O natal na literatura 1
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Seleção de textos alusivos ao Natal que foram apresentados, lidos e falados num encontro de leitura realizado na Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Amadora, no âmbito de uma atividade ...

Seleção de textos alusivos ao Natal que foram apresentados, lidos e falados num encontro de leitura realizado na Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Amadora, no âmbito de uma atividade designada por "Conversas ao Fim da Tarde".

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O natal na literatura 1 Document Transcript

  • 1. O Natal na Literatura CHARLES DICKENS influenciou decisivamente a comemoração do Natal, tal como hoje em dia o entendemos. No princípio da época vitoriana, o Natal era cada vez menos festejado e não há dúvida que as histórias natalícias de Dickens influenciaram o renascer da tradição. A descrição que Dickens efetua do Natal é a da sua verdadeira essência. Para ele, esta festividade significava um tempo de paz, de caridade e de bondade para com os outros. Porton, 1812 – Londres, 1870 Dickens escreveu vários relatos de Natal, do qual se destaca o Natal do Senhor Scrooge -traduzido também com o título Cântico de Natal-, que tem um profundo carácter social e mostra o realismo e a ternura próprios do autor. O livro contrasta o mundo da infância infeliz com uma sociedade avarenta, através da história de um agiota sovina, ao qual três espíritos mostram o seu passado, o seu presente e o futuro que lhe espera se não mudar de atitude. O livro foi publicado na semana anterior ao Natal de 1843 e foi um êxito imediato. A tal ponto que contribuiu para recuperar as celebrações natalícias, que estavam em desuso no Reino Unido, e popularizou a expressão “Merry Christmas”. As reuniões familiares em fartas mesas com bebida e comida, os cânticos e até o peru da consoada anglo-saxónica são tradições que se devem igualmente à extrema popularidade deste conto, confirmando como a vida pode tantas vezes imitar a melhor ficção. Constituiu um dos relatos favoritos Dickens nas leituras que fazia em público e deu origem a inúmeras representações e versões cinematográficas. Fonte: DICKENS, Charles; O Natal do Senhor Scrooge e Os sinos de Ano Novo; Público Comunicação Social, Porto, imp. 2002; Coleção Mil Folhas. CORREIA, Pedro; Grandes contos(12): Charles Dickens; Delito de opinião [Em linha] [Consult. 08-12-13]. Disponível em http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3880147.html Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 1
  • 2. O Natal na Literatura UM CONTO DE NATAL Charles Dickens Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era um nome bastante conhecido na Bolsa, e a sua assinatura era um documento valioso, onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de porta. Perdão! Não quero dizer com isto que saiba por experiência pessoal o que possa haver de particularmente morto num prego de porta. Por mim, eu estaria mais inclinado a considerar um prego de ataúde como a coisa mais morta que possa haver no comércio. Mas, como devemos esta comparação à sabedoria dos nossos antepassados, tenhamos todo o cuidado em não profaná-la, ou, do contrário, o país estará perdido. Assim pois, vocês hão de permitir-me repetir, com insistência, que Marley estava tão morto como um prego de porta. Acaso Scrooge sabia que Marley estava morto? Evidentemente, sim. Como poderia ser de outro modo? Marley fora seu sócio durante não sei quantos anos; Scrooge era seu único executor testamentário, o único administrador dos seus bens, seu único herdeiro, seu único amigo. De resto, este triste acontecimento, mais que suficiente para perturbar qualquer outro, não o abatera a ponto de fazê-lo perder suas notáveis qualidades de homem de negócios, pois havia assinalado o dia dos seus funerais precisamente por uma especulação das mais felizes. […] Scrooge não havia apagado jamais o nome de seu antigo sócio. Depois de tantos anos, ainda se lia sobre a porta de sua casa comercial o nome de Scrooge & Marley, pois Scrooge & Marley continuava como a razão social da firma. As pessoas que não estavam bem a par das coisas chamavam Scrooge ora por Scrooge, ora por Marley, mas Scrooge atendia pelos dois nomes indiferentemente. Ah! Scrooge! Com que firmeza ele empunhava as rédeas dos negócios! Como este negociante sabia pegar e espremer, agarrar e tosquiar o cliente e, sobretudo, não irritar ninguém. Duro e cortante como uma pedra-defogo, da qual jamais aço algum conseguiu arrancar uma única centelha generosa, Scrooge mostrava-se taciturno, arredio e isolado como uma ostra. Uma frieza interior enregelava-lhe os traços decrépitos, ressumbrava no seu nariz adunco, sulcava-lhe as faces, endurecia-lhe o andar, avermelhava-lhe os olhos, azulava-lhe os lábios finos e fazia sentir-se até mesmo na sua voz estridente. Uma espécie de neblina cobria-lhe a cabeça, os supercílios e o queixo pontiagudo. Esta frieza inóspita Scrooge levava-a consigo aonde quer que fosse, de modo que o seu escritório continuava gélido durante o mais intenso calor e não melhorava um grau nem mesmo pelo Natal. Quanto à temperatura exterior, pouca influência exercia sobre ele. Nenhum calor poderia aquecê-lo, assim como o mais rigoroso inverno não conseguiria transpassá-lo. Não havia rajada mais áspera que ele, tempestade de neve mais implacável, chuva fina mais