O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial
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O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial Document Transcript

  • Revista Eletrônica de Enfermagem. 2008;10(1):198-211.Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm_________________________________________________________________________ARTIGO DE REVISÃO198O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: um estudo bibliográficoSelf-care in individuals with high blood pressure: a bibliographical studyEl autocuidado en los individuos con hipertensión arterial: un estudio bibliograficoMislaine Casagrande de Lima LopesI, Lígia CarreiraII, Sonia Silva MarconIII,Andréia Cristina de SouzaIV, Maria Angélica Pagliarini WaidmanVRESUMOEstudo bibliográfico de natureza qualitativa,cuja finalidade foi identificar a forma como oautocuidado do hipertenso tem sido abordadona literatura nacional. A seleção do material sedeu a partir de consulta à BIREME. Foramselecionados onze artigos que se adequavam aoestudo, analisados nos meses de setembro eoutubro de 2006. Os artigos destacaram que odéficit de autocuidado refere-se, principalmente,ao desconhecimento e não adesão às formas detratamento, sendo que a participação familiar éimportante para auxiliar na solução destadificuldade. Os estudos valorizaram aabordagem da equipe interdisciplinar paraobservar e compreender a visão do indivíduosobre a hipertensão arterial e atuar no suporteeducacional da pessoa com hipertensão arterialpara a realização do autocuidado. Considera-sea família um agente de suporte para o cuidadoa essas pessoas. Profissionais precisammodificar suas condutas, principalmente para oaconselhamento em saúde, repensando suaprática enquanto instrumento responsável pelocontrole da doença.Palavras chave: Hipertensão; Autocuidado;Família; Assistência ao paciente.ABSTRACTThis is a bibliographical study of a qualitativenature, which aims to identify the way self-careby patients with with high blood pressure hasbeen approached in Brazilian literature. Theselection of the material was conducted byconsulting the BIREME database. Eleven articlesthat fit the study were selected and analyzedduring the months of September and October2006. The articles highlighted that the problemswith self-care refers mainly to lack of awarenessand adherence to treatments. Familyparticipation is extremely important in order tosolve these difficulties. The studies emphasizethe actions by the interdisciplinary staff in orderto solve and understand the perspective of thepatient with high blood pressure, and also workon the educational support for self-care bythose who suffer from this ailment. The family isconsidered an agent of support in the care ofindividuals with high blood pressure.Professionals are urged to modify theirbehavior, mainly in regards to health advice, byrethinking it as an instrument for control of thatillness.Key words: Hypertension; Self-care; Family;Patient care.RESUMENEstudio bibliográfico de naturaleza cualitativa,cuya finalidad fue identificar la forma como elautocuidado del hipertenso ha sido abordado enla Literatura nacional. La selección del materialfue a partir de la consulta al BIREME. Fueronseleccionados once artículos que se adecuabanal estudio. Los mismos fueron analizados en losmeses de septiembre y octubre de 2006. Losartículos destacaron que el déficit delautocuidado se refieren, principalmente, aldesconocimiento y no-adhesión a las manerasde tratamiento, siendo la participación familiarimportante para el auxilio en la solución de estadificultad. Los estudios valorizaron el abordajedel equipo interdisciplinario para observar ycomprender la visión del individuo sobre lahipertensión arterial y actuar en el soporteeducacional del hipertenso para la realizacióndel autocuidado. Se considera la familla unIEnfermeira. Mestre em Enfermagem. E-mail:mislaine.lima@bol.com.br.IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora doDepartamento de Enfermagem da Universidade Estadual deMaringá. E-mail: ligiacarreira@hotmail.com.IIIEnfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem.Professora da graduação e coordenadora do Mestrado emEnfermagem na Universidade Estadual de Maringá. E-mail:ssmarcon@uem.br.IVEnfermeira. Especialista em Enfermagem em SaúdeColetiva e Saúde da Família.VEnfermeira Doutora em Filosofia da Enfermagem.Professora da graduação e do Mestrado em Enfermagem daUniversidade Estadual de Maringá. E-mail:angelicawaidman@hotmail.com.
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm199agente de soporte para el cuidado al individuohipertenso. Profesionales necesitan cambiar susconductas, principalmente para el consejo ensalud, repensando su práctica en cuantoinstrumento responsable por el control de laenfermedad.Palabras clave: Hipertensión; Autocuidado;Familla; Atención al paciente.INTRODUÇÃOOs avanços tecnológicos nas últimasdécadas têm colaborado para mudanças radicaisno modo e no estilo de vida das pessoas. Estefato, associado com a evolução tecnológica naassistência à saúde influenciousignificativamente para o aumento daexpectativa de vida da população(1). Observa-se, de um lado, que as possibilidades de maiorintervenção sobre o meio ambientecontribuíram para reduzir as doenças infecto-contagiosas, apesar destas ainda seremfreqüentes nas comunidades mais carentes. Poroutro lado, as repercussões do desenvolvimentocientífico e tecnológico nas condições de vida dapopulação têm levado a mudanças significativasna pirâmide populacional. Com o aumentoprogressivo da população adulta e idosa, estasficam expostas a um maior risco de desenvolverdoenças crônicas e degenerativas, sendo que asmesmas têm ocupado as primeiras posições nasestatísticas de mortalidade no Brasil(1).As doenças crônicas têm se demonstradode grande importância, devido seu carátercrônico e incapacitante, podendo deixarseqüelas para o resto da vida. Estima-se que40% das aposentadorias precoces decorrem dasmesmas e que 60 a 80% dos casos podem sertratados na rede básica(2). Estas incluem odiabetes mellitus, obesidade, câncer, doençascardiovasculares e doenças respiratórias,estando entre as principais causas de morte emtodo o mundo. Entre estas doenças, verifica-seque a hipertensão arterial é um dos problemasde saúde mais prevalentes na população.A hipertensão arterial é considerada umadoença de grande magnitude em termoseconômicos, sociais e de qualidade de vida.Estima-se que 11 a 20% da população adultasofra com esta condição