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  • 1. SACIX Terminais leves com Linux http://revista.espiritolivre.org | #002 | Maio 2009 TCOS PROJECT Montando Thin Clients no Linux LEVEZA, DÚVIDA CRUEL... Qual a melhor distribuição Linux? ESTABILIDADE E PERFORMANCE As distribuições Linux dão um show quando o assunto é isso! ENTREVISTA ISCA ANZOL REDE DOTPROJECT Robert Shingledecker Cuidado, muito cuidado Gerenciamento de fala sobre o Tiny Core, com "certos" pescadores... projetos com Software seu novo projeto Livre
  • 2. COM LICENÇA Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |02
  • 3. EDITORIAL / EXPEDIENTE Chegamos para ficar! EXPEDIENTE Diretor Geral João Fernando Costa Júnior Aqui estamos nós, depois do turbilhão e euforia quanto ao lançamento da edição número um, retornamos com uma edição ainda mais recheada de Editor muita informação para você, leitor. Até o presente momento a primeira edição João Fernando Costa Júnior teve 8173 downloads, uma marca que a meu ver, para uma publicação com foco específico, merece menção. E tudo isso graças a você, que está a nos ler Revisão neste momento e que possivelmente teve de posse da edição de número um. Marcelo Tonieto Se ainda não leu, corra atrás da sua! Nesta edição, você encontrará um assunto que rende muito pano pra Arte e Diagramação manga: distribuições leves e com propósitos específicos, trazendo uma João Fernando Costa Júnior novidade: 2 entrevistas, a internacional, com Robert Shingledecker, criador do Damn Small Linux e mais recentemente o Tiny Core, ambas distribuições bem Capa focadas no objetivo de ter uma distribuição leve, funcional e de alta Nilton Pessanha performance em computadores com baixos requisitos de hardware. A entrevista nacional é com Flávio de Oliveira, responsável pela distribuição Contribuiram nesta edição GoblinX Linux, uma distro bacana e descolada, que traz um visual bem Aécio Pires moderno e igualmente leve. Outras duas matérias acompanham o assunto Alexandre Oliva principal: Um review sobre o Sacix, a distribuição Linux utilizada nos Anderson Goulart telecentros do Projeto Casa Brasil e uma matéria super interessante sobre o Andressa Martins TCOS - Thin Client Operating System, um projeto de porte e que merece toda Cárlisson Galdino nossa atenção. Célio Maioli Contamos novamente com a participação de nosso brilhante time de Cezar Taurion colunistas e colaboradores, porém a partir desta edição com novas adições. David Ferreira Isto mesmo! Assim que a edição de número um caiu na rede, pipocaram de Edgard Costa pessoas de todo o Brasil (e de fora também) querendo colaborar, participar da Evaldo Junior equipe, ajudar na parte gráfica e escrevendo matérias. Enfim, foram tantos os Filipe Saraiva pedidos que esperamos poder corresponder a todos da melhor forma possível. Flávio de Oliveira Já nesta edição, os leitores poderão conferir novas seções, novos rostos e Guilherme Chaves novas perspectivas, trazidas por estes e tantos outros que estão aguardando Jomar Silva seus materiais serem publicados. Lázaro Reinã Estamos a partir desta edição publicando uma seção extra de emails, Luiz Paulo onde publicaremos alguns dos emails mais legais que chegaram a nossa Marcello Duarte redação. Quer ver teu email ali publicado, então envie sugestões, opine, Orlando Lopes mande seu recado! Paulino Michelazzo Continuem ligados no site da revista [http://revista.espiritolivre.org], onde Robert Shingledecker além de encontrar a atual e as edições anteriores, sempre vão rolar Roberto Salomon novidades. Aproveitamos para avisar que buscamos parceiros em divulgação, Sinara Duarte entre outros. Sendo assim, se seu site estiver divulgando a revista através do nosso banner, avise-nos para que o incluamos em nossa seção de páginas amigas. Contato revista@espiritolivre.org E continuamos aqui com o nosso contínuo pedido de materiais e colaboradores: você que quiser participar de alguma forma da Revista Espírito O conteúdo assinado e as imagens que o Livre, não se acanhe, entre em contato e faça parte deste time que integram, são de inteira responsabilidade está trabalhando duro pra montar uma publicação de de seus respectivos autores, não qualidade para você, nosso leitor. representando necessariamente a opinião da Revista Espírito Livre e de Chegamos para ficar e contamos com você! seus responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados a seus João Fernando Costa Júnior respectivos proprietários. Editor Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |03
  • 4. EDIÇÃO 002 SUMÁRIO CAPA 33 Entrevista Nacional Flávio de Oliveira mostra a todos o PÁG. 25 GoblinX Linux e suas vantagens 37 TCOS Project Montando thin clients em Linux 41 Sacix Os desenvolvedores do SACIX mostram o projeto que visa criar terminais leves 44 Leveza+Versatilidade= Portabilidade+usabilidade Uma fórmula e tanto... Entrevista com Robert COLUNAS Shingledecker Robert fala sobre sua vida, superações, 11 Isca Anzol Rede Cuidado com "certos" pescadores Damn Small Linux e sobre o Tiny Core, seu novo projeto 13 Fica no Trem! Mantenham todos a calma 15 Prontuário eletrônico de pacientes É o ODF ajudando a salvar vidas 17 Cordel do GNU/Linux E o Linux vira poesia... 20 Distribuições: Qual a melhor? Eis aí uma questão complicada... 87 AGENDA 06 NOTÍCIAS 22 Open source e a Academia Como o modelo open source poderia ser adotado na academia?
  • 5. DESENVOLVIMENTO 46 Virado pra Lua - Parte 2 TECNOLOGIA Que tal se tornar um "lunático"? ODF - OpenDocument Format 49 Aerotarget Desenvolvendo games com software 65 Uma apresentação formal para os que livre ainda não o conhecem 54 Scrum Uma aproximação ágil ao desenvolvimento de software FÓRUM ADMINISTRAÇÃO 70 Panóptico na Rede A vigilância está crescendo e se fortalecendo... 57 Controlador de versões Existem vários. Escolha já o seu! EDUCAÇÃO 59 Ocomon Gestão de Incidentes com software livre 74 Bicho-papão A Matemática e o Software Livre 62 dotProject Primeiras impressões sobre o software EVENTOS 79 FLISOL 2009 no ES Fique sabendo o que aconteceu FLISOL 2009 em Vitória/ES 82 FLISOL 2009 em Goiás Sucesso de público em diversas palestras marcaram o FLISOL 2009 em Goiânia/GO 84 DIA LIVRE no Ceará Idéias simples e ações práticas 09 LEITOR
  • 6. NOTÍCIAS NOTÍCIAS Por João Fernando Costa Júnior Lançado NetBSD 5.0 Abertas inscrições para Encontro de Conhe- O responsáveis pelo cimentos Livres da Bahia projeto NetBSD lança- Estão abertas as ins- ram a versão 5.0 des- crições para o Encon- te sistema. O NetBSD tro de Conhecimentos é um sistema operacio- Livres da Bahia, que nal altamente portá- acontece de 11 a 14 vel e é conhecido de maio, no Junta Da- ainda por ser a segun- dos, Pontão de Cultu- da implementação open-source do BSD, depois ra Digital da Bahia, situado no Pólo Universitário do 386BSD. Esta versão vem com grande núme- Santo Amaro de Ipitanga (Pusai/UNEB), em Lau- ro de melhorias em performance e escalabilida- ro de Freitas. Durante o evento, a equipe do de em multiprocessadores modernos e sistemas Centro de Desenvolvimento em Tecnologias Li- de múltiplos núcleos. Houve ainda outras melhori- vres (CDTL), Pontão de Cultura Digital de Per- as como o alocador de memória "jemalloc", nambuco, ministra oficinas de Áudio, Vídeo, Xorg ao invés de XFree86 em alguns ports, o fra- Introdução ao Software e Cultura Livres e Meta- mework de gerenciamento de energia, ACPI sus- reciclagem, além de um workshop sobre Gera- pend/resume, e muito mais. Para fazer o ção de Renda e Sustentabilidade. Clique aqui download desta versão a equipe prefere que se- para preencher o Formulário de Inscrição ou ja feito a partir de bittorrent, porém existem ain- acesse http://www.tecnologiaslivres.org para ou- da os espelhos. tras informações. Open3G: Discador 3G para Linux Lançado OpenBSD 4.5 Lançado o primeiro relea- O time de desenvolvedores do OpenBSD lançou se público do discador pa- a versão 4.5 do siste- ra redes 3G da Open-Br ma. Entre as novida- para o GNU/Linux: o des, estão um melhor Open3G. Possui regras suporte para a arquite- gerais para reconhecer tura Sparc64 e supor- os mais variados tipos de te a uma nova modems e tem as configu- arquitetura, a rações de conexão das se- ARM/OpenMoko, ain- guintes operadoras: da várias melhorias Claro, Vivo, Tim, Oi e Giro. É um beta público, de suporte à hardware e diversas funcionalida- com suporte nativo ao modem Sony Ericsson des novas, além de melhorias e limpeza de códi- MD300 e ao Huawei E220, também testado nas go fonte. O download pode ser feito na página operadoras Claro e Vivo. Ficou curioso? Então vi- de download. site o site oficial. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |06
  • 7. NOTÍCIAS Lançados oficialmente os GUFs - Grupos de Lançado FreeBSD 7.2 Usuários Fedora O time de engenheiros do O Projeto Fedora Brasil infor- FreeBSD lançou a versão ma a todos os interessados 7.2 deste sistema tão popu- em contribuir com o Fedora lar. Ele vem repleto de novi- que já estão criados para to- dades, incluindo suporte a dos os estados Brasileiros uso completamente trans- os GUFs - Grupos de Usuári- parente de superpages pa- os Fedora. Os GUFs serão ra memória de aplicação, organizados e coordenados suporte para múltiplos endereços IPv4 e IPv6 pelos embaixadores e representantes do Fedora para jails, csup agora suporta CVSMode para no Brasil. Esta iniciativa tem como como objeti- baixar um repositório CVS completo, Gnome atu- vo a representacão do Projeto Fedora em todos alizado para versão 2.26 e KDE para versão os estados brasileiros através da participacão 4.2.2, sparc64 agora suporta processadores Ul- em eventos, distribuição de mídias, recrutamen- traSparc-III, entre outros. Para o download, cli- to de novos colaboradores e colaboracão com que aqui, por meio de torrent. Ufa, esta última os sub-projetos do Projeto Fedora Brasil. Confi- semana foi a semana BSD. O DragonFlyBSD ra os links das listas de discussão e comunida- 2.2.1 também foi lançado! des em http://www.projetofedora.org/guf_ grupos_usuarios_fedora. Concurso para imagem nova versão 0.47 do Inkscape InProprietário: o mundo do software livre O time do Inkscape e a co- E o software livre vai às te- munidade a preparar o lan- las! Este documentário de çamento do Inkscape 0.47 cerca de 30 minutos sobre e como já é de costume, foi o Software Livre é o resulta- solicitado que artistas aju- do do trabalho de conclu- dem na nova tela "Sobre" são do Curso de para esta versão. Todos os Comunicação Social do Cen- artistas estão convidados. tro Universitário FIEO, produ- Para saber das regras, visite este link. zido pelo Daniel Bianchi e Johnata Rodrigo. Contém vá- rias entrevistas, de algumas personalidades Mark Shuttleworth diz que Ubuntu não pode bem conhecidas do mundo do SL, visando expli- ser um Windows car o que é o Software Livre, sua história, no Segundo Mark, "o Windows e o Linux rodam que ele se diferencia do software não-livre como ambos aplicações importantes. O universo do é o software proprietário ou o software grátis, Software Livre precisa desenvolver regras qual a sua filosofia e o porquê de ele já ser um próprias. É um universo diferente do software sucesso. O arquivo para download tem aproxima- proprietário. Nós precisamos alcançar o damente 300MB e está sendo distribuído livre- sucesso na nossa própria plataforma e nas mente. Assistam, copiem, divulguem e nossas próprias regras. Se o Linux rodar distribuam este pequeno filme, é o que os seus apenas aplicações Windows, nos não autores pedem. O download pode ser feito via bit- poderemos vencer." torrent. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |07
  • 8. NOTÍCIAS A Fundação GNOME pede ajuda SourceForge.net: Participe do Community A crise econômica mundial que Choice Awards anda assolando o mercado O SourceForge.net, um dos também atingiu o GNOME. Para maiores repositórios (senão os que desconhecem, a GNOME o maior) de aplicações de Foundation serve como base código aberto no mundo, para promover o GNOME organiza a cada ano uma Desktop. É ela que faz a ponte votação para que a entre os patrocinadores (empresas e pessoas) e comunidade eleja os os desenvolvedores. Durante alguns anos a melhores projetos em fundação teve um saldo positivo nas doações, o código aberto. O prêmio que permitiu a expansão das atividades chama-se SourceForge.net relacionadas ao GNOME em eventos mundo Community Choice Awards e a indicação de afora. Só que agora a coisa anda mal. Para projetos para concorrer ao prêmio começou no ajudar, visite o site oficial do Gnome e na página dia 6 de maio, indo até o dia 29 deste mês. Os Amigos do GNOME: http://www.gnome.org/ finalistas serão conhecidos em junho, sendo friends, e escolha a forma que deseja contribuir. que a lista de ganhadores deverá sair no final Outra forma de colaborar é comprar camisetas e de julho no evento OSCON. Participe você outros "apetrechos" oficiais. Saiba mais sobre a também! Visite o site Sourceforge.net e vote. Fundação em http://foundation.gnome.org/. Lançado BrOffice.org 3.1.0 Novos conceitos: Menu circular no Gnome Após o lançamento Eis que aparece uma nova e interessante propos- do OpenOffice.org ta para o menu do Gnome, o Circular Applicati- 3.1 (internacional), on Menu. Este menu abre-se em círculos e dele chegou a vez da ver- saem outros submenus circulares, e complemen- são nacional. O ta-se com o Gnome-Do. Realmente uma propos- BrOffice.org 3.1.0 já ta inteligente e com um design bastante pode ser baixado nos mirrors do projeto. Para futurista. O novo menu pode ser facilmente insta- baixar sua cópia em versões para Windows, Li- lado a partir do Getdeb. Atenção que é necessá- nux, MacOS ou Solaris acesse: http://ftp.uni- rio o Compiz ou similar para funcionar. Para camp.br/pub/broffice/stable/3.1.0/. BrOffice.org é maiores informações, visite o site do projeto. uma suíte de programas de escritório totalmente Será que a era das barrinhas (verticais e gratuita utilizada por milhões de brasileiros. Pa- horizontais) acabou?! Só o tempo dirá... ra mais informações, visite o site oficial do BrOffice.org. Quer comentar sobre algo desta edição? O que gostou? O que não gostou? Participe! Envie seu comentário e/ou notícia para revista@espiritolivre.org. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |08
  • 9. COLUNA DO LEITOR EMAILS, SUGESTÕES E COMENTÁRIOS Maxime Perron Caissy - sxc.hu Esta seção foi criada para dividirmos com você Em nossa rede municipal de ensino, o Linux leitor o que andam falando da gente por aí... veio para ficar e a cada dia, em cada escola, Foram tantos emails e comentários no site da com cada educador nos deparamos com a revista que ficou até difícil selecionar o que Síndrome do Peter Pan Digital e me sinto como apareceria e o que não apareceria aqui. Muitos a Sininho, tentando espalhar o pozinho por comentários dando uma força para nós da onde passo e muitas vezes, tendo que voltar revista, realmente algo que dá um sentido todo várias vezes para lançar novamente e tentar especial ao trabalho desempenhado pela "contaminar" estes novos usários. Mas como diz equipe. Ah! Continuem enviando suas João Fernando: Vamo que vamo! Parabéns sugestões e comentários! pela iniciativa e pela qualidade dos artigos. Karla Capucho - Vitória/ES Gostaria de dar os parabéns pela iniciativa, é a 1a vez que leio uma revista sobre opensource Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa. O de tão alta qualidade. Temas modernos e bem conteúdo da revista está muito bom. Meu abordados, a diagramação também está ótima. comentário é sobre o projeto de lei contra o Faço questão de prestigiar aquilo é bem feito. A cibercrime. Na minha opinião tal proposta Revista Espírito Livre já está no meu agride diretamente o ideal da colaboração. É bookmarks. uma alternativa tão utópica que chega a ser Benjamim Góis - Belo Horizonte/MG absurda, muito distante da nossa realidade. Nossos políticos deveriam estar mais Nesta manhã de segunda-feira em Vitória, pós preocupados, por exemplo, com o projeto de lei feriado, trânsito enlouquecido pela paralisação PL-7109/2006, que fala sobre a regulamentação do transporte coletivo e chegada tumultuada ao das profissões em Tecnologia da Informação. trabalho... recebo um email sobre a publicação Fica como sugestão para um próximo artigo. digital da revista. Pensei em ler num intervalo Douglas Lima - Volta Redonda/RJ de tempo durante o trabalho, resolvi abrir apenas o sumário, pronto! .....fui contaminada, Só gostaria de comentar que achei fantástica a como parar de ler artigos criativos como do revista! Parabéns a equipe. Alexandre Oliva? A abordagem atual da colega Helton Eduardo Ritter - Três de Maio/RS Sinara Duarte sobre o Linux nas escolas, etc.. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |09
  • 10. COLUNA DO LEITOR Gostei muito da iniciativa de criar a Revista Nossa!!! Muito boa a revista. Sou um estudante Espírito Livre. É bom saber que a cada dia mais de informática e estou começando agora no usuários e entusiastas de softwares livres se mundo open source. As matérias sobre a LPI e reunem e promovem uma grande iniciativa as dicas pra quem quer desenvolver software como esta, contribuindo muito com a livre não poderiam ter vindo em melhor hora. abrangência do tema, que a todo momento Parabéns pela revista, além de ter um ótimo ganha mais espaço no mundo inteiro. conteúdo, me deu bastante estímulo. Marllus de Melo Lustosa - Teresina/PI Régis F. Brilhante - Mauriti/CE Conheci a Revista Espírito Livre hoje e gostei A revista Espírito Livre em sua primeira edição muito do estilo e das matérias. É um trabalho é uma ótima fonte de conhecimento e realmente bem feito, certamente com emprego divulgação, traz material que atende desde o de muito empenho. publico iniciante ao avançado e de forma livre. André Nunes - Salvador/BA Espero que continuem fazendo esse excelente papel, e que a comunidade ajude a divulgar o Quero parabenizá-los pela revista. As matérias conhecimento. Agradeço a todos os estão super atuais e abriram a revista com contribuintes pelo trabalho. Estou ansioso para chave de ouro. A diagramação deixou o texto ler a proxima edição. bem claro e não cansativo, ponto pra vocês. Franzvitor Fiorim - Serra/ES Sucesso! Tarcísio Cavalcante - Curitiba/PR Ótima conquista para o mundo do software livre. Gostaria de parabenizá-los pela revista, linda, Ricardo Martiniano - João Pessoa/PB bem elaborada, leitura altamente dinâmica, show! Meus parabéns pela iniciativa, não tenho Andrea Talarico - Ribeirão Preto/SP dúvidas que esta revista vai estourar em todo Brasil. Gostei muito da revista se voltar para o software Carlos Henrique - Brasília/DF livre. Sou professor de informática e leciono para cursos técnicos e educacionais. Sempre Saudações! Gostaria de expressar minha total busco utilizar softwares livres e propagar esta satisfação pelos temas que a revista "Espírito filosofia. Livre" aborda. Realmente o conteúdo visa fazer Jefferson Marinho - São Paulo/SP com que o leitor compreenda o texto sem que este seja um profissional do ramo. Empolgante Uma revista com assuntos diversos referentes a também é o fato dela ser livre, sendo livres software livre. Inovando com assuntos jamais podemos ir mais adiante e isto é muito explorados em outras revistas online. Excelente estimulante. Que a força esteja com vocês, publicação que está chegando com todo gás. sucesso! Alan Messias - Camaçari/BA Caiocesar Bayerl Fornaciari - Iconha/ES Gostaria de parabenizar a todos pela Já baixei e já li, sensacional. Parabéns pela publicação da Revista Espírito Livre. iniciativa e desejo muita sorte na nova Precisamos cada vez mais de iniciativas como empreitada. essa para o bem da comunidade e para Ariovaldo Carmona - São Paulo/SP crescimento do SL. Corintho Fernandes Neto - Manaus/AM Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |10
  • 11. COLUNA · ALEXANDRE OLIVA Isca Anzol Rede Por Alexandre Oliva Asif Akbar - sxc.hu Os usuários de software diversas). voltar a nos alimentar, com de maior consciência social já Mesmo quem entende e tranquilidade e segurança, de notaram que, ao morderem a is- valoriza a liberdade, e portanto bits de camarão e de informa- ca, incentivam os pescadores faz o possível para evitar os an- ção. de usuários a continuarem se zóis, é às vezes vitimado por Pescadores do software, valendo de anzóis escondidos esses dispositivos feitos para anti-éticos que são, já encon- para capturá-los. Não por aca- enganar e aprisionar. A diferen- traram outra estratégia para lu- so, pescadores têm recorrido à ça é que, uma vez fisgados, al- dibriar suas presas, inclusive Grande Rede como mecanis- guns concluem que o melhor se beneficiando do movimento mo alternativo para aprisiona- que lhes resta a fazer é sabore- solidário dos usuários, o Movi- mento. Que fazer para evitar ar a isca, relaxar e gozar a via- mento Software Livre, contra a esses perigos? gem, enquanto os mais captura imediata por meio de conscientes batalhamos para anzóis. Hora da bóia! nos libertar até o fim das for- A história começa com ças, mesmo sacrificando recur- sos importantes e Lança-se a Grande Rede um apetitoso pedaço de cama- Os espertinhos começa- rão, minhoca ou qualquer ou- convenientes, tais como partes da boca, do computador ou de ram a semear as iscas no éter tra funcionalidade que possa digital, usando a Grande Rede atrair usuários. No mesmo pa- sítios. para envolver os cardumes de cote, cuidadosamente projeta- Muito mais inteligente é usuários atraídos por elas, con- do para ludibriar a presa, vem não mordermos a isca: além duzindo-os, desprevenidos, o anzol, característica malicio- de não corrermos o risco de até a captura definitiva. sa destinada a restringir e apri- captura, ainda desanimamos o sionar o usuário, de forma pescador. Quanto menos usuá- Curioso e preocupante é técnica (negação de código fon- rios cairmos na armadilha, mai- que a Grande Rede pode apri- te, DRM, Tivoização) ou jurídi- or a chance de os pescadores sionar o usuário de duas ma- ca (contratos restritivos, abandonarem essa estratégia, neiras: tanto no micro- licenças limitantes, ameaças de modo que todos possamos ambiente do próprio usuário Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |11
  • 12. COLUNA · ALEXANDRE OLIVA quanto pelo acesso ao sítio do so às crias, podendo utilizá-las É verdade que o futuro pescador. para fins indesejados ou até do usuário capturado pela Na primeira, a isca não fi- oferecê-las a terceiros. Sem Grande Rede ainda tem chan- ca presa a um anzol, nem ao controle, o usuário fica à mer- ce de não ser, digamos, nebu- ambiente do usuário: o pesca- cê do pescador, mesmo que loso. Afinal, há pescadores dor envia-lhe as iscas goela possa obter receitas e especifi- que devolvem suas presas à li- abaixo diretamente de seu sí- cações do ambiente (como re- berdade, ainda que às vezes tio. São iscas com tecnologias quer a GNU Affero GPL) e com sequelas. Mas há os que AJAX, Flash e Java, entre ou- configurar seu próprio ambien- capturam prisioneiros para que tras. O usuário as processa te adaptado em sítio alternati- vivam em cativeiro. Uma vez nas próprias entranhas, sem vo. no aquário, pular fora é difícil e muita chance de adequá-las Até no caso de uma aplica- perigoso, possivelmente fatal, às suas preferências e ção colaborativa como, diga- especialmente para as crias necessidades. Distraído pelas mos, a fecundação dos ovos, é deixadas para trás. É melhor iscas, nem percebe que a rede essencial para os usuários que evitar! E que faz um usuário vai ocupando cada vez mais eles, e não um pescador, pos- consciente para evitar os peri- espaço ao seu redor. Pior que sam controlar o acesso aos gos das iscas, dos sítios e das é o pescador quem decide o ovos e o ambiente em que são redes dos pescadores? Nada! que a vítima consumirá, a mantidos. Não bastam as espe- Nada para bem longe deles! cada visita. Nessas condições, cificações do ambiente do sítio as iscas são um perigo mesmo mantido pelo pescador. Se os Copyright 2009 Alexandre Oliva que suas receitas sejam usuários não puderem levar su- originalmente Livres. Pior as crias para outro sítio, elas Cópia literal, distribuição e publica- ainda com as descaradamente se tornarão reféns, usadas pa- ção da íntegra deste artigo são permi- tidas em qualquer meio, em todo o não-Livres, que usam Ofuscript ra controlá-los. mundo, desde que sejam preserva- às centenas de toneladas. das a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permis- Na segunda maneira, o são. Nada é perfeito? pescador estende a rede entre Os pescadores têm muitís- http://www.fsfla.org/blogs/lxo/pub/is- usuários e um sítio convidativo simo interesse em controlar as ca-anzol-rede para depositarem e manterem gerações atuais, mas não lhes seus ovos e informações pesso- basta. Esperam imbuir nas ge- ALEXANDRE ais. Mesmo que não sejam cap- rações que nascem e crescem OLIVA é engenheiro turados, usuários correm o sob sua influência a aceitação de Computação e Mestre em Ciências risco de que, mais tarde, a pas- desse desrespeito à liberdade. da Computação. sagem não esteja mais livre; Inocentes usuários, por sua Usuário, de que suas crias nasçam em desenvolvedor, vez, parecem não perceber o evangelizador de cativeiro. risco para si mesmos e suas cri- Software Livre e contribuidor do Antes do advento da re- as. E que faz um usuário desa- projeto GNU desde a de, o usuário podia defender visado para evitar os perigos década de 90. Engenheiro de pessoalmente suas crias de das iscas, dos sítios e das re- Compiladores na ameaças externas, mantendo- des dos pescadores? Nada! Fi- Red Hat desde fevereiro de 2000. as sob seu controle em seu pró- ca por ali mesmo, crédulo e Co-fundador e prio micro-ambiente isolado. Já crente no conforto e na segu- conselheiro da FSFLA - Fundação no sítio, é o pescador quem rança do ambiente controlado Software Livre controla o ambiente e o aces- pelo pescador. América Latina. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |12
  • 13. COLUNA · PAULINO MICHELAZZO Fica no trem!* Por Paulino Michelazzo Ali Taylor - www.sxc.hu Estava frio, um frio de las- bombas de gás. Um palco ar- car. Daqueles que dói nos os- mado com boa dose de adre- sos e as mãos ficam azuis. nalina correndo nas veias por Tudo bem, era por uma boa estarmos no meio do confron- causa afinal não é sempre que to. pode-se conhecer uma cidade Passam os minutos e na- de uma civilização secular per- da daquele que ia nos levar pa- dida no meio do nada incrusta- ra a cidade sagrada aparecer. da entre montanhas das mais Alguns, diziam, o trem estava altas e vegetação grandiosa. parado na cidade aguardando Mas existia algo que sus- o desfecho do evento. Outros surrava a possibilidade de me- acreditando que não iria apare- lar a oportunidade única. A luta cer trem nenhum e outros ain- pela liberdade se formava dian- da pensando estar cometendo te de nós e corria o boato de o maior erro de suas vidas. O acabar com o passeio de to- sol começa a aparecer e apro- dos. De um lado, manifestan- veita-se para esquentar a pele tes reivindicando não sei o que e respirar um pouco de ar fres- e, de outro, o símbolo máximo co fora do ônibus que mais pa- da ordem social; a polícia com recia lotação paulistana em seus escudos, capacetes e manhãs de chuva. Neste meio Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |13
