Demetra 2012
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esta revista foi resultado da colaboração da turma de Moda em Revisa

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    Demetra 2012 Demetra 2012 Document Transcript

    • A GEOMETRIADA MODA
    • Equipe DemetraEditorias-ChefesSimone Barros e Teresa PoçasCoordenação de produção gráficaTemístocles GonçalvesEquipe de produção gráficaNathália MouraLuiza BarrocasAyodê FrançaJuliana FrancineREDAÇÃOMaria Luiza AragãoCarolinne SabinoGéssica PoloRaisa BrennichiMariana RodriguesTainan PaivaDIAGRAMAÇÃONathalia MouraJuliana FrancineIsabela FreireAlex BarrosPriscila VitaTemístocles gonçalvesLuiza BarrocasFOTOGRAFIABruno LeiteGéssica PoloPriscila ViatalinoIsadora AlvesLucas CavalcantiGildson CampeloILUSTRAÇÃOAyodê FrançaHeitor MartinsJuliana FrancineGabriel FerreiraIsadora AlvesEDITORIALRaisa BrennichiHeitor MartinsIgor SantosBruno LeiteCássia CostaMatheus
    • Demetra 2012Mais um número da Demetra, sai do forno e está pronto paravocês. Viver, mais uma vez, a experiência de produzir umarevista-laboratório atravessada pela interdisciplinaridade detrês campos teóricos como o Design, a Comunicação e a Moda,foi um grande prazer, compartilhado com os alunos da turma2012.1 do grupo de estudos Moda em Revista.Envolvendo atividades como a pesquisa para produção da revis-ta (projeto prático), com acompanhamento ao longo do semes-tre, e atividades semanais apresentadas nas reuniões, e ativi-dades semanais apresentadas nas reuniões e debatidas entre osparticipantes, nossa sala de aula se transformou na redação queprecisávamos para que os alunos do curso de Design da UFPEdescobrissem, de forma lúdica, novas possibilidades de apli-cação do design editorial.Simone Barros e Teresa Poças (editoras-chefes)
    • Simone Barros e Teresa Poças (editoras-chefes)
    • ndiceíndiceíndic emprendiceíndiceíndic endedo rismodiceíndiceíndiceceíndiceíndiceín consumo 36 A moda classe D 38 Consumo responsáveleíndiceíndiceínd 42 Escambondiceíndiceíndicndiceíndiceíndicdiceíndiceíndice academia 10 Moda inteligente 12 Cursos de modaceíndiceíndiceín 15 Consumos de marcas de moda - por Ana Paula Miranda perfilceíndiceíndiceín 46 Rave do fim do mundo 54 Edição de moda com Phelippe Rodrigues
    • ceíndiceíndiceí O Espaço Garimpo e a economia criativa 76ceíndiceíndiceín Nichos de mercado 78 Comércio justo 82 Moda artesanal 86 Moda sustentável em Pernambuco 88eíndiceíndiceíndndiceíndiceíndic indústria Pólo de confecções do agreste 24 Estamparia digital 27diceíndiceíndice Peles que habito 30 ceíndiceíndiceíceíndiceíndiceín culturaeíndiceíndiceínd Circo: magia, moda e perfeição 58 Livros 62 Nudez e moda 66 Crítica de moda 68ndiceíndiceíndi Moda e arte 71ndiceíndiceíndic editorial A Geometria da moda 94
    • 8
    • aca demiamoda inteligenteCursos de Modaartigo - por anapaula miranda 9
    • Moda Inteligente A tecnologia à serviço da moda Por Mariana Rodrigues O mundo da moda muda tão depressa que certos detalhes acabam despercebidos, todo o brilho e glamour do lançamento de uma nova tendência muitas vezes acaba ofuscando o trabalho de pesquisa e desenvolvimento que só pessoas mais antenadas e ligadas diretamente com a moda percebem. Com a popularização e consequentemente barateamento da tecnologia, grandes marcas e até mesmo estilistas não tão famosos estão investindo em tecidos, pigmentos e tintas que conferem as roupas características singulares. Para facilitar a vida de pessoas mais ocupa- das, ou auxiliar em tratamentos estéticos, já é possível encontrar roupas que fazem mais do que somente vestir, elas são capazes de mudar de cor no sol, proteger dos raios solares, combater a celulite, não amassar, secar rapidamente e até mesmo purificar o ar. Sair na rua vai ser uma tarefa incrível de ser vista quando as ideias criadas e desenvolvi- das pela estilista e designer Amy Winters em parceria com laboratórios londrinos for disponibilizada no mercado. A ideia é simples; com a incidência dos raios solares ou o contato de líquidos com o tecido, a roupa passará, gradativamente a mudar de cor, sendo o responsável pelos efeitos a tinta usada nos tecidos. ‘’Eu queria criar uma experiência interativa, toda minha inspiração veio da indústria do entretenimen- to. Comecei com a ideia do artista e sua audiência, tipo Lady Gaga, interagirem juntos através das roupas que eles estejam usando’’ Amy Winters. Mas a moda não busca inspiração apenas nas celebridades, o ramo da con- strução também foi fonte de inspiração para Helen Storey e Tony Ryan, ela estilista, ele químico, juntos pesquisaram cimentos, tintas e vidro que possuem em sua composição fotocatalisadores que transformam os poluentes do ar em substancias químicas não nocivas à saúde, e criaram em parceria com as Universidades de Sheffield, Arts of London e do London College of Fashion um projeto chamado Catalytic Clothing: ’’somos os maiores catalisadores da puri- ficação do ar, uma pessoa sozinha não faz diferença, mas se muita gente passar a usar, podemos, juntos, fazer um im- pacto’’ Helen Storey. A ideia é o uso coletivo de calças jeans que ao caminhar purificam o ar ao redor de quem a usa. Por enquanto o projeto só conta com protótipos, mas há expecta- tivas de que em alguns anos já esteja disponível no mercado. Informações: http://www.catalytic-clothing.org/who.html http://www.rainbowwinters.com/ Herself: Catalytic clothing10
    • As marcas esportivas são as que atualmente mais investem em novi- dades por justamente querer proporcionar aos esportistas o melhor desempenho possível e proteção para a prática de diversas atividades. Criada pela Nike, a tecnologia Dry-fit é utilizada em uniformes de di- versos times e atletas em todo o mundo; como as seleções brasileira e croata, Maria Sharapova, Tiger Woods. Feito com poliamida e elastano o tecido proporciona conforto para roupas esportivas que exigem uma alta capacidade de transpiração, além de ter a capacidade de tirar a umidade do corpo e transportá-lo para fora do tecido. Informações: http://www.kenia.com.br/tecidos.html http://www.ehow.com/about_6361649_nike-dri_fit-technology_.html E para quem pratica atividades ao ar livre, as marcas UV. Line e Sun Cover garantem serem capazes de filtrar mais de 98% dos raios so- lares. Quer saber como isso tudo é possível? Dois processos são utilizados, em alguns tecidos a trama é composta por fios a base de dióxido de carbono; já em peças de algodão, aditivos são adicionados no tingimento dos tecidos. Podem ser lavados normalmente seguindo instruções da etiqueta e não precisam de nenhum cuidado especial. Há modelos para crianças, adultos e adolescentes de todas as faixas etárias. Informações: http://www.uvline.com.br/tecnologia.html http://www.suncover.com.br/protecao_textil.php http://www.proteksol.net/ 11
    • Cursos de Moda As instituições de ensino brasileiras esforçam-se para oferecer cursos de qualidade, adaptados ao contexto local. Porém, os alunos ainda percebem deficiências. Por Juliana Francine e Isadora Alves E mbora seja dono do quinto maior parque têxtil normalmente relegada à mulher ou a alfaiates e do mundo, o Brasil representa apenas 0,2% do costureiras nos casos mais especiais. Os avanços da comércio internacional da moda. Tal dispari- indústria têxtil aliados ao crescimento do poder da dade inquieta nossos estilistas, modelos e produtores, comunicação configuraram a necessidade de refle- que vêm reunindo esforços para aumentar a expres- tir sobre a produção da moda nos centros de ensino sividade brasileira nos mercados estrangeiros. Parte superior, além de oferecer capacitação técnica de Ilustrações: Juliana Francine, Fotografia: Bruno leite desses esforços direciona-se na criação e aperfeiçoa- qualidade. Talvez, por esse motivo os cursos da área mento de cursos de moda: desde 1987 foram abertos tenham encontrado apoio em departamentos de artes mais de 20 cursos de ensino superior, sediados em e comunicação que deram ao setor o olhar de ramos maior número nos grandes centros urbanos, cujas di- das ciências tradicionais, como a semiótica, história e retrizes curriculares ainda permanecem em discussão. sociologia. Mas, esse apoio só pôde ser concretizado à medida que a Academia articulou-se junto aos Apesar da Academia ter iniciado seus primeiros setores da indústria têxtil. cursos voltados à indumentária ainda no século XVII, foi somente no último que eles proliferaram-se em Percebendo o potencial de um mercado que atual- abundância no mundo, impulsionados pelo novo mente representa mais de 4% do PIB nacional, gera ritmo da economia. A confecção de vestuário havia emprego para 1,7 milhões de pessoas e movimenta deixado de ser uma atividade de pequena escala, aproximadamente US$ 50 bilhões ao ano, os empre-12
    • sários da moda brasileira e professores universitáriossentiram a urgência de superar uma defasagem cria-tiva em relação à Europa, que ainda dita a maior partedas tendências. Assim, surgiu em 1986, na Universida-de Federal de Minas Gerais, um dos primeiros cursosde moda do país: o Curso de Extensão de Estilismo eModelagem do Vestuário, resultante da parceria entrea professora Delfina Miranda e a Associação Mineiradas Indústrias de Confecções. Esse curso havia sidoidealizado anos antes pelas estilistas e ex-alunas daEsmod (l’Ecole Supérieure des Arts et Techniques dela Mode, de Paris) Angélica Maria Diniz de Oliveira eAline Goubert, além da própria Delfina, mediante soli-citação da Escola de Belas Artes. O primeiro projetoprevia duração de oito semestres, baseado em mode-los estrangeiros de ensino e oferecendo aos alunosespecializações em Estilismo, Modelagem ou DesenhoTêxtil. Entretanto, o curso acabou implantado doisanos depois, com a metade da duração prevista noinício do projeto e foi remodelado devido às carênciasdetectadas por Delfina Miranda na indústria mineiraenquanto ela trabalhava para a Companhia IndustrialBelo Horizonte.Seguiram-se à criação deste curso muitas outrasiniciativas, concentradas principalmente nas regiõesSudeste e Sul. Porém, o processo de adaptação domodelo europeu de ensino da moda à realidade brasi-leira já havia iniciado junto ao surgimento dos cursosde desenho industrial no país: Pierre Cardin ministroudisciplinas voltadas ao estilismo como professorconvidado da Escola Superior de Desenho Industrial,do Rio de Janeiro; e Eugenie Jeanne Villien, religiosade origem suíça, estabelecida em São Paulo, minis-trou em 1967 aulas de desenho de moda às turmasde Desenho e Plástica — que mais tarde formariam abase do curso de moda da Faculdade Santa Marcelina.Além dos esforços dos industriais em oferecer capa-citação para formar profissionais qualificados, e dosintelectuais que traziam do exterior teorias e modelosde ensino, persistiu ainda uma tradição apegada àprática, repassada nos ateliês de costura de geraçãopara geração. Essas três modalidades constituem hojeo heterogêneo cenário de formação do profissional damoda no Brasil, e elas também podem ser sentidas naspróprias diretrizes curriculares dos centros de ensino: que é de baixa qualidade: o CETIQT, por exemplo, éalgumas enfatizam a criação, outras o mercado e há considerado referência para muitas instituições deainda aquelas que focam nas questões relacionadas ensino do país, oferecendo ao aluno um aprendiza-à produção e à modelagem, dependendo da produção do baseado na linha de produção, que inicia na con-local que incentivou a instalação do curso. strução da fibra têxtil e vai até a peça finalizada na passarela. Do outro lado da moeda estão os cursosOs cursos técnicos e de curta duração são os que mais de graduação, cujos professores frequentementesofrem interferência dos parâmetros da indústria advêm de outras áreas de pesquisa e fornecemna construção das disciplinas, resultando em muito uma orientação mais superficial da produção emconhecimento prático e pouco aprofundamento na série, enquanto discutem com mais atenção outrasreflexão teórica. Neste perfil, enquadra-se o já citado facetas da moda, como a construção de uma iden-curso da UFMG e o CETIQT, do SENAI. É importante tidade brasileira que seja capaz de elevar o valor doressaltar que ensino técnico nem sempre significa produto nacional no mercado externo. 13
    • Para a estudante Julia Barbosa, da Universidade Veiga abordando desde a história e estética dos estilistas de Almeida, a multidisciplinaridade é um ponto forte até as técnicas da modelagem plana, moulage, design do seu curso, que contribui na qualidade dos projetos de superfície, planejamento de coleção e estudo desenvolvidos e amadurece a visão pessoal da moda. dos materiais têxteis. Aluna do Centro Acadêmico Estimulada a estar sempre atualizada e a combinar do Agreste, Manuella lamenta que a Universidade conhecimentos nas áreas de criação, história, cultura, ainda não tenha conseguido alcançar um intercâmbio prática, sociologia, mercado e afins, ela afirma que sua maior com a indústria pernambucana, que poderia visão de mundo e seus hábitos foram rearticulados absorver as discussões sobre a prática levantadas na a fim de capturar novas tendências e reconhecer a Academia. Já Mateus Barros diz que entrou no curso moda como um estilo de vida. Porém, ela também em Recife desejando uma formação mais abrangente, admite que o conhecimento transmitido pelo curso enquanto especializa-se em moda através de cursos não é suficiente: “Aprendemos mesmo na vida real, técnicos, como de corte e costura, e estágios fora da porque há vários métodos. Muitos alunos validam o Universidade. “Não se deve parar ou limitar o apre- conhecimento trabalhando, outros preferem buscar ndizado, pois cada experiência acumulada irá servir formação fora – Central Saint Martins College of Art para formular alguma criação, projeto ou ideia. Além and Design, no Reino Unido, e Fashion Institute of disso, os novos conhecimentos são um diferencial em Technology, nos Estados Unidos, são os destinos mais processos seletivos ou concursos. A novidade, para os cobiçados no momento.” empregadores, é indispensável”, defende. Apesar dos avanços nas tentativas de adaptação ao comportamento da indústria têxtil regional con- siderando a curta existência dos cursos de moda e desprezando as diferenças entre os investimentos do Nordeste e Sudeste, há um longo caminho a percor- rer. Ainda não existe autonomia criativa no Brasil (e é isso que faz tantos optarem por cursos de moda em instituições no exterior): as tendências europeias continuam sendo reproduzidas aqui, pois é dispend- ioso para uma marca nacional gerar uma identidade própria através de longos processos de pesquisa para detectar tendências, criação de estampas próprias e assim por diante, enquanto a mão-de-obra e a carga tributária nacional são mais caras quando com- paradas às facilidades disponibilizadas pela Ásia às concorrentes estrangeiras. Os debates sobre temas relevantes, como sustentabilidade e novas tecnolo- gias têxteis, ainda não ganharam espaço efetivo nos mateus Barros, 20, não limita o aprendizado ao dia centros de ensino, tampouco na indústria brasileira. a dia na universidade federal de pernambuco e Não é raro nem surpreendente que a prática profis- complementa a formação fora da academiA sional no Brasil esteja fortemente vinculada à aptidão artística e tenha um “quê” de amadorismo. O maior desafio talvez seja o preconceito de que a moda é Em Pernambuco, os cursos de moda estão dis- fútil e alienada – quando na verdade tem um grande tribuídos tanto na região metropolitana quanto no potencial empregador e de afirmação cultural. Para interior, nos níveis superior e técnico. Muitos têm alavancar o valor da moda brasileira, as relações entre duração curta e são estruturados para otimizar e Academia e indústria, bem como os investimentos no conferir uma identidade à produção regional. Mas, setor, precisam ser alargados. ao contrário do Rio de Janeiro que recebe incentivos do governo do Estado, e de São Paulo que oferece o melhor cenário para estudo e trabalho na área de moda do país, falta uma maior articulação do governo e dos empresários para fortalecer a produção local. Na Universidade Federal de Pernambuco, a moda é uma das áreas tratadas pelo curso de Design, do qual fazem parte os estudantes Manuella Lima e Mateus Barros. Por situar-se no pólo de confecção do agreste, o campus de Caruaru disponibiliza mais disciplinas sobre o assunto em relação ao campus de Recife,14
    • Consumo de marcas de moda:aspectos funcionais e simbólicosAna Paula de MirandaDoutora em Marketing pela FEA/USP e professora adjunta do Núcleo de Design, UFPE, Centro Acadêmico do AgresteResumoEsta pesquisa tem o objetivo de apresentar osaspectos procurados pelas consumidoras de marcasde moda. Os resultados encontrados em ordem deimportância foram: Busca de resultado – marcasfuncionais, Busca pela sedução – marcas “peruas”,Busca pelo look – marcas “estilosas”, Busca pelaliberdade – marcas independentes, Busca pelaautoria – marcas individualizadoras, Busca pelanovidade – marcas modernas, Busca pela indivi-dualidade – marcas metidas, Busca pela segurança– marcas maternais, Busca pelo prestigio – marcassuntuárias.O de maior grau de significância é ofuncional, ou seja, cumprir com os aspectos funcio-nais é condição básica para o consumo; os aspectossimbólicos passam a ser os diferenciadores.Palavras-chave: moda, consumo, marcas.IntroduçãoProdutos, comportamentos de consumo, compras,mercados, escolhas, decisões, podem ser encaradoscomo trocas simbólicas que se fazem na sociedadecontemporânea. O consumo, sob essa perspectiva, éprocesso de comunicação e classificação de pessoas eobjetos (ROCHA, 1995). Portanto, o consumo pode servisto como dimensão simbólica da cultura.O objetivo deste trabalho foi considerar a relaçãoentre identidade social e interação social mediante aescolha das mensagens de comunicação embutidas Significado das marcasna decisão de compra relativa a marcas de moda. Desmond (2003) chama a atenção de que o pro- duto inicialmente não possui significado próprio,O reconhecimento do valor simbólico de bens e ser- um perfume é um perfume, tem função de perfu-viços é o caminho para a criação de atitudes positivas mar, passa a assumir uma personalidade quando éem relação a produtos, a marcas e lojas que expres- atribuído de marca que o distingue como a marcasam os valores individuais das pessoas. Todo o objeto Chanel que não só herdou o nome, mas os significa-comercial tem caráter simbólico: o ato de comprar dos de sua fundadora . Bem como usou imagens doenvolve a avaliação do seu simbolismo, para decidir sistema de celebridades como Catherine Deneuve,se é ou não adequado ao seu comprador. Marylin Monroe e Nicole Kidman, de onde extrai da imagem destes “modelos” os significados para seuAs empresas em geral devem vigiar para que as suas perfume e demais produtos. Esta atribuição de sig-expectativas de sucesso, ligadas ao objetivo de obten- nificados serve, principalmente e onde é atribuídação de lucro, se consolidem; elas dependem, funda- sua importância, em diferenciar a mesma categoriamentalmente, de uma atuação mercadológica voltada de produto para marcas diferentes.para a compreensão do valor simbólico associado aprodutos e marcas, e como esta dimensão pode auxi- O indivíduo ao manifestar-se no ato de consumo,liar o indivíduo no desempenho dos diferentes papéis imita, representa e cria mecanismos simbólicosassumidos na vida cotidiana e perante a sociedade. para instaurar a comunicação, abrindo assim, o diá 15
