Você pode ser feliz

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Você pode ser feliz

  1. 1. Você Pode Ser Feliz Apoio Clube do E-book http://clubedoebook.spaces.live.com/ http://clubedoebook.blogspot.com/ "As pessoas são quase tão felizes quanto resolvem ser." Abraham Lincoln“Vocês acharão muito útil o novo enfoque do Dr. Carlson: fundamentado, sensível epleno de orientação consoladora." Dr. Wayne Dyer"Você pode ser feliz interessa àqueles que não querem mais ficar enredados em maneirasultrapassadas de pensar. O autor nos fala com simplicidade sobre o modo mais adequadopara sairmos do desequilíbrio e empreendermos uma vida com mais alegria." Marsha SinetarEspecializado em administração de estresse e em comportamento humano. Richard Carlsonmostra QUE a felicidade não depende de circunstâncias externas: não depende da solução deproblemas: nem da melhoria de nossos relacionamentos e muito menos da obtenção • desucesso. Para Carlson. o contentamento, o estado de felicidade, "nada tem a ver com forçasfora do nosso controle - e Que. na verdade, contentamento é o nosso estado natural".Podemos ser felizes agora por meio da compreensão de cinco princípios: Pensamento, Estadosde Ânimo. Realidades Separadas, Sentimentos e Momento Presente. Princípios nunca antes [1]
  2. 2. aplicados pelo seu terapeuta - garante o autor -. e QUE possibilitarão a descoberta de um novojeito de viver, sem reprimir as emoções naturais, nem deixar que sentimentos e pensamentosnos dominem. Aos meus belos filhos- Que vocês sejam sempre felizes aconteça o que acontecer. AGRADECIMENTOSGOSTARIA DE AGRADECER às seguintes pessoas: Patti Breitman, por ter sido capaz de captar oque eu estava tentando dizer antes mesmo de terminar de dizê-lo; Kristine Carlson, pelo seuestímulo amoroso; Sheila Krystal, por ser uma sócia e amiga tão maravilhosa; Carol LaRusso, pelotrabalho de edição tão adorável e por dedicar o tempo necessário para aprender esta abordagem;George e Linda Pransky, por serem maravilhosos professores; e Barbara e Don Carlson poraprenderem o belo dom da felicidade - e o compartilharem com outros. [2]
  3. 3. Clique CRTL + Seleção para ir direto para a PáginaSumárioPREFÁCIO ............................................................................................................................................................................. 4INTRODUÇÃO.................................................................................................................................................................. 5PARTE I – OS PRINCÍPIOS ................................................................................................................................................ 8 UM O PRINCÍPIO DO PENSAMENTO.......................................................................................................................... 8 DOIS O PRINCÍPIO DOS ESTADOS DE ÂNIMO ......................................................................................................... 19 TRÊS O PRINCÍPIO DAS REALIDADES SEPARADAS .................................................................................................... 24 QUATRO O PRINCÍPIO DOS SENTIMENTOS ............................................................................................................. 27 CINCO O PRINCÍPIO DO MOMENTO PRESENTE........................................................................................................ 31 UMA BREVE REVISÃO DOS PRINCÍPIOS ................................................................................................................. 36PARTE II APLICANDO OS PRINCÍPIOS............................................................................................................................ 36 SEIS RELACIONAMENTOS ........................................................................................................................................ 36 SETE ESTRESSE ......................................................................................................................................................... 45 OITO RESOLVENDO PROBLEMAS ............................................................................................................................. 51 NOVE FELICIDADE .................................................................................................................................................... 57 DEZ HÁBITOS E VÍCIOS ............................................................................................................................................. 61 ONZE UMA LISTA PARA CHECAR SUA VIDA .............................................................................................................. 63 O AUTOR ................................................................................................................................................................... 66 [3]
  4. 4. PREFÁCIO Dr. Wayne DyerMUITAS PESSOAS ACREDITAM ERRONEAMENTE que as circunstâncias fazem a pessoa. Não fazem.Elas, isto sim, a revelam. Nossas circunstâncias não nos definem; elas representam o nosso currículosingular - nossas provas, desafios e oportunidades de crescimento pessoal, aceitação e isenção. Onosso sucesso como seres humanos não depende do que acumulamos, possuímos ou realizamos.Não depende dos detalhes da nossa situação, mas de como lidamos com o que temos e de comofazemos face aos nossos desafios, de como transformamos o nosso currículo singular em cresci-mento e em uma vida cheia de amor.Temos a capacidade de manifestar nosso próprio destino, de criar "Verdadeira Magia" em nossasvidas, de fazer delas uma expressão de divindade, de tirar o ego de nossas consciências, e de tornaro amor a nossa primeira prioridade. Para fazermos essas coisas, entretanto, é essencial criarmos umequilíbrio interior, um senso de harmonia e equanimidade dentro de nós. A felicidade não é o fim daestrada; é o princípio. O contentamento enriquece nossa vida espiritual.Os princípios contidos neste livro funcionam para você como instrumentos de navegação que oajudam a achar contentamento na vida. Eles são como um conjunto de instruções de uso que [4]
  5. 5. orientam-no para dentro de si mesmo, onde mora a paz. Eles podem ajudá-lo a manter-se centrado ecalmo. Ao ficar mais feliz, você entra numa nova dimensão da vida que planta sementes para oulterior crescimento espiritual. Sem a constante luta e distração do estresse, da ira, de circunstânciase desejos, sua vida se desdobrará com maior harmonia.Neste livro extraordinário, Dr. Carlson explica que a vida não é nossa inimiga, mas o pensamentopode sê-lo. Ele recordanos que nossas mentes são ferramentas muito poderosas que podem trabalhara favor ou contra nós em qualquer momento. Nós temos escolha. Podemos aprender a fluir com avida, com aceitação amorosa e paciente, ou podemos lutar contra ela. Tenho dito muitas vezes quesomos seres espirituais que estão tendo uma experiência humana. Somos capazes de fazer com queesta experiência humana seja a melhor possível. Temos, dentro de nós, os recursos para viver umavida feliz e satisfeita a despeito dos desafios que enfrentamos. Leiam este livro e reflitam sobre asua mensagem. Vocês verão que, apesar das experiências externas, isto é verdade: Vocês podem serfelizes! Deus os abençoe. INTRODUÇÃOF ELICIDADE! É algo que todos queremos mas poucos chegam a conseguir. Ela se caracteriza porsentimentos de gratidão, paz interior, satisfação e afeto por nós mesmos e por outros. O nossoestado mental mais natural é o de contentamento e alegria. As barreiras ou obstruções que nosimpedem de experimentar esses sentimentos positivos são processos negativos aprendidos que nósacabamos aceitando inocentemente como "necessários" ou porque "a vida é assim". Quandorevelamos estes sentimentos positivos inerentes, e removemos as obstruções que nos afastam deles,o resultado é uma experiência de vida mais bela e cheia de significação.Esses sentimentos positivos não são emoções fugazes que vêm e vão ao sabor da mudança decircunstâncias, eles permeiam nossas vidas e tornam-se parte de nós. A descoberta desse estadomental nos permite ser mais despreocupados, à vontade, quer nossas circunstâncias justifiquem ounão essa perspectiva positiva. Nesse estado mais aprazível, a vida parece menos complicada enossos problemas são mitigados. A razão: quando nos sentimos melhor temos mais acesso à nossaprópria sabedoria e ao nosso bom senso. Tendemos a reagir menos, estar menos na defensiva e sermenos críticos; tomamos melhores decisões e comunicamo-nos mais eficazmente.A melhor maneira de você revelar esses sentimentos positivos profundos dentro de si mesmo écomeçar a entender a fonte da qual eles provêm. Há cinco princípios do funcionamento psicológicoque operam como guias, ou navegadores, e hão de ajudá-lo a recuperar o seu estado de serenidadenatural. Eu chamo esse estado natural de "funcionamento psicológico sadio" ou, simplesmente,"uma sensação agradável". Você aprenderá a detectar e proteger-se de bloqueios psicológicos que oprivaram desses sentimentos positivos - esses pensamentos inseguros que você aprendeu a levar tãoa sério. [5]
  6. 6. Os quatro primeiros princípios deste livro baseiam-se numa série de princípios psicológicosoriginalmente estabelecidos pelos Drs. Rick Suarez e Roger C. Mills. ∗Eles mostram de que formavocê pode ter acesso a esse sentimento de felicidade quando quiser. Esses princípios, quandocompreendidos, permitem-lhe sentir-se feliz e contente a despeito dos problemas que você enfrentar- permitem mesmo! Eu, na minha função de consultor que ensina esses princípios na sua práticaprofissional, vejo continuamente pessoas transformarem suas vidas dando-lhes um sentido maispositivo apesar dos difíceis desafios com que se defrontam. Quando você se sentir genuinamentecontente com sua vida, terá condições de resolver qualquer problema com mais facilidade e eficiên-cia do que achava possível. Os cinco princípios que apresentarei em breve representam umprofundo avanço na compreensão do nosso funcionamento psicológico humano. Eles princípiosnotavelmente simples, embora poderosos, que explicam como a mente funciona, e podem serusados por todos os seres humanos onde quer que vivam - eles transpõem todas as barreirasculturais. Os princípios são descritos em detalhe a partir do Capítulo Um, mas vou resumi-los bre-vemente aqui: Pensamento. Nossa capacidade de pensar cria nossa experiência psicológica de vida, e o pensamento é uma função voluntária. Estados de ânimo. Nossa compreensão de que o pensamento é uma função voluntária varia de um momento a outro e de um dia para o outro; essas variações são chamadas estados de ânimo. Realidades separadas. Como todos pensamos de maneira singular e única, cada um de nós vive numa realidade psicológica separada. Sentimentos. Nossos sentimentos e emoções servem como mecanismo incorporado de bio- alimentação que nos permite saber como estamos nos saindo de um ponto de vista psicológico. O momento presente. Aprendendo a centrar nossa atenção no momento atual, prestando atenção aos nossos sentimentos, conseguimos viver com o máximo de eficiência e sem a distração do pensamento negativo. O momento atual é onde achamos felicidade e paz interior.Ao aprender como sua mente opera e funciona, você ganha acesso à felicidade - um sentimentomagnífico - que lhe permite desfrutar livremente da sua vida e dos seus rela cionamentos. A maioriadas abordagens da felicidade recomenda fazer ou mudar alguma coisa na vida. Mas a experiêncianos mostra que, quando muito, isso é uma cura temporária. A mentalidade que nos diz que parasermos felizes devemos fazer algo de modo diferente não desaparece quando a mudança já ocorreu.Ela começa então tudo de novo, procurando falhas e condições que devem ser preenchidas ecorrigidas antes de que possamos sentir-nos felizes. Quando você compreende os cinco princípiosdo funcionamento psicológico sadio, pode reverter essa dinâmica e sentir-se feliz agora mesmo,mesmo se você e sua vida não forem perfeitos! Uma vez que você sinta-se contente, e não maisdistraído pelo seu falso negativismo, o melhor acesso à sua verdadeira sabedoria e ao seu bomsenso há de permitir-lhe ver soluções e alternativas que têm estado sepultadas sob pesadaspreocupações e buliçoso diálogo interior.∗ Rick Suarez, Roger C. Mills e Darlene Stewart. Sanity, Insanity, and Common Sense: The Groundbreaking New Approachto Happiness (Nova York: Fawcett, Columbine, 1987). [6]
