A GEOMETRIADA MODA
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Simone Barros e Teresa Poças (editoras-chefes)
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Moda Inteligente     A tecnologia à serviço da moda     Por Mariana Rodrigues     O              mundo da moda muda tão de...
As marcas esportivas são as que atualmente mais investem em novi- dades por justamente querer proporcionar aos esportistas...
Cursos de Moda     As instituições de ensino brasileiras esforçam-se para oferecer cursos de qualidade,     adaptados ao c...
sários da moda brasileira e professores universitáriossentiram a urgência de superar uma defasagem cria-tiva em relação à ...
Para a estudante Julia Barbosa, da Universidade Veiga      abordando desde a história e estética dos estilistas     de Alm...
Consumo de marcas de moda:aspectos funcionais e simbólicosAna Paula de MirandaDoutora em Marketing pela FEA/USP e professo...
logo com o mundo. Desempenha o papel de ator, de         A razão é de ordem econômica: sendo calculadora, a     observador...
O Brand Concept Management (BCM) de Park et al         existe diferenciação entre os indivíduos, com base(1986) propõe que...
Em relação à distribuição da amostra entre as          Descrição dos clusters:      classes sociais e os grupos de idade f...
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EstampariaDigitalA revolução na indústria têxtilPor Carolinne SabinoA       tendência do mercado da moda é a diversificaçã...
Quer saber mais sobre o        estúdio zero? Acesse:        www.estudiozero.com     encontrados facilmente no mercado. As ...
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con  sumoA Moda Classe DConsumo ResponsávelEscambo
a Moda Classe D     A Classe D não economiza na hora de se vestir e investe em marcas famosas.     Por Tainan Paiva     U ...
De acordo com o estudo “Mudanças no                                                 Mercado Brasileiro”, realizado pela Ni...
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4 – Reciclar: Mais de 800 mil famílias                        vivem da reciclagem hoje no Brasil,                        q...
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E os brechós? É uma ótima alternativa para econo-     Só para refletir um pouco sobre o assunto:mizar e conseguir roupas d...
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Demetra 2012

  1. 1. A GEOMETRIADA MODA
  2. 2. Equipe DemetraEditorias-ChefesSimone Barros e Teresa PoçasCoordenação de produção gráficaTemístocles GonçalvesEquipe de produção gráficaNathália MouraLuiza BarrocasAyodê FrançaJuliana FrancineREDAÇÃOMaria Luiza AragãoCarolinne SabinoGéssica PoloRaisa BrennichiMariana RodriguesTainan PaivaDIAGRAMAÇÃONathalia MouraJuliana FrancineIsabela FreireAlex BarrosPriscila VitaTemístocles gonçalvesLuiza BarrocasFOTOGRAFIABruno LeiteGéssica PoloPriscila ViatalinoIsadora AlvesLucas CavalcantiGildson CampeloILUSTRAÇÃOAyodê FrançaHeitor MartinsJuliana FrancineGabriel FerreiraIsadora AlvesEDITORIALRaisa BrennichiHeitor MartinsIgor SantosBruno LeiteCássia CostaMatheus
  3. 3. Demetra 2012Mais um número da Demetra, sai do forno e está pronto paravocês. Viver, mais uma vez, a experiência de produzir umarevista-laboratório atravessada pela interdisciplinaridade detrês campos teóricos como o Design, a Comunicação e a Moda,foi um grande prazer, compartilhado com os alunos da turma2012.1 do grupo de estudos Moda em Revista.Envolvendo atividades como a pesquisa para produção da revis-ta (projeto prático), com acompanhamento ao longo do semes-tre, e atividades semanais apresentadas nas reuniões, e ativi-dades semanais apresentadas nas reuniões e debatidas entre osparticipantes, nossa sala de aula se transformou na redação queprecisávamos para que os alunos do curso de Design da UFPEdescobrissem, de forma lúdica, novas possibilidades de apli-cação do design editorial.Simone Barros e Teresa Poças (editoras-chefes)
  4. 4. Simone Barros e Teresa Poças (editoras-chefes)
  5. 5. ndiceíndiceíndic emprendiceíndiceíndic endedo rismodiceíndiceíndiceceíndiceíndiceín consumo 36 A moda classe D 38 Consumo responsáveleíndiceíndiceínd 42 Escambondiceíndiceíndicndiceíndiceíndicdiceíndiceíndice academia 10 Moda inteligente 12 Cursos de modaceíndiceíndiceín 15 Consumos de marcas de moda - por Ana Paula Miranda perfilceíndiceíndiceín 46 Rave do fim do mundo 54 Edição de moda com Phelippe Rodrigues
  6. 6. ceíndiceíndiceí O Espaço Garimpo e a economia criativa 76ceíndiceíndiceín Nichos de mercado 78 Comércio justo 82 Moda artesanal 86 Moda sustentável em Pernambuco 88eíndiceíndiceíndndiceíndiceíndic indústria Pólo de confecções do agreste 24 Estamparia digital 27diceíndiceíndice Peles que habito 30 ceíndiceíndiceíceíndiceíndiceín culturaeíndiceíndiceínd Circo: magia, moda e perfeição 58 Livros 62 Nudez e moda 66 Crítica de moda 68ndiceíndiceíndi Moda e arte 71ndiceíndiceíndic editorial A Geometria da moda 94
  7. 7. 8
  8. 8. aca demiamoda inteligenteCursos de Modaartigo - por anapaula miranda 9
  9. 9. Moda Inteligente A tecnologia à serviço da moda Por Mariana Rodrigues O mundo da moda muda tão depressa que certos detalhes acabam despercebidos, todo o brilho e glamour do lançamento de uma nova tendência muitas vezes acaba ofuscando o trabalho de pesquisa e desenvolvimento que só pessoas mais antenadas e ligadas diretamente com a moda percebem. Com a popularização e consequentemente barateamento da tecnologia, grandes marcas e até mesmo estilistas não tão famosos estão investindo em tecidos, pigmentos e tintas que conferem as roupas características singulares. Para facilitar a vida de pessoas mais ocupa- das, ou auxiliar em tratamentos estéticos, já é possível encontrar roupas que fazem mais do que somente vestir, elas são capazes de mudar de cor no sol, proteger dos raios solares, combater a celulite, não amassar, secar rapidamente e até mesmo purificar o ar. Sair na rua vai ser uma tarefa incrível de ser vista quando as ideias criadas e desenvolvi- das pela estilista e designer Amy Winters em parceria com laboratórios londrinos for disponibilizada no mercado. A ideia é simples; com a incidência dos raios solares ou o contato de líquidos com o tecido, a roupa passará, gradativamente a mudar de cor, sendo o responsável pelos efeitos a tinta usada nos tecidos. ‘’Eu queria criar uma experiência interativa, toda minha inspiração veio da indústria do entretenimen- to. Comecei com a ideia do artista e sua audiência, tipo Lady Gaga, interagirem juntos através das roupas que eles estejam usando’’ Amy Winters. Mas a moda não busca inspiração apenas nas celebridades, o ramo da con- strução também foi fonte de inspiração para Helen Storey e Tony Ryan, ela estilista, ele químico, juntos pesquisaram cimentos, tintas e vidro que possuem em sua composição fotocatalisadores que transformam os poluentes do ar em substancias químicas não nocivas à saúde, e criaram em parceria com as Universidades de Sheffield, Arts of London e do London College of Fashion um projeto chamado Catalytic Clothing: ’’somos os maiores catalisadores da puri- ficação do ar, uma pessoa sozinha não faz diferença, mas se muita gente passar a usar, podemos, juntos, fazer um im- pacto’’ Helen Storey. A ideia é o uso coletivo de calças jeans que ao caminhar purificam o ar ao redor de quem a usa. Por enquanto o projeto só conta com protótipos, mas há expecta- tivas de que em alguns anos já esteja disponível no mercado. Informações: http://www.catalytic-clothing.org/who.html http://www.rainbowwinters.com/ Herself: Catalytic clothing10
  10. 10. As marcas esportivas são as que atualmente mais investem em novi- dades por justamente querer proporcionar aos esportistas o melhor desempenho possível e proteção para a prática de diversas atividades. Criada pela Nike, a tecnologia Dry-fit é utilizada em uniformes de di- versos times e atletas em todo o mundo; como as seleções brasileira e croata, Maria Sharapova, Tiger Woods. Feito com poliamida e elastano o tecido proporciona conforto para roupas esportivas que exigem uma alta capacidade de transpiração, além de ter a capacidade de tirar a umidade do corpo e transportá-lo para fora do tecido. Informações: http://www.kenia.com.br/tecidos.html http://www.ehow.com/about_6361649_nike-dri_fit-technology_.html E para quem pratica atividades ao ar livre, as marcas UV. Line e Sun Cover garantem serem capazes de filtrar mais de 98% dos raios so- lares. Quer saber como isso tudo é possível? Dois processos são utilizados, em alguns tecidos a trama é composta por fios a base de dióxido de carbono; já em peças de algodão, aditivos são adicionados no tingimento dos tecidos. Podem ser lavados normalmente seguindo instruções da etiqueta e não precisam de nenhum cuidado especial. Há modelos para crianças, adultos e adolescentes de todas as faixas etárias. Informações: http://www.uvline.com.br/tecnologia.html http://www.suncover.com.br/protecao_textil.php http://www.proteksol.net/ 11
