A situação docâncer no BrasilInstituto Nacional de Câncer – INCACoordenação de Prevenção e Vigilância – Conprev
@ 2006, Ministério da SaúdeÉpermitidaareproduçãoparcialoutotal destaobra,desdequecitadaafonte.MINISTÉRIO DA SAÚDBJoséAgeno...
OrganizadoresGulnar Azevedo e Silva MendonçaCláudio Pompeiano NoronhaLiz Maria de AlmeidaColaboradoresAlexandre MedeirosAl...
Desde 1995, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima e publica anualmente aincidência de câncer para o Brasil levando ...
Nos anos subseqüentes ao lançamento das estimativas, estaremos aprofundando nossasanálises, escolhendo temas específicos na...
INTRODUÇÃO
10[INTRODUÇÃO]ObjetivosOcâncer é respon-sável por maisde 12% de todasas causas de óbi-to no mundo:mais de 7 milhões de pes...
[INTRODUÇÃO]11A explicação para este crescimento está na maior exposição dos indi-víduos a fatores de risco cancerígenos. ...
12[INTRODUÇÃO]Nas duas primeiras décadas do século passado, enquanto as endemiasocupavam a atenção das políticas de saúde ...
[INTRODUÇÃO]13Paralelamente, novas tecnologias surgiam no combate às neoplasias,como eletrocirurgia, Raios-X e radium, imp...
14[INTRODUÇÃO]O projeto anticâncer ganharia caráter nacional em 23 de setembro de 1941, com a criação do Ser-viço Nacional...
[INTRODUÇÃO]15O progresso das iniciativas do SNC e, por tabela, do INCA levaria, a partir de 1965, ao plane-jamento de reu...
16[INTRODUÇÃO]Ocorpo humano é todo formado por células que se organizam em tecidose órgãos. As células normais se dividem,...
[INTRODUÇÃO]17Como o tumorse dissemina?As metástases ocorremquando as célulascancerosas de umtumor se espalham paradiferen...
18
19CAUSALIDADE
20[CAUSALIDADE]Em epidemiologia, risco tem sido definido como a probabilidade de ocorrên-cia de um resultado desfavorável, ...
[CAUSALIDADE]21
22[CAUSALIDADE]A partir da comparação das taxas de incidência padronizadas por idade, os pesquisadores bri-tânicos Richard...
[CAUSALIDADE]23nas diversas regiões do mundo, é nítido o aumento da expectativa de vida, deixando as pessoas maisexpostas ...
24[CAUSALIDADE]Uma proporção considerável dos fatores de risco conhe-cidos para o câncer está relacionada a exposições del...
[CAUSALIDADE]25Segundo o último censo do Brasil (Censo 2000), o número de indivíduos entre 0 e 19anos corresponde a 40,2% ...
26[CAUSALIDADE]A maioria dos fumantes começa a fumarantes dos 20 anos e a experimentação do cigarroocorre precocemente na ...
[CAUSALIDADE]27Em relação ao risco de câncer de pele, hoje está bem-estabelecido que o nú-mero de queimaduras devido à exp...
28[CAUSALIDADE]Infecção e câncerAtualmente, há evidências suficientes de que alguns tipos de vírus, bactérias eparasitos as...
[CAUSALIDADE]29Papilomavírus humano (HPV)No Brasil, o câncer do colo do útero representa 8,1% das neoplasias malignas emmu...
30[CAUSALIDADE]Vírus da hepatite B (HBV)e da hepatite C (HCV)Estudos indicam que tanto oHBV quanto o HCV causam câncerdas ...
[CAUSALIDADE]31Vírus Epstein-BarrSão conclusivas as evidências do potencial carcinogênicodo Vírus Epstein-Barr, predominan...
32[CAUSALIDADE]TabagismoOtabagismo é amplamente reconhecido hoje como doença crônicagerada pela dependência da nicotina, e...
[CAUSALIDADE]33[CAUSALIDADE]33Entre todos os cânceres, o de pulmão está mais fortemente asso-ciado ao consumo de tabaco, e...
34[CAUSALIDADE]Além dos riscos para os fumantes, aspesquisas rapidamente acumularam evi-dências, a partir da década de 80,...
[CAUSALIDADE]35Mulheres e crianças sãoo grupo de maior risco na ex-posição passiva em ambientedoméstico. Também há riscona...
36[CAUSALIDADE]Alimentação inadequada, seden-tarismo e consumo de álcoolsão determinantes ambientaisda incidência de cânce...
[CAUSALIDADE]37O padrão alimentardo brasileiro mudou:menos alimentosde origem vegetal(cereais, feijões,raízes e tubérculos...
38[CAUSALIDADE]A relação entre câncer e fato-res alimentares é complexa. São re-levantes características como tiposde alim...
[CAUSALIDADE]39ORIENTE A POPULAÇÃOPeso saudável: no máximo, 5 kg a mais na vida adultaModo de vida: fisicamente ativoAlimen...
40[CAUSALIDADE]Obesidade e atividade físicaOsobrepeso e a obesidade são apontados como asegunda causa evitável de câncer, ...
[CAUSALIDADE]41O profissional de saúde deve ser conscientizado da importânciada prevenção e do tratamento de sobrepeso e ob...
