a conversão de proteínas, carboidratos egorduras em energia, e é importante varredor de metais tóxicosdo organismo, ao formar com eles complexos inertes ou commenor toxidade. Sua ação é aumentada na presença da vitaminaB1, vitamina B5, biotina e ácido lipoico. Por sua ação sobre apele, cabelo e unhas, é conhecido como mineral da beleza. O enxofre é um elemento essencial para o organismo. Osníveis de enxofre no sangue ou no cabelo estão correlacionadoscom a ingesta e com o seu nível nos tecidos. O cabelo é sensível à contaminação externa por algunscondicionadores. O enxofre elevado no cabelo, na ausência decontaminação externa, está relacionado com um aumento deste
    • 50 MINERAISelemento no corpo ou com um desequilíbrio no metabolismo.Uma dieta muito rica em proteínas e/ou uma suplementaçãoexcessiva de aminoácidos enxofrados poderia elevar seus níveis. A possibilidade de problemas com sulfatos e sulfetos, ascistinoses, a disfunção biliar e a doença renal são riscos a seremconsiderados se o nível de enxofre no cabelo estiverconsistentemente alto. Uma dieta que careça radicalmente de proteínas redundaráem níveis baixos de enxofre no organismo e no cabelo, ou seja,em baixos níveis de tiamina, biotina e de aminoácidosenxofrados. Depressão, queda de cabelo e unhas quebradiças podemacompanhar os baixos níveis de enxofre, assim como o aumentodo risco cardíaco. Níveis baixos de enxofre também podemsugerir má-absorção, alterações no metabolismo dosaminoácidos e deficiência de vitamina B6. As sulfatases, enzimas catalisadoras do enxofre,promovem a remoção do excesso de radicais SO4, formadosdurante o metabolismo dos mucopolissacarídeos. O excessodesses radicais altera a forma e o metabolismo do colágeno. São fontes de enxofre: carnes vermelhas, peixes, leite,feijão, cebola, alho, couve de Bruxelas e repolho. As gemas deovos são excelente fonte. Pacientes que não ingerem ovospodem apresentar deficiência de enxofre. Os aminoácidosenxofrados (cistina, cisteina, metionina e taurina) também sãofontes de enxofre.Ferro Foi um dos primeiros minerais a serem suplementados nahistória da Medicina (a suplementação de ferro está presenteem quase todas as culturas). Um dos primeiros povos a utilizá-
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 51lo foram os hititas, em 1200 a.C.. Em 1713, a presença do ferrono sangue foi evidenciada por Menghini, ao submeter amostrasde sangue seco ao campo magnético de um imã. Logo após suadescoberta, passou a vender comprimidos de sangue em pó,com grande sucesso,especialmente para jovens senhoras. Suaessencialidade foi provada pelo químico francês Jean BaptisteBoussingault. Atribui-se a Sydenham a primeira descrição daanemia ferropriva, em 1681. O corpo humano possui cerca de 5g de ferro, estando70% dele ligado a hemoglobina e a mioglobina. Os restantes30% estão distribuídos pelo fígado, baço e medula óssea. A anemia ferropriva é hoje a principal doença nutricionaldo mundo, acometendo cerca de um bilhão de pessoas. NoBrasil, a incidência é bastante elevada (em determinadasregiões atinge mais de 60% da população), ocorrendo maisfrequentemente em pré-escolares e gestantes, embora aconteçaem todas as classes sociais e faixas etárias. A deficiência de ferro acarreta diminuição da imunidade,por reduzir a proliferação dos linfócitos e a sua imuno-competência; diminuição da capacidade de trabalho e daresistência ao esforço, devido ao papel do ferro no transporte deoxigênio; interfere na aprendizagem e também nodesenvolvimento mental e motor. A criança deficiente em ferro apresenta diminuição daatenção, da memória, da capacidade de verbalização e menorrendimento escolar. Pode apresentar, por fim, alterações deconduta: a pagofagia (hábito de comer gelo), a geofagia (hábitode comer terra) e a pica (mastigação de pedras ou fibras) estãorelacionadas com a anemia ferropriva. Nas anemias ferroprivas, recomenda-se a suplementaçãocom ferro glicina (ferro quelado), cuja absorção é muitosuperior à das formas inorgânicas (sulfato ferroso, p.e.). Doses
    • 52 MINERAISem torno de 20-40mg/dia são adequadas para reverter a anemiaem prazos bem menores, se comparados ao sulfato ferroso. Emalguns casos, a recuperação do hematócrito mostra resultadossurpreendentes em apenas 20-30 dias, ao passo que, utilizandoo tradicional sulfato ferroso, esse prazo sobe para 50-60 dias. Na carência real de ferro, os baixos níveis encontrados nomineralograma parecem anteceder aos baixos níveis séricos. Omineralograma isoladamente não é um bom parâmetro para quese faça reposição do mineral, devendo ser dosados o ferro séricoe a ferritina. A reposição em anêmicos ferroprivos melhora acapacidade de trabalho em cerca de 12%. O ferro no cabelopode estar elevado devido à lavagem em água artesianacontendo o metal. A carência de ferro pode manifestar-se clinicamente poranemia (hipocrômica e microcítica) e sintomas relativos,irritabilidade, diminuição da síntese proteica e desenvolvimentoponderal retardado em crianças. A deficiência de ferro tambémdiminui a eficácia do sistema imune, além de favorecer umaumento na absorção e fixação do chumbo (maiorsuscetibilidade à intoxicação). Nos EUA, cerca de 20% da população apresenta baixasreservas de ferro. O uso continuado de estrogênio diminui osníveis de ferro; a hipocloridria também o faz, visto que aabsorção deste metal se dá em pH ácido. Ácido ascórbico, ácidoclorídrico, metionina, cisteína e baixos níveis circulantes deferro aumentam a absorção. O ácido ascórbico é o mais potenteacelerador da absorção de ferro (até 5 vezes), formando umquelado solúvel no intestino delgado. Os fitatos (presentes nos cereais), oxalatos (contidos nasverduras de folhas escuras), fosfatos (presentes nos antiácidos),taninos (presentes no café e no chá), fibras e celulose são
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 53queladores de metais, formando sais insolúveis que serãoeliminados pelas fezes; logo, o ferro contido nos vegetais (ferronão-heme), é menos absorvido do que o ferro das fontesanimais (ferro heme). Somente 35% do ferro presente no feijãoé absorvido. O excesso de fósforo ou zinco também diminui abiodisponibilidade do ferro. O sulfato ferroso (ferro inorgânico) é o suplemento deferro mais barato e o mais utilizado em formulações; por serutilizado em altas doses pode ocasionar náuseas e epigastralgia.As formas orgânicas de ferro (gluconato, citrato e fumaratoferroso) também são utilizados em suplementos. A forma idealde se administrar ferro, porém, é a forma quelada com oaminoácido glicina (ferro glicina), mais bem tolerada e maisativa. O ferro é melhor absorvido quando tomado pela manhã ena presença de sucos ácidos ou vitamina C. A anemia ferropriva sugere carências importantes deoutros nutrientes, além do ferro. Cerca de 80% desses pacientesapresentam, concomitantemente, deficiências de cobre, zinco,ácido fólico e vitamina B12. A associação destes minerais àvitamina B12 e ao ácido fólico proporciona resultadosespetaculares, abreviando o tempo para a normalização doeritrograma. A vitamina C garante a presença do ferro na forma ferrosa(Fe+2), de absorção mais fácil e eficiente. O ferro na formaférrica (Fe+3) precisa passar a forma ferrosa para ser absorvido. Diversos estudos mostram que a deficiência de ferroocasiona um aumento na absorção de chumbo, especialmenteem crianças. Tal fato pode acarretar sérios problemas emregiões onde a deficiência de ferro ocorre concomitante comuma alta e constante exposição ao chumbo. Entre as inúmeras funções importantes do ferro estão: otransporte de oxigênio e gás carbônico pela hemoglobina e
    • 54 MINERAISmioglobina; a fosforilação oxidativa nos citocromos; a ativaçãocatalítica de enzimas; a fagocitose; a estimulação da imunidadegeral e dos linfócitos T e, ainda, a melhora do desempenhofísico. O excesso de ferro (hemossiderose ou hemacromatose)favorece a peroxidação lipídica e depleta as reservas devitamina C. Na hemocromatose ocorre a deposição patológicade ferro em determinados orgãos, sendo o fígado o primeiro aser comprometido e o diagnóstico definitivo de hemocromatoseé a biópsia hepática. podendo evoluir para cirrose (destes, 30%desenvolverão carcinoma hepatocelular). Também ocorredeposição de melanina e hemossiderina na camada basal dapele; o ferro plasmático e a ferritina sérica encontram-seelevados. Cardiomiopatia severa pode fazer parte do quadro. As mulheres em idade reprodutiva perdem quantidadesapreciáveis de ferro durante o período menstrual (15 a 20mg deferro). Quantidades menores, em torno de 1mg/dia, podem serperdidos através da urina e das fezes. Cervejas caseiras, fermentadas em vasilhames de ferrolevam à ingestão excessiva do mineral, sendo causa de cirrosehepática em populações negras na África do Sul. A utilizaçãode recipientes de ferro também leva ao excesso deste emtecidos corporais. Frutas, legumes e sucos enlatados tambémpodem apresentar altos níveis de ferro dissolvidos, quandoembalados em latas de baixa qualidade. O ferro, quando na forma livre (não ligado a proteínas), éum potente gerador de RLs, estando seus altos níveisassociados a inúmeras patologias degenerativas. Homens com níveis de ferritina acima de 200mcg/litro desangue têm probabilidade duas vezes maior de sofrer infartoagudo do miocárdio, se comparados com os demais; ferritina ecolesterol elevados aumentam em 4 vezes o risco. A perda
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 55mensal de ferro devida à menstruação protege a mulher contradoenças cardíacas e degenerativas. Após a menopausa, asmulheres passam a apresentar maior risco para estas doenças,provavelmente pelo aumento das reservas de ferro (teoriaproposta pelo médico patologista americano Gerome Sullivan),além de outros fatores. A reserva excessiva de ferro (potencialgerador de RLs), pode ser tratada adequada e eficazmente pelomedicamento homeopático Ferro metálico CH7, CH12 ouCH30 (10 gotas vo 2 vezes ao dia). A deficiência de ferro é um fator para o surgimento decâimbras noturnas nos membros inferiores de gestantes e deidosos (a suplementação de 20mg/dia reduz ou elimina ascâimbras). Atualmente, no Brasil, começa a haver o enriquecimentode alimentos com ferro e vitaminas. A adição de ferro aqualquer alimento pode expor a graves riscos a população quejá apresenta reserva elevada (comum na faixa etária dos 40 aos60 anos). São fontes de ferro: carnes (2 a 4mg/100g), fígado(9mg/100g), aves, peixes, aspargo, aveia, feijão, melado, ovos(2mg/100g) e soja. A absorção do ferro depende da sua formano alimento. O ferro das fontes animais (ferro heme) é melhorabsorvido que o ferro das fontes vegetais (não-heme) Umalimento é considerado uma boa fonte quando, pelo menos,10% de seu conteúdo é absorvido.O pH ácido eleva em até 3vezes a absorção do ferro.Fósforo Em 1669, o químico alemão Henning Brand, procurandoalguma coisa que lhe permitisse criar o ouro, acabou por obteruma substância branca que brilhava no ar e inflamava-se
    • 56 MINERAISespontaneamente, a chamou de fósforo, que deriva da palavragrega “phosphorus” (portador da luz). É o segundo mineral em abundância no corpo humano, naforma de fosfato de cálcio (85%). Um homem de 70kg possuicerca de 500g de fósforo (P). Um dos elementos maisimportantes, dentre os que contêm fósforo em sua estrutura, é oATP. Combina-se com gorduras a fim de formar fosfolipídios,que são necessários à estrutura da membrana celular e dosistema nervoso. A relação Ca/P é fundamental para a absorçãoe excreção de cálcio e fósforo: quando um está em excesso,obrigatoriamente a excreção do outro está aumentada. Asparatireoides regulam os níveis sanguíneos de ambos. É fundamental ao metabolismo dos ossos e dentes, àformação da membrana celular e sistema nervoso e à ação devárias enzimas. Antiácidos, ferro e magnésio costumam reduzira absorção do fósforo. O neurologista alemão HenrichHoffmann acredita que o excesso de fósforo na alimentação decrianças seja capaz de desencadear quadros de hiperatividadeinfantil. O fósforo é um dos principais componentes dos ossos edos dentes. A assimilação do fósforo, assim como a do cálcio, éregulada pela vitamina D e pelo paratormônio. Os fosfatos estãopresentes em todas as células do corpo, estando envolvidos nosprocessos associados à produção de energia. O íon fosfatodificulta a absorção de cálcio e, quando em excesso, induz à suadeposição em locais atípicos (ex: bico de papagaio). O nível defósforo no cabelo não está correlacionado com o fósforoingerido na dieta; entretanto, pode estar correlacionado comníveis anormais de cálcio, metabolismo anormal da vitamina D,hipo e hiperparatireoidismo e, possivelmente, por níveisanormais de magnésio. Os níveis de fósforo podem serconfirmados no sangue ou na urina de 24 horas.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 57 A deficiência de fósforo é rara devido à sua abundâncianos alimentos; já, quantidades excessivas são frequentes devidoaos adubos fosforados, refrigerantes tipo cola e alimentosindustrializados. Refrigerantes são ricos em fósforo devido aotamponamento com fosfatos. Nos EUA, em 1981, o consumoper capita de refrigerantes tipo cola foi de 100 litros. Osrefrigerantes contêm 500mg de fósforo por garrafa de 300 ml,geralmente sob a forma de ácido fosfórico. O homem moderno ingere, pelo menos, três vezes maisfósforo do que o desejável. Nos últimos 30 anos, a ingestão defósforo passou de 1,5 para 4 g/dia. As fontes deste excesso são:alimentos produzidos em solos adubados com fósforo;alimentos industrializados; refrigerantes do tipo cola; pães;farinhas; margarina; pescados (para reter a água quando houvercongelamento); carnes e, em especial, queijos, presunto eembutidos (derivados fosfóricos são usados para emulsionar asgorduras e reter a água). A toxicidade do fósforo é baixíssima, não sendoconhecidos casos de intoxicação através de suplementos, quesão facilmente eliminados pela urina. São fontes de fósforo: leite (1ml=1mg de fósforo) ederivados, ovos (220mg/100g), peixes, frangos, carnesvermelhas, alimentos industrializados (como conservante) erefrigerantes tipo cola. Na alimentação, deve haver umaproporção na relação Ca/P de 1 para 1 ou 1,5 para 1. A dietaamericana é muito rica em fósforo (relação Ca/P até 1:4), o quefavorece a desmineralização óssea.Germânio No verão de 1885, um mineral foi encontrado na minaalemã de Himmelsfurst (Freiberg) a que foi dado, inicialmente,o nome de argirodite. Como não era conhecida a composição
    • 58 MINERAISquímica exata do novo mineral amostras foram encaminhadas aFreiberg para a análise química. O reconhecimento edivulgação do novo elemento foi feita pelo químico alemãoClements Alexander Winkler, em 1886 e seu nome dado emhomenagem à Alemanha, antigamente denominada Germânia. Kuzihiko Asai, pesquisador japonês, observou grandesconcentrações de germânio em plantas medicinais e imaginouque o germânio, isolado, poderia ser útil à manutenção dasaúde. Via oral, a absorção do sesquióxido de germânio chega àtaxa de 30%. Estudos em animais imunodeprimidos e empacientes com doenças malignas sugerem que o germânio ajudaa normalizar a função das células T e linfócitos B, exercendoprofunda influência no sistema imune. O tamanho do sesquióxido de germânio permite suarápida absorção e transporte através das membranas. Seu sítioativo parece ser a cadeia respiratória (nas mitocôndrias),incrementando a eficácia do elétron transportador de oxigênio.Ele facilita a difusão do oxigênio pelas células e tecidos,catalisando e otimizando sua utilização; é preconizado nadesaceleração do envelhecimento, por sua capacidade dediminuir a amiloidose (uma das alterações envolvidas nesteprocesso) e é útil nos casos de contaminação por metaispesados, asma, artrite reumatoide, diabete e hipertensão. Umdos riscos do emprego do germânio é o de causar alergias e, emaltas doses, lesão renal. O germânio é um elemento não essencial compropriedades semelhantes ao silício. Pequenas concentrações degermânio (ppm) estão presentes em alimentos de origem animale vegetal. O germânio possui atividade antioxidante, diminui ooxigênio por partes dos tecidos o que o faz importante em váriasdoenças de fundo arterioesclerótico (hipertensão e isquemiamiocárdica) e vasculopáticas (doença de Renaud, vasculopatiadiabética, entre outras). Na França, em razão de sua ação sobre
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 59o sistema imunitário, tem sido usado para melhora do estado depessoas cancerosa. Também tem sido indicado no tratamento dealgumas patologias mentais com a psicose crônica, a depressãoe os dirtubios de humor. Tem ação bactericida e tem sidoutilizado em quimioterapia. As formas orgânicas do germânio (sesquióxido degermânio e germânio quelado) são usadas como agente antivirale imunoestimulante (5 a 30mg/dia). Os compostos orgânicos sãode baixa toxicidade.As formas inorgânicas de germânio sãoconsideradas menos seguras, podendo lesar os rins em altasdoses (acima de 50mg/dia). O germânio é quimicamentesemelhante ao estanho e ao chumbo. Alguns produtos macrobióticos, como as ervas Kashi,Sankuzan e Hishi, têm excelentes taxas de germânio. NaCoreia, descobriu-se que, nos terrenos onde crescem osmelhores ginsengs, o solo é riquíssimo em germânio. Na formasesquióxido é bastante caro, pois a quantidade encontrada emvegetais é ínfima. Até o momento, existe apenas uma indústriaque produz o sesquióxido de germânio, localizada no Japão. São fontes de germânio: aveia, alho, ginseng, clorela(alga), chá verde, aloe, confrei e cogumelos. Outras formasdevem ser evitadas devido ao seu efeito cumulativo, que podecausar falência renal, miopatias e “rush” cutâneo (dióxido degermânio, por exemplo).Iodo O iodo foi descoberto em 1811, no laboratório dofarmacêutico francês Bernard Courtois, quando tentava obtersalitre de algas marinhas para o exército de Napoleão. Seunome deve-se à palavra grega “iodes”, cujo significado é corvioleta. Em 1816, Coindet, médico de Genebra, descobriu aimportância do iodo para a glândula tireoide. Em 1831, o
    • 60 MINERAISquímico francês Boussingault recomendou ao governo daColômbia a adição de iodo ao sal de cozinha para o tratamentodo bócio. Em 1850, Chatton demonstrou que o bócio endêmicoprovinha da carência de iodo. Em 1895, Bammann descobriuque a tireoide continha iodo e que esta glândula era seu grandedepósito. Napoleão foi o primeiro a mandar fazer uma pesquisaepidemiológica sobre o bócio, pois os jovens com bócio eramconsiderados incapazes para o serviço militar. A partir de 1924, a adição de iodo ao sal de cozinha(30mg de iodeto/1kg de sal) tornou-se obrigatória no estado deMichigan (USA), após a constatação de bócio em 47% de suapopulação. Logo após, a prática disseminou-se, o quepraticamente erradicou o bócio endêmico nos EUA. A O.M.S.estima que existam no mundo mais de 200 milhões de pessoascom bócio carencial. Doses de iodo maiores do que 25 vezes aRDA podem ocasionar problemas, como hiperatividade,hipertireoidismo, etc. O uso da alga marinha data do ano 600 dC (na China);ainda hoje é utilizada na prevenção e no tratamento do bócio,graças ao seu elevado teor de iodo. A alga mais utilizada emterapêutica é o Kelp, uma alga marrom encontrada nas águasfrias do Mar do Norte (100mg de Kelp standartizado contém100mcg de iodo orgânico). Outra alga utilizada é o Fucus(Fucus vesiculosus). Doses excessivas de iodo (acima de600mcg/dia) ou de iodeto de potássio presente nas formulaçõesexpectorantes podem bloquear a função da glândula tireoide,desenvolvendo quadro de hipotireoidismo. É um elemento essencial para a formação dos hormôniosda tireoide. O nível de iodo no cabelo varia de acordo com aquantidade ingerida e a condição clínica do indivíduo, podendohaver contaminação externa. Está presente em quantidades mui-to pequenas no solo e nos alimentos. O organismo desenvolveuum mecanismo complexo para garantir sua absorção, retenção e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 61concentração (é facilmente absorvido, tanto na forma orgânicacomo na forma inorgânica). O iodo se liga ao resíduo detirosina, na tireoglobulina, para formar T-3 e T-4. Nomineralograma o principal indicador de hipotireoidismo é obaixo teor de iodo, que pode estar acompanhado por zinco emanganês baixos. Baixos níveis de tirosina no plasma tambémtêm sido associados ao hipotireoidismo. São fontes de iodo: algas marinhas (especialmente oKelp), frutos do mar (moluscos, lagostas, sardinhas, bacalhau,haddock e outros peixes), vegetais marinhos, cebola, vagem,agrião, nabo, rabanete, alho porró e sal iodado. Também eencontrado em algumas frutas, como o ananás, groselhas eameixas. O teor de iodo nos vegetais depende diretamente dosníveis de iodo presentes no solo.Lítio O nome lítio origina-se da palavra grega “lithos”, quesignifica pedra, pois os cristais de lítio formam rochasverdadeiramente duras. As maiores reservas mundiais domineral (a metade) estão localizadas na Bolívia, nas salinas deUyuni. O lítio foi descoberto pelo químico sueco Johan AugustArfwedson, em 1817. Em 1877 S.W. Mitchell, neurologista daFiladélfia utilizou sais de lítio e de bromo em sua clínica comresultados favoráveis. Foi definitivamente introduzido napsiquiatria por John Cade, em 1949 (Austrália). A divulgaçãode seu trabalho teve escassa repercussão. O lítio foi a primeira droga de sucesso usada na mania,antes da carbamazepina (1952), considerada um marco naterapêutica psiquiátrica. Em 1953, surgiram os trabalhos dodinamarquês Mogen Schou e de Aarus e, em 1954, retomaram-se os trabalhos com lítio, especialmente no tratamento daspsicoses maníaco-depressivas.
    • 62 MINERAIS Pesquisas sobre o papel do lítio no comportamento têmsido prejudicadas porque seus efeitos variam muito conforme avia de administração, dose, forma química e outros fatores. Éindicado nos estados maníacos e depressivos, embora algunspacientes deprimidos apresentem distúrbios bioquímicos quedificultam a penetração do lítio através da membrana celular. O lítio parece ser um elemento-traço essencial, do qual oorganismo necessita 2-3mg diários. Parece ser um moduladorna conversão de ácidos graxos essenciais em prostaglandinas,regulando sua produção; é também um estabilizador doneurotransmissor serotonina. O uso do lítio na gravidez e na lactação deve ser evitado,pois ele é excretado no leite materno e existem trabalhosrelatando casos de hipotonia, hipotermia, cianose e alteraçõeseletrocardiográficas no lactente. O lítio, ao contrário da maior parte dos princípios ativos,não se liga a proteínas plasmáticas e se distribui de forma nãouniforme pelos líquidos corporais. O lítio não deve ser usado durante os primeiros três mesesde gestação devido ao risco de teratogênese, que ocorre em 3%dos fetos. O lítio pode prevenir a recorrência dos surtos maníacosou depressivos, pela regulação de receptores presentes nasuperfície da membrana celular. O lítio inibe o aumento donúmero de receptores de acetilcolina no cérebro, o que ajuda naprevenção da mania. Tem sido usado no tratamento dealcoolistas, por ser capaz de desenvolver aversão ao álcool emalgumas pessoas. Também pode beneficiar pacientes com asíndrome de Menière. O sinergismo entre lítio-serotonina-noradrenalina éimportante para produzir melatonina, e para facilitar a síntesede serotonina, formando o círculo virtuoso serotonina-
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 63melatonina, reduzido nas depressões e nas esquizofrenias. Osinergismo triptofano-tirosina produz CCK-8-S, antidepressivovárias vezes mais potente do que o CCK-8 (o S é enxofreperdido no stress oxidativo). O lítio facilita a síntese deantioxidantes primários (SOD, glutation peroxidase e catalase),aumentando a CCK-8-S e reduzindo a destruição de triptofanoe tirosina. Não está, ainda, bem definido o mecanismo de ação dolítio no tratamento da depressão. Sabe-se que nos indivíduosdeprimidos ocorre um acúmulo de sódio a nível intracelular,desequilibrando a relação Na/K. O lítio é um elemento com propriedades químicassimilares ao sódio e tem estreita relação com o potássio.Aparentemente (por essas propriedades) ajuda a restabelecer oequilíbrio das membranas celulares nos pacientes deprimidos ouem fase maníaca da PMD. O lítio diminui a liberação de monoaminas no SNC, semafetar a liberação da serotonina. Colabora para a diminuição doefeito osmótico da arginina-vasopressina via redução do AMP-cíclico, o que se relaciona com diabete insípida e alteraçãotireoidiana. A teoria mais aceita atualmente diz que o lítiofunciona através do bloqueio da enzima inositol-1-fosfatase, dosneurônios. Essa inibição resulta em uma diminuição dasrespostas celulares aos neurotransmissores, que estão ligadosaos sistemas de segundos mensageiros do fosfatidilinositol. Ao iniciar o tratamento da depressão com inibidores darecaptação de serotonina (fluoxetina, sertralina, entre outros)20% dos pacientes têm excesso de HT2, exacerbando aansiedade, a agressividade e a queda da auto-estima. Aadministração de lítio deve preceder de 5 a 10 dias àadministração de antidepressivos. O lítio aumenta o número dosreceptores HT (que amplificam as emoções positivas de prazer e
    • 64 MINERAISauto-estima) e diminui os receptores HT2, melhorando aresposta terapêutica. O precursor da serotonina é o triptofano,havendo a participação de cromo, cobalto e lítio. O lítio é importante para a consolidação de experiênciaspositivas e negativas, e para a recordação e “brain storming”,exercícios de criatividade durante o sono REM e durante osciclos ultradianos de 90 em 90 minutos (em vigília). No século passado, o lítio foi utilizado no tratamento daartrite gotosa e do cálculo renal (de ácido úrico); desde suadescoberta, sabe-se que o carbonato de lítio é capaz de dissolveros uratos. Nos anos 40, o lítio chegou a ser utilizado como salde dieta, o que desencadeou inúmeros casos de intoxicação.Doses excessivas de lítio interferem com a produção e a açãodos hormônios tireoidianos e do TSH. O excesso de lítiotambém altera o metabolismo do potássio a nível da membranacelular, causando hiperpotassemia. Médicos ortomolecularesutilizam o lítio em pequenas doses diárias (1mg/kg de peso),como modulador do humor, em pacientes com baixa auto-estimae depressões leves, apoiados na propriedade deste mineral decatalisar várias e importantes rotas bioquímicas cerebrais. Dosesde até 100mg/dia não necessitam de monitoração. É necessário o acompanhamento hematológico emusuários crônicos do carbonato de lítio, em especial quando emaltas doses (devido a sua toxicidade). Avaliações periódicas daglândula tireoide fazem parte do acompanhamento destespacientes. Produz distúrbios no transporte de minerais - atravésda membrana celular - e no balanço dos fluidos. Pode produzirnáuseas, vômitos, tremor, aumento da diurese, ganha de peso,confusão mental, desorientação, delírio, erupções na pele, acne,alterações renais, coma e até morte. A deficiência de lítio manifesta-se clinicamente sobdiferentes formas, de acordo com o perfil psicológico do
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 65indivíduo: nos depressivos, pode induzir ao suicídio; noshipomaníacos, baixos teores de lítio podem impelir aohomicídio. Nestes indivíduos, o stress gera revolta, enquantoque, naqueles, gera medo e ansiedade. A carência aguda empessoas normais parece induzir a uma maior possibilidade deenvolvimento em acidentes de trânsito. Níveis aumentados de lítio podem levar ao aumento depeso, hipotireoidismo, osteoporose, fadiga, leucocitose,eosinofilia, queda de cabelo, hipercalciuria e diabete insipidarenal induzida. Na PMD, o lítio exerce efeitos favoráveis alongo prazo, diminuindo o risco de entrar em surto maníaco oudepressivo. A margem entre as doses terapêuticas e tóxicas docarbonato de lítio é muito estreita e a avaliação periódica dosníveis séricos deve ser efetuada. O orotato de lítio é mais seguropor ser 5 vezes mais ativo e menos tóxico. A interferência doorotato de lítio sobre a tireoide é rara. É possível o surgimentode efeitos secundários, como o tremor nas mãos e diabeteinsípida (o lítio inibe a secreção de hormônio antidiurético).Pode haver ganho de peso importante (5 kg em 5 semanas, 14kg em um ano), por mecanismos ainda desconhecidos. Hádiversas hipóteses, como diminuição das funções da glândulatireoide e ação direta sobre os centros reguladores da fome e daansiedade, que faz passar do estado de agitação ao de calma. A intoxicação por lítio é sempre grave e, sem o tratamentoadequado, é alta a taxa de mortalidade (até 20% dos casos). Emanimais, foi demonstrada a possibilidade de efeitosteratogênicos. A eliminação de lítio pelo leite materno ésuficiente para produzir intoxicação aguda nos recém-nascidos. O lítio é normalmente encontrado no cabelo e seu nívelestá correlacionado com a exposição. Está presente em baixasconcentrações na água, produtos vegetais e em produtos deorigem animal. Níveis baixos no mineralograma sugeremingestão insuficiente e/ou má-absorção; alterações de humor
    • 66 MINERAIS(principalmente depressão) podem ser observadas nestespacientes. Níveis altos podem estar associados ao uso de sais debanho contendo lítio ou a medicamentos à base de lítio. O lítioacumula-se primariamente na glândula hipófise e na tireoide;quando em altos níveis, interfere na captação do iodo, bloqueandoa produção de tiroxina. Os níveis terapêuticos nos pacientes emuso de carbonato de lítio podem ser confirmados no sangue (7ppb- 10ppb) e nas hemácias (lítio eritrocitário). Dosagens séricas empacientes que não usam carbonato de lítio acusam valorespróximos ou iguais a zero (dosagens séricas só servem parapacientes em uso de lítio). A avaliação dos teores de lítio empacientes que não tomam carbonato de lítio deve ser realizada peladosagem de lítio nos eritrócitos (lítio eritrocitário, tambémchamado lítio endógeno). O orotato de lítio é transportado pelos eritrócitos; por estarazão as doses terapêuticas são inferiores às do carbonato delítio (que é transportado pelo plasma), sendo menores os efeitoscolaterais. Nas depressões refratárias ao carbonato de lítio, asubstituição pelo orotato logra uma elevação do lítio nomineralograma, concomitantemente com uma melhora clínica.A melhora é mais acentuada quando acompanhada daadministração conjunta de cromo e cobalto, pois estes elementosaumentam a síntese da serotonina, cuja deficiência éresponsável por cerca de 70% das depressões. Intoxicações por lítio também podem estar ligadas àsintoxicações profissionais. O lítio faz parte de vários sais deutilização industrial, como as soldas de alumínio, e dafabricação de porcelanas, onde é utilizado na forma de fluoretode lítio. Como iodeto de lítio é utilizado em filmes fotográficos.O carbonato de lítio também é utilizado por fabricantes deporcelana. O percolato e o borato de lítio estão presentes nacomposição de esmaltes, e o benzoato de lítio é utilizado emlubrificantes industriais.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 67 Os sintomas de lítio elevado são vômitos, dor abdominal,diarreia profusa, tremor severo, ataxia, arritmias cardíacas,coma e convulsões. Os sinais neurológicos iniciam comdisartria, hiperreflexia e confusão mental, quadro que progridepara o coma. A toxicidade do lítio requer atenção médicaimediata. As cápsulas de óleo de linhaça (500-1000mg), além deserem fonte de omega 3 e omega 6, também são razoável fontede lítio, como elemento-traço (1 cápsula vo 2 vezes ao dia). São fontes de lítio: algumas águas minerais, cana deaçúcar, semente de linhaça (2 colheres de sopa/dia fornecem asnecessidades diárias), óleo de linhaça, óleo de prímula e tabaco.O lítio se encontra nas rochas ferromagnésicas, substituindo omagnésio. As águas destas regiões podem apresentar elevadasconcentrações de lítio, mas nunca em teor suficiente paradesencadear efeitos tóxicos. INTERAÇÕES ENTRE MINERAIS A Roda Mineral Fonte: H. DeWayne. 1970 J.Applied Nutrition
    • 68 MINERAIS INTERAÇÕES BIOQUÍMICAS O excesso de cálcio desloca manganês, magnésio, fósforo e zinco. O excesso de cobre desloca ferro, fósforo e zinco. O excesso de cádmio desloca cobre e zinco. O excesso de ferro desloca fósforo e potássio. O excesso de fósforo desloca cálcio, ferro, magnésio, manganês e zinco. O excesso de magnésio desloca cálcio e fósforo. O excesso de manganês desloca ferro, fósforo, magnésio e potássio. O excesso de potássio desloca ferro, manganês e sódio. O excesso de sódio desloca potássio. O excesso de zinco desloca cádmio, cobre, ferro e fósforo.Magnésio O magnésio foi descoberto em 1755 pelo escocês JosephBlack. É o 8º elemento mais abundante da Terra. Um dos seusprimeiros usos conhecidos foi como laxante, descoberta estaatribuída aos romanos em Magnésia (Tessália, Grécia). NaIdade Média, P. Delbet e D. Bertrand demonstraram suaimportância biológica para a agricultura e alimentação. Foiisolado por Davy (1808) e sintetizado pelo químico Justus VonLiebig (1928). Em 1926, o magnésio foi reconhecido comomineral essencial ao homem. É um mineral encontrado em abundância no corpohumano (cerca de 30g), sendo o segundo mais abundante nointerior da célula. Cerca de 60% do magnésio encontra-se nosossos, 25% nos músculos e 15% no resto do organismo.Apresenta-se sob a forma de carbonato, fosfato e fluoreto. As
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 69águas geralmente possuem baixos teores de magnésio;entretanto, as famosas estações termais de Carlsbad (RepúblicaTcheca), Epson (Inglaterra) e Mondorf (Luxemburgo), possuemáguas riquíssimas em magnésio. O magnésio é o componente metálico da clorofila vegetal,fato descoberto por Willstatter e Stoll, em 1903. Temimportante papel na conversão de carboidratos, proteínas egorduras em energia. Ainda, na produção de proteínas, durante a síntese dematerial genético; na remoção de substâncias tóxicas, como aamônia; no relaxamento muscular; na transmissão nervosa; naprevenção de doenças cardíacas e arritmias; na depressão, nainsônia e no combate ao stress; na manutenção da saúde dosossos e dos dentes. O magnésio evita a deposição anormal do cálcio e écoadjuvante no tratamento da hipertensão, hipertrofia prostáticae convulsões. É elemento vital à atividade de muitas enzimas(mais de 400), principalmente aquelas que hidrolisam etransferem os fosfatos (as fosfatases), e aquelas relacionadas àprodução de ATP. O magnésio atua como um verdadeiro “bloqueador doscanais de cálcio”, devido a sua capacidade de bloquear aentrada deste íon na célula muscular. Assim, a suplementaçãode magnésio ajuda a reduzir a resistência vascular (diminuindoos níveis pressóricos) e torna a função cardíaca mais eficiente. O magnésio regula o metabolismo do cálcio, por sua açãosobre o hormônio da paratireoide e sobre a calcitonina, além deser co-fator na ativação da vitamina D3, pois a enzima quecatalisa a conversão do 25-OH-colecalciferol em sua formamais ativa (1-25-OH-colecalciferol) é magnésio dependente. Em 1932, Cramer demonstrou que dietas pobres emmagnésio aumentavam a incidência de cálculos renais, em
    • 70 MINERAISratos. Grumberg (1938), Alcock e MacIntyre (1954) mostraramque dietas ricas em magnésio preveniam a formação de cálculosrenais, em ratos. Em 1960, Andrus demonstrou que dietaspobres em vitamina B6 também propiciavam o aparecimento decálculos de oxalato de cálcio. Essas observações levaram àintrodução de suplementos à base de magnésio e vitamina B6,para evitar a recidiva da litíase oxálica nos pacientes. Segundo diversos autores, o magnésio teria um efeitoinibidor da cristalização do cálcio; sua ação preventiva seriadevido a um fenômeno biofísico, ao facilitar a solubilização dooxalato de cálcio. A absorção do magnésio obedece a uma cronologia bemestabelecida. É mais importante à tarde e à noite do que duranteo sono ou pela manhã. Lowick e colaboradores (1983)estimaram que a absorção é 50% menor durante a manhã. Oetanol diminui sua absorção em 50%. O ácido fítico e o excesso de cálcio são outros fatores quereduzem a absorção intestinal de magnésio. A ingesta média, no Brasil, é de 200-250mg/dia; nosEUA, oscila entre 173 e 266mg/dia, bem abaixo, portanto, daRDA (350mg/dia). Os idosos apresentam as maiores deficiências do mineral.As dosagens séricas não são adequadas, pois quantificam omagnésio retirado dos depósitos e levado à circulação. Adosagem ideal é feita no eritrócito (magnésio eritrocitário), poiso magnésio é um íon intracelular. Há necessidade de maior aporte de magnésio durante agestação (quando a RDA passa de 350 para 450mg). Adeficiência de magnésio está ligada à pré-eclâmpsia, àprematuridade e ao retardo no desenvolvimento fetal. Asuplementação oral tem demonstrado ser eficiente para evitarestas complicações.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 71 A cerveja inglesa goza de grande prestígio entre osapreciadores da bebida. A cerveja do tipo Yorkshirecaracteriza-se por seu sabor ligeiramente amargo e por seusefeitos levemente laxativos, quando tomada em grandequantidade. O efeito laxativo deve-se à presença de sulfato demagnésio, presente na água utilizada em sua formulação. Deficiências clínicas graves de magnésio são raras, masdeficiências marginais são muito comuns. A maior parte dosbrasileiros não consome a RDA de magnésio (350mg/dia), umavez que não tem por hábito ingerir sistematicamente sua grandefonte - os vegetais verdes. Embora o leite não seja uma boa fonte, fornece boa partedo magnésio que o organismo necessita. A deficiência demagnésio prejudica a transmissão de impulsos nervosos e afisiologia da célula muscular, causando irritabilidade eansiedade. Seu uso diminui o risco de depressão, espasmosmusculares e cardiopatias. Baixos níveis de magnésio sugerem deficiência na ingesta(legumes), má absorção intestinal, uso de diuréticos, usoexcessivo de laxativos, diarreias crônicas, hipocloridria,deficiência de vitamina B6, exposição a elementos tóxicos,ingesta excessiva de cálcio e/ou fósforo, hiperatividadeadrenocortical, enterites, alcoolismo ou stress. Os baixos teores favorecem a hiperatividade, odorescorporais aumentados, irritabilidade, tremores, câimbras,aumento do colesterol, aumento da suscetibilidade à intoxicaçãodigitálica, inibição da síntese de DNA e RNA, crescimentoretardado, alterações de humor, vasodilatação, liberação dehistamina, lesões cutâneas, hipercalcemia, confusão mental edesorientação, eliminação aumentada de aminoácidos, elevaçãodo paratormônio e aumento na razão Ca/Mg, que leva àdescalcificação óssea. Ainda, transpiração excessiva, astenia,
    • 72 MINERAISinsônia, taquicardia, arritmias cardíacas (mais frequentes noperíodo diurno do que à noite) e hipertensão. O magnésio é um elemento essencial e poderoso ativadorenzimático. Quando baixo no cabelo, costuma refletir osestoques do organismo. A carência de magnésio, frequentemente, acompanha acarência de potássio. A confirmação dos valores encontrados nomineralograma somente poderá ser feita dosando-se o magnésiointracelular (plaquetas ou hemácias); os níveis séricos não sãoum bom parâmetro, pois o magnésio é um mineral intracelularpor excelência. Bons resultados também são obtidos peladeterminação do magnésio na urina de 24 horas. Há diversas formas de suplementar magnésio. O cloretode magnésio não é a forma ideal, por ser muito irritante para oestômago e pouco absorvido. As formas orgânicas (citrato e gluconato) e a formaquelada (glicina) apresentam melhores resultados (melhorabsorção), sem irritar o estômago. Também pode seradministrada uma combinação dos diferentes sais, na forma de“pool” (ascorbato + aspartato + orotato + citrato, por exemplo). O magnésio quelado é a forma mais eficaz na ativaçãodas enzimas do ciclo de Krebs (mitocôndrias). Segundo Laborit(1957), os aspartatos (obtidos pela ligação de um metal aoácido aspártico) são a forma ideal para introduzir metais nointerior das células, por penetrarem facilmente na camadainterna da membrana, onde são metabolizados e os íonsliberados. Os orotatos, obtidos a partir do ácido orótico (vitaminaB13), formam complexos com vários metais, atravessando amembrana celular e sendo metabolizados unicamente ao nívelda membrana das mitocôndrias e das organelas do citoplasma(Hans Niepper, 1991).
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 73 O magnésio é encontrado em concentrações variáveis nosdiferentes sais. O magnésio glicina contém 20% do metal; ocitrato, 17%; o ascorbato, 10%; o orotato, 20%; o aspartato,17%; o gluconato, 5,5% e o lactato, 12%. O uso do magnésio em suplementos minerais éextremamente seguro, pois eventuais excessos são facilmenteexcretados pela urina. São fontes de magnésio: legumes de folhas verdes,cereais integrais, sementes de girassol, amêndoas, nozes,banana, frutos do mar, soja e carnes. O leite é uma fonte pobre(Ca/Mg é igual a 20:1).Manganês O nome manganês provém do latim “magnes” (magneto),por sua utilização em ligas metálicas. Pós contendo óxido demanganês são empregados como pigmentos desde a Pré-História. Foi descoberto em 1774 pelo químico sueco JohanGottlieb Gahn. A presença deste mineral em alimentos foievidenciada no século XIX. Em 1903, Gabriel Bertranddemonstrou o papel do manganês na ativação de diversasenzimas e, em 1912, a importância do elemento para osvegetais. O manganês é reconhecido como elemento essencialao homem desde 1931, graças aos trabalhos de Orent, McCollum e Hart. Sua introdução na terapêutica se deve ao suecoCarl Wilhehm Scheele. As reservas corporais de manganês giram em torno de20g, distribuídos principalmente pelos ossos, fígado, rins esupra-renais. O manganês é fundamental para a síntese da acetilcolina ede outros neurotransmissores. O uso crônico de substânciascomo o haloperidol ou os bloqueadores de dopamina leva à
    • 74 MINERAISdepleção de manganês, havendo a probabilidade de desenvolverdistúrbios de memória e aprendizado. A vitamina K, o zinco e acolina aumentam a ação do manganês; por outro lado, altasdoses de cálcio ou fósforo podem competir com ele. O refinodos alimentos depleta o mineral. Teores elevados de manganêssão encontrados nas mitocôndrias, o que evidencia suaimportância no mecanismo de produção de energia. Em 1963, cientistas canadenses descobriram uma relaçãoentre baixos teores de manganês e ataques epilépticos (criançasepilépticas possuem 33% menos manganês do que criançasnormais). O manganês é importante para a função cerebral, porser necessário à utilização da glicose pelo neurônio, à atividadeda adenilciclase e ao controle dos neurotransmissores. Pacientesesquizofrênicos também têm baixos teores corporais demanganês. As alterações de comportamento observadas nos quadroscarenciais ocorrem devido à diminuição de atividade daglutamina sintetase, enzima manganês dependente, que catalisao metabolismo do glutamato à glutamina, em nível cerebral. Deficiências de manganês resultam em ossos e cartilagensanormais, intolerância à glicose, retardos no crescimento,defeitos no esqueleto, ataxia, aumento dos depósitos de gordura,aumento do colesterol sérico, diminuição da síntese decolesterol pelo fígado, metabolismo proteico diminuído, reduçãona lactação, redução tecidual de selênio, lesão pancreática,diminuição da função imune, diminuição da atividade da SODmitocondrial, convulsões e dermatites. Um adulto possui cercade 10 a 20mg de manganês em seu corpo. A deficiência demanganês está associada a baixos níveis de dopamina. O manganês é considerado o mineral da afetividade(Orent e Mc Collum). Dietas pobres em manganês favorecem aagressividade e a violência. Níveis adequados de manganês têm
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 75importante participação no desenvolvimento do “instintomaterno”, além de ajudar a promover a lactação (97% dasfêmeas macacas falham em amamentar seus filhos, mostram-seindiferentes e não lhes dão oportunidade de amamentação).Junto com o zinco é precursor mineral da síntese de prolactina. Foi constatado entre trabalhadores das minas demanganês, no norte do Chile, um quadro de intoxicaçãodenominado de “Loucura mangânica”. Mineiros que inalam opó, cronicamente, desenvolvem o seguinte quadro clínico: risodespropositado, sexualidade aumentada, impulsividade, insônia,delírio e alucinações, seguidos por profunda depressão e, aofinal, sinais da doença de Parkinson. O manganês é um ativador de importantes sistemasenzimáticos, participando de cerca de 90 reações bioquímicasno organismo. O manganês ativa as seguintes enzimas: fosfatases,peptidases, succinildesidrogenases, carboxilases, arginases,glicosiltransferases, colinesterases e SOD mitocondrial. O manganês atua na formação do colágeno e da ureia; nasíntese de proteínas de vários neurotransmissores, dosácidos graxos, do colesterol, do GABA, na formação edesenvolvimento dos ossos, cartilagens e tendões, na produçãoda protrombina e do ATP, e no metabolismo da insulina e dasgorduras. Baixos níveis de manganês sugerem deficiências naingesta ou má absorção; clinicamente, pode haver aumento dasuscetibilidade a alergias, inflamações, problemas articulares,hipoglicemia, alterações no metabolismo dos lipídios edermatites. Os níveis de manganês encontrados nos diabéticoscorrespondem a cerca de 50% dos níveis encontrados emindivíduos normais. O manganês é co-fator para várias enzimasenvolvidas na glicólise.
    • 76 MINERAIS Diabéticos possuem apenas metade dos níveis corporaisde manganês se comparados a indivíduos normais. O manganêsparticipa da síntese e secreção da insulina, fato evidenciadopelo Dr. L. G. Kosenko, em 1964; a carência resulta emredução na secreção da insulina pelo pâncreas e aumento da suadegradação intracelular. As plantas antidiabéticas, como ojambolão, o pau ferro, a pata de vaca, a carqueja e a alfafa, sãoricas em manganês e cromo (também relacionados aometabolismo da insulina). As deficiências de manganês e zinco, confirmadas pelomineralograma, determinam diminuição da velocidade decrescimento capilar (o cabelo cresce cerca de 0,8 a 1,0 cm/mês).A administração de vitamina B6 melhora a absorção de ambosos elementos. Baixos teores de manganês, selênio, molibdênio e zincono mineralograma são indícios de suscetibilidade a fenômenosalérgicos. As alterações do crescimento ósseo ocorrem,particularmente, durante a carência prolongada de manganês.As malformações estão relacionadas à diminuição da atividadedas glicosiltransferases (manganês dependentes), envolvidas nasíntese das cadeias de condroitin sulfato. Os efeitos dessadeficiência são evidenciados pela diminuição do crescimentodos membros, curvaturas anormais da coluna vertebral ehipertrofia das articulações. A deficiência de manganês reduz aatividade da SOD mitocondrial, enzima que neutraliza oexcesso de RLs. O uso do manganês em suplementos é muito seguro.Embora as doses usuais sejam de 2-5mg, doses mais elevadas(até 30mg) têm sido empregadas sem que se observem efeitoscolaterais.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 77 São fontes de manganês: grãos integrais, ervilha,beterraba, chá, algodoeiro, alfafa e nozes. Excetuando-se o ovo,a maior parte das fontes animais possui baixos teores demanganês. As frutas, os legumes, as sementes e outros vegetaiso contêm em quantidades moderadas. O conteúdo de manganêsno vegetal dependerá do pH do solo (quanto mais ácido, maiora biodisponibilidade do manganês). O pH ideal do solo para omanganês é 4,9.Molibdênio O termo molibdênio deriva da palavra grega “molybdas”,que significa “semelhante ao chumbo”. Em 1778, Scheelediferenciou o molibdênio do chumbo. Foi isolado em 1782 pelosueco Peter Jacob Hjelm. Foram reconhecidos nos tecidosanimais, em 1932, sendo sua essencialidade para o homemdemonstrada em 1953, devido a sua participação nametabolização do álcool, formação do ácido úrico emetabolismo dos sulfitos. Em 1983, foram publicados trabalhoscorrelacionando a carência do mineral a um aumento naincidência de câncer de esôfago, em algumas regiões da África,Rússia e China. O corpo humano possui cerca de 10mg de molibdênio,distribuídos pelo fígado, rins, supra-renais, ossos e pele. O molibdênio está presente no esmalte dentário. Trabalhorealizado pela Universidade de Birmingham (Inglaterra)mostrou que o molibdênio é capaz de reduzir a incidência decáries, devido à retenção de flúor que promove; regiões combaixos teores de molibdênio no solo apresentam populaçõescom elevado índice de cáries dentárias. Também se encontra o molibdênio em pequenasquantidades em todas as células e tecidos do organismo. Omolibdênio participa ativamente do centro ativo de vários
    • 78 MINERAISsistemas enzimáticos, como por exemplo, das nitrogenases, dasoxidases, da xantina desidrogenase, das hidroxilases e dasnitratos redutases. A enzima xantina oxidase (molibdênio dependente), é aencarregada de mobilizar o ferro acumulado no fígado, para acorrente sanguínea. Esta enzima também recolhe os resíduos denitrogênio, provenientes da decomposição das proteínas, e ostransforma em ácido úrico, que, juntamente com a ureia, éeliminado pela urina. A enzima aldeído oxidase, importante naneutralização de xenobióticos, também é molibdêniodependente, assim como a sulfito oxidase. A administração demolibdênio a indivíduos alérgicos aos sulfitos (conservante dosvinhos, cervejas e frutas dessecadas), diminui o risco de umquadro alérgico agudo. O molibdênio é elemento essencial ao processo defixação do nitrogênio atmosférico pela planta (o início dafotossíntese é molibdênio dependente). Plantas que crescem emsolos ricos no metal apresentam teores até quinhentas vezesmaiores do que plantas cultivadas em solos pobres. A chuvaácida e a subsequente acidificação dos solos reduzem abiodisponibilidade do molibdênio, o qual é insolúvel em meioácido. Após a descoberta de sua importância para os vegetais ede sua presença em todos os tecidos humanos, é que se passou aconstatar suas funções, imprescindíveis à vida humana. O molibdênio é um elemento-traço essencial responsávelpela ativação de diversos sistemas enzimáticos, a saber: enzimamolibdênio-hidroxilase, responsável pela detoxificação dexenobióticos; aldeidodesidrogenase, responsável pela oxidaçãodos aldeídos, originados no metabolismo do álcool; xantina-oxidase, enzima envolvida na formação do ácido úrico etambém responsável pela transformação do ferro da formaférrica para a forma ferrosa; sulfito-oxidase, enzima quetransforma os sulfitos (alergênicos e produtores de cefaleias
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 79alcoólicas) em sulfatos, e a nitrato-redutase, responsável peladestruição e inativação das nitrosaminas presentes na luzintestinal. Os sulfitos são encontrados na cenoura, repolho, tomate,cogumelos, pimentão, fubá, sidra, vinhos, gelatina, camarão,siri, ostra e mexilhão; também são empregados como aditivosalimentares e podem desencadear broncoespasmo naquelesindivíduos cuja ação enzimática é deficiente. O molibdênio atua,juntamente com a vitamina B2, no processo de conversão dosalimentos em energia. O excesso de molibdênio favorece asíntese de ácido úrico e pode estar associado à gota. Os baixos níveis encontrados no sangue ou nomineralograma refletem a deficiente reserva corporal total epodem estar relacionados à ocorrência de alergias, cáriesdentárias e todos os sinais clínicos resultantes da baixa atividadedas enzimas molibdênio-dependentes, como diminuição daprodução das catecolaminas e do metabolismo das gorduras.Pfeiffer, um dos maiores especialistas em terapêutica nutricionalacha que o molibdênio exerce influencia sobre o crescimento.Em animais, observou-se a diminuição da longevidade.Dosagens sanguíneas não são um bom meio para confirmar acarência de molibdênio; a confirmação deve ser feita através dadosagem de sulfetos na urina (que estará aumentada) ou dosníveis urinários de molibdênio. A carência pode ocorrer devido a dietas baseadas emalimentos superprocessados. O molibdênio e o cobre são metaisantagônicos; quando houver maior ingesta de um, o outro,necessariamente, será deslocado. O molibdênio favorece a absorção intestinal de ferro (pelaredução do íon férrico a íon ferroso) e sua mobilização dasreservas hepáticas para a circulação. A ingesta maciça de molibdênio (acima de 1mg/dia)
    • 80 MINERAISfavorece o aumento de ácido úrico e alterações do tecidoconetivo, reduzindo a elasticidade dos ligamentos ósteo-articulares (rigidez articular); a administração de ácido fólico(3mg vo 2 vezes ao dia), diminui a formação do ácido úrico, aoinibir a enzima xantina-oxidase. Intoxicações por doses elevadas de molibdênio (acima de5mg/dia) são perfeitamente possíveis, pois este possui razoávelpotencial de toxicidade. São fontes de molibdênio: as águas de algumas regiões,os cereais integrais (especialmente o trigo e a aveia), oslegumes, os vegetais folhosos (feijão, lentilha, espinafre), asvísceras, o leite e seus derivados.Potássio O potássio é o 7º metal mais abundante do planeta. Foidescoberto por Humphry Davy (1807) e seu nome deriva dolatim “kalium” (potassa), em referência à cinza alcalina dassubstâncias vegetais. Em 1938, McCollum demonstrou suaessencialidade para os humanos. O corpo humano possui cerca de 120g desse elemento, amaior parte dele localizado dentro das células. A câimbra ocorre, geralmente, em indivíduos comdeficiência de cálcio, magnésio, potássio, vitamina B1 e/ouB6; igualmente, em pessoas com desequilíbrio na relaçãocálcio/magnésio. No tratamento das câimbras devem serassociados cálcio, magnésio, vitamina B1, vitamina B6 epotássio. O vinho é muito rico em potássio (em média 1g/litro),magnésio, cálcio (100mg/litro), ferro, cobre, zinco, manganês,silício, boro, rubídio (nos vinhos tintos), além de apresentartraços de estanho, titânio, iodo, vanádio, níquel, lítio,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 81molibdênio, cobalto, cromo, arsênico, alumínio, selênio,antimônio, bismuto e tungstênio. Vinhos de boa qualidadeaportam taninos, vitaminas e minerais. Deve ser respeitada adose máxima de dois cálices ao dia. Baixos níveis de potássio, encontrados no cabelo (pormeio de mineralograma) pode significar um reduzido estoquecorporal; precisa ser confirmado pela dosagem sérica. Pode serreflexo de um desequilíbrio mineral ou de disfunçãoadrenocortical. Sintomas de hipopotassemia incluem astenia,câimbras e taquicardia. Baixos níveis de potássio, ou ratio(proporção) Ca/Kalterada, torna o indivíduo mais sensível à toxicidade dosdigitálicos. Arritmias seguidas à administração de potássiorevelam carência de magnésio, que deve ser administradoconcomitantemente. Níveis baixos de sódio e potássio sãoencontrados em corredores (maratonistas), provavelmentedevido a transpiração excessiva. Exercício intenso é um fator de perda de potássio (épossível perder metade do potássio corporal em uma corrida de18km, no calor). Os atletas precisam suplementar potássio emdoses consideradas elevadas para outras pessoas (até 2g pordia). Outras causas de perda de potássio são: vômitos,aldosteronismo, alcoolismo, anorexia, uso de corticoides,diarreias, uso de diuréticos, stress agudo, dietas à base dealimentos industrializados e ingesta excessiva de sal ou deaçúcar. O aquecimento dos alimentos reduz os teores do mineral.O potássio tem como sinergistas a vitamina B6, o cálcio e omagnésio. Produtos naturais e frutos do mar possuem baixos teoresde sódio e elevada concentração de potássio (1:24). O salmão,por exemplo, possui cem partes de potássio para dezessete
    • 82 MINERAISpartes de sódio; a sardinha, cem partes de potássio para vintepartes de sódio; o trigo integral, cento e vinte partes de potássiopara uma parte de sódio e o leite, cem partes de potássio paratrinta e seis partes de sódio. O processamento industrial alterouesse equilíbrio. A dieta americana, atualmente, apresenta uma média deduas partes de sódio para uma parte de potássio. O déficit depotássio é maior em atletas e trabalhadores braçais (perda pelosuor). É o principal constituinte do fluido intracelular, estando99% do potássio corporal dentro da célula. Suplementos de potássio (sob forma de cloreto ou iodeto)não devem ser tomados em jejum, pelo risco de desencadearnáusea e vômito, além de produzir irritação no tubo digestivo.Nos EUA, suplementos de potássio - contendo menos de99mg/dose - são considerados nutricionais; suplementos comdoses superiores necessitam receita médica. Doses de até1080mg de cloreto ou citrato de potássio são consideradosseguros. São fontes de potássio: frutas (especialmente a banana e okiwi), castanhas, avelãs, sementes de girassol, amendoim,cogumelo, levedo e legumes frescos.Selênio O selênio foi descoberto pelo químico sueco JönsBerzelius, 1827, que colocou este nome em homenagem àdeusa grega da Lua, “Selene”. Durante muito tempo foiconsiderado um veneno e, somente em 1979, foi aceito comonutriente essencial à saúde humana e classificado comoantioxidante, embora sua essencialidade em animais já fosseconhecida desde 1957. As primeiras evidências foram colhidasna província de Keshan, na China. Nesta região, os solos são
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 83extremamente pobres em selênio, estando a ingesta diária emtorno de apenas 30mcg. A carência de selênio originacardiomegalia e alteração da função cardíaca (doença deKeshan). Em 1989, graças aos trabalhos do Dr. KlausScharwaz, foi reconhecido como mineral essencial e teve suadose RDA estabelecida oficialmente (250mcg/dia). O corpo humano possui cerca 20mg de selênio,localizados principalmente no fígado, nos rins, nos testículos eno esperma. O selênio é um antioxidante vital, principalmente quandocombinado com a vitamina E. Protege o sistema imunológico,previne a formação de RLs (destrói os peróxidos, agentesoxidantes que atacam as células) e ajuda na produção deanticorpos. Os russos descobriram que indivíduos usandoselênio e vitamina E, quando vacinados, produzem maisanticorpos. O selênio induz incrementos às imunoglobulinasIgM e IgG. A manutenção do selênio e da glutation peroxidase emníveis fisiológicos no plasma poderá reduzir a incidência dedoenças cardiovasculares, como a doença de Keshan e aaterosclerose. Este controle será de grande utilidade, também,naqueles indivíduos que estão recebendo alimentaçãoparenteral, nos quais deve ser feita a suplementação de váriosminerais (especialmente o cobre, o zinco, o cromo e o selênio). Entre as várias funções do selênio estão: açãoantioxidante, manutenção da integridade de células muscularese de eritrócitos, síntese de DNA e RNA, neutralização demetais pesados, respiração celular e transferência de energia.Ainda, é importante na produção do esperma, integridade daqueratina, função pancreática, imuno estimulação e síntese deanticorpos, e produção de coenzima Q-10. Baixos níveis deselênio são encontrados em portadores de artrite reumatoide,
    • 84 MINERAISpsoríase ou eczema, e durante processos inflamatórios einfecciosos. Na zona conhecida como “cinto de derrame cerebral”(Geórgia, Carolina do Sul e do Norte, nos EUA) citada por Finne cols. (Lancet, 1982), encontram-se níveis baixíssimos deselênio no solo. O selênio nas dietas está caindo de formaalarmante, devido ao empobrecimento progressivo do solo e àindustrialização dos alimentos. Estuda-se a incorporação deselênio e cromo às formulações de adubos, a fim de aumentarsua presença nos alimentos. Baixos teores no solo se devem,também, à competição entre os componentes sulfurados e oselênio, o que aumenta a produção de dióxido sulfúrico pelasplantas. Nova Zelândia, norte da Europa e Escandinávia sãoregiões com solos pobres em selênio. A partir de 1961, passou aser feita a “correção” dos solos dessas regiões (adicionando-se omineral em adubos). O selênio é considerado o mineral anticâncer. Háevidências epidemiológicas de que o aumento da ingesta reduzaa incidência de certos tipos de câncer. O índice de câncer deesôfago, ovário, cólon, pele, fígado, próstata, estômago e reto éparticularmente elevado nas regiões onde os teores de selêniono solo são baixos; já a incidência de câncer de pulmão,pâncreas e leucemia não parecem ter muita relação com osníveis de selênio. O Dr. Gerhard Schrauzer (Universidade da Califórnia)publicou os primeiros trabalhos relacionando níveis de selênio eincidência de câncer, especialmente os de mama e cólon. Novostrabalhos coordenados pela Dra. Christine S. Wilson(nutricionista da UCLA) confirmaram os achados iniciais. Estudos em ratos demonstraram o desenvolvimento dealgum tipo de câncer naqueles privados de selênio; no gruponão privado de selênio, o mesmo não ocorreu.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 85 Índice aumentado de doenças cardiovasculares e aumentona incidência de tumores malignos, têm sido observados emzonas cujo solo é pobre em selênio. Indivíduos carentesapresentam risco três vezes maior de desenvolver algum câncer(especialmente no trato gastrointestinal); duas vezes maischances de sofrer um infarto agudo do miocárdio e risco trêsvezes maior de evoluir ao óbito, se comparados aos indivíduoscom taxas normais de selênio. As dietas americanas contêm40% mais selênio do que as dietas asiáticas, assim comopossuem maiores teores de gorduras poli-insaturadas facilmenteoxidáveis (10 a 30g/dia nos EUA contra 7,0 a 8,7g/dia na Ásia). O selênio é um elemento essencial. Baixos níveis nosangue ou no mineralograma sugerem deficiência na ingesta,má-absorção ou alto consumo metabólico; alcoolismo, funçãoimuno deficiente, excesso de metais pesados e defesa contraRLs diminuída são consequências da carência de selênio. Níveisaltos no mineralograma são frequentes em usuários de xampuanti-caspa (sulfeto de selênio), correspondendo à contaminaçãoexterna. O selênio protege contra a intoxicação por cádmio,mercúrio e chumbo - complexa-se com eles formando selenitos,que são excretados pela urina. A atividade do selênio éincrementada pela vitamina E e vice-versa. Uma carência deselênio pode ser mais grave se houver níveis baixos de vitaminaE concomitantemente. As condições associadas com a carência de selênio são:aumento do colesterol plasmático, infecções de repetição, piorada catarata, infertilidade (em animais), retardo no crescimento,pelagra infantil e deficiência no ciclo respiratório, se combinadacom carência de vitamina E e baixos níveis de coenzima Q-10. Alguns grupos, caracteristicamente, fazem parte de umapopulação carente em selênio: são os vegetarianos, os idosos, as
    • 86 MINERAISgestantes, os recém-nascidos, os tabagistas e os enfermoscrônicos. O selênio é antioxidante, aumenta a função imune, inibe odano cromossômico (evita mutações), protege contra algunstipos de câncer e o surgimento de catarata. É indispensável àprodução dos hormônios da tireoide e neutraliza metais pesadose outras substâncias tóxicas ao organismo. É possível avaliar ostatus do sistema imune observando-se os níveis de selênio,cobalto e zinco; baixos níveis indicam deficiências no sistema.Cobre e manganês baixos reforçam a hipótese diagnóstica. As formas inorgânicas de selênio, utilizadas antigamente(ex. selenito de sódio), foram as responsáveis pelaspreocupações com a toxicidade associada ao uso do selênio. Ossais orgânicos, mais modernos, são bastante seguros e muitobem tolerados. Sintomas tóxicos podem ser observados apenascom altas dosagens (acima de 800mcg/dia), e em tratamentospor períodos prolongados. Os sintomas dos excessos de selêniosão: gosto metálico na boca, aumento do suor corporal, náuseas,vômitos, queda de cabelos, fadiga e aumento das cáriesdentárias. A tireoidite crônica é uma das patologias mais comuns datireoide. A doença ataca homens e mulheres, mas costumamanifestar-se com maior incidência durante e depois dagravidez (uma em cada 10 mulheres). Trabalhos referendadospela Sociedade Americana de Endocrinologia, provaram quedoses adequadas de selênio (100mcg 2x ao dia, tomados pordoze meses) podem retardar e até evitar a doença. O efeito sedeve à capacidade do selênio de proteger a glândula da oxidaçãocausada pelo, em parte, processo inflamatório. O selênio elevado no cabelo é quase sempre devido àcontaminação externa. O selênio orgânico é tóxico, quandoingerido em doses cem a trezentas vezes superiores às
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 87necessárias. Alguns compostos do selênio podem ser absorvidospela pele. Uma intoxicação por selênio inclui a interferência nometabolismo dos aminoácidos enxofrados, mudanças estruturaisdo cabelo e das unhas, hálito de alho, gosto metálico na boca edescoloração da pele e dos dentes. Exames de confirmaçãopodem ser feitos dosando-se o mineral no sangue ou na urina e,ainda, através da atividade da glutation peroxidase nashemácias. São fontes de selênio: vegetais verdes folhosos,cogumelos, cebola, alho, tomate, levedo de cerveja, grãos,frutos do mar e vísceras. O reino animal (seleniometionina) émelhor fonte do que o reino vegetal (seleniocisteína).Vegetarianos devem ingerir suplementos de selênio.Silício O silício foi identificado pelo químico francês Lavoisierem 1787 e definido como novo composto químico pelo inglêsHumphry Davy, em 1824, sendo, depois do oxigênio, oelemento mais abundante na terra. Em 1972, foi consideradoessencial para o homem. Enquanto a vitamina C funciona comocatalisador na formação do colágeno, a sílica participa,efetivamente, da formação, do crescimento, da calcificação, daformação de cartilagem e do tecido conjuntivo. Estáconcentrada nos sítios ativos de calcificação dos ossos e énecessária para que a calcificação ocorra. Os componentes docolágeno (condroitin sulfato e ácido hialurônico) contêm cercade 500ppm de sílica, sugerindo que esta seja o “crosslink” damolécula. Nas artérias com placas de ateroma observam-se baixosteores de sílica, quando comparadas às normais (até quatorzevezes menos). Com o envelhecimento, a pele e as paredesarteriais apresentam grande diminuição na quantidade de sílica,
    • 88 MINERAISe uma diminuição das fibras de colágeno que necessitam deácido hialurónico rico em silicio para se desenvolverem.(LOEPER, 1966 e 1978) O sangue humano possui a mesma concentração de sílicaque o mar (1 a 5ppm). A sílica é um dos componentes básicos dosmucopolissacarídeos e é substância fundamental na composiçãoda matriz óssea e do colágeno. Em vários orgãos e tecidos, éencontrada em altas concentrações: ossos, vasos, coração,músculos lisos e estriados, pele, cabelos, ligamentos, fígado,pulmões e cérebro. O silício (sílica) é considerado elemento essencial para ometabolismo humano, embora suas funções ainda não estejamcompletamente esclarecidas. O cabelo é sensível àcontaminação externa devido a tratamentos com cremes rinse eoutros. A toxicidade do silício por via oral é quase nula.Implantes de silicone podem vazar, contribuindo para oaumento dos níveis corporais totais e, posteriormente, dos níveisno cabelo. Níveis baixos de silício (verificados via mineralograma),devem ser normalizados, efetuando-se a reposição utilizando-sede formas orgânicas (goma guar) ou queladas (sílica quelada). São fontes de sílica: vegetais fibrosos, grãos integrais efrutos do mar (na forma orgânica ou inorgânica). A sílica tempresença ampla no reino vegetal, especialmente entre osvegetais fibrosos (brócolis, couve-flor, goma-guar, aveia ecevada). A cerveja é uma grande fonte de sílica. As formasinorgânicas de sílica - silicato de sódio e dióxido de silício - sãopouco absorvidas, sendo preferíveis a sílica orgânica (vegetal)ou a sílica quelada com aminoácidos.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 89Sódio O sódio é o 6º elemento mais abundante na Terra. O nomesódio origina-se do latim “sodanum”, remédio para dor decabeça. Foi isolado, pela primeira vez, em 1807, pelo químicobritânico Humphry Davy. A essencialidade do sódio éreconhecida desde 1805, graças a Samuel Mitchel. O valor docloreto de sódio já era conhecido desde a Antiguidade, parapreservar e realçar o sabor dos alimentos. É interessanteassinalar que o soldo dos legionários romanos era conhecidocomo “salarium argentum”, justamente porque era pago em sal.Foi o mais valorizado dos condimentos e seu preço, em algunsmomentos da História (século VI), alcançou o do ouro. Uma pessoa chega a consumir, em média, até 60 vezesmais sal do que a necessidade diária. No Brasil, o consumo estáentre 8-10g/dia; nos EUA, a quantidade chega à 20g/dia. OJapão registra o maior consumo diário de sal do mundo, sendo40% de sua população constituída por hipertensos. Nos EUA,20% da população é portadora de HAS (hipertensão arterialsistêmica), um “assassino silencioso”. É aconselhável aosportadores desta enfermidade uma restrição à ingesta (nomáximo 2g/dia) ou a substituição do sal de cozinha por um salmisto (70% de cloreto de potássio e 30% de cloreto de sódio).O selênio e a coenzima Q-10 costumam estar diminuídos noshipertensos. As dietas industrializadas estão modificando a relaçãoNa/K. Nos alimentos naturais, não processados, o potássio estápresente em maior quantidade que o sódio. A industrialização dos alimentos alterou a proporção(rátio), aumentando o teor de sódio e depletando o de potássio,na proporção de 2/1, o que torna difícil encontrar pessoascarentes de sódio.
