Associativismo e cultura política
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As discussões contemporâneas em torno da participação, democracia, cidadania e associativismo têm motivado inúmeros estudos e ampliado o repertório teórico-conceitual. É um fato que as ...

As discussões contemporâneas em torno da participação, democracia, cidadania e associativismo têm motivado inúmeros estudos e ampliado o repertório teórico-conceitual. É um fato que as relações sociais contemporâneas estão marcadas por inúmeras articulações existentes entre redes de movimentos sociais, na participação em Conferências Nacionais e Globais, Fóruns e Conselhos e nas ações de voluntariado. A idéia central que permeia a presente discussão é a de que a luta pela construção democrática se localiza no próprio espaço da sociedade civil e não apenas no espaço do Estado. Entende-se que práticas associativas dinamizam a vida democrática e são espaços de socialização política e cívica. E mais, são canais de interlocução entre a sociedade e o Estado, espaço potencial de formulação/questionamento de políticas públicas. O presente projeto tem como tema a cultura política e o associativismo no âmbito local. Interessa explorar a emergência de uma cultura cívica e política favorável à afirmação da cidadania e à construção de práticas democráticas na área da Região Metropolitana de Maringá - Paraná. O comportamento político, traduzido em termos da cultura política dos dirigentes das associações da sociedade civil, permitirá medir as relações e atitudes desses cidadãos em relação ao sistema político.

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Associativismo e cultura política Associativismo e cultura política Document Transcript

  • 6º. Encontro da Associação Brasileira de CiênciaPolítica – ABCP GT – Cultura Política e Democracia Participação Social, Cultura Política e Indicadoresde Associativismo: os dirigentes de entidades sociais Celene Tonella Unicamp, 29 de julho a 1 de agosto de 2008
  • Participação Social, Cultura Política e Indicadoresde Associativismo: os dirigentes de entidades sociais* Celene Tonella** As discussões contemporâneas em torno da participação, democracia,cidadania e associativismo têm motivado inúmeros estudos e ampliado orepertório teórico-conceitual. É um fato que as relações sociaiscontemporâneas estão marcadas por inúmeras articulações existentes entreredes de movimentos sociais, na participação em Conferências Nacionais eGlobais, Fóruns e Conselhos e nas ações de voluntariado. A idéia central quepermeia a presente discussão é a de que a luta pela construção democráticase localiza no próprio espaço da sociedade civil e não apenas no espaço doEstado. Entende-se que práticas associativas dinamizam a vida democrática esão espaços de socialização política e cívica. E mais, são canais deinterlocução entre a sociedade e o Estado, espaço potencial deformulação/questionamento de políticas públicas. O presente projeto tem comotema a cultura política e o associativismo no âmbito local. Interessa explorar aemergência de uma cultura cívica e política favorável à afirmação da cidadaniae à construção de práticas democráticas na área da Região Metropolitana deMaringá - Paraná. O comportamento político, traduzido em termos da culturapolítica dos dirigentes das associações da sociedade civil, permitirá medir asrelações e atitudes desses cidadãos em relação ao sistema político. O público-alvo da pesquisa é composto pelos chamados informantesqualificados e foram entrevistados representantes das diretorias das entidadescadastradas nos conselhos de Assistência Social dos 3 municípios quecompõem a chamada mancha urbana da Região Metropolitana de Maringá –Maringá, Sarandi e Paiçandu1, em um universo de 100 entidades, foramentrevistados 87 dirigentes. A composição das entidades varia das maistradicionais (a maioria) que atuam na área da assistência como asilos, creches,Apaes até aquelas de novo perfil como ONGs ligadas ao meio-ambiente,entidades culturais, de mulheres e indígenas. Os dirigentes são agentespolíticos, pois estão em contato permanente com a elaboração/proposição depolíticas públicas. Pressupõe-se que tenham um poder de influência maior queo cidadão comum, que estejam mais entrosados na sociedade local e tenhamcapacidade de acelerar ou retardar processos de participação, já que exercem * Pesquisa desenvolvida no âmbito da Rede Observatório das Metrópoles/Instituto do Milênio/CNPq, coordenado pelos professores Luis César Queirós Ribeiro (UFRJ/IPPUR) e Suzana Pasternack (FAU-USP). A pesquisa teve a participação da Prof. Carla Cecília Almeida (UEM).** Professora Associada do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual deMaringá e Pesquisadora do Observatório das Metrópoles – Núcleo Região Metropolitana deMaringá. (ctonella@uol.com.br )1 . População: Maringá – 325.968 habitantes; Sarandi 79.686 habitantes e Paiçandu 34.640habitantes. Fonte: www.ibge.gov.br, acesso em 12/12/2007. 2
  • também uma função educativa em relação aos componentes de suasassociações e mesmo de toda a sociedade local. E, finalmente têm potencialpara tencionar as estruturas de dominação existentes. O tema da participação e da organização da sociedade civil esbarra emcondicionantes estruturais que emperram o acesso aos direitos sociais. Aindaque se considere que a democracia política esteja instalada em seus formatosinstitucionais de forma satisfatória, a exclusão econômica no Brasil atingepatamares tais de gravidade que nos permite apontar, senão a total exclusão,ao menos obstáculos severos à participação de parcelas significativas dapopulação na vida política. Resende e Tafner (2005) trabalham com a idéia do“custo da participação”. A Constituição Federal garante a todos os indivíduos egrupos sociais o direito de organização e reivindicação, mas, na prática,organizar, freqüentar reuniões, reivindicar e encaminhar demandas representaum volume não desprezível de energias e tempo e, muitas vezes, temporoubado do trabalho e da convivência com familiares. Os autores dão oexemplo dos projetos de iniciativa popular ou plebiscito ou referendo parainterferir no processo legislativo não custa a mesma coisa para grupos derenda diferenciados. Um outro exemplo é quando, em alguns espaços surge opolêmico tema da remuneração de conselheiros representantes de entidadesda sociedade civil para garantir participação mais eficaz. Apesar dasdificuldades estruturais, o campo associativo tem crescido enormemente noBrasil nas duas últimas décadas. Verifica-se a proliferação de OrganizaçõesNão-governamentais, entidades representativas de segmentos específicos,conselhos municipais, estaduais, orçamento participativo e fóruns. É preciso reconhecer que, se existem condicionantes que limitam osprocessos participativos, temos também forças que atuam a favor daparticipação. Como destacam vários autores, entre eles Held (1987) e Pateman(1992), a participação é um processo de aprendizado. É como se houvesse umcírculo virtuoso, quanto mais o indivíduo participa, mais se sente compelido aparticipar. É nesse sentido que apontam pesquisas, como as realizadas porPaulo Krischke (2004) sobre o “Aprendizado da democracia” e Luciano Fedozzi(1997) sobre os processos de “desenvolvimento moral” dos indivíduos. Osindivíduos inseridos em práticas participativas, como, por exemplo, oOrçamento Participativo, tendem a ampliar sua prática se envolvendo ematividades correlatas. Explicar o papel dos agentes cujas atuações são tencionadas porestruturas de poder arcaicas, centradas ainda no clientelismo e na troca defavores, e por novas estruturas, nas quais o sujeito é chamado a participar emnome da cidadania, remete ao campo de estudos da Cultura Política.Entendida como a forma pela qual as atitudes dos cidadãos são estruturadasem relação ao sistema político. O campo foi inaugurado com os estudos deGabriel Almond e Sidney Verba, cuja primeira edição foi lançada em 1963. Oconceito foi elaborado a partir de uma concepção normativa de sociedade, combase nas realidades norte-americana e Inglesa e o propósito era mostrar que aestabilidade da democracia em um país dependia, não só de suas instituiçõesdemocráticas, mas das atitudes da população. Na obra original, Estados 3