  11. 11. Cursos de Moda As instituições de ensino brasileiras esforçam-se para oferecer cursos de qualidade, adaptados ao contexto local. Porém, os alunos ainda percebem deficiências. Por Juliana Francine e Isadora Alves E mbora seja dono do quinto maior parque têxtil normalmente relegada à mulher ou a alfaiates e do mundo, o Brasil representa apenas 0,2% do costureiras nos casos mais especiais. Os avanços da comércio internacional da moda. Tal dispari- indústria têxtil aliados ao crescimento do poder da dade inquieta nossos estilistas, modelos e produtores, comunicação configuraram a necessidade de refle- que vêm reunindo esforços para aumentar a expres- tir sobre a produção da moda nos centros de ensino sividade brasileira nos mercados estrangeiros. Parte superior, além de oferecer capacitação técnica de Ilustrações: Juliana Francine, Fotografia: Bruno leite desses esforços direciona-se na criação e aperfeiçoa- qualidade. Talvez, por esse motivo os cursos da área mento de cursos de moda: desde 1987 foram abertos tenham encontrado apoio em departamentos de artes mais de 20 cursos de ensino superior, sediados em e comunicação que deram ao setor o olhar de ramos maior número nos grandes centros urbanos, cujas di- das ciências tradicionais, como a semiótica, história e retrizes curriculares ainda permanecem em discussão. sociologia. Mas, esse apoio só pôde ser concretizado à medida que a Academia articulou-se junto aos Apesar da Academia ter iniciado seus primeiros setores da indústria têxtil. cursos voltados à indumentária ainda no século XVII, foi somente no último que eles proliferaram-se em Percebendo o potencial de um mercado que atual- abundância no mundo, impulsionados pelo novo mente representa mais de 4% do PIB nacional, gera ritmo da economia. A confecção de vestuário havia emprego para 1,7 milhões de pessoas e movimenta deixado de ser uma atividade de pequena escala, aproximadamente US$ 50 bilhões ao ano, os empre-12
  12. 12. sários da moda brasileira e professores universitáriossentiram a urgência de superar uma defasagem cria-tiva em relação à Europa, que ainda dita a maior partedas tendências. Assim, surgiu em 1986, na Universida-de Federal de Minas Gerais, um dos primeiros cursosde moda do país: o Curso de Extensão de Estilismo eModelagem do Vestuário, resultante da parceria entrea professora Delfina Miranda e a Associação Mineiradas Indústrias de Confecções. Esse curso havia sidoidealizado anos antes pelas estilistas e ex-alunas daEsmod (l’Ecole Supérieure des Arts et Techniques dela Mode, de Paris) Angélica Maria Diniz de Oliveira eAline Goubert, além da própria Delfina, mediante soli-citação da Escola de Belas Artes. O primeiro projetoprevia duração de oito semestres, baseado em mode-los estrangeiros de ensino e oferecendo aos alunosespecializações em Estilismo, Modelagem ou DesenhoTêxtil. Entretanto, o curso acabou implantado doisanos depois, com a metade da duração prevista noinício do projeto e foi remodelado devido às carênciasdetectadas por Delfina Miranda na indústria mineiraenquanto ela trabalhava para a Companhia IndustrialBelo Horizonte.Seguiram-se à criação deste curso muitas outrasiniciativas, concentradas principalmente nas regiõesSudeste e Sul. Porém, o processo de adaptação domodelo europeu de ensino da moda à realidade brasi-leira já havia iniciado junto ao surgimento dos cursosde desenho industrial no país: Pierre Cardin ministroudisciplinas voltadas ao estilismo como professorconvidado da Escola Superior de Desenho Industrial,do Rio de Janeiro; e Eugenie Jeanne Villien, religiosade origem suíça, estabelecida em São Paulo, minis-trou em 1967 aulas de desenho de moda às turmasde Desenho e Plástica — que mais tarde formariam abase do curso de moda da Faculdade Santa Marcelina.Além dos esforços dos industriais em oferecer capa-citação para formar profissionais qualificados, e dosintelectuais que traziam do exterior teorias e modelosde ensino, persistiu ainda uma tradição apegada àprática, repassada nos ateliês de costura de geraçãopara geração. Essas três modalidades constituem hojeo heterogêneo cenário de formação do profissional damoda no Brasil, e elas também podem ser sentidas naspróprias diretrizes curriculares dos centros de ensino: que é de baixa qualidade: o CETIQT, por exemplo, éalgumas enfatizam a criação, outras o mercado e há considerado referência para muitas instituições deainda aquelas que focam nas questões relacionadas ensino do país, oferecendo ao aluno um aprendiza-à produção e à modelagem, dependendo da produção do baseado na linha de produção, que inicia na con-local que incentivou a instalação do curso. strução da fibra têxtil e vai até a peça finalizada na passarela. Do outro lado da moeda estão os cursosOs cursos técnicos e de curta duração são os que mais de graduação, cujos professores frequentementesofrem interferência dos parâmetros da indústria advêm de outras áreas de pesquisa e fornecemna construção das disciplinas, resultando em muito uma orientação mais superficial da produção emconhecimento prático e pouco aprofundamento na série, enquanto discutem com mais atenção outrasreflexão teórica. Neste perfil, enquadra-se o já citado facetas da moda, como a construção de uma iden-curso da UFMG e o CETIQT, do SENAI. É importante tidade brasileira que seja capaz de elevar o valor doressaltar que ensino técnico nem sempre significa produto nacional no mercado externo. 13
  13. 13. Para a estudante Julia Barbosa, da Universidade Veiga abordando desde a história e estética dos estilistas de Almeida, a multidisciplinaridade é um ponto forte até as técnicas da modelagem plana, moulage, design do seu curso, que contribui na qualidade dos projetos de superfície, planejamento de coleção e estudo desenvolvidos e amadurece a visão pessoal da moda. dos materiais têxteis. Aluna do Centro Acadêmico Estimulada a estar sempre atualizada e a combinar do Agreste, Manuella lamenta que a Universidade conhecimentos nas áreas de criação, história, cultura, ainda não tenha conseguido alcançar um intercâmbio prática, sociologia, mercado e afins, ela afirma que sua maior com a indústria pernambucana, que poderia visão de mundo e seus hábitos foram rearticulados absorver as discussões sobre a prática levantadas na a fim de capturar novas tendências e reconhecer a Academia. Já Mateus Barros diz que entrou no curso moda como um estilo de vida. Porém, ela também em Recife desejando uma formação mais abrangente, admite que o conhecimento transmitido pelo curso enquanto especializa-se em moda através de cursos não é suficiente: “Aprendemos mesmo na vida real, técnicos, como de corte e costura, e estágios fora da porque há vários métodos. Muitos alunos validam o Universidade. “Não se deve parar ou limitar o apre- conhecimento trabalhando, outros preferem buscar ndizado, pois cada experiência acumulada irá servir formação fora – Central Saint Martins College of Art para formular alguma criação, projeto ou ideia. Além and Design, no Reino Unido, e Fashion Institute of disso, os novos conhecimentos são um diferencial em Technology, nos Estados Unidos, são os destinos mais processos seletivos ou concursos. A novidade, para os cobiçados no momento.” empregadores, é indispensável”, defende. Apesar dos avanços nas tentativas de adaptação ao comportamento da indústria têxtil regional con- siderando a curta existência dos cursos de moda e desprezando as diferenças entre os investimentos do Nordeste e Sudeste, há um longo caminho a percor- rer. Ainda não existe autonomia criativa no Brasil (e é isso que faz tantos optarem por cursos de moda em instituições no exterior): as tendências europeias continuam sendo reproduzidas aqui, pois é dispend- ioso para uma marca nacional gerar uma identidade própria através de longos processos de pesquisa para detectar tendências, criação de estampas próprias e assim por diante, enquanto a mão-de-obra e a carga tributária nacional são mais caras quando com- paradas às facilidades disponibilizadas pela Ásia às concorrentes estrangeiras. Os debates sobre temas relevantes, como sustentabilidade e novas tecnolo- gias têxteis, ainda não ganharam espaço efetivo nos mateus Barros, 20, não limita o aprendizado ao dia centros de ensino, tampouco na indústria brasileira. a dia na universidade federal de pernambuco e Não é raro nem surpreendente que a prática profis- complementa a formação fora da academiA sional no Brasil esteja fortemente vinculada à aptidão artística e tenha um “quê” de amadorismo. O maior desafio talvez seja o preconceito de que a moda é Em Pernambuco, os cursos de moda estão dis- fútil e alienada – quando na verdade tem um grande tribuídos tanto na região metropolitana quanto no potencial empregador e de afirmação cultural. Para interior, nos níveis superior e técnico. Muitos têm alavancar o valor da moda brasileira, as relações entre duração curta e são estruturados para otimizar e Academia e indústria, bem como os investimentos no conferir uma identidade à produção regional. Mas, setor, precisam ser alargados. ao contrário do Rio de Janeiro que recebe incentivos do governo do Estado, e de São Paulo que oferece o melhor cenário para estudo e trabalho na área de moda do país, falta uma maior articulação do governo e dos empresários para fortalecer a produção local. Na Universidade Federal de Pernambuco, a moda é uma das áreas tratadas pelo curso de Design, do qual fazem parte os estudantes Manuella Lima e Mateus Barros. Por situar-se no pólo de confecção do agreste, o campus de Caruaru disponibiliza mais disciplinas sobre o assunto em relação ao campus de Recife,14
