Obesidade: o mal do séculoLIMA, Rodrigo MacielMestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF/RJDoutorando em Biociências ...
Rodrigo Maciel LimaMaster in Biosciences and Biotechnology - UENF/RJ-2001Doctorade student in Biosciences and Biotechnolog...
IntroduçãoA obesidade pode ser conceituadade maneira simplificada, como uma condi-ção de acúmulo anormal ou excessivo dego...
que perderam massa muscular, como nocaso de idosos (NIH, 1998).O sobrepeso e a obesidade contri-buem de forma importante p...
8% do gasto total com atenção à saúde(IASO, 2004).Seguindo a tendência mundial, aprevalência de sobrepeso e obesidade noBr...
violência urbana cada vez maior, faz comque as pessoas optem por morar em apar-tamentos e façam menos caminhadas. Cri-ança...
camundongos). Atua como sinal de sacie-dade aferente em um circuito de feedback(Meinders et al., 1996).A leptina sinaliza ...
ram de forma simultânea uma resistência àação do hormônio, possivelmente, devido aum mau funcionamento das cascatas desina...
O gene ob (gene obeso) do tecidoadiposo codifica um RNAm, com uma se-qüência aberta de leitura (ORF) correspon-dendo a 167...
estão direcionadas para a avaliação dosmecanismos envolvidos em sua fisiopato-logia. Outros componentes que participamdo c...
4- Classificação da obesidade deacordo com suas causasQuando se deseja classificar a obe-sidade, deve-se levar em conta qu...
Tabela 2: Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.(http://www.abcdocorposalutar.com.br/artigo.)Dentre as divers...
Referências Bibliográficas:Araújo, D; Fracetto, L.F.; Silva, J.A. Leptina o hormônio da obesidade. Revista eletrônica dode...
Dantas, S; Fernandes, F; Ramires, F. J. A. O miocárdio na obesidade. Revista da sociedade decardiologia do estado de São P...
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Obesidade o mal do século

  1. 1. Obesidade: o mal do séculoLIMA, Rodrigo MacielMestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF/RJDoutorando em Biociências e Biotecnologia pela UENF/RJProfessor e Fisioterapia e Normal Superior do ISECENSA.ResumoA obesidade surgiu como uma epidemia, em paísesdesenvolvidos durante as últimas décadas do século XX. Noentanto, atualmente, atinge todos os níveis socioeconômicos evem aumentando sua incidência também nos países em de-senvolvimento. Estudos epidemiológicos demonstram quecerca de 61% dos americanos são obesos (Bernadini, Cichele-ro, Vitolo, 2005); no Brasil, o aumento da prevalência dessedistúrbio foi da casa de 53%, comparando-se o senso de1974/75 ao de 1989 (Dantas, Fernandes, Ramires, 2003).Essa enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivode lipídeos no organismo está intrinsecamente relacionadaaos hábitos alimentares e interações do seu material genético.Mas não se pode deixar de citar que fatores sociais, ambien-tais, culturais e familiares contribuem para o avanço cada vezmais veloz desse mal que preocupa a sociedade mundial.Um dos principais fatores da evolução da obesidadepode ser considerada a necessidade cada vez maior de mu-dança do hábito alimentar, haja vista em que nos tempos atu-ais, o ser humano não se preocupa com o que come, se é sau-dável ou não, mal tem tempo para saborear os alimentos.Com isso, é cada vez maior o número de indivíduos adeptosàs conhecidas “fast-foods”.A obesidade é uma doença de difícil controle, com al-tos percentuais de insucesso terapêuticos e de recidivas, po-dendo apresentar sérias repercussões orgânicas e psico-sociais (Mion, 2004).Palavras-chave:obesidade, saúde, leptina e lipídeos.Correspondência:Rua Salvador Correa, 139 - Centro28035-310 - Campos dos Goytacazes - RJTelefone:+55 (22) 2726.2727Fax: +55 (22) 2726.2720www.isecensa.edu.bre-mail:isecensa@isecensa.edu.brPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 86
  2. 2. Rodrigo Maciel LimaMaster in Biosciences and Biotechnology - UENF/RJ-2001Doctorade student in Biosciences and Biotechnology – UENF/RJtitular teacher of Biology and Biochemistry – Physiotherary Course – ISECENSA/RJAbstract:Obesity started as an epidemic in developed countries during thelast decades of twentieth century. Yet, nowadays, this disease has af-fected all social economical countries. Epidemiologic studies show thataround 61% of Americans are obese (Bernadini, Cichelero,Vitolo,2005). In Brazil, the increasing of this disturbance is around 53%, com-paring the 1974/75 research to the 1989 one (Dantas, Fernandes,Damiris, 2003). This disease is caractherized by the excessive accumu-lation of lipids in the organism. It is intrinsically related to eating habitsand interactions with genetic material.We have to cite some important facts as social, environmental,cultural and familiar ones that contribute to the increasing of this diseasethat is faster and faster, and the whole society is concerned about thesituation.One of the main facts that contribute to the evolution of obesityis the changing of eating habits. Today the human being isn’t worriedabout what he eats, if it is healthy or not. He doesn’t have time enoughto savor the food he is eating. With all that more and more persons arefans of fast-food.Obesity is a hard control disease, with great percentages oftherapeutic failures and it can appear even after apparently recovery ofthe patient, that may have serious organic, psychological and socialrepercussions.Key-words:Obesity, Health, “Leptin”, Lipids.Obesity: the disease of this centuryCorrespondence:Rua Salvador Correa, 139 - Centro28035-310 - Campos dos Goytacazes - RJPhone number:+55 (22) 2726.2727Fax: +55 (22) 2726.2720www.isecensa.edu.bre-mail:isecensa@isecensa.edu.brPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 87