  7. 7. O contentamento é o alicerce que conduz a uma vida satisfatória. Ele traz consigo bonsrelacionamentos, satisfação no trabalho, habilidades paternais ou maternais (no caso daqueles quesão pais) e a sabedoria e o bom senso necessários para levar a vida airosamente. Semcontentamento, a vida pode parecer um campo de batalha no qual estamos ocupados demaisdebatendo-nos com problemas para podermos desfrutar da beleza da própria vida. Consumidos porpreocupações, na esperança de algum dia as coisas melhorarem, protelamos a satisfação enquanto avida escapole. Sentindo-nos felizes, podemos desfrutar da vida plenamente - agora mesmo.Obviamente, você tem problemas muito "reais" e importantes, mas desde que aprenda a estarsatisfeito, eles não o impedirão de curtir a vida. Um sentimento de contentamento traz consigodesfrute infantil - um jeito despreocupado de estar no mundo que abre um canal de apreciação dascoisas simples, para sentir-se grato pelo esplêndido dom da vida em si.Essa nova compreensão pode aplicar-se a todos os desafios da vida. Você não aprenderá técnicaalguma sofisticada nem "mecanismos de enfrentamento" para lidar com cada problema específico;você aprenderá simplesmente a viver num estado mental de maior contentamento: um estado deamor. O que este conhecimento tem de mais belo - uma vez que você compreende o funcionamentopsicológico sadio - é que ele perdura. Não que você nunca mais vá perder contato com o sentimentode amor - vai sim -, mas quando isso acontecer, entenderá como perdeu o rumo, e saberáexatamente como reorientar-se em uma direção melhor. A CHAVE DA FELICIDADE: SUA MENTESua mente atende às suas necessidades basicamente de duas formas. Ela é um cofre que armazenainformação e experiência anterior, e é também um transmissor de sabedoria e bom senso. A partedo cérebro que faz as vezes de cofre de armazenamento, ou "computador", é usada para analisar,comparar, relacionar fatos, e fazer cômputos. O valor deste componente é claro: sem ele, nós nãopoderíamos sobreviver. A outra parte do cérebro, o "transmissor" a que todos nós temos acesso, éaquela que lida com assuntos do coração - onde a informação do computador é insuficiente. É anossa mente transmissora, e não a mente computadora, a fonte do nosso contentamento, de alegria esabedoria.Parte do processo para viabilizar o acesso a esta outra parte de nós mesmos consiste emreconhecermos quão necessária e prática ela é. Seria muito inadequado usar um computador para seresolver um problema do casamento ou da carreira, ou para decidir como falar com seu filhoadolescente sobre drogas ou, com a criança que começa andar, sobre disciplina. A maioria daspessoas não usaria um computador para esses problemas pessoais e que tocam profundamente ocoração; eles requerem suavidade e sabedoria. A menos que compreendamos e valorizemos a parte"transmissora" de nós mesmos (funcionamento psicológico sadio), não teremos alternativa senão ade apelar para o "computador" para lidar com nossos assuntos pessoais. As novas respostas nãoderivam do que você já sabe na parte do seu cérebro semelhante a um computador, Elas derivam deuma mudança do coração, de você ver a vida diferentemente, da parte desconhecida e maissilenciosa de si mesmo.Ilustremos este tema com a história conhecida do sujeito que perdeu suas chaves. Ele pensa e pensa(pensamento de computador) onde elas poderiam estar, mas não adianta. Simplesmente, ele nãoconsegue lembrar. Então, bem no momento em que ele desistiu de pensar para olhar pela janela, aresposta surge de repente na sua cabeça e ele lembra exatamente onde deixou as chaves. A respostaveio quando ele espaireceu sua cabeça, e não do excessivo pensamento que não permitiria que elaviesse à tona. Todos já tivemos experiências similares mas poucos temos aprendido a valiosa liçãode "não saber" a fim de saber. Em vez disso, continuamos a pensar que a resposta vem quandopassarmos a usar o nosso "computador". [7]
  8. 8. Você pode aprender a ter acesso e confiar neste funcionamento psicológico sadio - a partesilenciosa da mente que é fonte de sentimentos positivos inerentes, a parte sábia de você, que sabeas respostas. E quando ela não sabe, ela sabe que não sabe. Você pode aprender a diferença entrepensamento de computador e pensamento criativo - quando cabe confiar no seu computador, equando é conveniente recuar e serenar-se.O objetivo deste livro é ajudá-lo a experimentar esse estado mental mais agradável (contentamento)com mais freqüência na sua vida. Quando as pessoas aprendem a viver nesse sereno estado mental,descobrem que felicidade e contentamento independem, na realidade, das circunstâncias. Não queas coisas não devam dar "certo" - sem dúvida é melhor assim -, mas nem sempre elas têm de darcerto antes para que possamos ser felizes. Nem sempre temos poder sobre outras pessoas e/ouacontecimentos, mas temos sim enorme poder para sentirmo-nos felizes e satisfeitos com nossasvidas. Um ótimo subproduto do sentir-se feliz "sem razão alguma" é que os detalhes problemáticoscomeçam a resolver-se por si mesmos. Nós realmente pensamos melhor, de maneira mais clara emais inteligente quando nossas mentes não estão repletas de confusas preocupações.Nossas mentes podem trabalhar para nós ou contra nós não importa em que momento. Podemosaprender a aceitar as leis psicológicas naturais que nos regem, e a conviver com elas,compreendendo como fluir com a vida em vez de lutar contra ela. Podemos regressar ao nossoestado natural de contentamento.Os cinco princípios ensinarão você a viver num estado de sentimento positivo a maior parte dotempo. Use-os como um instrumento de navegação para guiar-se pela vida e nortear-se em direção àfelicidade. - Richard Carlson Walnut Creek, Califórnia PARTE I – OS PRINCÍPIOSUM O PRINCÍPIO DO PENSAMENTO Tudo o que realizas e tudo o que não consegues realizar é o resultado direto dos teus próprios pensamentos. - James AllenSERES HUMANOS SÃO CRIATURAS PENSANTES. A todo momento, todos os dias, nossasmentes trabalham para compreender o que vemos e experimentamos. Embora isso possa pareceróbvio, é um dos princípios menos compreendidos em nossa constituição psicológica. No entanto, acompreensão da natureza do pensamento é a base de uma vida plenamente funcional e feliz.Pensar é uma capacidade - uma função da consciência humana. Ninguém sabe exatamente qual aorigem do pensamento, mas pode-se dizer que ele provém do mesmo lugar de onde também provémo que faz nossos corações baterem, seja o que for - provém do fato de estarmos vivos. Como severifica com relação a outras funções humanas, o pensamento ocorre queiramos ou não. Nessesentido, o "pensamento" é um elemento impessoal da nossa existência.O RELACIONAMENTO ENTRE PENSAMENTO E SENTIMENTO [8]
  9. 9. Todo sentimento negativo (e positivo) é um resultado direto do pensamento. É impossível sentirciúme sem antes ter pensamentos de ciúme, sentir-se irado sem ter pensamentos irados, E éimpossível estar deprimido sem ter pensamentos depressivos. Isso parece óbvio, mas se fosse maisbem compreendido todos seríamos mais felizes e viveríamos num mundo mais feliz!Praticamente todos os pacientes com os quais trabalhei ao longo dos anos começaram suas sessões deste jeito: Paciente: "Hoje sinto-me muito deprimido." Richard: "Você reconheceu que tem tido pensamentos depressivos?" Paciente: "Eu não tive pensamentos negativos ou depressivos; apenas sinto-me deprimido."Eu levei algum tempo até identificar o problema em nossa comunicação. Todos temos sidoensinados que "pensar" significa sentar-se para "ponderar", dedicar tempo e esforço, como seestivéssemos resolvendo um problema de matemática. Segundo esta idéia de pensamento, umapessoa que não cogitaria passar seis horas obcecada quanto a um só pensamento irado poderia,entretanto, achar bastante "normal" pensar em quinze ou vinte pensamentos irados durante trintasegundos por vez."Pensar em algo" pode acontecer no curso de vários dias ou num segundo fugaz. Tendemos amenosprezar o segundo caso como se não tivesse importância, supondo que não nos recusemos areconhecê-lo, sem mais nem menos. Mas a coisa não é bem assim. Os sentimentos seguem erespondem a um pensamento, o que independe do tempo que o pensamento durar. Por exemplo, sevocê pensa, mesmo que de passagem, "Meu irmão recebeu mais atenção que eu - eu nunca gosteimesmo dele", o fato de você agora sentir-se ressentido com seu irmão não é mera coincidência. Sevocê tem o pensamento "Meu chefe não me aprecia - eu nunca tenho o reconhecimento quemereço", o fato de você agora sentir-se desgostoso quanto ao seu emprego surgiu assim que essepensamento lhe veio à mente. Tudo se passa num instante. O tempo que você leva até sentir osefeitos do seu pensamento é o mesmo que transcorre até você ver a luz depois de virar o interruptor.Os efeitos prejudiciais do pensamento surgem quando esquecemos que "pensamento" é uma funçãoda nossa consciência - uma capacidade que nós temos, como seres humanos que somos.Produzimos nosso próprio pensamento. O pensamento não é algo que nos acontece, mas algo quenós fazemos. Ele vem de dentro de nós, não de fora. O que pensamos determina o que vemos -mesmo que com freqüência pareça ser bem ao contrário.Consideremos o caso de um atleta profissional que "deixa um furo com seu time" ao cometer umerro essencial no último jogo do campeonato antes de aposentar-se. Durante anos, depois de pararde jogar, ele repisa seu erro por um momento de vez em quando. Quando perguntam-lhe "Por quevocê está deprimido boa parte do tempo?", ele responde dizendo: "Eu fui bobo mesmo ao cometerum erro como aquele. Como você quer que eu me sinta?" Esta pessoa não se vê como quem pensaseus próprios pensamentos, nem vê no seu pensamento a causa do seu sofrimento. Se vocêsugerisse que o pensamento era o que estava a lhe causar a depressão, ele diria, com totalsinceridade: "Não é, não. A razão de estar deprimido é que eu cometi o erro, não que estoupensando nele. Aliás, eu já raramente penso nele. Simplesmente estou perturbado diante dos fatos."Poderíamos substituir o erro do nosso ex-atleta por qualquer exemplo: um relacionamento passado,um outro atual que está "indo por água abaixo", um deslize financeiro, palavras ríspidas quedissemos para magoar alguém, críticas dirigidas a nós mesmos, o fato de nossos pais não seremperfeitos, de termos escolhido a carreira ou o companheiro errado, ou seja o que for - tanto faz. É onosso pensar, não as nossas circunstâncias, o que determina como nos sentimos. Esquecemos. de [9]