    • logo com o mundo. Desempenha o papel de ator, de A razão é de ordem econômica: sendo calculadora, a observador e observado, estabelecendo relação com sociedade industrial está condenada a formar consu- o meio em que vive atuando no tempo e espaço. A midores que não calculam. Para que haja o consumo imagem, como uma cena silenciosa ou como textos antes do desgaste, se faz necessário um imaginário aparentemente sem vida, mas intensos, embora constituído para despertar o desejo: não é o objeto, é o apresentados como composições fisicamente estáti- nome que o faz desejar; não é o sonho, é o símbolo que cas, são capazes de contar, comunicar, transmitir faz vender (BARTHES, 1981) uma idéia, um sentimento, utilizando essencial- mente elementos visuais entrelaçados e estrutura- Elliot (2004) apresenta a perspectiva do consumo dos, que necessariamente afetam quem observa. como vocabulário simbólico, onde o consumo é ele- mento da prática da identidade, por ser fonte de ação social e interpretações compartilhadas. Quadro 1 - Sistema de referência A teoria da autocongruência de Sirgy (1982) contribui Nicole Liv Tyler Sistema de afirmando que consumidores preferem produtos e Kidman ≠ Modelos marcas com significado que são consistentes com seus autoconceitos, assim sendo, motivados por autocon- sistência consumidores comparam seus autoconceitos = = com a imagem dos produtos e preferem produtos cujas imagens são congruentes com suas auto-ima- Chanel Givenchy Sistema de ≠ Produtos gens. Existe uma interação entre a percepção dos consumi- dores sobre eles mesmos e sobre o uso que eles fazem No perfume Chanel o significado atribuído à marca dos produtos de moda e suas marcas como símbolos, é sofisticação e para Givenchy é feminilidade, antes existe uma relação entre esses produtos e suas marcas de Nicole Kidman outro nome associado à Chanel com o eu (BANISTER in HINES et al, 2001). nas campanhas publicitárias foi Catherine Deneuve e para Givenchy quem melhor personificou o valor Aaker (1999) encontrou evidências do efeito da congru- simbólico da marca foi Audrey Hepburn. De forma ência de personalidade. Pessoas preferem marcas com que, quando alguém consome o perfume Chanel, as quais elas compartilham características de persona- passa a ser ou se sente como ou ainda é percebido lidade. pelos outros como sofisticada; já no caso de Given- chy, a percepção é de ser extremamente feminina. Govers & Schoormans (2005) apresentam resulta- Assim o produto passa a ser um gerador de signifi- dos de significante congruência positiva na relação cados (DESMOND, 2003). Lembrando que estes sím- produto-personalidade na preferência do consumidor bolos e signos tanto podem dizer a verdade quanto para produtos de apelo privado como chaves de fenda, podem mentir. máquinas de café, porta-sabão líquido e vinhos de mesa. Segundo Sartre (1997), o desejo é falta de ser e é di- retamente sustentado no ser do qual é falta, sendo O desafio está em desvendar este sentido, que objeti- assim o homem é o que não é e não é o que é. Sendo va maximizar a eficácia da comunicação; o símbolo é a realidade humana o empenho em ser e o desejo constituído de significante e de significado que lhe cor- exprime este empenho. O desejo leva a busca do ob- responde (LÉVI-STRAUSS, 1989; BARTHES, 1979); um jeto que mediante a sua posse, ou seja, se desejo me significante pode possuir vários significados, diversos arrumar, ter um objeto de adorno, fazer compras, entre si, para várias pessoas, ou um significado pode significa que desejo ter uma determinada aparência, ser atribuído a vários significantes diversos entre si; a definindo assim a relação: fazer, ter, ser. linguagem do consumo só vai alcançar o seu objetivo, se a comunicação for efetiva, se os códigos forem com- O conceito de marca resume bem as possibilidades partilhados. Estes são convencionados e compartilha- da “linguagem do consumo”. Quase todos os pro- dos; assim os significados atribuídos aos produtos são dutos se propõem hoje sob uma sigla imposta: cada transferidos com grande facilidade (ENGEL et al, 1991). produto tem marca que pode chegar até a substituir o nome, como Levi’s foi durante certo tempo sinôni- As marcas contam histórias. Consumidores interpre- mo de calça jeans. Em princípio, a função da marca tam imagem associadas com produtos ou marcas, que é indicar o produto; mas em segundo, e não menos são altamente influenciadas por estereotipo generali- importante, é mobilizar as conotações afetivas. zados do tipo de usuário deste produto (BANISTER et al in HINES et al, 2001).16
    • O Brand Concept Management (BCM) de Park et al existe diferenciação entre os indivíduos, com base(1986) propõe que toda imagem de marca deve ser no uso do produto; a personalização do produto de-baseada em um conceito de marca ou um significa- nota a extensão mediante da qual o uso do produtodo abstrato específico da marca. Em forma geral, o pode se atribuído para uma imagem estereotipadaconceito de marca deve ser tanto simbólico como de um uso generalizado. (SIRGY, 1982) Por exem-funcional. Marcas funcionais satisfazem aspectos plo, ao escolher uma roupa pode-se escolher entrepráticos de necessidades imediatas. Marcas sim- vários estilos (variabilidade), que podem comunicarbólicas satisfazem necessidades simbólicas como diferentes mensagens que serão entendidas comoauto-expressão e prestigio. Por exemplo, um relógio expressões do eu (personalização) por todos os queCasio atende a necessidade funcional de informar o a virem (visibilidade); já que a roupa é destinada aohorário exato, já um Movado, pode ser considerado ambiente público, a falta pode ser punida com a suauma marca simbólica, pois é usado principalmente prisão; não ao privado, porque aí se pode ficar sempor seu apelo de status, fornecer a informação em ela, se assim o desejar.relação ao passar das horas é um mero detalhe. A dinâmica está em se identificar, a lógica deste pro-Ou seja, marcas apresentam aspectos simbólicos e cesso se constitui na personalização e integraçãofuncionais. Segundo Bhat e Reddy (1998), faz-se ne- que caminham em paralelo: é o “milagre do sistema”,cessária uma investigação empírica para identificar do qual fala BAUDRILLARD (1995); esta integração ése simbolismo e funcionalismo são dois conceitos o processo pelo qual o indivíduo se ajusta à socieda-distintos ou são dois fins de um conceito de marca de e se socializa. (AUGRAS, 1967; SOLOMON, 1983;in continuum. Em seus estudos, eles apresentam ENGEL et al, 1995).três fatores que explicam este tipo de consumo,sendo um funcional e dois simbólicos (prestígio e Metologiaexpressão pessoal). Sendo assim, há dois conceitos A pesquisa trabalhou com as classes sociais A, B edistintos e não dois fins em comum para um con- C conforme o Critério de Classificação Econômicaceito de marca. Brasil.As competências simbólicas são freqüentemente A população foi feminina; de acordo com o trabalhoreferenciadas na literatura enquanto característi- de SOLOMON (1982) as mulheres são mais envolvi-cas representacionais. Os adjetivos e as frases que das com vestuário do que a população masculina; apertencem às competências simbólicas incluem o relação entre autopercepção pública e a dimensãorepresentacional, a expressão emocional, do eu, a relativa ao vestuário são muito fortes para o sexoimagem do eu, a personalidade, o valor e o ícone. feminino. McCracken & Roth (1989) encontraramMarcas funcionam como uma sugestão para refletir em suas pesquisas que as mulheres são significati-a associação de consumidores com determinados vamente melhores habilitadas que os homens paragrupos. Sendo assim, as características emocio- interpretar a sintaxe do código do vestuário. Pode-nais do simbólico (reflexo da auto-expressão) e os mos afirmar que a moda tem historicamente criadofatores representacionais (associação com grupos uma associação forte entre feminilidade e a buscasociais) são incorporados à marca simbólica. (BRID- do “estar na moda”, onde se realça a importânciaSON & EVANS, 2004). da aparência na construção social da feminilidade.A literatura sobre simbolismo de produtos e marcas Logo, mulheres são mais suscetíveis às mensagensmostra que roupas é uma categoria de consumo de de moda que os homens (THOMPSON, 1997).alto envolvimento simbólico, pois pessoas avaliamas outras pelo que está visível, ou seja, suas rou-pas. A natureza simbólica do vestuário pode ser Quadro 2 – Caracterização da amostraincorporada também por estilos, marcas, marcasde varejo, uniformes, hábitos de membros de uma População ou Mulheres com idade entre 16 e 55 anossubcultura em particular (BANISTER et al in HINES universo Classes sociais A, B e Cet al, 2001) . Residentes em São PauloProdutos de vestuário são ótimos veículos de co-municação para os seus proprietários. As marcas Abrangência São Paulode moda possuem as características essenciais parao consumo simbólico: visibilidade, variabilidade nouso e personalização. Para que produtos tenhamassociações com a personalidade, têm de ser consu-midos de forma que estejam visíveis; a variabilidadeno uso é também importante, porque, sem esta, não 17
    • Em relação à distribuição da amostra entre as Descrição dos clusters: classes sociais e os grupos de idade foram definidas quotas de 27 questionários aplicados por segmento Cluster 1 = (o diferente + o novo + que seja exclu- de classe social e de grupo de idade conforme o que siva + exclusividade)/4 = grupo das marcas dos que está apresentado, totalizando 324 questionários. O querem se destacar na multidão. Busca pela indi- questionário foi construído após fase qualitativa vidualidade mediante o consumo de marca de moda. onde foi analisado o discurso de 24 consumidoras sobre os motivos que as levam a consumir (ou não) Cluster 2 = (interessada em moda + sabe o marcas de moda. que esta acontecendo no mundo + não sair da moda + estar na moda + tendência)/5 = grupo das marcas Análise dos resultados dos modernos. Busca pela novidade mediante o Para o desenvolvimento da tipologia das marcas consumo de marca de moda. baseada nos resultados da aplicação das escalas referentes aos aspectos sociais, motivacionais e co- Cluster 3 = (identidade da marca + chamativo + municacionais do consumo de marcas de moda, foi sucesso + aceitação + rica + poder aquisitivo + utilizada a análise de cluster. Na análise do dendo- status)/7 = grupo das marcas suntuárias. Busca pelo grama, optou-se por fazer o corte em 9 grupos por prestigio mediante o uso de marcas de moda. ser o nível intermediário e, portanto o mais repre- sentativo, nem tão abrangente, nem tão segmentado. Cluster 4 = (eu + veste bem + elegância + original + estilo + criatividade + design)/7 = grupo das marcas Foram identificados 09 tipos de marcas, onde 08 estilosas. Busca pelo look mediante o consumo de apresentam características simbólicas e 01, o clus- moda. ter 09, apresenta aspectos funcionais. Cluster 5 = (moderna + alternativa + mostrar que tem personalidade + diferente sem exagero + estilo Figura 1 – Apresentação dos Clusters dendrograma amalgamação via método de ward distância 1-spearman rho linkage distance18
    • próprio)/5 = grupo das marcas individualizadoras. modelagem são vitais para o sucesso de uma marcaBusca pela autoria mediante o uso de marca de de moda, sem estas atribuições a marca não temmoda. competitividade no mercado. Trabalhar a imagem esquecendo os aspectos técnicos do produto é ina-Cluster 6 = (atraente + sexy + bom gosto + bonita + ceitável por parte do consumidor.beleza)/5 = grupo das marcas peruas. Busca da sedu-ção mediante o uso de marca de moda. Sedução (cluster 06) e o Look (cluster 04) vem em seguida, demonstrando que os aspectos mais “femi-Cluster 7 = (auto estima + espantar tristeza + ninos” do consumo que são os relativos a seduzir, aformal)/3= grupo das marcas maternais. Busca de ter um estilo, ou seja, tudo o que leva a admiraçãosegurança mediante o uso de marca de moda. do outro e que pode obter elogios que podem ser em forma de olhares ou palavras são extremamenteCluster 8 = (feliz + não importa o que os outros importantes para o consumo de marca de moda,pensam + não gastar muito + valor)/4 = grupo das sem esquecer que o look é processo de construçãomarcas independentes. Busca de liberdade median- de identidade. Por outro lado, a Liberdade (clus-te o uso de marcas de moda. ter 08) mostra a preocupação em afirmar que tem liberdade de escolher de forma inteligente, não estáCluster 9 = (bem estar + conforto + durabilidade + disposta a pagar por este reconhecimento e quequalidade + qualidade)/5 = grupo das marcas funcio- apresenta um nível de significância tão alto quantonais. Busca de resultado mediante o uso de marcas os outros dois, ou seja, existem tanto mulheres quede moda. vivem em função do outro como as que não estão preocupadas com isso.O cluster 09, o das marcas funcionais, apresentamaior grau de significância, o que nos leva a afirmar Seguindo a ordem temos o cluster 05, o da autoria,que as questões relativas ao produto em si como que apresenta uma mulher que quer consumir mar-qualidade do material, durabilidade, acabamento, cas que não estejam sintonizadas com a massi Figura 2 - A importância dos clusters 19
    • ficação, que tenham uma assinatura, com a qual elas A busca pela segurança das marcas maternais está possam se identificar se projetar, como uma alter- presente mostrando que as mulheres ainda fazem nativa ao que foi definido como bonito ou de bom terapia fashion com mais freqüência do que seria gosto pelo gosto comum. o recomendável, a fuga dos problemas e o uso do consumo de marcas como amuletos de transfor- Novidade e individualidade estão bem próximos, mação em pessoas mais corajosas, interessantes mostrando que a preocupação de estar na moda, ou qualquer outro atributo que gere a aceitação e de ser moderna, de ter a informação da tendência, admiração do grupo e logo, a sua própria, é relevan- a verdadeira espinha dorsal do que se acostumou te para este consumo. chamar de fashion perde, numa visão geral, para aspectos de individualização e de bom senso que a Por último e apresentando baixa relevância para marca pode atribuir ao seu proprietário como é o as consumidoras em geral estão as marcas suntuá- caso dos clusters anteriores, mas ainda apresenta rias, ou seja, a busca pelo prestígio, ser reconhecida um alto nível de relevância para a consumidora. como uma pessoa que tem dinheiro não é interes- Referências bibliográficas AAKER, J. L. Dimensions of brand personality. Jour- BELK, R. W. An exploratory assessment of situation- nal of Marketing Research. v. 34, n. 3, p. 347-56, 1997. al effects in buyer behavior. Journal of marketing research. v. XI, May, 1974. ______. The malleable self: the role of self-expres- siona in persuasion Journal of Marketing Research, ______. Assessing the effects of visible consumtion v. 36, n. 2, p. 45-57, 1999. on impression formation. Advances in Consumer AMARAL, M. A. Mademoiselle Chanel. Ed. Globo. 1. Research, v. 5, p. 39-47, 1978. ed., 2004. ______. BAHN, K. D.; MAYER, R. N. Developmental ANDRUS, David M.; SILVER, Edward; JOHNSON, Dal- recognition of consumption symbolism. Journal of las E. Status brand management and gift purchase: consumer research. v. 9, June 1982. a discriminant analysis. The Journal of Consumer Marketing, v. 3, p. 5-14, Winter 1986. ______. Possessions and the extended self. Journal of consumer research. v. 15, September 1988. AUGRAS, M. A dimensão simbólica. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1967. ______. The Human Consequences of Consumer AUTY, S.; ELLIOT, R. Fashion involvement, Culture. in Elusive Consumption ed. By EKSTROM, self-monitoring and the meaning of brands. Journal K.M.; BREMBECK H. Oxford: BERG, 2004. . of Product & Brand Management, v. 7, n. 2, p. 109- 123, 1998. BRIDSON, K.; EVANS. J. The secret to a fashion ad- vantage is brand orientation. International Journal BAUDRILLARD, J. Para uma crítica da economia of Retail & Distribution Management. v. 32, p. 403- política do signo. São Paulo: Ed. Gallimard; Lisboa: 411, n. 8, 2004. Ed. 70, 1972. DAMHORST, M. L.; MILLER, K.A.; MICHELMAN, S. O. ______. O sistema dos objetos. São Paulo: Ed. Per- The meanings of dress Fairchild Publications, New spectiva S. A., 1973. York, 2. ed., 2000. ______. Simulacro e Simulações. Lisboa: Relógio ELLIOT, R. Making Up People: Consumption as a D´Água, 1991. Symbolic Vocabulary for the Construction of Iden- tity. In: Elusive Consumption ed. By EKSTROM, K.M.; ______. A sociedade de consumo. Rio de Janeiro: BREMBECK H. Oxford: BERG, 2004. Elfos Ed.; Lisboa: Ed. 70, 1995. BHAT, S; REDDY, S.K. Symbolic and functional posi- GOVERS, P.C.M.; SCHOORMANS, J. P. L. Product tioning of brands. Journal of consumer marketing. v. personality and its influence on consumer prefer- 15. n. 1, p. 32-43, 1998. ence. Journal of Consumer Marketing. v. 22, n. 4, p. 189-197, 2005.20