  • Unidos e Grã-Bretanha eram mais estáveis e sólidos graças à solidez dacultura política e, por outro lado, os outros países estudados, principalmenteAlemanha e Itália, resultaram em democracias frágeis devido à fragilidade dacultura política. Os pesquisadores não levaram em conta, neste primeirotrabalho, os modelos de democracia, níveis de desenvolvimento ou outrosindicadores. O trabalho tem recebido críticas ao longo dos anos, mas continuasendo uma referência necessária, se entendida como ponto de partida paranovas reflexões que mesclem ao conceito original as experiências históricasdas realidades estudadas. Concordamos com Castro (s/d) quando afirma que: ....se as proposições de Almond e Verba não conseguiram dar conta das inúmeras realidades, inauguraram uma forma de analisar e explicar a política. A partir daí, a evolução do debate sobre o tema, bem como a possibilidade e a disseminação de novos estudos empíricos, permitiram que hoje se possa falar em uma Cultura Política que vai além da classificação proposta em 1963 (Castro, s/d, p.2). A partir de um contexto em que se apresenta, de um lado, amplapossibilidade de participação e, de outro, a persistência de consideráveisdesigualdades de acesso a bens materiais, culturais e políticos, explicar a visãode mundo de sujeitos diretamente envolvidos com práticas coletivas, por meioda aferição da cultura política, pode vir a ser uma contribuição importante parase entender as condições necessárias para a potencialização dastransformações em curso. Some-se à discussão o conceito de Nova Cultura Política,desenvolvido por Clark e Hoffmann-Martinot (1998) e chega até nós pelostextos de Villaverde Cabral e Silva (1997). Os autores citados apontam queestá em andamento, notadamente nos países desenvolvidos, ainstitucionalização do individualismo exacerbado em detrimento dacomunidade. Os indivíduos que habitam grandes metrópoles tenderiam abuscar uma melhor qualidade de vida para si e para sua família, mas nãoestariam dispostos a estender os esforços de forma a lutar por direitos coletivose cidadania. As características centrais do novo comportamento seriamjustamente o crescimento da preocupação com temas sociais e com umaparticipação cidadã somadas a um menor envolvimento com entidades epráticas coletivas. Estaria se configurando nas metrópoles latinas o mesmotipo de comportamento? Apresenta-se aqui um viés de análise a ser melhorexplorado. No caso do segmento escolhido como alvo da presente pesquisa, éinerente as preocupações com temas sociais, no entanto, aqueles que lidamcom as políticas sociais têm acompanhado e chamado a dar respostas àsmudanças profundas por que tem passado o setor. A Constituição de 88 e seudesdobramento na LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8742/93) -foi marco fundamental nesse contexto de mudanças, pois deslocou aassistência do campo da filantropia para o da política pública. Essedeslocamento colocou novas exigências para um conjunto de entidades que,atuando sob a lógica da certificação/isenção, desenvolvia trabalhos nas áreasda saúde, educação, assistência etc. As novas diretrizes demandaram uma 4
  • maior transparência e qualidade dos serviços prestados por elas, que deveriamobedecer, assim, critérios mais públicos de atuação estabelecidos pelosconselhos gestores, organizados nas diferentes esferas de governo. Como aconteceu também em outras áreas, as mudanças que aConstituição de 88 apontadas para a assistência social provocou impactos nosentido de contemplar demandas do mercado. Conforme apontaram váriosanalistas2, informadas por aquelas reformas, as iniciativas operadas nessa naárea pulverizam as ações e passaram ao largo da LOAS, o que representouuma “contra marcha” no movimento de criação efetiva de um sistema públicode seguridade no país. Nesse contexto, as entidades assistenciais não ficaramsem papel. Pelo contrário, elas foram incentivadas a intensificar sua atuaçãosocial como contrapartida do projeto que estava em curso e que previa adiminuição das responsabilidades sociais do Estado. Diante do novo quadro, orestrito certificado de entidade beneficente também não foi mais consideradosuficiente, pois para ter espaço nesse cenário teriam que se profissionalizar,assumir a lógica da elaboração de “projetos” - que se mostrassem viáveis eeficazes - e se enquadrar nas novas legislações criadas para regular asparcerias Estado/sociedade civil.3 Como resultado das mobilizações desencadeadas nesse período e damudança de governo ocorrida no plano federal em 2002, a ConferênciaNacional de Assistência Social de 2003, retomando os caminhos apontadospela LOAS, tirou como definição a implantação no país de um SistemaNacional de Assistência Social, cujas diretrizes, por sua vez, deixou firmado umnovo estatuto para as entidades assistenciais. Elas, agora, passam a serconsideradas não apenas executoras de ações e programas sociais, masintegrantes ativas da rede gestora e executora da política de assistência. Paraser assim consideradas, devem desenvolver as ações que são previstas poraquela política, de forma continuada e sistematicamente avaliada. Devem,portanto, dar contornos mais definidos a sua atuação, atendendo às resoluçõesespecíficas que têm por objetivo diferenciá-las de outras entidadesassistenciais e beneficentes. A Resolução 191, do Ministério doDesenvolvimento Social e do Conselho Nacional de Assistência Social, dedezembro de 2005, estabelece no seu texto que as entidades de assistênciasocial devem ter expresso, em seu relatório de atividades, seus objetivos, suanatureza, missão e público conforme delineado pela LOAS, pela PNAS e suasnormas operacionais.Não foram poucas, portanto, as mudanças pelas quais as - agora denominadaspelo novo marco legal da PNAS - entidades de assistência social passaramdesde os anos 90. Por isso mesmo e pela importância que elas adquirem hojeno âmbito da área em que atuam, empreendemos um esforço de compreenderalgumas das dimensões constitutivas da sua prática (Tonella e Almeida, 2007). Diante das demandas que emergiram das mudanças, as práticas e osdiscursos tradicionais das denominadas “entidades assistenciais”, fundadosfortemente nas obrigações religiosas e caritativas, foram confrontados com a2 Ver, dentre outros, Raichelis (1998).3 Como por exemplo, a Lei das OSCIPs – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, de 1998. 5