  • 14. COLUNA · PAULINO MICHELAZZO tempo não somente o sol es- seu caminho e depois de hora Curioso para saber como quenta, mas também os âni- e meia, faz uma pequena para- fez para voltar a nos acompa- mos de ambos os lados e da numa antiga estação para nhar, descubro que o velho começa, do nada, a chuva. que subam alguns outros pas- GNU foi resgatado da platafor- E a chuva era diferente, sageiros. Neste momento para ma de trem por um grupo de feita de pedras e bombas de a surpresa de todos (ou de qua- nacionais que vinham na com- gás. De um lado, nativos man- se todos), o mesmo estranho re- posição seguinte e viram aque- dando ver bem ao estilo clássi- solve descer do trem para uma la inconfundível figura a co de futebol e de outro, men “rápida esticada nas pernas”. caminhar feito gato em dia de in black com suas bazucas fla- - Não desça, protestam al- mudança se questionando: o mejantes. No meio, quem? Os guns. O trem irá partir e não po- que vou fazer da vida? maiores defensores da liberda- derá voltar Pelo menos a história te- de do software mundial enfurna- - Mas eu quero descer... ve uma vantagem; em todo o dos na já comentada lotação, trajeto de retorno não tivemos esperando por aquele projétil - Não desça! nenhuma surpresa. Parece que iria entrar pelo vidro. E quem disse que deu cer- que a síndrome do “esquece- No meio da baderna um to? Lá vai ele caminhando pelo ram de mim” deixou-o cabisbai- “gênio” tem a iluminada idéia: vagão e desce à plataforma pa- xo. ra seu tranqüilo caminhar no * A história é verídica e - Quero sair! meio do fim do mundo. Como passa-se em Cusco/Machu Pic- - Mas porque quer sair no verdadeiros videntes, o trem lo- chu no Peru em 2003 meio desta loucura toda? go depois começa seu chacoa- - Quero sair! Nunca senti lhar sem nosso insólito e cheiro de gás lacrimogênio na teimoso passageiro que fica vida. Quero sair! perdido há milhares de quilôme- tros de casa sem falar o idioma Sob protestos de todos, local e somente do notas de dó- lá desce o mais estranho de to- lar. PAULINO dos para, numa fungada de MICHELAZZO é dar inveja a qualquer baleia, Seguimos viagem e duas diretor da Fábrica respirar um pouco da fumaça horas após chega aquele que, Livre já tão famoso pelos seus feitos (www.fabricalivre. que estava ao redor do ônibus com.br), empresa e voltar em menos de um minu- no software livre, agora era fa- especializada em to com os olhos vermelhos san- moso pela sua excentricidade soluções para Internet com gue e a garganta queimando em terras latinas. Avistando-o ferramentas de como o inferno. Dizem que ao longe comento com meu gestão livres. Foi diretor mundial da quem avisa amigo é mas tam- amigo e compadre: veja lá Mambo Foundation, bém cachorro velho não apren- quem saiu da tumba! E este, System Develop mais que depressa e com seu Specialist da ONU de truque novo... no Timor Leste. É humor afiado, retruca: que sor- instrutor de CMS's Passada a pancadaria, te, seria o primeiro GNU perdi- (Drupal, Joomla e chega o trem e todos embar- Magento). Escreve do nestas bandas do planeta. regularmente para cam rapidamente para quem sa- No mínimo daria uma pesquisa diversos canais na be não se tornarem alvos Internet e da National Geographic dentro publicações técnicas ambulantes. Minutos depois, a de alguns anos. no Brasil e em velha máquina diesel começa Portugal. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |14
  • 15. COLUNA · EDGARD COSTA Padrão ODF e o Prontuário Eletrônico de Pacientes Por Edgard Costa Lemos e ouvimos no ra- da, que exibir em seus logoti- dando condições para o Minis- dio e televisão, todos os dias, pos esta imagem padrão no tério da Saúde realocar os re- o desafio que é, para o cida- cooperativismo. cursos, tanto humanos como dão brasileiro, conseguir obter A Agência Nacional de em espécie, para áreas em uma vaga em uma unidade de Saúde, recentemente, lançou que, realmente, são necessári- saúde ou mesmo uma consul- a primeira iniciativa governa- as, melhorando sua aplicação ta médica. mental para implementação fu- e fiscalização, o que certamen- Planos de Saúde, junta- tura do Prontuário Eletrônico te fará com que o atendimento mente com as operadoras de te- de Pacientes, o T.I.S (Troca de ao cidadão brasileiro se torne, lefonia móvel ou fixa, são Informação na Saúde Suple- minimamente, civilizado. campeões de reclamações no mentar), que tem como princi- A adoção de um Prontuá- PROCON. O governo brasilei- pal finalidade fazer as rio Eletrônico de Pacientes não ro vem tomando algumas inicia- Operadoras de Planos de Saú- se dará de forma pacífica. En- tivas, ainda tímidas, para de informem, em tempo real, tre os problemas que deverão racionalizar e equacionar estes os procedimentos médicos a ser enfrentados podemos des- problemas, criando a Agência que estão se submetendo tacar os seguintes: Nacional de Saúde (ANS ) pa- seus associados. a) Regionalismos Lingüísticos; ra fiscalizar as operadoras de Estudos conduzidos por b) Facilidades na manipulação Planos de Saúde que, em tem- Universidades Brasileiras mos- de arquivos de papel; pos remotos, eram monitora- tram que, se adotado um Pron- c) Personalização da codifica- das por uma diretoria do tuário Eletrônico de Pacientes ção do Prontuário; Banco Central especializada Universal, o governo brasileiro d) Pouco gasto em treinamen- em seguros. Imagine, leitor, poderá economizar algumas to de pessoal auxiliar; que Cooperativas Médicas ( ex- centenas de milhares de reais e) Validade Jurídica, comprova- emplo Unimed ), quando cria- em procedimentos desnecessá- da, dos arquivos de papel; das, eram registradas no rios ou solicitados sem ne- f) Gastos imensos com imple- Ministério da Agricultura, por- nhum critério específico. mentação de plataformas de que só este órgão público regu- Hardware e Software; lava a criação de empresas A adoção do PEP gerará um imenso banco de dados, g) Gastos imensos com imple- cooperativas. Por isto tem, ain- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |15
  • 16. COLUNA · EDGARD COSTA mentação de Redes de Compu- hospitalar; mas para gerar e gerenciar o tadores. Tanto locais como ex- 3.PKCS-12 – padrão para certi- Prontuário Eletrônico de Paci- ternas; ficação digital. entes. Ela poderá gerar este h) Falta de cultura na utiliza- PEP utilizando uma ferramenta ção do computador, tanto pelo Não seria plausível imagi- já muito conhecida, em várias profissional de saúde bem co- nar que softwares para PEP instâncias do governo, que é o mo do pessoal auxiliar; usassem padrão de documen- BrOffice.org que se integra, i) Preço do certificado digital e tos proprietário por razões clás- perfeitamente, com várias pla- hardware para a sua utilização; sicas. Vou citar apenas uma. taformas de banco de dados, j) Segurança e privacidade na Imagine não se conseguir abrir gera formulários com extrema manipulação das informações um determinado laudo radiológi- rapidez e com forma visual médicas. co determinante para um ato ci- agradável para o usuário, pode rúrgico porque não se tem a ser instalado e atualizado por Os argumentos contrários mais nova versão do software demanda, se integra muito aos da resistência são: editor como aconteceu quando bem com python, via Macros houve a tragédia no continente ou APIS para manipulação de a) Redução de custos; Asiático motivada por um terre- imagens médicas. b) Redução na redundância de moto, em que países não pude- Exames; Enfim, outros tempos pa- ram enviar ajuda humanitária ra a saúde estão por vir. Claro c) Reconstrução da história do para a região atingida porque Paciente de forma completa; que os desafios para imple- não conseguiram abrir, em mentação de um projeto auspi- d) Facilidade Organização; seus computadores, os ofícios e) Racionalidade de Espaço; cioso, que determine um encaminhados por não terem a tratamento digno para o cida- f) Interoperabilidade; versão atualizada deixando cen- g) Intercâmbio de layout de da- dão brasileiro, são incomensu- tenas de pessoas com sede, fo- ráveis. Como já diziam os dos; me e sem remédios. h) Processamento contínuo sábios chineses: “ Para uma dos dados; Outra razão é que o pa- longa jornada temos que dar o i) Integração com outros siste- drão ODF já está pronto para primeiro passo”. Estamos co- mas de informação; usar certificados digitais. meçando a andar. E andar na j) Dados atualizados. Como todos sabem, o direção certa. ODF é largamente programá- Maiores informações: E o ODF em que lugar en- vel, facilitando em muito a gera- tra nesta história complexa? ção de grandes quantidades Site Prontuário Eletrônico: de relatórios, da automação do www.prontuarioeletronico.odo.br O ODF (Formato aberto de documentos) já é um pa- envio de documentos por drão ISO oficializado e conheci- email, de imagens, criação da Site ODF Alliance Brasil: versão final do PEP que deve- http://br.odfalliance.org do mundialmente como os demais que compõe o PEP rá ser em PDF- A, e interoperá- vel. EDGARD COSTA é que são: membro do Grupo Além disto tudo, há a ra- de Usuários 1.DICOM – para imagens médi- BrOffice.org do cas; zão maior. A financeira. A rede Estado de S.Paulo, pública tem que, obrigatoria- Assurer Cacert – 2.HL7 (Health Level seven) pa- Certificação Digital e ra comunicação entre os módu- mente, aplicar os escassos re- autor do Livro los que compõe o sistema cursos na atividade fim e não BrOffice da Teoria à Pratica. comprando sofisticados siste- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |16
  • 17. COLUNA · CÁRLISSON GALDINO Cordel do GNU/Linux Por Carlisson Galdino Lynne Lancaster - sxc.hu Literatura de cordel é Cordel do GNU/Linux um tipo de poesia Para funcionar Tem gente que pensa Precisa programas popular especialmente Que computador E o programador no Nordeste brasileiro. É calculadora Vivia um drama Tradição de Portugal, os Mal lhe dá valor Sem poder dormir livretos deste tipo de Mas ele é bem mais Tranquilo na cama Que pode supor poesia eram vendidos O computador em feiras, pendurados Tem gente que pensa E um bicho danado em barbante (ou cordel). E pensa saber Dentro tanta coisa O que é o negócio Fora outro bocado Chamado PC Monitor de vídeo O Cordel do GNU/Linux Pensando que é só E mouse e teclado Máquina de escrever é escrito em sextilhas E aqueles lugares em rima x-A-y-A-z-A, Mas computador De botar disquete usando redondilhas É bem mais que isso CD ou outra coisa menores (versos de É um equipamento É coisa pra peste! Robusto e preciso Memória e circuitos cinco sílabas poéticas). Que é diferente Bios, chipset De tudo que é visto Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |17
  • 18. COLUNA · CÁRLISSON GALDINO Cada fabricante No computador Havia um sistema Já que é seu direito Cada placa ou peça Que se utilizava Cada componente Na Universidade Fará do seu jeito E os outros programas E se apreciava Eis o pesadelo Conversam com ele Era S. O. Unix Que já estava feito De um jeito padrão Como se chamava Sem muito enfeite Pois antigamente E o Operacional Uma confusão Cada programinha Faz o papel dele Num tempo confuso Tinha que saber Mudou o cenário A história todinha Assim um programa E impediu seu uso E usar do PC Pra grande espanto Pelo copyright Tudo o que ele tinha Não era como antes Ou foi seu abuso Pois com grande encanto Um programa feito Feito só uma vez Para resolver Rodava somente Roda em qualquer canto Tão triste questão Num computador Um novo projeto Pra outro diferente Pra ter um Sistema Surgiu logo então Teria que ser Operacional O Software Livre Feito novamente Chamado S. O. Teve uma Fundação Temos afinal Como um instrumento Umas opções GNU Não é Unix Feito por medida Como é normal Era este o projeto Que não funcionava Criar um S. O. Em outra guarida O mais conhecido Unix aberto E isso complicava Se chama Windows Era o objetivo, De todos a vida Mas diversidade Perfeito e completo É um negócio lindo Foi quando alguém E não tem só ele Assim foi nascendo Teve uma sacada E há outros surgindo Foi bem natural Fazer uma coisa Surgiu um Sistema No centro instalada Inclusive um Operacional Pra cada programa O melhor que tive Dando liberdade Não precisar nada Falaremos dele Ao usuário final Que ouça quem vive! Essa coisa estranha E o melhor de tudo Free Software Foundation No canto central É software livre Ou FSF Chamou-se Sistema Criou o GNU Operacional Sobre soft livre Embora tivesse Ou Operativo Falei outro dia Faltado uma coisa Lá em Portugal Do nosso sistema Que ela fizesse Fala esta poesia É esse programa Para quem não sabe Ainda não disse Que quebra a cabeça Ou pouco sabia Pra não confundir Pra saber usar Se você entendeu Tudo o que apareça Tudo até aqui Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |18
  • 19. COLUNA · CÁRLISSON GALDINO Vamos com cuidado Um dia encontrou O famoso Debian Então prosseguir Num golpe certeiro Que uso desde antes O S. O. GNU O Ubuntu, que é bom Pois é que um Sistema Se uniu por inteiro Para iniciantes Operacional Fedora, Mandriva Tem dentro de si Feitos um pro outro E muitos restantes... Pra ser funcional Corpo e coração Muitos programinhas GNU e Linux Espero que tenha E uma parte central Fizeram união Entendido o recado Assim se tornaram Sobre esse Sistema A parte central Úteis desde então Que já é comentado De todo S. O. Mas o assunto é um pouco É chamada kernel O tempo passou Mesmo complicado Não funciona só Do norte ao sul Mas é necessária Ele é utilizado Adeus a quem leu Senão, tenha dó... Sob o céu azul Com isso se importe Mesmo que esqueçam Se quiser tentar Claro que a FSF O nome GNU Esse S. O. forte Disso bem sabia Desejo a você Então planejou Pois chamam Linux Boas vindas, boa sorte! Uma engenharia O Sistema inteiro Bem sofisticada Esquecem GNU Pro que ela queria Que veio primeiro O Linux que é Mas esse tal kernel Dele um parceiro Nunca ficou pronto CARLISSON GAUDINO é E longe do States Mas o importante Bacharel em Ciência De um outro canto É a qualidade da Computação e pós-graduado em No país Finlândia Que o sistema traz Produção de Veio um novo espanto E a liberade Software com Ênfase em Software E sem falar que Livre. Já manteve Um kernel foi feito Vírus não o invade projetos como Por prazer, não dor IaraJS, Enciclopédia Omega e Losango. Aberto e robusto Há muita opção Hoje mantém Como se sonhou Pra quem quer usar pequenos projetos em seu blog Chamado Linux GNU com Linux Cyaneus. Membro Devido ao autor Pra então se livrar da Academia Arapiraquense de Do S. O. fechado Letras e Artes, é O kernel Linux Pra se libertar autor do Cordel do Software Livre e do Cresceu bem ligeiro Cordel do BrOffice. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |19
  • 20. COLUNA · ROBERTO SALOMON Distribuições: Qual a melhor? Svilen Mushkatov - sxc.hu Por Roberto Salomon Não sei se acontece com Longe de mim pretender todos mas inevitavelmente, em esclarecer este ponto mas não uma conversa com alguém no posso perder a chance de dar trabalho, surge a dúvida: qual a minha opinião sobre o assun- a melhor distribuição? Respon- to. Como ex-usuário de SuSE der o inevitável "depende" pare- (do jeito que se escrevia na ce apenas reforçar a dúvida e época) e atual usuário de acabo puxando uma cadeira Ubuntu (pronto, acabei de es- pois acaba sendo uma conver- clarecer, logo de cara, qual a sa para dois barris de chope. distribuição que uso) e já ten- Cada um de nós tem uma do trabalhado com Conectiva, distribuição do coração. Quan- Mandrake, Mandriva e Red do duas pessoas começam a Hat, acho que posso comentar discutir "distros", parece até dis- um pouco sobre distribuições cussão de time de futebol. Nin- sem correr muitos riscos. guém concorda. E, quando Vamos começar pelo que concordam em uma, não conse- é, formalmente, uma distribui- guem concordar no porquê. ção. Uma distro é uma coleção Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |20
  • 21. COLUNA · ROBERTO SALOMON na, segundo um conhecido meu. O que estas pessoas não entendem é que a existência de tantas distribuições diferen- tes apenas comprova a força ... a melhor da comunidade e do próprio distribuição é aquela que atende conceito do Software Livre. Não apenas sou livre para es- a sua necessidade. colher os softwares que quero usar como também sou livre Roberto Salomon para escolher como quero em- pacotá-los. Acho que acabei divagan- do um pouco e deixei no ar a nharam o volume que as “duas principal dúvida: qual a melhor de software mantida por um gru- grandes” conseguiram). Os ar- distribuição? A resposta? Eu po com interesses mais ou me- gumentos de pacotes existiam, não sei. Para mim é a que es- nos comuns. Digo mais ou mas logo o argumento da tecno- tou usando no momento. Para menos porque não importa logia usada para distribuir apli- uma empresa, deve ser aquela qual distribuição adotada, tem cativos ganhou o palco na que oferece o suporte mais sempre aquele aplicativo que comunidade mais técnica. Pas- confiável. Para outros, aquela não está disponível. Apenas es- samos a discutir qual o melhor: que empacota o maior número sas diferenças de conteúdo cos- RPM ou DEB. de jogos ou a que roda naque- tumam suscitar discussões le modelo de telefone celular. muito interessantes sobre qual E o mundo continuou a an- a melhor distribuição e já ouvi dar. E as comunidades a discu- No final da história, a me- argumentos de todos os tipos tir. lhor distribuição é a que aten- sobre o por que da distro “A” Hoje temos as distribui- de à sua necessidade. ser melhor que a distro “B” só ções especializadas nos mais porque tem este ou aquele pa- diversos nichos. Tenho estuda- cote. do algumas distribuições como Quando o universo das o DSL (Damn Small Linux) que Maiores informações: distribuições começou a se con- se propõe a montar um ambien- solidar, elas logo se dividiram te completo em menos de Blog do Roberto Salomon: em dois grandes grupos: as ba- 50MB ou o Coyote que monta http://rfsalomon.blogspot.com seadas na Red Hat e as basea- um kernel com pilha de rede e das em Debian. E as firewall para cargas de até 200 discussões começaram para va- usuários em um ambiente míni- ler. (Antes que me joguem pe- mo. Isso sem falar da nova ma- ROBERTO dras, não me esqueci do Slack nia nacional: as distribuições SALOMON é “remixadas” para os netbooks. arquiteto de software nem do Knoppix ou mesmo do na IBM e voluntário Gentoo, todas distribuições ex- Quem vê de fora não en- do projeto BrOffice.org. tremamente competentes mas tende como conseguimos convi- que, apesar de contar com ver com tantas distribuições. usuários apaixonados, não ga- Uma para cada dia da sema- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |21
  • 22. COLUNA · CÉZAR TAURION .hu - sxc kas s Ce Justa OPEN SOURCE E A ACADEMIA Por Cézar Taurion Outro dia fiquei imaginan- pensado! orgânicas ou sejam, auto orga- do como o modelo Open Sour- Mas, não é só. Existe ou- nizadas, e incentivam proces- ce poderia ser adotado na tro grande desafio no ensino sos informais de aprendizado academia. Na minha opinião, o de disciplinas de computação. em grupo. Podemos classificá- modelo de ensino tradicional A evolução tecnológica e a de- las como “learner-centric”. Na adotado hoje por muitas univer- manda de conhecimento evolui minha opinião, os projetos sidades ainda assume um pro- muito rapidamente. Imaginem Open Source são um belo ex- cesso de aprendizado formal, um curso de graduação de qua- emplo de ecossistemas de geralmente individualizado e tro anos em ciência da computa- aprendizado, pois as comunida- centrado no professor (teacher- ção. Excetuando-se as des Open Source conseguem centric). Os alunos são medi- disciplinas básicas, metade do prover e distribuir, de forma dos por testes e fazem, ao fim que o aluno aprende nos primei- sustentável, o conhecimento do ano o famoso TCC (traba- ros anos estará obsoleto lá pe- necessário para a produção de lho de conclusão do curso) de lo terceiro ou quarto anos. Os software de boa qualidade. forma individual. Colaboração mecanismos de atualização Alem disso, do ponto de vista e team-work não são valoriza- dos cursos atuais ainda estão, do aprendizado, o compartilha- dos nestes testes! São chama- em sua maioria, adaptados mento de informações trans- dos de cola e combatidos...E aos tempos pré-Internet e não cende os skills de na maioria das vezes os testes conseguem acompanhar na ve- programação, havendo exten- não colocam o problema no locidade adequada a evolução sa troca de idéias entre os contexto, tendem a ser teóri- tecnológica. membros das comunidades cos e fora da realidade do dia em assuntos diversos como pa- a dia do futuro profissional. Pa- Olhemos agora as comuni- tentes, licenças, habilidades ra mim este modelo deve ser re- dades Open Source. Elas são gerenciais e principalmente tra- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |22
  • 23. COLUNA · CÉZAR TAURION balho em equipe. Se analisarmos suas prin- cipais carateristicas, veremos que muitas delas são muito de- Participar ativamente de uma sejáveis para um processo de ensino mais prático em compu- comunidade Open Source significa tação. usar tecnologias intensamente, que Querem alguns exemplos? variam de wikis, listas de discussão e a) Conteúdo gerado pelo usuário. Porque os estudantes chat, até ferramentas de geração e não podem contribuir pró-ativa- gerenciamento de código. mente para a criação e evolu- ção do material do curso, Cézar Taurion através de wikis, código fonte, blogs, etc? O engajamento ati- vo dos estudantes aumenta c) Uso intenso de tecnolo- ticos devem ser focados em sua motivação e abre pespecti- gias. Participar ativamente de casos reais e não puramente vas inovadoras para o conteú- uma comunidade Open Source hipotéticos. do do curso. significa usar tecnologias inten- Mas como adotar o mode- b) Atividade real. Faze- samente, que variam de wikis, lo Open Source no ensino da rem os alunos contribuirem listas de discussão e chats, até computação? Talvez o primei- com código real para uma co- ferramentas de geração e ge- ro passo seja fazer com que al- munidade Open Source existen- renciamento de código. Uso gumas disciplinas passem a te ou a ser criada pelos prático e real. Aliás, muitos alu- demandar contato direto com próprios alunos, é um trabalho nos tem blogs e usam redes so- projetos Open Source. Estas útil e uma experiência profissio- ciais. Seria usar estes mesmos disciplinas, e aí podemos falar nal sem preço. Eles passam a mecanismos nas salas de aula. em inúmeras atividades, como ter contato com outros profissio- desenvolvimento de progra- nais e estudantes (do mundo in- mas, aprendizado em banco Um aspecto importante teiro) e aumentam sua de dados, sistemas operacio- que faço questão de enfatizar percepção e prática do que é nais, etc, exigirão que os alu- é o potencial de aprendizado desenvolver software de forma nos contribuam, de forma prático que se tem quando se colaborativa. O compartilhamen- colaborativa, para comunida- trabalha em projetos reais to de informações com outros des Open Source. E nem preci- Open Source. Pelo que vejo e estudantes e profissionais é al- sam ser atividades de geração ouço, existe uma defasagem tamente benéfico. Aqui enfati- de código. Podem ser contribui- grande entre o aprendizado na zo o ponto que alunos de ções para os wikis das comuni- maioria dos cursos de computa- graduação tem condição técni- dades e mesmo até ção e a necessidade do merca- ca de colaborarem com códi- contribuições para o Wikipe- do. Muito do que o aluno go. Este código não dia. Os mecanismos atuais de aprende nas escolas não é críti- necessariamente será aceito ensino estão defasados diante co ao dia a dia nas empresas, pela comunidade, mas será desta nova demanda. Muita faltando a eles um maior experi- um esforço que valerá pena. gente ainda se assusta com o ência prática. Os exemplos prá- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |23
  • 24. COLUNA · CÉZAR TAURION fato de trabalhos em grupo per- de licenças para as universida- mitirem a alguns se esconde- des. O resultado para o aprendi- Maiores informações: rem e não trabalharem. Mas as zado dos alunos será ODF Alliance: ferramentas de colaboração co- altamente positiva e a experiên- http://www.odfalliance.org mo wikis podem apontar quem cia que eles obterão nestas dis- colabora e quem não colabora. ciplinas será bastante útil para Site do OpenOffice.org: Bem, as condições bási- sua vida profissional. Portanto, http://www.openoffice.org cas para se implementar o mo- o que falta para isto acontecer? delo Open Source na Dificl responder. Mas, a Site do BrOffice.org: academia já existem. Temos mi- primeira barreira é a quebra de http://www.broffice.org lhares de projetos Open Sour- paradigmas. Conversei com al- ce que necessitam de maior guns professores e vi alguma colaboração para evoluirem. resistência. Uns acham que é Identificar os projetos em que utópico pensar em trabalhos co- vale a pena investir tempo e de- laborativos. Outros não conside- dicação, já é por si, um proces- ram que os alunos de CEZAR TAURION é so de aprendizado. graduação estarão aptos a de- Gerente de Novas senvolverem código. Mas, por- Tecnologias da IBM As tecnologias adotadas Brasil. pelos projetos Open Source que não experimentar? Seguir Seu blog está são, obviamente, Open Sour- os caminhos que outros já trilha- diponível em www.ibm.com/develo ce, o que significa que não exis- ram só vai nos levar aonde os perworks/blogs/page/ te custo adicional de compra outros chegaram. Não além. ctaurion Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |24