    • sante para as mulheres em geral, parece que não Ao ser perguntado, em uma entrevista, em que parte do corpo iestá na moda aparentar, é cafona ser perua. a mulher deveria passar perfume, Chanel respondeu: Onde ela quiser ser beijada (AMARAL, 2004).Considerações finaisInteressante o resultado de que por mais que todos Essas subculturas existem dentro de comunidades maiores iios outros clusters sejam de atribuição simbólica, o mas têm gostos, interesses, preferências, tabus, estilos e atitudesde maior grau de significância é o funcional, ou seja, próprios com relação à moda. Por exemplo, na sociedade norte-cumprir com os aspectos funcionais é condição si -americana, os negros representam uma subcultura da culturani qua non, os aspectos simbólicos passam a ser os estadunidense, diferentes na sua essência dos brancos WASPdiferenciadores. (sigla para abreviar o termo White, Anglo-Saxan and Protestant, ou seja “branco, descendente de ingleses e protestante”).Assim, podemos afirmar que, só quando as questõesutilitárias estão resolvidas, a consumidora trans-cende para as questões simbólicas.GRUBB, E. L.; GRATHWOHL H. L. Consumer self- Characterizing types and an antecedent of mate-concept, symbolism and market behavior: a theoret- rial possession attachment. Journal of Consumerical approach. Journal of Marketing. v. 31, October, p. Research, v. 22, p. 327-343, Dec.1995.22-27, 1967. KLEINE, Robert E. III;KERNAN, Jerome B. ContextualHAGIUS, Roxanne Lekoff; MASON, Charlotte H. influences on the meanings ascribed to ordinaryCharacteristic, beneficial, and image attributes in consumption objects. Journal of Consumer Re-consumer judgments of similarity and preference. search, v. 18, p. 311-324, Dec. 1991.Journal of Consumer Research, v. 20, p. 100-110,June 1993. LANDON, E. L., Jr. “Self-concept, ideal self-concept, and consumer purchase intentions”. Journal of con-HIRSCHMAN, E. C. Comprehending symbolic con- sumer research, 1 (September), p. 44-51, 1974.sumption: three theoretical issues. In: Hirschman, E.C. and HOLBROOK, M. B. (Eds.), Symbolic Consumer SARTRE. J. O ser e o nada – Ensaio de ontologiaBehavior, Proceedings of the Conference on Con- fenomenológica, Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.sumer Esthetics and Symbolic Consumption, NewYork University, New York, p. 4-6, 1981. SCHOUTEN, J. W. Selves in transition: symbolic consumption in personal rites of passage and iden-______. HOLBROOK, M. B. Hedonic consumption: tity reconstruction. Journal of Consumer Research.emerging concepts, methods, and propositions. v. 17, March 1991.Journal of Marketing. v. 46, Summer, p. 92-101, 1982. THOMPSON, C. J.; POLLIO, H. R.; LOCANDER W. B.HOLBROOK, M. B. Some preliminary notes on The spoken and the unspoken: a hermeneutic ap-research into consumer esthetics in Olson, J.C. (Ed.) proach to understanding the cultural viewpointsAdvances in Consumer Research, Vol. 7, Association that underlie consumers’ expressed meanings. Jour-for Consumer Research, Ann Arbor, MI, 1980. nal of Consumer Research. v .21, December 1994.______. GRAYSON, M. W. The semiology of cin-ematic consumption: symbolic consumer behavior _______________. Caring consumers: Genderedin Out of Africa. Journal of consumer research. v. 13, consumption meanings and the juggling lifestyle.December 1986. Journal of Consumer Research. v. 22, March 1996.KLEINE, R. E., KLEINE, S.; KERNAN, J.B. Mundane _______________. HAYTKO, D. L. Speaking ofconsumption and the self: a social-identity perspec- fashion consumers’ uses of fashion discourses andtive. Journal of Consumer Psychology, v. 2, n. 3, p. the appropriation of countervailing cultural mean-209-35, 1993. ing. Journal of consumer research, June 1997.KLEINE, Susan Schultz; KLEINE III, Robert E.; ALLEN, Journal of consumer research, June 1997.Chris T. How is a possession “me” or “not me” ? 21
    • IN DÚS TRIApólo de confecçõesdo agresteestamparia digitalpeles que habito
    • pólo de confecções do agreste a trama do negócio que aquece a economia pernambucana Por Igor Santos A indústria têxtil, principalmente confecção e vestuário, ocupa espaço de grande relevân- cia na economia internacional, nacional e regional em geração de renda e empregos. Ela tem auxiliado o processo de industrialização de inúme- ros países (revolução industrial inglesa dos séculos XVIII e XIX, ou o caso atual de Bangladesh), não sendo diferente no Brasil, onde a produção tem sido de grande importância desde a década de 50. Atualmente em nosso país podemos destacar duas situações distintas: somos o 6º maior produtor mundial de confeccionados, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos, Turquia e México; no entanto, ainda possuímos participação modesta no comércio internacional do segmento, ocupando apenas a 41ª posição no ranking dos maiores exportadores e a 45ª dos importadores. Ainda assim, o setor se man- tém com leve crescimento na geração de empregos e em faturamento, sendo o que maior se destaca dentro da CTC – Cadeia Têxtil de Confecções, repre- sentando mais de 60% do montante de empregos e metade do faturamento do setor. vitrine da loja rota do mar. Nesse cenário se insere o Pólo de Confecções do Agreste de Pernambuco, que tem se destacado como importante pólo na produção de vestuário na- cional. No início, ao longo da década de 90, produzia peças de baixa qualidade para consumidores com baixo nível de exigência e, atualmente, já começa a se inserir num cenário de maior abrangência e de valor agregado mais elevado, seguindo conceitos e tendências nacionais e internacionais. Caruaru, juntamente com Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, despontam como principais pontos de escoamento e comercialização de produtos de confecções em Pernambuco, formando o destacado Fotografia: lucas cavalcanti triângulo de confecções do agreste pernambucano. Hoje, segundo o SENAI, Santa Cruz do Capibaribe é o segundo maior pólo de confecções do Brasil, su- perada apenas pela cidade de São Paulo, possuindo o maior parque de confecções da América Latina em sua categoria, o Moda Center Santa Cruz. No início, a produção local era realizada de uma ma- neira bastante doméstica. As costureiras da região produziam em suas casas roupas simples, que pelo24
    • preço irresistivelmente baixo derrubavam qualquer Antão). Somadas, elas produzem 800 milhões deconcorrência. Essa facilidade na comercialização peças por ano, movimentando cerca 3,5 bilhões defoi atraindo mais e mais costureiras, fazendo com reais, concentrando mais de 18 mil empresas doque os homens da região se transformassem em setor e 120 mil empregados diretos.mascates e partissem para ínumeras feiras do nossonordeste comercializando a produção, enquanto as Essas cidades todas unidas constituem o famosomulheres tentavam diversificar a seus artigos (saias, Pólo de Confecções de Agreste. Segundo Fredi Maia,camisas, blusas, anáguas, roupas infantis, etc.). Com diretor administrativo do Sindicato da Indústriao tempo, os mercados da região foram aos poucos do Vestuário de Pernambuco (Sindvest), o termoconquistados e a produção começou a chamar a começou a ser utilizado em 2002, a partir da elabo-atenção nacional, se tornando o maior Pólo de Con- ração do projeto feito pelo SEBRAE, denominadofecções do Nordeste. Projeto de Desenvolvimento do Pólo de Confecções do Agreste, “O objetivo era conhecer a realidade eJá a cidade de Toritama lidera a confecção do je- desenvolver empresas nos municípios de Caruaru,ans, sendo uma das maiores produtoras do país e Toritama e Santa Cruz do Capibaribe”.possuindo o parque de Feiras, onde se centraliza ocomércio da cidade. E em Caruaru, o escoamento da No momento, ainda há um planejamento estratégi-produção se dá principalmente pela Feira de Caru- co para fazer de Pernambuco o melhor ambiente dearu, conhecida como a maior feira livre do mundo, negócios para a moda, exigindo esforços por partesendo que grande parte do que é vendido nela tem de entidades como a Agência de Desenvolvimentosua produção localizada em Toritama e Santa Cruz Econômico de Pernambuco (AD/Diper), SEBRAE edo Capibaribe. Sindivest, realizados no intuito de estimular, entre outros, a pesquisa tecnológica e geração de alterna- Fotografia: lucas cavalcantiMas engana-se quem pensa que o Pólo de Confec- tivas de desenvolvimento sustentável.ções se concentra apenas nesse triângulo, atu-almente mais cidades apresentam crescimento Entretanto, ressalva-se que a produção do tecidodestacado e fortalecem a produção do Pólo (Agres- ainda é deficitária. O montante gerado no própriotina, Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Cupira, estado não alcança 30% do total, demandando aGravatá, Pesqueira, Riacho das Almas, Surubim, importação principalmente de São Paulo, MinasTaquaritinga do Norte, Vertente e Vitória de Santo Gerais, Ceará, entre outros estados. “Com melhorias O empreende- dorismo familiar continua sendo marca no desen- volvimento industrial do Agresteentrada do pólo decaruaru 25
    • na infra-estrutura, nas políticas fiscais e na quali- “Aqui você encontra todo tipo de configuração, você ficação de mão-de-obra, teremos plenas condições encontra do que só monta a peça, do que monta de ser o maior produtor do setor no Brasil, tanto em parte da peça, do que cria a peça toda e entrega pra qualidade como em quantidade. Existem aqui duas alguém, daquele que só costura, do que cria, cos- coisas fundamentais: coragem de empreender e um tura e faz tudo. No SEBRAE, SENAI e no SENAC, centro emissor de tendências: Pernambuco tem nós temos feito com muita frequência cursos de uma cultura própria, capaz de emitir ideias para consultoria para desenvolvimento de coleção. Evi- todas as regiões”, pontua o diretor do Sindivest. dentemente que você não atinge todo o universo (...) porque é uma grande engrenagem que envolve des- O empreendedorismo familiar ainda continua sendo de a indústria têxtil, que são compradores específi- marca no desenvolvimento industrial do Agreste. “O cos, até o consumidor final, e o papel do consumi- trabalho produzido nesses municípios vem somar dor final é muito preponderante porque é ele quem aos centros comerciais para fornecer novos produ- define o perfil da produção, levando em considera- tos para os compradores da região. Essas cidades ção que a economia do país ascendeu pra classe C. começam a formar um pólo prestador de serviços, A pirâmide brasileira mudou muito, é a classe C e D através do surgimento de facções que produzem que define muito qual o perfil do consumo.” Resume uma diversificação do nicho de produtos”, destacou Mario César. o consultor do SEBRAE, Laudemiro Ferreira. Em suma o Pólo de Confecções do Agreste vem Corroborando com a profissionalização desses mu- crescendo dentro do cenário geral da produção nicípios e cidades maiores do Pólo, o SEBRAE Caru- brasileira e ainda possui grande potencial e oportu- aru desenvolve projetos para apoiar novas e antigas nidades de crescimento. Depende agora de inves- empresas (vide box Projeto Negócios da Moda timentos do governo e ampliação de iniciativas de Pernambucana). “Temos três programas em funcio- qualificação da mão-de-obra e do produto final da namento para as empresas desses municípios: o de região. A pujança da capacidade de produção local já melhoramento da imagem, de competitividade e um rende bons frutos, mas ainda há muito espaço para programa de consciência limpa, para as lavanderias”, crescimento, em volume de vendas, de empregos e destacou Mário Cesar, gestor de projetos de confec- na valorização da produção. ção do SEBRAE Caruaru. Projeto Negócios da Moda Pernambucana Por Thomás Soares Desde 2001, o SEBRAE vem promovendo anual- Mário César Freitas, que é o responsável pela área mente o Projeto Negócios da Moda Pernambuca- de Confecções no SEBRAE em Caruaru, explica que na. Esse projeto, que é realizado pela Associação a cadeia têxtil sempre foi forte no Agreste pernam- Comercial de Caruaru, consiste na promoção do bucano, e que essa força vem crescendo a cerca encontro entre empresas que confeccionam peças de oito anos para cá, através do apoio do SEBRAE, e compradores de todo o território nacional. Neste que promove treinamentos na área de gestão ano, o evento foi realizado nos dias 16, 17 e 18 de empresarial, consultorias em desenvolvimento de Março no estacionamento do Empresarial Shopping coleções, processos produtivos e de organização Difusora, um espaço com aproximadamente 4,5 de área comercial. “Muitas vezes confeccionistas mil m², com estandes de 8m². No total, 120 empre- que participaram de oficinas oferecidas no SENAC sas de 11 municípios expuseram seus produtos e tentam abrir seu próprio negócio, eles tem bastante realizaram negócios com mais de 300 compradores, conhecimento técnico, porém possuem carência em incluindo grifes conhecidas nacionalmente. um treinamento de gestão empresarial e dificulda- de de se projetar no mercado” explicou Mário César As empresas e os vendedores que participaram do Freitas. evento passaram por uma avaliação que levou em conta os interesses do lojista e uma e uma inspeção de todos os documentos, a fim de vetar a participação de informais e empresas com problemas de crédito.26
    • EstampariaDigitalA revolução na indústria têxtilPor Carolinne SabinoA tendência do mercado da moda é a diversificação, pois o consumidor se satisfaz com a variedade e a exclusividade dos produtos. Essas exigên- cias acarretaram na necessidade produtiva de metragens cada vez meno-res, onde só o sistema de impressão rotativa não consegue atender a demanda.O surgimento da estamparia têxtil digital chegou para revolucionar a indústria, tra-zendo inúmeras vantagens sobre os processos tradicionais (cilindros, plana, transfer,silk-screen e sublimação). São alguns diferenciais os desenhos ilimitados que podemser criados, as estampas com qualidade fotográfica, a personalização e exclusividade,as múltiplas escolhas de cores, a redução do consumo de água e energia, corantes esoluções, atuando como ferramenta ecológica, entre outros benefícios.Sim, mas como funciona o processo de estampar tecidos por impressão digital?De uma maneira geral, a estampa digital inicia-se com a preparação do tecido,que recebe um pré-tratamento com agentes químicos especiais para permitira aderência da tinta e controlar sua penetração na fibra. Após a impressão, otecido é vaporizado em equipamentos próprios para o processo de satura-ção e fixação das cores e, em seguida, é lavado para a retirada dos produtosquímicos e aí já esta pronto para a secagem. Não pode esquecer-se daescolha correta dos tecidos e mesmo a qualidade das tintas para a exatafinalidade do que se deseja.As tintas para impressão direta sobre o tecido são à base de água epodem ser divididas em:• Corantes dispersos: utilizados para estamparia em poliéster. Sãoinsolúveis em água, mas penetram e se difundem nas fibras depoliéster durante o processo de vaporização após a estampageme tal penetração rende excelentes propriedades de solidez africção e lavagem;• Corantes reativos: consistem numa das grandes classes decorante utilizadas para estamparia em algodão, viscose eoutros materiais celulósicos. Como os corantes reagemquimicamente com as fibras, proporcionam alta solidez àfricção, à lavagem e à transpiração;• Corantes ácidos: oferecem excelentes propriedadespara uso final sobre uma enorme gama de cores naseda, nylon e lã. Tais propriedades são específicaspara se adequar a aplicações apropriadas de soli- es alvdez a água do mar e cloro para roupa de banho. ra do : IsaNa estampa digital, as imagens são desenvolv- ia rafidas, digitalizadas e enviadas para a gravação/ ogimpressão através de softwares gráficos Fot 27
    • Quer saber mais sobre o estúdio zero? Acesse: www.estudiozero.com encontrados facilmente no mercado. As imagens Além dessas vantagens, a estamparia digital é uma boa são produzidas a partir de uma criação própria, ou escolha, segundo Roberta, porque é um processo lim- através de uma foto, uma gravura e, antes de a ima- po que consome pouca água e permite o uso de tintas gem chegar ao tecido, o software ainda corrige falhas biodegradáveis. O que vai de acordo com o interesse de impressão e sobrepõe cores com mais precisão. da empresa de causar menor impacto ambiental tanto Hoje, a tecnologia de impressão desenvolvida é de nos processos internos de produção quanto na esco- fácil uso que, mesmo os designers podem fazer seus lha dos fornecedores. Por causa da preocupação com produtos, sem ter a ajuda de designers têxteis. o meio ambiente, o Estúdio Zero trabalha com tecidos de fibras naturais, principalmente o algodão e o linho. Empresas pernambucanas também aderiram à A empresa apresenta um leque variado de clientes aos utilização da impressão digital; o Estúdio Zero, quais presta serviços de estamparia digital, como a criado em 2002 pelo casal de designers Roberta Leão Rede Globo, Delta Expresso e Maria Casa. e Gilberto Bezerra, é o principal representante. Ele também foi o pioneiro dessa técnica no Nordeste O processo de criação das estampas normalmente devido à dificuldade de encontrar estamparia perso- começa com rascunhos feitos a mão ou colagens. nalizada, com variedades de desenhos e quantidade de A inspiração para fazer tantas peças originadas vem metragem suficiente que permitisse criar sem limites. de absolutamente todos os lugares. Tudo que é visto, lembranças de infância, fotos de viagem viram refe- Desde 2006 desenha e fabrica produtos de marca rência, pois quem trabalha com processo criativo vive própria, como tecidos, almofadas, pufes, futons, numa eterna pesquisa. papéis de parede, roupas femininas e infantis. No Estúdio Zero a tecnologia da estampa digital é uma O objetivo da empresa é criar e oferecer produtos ferramenta a serviço da arte, do design, da individu- que façam parte do dia a dia da família e provoquem alidade e foi introduzida para viabilizar os produtos alguma reação, seja um item de decoração que deixa têxteis, dando oportunidade de ter uma grande varie- a casa mais alegre ou uma roupinha engraçada que dade de estampas com tiragens pequenas. fique na lembrança no álbum de fotos do bebê.28
    • Criação das Peças Família Ovo 1. Modelagem | 2. Criação da Estampa | 3. Impressão do Tecido pela máquina Dupont Artrist 2020 e secagem | 4. Corte e Costura | 5. Primeiro Guarda-Roupas | 6. Personagens da Ovo 51 42 3 6 Algumas empresas que fornecem o interessado em serviço de estamparia digital: aprender mais sobre a técnica • RValentim da estamparia Empresa paulista que presta serviço de estampa digital? Segue digital em tecidos para moda, decoração, acessórios alguns locais de e propagandas. Imprimem tecidos a base de algodão, curso: linho, viscose e poliéster. Para mais informações: acesse www.rvalentim.com • Estamparia Têxtil Digital Escola São Paulo: • Criata Rua Augusta, 2239 Empresa mineira com foco totalmente direcionado Jardins, São Paulo — SP ­ para impressão/tingimento digital em tecidos para www.escolasaopaulo.org moda, decoração, publicidade e eventos. Para mais informações: acesse www.criata.com.br • O Desenho de Estamparia Têxtil Belas Artes: • Prima Digital Rua Doutor Álvaro Alvim, 90 Empresa paulista que oferece serviços de impressão Vila Mariana, São Paulo — SP digital direta, em sublimação, plissados, amassados ou www.belasartes.br com aplicações por espatulagem como, foil, metali- zado, coating, entre outros. Para mais informações: acesse www.primadigital.com.br 29