torturante. O mau tempo não sabia por onde pegá-lo. Chuva e granizo, neve e frio levavam sobre ele apenas uma vantagem: todos se mostravam, uma vez ou outra, pródigos nos seus benefícios; Scrooge, nunca! Ninguém, jamais, conseguiu pará-lo na rua para lhe dizer em tom amável: Como vai, meu caro Scrooge? Quando terei o prazer da sua visita?. Mendigo algum animava-se a implorar-lhe a caridade, nem nenhuma criança se atreveria a perguntar-lhe as horas. Nem uma única vez, em toda a sua existência, homem ou mulher havia-lhe perguntado sobre um caminho. Mas, que importava a Scrooge? Pois era justamente o que ele queria. A sua maior felicidade era abrir caminho através das estradas atravancadas da vida, tendo sempre a distância toda e qualquer simpatia humana. **** Um dia, um dos melhores do ano, e véspera de Natal, o velho Scrooge achava-se no seu escritório, a trabalhar. Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 2
  • 3. A porta de Scrooge estava aberta de modo a permitir-lhe observar seu empregado, que se achava copiando cartas no compartimento contíguo, lúgubre cubículo que mais parecia uma cisterna. O fogo de Scrooge era bem insignificante, mas o do seu empregado era tão miserável que parecia não passar de uma única brasa. E tornavase impossível alimentá-lo, pois que Scrooge conservava junto de si a lata de carvão, e quando o pobre rapaz entrava, com a pá na mão, Scrooge declarava que era obrigado a dispensar os serviços de um homem tão gastador. Diante disso, o pobre homem, enrolando-se no seu cachecol branco, procurava aquecer-se na chama da lamparina, o que não conseguia, por não ser dotado de uma imaginação suficientemente viva. – Bom Natal, meu tio, e que Deus o ajude! – exclamou uma voz jovial. Era a voz do sobrinho de Scrooge, cuja entrada no escritório fora tão imprevista, que este cordial cumprimento foi o único aviso com que o rapaz se fizera anunciar. – Bah! – disse Scrooge-,aldrabices! O sobrinho de Scrooge, que havia caminhado apressadamente no meio da bruma gélida, tinha o rosto incendiado pela corrida. O seu rosto simpático estava vermelho, os olhos brilhavam, e, quando falava, o hálito quente transformava-se numa nuvem de vapor. – O Natal é uma aldrabice, tio? Parece que o senhor não refletiu bem! – Ora! – disse Scrooge. Feliz Natal! Que direito tem você, diga lá, de estar alegre? Que razão tem você de estar alegre, pobre como é? – E o senhor – respondeu alegre e zombeteiramente o sobrinho –, que direito tem de estar triste? Que razão tem o senhor de estar acabrunhado, rico como é? Não encontrando no momento melhor resposta, Scrooge repetiu novamente: – Aldrabices! – Vamos, meu tio! Não se amofine! – disse o jovem. – Como não me amofinar, – replicou o tio, – quando vivemos num mundo cheio de gente ordinária? Feliz Natal!... Que vá para o diabo o seu feliz Natal! Que representa para você o Natal, a não ser uma época em que você é obrigado a abrir o cordão da bolsa já magra? Uma época em que você se faz mais velho um ano e nem uma hora mais rico? Em que você, fazendo um balanço, verifica que ativo e passivo equilibram, sem deixar nenhum resultado? – Se fosse eu quem mandasse, – continuou Scrooge indignado, – cada idiota que percorre as ruas com um “feliz Natal” na ponta da língua devia ser cozinhado com o seu pudim e enterrado com um galho de azevinho espetado no coração. Pronto! – Meu tio! – exclamou o jovem. – Meu sobrinho, – tornou o tio num tom severo –, pode festejar o Natal a seu modo, mas deixa-me festejá-lo como me aprouver. – Como lhe aprouver? Mas o senhor não o festeja absolutamente! – Perfeitamente! – disse Scrooge; – então, dê-me a liberdade de não o festejar. Quanto a você, que lhe faça bom proveito! O proveito que você tem tido até hoje... – Há muita coisa de que eu não soube tirar o proveito que poderia ter tirado, é certo, e o Natal é uma delas, – replicou o sobrinho. – Mas, pelo menos, estou certo de ter sempre considerado o Natal – fora a veneração que inspiram sua origem e seu caráter sagrados – como uma das mais felizes épocas do ano, como um tempo de bondade e perdão, de caridade e alegria; o único tempo, que eu saiba, no decorrer de todo um ano, em que todos, homens e mulheres, parecem irmanados no mesmo comum acordo para abrir seus corações fechados e reconhecer, naqueles que estão abaixo deles, verdadeiros companheiros no caminho da vida e não criaturas diferentes, votadas a outros destinos. Assim, pois, meu tio, embora o Natal não me tenha posto nos bolsos uma única moeda de ouro ou de prata, estou convencido de que ele me fez e me fará muito bem, e é por isso que eu repito: Deus abençoe o Natal! Fonte: PORTUGUÊS FREE E-BOOK. NET [Em linha] [Cons. 08-12-2013] Disponível em http://portugues.free-ebooks.net/ebook/Um-conto-de-natal/pdf/view Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 3
  • 4. O Natal na Literatura Odense, 1805 – Copenhaga, 1875 HANS CHRISTIAN ANDERSEN, considerado o pai da literatura infantil, também valorizou o espírito do Natal nos seus contos. A infância pobre que viveu influenciou bastante as histórias infantis e adultas que escreveu, as quais refletem as injustiças sociais e o direito de todos os homens serem considerados iguais. A ele pertence alguns dos melhores contos de Natal, que aborda esta problemática - A Menina dos Fósforos, no qual uma pobre menina vagueia pelas ruas frias no inverno, sem conseguir vender uma única caixa de fósforos, enquanto as pessoas passam por ela apressadas, sem lhe dar atenção. Fonte: CAIS DA ESCRITA; Blog do Agrupamento de Escolas de Albergaria a Velha [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://caisdaescrita.blogs.sapo.pt/6192.html DYAS, Patricia; Meu Cantinho [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://cantinhopoethyca.blogspot.pt/2010/12/menina-dosfosforos-era-ultima-noite-do.html SPACE BLOG; [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://numclique.spaceblog.com.br/1803595/A-menina-dos-fosforos/ Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 4
