Infertilidade masculina e fatores ambientais
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Infertilidade masculina e fatores ambientais

on

  • 596 views

 

Statistics

Views

Total Views
596
Views on SlideShare
596
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
1
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Infertilidade masculina e fatores ambientais Infertilidade masculina e fatores ambientais Document Transcript

  • 9Acta Urológica 2004, 21; 4: 9-15Belmiro Parada, António Requixa, Arnaldo Figueiredo, Alfredo MotaServiço de Urologia e Transplantação RenalDirector de Serviço – Professor Doutor Alfredo Mota – Hospitais da Universidade de CoimbraCorrespondência para: Belmiro Parada – Serviço de Urologia e Transplantação Renal – Hospitais da Universidade de Coimbra– Coimbra - PortugalTelefone: (351) 919 976 379 – Fax: (351) 239 482 684 – E-mail: parada.belmiro@netc.ptInfertilidade Masculinae Factores AmbientaisResumoAbstractA infertilidade atinge cerca de 13-18% dos casais e estudos clínicos e epidemio-lógicos mostram uma incidência crescente do factor masculino, que está envolvidoem cerca de metade dos casos.São diversas as possíveis causas de infertilidade masculina, genéticas, endó-crinas, imunológicas e ambientais. O impacto dos factores ambientais na fertilidademasculina ainda não está completamente esclarecido.Neste artigo fazemos uma breve revisão dos potenciais tóxicos ambientais sobrea função reprodutora masculina.Infertilidade, infertilidade masculina, factores ambientais.Infertility affects 13-18% of couples and growing evidence from clinical and epide-miological studies suggests an increasing incidence of male reproductive factors,which are involved in up to half of all cases. Potential causes of male factor infertilityare many: genetic, endocrine, immunological and environmental. The impact ofenvironmental factors on male fertility is not yet fully understood.We make a brief review of potential toxics on male reproductive function.Infertility, male infertility; environmental factors.Palavras chave:Key words:A propagação do seu próprio genoma é umacaracterística de todos os organismos, sendo umprincípio básico e fundamental da evolução. Umaboa capacidade reprodutora mede, por isso, a apti-dão de uma espécie para sobreviver. Embora hajadiscrepância nos valores da prevalência e sejam es-cassos os dados fiáveis, a infertilidade afecta 13-18%dos casais . Crê-se que o factor masculino esteja1www.apurologia.pt
  • 10presente em cerca de metade dos casos e estudosepidemiológicos e clínicos sugerem uma incidênciacrescente . São diversas as causas potenciais deinfertilidade masculina, assumindo particular rele-vância nos dias de hoje os factores ambientais .As alterações causadas pelos agentes ambien-tais podem incluir toxicidade reprodutiva, com altera-ções da fertilidade, e toxicidade no desenvolvimentodo organismo, provocado pela agressão em fasesdiversas, desde a exposição prévia à concepção porum dos progenitores, durante o desenvolvimentopré-natal até à fase de maturação sexual. Este tipo detoxicidade não está tão bem documentado e é maisdifícil de provar, mas pode levar a abortos prema-turos, maior incidência de anomalias genéticas eaumento das doenças malignas na infância .A espermatogénese envolve a replicação con-tínua e uma metamorfose de células estaminaisdiplóides, relativamente indiferenciadas, em célulashaplóides, altamente especializadas, com capaci-dade de se moverem através do aparelho reprodutorfeminino e fertilizar um óvulo – os espermatozóides.Este processo altamente complexo ocorre sob ocontrolo do eixo hipotálamo-hipofisário e das