    • Peles que habito couro natural, sintético ou ecológico, qual o melhor pra salvar a pele do planeta? Por Igor Santos O couro invadiu de vez os looks dos fashio- O couro natural nesse contexto já parece obsoleto, nistas, foi tendência no inverno 2012, será carregado de maus tratos animais, grande geração tendência no verão 2013 e não deve parar de resíduos sólidos, líquidos e gasosos no processo por aí. Nesse cenário, surgem as mais variadas de produção, demanda grandiosa de água, enfim, propostas, cores e texturas, podendo criar um visual não faltam motivos para abolir de vez seu uso. Nada rocker, casual, sofisticado ou mais moderno com os mais fora de moda que matar animais para vestir. novos tons de metalizados. Mas nesse mar de varie- dades surge a dúvida: com que couro eu vou? O couro sintético, por sua vez, estende-se à maior parte dos tipos de couro no mercado, simulando Imagens: arquivo www.institutoe.org.br A moda, obviamente, não ignora o movimento peles animais como a de crocodilo, cobra, avestruz, global pró meio ambiente e os mais diversos termos além da bovina. É um termo com o qual os con- começam a figurar as etiquetas das peças de couro sumidores já estão habituados há um tempo e é nas vitrines, como bio, ecológico, sintético, vegetal, bastante comum também no desenvolvimento de etc., causando confusão não só para os consumido- produtos de moda como uma definição estratégica res na escolha do que faz bem ao guarda-roupa e ao para novos tipos de couro. Assim, nas lojas, o couro planeta, como para os designers e estilistas na defi- natural e o sintético muitas vezes aparecem na nição da melhor opção para a proposta comercial e etiqueta apenas como couro, cuja intenção capciosa conceitual da marca. é “misturar o joio e o trigo nas araras”.30
    • Na realidade, o couro sintético não chega a ser couro, Já em outra frente, o termo couro ecológico temmuito menos ecológico. “Existem vários materiais sido utilizado para as peles de peixes, sendo maischamados de couro sintético, mas que são feitos de comuns as de tilápia, salmão, pescada amarela ePVC, um derivado de petróleo”, afirma Luiz Carlos dourado. Mas como couros derivados de peixes po-Faleiros, 49, responsável pelo laboratório de couros dem ser ditos ecológicos? Isso se deve a proposiçãoe calçados do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológi- aproveitadora de que, com o abate dos peixes para acas). O próprio termo couro sintético, na verdade, é alimentação, suas peles, ao invés de descartadas, se-uma denominação errada, até mesmo do ponto de riam reaproveitadas no setor de moda. Justificativavista legal: o artigo 8º da lei 11.211/05 diz “é proibido questionável por validar também o couro compradoo emprego (…) da palavra “couro” e seus derivados pelos curtumes após o abate de bovinos. Todavia,para identificar as matérias-primas e artefatos não esses couros ecológicos passaram a ser conhecidosconstituídos de produtos de pele animal”. também como couros alternativos, incluindo ainda no pacote até mesmo o couro de rã.Ainda assim – com o passar do tempo e o reforçoda moda sustentável e ecológica – por não neces- O fato é que o couro verdadeiramente ecológico,sitar do abate de animais, o termo couro sintético como gostaríamos que fosse, ainda não possui umase estabeleceu e passou a ser sinônimo de couro definição técnica ou legal, mas costuma estar re-ecológico, o que vem a ser uma definição ainda mais lacionado a processos de fabricação menos impac-inapropriada e oportunista. tantes que os tradicionais. “Couros ecológicos são menos poluentes, usam substâncias naturaisTecidos criados pelo Instituto “e” 31
    • Da esquerda pra direita, de cima para baixo: Produto Amazon Life, Manta de pescada, Tecidos criados pelo Instituto “e”, Sapatos Gucci biodegradáveis, Manta de couro de rã, Produto Amazon Life, couro vegetal cultivado em laboratório e Pele de salmão com aplicação de estampa Imagens: arquivos lucianaduarte.org / grupodfx.com.br/kaeru/ ecodesenvolvimento.org.br ou biodegradáveis, têm menos restrição de mer- por se contrapor ao uso de metais pesados, como o cado e usam menos água”, diz Gerusa Giacomolli, cromo, das indústrias tradicionais. 32, técnica responsável pelo Centro Tecnológico do Couro do Senai. Não obstante, o real couro ecológico é aquele que de nenhuma maneira agride a natureza. O legítimo Como bom exemplo podemos citar a Nova Kaeru, couro ecológico apresenta-se como couro vegetal com destaque na produção nacional de couros ou ainda encauchado, material proveniente do látex ecológicos – que possui inclusive produtos homolo- da seringueira (árvores do gênero Hevea) ou do gados pelo respeitado Instituto-e (ONG originada na caucho (árvores da espécie Castilloa ulei). Princi- Osklen, mas que hoje opera de forma independente) palmente produzido pelas empresas Amazon Life e – que oferece o denominado bio couro. Esse Termo Treetap, com consumo bastante popular em meados refere ao método de curtimento aliado ao concei- da década passada com o auge da sustentabilidade to de “Análise do Ciclo de Vida”, conceito criado nas rodas de discussão. pelos pesquisadores italianos Ezio Manzini e Carlo Vezzoli (autores de “O desenvolvimento de produ- Entretanto, como já foi dito, em consideração à proibi- tos sustentáveis”). Nesse método, de acordo com o ção legal do uso da denominação couro para produtos fornecedor, utilizam-se exclusivamente produtos que não são de pele originária de animais, a indústria orgânicos para que o couro possa retornar à natu- tem preferido o uso do termo “laminado vegetal” fren- reza – daí a justificativa do prefixo “bio”, de biode- te ao couro vegetal, tendo como um bom exemplo, a gradável. A relevância desse método se estabelece empresa Ecológica Laminado Vegetal do Brasil.32
    • Essa empresa (parceira do Sebrae, Senai e Instituto produção, principalmente no tocante ao seu estadode Pesquisas Tecnológicas), apresenta um Índice de ótimo de catalisação: a apresentação final do pro-Sustentabilidade de Produtos – indicando a compo- duto ainda permanece de certa maneira “grudenta”.sição da matéria prima – além de unir a alta tecno- Fora isso, os couros sintéticos ainda permanecemlogia industrial com técnicas artesanais centenárias. com um preço mais competitivo de mercado.Tem seu laminado vegetal produzido em Magda-SPe não na tradicional Amazônia sergingueira, signi- Sem dúvida a moda e demais negócios sustentáveisficando redução nas emissões de CO2 ouriundas do ainda possuem muito chão pra cobrir. São muitostransporte da produção para o mercado final. So- os obstáculos e desafios, mas o importante nessebretudo o couro vegetal da empresa possui diversas momento é a disseminação do pensamento ecológi-gramaturas, cores e estampas, fundamentando uma co da ética sustentável. A moda verde está cada vezalternativa válida ao uso do couro animal e de cou- mais próxima e crescente, mas ainda não se apre-ros sintéticos, derivados do petróleo. Como bônus, senta acessível à grande massa: não haverá mercadosegundo o fabricante, “os processos de espalmagem sustentável enquanto não houver consumidoresdo látex e secagem em estufa não produzem resídu- sustentáveis. A moda ecológica mesmo só deveráos de qualquer espécie”. surgir no momento em que, na consciência do con- sumidor, ética e estética se fundirem.Infelizmente, apesar do esforço de alguns fabrican-tes, como a Ecológica, mais conscientes na tentativade inserir o couro vegetal ou laminado vegetal nomercado, esse material continua com números pou-cos expressivos de venda. De maneira geral, faltapadronizar o material, aperfeiçoar os processos de 33
    • con sumoA Moda Classe DConsumo ResponsávelEscambo
    • a Moda Classe D A Classe D não economiza na hora de se vestir e investe em marcas famosas. Por Tainan Paiva U sando roupas de grifes famosas, ou adaptando os looks da classe A com peças semelhantes e de preços mais acessíveis, os integrantes da classe D querem estar na moda independente da sua realidade financeira. O que vale é se incluir no grupo e fazer parte da tribo, seja comprando no camelô, em brechós, ou em lojas da marca preferida. Com o consumismo sendo bastante explorado na nossa sociedade, ao se tratar de moda devemos também pensar em economia. Para o Instituto Data Popular, as famílias com renda entre três e seis salários mínimos (R$ 1.395 e R$ 2.790) são consideradas pertencentes à classe D. Com esse rendimento se torna difícil ter acesso às novidades a cada coleção nova que aparece. A indústria da moda voltada para essa classe surge para suprir as necessidades da mesma; gente que quer se vestir com roupas de grife, mas com preços acessíveis a sua realidade financeira. Hoje, é possível encontrar modelos inspirados em coleções de grandes estilistas, em grandes lojas de departamento nos shopping centers e até mesmo nos pequenos estabelecimentos comerciais no centro da cidade. O tecido, as cores e as estampas podem ser um pouco distintas, mas é possível reconhecer a semelhança com as roupas figuradas nas revistas de moda. Cada classe tem sua personalidade e seus conceitos, as mais altas (A/B) são mais ousadas ao se vestir, arriscam mais, querem se destacar das outras classes e se autoafirmarem como elite, enquanto que as mais baixas (C/D/E) preferem o básico, sempre com marcas famosas, mas tentando acompanhar a elegância classe A e conseguem isso graças à facilidade de compra com cartão de crédito e divisão do valor total em infinitas parcelas. Usar acessórios de grife passou a ser uma ferramenta de inclusão social. Segundo levantamento do Instituto Data Popular, a elite escolhe a marca para se diferenciar da massa e costuma se concentrar no exclusivo. “Já as classes da base da pirâmide escolhem marcas conhecidas para fazer parte do grupo, da tribo”, observa Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. Esse desejo das pessoas de serem inseridas em determinados grupos é um dos motivos pelos quais as falsificações estão sendo cada vez mais procuradas, já que nem todos podem pagar até 200 reais em uma única blusa, por exemplo, as grifes conseguem atingir todas as camadas da sociedade, o que acontece com a marca Colcci, mesmo que o canal de compra seja o camelô ou a pirataria. De acordo com o Correio do Estado em 2011 a classe B foi a maior responsável pelo consumo de moda no País, tendo gasto R$ 56,3 bilhões com roupas e acessórios. As classes D e E gastaram R$ 8,8 bilhões nesse segmento, sendo que parte desse montante foi absorvida pelo comércio informal. Mas a pirataria não é a única alternativa para quem quer se vestir bem. Com facilidades de pagamento, brechós e feiras de troca, o preço deixou de ser a principal variável para a decisão de compra dos consumidores da classe D que estão cada vez mais preocupados com a qualidade do produto adquirido.36 Imagens: Bruno Leite e Lucas Cavalcanti
    • De acordo com o estudo “Mudanças no Mercado Brasileiro”, realizado pela Nielsen, o comportamento do consumidortem mudado nos últimos anos. Tanto que os pertencentes às classes D e E passaram a consumir produtos mais caros e com benefícios garantidos. De acordo com o analista de mercado da Nielsen, Ramon Cassel, a preferência por produtos de marcas famosas ocorre pela menor condição de erro, ou seja, na percepção desses consumidores, as marcas mais caras garantem satisfação em relação à qualidade do produto. “O cliente das classes mais baixas tem menos espaço para errar, por isso procura produtos de marcas líderes, cujos benefícios são garantidos”, completa. Juliana Ferreira é atendente de call center e mora no centro de Paulista, pelo rendimento ela faz parte da classe D, ela compra roupa a cada dois meses e confessa que a maior parte do salário é destinado ao guarda-roupa. Suas marcas preferidas são Colcci, Calvin Klein, Puma e Everlast. Ela afirma ser fiel às marcas pela qualidade comprovada e as peças durarem mais tempo. “Não vale a pena trocar o certo pelo duvidoso”, afirma Juliana. Existem também as pessoas que conseguem fazer sua moda substituindo os artigos caros por outros mais em conta, encontrados em brechós e bazares, um tipo de comércio de segunda mão que é na verdade uma fonte de estilos. Com bom gosto e customização as classes mais baixas conseguem acompanhar a moda sem precisar gastar muito. “Os brechós surgiram no fim século XIX, como lojas de artigos de segunda mão, para pessoas que não gozavam de um poder aquisitivo razoável para adquirir roupas em estabelecimentos convencionais. A partir daí, surgiu o conceito de que brechós são redutos de traças e velharias. No entanto, esse fato começou a mudar. Os brechós modernos dispõem de acervos de marcas famosas a preços acessíveis, constituindo um verdadeiro templo retrô para os artistas e quem gosta de criar um estilo próprio.” Site Portais da Moda. Deve-se levar em consideração que existe na classe D quem queira usar roupas de marca e se inspirar nas classes altas para se vestir, mas, existe uma parte dessa população que não compartilha desse pensamento, pelo contrário, elas querem ser diferentes e estar na moda por isso, apenas se vestindo como gostam. Algumas inclusive, nem admiram o estilo mais “elegante”, enquanto nas classes A/B o chique é descoordenar as cores, na D elas fazem questão de combinar bolsa e sapato. Acreditam que a combinação passa a ideia de que se dedicaram na hora de se arrumar. O brilho que aparece no jeans se repete na alça da bolsa e há sempre um detalhe da estampa do sutiã aparecendo que provavelmente vai combinar com o cinto ou com o sapato. As calças do tipo saruel são rejeitadas pela maioria das mulheres de classe D, por esconderem as formas, elas se preocupam muito mais com a valorização do corpo e suas curvas do que com seguir tendências. Por isso, preferem calças justas e de cintura baixa, as blusas geralmente são decotadas, deixando o corpo à mostra e nos calçados apostam em plataformas. O fato é que o termo “estar na moda” é a aspiração de todos independentes do seu poder aquisitivo, só que nem sempre a “moda” do indivíduo é aquela que está nas passarelas do São Paulo Fashion Week. A classe D cria sua moda, seja para imitar as classes altas, seja para se diferenciar porcompleto, ela está sempre buscando personalidade e claro, preços baixos. 37
    • consumo reponsavel Tudo quo o consumidor precisa saber antes de adquirir qualquer produto. por Alex Barros e Gabriel Ferreira C onsumo responsável e sustentabilidade são temas bastante atuais na sociedade moderna. Eles podem ser aplicados em vários setores da economia, desde a produção, passando pela venda, comercialzação, até o descarte. Isso sem falar nos R’s, que estão entrando no vocabulário das pessoas. São dicas muito simples e valiosas que fazem a diferença. Podemos ainda listar outros exemplos a respeito de sustentabili- dade. Já existem automóveis híbridos, que reaproveitam a energia dos freios para fazer funcionar motores elétricos. Isso acarreta em economia de combustível, e menos emissão de poluentes. Dar carona é outra solução: economia de tempo, dinheiro, e menos carros na rua, o que melhora o trânsito. O uso de bicicletas também é outra saída, ajuda o meio ambiente e estimula a prática de exercícios. 1 – Refletir: Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos do consumo no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos; 2- Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia; 3- Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço;38
    • 4 – Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil, quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na co- leta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou para o catador;5 – Respeitar: A si mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meioambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor”e “obrigado”; POR FAVOR! OBRIGADO! 6 – Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe; 7 – Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade; 8 – Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consu- mo consciente. Retwite, reenvie e-mails. 39
    • é possível estar na moda respeitando a natureza Falar de consumo responsável na moda é meio Várias ideias estão surgindo para ajudar a ficar na paradoxal. A moda é um universo efêmero, onde moda sem consumir tanto. A americana Marisa tendências surgem e são substituídas rapidamente Lynch se propôs um desafio: criar, todos os dias por outras. A indústria da moda depende muito (durante um ano), um vestido, com peças compradas da indústria têxtil, e a produção dos tecidos mais em brechó. E cada peça não poderia custar mais de utilizados no mercado tem um impacto muito 1 dólar. Ela usou os mais variados recursos: person- negativo na saúde do planeta. Por exemplo, as fibras alização, seus dotes de costura. Inclusa na experiên- naturais com linho, seda, lã e algodão, vêm de uma cia, estava a criação de um blog, o New Dress a Day. exploração agrícola intensiva, onde são utilizados Lá, pode ser visto o resultado dessa experiência. fertilizantes e pesticidas em excesso ameaçando assim a saúde humana e do ambiente. Por outro Já existem no mercado tecidos feitos de fibras lado existem as fibras sintéticas como nylon, lycra, têxteis alternativos que causam menos impacto no poliamida e tergal cuja sua produção química gera ambiente e são de alta qualidade. Alguns exemplos resíduos altamente poluentes. são os tecidos de fibras naturais tradicionais pro- duzidas em modo biológico (algodão e lã biológicos), Então, é impossível estar na moda sem comprar um o modal e lyocell produzidos a partir de celulósicas monte de roupas novas, seguir as tendências. de faia, fibras de bambu e cânhamo. E aumentar a poluição, com o aumento da produção de tecidos, que são matéria-prima para fabricação Com a preferência de consumo desses tecidos alter- de outras roupas, que sairão de moda rapidamente, nativos no mercado, a indústria têxtil será obrigada nesse ciclo sem fim. a utilizar produtos mais sustentáveis, impactando também na indústria da moda que terá a seu dispor Errado! tecidos de alta qualidade e baixo impacto ambiental.40
    • E os brechós? É uma ótima alternativa para econo- Só para refletir um pouco sobre o assunto:mizar e conseguir roupas diferentes. O brechócompra roupas dos mais variados estilos, em bom “(...) Falar de consumo e falar de consumo respon-estado de conservação, e as revende a preços mais sável e desenvolvimento sustentável... ao decidir obaratos, quando compramos em um lugar como consumo devíamos considerar não apenas o as-esse, estamos movimentando a economia local e pecto econômico, mas também a maneira como foievitando a entrada de novas peças no mercado. É elaborado o produto, quais foram os efeitos destaeconomia na certa! produção sobre o meio ambiente, se as pessoas envolvidas na produção foram tratadas justamenteOutra alternativa é apostar em peças atemporais. pelos seus empresários, se o produto foi rotuladoAqui temos algumas sugestões: ou anunciado sem afirmações falsas sobre as suas características (...)”Camisas e blusas de cores básicas: branco e pretolisos nunca saem de moda. Outras cores primárias, Essa citação resume tudo àquilo que qualquer con-como o vermelho, o verde, e o azul também podem sumidor deve ter em mente ao adquirir qualquerser usados sem problema nenhum. produto ou serviço, pensar antes de comprar e não se deixar levar só pelo impulso do momento.Roupas sociais: dependendo do local, e da mes-clagem no figurino, podemos utilizar peças sociaiscom roupas casuais, sem nenhum problema.Calça jeans: O jeans era um tecido grosseiro, usadopra fazer farda pra operários nos Estados Unidos.Atualmente, os jeans têm vários outros tecidos emsua composição, estão mais confortáveis e podemser usados como “coringa” na maior parte dos looks. 41