  • 5. O Natal na Literatura A MENINA DOS FÓSFOROS H.C.Andersen Fazia um frio terrível. Nevava, e a noite aproximava-se rapidamente. Era o último dia de Dezembro, véspera de Ano Novo. Apesar do frio intenso e da escuridão, andava pelas ruas uma menina descalça e com a cabeça descoberta. Ao sair de casa ainda trazia umas chinelas, mas que não lhe serviram de muito. Eram enormes, tão grandes que decerto pertenciam à mãe e a pobre menina tinha-as perdido ao atravessar a rua correndo, para fugir de duas carruagens que rolavam velozmente. Estava agora descalça e tinha os pés roxos de frio. Dentro de um velho avental tinha muitos fósforos e segurava um punhado deles. Ninguém lhe comprara fósforos durante o dia e nem sequer lhe tinham dado uma esmola. Morta de frio e de fome, arrastava-se pelas ruas. A pobre criança era a imagem da miséria. Caíam-lhe flocos de neve sobre os cabelos louros muito compridos. As janelas das casas estavam todas iluminadas. Pelas ruas, espalhava-se o cheiro reconfortante de gansos assados, pois era véspera de Ano Novo. A menina acocorou-se no ângulo formado pelos muros de duas casas. Encolhera as pernas e sentara-se em cima delas, mas continuava a ter frio. Não ousava voltar para casa porque não vendera nem um fósforo e não tinha sequer uma moeda para entregar ao pai. Temia que este lhe desse uma sova. Além disso, em casa fazia quase tanto frio como na rua, porque tinham apenas o telhado para os cobrir. Apesar de terem tapado com palha e trapos todas as frestas, o vento gelado penetrava incessantemente. Tinha as mãos quase geladas pelo frio. Ah! Talvez a chama de um fósforo a pudesse aquecer um pouco. Oh! Um fósforo, apenas um! Esfregou o fósforo na parede e protegeu com uma das mãos a chamazinha viva. Que brilho magnífico! Pareceu-lhe que a chama era uma braseira de cobre acesa, irradiando um calor reconfortante. A rapariguinha estendeu os pés para os aquecer mas, subitamente, o fósforo Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 5
  • 6. apagou-se, a maravilhosa braseira desapareceu e a criança ficou apenas com um fósforo meio consumido entre os dedos. Pegou noutro e acendeu-o. O brilho era tal que tornava o muro de um dos prédios tão transparente como vidro. A criança viu então uma sumptuosa sala de jantar, no centro da qual estava posta uma mesa coberta com uma toalha tão branca como a neve. Sobre ela havia copos de cristal, pratas e finíssimas porcelanas, refletindo milhares de luzes. Numa travessa estava um ganso recheado com ameixas secas e maçãs fumegantes. Um cheiro delicioso espalhava-se pelo ar. De súbito, o ganso, apesar do garfo e da faca que tinha espetados no dorso, saltou do prato e dirigiu-se, bamboleando-se, para junto dela. De repente, o fósforo apagou-se e a menina via, agora, o espesso muro do prédio. A menina estendeu os braços para tanta maravilha, mas o fósforo apagou-se e todas as velas da árvore subiram para o céu, transformando-se em estrelas. Uma delas caiu, deixando um longo rasto luminoso. «Morreu alguém», pensou a criança. A avó, a única pessoa que lhe dera afeto e que já tinha morrido, dissera-lhe um dia: - Sempre que cai uma estrela, uma alma entra no Paraíso. A menina riscou outro fósforo na parede. Viu, então, à luz da chama, o rosto meigo da avozinha. - Avó, leva-me contigo. Sei que vais desaparecer, quando se extinguir o fósforo. Desaparecerás como a braseira, o ganso recheado e a grande árvore de Natal - disse a criança. Pôs-se a acender todos os fósforos que restavam na caixa, para conservar junto de si a imagem da avozinha. Os fósforos davam uma chama tão clara que parecia dia. Nunca a avó fora tão bela e tão grande como naquela noite. A bondosa senhora pegou na criança entre os braços e ambas se elevaram no espaço, envolvidas por uma luz extraordinária. Subiram alto, muito alto, até onde deixa de existir o frio, a fome e o medo. E, quando chegou a madrugada, encontraram a criança estendida no chão, com as faces rosadas e um sorriso nos lábios. Estava morta. Tinha morrido de frio, na última noite daquele ano. O Sol do dia do Ano Novo ergueu-se sobre o corpo frágil e abandonado na neve. O avental da criança continha ainda alguns fósforos, mas perto do corpo encontrava-se um pacote de caixas vazias. No entanto, ninguém podia supor as esplêndidas coisas que a menina tinha visto, nem sequer a emoção que sentira ao ser levada pela bondosa avozinha, no dia em que o novo ano principiava. Fonte: ANDERSEN, Hans Christian - A menina dos fósforos, Editora Educação Nacional, 2008, p.25 Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 6