crônica, sendo este omais importante fator de risco cardiovascular(3).Cerca de 85% dos pacientes com acidentevascular encefálico e cerca de 40 a 60% dospacientes com infarto do miocárdio apresentamhipertensão arterial associada(2).A hipertensão arterial ocasionatransformações expressivas na vida dosindivíduos, sejam elas na esfera psicológica,familiar, social ou econômica pela possibilidadede agravo a longo prazo. As mudanças queocorrem, provocam rupturas no modo de viver,exigindo dos indivíduos modificações em seushábitos diários, nos papéis quedesempenhavam, enfim mudanças que exigemuma nova reestruturação em suas vidas(4).Muitos são os fatores etiológicos quepodem predispor a hipertensão arterial, entreeles podemos encontrar: a predisposiçãogenética, fatores ambientais (alimentação eestresse), a sedentariedade e o aumento dalongevidade(5). As doenças crônico-degenerativas se relacionam às condições devida, trabalho e consumo da população,gerando atenções psicossociais e,conseqüentemente, o desgaste e deterioraçãoorgânico-funcional, com especial sobrecarga dosistema nervoso endócrino e cardiovascular(1).Neste contexto, um número cada vez maior deindivíduos com este padrão de agravo tende acompor a clientela dos serviços de saúde.A hipertensão arterial ainda ocorre commaior freqüência no sexo masculino.Entretanto, isso tem sido alterado, devido àsmudanças nos hábitos das mulheres, sendo queaquelas que fumam e fazem o uso deanticoncepcional e possuem mais de 30 anossão as mais atingidas. No homem ela aparecedepois dos 30 anos e na mulher, após amenopausa(6).O controle da hipertensão arterial estáintimamente ligado a mudanças de hábitos devida: alimentação adequada, prática regular deexercícios físicos e abandono do tabagismo;estas estratégias se referem a atividades deauto-cuidado que, muitas vezes, deveriam serorientadas por profissionais e precisam ser
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm200realizadas pelas pessoas portadoras dehipertensão para o ideal controle dos níveispressóricos. Entretanto, seu controle tem seconstituído um desafio para profissionais desaúde, pois se por um lado, seu tratamentoenvolve a participação ativa dos hipertensos nosentido de modificar alguns comportamentosprejudiciais a sua própria saúde e assimilaroutros que beneficiem sua própria condiçãoclínica(7), por outro, os profissionais de saúdeainda não incorporaram a concepção devisualizar o homem como um ser integral eindivisível, sendo que suas práticas serestringem ainda a olhares reducionistas aobiológico.A concepção holística do homem é ofundamento que permeia toda a assistência deenfermagem, pois o doente não é um serisolado, não abandona todo o seu contexto devida depois de ser acometido pela doença. Ocuidado à pessoa portadora da hipertensão e arealização do autocuidado dependerá, entreoutros fatores, da percepção que ele em seugrupo familiar têm da doença e do significadoque a experiência têm para eles(1).O autocuidado, definido por Dorotea Oremse refere à prática de atividades, iniciadas eexecutadas pelos indivíduos, em seu própriobenefício para a manutenção da vida, da saúdee do bem estar(8). As atividades que exigemparticipação do enfermeiro se manifestamquando um adulto acha-se incapacitado oulimitado a prover seu próprio cuidado, contínuoe eficaz. Neste caso, Orem define esse processocomo déficit de autocuidado(8). A teórica refereque todos os indivíduos são capazes de cuidarde si, englobando todas as condições que umapessoa tem para se proteger e para determinaraquilo que é necessário para sua qualidade devida. Quando uma pessoa não consegue cuidarde si, o enfermeiro, então, pode oferecer ajuda,tendo em vista a capacidade que o ser humanotem para desenvolver ações de autocuidado,numa base contínua para sustentar a vida e asaúde, recuperar-se da doença ou ferimento ecompatibilizar-se com seus efeitos(8).Os indivíduos podem se beneficiar doscuidados de enfermagem quando estão sujeitosa limitações relacionadas a sua saúde. Oacompanhamento dos casos e as ações decaráter preventivo e educativo constituem ocentro da estratégia para o controle do agravo.As ações da equipe de saúde, no combate àhipertensão arterial e estímulo ao autocuidado,devem incluir a ênfase no controle dotabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse,consumo restrito de sal e bebidas alcoólicas e oestímulo a uma alimentação saudável(3).Entretanto, estudos revelam que alguns fatoresinterferem na adesão dos pacientes a estestratamentos(4,9).Observa-se grandes dificuldades no que serefere a mudanças de hábitos, pois estes fazemparte de uma construção social e sãoinfluenciados pelo meio em que os pacientes seinserem, necessitando, assim, de investimentosincansáveis dos serviços de saúde para areversão deste quadro.Ao cuidar do indivíduo com hipertensão,algumas metas devem ser perseguidas pelaequipe de enfermagem, sendo elas: acompreensão do processo patológico; dotratamento e incentivo do indivíduo aparticipação de programas de autocuidado, bemcom a certificação da ausência de complicaçõespara controlar a hipertensão com mudanças doestilo de vida e o uso de medicamentos(10).Entretanto, a prática profissional e dosserviços para a busca pela adesão aotratamento, tem sido desenvolvidas por meio deuma atitude autoritária, cuja visão é a documprimento de ordens médicas e/ou dasordens de outros profissionais. Como otratamento da hipertensão, mais do que “tomarremédios”, supõe mudanças no estilo de vida,alguns autores têm se reportado a dificuldadede clientes em aceitarem tais mudanças(4).Sobre o assunto, a literatura temapontado a necessidade de se organizar umatendimento a clientes portadores dehipertensão, que fortaleça a mudança decomportamentos(6). Por exemplo, em um estudorealizado com indivíduos hipertensos no sul dopaís, verificou-se que alguns indivíduosconhecem os fatores que facilitam o controle dahipertensão, entretanto, nem todos realizam osdevidos exercícios físicos, controle alimentar,atividades de lazer, e outras atividadesnecessárias(6). A maioria dos entrevistados(67%) não tinha conhecimento sobre algumas View slide