    • 90 MINERAISVanádio O nome vanádio foi dado por Sefstrom, em homenagem àdeusa escandinava da beleza (Vanadis), pelo fato de oscompostos de vanádio apresentarem belas tonalidades. Ovanádio foi descoberto pelo mineralogista espanhol Andrés DelRio, em 1801, que primeiramente o denominou eritrônio. Onome atual, Vanádio, foi proposto pelo sueco Nils Sefstrom. A quantidade de vanádio presente no corpo humano écerca de 30mg, distribuídos principalmente pelo tecido adiposo. O Dr. Klaus Schwarz, um dos maiores estudiosos doselementos-traço, indica como uma das funções do vanádio seuimportante papel no crescimento, ferilização e na mineralizaçãoóssea, na higidez das cartilagens e na proteção contra ascáries(regiões ricas em vanádio apresentam menor número decaries). Vanádio, cromo, zinco e cobre são especialmenteeficientes para baixar os níveis séricos de colesterol etriglicerídios, além de ajudar a manter a glicemia em níveisfisiológicos. Os portadores de diabetes tipos I e II apresentam,invariavelmente, baixos níveis de vanádio e cromo,frequentemente acompanhados pela carência de manganês ezinco. O vanádio parece inibir a MAO (monoaminoxidase),possibilitando um acúmulo de serotonina no SNC; daí suaindicação nos quadros depressivos. Pacientes portadores de transtorno afetivo bipolar (TAB –antigamente denominado como PMD: psicose maníacodepressiva) costumam apresentar carência do mineral, dentreoutros nutrientes.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 91 É conhecido o adágio: “Os franceses cavam sua sepulturacom os próprios garfos”. Os franceses são famosos poringerirem elevadas quantidades de gordura; porém nãoapresentam, via de regra, altas taxas de colesterol. Este é oparadoxo francês. A proteção contra a hipercolesterolemiaparece ser dada pelo vinho tinto (devido à presença deresveratrol, polifenóis e bioflavonoides), e pelo azeite extra-virgem, extraído a frio e de primeira prensagem (que apresentaaltos teores de cromo e vanádio e ácidos graxos ômega-9), alémde ingerirem em sua dieta normal frutas, verduras e peixes. Uma dieta que inclua 6 a 8 azeitonas/dia costuma oferecerquantidades suficientes de vanádio ao metabolismo dos açúcarese das gorduras; a ingestão lipídica excessiva, porém, requer 100a 200mcg/dia do elemento, para manter o equilíbrio metabólico. Baixos níveis de vanádio no sangue ou no mineralogramaestão associados a deficiências na ingesta e/ou má absorção.Relacionam-se com alterações no metabolismo dos açúcares edas gorduras, tendência à depressão e (acredita-se) à maiorincidência de cáries dentárias. Níveis elevados de vanádio no mineralograma não sãocomuns. A carência de vanádio leva à inibição da enzimaesqualenosintetase (vanádio dependente), a qual desempenhaimportante papel na conversão de gorduras: a Coenzima A. O excesso de gorduras no sangue não decorre,necessariamente, da ingesta aumentada; a carência de mineraisque catalisam as enzimas envolvidas no seu metabolismo podeser uma das causas (cromo, vanádio, cobre e manganês). O vanádio, à semelhança do cromo, age diretamente sobreos receptores de membrana, favorecendo a ação da insulina.Baixos teores costumam estar presentes nos diabetes tipo I etipo II - o vanádio apresenta ação “insulina like”.
    • 92 MINERAIS Um excesso de vanádio (vanadismo) pode ser tóxico, comsintomas que dependem da forma química utilizada ou do modode contaminação. O vanádio inalado desencadeia tosse produtiva porirritação das vias respiratórias e bronquite. A ingestão excessivapode causar problemas renais (nefrites) e interferir nas funçõesda cisteína. A confirmação dos níveis pode ser feita no sangueou na urina de 24 horas. O vanádio é considerado um mineral com baixo poder detoxicidade. Doses de vanádio até 2mg são consideradas seguras,embora as dosagens usuais sejam de 100-200mcg. As formasmais utilizadas são: vanádio quelado e vanadil sulfato. Não há risco de intoxicação pela ingesta do vanádiooriundo de fontes naturais. Azeitonas e rabanetes contêmelevados teores do mineral (seis a oito azeitonas preenchem asnecessidades diárias). Os maiores níveis de vanádio emalimentos foram encontrados em Kiev (Rússia). As principais fontes de vanádio são: os óleos de olivaextra-virgem e, em grau bem menor, os óleos de soja, degirassol e de milho. Outras fontes são: o ovo, a aveia, o arrozintegral, o feijão, a cenoura, a pimenta, a salsa, as frutas frescas,os grãos integrais, os peixes e as ostras.Zinco O zinco constitui 0,004 % dos minerais da Terra e é o 25ºem ordem de abundância. O corpo humano possui cerca de 3 gdo mineral, distribuídos pelo fígado, rins, próstata, olhos, pele ecabelo, principalmente. O zinco é o menos tóxico de todos osoligoelementos. O metal é utilizado desde a mais remotaantiguidade sob a forma de óxido de zinco, para curar feridas equeimaduras. É atribuído a Paracelso a identificação do zinco
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 93como metal, no ano de1526. Sua essencialidade para formas inferiores de vida foidemonstrada em 1869, por Raulin. Em 1934, foi reconhecidocomo elemento essencial ao homem. Em 1939, foi descoberta aprimeira enzima que continha zinco (catalase). Gabriel Bertranddemonstrou a essencialidade do zinco para ratos e, em 1944,Reed comprovou sua importância ao metabolismo das plantas.Em 1961 e 1966, Prasad e Halsted descobriram em anõesiranianos, com cerca de 20 anos de idade, uma deficiência dezinco, que se traduzia por um desenvolvimento insuficiente dosorgãos genitais e uma falta de vivacidade intelectual. Umsuplemento diário de zinco permitiu normalizar em 2 meses suafunção sexual. Mais de 190 reações bioquímicas são zinco-dependentes. Até 1963, pensava-se que dificilmente existiria carênciade zinco, devido a sua ampla distribuição no solo; sabe-se hojeque ela é muito frequente, pois nem sempre este elemento ébem assimilado pelas plantas. A deficiência de zinco durante agestação pode originar um grande número de sequelas noconcepto: dificuldade no aprendizado, problemas ósseos,alergias, imunidade reduzida e genitália subdesenvolvida. A carência de zinco pode ser causada por desordensnutricionais, como ocorre na anorexia e na bulimia. Nos paísesdesenvolvidos, não costumam ocorrer deficiências severas;deficiências marginais, porém, são a regra. A dieta americana(10mg/dia), por exemplo, não fornece a RDA (15mg/dia). Harrison (1968) estudou a distribuição dos minerais nocérebro humano. Altos níveis de zinco e magnésio foramencontrados no hipocampo; cobre, no núcleo caudato; ferro, noglobo pálido. Ibata e Otauka (1969) identificaram o zinco nasvesículas terminais dos neurônios que chegam ao hipocampo e,em menores concentrações, no núcleo caudato, putâmen, globo
    • 94 MINERAISpálido, corpo caloso e tálamo. McLardy (1973) encontroubaixos níveis de zinco no hipocampo de esquizofrênicos e dealcoolistas. A retina, a glândula pineal, a próstata e ohipocampo necessitam de adequados teores de zinco para umbom funcionamento. Homens carentes de zinco podem apresentar diminuiçãono desempenho sexual (libido e potência). A reposição domineral (15mg vo 2 vezes ao dia) associada à vitamina B6(50mg vo 2 vezes ao dia) e à arginina (500mg vo 2 vezes aodia), por um período de 3 meses, pode beneficiar essespacientes. Meninos em idade de crescimento, cronicamentecarentes de zinco, podem apresentar pequeno desenvolvimentoda genitália. As vitaminas dependem do zinco para serem absorvidas,especialmente as do complexo B. A deficiência de zincodiminui a secreção de HCl no estômago. Já está comprovado opapel do zinco na cicatrização de queimaduras, por serfundamental à ação da DNA e RNA polimerases, enzimasessenciais à síntese proteica. Um baixo índice sistêmico de zinco pode levar àdiminuição na velocidade do crescimento; à redução naatividade das enzimas pancreáticas (proteinase, amilase,carboxipeptidase), que interferem com a digestão e absorçãoproteicas; à diminuição da síntese proteica e de DNA; a umretardo na cicatrização de feridas; à diminuição da incorporaçãodos aminoácidos enxofrados (cistina e metionina) à pele; aoeczema, erupções cutâneas, alopécia; ao aumento docatabolismo proteico e elevação do ácido úrico; à diminuição dasíntese de colesterol e a distúrbios no metabolismo doshormônios esteroides, uma vez que o colesterol é um precursordo estrógeno, progesterona e hormônios corticoides; àpuberdade e desenvolvimento sexual retardados; ao decréscimona produção de leite (durante a amamentação); à diminuição na
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 95capacidade de aprendizado; ao decréscimo da atividade dainsulina, à anorexia e à hipogeusia (diminuição da acuidade dopaladar, pela deficiência de zinco na gustatina). O zinco participa de funções importantes como ometabolismo dos açúcares e a fosforilação oxidativa (consisteem ligar um grupo fosfato à vit.B6). Na deficiência de zinco, avit.B6 não é biotransformada de piridoxina para piridoxalfosfato, pois o grupo fosfato não pode ser ligado. Algumas das enzimas que dependem do zinco são: álcooldesidrogenase, fosfatase alcalina, carboxipeptidase, anidrasecarbônica, citocromo redutase, ácido aminolevulínico-Adesidratase, gliceraldeído-fosfato desidrogenase, leucinaaminopeptidase, enzimas de ácidos nucleicos, DNA polimerase,RNA polimerase, transcriptase reversa, timidina cinase eribonuclease. Pacientes vítimas de queimaduras devem recebersuplementação de zinco, uma vez que toda a síntese proteica ézinco-dependente. Outras situações que requeremsuplementação de zinco são a doença de Crohn, programas dediálise e fibrose cística. Teores adequados de zinco protegem os indivíduos deuma possível hipertrofia prostática (selênio e magnésiocompletam a proteção). A deficiência de zinco em pacientes hospitalizados porum longo período é muito grande, especialmente naqueles comferidas que não cicatrizam. Suplementos de zinco (10mg vo 2vezes ao dia), abreviam a estada hospitalar. Baixos níveis de zinco no sangue ou no mineralogramasugerem ingesta insuficiente, má absorção, deslocamento pelocobre ou consumo metabólico exacerbado. Esses baixos teoresse manifestam por pontos brancos nas unhas, alterações deodores corporais (tornam-se fétidos), perda do olfato e do
    • 96 MINERAISpaladar, diminuição da potência sexual, retardo no crescimento,dificuldade de cicatrização, amenorreia, perda do apetite,meteorismo intestinal, cegueira noturna e ânsia por alimentosquentes, picantes e salgados. Não parecem existir reservatórios para o zinco noorganismo; isso explica a rapidez com que aparecem ossintomas de carência (manchas brancas nas unhas, diminuiçãoda libido e alterações na pele). Em atletas, um dos sinais da carência de zinco baixo é ademora na recuperação de lesões músculo-esqueléticas. O zincoé necessário à regeneração do músculo e à cicatrização daslesões. Índices elevados de zinco (acima de 200ppm) nomineralograma não costumam indicar ingesta excessiva domineral; em 95% dos casos indicam carência. Este paradoxo éexplicável: toda síntese proteica é zinco dependente e o cabelo éum tecido em constante renovação. Esta necessidade imperiosafaz com que o zinco necessário seja sequestrado dos tecidosadjacentes. Outra possibilidade é a contaminação externa através douso de xampus anti-caspa (muitos contêm zinco em suaformulação, como exemplo o piritionato de zinco). O zinco é componente de pelo menos 200 sistemasenzimáticos e participa de atividades como a metabolização doálcool pelo fígado, a mineralização do osso, a digestão dasproteínas, a conversão do ATP em calorias, a regulação daatividade e a estabilização da insulina; ainda, a preservação docódigo genético, olfato, paladar, sistema imune, níveisfisiológicos de colesterol, desenvolvimento e crescimentonormais, produção de hormônios e de prostaglandinas. Pacientes com hipertrofia prostática costumam apresentarno mineralograma baixos níveis de zinco, selênio e magnésio. A
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 97prevenção da hipertrofia prostática é feita com estes mesmoselementos, em doses de 10mg, 100mcg e 200mg,respectivamente, acrescentando-se, ainda, arginina 500mg 2x aodia. Altas doses de zinco podem inibir a absorção de cobre eferro. A presença do zinco facilita a absorção da vitamina A, davitamina D e do cálcio. O zinco melhora a resposta imune, pois sua presença éfundamental à formação de linfócitos T e B, à diferenciação ematuração das células do sistema imune e à fagocitose, poisfavorece a produção de RLs pelos fagócitos. A administração de zinco (10mg vo 2 vezes ao dia)reverte rapidamente a diminuição da função imune,especialmente nos idosos. Segundo o Dr. Carl Pfeiffer, criançascom otites médias de repetição beneficiam-se da administraçãode zinco (5mg 2 vezes ao dia) e vitamina B6 (20mg/dia). Ozinco também age como agente antibacteriano no fluidoprostático, protegendo todo o aparelho genito-urinário. Duzentos pacientes com hipertrofia prostática foramtratados com zinco (50mg/dia), durante 6 meses; desses, cento equarenta obtiveram sensível redução da hipertrofia. Em situações de stress ou em queimaduras graves, o zincocorporal migra em direção às zonas de acelerado crescimento,por ser fundamental para a atividade da DNA e RNApolimerase, envolvidos na síntese proteica. Também para ocrescimento e divisão das células, durante os estágios da vidaem que há intensa proliferação celular (infância, adolescência egravidez). Através de uma estrutura chamada “zinc finger” tornaviável a ação de vários hormônios e sustenta especialmente aestrutura do DNA e do RNA.
    • 98 MINERAIS Níveis baixos de zinco podem estar associados com:anorexia, stress, infecções, má-digestão, acne, psoríase, quedade cabelo, estrias, náuseas, impotência, amenorreia, déficit decrescimento, hipogonadismo, diminuição do paladar e olfato,cirrose, unhas frágeis, hiperatividade infantil, diabete, epilepsia,aumento do odor corporal e halitose. R. C. Muerhcke (1956) foio primeiro a relacionar o surgimento de manchas brancas nasunhas com a deficiência de zinco. O zinco também tem importante papel no tratamento deúlceras pépticas, anorexia, catarata, infecções, alcoolismo,esquizofrenia, úlceras de pele, deficiência imunológica,hipertrofia prostática, infertilidade, fadiga, fraqueza muscular,recuperação pós-cirúrgica e resfriados. Mossad e cols. publicaram em seu trabalho no “Annals ofInternal Medicine” (julho de 1996), comprovando a eficácia dozinco nos estados gripais (15mg/sublingual 3 vezes ao dia). Ozinco deve ser administrado como suplemento nutricionaldurante a gestação. Unhas frágeis são beneficiadas com a administração dezinco (15mg/dia), aminoácidos enxofrados - metionina,cisteína, cistina e taurina - (200mg/dia) e gelatina ou colágeno(300mg/dia). O zinco é fundamental para a atividade da insulina, poisfavorece a sua associação em polímeros que oferecem maiorresistência à degradação enzimática. Também é fundamental àsíntese de DNA e proteínas, à manutenção dos níveis devitamina A no sistema imune, à estrutura dos ossos, higidez dapele e funções glandulares. Zinco e cobre competem no intestino pelos mesmos sítiosde absorção. Sempre que a relação Zn/Cu não obedecer àproporção de 5:1 até 15:1, haverá deslocamento de um deles(antagonismo). A carência pode ocorrer em curto espaço de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 99tempo, pois o organismo não dispõe de grandes reservas dezinco. Assim como certos minerais e vitaminas, o zinco estáenvolvido na resposta do corpo ao stress; imunologicamente ocorpo pode levar até seis meses para recuperar-se. Suplementosde zinco (10mg vo 2 vezes ao dia) reduzem o número de casosde úlceras de stress. O zinco e o selênio concorrem para a preservação dossentidos da gustação, do olfato e da visão. O Dr. Robert Henkinfoi o primeiro médico a associar a deficiência de zinco evitamina B6 à diminuição do paladar (hipogeusia), devido àimportância do zinco à gustatina; é sintoma frequente emindivíduos idosos. O leite humano é uma fonte razoável de zinco e é bemsuperior ao leite de vaca; neste, encontra-se ligado à caseína,proteína pouco digerível que torna difícil o acesso ao mineral. O alcoolismo leva à espoliação de zinco; mães alcoólatrasgeram filhos carentes (efeito transgeracional). O uso prolongado de diuréticos e a ingestão excessiva decafé, chá ou mate, aumentam a taxa de excreção de zinco(100mg de cafeína são capazes de diminuir a absorção de zincoem até 30%). Enzimas importantes da digestão (carboxipeptidases eaminopeptidases) contêm zinco, assim como aalcooldesidrogenase, a anidrase carbônica, a fosfatase alcalina,a DNA e RNA polimerases I, II e III (essenciais ao início detoda a síntese de proteínas, ao fechamento de feridas, aocrescimento, entre outros) e a enzima conversora daangiotensina. O zinco é o principal mineral catalisador envolvido com asíntese e liberação do hormônio do crescimento (GH); é o
    • 100 MINERAISmineral mais abundante no líquido seminal e desempenhaimportante papel na formação do epitélio germinativo, bemcomo na cicatrização em geral, devido sua ação sobre a RNApolimerase. A psoríase é agravada pela produção de RLs,respondendo bem à terapêutica antioxidante e anti-stress. Osníveis dermais de zinco na psoríase são baixos, o mesmoocorrendo com a vitamina A e o ácido fólico. A suplementação de ácido fólico deve ser semprelembrada nas psoríases (2mg vo 2 vezes ao dia), associado aantioxidantes. A náusea, sintoma comum nos primeiros meses degravidez, está associada à deficiência de zinco e vitamina B6.Ambos são necessários para o crescimento dos tecidos do feto,que exige extraordinário aporte desses nutrientes. As primeirasobservações deste fenômeno foram realizadas pela Dra. LucilleHurley, da UCLA. Doses elevadas de zinco (acima de 15mg)também podem ocasionar náuseas. O zinco desempenha papel importante na secreção doácido clorídrico, pois é ativador da enzima anidrase carbônica,que estimula a célula parietal do estômago a produzir HCl.Também ativa a álcool desidrogenase, sendo, portanto,importante para os alcoolistas. É o elemento mineral em maiorcarência nos pacientes submetidos à alimentação parenteral. A deficiência de zinco (indicador de má-absorção,hipoglicemia e pirolúria) impede a completa digestão dascarnes pelas carboxipepitidases (Zn dependentes) a nívelintestinal. Isso ocasiona alteração na permeabilidade intestinal ea absorção de fragmentos proteicos contendo beta-alanina,causando alergias alimentares. O desequilíbrio da flora intestinal (disbiose) favorece aproliferação da cândida e a produção do açúcar tóxico -
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 101arabinose, o qual compete com a glicose no ciclo de Krebs(como o cérebro tem 20 vezes mais mitocôndrias do que osoutros tecidos, sofre fadiga mais intensa e queda dorendimento). O zinco e o cobre são necessários à conversão periféricado T4 a T3; a deficiência desses elementos pode levar a umquadro de hipotireoidismo. Nas pessoas idosas, os receptores de T3 e T4 costumamser pouco sensíveis; zinco (15mg/dia) e vitamina B6 (100mg vo2 vezes ao dia) aumentam ou devolvem a sensibilidade aosreceptores. A administração de formulações à base de sulfato dezinco é pouco eficiente, uma vez que apenas 10 a 15% do zincosob esta forma é absorvido; além disso, o sulfato de zinco éirritante gástrico. O uso de outros sais de zinco pode resultar em náuseas ouintolerância digestiva nos indivíduos sensíveis; em tais casos,orientar o paciente para ingerir o suplemento após as refeições. A melhor determinação laboratorial dos níveis de zinco éfeita pela sua dosagem nos leucócitos. A dosagem sérica não éfidedigna. O zinco catalisa a reação de formação do EPA e DHA(ácidos Omega-3), que produzirão PGE-1 e PGE-3(prostaglandinas que reduzem os processos inflamatórios), quealiviam a artrite ou artrite reumatoide. Também catalisa aconversão do ácido linoleico em GLA (ácido Omega-6). Os diferentes sais de zinco apresentam variados teores domineral: zinco arginina, 10% do mineral; zinco citrato, 34%;zinco glicina, 20%; zinco gluconato, 10% e zinco histidina,também 10%. A dose diária ideal é 0,43mg por kg de peso
    • 102 MINERAIScorporal. Doses acima de 30mg podem ocasionar náuseas e ouvômitos. São fontes de zinco: produtos integrais, gema de ovos,frutos do mar, levedo de cerveja, abóbora, mostarda, nozes ecarnes. As dietas ricas em vegetais e fibras costumam oferecerbaixa biodisponibilidade do zinco, uma vez que este permanecefirmemente absorvido aos fitatos e oxalatos. ELEMENTOS E COMPOSIÇÃO MINERAL DO HOMEMOXIGÊNIO...........................62,65% ZINCO................................. 0,0025%CARBONO ...........................20,05% COBRE ............................... 0,0003%HIDROGÊNIO .......................9,15% VANÁDIO........................... 0,0001%NITROGÊNIO .......................5,01% MANGANÊS ...................... 0,0001%CÁLCIO..................................1,38% SILÍCIO ............................ 0,00001%FÓSFORO ..............................0,63% RUBÍDIO .......................... 0,00001%POTÁSSIO..............................0,21% CROMO............................ 0,00002%ENXOFRE ..............................0,63% COBALTO........................ 0,00002%SÓDIO.....................................0,25% MOLIBDÊNIO................. 0,00002%MAGNÉSIO............................0,03% SELÊNIO.......................... 0,00003%FERRO.................................. 0,005% IODO................................. 0,00003%Fonte: Dr. Matti Tolonen, Finlândia, 1995.
    • Capítulo 3 - VITAMINAS “O homem está sempre disposto a negar aquilo que não compreende.” Pascal Sir Frederick Hopkins, prêmio Nobel de Medicina em1929, considerado o grande visionário e pai da teoria dasvitaminas, anunciava em 1906 que deveriam existir nosalimentos - além de carboidratos, proteínas e gorduras - certassubstâncias acessórias, necessárias à vida. O termo vitamina foicriado pelo químico do Lister Institute (Londres) CasemiroFunk, em 1911, para designar substâncias que possuíam umafunção amina e demonstrar que elas eram “aminas essenciais àvida”. Hoje é sabido que nem todas as vitaminas são aminas,sendo, na verdade, um grupo quimicamente muito heterogêneo. Antes do século XX, doenças comuns como a pelagra,beri-beri, escorbuto, raquitismo, cegueira noturna, entre outras,não eram bem conhecidas. Acreditava-se, na época, que estasdoenças eram de origem infecciosa, pois afetavam muitaspessoas de uma mesma comunidade. Não havia, até então,tratamento adequado para estas doenças. Segundo Dr. RenatoSabbatini (UNICAMP), o mais importante é que a descobertade que várias doenças nutricionais, muitas delas mortais,existentes antes do século XX, eram na realidade, simpleshipovitaminoses, podendo ser curadas, simples edefinitivamente, pela ingestão de alimentos adequados. Outra fascinante fase da história das vitaminas começouna década de 50, quando médicos passaram a empregá-las emmegadoses e associadas a minerais, aminoácidos e ácidosgraxos essenciais. Esta prática teve início logo após tornarem-se conhecidas carências nutricionais relacionadas à idade,
    • 104 VITAMINASprofissão, hábitos e doenças. Na década de 60, foramdescobertas outras propriedades das vitaminas, como porexemplo, a ação antioxidante de algumas delas (betacaroteno,A, C e E). O livro “Recomended Dietary Allowances” (RDA) épublicado pela Academia Nacional de Ciência dos EUA a cada10 anos. As doses RDA foram determinadas para prevenirdoenças carenciais específicas, mas não para promover um“ótimo” de saúde. Encontra-se em estudos o aumento das dosesestabelecidas em 1989. As doses de suplementação nutricional(ortomoleculares) aconselhadas são, em geral, muito superioresàs doses RDA. Através dos alimentos, seria preciso ingerirgrandes quantidades de laranjas, levedura, algas, germem detrigo, acerola e outros alimentos para atingir doses terapêuticas.A suplementação nutricional preconizada e experimentalmenteeficaz é da ordem de um fator x10, x20 ou mais. Portanto, épreciso recorrer a formas concentradas de nutrientes, nas quaisum comprimido equivale a várias gramas ou quilos de frutas,folhas ou legumes. São características das vitaminas serem componentesessenciais à bioquímica dos seres vivos, ocorrerem empequenas quantidades nos materiais biológicos e (pensava-seantigamente) não serem produzidas pelo organismo. As vitaminas hidrossolúveis (complexo B, C), sãoencontradas nas fontes vegetais e não são armazenadas peloorganismo, suas reservas esgotam-se em poucas semanas, porisso devem ser ingeridas continuamente. Seus excessos sãofacilmente excretados pela urina (por isso não são consideradastóxicas). As vitaminas lipossolúveis são melhor absorvidas napresença de gorduras, bile e sucos pancreáticos. Estão presentesem fontes vegetais e animais. São armazenadas no organismo
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 105por longos períodos, especialmente no fígado, por isso podemacumular até doses tóxicas quando ingeridas por longosperíodos. As patologias clínicas ou cirúrgicas, os acidentes e ostraumatismos aumentam as necessidades de micronutrientes.Algumas alterações das funções digestivas podem sermelhoradas com a suplementação de enzimas. As queimadurasocasionam perdas proteicas, vitamínicas e minerais, as quaisdevem ser compensadas; inflamações crônicas consomemantioxidantes, como o manganês, o selênio e ácidos graxosessenciais (Omega-3 e Omega-6). É possível acelerar aconsolidação óssea mediante a administração de cálcio,magnésio, zinco, boro, manganês, sílica, vitamina D e vitaminaC. As infecções podem ser combatidas e reduzidassensivelmente mediante a administração de zinco, selênio,magnésio, manganês e vitaminas B5, B6 e C. Uma reflexão sobre a história dos aminoácidos, dasvitaminas e minerais, motivada pela análise de mais de 20 anosde pesquisas e publicações médicas, permite supor que dosesótimas de nutrientes hidrossolúveis (excretáveis, portanto,quando em excesso) sejam mais importantes para a saúde doque doses inferiores às necessárias, as quais podem conduzir adoenças carenciais ou sintomas relacionados à deficiência deum ou mais dos 45 nutrientes (aminoácidos, minerais evitaminas) essenciais à vida. Na prescrição médica, frequentemente, uma dose requer oaviamento de várias cápsulas. A cápsula 00 (um grama) nãoraro comporta apenas 600mg de princípios ativos, visto que osnutrientes são leves ou são fornecidos em concentraçõesinferiores a 100% (vitamina E, à 50%; betacaroteno, à 10%;minerais quelados, de 0,5 a 20%); a correção torna-senecessária. As vitaminas E e C devem ser prescritas à parte emrazão do seu grande volume.
    • 106 VITAMINAS A RDA de 60 mg/dia para a vitamina C é suficiente paramanter a integridade do colágeno, mas quantidades adicionaissão necessárias para manter a função adrenal, regenerarglutation e vitamina E, quelar RLs, prevenir a oxidação docolesterol, bloquear a formação de nitrosaminas, manter afunção imune e manter a integridade dos vasos sanguíneos.Investigações epidemiológicas determinaram os efeitos do usode nutrientes em doses muito superiores às da RDA, durantemuitos anos, não constatando risco de toxicidade a curto oumédio prazo. Em contrapartida, as doses dos medicamentoshabitualmente empregados podem variar apenas entre estreitoslimites, pelo risco de efeitos colaterais indesejáveis, por vezesaté letais. As vitaminas (em sua grande maioria, algunsaminoácidos) e os minerais não são sintetizados peloorganismo, devendo ser obtidos no meio externo. As vitaminasdiferem dos minerais por serem compostos e não elementossimples como aqueles. Minerais não podem ser elaborados a partir de outrassubstâncias químicas; as vitaminas podem. É muito difícilestabelecer doses diárias adequadas aos diversos tipos deindivíduos, com diferentes idades, raças, hereditariedade,aspectos bioquímicos individuais, hábitos, situações de stress,etc. As vitaminas são compostos orgânicos necessários aocrescimento normal e à manutenção da vida. Funcionam como enzimas, coenzimas e/ou comoantioxidantes. Regulam a liberação de energia dos alimentospara formar e manter os tecidos do corpo. Infecções gravesaumentam dramaticamente o consumo de vitaminas e minerais,sendo necessário aumentar a dose durante esses períodos.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 107 Existem 15 vitaminas essenciais com uma ou maisfunções específicas no organismo. A ausência de uma delasdesencadeia um quadro de deficiência, visto que uma nãosubstitui a outra. Nos EUA, estima-se que 65% da população(100 milhões de pessoas) ingira suplementos vitaminados semcontrole médico; 50% dos adultos o fazem de maneirasistemática, o que ocasiona quatro mil casos anuais deintoxicação. Quando descobertas, a partir de 1911, a maioria dasvitaminas foi denominada por uma letra do alfabeto; odesconhecimento de sua estrutura química, não permitiuatribuir-lhes um nome científico. As vitaminas em doses superiores às RDA são úteis paraajudar a varrer RLs, deter suas reações em cadeia e prevenir arancificação das gorduras do corpo. A suplementação de vitaminas e antioxidantes concorrepara a manutenção da saúde, além de prevenir doençascarenciais e ajudar na prevenção de doenças degenerativas. Sãocomuns as deficiências de vitaminas e minerais, embora muitasvezes subclínicas. Carências nutricionais significativas foram encontradasna população americana: 26% de deficientes em vitamina C;31%, em vitamina A; 42%, em cálcio; 51%, em B6; 12%, emB2; 17%, em B1; 15%, em B12 e 32%, em ferro. Os brasileiros também apresentam carências importantesem vitaminas do complexo B, ferro, cálcio, magnésio, zinco,selênio e cromo.
    • 108 VITAMINAS Doses RDA das Principais Vitaminas e MineraisVitamina A ............... 5.000 U.I. Bioflavonoides.........não estabelecidaVitamina B1 .................... 2 mg Cálcio ............................. 800 mgVitamina B2 .................. 1,6 mg Cobalto ............................. 5 mcgVitamina B3 ................... 16 mg Cobre................................. 2 mgVitamina B5 ................... 10 mg Cromo...................não estabelecidaVitamina B6 .................... 2 mg Iodo ................... 1 mcg/kg de pesoVitamina B8 ................ 300 mcg Ferro .................. 18 mg p/mulheresVitamina B9 ................ 400 mcg ................. e 10 mg p/homens Magnésio ......................... 300 mgVit. B10 (PABA) não estabelecidaVitamina B12 ................. 3 mcg Manganês............................ 5 mgVitamina B15 ..... não estabelecida Molibdênio ...................... 150 mcgVitamina C .................... 60 mg Fósforo .......................... 800 mgVitamina D ..................400 U.I. Potássio .................não estabelecidaVitamina E ................... 16 U.I. Selênio ........................... 250 mcgVitamina K ........ não estabelecida Vanádio .......................... 100 mcg Zinco ................................ 15 mg Fonte: National Research Council (USA) As vitaminas e os minerais não têm valor calórico; essescomplementos, em forma de drágeas, cápsulas ou comprimidos,podem conter alguma caloria pelos excipientes ou substânciasde revestimento (como a lactose, por exemplo), porém seu teorcalórico é desprezível. Uma publicação do Departamento de Agricultura dosEUA indica o empobrecimento no conteúdo de minerais dosalimentos (aproximadamente 68% nos anos 70). Osprocedimentos modernos de conservação e armazenamentoagravaram esse fenômeno. As vitaminas E, C e, em menorintensidade, a B1, sofrem alterações pela exposição ao frio, aocalor, ao ar (oxidação) e aos processos de preparo dosalimentos para congelamento; há mais vitaminas em uma latade sardinhas em óleo do que em uma alface que tenha viajado epermanecido na banca do mercado por muito tempo (muitasvitaminas sofrem oxidação). A vitamina E exerce uma funçãoantioxidante, “protetora” das demais vitaminas; a deficiência de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 109vitamina E, portanto, pode trazer consequências indesejáveis ecomplexas ao equilíbrio vitamínico As formas de preparação culinária agravam oempobrecimento dos alimentos. A cocção prolongada da carne edos legumes pode oxidar e destruir as vitaminas do complexo B(especialmente o ácido fólico, que é a vitamina mais sensível àluz e ao calor), além das vitaminas C e E. Os legumes cozidosdeixam na panela as vitaminas solúveis B e C, assim como amaior parte de seus minerais. ESTABILIDADE DAS VITAMINASVITAMINA SENSÍVEL SENSÍVEL SENSÍVEL À LUZ À OXIDAÇÃO AO CALOR A muito muito resistente B1 sensível sensível muito B2 muito estável estável B3 muito estável estável B5 estável pouco sensível B6 sensível estável estável B8 estável estável estável B9 muito muito muito B12 sensível estável estável C pouco muito muito D muito muito sensível E pouco pouco estável K muito sensível pouco Fonte: Dr. Juarez Callegaro (RS) As vitaminas sintéticas são puras e quimicamenteidênticas às encontradas nos alimentos, não fazendo diferença,ao organismo humano, como foram obtidas. Os antibióticos e os antiinflamatórios usados por longotempo podem modificar a flora intestinal, diminuindo a síntesede algumas vitaminas. Para compensar o efeito dessesmedicamentos está indicado administrar lactobacilos e uma
    • 110 VITAMINASfórmula anti-RLs (betacaroteno, vitamina C, vitamina E eselênio). Todas as formas de stress (físico, químico epsicológico) aumentam as necessidades de zinco, deaminoácidos e das vitaminas B3, B5, B6 e C. Alguns medicamentos também podem afetar o equilíbriovitamínico, alterando a absorção das vitaminas, sua utilização,armazenagem e nível de eliminação, por exemplo:anticoncepcionais (B6 e ácido fólico); tranquilizantes (B2);analgésicos (ácido fólico e C), diuréticos (ácido fólico) eoutros. Vitaminas e minerais coexistem e costumam interagirentre sí. O complexo B, por exemplo, é absorvido junto com ofósforo; a vitamina C aumenta a absorção do ferro; a absorçãodo cálcio não ocorre sem vitamina D; o zinco está relacionadocom a vitamina A. Alguns minerais integram a estrutura dasvitaminas como, por exemplo, o enxofre (S) que faz parte damolécula de vitamina B1 e o cobalto, da vitamina B12. A carência vitamínica pode ser causada: pelo consumoinadequado de nutrientes devido a regime alimentar severo, àpobreza dos alimentos ou à ingestão insuficiente (má escolhano cardápio diário ou balanceamento inadequado); ou ainda pordeficiência na absorção. O pão branco possui magnésio 22% amenos do que o pão integral; zinco, 38% a menos; cromo, 28%a menos; cobre, 42% a menos; manganês, 12% a menos;vitamina E, 4% a menos; vitamina B6, 18% a menos; ácidofólico, 63% a menos e vitamina B5, 56% a menos. Há grandevariação no teor vitamínico das frutas e legumes frescos devidoao clima, solo, do método ou maturidade por ocasião decolheita. O transporte e o armazenamento também afetam seuteor de vitaminas e minerais. Jack Drumond, em 1920 sugeriu classificar as vitaminasem dois grupos: as hidrossolúveis (complexo B e vitamina C),
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 111que se dissolvem em água e as lipossolúveis (vitaminas A, D, Ee K), que se dissolvem em gordura. Enquanto as lipossolúveissão armazenadas nos tecidos, as hidrossolúveis (exceto a B12)não o são em quantidades apreciáveis, necessitando ser repostasmais regularmente do que aquelas. Quando não se consomem vitaminas em quantidadessuficientes - particularmente as vitaminas A, B1 e C – podeocorrer uma perda de apetite que se restabelece com a ingestãodestas vitaminas; quando já se consomem vitaminas de formabalanceada, quantidades extras não afetam o apetite. Aoeliminar certos alimentos da dieta, pode-se facilmente romper oequilíbrio na ingesta de vitaminas e minerais. A maioria dosnutricionistas concorda que, numa dieta com 1600 calorias oumenos, é virtualmente impossível suprir as necessidadesvitamínicas, o que torna necessária a suplementação,especialmente em regimes por período prolongado. A hora de tomar vitaminas, em geral, não é importante,sendo mais fácil lembrar-se tomando-as à mesma horadiariamente. Uma exceção é a vitamina C: se a intençãoespecífica é melhorar a absorção de ferro ou bloquear aformação de nitrosaminas no estômago, deve ser tomadadurante as refeições. O organismo não sintetiza suas próprias vitaminas, excetoa vitamina D e pequenas quantidades (insuficientes) de biotina,ácido fólico, niacina e vitamina K. As vitaminas precisam serobtidas em fontes externas, através dos alimentos ou porsuplementação. As vitaminas hidrossolúveis (complexo B e vitamina C)podem ser ingeridas em doses elevadas sem problemas, pois oexcesso é eliminado com a urina. As vitaminas lipossolúveis Ae D apresentam margem de segurança menor: a vitamina A éconsiderada segura em quantidades até 10 vezes a RDA; a
    • 112 VITAMINASvitamina D, até 5 vezes. Doses mais elevadas dessas vitaminaspoderão ser administradas a critério médico. Para atingir as necessidades diárias de vitamina E(16UI/dia) é necessário, por exemplo, consumir 16 ameixaspretas ou 20 damascos; para obter 400UI diárias (dosepreconizada como antioxidante ) seria necessário ingerir 400ameixas pretas ou 500 damascos. O americano médioconsome 10,5mg/dia. Torna-se necessário, então,administrarem-se suplementos. Quando uma vitamina ou um mineral estiver sob a forma“time release” (liberação gradual), significa que os ingredientesforam cientificamente encapsulados ou drageados e calibradosem pequenos grânulos com diferente número de camadas, asquais são liberadas em espaços de tempo determinados (de horaem hora, por exemplo, no período de até 12 horas). Os níveis corporais de vitaminas podem ser avaliadoslaboratorialmente, de forma isolada, uma a uma, orientadospelos sintomas carênciais da vitamina ou, de forma maisabrangente, em sua totalidade, através do vitaminograma,exame realizado a partir de uma amostra do sangue, que analisao conteúdo da totalidade das vitaminas.Vitamina A A vitamina A foi descoberta em 1913 por ElmerMcCollum (Universidade de Wisconsin) e Osborne e Mendel(Universidade de Yale). Estudando o óleo de fígado debacalhau, observaram a presença de uma substância que evitavaa xeroftalmia, xerodermia e o raquitismo. Cerca de 40% dosamericanos (especialmente os idosos) não ingerem a dose RDAde vitamina A. Foi sintetizada pela primeira vez em 1947. Na Antiguidade, já se conhecia a influência dos alimentos
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 113sobre a visão e a pele. O papiro de Eber (1500 a.C.)recomendou a ingestão de fígado de boi contra a cegueira; oschineses igualmente conheciam o efeito terapêutico da ingestade fígado de animais. Na Bíblia, o arcanjo Rafael sugeriu aofilho de Tobias o uso de fígado de peixe para as manchasbrancas dos olhos de seu pai. Hipócrates recomendou ofígado contra transtornos visuais; Celso, médico romano(25 a.C. - 40 d.C.), foi o primeiro a falar em xeroftalmia. Em1750, na Alemanha, a cegueira era tratada com óleo defígado de bacalhau. Uma cápsula de óleo de fígado debacalhau (500mg) contém, em média, 5000UI de vitamina A e40UI de vitamina D. A vitamina A é essencial ao funcionamento da retina (daío nome “retinoide”) por promover a formação dos pigmentosque tornam a visão noturna possível (ao combinar-se com opigmento opsina, forma a rodopsina). Também é fundamentalpara o crescimento e manutenção dos tecidos que revestem asuperfície do corpo e para tornar o sistema imunológico maisativo, melhorando a resistência às infecções. A cegueiranoturna é o primeiro sintoma clínico de deficiência da vitamina. As reservas corporais das vitaminas A, B6 e C diminuemnas infecções virais e bacterianas; a febre intensifica aeliminação de vitamina B2; as vitaminas A, B1, B2, B12,betacaroteno e o ácido fólico estimulam macrófagos e linfócitosT e B. A carência de vitamina A origina uma regressão nasdimensões do timo e do baço, o que leva a uma queda naprodução de glóbulos brancos. Crianças nascidas com deficiência de vitamina A são,portanto, mais sensíveis a doenças infecciosas; por outro lado,doses elevadas de vitamina A (acima de 10 vezes a RDA)podem diminuir a função imunológica. Anualmente, a nível
    • 114 VITAMINASmundial, 5 a 10 milhões de crianças têm severa deficiência devitamina A muitas delas evoluindo para a cegueira,especialmente em países da África e da Ásia. Sua carênciatambém costuma estar associada a pele seca, alteraçõescutâneas, perda do apetite e fadiga. A reserva hepática de vitamina A é suficiente para, pelomenos 6 meses; seu consumo, quando ocorre, se faz à razão de0,5% ao dia. A quantidade armazenada é cerca de 1 milhão deUI, sendo que, nas hepatopatias, a capacidade de depósito estámuito diminuída. A toxidez começa a ser percebida quando oestoque corporal está 100 vezes acima do necessário. Osfígados dos animais são grandes fontes da vitamina. O fígadodo porco contém 3000UI/100g e o fígado de um urso polarpode conter 600000UI/100g (Rodahl e Moore, 1942). Oprimeiro caso de intoxicação por fígado de urso foi relatadopelo explorador ártico Kane, em 1857. Os sintomas deintoxicação são: cefaleia, náuseas, vômitos, dores abdominais,insônia, irritabilidade, queda de cabelo e aumento do fígado. Durante a gestação deve-se administrar com cautelasuplementos contendo vitamina A (preferindo-se obetacaroteno) devido ao risco de retardo no crescimento fetal emalformações no trato urinário (o aporte máximo seguro é de8000UI). Médicos da FUNASA ( Fundação Nacional de Saúde)identificaram carência de vitamina A em crianças índias de até5 anos e mulheres indias em fase de amamentação nas aldeiasindígenas brasileiras. Em 2006, 104 mil índios receberamsuplementação da vitamina. A equivalência da Vitamina A é a seguinte: 1mg deVitamina A, equivale a 6mg de Betacaroteno ou a 3.300UI deBetacaroteno, sendo a dose diária ideal, de 350UI/kg de peso
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 115corporal. Doses acima de 50000UI/dia devem ser utilizadascom cautela. São fontes de vitamina A: óleo de fígado de bacalhau,ovos, manteiga, fígado de animais.Betacaroteno O termo caroteno deriva da palavra francesa “carotte” ouda inglesa “carrot”, que significa cenoura, uma fonte importantede carotenos. Também são encontrados na batata doce,abóbora, frutas, ervilha e pimentão verde. Os carotenoidesreceberam este nome nos anos 30 e, desde então, mais de 500foram identificados, podendo o organismo transformar emvitamina A cerca de 50 deles. Os mais ativos são oBetacaroteno e Licopeno (o Betacaroteno é melhor fonte deVitamina A e o Licopeno apresenta maior atividadeantioxidante). O betacaroteno (pró-vitamina A) é absorvido no tratodigestivo e pode alcançar altas concentrações sanguíneas,produzindo uma hipercarotenemia. Quando o betacaroteno seeleva muito no sangue, seu único efeito colateral é produziruma coloração amarela nas extremidades (nariz, dedos, palmadas mãos) sem, contudo, apresentar os efeitos tóxicos davitamina A. Quando metabolizado, o betacaroteno origina duasmoléculas de vitamina A, mas esta transformação somenteocorrerá à medida em que for sendo necessária. A conversão éfeita pela enzima betacaroteno-15,15-dioxigenase e ocorre emdois locais do organismo: na mucosa do intestino e no fígado.Algumas pessoas apresentam dificuldade em fazer essaconversão, em especial os diabéticos e os hipertireoideos.