  • 7. O Natal na Literatura ERNEST THEODOR AMADEUS HOFFMANN, destacou-se de entre os grandes escritores de fantasia e figura central no Romantismo Alemão tardio, tendo criado um extraordinário mundo de fantasia, poesia e sobrenatural. Personagens inesquecíveis ganham vida em contos onde a imaginação impera e que se movem entre a crua realidade e a ambiguidade, mistério e romance. Konigsberg, 1776 – Berlim, 1822 Enquadra-se neste contexto o conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos, muitas vezes traduzido simplesmente por O Quebra-Nozes, considerado o seu melhor conto e que constitui uma encantadora história de Natal que se tornou tradição nesta época do ano, pela sua adaptação a bailado, ao cinema, à televisão e ao teatro. É impossível ler este conto e esquecer o valente Quebra-Nozes, o malévolo Rei-Rato, o Padrinho Drosselmeier, ou a encantadora Marie, que graças ao seu amor quebra o feitiço. Estas personagens povoam o real e o maravilhoso e encantam leitores há muitas gerações. Fonte: WOOK – Livraria on line; [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://www.wook.pt/ficha/o-quebra-nozes/a/id/66043 PORTAL DA VAIDADE [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://wwwvaidadefeminina.blogspot.pt/2012/12/hoje-o-bale-quebranozes-completa-120.html PROSIMETRON [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://prosimetron.blogspot.pt/2012_12_16_archive.html Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 7
  • 8. O Natal na Literatura LEVIN KIPNIS, manifestou desde cedo o gosto pelas artes e a preocupação na educação das crianças em idade pré-escolar, para quem escreveu músicas, histórias e peças de teatro. Vencedor de diversos prémios de Literatura Infantil, a sua escrita “caracteriza-se por um estilo leve e feliz, desprovida de emoção, mas rica e estético”. Ushomir [Ucrânia], 1894 – Tel Aviv, 1990 Com obras escritas em diferentes línguas: alemão, hebraico e iídiche, queremos destacar Hannukah, Festa das Luzes, que relata um episódio bíblico sobre uma candeia de azeite perfeita, feita de ouro puro que nunca se apaga, no templo sagrado de Jerusalém. Com a invasão dos gregos a candeia foi substituída por uma estátua, recusando-se a candeia a alumiar essa estátua. Quando os judeus conseguiram entrar no Templo destruíram a estátua, limparam a candeia e acenderamna e verificaram, com espanto, que esta não se apagava. Celebraram então, este acontecimento durante 8 dias. A festa do HANUKKAH (Festa das Luzes, ou Festa da Dedicação) é uma tradição comemorada à mais de 2000 anos pelos Judeus, de forma muito semelhante com a comemoração do natal cristão e que ocorre durante 8 dias, geralmente, em dezembro (no dia 25 de Kislev). Fonte: VARGAS, Eloy Arraes; Hannukah – A história da Festa das Luzes: de Daniel até Jesus Cristo; in Monte Sinai [Em linha] [Consult. 08-12-2013]. Disponível em http://montesinai0.tripod.com/hanukkah.htm DIÁLOGO DE CULTURAS: Hannukah [Em linha] [Consult. 08-12-2013]. Disponível em http://interculturalidades.wordpress.com/2008/04/24/hannukah/ KARASYUK, Dmitry; Philatelia.net: Literature for http://www.philatelia.net/literature/plots/?more=1&id=2655 children [Em linha] [Consult. O8-12-2013]. Disponível WIKIPEDIA – Levin Kipnis Em linha] [Consult. O8-12-2013]. Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Levin_Kipnis Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 8 em
  • 9. O Natal na Literatura HANNUKAH Levis Kipnis No Templo Sagrado de Jerusalém, havia uma lâmpada de azeite perfeita, feita do ouro mais puro. Noite e dia, a lâmpada ardia, e nunca a sua chama se apagava. Depois, infelizmente, os Gregos invadiram Jerusalém. Expulsaram os Judeus e colocaram um ídolo no Templo Sagrado. Mal a lâmpada viu a estátua, extinguiu-se, pensando: “Nunca darei a minha luz pura a este ídolo horrível.” O Rei dos Gregos zangou-se e gritou: — Acendam a lâmpada! É uma ordem! Acenderam-na, mas o óleo não ardia. Trouxeram mais azeite, que o rei deitou na lâmpada. Em vão. Então, o Rei pensou para consigo: “Talvez este azeite não preste.” Deu então ordens para que trouxessem o melhor e mais puro dos azeites. Os Gregos foram procurá-lo e regressaram com o melhor e mais precioso que encontraram. O Rei deitou-o na lâmpada e acendeu-a. Mas não se via chama alguma. O Rei ficou pasmado. — Deve haver, de certeza, um tipo de azeite especial para esta lâmpada. Realmente, havia azeite de qualidade excelente no Templo. Os Gregos encontraram imensos potes de barro cheios de azeite de oliveira, utilizado para acender a lâmpada. Quando ouviram as palavras do rei, os potes ficaram extremamente assustados. Mas os Gregos levaram-nos até ao Rei. Este ficou tão contente que exclamou: — É agora que a lâmpada vai acender-se, para glória dos nossos deuses. Abriu um dos potes e ficou admirado por encontrar dentro dele o azeite mais puro e mais transparente que alguma vez vira. E mais admirado ficou quando o cheirou, porque o azeite cheirava melhor do que o melhor dos perfumes. Verteu o azeite na lâmpada e acendeu-a, mas não havia vestígios de chama. Tentou um segundo pote e um terceiro, sempre sem sucesso. O rei ficou furioso e atirou a lâmpada ao chão. Deu pontapés nos potes e saiu do Templo a correr, batendo a porta atrás de si com estrondo. Os potes caíram todos, partiram-se e o azeite foi derramado. Apenas restou um pequenino, que estava encostado a um canto, e passava despercebido. No Templo reinava agora um grande silêncio. O ídolo estava mudo e quedo. Apenas a lâmpada chorava baixinho, e o azeite derramado espumava furioso: Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 9