  • linguagem da “cidadania” e “da participação” num contexto em que essaprópria linguagem estava sendo mobilizada tanto em nome da universalizaçãodo acesso aos serviços públicos e da democratização das suas formas degestão, quanto em nome da necessidade de diminuir as responsabilidadessociais do Estado, transferindo-as para organizações sociais “eficazes” e“profissionalizadas”. Esse segmento, que remonta aos primeiros formatosassociativos existentes no Brasil, experimenta, assim, o desafio de conferirnovos significados ao seu papel num contexto em que as inflexões ocorridasnas últimas décadas em termos de paradigmas e modelos de intervençãosocial, ainda estão sob disputas. Resultados da pesquisa 1) Indicadores sócio-demográficos As faixas etárias dos dirigentes das entidades sociais predominantes sãoas de 40-49 (31%) e 50 ou mais (48,3%). Essas entidades são fortementemarcadas pela presença feminina, no entanto, como acontece em outroscontextos, nos cargos de lideranças predominam os homens (no nosso caso,de todos os entrevistados, 56,3% são homens). A escolaridade dessas lideranças apresentou-se acima da média dapopulação, sendo o ensino médio completo ou incompleto indicado por 25,3%dos entrevistados e o ensino superior completo ou incompleto, por 46%. Quanto à cor, 80,5% declararam-se brancos, 16% pardos e 3,4%amarela. Chama a atenção o fato de que em Sarandi e Paiçandu existem maislideranças pardas. Para as duas cidades: 66,7 são brancas e 33,3 são pardas,enquanto que em Maringá são 85,7 de brancos e apenas 9,5 de pardos.Nenhum dirigente definiu-se como de cor preta e poucos são amarelos, emuma região onde a imigração japonesa tem presença marcante. No questionário geral, chama a atenção o significativo índice daquelesque trabalham em instituições sem fins lucrativos (27,6). Tanto em Maringá(30,1) como em Sarandi (22,2) esse enquadramento está bastante presente.Em Paiçandu, entretanto, esse não é o enquadramento mais presente (compõeapenas 16,7). Ou seja, as lideranças em Paiçandu são as que estão menosliberadas para o trabalho em organizações sociais. Tabela 1. Renda Individual mensal 6
  • (em salários mínimos) %: Geral Renda % 1. SEM RENDA 8,1 2. DE 1 A 3 28,7 3. MAIS DE 3 ATÉ 5 21,8 4. MAIS DE 5 ATÉ 10 17,2 5. MAIS DE 10 ATÉ 15 12,6 6. MAIS DE 15 1,1 7. MAIS DE 20 5,7 8. NR 4,6 Total geral 100 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Tabela 2- Posição na Escala social – comparativa Maringá, Paiçandu e Sarandi TOPO 01 02 03 04 BASE 05 Escala Geral Maringá Paiçandu Sarandi % % % % 1 5,7 3,2 16,7 11,1 2 10,3 12,7 0,0 5,6 3 51,7 54,0 50,0 44,4 4 20,7 20,6 33,3 16,7 5 11,5 9,5 0,00 22,2 Em relação à renda individual, as 3 cidades apresentam diferenças quedevem ser mencionadas. Em Maringá, percebe-se uma maior heterogeneidadequanto à distribuição entre os níveis de renda, mas a concentração está entreaqueles que ganham de 3 a 5 salários (22,2) e entre 5 e 10 (20,6). Assim,pode-se dizer que em Maringá predominam as lideranças compostas pelasclasses médias, com alguma distribuição entre a base e o pico da pirâmidesocial. Os dados desagregados indicam o seguinte: em Sarandi, parece estarrepresentada a pirâmide social brasileira, com concentração na base: 61,1ganham de 1 a 3 salários, enquanto que 5,6 ganham mais de 20 salários. EmPaiçandu, diferentemente, a concentração é toda na base da pirâmide. Para Maringá, a identificação com a classe social corresponde aosdados sobre renda, já que a maioria se diz pertencer às classes 3 e 4. Já emSarandi, há um contraste entre os dados sobre renda e a percepção quanto àclasse a que pertencem. Enquanto os dados de renda revelam a existência de 7
  • uma concentração na base da pirâmide, os que se referem à identificação declasse se concentram nos níveis médios da pirâmide. Em Paiçandu, ocontraste também se verifica, pois enquanto a concentração dos dados derenda, até mesmo mais do que em Sarandi, é na base da pirâmide, os dadossobre percepção indicam que as lideranças se consideram pertencentes àsclasses 3 e 4. É possível compreender esses dados se levamos em conta que Sarandie Paiçandu concentram a pobreza existente na mancha urbana em questão.Desse modo, a percepção quanto ao pertencimento à classe social nessasduas cidades é construída de maneira relacional ao seu entorno mais imediato.De fato, as lideranças das entidades, nesses casos, pertencem às camadaseconomicamente mais privilegiadas da sua comunidade.Tabela 3 – Religião - Geral Religião % 01. EVANGÉLICO PENTECOSTAL 12,6 02. EVANGÉLICO NÃO PENTECOSTAL 9,2 03. UMBANDA, CANDOMBLÉ OU OUTRA DE ORIGEM AFRICANA 0,0 04. ESPÍRITA 6,9 05. CATÓLICA PRATICANTE 51,7 06. CATÓLICA NÃO PRATICANTE 16,0 07. JUDAICA 0,0 08. MUÇULMANA 0,0 09. AGNÓSTICO (DESCRENTE) 1,1 10. NÃO TEM RELIGIÃO, MAS ACREDITA EM DEUS 0,0 11. NÃO CRÊ EM DEUS (ATEU) 0,0 12. NS/NR 0,0 13. OUTRA RELIGIÃO 2,3 Total geral 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá O intenso envolvimento dos entrevistados com a igreja católica seconfirma diante do perfil religioso: 51,7% afirmaram-se católicos praticantes e16,1% católicos não praticantes. Protestantes pentecostais e não pentecostaissomaram 21,8%; enquanto os espíritas somaram 6,9%. Como Doimo (2005, p.151-2) afirma: O incentivo à formação de grupos e congregações de leigos visando à promoção de assistência social, filantropia, reivindicações coletivas, obras sociais ou cooperativas independentes, é claramente perceptível no estudo do associativismo religioso na cidade de São Paulo desde o período oligárquico até os dias atuais. A vinculação de parte dos entrevistados a igrejas protestantespentecostais e não pentecostais bem como a centros espíritas está emconsonância com mudanças recentes ocorridas no perfil de religiosidade dosbrasileiros. Comparando as três cidades, chama a atenção, entretanto, o fato 8
  • de que em Maringá há uma heterogeneidade maior em relação à vinculaçãoreligiosa. Nessa cidade, aparecem os espíritas e os agnósticos; em Sarandi ePaiçandu aparecem apenas católicos e protestantes. Essa heterogeneidadequanto à religião, ainda que pequena, reflete o caráter mais metropolitano deMaringá em comparação com as duas outras cidades. Verificando a lista dasentidades cadastradas nos conselhos de assistência dos três municípios,constata-se que o perfil do associativismo presente em Maringá ésignificativamente mais heterogêneo (ainda que bastante marcado pela origemreligiosa), incluindo organizações típicas dos anos 90, como, por exemplo,aquelas de defesa dos direitos dos povos indígenas, das mulheres e dosportadores do HIV. Assim, em perspectiva comparada, é de se presumir que as liderançasde Maringá estejam mais suscetíveis ao “efeito metrópole”, apresentadonuances nas suas percepções em relação à cidadania e a suas formas deexercício. 