  3. 3. IntroduçãoA obesidade pode ser conceituadade maneira simplificada, como uma condi-ção de acúmulo anormal ou excessivo degordura no organismo levando a um com-prometimento da saúde. O grau de excessode gordura, sua distribuição e associação aconseqüências para a saúde varia, conside-ravelmente entre os indivíduos obesos. Éimportante saber preveni-la a até mesmotratá-la, pois os portadores dessa condiçãoapresentam riscos aumentados de morbi-dade e mortalidade. Na atualidade, a obe-sidade se coloca de maneira prioritária paraintervenção, em nível individual e na co-munidade, como um problema de nutriçãoem saúde pública (WHO, 1998).A prevalência de sobrepeso e obe-sidade vem aumentando rapidamente nomundo, sendo considerada um importanteproblema de saúde pública tanto em paísesdesenvolvidos, como em desenvolvimento(Popkin & Doak, 1998). Em 2002, estima-tivas da Organização Mundial de Saúde(OMS) apontavam para a existência demais de um bilhão de adultos com excessode peso, sendo 300 milhões consideradosobesos (WHO, 2004). Atualmente, estima-se que mais de 115 milhões de pessoassofram de problemas relacionados com aobesidade nos países em desenvolvimento(WHO, 2004).A obesidade é uma doença crônicaque envolve fatores sociais, comportamen-tais, ambientais, culturais, psicológicos,metabólicos e genéticos. Caracteriza-sepelo acúmulo de gordura corporal resultan-te do desequilíbrio energético prolongado,que pode ser causado pelo excesso de con-sumo de calorias e/ou sedentarismo (Bray& Popkin, 1998).Barros diz que obesidade, segundomuitos profissionais da área de saúde, é oresultado da combinação de fatores genéti-cos e ambientais, ou seja, “é uma condiçãomédica geral, decorrente de multifatorescausais, caracterizada, do ponto de vistapsicopatológico, como uma identificaçãode atitudes não saudáveis na pessoa quehipervaloriza o alimento, levando-a aosofrimento psicológico” (2004 apud Ber-gamini).Podemos dizer de maneira clara eobjetiva que obesidade é excesso de gordu-ra no organismo. Os fatores genéticos de-sempenham papel importante na determi-nação da suscetibilidade do indivíduo parao ganho de peso, porém são os fatoresambientais e estilo de vida, tais como hábi-tos alimentares inadequados e sedentaris-mo, que geralmente levam a um balançoenergético positivo, favorecendo o surgi-mento da obesidade (Bray & Popkin,1998).O excesso de peso corporal podeser estimado por diferentes métodos outécnicas, como pregas cutâneas, relaçãocintura-quadril, ultra-som, ressonânciamagnética, entre outras. Entretanto, devidoa sua facilidade, baixo custo e correlaçãocom a gordura corporal, o índice de MassaCorporal (IMC) tem sido amplamente uti-lizado e aceito para estudos epidemiológi-cos (Anjos, 1992; Andrade et al., 2003).O Índice de Massa Corpórea(IMC) é obtido dividindo-se o peso doindivíduo em quilogramas pelo quadradoda altura em metros (Kg/m2). Valores deIMC acima de 25 Kg/m2caracterizam ex-cesso de peso, sendo que, valores de 25Kg/m2a 29,9 Kg/m2correspondem a so-brepeso e valores de IMC 30 Kg/m2àobesidade (WHO, 1995).Apesar de não representar a com-posição corporal, o IMC vem sendo utili-zado como uma medida aproximada degordura total, visto que é altamente corre-lacionado com a gordura corporal. Entre aslimitações do uso do IMC está o fato deque este indicador pode superestimar agordura em pessoas muito musculosas esubestimar gordura corporal de pessoasPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 88
  4. 4. que perderam massa muscular, como nocaso de idosos (NIH, 1998).O sobrepeso e a obesidade contri-buem de forma importante para a carga dedoenças crônicas e incapacidades (WHO,2004). As conseqüências para a saúde as-sociadas a estes fatores vão desde condi-ções debilitantes que afetam a qualidade devida, tais como a osteoartrite, dificuldadesrespiratórias, problemas músculo-esqueléticos e hipertensão arterial. Os in-divíduos obesos são passivos de maioresinfiltrações de gorduras nas artérias, tãobem como manterem-se obesos na idadeadulta, problemas de pele e infertilidade,insuficiência placentária, até condiçõesgraves como doenças coronarianas, diabe-tes tipo 2, imunodoficiências e certos tiposde câncer (Pi-Sunyer, 1991; Sánchez,2005). De acordo com o Departamento deSaúde dos Estados Unidos da América(USDHHS), indivíduos obesos (IMC 30Kg/m2) têm um risco de morte prematura,por todas as causas, 50% a 100% maiorque indivíduos com IMC entre 20 a 25Kg/m2, conforme aponta o Department ofHealth and Human Services.O sobrepeso e a obesidade tambémestão associados a distúrbios psicológicos,incluindo depressão, distúrbios alimenta-res, imagem corporal distorcida e a baixoauto-estima. As prevalências de ansiedadee depressão são três a quatro vezes maisaltas entre indivíduos