42[CAUSALIDADE]Aexposição à radiação ul-tra-violeta (UV) prove-niente do Sol é conside-rada a principal causa decâncer de ...
[CAUSALIDADE]43O câncer de pele não-melanoma é otipo de câncer mais freqüente no Brasil emambos os sexos: para 2006, a est...
44[CAUSALIDADE]França, Côte-dOr (1993-1997)Itália, Ligúria (1996-1997)Manaus (1999)Recife (1995-1999)Belém (1996-1998)Vitó...
[CAUSALIDADE]45A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estimaque pelo menos 80% dos melanomas sejam causados ...
46[CAUSALIDADE]Exposição ocupacionalcâncer relacionado ao trabalhoOcâncer ocupacional, causado pela exposição, durante a v...
[CAUSALIDADE]47Os tipos mais freqüentes de câncer relacionados ao trabalho são, entre outros, osde pulmão, pele, bexiga, l...
48[CAUSALIDADE]SimultaneidadedefatoresderiscoAocorrência do câncer é de etiologia multifatorial,podendo ter origem na comb...
[CAUSALIDADE]49De acordo com Danaei e colaboradores, mais de um terço das mortes porcâncer no mundo podem ser atribuídas a...
50
51OCORRÊNCIA
52[OCORRÊNCIA]Magnitude do câncer no BrasilFonte: União Internacional Contra o Câncer (UICC), 2005.Aincidência do câncer c...
[OCORRÊNCIA]53O SUS registrou 423mil internações por neopla-sias malignas em 2005, alémde 1,6 milhão de consultasambulator...
54[OCORRÊNCIA]Perfil da incidênciaDo total de casos novos estimados para 2006, são esperados234.570 para o sexo masculino ...
[OCORRÊNCIA]55Taxas de incidência por neoplasias malignas,por 100 mil homens, segundo Unidade daFederação, em 2006.(*) exc...
56[OCORRÊNCIA]Perfil da incidêncianas cidades com RCBP ativoEntre as cidades brasileiras com Registro de Câncer de Base Po...
[OCORRÊNCIA]57As variações regionais na incidência do câncer decorrem de perfis heterogê-neos de exposição a fatores de ris...
58[OCORRÊNCIA]Distribuição das taxas de incidência de câncer de traquéia, brônquio e pulmão,ajustadas por idade*, em homen...
[OCORRÊNCIA]59Distribuição das taxas de incidência de câncer de colo do útero,ajustadas por idade*, em capitais brasileira...
60[OCORRÊNCIA]Enquanto os tumores nos adultos estão, em geral, relacionados à exposição aos vários fatoresde risco já cita...
[OCORRÊNCIA]61As taxas de incidênciapara este tumor, com base nosdados dos RCBP brasileiros,variaram de 8,1 por 100.000em ...
62[OCORRÊNCIA]Nos países desenvolvidos, os linfomas cons-tituem de 7% a 18% das neoplasias pediátricas,ocupando o terceiro...
[OCORRÊNCIA]63Os tumores do sistema nervoso central correspondem de 8% a 15% das neo-plasias pediátricas – é o mais freqüe...
64[OCORRÊNCIA]Em 2004,a mortalida-de por câncer representou13,7% de todos os óbitosregistrados no país, fican-do atrás apen...
[OCORRÊNCIA]65Este perfil de mortalidade proporcional apresenta variaçõesentre homens e mulheres. Na mortalidade masculina,...
66[OCORRÊNCIA]Na comparação com as mulheres, as taxas ajustadas de mortalidade apontampara um maior risco entre homens. Em...
[OCORRÊNCIA]67ESTÔMAGO PULMÃO MAMA FEMININA COLO DO ÚTEROCÓLON E RETO ESÔFAGO LEUCEMIASTaxas de mortalidade por neoplasias...
68[OCORRÊNCIA]Amortalidade por neoplasias apresenta grande variação entre as uni-dades da Federação, refletindo as variaçõe...
[OCORRÊNCIA]69Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/SIM• MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/S...
70[OCORRÊNCIA]Arazão entre incidência e mortalidade mostra a relação entre o número de casos novos e onúmero de óbitos reg...
[OCORRÊNCIA]71Estudos com pacientesatendidos no INCA mos-tram que para os tumoresda mama a taxa de sobre-vida geral, em ci...
AÇÕES DECONTROLE
74[AÇÕESDECONTROLE]As mudanças na estrutura da sociedade contemporânea e nos modos de vidadosgruposdeindivíduostiveramprof...
[AÇÕESDECONTROLE]75Mobilização mundial organizada pela OMSculminou na Estratégia Global de Alimentação,Atividade Física e ...
76[AÇÕESDECONTROLE]Estudos epidemiológicos e ensaios experimentais têm concluído que a alimentação ricaem frutas, legumes ...
[AÇÕESDECONTROLE]77A promoção da alimentação saudável no Brasil ganhou espaço desde a aprovação,em 1999, da Política Nacio...
78[AÇÕESDECONTROLE]Oreconhecimento de que a rápida expansão do consumo do tabacopode ser atribuída aos vetores da globaliz...