2) Indicadores sobre atitudes e percepções em relação ao sistema político, a formas de exercício da cidadania e à pré-disposição para a ação política Ao se tratar da implantação/construção de um modelo de democracia,surge naturalmente a questão da conquista da cidadania. Ainda que os doisconceitos não se confundam e tenham naturezas diferentes, em casos como ode luta pelo retorno à normalidade democrática nos contextos das ditadurasbrasileira e latino-americanas, o discurso político esteve impregnado da idéiade cidadania e ela se tornou uma bandeira de luta por direitos. Compreende-se a cidadania como um método de inclusão em suasmúltiplas dimensões. A base das reflexões está na obra clássica de T. H.Marshall , de 19494, e, a partir dela, tornou-se costume desdobrar a cidadaniaem direitos civis, políticos e sociais. Essa seqüência corresponde à experiênciainglesa e, como bem aponta Carvalho (2004), no Brasil não se aplica o modeloinglês, ele serve apenas para comparação por contraste. As inúmerastentativas de ampliação das conquistas sociais resultaram em derrotas políticaspara os protagonistas da ação. Um exemplo balizador, que serve parademonstrar a inversão da seqüência, é o período varguista, em queimportantes direitos sociais foram conquistados pelos trabalhadores em umcenário de total subtração dos direitos políticos. Um outro momento importantede luta popular pela restituição dos direitos políticos ocorreu durante a ditaduramilitar, marcada pela intensa mobilização da sociedade fora dos espaçostradicionais, como as organizações de bairro, as comunidades eclesiais debase, o movimento de mulheres, entre muitos outros. As décadas de 1970 e 1980, que, para nós, foram de resistência àditadura militar, registraram inúmeras transformações ocorridas em nívelmundial, vinculadas, centralmente à crise do Estado de Bem Estar e a falênciado socialismo real. Em termos teóricos, ocorre a retomada do conceito de4 . Utilizamos a edição brasileira ,de 1967. 9
  • sociedade civil, estreitamente vinculado às discussões dos movimentossociais5. As experiências no campo da democracia participativa ou democraciapopular têm como protagonistas grupos sociais subalternos, organizados emmovimentos sociais e agentes que se encontram presentes na esfera estatal,cuja proposta política é a de facilitar a superação do modelo vigente. O queunifica os discursos é a crença de que o formato propulsor de uma “democraciade mais alta intensidade” (Santos, 2002) terá eficácia a partir do poder local. No caso em tela, trabalha-se com membros de diretorias deassociações, que em muitos casos, são também membros de ConselhosGestores. Cremos que a construção da democracia passa também pelofortalecimento dessas instâncias. Os Conselhos Gestores de PolíticasPúblicas apareceram como novos espaços de articulação de inúmerasdemandas. A partir de legislação específica, formatada por área, nos primeirosanos da década de 1990, viabilizou-se a participação dos setores sociaisinteressados na formulação das diretrizes de políticas e no controle maisefetivo sobre as ações estatais. Nos últimos anos, a temática dos Conselhos edo Orçamento Participativo apareceu com bastante intensidade em diversosfóruns como os congressos da Sociedade Brasileira de Sociologia (2003), e osencontros de Associação Brasileira de Ciência Política, entre outros. Alémdisso, a bibliografia com análises de casos específicos é extensa. Para oorçamento participativo, citamos: Ribeiro e Grazia (2003), Genro e Souza(1997), Avritzer (2002). Para os Conselhos Gestores: Gohn (1990), Tatagiba(2002), Perissinoto e Fuks, (2002), Tonella (2006). O primeiro trabalhocomparativo da realidade brasileira foi desenvolvido por equipe do ObservatórioMetrópoles e publicado no livro Governança Democrática e Poder Local(Santos Jr. et all, 2004). Como já apontamos anteriormente, representantes da sociedade civiltêm sido chamados a participar do processo decisório pelos governosdemocráticos ou abrem espaços de participação, por meio da organização earticulação em entidades e movimentos sociais. A intenção dos dados reunidos abaixo é apontar o acúmulo dasexperiências reunidas ao longo dos anos e mensurar itens como: exercício dacidadania, avaliação das instituições, perfil associativo, importância departicipar da vida política e compreensão da política.Tabela 4 - Deveres do Bom Cidadão -geralOpinião % Votar Pagar Obedecer Manter- Participar Particip Tentar Escolher Ajudar Ajudar sempre impostos sempre a se em ar em compreen produtos pessoas pessoas5 .Quando à discussão sobre a redescoberta do conceito de sociedade civil, ver Costa (1994) 10
  • por der a razões maneira éticas, informa de pensar políticas que leis e associaçõ que vivem nas do das ou vivem regulament es e partidos pior no eleições sobre o pessoas ambientai pior os sindicatos mundo governo que s, mesmo Brasil pensam que diferente custem mais 1. NADA IMPORTANT E 1,1 2,3 1,1 1,1 6,9 33,3 1,1 26,4 1,1 1,1 2. 0,00 2,3 1,1 2,3 5,7 18,4 1,1 4,6 1,1 2,3 3. 9,2 9,2 4,6 13,8 29,9 34,5 8,0 20,7 1,1 8,0 4. 4,6 9,2 8,0 5,7 19,5 4,6 19,5 20,8 6,9 11,5 5. IMPORTANT ÍSSIMO 85,1 77,1 85,0 77,0 37,9 9,2 70,1 27,6 89,6 77,0 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Tabela 4.1 – Médias comparadas Tentar Escolher comprender produtos Ajudar a maneira por razões pessoas Votar Obedecer Manter-se Participar Participar de pensar éticas, que sempre Pagar sempre a leis informado emCidade em das políticas ou vivem nas impostos e sobre o associações partidos pessoas ambientais, pior que eleições regulamentos governo e sindicatos que mesmo que o Sr. (a) pensam custem no Brasil diferente maisMaringá 3,7 3,5 3,6 3,4 2,6 1,2 3,4 2,2 3,7Sarandi. 3,7 3,7 4,0 3,6 2,9 1,6 3,8 1,9 4,0Paiçandu 3,6 3,5 4,0 4,0 3,5 2,3 3,8 2,3 4,0 Indicador de 0 a 4, onde 0 corresponde à nada importante e 4 à importantíssimo. No computo geral, as alternativas “votar sempre nas eleições”, “obedecer sempre às leis e regulamentos”, “pagar impostos” e “manter-se informado sobre as atividades do governo” foram consideradas muito importantes ou importantíssimas, detecta-se um perfil legalista dos entrevistados. Previsivelmente, já que o perfil dos entrevistados é o de pessoas vinculadas a atividades de apoio a segmentos vulneráveis, “ajudar pessoas que vivem no Brasil pior do que o sr. (sra.)” recebeu indicação alta também. Considerando os dados da tabela 9, quando o questionamento refere-se à temática da participação, as freqüências diminuem e a participação em partidos foi considerada de alguma importância por apenas 13,8% dos entrevistados. Ao observarmos as médias, constatamos que é em Maringá que se encontra a menor indicação para a alternativa “participar de associações e sindicatos” e de “partidos”. No computo geral, nessa última cidade também aparecem as menores médias para as alternativas listadas: das 9, Maringá apresenta menor média em 6 delas. Paiçandu, em contraste, é a 11