  • 25. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER Mega-entrevista c o m R o b e rt Shingledecker, criador do Tiny Core Linux Por João Fernando Costa Júnior Robert Shingledecker fala Hall, Chris Negus Linux Series com a Revista Espírito Livre , "The Official Damn Small sobre seu novo projeto, o Tiny Linux Book". Meu mais novo Core, uma distro de apenas 10 projeto é o Tiny Core Linux. Es- MB. Robert é conhecido por tou com 60 anos, aposentado, ter sido um dos principais e resido em Fullerton, Califór- desenvolvedores do famoso nia. Possuo mestrado em ma- Damn Small Linux. Durante a temática pela Universidade entrevista, ele fala de seu novo Estadual da Califórnia. Sofro projeto, vivências, fatos de uma deficiência de último relevantes que ocorreram no estágio nos olhos (Distrofia passado, mas principalmente o Muscular Oculofaríngea). que ainda está por vir. Quando posso, gosto de escre- ver e compartilhar códigos com os outros. Isso mantêm Revista Espírito Livre: minha mente afiada e longe de Apresente-se aos nossos lei- tornar-se deprimida com pen- tores! samentos sobre meus proble- Robert Shingledecker: mas de saúde. Entretanto, Me chamo Robert Shingle- durante toda minha carreira, decker. Vocês devem conhe- por 36 anos, eu sempre promo- cer o meu trabalho, porque eu vi o compartilhamento de co- fui o maior colaborador do nhecimento sobre Damn Small Linux. Fui tam- computadores, linguagens e bém o co-autor da Prentice software. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |25
  • 26. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER REL: Há quanto tempo interessados em ver a distribui- http://www.shingledecker.org, trabalha com linux e softwa- ção. Eu me encontrei com mui- para muito mais detalhes so- re livre? tos iluminados do free bre todos meus projetos de Li- RS: Tanto meu trabalho software, Linus, Stallman, nux. quanto meu passatempo tem si- John Maddog Hall, Bob Young, do "brincar" com computado- Gael Duval, e fui convidado a falar na primeira Linux Expo REL: O Damn Small res e linguagens. Minha Linux (DSL) é incrivelmente primeira experiência com com- World, em San Jose, expondo a respeito de nossa distribui- popular. Como foi criado? putadores foi na Burroughs De onde vieram as idéias por Corp. em 1971 como um contra- ção criada para Linux. Tive mui- tos eventos como esse em trás da criação do DSL? tado independente. Mexi com linguagem de código de máqui- seguida. Geralmente era para RS: Minhas primeiras ano- na (sim, em hexadecimal) e pro- debater sobre redes da Novell. tações a respeito do DSL são gramas de contabilidade em O maior evento em que datadas de três de setembro fita de papel perfurado. Quan- discursei foi a COMDEX no ou- de 2003. Eu tinha encontrado do optei por um trabalho tono de 1999. Sai da cidade o DSL no DistroWatch e, como formal de 9 às 17, fui para cida- em janeiro de 2000, para me muitos eu suponho, fiz minha de de Garden Grove, Califór- tornar o CTO de uma ponto- própria versão. Muitos podem nia, onde apresentei a cidade com. Realmente eu era o CTO não saber, mas o fundador e ao Samba em abril de 1995, de diversas pontocom. Foi dono da marca registrada com Linux hospedando uma re- nesta pontocom que eu e outro DSL, John Andrews, começou de Windows 3.11. Esta foi a pri- programador criamos o DSL usando um disco de meira implantação em larga appliances em Live CDROM recuperação de 50 MB do escala de Linux nos Estados com Linux, incluindo um KNOPPIX "KNX". Removeu as Unidos. Recebi visitantes de desktop em LiveCD. Vocês po- aplicações de recuperação e várias partes do globo dem visitar meu Web site, as trocou por pequenas aplica- coes GTK de desktop, algu- mas das quais eram do Deli Linux. Eu me cadastrei no fo- rum do DSL em setembro 2003 e mandei por email para John com algumas correções e sugestões. Inicialmente es- tes eram para pendrives USB e clientes NFS. Muitos meses depois contribuí com uma op- ção de backup e restore, um bash_profile funcional, o bootlo- cal.sh, e um diretório de /opt com suporte a escrita. Em ja- neiro de 2004, me deram a ta- refa de criar e manter a imagem ISO do DSL. Em se- guida, eu criei pessoalmente todos os releases desde a ver- Figura 1 - Tiny Core Linux em execução são 0.5.3.1 de 15 de janeiro de Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |26
  • 27. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER 2004. Cada melhoria estrutural nei aos ícones de clique único DSL que você está usando ho- do DSL era minha criação. Eu ou duplo, um Icon Layout Mana- je não importa que seja 0.6+, estava tentando trazer caracte- ger e um desktop com suporte 1.x, 2.x, 3.x ou 4.x, foi primeira- rísticas novas a um LiveCD de a arrastar e soltar. Adicionei su- mente o resultado de meus es- modo que houvesse pouca ou porte a Winmodem para os dis- forços com a exigência que eu nenhuma vantagem em execu- positivos populares da Lucent, devia tornar real no DSL as tar uma instalação tradicional suporte para adicionar usuári- aplicações em GTK. Isto para no HD (isto foi bem antes do os, implementei o UnionFS e o que o DSL fosse sempre visto UnionFS). Escrevi um artigo inti- tipo de extensão UNC, como o DSL. Em outras pala- tulado "Not you father's Opera- configurei os repositórios, foi cri- vras, não era para eu mexer ting System" (em português, ada a versão PXE, criei com os aplicativos. "Não é o Sistema Operacional disquetes de inicialização com do seu pai"), em que expliquei suporte a USB e suporte a muito de minha filosofia. Conti- PCMCIA. Codifiquei e REL: E o Tiny Core? nuei com a instalação frugal, implementei vários novos códi- Fale-nos sobre este seu usei o GNU coreutils para subs- gos novos de boot como secu- novo projeto. O que você tituir o BusyBox, escrevi a docu- re, protect, legacy, desktop, esperava criar? mentação "Getting Started" icons, e waitusb. Criei as biblio- RS: Quando eu sou per- guntado "por que mais uma ou- tra distribuição?", isso me faz recordar do Linux World 2005. Ele estava lá, quando eu tentei Minha filosofia é oferecer mostrar o DSL, eu fui desacre- um maneira original de rodar o ditado com uma observação do tipo "Oh sim, você e todo Linux. Eu não promovo instalações menino de treze anos tem sua própria distribuição Linux". tradicionais no HD. Mas quando este fornecedor viu o que eu tinha, ele perce- Robert Shingledecker beu que não iria nadar no mar da mesmice. Minha filosofia é oferecer uma maneira original de rodar o Linux. Eu não pro- (em português, Guia de tecas usadas por bash scripts movo instalações tradicionais Introdução), criei e apresentei e Lua, assim como o pendrive no HD. Eu chamo agora esse a extensão de sistema MyDSL, install scripts, ZIP e HDD. Criei método de instalação de "scat- assim como as extensões a possibilidade de se usar o ter mode" (algo como modo compactadas montáveis em dpkg-restore, suporte a multi- esparramado, espalhado). Vo- loop, que mais tarde vieram a usuário para instalação no HD, cê não o encontrará listado no se chamar UCI. Introduzi o e web backup e restore. Eu des- Core Concepts methods do Lua/FLTK (Flua) para criar u- montei também o KNOPPIX du- Tiny Core. Com o tempo o de- mas 50 GUI front ends as vezes (a v3.3 para DSL sempenho é impactado ou se (interfaces gráficas) para o v0.6 e depois a v3.4 para o torna corrompido. Seja através DSL. Eu também integrei o QE- DSL v2.0) e compilei o kernel do mau funcionamento do sis- MU ao DSL e criei uma versão 2.4.31 e todos os módulos pa- tema de software ou hardware, separada do SYSLINUX. Adicio- ra manter o DSL atualizado. O erro do usuário/operador, o Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |27
  • 28. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER que quer que seja. Eu acredito re não fosse liberado. John O Tiny Core não é um que a inicialização de um com- abandonou logo DSL-N e as- fork do DSL. Ele tem uma ba- putador deve ser rápida. Deve sim, a seguir, eu o fiz. Com se completamente diferente e sempre partir de um conhecido não muito mais do que eu pode- não é nem baseada no Debi- estado imaculado. Acredito ria fazer com o kernel antigo an, nem no KNOPPIX. O Tiny que se deve ter o controle dos 2.4 do DSL, eu procurei mais Core não é também um remas- processos que estão funcionan- uma vez encontrar uma base ter de SliTaz, mas foi feito ba- do na hora da inicialização e nova. Foi até que vi o SliTaz e seado nas novas na coleção das aplicações que me lembrei das conversas com potencialidades do kernel 2.6 se deseja usar. Visto que, a Rob Landley no OLS2006 so- junto com as características maioria das distribuições está bre o popular o Initramfs com o que o Busybox forneceu. Em- se tornando cada vez maiores BusyBox. Eu o estudei, junto bora seja pequeno (10MB), o e maioria delas oferecendo com os registros de desenvolvi- Tiny Core não é focado em ne- mais atrativos para os olhos do mento do kernel e vi como um nhuma parte específica do que funcionalidades e ditando disco inicial de RAM simples e hardware. É injusto dizer que o ambiente de execução e a um Busybox poderiam traba- por causa do tamanho o Tiny seleção de aplicativos. Acho es- lhar com minhas idéias origi- Core é para um hardware mais tes processos muito lentos, des- nais e conceitos de extensões. antigo. necessários demais, e não Eu carreguei o Finnix, uma po- trazem as aplicações que eu de- derosa e pequena distribuição sejo. As outras distribuições baseada em Debian, e o ker- REL: Como o Tiny Core pequenas ditam ainda uma co- nel de Landley seguido do Rob trabalha? leção das aplicações. A maio- e o Busybox para criar o primei- RS: O Tiny Core é conti- ria que eu nunca uso. O ro protótipo. A seguir comecei do inteiramente em um arquivo gênesis do Tiny Core foi a par- a mergulhar no código que eu ti- comprimido cpio que popula o tir de uma reunião na Linux nha criado durante meus últi- disco inicial de RAM em cima World 2005, comigo, Kent Por- mos cinco anos do DSL, para do booting do Kernel Linux. En- ter, e Chris Livesay. Nós discuti- fazer o primeiro Linux Tiny Co- tão, basicamente o Tiny Core mos o que pensávamos ser re. A iteração seguinte era é composto por dois arquivos: um ambiente ideal. Um que fa- uma conversão do (refatorado) bzImage (o Kernel do Linux) e cilmente sustentaria os concei- murgaLua para C++/FLTK pa- tinycore.gz. Por causa disso o tos e a filosofia que eu tinha ra chegar a um protótipo Tiny Core roda inteiramente na introduzido no Damn Small Li- funcional do Tiny Core. RAM, o que é muito rápido e nux, mas sem o peso adiciona- do daquelas aplicações em GTK. Deixe o usuário decidir- se; GTK, ou GTK2, linha de co- mando para servidores, desk- top light, ou appliance É injusto dizer que por causa especializada. Eu criei realmen- te o Tiny Core quando eu des- do tamanho o Tiny Core é para um montei o KNOPPIX 4 e fiz o hardware mais antigo. DSL-N. John Andrews rejeitou Robert Shingledecker o conceito. Ele, outra vez, fi- cou do lado das aplicações do DSL-N, de modo que o Tiny Co- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |28
  • 29. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER permite também que nos ofere- familiarizados com o comando existente do Linux. Basta copi- ça diversas opções para persis- TAR irão perceber que o ar o bzImage e o tinycore.gz tência. Isto tudo está arquivo .filetool.lst é para a op- em seu HD e ajustar o seu documentado online na seção ção "T" e arquivo .xfiletool.lst é bootloader, neste caso, o Core Concepts do nosso Web para a opção "X". Estes dois ar- GRUB. Adicione um diretório site. A idéia é uma separação quivos são populados tce e você está pronto para ro- dos dados estáticos versus da- previamente para facilitar a lá-lo. Mesmo usando o modo dos dinâmicos. Todos os da- utilização, mas podem facilmen- persistente ele usará um diretó- dos estáticos, tipicamente te ser editados para um con- rio /home já existente e adicio- aplicações, são empacotados trole mais "fino". Este é apenas nará simplesmente um sob um arquivo TAR (TCE) ou um dos modos de operação pa- diretório "tc" no home. Assim a em imagens comprimidas para ra o Tiny Core. Nós oferece- cada novo boot o sistema esta- a montagem em loop (TCZ). Es- mos diversos outros, todos rá em um conhecido estado tes pacotes, nós os chamamos constituindo diferentes níveis imaculado. Nós não promove- de extensões, e estão disponí- de persistência. Um exemplo mos fazer uma instalação tradi- veis em nossos repositórios onli- seria instalar as extensões em cional do HD. Eu chamo-o de ne. Adicione agora a aqueles um arquivo ou em um diretório "scatter mode" ou modo dois arquivos, o bzImage e tiny- de loop, assim eliminando a car- esparramado, disperso, por- core.gz um diretório chamado ga em cima do tempo de boot. que não é pequena e nem or- "tce" e o Tiny Core vai mesclar Ou ainda usando um home per- ganizada, você termina com ou montar um diretório inteiro sistente para evitar o backup e arquivos dispersos sobre todo das extensões durante o boot. o restore. seu HD. Significa que você O resultado é um desktop feito O Tiny Core sempre é car- tem que alocar um diretório à sob demanda baseado na sua regado de uma imagem compri- instalação. Significa que você escolha das aplicações. Os da- mida cpio. Assim, cada boot é não pode coexistir com uma dos dinâmicos, tipicamente como se fosse o primeiro boot outra distribuição Linux instala- seus dados pessoais, situados do CDROM. Na verdade nós su- da. Significa que aqueles arqui- em seu diretório home são per- gerimos que os arquivos do vos dispersos não são sistidos com um backup e um Tiny Core estejam colocadas carregados "do início", "não restore. Isto também pode ser em um HD, numa instalação fru- estão frescos" a cada novo automático e é dirigido por gal. pequena e organizada. O boot e sendo assim são susce- dois arquivos .filetool.lst e .xfile- Tiny Core pode facilmente tíveis ao "system rot" tool.lst. Aqueles que estiverem coexistir com uma distribuição (decomposição do sistema). Assim, o Tiny Core é pro- jetado para começar pequeno e ir se transformando em um sistema baseado em suas pró- Nós do Tiny Core tentamos prias necessidades através de nosso repositório da extensão. encontrar o contrapeso entre o Isto difere de instalar um siste- tamanho e desempenho. ma básico Debian e adicionar programas. Começando com Robert Shingledecker uma instalação Debian básica, isso significa alocar espaço no drive, não ser capaz de coexis- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |29
  • 30. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER tir, adicionando pacotes que com rede sem fio. O Tiny Core blioteca em C. Mas outra vez, serão espalhados sobre o siste- tem suporte a adição de usuári- o glibc padrão, foi usado de ma de arquivos. Isso é muito di- os mas principalmente para per- modo que o Tiny Core fosse ferente. Considere também o mitir o acesso SSH. O Tiny mais "main stream" do que que as dependências da instala- Core está ainda em sua infân- uma distribuição embarcada, ções do Debian ditariam um ta- cia. Nossa primeira versão especializada de Linux. O Tiny manho que seria muito maior pública saiu no dia 1º de dezem- Core poderia liberar uma ver- do que o Tiny Core e seu mode- bro de 2008. Muitas característi- são sem o X (interface gráfica) lo otimizado de extensão. Uma cas e atualizações ainda estão somente para ser ainda me- instalação base Debian traduzi- por vir. nor, porém uma versão só em ria em mais recursos para funci- linha de comando não seria onar e não é para ser dinâmica muito amigável. Eu acho que em cada boot. O Tiny Core em REL: Muitos acreditam me esforcei para o contrapeso qualquer de suas diversos que o DSL é uma mini-distri- correto da facilidade de utiliza- modos de execução pode facil- buição. Bem, temos agora o ção, tamanho e desempenho. mente ser seu desktop. "Eu co- Tiny Core que é ainda me- mo minha própria dog food". nor. Existe possibilidade de Meu desktop é Tiny Core. Eu o se ter algo ainda menor do REL: Você recomenda o rodo com umas 60 extensões. que o Tiny Core e com a mes- uso do Damn Small Linux e Prefiro pessoalmente o tipo de ma usabilidade? Qual é o limi- do Tiny Core aos usuários montagem do tcz. Eu tenho te? iniciantes, que acabaram de dois netbooks ambos têm RS: O Tiny Core podia chegar ao mundo do Linux? SSDs pequenos. Uso a usar uma compressão mais ele- Você acha que são difíceis instalação frugal para ele vada, como LZMA. Mas signifi- para o usuário que acabou coexista com o Xandros no ee- caria um boot mais lento. de chegar no Linux? ePC 900A e com o Ubuntu no Como resultado teríamos um RS: O DSL é um desktop Dell 9 Mini. Eu sempre entro menor tamanho, mas que não completo e por causa disso é pelo Tiny Core. A inicialização, é tão primordial quanto o de- útil aos novatos. O DSL é mesmo com o carregamento sempenho. Nós no Tiny Core completo e às vezes ainda é das extensões, me fornece um tentamos encontrar o contrape- bom tamanho para um hardwa- netbook com redes sem fio mui- so entre tamanho e desempe- re mais antigo. to mais responsivo do que o nho. O Tiny Core podia Pode-se dizer que o Tiny OS nativamente instalado. O também usar uma pequena bi- Core é para usuários avança- Tiny Core também funciona bem com computadores ve- lhos, naturalmente, as caracte- rísticas modernas como GTK2, o flash mais recente têm exigên- Querer compartilhar com cias enormes. Na Conferência Scale 7x que aconteceu no sul os outros aquilo que se têm é da Califórnia, eu demonstrava o Tiny Core em alguns dos net- uma coisa boa. books mais novos tão bem Robert Shingledecker quanto laptops com 300Mhz e 128MB em modo framebuffer. Todos estavam funcionando Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |30
  • 31. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER dos. Mas eu tenho tentado dura- acontecer? sendo usado anunciar a infor- mente apresentar uma interfa- mação do estacionamento em ce fácil de se usar em relação bondes no "Los Angeles Fair- a adicionar aplicações, módu- REL: Poderemos grounds". los, e bibliotecas. Sendo somen- encontrar no futuro o Damn te um núcleo, isso implica em Small Linux ou o Tiny Core encarar muitas escolhas. Com em uma PC à venda em uma REL: Como a distribui- muitas escolhas, vêm muitas loja grande, (de ção Tiny Core é sustentada? decisões. Para tomar decisões departamentos ou shopping) Como sobrevivem? eficazes temos que ter tempo com o sistema instalado / RS: O Tiny Core é manti- para aprender tudo que envol- OEM? do por uma equipe dos voluntá- va o Tiny Core. Tente você mes- RS: Eu acho que não. O rios mo, você pode ficar muito DSL é muito atual. O Tiny Core (http://tinycorelinux.com/Te- surpreso como pode ser fácil. não é um desktop completo. O am_TC.html). Por causa da mi- Tiny Core está mais para nha idade e saúde, eu me hobbystas, construtores do sis- habilito a fazer menos a cada REL: Que você pensa tema, construtores do dispositi- ano. Mas não tenho medo al- dos remixes que muitos fa- vos, etc. O Tiny Core não é gum, a equipe que eu selecio- zem com distribuições Li- uma solução instantânea. Ago- nei é mais do que capaz. Mas nux? É saudável? ra, um construtor/integrador de eu não vou desistir. Desde que RS: O software livre pro- sistema pode desdobrar e mui- eu seja capaz, estarei dirigindo move muito isso. Eu penso to o Tiny Core nos dispositivos o desenvolvimento do Tiny Co- que é saudável. Qualquer um que eu nem mesmo saberia. re. que queira aprender os funda- Recentemente, me mandaram mentos de como o Linux um email mostrando que o funciona é algo muito bom. DSL estava sendo usado no REL: Atualmente você Querer compartilhar com os ou- "Bay Area Rapid Transit está a frente do Tiny Core. tros aquilo que se têm é uma (BART)" de São Francisco, Cali- Como ficou sua participação coisa boa. Muitos remixes po- fórnia para indicar a informa- no DSL? Você tem outros dem não ser muito interessan- ção do trem. Em uma projetos de código-fonte tes, mas fazer o que?! Sem conferência recente de Linux, aberto? nunca ter a oportunidade, co- se aproximaram de mim para di- RS: Desde que eu come- mo é que novas visões iriam zer que meu software estava cei o Tiny Core, John Andrews proibiu-me de continuar a tra- balhar no DSL. Fundou o DSL, possui a marca registrada, e controla todo o acesso ao A melhor contribuição é a DSL. Não tenho nenhum outro projeto de código fonte aberto. de compartilhar do conhecimento Desde que fiquei aposentado, com o outro. eu vivo da minha pensão e in- vestimentos. Nós, eu e equipe, Robert Shingledecker somos todos voluntários. Os conceitos Tiny Core são algo que todos acreditam. É nossa Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |31
  • 32. CAPA · ENTREVISTA COM ROBERT SHINGLEDECKER paixão. lo de fonte aberta oferecem tas distros? mais oportunidades do que o RS: Desde que fui exila- mundo de fonte fechado. As- do do projeto, eu não posso REL: Quando não está sim, penso que o futuro é mui- atrás de um computador no responder sobre o futuro do to brilhante para o Linux. Ainda DSL. desenvolvimento do Tiny é muito difícil tornar-se em um Core, que faz para se negócio grande. É tipicamente O que é emocionante so- divertir? Você trabalha 24 ho- controlar o que está prontamen- bre o Tiny Core é o modelo de ras? te disponível no mercado, e co- extensão. Através das exten- RS: Já que sou deficien- mo tais controles, o estado sões nós podemos continuar te, eu aprendi a usar o transpor- mental que isso provoca nas em qualquer direção. Nós man- te público. Eu conheço todos pessoas. teremos o núcleo atual e nos os ônibus, trilhos, e sistemas esforçaremos por mantê-lo pe- de trem. Ter OPMD significa queno. Adicionaremos uma in- muita dificuldade para engolir, REL: Onde nós pode- fra-estrutura como eu tenho necessidades especi- mos aprender mais sobre o necessidade para melhorar o ais em relação à comida. Eu en- DSL e o Tiny Core? Que vo- suporte e a interação com nos- contrei muitas comidas, de cê recomenda? Que Web si- sa modelo de extensão. So- diferentes culturas, interessan- te ou livros? mos uma distribuição nova e tes e saborosas que são fáceis RS: Até onde tenho conhe- estamos apenas começando. de engolir. Tendo aprendido tu- cimento, o DSL, ainda enquan- O próximo release incluirá mai- do isso, planejo agora "bus- to um desktop útil, é um ores atualizações do kernel e cas" para tentar alimentos de projeto terminado e fechado. A bibliotecas do núcleo. muitas culturas. Eu conduzo documentação definitiva para um grupo pequeno de outros ci- ele é "O Livro Oficial Damn REL: A Revista Espírito dadãos na terceira idade nes- Small Linux", publicado por Livre lhe agradece pela opor- tes lugares. Nós nos Prentice Hall, Pearson Educati- tunidade! Deixe uma mensa- divertimos muito e aprende- on. Já para o Tiny Core, eu es- gem para nossos leitores. mos provando alimentos de pero que vocês venham nos muitas culturas. A autenticida- visitar em http://tinycoreli- RS: O Tiny Core é diverti- de verdadeira, étnica, a varieda- nux.com. Nós não temos ne- mento. É desafio. Tem muitas de nativa, do Afeganistão, da nhum anúncio, não pedimos possibilidades. Eu espero que África, do Peru, do sudeste da nenhum dinheiro. O Tiny Core vocês visitem, explorem, e par- Índia, da Coréia, da China, do Linux é sobre compartilhar, tilhem. México, etc. aprender, e promover um diver- Muito obrigado por propor- timento novo e de uma manei- cionar-me esta oportunidade ra emocionante de usar o de compartilhar de minha pai- REL: Como você vê o Linux. A melhor contribuição é xão com os leitores. crescimento de Linux em a de compartilhar do conheci- computadores atuais? Existe mento com o outro. Maiores informações: a possibilidade de tornar-se ainda mais popular? Site Tiny Core Linux: RS: Com mais dispositi- REL: O que os fãs e os http://www.tinycorelinux.com vos vêm mais oportunidades novos adeptos do Tiny Core de inovação. Linux e seu mode- (e do DSL) podem esperar Site Pessoal: das versões seguintes des- http://www.shingledecker.org Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |32
  • 33. ENTREVISTA · FLÁVIO DE OLIVEIRA ENTREVISTA: FLÁVIO DE OLIVEIRA Criador do GoblinX Por João Fernando Costa Júnior A edição n. 2 da Revista Revista Espírito Livre: por exemplo eu já usava Espírito Livre traz em sua capa Quem é Flávio de Oliveira? Abiword no Windows, até que um assunto bem interessante Fale-nos um pouco sobre vo- um dia resolvi migrar tudo para e que nos reporta a vários sub- cê. Quando começou com software livre e conheci o Li- assuntos. Em meio as diversas sua história com os computa- nux. tecnologias que podem ser utili- dores e software livre? E nas zadas visando a utilização de horas vagas, o que faz para máquinas leves e mais rápidas se divertir? REL: Como surgiu a encontramos distribuições que idéia de criar o GoblinX? O Flávio de Oliveira: Eu sou que te motivou? E de onde visam todos estes atributos, engenheiro civil de formação e mas com um "q" a mais de bele- vem o nome? sempre utilizei computadores za. Assim, entrevistamos Flá- porque trabalhava com projeto FdO: Eu comecei usando vio de Oliveira, responsável civil, preparando plantas bai- Slackware e um dia enquanto pela distribuição GoblinX, uma xas, orçamentos e especifica- pesquisava por jogos para utili- distribuição que merece aten- ções. Sou ainda artista plástico zar encontrei o Kurumin Ga- ção. e escritor de mes, foi então que percebi a forma amado- possibilidade que todos tinham ra ainda. de remasterizar e criar uma dis- tribuição, assim nasceu a idéia A histó- de fazer meu próprio livecd. O ria com o nome GoblinX veio meio do na- software livre da, sem muitas explicações, começou quan- goblin é um termo utilizado em do eu passei praticamente todas as línguas, a ter internet é meio um bandido no mundo banda larga. das lendas e traz esse jeito in- No início come- diferente, malandro que gosta- cei trocando ria de dar ao projeto, adicionei meus progra- o X no fim apenas. Figura 1: Criador e criatura mas por ou- tros livres, Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |33
