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Empreendedorismo - 10 passos para criar uma empresa
 

Empreendedorismo - 10 passos para criar uma empresa

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Um documento rápido e de simples leitura que permite identificar as principais etapas até à criação de uma empresa.

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    Empreendedorismo - 10 passos para criar uma empresa Empreendedorismo - 10 passos para criar uma empresa Document Transcript

    • A Juventude Socialista de Fornos de Algodres reuniu um conjunto de documentos que consideramos poder ser importantes para motivar algum futuro empreendedor da nossa região.2 de Abril de 2012 TertúliaHotel “Estrela à Vista” EmpreendedorismoFornos de Algodres Inovar, Criar, Acreditar, Liderar, Atitude Positiva Juventude Socialista de Fornos de Algodres
    • ÍndiceEscrever título do capítulo (nível 1) ............................................................................................. 1 Escrever título do capítulo (nível 2) .......................................................................................... 2 Escrever título do capítulo (nível 3) ...................................................................................... 3Escrever título do capítulo (nível 1) ............................................................................................. 4 Escrever título do capítulo (nível 2) .......................................................................................... 5 Escrever título do capítulo (nível 3) ...................................................................................... 6 1
    • 10 Passos para Criar uma Empresa1º Passo: O EmpreendedorA criação de uma empresa está sujeita a várias condicionantes, internas e externas,que podem determinar ou pelo menos influenciar decisivamente o resultado de umainiciativa empresarial.Com efeito, a transformação de uma boa ideia de negócio numa empresa comperspectivas de sucesso (sucesso que se poderá traduzir, quer pela permanência emactividade, quer pela taxa de crescimento) depende, numa primeira aproximação, dacapacidade empresarial revelada pelo seu promotor.Por outro lado, uma ideia só conduzirá a uma empresa bem sucedida se correspondera uma oportunidade de mercado ou seja se for capaz de dar resposta a umanecessidade ainda não satisfeita ou de responder em melhores condições anecessidades para as quais já existe oferta de produtos ou de serviços.Neste contexto, poder-se-á afirmar que a taxa de sucesso de uma iniciativa de criaçãode empresa depende das características de cada elemento de per si, mas também, darelação que venha a existir entre os elementos que constituem o trinómio fundamentalda criação de uma empresa: o “Homem”, a “Ideia” e o “Mercado”.O desafio da criação de uma empresaNuma pequena empresa, o empresário ocupa uma posição fulcral, sendo ascaracterísticas do empreendimento determinadas, em larga escala, pelo seu carisma eas suas qualidades pessoais. 2
    • Ouve-se dizer, frequentemente, que a qualidade de empresário nasce com aspessoas. Esta afirmação é, no entanto, só em parte verdadeira. É evidente que oempresário deve ter um certo número de qualidades, mas não as pode ter todas.O importante é que ele tome consciência dos seus pontos fortes e fracos (e dos seusassociados) e adopte as atitudes necessárias para que, através de formação,complementaridade, etc., obtenha um nível de competência adequado às exigênciasda iniciativa empresarial que vai desenvolver.MotivaçãoA motivação pode decorrer de situações relacionadas com a formação e com aexperiência profissional acumuladas ao longo dos anos, que lhe permitiram conseguirum “know how” que o potencial empresário considera essencial para criar o seupróprio negócio, ou ainda de outras situações de que são exemplo:• um desejo de mudança face à situação actual (não querer trabalhar por mais tempopara um patrão, ter estagnado em termos de carreira ou não conseguir arranjar umemprego).Estes aspectos, embora vistos do exterior como negativos, podem ser compensadospor excelentes qualidades empresariais e serem a verdadeira mola impulsionadora dacriação de um negócio;• o aproveitamento dos conhecimentos adquiridos com o desenvolvimento de umdeterminado produto, que quando adaptado, por exemplo, a um outro segmento demercado, se pode tornar numa iniciativa rentável;• o facto de considerar que um negócio próprio é a melhor forma de dar expressão àssuas qualidades.A procura de melhoria da situação financeira, o desejo de cooperação com outros, aluta por um ideal e a existência de uma oportunidade de mercado podem constituiroutras motivações relevantes para a criação de uma empresa.Em conclusão, não se prosseguirá, em princípio, no sentido da criação de umaempresa, se não existirem motivações, que poderão ser de dois tipos: 3
    • • As "circunstanciais" - determinadas por factores externos ao empresário e de quepoderá ser um exemplo a necessidade de encontrar um rendimento alternativo a umemprego por conta de outrem;• As "profundas": - directamente associadas às características pessoais e de que sãoexemplo, na maioria dos casos, a vontade de ganhar dinheiro, o desejo deindependência, a necessidade de realização pessoal e, em menor número desituações a procura de estatuto social, através da criação da própria empresa.Frequentemente, estes dois tipos de motivações adicionam-se em vez de se excluíreme quanto mais fortes foram as motivações, maiores serão as hipóteses de levar a bomtermo a "criação de uma empresa".As reflexões anteriores levam a que cada vez mais se faça uma aposta séria naavaliação da capacidade empreendedora dos promotores de projectos de criação deempresas. Neste âmbito, a elaboração de um pré-diagnóstico e de um balançopessoal revela-se da maior importância no despiste de pontos fortes e fracos e napreconização de acções tendentes a valorizar os primeiros e a minimizar os últimos.2º Passo: como encontrar, desenvolver e proteger uma ideiaA intenção de criar uma empresa está, de um modo geral, ligada à existência de umaideia de negócio.Mas se esta é a situação mais comum, casos há em que, não obstante a intenção deinvestimento, o potencial empresário não é, nesse momento, portador de uma ideiaprecisa da actividade da futura empresa.Ausência de ideia de negócioQuando o investidor potencial não dispõe de uma ideia precisa sobre o sector, oproduto ou o serviço onde irá aplicar os recursos sabe, contudo, o que não quer fazer.Esta situação permite-lhe já uma certa selecção relativamente ao tipo de actividade adesenvolver ou ao tipo de clientela a atingir. 4
    • Esta primeira selecção associada à experiência adquirida, às qualificaçõesprofissionais, aos desejos e às motivações, permitem construir um primeiro quadro dereferências com vários cenários de empresa ou de actividade possíveis.Ser empresário com ideias alheiasA observação da realidade circundante poderá ser um bom ponto de partida para secomeçar a definir um projecto e a identificar um mercado. Com efeito, poder-se-áacrescentar um "pequeno nada" a um produto ou a um serviço para o tornar distinto deum já existente e conferir-lhe uma melhor qualidade ou uma melhor adaptação àsnecessidades dos clientes. É esta característica diferenciadora que poderá permitirconquistar uma fatia do mercado existente ou atingir um “nicho de mercado”.Uma outra fórmula possível de ser empresário neste cenário de utilização de ideiasalheias, é a "franchise" ,que permite ao empresário, correndo um menor risco,aproveitar a experiência, o prestígio e o "know-how" acumulados por terceiros.Transformar a profissão em empresaCriar a própria empresa não implica necessariamente um corte radical com aactividade profissional exercida enquanto empregado.O conhecimento das características dos produtos ou dos serviços oferecidos pelaempresa onde trabalha e a sua adaptação a determinada faixa de clientes podepermitir-lhe desenvolver um projecto de empresa.A existência de ideiaNeste caso, é possível surgirem atitudes demasiado pessimistas que poderãosintetizar-se no pensamento "se esta ideia não foi ainda explorada, é porque não temvalor" ou demasiado optimistas, levando o seu detentor a pensar possuir "uma ideiaextraordinária a que corresponderá necessariamente um projecto de sucesso".Em qualquer dos casos, há que tomar algumas precauções, adoptando-se uma atituderealista, face a todas as condicionantes que podem determinar o sucesso ou o fracassode um empreendimento.Principalmente, nunca se deverá esquecer que o mercado é sempre o melhor teste e 5
    • que, por exemplo, uma boa ideia de empresa numa grande cidade pode não serexequível numa pequena vila ou aldeia, sendo o contrário igualmente verdadeiro.Adequação produto / mercadoUma empresa nascente tem, de um modo geral, meios limitados e deverá, portanto,visar um segmento de mercado bem definido. Este segmento corresponde a umconjunto de clientes potenciais com características comuns ou próximas, capaz deconsumir os produtos ou utilizar os serviços da nova empresa. Complementarmente, aadequação entre produto e mercado deverá constituir uma preocupação constante doempreendedor.Da ideia ao projectoA construção de uma ideia é o ponto de partida para a arquitectura do projecto. Assim,é essencial trabalhar e desenvolver a ideia de modo a aproximá-la de um anteprojectode criação de empresa.Para o efeito, são utilizados vários métodos normalmente enquadrados em duascategorias:• Os relacionados com a envolvente socioeconómica;• Os relacionados com a criatividade.Para a análise da envolvente socioeconómica existem, basicamente, quatro técnicasque permitem aprofundar a ideia:• a análise documental, consubstanciada no estudo da informação de carácter técnicoe/ou estatístico disponível sobre o assunto;• o estudo de casos práticos, relacionados com a criação de empresas e publicadosem revistas ou jornais ou obtidos directamente, através de contactos com empresáriosjá estabelecidos;• o recurso a consultores, peritos em determinados domínios vitais para a avaliaçãoda valia e exequibilidade da ideia;• a observação do quotidiano e a visita a feiras e exposições, bem como a leitura daimprensa especializada. 6