  14. 14. Consumo de marcas de moda:aspectos funcionais e simbólicosAna Paula de MirandaDoutora em Marketing pela FEA/USP e professora adjunta do Núcleo de Design, UFPE, Centro Acadêmico do AgresteResumoEsta pesquisa tem o objetivo de apresentar osaspectos procurados pelas consumidoras de marcasde moda. Os resultados encontrados em ordem deimportância foram: Busca de resultado – marcasfuncionais, Busca pela sedução – marcas “peruas”,Busca pelo look – marcas “estilosas”, Busca pelaliberdade – marcas independentes, Busca pelaautoria – marcas individualizadoras, Busca pelanovidade – marcas modernas, Busca pela indivi-dualidade – marcas metidas, Busca pela segurança– marcas maternais, Busca pelo prestigio – marcassuntuárias.O de maior grau de significância é ofuncional, ou seja, cumprir com os aspectos funcio-nais é condição básica para o consumo; os aspectossimbólicos passam a ser os diferenciadores.Palavras-chave: moda, consumo, marcas.IntroduçãoProdutos, comportamentos de consumo, compras,mercados, escolhas, decisões, podem ser encaradoscomo trocas simbólicas que se fazem na sociedadecontemporânea. O consumo, sob essa perspectiva, éprocesso de comunicação e classificação de pessoas eobjetos (ROCHA, 1995). Portanto, o consumo pode servisto como dimensão simbólica da cultura.O objetivo deste trabalho foi considerar a relaçãoentre identidade social e interação social mediante aescolha das mensagens de comunicação embutidas Significado das marcasna decisão de compra relativa a marcas de moda. Desmond (2003) chama a atenção de que o pro- duto inicialmente não possui significado próprio,O reconhecimento do valor simbólico de bens e ser- um perfume é um perfume, tem função de perfu-viços é o caminho para a criação de atitudes positivas mar, passa a assumir uma personalidade quando éem relação a produtos, a marcas e lojas que expres- atribuído de marca que o distingue como a marcasam os valores individuais das pessoas. Todo o objeto Chanel que não só herdou o nome, mas os significa-comercial tem caráter simbólico: o ato de comprar dos de sua fundadora . Bem como usou imagens doenvolve a avaliação do seu simbolismo, para decidir sistema de celebridades como Catherine Deneuve,se é ou não adequado ao seu comprador. Marylin Monroe e Nicole Kidman, de onde extrai da imagem destes “modelos” os significados para seuAs empresas em geral devem vigiar para que as suas perfume e demais produtos. Esta atribuição de sig-expectativas de sucesso, ligadas ao objetivo de obten- nificados serve, principalmente e onde é atribuídação de lucro, se consolidem; elas dependem, funda- sua importância, em diferenciar a mesma categoriamentalmente, de uma atuação mercadológica voltada de produto para marcas diferentes.para a compreensão do valor simbólico associado aprodutos e marcas, e como esta dimensão pode auxi- O indivíduo ao manifestar-se no ato de consumo,liar o indivíduo no desempenho dos diferentes papéis imita, representa e cria mecanismos simbólicosassumidos na vida cotidiana e perante a sociedade. para instaurar a comunicação, abrindo assim, o diá 15
  15. 15. logo com o mundo. Desempenha o papel de ator, de A razão é de ordem econômica: sendo calculadora, a observador e observado, estabelecendo relação com sociedade industrial está condenada a formar consu- o meio em que vive atuando no tempo e espaço. A midores que não calculam. Para que haja o consumo imagem, como uma cena silenciosa ou como textos antes do desgaste, se faz necessário um imaginário aparentemente sem vida, mas intensos, embora constituído para despertar o desejo: não é o objeto, é o apresentados como composições fisicamente estáti- nome que o faz desejar; não é o sonho, é o símbolo que cas, são capazes de contar, comunicar, transmitir faz vender (BARTHES, 1981) uma idéia, um sentimento, utilizando essencial- mente elementos visuais entrelaçados e estrutura- Elliot (2004) apresenta a perspectiva do consumo dos, que necessariamente afetam quem observa. como vocabulário simbólico, onde o consumo é ele- mento da prática da identidade, por ser fonte de ação social e interpretações compartilhadas. Quadro 1 - Sistema de referência A teoria da autocongruência de Sirgy (1982) contribui Nicole Liv Tyler Sistema de afirmando que consumidores preferem produtos e Kidman ≠ Modelos marcas com significado que são consistentes com seus autoconceitos, assim sendo, motivados por autocon- sistência consumidores comparam seus autoconceitos = = com a imagem dos produtos e preferem produtos cujas imagens são congruentes com suas auto-ima- Chanel Givenchy Sistema de ≠ Produtos gens. Existe uma interação entre a percepção dos consumi- dores sobre eles mesmos e sobre o uso que eles fazem No perfume Chanel o significado atribuído à marca dos produtos de moda e suas marcas como símbolos, é sofisticação e para Givenchy é feminilidade, antes existe uma relação entre esses produtos e suas marcas de Nicole Kidman outro nome associado à Chanel com o eu (BANISTER in HINES et al, 2001). nas campanhas publicitárias foi Catherine Deneuve e para Givenchy quem melhor personificou o valor Aaker (1999) encontrou evidências do efeito da congru- simbólico da marca foi Audrey Hepburn. De forma ência de personalidade. Pessoas preferem marcas com que, quando alguém consome o perfume Chanel, as quais elas compartilham características de persona- passa a ser ou se sente como ou ainda é percebido lidade. pelos outros como sofisticada; já no caso de Given- chy, a percepção é de ser extremamente feminina. Govers & Schoormans (2005) apresentam resulta- Assim o produto passa a ser um gerador de signifi- dos de significante congruência positiva na relação cados (DESMOND, 2003). Lembrando que estes sím- produto-personalidade na preferência do consumidor bolos e signos tanto podem dizer a verdade quanto para produtos de apelo privado como chaves de fenda, podem mentir. máquinas de café, porta-sabão líquido e vinhos de mesa. Segundo Sartre (1997), o desejo é falta de ser e é di- retamente sustentado no ser do qual é falta, sendo O desafio está em desvendar este sentido, que objeti- assim o homem é o que não é e não é o que é. Sendo va maximizar a eficácia da comunicação; o símbolo é a realidade humana o empenho em ser e o desejo constituído de significante e de significado que lhe cor- exprime este empenho. O desejo leva a busca do ob- responde (LÉVI-STRAUSS, 1989; BARTHES, 1979); um jeto que mediante a sua posse, ou seja, se desejo me significante pode possuir vários significados, diversos arrumar, ter um objeto de adorno, fazer compras, entre si, para várias pessoas, ou um significado pode significa que desejo ter uma determinada aparência, ser atribuído a vários significantes diversos entre si; a definindo assim a relação: fazer, ter, ser. linguagem do consumo só vai alcançar o seu objetivo, se a comunicação for efetiva, se os códigos forem com- O conceito de marca resume bem as possibilidades partilhados. Estes são convencionados e compartilha- da “linguagem do consumo”. Quase todos os pro- dos; assim os significados atribuídos aos produtos são dutos se propõem hoje sob uma sigla imposta: cada transferidos com grande facilidade (ENGEL et al, 1991). produto tem marca que pode chegar até a substituir o nome, como Levi’s foi durante certo tempo sinôni- As marcas contam histórias. Consumidores interpre- mo de calça jeans. Em princípio, a função da marca tam imagem associadas com produtos ou marcas, que é indicar o produto; mas em segundo, e não menos são altamente influenciadas por estereotipo generali- importante, é mobilizar as conotações afetivas. zados do tipo de usuário deste produto (BANISTER et al in HINES et al, 2001).16
  16. 16. O Brand Concept Management (BCM) de Park et al existe diferenciação entre os indivíduos, com base(1986) propõe que toda imagem de marca deve ser no uso do produto; a personalização do produto de-baseada em um conceito de marca ou um significa- nota a extensão mediante da qual o uso do produtodo abstrato específico da marca. Em forma geral, o pode se atribuído para uma imagem estereotipadaconceito de marca deve ser tanto simbólico como de um uso generalizado. (SIRGY, 1982) Por exem-funcional. Marcas funcionais satisfazem aspectos plo, ao escolher uma roupa pode-se escolher entrepráticos de necessidades imediatas. Marcas sim- vários estilos (variabilidade), que podem comunicarbólicas satisfazem necessidades simbólicas como diferentes mensagens que serão entendidas comoauto-expressão e prestigio. Por exemplo, um relógio expressões do eu (personalização) por todos os queCasio atende a necessidade funcional de informar o a virem (visibilidade); já que a roupa é destinada aohorário exato, já um Movado, pode ser considerado ambiente público, a falta pode ser punida com a suauma marca simbólica, pois é usado principalmente prisão; não ao privado, porque aí se pode ficar sempor seu apelo de status, fornecer a informação em ela, se assim o desejar.relação ao passar das horas é um mero detalhe. A dinâmica está em se identificar, a lógica deste pro-Ou seja, marcas apresentam aspectos simbólicos e cesso se constitui na personalização e integraçãofuncionais. Segundo Bhat e Reddy (1998), faz-se ne- que caminham em paralelo: é o “milagre do sistema”,cessária uma investigação empírica para identificar do qual fala BAUDRILLARD (1995); esta integração ése simbolismo e funcionalismo são dois conceitos o processo pelo qual o indivíduo se ajusta à socieda-distintos ou são dois fins de um conceito de marca de e se socializa. (AUGRAS, 1967; SOLOMON, 1983;in continuum. Em seus estudos, eles apresentam ENGEL et al, 1995).três fatores que explicam este tipo de consumo,sendo um funcional e dois simbólicos (prestígio e Metologiaexpressão pessoal). Sendo assim, há dois conceitos A pesquisa trabalhou com as classes sociais A, B edistintos e não dois fins em comum para um con- C conforme o Critério de Classificação Econômicaceito de marca. Brasil.As competências simbólicas são freqüentemente A população foi feminina; de acordo com o trabalhoreferenciadas na literatura enquanto característi- de SOLOMON (1982) as mulheres são mais envolvi-cas representacionais. Os adjetivos e as frases que das com vestuário do que a população masculina; apertencem às competências simbólicas incluem o relação entre autopercepção pública e a dimensãorepresentacional, a expressão emocional, do eu, a relativa ao vestuário são muito fortes para o sexoimagem do eu, a personalidade, o valor e o ícone. feminino. McCracken & Roth (1989) encontraramMarcas funcionam como uma sugestão para refletir em suas pesquisas que as mulheres são significati-a associação de consumidores com determinados vamente melhores