  • 34. ENTREVISTA · FLÁVIO DE OLIVEIRA REL: Pensamos que o como comparar um livecd do GoblinX? Quais os requeri- termo beleza e leveza descre- Ubuntu com o GoblinX, o Go- mentos mínimos para se ve bem o GoblinX. Quais são blinX é muito superior, então usar o GoblinX? as particularidades do siste- tendo essa força no livecd o FdO: A leveza entra na ma diante das demais distri- que procuramos é tornar o Go- pergunta acima também, por buições linux nacionais e blinX instalado um sistema termos diferentes distribuições, internacionais? O que o tor- com recursos dos grandes siste- temos diferentes possibilida- na diferente dos outros? mas. des. O G.Mini e o G:Micro que FdO: Beleza e leveza não utilizam respectivamente Xfce são mais as principais caracte- e Fluxbox são indicados para REL: O GoblinX tem vári- rísticas do GoblinX nem as mai- micros mais antigos, aliás o as versões. Qual a diferença ores diferenças com as meu micro de trabalho é anti- entre elas? Você não acha co-irmãs. Durante um tempo, go, um Athlon 2600+ com que tantas versões podem no início, beleza e customiza- 512MB e rodo as quatro dis- confundir aquele que não sa- ção foram fundamentais, contu- tros, claro que KDE e Gnome be por onde começar? do hoje o GoblinX traz como são mais pesados. O G.Mini e maior diferença entre as princi- FdO: Todos os sistemas G.Micro podem ser usados pais distribuições ser a única, operacionais grandes tem dife- bem em micros piores, mas tu- em diria em conjunto com o rentes versões, incluindo Win- do depende do que o usuário Zenwalk, a oferecer o melhor dows e Ubuntu. No caso do irá rodar, algums programas sistema para livecds dispara- GoblinX a idéia é aproveitar ao exigem mais do que outros. O do, o Linuxlive, com recursos máximo o poder do Linuxlive, G.Mini e G.Micro eu testo em após instalação no padrão das virtualmente eu poderia montar um Pentium III de 256kb nor- gigantes, como repositório pró- milhares de sistema diferentes malmente. prio de pacotes. Esse é o dife- com os recursos atuais, atual- rencial, a união entre o melhor mente passei a fazer quatro dis- sistema para livecds com o ne- tros, uma para cada um dos REL: Quando o linux cessário para se tornar uma óti- desktops principais, Kde, Gno- nasceu era tido como um sis- ma distro instalada. Não tem me, Xfce e Fluxbox, aproveitan- tema que consumia poucos do o melhor de cada um recursos e baixo poder de destes, ofere- processamento. Conforme o cendo aos sistema foi amadurecendo a usuários mais exigência por um hardware opções e ain- cada vez melhor também au- da recebendo mentou. Hoje temos distribui- mais ajuda pa- ções com vários cds e dvds, ra melhorar tornando-se um sistema os ambientes. completo, e em contra-parti- da pesado. O que você pen- sa disso? Na sua opinião os REL: Par- desenvolvedores devem se ticularmente preocupar com a exigência no quesito le- de hardware ou tanto faz, ha- veza, o que ja vista que o valor das pe- você tem a di- ças sempre tende a cair? Figura 2: Tela do GoblinX em execução zer sobre o Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |34
  • 35. ENTREVISTA · FLÁVIO DE OLIVEIRA FdO: Acho que devem Contudo exis- existir distribuições e projetos te um outro pensados para micros mais anti- lado, o da pu- gos, contudo os maiores proje- ra e simples tos como Kde e Gnome devem personaliza- focar usabilidade e correção ção, não de bugs e não leveza. Afinal acho viável existem outros programas e ge- nem impor- rentes de janelas que pensam tante e estas em leveza. Openoffice.org, Fire- distros aca- fox e outros poderosos aplicati- bam morren- Figura 3: Interface Netbook vos devem tentar ser o mais do, mas cada leve possível mas nunca retirar um faz o que quer, democracia GoblinX contempa o usuário ou deixar de adicionar recur- é um dos pontos do mundo de leigo ou é um sistema para sos por causa de poder de pro- software livre. Se um indivíduo os mais entendidos de li- cessamento. acha que a customização dele nux? A quem ele é destina- é interessante e ele segue as do? regras da GPL, deve lançar. REL: Vemos nascer a ca- FdO: Eu diria que é um da dia novas distribuições li- sistema entre fácil e intermediá- nux baseadas em outras. Ao REL: Não sei se vocês rio, com um ponto fundamen- mesmo tempo vemos várias tem essa informação, mas co- tal, o poder do usuário é morrerem por falta de supor- mo o GoblinX é visto fora do levado em conta, penso sem- te e comunidade. O GoblinX Brasil? Qual a repercussão? pre em incluir facilidades sem é baseado em alguma distri- Você tem números quanto a tirar o poder do usuário de alte- buição? O que você acha número de usuários no Bra- rar tudo. das distribuições que só não sil e fora dele? tem autenticidade e só basica- FdO: Fora do Brasil o Go- mente trocam temas e são REL: Hoje no Brasil en- blinX é bem mais conhecido contramos inúmeras distri- lançadas novamente como chegando a estar entre as trin- uma nova distribuição? buições. Entretanto as duas ta e cinco primeiras no mais populares (Conectiva e FdO: O GoblinX é basea- Distrowatch.com no passado. Kurumin) tiveram nascimen- do no Slackware. Ele utiliza o Li- Os números de usuários já pos to e morte. Com isso alguns nuxlive na confecção do livecd, o Brasil em quarto lugar na lis- usuários ficaram "órfãos" então o GoblinX é bastante dife- ta, atrás de Estados Unidos, por assim dizer. Esta falta de rente se comparado ao Alemanha e França, hoje os garantia que o sistema conti- Slackware, que nem é livecd. usuários brasileiros aumenta- nuará tendo continuidade co- Acho que uma distribuição de- ram mas ainda estão em núme- loca medo em algumas veria nascer seguindo a GPL, ro bem menor que os pessoas. O que você diria pa- não precisa ter recursos novos americanos, o que é natural afi- ra eles? e sim dedicação. Com o tempo nal nos Estados Unidos exis- a distribuição irá crescer e com tem muito mais usuários de FdO: O GoblinX seguirá ela a comunidade, nenhuma computador. um caminho inverso, o da pro- distribuição nasce grande e fissionalização, a distribuição sou contra essa idéia que mui- irá crescer, ser reformulada e tas distribuições atrapalham. REL: Na sua opinião o entrar em um outro patamar. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |35
  • 36. ENTREVISTA · FLÁVIO DE OLIVEIRA REL: Você acredita que ma de vez uma posição no REL: O que os fãs da o cenário nacional tem lugar mercado, com chances reais distribuição e colaboradores para as tantas distribuições de desbancar concorrentes podem esperar nas futuras que tem? Se as comunida- (se é que podemos chamar versões do sistema? des se unissem será que não de concorrentes)? FdO: O GoblinX vem sem- teríamos algo mais sólido e FdO: Acho que as gran- pre mudando e renascendo a enbasado? No mundo temos des cooporações precisam se cada versão, e para a próxima mais de 300 distribuições. ajudar mais, Canonical e Novel passaremos por nossa maior Aos olhos de quem está che- por exemplo parecem brigar en- mudança, com um novo modo gando parece que cada um tre elas, acho que falta ainda de gerenciar o projeto para tor- está atirando para um lado. mais parcerias dessas empre- ná-lo profissional e entrarmos O que você pensa disso? sas com grandes fabricantes no mercado dos fabricantes de FdO: Em relação a união de software, como Adobe, Auto- computadores. entre comunidades eu não acre- desk e outras mais. Falta ao Li- dito que traria melhoria algu- nux ser compatível com mais ma, cada comunidade deve programas dos grandes fabrica- REL: Caso alguém quei- ajudar e ter opção de um mo- tes como Adobe, ser mais ma- ra colaborar com o sistema o do geral, acho mais importan- leável e aceitar aplicativos e que deve fazer? E onde o tes as comunidades dos drivers não livre e trabalhar usuário leigo, que acabou de projetos do que das distribui- mais os nomes das distribui- ficar sabendo do sistema, de- ções, só que as comunidades ções do que a marca Linux. ve buscar informação e di- em volta de uma distribuição cas? tendem a ter mais força. FdO: O melhor modo é REL: Com a chegada de me contactar via email conta- Agora eu acho que quem sistemas operacionais propri- atrapalha são as grandes em- to@goblinx.com.br ou visitar etários que exigem bastante nosso site e fórum. O site e fó- presas, Canonical, Novel e hardware, o preço sempre Red Hat cada qual faz algo le- rum tem muitas dicas, artigos e tende a cair. Você acha que sempre eu ou alguém tirando vando em conta apenas as idéi- com essa medida os benefici- as deles e sem considerar os as dúvidas. ados somos nós que utiliza- outros, assim todo dia o Ubun- mos linux? tu traz uma novidade, o Fedo- FdO: O Linux sempre se REL: Deixe uma mensa- ra outra e o SuSE outra e beneficia das mudanças nos gem para o pessoal que está estas não se ajudam em qua- grandes sistemas, entretanto is- lendo a revista! se nada e normalmente estas novidades fazem a mesma coi- so é passageiro, não acho que FdO: Espero que você lei- sa que outros projetos já fazi- aquele que testa e odeia o Win- tor tenha gostado da entrevista am. dows Vista adote alguma dis- e se lembre de falar com ami- tro Linux, é mais fácil retornar gos sobre o GoblinX e sobre a Nós temos poucas distri- ao Windows XP. O Linux se be- Revista Espírito Livre. buições no Brasil, já tivemos neficiaria muito mais se o supor- mais. te ao Windows XP dado pelos grandes fabricantes de aplicati- vos e hardware fosse interrom- Maiores informações: REL: Na sua opinião o que falta em um sistema li- pido. Site Oficial GoblinX Linux: http://www.goblinx.com.br nux hoje para que ele assu- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |36
  • 37. CAPA · TCOS PROJECT Por Aécio Pires O que fazer quando os desktops estão ob- distribuições GNU/Linux Debian[3], Ubuntu[4], soletos demais para usar a versão mais nova de MaX 4.0[5], Guadalinex[6] e Lliruex[7]. A versão um sistema operacional, por exemplo? O que fa- atual é a 0.89.33 e está traduzida para o espa- zer para reduzir os custos de propriedade da re- nhol, inglês e português. de (custos com a aquisição e manutenção dos equipamentos, licença de uso de softwares pro- prietários, consumo de energia elétrica, etc)? As ferramentas Ou o que fazer para reduzir o impacto ambiental Os grandes trunfos do TCOS, em relação dos computadores obsoletos? a outros projetos de Software Livre para clientes magros, são as ferramentas gráficas: Uma boa solução para esses e outros pro- blemas é a utilização de clientes magros. Uma re- de de clientes magros possui baixo custo de tcosconfig => usada para criar e persona- instalação por permitir o uso computadores obso- lizar os arquivos de inicialização dos clientes. letos ou thin clients[1], todos conectados a um Desenvolvida em Python e GTK2, ela é uma in- servidor de alta performance de processamento terface gráfica para o gentcos, um shell script que compartilha o sistema operacional, aplicati- que compila as imagens a partir das configura- vos, acesso a Internet, CD-ROM, impressora, ar- ções indicadas pelo administrador. mazenamento de arquivos, etc. Existem vários projetos de Software Livre e Proprietário que proporcionam a implantação dessas redes, mas neste artigo iremos conhecer o TCOS – Thin Client Operating System. O que é TCOS? É um projeto de Software Livre licenciado pela GPL 2[2] e formado por um conjunto de fer- ramentas gráficas utilizadas tanto para inicializar como para gerenciar clientes magros. O TCOS foi criado pelo espanhol Mario Iz- quierdo Rodrigues e encontra-se disponível no si- te http://tcosproject.org para ser instalado nas Figura 1: Tela inicial do TcosConfig Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |37
  • 38. CAPA · TCOS PROJECT execução, etc), compartilhar arquivos de multimí- dia, realizar audioconferência, entre outras. tcosphpmonitor => uma alternativa ao tcosmonitor permitindo gerenciar os clientes através de um sistema Web, desenvolvido em PHP. tcospersonalize => permite configurar al- gumas características dos clientes, tais como: a resolução da tela, os drivers de vídeo, módulos de kernel, entre outros. tcos-device-ng => utilizada para mon- tar/desmontar automaticamente o CD-ROM, dis- Figura 2: Tela do TcosMonitor em uso co rígido, dispositivos USB, entre outros dispositivos conectados nos clientes. tcosmonitor => utilizada para gerenciar os clientes magros e desktops, desde que te- pam-usb-tcos => um utilitário gráfico que nham instalado a aplicação cliente tcos-standalo- associa o uso de um dispositivo USB a um ou ne. Com o tcosmonitor é possível mais usuários. Ele evita que o usuário digite a reiniciar/desligar os clientes, bloquear ou desblo- senha para montar ou desmontar o dispositivo quear a tela, teclado e mouse; controlar o clien- todas as vezes em que ele for conectado ou des- te utilizando o VNC, capturar a tela, encerrar a conectado nos clientes. sessão gráfica dos usuários, executar uma apli- tcos-configurator => permite ao adminis- cação remota, enviar mensagens aos usuários trador configurar o servidor TCOS e alguns servi- conectados, visualizar/encerrar as aplicações ços de rede relacionados, como: o DHCP, em execução, acessar as informações de cada cadastro de usuários no sistema e configuração cliente (o uso do processador, consumo de me- do gerenciador de login. mória RAM, módulos do kernel em uso, configu- rações da interface de rede, processos em TCOS x LTSP5 Talvez você esteja se perguntando: TCOS não é igual ao LTSP[8]? Ambos tem os mesmos objetivos? Quais as diferenças entre eles? Segundo o manual do TCOS para adminis- tradores[9], escrito pelo desenvolvedor do TCOS, esses dois projetos possuem os mes- mos objetivos, mas as diferenças estão na im- plementação de cada um. Eis algumas das diferenças existentes entre o TCOS e o LTSP, versão 5: - No LTSP 5 os clientes usam NFS (Network File System) para obter o sistema de arquivos raíz (opcionalmente podem usar Figura 3: Tela do TcosPersonalize em uso squashfs sobre NBD - Network Block Device). Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |38
  • 39. CAPA · TCOS PROJECT com a Internet, um repositório local ou um CD- ROM/DVD-ROM com os pacotes para criar a imagem de inicialização dos clientes. TCOS utili- za os binários disponíveis no servidor. No LTSP5 esse processo demora mais de 15 minu- tos, no TCOS apenas 15 segundos. - LTSP 5 não permite personalizar a ima- gem de inicialização dos clientes. Com o TCOS é possível personalizá-la e escolher o que será removido ou incluído. - LTSP 5 tem uma ferramenta muito sim- ples para administrar os clientes chamada Thin Figura 4: Ferramentas do Tcos Client Manager e outra para configurá-los, a LTSP-Manager. TCOS possui as ferramentas No TCOS, os clientes obtém a imagem tcosmonitor e tcosphpmonitor, para gerenciar os squashfs usando os protocolos TFTP (Trivial Fi- clientes, e a tcospersonalize, para configurá-los. le Transfer Protocol), HTTP (Hipertext Transfer - LTSP 5 só permite conexões gráficas en- Protocol) ou NFS, mas quando o cliente possui tre os clientes e o servidor usando o XDMCP (X mais do que 38 MB de memória RAM não é ne- Display Manager Control Protocol). Além desse cessário utilizar NFS, o que diminui o consumo protocolo, o TCOS utiliza: o rDesktop (para Win- de memória RAM. dows Terminal Server), FreeNX, SSH+X e o - Se o servidor LTSP 5 falhar ou perder co- XRDP. nectividade, todos os clientes sofrerão um ker- - TCOS usa o XMLRPC entre o servidor e nel panic e precisarão ser reiniciados. Com o os clientes para trocar informações, tornando TCOS, eles apenas tem de esperar o servidor mais fácil o desenvolvimento de pequenos pro- voltar a funcionar normalmente. gramas ou plugins para fazer tarefas simples, - O sistema de acesso aos dispositivos re- como por exemplo pam-usb-tcos. movíveis utilizado por ambos os projetos é o - A configuração do servidor LTSP 5 é feita LTSPFS (filesystem sobre Xorg + o módulo de através da edição manual de arquivos de confi- kernel chamado FUSE). No TCOS houve uma guração. Além desse método o servidor TCOS melhoria no uso desses dispositivos com a apli- pode ser configurado usando a aplicação gráfica cação gráfica tcos-devices-ng. No LTSP 5 esses tcos-configurator, tornando esse processo rápi- dispositivos são montados de forma automática do e fácil. e a desmontagem é complicada, mas no TCOS essas operações são realizadas de forma muito - LTSP 5 não tem uma aplicação gráfica simples. para configurar e compilar as imagens dos clien- tes. TCOS possui o tcosconfig. - LTSP 5 só tem suporte a disquetes, me- mórias USB e CD-ROM de dados. O TCOS, além desses dispositivos, tem suporte a parti- Por outro lado, o LTSP é um projeto que ções do disco rígido (incluindo o sistema de ar- existe a mais tempo, sendo bem mais conheci- quivos NTFS, CD-ROM USB, discos firewire, do e utilizado. O LTSP também possui versões CD de aúdio, etc. para outras distribuições GNU/Linux, como: - No LTSP 5 é necessário ter uma conexão Slackware[10], Fedora[11], etc. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |39
  • 40. CAPA · TCOS PROJECT Quem está usando TCOS? Maiores informações: - Conheça alguns dos casos de sucesso do [1] Thin Clients TCOS no mundo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Thin_client - Escola Universitária Politécnica de Valladoid (Espanha); [2] GPL 2 - Colégio La Salle - Felipe Benito (Servilha, Espa- http://www.gnu.org/licenses/gpl-2.0.html nha); - Colégio El Apostolado (Valladolid, Espanha); [3] Debian - Escola de Ofícios San Cayetano Centro de For- http://debian.org/ mación Profesional de Vicente López Carapa- chay (Buenos Aires, Argentina); [4] Ubuntu - Rádio Comunitária Sur FM 102,7 (Buenos Ai- http://www.ubuntu.com/ res, Argentina); - Universidad Yacambú (Barquisimeto, Venezue- [5] MaX 4.0 la); http://www.educa.madrid.org/web/madrid_linux/ - Biblioteca do Liceo Industrial de Santiago (Santi- ago, Chile). [6] Guadalnex http://www.guadalinex.org/ No Brasil, ainda não foi registrado oficial- [7] Lliruex mente nenhum caso de sucesso. http://lliurex.net/ O TCOS também foi vencedor do I Concur- so Universitário de Software Livre, promovido pe- [8] LTSP la Universidade de Servillha-ES, em 2007, na http://www.ltsp.org/ categoria “Distribuições” (http://concurso-softwa- relibre.us.es/0607/). [9] Manual do TCOS para Admins http://br.tcosproject.org/?page_id=16 Considerações Finais [10] Slackware Então, o que você achou do TCOS? Se esti- http://www.slackware-brasil.com.br/web_site/ ver curioso acesse o site oficial do projeto[12] e da comunidade TCOS Brasil[13], ambos possu- [11] Fedora em uma vasta documentação sobre TCOS. http://www.projetofedora.org/ [12] TCOS Project Este artigo é o primeiro da série e nos http://tcosproject.org/ próximos iremos entender o funcionamento de uma rede TCOS, os [13] TCOS Brasil protocolos utilizados, as configurações http://br.tcosproject.org/ de hardware recomendadas para os clientes e o servidor, o impacto que o AÉCIO PIRES (http://aeciopires.rg3.net) é graduando em redes de computadores pelo TCOS causa numa rede de desktops, IFPB (www.ifpb.edu.br), tradutor do TCOS, conhecer as vulnerabilidades e as fundador da comunidade TCOS Brasil e contra-medidas para tornar a rede mais estagiário da Secretaria da Receita do Estado da Paraíba, onde faz pesquisas com segura. Não percam! TCOS desde junho de 2008. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |40
  • 41. CAPA · TERMINAIS LEVES COM O SACIX TERMINAIS LEVES COM O SACIX Por Anderson Goulart e Luiz Paulo Terminais leves, thin clients ou ambiente ta escalar a solução. Entretanto, em pequenas diskless (sem disco) são praticamente sinôni- proporções, é possível criar um ambiente útil de mos nos textos técnicos sobre o assunto. O "pra- acesso à internet e às aplicações convencionais ticamente" vem do fato de um sistema leve (editores de texto, planilhas, mensageiros, etc), poder ter discos rígidos, mas ainda ser encara- com um custo reduzido de infra-estrutura, apro- do como uma solução para evitar o sucateamen- veitando os computadores sucateados. to dos computadores. Neste aspecto, surgiram Com o objetivo de facilitar instalação e con- várias soluções comerciais e livres que são capa- figuração de um ambiente baseado no LTSP cri- zes de reviver computadores com baixo poder amos o Sacix[3] que, atualmente, é formado por de processamento e memória. Os 2 grandes pro- pacotes e meta-pacotes DEB[4] capazes de au- jetos livres relacionados são o LTSP (Linux Ter- tomatizar esse processo. Os terminais leves são minal Server Project)[1] e o DRBL (Diskless computadores convencionais, com baixo poder Remote Boot in Linux)[2]. Ambos provêem um de processamento e geralmente sem discos rígi- terminal remoto, mas suas construções internas dos. Na seção seguinte abordaremos a arquite- são diferentes. A idéia é simples: coloca-se um tura e funcionamento do sistema. Este projeto é computador de alto desempenho servindo os ou- utilizado principalmente nos telecentros do Casa tros, onde todo o processamento é realizado. Du- Brasil[5], mas é facilmente expansível para qual- rante a execução dos programas, as quer tipo de customização. informações sobre o que deve ser exibido na te- la é enviada pela rede para cada computador co- nectado a ele. Dessa forma, um 486 poderia ser Arquitetura do sistema quase tão rápido quanto um processador de nú- A figura 1 mostra a interconexão de rede cleo duplo, na teoria. Essa é a base para o não exigida para o funcionamento do LTSP: um ser- sucateamento dos equipamentos antigos. vidor (LTSP Server) interligado com os clientes A prática revela que vários são os gargalos (ou terminais) através de um switch. Este servi- ou problemas enfrentados por essas soluções: in- dor pode ou não estar na internet compartilhada fra-estrutura de rede, memória de vídeo e RAM com os terminais (LTSP workstations). do cliente, suporte aos dispositivos locais (por- Neste esquema, o Sacix instala e configu- tas usb, pendrives, placas de som, impressoras) ra os seguintes serviços no servidor para o funci- e o desempenho geral do sistema quando se ten- onamento do LTSP: Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |41
  • 42. CAPA · TERMINAIS LEVES COM O SACIX - TFTP (Trivial File Transfer Protocol): utilizado gos, como os 486. Neste caso, é necessário para transferir a imagem do kernel para cada es- iniciar o computador por disquete, cd-rom ou tação uma placa de rede externa com este suporte[6]. - DHCP (Dynamic Host Control Protocol): forne- Já o Sacix é formado pela distribuição De- ce os endereços IPs e nomes para cada cliente bian Lenny acrescentados os pacotes de confi- - NFS (Network File System): compartilha os ar- gurações dos serviços já listados. Selecionamos quivos e diretórios utilizados pelos clientes os aplicativos a serem instalados a partir das de- - XDMCP (X Display Manager Control Protocol): mandas dos usuários dos telecentros. Em uma habilita o suporte para execuções de aplicações estrutura lógica de desenvolvimento, dividimos o gráficas remotamente nosso trabalho em 2 partes: servidor e desktop. - LTSP: realiza o trabalho de configuração de ca- da terminal e o suporte aos dispositivos: vídeo, Servidor (sacix-server): nos preocupa- som, impressoras, teclado, mouse, etc. mos com a funcionalidade do ambiente LTSP, compartilhamento da internet, segurança, servi- ços de impressão, proxy, compartilhamento de arquivos e configuração dos serviços. Desktop (sacix-desktop): o trabalho con- siste na escolha do ambiente gráfico (Gnome), dos aplicativos (Firefox, Broffice, GIMP, Inksca- pe, Pidgin, etc) e suas personalizações (temas, tunning, preferências). Recursos como acessibili- dade (gnome-orca) e multimídia (áudio, vídeo, flash, java, jogos) estão incluídos nesta seção, com suas devidas limitações. Características do sistema Nossa proposta não é criar mais uma distri- buição, com mais um nome e mais uma série de dificuldades. Manter uma distro requer tempo, di- nheiro e pessoas. Por isso nossa abordagem foi Figura 1: Arquitetura do sistema LTSP criar meta-pacotes facilmente personalizados pa- ra qualquer projeto relacionado com terminais le- É importante lembrar que todas as esta- ves. Através da instalação do pacote chamado ções devem ter suporte a boot pela rede via "sacix", é desencadeado um processo de instala- PXE. Ou seja, todo o carregamento do sistema ção dos meta-pacotes "sacix-server" e "sacix- operacional é feito pela rede. A principal vanta- desktop" os quais, através de uma estrutura hie- gem do LTSP é a facilidade de manutenção, já rárquica de dependências, faz toda a mágica. que administramos apenas o servidor. Não há Em alguns momentos é necessária a interven- mais necessidade de reinstalação dos clientes. ção do usuário para preenchimento de informa- Basta reiniciar a máquina. Entretanto, uma falha ções essenciais, tais como endereço de rede e no servidor impede o uso de todas as estações. máscara. Dessa forma, aproveitamos todos pa- O PXE pode ser habilitado na BIOS e está cotes oferecidos pelo projeto Debian sem a ne- disponível em todas as placas-mãe modernas. Is- cessidade de mantê-los. so é um problema para os computadores anti- Outro ponto de destaque são as versões Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |42
  • 43. CAPA · TERMINAIS LEVES COM O SACIX Podemos dizer que o LTSP está estável e garante o funcionamento dos dispositivos locais (pendrive, cdrom, impressoras, etc) assim como os recursos em rede. A maior preocupação é o desempenho, haja vista a crescente demanda de processamento das aplicações web com ajax, flash e java embutidas nas páginas e recur- sos 3D dos jogos, o que deixa muitas vezes os usuários insatisfeitos com a solução, oriundos de uma LAN House. Deixo aos leitores um espaço aberto para registrar quaisquer falhas ou dúvidas através do site do projeto[3]. Convidamos a todos a partici- Figura 2: GDM - Tela de login do sistema par do desenvolvimento do Sacix, seja através de sugestões, suporte, traduções, documenta- dos aplicativos. Apesar da versão Lenny não pos- ções ou manutenção dos pacotes. suir as últimas versões em seus repositórios, o projeto Sacix mantém atualizado os aplicativos mais requisitados pelos usuários como Firefox 3 e Broffice 3. Assim, disponibilizamos as novas Maiores informações: funcionalidades sendo cuidadoso para não per- [1] Site Oficial LTSP: [5] Site Casa Brasil: der a estabilidade da distribuição. http://www.ltsp.org/ http://www.casabrasil.gov.br/ Conclusão [2] Site DRBL: [6] Site projeto Etherboot: Instalar e configurar um sistema com supor- http://drbl.sourceforge.net/ http://etherboot.org/ te a terminais leves utilizando LTSP exige um co- nhecimento avançado em administração de [3] Site Oficial do SACIX: [7] Site Oficial Debian: sistemas GNU/Linux. O Sacix tornou este traba- http://www.sacix.org/ http://www.debian.org/ lho trivial, sem perder a estabilidade e confiabili- dade do Debian. [4] Artigo sobre formato Deb: http://en.wikipedia.org/wiki/Deb_(file_format) Nos telecentros, percebemos que o LTSP não substitui a instalação convencional. O uso ANDERSON GOULART é desenvolvedor do de recursos multimídias, java, flash, jogos e sui- Sacix e mantenedor da infra-estrutura atual tes de escritórios em vários terminais simultâne- do projeto. Trabalha com inclusão digital e com sistemas baseados em terminais leves os acarreta uma grande perda de desempenho. há 4 anos. É bacharel em Ciência da No projeto Casa Brasil, temos um servidor (nú- Computação e Tecnico Especialista em Computação (TEC) do projeto Casa Brasil. cleo duplo, 4GB RAM) alimentando 20 esta- ções. Mesmo neste ambiente o uso de alguns recursos são insatisfatórios. Portanto, o uso do LUIZ PAULO atua na área de software livre LTSP ou outra solução relacionada é recomenda- há quase 10 anos. É bacharel em sistemas do para recuperar máquinas em desuso com ob- de informação e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da solução Sacix para jetivo de torná-la um terminal leve, com recursos telecentros. É membro do Coletivo Digital e limitados, mas úteis para alguns propósitos espe- atualmente trabalha no data-center da empresa Cobra Tecnologia. cíficos, como acesso à internet associada ao pro- cesso de inclusão digital. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |43