    • Para o enriquecimento de uma ideia, em termos de criatividade, vários processospodem ser utilizados, sendo os mais comuns:• o brainstorming, técnica de grupo que tem por objectivo suscitar o aparecimento domaior número possível de ideias relacionadas com um problema específico. Estemétodo compõe-se de duas fases distintas: a expressão livre e a avaliação, discussão,triagem e hierarquização das ideias que resistiram às críticas;• as listas de atributos, listagem das características de um produto ou serviço eposteriores modificações e combinações, com o objectivo de introduzir melhorias;.• as associações forçadas, técnica que consiste em gerar um elevado número deideias, relacionando-as, posteriormente, entre si. Esta técnica permite, por vezes, boasaproximações ao produto ou ao serviço final.Os métodos referidos têm apenas carácter indicativo, implicando alguns deles odomínio de determinadas técnicas não acessíveis a todos. Resultados semelhantespodem, no entanto, ser conseguidos recorrendo-se à imaginação de cada um.A protecção da ideiaCertas concepções de produtos e processos, pela sua originalidade e grau de inovaçãodevem ser protegidos legalmente através de um conjunto de direitos que lhe conferema utilização, em exclusivo, da respectiva informação técnica, comercial e industrial.É este conjunto de direitos que se designa propriedade industrial. Mas as ideias, só porsi, não podem ser protegidas legalmente.Para que se possa solicitar o registo para efeitos de protecção, deve fazer-secorresponder à ideia um suporte material consubstanciado na satisfação de trêsrequisitos:1. Indicação das reivindicações;2. A memória descritiva do invento;3. Apresentação de desenhos (se for caso disso).Para que um invento seja patenteável existem, à partida, três condições:• A novidade (não estar contido no estado da técnica);• A aplicação industrial (reprodutibilidade industrial); 7
    • • A actividade inventiva (algo que não é obvio). As modalidades de direito de propriedade industrial são as seguintes: - Patente de invenção – direito atribuído ao seu titular, de explorar comercialmente um invento (num território e tempo determinados) e impedir que terceiros o façam sem o seu consentimento: - Modelo de Utilidade – protege uma forma específica de nova que possibilita o aumento de utilidade ou o melhor aproveitamento de um produto; - Modelo Industrial – protege uma nova forma (segundo os aspectos geométrico ou ornamental) que se utiliza no processo de fabrico de um produto industrial; - Desenho industrial – combinação de linhas e cores aplicadas, com fim comercial, à ornamentação de um produto; - Marca – sinal ou conjunto de sinais nominativos, figurativos ou emblemáticos que fazem distinguir um produto de outros semelhantes; - Nome e insígnia do estabelecimento – sinais objectivos destinados a identificar e propagandear um estabelecimento. - Denominação de origem – denominação de localidade, região ou território, que serve para designar um produto cujas características se devam essencialmente ao meio geográfico, englobando tanto factores naturais como humanos. O registo da propriedade industrial envolve alguns custos, materializados no pagamento de taxas periódicas, nos prazos legais, de forma que os direitos não percam a validade. No entanto, alguns destes direitos têm prazos de validade, findos os quais expiram, como são os casos das patentes, dos desenhos e dos modelos. As marcas, por seu lado, podem ser mantidas através da renovação do pagamento das taxas devidas. Em Portugal, compete ao INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial a atribuição e registo dos direitos de propriedade industrial. No entanto, no que concerne o desenvolvimento de aplicações informáticas, a competência nesta matéria é da Associação Portuguesa de Software.3º Passo: a envolvente legal, económica e social 8
    • Antes de passar à acção, é importante conhecer a envolvente legal e socioeconómica.A passagem da ideia à empresa implica, necessariamente, o contacto com um conjuntode entidades cujas atribuições e actividades se enquadram no processo de criação deuma empresa.Referem-se, em seguida as mais significativas, agrupadas por áreas de actuação.INFORMAÇÃOA informação, seja de carácter económico, técnico-jurídico ou estatístico é uminstrumento indispensável na economia moderna e reveste um particular interesse paraaqueles que se propõem desenvolver um novo empreendimento.APOIO TECNOLÓGICO E DE INSTALAÇÃOCentros TecnológicosOs centros tecnológicos são organismos de apoio técnico e tecnológico a empresas deum mesmo sector industrial ou de sectores afins ou complementares. Resultam daassociação, por complementaridade de interesses, de empresas industriais ou dasrespectivas associações com organismos públicos de diferentes ministérios.Parques TecnológicosSão áreas de terreno devidamente urbanizadas e equipadas, vocacionadas para apoiaro desenvolvimento de actividades de alta intensidade tecnológica e promover a criaçãode sinergias inovadoras interempresariais e inter-institucionais, visando aprofundarmecanismos de transferência de tecnologia e desenvolver formas de cooperação.Parques IndustriaisSão espaços de dimensão considerável geridos por entidades públicas ou privadas quedispõem de infra-estruturas físicas indispensáveis ao desenvolvimento da actividadeindustrial. Os parques industriais visam promover a concentração e o desenvolvimentoindustrial em zonas determinadas pelas suas áreas de influência.Centros de Empresas e Inovação 9
    • Vulgarmente designados por BIC (Business Innovation Centres) são estruturasintegradas na Rede Europeia de Centros de Empresas e Inovação (EBN), cujosobjectivos são estimular e aumentar as hipóteses de sucesso de um novo negócio comvista a potenciar adicionais oportunidades de trabalho, numa base local ou regional.Centros de IncubaçãoSão estruturas que visam promover a criação de empresas que aumentem aspotencialidades regionais por meio da inovação tecnológica ou utilizando tecnologiatradicional, disponibilizando para o efeito as infraestruturas adequadas.Ninhos de EmpresasSão espaços físicos dotados de infraestruturas inerentes à actividade empresarial, quecontam com o apoio de Universidades e técnicos altamente qualificados, destinados aapoiar jovens empresários, recém-licenciados ou com formação profissionalespecializada, que se queiram agrupar para constituir a sua empresa de consultoria eprojecto.CACE - Centros de Apoio à Criação de EmpresasSão infra-estruturas de âmbito local, da iniciativa do IEFP - Instituto do Emprego eFormação Profissional, que integram a disponibilização de instalações, mediante umarenda simbólica pela ocupação do espaço, e proporcionam apoio de secretariado,telefone, telex e sala de reuniões.GAE – Gabinetes de Apoio EmpresarialEstruturas criadas por iniciativa de várias autarquias no âmbito do desenvolvimentoeconómico e social da região que se inserem, que disponibilizam informação relevanteaos potenciais empreendedores.FINANCIAMENTODe uma maneira geral, o objectivo financeiro da empresa consiste em conseguir, numdado momento, o financiamento necessário em condições de custo e prazosadequadas. Isto é, não se trata apenas de conseguir o montante de financiamentonecessário, mas sim de encontrar fontes mais económicas, de tal forma que o riscofinanceiro da empresa seja minimizado, através de uma relação equilibrada entre meiospróprios e alheios. 10
    • Financiamento BancárioO financiamento bancário tanto pode ser de curto como de médio e longo prazos,apresentando em todos os casos a característica de ser negociável, o que significa apossibilidade da empresa influenciar no seu montante, prazo e custo.Sendo assim, o empréstimo deverá começar a ser negociado, formalmente, algumtempo antes de ser necessário, uma vez que tal facto melhora a posição negocial daempresa e permite, em alguns casos, recorrer ao banco quando a procura geral decrédito for mais baixa, situação que diminui os critérios de selectividade do banco.A análise do crédito por parte da entidade financiadora que recebe o pedido centra-sena análise da operação, propriamente dita, na avaliação da capacidade do empresário ena análise do negócio.Capital de RiscoDependendo das características dos projectos o recurso ao capital de risco poderáconstituir uma alternativa válida relativamente ao financiamento bancário.As sociedades de capital de risco têm por objectivo principal a participação temporária eminoritária no capital social das empresas, tendo em vista o apoio e a promoção doinvestimento e da inovação tecnológica nas empresas ou em projectos específicosdesenvolvidos por estas.Business AngelsOs Business Angels são, na sua maior parte, antigos empreendedores que alienaram,na totalidade ou em parte, o seu negócio e que pretendem reinvestir uma parte dosseus capitais em empresas que lhes possam permitir continuar a participar no «jogo»empresarial e obter resultados atractivos no futuro.Garantia MútuaA garantia mútua é um instrumento de inovação financeira com os seguintes objectivos:• Prestar garantias financeiras e serviços às empresas de menor dimensão, numa basemutualista;• Ser uma alternativa competitiva, satisfazendo as necessidades das empresas noacesso ao crédito, de acordo com os seus planos de investimento e em condições maispróximas das maiores empresas.Podem ser garantidas todas as operações em que o sistema financeiro ou terceiras 11