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm201informações básicas, tal como a interferênciados constituintes do cigarro na pressãoarterial(6). Este fato pode refletir a parcialidadedo conhecimento, no grupo estudado, dasinformações necessárias para um melhorcontrole e/ou prevenção da hipertensão arterial.Considerando a importância de seconhecer as diversas possibilidades de oferecercuidados a esse grupo, este estudo teve comoobjetivo identificar, na literatura nacional aforma como o autocuidado do hipertenso temsido abordado pelos profissionais de saúde.METODOLOGIARealizou-se de um estudo bibliográfico, oqual é concebido como aquele que explica umproblema a partir de referências teóricaspublicadas em documentos e, geralmente,busca conhecer ou analisar as contribuiçõesculturais ou científicas existentes sobre umdeterminado assunto ou tema(11).Alguns passos para o desenvolvimentodesta forma de estudo são indicados, sendoeles: 1) busca do material nos catálogos dasbibliotecas; 2) seleção dos textos de acordocom os objetivos; 3) leitura do texto; 4)anotações somente depois de ter lido o textocriticamente; 5) transcrição dos dados exatos eúteis em relação ao tema levantado; 6) registrode qualquer idéia crítica ou conjectura pessoalque emerge no decorrer da leitura, paraposterior verificação e reflexão e 7) corretacitação das fontes no relatório de pesquisa,evitando o problema de uso indevido domaterial, o que caracteriza a violação dasnormas nacionais e internacionais de direitosautorais(11)Para a seleção dos estudos a seremanalisados, foram propostos os seguintescritérios: 1) artigos que tenham como autoresprofissionais da área da saúde; 2) terem sidorealizados com pessoas portadoras dehipertensão arterial e descreverem odesenvolvimento do autocuidado destas emrelação à doença; 3) terem sido publicados naliteratura nacional no período de 1995 a 2005;4) constar nas bases de dados LILACS(Literatura Latino-Americana e do Caribe emCiências da Saúde) e/ou BDENF (Banco deDados em Enfermagem).A seleção do material se deu, no mês desetembro de 2006, a partir das palavras-chaveautocuidado e hipertensão arterial; educação emsaúde, cuidado e hipertensão. Inicialmente, foramencontrados 20 artigos que atendiam aos critériosde inclusão previamente estabelecidos. Porém,para compor o conjunto de artigos a seranalisado, os mesmos eram capturados e lidospor mais de um pesquisador e, posteriormente,discutida, em dupla, sua pertinência erelevância frente aos objetivos do estudo.Sendo assim, 11 artigos foram efetivamenteincluídos no estudo.Para a coleta dos dados foi elaborado uminstrumento contendo os seguintes itens: dados deidentificação do trabalho; dados referentes arealização e déficit do autocuidado em pessoascom hipertensão, baseado na teoria de Dorotea E.Orem; dados referentes a participação da famíliana realização do autocuidado e atuação deprofissionais de saúde na assistência aohipertenso. Após a leitura minuciosa dos trabalhos,foram transcritos os resultados de interesse noroteiro de coleta de dados. Cada trabalho foiidentificado por meio de códigos de acordo com otipo do trabalho e a ordem de leitura, como, porexemplo: L.1, referindo-se ao primeiro artigo lido.Terminada a coleta de dados, o roteiro foilido e relido até que fosse possível oenvolvimento com a idéia expressa pelo autor,buscando inclusive a dimensão subjetivaincorporada no texto. Inicialmente, foramagrupados todos os itens referentes ao tema,por exemplo, as ações de autocuidado, asformas de participação familiar no cuidado aoindivíduo com hipertensão, entre outras.Posteriormente, após esse agrupamento, foifeita a análise temática. Esta, consiste emdescobrir os núcleos de sentido que constituem acomunicação e cuja aparição pode representar algopara o pesquisador. Terminada essa etapa foirealizada uma categorização. Categorizar significaclassificar elementos constitutivos de um conjunto,por diferenciação e, seguidamente, porreagrupamento segundo a analogia. Assim, foirealizada uma análise semântica, ou seja, foramreagrupadas palavras ou temas com o mesmosentido(12), o que deu origem a quatro categoriastemáticas. View slide
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm202ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOSTodos os trabalhos lidos referiam-se apesquisas de campo, realizadas com um grupoespecífico de pessoas com hipertensão, noperíodo de 1995 a 2005.O Quadro 1 apresenta os artigos lidos,suas características de realização e publicação.A referência completa dos textos encontra-se nofinal do artigo (Anexo 1).Quadro 1: Artigos utilizados no trabalho para aplicação do roteiro de investigação.Código Título do artigo AutoresÁreaprofissionaldos autoresL1A teoria do déficit de autocuidado de Oremaplicada em Hipertensas.Cadê, 2001 EnfermagemL2A família como suporte para o idoso no controleda hipertensão arterial.Lima, Lopes e Araújo, 2001 EnfermagemL3Portador de Hipertensão Arterial: atitudes,crenças, percepções, pensamentos e práticas.Peres, Magna e Viana, 2003 MedicinaL4Significados simbólicos dos pacientes com doençacrônica.Munoz, Price, Cambini eStefanelli, 2003EnfermagemL5As concepções de Saúde-doença de portadores dehipertensão arterial.Wendhausen e Rebello, 2004EnfermagemL6A hipertensão arterial sob o olhar de umapopulação carente: estudo exploratório a partirdos conhecimentos, atitudes e práticas.Lima, Bucher e Lima, 2004 PsicologiaL7Fatores de risco em Indivíduos com hipertensãoarterial.Pessuto e Carvalho, 1998 EnfermagemL8Vivenciando la hipertensión en consultorios deatención primária.Price, Arellano, Burgos,Garcia, Penailillo e Munoz,2001EnfermagemL9Uma investigação antropológica na terceira idade:concepções sobre a hipertensão arterial.Carvalho, Junior e Machado,1998MedicinaL10 O idoso hipertenso e o autocuidado Freire e Nóbrega, 2001 EnfermagemL11O autocuidado de clientes portadores dehipertensão arterial em um hospital universitárioCesarino, Oliveira e Shoji,2004.EnfermagemObserva-se, no Quadro 1, que a maioriados artigos encontrados foram realizados porenfermeiros e em menor proporção por médicose psicólogos. Este fato pode revelar aimportância que diversas categoriasprofissionais têm dado aos problemasocasionados pela hipertensão arterial, paraalém das questões clínicas que envolvem essatemática, mas também aquelas que envolvemas atitudes, crenças, culturas e práticas.Em relação aos objetivos dos estudosrealizados, foi possível identificar que estesforam diversos (Quadro 2). Entretanto, todos sepreocupam em conhecer com maiorprofundidade a trajetória do indivíduo naconvivência com a hipertensão, enfatizandosuas dificuldades, facilidades, atitudes, crençase concepções. Este fato pode revelar queprofissionais têm se despertado para conhecerintimamente os fatores que envolvem o controleda pressão arterial, deixando de focalizar seusolhares no conhecimento biológico e namedicalização da doença.