habilitadas que os homens paragrupos. Sendo assim, as características emocio- interpretar a sintaxe do código do vestuário. Pode-nais do simbólico (reflexo da auto-expressão) e os mos afirmar que a moda tem historicamente criadofatores representacionais (associação com grupos uma associação forte entre feminilidade e a buscasociais) são incorporados à marca simbólica. (BRID- do “estar na moda”, onde se realça a importânciaSON & EVANS, 2004). da aparência na construção social da feminilidade.A literatura sobre simbolismo de produtos e marcas Logo, mulheres são mais suscetíveis às mensagensmostra que roupas é uma categoria de consumo de de moda que os homens (THOMPSON, 1997).alto envolvimento simbólico, pois pessoas avaliamas outras pelo que está visível, ou seja, suas rou-pas. A natureza simbólica do vestuário pode ser Quadro 2 – Caracterização da amostraincorporada também por estilos, marcas, marcasde varejo, uniformes, hábitos de membros de uma População ou Mulheres com idade entre 16 e 55 anossubcultura em particular (BANISTER et al in HINES universo Classes sociais A, B e Cet al, 2001) . Residentes em São PauloProdutos de vestuário são ótimos veículos de co-municação para os seus proprietários. As marcas Abrangência São Paulode moda possuem as características essenciais parao consumo simbólico: visibilidade, variabilidade nouso e personalização. Para que produtos tenhamassociações com a personalidade, têm de ser consu-midos de forma que estejam visíveis; a variabilidadeno uso é também importante, porque, sem esta, não 17
  17. 17. Em relação à distribuição da amostra entre as Descrição dos clusters: classes sociais e os grupos de idade foram definidas quotas de 27 questionários aplicados por segmento Cluster 1 = (o diferente + o novo + que seja exclu- de classe social e de grupo de idade conforme o que siva + exclusividade)/4 = grupo das marcas dos que está apresentado, totalizando 324 questionários. O querem se destacar na multidão. Busca pela indi- questionário foi construído após fase qualitativa vidualidade mediante o consumo de marca de moda. onde foi analisado o discurso de 24 consumidoras sobre os motivos que as levam a consumir (ou não) Cluster 2 = (interessada em moda + sabe o marcas de moda. que esta acontecendo no mundo + não sair da moda + estar na moda + tendência)/5 = grupo das marcas Análise dos resultados dos modernos. Busca pela novidade mediante o Para o desenvolvimento da tipologia das marcas consumo de marca de moda. baseada nos resultados da aplicação das escalas referentes aos aspectos sociais, motivacionais e co- Cluster 3 = (identidade da marca + chamativo + municacionais do consumo de marcas de moda, foi sucesso + aceitação + rica + poder aquisitivo + utilizada a análise de cluster. Na análise do dendo- status)/7 = grupo das marcas suntuárias. Busca pelo grama, optou-se por fazer o corte em 9 grupos por prestigio mediante o uso de marcas de moda. ser o nível intermediário e, portanto o mais repre- sentativo, nem tão abrangente, nem tão segmentado. Cluster 4 = (eu + veste bem + elegância + original + estilo + criatividade + design)/7 = grupo das marcas Foram identificados 09 tipos de marcas, onde 08 estilosas. Busca pelo look mediante o consumo de apresentam características simbólicas e 01, o clus- moda. ter 09, apresenta aspectos funcionais. Cluster 5 = (moderna + alternativa + mostrar que tem personalidade + diferente sem exagero + estilo Figura 1 – Apresentação dos Clusters dendrograma amalgamação via método de ward distância 1-spearman rho linkage distance18
  18. 18. próprio)/5 = grupo das marcas individualizadoras. modelagem são vitais para o sucesso de uma marcaBusca pela autoria mediante o uso de marca de de moda, sem estas atribuições a marca não temmoda. competitividade no mercado. Trabalhar a imagem esquecendo os aspectos técnicos do produto é ina-Cluster 6 = (atraente + sexy + bom gosto + bonita + ceitável por parte do consumidor.beleza)/5 = grupo das marcas peruas. Busca da sedu-ção mediante o uso de marca de moda. Sedução (cluster 06) e o Look (cluster 04) vem em seguida, demonstrando que os aspectos mais “femi-Cluster 7 = (auto estima + espantar tristeza + ninos” do consumo que são os relativos a seduzir, aformal)/3= grupo das marcas maternais. Busca de ter um estilo, ou seja, tudo o que leva a admiraçãosegurança mediante o uso de marca de moda. do outro e que pode obter elogios que podem ser em forma de olhares ou palavras são extremamenteCluster 8 = (feliz + não importa o que os outros importantes para o consumo de marca de moda,pensam + não gastar muito + valor)/4 = grupo das sem esquecer que o look é processo de construçãomarcas independentes. Busca de liberdade median- de identidade. Por outro lado, a Liberdade (clus-te o uso de marcas de moda. ter 08) mostra a preocupação em afirmar que tem liberdade de escolher de forma inteligente, não estáCluster 9 = (bem estar + conforto + durabilidade + disposta a pagar por este reconhecimento e quequalidade + qualidade)/5 = grupo das marcas funcio- apresenta um nível de significância tão alto quantonais. Busca de resultado mediante o uso de marcas os outros dois, ou seja, existem tanto mulheres quede moda. vivem em função do outro como as que não estão preocupadas com isso.O cluster 09, o das marcas funcionais, apresentamaior grau de significância, o que nos leva a afirmar Seguindo a ordem temos o cluster 05, o da autoria,que as questões relativas ao produto em si como que apresenta uma mulher que quer consumir mar-qualidade do material, durabilidade, acabamento, cas que não estejam sintonizadas com a massi Figura 2 - A importância dos clusters 19
  19. 19. ficação, que tenham uma assinatura, com a qual elas A busca pela segurança das marcas maternais está possam se identificar se projetar, como uma alter- presente mostrando que as mulheres ainda fazem nativa ao que foi definido como bonito ou de bom terapia fashion com mais freqüência do que seria gosto pelo gosto comum. o recomendável, a fuga dos problemas e o uso do consumo de marcas como amuletos de transfor- Novidade e individualidade estão bem próximos, mação em pessoas mais corajosas, interessantes mostrando que a preocupação de estar na moda, ou qualquer outro atributo que gere a aceitação e de ser moderna, de ter a informação da tendência, admiração do grupo e logo, a sua própria, é relevan- a verdadeira espinha dorsal do que se acostumou te para este consumo. chamar de fashion perde, numa visão geral, para aspectos de individualização e de bom senso que a Por último e apresentando baixa relevância para marca pode atribuir ao seu proprietário como é o as consumidoras em geral estão as marcas suntuá- caso dos clusters anteriores, mas ainda apresenta rias, ou seja, a busca pelo prestígio, ser reconhecida um alto nível de relevância para a consumidora. como uma pessoa que tem dinheiro não é interes- Referências bibliográficas AAKER, J. L. Dimensions of brand personality. Jour- BELK, R. W. An exploratory assessment of situation- nal of Marketing Research. v. 34, n. 3, p. 347-56, 1997. al effects in buyer behavior. Journal of marketing research. v. XI, May, 1974. ______. The malleable self: the role of self-expres- siona in persuasion Journal of Marketing Research, ______. Assessing the effects of visible consumtion v. 36, n. 2, p. 45-57, 1999. on impression formation. Advances in Consumer AMARAL, M. A. Mademoiselle Chanel. Ed. Globo. 1. Research, v. 5, p. 39-47, 1978. ed., 2004. ______. BAHN, K. D.; MAYER, R. N. Developmental ANDRUS, David M.; SILVER, Edward; JOHNSON, Dal- recognition of consumption symbolism. Journal of las E. Status brand management and gift purchase: consumer research. v. 9, June 1982. a discriminant analysis. The Journal of Consumer Marketing, v. 3, p. 5-14, Winter 1986. ______. Possessions and the extended self. Journal of consumer research. v. 15, September 1988. AUGRAS, M. A dimensão simbólica. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1967. ______. The Human Consequences of Consumer AUTY, S.; ELLIOT, R. Fashion involvement, Culture. in Elusive Consumption ed. By EKSTROM, self-monitoring and the meaning of brands. Journal K.M.; BREMBECK H. Oxford: BERG, 2004. . of Product & Brand Management, v. 7, n. 2, p. 109- 123, 1998. BRIDSON, K.; EVANS. J. The secret to a fashion ad- vantage is brand orientation. International Journal BAUDRILLARD, J. Para uma crítica da economia of Retail & Distribution Management. v. 32, p. 403- política do signo. São Paulo: Ed. Gallimard; Lisboa: 411, n. 8, 2004. Ed. 70, 1972. DAMHORST, M. L.; MILLER, K.A.; MICHELMAN, S. O. ______. O sistema dos objetos. São Paulo: Ed. Per- The meanings of dress Fairchild Publications, New spectiva S. A., 1973. York, 2. ed., 2000. ______. Simulacro e Simulações. Lisboa: Relógio ELLIOT, R. Making Up People: Consumption as a D´Água, 1991. Symbolic Vocabulary for the Construction of Iden- tity. In: Elusive Consumption ed. By EKSTROM, K.M.; ______. A sociedade de consumo. Rio de Janeiro: BREMBECK H. Oxford: BERG, 2004. Elfos Ed.; Lisboa: Ed. 70, 1995. BHAT, S; REDDY, S.K. Symbolic and functional posi- GOVERS, P.C.M.; SCHOORMANS, J. P. L. Product tioning of brands. Journal of consumer marketing. v. personality and its influence on consumer prefer- 15. n. 1, p. 32-43, 1998. ence. Journal of Consumer Marketing. v. 22, n. 4, p. 189-197, 2005.20