    • 116 VITAMINAS O consumo de betacaroteno nos EUA, via alimentação, éde 1,6mg/dia, enquanto o valor recomendável é de 6mg/dia.Uma xícara de suco de tomate contém 10% da necessidadediária. A ingesta do betacaroteno é muito segura: doses de360mg/dia durante longos períodos não mostraram nenhumefeito colateral. Os níveis corporais de betacaroteno em mulheres comcandidíase vaginal encontram-se diminuídos (cerca de 30% dovalor normal); uma dieta rica ou a suplementação debetacaroteno são fatores de proteção contra a candidíasevaginal. Inúmeros trabalhos científicos evidenciam uma açãoanticancerígena atribuída ao betacaroteno, especialmente paracâncer de bexiga, próstata, laringe, esôfago, estômago e reto. As concentrações sanguineas de carotenoides são bonsindicadores de frutas e hortaliceas. Trabalhos científicos relacionam autos níveis sanguineosde betacaroteno e outros carotenoides a diminuição do risco decâncer e doenças vasculares. A estrutura desses compostos,principalmente a presença de suas duplas ligações, tornapossível a captação e neutralização de radicais livres. Recentes trabalhos no Japão (Universidade de Kyoto),apontam que o alfa-caroteno apresenta atividade 10 vezessuperior ao betacaroteno, porém, até 1996, esse produto nãoestava disponível comercialmente. Os carotenos podem serrapidamente oxidados protegendo assim outros compostos daoxidação. Podem quelar oxigênio singlet, pela transferência daenergia daquele para o carotenoide, devendo este últimodissipar a energia de excitação, liberando calor e regenerando amolécula original. São fontes de betacaroteno: cenoura e todos os vegetais efrutas das cores vermelha, laranja, amarelo e verdes.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 117 VITAMINAS: EQUIVALÊNCIA ENTRE U.I. E MILIGRAMAS Vitaminas lipossolúveis - A, D, E e K - são expressas em Unidade Internacional (U.I.). Vitaminas hidrossolúveis são expressas em microgramas ou miligramas, e não em U.I.. Uma U.I. de vitamina E é igual a 1 mg de vitamina E (DL-alfa tocoferol). Uma U.I. de betacaroteno é igual a 0,000359 g ou 1 mg de betacaroteno é igual a 1,666 U.I. Uma U.I. de vitamina D é igual a 0,025 mcg de vitamina D. 1 mcg de vitamina D equivale a 40 U.I.. Uma U.I. de vitamina A é igual a 0,000344 mg de vitamina A. 1 mg de vitamina A corresponde a 2.906 U.I.. Fonte: Dr.Harold M. Silverman (USA)Complexo B Na época áurea da descoberta de novas vitaminas, muitoscompostos foram incluídos erroneamente entre elas; novaspesquisas evidenciaram o equívoco, levando a umareclassificação daquelas substâncias, todas elas denominadaspelas letras iniciais do alfabeto. A vitamina antiescorbútica foidenominada vitamina C; a que prevenia o raquitismo, vitaminaD; a que era essencial à fertilidade, vitamina E; e a necessária àcoagulação do sangue, vitamina K. As letras F (ácidos graxospoliinsaturados), H (biotina), M, P (bioflavonoides), Q(ubiquinona), T e U, também foram empregadas para designarvitaminas ou compostos similares. O nome “tiamina” para a vitamina B1 foi proposto em1931, por Williams, sendo associada à neurite e à profilaxia doberibéri; a segunda fração (vitamina B2) foi chamada de
    • 118 VITAMINASvitamina G (do inglês, grow), por favorecer o crescimento. Avitamina B4 correspondia à “adenina”; a vitamina B7 foiclassificada por Leboulanger como “colina” (outrospesquisadores a chamaram de vitamina J); a vitamina Icorrespondia ao “inositol”. O ácido fólico era vitamina L-1; avitamina B12 era vitamina L2; a vitamina M era“estigmasterol”, substância derivada dos sitosteróis. O ácidolipoico era vitamina N; a carnitina era vitamina O para alguns evitamina B11 para outros. A carência de vitaminas do complexo B está relacionadaa distúrbios do comportamento (principalmente a deficiência detiamina, niacinamida, piridoxina e inositol); os estados deansiedade denotam, não raramente, deficiências nutricionaisdesse grupo. O organismo consegue estocar somente pequenasquantidades do complexo B, sendo necessária sua ingestãodiária. As doses RDA do complexo B podem ser aumentadasem, pelo menos, até 20 vezes sem nenhum problema. A elevada ingesta de açúcar pode causar deficiência devitaminas do complexo B, pela produção de alterações na floraintestinal. O complexo B é removido dos alimentos pelosprocessos de industrialização, chegando a uma perda de até80%.Vitamina B1 (tiamina) O béri-béri foi descoberto na China (2600 a.C.) associadoao branqueamento do arroz (doença dos “comedores de arroz”).Outrora foi considerada uma doença tropical pela sua grandeincidência nas regiões quentes da Ásia (Filipinas, Tailândia,Malásia, Coreia e Japão). Em 1878, o almirante japonês Takaki,observando que a doença atingia apenas aos marinheiros, masnão aos oficiais, pressentiu a origem nutricional da doença, o
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 119que fez com que trocasse a dieta de arroz dos marinheiros poruma alimentação variada. Em 1890, o holandês Eijkmanobservou que os presos da penitenciária de Java sofriamtranstornos cardíacos e paralisias; notou, também, que aparalisia afetava as galinhas criadas no presídio. Como ambosse alimentavam com arroz descascado, foi dado arroz integralaos detentos e às galinhas, com resultados espetaculares. Apalavra béri-béri é de origem senegalesa, significa “eu nãoposso”, indicando estar a pessoa impossibilitada de fazer algo.Em japonês, se chama kakke “doença das pernas”. Em 1911,Funk, do Lister Institute, isolou da película do arroz umasubstância que chamou de antineurítica. A estrutura da vitaminaB1 foi conhecida e isolada em 1931 pelos cientistas holandesesJansen e Donath e sua síntese realizada por Williams(Universidade de Columbia), em 1936. Foi proposto o nome detiamina para esta vitamina pelo fato dela conter enxofre em suaestrutura. A vitamina B1 atua como coenzima em, pelo menos, 24sistemas enzimáticos e 90% do conteúdo corporal é encontradonas hemácias e leucócitos. No metabolismo dos hidratos decarbono, é necessária à formação da Acetil-coenzima A, a partirdo piruvato, assim como à eliminação de CO2, no ciclo deKrebs. O déficit de tiamina causa a acumulação de ácidopirúvico no corpo. A deficiência de vitamina B1 é a terceiracausa de demência nos EUA (ocorre em até 30% dos pacientespsiquiátricos), sendo essencial para a produção de energia nocérebro. A deficiência de tiamina diminui a função mental e,em casos mais severos, pode levar à psicose. Epilépticos emuso de fenitoina devem receber suplementação diária de 50mg. A vitamina B1, a exemplo das demais vitaminas docomplexo B, é altamente solúvel em água; o cozimento dosalimentos faz com que seu conteúdo vitamínico fique neladissolvido. Esta água, rica em vitaminas, não deve ser
    • 120 VITAMINASdesprezada, mas usada para a preparação de sopas, caldos oumolhos. O calor destrói a vitamina B1; alimentos cozidos emforno de microondas têm perda semelhante à daquelespreparados de forma convencional (pelo menos 20% de seuconteúdo). Também prejudicam a B1: a cafeína, o álcool, o ar, aágua, os estrógenos, os antiácidos, as sulfas e, especialmente, osnitratos e sulfitos (utilizados como conservantes em carnes evinhos). É o elemento mais instável do complexo B. Consumidores de açúcar, diabéticos, portadores dadoença de Crohn e esclerose múltipla, gestantes e alcoólatrasnecessitam de maior aporte de vitamina B1; segundo oAmerican Journal of Clinical Nutrition, 25 % das gestantesamericanas são carentes de tiamina. Situações de estafa,enfermidades e ansiedade aumentam a necessidade de vitaminaB1. Baixos níveis da vitamina podem originar confusão mentalem idosos, especialmente no período pós-operatório. A tiaminanão é tóxica, nem mesmo em altas doses, como 600mg/dia (300vezes a RDA). O álcool produz expoliação do ácido fólico e demaisvitaminas do complexo B, especialmente vitamina B1 (além dediminuir sua conversão para a forma ativa). Cerca de 70% dosalcoolistas apresentam deficiência desta vitamina, além davitamina B12, cromo, magnésio, zinco e potássio. Sua presençaé importante para neutralizar os efeitos tóxicos do álcool. Avitamina B1 também é prejudicada pela ingesta excessiva decafeína (acima de 4 cafezinhos/dia). A deficiência de tiaminatambém tem sido observada em algumas miocardiopatias e em30% dos esquizofrênicos. A tiamina é necessária à glicólise e ao metabolismo decarboidratos, principalmente no início do processo, quando sedá a fosforilação; sob forma de tiamina difosfato, funcionacomo coenzima vital para a respiração celular. Asuplementação pode melhorar o quadro de neuropatia diabética.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 121 Uma enzima chamada tiaminase, encontrada em peixescrus, desativa 50% da tiamina; o cozimento destrói esta enzima.A ingestão de quantidades apreciáveis de peixe cru requersuplemento adicional de B1. O chá preto e o café, igualmente,contêm um fator antitiamina. O abuso do álcool diminui(depleta) os níveis da vitamina. A demanda de vitamina B1 estará aumentada sempre quehouver um incremento na taxa do metabolismo (febre,hipertireoidismo, atividade muscular intensa, gravidez, lactaçãoe stress emocional). Pessoas com ingesta excessiva decarboidratos e/ou alimentos industrializados devem aumentar oaporte de vitamina B1. A eliminação da vitamina B1 pela transpiração atua comoum eficaz repelente de insetos, fato publicado pelo MedicalLetters, em 1968. Dos cem voluntários que participaram daexperimentação (100mg/dia), setenta não foram atacados pelosinsetos. A Vitamina B1 tem amplo uso em medicina. É utilizadanas neurites, nevralgias, depressão, prevenção de enjoos(geralmente associada à Vitamina B6 ), esclerose múltipla,repelente anti-insetos, antioxidante, stress, alterações de humor,e nas intoxicações pelo chumbo. A vitamina B1 também é conhecida como “aneurina”,“fator antibéri-béri” ou ainda como “vitamina do humor”.Variações bruscas em seus níveis foram associadas àsmudanças no humor. A dose diária ideal é de 0,40mg/kg de peso corporal. Nãosão conhecidas doses tóxicas para a tiamina. São fontes de vitamina B1: alimentos de origem animal(carnes e leite), grãos integrais (arroz, trigo, cevada, soja),frutos do mar, feijão, levedo de cerveja e amendoim. O abacateé a fruta mais rica em vitamina B1 e, dentre as fontes animais,
    • 122 VITAMINASdestaca-se a carne de porco (10 vezes mais vitamina do queoutras carnes vermelhas).Vitamina B2 (riboflavina) Em 1928, Chick e Roscoe demonstraram que ratosjovens, alimentados com dieta restrita, apresentavam parada nocrescimento e dermatite. A introdução de alimentos completosrevertia o quadro, sugerindo a presença de um “fator” - naalimentação normal - capaz de evitar as alterações. O “fator”foi isolado em 1933 e sintetizado por Kuhn e Karrer. Avitamina B2 é comercializada sob forma de riboflavina ou deriboflavina-5-fosfato (forma ativa). A vitamina B2 faz parte de vários sistemas enzimáticos(oxidases e desidrogenases); participa ativamente comocoenzima (FAD, FMN) em pelo menos 3 processos envolvidosna produção de energia, como aceptor e transportador de H. Suaação é diminuída pelos antidepressivos tricíclicos,antineoplásicos, fenotiazinas, antibióticos e pelo probenecide.Sua presença é importante na oxidação dos aminoácidos, nasíntese e oxidação dos ácidos graxos, na oxidação da glicose eno metabolismo dos hormônios tireoideanos. As necessidadesde vitamina B2 aumentam nas queimaduras, cirurgias, febre,tuberculose, alcoolismo e diabete mélito descompensado. A vitamina B2 ativa a enzima glutation redutase,necessária à reativação da enzima glutation peroxidase; exercefunção fisiológica no crescimento e no desenvolvimento dofeto, na higidez das mucosas, epitélios e olhos; está envolvidana síntese do ACTH e, a exemplo do que ocorre com a tiamina,sua presença é essencial à ação da tiroxina e da insulina. Alguns quadros de enxaqueca parecem ser desencadeadospela redução na produção de energia dentro das mitocôndrias.A suplementação de vitamina B2 (50 mg 2 vezes ao dia) e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 123coenzima Q-10 (20 mg 2 vezes ao dia) aumentam de formaeficiente a produção de energia na mitocôndria, servindo comopreventivo. A vitamina B2 é a mais estável das vitaminas, resiste bemao calor (100ºC/6 horas), mas não resiste bem à luz(particularmente a vitamina do leite). Em 3 horas, 75% davitamina B2 exposta à luz é destruída, originando umalumiflavina que é capaz de destruir a vitamina C (bastam 5% delumiflavina para destruir metade da vitamina C presente). Adestruição é máxima em pH alcalino. A carência de vitamina B2 é a mais importante dos paísesindustrializados, tendo sido diagnosticada em 20% dospacientes hospitalizados, na Inglaterra. No olho existe umaquantidade notável de vitamina B2, a qual participa naadaptação do olho à exposição à luz solar direta; a deficiênciadesta vitamina é causa de fotofobia. As deficiências só sãopercebidas após três a quatro meses de privação (pequenasquantidades são armazenadas nos rins e no fígado). Énecessária para as funções da vitamina B6 e da vitamina B3,sendo característica a intensa coloração amarela na urina dosusuários dessa vitamina. É considerada tão segura que seu uso éautorizado como corante natural (para ser adicionada emalimentos). Segundo o Dr.Roger J. Williams, criador do conceito de“individualidade bioquímica”, as necessidades diárias devitamina B2 variam muito de indivíduo para indivíduo(chegando a diferenças de até 20 vezes). A Dra.Sarah Short, daUniversidade de Siracusa, relatou que os atletas, mesmoconsumindo dietas com 14.000 calorias/dia, podiam apresentardeficiência dessa vitamina. A vitamina B2 é empregada no alcoolismo, dermatites,prevenção da catarata, stress, fadiga crônica e acne entre outras
    • 124 VITAMINASutilizações. São sintomas da carência da Vitamina B2: rachadura nocanto dos lábios, inflamação da língua, dermatite seborreica,anemia e neuropatias. A dose diária ideal é de 0,40mg/kg de peso corporal.Doses de 100mg a 200mg/dia são utilizadas no Parkinsonismo.Não são conhecidas doses tóxicas para a Vitamina B2. São fontes de vitamina B2: levedura de cerveja, o leite ederivados, os vegetais verdes folhosos, as frutas, os cereais, osovos, as carnes e as vísceras. Provavelmente o leite seja amelhor fonte de vitamina B2 (1,7mg/250ml).Vitamina B3 (niacina, niacinamida, ácidonicotínico e nicotinamida) A pelagra foi descrita em Oviedo, na Espanha, porCassal, (1730), por Frapolli na Itália (1760) e na França (1830).Nos EUA tornou-se endêmica a partir de 1907. Mais de 25 milcasos, com 40% de mortalidade, ocorreram entre os anos de1928 e 1929. Goldberger (1914) provou que os negros(alimentados na época à base de milho) apresentavam pelagra,enquanto que os brancos, alimentados com carne, leite e milho,não sofriam da doença. Funk, Well e Mouriquand constataramque as alterações cutâneas ocorriam devido à falta de umavitamina, que foi isolada por Conrad Elvehgem (Universidadedo Wisconsin) em 1937, e denominada vitamina PP (PellagraPreventive Factor) ou B3. Em 1946, Krehl provou que ohomem poderia efetuar a síntese da vitamina PP a partir dotriptofano, desde que houvesse a presença de cofatores(vitaminas B1, B2 e B6). A pelagra apresenta-se nas regiões domundo onde o milho representa mais de 60% das caloriasdiárias. O termo, criado por Frapolli (1771) deriva da palavra
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 125italiana “pellagra”, que significa pele rugosa e é conhecidacomo a doença dos “3 Ds” (dermatite, diarreia e demência). A niacina é capaz de reduzir os níveis de colesterol ematé 40%, aumentar a relação HDL-LDL e ainda diminuir osníveis de triglicerídios em até 33%. Sua administração deve serfeita em doses crescentes, começando com 50mg/dia eaumentando 50mg a cada semana até atingir a dose mínimanecessária de 300mg/dia (os efeitos melhoram com o aumentodas doses). As doses escalonadas visam evitar o “flush”. O ácido nicotínico, na dose de 50mg tomados aoacordar, é bastante eficiente para alguns quadros deenxaqueca, segundo o Dr. Carl Pfeiffer. Em indivíduossensíveis, doses superiores a 50mg podem causar niacin flush(calor e rubor devido à liberação de histamina pelosmastócitos), que persiste por cerca de uma hora. Este flushnão é perigoso, apenas incômodo; para evitá-lo, inicia-se comuma dose baixa (50mg), durante 3 dias, aumentando-segradativamente até a dose desejada. A associação da niacinaao inositol diminui a possibilidade de ocorrer o “flush”,assim como a administração de AAS (300mg 15 minutosantes). Outra estratégia consiste em associar as duas formasda vitamina B3: uma parte de ácido nicotínico e duas partesde nicotinamida. Doses maiores que 500mg/dia podem elevaras enzimas hepáticas. É especialmente indicada nas pessoascom predisposição hereditária à hipercolesterolemia. Aassociação do ácido nicotínico a 200-400mcg/dia de cromopotencializa a ação hipocolesterolemiante de ambos. Médicosamericanos utilizam a niacina em 7,9% dos pacientes comdislipidemia. A vitamina B3 é encontrada em suplementos sob asformas de niacina (ácido nicotínico ou nicotinato) ou deniacinamida (nicotinamida). Foi denominada, inicialmente, deácido nicotínico; porém, devido à relação do nome com a
    • 126 VITAMINASnicotina do tabaco, passou a ser designada como niacina. Cadaforma tem diferentes aplicações: a niacina, por exemplo, éeficiente para reduzir os níveis de colesterol e triglicerídeos,sendo benéfica no tratamento das frieiras e da esquizofrênia, aopasso que a nicotinamida é utilizada nas artrites e diabetesmellitus tipo 1. Os estados de ansiedade aumentam o consumo davitamina B3, induzindo o organismo a produzí-la. A produçãoendógena se faz a partir do triptofano, à razão de sessenta partesdo aminoácido para produzir uma parte da vitamina; o consumoexcessivo resulta na produção deficiente de serotonina (cujoprecursor imediato é o 5-OH-triptofano), podendo instalar-seum quadro depressivo. A vitamina B3 é a única vitamina sintetizada dentro docérebro. É empregada na síndrome do pânico, para adesmetilação da adrenalina, pois impede a formação de DMT(dimetiltriptamina). As vitaminas B3 e B6 - juntamente com otriptofano - são importantes para a síntese da serotonina, cujadeficiência dificulta aos indivíduos atingir o sono delta (sonorepousante). Em certas psicoses há formação exagerada dedimetiltriptamina, devido ao aumento da síntese de radicaismetila; nestes casos o uso da vitamina B3 em altas doses (de500mg a 1000mg/dia) promove a captação dadimetiltriptamina, formando metil-nicotinamida que éexcretado na urina. A ação tranquilizante da vitamina se deve asua capacidade de ligação aos receptores benzodiazepínicos. A vitamina B3 encontra-se presente em boas quantidadesna farinha de milho, embora basicamente em uma formainsolúvel, indisponível para absorção. Sob condições alcalinas ede calor, no entanto, a vitamina é liberada. No México, paísonde a farinha de milho é altamente consumida o produto é
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 127previamente tratado com água de cal e posteriormente aquecidapara originar as famosas “tortillas” mexicanas (agora com avitamina disponível). A niacina é estável sob cozimento. Os lapsos de memória podem estar associados, entreoutros fatores, a baixos níveis de zinco e vitamina B3,nutrientes essenciais às funções do hipocampo (memória eemoções); em menor grau, à deficiência de ácido fólico,vitamina B12 (mais comum em pessoas idosas) e vitamina C. A Vitamina B3 é utilizada nas enxaquecas, insônia, peleseca, fadiga crônica, colesterol e triglicerídeos elevados,ansiedade, depressão, esquizofrenia e doença de Meniere. A dose diária recomendada é 0,7mg/kg de peso corporal.A toxicidade da Vitamina B3 é baixa. Doses elevadas (1500mg)podem causar aumento das transaminases. São fontes de vitamina B3: as carnes, as aves, os peixes,os produtos de trigo integral, o levedo de cerveja, os ovos, oamendoim, frutas e legumes. O leite é muito pobre em B3; poresta razão, a deficiência de B3 é comum em crianças cuja dietase baseie no leite e o sintoma guia é a hiperatividade infantil.Vitamina B5 (ácido pantotênico) A Vitamina B5 foi descoberta em 1933 por RogerWilliam, que a isolou em 1939. O nome ácido pantotênico(vitamina B5) deriva da palavra grega “pantos” - que significaem todo lugar. Isso porque praticamente todos os alimentoscontêm essa vitamina. A maior parte da vitamina B5 étransformada em coenzima A, substância necessária para aconversão de carboidratos e gorduras em energia. Também énecessária à produção de hormônios, formação da hemoglobinae do neurotransmissor acetilcolina, fundamental para amemória. Em associação com a vitamina B3, ajuda a remover a
    • 128 VITAMINASlipofucsina gerada pela peroxidação lipídica e peloenvelhecimento (a lipofucsina diminui a formação daacetilcolina). Foi isolada pelo Dr.Roger William (considerado opai da moderna vitaminoterapia) em 1939 e sintetizada em 1940por Stiller, do Laboratório Merck. O ácido pantotênico é vital para a resposta do organismoao stress e às infecções virais ou bacterianas (Axelrod -Universidade de Pittsburgh - revista Acta Pediatrica – 1971). Éimportante também para a síntese do ACTH e deglicocorticoides (é considerada a vitamina anti-stress por suaação sobre a glândula suprarenal). O Dr.Abram Hoffer,psiquiatra canadense e autor do livro “OrthomolecularNutrition”, o Dr. Emanuel Cheraskin, autor do “PsychoDietetics” e o Dr. Richard Passwater, autor do livro “SuperNutrition”, indicam essa vitamina em todos os casos de stress.Doses muito elevadas (acima de 1g/dia) podem desencadeardores ósseas, além de acelerar o trânsito intestinal. Por seu alto teor em cálcio (37%) a vitamina B5(pantotenato de cálcio) pode ser usada como fonte destemineral. O “formigamento” nas mãos e nos pés (síndrome dospés ardentes) é melhorado pela ingestão de uma dose maiorde vitamina B5 (100mg/dia ou mais), juntamente com outrasvitaminas do complexo B. A dose diária ideal é 0,70mg/kg de peso corporal. Suautilização é segura até, pelo menos, 1000mg/dia. São fontes de vitamina B5: as vísceras, a carne bovina, ofrango, os ovos, as verduras, o levedo de cerveja, as nozes e oscereais integrais.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 129Vitamina B6 (piridoxina) Em 1934, Gyorgy detectou na levedura de cerveja umfator diferente das vitaminas B1 e B2, capaz de curar adermatite em ratos: a vitamina B6. Foi isolada em 1938 porLepkvosky e sintetizada em 1939 por Kuhn na Alemanha. Foioriginalmente denominada adermina ou fator Y. A vitamina B6 é encontrada sob 3 diferentes formas,todas elas inter-relacionadas: piridoxina, piridoxal epiridoxamina. A piridoxina ocorre nas plantas, enquanto opirodoxal e a piridoxamina são encontrados nas fontes animais.Todos os três compostos são precursores da forma ativa, o5-piridoxal-fosfato (os suplementos costumam oferecer aforma piridoxina, de menor custo). Pacientes comproblemas hepáticos realizam a conversão com dificuldade ounão a realizam, devendo, portanto, utilizar a forma ativa(piridoxal-5-fosfato). A vitamina B6 é importante para a formação daserotonina a partir do triptofano; ainda, para a conversão dotriptofano em vitamina B3 e do ácido araquidônico emprostaglandina E2. A deficiência de vitamina B6 reduz aprodução e a atividade de neurotransmissores (especialmenteacetilcolina, histamina e noradrenalina), podendo causardepressão, insônia, irritabilidade e ansiedade. Considerandoque, deficiências marginais de vitamina B6 são comuns(especialmente nas mulheres), é possível que milhares depessoas usando antidepressivos fossem beneficiados com a suareposição (50mg 2 vezes ao dia) e a consequente normalizaçãodas rotas bioquímicas cerebrais. O Dr. Hoffer, psiquiatracanadense, acredita que 75% das pessoas com severasdesordens mentais necessitem doses elevadas de vitamina B6. Baixos níveis desta vitamina são observados noalcoolismo crônico, em psicoses (como a esquizofrenia), na
    • 130 VITAMINASepilepsia, na colite ulcerativa e durante a lactação. Pacientes emuso de tuberculostáticos, penicilamina, anticoncepcionais oudurante dietas hiperproteicas, necessitam de suplementosadicionais de vitamina B6 (15mg/dia). A administração de vitamina B6 (acima de 20mg) écontra indicada para pessoas portadoras do mal de Parkinson,pois aumenta a descarboxilação da L-dopa, convertendo-a emdopamina (sob esta forma ela não consegue passar a barreirahemato-encefálica). O efeito anticonvulsivante da vitamina B6 é devido a suaatuação como co-fator de neurotransmissores cerebrais, sob aforma piridoxal-fosfato. A transformação para a forma ativa(piridoxal fosfato), necessita do magnésio para ativar a enzimapirodoxal quinase. Outro mecanismo provável para anecessidade de doses mais elevadas nestes pacientes seria adificuldade de ligação da vitamina B6 à enzimaGABAdescarboxilase, resultando em baixa produção doneurotransmissor GABA. A deficiência de vitamina B6 é comum entre osportadores da síndrome do túnel do carpo, segundo o Dr.George Phalen que a descreveu (1950). O tratamento comvitamina B6 (150mg 2 vezes ao dia) associado à vitamina B2(20mg 2 vezes ao dia), durante um período mínimo de 90 dias,costuma lograr bons resultados em até 70% dos casos. O autismo está relacionado com alterações na bioquímicacerebral; há diminuição da produção de neurotransmissores,cuja síntese requer vitamina B6. Pelo menos 10% dos pacientesem uso de vitamina B6 e magnésio apresentam excelenteresposta terapêutica; em 20%, a melhora é apenas moderada. A piridoxina, além de participar da síntese de ácidosnucleicos e de proteínas do corpo, também favorece aassimilação de carboidratos, proteínas e gorduras. Reduz
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 131espasmos musculares, câimbras e algumas formas de neurite;auxilia a manutenção do balanço entre Na/K, combate a insôniae as convulsões, favorecendo a síntese do GABA e daserotonina. Segundo E. Prienard e S. Gershoff (Universidade deHarvard - American Journal of Clinical Nutrition - 1967), aformação de cálculos renais de oxalato de cálcio estárelacionada a dois fatores principais: em primeiro lugar, àpossibilidade do oxalato de cálcio manter-se em solução ou não(a proporção Ca/Mg é um dos determinantes da solubilidade); osegundo fator é o aumento da produção de ácido oxálico queocorre quando há carência de vitamina B6. A carência devitamina B6 resulta na diminuição de atividade de enzimas B6dependentes, resultando em episódios de repetição de litíaserenal. A suplementação de vitamina B6 oferece significativaproteção contra o surgimento da neuropatia diabética;considerando que a deficiência de vitamina B6 é comum emdiabéticos, sua suplementação sempre é benéfica (25% dosdiabéticos adultos são carentes de B6). A vitamina B6 tambéminibe a glicação de proteínas (100mg 2 vezes ao dia).Diabéticos não metabolizam a piridoxina adequadamente enecessitam doses diárias maiores que as doses RDA. A transformação do ácido glutâmico em GABA, a síntesedo GABA, assim como as transformações de muitos outrosaminoácidos, necessitam da presença da vitamina B6 comocatalisador nas reações de transaminação e descarboxilação. A vitamina B6 contribui para aliviar a náusea (muitasfórmulas antienjoo contêm 50mg da vitamina). Também ajuda areduzir a secura na boca e outros sintomas desagradáveis,associados ao uso de derivados tricíclicos.
    • 132 VITAMINAS Na esquizofrenia utiliza-se a vitamina B6 em doses quevariam entre 200-500mg/dia. Doses diárias acima de 1g podemdesencadear sintomas neurológicos importantes, que levam até6 meses para desaparecer. A redução da superdosagem deve serfeita de maneira gradativa. Alguns autores consideram ser adose ideal aquela com a qual é possível recordar os sonhos comfacilidade. Um possível sintoma de excesso é a inquietaçãonoturna. A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM) é conhecidadesde o ano 2000 a.C., descrita nos papiros de Ebers e Kahun.Afeta cerca de 40% das mulheres e sua etiologia ainda não foitotalmente elucidada, podendo ser a deficiência de elementosdo complexo B, de magnésio, ácidos graxos Omega-6 ounutrientes necessários à metabolização hepática dos hormôniosfemininos. Outro fator desencadeante pode ser o stress, poraumento na demanda de glicose pelo SNC. A administração davitamina B6 (100mg/dia) associada ao magnésio (200mg/dia)durante 10 dias antes da menstruação, produz excelentesresultados em 70% das mulheres que apresentam a síndrome.Cerca de 20% das usuárias de contraconceptivos hormonaisapresentam deficiências discretas de vitamina B6, que podemser corrigidas com a administração de 15mg/dia. A deficiênciade vitamina B6 é pequena na população masculina americana;nas mulheres é mais pronunciada, ocorrendo em 30% dapopulação feminina até os 40 anos e em cerca de 50%, acimadesta idade. Em 1969, o Dr. Kilner McCully (Universidade deHarvard) sugeriu que uma das causas de aterosclerose poderiaestar relacionada à deficiência das vitaminas B6, B9 e B12;haveria alteração no metabolismo das proteínas e,particularmente, no metabolismo da metionina, formandohomocisteína (agente causador de lesão do endotélio vascular). A dose diária ideal é 0,70mg/kg de peso corporal. A
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 133adminstração de Vit B6 é segura até 500mg/dia. Doses maiselevadas podem causar quadros de neurite periférica devido aincapacidade do fígado metabolizar o excesso da piridoxina. São fontes de vitamina B6: as carnes, as vísceras, osgrãos integrais, o melão, o repolho, os ovos, a aveia, oamendoim e o levedo de cerveja.Vitamina B8 (biotina) O nome biotina foi criado por Wildiers. Deriva da palavragrega “bios”, que significa vida. Foi denominada “vitamina H”(do alemão, “Haut” – pele) por Gyorgy ou “coenzima R”,em1931, e sintetizada em 1940. Desempenha um papel essencialcomo coenzima de adição ou subtração de CO2, nometabolismo dos hidratos de carbono. Atua na síntese dosácidos graxos, do DNA, do RNA e no metabolismo dosaminoácidos; é necessária às funções das vitaminas B5, B9 eB12 e sua deficiência resulta em anorexia, depressão, doresmusculares, náuseas, anemia perniciosa, hipercolesterolemia ealterações eletrocardiográficas. A biotina é sintetizada pelos lactobacilos acidófilosintestinais em quantidade suficiente para as necessidades doorganismo. A antibioticoterapia, o álcool, a sulfa e osestrógenos podem levar à deficiência de biotina. A adição declara de ovo “crua” à dieta (acima de 8 claras/dia) resulta naexpoliação da biotina, que se liga fortemente à avidina (proteínaindigerível destruída pela cocção) formando um complexoinabsorvível. A suplementação de biotina aumenta a eficiência dainsulina e a atividade da enzima glucoquinase, responsável pelaprimeira etapa da utilização da glicose pelo fígado. Asconcentrações de glucoquinase nos diabéticos são muito baixas.
    • 134 VITAMINAS A administração de 2,5mg/dia de biotina produzexcelentes resultados na alopécia, dermatite seborreica e nafragilidade das unhas (91% dos pacientes apresentammelhoras). A dose diária ideal é de 0,45mcg/kg de peso corporal.Nãosão conhecidas doses tóxicas para a biotina. São fontes de vitamina B8 (biotina): os grãos integrais, oslegumes, as vísceras, o levedo de cerveja, os ovos e as nozes.Muitos alimentos, como a carne e o leite, contêm biotina,porém em doses mínimas.Vitamina B9 (ácido fólico) O ácido fólico (vitamina B9), era antigamente conhecidocomo folacina, folato, pteroilmonoglutamato ou vitamina M.Seu nome provém da sua presença abundante nas folhas escurasdos vegetais (“folium”, em latim). Foi reconhecido comoessencial em 1931, graças aos trabalhos da Dra. Lucy Wills, naÍndia. Sua estrutura foi determinada pelo Dr.Roger William eisolado em 1943 nos laboratórios Merck e sintetizada em 1945no laboratório Lederle, por Angier. O organismo transforma o ácido fólico em uma formabiologicamente ativa (ácido folínico) que participa dometabolismo de aminoácidos e da transferência de unidades decarbono-1 a vários compostos, durante a síntese de DNA eRNA; assim, sua presença é fundamental nos processos dedivisão celular e sua deficiência é causa de malformações. Énecessário à formação e maturação de hemácias e leucócitos namedula óssea. Também é necessário à conversão da histidinaem ácido glutâmico. A carência de ácido fólico (assim como acarência de vitamina B12) determina a ocorrência de anemiamegaloblástica, pois a redução da síntese de purinas etimidinas, leva à diminuição da produção de DNA. Glossite,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 135transtornos gastrointestinais, osteoporose, aterosclerose edepressão também fazem parte do quadro carencial. A carência do ácido fólico durante a gestação favorece aocorrência de malformações congênitas. Nos EUA nascem,anualmente, 250 mil crianças com defeitos no tubo neural,como espinha bífida e anencefalia. O Departamento de Saúdedos EUA (desde 1992) recomenda a administração diária de400mcg a mulheres grávidas ou que pretendam engravidar,reduzindo em 80% o risco de malformações no tubo neural.Pensa-se também que o ácido fólico previna o câncer cervical,forma mais comum de câncer na mulher. Segundo os estudospublicados no British Medical Journal (1966) 67% dospacientes hospitalizados na Inglaterra apresentavam carência deácido fólico. Embora presente em um grande número de alimentos, adeficiência de ácido fólico é a maior carência vitamínicaobservada. Uma das razões é a preferência por alimentos deorigem animal (pobres em ácido fólico), sendo os vegetais,menos consumidos. Através da dosagem laboratorial da homocisteína épossível analisar o “status” da vitamina, pois a homocisteínanão é metabolizada na ausência da vitamina B9 (B6 e B12também são necessárias). Muitos pacientes psiquiátricos são deficientes em ácidofólico. Sua presença assegura a doação de grupos metila para aformação da serotonina e tetrahidrobiopterina (BH4). O BH4funciona como coenzima essencial na ativação de enzimas queparticipam da síntese de neurotransmissores a partir deaminoácidos (serotonina e dopamina); logo, a depressão écomum nas deficiências severas de ácido fólico. Os sintomassão intensos, e a resposta à terapia antidepressiva é mais
    • 136 VITAMINASdemorada na falta da vitamina. As doses empregadas nadepressão variam de 2 a 5mg/dia. A administração de ácido fólico (2,5mg 2 vezes ao dia)inibe a formação de RLs pela xantina oxidase, enzimaenvolvida na síntese do ácido úrico. Associado à coenzima Q-10 (30mg/dia) e à vitamina C(1-2g/dia), é eficaz nos processos inflamatórios das gengivas eoutras doenças periodontais. Sabe-se, atualmente, que a carência de ácido fólico evitamina B12 também está relacionada a doenças neurológicase que, frequentemente, ambas as vitaminas atuam de modosinérgico (como, por exemplo, na síntese da serotonina).Drogas como a sulfassalazina, barbitúricos, difenilhidantoínaentre outros, diminuem sua absorção. A suplementação de ácido fólico reduz o risco de câncercervical, especialmente naquelas mulheres em uso deanticoncepcionais (os quais causam uma deficiência de folatos). A forma ativa do acido fólico, o acido folinico tambémconhecido como leucovorin é utilizado como tratamentoadjunto com sulfadiazina para prevenir a toxicidadehematológica. A dose para crianças e adultos é de 5 –10mg/dia, uma vez ao dia. A dose diária ideal é de 10mcg/kg de peso corporal. Aadminstração de ácido fólico é bastante segura. Doses de até20mg/dia tem sido utilizadas sem efeitos colaterais. São fontes de vitamina B9 (ácido fólico): os vegetaisverdes folhosos (brócolis, espinafre, alface, aspargo), a laranja,o abacaxi, o morango, o melão, a abóbora, o abacate, o centeio,o trigo, o feijão, o arroz integral, o fígado, o rim e o levedo decerveja. É produzido, em pequenas quantidades, pelas bactériasintestinais.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 137Vitamina B12 (cianocobalamina) Em 1849, Thomas Addison, médico do Guy’s Hospital(Londres) descreveu uma forma de anemia que progrediavagarosamente, terminando com a morte do paciente numperíodo de 3 a 5 anos. Por tal razão, denominou-a de anemiaperniciosa. Em 1926, os médicos americanos George RichardsMinot e William Parry Murphy trataram com dieta à base defígado pacientes com anemia perniciosa. Por este receberam oprêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1934. Em 1928, oDr. W. B. Castle descobriu um fator interno (fator intrínseco)secretado pelo estômago, que permitia o transporte e a absorçãono íleo terminal de um fator externo, aportado pelaalimentação: a vitamina B12. Esta vitamina apresenta aestrutura mais complexa dentre todas as vitaminas, que foideterminada em 1955 e sua síntese obtida pela Dra. DorothyHodgkin (prêmio Nobel, em 1964). Era preparada com base emextratos de fígado, com um rendimento muito baixo.Atualmente, é obtida como subproduto da estreptomicina, abaixo custo. O termo cobalamina (vitamina B12) se refere a umafamília de compostos que compartilham uma estrutura básica.A vitamina B12 é uma cobalamina que resulta da união dequatro anéis pirrólicos em torno de um átomo de cobalto. Asdemais formas da cobalamina possuem um grupo radical que,dependendo do tipo, originam os diferentes tipos dacobalamina. Por exemplo, se o grupo ligado for um cianeto,será a cianocobalamina. Se o grupo ligado for uma hidroxila,será a hidroxicobalamina. A vitamina B12 ébioquimicamente ativa nas formas de hidroxicobalamina,metilcobalamina e cianocobalamina.
    • 138 VITAMINAS A cianocobalamina é a forma mais indicada nos quadroshematológicos e a forma hidroxicobalamina nos quadrosneurológicos. Sua absorção ocorre de forma ativa e depende decálcio, da presença do fator intrínseco (proteína secretada pelamucosa gástrica) e do pH do estômago. A vitamina B12 estáligada à produção das hemácias; a carência desta vitamina,assim como de ácido fólico, resulta em anemia megaloblástica.Também é conhecida como “vitamina vermelha” (devido à suacoloração) e é a única que contém um mineral em sua estrutura:o cobalto. A forma ativa da vitamina B12 nos sistemas biológicos éa coenzima B12. Na coenzima B12 o grupo cianeto ésubstituído por adenosil, em reação catalisada por magnésio,vitamina B2, vitamina B3 e ATP. Mais de 80% da vitaminaB12 presente no fígado se encontra sob a forma de coenzimaB12. Nos pacientes psiquiátricos que não respondem bem àterapêutica medicamentosa deve ser avaliado o “status” davitamina B12. A carência de vitamina B12 em idosos é muitocomum, atingindo até 42% dos indivíduos com idade superior a65 anos. O diagnóstico deve ser feito com a máxima brevidadepossível, pois compromete as funções neurológicas. A vitamina B12 reduz a sensibilidade aos sulfitos(conservantes para alimentos, vinhos, conservas e frutasdessecadas), atuando da mesma forma nos casos de alergiasrespiratórias e cutâneas (o molibdênio tem propriedadesemelhante). A vitamina forma um complexo sulfito-cobalamina que bloqueia o efeito do sulfito. Existe forte correlação entre a carência da vitamina B12(assim como de B6 e B9) e índices elevados de homocisteína. Aprevalência de carência vitamínica no grupo estudado (comexcesso de homocisteína) foi de 56,8% para a vitamina B12;
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 13959,1% para o ácido fólico e 25% para a vitamina B6. Ahomocisteína deve ser tratada com a associação das vitaminasB6, B9 e B12. Uma dieta vegetariana, rica em ácido fólico, mascarafrequentemente a deficiência de vitamina B12 (por não haver osurgimento da anemia megaloblástica) Os sintomas de carênciapodem demorar a ser detectados e o resultado final é adegeneração da substância branca do cérebro, nervos ópticos,medula espinhal e nervos periféricos. Quando administrada por via oral pode não ser bemabsorvida, especialmente em pessoas estressadas e/oudeprimidas, devido à falta do fator intrínseco. Acianocobalamina absorvida é transformada emmetilcobalamina. Doses orais acima de 2000mcg não têm boaabsorção, devendo ser utilizada a via sublingual ou a viaparenteral. Outra possibilidade é fracionar a dose oral em maiornúmero de tomadas. Algumas pessoas manifestam reações alérgicas aVitamina B12, especialmente na forma injetável. Altas doses de vitamina C (acima de 6g/dia) podemdeslocar a vitamina B12. A colchicina, a colestiramina, oomeprazol, a neomicina, o cloranfenicol e alguns outrosantibióticos reduzem sua absorção. A vitamina B12 influencia os níveis de secreção damelatonina, especialmente em idosos. Doses de 1mg/dia, viasublingual, produzem bons resultados nas insônias e desordensdo ritmo circadiano. A via sublingual é a via ideal parapacientes idosos ou com síndromes de má absorção. A dose diária ideal é de 7mcg/kg de peso corporal. Nãosão conhecidos efeitos tóxicos por super dosagens de Vit B12.
    • 140 VITAMINAS São fontes de vitamina B12: exclusivamente os alimentosde origem animal (peixes, laticínios, vísceras, ovos e carnes). Aflora intestinal normal do cólon sintetiza cerca de 5mcg/dia davitamina.Vitamina B13 (ácido orótico) A maioria dos médicos não a reconhece como umaverdadeira vitamina. A vitamina B13 é fundamental à síntesedos ácidos nucleicos, além de apresentar outras açõesimportantes: ação hipouricemiante, ao desviar a síntese doácido úrico em proveito do ácido uridílico (mais facilmenteeliminado), protege a flora intestinal e, segundo estudos do Dr.Ahmed e cols. (EUA-1979), o ácido orótico diminui a sínteseendógena do colesterol. Os derivados do ácido orótico - orotato de cálcio, orotatode magnésio, orotato de potássio e orotato de lítio - apresentamgrande facilidade em atravessar membranas celulares. O Dr.Hans Niepper, médico alemão, recomenda os orotatos por suaextrema facilidade em penetrar no interior das células e chegaràs mitocôndrias. Niepper considera superiores os resultadosdesses compostos, especialmente na terapêutica dos pacientescom câncer. O leite e a coalhada caseira são boas fontes de orotato.Cenoura e outras raízes são boas fontes de ácido orótico.Vitamina B14 (xantopterina) A vitamina B14 não é reconhecida pela maioria dosmédicos como uma verdadeira vitamina e não é utilizada emterapêutica. Foi descoberta nas asas da borboleta, no caranguejodo mar e em alguns insetos; tem propriedades antitumorais epode ser transformada em ácido fólico pelas leveduras.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 141Vitamina B15 (ácido pangâmico) Foi descoberta pelos Drs. E. T. Krebs e E. T. Krebs Jr.(1951), em caroços de pêssego. Sua forma ativa é a dimetil-glicina (DMG), um potente imuno-modulador na dose de100-200mg/dia. Na antiga União Soviética esta vitamina e seumetabólito gozavam de grande prestígio entre os atletas por suacapacidade de aumentar a resistência física, por sua ação anti-stress e diminuição da formação de ácido lático nos músculos. Segundo seus pesquisadores, o ácido pangâmico, além deestimular a função imune, favorece a regulação hormonal, alongevidade celular e a neutralização de poluentes. Ainda,melhora a fadiga muscular, alguns zumbidos subjetivos,neuralgias e dermatites. Tem efeito protetor sobre o fígado. Ébenéfico a pacientes portadores de HAS, neurites, gangrena,bem como durante o processo de envelhecimento. Alcoolistas,drogaditos, esquizofrênicos e pacientes suscetíveis a alergiastambém se beneficiam com a administração de vitamina B15.Os maiores e melhores trabalhos têm sido feitos na Rússia. A dose diária ideal é de 10mg/kg de peso corporal. Nãosão conhecidas doses tóxicas para esta vitamina. São fontes de vitamina B15: levedo de cerveja, grãosintegrais, semente de gergelim, girassol, fígado.Vitamina B17 (letril) A vitamina B17 (letril), também conhecida como“amigdalina”, foi anunciada por Ernest Krebs (1952) comosendo uma nova droga capaz de tratar o câncer; o nome letrildeve-se a ele. Pesquisas posteriores do Instituto Nacional doCâncer (EUA), infelizmente, não comprovaram os efeitosanunciados pelo Dr. Krebs. Sua classificação como vitamina é
    • 142 VITAMINASdiscutível, pois a supressão na dieta não provoca sintomas ousinais clínicos; nem tampouco desempenha função metabólicaevidenciável até o momento. O letril contém 6% de ácidocianídrico, que, embora altamente tóxico, é inativado pelaenzima rodanase, presente em células animais; as célulascancerosas não possuem tal enzima, sendo “envenenadas” porele. É administrado em doses de 250, 500 ou 1000mg/dia. O letril é muito utilizado no México em tratamentosalternativos como adjuvante em casos de câncer. É obtida a partir do caroço do pêssego e, em menoresquantidades, está presente na maçã e na ameixa e cereja. Não éaceita pelo FDA, devido ao seu alto teor de ácido cianídrico,embora o seja em 25 estados norte-americanos.Vitamina C O escorbuto é conhecido muito antes do século XVI,época das grandes navegações. Antigos papiros egípcios em1.500 a.c. mostraram que egípcios, gregos e romanos jáconheciam a doença e tiveram seus exércitos dizimados peladoença em suas longas campanhas militares. No final da IdadeMédia o escorbuto assolou populações inteiras do norte e centroda Europa. Em 1535 o capitão francês Jacques Cartier aprendeucom índios canadenses que brotos de pinheiro do Canadácuravam o escorbuto. Em 1751, o Dr. James Lind, da MarinhaReal Britânica, publicou o livro “Um tratamento para oescorbuto”, onde preconizou a prevenção com suco de limão elaranja; assim, o almirante Cook deu a volta ao mundo edescobriu a Austrália sem que seus homens desenvolvessem adoença, oferecendo diariamente a seus homens duas bolachasde cereais, uma laranja e dois limões. Em 1928, o húngaro Szent Györgyi isolou a vitamina C ea denominou de ácido hexurônico; porém, como prevenia e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 143curava o escorbuto, passou a denominá-la de ácido ascórbico(a-scórbico = sem escorbuto). Em 1932, foi sintetizada porWaugh e King, nos EUA. A vitamina C existe universalmente, nas plantas (ondesua função é até o momento desconhecida) e no reino animal.Excetuando-se o homem e poucas espécies animais,virtualmente todos os vertebrados e invertebrados sintetizamvitamina C a partir da glicose. O homem “perdeu”, durante oprocesso evolutivo, a enzima hepática gulonolactona-oxidase -necessária para converter a glicose em vitamina C. Nos anos60, o Dr. Irvin Stone, bioquímico da Califórnia, afirmou que araça humana perdeu a habilidade de produzí-la há cerca de60.000 anos (teoria exposta no livro “The healing factor:vitamin C against disease”). A quantidade produzida pelosanimais é proporcional a seu peso corporal e a produçãoaumenta consistentemente com o stress (capaz de elevar a taxade conversão da glicose em vitamina C em até 3 vezes). A carência de vitamina C torna-se sintomática após 4 a 6meses de privação e costuma estar associada a alguma doençaou hábito de vida (fumo, stress ou doenças crônicas) quedetermine absorção intestinal diminuída e ou consumometabólico aumentado. Cientistas alemães demonstraram que os níveis séricos devitamina C em fumantes são 24 a 31% menores do que nos nãofumantes (W.J.McCornick - 1954). Sua absorção decresce coma idade, sendo comum encontrar nos idosos baixos níveis davitamina. Estomatite, dificuldade de cicatrização, gengivasinchadas ou sangrando, secura da pele e aumento no número deinfecções, são os sintomas indicativos clínicos das carências davitamina. Seu pico máximo de ação ocorre duas horas após atomada e após quatro horas os níveis sanguíneos já são muitobaixos.
    • 144 VITAMINAS A vitamina C ajuda a reparar lesões nas paredes arteriais,prevenindo a deposição de placas de ateroma. Comoantioxidante, protege da oxidação a fração LDL do colesterol. A vitamina C é importante para a função imune, paracontrolar a agregação plaquetária e os níveis de lipoproteína A(aterogênica) e para a produção de carnitina, hormônios,colágeno, cartilagens e tendões. Face à explosão dos RLs noplasma, a vitamina C costuma estar diminuída nas artrites. Durante o stress (físico ou emocional) e a exposição ametais ou produtos tóxicos, a febre, infecções, ao fumo ouálcool, aumenta significativamente a demanda de vitamina Cpelo corpo e excreção urinária. As infecções rapidamente depletam a elevadaconcentração de vitamina C normalmente encontrada nosleucócitos. A vitamina C estimula a função imune por aumentara atividade dos leucócitos, a produção de anticorpos e os níveisde interferon. A vitamina C é importante nas alergias respiratórias e naasma brônquica; bloqueia a formação de nitrosaminas nointestino, compostos potencialmente cancerígenos(especialmente sobre a bexiga e tubo digestivo). Asnitrosaminas são produzidas a partir dos nitratos contidos nosembutidos (presunto, salsicha, mortadela, linguiça). Outroscompostos, potencialmente cancerígenos, antagonizados pelavitamina C são os óleos comestíveis reaquecidos diversas vezese o benzopireno, presente nas carnes e pescados defumados(atuando como indutor do câncer nos tecidos suscetíveis). Entre as ações comprovadas da vitamina C, salienta-se oaumento da formação de sais biliares (ao acelerar a conversãodo colesterol em 7-alfa-hidroxicolesterol), a diminuição dadeposição arterial de colesterol e a redução na liberação dehistamina (ação antialérgica). Também é útil nos quadros
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 145gripais, artrite, bursite, asma, glaucoma, anemia, aterosclerose,herpes, depressão, na recuperação pós-cirúrgica, na fadiga, nahiperuricemia, na doença periodontal e nas deficiênciasimunológicas Linus Pauling, em 1975, demonstrou ser possível reduziro tempo e principalmente a intensidade dos quadros gripais em37% dos doentes, com a administração de vitamina C. Paulingafirmava que, em baixas doses, a vitamina C apresentava efeitovirostático e bacteriostático e, em doses elevadas, ação antivirale bactericida. A vitamina C é cofator de várias enzimas envolvidas nahidroxilação do colágeno, na biossíntese da carnitina, naconversão de dopamina a norepinefrina e no metabolismo datirosina, entre outros. Também é importante na absorção doferro presente nas dietas, devido a sua capacidade de reduzir aforma férrica a forma ferrosa, propiciando a absorção do ferrono intestino. A oxidação da vitamina C por um elétron gera o radicalascorbila, pouco reativo. A oxidação por dois elétrons gera oácido dehidroascórbico. Tal propriedade torna o ácidoascórbico um eficiente varredor de radicais livres, capaz detransformar um radical livre muito oxidante em outro radical debaixa reatividade. No stress oxidativo os níveis de radical ascorbila estãoelevados. A dosagem laboratorial deste radical é um eficientemétodo para avaliar o nível de stress oxidativo. O uso constante de tabletes mastigáveis de vitamina Cdeve ser evitado, pois a presença de açúcar em sua composiçãopropicia o ataque ácido ao esmalte dentário. O pHexcessivamente ácido assumido pela saliva concorre para adissolução do esmalte dentário.
    • 146 VITAMINAS A vitamina C (500mg 2 vezes ao dia) e a coenzima Q-10(30mg 2 vezes ao dia) são essenciais nas doenças periodontais.Os Drs. Emanuel Cheraskin e Hal Huggins, em pesquisa para oNational Institute of Dental Research, constataram que adeficiência de vitamina C diminuía a defesa imunológica,tornando as gengivas mais vulneráveis à penetração debactérias e à ação de substâncias tóxicas. Oito por cento dos americanos sofrem de doençaperiodontal, patologia tratada com excelentes resultados pelaterapêutica biomolecular, a qual deve ser mantida durante, pelomenos, 90 dias. A vitamina C é uma substância bastante instável. Assimque entra em contato com o oxigênio do ar, começam a ocorrerreações químicas que a destroem; quando exposta à luz, areação é ainda mais rápida. O gosto amargo sentido minutos ou horas após aexposição ao oxigênio corresponde a um composto de cormarrom, o ácido dehidroascórbico (ADHA). A oxidação davitamina C é catalisada pelas oxidases existentes nos alimentos,pelo cobre e pelo calor. A cocção degrada até 75% da vitaminaC presente nas hortaliças. Segundo o bioquímico Julio Tirapegui (U.S.P.), naprimeira hora da exposição a vitamina C presente nos sucoscítricos é reduzida em 75% e a conservação em geladeira nãodiminui sua degradação; na segunda hora, a perda chega a 95%. Diferentes autores, especialistas em nutrição, referemvariações nos teores de vitamina C presentes na laranja. Estadisparidade é explicável: o teor é influenciado pela variedadeda laranja (origem genética), estação do ano, condições decultivo e grau de maturidade da fruta no momento da colheita. O conteúdo de vitamina C em uma maçã pode sofrervariações de até 3 vezes, conforme a sua variedade (golden ou
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 147calville). Nos tomates e nas cenouras ocorre o mesmofenômeno. A maneira mais eficaz de obter o aproveitamento máximoda vitamina C é administrá-la em pequenas e múltiplas doses ousob a forma “time release”. Doses fracionadas (2 a 4 vezes aodia) permitem níveis mais constantes e melhor saturação dostecidos; altas doses não são completamente aproveitadas, sendoo excesso excretado com a urina. A fórmula da vitamina C é “C6H8O6” e a fórmula daglicose, “C6H12O6”; devido à semelhança entre ambas, doseselevadas de vitamina C podem interferir na determinação daglicossúria (resultado falso positivo). Também pode darresultado falso negativo na pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ao prescrever vitamina C, convém associar vitamina E;ambas possuem ação antioxidante, porém atuam em locaisdiferentes. A vitamina E age, predominantemente, nas membranascelulares, enquanto que a vitamina C exerce sua ação em níveldo citosol. Além disso, a vitamina C e a vitamina E regeneram-se mutuamente, em reações de oxi-redução. A possibilidade de diarreia, meteorismo ou dor abdominalcom o uso excessivo de vitamina C (acima de 4g) varia deacordo com a suscetibilidade individual; a diarreia parece estarligada a fenômenos osmóticos e melhora ao diminuir a dose davitamina. A vitamina C em formulações dermatológicas e oucosméticas para uso tópico (palmitato de ascorbila à 5%) e avitamina E (à 3%) possuem eficácia tópica, inibindo o eritemada queimadura solar e o esgotamento dos antioxidantes naturaisda pele. O melhor resultado é obtido com a combinação dasduas vitaminas.
    • 148 VITAMINAS Outra apresentação tópica da vitamina C é o fosfato deascorbil magnésio, produto estável, com revestimento esférico eliberação gradual (aumenta a inativação da tirosinase). Uma fórmula antioxidante deve conter: - Vitamina C - por sua ação sobre o radical livre hidroxilae pelo resgate da vitamina E oxidada à sua forma reduzida; - Vitamina E - por sua ação no controle da peroxidaçãolipídica, por seu efeito antiagregante plaquetário, por serprotetor do endotélio vascular e por devolver à vitamina C suaforma reduzida; - Vitamina A ou betacaroteno - por controlar a síntese dooxigênio singlet; - Cobre e zinco - por ativarem a SOD citoplasmática,primeira barreira para dismutar o superóxido em peróxido dehidrogênio; - Selênio - por ser ativador da glutation peroxidase, alémde potencializar o efeito antioxidante da vitamina E; Os Drs. Abraham Hoffer e Humphry Osmond (Canadá),demonstraram que formas oxidadas de adrenalina produzemalucinação em alguns esquizofrênicos. A vitamina C previne aoxidação da adrenalina para a forma adenocromo, que é odesencadeante das alucinações. Preconizaram, então, aadministração de altas doses (entre 3-6g/dia) da vitamina paraestes pacientes. Linus Pauling e Evan Cameron (1976), nohospital Vale de Leven, trataram cem pacientes em faseterminal de câncer com 9g diárias de vitamina C. Mil outrospacientes ficaram no grupo de controle. Aqueles que receberamvitamina C sobreviveram, em média, trezentos dias a mais doque os pacientes do grupo controle. Estudo similar foi realizadoem 1973, no hospital Fukuoka Torikai (Japão), sob orientaçãodos Drs. Morishige e Murata, com resultados semelhantes. A
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 149dose diária recomendada oscila entre 100-1000mg. Dosesacima de 3g podem causar diarreia. A vitamina C e outros antioxidantes podem impedir odesenvolvimento de certos tumores cancerígenos ao neutralizara proteína HIF-1, segundo pesquisa do Dr. Chi Dang, daUniversidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. SegundoDang, alguns tipos de câncer de avanço rápido, como o defígado, consomem tanta energia que queimam todo o oxigênio asua volta, gerando grande quantidade de radicais livres, fazendocom que dependam exclusivamente de uma proteínadenominada HIF-1 para sobreviver. Descoberta há décadas por cientistas norte-americanos,essa a proteína compensa a diminuição de oxigênio disponívelnas células. Contudo, não consegue funcionar sem radicaislivres. As células tumorais parecem necessitar de vitamina C ecompetem com células saudáveis por este nutriente,possivelmente, para se defenderem dos radicais livres, uma vezque tumores tratados com vitamina C se tornam mais resistentesaos danos oxidativos. São fontes de vitamina C: as frutas cítricas (laranja,limão, lima, tangerina, morango, kiwi e acerola) e os legumesfrescos (pimentão, batata, repolho, brócolis, couve, tomate,aspargo e salsa). A goiaba e o mamão papaia são riquíssimosem vitamina C, superando o limão e a laranja (os exploradoresdo Ártico e da Antártica faziam suplementação de vitamina Ccom goiaba desidratada). É encontrada em pequenasconcentrações nas fontes animais, exceto nos fígados onde suaquantidade é importante (30mg/100g). Atualmente é sintetizadaa partir do xarope de milho, o que explica alguns casos dealergia em pacientes sensíveis ao milho.
