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  • 1. Faculdade e Escola Técnica Egídio José da SilvaFATEGÍDIOAPOSTILA DE ANATOMIA EFISIOLOGIA HUMANASMAIO/2009
  • 2. 3Organizador:Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDAColaboradores:Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANOProf. Esp. FABIANA PARO PEREIRAProf. Esp. FABRICIO BRITO MUNIZProf. Esp. LEONARDO FIGUEIREDO SANTOSCapa:Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA eSecretário SERGIO TELESCitações:Esta Apostila foi baseada em texto da Professora MSc. Maria Luisa Miranda Vilela,Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC/MG, tem especialização nos cursos de Biologiados Vertebrados pela PUC/MG e Genética Humana pela UnB e mestrado em Microbiologiapela UFMG (defesa de dissertação em genética molecular de Leishmania). Atualmente édoutoranda no Curso de Pós-Graduação em Biologia Animal da UnB, pelo Dept° de Genéticae Morfologia, Laboratório de Genética.Lecionou Ciências no Ensino Fundamental, Biologia noEnsino Médio e Citologia nas Faculdades Metodistas Isabela Hendrix, em Belo Horizonte/MG.Em Brasília/DF, leciona biologia no ensino médio, desde 1994: em 1994 e 1995, nos CentrosEducacionais La Salle e Sagrada Família; de 1996 até agora, no Centro EducacionalLeonardo da Vinci. Cursos de atualização: Genética e Sociedade (UnB); Bioquímica, Nutriçãoe Saúde (UnB); Ecologia e Gestão Ambiental (UFMG).
  • 3. 4Aos alunos:O mestre disse a um dos seus alunos: Yu,queres saber em que consiste oconhecimento? Consiste em terconsciência tanto de conhecer uma coisaquanto de não a conhecer. Este é oconhecimento..
  • 4. 5SUMÁRIO1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA ................................................. 61.1 - CONCEITO DE ANATOMIA ...................................................................... 61.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA ...................................................... 61.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA ...............................................................61.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA .............................................................................71.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO.................................................................71.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO..............81.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO.........................................................81.8 - MÉTODOS DE ESTUDO ............................................................................91.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAI ...................................................... 91.10 - PLANOS ANATÔMICO ..........................................................................101.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA ..................................................102 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO............................................................... 112.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO............................................................................... 112.2 - SISTEMA ARTICULAR ....................................................................................212.3 - SISTEMA MUSCULAR ............................................................................273 - SISTEMA NERVOSO ..................................................................................364 - SISTEMA CIRCULATÓRIO ........................................................................575 - SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................666 - O SISTEMA DIGESTÓRIO ........................................................................727 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR .............................................................798 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO ...................................................839 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ........................................................8510 - SISTEMA ENDÓCRINO ............................................................................9511 – SISTEMA SENSORIAL ............................................................................9912 - SISTEMA TEGUMENTAR ......................................................................110
  • 5. 61 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA1.1 - CONCEITO DE ANATOMIANo seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro emicroscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela AmericanAssociation of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com afunção e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos eambientais. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos daconstrução dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das váriaspartes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. Aamplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças a longoprazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediáriaem desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadascom fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estruturaestudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seusórgãos até as organelas celulares e macromoléculas.A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome = corte).Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é equivalente etimologicamente aanatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência, enquanto dissecar é um dos métodosdesta ciência.Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da civilizaçãohumana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos corpos,expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias inovadoras.Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomiamacroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento.A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu, utilizandoou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a Anatomia Microscópica éaquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e requer o uso deinstrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e eletrônicos. Este grupo édividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes seorganizam para a formação de órgãos).A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do ovofertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do desenvolvimento atéo nascimento. Embora não sejam estanques, a complexidade destes grupos torna necessária aexistência de estudos específicos.1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICANormal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que éencontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízoda função. Assim, a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital. Este é o padrão.Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não existe perdafuncional esta é uma variação.Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma variação. Se aanomalia for tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral,incompatível com a vida, é uma monstruosidade.1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA
  • 6. 7Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termosempregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome deNomenclatura Anatômica. Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do séculopassado, graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França,Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominaçõesdiferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de metodologia e deinevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hojereduzidos a poucos mais de 5 000). A primeira tentativa de uniformizar e criar umanomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. Em sucessivos congressos deAnatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foiaprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (ParisNomina Anatomica). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que anomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada,desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas emCongressos Internacionais de Anatomia . A língua oficialmente adotada é o latim (por ser“língua morta”), porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar umaestrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais paraa memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura.Dentro deste princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e ostermos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o seutrajeto (artéria circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações (ligamentosacroilíaco); a sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador daescápula); critério misto (m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, hánomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão consagrados pelouso.1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICAPara evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-se que aposição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição de descriçãoanatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas, quando escrevem seus textos,referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre naposição padronizada. Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática oubípede), com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superioresestendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros inferioresunidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente.1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANOO corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.2.1. CabeçaA cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. Uma linha imaginária passando pelotopo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas duas regiões. O crânio contém oencéfalo no seu interior, na chamada cavidade craniana. As lesões crânioencefálicas são ascausas mais freqüentes de óbito nas vitimas de trauma. A face é a sede dos órgãos dos sentidosda visão, audição, olfato e paladar. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório edigestivo. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e obstrução das viasaéreas.2.2. TroncoO tronco é dividido em pescoço, tórax, abdome e pelve.2.2.1. PescoçoContém varias estruturas importantes. É suportado pela coluna cervical que abriga noseu interior a porção cervical da medula espinhal. As porções superiores do trato respiratório edigestivo passam pelo pescoço em direção ao tórax e abdome. Contém também vasos
  • 7. 8sangüíneos calibrosos responsáveis pela irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maiorgravidade são as fraturas da coluna cervical com ou sem lesão medular, as lesões do tratorespiratório e as lesões de grandes vasos com hemorragia severa.2.2.2. TóraxContém no seu interior, na chamada cavidade torácica, a parte inferior do tratorespiratório (vias aéreas inferiores), os pulmões, o esôfago, o coração e os grandes vasossangüíneos que chegam ou saem do coração. É sustentado por uma estrutura óssea da qualfazem parte a coluna vertebral torácica, as costelas, o esterno, as clavículas e a escápula. Aslesões do tórax são a segunda causa mais freqüente de morte nas vítimas de trauma.1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANONa posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes à suasuperfície, os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico,um paralelepípedo.Tem-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes: doisplanos verticais, um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e outro ao dorso – planodorsal ou posterior. Estes e outros a eles paralelos são também designados como planosfrontais, por serem paralelos à “fronte”; dois planos verticais tangentes aos lados do corpo –planos laterais direito e esquerdo e, finalmente, dois planos horizontais, um tangente à cabeça –plano cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos = pé) ou inferior.O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano horizontal que tangencia o vérticedo cóccix, ou seja, o osso que no homem é o vestígio da cauda de outros animais. Por estarazão, este plano é denominado caudal.Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de secção: oplano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado mediano. Todasecção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e osplanos de secção são também chamados sagitais; os planos de secção que são paralelos aosplanos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (cortefrontal); os planos de secção que são paralelos aos planos cranial, podálico e caudal sãohorizontais. A secção é denominada transversal.1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃOA situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos planos dedelimitação e secção.Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de medial elateral conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano mediano docorpo.Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou ventral)e posterior (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante doplano anterior.Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial) para amais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste plano.Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se, comumente, ostermos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distanteda raiz do membro. Para o tubo digestivo emprega-se os termos oral e aboral, referindo-se àsestruturas respectivamente mais próxima e mais distante da boca.Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de intermédia.Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra posterior, ou entre umasuperior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra distal ou ainda uma oral e outra aboral)é denominada de média.Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas, sendoeste um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre mediana, enquanto os
  • 8. 9outros termos de posição e direção são relativos, pois baseiam-se na comparação da posição deuma estrutura em relação a posição de outraA anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo, pré-requisito indispensávelpara o estudo da fisiologia dos órgãos. Seu estudo compreende tanto a evolução do indivíduodesde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia), como o desenvolvimento de uma estrutura noreino animal (filogenia).A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia sistemática oudescritiva, que estuda os vários sistemas separadamente e (2) anatomia topográfica ou cirúrgica,que estuda todas as estruturas de uma região e suas relações entre si.ORIGEM EMBRIOLÓGICAQuanto à origem, os órgãos podem ser classificados em homólogos ou análogos. Diz-se quedois órgãos são homólogos quando possuem a mesma origem embriológica mas diferentesfunções, como, por exemplo, os membros superiores do homem e as asas dos pássaros. Aanalogia, por sua vez, acontece quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentesorigens embriológicas, como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes.1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO1. inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos (ectoscopia) ouinternos (endoscopia);2. palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões musculares eas saliências ósseas, dentre outras coisas;3. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir sonsaudíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases, líquidos ousólidos);4. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão, intestino);5. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias;6. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhorvisualização;7. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ecografia, ressonância nuclear magnética etomografia computadorizada.1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAISExistem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devemser descritas:1. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a bolsaescrotal e nela se localizando durante a vida adulta;2. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital,enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal;3. raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar,enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceiravértebra lombar;4. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas. Os principaistipos são:4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos. Nessas pessoaso estômagogeralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente;4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as víscerascostumam estardispostas mais horizontalmente;4.c- mediolíneo: características intermediárias.
  • 9. 10A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagemsemiológica, avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior incidência de doenças,como por exemplo a hipertensão, que é sabidamente mais comum em brevilíneos.1.10 - PLANOS ANATÔMICOSO corpo humano é dividido por três eixos imaginários:1. o eixo vertical ou longitudinal, que une a cabeça aos pés, classificado como heteropolar;2. o eixo de profundidade ou ântero-posterior, que une o ventre ao dorso, classificado comoheteropolar;3. o eixo de largura ou transversal, que une o lado direito ao lado esquerdo, classificado comohomopolar.No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Existem quatroplanos principais:1. o plano sagital, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixolongitudinal;2. o plano sagital mediano, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo doeixo longitudinal na linha mediana, dividindo o corpo em duas metades aparentementesimétricas, denominadas antímeros;3. o plano transversal ou horizontal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo doeixo ântero-posterior. Uma série sucessiva de planos transversais divide o corpo em segmentosdenominados metâmeros;4. o plano frontal ou coronal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixolongitudinal, dividindo o corpo em porções chamadas de paquímeros.1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICAInferior ou caudal: mais próximo dos pés;Superior ou cranial: mais próximo da cabeça;Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;Proximal: mais próximo do ponto de origem;Distal: mais afastado do ponto de origem;Medial: mais próximo do plano sagital mediano;Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;Superficial: mais próximo da pele;Profundo: mais afastado da pele;Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;Contra-lateral: do lado oposto do corpo;Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado noabdômen;Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita do baço e aesquerda do fígado;Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira, quarta e quintacostelas;Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo adiante e abaixodo átrio esquerdo.
  • 10. 112 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICOImagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagemevolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997.Além de dar sustentação aocorpo, o esqueleto protege osórgãos internos e fornece pontosde apoio para a fixação dosmúsculos. Ele constitui-se depeças ósseas (ao todo 208ossos no indivíduo adulto) ecartilaginosas articuladas, queformam um sistema dealavancas movimentadas pelosmúsculos.O esqueleto humano podeser dividido em duas partes:1-Esqueleto axial: formadopela caixa craniana, colunavertebral caixa torácica.2-Esqueleto apendicular:compreende a cintura escapular,formada pelas escápulas eclavículas; cintura pélvica,formada pelos ossos ilíacos (dabacia) e o esqueleto dosmembros (superiores ouanteriores e inferiores ouposteriores).1-Esqueleto axial1.1-Caixa cranianaPossui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital,esfenóide, nasal, lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilarsuperior e mandíbula (maxilar inferior).Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.Moderna, 1997.
  • 11. 12Observações:Primeiro - no ossoesfenóide existe umadepressão denominada de selaturca onde se encontra umadas menores e maisimportantes glândulas do corpohumano - a hipófise, no centrogeométrico do crânio.Segundo - Fontanela oumoleira é o nome dado àregião alta e mediana, dacabeça da criança, que facilitaa passagem da mesma no canal do parto; após o nascimento, será substituída porosso.1.2-Coluna vertebralÉ uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que sesobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; édividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço), colunatorácica, coluna lombar, coluna sacral, coluna cocciciana (coccix).1.3-Caixa torácicaÉ formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas,que são em número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (seinserem diretamente no esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem aoesterno), e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres, não se fixando aoesterno).
  • 12. 132- Esqueleto apendicular2-1- Membros e cinturas articularesCada membro superior é compostode braço, antebraço, pulso e mão. Oosso do braço – úmero – articula-se nocotovelo com os ossos do antebraço:rádio e ulna. O pulso constitui-se deossos pequenos e maciços, os carpos.A palma da mão é formada pelosmetacarpos e os dedos, pelasfalanges.Cada membro inferior compõe-sede coxa, perna, tornozelo e pé. O ossoda coxa é o fêmur, o mais longo docorpo. No joelho, ele se articula com osdois ossos da perna: a tíbia e a fíbula.A região frontal do joelho está protegidapor um pequeno osso circular: a rótula.Ossos pequenos e maciços, chamadostarsos, formam o tornozelo. A planta dopé é constituída pelos metatarsos e osdedos dos pés (artelhos), pelasfalanges.Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma onome de cintura ou de cinta. Acintura superior se chama cinturatorácica ou escapular (formadapela clavícula e pela escápula ouomoplata); a inferior se chamacintura pélvica, popularmenteconhecida como bacia (constituídapelo sacro - osso volumosoresultante da fusão de cincovértebras, por um par de ossosilíacos e pelo cóccix, formado porquatro a seis vértebrasrudimentares fundidas). A primeirasustenta o úmero e com ele todo obraço; a segunda dá apoio aofêmur e a toda a perna.3 - Juntas e articulaçõesJunta é o local de junção entre dois ou mais ossos. Algumas juntas, como asdo crânio, são fixas; nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em outrasjuntas, denominadas articulações, os ossos são móveis e permitem ao esqueletorealizar movimentos.
  • 13. 144 - LigamentosOs ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos,cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os ligamentos estãofirmemente unidos às membranas que revestem os ossos.5 - Classificação dos ossosOs ossos são classificados de acordocom a sua forma em:A - Longos: têm duas extremidades ouepífises; o corpo do osso é a diáfise; entre adiáfise e cada epífise fica a metáfise. Adiáfise é formada por tecido ósseo compacto,enquanto a epífise e a metáfise, por tecidoósseo esponjoso. Exemplos: fêmur, úmero.Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagemevolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997, comadaptaçõesB- Curtos: têm as três extremidadespraticamente equivalentes e são encontradosnas mãos e nos pés. São constituídos portecido ósseo esponjoso. Exemplos: calcâneo,tarsos, carpos.C - Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseocompacto, tendo entre elas uma camada de tecidoósseo esponjoso e de medula óssea Exemplos:esterno, ossos do crânio, ossos da bacia, escápula.Revestindo o osso compacto nadiáfise, existe uma delicada membrana - operiósteo - responsável pelo crescimentoem espessura do osso e também pelaconsolidação dos ossos após fraturas (caloósseo). As superfícies articulares sãorevestidas por cartilagem. Entre as epífisese a diáfise encontra-se um disco ou placade cartilagem nos ossos em crescimento,tal disco é chamado de disco metafisário(ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do osso. O interior dosossos é preenchido pela medula óssea, que, em parte é amarela, funcionando
  • 14. 15como depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e gelatinosa, constituindo olocal de formação das células do sangue, ou seja, de hematopoiese. O tecidohemopoiético é popularmente conhecido por "tutano". As maiores quantidades detecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no esterno. Nos ossos longos, amedula óssea vermelha é encontrada principalmente nas epífises.Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino:6 - TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO6.1 - O TECIDO ÓSSEOO tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso,suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Tambémfunciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e aforça do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular.Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo deíons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, o tecido adiposo também vai seacumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que aliexistia previamente.A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componenteorgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizamdentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se os seguintestipos celulares típicos:• Osteócitos: os osteócitos estão localizados emcavidades ou lacunas dentro da matriz óssea.Destas lacunas formam-se canalículos que sedirigem para outras lacunas, tornando assim adifusão de nutrientes possível graças àcomunicação entre os osteócitos. Os osteócitostêm um papel fundamental na manutenção daintegridade da matriz óssea.
  • 15. 16• Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam aparte orgânica da matriz óssea, composta porcolágeno tipo I, glicoproteínas eproteoglicanas. Também concentram fosfatode cálcio, participando da mineralização damatriz. Durante a alta atividade sintética, ososteoblastos destacam-se por apresentarmuita basofilia (afinidade por corantesbásicos). Possuem sistema de comunicaçãointercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitosinclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidoscompletamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seucitoplasma torna-se menos basófilo.• Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção eremodelação do tecido ósseo. São célulasgigantes e multinucleadas, extensamenteramificadas, derivadas de monócitos queatravessam os capilares sangüíneos. Nososteoclastos jovens, o citoplasma apresenta umaleve basofilia que vai progressivamentediminuindo com o amadurecimento da célula, atéque o citoplasma finalmente se torna acidófilo(com afinidade por corantes ácidos). Dilatações dos osteoclastos, através dasua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressõesconhecidas como lacunas de Howship.• Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (jámencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dadabasicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. Amatriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com oscorantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágenotipo I).A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantesde tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso oulacunar ou reticulado. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e desubstância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos ena quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo esponjoso apresentaespaços medulares mais amplos, sendo formado por várias trabéculas, que dãoaspecto poroso ao tecido. O tecido ósseo compacto praticamente não apresentaespaços medulares, existindo, no entanto, além dos canalículos, um conjunto decanais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann ecanais de Havers. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentamgrande sensibilidade e capacidade de regeneração.Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa),possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. Essescanais comunicam-se com os canais de Havers, que percorrem o ossolongitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. Ao redor decada canal de Havers, pode-se observar várias lamelas concêntricas de substânciaintercelular e de células ósseas. Cada conjunto deste, formado pelo canal central
  • 16. 17de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ousistema haversiano. Os canais de Volkmann não apresentam lamelasconcêntricas.Tecido ósseo compactoTecido ósseo esponjosoOs tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos(órgãos): externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto einternamente, de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa einternamente por membranas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente.Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se emosteoblastos. Portanto, são importantes na nutrição e oxigenação das células dotecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos ereparação das fraturas. Além disto, nas regiões articulares encontramos ascartilagens fibrosas. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossosapresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração.No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser:vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ouhematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras reticulares.amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue).
  • 17. 18No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medulavermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno, costelas, ossos docrânio), às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). Com opassar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmerotransforma-se em amarela.6.2 - O TECIDO CARTILAGINOSOO tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo deconsistência rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, revestesuperfícies articulares onde absorve choques, facilita os deslizamentos e éessencial para a formação e crescimento dos ossos longos. A cartilagem é um tipode tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas condrócitos ede uma matriz extracelular altamente especializada.É um tecido avascular, não possui vasos sanguíneos, sendo nutrido peloscapilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial das
  • 18. 19cavidades articulares. Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam ascartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecido cartilaginoso também é desprovidode vasos linfáticos e de nervos. Dessa forma, a matriz extracelular serve de trajetopara a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do tecido conjuntivocircundante e os condrócitos. As cavidades da matriz, ocupadas pelos condrócitos,são chamadas lacunas; uma lacuna pode conter um ou mais condrócitos. A matrizextracelular da cartilagem é sólida e firme, embora com alguma flexibilidade, sendoresponsável pelas suas propriedades elásticas. As propriedades do tecidocartilaginoso, relacionadas ao seu papel fisiológico, dependem da estrutura damatriz, que é constituída por colágeno ou colágeno mais elastina, em associaçãocom macromoléculas de proteoglicanas (proteína + glicosaminoglicanas). Como ocolágeno e a elastina são flexíveis, a consistência firme das cartilagens se deve àsligações eletrostáticas entre as glicosaminoglicanas das proteoglicanas e ocolágeno, e à grande quantidade de moléculas de água presas a estasglicosaminoglicanas (água de solvatação) que conferem turgidez à matriz.As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) sãoenvolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio, o qualcontinua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivoadjacente pela outra. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos distintos:1) cartilagem hialina; 2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa; 3) cartilagem elástica.6.2.1 - Cartilagem hialinaDistingue-se pela presença de umamatriz vítrea, homogênea e amorfa(figura ao lado). Por toda cartilagem háespaços, chamados lacunas, no interiordas lacunas encontram-se condrócitos.Essas lacunas são circundadas pelamatriz, a qual tem dois componentes:fibrilas de colágeno e matrizfundamentalEssa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto; é a precursora dos ossos quese desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. Durante odesenvolvimento ósseo endocondral, a cartilagem hialina funciona como placa decrescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso estivercrescendo em comprimento. No osso longo do adulto, a cartilagem hialina estápresente somente na superfície articular. No adulto, também está presente comounidade esquelética na traquéia, nos brônquios, na laringe, no nariz e nasextremidades das costelas (cartilagens costais).