obesos(www.ioft.org). Além disso, indivíduosobesos também são estigmatizados e so-frem discriminação social (USDHHS,2001).Apesar de as morbidades associa-das ao sobrepeso e à obesidade serem maisfreqüentes em adultos, algumas delas, co-mo diabetes tipo 2, hipercolesterolemia,hipertensão arterial e problemas ortopédi-cos também têm sido observadas em crian-ças e adolescentes com excesso de peso.Estima-se que adolescentes com excessode peso tenham 70% de chances de se tor-narem adultos com sobrepeso ou obesos(USDHHS, 2001).Estudos indicam que a obesidadeparece estar muito ligada à infância, pois énesta fase principalmente, que adquirimosa maior parte das células adiposas, respon-sáveis pelo armazenamento de gordura nonosso corpo. (Leal & Pampanelli, 2004).Quanto maior o número de células adipo-sas desenvolvidas durante a infância, maiorserá a chance de se tornar um adulto obeso.Já foram identificados três perío-dos críticos para o início da obesidade nainfância. O primeiro é durante o primeiroano de vida, no qual o tamanho das célulasadiposas quase se duplica e não o número.O segundo período está entre os 5 – 7 anosde idade, que está associado a um aumentoprogressivo do número de células adiposas.Este tipo de obesidade se caracteriza pormudanças anatomopatológicas que provo-cam hiperplasia das células. Adquire sin-gular importância, uma vez que se de-monstrou que um bom número de indiví-duos que tem obesidade na infância semantém obeso na idade adulta. O terceiroperíodo tem relação com a adolescência einício da fase adulta. As relações existentessão as alterações hormonais e o início deuma vida adulta sedentária, respectivamen-te.Além das conseqüências para a sa-úde, o sobrepeso e a obesidade tambémacarretam conseqüências socioeconômicassubstanciais. Os custos do excesso de pesopara os sistemas de saúde são altos e sãodiretos e indiretos. Os diretos envolvemgastos com o tratamento da obesidade esuas conseqüências. Entre os indiretos,encontram-se a perda de renda pela redu-ção da produtividade e absenteísmo, devi-do à doença ou incapacidade e a perda derenda futura devido a mortes prematuras(USDHHS, 2001). De acordo com estima-tivas da International Obesity Task Force,o custo direto atribuído à obesidade, empaíses industrializados, representa de 2 aPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 89
  5. 5. 8% do gasto total com atenção à saúde(IASO, 2004).Seguindo a tendência mundial, aprevalência de sobrepeso e obesidade noBrasil está aumentando. Uma análise com-parativa de três pesquisas brasileiras paraas regiões Nordeste e Sudeste – ENDEF(Estudo Nacional de Despesa Familiar),PNSN (Pesquisa Nacional Sobre Nutrição)e PPV (Pesquisa sobre Padrões de Vida),realizadas em 1975, 1989 e 1999, respecti-vamente, demonstram que, neste período, osobrepeso e a obesidade aumentaram namaior parte dos grupos populacionais(Monteiro & Conde, 1999; Mendonça &Anjos, 2004). A prevalência de obesidade,em adultos com 20 anos ou mais no perío-do de 1975 a 1989, quase dobrou, passan-do de 4,4% a 8,2%, chegando a 9,7% em1999. Quanto ao excesso de peso, a preva-lência passou de 21% a 32% no primeiroperíodo de comparação. Os resultados daPPV apresentados, separadamente para asregiões Nordeste e Sudeste, mostraramprevalências de excesso de peso de 34,2%e 40,9%, respectivamente (Monteiro et al.,2001).1. Fatores que levam à obesidadeA obesidade é causada por umdesbalanço entre as calorias que são con-sumidas sob a forma de alimentos e ascalorias que são gastas pelo indivíduo parao organismo funcionar, mesmo em repou-so, realizar as atividades físicas e digerir osalimentos consumidos.Após a ingestão do alimento, du-rante a digestão, o bolo alimentar é degra-dado até partículas minúsculas que sãodenominadas de nutrientes que passamfacilmente do intestino para o sangue. Osalimentos energéticos quando excedem onecessário são transformados em triglicerí-deos e armazenados em células especiaischamadas adipócitos.Quando as células adiposas atin-gem um tamanho máximo, o organismo éestimulado a produzir novas células adipo-sas para que a gordura seja armazenada.Assim se adquire a obesidade. Mas não éuma enfermidade causada somente peloexcesso de gorduras no organismo. Emmuitos casos, essa enfermidade pode sergenética. Atualmente sabe-se que é deetiologia multicausal, ou seja, pode serdeterminada por diversos fatores: genéti-cos, fisiológicos (fatores endócrino-metabólicos), ambientais (prática alimentare atividade física) e psicológicos, propor-cionando acúmulo excessivo de energiasob a forma de gordura no organismo (Fis-berg, 1995). A história familiar é muitoimportante para determinar a ocorrência daobesidade e de outros distúrbios de com-portamento alimentar.Segundo Halpern (2003), a chancede obesidade nos filhos é de 80% quandoambos pais são obesos: cerca de 50%quando um dos pais é obeso, e cerca de10% quando nenhum dos pais é obeso.Apesar de todas as pesquisas reali-zadas, neste aspecto, fica difícil definirquanto à influência da família em relação àherança genética e quanto é devido aoambiente familiar onde a criança está inse-rida (Valverde, 1995).Em relação aos fatores emocionaisenvolvidos na etiologia da obesidade (de-pressão, ansiedade), Hammer (1992) des-creve que o comportamento alimentar é umfenômeno muito complexo que envolveaspectos cognitivos, desenvolvimento so-cial e emocional.O obeso parece responder mais aosestímulos externos (tipo e qualidade doalimento) que aos internos (fome e sacie-dade) no que diz respeito ao apetite. Tam-bém existe a hipótese de que algumas cri-anças poderiam herdar uma estrutura psí-quica que levaria a maior gratificação oraldo que outras, ocasionando maior consumoalimentar (Campos et al., 1985).O sedentarismo também é um dosfatores que muito predispõe as pessoas aoacúmulo de gorduras no tecido adiposo. APERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 90
