Análise das dificuldades de aprendizagem de alunos do

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Análise das dificuldades de aprendizagem de alunos do

  1. 1. ANÁLISE DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Jocelino Lopes LEITE JUNIOR (1); Vívian Ribeiro SANTOS (2) (1) UFPA-PET-FÍSICA campus básico Rua Augusto Corrêa, 01 - Guamá. CEP 66075-110. Caixa postal 479. Fone 91 3201-7888, e-mail: juniorphysics@gmail.com (2) UFPA, e-mail: vivian.rsantos@gmail.com RESUMO Este trabalho foi desenvolvido objetivando buscar soluções e/ou esclarecimentos acerca das constantes dificuldades encontradas pelos alunos do Ensino Fundamental nas escolas públicas, em assimilar o conteúdo ministrado pelos professores. A pesquisa foi baseada nas dificuldades encontradas pelos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino fundamental São Francisco de Assis. O público alvo foi composto por 120 alunos estudantes do Ensino fundamental. A análise dos dados e a pesquisa de campo foi realizada dentro de uma abordagem quantitativa-qualitativa através da aplicação de questionários com duas perguntas objetivas: Qual disciplina você mais gosta de estudar e qual disciplina que você menos gosta de estudar. Dentre as opções de respostas estavam as disciplinas português, matemática, ciências naturais (biologia, química e física), ciências humanas (história e geografia) e inglês, além de ter sido oferecido a oportunidade de escolher todas ou nenhuma das disciplinas. Concluímos que os alunos entrevistados gostam mais de estudar as disciplinas português e matemática, apesar de apresentarem grande dificuldade de leitura e escrita. Tal fato concorda com a frequência com que os alunos disseram não gostar das mesmas disciplinas, ou seja, observamos uma determinada contradição entre os discentes, pois ao mesmo tempo em que muitos gostam de estudar textos e números, muitos ainda consideram este um dos trabalhos mais difíceis de realizar no processo educacional. Palavras-chave: dificuldades de aprendizagem; ensino fundamental; disciplinas.
  2. 2. 1. INTRODUÇÃO Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de buscar soluções e/ou esclarecimentos acerca das constantes dificuldades encontradas pelos alunos do Ensino Fundamental nas escolas públicas, em assimilar o conteúdo ministrado pelos professores. Focaremos nas dificuldades encontradas pelos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino fundamental São Francisco de Assis. É importante ressaltar que os agravantes que levam a má formação de um indivíduo na sua vida estudantil são diversos. Tratando-se de escolas públicas em bairros periféricos, a situação se torna ainda mais complicada. Fatores como: violência, drogas, fome e outros, não podem ser simplesmente ignorados pela escola e pelos professores, já que, entende-se que a escola tem obrigação de contribuir, não só para a formação intelectual, como também, tem o dever de contribuir com a formação moral do indivíduo. Desprezar tais fatores seria altamente perigoso, pois, sabe-se que para obter um aprendizado satisfatório, é necessário avaliar todo o contexto em que o aluno está envolvido, buscando metas para amenizar os problemas que o cercam. Existem muitos alunos que vem de famílias desestruturadas, com um histórico de vida nada estimulante, trazendo consigo um desequilíbrio emocional, remetendo toda essa angústia e insatisfação sobre professores, colegas e demais pessoas no seu âmbito social. Consequentemente, tal situação faz com que o aluno acabe construindo um sentimento de falta de afinidade por determinadas disciplinas. Assim como não podemos deixar de ressaltar o problema da falta de preparo de alguns professores que, infelizmente ainda não incorporaram o sentimento interdisciplinar que o trabalho docente necessita, também podemos desconsiderar alguns distúrbios de aprendizagens que parte dos discentes costuma em alguns casos apresentar durante seu desenvolvimento escolar. Dentre estes, podemos citar o mais comum dos distúrbios, a dislexia, e até mesmo outras ainda mais raras como, a disgrafia, a discalculia, a dislalia, a disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Trata-se de um contexto onde o professor pode atuar como facilitador, contribuindo para promover a integração das disciplinas do currículo escolar (LUCK, 1999) com melhoria da realidade a partir da interdisciplinaridade. Neste caso seus posicionamentos poderiam constituir uma base para a conversão de idéias em ações socialmente interessantes. Certamente as instâncias que cuidam da Educação Básica – em nível Federal, Estadual e Municipal - deveriam considerar este potencial, somar forças e, através da intensificação de eventos de formação continuada, contribuir de modo significativo para aprimorar a práxis docente. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O processo de ensino-aprendizagem por muitas vezes se torna uma tarefa árdua. É importante perceber que durante esse processo o professor se depara com alguns problemas sutis e pouco conhecidos. Problemas que deixam os alunos apáticos diante do processo de aprendizado, e esses por sua vez, acabam sofrendo algum tipo de discriminação no seu meio social e até mesmo no convívio escolar. É importante que os professores, enquanto atores principais do processo educacional identifiquem as dificuldades de aprendizagem, observando se são transitórias ou se fazem parte da vida escolar do aluno. Descobrir esses inibidores da aprendizagem é importante, uma vez que podem ser tratados e em alguns casos superados, consequentemente ajudando o processo educacional. A dislexia é um dos inibidores da aprendizagem mais conhecida na atualidade, no entanto, é preciso sutileza do educador para perceber outros sérios problemas como a disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Segundo Pavão (2006), dislexia é um transtorno neurológico que dificulta a leitura, e conseqüentemente a escrita, trazendo sérios prejuízos para o desempenho escolar, social e profissional. De acordo com Santos & Navas, (2002), a dislexia esta presente em 10% da população, apresentando combinações de sintomas, em intensidade de níveis que variam entre o sutil ao severo, de modo absolutamente pessoal. Em algumas pessoas há um número maior de sintomas e sinais; em outras, são observadas somente algumas características.
  3. 3. A Disgrafia é uma alteração da escrita normalmente ligada a problemas perceptivo-motores, no entanto, é preciso desenvolver algumas habilidades como coordenação visuo-motora para a realização dos movimentos finos e precisos exigidos pelo desenho das letras; a linguagem, para compreender o paralelismo entre o simbolismo da linguagem oral e da linguagem escrita entre outras. Segundo Menezes (2002) a discalculia é um distúrbio de aprendizagem relacionado a um problema neurológico e se manifesta como uma dificuldade em realizar operações matemáticas, classificar números e colocá-los em seqüência. A discalculia também impede a compreensão dos conceitos matemáticos e sua incorporação na vida cotidiana, embora reconheça os números, o aluno não consegue estabelecer relações entre eles, montar operações e identificar corretamente os sinais matemáticos. Na maioria dos casos, ela aparece associada a outros distúrbios como o transtorno do déficit de atenção, podendo vir também associada à dislexia. No entanto, a discalculia, assim como outros distúrbios de aprendizagem, não é considerada uma doença. Trata-se, de uma dificuldade que pode ser contornada com acompanhamento adequado, direcionado às condições de cada caso. A dislalia é o transtorno de linguagem mais comum em crianças e o mais fácil de identificar. É um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade de articulação de palavras, ou seja, o portador da dislalia pronuncia determinadas palavras de maneira errada, omitindo, trocando, transpondo, distorcendo ou acrescentando fonemas ou sílabas a elas (ZEVALLOS, 2009). A disortografia é a dificuldades na escrita, Caracteriza-se pela dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras, tendo como sintomas mais típicos a substituição/omissão/inversão de grafemas, persistência de um padrão inicial de escrita, ancorado na fala, dificuldade na produção de textos (PAVÃO, 2006). Segundo Facion (2004) TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é evidenciado através das características centrais da hiperatividade, do distúrbio de atenção (ou concentração), da impulsividade e da agitação. Como conseqüências destes sintomas surgem graves problemas como distúrbios emocionais e dissociais de aprendizagem e aproveitamento. 3. METODOLOGIA Esta pesquisa foi realizada na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental São Francisco de Assis, localizada no bairro do Murinin, município de Benevides. O público alvo foi composto por 120 alunos estudantes do Ensino fundamental. A participação foi anônima e voluntária sendo entrevistados apenas os alunos que se encontravam em sala de aula. A análise dos dados e a pesquisa de campo foi realizada dentro de uma abordagem quantitativa-qualitativa através da aplicação de questionários com duas perguntas. Solicitamos a estes alunos que respondessem às seguintes perguntas: Qual disciplina você mais gosta de estudar e qual disciplina que você menos gosta de estudar. Dentre as opções de respostas estavam as disciplinas português, matemática, ciências naturais (biologia, química e física), ciências humanas (história e geografia) e inglês, além de ter sido oferecido a oportunidade de escolher todas ou nenhuma das disciplinas. 4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS As respostas obtidas para a primeira questão revelam a preferência dos alunos pelas disciplinas português e matemática (Tabela 1). Este resultado pode ser atribuído ao fato de que muitos alunos gostarem de se dedicar a leitura e produção de textos, assim como realizar operações matemáticas, apesar de suas dificuldades em leitura, escrita e com os números.