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm203Quadro 2: Objetivos dos estudos analisados.Objetivos dos estudos Códigos dos artigosIdentificar o autocuidado, déficit, facilitadores e dificultadores e a conscientização dosindivíduos para a realização deste.L 1, L11, L10Descrever as concepções de indivíduos hipertensos, sobre saúde-doença e daetiologia da hipertensão.L 5, L 9Identificar motivos e hábitos que desencadeiam fatores de risco. L 6, L 7Descrever a vivência do indivíduo com hipertensão L 4, L 8Identificar comportamentos dos familiares de idosos portadores de Hipertensãoarterial.L 2Identificar as atitudes, crenças, percepções e pensamentos do indivíduo comhipertensão.L 3Aplicar os conceitos da teoria de Enfermagem de Orem na sistematização daassistência de Enfermagem ao idoso hipertensoL10Categorias TemáticasUtilizamos a teoria de Dorothea Orem(8),como fundamento para a elaboração dascategorias temáticas. Assim de acordo com ateoria, foi possível identificar as seguintescategorias: 1) A prática do autocuidado entreindivíduos com hipertensão; 2) Práticas querevelam o déficit de auto-cuidado; 3)Participação da família no cuidado aohipertenso; e 4) A participação do profissionalde saúde na assistência ao paciente hipertenso.A seguir, apresentamos as categorias,enfatizando os dados encontrados nos artigos.A prática do autocuidado entre indivíduoscom hipertensãoNesta categoria foi possível identificarduas sub-categorias: 1. Fatores que facilitam odesenvolvimento do autocuidado; 2. Recursosque o hipertenso utiliza para a realização doautocuidado.Fatores que facilitam o desenvolvimentodo autocuidadoAs atitudes desenvolvidas por algumaspessoas com hipertensão podem constituirfatores facilitadores no desenvolvimento doautocuidado, pois resultam em uma maiorpossibilidade de controle da hipertensãoarterial. Na sub-categoria 1, observou-se que amaior parte dos estudos se referem a mudançade hábitos de vida. Os cuidados em relação amanutenção dos níveis pressóricos emcondições ideais são requisitos indispensáveispara o indivíduo quando este possui umadoença crônica. O ato de cuidar-se quando emsituação de doença, constitui-se em uma dasformas de autocuidado descritos por Orem,sendo considerado como requisito deautocuidado por desvio de saúde(8). Portanto, oensino do autocuidado, segundo a teórica, é umprocesso importante, pois ajuda o indivíduo naampliação do conhecimento do processo saúde-doença, melhorando assim a autopercepção efavorecendo mudanças de hábitos necessárias.Dentre os estudos observados, asmudanças de hábitos foram freqüentementecitadas pelos autores, revelando ser comum aspessoas com hipertensão adquiriremcomportamentos mais saudáveis.Entretanto, alguns estudos apontam queas práticas não medicamentosas, comoexercícios físicos e restrições alimentares, aindasão adotadas de forma incipiente pelas pessoasque possuem hipertensão, em decorrência dadificuldade que os mesmos possuem paramodificar alguns hábitos que outrora geravamprazer, como, por exemplo, comer alimentosgordurosos e bem temperados(13).A realização correta do tratamentomedicamentoso, citada em cinco estudos,constitui um fato positivo e relevante. Porexemplo, um estudo(14)identificou que oaumento do número de medicamentos a seremingeridos é inversamente proporcional à adesãoao tratamento medicamentoso, ou seja, quantomaior o número de medicamentos usados parao controle da hipertensão, menor é a adesão aesta forma de tratamento.Acredita-se que a adesão ao tratamentoestá atrelada ao papel educacional doprofissional junto ao cliente, no que se refere àorientação do autocuidado, e essa relaçãoenfermeiro-paciente, segundo Orem(8), é
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm204fundamental para que ocorram mudanças quecolaborem na manutenção ou recuperação dasaúde a partir do autocuidado.Outros fatores também foramreconhecidos como importantes no auxilio doautocuidado, conforme demonstrado no Quadro3, revelando que o profissional precisa estaratento a questões que envolvem interaçãosocial, a busca por informações e mudanças deatitudes frente a uma doença; oreconhecimento de causas e conseqüências dahipertensão arterial e o medo da incapacidadefísica resultante de seu descontrole, resultandono interesse e busca para a realização daspráticas de autocuidado. Por outro lado, mostraa importância da realização de uma assistênciaintegral pelo profissional, a partir de umarelação empática, solidária e pautada naconfiança mútua.Quadro 3: Apresentação dos fatores que facilitam o desenvolvimento do autocuidado entrehipertensos.Fatores Códigos dos artigosConhecimento e realização das mudanças de Hábitos (realização de dieta saudável,de exercícios físicos, deixar de beber e fumar...)L1, L2, L3, L5, L6, L7,L8, L9Realização correta do tratamento medicamentoso L3, L5, L8, L9, L11Reconhecimento das necessidades de desenvolvimento pessoal (interação social,fortalecimento para vencer a enfermidade, controle das emoções, busca porinformações...)L1, L3, L4Conhecimento sobre as causas e conseqüências da hipertensão arterial L3, L9Medo da incapacidade física, que pode ser ocasionado pelo descontrole daHipertensão arterialL3, L4Usuários buscam e recebem orientações de profissionais de saúde L7, L8Relação empática e confiança no cuidado profissional L4Interesse e habilidade para realizar o autocuidado. L10Recursos que o hipertenso utiliza para arealização do autocuidadoOs artigos apontam que os recursosoferecidos aos usuários pelo sistema de saúde,para o controle da hipertensão, ainda estãorestritos às consultas médicas e à distribuiçãode medicamentos anti-hipertensivos. Algunsartigos revelam uma grande confiança, porparte dos usuários, nestes recursos, como podeser exemplificado pelos seguintes substratos: “Amaioria dos entrevistados procurou algumserviço de saúde a partir do aparecimento dossintomas mais freqüentes da hipertensão, comoa dor de cabeça e a sensação de “zoeira nacabeça” (L 9).” “Por outro lado, a referência aosmedicamentos e ao tratamento médico é citadacom mais ênfase nos grupos A e B, o que nosleva a questionar até que ponto os serviços desaúde, incluindo o programa de H.A., acabamsendo mais um estímulo a medicalização, o quecolabora para a valorização excessiva dotratamento medicamentoso e da freqüência àconsulta médica, o que, em alguns casos podeser desnecessário, se o cliente conseguir aderira bons hábitos de vida (L 5).”Verifica-se, no segundo substrato, que osautores rechaçam a grande valorização dotratamento medicamentoso pelo hipertenso. Aênfase nesta forma de tratamento parece servista pelo indivíduo como uma fórmulamilagrosa de controle da pressão arterial, emdetrimento a outras práticas que são essenciaispara a manutenção de níveis pressóricos emvalores ideais.Orem refere que o enfermeiro possuipapel essencial na promoção de recursos paraque o cliente seja um agente do autocuidado. Aatuação dos enfermeiros e demais profissionaisno repasse de informações pode favorecer aadoção de outras condutas que devem sertomadas pelas pessoas com hipertensão,ampliando suas formas de atuação e cuidadocom a doença. Entretanto, para que a relaçãoenfermeiro-paciente seja mais efetiva, faz-senecessário a existência de um relacionamentocom movimento bidirecional entre os atoresenvolvidos, ou seja, que enfermeiro ehipertenso participem juntos das atividades deautocuidado e busquem melhores formas decondutas frente aos problemas encontrados nasmesmas. Isto porque, manter um sistema de