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
A situação do cancêr no brasil
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

A situação do cancêr no brasil

1,219 views
1,087 views

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
1,219
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
15
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

A situação do cancêr no brasil

  1. 1. A situação docâncer no BrasilInstituto Nacional de Câncer – INCACoordenação de Prevenção e Vigilância – Conprev
  2. 2. @ 2006, Ministério da SaúdeÉpermitidaareproduçãoparcialoutotal destaobra,desdequecitadaafonte.MINISTÉRIO DA SAÚDBJoséAgenorAlvaresdaSilvaSECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÓDEJoséGomesTemporãoINSTITUTO NACIONAL DE CÂNCERLuizAntonio SanriniRodriguesdaSilvaCOORDENAÇÃO DE PREVENÇÃO E VIGILÂNCIAGulnarAzevedoeSilvaMendonçaTIRAGEM: 20.000 exemplaresCriação,RedaçãoeDistribuiçãoInstituto NacionaldeCâncer-INCACoordenaçãodePrevençãoeVigilância-ConprevRuadosInválidos,212,30andar-CentroCEP 20231-020-Rio deJaneiro,RJTet.:(21)3970-7400Fax:(21)3970-7505E-mail:conprev@inca.gov.brB823s Brasil.Ministério daSaúde.SecretariadeAtençãoàSaúde.InstitutoNacionaldeCâncer.CoordenaçãodePrevençãoeVigilância.A situaçãodo câncerno Brasil/Ministério daSaúde,SecretariadeAtençãoàSaúde,Instituto Nacionalde Câncer,Coordenaçãode PrevençãoeVigilância.-Rio deJaneiro:INCA, 2006.120p.:il. coloroBibliografia:p. 114.ISBN 85-7318-121-41.Neoplasias-prevenção& controle.2.Neoplasias-epidemiologia.3.Neoplasias-incidência.4. Neoplasias-mortalidade.5. Fatoresderisco.6. Brasil.I. Título.CDD-616.994
  3. 3. OrganizadoresGulnar Azevedo e Silva MendonçaCláudio Pompeiano NoronhaLiz Maria de AlmeidaColaboradoresAlexandre MedeirosAlexandre Octávio Ribeiro de CarvalhoAntonio Carlos Antunes BertholasceAna Lúcia Souza de MendonçaAndré Salém SzkloBeatriz Cordeiro JardimEduardo Barros FrancoElaine Masson FernandesEliana Claudia de Otero RibeiroFábio da Silva GomesFátima Sueli Neto RibeiroJose Claudio Casali da RochaJosé de Azevedo LozanaJeane Glaucia TomazelliJulio Fernando Pinto OliveiraLetícia Casado CostaLuís Felipe Leite MartinsLuis Fernando BouzasMarceli de Oliveira SantosMarcelo Moreno dos ReisMárcia Ferreira Teixeira PintoMaria Beatriz Kneipp DiasMaria do Carmo Esteves da CostaMarisa Maria Dreyer BreitenbachMarise Souto RebeloMarcos André Felix da SilvaMarcus Valério de Oliveira FroheMauricio Pinho GamaMirian Carvalho de SouzaMônica de AssisPaulo Antonio FariaRejane de Souza ReisRejane Leite de Souza SoaresRicardo Henrique Sampaio MeirellesRoberto ParadaRonaldo Corrêa Ferreira da SilvaSilvana Rubano Barretto TurciSueli Gonçalves CoutoTânia Maria CavalcanteUbirani Barros OteroValéria Cunha de OliveiraValeska Carvalho FigueiredoEdição Marinilda CarvalhoDesign Aristides DutraGráficos Pablo RossiAgradecimentosÀ Fundação Ary Frauzino para Pesquisae Controle do Câncer;À Radis – Comunicação em Saúde – EscolaNacional de Saúde Pública Sergio Arouca– FIOCRUZ.