  • 10. — Aqueles Gregos malvados, porque me derramaram no chão? O pote pequenino tremia no seu canto e dizia: — Talvez os Gregos voltem… Passaram-se os dias e passaram-se as noites. Um dia, ouviram-se cânticos fora do Templo e o som de passos que se aproximavam. A lâmpada tremeu de receio: — Lá vêm eles de novo… E o pequeno pote murmurou, aterrorizado: — Vêm aí os Gregos. De certeza que me vão esmagar. Mas não havia razões para temer. Não eram os Gregos que se aproximavam do Templo, mas os Judeus que Judas Macabeu tinha reunido para atacar e expulsar os Gregos. Marchavam juntos, cantando canções de vitória e empunhando os seus estandartes. Mal entraram no Templo, esmagaram o ídolo horrível e deitaram-no fora. Em seguida, colocaram a lâmpada no lugar que lhe era devido. Limparam-na e poliram-na até brilhar. Depois, Judas Macabeu quis acender a lâmpada, mas não encontrou azeite, porque todos os potes de barros tinham sido derrubados e todo o azeite derramado. Ficou deveras preocupado e clamou: — Mas onde poderemos encontrar azeite para acender a lâmpada? Nesse mesmo momento, o pequeno pote começou a mexer-se e rolou até junto de Judas. Este levantou-o e viu que continha azeite puro e perfumado em quantidade suficiente. Deitou algum na lâmpada e acendeu-a. E no Templo voltou a haver luz. Mas Judas ainda estava apoquentado. — O pote é tão pequenino que só temos azeite para um dia e uma noite. Levaremos oito dias a arranjar mais azeite. O que faremos depois de amanhã? Foi então que se produziu um grande milagre. O azeite do pote não diminuía, porque era azeite consagrado. Sempre que tiravam azeite do pote, este voltava a encher-se. Durante oito dias e oito noites, o pote forneceu a quantidade de azeite suficiente para manter a lâmpada acesa. E, enquanto duraram esses oito dias, os Judeus celebraram, cheios de alegria, o Hannukah, ou seja, o festival da lâmpada que nunca se apagou. Fonte: DIÁLOGO DE CULTURAS [Em linha] [Consult. em 08-12-2013] Disponível em http://interculturalidades.wordpress.com/2008/04/24/hannukah/ Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 10
  • 11. O Natal na Literatura Portuguesa O Conto de Natal em Portugal “As referências ao Natal na literatura portuguesa começam por registos de uma intensa devoção e só muito mais tarde se preocupam com a transposição da celebração religiosa e do seu sentido transcendente para o plano civil de uma comunhão festiva, familiar e universal, necessáriamente ligada à ideia de paz na terra e reconciliação entre os homens. É na poesia e no teatro que desponta literariamente aquela exaltação religiosa, com mestre André Dias (1348-1437) e depois nalguns autos vicentinos de devoção, para não mais parar, até ao nosso tempo: no Maneirismo, no Barroco, no Romantismo e daí em diante até hoje. Basta recordar, mais ou menos ao acaso, poetas como António Ferreira, Frei Agostinho da Cruz, Diogo Bernardes, Rodrigues Lobo, D. Francisco Manuel de Melo, Jerónimo Baía, Correia Garção, Reis Quita, Cruz e Silva, Bocage, Almeida Garrett, António Feliciano de Castilho, António Nobre, Gomes Leal, Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Álvaro Feijó, António Gedeão, David Mourão-Ferreira e tantos outros… para se ver que o “cancioneiro de Natal” lusitano é muito abundante e variadíssimo.[…]”. Vasco da Graça Moura Tendo em conta a vastidão de opções relativamente a esta temática, apresenta-se uma escolha de alguns excertos de prosa e também poesia alusivos ao Natal. Fonte: BIBLIOTECA PÚBLICA REGIONAL DA MADEIRA – Exposições e itinerâncias; O Natal na Literatura Portuguesa [Em linha] [Consult. 08-122013] Disponível em http://www.bprmadeira.org/site/index.php/exposicoes-e-itinerancia/877-2010-natal-na-literatura-portuguesa Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 11
  • 12. O Natal na Literatura Portuguesa O NATAL DOS MUÇULMANOS~ Depois da Aid-Seghir e da festa do Carneiro vem o “Mouloud”, a festa que as crianças preferem. É o Natal dos árabes, a maior festa religiosa muçulmana. Assinala o aniversário de Maomé, o grande profeta árabe. Os irmãos de Zora vão sempre à mesquita nesse dia e contam à irmã o que viram. - A mesquita estava toda verde – diz Ali, o mais novo, que lá ia pela primeira vez. Ponta Delgada, 1928 – Lisboa, 2010 - Havia meninos, muitos meninos a cantarem – disse Mustaoha, que tinha uma cicatriz na cara. - Alunos das escolas corânicas – explica o mais velho, o preferido de Zora - E o que são escolas corânicas? – pergunta a pequena. São escolas que ensinam o Corão, o nosso livro sagrado. Zora não compreende lá muito bem, mas passa adiante. - E depois, o que acontece? - Todos cantam, todos rezam e depois recebem-se presentes… - Presentes?!... Então o irmão mais velho saca da algibeira um pequeno zimbório e um rosário de ovos coloridos. - São para ti, irmãzinha. Em todos os lares, mesmo nos mais pobres, se festeja o “Mouloud”. Em todos se acendem velas, em todos se queima incenso. Fonte: GOMES, Madalena; Zora, a pequena árabe[Em linha] [Consult. 08-12-2013]. Disponível em http://bibliotecavieiraaraujo.pbworks.com/w/page/12711757/Zora,%20A%20Pequena%20%C3%81rabe%20de%20Madalena%20Gomes(Li teratura%20Infanto-Juvenil) Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 12