    • Escambo Formas alternativas de consumo sustentável e o Escambo como caso particular Por Heitor Martins e Gabriel Ferreira A moda está sempre em criação e mutação, lançando e reaproveitando tendências e O Escambo surge como uma alternativa confortável conceitos a todo o momento. Apesar disso, aos brechós, outra forma de comprar com algumas pessoas tentam ir contra o fluxo no qual consciência ecológica que já tem uma dimensão o mercado da Moda gira em volta e, com uma histórica muito profunda e antiga, sinônimo velocidade diferente, procuram novas formas de de antiguidade que vem sendo associado ao consumir adquirindo novas preocupações com as alternativismo recentemente. O Escambo se torna consequências sociais e ambientais dos seus hábitos uma evolução aos brechós pelo fato de que as de consumo. peças são visualizadas virtualmente, diminuindo o desgaste da procura pelas peças em montanhas e Desses questionamentos surgem novas ideias araras com cheiro de mofo e naftalina. e formas muito interessantes de consumir sustentavelmente. Uma delas deu origem ao Os criadores do Escambo se baseiam num conceito Escambo, um grupo no Facebook, criado e ecológico muito novo, que se chama: Upcycling. utilizado por pessoas que moram na RMR (Região O primeiro a usar esse termo foi Reine Pilz, da Metropolitana do Recife), que já acumula 8.500 empresa de tecnologia da automação Pilz, em uma membros. entrevista em 1994: “Reciclagem”, disse, “Eu chamo isso de downcycling. (...) O que precisamos é de A palavra escambo é utilizada quando existe uma upcycling, onde é dado mais valor aos produtos troca de mercadorias ou serviços entre as partes antigos e não menos”. envolvidas sem a utilização do dinheiro, mas, no Escambo do Facebook também se faz vendas. O Praticar o conceito de “Upcycling” significa criar importante mesmo é passar adiante objetos que os novos ciclos para os objetos, sem tornar necessária donos já não tenham mais interesse para pessoas a destruição para reobter a matéria prima e se que os queiram, diminuindo assim a demanda de construir outra coisa, como na Reciclagem. No confecção de produtos novos, a extração de matéria Upcycling os artefatos continuam do jeito que estão e o descarte no meio-ambiente. ou são reformadas ou reformuladas, de forma que são gastos menos recursos para que essa peça se O grupo funciona basicamente assim: Os usuários torne útil de novo para alguém. postam as fotos dos produtos que querem vender ou trocar em álbuns separados por temas, nas fotos Pra acessar o Escambo é preciso ter uma conta na se colocam especificações próprias de cada produto rede social Facebook e solicitar participar do grupo (como tamanho, preço, etc.).. Quem está precisando no endereço: http://www.facebook.com/groups/ de algo, procura nos álbuns e entra em contato com skambbo/ ou ser inserido por algum “amigo” que já a pessoa que postou a foto, as duas partes marcam esteja no grupo. um local, e fazem a transação. Exemplo de Peças negociadas no escambo42
    • o que os membros pensam do escambo? Julia Nogueira, 24 estudante de Arquitetura: “Descobri o Escambo através de um amigo que me adicionou no grupo, assim que ele foi criado. Achei a ideia incrível, porque sempre dei minhas roupas usadas, que não me serviam mais, às minhas primas (que acabavam não dando o devido valor, só porque eram usadas) e também sempre rolou aqueles empréstimos entre amigos. Adorei a ideia porque posso pegar o que já não uso mais, que está em perfeitas condições de uso e trocar por algo que estou precisando. Evita que eu gaste dinheiro com algo novo, diminui a produção de lixo, porque se eu não usava e tinha pena de dar, ia acabar no lixo cedo ou tarde. Além de você saber o destino das suas coisinhas, que você pegou apego, alguém que compra ela de você com certeza vai fazer bom uso, seja o destino qual for ninguém vai comprar pra “fazer de pano de chão”. Quando quero alguma coisa já procuro no Escambo, pergunto se alguém tem. E também são muito legais as histórias que vêm com o objeto, teve um dono, tem sempre alguma história por trás da aquisição”. Carol Plácido, 20 estudante de Letras: “Sempre dou uma olhada no grupo pra ver se tem algo que me interesse e para avisar aos meus amigos se tem algo que interesse, fui adicionado por um amigo e adoro o Escambo. É muito legal ter um lugar tão acessível de consumir de forma sustentável.” Abner Dantas, 20, estudante de Arquitetura: “Pra mim, Escambo é sinônimo de amor. É você trocar ou vender pro um preço simbólico, um objeto, seja ele uma roupa, um livro, um disco, um ar-condicionado, ou até mesmo um anel que não lhe faz falta. É dar utilidade a alguma coisa que provavelmente ficaria enfiada na sua estante ou iria para o lixo”. 43
    • per filRave dO fim do mundoedição de moda
    • rave do fim do mundo Por Igor Santos e Lucas Cavalcanti D e acordo com a profecia Maia, o mundo acabará no dia 21 de dezembro de 2012. “Sabe o clipe da Mais que isso, diz que apenas as pessoas Britney? Pronto.” que estiverem vibrando na mesma frequência do planeta se salvarão. Allan Henrique 21 anos Então perguntamos: Qual seria a rave perfeita Designer Gráfico para todos entrarem na mesma frequência no fim do mundo? E, principalmente, qual seria o look implacável na última das noites? “Música eletrônica na rua, a cidade toda pintada de tinta fluorescente, os carros, os prédios, pessoas dançando em todos os lugares, canhões de luz, bebidas para todos, pessoas com pouca roupa, caos em harmonia.” Anna Priscilla 21 anos – Designer “Apenas uma bermuda (da osklen) sem cueca. Mas se pudesse, iria nu.” Agnaldo Carvalho 24 anos – Ortodontista46
    • “Toca aê o cd da Gaby Amarantos que o povo TREME todo!”O look seria específico do Viktor & Rolf. ”Sério, isso é oápice da glória!”Antonio Roque27 anosEstudante de Design Gráfico “Música eletrônica.” Usaria uma “Bandana.” Marcelo 23 anos – Radialista “Um lindo vestido mullet, meio de gala! E sapatos con- fortaveis para não parar de dançar nunca!” Não poderia faltar: “Um par de óculos gatinha do Marc Jacobs.” Beatriz 20 anos – Estudante de Design 47
    • “Iria com uma roupa justa de estampa de zebra turquesa e rosa” “De gladiador!” Bernardo Costa 25 anos – Mídia Social Bruno Carvalho 26 anos Designer “Paletó. De bom corte. Linho, revestimento de seda. Quero morrer elegante.” Emiliano 24 anos Empresário e estudante de Design “Um sapato muito alto” Camila Coelho 17 anos – Estudante Colegial “Não sei a roupa específica, mas me vestiria de uma forma bem original. Uma coisa Gaga + Rock + Clássica... Acho que uma mistura + ou - assim... :D” Cristiano Moura 20 anos – Estudante de Design48
    • “A melhor rave seria com shows ao vivo do Modeselektor, Justice, Squarepusher, Glaucia +++ e algumas bandas de rock e indie tocando em outros palcos. Além disso, com meus amigos ao meu lado e bebendo muito, porque tem que dançar e se jogar até o mundo acabar.” Vestiria “Uma calça preta, com um mini coturno, sendo a calça para dentro dele. Uma camisa florida de manga curta, no estilo anos 50’s e alguma jaqueta.” Diego Nery 22 anos – Jornalista e Empresário “Uma rave onde as pessoas só se importassem em curtir, sem exibi- “Uma festa que tivesse várias estações de cionismo, sem vaidades e disputas. som diferentes, para atrair todo mundo. Onde rolasse boa musicas de todos Queria muitas opções de comida pra larica os segmentos, sem nenhum tipo que bate no meio da balada, queria estação de discriminação. Uma rave com de massagens e o som nunca parar...” open bar, boca livre, onde todos os prazeres fossem permitidos, mas Julio que predominasse a atmosfera de 24 anos celebração e alegria.” Estaria satis- Social Media feito com meu “tênis all-star”. Enrico Vargas 39 anos Ilustrador Locutor Produtor de eventos“Eu iria preferir quetodo mundo estivessenu.” Usaria “Apenas, UManel de rubi.”Heitor Martins20 anos – Estudante deDesign 49
    • “Bota de couro.” Lucas Henrique 21 anos – Estudante de Design “Festa do Desapego no aterro da Muribeca” Filipe 24 anos Estudante de História “Tudo que preciso: jockstrap branca, shorts barroco da Dolce & Gabbana, óculos escuros, sneakers de cano alto e meu melhor amigo.” Pedro Andrade 24 anos – Estudante de Design de Moda “Apenas um mocassim de veludo pink que ganhei no último aniversário e meu aviador ray ban, clássico.” Igor S. 24 anos Estudante de Design “Rave dos óculos escuros. O dress code seria óculos escuro, obvia- mente e apenas isso.” Estaria usando “Meu relógio de morfar dos power rangers (eu sou o ranger azul).” Leandro Melo 26 anos Estudante de Engenharia50
    • “Um eclipse lunar regado a muita música eletrônica, umas 2 mil pessoas, fogos, luzes, sabores e, o principal, LIBERDADE.” Leonardo Lopes “Todo mundo jogando Músico Independente Dragon Age e Fable em vários xbox e dançando Blackmore’s Night na pista” Michelle 23 anos Estudante de Design Artista de jogos “Camiseta branca sem estampa, jeans, jaqueta de couro e um allstar verde (rockstar, n)” Não esqueceria: “meias”“Camisa de tecidofluorescente, calça Luiz Furlanjeans e tênis adidas 24 anosjeremy scott wings” Estudante de Sistemas de Informação e DireitoLucas Cavalcanti22 anosEstudante de Design“Um tutu bem bonito”Luiza21 anosEstudante de DesignBailarina 51
    • “Nada demais... Meu jeans, camiseta de sempre e all star.” Pedro Parentes 27 anos – Estudante de Publicidade “Tropicalismo selvagem feat. Carnaval. Ficaria pelado!” Mas se fosse usar algo, seriam “meus óculos.” Pedro Toscano 19 anos Assistente de Produção “Seria uma festa a fantasia onde só tocariam músicas de filmes, séries, desenhos e jogos nostálgicos. E onde todos poderiam ser quem quisessem.” Em apenas uma peça: “Um salto preto de 15cm com spikes no calcanhar.” Raísa 20 anos Estudante de Design e Blogueira de Moda “É uma questão complicada: não dá pra ser uma rave tocando uma música que eu goste, nem uma que outra pessoa goste. Cada uma ouvindo o fone de ouvido a sua música favorita, talvez seja melhor. Tem o problema da interação social, mas talvez seja uma única alternativa.” Calçaria apenas “O meu tênis favorito.” Raony 22 anos Diretor de Arte52
    • “Uma rave na qual o convite seria um LSD, todo mundo peladoe com os corpos coladinhos. Sem preconceito, sem pudor e semsuper ego para controlar. Liberdade pura!” Peça indispensável:“Apenas óculos escuros”Thiago Liberdade28 anosEstudante de Design “Leather boots” Venâncio Andrade 18 anos Estudante de Publicidade e Propaganda “Eu usaria nada além de pintura corporal e aplicação de cristais swarovski. A pintura seria bem chamativa com cores fortes e sensuais e um arranjo na cabeça com penas de faisão dourado e cristais.” Tonny 22 anos Estudante de Letras “Uma festa com todos os amigos, tocando música boa, atual e antiga, musica pop, trash, brega, 80’s... com open bar e open food. Ambientes diferentes, com puffs, iluminação especial, telões com música sincronizada com os vídeos, cenários temáticos na decoração.” Apenas “tênis”. Túlio 24 anos – Fotógrafo 53
    • Edição de moda com phelippe rodrigues Um pouco mais sobre o editor-assistente da Revista Aurora, como foi sua caminhada e um pouco da sua história. por Cássia Costa e Mateus Andrade P helipe Rodrigues tem 38 anos e, atualmente, é editor- assistente da Revista Aurora e responsável pelas páginas de moda. Formou-se em Comunicação Social (Jornalismo) pela UFPE em 1999, nessa época estagiou no caderno de Cidades do Jornal do Commercio e fez “uma ponta” na coluna social. Porém, todos já sabiam que sua área era Moda e Design e, em casa, foi treinado para escolher o melhor do melhor sempre. As mulheres e os homens de sua família eram viciados em proporção, acabamento e material de tudo. Aos 12 anos comprava a Elle France e, entre 1985 e 1995, acompanhava o Ponto de Vista, uma coluna de moda que ia ao ar nos sábados. Isso tudo estimulava ainda mais sua vontade de aprender e conhecer sobre a área. Antes de descobrir o jornalismo, pensou em ter uma confecção, pois quando era novo trabalhou com sua mãe produzindo roupas bem populares, mas sempre pesquisando em feiras e revistas internacionais. “Juntávamos shortinho do É o Tchan com estampas inspiradas em Vivienne Westwood” lembra Philipe. Já no estágio, sempre arrumava uma forma de oferecer seus textos sobre moda ao editor Marco Polo, do Caderno C. Essa era uma forma de tentar divulgar seu trabalho e mostrar do que era capaz. Com o tempo, o estágio chegou ao fim e Phelipe não se candidatou a nenhuma vaga em outro caderno porque resolveu viajar para São Paulo em busca de empregos em revistas. Mas, como o destino às vezes muda o nosso caminho, com a decisão em ir para São Paulo já concreta, eis que surgiu uma vaga na editoria de suplementos femininos do Diário, na qual Phelipe disputou com pessoas muito qualificadas e conseguiu ficar. A responsável pela equipe, Lydia Barros, permitia que ele Imagem inspirada no fizesse todas as experiências com texto calendário da Pirelli de e soluções gráficas. Além de obrigá-lo a 1972, assinado por Sarah cobrir todas as semanas de moda do País, Moon. A beleza foi assinada Lydia também abriu portas e estimulou por Fabiana Gomes, make up a criatividade de Phelipe, mostrando Imagens: Phelipe Rodrigues artist senior da MAC no Brasil. a importância de ler muito sobre Direção de Phelipe Rodrigues. assuntos diversos e fazer cursos. Crédito: Ronald Luv A avó de Phelipe teve grande influência na sua opção por seguir a carreira de moda, pois quando54
    • criança ela proporcionou o acesso a todasas publicações de moda como, Cláudia Moda,Moda Brasil e Depeche Mode. Contribuiuainda mais porque falava sobre linho belga,a melhor cambraia e dizia: “Dinheiro e bomgosto são coisas quase excludentes, às vezesquem tem muito acesso não dá valor ao luxode verdade”.Phelipe considera o período que passou nafaculdade de jornalismo a base de tudo. Gastavaas tardes na biblioteca consumindo revistas suíçasde design. Segundo ele, “se você desperdiçar ocontato com a academia, textos mais densos, ideiasrealmente frescas e instigantes cai no clichê dasrevistas de moda, pois existem profissionais que sófazem repetir um padrão”. E, foi essa repetição nomercado editorial brasileiro que fez ele cancelar suasassinaturas como a Elle, a Vogue, entre outras. Phelipecomentou que se houvesse um contato maior com aspessoas que criticam, se angustiam, pesquisam, ou seja,com a academia, as revistas teriam um cenário diferente.A falta de um mercado de moda na cidade do Recife foiuma barreira encontrada por Phelipe e por diversos outros,jornalistas ou não, que decidiram seguir a área de moda naCidade. Ele define quem faz moda como um bandeirante, queprecisa abrir caminho sozinho. Ainda hoje ele faz isso comsuas produções, já que colocar na cabeça de um empresárioque as peças de um editorial é uma vitrine sensacional é tarefadifícil.Hoje, quando escreve ou monta imagens de moda gosta de pensar emAlceu Penna e Gruau como inspiração e admiração e como esses doisilustradores traduziam a moda de uma forma quase didática. Adoracada sessão de fotos que faz, as conversas para definir a execução, ostyling, o casting, combinar a beleza com os maquiadores e a angústia defazer um texto mais criativo. Sente que isso faz parte de toda a construçãoe que o conjunto o torna bastante realizado. Editorial Look Girfriend naPhelipe tem como sonho lançar uma série de livros infantis sobre Aurora do dia 10 de junho. Omoda, os primeiros com inspiração no O Cangaço e O Batik da modelo Sergio Fonseca usaIndonérsia. Acredita que será um projeto diferenciado acarretando bijoux feminina com lookgrandes desafios e satisfação. rapper. Crédito: Renato FilhoPhelipe diz que os maiores conselhos para um jovem iniciante noestudo de moda é ler títulos fora da moda, pois não há nada pior queauto-referência. Comprometimento é o básico, mas ser pontual, saberreconhecer erros, tratar todo mundo com educação e ter uma poderosarede de contatos também ajuda muito no diferencial. Acredita que “agircomo executivo de multinacional funciona mais do que fazer carão”. Nãoé possível ser politeísta na moda, ou você reza pelo melhor resultado, pelaperfeição, ou fica fazendo caricatura de si mesmo.Ao ser perguntado como se imagina daqui há 20 anos, Phelipe não hesita e diz:“sonho em estar aposentado e ter liberdade pera escolher o que fazer, incluindoa paixão para se dedicar exclusivamente à fotografia”. 55
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    • cul turaCirco: Magia, moda eperfeiçãolivrosNudez e ModaCrítica de ModaModa e Arte 57
    • CIRCO: MAGIA, MODA E PERFEIÇÃO Estudando o case do figurino do Circo de Soleil, é fácil comprovar como a tecnologia tem sido utilizada para aumentar a sua magia e perfeição, deixando a arte circense cada vez mais lúdica e emocionante! Gildson Leandro58
    • A magia do circo consegue nos levar a outro universo. Imersos nessa atmosfera de total abstração e liberdade, somos convidados a experimentar sentimentos e sensações que fogem completamenteà nossa realidade cotidiana e rotineira. É aí que se encontra a grandiosi- dade da arte circense. Um espetáculo de cores, formas, ações, movimen- tos, música e figurino é formado para nos levar a uma viagem que ger- almente nos transporta para lugares incríveis nunca antes visitados. Há referências sobre o circo desde a antiguidade. Dos chineses aos gregos, dos egípcios aos indianos, quase todas as civilizações antigas já praticavam algum tipo de arte circense há pelo menos 4.000 anos - mas o circo como o conhecemos hoje só começou a tomar forma durante o Império Romano, onde grupos de pessoas ganhavam a vida fazendo apresentações na rua, nas casas de famílias nobres ou até mesmo em arenas destinadas às apresentações (anfitea- tros). O primeiro circo propriamente dito a se tornar famoso foi o Circus Maximus, que teria sido inaugurado no século VI a.C., com capacidade para 150.000 pessoas. A atração principal eram as corridas de carruagens, mas, com o tempo, foram acrescentadas as lutas de gladiadores, as apresentações de animais selvagens e de pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. Destruído por um grande incên- dio, esse anfiteatro foi substituído, em 40 a.C., pelo Coliseu, cujas ruínas até hoje compõem o cartão postal número um de Roma, na Itália. Na Idade Média, grupos de malabaristas, artistas de teatro e comediantes viajavam pelas cidades da Eu- ropa com suas apresentações. Essa grande estrutura envolvendo o espetáculo circense trouxe o desen- volvimento de novas tecnologias ao mundo do circo. As constantes mudanças de cidade para cidade incentivaram a criação de técnicas logísticas que facilitavam o deslocamento dos espetáculos. Tudo isso, porém, não passa de uma pré-história das artes circenses, porque foi só na Inglaterra do 59