hormo-nas testiculares, susceptível à influência de outrosórgãos endócrinos, nomeadamente o cérebro. Não épor isso surpreendente que, diversos agentes am-bientais possam afectar de forma adversa o desen-volvimento das células germinativas masculinas, emdiferentes fases e por meios diversos. Aliás, poderáexplicar, em parte, o grande número de esperma-tozóides produzidos (cerca de 2 x 10 /dia e 2 x 10durante a vida), quando apenas um é necessáriopara o processo de fecundação .Teoricamente, os agentes químicos podem le-sar a espermatogénese em qualquer fase, desde aespermatogónia até ao espermatozóide maduro.São possíveis três efeitos tóxicos, não exclusivosentre si:23348 12• Morte celular, por necrose ou apoptose. Estu-dos recentes sugerem que a indução de mor-te celular por apoptose é o principal meca-nismo de acção de toxinas testiculares comoo ácido metoxi-acético ou de condições fisio-lógicas adversas como a privação de gonado-tropinas . Estudos experimentais em roedoressugerem que o sistema “Fas-Faz ligando”possa estar envolvido na apoptose induzidapor toxinas . Outros genes que podem ter um567papel neste processo são o p53, Bcl-2, Bcl-w eo Bax.• Lesão celular sub-letal, que pode ser reparadaou deixar efeitos permanentes na estrutura oufunção do espermatozóide maduro, incluindoa possibilidade de efeitos genéticos transge-racionais .• Alterações genéticas. A capacidade de repa-ração de DNA está diminuída durante o alon-gamento da espermátide e é inexistente noespermatozóide .• Toxicidade pré-testicular – engloba perturba-ções na secrecção fisiológica das hormonashipofisárias FSH e LH, com a resultante falên-cia testicular . Inclui a exposição ocupacionala esteróides sexuais, como estrogénios, quepodem inibir a secrecção de gonadotropinashipofisárias com a consequente disfunçãosexual, ginecomastia e hipogonadismo hipo-gonadotrófico. Há referências destes efeitoslesivos em trabalhadores da indústria decontraceptivos orais ou lidando com grandesquantidades de químicos estrogénicos nãoesteróides .• Toxicidade testicular – a toxicidade testiculardirecta pode afectar os vários tipos celulares,incluindo as células de Leydig, células deSertoli e as células germinativas. Embora osefeitos primários dos tóxicos sejam relativa-mente específicos de cada tipo celular, aestreita interdependência da espermatogé-nese e da esteroidogénese determina que aslesões sejam, na prática, pan-testiculares. Háuma sensibilidade elevada das células germi-nativas às radiações ionizantes e aos agentesalquilantes. As células mais sensíveis são asespermatogónias, as únicas que se desen-volvem na base das células de Sertoli, fora dabarreira protectora hemato-testicular. Osvários sub-tipos de espermatogónias diferemquanto à sensibilidade às diversas citotoxi-nas, levando a importantes repercussões narecuperação da agressão. Por exemplo, asespermatogónias A ou Ad (dark) não apre-sentam actividade proliferativa em circuns-8439, 10A função testicular, incluindo a secrecção deandrogénios e a produção de espermatozóidesférteis, pode ser afectada adversamente por meca-nismos diversos:0Belmiro Parada, António Requixa, Arnaldo Figueiredo, Alfredo Motawww.apurologia.pt