  10. 10. um momento para outro, que somos responsáveis por nosso pensamento, que somos nós queestamos pensando, de modo que muitas vezes parece como se as nossas circunstâncias estivessemditando nossos sentimentos e nossa experiência de vida. Conseqüentemente, parece fazer sentidopormos a culpa de nossa infelicidade nas circunstâncias que enfrentamos, o que faz com que nossintamos impotentes quanto a nossas vidas.SOMOS OS PENSADORES DOS NOSSOS PENSAMENTOSDiferentemente de outras funções e capacidades que possuímos na condição de seres humanos, édifícil lembrar que somos os pensadores dos nossos próprios pensamentos. É fácil lembrar quenossas vozes são o produto da nossa capacidade de falar. Seria praticamente impossível nossurpreendermos ante a nossa função da fala porque estamos muito cientes de sermos nós os quecriamos o barulho. Poderíamos gritar, berrar, declamar e esbravejar, mas ainda assim não teríamosmedo do som de nossa própria voz.O mesmo poderia ser dito sobre a capacidade de ingerir e digerir alimento. Você não comeria algopara depois ficar perguntando-se por que está com certo gosto na boca - você sempre está ciente deser quem pôs a comida na sua boca.Mas pensar é diferente. William James, o pai da psicologia norte-americana, disse uma vez: "Opensamento é o grande originador da nossa experiência." Toda a experiência e percepção na vidatêm por base o pensamento. Desde que o pensamento precede a tudo e ocorre tão automaticamente,ele é mais básico e "familiar" que qualquer outra das funções que possuímos. Temos aprendidoingenuamente a interpretar nossos pensamentos como se fossem "realidade", mas o pensamentonada mais é que uma capacidade que temos - somos nós os que produzimos esses pensamentos. Éfácil acreditar que, uma vez que pensamos em alguma coisa, o objeto do nosso pensamento (oconteúdo) representa a realidade. Quando nos damos conta de que o pensar é uma capacidade e nãoexatamente uma realidade, podemos rejeitar quaisquer pensamentos negativos que passarem pornossas mentes. Em fazendo isso, começa a emergir um sentimento positivo de felicidade. Sealimentarmos pensamentos negativos (prestando-lhes atenção demais ou repisando-os), perderemoso sentimento positivo e sentiremos os efeitos da negatividade.Eis um exemplo típico da forma como o pensamento pode ser mal interpretado e como essa falta decompreensão afeta cada um de nós - o "pensador". Suponhamos que, acidentalmente, você derramaum copo dágua no chão de um restaurante e, ao levantar as vistas, vê que um homem, a duas mesasda sua, dirige-lhe um olhar que você acha reprovador. Você responde com ira. "Qual é a dessecara", você pensa. "Será que ele nunca derrubou nada? Que idiota!" Você fica frustrado com ospensamentos em torno da circunstância, que acabam estragando-lhe a tarde. A cada cinco minutosvocê recorda o incidente e, ao pensar nele, fica furioso. Mas a verdade é que aquele homem nemviu você derramar a água. Ele estava no mundo dele, reagindo aos próprios pensamentos sobre umerro que cometera no trabalho naquele dia. Ele mal poderia ter ligado menos para você. Narealidade, ele nem percebeu que você existia.Infelizmente, todos temos experimentado esse tipo de situação muitas vezes. Esquecemo-nos de queapenas estamos pensando. Enchemos nossas cabeças com informação falsa, que depoisinterpretamos como "realidade" em vez de "pensamento". Bastaria que pudéssemos lembrar que nóssomos o pensador. Se pudéssemos realmente entender isso quando pensamos em algo, sentiríamosos efeitos dos nossos pensamentos. No episódio do restaurante, poderíamos ter sido capazes deperceber que eram nossos próprios pensamentos, e não os de outra pessoa, o que nos perturbava.A compreensão do princípio do pensamento e de como ele se aplica ao conjunto da experiênciahumana é um dom valioso. Não precisamos estar em constante conflito com nosso meio e comaqueles que nos rodeiam. Podemos manter um sentimento positivo de felicidade, porque não maisnos sentimos compelidos a seguir seriamente todo o encadeamento de pensamentos que nos vier à [10]
  11. 11. cabeça. Você pode não ter controle algum sobre o que outra pessoa faz, mas pode ficar imune aosefeitos adversos do seu pensamento a respeito dela, desde que você entenda que pensa"pensamentos", e não "realidade". Seus pensamentos, não as suas circunstâncias, determinam comovocê se sente. A ausência de pensamentos negativos produz um sentimento positivo.Se você não compreender este princípio, talvez pareça que o pensamento é determinado pelo que omundo exterior está a fazer. Mas na verdade é bem o contrário. Nosso pensamento é que molda anossa experiência de vida. A forma como pensamos sobre alguma coisa e, o que é mais importante,a forma de nos relacionarmos com o nosso pensamento determinarão seu efeito sobre nós. Acircunstância externa em si é neutra. Só o pensamento confere significado a uma circunstância. Épor isso que a mesma circunstância pode significar e significará coisas inteiramente diferentes parapessoas diferentes. No nosso exemplo do restaurante, se você rejeitasse seus pensamentosnegativos, não teria se importado com o incidente. Num relacionamento salutar com seu pensar,você teria seus pensamentos, mas não "entraria na deles" nem permitiria que eles o perturbassem.NOSSO RELACIONAMENTO COM O PENSAMENTOPode-se estabelecer um continuum na compreensão de uma pessoa quanto ao relacionamento entrepensamento e realidade:"Meus pensamentos .................. "Meus pensamentos sãorepresentam a realidade." apenas pensamentos."Num dos lados o pensamento é como a "realidade". Do ponto de vista clínico, este seria o caso deum psicótico, uma pessoa que jamais usaria a palavra pensamento. Um psicótico experimentarealmente todo o pensamento como se realidade fosse. Para ele não há diferença alguma entrepensamento e realidade. Se ele pensa ouvir vozes a lhe dizerem que pule pela janela, tenta fazê-lo;se pensa que vê um monstro, foge dele. Seja qual for o conteúdo dos pensamentos dele, acredita queeles são a realidade, cem por cento do tempo.No extremo oposto do espectro está a pessoa que compreende o processo de pensamento - umapessoa que combina saúde mental e felicidade -, uma pessoa que não leva seus própriospensamentos, nem os de mais ninguém, demasiadamente a sério - uma pessoa que raramentepermite que seu pensamento a deixe abatida e estrague seu dia. Qualquer pensamento pode cruzarpela cabeça de uma pessoa situada neste lado da escala, mas ela ainda terá ciência de que "é apenasum pensamento".A maioria de nós situa-se em algum lugar entre esses dois extremos. Muito poucos de nós levamosnossos pensamentos tão a sério ao ponto de sermos considerados psicóticos. Surpreendentemente,porém, um número ainda menor compreende de verdade a natureza do pensamento, o bastante parasituar-se no extremo direito da escala. A maioria de nós não compreende que somos os pensadoresdos nossos próprios pensamentos - fazemo-los para nós mesmos. Talvez, às vezes, nos demos contadisso, mas de maneira seletiva. Nossas mentes criam numerosas exceções a este princípio, o quenos impede de compreender que precisamos implementá-lo em nossas vidas. Por exemplo, vocêpode sentir-se abatido um dia e ter o pensamento: "Nunca vou conseguir terminar este projeto." Emvez de dizer para si mesmo: "Epa, lá vêm de novo meus pensamentos", e pôr fim ao negativismosem delongas, talvez você continue na mesma cadeia de pensamento. Você dirá: "Eu bem que sabiaquando comecei; não devia ter tentado este projeto; nunca fui bom neste tipo de serviço, e nuncaserei" - e assim por diante. A compreensão adequada do pensamento nos permite sustar estes"ataques de pensamento" cotidianos antes que eles nos atinjam. Considere esse tipo de pensamentocomo se fosse estática no aparelho de televisão - como interferência. Não adianta estudar e analisara estática na tela da TV, e da mesma forma pouco adianta estudarmos a estática nos nossospensamentos. Sem uma compreensão adequada do pensamento, a mais insignificante quantidade deestática em nossas mentes pode crescer em espiral até estragar um dia inteiro ou até uma existência. [11]
  12. 12. Quando você identifica seus pensamentos negativos como estática, como interferência, pode rejeitá-los -eles não mais atendem às suas necessidades. No exemplo, os pensamentos negativos a respeitoda sua capacidade de terminar um projeto certamente não o ajudarão a concluí-lo.Todos produzimos uma corrente contínua de pensamentos, vinte e quatro horas por dia. Assim queum pensamento é esquecido, ele vai embora. Quando pensa-se nele de novo, ele volta. Mas, dequalquer maneira, ele não passa de um pensamento. No sentido prático, isso sugere que pensar emalgo não significa que devamos levar os pensamentos a sério e reagir de modo negativo. Selecione eescolha aqueles pensamentos aos quais você deseja reagir.A maioria de nós é capaz de compreender este princípio no que diz respeito a outras pessoas, masnão a nós próprios. Vejamos o caso de um motorista que trafega pela auto-estrada e fica aborrecido.Ele é cortado por outro carro, que por pouco não causa um acidente. Um pensamento lhe passa pelacabeça: "Eu deveria dar um tiro no motorista desse carro." O que houve é um pensamento, quecruzou pela mente dele. A maioria de nós desprezaria esse pensamento, considerando-o pura tolice.Todos preferiríamos que os motoristas fossem mais prudentes, mas não levamos muito a sérionosso pensamento violento. Já um psicótico pode não ser capaz de desprezar o pensamento tãofacilmente. Ele acredita veementemente que qualquer pensamento que lhe vem à mente é realidadee deve ser levado a sério.Embora possamos sentir empatia (se não rir) diante da estultice de se levar a sério um talpensamento, todos fazemos a mesma coisa, sob formas e limites diferentes, centenas de vezes acada dia. Cada um de nós, à sua maneira, confunde o seu pensamento com a realidade. Nósconseguimos ver os pensamentos de outras pessoas (como os do motorista na auto-estrada) como"apenas pensamentos", mas quase sempre deixamos de ver os nossos da mesma forma. E por quenossos pensamentos parecem tão reais? Porque somos nós que os criamos.NEM SEMPRE TEMOS DE LEVAR A SÉRIO OS NOSSOS PENSAMENTOSRara uma pessoa, o pensamento "Pergunto-me se ela gosta de mim, aposto que não gosta" seriamotivo de aflição. No entanto, esta mesma pessoa pode interpretar que o motorista na rodovia"apenas teve um pensamento". A maioria de nós acredita que, se temos um pensamento, ele mereceséria atenção e interesse, mas se mais alguém pensa alguma coisa, somos capazes de ver issosimplesmente como um pensamento que não merece atenção. Por quê? De novo, porque opensamento é algo que dá forma à realidade de dentro para fora. Por ser tão próximo a nós, é fácilesquecermos que somos nós que o fazemos. O pensamento ajuda-nos a entender o que vemos -precisamos dele para sobreviver no mundo e dar significado à vida. Quando entendemos averdadeira natureza e finalidade do pensamento, porém, não é preciso que nos preocupe muito (ouque levemos demasiadamente a sério) tudo o que por acaso pensamos; podemos relaxar.O nosso pensar não é "realidade", mas apenas uma tentativa de interpretarmos uma dada situação.A nossa interpretação do que vemos cria uma resposta emocional. As nossas respostas emocionaisnão são, portanto, o produto do que nos acontece, mas decorrência do nosso pensar, do nossosistema de crenças.À guisa de ilustração, usemos o exemplo do circo que chega a uma cidade. Para as pessoas efamílias que adoram circo, esse é um grande motivo de comemoração. Para aqueles que não gostamde circo, o incremento de tráfego e a confusão provocam preocupação. O circo em si é neutro - elenão é a causa de reações positivas ou negativas. Podemos pensar em muitos exemplos similares.Quando compreendemos o conceito, nossos pensamentos podem ser para nós uma dádivaformidável e ajudar-nos em nossas vidas. Inversamente, podemos virar vítimas do nosso pensar, e a [12]