  20. 20. sante para as mulheres em geral, parece que não Ao ser perguntado, em uma entrevista, em que parte do corpo iestá na moda aparentar, é cafona ser perua. a mulher deveria passar perfume, Chanel respondeu: Onde ela quiser ser beijada (AMARAL, 2004).Considerações finaisInteressante o resultado de que por mais que todos Essas subculturas existem dentro de comunidades maiores iios outros clusters sejam de atribuição simbólica, o mas têm gostos, interesses, preferências, tabus, estilos e atitudesde maior grau de significância é o funcional, ou seja, próprios com relação à moda. Por exemplo, na sociedade norte-cumprir com os aspectos funcionais é condição si -americana, os negros representam uma subcultura da culturani qua non, os aspectos simbólicos passam a ser os estadunidense, diferentes na sua essência dos brancos WASPdiferenciadores. (sigla para abreviar o termo White, Anglo-Saxan and Protestant, ou seja “branco, descendente de ingleses e protestante”).Assim, podemos afirmar que, só quando as questõesutilitárias estão resolvidas, a consumidora trans-cende para as questões simbólicas.GRUBB, E. L.; GRATHWOHL H. L. Consumer self- Characterizing types and an antecedent of mate-concept, symbolism and market behavior: a theoret- rial possession attachment. Journal of Consumerical approach. Journal of Marketing. v. 31, October, p. Research, v. 22, p. 327-343, Dec.1995.22-27, 1967. KLEINE, Robert E. III;KERNAN, Jerome B. ContextualHAGIUS, Roxanne Lekoff; MASON, Charlotte H. influences on the meanings ascribed to ordinaryCharacteristic, beneficial, and image attributes in consumption objects. Journal of Consumer Re-consumer judgments of similarity and preference. search, v. 18, p. 311-324, Dec. 1991.Journal of Consumer Research, v. 20, p. 100-110,June 1993. LANDON, E. L., Jr. “Self-concept, ideal self-concept, and consumer purchase intentions”. Journal of con-HIRSCHMAN, E. C. Comprehending symbolic con- sumer research, 1 (September), p. 44-51, 1974.sumption: three theoretical issues. In: Hirschman, E.C. and HOLBROOK, M. B. (Eds.), Symbolic Consumer SARTRE. J. O ser e o nada – Ensaio de ontologiaBehavior, Proceedings of the Conference on Con- fenomenológica, Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.sumer Esthetics and Symbolic Consumption, NewYork University, New York, p. 4-6, 1981. SCHOUTEN, J. W. Selves in transition: symbolic consumption in personal rites of passage and iden-______. HOLBROOK, M. B. Hedonic consumption: tity reconstruction. Journal of Consumer Research.emerging concepts, methods, and propositions. v. 17, March 1991.Journal of Marketing. v. 46, Summer, p. 92-101, 1982. THOMPSON, C. J.; POLLIO, H. R.; LOCANDER W. B.HOLBROOK, M. B. Some preliminary notes on The spoken and the unspoken: a hermeneutic ap-research into consumer esthetics in Olson, J.C. (Ed.) proach to understanding the cultural viewpointsAdvances in Consumer Research, Vol. 7, Association that underlie consumers’ expressed meanings. Jour-for Consumer Research, Ann Arbor, MI, 1980. nal of Consumer Research. v .21, December 1994.______. GRAYSON, M. W. The semiology of cin-ematic consumption: symbolic consumer behavior _______________. Caring consumers: Genderedin Out of Africa. Journal of consumer research. v. 13, consumption meanings and the juggling lifestyle.December 1986. Journal of Consumer Research. v. 22, March 1996.KLEINE, R. E., KLEINE, S.; KERNAN, J.B. Mundane _______________. HAYTKO, D. L. Speaking ofconsumption and the self: a social-identity perspec- fashion consumers’ uses of fashion discourses andtive. Journal of Consumer Psychology, v. 2, n. 3, p. the appropriation of countervailing cultural mean-209-35, 1993. ing. Journal of consumer research, June 1997.KLEINE, Susan Schultz; KLEINE III, Robert E.; ALLEN, Journal of consumer research, June 1997.Chris T. How is a possession “me” or “not me” ? 21
  21. 21. IN DÚS TRIApólo de confecçõesdo agresteestamparia digitalpeles que habito
  22. 22. pólo de confecções do agreste a trama do negócio que aquece a economia pernambucana Por Igor Santos A indústria têxtil, principalmente confecção e vestuário, ocupa espaço de grande relevân- cia na economia internacional, nacional e regional em geração de renda e empregos. Ela tem auxiliado o processo de industrialização de inúme- ros países (revolução industrial inglesa dos séculos XVIII e XIX, ou o caso atual de Bangladesh), não sendo diferente no Brasil, onde a produção tem sido de grande importância desde a década de 50. Atualmente em nosso país podemos destacar duas situações distintas: somos o 6º maior produtor mundial de confeccionados, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos, Turquia e México; no entanto, ainda possuímos participação modesta no comércio internacional do segmento, ocupando apenas a 41ª posição no ranking dos maiores exportadores e a 45ª dos importadores. Ainda assim, o setor se man- tém com leve crescimento na geração de empregos e em faturamento, sendo o que maior se destaca dentro da CTC – Cadeia Têxtil de Confecções, repre- sentando mais de 60% do montante de empregos e metade do faturamento do setor. vitrine da loja rota do mar. Nesse cenário se insere o Pólo de Confecções do Agreste de Pernambuco, que tem se destacado como importante pólo na produção de vestuário na- cional. No início, ao longo da década de 90, produzia peças de baixa qualidade para consumidores com baixo nível de exigência e, atualmente, já começa a se inserir num cenário de maior abrangência e de valor agregado mais elevado, seguindo conceitos e tendências nacionais e internacionais. Caruaru, juntamente com Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, despontam como principais pontos de escoamento e comercialização de produtos de confecções em Pernambuco, formando o destacado Fotografia: lucas cavalcanti triângulo de confecções do agreste pernambucano. Hoje, segundo o SENAI, Santa Cruz do Capibaribe é o segundo maior pólo de confecções do Brasil, su- perada apenas pela cidade de São Paulo, possuindo o maior parque de confecções da América Latina em sua categoria, o Moda Center Santa Cruz. No início, a produção local era realizada de uma ma- neira bastante doméstica. As costureiras da região produziam em suas casas roupas simples, que pelo24
  23. 23. preço irresistivelmente baixo derrubavam qualquer Antão). Somadas, elas produzem 800 milhões deconcorrência. Essa facilidade na comercialização peças por ano, movimentando cerca 3,5 bilhões defoi atraindo mais e mais costureiras, fazendo com reais, concentrando mais de 18 mil empresas doque os homens da região se transformassem em setor e 120 mil empregados diretos.mascates e partissem para ínumeras feiras do nossonordeste comercializando a produção, enquanto as Essas cidades todas unidas constituem o famosomulheres tentavam diversificar a seus artigos (saias, Pólo de Confecções de Agreste. Segundo Fredi Maia,camisas, blusas, anáguas, roupas infantis, etc.). Com diretor administrativo do Sindicato da Indústriao tempo, os mercados da região foram aos poucos do Vestuário de Pernambuco (Sindvest), o termoconquistados e a produção começou a chamar a começou a ser utilizado em 2002, a partir da elabo-atenção nacional, se tornando o maior Pólo de Con- ração do projeto feito pelo SEBRAE, denominadofecções do Nordeste. Projeto de Desenvolvimento do Pólo de Confecções do Agreste, “O objetivo era conhecer a realidade eJá a cidade de Toritama lidera a confecção do je- desenvolver empresas nos municípios de Caruaru,ans, sendo uma das maiores produtoras do país e Toritama e Santa Cruz do Capibaribe”.possuindo o parque de Feiras, onde se centraliza ocomércio da cidade. E em Caruaru, o escoamento da No momento, ainda há um planejamento estratégi-produção se dá principalmente pela Feira de Caru- co para fazer de Pernambuco o melhor ambiente dearu, conhecida como a maior feira livre do mundo, negócios para a moda, exigindo esforços por partesendo que grande parte do que é vendido nela tem de entidades como a Agência de Desenvolvimentosua produção localizada em Toritama e Santa Cruz Econômico de Pernambuco (AD/Diper), SEBRAE edo Capibaribe. Sindivest, realizados no intuito de estimular, entre outros, a pesquisa tecnológica e geração de alterna- Fotografia: lucas cavalcantiMas engana-se quem pensa que o Pólo de Confec- tivas de desenvolvimento sustentável.ções se concentra apenas nesse triângulo, atu-almente mais cidades apresentam crescimento Entretanto, ressalva-se que a produção do tecidodestacado e fortalecem a produção do Pólo (Agres- ainda é deficitária. O montante gerado no própriotina, Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Cupira, estado não alcança 30% do total, demandando aGravatá, Pesqueira, Riacho das Almas, Surubim, importação principalmente de São Paulo, MinasTaquaritinga do Norte, Vertente e Vitória de Santo Gerais, Ceará, entre outros estados. “Com melhorias O empreende- dorismo familiar continua sendo marca no desen- volvimento industrial do Agresteentrada do pólo decaruaru 25