    • 150 VITAMINAS FORMAS DE VITAMINA C USADAS NO BRASILVit. C ácida: Ácido ascórbicoVit. C revestida: Ácido ascórbico revestidoVit. C liberação prolongada: Vitamina C time releaseVit. C sem acidez Ascorbato de sódio (10% de Na) Ascorbato de potássio (10% de K) Ascorbato de cálcio (10% de Ca) Ascorbato de magnésio (10% de Mg)Vitamina D Em 1919, os bioquímicos americanos Elmer McCollum eDavis Mellanbourg - da Universidade de Wisconsin -descobriram a presença da vitamina D no óleo de fígado debacalhau. A vitamina D foi isolada e posteriormente sintetizada,simultaneamente, por Windaus(em Gottingen) e Bourdillon(emLondres), no ano de 1931. O raquitismo em crianças e a osteomalácia em adultoseram doenças muito comuns entre os séculos XV e XIX.Somente em 1918, o médico inglês Edward Mellanbyconseguiu demonstrar a origem nutricional do raquitismo ecurá-lo com óleo de fígado de bacalhau. Diferentemente das outras vitaminas lipossolúveis (A, E eK), a vitamina D não é armazenada preferencialmente no fígadomas sim, no tecido adiposo. Os fisiologistas modernos lutam para reclassificar avitamina D, agora como um hormônio, uma vez que sua açãono organismo é mais própria a um hormônio do que a umavitamina e também porque, sob certas condições, os homens ealguns mamíferos conseguem sintetizá-la.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 151 Antes associada exclusivamente ao fortalecimento dosossos, a vitamina D ganhou um novo status depois quepesquisas mostraram sua estreita relação com a prevenção devariadas doenças. Pesquisadores de diferentes paísesobservaram que pessoas com déficit de vitamina D têm maischances de desenvolver 17 tipos de tumor, diabetes, esclerosemúltipla e fibromialgia, entre outras doenças. A descoberta levaos médicos a considerar a necessidade de suplementar avitamina D. A Academia Americana de Pediatria publicou em outubrode 2008, na revista Pediatrics, uma nova recomendação sobre aadministração da vitamina em crianças. A ordem é dobrar oconsumo diário, até o início da adolescência. Para os idosos,população que está muito mais sujeita à carência, a quantidadetambém deve ser reforçada após os 70 anos. A adição de vitamina D a produtos alimentares, emespecial aos infantis (leite, biscoitos), foi o fator fundamentalpara a, praticamente, extinção da carência desta vitamina nospaíses civilizados. O leite materno contém de 20-40U.I. de vit. D/250ml, oque torna a suplementação recomendável para recém-nascidos.Trabalhadores noturnos precisam aumentar a ingesta devitamina D, pois, não estando expostos à ação direta da luzsolar, não transformam a pró-vitamina D em vitamina D. Osefeitos colaterais começam com 1600U.I./dia (4 vezes a dosediária recomendada) e a intoxicação grave, a partir de20000U.I./dia. A vitamina D começa a ser utilizada terapeuticamente nadoença de Alzheimer, graças a sua ação regeneradora dosneurônios, através das proteínas calbindina, calretinina ecalmodulina; bem como por sua capacidade de aumentar aformação da neurotrofina NGF (Nerve Growth Factor) que, por
    • 152 VITAMINASsua vez, aumenta os níveis de acetilcolina e da noradrenalina(in Nutrição Cerebral, Póva, Callegaro e Ayer, 2006). A deficiência de vitamina D causa mineralização ósseaincompleta nas crianças (raquitismo) e desmineralização ósseanos adultos (osteomalácia). A deficiência de vitamina D é maiscomum no hemisfério norte, onde a população pouco se expõe àluz solar. Óleo mineral, colestiramina, hidantoína e primidonadiminuem a absorção de vitamina D. Idosos frequentementeapresentam diminuição dos níveis de vitamina D peladiminuição de sua produção pela pele idosa e pela diminuiçãode absorção. A pele humana, quando em contato com a radiaçãoultravioleta, transforma a pró-vitamina D em vitamina D. Osraios U.V. atuam sobre o 7-dehidrocolesterol presente na pele,formando o colecalciferol (vitamina D3), que é transportadopara o fígado e rins, sendo convertido na forma ativa davitamina D (1,25-OH-colecalciferol). A nível renal o borocatalisa a conversão do 25-OH-D3 em 1,25-OH-D3; daí suaimportância no tratamento da osteoporose. Em países e regiões onde não há luz solar abundante, ouem regiões extremamente frias, é conveniente suplementar avitamina D, uma vez que sua biotransformação a partir da peleestá diminuída ou inibida. Para garantir níveis adequados davitamina a população, alguns países estão fortificando seusalimentos. Nos EUA a vitamina é incorporada ao leite e aoscereais infantis, na Inglaterra as margarinas e manteigas. Em artigo publicado na revista Proceedings of theNational Academy of Sciences, o biofísico americano RichardSetlow ponderou que, para prevenir o câncer de pele econtinuar produzindo vitamina D, é preciso expor-se aos raiossolares, mas com a proteção de filtros solares. O uso de filtrossolares é controverso. Dermatologistas acreditam que o produto
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 153não prejudica a síntese de vitamina D. Entretanto,pesquisadores alemães (Adv. Exp. Med. Biol. 2008, 624; 203-14), alertam que um protetor solar FPS 8 reduz a produçãocutânea de vitamina D em 95%. Já endocrinologistas e geriatrasacreditam que seu uso diminua a síntese da vitamina,aumentando a carência do micronutriente na população. Recentemente tem sido proposto a utilização de seuanálogo, o calcipotriol em cremes ou pomadas para usoexterno, no tratamento das psoríases e do vitiligo, por suacapacidade de regular o crescimento e diferenciação dosqueratinócitos (cremes com 600UI de vitamina D). Recente artigo publicado no Photodermatology,Photoimunology e Phitomedicine, vol. XXIV, nº5, deoutubro/2008, recomenda a suplementação de vitamina D parao portadores de Lupus eritematoso cutâneo, pois os portadoresdessa doença, em sua maioria, limitam a exposição ao sol eportanto, apresentam níveis de vitamina D significativamentemenores. São fontes de vitamina D: peixes, fígado, leite e ovos. Oóleo de fígado de atum contém 20 vezes mais vitamina D que oóleo de bacalhau. A vitamina D2 (calciferol) é a formasintética, frequentemente adicionada ao leite, aos suplementos eà maioria dos medicamentos; a D3, forma natural. Ambas sãoigualmente ativas e originam o mesmo metabólito. Os vegetaissão pobres em vitamina D, sendo o cacau a única planta que acontém em quantidades apreciáveis.Vitamina E A avitaminose E foi demonstrada em 1920. De 1922 a1925, o Dr. Herbert Evans (UCLA) e a Dra. Katherine Bishopestabeleceram a presença de um “fator de fertilidade” no germedos cereais e nas folhas verdes. Evans e Emerson (1936)
    • 154 VITAMINASextraíram do óleo de germe de trigo a vitamina E ou tocoferol(tokos=parto, pheros=causar). A síntese foi realizada por Karrer(1938). McCay e Cols (1972) descobriram a ação antioxidanteda vitamina E. Os tocoferóis apresentam quatro isômeros com diferentesatividades farmacológicas. Dos quatro tocoferóis (alfa, beta,gama, delta), o alfa é o mais eficaz. Os quatro tocotrienóis (alfa,gama, beta, delta) são mais potentes que os tocoferóis. Aocontrário das outras vitaminas lipossolúveis, é armazenada noorganismo durante um período relativamente curto (semelhanteao complexo B e à vitamina C), razão pela qual o acúmulo nãocostuma ser observado. ATIVIDADE DOS DIFERENTES COMPOSTOS DE VITAMINA E α-tocoferol 100% β-tocoferol 15 A 40% γ-tocoferol 1 A 20% δ-tocoferol 1% α-tocotrienol 15 A 30% β-tocotrienol 1 A 5% γ-tocotrienol 1% δ-tocotrienol 1% *Fonte: Dossiê Vitamina E - Laboratório Roche Os óleos vegetais, que constituem a melhor fonte, contêmteores variados de vitamina E (o óleo de açafrão contém 90%de tocoferol; o óleo de girassol, 10% e o óleo de milho, também10%). Os quatro principais isômeros (alfa, beta, gama e delta)encontram-se em quantidades variadas nos vegetais; o d-alfa-tocoferol (vitamina E natural) é obtido na forma líquida e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 155produz níveis séricos 40% maiores do que os níveis obtidoscom a administração do dl-alfa-tocoferol (forma sintética). Oconcentrado de tocoferóis obtido deve sofrer uma metilaçãoquímica a fim de originar o d-alfa-tocoferol (mais estável) ou oacetato de tocoferol (também muito estável). No reino animal,os maiores teores encontram-se nas carnes gordas. A vitaminaE se deteriora pela exposição à luz e se decompõe sob ação deraios ultravioleta. A fritura destrói, literalmente, o tocoferol.Outros processos como desidratação, aquecimento, moagem,cozimento e congelamento influenciam o conteúdo de tocoferolem diferentes níveis. A vitamina E desempenha papel importante nometabolismo e é um fator de proteção aos ácidos graxosessenciais. É necessária à conservação dos músculos, àintegridade do SNC e à desintoxicação dos tecidos. Em dosesacima de 200mg/dia é eficaz na prevenção de doençascardiovasculares, contra efeitos da poluição e no alívio datensão pré-menstrual; câncer, acne, aterosclerose, doenças auto-imunes, catarata, eczema, infecções, herpes e claudicaçãointermitente, também constituem indicação para o emprego davitamina E em doses iguais ou superiores a 200U.I./dia. Os níveis plasmáticos de vitamina E são normalmentebaixos nos recém-nascidos, especialmente nos prematuros;níveis muito baixos estão associados com anemia hemolítica,hiperbilirrubinemia e uma tendência à trombocitose e aoaumento da agregação plaquetária. A vitamina E reduz adestruição eritrocitária; diminui a incidência de anemiashemolíticas em prematuros e em pacientes portadores detalassemia maior ou deficiência de glicose-6-fosfatodesidrogenase. Reduz, também, o número de células anômalasna anemia falciforme. A RDA para vitamina E é 16U.I./dia. O American Journalof Clinical Medicine sugere 100U.I./dia, a fim de assegurar
    • 156 VITAMINASuma concentração mínima que proteja os pacientes contracardiopatia isquêmica e câncer. Inúmeros outros trabalhosindicam necessidades maiores de vitamina E, na ordem de 200a 400U.I./dia, para fazer frente ao ataque dos RLs. Asnecessidades de vitaminas e minerais aumentam durante asenfermidades. Os diabéticos possuem maior necessidade de vitamina Edevido ao stress oxidativo próprio da doença. A vitamina Eaumenta a eficiência da insulina e reduz a incidência decomplicações futuras do diabetes, especialmente complicaçõescardiovasculares e neuropatia periférica. Suplementos de400U.I./dia, por mais de 2 anos, resultaram numa redução deaproximadamente 40% na incidência de ataques cardíacos. A vitamina E também protege a fração LDL do colesterol,que, quando oxidada, é substância chave na formação da placade ateroma. Esta proteção se deve a perfeita incorporação davitamina E na fração LDL; quanto maior a dose, maior aproteção. O succinato de tocoferol é efetivo na inibição de 3oncogenes (c-myc, N-myc e H-ras), sendo seu empregodifundido no Japão, EUA e Europa, tanto na prevenção comono tratamento do câncer. Na Universidade do Colorado (EUA),Kedar e colaboradores conseguiram excelentes resultados sobrea cultura de células de melanoma. Os resultados obtidos nãoforam demonstrados com outras formas de vitamina E, como oacetato ou o palmitato. Nas viagens espaciais com duração superior a 10 dias, osastronautas costumavam perder 20% a 30% de seus glóbulosvermelhos. Somente após o voo da Apolo 10 o fenômeno foiesclarecido: o excesso de oxigênio a que eram expostosdestruía, por oxidação, os ácidos graxos insaturados da
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 157membrana das hemácias. A administração rotineira de vitaminaE impediu a ocorrência de anemia nos astronautas. Com o emprego da vitamina E (400-600U.I./dia)consegue-se reverter cerca de 30% dos casos de displasiamamária e pelo menos 70% das mulheres apresentam alívio dossintomas. A vitamina E tem sido exaustivamente estudada pelacomunidade científica mundial, sendo comprovadas suasinúmeras propriedades terapêuticas. Atualmente tem sidoindicada na TPM, dismenorreia, câncer, doença periodontal,fibrose cística, prevenção de fenômenos trombo-embólicos,herpes, doenças virais, doenças auto-imunes, infertilidade pordiminuição do número de espermatozoides, fragilidade capilar,prevenção da catarata, dermatites, câimbras e quaisquersituações que transcorram com stress oxidativo. A vitamina E é considerada uma linha de defesa primáriacontra a peroxidação lipídica, protegendo os AGEs dasmembranas celulares contra os ataques dos RLs. Interrompe asequência de reações em cascata na formação de PUFA (ácidosgraxos poliinsaturados); regula o equilíbrio prostaciclina/trom-boxano, fundamental para o controle da agregação plaquetária(a prostaciclina inibe a agregação, enquanto o tromboxano temação agregante). Além de sua função antioxidante, ajuda a estabilizar amembrana celular, protege o DNA, a pele, os olhos, o fígado eos pulmões, que são alvos muito sensíveis aos fenômenosoxidativos; ajuda a manter a atividade biológica da vitamina A. A vitamina E possui importante ação anticoagulante,devendo pois, seu uso ser suspenso com razoável antecedêncianos casos de cirurgias eletivas previamente marcadas. Os suplementos vitamínicos apresentam a vitamina E emduas formas diferentes: na forma d-l-tocoferol (a preferida) e
    • 158 VITAMINASna forma d-alfa-tocoferol (oxidada) que uma vez ingeridanecessita ser regenerada para começar sua ação biológica. Associada à vitamina C, é utilizada durante a radioterapiae quimioterapia, com a finalidade de reduzir os efeitoscolaterais observados com estes procedimentos. A dose devitamina E varia entre 400-800U.I./dia e a dose de vitamina C,de 2 a 4g/dia. A vitamina E é considerada a menos tóxica das vitaminaslipossolúveis. Doses elevadas de vitamina E acima de 3gocasionam raros casos de distúrbios intestinais. As doses usuaisutilizadas são de 200 a 800UI. Estudo apresentado na Academia Norte-Americana deNeurologia, em abril de 2008, pela Dra. Valory Pavlik, daFaculdade de Medicina Baylor (Texas), revelou que oitocentose quarenta e sete portadores do mal de Alzheimer tradadosdurante cinco anos, com vitamina E 1.000UI, duas vezes ao dia,associados à inibidor da colinesterase apresentam risco demorte diminuído em 26%, quando comparados a grupos sem amedicação. A velocidade da progressão da doença também foireduzido significativamente. São fontes de vitamina E: os cereais integrais, os ovos, asfarinhas integrais, os vegetais verdes folhosos, os grãos e assementes oleosas, fígado, espinafre, aspargo, pepino. Avitamina E natural é extraída por pressão e a frio; adicionada deantioxidantes para evitar a rancificação. As fontes animais(manteiga, ovo, leite e fígado) são relativamente pobres emvitamina E.Vitamina K Em 1929, o dinamarquês Henrik Dam propôs o nomevitamina K (em dinamarquês “Koagulation”) para uma
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 159substância que intervinha na coagulação do sangue. Frangosalimentados com dietas pobres nesta substância apresentavamhemorragias na pele e músculos, além de aumento notempo de coagulação. Em 1937 foi demonstrado que avitamina K era indispensável ao homem. Em 1939 avitamina K1 foi isolada da alfafa por Mc Kee (U. Saint Louis)e, em 1940, a vitamina K2 foi isolada da farinha de peixe.Ainda em 1940 as vitaminas K foram sintetizadas pelo grupo deMc Kee e por Frieser (U. Harvard). É sintetizada emquantidades significativas pelos colibacilos da flora intestinal.A vitamina K1 (fitoquinona) é encontrada nas hortaliças e óleosvegetais; a K2 (naftoquinona), nos produtos de origem animal ea K3 (menadiona) é obtida por síntese em laboratório. Os níveis de vitamina K nas pessoas osteoporóticascorrespondem a, aproximadamente, 1/3 dos níveis das pessoasnormais. Baixos níveis de vitamina K podem ser fator deagravação da osteoporose. A vitamina K participa da fixação docálcio na matriz óssea convertendo a proteína óssea de suaforma inativa para a forma ativa (osteocalcina). Também énecessária para unir a osteocalcina ao cálcio e ao seu depósitono osso. A vitamina K, tendo como parceiros o cálcio e o potássio,esta envolvida na conversão da protrombina em trombina, fatorque cataliza a transformação do fibrinogênio em fibrina. Entre as possíveis causas de hipovitaminose K destacam-se a inadequação dietética, doenças hemorragicas, nutriçãoparenteral, alteraçoes da absorção intestinal ou mega doses devitamina A e E. A deficiência dietética de vitamina K ou seu antagonismopode provocar a descarboxilação parcial da osteocalcina,importante proteína da matriz óssea. Baixos níveis de vitamina
    • 160 VITAMINASK em indivíduos osteoporoticos foram relacionados a maioríndice de fraturas de quadril. A ação anticoagulante de algumas drogas, como abenzocumarina, aspirina e o dipiridamol, tem como mecanismobásico o antagonismo à vitamina K, reduzindo assim aformação da protrombina. A dose diária ideal para a vitamina K é de 80mcg. Nãoexistem registros de intoxicação via oral por vitamina K. São fontes de vitamina K: as principais fontes são oslegumes, o espinafre, o repolho, cascas de frutas, feijão, aclorofila, a alfafa, a soja, as algas, ovos, fígado e os óleosvegetais e os óleos de peixe e os laticínios (especialmente osiogurtes e o kefir, que levam ao intestino uma bactéria queproduz a vitamina).Vitamina P (Bioflavonoides) O pesquisador húngaro Albert Szent-Gyorgy - daNational Foundation for Cancer Research, Massachusetts(EUA) – que ganhou o prêmio Nobel de Medicina (1937) peladescoberta da vitamina C, também foi o descobridor dosbioflavonoides. A descoberta ocorreu após ter tratado asgengivas sangrantes de um amigo com uma vitamina C natural(impura). Ao repetir o tratamento em outros pacientes com avitamina C pura, não observou resultados tão expressivos.Intrigado com o fato, passou a pesquisar a diferença entre avitamina C pura e a vitamina C associada a produtos naturais(rica em bioflavonoides, que apresentam grande atividade sobreos vasos sanguíneos e sobre a permeabilidade das membranas). Os bioflavonoides conferem cor amarela ou laranja àsfrutas cítricas e à matéria prima delas extraída. Pequenasquantidades são armazenadas no corpo. Dois flavonoides,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 161quimicamente semelhantes à rutina e à hesperidina, não sãoencontrados nos alimentos. São eles a quercitina (derivada dadestilação da casca do quercitrim) e a epicatecina. Estassubstâncias encontram-se amplamente distribuídas no reinovegetal, especialmente nas cascas de frutos selvagens e deárvores. Todos os bioflavonoides possuem sabor amargo. Os bioflavonoides, além de promoverem aumento naabsorção de vitamina C, exercem atividade protetora sobre oDNA, inibindo as mutações. Protegem, também, os capilares(previnem as hemorragias retinianas); reduzem o risco de AVCe aterosclerose, além de ajudar a diminuir os sintomas damenopausa. Seu efeito antibacteriano e antiviral foiexperimentalmente comprovado, particularmente sobre orinovírus, influenza, herpes vírus e o vírus da poliomielite. A quercitina apresenta destacada atividadeantiinflamatória, especialmente quando combinada à bromelina(ação antialérgica e antiinflamatória). Para uma eficienteformulação antiinflamatória (e/ou antialérgica) devem sercombinadas em quantidades iguais (250mg de cada 2 vezes aodia). A quercitina é um potente inibidor da enzima aldoseredutase, responsável pela conversão dos açúcares a sorbitol,açúcar fortemente implicado no desenvolvimento dascomplicações diabéticas (cataratas, neuropatias e retinopatias). Cerca de 64% dos indivíduos idosos apresentamfragilidade capilar, podendo beneficiar-se com o uso debioflavonoides (rutina, quercitina e hesperidina). Oitenta ecinco por cento dos portadores de retinite melhoram com aintrodução de bioflavonoides em seu tratamento (600mg/dia). Atualmente, sabe-se existirem mais de 500 bioflavonoidesnas plantas. Apresentam ação antiviral em doses acima de
    • 162 VITAMINAS500mg/dia, melhorando a resistência das membranas à penetraçãodos vírus e diminuindo sua replicação. São fontes de bioflavonoides: pigmentos contidos empelo menos quatro mil folhas, flores ou talos de plantascoloridas do mundo, entre eles o tomate, a maçã e o chá preto.Rutina e quercitina são bioflavonoides encontrados nas plantascastanha-da-índia e no Ginkgo biloba, respectivamente; commarcante ação protetora sobre o endotélio vascular, a rutinaparece agir mais sobre vasos periféricos e a quercitina, sobre osdemais.Vitamina T A vitamina T também é conhecida como “fator dasemente de gergelim”, por ser este vegetal sua principal fonte.Apesar dos poucos estudos sobre essa vitamina, sabe-se queestá envolvida na coagulação do sangue e na formação deplaquetas. Previne a anemia e a hemólise.Vitamina U A vitamina U, igualmente pouco estudada, é encontradano repolho cru e na raiz do confrei. Tem ação importante nacicatrização das úlceras de pele, apresentando estrutura epropriedades semelhantes às da alantoína (conhecidoregenerador epitelial).
    • Capítulo 4 - AMINOÁCIDOS “Tudo já foi dito uma vez. Mas, como ninguém escuta, é preciso repetir tudo novamente.” A. Gide Aminoácidos (AA) são constituintes básicos dasproteínas, compostos que contêm um grupo amino e umafunção ácida. O químico francês Louis-Nicolas Vauquelin, quedescobriu os metais cromo e berílio, isolou uma substância doaspargo que chamou de aspargina, e esse foi o primeiroaminoácido a ser isolado (1806). Os aminoácidos representam20% do peso corporal. Embora na natureza existam mais detrezentos aminoácidos os seres vivos necessitam apenas de 23,que são necessários à síntese de milhares de proteínasdiferentes, combinados em diferentes sequências e proporções.Combinações complexas destes aminoácidos resultam em maisde cem mil tipos diferentes de proteínas. Os aminoácidos são:alanina, arginina, asparagina, ácido aspártico, cisteína, cistina,ácido glutâmico, glutamina, glicina, histidina, isoleucina,leucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, serina, treonina,triptofano, taurina, tirosina, ornitina e valina. São classificados em essenciais (aqueles que não podemser sintetizados pelo organismo) e não essenciais (os quepodem ser sintetizados nas células, a partir de aminoácidosessenciais ou de precursores contendo carbono e nitrogênio). A ausência ou a ingestão inadequada de um ou mais AAessenciais origina um balanço negativo de nitrogênio (perda denitrogênio pelo organismo), perda de peso e vários outrossinais/sintomas clínicos. Os oito aminoácidos essenciais sãoindispensáveis à dieta, a saber: fenilalanina, valina, treonina,
    • 164 AMINOÁCIDOStriptofano, isoleucina, metionina, lisina e leucina. Existe umnono aminoácido essencial - a histidina - que, embora possa sersintetizado pelo organismo, não é produzido em quantidadesuficiente para satisfazer as necessidades diárias; por estemotivo, faz-se necessário algum aporte via alimentação. Para jovens e crianças deve ser considerado um décimoaminoácido essencial: a arginina, a qual é sintetizada emquantidades apreciáveis somente pelos adultos. Os outros sãoconsiderados não essenciais (ácido aspártico, ácido glutâmico,alanina, cisteína, cistina, glicina, glutamina, prolina, serina etirosina,). Os aminoácidos taurina e ornitina, não participam dasíntese de proteínas, mas participam de outras funçõesimportantes do organismo. Quando ingerimos alimentos como carnes, peixes, leite,ovos, entre outros, as proteínas neles contidas são decompostasem diferentes aminoácidos e, após a absorção no tratogastrointestinal, reconstruídos em outras proteínas adequadasao organismo humano. Os organismos vivos sintetizam aminoácidos em umaforma biologicamente muito ativa, a forma L (levógira).Industrialmente, são produzidos na forma DL (mais baratos,porém menos ativos). As formas L possuem elevada eficáciabiológica, por serem as únicas utilizadas para a síntese deproteínas (a forma D-dextrógira é raramente utilizada e aforma DL inibe a forma L). A L-carnitina, por exemplo, é 30vezes mais ativa do que a DL-carnitina, sendo seu custoaproximadamente 5 vezes superior. Dois aminoácidos sãoativos na forma DL. São eles DL-Fenilalanina (analgésica eanti-depressiva) e a DL-Metionina. Os aminoácidos devem ser guardados em embalagensprotegidas da luz, para evitar sua oxidação.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 165 Os aminoácidos apresentam diferentes propriedades, oque permite classificá-los sob diferentes aspectos. Os menoresaminoácidos são: glicina, alanina e prolina; os de cadeiaramificada (BCAA) são: leucina, isoleucina e valina; osaromáticos são: fenilalanina, tirosina e triptofano; osenxofrados são: cisteína, cistina, metionina e taurina; osaminoácidos ácidos são: ácido glutâmico e ácido aspártico e osbásicos são: lisina, arginina e histidina. A ingesta de dietas adequadas apresenta umaproporcionalidade nas concentrações de aminoácidos essenciaise não essenciais. Já, indivíduos portadores de desnutriçãoproteica grave apresentam alterações nos aminoácidos livres doplasma, com diminuição dos aminoácidos essenciais e elevaçãoou normalidade dos aminoácidos não essenciais. Os aminoácidos essenciais mais afetados são a leucina, aisoleucina e a valina, enquanto que a lisina e a fenilalanina, sãoos que apresentam menor alteração. (Swenseid e cols, 1963) As proteínas animais (carnes, aves, peixes, leite, ovos)são consideradas de grande valor biológico e as melhores fontesde aminoácidos essenciais. As proteínas de origem vegetal são adequadas eimportantes na nutrição humana, embora sejam menoscompletas. As leguminosas, por exemplo, possuem altos teoresde aminoácidos, mas baixos teores de aminoácidos enxofrados(cisteína, cistina,metionina e taurina); os cereais, em suamaioria, são deficientes em lisina. As frutas e hortaliças não sãoboas fontes, embora a associação de vários vegetais (arroz,feijão, trigo, soja) na alimentação possa proporcionar níveisadequados de aminoácidos. As lesões de pele observadas nos pacientes gravementedesnutridos são atribuídas a alterações qualitativas equantitativas do colágeno. A colina e a glicina também
    • 166 AMINOÁCIDOSapresentam redução significativa (os teores de glicina, prolina ehidroxiprolina são normalmente elevados no colágeno). A descoloração e a queda dos cabelos, verificado empacientes gravemente desnutridos, ocorre devido à deficiênciade aminoácidos sulfurados, especialmente da metionina, ouresultante da má-formação de melanina devido à deficiênciados aminoácidos fenilalanina e tirosina. (Nutrition Rewiews,1971) Os aminoácidos estão relacionados à produção de energiaatravés do Ciclo de Krebs, participando da formação decompostos intermediários, bem como também da formação deimportantes neurotransmissores. A asparagina e o ácidoaspártico formam o oxalacetato; a fenilalanina e a tirosina, ofumarato; a arginina, a histidina, e a prolina, o cetoglutarato; aisoleucina, a metionina, a valina e o triptofano, o succinil CoA.A alanina, a serina, a glicina, a cistina, a cisteína e a treoninaformam o piruvato. Cerca de 20% dos AA que chegam ao fígado, sãonovamente liberados para a circulação sanguínea. Outros 50%são metabolizados e transformados em ureia e cerca de 6% dosAA são usados para a síntese de novas proteínas. Os AA decadeia ramificada (os BCAA) após liberados pelo fígado vãoser metabolizados nos músculos e pelos rins. A presença de AA no metabolismo é fundamental para asíntese de proteínas, enzimas, hormônios e vitaminas. Odesenvolvimento dos indivíduos depende do adequadosuprimento de nutrientes, sendo os aminoácidos, as proteínas,as vitaminas e os minerais absolutamente essenciais. A cronobiologia dos AA está bem estabelecida, sendomelhor ingerí-los pela manhã; à noite os AA são poucoaproveitados, com exceção da arginina, que pode ser tomadaantes de dormir para estimular a secreção de GH (hormônio do
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 167crescimento). Sua adminstração deve ser preferencialmentelonge das refeições com proteínas para evitar competição pelosmesmos sítios de absorção no intestino. A competição comoutros aminoácidos prejudica de forma substancial asquantidades absorvidas. A associação de dois ou mais aminoácidos formampeptídeos, e a associação de peptídeos originam as proteínas,podendo uma proteína ter quatrocentos ou mais aminoácidos.As proteínas, por sua vez, quando sofrem hidrolise originamaminoácidos. As proteínas funcionam como catalisadores, moléculasreceptoras e efetoras, moléculas de transporte, anticorpos ehormônios. Também exercem função estrutural dentro dascélulas, no citoesqueleto, nos ossos, no tecido conjuntivo e nosmúsculos. Participam de quase todos os processos biológicos,uma vez que incluem as enzimas catalisadoras das milhares dereações químicas que ocorrem nos organismos vivos. A utilização dos AA em cada tecido, depende dasnecessidades daquele tecido, naquele momento. Em nossocorpo ocorre um contínuo processo de síntese e de catabolismodas proteínas, com velocidade e necessidades específicas paracada tecido (turnover proteico). Os processos de síntese das proteínas a partir de AA, éprofundamente influenciada por hormônios, especialmente dohormônio do crescimento (GH), da testosterona e da tiroxina(T4). Já os glicocorticoides estimulam a degradação(catabolismo) das proteínas. A administração de aminoácidos em altas doses deve serfeita com cautela, devido a possibilidade de ocorrer interaçãoentre eles. A competição é sempre mais forte entre aminoácidosde um mesmo grupo (aromáticos, sulfurados, derivados daureia, entre outros). Os aminoácidos devem ser ingeridos em
    • 168 AMINOÁCIDOSproporções balanceadas, uma vez que a síntese de proteínasexige equilíbrio entre os essenciais e os não-essenciais; tambémdevem manter uma “rátio” (proporção) entre si (por exemplo, alisina deve estar na proporção de 2:1 em relação à metionina,ou de 3:1 em relação ao triptofano). A presença de determinados elementos na alimentaçãodiminui a taxa de absorção dos nutrientes (vitaminas, minerais eaminoácidos). Entre eles, os fitatos, encontrados nos cereais; asfibras, existentes nos cereais e leguminosas; o ácido oxálico,encontrado em vegetais e o tanino, existente nos vegetais, cafée chá. O cérebro possui aproximadamente 100 bilhões deneurônios e incontáveis sinapses. Com raras exceções, osneurotransmissores são originados à partir de aminoácidos. Osaminoácidos simples (ácido glutâmico, ácido aspártico, GABAe glicina) são responsáveis por 90% das neurotransmissões. A vitamina B3, a vitamina B6, o inositol, o zinco, omanganês, o lítio, o magnésio, o cálcio e o potássio tambémdesempenham relevante papel na bioquímica cerebral,participando da transmissão sináptica. O comportamento doindivíduo é influenciado pela presença desses nutrientes nasreações bioquímicas cerebrais. Pessoas vegetarianas podem apresentar carências dealguns aminoácidos, já que as proteínas de origem vegetalcostumam ser pobres em um ou mais aminoácidos. Os aminoácidos mais frequentemente em falta nosvegetais são: a lisina, a metionina, o triptofano e a treonina.Essas carências podem ser evitadas pela combinação de váriosvegetais na alimentação. O metabolismo dos aminoácidos depende,fundamentalmente, da presença da vitamina B6. A suaausência, ou seus baixos níveis, comprometem a
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 169biotransformação de aminoácidos (a formação da homocisteínaé um exemplo clássico). O conteúdo proteico dos tecidos vivos varia amplamente.O conteúdo dos músculos apresenta 20% de proteínas; oconteúdo proteico do plasma do sangue é de 7%; o da gema doovo é de 15%; o do leite é de 3,3%; o do queijo varia entre 14-50%; as folhas, talos e raízes contém cerca de 1-2%; os cereaiscontém em torno de 15% na média (o feijão tem 28%, a soja37%, o amendoim 26%); e as frutas de 0,4-1,5% de proteína. A avaliação dos níveis metabólicos de aminoácidos éfeita pelo exame chamado aminoacidograma. É realizado apartir de amostra de sangue e avalia os níveis de 44aminoácidos presentes no organismo. Um laboratório dereferência é o laboratório americano Doctors Data Laboratories,de Chicago, USA.Ácido aspártico O ácido aspártico é um aminoácido não-essencialformado a partir do ácido glutâmico, tendo a vitamina B6 comocofator. Foi descoberto por Ritthausen em 1868. Em nosso,metabolismo destaca-se por seu papel importante eimprescindível como fonte de energia de rápida produção. Éutilizado no tratamento da fadiga crônica, pelo seu papel naprodução de energia (ciclo de Krebs), no ciclo da ureia e nometabolismo do DNA. Um dos principais sítios de ação do ácido aspártico e seuderivado (aspartato) é o cérebro, onde é encontrado emabundância. É um neurotransmissor excitatório. Seus níveiscostumam estar baixos nos pacientes epilépticos e nosdeprimidos. As doses usuais variam de 150-1000mg/dia; dosesacima de 1500mg/dia são utilizadas por atletas.
    • 170 AMINOÁCIDOS O ácido aspártico está envolvido na conversão decarboidratos em energia muscular. Sua presença é importantepara formar anticorpos (Pipalova e Pospisil, 1980). Combinadocom outros aminoácidos, apresenta a propriedade de varrertoxinas da corrente sanguínea, especialmente a amônia,protegendo o fígado e a função celular. Seu metabólito, aasparagina, é importante fator no metabolismo cerebral;associada à cisteína, sua propriedade desintoxicante épotencializada. São fontes de ácido aspártico: as carnes, leite, queijos,ovos, ervilhas, milho, cebola, alho, trigo integral, berinjela eaveia.Ácido glutâmico O ácido glutâmico foi descoberto por Ritthausen em1866. Seu nome origina-se do glúten do trigo, de onde foiisolado pela primeira vez. Ajuda a remover o excesso deamônia produzido no metabolismo (reage com a amôniaoriginando glutamina). É especialmente importante aometabolismo cerebral, estando implicado na formação deneurotransmissores cerebrais; porém, por atravessar com muitadificuldade a barreira hemato-encefálica, deve ser administradosob a forma de glutamina (seu precursor), capaz de difundir-sebem em todos os tecidos e dar origem ao ácido glutâmico nocérebro. O ácido glutâmico e o GABA são interconvertidos “invivo”. Está implicado também, na síntese do DNA, do glutatione de outros aminoácidos. Deficiências severas são raras, já que existem váriasalternativas para sua síntese (pode ser formado a partir daornitina, arginina ou prolina); pessoas com atividade físicaintensa, como os atletas, podem facilmente depletar suas
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 171reservas corporais. As doses usuais variam de 100mg a500mg/dia. O ácido glutâmico (assim como a alanina, o ácidoaspártico e a glicina) aumenta a excreção do ácido úrico,podendo ser uma alternativa importante para o tratamento dagota. O ácido glutâmico aumenta os impulsos de criatividade epercepção; sua deficiência determina desmotivação, bem comoincapacidade de fazer “abstrações”. Também é importanteauxiliar no combate à fadiga, depressão e impotência. Podehaver alergia ao glutamatomonosódico (abundante nas comidaschinesas), bem como ao ácido glutâmico e à glutamina. São fontes de ácido glutâmico: carnes, leite, queijos,ovos, grãos integrais, abóbora, agrião, alho, aspargo, ervilhas ecastanhas.Alanina Alanina é um aminoácido não essencial. Foi descobertapor Weyl em 1888. A alanina é matéria prima para a síntese deglicose no fígado e nos músculos, quando é necessário produzí-la rapidamente. Além disso, é um neurotransmissor inibitório,ajudando a diminuir a excitação que é comum nos epilépticos,sendo seu efeito comparável ao do GABA. A alanina é utilizadaem doses de 200mg a 1000mg/dia. É sintetizada a partir do piruvato e da carnosina, tendo ozinco como cofator. Pessoas sob stress ou em hipoglicemia,consomem tecido muscular, a fim de obter alanina paranormalizar o nível do açúcar sanguíneo. A quebra do dipeptídio carnosina, presente nos músculos,origina alanina e histidina. A alanina favorece a produção delinfócitos e de imunoglobulinas.
    • 172 AMINOÁCIDOS A alanina, assim como o GABA, a taurina e a glicina, éum neutrotransmissor inibitório no cérebro, com acentuadaação tranquilizante. Experimentalmente, tem sido utilizado emratos,como auxiliar na dissolução de cálculos renais. Não são conhecidas doses tóxicas para o uso da alanina. São fontes de alanina: carnes, leite, queijos, ovos,castanhas, aveia, chocolate, milho, ervilhas, cenoura e berinjela.Arginina A arginina foi descoberta por Schulze e Barbieri em1881. Desempenha papel importante na função muscular, nocrescimento, na cicatrização e no sistema imunológico. Pensa-se, ainda, que tenha ação anticancerígena e hepato-protetora.Em crianças, é timo-estimulante e, além do aumento naprodução de linfócitos, melhora sua atividade. A dosenecessária para estimular a imunidade ainda não está bemestabelecida. Doses muito elevadas (12g/dia) aumentam drasticamentea atividade dos linfócitos em 3 dias, mas podem causar diarreiaaquosa ou diminuir a absorção de outros aminoácidos pordeslocamento. A arginina estimula a hipófise anterior, aumentando asecreção do hormônio do crescimento; isso explica sua açãoqueimando gorduras e promovendo o desenvolvimento damassa muscular. A dose preconizada para a liberação dohormônio de crescimento é 1200mg/dia, associados a1200mg/dia de lisina. A associação arginina/lisina, fundamentalà liberação do hormônio do crescimento (GH), deve ser tomadacom o estômago vazio ou ao deitar, não devendo ser combinadaa outros aminoácidos para evitar competição pelos sítios deabsorção.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 173 Durante o exercício físico, através da desaminação dasproteínas, o organismo produz grande quantidade de amônia. Oaumento na concentração de amônia produz um acréscimo delactato sanguíneo, ocasionando fadiga muscular. A arginina e aornitina convertem a amônia em ureia (30 vezes menos tóxica)diminuindo, assim, a fadiga muscular. Por outro lado,observações clínicas relatadas pelo Dr. Eric Braverman (umadas maiores autoridades mundiais em aminoácidos), indicamque o excesso de aminoácidos na dieta é prejudicial na vigênciade infecções bacterianas e/ou virais; o Herpes simplex tem seudesenvolvimento favorecido pela arginina. Trabalhos recentes mostraram que a arginina é oaminoácido mais importante para a produção do óxido nítricoendógeno. O óxido nítrico é fundamental para que a ereção esua manutenção (em doses acima de 2g/dia); além de ser umregulador do tônus vascular (vasodilatador). A arginina, o chocolate e o espinafre devem ser evitadospor pessoas com herpes ativo. A arginina favorece odesenvolvimento do herpes. Doses de até 6g/dia, em várias tomadas, são consideradasseguras. São fontes de arginina: carnes, leite, queijos, ovos,chocolate, alho, castanhas, ervilha, milho e grãos integrais.BCAA (branched chain aminoacids) São aminoácidos essenciais envolvidos no metabolismomuscular, na produção de energia e no stress. Os tecidosmusculares são formados por duas proteínas principais,a actinae a miosina. Os principais aminoácidos dessas duas proteínas são ostrês aminoácidos de cadeia ramificada, a leucina, isoleucina e a
    • 174 AMINOÁCIDOSvalina. São anabólicos, usados por atletas para aumentar amatéria prima nos tecidos musculares, contribuindo para aconstrução de massa muscular. Exercícios intensos podemcausar danos ou consumirem tecido muscular, ocasionandoperda de massa muscular. A ingestão de BCAA melhoram a performance e ocondicionamento físico. O crescimento da massa muscularocorre por estimulação da síntese de proteínas diretamente nomúsculo. Os 3 BCAA precisam estar presentes ao mesmotempo, a fim de exercerem sua ação. Os BCAA são AA essenciais, portanto não são fabricadospelo organismo, necessitando serem ingeridos. São chamadosaminoácidos de cadeia ramificada porque cada um delescontém um grupamento metila ligado a cadeia principal doaminoácido. Todos eles são biotransformados pelas enzimastransaminases, tendo como cofator a vitamina B6. Os BCAA competem com o triptofano e a tirosina pelosmesmos sítios de absorção, devendo, por isto, ser administradosem horários diferentes e associados aos cofatores vitaminas B3,B6 e B12, para garantir seu metabolismo. A proporção idealentre os 3 aminoácidos é a seguinte: isoleucina, 25%; leucina,40% e valina, 35%. Os BCAA inibem a produção de ácido lático, substânciaque causa fadiga muscular. A fadiga muscular ocorre quandopraticamos exercícios intensos, com aumento do nível de ácidolático no sangue. O pH do sangue nos músculos diminui,causando dificuldade na contração muscular. Na encefalopatia hepática o aumento dos falsosneurotransmissores coincide com o aumento das concentraçõesséricas dos aminoácidos aromáticos (AAAs). A proporção entreos BCAAs/AAAs deve ser de 3,0-3,5; na encefalopatia hepáticacostuma estar menor que a unidade.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 175 Cerca de 35% dos AA presentes nas proteínas muscularessão BCAA. Os BCAA são a maior fonte de radicais amino nointerior do músculo, o que é importante para o metabolismomuscular e crescimento da massa muscular. Os BCAA aumentam a performance atlética e, por estefato, atletas e fisicultores os utilizam como anabolizantesnaturais, não hormonais, por melhorarem o desempenho e pornão apresentarem nenhum dos efeitos colaterais associados aosesteroides. Os BCAA também são efetivos na restauração da massamuscular em pessoas com danos hepáticos, pessoas quesofreram grandes cirurgias ou idosos. A administração dos BCAA a atletas antes dos treinos oucompetições visa a facilitar a produção e mobilização deenergia; sua administração após os treinos visa a induzir aformação de massa muscular. O exercício físico intenso leva ao consumo de grandesquantidades dos aminoácidos não-essenciais alanina eglutamina. Não havendo mais estoque muscular, torna-senecessária a síntese, a partir dos BCAAs (leucina, isoleucina evalina). A oxidação da leucina durante o exercício moderadoaumenta em até 240%. Os BCAAs respondem por 40% das necessidades diáriasde aminoácidos essenciais. Embora apresentem semelhançasestruturais, os AAs seguem diferentes rotas metabólicas, asaber: a valina origina carboidratos, a leucina origina gordurase a isoleucina origina ambos. As doses usuais oscilam de500mg a 1000mg/dia. Um ovo possui 400mg de leucina e400mg de valina e isoleucina. Relatos recentes recomendam usar BCAA na distrofialateral amiotrófica, pois a leucina e a isoleucina tem mostradoativarem a decomposição enzimática do glutamato, presente em
    • 176 AMINOÁCIDOSconcentrações elevadas no cérebro das pessoas portadoras dessadoença. As doses utilizadas foram: leucina 12g/dia, isoleucina8g/dia e valina 6,4g/dia São fontes de BCAA: ovos, leite, carnes, queijos, arrozintegral, aveia, gérmen de trigo, lentilha, peixe, soja ecogumelos.Carnitina A carnitina é um aminoácido essencial. É produzida nofígado (tendo como substrato a lisina e a metionina) com aajuda da vitamina C, vitamina B6, vitamina B3, ferro emetionina. É necessária à transformação de ácidos graxos decadeia longa em energia (nas mitocôndrias) para a atividademuscular, aumenta a massa e a resistência muscular; reduz osníveis de triglicerídeos e colesterol, incrementando a utilizaçãodas gorduras (os níveis endógenos regulam a taxa dometabolismo das gorduras); diminui a adiposidade, reduz avelocidade dos processos ligados ao envelhecimento cerebral eajuda a retardar a progressão do Mal de Alzheimer; atua nasdoenças cardiovasculares, doenças pulmonares, diabetes,aterosclerose e doenças musculares. Encontra-se em grandeconcentração no esperma e no cérebro. As propriedadesterapêuticas foram evidenciadas por I.B.Fritz, em 1959. Também está indicada em casos de depressão e noestímulo ao aprendizado e à memória de curto e longo prazo. AAcetil-L-carnitina tem as mesmas indicações, porém seu custo émais elevado. O uso terapêutico desta substância varia de200-2000mg/dia. Doses superiores a 2g/dia, ocasionalmentepodem desencadear diarreia em pessoas sensíveis. A L-carnitina encontra-se 40 vezes mais concentrada nosmúsculos do que no plasma e seu nome deriva do fato de tersido descoberta em extratos de carne (1905). Auxilia as células
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 177na utilização do oxigênio de forma mais eficiente, melhorandoa performance muscular e a resistência à fadiga, além deaumentar a produção de energia em até 10% (por estímulo daqueima de BCAAs). A carnitina praticamente inexiste em vegetais. Por estarazão, os vegetarianos estritos possuem baixas quantidadesdeste aminoácido, especialmente se suas dietas forem pobresem lisina e metionina, que são os aminoácidos necessários parasua síntese. A Acetil-L-carnitina (ALC) é utilizada nos suplementosde energia, no tratamento da infertilidade masculina e namelhora do fluxo sanguíneo cerebral; melhora o humor, odesempenho físico e o condicionamento cardiovascular.Apresenta ação anti-RLs, inibindo a peroxidação lipídica;controla a redução dos sítios de ligação de glutamato-N-metil-aspartato na região do hipocampo (retardando o processo deenvelhecimento) e melhora a astenia. A ALC é vista como uma das drogas mais promissorasna terapêutica do Mal de Alzheimer (300-500mg 3 vezes aodia), possibilitando alguma melhora na memória e no nível deatenção e de alerta dos pacientes. A ALC é o acetil éster da carnitina, carregador dosácidos graxos através da membrana mitocondrial, envolvidana transformação de lipídios, carboidratos e proteínas emenergia. A Acetil L-carnitina está quimicamente relacionada àL-carnitina (nutriente semi-essencial), superando-a em potênciametabólica, especialmente no cérebro; é fonte de grupos acetila,que facilitam as rotas energéticas. A ALC reduz a formação delipofucsina no cérebro, aumenta a atividade colinérgica(promovendo a síntese de acetil-colina) e melhora o fluxosanguíneo cerebral em pacientes com doençascerebrovasculares. Seus níveis diminuem após os 40 anos. É
    • 178 AMINOÁCIDOSmuito empregada na neurologia e na geriatria, nos processos deenvelhecimento. Diabéticos possuem baixos níveis séricos de carnitina,mas nos músculos esqueléticos os níveis são normais. Devidoao aumento da suscetibilidade à aterosclerose, doençascardíacas e insuficiência renal dos diabéticos, a suplementaçãode ALC é desejável. A ALC também melhora a função vascularperiférica. A administração de carnitina protege contra os efeitoscolaterais sobre o coração, da quimioterapia com adriamicina.Também reduz os efeitos colaterais de alguns medicamentoscomo o ácido valproico (Depakene, Deproic) e a carbamazepina(Tegretol), em doses de 250mg a 500mg, via oral, 2 vezes aodia. Os sais de carnitina utilizados em terapêutica são aL-carnitina e Acetil-L-carnitina. A D-carnitina e a DL-carnitinanão devem ser empregadas, pois, além de serem 30 vezesmenos ativas, competem com a L-carnitina e diminuem atolerância ao exercício. Na maior parte dos trabalhos científicos com ALC, sãoutilizadas doses que variam de 300-2000mg/dia, divididas em2 tomadas. Indivíduos saudáveis podem tomar doses menores(300-1000mg/dia), ficando as maiores dosagens reservadas apacientes com déficit cognitivo, por envelhecimento ou poratletas. Os medicamentos contendo ALC precisam serguardados sob refrigeração, a fim de manterem sua eficácia. Doses acima de 2000mg/dia de carnitina podemocasionar quadros de diarreia leve. São fontes de carnitina: carnes vermelhas, aves, peixes,leite e queijos.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 179Cisteína / Cistina É um aminoácido não essencial. Foi descoberto por Boppem 1849. A cisteína protege contra os danos causados portoxinas, poluentes, cigarro e álcool, pois estes produtos sãoparcialmente neutralizados pelo glutation (poderosoantioxidante e detoxificador formado pela cisteína, ácidoglutâmico e glicina). A cisteína favorece a neutralização dos aldeídosproduzidos pelo fígado como subproduto do metabolismo doálcool, gorduras e algumas drogas. A acetilação da cisteínaorigina a N-acetil-cisteína (NAC), que é um excelenteantioxidante e desintoxicante. Participa da neutralização dosaldeídos tóxicos formados na metabolização do álcool e drogas;é importante como agente quelante nas exposições a metaispesados; ajuda a prevenir a queda de cabelo nos pacientessubmetidos a quimioterapia e também é um excelente agentemucolítico (600mg 1 a 2 vezes ao dia). A cisteína é a forma do aminoácido incorporado nasproteínas durante a síntese, enquanto a cistina é a formaencontrada no sangue. A cistina é o resultado da ligação de duas moléculas decisteína (por pontes dissulfeto, resultante da oxidação de seusradicais sulfidrila). A cistina é um aminoácido composto pela união de duasmoléculas de cisteína, é mais estável e serve como forma dearmazenamento para a cisteína, podendo ser facilmentedesdobrada sempre que o organismo necessitar de cisteína.Cisteína e cistina são intercambiáveis entre si. Pequenasquantidades de cistina estão presentes no sangue, o restante estápresente nas proteínas. Associada ao ácido pantotênico (vitamina B5) tem efeitospositivos sobre a osteoartrite e artrite reumatoide, segundo
    • 180 AMINOÁCIDOStrabalhos realizados pelo Dr. Ryzewski, da Universidade deVarsóvia. A ingesta de altas doses de cisteína deve serassociada à ingesta de vitamina C na proporção de 3:1, a fim deevitar a transformação da cisteína em cistina, potencialmenteformadora de cálculos renais em alguns indivíduos. A presença das ligações de enxofre (S-S) na cisteína sãoimportantes para a remoção de metais pesados ou cobre,quando em excesso no organismo. Doses elevadas de cisteína devem ser administradas comcautela, pois competem com a insulina pelos mesmos sítios deligação, causando, assim, diminuição de sua atividade. A cisteína corresponde a 8% da composição do fio docabelo; a carência acentuada acelera a queda de cabelo efavorece a calvície masculina. Vegetarianos e indivíduos submetidos a dietashipocalóricas podem apresentar uma tendência à alopécia, quepode ser revertida mediante a administração de aminoácidosenxofrados, zinco, selênio e vitaminas do complexo B. A cisteína é um aminoácido sulfurado, importante emmúltiplas reações metabólicas. Pode ser convertida em cistina etaurina. A cistina é a forma estável da cisteína e é formada porduas moléculas de cisteína que se unem por pontes de enxofre(S-S) e, segundo a necessidade do organismo, uma setransforma na outra imediatamente. No metabolismo, as duas formas podem ser consideradasum único aminoácido. É utilizada em doses de até 1g/dia comsegurança, em 2 ou 3 tomadas.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 181 AMINOÁCIDOS PRECURSORES E NEUROTRANSMISSORESÁcido Glutâmico GABAAsparagina Ácido AspárticoArginina Ácido GlutâmicoCisteína TaurinaFenilalanina Dopamina, NoradrenalinaGlutamina Ácido GlutâmicoHistidina HistaminaMetionina TaurinaOrnitina Ácido GlutâmicoTirosina Dopamina, NoradrenalinaTriptofano Serotonina, MelatoninaFonte: Dr. Juarez Calegaro (RS) São fontes de cisteína: carnes, leite, queijos, ovos, grãosintegrais, castanhas, cebola, alho e amendoim.Fenilalanina A fenilalanina é um aminoácido não essencial descoberto,Van Slyke em 1938. Participa da síntese de vários deneurotransmissores. É biotransformada em noradrenalina,adrenalina e dopamina, que estimulam a atividade mental e avitalidade, além de transformarem-se em feniletilamina(metabólito com ação antidepressiva). A fenilalanina é umprecursor da tirosina. É encontrada nos adoçantes artificiais(aspartame) e produtos dietéticos. Como propriedades, induz à diminuição do apetite pelaformação de colecistoquinina (tomar antes das refeições),aumenta o vigor físico, aumenta a libido e melhora a memóriade curto prazo, além de ter ação antidepressiva. Também é
    • 182 AMINOÁCIDOScoadjuvante no tratamento de drogaditos (por ocupar osmesmos receptores de ligação das drogas). Estudos realizados na Universidade de Chicago (EUA)pelos doutores Ehrenpreis e Balagot colocaram em evidência opapel da DL-fenilalanina na luta contra a dor, por suacapacidade de produzir e ativar substâncias endógenas(endorfinas) semelhantes à morfina (doses de 750-1500mg/dia,fracionadas em 3 tomadas); também por ser capaz de bloquear aenzima encefalinase, responsável pela degradação dasendorfinas e encefalinas (potentes analgésicos endógenos). Seuefeito é bastante intenso, não vicia e não é tóxica. Éespecialmente eficaz nas artralgias, cefaleias, lombalgias enevralgias (400mg 3 vezes ao dia). Seus efeitos são observadosapós 4 dias. É contra-indicada para pacientes hipertensos (porsua ação vasoconstritora), com enxaqueca, com melanoma (afenilalanima é precursora da melanina) ou com fenilcetonúria.A dose antidepressiva é de 1200-1500mg/dia, em 3 tomadas. A fenilalanina é metabolizada no fígado à tirosina, pelafenilalanina hidroxilase; a deficiência desta enzima originauma grave doença, a fenilcetonúria, que transcorre com oacúmulo dos ácidos fenilpirúvico, fenil-lático e fenilacético(altamente tóxicos), causando a oligofrenia fenilpirúvica.Nestes casos é absolutamente necessário restringir a ingestade alimentos ricos em fenilalanina (queijo, banana, chocolate,feijão, cerveja e vinho) e administrar a tirosina, seumetabólito, através dos alimentos ou de suplementosdietéticos. Nos recém-nascidos a fenilcetonúria é uma daspatologias diagnosticadas através do “teste do pezinho”. Oácido fólico, o ferro, o cobre, a vitamina B3, a vitamina B6 ea vitamina C ativam o metabolismo da fenilalanina. A dietanormal pode fornecer cerca de 5-8g/dia deste aminoácido. Doses elevadas de fenilalanina e de tirosina devem serevitadas por pacientes em uso de antidepressivos inibidores
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 183da enzima MAO (Mono Amino Oxidase), devido ao risco dedesencadear hipertensão arterial severa pelo aumento daprodução das catecolaminas e formação de tiramina. A dose diária ótima é de 7mg/kg de peso corporal.Doses de ate 1500mg/dia são consideradas seguras. São fontes de fenilalanina: as carnes vermelhas, aves,peixes, leite, queijos, germe de trigo, lentilha, amendoim,chocolate, castanhas, banana, abobara e grãos integrais.GABA (ácido gama-aminobutírico) É um aminoácido importante no metabolismo cerebral,especialmente naquelas situações em que ocorre “bombardeio”de mensagens excitantes. Possui acentuado efeito tranquilizantenos estados de ansiedade, especialmente quando associado aosaminoácidos taurina e triptofano. Os ansiolíticos tradicionaismimetizam a função do GABA, ligando-se aos receptoresGABAminérgicos no cérebro. Baixos níveis cerebrais sãohabitualmente encontrados em indivíduos ansiosos, estressadosou agressivos. A vitamina B6, o manganês e a taurinaincrementam a síntese e os efeitos do GABA. Os níveis deGABA estão usualmente baixos nos pacientes deprimidos;costumam também decrescer com o envelhecimento, pois osníveis da enzima GABA descarboxilase caem vertiginosamente. As doses terapêuticas por via oral variam de 200mg –1000mg/dia, podendo ser utilizado em doses menores (50-100mg) via sublingual. São fontes de GABA: carnes, leite, queijos, ovos e grãosintegrais.