  • 44. CAPA · LEVEZA+VERSATILIDADE = PORTABILIDADE+USABILIDADE Leveza + versatilidade = portabilidade + usabilidade Por Orlando Lopes Debz Wildie - www.sxc.hu Há um livro de ensaios re- A chamada desta edição lativamente famoso de Italo Cal- dá atenção a aspectos bastan- vino (autor de, entre outros, O te importantes na constituição barão nas árvores, As cosmicô- de um sistema operacional, es- micas e As cidades invisíveis, li- tabelecendo dois parâmetros vros que vale a pena que parecem bastante razoá- conhecer), chamado Seis pro- veis para avaliar o interesse postas para o próximo milênio. de adoção de software em ge- Calvino escreveu as cinco pri- ral, e do software livre em parti- meiras e morreu antes da con- cular. Como nosso interesse clusão da última, intitulada aqui é buscar aspectos menos "Consistência". Só pra matar a imediatos, porém também im- curiosidade, vão aqui as ou- portantes para a observação tras: "Leveza", "Rapidez", "Exa- crítica da concepção e imple- tidão", "Visibilidade, mentação das redes informáti- "Multiplicidade". Bastante ade- cas, tentaremos apontar ao quado para quem se preocupa menos um desdobramento de com o as questões que se apro- cada um na vida individual e fundam em nossa vida “ciberco- pública. tidiana”, não parece? Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |44
  • 45. COLUNA · ORLANDO LOPES Em primeiro lugar, obser- Hoje em dia existe já apenas uma máquina de escre- vemos que os dois termos re- software para fazer a migração ver; tudo o que entra nele – to- presentam características de uma máquina para outra, co- dos os inputs que fazemos qualitativas dos recursos (se- mo o NortonGhost (proprietá- nele – se reduz a um só meio, jam de hardware ou de sotwa- rio) e gerenciadores de backup a um só veículo, o do famosís- re) a serem empregados pelos como o Cobian (gratuito para simo “bit”. Em princípio, todos usuários. Mas por que esses Windows) e o Easy Backup 0.1 os dados podem ser represen- dois parâmetros são importan- (para Linux). Só não venham di- tados em todos os programas, tes? Ora, eles são importantes zer que isso é coisa fácil de se se você tiver o filtro certo. De- porque correspondem a duas fazer, ainda mais em se tratan- veria ser muito fácil – e está fi- das principais demandas do do de preservação de arquivos cando, cada vez mais – que poderíamos chamar de pessoais e documentos... A im- reaproveitar dados de um pro- “usuário modelo” das socieda- portância da leveza/portabilida- grama ou banco de dados em des em rede. Dá até pra fazer de do “sistema de trabalho outro(s). Mas ainda não é, fa- uma equação, aquela que vem residente” no equipamento que zendo enorme falta e represen- lá no título: leveza + versatilida- estamos utilizando é mais que tando prejuízo de tempo na de = portabilidade + usabilida- estratégica: há informações organização dos dados que de. nossas que não queremos ver dão apoio às atividades que re- Se dizemos que um siste- circulando na Nuvem, e coisas alizamos fora do computador. ma deve ser leve, é porque ele que não queremos ser obriga- não deve pesar na vida do dos a ter em nossas máqui- usuário, certo? O usuário (um nas. Poder ir de uma máquina termo que já não seu restringe para outra e não perder a famili- Maiores informações: a pessoas físicas, mas tam- aridade de um ambiente é um dos maiores presentes que a Easy Backup 0.1: bém a instituições, quando fala- comunidade SL poderia dar à http://ebackup.sourceforge.net mos em sistemas) busca sempre personalizar o sistema sociedade. E ao que parece, ela vem vindo aí. Cobian Backup: em que opera, mas isso às ve- http://www.educ.umu.se/~cobian zes é penoso e muitas vezes in- A outra questão que se de- frutífero. Quem já não bateu senha nos qualificativos de um Web 2.0: cabeça procurando corrigir te- bom sistema de trabalho hoje http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0 clados, acertar a configuração é a da “versatilidade”. Assim co- do corretor ortográfico, reinsta- mo as pessoas estão aprenden- Ítalo Calvino na Wikipédia: lar programas etc. Não será do a usar os computadores http://pt.wikipedia.org/wiki/Italo_ mesmo uma maravilha o dia para atividades muito distintas Calvino em que nós apenas precise- na vida cibercotidiana, o siste- mos de uma senha (sim, mais ma que elas usam deve acom- ORLANDO LOPES uma...) para passar não aparpe- panhar as variações de uso. é pesquisador no nas nossos arquivos pessoais, A Web 2.0 acelerou um Núcleo de Estudos em Tecnologias de mas virtualmente todas as ca- processo que já vinha se dese- Gestão e racterísticas que ele virtualmen- nhando, permitindo a configura- Subjetividades do te tenha adquirido durante os PPGAdmin/UFES e ção de interfaces e Consultor para o “usos monitorados” (como os funcionalidades de forma bem desenvolvimento de que se dão na escola e no tra- mais intuitiva. Um computador, Projetos em Responsabilidade balho)? como todos sabemos, não é Cultural e Social. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |45
  • 46. DESENVOLVIMENTO - VIRADO PRA LUA - PARTE 2 VIRADO PRA LUA Parte 2 Por Lázaro Reinã Abdulaziz Almansour - sxc.hu Continuando Nessa linguagem nós te- qualquer caractere de 8 bits, in- Olá pessoal! Estamos de mos 8 tipos básicos, o nil, boole- cluindo zeros ('0'). volta para mais um artigo so- an, number, string, function, Quanto aos demais tipos, bre a linguagem Lua e sua apli- userdata, thread e table. veremos sobre eles mais à cação em jogos. Espero que O tipo nil, que contém frente, quando o contexto nos tenham gostado da edição ante- sempre o valor nil e é sempre permitir falar sobre eles de ma- rior e que também gostem des- diferente de qualquer outro va- neira apropriada. sa. Percebam que a partir lor, ele basicamente represen- dessa edição iremos partir pa- ta a ausência de um valor útil. ra a parte mais técnica da lin- Atribuição guagem, não mencionaremos O boolean, velho conheci- Como já mencionado an- mais toda a parte burocrática e do da galera, representa o tipo tes, Lua tem a chamada tipa- histórica de Lua. dos valores false e true, muito gem dinâmica, ou seja, uma utilizado em Pascal/Delphi. Re- variável que recebe a atribui- tornando tanto nil quanto false ção de um dado valor passa a Conceitos - Valores e Ti- torna a condição falsa, enquan- conter um valor de um determi- pos to que qualquer valor diferente nado tipo, porém, caso essa Lua apresenta a tipagem disso a torna verdadeira. mesma variável, em um mo- dinâmica. Ou seja, se temos Number representa qual- mento distinto, receber a atri- uma variável chamada “teste” quer valor numérico, seja ele buição de um outro valor de ela pode armazenar um valor em base decimal, hexadeci- tipo diferente, ela passa a con- de qualquer tipo a qualquer mo- mal, notação científica. Ex.: ter um valor de outro tipo. É mento sem que isso seja explici- 0xff; 12,5678. por isso que dizemos que tado na sua declaração. Quem quem tem tipo é o valor e não conhece a linguagem C deve String representa cadeias de caracteres, podendo conter a variável. se lembrar do “malloc”. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |46
  • 47. DESENVOLVIMENTO - VIRADO PRA LUA - PARTE 2 A atribuição em Lua ocor- não poderia ser diferente, pode- na tela. Mas caso queira testar re de maneira semelhante às mos usar parêntesis para con- resultados diferentes, altere os demais linguagens, sendo re- trolar a precedência dos valores e os operadores para presentada pelo sinal “=” que operadores. Vejamos alguns ver como é na prática. diz que a variável à esquerda exemplos: do sinal recebe o valor que es- a=b+c tá à direita do sinal. Operadores lógicos a = (b - c ) * d Muito utilizados na avalia- Ainda é muito interessan- a=b/c+d ção de expressões booleanas. te observar uma característica São eles: and (e), or (ou), not no mínimo única, que se refere Operadores relacionais (negação), porém ainda existe à atribuição de valores em Os operadores relacio- o operador “..” que concatena Lua. É a chamada atribuição nais são geralmente usados strings. Adeus strcat!! múltipa, onde podemos fazer a em estruturas de controle de flu- atribuição de vários valores dife- Vejamos: xo, laços de repetição. De ma- rentes à variáveis diferentes, es- neira mais generalizada os ~$ vim crevendo apenas uma linha. usamos quando tivermos de operadores_logicos.lua str_teste,num=" testar alguma expressão. São atribuição multipla", eles: a = "Teste de string" 10 ; < menor que print (a); b = "Esse é um teste" > maior que No exemplo acima vimos print (b); <= menor ou igual a um exemplo da atribuição múlti- c = a..b >= maior ou igual a print (c); pla. Perceba que na mesma li- == igual a nha foi atribuído uma string ~= diferente de Agora: para a primeira variável, e um número para a segunda variá- ~$ lua vel. Esses operadores retor- operadores_logicos.lua nam false caso a expressão se- ja falsa, e 1 caso seja Operadores verdadeira. Simples, não?! Ve- Estruturas de controle Lua provê operadores arit- jamos: de fluxo méticos, relacionais, e lógicos. Nesse aspecto, Lua se Além de um operadorde conca- ~$ vim operadores.lua> parece muito com as demais tenação de srtings que será vis- linguagens. Vejamos: to mais à frente. a = 4 > 3 print (a); Usando o IF: Operadores Aritméticos Salve o arquivo e rode Como de costume, o if Os operadores aritméti- usando o comando já utilizado tem diferentes formas de se cos apresentados por Lua são em exemplos anteriores: apresentar. Ele pode se apre- os ususais de quaquer lingua- sentar de maneira bem sim- gem. ~$ lua ples, cuja estrutura se mostra <nome_do_arquivo.lua> dessa forma: Os binários são: Adição( + ); Subtração ( - ); Multiplica- Observe que neste caso if expressao then ção ( * ) e Divisão ( / ). Como o programa retorna o valor 1 bloco end Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |47
  • 48. DESENVOLVIMENTO - VIRADO PRA LUA - PARTE 2 Ele também pode apare- seja, o programa salta para a tros para funções e ainda cer dessa forma: próxima instrução depois do la- servirem de retorno para ou- ço. Vejamos os laços disponí- tras funções. if expressao then veis em Lua: As funções podem ser de- bloco else While claradas da seguinte forma: bloco2 O while testa uma expres- end function nome ([lista- são e executa o bloco de co- de-parâmetros]) mandos caso a mesma seja bloco E por último temos os cha- verdadeira. Sua sintaxe é a se- end mados ifs aninhados: guinte: Posteriormente abordarei if expressao then while expressao do aqui mais detalhes sobre o uso bloco bloco das funções e também a API else expressao 2 then end Lua. bloco2 Repeat Por enquanto é só isso else bloco_default Temos também o laço re- pessoal, nos vemos nos próxi- end peat , que ao invés de testar a mos capítulos de nossa aventu- expressão logo no início, execu- ra. E não deixem de Laços de controle com to- ta todo o bloco pelo menos acompanhar-nos, nesse mes- mada de decisão uma vez, e só então testa a ex- mo horário e nesse mesmo ca- Os laços de controle são pressão. Caso a expressão se- nal. Até a próxima! usadas para que intruções se- ja verdadeira, ocorrerá mais jam repetidas ou não, de acor- uma iteração. Sua sintaxe é a do com o retorno do teste de seguinte: uma determinada expressão. LÁZARO REINÃ é Cada repetição de um laço é repeat usuário Linux, bloco estudante C/C++, chamada de iteração. O teste Lua, CSS, PHP. until expressao de uma expressão pode retor- Integrante do nar tanto nil, que torna a expres- EESL, ministra palestras e mini- são negativa, quanto qualquer Funções cursos em outro valor tornando-a assim A linguagem Lua trata as diversos eventos verdadeira. Geralmente quan- funções como valores, ou seja, de Software Livre. do o teste de uma expressão re- podem ser armazenadas em va- torna nil, o laço é quebrado, ou riáveis, passadas como parâme- A chamada de trabalhos já está aberta! Mais informações: Envie sua proposta para http://www.m3ddla.com.br contato@m3ddla.com.br Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |48
  • 49. DESENVOLVIMENTO · Desenvolvimento de jogos com SL: AEROTARGET - Parte 1 AEROTARGET Parte 1 Por David A. Ferreira Gabriela Ruellan - sxc.hu Você sempre teve vonta- mente a SDL vem instalada Descompacte o arquivo de de fazer seus próprios jo- por padrão em todas as distri- “aerotarget_cap01.zip”, e ob- gos? E nunca soube como ? buições GNU/Linux, ou então serve a figura 1. Pois bem, chegou sua no site http://www.libsdl.org Será criada uma estrutu- vez, darei inicio agora a uma sé- GBFramework, um fra- ra de diretório, onde no diretó- rie de artigos sobre Desenvolvi- mework nacional criado para au- rio principal, você irá encontrar mento de Jogos com Software xiliar no desenvolvimento de o arquivo “AeroTarget.cbp”, o Livre. Em nosso artigo(tutorial), jogos 2D, com foco na orienta- qual deverá ser aberto pelo Co- usaremos apenas ferramentas ção a objetos e no suporte a deBlocks. livres, as quais podem ser utili- multiplataforma. O qual deve O GBFramework, cria zadas tanto em GNU/Linux ser obtido no site http://pj- uma estrutura de diretório para quanto no Ms-Windows. Para is- moo.sourceforge.net auxiliar na organização do seu to neste primeiro artigo, criare- Feita a instalação e Confi- jogo onde, temos: mos um protótipo de um jogo guração dos aplicativos acima, de avião, bastante simples o - src, arquivos de código fonte iremos agora qual servirá de base para as realizar o próximas edições. download do Para iniciar, você deve arquivo “aero- ter instalado em seu computa- target_- dor os seguintes software: cap01.zip”, o CodeBlocks, uma IDE mul- qual está dis- tiplataforma, a qual pode ser en- ponível no se- contrado nos repositórios das guinte principais distribuições ou no si- endereço: te http://www.codeblocks.org http://pj- SDL, a biblioteca multimí- moo-aerotar- dia utilizada pelas principais get.googlecod aplicações multimídia no Linux, e.com e em especial nos jogos. Geral- Figura 1: Estrutura de Diretórios Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |49
  • 50. DESENVOLVIMENTO · Desenvolvimento de jogos com SL: AEROTARGET - Parte 1 sive é possí- gem com o apelido de “spri- vel compilar tes”. O caminho das imagens é e testar ape- relativo, já que na linha 9, infor- nas com este mamos para o framework o ca- código inici- minho de sua execução; al. Lembre- linha 17: criamos um laço para se de selecio- manter nosso jogo em execu- nar em Build ção infinita; Target o siste- linha 18 a 20: criamos o contro- ma operacio- le para permitir encerrar nosso nal que você jogo ao pressionarmos a tecla utilizará para “ESC”; compilar o có- linha 21: utiliza uma fonte pa- digo. drão para escrevermos o texto Antes em tela, na posição de 10 pi- Figura 2: Carregando Projeto de iniciarmos xeis na horizontal, por 460 pi- o desenvolvimento do nosso jo- xeis na vertical; (.cpp e .h); go, devemos observar o códi- linha 23: atualiza à tela, ou se- - bin, local onde será gerado o go base do arquivo ja, redesenha as imagens; arquivo binário para execução; “cap_01.cpp”, conforme o códi- linha 24: limpa a tela; - etc, local sugerido para arqui- go 01. vos de configuração; Podemos observar como - fonte, local que contém os ar- Onde temos: é simples criarmos, um esque- quivos de fontes(letras); linha 5: função main, utilizada leto para nosso jogo com o GB- - imagem, local dos sprites e em aplicações c e c++; Framework. Para verificar, se backgrounds; linha 7: declaração do objeto seu ambiente de desenvolvi- - screen, local onde é salvo au- do tipo do GBFramework; mento está completo, você po- tomaticamente as capturas de linha 9: configuração do cami- de compilar e executar este telas do jogo; nho(path) da aplicação; primeiro fragmento de código. - som, local dos arquivos de mú- linha 10: título da janela do jo- Se tudo ocorrer bem, irá apare- sica e efeitos sonoros; go; cer uma janela, para encerrar - kernel, diretório especial no linha 11: inicialização do jogo, basta pressionar a tecla “ESC”. qual está localizado os arqui- com a configuração para tela vos de recursos (imagens, fon- de 640x480, com suporte a 16 tes) requeridos pelo framework. bits de cores, em modo janela, Iremos agora iniciar o nos- utilizando o controlador de ci- so jogo propriamente dito, para Agora abra o Code- clos no valor de 30 frames por isso criaremos a classe Joga- Blocks, e procure pelo arquivo segundo; dor, você pode ir no assistente “AeroTarget.cbp”, conforme linha 12: configura como será “Class wizard”, localizado no mostrado na figura 2. utilizado o teclado e mouse, se menu Plugins, conforme pode Ao carregar o projeto, ve- será exclusive para o jogo ou ser visto na figura 3. remos que o mesmo já possui compartilhado com outras apli- Na janela do assistente, o arquivo “cap_01.cpp”, o qual cações; conforme pode ser visto na fi- contém uma estrutura mínima linha 15: carrega o arquivo de gura 4, entre com as seguintes para uma aplicação GBF, inclu- imagens para o gerenciador do informações: framework, criando uma ima- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |50
  • 51. DESENVOLVIMENTO · Desenvolvimento de jogos com SL: AEROTARGET - Parte 1 para representar o jogador e um vetor para representar os inimigos, não esquecendo de instanciar os objetos. Confor- me pode ser visto no código 7. Figura 3: Class wizard 3.No bloco while, adicio- Class name: Jogador qual é utilizado para executar ne o controle de ações e dese- [x] Has destructor o código de ação do persona- nhos dos inimigos e do gem, como por exemplo o movi- jogador. Podemos observar [x] Virtual destructor mento; que cada um contem dois mé- [x]Header and implementa- Para associar as imagens todos, os quais devem ser tion file shall be in same folder aos respectivos personagens, agrupados de acordo com o ti- devemos recuperar do gerencia- po, ou seja, primeiro são cha- Folder: /caminho/proje- dor do framework, uma “Sprite- mados os métodos de to/aerotarget/src Factory”, a qual recebe como atualização dos objetos, e so- parâmetro, o apelido que defini- mente depois os métodos de As outras informações dos para guardar os sprites; desenho, conforme visto no có- são preenchidas automatica- digo 8. Cada personagem, pos- mente, basta agora você clicar 4.Para encerrar, não es- sui uma animação principal, a no botão “Create”. queça de destruir os objetos qual pode ser configurada por Substitua, o código gera- meio do método “adicionarSpri- que você instanciou, para isso do nos arquivos Jogador.h e Jo- tePrincipal”; após o bloco while, adicione a gador.cpp, pelos fragmentos chamada a delete, conforme o de código correspondente. código 9. Para concluirmos nosso Agora repetindo os pas- primeiro exemplo, iremos ago- sos utilizados para a criação Realizada estas modifica- ra adicionar ao jogo os inimi- da classe pelo “Class wizard”, ções, basta compilar e execu- gos e o jogador, efetue as crie a classe Inimigo, e logo tar o projeto, onde deverá seguintes modificações: após substitua o conteúdo dos aparecer uma janela, com o arquivos Inimigo.h e Inimi- 1.Antes do método main, nosso jogo sendo executado, go.cpp , pelos fragmentos cor- adicione o respondentes: #include de “Inimigo.h” e Explicando o código utiliza- “Jogador.h”, do nas classes Jogador e Inimi- além do #defi- gos, temos: ne TOTAL_I- Ambas as classes her- NIMIGO, dam da classe Personagem conforme o (Personagem::Personagem), e código 6. com isso ganham vários com- 2.Adicio- portamentos e estados; ne após o car- Por serem subclasse de regamento Personagem, precisam imple- da imagem, mentar o método “acao”, o uma variável Figura 4: Assistente para Criação de Classe Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |51
  • 52. DESENVOLVIMENTO · Desenvolvimento de jogos com SL: AEROTARGET - Parte 1 como na figura 5. jogos. Enquanto você espera a Com isso, encer- próxima edição, tente praticar ro o nosso primeiro um pouco, e com base no que artigo da série sobre foi apresentando, tente inserir Desenvolvimento de no jogo as características bási- Jogos com Software cas que estão faltando, como Livre, espero que por exemplo: tiros, colisões, com este artigo, vo- energia, mini chefes e etc. Se- cê possa dar seus pri- rá um bom exercício de auto meiros passos, desenvolvimento, e permitirá nesta vasta jornada que você possa comparar sua rumo ao mundo do implementação com a da próxi- desenvolvimento de ma edição. Figura 5: Tela do Jogo 28.#ifndef JOGADOR_H Códigos utilizados neste artigo: 29.#define JOGADOR_H 30. 31.#include <GBF/Personagem.h> 32.#include <GBF/SpriteFactory.h> 33.#include <GBF/InputSystem.h> 34. 1./**********************************************************************/ 35.class Jogador : public Personagem::Personagem 2./* AeroTarget - Cap01 - Código do Artigo Desenvolvimento de Jogos 36.{ */ 37. public: 3./* com Software Livre */ 38. Jogador(); 4./**********************************************************************/ 39. virtual ~Jogador(); 5.int main(int argc, char* argv[]) 40. void acao(GBF::Kernel::Input::InputSystem * input); 6.{ 41. protected: 7. GBF::GBFramework frameworkGBF; 42. private: 8. 43.}; 9. frameworkGBF.setPath(argv[0]); 44.#endif // JOGADOR_H 10. frameworkGBF.setTitulo("AeroTarget - Cap 01","GBFramework & Revista Espitiro Livre"); Codigo 2: Jogador.h 11. frameworkGBF.iniciar(640,480,16,false,GBF::Kernel::FPS::FPS_LIMIT ADO); 12. frameworkGBF.inputSystemCore- 45.#include "Jogador.h" >setControleExclusivo(SDL_GRAB_OFF); 46. 13. 47.Jogador::Jogador() 14.//carregando imagens 48.{ 15. frameworkGBF.graphicSystemCore->graphicSystem- 49. GBF::Imagem::SpriteFactory *spriteFactory = new >imageBufferManager-> carregar("sprites","//data//imagem//sprites.png"); GBF::Imagem::SpriteFactory("sprites"); 16. 50. adicionarSpritePrincipal(spriteFactory- 17. while (true) { >criarSpritePersonagem(0,0,59,43,3,6)); 18. if (frameworkGBF.inputSystemCore->inputSystem- 51. getSpritePrincipal()->setQtdDirecoes(1); >teclado->isKey(SDLK_ESCAPE)){ 52. getSpritePrincipal()->animacao.setAutomatico(true); 19. break; 53. delete (spriteFactory); 20. } 54. 21. frameworkGBF.writeSystem-> 55. setPosicao(320,400); escrever(GBF::Kernel::Write::WriteManager::defaultFont,10,460,"AeroTar 56.} get - Cap01 : GBFramework & Revista Espírito Livre"); 57.Jogador::~Jogador() 22. //realiza refresh, fps, flip 58.{ 23. frameworkGBF.atualizar(); 59.} 24. frameworkGBF.graphicSystemCore->clear(); 60.void Jogador::acao(GBF::Kernel::Input::InputSystem * input) 25. } 61.{ 26. return 0; 62. if (input->teclado->isKey(SDLK_RIGHT)){ 27.} 63. posicao.x+=4; 64. } else if (input->teclado->isKey(SDLK_LEFT)){ Codigo 1: cap_01.cpp 65. posicao.x-=4; 66. } 67.} Codigo : Jogador.cpp Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |52
  • 53. DESENVOLVIMENTO · Desenvolvimento de jogos com SL: AEROTARGET - Parte 1 68.#ifndef INIMIGO_H 124.//carregando imagens 69.#define INIMIGO_H 125. frameworkGBF.graphicSystemCore->graphicSystem- 70. >imageBufferManager->carregar("sprites","//data//imagem//sprites.png"); 71.#include <GBF/Personagem.h> 126. 72.#include <GBF/SpriteFactory.h> 127. Jogador * aviao = new Jogador(); 73.#include <GBF/InputSystem.h> 128. Inimigo * inimigo[TOTAL_INIMIGO]; 74. 129. 75.class Inimigo : public Personagem::Personagem 130. for (int i=0; i<TOTAL_INIMIGO; i++){ 76.{ 131. inimigo[i] = new Inimigo(); 77. public: 132. } 78. Inimigo(); Codigo 7: Declarando e inicializando 79. virtual ~Inimigo(); 80. void acao(GBF::Kernel::Input::InputSystem * input); 81. protected: 82. private: 133. while (true) { 83. void iniciar(); 134. if (frameworkGBF.inputSystemCore->inputSystem- 84. int velocidade; >teclado->isKey(SDLK_ESCAPE)){ 85.}; 135. break; 86.#endif // INIMIGO_H 136. } 137. Codigo 4: Inimigo.h 138. for (int i=0; i<TOTAL_INIMIGO; i++){ 139. inimigo[i]->acao(NULL); 140. } 141. 87.#include "Inimigo.h" 142. aviao->acao(frameworkGBF.inputSystemCore->inputSystem); 88. 143. 89.Inimigo::Inimigo() 144. for (int i=0; i<TOTAL_INIMIGO; i++){ 90.{ 145. inimigo[i]->desenhar(); 91. GBF::Imagem::SpriteFactory *spriteFactory = new 146. } GBF::Imagem::SpriteFactory("sprites"); 147. 92. adicionarSpritePrincipal(spriteFactory- 148. aviao->desenhar(); >criarSpritePersonagem(0,77,32,32,3,6)); 93. getSpritePrincipal()->setQtdDirecoes(1); Codigo 8: Processando 94. getSpritePrincipal()->animacao.setAutomatico(true); 95. delete (spriteFactory); 96. iniciar(); 149. //realiza refresh, fps, flip 97.} 150. frameworkGBF.atualizar(); 98.Inimigo::~Inimigo() 151. frameworkGBF.graphicSystemCore->clear(); 99.{ 152. } 100.} 153. 101.void Inimigo::acao(GBF::Kernel::Input::InputSystem * input) 154. delete(aviao); 102.{ 155. for (int i=0; i<TOTAL_INIMIGO; i++){ 103. posicao.y+=velocidade; 156. delete(inimigo[i]); 104. if (posicao.y>640){ 157. } 105. iniciar(); Codigo 9: Finalizando 106. } 107.} 108.void Inimigo::iniciar() 109.{ 110. GBF::Dimensao d = getDimensao(); Maiores informações: 111. GBF::Ponto p; 112. p.y= 0 - d.h; Download aerotarget_cap01.zip: 113. p.x= rand() % (640 - d.w); http://pjmoo-aerotarget.googlecode.com 114. 115. setPosicao(p); 116. velocidade=2+rand()%5; 117.} Site PJMOO: http://pjmoo.sourceforge.net Codigo 5: Inimigo.cpp Site CodeBlocks: 118.#include <vector> http://www.codeblocks.org 119.#include <iostream> 120. 121.#include "Inimigo.h" DAVID ALMEIDA FERREIRA é Especialista 122.#include "Jogador.h" em Engenharia de Software com Ênfase em 123.#define TOTAL_INIMIGO 3 Padrões de Software(UECE), É Arquiteto de Codigo 6: Include e Define Software do Banco do Nordesde do Brasil (BNB). É integrante do Projeto de Software Livre Ceará(PSL-CE) e do Grupo de Desenvolvedores de Jogos do Ceará(GDJCE). Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |53
  • 54. DESENVOLVIMENTO · SCRUM Scrum: uma aproximação ágil ao desenvolvimento de software Por Marcello Duarte Flávio Takemoto - sxc.hu Desenvolver Desenvolver software é Scrum e Agile um exercício complexo. Não software é um apenas porque envolve quase Durante as décadas de exercício sempre tecnologias que estão 80 e 90 muitas metodologias em constante renovação, mas foram aparecendo como uma complexo. Não especialmente pelo seu carác- resposta natural à esta realida- ter multi-disciplinar. Pelo me- de, algumas inspiradas pelo apenas porque nos duas dimensões, técnica e Toyota way e pelos processos envolve quase tática, têm que interagir. As re- de manufactura Lean. A partir gras do negócio têm que ser co- da publicação do Agile Mani- sempre municadas claramente e festo em 2001, algumas des- tecnologias que traduzidas em código por sas metodologias passaram a quem desenvolve. E como se estar directamente associadas estão em não bastasse essas regras mu- ao movimento Agile. Agile é dam, as necessidades mudam, portanto uma referência à prin- constante o mundo muda a um passo ca- cípios e directrizes relaciona- renovação, mas da vez mais frenético. A capaci- das com o desenvolvimento. dade de responder Scrum é uma framework para especialmente pelo rapidamente não é um valor di- gestão de projectos que procu- seu carácter multi- ferencial, é um factor crítico de ra seguir esses princípios. sucesso. disciplinar. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |54