  • cidade na qual as lideranças mais valorizaram as alternativas: a menor médiafoi de 2,3. Concluímos que as lideranças de Sarandi e, em maior medida, as dePaiçandu valorizam não apenas mais a participação em partidos e associaçõescomo também o conjunto das alternativas listadas. Nessas duas cidades, aslideranças, de maneira geral, manifestam-se mais apegadas às formastradicionais de exercício da cidadania.Tabela 5 . Nível de concordância em relação às questões políticas MUDANÇA NA LEGISLAÇÃO OS ELEITORAL OS PARTIDOS PARTIDOS OS PARTIDOS PERMITIRIA OS PARTIDOS POLÍTICOS POLÍTICOS PODERIAM SER QUE OS SÃO O VOTO DEVE INCENTIVAM AS NÃO DÃO SUBSTITUÍDOS PARTIDOS INSTITUIÇÕES DEIXAR DEOpinião PESSOAS A AOS POR OUTROS PUDESSEM FUNDAMENTAIS SER SEREM ELEITORES INSTRUMENTOS CUMPRIR DO REGIME OBRIGATÓRIO POLITICAMENTE ESCOLHAS DE MELHOR SEU DEMOCRÁTICO ATIVAS POLÍTICAS REPRESENTAÇÃO PAPEL DE REAIS REPRESENTAR INTERESSES1. CONCORDATOTALMENTE 12,6 49,4 43,7 43,7 22,9 57,42. CONCORDAEM PARTE 32,2 25,3 33,3 29,9 24,1 17,23. NEMCONCORDANEMDISCORDA 8,0 12,6 3,4 9,2 13,8 4,64. DISCORDAEM PARTE 25,3 10,3 12,6 10,3 9,2 3,45. DISCORDATOTALMENTE 21,8 2,3 6,9 6,9 29,9 17,2Total geral 100 100 100 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de MaringáTabela 5.1 – Médias comparadasCidade Os partidos Os partidos Os Os partidos O voto incentivam são partidos poderiam ser deve as pessoas a instituições políticos substituídos deixar de serem fundamentais não dão por outros ser politicamente do regime aos instrumentos obrigatório ativas democrático eleitores de escolhas representação 12
  • políticas reaisMaringá 1,7 2,8 2,9 1,9 2,9Sarandi. 1,9 3,1 3,0 2,2 3,1Paiçandu 2,6 3,1 2,8 2,3 2,6Indicador de 0 a 4, onde 0 corresponde à discordo totalmente e 4 à concordo totalmente Como se pode constatar pela tabela 10, as lideranças reconhecem aimportância dos partidos enquanto instituição, embora tendam a avaliá-losnegativamente. Da mesma maneira, elas tenderam discordar da opção sobretornar o voto não obrigatório. Ou seja, a avaliação negativa sobre o sistemapolítico pode não corresponder com a opinião que desvalorizam suasinstituições. Reiterando dados anteriores, novamente as médias de Paiçandurevelam que ela é a cidade em que as lideranças apresentam opiniõesrelativamente mais favoráveis aos partidos.Tabela 6 - Importância em votar nas eleições - geralParticipação ELEIÇÕES MUNICIPAIS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS1. IMPORTANTÍSSIMO 70,1 56,3 67,82. MUITO IMPORTANTE 8,0 13,8 11,53. IMPORTANTE 20,7 22,9 18,44. POUCO IMPORTANTE 1,1 5,7 2,35. NADA IMPORTANTE 0,0 1,1 0,0Total geral 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá A maioria dos entrevistados considera entre importante e importantíssimo votar nas eleições, mas há uma maior valorização das eleições municipais. A intimidade com as questões locais estimula o maior interesse. Por outro lado, as eleições legislativas são, relativamente, menos valorizadas. Assim, embora nesse universo possa haver uma valorização elevada em relação ao instrumento do voto, nele também se percebe reflexos da tendência presente na população em geral de priorizar o executivo.Tabela 6 – Participação em outros grupos - geral SINDICATO, IGREJA OU GRUPO PARTIDO GRÊMIO OU OUTRA DESPORTIVO, OUTRA ASSOCIAÇÃOParticipação POLÍTICO ASSOCIAÇÃO ORGANIZAÇÃ CULTURAL OU VOLUNTÁRIA PROFISSIONAL O RELIGIOSA RECREATIVO 13
  • Se participa ou não e1. PARTICIPA ATIVAMENTE 8,0 11,5 58,6 26,4 em quantas2. PERTENCE, MAS NÃO 10,3 12,6 16,1 14,9 Sim em uma 24,1PARTICIPA ATIVAMENTE3. JÁ PERTENCEU 14,9 25,3 17,2 20,7 Sim em duas 8,054. NUNCA PERTENCEU 66,7 50,6 8,0 37,9 Não participa 67,8Total geral 100 100 100 100 Total 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de MaringáTabela 6.1 –Participação em outros grupos - médias SINDICATO, GRUPO IGREJA OU OUTRA GRÊMIO OU DESPORTIVO,Participação PARTIDO POLÍTICO ASSOCIAÇÃO ORGANIZAÇÃO CULTURAL OU RELIGIOSA PROFISSIONAL RECREATIVOMaringá 0,44 0,8 2,3 1,4Sarandi 0,83 1,0 1,8 1,0Paiçandu 1,5 0,5 2,3 0,83Indicador de 0 a 3, onde 0 corresponde à nunca pertenceu; 1 pertenceu mas não participamais; 2 pertence mas não participa e 3 à participa ativamente Como já se salientou anteriormente em relação ao perfil, a igreja ou outra organização religiosa é o número que sobressai entre as indicações de participação. No questionário geral, 67,8% os dirigentes das entidades disseram não ter outras experiências de participação além da sua entidade. Esse percentual se distribui de forma equivalente quando Maringá e Sarandi são tomadas em separado. O mesmo equilíbrio entre as duas cidades se reproduz quanto à participação em mais uma associação voluntária (25% Maringá e 22% Sarandi) e em mais duas (8 e 11 respectivamente). Em Paiçandu sobe para 83% o número de representantes de entidades que não possuem outro tipo de participação e das restantes, 17%, participam em apenas mais uma. No computo geral, consideramos significativa a ausência de outras experiências participativas nesse universo. Mas vale a pena considerar as diferenças.PARTIDOS: Em Maringá, constata-se baixa experiência anterior na atuação empartidos: 74,9% nunca participaram e são reduzidos os que afirmaram serativos atualmente nessas organizações (4,8%). Em Sarandi, os percentuais departicipação partidária sobem um pouco: 11,1% participam ativamente; 38,9%dizem pertencer, mas não participar ativamente ou já ter pertencido; 50%nunca participaram. Os dados de Paiçandu chamam a atenção nesse quesito:33,3% dos dirigentes participam ativamente em partidos; 18,7% dizempertencer, mas não participar ativamente ou já ter pertencido; e 33,3% nuncapertenceram. Se considerarmos os dados do questionário geral, essasignificativa presença de atividades em partidos existente em Paiçandupraticamente não aparece. Ou seja, realmente, em áreas menos 14
  • metropolitanas, como Sarandi e Paiçandu, a experiência em organizaçõestradicionais tem mais relevância do que em Maringá.SINDICATOS: Em Maringá, 52,4% das lideranças nunca tiveram experiênciascom sindicatos; 23,8 já pertenceram, mas não pertencem mais e 11,1%pertencem, mas não participa ativamente. Em Paiçandu, não há nenhumaliderança participando ativamente de sindicatos; 66,7% delas nuncapertenceram; 16,7% pertencem, mas não são ativos e 16,7% já pertenceu. EmSarandi, os dados mudam um pouco em relação àqueles que nuncapertenceram: 38,9% e 11% participam ativamente. A média de Sarandi é amais elevada em relação a esse tipo de participação.IGREJAS: Chamam a atenção os dados que revelam que em Paiçandu não hánenhuma liderança que não tenha experiência anterior com organizaçõesvinculadas às Igrejas. Entretanto, essa cidade também apresenta os maiorespercentuais de lideranças que pertencem a esse tipo de associativismo, masnão participam nele ativamente: 33,3%. Em Sarandi, também é significativo onúmero de lideranças que dizem pertencer, mas não participar ativamente:22,2%. Ainda nessa cidade, os dados destacam a freqüência das liderançasque deixaram esse tipo de associativismo: 27,8% já pertenceram, mas nãopertencem mais. Ou seja, pode-se explorar a hipótese de que, embora oassociativismo religioso seja predominante nas 3 cidades, em Sarandi ePaiçandu, a participação em sindicatos, para a primeira, e em partidos, para asegunda, ocupa lugar importante na vida das lideranças. GRUPOS DESPORTIVOS, CULTURAIS OU RECREATIVO: Em Maringá,esse tipo de associativismo tem presença importante: 30,2% participamativamente e 26,9% pertencem mas não participam ativamente ou jápertenceram. Pelas médias se constata que Sarandi fica entre Maringá ePaiçandu. Nessa última, a presença não é significativa.Tabela 7 – Mobilização Política - geral Ações Fez no Fez no anos Nunca fez mas Nunca o último ano anteriores poderia fazer faria ASSINAR UMA PETIÇÃO 26,4 29,9 31,0 12,6OU FAZER UM ABAIXO-ASSINADO BOICOTAR OU COMPRAR 23,0 10,4 36,8 30,9DETERMINADOS PRODUTOS,POR RAZÕES POLÍTICAS,ÉTICAS OU AMBIENTAIS PARTICIPAR NUMA 17,4 29,1 33,7 19,8MANIFESTAÇÃO * CONTATAR, OU TENTAR 49,4 11,5 17,2 21,8CONTATAR, UM POLÍTICO OUUM FUNCIONÁRIO DOGOVERNO PARA EXPRESSAR 15