  24. 24. na infra-estrutura, nas políticas fiscais e na quali- “Aqui você encontra todo tipo de configuração, você ficação de mão-de-obra, teremos plenas condições encontra do que só monta a peça, do que monta de ser o maior produtor do setor no Brasil, tanto em parte da peça, do que cria a peça toda e entrega pra qualidade como em quantidade. Existem aqui duas alguém, daquele que só costura, do que cria, cos- coisas fundamentais: coragem de empreender e um tura e faz tudo. No SEBRAE, SENAI e no SENAC, centro emissor de tendências: Pernambuco tem nós temos feito com muita frequência cursos de uma cultura própria, capaz de emitir ideias para consultoria para desenvolvimento de coleção. Evi- todas as regiões”, pontua o diretor do Sindivest. dentemente que você não atinge todo o universo (...) porque é uma grande engrenagem que envolve des- O empreendedorismo familiar ainda continua sendo de a indústria têxtil, que são compradores específi- marca no desenvolvimento industrial do Agreste. “O cos, até o consumidor final, e o papel do consumi- trabalho produzido nesses municípios vem somar dor final é muito preponderante porque é ele quem aos centros comerciais para fornecer novos produ- define o perfil da produção, levando em considera- tos para os compradores da região. Essas cidades ção que a economia do país ascendeu pra classe C. começam a formar um pólo prestador de serviços, A pirâmide brasileira mudou muito, é a classe C e D através do surgimento de facções que produzem que define muito qual o perfil do consumo.” Resume uma diversificação do nicho de produtos”, destacou Mario César. o consultor do SEBRAE, Laudemiro Ferreira. Em suma o Pólo de Confecções do Agreste vem Corroborando com a profissionalização desses mu- crescendo dentro do cenário geral da produção nicípios e cidades maiores do Pólo, o SEBRAE Caru- brasileira e ainda possui grande potencial e oportu- aru desenvolve projetos para apoiar novas e antigas nidades de crescimento. Depende agora de inves- empresas (vide box Projeto Negócios da Moda timentos do governo e ampliação de iniciativas de Pernambucana). “Temos três programas em funcio- qualificação da mão-de-obra e do produto final da namento para as empresas desses municípios: o de região. A pujança da capacidade de produção local já melhoramento da imagem, de competitividade e um rende bons frutos, mas ainda há muito espaço para programa de consciência limpa, para as lavanderias”, crescimento, em volume de vendas, de empregos e destacou Mário Cesar, gestor de projetos de confec- na valorização da produção. ção do SEBRAE Caruaru. Projeto Negócios da Moda Pernambucana Por Thomás Soares Desde 2001, o SEBRAE vem promovendo anual- Mário César Freitas, que é o responsável pela área mente o Projeto Negócios da Moda Pernambuca- de Confecções no SEBRAE em Caruaru, explica que na. Esse projeto, que é realizado pela Associação a cadeia têxtil sempre foi forte no Agreste pernam- Comercial de Caruaru, consiste na promoção do bucano, e que essa força vem crescendo a cerca encontro entre empresas que confeccionam peças de oito anos para cá, através do apoio do SEBRAE, e compradores de todo o território nacional. Neste que promove treinamentos na área de gestão ano, o evento foi realizado nos dias 16, 17 e 18 de empresarial, consultorias em desenvolvimento de Março no estacionamento do Empresarial Shopping coleções, processos produtivos e de organização Difusora, um espaço com aproximadamente 4,5 de área comercial. “Muitas vezes confeccionistas mil m², com estandes de 8m². No total, 120 empre- que participaram de oficinas oferecidas no SENAC sas de 11 municípios expuseram seus produtos e tentam abrir seu próprio negócio, eles tem bastante realizaram negócios com mais de 300 compradores, conhecimento técnico, porém possuem carência em incluindo grifes conhecidas nacionalmente. um treinamento de gestão empresarial e dificulda- de de se projetar no mercado” explicou Mário César As empresas e os vendedores que participaram do Freitas. evento passaram por uma avaliação que levou em conta os interesses do lojista e uma e uma inspeção de todos os documentos, a fim de vetar a participação de informais e empresas com problemas de crédito.26
  25. 25. EstampariaDigitalA revolução na indústria têxtilPor Carolinne SabinoA tendência do mercado da moda é a diversificação, pois o consumidor se satisfaz com a variedade e a exclusividade dos produtos. Essas exigên- cias acarretaram na necessidade produtiva de metragens cada vez meno-res, onde só o sistema de impressão rotativa não consegue atender a demanda.O surgimento da estamparia têxtil digital chegou para revolucionar a indústria, tra-zendo inúmeras vantagens sobre os processos tradicionais (cilindros, plana, transfer,silk-screen e sublimação). São alguns diferenciais os desenhos ilimitados que podemser criados, as estampas com qualidade fotográfica, a personalização e exclusividade,as múltiplas escolhas de cores, a redução do consumo de água e energia, corantes esoluções, atuando como ferramenta ecológica, entre outros benefícios.Sim, mas como funciona o processo de estampar tecidos por impressão digital?De uma maneira geral, a estampa digital inicia-se com a preparação do tecido,que recebe um pré-tratamento com agentes químicos especiais para permitira aderência da tinta e controlar sua penetração na fibra. Após a impressão, otecido é vaporizado em equipamentos próprios para o processo de satura-ção e fixação das cores e, em seguida, é lavado para a retirada dos produtosquímicos e aí já esta pronto para a secagem. Não pode esquecer-se daescolha correta dos tecidos e mesmo a qualidade das tintas para a exatafinalidade do que se deseja.As tintas para impressão direta sobre o tecido são à base de água epodem ser divididas em:• Corantes dispersos: utilizados para estamparia em poliéster. Sãoinsolúveis em água, mas penetram e se difundem nas fibras depoliéster durante o processo de vaporização após a estampageme tal penetração rende excelentes propriedades de solidez africção e lavagem;• Corantes reativos: consistem numa das grandes classes decorante utilizadas para estamparia em algodão, viscose eoutros materiais celulósicos. Como os corantes reagemquimicamente com as fibras, proporcionam alta solidez àfricção, à lavagem e à transpiração;• Corantes ácidos: oferecem excelentes propriedadespara uso final sobre uma enorme gama de cores naseda, nylon e lã. Tais propriedades são específicaspara se adequar a aplicações apropriadas de soli- es alvdez a água do mar e cloro para roupa de banho. ra do : IsaNa estampa digital, as imagens são desenvolv- ia rafidas, digitalizadas e enviadas para a gravação/ ogimpressão através de softwares gráficos Fot 27
  26. 26. Quer saber mais sobre o estúdio zero? Acesse: www.estudiozero.com encontrados facilmente no mercado. As imagens Além dessas vantagens, a estamparia digital é uma boa são produzidas a partir de uma criação própria, ou escolha, segundo Roberta, porque é um processo lim- através de uma foto, uma gravura e, antes de a ima- po que consome pouca água e permite o uso de tintas gem chegar ao tecido, o software ainda corrige falhas biodegradáveis. O que vai de acordo com o interesse de impressão e sobrepõe cores com mais precisão. da empresa de causar menor impacto ambiental tanto Hoje, a tecnologia de impressão desenvolvida é de nos processos internos de produção quanto na esco- fácil uso que, mesmo os designers podem fazer seus lha dos fornecedores. Por causa da preocupação com produtos, sem ter a ajuda de designers têxteis. o meio ambiente, o Estúdio Zero trabalha com tecidos de fibras naturais, principalmente o algodão e o linho. Empresas pernambucanas também aderiram à A empresa apresenta um leque variado de clientes aos utilização da impressão digital; o Estúdio Zero, quais presta serviços de estamparia digital, como a criado em 2002 pelo casal de designers Roberta Leão Rede Globo, Delta Expresso e Maria Casa. e Gilberto Bezerra, é o principal representante. Ele também foi o pioneiro dessa técnica no Nordeste O processo de criação das estampas normalmente devido à dificuldade de encontrar estamparia perso- começa com rascunhos feitos a mão ou colagens. nalizada, com variedades de desenhos e quantidade de A inspiração para fazer tantas peças originadas vem metragem suficiente que permitisse criar sem limites. de absolutamente todos os lugares. Tudo que é visto, lembranças de infância, fotos de viagem viram refe- Desde 2006 desenha e fabrica produtos de marca rência, pois quem trabalha com processo criativo vive própria, como tecidos, almofadas, pufes, futons, numa eterna pesquisa. papéis de parede, roupas femininas e infantis. No Estúdio Zero a tecnologia da estampa digital é uma O objetivo da empresa é criar e oferecer produtos ferramenta a serviço da arte, do design, da individu- que façam parte do dia a dia da família e provoquem alidade e foi introduzida para viabilizar os produtos alguma reação, seja um item de decoração que deixa têxteis, dando oportunidade de ter uma grande varie- a casa mais alegre ou uma roupinha engraçada que dade de estampas com tiragens pequenas. fique na lembrança no álbum de fotos do bebê.28
  27. 27. Criação das Peças Família Ovo 1. Modelagem | 2. Criação da Estampa | 3. Impressão do Tecido pela máquina Dupont Artrist 2020 e secagem | 4. Corte e Costura | 5. Primeiro Guarda-Roupas | 6. Personagens da Ovo 51 42 3 6 Algumas empresas que fornecem o interessado em serviço de estamparia digital: aprender mais sobre a técnica • RValentim da estamparia Empresa paulista que presta serviço de estampa digital? Segue digital em tecidos para moda, decoração, acessórios alguns locais de e propagandas. Imprimem tecidos a base de algodão, curso: linho, viscose e poliéster. Para mais informações: acesse www.rvalentim.com • Estamparia Têxtil Digital Escola São Paulo: • Criata Rua Augusta, 2239 Empresa mineira com foco totalmente direcionado Jardins, São Paulo — SP ­ para impressão/tingimento digital em tecidos para www.escolasaopaulo.org moda, decoração, publicidade e eventos. Para mais informações: acesse www.criata.com.br • O Desenho de Estamparia Têxtil Belas Artes: • Prima Digital Rua Doutor Álvaro Alvim, 90 Empresa paulista que oferece serviços de impressão Vila Mariana, São Paulo — SP digital direta, em sublimação, plissados, amassados ou www.belasartes.br com aplicações por espatulagem como, foil, metali- zado, coating, entre outros. Para mais informações: acesse www.primadigital.com.br 29