  • 19. 20Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecidoconjuntivo firmemente aderido, chamado pericôndrio. O pericôndrio não estápresente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre, como nascavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o osso.Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura; tem também a funçãode nutrição, oxigenação, além de ser fonte de novas células cartilaginosas. É ricoem fibras de colágeno na parte mais superficial, porém, à medida que se aproximada cartilagem, é mais rico em células.Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob aforma de cristais de hidroxiapatita, precedida por um aumento de volume e mortedas células. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente em trêssituações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em contatocom o osso é calcificada; 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens que estãopara ser substituídas por osso durante o período de crescimento do indivíduo; 3) acartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do processo deenvelhecimento.Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e,freqüentemente, de modo incompleto, salvo em crianças de pouca idade. No adulto,a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. Havendo fratura de uma peçacartilaginosa, células derivadas do pericôndrio invadem a área da fratura e dão origem atecido cartilaginoso que repara a lesão. Quando a área destruída é extensa, ou mesmo,algumas vezes, em lesões pequenas, o pericôndrio, em vez de formar novo tecidocartilaginoso, forma uma cicatriz de tecido conjuntivo denso.6.2.2 - Cartilagem elásticaEsta é uma cartilagem na qual a matrizcontém fibras elásticas e lâminas de materialelástico, além das fibrilas de colágeno e dasubstância fundamental. O material elásticoconfere maior elasticidade à cartilagem, comoa que se pode ver no pavilhão da orelha. Apresença desse material elástico (elastina)confere a esse tipo de cartilagem uma coramarelada, quando examinado a fresco. Acartilagem elástica pode estar presenteisoladamente ou formar uma peçacartilaginosa junto com a cartilagem hialina. Como a cartilagem hialina, a elásticapossui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. A cartilagem elástica émenos sujeita a processos degenerativos do que a hialina. Ela pode ser encontrada
  • 20. 21no pavilhão da orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na tuba auditiva e nalaringe. Em todos estes locais há pericôndrio circundante. Diferentemente dacartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica.6.2.3 - Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosaA cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com característicasintermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. É uma forma decartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras colágenas.Na cartilagem fibrosa, as numerosas fibras colágenas constituem feixes, queseguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou umarranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação depende dasforças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos colocam-separalelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existepericôndrio. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discosintervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares das articulações dosjoelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. Geralmente, apresença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir àcompressão e ao desgaste.6.3 - CrescimentoA cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial.Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de umacartilagem já existente. As células empenhadas nesse tipo de crescimento derivamdo pericôndrio. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa cartilaginosa.Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se dividir e porque amatriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem temporariamente a mesmalacuna, separam-se quando secretam nova matriz extracelular. Quando parte destaúltima matriz é secretada, forma-se uma divisão entre as células e, neste ponto,cada célula ocupa sua própria lacuna. Com a continuidade da secreção da matriz,as células ficam ainda mais separadas entre si.Na cartilagem do adulto, os condrócitos freqüentemente estão situados emgrupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. Esses grupos decondrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivasdurante a última fase de desenvolvimento. Há pouca produção de matriz adicional eos condrócitos permanecem em íntima aposição. Tais grupos são chamados degrupos isógenos.2.2 - SISTEMA ARTICULARArticulação ou juntura é a conexão entre duas oumais peças esqueléticas (ossos ou cartilagens). Essasuniões não só colocam as peças do esqueleto em contato,como também permitem que o crescimento ósseo ocorra eque certas partes do esqueleto mudem de forma durante oparto. Além disto, capacitam que partes do corpo semovimentem em resposta a contração muscular.Embora apresentem consideráveis variações entreelas, as articulações possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comumque permitem classificá-las em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e
  • 21. 22sinoviais. O critério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõeàs peças que se articulam.2.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕESa- Quanto a duração;b- Quanto a maneira de fixação aos ossos;c- Quanto a natureza do tecido interposto;d- Quanto ao número de eixos.e- Quanto ao número de ossos.2.1.A - QUANTO A DURAÇÃO-Temporárias(Ex. Linha epifisiária)-Permanentes(Ex. Articulação do ombro2.1.B - QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS-Continuidade(Ex. Disco intervertebral)-Contigüidade(Ex. Articulação do cotovelo)2.1.C - QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO- Fibrosas (IMÓVEIS)- Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS)- Sinoviais (MÓVEIS)Articulações fibrosas (móveis)As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que searticulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). O grau demobilidade delas, sempre pequeno, depende do comprimento das fibrasinterpostas. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose egonfose.As suturas, que são encontradas somente entre os ossos docrânio, são formadas por várias camadas fibrosas, sendo a uniãosuficientemente íntima de modo a limitar intensamente osmovimentos, embora confiram uma certa elasticidade ao crânio.A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram emcontato é variável, reconhecendo-se suturas planas (união linearretilínea ou aproximadamente retilínea), suturas escamosas(união em bisel) e suturas serreadas (união em linha “denteada”).No crânio, a articulação entre os ossos nasais é uma suturaplana; entre os parietais, sutura denteada; entre o parietal e otemporal, escamosa.
  • 22. 23No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, aquantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explicando agrande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Estas áreas fibrosas sãodenominadas fontículos (ou fontanelas). São elas que permitem, no momento doparto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal pelasobreposição dos ossos do crânio. Esta redução de volume facilita a expulsão dofeto para o meio exterior.Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose),fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, aelasticidade do crânio.Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso,relativamente longa, formando ou um ligamento interósseo ou uma membranainteróssea, nos casos, respectivamente de menor ou maior comprimento das fibras,o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. Exemplos típicos sãoa sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar.Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos, osalvéolos dentários. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura firmemente odente no seu alvéolo. A presença de movimentos nesta articulação significa umacondição patológica.CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis)SINCONDROSESÍNFISE- Cartilagem Hialina- Fribro-cartilagemNas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem.Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses; nas sínfises acartilagem é fibrosa. Em ambas a mobilidade é reduzida. As sincondroses são rarase o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizadana base do crânio. Exemplo de sínfise é a união, no plano mediano, entre asporções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica. Também asarticulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser consideradascomo sínfise, uma vez que se interpõe entre eles um disco de fibrocartilagem - odisco intervertebral.Articulações sinoviaisCLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAISPLANAGÍNGLIMOTROCÓIDECONDILARSELARESFERÓIDEA mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra eisto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja fibroso oucartilagíneo. Para que haja o grau desejável de movimento, em muitas articulações,o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido denominadosinóvia, ou líquido sinovial.Além da presença deste líquido, as articulações sinoviais possuem três outrascaracterísticas básicas: cartilagem articular, cápsula articular e cavidade articular.a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfíciesem contato numa determinada articulação (superfícies articulares), ou seja, acartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação. Emvirtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas, polidas e
  • 23. 24de cor esbranquiçada. A cartilagem articular é avascular e não possui tambéminervação. Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais centrais, éprecária, o que torna a regeneração, em caso de lesões, mais difícil e lenta.a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulaçãosinovial como um manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa(externa) e a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e pode estarreforçada, em alguns pontos, por ligamentos , destinados a aumentar suaresistência. Em muitas articulações sinoviais, todavia, existem ligamentosindependentes da cápsula articular e em algumas, como na do joelho, aparecemtambém ligamentos intra-articulares.cavidade articular é o espaço existente entre as superfícies articulares, estandopreenchido pelo líquido sinovialLigamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre osossos, mas além disto, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam aamplitude dos movimentos considerados normais.A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. Éabundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção dasinóvia (líquido sinovial), o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem porfunções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. O volume de líquido sinovialpresente em uma articulação é mínimo, somente o suficiente para revestirdelgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade articular.Além destas características, que são comuns a todas articulações sinoviais,em várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas, interpostas àssuperfícies articulares, os discos e meniscos, de função discutida: serviriam àmelhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes) ouseriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo comoamortecedores. Meniscos, com sua característica forma de meia lua, sãoencontrados na articulação do joelho. Discos são encontrados nas articulaçõesesternoclavicular e temporomandibular.movimentos das articulações sinoviaisAs articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade.Assim, a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais. Estesmovimentos ocorrem, obrigatoriamente, em torno de um eixo, denominado eixo demovimento. A direção destes eixos é ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal.Na análise do movimento realizado, a determinação do eixo de movimento é feitaobedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é sempreperpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão. Assim, todomovimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento éperpendicular àquele plano. Os movimentos executados pelos segmentos do corporecebem nomes específicos e aqui serão definidos, a seguir, apenas os maiscomuns:flexão e extensão são movimentos angulares, ou seja, neles ocorre umadiminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca eaquele que permanece fixo. Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que háflexão; quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão, exceto para o pé. Nestecaso, não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos são definidos comoflexão dorsal e flexão plantar do pé. Os movimentos angulares de flexão e extensãoocorrem em plano sagital e, seguindo a regra, o eixo desses movimentos é látero-lateral.adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado,respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é,afastando-se dele. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. Os
  • 24. 25movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo demovimento é ântero-posterior.rotação que é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixolongitudinal (vertical). Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma rotaçãomedial, quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano docorpo, e uma rotação lateral, no movimento oposto. A rotação é feita em planohorizontal e o eixo de movimento, perpendicular a este plano é vertical.circundução, é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução,extensão, abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade distaldo segmento descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo vértice érepresentado pela articulação que se movimenta.2.1.D - CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS-NÃO AXIAL- Planas (deslizamento)-UNI-AXIAL- Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL)- Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL)- BI-AXIAL- Condilar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSALe SAGITAL).- Selar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL eSAGITAL).-TRI-AXIAL- Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO;ADUÇÃO/ABDUÇÃO; ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL)O movimento nas articulações depende, essencialmente, da forma dassuperfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. Nadependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em tornode um, dois ou três eixos. Este é o critério adotado para classificá-lasfuncionalmente. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno deum eixo, diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade; será bi-axial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade); e tri-axial seeles forem realizados em torno de três eixos (três graus de liberdade). Assim, asarticulações que só permitem a flexão e extensão, como a do cotovelo, são uni-axiais; aquelas que realizam extensão, flexão, adução e abdução, como a radio-cárpica (articulação do punho), são bi-axiais; finalmente, as que além de flexão,extensão, abdução e adução, permitem também a rotação, são ditas tri-axiais, cujosexemplos típicos são as articulações do ombro e do quadril.Classificação morfológica das articulações sinoviaisO critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviaisé a forma das superfícies articulares. Contudo, às vezes é difícil fazer estacorrelação. Além disto, existem divergências entre anatomistas quanto não só aclassificação de determinadas articulações, mas também quanto à denominaçãodos tipos. De acordo com a nomenclatura anatômica, os tipos morfológicos dearticulações sinoviais são:plana, na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas,permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção. Aarticulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é umexemplo. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nasarticulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento sejabastante reduzida. Entretanto, deve-se ressaltar que pequenos deslizamentos entre
  • 25. 26vários ossos articulados permitem apreciável variedade e amplitude de movimento.É isto que ocorre, por exemplo, nas articulações entre os ossos curtos do carpo, dotarso e entre os corpos das vértebras.gínglimo, ou dobradiça, sendo que os nomes referem-se muito mais aomovimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfíciesarticulares. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a simplesobservação mostra como a superfície articular do úmero, que entra em contato coma ulna, apresenta-se em forma de carretel. Todavia, as articulações entre asfalanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies articularesnão se assemelha a um carretel. Este é um caso concreto em que o critériomorfológico não foi rigorosamente obedecido. Realizando apenas flexão eextensão, as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais.trocóide, na qual, as superfícies articulares são segmentos de cilindro e, poresta razão, cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las.Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento, único, é vertical: sãomono-axiais. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre o rádio ea ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Napronação ocorre uma rotação medial do rádio e, na supinação, rotação lateral. Naposição de descrição anatômica o antebraço está em supinação.condilar, cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide seriatalvez um termo mais adequado. Estas articulações permitem flexão, extensão,abdução e adução, mas não a rotação. Possuem dois eixos de movimento, sendoportanto bi-axiais. A articulação radio-cárpica (ou do punho) é um exemplo. Outrossão a articulação temporomandibular e as articulações metacarpofalângicas.selar, na qual a superfície articular de uma peça esquelética tem a forma desela, apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixanuma segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentidoinverso da primeira. A articulação carpo-metacárpica do polegar é exemplo típico. Éinteressante notar que esta articulação permite flexão, extensão, abdução, aduçãoe rotação (conseqüentemente, também circundução) mas é classificada como bi-axial. O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizadaativamente pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outrosmovimentos.esferóide, que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferase se encaixam em receptáculos ocos. O suporte de uma caneta de mesa, que podeser movimentado em qualquer direção, é um exemplo não anatômico de umaarticulação esferóide. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de trêseixos, sendo portanto, tri-axial. Assim, a articulação do ombro (entre o úmero e aescápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) permitem movimentosde flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução.2.1.E – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOSARTICULADOS (OSSOS)- SIMPLES2 ossos- COMPOSTA (ou complexa)3 ou mais ossosComplexidade de organizaçãoQuando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz-se que ela é simples (por exemplo, a articulação do ombro); quando três ou maisossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação docotovelo envolve três ossos: úmero, ulna e rádio).Inervação
  • 26. 27As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dosque suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. Asterminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa dacápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destasestruturas. Contudo, o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. Dasterminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partemimpulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a posiçãorelativa dos ossos da articulação, do grau e direção de movimento. As vezes, essasinformações são inconscientes, e atuam em nível de medula espinhal para controledos músculos que agem sobre a articulação.2.3 - SISTEMA MUSCULARO tecido muscular é de origem mesodérmica, sendo caracterizado pelapropriedade de contração e distensão de suas células, o que determina amovimentação dos membros e das vísceras. Há basicamente três tipos de tecidomuscular: liso, estriado esquelético e estriado cardíaco.Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se napele, órgãos internos, aparelho reprodutor, grandes vasossangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para acontração dos músculos lisos é mediado pelo sistemanervoso vegetativo.Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistemanervoso central e, como este se encontra em parte sobcontrole consciente, chama-se músculo voluntário. Ascontrações do músculo esquelético permitem osmovimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto.Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular formaa maior parte do coração dos vertebrados. O músculocardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelosistema nervoso vegetati
  • 27. 28Estriado esqueléticoMiócitos longos, multinucleados(núcleos periféricos).Miofilamentos organizam-se emestrias longitudinais e transversais.Contração rápida e voluntáriaEstriado cardíacoMiócitos estriados com um ou doisnúcleos centrais.Células alongadas, irregularmenteramificadas, que se unem porestruturas especiais: discosintercalares.Contração involuntária, vigorosa erítmica.LisoMiócitos alongados,mononucleados e sem estriastransversais.Contração involuntária e lenta.2.3.1 - Musculatura EsqueléticaO sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura docorpo, formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculaturarecobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pelamovimentação corporal.
  • 28. 29Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecidoconjuntivo, o perimísio, que manda septos para o interior do músculo, septos dosquais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim dividido emfeixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes menores(primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo membranasdelgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. A fibra muscular éuma célula cilíndrica ou prismática, longa, de 3 a 12 centímetros; o seu diâmetro éinfinitamente menor, variando de 20 a 100 mícrons (milésimos de milímetro), tendoum aspecto de filamento fusiforme. No seu interior notam-se muitos núcleos, demodo que se tem a idéia de ser a fibra constituída por várias células que perderamos seus limites, fundindo-se umas com as outras. Dessa forma, podemos dizer queum músculo esquelético é um pacote formado por longas fibras, que percorrem omúsculo de ponta a ponta.No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis,constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – aactina e a miosina. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmenteoriginam um padrão bem definido de estrias(faixas) transversais alternadas, claras e escuras.Essa estrutura existe somente nas fibras queconstituem os músculos esqueléticos, os quaissão por isso chamados músculos estriados.Em torno do conjunto de miofibrilas de umafibra muscular esquelética situa-se o retículosarcoplasmático (retículo endoplasmático liso),especializado no armazenamento de íons cálcio.As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seucomprimento, denominadas sarcômeros. A distribuição dos filamentos de actina emiosina varia ao longo do sarcômero. As faixas mais extremas e mais claras dosarcômero, chamadas banda I, contêm apenas filamentos de actina. Dentro dabanda I existe uma linha que se cora mais intensamente, denominada linha Z, quecorresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. A faixa central, maisescura, é chamada banda A, cujas extremidades são formadas por filamentos deactina e miosina sobrepostos. Dentro da banda A existe uma região mediana maisclara – a banda H – que contém apenas miosina. Um sarcômero compreende osegmento entre duas linhas Z consecutivas e é a unidade contrátil da fibramuscular, pois é a menor porção da fibra muscular com capacidade de contração edistensão.
  • 29. 301- Bandas escuras (anisotrópicas –banda A).2- Faixas claras (isotrópicas –banda I, com linha Z central).3- Núcleos periféricos.2.3.2 - ContraçãoOcorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina csarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega adesaparecer.A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamentodos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos demiosina existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos sítiosdos filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções demiosina puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os filamentosde miosina. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular.Durante a contração muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das duaslinhas Z, e a zona H chega a desaparecer.Constatou-se, através de microscopia eletrônica, que o sarcolema (membranaplasmática) da fibra muscular sofre invaginações, formando túbulos anastomosadosque envolvem cada conjunto de miofibrilas. Essa rede foi denominada sistema T,pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas. Esse sistema é
  • 30. 31responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética,não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras cardíacas.2.3.3 - A química da contração muscularO estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, quechega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se pelamembrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático,fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. Ao entrarem contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina epermite que esta se ligue à miosina, iniciando a contração muscular. Assim quecessa o estímulo, o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículosarcoplasmático, o que faz cessar a contração.A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATPproduzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina àactina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular.Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimentomuscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidezcadavérica (rigor mortis).A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprirapenas alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva deenergia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina(fosfocreatina ou creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que a energiaé inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina(principalmente) e na forma de ATP. Quando a fibra muscular necessita de energiapara manter a contração, grupos fosfatos ricos em energia são transferidos dafosfocreatina para o ADP, que se transforma em ATP. Quando o trabalho muscularé intenso, as células musculares repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatinapela intensificação da respiração celular. Para isso utilizam o glicogênioarmazenado no citoplasma das fibras musculares como combustível.Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibramuscular mostra, em seqüência, os seguintes eventos:1. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ parao citoplasma.2. Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATPásica, isto é, desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato:
  • 31. 323. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos demiosina, caracterizando o encurtamento das miofibrilas.2.3.4 - Musculatura LisaA estriação não existe nos músculos viscerais, que se chamam, portanto,músculos lisos. Os músculos viscerais são também constituídos de fibrasfusiformes, mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas: têm,na verdade, um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. Têm, além disso, um sónúcleo e não são comandados pela vontade, ou seja, sua contração é involuntária,além de lenta. As fibras lisas recebem, também, vasos e nervos sensitivos emotores provenientes do sistema nervoso autônomo.Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentraçãointracelular de íons cálcio, a resposta da célula é diferente da dos músculosestriados. Quando há uma excitação da membrana, os íons cálcio armazenados noretículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a umaproteína, a calmodulina. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a miosina epermite que ela se ligue à actina. A actina e a miosina interagem entãopraticamente da mesma forma que nos músculos estriados, resultando então nacontração muscular.2.3.5 - Musculatura CardíacaO tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesarde apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente danossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entreos dois outros tipos de tecido muscularAs fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se emfeixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de quenão há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notarque suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranascelulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculaturacardíaca.
  • 32. 33A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração nomúsculo estriado esquelético , com algumas diferenças :• os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético;• retículo sarcoplasmático menor;• as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íonscálcio mais limitada;• tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contraçãocardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação docálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contraçãoao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados devolta para o retículo.Características Lisa Estriada Esquelética Estriada CardíacaForma Fusiforme FilamentarFilamentar ramificada(anastomosada)Tamanho (valores médios)Diâmetro: 7mmComprimento: 100mm30mm centímetros 15mm 100mmEstrias transversais Não há Há HáNúcleo 1 central Muitos periféricos (sincício) 1 centralDiscos intercalares Não há Não há HáContração Lenta, involuntária Rápida, voluntária Rápida, voluntáriaApresentaçãoFormam camadasenvolvendo órgãosFormam pacotes bemdefinidos, os músculosesqueléticosFormam as paredes docoração (miocárdio)2.3.6 - Musculatura CardíacaO tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesarde apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente danossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entreos dois outros tipos de tecido muscularAs fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se emfeixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de quenão há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notarque suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranascelulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculaturacardíaca.
  • 33. 34A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração nomúsculo estriado esquelético , com algumas diferenças :• os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético;• retículo sarcoplasmático menor;• as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íonscálcio mais limitada;• tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contraçãocardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação docálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contraçãoao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados devolta para o retículo.2.3.7 - Característica do Tecido MuscularO Tecido Muscular possui quatro características principais que são importantes nacompreensão de suas funções:Excitabilidade – capacidade do tecido muscular de receber e responder a estímulos;Contratilidade - capacidade de encurta-se e espessar;Extensibilidade – capacidade do tecido de distender-se;Elasticidade – capacidade do tecido de voltar a sua forma após uma contração ouextensão.1.3.8 – TIPOS DE MÚSCULOS
  • 34. 352.3.9 - ORIGEM E INSERÇÃOOrigem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que nãose desloca. Inserção (ponto móvel) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que sedesloca.Nos membros, geralmente a origem de um músculo é proximal e a inserção distal. Porémexistem situações em que o músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção. Exemplo:quando um atleta eleva seu corpo numa barra, é o braço que se flete sobre o antebraço e apeça óssea em deslocamento é o úmero. Considerando –se a ação do músculo braquial, agorasua extremidade ulnar será a origem e a extremidade umeral será a inserção, quandonormalmente o músculo braquial prende-se na face anterior do úmero e da ulna atravessandoa articulação do cotovelo, ao contrair-se executa a flexão do antebraço e consideramos suaextremidade umeral como origem e sua extremidade ulnar como inserção.Origem: quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que apresentammais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos bíceps, tríceps ouquadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem. Exemplos clássicosencontramos na musculatura dos membros e a nomenclatura acompanha a classificação.Exemplo: músculo bíceps braquial, músculo tríceps da perna, músculo quadríceps da coxa.Inserção: do mesmo modo os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. Quandohá dois tendões são bicaudados, quando possuem três ou mais policaudados. Exemplo:músculo flexor longo dos dedos do pé, músculos flexores e extensores dos dedos da mão.Ação: dependendo da ação principal resultante da contração do músculo ele pode serclassificado como flexor, extensor, adutor, abdutor, rotador medial, rotador lateral,pronador, supinador, flexor plantar flexor dorsal etc.