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm205apoio e educação às pessoas com hipertensãopromove o repasse de conhecimentos ehabilidades que podem facilitar o manejo dacondição crônica pela pessoa que a possui,passando a ser considerada como agentes deseu próprio cuidado(15).Para o manejo adequado do tratamento dahipertensão arterial há a necessidade de seconhecer hábitos, culturas e crenças dosindivíduos com hipertensão e também daspessoas de seu meio, que estejam envolvidasno cuidado. Isto porque, para a realização deseu próprio cuidado, a pessoa com hipertensão,muitas vezes, também recorre a tratamentosoriginados do conhecimento popular, além dotratamento oferecido pelo sistema de saúde.Entre os artigos em estudo verifica-se que trêsdeles referem-se à utilização de plantasconsideradas medicinais, preparadas na formade chás com frutas ou ervas, sendo estesconhecimentos repassados entre as gerações,vizinhos, entre outros: “Pode-se observar queestas ações que realizam para cuidar-se emparte pertencem ao conhecimento popular,crenças que eles outorgam um maior valor queas indicações de medicamentos (L 8)”. “Algunsentrevistados fizeram referência explícita ao usoalternativo de produtos naturais, como chá defolhas de eucalipto sem açúcar (afina o sangue,emagrece e a pressão baixa) (L 9)”.A utilização de outras formas detratamento, tais como simpatias e determinadostipos de alimentos, é comum entre os indivíduoscom hipertensão. Estes tratamentos alternativosnem sempre se mostram resolutivos e sequertem sua eficácia comprovada cientificamente,mas continuam a ser utilizados com relativafrequência, o que expõe o indivíduo ao risco decomplicações decorrentes da hipertensão.Orem também descreve o autocuidadocomo prática de atividades que o indivíduoexecuta em seu próprio benefício, namanutenção da vida, saúde e bem estar(15). Seconsiderarmos que o uso de produtos naturais,como os chás de ervas, são utilizados pelaspessoas com a intenção de recuperar ou mantero bem estar, podemos classificá-los comoatividade/recurso para o autocuidado, baseadosnas crenças humanas. Neste sentido, osenfermeiros devem estar atentos para autilização destas práticas, pois em alguns casospode haver substituição do tratamentomedicamentoso convencional, levando aprejuízos à saúde(13).Nesse sentido os profissionais, não podemnegar a cultura popular, nem descuidar doacompanhamento e controle das condições bio-fisiológicas dos pacientes, de forma a intervirantes que conseqüências mais graves sejaminstaladas. Do mesmo modo, também não sepode perder a oportunidade de utilizar osresultados alterados de exames laboratoriaispara sensibilizar os indivíduos sobre asalterações que possam estar ocorrendo e suarelação com a não adesão ao tratamentoproposto. Agindo assim, certamente se contribuimais eficazmente para o autocuidado.Práticas que revelam o déficit deautocuidadoNesta categoria, foi possível identificar asatitudes e práticas que dificultam oautocuidado, sendo que a ausência de sintomasé uma das principais. A hipertensão, na maioriadas vezes, é assintomática e não interfere narealização de atividades da vida diária. Estacaracterística da doença pode interferirfortemente na realização do autocuidado. Sendoassim, a ausência de informações/orientaçõessobre as características da hipertensão edesconhecimento sobre as suas conseqüências,levam muitos pacientes a não realizarem oautocuidado adequadamente(3-4,13). Oremtambém faz referencia à importância daparticipação da enfermagem nos casos dedesconhecimento e ausência de informações.De acordo com sua teoria, as intervenções doenfermeiro podem se relacionar aos sistemaseducativo e de suporte, com suas açõesvoltadas para o repasse de conhecimentos,treinamento de habilidades por parte dopaciente e ensino do auto-controle(8).Em função destes fatores e atitudesinterferirem na realização do autocuidadodesencadeando falhas no cuidado próprio dohipertenso), os mesmos estão sendoconsiderados como déficit de autocuidado,conforme apresentado no Quadro 4.
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm206Quadro 4: Fatores encontrados nos artigos, que dificultam a realização do autocuidado.Fatores Sistemas de Intervenção Códigos dos artigosDesconhecimento e não utilização do tratamentomedicamentoso corretamenteEducativo e de suporteL2, L3, L4, L5, L8, L9,L10, L11Dificuldade para mudanças de hábitos Educativo e de suporte L1, L6, L7, L10, L11Desconhecimento sobre as conseqüências dahipertensão arterialEducativo e de suporteL3, L6, L9Ausência de sintomas, que dificulta a adesão aotratamentoEducativo e de suporte L3, L9Valorização do atendimento médico, em detrimentode outras práticas.Educativo e de suporte L3Neste quadro, observa-se que todos osfatores desencadeantes de falhas podeminterferir no autocuidado e estão relacionadasao sistema educativo e de suporte. Isto poderevelar que as ações profissionais, durante orepasse das informações a esta clientela,precisam ser intensificadas, por meio deestratégias efetivas e que possam realmenteincentivar a adesão do usuário às ações deautocuidado(4).Na teoria de Orem, o déficit deautocuidado é revelado quando, a partir dasnecessidades de uma pessoa ou quando estaencontra-se incapacitada ou limitada paraprover seu próprio cuidado contínuo eeficazmente, a enfermagem passa a ser umaexigência(8). Os métodos para a resolução dodéficit de autocuidado são cinco: 1. agir oufazer pelo outro; 2. guiar o outro; 3. apoiar ooutro (física ou psicologicamente); 4.proporcionar um ambiente que promova odesenvolvimento pessoal, quanto a tornar-secapaz de satisfazer demandas futuras ou atuaisde ação e 5. ensinar o outro(8).Acredita-se que para a resolução do déficitde autocuidado em indivíduos com hipertensãoarterial, mas que não apresentem dependênciafísica ou psicológica, os métodos a seremutilizados podem ser dois: apoiar e ensinar ooutro. O ato de ensinar condutas para subsidiaro cuidado e o apoio ao hipertenso na realizaçãodestas condutas promovem uma relação maispróxima entre