  • 55. DESENVOLVIMENTO · SCRUM Artefactos Um artefacto em Agile é qualquer sub-produto que deri- va das actividades e proces- sos levados a cabo durante um projecto mas que não é ne- cessariamente parte do produ- to. Por exemplo o gráfico Burndown, o quadro de tarefas e o Product Backlog. É tarefa do Scrum Master assegurar que os artefactos sejam distri- buídos por todos os stakehol- Figura 1 - O processo ders para assegurar a máxima visibilidade do projecto por to- O processo em poucas O Scrum Master dos os interessados linhas Scrum é uma framework Em suma, um projecto leve com uma hierarquia de ver- Scrum pode ser descrito como ticalidade mínima, apenas 3 pa- Cerimónias segue. Uma necessidade de ne- péis: Product Owner, Team Além da visibilidade ou- gócio ou visão é traduzida nu- Member e Scrum Master. tros dois conceitos importantes ma lista de requisitos (Product em Scrum é inspeção e adapta- O Scrum Master é o pivo Backlog). Esta lista não deve ção. O Scrum Master encarre- do Scrum. Não devemos con- ser exaustiva nem detalhada. ga-se de promover as fundi-lo com o gestor de projec- Os items são priorizados pelo seguintes Cerimónias: Scrum tos tradicional. Em Scrum os 3 Product Owner (Proprietário do Planning, Daily Scrum, Scrum papéis são gestores. A equipa Produto) e estimados por uma Review e Scrum Retrospecti- é responsável e compromete- equipa entre 4 e 9 membros ve. Estas cerimónias são as se com os prazos e proactiva- (Team Members). O projecto é reuniões de projecto do mente toma decisões a respei- dividido em Sprints (sub-projec- Scrum. Cada uma com um pro- to de quem e como as tarefas tos), cuja duração pode variar pósito bem definido. Planea- são executadas. de 1 a 4 semanas. No começo mento, sincronização diária, de cada Sprint o Product Ow- O Scrum Master funciona inspecção e adaptação. Além ner define o objectivo daquela como um facilitador no proces- de um objectivo definido cada iteração e a Equipa comprome- so. Suas responsabilidades cerimónia também tem um uni- te-se a desenvolver um entregá- são: difundir as regras do verso de tempo muito bem defi- vel perfeitamente funcional no Scrum, assegurar visibilidade nido. Esse conceito chama-se fim do período. Não se trata de do projecto, assistir a equipa time box. um protótipo, nem prova de con- sempre que um impedimento O Scrum Planning é com- ceito, mas de uma fracção per- surge, servir de escudo entre o posto de duas fases. Cada feitamente funcional do Product Owner e a equipa, as- uma dessas fases tem um time software. Cada Sprint terá um segurar a qualidade, produzir box de 4 horas (podendo vari- Sprint Backlog com a sua sub- os artefactos do Scrum, reali- ar dependendo do projecto). lista de requisitos, cuja estimati- zar as cerimónias do Scrum. Na primeira o Product Owner va coincida com a duração esta- explica cada um dos items no belecida para cada Sprint. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |55
  • 56. DESENVOLVIMENTO · SCRUM Product Backlog e responde a duct Owner na sua decisão pa- decisões estratégicas para a di- qualquer questão que possa ra a visão do próximo Sprint. recção ou vida do produto. surgir para a equipa. Na segun- Sprint Retrospective é on- da a equipa parte os itens de adaptação entra no proces- (User Stories) em tarefas e esti- Referências so. Cada membro da equipa, o Schwaber, Ken (1 de Fevereiro ma o tempo necessário para Scrum Master e opcionalmente executar cada uma delas, atri- de 2004). Agile Project o Product Owner pode dizer o Management with Scrum buindo um responsável por ca- que correu bem e o que pode da tarefa. No fim o Product melhorar. A informação recolhi- Owner volta a validar os itens da é transformada em activo seleccionados segundo os ob- do projecto (lessons applied). Maiores informações: jectivos do Sprint. Embora tenha apresenta- O Daily Scrum é uma opor- do Scrum e Agile dentro do con- Site Control Chaos: tunidade que a equipa tem pa- texto de desenvolvimento de http://www.controlchaos.com ra sincronizar. Tem software, simplesmente devido normalmente um time box de a minha área de especialidade Site Scrum Alliance: 15 ou 30 minutos. Durante es- estar ligado com esta indústria, http://www.scrumalliance.org ta cerimónia cada um dos mem- Scrum pode ser aplicado a virtu- bros responder a três almente qualquer indústria. Te- questões: Que fizeste deste a nho encontrado pessoas que última sincronização? No que aplicam Scrum, por exemplo, vais trabalhar até a próxima sin- em equipas que trabalho com cronização? Que impedimen- a projectos legislativos, manu- tos o previne de concluir a ais de contabilidade, e muitas MARCELLO DUARTE é o autor tarefa? Outro propósito que se outras áreas. da premiada Quinoa cumpre nestas sessões é que framework. o Scrum Master como facilita- Scrum e Agile são especi- Licenciou-se pela Universidade dor, toma nota e responsabili- almente relevantes em ambien- Autónoma de Lisboa za-se por apoiar o membro da tes de mudança, ou quando em Informática de uma parte do produto pode ser Gestão, tendo se equipa na resolução do impedi- especializado em mento. posta em produção antes da Gestão de Projectos versão final estar terminada e (PMP e Scrum É no Sprint Review que o proporcionar assim uma diminui- Master Certified). Actualmente trabalha Product Owner tem a oportuni- ção do tempo necessário para como Engenheiro de dade de inspeccionar o resulta- o retorno do investimento. Ou- Software para a Ibuildings UK, em do da iteração. Durante esta tra aplicação é quando uma par- Londres. sessão a equipa demostra o te da aplicação possui um software entregável. O Sprint certo risco e pode ser prioriza- Review pode direccionar o Pro- da ante as demais, permitindo Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |56
  • 57. ADMINISTRAÇÃO · CONTROLADOR DE VERSÕES E você? Já escolheu o seu controlador de versões? Por Evaldo Junior Calma não precisa escolher um só, as opções estão aí, use e abuse! Majoros Attila - sxc.hu É até engraçado ver co- amigo faz as alterações que jul- Se você já passou por es- mo começamos na vida do de- gar necessárias e implementa ses problemas sabe como é senvolvimento de software novas funcionalidades, então complicado, se ainda não pas- sempre usando o estilo “vou ele lhe envia tudo de novo, vo- sou é melhor começar a se pre- guardar isso em um diretório cê vê as diferenças e as aplica venir e já adotar um sistema no meu computador”, e lá se ao código principal... Chato is- de controle de versões. Mas vão alguns diretórios para guar- so, não? Mas seria ainda mais agora vem a pergunta, o que é dar códigos de diferentes proje- chato se fosse uma equipe de, um sistema de controle de ver- tos, o que não é digamos, apenas três pessoas. sões mesmo? necessariamente uma coisa E o que aconteceria então se a Os sistemas controlado- ruim, quando você trabalha sozi- equipe crescesse? res de versão[1] (version con- nho ou tem projetos realmente Toda essa história de equi- trol system) são utilizados para pequenos. pe já assusta um pouco, mas controlar as várias versões Mas quando alguém resol- também existe o problema das principalmente de software, ve contribuir com o seu projeto versões, como voltar a ter o sis- mas podem ser usados para a coisa começa a complicar, tema de, digamos, um ano controlar versões de vários ti- imagine a cena, um amigo lhe atrás? Ou mesmo desfazer pos de documentos digitais. pede o código, você compacta uma grande parte de código Existem controladores de e envia tudo por e-mail, esse que você estava trabalhando? versão livres e também os pro- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |57
  • 58. ADMINISTRAÇÃO · CONTROLADOR DE VERSÕES prietários, eu, particularmente, dando o que falar é o Maiores informações: já trabalhei com o Subversi- GitHub[9], nele podemos traba- on[2] e com o Git[3], mas pos- lhar com o Git, que, aliás, já [1] Artigo na Wikipédia: so indicar opções como o nasceu famoso, já que é uma http://pt.wikipedia.org/wiki/Controle_d famoso CVS[4] e o Mercuri- criação de Linus Torvalds, co- e_vers%C3%A3o al[5]. E o legal é que não fica- nhece? O GitHub não oferece mos apenas nisso, existem um Bug Tracker, mas a Wiki es- [2] Site Subversion: muitos outros controladores de tá lá. http://subversion.tigris.org/ versão por aí, basta pesquisar, Uma outra ferramenta comparar e escolher! [3] Site Git: que posso indicar é o BitBuc- http://git-scm.com/ Depois de escolher o seu ket[10], nele podemos usar o controlador de versões você po- Mercurial como controlador de [4] Site CVS: deria muito bem usa-lo apenas versões, além de um Bug Trac- http://www.nongnu.org/cvs/ localmente, isso lhe daria a ker e Wiki. oportunidade de navegar entre O interessante dessas fer- [5] Site Mercurial: as versões do seu software, o ramentas é que, além de hospe- http://www.selenic.com/mercurial/wiki/ que pode lhe ajudar muito em dar projetos e oferecer várias situações. recursos para controlar ver- [6] Site Sourceforge: Mas vamos falar de cola- sões, elas também acabam se http://sourceforge.net/ boração! Qual é a graça de tornando redes sociais para de- manter seu código só para vo- senvolvedores, e é de código [7] Site Google Code: cê? Ainda mais quando fala- em código que o pessoal vai http://code.google.com/ mos de Software Livre? se conhecendo e evoluindo a Existem várias ferramen- cada dia. [8] Site Projeto GeSpeak: http://gespeak.googlecode.com/ tas para tornar seu código públi- Ultimamente eu estou co e ainda utilizar uma solução bem empolgado com o GitHub [9] Site Github: em controle de versões. Uma e até já o utilizei para desenvol- https://github.com/ ferramente muito conhecida é ver um projeto pessoal, o o Sourceforge[6], nele pode- WPMLC[11]. [10] Site CVS: mos usar, por exemplo, o CVS, Eu recomendo que você http://bitbucket.org/ Subverion e Git, além de ter- conheça pelo menos dois con- mos à nossa disposição ferra- troladores de versão, quanto [11] Site Projeto WPMLC: mentas como Wiki e Bug mais melhor, é claro, mas, por http://github.com/InFog/wpmultilangua Tracker. enquanto, eu estou satisfeito gechanger Funcionalidades pareci- com o Subversion e o Git. das podemos encontrar no Goo- Então é isso, escolha o gle Code[7], onde eu seu controlador de versões, EVALDO JUNIOR mantenho o GeSpeak[8]. No use uma das ferramentas de co- (InFog) é formado Google Code contamos com o laboração para tornar seu códi- pela Fatec em Subversion como controlador processamento de go público e boa sorte com dados e atualmente de versão, Wiki, Bug Tracker e seus projetos! Nos encontra- é desenvolvedor, contador de downloads. administrador de mos nos repositórios por aí, sistemas e membro Um sistema legal que sur- até a próxima! da comunidade de software livre. giu nos últimos tempos e está Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |58
  • 59. CASE · GESTÃO DE INCIDENTES DE TI COM OCOMON IFES Cariacica: Gestão de incidentes de TI com o Ocomon Por Célio P. Maioli Slavomir Ulicny - sxc.hu A unidade de Cariacica aprovação no concurso para o (região metropolitana de Vitó- cargo de Analista de TI, fui con- ria) do CEFET-ES[1], atualmen- vidado a assumir a coordena- te nomeado campus Cariacica ção dos trabalhos de do Instituto Federal do Espírito implantação da infraestrutura Santo, iniciou suas atividades de LAN, necessária para interli- em agosto de 2006 com o cur- gar o campus a internet. Quan- so técnico pós-médio em ferrovi- do nossa estrutura estava as e uma infraestrutura que minimamente funcional - e precisava de algumas melhori- com o crescimento das deman- as, inclusive na área de tecnolo- das de serviços - percebemos gia da informação. Neste que havia a necessidade da im- sentido, para prestar serviços plantação de algum sistema ca- educacionais reconhecidamen- paz de organizar os incidentes te de qualidade para o público de TI da escola. As demandas capixaba, o Instituto conta em chegavam por telefone ou seu corpo funcional com um email, quando não eram soluci- grupo de técnicos de nível mé- onadas por um dos técnicos dio e superior em cada uma de da equipe que estava de pas- suas nove unidades espalha- sagem, próximo ao problema. das pelo estado. Chamávamos isto de "solução Com a implantação da uni- de corredor", já que todos os dade de Cariacica, e minha problemas, sempre urgentes, eram resolvidos sem uma in- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |59
  • 60. CASE · GESTÃO DE INCIDENTES DE TI COM OCOMON Fases do Projeto Iniciamos a fase 1 no iní- cio de 2007 com a aquisição de uma máquina que atendes- se aos requisitos mínimos para atuar como servidor web. Con- seguimos um HP 5150, Atlhon 3600+ com 1Gb de RAM e 80GB de HD, ou seja, um desk- top que transformamos em ser- vidor. Esta máquina foi suficiente por que não havia in- teresse no acesso externo ao sistema, ou seja, apenas o pú- blico interno a escola poderia registrar problemas de TI. Es- colhemos a plataforma LAMP (Linux, Apache, MySql, PHP) Figura 1: Unidade IFES Cariacica - Fonte: www.ifes.edu.br para abrigar o sistema, pois se- ria mais simples a implementa- terface única entre os setores ção destes e de outros da escola e a tecnologia da in- sistema de código aberto para projetos de software livre. formação. que, se fossem necessários, ocorressem os ajustes míni- A fase dois correu quase Portanto, era muito impor- mos, dada a nossa pequena paralelamente à fase um, pois tante começar a padronizar e equipe. tratava de pequenos ajustes documentar os procedimentos gráficos e funcionais ao site. In- de atendimento. Além disto, re- Entre pesquisas em fó- serimos o logo do CEFETES e cebíamos críticas por serviços runs e sites especializados em retiramos alguns campos não não realizados e por outros, cu- software livre, encontramos o interessantes ao nosso contex- jo tempo de resposta e atendi- Ocomon[2], um sistema de re- to, como a etiqueta do produto. mento era excessivamente gistro de incidentes bastante Entretanto, a principal altera- grande. Também havia casos aderente ao ITIL (referência ção no código foi a integração nos quais a solução não chega- mundial no gerenciamento de com nosso serviço de diretóri- va sequer ao contento do usuá- serviços de TI), que já vem sen- os. O sistema CEFETES adota rio atendido. do usado por várias organiza- o Active Directory (AD) da Mi- ções no Brasil. Baixamos a crosoft para gerenciar usuári- Assim, era urgente imple- versão 1.4, uma anterior que a os, grupos e políticas de mentar alguma ferramenta de mais recente, pois assim tería- segurança, por isso era funda- controle, mas alguns requisitos mos um sistema mais estável. mental ao funcionamento do precisavam ser preenchidos, O projeto de implementa- sistema que os usuários pudes- dentre eles, a apresentação do ção foi dividido em 5 fases: es- sem "logar" com mesmo usuá- sistema, que deveria ser do ti- trutura básica, adequação do rio e senha, que já possuíam, po "web para fácil acesso a to- sistema, cadastros, testes de para ingressar na rede e no dos os usuários"; módulos de uso e lançamento. email. Assim que a integração relatório; integração com nos- com o AD e demais ajustes fo- so serviço de diretório; ser um Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |60
  • 61. CASE · GESTÃO DE INCIDENTES DE TI COM OCOMON ram feitos, passamos ao cadas- tro dos principais problemas e das SLAs (service level agree- ment), baseando-se em nossa experiência anterior - de solu- ção de incidentes. Dividimos os problemas em três grandes categorias: hardware, software e outros. Em cada categoria consta uma lista de problemas genéricos tais como: Mouse não funciona, sistema operacio- nal não inicia, ou criação de Figura 2: O sistema em funcionamento conta de usuário, respectiva- mente. Fizemos os testes ne- ca que oferecia este serviço, Ocomon, mas a unidade de Ca- cessários antes de liberar os houve estranheza e resistência riacica saiu na vanguarda e ain- testes para alguns usuários- inicial pois os usuários ainda da é a única que tem uma chave. queriam "soluções de corre- base de dados com mais de Na fase de testes, incluí- dor", no entanto, com o tempo, um ano de incidentes de TI. mos alguns problemas na rela- conseguimos uma interface úni- Portanto, é imprescindível para ção que não constavam ca, na qual poderíamos docu- uma instituição, do tamanho e originalmente e fizemos alguns mentar os incidentes, ter uma da importância do Instituto Fe- pequenos ajustes. fila rígida para atendimentos e, deral, um serviço de TI pró-ati- no fim de um período, gerar re- vo, que possa entregar à Com os usuários-chave latórios gerenciais de apoio à direção informações gerenciais treinados e o apoio da direção, decisão adotada. Atualmente capazes de nortear ações de lançamos efetivamente nosso outras unidades do sistema es- capacitação e prevenção a pro- sistema de controle de inciden- tão buscando soluções seme- blemas, e sistemas como o tes de TI em março de 2008. lhantes, usando ou não o ocomon são chave para isto. Como nossa unidade era a úni- Maiores informações: [1] Site CEFET-ES: http://www.cefetes.br É imprescindível para uma [2] Site Oficial Ocomon: instituição um serviço de TI pró- http://ocomonphp.sourceforge.net ativo, que possa entregar a direção informações gerenciais capazes de CÉLIO P. MAIOLI é engenheiro de nortear ações de capacitação e computação com Mestrado em prevenção a problemas... Engenharia Elétrica pela UFES e Célio P. Maioli atualmente é professor do campus Serra do IFES. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |61
  • 62. ADMINISTRAÇÃO · PRIMEIRAS IMPRESSÕES COM O DOTPROJECT Primeiras impressões do dotProject Por Saymon Castro Um projeto é um empreendimento com ca- ta ter um servidor web + php e o banco de da- racterísticas próprias, tendo princípio e fim, con- dos MySql instalados. Existem os módulos duzidos por pessoas, para atingir metas Add-on, que podem ser encontrados no site ofici- estabelecidas dentro de parâmetros de prazo, al, tais módulos são desenvolvidos por usuários custo e qualidade. Um projeto é um empreendi- que servem de extensão para o projeto. Um ex- mento temporário, cujo objetivo é criar um produ- emplo de add-on é a tradução do dotProject pa- to ou serviço, distinto e único. ra o português Brasil. A gestão de projetos é aplicação dos conhe- O primeiro acesso ao dotProject será feito cimentos, habilidades, ferramentas e técnicas através do usuário: admin, senha: passwd. A pri- com o objetivo de atingir ou até mesmo exceder meira tela, após a autenticação é parecida com as necessidades e expectativas dos clientes e a figura 1. demais partes interessadas do projeto, por este Na parte superior, veremos a versão do motivo, portanto nenhum projeto poderá ser dotProject (neste caso é 2.1.2), logo abaixo, es- bem sucedido se não for bem gerenciado. tarão os links principais de navegação. À direita No mercado, existem softwares como por temos um calendário e mais ao centro a parte exemplo MS Project (Microsoft) que são referên- mais operacional do sistema. cia quando o assunto é gerenciamento de proje- tos. Tais softwares auxiliam na concepção, planejamento e controle dos projetos. Pesquisando sobre alternativas de softwa- re ao Project da Microsoft, descobri o projeto opensource dotProject (www.dotproject.net). O dotProject é uma ferramenta de gerenciamento de projetos, cuja interface é web (desenvolvido em php e banco de dados MySql), que facilita a interatividade da equipe com a atualização da execução das tarefas de um projeto. A instalação é relativamente simples para Figura 1 - Lista de projetos quem possui certo conhecimento de redes. Bas- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |62
  • 63. ADMINISTRAÇÃO · PRIMEIRAS IMPRESSÕES COM O DOTPROJECT Principais Recursos: rárquico, por exemplo, em um projeto X a tarefa 1 é pré-requisito para execução da tarefa 2, as- Gerenciamento de Clientes e Empresas sim podendo gerar relatórios do tipo Gantt. É possível cadastrar e gerir diversas empre- sas e clientes, com diversos departamentos, pes- soas responsáveis pelos departamentos, equipes entre outros. Figura 2 - Gerenciamento de empresas Figura 5 - Relatório do tipo Gantt Gerenciamento de usuários Repositório de Arquivos É possível configurar diversas permissões É possível anexar arquivos referentes a ca- dos usuários em relação ao sistema, visualizar da tarefa de um projeto. os usuários online e offline, em que momento e local (data/hora e IP) eles entraram no sistema e as sessões abertas no momento. Figura 6 - Repositório de arquivos Fórum Figura 3 - Gerenciamento de usuários É comum que na concepção, planejamen- to, controle e desenvolvimento de um projeto ha- Integração com servidor de email jam diversos debates. Pensando nesse aspecto É possível integrar o dotProject a um servi- o dotProject possui um fórum para cada projeto. dor de email, assim as novas atividades/projetos podem ser avisados via email. Lista de Tarefas em formato Hierárquico As tarefas podem assumir um caráter hie- Figura 7 - Fórum Calendário O calendário do dotProject registra todas os eventos e atividades referentes aquele dia, ajudando muito nessa gestão. Figura 4 - Lista de tarefas Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |63
  • 64. ADMINISTRAÇÃO · PRIMEIRAS IMPRESSÕES COM O DOTPROJECT fas atrasadas por usuário, tarefas completadas na última semana, tarefas a ser completadas na próxima semana, gant,entre outros. Sendo que também é possível fazer adição de mais relatóri- os através de módulos Add on. Figura 8 - Calendário Sistema de Chamados Figura 11 - Relatórios É possível criar chamados referentes a Particularmente, gosto de soluções sim- uma empresa e projeto. Esse recurso auxiliará a ples e eficazes. O dotProject tem uma navega- enviar observações, detalhes ou perguntas so- ção relativamente simples, é um sistema bre aquele projeto. customizável, multiplataforma, e pode ser traba- lhado em equipe. É possível fazer toda gestão de projetos, tarefas, cronogramas, recursos hu- manos, empresas, clientes. Portanto se você es- Figura 9 - Chamados tá procurando uma alternativa ao MS Project, vale a pena fazer um estudo de caso com a fer- Customização do sistema ramenta opensource dotProject. Você poderá inserir campos, exibir ou ocul- tar funcionalidades, definir atributos de um usuá- Maiores informações: rio padrão, melhoria da tradução. Site oficial dotProject: http://www.dotproject.net Lista em português do dotProject: http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/ dotproject-br SAYMON CASTRO é Pós-Graduando em Gerenciamento de Projetos pela FIJ, Tecnólogo em Figura 10 - Customização/administração do sistema Redes de Computadores pelo Ifes, Analista de Tecnologia da Relatórios Informação pelo Ifes e professor de Existem diversos relatórios disponíveis: De- ensino sempenho do usuário, Horas alocadas por usuá- profissionalizante (Técnico em rio, estatísticas de projetos, lista de tarefas, Informática). relatório das tarefas, tarefas por usuário, Tare- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |64
  • 65. TECNOLOGIA · OPENDOCUMENT FORMAT - ODF Para quem ainda não conhece, apresento o OpenDocument Format - ODF Por Jomar Silva Na edição passada da re- situações onde a edição do do- tornasse o que comumente se vista, abordei o tema Padrões cumento é feita de forma cola- chama de “padrão de merca- Abertos para garantir que to- borativa. Existem ainda os do” (eu odeio este termo). Um dos os leitores saibam exata- documentos de escritório em dos problemas que isso nos mente diferenciar o que é um forma final, comumente armaze- trouxe é que em média a cada padrão aberto e o que é uma nados em um formato não editá- dois anos, o fabricante da tal especificação publicada na In- vel, como o PDF (ok, eu sei suíte de escritório lançava uma ternet. No artigo de hoje vou fa- que você pode até editar um nova versão da suíte, alteran- lar sobre um padrão aberto PDF, mas o formato PDF foi cri- do o formato dos documentos que está sendo adotado no ado pela indústria gráfica para gerados por ela. Isso demanda- mundo todo e mudando a for- armazenar documentos em va a atualização da suíte de es- ma pela qual armazenamos do- sua forma final, como se fosse critório, e portanto aquisição cumentos editáveis de uma impressão eletrônica do de uma nova licença, por parte escritório. documento). de praticamente todos os usuá- rios, uma vez que os documen- Documentos de escritório Na década de 90, vivía- tos gerados por uma nova são aqueles que utilizamos no mos uma situação interessante versão da suíte não era supor- dia a dia em nossa vida pesso- onde era crescente a utilização tado pelas versões anteriores. al ou corporativa, tipicamente de uma suíte de escritórios es- Bastava que uma organização textos, planilhas e apresenta- pecífica (e proprietária) para a em uma rede de troca de docu- ções. São chamados “editá- produção de documentos de es- mentos fizesse o upgrade para veis” pois comumente são critório e tal utilização massifica- que todas as demais acabas- documentos que são armazena- da (chegando a taxas sem tendo também que fazer a dos em forma editável, e são uti- superiores a 90% de liderança atualização, pois os problemas lizados como base para o de mercado) acabou fazendo gerados pela falta de interope- desenvolvimento de novos do- com que o formato de documen- rabilidade eram elevados e o cumentos, não sendo raras as tos utilizado por esta suíte se retrabalho (gravar o documen- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |65