  • 13. O Natal na Literatura Portuguesa NATAL De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida […]. E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava a arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, S. Martinho da Anta, 1907 – punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa… E a verdade é que nem a casa nem a família o Coimbra, 1995 esperavam. […] E caía, o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa […]. Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados os penedos lembravam penitentes. Não havia que ver; nem pensar noutro pouso. E dar graças! Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento ou alguma alma pecadora forçara a fechadura. Vá lá! Do mal o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida… Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha. Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de um clarão animador, apagou-se[…]. [Na sacristia] descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao Céu por aquela ajuda, olhou o altar. Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe. - Boas Festas! – desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo. Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite[…] a madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de se cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava? Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear […]. - É servida? A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também. E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira. Consoamos aqui os três – disse, com a pureza e a ironia dum patriarca. – A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de São José. Fonte: TORGA, Miguel; Novos Contos da Montanha, pp. 121-126, 9ª ed. Revista, Coimbra (texto adaptado) https://app.box.com/shared/zhjdml8mrb Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 13
  • 14. O Natal na Literatura Portuguesa A NOITE DE NATAL Eu não sei se esta história terá leitor tão mal-aventurado, que não possua recordações e saudades associadas à noite de Natal; àquela festiva e abençoada noite, em que as ruas e os lugares públicos se despovoam, e nos lares domésticos parece crepitar e cintilar o fogo mais acalentador do que nunca. […]. Bem escura, bem ventosa, bem fria e húmida surjas tu sempre, noite de vinte e quatro de Dezembro, que melhor então se avaliará pelo contraste a luz, o calor, o aconchego dos lares e mais íntimos se estreitarão os círculos da família em roda da ceia patriarcal […]. A família do Mosteiro era fiel às clássicas usanças desta noite Porto, 1839 – Porto, 1871 tradicional. E naquele ano sobretudo as festas das consoadas deviam ser coisa falada, graças ao plano de D. Vitória de reunir no Mosteiro a resumida família de Alvapenha; plano que vimos aprovado por aclamação por toda a assembleia presente […]. Tudo isto dava motivo a exclamações e risos, que inauguraram um estado de coisas, o qual nunca mais devia cessar aquela noite. A balbúrdia, a azáfama festiva que ia no Mosteiro é indescritível. Na cozinha, nas salas, nos corredores tudo era movimento e ruído. Aqui eram as crianças jogando, a pinhões, o “par ou pernão” e o “rapa”, jogos popularíssimos e da ocasião, que, de tão conhecidos, dispensam o trabalho de descrevê-los. No aposento imediato ao quarto de D. Vitória, armara-se o presepe, diante do qual ardiam seis velas de cera em castiçais de prata maciça […]. [A sala do refeitório] estava ofuscante de luzes, esplêndida de louças e baixelas, enfeitada de flores e de cristais e enevoada dos vapores das iguarias […]. Ceia de Natal! Abençoado banquete, ao qual todos se devem sentar nas mesmas disposições de ânimo em que ordenava Cristo estivessem os que fossem orar ao templo; ceia com tanto afã cozinhada, e com tão pouca vontade comida; mas, dizíamos nós, se se comia pouco, em compensação falava-se muito. O conselheiro a todos dirigia a palavra, demonstrando uma iniciativa eficaz para baralhar e generalizar as conversas e assim conservar constante a animação. Tudo desafiava risos, o dito de uma criança, a anedota contada por Henrique, as distrações de D. Vitória, as canduras de D. Doroteia, os paradoxos sustentados pelo conselheiro, as alusões da morgadinha a Cristina, a confusão desta, as maliciosas insinuações de Ângelo […] Nisto ouviu-se um toque de sino longínquo. - Já toca para a missa do galo! Ouvem? – disse D. Vitória. - Vamos! Não há tempo para demoras – exclamou o conselheiro, levantando-se. Fonte: DINIS, Júlio; A morgadinha dos Canaviais, Lisboa, Círculo dos Leitores, imp. 1979, pp. 193-209 (texto adaptado) Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 14
  • 15. O Natal na Literatura Portuguesa O PRIMEIRO NATAL EM PORTUGAL É véspera de Natal. Mas não para Irina. Para ela só será Natal a 7 de Janeiro, quando as aulas tiverem recomeçado […]. Com lágrimas nos olhos, Irina vai agora à janela e vê as luzinhas acender e apagar nas árvores despidas. Por trás das paredes deslavadas das velhas casas, decerto se celebra a consoada. Como será? Doze pratos se punham na mesa de festa no Natal da sua terra. Uma em memória de cada apóstolo. É Natal em Portugal. Que interessa? A família está dispersa. A mãe a fazer bolos-reis que não vai provar porque para os ortodoxos é tempo de sacrifício e jejum. O pai lá anda, na construção civil. Como mais ninguém queria trabalhar na noite de 24, foi, Lisboa, 1939 sozinho, pintar um café que está a ser remodelado, ao fundo da rua. Os dois irmãos mais novos ficaram em Priluki, lá longe, com a avó. Irina aquece a sopa e arranja uma sandes de queijo. Como pesa o silêncio! De repente, sente um grito abafado no andar de