  13. 13. nossa qualidade de vida pode diminuir. Visto que nossos pensamentos mudam de um momento paraoutro, a vida pode virar uma luta, se não um campo de batalha.Nosso nível de felicidade parece estar sujeito aos altos e baixos das nossas circunstâncias. Narealidade, não são as circunstâncias, mas a nossa interpretação delas, o que determina o nosso nívelde bem-estar. É por isso que circunstâncias idênticas podem ter significação diferente paradiferentes pessoas. Aprenda a ver os pensamentos negativos como uma forma de estática mental, evocê poderá parar de prestar-lhes tanta atenção.A compreensão da natureza do pensamento permite-nos viver num estado de repouso, um estado desentimento neutro, positivo, de felicidade e contentamento despreocupado. Quando temos a atençãodesviada daquilo em que estamos pensando, particularmente quando é algo negativo, ficamos comum sentimento bom e confortável. Isso não visa de modo algum sugerir que não precisamos pensar- certamente precisamos. Apenas sugere que pensamentos negativos - pensamentos que causamaflição e infelicidade - não merecem ser alimentados porque afastam o que estamos a procurar, umsentimento de felicidade. Esse contentamento cria espaço necessário em nossas mentes parapensamentos novos e criativos entrarem, permitindo-nos ter esse atributo infantil que consiste emfocalizar serenamente aquilo que devolve à vida o prodígio e a aventura.Esse foco sereno permite-nos escutar as pessoas amorosamente. Ele nos possibilita dar ouvidos atéa crítica, de modo tal que ela não nos incomoda porque não estamos mais analisando - estamosmeramente absorvendo informação.Em última análise, o relacionamento que você tiver com seu próprio pensamento determinará a suasaúde mental e a na felicidade. Você acredita que, pelo fato de pensar alguma coita, ela deve serlevada a sério? Ou você entende que pensar é algo que você faz em virtude da sua condiçãohumana, c que precisa não confundir pensamento com realidade? Você pode ter pensamentos edeixá-los passar, focalizando-os serenamente, ou sente-se compelido a considerá-los ou analisá-los? LAURA E STEVELaura dirige a caminho de um encontro com seu namorado, Steve. No percurso ela ouve notíciaspelo rádio sobre o número de casamentos que acabam em divórcio. Ela começa a pensar:"Pergunto-me se Steve e eu vamos casar. Pergunto-me se vale a pena. Nosso casamento seria bom?Steve tem muitas das características de seu pai, divorciado. Ele se atrasa com freqüência e tende atrabalhar demais. Pergunto-me se de se importa tanto comigo quanto com seu trabalho. Pergunto-me se nossos filhos seriam tão importantes quanto o trabalho." E ela continua perdida emdivagações.O pensamento de Laura ocorreu automaticamente. Essas cogitações tiveram lugar num instante.Comparemos o efeito delas com base no relacionamento de Laura com seu próprio pensar.Primeiro, suponhamos que Laura (como a maioria das pessoas) acredita que se algo passa-lhe pelamente deve merecer atenção e ser levado a sério. Ela não tem verdadeira consciência de que está acriar seus pensamentos, mas presume que o conteúdo destes deve ser relevante. Agora, ela sente-sejustificadamente preocupada com seu relacionamento e decide trazer o tema à baila em conversacom Steve. O resto do percurso transcorre sob o signo da preocupação.Agora, consideremos uma alternativa. Nela, Laura compreende como seus pensamentos criam a suaexperiência de vida. Pensamentos idênticos passam pela mente de Laura, e por um momento ela [13]
  14. 14. começa a sentir seus efeitos adversos. Então ela lembra que foram seus pensamentos, e não Steve,que causaram-lhe preocupação quanto ao relacionamento dos dois, que até aquele momento estavaótimo. Poucos segundos atrás, antes do noticiário, ela estivera refletindo sobre como tudo pareciaestar correndo bem - ela estava naquele agradável estado de sentimentos em que limitava-se apensar seus pensamentos, sem analisá-los. Ela dá um risinho e sente-se grata por não mais ter de servítima dos seus próprios pensamentos. Ela passa a focalizar com serenidade e rejeita seuspensamentos. Depois passa o resto do percurso a curtir sua música preferida e sua felicidade.TENDO A OPÇÃO DE AGIR SOB A INFLUÊNCIA DOS NOSSOS PENSAMENTOSA maioria de nós supõe que se algo lhe vem à mente, é por alguma razão; deve ser representativo darealidade, merecedor da nossa atenção, e tem de ser enfrentado. Se compreendemos o princípio dopensamento, no entanto, sabemos que isso é um erro mental. Se algo lhe vem à mente, reconheça-ocomo o que é - um pensamento fugaz. Isso não significa que não possamos ou não devamosponderar o pensamento ou agir sob a sua influência, pois ele de fato fornece uma opção. Milharesde pensamentos passam por nossas mentes todos os dias; de acordo com o princípio do pensamento,nenhum é mais importante do que o seguinte, cada um é apenas um pensamento. Quandocompreendermos este princípio, aquilo em que pensamos deixará de ter o poder de determinarcompletamente a nossa qualidade de vida. Nós podemos, isto sim, optar por permanecer no estadode sentimento mais agradável que resulta de focalizar o pensamento mais serenamente.A razão pela qual podemos assistir a um filme perturbador ou até aterrorizante e depois sair parajantar é que sempre aos mantemos a um passo de distância da fita. Compreendemos que é apenasum filme. Quando ele acaba, acabou. Já mão está conosco, nós continuamos com nossas vidas. Omesmo vale para o pensamento. Ele está somente em nossas mentes. Quando um pensamento sai damente, vai embora -até pensarmos nele de novo. Não há nada a temer do pensamento em si, desdeque compreendamos que é apenas um pensamento.Talvez o maior mal-entendido quanto a este princípio é acreditar que o objetivo é controlar aquiloem que se pensa. Não é nada disso. O objetivo é compreender o pensamento como o que ele é: umacapacidade que você possui de moldar a sua realidade de dentro para fora. Nada mais, nada menosdo que isso. Aquilo em que você pensa não vai determinar em última análise a sua qualidade devida, antes sim o relacionamento que você mantém com o seu próprio pensar - como você fabricapensamentos e responde a eles. Você ouve o seu pensar como realidade, ou como um pensamento? UMA ANALOGIA COM O SONHOÉ comum acordar de manhã e dizer: "Opa, esse sonho pareceu real mesmo." Mas por mais real queo sonho parecesse, nós admitimos que é um sonho. Portanto, se sonhamos que levamos o carro parao mecânico consertar, e ele fez o problema piorar, não vamos aparecer na oficina para reclamar.Compreendemos que sonhar nada mais é que pensar enquanto estamos dormindo. Quandoaplicamos a mesma analogia ao princípio do pensamento, do pensamento em estado de vigília, quetambém parece real enquanto acontece, não precisamos mais interpretá-lo como verdade.OS DOIS ASPECTOS DO PENSAMENTOHá dois aspectos do pensamento cuja compreensão é muito importante. Primeiro, o fato depensarmos, de termos essa função humana. Não se trata de compreender aquilo em que pensamos(o conteúdo), mas de reconhecer que nós somos os pensadores que produzem os pensamentos queconstantemente passam por nossas mentes. O segundo aspecto, aquele que é geralmente tratado, é oconteúdo, ou aquilo em que estamos pensando. Há uma diferença fundamental entre ambos. Osdefensores do pensamento positivo sugerem pensar pensamentos positivos o quanto a gente puder eevitar absolutamente o pensamento negativo. Muito embora seja verdade que pensar pensamentospositivos faz com que nos sintamos melhor do que pensar pensamentos negativos, o pensamento [14]
  15. 15. positivo é um conceito errôneo, baseado na suposição de que o pensamento, em si e por si, tem umarealidade com a qual precisamos nos preocupar. O pensamento, quer seja positivo ou negativo, nãodeixa de ser apenas uma função.Quando entendemos o pensamento como o que ele verdadeiramente é, vemos pensamentospositivos ou negativos como o que são. Um pensador positivo está constantemente sob pressão paraproduzir somente pensamentos positivos, o que demanda enorme esforço e concentração, deixandopouca energia para pensamentos novos e criativos. Quando pensamentos negativos de fatopenetram na mente (coisa que há de acontecer cedo ou tarde), um pensador positivo tem de negarque eles existem e suprimi-los com pensamentos positivos.As pessoas que compreendem a natureza do pensamento não estão submetidas à pressão deproduzir conteúdo algum específico ao pensarem. Elas vêem o pensamento como o que de é: umafunção da consciência, uma capacidade voluntária molda a nossa experiência de vida. Por acasoisso significa pessoas que compreendem que o pensamento é uma função hão de pensarpensamentos negativos intencionalmente? Não, claro que não. Nem quer dizer que os pensamentosnegativos não entrarão jamais nas mentes delas. Elas simplesmente compreendem que ospensamentos negativos, em si e por si mesmos, não têm de modo algum o poder de prejudicá-las.Para elas, pensamentos, positivos ou negativos, são simplesmente pensamentos.A HISTÓRIA DE STACEYO pensamento enquanto pura função da consciência não tem conteúdo algum até nós ointroduzirmos. Nossas crenças, idéias a respeito da vida, suposições subjacentes e opiniõesdeterminarão o conteúdo que introduzimos no nosso pensamento, mas o pensamento em si éinócuo, um conceito vazio até que nós o preenchemos com significado. Suponhamos por exemplo,quando Stacey era uma criancinha, seus pais contrataram uma babá que passava a noite no empregopara ajudar a tomar conta dela. Quando Stacey se tornou adulta, acreditava que o elemento maisimportante para ser boa mãe era passar a maior quantidade de tempo possível com seus filhos. Umdia, ao refletir sobre seus pais, veio-lhe à mente o pensamento de que seus pais não eram tãoatenciosos quanto poderiam ter sido. Afinal, eles tinham contratado para ela uma babá que passavaa noite no emprego. Por que eles não quiseram tomar conta dela? Talvez não se importassem comela tanto quanto diziam.Mas como é que ela sabe disso? Em que baseia essa conclusão? Quem é que acabou de introduzir oconteúdo nos seus pensamentos sobre o papel dos pais? Foi ela. Veio-lhe à mente um pensamentosobre seus pais - em princípio, um pensamento simples, até ela acrescentar o conteúdo que dizia:"Talvez meus pais não se importassem tanto assim como eu sempre achei." Não importa que Staceytivesse um relacionamento perfeitamente sadio e amoroso com seus pais - um pensamento surgiu namente dela. Se ela levar este pensamento a sério e concordar com ele, certamente ficará deprimida.Ela poderia comentar o assunto com seus amigos, seu marido ou, se parecesse realmenteimportante, poderia até trazê-lo à baila em conversa com seus pais e discutir com eles. De fato, apsicologia popular sugeriria que ela fizesse justamente isso -analisar a estática, depois agir emfunção dela. A idéia de se tirar um peso do peito e exprimir os sentimentos é tida como boa - masserá que sempre o é? Se Stacey compreendesse qual era realmente a origem de seus sentimentos,optaria por trazê-los à baila perante seus pais?Esse pesar todo, e muitos mais como ele, decorre de uma simples má interpretação da natureza dopensamento. Em lugar de entender seu pensar como algo que ela estava a fazer constantemente,Stacey tendia a levar muito a sério seus pensamentos. Tivesse Stacey reconhecido o que se passava,poderia ter rejeitado seus pensamentos negativos sobre a sua criação - o que lhe permitiria manterum sentimento positivo, e sentir-se segura quanto à sua vida. [15]