    • 184 AMINOÁCIDOSGlicina A glicina é um aminoácido não essencial. HenriBracannot, em 1820, aqueceu gelatina e obteve uma substânciaadocicada, denominando-a glicina ( do greco Glykos igual adoce, que lembra glicose). Pode ser formada a partir dosaminoácidos colina, treonina e serina. A L-glicina é o menor de todos os aminoácidos (AA),apresentando peso molecular (P.M.) 350. Por esta razão edevido ao seu baixo custo é o aminoácido mais usado paraquelar minerais. A dupla ligação que caracteriza a quelaçãocom o metal se dá através do nitrogênio ou do enxofre (sempreligação iônica). A mucosa intestinal permite a absorção livre desubstâncias com P.M. até 800. A glicina é um dos AAs que seencontram em maior concentração na mucosa intestinal. A ação da glicina está ligada à formação de aminoácidosnão essenciais e à síntese do núcleo da hemoglobina, DNA,fosfolipídios e colágeno. A glicose necessita de glicina para suasíntese, o que mostra sua importância na produção de energiacorporal. Apresenta efeito calmante semelhante à taurina, sendoempregada na hiperatividade, agressividade e na fase maníacado transtorno afetivo bipolar (TAB – antigamente conhecidocomo PMD: psicose maníaco depressiva). A glicina combina-secom muitas substâncias tóxicas convertendo-as em formasinócuas, que são excretadas; promove o crescimento e odesenvolvimento da massa muscular e estimula o sistemaimune a produzir imunoglobulinas. É usada também notratamento da hiperuricemia por sua ação sobre o metabolismodas purinas. Uma excelente fonte de glicina é a gelatina (12%de sua composição).É usada em doses que variam de 200-1000mg/dia. Doses de até 6g/dia, em diversas tomadas, são seguras ebem toleradas. Doses mais elevadas causam alterações visuais.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 185 São fontes de glicina: carnes, ovos, leite, queijos, aveia,granola, gérmen de trigo, chocolate, castanhas, feijão ecogumelos.Glutamina A glutamina é um aminoácido não-essencial, foidescoberta por Dreschel em 1889. É constituída peloaminoácido ácido glutâmico associado à amônia. É um dosaminoácidos mais abundantes do corpo e o de maiorconcentração no sangue. Sua principal função no organismo é otransporte de amônia dos tecidos para o fígado, para serbiotransformada em ureia. A glutamina é o mais importante varredor de amônia docérebro, graças a sua habilidade de atravessar a barreirahemato-encefálica. É extensamente utilizada para suprimirdisbioses e alterações da permeabilidade intestinal, por ser aprincipal fonte de energia dos enterócitos (em doses de 1 a6g/dia em diversas tomadas). Pessoas alérgicas ao glutamato monossódico - substânciausada para realçar o sabor dos alimentos em restauranteschineses - também podem ter sensibilidade ao ácido glutâmicoe à glutamina (podendo apresentar enxaqueca, náuseas evômitos). Isto ocorre devido a um aumento transitório desubstâncias “acetilcoline-like” e à deficiência de vitamina B6,necessária ao metabolismo da glutamina (50mg/dia sãosuficientes para repor os níveis). Nos EUA, alimentos infantisnão podem conter glutamato monossódico. Estudos recentes mostram que a glutamina pode ativar ascélulas do sistema imunológico, tais como os leucócitos (emespecial, os linfócitos), linha de frente do sistema imunológico.Também é indicada nas infecções recorrentes. A glutamina
    • 186 AMINOÁCIDOSajuda a reduzir a compulsão pelo álcool (por ser precursora doGABA, depletado pelo alcoolismo) e a pelos doces. É um dos principais elementos para corrigir quadros demá-absorção intestinal, em doses que variam de 1-6g/dia. Ascélulas epiteliais da mucosa intestinal alimentam-seseletivamente da glutamina proveniente da dieta para suamanutenção e proliferação. É intensamente consumida na atividade esportiva e suadepleção crônica torna o indivíduo suscetível a infecções.Também é essencial à estimulação da memória e daconcentração, uma vez que a glutamina é um importantenutriente para o cérebro. A glutamina é extremamenteimportante na detoxificação da amônia, servindo como seuprincipal transportador, tanto no sangue como no cérebro (ondesua concentração é 3 vezes maior que a de qualquer outroaminoácido). O uso da glutamina é seguro em altas doses (até 20g/dia,em diversas tomadas), embora altas doses possam diminuir aabsorção de outros aminoácidos, via competição. São fontes de glutamina: carnes, ovos, leite, queijos egrãos integrais.Histidina É um aminoácido essencial, descoberto por Kosser em1896. É particularmente importante para neonatos prematuros,por seu papel nos períodos de crescimento, na formação e noreparo de tecidos, na produção da hemoglobina e na síntese dehistamina. A histidina representa 3% do total dos aminoácidosde nosso corpo. Sua deficiência retarda o crescimento efavorece o surgimento de eczemas cutâneos. A histidina, e seu metabólito, a histamina tem sido
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 187relacionada ao controle do despertar, metabolismo energéticocerebral, atividade locomotora, liberação de hormônios,comportamento sexual, percepção da dor, alimentação eingestão da água. É um dos neurotransmissores que diminuemou suprimem o apetite. Estudos evidenciaram que a histaminainibe a liberação de noradrenalina no hipotálamo e diminuemou suprimem a ingesta alimentar, apresentando ação anorética.Ao contrário, como alguns antidepressivos e antipsicóticos comatividade antihistamínica estimulam a ingestão de alimento e oaumento do peso corporal. Devido a sua intensa reatividade, a histidina está presenteno centro ativo de numerosas enzimas onde tem o importanteparticipação na quebra de ligações químicas. Pacientes artríticos com história de reações alérgicas e osportadores de úlceras pépticas, devem reduzir a ingesta dehistidina. A histamina é o principal neurotransmissor nohipocampo. Trabalhos científicos realizados pelo Dr. EricBraverman (EUA) relacionaram altos níveis de histidina e deseu metabólito, a histamina, ao aumento da libido efavorecimento ao orgasmo. Segundo Braverman, aadministração de histidina (500mg 2 vezes ao dia) aumentou alibido e facilitou a obtenção do orgasmo nos pacientes tratadosno Brain Bio Center. As doses terapêuticas oscilam entre 200-1000mg/dia. Pacientes com depressão crônica, perda repentina dememória, personalidade obsessivo-compulsiva e fobiascostumam apresentar altos níveis de histidina e seu metabólito,a histamina (histadelia). Cerca de 20% dos esquizofrênicos sãohistadélicos. Já a histapenia (baixos níveis de histidina ehistamina) está associada à hiperatividade, manias, paranoia,
    • 188 AMINOÁCIDOSalucinações, artrite reumatoide e Mal de Parkinson (Gerber,1975). Doses de até 3000mg/dia, em diversas tomadas, sãoconsideradas seguras. São fontes de histidina: carnes, leite, ovos, queijos,castanhas e grãos integrais.Isoleucina É um aminoácido essencial, descoberto por Erlich em1904. Desempenha relevante papel na regulação dos níveissanguíneos da glicose; auxilia o metabolismo muscular,devendo sempre estar associada aos demais aminoácidos decadeia ramificada (leucina e valina) e é essencial para aformação da hemoglobina. Também é largamente utilizada emnutrição enteral e parenteral e, especialmente, em pacientescom doenças epaticas graves, para melhorar seus estadosnutricionais. As doses usuais variam de 200-1500mg/dia, sendoque os atletas costumam usar doses mais elevadas (até 12g/dia). A isoleucina é um dos aminoácidos de cadeia ramificadatambém conhecidos pela sigla inglesa BCAA. Os BCAA nãosão metabolizados no fígado, pois a enzima que osbiotransformam, a BCAAtranferase, não existe no fígado,apenas nos músculos, local onde são metabolizados. São fontes de isoleucina: carnes, ovos, leite, queijos,trigo, milho e lentilha.Leucina É um aminoácido essencial descoberto por Bracannot, em1820. É valiosa fonte combustível durante a realização deexercícios; incrementa a síntese e a estocagem de proteínas;
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 189exerce funções no metabolismo ósseo e da pele, sendo, ainda,capaz de controlar a hiperglicemia. Sua ação é mais eficazquando associada à isoleucina e à valina. As doses usuaisvariam de 200-1500mg/dia, sendo que os atletas costumam usardoses muito mais elevadas (até 12g/dia). A leucina, a isoleucina e a valina, atuam na produção deglicose à partir do músculo, durante a atividade física. A leucina presente nos músculos é biotransformada pelaenzima alanina aminotransferase, formando a alanina. Esteaminoácido gerado nos músculos, vai para o fígado, onde éconvertido a piruvato e ureia. O piruvato, por sua vez, é convertido primeiramente aoxalato, posteriormente a fosfoenolpiruvato e finalmente, aglicose. São fontes de leucina: carnes, ovos, leite, queijos, arrozintegral, aveia e gérmen de trigo.Lisina É um aminoácido essencial com múltiplas funções:aumenta a absorção do cálcio presente no trato intestinal (ematé 20%); promove o crescimento ósseo e a formação docolágeno; faz parte de numerosas enzimas e hormônios. Suadeficiência reduz a velocidade do crescimento e podediminuir a imunidade (Dr. Shiehzadeh, Universidade doKansas). A lisina associada à arginina estimula a síntese dohormônio do crescimento, o desenvolvimento muscular e afunção imune. Interfere na ligação da lipoproteína-A na parededos vasos, prevenindo, assim, a formação de placas. A leucina, assim como a isoleucina e a valina émetabolizada diretamente no músculo uma vez que a enzimaBCAAtransferase não existe no fígado, apenas no músculo. É
    • 190 AMINOÁCIDOSmuito usada em pacientes com patologias hepáticas graves,para a melhora dos seus estados nutricionais. A conversão da lisina em hidroxilisina, para a produçãodo colágeno, é feita com a ajuda de vitamina C. A lisina deveser ingerida preferencialmente à noite, antes de dormir. Estima-se que 50% a 70% da população mundial sofra deerupções recorrentes do vírus Herpes simplex (Griffith e cols.).Esses indivíduos devem diminuir a ingestão de alimentos ricosem ácido oxálico e arginina, tais como chocolate, cerveja,amendoim, castanhas, cevada, espinafre e ervilha, procurandoconsumir alimentos ricos em lisina, como leite e derivados,batata e suplementos de lisina (500mg, 2x ao dia), com bonsresultados na prevenção da recidiva. A lisina é precursora da L-carnitina, importante na adaptação ao stress, e é utilizada nocontrole da enxaqueca. Não se deve administrar lisina apacientes com insuficiência renal ou hepática. Em altas dosagens (acima de 2g) a lisina compete com aarginina pelos mesmos sítios de absorção, podendo haverdiminuição da absorção de uma delas; por esta razão não devemser administradas no mesmo horário. A administração de altasdoses de qualquer aminoácido deve ser feita longe dasrefeições, para diminuir a competição pela absorção entre eles. A lisina é precursora do aminoácido citrulina, deimportância fundamental no metabolismo das proteínas. O conteúdo de lisina nos vegetais e cereais é, usualmente,baixo. Considerando que a lisina é um aminoácido essencial,indispensável para a biossintese animal, sua deficiênciarepresenta um problema nas áreas onde o suprimento deaminoácidos e proteína animal é baixo, devido a razõeseconômicas ou outras. O antagonismo metabólico entre a lisina e a arginina podeser utilizado proveitosamente nas doenças que cursam com
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 191altos níveis de lisina (erros metabólicos de origem genética)especialmente em caso de retardo mental, ausência decaracteres sexuais secundários, baixa estatura e hepato-esplenomegalia (1000mg, 2xdia). A dose diária ótima é de 10mg/kg de peso corporal.Doses de até 6000mg/dia, em diversas tomadas, sãoconsideradas seguras. São fontes de lisina: carnes, peixes, leite, queijos, soja eovos. Os cereais são pobres em lisina.Metionina É um aminoácido essencial. Foi descoberto por Muellerem 1922. A metionina é o aminoácido iniciante durante abiossintese das proteínas. Graças à presença do enxofre em sua estrutura, estáindicada na prevenção das patologias do couro cabeludo, pele eunhas. Atua como um agente lipotrópico, especialmente quandoassociada à colina e ao inositol. É utilizada no tratamento dealergias, por sua capacidade de reduzir os níveis de histamina(Pfeiffer, 1972) via metilação da histamina e diminuindo aabsorção da histidina no intestino. A administração de metionina, especialmente quando emaltas doses, deve ser acompanhadas por Vit B6, B9 e B12 (co-fatores do metabolismo da metionina), para garantir suacompleta metabolização e evitar a formação do tóxicohomocisteína. É utilizada nas intoxicações por metais pesados, porajudar a remover tóxicos do fígado (via doação de gruposmetila) e promover a regeneração do tecido hepático. Trata-sede um precursor da cistina e de muitos outros elementos quecontêm enxofre. A metionina é um aminoácido com
    • 192 AMINOÁCIDOSpropriedade antioxidante. As doses terapêuticas variam de 100-1000mg/dia, sendo a dose diária ótima para pessoas saudáveis2mg/kg de peso corporal. São fontes de metionina: carnes, leite, queijos, ovos,milho e grãos integrais.Ornitina A ornitina pode ser convertida, pelo corpo, em arginina,glutamina ou prolina. A ornitina (em doses que variam de 1500-3000mg/dia) estimula a produção do hormônio do crescimento,incrementa a massa muscular, diminui a quantidade de tecidogorduroso, ativa o sistema imune e a função hepática. Atua naformação da ureia e na neutralização da amônia. As dosesusuais variam de 100-1000mg/dia. A associação dos aminoácidos ornitina e taurina originaum substituto para o sal de cozinha tradicional: o sal ornitil-taurina, já em uso no Japão por pacientes com restrições aocloreto de sódio. A ornitina penetra na mitocôndria maisfacilmente do que a arginina. Doses de até 3000mg/dia, em diversas tomadas, sãoconsideradas seguras. São fontes de ornitina: carnes, leite, queijos, ovos,chocolate e grãos integrais.Prolina É um aminoácido não essencial importante para a síntesedo colágeno (25% das proteínas do corpo). A prolina ésintetizada a partir do glutamato ou da ornitina. Sua síntese apartir do ácido glutâmico está ligada ao metabolismo doscarboidratos no ciclo de Krebs e a síntese pela ornitina está
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 193ligada ao metabolismo das proteínas no ciclo da ureia. Possui ação extremamente importante ao funcionamentodas articulações, tendões e músculo cardíaco. Administrada emdoses de 100-500mg/dia. São fontes de prolina: carnes, ovos, leite, queijos, milho,centeio, cevada, cogumelos e grãos integrais.Serina É um aminoácido não-nessencial. A serina éreversivelmente transformada em glicina e vice-versa. Éencontrado em altas concentrações nos músculos. É metabólitochave na produção de neurotransmissores e estabilizadores dasmembranas celulares. A serina é um importante consituinte dosfosfolipídios das membranas. (a partir da fosfatidilserina). São fontes de serina: carnes, peixes, ovos, leite, queijos,soja, gelatina e amendoim.Taurina É um aminoácido essencial na primeira infância; para osadultos não é considerado essencial. A taurina é importante emvárias reações bioquímicas cerebrais e musculares, sendo,ainda, indispensável para o crescimento. No Japão, a taurina éutilizada no tratamento de doenças isquêmicas. Baixos níveisde taurina e magnésio são encontrados nos pacientes apósataques cardíacos. A taurina estabiliza a membrana celular pelanormalização do fluxo de potássio nas células do músculocardíaco; associada ao magnésio, diminui a tendência adesenvolver arritmias cardíacas e IAM (Infarto Agudo doMiocárdio).
    • 194 AMINOÁCIDOS Possui ação antioxidante e neutralizante de RLs,protegendo contra a degeneração da retina; pode, também,estacionar a evolução da catarata. É utilizada, ainda, notratamento da cirrose, depressão, infertilidade, masculina,hipertensão e na recuperação da memória de curto prazo. É umneurotransmissor inibitório (como a glicina, a glutamina e oGABA) no tratamento dos “tiques” motores e da epilepsia,por sua propriedade de descarboxilar o ácido glutâmicotransformando-o em GABA. Sua ação anticonvulsivante sedeve à capacidade de estabilizar membranas e o zincopotencializa seus efeitos. Os adultos podem produzir taurina a partir da cisteína,com ajuda da vitamina B6, zinco e manganês; no entanto,segundo o Dr. Gaull (1984), a deficiência da enzima ácidocisteinicosulfinico descarboxilase, necessária à conversão dacisteína em taurina, é muito comum, o que explica os níveishabitualmente baixos de taurina nos adultos. A carência decisteína também ocasiona baixos níveis de taurina. Nãoapresenta boa taxa de absorção por via oral, preferindo-se,quando possível, a via sublingual. As doses usuais oscilamentre 200-2000mg/dia. A administração de taurina (500mg 3 vezes ao dia)pode apresentar excelentes resultados na epilepsia. A taurinaé um neurotransmissor inibitório, levemente sedativo, queaumenta a biotransformação do ácido glutâmico, originandoo GABA. Estabiliza a membrana celular com marcado efeitoanticonvulsivante e ansiolítico. Para melhorar a absorção da taurina, a via sublingualpode ser empregada, pois a taurina consegue passar a mucosasublingual com facilidade. Cães e gatos alimentados com rações industriaiscostumam apresentar deficiência de taurina, uma vez que este
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 195nutriente não é adicionado às formulações tradicionais. Adeficiência de taurina pode levar à depressão e à degeneraçãoda retina (o olho tem altas concentrações deste aminoácido). Em sinergismo com o GABA, magnésio e vitamina E, ataurina neutraliza os peroxinitritos (destruidores de neurônios),produzidos pelo excesso de aspartato e/ou glutamato. Os fenotiazínicos, ao depletarem metionina, bloqueiam asíntese de taurina; também bloqueiam (pela depleção demanganês) a ação da glutamina sintetase, que transforma oácido glutâmico em GABA. Pacientes em uso de fenotiazínicosdevem receber suplementos de taurina (250mg/dia) e manganês(1mg/dia). A taurina é um potente liberador de ácido clorídrico,podendo ser utilizada para o tratamento dos estados deacloridria ou hipocloridria. Pacientes com gastrite ou ulcerososdevem evitar as altas doses. A administração de taurina deveser feita ao início da refeição. As doses terapêuticas oscilamentre 300-1500mg/dia. São fontes de taurina: carnes, peixes.Tirosina A tirosina é um aminoácido não essencial, descoberto porHedin, em 1895. Seu nome deriva do grego, da palavra queijo(tyros = queijo em grego). É sintetizada no organismo a partirda fenilalanina. Diminui o stress físico e psíquico, tornando aspessoas mais alertas e eficientes, além de menos ansiosas e commenos queixas sobre os desconfortos físicos. Diminui a dormuscular e a cefaleia e aumenta a resistência ao frio. Algumaspessoas são sensíveis à tirosina, podendo seu uso desencadearcrises de enxaqueca (pela formação de tiramina). Estudos clínicos realizados na UCLA e na Universidade
    • 196 AMINOÁCIDOSdo Texas demonstraram que 80% dos consumidores decocaína foram beneficiados pela administração de L-tirosina(2000mg/dia, por 4 semanas), diminuindo a dependênciafrente à droga. Outros tipos de drogadição tambémrespondem ao uso da tirosina. A tirosina não deve seradministrada juntamente com o triptofano, pois amboscompetem pelos mesmos sítios de absorção, em especial aoatravessar a barreira hemato-encefálica. O Dr. Eric Braverman, uma das maiores autoridades emaminoácidos, relata melhora da inapetência sexual, restituiçãoda sensação de prazer sexual nos pacientes com a administraçãode tirosina (1000mg vo 2 a 3 vezes ao dia) e a normalização daatividade sexual, após 30 dias de tratamento. É um potente antidepressivo e é fator essencial naprodução dos neurotransmissores cerebrais - dopamina,adrenalina e noradrenalina - conforme trabalhos do Dr. AllenGelemberg, da Universidade de Harvard (USA). Em 30% doscasos de depressão encontra-se diminuída. Indivíduossubmetidos a intenso stress têm suas necessidades de tirosinaaumentadas. A tirosina pode ser empregada, com excelentes resultadosem pacientes com hipotensão (500mg 2 a 3 vezes ao dia). A tirosina também é precursora dos hormônios da tireoidee do pigmento melanina, protetor da radiação ultra-violeta, epode ser utilizada como elemento adjuvante parabronzeamento. Sua adminstração (250mg 2 vezes ao dia) devepreceder à exposição ao sol. Os albinos são deficientes demelanina, pois não possuem a enzima que transforma a tirosinaem melanina. Costuma ser administrada em doses que variam de 100-3000mg/dia. A toxicidade da tirosina é quase inexistente. Éconsiderada um nutriente seguro e facilmente metabolizável.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 197Médicos da Harvard Medical School, relatam que doses de1000 a 3000mg/dia tem se mostrado efetivas no tratamento dedepressões resistentes a outras medicações. São fontes de tirosina: carnes, peixes, ovos, leite equeijos. Nos cereais, frutas e vegetais encontra-se em baixasconcentrações, o que explica a relativa carência dosvegetarianos.Treonina É um aminoácido essencial, um dos aminoácidos menosconhecido quanto a suas funções. Uma vez metabolizado,origina glicina, serina e glicose. A produção de neurotransmissores como acetilcolina enoradrenalina, serotonina e histamina, parece estar relacionadaaos níveis endógenos de glicina e treonina. A treonina é essencial a produção das imunoglobulinas. Experimentalmente foi demonstrado que suínos comdietas deficientes de treonina tiveram baixa concentraçãoplasmática de imunoglobulinas. Também existem evidências desua relação com a manutenção da imunidade específica namucosa intestinal. As necessidades de treonina decrescem coma idade. Baixos teores também são encontrados em pacientesdeprimidos e epiléticos. São fontes de treonina: carnes, peixes, leite, queijos, ovos,gérmen de trigo, feijão, aveia e brócolis.Triptofano É o aminoácido essencial mais escasso nos alimentos.Isolado pelo bioquímico inglês Frederick Gowland Hopkins,em 1900, chamou-o de triptofano, do grego magnificando
    • 198 AMINOÁCIDOS¨surgido através da tripsina¨. Seu metabolismo requer ácidofólico, vitamina B6, vitamina C e magnésio. É o precursor deum neurotransmissor vital - a serotonina - que influencia ocomportamento e o sono. Os níveis de serotonina estãodiretamente associados aos níveis de triptofano e, os baixosníveis de ambos, à 70% das depressões. A tirosina e a fenilalanina competem com o triptofano nossítios de absorção. Na carência da vitamina B3, o triptofano pode servircomo precursor para a sua biossíntese, embora o processoseja pouco eficaz (60mg de triptofano originam 1mg devitamina B3). Tem propriedades anorexígenas; reduz acompulsão pelo álcool e por outras drogas e, em associaçãocom a tirosina e a imipramina, melhora o resultado dotratamento de pacientes dependentes de cocaína. Altas doses de triptofano (a partir de 3g/dia) podem levarà alterações hepáticas, favorecendo o depósito de gordura nofígado. É empregado, ainda, no tratamento de alguns tipos deenxaqueca. As doses usuais variam entre 100-1000mg/dia. O 5-hidroxi-triptofano, que é metabólito do triptofano eprecursor imediato da serotonina, deve ser administrado viasublingual, na dose de 25-200mg/dia, em dose única oufracionada. Os alimentos influenciam a bioquímica cerebral. Estudosrealizados por Wurtman e cols. do Massachusetts Institute ofTechnology (1981) mostraram que, pelo menos, seis nutrienteseram capazes de aumentar a síntese dos neurotransmissoresserotonina, dopamina, noradrenalina, acetilcolina e glicina,todos dependentes de um nutriente precursor. O exemplo maisclaro é o da serotonina, que tem como precursor o aminoácidotriptofano, encontrado nas proteínas de diversos alimentos.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 199 Quanto maior o nível de triptofano no sangue, maiorquantidade chega ao cérebro e maior é a produção deserotonina. A rota metabólica usual do Triptofano é a rota queorigina o 5-OH-Tripfotano e a seguir a serotonina (5-OH-Triptamina). Alguns pacientes esquizofrênicos, por mecanismosdesconhecidos, deslocam a rota para a formação de triptaminae, posteriormente dimetiltriptamina, potente alucinógeno. O triptofano foi temporariamente proibido nos EUAdepois que, em novembro de 1989, casos de síndrome deeosinofiliamialgia (letais), uma rara doença auto-imune, foramobservados entre consumidores do produto; na realidade oproblema ocorreu devido à contaminação de produtos à base detriptofano elaborados por um fabricante japonês, que haviamodificado seu processo de produção, e não devido àspropriedades do L-triptofano. São fontes de Triptofano: carnes, ovos, leite, queijos,soja, lentilha, amendoim, castanhas, feijão e ervilhas.Valina É um aminoácido essencial, descoberto por Emil Fischerem 1901. A valina promove a estocagem da glicose no fígado enos músculos, sendo usada no tratamento da deficiência severade aminoácidos, e com a finalidade de desenvolver a massamuscular. Deve estar sempre associada à leucina e à isoleucina.É empregada em doses que variam de 100-1500mg/dia, emboraatletas utilizem doses bastante superiores (12g/dia). São fontes de Valina: carnes vermelhas, peixes, ovos,soja, queijos, arroz integral e cogumelos.
    • 200 AMINOÁCIDOS AÇÃO TERAPÊUTICA DOS AMINOÁCIDOS AMINOÁCIDOS FENILALANINA TRIPTOFANO ISOLEUCINA GLUTAMINA METIONINA CARNITINA TREONINA HISTIDINA ARGININA ORNITINA TIROSINA CISTEÍNA PROLINA TAURINA LEUCINA ALANINA GLICINA VALINA LISINA GABA INDICAÇÃOPARA MASSA MUSCULAR X X X X X XPARA SINTETIZAR GH X X X X XPARA DIMINUIR COLESTEROL X X X X XPARA AUMENTAR HISTAMINA XPARA REDUZIR APETITE X X X X XPARA REDUZIR GLICEMIA X X XPARA REDUZIR HIPERTENSÃO X X XPARA REDUZIR DORES X X XPARA REDUZIR DROGADIÇÕES X X X XPARA REDUZIR INSÔNIA X X XPARA REDUZIR AGRESSIVIDADE X X XPARA DESINTOXICAÇÃO X X X X XPARA SÍNTESE DE COLÁGENO XPARA IMUNO-ESTIMULAÇÃO X X X XColaboração: Dr. Jorge Miyashiro, SP, 2001.
    • Capítulo 5 – OUTROS SUPLEMENTOS “Algo só é difícil até que e alguém duvide e acabe provando o contrário.” Albert EinsteinÁcido lipoico As pesquisas sobre esse nutriente começaram em 1937,sendo suas propriedades antioxidantes descobertas em 1959,por Rosemberg e Culik. A maior autoridade no assunto ácidolipoico é o Dr. Lester Packer, da UCLA (EUA). O ácido lipoico, também conhecido como ácido tiótico,apresenta características hidrofílicas e lipofílicas. Estáenvolvido na conversão de carboidratos em energia e é umpoderoso antioxidante, o que maior número de radicais livrescombate, varrendo o radical livre hidroxila, o oxigênio singleto peróxido de hidrogênio, o radical superóxido, e o óxidonítrico. Atua sinergicamente com a vitamina C, para regenerar avitamina E oxidada; incrementa os níveis de glutationintracelular e é, ainda, importante cofator no metabolismo dosaminoácidos de cadeia ramificada (BCAA). É muito eficaz naproteção do colesterol LDL, e na proteção do fígado e dasartérias contra o ataque de RLs. Quela metais tóxicos eregenera o glutation e a vitamina C oxidadas. O organismo é capaz de secretar pequenas quantidades deácido lipoico, mas não o suficiente para uma ótima nutrição oupara combater situações patológicas. A dose terapêutica oscilaentre 50-300 mg/dia, divididos em duas tomadas, via oral; a viasublingual é prejudicada pelo seu intenso sabor amargo. Temsido preconizado como antioxidante na prevenção e controle dacatarata, diabete melito, retinopatia diabética, doençascardiovasculares, cirrose e outras.
    • 202 OUTROS SUPLEMENTOS O ácido lipoico é eficaz no tratamento da neuropatiadiabética (100mg v.o 2-3 vezes ao dia), por sua marcada açãoantioxidante. Ajuda a regular o metabolismo dos açúcares, areduzir a glicação das proteínas, a melhorar a microangiopatiae a regenerar bainhas de melina. A presença do ácido lipoico no organismo é fundamental,por sua capacidade de regenerar vários outros antioxidantesoxidados, para retornarem à forma ativa (reduzida). Participada regeneração do glutation oxidado e das vitaminas E e Coxidadas, e, por suas características hidro e lipofílicas, estapresente em todo o organismo, nas mitocôndrias, no citosol, nasmembranas e no núcleo das células. O uso de ácido lipoico é seguro, mesmo em altasdosagens (acima de 1g). As doses usuais variam de 10 a300mg/dia. São fontes de ácido lipoico: carnes vermelhas, vísceras,germe de trigo, levedo de cerveja e batatas.Alho O alho é um alimento/medicamento muito conhecidodesde a Antiguidade. Vários tratados médicos antigosapresentam formulações a base de alho. Plínio, o Antigo,historiador e naturalista romano consagrou o uso de 61formulações a base deste vegetal. O alho é muito rico em vitaminas do complexo B,vitamina C, selênio, cálcio, fósforo e princípios ativosantibióticos e antivirais (aliína e alicina). Foi usado para tratarferimentos e infecções durante a 1ª Guerra Mundial, sendo seupoder anti-séptico 50 vezes superior ao do álcool 90º G.L.;também tem propriedades anti-hipertensivas e antifúngicas.Reduz os níveis de colesterol e triglicerídios em até 30 % e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 203aumenta os níveis das lipoproteínas de alta densidade. Exerceação antioxidante e queladora de metais pesados; é uma boafonte de germânio e é eficaz na prevenção de resfriados. Asdoses preconizadas variam de 300-900mg/dia. As cápsulasgelatinosas (softgel) de óleo de alho contém 250mg a 500mg doóleo. O alho contém princípios ativos enxofrados que lheconferem propriedades bactericidas, antioxidantes e quelantes.No passado era conhecido como “penicilina russa”. Trabalhosconfirmam sua ação contra cândida, estreptococo eestafilococo. A propriedade imunoestimulante do alho esta relacionadaa presença de aliína, alicina, dialil trisulfito (DAT) e dialilsulfito (DAS) que estimulam a imunidade de uma maneirageral, estimulando a proliferação de células T e de citocinasproduzidas por macrófagos. Estudo tem demonstrado que oalho atua estimulando tanto a imunidade humoral quanto acelular. O odor característico do alho é devido a presença daaliína, principal constituinte do alho. A alicina, no organismo, é rapidamente transformada emvários outros compostos ativos como o ajoeno, o dialilsulfito(DAS) o dialil dissulfito (DADS) e varias outros componentes.Estima-se que o alho contenha, pelo menos, 20 princípiosativos. A capacidade de reduzir as taxas de colesterol pelo alhose deve a inibição de diversos passos enzimáticos da síntese docolesterol e a um acréscimo na excreção de ácido biliar e deesteróis. Os componentes do alho (alicina, alinina e S-alilsulfato) exibem propriedades que inibem a agregaçãoplaquetária. O efeito de tais propriedades resulta na prevençãoda aterosclerose e das doenças cardiovasculares.
    • 204 OUTROS SUPLEMENTOS O alho ainda possui propriedades hipoglicemiantes,graças ao seu componente S-alilcisteina, que reduzsignificamente à glicose sanguínea. O mecanismo desta atuaçãose deve, em parte, ao estimulo da secreção de insulina pelascélulas beta do pâncreas. Inúmeros trabalhos científicos e dados epidemiológicossugerem que o alho possua importante papel na prevenção dealguns tipos de câncer, como o câncer do esôfago, estômago,cólon e próstata. Chineses que consomem 10mg de alho/diaapresentam 50% menos de câncer de próstata que os grupos quenão consomem alho. Também parece ser muito efetivo paraantagonizar o desenvolvimento do câncer causado pornitrosaminas (conservante utilizado para preservar e realçar ocolorido das carnes vermelhas, e embutidos). O alho impede aformação das nitrosaminas, no intestino, impedindo que essescompostos provoquem mutações nas células (o principalelemento protetor é o DAS). O alho é comercializado sob diversas apresentaçõesfarmacêuticas, sendo a mais utilizada o óleo de alho (cápsulasde 250mg). Nesta apresentação, porém, pode produzirhiperacidez em pessoas sensíveis, sendo preferível o extratoseco de alho (4% do princípio ativo aliína). Alguns laboratóriosoferecem o alho na forma desodorizada (“odorless”).Aspartame O aspartame (adoçante artificial) é composto por umacombinação dos aminoácidos: ácido aspártico e fenilalanina,normalmente presentes na alimentação em pequenasquantidades. Uma parcela da população é sensível àfenilalanina, não podendo usar este edulcorante. Apesar de ter omesmo valor calórico que o açúcar (4 cal/g), seu poderadoçante é duzentas vezes maior.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 205 Sob o ponto de vista toxicológico é bastante seguro; aindaassim, grande número de usuários refere sintomas associados aele. São necessários 200mg/kg de aspartame, para uma pessoaaumentar os níveis plasmáticos de fenilalanina e tirosina(Nutritional Reviews - 1983). Estudos dirigidos pelo Dr. JeffreyBada, da UCLA, demonstraram que o aspartame não deve seradicionado a bebidas quentes ou ser cozido, pois o calor causamudanças estruturais nos seus dois aminoácidos componentes.O Brain Bio Center (Princenton) também não recomenda seuuso em bebidas quentes como chá ou café. A FDA autorizou ouso do aspartame em 1973.Coenzima Q-10 A coenzima Q-10, ou ubiquinona (ubiquitous, do latim =em todo o lugar), foi descoberta pelo Dr. R. A. Morton, em1955, na cidade de Liverpool, e isolada por Frederick L. Crane(1957), da Universidade do Wisconsin. É encontrada em todosos tecidos. Existem 10 coenzimas Q, mas a Q-10 é a únicaencontrada no organismo. Os níveis diminuem com a idade,devendo ser suplementada em indivíduos idosos. Esta intimamente ligada ao metabolismo energéticointracelular, especialmente no coração e no fígado; nomiocárdio, encontra-se em altas concentrações, funcionandocomo um potente antioxidante e varredor de RLs, mais potentedo que as vitaminas E e C. É capaz de restaurar a funçãoimunológica, melhorar os batimentos cardíacos e influenciarfavoravelmente o tratamento de síndromes neurológicascrônicas; é empregada nos pacientes portadores de neoplasias,com a finalidade de reduzir os efeitos colaterais daquimioterapia. O primeiro país a utilizá-la terapeuticamente foio Japão, em 1960. Mais propriedades foram relatadas, em 1966,pelos Drs. Mellors e Tappel. No Japão, é utilizada nos quadros
    • 206 OUTROS SUPLEMENTOSalérgicos e nas doenças respiratórias. Apesar de descoberta há mais de cinquenta anos, poucosmédicos a conhecem e, menos ainda, a utilizam. Baixos níveisde coenzima Q-10 estão presentes em 20% dos diabéticos. Asdrogas hipoglicemiantes diminuem, ainda mais, os níveis destacoenzima (por interferirem com o seu metabolismo), o quetorna desejável a suplementação. Estatísticas indicam que 60% dos adultos jovens e maisde 80% dos indivíduos acima dos 65 anos de idade sofrem dedoenças periodontais. Investigando as causas, pesquisadoresencontraram deficiência de coenzima Q-10 em 90 % dessespacientes. Após 3 semanas de reposição (30mg, vo, 2 vezes aodia), 50% deles apresentaram melhora clínica; períodos maislongos mostraram resultados mais significativos. A coenzimaQ-10 tem sido utilizada extensamente no Mal de Alzheimer (noJapão), doença periodontal, fadiga e na prevenção de arritmiascardíacas. Estudos recentes de neuroimagem revelam que há umadeficiência de utilização de glicose cerebral em pacientes comMal de Alzheimer. Esse déficit ocorre precocemente na doença,antes que ocorram danos anatômicos irreversíveis, o quesugere, fortemente, a existência de uma disfunção mitocondrial.Quando o metabolismo energético mitocondrial não funcionaadequadamente, o processo de morte celular programada (apoptose) pode ser desencadeado. Os estudos tem investigado aestimulação da mitocôndria com vitamina A, B, C, coenzimaQ-10, ácido lipoico, L-carnitina e elementos-traço. A coenzima Q-10 exerce ação protetora sobre o tecidoisquêmico, impedindo ou reduzindo as lesões celulares; ainda,diminui a viscosidade sanguínea e aumenta a atividade contrátildo miocárdio, sendo útil seu emprego na insuficiência cardíaca.Durante a isquemia, ocorrem fenômenos, como a peroxidação
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 207lipídica e a ativação de neutrófilos, em decorrência do acúmulode RLs. A peroxidação lipídica aumenta a liberação de ácidoaraquidônico, que perpetua a formação de RLs, por ativação daenzima ciclo-oxigenase. A ação varredora de RLs torna a CoQ-10 indicada na prevenção e tratamento da isquemia dereperfusão, microangiopatia e angina. Estima-se que 39% dosportadores de HAS apresentem deficiência de coenzima Q-10.A coenzima Q-10 protege a fração LDL contra o danoperoxidativo com mais eficácia do que a vitamina E, sendoconsumida antes desta, quando exposta a elementos oxidantes.O pico de ação ocorre 4 semanas após o início do tratamento. A função imune diminui com a idade e é parcialmenterestituída coma suplementação de coenzima Q-10 (20mg, vo 3vezes ao dia). Os níveis de IgG no soro desses pacientesaumenta significativamente após 27 dias do início daadministração. Os betabloqueadores e as estatinas, depletam as reservasde coenzima Q-10 e inibem as enzimas CoQ-10 dependentes. Oefeito anti-hipertensivo dos betabloqueadores pode sercomprometido pela carência crônica da coenzima.Fenotiazínicos e antidepressivos tricíclicos também depletamseus níveis. A reposição de 10mg v.o 2 vezes ao dia asseguraníveis normais da coenzima nestes pacientes. Não são conhecidas doses tóxicas para a coenzima-Q10;doses de até 600mg/Kg de peso/dia foram utilizadas durante 30dias, sem nenhum efeito colateral. As doses terapêuticas usuaisvariam de 5 a 100mg/dia. São fontes de coenzima Q10: carnes mal passadas,coração, fígado, rins, salmão, sardinhas, espinafre, amendoim,ovos e castanhas.
    • 208 OUTROS SUPLEMENTOSColina A colina é a precursora da acetilcolina. Pode serencontrada sob a forma de bitartarato, cloreto oufosfatidilcolina (presente em grande quantidade na lecitina). Osprecursores da acetilcolina não devem ser administradosdurante a fase depressiva da PMD, pelo risco de agravar oquadro. O bitartarato de colina e o cloreto de colina podemconferir ao medicamento cheiro de peixe e desencadear levediarreia, quando administrados em altas doses. As doseshabituais variam entre 100-1000mg/dia. A colina pode ser sintetizada a partir da metionina. Atuaassociada ao inositol no transporte e metabolismo do colesterole das gorduras. Tem sido largamente utilizada nas formulaçõescomo agente lipotrópico (150 a 500mg vo, 2 a 3 vezes ao dia ).Protege as células cerebrais contra o envelhecimento, podendoajudar no controle da progressão do Mal de Alzheimer; protegeo fígado contra substâncias tóxicas; previne a perda da memóriade curto prazo; promove a melhora das funções cognitivas etambém da qualidade do sono, especialmente em pacientesidosos e crianças hiperativas. Doses terapêuticas de colina agem sinergicamente comoutros neurotransmissores melhorando a memória e aaprendizagem, efeito possivelmente devido a liberação de acetilcolina, reforçando o fato de as funções colinérgicas sereminfluenciadas pela ingesta de precurssores dietéticos.Creatina E uma substância endógena, descoberta em 1832. Ébiossintetizada a partir dos aminoácidos arginina, metionina eglicina, e armazenada nos músculos (basicamente nos músculosesqueléticos e no músculo cardíaco)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 209 Sua função é basicamente energética, sendo suacaracterística o fornecimento instantâneo de energia, o queacaba ocorrendo em condições estritamente anaeróbicas, poressa razão, as ações musculares baseadas na participação dacreatina, são chamadas atividades anaeróbicas alácticas (semprodução de ácido láctico). O mecanismo de ação da creatina está fundado naressintese instantânea de ATP, a partir de ADP, numa reação detroca: um fosfato de alta energia da fosfocreatina é transferidopara uma molécula de ADP, recompondo, assim, o ATP. Nomesmo momento, a fosfocreatina acaba sendo desativada,readquirindo a forma inativa de creatina, que pode, nasequência, sofrer nova fosforilação e ser regenerada afosfocreatina e assim por diante . A capacidade dos músculos de armazenar creatina élimitada. Porém, o nível de creatina pode ser algo aumentadopelo consumo deste nutriente em forma de suplementação,minutos antes do exercício. A creatina é pobremente absorvida no tratogastrointestinal e seu aproveitamento e armazenamento pelosmúsculos é precário. Por isso, a suplementação se faz em doseselevadas (10g ao dia divididos em até 4 tomadas). O produto,sob forma de pó, deve ser dissolvido, preferencialmente, emsuco de frutas, e tomado durante as refeições ou lanches. Com altas doses do produto atinge-se a máxima saturaçãopossível dos músculos; daí para frente, qualquer dose maiorserá excretada.DHEA (dehidroepiandrosterona) O DHEA foi descoberto em 1934. É uma das substânciasmais estudadas pelos cientistas, já tendo sido realizados mais de
    • 210 OUTROS SUPLEMENTOSdez mil trabalhos científicos, muitos deles relacionando oDHEA ao processo de envelhecimento, doenças auto-imunes,osteoporose, obesidade, câncer e artrite reumatoide. O cromoquelado e o cromo picolinato são capazes de estimular aprodução de DHEA. É produzido pelas glândulas adrenais e utilizado comomatéria prima para a síntese de diversos hormônios esteroides.É metabolizado a sulfato de DHEA (DHEAS) no fígado e,então, convertido em andrógenos (testosterona,dehidrotestoterona e androsteniodiona) e estrógenos (estrona eestradiol). A produção diária é de 1 a 2mg. Evidências recentes relacionam sua presença à redução norisco de desenvolver aterosclerose e doença cardiovascular. Aspesquisas mostram que o DHEA tem efeitos significativossobre a obesidade, por inibir a conversão dos carboidratos emgordura; também reduz a formação do colesterol LDL em 15%,e ajuda na desaceleração do processo de envelhecimento. A produção endógena do DHEA diminui com a idade,especialmente depois dos 40 anos, tornando desejável asuplementação. Após os 60 anos, a produção diária estáreduzida em cerca de 60%; após os 80 anos, em até 90%,comparando-se à produção aos 20 anos de idade. Algunsautores correlacionam esta diminuição à redução progressiva damassa muscular, da função imune e da memória. O sulfato de DHEA (DHEAS) apresenta efeitoantiaterogênico. Seus níveis em pacientes diabéticos insulino-dependentes são habitualmente baixos, em razão daadministração crônica de insulina. O SNC contém 6,5 vezes mais DHEA que a correntesanguínea. O DHEA protege o cérebro dos processosassociados ao envelhecimento, sendo também indicado naesclerose múltipla e na síndrome da fadiga crônica. Trabalhos
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 211mostram a sua capacidade de melhorar a memória de curto elongo prazo. O DHEA protege as células cerebrais contra ainstalação e a evolução do Mal de Alzheimer. Segundo o Dr. Jonathan Wright, a ausência de pelos noterço inferior das pernas está relacionada aos baixos níveis deDHEA. Altas doses de DHEA podem desencadear alteraçõesprostáticas e acne; a dose indicada para homens oscila entre25-100mg/dia ou 10mg/dia vo sublingual. Nas mulheres,doses acima de 100mg/dia podem levar ao surgimento depelos faciais. No Brasil, a importação e a comercialização do DHEA,estão suspensas momentaneamente por determinação daANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária ). Emtodos outros países sua venda é livre.DMSO (dimetilsulfóxido) Foi sintetizado na Rússia (1866) pelo químico AlexanderSaytzeff. Desde 1963, graças a Robert Herschler e StanleyJacob (Universidade de Oregon), vem sendo empregado notratamento da dor e no controle dos processos inflamatórios.Segundo Hagler e Spring, da Universidade de Emory (Atlanta-EUA), o seu poder analgésico chega a ser comparável ao dosderivados da morfina (uso oral em solução à 10%, 10 a 20 gotas3 vezes ao dia). O DMSO é uma substância líquida, que apresenta potenteação anti-RLs, à qual se deve seu poder antiinflamatório local;sua aplicação tópica alivia as dores articulares de repouso. ODMSO é uma droga extremamente segura, capaz de penetrar napele íntegra (sem provocar nenhum tipo de dano) e aliviar asdores agudas e crônicas, além de diminuir o processoinflamatório e melhorar o fluxo sanguíneo do local onde éaplicado. Está indicado, também, nas tendinites, bursites,
    • 212 OUTROS SUPLEMENTOSdoenças vasculares (varizes, úlceras varicosas), doençasreumáticas e no tratamento das dores em geral, usadoisoladamente ou associado a outras drogas. O herpes simples e as tendinites respondem bem àsaplicações tópicas de DMSO. O dimetilsulfóxido é empregadotopicamente em soluções à 50%; soluções mais concentradas(70% a 90%) podem causar irritação na pele. O únicoinconveniente do uso do DMSO é o característico sabor (eodor) de alho, sentido logo após uma aplicação tópica; éexalado pelo hálito e suor, persistindo por uma hora. Quandoingerido, o odor persiste por até 6 horas.Enzimas digestivas As enzimas digestivas são os elementos que promovem odesdobramento dos alimentos. Sua falta ou sua deficiência podecomprometer o processo digestivo, em sua totalidade ou apenasparcialmente. As deficiências enzimáticas são muito comuns emidosos, estressados ou pacientes em uso de antibióticos porlongo tempo. As enzimas digestivas mais conhecidas são: Amilase(desdobra o amido, originando maltose), Pepsina (desdobraproteínas, originando peptídeos), Lipase (desdobra as gorduras,originando ácido graxos e glicerol), Bromelina (enzimadigestiva e anti-inflamatória), Lactase (desdobra a lactose,originando a glicose e a galactose), Papaína (enzima digestiva eanti-inflamatória), Betaína (normaliza a secreção de ácidoclorídrico no estômago), Pancreatina (na verdade é umcomplexo enzimático, contendo proteases, peptidases, lipases ealfa amilases. Atua sobre a maior parte dos alimentos –carbohidratos, gorduras e proteínas.)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 213Fosfatidilcolina e Fosfatidilserina A fosfatidilserina e a fosfatidilcolina estão presentes naestrutura das membranas celulares. A administração defosfatidilserina (100-500mg/dia) melhora o déficit de memóriade curto prazo e impede a diminuição na capacidade deaprendizado, além de restaurar algumas anormalidadespresentes no EEG e prevenir a degeneração cerebral. Afosfatidilcolina é a precursora da acetilcolina. Pode seradministrada sob a forma de lecitina (500 - 1000mg), a qualapresenta 30% de fosfatidilcolina em sua composição. A fosfatidilserina é um agente precursor dosneurotransmissores cerebrais. A evidência de sua participaçãona neurofarmacologia do envelhecimento abriu uma importanteperspectiva para o tratamento dos fenômenos a elerelacionados. Quimicamente, a fosfatidilserina assemelha-se àfosfatidilcolina. Em sua composição encontram-se o ácidopalmítico, o ácido oleico, o ácido linoleico e o ácido linolênico.Está relacionada ao metabolismo da glicose a nível cerebral eao número de receptores de neurotransmissores, sendo utilizadacomo potencializador da memória (melhora significativamentea capacidade de aprendizado). É útil, ainda, no tratamento dasdepressões relacionadas ao envelhecimento, além de diminuir adeterioração cognitiva senil (segundo a Associação dePsiquiatria Americana, milhares de adultos acima dos 50 anosestão afetados em sua memória e funções cognitivas). A fosfatidilserina é um produto de custo elevado.Industrialmente é obtida a partir do extrato de cérebro debovinos. Uma fonte acessível e pouco dispendiosa é o ovocaipira, que contém, ainda, bons teores de fosfatilcolina,fosfatidil inositol, colina, flavonoides e luteína. Afosfatidilcolina também é encontrada nos peixes, germen detrigo, fígado.
    • 214 OUTROS SUPLEMENTOS Não são conhecidas doses tóxicas para a fosfatidilserinanem para a fosfatidilcolina.Ginkgo biloba O Ginkgo biloba está indicado como coadjuvante notratamento das doenças vasculares, alergias, doençaspulmonares e do coração. A palavra Ginkgo é um termooriental, que significa “pêssego de prata”. As folhas da árvoresão divididas em dois lobos, daí o termo biloba. O Ginkgobiloba é extremamente resistente a doenças, pestes e fungos,podendo reproduzir-se até a idade de 1000 anos. O extrato do Ginkgo biloba (EGB) apresenta excelenteação terapêutica, atuando na captação de RLs como osuperóxido e o hidroxila; capta, também, radicais secundários,moléculas convertidas em novos RLs pela ação de espéciesreativas de oxigênio. Age na isquemia cerebral, diminuindo oedema; reduz a ocorrência de fibrilação ventricular, naisquemia do miocárdio; no olho, o EGB ajuda a combater aperoxidação lipídica e a retinopatia isquêmica; nos processosinflamatórios, antagoniza os efeitos da ativação dos neutrófilospolimorfonucleares. As doses terapêuticas variam de 40-240mg/dia. O Ginkgo biloba, por sua composição rica embioflavonoides, atua no controle da degranulação dosmastócitos e basófilos, diminuindo a liberação de histamina. Acatequina tem ação inibitória sobre a enzima histidinadescarboxilase, necessária para a biossíntese de histamina.Apresenta, também, outros princípios ativos, como osflavoglicosídeos, pró-antocianidinas e ginkgolídeos. Osbioflavonoides do Ginkgo biloba atuam na proteção doendotélio vascular, regulando o balanço
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 215prostaciclina/tromboxano, além de exercer alguma açãovasodilatadora periférica. O extrato mais ativo é o extrato estandartizado EGB (à24%) ou EGB 761, embora existam no mercado outros extratoscom menores concentrações de princípios ativos (extratos à 5%e à 1%) e folhas trituradas. Sua ação farmacológica decorre deseus principais flavonoides: a ginkgobilina, o kempferol, acatequina, a quercitina e a ramnetina, além de substânciasterpenoides, uma delas responsável pela inibição do PAF (Fatorde Agregação Plaquetária). Atua em diferentes estágios dodeclínio das funções intelectuais: por sua atividade vaso-reguladora, aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e periférico;por sua atividade metabólica celular, intensifica a captação deglicose e normaliza o consumo de oxigênio e, por sua atividadereológica, diminui o risco trombótico microcirculatório, aoinibir o PAF. O Ginkgo biloba desacelera o processo deenvelhecimento e melhora o estado de alerta, a memória decurto prazo e o aprendizado. A catequina é inibidora da histidina descarboxilase,enzima necessária à conversão de histidina em histamina; aquercitina é inibidora da liberação de histamina pelos basófilose mastócitos. Ambas são bioflavonoides integrantes do Ginkgobiloba, o qual tem ação sinérgica com a metionina (aminoácidoacelerador do catabolismo da histamina), no tratamento dadepressão histadélica (que cursa com excesso de histamina).Glutation O glutation é um aminoácido complexo formado com osaminoácidos cisteína, ácido glutâmico e glicina. É precursor daglutation peroxidase, enzima imprescindível à vida e presenteem todas as células vivas. É elemento chave na proteção doorganismo por suas funções como agente redutor,
    • 216 OUTROS SUPLEMENTOSimunoestimulante, auxiliar no transporte de aminoácidos paradentro da célula e possuidor de ação antioxidante intracelular,conferida pela presença de grupos tiol (-SH). Promove, ainda, aregeneração da vitamina C (cada duas moléculas de L-glutationregeneram uma molécula de vitamina C). Sua administraçãodeve ser sublingual, na dose de 30-300mg/dia. A abreviação química para o glutation é GSH, onde o Gcorresponde a inicial de glutation e o SH refere-se ao grupo tiol,que faz do GSH um poderoso antioxidante e que é responsávelpor esta função em muitos sistemas enzimáticos. Quando oglutation é oxidado sua abreviatura passa ser GSSH, onde o Sadicional indica a presença de um átomo extra de enxofre namolécula. O glutation está presente em quantidades variáveis deorgão para orgão (o fígado, os rins, o pâncreas e os olhospossuem elevadas concentrações). Os níveis corporais totais deGSH decrescem com a idade (Hazelton, 1980). Homens cujosespermatozoides apresentam baixa mobilidade e/ou alteração namorfologia devem receber suplementação de GSH. O glutation otimiza a ação da cisplatina (droga utilizadaem quimioterapia) no tratamento do câncer de ovário. Oglutation também protege os rins dos efeitos tóxicos dacisplatina e a mucosa intestinal dos efeitos do metotrexate. O intenso stress oxidativo cerebral observado nas doençasdegenerativas (esclerose amiotrófica lateral, Mal de Parkinson,Mal de Alzheimer), entre outros fatores, está associado àinibição da glutamina sintetase (enzima conversora do ácidoglutâmico em glutamina). Em consequência, ocorre o acúmulode ácido glutâmico e seu metabólito, o ácido kaínico, que,quando em excesso, apresenta efeitos citotóxicos, agravando asdoenças degenerativas. O glutation atua em combinação com a riboflavina e o
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 217selênio; neutraliza RLs, além de agir como quelante de metaispesados e aumentar a liberação de oxigênio no cérebro. Suaconcentração é habitualmente baixa em pacientes comimunodeficiência. O glutation é a principal defesa intracelularcontra o stress oxidativo e sua ação é potencializada pelavitamina C.Inositol Antigamente foi classificado (erroneamente) entre asvitaminas do complexo B, como sendo fundamental aometabolismo cerebral, aos processos de neurotransmissão e aativação da fosfolipase C. Importante constituinte dasmembranas celulares. A presença do inositol é importante para a mobilizaçãodos ácidos graxos armazenados no fígado, para a correntesanguínea. Pacientes em uso prolongado de nutrição parenteralcostumam apresentar deficiências de inositol. Os diabéticosexcretam grandes quantidades deste nutriente e, por isso,costumam apresentar baixos níveis. O consumo excessivo deálcool e/ou cafeína aumenta a expoliação de inositol.Deficiências de inositol costumam estar associadas aosurgimento de eczemas, alopécia e aumento do colesterol. O Dr. Carl Pfeiffer ( Bio Brain Center ) descreveuinfluências da ação do inositol nas ondas cerebrais. Observouefeitos positivos nos quadros de ansiedade (comparáveis aosdiazepínicos ). Em função de seus efeitos “sedativo like” podeser utilizado na insônia (500mg v.o. à noite). Não são conhecidas doses tóxicas para o inositol (dosesde até 20g/dia não demonstraram parafeitos). São fontes de inositol: ovos, lecitina de soja, grãos
    • 218 OUTROS SUPLEMENTOSintegrais, levedura de cerveja, vísceras, germen de trigo, passase frutas cítricas.Kelp O Kelp é uma alga de cor marrom encontrada nas águasfrias do hemisfério norte. Devido a seus elevados teores de iodoorgânico, é utilizada como fonte deste mineral. As doses usuaisvariam de 150-300mcg/dia de iodo (ou 150-300mg/dia deKelp). As algas marinhas do tipo Kelp, Fucus, Spirulina eClorela, são riquíssimas em vitaminas (A, complexo B e C) eoligoelementos (30% do seu peso são minerais). Os restantes70% constituem-se de proteínas (nas carnes, apenas 20% sãoproteínas).Lactase A molécula da lactose é demasiado complexa paraatravessar a parede do intestino; necessita sofrer a ação daenzima lactase, para ser decomposta em glicose e galactose. Nadeficiência de lactase, a lactose não digerida passa ao intestinogrosso, originando diarreia fermentativa e outros transtornosdigestivos. Após o desmame os níveis de lactase decrescem,chegando a diminuir em alguns adultos. A deficiência delactase ocorre com maior frequência na raça negra, e, em menorescala, na raça branca. O maior índice de deficiência éencontrado entre chineses e tailandeses. Pode ser administradaem cápsulas ou comprimidos de 30-100mg tomados 15 minutosantes da ingestão de leite ou derivados. As proteínas do leite (caseína, lactoalbumina elactoglobulina) possuem alto valor biológico e são ricas nosaminoácidos essenciais lisina e triptofano. Ocasionalmente,essas proteínas podem causar reações adversas, como o eczema
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 219atópico e outros fenômenos alérgicos (asma e rinite), bem comoinfecções respiratórias, otites de repetição e distúrbiosdigestivos (vômitos e diarreia). Cerca de 2% dos bebêsapresentam alergia ao leite de vaca. Após os 3 anos, esta alergiatende a desaparecer. O leite de vaca pode ser substituído pelode soja, desde que seja feito o acréscimo de cálcio e magnésio.Lactobacilos Inúmeros problemas clínicos, aparentemente nãorelacionados ao aparelho digestivo, se resolvem ao normalizar aecologia intestinal, a motilidade, o trânsito, a permeabilidade ea digestão. Diarreias agudas e crônicas, antibioticoterapiaprolongada, imunodeficiência, candidíase intestinal e vaginal, etodas as disfunções que geram má-absorção, são indicaçõespara o uso de lactobacilos. Geralmente, o paciente portador dedisbiose refere algum distúrbio intestinal. A administração delactobacilos acidófilos (100-200mg/dia) ou de pool delactobacilos (100-200mg/dia) é útil para a manutenção dafisiologia intestinal. Estudos recentes tem demonstrado que os Lactobacilospossuem propriedades imunomodulatórias que podem serimportantes na diminuição de processos inflamatóriosintestinais e na prevenção e tratamento de doenças alérgicas,como, por exemplo, a dermatite atópica. Prescott demonstrouque a administração de lactobacilos por 8 semanas, em criançasde 6 – 18 meses com dermatite atópica diminuiuconsideravelmente os índices de gravidade e extensão dadoença. A flora intestinal é a mais importante via de estimulaçãoda resposta imune. Existem evidencias de que a presença delactobacilos no intestino é essencial para a resposta imune e aindução de tolerância oral. A suplementação de pool
    • 220 OUTROS SUPLEMENTOSlactobacilos acarretam mudanças na microflora intestinal ealteração na resposta imune com produção e liberação decitocinas. O Lactobacillus acidophilus é um habitante natural dointestino grosso e do delgado; também está presente na boca ena vagina. Potencializa a digestão da lactose e inibe ocrescimento de bactérias patogênicas e da Candida albicans.Outros lactobacilos importantes também são encontrados nosintestinos, a saber, Lactobacillus bulgaricus, Lactobacilluscasei, Bifidobacterium bifidum e Bifidobacterium longum. A atividade dos medicamentos líquidos contendolactobacilos diminui com o tempo. A cada mês, pelo menos 3%da sua atividade é perdida, sendo aconselhável manter estasmedicações sob refrigeração. É preferível utilizar oslactobacilos na forma de pós liofilizados, muito estáveis, maisativos e mais duradouros. A dose usual é de 20 – 100mg porcápsula (cada um mg contem 10 milhões de lactobacilos vivos)duas a três vezes ao dia. Seu mecanismo de ação é criar um ambiente desfavorávelpara fungos e bactérias potencialmente patogênicos, por meioda produção de acido lático e estabelecimento favorável de umaflora acida.Licopeno O licopeno é uma substância carotenoide, presente emalgumas frutas e vegetais, que dá a cor avermelhada ao tomate,melancia, pitanga, beterraba entre outros alimentos. É umpoderoso antioxidante que ajuda a impedir e reparar os danoscausados a células, proteínas, lipídeos e DNA, pelos radicaislivres. Segundo RAO (2000) é o carotenoide que possui a maiorcapacidade sequestradora do oxigênio singlet graças a sua
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 221composição composta por 11 ligações conjugadas e 2 ligaçõesduplas não conjugadas. A melhor fonte de licopeno é o tomate (média de 3,31mg/100gr) e seus derivados: molho, sopa, suco (15mg/100gr),extrato de tomate e o ketchup (10mg/100gr). Outra boa fonte éo mamão (média de 3,30 mg/100gr). O licopeno da melancia edo mamão é muito biodisponível ( em torno de 60%), enquantodo tomate cru é de 13%, contra 70% do mesmo quando cozido. O licopeno presente nos tomates varia conforme o tipo eo grau do amadurecimento do fruto. O tomate vermelho madurocontém maior quantidade de licopeno do que de beta-caroteno.As cores das espécies de tomate diferem do amarelo para overmelho alaranjado, dependendo da razão licopeno/beta-caroteno da fruta. Esta razão também esta associada com apresença da enzima beta-ciclase, a qual participa datransformação do licopeno em beta-caroteno. (Shima, 2004) Segundo RAO (1998) algumas populações ingeremquantidades de licopeno bem abaixo daquela indicada paramaior efeito benéfico. No Canadá a média de ingestão delicopeno foi de 25mg/dia, sendo 50% desta ingestãorepresentadas por tomates frescos. O valor de ingestão médiadiária sugerida por estudos seria de 35mg/dia. O interesse no licopeno tem crescido devido apublicações o relacionarem como efetivo na proteção dedoenças cardíacas, preventivo de doenças crônicas, do tratogastro intestinal e do câncer de próstata (PAETEU, 1999). Os mamíferos não estão bioquimicamente capacitadospara a biossíntese de carotenoides, mas podem acumular e/ouconverter precursores que obtém da dieta. Os carotenoides maisencontrados nos alimentos são: licopeno (tomate), beta-caroteno (cenoura), várias xantofilas, como as zeaxantina,
    • 222 OUTROS SUPLEMENTOSluteína (manga, mamão e gema de ovo) e a bixina, aditivoculinário obtido do urucum. (Fontana, 1997). No tomate fresco o licopeno ocorre na forma trans, maisestável. Durante seu processamento, no preparo de extrato ouketchup ocorre uma isomerização trans/cis tornando asubstância mais instável, e mais oxidável, entretanto, aabsorção do licopeno aumenta, pois a forma cis é melhorabsorvida. O processamento também é responsável pela quebrada parede celular, permitindo a extração do licopeno doscromoplastos. (Boileau, 1999). O primeiro passo no desenvolvimento das doençascardiovasculares se dá com a oxidação do LDL, com suaposterior absorção por macrófagos na parede das artérias. Oacumulo deste material causa à formação de células“espumosas” (foam cells) e o surgimento de placasateroscleróticas, que podem resultar em acidentescardiovasculares (Rao, 2002). Dessa forma, o licopeno semostra de grande importância, uma vez que seu papel comoantioxidante tem sido comprovado por diversos estudos. O interesse no licopeno e no seu potencial papel protetorsobre a carcinogênese iniciou na década de 90, com trabalhossobre o licopeno e a incidência do câncer de próstata. Oconsumo de alimentos ricos em licopeno, assim como umamaior concentração de licopeno no sangue, foi associado a ummenor risco de câncer, principalmente de próstata. A evidênciade uma menor chance de câncer também é muito forte paracânceres de pulmão e estomago, colo-retal, mama, da cavidadebucal, do pâncreas e do esôfago. (Giovannucci, 1995). A exposição prolongada ao sol, nos horários de sol apino, é altamente prejudicial à saúde da pele e é responsável,em longo prazo, pelo envelhecimento precoce da mesma. Olicopeno é uma eficiente proteção endógena contra os efeitos
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 223nocivos da radiação UV e contra o envelhecimento prematuroda pele. O câncer é uma doença que envolve muitas causas. Entreos cânceres relacionado a fatores ambientais, sabe-se que adieta contribui com cerca de 35% dos casos, seguido pelotabaco com 30%. A quimioprevenção através dos fitoquímicos(licopeno entre outros) presente nos alimentos representa umgrande avança no papel preventivo dos nutrientes contra ocâncer.Melatonina A melatonina, principal hormônio produzido pelaglândula pineal, foi descoberta por Lerner (em 1958), o qualreconheceu sua presença em todos os organismos vivos. Desdeessa época, a melatonina tem sido usada para evitar o stressoxidativo e os distúrbios do sono (insônia e apneia), assimcomo retardar o processo de envelhecimento. Atualmente é alvo de inúmeros estudos e pode ser umgrande aliado na luta contra várias doenças. A melatonina é omais potente varredor de RLs endógenos. Atua comoantioxidante primário protegendo as células, especialmentecontra o radical hidroxila; é 5 vezes mais eficaz que o glutatione 2 vezes mais efetivo que a vitamina E na desativação doradical peroxil. Protege o organismo dos danos produzidos pelaação das radiações. Por suas características lipofílicas ehidrofílicas, sua ação anti-RLs abrange o meio intra e extra-celular. O emprego da melatonina na insônia tem apresentadoresultados promissores, sem alterar as 4 etapas fisiológicas dosono (mesmo nos distúrbios crônicos); em criançasneurologicamente deficientes a melatonina mostrou resultadossatisfatórios (sem efeitos colaterais), sendo esta uma indicação
    • 224 OUTROS SUPLEMENTOSrestrita para o emprego da melatonina na infância. Sua açãoparece estar ligada a uma atuação sobre as hipocretinas,substâncias produzidas no hipotálamo e responsáveis por nosmanter acordados. (As hipocretinas foram descobertas em1998). Quando começa a escurecer, sensores da retina enviamsinais elétricos para o hipotálamo. Poucos minutos depois, amelatonina começa a agir, deflagrando o processo que levará aosono. A ação da melatonina se intensifica e diminui a liberaçãodas hipocretinas. O resultado disso é a sonolência. Duas horasdepois desse processo, a produção de melatonina atinge seuápice. Ocorre a liberação de GABA, que funciona comocalmante, reduzindo o ritmo do sistema nervoso central. Équando adormecemos. É sintetizada a partir do triptofano, sob ação da enzima N-acetiltransferase, e sua produção é regulada pelo núcleosupraquiasmático. Também pode ser sintetizada na retina e nointestino, mas apenas a produzida pela pineal parece apresentarimportante atividade biológica. Sua produção é tanto maisintensa quanto maior seja o período de sono noturno. O picomáximo de produção ocorre entre 2 e 3 horas da madrugada,naqueles indivíduos que dormem às 23 horas; durante a noite, oorganismo produz 10 vezes mais melatonina do que durante odia. Os betabloqueadores reduzem a sua produção,desencadeando, frequentemente, alterações no sono. Osbenzodiazepínicos e os bloqueadores de canais de cálcio(verapamil, diltiazen e nifedipina) também diminuem asecreção de melatonina. Possivelmente, pacientes em usodesses medicamentos seriam altamente beneficiados com asuplementação compensatória de melatonina (1-5mgsublingual, ao deitar). Nos EUA, a melatonina está classificada comosuplemento dietético e não como medicamento, pelo que não
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 225está sujeita às normas do FDA (Food and DrugAdministration). Algumas pessoas idosas, que fazem uso crônico dehipnóticos, não reagem prontamente à administração demelatonina, sendo, então, interessante associar extrato devaleriana (100mg) e extrato de maracujá (200mg), tomados viaoral ao dormir. As doses terapêuticas da melatonina variam de 1,5-5mgsublingual à noite. Após algumas semanas, a melatonina ativa ocontrole neuroendócrino hipotalâmico e pode ser tomadaisoladamente. A melatonina tem uma meia vida de cinquenta minutos esua atividade biológica se mantém por um período de até 4horas. A ingestão de alimentos ricos em triptofano possibilitaum aumento na síntese de serotonina e, consequente aumentonos níveis de melatonina (a serotonina é precursora damelatonina). Os deprimidos apresentam baixos níveis de melatonina. Amaioria dos antidepressivos tem como função aumentar osníveis de serotonina, atuando sobre a recaptação, inibindo adistribuição ou aumentando a síntese. A deficiência deneurotransmissores causa uma redução na síntese demelatonina. Na esquizofrenia, também são encontrados baixosníveis circulantes deste hormônio. O hábito de dormir de luz acesa deve ser evitado, porprejudicar a sua biossíntese. Desde os primeiros meses de idadea melatonina começa a ser produzida no cérebro. Daadolescência aos 25 anos ocorre o pico de produção, sendo quea síntese se mantém regular até os 35 anos. Os níveis de secreção diminuem com a idade,especialmente a partir dos 40 anos, estando sua administraçãorecomendada a partir dos 45 anos. A introdução deve ser feita
    • 226 OUTROS SUPLEMENTOSem pequenas doses (1mg/dia sublingual), com acréscimosanuais. Por volta dos 70 anos a quantidade produzida é mínima. Em experiências conduzidas pelo Dr. Russel J. Reiter, daUniversidade do Texas, a melatonina revelou-se um potenteantioxidante; desempenha papel vital na regulação datransferência de elétrons, na neutralização de intermediários deradicais reativos e no controle da peroxidação lipídica. Segundo o Dr. Walter Pierpaoli (EUA), a administraçãode melatonina em animais aumenta substancialmente seu tempode vida; parece exercer efeitos diretos e indiretos no controledos processos degenerativos próprios do envelhecimento. Alémdisso, a melatonina demonstrou poderosos efeitos oncostáticose imuno-estimulantes em roedores. Estudos em animais tambémrelacionam baixos níveis de melatonina ao câncer de mama epróstata. A atividade da melatonina sobre o processo deenvelhecimento está relacionada a uma ação antioxidante,estimulação do sistema imune, proteção do sistemacardiovascular e redução do stress pelo bloqueio na produçãode corticoides. A melatonina desempenha importante papel contra ocâncer de mama, devido a uma ação supressiva sobre osestrogênios, tendo sido usada pela primeira vez, com estafinalidade, em 1963 (40mg/dia). O interferon e a interleucina 2potencializam este efeito. O Dr. Michael Cohen, do AppliedMedical Research (Virgínia), mostrou que, em altas doses, amelatonina suprime a produção de estrogênio e progesterona. Apartir desta descoberta, desenvolveu uma pílulaanticoncepcional contendo 75 mg de melatonina (25 vezesacima das doses usuais), que foi administrada a mais de 1.000mulheres holandesas ao longo de 5 anos, com excelentesresultados.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 227 O Dr. Al Lewy, da Universidade de Oregon, foi um dospioneiros no estudo dos efeitos das viagens aéreas de longopercurso sobre o relógio biológico (“jet lag”). Lewy demonstrou que 0,5mg de melatonina ingeridos 2dias antes da partida, seguidos de 0,5mg ao chegar, permitemque o tempo de adaptação do organismo ao fuso horário sejareduzido à metade. Josephine Arendt, da Universidade deSurrey, administrou melatonina a 500 passageiros de voostransatlânticos. Os sintomas do “jet lag” foram mínimos em60% deles. O nível endógeno de melatonina pode ser facilmentemedido em laboratório, permitindo a administração de dosesterapêuticas individualizadas. O exame é feito na saliva colhidaàs 2 horas da madrugada, horário em que sua produção está nopico máximo. Atualmente, a melatonina não está sendo comercializadanem importada pelo Brasil, por determinação da ANVISA, semque se saiba a razão (uma vez que não são conhecidos efeitoscolaterais). O Brasil é o único país no mundo a proibir suacomercialização.ÔMEGA-3 A descoberta dos ácidos graxos essenciais (AGEs),Ômega-3 e Ômega-6 é creditada aos Drs George e MildredBurr; a comprovação e a divulgação das propriedades e dasatividades terapêuticas, a Sue Bergstron (prêmio Nobel) e aoDr. John Vane. Antigamente, eram classificados como sendo aVitamina F (do inglês Fat e do alemão Fett, que significamgordura). Em inglês, são conhecidos pela sigla PUFA.