  6. 6. violência urbana cada vez maior, faz comque as pessoas optem por morar em apar-tamentos e façam menos caminhadas. Cri-anças ficam trancadas em casa, brincandode vídeo game, internet e assistindo à tele-visão quase o dia inteiro. Poucas vezes,brincam de piques e não são incentivadas apraticar qualquer outra atividade física.Somando-se este fato ao alimentar, o resul-tado é um número cada vez maior de cri-anças com problemas de obesidade.Outro fator que muito corroboracom a questão é o hormonal. Distúrbioshormonais, tais como, hipotireoidismo,também interferem na taxa de metabolismobasal do organismo fazendo com que omesmo torne-se mais lento. Assim, temmaior probabilidade de armazenar caloriasna forma de gordura, acumulando-a notecido adiposo. Como resultado, maioríndice de obesidade. Vários outros distúr-bios hormonais corroboram ainda com oaumento no índice de pessoas com pro-blemas de sobrepeso ou obesidade.2.FisiopatologiaA fisiologia da obesidade aindanão está completamente esclarecida e osúltimos avanços vêm ocorrendo no campoda biologia molecular, que muito tem auxi-liado na elucidação desta doença (Escrivãoet al., 2000).As pesquisas, neste sentido, geral-mente seguem duas linhas de abordagemque são complementares: uma linha fisio-lógica-bioquímica em que se focam asvariações ocorridas no balanço energéticoe outra mais recente, da biologia molecu-lar, que se compromete com o isolamentode genes específicos que controlam osdiferentes fatores determinantes deste ba-lanço energético (Warden & Wander,1997). A obesidade é um distúrbio do me-tabolismo energético em que ocorre umarmazenamento excessivo de energia sob aforma de triglicerídeos, no tecido adiposo.Friedman (1997. apud Soares e Gui-marães) diz que em vertebrados, especial-mente entre mamíferos, a habilidade emarmazenar grandes quantidades de com-bustível, na forma de triglicerídeos, notecido adiposo, permite a sobrevivênciadurante períodos prolongados de falta dealimento.Os estoques de energia no organismosão regulados pela ingestão e pelo gastoenergético. Quando há equilíbrio entre aingestão e os gasto energético, o peso cor-poral é mantido. Um pequeno balançopositivo acarreta baixo incremento de peso,mas o desequilíbrio crônico entre a inges-tão e o gasto, levará à obesidade ao longodo tempo (Devincenzi et al., 2004).Resumidamente, pode-se dizer que osfatores causais da obesidade estão ligadosà excessiva ingestão de energia, ao reduzi-do gasto ou à alterações na regulação destebalanço energético (Prentice et al., 1996).Os avanços no campo da biologia mo-lecular começaram a ocorrer a partir daobservação de mutações em genes de ca-mundongos obesos e, com isso, novas viasde regulação do peso corporal foram des-cobertas (Sánchez, 1997). Existem nume-rosos componentes já identificados queparticipam da regulação do peso corporal,mas os papéis precisos de cada um, aindanão foram determinados. Deste forma,serão abordados neste tópico desta revisão,apenas dois deles que são a leptina e oneuropeptídeo Y, cujos mecanismos jáestão relativamente bem esclarecidos.2.1- Leptina:O Hormônio controlador do peso corporalA leptina é um hormônio protéico es-pecífico produzido e secretado pelo tecidoadiposo, que funciona como um “adiposta-to”, referindo-se à Teoria Lipostática, queprediz que a composição e o peso corporalem humanos são determinados por intera-ções entre fatores genéticos, ambientais,comportamentais e sociais (Araújo et al.,2004). Ela é codificada pelo gene ob (emPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 91
  7. 7. camundongos). Atua como sinal de sacie-dade aferente em um circuito de feedback(Meinders et al., 1996).A leptina sinaliza ao cérebro e outrostecidos a respeito das reservas energéticasdo corpo, ou seja, informa o estado nutri-cional do indivíduo. Este sinal permitemudanças apropriadas no consumo dealimento, no gasto de energia e na partiçãopara manter o balanço energético (Soares eGuimarães, 2001).Além das funções, acima citadas, aleptina também participa nos processos dereprodução, crescimento, função imune,tonos vascular e provavelmente muitosoutros que ainda serão descobertos (Sán-chez, 2005).A descoberta da leptina tem ajudado aesclarecer o papel dos adipócitos, comosistema endócrino e de que modo ocorre asinalização para a ingestão de alimentos,bem como a regulação do metabolismoenergético. Assim, a coordenação do ba-lanço energético e do peso corporal envol-ve uma regulação entre a ingestão de ali-mentos e gasto de energia (Soares e Gui-marães, 2001).Outras investigações, em