    • entidades as solicitem às empresas ou ao empresário, nomeadamente:• Empréstimos de médio e longo prazo;• Garantias Financeiras e/ou de boa execução de projectos no âmbito dos Sistemas deIncentivos;• Garantias técnicas e/ou cauções para fornecedores, Estado, clientes, (v.g. IVA, EDP,importações matérias primas, contratos de exportação);• Operações especiais de crédito, designadamente:- Emissão de Programas de Papel Comercial;- Empréstimos Obrigacionistas.Locação FinanceiraA locação financeira é um contrato mediante o qual uma sociedade de locaçãofinanceira se obriga a adquirir e a pôr à disposição do investidor os bens que estaescolheu. Como contrapartida este deverá proceder ao pagamento de rendasperiódicas durante um lapso de tempo que varia entre os dois e cinco anos, de acordocom o prazo de amortização dos bens em causa.No termo do contrato, o locatário poderá optar pela compra do equipamento, medianteo pagamento do valor residual que varia entre 2% e 6% do respectivo valor deaquisição.FORMALIDADES LEGAISDurante o percurso de criação de empresas o novo empresário atingirá um momentoem que se depara com a necessidade de legalização da sua futura actividade. Paraeste efeito, o futuro empresário deve contactar as seguintes entidades:Lojas da EmpresaAs Lojas da Empresa são espaços de atendimento integrado destinado aosempreendedores que desejam criar, alterar, transformar ou extinguir a sua empresa.Integrando a iniciativa dos Novos Modelos de Atendimento da Administração Pública.Nestes espaços é possível aos empresários usufruírem do serviço da “Criação daEmpresa na Hora” ou “Pedido de Certidão Permanente”, bem como outros serviços tais 12
    • como prestação de informação sobre legislação inerente à actividade económica esobre passos a dar para criação de negócio próprio, entre outros serviços associadosao ciclo de vida das empresas.Registo Nacional de Pessoas Colectivas – RNPC, para efeitos de requerimento docertificado de admissibilidade de firma ou denominação e para a obtenção do númeronacional e do cartão de registo provisório;Cartórios Notariais, para outorga da escritura pública de constituição da sociedade;Conservatórias do Registo Comercial, para o registo comercial da constituição dasociedade, pedido de inscrição no RNPC e de cartão de definitivo de identificação depessoa colectiva, bem como para as publicações obrigatórias;Repartições de Finanças, para a obtenção do número fiscal de contribuinte, dadeclaração de início de actividade e para a abertura dos livros de escrita, obrigatórios;Inspecção-Geral do Trabalho, entidade à qual devem ser comunicados o endereço,local ou locais de trabalho, ramo de actividade e número de trabalhadores;Centros Regionais de Segurança Social, para efeitos de inscrição dos trabalhadoresna segurança social.Associativismo EmpresarialOutra classe de interlocutores que os potenciais empresários vão encontrar noprocesso de criação da sua empresa, ou após este, são as associações empresariais. Épossível identificar dois grandes tipos de associações empresariais, não obstante aexistência de outros igualmente importantes:- As associações sectoriais, que congregam as empresas de um sector de actividade ousectores afins, que voluntariamente se lhes associam;- As associações regionais, que abrangendo uma multiplicidade de sectores deactividade cobrem manchas territoriais definidas e mais ou menos extensas.As associações empresariais, qualquer que seja o tipo, contribuem para a resolução deproblemas que o empresário isoladamente enfrenta permitindo, por exemplo, o acessoa informação económica, jurídica, técnica e estatística, e organizando certames,colóquios e outros eventos, que contribuem para desenvolver a actividade. 13
    • Por outro lado, as associações constituem uma forma de representação peranteterceiros e funcionam como grupos de pressão no sentido de influenciar e alterar oscondicionalismos externos à actividade.4 º Passo: um primeiro balançoEsta etapa corresponde à identificação, ou melhor, à recapitulação dos pontos fortes edos pontos fracos existentes e ao seu confronto.A fim de integrar uns e outros na sua estratégia, o novo empresário deverá fazer umesforço no sentido de melhor os conhecer, fazendo para tal um diagnóstico triplo:  Sobre si mesmo;  Sobre o projecto;  Sobre a futura empresa.A fim de conseguir um maior grau de objectividade, o potencial empresário deveráresponder, ele próprio, a todas as questões postas num diagnóstico definidor do seuperfil e pedir a alguém das suas relações (alguém que o conheça bem), que respondaao diagnóstico por si.Em seguida, devem-se comparar os resultados e analisar e discutir os pontos deeventual divergência.O DIAGNÓSTICO DO EMPREENDEDOR Situação actual do potencial empresário Pontos Pontos fracos fortes Estado de saúde (bom ou mau) Tempo disponível (muito ou pouco) Dinheiro de que dispõe (muito ou pouco) Formação Geral Técnica Na condução de empresas Conhecimentos técnicos relacionados com o projecto 14
    • Conhecimento do sector de actividade ou domercado escolhidos (bons ou medíocres)Competência em matéria de:Marketing Contabilidade Organização Chefia e dinamização da equipa NegociaçãoA componente personalidade Pontos Pontos fortes fracosCapacidade para tomar iniciativas e gosto pelaresponsabilidade (Independência)Capacidade de trabalho ( Autodisciplina)Imaginação (Criatividade)Determinação para criar a própria empresa(Motivação)Capacidade para assumir riscos (Capacidade derisco)Nível de confiança em si próprio (Autoconfiança)Facilidade de comunicação (boa ou má)Capacidade de adaptação (boa ou má)Curiosidade / abertura de espírito (boa ou má)Envolvente social Pontos Pontos fortes fracosOs amigos e a família (são favoráveis ao projecto ?)Existem pessoas conhecidas ou amigas capazes dedar ajuda ? Moral Material Comercial Financeira TécnicaO promotor do projectoconhece pessoalmente empresários ?Já existem contactos com algum dos seguintesgrupos? Clientes Fornecedores Distribuidores Banqueiros Contabilistas 15
    • ConsultoresDeste questionário o potencial empresário retirará um conjunto de opiniões sobre ashipóteses de levar o seu projecto a bom termo e alguns elementos a incluir na suaestratégia..O DIAGNÓSTICO DO PROJECTOEmbora sendo impossível listar todo o tipo de questões, dado que a especificidade dealguns projectos determina questões particulares, pode-se, no entanto, apresentar umesboço que poderá servir de referencial ao diagnóstico do projecto.I - Dificuldades e oportunidade associadas ao produto / mercado  O produto ou o serviço é susceptível de ser produzido ou fornecido por uma nova pequena empresa?  Existe capacidade de oferecer ao cliente um serviço pós-venda? Em caso afirmativo, em que condições esse serviço poderá ser assegurado?  Caso se trate de um produto novo ou de um produto já existente no mercado relativamente ao qual se pensa que há uma vantagem comparativa através, por exemplo, da integração de alguma qualidade "extra" ou alguma inovação, procedeu-se a um teste junto dos clientes potenciais para aferir da sua aceitação? Para responder a esta questão é necessário ter em conta a situação da concorrência,da distribuição e os hábitos de compra dos clientes potenciais.II - Dificuldades e oportunidades associadas aos meiosTendo em conta a natureza do produto e o mercado escolhido, haverá que verificar adimensão dos meios humanos, técnicos, logísticos e financeiros necessários.O potencial empresário deverá já ter nesta fase uma noção dos níveis mínimosnecessários para o arranque do seu empreendimento. 16
    • III - Dificuldades e oportunidades associadas à legislaçãoÉ absolutamente necessário verificar se existe legislação especial relativamente aosector de actividade onde a nova empresa se irá enquadrar..Em Portugal, determinadas actividades estão sujeitas ao cumprimento de requisitostécnicos especiais de segurança e protecção da saúde humana e do ambiente, bemcomo de garantia para o consumidor .O promotor do projecto deverá igualmente certificar-se de que está em condições deobter as licenças ou as qualificações exigidas.A recapitulação das dificuldades existentes e das oportunidades que se abrem,permitirá ver até que ponto um projecto, no estado actual, é realizável. Por outro lado,as informações recolhidas dão hipóteses de reformulação do projecto e de escolha dasestratégias mais adequadas.O DIAGNÓSTICO DA NOVA EMPRESAO diagnóstico da nova empresa pode ser realizado segundo duas perspectivas:  do interesse / oportunidade do projecto;  das funções da empresa.I - Interesse e oportunidade do projectoEsta técnica consiste em relacionar as qualidades do novo empresário (pontos fortes)com o maior ou menor interesse do projecto (ou seja com as oportunidades que seabrem através da combinação dos factores produto-mercado-meios-legislação).II - As funções da empresaO diagnóstico da empresa realiza-se dissecando a empresa por funções e verificando,relativamente a cada uma delas, quais são os pontos fortes e os pontos fracosexistentes. 17