  • 11tâncias normais, constituindo a populaçãoestaminal germinativa. A sua destruição leva alesão espermatogénica irreversível. Pelo con-trário, as espermatogónias proliferativas Ap(pale), apesar de mais sensíveis aos agentescitotóxicos, podem ser substituídas pelascélulas estaminais de reserva, embora essarecuperação possa demorar alguns anos .• Toxicidade pós-testicular – este tipo de toxici-dade é relativamente incomum. A maioria doscasos foi descoberta durante a investigaçãode novos contraceptivos químicos masculi-nos . A estrutura neuromuscular do epididi-mo pode ser afectada por fármacos adreno-líticos, como a guanetidina ou a metoxamina,condicionando estase do esperma no epi-didimo. A secrecção de fluido pelo epitélioepididimário e o transporte epididimário deespermatozóides são potenciais alvosadicionais de agentes tóxicos, podendo daíresultar uma perda completa de motilidade econsequente esterilidade .• Estudos observacionais humanos. Uma vezque os ensaios prospectivos em humanosnão são exequíveis, dada a toxicidade dosagentes, a informação disponível provémprincipalmente de estudos retrospectivos,caso-controlo e coorte, com as limitações daídecorrentes.• Estudos experimentais em células e em mo-delos animais. Apesar de demonstrada umaacção tóxica de várias substâncias em mode-los animais, a extrapolação para os humanosé limitada e frequentemente incorrecta, de-vido às diferenças da função reprodutiva e dometabolismo das diversas espécies.41112Existem mais de 100 000 agentes químicos efísicos referenciados pela agência norte-americanade segurança ocupacional NIOSH (National Instituteof Occupational Safety) . É interessante notar que,em mais de 95% destas substâncias, não foramestudados os efeitos sobre o aparelho reprodutor,apesar de a infertilidade estar referenciada entre as10 principais doenças ocupacionais .Não é fácil o estudo da toxicologia humana e oestabelecimento de relações causa-efeito. Os dadosdisponíveis provêm essencialmente de duas fontes:Iremos abordar alguns dos agentes ambientaiscom possíveis repercussões na fertilidade masculina.3131. Agentes Físicos1.1 Calor1.2 Radiações IonizantesContinua por estabelecer, de forma clara, umarelação entre a elevação da temperatura escrotal e aredução dos parâmetros seminais, apesar de seremabundantes as referências a este agente como sen-do lesivo da função testicular. Já em 1941, McLeod eHotchkiss notaram essa associação, ao verificaremque a indução de hiperpirexia em seis homens sau-dáveis levava a uma queda significativa na contagemde espermatozóides . Breves períodos de calor es-crotal em animais experimentais reduzem a produ-ção de esperma e a fertilidade de forma acentuada .A espermatogénese sub-óptima que se verifica nal-guns doentes com varicocelo também foi associadaao aquecimento escrotal. Há igualmente registos dediminuição da densidade do esperma nos meses deverão, em homens que trabalham no exterior . Aexposição ocupacional ao calor, tal como se verificanos padeiros, cozinheiros, trabalhadores da indústriade cerâmica, fundições, bombeiros, também foi refe-rida como afectando a função reprodutora de formaadversa, embora se mantenha a controvérsia .Os testículos são um dos tecidos mais sensíveisdo corpo humano e as radiações ionizantes são dosagentes cujos efeitos anti-espermatogénicos estãomais bem estudados nos humanos. Estudos reali-zados em prisioneiros americanos, voluntários, nosanos 50 e 60, incluindo espermogramas seriados ebiópsias testiculares, demonstraram a lesão rever-sível e dependente da dose das espermatogóniasproliferativas, causando oligozoospermias a partir dedoses de 20 cGy e azoospermias acima de 75 cGy,com aumento dos tempos de recuperação . Ascélulas de Leydig e de Sertoli só são lesadas comdoses superiores . Estudos subsequentes, em ex-posições acidentais, ocupacionais ou irradiaçõesterapêuticas confirmaram estes dados .Entre as células germinativas que sobrevivem àirradiação, podemos observar lesões cromossómi-cas, que podem levar à morte celular ou transmissãode alterações citogenéticas. Também podem ocorreralterações na qualidade do esperma, incluindo, paraalém dos já referidos, diminuição da motilidade edefeitos ultraestruturais.Gardner e colaboradores notaram que, os filhosde trabalhadores de uma central nuclear no Reino1415161718192021Infertilidade Masculina e Factores Ambientaiswww.apurologia.pt