cima. Algum assalto? Alguém que caiu? Não sentiu passos nem o baque de uma queda... Com o coração a bater, põe-se a espreitar pelo óculo. Nada! — Acudam! Acudam! Mais ninguém se encontra no prédio. As lojas do rés-do-chão estão fechadas, os vizinhos do primeiro andar foram de férias. Por cima, na mansarda, mora uma rapariga nova, gorda, pálida. Irina abalança-se a subir. A porta encontra-se apenas encostada e a miúda entra, a medo. Já ninguém grita. Um gemido fraco ecoa ao fundo do corredor. Haverá feridos? Tem horror ao sangue. Por um momento, pensa em voltar para trás. Mas prossegue, pé ante pé, até ao quarto. Deitada na cama, a moça, que ela conhece de vista, geme, agarrada à barriga enorme. Irina aproxima-se, repara que está alagada em suor. — Ladrão atacar tu? Estar doente? Tremendo, a outra responde: — Chama o 112. O bebé vai nascer. Que será o 112? Estará ela a delirar? Quase desfalece. Então Irina precipita-se pela escada abaixo. A rua encontra-se deserta. Não conhece ninguém nas redondezas. Corre até ao café onde o pai está a pintar paredes. — Pai, pai! — grita ela. Anton desce do escadote, pousa o rolo, inquieto ao ver a filha naquela aflição. — Que foi? Aconteceu alguma desgraça? Mal sabe o que se passa, marca um número no telemóvel, dá a morada, pede urgência. Segue-a em passo apressado. Sobre eles desaba uma chuva gelada. Ficam com os cabelos a escorrer, encharcam os sapatos nas poças que, num instante, se formam. Chegados ao prédio, o ucraniano galga os degraus dois a dois, entra sozinho no quarto da vizinha. A filha fica à espera. — Irina, ferve uma panela de água. Traz-me um frasco de álcool, uma tesoura, toalhas. Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 15
  • 16. A miúda obedece, confusa. — Traz-me roupa lavada, para me mudar! O pintor despe o fato-macaco, sujo de tinta e de pó, na casa de banho, enfia uma camisa branca, umas calças desbotadas. Esfrega as mãos e a tesoura com álcool. — Irina, a água já ferve? De novo no quarto, fala pausadamente com a rapariga, em voz alta. Ouve-se tudo cá fora. — Força! Coragem! Está quase... De súbito ouve-se o choro de um bebé. — Entra, Irina — diz, pouco depois, o pai. — Vem ajudar. Já és crescida. Entrega-lhe o recém-nascido. A rapariga, na cama desalinhada, sorri. — Embrulha-o num xailinho. Está na gaveta do meio. Irina aconchega aquele corpo tão pequenino e frágil. Embala-o devagarinho, como fazia com as bonecas. Uma minúscula mãozinha aperta então o seu polegar. O alarme de uma ambulância apita. Pára à entrada do edifício. Duas enfermeiras precipitam-se pela porta dentro. — Então, viram-se atrapalhados? Um parto faz sempre confusão, principalmente aos homens. — Sou médico — confessa o ucraniano. — Mas, em Portugal, ando nas obras... As enfermeiras cruzam um olhar subitamente triste. Examinam a criança. — O bebé nasceu no dia de Natal. É o nosso Menino Jesus. A mãe olha para o homem e pergunta: — Como é que o doutor se chama? — Anton. — António? Quer ser o padrinho? Vou pôr-lhe o seu nome. As enfermeiras levam a rapariga e o bebé para a ambulância. — Vão dar um passeio até à maternidade. Estão ambos óptimos. — Manhã nós visitar! — exclama a garota. Já passa da meia-noite. Pai e filha descem até ao patamar do primeiro andar. Na escada nunca há luz. Felizmente a gente do 112 usa lanternas... Mas, logo que o pessoal da ambulância se afasta, a escuridão instala-se. Às apalpadelas, o pai mete a chave na fechadura. Tropeça num embrulho. — Que será? — espanta-se ele. — Esta é uma noite de surpresas. Sobre o tapete de cairo está um embrulho enfeitado com um laçarote cor-de-rosa. Traz um bilhete preso com fita-cola. Para uma fada loura. Com amizade. A menina abre-o. É um conjunto de canetas de ponta de feltro. — O Pai Natal português não se esqueceu de ti — ri-se o médico. — O Afonso é a única pessoa que me trata por fada — replica a Irina, um bocadinho corada. Corre para o dicionário, passando as páginas até à número 159 e exclama, radiante: OЗНАКА — fada Depois, pega numa folha de papel e desenha, a amarelo, uma estrela a brilhar, a brilhar, a brilhar. Fonte: SOARES, Luísa Ducla; Há sempre uma estrela no Natal, Porto, Civilização Editora, 2006 Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 16
  • 17. O Natal na Literatura Portuguesa Coimbra/Lisboa(?), 1524/1525(?) – Lisboa, 1580 Setúbal, 1765 – Lisboa, 1805 A POBREZA DO PRESÉPIO SONETO LXXVII Dos Céus à Terra desce a mor Beleza, Une-se à nossa carne e fá-la nobre; E sendo a humanidade dantes pobre, Hoje subida fica à mor alteza. Se considero o triste abatimento Em que me faz jazer minha desgraça, A Desesperação me despedaça No mesmo instante o frágil sofrimento; Busca o Senhor mais rico a mor pobreza; Que ao mundo o seu amor descobre, De palhas vis o corpo tenro cobre E por elas o mesmo céu despreza. Mas súbito me diz o pensamento, Para aplacar-me a dor, que me traspassa, Que Esse, que trouxe ao Mundo a Lei da Graça, Teve num vil Presepe o Nascimento: Como? Deus em pobreza à terra desce? O que é mais pobre tanto lhe contenta, Que este somente rico lhe parece. Vejo na palha o Redentor chorando, Ao lado a Mãe, prostrados os Pastores, A milagrosa Estrela os Reis guiando: Pobreza este Presépio representa; Mas tanto por ser pobre já merece, Que mais o é, mais lhe contenta.(Camões) Vejo-o morrer depois, ó Pecadores, Por nós, e fecho os olhos, adorando Os castigos do Céu como favores. (Bocage) Fonte: ARAÚJO, Sílvia; Viver o Natal, Porto, Livraria Apostolado da Imprensa, d.l. 1987, pp. 70 e 72 . Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 17