  28. 28. Peles que habito couro natural, sintético ou ecológico, qual o melhor pra salvar a pele do planeta? Por Igor Santos O couro invadiu de vez os looks dos fashio- O couro natural nesse contexto já parece obsoleto, nistas, foi tendência no inverno 2012, será carregado de maus tratos animais, grande geração tendência no verão 2013 e não deve parar de resíduos sólidos, líquidos e gasosos no processo por aí. Nesse cenário, surgem as mais variadas de produção, demanda grandiosa de água, enfim, propostas, cores e texturas, podendo criar um visual não faltam motivos para abolir de vez seu uso. Nada rocker, casual, sofisticado ou mais moderno com os mais fora de moda que matar animais para vestir. novos tons de metalizados. Mas nesse mar de varie- dades surge a dúvida: com que couro eu vou? O couro sintético, por sua vez, estende-se à maior parte dos tipos de couro no mercado, simulando Imagens: arquivo www.institutoe.org.br A moda, obviamente, não ignora o movimento peles animais como a de crocodilo, cobra, avestruz, global pró meio ambiente e os mais diversos termos além da bovina. É um termo com o qual os con- começam a figurar as etiquetas das peças de couro sumidores já estão habituados há um tempo e é nas vitrines, como bio, ecológico, sintético, vegetal, bastante comum também no desenvolvimento de etc., causando confusão não só para os consumido- produtos de moda como uma definição estratégica res na escolha do que faz bem ao guarda-roupa e ao para novos tipos de couro. Assim, nas lojas, o couro planeta, como para os designers e estilistas na defi- natural e o sintético muitas vezes aparecem na nição da melhor opção para a proposta comercial e etiqueta apenas como couro, cuja intenção capciosa conceitual da marca. é “misturar o joio e o trigo nas araras”.30
  29. 29. Na realidade, o couro sintético não chega a ser couro, Já em outra frente, o termo couro ecológico temmuito menos ecológico. “Existem vários materiais sido utilizado para as peles de peixes, sendo maischamados de couro sintético, mas que são feitos de comuns as de tilápia, salmão, pescada amarela ePVC, um derivado de petróleo”, afirma Luiz Carlos dourado. Mas como couros derivados de peixes po-Faleiros, 49, responsável pelo laboratório de couros dem ser ditos ecológicos? Isso se deve a proposiçãoe calçados do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológi- aproveitadora de que, com o abate dos peixes para acas). O próprio termo couro sintético, na verdade, é alimentação, suas peles, ao invés de descartadas, se-uma denominação errada, até mesmo do ponto de riam reaproveitadas no setor de moda. Justificativavista legal: o artigo 8º da lei 11.211/05 diz “é proibido questionável por validar também o couro compradoo emprego (…) da palavra “couro” e seus derivados pelos curtumes após o abate de bovinos. Todavia,para identificar as matérias-primas e artefatos não esses couros ecológicos passaram a ser conhecidosconstituídos de produtos de pele animal”. também como couros alternativos, incluindo ainda no pacote até mesmo o couro de rã.Ainda assim – com o passar do tempo e o reforçoda moda sustentável e ecológica – por não neces- O fato é que o couro verdadeiramente ecológico,sitar do abate de animais, o termo couro sintético como gostaríamos que fosse, ainda não possui umase estabeleceu e passou a ser sinônimo de couro definição técnica ou legal, mas costuma estar re-ecológico, o que vem a ser uma definição ainda mais lacionado a processos de fabricação menos impac-inapropriada e oportunista. tantes que os tradicionais. “Couros ecológicos são menos poluentes, usam substâncias naturaisTecidos criados pelo Instituto “e” 31
  30. 30. Da esquerda pra direita, de cima para baixo: Produto Amazon Life, Manta de pescada, Tecidos criados pelo Instituto “e”, Sapatos Gucci biodegradáveis, Manta de couro de rã, Produto Amazon Life, couro vegetal cultivado em laboratório e Pele de salmão com aplicação de estampa Imagens: arquivos lucianaduarte.org / grupodfx.com.br/kaeru/ ecodesenvolvimento.org.br ou biodegradáveis, têm menos restrição de mer- por se contrapor ao uso de metais pesados, como o cado e usam menos água”, diz Gerusa Giacomolli, cromo, das indústrias tradicionais. 32, técnica responsável pelo Centro Tecnológico do Couro do Senai. Não obstante, o real couro ecológico é aquele que de nenhuma maneira agride a natureza. O legítimo Como bom exemplo podemos citar a Nova Kaeru, couro ecológico apresenta-se como couro vegetal com destaque na produção nacional de couros ou ainda encauchado, material proveniente do látex ecológicos – que possui inclusive produtos homolo- da seringueira (árvores do gênero Hevea) ou do gados pelo respeitado Instituto-e (ONG originada na caucho (árvores da espécie Castilloa ulei). Princi- Osklen, mas que hoje opera de forma independente) palmente produzido pelas empresas Amazon Life e – que oferece o denominado bio couro. Esse Termo Treetap, com consumo bastante popular em meados refere ao método de curtimento aliado ao concei- da década passada com o auge da sustentabilidade to de “Análise do Ciclo de Vida”, conceito criado nas rodas de discussão. pelos pesquisadores italianos Ezio Manzini e Carlo Vezzoli (autores de “O desenvolvimento de produ- Entretanto, como já foi dito, em consideração à proibi- tos sustentáveis”). Nesse método, de acordo com o ção legal do uso da denominação couro para produtos fornecedor, utilizam-se exclusivamente produtos que não são de pele originária de animais, a indústria orgânicos para que o couro possa retornar à natu- tem preferido o uso do termo “laminado vegetal” fren- reza – daí a justificativa do prefixo “bio”, de biode- te ao couro vegetal, tendo como um bom exemplo, a gradável. A relevância desse método se estabelece empresa Ecológica Laminado Vegetal do Brasil.32
  31. 31. Essa empresa (parceira do Sebrae, Senai e Instituto produção, principalmente no tocante ao seu estadode Pesquisas Tecnológicas), apresenta um Índice de ótimo de catalisação: a apresentação final do pro-Sustentabilidade de Produtos – indicando a compo- duto ainda permanece de certa maneira “grudenta”.sição da matéria prima – além de unir a alta tecno- Fora isso, os couros sintéticos ainda permanecemlogia industrial com técnicas artesanais centenárias. com um preço mais competitivo de mercado.Tem seu laminado vegetal produzido em Magda-SPe não na tradicional Amazônia sergingueira, signi- Sem dúvida a moda e demais negócios sustentáveisficando redução nas emissões de CO2 ouriundas do ainda possuem muito chão pra cobrir. São muitostransporte da produção para o mercado final. So- os obstáculos e desafios, mas o importante nessebretudo o couro vegetal da empresa possui diversas momento é a disseminação do pensamento ecológi-gramaturas, cores e estampas, fundamentando uma co da ética sustentável. A moda verde está cada vezalternativa válida ao uso do couro animal e de cou- mais próxima e crescente, mas ainda não se apre-ros sintéticos, derivados do petróleo. Como bônus, senta acessível à grande massa: não haverá mercadosegundo o fabricante, “os processos de espalmagem sustentável enquanto não houver consumidoresdo látex e secagem em estufa não produzem resídu- sustentáveis. A moda ecológica mesmo só deveráos de qualquer espécie”. surgir no momento em que, na consciência do con- sumidor, ética e estética se fundirem.Infelizmente, apesar do esforço de alguns fabrican-tes, como a Ecológica, mais conscientes na tentativade inserir o couro vegetal ou laminado vegetal nomercado, esse material continua com números pou-cos expressivos de venda. De maneira geral, faltapadronizar o material, aperfeiçoar os processos de 33
  32. 32. con sumoA Moda Classe DConsumo ResponsávelEscambo
  33. 33. a Moda Classe D A Classe D não economiza na hora de se vestir e investe em marcas famosas. Por Tainan Paiva U sando roupas de grifes famosas, ou adaptando os looks da classe A com peças semelhantes e de preços mais acessíveis, os integrantes da classe D querem estar na moda independente da sua realidade financeira. O que vale é se incluir no grupo e fazer parte da tribo, seja comprando no camelô, em brechós, ou em lojas da marca preferida. Com o consumismo sendo bastante explorado na nossa sociedade, ao se tratar de moda devemos também pensar em economia. Para o Instituto Data Popular, as famílias com renda entre três e seis salários mínimos (R$ 1.395 e R$ 2.790) são consideradas pertencentes à classe D. Com esse rendimento se torna difícil ter acesso às novidades a cada coleção nova que aparece. A indústria da moda voltada para essa classe surge para suprir as necessidades da mesma; gente que quer se vestir com roupas de grife, mas com preços acessíveis a sua realidade financeira. Hoje, é possível encontrar modelos inspirados em coleções de grandes estilistas, em grandes lojas de departamento nos shopping centers e até mesmo nos pequenos estabelecimentos comerciais no centro da cidade. O tecido, as cores e as estampas podem ser um pouco distintas, mas é possível reconhecer a semelhança com as roupas figuradas nas revistas de moda. Cada classe tem sua personalidade e seus conceitos, as mais altas (A/B) são mais ousadas ao se vestir, arriscam mais, querem se destacar das outras classes e se autoafirmarem como elite, enquanto que as mais baixas (C/D/E) preferem o básico, sempre com marcas famosas, mas tentando acompanhar a elegância classe A e conseguem isso graças à facilidade de compra com cartão de crédito e divisão do valor total em infinitas parcelas. Usar acessórios de grife passou a ser uma ferramenta de inclusão social. Segundo levantamento do Instituto Data Popular, a elite escolhe a marca para se diferenciar da massa e costuma se concentrar no exclusivo. “Já as classes da base da pirâmide escolhem marcas conhecidas para fazer parte do grupo, da tribo”, observa Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. Esse desejo das pessoas de serem inseridas em determinados grupos é um dos motivos pelos quais as falsificações estão sendo cada vez mais procuradas, já que nem todos podem pagar até 200 reais em uma única blusa, por exemplo, as grifes conseguem atingir todas as camadas da sociedade, o que acontece com a marca Colcci, mesmo que o canal de compra seja o camelô ou a pirataria. De acordo com o Correio do Estado em 2011 a classe B foi a maior responsável pelo consumo de moda no País, tendo gasto R$ 56,3 bilhões com roupas e acessórios. As classes D e E gastaram R$ 8,8 bilhões nesse segmento, sendo que parte desse montante foi absorvida pelo comércio informal. Mas a pirataria não é a única alternativa para quem quer se vestir bem. Com facilidades de pagamento, brechós e feiras de troca, o preço deixou de ser a principal variável para a decisão de compra dos consumidores da classe D que estão cada vez mais preocupados com a qualidade do produto adquirido.36 Imagens: Bruno Leite e Lucas Cavalcanti