  16. 16. A história de Stacey e da babá que passava a noite no emprego voltará a ser motivo de atenção nostrês capítulos seguintes para demonstrar como os cinco princípios trabalham juntos para criaremuma vida feliz.SISTEMAS DE PENSAMENTOTodos os nossos pensamentos passados podem ser agrupados no nosso "sistema de pensamento",uma unidade autocontida através da qual vemos o mundo. Toda decisão, reação e interpretação quetemos é matizada pelo nosso sistema de pensamento individualizado.Nosso sistema de pensamento é como um filtro através do qual passa a informação antes de chegarà nossa percepção. Ele é um padrão de pensamento complexo, perfeitamente elaborado,concatenado dentro de conceitos, crenças, expectativa e opiniões. Nosso sistema de pensamento éque nos possibilita comparar fatos ou situações novas com o que já conhecemos de experiênciasanteriores.O seu sistema de pensamento contém toda informação acumulada por você ao longo da suaexistência. É da informação do passado que seu sistema de pensamento se vale para interpretar asignificação relativa de tudo o que acontece na sua vida. Nesse sentido, um sistema de pensamentoé a fonte do pensamento condicionado. Quando você conta com ele, está pensando da maneirahabitual, o seu jeito usual de ver as coisas. É aqui que configuram-se suas reações habituais perantea vida.Os sistemas de pensamento contêm a nossa perspectiva de "como a vida é". Eles são osmecanismos psicológicos que nos convencem quando estamos certos, exatos na nossa compreensãoou justificados. Por natureza, os sistemas de pensamento são teimosos e não gostam de que se mexacom eles. Eles são absolutamente autoconfirmáveis. Se você tem um sistema de pensamento queinclui a idéia de que as escolas do nosso país são péssimas e causam a maioria dos nossosproblemas como nação, o cenário a seguir seria possível. Você está lendo o jornal da tarde e napágina trinta e seis depara-se com um artigo perto do pé da página que diz: "Vinte e um alunosreprovados no exame de alfabetização no distrito." Você sorri; mais uma vez fica provado que estácom a razão. Você mostra o artigo para sua esposa: "Veja só, querida, nossas escolas estãoacabando. É bem como eu já lhe falei." Você não sabe que na primeira página do mesmo jornal selê nas manchetes: "O teste das escolas no país melhorou dezessete por cento nos últimos cincoanos!" Mas é essa a natureza dos sistemas de pensamento. Pela forma como eles estão ligados emnossas mentes, sempre parecerá existir uma conexão lógica entre coisas que achamos verdadeiras.Nossas crenças sempre farão perfeito sentido para nós, dentro do nosso próprio sistema depensamento.Nossos sistemas de pensamento levam-nos a acreditar que somos realistas e que vemos a vida comoela realmente é. O fato de uma pessoa ver numa situação uma oportunidade e outra pessoaigualmente inteligente ver na mesma situação um problema importante não incomoda ao sistema depensamento. Nosso sistema de pensamento despreza o ponto de vista do outro, considera-odescaminhado, bem-intencionado, mas errado, ou não muito certo.Já que nossos sistemas de pensamento estão cheios de nossas recordações do passado, informaçãoque temos acumulado ao longo das nossas existências, eles encorajam-nos a continuar a ver ascoisas do mesmo jeito. Nós reagimos negativamente (ou positivamente) às mesmas situações oucircunstâncias repetidas vezes, interpretando as nossas atuais experiências na vida como o temosfeito no passado. Alguém que acredita que as pessoas são inerentemente críticas ficará na defensivatoda vez que qualquer um lhe oferecer uma sugestão, tanto faz se esta pessoa pretende ou não sercrítica. Isso se tornará uma característica na vida daquela pessoa, a menos e até ela compreender anatureza dos sistemas de pensamento, particularmente do seu próprio. A compreensão deste [16]
  17. 17. conceito há de ajudá-la a perceber que não está vendo a realidade, ou a verdade, mas umainterpretação da realidade através do seu próprio pensar.Por estarmos tão familiarizados com nossos sistemas de pensamento, eles parecem-nos darinformação verdadeira e precisa. Devido ao aspecto autoconfirmativo dos sistemas de pensamento,nós aceitamos idéias conhecidas e desconsideramos o resto. É por isso que as pessoas raramentemudam suas opiniões políticas ou religiosas, e hesitam até em discuti-las com seus amigos efamiliares. Elas "sabem a verdade" e podem apresentar exemplos e argumentações para sustentarsuas afirmações. Elas também "sabem" que suas famílias e amigos "não compreendem a verdade" epor serem teimosos provavelmente nunca a compreenderão. Nós conhecemos o resultado quando ascabeças fecham-se para os sistemas de pensamento de outros - geralmente todas as partesenvolvidas sofrem frustração. É por isso que as pessoas sentem-se atraídas por outras quecompartilham suas crenças, e ficam impacientes com aquelas que não o fazem.A compreensão da natureza dos sistemas de pensamento rode mudar isso. Quando sabemos queoutras pessoas (e nós mesmos) interpretam ingenuamente suas crenças como se realidade fossem,podemos abrir mão da necessidade de ser donos da razão. Podemos ver que nossas crenças sãomeramente função de condicionamento e experiências. Se nosso passado tivesse sido diferente,nossas idéias sobre a vida seriam diferentes. As crenças de outras pessoas também resultam de suasexperiências passadas. Se as coisas tivessem sido diferentes. teria surgido um conjunto de crençastotalmente diferente."Isso pode até ser verdade", você diz, "mas a minha visão da vida é boa e eu não só continuo apensar que é exata, como não a modificaria nem se pudesse." A questão aqui não é você mudar oseu sistema de crenças sobre a vida, mas perceber a sua natureza arbitrária. Nós só precisamosenxergar o fato dos sistemas de pensamento, não mexer com os conteúdos, para reduzir a frustraçãoem nossas vidas. A menos que compreendamos os sistemas de pensamento, raramenteconseguiremos ouvir outros pontos de vista. Nós interpretamos o que outros dizem e fazem combase no que já sabemos. A informação chega e nós decidimos se ela faz sentido com base no nossoconhecimento prévio. A menos que a informação seja algo com o qual nós já concordamos, o nossosistema de pensamento tenderá a desprezá-la. Para encurtar: a nova informação geralmente não ébem-vinda dentro dos nossos sistemas de pensamento preexistentes. Por isso, podemos nosaborrecer repetidas vezes ante os mesmos acontecimentos ou circunstâncias, do princípio ao fim dasnossas existências. Temos desenvolvido relações causa-e-efeito recorrentes entre certos eventos ereações.Por exemplo, você pode acreditar que sempre que alguém lhe dá uma sugestão isso quer dizer queesse indivíduo desaprova você como pessoa. Você nem vai questionar isso, porque seu sistema depensamento o confirmará. Sempre parece ser uma suposição verdadeira e precisa sobre a naturezahumana. Mesmo se alguém afirmar que essa suposição é infundada, você se convence de que essaoutra pessoa tem motivos escusos ou não está ciente da hostilidade dela em relação a você. Por maistempo que isso leve, você procurará verificar suas crenças preexistentes a fim de provar que estácom a razão, mesmo à custa da sua própria infelicidade.Mas se você entende a natureza dos sistemas de pensamento, pode começar a ver para além deles, ecaptar o valor de outros pontos de vista. Aquilo que costumávamos interpretar como crítica passaagora a ser visto simplesmente como uma opinião de outra pessoa baseada no sistema depensamento dela. Podemos praticamente eliminar discussões vãs em nossas vidas e pararmoscompletamente de nos sentir ressentidos, confusos ou zangados quando outros não vêem as coisasdo jeito que nós as vemos. Na verdade, quando compreendermos a índole teimosa dos sistemas depensamento, já estaremos preparados para aceitar que os outros não vejam as coisas do nosso jeito. [17]
  18. 18. Bob e Carol e Ted e AliceO "casal A", Bob e Carol, tem compreensão dos sistemas de pensamento. O "casal B", Ted e Alice,não tem.O casal A, Bob e Carol, tem um filho pequeno a quem ambos amam muito. Bob, na tentativasincera de ajudar a aliviar algumas responsabilidades da sua esposa, propõe-se a destinar tempolivre para levar o filho ao médico a fim de tomar suas injeções. Ele não acha que isso seja a partemais prazenteira da criação dos filhos, mas mesmo assim se oferece rira fazê-lo. Carol, que acreditaque levar seu filho ao médico é uma forma importante de demonstrar seu amor, aprecia a ajudaoferecida pelo marido e agradece-lhe, mas recusa-a. Ela sabe que o sistema de pensamento domarido inclui modos de oferecer ajuda diferentes dos seus. O que é mais importante, Carolcompreende que ela tem seu próprio sistema de pensamento, com diferentes necessidades, crenças edesejos em relação à maternidade. Ela decide com serenidade que prefere fazer isso pessoalmente.Casal B: mesmo cenário, diferente nível de compreensão. Ted. que se importa com seu filho tantoquanto Bob, oferece a mesma ajuda. Alice não entende de sistemas de pensamento, Para ela,oferecer esse tipo de ajuda equivale a afirmar que ela não é boa mãe. Ela jamais ofereceria esse tipode ajuda às suas irrigas (salvo numa emergência) porque "sabe" que levar o filho para tomar injeçãoé uma exigência do papel de mãe responsável. Ela responde ao marido acusando-o de não respeitarseus atributos maternais. Como Ted não tem melhor compreensão dos sistemas de pensamento daque ela tem, chama Alice de "pessoa ingrata". Segue-se uma discussão e marido e mulher acabamficando infelizes durante dias. Este é apenas um exemplo das discussões típicas que podem resultarda falta de compreensão dos sistemas de pensamento.Se Ted ou Alice tivessem essa compreensão, a discussão nunca teria acontecido. A esposa teriaouvido o oferecimento do marido e, não importando o que sentisse, teria respondido : "Não,obrigada. Gostaria de ir eu mesma" - ou algo nesse sentido. Se Ted compreendesse os sistemas depensamento, teria acabado com o problema logo no início reconhecendo a reação de Alice comofunção do seu sistema de pensamento. Ele teria conseguido explicar seu desejo de ajudar de modoamoroso e sem ficar na defensiva. Mesmo se ela não reagisse bem à sua explanação carinhosa, elenão encararia a investida dela como algo tão pessoal. Teria, em vez disso, equiparado o problema adois sistemas de pensamento jogando pingue-pongue, que era justamente o que estava acontecendo.Dois sistemas de pensamento não podem enfrentar-se olhos nos olhos, assim como duas pessoasque falam línguas diferentes não podem se entender sem um intérprete.É interessante notar que Carol queria tanto quanto Alice incumbir-se de levar o filho ao médico. Adiferença de comportamentos não decorria das opiniões ou circunstâncias de cada uma delas, masda compreensão. Carol sabia que suas opiniões tinham origem no seu sistema de pensamento, masAlice acreditava que sua opinião resultava do fato de ser mãe. Ela acreditava que certas obrigaçõesinerentes ao papel da boa mãe eram mais importantes que outras, e interpretou o oferecimento domarido de compartilhar as responsabilidades como uma crítica a seus dons maternais.Quando compreendemos como funciona nosso sistema de pensamento, podemos evitar esse padrãode discussões desnecessárias similares e a conseqüente infelicidade. [18]