    • século XVIII que surgiu o circo moderno, com seu canadense é composta por seis pessoas, respon- picadeiro circular e a reunião das atrações que com- sáveis por produzir, engomar, retocar a pintura dos põem o espetáculo ainda hoje. sapatos e restaurar as roupas. “As roupas de Var- ekai foram inspiradas no universo da floresta, dos Atualmente, podemos observar um circo muito animais e das plantas. No decorrer do espetáculo, mais elaborado, trazendo elementos do cinema, há uma explosão fantástica de cores. As crianças pintura, artes plásticas e dança com alta qualidade adoram”, conta a figurinista. e riqueza de detalhes que impressionam. Um dos maiores exemplos disto é o Cirque du Soleil, que Depois de desenhados, os croquis são repassados funciona como uma grande empresa, trazendo re- para a turma de desenvolvimento, que adapta cada quinte e grandiosidade a todos os elementos do seu roupa para o biotipo de cada artista. “Todo o nosso espetáculo, desde o conceito e roteiro, até a ilumi- figurino é feito à mão na sede da nossa companhia nação, cenários e figurinos. (em Montreal, no Canadá). O shape das peças é bem justo, já que o artista, principalmente o acrobata, Para ter uma melhor ideia deste fato, vamos ex- não pode ter muita sobra de tecido, pois pode se plorar um pouco o universo do Cirque du Soleil, enroscar”. adentrando no projeto do figurino do espetáculo “Varekai”. Para dar vida ao “mundo extraordinário”, Ao todo, 400 artesãos trabalham nas oficinas e a premiada figurinista Eiko Ishioka (vencedora produzem mais de 25 mil itens, entre fantasias, do Oscar de melhor figurino por seu trabalho no vestidos e sapatos, que são feitos de couro tingido e filme Drácula, de Bram Stocker, em 1992) foi es- adaptados para não prejudicar a performance do ar- colhida para desenvolver as peças usadas pelos tista. Já os chapéus, que seguem a linha das roupas, artistas em cena. No entanto, criar figurinos para o são moldados com base plástica na cabeça dos artis- Cirque é bem diferente de desenvolver peças para tas que irão usá-los. “Não podemos falhar, por isso, o cinema, já que os artistas precisam vestir roupas temos um cuidado redobrado com os figurinos, que confortáveis e que não prejudiquem os movimentos tem de ser impecáveis”, conclui Gatien. durante os números acrobáticos. Os mais de 130 figurinos feitos para Varekai tiveram a lycra como Mesmo com um circo super modernizado pelo matéria-prima principal, sem esquecer os 600 advento das novas tecnologias e com o propósito acessórios que completam o visual, também com- de, cada vez mais, aumentar o nível de perfeição, postos com este tipo de material. ele ainda preserva a atenção de multidões pela sua natureza nostálgica e lúdica. Reinventando antigas De acordo com Gatien, foram mais de seis meses tradições e criando novos números, os picadeiros trabalhados para que todo o armário do espetáculo espalhados pelo mundo provam que a criatividade ficasse pronto. “Além da lycra, usamos titânio flexív- artística do homem nunca estará subordinada ao el, espoja de náilon e outros materiais resistentes fascínio exercido pelas máquinas. Por isso, podemos ao fogo”, revela. A equipe de figurino da empresa dizer que “o show deve continuar”, sempre!60
    • Algumas curiosidadessobre o figurinodo Varekai:- O guarda-roupa de Varekai conta com mais de 130peças de roupas.- A criação do figurino envolveu a procura desoluções técnicas que garantissem o conforto e asegurança dos artistas e levou mais de 33 mil horasde trabalho para ser finalizada.- Além da lycra, foram utilizados outros materiaiscomo aplicações em titânio flexível, esponja denylon e alguns tipos resistentes ao fogo.- Para manter todo o guarda-roupa em boascondições durante as viagens de temporada,são necessárias cerca de 250 horas semanais detrabalho.- A equipe de figurinos, constituída por 6 pessoas, éencarregada de limpar, restaurar, engomar, retocar apintura dos sapatos, etc.- A maquiagem dos artistas, feita por eles mesmos,leva entre 45 minutos a 1 hora e meia para ficarpronta. 61
    • eco chic: guia de moda ética para a consumidora consciente Do Lado Negro na Indústria da Moda ao Verde da Eco Fashion por Isadora Alves A moda sustentável, em seu princípio, era vista O livro contempla um formato bastante dinâmico como algo rudimentar e de gosto duvidoso; com entrevistas, dados, estatísticas, pesquisas, apenas alguns entusiastas na indústria da notas e quadros explicativos, depoimentos, citações, moda viam a questão ecológica como um ponto sig- endereços eletrônicos e nome de livros. No último nificativamente importante. Desde o final do século capítulo, a autora dá dicas de como comprar melhor, XX, contudo, o tema ganhou destaque na mídia, nos cuidar de suas peças e reaproveitar o que você já guarda roupas de pessoas ilustres e nas coleções tem em seu armário. E, para finalizar, o guia ético de estilistas “ecofriendly” bastante engajados com a de moda contempla um diretório com uma lista de causa, tais como Stella McCartney, Vivienne West- lojas e designers recomendados. wood e Katharine Hamnett. Esse interesse pelo sus- tentável tornou-se mais intenso ao longo dos anos Eco Chic - O Guia de Moda Ética para a devido à mudança da percepção que o consumidor Consumidora Consciente teve sobre si mesmo; tomando, portanto, consciên- De Matilda Lee, 2004. cia que sua forma de consumo afeta diretamente o 224 páginas - Editora Larousse -R$ 29,90. ambiente em que vive, e em cadeia, a ele próprio. No ritmo de todo esse contexto de preocupação sócio-ambiental vivenciado pela moda contem- porânea, o livro Eco Chic, escrito pela jornalista inglesa Matilda Lee, encontra-se como um material de leitura rico em informações e de fácil entendi- mento. A autora também escreve para o jornal The Independent e para a revista The Ecologist, importantes órgãos de mídia britânicos, além de pesquisar e redigir guias éticos de vestuário para a London Fashion Week, onde trabalha na exibição de moda ética Estethica. Toda a experiência e conheci- mento de Matilda desdobram-se no decorrer das 224 páginas de seu livro, o qual servirá ao leitor como um guia prático com exposição de fatos sobre o quadro atual industrial da moda e às questões eco. Acessórios da marca Eco Chic é dividido em 10 capítulos e discute temas Calamarie: produtos imagens: 1. Oparrish flickr.com/photos/oparrish / 2 e 3. divulgação www.calamarie.com como: a exploração dos trabalhadores pelas con- artesanais que com- fecções, o consumismo crescente e o desperdício binam formas de arte, de roupas, tecidos não sustentáveis e seus danos, técnicas e materiais tecidos sintéticos e reciclados, uso de pesticidas reciclados com de- na plantação de matérias primas têxteis, teci- sign contemporâneo. dos orgânicos e sustentáveis, perigos a saúde do homem, bem estar animal, processos industriais da moda que são danosos ao meio ambiente e moda ecológica como fonte de lucro. Lee ainda vai adiante e destaca projetos, parcerias e estilistas que inve- stiram na moda ecológica e conquistaram espaço no mercado; ela também mostra como a moda verde está sendo aplicada ao consumo em massa.62 livros
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    • Fashion Forever: 30 years of subculture de Iain McKell e Liz Farrelly por Raisa Brennichi D esde que o efeito bubble-up ganhou destaque no mundo da moda após Vivienne Westwood levar o Punk às passarelas, as subculturas nunca mais saíram de moda. A cada década, um novo movimento de street-style aparecia e algum tempo depois elementos dele podiam ser vistos na passarela. E ninguém soube retratar melhor o surgimento e massificação das subculturas que o fotografo britânico Iain McKell. Há mais de 30 anos, ele percorre as ruas da Ingla- terra retratando os movimentos jovens que surgem a todo o momento e que acabam revolucionando o modo como vemos as roupas. Antes do advento da internet e da fotografia digital, McKell foi o respon- sável por mostrar ao mundo as novas tribos urba- nas que se espalhavam pela Inglaterra. Boa parte desse trabalho está reunida no livro Fashion Fore- ver: 30 years of subculture, escrito e editado por Liz Farrelly. Farrelly copilou algumas das fotos mais marcantes dos 30 anos de carreira de McKell para fazer esse livro, elas mostram como a juventude britânica se transformou durante essas três décadas. Dos protestos punks à extravagância dos new romantics, passando pelo colorido dos clubbers e os topetes dos rockabillys, o livro mostra “a verdadeira moda, não mera ditadura de passarela. Isso é como as pessoas vivem.” Além de fotos de grupos, também são apresentados retratos individuais para mostrar como, mesmo dentro de um subcultura, as pessoas podem ter es- tilos pessoais. Alguns desses retratos são de perso- nalidades do mundo da moda e das artes como, por exemplo, Madonna, Boy George e Dita Von Teese. Conhecer um pouco do trabalho de McKell é indis- pensável para todos que se interessam por fotografia de moda, moda e tribos urbanas, e o livro é um bom modo de conhecer um pouco dele. Porém ele não pos- sui edição brasileira e só está disponível em inglês. imagens scanneadas do livro64 livros
    • Fashion Forever:30 years of subcultureDe Iain McKell e Liz Farrelly, 2004.180 páginas - Editora ImmprintR$68,00. 65
    • nudez e moda Um breve ensaio sobre a relação paradoxal e íntima entre o corpo e a roupa por Heitor Martins e Bruno Leite A relação da Moda com o nu é muito próxima: o que seriam das roupas sem as formas do corpo? Quando se criam roupas e figurinos, é impossível fugir das nossas formas, e com a evolução da Moda e os movi- mentos de liberdade, as roupas foram diminuindo, de década a década, se tornando cada vez menores. Com um tempo a Moda foi percebendo que é possível aproveitar o corpo à mostra para se manter excitante, provocante. Foi uma forma que esse mercado encontrou de se manter sempre no centro das atenções, de vender, marcar gerações e manter sempre um pé na Arte. Essa característica inclui o abuso de paradoxos e contradições: a mesma moda que é paga para cobrir é a que vende descobrindo. E para impactar, chamar atenção da Moda que vem abusando da nudez, que marca quer passar despercebida? Acaba sendo com o choque que se faz a diferença na hora de algo ser apresentado ao público, e isso é percebido mais claramente na fotografia e na publicidade de moda. É muito comum encontrar anún- cios de grifes com modelos nuas ou seminuas, expondo toda sua “perfeição”. Anúncios esses onde não apenas o corpo é perfeito e o cenário luxuoso, mas os acessórios e peças de roupa também. Tudo é pensado meticulosamente para compor uma imagem luxuosíssima, onde o corpo é o foco e objeto de desejo principal e tudo em volta endossa essa ideia. Segundo a editora de Moda da revista QUEM, Biti Averbach, “o corpo nu foi elevado à categoria de artigo de luxo”. Sem dúvida o corpo esculpido, perfeito, apolíneo é o objeto de desejo máximo numa sociedade que “coisifica” tudo. Pode-se dizer que os meios de comunicação de Moda atuais não apenas fazem desejar as coisas materiais, mas também o corpo. Também se pode dizer que as roupas que são feitas atualmente, continuam a revolução da minis- saia na década de 60 na sociedade ocidental. Essa década foi um marco do movimento de dimi- nuição das roupas e da liberdade corporal, onde houve uma revolução no comportamento geral com o surgimento da pílula anticoncepcional - o sexo por prazer! As roupas cada vez mostram mais o corpo, constituídas por fendas, transparências, comprimentos, etc. E obrigam os esti- listas a aprenderem a pensar nas formas corporais, como valorizar os shapes, basicamente, brincar com o mostra/esconde. Ironicamente, a moda que ganha vestindo segue um fluxo em que tem que aprender a vestir bem, cobrindo cada vez menos. É de se pensar que estamos gradualmente mais nus. E pode-ser dizer que cada vez mais livres? Alguns movimentos feministas e grupos de protesto - com destaque para o ucraniano Fe- men - costumam usar a nudez como forma de chamar atenção, da mídia e do povo, para as questões sobre as quais eles protestam. Existe uma relação aparentemente muito vazia com a Moda, mas que a um olhar mais profundo percebe-se que tem tudo a ver, já que para “vestir a camisa” da sua causa, essas pessoas tiram, literalmente, a sua camisa. Há um diálogo muito próximo com a práxis libertária da Moda. A nudez também é usada pela moda de outras formas, mais alternativas, que fogem do simples fomento de desejo e que mais se aproximam da arte, criando imagens mais chocantes e menos necessariamente “bonitas”. Esse lado tem sido mais exerci- do por pessoas que trabalham numa parte do mercado de Moda menos comercial, gente pouco preocupada com vender e sim com a informação que a Moda transmite. Nesses casos, a nudez é usada pra transmitir outros signos. E o choque da pessoa nua pretende causar uma sensação diferente, de Arte, de algo superior, existe uma ruptura com o simples ato de mostrar a perfeição para fazer-se desejar. Há a pre- tensão de se fazer sentir coisas diferentes, como quebrar tabus com o corpo e a nudez e assim outros significados podem ser defendidos. como quebrar tabus com o corpo e a nudez e outros significados podem ser defendidos.66
    • estamos cada vez mais nus. E, pode-se dizer, quecada vezmais livres? Fotografia: arquivo anaclaragarmendia.blogspot.com.br Freja Beha para a vogue paris agosto 2010 67
    • cRíTICA DE MODA: QUANDO, ONDE E QUANTO O que os veículos de moda na internet e seus críticos precisam para fazerem uma boa crítica por Géssica Polo e Heitor Martins N em tudo que vai para as passarelas é usado A crítica é um instrumento muito importante para pelas pessoas em seu cotidiano, muitas vezes, a moda. É por meio dela que são estimuladas novas algumas roupas estão ali para chocar e serem percepções e apresentadas outras perspectivas readaptadas ao seu uso no dia-a-dia. Através dos para o objeto analisado, contribuindo assim para a pontos fracos e fortes das coleções mostradas num correção e o crescimento dele. Ela é resultado das desfile, blogs e sites de moda passam a ser veículos sensações obtidas pelo que foi visualizado, porém de crítica delas. Quando deve, onde fazer e quanto é preciso dominar todo o cenário no qual uma custa uma crítica de moda? coleção está inserida, pois criticar vai além do gosto pessoal e da afinidade com determinado estilista e o crítico deve ter certa responsabilidade ao fazê-la.68
    • A Folha de São Paulo também tem um espaço demoda onde se fazem críticas, a Revista Serafina,que são publicadas também em seu site www.folha.com. Seu editor era Alcino Leite Neto, grande críticode moda, que deixou essa área em 2010 quando foichamado para trabalhar na Publifolha com livrosde referência com Ciências, Humana e Literatura.Em janeiro do mesmo ano, quando ainda trabal-hava nessa área, Alcino deu uma entrevista, para oColherada Cultural (site formado por cinco jornal-istas e uma publicitária), e nela ele falou o quantoera difícil se fazer crítica de moda. Segundo ele, nelanão existe um bom repertório desenvolvido comoexiste na crítica do cinema, literatura ou música, éalgo muito recente e que o que existe é um comen-tarismo muito amplo, que se difere da crítica. Faloutambém que os elementos que usava para fazersuas críticas eram a informação dentro do possívelda proposta do estilista sobre a coleção, estar comos olhos bem atentos aos elementos que ele colocaem cena durante o desfile e ver se os elementosestão conectados, desenvolvidos e se expressam demaneira rica e complexa às idéias do estilista. Apóssua saída da Revista Serafina, sua posição foi assu-mida pela jornalista Vivian Whiteman. 69
    • para estar bem vestido não é necessário uma car- teira recheada. Sites como o Portal FFW (www.ffw.com.br) são o Ele trata de assuntos como dicas de como se vestir foco quando o assunto é a crítica de moda. Esse na hora de viajar, guias de estilos para casamentos site é um veículo de comunicação de moda muito e até mesmo fofocas sobre as celebridades, fora os importante nacionalmente, que já criticou muitas desfiles, sempre partindo da ideia de “para estar coleções que aparecem no São Paulo Fashion Week bem vestido não é necessário uma carteira rec- e no Fashion Rio. Hoje em dia, porém, como a sua heada”. empresa é a Luminosidade e ela é dona também desses dois eventos de desfiles citados, o site parou Além desses, existem muitos outros críticos de de criticar os pontos fracos das coleções das marcas modas pela internet, nos blogs, sites e redes sociais, que desfilam neles. Com isso, foi perdendo um porém nem todos são de confiança. O que se deve pouco a sua credibilidade e algumas pessoas que analisar é se eles, para fazerem suas críticas, pos- trabalhavam nele o deixaram, resolvendo ir para suem opiniões com contextualização ou criticam veículos menores, onde a ética do jornalismo per- apenas pelo que acham, sem nenhum conhecimento manecesse intacta. Um exemplo disso é a jornalista de moda. E o mais importante, que eles saibam res- Erika Palomino, que saiu do FFW e atualmente tem peitar o trabalho do criador mesmo que não tenham seu espaço de colunista na parte de moda do site da gostado da sua coleção. IG. Em uma palestra feita pelo filósofo dinamarquês Apesar das críticas negativas da moda dos des- Lars Svendsen no Pense Moda de 2009 (seminário files do São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio anual de moda que reúne profissionais nacionais e serem abafadas no FFW, outros sites de moda a internacionais), foi dito por ele que uma boa análise fazem, como o próprio IG citado anteriormente deve passar por quatro pilares: descrição, com- e blogs como o Garotas Estúpidas comandadas paração, contextualização e interpretação. De fato, pela recifense Camila Coutinho. Esse blog, voltado um crítico de moda precisa saber dar a opinião com ao público jovem, obteve um grande crescimento cautela, comparar com outros produtos já analisa- devido à sua demanda e hoje se tornou um site, o dos, obter um embasamento teórico sobre o assunto www.garotasestupidas.com, que possui uma média e saber interpretar o objeto em análise. de 70.000 visitantes únicos por dia sendo o 21º na lista dos 99 blogs de moda mais influentes do mudo.70