  34. 34. De acordo com o estudo “Mudanças no Mercado Brasileiro”, realizado pela Nielsen, o comportamento do consumidortem mudado nos últimos anos. Tanto que os pertencentes às classes D e E passaram a consumir produtos mais caros e com benefícios garantidos. De acordo com o analista de mercado da Nielsen, Ramon Cassel, a preferência por produtos de marcas famosas ocorre pela menor condição de erro, ou seja, na percepção desses consumidores, as marcas mais caras garantem satisfação em relação à qualidade do produto. “O cliente das classes mais baixas tem menos espaço para errar, por isso procura produtos de marcas líderes, cujos benefícios são garantidos”, completa. Juliana Ferreira é atendente de call center e mora no centro de Paulista, pelo rendimento ela faz parte da classe D, ela compra roupa a cada dois meses e confessa que a maior parte do salário é destinado ao guarda-roupa. Suas marcas preferidas são Colcci, Calvin Klein, Puma e Everlast. Ela afirma ser fiel às marcas pela qualidade comprovada e as peças durarem mais tempo. “Não vale a pena trocar o certo pelo duvidoso”, afirma Juliana. Existem também as pessoas que conseguem fazer sua moda substituindo os artigos caros por outros mais em conta, encontrados em brechós e bazares, um tipo de comércio de segunda mão que é na verdade uma fonte de estilos. Com bom gosto e customização as classes mais baixas conseguem acompanhar a moda sem precisar gastar muito. “Os brechós surgiram no fim século XIX, como lojas de artigos de segunda mão, para pessoas que não gozavam de um poder aquisitivo razoável para adquirir roupas em estabelecimentos convencionais. A partir daí, surgiu o conceito de que brechós são redutos de traças e velharias. No entanto, esse fato começou a mudar. Os brechós modernos dispõem de acervos de marcas famosas a preços acessíveis, constituindo um verdadeiro templo retrô para os artistas e quem gosta de criar um estilo próprio.” Site Portais da Moda. Deve-se levar em consideração que existe na classe D quem queira usar roupas de marca e se inspirar nas classes altas para se vestir, mas, existe uma parte dessa população que não compartilha desse pensamento, pelo contrário, elas querem ser diferentes e estar na moda por isso, apenas se vestindo como gostam. Algumas inclusive, nem admiram o estilo mais “elegante”, enquanto nas classes A/B o chique é descoordenar as cores, na D elas fazem questão de combinar bolsa e sapato. Acreditam que a combinação passa a ideia de que se dedicaram na hora de se arrumar. O brilho que aparece no jeans se repete na alça da bolsa e há sempre um detalhe da estampa do sutiã aparecendo que provavelmente vai combinar com o cinto ou com o sapato. As calças do tipo saruel são rejeitadas pela maioria das mulheres de classe D, por esconderem as formas, elas se preocupam muito mais com a valorização do corpo e suas curvas do que com seguir tendências. Por isso, preferem calças justas e de cintura baixa, as blusas geralmente são decotadas, deixando o corpo à mostra e nos calçados apostam em plataformas. O fato é que o termo “estar na moda” é a aspiração de todos independentes do seu poder aquisitivo, só que nem sempre a “moda” do indivíduo é aquela que está nas passarelas do São Paulo Fashion Week. A classe D cria sua moda, seja para imitar as classes altas, seja para se diferenciar porcompleto, ela está sempre buscando personalidade e claro, preços baixos. 37
  35. 35. consumo reponsavel Tudo quo o consumidor precisa saber antes de adquirir qualquer produto. por Alex Barros e Gabriel Ferreira C onsumo responsável e sustentabilidade são temas bastante atuais na sociedade moderna. Eles podem ser aplicados em vários setores da economia, desde a produção, passando pela venda, comercialzação, até o descarte. Isso sem falar nos R’s, que estão entrando no vocabulário das pessoas. São dicas muito simples e valiosas que fazem a diferença. Podemos ainda listar outros exemplos a respeito de sustentabili- dade. Já existem automóveis híbridos, que reaproveitam a energia dos freios para fazer funcionar motores elétricos. Isso acarreta em economia de combustível, e menos emissão de poluentes. Dar carona é outra solução: economia de tempo, dinheiro, e menos carros na rua, o que melhora o trânsito. O uso de bicicletas também é outra saída, ajuda o meio ambiente e estimula a prática de exercícios. 1 – Refletir: Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos do consumo no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos; 2- Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia; 3- Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço;38
  36. 36. 4 – Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil, quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na co- leta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou para o catador;5 – Respeitar: A si mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meioambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor”e “obrigado”; POR FAVOR! OBRIGADO! 6 – Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe; 7 – Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade; 8 – Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consu- mo consciente. Retwite, reenvie e-mails. 39
  37. 37. é possível estar na moda respeitando a natureza Falar de consumo responsável na moda é meio Várias ideias estão surgindo para ajudar a ficar na paradoxal. A moda é um universo efêmero, onde moda sem consumir tanto. A americana Marisa tendências surgem e são substituídas rapidamente Lynch se propôs um desafio: criar, todos os dias por outras. A indústria da moda depende muito (durante um ano), um vestido, com peças compradas da indústria têxtil, e a produção dos tecidos mais em brechó. E cada peça não poderia custar mais de utilizados no mercado tem um impacto muito 1 dólar. Ela usou os mais variados recursos: person- negativo na saúde do planeta. Por exemplo, as fibras alização, seus dotes de costura. Inclusa na experiên- naturais com linho, seda, lã e algodão, vêm de uma cia, estava a criação de um blog, o New Dress a Day. exploração agrícola intensiva, onde são utilizados Lá, pode ser visto o resultado dessa experiência. fertilizantes e pesticidas em excesso ameaçando assim a saúde humana e do ambiente. Por outro Já existem no mercado tecidos feitos de fibras lado existem as fibras sintéticas como nylon, lycra, têxteis alternativos que causam menos impacto no poliamida e tergal cuja sua produção química gera ambiente e são de alta qualidade. Alguns exemplos resíduos altamente poluentes. são os tecidos de fibras naturais tradicionais pro- duzidas em modo biológico (algodão e lã biológicos), Então, é impossível estar na moda sem comprar um o modal e lyocell produzidos a partir de celulósicas monte de roupas novas, seguir as tendências. de faia, fibras de bambu e cânhamo. E aumentar a poluição, com o aumento da produção de tecidos, que são matéria-prima para fabricação Com a preferência de consumo desses tecidos alter- de outras roupas, que sairão de moda rapidamente, nativos no mercado, a indústria têxtil será obrigada nesse ciclo sem fim. a utilizar produtos mais sustentáveis, impactando também na indústria da moda que terá a seu dispor Errado! tecidos de alta qualidade e baixo impacto ambiental.40
  38. 38. E os brechós? É uma ótima alternativa para econo- Só para refletir um pouco sobre o assunto:mizar e conseguir roupas diferentes. O brechócompra roupas dos mais variados estilos, em bom “(...) Falar de consumo e falar de consumo respon-estado de conservação, e as revende a preços mais sável e desenvolvimento sustentável... ao decidir obaratos, quando compramos em um lugar como consumo devíamos considerar não apenas o as-esse, estamos movimentando a economia local e pecto econômico, mas também a maneira como foievitando a entrada de novas peças no mercado. É elaborado o produto, quais foram os efeitos destaeconomia na certa! produção sobre o meio ambiente, se as pessoas envolvidas na produção foram tratadas justamenteOutra alternativa é apostar em peças atemporais. pelos seus empresários, se o produto foi rotuladoAqui temos algumas sugestões: ou anunciado sem afirmações falsas sobre as suas características (...)”Camisas e blusas de cores básicas: branco e pretolisos nunca saem de moda. Outras cores primárias, Essa citação resume tudo àquilo que qualquer con-como o vermelho, o verde, e o azul também podem sumidor deve ter em mente ao adquirir qualquerser usados sem problema nenhum. produto ou serviço, pensar antes de comprar e não se deixar levar só pelo impulso do momento.Roupas sociais: dependendo do local, e da mes-clagem no figurino, podemos utilizar peças sociaiscom roupas casuais, sem nenhum problema.Calça jeans: O jeans era um tecido grosseiro, usadopra fazer farda pra operários nos Estados Unidos.Atualmente, os jeans têm vários outros tecidos emsua composição, estão mais confortáveis e podemser usados como “coringa” na maior parte dos looks. 41

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