  • 35. 362.3.10 - Ação MuscularA analise do movimento é extremamente complexa, normalmente a ação envolve aação de vários músculos e a ação em conjunto desses músculos damos o nome decoordenação motora. Estudamos os grupamentos musculares normalmente de acordo com asua distribuição e respectivas funções: os músculos da região Ântero-medial do antebraço sãoflexores da mão ou dos dedos e pronadores, ao passo que os da região póstero-lateral sãoextensores da mão ou dos dedos e supinadores. No movimento voluntário há um grandenumero de ações musculares que são automáticas e semi-automáticas. Exemplo: os músculosacionados para manter a estabilidade quando nos abaixamos para pegarmos algum objeto, omovimento principal e dos dedos da mão só que para que o objeto seja pego é necessário quevários outros músculos sejam solicitados a fim de realizar a função.Quando o músculo é o principal na execução de um movimento ele é chamado deagonista e quando ele se opõe ao trabalho muscular de agonista (seja para regular a rapidezou a potencia de ação deste agonista) é chamado de antagonista, porém quando o músculotrabalha a fim de eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido peloagonista ele passa a se chamar sinergista. Exemplo: o músculo braquial quando se contrai é oagente ativo na flexão do antebraço sendo um agonista. Quando o músculo tríceps braquial secontrai para fazer a extensão do antebraço, o músculo braquial se opõe a este movimentoretardando-o para que ele não execute bruscamente atuando como antagonista. Na flexão dosdedos, os músculos flexores dos dedos são os agonistas, como os tendões de inserção destesmúsculos cruzam a articulação do punho, a tendência natural é provocar também a flexão damão, tal fato não ocorre porque outros músculos, como os extensores do carpo, se contraem edesta forma estabilizam a articulação do punho, impedindo assim aquele movimentoindesejado sendo o sinergista.3 - SISTEMA NERVOSOO sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo aperceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essasvariações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido oequilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação eregulação das funções corporais.No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as célulasda glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção etransmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo aexecução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem taisfunções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (tambémdenominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é acapacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ouexternos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célulaapta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. Noentanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das
  • 36. 37outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétricatransmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurôniostransmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a suaextensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se àpropriedade de condutibilidade.Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelosistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como amensagem nervosa é transmitida.Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, ocitoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos,que podem ser subdivididos em dendritos e axônios.Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam comoreceptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axôniossão prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Osaxônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos osaxônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e umfim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra emcontato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso)para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célulaadjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiõesterminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares.Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal.Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas dosistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou nos gânglios nervosos,localizados próximo da coluna vertebral.Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixeschamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP).O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann(encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitosaxônios, esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina - invólucroprincipalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica damielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Emaxônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, queacarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo deRanvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a partecelular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui ochamado neurilema.
  • 37. 38O impulso nervosoA membrana plasmática do neurôniotransporta alguns íons ativamente, do líquidoextracelular para o interior da fibra, e outros, dointerior, de volta ao líquido extracelular. Assimfunciona a bomba de sódio e potássio, quebombeia ativamente o sódio para fora, enquanto opotássio é bombeado ativamente paradentro.Porém esse bombeamento não é eqüitativo:para cada três íons sódio bombeados para olíquido extracelular, apenas dois íons potássio sãobombeados para o líquido intracelular.Imagem: www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.htmlSomando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamenteimpermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente deconcentração (de fora para dentro); porém, é muito permeável ao potássio, que, favorecidopelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se difunde livrementepara o meio extracelular.Em repouso: canaisde sódio fechados.Membrana épraticamenteimpermeável ao sódio,impedindo sua difusão afavor do gradiente deconcentração.Sódio é bombeadoativamente para fora
  • 38. 39Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html pela bomba de sódio epotássio.Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesmaproporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra eextracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membranamantêm-se eletricamente carregadas.O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódioe potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membranapositivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a membrana está polarizada. Ao serestimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura doscanais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, osódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio éacompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo transmitida aolongo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsosnervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além deum limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencialde ação). Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem àmedida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duraçãofixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeitoaté que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que ospotenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada".Imagem: geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsosImediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibranervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número deíons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íonssódio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamenteimpermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável aopotássio, que migra para o meio interno. Devido à alta concentração desse íon no interior,muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividadeno interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, peloqual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente seinicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra.Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exteriorda membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que setorna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva nointerior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim,o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais.
  • 39. 40Para transferir informação de umponto para outro no sistema nervoso, énecessário que o potencial de ação, umavez gerado, seja conduzido ao longo doaxônio. Um potencial de ação iniciadoem uma extremidade de um axônioapenas se propaga em uma direção, nãoretornando pelo caminho já percorrido.Conseqüentemente, os potenciais deação são unidirecionais - ao quechamamos condução ortodrômica.Uma vez que a membrana axonal éexcitável ao longo de toda sua extensão,o potencial de ação se propagará semdecaimento. A velocidade com a qual opotencial de ação se propaga ao longodo axônio depende de quão longe adespolarização é projetada à frente dopotencial de ação, o que, por sua vez,depende de certas características físicasdo axônio: a velocidade de condução dopotencial de ação aumenta com odiâmetro axonal. Axônios com menordiâmetro necessitam de uma maiordespolarização para alcançar o limiar dopotencial de ação. Nesses de axônios,presença de bainha de mielina acelera avelocidade da condução do impulso
  • 40. 41nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamentede um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (amielina é isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumentoda velocidade do impulso nervoso.O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpocelular axônio.O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada dedecisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para osistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos eglândulas).3.1 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO:3.1.1 - O Sistema Nervoso CentralO SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo(hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que sedivide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE,situada entre ambos.
  • 41. 42No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substânciacinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Comexceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e asubstância branca, mais internamente.Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana,protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominadaraque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética:dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meningesaracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquidocefalorraquidiano ou líquor.3.1.1.1 - O TELENCÉFALOO encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesaaproximadamente 1,4 kg. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebraisbastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos emotores. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais eterceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, aonível do tronco encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO,(LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso.Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebroesteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seucrescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta", orestante permanece por entre os sulcos.
  • 42. 43O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas,sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex.Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica.1. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possuiapenas três camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral.2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo;apresenta duas ou três camadas celulares.
  • 43. 443. neocórtex: córtex mais complexo; separa-sedo córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal;apresenta muitas camadas celulares e várias áreassensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamenteenvolvidas com o controle do movimento voluntário.Imagem:McCRONE, JOHN.Como o cérebro funciona.Série Mais Ciência. SãoPaulo, Publifolha, 2002.A regiãosuperficial dotelencéfalo, queacomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta), constitui o córtexcerebral, formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. Ocórtex recobre um grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substânciabranca). Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há agrupamentosde corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos(gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO,envolvidos em conjunto, no controle do movimento. Parece que os gânglios da baseparticipam também de um grande número de circuitos paralelos, sendo apenas algunspoucos de função motora. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memóriae da função cognitiva.
  • 44. 45Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. PortoAlegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aosmovimentos são:1. núcleo caudato: controlamovimentos intencionais grosseiros docorpo (isso ocorre a nível sub-consciente e consciente) e auxilia nocontrole global dos movimentos docorpo.2. putamen: funciona emconjunto com o núcleo caudato nocontrole de movimentos intensionaisgrosseiros. Ambos os núcleosfuncionam em associação com o córtexmotor, para controlar diversos padrõesde movimento.3. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partesdo corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se umapessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve primeirocolocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a musculatura dobraço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas, principalmente, pelo globopálido.4. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente osmovimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo.Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação demovimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com umaconexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células estabelecemsinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua vez, faz conexões inibitóriascom células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A conexão do tálamo com a área motorado córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na áreamotora do córtex. Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é aexcitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo.
  • 45. 46Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. PortoAlegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.3.1.1.2 - O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo)Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores doolfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região desubstância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua comoestação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pelacondução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem serprocessados. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamentoemocional; que decorre, não só da própria atividade, mas também de conexões com outrasestruturas do sistema límbico (que regula as emoções).O hipotálamo, tambémconstituído por substância cinzenta, éo principal centro integrador dasatividades dos órgãos viscerais,sendo um dos principais responsáveispela homeostase corporal. Ele fazligação entre o sistema nervoso e osistema endócrino, atuando naativação de diversas glândulasendócrinas. É o hipotálamo quecontrola a temperatura corporal,regula o apetite e o balanço de águano corpo, o sono e está envolvido naemoção e no comportamento sexual.Tem amplas conexões com as demaisáreas do prosencéfalo e com omesencéfalo. Aceita-se que ohipotálamo desempenha, ainda, umpapel nas emoções. Especificamente,as partes laterais parecem envolvidascom o prazer e a raiva, enquanto quea porção mediana parece mais ligadaà aversão, ao desprazer e à tendênciaao riso (gargalhada) incontrolável. Deum modo geral, contudo, aparticipação do hipotálamo é menorna gênese (“criação”) do que naexpressão (manifestaçõessintomáticas) dos estadosemocionais.
  • 46. 473.1.1.3 - O TRONCO ENCEFÁLICOO tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-seventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações sensitivas deestruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos quetransmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em direçãocontrária, do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla osmovimentos do lado direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do ladoesquerdo do corpo); (3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formaçãoreticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes,separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico).Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico desempenhamfunções motoras e sensitivas específicas.Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam emnúcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tractos,fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podemestar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos dotronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dosnervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no troncoencefálico.
  • 47. 48Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.3.1.1.4 - O CEREBELOSituado atrás docérebro está o cerebelo,que é primariamente umcentro para o controle dosmovimentos iniciados pelocórtex motor (possuiextensivas conexões com océrebro e a medulaespinhal). Como o cérebro,também está dividido emdois hemisférios. Porém, aocontrário dos hemisférioscerebrais, o lado esquerdodo cerebelo estárelacionado com osmovimentos do ladoesquerdo do corpo,enquanto o lado direito, comos movimentos do ladodireito do corpo.O cerebelo recebeinformações do córtexmotor e dos gânglios basaisde todos os estímulosenviados aos músculos. A
  • 48. 49partir das informações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretendeexecutar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações,músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimentorealmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vistarealizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho realseja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dosmovimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.Algumas estruturas do encéfalo e suas funçõesCórtex CerebralFunções:• Pensamento• Movimento voluntário• Linguagem• Julgamento• PercepçãoA palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é acamada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6mm. O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grossode fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisõesfísicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamentoconsciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes dememória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. olobo occipital direciona a visão.CerebeloFunções:• Movimento• Equilíbrio• Postura• Tônus muscularA palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo ficalocalizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral emalguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex querecobre estes hemisférios.
  • 49. 50Tronco EncefálicoFunções:• Respiração• Ritmo dos batimentos cardíacos• Pressão ArterialMesencéfaloFunções:• Visão• Audição• Movimento dos Olhos• Movimento do corpoOTroncoEncefálico éuma área doencéfaloque ficaentre otálamo e amedulaespinhal.Possuiváriasestruturascomo obulbo, omesencéfalo e a ponte.Algumasdestasáreas sãoresponsáveis pelasfunçõesbásicaspara amanutençãoda vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressãoarterial.Bulbo: recebe informações de vários órgãos do corpo,controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa):batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos desalivação, tosse, espirro e o ato de engolir.Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindono controle da respiração, além de ser um centro de transmissão deimpulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibrasnervosas que ligam o cérebro à medula.TálamoFunções:• Integração Sensorial• Integração MotoraO tálamo recebe informaçõessensoriais do corpo e as passa para ocórtex cerebral. O córtex cerebral enviainformações motoras para o tálamoque posteriormente são distribuídaspelo corpo. Participa, juntamente como tronco encefálico, do sistemareticular, que é encarregado de “filtrar”mensagens que se dirigem às partesconscientes do cérebro.
  • 50. 51Sistema LímbicoFunções:• ComportamentoEmocional• Memória• Aprendizado• Emoções• Vida vegetativa(digestão,circulação,excreção etc.)O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo, tálamo,amígdala, hipocampo, os corpos mamilares e o giro do cíngulo. Todas estas áreas sãomuito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também éimportante para a memória e o aprendizado.3.1.1.5 - A Medula EspinhalNossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm decomprimento. Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas - primeira vértebra - até onível da segunda vértebra lombar. A medula funciona como centro nervoso de atosinvoluntários e, também, como veículo condutor de impulsos nervosos.Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se ramificam. Por meio dessarede de nervos, a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo mensagense vários pontos e enviando-as para o cérebro e recebendo mensagens do cérebro etransmitindo-as para as várias partes do corpo. A medula possui dois sistemas deneurônios: o sistema descendente controla funções motoras dos músculos, regula funçõescomo pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino; osistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula ede lá para o cérebro.
  • 51. 52Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massacinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a massa branca. Asduas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na medula espinhal a massacinzenta localiza-se internamente e a massa branca, externamente (o contrário do que seobserva no encéfalo).Durante uma fratura ou deslocamento da coluna, as vértebras que normalmenteprotegem a medula podem matar ou danificar as células. Teoricamente, se o dano forconfinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenasnos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura.Por exemplo, se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 forlesada, o paciente só sofrerá paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou ocontrole sobre as funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinaispara “cima e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. Emcomparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido até o pontoda fratura.Infelizmente, a lesão original é só o começo. Os danos mecânicos promovemrompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio e nutrientespara as células não afetadas diretamente, que acabam morrendo; as células lesadasextravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos, que afetam células vizinhas, antesintactas; células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão;células da Glia proliferam criando grumos e uma espécie de cicatriz, que impedem osaxônios lesados de crescerem e reconectarem.O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que leva àparalisia e atrofia dos músculos.3.1.2 - O Sistema Nervoso PeriféricoO sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligaçõesentre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas,que podem ser formadas de axônios ou de dendritos.As fibras nervosas,formadas pelosprolongamentos dosneurônios (dendritos ouaxônios) e seusenvoltórios, organizam-seem feixes. Cada feixeforma um nervo. Cada
  • 52. 53fibra nervosa é envolvida por uma camada conjuntiva denominada endoneuro. Cada feixe éenvolvido por uma bainha conjuntiva denominada perineuro. Vários feixes agrupadosparalelamente formam um nervo. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecidoconjuntivo chamada epineuro. Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos.Seu conjunto forma a rede nervosa.Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervossensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados porprolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos doSNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes, feixe de axôniosde neurônios motores (centrífugos).Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e porneurônios motores.Quando partem doencéfalo, os nervos sãochamados decranianos; quandopartem da medulaespinhal denominam-seraquidianos.Do encéfalopartem doze pares denervos cranianos. Trêsdeles são exclusivamente sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos.Nervo craniano FunçãoI-OLFATÓRIO sensitiva Percepção do olfato.II-ÓPTICO sensitiva Percepção visual.III-OCULOMOTOR motoraControle da movimentação do globo ocular, da pupila edo cristalino.IV-TROCLEAR motora Controle da movimentação do globo ocular.V-TRIGÊMEO mistaControle dos movimentos da mastigação (ramo motor);Percepções sensoriais da face, seios da face e dentes(ramo sensorial).VI-ABDUCENTE motora Controle da movimentação do globo ocular.VII-FACIAL mistaControle dos músculos faciais – mímica facial (ramomotor);Percepção gustativa no terço anterior da língua (ramosensorial).VIII-VESTÍBULO-COCLEARsensitivaPercepção postural originária do labirinto (ramovestibular);Percepção auditiva (ramo coclear).IX-GLOSSOFARÍNGEO mistaPercepção gustativa no terço posterior da língua,percepções sensoriais da faringe, laringe e palato.X-VAGO mistaPercepções sensoriais da orelha, faringe, laringe, tórax evísceras. Inervação das vísceras torácicas e abdominais.XI-ACESSÓRIO motoraControle motor da faringe, laringe, palato, dos músculosesternoclidomastóideo e trapézio.XII-HIPOGLOSSO motora Controle dos músculos da faringe, da laringe e da língua.
  • 53. 54Os 31 pares de nervos raquidianos que saem da medula relacionam-se com os músculos esqueléticos.Eles se formam a partir de duasraízes que saem lateralmente damedula: a raiz posterior ou dorsal,que é sensitiva, e a raiz anterior ouventral, que é motora. Essas raízesse unem logo após saírem damedula. Desse modo, os nervosraquidianos são todos mistos. Oscorpos dos neurônios que formamas fibras sensitivas dos nervossensitivos situam-se próximo àmedula, porém fora dela,reunindo-se em estruturasespeciais chamadas gângliosespinhais. Os corpos celularesdos neurônios que formam as fibrasmotoras localizam-se na medula.De acordo com as regiões da colunavertebral, os 31 pares de nervosraquidianos distribuem-se daseguinte forma:• oito pares de nervoscervicais;• doze pares de nervosdorsais;• cinco pares de nervoslombares;• seis pares de nervossagrados ou sacrais.O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico.Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico pode aindasubdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervosoautônomo ou de vida vegetativa.
  • 54. 55As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos, queestão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático. Já as açõesinvoluntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca, controladas pelosistema nervoso periférico autônomo, também chamado involuntário ou visceral.3.1.2.1 - SNP Voluntário ou SomáticoO SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes doambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistemanervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular de uma fibra motora do SNPvoluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou damedula até o órgão que inerva.3.1.2.2 - SNP Autônomo ou VisceralO SNP Autônomo ou Visceral, como o próprio nome diz, funciona independentementede nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo, controlando aatividade dos sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele contém fibrasnervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos dasvísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de umnervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um neurônio pré-ganglionar e outro pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pré-ganglionar ficalocalizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio, onde o impulso nervoso étransmitido sinapticamente ao neurônio pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pós-ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até oórgão efetuador, que pode ser um músculo liso ou cardíaco.O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:• Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formadospor pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares.• Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição,como o estômago, o coração e os pulmões.• Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos,fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistemanervoso cefalorraquidiano.
  • 55. 56Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistemanervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias(antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpáticoacelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação,diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dosintestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.3.1.2.2.1 – Sistema Nervoso Autônomo SimpáticoO SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia,permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistemasimpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento dapressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismogeral do corpo.3.1.2.2.2 – SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO PARASSIMPÁTICOJá o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes,como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras.Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que asfibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. Ohormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpáticoé a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos.Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretamprincipalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurôniosadrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra-renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de"luta ou fuga" em situações de stress.A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibiroutros, de maneira antagônica.Órgão Efeito da estimulaçãosimpáticaEfeito da estimulaçãoparassimpáticaOlho: pupilaMúsculo ciliarDilatadanenhumContraídaExcitadoGlândulas gastrointestinais vasoconstrição Estimulação de secreçãoGlândulas sudoríparas sudação NenhumCoração: músculo (miocárdio)CoronáriasAtividade aumentadaVasodilataçãoDiminuição da atividadeConstriçãoVasos sanguíneossistêmicos:AbdominalMúsculoPeleConstriçãoDilataçãoConstrição ou dilataçãoNenhumNenhumNenhumPulmões: brônquiosVasos sangüíneosDilataçãoConstrição moderadaConstriçãoNenhumTubo digestivo: luzEsfíncteresDiminuição do tônus e daperistalseAumento do tônusAumento do tônus e doperistaltismoDiminuição do tônusFígado Liberação de glicose Nenhum
  • 56. 57Rim Diminuição da produção de urina NenhumBexiga: corpoEsfíncterInibiçãoExcitaçãoExcitaçãoInibiçãoAto sexual masculino Ejaculação EreçãoGlicose sangüínea Aumento NenhumMetabolismo basal Aumento em até 50% NenhumAtividade mental Aumento NenhumSecreção da medula supra-renal (adrenalina)Aumento NenhumEm geral, quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados, estimulam,simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade.Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas condiçõesfisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas das condições são asseguintes:• Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa atravésda medula espinhal e volta a ela, dilatando os vasos sangüíneos cutâneos. Também oaquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamoaumenta o grau de vasodilatação superficial, sem alterar os vasos profundos.• Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos temum efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao mesmotempo, o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiõesdo corpo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dosmúsculos, enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiõesdo corpo, exceto no coração e no cérebro.Nas junções neuro-musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos doparassimpático, ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-ganglionares e pós-ganglionares. Nos dois casos, a substância neurotransmissora é a acetilcolina. Essemediador químico atua nas dobras da membrana, aumentando a sua permeabilidade aosíons sódio, que passa para o interior da fibra, despolarizando essa área da membrana domúsculo. Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido emambas as direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quaseimediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular, ela é destruída, o quepermite a despolarização da membrana.4 - SISTEMA CIRCULATÓRIOComponentes do Sistema CardiovascularOs principais componentes do sistema circulatório são: coração, vasos sangüíneos,sangue, vasos linfáticos e linfa.
  • 57. 584.1 - CORAÇÃOO coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o ossoesterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em uma pessoa adulta, tem o tamanhoaproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas.O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duassuperiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. Oátrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O átrioesquerdo, por sua vez, comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspideou mitral.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção,sempre dos átrios para os ventrículos.As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto,em média. O processo de contração de cada câmara do miocárdio (músculo cardíaco)denomina-se sístole. O relaxamento, que acontece entre uma sístole e a seguinte, é adiástole.