  • 66. TECNOLOGIA · OPENDOCUMENT FORMAT - ODF to na versão anterior do forma- os hieróglifos, e através dela do- engenharia reversa e partido to), além de improdutivo por ve- cumentou toda a sua história do texto em grego, em 1822 os zes gerava a perda de parte em seus monumentos e papi- hieroglifos foram decifrados, ini- das informações ou da formata- ros. O problema é que por vol- ciando assim os estudos sobre ção do documento (cá entre ta do ano 300 D.C. morreu o sua formação e permitindo o nós, todos sofremos com isso último egípcio que sabia ler os aprofundamento dos estudos pelo menos uma vez na vida, hieróglifos e com ele morreu a sobre a civilização egípcia. No- não é ?) possibilidade de se utilizar as in- te que este processo só foi pos- Existiam outras opções formações existentes naqueles sível pois existia uma versão de suítes de escritório na épo- documentos. Durante aproxima- conhecida do texto, e infeliz- ca, mas a utilização massifica- damente 1.500 anos os hierógli- mente nos nossos tempos (ou da da suíte que dominou o fos desafiavam os em um futuro próximo) a enge- mercado acabou forçando to- pesquisadores e em 1799 o nharia reversa talvez não pos- das as organizações a adota- exército de Napoleão encon- sa ser aplicada, pois é comum la, pois era mais barato com- trou no norte do Egito, na cida- encontrarmos somente a ver- prar a licença e instalar a nova de de Rosetta uma pedra que são eletrônica de nossos docu- suíte do que ficar o tempo todo ajudaria mudar esta história. Es- mentos (e sem uma cópia tendo retrabalho para importar ta pedra, que ficou conhecida impressa, nossos herdeiros e exportar documentos. como a “Pedra da Rosetta”, não poderão fazer muito para continha um mesmo texto escri- desvendar nossos hieróglifos Não foi a primeira vez na to em hieróglifos, demótico e digitais). No nosso caso, corre- história da humanidade que a grego clássico, a única língua mos o risco de perder uma par- forma de armazenar informa- conhecida na época de Napo- te da nossa própria história, ções nos trouxe problemas. leão (para os mais curiosos, os pois grande parte dos docu- Gosto de lembrar a todos em últimos faraós do Egito, os Pto- mentos governamentais gera- minhas palestras que a civiliza- lomeus, eram de origem Gre- dos nas últimas décadas já ção egípcia utilizava uma for- ga, por isso o texto em grego são, infelizmente, hieróglifos di- ma muito peculiar de escrita, gravado na pedra). Através de gitais. Ainda olhando as lições da história, o Império Romano criou uma biblioteca no norte do Egito, na cidade de Alexan- Os especialistas no acervo da dria que é considerada como o Biblioteca de Alexandria consideram maior repositório de documen- tos que a humanidade já criou. que se o conhecimento não tivesse se Durante aproximadamente 1.000 anos, todos os documen- perdido pelo fogo em 646 D.C. tos encontrados no Império eram levados para a bibliote- poderíamos hoje ter a cura para ca, que apesar deste nome, funcionava como uma universi- doenças como o câncer. dade aberta e seus documen- tos foram base para o Jomar Silva desenvolvimento de importan- tes obras sobre geometria, tri- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |66
  • 67. TECNOLOGIA · OPENDOCUMENT FORMAT - ODF gonometria e astronomia, idio- ceu com empresas no passa- to das informações e por isso, mas, literatura e medicina. Infe- do, por exemplo, alguém aí junto com a criação do projeto lizmente a biblioteca foi lembra do WordStar ?). Para do OpenOffice.org foi criado totalmente destruída pelo fogo muita gente no Império Roma- um projeto para desenvolvi- em 646 D.C., queimando prati- no, imaginar a Biblioteca de Ale- mento colaborativo de um for- camente todo o conhecimento xandria destruída pelo fogo mato de documentos para ser escrito que o império romano ti- também era um despautério, utilizado pela suíte, com base nha coletado e gerado em qua- mas aconteceu. no formato XML desenvolvido se 1.000 anos. Os Voltando aos nossos tem- anteriormente pela Star Divisi- especialistas no acervo da bibli- pos, na década de 90, uma em- on. oteca consideram que se este presa alemã chamada Star Cabe lembrar aqui que conhecimento não tivesse se Division desenvolvia uma suíte até o final do primeiro trimestre perdido, poderíamos hoje ter cu- de escritório chamada Star Offi- do ano passado (2008), a espe- ra para doenças como o Cân- ce, distribuída gratuitamente. cificação dos formatos proprie- cer e alguns desenvolvimentos Dentro desta empresa, foi inicia- tários da suíte de escritório em tecnologia que nem sequer do o desenvolvimento de um dominante do mercado era fe- conseguimos imaginar. formato de documentos editá- chada e de controle direto do seu fabricante. Já há alguns anos esta empresa permitia que seus parceiros acessas- sem esta especificação medi- ante a assinatura de um É importante a garantia de contrato específico e por isso, que os documentos armazenados não eram abundantes as em- presas que topavam esta pro- em ODF poderão ser abertos em posta. Até então, todo o suporte aos formatos proprietá- 10, 50 ou 100 anos. rios implementados em softwa- Jomar Silva res livres, como o OpenOffice.org, era fruto de en- genharia reversa e por este motivo, nem sempre estes Muita gente considera veis de escritório baseado em softwares tratavam os docu- que utilizar um formato proprie- XML, para ser utilizado pelo mentos de forma adequada. tário para armazenamento de software. Atualmente esta documenta- documentos não é tão mal as- Em 2000 a Sun Microsys- ção está disponível na Inter- sim, pois existe uma grande em- tems comprou a Star Division e net, mas creio que todos aqui presa por trás deste formato. A decidiu licenciar em software li- já sabem que ela não é um pa- Biblioteca de Alexandria tam- vre o código fonte da suíte, nas- drão aberto, é apenas uma es- bém era assim, indestrutível, e cendo assim o projeto pecificação publicada. da mesma forma que muita gen- OpenOffice.org. Não fazia senti- Em 2002, foi lançado o te acredita que a tal empresa ja- do algum ter uma suíte de escri- OpenOffice.org versão 1 e o mais deixará de existir tório em software livre que StarOffice versão 6, ambos (levando consigo o formato de tivesse que utilizar um formato com suporte ao formato de do- documentos, como já aconte- proprietário para armazenamen- cumentos desenvolvido (exten- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |67
  • 68. TECNOLOGIA · OPENDOCUMENT FORMAT - ODF são .sxw, alguém aí lembra dis- em Maio de 2008 como a NBR va da indústria e seu desenvol- so ?). Com este lançamento, es- ISO/IEC 26.300:2008 (ou seja, vimento não depende de uma tava comprovado que a o ODF é a norma técnica brasi- única empresa. A segunda é utilização da tecnologia XML pa- leira para documentos editá- que sua especificação está dis- ra armazenar documentos editá- veis de escritório). ponível na Internet e já exis- veis de escritório era viável e o O maior benefício propicia- tem diversas implementações novo formato criado atraiu a do pelo ODF é a liberdade que de referência do padrão licenci- atenção de outras comunida- ele oferece a quem o utiliza, adas em código aberto, como des de software livre, que se en- permitindo que qualquer aplica- o OpenOffice.org. Novamente, volveram no projeto de ção que suporte o padrão (atu- a continuidade destas aplica- desenvolvimento do novo for- almente mais de 50 aplicações ções depende mais das pesso- mato (destaque na época para já o fazem), possa ser utilizada as (como eu e você) do que o Koffice). das empresas, mas acho que O novo formato atraiu a atenção da indústria e por isso foi criado em 2002 um comitê para seu desenvolvimento den- O maior benefício propiciado tro do OASIS, uma organiza- ção internacional sem fins pelo ODF é a liberdade que ele lucrativos que trabalha com o desenvolvimento de padrões oferece a quem o utiliza. abertos (de acordo com os crité- Jomar Silva rios que vocês já conhecem, descritos na edição passada da revista). Em Dezembro de 2004 o todo mundo aqui já sabe disso, segundo draft do padrão foi para manipular os documen- tos, independente do sistema não é ? aprovado no OASIS, em Feve- reiro de 2005 o terceiro draft é operacional utilizado ou da pla- Mais do que ter a liberda- colocado em consulta pública taforma computacional (falan- de, com a utilização do ODF e em Maio de 2005 o ODF é do nisso, para quem gosta das você permite que os outros te- aprovado pelo OASIS. Note buzzwords, se você é da gera- nham liberdade também, não que esta aprovação ocorre ção “da nuvem” ou da turma obrigando ninguém a adquirir após 6 anos de desenvolvimen- do “SaaS”, pode utilizar ODF uma licença de software algum to do padrão, 5 dos quais atra- no Google Docs, sem necessi- para poder trocar documentos vés de um processo aberto e dade de instalar nenhuma suí- com você. Mais legal ainda é colaborativo. te de escritório em seu que existindo uma suíte de es- computador). critórios tão completa como o Em Setembro do mesmo OpenOffice.org disponível gra- ano, o ODF é encaminhado pa- É importante também a ga- rantia de que os documentos ar- tuitamente, você pode ensinar ra a ISO, e em Maio de 2006 o e recomendar a todos que o ODF é aprovado por unanimida- mazenados em ODF poderão ser abertos em 10, 50 ou 100 instalem em seu computador de, se tornando a norma para poder editar nativamente ISO/IEC 26.300, adotada (este anos, por dois motivos princi- pais. O primeiro deles é que o documentos em ODF. é o termo para a aprovação de uma norma na ABNT) no Brasil ODF é uma iniciativa colaborati- Muita gente deve estar se Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |68
  • 69. TECNOLOGIA · OPENDOCUMENT FORMAT - ODF perguntando “Por que o Jomar tes do lançamento, gostaria de realmente inovadoras que utili- fala tanto em OpenOffice.org e deixar claro que “Só acredito zam o ODF ainda serão desen- não no BrOffice.org?”. Para vendo :)”). Ainda falando em Mi- volvidas. Meu principal objetivo quem não sabe, o OpenOffi- crosoft Office, já existem plug- hoje é fazer com que você seja ce.org e o BrOffice.org são exa- ins para fazer com que ele su- o autor de uma delas :) tamente a mesma aplicação, e porte ODF e destes plug-ins, o basicamente o nome muda por mais destacado (e até onde que quando o OpenOffice.org sei o mais completo) é desen- foi lançado internacionalmente, volvido pela Sun Microsystems a marca OpenOffice.org já ha- e pode ser facilmente encontra- via sido registrada no Brasil e do na Internet. Como se pode Maiores informações: a empresa detentora do regis- ver, a escolha da sua suíte de tro não abriu mão da sua mar- escritório é toda sua. ODF Alliance: ca. A comunidade brasileira http://www.odfalliance.org Atualmente participam do precisou então mudar o nome desenvolvimento do ODF diver- da “nossa versão” traduzida do Site do OpenOffice.org: sas empresa de tecnologia co- http://www.openoffice.org OpenOffice.org para BrOffi- mo Novell, Google, Sun ce.org e por incrível que pare- Microsystems, IBM, Red Hat e ça isso nos deu alguns Site do BrOffice.org: Microsoft (entre outros), além http://www.broffice.org benefícios. O primeiro e mais de diversos especialista do importante deles é que temos mundo todo, como este que hoje uma das maiores e mais Site da OASIS: vos escreve (sim, tem brazuca http://www.oasis-open.org ativas comunidades de OpenOf- desenvolvendo o ODF :) ). fice.org do mundo e muita gen- te chega á esta comunidade A última versão do ODF ISO: imaginando que o software é to- aprovada pelo OASIS é a ver- http://www.iso.org do desenvolvido no Brasil. são 1.1, que se diferencia da Quando aprende a história que versão 1.0 (a mesma da norma ABNT: acabei de contar, o colabora- ISO), por contar com suporte á http://www.abnt.org.br dor já está apaixonado pela suí- acessibilidade. A versão 1.2 do te e pela comunidade e aí não ODF está em fase final de de- Blog do Jomar: consegue mais abandona-la. senvolvimento no OASIS e con- http://homembit.com vido a todos a acompanhar Existem outros softwares nosso trabalho (basta buscar JOMAR SILVA é que suportam o ODF e dentre engenheiro OASIS ODF TC e você nos en- eletrônico e Diretor eles destaco o Lotus contra online). Geral da ODF Symphony da IBM, o Star Offi- Alliance Latin Espero que todos agora America. É também ce da Sun, os softwares livres coordenador do Koffice e Abiword (só para citar saibam o que é o ODF, pois grupo de trabalho na pretendo falar mais sobre ele ABNT responsável alguns) e por incrível que pare- pela adoção do ODF ça, no final do mês de Abril se- nos próximos artigos da revis- como norma rá lançado o Service Pack 2 do ta. Eu acredito que estamos brasileira e membro do OASIS ODF TC, Office 2007 da Microsoft que te- com o ODF hoje no mesmo es- o comitê rá como uma das suas novida- tágio que estávamos com o internacional que HTML em 1995 e por isso, ain- desenvolve o padrão des o suporte nativo ao ODF ODF (Open (como escrevo este artigo an- da vai passar muita água debai- Document Format). xo da ponte e as aplicações Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |69
  • 70. FORUM · PANÓPTICO NA REDE PANÓPTICO NA REDE Por Filipe Saraiva Adam Jakubiak - sxc.hu O Panóptico de Bentham é a figura arquitetural dessa composição. O princípio é conhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre; esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, (...) elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um escolar. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. Michel Foucault Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |70
  • 71. FORUM · PANÓPTICO NA REDE O fragmento do texto aci- le na Internet envolve os dois panóptica/controladora no cibe- ma foi retirado do livro “Vigiar e conjuntos teóricos. Em alguns respaço. A vigilância está cres- Punir”, do francês Michel Fou- momentos é mais interessante cendo e se fortalecendo a cault, considerado um dos maio- falar de Sociedade do Controle partir de leis, tratados e produ- res intelectuais do último (Google Latitude?); em outros, tos disponibilizados que cada século. Suas obras resultaram como as recentes leis de ciber- vez mais nos conhecem, sa- em contribuições valiosas para crimes, falar de Panóptico é bem o que fazemos e o que uma diversidade de ciências e mais condizente com a noção buscamos na rede. áreas do saber, indo da psiquia- hierárquica de vigilância – co- Uma parte dessas leis é tria à filosofia, pedagogia, histó- mo um servidor que impede o fruto de lobby dos conglomera- ria, política, direito... no livro acesso de internautas a deter- dos de empresas fonográficas, citado, Foucault faz um apanha- minados endereços (procure que tentam impedir o comparti- do histórico da legislação e por Grokster e acesse o site pa- lhamento de seus bens cultu- dos métodos penais de diver- ra ter uma ideia disso). Para ou- rais sujeitos ao copyright. Já sos países e instituições, expon- tras abordagens, acho que havia comentado sobre isso do como esta área mudou uma teoria híbrida seja ainda em meu último texto na revista suas práticas no decorrer do mais interessante: um servidor (ver Espírito Livre nº 1 – Julga- tempo e foi tornando-se cada que guarda seus logs de aces- mento do The Pirate Bay): exis- vez mais sutil em suas ações. so é tanto panóptico – porque te uma pressão em A ideia de discutir-se as ele está o “observando o tem- parlamentos e congressos no implicações psicológicas e soci- po todo” - como um agente do mundo para aprovar leis que ais, constituídas pela arquitetu- controle – você tem liberdade impeçam essa distribuição e, ra de uma prisão de vigilância de deslocamento pelo ciberes- na ânsia de descobrir quem panóptica, não foi proposta por paço até certo ponto. são os partilhadores, muitas Foucault; porém, ele foi um Os governos e grandes dessas leis trazem artigos que dos que desenvolveu a teoria empresas do mundo passam violam a privacidade das pes- de tal forma que hoje ela é utili- agora por um momento de im- soas – como registros de log zada para discutir vários tipos plementação de uma política contendo: quais sites foram vi- de opressão hierarquizantes – seja nos manicômios e presídi- os até fábricas e escolas. Com o tempo, a teoria so- bre o Panótipco gerou um pla- A vigilância está crescendo e no teórico/discursivo mais se fortalecendo a partir de leis, condizente com nosso atual es- tado de sociedade – onde a mo- tratados e produtos disponibilizados bilidade é maior, mas a vigilância não deixa de existir. que cada vez mais nos conhecem, Falo sobre a Sociedade do Con- trole, que nos observa no nos- sabem o que fazemos e o que so cotidiano, sem necessariamente nos privar da buscamos na rede. liberdade de escolha e de deslo- Filipe Saraiva camento. Para mim, falar de contro- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |71
  • 72. FORUM · PANÓPTICO NA REDE sitados, quanto tempo passou recentemente várias delas tra- ce administradores de redes em cada um deles, sobre o mitando em diferentes países sociais como Facebook e MyS- que eles tratam... – vale citar alguns, por exem- pace a fornecer detalhes de Outra frente parte dos ma- plo, França, Coreia do Sul, Grã- amigos e contatos de usuários. gistrados mais conservadores, Bretanha e Brasil. O governo diz que o projeto é que interpretam a dinâmica Na França, existe um pro- necessário para combater o ter- das redes como similar a das jeto de resposta gradual que rorismo no país, e que para is- sociedades convencionais, ten- suspenderá o acesso a Inter- so é fundamental ter acesso tando transpor leis e juízos de net de partilhadores por até irrestrito a esses dados. valor da realidade física (palpá- um ano (ver Espírito Livre nº 1 No Brasil temos a Lei Aze- vel) para a virtual. Daí, por ex- – Julgamento do The Pirate redo que, através de seus arti- emplo, que distribuir música, Bay). A responsabilidade por gos bastante abertos a várias filmes e livros ou até simples- acusar e investigar os internau- interpretações, criminaliza o mente fazer legendas para um seriado sejam considerados, respectivamente, furto e que- bra de direito autoral. E por último, outro grupo Acredito que deva haver que propõe leis de controle so- um aparato para coibir estes bre a rede são, por vezes, liga- dos aos movimentos de crimes pela rede, mas as leis que garantia dos direitos humanos que gostariam de interceptar re- versariam sobre esta questão não des de tráfico de drogas, ar- mas e crimes bárbaros como deveriam colocar a totalidade dos os de pedofilia. Certamente, es- tas atitudes listadas causam internautas como suspeitos prejuízos a sociedade como um todo; porém suspender ga- destes atos. Filipe Saraiva rantias e conquistas de direito a privacidade de todos os inter- nautas não seria aceitável – tan- to como violar a correspondência de todo mun- tas compartilhadores de bens compartilhamento p2p, a pro- do para interceptar estas mes- culturais ficaria a cargo de gramação de eletrônicos bus- mas redes criminosas também uma entidade chamada HADO- cando-se novos usos, coloca não o são. Acredito que deva PI. O projeto na Coreia do Sul servidores para gravarem logs haver um aparato para coibir es- é parecido com o francês, exce- de acesso à rede... dentre ou- tes crimes pela rede, mas as to que o poder de encerrar qual- tros. Importante que temos um leis que versariam sobre esta quer atividade online, seja site movimento muito forte para questão não deveriam colocar ou acesso a rede, seria concer- barrar esta lei, que já contou a totalidade dos internautas co- nente ao Ministério da Cultura, com debates, manifestações e mo suspeitos desses atos. Desporto e Turismo. uma extensa petição online ain- A Grã-Bretanha estuda a da no ar. Para alguns exemplos des- tas leis invasivas, temos visto possibilidade de uma lei que for- Quanto aos produtos dis- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |72
  • 73. FORUM · PANÓPTICO NA REDE nós lançar um olhar crítico so- bre o tema, e não apenas tratá- lo como mania de perseguição ou neurose daqueles que o dis- Cabe a nós lançar um cutem, como se dá em rea- olhar crítico sobre o tema, e não ções normalmente encontradas em alguns sites apenas tratá-lo como mania de ou listas de discussão por aí. perseguição ou neurose... Maiores informações: Filipe Saraiva Grokster: http://www.grokster.com ponibilizados que favorecem a Um interessante vídeo fic- Documentário Ficção EPIC 2014 implementação do panótip- ção-documentário sobre o Goo- http://www.youtube.com/watch?v=4O co/controle na Internet, pode- gle e a privacidade de seus Z-ANCEchM mos citar os bastante clientes pode ser encontrada utilizados – até por este que em EPIC 2014. Algumas ponde- Petição contra a Lei Azeredo vos escreve – serviços do Goo- rações feitas nele pode assus- http://www.petitiononline.com/veto200 gle. Buscador, Gmal, Blogger, tar a aqueles que nunca 8/petition.html Youtube, Orkut... todos eles se pensaram no impacto de dispo- apropriam de informações pes- nibilizar informações pessoais Site Liberdade na Fronteira soais nossas – cedidas espon- para a empresa. http://www.liberdadenafronteira.blogs taneamente, vale lembrar – Estamos diante de uma pot.com que são utilizadas pelos bots era em que a vigilância está se da empresa para dispor de pro- fortalecendo na rede. Não ape- FILIPE DE OLIVEIRA paganda condizente com nos- SARAIVA estuda nas aos partilhadores de bens Ciências da sas preferências. Isso é culturais, mas até pessoas que Computação na também uma forma de vigilân- Universidade Federal utilizam webmail, blogs grátis e do Piauí, entusiasta cia, uma maneira de termos in- redes sociais estão cada vez do GNU/Linux, da formações pessoais mais tendo suas informações Cultura Livre e das possibilidades de disponibilizadas para alguém repassadas a desconhecidos criação coletiva “estranho”, que conhece nossa ou sendo vítimas do olhar de oferecidas pelo mundo conectado. É intimidade através de nossas um “Big Brother” que quer sa- pesquisador da área correspondências eletrônicas, ber – ou já sabe – qual o con- de Cibercultura, posts em blogs pessoais, bus- Pesquisa Operacional teúdo daquele pacote roteado e Inteligência cas... para a sua máquina. E cabe a Artificial. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |73
  • 74. EDUCAÇÃO · A MATEMÁTICA E O SOFTWARE LIVRE Fazendo as pazes com o bicho-papão: A matemática e o SL Por Sinara Duarte A matemática, para a mai- de nerd, que sabia tudo de ma- ve a dádiva de ser pai ou mãe, oria, das pessoas, é o bicho-pa- temática, fazendo “ares de dou- ou mesmo ficou observando pão, pois é a disciplina que tor” sem ter sequer completado uma criança dar seus a primei- mais apavora, que mais repro- o ensino fundamental (antigo ros passos, percebe a hesita- va. Estima-se que em um uni- 1º grau). Infelizmente ainda ho- ção da mesma, quando verso de cem reprovações, je, predomina no ideário coleti- encontra um obstáculo em seu 70% por cento, aproximadamen- vo, que a aprendizagem da caminho: uma poça de água te, são atribuídas a essa discipli- matemática é para poucos afor- ou uma calçada mais alta. Nes- na, o que demonstra o tunados que nasceram com es- te momento, a criança hesita, fracasso do ensino da matemáti- te dom, quando na verdade, já pois seu cérebro ainda em for- ca nas instituições escolares nascemos programados para mação, enfrenta uma situação brasileiras. aprender matemática. Como as- nova na qual não está habitua- O reflexo da precarieda- sim? da. No caso de cérebro adul- de do ensino brasileiro foi mos- Que a matemática, está to, este é capaz dentro de uma trado no PISA – Programa em todo lugar, isso já sabe- fração de segundos, como Internacional de Avaliação de mos, não apenas na fatura do uma poderosa máquina de cal- Alunos (2000) – onde os estu- cartão de crédito, no desconto cular, relacionar a distância a dantes brasileiros ficaram na úl- do Imposto de Renda, no alinha- partir de seu campo de visão tima colocação na prova de mento das rodas de seu carro, (comparação) até o obstáculo, matemática concorrendo com mas indiretamente, também fa- calcular o ângulo (trigonome- outros trinta países. zemos cálculos inconsciente- tria) necessário para dar o pas- mente. Mesmo até os mais so, calcular a força necessária Na escola a matemática para a impulsão (física), o risco é vista como vilã, ao mesmo avessos a matemática, utiliza essa habilidade corriqueiramen- envolvido (probabilidade: eu tempo que eterniza os gênios. caio ou não?) para por fim, defi- Todo mundo lembra da infân- te sem perceber. nir qual a melhor estratégia: cia, daquele aluno, com cara Exemplificando: Quem te- dar a volta ou tentar pular a po- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |74
  • 75. EDUCAÇÃO · A MATEMÁTICA E O SOFTWARE LIVRE ça de água assim mesmo. Se a matemática é algo vezes, por falta de divulgação. Neste simples exemplo co- tão simples, até mesmo as po- Assim, o objetivo deste ar- mum, a maioria dos humanos, pulações sub-escolarizadas, tigo além de advogar em prol que é o ato de caminhar, nós te- porque nas escolas, ouvimos da matemática, redimindo sua mos diversas habilidades mate- tanto o discurso: “Eu odeio a culpa, é também difundir o uso máticas que são requeridas, matemática” ou “Eu não consi- de ferramentas livres no ensi- que no infante, ainda não são go aprender matemática”. no da matemática para crian- tão bem desenvolvidas, daí as A maioria dos alunos, tra- ças no ensino fundamental. quedas e tombos constantes zem consigo concepções errô- Noutra oportunidade falaremos na primeira infância. Com o tem- neas a respeito do ensino da de softwares livres que auxili- po, após alguns erros, acertos matemática, recheadas de me- am para a aprendizagem da e cicatrizes no joelho, a crian- dos e tabus. Não é objetivo des- matemática para alunos do en- ça já compreende e guarda na te artigo, debater as causas sino médio e acadêmicos. memória essas “habilidades ma- desse fracasso até porque já Na infância, uma das prin- temáticas”, deixando pais e existe na literatura, bastante cipais dificuldades é a aprendi- avós menos aflitos. material a esse respeito, de arti- zagem da tabuada. A maioria Outro exemplo, são os fei- gos a teses de doutorado. Nos- dos alunos até que compreen- rantes que pouco frequenta- so intuito é apresentar a pais e de as operações fundamentais ram as escolas tradicionais, educadores uma alternativa, vis- (adição, subtração, multiplica- mas sabem “de cor” fazer cálcu- to que o mundo livre apresenta ção e divisão) com unidades e los envolvendo álgebra, percen- excelentes softwares de apoio dezenas sem muitos proble- tagem e aritmética. É na luta à pesquisa e ao ensino da Ma- mas, mas tem dificuldade em pela sobrevivência que tais pes- temática. Todavia, no Brasil, a memorizar a tabuada. soas desenvolvem formas es- utilização da tecnologia livre, principalmente nas escolas, ain- Há poucos anos atrás, pecíficas de raciocínio era comum os professores utili- matemático. da é modesta, na maioria das zarem palmatórias para dar “bolos” nas mãos daqueles que não sabiam a tabuada na ponta da língua. Atualmente, o Há poucos anos atrás, instrumento de tortura mudou, mas a prática continua se per- era comum os professores petuando em sala de aula, por meio de “chapéus de burro” ou utilizarem palmatórias para dar sabatinas. “bolos” nas mãos daqueles A sabatina é a prática, di- ga-se inútil, de cobrar a apren- que não sabiam a tabuada na dizagem da tabuada oralmente, de traz para frente, ponta da língua. de frente para traz, expondo muitas vezes, a criança ao ridí- Sinara Duarte culo quando esta erra. Muitas vezes, a criança até sabe, mas o medo de estar diante de um público (seus amigos), a pres- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |75