  4. 4. Tabela 1. Disciplina que mais gosta de estudar Disciplina Frequência % Português 39 32 Matemática 30 25 Ciências Naturais 25 21 Ciências Humanas 17 14 Inglês 3 3 Todas 1 1 Nenhuma 5 4 Total 120 100 Em relação à segunda pergunta verificamos que as disciplinas mais citadas foram matemática seguido da disciplina português (Tabela 2). Tal resultado nos levou a perceber o contraste entre os entrevistados, pois ao mesmo tempo em que responderam gostar mais de estudar português e matemática grande parte também não gosta de estudar tais disciplinas. Tabela 2. Disciplina que menos gosta de estudar Disciplina Frequência % Português 30 25 Matemática 60 50 Ciências Naturais 3 2 Ciências Humanas 6 5 Inglês 18 15 Todas 2 2 Nenhuma 1 1 Total 120 100 O resultado acima pode ser justificado pelo fato de que muitos alunos têm dificuldades de aprendizagem tanto no que se refere à língua portuguesa quanto à matemática. É importante ressaltar que não podemos deixar de lado as experiências pessoais dos alunos na hora de ensinar qualquer que seja a disciplina, especialmente português, que consideramos ser a base para que o aluno possa ler, interpretar e compreender os conteúdos das demais disciplina. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos que os alunos entrevistados se identificam com as disciplinas português e matemática, apesar de apresentarem grande dificuldade de leitura e escrita. Tal fato concorda com a frequência com que os alunos disseram não gostar das mesmas disciplinas, ou seja, observamos uma determinada contradição entre os discentes, pois ao mesmo tempo em que muitos gostam de estudar textos e números, muitos ainda consideram este um dos trabalhos mais difíceis de realizar no processo educacional. Os resultados desta pesquisa nos respaldam a afirmar que cursos de licenciatura devem oportunizar situações de discussões e de reflexões, sobre valores pessoais da vida dos alunos, relacionando suas experiências de vida às situações abordadas em sala de aula. Somente através deste trabalho será possível identificar quais as dificuldades pessoais e cognitivas dos estudantes, independente do grau de ensino que frequentarem. Não podemos deixar de enfatizar a importância de debater também o papel do professor na busca por metodologias que favoreçam a aprendizagem de forma interdisciplinar, articulando e integrando os conteúdos de todas as disciplinas.
  5. 5. Entendemos que agindo dessa forma contribuiremos de modo significativo, para converter intenções em ações concretas, e com maior probabilidade de eficácia, afinal elas partirão de idéias e entendimentos daqueles que, respaldados por sua atuação profissional, poderão aprimorar a consciência interdisciplinar dos cidadãos com os quais interagirem nos contextos das salas de aula. REFERÊNCIAS FACION, José Raimundo. Transtornos de Défcit de Atenção/Hiperatividade (T.D.A.H): Atualização Clínica. Revista de Psicologia da UnC, vol. 1, n. 2, p. 54-58. Disponível em:< http://www.nead.uncnet.br/2009/revistas/psicologia/2/23.pdf>. Acesso em: 13 Ago 2009. LUCK, Heloisa. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Discalculia (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002. Disponível em:<http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=133>. Acesso em: 14 Ago 2009. PAVÃO, Vania. Dislexia e disortografia: a importância do diagnóstico. Instituto de Gestalt – Terapia e atendimento familiar, vol. 2, n. 3, 2005. Disponível em:<http://www.igt.psc.br/Artigos/dislexia_e_disortografia_a_importancia_do_diagnostico.htm>. Acesso em: 07 Ago 2009. SANTOS, M. T. M.; NAVAS, A. L. P. Terapia da linguagem escrita. In: Distúrbiosde leitura e escrita: teoria e prática. Barueri: Manole, 2002. cap. 6, p. 191-223. ZEVALLOS, PABLO. Dislalia Infantil. Disponível em: < http://br.guiainfantil.com/component/content/article/358-dislalia-infantil.pdf>. Acesso em: 10 Ago 2009.

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