enfermeiro e cliente, facilitando o(re)conhecimento da realidade destesindivíduos, além de favorecer o controle de suacondição de saúde e prevenir complicações quepodem advir do descontrole pressórico. A nãoutilização do tratamento medicamentoso deforma correta foi identificada em seis estudos eas dificuldades para mudanças de hábitos foramcitadas em três. Verifica-se que algumaspessoas com hipertensão possuem dificuldadesde aderir ao tratamento por vários motivos. Umdeles, e talvez o mais importante, refere-se aausência de sintomas (L3,L9), já que istomuitas vezes leva o indivíduos com hipertensãoa não se sentir doente. Em uma pesquisa comfamílias de portadores de hipertensão,identificou-se que estas pessoas concebemdoença como sendo a impossibilidade derealizar as atividades diárias, e que o fato deterem hipertensão não as leva a seconsiderarem doentes. Esta concepção dedoença, como sendo a presença de sintomasfísicos que limitem as atividades do dia a dia,pode revelar a dificuldade de adesão aotratamento para a hipertensão (tantomedicamentoso, como para mudanças dehábitos) e interferir na busca de atendimentoespecializado para o controle da doença(13).Outro fator observado como interferindono autocuidado é o desconhecimento dohipertenso sobre as conseqüências da doença(L3, L6, L9). Parece existir uma relação entre odesconhecimento sobre a importância de setratar a hipertensão e as conseqüências queesta atitude pode trazer e a não adesão aotratamento medicamentoso e não-medicamentoso, revelando um déficit deautocuidado. Isto demonstra a importância daintervenção do profissional quando o serhumano não tem competência para reconhecersuas necessidade e assim executar seuautocuidado, indicando que a teoria constituium subsídio importante a ser usado pelosprofissionais nos casos em que os indivíduosapresentem limitações para executarem asdemandas terapêuticas de autocuidado(8)A valorização do atendimento médicotambém foi citada nos artigos, o que pode
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm207dificultar a visualização e adesão ao apoiofornecido por outras categorias profissionais,como a enfermagem, a psicologia, a educaçãofísica e fisioterapia, entre outras.Participação da família no cuidado aohipertensoA família é parte importante do cuidado aoindivíduo com doença crônica, pois pode serconsiderada como um sistema de saúde paraseus membros, sistema este do qual faz parteum modelo explicativo de saúde doença, ouseja, um conjunto de valores, crenças,conhecimentos e práticas que guiam as açõesda família na promoção da saúde, na prevençãoe no tratamento da doença(16). Diante de umadoença crônica na família, esta se comporta deacordo com sua representação do que sejasaúde e doença, evidenciando saberes diversosacerca da cura, que pode, inclusive, contrapor-se aos saberes médicos(17).Foram encontrados cinco estudos queabordaram a importância da participaçãofamiliar como estratégia para auxiliar nocontrole da hipertensão, sendo quatropertencentes à área da enfermagem e um àárea médica. Dentre as informações obtidas nosartigos, foi possível identificar fatores referentesà participação familiar que favorecem e quedificultam o tratamento da hipertensão, assimcomo a convivência da família com a condiçãocrônica. Neste contexto, em relação aos fatoresque facilitam o tratamento da hipertensãoarterial, verifica-se que o envolvimento familiaré citado como uma das propostas para o auxiliono tratamento da doença (L3).Os demais artigos destacaram,principalmente, a participação dos membrosfamiliares no auxílio a mudanças de hábitos,como pode ser verificado na seguinte descrição:“É interessante observar que algumas famíliasaderem ao tratamento dietético, juntamentecom o idoso hipertenso, sendo um fator positivobastante relevante para a saúde pública (L.2)”.A família pode ser considerada comosistema de apoio para o indivíduo comhipertensão. Ela é um agente ativo no processode cuidado, um sujeito do seu próprio viver eque pode interferir positivamente no controledos níveis pressóricos do familiar comhipertensão. Por este motivo, não deve ser vistaapenas como aquela que deve cumprir asdeterminações dos profissionais de saúde. Estaassume a responsabilidade pela saúde de seusmembros e, por isso, ela deve ser ouvida emsuas dúvidas, sua opinião deve ser relevada esua participação incentivada em todo o processoprofissional do cuidado(18).Entretanto, a família, também pode serpercebida como um grupo controlador, pois,algumas destas, podem exigir o cumprimentodo tratamento medicamentoso e da dieta e,igual aos serviços de saúde, qualificam ospacientes como transgressores das regras. Istose destacou em um estudo, como pode serobservado no seguinte discurso: “A família épercebida com ambigüidade, já que se aconsidera um grupo controlador, que igual aosserviços de saúde, os qualificam comotransgressores de regras (L 4)”.Este discurso pode mostrar as duas facesda situação, pois a família ao controlar e exigirdo paciente a realização dos cuidados referentesà hipertensão, pode desencadear duas reações:o cumprimento ou não das regras impostas aomesmo. Se o paciente não estiver consciente danecessidade da realização dos cuidados, mesmocom as exigências da família, o mesmo podenão querer realizar o tratamento.Algumas dificuldades em relação aparticipação familiar no autocuidado tambémforam observadas nos estudos. Percebeu-seque, apesar de algumas famílias incentivarem eauxiliarem o autocuidado, outras, referidaspelos artigos, não se envolvem em qualqueratividade de cuidado, como pode ser observadoa seguir: “Os motivos dos déficits foramdistintos nas quatro pacientes: (...) falta deapoio familiar para a realização da dieta (L1).”“Observamos (...) que algumas famílias não sesentem com nenhuma responsabilidade diantedo tratamento do idoso. Cuidar da família é bemmais complexo do que se imagina, pois envolvecompreende-la em sua totalidade (L2)”.Outro fator revelado por um dos artigosanalisados se refere à existência de desarmoniafamiliar, devido à responsabilidade e exigênciasque o cuidador familiar exerce sobre o membro.Este fato é visto negativamente pelo indivíduocom hipertensão, como pode ser verificado a