    • Numa empresa é necessário assegurar várias funções:  a função financeira, que diz respeito à tesouraria, aos balanços e às contas de exploração;  a função marketing, que abrange as tarefas com vista à comercialização em boas condições, como a força de vendas, a distribuição e a concorrência;  a função produção, que engloba os aspectos relacionados com o produto, com as tecnologias, materiais, quantidades, etc.;  a função pessoal, onde se enquadra tudo o que é relevante do ponto de vista da qualidade da equipa e da sua gestão;  a função gestão e organização, que constitui a função central na condução da empresa.Esta técnica vai permitir-nos actuar de forma a assegurar o funcionamento das diversasáreas funcionais da empresa.A informação anterior, de carácter basicamente teórico, reúne um conjunto de métodosque poderão constituir instrumentos capazes de ajudar o potencial empresário aconhecer-se melhor, a avaliar os problemas e as oportunidades do seu projecto e amedir antecipadamente os "prós" e os "contras" do projecto de criação da sua futuraempresa.A vantagem destes instrumentos está no facto de facilitarem a análise e a redução dosriscos. Partindo deste pressuposto, será preferível o potencial empresário utilizá-los doque deixar-se guiar somente pela intuição.5º Passo: a envolvente externa e o estudo de mercadoA envolvente externa corresponde a um conjunto de elementos que o futuro empresárionão pode matriciar nem controlar.Do conjunto de factores não directamente controláveis fazem parte, os futuros clientes,os fornecedores, as empresas concorrentes, os prescritores, os banqueiros, asinstituições e ainda as leis, regulamentos e costumes relativos à actividade quepretende desenvolver. 18
    • Reunindo todas as informações disponíveis sobre a envolvente externa, o futuroempresário estará em muito melhores condições de avaliar a viabilidade do seuprojecto, tomando, também, consciência dos inúmeros factores que podem condicionaro sucesso do seu empreendimento.A exploração da envolvente externaO conhecimento e exploração dos factores externos ao projecto devem ser orientadospor um conjunto de atitudes que permitam ao potencial empresário concretizar,modificar ou, num caso extremo, abandonar o projecto que tem em mente.De entre esse leque de atitudes salientam-se, a oportunidade, a objectividade, aselectividade, a curiosidade, a abertura de espírito, a prudência, o rigor e aperseverançaA técnica de exploração da envolvente externaA exploração da envolvente externa é, fundamentalmente, uma técnica baseada narecolha, selecção, tratamento e validação de informações várias.A condução deste processo pode ser feita realizando o seguinte percurso:1. Pré-definição do projecto com um razoável grau de precisão, indicando:2. Listagem das questões relacionadas com o projecto relativamente às quais se tornanecessário encontrar resposta e dos locais (fontes) prováveis de obtenção dasinformações correspondentes.3. Auscultação do sector onde o futuro empresário pensa vir a exercer a sua actividade.4. Obtenção de dados "quantificados" (e outros de interesse para o projecto)5. Recolha de outra informação relevante de carácter "não quantitativo"6. Realização de um inquérito informal, directo ou indirecto, sobre os concorrentes.7. Estudo da clientela potencialO estudo de mercadoO estudo de mercado, para além do estudo documental, compõe-se, basicamente de 19
    • duas análises parcelares: o Estudo dos Consumidores e o Estudo da Concorrênciahavendo, em qualquer destes que realizar sempre uma análise quantitativa e umaanálise qualitativa.ESQUEMA BASE DE UM ESTUDO DE MERCADOEstudo documentalDeve permitir reunir informação já disponível sobre um dado aspecto (estado deconsumo ou de utilização de um produto ou serviço) e sendo as fontes múltiplas éimprescindível prestar atenção à data dos dados obtidos, registar as fontes e comparara informação (cruzamento de dados), com o objectivo de testar a sua fiabilidade.Análise qualitativaConstitui a primeira etapa de pesquisa directa de informação pelo recurso à entrevistajunto de potenciais clientes e consiste na obtenção de informação rica em qualidade.Tendo por base uma amostra restrita de pessoas. Conhecer os motivos que levam umconsumidor a comprar ou não um produto permitirá a adaptação do produto que sepretende lançar no mercado às exigências, gostos e tendências dos potenciais clientes.Análise quantitativaCorresponde ao inquérito por questionário, sendo uma sondagem que se poderá fazer auma parte dos clientes, extrapolando, posteriormente, os elementos recolhidos.Convém referir que, tanto a entrevista como a sondagem implicam o domínio detécnicas e a verificação de regras que normalmente não cabem na esfera decompetências do futuro empresário.Estudo dos consumidoresANÁLISE QUANTITATIVA1. Definição dos consumidores – número de consumidores por categoria2. Definição do mercado3. Definição do nível dos preços 20
    • 4. Definição das condições de venda5. Definição dos canais de distribuição e dos pontos de vendaANÁLISE QUALITATIVA1. Definição dos objectivos e motivações de compra2. Comportamento dos consumidores perante a compra3. Definição da forma como decidem comprar4. Hábitos de consumoEstudo da concorrênciaANÁLISE QUANTITATIVA1. Definição da concorrência2. Inventariação dos produtos concorrentes3. Quotas de mercado que detêm4. Canais de distribuição que utilizam, condições de venda que praticam e acçõespromocionais que desenvolvem5. Potencial de distribuiçãoANÁLISE QUALITATIVA1. Características dos produtos da concorrência2. Adequação destes produtos às necessidades e desejos dos consumidores3. Pontos fortes e fracos desses produtos4. Verificação dos aspectos psicológicos, favoráveis e desfavoráveis, que a marcatransmite aos consumidores5. Análise do comportamento dos concorrentes para motivarem a compra dos seusprodutos.A recolha da informação, que integra o estudo de mercado, deve ser objecto de análisee permitir ao empresário tomar decisões, com um mínimo de risco, sobre:  as características que os produtos ou serviços devem possuir para serem bem aceites pelos consumidores;  e, sobre a política de marketing que a empresa deve implementar, para atingir, eficazmente, aqueles consumidores.A envolvente sectorial externa 21
    • A envolvente sectorial externa representa tudo aquilo que pode influenciar ou produziralterações no sector de actividade onde se pretende entrar.Corresponde no fundo às grandes tendências e movimentos capazes de produzirefeitos, a curto prazo, no sector, designadamente:1. A demografia e os movimentos da população;2. As finanças,3. Os estilos de vida;4. A tecnologia e a inovação;5. A legislação e as regulamentações.6º Passo: a política comercialA política comercial de uma empresa deve enquadrar não só aspectos relacionadoscom as vendas (estratégia de marketing e bases de acção comercial), mas também aestratégia de compras.O estudo de mercado deverá constituir um instrumento que permita ao futuroempresário estruturar a sua política comercial, nas seguintes vertentes:1. definição da estratégia de marketing, o que se traduz, resumidamente, na escolhade um ou de vários cenários que corresponderão a binómios produto / mercado ouserviço / mercado que garantam, à partida, condições de competitividade à empresa;2. definição das bases da acção comercial da empresa, o que implica odesenvolvimento das seguintes estratégias parcelares:  identificação precisa dos produtos ou serviços a comercializar, as respectivas características, as vantagens comparativas e os serviços que, eventualmente, lhes estão associados;  fixação de preços e de condições de venda que permitam atingir os objectivos estabelecidos em matéria de volume de vendas e de rentabilidade;  escolha dos circuitos de distribuição, ou seja, dos processos através dos quais os produtos ou os serviços serão postos à disposição dos clientes; 22
    •  determinação da "imagem" da empresa e dos produtos ou serviços, que abrange aspectos como o nome da empresa, a publicidade, etc.;  preparação dos meios de negociação directa, do processo de prospecção e do estabelecimento de uma "força de vendas”;  determinação de um volume de negócios previsional, de acordo com o(s) cenário(o) escolhido(o).Estratégia da abordagem do mercadoQuaisquer que sejam os objectivos da empresa, é difícil atingi-los todos ao mesmotempo. A atitude estratégica prende-se com um faseamento planeado que permita aconsolidação da empresa numa óptica de mercado.Assim, numa primeira fase, a que poderemos chamar de “arranque” da empresa, umdos objectivos é o crescimento do negócio, a par da rentabilidade e estabilidade daempresa.Para atingir estes objectivos, e tendo por base a observação do mercado-alvo daempresa, torna-se imperativa a escolha do conjunto produto/mercado, mais adaptado.Trata-se, portanto, de analisar as diferentes categorias de clientes – os segmentos demercado – quer sejam pessoas, empresas ou organismos, agrupando-os segundo assuas características fundamentais, nomeadamente idade, género, actividade,categoria sociocultural, hábitos, níveis de rendimento, etc., no caso de segmentos demercado constituídos por pessoasQuando os segmentos de mercado são constituídos por empresas ou organismos, aanálise deve ter em conta o sector de actividade, o número de empregados, alocalização, o estatuto jurídico, etc..Em qualquer dos casos, uma tarefa de grande importância é reunir os potenciaisclientes da empresa em grupos homogéneos, fazendo-lhes corresponder diferentescategorias de produtos ou de serviços que a empresa está (ou poderá vir a estar) emcondições de produzir ou de prestar.No entanto, a escolha dependerá ainda:  Do conhecimento que o empresário tem das diferentes categorias de clientes; 23