  4. 4. Desde 1995, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima e publica anualmente aincidência de câncer para o Brasil levando em conta os tipos específicos e desagregando osdados por estados e capitais. Para viabilizar estas estimativas, os dados gerados pelos Regis-tros de Câncer de Base Populacional (RBPC) brasileiros são essenciais e os coordenadoresdestes registros têm colaborado muito com os profissionais do INCA ao longo destes 11anos. De forma crescente, estas estimativas são amplamente divulgadas em publicação anualpara gestores, serviços de saúde, universidades, centros de pesquisa, sociedades científicase entidades não-governamentais, além de estarem disponíveis no site do INCA. Estas in-formações têm sido úteis no planejamento das ações para o controle do câncer e são marcoreferencial constante em artigos científicos, dissertações e teses relacionadas ao câncer, alémde freqüentemente citadas pela imprensa em geral.O aprimoramento metodológico para o cálculo das estimativas vem sendo feito a cadaano. Em 2004, a partir de oficina específica que contou com a participação de pesquisadoresdas áreas de epidemiologia de câncer e bioestatística, a metodologia para estimação foi revis-ta e, a partir daí, as publicações lançadas em 2004 e 2005 apresentavam as estimativas paraos anos de 2005 e 2006, respectivamente.As publicações anteriores levaram em conta razõesde incidência e mortalidade (I/M) diferenciadas para cada região geográfica, ou seja, os valo-res estimados para cada estado eram obtidos pela razão entre casos novos e óbitos dos regis-tros pertencentes somente àquela região geográfica. Em 2005 optou-se por uma razão I/Múnica para o país, calculada a partir de registros de câncer selecionados, cujos indicadoresde qualidade atendiam a critérios mínimos de cobertura e validade. A mudança assegurou,certamente, maior credibilidade aos dados. Isto pode ser conferido ao se constatar que, emalgumas regiões do país, onde o acesso aos serviços de saúde é considerado bom, o númerode casos de câncer estimados é muito semelhante ao número de pacientes diagnosticadosnos serviços locais.Dando seqüência a este trabalho decidimos produzir a presente publicação, Situação de Cân-cer no Brasil, que se insere de forma complementar à linha editorial das Estimativas. Esta decisãooriginou-se na convicção de que, para além do cálculo do número de casos de câncer em cadaano,existeumanecessidadeprementedecontextualizaçãodosdadosdisponíveissobremorbidade,mortalidade e simultaneidade de fatores associados ao câncer, a partir da análise do controle dadoença no Brasil.Foram assim selecionados e trabalhados temas relacionados a aspectos históricose conceituais, a ações desenvolvidas para o enfrentamento do problema e ao debate dos principaisdesafios para a implementação da política de atenção ao câncer no país.Nossa proposta é que as estimativas sejam divulgadas bienalmente, intercaladas com edi-ções que aprimorem a reflexão sobre questões de interesse em ângulos prioritários do controledo câncer. Nesta nossa primeira produção, o conteúdo traz um elenco de temas que se colocamcomo imprescindíveis para profissionais que atuam direta ou indiretamente na área de câncer noBrasil. Estão aqui disponíveis elementos fundamentais para o entendimento do câncer enquan-to problema de saúde pública, como avaliação e comparação das tendências da ocorrência dosprincipais tipos de câncer, abordagem de temas estratégicos à luz da evidência científica atual eanálise das ações previstas na política de controle do câncer.Apresentação
  5. 5. Nos anos subseqüentes ao lançamento das estimativas, estaremos aprofundando nossasanálises, escolhendo temas específicos na área e compartilhando estas análises com os de-mais profissionais de saúde envolvidos ou interessados no assunto.Textos, gráficos e figuras apresentados são fruto de um trabalho desenvolvido de formacoletiva por vários profissionais do INCA, possível de ser realizado porque, com certeza,contamos com um grande número de parceiros de serviços ou de áreas de ensino e pesquisaou de movimentos sociais que têm se somado de forma crescente à construção de uma gran-de Rede de Atenção ao Câncer. Esperamos oferecer aos profissionais de saúde informaçõestécnicas e científicas valiosas, que ajudem a complementar o conhecimento sobre as questõesrelacionadas à prevenção e ao controle das neoplasias malignas.Agradecemos a todos os colegas que contribuíram para esta publicação, entendendoque nosso papel é ampliar cada vez mais o acesso à informação e incentivar, compartilhar edemocratizar a reflexão a respeito do controle do câncer no Brasil.Luiz Antonio Santini Rodrigues da SilvaDiretor-Geral do INCA
  6. 6. INTRODUÇÃO
  7. 7. 10[INTRODUÇÃO]ObjetivosOcâncer é respon-sável por maisde 12% de todasas causas de óbi-to no mundo:mais de 7 milhões de pessoasmorrem anualmente da doen-ça. Como a esperança de vidano planeta tem melhorado gra-dativamente, a incidência decâncer, estimada em 2002 em11 milhões de casos novos, al-cançará mais de 15 milhões em2020. Esta previsão, feita em2005, é da International UnionAgainst Cancer (UICC).
  8. 8. [INTRODUÇÃO]11A explicação para este crescimento está na maior exposição dos indi-víduos a fatores de risco cancerígenos. A redefinição dos padrões de vida,a partir da uniformização das condições de trabalho, nutrição e consumodesencadeada pelo processo global de industrialização, tem reflexos im-portantes no perfil epidemiológico das populações. As alterações demo-gráficas, com redução das taxas de mortalidade e natalidade, indicam oprolongamento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional,levando ao aumento da incidência de doenças crônico-degenerativas, es-pecialmente as cardiovasculares e o câncer.O câncer constitui, assim, problema de saúde pública para o mundodesenvolvido – e também para nações em desenvolvimento, nas quais asoma de casos novos diagnosticados a cada ano atinge 50% do total ob-servado nos cinco continentes, como registrou em 2002 a OrganizaçãoPan-Americana da Saúde (OPAS).No Brasil, a distribuição dos diferentes tipos de câncer sugere umatransição epidemiológica em andamento. Com o recente envelhecimentoda população, que projeta o crescimento exponencial de idosos, é possívelidentificar um aumento expressivo na prevalência do câncer,o que deman-da dos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) imenso esforço paraa oferta de atenção adequada aos doentes. Esta perspectiva deixa clara anecessidade de grande investimento na promoção de saúde, na busca damodificação dos padrões de exposição aos fatores de risco para o câncer.Ao mesmo tempo em que é nítido o aumento da prevalência de cânce-res associados ao melhor nível socioeconômico – mama, próstata e cólone reto –, simultaneamente, temos taxas de incidência elevadas de tumoresgeralmente associados à pobreza – colo do útero, pênis, estômago e cavi-dade oral. Esta distribuição certamente resulta de exposição diferenciadaa fatores ambientais relacionados ao processo de industrialização, comoagentes químicos, físicos e biológicos, e das condições de vida, que variamde intensidade em função das desigualdades sociais.Esta publicação tem por objetivo oferecer aos profissionais de saúdeuma análise comentada da situação do câncer no Brasil, com foco nos de-terminantes, na distribuição da ocorrência e nas ações de controle, apre-sentando informações que contribuam para o entendimento desta reali-dade, para o planejamento de ações estratégicas e para o enfrentamentodo grande desafio que é a construção de políticas que minimizem o apa-recimento deste grupo de doenças, reduzam os efeitos do adoecimento eevitem mortes.