  • 58. 59a- A atividade elétrica do coraçãoImagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Umaabordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.Moderna, 1997.Nódulo sinoatrial (SA) oumarcapasso ou nó sino-atrial: regiãoespecial do coração, que controla afreqüência cardíaca. Localiza-se pertoda junção entre o átrio direito e a veiacava superior e é constituído por umaglomerado de células muscularesespecializadas. A freqüência rítmicadessa fibras musculares é deaproximadamente 72 contrações porminuto, enquanto o músculo atrial secontrai cerca de 60 vezes por minuto eo músculo ventricular, cerca de 20vezes por minuto. Devido ao fato donódulo sinoatrial possuir umafreqüência rítmica mais rápida emrelação às outras partes do coração, osimpulsos originados do nódulo SAespalham-se para os átrios eventrículos, estimulando essas áreastão rapidamente, de modo que o ritmodo nódulo SA torna-se o ritmo de todoo coração; por isso é chamadomarcapasso.
  • 59. 60Sistema De Purkinje ou fascículo átrio-ventricular: embora o impulso cardíacopossa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui umsistema especial de condução denominado sistema de Purkinje ou fascículo átrio-ventricular, composto de fibras musculares cardíacas especializadas, ou fibras de Purkinje(Feixe de Hiss ou miócitos átrio-ventriculares), que transmitem os impulsos com umavelocidade aproximadamente 6 vezes maior do que o músculo cardíaco normal, cerca de 2m por segundo, em contraste com 0,3 m por segundo no músculo cardíaco.b- Controle Nervoso do CoraçãoEmbora o coração possua seus próprios sistemas intrínsecos de controle e possacontinuar a operar, sem quaisquer influências nervosas, a eficácia da ação cardíaca podeser muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema nervoso central. O sistemanervoso é conectado com o coração através de dois grupos diferentes de nervos, ossistemas parassimpático e simpático. A estimulação dos nervos parassimpáticos causa osseguintes efeitos sobre o coração: (1) diminuição da freqüência dos batimentos cardíacos;(2) diminuição da força de contração do músculo atrial; (3) diminuição na velocidade decondução dos impulsos através do nódulo AV (átrio-ventricular) , aumentando o período deretardo entre a contração atrial e a ventricular; e (4) diminuição do fluxo sangüíneo atravésdos vasos coronários que mantêm a nutrição do próprio músculo cardíaco.Todos esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulaçãoparassimpática diminui todas as atividades do coração. Usualmente, a função cardíaca éreduzida pelo parassimpático durante o período de repouso, juntamente com o restante docorpo. Isso talvez ajude a preservar os recursos do coração; pois, durante os períodos derepouso, indubitavelmente há um menor desgaste do órgão.A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos sobre ocoração: (1) aumento da freqüência cardíaca, (2) aumento da força de contração, e (3)aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento danutrição do músculo cardíaco. Esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que aestimulação simpática aumenta a atividade cardíaca como bomba, algumas vezesaumentando a capacidade de bombear sangue em até 100 por cento. Esse efeito énecessário quando um indivíduo é submetido a situações de estresse, tais como exercício,doença, calor excessivo, ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneoatravés do sistema circulatório. Por conseguinte, os efeitos simpáticos sobre o coraçãoconstituem o mecanismo de auxílio utilizado numa emergência, tornando mais forte obatimento cardíaco quando necessário.Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmentenoradrenalina, razão pela qual são denominados neurônios adrenérgicos. A estimulaçãosimpática do cérebro também promove a secreção de adrenalina pelas glândulas adrenaisou supra-renais. A adrenalina é responsável pela taquicardia (batimento cardíacoacelerado), aumento da pressão arterial e da freqüência respiratória, aumento da secreçãodo suor, da glicose sangüínea e da atividade mental, além da constrição dos vasossangüíneos da pele.O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervosoparassimpático é a acetilcolina, razão pela qual são denominados colinérgicos, geralmentecom efeitos antagônicos aos neurônios adrenérgicos. Dessa forma, a estimulaçãoparassimpática do cérebro promove bradicardia (redução dos batimentos cardíacos),diminuição da pressão arterial e da freqüência respiratória, relaxamento muscular e outrosefeitos antagônicos aos da adrenalina.Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior aumenta a pressão arterial e afreqüência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica, na porção anterior dohipotálamo, acarreta efeitos opostos, determinando notável diminuição da freqüênciacardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são transmitidos através dos centros decontrole cardiovascular da porção inferior do tronco cerebral, e daí passam a sertransmitidos através do sistema nervoso autônomo.
  • 60. 61Fatores que aumentam a freqüência cardíaca Fatores que diminuem a freqüência cardíacaQueda da pressão arterialinspiraçãoexcitaçãoraivadorhipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio para ascélulas do organismo)exercícioadrenalinafebreAumento da pressão arterialexpiraçãotristeza4.2 - ALGUNS DISTÚRBIOS CARDÍACOS4.2.1 - Sopro no coraçãoÉ uma alteração no fluxo do sanguedentro do coração provocada porproblemas em uma ou mais válvulascardíacas ou por lesões nas paredes dascâmaras. Na maioria das vezes, nãoexistem seqüelas. No entanto, quando osopro é muito forte, decorrente de lesõesnas paredes das câmaras, ele certamenteprecisará ser tratado, pois um volumeconsiderável de sangue sem oxigênio iráse misturar com o sangue que já foioxigenado.Algumas pessoas já nascem comválvulas anormais. Outras vão apresentaresse tipo de alteração por causa de malescomo a febre reumática, a insuficiênciacardíaca e o infarto, que podem modificaras válvulas. Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdfSintomas: Sopros são caracterizados por ruídos anormais, percebidos quando omédico ausculta o peito e ouve um som semelhante ao de um fole. O problema pode serdiagnosticado de maneira mais precisa pelo exame de ecocardiograma, que mostra o fluxosangüíneo dentro do coração.Tratamento: Como existem várias causas possíveis, o médico precisa ver o que estáprovocando o problema antes de iniciar o tratamento — que vai desde simplesmedicamentos até intervenções cirúrgicas para conserto ou substituição das válvulas, quepoderão ser de material biológico ou fabricadas a partir de ligas metálicas.Prevenção: Não há uma maneira de prevenir o sopro. Mas existem formas de evitarque ele se agrave. Para isso, é importante que você saiba se tem ou não o problema,realizando exames de check-up.4.2.2 - Infarto do miocárdioÉ a morte de uma área do músculo cardíaco, cujas células ficaram sem recebersangue com oxigênio e nutrientes.
  • 61. 62Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htmA interrupção do fluxo de sangue parao coração pode acontecer de váriasmaneiras. A gordura vai se acumulandonas paredes das coronárias (artérias queirrigam o próprio coração). Com o tempo,formam-se placas, impedindo que osangue flua livremente. Então, basta umespasmo — provocado pelo estresse —para que a passagem da circulação sefeche. Também pode ocorrer da placacrescer tanto que obstrui o caminhosangüíneo completamente, ou seja, podeacontecer por entupimento - quando asplacas de gordura entopemcompletamente a artéria, o sangue nãopassa. Dessa forma, as células no trechoque deixou de ser banhado pela circulaçãoacabam morrendo. A interrupção dapassagem do sangue nas artériascoronárias também pode ocorrer devidocontração de uma artéria parcialmenteobstruída ou à formação de coágulos(trombose).Imagem: www.saludhoy.com/htm/homb/articulo/infarca1.htmlSintomas: O principal sinal é a dormuito forte no peito, que pode se irradiarpelo braço esquerdo e pela região doestômago.Prevenção: Evite o cigarro, oestresse, os alimentos ricos emcolesterol e o sedentarismo, que são osprincipais fatores de risco. Também nãodeixe de controlar a pressão arterial.Tratamento: Em primeiro lugar,deve-se correr contra o relógio,procurando um atendimento imediato —a área do músculo morta cresce feitouma bola de neve com o passar dotempo. Se ficar grande demais, ocoração não terá a menor chance de serecuperar. Conforme a situação, osmédicos podem optar pela angioplastia,em que um catéter é introduzido nobraço e levado até a coronária entupida.Ali, ele infla para eliminar o obstáculogorduroso. Outra saída é a cirurgia: osmédicos constroem um desvio da áreainfartada — a ponte — com um pedaçoda veia safena da perna ou da artériaradial ou das artérias mamárias.
  • 62. 63Revascularização do miocárdio: durante a cirurgia um vaso sangüíneo, que pode sera veia safena (da perda), a artéria radial (do braço) e/ou as artérias mamárias (direita ouesquerda) são implantadas no coração, formando uma ponte para normalizar o fluxosangüíneo. O número de pontes pode variar de 1 a 5, dependendo da necessidade dopaciente.Imagem: www.braile.com.br/saude/hospital1.pdfImagens: www.geocities.com/HotSprings/Villa/1298/heartmate.htmlCateterismo (angioplastia por stent):
  • 63. 644.2.3 - AteroscleroseDoença devida ao aparecimento, nas paredes das artérias, de depósitos contendoprincipalmente LDL colesterol (“mau colesterol”), mas também pequenas quantidades defosfolipídios e gorduras neutras (placas de ateroma). Trabalhos recentes indicam que o LDLse acumula no interior das paredes dos vasos, onde seus componentes se oxidam e sofremoutras alterações. Os componentes alterados dão origem a uma resposta inflamatória quealtera progressiva e perigosamente os vasos. Gradualmente desenvolve-se fibrose dostecidos situados ao redor ou no interior dos depósitos gordurosos e, freqüentemente, acombinação do cálcio dos líquidos orgânicos com gordura forma compostos sólidos decálcio que, eventualmente, se desenvolve em placas duras, semelhantes aos ossos. Dessaforma, no estágio inicial da aterosclerose aparecem apenas depósitos gordurosos nasparedes dos vasos, mas nos estágios terminais os vasos podem tornar-se extremamentefibróticos e contraídos, ou mesmo de consistência óssea dura, caracterizando uma condiçãochamada arteriosclerose ou endurecimento das artérias.Imagem: www.unifesp.br/dmed/cardio/ch/cardio.htmDescobertas recentes indicam que os efeitos protetores do HDL colesterol (“bomcolesterol”) derivam não só da remoção do LDL colesterol dos vasos, mas também porinterferirem na oxidação de LDL.A aterosclerose muitas vezes cauda oclusão coronária aguda, provocando infarto domiocárdio ou "ataque cardíaco".Prevenção:Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presenteapenas em alimentos de origem animal), parar de fumar, fazer exercícios físicos.4.2.4 - ArritmiaImagem: Revista Saúde é VitalToda vez que o coração sai doritmo certo, diz-se que há uma arritmia.Ela ocorre tanto em indivíduossaudáveis quanto em doentes. Váriasdoenças podem dispará-la, assim comofatores emocionais — o estresse, porexemplo, é capaz de alterar o ritmocardíaco.Os batimentos perdem o compassode diversas maneiras. A bradicardiaocorre quando o coração passa a batermenos de 60 vezes por minuto — então,pode ficar lento a ponto de parar. Já nataquicardia chegam a acontecer mais de100 batimentos nesse mesmo período.A agitação costuma fazê-lo tremer,paralisado, em vez de contrair e relaxarnormalmente. Às vezes surgem novosfocos nervosos no músculo cardíaco,cada um dando uma ordem para elebater de um jeito. No caso, tambémpode surgir a parada cardíaca.Sintomas: Na taquicardia, o principal sintoma é a palpitação. Nas bradicardiasocorrem tonturas e até desmaios.
  • 64. 65Tratamento: Em alguns casos, os médicos simplesmente receitam remédios. Emoutros, porém, é necessário apelar para a operação. Hoje os cirurgiões conseguemimplantar no coração um pequeno aparelho, o marca-passo, capaz de controlaros batimentos cardíacos.Prevenção: Procure um médico ao sentir qualquer sintoma descrito acima. Além disso,tente diminuir o estresse no seu dia-a-dia.Reduzir o peso e a ingestão de gordurassaturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal), parar de fumar,fazer exercícios físicos.4.2. 5 - Arteriosclerose ou ArterioescleroseProcesso de espessamento e endurecimento da parede das artérias, tirando-lhes aelasticidade. Decorre de proliferação conjuntiva em substituição às fibras elásticas. Podesurgir como conseqüência da aterosclerose (estágios terminais) ou devido ao tabagismo. Ocigarro, além da nicotina responsável pela dependência, tem cerca de 80 substânciascancerígenas e outras radioativas, com perigos genéticos. Investigações epidemiológicasmostram que esse vício é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica e enfisemapulmonar, 80% dos casos de câncer do pulmão e 25% dos casos de infarto do miocárdio.Além disso, segundo pesquisas, os fumantes têm risco entre 100% e 800% maior decontrair infecções respiratórias bacterianas e viróticas, câncer da boca, laringe, esôfago,pâncreas, rins, bexiga e colo do útero, como também doenças do sistema circulatório, comoarteriosclerose, aneurisma da aorta e problemas vasculares cerebrais. A probabilidade deaparecimento desses distúrbios tem relação direta com o tempo do vício e sua intensidade.O cigarro contrai as artérias coronárias e, ao mesmo tempo, excita excessivamente ocoração; também favorece a formação de placas de ateroma (aumento de radicais livres).Prevenção: Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol, parar defumar, fazer exercícios físicos.4.2.6 - HipertensãoO termo hipertensão significa pressão arterial alta. Caracteriza-se por uma pressãosistólica superior a 14cm de mercúrio (14 cmHg = 140 mmHg) e uma pressão diastólicasuperior a 9 cm de mercúrio (9 cmHg ou 90 mmHg). A hipertensão pode romper os vasossangüíneos cerebrais (causando acidente vascular cerebral ou derrame), renais (causandoinsuficiência renal) ou de outros órgãos vitais, causando cegueira, surdez etc. Pode tambémdeterminar uma sobrecarga excessiva sobre o coração, causando sua falência.Causas da hipertensão: o conceito mais moderno e aceito de hipertensão defendeque a doença não tem uma origem única, mas é fruto da associação de vários fatores,alguns deles incontroláveis: hereditariedade, raça, sexo e idade. As causas se combinam,exercendo ação recíproca e sinérgica. Veja na tabela a seguir o “peso” de cada um dessesingredientes:Genética: fatores genéticos podem predispor àhipertensão.Etnia ou raça:Por motivos também de ordem genéticatalvez, a hipertensão incida mais e de forma mais severasobre negros.Sexo:Os homens têm mais propensão à pressão alta doque as mulheres antes da menopausa. Depois empatamou pode haver até ligeira predominância feminina. Osespecialistas estão cada vez mais convencidos de que areposição hormonal de estrógenos após a menopausapode prevenir a hipertensão, como faz com outrasdoenças cardiovasculares e com a osteoporose.Idade:A maioria dos estudos mostra que a hipertensãoafeta 50% da população com idade acima de 60 anos. Issodepende do grupo étnico e do sexo. O mais comumnesses casos é a elevação da pressão máxima, sem queocorra o aumento da mínima, que é decorrente doenrijecimento das artérias.Como fatores genéticos, podemos citar:•alta concentração de cálcio na membrana das células (defeito primário):aumenta a contração da musculatura lisa das artérias, fazendo-as se fecharem, oque diminui a passagem de sangue, resultando na hipertensão essencial ouprimária (fator genético;•aumento da concentração de sódio nas paredes das artérias, fazendo-as sefecharem cada vez mais (fator genético);
  • 65. 66Além dos fatores incontroláveis, descritos anteriormente, obesidade, excesso de sal,álcool, fumo, vida sedentária, estresse e taxas elevadas de colesterol (LDL) são fatores quefavorecem a elevação da pressão arterial.O uso de anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também é um fator quepredispõe mais as mulheres à hipertensão.O cigarro e níveis elevados de colesterol (LDL) também estão entre os elementos derisco: cerca de 70% do colesterol existente no homem é produzido pelo próprio organismo,no fígado. O restante provém da alimentação, dos produtos de origem animal. Por isso, odistúrbio pode ter origem externa, resultante principalmente de dietas erradas e vidasedentária, ou interna, de causa genética. A conseqüência direta é a aterosclerose, quedificulta ou, às vezes, impede o fluxo sangüíneo na região.O uso abusivo de descongestionantes nasais e medicamento em spray para asmatambém aumentam as chances de hipertensão.Pessoas diabéticas têm tendência a desenvolver hipertensão e outras doenças queatingem o coração.Prevenção:• dieta hipossódica (com pouco sal) e hipocalórica (semexcesso de calorias);• redução de peso;• prática de exercícios físicos aeróbicos (de baixa intensidadee longa duração) ou isotônicos (com grande movimentaçãodos membros). Sedentários devem procurar um cardiologistaantes de iniciar qualquer tipo de exercício;• dieta balanceada rica em vegetais e frutas frescas e pobreem gorduras saturadas e colesterol;• medir periodicamente (a cada seis meses) a pressão arteriale tratar o diabetes (quando for o caso);• eliminar ou reduzir o fumo e, nos casos de mulhereshipertensas, eliminar o uso de contraceptivos orais (são umabomba para o coração quando associados ao cigarro);• reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;• consultar o médico regularmente5 - SISTEMA RESPIRATÓRIOO sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por váriosórgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Essesórgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, osbronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.
  • 66. 67Fossas nasais: são duas cavidadesparalelas que começam nas narinas eterminam na faringe. Elas são separadasuma da outra por uma parede cartilaginosadenominada septo nasal. Em seu interior hádobras chamada cornetos nasais, que forçamo ar a turbilhonar. Possuem um revestimentodotado de células produtoras de muco ecélulas ciliadas, também presentes nasporções inferiores das vias aéreas, comotraquéia, brônquios e porção inicial dosbronquíolos. No teto das fossas nasaisexistem células sensoriais, responsáveis pelosentido do olfato. Têm as funções de filtrar,umedecer e aquecer o ar.Faringe: é um canal comum aossistemas digestório e respiratório e comunica-se com a boca e com as fossas nasais. O arinspirado pelas narinas ou pela boca passanecessariamente pela faringe, antes deatingir a laringe.Laringe: é um tubo sustentadopor peças de cartilagem articuladas,situado na parte superior do pescoço,em continuação à faringe. O pomo-de-adão, saliência que aparece nopescoço, faz parte de uma das peçascartilaginosas da laringe.A entrada da laringe chama-seglote. Acima dela existe uma espéciede “lingüeta” de cartilagemdenominada epiglote, que funcionacomo válvula. Quando nosalimentamos, a laringe sobe e suaentrada é fechada pela epiglote. Issoimpede que o alimento ingeridopenetre nas vias respiratórias.O epitélio que reveste a laringeapresenta pregas, as cordas vocais,capazes de produzir sons durante apassagem de ar.Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm dediâmetro por 10-12 centímetros de comprimento, cujasparedes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-sena sua região inferior, originando os brônquios, quepenetram nos pulmões. Seu epitélio de revestimento muco-ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes emsuspensão no ar inalado, que são posteriormente varridaspara fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ouexpelidas.
  • 67. 68Pulmões: Os pulmõeshumanos são órgãosesponjosos, comaproximadamente 25 cm decomprimento, sendoenvolvidos por uma membranaserosa denominada pleura.Nos pulmões os brônquiosramificam-se profusamente,dando origem a tubos cadavez mais finos, osbronquíolos. O conjuntoaltamente ramificado debronquíolos é a árvorebrônquica ou árvorerespiratória.Cada bronquíolo terminaem pequenas bolsas formadaspor células epiteliais achatadas(tecido epitelial pavimentoso)recobertas por capilaressangüíneos, denominadasalvéolos pulmonares.Diafragma: A base de cadapulmão apóia-se no diafragma,órgão músculo-membranoso quesepara o tórax do abdomen,presente apenas em mamíferos,promovendo, juntamente com osmúsculos intercostais, osmovimentos respiratórios.Localizado logo acima doestômago, o nervo frênicocontrola os movimentos dodiafragma (ver controle darespiração)5.1 - FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃOVentilação pulmonarA inspiração, que promove a entrada dear nos pulmões, dá-se pela contração damusculatura do diafragma e dos músculosintercostais. O diafragma abaixa e as costelaselevam-se, promovendo o aumento da caixatorácica, com conseqüente redução dapressão interna (em relação à externa),forçando o ar a entrar nos pulmões.
  • 68. 69A expiração, que promove asaída de ar dos pulmões, dá-se pelorelaxamento da musculatura dodiafragma e dos músculos intercostais.O diafragma eleva-se e as costelasabaixam, o que diminui o volume dacaixa torácica, com conseqüenteaumento da pressão interna, forçandoo ar a sair dos pulmões.5.1.1 - Transporte de gases respiratóriosO transporte de gás oxigênio está a cargoda hemoglobina, proteína presente nashemácias. Cada molécula de hemoglobinacombina-se com 4 moléculas de gás oxigênio,formando a oxi-hemoglobina.Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio doar difunde-se para os capilares sangüíneos epenetra nas hemácias, onde se combina com ahemoglobina, enquanto o gás carbônico (CO2) éliberado para o ar (processo chamado hematose).