  • 76. EDUCAÇÃO · A MATEMÁTICA E O SOFTWARE LIVRE mática Educati- bas atinjam as construções de va aliada ao uma cidade sob ataque. movimento do No Tuxmath o raciocínio Software Li- é o mesmo, só que as bombas vre, desenvol- são na verdades “operações vedores de matemáticas” que serão des- todo mundo co- truídas somente se o jogador meçaram a acertar o cálculo. Ao aparecer programas es- a bomba, ou melhor, o proble- pecíficos para minha a criança necessita digi- o ensino da tar o número correspondente a matemática, di- resposta para se defender. Por recionada pa- exemplo 4 x 3, digita-se a res- ra o público posta (12) e tecla o ENTER. Figura 1: Tela principal do Tuxmath infantil que re- Como a resposta está correta, creiam, diver- dispara-se um feixe de raio la- tem e educam ao mesmo ser destruindo-a. Caso estives- são do tempo e a cobrança do tempo. Como o espaço é cur- se errada, o raio vai em outra professor fazem com que o alu- to, vamos nos ater a apenas direção, e sinto muito, será no se desespere (o famoso um software por mês, mas es- uma construção a menos no brancão) e faça da matemáti- se tema dado continuidade pos- planeta Linux, deixando o Tux ca, um bicho de sete cabeças, teriormente. bem chateado (figura 2 e 3). ops, quer dizer de 10 cabeças. Um software capaz de di- Da mesma forma do vide- vertir e ao mesmo tempo ensi- ogame, a dificuldade vai au- Não existe uma opinião nar é o Tux math of Command, mentando à medida que o unânime no meio educacional. ou simplesmente, Tuxmath per- jogador passa para um nível Uns são contra a memorização tencente ao projeto Tux4kids superior. A cada vitória mudam- da tabuada, outros são a favor. (http://tux4kids.alioth.debi- se os cenários, a velocidade e Particularmente, acredito que an.org/index.php). Este softwa- a quantidade das continhas. é fundamental compreender a re educativo tabuada, visto que se soube- apresenta o rem a “maledita” de cor, pode- mesmo estilo rão ser mais ágeis ao resolver do clássico jo- as situações-problema envol- go arcade pa- vendo principalmente a multipli- ra Atari, cação e divisão. Uma vez Missile Com- compreendido, a tabuada po- mand, (se tiver de, aos poucos, ser memoriza- mais de trinta da sem traumas. O que não se anos vai lem- pode admitir, em pleno século brar) que tor- XXI, é o aluno ficar recitando nou-se febre uma ladainha de números, fór- nos anos 80. mulas, sem terem entendido o O objetivo do significado. jogo é impedir Figura 2: Tuxmath em ação Com o advento da Infor- que as bom- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |76
  • 77. EDUCAÇÃO · A MATEMÁTICA E O SOFTWARE LIVRE dades, nem al para crianças de 6 a 12 apresentou anos, que já compreendem os bugs. Agora conceitos aritméticos, mas um aspecto apresentam dificuldade na me- que merece morização da tabuada. ser destacado Esse ano, Tuxmath quan- é a ausência to seus fraternos Tuxpaint e de violência. Tuxtype foram classificados pa- Mesmo perden- ra participar do Google Sum- do o jogo, ou mer of Code, um programa seja, tendo que paga bolsas (US$ 4000) seu iglu bom- para estudantes do mundo to- bardeado, os do, trabalharem em projetos amigos do Tux de código aberto e software li- Figura 3: Tuxmath em ação... e o tux furioso... não morrem, vre durante as férias do verão apenas se reti- americano (daí o nome). Su- Não existe a possibilidade de ram calmamente sem demons- pausar o jogo, nem controle de gestões e melhorias para es- trações sanguinolentas de tes softwares podem ser velocidade apenas no módulo chacina animal. (O Greenpea- de treinamento. Aciona-se a enviadas pelo site oficial do ce agradece!) E a medida que evento. (http://googlesummerof- pausa na letra P. o aluno vai acertando, existe a code.blogspot.com) No treinamento é possí- possibilidade dos amigos do vel escolher entre tabuada de Tux serem repatriados e ga- somar, subtrair, multiplicar ou di- nhar novamente seu iglu. Instalando o Tuxmath vidir, inclusive desde a versão Sob licença GPL, este O Tuxmath pode ser 1.5.8 já vêm a possibilidade de software já foi traduzido para o instalado facilmente via trabalhar com números inteiros português do Brasil (PT_BR) synaptic e/ou nas distribuições (números negativos e positi- além de outras línguas como Debian/Ubuntu pelo comando: vos), conteúdo das séries termi- espanhol, francês, árabe, den- apt-get install tuxmath. Outra nais. Ressalta-se que já saiu a tre outras. Possui versão para vantagem do tuxmath, é sua versão 1.7.0 (beta). Linux, Windows e MacOSX. Ide- leveza, consome apenas Os níveis de dificuldade 5931Kb na hora da instalação. são divididos por patentes. Do cadete especial, nível mais fá- cil ao especialista, nível mais aprofundado. Para finalizar É importante destacar que o usa-se o ESC. Apesar de bem simples, atrai as crianças e uso de jogos computacionais na adultos por seu visual e sons que lembra um game. Existe educação formal, não substitui as também um hall da fama, com um ranking dos melhores joga- aulas convencionais... dores. Sinara Duarte A versão estudada (1.5.8) não apresenta muitas funcionali- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |77
  • 78. EDUCAÇÃO · A MATEMÁTICA E O SOFTWARE LIVRE Enfim, como vimos o Tux- mento com divertimento? Por math, é apenas um dentre deze- que a matemática tem que ser Maiores informações: nas de softwares que podem chata? Por que não utilizar o Projeto Software Livre ser utilizados na educação ma- software livre na educação ? Educacional: temática. http://sleducacional.org É notório que o uso do Quem gosta do tema e computador aumenta o interes- Blog Software Livre na Educação: não quiser esperar pelos próxi- se dos alunos tornando-se http://softwarelivrenaeducacao.wordpr mos números, pode conhecer mais concentrados, mais recep- ess.com o trabalho de conclusão do cur- tivos, curiosos, tendo prazer so do Professor Ricardo Pinhei- em realizar as atividades esco- Blog Estúdio da Introspecção: ro. Sua monografia com o lares. Todavia, é importante http://estudiodaintrospeccao.blogspot. título “Software livre e Matemáti- destacar que o uso de jogos com ca: Opções de pesquisa e ensi- computacionais na educação no apresentou uma pesquisa formal, não substitui as aulas Site Oficial Google Summer of de mais de 100 softwares li- convencionais, mais comple- Code: vres para o ensino da matemáti- menta o ensino dos conceitos http://googlesummerofcode.blogspot.c ca. Ta muito organizado, bem teóricos de Matemática aprendi- om escrito, numa linguagem clara, dos nas salas de aulas. vale a pena ler. Seu trabalho Ensinar Matemática é Site Projeto Tux4Kids: na integra está hospedado no muito mais do que apenas de- http://tux4kids.alioth.debian.org/index. seu blog pessoal Estudio da In- corar fórmulas e resolver proble- php trospecção (http://estudiodain- mas, é desenvolver nos trospeccao.blogspot.com) no educando, o raciocínio lógico, qual também disponibiliza a mo- estimulando o pensamento abs- SINARA nografia completa no formato trato, a concentração e a curio- DUARTE é PDF. sidade. Compete a nós, professora da rede municipal de Enfim, o mundo do softwa- educadores, pais, estudiosos, Fortaleza, pedagoga, re livre apresenta diversas pos- curiosos desse assunto procu- especialista em sibilidades educativas de rar alternativas para aumentar Informática Educativa e utilização do computador na a motivação para a aprendiza- Mídias em educação. Aqui apresentou-se gem mais principalmente incen- Educação, com apenas a ponta do iceberg, tivar em nossas crianças o ênfase no Software livre. pois a cada dia, cresce o inte- espírito e o gosto pela liberda- Colaboradora do resse do público em geral por de! Projeto Software Livre Educacional jogos computacionais, e por e mantenedora que não aliar o útil ao agradá- do Blog Software Livre na vel? Por que não aliar conheci- Educação. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |78
  • 79. EVENTOS · FLISOL 2009 em Vitória/ES VITÓRIA/ES Por João Fernando Costa Júnior No sábado, dia direcionados para o evento 25/04/2009, aconteceu o pelos seus próprios FLISOL - Festival Latino professores. Americano de Instalação de O evento foi aberto por Software Livre, um evento de Almir Mendes que apresentou proporções continentais, que os palestrantes e logo a seguir aconteceu em diversas chamou Guilherme Chaves cidades em toda a América que iniciou o ciclo de palestras Latina. Um grande evento de falando sobre o uso do Linux divulgação, instalação, em ambiente desktop e informação e contribuição com direcionado para usuário final. o Software Livre. Guilherme ainda que é No Espírito Santo, a responsável pela matéria capital Vitória foi sede de um sobre Bluepad desta edição. ponto do FLISOL, organizado Almir Mendes retorna, desta pela Iniciativa Espírito Livre, e vez falando os diversos que contou com a colaboração sabores de GNU/Linux, desde de Almir Mendes, Membro do para os experientes aos que PHP-ES e Linux-ES, entre estão iniciando neste novo outros. O FLISOL 2009 mundo. Jean (Índio) e Diego movimentou vários tipos de Nogueira continuam o evento usuários, incluindo os próprios falando sobre UML - User alunos da FAESA, que foram Mode Linux, um assunto que Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |79
  • 80. EVENTOS · FLISOL 2009 em Vitória/ES com o apoio da FAESA, que nesta edição nos cedeu o auditório, bem como toda a infra-estrutura necessária para a realização do evento. Nos sinceros agradecimentos, pois sem essa ajuda possivelmente a realização do mesmo não seria possível. Fotos do evento, bem como os arquivos utilizados pelos palestrantes podem ser encontrados no endereço http://flisol.espiritolivre.org. Entrega dos alimentos Assim como foi feito no Figura 1: Participantes marcam presença durante palestras DFD'09, os alimentos arrecadados no FLISOL 2009 foram doados, porém desta chamou atenção de todos os rindo a toa com a velocidade vez no mesmo dia do evento. presentes por se tratar de algo percebida logo de cara e com A instituição que os recebeu não muito comum de se ver os efeitos que vinham chama-se Associação Amor e nos eventos. Lázaro Reinã, habilitados por padrão. Vida, que tem como uma de que está falando de LUA nesta Houve ainda um outro suas unidades no bairro edição, fechou o evento caso de um laptop que Jardim América, no município falando sobre a linguagem também continha um sistema de Cariacica/ES. LUA, um assunto igualmente operacional proprietário e que interessante. foi O installfest não foi tão prontamente movimentado como nos anos retirado do anteriores, entretanto um fato equipamento. que chamou atenção foi a Este último instalação em um eeePC, que ainda há a foi levado por um dos ressalva que participantes. Segundo ele, o o mesmo equipamento estava com um havia vindo sistema operacional de fábrica proprietário, entretanto estava com o muito lento e ele não estava sistema já satisfeito. Após a instalação de instalado. uma versão remix do Ubuntu O no equipamento, o dono do FLISOL 2009 equipamento ficou super feliz e foi realizado Figura 2: Ao final do evento, pose pra foto... Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |80
  • 81. EVENTOS · FLISOL 2009 em Vitória/ES A arrecadação também rendeu mais frutos que no último evento. Desta vez entregamos aproximadamente 60 kilos de alimentos, muitos deles necessitados pela associação como relatou a responsável, Creuza, que nos recebeu prontamente, assim que ligamos para ela. Um relato que nos comoveu foi o fato dela ter dito que naquele mesmo dia havia dividido o feijão (8 KG) que a unidade tinha com a segunda unidade, que fica localizada em um outro bairro do mesmo município, ficando apenas 4 KG para cada uma das Figura 3: Entrega dos alimentos unidades. Segundo ela, aqueles alimentos do eventos Novos projetos junto a Maiores informações: haviam caído do céu. Neste Associação Amor e Vida momento, toda a equipe que Iniciativa Espírito Livre: A Iniciativa Espírito Livre, estava responsável por http://www.espiritolivre.org/ juntamente com integrantes de entregar os alimentos sentiu outros grupos envolvidos com que o FLISOL 2009 havia FLISOL 2009 no Espírito Santo: software livre no Espírito ajudado não somente os http://flisol.espiritolivre.org Santo, perceberam a participantes que necessidade da Associação permaneceram durante parte FLISOL - Site Oficial Amor e Vida não dispor de um do sábado assimilando novos http://flisol.info site da instituição, que neste conceitos e ensinamentos. contexto se torna um canal de Mas também havíamos feito a DFD'09 no Espírito Santo: contato entre outras pessoas diferença com esta http://dfd.espiritolivre.org que queiram ajudar, bem como colaboração à Amor e Vida. uma forma da associação Agradecemos aos mostrar para a sociedade participantes do FLISOL 2009 como é feito seu trabalho. em Vitória/ES, pois esta Assim, a proposta de doação apesar de ter sido desenvolvimento de um site intermediada pela Iniciativa ficou de ser vista, bem como a Espírito Livre, ela foi feita manutenção e hospedagem do JOÃO FERNANDO serviços em nossos COSTA JÚNIOR é o inteiramente por vocês, que líder do GUBrO-ES e fizeram suas inscrições servidores. Percebemos que responsável pela doando os alimentos. Nosso isto a princípio não é nada, Iniciativa Espírito Livre / Revista muito obrigado a vocês e nos entretanto pode ajudar muita Espírito Livre. vemos em breve. gente. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |81
  • 82. EVENTOS · FLISOL 2009 em Goiânia/GO Por Andressa Martins GOIÂNIA/GO Em Goiás, a capital Goiâ- sentes, o maior evento de GUS-GO (Grupo de Usuários nia também foi sede do FLI- Software Livre em número de Slackware de Goiás)[8], Ruby- SOL[0], organizado pelo pessoas no Estado. GO[9], Rails-GO[10], Robótica Projeto de Software Livre de Coordenado por Andres- Livre de Goiás, SLOG (Softwa- Goiás[1] e o Apoio da ASL- sa Martins, membro dos proje- re Livre do Oeste Goiano)[11] GO[2] (Associação de Softwa- tos Robótica Livre de Goiás[3] e TIM-GO (Tecnologia de Infor- re Livre). e ASL-GO, contou com a aju- mação para Mulheres de O FLISOL 2009 movimen- da dos gru- Goiás)[12] tou vários de usuários, incluin- pos de do jovens, alunos de ensino usuários de médio e universitários direciona- tecnologias li- dos para o evento pelos seus vres do Esta- próprios professores. do, sendo Contou com o ciclo de 43 eles: palestras, Batismo Digital coor- GOJa- denado pelos professores Mar- va[4], celo Akira Inuzuka e Wendell GOPHP[5], Bento Geraldes e seus alunos, GOPython[6], e hacklabs.. GUD-GO Chamou atenção de to- (Grupo de dos os presentes pela quantida- Usuários De- de de pessoas, houveram bian de Goiás)[7], Figura 1: Batismo Digital 2411 pré-inscritos e 1449 pre- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |82
  • 83. EVENTOS · FLISOL 2009 em Goiânia/GO se sentem Maiores informações: responsáveis por ele”, diz o [0] FLISOL 2009 em Goiás http://flisol.aslgo.org.br/2009 professor Mar- celo Akira. [1] Site PSL-GO É bom ci- http://wiki.softwarelivre.org/PSLGO tar que tem vá- [2] Site ASLGO rios membros http://aslgo.org.br/ dos grupos que autonoma- [3] Site Robótica Livre mente divul- http://roboticalivre.aslgo.org.br/ gam o evento [4] Site GoJava em suas facul- http://www.gojava.org/ Figura 2: Corredores abarrotados dades. Muitos são anônimos [5] Site GoPHP O installfest não foi tão que divulgam para seus cole- http://www.gophp.com.br/ movimentado, contou com a gas. Foi feita uma divulgação ajuda do professor da institui- [6] Grupo PythonGO em cartazes que rapidamente http://groups.google.com.br/group/pyt ção que cedeu o local para o se espalharam pela cidade, e hongo evento, e foram realizadas 37 em algumas faculdade havia instalações, e feita a doação até a programação do evento [7] Site Debian-GO de 400 distribuições. http://www.debian-go.org/ impressa nos murais. Foi realizado com o apoio Enfim, o FLISOL foi um [8] Grupo GUS-GO do SENAI que cedeu o auditó- evento democrático, realizado http://groups.google.com.br/group/gus rio, anfiteatro, 2 salas e dois la- -go pela comunidade para a comu- boratórios com 50 lugares. E nidade, onde a oportunidade [9] Grupo RubyGO devido ao grande número de de participação é cada vez http://groups.google.com.br/group/rub presentes, foi necessário que mais aberta para todos. Uma ygo a instituição cedesse mais du- grande festa de compartilha- as salas e palestrantes foram [10] Grupo Rails-GO mento de conhecimento, inclu- http://groups.google.com/group/rails- encontrados na última hora pa- são digital e democratização go ra palestrar. da informática. São iniciativas como o FLI- [11] Site SLOG O FLISOL é o maior http://slog.org.br/ SOL que faz a comunidade evento de divulgação de Software Livre crescer, “E a for- Software Livre da América [12] Grupo TIM-GO ça dela está na colaboração en- Latina. Ele acontece desde http://groups.google.com.br/group/tim- tre as redes-comunidades, go 2005 e seu principal objetivo é formadas por faculdades, os promover o uso de software grupos de usuário, os vizi- livre, apresentando sua ANDRESSA MARTINS é nhos, as empresas, etc. Gran- filosofia, seu alcance, avanços entusiasta de de parte da mobilização foi e desenvolvimento ao público software livre, realizada por elas. Muito boca- idealizadora dos em geral, através de projetos Robótica a-boca, mensagens e tuitadas installfests, palestras, entre Livre, Membro da ocorreram pelas redes. O even- outros. Associação de Software Livre de to se auto-divulga pois todos Goiás e curiosa. Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |83
  • 84. EVENTOS · DIA LIVRE DIA LIVRE: IDÉIAS SIMPLES E AÇÕES PRÁTICAS Por David A. Ferreira Asif Akbar - sxc.hu Tudo começou por volta ca, principalmente devido às do ano de 2006, com uma famosas batalhas campais que idéia proposta inicialmente por precedem os principais even- membro novato, em uma das tos de Software Livre no país, inúmeras reuniões do PSL-CE onde geralmente um pequeno (Projeto de Software Livre Cea- grupo com interesses conflitan- rá) para organização do III tes armam palco para guerras FCSL (Fórum Cearense de intermináveis de questões que Software Livre). passam de puritanas e filosófi- A idéia surgiu como uma cas, para questões capitalistas solução para os recorrentes pro- x socialistas, técnicas e exis- blemas de divulgação das inicia- tencialistas, além das famosas tivas do PSL-CE, a qual autopromoções em campa- basicamente consistia da reali- nhas eleitorais. Tais ações aca- zação de pequenos eventos bam gerando um desperdício mensais, com o intuito de con- de forças tão grande que atra- seguir agregar novos colabora- palham o bom funcionamento dores para o Software Livre e da comunidade, o que contri- bem como seu foco principal bui para formação de uma má que seria a divulgação do impressão, as quais são vistas FCSL. Porém, infelizmente a como inúteis, pois são povoa- idéia não ganhou a força neces- das de seres (popular: troll) bri- sária para ser posta em práti- guentos que só querem fazer algazarra, e acabar com a cre- Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |84
  • 85. EVENTOS · DIA LIVRE ram relatados pelos palestrantes , durante suas jor- nadas com Software Livre e as- sim, as pessoas presentes ficaram até o final de todas as palestras, onde havia muita in- teração entre o público e os pa- lestrantes, muitas perguntas foram feitas, algumas vezes surgiam comentários, os quais eram altamente pertinentes aos tópicos, agregando valor e conhecimento a todos os pre- sentes. Ao final do evento, as pes- soas se reuniram por ainda quase trinta minutos em um ba- te papo descontraído, onde pe- Figura 1: Participantes concentrados no evento diam mais informações sobre cursos, livros e certificações, bre Software Livre, comparti- além é claro das eventuais có- dibilidade das pessoas que lu- pias de softwares como do tam pela legitimidade do lhando o conhecimento adquirido de forma gratuita e li- CDLivre e das distribuições De- Software Livre. bian e Ubuntu. vre para todos aqueles que Os anos foram passando, tem interesse em ouvir, e as- Por justamente ser algo até que em meados de 2009, sim podemos ver como de fato simples de ser realizado, gosta- em uma das reuniões do GUD- o Dia Livre é um evento sim- ríamos de ver iniciativas como BR-CE (antiga Debian-CE), ples na forma de sua execu- esta espalhadas pelos quatro num clima super informal (shop- ção, porém uma ferramenta cantos do país, para que pos- ping), contando apenas com a poderosa de divulgação e agre- samos assim mostrar para as presença de pessoas com gação de novos colaborado- pessoas, que podemos criar ações legitimas a favor do res. uma nação incluída digitalmen- Software Livre, a idéia foi resga- te, que respeite os padrões da por Alexandre Alencar (Skar- No dia 18 de abril em For- taleza, foi realizado na Faculda- abertos e que seja capaz de meth) e apoiada por todos. criar tecnologias nacionais res- Assim João Neto (Tio João) e de Integrada do Ceará (FIC) o 2º Dia Livre, o qual contou com peitando a liberdade de seus Alexandre, resolveram unir for- usuários. Tudo isso é possível ças, para dar corpo e voz aque- a participação de 30 pessoas prestigiando as palestras: Intro- apenas com uma simples la tímida idéia. Nasceu, então ação, o compartilhamento de o Dia Livre, um evento da comu- dução ao GNU/Linux (João Ne- to); Desenvolvimento de Jogos conhecimento e a boa vontade. nidade para a comunidade. com Software Livre (David Fer- Caso você tenha interes- O Dia Livre, é um evento reira); Gestor de TI e Software se em criar o Dia Livre em sua mensal, no qual membros da Livre (Alexandre Alencar). O cidade, sinta-se livre para se- comunidade dedicam algumas evento prendeu à atenção de to- guir ou adaptar algumas das horas de seu dia, para falar so- dos, diversos causos e fatos fo- orientações: Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |85
  • 86. EVENTOS · DIA LIVRE Palestras Busque em sua cidade por pessoas que tenham afini- dade com Software Livre ou GNU/Linux e que de fato te- nham ações condizentes com as palavras, ou seja, tome cui- dado para não achar um Admi- nistrador de Sistemas, que nunca trabalhou com um siste- ma GNU/Linux, para justamen- te palestrar sobre o mesmo, afinal que credibilidade e respei- to o publico daria para uma pes- soa que não tem vivência para poder falar de pontos fortes ou fracos deste ambientes. Selecione por volta de du- Figura 2: Da esquerda para direita: João Neto, Alexandre Alencar e David Ferreira as a três palestras, variando Desta instituição necessita-se nhecer o evento e conseqüen- os temas, por exemplo: colo- que a mesma disponibilize temente o Software Livre. que uma palestra básica sobre uma sala ou auditório para apro- introdução ao GNU/Linux, e ou- ximadamente 40 pessoas, um tras mais avançadas como de- projetor multimídia com compu- Maiores informações: senvolvimento ou tador, o qual tenha instalado o Grupo de Usuários Debian-CE: administração de sistemas, po- BrOffice.org/OpenOffice.org pa- http://www.debian-ce.org/ rém sempre lembrando de equi- ra exibir as palestras, é desejá- librar o perfil do público e o vel que este computador tema, tente evitar a limitação possua alguma distribuição de perfis, ou seja, permita que GNU/Linux, para caso do pales- DAVID ALMEIDA todos possam participar do trante deseje mostrar algum FERREIRA evento, afinal o Software Livre software. (http://www.davidferre é feito pela união e não pela se- ira.com.br) gregação. Preocupe-se também Especialista em com a localização da institui- Engenharia de Software com ção, já que um local com estaci- Ênfase em Padrões Local onamento, e de fácil acesso as de Software(UECE), Procure por instituições linhas de ônibus é mais propi- É Arquiteto de Software do Banco de tenham ou desejem ter um cio a participação das pesso- do Nordesde do relacionamento próximo com a as. Lembre-se para melhor Brasil (BNB). É comunidade de Software Livre, expandir o alcance dos partici- integrante do Projeto de Software Livre geralmente são faculdades ou pantes procure sempre novas Ceará(PSL-CE) e do escolas com centros de tecnolo- instituições em lugares diferen- Grupo de gia que prezam e respeitam o tes na cidade, isso irá permitir Desenvolvedores de que novas pessoas possam co- Jogos do crescimento de seus alunos. Ceará(GDJCE). Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |86
  • 87. AGENDA · O QUE TÁ ROLANDO NO MUNDO DE TI AGENDA Maxime Perron Caissy - sxc.hu MAIO JUNHO Evento: Hora Livre - Por que Evento: XIX SEMAC 2009 programar em PHP? Evento: IV EvidoSol e I Data: 11 e 15/05/2009 Data: 23/05/2009 CILTEC Online Local: São Paulo/SP Local: Campo Grande/MT Data: 03 a 05/06/2009 Local: Encontro Virtual Evento: Brazil Scrum Evento: Falando em Java Gathering 2009 Evento: I Encontro de Data: 12/05/2009 Data: 24/05/2009 CakePHP Local: São Paulo/SP Local: São Paulo/SP Data: 13/06/2009 Local: São Paulo/SP Evento: Java@TV Digital Evento: Brazilian Road Show Data: 14/05/2009 2009 - Java EE Open Source Evento: III ENSOL - Encontro Local: São Paulo/SP Data: 27/05/2009 de Software Livre da Paraíba Local: Rio de Janeiro/RJ Data: 19 a 21/06/2009 Evento: IX Encontro de Local: João Pessoa/PB Informática da FARN Evento: Palestra sobre Data: 19 e 20/05/2009 Desenvolvimento Evento: CMS Brasil 2009 Local: Natal/RN Aplicativos Web Data: 20/06/2009 Data: 28/05/2009 Local: São Paulo/SP Evento: Brazilian Road Show Local: Vitória/ES 2009 - Java EE Open Source Evento: WordCamp Brasil Data: 20/05/2009 Evento: Free Software Bahia Data: 21/06/2009 Local: Porto Alegre/RS 2009 Local: São Paulo/SP Data: 28 e 29/05/2009 Evento: Engenharia de Local: Salvador/BA Evento: 10º Fórum Software Conference Internacional Software Livre - Data: 22 e 23/05/2009 Evento: III ENSL e IV Festival FISL 10 Local: São Paulo/SP Data: 29 e 30/05/2009 Data: 24 a 27/06/2009 Local: Salvador/BA Local: Porto Alegre/RS Evento: Seminário O Novo Mercado de TI - Evento: 1º Workshop PHP-ES Evento: Google Developer Oportunidades e Data: 30/05/2009 Days 2009 Especializações Local: Vila Velha/ES Data: 29/06/2009 Data: 23/05/2009 Local: São Paulo/SP Local: Porto Alegre/RS Revista Espírito Livre | Maio 2009 | http://revista.espiritolivre.org |87