    • Moda é arte em PotencialO debate sobre a importância da moda no cotidiano , que mobiliza leigos e Especialistasno Assunto, também questiona se ela pode ser considerada uma forma de arte.Por Juliana FrancineT odos concordam que a moda, assim como a museus e galerias, colocando a “arte pela arte” (onde arte, é uma forma de comunicação que traduz apenas o prazer estético interessa) contra a parede. à comunidade valores e anseios do indivíduo.Entretanto, as fronteiras da obra artística obscu- A substituição dos pinceis, tintas, lápis e telas porreceram-se quando a Revolução Industrial poten- instrumentos e suportes diretamente extraídos docializou a comunicação de massa, que aplicou ao dia a dia, como o urinol em A Fonte, além de chocarseu discurso convenções estéticas da arte para os o público, contestou as convenções de autoria. Umafins práticos da modernidade. As novas relações vez que Duchamp não esculpiu a peça e assinou interpessoais exigem que diga-se o máximo no nela o nome do fabricante (R. Mutt), induziu omenor tempo possível, transformando a indumen- observador a constatar que qualquer objeto podetária num porta-voz do pensamento coletivo. Assim virar uma obra de arte, e que já não é mais precisopode justificar-se o interesse surgido nos anos 80 dominar técnicas para produzi-la. Essa experiênciados museus Victorian & Albert Museum, Metro- introduzida em 1917 não só ecoou na arte concei-politan Museum e Musée de la Mode et du Téxtile tual, mas condizia com o ritmo e as necessidadesem incluir nos seus acervos peças de roupas e sociais do pós-guerra, diluindo-se na produção deacessórios. Por outro lado, a criação de moda envol- bens de consumo. Ao encontro da arte com funçãove finalidades e preocupações distintas das obras prática deu-se o nome de arte aplicada, que é ode arte tradicionais, gerando alguma relutância em oposto do esteticismo característico da arte pelaaceitá-las como manifestações artísticas. arte e promove o transporte de ideias originadas em manifestos artísticos para artigos que não servemQuando fala-se em arte, muitos imaginam objetos apenas para serem apreciados. A flexibilização dosde alto valor simbólico, que chamam a atenção pela conceitos de autoria e obra tornou possível trans-singularidade na interpretação de algo. Singularidade formar o banal em arte enquanto as artes aplicadasnão quer dizer necessariamente beleza, embora no diluíram a boa estética em artigos de consumo, porsenso comum e na própria história da arte ela assuma períodos cada vez mais curtos.um papel importante, e até totalitário, na composiçãode uma obra. Sob o véu do deslumbramento que a Enquanto a revolução industrial modificava ogeração de valor impõe, vê-se que arte é fruto das cenário urbano, ditava novas rotinas centradas noexperiências diárias do homem, e como tal está inti- trabalho e criava artefatos que automatizavam pro-mamente ligada ao posicionamento do artista entre cessos frequentes e demorados (como a máquina deas correntes de pensamento existentes. Em outras lavar roupas), a indumentária era também absorvidapalavras, arte é um diálogo com o conhecimento, pela indústria no inventário de objetos de desejo.sendo possível concordar ou discordar de temas Além de proteger o corpo, as roupas e acessóriosespecíficos, inclusive dela mesma. sempre indicaram posições e ideologias dentro de um grupo, mas nem sempre permitiram a expressãoEm 1967, Sol LeWitt contestou a materialidade da individual. Antes enquadravam o singular emobra artística através do movimento da arte concei- padrões de articulação social: delimitando classes, Ilustrações: Juliana Francine, Fotografia: Bruno leitetual. Para ele e os demais adeptos, “a ideia ou conceito gêneros, atividades, faixas etárias ou qualquer outroé o aspecto mais importante do trabalho. Quando o marco estabelecido por meio de convenções. Aartista usa uma forma conceitual de arte, significa que repetição de estilos de outras épocas e a camufla-todas as decisões são tomadas antes e que a execução gem, presente tanto nas vestes militares quanto emé um processo mecânico”. Essa premissa estava por tintas e lama aplicada no corpo por índios, exempli-trás da criação de muitas peças cujo modo de cons- ficam respectivamente a preocupação em posicio-trução era descrito, mas nem sempre executado, e nar-se no tempo e no espaço.impulsionou novas manifestações que aproximam-semais do cotidiano e estimulam outros sentidos além A linguagem da indumentária não deriva da relaçãoda visão, como a performance, a videoarte e a obra de com a roupa em si, mas com o corpo. Através delearte telepática. As novas possibilidades, influencia- percebe-se e faz-se perceber no ambiente, e a partirdas pelo ready-made, quebraram as barreiras dos desse reconhecimento é que se constroem os papeis 71
    • do indivíduo. Quanto se diz sobre ele é também produto de normas sociais: enquanto algumas mulheres afegãs ocultam todos os traços físicos sob a burca, permitindo apenas identificação de gênero, no outro extremo está a supervalorização do estilo particular, desencadeada a partir da década de 60 pelo que o filósofo francês Gilles Lipovetsky inti- tula hipermodernidade. A exaltação das facilidades proporcionadas pela tecnologia, liberação sexual, reorganização das relações sociais no pós-guerra, entre outros fatores, incitaram a postura de consu- mo hedonista em detrimento das lutas e memória do grupo. Embora as peças industrializadas de vestuário não sejam exclusivas, o conceito por trás da sua criação e o arranjo dado pelo usuário é que transmitem um significado único, um posiciona- mento na comunidade. Porém, antes de ser enten- dida como linguagem, a moda precisou percorrer um longo caminho entre artesãos, elite, artistas e empreiteiros. Inicialmente produzido em pequena escala por artífices e sem muito glamour envolvido no pro- cesso, o desenho do vestuário sofria interferência direta das clientes, que descreviam a peça com exatidão e escolhiam o tecido e os aviamentos. Até que em 1858 o inglês Charles Frederick Worth adotou uma estratégia diferente: ele mesmo criava as roupas e em seguida as divulgava usando mulhe- res como manequins, convidando figuras da alta sociedade para as exibições. Dez anos depois de lançar o formato dos atuais desfiles de moda, ele criou junto com o filho a Câmara Sindical de Alta Costura, que reúne até hoje um número restrito de maisons sob regras específicas de criação e funcio- namento, entre elas a exigência da confecção estri- tamente manual e exclusividade de cada peça. As requintadas obras da alta-costura tiveram, desde o começo, boa aceitação entre os membros da nobreza europeia e asiática, mas foi através das estrelas de cinema de Hollywood que elas tornaram-se conheci- das do público, influenciando o gosto e subordinando as indústrias às tendências da moda de luxo. Havia uma gritante defasagem entre as roupas de alta-costura e industrializadas que só foi amenizada no pós-guerra. Em 1955, quando já respirava-se os ares da hipermodernidade e os produtos industria- lizados já estavam integrados à rotina social, surgiu o prêt-à-porter, vertente estilística que também lançava coleções periodicamente, embora voltadas para a escala industrial. Esse novo eixo criativo tinha o intuito de democratizar o acesso a roupas de melhor qualidade técnica e estética, além de ofere- cer opções de estilo que atendessem os emergentes nichos sociais. O prêt-à-porter não subordinava-se aos ditames da alta-costura, atraindo rapidamente a curiosidade de membros desse grupo seleto, como72
    • Pierre Cardin. Interessava-os intermediar as rela- papel, ricamente ornamentados por cortes e dobra-ções entre indústria e sociedade através da griffe, duras com motivos orgânicos e geométricos foramjustificados pelos manifestos pós-modernistas destruídos diante do público pelas próprias modelos.que validaram a produção em série como meio de Já no segundo caso é possível enquadrar o trabalhocomunicação, enquanto revelava-se mais economi- de Jean-Charles de Castelbajac, que desenha coleçõescamente viável produzir moda para muitos que fortemente inspiradas na pop-art de Andy Warhol,atender poucas centenas de clientes em produções podendo ser interpretadas até como um eco dodispendiosas. Apoiado pelos avanços qualitativos na movimento artístico no prêt-à-porter.indústria têxtil e pela boa disposição dos grandesestilistas, o prêt-à-porter despertou na sociedade Deve-se observar também que o manifesto da arteum desejo mais ardente pelos requintes da elegân- conceitual abriu caminhos para que o vestuáriocia no dia a dia, tomando da alta-costura a tarefa de fosse também considerado arte. Tornou-se comumlançar tendências e até ameaçando a sobrevivência dizer que qualquer objeto construído com esmerodela. ou destacado entre os demais por sua proposta é uma obra de arte, no intuito de alavancá-lo a umO desenvolvimento da arte e da moda não deixa universo mítico. Mas os dois universos nem são tãodúvidas de que elas ajudaram a construir a história diferentes ou excludentes assim. Essa afirmaçãosocial e são provas concretas do pensamento da vale mais como um reconhecimento de que a arteépoca. Em vários períodos, além do pós-guerra pode manifestar-se num objeto funcional, alheio àsilustrado aqui, ambas as áreas foram afetadas pelas galerias e museus e suscetível à ressignificação.mesmas ideias e manifestaram reações semelhan- Apesar dos jogos de poder que envolvem a legitima-tes em seus artefatos. Também não foram raras as ção do gosto, que reluta em desfazer-se de precon-oportunidades em que artistas criaram ou reprodu- ceitos (como o que rege a ditadura da magreza), oziram moda em suas obras, e que estilistas trans- crescente intercâmbio entre as áreas de conhecimentopuseram as criações artísticas para o espaço das fragiliza toda e qualquer fronteira que possa haverpassarelas. Como exemplo recente do primeiro entre elas. Entre moda e arte, há muitos paralelos nacaso pode-se citar o polêmico desfile “A Costura do hierarquização criativa, distinção de grupos e leituraInvisível”, concebido por Jum Nakao no São Paulo da sociedade. A moda é, no mínimo, uma obra de arteFashion Week em 2004, onde vestidos feitos de em potencial. 73
    • 74
    • EMPRE ENDEDO RISMOO Espaço Garimpoe a Economia CriativaNichos de MercadoComércio Justomoda artesanalModa sustentávelem Pernambuco 75
    • O espaço garimpo e a economia criativa Germana Uchôa é uma pernambucana que se descobriu garimpando o que de melhor existia na moda, e no design, em Pernambuco. Por Luiza Barrocas G ermana Uchôa tem uma experiência impres- de 2010, com 35 marcas participantes. sionante: passou por artes cênicas, publici- Após ter atuado bastante em Pernambuco, o Espaço dade, consultoria e marketing. Passou por Garimpo entrou em contato com o que hoje é a sua grandes empresas de comunicação, mas foi na moda bandeira, a Economia Criativa. Esse novo ramo de é que ela descobriu o seu verdadeiro caminho. Segun- definido como “São atividades na quais resultam em do a entrevista que ela cedeu à revista Algomais de indivíduos exercitando a sua imaginação e explo- maio de 2012, ela afirma que a moda está ligada em rando seu valor econômico. Pode ser definida como tudo, cultura, música, arte e resolveu fazer dessas processos que envolvam criação, produção e dis- interações todas um único projeto juntando toda tribuição de produtos e serviços, usando o conhe- a sua experiência. Foi assim que o espaço garimpo cimento, a criatividade e o capital intelectual como nasceu, na união das paixões de Germana com o re- principais recursos produtivos.” (John Howkins no cém formado conceito de economia criativa, área de livro “The Creative Economy”). investimento nova nascente no Brasil e que casou direitinho com o projeto. Mesmo com tanta paixão por moda, sua aventura GERMANA UCHÔA no lançamento do novo portal espaço garimpo com o garimpo começou há seis anos. Foi tentando encontrar um espaço, falando com fornecedores, fazendo cursos que ela descobriu uma falha interes- sante. O conhecimento dos alunos de moda da capi- tal, com foco em produto não estava se encontrando com a parte de negócios que estava do outro lado, na indústria do Agreste Pernambucano. Negócio esse que tem um faturamento anual de seis bilhões de reais e que vem se tornando referência no Brasil, E assim o Garimpo foi criado, na tentativa de suprir a carência de designers no agreste e na necessidade de uma educação para negócios na capital. E foi nessa abertura que ela definiu o campo de atuação do espaço garimpo, pensando em como juntar os dois mundos de modo a favorecer a pró- pria moda pernambucana. Focando em três pilares, sua atuação é extensa, mas tem por preferência pela Comunicação (plataforma online para divulgação), pela Educação (oferencendo qualificação a quem precisa e por Negócios (com oportunidades para o mercado). Segundo a entrevista à revista Algomais, Germana até tentou ser estilista, mas logo percebeu que o Espaço Garimpo podia ser um movimento maior e abriu espaço para outros estilistas exporem seus produtos, funcionando como um grande cole- tivo , comunicando-se com outras áreas, como foto- grafia e música. A loja gerou eventos e uma grande rede de contatos, sendo o último feito em dezembro76
    • Como esse conceito se juntava tão bem com otrabalho que estava sendo feito, o Garimpo deu umsalto em estratégia, somando MODA, DESIGN eCRIATIVIDADE e tudo e todos que estavam envolvi-dos de certa forma com esses três ramos. e divulgação de marcas e dos seus criadores, com ferramentas e soluções adequadas para viabilizar aPara divulgar e aprofundar mais essas atividades e realização de negócios com lojistas, fornecedores,conceitos, tentando causar verdadeiros impactos parceiros e consumidores no Brasil e no exterior.na geração de renda e no social o Espaço Garimpo Mas Germana e seus parceiros tem conseguidose aliou à Fundação Gilberto Freyre, dando conti- divulgar e impulsionar marcas juntos ao SEBRAE.nuidade ao pilar relacionado à Educação. Transfor- Palestrante do 1⁰ Encontro Pernambuco Criativo,mar a sua paixão em um negócio bem sucedido é Germana afirma que o estado está recebendo pesa-contagiante e inspira muitos outros a perseguirem dos investimentos em criativida e Recife, Olinda e oo mesmo sucesso, tocando várias esferas da socie- interior tem muito potencial para serem verdadei-dade, desde o artesão de alguma comunidade, até ras cidades criativas. É um momento privilegiadoalgum grupo de atores, de dança, artistas. no estado e nos resta uma intensa preparação para aproveitarmos tudo o que há de bom que chega.A missão do espaço garimpo é bem extensa: difun-dir a imagem e criatividade da moda da região NE, Acesse:através de qualificação, oportunidades de negócios http://espacogarimpo.com.br POr que as indústrias criativas são importantes? As indústrias criativas estão marcando for- Mas a maior importância dessas indústrias não temente o cenário, em contraste com outros está restrito ao impacto econômico, cultural ou setores menos ágeis e dinâmicos da economia: social, mas sim no novo modelo ofertado para interpretam e fazem uma aplicação criativa do outros segmentos da economia, balançando conhecimento adquirido de forma inovadora, antigos modelos que hoje não funcionam mais adotam tecnologias e novos modelos de negócios na era digital. Assim como a revolução indus- e de cooperação com facilidade, pensam em funçã trial moldou sociedade, economia e educação, a de planos internacionais e utilizam a tecnologia expansão das indústrias criativas formam uma para se aproximarem de seus clientes. Ao mesmo visão sobre a economia mundial num futuro tempo , possuem uma elevada carga de estudos, próximo. Em pesquisa feita na Europa temos a tendo em suas forças muitas pessoas com ensi- seguinte constatação: “ as indústrias criativas não no superior completo, diferente do restante dos são apenas um fator econômico importante em si setores tradicionais. mesmo, mas também abastecem a economia com conhecimento e dinamismo”. 77
    • de olho nos nichos segmentações do mercado representam não só as preferências de um grande grupo de consumidores, como também uma ótima oportunidade de investimento por Nathália Moura e Temístocles D’Anunciação J á se passou o tempo em que empresas competiam apenas com a qualidade do produto. Hoje em dia, focar em públicos-alvo específicos vem se tornando uma efetiva maneira de alcançar estabilidade no mercado. Os chamados nichos podem surgir a qualquer momento, dependendo da demanda e cultura da população, ou podem representar uma parcela da população que sempre esteve carente de produtos, apenas esperando uma resposta à altura do mercado com coragem de investir no setor. É importantíssimo ao profissional que se envolve com o mundo da moda estar sempre atento a quais são os direcionamentos da vez, por isso a Demetra traz aqui exemplos de nichos que estão em franca ascensão: VINTAGE Ao contrário do que muitos pensam vintage e retrô não são a mesma coisa. Os ciclos de moda se renovam a cada estação e por vezes se inspiram no passado para criar coleções novas. Essas novas criações, com elementos que lembram outras décadas, são chamadas de retrô. Já as roupas que foram realmente produzidas em outras épocas, nor- malmente encontradas em brechós, são chamadas de vintage. O estilo retrô entra e sai de moda de acordo com as variações do mercado; o vintage, por não ser uma tendência, não sai de moda nunca. As pes- soas que procuram por peças vintage normalmente buscam a estética ou o modo de vida de uma época em que não viveu, mas que de certa forma admira. Os brechós mais conceituados costumam ter curadoria de profissionais que fazem um levantamento histórico de moda e arte e apresentam peças exclusivas. Além disso, a moda vintage incentiva o reaproveitamento e reciclagem de peças, apresentando um discurso mais sustentável dentro do consumismo desenfreado do mundo da moda. Um exemplo é o Brechó Vintage Móvel, brecho-vintage-movel.tumblr. com, criado por duas estudantes de moda de Recife, que, além da cura- doria das peças, fazem um trabalho de divulgação e venda na internet com produções fotográficas muito bem elaboradas. LINKS Paris www.freepstar.com Londres www.absolutevintage.co.uk Brasil ilustrações: ayodê frança ninaflores.net/modadebrecho78
    • comportadoÉ fato que o crescimento de adeptos à religião evangélica sócresce a cada ano. Representando mais de 20% do total debrasileiros segundo o IBGE, os evangélicos são uma categoriaespecial de consumidores, com gostos e dogmas influenciandoa maneira de vestir. Isso significa prato cheio para as lojas quese adequam a esse tipo de público. Lojas como Jeans Moda ouKauly passaram a atender exclusivamente esse público e ob-tiveram aumentos no faturamento de até 150%. O segredo estácaprichar no acabamento. Como o público (majoritariamenteformado por mulheres) buscam não valorizar o corpo, é naprópria roupa que se busca a beleza, através de roupas mais“comportadas” nome alternativo deste segmento.LINKSwww.evangelicamoda.com.brhttp://loja.kauly.com.br 79