torno doconceito de “fator de saciedade circulante”,foram consideradas a partir do descobri-mento em camundongos de mutações de-nominadas ob (obeso) e db (diabetes),responsáveis por produzir alterações, taiscomo hiperfagia, hiperinsulinemia, hiper-glicemia, gasto metabólico reduzido, hipo-gonadismo, infertilidade e obesidade mór-bida (Sánchez, 2005).Camundongos obesos mutantes(ob/ob) produzem leptina não ativa biolo-gicamente e, portanto, não recebem estesinal de saciedade e continuam ingerindoquantidades excessivas de alimentos eganhando peso exageradamente. Quando aleptina ativa é administrada exogenamentea estes animais, há redução drástica daingestão alimentar e do peso corporal.Outros camundongos mutantes obesos(db/db) produzem leptina normal, mas odefeito está no receptor de leptina e, por-tanto, são resistentes aos efeitos desta e, damesma forma, não recebem o sinal de saci-edade, continuam com ingestão alta dealimentos e ganhando muito peso (Chen etal., 1996).A descoberta de que uma mutação nogene da leptina causa severa obesidade emroedores sugere que a função fisiológica daleptina seja a de evitar a obesidade duranteo consumo excessivo de alimentos (Soarese Guimarães, 2001).A partir destes e outros estudos, infe-re-se que a leptina inibe a via orexígena(indutora do apetite) e estimula a via ano-rexígena (indutora da saciedade). A leptinatambém interage com outras prováveiscélulas reguladoras do apetite, como porexemplo, os neurônios que produzem endi-cabinóides, hormônios concentradores damelatonina e orexinas (Harvey & Ashford,2003).A liberação da leptina é regulada poroutros hormônios e fatores reguladorescomo, por exemplo, a insulina.Segundo Meyer (1997 apud Soares eGuimarães, 2001), o rim é o maior sítiocatabolismo da leptina, removendo 80% detoda leptina do plasma humano. Entretan-to, o nível de leptina no organismo, per-manece constante. Assim, conclui-se que aleptina é constantemente secretada pelosadipócitos.Houve grande expectativa, emrelação ao tratamento da obesidade, após adescoberta da leptina e muitas pesquisasforam desenvolvidas a partir desta. Entre-tanto, os estudos em humanos verificaramque quando são comparados obesos e nãoobesos (adultos e crianças), os obesos a-presentam níveis séricos aumentados deleptina e esses aumentos estão positiva-mente relacionados com a massa de tecidoadiposo (Considine et al., 1996). A hipóte-se para explicar estas respostas é a de queos obesos poderiam ter sensibilidade dimi-nuída à leptina.Os indivíduos obesos que apresen-tam um alto nível de leptina desenvolve-PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 92
  8. 8. ram de forma simultânea uma resistência àação do hormônio, possivelmente, devido aum mau funcionamento das cascatas desinalização intracelulares associadas aoreceptor ativado (ObRb). Este erro nãopermite que o hormônio exerça sua açãoanorexígena. Assim, a leptina não teriautilidade clínica, no tratamento de obesi-dade, como se pensava no início dos estu-dos. Este propósito só teria validade empacientes com obesidade devido à defici-ência do hormônio, o que é muito escasso(Sánches, 2005).Segundo Araújo, Fraceto, Silva(2004), o papel da leptina como hormônioantiobesidade é essencialmente derivadode suas ações como diminuidor de apetite eestimulador de gasto de energia. A propri-edade inibidora do apetite deve-se ao me-canismo de sinalização desta no hipotála-mo, estimulando a síntese de neuropepetí-deos anorexigênicos. Os neuropeptídeosanorexigênicos, por sua vez, inibem a sín-tese de neuropeptídeo Y (NPY), que esti-mula a ingestão de alimentos, inibe a ter-mogênese (liberação de energia sob a for-ma de calor sem produção de ATP) e édiminuida por altos níveis séricos de insu-lina, promovendo aumento da lipogênese,síntese protéica e armazenamento de glico-se.2.2- Síntese da LeptinaA leptina é sintetizada como umpeptídeo glicosilado de 167 aminoácidos,transportada para a circulação sanguíneacom apenas 146 aminoácidos e uma massamolecular de 14-16 kDa. Esta proteínacontém uma ponte de dissulfeto necessáriaà sua atividade biológica. Possui um altograu de homologia entre espécies (84% dehomologia entre a leptina murina e huma-na). A cristalografia revela quatro α-hélices com estruturas semelhantes às dascitocinas, tais como interleucinas. (figura1). (Zhang, et al., 1994, apud Sánchez,2005).No ser humano, o gene da leptinalocaliza-se no cromossomo 7q31 e emratos no cromossoma 6 (Zhang, et al.,1994).A leptina é produzida principal-mente, no tecido adiposo, embora tambémpossa ser encontrada em poucas quantida-des no epitélio intestinal, placenta, leitematerno e músculo esquelético. (Araújo,Fraceto, Silva, 2004).É codificada por um gene que tem650 kilobases, três exons e dois íntrons eseu RNAm possui 4,5 kilobases (figura 2).A região promotora tem elementos comoTATA Box, C/EBP (região de ligação àproteína), GRE (elemento responsivo aglicocorticóide) e CREB (elemento deligação à proteínas responsivo ao AMPc).A transcrição e a tradução ocorrem notecido adiposo, placenta e trato gastrintes-tinal, onde a razão de produção é direta-mente relacionada à massa de tecido adi-poso (Araújo, Fraceto, Silva, 2004).Figura 1: A leptina apresenta-se como umfeixe de quatro α-hélices.Figura 2: síntese da leptina. O gene é transcrito por RNAmque codifica um pró-hormônio de 167aminoácidos. A se-qüência sinal contém 21 aminoácidos e é removida para aliberação da leptina na corrente sanguínea.PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 93