    •  Do peso da concorrência no sector;  Da coerência entre o empresário e o projecto;  Dos volumes de investimento a realizar em cada um dos casos e do período de tempo necessário para o recuperar;  E, de uma repartição de riscos que permita a recuperação num ou em dois segmentos caso um terceiro seja mais difícil.Esta tentativa de adequação da actividade da empresa ao mercado pode permitir, aopotencial empresário, caso se revele necessário, repensar a definição dos seusprodutos ou dos seus serviços.As bases da acção comercial da empresaO produto ou o serviço, o preço, a distribuição, a comunicação e a força de vendasconstituem aquilo a que, vulgarmente, se chama de "Marketing-Mix", sendo estescinco elementos a base da acção comercial da empresa.O produto ou serviçoSe não se trata de um produto ou de um serviço novo, a sua diferenciaçãorelativamente aos concorrentes poderá ser conseguida acrescentando "algo" que otorne específico. Este “algo” pode ser resultante de uma acção directa sobre oproduto, ou resultar de um serviço que se lhe associa e que o torna diferente oupreferido aos olhos do cliente.Dado que a procura é hoje extremamente volátil, reagindo quase instantaneamente àoferta, não é estrategicamente aconselhável aguardar pelo declínio das vendas para aintrodução de alterações nos produtos ou nos serviços de modo a renová-lossistematicamente.A inovação constante dos produtos e dos serviços é uma das condições de sucessodas novas empresas.O preço 24
    • Um "bom" preço de venda unitário é uma primeira condição da rentabilidade e dacompetitividade da nova empresa.Neste âmbito, são necessárias três estimativas, relativamente:1.Ao custo de produção (ou de aquisição, no caso de actividade comercial);2. Ao preço de mercado (preço praticado pela concorrência);3. Ao preço psicológico (aquele que os consumidores consideram razoável).A distribuiçãoOs canais de distribuição correspondem aos processos disponíveis que permitem ànova empresa colocar os seus produtos ou os seus serviços em contacto com os seusclientes. A escolha de um determinado circuito de distribuição deverá ser objecto dereflexão, tendo em conta as características tanto dos bens como dos segmentos demercado.Quando se trata de uma empresa com estabelecimento aberto ao público é.igualmente, importante ter em conta os aspectos relacionados com a estrutura desseespaço, com a apresentação dos produtos, com a decoração, com a circulação dosclientes no interior do estabelecimento e ainda com a opção entre venda tradicionalcom assistência ou conselho dos vendedores e o self-service.A comunicaçãoOs clientes da empresa deverão ser o público-alvo da comunicação, nomeadamente,no que respeita à publicidade.Esta noção é fundamental e terá, necessariamente de condicionar, tanto a estrutura daprópria mensagem, como o suporte a utilizar para a fazer chegar aos destinatários.Para que a comunicação seja eficaz há que conhecer os aspectos quantitativos equalitativos do segmento de mercado da empresa. 25
    • Depois de determinados os destinatários é necessário definir a mensagem a transmitira qual deverá salientar as vantagens que os consumidores podem ter se a escolharecair sobre os produtos ou os serviços da nova empresa.Os suportes publicitários podem ser agrupados podem ser agrupados em duascategorias:  os que permitem atingir um número muito elevado de destinatários e onde se inclui a imprensa, a afixação de cartazes, a televisão e a rádio;  os que sendo mais selectivos, permitem uma maior aproximação aos potenciais clientes e que integram aquilo que geralmente se designa por publicidade directa (telemarketing, mailing e distribuição de prospectos porta a porta).A estes dois tipos de suporte podem juntar-se outros veículos de comunicação, de quesão exemplo, a publicidade no local de venda, a publicidade em brindes, aparticipação em feiras e exposições e as relações públicas.A força de vendasA força de vendas, entendendo-se como tal o conjunto dos vendedores de umaempresa, constitui o contacto mais normal entre esta e o cliente.Nesta perspectiva a sua actuação é primordial para a criação junto do mercado deuma imagem de marca (do produto e da empresa), contribuindo decisivamente para afidelização do cliente.À força de vendas não compete apenas a função de venda, mas também a função deligação entre a empresa e os clientes, transmitindo a estes informações sobre aempresa, sobre os produtos ou os serviços disponibilizados por esta e à empresa o"feed-back" do seu contacto com o mercado.Avaliação do Volume de VendasA avaliação das vendas e da sua progressão é uma tarefa difícil mas essencial umavez que as diferenças entre as previsões e as vendas efectivamente realizadas podemconstituir a causa de graves problemas financeiros para a nova empresa. 26
    • Entre os métodos existentes para efectuar esta avaliação apontam-se os seguintes:  As encomendas firmadas e as entradas de dinheiro correspondentes;  As negociações em curso, associadas às estimativas de concretização;  A transposição para a empresa dos resultados previsionais de vendas do projecto, se os contactos prévios com os clientes os confirmam.  A utilização de rácios de vendas existentes para certas actividades e certos sectores;  A comparação com o volume de vendas de empresas semelhantes, tendo sempre em conta as especificidades existentes;  A extrapolação, cautelosa, dos resultados de uma amostra da clientela real para a clientela potencial.A Promoção das VendasPara além da baixa de preços, expediente, em regra, utilizado para promover asvendas através da compra imediata, existem outras técnicas que poderemosenquadrar em três categorias:As promoções destinadas aos clientes - que se destinam:  a incitar os clientes a experimentar um novo produto ou um novo serviço;  a provocar a compra em maiores quantidades;  a promover a mudança de marca;  a fidelizar os clientes e a aumentar as relações com eles;  a contrariar uma acção promocional dos concorrentes.Promoções destinadas aos distribuidoresVisam obter destes uma maior cooperação no desenvolvimento da estratégiacomercial da empresa e geralmente consistem:  na oferta de brindes, de descontos ou de facilidades de pagamento; 27
    •  no estímulo ao aumento de vendas de determinado produto pondo à disposição dos distribuidores material publicitário ou de animação do estabelecimento.Promoções destinadas aos representantes e aos vendedoresTendo igualmente como objectivo aumentar o empenhamento destes agentes nocrescimento das vendas, é um tipo de promoções que recorre a técnicas que vãodesde a oferta de prémios de fim de ano e de viagens, até à realização de concursos,recompensando os que obtiveram melhores resultados e incitando os outros aprocedimentos idênticos.A estratégia de comprasNão obstante a relevância do aspecto "mercado de clientes", a política comercial daempresa deve, igualmente, incluir um conjunto de preocupações e estratégias relativasao "mercado dos fornecedores".Esta estratégia deve ter como linhas orientadoras a procura e avaliação dos potenciaisfornecedores permitindo ao empresário traçar um quadro favorável à empresa emtermos de fornecimentos alternativos, de condições de pagamento, de preços, deprazos de entrega, de qualidade e de especificações técnicas.Com efeito, os fornecedores da nova empresa são, na maioria dos casos, osfornecedores da concorrência e desenvolvem um certo marketing de venda.A política comercial da nova empresa deverá, então, integrar uma vertente estratégicaque poderemos chamar de "marketing de compra".Esta acção deve ser definida por forma a dotar a empresa de um confortável nível depoder negocial e de um bom relacionamento com os fornecedores.Estas situações devem conferir à empresa a qualidade de cliente preferencial epermitir negociar protocolos de colaboração capazes de determinar sinergias e de 28
    • solucionar problemas emergentes da actividade da empresa, mesmo em fase dearranque.7º Passo: os meios financeiros, materiais e humanosA concretização de um projecto de criação de empresa tendo por base as opçõesestratégicas feitas, em termos de produto ou de serviço, de mercado e também dedimensão do empreendimento, implica a reunião de um importante conjunto de meios.Sendo a insuficiência qualitativa e quantitativa de meios uma das principais causas deinsucesso das empresas nascentes, o futuro empresário deve ser rigoroso naavaliação das suas necessidades.Se se verificar um desvio entre os meios necessários para a realização do projecto eaqueles que efectivamente estão disponíveis, haverá que optar por um projecto menosambicioso ou, em alternativa, procurar encontrar financiamentos suplementares.Os meios humanosNum primeiro tempo, coincidente com a fase inicial do processo de criação de umaempresa, a força de trabalho existente é a do próprio empresário, eventualmenteapoiado por um número reduzido de pessoas.A diversidade e complexidade de tarefas inerentes à consolidação da empresadepressa o farão aperceber-se da necessidade de constituição de uma equipa, querpela via da constituição de uma sociedade, quer pelo recurso a colaboradores.Nesta perspectiva de trabalho em equipa, há alguns aspectos que vale a pena referir.Os sóciosDirigir uma empresa implica a existência de um conjunto de conhecimentos e decompetências que raramente se encontram numa única pessoa. Daí o interesse deque se reveste a associação com pessoas que, possuindo competênciascomplementares das do mentor do projecto, assegurem a gestão das diversas áreasfuncionais da empresa. 29