  19. 19. DOIS O PRINCÍPIO DOS ESTADOS DE ÂNIMO O tempo esfria, o tempo clarifica; nenhum estado de ânimo pode manter-se absolutamente inalterado no decorrer das horas. - Thomas MannASSIM COMO ESTAMOS CONSTANTEMENTE pensando como seres humanos, o nosso nívelde consciência de que nós fazemos o pensamento está a mudar constantemente. Essa constantealteração da nossa percepção de nós mesmos como pensadores é o que se conhece por "estados deânimo" variáveis. Para cima, para baixo, para cima, para baixo, a cada minuto, a cada dia, nossonível de disposição de ânimo está em constante movimento. Para algumas pessoas, as alterações deânimo são ligeiras - para outras, extremas.Em qualquer caso, o fato persiste: nunca ficamos emocionalmente numa situação por muito tempo.Bem no momento que a vida parece correr tranqüilamente, pimba!, nosso nível de ânimo despencae a vida parece cambalear novamente. Ou. quando a vida parece sem esperança, nosso estado deânimo eleva-se e tudo parece andar direito de novo.Quando você está de alto-astral, a vida parece boa. Você possui perspectiva e bom senso. De alto-astral, as coisas não parecem tão difíceis, os problemas parecem menos terríveis e mais fáceis deserem resolvidos. No alto-astral, os relacionamentos fluem suavemente e a comunicação é fácil eencantadora. De baixo-astral, a vida parece insuportavelmente séria e difícil. Você tem poucaperspectiva; parece como se as pessoas estivessem no seu encalço. A vida parece girar só em tornode você. Você encara as coisas muito pessoalmente e com freqüência interpreta mal aqueles que ocircundam. Essas características dos estados de ânimo são universais. Elas são válidas para todomundo. Não existe pessoa viva que seja feliz, com quem seja divertido estar e que fiquedespreocupada quando está de baixo-astral, ou que possa ficar chateada, na defensiva, zangada eemburrada estando de alto-astral.NOSSOS ESTADOS DE ÂNIMO ESTÃO SEMPRE MUDANDOAs pessoas não se dão conta de que seus estados de ânimo estão sempre modificando-se. Elastendem a pensar que suas vidas pioraram de repente no último dia, ou na última hora. Vejamos oexemplo de um paciente que me procurou inicialmente porque notava que estava tendo gravesproblemas de relacionamento com sua esposa. Ele compareceu ao meu consultório dois diasconsecutivos. No primeiro dia ele estava resplandecente, até gabando-se do muito que se divertiracom a esposa no fim de semana. Segundo ele descreveu, os dois tinham rido, brincado, conversadoe dado românticas caminhadas. Ele estava evidentemente de alto-astral. No dia seguinte ele chegoureclamando da falta de gratidão que sentia da parte da sua esposa, diante de tudo o que estavafazendo por ela. "Ela nunca dá valor ao que faço", disse. "Ela é a pessoa mais ingrata que jáconheci."-E quanto a ontem? - eu perguntei. - Você não esteve falando-me de como tudo era maravilhosoentre vocês?-Estive sim, mas estava totalmente errado. Estava enganando-me, como tem acontecido durantetodo o tempo que levamos casados. Acho que quero o divórcio. [19]
  20. 20. Um contraste tão rápido e completo pode parecer absurdo, até engraçado - mas todos somos assim.Estando de baixo-astral, nós perdemos a capacidade de ouvir, e a nossa perspectiva foge pela janela.A vida parece séria, importante e urgente.ESTADOS DE ÂNIMO SÃO PARTE DA CONDIÇÃO HUMANAOs estados de ânimo são uma condição humana. A gente não pode evitá-los. Você não vai parar demudar de estado de ânimo lendo este livro - isso não pode acontecer. O que pode acontecer é vocêconseguir compreender que os estados de ânimo fazem parte da tarefa de ser humano. Em vez deficar atolado no baixo-astral, convencido de que está vendo a vida de modo realista, você podeaprender a questionar seu julgamento quando está nesse estado. Você sempre verá a vida e osacontecimentos nela diferentemente com diferentes estados de ânimo. Quando você estiver debaixo-astral, aprenda a passar por ele como o que é, simplesmente: uma condição humanainevitável que passará com o tempo, se a deixar sozinha e evitar dar-lhe muita atenção.Com a compreensão dos estados de ânimo, podemos aprender a prezar nossos altos e ser dignos nosbaixos. Isso contrasta nitidamente com o que a maioria de nós faz quando está de baixo-astral -tentamos pensar, imaginar ou forçar um jeito de sair dele. Mas a gente não pode forçar a saída dobaixo-astral, assim como não pode forçar-se a curtir quando fizer algo que não lhe agrada. Quantomais esforço (ou pensamento) você põe nisso, mais fundo mergulha.Como a vida parece muito séria quando estamos de baixo-astral, ela carrega um senso de urgênciainerente. É por isso que a maioria das pessoas tem suas discussões mais sérias estando de baixo-astral, e esse é um dos problemas centrais nos relacionamentos. O simples ato de reconhecermosum estado mental de decaimento, em nós mesmos ou em outros, pode mudar o curso de umrelacionamento.O mesmo comportamento de nossos filhos que é gracioso quando estamos de alto-astral, é irritantequando estamos de baixo-astral. Mas uma vez que entendermos o princípio dos estados de ânimo,não confundiremos nossos filhos quando estamos de baixo-astral, acusando-os injustamente - paradepois termos de gastar tempo e energia, quando estamos de alto-astral, desculpando-nos por nossaspalavras e atos. Isso se aplica também quando lidamos com outras pessoas, que não nossos filhos, eem qualquer situação. Quando compreendermos o quanto nossos estados de ânimo influem sobre anossa perspectiva, não precisaremos mais reagir ou ser vítimas deles. As coisas acabarão nosparecendo muito diferentes se as deixarmos como estão por enquanto.SEUS ESTADOS DE ÂNIMO MUDAM, NÃO SUA VIDAUm estado de alto-astral, sentimento positivo, funcionamento psicológico sadio - "esse certosentimento". Nesse estado mental, não é necessário fazer ajuste algum mental; você sente-se bem.Mas o que dizer daquelas vezes em que você não se sente tão bem assim? A compreensão dosestados de ânimo permite recuperar esse estado sadio rapidamente depois de tê-lo perdido. Quandovocê entende que é seu ânimo- não sua vida - o que mudou de repente, passa a ter uma perspectiva melhor. Essa novaperspectiva ensina a gente a levar os pensamentos menos a sério quando não se sente bem- a pensar mais devagar e desviar a atenção daquilo em que se está pensando. Você será maiscortês e paciente com seus estados de ânimo, o que ajuda a retornar a um estado de funcionamentosadio. [20]
  21. 21. Você se lembra de Stacey e da babá que passava a noite no emprego? Como poderia afetar aquelasituação uma compreensão dos estados de ânimo? Se você observar atentamente, notará que todasituação desse tipo tem a ver com o estado de ânimo. Quando Stacey cai num baixo-astral, comoqualquer outra pessoa, produz pensamentos negativos sobre a vida. Neste exemplo, ela estavaproduzindo pensamentos negativos sobre seus pais, por causa da decisão deles de contratar umababá que passava a noite no emprego para tomar conta dela quando era criança. Se vocêperguntasse a ela no dia anterior, quando estava com melhor astral (estado de sentimento positivo),se estava ligando para essa velha questão, ela provavelmente teria rido. Talvez ela até dissesse:"Pois é, essa é uma ótima idéia, talvez eu devesse tentar com o meu filho."Não deixo de levar em conta o fato de que há vezes em que você chega às mesmas conclusões arespeito de situações, independentemente do seu estado de ânimo. Mas o que você acha sobrealguma coisa sempre dependerá do seu estado de ânimo. Stacey poderia achar, mesmo estando demelhor astral, que contratar uma babá que passe a noite no emprego não é boa idéia para ela, masnão seria tão prejudicialmente afetada por seus pensamentos.É razoável todos termos ciência do nosso nível anímico, sobretudo quando estamos abatidos. SeStacey tivesse entendido que estava de baixo-astral, esperaria a reação que teve ante seuspensamentos com relação à decisão de seus pais. Ela saberia que estava tendo uma reação de baixo-astral e que seria melhor reconsiderar seus sentimentos quando se sentisse melhor.Tudo parece diferente com diferentes estados de ânimo. Se compreendemos este princípio, a nossacompaixão por nós mesmos e por outros aumenta radicalmente. Saberemos que às vezes nossosparceiros ou amigos verão o lado luminoso, a oportunidade, numa situação, e outras vezes verão emtudo um problema potencial ou real. Se você aprender a reconhecer os estados de ânimo de outraspessoas, vai parar de julgá-las quando elas vêem o lado mais escuro da vida. Quando de baixo-astral, nós todos vemos o lado mais escuro. Uma compreensão dos estados de ânimo permitirá quevocê se recorde:"É claro que eles vêem isso dessa maneira estando de baixo-astral." Sem uma tal compreensão,você achará que outras pessoas são pessimistas, negativas ou sem visão. Você esquece que umahora atrás a mesma pessoa interpretou a mesmíssima circunstância de modo inteiramente diferente.Quando começamos a reparar nos nossos próprios níveis de ânimo, de repente, o estado de ânimoem si torna-se responsável, não importa o momento, pelo nosso ponto de vista quanto à vida. Numestado mental mais elevado veremos a mesma situação de modo diferente. Isso não é renegar daresponsabilidade, mas um fato da vida que aplica-se a toda e qualquer situação em que já estivemos(ou estaremos) envolvidos.NÃO LEVE O BAIXO-ASTRAL MUITO A SÉRIOSe não compreendermos o poder dos estados de ânimo, tenderemos a dar muita importância ao quenosso parceiro (ou qualquer outra pessoa) nos diz. Assim que tivermos compreendido o princípiodos estados de ânimo, veremos que esse é um contexto convidativo para os problemas. Quanto maistempo passamos com alguém, mais provável é que o vejamos nos seus momentos de baixo-astral.Estando de baixo-astral, qualquer pessoa poderá nos dizer coisas que desejaríamos não tivesse dito.Os problemas de relacionamento mais sérios afinal nada mais são que o resultado de dois parceirosque adquiriram o hábito de levar os baixos-astrais do outro demasiadamente a sério. Ainevitabilidade do enfoque e o comportamento de nosso parceiro no momento de baixo-astral osproblemas que tínhamos certeza de ter há tanto tempo, parecem menos terríveis quando aprendemosa prestar atenção cuidadosa e respeitosa ao nível anímico dos nossos parceiros, e os "deixamos empaz" no baixo-astral. Com muita freqüência, deixar as pessoas sozinhas quando estão em estado deabatimento mental é tudo o que elas precisam para saírem por si mesmas desse estado e [21]