  • 12Unido (Sellafield), tinham uma incidência aumentadade leucemia. Contudo, estudos subsequentes nãoencontraram uma relação causal entre a exposiçãopaterna à radiação ionizante e o risco de cancro nadescendência. De igual modo, as associações entreexposição paterna a radiações e abortos espontâ-neos ou partos prematuros, são geralmente fracas .Postulou-se que a exposição a radiações nãoionizantes, como microondas e campos electromag-néticos, pode ser a causa de diminuição da fertilidadeem machos, mas os dados são controversos eactualmente não há evidência que radiações nãoionizantes possam afectar adversamente a fertilidademasculina .Os campos electromagnéticos são gerados porequipamentos domésticos (rádio, televisão, etc...) eindustriais. Sabe-se que campos de alta intensidade(>10 Tesla) e baixa frequência (50-60 Hz) podem serlesivos, mas a exposição ambiental normal não ex-cede os 0,3 Tesla. Em estudos experimentais, não foidemonstrado qualquer efeito na espermatogénese.A recente e crescente utilização de telemóveis,que podem gerar campos magnéticos de moderadaintensidade e elevada frequência, constitui um moti-vo de preocupação. Afectam as proporções de célu-las espermatogénicas em Hamsters e a possibili-dade de que estes campos de alta frequência pos-sam estar associados a um aumento do cancro dotestículo também foi referida .A exposição ao ruído pode ter diversos efeitos,incluindo a secrecção de hormonas do córtex supra--renal, como resposta fisiológica ao stress, podendocondicionar alterações na libertação pulsátil de gona-dotropinas :Alguns estudos referiram uma diminuição da qua-lidade do sémen em trabalhadores expostos a vibra-ções corporais, mas devido à limitação dos dados,não podem ser extraídas conclusões seguras destesestudos .O dibromocloropropano (DBCP) foi um pesticidalargamente usado na década de 70, nos EstadosUnidos e Israel, até à descoberta dos seus efeitos223232425261.3 Radiações Não Ionizantes1.4 Ruídos e Vibrações2.1 Pesticidas2. Agentes Químicostóxicos no sistema reprodutor masculino. Este agen-te causava oligozoospermias e azoospermias, comelevação dos níveis de FSH e LH, de forma irrever-sível nas exposições mais intensas e prolongadas .O seu mecanismo de toxicidade não é conhecido,mas foi sugerida a produção de um metabólito queactua directamente nas células germinativas, inibin-do a espermatogénese. As células de Sertoli e deLeydig são mais resistentes aos efeitos lesivos doDBCP .Alguns insecticidas também demonstraram indu-zir alterações na qualidade do líquido seminal.É fundamental a redução do risco de exposição,com utilização de agentes mais seguros e o reforçodos cuidados na sua aplicação.Numerosos registos associaram a exposição ametais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, àinfertilidade masculina, embora frequentemente sejaquestionável a sua validade científica.A intoxicação pelo chumbo levaria à diminuiçãoda fertilidade por um efeito directo no testículo, in-cluindo fibrose e oligozoospermia, associada a umaacção no eixo hipotálamo-hipofisário .Os efeitos do cádmio foram demonstrados expe-rimentalmente, mas para doses quase fatais para osanimais, causando destruição das células germina-tivas e necrose testicular através de um efeito directona circulação testicular arterial.Na actualidade, com as medidas industriais ecomunitárias para limitar a exposição