  9. 9. 12[INTRODUÇÃO]Nas duas primeiras décadas do século passado, enquanto as endemiasocupavam a atenção das políticas de saúde no Brasil, o câncer co-meçava a despontar nos países desenvolvidos entre as doenças demaior taxa de mortalidade. Os números ascendentes na Europa enos Estados Unidos determinariam, em 1920, no governo EpitácioPessoa,a inclusão de propostas para uma política anticâncer na legislação sanitáriabrasileira. Na prática, o Decreto nº 14.354, proposto por Carlos Chagas, incluíauma rubrica específica para o câncer nos impressos de óbito distribuídos em ins-petorias, delegacias de saúde e farmácias, assim como a notificação compulsória,no intuito da produção de medidas sanitárias eficientes.Os dados referentes à população do então Distrito Federal subsidiariam oprimeiro plano anticâncer brasileiro, apresentado pelo obstetra Fernando Maga-lhães no Primeiro Congresso Nacional dos Práticos, em setembro de 1922, nocontexto das comemorações pelo Centenário da Independência. Além dos pri-meiros números, ainda que precários, colhidos nas Casas de Misericórdia, Maga-lhães apontaria de maneira pioneira, a partir de sua constatação em operários, arelação entre câncer e substâncias como alcatrão, resinas, parafinas, anilinas.Do evento sairia a definição de câncer como“mal universal”, um dos desafiosa serem enfrentados pela agenda republicana, segundo a qual os dilemas queatingiam a nação só poderiam ser respondidos com um saber próprio sobre opaís. O câncer começaria a migrar de encargo exclusivo da área médica para umproblema de saúde pública.Histórico do controlede câncer no Brasil
  10. 10. [INTRODUÇÃO]13Paralelamente, novas tecnologias surgiam no combate às neoplasias,como eletrocirurgia, Raios-X e radium, impulsionando as políticas de profi-laxia do câncer no Brasil, o que modificaria, ainda que lentamente, o paradig-ma de“incurável” para“recuperável”. Caberia, no entanto, à iniciativa privadaa fundação em 1922 do Instituto de Radium, em Belo Horizonte, primeirocentro destinado à luta contra o câncer no país, exeqüível pela persistência deBorges da Costa e o orçamento do governo Arthur Bernardes.A partir dos anos 20, influenciados por políticas anticâncer positivas nospaíses desenvolvidos, principalmente França e Alemanha, pesquisadores comoEduardo Rabello, Mario Kroeff e Sérgio Barros de Azevedo começariam apensar o câncer como um processo sanitário gerenciado pelo Estado.Somente no início da década de 30, no Governo Provisório, viriam osinvestimentos na construção de um aparato hospitalar para tratamento e es-tudo do câncer. Em 1937, Getúlio Vargas assina o decreto-lei nº 378 criandoo Centro de Cancerologia, no Serviço de Assistência Hospitalar do DistritoFederal, no Rio de Janeiro, embrião do Instituto Nacional de Câncer, que se-ria inaugurado no ano seguinte pelo próprio Getúlio Vargas e Mario Kroeff,já no período do Estado Novo.