  22. 22. recuperarem o bom senso e um sentimento mais positivo. A última coisa que elas precisam ouquerem é alguém a questioná-las ou discutir com elas. Fazer isso reforçaria e aprofundaria o estadode ânimo delas, encorajando mais situações parecidas. A maioria dos parceiros não dão um ao outroo espaço que precisam quando estão de baixo-astral; pelo contrário, reagem como se o que oparceiro está dizendo ficasse talhado em pedra. Mas não fica! Quando a pessoa sair do baixo-astrala sua atitude será mais moderada e será mais fácil estar perto dela.Quando você experimentar este princípio em ação ficará agradavelmente surpreso ao ver com querapidez e facilidade situações embaraçosas se resolvem por si mesmas. O segredo consiste ementender que as palavras e ações do nosso parceiro, assim como as nossas, dependem do estado deânimo. Quando começarmos a ver a verdade contida neste princípio, não ficaremos a procurarparceiros alternativos para substituir os que já temos. Em lugar disso perceberemos que qualquerpessoa que conheçamos, em qualquer canto do mundo, vai ler uma porção de baixos-astrais. Aconstante mudança de parceiro, achando que outro alguém seria melhor, perde seu apelo: não hápessoa alguma que não passe por altos e baixos no estado de ânimo. Aprenda a apreciar ecompreender o parceiro que você já tem - e aprenda a curtir cada pessoa nova que conhecer.Se bem podemos ser compassivos e compreensivos com os outros quando estão de baixo-astral, nosnossos baixos-astrais necessitamos parar de dar ouvidos a nós mesmos. Apesar da urgência quesentimos, nos nossos estados mais deprimidos nunca veremos as coisas em perspectiva. Se algumacoisa parece importante neste instante, ainda estará ali quando nos sentirmos melhor e maispreparados para lidar com ela. A via mais rápida para um melhor astral é não fazermos caso decomo nos sentimos quando estamos de baixo-astral. A quantidade e a qualidade do nossopensamento nos deixam abatidos. Quando aprendermos a desconsiderar pensamentos negativos,nosso sentimento positivo voltará logo.Não pretendo sugerir que só os altos-astrais são representativos da realidade, ou que nossos baixos-astrais são imposturas. Tanto os altos quanto os baixos-astrais parecerão reais e justificados dentrode si mesmos. Quando você está de baixo-astral, a forma de ver as coisas sempre parece razoável.De fato, você não pode vê-las de outro modo. O truque não é ver a situação de maneira diferente,mas reconhecer o estado mental em que você se encontra, e compreender que, quando estiver debaixo-astral, gerará pensamentos negativos. A mesmíssima circunstância com a qual você estáenvolvido hoje parecerá muito diferente amanhã, ou talvez até daqui a dez minutos. Se você puderdeixar de lado a preocupação, e espantar o baixo-astral, o seu nível de bem-estar subirá de novo.Quando seus sentimentos forem mais importantes para você do que seu pensar, a qualidade dessessentimentos melhorará.NÃO TENTE RESOLVER SEUS PROBLEMAS ESTANDO DE BAIXO-ASTRALQuantas vezes você já se pegou a dizer: "Esse não parecia eu", ou "Não pode ter sido eu quem falou- será que perdi a cabeça?" Há notícia boa e ruim quanto a essa tendência habitual. A notícia ruim éque foi você quem falou, como já foi antes e sempre será quando perder a sua perspectiva no futuro.A boa notícia é que se tratava apenas de você num baixo-astral; foi papo de baixo-astral. Se o seunível anímico fosse superior, suas circunstâncias teriam parecido completamente diferentes e vocêteria se comportado de maneira diferente.A boa notícia, no sentido prático, é que de agora em diante você pode reconhecer e identificar osbaixos-astrais quando estiver neles. Respeite o poder de um baixo-astral, a certeza com que você vêo lado escuro e problemático de uma situação. Em virtude da natureza dos estados de ânimo, vocênão verá as coisas de outro jeito enquanto estiver num deles. Mas você pode aprender a desconfiarde si mesmo e dos pensamentos que gera quando acaba num baixo-astral. Se um problema genuínoexistir quando você estiver abatido, não se preocupe - o problema ainda estará aí quando seu estadode ânimo melhorar. E quando isso acontecer, você estará mais bem preparado para lidar com ele. [22]
  23. 23. Não faz sentido você pôr muita ênfase no que pensa enquanto está de baixo-astral -isso só vaiimpedi-lo de alcançar um sentimento de contentamento.RESOLVA SEUS PROBLEMAS ESTANDO DE ALTO-ASTRALSe você trata com uma pessoa a respeito de algum assunto enquanto ela está de baixo-astral, podeficar certo do resultado. A pessoa ficará na defensiva, incomodada e não receptiva. O mesmoacontece conosco. Se tentarmos resolver um problema ou tomar uma decisão importante enquantonosso nível anímico está baixo, provavelmente nos decepcionaremos e nos arrependeremos donosso comportamento.Quando nosso estado de ânimo está por baixo não temos acesso à nossa sabedoria. O aspectoconfuso desta parte do princípio que ora estudamos é que nos momentos de baixo-astral é quevamos querer resolver os nossos problemas e enfrentar outras pessoas. A tentação sempre estará ali.O baixo-astral provoca confusão e ressentimento. Ele encoraja-nos .a "querer chegar ao fundo daquestão", "dar uma certa Interpretação ao que outros estão dizendo", "moldar a nossa comunicação"e "expressar nossos sentimentos". Mas os sentimentos que você tem quando está de baixo-astral nãosão os seus verdadeiros sentimentos - são os sentimentos que você (e outros) sente nos momentosde baixo-astral. Nessas condições você só vai experimentar sentimentos negativos; logo, não faznenhum sentido confiar nesses sentimentos ou agir de acordo com eles. A solução é esperar até oânimo se reerguer, e ele se reerguerá por si mesmo. Quanto menos atenção você der ao seu pensarnos momentos de baixo-astral, mais depressa o ânimo se reerguerá. Então, e só então, seussentimentos mais sensatos virão à tona.Portanto, mesmo quando você se sentir compelido a tomar alguma providência séria, perceberá quala maneira mais adequada. Se quiser discutir algo que o está incomodando, o momento certo parafazê-lo é o de alto-astral. O princípio dos estados de ânimo não diz que seja evitado o confronto -exceto quando você estiver abatido. O princípio fornece o meio mais fácil, hábil e produtivo deabordar a vida.Uma outra confusão quanto ao princípio dos estados de ânimo é que às vezes a gente pensa que temde enfrentar as pessoas enquanto está de baixo-astral. Se bem que isso aconteça algumas vezes, nãoé tão freqüente quanto você pode pensar. Muitas vezes, uns poucos minutos afastado do problemapodem ser tudo o que você precisa para suavizar a situação. O estado de ânimo é causa fundamental- não o efeito - da maioria dos desentendimentos e problemas. O estado de ânimo veio primeiro.Num estado de ânimo mais favorável, o mesmo cenário teria parecido completamente diferente.Naquelas raras ocasiões em que você tem mesmo de enfrentar alguém enquanto você (ou essapessoa) está de baixo-astral, a coisa mais importante da qual é preciso estar ciente é saber que vocêestá num baixo-astral, e que sua visão da situação é suspeita e limitada. Com este entendimentovocê ganha perspectiva.O acesso à saúde mental, como tudo o mais, fica mais fácil com a prática. Quanto mais você confiarnesse agradável sentimento de felicidade, mais fácil será conservá-lo por mais tempo. Pratique aatitude de ignorar seus baixos-astrais, em lugar de analisá-los, e veja quão rapidamente eles somem.Os baixos-astrais são uma distorção do nosso pensar. Aceite-os como parte da vida, faça o quepuder para ignorá-los, e o funcionamento psicológico sadio irá prevalecer em sua vida. [23]
  24. 24. TRÊS O PRINCÍPIO DAS REALIDADES SEPARADAS Não vemos os fatos como eles são, vemo-los como nós somos. - Anais NinSE VOCÊ JÁ VIAJOU a outros países, está a par das vastas diferenças entre culturas. Mesmoaqueles que não viajaram provavelmente viram descrições na televisão, em filmes ou livros. Oprincípio das realidades separadas diz que as diferenças entre indivíduos são tão vastas quanto asexistentes entre diferentes culturas. Assim como não pretenderíamos que pessoas de diferentesculturas vissem ou fizessem as coisas como nós, o princípio das realidades separadas nos diz que asdiferenças individuais em nossos sistemas de pensamento também o impedem. Não é questão de setolerarem diferenças no comportamento, mas de se compreender concretamente que não pode sersenão assim.Nos dois capítulos prévios, tomamos conhecimento sobre (luas maneiras fundamentais de aspessoas funcionarem psicologicamente, no pensamento e em estados de ânimo. Considerando-seque todo ser humano funciona dessa maneira, é Impossível dois seres humanos, quer da mesmacultura ou não, verem as coisas exatamente da mesma forma. Não há exceções a esta regra. Cadasistema de pensamento é singular em si mesmo. Ele é formado através de um processo depensamento que depende do que se recebe. Nossos pais, nossos contextos, interpretações, nossarecordação, percepção seletiva, circunstâncias, nosso nível anímico - muitos fatores desempenhampapéis na determinação do nosso sistema individual de pensamento. As combinações são infinitas, eé impossível elas se reproduzirem entre indivíduos.A compreensão deste princípio pode virtualmente eliminar disputas. Quando já esperamos ver ascoisas de modo diferente, quando damos por certo que os outros farão as coisas diferentemente, equando entendemos que outros reagirão diferentemente de nós ao mesmo estímulo, a compaixãoque temos para com nós mesmos e com outrem aumenta de forma notável. No momento em queesperamos outra coisa, o potencial para conflito existe. Isso é verdade em pequena escala, entreduas pessoas num relacionamento, ou em grande escala, tal como nos relacionamentos entre nações.Podemos ver exemplos deste princípio em toda parte. Com a nossa atenção (pensamento) fora dasnossas expectativas, somos livres para experimentar a essência singular de cada pessoa, produzindoum agradável sentimento em nós mesmos e maximizando o potencial dos nossos relacionamentoscom os outros.É FÚTIL TENTAR FAZER OUTROS MUDAREMNos relacionamentos, os problemas se dão basicamente de duas formas. Ou pensamos que os outrosrealmente vêem as coisas como nós as vemos - e portanto não conseguimos entender ou ficamoscontrariados pelas reações deles - ou acreditamos que os outros deveriam ver as coisas como nós asvemos porque vemos a realidade como ela é realmente. Quando entendemos o princípio dasrealidades separadas livramo-nos destes catalisadores de problemas de relacionamento. Os outrosnão só não deveriam ver as coisas como nós as vemos, como de fato não podem vê-las assim. Anatureza dos sistemas de pensamento individuais faz com que seja impossível vermos qualquercoisa como outra pessoa a vê -ou que outros vejam as coisas exatamente como nós as vemos. Essenovo entendimento nos liberta de uma idéia falsa e devolve a alegria das nossas diferenças. Umacoisa é dizer "a variedade é o sal da vida", e outra compreender e acreditar realmente nisso. Otruque de acreditar nisso é não se forçar a pensar assim, mas ver que, de uma perspectivapsicológica, as diferenças entre pessoas e suas formas de encarar a vida fazem perfeito sentido. [24]