    • nerds Pode não parecer, mas quem é nerd também se preocupa com o look. Este público específico é representado em sua maioria por homens de 15 a 40 anos de idade, e são propensos a se vestir de maneira a defender o próprio estilo de vida. Não à toa o artigo mais procurado pelo nicho nerd é o de camisetas, sempre com mensagens que tenham a ver com suas prefer- ências de livros, quadrinhos, jogos, etc. Várias são as lojas de camisetas personalizadas, como Camiseteria e Nerdstore, que têm que lidar com um público cada vez mais atento, exigente e disposto a gastar grandes quantias por artefatos de colecio- nador. A internet é sem dúvida o meio certeiro pra conquistar esse público, mas não é o único: Boa divulgação e bom rela- cionamento com o cliente são indispensáveis nesse setor. LINKS www.camiseteria.com www.nerdstore.com.br www.thinkgeek.com ilustrações: ayodê frança80
    • plus sizEAlém de roupas que escondamo excesso de peso eles queremacompanhar as tendências damoda e ter várias opções decompra. O nicho de mercadopara os gordinhos está ganhandocada vez mais espaço e diversi-dade graças, principalmente, aopúblico jovem e antenado quegosta de estar na moda, masque não tem o corpo esbelto dosmodelos-padrão. Marcas como aElegance Plus Size e Kauê PlusSize são exemplos bem sucedi-dos e que trazem opção de vendapela internet para homens e mul-heres. Por conta do crescimentodesse nicho o número de mod-elos plus size vem aumentando ediversificando o mundo da moda,quebrando as regras da ditadurada magreza. Eles mostram que épossível ser feliz com um corpomais avantajado e que o pesoideal pode ser relativo. Ainda nãohá um consenso, mas as marcasque trabalham para esse públicocostumam oferecer roupas nostamanhos 44 até o 60, para mul-heres, e até 70, para homens.LINKSwww.vkmodafeminina.com.brwww.posthaus.com.brwww.eleganceplussize.com.brVale a pena Investir?Com essas e muitas outras opções de onde investir, ainda restam dúvidas do sucesso de se passar a venderpara um público segmentado. Mas exemplos não faltam. Um deles, a Kauly Moda Evangélica, mostra que fo-car em nichos muitas vezes pode ser a melhor solução. A loja, que existe desde 1990, passou a vender artigosde moda para evangélicos em 2002. Desde então, viu seu volume de vendas crescer 20% a cada ano, fabri-cando cerca de 30 mil peças por mês. A empresa de confecções tinha o público evangélico como seu maiorcomprador mesmo antes da segmentação, mostrando que o processo foi natural e bastante acertado. 81
    • Comércio Justo Promover a equidade social, proteção do ambiente e segurança econômica através do comércio e da promoção de campanhas de conscientização. Por Maria Luiza Aragão F air Trade, (comércio justo em inglês) é um mo- mas também, garantir a estabilidade econômica e vimento social e uma modalidade de comércio financeira das famílias produtoras. Além do preço internacional que busca o estabelecimento mínimo, é ainda estipulado um prêmio (Premium) a de preços justos, bem como de padrões sociais e ser pago ao produtor por unidade de produto com- ambientais equilibrados, nas cadeias produtivas. prado (lb, sacas, quilo…), o qual deve ser investido Surgido na década de 60, a certificação Fair trade pelo produtor na comunidade onde ele se localiza. representa uma iniciativa que congrega responsa- bilidade social, sustentabilidade e competitividade Os produtos que fazem parte da certificação fair para pequenos e médios produtores. A Fair trade trade são: banana, cacau, café, algodão, flores, frutas Labelling Organizations (FLO) é uma sociedade frescas, mel, sucos, nozes e oleaginosas, arroz, ervas comercial sem fins lucrativos que tem como finali- aromáticas e especiais, açúcar, chá, vinho, entre dade garantir a equidade no comércio internacional outros. O café foi o primeiro produto a seguir o usando uma certificação, que funciona como uma padrão de certificação desse tipo de comércio, em cadeia, onde não apenas o produtor (na forma de 1988. A experiência se espalhou pela Europa e, no cooperativa ou associação) é certificado, mas as ano seguinte, foi criada a International Fair Trade indústrias também, de forma que toda a cadeia Association, que reúne atualmente cerca de 300 produtiva segue as regras do comércio justo. Um de organizações em 60 países. seus mecanismos é dispensar o uso de atravessa- dores, desta forma, a indústria que utiliza matéria- Todas as organizações envolvidas no circuito do fair -prima com a certificação Fair trade paga diretamente ao produtor. O movimento dá especial atenção às exportações de países em desenvol- vimento para países desenvolvidos, A certificação Fair como artesanato e produtos agrícolas. Em poucas palavras, é o comércio trade representa onde o produtor recebe remuneração justa por seu trabalho. Principalmente uma iniciativa nos países da América Central e do Sul este sistema por si só já melhora- que congrega ria e muito o preço pago ao produtor pela mercadoria. Mas, a FLO conta responsabilidade ainda com outra ferramenta: para cada produto é estipulado um preço social, mínimo que deve ser pago ao produ- tor por unidade de produto comprado, sustentabilidade e caso o valor de mercado esteja abaixo deste valor. Se o valor de mercado competitividade para estiver acima, deve-se então pagar o preço de mercado, garantindo desta pequenos e médios forma que o produtor jamais será alvo de especulação. Este preço mínimo produtores. estipulado pela FLO visa suprir não apenas os custos de produção ou a margem de lucro dos investimentos,82
    • trade devem obedecer aos seguintes princípios:• A preocupação e o respeito pelas pessoas e peloambiente, colocando as pessoas acima do comer-ciante;• A proteção dos direitos humanos, nomeadamenteos das mulheres, das crianças e dos povos indígenas;• A criação de meios e oportunidades para os pro-dutores melhorarem as suas condições de vida e detrabalho, incluindo o pagamento de um preço justo;• Abertura e transparência quanto à estrutura dasorganizações e todos os aspectos da sua atividade, einformação mútua, entre todos os intervenientes nacadeia comercial, sobre os seus produtos e métodosde comercialização;• Envolvimento dos produtores, voluntários e em-pregados nas tomadas de decisão que os afetam;• A promoção da igualdade de oportunidades paraambos os sexos;• A promoção da sustentabilidade através do estabe-lecimento de relações comerciais estáveis de longoprazo;• A educação e a participação em campanhas desensibilização;• A produção tão completa quanto possível dos pro-dutos comercializados no país de origem.Nos últimos cinco anos, as vendas de produtos coma certificação fair trade tem crescido em uma médiade 40% ao ano, até alcançar o valor de aproximada-mente 2.300 milhões de EUROS no ano de 2007. Noano de 2009 as vendas seguiram crescendo, porém,em um ritmo inferior ao dos últimos anos. Em umaconferência de caráter informal de oito das 22 ini-ciativas fair trade a previsão geral era que o cresci-mento seria de 10 a 25% ao longo desse ano.O impacto final da crise financeira mundial é incer-to. O impacto para os agricultores e trabalhadoresnos países do Sul poderá ser terrível – um grandepasso atrás para a pobreza ao perder estes recur-sos na qual vivem comunidades inteiras. Ainda sedesconhece as implicações da crise ao longo prazoe é evidente que o Comércio Justo certificado émais necessário que nunca. Os consumidores estãodemonstrando lealdade ao fair trade e isso permiteque esse sistema siga funcionando e perseguindo oobjetivo de apoiar quantos produtores do Sul sejampossíveis em sua luta para sair da pobreza. Produtos com certificação fair trade 83
    • república dominicana México Guatemala nicarágua colombia gana peru bolívia paraguai chile84
    • palestina vietnã nepal tailândia bangladesh filipinas índia camboja micronésia Sri Lanka etiópia nauru quiribati uganda quênia indonésia tanzânia zimbábue áfrica do sul Países fornecedores de Produtos para o fair trade. fonte: http://www.tradeaid.org.nz 85
    • Moda Artesanal O Conforto, a elegância e a feminilidade das técnicas artesanais. Por Tainan Paiva A s técnicas artesanais vêm ganhando seu es- a renda Renascença.,técnica têxtil que teve sua paço na moda atual nas coleções de estilistas origem em Veneza, na Itália, no século XVI, e foi da alta costura. Associando materiais de introduzida no Brasil por freiras europeias. O bor- aspecto natural, como o crochê e a renda, a mate- dado delicado difundiu-se por aqui pelas mãos das riais mais modernos como os tecidos metalizados, rendeiras nordestinas, que passam a arte de geração conseguiram unir conforto e elegância, resultando em geração. Hoje, a renda renascença faz parte da em looks bem sofisticados. cultura da cidade de Pesqueira, Agreste de Pernam- buco. É um trabalho exclusivamente artesanal. Sua Vamos falar de moda arte, aquela executada pelo trama é executada a partir de um desenho riscado cuidado e capricho do produto artesanal e não pelo em papel manteiga, fixado em almofada e executa- processo industrial. Muitos ainda veem os materiais da com agulha comum, utilizando linha e lacê (fita artesanais como peças rústicas e são relutantes em de algodão que une as tramas). Originalmente era relação ao seu uso, mas, o artesanato está em foco utilizado apenas lace branco, mas depois do contato na moda atual. Rendas, ráfia (material usado para com designers e estilistas ganharam cores como produzir sacos de café), palha, cordas e até tapeçaria preto, marrom, laranja e azul marinho. As peças conferem um charme rústico aos looks. demoram de semanas a um ano para ficar pronto, dependendo do tamanho. Ana Karina Hahn, consultora de moda e personal stylist, nos mostra alguns números nacionais a O estilista pernambucano Eduardo Ferreira produ- respeito do artesanato: ziu em 2002, junto com as rendeiras de Pesqueira, 1. O segmento envolve 8,5 milhões de pessoas em peças que foram exibidas na novela Desejos de suas cadeias produtivas, movimentando cerca de R$ Mulher, da Rede Globo. Isso aumentou a notorieda- 28 bilhões por ano. de do artesanato local. Também fruto desta parceria 2. O artesanato com fios promove a inserção da com o estilista, algumas peças integraram o projeto mulher e de adolescentes em atividades produtivas, Designers e Artesãos - Extratos da Moda Brasilei- além de estimular a prática do cooperativismo e ra, promovido pela Marles (Indústria Têxtil – www. manter a artesã na comunidade. marles.com.br), sendo expostas em São Paulo e na França.. A moda artesanal vem ganhando o país inteiro. Alguns nomes como Márcia Bergantin (SP), Alyny Além da renda, outros materiais podem ser citados Melari (SP) e Cristine Ban (RJ) usam artesanato nas ao falar em moda artesanal, principalmente em suas peças já há algum tempo. Cristine acredita que terras pernambucanas. A palha e a ráfia tem tudo os materiais artesanais tornam possível a união a ver com o nosso clima, a palha se transforma em entre conforto e elegância, além de considerar a tecido e a ráfia ganha tramas e texturas em roupas. nobreza das fibras naturais. As peças com fibras e Podem ser combinadas com roupas leves durante o tramas naturais, como o linho, o algodão, a seda, dia a dia. Não combina com eventos noturnos nem o tricô, crochê, o macramê e os bordados manuais roupas sofisticadas, a menos que seja um vestido deixam os looks mais femininos e delicados. em ráfia negra como o apresentado por Reinaldo Lourenço em sua coleção de verão no SPFW. Lou- Já a estilista Alyny Melari, do Atelier Sob Medida renço também ousou em apresentar requintados também aderiu ao uso das técnicas artesanais na ternos, vestidos e saias feitos de ráfia nas cores alta costura. Ela produziu uma coleção completa coral, marrom e bege, no desfile da coleção de Verão de vestidos de festa usando pedaços de sobra de do Espaço Fashion em 2010. tecidos para a confecção de patchworks e fuxicos. Ela admite que o processo de produção seja mais Além da renda, outros materiais são citados ao falar lento e requer mão de obra dobrada, mas afirma que em moda artesanal, principalmente em terras per- o resultado compensa o trabalho. nambucanas. A palha e a ráfia tem tudo a ver com o nosso clima: a palha se transforma em tecido e a Falando da cena artesanal em Pernambuco, temos ráfia ganha tramas e texturas em roupas.86
    • Podem ser combinadas com roupas leves durante o diaa dia, não combinando com eventos noturnos nem rou-pas sofisticadas, a menos que seja um vestido em ráfianegra Reinaldo Lourenço, apresentado em sua cole-ção de verão no SPFW. Lourenço também ousou emmostrar requintados ternos, vestidos e saias feitosde ráfia nas cores coral, marrom e bege, no desfileda coleção de Verão do Espaço Fashion em 2010.Bem, falamos de renda, palha, ráfia, tricô, fuxicos,mas não podemos esquecer um elemento daprodução artesanal que causa um efeito visualbelíssimo. O crochê. Vem ganhando destaqueprincipalmente nas coleções de verão devidoao seu aspecto natural, mas pode se adequarmuito bem ao inverno. O crochê vai bemdesde shorts leves até aos casacos mais pe-sados e unindo materiais mais modernos,como tecidos metalizados e sintéticoscom brilho, é possível conseguir looksbem sofisticados utilizando o rústico.Outro nome pernambucano que va-loriza o artesanal em suas coleções éMelk Z-Da estilista formado em artesplásticas pela UFPE, cujo diferencial éo gentil manuseio dos fios, dos tecidose dos bordados. Merece atenção dequem busca um serviço rebuscado eúnico. Uma de suas principais caracte-rísticas é justamente a referência arte-sanal em releituras contemporâneas.Cada vez mais as roupas com aspectode feito à mão se sobressaem no mun-do fashion, e os detalhes artesanais sãoos grandes responsáveis por isso. Essaspeças lembram conforto, por isso, po-dem ser utilizadas em vários momentos eocasiões, se adequando as estações do ano.É importante ressaltar também o ponto devista econômico e social, que o artesanatotrás para o estado. Inserção das mulheresem atividades produtivas, estímulo à práticado cooperativismo, sem falar na geração derenda para o estado e para o turismo. Valedestacar que com peças assim, mais artesa-nais conseguimos fugir um pouco das peçasindustriais que são reproduzidas a exaustão. 87
    • moda sustentável em pernambuco Empresas transformam materiais inusitados e tecidos orgânicos e biodegradáveis em objetos de desejo por Isabela Freire A preocupação com meio ambiente é um A Mar & Arte é uma distribuidora de artesanatos, assunto cada vez mais discutido ao longo acessórios de moda e decoração, feitos a partir de dos últimos anos. E na moda não é diferen- couro e escamas de peixes, materiais que seriam te. Neste ano, o Brasil será palco mais uma vez da descartados. Essa matéria-prima é transformada Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvi- em bolsas, sandálias, pulseiras, acessórios de cabelo, mento Sustentável, a Rio+20, que acontece entre os pufes, cadeiras, mesas, porta-retratos. Dos 200 itens dias 20 e 22 de junho, e o tema já ganhou espaço na produzidos, o mais conhecido é a rosa de escamas. discussão. A equipe de artesãs são moradoras dos bairros de Brasília Teimosa e Curado. A marca participa das Para pensar sobre o design de moda sustentável maiores feiras nacionais e internacionais e expor- temos que levar em consideração todo o processo ta seus produtos para países da Europa e Estados da cadeia produtiva, desde a reutilização de mate- Unidos. No ano de 2009, foi ganhadora do prêmio riais, o uso de matéria-prima de origem orgânica, à SEBRAE Top 100 na categoria de projeto susten- valorização da mão de obra local. Esse é o diferen- tável. A idealizadora do projeto é Camila Haeckel cial em algumas marcas pernambucanas de empre- Blanke, designer de moda pela Faculdade Boa endedores que perceberam o potencial criativo de Viagem e economia pela Universidade Católica de materiais inusitados para criar objetos de desejo. Pernambuco. Fotografia: Thabata alves. Rosa de escamas e bolsa de couro de peixe Mar & Arte.88
    • Fotografia: Divulgação Maria Ribeiro.Acessórios Maria Ribeiro. Já a designer de moda Maria Ribeiro, cria aces- sórios, como anéis, tiaras, flores, bolsas, cintos, pulseiras, com linha, arame e latão. Ela começou produzindo tiaras e presilhas para uso próprio que viraram sucesso, e hoje os diversos acessó- rios geram encomendas pelo Brasil e países da América do Norte e Europa. Com o uso desse material, muitos são acessórios multifuncionais, ou seja, o consumidor pode moldar e adaptar as suas peças. Tiaras podem virar cinto, colar ou pulseira, ou um anel pode se transformar em pingente ou presilha para o cabelo. Recente- Fotografia: Divulgação Maria Ribeiro. mente a marca participou da Mostra de Design Criativo Sustentável, na 2º edição da Expoi- dea - Feira do Futuro e do Festival Abril Pro Rock com uma parceria com a marca Converse - All Star transformando diversos 89
    • materiais, como cadarços e lona, em acessórios. A marca 2primas, das sócias Mayara Pimentel e Patrícia Brito, surgiu depois de um curso na Ecotece, uma ONG que tem a pro- posta de gerar soluções criativas na moda que promovam o vestir consciente, com o desenvolvimen- to de produtos sustentáveis. O diferencial da marca está na ideia da gestão sustentá- vel. O processo produtivo e admi nistrativo é base- ado em regras básicas de sustenta- bilidade, como o questionamento da durabilidade dos produtos, a qualidade e design das peças, que são produzidas apenas com naturais, orgânicos ou biodegradá- veis. A produção das peças é feita Fotografia: Divulgação 2Primas. Essas peças inovadoras desafiam o óbvio em se falando de moda sustentável. através cooperativas e associações. Essas peças inovadoras desafiam Fotografia: Divulgação 2Primas. o óbvio em se falando de moda sustentável. Empresas com essa criatividade, capazes de enxergar o potencial em materiais inusitados, e preocupação com a sustentabili- dade, trazem destaque e visibilidade para cena da moda em Pernambuco.90
    • O processoprodutivo eadministrativoé baseado emregras básicas desustentabilidade,como oquestionamentoda durabilidadedos produtos e aqualidade e designdas peças. Fotografia: Divulgação 2Primas. Coleção solstício Inverno 2012 2primas Fotografia: Divulgação 2Primas. www.marearte.com.br/ www.acessoriosmariaribeiro.com/ www.2primas.com/ 91
    • edi tori ala Geometria damoda
    • A ssim como a casa, a roupa tem uma estrutura de habitação, de lar onde o corpo se abriga. Tanto a arquitetura,como a moda tem o papel de expressar oespírito, vontades, desejos e sentimentos deuma determinada época, só que com matériase formas diferentes.As linhas, texturas e combinações de coresem representações geométricas remetemao conceito de cada um. A harmonizaçãoestética do ambiente com a roupa cria umalinguagem consistente, um estilo dos temposde hoje.Com um mundo em constante mudança, nossossentimentos e vontades são construídos edesconstruídos, montados, desmontados,conectados... São desejos em linhas retas,são sonhos em um ciclo circular, somos nós,em constante transformação.