  11. 11. 14[INTRODUÇÃO]O projeto anticâncer ganharia caráter nacional em 23 de setembro de 1941, com a criação do Ser-viço Nacional de Câncer (SNC), destinado a organizar, orientar e controlar a campanha de câncer emtodo o país, como previa o Decreto-Lei nº 3.643.Ao SNC caberia a coordenação das ações em estadose municípios, além do incentivo à criação de organizações privadas que se estenderiam, com o passardos anos, a todo o território, constituindo uma rede, ainda que não se adotasse este conceito.Instituída a política anticâncer nacional, o SNC seria despejado de sua sede pela Polícia Militar,em 1943, como parte do esforço de guerra, e depositado em espaço inadequado, na Lapa, danificandoo processo de continuidade. Em 1946, o SNC ocuparia parte das dependências do Hospital Graffré eGuinle, enquanto negociava a construção de uma sede central, também no Distrito Federal.No mesmo ano, no contexto de uma nova definição de saúde, como o completo bem-estar físico,social e mental, deixando de consistir apenas em ausência de doença – conforme proposta da entãorecém-fundada Organização Mundial de Saúde (OMS), com participação do Brasil, o SNC passariaa usar a informação como estratégia da prevenção, para obtenção do diagnóstico precoce da doença.A mudança de foco faria com que as políticas de câncer, a partir de 1951, ganhassem visibilidadeentre a população, e em conseqüência, entre os legisladores, o que garantiria o suporte orçamentárioadequado para a expansão da campanha anticâncer no Brasil e a conclusão do hospital-instituto cen-tral (INCA), sede do SNC, no Rio de Janeiro, inaugurado em agosto de 1957 por Juscelino Kubits-chek e Ugo Pinheiro Guimarães.A ação ousada ultrapassaria fronteiras, pesando na decisão da União Internacional de Controledo Câncer (UICC) de promover no Brasil, em 1954, o 6º Congresso Internacional de Câncer, or-ganizado em São Paulo por um dos integrantes de sua diretoria executiva, então diretor do SNC,Antonio Prudente. Como resoluções seriam adotados pela OMS o conceito de controle – consistindoem meios práticos aplicados às coletividades capazes de influenciar a mortalidade por câncer – e umanomenclatura de neoplasmas para uso internacional, mais tarde aprimorada para Classificação Inter-nacional de Doenças para Oncologia (CID-O).O fortalecimento do papel do SNC e o aprimoramento dos conceitos fariam com que os mento-res da política anticâncer começassem a pensar na epidemiologia do câncer levando em consideraçãoas condições ambientais, a extensão territorial e os contrastes do país. Ao mesmo tempo, gerava-sea certeza entre especialistas de que os sintomas eram a fase tardia do câncer, o que fundamentaria adiscussão para a difusão de clínicas de prevenção e diagnóstico.Assim, o período desenvolvimentista traria, como contribuição às políticas de controle do câncer,a produção de soluções alternativas – face ao reconhecimento de que programas sanitários onerososestavam em desacordo com a realidade do país – e o esforço simultâneo de uma relação mais harmo-niosa entre investimentos em saúde e desenvolvimento econômico.
  12. 12. [INTRODUÇÃO]15O progresso das iniciativas do SNC e, por tabela, do INCA levaria, a partir de 1965, ao plane-jamento de reuniões anuais de representantes das organizações vinculadas à campanha anticâncer vi-sando uma política unificada, com bases sólidas em todo o país, o que culminaria na institucionaliza-ção, pelo Decreto nº 61.968, de dezembro de 1967, da Campanha Nacional de Combate ao Câncer.Apesar dos avanços, o fim dos anos 60 veria renascerem os conceitos da medicina liberal, queentendia o câncer como problema individual. O Plano Nacional de Saúde, formulado pelo ministroLeonel Miranda, transferiria o INCA, braço executivo do SNC, para o Ministério da Educação. Essanova dinâmica deixava à iniciativa privada um rentável campo de incursão médico-cirúrgica. O perí-odo também traria o esvaziamento gradual do vocábulo câncer, que estaria associado à morbidez, emfavor de terminologia menos comprometida, como“doenças crônico-degenerativas”.A interrupção autoritária das políticas anticâncer, que haviam colhido consenso entre o públicoe o privado, fortalecendo o privado em detrimento do público, resultaria, em 1970, na decadência doINCA e na extinção do SNC, transformado pelo Decreto nº 66.623 em Divisão Nacional de Câncer,de caráter técnico-normativo, administrada de Brasília e vinculada à Secretaria de Assistência Médica.Em 1980, uma ação administrativa inédita, denominada co-gestão, aprimoraria, com agilidade eflexibilidade, o controle do câncer no Brasil. Era uma combinação administrativo-financeira entre osministérios da Saúde e da Previdência Social para implementação de programas da Campanha Nacio-nal de Combate ao Câncer. Um deles, o Programa de Oncologia (Pro-Onco), originado da necessidadede o sistema de saúde unificar a produção de informações em câncer, estruturaria e ampliaria as basestécnicas em âmbito nacional nas áreas de educação, informação e controle do câncer.A Constituição Federal de1988 mudaria significativamen-te a estrutura sanitária brasilei-ra, destacando-se a caracteri-zação dos serviços e das açõesde saúde como de relevânciapública e seu referencial políticobásico. Esta diretriz seria regu-lamentada pela Lei Orgânica daSaúde (nº 8.080), em 1990. Emrelação ao câncer, no conjuntodas demandas do SUS, coubepapel diferenciado ao INCA,entendido como agente diretivona política nacional no controlede câncer no Brasil.