    • Qualquer que seja a proveniência das pessoas dispostas a associar-se (família, círculode amigos ou outras) existe um conjunto de condições prévias que devem serverificadas para que essa associação resulte e seja duradoura, podendo-se, à partida,enunciar as seguintes:  Existir entre os associados uma confiança total, traduzida em relações profissionais francas e autênticas;  Existir respeito mútuo e reconhecimento das competências específicas;  Existir consenso quanto aos objectivos a atingir, precisando-os desde o início;  Repartir as tarefas de acordo com as capacidades de cada um e de tal modo que todas as funções da empresa fiquem asseguradas.Recurso a colaboradoresEm grande parte dos casos de criação de empresas surgem inúmeras tarefas que nãopoderão ser, exclusivamente, desempenhadas pelos associados verificando-se,consequentemente, a necessidade de contratar pessoal.Sendo as qualidades e capacidades ao pessoal ao serviço de uma empresa um dosseus pontos fortes, o acto de recrutamento e contratação de colaboradores é uma dastarefas mais importantes do empresário ou gestor e requer alguma preparação ealguns cuidados especiais.Assim, deve-se definir com precisão o posto de trabalho, pormenorizando as tarefas eas responsabilidades e, sobretudo, fixando as missões que o futuro empregado devecumprir e os objectivos a atingir.Este conjunto de informações permitirá desenhar o perfil ideal do candidato aempregar devendo-se, em seguida, procurar as pessoas que correspondam ou maisse aproximem desse perfil, recorrendo, eventualmente, aos serviços de empresas ouentidades especializadas. Cabe aqui uma referência ao papel social que a empresapode desempenhar já nesta fase. 30
    • Os meios financeirosTomada a decisão de criar uma nova empresa, é imprescindível definir com o máximorigor e, também, com alguma margem de segurança as somas necessárias para aconcretização dos objectivos previstos e encontrar as respectivas fontes definanciamento, ou seja vai ser necessário elaborar um Plano de Investimento e umPlano de Financiamento.O plano de investimentoPara facilitar a tarefa de elaboração do plano de investimento, o texto seguinte chamaa tenção para alguns aspectos relevantes nesta área e sugere algumas pistas.O montante de investimento necessário corresponde, de uma forma simplificada, aosomatório das seguintes despesas:  Despesas de investimento em capital fixo corpóreo;  Despesas de investimento em capital fixo incorpóreo e despesas plurianuais;  Fundo de maneio;  Imprevistos.Cálculo das imobilizações corpóreasOs terrenos, os edifícios, as máquinas, os equipamentos de produção eadministrativos, o material de transporte, os seguros, o IVA e, eventualmente, as taxasaduaneiras, constituem elementos corpóreos, indispensáveis ao arranque efuncionamento normal da empresa, que acarretam necessariamente despesas deinvestimento.O cálculo do montante respectivo, poderá ser obtido, com alguma segurança, listando,exaustivamente, todos os elementos que integram o activo fixo corpóreo da futuraempresa, pedindo orçamentos aos fornecedores (relativamente a investimentos emque tal se justifique) e fazendo um cálculo aproximado para as restantes despesas.Cálculo das imobilizações incorpóreas e despesas plurianuais 31
    • Integram-se aqui as despesas relativas à constituição da empresa (elaboração deestatutos, declarações, registos e publicações) e ainda as correspondentes atrespasses, propriedade industrial e outros direitos, estudos e projectos, despesas dearranque e ensaio, recrutamento, formação de pessoal e publicidade.As despesas plurianuais decorrem, numa primeira instância, das despesas decoordenação e de fiscalização do projecto, mas também da obrigatoriedade depagamento de juros e de amortização dos empréstimos contratados.Cálculo do fundo de maneioO fundo de maneio, por seu lado, corresponde ao montante necessário para assegurara actividade normal da empresa e destina-se à cobertura financeira dos seguinteselementos:1. Reserva de segurança de tesouraria;2. Crédito normal a conceder aos clientes;3. Stocks normais de matérias-primas, subsidiárias e de embalagens;4. Stocks normais de produtos acabados, semi-acabados, em vias de fabrico.Ao montante obtido com o somatório destas despesas haverá que deduzir os créditosnormais a obter junto dos fornecedores.A importância da previsão das necessidades em fundo de maneio justifica-se pelofacto de a empresa, mesmo antes de iniciar a venda dos produtos ou dos serviços terde constituir stocks mínimos e de, após iniciada a actividade, existir um lapso detempo entre a venda e a correspondente entrada de dinheiro.Em contrapartida, a empresa vai beneficiar de um prazo para o pagamento aos seusfornecedores, o que se traduz numa redução do montante das necessidades de fundode maneio.ImprevistosIndependentemente do rigor do cálculo das rubricas anteriores, situações nãoprevistas inicialmente, podem alterar o montante global das necessidades deinvestimento. 32
    • Estas situações prendem-se com desvios qualitativos do projecto decorrentes dedeficiências registadas nos projectos de construção civil, na instalação, na implantaçãodos equipamentos, nas previsões relativas ao fundo de maneio e também, comdesvios verificados em consequência, por exemplo, da desvalorização da moeda ouda inflação.O plano de financiamentoDeterminado o montante do investimento necessário, haverá que reunir os meiosfinanceiros, designados por capitais, indispensáveis à sua cobertura. A esta operaçãodeve corresponder a elaboração de um Plano de Financiamento.Da composição dos capitais necessários para fazer face às despesas de investimentofazem parte os capitais próprios e os capitais alheios.As fontes de financiamento dos capitais próprios (que se destinam a assegurar ofuncionamento da empresas com uma margem de segurança), são o capital social, asprestações suplementares de capital, o autofinanciamento e o capital de risco.Não sendo de esperar que os capitais próprios cubram todas as necessidades definanciamento da empresa, esta terá de recorrer a capitais alheios cuja proveniênciapode resultar de crédito de fornecedores, empréstimos bancários, empréstimosobrigacionistas, empréstimos dos sócios ou de locação financeira mobiliária eimobiliária.Em qualquer dos casos, parte do financiamento pode ainda resultar de subvençõesfinanceiras existentes para o efeito, sendo, no entanto, opinião de alguns especialistasem criação de empresas que aquelas subvenções não devem ser contabilizadas nocálculo inicial dos capitais próprios em virtude da sua concessão demorarnecessariamente algum tempo, situação que impede que as importâncias que lhecorrespondem sejam utilizadas para financiar o arranque da empresa.Instalação da empresaO funcionamento da empresa implica necessariamente a existência de máquinas,equipamentos e instalações apropriadas, meios que podem ser obtidos por compra oupor aluguer. No caso específico das instalações poderá recorrer-se ao aluguer de 33
    • instalações de terceiros, à compra de instalações já existentes ou à compra de terrenoe construção de raiz.A opção dependerá de diversos factores e deverá resultar da análise criteriosa dasvantagens e desvantagens, dos custos de cada solução e das disponibilidadesfinanceiras existentes.LocalizaçãoA localização das instalações é mais ou menos importante conforme a natureza daactividade a desenvolver pela empresa, mas qualquer que seja o caso não pode sernegligenciada.Se o empreendimento tem uma forte componente comercial a escolha da localização éessencial uma vez que terá influência directa nas vendas e nos custos de exploração.Neste caso a escolha do local deve ter em conta:- os fluxos da clientela;- a dinâmica comercial da rua ou da zona;- as facilidades de acesso e de estacionamento;- os aspectos interior e exterior, o estudo de mercado realizado;- os custos.Tratando-se de uma actividade de serviços, a localização é menos importante que nocaso anterior devendo, no entanto, a escolha basear-se em aspectos relacionadoscom:- a dimensão e disposição adequadas às necessidades do empreendimento;- a funcionalidade das instalações;- a localização dentro da cidade.No caso de uma actividade industrial, mantêm-se válidos os aspectos relativos àdimensão, disposição e funcionalidade, não sendo a localização geográficacompletamente neutra.Na implantação de uma empresa industrial, de acordo com a especificidade daactividade a desenvolver, as características da construção, nomeadamente vãoslivres, fundações e divisórias, pavimentos, revestimentos das paredes, isolamentostérmico e acústico, redes de água, eléctrica e de esgotos, iluminação artificial, 34