a estes agen-tes, parecem ser reduzidos os riscos de efeitos ad-versos no sistema reprodutor masculino.Merecem especial atenção os éteres de glicol, umsolvente orgânico largamente utilizado nas tintas. Ascélulas mais sensíveis à sua acção nefasta parecemser os espermatócitos primários, embora as esper-matogónias também possam ser afectadas paradosagens superiores . Welch encontrou uma maiorincidência de oligozoospermias e azoospermias emtrabalhadores expostos a este agente, embora aforça desta associação fosse equívoca . Estudos emratos sugerem que esta toxicidade é causada pordois metabólitos, ácido metoxi-acético e etoxi-acé-tico.27282930312.2 Metais2.3 Solventes OrgânicosBelmiro Parada, António Requixa, Arnaldo Figueiredo, Alfredo Motawww.apurologia.pt
  • 13O benzeno, um hidrocarboneto aromático usadocomo solvente nas refinarias de petróleo, causa atro-fia testicular e oligoteratozoospermia em ratos .Em geral, as evidências relativas aos efeitos dele-térios destes agentes são fracas, não se podendotirar conclusões definitivas.Foi sugerido que estrogénios ambientais repre-sentam uma ameaça para o sistema reprodutor mas-culino. Estes xenoestrogénios, apesar da sua acçãoestrogénica fraca, poderiam activar ou inibir os re-ceptores de estrogénios endógenos, alterar a suasíntese e metabolismo, modificando a sua acção,bem como afectar a produção e actividade de enzi-mas esteróides . Os dois tipos principais de xenoes-trogénios são os estrogénios da dieta, encontradosem plantas e sementes contaminadas por fungos, eos estrogénios químicos sintéticos, encontrados empesticidas, herbicidas e nos seus metabólitos (DDT,dioxinas,...).Parece, contudo, pouco provável que estes agen-tes possam levar à diminuição dos parâmetros semi-nais na população em geral, pelo seu baixo nível deexposição.Apesar da sua importância inquestionável naterapêutica oncológica, os fármacos citotóxicos têmacção directa nas células germinativas, levando à suamorte. A recuperação pode ocorrer, embora lenta-mente, em função da intensidade e dos agentes dequimioterapia utilizados. Além do mais, as célulassobreviventes podem, teoricamente, acumular defei-tos genéticos, levando à transmissão de mutaçõese/ou malformações, embora esse risco não se tenhaverificado nos descendentes de homens submetidosa estes agentes. Importa alertar para a necessidadede criopreservação do esperma antes do início des-tes tratamentos .O tabaco contém vários compostos, alguns dosquais, como a acroleína, são tóxicos para o sistemareprodutor. A maioria dos escassos trabalhos cienti-ficamente válidos demonstrou uma redução da mo-tilidade dos espermatozóides entre os fumadores,mas o tabagismo não se associou a redução dafecundidade .32334342.4 Estrogénios Ambientais2.5 Agentes Citotóxicos2.6 TabacoUma preocupação recente advém do reconheci-mento crescente de que o tabaco pode causar lesõesdo DNA. As consequências daí decorrentes não sãoconhecidas, mas existe um risco potencial de queessas anomalias sejam transmitidas à descendência.Alguns estudos mostraram uma associação positivaentre tabagismo e a incidência de cancro nos filhos,especialmente leucemia .Diversos factores dietéticos específicos influen-ciaram directamente o sistema reprodutor em estu-dos experimentais, em parte devido à inibição dasecrecção de LH. Contudo, há poucas evidências deque efeitos similares possam ser induzidos em hu-manos. Possivelmente de maior importância, seja osinergismo entre deficiências dietéticas e toxinasambientais.A influência de drogas (marijuana, cocaína, opiói-des) na função reprodutora permanece pouco clara edifícil de estudar de forma cientificamente