  • SEU PONTO DE VISTA DAR DINHEIRO OU 48,3 18,4 19,5 13,8TENTAR RECOLHER FUNDOSPARA UMA CAUSA PÚBLICA CONTATAR OU 33,3 16,0 29,9 20,7APARECER NA MÍDIA PARAEXPRIMIR AS SUAS OPINIÕES PARTICIPAR NUM 11,5 4,6 64,4 19,5FÓRUM OU GRUPO DEDISCUSSÃO ATRAVÉS DAINTERNET Participar em comício ou 31,0 37,9 13,8 17,2reunião política PARTICIPAR DE GREVE 2,3 18,4 28,7 50,6Tabela 7.1 Mobilização política - Médias: Maringá Sarandi PaiçanduAssinar petição 1,7 1,6 1,5Boicotar produtos 1,2 1,1 1,5por razões éticasou políticasParticipar 1,4 1,3 1,16manifestaçãoParticipar comício 1,6 2,3 2,0ou reunião políticaContatar político 1,8 2,0 1,6ou alguém dogoverno paraexpressar opiniãoDar dinheiro para 1,9 2,1 2,0causa públicaContatar ou 1,7 1,3 1,16aparecer na mídiaFórum discussão 1,0 1,0 1,0internetGreve 0,79 0,5 0,66 Indicador de 0 a 3, onde 0 corresponde a nunca o faria e 3 a fez no último ano Os números da tabela 7 indicam que os informantes são pessoas ativas nasdiversas modalidades de mobilização listadas e tipo de ação política maisrejeitada é a greve. Apontam-se 2 itens como novidades na prática associativa:“boicotar ou comprar determinados produtos por razões políticas, éticas ouambientais” e “participar em fóruns ou grupos de discussão através dainternet”. No primeiro caso, 33% fizeram no último ano ou em anos anteriores,36,8% poderiam fazer. No segundo caso, apenas 16% dos entrevistadostiveram participação, mas admitiram poder realizar tal atividade no futuro64,4%. Arrisca-se a afirmar que os dados apontam pistas do movimentoconstitutivo de matizes do que vem sido chamado da “Nova Cultura Política”.As informações como as contidas na tabela 7 corroboram com essa hipótese. 16
  • Realizar ou admitir a possibilidade de realizar tais ações apontam, sem dúvidamudanças de comportamento no sentido de um envolvimento mais individualdos entrevistados. Os autores que tratam do tema (Clark, Cabral e Silva)identificam essa nova tendência de exercício da cidadania (em contraposiçãoaos caminhos apontados por Marshall, por exemplo) de forma maisindividualizada e horizontal. Ou seja, a manifestação ocorre por meio docomportamento do indivíduo e não necessariamente em uma participaçãocoletiva, via movimentos sociais e/ou organizações. Algumas indicações chamam a atenção se cruzadas com outras.Verificou-se acima que a participação em partidos e associações é baixa nessesegmento, mas a opção “participar em comícios ou reunião política” recebeu68% das respostas se somadas as opções “fez no último ano” e “fez em anosanteriores”. Indica um envolvimento pontual em questões diretamentevinculadas ao mundo da política e não uma total negação da política. Vale apena chamar a atenção que, em Maringá, essa opção recebeu a menor média.Também pelas médias se observa que nessa cidade as lideranças se sentemmais propícias a fazer uso da mídia para manifestar sua opinião. Tabela 8 – Confiança Política -Geral É POSSÍVEL EXERCER NO CONGRESSO PRESSÃO SOBRE OS A ADMINISTRAÇÃO NACIONAL ESTÃO DEPUTADOS DO PÚBLICA NO BRASIL REPRESENTADOS OS CONGRESSO ESTÁOpinião INTERESSES QUE NACIONAL PARA COMPROMETIDA EM COMPÕEM A EXPRESSAR SERVIR AS SOCIEDADE OPINIÕES/FAZER PESSOAS. BRASILEIRA. REIVINDICAÇÕES.0. NS/NR 1,1 1,1 0,01. CONCORDA TOTALMENTE 20,7 39,1 18,42. CONCORDA EM PARTE 40,2 35,6 36,83. NEM CONCORDA NEM DISCORDA 4,6 5,7 4,64. DISCORDA EM PARTE 19,5 8,0 23,05. DISCORDA TOTALMENTE 13,8 10,3 17,2Total geral 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de MaringáTabela 8.1- Confiança Política - Médias: Maringá Sarandi PaiçanduEstão representados no 2,2 2,6 2,3Congresso interessespresentes na sociedadeCongresso nacional é 2,8 2,6 3,5permeável à pressãoAdministração pública está 1,9 2,5 2,8comprometida em servir aspessoas 17
  • Indicador onde 0 corresponde a discorda totalmente e 4 a concorda totalmente Chama a atenção que em Maringá há o maior percentual de lideranças que discordam totalmente ou em parte que a administração pública no Brasil está comprometida em servir as pessoas: 42,8%, enquanto que para as mesmas alternativas, em Sarandi o percentual foi de 27,8 e em Paiçandu, 33,34. ao cruzar com a percepção de qual grupo ou instituições representam melhor seus interesses (tabela 13) os políticos aparecem com baixa confiabilidade e, no caso em tela, o Congresso Nacional aparece como altamente permeável às pressões, as médias (2,8, 2,5 e 3,5) indicam uma alta confiança do segmento em influenciar os representantes parlamentares, por meio da mobilização, ainda que não seja a garantia de um comprometimento perene. Tabela 9 – Avaliação da Democracia no Brasil - geral E DAQUI A 10 ANOS, COMO AVALIA O AVALIA O COMO PENSA QUE VAI FUNCIONAMENTO DA FUNCIONAMENTO DA SER OParticipação DEMOCRACIA HOJE NO DEMOCRACIA NO BRASIL FUNCIONAMENTO DA BRASIL? HÁ 10 ANOS ATRAS? DEMOCRACIA NO BRASIL?1. MUITO RUIM 8,0 21,8 8,02. 13,8 32,2 8,03. 52,9 34,5 23,04. 21,8 9,2 35,65. MUITO BOM 3,4 2,3 25,3Total geral 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Tabela 9.1 Avaliação da democracia no Brasil – Médias E DAQUI A 10 ANOS, COMO AVALIA O AVALIA O COMO PENSA QUE VAI FUNCIONAMENTO DA FUNCIONAMENTO DA SER OParticipação DEMOCRACIA HOJE NO DEMOCRACIA NO BRASIL FUNCIONAMENTO DA BRASIL? HÁ 10 ANOS ATRAS? DEMOCRACIA NO BRASIL?Maringá 2,0 1,3 2,6Sarandi 2,0 1,5 2,6Paiçandu 1,3 0,8 2,6Onde 0 corresponde à muito ruim e 4 à muito bom 18
  • Tabela 10 – Opinião em relação à democracia - geralOPNIÃO Entrevistados %A DEMOCRACIA É UM REGIME BOM. 80 91,95É INDIFERENTE QUE O REGIME SEJA DEMOCRÁTICO OU NÃO 7 8,05Total geral 87 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Ao se comparar a trajetória da democracia brasileira com a dasdemocracias consolidadas o quadro que se tem é o de um crescente acúmulode direitos e de volume de participação. Segundo dados de Resende e Tafner(2005), no período compreendido entre 1982 e 2002, o eleitorado cresceu20,9%. Verificou-se, também, uma diminuição acentuada das diferençasregionais na participação. Norte e Nordeste passam a participar de forma maisequilibrada do processo. Indicam uma redução nos custos de participar daseleições nas áreas mais pobres. As últimas décadas apresentam um saldo importante no processo deconstrução da democracia, pois apesar das deficiências, os países latinosamericanos não optaram por novos arranjos autoritários e, um dado importante,as populações, no momento de identificar responsáveis pelo mau desempenhoglobal, diferenciam cada vez mais as diversas instituições. Em pesquisadesenvolvida por Guillermo O’Donnell e financiada pelo PNUD e intitulada “ADemocracia na América Latina” com 18 países da América Latina. Por outrolado, na indagação global acerca do valor da democracia, para 56, 3% dosentrevistados, o desenvolvimento econômico é mais importante que ademocracia e 54,7% disseram que apoiariam um governo autoritário seresolvesse os problemas econômicos. No Brasil quase da metade dosentrevistados apresentaram uma oposição “ambivalente” a respeito dademocracia: democratas: 30,6%; não-democratas 27,0% e ambivalentes35,6%. Na Argentina, 51,5% democratas, 31,8 % não-democratas e 17%ambivalentes.No caso dos representantes das entidades assistenciais, um público qualificadoe atuante nos espaços públicos, no total obteve-se uma avaliação altamentepositiva da democracia, para 92% é um regime bom. Quanto ao funcionamentoda democracia (tabela 9), a manifestação aponta otimismo quanto ao futuro dademocracia, será um regime muito melhor que no passado e melhor que opresente. Tabela 11 - nível de concordância em relação às reivindicações para melhoria dos serviços públicos - geral 19