  • 69. 70Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gásoxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-sepelo líquido tissular, atingindo as células. A maiorparte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelascélulas no líquido tissular penetra nas hemácias ereage com a água, formando o ácido carbônico, quelogo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato(HCO3-), difundindo-se para o plasma sangüíneo,onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue.Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelostecidos associam-se à própria hemoglobina, formandoa carboemoglobina. O restante dissolve-se noplasma.OBS: O monóxido de carbono, liberado pela “queima” incompleta de combustíveisfósseis e pela fumaça dos cigarros entre outros, combina-se com a hemoglobina de umamaneira mais estável do que o oxigênio, formando o carboxiemoglobina. Dessa forma, ahemoglobina fica impossibilitada de transportar o oxigênio, podendo levar à morte porasfixia. Veja as tabelas abaixo, retiradas da prova do ENEM de 98:Um dos índices de qualidade do ar diz respeito à concentração de monóxido decarbono (CO), pois esse gás pode causar vários danos à saúde. A tabela abaixo mostra arelação entre a qualidade do ar e a concentração de CO.Qualidade do ar Concentração de CO – ppm* (média de 8h)Inadequada 15 a 30Péssima 30 a 40Crítica Acima de 40* ppm (parte por milhão) = 1 micrograma de CO por grama de ar 10 –6 gPara analisar os efeitos do CO sobre os seres humanos, dispõe-se dos seguintesdados:Concentração de CO (ppm) Sintomas em seres humanos10 Nenhum15 Diminuição da capacidade visual60 Dores de cabeça100 Tonturas, fraqueza muscular270 Inconsciência800 Morte5. 2 - Controle da respiraçãoEm relativo repouso, a freqüência respiratória é da ordem de 10 a 15 movimentos porminuto.A respiração é controlada automaticamente por um centro nervoso localizado no bulbo.Desse centro partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios(diafragma e músculos intercostais). Os sinais nervosos são transmitidos desse centroatravés da coluna espinhal para os músculos da respiração. O mais importante músculo darespiração, o diafragma, recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial, onervo frênico, que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-separa baixo, através do tórax até o diafragma. Os sinais para os músculos expiratórios,especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção baixa da medula
  • 70. 71espinhal, para os nervos espinhais que inervam os músculos. Impulsos iniciados pelaestimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração. Emcondições normais, o centro respiratório (CR) produz, a cada 5 segundos, um impulsonervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nosinspirar. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a freqüência como a amplitude dosmovimentos respiratórios, pois possui quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pHdo plasma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigênio quenecessitam, além de remover adequadamente o gás carbônico. Quando o sangue torna-semais ácido devido ao aumento do gás carbônico, o centro respiratório induz a aceleraçãodos movimentos respiratórios. Dessa forma, tanto a freqüência quanto a amplitude darespiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR.Em situação contrária, com a depressão do CR, ocorre diminuição da freqüência eamplitude respiratórias.A respiração é ainda o principal mecanismo de controle do pH do sangue.O aumento da concentração de CO2 desloca a reação para a direita, enquanto suaredução desloca para a esquerda.Dessa forma, o aumento da concentração de CO2 no sangue provoca aumento de íonsH+ e o plasma tende ao pH ácido. Se a concentração de CO2 diminui, o pH do plasmasangüíneo tende a se tornar mais básico (ou alcalino).Se o pH está abaixo do normal (acidose), o centro respiratório é excitado,aumentando a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. O aumento daventilação pulmonar determina eliminação de maior quantidade de CO2, o que eleva o pHdo plasma ao seu valor normal.Caso o pH do plasma esteja acima do normal (alcalose), o centro respiratório édeprimido, diminuindo a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. Com adiminuição na ventilação pulmonar, há retenção de CO2 e maior produção de íons H+, o quedetermina queda no pH plasmático até seus valores normais.A ansiedade e os estados ansiosos promovem liberação de adrenalina que,freqüentemente levam também à hiperventilação, algumas vezes de tal intensidade que oindivíduo torna seus líquidos orgânicos alcalóticos (básicos), eliminando grande quantidadede dióxido de carbono, precipitando, assim, contrações dos músculos de todo o corpo.Se a concentração de gás carbônico cair a valores muito baixos, outras conseqüênciasextremamente danosas podem ocorrer, como o desenvolvimento de um quadro de alcaloseque pode levar a uma irritabilidade do sistema nervoso, resultando, algumas vezes, emtetania (contrações musculares involuntárias por todo o corpo) ou mesmo convulsõesepilépticas.Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai avalores muito baixos. Isso ocorre especialmente quando se sobe a lugares muito altos, ondea concentração de oxigênio na atmosfera é muito baixa ou quando uma pessoa contraipneumonia ou alguma outra doença que reduza o oxigênio nos alvéolos. Sob taiscondições, quimiorreceptores localizados nas artérias carótida (do pescoço) e aorta sãoestimulados e enviam sinais pelos nervos vago e glossofaríngeo, estimulando os centrosrespiratórios no sentido de aumentar a ventilação pulmonar.5.3 - A capacidade e os volumes respiratóriosO sistema respiratório humano comporta um volume total de aproximadamente 5 litrosde ar – a capacidade pulmonar total. Desse volume, apenas meio litro é renovado em cadarespiração tranqüila, de repouso. Esse volume renovado é o volume correnteSe no final de uma inspiração forçada, executarmos uma expiração forçada,conseguiremos retirar dos pulmões uma quantidade de aproximadamente 4 litros de ar, oque corresponde à capacidade vital, e é dentro de seus limites que a respiração podeacontecer.Mesmo no final de uma expiração forçada, resta nas vias aéreas cerca de 1 litro de ar,o volume residual.
  • 71. 72Nunca se consegue encher os pulmões com ar completamente renovado, já quemesmo no final de uma expiração forçada o volume residual permanece no sistemarespiratório. A ventilação pulmonar, portanto, dilui esse ar residual no ar renovado, colocadoem seu interiorO volume de ar renovado por minuto (ou volume-minuto respiratório) é obtido peloproduto da freqüência respiratória (FR) pelo volume corrente (VC): VMR = FR x VC.Em um adulto em repouso, temos:FR = 12 movimentos por minutoVC = 0,5 litrosPortanto: volume-minuto respiratório = 12 x 0,5 = 6 litros/minutoOs atletas costumam utilizar o chamado “segundo fôlego”. No final de cada expiração,contraem os músculos intercostais internos, que abaixam as costelas e eliminam mais ardos pulmões, aumentando a renovação.6 - O SISTEMA DIGESTÓRIOO sistema digestório humano éformado por um longo tubo musculoso, aoqual estão associados órgãos e glândulasque participam da digestão. Apresenta asseguintes regiões; boca, faringe, esôfago,estômago, intestino delgado, intestinogrosso e ânus.A parede do tubo digestivo, do esôfagoao intestino, é formada por quatro camadas:mucosa, submucosa, muscular e adventícia.6.1 - BOCAA abertura pela qual o alimento entrano tubo digestivo é a boca. Aí encontram-seos dentes e a língua, que preparam oalimento para a digestão, por meio damastigação. Os dentes reduzem osalimentos em pequenos pedaços,misturando-os à saliva, o que irá facilitar afutura ação das enzimas.
  • 72. 736.1.1 - Características dos dentesOs dentes são estruturas duras,calcificadas, presas ao maxilar superior emandíbula, cuja atividade principal é amastigação. Estão implicados, de formadireta, na articulação das linguagens. Osnervos sensitivos e os vasos sanguíneosdo centro de qualquer dente estãoprotegidos por várias camadas de tecido.A mais externa, o esmalte, é a substânciamais dura. Sob o esmalte, circulando apolpa, da coroa até a raiz, está situadauma camada de substância ósseachamada dentina. A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental, um tecido conjuntivofrouxo, ricamente vascularizado e inervado. Um tecido duro chamado cemento separa araiz do ligamento peridental, que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à mandíbula, naestrutura e composição química assemelha-se ao osso; dispõe-se como uma fina camadasobre as raízes dos dentes. Através de um orifício aberto na extremidade da raiz, penetramvasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo.6.1.2 - Tipos de dentesEm sua primeira dentição, o ser humano tem 20 peças que recebem o nome de dentesde leite. À medida que os maxilares crescem,estes dentes são substituídos por outros 32 dotipo permanente. As coroas dos dentespermanentes são de três tipos: os incisivos, oscaninos ou presas e os molares. Os incisivos têm aforma de cinzel para facilitar o corte do alimento.Atrás dele, há três peças dentais usadas pararasgar. A primeira tem uma única cúspidepontiaguda. Em seguida, há dois dentes chamados pré-molares, cada um com duascúspides. Atrás ficam os molares, que têm uma superfície de mastigação relativamenteplana, o que permite triturar e moer os alimentos.6.2 - A línguaA língua movimenta o alimento empurrando-o emdireção a garganta, para que seja engolido. Na superfícieda língua existem dezenas de papilas gustativas, cujascélulas sensoriais percebem os quatro sabores primários:amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D).De sua combinação resultam centenas de saboresdistintos. A distribuição dos quatro tipos de receptoresgustativos, na superfície da língua, não é homogênea.6.3 - As glândulas salivaresA presença de alimento na boca, assim como sua visão e cheiro, estimulam asglândulas salivares a secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar ou ptialina,além de sais e outras substâncias. A amilase salivar digere o amido e outrospolissacarídeos (como o glicogênio), reduzindo-os em moléculas de maltose (dissacarídeo).Três pares de glândulas salivares lançam sua secreção na cavidade bucal: parótida,submandibular e sublingual:
  • 73. 74www.webciencia.com/11_11glandula.htm• Glândula parótida - Com massa variandoentre 14 e 28 g, é a maior das três; situa-se naparte lateral da face, abaixo e adiante dopavilhão da orelha.• Glândula submandibular - É arredondada,mais ou menos do tamanho de uma noz.• Glândula sublingual - É a menor das três; ficaabaixo da mucosa do assoalho da boca.O sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm, na boca, um pH neutro(7,0) a levemente ácido (6,7), ideal para a ação da ptialina. O alimento, que se transformaem bolo alimentar, é empurrado pela língua para o fundo da faringe, sendo encaminhadopara o esôfago, impulsionado pelas ondas peristálticas (como mostra a figura do ladoesquerdo), levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o esôfago. Através dosperistaltismo, você pode ficar de cabeça para baixo e, mesmo assim, seu alimento chegaráao intestino. Entra em ação um mecanismo para fechar a laringe, evitando que o alimentopenetre nas vias respiratórias.Quando a cárdia (anel muscular, esfíncter) se relaxa, permite a passagem do alimentopara o interior do estômago.6.4 - FARINGE E ESÔFAGOImagem: CD O CORPO HUMANO2.0. Globo Multimídia.A faringe, situada no final da cavidade bucal, éum canal comum aos sistemas digestório erespiratório: por ela passam o alimento, que se dirigeao esôfago, e o ar, que se dirige à laringe.O esôfago, canal que liga a faringe ao estômago,localiza-se entre os pulmões, atrás do coração, eatravessa o músculo diafragma, que separa o tórax doabdômen. O bolo alimentar leva de 5 a 10 segundospara percorre-lo.6.5 - ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICOwww.webciencia.com/11_09estom.htmO estômago é uma bolsa de paredemusculosa, localizada no lado esquerdo abaixo doabdome, logo abaixo das últimas costelas. É umórgão muscular que liga o esôfago ao intestinodelgado. Sua função principal é a digestão dealimentos protéicos. Um músculo circular, queexiste na parte inferior, permite ao estômagoguardar quase um litro e meio de comida,possibilitando que não se tenha que ingeriralimento de pouco em pouco tempo. Quando estávazio, tem a forma de uma letra "J" maiúscula,cujas duas partes se unem por ângulos agudos.
  • 74. 75Segmento superior: é o mais volumoso, chamado "porção vertical". Estecompreende, por sua vez, duas partes superpostas; a grande tuberosidade, no alto, e ocorpo do estômago, abaixo, que termina pela pequena tuberosidade.Segmento inferior: é denominado "porção horizontal", está separado do duodeno pelopiloro, que é um esfíncter. A borda direita, côncava, é chamada pequena curvatura; a bordaesquerda, convexa, é dita grande curvatura. O orifício esofagiano do estômago é o cárdia.As túnicas do estômago: o estômago compõe-se de quatro túnicas; serosa (operitônio), muscular (muito desenvolvida), submucosa (tecido conjuntivo) e mucosa (quesecreta o suco gástrico). Quando está cheio de alimento, o estômago torna-se ovóide ouarredondado. O estômago tem movimentos peristálticos que asseguram suahomogeneização.O estômago produz o suco gástrico, um líquido claro, transparente, altamente ácido,que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais. O ácido clorídrico mantém o pH dointerior do estômago entre 0,9 e 2,0. Também dissolve o cimento intercelular dos tecidosdos alimentos, auxiliando a fragmentação mecânica iniciada pela mastigação.A pepsina, enzima mais potente do suco gástrico, é secretada na forma depepsinogênio. Como este é inativo, não digere as células que o produzem. Por ação doácido cloródrico, o pepsinogênio, ao ser lançado na luz do estômago, transforma-se empepsina, enzima que catalisa a digestão de proteínas.A pepsina, ao catalizar a hidrólise deproteínas, promove o rompimento dasligações peptídicas que unem osaminoácidos. Como nem todas as ligaçõespeptídicas são acessíveis à pepsina, muitaspermanecem intactas. Portanto, o resultadodo trabalho dessa enzima são oligopeptídeose aminoácidos livres.A renina, enzima que age sobre acaseína, uma das proteínas do leite, éproduzida pela mucosa gástrica durante osprimeiros meses de vida. Seu papel é o deflocular a caseína, facilitando a ação deoutras enzimas proteolíticas.A mucosa gástrica é recoberta por uma camada de muco, que a protege da agressãodo suco gástrico, bastante corrosivo. Apesar de estarem protegidas por essa densa camadade muco, as células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela açãodo suco gástrico. Por isso, a mucosa está sempre sendo regenerada. Estima-se que nossasuperfície estomacal seja totalmente reconstituída a cada três dias. Eventualmente ocorredesequilíbrio entre o ataque e a proteção, o que resulta em inflamação difusa da mucosa(gastrite) ou mesmo no aparecimento de feridas dolorosas que sangram (úlceras gástricas).A mucosa gástrica produz também o fator intrínseco, necessário à absorção davitamina B12.O bolo alimentar pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e, ao semisturar ao suco gástrico, auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal,transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida, o quimo.Passando por um esfíncter muscular (o piloro), o quimo vai sendo, aos poucos,liberado no intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão.6.6 - INTESTINO DELGADOO intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm dediâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), jejuno (cerca de 5
  • 75. 76m) e íleo (cerca de 1,5 cm). A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura ecompreende o piloro, esfíncter muscular da parte inferior do estômago pela qual esteesvazia seu conteúdo no intestino.A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porçõesdo jejuno. No duodeno atua também o suco pancreático, produzido pelo pâncreas, quecontêm diversas enzimas digestivas. Outra secreção que atua no duodeno é a bile,produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. O pH da bile oscila entre 8,0 e 8,5. Ossais biliares têm ação detergente, emulsificando ou emulsionando as gorduras(fragmentando suas gotas em milhares de microgotículas).O suco pancreático, produzido pelopâncreas, contém água, enzimas egrandes quantidades de bicarbonato desódio. O pH do suco pancreático oscilaentre 8,5 e 9. Sua secreção digestiva éresponsável pela hidrólise da maioriadas moléculas de alimento, comocarboidratos, proteínas, gorduras eácidos nucléicos.A amilase pancreática fragmenta oamido em moléculas de maltose; alípase pancreática hidrolisa as moléculasde um tipo de gordura – ostriacilgliceróis, originando glicerol eálcool; as nucleases atuam sobre osácidos nucléicos, separando seusnucleotídeos.O suco pancreático contém ainda o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio, formasinativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas tripsina e quimiotripsina. Sendoproduzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras. Na luz doduodeno, o tripsinogênio entra em contato com a enteroquinase, enzima secretada pelascélulas da mucosa intestinal, convertendo-se me tripsina, que por sua vez contribui para aconversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina, enzima ativa.A tripsina e a quimiotripsina hidrolisam polipeptídios, transformando-os emoligopeptídeos. A pepsina, a tripsina e a quimiotripsina rompem ligações peptídicasespecíficas ao longo das cadeias de aminoácidos.A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico, solução rica em enzimas e depH aproximadamente neutro. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Outras enzimas sãoas dissacaridades, que hidrolisam dissacarídeos em monossacarídeos (sacarase, lactase,maltase). No suco entérico há enzimas que dão seqüência à hidrólise das proteínas: osoligopeptídeos sofrem ação das peptidases, resultando em aminoácidos.
  • 76. 77Suco digestivo Enzima pH ótimo Substrato ProdutosSaliva Ptialina neutro polissacarídeos maltoseSuco gástrico Pepsina ácido proteínas oligopeptídeosSuco pancreáticoQuimiotripsinaTripsinaAmilopepsinaRnaseDnaseLipasealcalinoalcalinoalcalinoalcalinoalcalinoalcalinoproteínasproteínaspolissacarídeosRNADNAlipídeospeptídeospeptídeosmaltoseribonucleotídeosdesoxirribonucleotídeosglicerol e ácidos graxosSuco intestinal ou entéricoCarboxipeptidaseAminopeptidaseDipeptidaseMaltaseSacaraseLactasealcalinoalcalinoalcalinoalcalinoalcalinoalcalinooligopeptídeosoligopeptídeosdipeptídeosmaltosesacaroselactoseaminoácidosaminoácidosaminoácidosglicoseglicose e frutoseglicose e galactoseNo intestino, as contrações rítmicas e os movimentos peristálticos das paredesmusculares, movimentam o quimo, ao mesmo tempo em que este é atacado pela bile,enzimas e outras secreções, sendo transformado em quilo.A absorção dos nutrientes ocorre através de mecanismos ativos ou passivos, nasregiões do jejuno e do íleo. A superfície interna, ou mucosa, dessas regiões, apresenta,além de inúmeros dobramentosmaiores, milhões de pequenasdobras (4 a 5 milhões),chamadas vilosidades; umtraçado que aumenta asuperfície de absorçãointestinal. As membranas daspróprias células do epitéliointestinal apresentam, por suavez, dobrinhas microscópicasdenominadas microvilosidades.O intestino delgado tambémabsorve a água ingerida, osíons e as vitaminas.Imagem:www.webciencia.com/11_13intes.htmOs nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado paraserem distribuídos pelo resto do organismo. Os produtos da digestão de gorduras(principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelofígado, como ocorre com outros nutrientes. Nas células da mucosa, essas substâncias sãoreagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas,formando os quilomícrons, transferidos para os vasos linfáticos e, em seguida, para osvasos sangüíneos, onde alcançam as células gordurosas (adipócitos), sendo, então,armazenados.6.7 - INTESTINO GROSSOÉ o local de absorção de água,tanto a ingerida quanto a das secreçõesdigestivas. Uma pessoa bebe cerca de1,5 litros de líquidos por dia, que se unea 8 ou 9 litros de água das secreções.Glândulas da mucosa do intestinogrosso secretam muco, que lubrifica asfezes, facilitando seu trânsito eeliminação pelo ânus.
  • 77. 78Mede cerca de 1,5 m de comprimento e divide-se em ceco, cólon ascendente, cólontransverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto. A saída do reto chama-se ânus e éfechada por um músculo que o rodeia, o esfíncter anal.Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. Seu trabalho consisteem dissolver os restos alimentícios não assimiláveis, reforçar o movimento intestinal eproteger o organismo contra bactérias estranhas, geradoras de enfermidades.As fibras vegetais, principalmente a celulose, não são digeridas nem absorvidas,contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. Como retêm água, suapresença torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas.O intestino grosso não possui vilosidades nem secreta sucos digestivos, normalmentesó absorve água, em quantidade bastante consideráveis. Como o intestino grosso absorvemuita água, o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis, que sãoevacuados.6.8 - GLÂNDULAS ANEXAS6.8.1 - PâncreasImagem: www.webciencia.com/11_17pancreas.htmO pâncreas é uma glândulamista, de mais ou menos 15 cm decomprimento e de formatotriangular, localizadatransversalmente sobre a paredeposterior do abdome, na alçaformada pelo duodeno, sob oestômago. O pâncreas é formadopor uma cabeça que se encaixa noquadro duodenal, de um corpo ede uma cauda afilada. A secreçãoexterna dele é dirigida para oduodeno pelos canais de Wirsunge de Santorini. O canal de Wirsungdesemboca ao lado do canalcolédoco na ampola de Vater. Opâncreas comporta dois órgãosestreitamente imbricados:pâncreas exócrino e o endócrino.O pâncreas exócrino produz enzimas digestivas, em estruturas reunidas denominadasácinos. Os ácinos pancreáticos estão ligados através de finos condutos, por onde suasecreção é levada até um condutor maior, que desemboca no duodeno, durante a digestão.O pâncreas endócrino secreta os hormônios insulina e glucagon, já trabalhados nosistema endócrino.6.8.2 - FígadoÉ o maior órgão interno, e é aindaum dos mais importantes. É a maisvolumosa de todas as vísceras, pesacerca de 1,5 kg no homem adulto, e namulher adulta entre 1,2 e 1,4 kg. Tem corarroxeada, superfície lisa e recoberta poruma cápsula própria. Está situado noquadrante superior direito da cavidadeabdominal.