  • 18. O Natal na Literatura Portuguesa Freixo de Espada-à-Cinta, 1850 – Lisboa, 1923 Lisboa, 1927 – Lisboa, 1996 NATAL NATAL, E NÃO DEZEMBRO Sobre a palha loura Dorme, a rir, Jesus: Tudo a rir se doura De inocente luz. Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Há no olhar etéreo Do boizinho bento Sonhos de mistério Num deslumbramento… Chegam pegureiros: Chegam-se ao redor, Tal e qual cordeiros Para o seu pastor. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. De mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada. 2 Anhos que vêm vindo Põem-se a meditar: Que zagal tão lindo Para nos guiar! (David Mourão Ferreira) Ajoelham magos, Êxtase profundo!... Com os olhos vagos No senhor do mundo… Fonte: 1 ARAÚJO, Sílvia; Viver o Natal, Porto, Livraria Apostolado da Imprensa, d.l. 1987, pp. 94 E a banhada em pranto Mãe se transfigura, Por divino encanto, Numa virgem pura.(Guerra Junqueiro)1 2 AS TORMENTAS [Em linha] [Consult. 08-12-2013] . Disponível em http://www.astormentas.com/pt/poema/2893/natal-e-naodezembro Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 18
  • 19. O Natal na Literatura Portuguesa Lisboa, 1906 – Lisboa, 1997 DIA DE NATAL Hoje é dia de ser bom. É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, de falar e de ouvir com mavioso tom, de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem, de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. Comove tanta fraternidade universal. É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, como se de anjos fosse, numa toada doce, de violas e banjos, Entoa gravemente um hino ao Criador. Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 19
  • 20. E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor anuncia o melhor dos detergentes. De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu e as vozes crescem num fervor patético. (Vossa Excelência verificou a hora exata em que o Menino Jesus nasceu? Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.) Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. É como se tudo aquilo nos dissesse diretamente respeito, como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 20
  • 21. e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado. Mas a maior felicidade é a da gente pequena. Naquela véspera santa a sua comoção é tanta, tanta, tanta, que nem dorme serena. Cada menino abre um olhinho na noite incerta para ver se a aurora já está desperta. De manhãzinha, salta da cama, corre à cozinha mesmo em pijama. Ah!!!!!!!!!! Na branda macieza da matutina luz aguarda-o a surpresa do Menino Jesus. Jesus o doce Jesus, o mesmo que nasceu na manjedoura, Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 21
  • 22. veio pôr no sapatinho do Pedrinho uma metralhadora. Que alegria reinou naquela casa em todo o santo dia! O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, fuzilava tudo com devastadoras rajadas e obrigava as criadas a caírem no chão como se fossem mortas: Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. Já está! E fazia-as erguer para de novo matá-las. E até mesmo a mamã e o sisudo papá fingiam que caíam crivados de balas. Dia de Confraternização Universal, Dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e Venturas. É dia de Natal. Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. Glória a Deus nas Alturas. (António Gedeão) Fonte: CITI [Em linha] [Consult. 08-12-2013] Disponível em http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/dia_natal.html Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 22
  • 23. O Natal na Literatura Portuguesa Lisboa, 1889 – Lisboa, 1915 (heterónimo) POEMA DO MENINO JESUS Num meio-dia de fim de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe. Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 23
  • 24. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E que nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça! Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o Sol E desceu no primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias. A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão E olha devagar para elas. Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar para o chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou "Se é que ele as criou, do que duvido." "Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres." Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 24
  • 25. E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo. A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena. A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direção do meu olhar é o seu dedo apontado. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão. Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 25
  • 26. E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do Sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos dos muros caiados. Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate palmas sozinho Sorrindo para o meu sono. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam? (Alberto Caeiro) Fonte: INSTITUTO DE SISTEMAS E ROBÓTICA – Instituto Superior Técnico [Em linha] [Consult. em 08-12-2013] Disponível em http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v020.txt Conversas ao fim da tarde |12 de dezembro de 2013 26