  • O GOVERNO O PODER A CÂMARA A ASSEMBLÉIA O GOVERNO FEDERAL ESTÁ MUNICIPAL ESTÁ MUNICIPAL ESTÁ LEGISLATIVA ESTADUAL ESTÁ ABERTO ÀS ABERTO ÀS ABERTA ÀS ESTÁ ABERTA ÀS ABERTO ÀS REIVINDICAÇÕEOpinião REIVINDICAÇÕES REIVINDICAÇÕES REIVINDICAÇÕES REIVINDICAÇÕES S PARA PARA MELHORIA PARA MELHORIA PARA MELHORIA PARA MELHORIA MELHORIA DOS DOS SERVIÇOS DOS SERVIÇOS DOS SERVIÇOS DOS SERVIÇOS SERVIÇOS PÚBLICOS. PÚBLICOS. PÚBLICOS. PÚBLICOS. PÚBLICOS.1. CONCORDA TOTALMENTE 20,9 39,5 18,4 18,4 18,42. CONCORDA EM PARTE 40,7 36,0 36,8 36,8 36,83. NEM CONCORDA NEM DISCORDA 4,6 5,8 4,6 4,6 4,64. DISCORDA EM PARTE 19,8 8,1 23,0 23,0 23,05. DISCORDA TOTALMENTE 13,9 10,5 17,2 17,2 17,2Total geral 100 100 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá A tabela 11 mostra que, sobre a avaliação da acessibilidade às instâncias de poder, poucos foram os que optaram por não dar uma opinião, assinalando a alternativa “nem concorda, nem discorda”. Percebe-se que a avaliação mais positiva refere-se às instâncias municipais: poder executivo e legislativo. Em relação às outras instâncias, estaduais e federal, os dados são equivalentes, mostrando que 55% dos entrevistados consideram que elas são acessíveis. Como esses entrevistados estão mais próximos dos poderes instituídos do que a população no geral, a percepção de sua acessibilidade a eles é mais favorável. Tabela 12 – Posição no espectro político Nível de interesse Entrevistados % 1. ESQUERDA 7 8,0 2. 9 10,3 3. 43 49,4 4. 18 20,7 5. DIREITA 10 11,5 Total geral 87 100 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá As lideranças, na sua maioria, se consideram de centro-direita, optando pelos números 3, 4 e 5. O que chama a atenção é que em Sarandi a balança ficou mais equilibrada entre centro-direita e centro-esquerda. Outro dado que chama a atenção é que, enquanto em Maringá há lideranças que se consideraram de centro-esquerda, essa alternativa não aparece nenhuma vez para as lideranças de Paiçandu: todas elas se dizem de centro ou de direita. Tabela 13 – Instituições ou grupos que melhor defendem interesses 20
  • %Instituições/grupos % SEGUNDA PRIMEIRA0. NENHUMA 2,3 14,91. POLÍTICOS 6,9 4,62. PARTIDOS 0,0 2,33. JUÍZES 3,4 3,44. SINDICATOS E ASSOCIAÇÕESPROFISSIONAIS 16,1 11,55. IGREJAS OU CULTOS RELIGIOSOS 29,9 16,16. ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS 23,0 14,97. MINISTÉRIO PÚBLICO 16,1 27,68. OUTRAS ASSOCIAÇÕES 2,3 4,6Total geral 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá As instituições que receberam maior número de indicações foram pelaordem as igrejas e cultos religiosos, as ONGs os sindicatos e associaçõesprofissionais e ministério público. Destaque-se que o ministério público aparececomo a segunda instituição de maior confiança para 27,6% dos entrevistados.Entende-se que o relacionamento e conquista da confiança por parte doMinistério Público é um fenômeno recente e em fase de construção.Tabela 14 – Identificação PartidáriaPartido Entrevistados %01. PDT 3 3,402. PFL 4 4,603. PL 0 0,004. PMDB 4 4,6 21
  • 05. PP 4 4,6 06. PPS 2 2,3 07. PSB 0 0,0 08. PSDB 6 6,9 09. PSOL 0 0,0 10. PT 12 13,8 11. PTB 1 1,1 12. PV 0 0,0 13. NENHUM 48 55,2 14. OUTRO 3 3,4 Total geral 87 100 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá O personalismo que pontua a política nacional não se apresenta ausente no interior do segmento dos dirigentes das entidades assistenciais. Ao se indagar se o voto nas eleições municipais (prefeito e vereador) e para deputado era definido em função do partido ou do candidato, uma maioria expressiva apontou o voto no candidato. Quanto à identificação partidária (tabela 14), a maioria (55,2%) aponta não sentir nenhuma simpatia por partidos. O partido que recebeu maior número de indicações foi o PT com 13,8%. É importante frisar que Sarandi vem sendo governado pelo PT nos últimos 8 anos e Maringá teve o partido à frente na gestão anterior à atual. Essa presença no cenário regional explicaria o maior número de indicações. Tabela 15 – Identificação – nível de integraçãoNível de Integração SEU BAIRRO SEU MUNICÍPIO REGIÃO SUL BRASIL AMÉRICA DO SUL1. MUITO INTEGRADO 25,3 18,4 4,6 9,2 2,32. INTEGRADO 29,9 57,5 41,4 43,7 23,03. NÃO MUITO INTEGRADO 34,5 19,5 36,8 27,6 32,24. NADA INTEGRADO 10,3 4,6 16,1 19,5 40,35. NS/NR 0,00 0,0 1,1 0,0 2,3% Total geral 100 100 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Tabela 15.1 Médias: Maringá Sarandi Paiçandu Bairro 1,5 2,2 2,0 Município 1,9 1,8 1,8 Região Sul 1,4 1,1 1,3 Brasil 1,5 0,94 1,1 América do Sul 0,95 0,66 0,66 Indicador onde 0 corresponde a nada integrado e 3 corresponde a muito integrado 22
  • Enquanto as lideranças de Paiçandu e Sarandi apontaram o bairro como o espaço com o qual se sentem mais integradas, em Maringá, elas apontaram a cidade. Observe-se que conforme se distancia os espaços mais imediatos de convivência, como a Região Sul, o Brasil e a América do Sul, as médias de Maringá são relativamente mais altas. A discussão interessa particularmente quando se leva em consideração que a região mantém laços comerciais com os países do Mercosul e a maior proximidade física tenderia a estimular a idéia de uma maior integração que outras regiões do país, mas as médias apontaram baixo nível de integração. Tabela 16 – Interesse na política e auto-percepção do quanto está informado sobre ela EU PENSO QUE A EU ACHO QUE MAIORIA DAS EU ACHO QUE O TENHO BOA PESSOAS NO EU NÃO TENHO GOVERNO NÃO COMPREENSÃO DOS BRASIL ESTÁ NADA A DIZER LIGA MUITO PARAOpinião SOBRE O QUE O O QUE PESSOAS ASSUNTOS MELHOR POLÍTICOS QUE SÃO INFORMADA DO QUE GOVERNO FAZ COMO EU IMPORTANTES PARA EU SOBRE A PENSAm O BRASIL POLÍTICA E O GOVERNO1. CONCORDA TOTALMENTE 0,0 23,0 57,5 4,62. CONCORDA EM PARTE 13,8 40,2 33,3 24,13. NEM CONCORDA NEM DISCORDA 4,6 4,6 4,6 11,54. DISCORDA EM PARTE 19,5 23,0 3,4 27,65. DISCORDA TOTALMENTE 62,1 9,2 1,1 32,2Total geral 100 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Os dados apontam que os informantes se consideram pessoas relativamente integradas e informadas das questões políticas e capazes de influenciar decisões. Frente à afirmação “eu não tenho nada a dizer sobre o que o governo faz” a soma de discorda em parte e discorda totalmente resulta em 81,6%. A afirmação de “eu acho que tenho boa compreensão dos assuntos políticos que são importantes para o Brasil” teve a discordância em todo ou em parte de 90,8% dos entrevistados Tabela 17 - Opinião sobre instrumentos de aferição da vontade pública 23