    • 228 OUTROS SUPLEMENTOS São chamados essenciais, porque o organismo não podesintetizá-los, e por serem imprescindíveis para a saúde. Sãoconstituintes das membranas celulares (especialmente deplaquetas, eritrócitos, neutrófilos, monócitos e hepatócitos), porlhe conferirem fluidez e viscosidade específica, permitindo adifusão de várias substâncias (sódio, potássio, enzimas,antígenos, etc.), importantes para o metabolismo celular eimunológico. Também são necessários para a produção deenergia, síntese de prostaglandinas, funcionamento do cérebro,transporte de colesterol e produção de hemoglobina. Os AGEs Ômega-3 e Ômega-6 diferenciam-se entre si: 1) pela posição que ocupa a primeira liga dupla (contadaa partir do último grupo CH3 da molécula). 2) pelo número de carbonos, que oscila entre 18 e 24; 3) pelo número de ligas duplas, que oscila entre 2 e 6; 4) pela forma estereoquímica da liga dupla, que podeser cis (desejável) ou trans. A presença de ligas duplas na composição dos Omega-3 eOmega-6 garantem flexibilidade a molécula do ácido graxo.Quanto maior o número de ligas duplas (ácidos graxosinsaturados) mais flexível será a estrutura e mais líquido será oácido graxo. Em contrapartida os ácidos graxos sem ligasduplas (portanto saturados) são estruturas rígidas, semflexibilidade e apresentam-se no estado sólido. Ao longo das últimas décadas os ácidos graxosadquiriram má reputação. No entanto, existem ácidos graxos degrande qualidade biológica com importante papel no bomfuncionamento do organismo. É necessário escolher as gorduras
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 229de grande valor biológico. Apesar, ou por causa da mádivulgação atribuída as gorduras a maior carência nutricional,no Ocidente é, paradoxalmente a carência de um ácido graxoessencial, o Omega-3. Nos últimos 50 anos, o consumo de Ômega-3 decresceude forma significativa (diminuiu o consumo de peixes e frutosdo mar). Em alguns países, essa diminuição chega a 80%.Paralelamente ocorreu importante aumento na ingesta de óleosvegetais comestíveis, fontes dos ácidos Ômega-6. Esses doisfatos alteraram a histórica proporção de ingesta Ômega-6/Ômega-3, que, de 4:1, chega hoje a até 20:1. O Ômega-3 e o Ômega-6 são primordiais para formarmembranas celulares, manter o equilíbrio das funções orgânicas(papel estrutural e funcional) e melhorar os processosmetabólicos. Também, para a atividade das enzimas ligadas àsmembranas, sendo, ainda, fundamentais para a ação das aminassobre seus receptores; estimulam os processos imunológicos esão precursores das prostaglandinas e leucotrienos. Nos últimos anos, o conhecimento sobre o metabolismodo Ômega-3 aumentou significativamente. Estes nutrientesessenciais se transformam em dezenas de outras substâncias,que, por terem 20 ou mais carbonos, ficaram conhecidos comoeicosanoides. Além de suas ações fisiológicas, seu metabolismoorigina outras importantes substâncias, como asprostaglandinas, os tromboxanos e os leucotrienos. O Ômega-3 de nossa alimentação provêm de fontesanimais (peixes de águas frias, principalmente) e algunsvegetais. O número de ligas duplas está intimamente ligado àspropriedades dos ácidos graxos (sólidos ou óleos), e o seuaumento favorece a sua ação no cérebro. Em contrapartida,favorece também os processos de oxidação (rancificação).
    • 230 OUTROS SUPLEMENTOS Os ácidos graxos saturados não apresentam ligas duplasentre seus átomos de carbono, apenas ligas simples. Em geral,são sólidos e são encontrados na gordura dos ovinos, bovinose suínos. Os ácidos graxos monoinsaturados apresentam umaliga dupla em sua composição. São líquidos e o azeite de olivaé o seu representante mais característico. Os poliinsaturados(2,3,4,5 ou até 6 ligas duplas em sua estrutura). São óleos,extraídos de plantas ou de peixes. A série Ômega-3 é obtida,preferencialmente, a partir do óleo de linhaça, de canola e dospeixes de água fria (bacalhau e salmão, entre outros), e a sérieÔmega-6, a partir de óleos vegetais. A conversão de Ômega-3em Ômega-6, só é possível nos vegetais, devido a falta daenzima desaturase nos animais. Estudos científicos mostram de maneira contundente que acondenação ao ovo foi um julgamento sumário. Uma dasevidências mais recentes é um estudo da Universidade deMinnesota, EUA, com 9.734 pessoas de 25 a 74 anos, que foramacompanhadas durante duas décadas. Os pesquisadoresdemonstraram que não há relação entre o consumo regular deovos e o aumento da incidência de infartos e derrames. O ovotem cerca de 200mg de colesterol, sendo aceitável o consumo deaté 300mg por dia, ou de 3 a 4 ovos por semana. O ovo não temquase nada de gordura saturada, mais da metade da sua gorduraé monoinsaturada, considerada boa, pois aumenta o colesterolHDL e abaixa o colesterol LDL. A gema do ovo tem maisgordura, mas concentra mais vitamina. É preciso consumir oovo com critério e não usar fritura para prepará-lo. A manteiga por conter gordura saturada, virou vilã e foisubstituída pela margarina, que é um alimento totalmenteindustrializado e, hoje, sabe-se que é muito mais nocivo à saúde.A gordura trans da margarina triplica o risco de incidência dedoença cardiovascular, aumenta em cinco vezes a chance de apessoa desenvolver câncer e está relacionada à queda de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 231imunidade. Hoje em dia, estão sendo lançadas no mercado,novas marcas de margarina livres de gordura trans. Quanto maior a concentração de cacau nos diferentes tiposde chocolates ( ao leite, meio amargo e amargo) mais rico é oalimento em flavonoides, que ajudam a combater a oxidação nacirculação sanguínea, aumentam o colesterol bom (HDL) ediminuem o colesterol ruim (LDL). O chocolate é rico emarginina, um aminoácido importante e um dos responsáveis pelaprodução de óxido nítrico, que é um vasodilatador. Com osvasos sanguíneos mais dilatados, a pressão arterial diminui,ajudando a pessoa a relaxar. A incorporação de Ômega-3 e/ou Ômega-6 modificadospelo aquecimento da forma cis para a forma trans (moléculasmais retas e agrupáveis), torna a estrutura das membranascelulares menos flexíveis (por exemplo, reduz a capacidade doseritrócitos se infiltrarem nos capilares). Os óleos de peixes de águas frias contêm o ácidoÔmega-3, seu metabólito o ácido eicosapentanoico (EPA), eseu outro metabólito, o ácido docosahexanoico (DHA). Elesdesempenham algumas funções semelhantes e outras distintas.Ambos apresentam a propriedade de diminuir triglicerídíos(na dose de 2-3g/dia), e, também, parecem ser úteis na artritee em outras doenças inflamatórias (doses em torno de 2g/dia).Melhoras significativas foram observadas em pacientes compsoríase (6g/dia), após três meses de tratamento. O EPA inibea formação de trombos, por ser antiagregante plaquetário. As melhores fontes marinhas de Ômega-3 (EPA e DHA)são a sardinha, o arenque, a cavala e o salmão, devendo seringeridos pelo menos 2 vezes por semana. Em 100g de arenqueencontra-se 1,5g desses ácidos; no salmão e na anchova, 1,2g;no atum, no bacalhau e no camarão, 500mg e no linguado,400mg.
    • 232 OUTROS SUPLEMENTOS Os ácidos Ômega-3 também podem ser encontrados nosóleos de oliva, de girassol, de canola e de linhaça, sendotransformados pelo organismo em EPA e, posteriormente, emDHA, que é o Ômega-3 mais ativo. O DHA é transformado em prostaglandinasantiinflamatórias, sendo esta conversão final a responsávelpelos efeitos terapêuticos dos Ômega-3. Cada cápsula de óleode peixe (1000mg) contém entre 180-400mg de EPA e entre120-300mg de DHA. A conversão do ácido alfa-linolênico (ALA) em EPA e,posteriormente, em DHA (nos Ômega-3), assim como aconversão de ácido linoleico (LA) em ácido gama-linoleico(GLA) e, posteriormente, em prostaglandinas, pode ser inibidapelo envelhecimento, stress, alcoolismo, pela ingesta degorduras saturadas e açúcar, pela carência de zinco e/oumagnésio, etc. Os óleos de peixe (Ômega-3) não deveriam ser prescritossem a vitamina E, pois são facilmente oxidáveis. O mesmo valepara a lecitina. As diversas marcas de lecitina, encontradas nomercado brasileiro, apresentam variados níveis oxidação, o quediminui sua atividade biológica. O cérebro de um adulto representa 6% de seu pesocorporal e consome 20% do oxigênio respirado. A presençamaciça de Ômega-3 no cérebro (mais de 60%) torna-oaltamente sensível ao ataque e a ação dos radicais livres. Vegetarianos, por não consumirem produtos de origemanimal, costumam apresentar baixos níveis de Ômega-3, cujograu pode ser avaliado através de exame laboratorial(determinação de ácidos graxos no sangue ).Existem hoje, nomercado, suplementos de Ômega-3 de origem marinha, especialpara vegetarianos.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 233 O DHA está presente em todas as membranas celulares,na retina e seus foto-receptores, nas bainhas de mielina, nassinapses cerebrais e nas mitocôndrias. Importantes funçõescerebrais dependem de sua presença e concentração (memória ,aprendizado, comportamento e humor ). Durante a gestação, os níveis maternos de Ômega-3 eÔmega-6 baixam de forma significativa, pois são deslocadospara a formação do SNC e periférico do bebê. A amamentaçãoesgota suas reservas. A depressão pós-parto tem relação, entre outros, combaixos níveis de prostaglandinas E-1; portanto, a suasuplementação é benéfica. Dyerberg (Dinamarca) estudou habitantes daGroenlândia, que apresentavam taxas reduzidas deaterosclerose, trombose cerebral e demência senil. Descobriuestar este fato ligado à farta alimentação com espécies marinhasricas em ácidos graxos Ômega-3, como o EPA (ácidoeicosapentanoico) e o DHA (ácido docosahexanoico), que agemdificultando a formação do trombo, ao inibir a agregaçãoplaquetária. O Ômega-3 (1g, vo, 2-3 vezes ao dia) tem, ainda, afunção de normalizar o colesterol no sangue, reduzindo o LDLe elevando o HDL. Os sinais clínicos relacionados ao desequilíbrio darelação Ômega-3/Ômega-6 são: pele ressecada ou comrachaduras, caspas, cabelo seco, unhas frágeis, infecções derepetição, baixa imunidade, alergias frequentes, déficit deaprendizagem e hiperatividade. Pacientes asmáticos, com frequência, apresentamdeficiências de selênio, zinco e Ômega-3. Tratados comantioxidantes e Ômega-3, apresentaram importante melhoraclínica (até 80%), sendo que, em 50% deles, os sintomasdesapareceram completamente.
    • 234 OUTROS SUPLEMENTOS O nome das prostaglandinas, compostos de grandeatividade biológica, deriva do fato de terem sido, pela primeiravez, encontradas na próstata. Cientistas já isolaram mais de 20tipos de prostaglandinas, sendo a mais importante a PGE. APGE3 é produzida a partir dos óleos Ômega-3 (EPA e DHA).As PGE1 e a PGE2, por sua vez, derivam dos óleos Ômega-6(LA e AA). A PGE3 é formada a partir do ácido alfa-linolênico (ALA)e, mais precisamente, a partir de seu metabólito, o DHA (ácidodocosahexanoico). Tem ação antiinflamatória e estimulante dosistema imune. Opõe-se aos efeitos nocivos da PGE2, evitandoa agregação plaquetária e o espasmo dos vasos sanguíneos O óleo de linhaça (“flaxseed oil”) apresenta 57 % deÔmega-3 e Ômega-6 em quantidade apreciáveis, na suacomposição. O óleo de linhaça possui maiores teores deÔmega-3 que os óleos de peixes marinhos. A proporção (rátio) ideal entre Ômega-3/Ômega-6 é de1:4 e a proporção encontrada no óleo de linhaça é de 1:3 (naalimentação ocidental, hoje, a proporção chega a 1:10). Apresença balanceada dos óleos Ômega-3 e Ômega-6 facilita aprodução das prostaglandinas PGE1 e PGE3 (benéficas), emdetrimento da PGE2 (prostaglandina inflamatória). O óleo de linhaça além de seu elevado teor de Ômega-3também possui grande teor de lignanas, fitoesteroide que imitaa ação do estrógeno. A lignana é muito importante no períododa menopausa, quando a taxa deste hormônio é baixa, sendo elaum importante agente natural de reposição deste hormônio. Alignana “liga-se aos receptores de estrógenos, se acopla a ele”. Equilibrando as proporções de Ômega-3/Ômega-6ingeridos, é possível modificar, de forma favorável, ometabolismo e a produção das prostaglandinas. Odirecionamento para a produção de PGE1 e PGE3 obtém bons
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 235resultados nas alergias, eczemas, inflamações, hipertensão,artrite, fadiga, depressão, além de melhor a função imune. Acorreção para a proporção ideal (1:4) implica na diminuição daingesta de óleos vegetais e aumento do consumo de Ômega-3. Pacientes portadores de acne melhoram com asuplementação de zinco (15mg/dia) por um período de 2 a 4meses; o Ômega-3 (2-3g/dia) potencializa a açãoantiinflamatória do zinco, reduzindo o tempo do tratamento. Uma colher de sopa de linhaça recentemente moída,diluída em água, suco ou leite é um modo simples, barato eeficaz de aumentar o aporte de Omega-3. Outra estratégia nutricional eficiente é ingerir, pelomenos, 3 porções de peixe por semana. No gráfico a seguir, está demonstrado como ocorre ometabolismo do Ômega-3(AGEs).
    • 236 OUTROS SUPLEMENTOS ÔMEGA-3 (óleos de peixe, de linhaça e de canola) Ácido Linolênico (ALA) Zn, Mg, Vit.B3, Vit.B6 Ácido Eicosapentanoico (EPA) Vit.B6 e Vit.B8 Ácido Docosahexanoico (DHA) Prostaglandina E3 (PGE3)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 237ÔMEGA-6 O Ômega-6 é encontrado nos óleos vegetais (milho,canola, prímula, borrage e girassol) sob a forma de ácidolinoleico (LA), biologicamente inativo, que é transformado emácido gama-linoleico (GLA). São indicados no tratamento dealergias, artrites, enfermidades cutâneas (psoríase e eczemas) epatologias do metabolismo lipídico. A formação do GLA podeser inibida pela administração de antiinflamatórios nãoesteroides, corticoides e beta-bloqueadores. O GLA é o ácidoÔmega-6 mais potente e mais utilizado. Crianças hiperativas têm diminuída sua capacidade deconverter Ácido Linoleico em Ácido Gama-Linoleico, o queexplica os baixos níveis destes derivados observados nessascrianças. O leite humano é rico em Ômega-6. Contém cerca de11% de ácido linoleico (enquanto que o leite de vaca possuiapenas 1%), 0,4% de ácido gama-linoleico (GLA) e 0,4% deácido araquidônico. O leite humano é o único a conterquantidades apreciáveis de GLA, que protege o lactente contrainfecções e alergias. Também previne distúrbios metabólicos eobesidade. O desenvolvimento cerebral da criança pode serafetado pela carência dos ácidos graxos essenciais. Aparentemente, as prostaglandinas E-1, obtidas a partirdo Ômega-6 são capazes de estimular a gordura marrom e deajudar na regeneração das mitocôndrias, otimizando a queimadas gorduras. Quanto maior for a presença de Ômega-6 noorganismo, maior será a capacidade das prostaglandinas deativar a gordura marrom e, por conseguinte, auxiliar nasdislipidemias e em alguns tipos de obesidade. A PGE1 é formada a partir do ácido linoleico (LA) dadieta, presente nos óleos vegetais. Possui atividadeantiinflamatória e estimulante do sistema imune. Sua potente
    • 238 OUTROS SUPLEMENTOSação sobre a liberação de compostos pelo sistema nervosocentral é reconhecida e influencia quadros de depressão,alterações de humor, distúrbios de memória e a Síndrome Pré-Menstrual. A PGE2 é formada a partir do ácido araquidônico (AA)presente nas carnes. A PGE2 está relacionada aos mecanismos de defesa doorganismo, mediando a resposta inflamatória. Aumenta asensibilidade à dor, aumenta a viscosidade do sangue e favoreceos espasmos dos vasos sanguíneos. Os Ômega-6 podem ser importantes mediadores daalergia e da inflamação, devido a sua capacidade de gerarprostaglandinas inflamatórias (PGE2), tromboxanos eleucotrienos. Modificando a dieta (diminuindo a ingesta de óleosvegetais), é possível diminuir significativamente a intensidadede um processo inflamatório. Dietas vegetarianas são eficientesem muitos processos alérgicos e/ou inflamatórios, porquediminuem a produção de prostaglandinas inflamatórias eleucotrienos. Segundo o British Journal of Dermatology (1984), oeczema atópico pode estar relacionado ao metabolismo dosácidos graxos, pois o óleo de prímula (500mg, vo, 2 a 3 vezesao dia) atenua a patologia. Cerca de 30% das criançashiperativas, 30% dos portadores da síndrome de fadiga crônicae 75% das mulheres com TPM, também são beneficiados com asuplementação. Existe, ainda, uma outra classe de AGEs, os Ômega-9. Oprincipal representante dos Ômega-9 é o ácido oleico, presenteem altas concentrações no azeite de oliva, no óleo de canola e,em menor concentração, na banha de porco. Podem servir de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 239matéria-prima para a obtenção de Ômega-3 ou Ômega-6, emcasos de dietas deficientes nestes nutrientes. A redução dos teores de GLA e a consequente diminuiçãoda formação de prostaglandinas E-1 (relaxante eantidepressivo) é fator importante na gênese da TPM e dadismenorreia primária, que ocorre por baixa ingesta de ácidosÔmega-6 (óleos vegetais), associada à carência de magnésio,zinco, vitaminas do complexo B e vitamina C. Os suplementos de óleo de prímula contêm, em média,45mg de GLA e 100mg de ácido linoleico (LA) por cápsula. Acápsula de 500mg do óleo de borrage contém, em média,240mg de GLA e 50mg de ácido linoleico. A aspirina exerce seu efeito devido à inibição dasenzimas que fabricam as prostaglandinas, a partir dos AGEs.Nos estados de febre e dor, a redução dos processosinflamatórios, pela vitamina C, ocorre devido à inibição dasprostaglandinas não desejáveis (PGE2), e pelo estímulo àprodução da benéfica prostaglandina E-1. Os antiinflamatórios não esteroidais (AINE) atuamimpedindo a formação da prostaglandina E-2 (inflamatória) edo tromboxano; porém, também impedem a conversão doDGLA na benéfica PGE1. A ingestão moderada de bebidas alcoólicas,especialmente do vinho tinto, aumenta a transformação doDGLA em prostaglandina E1. O aumento das PGE1 pode ser aexplicação para os efeitos cardioprotetores das dosesmoderadas das bebidas alcoólicas. No gráfico a seguir, está demonstrado como ocorre ometabolismo do Ômega-6(AGEs).
    • 240 OUTROS SUPLEMENTOS ÔMEGA-6 (óleos vegetais: borrage, canola, girassol, milho, prímula) Ácido Linoleico (LA) Zn, Mg, Vit.B3, Vit.B6 Ácido Gama-Linoleico (GLA) Ácido Di-Gama-Linoleico Prostaglandina E1 (DGLA) (PGE1) Ácido Araquidônico (AA) Prostaglandina E2 (PGE2)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 241Pycnogenol® Em 1534, o francês Jacques Cartier chegou ao golfo deSão Lourenço (Canadá) com 100 de seus marinheirosacometidos de escorbuto. Aconselhado pelo curandeiro índio,Domagaya, administrou aos doentes um chá da casca dopinheiro Pinus maritimus. Os resultados obtidos ao final deuma semana foram excelentes. Sabe-se hoje, que esta planta ériquíssima em vitamina C e bioflavonoides. Por muitos anos, o professor Jacques Masquelier, daUniversidade de Bordeaux, estudou a história relatada porCartier e, em 1951, isolou um grupo de bioflavonoides quedenominou de proantocianidinas, 50 vezes mais potentes (invitro) do que a vitamina E, e 20 vezes mais potentes (in vitro)do que a vitamina C. Pycnogenol® é marca registrada, patenteada em 1982pelo laboratório Horphag Research (Suíça). O produto contém,como principal princípio ativo (85%), as proantocianidinas –potente subclasse de flavonoides antioxidantes – cuja hidróliseorigina um pigmento vermelho chamado antocianidina, além deuma série de outros bioflavonoides. O principal pesquisador deste nutriente é o Dr. RichardPasswater, que publicou o resumo de suas pesquisas no livro“Pycnogenol®: The Super Protector Nutrient”, editado pelaKeats Publishing. O Pycnogenol® é um poderoso antioxidante ativo contratodos os radicais livres fisiologicamente relevantes, reduzindoos danos oxidativos em tecidos vitais. Pode prevenir os danoscausados por RLs induzidos pela luz solar e estimular o sistemaimunológico no combate às viroses. É, virtualmente, atóxico
    • 242 OUTROS SUPLEMENTOSpara humanos e demais mamíferos (seguro até 35g/dia durante6 meses); não é alergeno, mutagênico ou cancerígeno. Pareceser o único varredor de RLs capaz de penetrar a barreirahemato-encefálica. O uso do Pycnogenol® está indicado em todas assituações nas quais os RLs estão implicados (até o momentoestão listadas mais de 80 enfermidades), como: reumatismo,câncer, úlceras varicosas, flebites, fragilidade capilar,hipertensão, retinopatia diabética, psoríase, Mal de Parkinson,asma, síndrome da fadiga crônica, processos inflamatório,diabetes, Mal de Alzheimer, stress, entre outras. A doseterapêutica varia de 25-200mg/dia, por via oral. O Dr. D. White, da Universidade de Nottingham(Inglaterra), publicou excelente trabalho sobre a inibição daenzima monooxigenase pelo Pycnogenol®, prevenindo, assim,a formação do altamente carcinogênico - benzopireno. Estaação protetora é bastante útil para os tabagistas, uma vez que afumaça do tabaco contém quantidades significativas debenzopireno.Resveratrol É um princípio ativo polifenólico encontrado em mais desetenta espécies vegetais, importante no mecanismo de defesanatural contra as doenças, pragas, insetos e fungos. Tem intensapropriedade antioxidante. É encontrado, principalmente, nas cascas e sementes deuvas tintas e no amendoim. Em média, 1g de casca de uvacontém 100mcg de resveratrol, e um bom vinho tinto, de 1 a3mg/litro. A quantidade presente nos vinhos dependediretamente do tempo de contato das cascas da uva durante oprocesso de produção do vinho.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 243 Segundo Souto (2000) a análise de 36 diferentes vinhosbrasileiros revelou diferentes concentrações de resveratrol, quevariaram de 0,82 a 5.75 mg/l, com o valor médio de 2,57 mg/l,valor que é quase o dobro do conteúdo de resveratrol em vinhooriundos de outros países, como Portugal (1,0 mg/l), Chile eArgentina (1,21 mg/l), Grécia (0,87 mg/l) e EUA (0,13 mg/l). Osuco de uva também é boa fonte do nutriente. A quantidade de resveratrol no vinho tinto é explicadapelo tempo de fermentação prolongada do mosto, onde ocorre aextração do resveratrol da casca e das sementes das uvas. Osuco de uva também contém a molécula, mas em quantidade10x menor que o vinho tinto. A diferença se deve ao longoprocesso de maceração da casca da uva no fabrico do vinho, napreparação do suco de uva esse tempo é muito menor. Além doresveratrol, o vinho tinto e o suco de uva possuem mais de umacentena de importantes compostos fitoquímicos (antocianidinas,proantocianidinas e ácidos fenólicos), cujo sinergismo entre osvários componentes, torna o produto natural, mais eficaz que oprincipio ativo isolado. O resveratrol é a melhor explicação para o fenômenoconhecido como “paradoxo francês”. A população francesa fuma em demasia, tem vidasedentária e come tanto ou mais gorduras que os norte-americanos, sofrendo, entretanto, menor números de distúrbioscardiovasculares. Ao azeite extra-virgem, aos polifenóis e oresveratrol contidos no vinho, entre outros, são atribuídos essesresultados. A utilização do resveratrol na clínica já é comum naChina e Japão, sendo utilizado no tratamento de problemas depele, hiperlipidemia, doenças cardiovasculares, arterosclerose,doenças alérgicas e inflamatórias. Sua atividade anti-
    • 244 OUTROS SUPLEMENTOS inflamatória é maior ou similar a algumas drogas como a fenilbutazona e a indometacina. Trabalhos científicos recentes têm demonstrado que o resveratrol é muito eficaz para prevenir o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Béliveau e Gingras (2007) relatam que o composto é especialmente eficaz contra os cânceres de esôfago, mama e cólon. Após sua absorção o resveratrol sofre muitas modificações na sua estrutura. O metabólito, piceatanol, parece muito efetivo, induzindo a morte das células cancerosas. Outra importante linha de trabalho de universidades americanas relaciona o resveratrol ao aumento da longevidade. Estudos em ratos, moscas e células isoladas demonstraram que o resveratrol é capaz de retardar o processo de envelhecimento e aumentar a longevidade. O efeito ocorreria devido à ativação das proteínas denominadas sirtuínas que aumentariam a vida das células, dando-lhes o tempo necessário para reparar os danos causados ao DNA durante o processo de envelhecimento. Não existem relatos na literatura cientifica sobre toxicidade ou reações adversas com o uso de altas doses de resveratrol. A administração de 300mg/kg, 4x ao dia por um mês, não apresentou reações adversas aparentes. EXEMPLOS DE NUTRIENTES APLICADOS EM TERAPÊUTICAÁcido úrico vit. A, vit. B5, ácido fólico, magnésio e zinco.Acne vit.A, vit.B2, vit. B6, vit.B9, vit.C, vit.E, cromo, zinco, Ômega-3 e óleo de prímula.Alcoolismo vit.B1, vit.B2, vit. B3, vit. B6, vit. B9, vit. B12, cálcio, magnésio, potássio, selênio e zinco. EXEMPLOS DE NUTRIENTES
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 245 APLICADOS EM TERAPÊUTICAAnemia vit.B9, vit.B12, vit.C, ferro glicina, cobre e zinco.Artrite complexo B, vit.C, vit.E, cálcio, magnésio, enxofre, selênio, cobre e zinco.Câimbras vit B1,vit.B6, cálcio, ferro,magnésio e potássio.Câncer complexo B, vit.C, vit.E, betacaroteno, zinco, selênio e germânio.Cândida vit.A, complexo B, selênio, zinco, lactobacilos e caprilato de sódio.Colesterol vit.C, vit.E, cromo, vanádio, cobre, zinco,selênio, inositol, carnitina, colina e lecitina.Depressão complexo B, lítio, cromo, vanádio, manganês, zinco, 5-OH-triptofano, triptofano, tirosina, taurina e magnésio.Diabetes vit.C, ac.lipoico, cromo, manganês, zinco e vanádio.Doença vit.C, coenzima Q-10, cálcio, magnésio, zincoPeriodontal e bioflavonoides.Eczema vit.A, complexo B, vit.E , selênio, zinco e Ômega-3Enzimas betaína HCl, bromelina, amilase, lipase,Digestivas papaína, pancreatina e pepsina.Herpes vit.A, vit.C, vit.E, zinco, lacobacilos acidófilos, rutina e lisina.Insônia vit.B3, vit.B6, magnésio, cálcio, 5-OH-triptofano, inositol e melatonina.Memória vit.B3, acetil-L-carnitina, ácido lipoico, fosfatidilcolina e fosfatidilserina. EXEMPLOS DE NUTRIENTES APLICADOS EM TERAPÊUTICA
    • 246 OUTROS SUPLEMENTOSPré-menopausa isoflavonas, vit.D, boro, selênio, cromo e cálcio.Próstata selênio, zinco, magnésio e arginina.Psoríase vit.A, vit.B5, vit.C, vit D, vit.E, zinco, betacaroteno, ácido fólico e DMSO.Resfriados vit.C, alho e zinco.Seborreia vit.A, vit.B5, vit.E, selênio, zinco e metionina.Stress complexo B, multi-minerais, coenzima Q-10 e acetil-L-carnitina.
    • Capítulo 6 - RADICAIS LIVRES (RLs) “A história nos ensina que o homem não teria alcançado o possível, se muitas vezes não tivesse tentado o que parecia impossível.” Max Weber As primeiras formas de vida na superfície terrestre eramformas anaeróbicas. Posteriormente, através do processoevolutivo e modificações ambientais, surgiram seres vivosaeróbicos melhor adaptados, capazes de produzir energia maisabundante e facilmente. A transformação de anaeróbicos emaeróbicos induziu os organismos a desenvolver sistemas dedefesa para neutralizar os efeitos nocivos do oxigênio Os RLs foram descritos pela primeira vez em 1898. Em1900, Moses Gomberg (Universidade de Michigan) produziuem laboratório o primeiro RL da história, o trifenilmetila. O primeiro cientista a evidenciar a instabilidade e avelocidade dos RLs foi o químico austríaco Friedrich Parreth,em 1929. Radical livre é uma espécie química cuja camadaperiférica possui um elétron não acoplado, sendo o seu númerototal de elétrons sempre ímpar. Um RL apresenta extrema instabilidade e suas reações sãosempre muito rápidas e em cadeia. São subprodutos formadosdurante o processo metabólico normal e em várias condiçõespatológicas, dotados de propriedades tóxicas, sendo capazes dedanificar seriamente as células, proteínas, lipídios e DNA. Seupoder destruidor foi comprovado por Dehnam Harman(Universidade de Nebraska), em 1954. Denomina-se de stress oxidativo o desequilíbrio entre aexcessiva produção (geração) de RLs e a capacidadeantioxidante (defesas ARLs do organismo).
    • 248 RADICAIS LIVRES (RLs) Sabe-se que 95% a 98% do oxigênio consumido recebe 4elétrons no processo de geração de energia para as células eformação de água. Com os 2% a 5% restantes, o oxigêniorecebe apenas um elétron, convertendo-se em ânion superóxido(O2-). Este, por sua vez, recebe um segundo elétron e, assim, oânion superóxido transforma-se em peróxido de hidrogênio(H2O2 - água oxigenada). Este, ao receber um terceiro elétron,transforma-se no radical hidroxila (OH-). A formação destas“espécies de oxigênio reativo” (radical superóxido, águaoxigenada e radical hidroxila) - altamente instáveis e reativas -atacam quimicamente qualquer estrutura à sua volta. Asestruturas lesadas pelo ataque dos RLs tornam-se incompatíveispara suas funções. Para os RLs liberados por esses 2% a 5%, o organismoconta com defesas enzimáticas e nutricionais que protegem acélula. Após os 45 anos a taxa de formação de RLs começa asuperar os 5% iniciais, enquanto que as defesas naturaiscomeçam a declinar. Em 1774, o químico inglês Joseph Priestly suspeitou queo oxigênio (apesar de ser essencial à vida) estava associado aefeitos nocivos, quando inalado em excesso. O ar saturado emoxigênio nas incubadoras gera no recém-nascido elevadaprodução de RLs, considerados responsáveis por lesões ocularesem recém-nascidos prematuros. Os RLs (na busca ao elétron estabilizador), reagem commoléculas vizinhas, transformando-as em RLs, dando início à“reação progressiva dos RLs” (efeito cascata). Uma vezformados, os RLs podem ter vários destinos: unirem-se a outrosRLs, formando mais RLs; podem se unir a moléculas não-RLs,iniciando uma reação em cadeia que forma novos RLs (o ataquedos RLs aos lipídios das membranas celulares inicia umprocesso chamado “peroxidação lipídica”); podem, ainda, ser
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 249neutralizados, quer pelas defesas enzimáticas do organismo,quer pela presença de antioxidantes (minerais e/ou vitaminas). Os RLs, em níveis fisiológicos, desempenham um papelrelevante no organismo, especialmente nos processos defagocitose, quando exercem potente ação bactericida. Na inflamação, a ativação de monócitos e macrófagos(exposição a fungos, bactérias e imunocomplexos) resulta numasérie de eventos bioquímicos chamados de “explosãorespiratória”. Durante o processo de fagocitose, os leucócitos aumentamseu consumo de oxigênio devido a intensa formação de RLs.Estes radicais têm importante papel na defesa contra agentesinfecciosos; inibir sua atividade (por antioxidação excessiva) ounão produzí-los (devido a alterações enzimáticas) pode serdesastroso, pois o radical superóxido é essencial para adestruição do agente agressor dentro do macrófago. O mecanismo mais geral que explica a toxidez dos RLsconsiste de reações em cadeia (ou em cascata): aqueles comgrande reatividade chocam-se contra uma molécula, gerandomoléculas menores (cada uma delas com um RL) e, assim,sucessivamente. A produção de RLs é permanente dentro da matéria viva,estando associada ao metabolismo celular do oxigênio (reaçõesde oxi-redução) e à destruição de bactérias dentro dos fagócitos. Existe formação de RLs no processo de respiração celular,que ocorre nas mitocôndrias para gerar o ATP. Os RLs sãoinativados por enzimas que os transformam em água. Em algumas situações fisiológicas, ocorre umaexacerbação do metabolismo oxidativo celular - a chamada“explosão respiratória” - havendo a produção de grandequantidade de radicais superóxido mediada pela enzima
    • 250 RADICAIS LIVRES (RLs)superóxido sintetase, para eliminar bactérias invasoras. Os efeitos danosos dos RLs aparecem quando há umdesequilíbrio entre a quantidade formada por radicais livres e osistema de defesa antioxidante (enzimas anti-radicais livres enutrientes antioxidantes da alimentação), isto é, quando, porexcesso de produção de RLs ou por deficiência dos sistemasantioxidantes, começa a predominar um excesso de RLs,desencadeando uma situação patológica chamada stressoxidativo. A reatividade dos RLs causa extenso ataque nasmembranas celulares, lisossomas e mitocôndrias, além dainativação ou destruição de várias enzimas. São exemplos de condições clínicas ou hábitos de vidaque transcorrem com intenso stress oxidativo: grande númerosde doenças degenerativas, doença de Parkinson, aterosclerose,injuria esquêmica, excesso de ferro, infarto agudo do miocárdio,AIDS, septicemia, alguns tipos de anemia, câncer, tabagismo,consumo excessivo de álcool, e o próprio processo deenvelhecimento. Os RLs não são formados somente no organismo. Existeminúmeras situações que favorecem a sua geração e, entre elas, afumaça do cigarro. A cada tragada é aspirada uma quantidadeincalculável de RLs. Os raios ultra-violeta e outras radiaçõesionizantes que agem sobre a pele, o ar poluído, as gorduras,frituras e carnes vermelhas, também são importantes fontes. Os RLs alteram as proteínas (principalmente as quepossuem duplas ligações -C=C- e/ou grupamentos sulfidrila -SH), causando lesões nas membranas, mitocôndrias e, eventual-mente, no DNA. A agressão dos radicais hidroxila sobre as membranascelulares origina reações em cadeia capazes de levar àdesorganização profunda da sua arquitetura, tendo como
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 251consequência, desde alterações na permeabilidade seletiva, atésua total destruição. O tecido conjuntivo, particularmente aelastina e o colágeno, é igualmente afetado pelos RLs. As moléculas mais sensíveis à ação dos RLs são lipídios,proteínas e o DNA. No DNA, os RLs oxidam as bases púricas eas pirimídicas, o que pode acarretar alterações na transmissãodos caracteres hereditários; nas proteínas, os grupos sulfidrilaoxidados são convertidos em grupos S-S. A glutation peroxidaseimpede o ataque dos RLs a essas estruturas. As radiações ionizantes (raios X e gama) geram radicaissuperóxido e hidroxila, ininterruptamente, ao desencadear aradiólise da água contida nos tecidos expostos. Os RLs estão implicados na gênese de processos tumorais,dos quais eles podem ser causa e/ou consequência, pois ascélulas tumorais também os produzem. Os sistemas antioxidantes estão alterados durante acarcinogênese, em especial a superóxido dismutase (SOD). OsRLs são os responsáveis pelo eritema de origem solar, peloenvelhecimento cutâneo prematuro e por certos tipos de câncerde pele. Os RLs podem estar envolvidos na origem do câncer ao secombinarem com o DNA da célula, alterando o seu códigogenético e dando origem a uma multiplicação celulardesordenada. Além disso, há oxidação nas membranas celularese intracelulares, influindo na troca de eletrólitos e produzindonovos RLs. Nos portadores do HIV, o surgimento da síndrome deimunodeficiência guarda uma relação direta com o stressoxidativo. Também é evidente a participação dos RLs no câncere é sabido que os antioxidantes inibem a carcionogêneseinduzida por certos elementos, como o cádmio, nitritos e outros.
    • 252 RADICAIS LIVRES (RLs) Em 60% dos indivíduos HIV positivos foram encontradasdeficiências vitamínicas e minerais, que aumentam asuscetibilidade às infecções. Está bem estabelecido que osistema imune necessita desses nutrientes para funcionaradequadamente (International Journal of Vit. Nutr. Research –1996). Alimentos ricos em gordura (como as maioneses) sofremoxidação após mais de 4 horas de exposição ao oxigênio,originando uma grande quantidade de RLs responsáveis pormuitos casos de diarreia não bacteriana. Diariamente, o organismo é submetido a quantidadesapreciáveis de radiações, como radiações cósmicas, solares,luminosas e muitas outras. As radiações causam ruptura deligações covalentes, ocasionando a formação de RLs, sendo estapropriedade o fundamento da radioterapia: o aumento naprodução de RLs destrói as células tumorais. Os RLs não escolhem alvo e o ônus desse tratamento é adestruição concomitante de células sadias, especialmente as quese multiplicam com maior intensidade. Pelo seu metabolismo muito ativo (grande consumo deoxigênio), pela grande abundância de membranas (locais ideaispara a peroxidação) e pela exposição direta às radiações, o olhoé um dos orgãos mais sensíveis ao ataque dos RLs. Asdegenerações retinianas (diabética e degeneração macularassociada à idade), a catarata, as doenças inflamatórias oculares(queratites infecciosas, uveítes, retinouveítes) e a fibroplasiaretrolenticular são algumas das patologias associadas aos RLs. O ataque sistemático de RLs ao cristalino (especialmenteaqueles gerados pela radiação UV) é, em grande parte,responsável pela formação da catarata, condição que acomete30% dos indivíduos acima dos 65 anos de idade, nos EUA. A descoberta de que vitaminas, aminoácidos e minerais
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 253podem retardar sua evolução teve extraordinária repercussãoeconômica, uma vez que a cirurgia de catarata é um dosprocedimentos cirúrgicos mais frequentemente realizados nosEUA. A vitamina E reduz em 44% a incidência de catarata,segundo pesquisadores da Universidade de Ontário (Canadá).Os níveis séricos de ascorbato (vitamina C) são inversamenteproporcionais ao risco de formação da catarata; o zinco tambémapresenta efeito protetor e o antioxidante endógeno maisimportante no olho é o glutation. Os RLs participam ativamente da senilidade. Lesamfacilmente o cérebro, pois o tecido cerebral, além de contergrande quantidade de ácidos graxos poliinsaturados (facilmenteperoxidados pelos RLs), é pobre em enzimas antioxidantes(SOD, Gpx e catalase) e vitamina E, embora disponha dealgumas reservas de vitamina C. O stress oxidativo está envolvido nas complicaçõesdiabéticas. Ao lado da crescente peroxidação lipídica, odiabético tem baixas concentrações de glutation (GSH) noseritrócitos, baixos níveis de vitamina E em suas plaquetas e fazum consumo excessivo de ascorbato nos processos metabólicos. Os RLs estão relacionados às doenças circulatórias, aoreagir com ácidos graxos e fração LDL, favorecendo o depósitode placas de ateroma nas paredes arteriais (diminuindo aelasticidade do sistema vascular). Poderão ocorrer doenças denatureza isquêmica, como AVC, IAM e outras. As doenças neurológicas podem estar relacionadas aosRLs. Aquelas que envolvem processos degenerativos, como adoença de Parkinson e o Mal de Alzheimer, têm sua evoluçãoretardada com o uso de antioxidantes( em especial o ácidolipoico). Os antioxidantes atuam preventivamente nas doençasisquêmicas cerebrais. Existe uma relação direta entre os RLs e a fisiopatologia
    • 254 RADICAIS LIVRES (RLs)das doenças reumáticas: quanto mais severo o quadro clínico,maior é a produção de RLs, o que agrava a evolução da doença.Nas articulações, reagem com o ácido hialurônico, participandodo início do processo inflamatório local, originando dor elimitação de movimentos. Pacientes portadores de artritereumatoide apresentam baixos níveis da enzima glutationperoxidase, de zinco, manganês e selênio. A administração deantioxidantes reduz a produção de RLs, melhorando asintomatologia. Tanto o cobre livre como o ferro livre, quando em altasconcentrações, podem dar origem a RLs, ainda no aparelhodigestivo. As dietas ricas em ferro, bem como as ricas emgorduras, produzem radicais hidroxila (os íons cobre e ferrocatalisam o processo de lipoperoxidação). A administraçãodestes elementos, quando indicada, deve ser feita sob a forma dequelados (não ionizáveis), preferencialmente associados aantioxidantes. Todos os tecidos vivos produzem RLs e a eles estãosujeitos. Entre as formas de produção mais comuns estão acadeia respiratória mitocondrial, o processo de fagocitose, asreações de desintoxicação (realizadas pelo citocromo P-450), asíntese de prostaglandinas e a ação das radiações. As radiaçõesaceleram os processos de envelhecimento cutâneo, seja pelaação direta dos raios UV ou pelos processos inflamatórios(agudos ou crônicos) desencadeados pela incidência dessasradiações sobre a pele. As queimaduras e eritemas solares apresentam umcomponente inflamatório envolvendo a produção de RLs. Oefeito nocivo das radiações UV-A e UV-B se traduz pelafotossensibilização de flavinas e nucleotídeos que, por absorçãode um fóton, iniciam a formação de radicais superóxido. Os RLstêm participação importante em certos tipos de câncer de pelerelacionados à exposição ao sol; seu efeito citotóxico
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 255(lipoperoxidação) agrava as lesões dermatológicas iniciais. Aparticipação dos RLs é confirmada pela eficácia terapêutica daaplicação tópica de antioxidantes (ascorbatos, vit E, flavonoidesem cremes, loções ou géis). A fração do colesterol designada como lipoproteína debaixa densidade (LDL), quando oxidada sob a ação de RLs,guarda relação direta com o risco de aterosclerose; portanto,quanto mais alto o índice de oxidação do LDL sérico, maior orisco de coronariopatia (e fenômenos isquêmicos outros),podendo culminar com o IAM. Vitamina E, vitamina C,coenzima Q-10 e betacaroteno (entre outros) previnem aoxidação do LDL. O intestino é a parte do corpo humano onde é gerado omaior número de RLs. Um dos métodos mais utilizados para aquantificação de RLs é a sua dosagem nas fezes, métodoidealizado pelo Dr. Helion Póvoa Filho (RJ). Os danos causados pelo radical hidroxila decorre de suacapacidade de iniciar uma reação em cadeia de RLs, conhecidacomo “peroxidação lipídica”. Isso ocorre quando o radicalhidroxila é gerado próximo ou dentro de membranas celularesatacando os ácidos graxos da membrana fosfolipídica. O radical hidroxila é o mais temível RL, pois não háenzimas que catalisem sua inativação. Por ser extremamenteinstável, não escolhe alvo e ataca qualquer estrutura biológicapara se estabilizar. Ao estabilizar-se, transforma a molécula-alvo em um RL, que, por sua vez, também precisa estabilizar-se.Esta sequência de eventos é um exemplo de reação em cadeia. ODMSO (dimetil sulfóxido) é um grande sequestrador do radicalhidroxila. O radical hidroxila não deve ser confundido com oânion hidroxila, já que o ânion é estável (possui número par deelétrons), não apresentando as propriedades de RL. O radical hidroxila pode formar-se pela reação da água
    • 256 RADICAIS LIVRES (RLs)oxigenada com um radical superóxido (reação de Haber-Weiss).O perigo acentua-se pelo fato desta reação ocorrerespontaneamente; por isso deverá haver enzimas eficientes naremoção da água oxigenada dos tecidos. O peróxido dehidrogênio é capaz de difundir-se através das membranasbiológicas (celular e mitocondrial) e reagir com outrassubstâncias que possam ceder-lhe um elétron. Os metais detransição (ferro e cobre), que possuem elétronsdesemparelhados, convertem o peróxido de hidrogênio notemido radical hidroxila. A melatonina destrói eficazmente o radical livre hidroxila(com potência superior a do glutation). A melatonina reage comum radical hidroxila gerando o radical indolila, enquanto outroradical hidroxila reage com o peróxido de hidrogênioremanescente, formando um radical superóxido que, por suavez, se combina com o radical indolila, formando 5-MAFK. Amelatonina tem o poder de neutralizar simultaneamente doisradicais hidroxila. A geração do radical livre hidroxila tem forte correlaçãocom o processo de envelhecimento. Idosos que geram menorestaxas de radical hidroxila, ou que possuem melhor defesaenzimática antioxidante, vivem por mais tempo. Além disso, odano oxidante do radical hidroxila acumula-se com a idade.Contra-medidas para reduzir a peroxidação pelo radicalhidroxila e o dano das biomoléculas, tais como restriçãodietética, podem prolongar o período de vida, em animais. Devido à grande estabilidade de seus grupos aromáticos(ricos em elétrons), a melatonina pode emitir e absorver fótons(neutralizando o oxigênio ¨singlet¨ e outras moléculasexcitadas), controlar e catalisar reações de transferência deelétrons, e neutralizar e eliminar RLs. A maioria dos RLs hidroxila é formada a partir do
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 257peróxido de hidrogênio, em reação catalisada por um íonmetálico. O metabólito da melatonina (5-MAFK) exibe açãoantioxidante devido a suas propriedades de quelação do ferro. Oradical hidroxila é extremamente reativo, oxidando constituintescelulares por hidroxilação. Reage em fração de milissegundocom todas as biomoléculas próximas ao local onde foi gerado. O oxigênio “singlet” não se enquadra na definição de RL,porém é uma espécie de oxigênio reativo. Consiste numa formaque sofreu um rearranjo de elétrons, permitindo que ele reajacom moléculas biológicas muito mais rapidamente do que ooxigênio “normal”. Essa espécie se encontra num estadoexcitado, isto é, um estado de maior energia do que o oxigêniomolecular. O oxigênio “singlet” pode ser formado pela reaçãoentre o ânion hipoclorito e a água oxigenada, podendo tambémformar-se na reação de Haber-Weiss. Reage diretamente com osácidos graxos poliinsaturados nas membranas, formandoperóxidos. O oxigênio “singlet” formado na fagocitose emitefótons, cuja mensuração propicia um teste valioso para medir aatividade fagocítica dos leucócitos (quimioluminiscência). Os Drs. E. Bechara (Brasil), Minotti (Itália) e Hartel(Alemanha), pensam que alguns organismos , como osvagalumes, ao tentarem se livrar dos efeitos danosos dooxigênio terminaram desenvolvendo a luminescência. As técnicas conhecidas (embora pouco satisfatórias) paradosar RLs são a quimioluminiscência, a lipoperoxidação dashemácias, a lipoperoxidação no soro, a peroxidação da fraçãoLDL (colesterol “ruim”) e a dosagem de RLs nas fezes.Enzimas Anti-RLs (SOD, glutation peroxidase ecatalase) As defesas enzimáticas anti-RLs atuam sobre os radicais
    • 258 RADICAIS LIVRES (RLs)superóxido, peróxido de hidrogênio e RLs formados naperoxidação lipídica, porém nenhuma enzima é capaz de atuarsobre o radical hidroxila, que é o maior “vilão”. O organismonão tem defesas suficientes para neutralizar os RLs nassituações em que sua produção está aumentada, como ocorre nocâncer, AIDS, doenças degenerativas, enfermidades em geral,tabagismo, alcoolismo e nas intoxicações por metais pesados,entre outros. Nestas circunstâncias a administração oral deantioxidantes é de grande valia. As enzimas protetoras contra os RLs estão presentes noslocais onde os mesmos são produzidos, conseguindo, assim,mantê-los em concentrações muito baixas, quando em estado desaúde. A partir dos 40 anos, estes sistemas enzimáticosdiminuem sua eficiência. No envelhecimento, encontra-se um excesso de peróxidode hidrogênio (que ultrapassa a capacidade metabólica dacatalase e da glutation peroxidase), capaz de originar, empresença de íon ferro, o radical hidroxila - o grande “vilão”. O interesse pelo papel dos RLs no metabolismo humanoaumentou com a descoberta da SOD, por J.M.Cord e I.Fridovitch (1968), nos EUA. A SOD está presente em todas ascélulas humanas e é a quinta proteína, em concentração, noorganismo humano. Concentra-se nos glóbulos vermelhos e nostecidos, onde converte os RLs em subprodutos. O organismo humano produz diariamente 5 milhões deunidades de SOD. É um potente varredor do radical superóxido,protegendo o organismo contra os efeitos da radiação UV,poluição e efeitos colaterais da radioterapia. A produção de RLsaumenta com a idade, enquanto que a produção de SODdiminui. A ação da SOD requer a presença dos minerais cobre,zinco e manganês. Os sítios de maior atividade da SOD são: o cérebro, o
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 259fígado, o rim, o coração e os músculos esqueléticos. A reação catalisada pela SOD tem como subproduto operóxido de hidrogênio, o qual reage espontaneamente com umradical superóxido (em presença de ferro), dando origem aoradical hidroxila; por este motivo, a atuação da enzima SODdeve ocorrer concomitantemente com a de enzimas quecatalisem a remoção da água oxigenada dos tecidos - a catalasee a glutation peroxidase. A SOD é uma enzima citoplasmática (cobre e zincodependente) e mitocondrial (manganês dependente), presenteem todos os organismos vivos. A SOD só é ativa por via oral em doses acima de ummilhão de unidades; doses menores são inativadas pelo sucogástrico. Por esta razão é indicado utilizar a via sublingual(50mg SL, por exemplo). Níveis reduzidos de SOD foram relacionados com váriasdoenças como: artrite reumatoide, anemia de Fanconi, infecçõesrespiratórias, deficiências imunológicas, catarata, esterilidade. Acarência de cobre, zinco e manganês é decisiva para a baixaatividade desta enzima. Níveis elevados de SOD foram relacionados com váriasdoenças, como por exemplo alguns tipos de câncer, doençascardiovasculares, hepatites, diabetes, distrofia muscular,esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva e Síndrome de Down(nesta patologia ocorre uma acumulação de peróxido dehidrogênio, visto que o cromossoma 21 é o responsável pelaprodução da enzima). A administração da SOD está indicada nas doenças dotecido conjuntivo (lúpus, artrite reumatoide, esclerose múltipla),na isquemia de reperfusão, nas tenosinovites (doença dosdigitadores), epicondilites, doença de Crohn, fenômeno deRaynaud, doença de Peyronie e em todas as condições em que
    • 260 RADICAIS LIVRES (RLs)há alteração do sistema imunológico. As doses terapêuticasvariam de 30 a 100mg/dia, via sublingual. A glutation peroxidase (GSH-Px) é a enzima maisimportante na remoção da água oxigenada dos tecidos humanose transforma o glutation oxidado (GSSG) em glutation reduzido(GSH). Por ser uma enzima selênio-dependente, os níveis deGpx podem ser utilizados para avaliar o estado de selênio doorganismo. Os locais de maior atividade desta enzima são: o coração,o cérebro e os pulmões. Em alcoolistas crônicos os níveis de glutation peroxidasee de selênio estão baixos, resultando em uma proteção reduzidadas células hepáticas frente aos efeitos do etanol, uma vez que oglutation é a substância chave na proteção do fígado contra aação de RLs e compostos tóxicos de origem exógena. Com aabstinência, os níveis de antioxidantes e de selênio tendem aretornar a seus valores normais. A catalase é uma enzima presente nos peroxissomas(organelas celulares). Também presente em grandesconcentrações no fígado, coração, cérebro e eritrócitos. Suafunção é converter o peróxido de hidrogênio (água oxigenada)em água e oxigênio (função também desempenhada pelaGSH-Px). Através desta ação a catalase ajuda a prevenir a lesãocelular ou mesmo o rompimento das cadeias de DNA. É umadas mais ativas enzimas conhecidas. Alterações Patológicas ao Nível Molecular Causadas pelos Radicais Livres sobre os Vários Componentes Celulares (de Bindolfi A., Cavalini L.)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 261 Radicais Livres Lipídios Ácidos Lipídios Ácidos Insaturados nucleicos insaturados nucleicos Peroxidação Modificação Peroxidação Modificação das bases das basesAlteração das Mutações Várias alterações:membranas estruturais e metabólicasFonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005.Anti-Radicais Livres (antioxidantes) Um antioxidante é qualquer substância que, mesmoquando presente em baixas concentrações, atrasasignificativamente ou impede a oxidação de um substratooxidável (proteínas, lipídios, carboidratos e DNA). Segundo oDr. Barry Halliwell (UCLA) um antioxidante é qualquersubstância que proteja os tecidos contra a lesão oxidativa. Cada RL é seletivamente mais sensível a um ou outroanti-oxidante. O superóxido é particularmente sensível ao ascorbato; ooxigênio singlet responde melhor ao betacaroteno. A vitamina E é a mais eficiente para neutralizar os RLsque atacam os ácidos graxos essenciais (AGEs). Controlar aexplosão oxidativa é importante para evitar a degeneração detecidos nobres e especializados, endotélio vascular, membranacelular, retina, cristalino, SNC e periférico. Formulações com vitamina E (protetora da membrana
    • 262 RADICAIS LIVRES (RLs)celular) e selênio (mineral antioxidante e participante damolécula da glutation peroxidase), juntamente com a vitaminaC, oferecem ampla proteção anti-RLs, a um baixo custo. O organismo humano possui dois sistemas naturais dedefesa que favorecem a eliminação dos RLs: são os chamados“varredores de RLs”, que atuam eliminando os oxidantes ouimpedindo a sua transformação em RLs mais tóxicos. Podem ser divididos em enzimáticos e não enzimáticos,sendo que as principais enzimas antioxidantes responsáveis pelainativação dos RLs são as seguintes: a) catalase: transforma o peróxido de hidrogênio em águae oxigênio molecular; b) glutation peroxidase: enzima selênio dependente queinativa o peróxido de hidrogênio e os peróxidos lipídicos; c) superóxido dismutase (SOD): tem atividade maiorsobre o oxigênio singlet e mantém os radicais superóxido embaixos níveis. Dentre as várias SOD, a principal é a Cu-Znsuperóxido dismutase (SOD), enzima citoplasmática quenecessita de zinco e cobre para exercer sua atividade. As membranas celulares são protegidas pelo antioxidantealfatocoferol (vitamina E), uma molécula lipossolúvel que ageno interior das membranas biológicas e é um excelentebloqueador de reações em cadeia. Há um grupo oxidrila do alfatocoferol, cujo hidrogênio éfacilmente removível. Assim, os radicais peroxil e alcoxil,gerados durante a peroxidação de lipídios, se combinampreferencialmente com a vit E, ao invés de se combinarem comum ácido graxo adjacente. Esse é o mais importanteantioxidante que atua nas membranas celulares. Os antioxidantes não enzimáticos são, em sua maioria, denatureza exógena e precisam ser ingeridos com a dieta sobforma de antioxidantes ou precursores. Capturam os RLs,
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 263evitando as reações em cadeia. São exemplos a vitamina E, a vitamina C, o betacaroteno,o licopeno, a coenzima Q10, o ácido lipoico, o pycnogenol®, oresveratrol e o extrato de semente de uva. O sistema antioxidante é muito complexo e a deficiênciade qualquer um dos componentes pode causar uma redução nosistema como um todo. O desequilíbrio entre a quantidade de RLs e adisponibilidade de antioxidantes parece estar implicado nagênese e/ou evolução de 81 doenças. A análise laboratorialquantitativa dos antioxidantes totais e a dosagem de RLs sãobons parâmetros para se oferecer um suplemento deantioxidantes aos usuários. Trabalhos recentes mostram que os antioxidantes sãoeficazes na prevenção de doenças crônicas associadas ao stressoxidativo. O estudo SU.VI.MAX (The Supplémentation enVitamines et Minéraux Antioxydants) realizado na Françadurante 7,5 anos, e usando doses diárias de vitamina C, E ebetacaroteno concluiu que houve redução da incidência devárias doenças, de forma significativa. Atletas podem se beneficiar do uso de suplementosantioxidantes. A carga de exercícios prolongados e intensosaumenta a atividade metabólica, com consequente aumento dostress oxidativo. O radical tocoferil (vitamina E oxidada) pode migrar paraa superfície das lipoproteínas da membrana, tendo apossibilidade de ser convertido novamente em alfatocoferol, poração do ácido ascórbico (vitamina C). A vitamina C e a vitamina E ajudam a minimizar o riscodo ataque de radicais livres às membranas celulares. O betacaroteno é poderoso debelador de oxigênio singlet e
    • 264 RADICAIS LIVRES (RLs)importante terapêutica na proteção de pacientes com porfiria.Protege a pele contra o dano por fotossensibilização; ageabsorvendo a energia do estado excitado do oxigênio singlet,convertendo-o em oxigênio no estado fundamental, ao mesmotempo em que inverte a configuração de suas duplas ligaçõesconjugadas, como resultado da absorção dessa energia. Existe a necessidade de aumentar as doses diárias devitamina C durante as viroses, após grande ingestão de carnevermelha e embutidos, nas intoxicações por metais pesados, naspsicoses, no câncer, tabagismo, alcoolismo e stress. Todos essescasos se acompanham da formação exagerada de RLs. Pessoas deprimidas ou estressadas secretam maisadrenalina, que é um produtor de RLs (cada molécula deadrenalina produz dois RLs). O processo de envelhecimento cursa com elevado grau destress oxidativo sistêmico, assim, frequentemente os níveisantioxidantes sanguíneos em pessoas idosas apresentam valoresbastante diminuídos. Concentração de antioxidantes circulantes, formação delipoperóxidos e qualidade de vida guardam íntima relação entresi. O hábito de fumar produz grandes quantidades de radicaislivres. Quem fuma um maço (20 cigarros) deveria ingerir, pelomenos, 250mg diários de vitamina C, para antidotar os RLsproduzidos. Os níveis de antioxidantes diminuem com a idade, o quepode ser uma das causas do aumento na incidência de doenças.O controle anual desses níveis permite que se tomem medidaspreventivas. Nos hepatopatas crônicos, nos tabagistas e nos portadoresde DBPOC (doença bronco-pulmonar obstrutiva crônica), entre
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 265outros, o status dos antioxidantes totais está significamentereduzido. O uso de antioxidantes está relacionado à prevenção dosurgimento de determinadas enfermidades e funciona comocoadjuvante terapêutico nas doenças já estabelecidas, originadasou agravadas pela presença dos RLs. Uma vez instalada adoença, os antioxidantes podem retardar o seu processoevolutivo. Níveis baixos de selênio (e baixa atividade de glutationperoxidase) estão associados a alguns tipos de câncer, doençasdo sistema imunológico (como a artrite reumatoide), doençascardiovasculares e cataratas. É benéfico dosar a glutation peroxidase no processo deenvelhecimento, no tabagismo, no alcoolismo, na insuficiênciarenal, nas doenças auto-imunes e na quimioterapia, para avaliaro potencial de defesa antioxidante do organismo e a eficáciaterapêutica dos medicamentos administrados. A exposição contínua à radiação UV diminui a quantidadede antioxidantes presente nas células cutâneas. A concentraçãode vitamina E é reduzida em 20%, a de coenzima Q-10 e a debetacaroteno, em 40%. A radiação UV gera RLs que esgotam as defesasantioxidantes da pele, tornando-a mais vulnerável pelodesequilíbrio entre os dois sistemas (antioxidantes x RLs). Estasalterações favorecem o desenvolvimento de câncer de pele. O emprego de formulações contendo vários antioxidantes(selênio + betacaroteno + vitamina C + vitamina E) oferecevantagens, especialmente se associado aos fotoprotetores, secomparado ao uso isolado de cada um deles. O ataque dos radicais livres aos lipídios da pele, pelaexposição inadequada ou excessiva ao sol (radiação UV) resulta
    • 266 RADICAIS LIVRES (RLs)em uma série de efeitos indesejáveis, como, por exemplo,redução do efeito protetor de barreira, degradação dasmembranas celulares, e diminuição dos níveis de hidratação e daemoliência cutânea. A quantificação laboratorial do nível de RLs no sangue éde grande importância para a avaliação de seu impacto em nossasaúde, bem como para determinar a escolha e a quantidade deantioxidantes a utilizar. Também é de grande valor para os clínicos a determinaçãolaboratorial dos níveis de minerais (mineralograma), vitaminas(vitaminograma), aminoácidos (aminoacidograma) e outroselementos antioxidantes. Os resultados obtidos permitiriam acorreção dos desvios e a introdução de novos antioxidantes. Em consultórios médicos, a análise de gota de sangue dopaciente pelo método Hartmann, Bradford, Lagarde (HBL),embora com limitações, oferece uma excelente avaliação daatividade dos RLs como geradores de doenças nos sistemasbiológicos. Uma gota de sangue colhida da polpa do dedo indicador écolocada sobre uma lâmina de vidro e estendida. Após secar éobservada ao microscópio A ação dos radicais livres sobre o sangue gera alteraçõesbioquímicas e morfológicas no mesmo, o que permite acorrelação com vários quadros patológicos. DOSAGEM DA CAPACIDADE ANTIOXIDANTE TOTAL A dosagem da capacidade antioxidante total é um marcador doestresse oxidativo que quantifica todos os antioxidantes presentes no
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 267 sangue do paciente. O resultado define a capacidade de defesa do organismo contra o ataque de radicais livres. Um sistema antioxidante falho é condição ideal para que os radicais livres causem danos ao organismo. Principais aplicações: - Constatar deficiências nutricionais - Avaliação dos resultados de dieta prescrita: deve haver um aumento na dosagem de antioxidantes totais se compararmos o resultado antes de sessenta dias após a dieta - Avaliação da eficácia terapêutica: duas determinações no intervalo de sessenta dias; eficácia no tratamento equivale ao aumento na dosagem de antioxidantes totais. Fonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005. MECANISMOS DE DEFESA ANTIOXIDANTEO organismo se defende do estresse oxidativo através demecanismos conhecidos como “defesa antioxidante”Pode ser considerado antioxidante qualquer processo que:- Previna a formação de radicais livres- Transforme os oxidantes em espécies menos tóxicas- Isole os mesmos longe das estruturas celulares vitais- Repare o dano molecular provocado pelos radicais livres Fonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005.