  • 78. 79O tecido hepático é constituído por formações diminutas que recebem o nome delobos, compostos por colunas de células hepáticas ou hepatócitos, rodeadas por canaisdiminutos (canalículos), pelos quais passa a bile, secretada pelos hepatócitos. Estes canaisse unem para formar o ducto hepático que, junto com o ducto procedente da vesícula biliar,forma o ducto comum da bile, que descarrega seu conteúdo no duodeno.As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias nutritivas e a excretaros materiais residuais e as toxinas, bem como esteróides, estrógenos e outros hormônios. Ofígado é um órgão muito versátil. Armazena glicogênio, ferro, cobre e vitaminas. Produzcarboidratos a partir de lipídios ou de proteínas, e lipídios a partir de carboidratos ou deproteínas. Sintetiza também o colesterol e purifica muitos fármacos e muitas outrassubstâncias. O termo hepatite é usado para definir qualquer inflamação no fígado, como acirrose.6.8.2.1 - Funções do fígado:• Secretar a bile, líquido que atua no emulsionamento das gorduras ingeridas, facilitando,assim, a ação da lipase;• Remover moléculas de glicose no sangue, reunindo-as quimicamente para formarglicogênio, que é armazenado; nos momentos de necessidade, o glicogênio éreconvertido em moléculas de glicose, que são relançadas na circulação;• Armazenar ferro e certas vitaminas em suas células;• Metabolizar lipídeos;• Sintetizar diversas proteínas presentes no sangue, de fatores imunológicos e decoagulação e de substâncias transportadoras de oxigênio e gorduras;• Degradar álcool e outras substâncias tóxicas, auxiliando na desintoxicação doorganismo;• Destruir hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais, transformando suahemoglobina em bilirrubina, o pigmento castanho-esverdeado presente na bile.7 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETORO sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue,produzem e excretam a urina - o principal líquido de excreção do organismo. É constituídopor um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra.Os rins situam-se na parte dorsal doabdome, logo abaixo do diafragma, um decada lado da coluna vertebral, nessaposição estão protegidos pelas últimascostelas e também por uma camada degordura. Têm a forma de um grão de feijãoenorme e possuem uma cápsula fibrosa,que protege o córtex - mais externo, e amedula - mais interna.Cada rim é formado de tecidoconjuntivo, que sustenta e dá forma aoórgão, e por milhares ou milhões deunidades filtradoras, os néfrons,localizados na região renal.O néfron é uma longa estruturatubular microscópica que possui, em umadas extremidades, uma expansão emforma de taça, denominada cápsula deBowman, que se conecta com o túbulocontorcido proximal, que continua pelaalça de Henle e pelo túbulo contorcidodistal; este desemboca em um tubo Imagem:
  • 79. 80coletor. São responsáveis pela filtração dosangue e remoção das excreções.www.drgate.com.br/almanaque/atlas/excretor/excretor.htm7.1 - Como funcionam os rinsO sangue chega ao rim através da artéria renal, que se ramifica muito no interior doórgão, originando grande número de arteríolas aferentes, onde cada uma ramifica-se nointerior da cápsula de Bowman do néfron, formando um enovelado de capilares denominadoglomérulo de Malpighi.O sangue arterial é conduzido sob alta pressão nos capilares do glomérulo. Essapressão, que normalmente é de 70 a 80 mmHg, tem intensidade suficiente para que partedo plasma passe para a cápsula de Bowman, processo denominado filtração. Essassubstâncias extravasadas para a cápsula de Bowman constituem o filtrado glomerular,queé semelhante, em composição química, ao plasma sanguíneo, com a diferença de quenão possui proteínas, incapazes de atravessar os capilares glomerulares.Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro,Ed. Interamericana, 1981.O filtrado glomerular passa emseguida para o túbulo contorcidoproximal, cuja parede é formadapor células adaptadas ao transporteativo. Nesse túbulo, ocorrereabsorção ativa de sódio. A saídadesses íons provoca a remoção decloro, fazendo com que aconcentração do líquido dentrodesse tubo fique menor (hipotônico)do que do plasma dos capilaresque o envolvem. Com isso, quandoo líquido percorre o ramodescendente da alça de Henle, hápassagem de água por osmose dolíquido tubular (hipotônico) para oscapilares sangüíneos (hipertônicos)– ao que chamamos reabsorção.O ramo descendente percorreregiões do rim com gradientescrescentes de concentração.Conseqüentemente, ele perdeainda mais água para os tecidos,de forma que, na curvatura da alçade Henle, a concentração dolíquido tubular é alta.Esse líquido muito concentrado passa então a percorrer o ramo ascendente da alça deHenle, que é formado por células impermeáveis à água e que estão adaptadas aotransporte ativo de sais. Nessa região, ocorre remoção ativa de sódio, ficando o líquidotubular hipotônico. Ao passar pelo túbulo contorcido distal, que é permeável à água, ocorrereabsorção por osmose para os capilares sangüíneos. Ao sair do néfron, a urina entra nosdutos coletores, onde ocorre a reabsorção final de água.Dessa forma, estima-se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido doplasma; porém são formados apenas 1 a 2 litros de urina por dia, o que significa queaproximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido.Além desses processos gerais descritos, ocorre, ao longo dos túbulos renais,reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal, essassubstâncias já não são mais encontradas.Os capilares que reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se reúnem paraformar um vaso único, a veia renal, que leva o sangue para fora do rim, em direção aocoração.
  • 80. 817.2 - Regulação da função renalA regulação da função renal relaciona-se basicamente com a regulação da quantidadede líquidos do corpo. Havendo necessidade de reter água no interior do corpo, a urina ficamais concentrada, em função da maior reabsorção de água; havendo excesso de água nocorpo, a urina fica menos concentrada, em função da menor reabsorção de água.O principal agente regulador do equilíbrio hídrico no corpo humano é o hormônio ADH(antidiurético), produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. A concentração doplasma sangüíneo é detectada por receptores osmóticos localizados no hipotálamo.Havendo aumento na concentração do plasma (pouca água), esses osmorreguladoresestimulam a produção de ADH. Esse hormônio passa para o sangue, indo atuar sobre ostúbulos distais e sobre os túbulos coletores do néfron, tornando as células desses tubosmais permeáveis à água. Dessa forma, ocorre maior reabsorção de água e a urina fica maisconcentrada. Quando a concentração do plasma é baixa (muita água), há inibição daprodução do ADH e, conseqüentemente, menor absorção de água nos túbulos distais ecoletores, possibilitando a excreção do excesso de água, o que torna a urina mais diluída.Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.Certas substâncias, como é o casodo álcool, inibem a secreção de ADH,aumentando a produção de urina.Além do ADH, há outro hormônioparticipante do equilíbrio hidro-iônico doorganismo: a aldosterona, produzida nasglândulas supra-renais. Ela aumenta areabsorção ativa de sódio nos túbulosrenais, possibilitando maior retenção deágua no organismo. A produção dealdosterona é regulada da seguintemaneira: quando a concentração de sódiodentro do túbulo renal diminui, o rimproduz uma proteína chamada renina,que age sobre uma proteína produzida nofígado e encontrada no sanguedenominada angiotensinogênio (inativo),convertendo-a em angiotensina (ativa).Essa substância estimula as glândulassupra-renais a produzirem a aldosterona.Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio deJaneiro, Ed. Interamericana, 1981.
  • 81. 82Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.OBS: Ocorre, também, ao longo dos túbulos renais, reabsorção ativa de aminoácidose glicose. Desse modo, no final do túbulo distal essas substâncias já não são maisencontradas.7.3 - Regulação da função renal - resumoHORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (ADH): principal agente fisiológico regulador doequilíbrio hídrico, produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise.Aumento na concentração do plasma (pouca água)  receptores osmóticoslocalizados no hipotálamo  produção de ADH  sangue  túbulos distal e coletor donéfron células mais permeáveis à água  reabsorção de água  urina mais concentrada.Concentração do plasma baixa (muita água) e álcool  inibição de ADH  menorabsorção de água nos túbulos distal e coletor  urina mais diluída.ALDOSTERONA: produzida nas glândulas supra-renais, aumenta a absorção ativa desódio e a secreção ativa de potássio nos túbulos distal e coletor.A ELIMINAÇÃO DE URINAUreterOs néfrons desembocam em dutos coletores, que se unempara formar canais cada vez mais grossos. A fusão dos dutosorigina um canal único, denominado ureter, que deixa o rim emdireção à bexiga urinária.Bexiga urináriaA bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica, dotada demusculatura lisa, cuja função é acumular a urina produzida nos rins.Quando cheia, a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) deurina, que é eliminada periodicamente através da uretra.UretraA uretra é um tubo que parte da bexiga e termina, na mulher,na região vulvar e, no homem, na extremidade do pênis. Suacomunicação com a bexiga mantém-se fechada por anéismusculares - chamados esfíncteres. Quando a musculatura dessesanéis relaxa-se e a musculatura da parede da bexiga contrai-se,urinamos.
  • 82. 83SISTEMAS REPRODUTORES8 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINOO sistema reprodutor masculino é formado por:•Testículos ou gônadas•Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra.•Pênis•Escroto•Glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, glândulas bulbouretrais.Testículos: são as gônadas masculinas. Cada testículo é composto por umemaranhado de tubos, os ductos seminíferos Esses ductos são formados pelascélulas de Sértoli (ou desustento) e pelo epitéliogerminativo, ondeocorrerá a formação dosespermatozóides. Emmeio aos ductosseminíferos, as célulasintersticiais ou de Leydig(nomenclatura antiga)produzem os hormôniossexuais masculinos,sobretudo a testosterona,responsáveis pelodesenvolvimento dosórgãos genitaismasculinos e doscaracteres sexuaissecundários:• Estimulam osfolículos pilosos paraque façam crescer abarba masculina e opêlo pubiano.• Estimulam ocrescimento dasglândulas sebáceas ea elaboração dosebo.• Produzem o aumentode massa muscularnas crianças durantea puberdade, peloaumento do tamanhodas fibrasmusculares.• Ampliam a laringe etornam mais grave avoz.• Fazem com que odesenvolvimento da massa óssea seja maior, protegendo contra a osteoporose.
  • 83. 84Epidídimos: são dois tubos enovelados que partem dos testículos, onde osespermatozóides são armazenados.Canais deferentes: são dois tubos que partem dos testículos, circundam a bexigaurinária e unem-se ao ducto ejaculatório, onde desembocam as vesículas seminais.Vesículas seminais: responsáveis pela produção de um líquido, que será liberado noducto ejaculatório que, juntamente com o líquido prostático e espermatozóides, entrarão nacomposição do sêmen. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para osespermatozóides e é constituído principalmente por frutose, apesar de conter fosfatos,nitrogênio não protéico, cloretos, colina (álcool de cadeia aberta considerado comointegrante do complexo vitamínico B) e prostaglandinas (hormônios produzidos emnumerosos tecidos do corpo. Algumas prostaglandinas atuam na contração da musculaturalisa do útero na dismenorréia – cólica menstrual, e no orgasmo; outras atuam promovendovasodilatação em artérias do cérebro, o que talvez justifique as cefaléias – dores de cabeça– da enxaqueca. São formados a partir de ácidos graxos insaturados e podem ter a suasíntese interrompida por analgésicos e antiinflamatórios).Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Secreta substâncias alcalinasque neutralizam a acidez da urina e ativa os espermatozóides.Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua secreção transparente é lançadadentro da uretra para limpá-la e preparar a passagem dos espermatozóides. Também temfunção na lubrificação do pênis durante o ato sexual.Pênis: é considerado o principalórgão do aparelho sexual masculino,sendo formado por dois tipos de tecidoscilíndricos: dois corpos cavernosos e umcorpo esponjoso (envolve e protege auretra). Na extremidade do pênisencontra-se a glande - cabeça dopênis, onde podemos visualizar aabertura da uretra. Com a manipulaçãoda pele que a envolve - o prepúcio -acompanhado de estímulo erótico,ocorre a inundação dos corposcavernosos e esponjoso, com sangue,tornando-se rijo, com considerávelaumento do tamanho (ereção). Oprepúcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma secreçãosebácea espessa e esbranquiçada, com forte odor, que consiste principalmente em célulasepiteliais descamadas que se acumulam debaixo do prepúcio). Quando a glande nãoconsegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se que a pessoa temfimose.A uretra é comumente um canal destinado para a urina, mas os músculos na entradada bexiga se contraem durante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen e nenhumsêmen entre na bexiga. Todos os espermatozóides não ejaculados são reabsorvidos pelocorpo dentro de algum tempo.Saco Escrotal ou Bolsa Escrotal ou Escroto: Um espermatozóide leva cerca de 70dias para ser produzido. Eles não podem se desenvolver adequadamente na temperaturanormal do corpo (36,5°C). Assim, os testículos se localizam na parte externa do corpo,dentro da bolsa escrotal, que tem a função de termorregulação (aproximam ou afastam ostestículos do corpo), mantendo-os a uma temperatura geralmente em torno de 1 a 3 °Cabaixo da corporal.PUBERDADE: os testículos da criança permanecem inativos até que são estimuladosentre 10 e 14 anos pelos hormônios gonadotróficos da glândula hipófise (pituitária)O hipotálamo libera FATORES LIBERADORES DOS HORMÔNIOSGONADOTRÓFICOS que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e LH(hormônio luteinizante).FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos.
  • 84. 85LH à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos àcaracterísticas sexuais secundárias, elevação do desejo sexual.TESTOSTERONAEfeito na Espermatogênese. A testosterona faz com que os testículos cresçam. Eladeve estar presente, também, junto com o folículo estimulante, antes que aespermatogênese se complete.Efeito nos caracteres sexuais masculinos. Depois que um feto começa a sedesenvolver no útero materno, seus testículos começam a secretar testosterona, quandotem poucas semanas de vida apenas. Essa testosterona, então, auxilia o feto a desenvolverórgãos sexuais masculinos e características secundárias masculinas. Isto é, acelera aformação do pênis, da bolsa escrotal, da próstata, das vesículas seminais, dos ductosdeferentes e dos outros órgãos sexuais masculinos. Além disso, a testosterona faz com queos testículos desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal; se a produção detestosterona pelo feto é insuficiente, os testículos não conseguem descer; permanecem nacavidade abdominal. A secreção da testosterona pelos testículos fetais é estimulada por umhormônio chamado gonadotrofina coriônica, formado na placenta durante a gravidez.Imediatamente após o nascimento da criança, a perda de conexão com a placenta removeesse feito estimulador, de modo que os testículos deixam de secretar testosterona. Emconseqüência, as características sexuais interrompem seu desenvolvimento desde onascimento até à puberdade. Na puberdade, o reaparecimento da secreção de testosteronainduz os órgãos sexuais masculinos a retomar o crescimento. Os testículos, a bolsa escrotale o pênis crescem, então, aproximadamente mais 10 vezes.Efeito nos caracteres sexuais secundários. Além dos efeitos sobre os órgãosgenitais, a testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar aohomem adulto suas características distintivas. Faz com que os pêlos cresçam na face, aolongo da linha média do abdome, no púbis e no tórax. Origina, porém, a calvície noshomens que tenham predisposição hereditária para ela. Estimula o crescimento da laringe,de maneira que o homem, após a puberdade fica com a voz mais grave. Estimula umaumento na deposição de proteína nos músculos, pele, ossos e em outras partes do corpo,de maneira que o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e maismusculoso do que a mulher, nessa fase. Algumas vezes, a testosterona também promoveuma secreção anormal das glândulas sebáceas da pele, fazendo com que se desenvolva aacne pós-puberdade na face.Na ausência de testosterona, as características sexuais secundárias não sedesenvolvem e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil.‾Hormônios Sexuais MasculinosGlândula Hormônio Órgão-alvo Principais açõesHipófise FSH e LH testículosestimulam a produção de testosterona pelascélulas de Leydig (intersticiais) e controlam aprodução de espermatozóides.diversosestimula o aparecimento dos caracteressexuais secundários.Testículos TestosteronaSistema Reprodutorinduz o amadurecimento dos órgãos genitais,promove o impulso sexual e controla aprodução de espermatozóides9 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININOO sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas(trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior dacavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora.
  • 85. 86A vagina é um canal de 8 a 10 cm decomprimento, de paredes elásticas, que liga ocolo do útero aos genitais externos. Contémde cada lado de sua abertura, poréminternamente, duas glândulas denominadasglândulas de Bartholin, que secretam ummuco lubrificante.A entrada da vagina é protegida por umamembrana circular - o hímen - que fechaparcialmente o orifício vulvo-vaginal e é quasesempre perfurado no centro, podendo terformas diversas. Geralmente, essa membranase rompe nas primeiras relações sexuais.A vagina é o local onde o pênis depositaos espermatozóides na relação sexual. Alémde possibilitar a penetração do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora doparto, a saída do bebê.A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida por duas pregas cutâneo-mucosas intensamente irrigadas e inervadas - os grandes lábios. Na mulherreprodutivamente madura, os grandes lábios são recobertos por pêlos pubianos. Maisinternamente, outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina - os pequenoslábios - que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva também está o clitóris,formado por tecido esponjoso erétil, homólogo ao pênis do homem.Ovários: são as gônadas femininas.Produzem estrógeno e progesterona,hormônios sexuais femininos que serãovistos mais adiante.No final do desenvolvimentoembrionário de uma menina, ela já temtodas as células que irão transformar-seem gametas nos seus dois ovários. Estascélulas - os ovócitos primários -encontram-se dentro de estruturasdenominadas folículos de Graaf oufolículos ovarianos. A partir daadolescência, sob ação hormonal, os folículos ovarianos começam a crescer e adesenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno.Mensalmente, apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação,rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gaemta feminino): fenômeno conhecidocomo ovulação. Após seu rompimento, a massa celular resultante transforma-se em corpolúteo ou amarelo, que passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno. Com otempo, o corpo lúteo regride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco, umapequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário.
  • 86. 87O gameta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finasterminações das tubas uterinas - as fímbrias.Tubas uterinas, ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem oovário ao útero. Seu epitélio de revestimento é formados por células ciliadas. Os batimentosdos cílios microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem ogameta feminino até o útero.Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente àbexiga e posteriormente ao reto, de parede muscular espessa(miométrio) e com formato de pêra invertida. É revestidointernamente por um tecido vascularizado rico em glândulas - oendométrio.A pituitária (hipófise) anterior das meninas, como a dosmeninos, não secreta praticamente nenhum hormônio gonadotrópicoaté à idade de 10 a 14 anos. Entretanto, por essa época, começa asecretar dois hormônios gonadotrópicos. No inicio, secretaprincipalmente o hormônio foliculo-estimulante (FSH), que inicia a vida sexual na menina emcrescimento; mais tarde, secreta o harmônio luteinizante (LH), que auxilia no controle dociclo menstrual.Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células folicularesovarianas e estimula a secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares adesenvolverem-se e a crescer.Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares,estimulando a ovulação.Hormônios Sexuais FemininosOs dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona, são responsáveis pelodesenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. Esses hormônios, como oshormônios adrenocorticais e o hormônio masculino testosterona, são ambos compostosesteróides, formados, principalmente, de um lipídio, o colesterol. Os estrogênios são,realmente, vários hormônios diferentes chamados estradiol, estriol e estrona, mas que têmfunções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse motivo, sãoconsiderados juntos, como um único hormônio.Funções do Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do organismo,a proliferar, isto é, a aumentar em número. Por exemplo, a musculatura lisa do útero,aumenta tanto que o órgão, após a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar detamanho. O estrogênio também provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento doslábios que a circundam, faz o púbis se cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o estreitopélvico assumir a forma ovóide, em vez de afunilada como no homem; provoca odesenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus elementos glandulares, e,finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se, na mulher, em áreas como os quadris ecoxas, dando-lhes o arredondamento típico do sexo. Em resumo, todas as característicasque distinguem a mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o
  • 87. 88desenvolvimento dessas características é o estímulo à proliferação dos elementos celularesem certas regiões do corpo.O estrogênio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após apuberdade, mas promove rápida calcificação óssea, fazendo com que as partes dos ossosque crescem se "extingam" dentro de poucos anos, de forma que o crescimento, então,pára. A mulher, nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem, mas pára após osprimeiros anos da puberdade; já o homem tem um crescimento menos rápido, porém maisprolongado, de modo que ele assume uma estatura maior que a da mulher, e, nesse ponto,também se diferenciam os dois sexos.O estrogênio tem, outrossim, efeitos muito importantes no revestimento interno doútero, o endométrio, no ciclo menstrual.Funções da Progesterona: a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimentodos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a preparação doútero para a aceitação do embrião e à preparação das mamas para a secreção láctea. Emgeral, a progesterona aumenta o grau da atividade secretória das glândulas mamárias e,também, das células que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento doendométrio e fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sangüíneos;determina, ainda, o surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogênio.Finalmente, a progesterona inibe as contrações do útero e impede a expulsão do embriãoque se está implantando ou do feto em desenvolvimento.CICLO MENSTRUALO ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormôniosfolículo-estimulante e luteinizante, pela pituitária (hipófise) anterior (adenohipófise), e dosestrogênios e progesterona, pelos ovários. O ciclo de fenômenos que induzem essaalternância tem a seguinte explicação:1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a pituitáriaanterior secreta maiores quantidades de hormônio folículo-estimulante juntamente compequenas quantidades de hormônio luteinizante. Juntos, esses hormônios promovem ocrescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável deestrogênio (estrógeno).2. Acredita-se que o estrogênio tenha, então, dois efeitos seqüenciais sobre asecreção da pituitária anterior. Primeiro, inibiria a secreção dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por voltado décimo dia do ciclo. Depois, subitamente a pituitária anterior começaria a secretarquantidades muito elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do hormônioluteinizante. É essa fase de aumento súbito da secreção que provoca o rápidodesenvolvimento final de um dos folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de doisdias.3. O processo de ovulação, que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclonormal de 28 dias, conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, quesecreta quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio.4. O estrogênio e a progesterona secretados pelo corpo lúteo inibem novamente apituitária anterior, diminuindo a taxa de secreção dos hormônios folículo-estimulante eluteinizante. Sem esses hormônios para estimulá-lo, o corpo lúteo involui, de modo que asecreção de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse momento quea menstruação se inicia, provocada por esse súbito declínio na secreção de ambos oshormônios.5. Nessa ocasião, a pituitária anterior, que estava inibida pelo estrogênio e pelaprogesterona, começa a secretar outra vez grandes quantidades de hormônio folículo-estimulante, iniciando um novo ciclo. Esse processo continua durante toda a vidareprodutiva da mulher.