  • O ORÇAMENTO ATRAVÉS DO VOTO, O PLESBICITO É OS CIDADÃOS MUNICIPAL DEVERIA OS CIDADÃOS UMA BOA MANEIRA PODEREM SER ELABORADO TRANSFEREM PARA DE DECIDIR PARTICIPAR EM Participação O CANDIDATO COM A QUESTÕES AÇÕES DE PARTICIPAÇÃO ELEITO O PODER DE POLÍTICAS DESOBEDIËNCIA DIRETA DOS DECIDIR POR ELES IMPORTANTES CIVIL CIDADÃOS 1. CONCORDA TOTALMENTE 54,0 60,9 60,9 18,4 2. CONCORDA EM PARTE 33,3 25,3 28,7 27,6 3. NEM CONCORDA NEM DISCORDA 1,1 6,9 6,9 6,9 4. DISCORDA EM PARTE 3,4 5,7 2,3 17,2 5. DISCORDA TOTALMENTE 8,1 1,1 1,1 29,9 Total geral 100 100 100 100 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá A ação de desobediência civil aparece, sem dúvida como uma questãoque polarizou os entrevistados: aqueles que discordam em parte ou discordamtotalmente somaram 47,1% e, na outra ponta, os que concordam totalmenteou em parte somaram 46,0%. Não deve causar estranhesa a dificuldade de selidar com o fato de subverter uma determinada ordem no seio de um segmentoestrturado em bases de forte religiosidade e altamente comprometido com aestruturação social. Por outro lado, perpassa o campo o sentimento de quemudanças estruturais não ocorrerão caso indivíduos-cidadãos não atuem deforma mais incisiva. A discussão acerca da desobediência civil não é nova.Lembra Vieira (1984) que da desobediência civil somente participam oscidadãos, indivíduos possuidores de direitos e obrigações perante o Estado.Estão excluídos aqueles que somente obedecem. Ainda que em nossasociedade os direitos de cidadania estejam formalmente garantidos, valeresgatar as reflexões de La Boétie (1530-1563) que, em seu “ discurso daservidão voluntária”, aponta que o tirano só se manteria no poder se houvesseo concentimento, o voluntarismo dos oprimidos, dos insatisfeitos.3) Temas polêmicos Os entrevistados foram convidados a se manifestarem diante de temasdelicados e contemporâneos, alguns discutidos à exaustão pelos meios decomunicação6. O ponto de partida para tal abordagem é a constatação de queos dirigentes de entidades assistenciais lidam direta ou indiretamente com oassunto. Há inúmeras entidades que atendem adolescentes e jovens comproblemas de dependência, assim sendo, as temáticas da legalização doaborto, diminuição da idade penal e discriminalização da maconha, criaram aexpectativa de que tivessem essas questões elaboradas.6 . As questões foram inspiradas na pesquisa da Fundação Perseu Abramo/ Núcleo de OpiniãoPública - Cultura Política e Cidadania I, de Novembro de 1997. 24
  • Tabela 18. - nível de concordância em relação às questões polêmicas em discussão na sociedade LEGALIZAÇÃO INSTITUIÇÃO DIMINUIÇÃO DA COTAS PARA DA UNIÃO DE LEGALIZAÇÃO LEGALIZAÇÃOParticipação DA PENA DE MAIORIDADE SEGMENTOS NA PESSOAS DO DA MACONHA DO ABORTO MORTE PENAL UNIVERSIDADE MESMO SEXO1. CONCORDA TOTALMENTE 12,6 2,3 3,4 3,4 43,7 31,02. CONCORDA EM PARTE 8,0 19,5 8,0 11,5 10,3 16,13. NEM CONCORDA NEM DISCORDA 10,3 2,3 5,7 0,0 4,6 5,74. DISCORDA EM PARTE 8,0 10,3 5,7 8,0 13,8 10,35. DISCORDA TOTALMENTE 55,2 63,2 73,6 75,9 25,3 34,56. NÃO RESPONDEU 5,7 2,3 3,4 1,1 2,3 2,3Total geral 100 100 100 100 100 100Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá Tabela 19. opinião em relação às pessoas que defendem alguns itens polêmicos - geral LEGALIZAÇÃO DA UNIÃO DIMINUIÇÃO DA INSTITUIÇÃO DA LEGALIZAÇÃO LEGALIZAÇÃO Opinião ENTRE PESSOAS DO PENA DE MORTE DA MACONHA DO ABORTO MAIORIDADE Cotas para s MESMO SEXO PENAL PODEM SER A FAVOR DESSA IDÉIA, DESDE QUE NÃO TENTEM CONVENCER OS DEMAIS 64,4 66,6 70,1 70,1 34,5 DEVEM SIMPLESMENTE SEGUIR O QUE PENSA A MAIORIA 3,4 5,7 4,6 1,1 4,6 PODEM TENTAR CONVENCER AS PESSOAS DESSA IDÉIA 18,4 19,5 11,5 14,9 55,2 N/S N/R 10,3 5,7 10,3 10,3 3,4 OUTRAS 3,4 2,3 3,4 3,4 2,3 Total geral 100 100 100 100 100 Fonte: Observatório das Metrópoles Núcleo Região Metropolitana de Maringá O conjunto de respostas indica uma realidade um tanto distinta. Inúmeras situações apontaram total discordância da propositura: “união entre pessoas do mesmo sexo”: 55,2%;” liberalização da maconha” 75,9%; legalização do aborto: 75,9%;instituição da pena de morte: 63,2%. Quando o assunto é diminuição da maioridade penal e cotas para segmentos na universidade, verifica-se uma polarização entre os que concordam totalmente ou em parte e os que discordam totalmente ou em parte, conforme tabela 26. A cultura religiosa deu a tônica à maioria das respostas dos dirigentes entrevistados. Evocaram Deus para justificar as respostas sobre a instituição da pena de morte e a legalização do aborto. Os entrevistadores registraram inúmeras reações que podem ser sintetizadas na frase “Deus deu a vida e só Ele pode tirar” A tabela seguinte reúne a opinião das pessoas sobre aqueles que pensam diferente. Buscou-se averiguar o índice de tolerância para com o outro. 25
  • A questão de fundo que estimulou tal propositura é um dos princípios quepermite a sobrevivência de uma democracia pluralista no sentido apontado porMouffe (1996, p. 15) “lutamos contra suas idéias, mas não poremos em causao seu direito de defendê-los”. A pouca tolerância em relação a pessoas quedefendem temas polêmicos foi tendência principal das respostas: 67,8% namédia responderam que as pessoas “podem ser a favor, desde que não tentemconvencer as demais”. Já a resposta “podem tentar (têm o direito de)convencer as pessoas dessa idéia” recebeu em média 16% das respostas. Aresposta do item não sabe/não respondeu recebeu na média 9,2% e outras emtorno dos 3%. A conclusão, levando em conta não só as respostas mastambém o comportamento dos entrevistados quando receberam a equipe decampo, é que os números representam a recusa em tratar temas delicados. Considerações finais As lideranças entrevistadas apresentaram comportamentosconservadores e legalistas diante de questionamentos que os instigaram aassumir posicionamentos. Mostraram-se informados no que diz respeito à vidapública e consideraram ter alguma capacidade de intervenção. Diante da temática da cultura política, algumas pistas foram deixadas nosentido de assumirem posturas que caracterizam a nova cultura política.Aceitar participar de fóruns na internet e listas de discussão assim comoboicotar produtos por razões éticas ou políticas são algumas dasmanifestações. Chama-nos a atenção a comparação entre os municípios,quando se tira as médias, as respostas de Maringá sempre se apresentammais diluídas que as das outras duas. Atribui-se ao fato de um centro maior darmaiores opções de comportamentos e instituições. Um bom exemplo são ospartidos políticos, em centros maiores as agremiações estruturadas tendem ater maior importância na vida das lideranças à medida que são intensamentechamados a participar diretamente saindo candidatos a cargos como devereador ou a apoiar este ou aquele candidato. Nos municípios maiores háuma maior oferta de quadros7. Os dados aqui apresentados - ainda de forma preliminar - têm muitomais a intenção de contribuir para que esse tema ganhe espaço no debate.Eles jogam algumas pistas que, exploradas, podem servir de base para aelaboração de perguntas não apenas sobre o papel que têm assumido asentidades de assistência no conjunto das mudanças ocorridas na política daassistência social, como também sobre as possíveis especificidades quecaracterizam esse segmento associativo no contexto mais amplo da sociedadecivil brasileira.Referências7 . Essa tendência a pulverização/concentração de médias conforme tamanho de municípios foi detectadoem outras pesquisas realizadas pela rede do Observatório das Metrópoles 26
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