    • climatização ou ventilação são outros aspectos fundamentais a ter em conta naescolha das instalações.Em todos os casos deve haver o cuidado de verificar a situação legal da propriedade ea viabilidade de utilização conforme os objectivos do projecto.De referir ainda que a utilização das instalações dos Centros de Empresas eInovação (BIC), Incubadoras e Ninhos de Empresas pode constituir a alternativa,numa primeira fase, ao aluguer ou compra de instalações próprias.8º Passo: contabilidade e planeamento financeiroPara além de uma imposição legal, a contabilidade é, também, uma necessidade vitalpara a empresa.Com efeito, revela-se da maior importância para o empresário conhecer, em qualquermomento, a sua situação patrimonial, as operações relativas ao seu negócio,, osrecursos de que pode dispor, bem como poder justificar junto dos serviços fiscais, doscredores ou da banca, entre outros, a natureza, a origem e a aplicação dos seusfundos.A contabilidade da empresa exige um conjunto de conhecimentos e de técnicas que oempresário comum, em princípio, não domina. Poderá, então optar entre: a formaçãode recursos em contabilidade e o recurso a profissionais neste domínio.Todas as sociedades comerciais ou civis sob a forma comercial, cooperativas,empresas públicas e demais entidades que exerçam a título principal uma actividadecomercial, industrial ou agrícola constituem entidades que legalmente devem dispor decontabilidade organizada e que, como tal, têm de ter obrigatoriamente os seguinteslivros de contabilidade:  Livro de Inventário e Balanço;  Diário;  Razão;  Copiador;  Livro de Actas. 35
    • As sociedades anónimas e as sociedades em comandita por acções devem aindapossuir o livro de registo de acções.O Empresário em Nome Individual que não possua contabilidade organizada estáobrigado a possuir os seguintes livros:  Livro de registo de compras de mercadorias ou livro de registo de matérias- primas e de consumo;  Livro de registo de vendas de mercadorias ou livro de registo de produtos fabricados,  Livro de registo de serviços prestados;  Livro de registo de despesas e de operações ligadas a bens de investimento;  Livro de registo de mercadorias, matérias-primas e de consumo, de produtos fabricados e outras existências à data de 31 de Dezembro de cada ano.A gestão financeiraA contabilidade produz dois documentos essenciais à gestão da empresa: o balanço ea conta de exploração. Por outro lado, no exercício da actividade futura da empresa, oempresário terá de gerir com a maior precisão a tesouraria.Ainda nesta fase do projecto de criação da empresa é necessário incluir um conjuntode simulações (previsões) financeiras, que irão servir de base à negociações futuras.Resumidamente, poder-se-á afirmar que é necessário preparar os seguintesdocumentos:- O balanço (inicial e do fim do primeiro ano) - que representa a situação patrimonialda empresa (o que possui e o que deve) naqueles dois momentos;- O plano de financiamento da empresa (a três anos) - que permite prever a médioprazo os recursos da empresa e as necessidades de financiamento;- A conta de exploração previsional (calculada geralmente para primeiros 3 ou 5anos) - que exprime o resultado líquido da exploração normal das actividades 36
    • principais da empresa num dado período através do registo dos proveitos e dos custosrelativos à formação daquele resultado;- O orçamento de tesouraria previsional (no mínimo para os primeiros meses deactividade da empresa) - que regista o saldo financeiro inicial, todos os pagamentos aefectuar e todos os recebimentos previstos.9º Passo: o plano de negóciosTanto para o próprio criador de empresas como para os seus eventuais interlocutoresé indispensável apresentar os estudos, análises e reflexões acompanhados de dadosquantitativos num documento próprio e bem redigido: o chamado "Plano de Negócios".Este documento, que irá passar pelas mãos de pessoas que não conhecem nem oprojecto nem os promotores, funcionará como embaixador de ambos, permitindo-lhesconstruir uma primeira opinião a partir do conteúdo e da forma de apresentação.Por outro lado, durante os primeiros meses de existência da empresa, o Plano deNegócios constitui, para o novo empresário, um referencial em termos de objectivos aatingir e da respectiva programação e calendarização.Saber apresentar e "vender" o projectoO Plano de Negócios deve ser um documento com elevado nível de objectividade ebem apresentado. Sempre que possível a informação escrita deverá ser ilustradaatravés de diversos elementos valorizadores do projecto.Estrutura do Plano de Negócios 37
    • INTRODUÇÃO - Apresentação resumida do criador e do seu projectoCAPÍTULO 1 - O mercado e a envolvente externaCAPÍTULO 2 - Os pontos fortes do empresárioCAPÍTULO 3 - A finalidade, as metas e os objectivosCAPÍTULO 4 - As escolhas estratégicasCAPÍTULO 5 - Os meios necessáriosCAPÍTULO 6 - A estrutura da empresaCAPÍTULO 7 - As previsões financeirasANEXOSPlano de NegóciosIntroduçãoO EmpreendedorO sucesso de um projecto depende antes de mais do seu promotor. Isto significa queantes de "vender" a imagem do projecto o promotor deve-se procurar "vender" a suaprópria imagem.Nesta perspectiva, o promotor deve pôr em evidência as suas qualidades e pontosfortes em relação ao projecto (formação, experiência e motivações), juntando emanexo o seu Curriculum.O projectoDa introdução deve constar uma exposição breve do projecto:  Localização;  Pacto social;  Características dos serviços ou dos produtos;  Alguns números-chave relativos ao primeiro ano de actividade (volume de vendas, resultados ou margem, investimento inicial). 38
    • Capítulo 1 – O mercado e a envolventeNesta parte do Plano de Negócios o futuro empresário deve demonstrar que conheceo terreno que pisa e, portanto, pôr em evidência as informações e os dadosquantitativos utilizados na determinação das escolhas estratégicas e dos meios e naelaboração das contas previsionais.Estes dados devem ter por base informação sólida e sempre que possível deve-sefazer prova do que se escreve, citando as fontes utilizadas, ou, se se trata de merashipóteses ou projecções, explicar como foram elaboradas.A procuraAs clientelas potenciais  A que tipo de clientela se dirige o projecto? - Quais são os mercados visados?  E a que tipo de necessidades pensa dar resposta?As características da procura  Informações e números sobre o volume e as tendências da procura actual, passada e futura;  Estado de saúde dos mercados: (em crescimento, em estagnação ou em declínio).O consumo  Informações qualitativas sobre os impedimentos ou motivações identificados nos compradores e nos consumidores;  Efeitos da sazonalidade;  Comportamento dos compradores, se a decisão é colectiva;  Quem faz surgir a necessidade;  Quem formula a encomenda;  Quem toma a decisão final de comprar. 39
    • A ofertaOs produtos  Quais são os produtos (similares) existentes no mercado, segundo a utilização, as funções e as diferentes gamas.Características gerais da oferta  Número de concorrentes, agressividade da concorrência e evolução tecnológica.Os concorrentesRelativamente a 2 ou 3 principais concorrentes (incluindo, se possível, o "leader" domercado) devem-se indicar os seguintes elementos:  Dimensão (número de efectivos);  Volume de vendas;  Características dos serviços;  Principais clientes;  Imagem da empresa.Os intermediáriosDevem ser identificados os futuros:  Prescritores - pessoas ou entidades que podem recomendar os produtos ou serviços da nova empresa a potenciais clientes;  Parceiros comerciais e distribuidores - pessoas ou entidades que podem comercializar os produtos através de uma comissão;  Parceiros técnicos - pessoas ou entidades que podem prestar apoio na concepção e na fabricação (subcontratantes).A regulamentaçãoNormas técnicas a respeitar, obrigatoriedade de licenciamento, regulamentaçãocomunitária 40
    • Capítulo 2 – Os pontos fortes do empresárioO promotor do projecto deve apresentar neste capítulo os seus pontos fortes emrelação ao projecto, designadamente:  Formação ou longa experiência no domínio;  Gosto ou apetência particular para uma actividade ligada ao projecto;  Envolvente favorável (conselho ou ajuda por parte de pessoas de família qualificadas na matéria, conhecimentos no meio profissional).Neste capítulo o futuro empresário, por um lado, deve ser completo, tentando nãoesquecer nenhum aspecto importante e, por outro, não deve ocupar um exageradonúmero de páginas com este tema.É evidente que o empresário também tem pontos fracos e dificuldades. No entanto,sendo o objectivo visado "vender" a sua imagem é preferível não lhes fazer referêncianeste documento.Capítulo 3 – Finalidades, metas e objectivosFinalidadeNão é inútil relembrar sucintamente a natureza do projecto antes de fixar as dois outrês principais metas e de calcular o objectivo de sucesso da nova empresa.MetasAlgumas metas fixadas a médio prazo permitirão balizar o papel do futuro empresárioe obrigá-lo-ão a conduzir a sua empresa numa perspectiva de consolidação edesenvolvimento, mantendo-se continuamente em acção.ObjectivosO primeiro objectivo da criação de uma empresa é que ela corresponda a um negóciobem sucedido e para tal, é necessário calculá-lo de tal forma que seja sempre possível 41