    • 268 RADICAIS LIVRES (RLs) NUTRIENTES ANTIOXIDANTES Existe uma variada gama de alimentos que contém substâncias antioxidantes. Seguem alguns exemplos: Protege o DNA contraCapsaicina Pimenta substâncias carcinogênicas. Age como antioxidante. Frutas cítricas e Estimulam as enzimas anti-Cumarinas tomate câncer e previnem a coagulação sanguínea. Evitam que os hormônios Frutas cítricas, propiciadores de câncer seFlavonoides tomate, pimenta, liguem às células normais. cenoura Inibem as enzimas responsáveis pela metástase de células cancerosas.Genisteína Feijões, ervilhas, Inibem o câncer promovido pelo lentilhas estrogênio.Indóis Brócolis, repolho e Protetores contra o câncer de couve mama e próstata. Brócolis, repolho, Estimulam as enzimas anti-Isotiocinatos mostarda, rábano câncer, protegem contra o câncer de mama. Agem como antioxidantes eLicopeno Tomates protegem contra o câncer cervical. Alho, cebola, Estimulam as enzimas anti-Alicisteína cebolinha câncer e bloqueiam a formação de nitrito no estômago. Raiz da alcaçuz, Inibem as etapas hormônio-Triterpenoides frutas cítricas dependentes na formação tumoral. Fonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 269 CAPACIDADE ANTIOXIDANTE TOTAL x PATOLOGIAS Vários estudos demonstram que monitorar a capacidade antioxidante do organismo pode ser vantajoso no tratamento de diversas patologias Nestas patologias, aPatologias do fígado capacidade antioxidante reduz-se proporcionalmente ao dano hepático. Existe uma redução significativa da capacidadeDoenças respiratórias antioxidante nos processos asmáticos e nas doenças obstrutivas pulmonares crônicas. As crianças prematuras possuem capacidade antioxidante total reduzida, quando comparadas com crianças nascidas a termo; oCrianças prematuras que as torna muito suscetíveis ao dano por radicais livres, causando complicações como retinopatia, displasias bronco-pulmonares, hemorragia intra-ventricular e enterocolites necrosantes. O papel dos antioxidantesAterosclerose nestas patologias está sendoIsquemia de Reperfusão estudado; onde o monitoramento daChoque Séptico capacidade antioxidante pode serDiabetes vital para administrar suplementação. Fonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005.
    • 270 RADICAIS LIVRES (RLs) NUTRIÇÃO ANTI-RADICAIS LIVRES = NUTRIÇÃO BIOMOLECULAR A nutrição biomolecular tem como objetivo fornecer osnutrientes necessários para que cada célula desenvolvaplenamente suas funções. Tem como pedra angular abiodisponibilidade e biodigestibilidade dos nutrientes. Os antioxidantes são a primeira linha de defesa doorganismo. Existe um grande número de potentes antioxidantes,presentes nos alimentos, desde que estes estejam livres depoluentes químicos e a terra onde foram cultivados tenhaequilíbrio mineral. Alguns destes alimentos são a cenoura, oespinafre, a couve-flor, a moranga, a batata, o damasco, opêssego, o mamão papaia, o melão (betacaroteno); as frutascítricas e os vegetais (vitamina C); os frutos oleaginosos e osazeites vegetais (vitamina E); o morango, o peixe, a carne, acebola, o alho (selênio); o levedo de cerveja, os frutos do mar, osovos, o espinafre (zinco); os legumes, as passas, o melado(cobre); a banana, a gema de ovo, as folhas verdes e os grãos(manganês); o alho e a cebola (enxofre). Fonte: Informativo Toxilab, Porto Alegre, 2005.
    • Capítulo 7 – METAIS TÓXICOS “Descobrir é ver o que todo mundo viu e pensou o que ninguém mais pensou” Albert Szent Gyorgy Define-se como metal pesado aquele cuja densidade, épelo menos, 5 vezes maior do que a da água. São eles: chumbo,mercúrio, cádmio, níquel, berílio e arsênico. O alumínio,embora seja um metal bem leve, é estudado junto com os metaispesados. Os metais pesados são elementos tóxicos e têm efeitoacumulativo. A somatória destes metais resulta em sinergismo epotencialização de seus efeitos nocivos, contribuindo para odeslocamento metabólico dos minerais nutrientes. Via de regra,há uma depleção de cálcio e magnésio no organismo, quepodem aparecer diminuídos ou falsamente elevados nomineralograma, devido a sua má distribuição nos tecidos. Estamos cada vez mais expostos à contaminação pelosmetais tóxicos, uma vez que sua difusão através da presença eminúmeros produtos e processos industriais, e até mesmo, de suapresença como contaminante em grande parte de nossosalimentos. Em razão da possibilidade da presença de metais tóxicosnos fluidos biológicos ou armazenamento em órgãos ou tecidos,torna-se fundamental uma investigação preventiva em parcelade nossa população e, em especial, nos grupos de maior risco(mineradores, pintores, trabalhadores de indústrias mineradoras,etc.), quer através de análises sanguíneas, ou, melhor ainda, pelaanálise do cabelo (mineralograma ou exame do cabelo). Inúmeros trabalhos científicos evidenciam a produção de
    • 272 METAIS TÓXICOSradicais livres por metais tóxicos, comprovando assim, seupapel na toxicidade celular e dos tecidos. Está comprovado quebaixas concentrações de cádmio e mercúrio, estimulam a reaçãode produção do ânion superóxido por fagócitos ativados; que otitânio interage com o peróxido de hidrogênio, formandoradicais hidroxila. Já o níquel, o arsênico e o berílio, apresentampropriedades mutagênicas, comprovadas com a indução deneoplasias por peroxidação lipídica. Todos os metais tóxicos sãopotencialmente cancerígenos, por deslocarem elementosminerais importantíssimos ao metabolismo humano, vitais paraa eliminação dos radicais livres e para a ativação do sistemaimune. Alguns desses metais estão associados a determinadaspatologias: o cádmio, à hipertensão; o alumínio, ao Mal deAlzheimer; o mercúrio e o ferro, à aterosclerose; o chumbo, àdificuldade no aprendizado, e o níquel, à dermatite. Níveis elevados de um metal no cabelo não significam,necessariamente, altos teores no sistema biológico. Podem serdevido à contaminação externa. Altos níveis de metais pesados, como chumbo, mercúrio earsênico, são combatidos com aminoácidos enxofrados, oualimentos que os contenham (alho, cebola, feijão, ovo), e comsubstâncias antioxidantes (selênio, betacaroteno, vitamina E evitamina C). Os metais pesados combinam-se com um grande númerode moléculas orgânicas, especialmente com os grupos sulfidrila(S-H) das proteínas; deste modo, inibem a atividade de inúmerasenzimas (muitas delas vitais, como as da fosforilação oxidativa).Também produzem inibição ao deslocar o mineral que ocupa ocentro ativo da enzima. São capazes de produzir alterações nasmembranas celulares, assim como afetar o sistema imunológico.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 273 A importância do EDTA nos processos de intoxicação pormetais pesados se deve a sua capacidade de reduzir em ummilhão de vezes a produção de RLs. O Dr. Helion Póvoa Fº (RJ) sugere o seguinteprocedimento nas intoxicações por metais pesados: a) filtrar a água destinada a ser bebida, assim como aqueladestinada ao preparo dos alimentos, para remover mercúrio,chumbo ou alumínio presentes; b) ingerir fibras (legumes, verduras e frutas); c) ingerir vitaminas do complexo B, C, E, betacaroteno,carnitina e bioflavonoides; d) usar quelantes orais (metionina, cisteína, glutation,selênio, zinco, magnésio, manganês, cobre e cromo).Alumínio (Al) O Alumínio foi descoberto em 1825 pelo físicodinamarquês Hans Christian Orsted. É a terceira substância maiscomum em nosso planeta e depois do aço é o metal mais usadono mundo. Foi originariamente encontrado na região de LesBaux, na França, associado à bauxita. O teor de alumínio no cabelo costuma refletir comprecisão os níveis sistêmicos deste metal; entretanto, sempreque estiver elevado no mineralograma, deverá ser afastada apossibilidade de contaminação externa. São fontes de alumínio: queijos industrializados(especialmente parmesão e gorgonzola), nos quais sãoempregados sais de alumínio como emulsificador; sal decozinha, onde o mineral tem função anti-umectante;ingredientes utilizados nas padarias, como o fermento e oaditivo da farinha branca (sob a forma de alúmen de potássio);molhos de tomate industrializados, antiácidos (35 a 600mg de
    • 274 METAIS TÓXICOSAl/5ml de solução); águas tratadas com excesso de sulfato dealumínio; antitranspirantes (cloridroxi-alantoinato de alumínio).Ainda, panelas, embalagens de alumínio, adstringentes, anti-sépticos, corantes, produtos para piscinas, loções após-barba esolução de Burrow. Alimentos ácidos embalados em latas (sucode laranja, extrato de tomate, etc.) constituem outra importantefonte de alumínio. Sais de alumínio são utilizados na preparação dasaspirinas tamponadas. Também os antiácidos costumamapresentar em sua composição elevados índices do metal. Váriasvacinas contêm alumínio. Este elemento, potencialmente tóxico,entre outras coisas provoca formação cruzada do colágeno;altera o metabolismo do cálcio, facilitando a desmineralizaçãoóssea, e induz à perda de zinco. Indivíduos acima dos 50 anos têm uma probabilidade de1:200 de contrair o Mal de Alzheimer; após os 80 anos, aprobabilidade é de 1:20. Indivíduos portadores da doençaapresentam teores de alumínio cerca de 4 vezes acima dosindivíduos sem a enfermidade. Pacientes em hemodiálise hámuito tempo também apresentam altas taxas de alumínio nocabelo. O excesso de alumínio pode levar à encefalopatiaprogressiva, com anormalidades comportamentais e motoras,astenia, fadiga crônica, esquecimento, distúrbios da fala,raquitismo, alterações gastrointestinais, cólicas, alteração nometabolismo do cálcio, dores ósseas, cefaleia e fraquezamuscular. Taxas elevadas de alumínio e bismuto no mineralogramapodem estar relacionadas à ingestão de antiácidos. O alumínioproveniente dos antiácidos pode ligar-se à pepsina e a outrasenzimas digestivas, tornando o processo digestivo menosefetivo.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 275 Uma pessoa de 70kg armazena cerca de 50mg de alumínioem seu corpo. Para a remoção deste e de outros metais tóxicos, éimportante, em primeiro lugar, afastar-se das fontes. Se a fontefor a água, usar filtro com carvão (especialmente na águautilizada para o preparo dos alimentos); o fósforo e seusderivados devem ser, tanto quanto possível, suprimidos da dieta,visto que favorecem a absorção do alumínio; antiácidoscontendo sais de alumínio também deverão ser evitados. O aumento da ingesta de cálcio e magnésio desloca oalumínio (por competição) dos locais no organismo onde estiverpatologicamente depositado. As intoxicações por alumínio são combatidas com oAlumínio CH7 ou CH12 (preparado homeopático), 10 gotas vo2 vezes ao dia, juntamente com a administração de cálcio,magnésio, selênio, psylium, pectina e vitamina C.Antimônio (Sb) O antimônio é conhecido desde o ano 4.000 a.C., devendoseu nome à palavra “anti-monium”, que significa mal para osmonges, devido a uma intoxicação maciça ocorrida em umaabadia medieval onde essa substância estava sendoexperimentada como agente terapêutico. O monge beneditino ealquimista, Basilius Valentim, o identificou e isolou no séculoXV, em 1450. Até há poucos anos, bolas metálicas de antimônioeram usadas como laxativo e, uma vez excretadas, eramrecolhidas, lavadas e reutilizadas. O exame do cabelo é o melhor meio para determinar onível corporal de antimônio e a confirmação pode ser feitadosando-se o mineral na urina. Sinais de intoxicação porantimônio incluem problemas cardíacos, respiratórios, gastro-intestinais e problemas de pele. Os alimentos, o cigarro e amunição de armas são as principais fontes de antimônio.
    • 276 METAIS TÓXICOS A história do emprego e da toxicologia do antimônio éextensa. Suas primeiras aplicações foram como pigmento paracosméticos e para vidros amarelos. É largamente utilizado embaterias para automóveis (9% do total de uma bateria). Emboramenos potente, a toxicidade do antimônio é bastante semelhanteà do arsênico (vômitos, diarreias, hepatopatia, nefropatia, comae morte). O tártaro emético, sal muito usado na medicina antiga,possui antimônio em sua composição. Diversos estudosapontam para um potencial cancerígeno associado ao antimônio,especialmente para tumores pulmonares. É encontradoassociado a outros metais como chumbo, cobre, prata emercúrio.Arsênico (As) O arsênico é um dos tóxicos mais importantes da históriada humanidade. Já no século V a.C. era um veneno comum,sendo imensa a lista de personagens famosos envenenados poreste elemento. Aristóteles, no século IV a.C., Plínio, o velho, eDioscórides descrevem inúmeros envenenamentos por arsênico.São Alberto Magno, no século XIII, em 1250, isolou o metal.Os envenenamentos criminosos eram frequentes até o ano de1836, quando Marsh desenvolveu a técnica capaz de detectarínfimas quantidades de arsênico em cadáveres. Paracelso, nametade do século XVI, introduziu-o na terapêutica humana. Cerca de 70% do consumo anual de arsênio, é feito sob aforma de arseniato de cobre e cromo, usado como conservantede madeira. O mineralograma é considerado um confiável indicadordos níveis de arsênico; uma intoxicação pode ser confirmada emamostra de pelos pubianos ou dosagem na urina. O arsênico éreconhecidamente tóxico em níveis elevados e é um agente
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 277potencialmente cancerígeno. No Brasil, os produtos agrícolas oficialmente não utilizamo arsênico há mais de 20 anos. O arsênico ainda é utilizado emveterinária e na medicina humana, em algumas formulaçõespara psoríase, sob a forma de arseniato de potássio (licor deFowler). O arsênico é muito difundido na natureza (5g/tonelada) eencontra-se combinado com mais de 150 elementos. Nas águas,o arsênico é encontrado em pequenas quantidades, emconsequência de sua ampla distribuição na natureza. Emalgumas regiões, os teores podem se apresentar bem maiselevados, como, por exemplo, no Irã e na Argentina. Também éencontrado como contaminante do tabaco, devido ao tratamentodas folhas com derivados arseniacais; no carvão, nos pesticidas,nos desfolhantes, nos agentes antifúngicos, em colas e decalcos,nos produtos para a lavagem de roupas, no giz colorido, nosfrutos do mar, nos metais, nas tintas, nos cosméticos e emalguns suplementos alimentares (algas marinhas, dolomita). Uma contaminação histórica por arsênico deu-se em 1900,com seis mil pessoas envenenadas e setenta mortes, emManchester, na Inglaterra. Os consumidores de cerveja destacidade ingeriram o produto preparado a partir de um xarope deamido hidrolisado, com um ácido contaminado pelo arsênico.Outro caso histórico ocorreu no Japão, em 1955, onde doze milcrianças foram envenenadas com leite em pó estabilizado comfosfato de sódio contaminado por trióxido de arsênico. O arsênico e seus derivados são facilmente absorvidos; osdiferentes graus dependem de sua forma química. Os derivadosorgânicos pentavalentes do arsênico (arseniatos) sãorapidamente eliminados e não se acumulam no organismo;possuem baixa toxicidade e não inibem sistemas enzimáticos.Formas orgânicas são encontradas em pequenas quantidades nos
    • 278 METAIS TÓXICOSalimentos, não atingindo, porém, níveis tóxicos. O arsênicoinorgânico trivalente (arsenito) é o mais tóxico e podeacumular-se nos tecidos, especialmente no cabelo, pele e unhas.Vegetais verdes e frutos do mar costumam ser os alimentos commaiores teores de arsênico orgânico. A forma trivalente é muitomais tóxica do que a forma pentavalente. O prognóstico daintoxicação aguda depende, basicamente, da dose absorvida e darapidez com que se inicie o tratamento. A contaminação por arsênico é tratada com omedicamento homeopático Arsênico CH7 ou CH12 (10 gotas vo2 vezes ao dia), vitamina C, vitamina E, selênio, metionina etaurina.Bário (Ba) O bário foi identificado em 1777 por Carl Schleele eisolado pelo inglês Humphry Davy em 1808. O bário é ummetal de grande toxicidade, podendo ser letal a ingesta de500mg. Seus compostos são em número reduzido e de escassaaplicação, por isso a intoxicação é pouco frequente. A intoxicação por bário tem elevada mortalidade(superadas as primeiras 24 horas, o prognóstico é bom). Aaplicação de carbonato de bário (à 25%) como raticida foimotivo de intoxicações acidentais e voluntárias. O báriotambém é utilizado na manufatura de cerâmicas, vidros,esmaltes, pinturas, papéis, etc. O sulfato de bário é usado como contraste em medicina(pequena quantidade pode ser absorvida). Também é encontradocomo contaminante na cocaína e na heroína, adicionado deforma proposital para aumentar o volume da amostra. Aintoxicação importante ocorre por via oral; a via dérmica e ainalatória são irrelevantes.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 279 O bário circula no sangue de maneira similar ao cálcio:deposita-se com rapidez nos ossos e, em menor grau, nos outrostecidos. Tem uma elevada tendência a complexar-se com outrasmoléculas e com enzimas; bloqueia a despolarização da placamotora, no músculo estriado, no músculo liso e no músculocardíaco. Atua deslocando o cálcio da membrana celular. Emlocais com atmosfera muito contaminada, o bário pode causaruma pneumoconiose benigna, de caráter não fibrosante, a partirde 18 meses de contato. Até o momento, não foi estabelecida a correlação entre osníveis de bário encontrados no cabelo e os níveis sistêmicos. Éum elemento ainda em pesquisa. O bário é encontrado em fontesindustriais, mineração, óleos, vidros, cerâmicas, fogos deartifício, farinhas refinadas, açúcar branco, plásticos, cerasdepilatórias e papéis.Berílio (Be) Em 1798 o químico francês Louis-Nicolas Vauquelin (quedescobriu o cromo em 1797), reconheceu a existência de umnovo elemento nas gemas de berilo e da esmeralda, quedenominou de berilo. Em 1926, Gorson preconizou a primeiraaplicação industrial do berílio. A intoxicação por berílio é rara eperigosa. O berílio é tóxico em pequenas quantidades e induz àfibrose pulmonar progressiva, que evolui com graves sequelas,podendo levar à morte. Materiais fosforescentes possuem 2% deberílio em sua composição. Níveis elevados de berílio estão associados a lesõeshepáticas, renais, pulmonares, cutâneas, à anemia e aoraquitismo. Ainda não foi bem estabelecida a correlação entre osníveis de berílio no cabelo e os níveis teciduais.
    • 280 METAIS TÓXICOS O berílio é utilizado na manufatura de cerâmicas, vidros ecombustíveis. O fumo e as próteses dentárias são contaminadoscom berílio. O berílio é um elemento pouco abundante na natureza(2ppm na crosta terrestre). Os combustíveis fósseis (carvão epetróleo) possuem pequenas quantidades de berílio (até 2ppm).É um contaminante comum do cobre. Exames de confirmaçãopodem ser realizados na urina e no sangue, para diagnosticar ex-posições recentes; exposições crônicas são diagnosticadasapenas pelo exame do cabelo. O berílio é muito tóxico, quandoabsorvido ou ingerido. É facilmente absorvido pela pele e pelospulmões, mas não pelo trato gastrointestinal. O contato do berílio com a epiderme pode gerarsensibilização. A cura das lesões cutâneas ocorre com aeliminação dos restos de partículas tóxicas. Populaçõesresidentes em áreas próximas (até 10 km) devem submeter-se aavaliações dos níveis corporais do metal. Os pós de partículaspequenas possuem maior superfície de contato, sendo, portanto,mais tóxicos e fibrogênicos. A exposição prolongada causagranulomas epitelioides similares aos encontrados nasarcoidose. As feridas contaminadas por berílio desenvolvemgranulomas inflamatórios e fibrose. A pneumonia por berílio égrave e a ausência de tratamento pode levar à morte porinsuficiência respiratória severa. O berílio antagoniza o magnésio, deslocando-o de seussítios de ação, especialmente nas metaloenzimas (a maior partedas enzimas inibidas tem como função a transferência degrupamentos fosfato). Inibe a mitose, sendo assim capaz dedesestabilizar as cadeias de DNA. A administração do EDTA nas intoxicações por berílio émenos efetiva que para outros elementos, uma vez que o EDTAe demais quelantes são eficazes nas intoxicações por metais
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 281divalentes, e o berílio é tetravalente.Bismuto (Bi) O bismuto foi descoberto no ano de 1500 e seu nomederiva da expressão alemã “massa branca”. Foi primeiramentemencionado nas obras de Paracelso. O bismuto é um elementode baixa toxicidade. Seu efeito tóxico fundamental é aencefalopatia bismútica. O bismuto pode deslocar o chumbo, colocando-o emcirculação e causando sinais de envenenamento por chumbo. Ograu de absorção depende da solubilidade do seu composto. Asfontes de bismuto são batons, cosméticos, antiácidos, vidros ecerâmicas. Os sinais de toxicidade incluem halitose, linhaescura nas gengivas e mal-estar. O quadro clínico da encefalopatia bismútica écaracterizado por alterações neurológicas (mioclonia, disartria,tremores musculares e vertigens) e psiquiátricas (apatia, euforia,alucinações, confusão mental, diminuição do nível deconsciência).Cádmio (Cd) Em 1817, o químico alemão Friedrich Strohmeyer,encontrou esse elemento misturado ao zinco; na proporção de0,2 a 0,3%, daí seu nome latino ¨minério de zinco¨- cádmio. Ocádmio é o 5º metal em ordem de toxicidade, um dos grandespoluentes modernos. Em 1900, o cádmio era uma curiosidadeindustrial; ano a ano, a contaminação pelo cádmio tem crescidoem importância e perigo. Ocorre na natureza de forma poucoabundante (até 0,2ppm), sempre associado a outros minerais,como o zinco e o chumbo; nunca em estado puro. Durante osprocessos industriais, é liberado como resíduo; a indústria
    • 282 METAIS TÓXICOSpetroquímica, a carbonífera e a petrolífera, os fertilizantes, asligas metálicas e o cigarro são fontes de cádmio. As fábricas decimento Portland são outra grande fonte (41,2mg de cádmio porkg de cimento); os freios dos carros também liberam grandesquantidades do elemento (1500mg de cádmio em cada kg depastilhas de freio). Recipientes plásticos, quando em contato com pH ácido(p.e., suco de laranja), liberam cádmio para o líquido contido emseu interior; quando incinerados, liberam o elemento para omeio ambiente. Por ser altamente resistente à corrosão, o cádmio éutilizado em cromagens de aviões e carros, em eletrônica e nospigmentos fosforescentes (“brindes”, roupas, chinelos,borrachas e anúncios). Ainda, em pilhas alcalinas, plásticos,lâmpadas fluorescentes, semicondutores, material fotográfico,vidros, cerâmicas e papel. O cádmio é liberado, também, pelo escapamento demotores, e a inalação crônica pode levar a um enfisema, mesmonaqueles indivíduos sem história pregressa de asma, bronquitecrônica ou tabagismo. Outras fontes habituais de cádmio são: alimentos(especialmente refinados e frutos do mar), bebidas(especialmente chás), o fumo (especialmente para as pessoasque consomem mais de dois maços de cigarro por dia), osplásticos, as borrachas, as baterias de níquel-cádmio, as soldas,as pipas, os canos galvanizados, a dolomita, as tintas, osefluentes industriais, os fertilizantes (sempre presente comocontaminante), os fungicidas para grãos (arroz, café e chá) e asfarinhas de ossos. A contaminação por cádmio tornou-se conhecida, etemida, após 1960, quando ocorreu séria contaminação dealimentos pelo metal, no Japão. Plantações de arroz estavam
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 283sendo irrigadas com água oriundas de regiões de mineração econtaminadas com altos índices de cádmio. A intoxicaçãomostrou-se particularmente grave nas mulheres, em quemocasionou graves quadros de desmineralização óssea, além deoutras alterações. Outra fonte de contaminação por cádmio são máquinasutilizadas no processamento de alimentos, uma vez que orevestimento de muitas máquinas é feito com a presença dometal. Revestimentos à base de zinco ou galvanização tambémpodem liberar quantidades apreciáveis de cádmio,especialmente quando estiverem em contato com substânciasácidas. É preciso lembrar que o zinco industrial está sempreassociado ao cádmio. O cádmio tem meia vida plasmática de 77 horas; nostecidos, persiste por até 10 anos, o que explica a prevalência deintoxicações em indivíduos acima dos 50 anos (efeitoacumulativo). As numerosas aplicações e, sobretudo, a sua presençacomo contaminante de outros elementos metálicos (zinco echumbo, principalmente), favorecem a exposição no meioprofissional. O teor de cádmio no cabelo é um excelenteindicador do seu nível no corpo. A confirmação de uma intoxicação pode ser feita por meioda análise dos pelos pubianos ou dosagem de cádmio na urina.A absorção do cádmio é reduzida pelo zinco, cálcio e selênio.Uma pessoa de 70 kg acumula cerca de 40 mg de cádmio emseu organismo. A exemplo de outros metais pesados, o cádmio interferena fosforilação oxidativa, inibindo a respiração celular(mitocondrial); é um potente inibidor enzimático, por deslocaros metais do centro ativo das metaloenzimas (o zinco, nafosfatase alcalina; o selênio, na Gpx; cobre/zinco e manganês,
    • 284 METAIS TÓXICOSna SOD, etc) e por ligar-se aos grupos sulfidrila das proteínas.Tende a concentrar-se nas paredes arteriais e nos rins(principalmente na córtex renal), causando graves lesões. As intoxicações por cádmio costumam cursar com baixosteores de zinco, devido ao antagonismo entre aquele tóxico eeste mineral. Quadros de hipertensão arterial de difícil controlesão compatíveis com a presença de até 3ppm, detectadas nomineralograma; níveis superiores a 3ppm, podem produzirefeito paradoxal (hipotensão). O cádmio é um cancerígeno em potencial. Estudosdemonstraram estreita correlação deste elemento com o câncer ea hipertrofia de próstata; em menor grau, com o carcinomaepidermoide pulmonar e com o adenocarcinoma renal. A lesãopulmonar é produzida pela ação local, ao ser aspirado; nos rins,o metal age ao ser excretado. O uso de pigmentos à base decádmio e mercúrio nas tatuagens de cor vermelha pode produzirlesões granulomatosas. A intoxicação aguda é grave e, dependendo da doseabsorvida, oferece elevado risco de mortalidade,inpendentemente da via de ingresso. Em roedores foidemonstrada a sua ação teratogênica, quando administradodurante a fase de embriogênese. Também em roedores, aadministração de cádmio via parenteral gerou necrose e atrofiaparcial do testículo. Outros sinais e sintomas associados ao excesso de cádmiosão: anemia, anosmia, proteinúria, glicosúria, VSG aumentada,hipertensão de difícil controle, dores articulares, osteoporose,queda de cabelo, câncer, diminuição da função imune, lesãohepática, enfisema pulmonar, diminuição dos níveis detestosterona, perda de peso corporal, alterações vasculares edistúrbios no metabolismo do ferro, cobre, zinco e manganês;ainda, interfere em vários sistemas enzimáticos, por desativar
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 285uma série de enzimas, ao ligar-se aos grupos sulfídrila dasproteínas. As lesões renais costumam ocorrer quando os níveisde cádmio estão cerca de 10 vezes acima dos limites aceitáveis. O excesso de cádmio é tratado com o uso de uma soluçãohomeopática de Cádmio CH7 ou CH12 (10 gotas vo 2 vezes aodia), cobre, zinco, selênio, cálcio e vitamina C. Ainda, comabstinência ao cigarro, ao açúcar branco e às farinhasrefinadas.Chumbo (Pb) O chumbo é conhecido desde a mais remota antiguidade.Existem relatos de sua utilização pelos egípcios, em cerâmicas efundição de estátuas, no ano de 5.000 a.C.. Na Babilônia, erautilizado na impermeabilização dos solos dos terraços. Osromanos chegaram a extraí-lo de suas minas, à razão de 60 miltoneladas/ano. Em Roma, trabalhar em minas e fundições dechumbo era um castigo menor apenas do que a pena de morte.Devem-se a Dioscórides as primeiras descrições da intoxicaçãopelo chumbo. Apesar de abundante na crosta terrestre (13ppm), ochumbo não ocasiona toxicidade por fontes naturais, mas simpela contaminação industrial e ambiental. O chumbo é mineradoem mais de 50 países e a produção mundial é de 4 milhões detoneladas/ano (é um dos maiores contaminantes do planeta). Acada ano, são despejadas 400.000 toneladas no meio ambiente. O homem moderno tem 500 vezes mais chumbo corporaltotal do que o homem de 3000 anos atrás. Um habitante doNepal possui 50 vezes menos chumbo em seus tecidos do queum habitante dos EUA. Em 1988, a U.S. Agency for ToxicSubstances estimou que mais de 17% das crianças americanasmenores de 12 anos possuem níveis inaceitavelmente elevadosde chumbo.
    • 286 METAIS TÓXICOS O Dr. E. Cheraskin estima que 38 milhões de americanossofrem exposição ao chumbo. A clínica Mayo recomenda trataros pacientes que apresentam teores de chumbo acima de 10 ppm(crianças) e 20 ppm (adultos) no mineralograma. Nos EUA,valores de chumbo acima de 10 ppm detectados em crianças sãode notificação compulsória às autoridades médicas. Plantas aquáticas captam e acumulam o chumbo presentenos sedimentos e na água. Nos peixes, o chumbo acumula-se nofígado, rins e esqueleto. Os alimentos de origem animal ( leitese derivados ) apresentam níveis variados de chumbo. Carnescom ossos liberam razoáveis quantidades do metal, pois osossos são grandes reservatórios. O chumbo no esqueleto é biologicamente inerte. Porém,sob determinadas circunstâncias (infecções, cirurgias, alteraçõesdo equilíbrio ácido-básico, alguns medicamentos), pode serrapidamente liberado no organismo, levando ao surgimento dequadros tóxicos. A intoxicação por chumbo, ou por compostos que tenhameste metal, causa severos danos à saúde, podendo levar à morte.Calcula-se que, diariamente, quantidades entre 300 a 500microgramas de chumbo sejam introduzidas no organismo,principalmente por via oral e, secundariamente, por viarespiratória. Nas intoxicações profissionais, a principal via decontaminação é a respiratória. Substâncias lipossolúveiscontendo sais de chumbo podem penetrar através da pele. Emgeral, as intoxicações por chumbo ocorrem de forma lenta ecumulativa. A absorção do chumbo depende da concentração e dotempo de exposição ao metal, além de fatores ligados aoindivíduo (idade e alimentação, entre outros ). No sangue, o metal apresenta uma meia vida de sessenta
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 287dias; a partir daí, distribui-se para os tecidos moles e,posteriormente, para os ossos, dentes e cabelos. A avaliação dos níveis de chumbo no organismo pode serfeita através da investigação de biomarcadores. Estes refletemos níveis de chumbo circulante, nas exposições recentes. Aatividade da enzima ácido delta-aminolevulínicodesidratase(ALA-D) no sangue e a concentração de protoporfirina noseritrócitos são dois importantes biomarcadores. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)editou várias portarias estabelecendo níveis permitidos para apresença do chumbo no ar, nas águas, nos alimentos e emprodutos para uso humano. Dentre os gêneros alimentícios que mais contribuem paraingestão de chumbo destacam-se a água potável, bebidas emgeral, cereais, vegetais e frutas. Outra fonte de contaminação dos alimentos é aincorporação do chumbo presente nos utensílios de cerâmica ounas tintas destas cerâmicas. A portaria Nº 24, de 29 deDezembro de 1994, obriga a realização de exames médicosanuais para todos os trabalhadores expostos ao metal. O chumbo promove várias alterações bioquímicas, todaselas prejudiciais. Não é conhecida, até o momento, nenhumafunção biológica do elemento. Seus efeitos interferem nofuncionamento adequado das membranas celulares e denumerosas enzimas. É capaz de causar efeitos gastrointestinais,neuromusculares, renais, hepáticos, neurológicos,hematológicos e cardiovasculares. O tratamento inicial das intoxicações agudas começa pormedidas que evitem novas exposições ao fator desencadeante.Nas intoxicações agudas pode ser necessária uma lavagemgástrica com água e a administração de leite e laxantes à base desulfato de magnésio. O tratamento da intoxicação aguda com
    • 288 METAIS TÓXICOSsubstâncias quelantes deve ser precedido da confirmaçãolaboratorial dos níveis de chumbo. Níveis sanguíneos acima de50 microgramas/decilitro indicam possibilidade do uso dequelantes como o EDTA ou o dimercaprol. O EDTA e odimercaprol podem ser usados associados e administrados porvia intramuscular . O EDTA também pode ser aplicado viaendovenosa. Seu uso, no Brasil, só é aceito para o tratamento deintoxicações por metais tóxicos. Depois de absorvido o chumbo distribui-se para todo oorganismo (sangue, fígado, rins, ossos e dentes). A meia vida dochumbo no sangue é a sessenta dias; nos tecidos moles, quarentadias, e nos ossos vinte anos. O chumbo é capaz de atravessar aplacenta, provocando efeitos teratogênicos. Uma pessoa de 70kg acumula cerca de 100mg de chumboem seu organismo: boa parte veiculada pela água potávelproveniente de fonte contaminada ou de antigos encanamentosde chumbo. A liberação de teores de chumbo, pela ação da águaácida, atinge níveis importantes, podendo a primeira água obtidada manhã conter mais de 100ppb do metal. Uma boa medidapara diminuir o problema seria eliminar a primeira água obtidapela manhã. No passado, o uso de encanamentos e tanques de chumboem cervejarias ocasionou inúmeros casos de intoxicação pelometal. O mais conhecido ocorreu na Inglaterra, em 1767, tendooriginado um quadro clássico denominado de “cólica deDevonshire”. Ainda hoje, pequenas destilarias do interior dopaís utilizam encanamentos e alambiques contendo chumbo. Após trinta dias, os níveis sanguíneos tornam-se difíceisde ser detectados, pois o chumbo é removido do sangue edepositado nos tecidos (fígado, ossos, dentes e cabelos). Adosagem de chumbo pode ser realizada por meio da detecção doácido delta-aminolevulínico na urina de 24 horas. Taxas
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 289elevadas indicam altos níveis corporais do metal. Dificuldade de aprendizado, déficit de memória ehiperatividade infantil podem estar relacionados a teoreselevados de chumbo. As crianças são mais vulneráveis àintoxicação do que os adultos, pois sua barreirahematoencefálica não está completamente desenvolvida. O chumbo pode ser veiculado por alimentoscontaminados, água potável, fumaça de cigarro, descarga deautomóveis, produtos para escurecer o cabelo, entre outros. O grande risco relacionado à toxicidade do chumboenvolve fontes heterogêneas de exposição, que são difíceis deevitar. A sua lenta cinética de eliminação faz com que umaelevada percentagem da população mantenha concentraçõessanguíneas subtóxicas. Uma fonte importante de contaminação por chumbo sãomedicamentos contendo cálcio proveniente de fontes naturais,como, por exemplo, o cálcio de ostras, a dolomita e o cálcio deossos, que têm o metal a eles associado. Os medicamentos àbase de carbonato de cálcio, aspartato de cálcio e cálcio queladonão apresentam esse contaminante. Altas concentrações de chumbo ou cádmio acarretamdiminuição no número de espermatozoides e aumento de suamortalidade, bem como aumento da percentagem deespermatozoides anormais. A reversão do quadro comtratamento pode levar até um ano. A dosagem de chumbo no cabelo é fidedigna e refleteexposição a longo prazo. O chumbo é metal tóxico para sereshumanos. Mesmo em baixa concentração, pode reduzir os níveisde vitamina C, cálcio, magnésio, zinco e aminoácidos. O teor dechumbo detectado no mineralograma pode ser confirmado poruma dosagem nos pelos pubianos (o que afastará a hipótese decontaminação externa, caso os valores estejam elevados). A
    • 290 METAIS TÓXICOScontaminação externa é frequente nos usuários de tinturascapilares, como, por exemplo, a clássica “Fórmula Grega”. As fontes mais comuns de exposição ao chumbo são:cosméticos, inseticidas, suplementos de cálcio, baterias (90% dopeso de uma bateria é chumbo), o chumbo contido na “caça”(pode ser liberado pelo processo de cozimento), cerâmicasesmaltadas, pinturas de cerâmicas, tinturas para cabelo,borrachas, tintas para sapato, solventes, conservantes demadeira, fertilizantes, água e ar poluídos, soldas, embalagensmetálicas, flores artificiais, plásticos reciclados, farinha de ossose tintas em geral (2% de sua composição). A manipulação do chumbo nas chumbadas (fusão dometal), linotipos, revelações fotográficas, toner defotocopiadoras, também são formas de exposição. Até 1973, agasolina continha chumbo tetraetila. A adição de chumbo às tintas foi proibida nos EUA, em1973, por ser um elemento tóxico importante (sobretudo àscrianças); a legislação brasileira, até o momento, permite aadição de 2% na composição das tintas. Teores elevados de chumbo e mercúrio são encontradosem tintas para madeiras de exteriores, especialmente em tintasnavais (uma vez que são excelentes antifúngicos). O chumbo é um excelente protetor contra a craca(organismo marinho que adere fortemente ao casco dasembarcações). A combustão das madeiras pintadas com essastintas libera os metais e é capaz de gerar intoxicações. As cerâmicas mal vitrificadas podem ser fontes decontaminação por chumbo. Se a louça for vitrificada atemperaturas abaixo de 120º os compostos de chumbo não setornarão suficientemente insolúveis. Líquidos ácidos (conservas, vinhos, sidras, vinagre)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 291vertidos sobre esta cerâmica poderão liberar quantidadesapreciáveis do metal nela contido. Em 1973, estimou-se que 90% do chumbo presente no ardas grandes cidades americanas, devia-se à combustão dagasolina com chumbo tetraetila (50.000kg/ano). Em razãodisso, a adição de chumbo tetraetila como antidetonante dagasolina foi proibida. O chumbo tetraetila age no organismo por meio de seumetabólito (chumbo trietila), que é tóxico. Níveis altos de chumbo podem ser tratados com omedicamento homeopático Chumbo CH7 ou CH12 (10 gotas voduas vezes por dia), vitamina B1 (200-300mg/dia), vitamina C,metionina, taurina, cálcio, psilium e pectina. É recomendável oaumento na ingesta de alho, cebola, ovos e frutas. Embora seja improvável que o chumbo possa serremovido do cérebro, existem bons indícios de que possa serremovido com sucesso dos demais orgãos, dos ossos e de outrostecidos. O DMSA (abreviação do ácido 2,3 dimercaptosuccínico) éa droga aprovada pelo FDA para o tratamento oral daintoxicação por chumbo ou mercúrio. É capaz de transpor abarreira hemato-encefálica e remover metais pesados (chumbo emercúrio) do cérebro e de outros tecidos. O tratamento é realizado com vinte e cinco cápsulas(500mg cada) dadas da seguinte forma: uma cápsula vo uma vezao dia, três dias por semana, durante dois meses. O chumbo afeta a memória, o comportamento e acapacidade intelectual. Crianças com mais de 3ppm no cabelotêm maior dificuldade no aprendizado e níveis mais elevadosaumentam a incidência de hiperatividade infantil. Não se deve confundir um nível moderado de chumbo
    • 292 METAIS TÓXICOScom envenenamento por chumbo (abaixo de 20ppm éconsiderado excesso e não envenenamento). Níveis acima de20ppm no cabelo geralmente indicam contaminação exógena.Estanho (Sn) O estanho foi um dos primeiros metais conhecidos pelohomem, tendo sido encontrados vestígios em objetos de bronzeno vale do Ur, no ano 3000 a.C. O escritor Plínio, no ano 70a.C., descreveu as qualidades da associação do estanho aochumbo. A Bíblia relata que Salomão recebeu uma oferenda dometal. Atualmente, é utilizado na metalurgia por suaspropriedades anticorrosivas e usado, ainda, na fabricação devidros, esmaltes e cerâmicas. Na forma de fluoreto estanhoso, é empregado nos cremesdentais fluorados; como cloreto de estanho, no tratamento daretração gengival. O estanho é um metal moderadamente tóxico, responsávelpor dois quadros clínicos: uma pneumoconiose benigna efenômenos tóxicos sistêmicos (por derivados orgânicos). Nãosão conhecidas intoxicações por derivados inorgânicos doestanho. É utilizado na composição de ligas para fabricação deutensílios domésticos, vasilhames para alimentos e bebidas, ecomo anticorrosivo. O óxido de estanho é empregado como pigmento paravidros, esmaltes e cerâmicas. Seu nível no cabelo correlaciona-se com a exposição ao metal. Sintomas de intoxicação incluemirritação da pele, dos olhos e do trato gastro-intestinal,degeneração testicular e debilidade muscular. A avaliação dos teores de estanho pelo mineralograma ébastante fidedigna.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 293 Altos níveis são encontrados após intoxicação poralimentos contaminados (especialmente grãos e farelos),amálgamas dentários, conservantes, latas de conservas, ligasmetálicas com estanho (bronze) ou submetidas a um tratamentoanticorrosivo; ainda, pela inalação de pó de óxido de estanho,resíduos industriais ou poluição atmosférica.Estrôncio (Sr) O estrôncio é um elemento quimicamente semelhante aocálcio e pode desempenhar as mesmas funções deste naestrutura óssea. Foi descoberto em 1793 por Martin HeinrichKlaproth. A correlação dos níveis de estrôncio no cabelo com osníveis do corpo é muito boa e, geralmente, guarda relação comos níveis de cálcio. Estrôncio baixo pode estar correlacionado com cáries,diminuição da densidade óssea e aumento do risco cardíaco. Emcrianças, um nível adequado é importante para o crescimentonormal; a deficiência de crescimento pode ocorrer devido adieta pobre em estrôncio, cálcio e vitamina D. O estrôncio no cabelo pode estar elevado devido a umacontaminação externa por tintura. Quando em excesso, podeprovocar o raquitismo de estrôncio, que é mais devido a umainteração com o cálcio. Sua má reputação provém dos isótoposradioativos dos testes nucleares realizados na década de 50. O corpo humano contém 300mg de estrôncio, estando99% dele localizado nos ossos e dentes. As necessidades diáriasde estrôncio são facilmente atingidas por sua presença constantenos alimentos e nos solos do Brasil. O estrôncio participa da formação da matriz dos dentes edos ossos, e começa a ser utilizado no tratamento da
    • 294 METAIS TÓXICOS osteoporose. Dentes fortes dependem de estrôncio, cálcio, molibdênio, fósforo e flúor. A absorção do estrôncio chega a 40% da quantidade ingerida por via oral. QUELADORES DE METAIS TÓXICOS ALUMÍNIO CHUMBOAlumínio CH12 10 gotas vo Chumbo CH12 10 gotas vo 2x ao dia 2x ao diaCálcio Carbonato 600mg/dia Vitamina B1 200mg a 300mg/diaMagnésio Glicina200mg/dia Cisteína 200mg a 500mg/diaCisteína 200mg a Glutation 30mg/dia 500mg/dia sublingualVitamina C 1g a 2g/dia Selênio 100mcg a 200mcg/diaVitamina E 400U.I./dia Vitamina C 2g/dia CÁDMIO Vitamina E 400U.I./diaCádmio CH12 10 gotas vo MERCÚRIO 2x ao diaZinco Glicina Mercúrio CH12 10 gotas vo 10mg a 15mg/dia 2x ao diaCálcio 200mg/dia Cisteína 200mg aCarbonato 500mg/diaCisteína 200mg a 500mg/dia D-penicilamina 150mg a 250mg/dia/oralGlutation 30mg/dia Glutation 30mg/dia sublingual sublingualSelênio 100mg a Selênio 100mga 200mcg/dia 200mcg/diaVitamina C 1g a 2g/dia Vitamina C 2g/diaVitamina E 400U.I./dia Vitamina E 400U.I./dia
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 295Mercúrio (Hg) As primeiras referências ao uso do mercúrio emterapêutica datam do ano 1500 aC.. Desde então, é empregadona medicina, agricultura e indústria. A partir do século XVI, onitrato de mercúrio foi empregado na fabricação de chapéus,originando as primeiras intoxicações profissionais - a dosfabricantes e usuários de chapéus de pele de coelho (curtidacom derivado mercurial). O marco de conscientização da contaminação pormercúrio foi o episódio ocorrido na baía de Minamata (Japão),em 1953. As indústrias locais jogavam elevadas quantidades deefluentes ricos em mercúrio nas águas da baía. Este mercúrioera biotransformado pelos elementos da cadeia alimentar,chegando até os peixes, que constituíam o elemento básico docardápio dos habitantes da cidade. Morreram 46 pessoas e 121tornaram-se inválidas pela intoxicação mercurial. Em 1954,ocorreu episódio semelhante, quando sementes contaminadasforam consumidas por populações famintas no Iraque,Guatemala e Rússia. A história registra que Isaac Newton apresentou períodosde insanidade durante sua vida. Especula-se se aqueles sintomas poderiam ter sido devidoà intoxicação por mercúrio, uma vez que ele trabalhou com estemetal durante largo espaço de tempo. A análise de seu cabelorevelou 197ppm, quando o aceitável é até 10ppm (o cabelo é umbom indicador de exposição ao mercúrio). O mercúrio é um metal tóxico para seres humanos eanimais (especialmente para o SNC). O nível de mercúrio no cabelo é um bom indicador dosestoques corporais e a confirmação pode ser feita em pelos
    • 296 METAIS TÓXICOSpubianos ou, se a exposição é recente, na urina. No preparo deflores artificiais entram sais de mercúrio, além de arsênico,chumbo e cromo hexavalente. O DMSA (abreviação do ácido 2-3 dimercaptosuccínico),é a droga aprovada pelo FDA para o tratamento oral daintoxicação por chumbo ou mercúrio. É capaz de transpor abarreira hemato-encefálica e remover metais pesados (chumbo emercúrio) do cérebro e de outros tecidos. O tratamento érealizado com vinte e cinco cápsulas (500mg cada) dadas daseguinte forma: uma cápsula vo uma vez ao dia, 3 dias porsemana, durante 2 meses São fontes de exposição ao mercúrio: os solos, a água e osalimentos contaminados (especialmente grãos e peixes),fungicidas (1000.000 de t/ano), pesticidas, sementes, amálgamasdentários (85% dos americanos possuem amálgama dentário,consumindo 120t/ano), detergentes, cosméticos (comoconservante), alguns medicamentos (diuréticos mercuriais, anti-hemorroidais antigos, mercúrio cromo e mertiolate),preservativos para madeira, lustra-móveis, ceras para pisos,produtos antimofo, produtos para curtir o couro, produção decloro (500t/ano), queima de carvão (0,3 partes de Hg/milhão),lava de vulcões (10000 t/ano), solventes, plásticos, tintas deespelhos, galvanização, tintas para tatuagens e tintas paraimpressoras. Anualmente são lançadas 10000 toneladas/ano demercúrio no ambiente. Estima-se que 100 milhões de toneladasde mercúrio estejam depositadas no fundo dos oceanos. A toxicodinâmica do mercúrio pode cursar com um oumais dos seguintes sinais/sintomas: tremor, irritabilidade,hiperatividade, gosto metálico, salivação, estomatite, perda doapetite, colite, dano renal progressivo, hipertensão, neuropatiaperiférica, alterações comportamentais e mentais, diminuição do
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 297campo visual, quebra de cromossomas e aumento dasanormalidades fetais. A sensibilidade ao mercúrio varia de indivíduo paraindivíduo, começando os sintomas a partir de concentraçõesiguais a 3-5 ppm. Após uma restauração com amálgama, umnível elevado de mercúrio pode ser observado nomineralograma, pelo período de um ano. A forma mais tóxica é o metilmercúrio derramado pelasindústrias nos cursos de água (100 vezes mais tóxico do que aforma inorgânica). Os vapores de mercúrio são capazes dedepositar 80% do metal no organismo; o mercúrio inorgânicoabsorvido deposita-se num percentual de 50%. No homem, o mercúrio orgânico absorvido se liga aosgrupamentos sulfidrila das proteínas. Sofrendo ação do sucogástrico, libera o metil-mercúrio, que se localizará nos lipídios,no SNC (sistema nervoso central) e SNP (sistema nervosoperiférico), produzindo sinais e sintomas neurológicos, comoataxia, disartria e parestesias. Os compostos orgânicos de mercúrio depositam-se,preferencialmente, no fígado e no cérebro; o mercúrioinorgânico acumula-se no rim. A maior toxicidade do mercúrioorgânico se deve a sua maior absorção e menor excreção. Os envenenamentos criminosos com mercúrio não sãofrequentes, devido ao seu sabor fortemente metálico edesagradável. Por ser facilmente volatilizado (à 38ºC), altasconcentrações de mercúrio podem ser encontradas emambientes de trabalho que o contenham. Níveis altos de mercúrio são tratados com mercúrio CH7,CH12 ou CH30 (10 gotas vo 2 vezes ao dia), vitamina C,selênio, metionina, taurina, psilium e pectina.