  • 88. 89OBSERVAÇÃO: a ovulação ocorre aproximadamenteentre 10-12 horas após o pico de LH. No ciclo regular, operíodo de tempo a partir do pico de LH até a menstruação estáconstantemente próximo de 14 dias. Dessa forma, da ovulaçãoaté a próxima menstruação decorrem 14 dias.Apesar de em um ciclo de 28 dias a ovulação ocorreraproximadamente na metade do ciclo, nas mulheres que têmciclos regulares, não importa a sua duração, o dia daovulação pode ser calculado como sendo o 14º dia ANTESdo início da menstruação.Generalizando, pode-se dizer que, se o ciclo menstrualtem uma duração de n dias, o possível dia da ovulação é n –14, considerando n = dia da próxima menstruação.Exemplo: determinada mulher, com ciclo menstrualregular de 28 dias, resolveu iniciar um relacionamento íntimocom seu namorado. Como não planejavam ter filhos, optarampelo método da tabelinha, onde a mulher calcula o período fértilem relação ao dia da ovulação. Considerando que a mulher éfértil durante aproximadamente nove dias por ciclo e que oúltimo ciclo dessa mulher iniciou-se no dia 22 de setembro de2006, calcule seu período fértil.1º dia do ciclo  endométrio bem desenvolvido,espesso e vascularizado começa a descamar menstruaçãohipófise aumenta a produção de FSH, que atingea concentração máxima por volta do 7º dia dociclo.amadurecimento dos folículos ovarianossecreção de estrógeno pelo folículo emdesenvolvimentoconcentração alta de estrógeno inibe secreção deFSH e estimula a secreção de LH pela hipófise /concentração alta de estrógeno estimulaocrescimento do endométrio.concentração alta de LH estimula a ovulação (porvolta do 14º dia de um ciclo de 28 dias)alta taxa de LH estimula a formação do corpolúteo ou amarelo no folículo ovarianocorpo lúteo inicia a produção de progesteronaestimula as glândulas do endométrio asecretarem seus produtosaumento da progesterona inibe produção de LH eFSHcorpo lúteo regride e reduz concentração deprogesteronamenstruação
  • 89. 90Resposta: Considerando o primeiro dia do ciclo como 22 e que seu ciclo é de 28 dias,temos:22 23 24 25 26 27 28 29 30[01 02 03 04 05 06 07 08 09]10 11 12 13 14 15 16 17 18 19Menstruará novamente no dia 19/10 (n). Ocorrendo a ovulação 14 dias ANTES damenstruação, esta se dará no dia 05/10 (considerando a fórmula n - 14, teremos: 19 - 14 =5, ou seja, dia 05 será seu provável dia de ovulação). Como seu período fértil aproximadolocaliza-se 4 dias antes e 4 dias após a ovulação, então o início dos dias férteis será 01/10 eo término, 09/10. Resposta: 45.Como é comum em algumas mulheres uma pequena variação no tamanho do ciclomenstrual, o cálculo para o período fértil deverá compreender o ciclo mais curto e o maislongo. Neste caso, primeiramente a mulher deverá anotar o 1° dia da menstruação durantevários meses e calcular a duração de seus ciclos (cada um deles contado do primeiro dia damenstruação). A partir daí, deverá proceder da seguinte forma para calcular o período fértil:1. subtrair 14 dias do ciclo mais curto (dia da ovulação);2. subtrair 14 dias do ciclo mais longo (dia da ovulação);3. subtrair pelo menos 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto esomar 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo.Exemplo: suponha que o ciclo mais curto da mulher exemplificada anteriormentetenha sido de 26 dias e o mais longo, de 30 dias. O cálculo do período fértil será feito assim:1. subtraindo 14 dias do ciclo mais curto: 26 a ovulação deveráter ocorrido no 12° dia do ciclo mais curto;2. subtraindo 14 dias do ciclo mais longo: 30 a ovulação deveráter ocorrido no 16° dia do ciclo mais longo;3. subtraindo 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto (12 esomando 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo (16 + 3 = 19), o período fértilficará entre o 9° e o 19° dia de qualquer ciclo menstrual desta mulher. Os diasrestantes serão os dias não-férteis.OBSERVAÇÃO: os cálculos acima só funcionam para mulheres com ciclos regulares(ou que sofrem apenas pequenas variações nos ciclos).Concluindo, o ciclo menstrual pode ser dividido em 4 fases:1. Fase menstrual: corresponde aos dias de menstruação e dura cercade 3 a 7 dias, geralmente.2. Fase proliferativa ou estrogênica: período de secreção de estrógenopelo folículo ovariano, que se encontra em maturação.3. Fase secretora ou lútea: o final da fase proliferativa e o início da fasesecretora é marcado pela ovulação. Essa fase é caracterizada pela intensa ação docorpo lúteo.4. Fase pré-menstrual ou isquêmica: período de queda dasconcentrações dos hormônios ovarianos, quando a camada superficial doendométrio perde seu suprimento sangüíneo normal e a mulher está prestes amenstruar. Dura cerca de dois dias, podendo ser acompanhada por dor de cabeça,dor nas mamas, alterações psíquicas, como irritabilidade e insônia (TPM ou TensãoPré-Menstrual).HORMÔNIOS DA GRAVIDEZGonadotrofina coriônica humana (HCG):é um hormônio glicoproteíco, secretado desde oinício da formação da placenta pelas célulastrofoblásticas, após nidação (implantação) doblastocisto (*). A principal função fisiológica destehormônio é a de manter o corpo lúteo, de modoque as taxas de progesterona e estrogênio não
  • 90. 91diminuam, garantindo, assim, a manutenção da gravidez (inibição da menstruação) e aausência de nova ovulação. Por volta da 15ª semana de gestação, com a placenta jáformada e madura produzindo estrógeno e progesterona, ocorre declínio acentuado naconcentração de HCG e involução do corpo lúteo.O HCG também concede umaimunossupressão à mulher, para que ela nãorejeite o embrião (inibe a produção deanticorpos pelos linfócitos); tem atividadetireotrófica e também estimula a produção detestosterona pelo testículo fetal (estimula ascélulas de Leydig a produzirem maiorquantidade de androgênios), importante paraa diferenciação sexual do feto do sexomasculino.(*) O blastocisto é um estágio inicial dodesenvolvimento embrionário, formado poruma camada de células denominadatrofoblasto ou células trofobláticas queenvolve o botão embrionário. Após a nidaçãoo trofoblasto forma projeções na mucosauterina chamadas vilosidades coriônicas,principais responsáveis pela produção deHCG.Hormônio lactogênio placentário humano: é um hormônio protéico, de estruturaquímica semelhante à da prolactina e da somatotrofina hipofisária. É encontrado no plasmada gestante a partir da 4ª semana de gestação. Tem efeito lipolítico, aumenta a resistênciamaterna à ação da insulina e estimula o pâncreas na secreção de insulina, ajudando nocrescimento fetal, pois proporciona maior quantidade de glicose e de nutrientes para o fetoem desenvolvimento.Hormônio melanotrófico: atua nos melanócitos para liberação de melanina,aumentando a pigmentação da aréola, abdomên e face.Aldosterona: mantém o equilíbrio de sódio, pois a progesterona estimula a eliminaçãodo mesmo, e a aldosterona promove sua reabsorção.Progesterona: relaxa a musculatura lisa, o que diminui a contração uterina, para nãoter a expulsão do feto. Aumenta o endométrio, pois se o endométrio não estiver bemdesenvolvido, poderá ocorrer um aborto natural ou o blastocisto se implantar (nidação) alémdo endométrio. Este hormônio é importante para o equilíbrio hidro-eletrolítico, além deestimular o centro respiratório no cérebro, fazendo com que aumente a ventilação, econseqüentemente, fazendo com que a mãe mande mais oxigênio para o feto.Complementa os efeitos do estrogênio nas mamas, promovendo o crescimento doselementos glandulares, o desenvolvimento do epitélio secretor e a deposição de nutrientesnas células glandulares, de modo que, quando a produção de leite for solicitada a matéria-prima já esteja presente.Estrogênio: promove rápida proliferação da musculatura uterina; grandedesenvolvimento do sistema vascular do útero; aumento dos órgãos sexuais externos e daabertura vaginal, proporcionando uma via mais ampla para o parto; rápido aumento dasmamas; contribui ainda para a manutenção hídrica e aumenta a circulação. Dividido emestradiol e estrona - que estão na corrente materna; e estriol - que está na corrente fetal, émedido para avaliar a função feto-placentária e o bem estar fetal.HORMÔNIOS DO PARTOA ocitocina é um hormônio que potencializa as contrações uterinas tornando-as fortese coordenadas, até completar-se o parto.Quando inicia a gravidez, não existem receptores no útero para a ocitocina. Estesreceptores vão aparecendo gradativamente no decorrer da gravidez. Quando a ocitocina seliga a eles, causa a contração do músculo liso uterino e também, estimulação da produçãode prostaglandinas, pelo útero, que ativará o músculo liso uterino.
  • 91. 92Imagens: www.embarazada.comO parto depende tanto da secreção de ocitocina quanto da produção dasprostaglandinas, porque sem estas, não haverá a adequada dilatação do colo do útero econseqüentemente, o parto não irá progredir normalmente. Não são bem conhecidos osfatores desencadeantes do trabalho de parto, mas sabe-se que, quando o hipotálamo dofeto alcança certo grau de maturação, estimula a hipófise fetal a liberar ACTH. Agindo sobrea adrenal do feto, esse hormônio aumenta a secreção de cortisol e outros hormônios, queestimulam a placenta a secretar prostaglandinas. Estas promovem contrações damusculatura lisa do útero. Ainda não se sabe o que impede o parto prematuro, uma vez quenas fases finais da gravidez, há uma elevação do nível de ocitocina e de seus receptores, oque poderia ocasionar o início do trabalho de parto, antes do fim total da gravidez. Existempossíveis fatores inibitórios do trabalho de parto, como a proporção estrogênio/progesteronae o nível de relaxina, hormônio produzido pelo corpo lúteo do ovário e pela placenta.A progesterona mantém seus níveis elevados durante toda a gravidez, inibindo omúsculo liso uterino e bloqueando sua resposta a ocitocina e as prostaglandinas. Oestrogênio aumenta o grau de contratilidade uterina. Na última etapa da gestação, oestrogênio tende a aumentar mais que a progesterona, o que faz com que o útero consigater uma contratilidade maior.
  • 92. 93A relaxina aumenta o número de receptores para a ocitocina, além de produzir umligeiro amolecimento das articulações pélvicas (articulações da bacia) e das suas cápsulasarticulares, dando-lhes a flexibilidade necessária para o parto (por provocar remodelamentodo tecido conjuntivo, afrouxa a união entre os ossos da bacia e alarga o canal de passagemdo feto). Tem ação importante no útero para que ele se distenda, a medida em que o bebêcresce. O nível de relaxina aumenta ao máximo antes do parto e depois cai rapidamente.Ainda não se conhecem os fatores que realmente interferem no trabalho de parto, masuma vez que ele tenha iniciado, há um aumento no nível de ocitocina, elevando muito suasecreção, o que continua até a expulsão do feto.OS HORMÔNIOS E OS MECANISMOS DA LACTAÇÃOO início da lactação se dá com a produção de leite,que ocorre nos alvéolos das glândulas mamárias. O leitesai dos alvéolos e caminha até o mamilo através dosseios lactíferos.O estrogênio, associado aos hormônios da tireóide,aos corticosteróides adrenais e a insulina, promovem odesenvolvimento das mamas. Este desenvolvimento vaiser acentuado pela ação da progesterona, que tambémestimula a proliferação dos dutos.Durante a gravidez, há a necessidade de uma proliferação dos alvéolos e dos dutospara a lactação. Isto ocorre devido à ação dos hormônios progesterona e estrogênio. Olactogênio placentário e a prolactina também são muito importantes na preparação dasmamas.A prolactina começa a ser produzida ainda na puberdade, mas em pequenaquantidade. O surto deste hormônio acontece em decorrência da gravidez, e é aumentado,gradativamente, durante a amamentação. Tal hormônio é responsável pelo crescimento epela atividade secretora dos alvéolos mamários. O lactogênio placentário age como aprolactina, desenvolvendo os alvéolos.Estes dois hormônios estão presentes durante toda a gravidez, porém suasquantidades não são aumentadas, devido a inibição causada pelos altos níveis deprogesterona e estrogênio. Ao final do trabalho de parto, há uma queda nos níveis destesdois últimos hormônios, ocasionando um aumento nas quantidades de prolactina elactogênio placentário, o que possibilita o início da produção de leite. Enquanto houver asucção do mamilo pelo bebê, a prolactina continuará produzindo leite. Isto acontece porquequando o bebê faz esta sucção nos mamilos, estimula o hipotálamo a secretar o fatorliberador da prolactina, mantendo seus níveis e, conseqüentemente, a produção de leite. Aprodução de leite só irá diminuir ou cessar completamente se a mãe não amamentar seufilho, pois neste caso, não haverá mais a estimulação decorrente da sucção do mamilo. Asucção do mamilo também estimulará a hipófise posterior, que irá secretar ocitocina. Estehormônio é o responsável pela ejeção do leite. Tal mecanismo ocorre porque a ocitocinacontrai os músculos ao redor dos alvéolos, fazendo com que o leite caminhe até o mamilo.O leite só começa a ser produzido depois do primeiro dia do nascimento. Até este período,haverá a secreção e liberação do colostro, que é um líquido aquoso, de cor amarelada, quecontém anticorpos maternos.
  • 93. 94Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais açõesFSH ovárioestimula o desenvolvimentodo folículo, a secreção deestrógeno e a ovulaçãoLH ovárioestimula a ovulação e odesenvolvimento do corpoamarelo.Prolactina mamasestimula a produção deleite (após a estimulaçãoprévia das glândulasmamárias por estrógeno eprogesterona).HipófiseOcitocina Útero e mamas- secretado em quantidadesmoderadas durante a últimafase da gravidez e emgrande quantidade duranteo parto. Promove acontração do útero para aexpulsão da criança.- promove a ejeção do leitedurante a amamentaçãodiversoscrescimento do corpo e dosórgãos sexuais; estimula odesenvolvimento dascaracterísticas sexuaissecundárias.hipófiseinibe a produção de FSH eestimula a produção de LHEstrógenoSistema Reprodutorestimula a maturação dosórgãos reprodutores e doendométrio, preparando oútero para a gravidezhipófise inibe a produção de LHúterocompleta a regeneração damucosa uterina, estimula asecreção das glândulasendometriais e mantém oútero preparado para agravidez.OvárioProgesteronamamasestimula o desenvolvimentodas glândulas mamáriaspara secreção láctea.Placenta HGC corpo lúteoestimula a produção deprogesterona e estrógeno;inibe a menstruação e novaovulação.
  • 94. 9510 - SISTEMA ENDÓCRINODá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam comoatividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que sãolançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ouauxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ouregulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo.Constituição dos órgãos do sistema endócrinoOs tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandularesformam as glândulas, que podem ser uni ou pluricelulares. Asglândulas pluricelulares não são apenas aglomerados decélulas que desempenham as mesmas funções básicas e têma mesma morfologia geral e origem embrionária - o quecaracteriza um tecido. São na verdade órgãos definidos comarquitetura ordenada. Elas estão envolvidas por uma cápsulaconjuntiva que emite septos, dividindo-as em lobos. Vasossangüíneos e nervos penetram nas glândulas, fornecendoalimento e estímulo nervoso para as suas funções.Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemascorporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formandomecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrinoa informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a respostainterna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente como sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais.Alguns dos principais órgãos produtores de hormôniosAlguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, ohipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra-renais, o pâncreas e as gônadas.10.1 - Hipófise ou pituitáriaSitua-se na base doencéfalo, em uma cavidadedo osso esfenóide chamadatela túrcica. Nos sereshumanos tem o tamanhoaproximado de um grão deervilha e possui duas partes:o lobo anterior (ou adeno-hipófise) e o lobo posterior(ou neuro-hipófise).
  • 95. 96Além de exercerem efeitos sobre órgãos não-endócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófisesão denominados trópicos (ou tróficos) porque atuamsobre outras glândulas endócrinas, comandando asecreção de outros hormônios. São eles:• Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrinatireóide.• Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex daglândula endócrina adrenal (supra-renal)• Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadasmasculinas e femininas.• Somatotrófico: atua no crescimento, promovendoo alongamento dos ossos e estimulando a síntesede proteínas e o desenvolvimento da massamuscular. Também aumenta a utilização degorduras e inibe a captação de glicose plasmáticapelas células, aumentando a concentração deglicose no sangue (inibe a produção de insulinapelo pâncreas, predispondo ao diabetes).Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 200210.2 - HipotálamoLocalizado no cérebro diretamenteacima da hipófise, é conhecido por exercercontrole sobre ela por meios de conexõesneurais e substâncias semelhantes ahormônios chamados fatoresdesencadeadores (ou de liberação), o meiopelo qual o sistema nervoso controla ocomportamento sexual via sistemaendócrino.
  • 96. 97O hipotálamo estimula a glândulahipófise a liberar os hormôniosgonadotróficos (FSH e LH), que atuamsobre as gônadas, estimulando a liberaçãode hormônios gonadais na correntesanguínea. Na mulher a glândula-alvo dohormônio gonadotrófico é o ovário; nohomem, são os testículos. Os hormôniosgonadais são detectados pela pituitária epelo hipotálamo, inibindo a liberação demais hormônio pituitário, por feed-back.Como a hipófise secreta hormôniosque controlam outras glândulas e estásubordinada, por sua vez, ao sistemanervoso, pode-se dizer que o sistemaendócrino é subordinado ao nervoso e queo hipotálamo é o mediador entre esses doissistemas.Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, EdSaraiva, 2002O hipotálamo também produz outrosfatores de liberação que atuam sobre aadeno-hipófise, estimulando ou inibindosuas secreções. Produz também oshormônios ocitocina e ADH (antidiurético),armazenados e secretados pela neuro-hipófise.10.3 - TireóideLocaliza-se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia.Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dosprocessos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxametabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese deproteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. Acalcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentraçãosangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasmasangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos.
  • 97. 9810.4 - ParatireóidesSão pequenas glândulas, geralmente em número de quatro, localizadas na regiãoposterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matrizóssea (o qual passa para o plasma sangüíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelointestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração decálcio no sangue. Neste contexto, o cálcio é importante na contração muscular, nacoagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas.10.5 - Adrenais ou supra-renais - São duasglândulas localizadas sobre os rins, divididas emduas partes independentes – medula e córtex -secretoras de hormônios diferentes, comportando-se como duas glândulas. O córtex secreta trêstipos de hormônios: os glicocorticóides, osmineralocorticóides e os androgênicos.
  • 98. 9910.6 - PâncreasÉ uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas edeterminadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam assecreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas deLangerhans são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os doishormônios: insulina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose.11 – SISTEMA SENSORIALOS SENTIDOS: VISÃO, AUDIÇÃO, PALADAR, OLFATO E TATOOs órgãos dos sentidosOs sentidos fundamentais do corpo humano - visão, audição, tato, gustação ou paladare olfato - constituem as funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente.Por meio dos sentidos, o nosso corpo pode perceber muita coisa do que nos rodeia;contribuindo para a nossa sobrevivência e integração com o ambiente em que vivemos.Existem determinados receptores, altamente especializados, capazes de captarestímulos diversos. Tais receptores, chamados receptores sensoriais, são formados porcélulas nervosas capazes de traduzir ou converter esses estímulos em impulsos elétricos ounervosos que serão processados e analisados em centros específicos do sistema nervosocentral (SNC), onde será produzida uma resposta (voluntária ou involuntária). A estrutura eo modo de funcionamento destes receptores nervosos especializados é diversa.Tipos de receptores:1) Exteroceptores: respondem a estímulos externos, originados fora do organismo.2) Proprioceptores: os receptores proprioceptivos encontram-se no esqueleto e nasinserções tendinosas, nos músculos esqueléticos (formando feixes nervosos que envolvemas fibras musculares) ou no aparelho vestibular da orelha interna. Detectam a posição doindivíduo no espaço, assim como o movimento, a tensaõ e o estiramento musculares.3) Interoceptores: os receptores interoceptivos respondem a estímulos viscerais ououtras sensações como sede e fome.