  9. 9. O gene ob (gene obeso) do tecidoadiposo codifica um RNAm, com uma se-qüência aberta de leitura (ORF) correspon-dendo a 167 aminoácidos altamente conser-vados. A proteína, denominada leptina (ob)tem características de uma proteína secretó-ria. Uma mutação de CGA para TGA, noscamundongos ob/ob (camundongo obeso),resulta mudança de uma argina, na posição105 para um códon de finalização, forman-do uma proteína inacabada, que não é libe-rada na corrente sanguínea (Soares e Gui-marães, 2001). Desta forma, indivíduosobesos são capazes de sintetizar leptina,porém esta se apresenta em uma forma nãofuncional.2.3- Ação Central da LeptinaEstudos feitos por pesquisadoresnorte-americanos demonstram que a lepti-na aciona a produção da forma ativa de umpeptídio, o αMSH, no hipotálamo, a pe-quena área na base do cérebro que controlaatividades importantes do organismo, co-mo o apetite e o sono. Os pesquisadoresenvolvidos dizem que tal peptídio é umdos mais poderosos amplificadores desinais metabólicos do corpo humano. Eleseria responsável pelo envio ao cérebro demensagens rápidas e incisivas para a quei-ma de calorias.A ação da leptina, no sistema ner-voso central (hipotálamo), promove a re-dução da ingestão de alimentos e o aumen-to do gasto energético, além de regular afunção neuroendócrina e incrementar ometabolismo de glicose e de gorduras(Sánchez, 2005).2.4-A leptina e a resistência da mesma naobesidadeEm seres humanos obesos, quantomaior a quantidade de tecido adiposo,maiores os níveis de leptina circulantes.Esse achado é paradoxal, já que níveiselevados de leptina deveriam diminuir oapetite e aumentar o gasto energético. As-sim, de forma similar ao que ocorre emalguns indivíduos com diabetes mellitus,em que os níveis de insulina estão aumen-tados, é provável a ocorrência de um au-mento da resistência periférica à leptinaem seres humanos com obesidade. (Sán-chez, 2005).Esse paradoxo tem sido explicadopor numerosos mecanismos celulares. Ummecanismo plausível envolve um possíveldefeito no transporte da leptina, por meioda barreira hematoencefálica. A menorexpressão de receptores da leptina em in-divíduos, com obesidade associada à inges-tão de dietas ricas em gorduras, tambémpode ser uma explicação, enquanto umpossível papel facilitador da obesidade,exercido pelos corticosteróides continuaespeculativo (Sánchez, 2005).2.5- Neuropeptídeo YO Neuropeptídeo Y é um neuro-transmissor importante no controle do pesocorporal liberado pelos neurônios hipota-lâmicos. Os seus efeitos antagônicos aosda leptina, estudados em camundongossão: aumento da ingestão alimentar, au-mento da concentração sérica de insulina,diminuição da atividade simpática, redu-zindo desta forma, a energia liberada, au-mentando os estoques de triglicerídeos nosadipócitos e conseqüentemente, ocorrendoo ganho de peso corporal. Sua secreção éinibida pela leptina, por um mecanismo defeedback (White & Artin, 1997).O neuropeptídeo Y encontra-seenvolvido na via orexígena juntamentecom outra proteína chamada AGRP (doinglês AGouti-Related Protein). Em ca-mundongos, ob/ob e db/db coexistem ní-veis elevados de NPY/AGRP, situação queinduz obesidade, mas que pode ser modifi-cada para o sentido inverso, se for adminis-trada leptina aos camundongos ob/ob(Sánchez, 2005).Muitas pesquisas sobre obesidadePERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 94
  10. 10. estão direcionadas para a avaliação dosmecanismos envolvidos em sua fisiopato-logia. Outros componentes que participamdo controle do peso corporal, tais comopeptídeos (colecistoquinina – CCK, uro-cortina, CART); receptores (receptor (-3adrenérgico, receptor de glicocorticóides,receptor de serotonina); proteína desaco-pladora (UCP) estão também sendo objetosde estudos (Warden & Wander, 1997).3- DiagnósticoSegundo Schaan (2005), quandouma pessoa consulta por que está comexcesso de peso, o médico deverá fazeruma história médica completa, exame físi-co e estudos laboratoriais adequados. Ra-ramente a obesidade decorre por doençashormonais apesar de ampla disseminaçãodesse conceito. Dentre elas, podemos des-tacar a doença de Cushing, que consiste deexcesso do hormônio cortisol e do hipoti-reoidismo, que é a deficiência de hormô-nios da tireóide. O uso de corticoesterói-des, lítio e antidepressivos também pode seacompanhar de ganho de peso.Mesmo quando detectadas algumas dessascondições, o tratamento por si só, não levaà diminuição de peso, se a pessoa não as-sociar a uma dieta alimentar e a um pro-grama de exercícios físicos.O diagnóstico da obesidade podeser feito por diversos métodos, porém osantropométricos são os de mais fácil ma-nuseio, inócuos, de baixo custo e os maisindicados para a prática diária (Escrivão etal., 2000).A partir dos valores de peso e altu-ra obtêm-se o índice P/E, que é a relaçãoentre o peso observado e o peso esperadopara estatura no percentil 50, tendo comopadrão de referência o NCHS. O critériopara diagnóstico