    • 298 METAIS TÓXICOSNíquel (Ni) Em 1751, o sueco Axel Frederick Cronstedt examinou okupfernickel (palavra alemã que significa falso cobre),conseguindo isolar dele um metal branco, que não era nemcobre e nem cobalto. O níquel forma uma grande quantidade de compostos ecomplexos. São comuns e estáveis. Industrialmente, são usadosna niquelagem (sulfato de níquel), na indústria têxtil (acetato deníquel), aditivo de motores e lubrificantes (naftenato), indústriada borracha sintética, pigmento em produtos de beleza e naindústria de corantes. O níquel é muito sensibilizante e os quadros tipodermatite são muito frequentes; 10% dos eczemas de contatoestão relacionados ao amplo emprego do níquel em moedas,chaves, cosméticos, bijuterias, etc. A presença de níquel na água potável (0,6mg por litro)pode desencadear reações alérgicas na pele de pessoas sensíveis.A ação cancerígena do níquel está associada às formas óxido esulfeto, e ocorre devido a sua permanência crônica nos tecidos eao aumento da produção de RLs, que levam à lesão do DNA. Aação irritante dos sais de níquel produz vômitos intensos,quando a ingestão se dá em doses elevadas. O cabelo é um bom indicador dos estoques do corpo,enquanto que os níveis no sangue e na urina podem variarextremamente em questão de horas, refletindo a ingestãoalimentar e um processo de excreção rápida. Quando o nível de níquel no cabelo estiver acima de0,6ppm, o uso de tinturas para cabelo deve ser investigado. Níveis elevados de níquel no mineralograma (que podemser confirmados pelo exame de urina) estão associados com
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 299dermatites, câncer, ataque cardíaco, hipotireoidismo, psoríase,rinite crônica e eczemas; pode haver quadro alérgicoconcomitante. O níquel é determinado com precisão no mineralograma eexiste estreita correlação com os níveis sistêmicos. Nosalimentos, está presente como elemento-traço (no trigosarraceno, na aveia, nos legumes e no repolho). O níquel éabsorvido mais facilmente pelos pulmões do que pelo tratogastrointestinal. São fontes de intoxicação por níquel: a mineração, aatividade industrial, a indústria eletrônica, fundição, ligasmetálicas, enlatamento de alimentos, fotocopiadoras, tintas,tinturas para cabelo, cerâmicas, borrachas, moagem de cereais egrãos.Platina (Pt) A platina é um elemento não essencial de baixatoxicidade. Foi descoberta pelo espanhol Antonio de Ulloa em1735. O termo é um diminutivo do espanhol plata que significapequena prata. Encontra-se no cabelo, porém ainda não seconhece sua correlação com os tecidos. A contaminação é eminentemente industrial, podendo serabsorvida pelos pulmões e, em menor grau, pelo intestino.Sintomas de contaminação por platina incluem dermatite,irritação das mucosas, problemas pulmonares, reações alérgicas,nefrose e baixa imunidade. O exame de confirmação é feito nospelos pubianos ou na urina (exposição recente).Rubídio (Rb) O rubídio foi descoberto em 1861 por Robert Bunsen e
    • 300 METAIS TÓXICOSGustav Kirchhoff, e seu nome significa vermelho escuro, corque dá ao fogo. É um elemento quimicamente semelhante aopotássio (inibe a atividade do potássio em certas enzimas epotencializa em outras). É utilizado na fabricação de célulasfotoelétricas e vidros. Tem baixa toxicidade e os níveispresentes no cabelo estão correlacionados com os níveiscorporais. Baixos níveis de rubídio têm sido observados empessoas deprimidas e em pacientes com câncer; níveis elevadospodem interferir com a absorção de iodo pela tireoide, além decausar mudanças de comportamento em certos indivíduos.Alguns sais de rubídio podem gerar quadros de sensibilização(em animais foram relatados casos de alucinação auditiva pelaintoxicação aguda com este metal).Tálio (Th) Em 1861, o físico inglês William Crooks descobriu umaamostra de minério que, quando aquecido, apresentava umalinha verde brilhante, deu-lhe então o nome de tálio quesingnifica ¨ramo verde¨. É muito utilizado em formulaçõesraticidas. Desde 1972, sua utilização nessas formulações estáproibida, devido a vários acidentes fatais. O tálio é um importante tóxico, tanto no campoocupacional, como para a população em geral, embora aprodução mundial seja pequena (5 ton/ano). Seus sais sãosolúveis em água e geralmente não possuem sabor ou odorcaracterístico, o que facilita a intoxicação. Acumula-se no corpoda mesma maneira que o chumbo e o mercúrio; é antagonizadopor compostos contendo selênio e enxofre e seu nível corporalpode ser medido no cabelo, mas não no sangue. Fontes comunsde tálio incluem frutos do mar (concentram tálio até 700 vezes),cigarro, água, indústria de componentes eletrônicos, fuligem ealguns fertilizantes.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 301 O tálio é absorvido de maneira rápida e completa, quandoingerido. Se inalado, ou em contato com a pele, o período delatência até o aparecimento dos sinais é muito grande. Sinais detoxicidade incluem a alopecia universal (2 ou 3 semanas após aexposição), distúrbios neurológicos, insônia, problemascardíacos, distúrbios visuais, lesões cutâneas, intestinais erenais, alterações hepáticas funcionais e lesão hepática. Os saisde tálio atravessam com facilidade a barreira placentária,atuando como abortivos. Não existe antídoto, nem tampouco tratamento específicopara o tálio. A terapia com quelantes está formalmente contra-indicada, pois pode piorar a evolução clínica do intoxicado.Antigamente, era utilizado nas ceras depilatórias. Atualmente,sua utilização mais importante é como rodenticida, o que temocasionado numerosas intoxicações, especialmente entrecrianças e animais. Os combustíveis fósseis, em especial o carvão, podemconter quantidades apreciáveis de tálio, o que acarreta naatmosfera e nos lençóis freáticos elevados níveis, ao redor dascentrais termoelétricas que utilizam o carvão como fontecombustível.Titânio (Ti) Descoberto em 1791 pelo inglês William Justin Gregor,seu nome é uma homenagem aos titãs, heróis da mitologiagrega. O titânio é um elemento metálico abundante (o nono maisabundante na crosta terrestre), com propriedades químicassemelhantes ao zircônio e ao vanádio. Encontra-se em pequenasconcentrações nos produtos vegetais e, em concentrações maiselevadas, nos minerais (especialmente nos minerais de ferro) e
    • 302 METAIS TÓXICOSnas cinzas de carvão mineral. O titânio é considerado ummineral de baixa toxicidade e é absorvido pelo tratogastrointestinal. Níveis elevados de titânio no cabelo podem ser resultadode uma exposição industrial. É utilizado em ligas metálicas e emsolda elétrica, sob a forma de dióxido de titânio. Um pigmento àbase de dióxido de titânio está presente nas tintas,branqueadores para sapatos, plásticos, aditivos para papel,cerâmicas, pomadas médicas e filtros solares com elevadosfatores de proteção (FPS-22, FPS-30 e FPS-60). Um nível alto no cabelo pode ocorrer por umacontaminação externa, devido a tinturas. O dióxido de titânio épraticamente inerte e as formas carbonadas, hidrogenadas, oucloradas do titânio podem ser tóxicas e provocar fibrose nostecidos.Tório (To) Descoberto em 1828 pelo químico sueco Jöns JacobusBerzelius, seu nome é uma homenagem a Thor, deus da guerrana Escandinávia. O tório é um elemento não essencial obtido damonazita, mineral que contém de 3 a 9% de óxido de tório.Possui vários isótopos, todos eles radioativos. O tório 232 temuma meia vida de milhões de anos. O óxido de tório tem o pontode fusão mais alto de todos os óxidos, sendo, por isso, usado naconfecção de camisas para lampiões à gás. Embora não seja bemabsorvido por via oral, o é quando aspirado. Os efeitos daexposição podem aparecer anos, ou até mesmo décadas , após. Os elementos tório e urânio foram colocados nomineralograma para a monitoração dos níveis de radioatividadepresentes na atmosfera, uma vez que, na década de 70, inúmerosartefatos nucleares, com fins militares, estavam sendodetonados, liberando na atmosfera imensa quantidade de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 303material radioativo. A ideia era observar o acúmulo daradioatividade absorvida pelas populações dos diferentes países.Felizmente, na década de 80 esses testes foram banidos e, embreve, a dosagem desses elementos não se fará mais necessária.Tungstênio (W) Em 1783, na suécia, o mineralogista espanhol Don FaustoD´Eluyar, examinando um mineral chamado volfromita, obtidode uma mina de estanho, denominou-o de volfrâmio, o metaldela obtido. Tungstênio significa “pedra pesada na língua”.. O tungstênio é um metal quimicamente semelhante aomolibdênio e ao cromo. O nível no cabelo não estácorrelacionado quantitativamente com a exposição ao metal. Éutilizado em filamentos, componentes eletrônicos, ligasmetálicas, pigmentos, lubrificantes (bissulfato de tungstênio) ena curtição de couros. Acredita-se que a toxicidade do tungstênio envolva umainterferência com as funções biológicas normais do molibdênioe do cromo. Sinais/sintomas de excesso incluem cefaleia,anorexia, cólicas, tremores e asma. O tungstênio inalado podedesencadear tosse e dispneia.Urânio (U) Em 1789, Martin Heinrich Klaproth trabalhando com umpesado minério preto chamado uranita, obteve um compostoamarelo que continha um elemento até então desconhecido. Seunome é uma homenagem ao planeta Urano, descoberto poucosanos antes. O urânio é um elemento estável e relativamenteabundante. Sua toxicologia não é bem conhecida. Dos 3
    • 304 METAIS TÓXICOSisótopos, o U-238 é o único considerado no exame do cabelo erepresenta mais de 99% do urânio encontrado em estado natural.O cabelo é um bom indicador da exposição a este elemento. A maioria das formas de urânio não é bem absorvida pelocorpo. O urânio aspirado é facilmente absorvido pelo tecidoalveolar e forma vários complexos com proteínas, substituindo ocálcio e terminando por se depositar nos ossos. O urânio é utilizado na fabricação de vidros, cerâmicas ecertos compostos químicos. Em algumas regiões, a água potávelé uma fonte considerável de U-238.
    • Capítulo 8 – DOSAGENS DE NUTRIENTES “Nunca andes pelo caminho já traçado, pois ele conduz somente aonde outros já foram.” A.Graham Bell8.1 Mineralograma (Exame do Cabelo) A primeira análise de cabelo (mineralograma) foirealizada em 1858, por Hoppe. Nela, Hoppe determinou osníveis de arsênico no cabelo de cadáveres exumados dez anosapós seu sepultamento. Em 1945, Flesch propôs nova técnica dedeterminação dos elementos-traço presentes no corpo humano,através do exame do cabelo. Em 1954, Goldblum pesquisouníveis de anfetamina nos pelos de cobaias. Na década de 60, omineralograma foi, graças ao desenvolvimento de novas eavançadas técnicas de pesquisa, redescoberto por pesquisadores.Em 1979 Baumgartener determinou a concentração de opiaceosem fios de cabelo. A análise do cabelo é utilizada, frequentemente, em váriospaíses, tendo as mais diversas aplicações: clínicas, ambientais,ocupacionais, forenses, jurídicas, epidemiológicas,antropológicas e estudos históricos. Na Alemanha e Itália é utilizado para pesquisa deexposição de condutores de veículos automotores ao consumode drogas. Na França é utilizado como controle de doping noesporte, especialmente no ciclismo (sua introdução ocorreu noano de 1998). O laboratório Doctor’s Data (Chicago-EUA) foi oprimeiro a colocar o mineralograma na rotina médica (1969).Desde esta época, atua em conjunto com Universidades eInstitutos de Pesquisa, utilizando o mineralograma como
    • 306 DOSAGENS DE NUTRIENTESinstrumento de trabalho. Juntamente com o Argonne NationalLabs, pesquisa o comportamento individual; com a UCLA,pesquisa distúrbios de conduta; com a Jefferson University,analisa o cérebro e outros tecidos; com a Marinha Americana,pesquisa tóxicos e avalia a performance individual; com aUniversidade da Califórnia, acompanha os transplantes renais;com a Universidade da Flórida, tenta relacionar perfis deviolência com os mineralogramas. Trabalha, ainda, em conjuntocom as Universidades da Geórgia, Illinois, Massachusetts,Texas, Wisconsin e Wyoming. Desde 1980, a EnvironmentalProtection Agency (EUA) recomenda o cabelo como o tecido deeleição para a determinação de metais tóxicos em humanos. A determinação de elementos - traço é mais fidedigna serealizada em amostras de tecido (cabelo, pele ou unha), sendomais facilmente realizada no cabelo. Os níveis dos mineraispresentes são 10 a 15 vezes maiores do que os níveissanguíneos. O couro cabeludo humano possui, em média, de80.000 a 150.000 fios, sendo que 10.000 estão em repouso e 100fios caem por dia. O cabelo é composto por água (4 a 13%),proteínas (85 a 93%), lipídios (2,5 %) e resíduos (0,21 a 0,80%).Os macroelementos do cabelo são: carbono (46%), nitrogênio(16%), enxofre (4%), oxigênio (28%) e cálcio (0,3%); outrosminerais apresentam-se como microelementos ou elementos-traço. O cabelo cresce à razão de 0,25 mm por dia. As pessoasruivas possuem maior número de fios do que as morenas, sendoque a cor é determinada por grânulos de pigmentos que seacumulam em sua capa exterior. Um fio de cabelo pode durar de8 meses a 5 anos. São fatores que interferem na saúde do cabelo: raça, sexo,idade, tinturas, estado nutricional (a má nutrição altera odiâmetro do pêlo, a velocidade do crescimento, a resistência e acomposição química), etc.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 307 O cabelo ideal para a realização do mineralograma é o docouro cabeludo; na falta deste, determinações podem serrealizadas em pelos axilares ou pubianos. Neste caso,obrigatoriamente deve ser mencionada a fonte, pois ainterpretação é diferente. O cabelo da cabeça revela a situaçãoatual do indivíduo (últimos dois meses), ao passo que os pelosaxilares e pubianos refletem períodos mais prolongados, por nãoestarem em constante crescimento e renovação. A coleta é feita com tesoura de aço inoxidável, tendo ocuidado de cortar o cabelo rente ao couro cabeludo. Sãoutilizados apenas os dois centímetros proximais, sendo orestante desprezado, pois interessa avaliar apenas o perfilmineral dos últimos dois meses do paciente. A amostra(com 250mg) é colhida de vários locais da região occiptal,por ser esta a mais irrigada, portanto em maior contato com oselementos trazidos pela corrente circulatória. A amostra a ser encaminhada para determinação não podehaver recebido tintura e/ou permanente nos últimos 3 meses,uma vez que estes procedimentos interferem diretamente comalguns elementos do mineralograma. Xampus anticaspa tambémnão devem ser usados até 7 dias antes da coleta do material, pelapossível interferência com dosagens de selênio e/ou de zinco. Éindicado lavar o cabelo com um xampu neutro durante umasemana antes da realização do exame. A amostra ideal de cabelo deve pesar pelo menos 250mg.Quantidades menores apresentam resultados menos fidedignos,porque sofrem a aplicação de um fator para “corrigir” a amostra;assim, pequenos “desvios” podem ser distorcidos, tornando oexame impreciso. Um bom mineralograma examina, pelo menos, 20elementos. Existem 6 grandes laboratórios internacionaisrealizando este exame, que utilizam a técnica denominada
    • 308 DOSAGENS DE NUTRIENTES“espectrofotometria de absorção atômica”. Os mais conhecidossão os laboratórios Doctor’s Data (Chicago), Trace Minerals(Bolder), Trace Elements (Dallas), Omega Tech (Cleveland) eGreat Smokies Diagnostic (Asheville). As concentrações dos elementos no cabelo são cerca de 10vezes maiores do que no sangue ou na urina (alguns chegam a50 vezes, como o cromo, por exemplo). Os laboratórios deanálises clínicas tradicionais estão aptos a quantificar macro-minerais (cálcio, magnésio, potássio, sódio, fósforo, enxofre),mas não possuem instrumental para a determinação deelementos-traço no sangue, o que requer uma técnica maissensível e apurada (como a espectrofotometria por absorçãoatômica, capaz de detectar elementos na proporção de 1:1bilhão). Para a detecção de minerais tóxicos, o cabelo é maisindicado do que o sangue ou a urina. Os quadros de referência dos mineralogramas baseiam-seem estudos sobre uma população de indivíduos saudáveis, deambos os sexos, respeitada a faixa etária. Com os níveis eproporções de minerais obtidos nesses grupos, uma curva deGauss foi traçada e os desvios padrão foram computados. Noquadro de referência, um desvio padrão acima/abaixo da médiaequivale a 68% da população. Dois desvios padrão acima ouabaixo da média, contém 95% desta população. Mais que doisdesvios padrão indicam o nível (acima e abaixo) em que se achaaproximadamente 5% (ou menos), da população saudávelselecionada. Ao interpretar um relatório de análise do cabelo, há de seficar atento aos elementos cálcio, magnésio e zinco. Valoresbaixos indicam uma carência; valores “normais” podem nãocorresponder à realidade e altos níveis, via de regra, refletemseu deslocamento dos sítios fisiológicos (má distribuição),devido ao déficit corporal total.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 309 O cabelo, sendo um tecido excretor, contém umavariedade de minerais provenientes de outros tecidos. Os níveisdos diferentes minerais nele depositados refletem o excesso, adeficiência ou a má distribuição destes elementos no organismoe sua implicação nos processos biológicos dos quais participam.O exame do cabelo é um importante teste auxiliar nodiagnóstico da gênese de diversas patologias e em seuacompanhamento clínico. O cabelo reflete as reservas mineraisdo corpo, acusando precocemente os desequilíbrios a nívelintracelular, bem como o acúmulo de elementos tóxicos nostecidos. Algumas particularidades devem ser previamenteconhecidas. Sabe-se, por exemplo, que o cabelo ruivo apresentamaiores teores de ferro, enquanto que o cabelo grisalho é pobreem minerais, especialmente em cálcio (os níveis normais decálcio neste tipo de cabelo ainda não estão bem estabelecidos). A correlação entre os níveis anormais no mineralograma eas enfermidades depende de muitos fatores. Excessos oudeficiências podem ser subclínicos, devido a uma compensaçãometabólica. Certas patologias também podem estar presentessem que resultados anormais sejam detectados no exame docabelo. Os níveis de alguns minerais (selênio, zinco, enxofre ecobre) podem ser influenciados por fontes externas comoxampus, algicidas usados em piscinas e produtos cosméticos. O primeiro estágio dos mecanismos patogenéticos dedoenças carenciais é a ingesta insuficiente de oligoelementos; asegunda etapa é a compensação metabólica, que ocorre com oestabelecimento dos sistemas alternativos; a terceira, é adescompensação dos sistemas metabólicos, e a quarta é a fasedas modificações bioquímicas e funcionais, que se caracterizapelo surgimento de sinais e sintomas. O excesso de minerais tóxicos, além do desvio-padrão,contribui para o desequilíbrio dos minerais nutrientes. Ummineral altamente tóxico ou uma combinação de minerais
    • 310 DOSAGENS DE NUTRIENTEStóxicos será tipicamente acompanhado por um baixo índice decálcio, magnésio e zinco no cabelo, e um índice elevado desódio, potássio e boro. O pêlo pubiano é ideal para confirmar oudescartar a intoxicação crônica por metais pesados, pois eliminaa possibilidade de contaminação externa. Os níveis urinários sãoaferições dos elementos circulantes excretados por umdeterminado período de tempo, sendo um exame útil nasintoxicações agudas por elementos tóxicos; ainda, para detectara excreção aumentada de minerais nutrientes. A deficiência de HCl prejudica a digestão de proteínas,possibilitando a formação de peptídeos antigênicos, causadoresde alergias alimentares. As enzimas digestivas (lipase, protease,amilase) não são secretadas em níveis fisiológicos, quando o pHdo conteúdo gástrico se encontra elevado; a consequência final éuma queda na absorção de nutrientes. O pH adequado, asenzimas digestivas, os sais biliares e o equilíbrio da floraintestinal são fatores que concorrem para uma boa digestão eabsorção dos alimentos. Níveis baixos de cobre, zinco, manganês, ferro e cromoestão associados à produção insuficiente de HCl, uma vez que aabsorção desses minerais é muito sensível às variações do pH.O HCl é especialmente necessário para a absorção de cálcio,zinco e para a ação das enzimas digestivas, incluindo a própriaanidrase carbônica, enzima zinco-dependente, responsável pelaprodução do HCl (entre outras funções). Torna-se necessário,então, repor o HCl. A reposição deve ser feita de forma lenta egradual, para evitar o surgimento dos sintomas de hiperacidez. A lipase, a amilase pancreática e as proteases sãodeficientemente secretadas quando o pH do suco gástrico estáelevado e isso reduz a absorção de gorduras, proteínas, mineraise vitaminas. Enzimas pancreáticas, pH adequado e uma floraintestinal equilibrada, são elementos essenciais para que se dêuma boa absorção dos nutrientes.
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 311 Bioquímica e imunologicamente, o corpo humano leva até6 meses para recuperar-se de um stress e da síndrome de máabsorção, que provavelmente ocorrerá durante essa fase(demonstrável pelo mineralograma). A análise dos mineraispermite a elaboração de hipóteses diagnósticas. Os resultados,porém, devem ser relacionados à clínica e a outros examescomplementares. Preparados para o cabelo, como tinturas, permanentes edescolorantes, são a causa mais comum da elevação de certoselementos no mineralograma, como por exemplo o níquel,cálcio, magnésio, cobalto, iodo, cobre, cromo, prata, estrôncio,cádmio, chumbo e titânio. O número de elementoscontaminantes presentes e a intensidade dos desvios dependemda composição de cada produto. Personalidade violenta pode ser evidenciada nomineralograma pelo aumento de magnésio, cálcio, sódio epotássio, combinado com a diminuição dos teores de cobalto elítio. É comum a presença concomitante de um ou mais metaispesados. O manganês pode apresentar-se diminuído ou elevado.Drogas, stress e álcool podem favorecer a expressão dapersonalidade violenta. Cabelos grisalhos possuem menor teor de minerais(especialmente cálcio); habitualmente, porém, encontram-secabelos de coloração normal na região occiptal, de onde écolhida a amostra para o mineralograma. Em janeiro de 1985, a Corte Federal de Justiça do Estadoda Virgínia (EUA) reconheceu a análise capilar como métodocientífico fidedigno para a determinação de minerais tóxicos,em processos judiciais. Hoje, o Departamento de Justiça dosEUA tem o mineralograma como um dos métodos oficiais paraa determinação e a dosificação de drogas, como maconha,cocaína e heroína.
    • 312 DOSAGENS DE NUTRIENTES Os distúrbios de aprendizado, frequentemente, envolvemdéficit dos oligoelementos: manganês, cromo, cobalto e lítio, eexcesso dos metais tóxicos chumbo, cádmio, mercúrio ealumínio. O laboratório Doctor’s Data coloca à disposição dacomunidade científica brasileira um serviço de informaçõestécnicas sobre a análise do cabelo e sua interpretação. Esteserviço está disponível, diariamente, através da “hot-line” 00-1-630-323-2784 ou por correspondência para o endereço: P.OBox 111, 30 W 101 Roosevelt Rd, West Chicago, IL, 60.185,USA. Várias podem ser as causas da má-absorção, que secaracteriza no mineralograma pelo déficit de 5 ou maiselementos (acima de 2 desvios-padrão). A má absorção podeestar relacionada à digestão inadequada (p.e., nas deficiênciasenzimáticas ou de sais biliares, na hipocloridria e no stress) ou àabsorção inadequada (como ocorre nas doenças crônicasintestinais, nas alterações específicas das células da mucosaintestinal, nas infecções, infestações, etc). A absorção excessivade alguns elementos, como o cálcio na hipervitaminose D, ou oferro na hemocromatose, ocorre na chamada “má absorçãohiperabsortiva”, e é evidenciada no mineralograma. Alteraçõesna permeabilidade seletiva intestinal permitem a absorçãoindiscriminada de substâncias presentes no conteúdo intra-luminal (como minerais tóxicos, p.e.). Durante o stress, aliberação maciça de adrenalina leva à produção excessiva deRLs (uma molécula de adrenalina gera dois RLs), que provocamalterações na permeabilidade intestinal. O uso crônico de antagonistas H2 (cimetidina, ranitidina)resulta na carência de zinco e vitamina B6, devido àhipocloridria. Deficiência de vitamina B12 também costumaacompanhar o quadro. A administração diária de Betaína HCl500mg, lactobacilos 100mg, zinco 10mg, vitamina B6 50mg e
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 313vitamina B12 1000mcg, durante 90 dias, produz sensívelmelhora nos quadros de má absorção que cursam comhipocloridria. O uso indiscriminado de antibióticos e as alergiasalimentares também alteram a permeabilidade seletiva. Em 82%dos pacientes com alergias alimentares ocorre esta alteração; nadoença de Crohn, em 100% dos pacientes; na colite ulcerativa,em 45%. No mineralograma, essa patologia é observada pelaelevada absorção de elementos tóxicos e de outros minerais. A absorção de vitaminas e minerais é alterada peladisbiose intestinal (desequilíbrio entre a flora normal e apatogênica). O intestino humano abriga 50 bilhões de bactérias;1% delas, patogênicas. A disbiose pode ser desencadeada pelostress, giardíase, alcoolismo, quimioterapia, baixa de imunidade,envelhecimento, corticoides e radiação. As bactérias saprófitasproduzem antibióticos naturais, além de ter funções digestivas eimunológicas (aumentam a resistência às infecções); ainda,concorrem para a manutenção do pH intestinal, regulação damotilidade intestinal, produção de energia, absorção devitaminas e produção de enzimas. As proporções entre minerais avalia a inter-relaçãofisiológica existente entre importantes minerais presentes noorganismo. O balanço mineral é tão importante quanto seusníveis individuais, e as “ratios” refletem a relação que deve sermantida constantemente entre eles. Algumas rátios mostram ainter-relação entre importantes elementos minerais e metaistóxicos específicos; o desequilíbrio entre um mineral tóxico eum nutriente pode indicar a interferência daquele na fisiologiadeste (absorção diminuída e/ou consumo metabólicoaumentado). Disfunções metabólicas não ocorrem,necessariamente, como resultado de um excesso ou deficiênciade um mineral; frequentemente, decorrem de um balançoanormal entre os minerais. As anormalidades observadas (entredois minerais ou entre um mineral e um metal tóxico) são muitoimportantes; as causas do desbalanceamento devem ser
    • 314 DOSAGENS DE NUTRIENTESinvestigadas e o equilíbrio bioquímico restabelecido. Cada pessoa se expõe a metais tóxicos em intensidadevariável e a retenção destes depende da suscetibilidadeindividual. O equilibro entre nutrientes e tóxicos pode ser umfator determinante na proteção do organismo (por exemplo,níveis fisiológicos de cálcio e ferro diminuem o risco deacumulação de chumbo). O custo de uma análise do cabelo (mineralograma) é cercade setenta dólares, nos laboratórios especializados. Outros laboratórios de referência que também realizam omineralograma são listados abaixo:European Laboratory of NutrientsDosagem de vitaminas e nutrientesKanaalweg 17 G.3526 KL Utrecht. HolandaOmegatech IncMineralograma241700 Center Ridge Road suite 113Cleveland . Ohio. 44145 USATrace Elements Inc (Mineralograma)4901 Keller Springs 106-cDallas.Texas. 75248 USA
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 315Mineralograma do Laboratório Doctor’ s Data (EUA)
    • 316 DOSAGENS DE NUTRIENTES8.2 Vitaminograma A analise dos níveis corporais do conjunto de vitaminaspode ser realizada a partir de uma amostra de sangue, através doexame chamado vitaminograma, cujo custo oscila próximo aossetenta dólares e pode ser solicitado junto aos laboratóriosespecializados. Existem, em nível mundial, vários laboratórios realizandoa dosagem de vitaminas através do vitaminograma. Um doslaboratórios de referência é o laboratório Vitamin DiagnosticsInc., localizado na cidade de Nova Jersey (EUA). As vitaminas e nutrientes dosados pelo vitaminogramasão: vitamina A, Betacaroteno, vitamina B1, vitamina B2,vitamina B3, vitamina B5, vitamina B6, biotina, ácido fólico, vitB12, vitamina C, vitamina D, vitamina E, inositol, colina,carnitina, ácido lipoico. Outros laboratórios de referência que também realizam ovitaminograma são listados abaixo:European Laboratory of NutrientsDosagem de vitaminas e nutrientesKanaalweg 17 G.3526 KL Utrecht. HolandaGreat Smokies Diagnostic Laboratory (Mineralograma evitaminograma)63 Zillicosa st. Ascheville.NC.28801-1074Vitamin Diagnostic Inc (Vitaminograma)Route 35 Industrial DriveCliffwood Beach. New Jersey.07735 USA
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 317Vitaminograma do Laboratório Vitamin Diagnostics,Inc. (EUA)
    • 318 DOSAGENS DE NUTRIENTES8.3 Aminoacidograma O aminoacidograma é um moderno exame de análise doconteúdo de aminoácidos circulantes na corrente sanguínea,através do sistema HPLC (de alta resolução e precisão dedosagens). A amostra coletada permite a identificação emensuração de 44 aminoácidos essenciais, não essenciais, ouenvolvidos em importantes rotas metabólicas de nossoorganismo. A suplementação dos aminoácidos em falta corrige ascarências observadas no exame. Em caso de excesso de algumaminoácido, a correção pode se dar pela supressão doaminoácido em questão, via fonte alimentar, ou pela utilizaçãode outro aminoácido antagonista, competindo pelo mesmo sítiode absorção. Vários laboratórios, em diversos países, realizam adosagem de aminoácidos pelo aminoacidograma. Um laboratório de referência é o laboratório americanoDoctors Data, localizado na cidade de Chicago. Para a realização do aminoacidograma, a partir da urina de24 horas, a dieta alimentar deve ser mantida sem alterações.Suplementos nutricionais devem ser interrompidos desde 4 diasantes da coleta. Devido à possibilidade de interferência das medicações naanálise, medicamentos não essenciais devem ser interrompidosquarenta e oito horas antes do início da coleta. Se foi utilizadamedicação essencial, o paciente deve indicar o nome damedicação e quais as quantidades dosagens. Adoçantes artificiais à base de aspartame devem serevitados nas 48 horas que antecedem o exame, pois podemelevar os níveis de ácido aspártico e de fenilalanina. O custo médio de um aminoacidograma é de cerca de
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 319setenta dólares. Outros laboratórios de referência que também realizam oaminoacidograma são listados abaixo:European Laboratory of NutrientsDosagem de vitaminas e nutrientesKanaalweg 17 G.3526 KL Utrecht. HolandaLaboratory Doctor’s Data (Mineralograma e aminoacidograma)P.O Box 111170 West Roosevelt RoadWest Chicago - IL - 60185 – USA
    • 320 DOSAGENS DE NUTRIENTESAminoacidograma do Laboratório Doctor’s Data(EUA)
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 3218.4 Dosagens de nutrientes no sangue, hemácias eurina de 24 horas No passado os laboratórios de análise ofereciam aopúblico pequeno número de dosagens (em torno de 70 exames). Hoje, estima-se em cerca de dois mil e quinhentos onúmero de exames realizados, oferecendo apoio ao raciocínioclínico e possibilitando a confirmação de diagnósticos. Além das clássicas avaliações dos níveis de minerais emetais tóxicos no cabelo, vitaminas no vitaminograma eaminoácidos no aminoacidograma, dosagens hormonais, denutrientes, de enzimas e de neurotransmissores, podem serrealizadas laboratorialmente, no sangue total, nas hemácias ouna urina. As deficiências atuais de minerais (boro, cálcio, cobre,cromo, lítio, magnésio, potássio, selênio, vanádio e zinco),aminoácidos (essenciais e não essenciais), vitaminas (todas elas)e demais nutrientes são muito bem avaliadas através de pesquisaem amostras de sangue total ou nas hemáceas. A avaliação de metais tóxicos e a avaliação da quantidadee velocidade dos nutrientes eliminados durante o processoterapêutico é feita com amostra de urina de 24 horas. Já o equilíbrio crônico dos minerais e de metais tóxicos émelhor avaliado e quantificado através do mineralograma. Um laboratório de referência nas dosagens de nutrientes eradicais livres é o Laboratório Dr. Rouget Perez (Pelotas/RS),que oferece extensa relação de exames. A avaliação dos níveis de hormônios, enzimas,metabólitos, aminoácidos ou neurotransmissores é interessante eimportante, pois quadros de carência ou excesso podem estarrelacionados a patologias.
    • 322 DOSAGENS DE NUTRIENTES Dosagens como AMP cíclico, alfa 1 anti-tripsina, amilase,anticorpos, antimitocôndrias, catecolaninas, adrenalina,noradrenalina, dopamina, serotonina, melatonina, níveis deradicais livres totais, níveis de antioxidantes totais, catalase,Gpx, SOD, homocisteína, ceruloplasmina, DHEA, ferritina,fosfolipídios, taurina, tirosina, citrulina, metionina, leucina,isoleucina, ou valina, fazem parte das rotinas dos bonslaboratórios de referência. Informações sobre outras dosagens, condições de coleta,preço, tempo de jejum e outros detalhes podem ser obtidos juntoaos laboratórios especializados. Interpretação de Resultados dos Exames para Avaliação de Radicais Livres Resultados acima dos valores de referência indicam altaprodução de Radicais Livres. A melhor maneira de avaliar onível de agressão dos RLs num paciente é utilizando osseguintes exames: LDL peroxidada e Anti-LDL (AnticorposAnti-LDL oxidada) no sangue, e MDA (Dialdeído malônico) naurina, em conjunto com a dosagem de antioxidantes totais doorganismo. É importante comparar a quantidade produzida deRLs com a capacidade antioxidante do organismo.Fonte: Informativo Toxilab. Porto Alegre/RS, 2005
    • NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 323 Exames Laboratoriais para avaliação de Radicais Livres LDL Peroxidada Anti-LDL (Anticorpos Anti- LDL oxidada)É a expressão de radicaislivres no sangue. Partículas de É a expressão dos processosLDL são muito sensíveis à oxidativos in vivooxidação por Radicais Livres, Há evidências de que osgerando LDL peroxidada. anticorpos Anti-LDL oxidadaA peroxidação da LDL dentro são um espelho das reaçõesda parede dos vasos pode ter oxidativas que estão ocorrendouma série de efeitos deletérios in vivo. Elevados níveis de(lesão ateroesclerótica, anticorpos Anti-LDL oxidadaestimulação da produção de foram detectados na correntecitotoxinas). As consequências sanguínea de pacientesclínicas destes fatos são bem portadores de doençaconhecidas, como o infarte do coronariana; recentes estudosmiocárdio e derrame cerebral. mostram a correlação entreMaterial: Sangue (soro) anticorpos Anti-LDL oxidados eValor de referência: 0,33 a a progressão da ateroesclerose0,60nmol/mg de apoproteína da carótida.Valor Desejável: inferior a Material: Sangue (soro)0,50nmol/mg de apoproteína Valor de referência: 150 a 800nmol/ml Fonte: Informativo Toxilab. Porto Alegre/RS, 2005
    • 324 DOSAGENS DE NUTRIENTES Exames Laboratoriais para avaliação de Radicais Livres MDA – dialdeído malônico EXAME LABORATORIAL PARA DOSAGEM DEÉ a expressão de radicais ANTIOXIDANTESlivres na urina.O dialdeído malônico (MDA) é Dosagem de antioxidantesum produto da lipoperoxidação; totaisa dosagem dos lipoperóxidos na Avalia a defesa anti-urina é uma avaliação indireta Radicais Livres.da ação dos radicais livres. Mede todos os antioxidantesMaterial: Amostra de urina presentes no sangue.Valor de referência: inferior a Material: Sangue (soro)10,0nmol/mg de creatinina Valores de Referência: 1,28 aValor desejável: inferior a 1,83nmol/l7,0nmol/mg de creatinina Valor desejável: 1,60nmol/l Fonte: Informativo Toxilab. Porto Alegre/RS, 2005
    • BIBLIOGRAFIAA CHAVE DA LONGEVIDADEHelion Póvoa Filho. Editora Objetiva. Rio de Janeiro, 2000.A MENTE CRIATIVAJuarez Callegaro. Edição do autor. Porto Alegre, 2005AMINO ACIDS BOOKCarlson Wade’s. Keats Publishing. New Canaan. 1985.AMINO ACIDS IN THERAPYLeon Chaitow, D.O., Healing Arts Press, Rochester. 1988.ANTIOXIDANTS IN NUTRITION, HEALTH AND DISEASEJohn Gutteridge and Barry Hallywell. Oxford University Press. Boston. 1994ANTIOXIDANT REVOLUTIONKenneth H. Cooper’s. Thomas Nelson Publishers. Atlanta. 1994A REVOLUÇÃO DOS NUTRIENTESJosé Gilberto Perez de Moura. Gráfica Mundial Pelotas 4ª edição 2004AS VITAMINAS - DO NUTRIENTE AO MEDICAMENTOJ.L.Guilland e B. Lequeu. Livraria Santos. São Paulo.1995CIENCIA DE LOS ALIMENTOS, NUTRICION Y SALUDFox Cameron. Noriega Editores. México. 1992.CLINICAL, BIOCHEMICAL AND NUTRITIONAL ASPECTS OFTRACE ELEMENTS A.S.Prasad. Ed.A.R.Liss. New York. 1982.COMO VIVER MAIS E MELHORLinus Pauling. Ed. Best Seller. São Paulo. 1988DIET AND DISEASEE. Chereskin; W. M. Rimgsdorf and J. W. Clark. Keats Publishing. NewCanaan. 1994
    • 326DIETA DO MEDITERRÂNEO, Equipe ABC de Saúde.Porto Alegre/2005.DIGESTIVE ENZYMESJeffrey Bland. Keats Publishing. New Canaan. 1993ENCICLOPÉDIA DE VITAMINAS E MINERAISSheldon Hendler. Ed. Campus. Rio de Janeiro. 1994FREE RADICALS AND DISEASE PREVENTIONDavid Lim. Keats Publishing. New Canaan. 1993FREE RADICALS IN AGINGByum Pal Yu. CRC Press. New York. 1993FREE RADICALS IN BIOLOGIC MEDICINEHalliwell, Gutterodge. Oxford Press. London. 1995HAIR ANALISYSInterpretation Guide. Lab. Doctor’s Data. Chicago. 1994HAIR, TRACE ELEMENTS AND HUMAN ILLNESA.C.Brow e Robert Crounse. Editora Praeger. New York. 1980.INTRODUTION A LA NUTRITION Y EL METABOLISMDavid A. Bender. Ed. Acribia. Barcelona. 1993LA LÓGICA DEGLI OLIGOELEMENTIBruno Brito. Edit.Techniche Nuove. Milão. 1993LA REVOLUTION DE LOS FARMANUTRIENTESR.Firshein .EDAF.Madri .2000LIPOIC ACID: THE METABOLIC ANTIOXIDANTRichard Passwater. Keats Publishing. New Canaan. 1995LOS ACEITES OMEGAJonathan Christie. Ediciones Urano. Buenos Aires. 1993
    • 327LOS ANTIOXIDANTES Y LA SALUDRobert Youngson. EDAF. Buenos Aires. 1994MAGNÉSIO: MITOS E REALIDADEJean Lederer. Ed. Manole. São Paulo. 1991MANUAL DAS NECESSIDADES NUTRICIONAIS HUMANASOrganização Mundial da Saúde, Editora Atheneu, 2005.MANUAL DE INTERPRETAÇAO DO MINERALOGRAMAE.Olszewer, B. Smith e S. Laganá. Tecnopress.1998. São PauloMEDICINA NUTRICIONAL VOLs.I, II e IIIMario Sanchez e Martina Sanchez. Ymeri Publicações. São Paulo. 1993MEDICINA ORTOMOLECULARPaulo Roberto Carvalho. Editora Nova Era Rio 2004.MEDICINA ORTOMOLECULAR - NATURE SALUTEAdolfo Panfili. Edit. Techniche Nuove. Milão. 1994MELATONINARusser J. Reter and Jo Robinson. Ed. Record. Rio de Janeiro. 1996MELATONINA - O RELÓGIO BIOLÓGICOHelion Póvoa, C. Mendes, Denise Pifano. Ed. Imago. Rio de Janeiro. 1996MENTAL AND ELEMENTAL NUTRIENTSCarl C. Pfeifer. Keats Publishing. New Canaan. 1975MICRONUTRIENTS IN HEALTH AND IN DISEASE PREVENTIONA. Bendich e C. Butterworth..Marcel Dekker inc. Nova Iork 1991MODERN NUTRITION IN HEALTH AND DISEASEShils, Olson e Shike – Williams e Wilkins, Media, USA – 1994.NUTRIÇÃO CEREBRAL.Póvoa, H.:Callegaro J.Editora Objetiva.Rio. 2006
    • 328NUTRICION Y NUTRIENTESAnderson, Mitchell, Rynbergen. Edicions Bellaterra. Barcelona. 1994NUTRITION AND MENTAL ILLNESSCarl C. Pfeiffer. Healing Arts Press. Rochester. 1987NUTRITION: ESSENTIALS AND DIET THERAPYCharlotte Polemam. W.B.Saunders. Philadelphia. 1995NUTRITIONAL BIOCHEMISTRY AND METABOLISMMaria C. Linder. UCLA. California. 1994NUTRITIONAL EPIDEMIOLOGYWalter Willet. Oxford University Press. New York. 1990.NUTRITIONAL INFLUENCES ON ILLNESSMelvyn R. Werbach. Third Line Press. Tarzana. 1991NUTRITIONAL INFLUENCES ON MENTAL ILLNESSMelvyn R. Werbach. Third Line Press. Tarzana. 1992O PERIGOSO RADICAL LIVREEfraim Olzhewer. Nova Linha Editorial. São Paulo. 1994OLIGOELEMENTOS EM BIOQUÍMICAWilliam Peres. Educat. Pelotas. 1995ÔMEGA-3 & ÔMEGA-6Luiz Alberto Fagundes. AGE Editora, Porto Alegre, 2002.ORTHOMOLECULAR MEDICINE FOR PHYSICIANSAbram Hoffer. Keats Publishing. New Canaan. 1989OS RADICAIS LIVRES EM 10 PERGUNTASMarie Therese Droy Lefrx. F.E. Byk. São Paulo. 1993PDR FOR NUTRITIONAL SUPPLEMENTSThomson Healthcare.Medical Economics. 1ª edição, 2001, NJ.
    • 329RADICAIS LIVRES EM MEDICINAK.H.Cheesman e T.F.Slater. Interlivros. São Paulo. 1996RADICAIS LIVRES EM MEDICINA HUMANAHelion Povoa Filho. Ed. Imago. Rio de Janeiro. 1994RADICAIS LIVRES EM NÍVEIS BIOLÓGICOSWilliam Peres. Educat. Pelotas. 1994RADICAIS LIVRES EM PATOLOGIA HUMANAHélion Póvoa Filho. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1995.RADICAIS LIVRES - MECANISMO DE LESÃO TECIDUALMary Moslen e Charles Smith. Interlivros. São Paulo. 1996REALITES OF NUTRITIONR.Deutsch e J.Morril. Bull Publishing. Palo Alto. 1993RECOMMENDED DIETARY ALLOWANCESNational Research Council. Ed.Academy Press. Washington D.C. 1989SMART DRUGS AND NUTRIENTSWard Dean and John Morgenthaler. Health Freedom Publications. MenloPark. 1993SMART NUTRIENTSAbram Hoffer and Morton Walker. Avery Publishing. Santa Cruz. 1994SUPER NUTRITIONRichard Passwater. Simon & Schuster, New York 1991TERAPIA ORTOMOLECULAR ANTIOXIDANTES RADICAIS LIVRESJorge Martins de Oliveira. Brumar Ed. Rio de Janeiro. 1994THE ANTIOXIDANTSRichard Passawater. Keats Publishing. New Canaan. 1985THE AMINO REVOLUTIONRobert Erdmann, Ph.D., Simon & Schuster, New York. 1987.
    • 330THE ESSENTIAL GUIDE TO VITAMINS AND MINERALSElisabeth Somer. Harper Colins Publishing. New York. 1992THE HEALING NUTRIENTS WITHINEric R. Braverman and Carl C. Pfeiffer. Keats Publishing. New Canaan.1993THE HEALING FACTOR: VITAMIN C AGAINST DISEASEIrvin Stone. Grosset Dunlap, New York 1972THE NEW SUPER NUTRITIONRichard A. Passwater. Pocket Books. New York. 1991THE NUTRITION SUPER BOOKJean Barilla. Keats Publishing. New Canaan. 1995THE RIGHT DOSEPatricia Hausman, Ballantine Books, New York. 1989.THE VITAMIN CONTROVERSYEmanuel Cheraskin. Keats Publishing. New Canaan. 1990THE VITAMIN STRATEGYArt. Ulene and Val Ulene. Ulysses Press. New York. 1994THE VITAMINS CONTROVERSY PSYCHO DIETETICSEmanuel Cheraskin . Bio Communications Press. Kansas. 1988TOTAL NUTRITION GUIDEJean Carper. Bantan Books. New York. 1989TOXIC METAL SYNDROMEH.Richard Casdorph e Morton Walker, Avery Publishing. New York. 1995.TOXICOLOGICAL PROFILE FOR LEADAgency for Toxic Substances and Disease Registry. Washington D.C.ATSDR 1990TOXICOLOGIA INDUSTRIALRoberto Goes. Ed. Revinter. Rio de Janeiro 1997
    • 331TRATADO DE MEDICINA ORTOMOLECULARE.Olszewer.Nova linha Editorial.São Paulo 1997TRACE ELEMENTS, HAIR ANALYSIS AND NUTRITIONRichard Passwater, Elmer Cranton. Keats Publishing. New Canaan. 1983TRACE ELEMENTS IN HUMAN HEALTH AND DISEASE VOL.IAnanda S. Prasad and Donald Oberleas. Academic Press. New York. 1976TRACE ELEMENTS IN HUMAN HEALTH AND DISEASE VOL.IIAnanda S. Prasad and Donald Oberleas. Academic Press. New York. 1976TRACE ELEMENTS, MICRONUTRIENTS AND FREE RADICALSJ.E.Dreosti. Ed.Humana Press. 1991.TRACE ELEMENTS IN HUMAN AND ANIMAL NUTRITION – 5ªEditionWalter Mertz, Academic Press. New York. 1986TRACE ELEMENTS IN HUMAN AND ANIMAL NUTRITIONUnderwood, E. J., Academic Press, 1977.TRACE SUBSTANCES IN ENVIRONMENTAL HEALTHHemphill, D.D.,Ed. University of MO, 1992.VITAMIN C - THE MASTER NUTRIENTSandra Goodman. Keats Publishing. New Canaan. 1991VITAMINA EHerbert Bailey. Carroll e Graf Publishers. New York. 1993VITAMINAS – ASPECTOS NUTRICIONAIS, BIOQUÍMICOS,CLÍNICOS E ANALÍTICOSMarilene De Vuono Camargo Penteado. Ed. Manole, SP, 2003.VITAMINAS - GUIA PRÁTICO DAS PROPRIEDADES E APLICAÇÕESEarl Mindell. Ed. Melhoramentos. São Paulo. 1996
    • 332REVISTAS CONSULTADASAmerican Journal of Clinical Nutrition 34 (1991): 1347-1355American Journal of Clinical Nutrition 47 (1988): 879-883American Journal of Clinical Nutrition – 57, 47-53 (1993)American Journal of Clinical Nutrition – 53, 2835-2865 (1991)American Journal of Clinical Nutrition – 61, 848-852 (1995)American Journal of Clinical Nutrition – 36(1996): 776-787American Journal of Clinical Nutrition – 41(1985): 1177-1183American Journal of Clinical Nutrition – 42 (4): 656-659 (1985)American Journal of Clinical Nutrition – 30: 630-631 (1977)American Journal of Clinical Nutrition-70(4):490-4 (1999)Annals of New York Academy of Science – 585, 295-301 (1990)Annals of New York Academy of Science – 738, 257-264 (1994)Annals of New York Academy of Sciences 774 (1995): 128-142Annual Review of Nutrition – 10, 357-382 (1992)Annual Review of Nutrition – 08, 565-583 (1988)Axelrod - Universidade de Pittsburgh - Acta Pediátrica (1971)Biol. Trace Elements Research – 35, 3 (1992)British Journal of Dermatology (1984)Brithish Medical Journal – 2, 303-305 (1979)Current Therapy Research – 51S, S668-S6672 (1992)Free Radical Biol Med – 19, 227-250 (1995)Free Radical Research – 17, 211-217 (1992)International Journal of Vitamins and Nutrients Research -1996JAMA – 269, 898-903 (1993)JAMA – 269, 1257-1261 (1993)Journal of American Dietetic Association – 75, 23-24 (1979)Journal of the American College of Nutrition- vol.19. no. 5:563-569. (2000).Journal of Applied Physiology 74 (1993): 965-969Journal of Clinical Nutrition - E. Prienard e S. Gershoff - Universidade deHarvard – American (1967)Journal of Optimal Nutrition – 21, 36-53 (1993)Journal of Pineal Research 18 (1995): 1-11Journal of The American College of Nutrition – 15 (1996): 520Lancet – I, 657-658 (1983)Lancet – 1, 1245 (1985)Lancet – Absortion of Lead – July, 16 (1988)Lancet – September, 16 (1989)Lancet 345 (1995): 1408Medicine Biological – 60, 45-48 (1982)
    • 333National Research Council – 376-379 (1989)New England Journal of Medicine – 309, 1 (1983)New England Journal of Medicine – 308, 23 (1983)New England Journal of Medicine – 313, 70-73 (1985)New England Journal of Medicine – 325, 1399-1405 (1991)New England Journal of Medicine – 328, 1444-1449 (1993)Nutritional Health – 1, 66-77 (1982)Nutrition Research 7 (1987): 139-149Nutritional Reviews – 41, 197-201 (1983)Proceedings of National Academy of Science 91 (1994): 1824-1828Proceedings of National Academy of Science 71 (1974): 1456Revista de Nutrição: Lycopeno como agente antioxidante 17(2):227-236,abr.-jun. 2004.Science – 30: 249-531 (1987)
    • ANEXOS
    • 337 DOSAGENS TERAPÊUTICAS USUAIS PRINCÍPIO ATIVO USUAL/24 horas MEGADOSEAcetil-L-carnitina 100 - 500mg 3.000mgÁcido Fólico 0,4 - 5mg 10mgÁcido lipoico 30 - 100mg 300mgBetacaroteno 5.000 - 25.000U.I. 50.000U.I.Boro 0,5 - 2mg 5mgCálcio glicina 100 - 300mg 500mg5-OH-triptofano 20 - 50mg 200mgCobalto quelado 50 - 100mcg 200mcgCobre glicina 0,5 - 3mg 4mgCoenzima Q-10 5 - 50mg 300mgCromo GTF 50 - 200mcg 800mcgDHEA 10 - 25mg 100mgFerro glicina 10 - 60mg 80mgGermânio 5 - 30mg 50mgGinkgo biloba 40 - 160mg 320mgLítio (orotato) 1mg/kg de peso 600mgLycopeno 5 - 20mg 50mgMagnésio glicina 100 - 300mg 500mgManganês glicina 3 - 5mg 10mgMolibidênio 30 - 100mcg 500mcgOmega-3 500 - 1000mg 3.000mgOmega-6 500 - 1000mg 3.000mgPotássio 99mg 540mgPycnogenol 20 - 50mg 100mgResveratrol 5- 50mg 250mgSelênio 50 - 200mcg 800mcgSílica 50 - 300mg 500mgVanádio 30 - 100mcg 200mcgVitamina C 1 - 2g 6gVitamina E 100 - 400mg 1200mgZinco glicina 5 - 10mg 30mg
    • 338Abreviaturas utilizadasAA – Ácido AraquidônicoAa – AminoácidoAAS – Ácido AcetilsalicílicoACTH – Hormônio AdrenocorticotróficoADP – Adenosina DifosfatoAG – Ácidos GraxosAGEs – Ácidos Graxos EssenciaisAINE – Anti-Inflamatório Não EsteroidalALA – Ácido LinolênicoALC – Acetil-L-CarnitinaAMP cíclica – Adenosina Monofostato cíclicaANVISA – Agência Nacional de Vigilância SanitáriaATP – Adenosina TrifosfatoATP – Trifosfato de AdenosinaAVC – Acidente Vascular CerebralBCAA – Aminoácidos de Cadeia RamificadaCAT – CatalaseCCK-8 – Colecistocina-8CCK-8-S – Colecistocina-8 SulfatadaDBPOC – Doença Broncopulmonar Obstrutiva CrônicaDGLA – Ácido Di-GamalinolêicoDHA – Ácido DeicosahexapentanoicoDHEA – DehidroepiandrostreronaDIU – Dispositivo Intra UterinoDMG – DimetilglicinaDMNID – Diabetes Mellitus Não Insulino DependenteDMSA – Ácido 2-3-Dimercaptosuccínico
    • 339DMSO – DimetilsulfóxidoDMT – Dimetil TriptaminaDNA – Ácido DesoxirribonucleicoEDTA – EtilenodiaminotetracéticoEGB – Extrato Ginkgo BilobaEPA – Ácido EicosapentanoicoFDA – Food and Drug AdministrationFPS – Fator de Proteção SolarGABA – Ácido Gama AminobutíricoGH – Hormônio do CrescimentoGLA – Ácido Gama LinoleicoGSH – GlutationGSH-Px – Glutation PeroxidaseGSSH – Forma oxidada de Glutation PeroxidaseGTF – Fator de Tolerância à GlicoseHAS – Hipertensão Arterial SistêmicaHCl – Ácido ClorídricoHDL – High Density LipoproteinHPLC – Cromotografia de Alta PerformanceIAM – Infarto Agudo do MiocárdioLA – Ácido LinoleicoLDL – Low Density LipoproteinMAO – Mono Amino OxidaseNAC – N-Acetil-CisteínaNGF – Nerve Growth Factor (fator de crescimento dos nervos)NPK – Fórmula de adubo (contém nitrogênio, fósforo e potássio)OMS – Organização Mundial da SaúdePAF – Fator de Agregação PlaquetáriaPET – Tomografia por Emissão de Pósitrons
    • 340PGE-1 – Prostaglandina E-1PGE-2 – Prostaglandina E-2PGE-3 – Prostaglandina E-3PMD – Psicose Maníaco DepressivaPP – Preventiv Pelagra (Vitamina B3)ppb – Parte Por Bilhãoppm – Parte Por MilhãoPTH – Hormônio ParatireoideoRDA – Recomended Diary AllowanceREM – Fase do sono (Rapid Eye Moviment)RL – Radical LivreRNA – Ácido RibonuclêicoSNA – Sistema Nervoso AutônomoSNC – Sistema Nervoso CentralSOD – Superóxido DismutaseTAB – Transtorno Afetivo BipolarTPM – Tensão Pré-MenstrualTR – Time Release (Liberação Prolongada)UCLA – Universidade da CalifórniaUV – UltravioletaVO – Via Oral