    • saber qual é a posição relativamente ao fracasso ou ao sucesso e a que nível se situaneste último.Este cálculo efectua-se a partir de dados precisos relativos ao mercado.Deve-se em seguida verificar se as capacidades da empresa permitem, sem criarproblemas, responder às necessidades do mercado.Para além da utilidade de que se reveste na óptica da construção do plano de acçãopara o primeiro ano ou para os primeiros tempos de actividade da empresa, aidentificação dos objectivos serve igualmente como termo de referência para oempresário repensar e por em acção as estratégias que lhe permitam atingi-lo.Capítulo 4 – As escolhas estratégicasA análise de mercado e da envolvente externa à empresa, bem como dos pontosfortes do empresário e dos objectivos a atingir, levam a fazer escolhas estratégicas:O futuro empresário deve demonstrar toda a coerência do projecto e, ao mesmotempo demonstrar as suas capacidades de se impor como chefe da empresa.Com base em dados qualitativos e quantitativos precisos deverão ser apresentadas asescolhas estratégicas feitas em termos de implantação, produtos, clientela, margens(resultados), bem como de política de preços e de comunicação.Estes aspectos deverão ser abordados segundo a importância que têm no projecto eessa ordem é, evidentemente, variável de projecto para projecto.Capítulo 5 – Os meiosA relação e quantificação dos meios deve estar de acordo com as escolhasestratégicas feitas e com as informações recolhidas da envolvente externa daempresa. 42
    • É preciso não esquecer que uma das principais causas de insucesso das empresasnascentes é a insuficiência de meios em quantidade e em qualidade e que aimprecisão nesta matéria põe em sérios riscos a credibilidade do empresário.Este aspecto foi já desenvolvido quando se apresentou o 7º Passo - "Meiosfinanceiros, materiais e humanos.Capítulo 6 – Organização e estatutosNo que diz respeito à organização, é importante que o promotor mostre que temcompetência (sozinho ou em conjunto com colaboradores) para assegurar todas asáreas funcionais da empresa: gestão geral, contabilidade e finanças; vendas emarketing; produção, investigação (se for caso disso), gestão do pessoal, etc.Mesmo que a aquando do arranque da empresa o empresário esteja sozinho ou contecom um número muito restrito de colaboradores é necessário saber quem vai fazer oquê, tanto dentro da empresa como no seu exterior.No que concerne a forma jurídica da empresa, deve justificar com precisão a escolhafeita e caso os estatutos já estejam redigidos, poder-se-á anexar um exemplar.A escolha da forma jurídica da empresa vai determinar o seu modelo defuncionamento.Neste contexto, a opção por um determinado estatuto jurídico deve ser tomada demodo a valorizar os pontos fortes da futura empresa tendo, no entanto, em atenção ascaracterísticas que melhor se adaptem às expectativas de desenvolvimento.As formas jurídicas mais comuns são:- Empresa Individual / Empresário em Nome Individual;- Sociedade por quotas- Sociedade AnónimaOutras formas jurídicas menos frequentes são:- Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada, EIRL- Sociedade Unipessoal por Quotas- Sociedade em Comandita- Sociedade em Nome Colectivo- Cooperativa 43
    • Capítulo 7 – As previsões financeirasO Plano de Negócios deve incluir obrigatoriamente a quantificação das previsõesfinanceiras, designadamente, através da apresentação das “Contas de Exploração”,do “Balanço Inicial”, do “Balanço ao fim dos primeiros três anos”, do “Plano deFinanciamento” e do “Plano de Tesouraria”.A apresentação de todos estes números deverá será ser particularmente cuidada paraque todas as pessoas que analisarem o projecto compreendam o que eles significam epara que reflictam bem a realidade e as escolhas feitas.Refira-se que, por vezes, é necessário pormenorizar e explicitar algumas categoriasde despesas.AnexosPor fim, o promotor poderá anexar a este documento os elementos que permitamilustrar de uma forma nítida o seu propósito (por exemplo, o plano da futuraimplantação, etc.) ou elementos técnicos que não tenham lugar no corpo dodocumento (por exemplo, orçamentos de fornecedores, cartas-compromisso declientes, etc.) 44
    • 10º Passo: constituição legal da empresaA passagem da ideia à empresa implica, necessariamente, o conhecimento dasformalidades associadas à legalização da sua actividade e o contacto com umconjunto de entidades cujas atribuições e actividades se enquadram no, por vezeslongo, processo de criação / constituição legal de uma empresa.Nesta etapa, chama-se a atenção para os aspectos mais significativos relacionadoscom a tramitação, documentação e custos associados, tanto no caso da escolha daforma jurídica da empresa ter recaído sobre a figura de Empresário em NomeIndividual como no caso da opção ter sido a Sociedade.Formalidades legaisEmpresa individual / Empresário em Nome Individual1 - Pedido de Certificado de Admissibilidade de Firma ou DenominaçãoO Empresário em Nome Individual só será obrigado a requerer o certificado deadmissibilidade de firma se pretender inscrever-se no Registo Comercial com firmadiferente do seu nome civil completo ou abreviado (D.L. nº 42/89, de 3 Fevereiro).2 - Pedido de cartão de identificaçãoTem como finalidade a obtenção de cartão de identidade válido que permita aoempresário identificar-se, como tal, em todos os actos e contratos em queintervenha.Este cartão deve conter a indicação do Número de Identificação de PessoaColectiva (NIPC) e, ainda, o nome ou firma do empresário, o domicílio, acaracterização jurídica, a actividade principal e o número do bilhete de identidade,para além de mencionar o código da sua actividade económica.3 - Declaração de Início de ActividadePretende-se a regularização da situação fiscal do empresário individual, a fim de darcumprimento às suas obrigações de natureza fiscal.4 - Registo ComercialTem como finalidade dar publicidade à situação jurídica, entre outros, dos 45
    • empresários individuais.5 - Comunicação obrigatória ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção dasCondições de TrabalhoO empresário em nome individual, como entidade sujeita à fiscalização do Institutode Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho, deverá comunicar,por ofício, à respectiva delegação da área onde se situa o seu estabelecimento, oendereço deste, ou dos locais de trabalho, o ramo de actividade, o seu domicílio e onúmero de trabalhadores.Esta comunicação é obrigatória e deverá ser feita anteriormente ao início deactividade.6 - Inscrição do empresário na Segurança SocialTem como finalidade a identificação do empresário como beneficiário dos serviços eprestações a realizar por aquele organismo de forma a estar abrangido pelosregimes da protecção social.7 - Inscrição da empresa individual na Segurança SocialDestina-se a identificar a empresa como contribuinte daquele organismo, sempreque o empresário tenha contratado trabalhadores ao seu serviço, ficandoresponsável pelo pagamento das respectivas contribuições.Sociedade1 - Elaboração dos EstatutosDepois de escolhido o tipo de sociedade deverá ter lugar a elaboração dos estatutosou pacto social.2 - Escritura Pública de ConstituiçãoMediante a apresentação da minuta dos estatutos, do certificado de admissibilidadeda firma, do certificado do depósito efectuado em qualquer banco e dos bilhetes deidentidade dos futuros sócios (além de outros documentos que sejameventualmente necessários para casos especiais) poderá outorgar, em cartórionotarial à sua escolha, a escritura pública de constituição da sociedade.3 - Certificado de Admissibilidade de FirmaQuando iniciar a elaboração dos estatutos deve, simultaneamente, requerer ao 46
    • Registo Nacional de Pessoas Colectivas o certificado de admissibilidade da firma oudenominação.4 - Registo ComercialO registo comercial destina-se a dar publicidade à situação jurídica das sociedadescomerciais, das sociedades civis sob forma comercial tendo em vista a segurançado comércio jurídico.5 - Inscrição no Ficheiro Central de Pessoas ColectivasUma vez efectuada a inscrição no ficheiro central de pessoas colectivas do RNPC épor este emitido o Cartão de Identificação que deverá conter a indicação do NIPC(número de identificação de pessoa colectiva), do nome, firma ou denominação, dodomicílio ou sede, da caracterização jurídica, da actividade principal e, no caso depessoas colectivas, a data da constituição.6 - Número Fiscal do ContribuintePara efeito de atribuição de número fiscal, o D.L. n.º 463/79, de 30 de Novembro,estabelece a obrigatoriedade de todas as pessoas colectivas e equiparadas, seinscreverem em qualquer Repartição de Finanças.7 - Comunicação obrigatória ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção dasCondições de TrabalhoEsta comunicação é obrigatória e deverá ser feita anteriormente ao início deactividade.8 - Inscrição da empresa na Segurança SocialDestina-se a identificar a empresa como contribuinte daquele organismo, sempreque o empresário tenha contratado trabalhadores ao seu serviço, ficandoresponsável pelo pagamento das respectivas contribuições.Com o objectivo de facilitar o processo de constituição, alteração ou extinção deempresas, estão disponíveis as Lojas de Empresa que são serviços de atendimentoe de prestação de informações aos utentes.Consistem na instalação física, num único local, de delegações ou extensões dosServiços ou Organismos da Administração Pública que mais directamente intervêmnas formalidades legais associadas a qualquer dos actos anteriormente referidos.Estão presentes em cada Loja de Empresa: 47
    • • Um corpo técnico de atendimento (AMA)• Uma delegação do RNPC – Registo Nacional de Pessoas Colectivas (IRN)• Um Cartório Notarial (IRN)• Uma Extensão do Instituto da Segurança Social, PI (ISS, IP)• Um Gabinete de Apoio ao Registo Comercial (IRN)• Um Posto de Atendimento da “Empresa na Hora” (IRN)• Um balcão da Caixa Geral de Depósito (CGD)Fonte: http://www.iapmei.pt/ 48