de obesidade na infância éa relação peso/estatura igual ou maior que120%. A Organização Mundial de Saúderecomenda a apresentação dos índices soba forma de escores “Z” para a relação pe-so/estatura (WHO, 1995).A forma mais recomendada pelaOMS para o diagnóstico da obesidade é aavaliação do peso corporal através doIMC. Como citado anteriormente, o cálcu-lo do IMC é feito dividindo-se o peso dopaciente em kilograma pelo quadrado desua altura em metros. Através dos resulta-dos obtidos, é possível saber a condição deum indivíduo. (Tabela 1).IMC (Kg/m2) Grau de risco Tipo de obesidade18 a 24,9 Peso saudável Ausente25 a 29,9 Moderado Sobrepeso (Pré-obesidade)30 a 34,9 Alto Obesidade (Grau I)35 a 39,9 Muito alto Obesidade (Grau II)40 ou mais Extremo Obesidade (Grau III)Tabela 1- Critérios de classificação do peso corporal segundo o IMC, estabeleci-do pela OMS. (http://www.abcdocorposalutar.com.br/artigo)PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 95
  11. 11. 4- Classificação da obesidade deacordo com suas causasQuando se deseja classificar a obe-sidade, deve-se levar em conta que é umaenfermidade heterogênea, multifatorial,seja pela sua etiopatogenia, suas caracterís-ticas anatomopatológicas, a apresentação eevolução de seu quadro clínico, assim co-mo pela concomitância ou não de fatoresde risco de saúde, o que determina que se aclassifique de várias formas, dependendodo fator a considerar (UNIFESP Virtual,2005). Desta forma, podemos classificar aobesidade em:n Obesidade por distúrbio nutricionalDietas ricas em gorduras;n Obesidade por inatividade físicaSedentarismo, incapacidade obrigató-ria e idade avançada;n Obesidade secundária a alteraçõesendócrinasSíndromes hipotalâmicas, síndrome deCushing, hipotireoidismo, ovários policís-ticos, hipogonadismo, déficit de hormôniode crescimento;n Obesidade secundáriaSedentarismo, drogas: psicotrópicos,corticóides, antidepressivos tricíclicos,lítio, fenotiazinas, ciproheptadina.n Obesidade de causa genéticaAutossômica recessiva, síndrome deLawrence-Moon-Biedl5- Atividade física x obesidadeO exercício não é milagroso, como tam-bém não são os remédios utilizados paraemagrecimento. O milagre verdadeiroreside, em uma dieta equilibrada, propor-cional ao gasto energético diário. O exercí-cio físico é um potente auxiliador na redu-ção do peso corporal, principalmente naredução da gordura corporal, como citouLeal e Pampanelli (2004).O principal papel da atividade físi-ca deve ser o de aumentar o gasto energéti-co da ingestão alimentar para que algumagordura corporal seja reduzida. Em segun-do lugar, o exercício é indispensável paraevitar que as regiões em que se perderamgorduras fiquem flácidas.Exercícios como caminhada, esca-lada, atividade com bola são recomendadaspara a diminuição da gordura corporal.6. TratamentoO tratamento básico da obesidade,como citou Halpern (2003), apóia-se namodificação do comportamento alimentare no incremento da atividade física. O tra-tamento envolve necessariamente a reedu-cação alimentar, com o aumento da ativi-dade física e, eventualmente, o uso de al-gumas medicações auxiliares.A reeducação alimentar independedo tratamento proposto. Ela é fundamental,uma vez que através dela, reduz-se a inges-tão calórica total e o ganho calórico decor-rente (EQUIPE ABC DE SAÚDE, 2001).Figura 3: A atividade física é ummecanismo de auxilio à perda depeso.PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 96
  12. 12. Tabela 2: Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.(http://www.abcdocorposalutar.com.br/artigo.)Dentre as diversas formas dietéti-cas, a dieta hipocalórica balanceada é amais aceita cientificamente. Segunda aEQUIPE ABC DE SAÚDE (2001), osalimentos devem ser distribuídos com a-proximadamente 50 a 60% de carboidratos,25 a 30% de gorduras e 15 a 20% de prote-ínas.A atividade física, independente-mente do tipo, resulta gasto energético. Oexercício apresenta uma série de benefíciospara o paciente obeso, melhorando o ren-dimento do tratamento com dieta. Entre osdiversos efeitos se incluem: diminuição doapetite, aumento da produção de insulina,melhora do perfil de gorduras, melhora dasensação de bem-estar e auto-estima.A orientação da atividade física, se-gundo a EQUIPE ABC DE SAÚDE (2001)deve ser de pelo menos 30 a 40 minutos aomenos 4 vezes por semana.6.1- Tratamento medicamentosoComo a obesidade é uma doençacrônica e, muitas vezes, o tratamento clás-sico, com planejamento alimentar e incen-tivo à atividade física, não resulta benefí-cios, é necessário administrar medicamen-tos que auxiliem a perda de peso.Existem vários tipos de medica-mentos para o tratamento da obesidadecom objetivos distintos, dentre eles: dimi-nuir a fome, aumentar a saciedade, aumen-tar a queima de calorias e diminuir a ab-sorção de gorduras.Os medicamentos atualmente dispo-níveis para tratamento da obesidade podemser classificados de acordo com seu modode ação (Tabela 2).6.2- Tratamento cirúrgicoEm casos muito graves de obesida-de, quando o IMC é superior a 40Kg/m2énecessária uma intervenção cirúrgica.De acordo com Halpern (2003),existem várias técnicas cirúrgicas, cadauma com o seu objetivo especifico. A maissimples realizada é a laparoscopia, queconsiste em