  • 99. 100Em geral, os receptores sensitivos podem ser simples, como uma ramificação nervosa;mais complexos, formados por elementos nervosos interconectados ou órgãos complexos,providos de sofisticados sistemas funcionais.Dessa maneira:è pelo tato -sentimos o frio, ocalor, a pressãoatmosférica, etc;è pelagustação -identificamos ossabores;è pelo olfato -sentimos o odor oucheiro;è pela audição- captamos os sons;è pela visão -observamos ascores, as formas, oscontornos, etc.Portanto, emnosso corpo osórgãos dos sentidosestão encarregadosde receberestímulos externos.Esses órgãos são:è a pele - para o tato;è a língua - para a gustação;è as fossas nasais - para o olfato;è os ouvidos - para a audição;è os olhos - para a visão.Imagem: AMABIS & MARTHO. Conceitos de Biologia Volume 2. São Paulo, Editora Moderna, 2001.11.1 - VISÃOANATOMIA DO OLHO
  • 100. 101CRUZ, Daniel.O Corpo Humano. São Paulo, Ed. Ática, 2000.Os globos oculares estão alojadosdentro de cavidades ósseasdenominadas órbitas, compostas departes dos ossos frontal, maxilar,zigomático, esfenóide, etmóide, lacrimale palatino. Ao globo ocular encontram-seassociadas estruturas acessórias:pálpebras, supercílios (sobrancelhas),conjuntiva, músculos e aparelho lacrimal.Cada globo ocular compõe-se de três túnicas e de quatro meios transparentes:Túnicas:1- túnica fibrosa externa: esclerótica (branco do olho). Túnica resistente de tecidofibroso e elástico que envolve externamente o olho (globo ocular) A maior parte daesclerótica é opaca e chama-se esclera, onde estão inseridos os músculos extra-ocularesque movem os globos oculares, dirigindo-os a seu objetivo visual. A parte anterior daesclerótica chama-se córnea. É transparente e atua como uma lente convergente.2- túnica intermédia vascular pigmentada: úvea. Compreende a coróide, o corpociliar e a íris. A coróide está situada abaixo da esclerótica e é intensamente pigmentada.Esses pigmentos absorvem a luz que chega à retina, evitando sua reflexão. Acha-seintensamente vascularizada e tem a função de nutrir a retina.Possui uma estrutura muscular de cor variável – a íris, a qual é dotada de um orifíciocentral cujo diâmetro varia, de acordo com a iluminação do ambiente – a pupila.A coróide une-se na parte anterior do olho ao corpo ciliar, estrutura formada pormusculatura lisa e que envolve o cristalino, modificando sua forma.Em ambientes mal iluminados,por ação do sistema nervososimpático, o diâmetro da pupilaaumenta e permite a entrada demaior quantidade de luz. Em locaismuito claros, a ação do sistemanervoso parassimpático acarretadiminuição do diâmetro da pupila eda entrada de luz. Essemecanismo evita o ofuscamento eimpede que a luz em excesso leseas delicadas células fotossensíveisda retina.3- túnica interna nervosa: retina. É a membrana mais interna e está debaixo dacoróide. É composta por várias camadas celulares, designadas de acordo com sua relaçãoao centro do globo ocular. A camada mais interna, denominada camada de célulasganglionares, contém os corpos celulares das células ganglionares, única fonte de sinaisde saída da retina, que projeta axônios através do nervo óptico. Na retina encontram-se dois
  • 101. 102tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. Quando excitados pelaenergia luminosa, estimulam as células nervosas adjacentes, gerando um impulso nervosoque se propaga pelo nervo óptico.A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Há três tipos decones: um que se excita com luz vermelha, outro com luz verde e o terceiro, com luz azul.São os cones as células capazes de distinguir cores.Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom, mas são mais sensíveis àluz que os cones. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa a dependerexclusivamente dos bastonetes. É a chamada visão noturna ou visão de penumbra. Nosbastonetes existe uma substância sensível à luz – a rodopsina – produzida a partir davitamina A. A deficiência alimentar dessa vitamina leva à cegueira noturna e àxeroftalmia (provoca ressecamento da córnea, que fica opaca e espessa, podendo levar àcegueira irreversível).Há duas regiões especiais na retina: a fovea centralis (ou fóvea ou mancha amarela)e o ponto cego. A fóvea está no eixo óptico do olho, em que se projeta a imagem do objetofocalizado, e a imagem que nela se forma tem grande nitidez. É a região da retina maisaltamente especializada para a visão de alta resolução. A fóvea contém apenas cones epermite que a luz atinja os fotorreceptores sem passar pelas demais camadas da retina,maximizando a acuidade visual.Acuidade visualA capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é chamadaacuidade visual, a qual depende de diversos fatores, em especial do espaçamentodos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho.Os cones são encontrados principalmente na retina central, em um raio de 10 graus apartir da fóvea. Os bastonetes, ausentes na fóvea, são encontrados principalmente na retinaperiférica, porém transmitem informação diretamente para as células ganglionares.No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz. No ponto cego não há conesnem bastonetes. Do ponto cego, emergem o nervo óptico e os vasos sangüíneos da retina.Meios transparentes:- Córnea: porção transparente da túnica externa (esclerótica); é circular no seucontorno e de espessura uniforme. Sua superfície é lubrificada pela lágrima, secretadapelas glândulas lacrimais e drenada para a cavidade nasal através de um orifício existenteno canto interno do olho.
  • 102. 103- humor aquoso: fluido aquoso que se situa entre a córnea e o cristalino, preenchendoa câmara anterior do olho.- cristalino: lente biconvexa coberta por uma membrana transparente. Situa-se atrásda pupila e e orienta a passagem da luz até a retina. Também divide o interior do olho emdois compartimentos contendo fluidos ligeiramente diferentes: (1) a câmara anterior,preenchida pelo humor aquoso e (2) a câmara posterior, preenchida pelo humor vítreo.Pode ficar mais delgado ou mais espesso, porque é preso ao músculo ciliar, que podetorna-lo mais delgado ou mais curvo. Essas mudanças de forma ocorrem para desviar osraios luminosos na direção da mancha amarela. O cristalino fica mais espesso para a visãode objetos próximos e, mais delgado para a visão de objetos mais distantes, permitindo quenossos olhos ajustem o foco para diferentes distâncias visuais. A essa propriedade docristalino dá-se o nome de acomodação visual. Com o envelhecimento, o cristalino podeperder a transparência normal, tornando-se opaco, ao que chamamos catarata.- humor vítreo: fluido mais viscoso e gelatinoso que se situa entre o cristalino e aretina, preenchendo a câmara posterior do olho. Sua pressão mantém o globo ocularesférico.Como já mencionado anteriormente, o globo ocular apresenta, ainda, anexos: aspálpebras, os cílios, as sobrancelhas ou supercílios, as glândulas lacrimais e osmúsculos oculares.As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membranachamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido queconhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeira e deexcesso de luz nos olhos, e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. Asglândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. Esse líquido, espalhado pelosmovimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho. Quando choramos, o excesso de líquidodesce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais, em direção ao exterior do nariz.
  • 103. 10411.2 - AUDIÇÃO11.2.1 - ANATOMIA DA ORELHAO órgão responsável pela audição éa orelha (antigamente denominadoouvido), também chamada órgãovestíbulo-coclear ou estato-acústico.A maior parte da orelha fica noosso temporal, que se localiza na caixacraniana. Além da função de ouvir, oouvido também é responsável peloequilíbrio.A orelha está dividida em trêspartes: orelhas externa, média e interna(antigamente denominadas ouvidoexterno, ouvido médio e ouvido interno).Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia. SãoPaulo, Ed Saraiva, 2002a) ORELHA EXTERNAA orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo(antigamente denominado orelha) e pelo canal auditivo externoou meato auditivo.Todo o pavilhão auditivo (exceto o lobo ou lóbulo) éconstituído por tecido cartilaginoso recoberto por pele, tendocomo função captar e canalizar os sons para a orelha média.O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meioexterno, tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso ossotemporal. É revestido internamente por pêlos e glândulas, que fabricam uma substânciagordurosa e amarelada, denominada cerume ou cera.Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem noar e eventualmente entram nos ouvidos.O canal auditivo externo termina numa delicada membrana - tímpano ou membranatimpânica - firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de tecido fibroso,chamado anel timpânico.b) ORELHA MÉDIAA orelha média começa na membrana timpânica e consiste, em sua totalidade, de umespaço aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. Dentro dela estão três ossículosarticulados entre si, cujos nomes descrevem sua forma: martelo, bigorna e estribo. Essesossículos encontram-se suspensos na orelha média, através de ligamentos.O cabo do martelo está encostado no tímpano; o estribo apóia-se na janela oval, umdos orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação com aorelha média. O outro orifício é a janela redonda. A orelha média comunica-se também
  • 104. 105com a faringe, através de um canal denominado tuba auditiva (antigamente denominadatrompa de Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre no ouvido médio. Dessa forma, deum lado e de outro do tímpano, a pressão do ar atmosférico é igual. Quando essas pressõesficam diferentes, não ouvimos bem, até que o equilíbrio seja reestabelecido.c) ORELHA INTERNAA orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal,revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelasjanelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol -relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio econstituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.11.2.2 - O MECANISMO DA AUDIÇÃOO som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar. Asondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondaspropagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda deviolino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um poucomais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar
  • 105. 106ainda mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmentealcança a orelha.A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber einterpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz - Hertzou ondas por segundo).A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência detransformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica efinalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.11.3 – A GUSTAÇÃO (PALADAR)Os sentidos gustativo e olfativo são chamados sentidos químicos, porque seusreceptores são excitados por estimulantes químicos. Os receptores gustativos são excitadospor substâncias químicas existentes nos alimentos, enquanto que os receptores olfativos sãoexcitados por substâncias químicas do ar. Esses sentidos trabalham conjuntamente napercepção dos sabores. O centro do olfato e do gosto no cérebro combina a informaçãosensorial da língua e do nariz.Imagem: www.msd.es/publicaciones/mmerck_hogar/seccion_06/seccion_06_072.html, com adaptações
  • 106. 107O receptor sensorial do paladar é apapila gustativa. É constituída por célulasepiteliais localizadas em torno de um porocentral na membrana mucosa basal dalíngua. Na superfície de cada uma dascélulas gustativas observam-seprolongamentos finos como pêlos,projetando-se em direção da cavidadebucal; são chamados microvilosidades.Essas estruturas fornecem a superfíciereceptora para o paladar.Observa-se entre as célulasgustativas de uma papila uma rede comduas ou três fibras nervosas gustativas, asquais são estimuladas pelas própriascélulas gustativas. Para que se possasentir o gosto de uma substância, ela deveprimeiramente ser dissolvida no líquidobucal e difundida através do porogustativo em torno das microvilosidades.Portanto substâncias altamente solúveis edifusíveis, como sais ou outros compostosque têm moléculas pequenas, geralmentefornecem graus gustativos mais altos doque substâncias pouco solúveis difusíveis,como proteínas e outras que possuammoléculas maiores.Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Riode Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.A gustação é primariamente uma função da língua, embora regiões da faringe, palato eepiglote tenham alguma sensibilidade. Os aromas da comida passam pela faringe, ondepodem ser detectados pelos receptores olfativos.As Quatro Sensações Gustativas-PrimáriasNa superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriaispercebem os quatro sabores primários, aos quais chamamos sensações gustativas primárias:amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D). De sua combinação resultamcentenas de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, nasuperfície da língua, não é homogênea.
  • 107. 1081.Papilas circunvaladas2.Papilas fungiformes3. Papilas filiformesImagem:www.nib.unicamp.br/svol/sentidos.html/sentidos.htmlAté osúltimos anosacreditava-seque existiamquatro tiposinteiramentediferentes depapila gustativa,cada qualdetectando umadas sensaçõesgustativasprimáriasparticular. Sabe-se agora quetodas as papilasgustativaspossuem alguns graus de sensibilidade para cada umadas sensações gustativas primárias. Entretanto, cadapapila normalmente tem maior grau de sensibilidadepara uma ou duas das sensações gustativas. O cérebrodetecta o tipo de gosto pela relação (razão) deestimulação entre as diferentes papilas gustativas. Istoé, se uma papila que detecta principalmente salinidadeé estimulada com maior intensidade que as papilas querespondem mais a outros gostos, o cérebro interpreta asensação como de salinidade, embora outras papilastenham sido estimuladas, em menor extensão, aomesmo tempo.O sabor diferente das comidasCada comida ativa uma diferente combinação de sabores básicos, ajudando a torná-laúnica. Muitas comidas têm um sabor distinto como resultado da soma de seu gosto e cheiro,percebidos simultaneamente. Além disso, outras modalidades sensoriais também contribuemcom a experiência gustativa, como a textura e a temperatura dos alimentos. A sensação dedor também é essencial para sentirmos o sabor picante e estimulante das comidasapimentadas.11.4 - O OLFATOO olfato humano é pouco desenvolvido se comparado ao de outros mamíferos. Oepitélio olfativo humano contém cerca de 20 milhões de células sensoriais, cada qual comseis pêlos sensoriais (um cachorro tem mais de 100 milhões de células sensoriais, cada qualcom pelo menos 100 pêlos sensoriais). Os receptores olfativos são neurônios genuínos, comreceptores próprios que penetram no sistema nervoso central.
  • 108. 109A cavidade nasal,que começa a partirdas janelas do nariz,está situada em cimada boca e debaixo dacaixa craniana.Contém os órgãos dosentido do olfato, e éforrada por um epitéliosecretor de muco. Aocircular pela cavidadenasal, o ar se purifica,umedece e esquenta. Oórgão olfativo é amucosa que forra aparte superior dasfossas nasais -chamada mucosaolfativa ou amarela, para distingui-la da vermelha - que cobre a parte inferior.A mucosa vermelha é dessa cor por ser muito rica em vasos sangüíneos, e contémglândulas que secretam muco, que mantém úmida a região. Se os capilares se dilatam e omuco é secretado em excesso, o nariz fica obstruído, sintoma característico do resfriado.A mucosa amarela é muito rica em terminações nervosas do nervo olfativo. Osdendritos das células olfativas possuem prolongamentos sensíveis (pêlos olfativos), queficam mergulhados na camada de muco que recobre as cavidades nasais. Os produtosvoláteis ou de gases perfumados ou ainda de substâncias lipossolúveis que se desprendemdas diversas substâncias, ao serem inspirados, entram nas fossas nasais e se dissolvem nomuco que impregna a mucosa amarela, atingindo os prolongamentos sensoriais.Dessa forma, geram impulsos nervosos, que são conduzidos até o corpo celular dascélulas olfativas, de onde atingem os axônios, que se comunicam com o bulbo olfativo. Osaxônios se agrupam de 10-100 e penetram no osso etmóide para chegar ao bulbo olfatório,onde convergem para formar estruturas sinápticas chamadas glomérulos. Estas se conectamem grupos que convergem para as células mitrais. Fisiologicamente essa convergênciaaumenta a sensibilidade olfatória que é enviada ao Sistema Nervoso Central (SNC), onde oprocesso de sinalização é interpretado e decodificado.Aceita-se a hipótese de queexistem alguns tipos básicos decélulas do olfato, cada uma comreceptores para um tipo de odor. Osmilhares de tipos diferentes decheiros que uma pessoa conseguedistinguir resultariam da integraçãode impulsos gerados por unscinqüenta estímulos básicos, nomáximo. A integração dessesestímulos seria feita numa regiãolocalizada em áreas laterais do córtexcerebral, que constituem o centroolfativo.
  • 109. 110A mucosa olfativa é tão sensível que poucas moléculas são suficientes para estimula-la,produzindo a sensação de odor. A sensação será tanto mais intensa quanto maior for aquantidade de receptores estimulados, o que depende da concentração da substânciaodorífera no ar.O olfato tem importante papel na distinção dos alimentos. Enquanto mastigamos,sentimos simultaneamente o paladar e o cheiro. Do ponto de vista adaptativo, o olfato temuma nítida vantagem em relação ao paladar: não necessita do contato direto com o objetopercebido para que haja a excitação, conferindo maior segurança e menor exposição aestímulos lesivos.O olfato, como a visão, possui uma enorme capacidade adaptativa. No início daexposição a um odor muito forte, a sensação olfativa pode ser bastante forte também, mas,após um minuto, aproximadamente, o odor será quase imperceptível.Porém, ao contrário da visão, capaz de perceber um grande número de cores ao mesmotempo, o sistema olfativo detecta a sensação de um único odor de cada vez. Contudo, umodor percebido pode ser a combinação de vários outros diferentes. Se tanto um odor pútridoquanto um aroma doce estão presentes no ar, o dominante será aquele que for mais intenso,ou, se ambos forem da mesma intensidade, a sensação olfativa será entre doce e pútrida.12 - SISTEMA TEGUMENTAREstrutura do tegumento (pele)O tegumento humano, maisconhecido como pele, é formado porduas camadas distintas, firmementeunidas entre si: a epiderme e a derme.12.1 - EpidermeA epiderme é um epitéliomultiestratificado, formado por váriascamadas (estratos) de célulasachatadas (epitélio pavimentoso)justapostas. A camada de células maisinterna, denominada epitéliogerminativo, é constituída por célulasque se multiplicam continuamente;dessa maneira, as novas célulasgeradas empurram as mais velhas para
  • 110. 111cima, em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicastornam-se achatadas, e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistentee impermeável, a queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas dequeratina, morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamenteimpermeável à água, denominado camada queratinizada ou córnea.Toda a superfície cutânea está provida de terminações nervosas capazes de captarestímulos térmicos, mecânicos ou dolorosos. Essas terminações nervosas ou receptorescutâneos são especializados na recepção de estímulos específicos. Não obstante, algunspodem captar estímulos de natureza distinta. Porém na epiderme não existem vasossangüíneos. Os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasossangüíneos da derme.Nas regiões da pele providas de pêlo, existem terminações nervosas específicasnos folículos capilares e outras chamadas terminais ou receptores de Ruffini. Asprimeiras, formadas por axônios que envolvem o folículo piloso, captam as forçasmecânicas aplicadas contra o pêlo. Os terminais de Ruffini, com sua forma ramificada, sãoreceptores térmicos de calor.Na pele desprovida de pêlo e também na que está coberta por ele, encontram-se aindatrês tipos de receptores comuns:1) Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis.Sãoformados por uma fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta por váriascamadas que correspondem a diversas células de sustentação. A camada terminal é capazde captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aoscentros nervosos correspondentes.2) Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. Uma fibra aferente costumaestar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Estes discosestão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às célulasepidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. Assim, os movimentos de pressãoe tração sobre epiderme desencadeam o estímulo.3) Terminações nervosas livres: sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos eespecialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por célulasde Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal.Na pele sem pêlo encontram-se, ainda, outros receptores específicos:4) Corpúsculos de Meissner: táteis. Estão nas saliências da pele sem pêlos (comonas partes mais altas das impressões digitais). São formados por um axônio mielínico, cujasramificações terminais se entrelaçam com células acessórias.5) Bulbos terminais de Krause: receptores térmicos de frio. São formados por umafibra nervosa cuja terminação possui forma de clava.Situam-se nas regiões limítrofes dapele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais).RECEPTORES DE SUPERFÍCIE SENSAÇÃO PERCEBIDAReceptores de Krause FrioReceptores de Ruffini CalorDiscos de Merkel Tato e pressãoReceptores de Vater-Pacini PressãoReceptores de Meissner TatoTerminações nervosas livres Principalmente dor
  • 111. 112Nas camadas inferiores da epiderme estão os melanócitos, células que produzemmelanina, pigmento que determina a coloração da pele.As glândulas anexas – sudoríparas e sebáceas – encontram-se mergulhadas naderme, embora tenham origem epidérmica. O suor (composto de água, sais e um pouco deuréia) é drenado pelo duto das glândulas sudoríparas, enquanto a secreção sebácea(secreção gordurosa que lubrifica a epiderme e os pêlos) sai pelos poros de onde emergemos pêlos.A transpiração ou sudorese tem por função refrescar o corpo quando há elevação datemperatura ambiental ou quando a temperatura interna do corpo sobe, devido, porexemplo, ao aumento da atividade física.12.2 - DermeA derme, localizada imediatamentesob a epiderme, é um tecido conjuntivo quecontém fibras protéicas, vasos sangüíneos,terminações nervosas, órgãos sensoriais eglândulas. As principais células da dermesão os fibroblastos, responsáveis pelaprodução de fibras e de uma substânciagelatinosa, a substância amorfa, na qualos elementos dérmicos estão mergulhados.A epiderme penetra na derme e originaos folículos pilosos, glândulas sebáceas eglândulas sudoríparas. Na dermeencontramos ainda: músculo eretor de pêlo,fibras elásticas (elasticidade), fibrascolágenas (resistência), vasos sangúíneos enervos.12.3 - Tecido subcutâneoSob a pele, há uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o tecido subcutâneo, rico emfibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos). A camada
  • 112. 113subcutânea, denominada hipoderme, atua como reserva energética, proteção contrachoques mecânicos e isolante térmico.12.4 - Unhas e pêlosUnhas e pêlos são constituídos por células epidérmicas queratinizadas, mortas ecompactadas. Na base da unha ou do pêlo há células que se multiplicam constantemente,empurrando as células mais velhas para cima. Estas, ao acumular queratina, morrem e secompactam, originando a unha ou o pêlo. Cada pêlo está ligado a um pequeno músculoeretor, que permite sua movimentação, e a uma ou mais glândulas sebáceas, que seencarregam de sua lubrificação.BIBLIOGRAFIA01- AMABIS & MARTHO. Biologia dos organismos. Volume 2. São Paulo, EditoraModerna, 1995.02- AMABIS & MARTHO. Fundamentos da Biologia Moderna. Volume único. São Paulo,Ed. Moderna.03- AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2.São Paulo, Ed. Moderna, 1997.04- BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando oSistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.05- CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002.06- CHEIDA, LUIZ EDUARDO. Biologia Integrada. São Paulo, Ed. FTD, 200207- GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.08- GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro,Elsevier Ed., 2006.09- JUNQUEIRA, L. C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 8ª Edição. Rio de Janeiro,Editora Guanabara Koogan. 1995. Pp. 100:108.10- LOPES, SÔNIA. Bio 1.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.11- LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.12- McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo,Publifolha, 2002.13- ROSS, Michael H. & ROWRELL, Lynn J. Histologia Texto e Atlas. 2ª Edição. SãoPaulo, Editora Médica Panamericana. 1993. Pp. 123:129.14- SÉRIE ATLAS VISUAIS. O corpo Humano. Ed. Ática, 1997.15 – VILELA, Ana Luiza Miranda; http://www.afh.bio.br/varios/analuisa.asp, Prof. UFMG,2009.16- CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo Multimídia.17- ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.18- ENCICLOPÉDIA MULTIMÍDIA DO CORPO HUMANO - Planeta DeAgostini - Ed.Planeta do Brasil Ltda.

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