válida.Contudo, estes agentes parecem ter efeitos mínimosna espermatogénese, apesar de os opióides (heroí-na, metadona, morfina) suprimirem a secrecção deLH e testosterona de forma acentuada, por inibiçãohipotalâmica.A ingestão excessiva de álcool associa-se a umatoxicidade testicular directa, para além dos efeitosindirectos na doença hepática crónica e no estado denutrição .Apesar de referências a alterações dos parâme-tros seminais em ratos expostos a halotano e dosregistos de aumento de abortos espontâneos, ascaracterísticas destes estudos tornam difícil estabele-cer uma relação causa-efeito cientificamente válida .Em suma, são diversos os potenciais agentesambientais deletérios para o sistema reprodutor mas-culino. Na prática clínica, a possibilidade de existên-cia de factores ambientais tóxicos como causa deinfertilidade masculina e de outras doenças androló-gicas deve ser sempre considerada. A correcta iden-tificação desses factores deve basear-se num eleva-do grau de suspeição, com base numa cuidadosahistória clínica, com identificação de eventual expo-sição ocupacional, doméstica, recreacional ou am-biental. A confirmação laboratorial de formas espe-cíficas de intoxicação raramente é possível e, embora3536372.7 Dieta, Álcool, Drogas2.8 Gases AnestésicosInfertilidade Masculina e Factores Ambientaiswww.apurologia.pt
  • 14algumas toxinas sejam doseáveis nos fluidos orgâ-nicos, a relação causal é difícil de estabelecer. Essaidentificação deve servir também para um correctoaconselhamento do casal e eventual mudança deestilo de vida.Bibliografia1. Iammarrone E, Balet R, Lower AM, et al. Male infertility.BestPractResClinObstetGynaecol2003;17(2):211-229.2. Brugh VM, Matschke HM, Lipshultz LI. Male factorinfertility. Endocrinol Metab Clin North Am 2003: 32(3):689-707.3. Orejuela F, Lipshultz LI. Effects of working environmenton reproductive health. Contemp Urol 1998; 10(3): 86-92.4. Brinkworth MH, Handelsman DJ. Environmentalinfluences on male reproductive health. In: Nieschlag E,Behre HM. Andrology – Male reproductive health anddysfunction. Second Edition. Berlin, Heidelberg:Springer-Verlag, 2000: 253-266.5. Brinkworth MH, Weinbauer GF, Schlatt S, et al.Identification of male germ germ cells undergoingapoptosis in adult rats. J Reprod Fertil 1995; 105: 25-33.6. Tapainen JS, Tilly JL, Vihko KK, et al. Hormonal controlof apoptotic cell death in the testis: gonadotropins andandrogens as testicular cell survival factors. MolEndocrinol 1993; 7: 643-650.7. Lee J, Richburg JH, Younkin SC, et al. The Fas system isa key regulator of germ cell apoptosis in the testis.Endocrinology 1997; 138: 2081-2088.8. Anderson D, Edwards AJ, Brinkworth MH, et al. Male-mediated F1 effects in mice exposed to 1,3-butadiene.Toxicology 1996; 113: 120-127.9. Harrington JM, Stein GF, Rivera RO, et al. Theoccupational hazards of formulating oral contraceptives– a survey of plant employees. Arch Environ Health1978; 33: 12-15.10. Finkelstein JS, McCully WF, MacLaughlin DT, et al. Themortician’s mystery. Gynecomastia and reversiblehypogonadotropic hypogonadism ia an embalmer. NEngl J Med 1988; 318: 961-965.11. Cooper TG, Yeung CH. Recent biochemical approachesto post-testicular, epididimal contraception. Hum Re-prod Update 1999: 5: 141-152.12. Wilton LJ, Temple-Smith PD, Baker HW, et al. Fertil Steril1988; 49: 1052-1058.13. Gold EB, Lasley BL, Schenker MB. Introduction:rationale for an update. Reproductive hazards. OccupMed 1994; 9(3): 363-372.14. MacLeod J, Hotchkiss RS. The effect of hyperpyrexiaupon spermatozoa counts in men. Endocrinology 1941;28: 780-784.15. Bonde JP, Giwercman A. Occupational hazards to