  25. 25. Quando você compreende o fato das realidades separadas, não tem razão lógica alguma paraencarar pessoalmente o que outros dizem e fazem. As pessoas passam suas existências provando asi mesmas que a sua versão pessoal da vida é válida, realista e correta. O aspecto autoconfirmativodos sistemas de pensamento apontará infinitos exemplos para provar que ele está certo. Quandovocê entende esta idéia, vê a futilidade de se tentar fazer outras pessoas mudarem, ou até de discutircom elas. Se você discute, a outra pessoa está geralmente tão certa de que está com a razão quepode até usar fatos que dizem respeito a você para provar a posição dela, como no exemplo aseguir.Vejamos o caso do marido e da esposa casados há vinte anos - o marido considera as pessoasgeralmente críticas por natureza, e a esposa acha-as dispostas a lisonjear sempre que possível.Durante anos, eles têm discutido essa questão em particular, o marido acenando com inúmerosexemplos da Atitude crítica e agressiva das pessoas. Para quantos exemplos o marido apresenta, aesposa tem igual número de exemplos visando provar a sua posição. Nenhum deles consegueentender por que o outro é tão cego perante os "fatos". Um dia, os dois estão num restaurante eouvem por acaso um garçom falar para outro: "Você viu o chapéu da mulher da mesa dois?Nossa!" A esposa vira imediatamente para o marido e diz: "Esta vendo? Eis outro exemplo depessoa que lisonjeia. Que bom! O que é preciso para você ver que na verdade as pessoas buscamoportunidades para lisonjear? O marido, pasmo, olha para a esposa e diz: "Lisonjear, do que é quevocê está falando? O homem estava rindo do chapéu da coitada mulher."O mal-entendido engraçado fica claro no instante em que compreendemos a dinâmica do querealmente está se passando. Tudo o que você precisa fazer é aceitar como um dado que cada um denós vê a vida a partir da sua própria realidade separada, sua própria interpretação da vida, seupróprio sistema de referência. Nenhum de nós questiona a própria versão da realidade porque paranós ela sempre parece verdadeira. Em toda parte para onde olhamos, vemos exemplos que nosprovam continuamente que estamos certos.REALIDADES SEPARADAS SÃO UM FATO DA VIDAA chave para se chegar a um entendimento com as realidades separadas e ver a beleza que existenelas é reparar na absoluta inocência do processo. Nós vemos o que vemos com base em nossocondicionamento e em nossas crenças (nossos sistemas de pensamento). A sua mente interpretaráum conjunto de circunstâncias nos limites do contexto que ela já conhece ou acredita ser certo. Emvirtude de você ter um conhecimento singular e um conjunto singular de fatos do seu passado, a suainterpretação de qualquer situação irá variar em função disso. É como se sua mente fosse umcomplexo sistema de computação, e, como acontece com o computador, a interpretação dainformação depende do que foi previamente introduzido. Assim ocorre conosco. Nossas mentesprocessam informação atual baseadas inteiramente em conhecimento prévio. Simplesmente não hácomo evitar as realidades separadas, e se não aceitarmos e compreendermos este fato da vida, nosfrustraremos e talvez até destruamos nossas vidas. Havendo compreensão, este conhecimento podeser uma fonte de sabedoria, alegria e humor.Compreender realidades separadas não quer dizer que você deva abrir mão de suas opiniões ecrenças mais profundas. Crenças e opiniões são neutras em si mesmas. Elas são um aspectointeressante, enriquecedor e poderoso da vida. O elemento importante na felicidade, na saúdemental e no contentamento pessoal é o seu relacionamento com essas crenças e opiniões. Vocêacredita que o seu jeito de ver a vida representa a única realidade concreta e incontestável? Ou vocêentende que suas atuais crenças e interpretações sobre a vida derivam do seu próprio sistema depensamento, e que se a informação contida nesse sistema de pensamento fosse diferente, suasconclusões seriam diferentes? A idéia é não rotular determinadas crenças ou idéias como certas ouerradas, mas simplesmente compreender como as idéias se originam, a ine-vitabilidade de ver ascoisas de maneira diferente de outras pessoas. Quando compreendemos o princípio das realidadesseparadas, podemos continuar a manter qualquer crença ou opinião que tivermos - a diferença será [25]
  26. 26. que nossas crenças pessoais, e as objeções que outras pessoas lhes fizerem, não serão uma fonte dehostilidade ou sofrimento.AS DEFESAS CAIRÃO E OS CORAÇÕES SE ABRIRÃOA compreensão das realidades separadas aproxima-nos inegavelmente daqueles que conhecemos eamamos. Ela ajuda-nos a compreender os outros, e também nos torna muito mais interessantes eacessíveis. Quando entendemos verdadeiramente que nossas idéias a respeito da vida decorrem dosnossos próprios sistemas de pensamento e não necessariamente representam a realidade, atraímosoutras pessoas.E eis o porquê: nós todos temos interesse inalienável em Validar as nossas crenças. Mas os sistemasde pensamento (os nossos ou os de outros) não gostam de ser ameaçados nem que se mexa comeles. Quando você se aproxima de alguém, não no intuito de mudar suas crenças mas com genuínointeresse e respeito por seu ponto de vista sobre a vida, as defesas caem e abrem-se os corações. Aspessoas que aceitam sinceramente o fato das realidades separadas têm relacionamentos maissatisfatórios do que jamais sonharam. Com freqüência, você desenvolve relacionamentos compessoas das quais chegou a pensar que não poderia gostar. Em vez de se sentir frustrado e zangadopor causa das diferenças individuais de alguém, você começa a ver essa pessoa sob uma nova luz,uma inocência não só nela - mas em você mesmo. O resultado é um abrandamento das crenças deambas as pessoas, um novo apreço mútuo e um sentimento agradável e positivo.O princípio das realidades separadas pode ser representado por um continuum:Intolerância..........Tolerância..............CompreensãoO extremo esquerdo da escala é onde a maioria das pessoas acredita que os relacionamentosdesenvolvem problemas. E elas têm razão. Ao nos deslocarmos em direção à tolerância, osproblemas são tratados, mas dificilmente resolvidos. Ainda que a tolerância seja certamente maisdesejável que a intolerância, ela representa uma pequena fração do que você precisa percorrer nessaescala se quiser relacionamentos felizes e satisfatórios. A tolerância de outras pessoas e o jeito deelas estarem no mundo sugerem uma sutil forma de superioridade no nosso entender ou do nossoponto de vista. Com base no que você conhece agora sobre sistemas de pensamento e realidadesseparadas, sabe que suas idéias pessoais sobre a vida e como ela deveria ser vivida não podem sersuperiores às de ninguém. A informação contida no seu sistema de pensamento é tão arbitráriacomo a do próximo. As suas idéias, crenças, opiniões e reações perante a vida são produto e funçãoda informação e do estímulo que você absorveu, e isso é igualmente certo no caso de pessoas quevêem a vida de modo diametralmente diferente do seu. Se você não entender isso, as diferençasentre pessoas podem virar uma grande fonte de frustração. Se você entender as realidadesseparadas, essas mesmas diferenças individuais tornam-se uma fonte de interesse, crescimento einspiração.CRESCIMENTO E COMPROMISSO TORNAM-SE POSSÍVEISEspecialmente quando as diferenças parecem insuperáveis, a compreensão das realidades separadastem aplicações muitíssimo práticas. Se nos aproximamos de alguém de forma compreensiva,abrimos a porta para o crescimento. Quando não visualizamos outras posturas como inferiores ouerradas, aceitamos nova informação sem que o nosso velho sistema de pensamento a desmereça.Sem esta compreensão, o nosso sistema de pensamento domina e nos impede de escutarsinceramente. Escute sem julgar, e a pessoa com quem você está perceberá seu respeito à posturadela e a sua disposição em ouvir. O resultado é maior compreensão e moderação de ambas as partes- a essência do compromisso ou da colaboração, revelando o melhor de nós mesmos e dos outros. [26]
  27. 27. Voltemos, mais uma vez, às reflexões de Stacey sobre a decisão de seus pais de contratarem umababá que passava a noite no emprego para tomar conta dela quando era pequena. Se Stacey nãocompreende as realidades separadas, não surpreende que ficasse contrariada ante tal decisão. Afinal,era muito diferente das suas próprias crenças quanto ao papel dos pais! Como ela acreditavaveementemente nos seus próprios pensamentos, tendia a ficar remoendo-os, causando-se ainda maisaflição. Quando Stacey refletiu pela primeira vez sobre a decisão de seus pais, o fez sem umacompreensão ou consideração das realidades separadas. Ela não teve condições de entender por queseus pais teriam tomado uma atitude como aquela. Além disso, ela ficava igualmente aborrecida porcausa de outras decisões e opiniões que não condiziam com seus próprios pontos de vista.A compreensão das realidades separadas teria permitido a Stacey dar-se ao luxo de refletir semirritar-se ou julgar. Ela saberia que seus pais tomaram as decisões que tomaram baseados no queachavam certo naquele momento - nem mais, nem menos. Então Stacey não teria rotulado a suareação como correta e a decisão de seus pais como errada, mas reconhecido nelas simplesmentedecisões diferentes, baseadas em diferentes sistemas de pensamento. O relacionamento de Staceycom seus pais teria sido cheio de respeito mútuo e amor, em lugar de dúvidas e acusações.A falta de compreensão do princípio das realidades separadas pode resultar em constante conflito efrustração. A solução é adquirir uma adequada compreensão deste conceito, e ter a humildade deadmitir que nem sempre se pode entrar nas mentes de outras pessoas. Não importa quão facilmentevocê encare algo, ou quão obviamente certa lhe pareça uma situação, uma outra pessoa poderáavaliá-la de modo diferente e ter a mesma certeza dessa postura.QUATRO O PRINCÍPIO DOS SENTIMENTOS Você está a apenas um pensamento do bom sentimento. - Sheila KrystalVOCÊ TEM À SUA DISPOSIÇÃO um sistema de orientação infalível para navegar pela vida. Estesistema, que consiste exclusivamente em seus sentimentos, permite-lhe saber quando está no rumoerrado e avança em direção à infelicidade e ao conflito, afastando-se do funcionamento psicológicosadio. Seus sentimentos agem como um barômetro, fazendo-lhe saber como está o tempo dentro devocê.Nós reconhecemos a poderosa ligação entre nosso pensamento e nossa experiência de vida. Quandopensamos, imediatamente sentimos os efeitos de nossos pensamentos. Isso acontece num instante e,para a maioria de nós, sem percebermos que está a acontecer.Nós pensamos de uma das duas maneiras: ou como é habitual, através do nosso sistema individualde pensamento, ou através do que se chama "estado mental natural" - funcionamento psicológicosadio. Já comentamos os efeitos do pensar através do sistema de pensamento. Neste capítulo, vocêverá que conta com outra alternativa muito concreta.O quarto princípio afirma que nossos sentimentos nos dizem, com completa precisão, quando onosso pensar sofre uma disfunção. Quando não temos consciência de estarmos pensando, nossospensamentos são gerados mediante o sistema de pensamento, em vez de mediante o funcionamentosadio. Não fosse por nossos sentimentos, jamais saberíamos quando caímos na armadilha dos [27]

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