colocar uma banda, em voltado estomago, com o objetivo de controlar odiâmetro do orifício de passagem do ali-mento. Nessa técnica, a perda de peso é de10 a 20% do peso inicial.A cirurgia maior é feita com aabertura da pele ou por laparoscopia. Nes-sa técnica, a maior parte do estômago écortada, deixando uma pequena parte quese une à porção do intestino delgado cha-mado de jejuno. O grande estômago ficafora do circuito de alimentos e, unido aoduodeno, é ligado também ao jejuno. Estacirurgia, que é a mais utilizada no mundotodo, apresenta, em geral, excelentes resul-tados. A perda de peso é de cerca de 40%do peso original, e quase sempre, o indivi-duo permanece com o mesmo peso (compequenas variações) pelo resto da vida.Modo de ação Substância ativaCatecolaminérgicos Fentermina, fenproporex, anfepramona, mazin-dol, fenilpropanoalaminaSeretoninérgicos Fluoxetina, sertralinaCatecolaminérgicos SibutraminaTermôgenicos Efedrina, cafeína, aminoflinaInibidores de absorção de gorduras OrlistatPERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 97
  13. 13. Referências Bibliográficas:Araújo, D; Fracetto, L.F.; Silva, J.A. Leptina o hormônio da obesidade. Revista eletrônica dodepartamento de química da UFSC, ano 4. Disponível em:<http://quark.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/colaboracoes/leptina.html>. Ano de publicação: 2004.Acesso em: 1° de junho de 2005.Bernadini, F; Cichelero, C; Vitolo, M.R.. Comportamento de restrição alimentar e obesidade.Revista de nutrição, vol 18, no.1, Jan/Fev 20056- ConclusãoCom a elaboração desta revisão foipossível perceber que a obesidade é ummal que atinge a todas as sociedades eencontra-se crescendo cada vez mais, tra-zendo uma série de conseqüências maléfi-cas aos indivíduos que sofrem desse mal.A obesidade está relacionada a di-versos fatores, tais como a genética indivi-dual, a dieta rica em gorduras (mau hábitoalimentar), fatores sociais, étnicos, etc.Mas essa é uma doença que tem cura, bastao indivíduo ter força de vontade para eli-minar esse mal.A obesidade não se encontra sozi-nha no que diz respeito às complicações.Ela traz consigo problemas tais como: odiabetes, a hipertensão, o colesterol eleva-do e uma conseqüente inatividade física.O maior meio de combate a obesi-dade é a prevenção. Através de atividadesfísicas, comportamentos dietéticos corretose outros fatores. É possível deixar esse malàs escuras.As pesquisas relacionadas à obesi-dade estão avançando muito rapidamente,haja vista o crescimento desse mal a cadadia. Pesquisas comprovaram que a leptina,hormônio que sinaliza ao cérebro o estadoenergético do individuo, é o hormônioregulador do peso corporal. Inúmeras sãoas pesquisas sobre esse hormônio protéico.Hoje sabemos que não se encontra somenteenvolvido no controle do apetite, mas tam-bém, em diversas outras funções orgânicas,tais como: reprodução, resposta imune,crescimento, funcionamento cardiovascu-lar dentre outros.Por isso, a leptina deve ser alvo demuita atenção de pesquisadores da área,pois à medida que os conhecimentos au-mentam, desvendamos um mundo inima-ginável de possibilidades para nos preve-nirmos desse mal do século: a obesidade.PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 98
  14. 14. Dantas, S; Fernandes, F; Ramires, F. J. A. O miocárdio na obesidade. Revista da sociedade decardiologia do estado de São Paulo, vol13, no.4, p.399-403, Jul/Ago de 2003. Disponível em:<http://www.socesp.org.br/revista/>Acesso em: 02 de junho de 2005EQUIPE ABC DE SAÚDE. Obesidade. São Paulo, 2001. Disponível em:<http://www.abcdocorposalutar.com.br/artigo.php?codArt294> Acesso em: 06 de junho de 2005Halpern, A. Obesidade, 2003. Disponível em:<http://emedix.com.br/doe/end001_1h_obesidade.php> Acesso em: 05 de junho de 2005Harris, R.B., Kasser, T.R., Martin, R.J. Dynamics of recovery of body composition after over-feeding, food restriction or starvation of mature female rats. J Nutr (1986) 116: 2536-2546.Leal, C. N; Pampanelli, H. B. Obesidade por que se livrar desse mal?,2004 Disponível em:<http://www.saudenarede.ubbi.com.br/saude.html> Acesso em: 13 de junho de 2005Licinio J, Mantzoros C, Negrao AB, et al. Human leptin levers are pulsatile and inverselyrelated to pituitary-adrenal function. Nat Med 1997; 3:575-579.Mion, D; Alvo da obesidade, 2004. Disponível em:<http://www.deciomion.com.br/noticias/index.asp?noticia_id=45> Acesso em: 07 de junhode 2005Schaan, B. Obesidade na infância. 2005. Disponível em:http://www.doutorbusca.com.br/artigos/questionview.asp?key=Obesidade+na+inf%E2ncia> Acesso em: 13 de junho de 2005-06-14Guimarães, S.E.F.; Soares, M.A.M. O papel da leptina e de seus receptores no metabolis-mo da gordura. In: II Conferência Internacional Virtual sobre a Qualidade da Carne Suí-na, 2001, Viçosa.Sánchez, J.C. Papel Fisiológico de la Leptina. Colomb Med 2005; 36:50-59.Vannuchi, C; Rodrigues, G. Olha a boca. Revista Isto É, edição no. 1840, São Paulo. Ja-neiro/2005Zhang Y, Proenca R, Maffei M, Barone L, Leopold L, Friedman JM. Positional cloning ofthe mouse obese gene and its human homologue. Nature 1994; 372: 425-432.PERSPECTIVAS ONLINE, Campos dos Goytacazes, v.1, n.2, p.86-99, 2007 99

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