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm208seguir: “Para um grupo existe desarmonia nadinâmica familiar, que ocasiona conflitos pelaresponsabilidade que exerce o membro dafamília que cuida, pela pressão que exerce, dasrestrições alimentares do paciente (L4)”.Esta atitude autoritária assumida pelocuidador familiar pode ser o reflexo da própriaatuação do profissional de saúde no repasse deorientações, pois a prática da educação emsaúde tem sido realizada por meio de atitudecoercitiva por parte dos serviços de saúde, fatoreste que pode dificultar a adesão do paciente aotratamento(4).Quando refere-se ao autocuidado, não sepensa apenas no indivíduo, mas também nasfamílias, tanto para a relação enfermeiro-clienteno ensino do autocuidado aos membrosdependentes como parte necessária para odesenvolvimento humano e ao bem estar, comotambém para pessoas independentes, pois oautocuidado é apreendido por meio da interaçãohumana e comunicação(8).O profissional de saúde e a assistência aopaciente hipertensoA doença crônica tem sido motivo degrande preocupação para os profissionais desaúde, tanto por seus aspectos limitantesquanto pelas conseqüências de seu tratamento,pois acarreta desgaste e sofrimento para apessoa acometida e para a família, que tambémse envolve no cuidado ao familiar adoecido. Ahipertensão arterial, nestes casos, tem sedestacado como um importante fator de riscopara o desenvolvimento de outras patologias,que podem gerar maior incapacidade edependência do indivíduo(2).Para que haja mudanças e os profissionaispossam intervir para evitar o agravamento dahipertensão arterial, estes precisam utilizarmétodos eficazes de assistência à saúde, quereduzam os riscos e proporcionem oautocuidado. O Quadro 5 demonstra algunsfatores, referidos nos textos analisados, quepodem colaborar com a melhoria da assistência,bem como a mudança de algumas práticas queatualmente são rotineiras entre profissionais desaúde:Quadro 5: Propostas referidas pelos textos, para a melhoria da assistência profissional ao indivíduo comhipertensão.Fatores Códigos dos artigosImportância da abordagem interdisciplinar L3, L7, L9Compreender a visão e o conhecimento que o paciente possui. L4, L8, L9Capacitar o indivíduo, família e comunidade para mudanças de atitudes. L2, L6, L7Mudanças na forma de se educar em saúde (educação coercitiva). L3, L5Necessidade da utilização de uma teoria de enfermagem, para guiar as ações doenfermeiro.L1, L10Observa-se, no quadro acima, que, parase ter uma assistência que possa atender asnecessidades do paciente com hipertensão, faz-se importante a abordagem por uma equipeinterdisciplinar (L3,L7,L9), sendo que estaprecisa observar e compreender a visão que opaciente possui acerca da hipertensão arterial(L4,L8,L9), considerando suas crenças, valorese o ambiente em que vive, pois estes interferemem suas atitudes e escolhas. É importantevisualizar que trabalhar com família exige aanálise acurada do contexto sócio-econômico ecultural, em que esta se insere, analisando suasrepresentações perante a sociedade,conhecendo a sua realidade de forma adesvendar o entendimento da família para que oconhecimento se funda à prática, de forma asuperar os limites e possibilidades para aconcretização das propostas(19). A equipeinterdisciplinar, ao compartilhar experiências notrabalho cotidiano, pode acelerar o crescimentoprofissional de cada um, e ao mesmo tempo,assistir adequadamente a clientela hipertensa,repercutindo positivamente na redução da taxade morbimortalidade por doenças associadas àhipertensão arterial e na minimização doscustos sociais com absenteísmo ao trabalho,aposentadorias precoces, invalidez e licençaspara tratamento de saúde(20).Outra proposta refere-se a capacitação doindivíduo, família e comunidade, para que todosse envolvam na mudança de atitudes. Mesmo
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm209sendo o ser humano cuidador por natureza,verifica-se que quando a unidade familiar seencontra abalada, devido a existência de um deseu membros com alguma doença crônica, elaprecisa de cuidados e orientação para lidar comesta nova situação, a qual normalmente geramudanças na rotina de suas atividades e nasrelações familiares.A família, portanto, precisa serinstrumentalizada pelos profissionais de saúde,dando-se o devido suporte para que esta possarealizar o cuidado ao membro adoecido eauxiliar no estímulo ao autocuidado ao familiarem condição crônica.Dois estudos referiram a importância dosmétodos de se orientar em saúde (L3,L5). Aeducação coercitiva, baseada no cumprimentode regras e na visualização do paciente comoser passivo do cuidado tem se perpetuado naprática assistencial. Entretanto, este métodoprecisa ser revisto pelos profissionais de saúde,para que se possa, através de novasalternativas de repasse de orientações,compreender o indivíduo em seu meio, asatitudes e tentar modificar as ações em saúdecom o apoio do próprio paciente, família ecomunidade.Um dos estudos (L1) referiu umaestratégia de atuação específica para aenfermagem: a necessidade da utilização deuma teoria para guiar e amparar as açõesassistenciais do enfermeiro. A enfermagem,ainda sem a determinação de um corpo deconhecimentos, tem sido envolvida ematividades administrativas, relegando, asegundo plano, a prática assistencial direta.Este fator leva a uma redução de suasatividades de cuidado, e a sobrecarga deatividades burocráticas tem sido o seu objetoprioritário. Entretanto, a prática do cuidado peloprofissional de enfermagem precisa objetivar ocuidar do outro, direcionando suas ações para oser que está sob os seus cuidados. É precisorepensar o cuidado entre enfermeiros eprofissionais de saúde, vislumbrando-se umaprática que vai ao encontro às necessidades dopaciente, compreendendo-se necessidade comoalgo inerente a cada paciente e o meio que ocerca, para o melhor desenvolvimento doautocuidado.CONSIDERAÇÕES FINAISTendo em vista a metodologia adotada eos objetivos propostos, observou-se que estesforam alcançados dentro dos limites dos artigosestudados, pois se valendo deles como umaamostra foi possível identificar como oprofissional da saúde aborda o autocuidado como paciente hipertenso.Verificou-se, que muitos indivíduos comhipertensão arterial conhecem o processo dedesenvolvimento da doença. Entretanto, estesnem sempre realizam as práticas deautocuidado, dificultando assim o controle dadoença, que é considerada um problema desaúde pública. Este fato nos remete a reflexãode que o autocuidado é apreendido por meio dainteração humana, e que, portanto, essecomportamento também é de certa forma,resultado da relação entre profissional de saúdee cliente/família.Por outro lado, existe a dificuldade dohipertenso em aceitar que ele mesmo precisaser cuidado, pois a hipertensão geralmente éuma doença que não apresenta sintomas esendo assim, não é concebida como tal. Isto porsua vez, faz com que o portador de hipertensãonão realize os cuidados e nem os valorize comonecessários para si mesmo, repercutindo notratamento desta condição crônica.Portanto, faz-se necessário que osprofissionais desenvolvam uma práticaprofissional pautada na interação e troca deexperiência entre os integrantes da equipe detrabalhadores em saúde, com vistas a ofereceruma assistência holística ao indivíduo e suafamília, valorizando o autocuidado como parteda vida e necessário ao desenvolvimentohumano e ao bem estar.Vale ressaltar que a família deve serconsiderada objeto importante da intervençãodos profissionais de saúde no controle dahipertensão arterial, uma vez que estacontribui, de forma direta, na construção designificados de saúde, doença e cuidado doindivíduo, influenciando assim seus hábitos devida e atitudes para o autocuidado.Sendo assim, para que haja o controle dahipertensão, fazem-se necessárias mudanças naprática de profissionais de saúde,