malefecundity. Reprod Med Rev 1995; 4: 59-73.16. Levine RJ, Bordson BL, Mathew RM, et al. Deteriorationof semen quality during summer in New Orleans. FertilSteril 1988; 49: 900-907.17. Tas S, Lauwerys R, Lison D. Occupational hazards forthe male reproductive system. Crit Rev Toxicol 1996;26(3): 261-307.18. Rowley MJ, Leach DR, Warner GA, Heller CG. Effect ofgraded doses of ionizing radiation on the human testis.Radiat Res 1974; 59: 665-678.19. Tsatsoulis A, Shalet SM, Morris ID, et al. Immunoactiveinhibin as a marker of Sertoli cell function followingcytotoxic damage to the human testis. Horm Res 1990;34(5-6): 254-259.20. Neel JV. Reappraisal of studies concerning the geneticeffects of the radiation of humans, mice, and Drosophila.Environ Mol Mutagen 1998; 31: 4-10.21. Gardner MJ, Snee MP, Hall AJ, et al. Results of case-control study of leukaemia and lymphoma amongyoung people near Sella Field nuclear plant in WestCumbria. BMJ 1990; 300: 423-429.22. McDonald AD, McDonald JC, Armstrong B, et al.Father’s occupation and pregnancy outcome. Br J IntMed 1989; 46(5): 329-333.23. Niehaus M, Bruggemeyer H, Behre HM, et al. Growthretardation, testicular stimulation and increased mela-tonin synthesis by weak magnetic fields (50 Hz) inDjungarian hamsters, BiochemBiophys Res Commun 1997; 234: 707-711.24. Goldsmith JR. Epidemiologic evidence relevant to radar(microwave) effects. Environ Health Perspect 1997;105(Suppl 6): 1579-1587.25. Schiff M. Nonauditory effects of noise. Trans Am AcadOphthalmol Otolaryngol 1973; 77(5): 384-398.26. Figa-Talamanca I, Cini C, Varricchio GC, et al. Effects ofprolonged autovehicle driving on male reproductionfunction: a study among taxi drivers. Am J Ind Med 1996;30: 750-758.27. Eaton M, Schenker M, Whorton MD, et al. Seven-yearfollow-up of workers exposed to 1,2-dibromo-3-chloropropane. J Occup Med 1986; 28: 1145-1150.28. Biava CG, Smuckler EA, Whorton D. The testicularmorphology of individuals exposed to dibromo-chloropropane. Exp Mol Pathol 1978; 29: 448-458.29. Braunstein GD, Dahlgren J, Loriaux DL. Hypogonadismin chronically lead-exposed men. Infertility 1978; 1(1):33-51.30. Oudiz D, Zenick H. In vivo and in vitro evaluation ofspermatotoxicity induced by 2-ethoxy-ethanol treat-ment. Toxicol Appl Pharmacol 1986; 84: 576-583.31. Welsh LS, Schrader SM, Turner TW, et al. Effects ofexposure to ethylene glycol ethers on shipyard paintersII: male reproduction. Am J Ind Med 1988; 14: 509-526.32. Ward CO, Kuna RA, Snyder NK, et al. Sub-chronicinhalation toxicity of benzene in rats and mice. Am J IndMed 1985; 7: 457-473.Phodopus sungorus.Belmiro Parada, António Requixa, Arnaldo Figueiredo, Alfredo Motawww.apurologia.pt
  • 1533. Dunn JF, Nisula BC, Rodbard D. Transport of steroidhormones: binding of 21 endogenous steroids to bothtestosterone-binding globulin and corticoesteroid-binding globulin in human plasma. J Clin EndocrinolMetab 1981; 53(1): 58-68.34. Bolumar F, Olsen J, Boldsen J. Smoking reducesfecundity: a European multicenter study on infertility andsubfecundity. The European Study Group on Infertilityand Subfecundity. Am J Epidemiol 1996; 143: 578-587.35. Ji BT, Shu XO, Linet MS, et al. Paternal cigarette smokingand the risk of childhood cancer among offspring of non-smoking mothers. J Natl Cancer Inst 1997: 89: 238-244.36. Pajarinen JT, Karhunen PJ. Spermatogenic arrest andSertoli cell-only syndrome – common alcohol-induceddisorders of the human testis. Int J Androl 1994; 17: 292--299.37. Wyrobek AJ, Brodsky J, Gordon L, et al. Sperm studiesin anesthesiologists. Anesthesiology 1981; 55: 527-532.Infertilidade Masculina e Factores Ambientaiswww.apurologia.pt