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm210principalmente no que tange aoaconselhamento em saúde. A educação emsaúde, realizada de forma coercitiva como temsido feita, não leva em conta o indivíduo em seumeio, não aborda seus conhecimentos epráticas e não compreende o paciente e suafamília, sendo que estes fatores têm sidoconsiderados relevantes para odesenvolvimento de estratégias no controle dahipertensão arterial. Os profissionais de saúde,portanto precisam modificar sua atuação,repensando sua prática enquanto instrumentoresponsável pela prevenção e controle dadoença.REFERÊNCIAS1. Marcon SS, Waidman MAP, Carreira L,Decesaro MN. Compartilhando a situação dedoença: o cotidiano de famílias de pacientes dedoentes crônicos. In: Elsen I, Marcon SS, SilvaMRS, organizadores. O viver em família e suainterface coma saúde e a doença. Maringá:Eduem, 2004. p. 265-282.2. Ministério da Saúde. Plano de Reorganizaçãoda hipertensão arterial e ao diabetes mellitus.Manual de Hipertensão arterial e diabetesmellitus. Brasília (Brasil): Ministério da Saúde,2001.3. Wendhausen ALP, Rebello BC. As Concepçõesde Saúde-Doença de Portadores de HipertensãoArterial. Ciência, Cuidado e Saúde.2004;3(3):243-251.4. Bastos DS, Borenstein MS. Identificando osdéficits de autocuidado de clientes hipertensosde um centro municipal de saúde. Texto eContexto Enfermagem. 2004;13(1):92-99.5. Secretaria Municipal de Saúde de Maringá.Protocolo de atenção à saúde do idoso. Maringá(Brasil): Secretaria Municipal de Saúde; 2005.6. Pessuto J, Carvalho EC. Fatores de risco emindivíduos com hipertensão arterial. RevistaLatino-americana de Enfermagem.1998;6(1):33-39.7. Cade NV. A teoria do déficit de autocuidadode Orem aplicada em hipertensas. RevistaLatino-americana de Enfermagem.2001;9(3):43-50.8. Leopardi MT. Teoria e método em assistênciade enfermagem. 2ª edição. Florianópolis:Soldasoft, 2006.9. Maciel ICF, Araújo TL. Consulta deEnfermagem: Análise das Ações junto àprogramas de hipertensão arterial, emFortaleza. Revista Latino-americana deEnfermagem. 2003;11(2):207-214.10. Ximenes Neto FR, Melo JR. Controle dahipertensão arterial na atenção primária emsaúde – uma análise das práticas doenfermeiro. Revista Enfermeria Global. 2005[cited 2007 apr 30];(6). Available from:http://www.um.es/ojs/index.php/eglobal/article/viewFile/506/552.11. Pádua EMM. Metodologia da pesquisa:abordagem teórico-prática. 9ª edição.Campinas: Papirus; 2003.12. Minayo MCS. O desafio do conhecimento:pesquisa qualitativa em saúde. 10ª edição. SãoPaulo:Hucitec; 2007.13. Lopes MCL. A família convivendo com ahipertensão arterial [dissertação]. [Maringá]:Departamento de Enfermagem/UEM; 2007.14. Costa ML, Lindolpho MC, Sá SPC, Erbas D,Marques DL, Puppin M, et al. O Idoso emterapêutica purimedicamentosa. Ciência,Cuidado e Saúde. 2004;3(3):261-266.15. Meleis AF. Theoretical Nursing:Development and progress. 3rdedition.Philadelphia: Lippincott, 2005. 739p16. Elsen I. Cuidado Familial: uma propostainicial de sistematização conceitual. In: Elsen I,Marcon SS, Silva MRS, organizadores. O viverem família e sua interface com a saúde e adoença. Maringá: EdUEM, 2004. p. 19-41.17. Saraiva KRO, Santos ZMSA, Landim FLP,Teixeira AC. Saber do familiar na adesão dapessoa hipertensa ao tratamento: análise combase na educação popular em saúde. Texto eContexto Enfermagem. 2007;16(2):263–70.18. Lima FET, Lopes MVO, Araújo TL. A famíliacomo suporte para o idoso no controle dapressão arterial. Família, Saúde eDesenvolvimento. 2001;3(1):63-9.19. Weirich CF, Tavares JB, Silva KS. O cuidadode enfermagem à família: um estudobibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem.2004 [cited 2007 apr 30];6(2):172-180.Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/revista6_2/pdf/Orig4_cuidado.pdf
  • Lopes MCL, Carreira L, Marcon SS, Souza AC, Waidman MAP. O autocuidado em indivíduos com hipertensão arterial: umestudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet]. 2008;10(1):198-211. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a18.htm21120. Santos ZMSA. Atendimento multiprofissionale interdisciplinar à clientela hipertensa. RevistaBrasileira em Promoção à Saúde. 2004 [cited2007 apr 30];17(2):86-91. Available from:http://www.unifor.br/hp/revista_saude/v17-2/artigo7.pdf.Artigo recebido em 17.05.07Aprovado para publicação em 31.03.08ANEXO 1Bibliografias analisadasL1: Cade NV. A teoria do déficit de autocuidado de Orem aplicada em hipertensas. Revista Latino-americana de Enfermagem 2001 mai-jun; 9 (3): 43-50.L2: Lima FET, Lopes MVO, Araújo TL. A família como suporte para o idoso no controle da pressãoarterial. Família, Saúde e Desenvolvimento 2001 jan- jun; 3 (1): 63-69.L3: Peres DS, Magna JM, Viana LA. Portador de Hipertensão Arterial: atitudes, crenças, percepções,pensamentos e práticas. Revista de Saúde Pública 2003 out; 37 (5): 635-42.L4: Munoz LA, Price Y, Cambini L, Stefanelli MC. Significados simbólicos dos pacientes com doençascrônicas. Revista da Escola de Enfermagem da USP 2003; 37 (4): 77- 84.L5: Wendhausen ALP, Rebello BC. As Concepções de Saúde-Doença de Portadores de HipertensãoArterial. Ciência, Cuidado e Saúde 2004 set-dez; 3(3):243-251.L6: Lima MT, Bucher JSNF, Lima JWO. A hipertensão arterial sob o olhar de uma população carente:estudo exploratório a partir dos conhecimentos, atitudes e práticas. Cadernos de Saúde Pública2004 jul–ago; 20 (4): 1079-87.L7: Pessuto J, Carvalho EC. Fatores de Risco em Indivíduos com Hipertensão Arterial. RevistaLatino-americana de Enfermagem 1998 jan-fev; 6 (1): 33-39.L8: Price Y, Areliano P, Burgod P, Garcia M, Penailillo J, Munoz LA. Vivenciando la hipertensiónarterial en consultorios de atención primaria. Família, Saúde e Desenvolvimento 2000 jul-dez; 2 (2):65-70.L9: Carvalho F, Junior RT, Machado JCMS. Uma investigação antropológica na terceira idade:concepções sobre a hipertensão arterial. Cadernos de Saúde Pública 1998 jul–set; 14 (3): 617-621.L10: Freire MRSM, Nóbrega, MML. O idoso hipertenso e o autocuidado. Revista RENE 2001 jan-jul;2(1): 60-68.L11: Cesarino CB, Oliveira GASA, Garcia KAB, Shoji, S. O autocuidado de clientes portadores dehipertensão arterial em um hospital universitário. Arquivos Ciências e Saúde 2004 jul-set; 11(3):146-8.