  13. 13. 16[INTRODUÇÃO]Ocorpo humano é todo formado por células que se organizam em tecidose órgãos. As células normais se dividem, amadurecem e morrem, reno-vando-se a cada ciclo. O câncer se desenvolve quando células anormaisdeixam de seguir esse processo natural, sofrendo mutação que podeprovocar danos em um ou mais genes de uma única célula.Os genes são segmentos do DNA – siga em inglês para ácido desoxirribonucléi-co, o reservatório das moléculas de informação genética – que controlam as funçõesnormais das células. Quando danificada, a célula se divide descontroladamente e pro-duz novas células anormais. Se falham os sistemas de reparo e imunológico na tarefade destruir e limitar essas células anormais, as novas vão se tornando cada vez maisanormais, eventualmente produzindo células cancerosas.As células cancerosas se dividem mais rapidamente do que as normais e geral-mente são bem desorganizadas. Com o tempo, podem se empilhar umas sobre asoutras, formando uma massa de tecido chamada tumor. Todo esse processo, em queuma célula normal se torna um tumor maligno ou câncer, pode levar muitos anos.O termo “estádio” é usado para descrever a extensão ou a gravidade do câncer.No estádio inicial, a pessoa tem apenas um pequeno tumor maligno. No avançado, otumor, maior, já pode ter se espalhado para as áreas próximas (linfonodos) ou outraspartes do corpo (metástases).Para determinar a chance de cura do câncer (prognóstico), os médicos conside-ram vários fatores, inclusive o tipo e o estádio do câncer.Carcinogênesemecanismo dedesenvolvimentodos tumoresinstabilidadegenéticainvasibilidadepotencialreplicativoilimitadoangiogênesecrescimentoautônomoMuitas funções celulares precisam ser alteradaspara que ocorra o surgimento de um tumor
  14. 14. [INTRODUÇÃO]17Como o tumorse dissemina?As metástases ocorremquando as célulascancerosas de umtumor se espalham paradiferentes partes docorpo, formando tumoressatélites, distantes dotumor original.Como o tumor se desenvolve?Danos nos genes numa única célula(mutações) podem levar ao surgimentode células anormais. Ocasionalmente,as células anormais podem setornar cancerosas, multiplicando-serapidamente e tornando-se imortais.Estádio e prognósticoO prognóstico depende do tipo e do estádio. Geralmenteo prognóstico é melhor quando o estádio é inicial.RadiaçãoVírusQuímicosMudançagenéticaExpansãoclonalseletivaMudançagenéticaLESÃO PRÉ-NEOPLÁSICAMETÁSTASECÂNCER CLÍNICOTUMOR MALIGNOCÉLULA INICIADACÉLULA NORMALMudançagenéticaMudançagenéticaESTÁDIOPROGNÓSTICOMelhorPiorCélulas anormaispré-cancerosasCâncerlocalizadoCâncerregional Metástase
  15. 15. 18
  16. 16. 19CAUSALIDADE
  17. 17. 20[CAUSALIDADE]Em epidemiologia, risco tem sido definido como a probabilidade de ocorrên-cia de um resultado desfavorável, de um dano ou de um fenômeno indese-jado. O conceito de risco tem se ampliado em torno das condições de vidae saúde, assumindo significado mais geral e englobando, em sua definição,várias condições que podem ameaçar os níveis de saúde de uma populaçãoou mesmo sua qualidade de vida. A ocorrência das doenças reflete o modo de viverdas pessoas, suas condições sociais, econômicas e ambientais. A forma pela qual oindivíduo se insere em seu espaço social e com ele se relaciona é o que desencadeia oprocesso patológico e, a partir daí, define diferentes riscos de adoecer e morrer.A busca de explicações para o aparecimento do câncer tem envolvido cada vezmais investimento em pesquisa nas áreas médica, biológica, epidemiológica, social. Apartir de estudos sobre a distribuição dos tipos de câncer nas populações e os fatoresde risco, foram identificados padrões diferenciados entre países e em cada país. Estacompreensão, entretanto, não é suficiente para que se entenda o motivo pelo qualcertos indivíduos adoecem ou tenham risco maior de adoecer do que outros. Hoje sereconhece que o aparecimento do câncer está diretamente vinculado a uma multiplici-dade de causas, suficientes para constituírem uma causa necessária. Não há dúvida deque em vários tipos de câncer a susceptibilidade genética tem papel importante, masé a interação entre esta susceptibilidade e os fatores ou as condições resultantes domodo de vida e do ambiente que determina o risco do adoecimento por câncer.Causalidade em câncer
  18. 18. [CAUSALIDADE]21
  19. 19. 22[CAUSALIDADE]A partir da comparação das taxas de incidência padronizadas por idade, os pesquisadores bri-tânicos Richard Doll e Richard Peto estimaram em 1981 que poderiam ser evitados de 75% a 80%dos cânceres diagnosticados na população dos Estados Unidos na década de 1970. Esta estimativa,embora pudesse parecer exagerada, permitiu que fossem identificados fatores ambientais de risco paracâncer em sociedades desenvolvidas como a americana. Diversas condições poderiam explicar estadiferença, como peso ao nascer, idade da menarca, padrões alimentares, ganho de peso, consumo deálcool, uso de tabaco, uso de fármacos e fatores reprodutivos.Nos anos subseqüentes, muitos outros estudos epidemiológicos confirmaram a contribuiçãoespecífica de fatores relacionados a modo de vida e ambiente na etiologia do câncer. Mais recen-temente, já em 2001, com metodologia diferente da de Doll e Peto, pesquisadores da HarvardSchool of Public Health liderados por Goodarz Danaei estimaram que 35% das mortes por câncerno mundo poderiam ser atribuídas ao efeito combinado de nove fatores de risco, separados emcinco grupos: dieta e inatividade física, substâncias aditivas (uso de tabaco e álcool), saúde sexuale reprodutiva (infecções sexualmente transmissíveis),riscos ambientais (poluição do ar, combustíveis sóli-dos, tabagismo passivo) e contaminação venosa pelovírus de hepatite B e C.Como as condições associadas ao risco de câncersão mais prevalentes em populações urbanas de regiõesindustrializadas, é comum se pensar que o câncer é umadoença do desenvolvimento. No entanto, é justamentenos países em desenvolvimento que se verifica um gran-de aumento na incidência e na mortalidade. Cerca de50% do total de óbitos e mais de 60% dos casos novosde câncer ocorrem nestes países.A epidemiologia do câncer demarca muito bema forma como se deu o desenvolvimento das socie-dades. Com o passar do tempo, os tipos de câncercaracterísticos de países com maior nível socioeconô-mico, como os de pulmão, mama, intestino e próstata,foram se expandindo em regiões menos favorecidas,num reflexo da disseminação dos hábitos individu-ais de padrões ocidentais, fortemente determinadossocialmente. Com a globalização da economia, esteprocesso cresceu em escala surpreendente. O que seconstata é a globalização também dos fatores de riscopara câncer – fortemente dependentes da ocidentali-zação dos hábitos relacionados à alimentação, ao usode tabaco e álcool, às condições reprodutivas e hor-monais e à falta de atividade física.Os padrões de vida sedentária passaram a ser ex-portados pelos países desenvolvidos para os países po-bres, nos quais predominavam infecções causadas peloHelicobacter, o papilomavírus humano (HPV), os vírusde hepatite B e C – de estômago, colo do útero e fíga-do, respectivamente –, agentes associados aos cânceresconhecidos como “do subdesenvolvimento”. Em nossosdias, esta situação se agrava quando, ao mesmo tempo,por conta da melhora paradoxal das condições sociais
  20. 20. [CAUSALIDADE]23nas diversas regiões do mundo, é nítido o aumento da expectativa de vida, deixando as pessoas maisexpostas a estes fatores por períodos mais longos.O risco de câncer numa determinada população depende diretamente das características biológi-cas e comportamentais dos indivíduos que a compõem, bem como das condições sociais, ambientais,políticas e econômicas que os rodeiam. Esta compreensão é essencial na definição de investimentos empesquisas de avaliação de risco e em ações efetivas de prevenção.Mesmo se considerarmos que o conhecimento do mecanismo causal dos diversos tipos de câncernão é completo, na prática, do ponto de vista da saúde pública, a identificação de apenas um compo-nente pode ser suficiente para grandes avanços na prevenção, a partir da escolha de medidas preven-tivas. A prevenção primária, com ênfase nos fatores associados ao modo de vida em todas as idadese com intervenções de combate a agentes ambientais e ocupacionais cancerígenos, pode trazer bonsresultados na redução do câncer. A política de construção destas ações passa necessariamente pelamelhora das condições de contexto local.
  21. 21. 24[CAUSALIDADE]Uma proporção considerável dos fatores de risco conhe-cidos para o câncer está relacionada a exposições delonga duração. Boa parte desses fatores diz respeito acomportamentos construídos nas duas primeiras dé-cadas de vida, como a ausência da prática regular deexercícios físicos, a alimentação inadequada, a expo-sição à radiação ultravioleta sem proteção, o uso de tabaco e de álcoolconsiderado de risco, a não-vacinação contra agentes infecciosos, comohepatite B, a prática sexual sem proteção etc.A infância e a adolescência são períodos críticos do desenvolvi-mento em que, além da formação de hábitos de vida, a exposição afatores ambientais pode afetar a estrutura ou a função de órgãos, teci-dos ou sistema corporal, comprometendo a saúde do adulto. Sabe-se,hoje, que várias doenças crônicas têm sua origem no início da vida. Porexemplo, o peso ao nascer tem sido associado a doenças cardiovascula-res, hipertensão, diabetes e câncer.Jovensexposição a fatores cancerígenos
  22. 22. [CAUSALIDADE]25Segundo o último censo do Brasil (Censo 2000), o número de indivíduos entre 0 e 19anos corresponde a 40,2% da população total, 38,8% dos quais vivendo em áreas urbanas.A alimentação é um bom exemplo de como esta fase da vida é determinante no de-senvolvimento de doenças na vida adulta. As práticas alimentares adquiridas na infânciae na adolescência podem atuar diretamente sobre o risco de câncer, pelo efeito cumulativoda exposição a substâncias carcinogênicas e a insuficiência de substâncias protetoras naalimentação. Há também uma forma indireta pela qual a alimentação influi no processo docâncer, por seus efeitos sobre o balanço energético e o risco de obesidade, bem como pelasrespostas metabólicas e hormonais relacionadas ao balanço energético. O crescimento rápi-do e precoce e o excesso de peso nas duas primeiras décadas de vida têm sido associados aoaumento do risco de ocorrência de doenças como diabetes tipo 2 e câncer da mama.Em nosso país, o número de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos com so-brepeso e obesidade vem aumentando nos últimos 30 anos. De acordo com dados daPesquisa de Orçamentos Familiares (IBGE, 2002-03), o percentual de meninos comexcesso de peso mais do que triplicou, passando de 3,9% em 1974-75 para 17,9% em2002-03. Para as meninas, esse aumento foi de 100%, passando de 7,5% para 15,4%no mesmo período. Há diferenças regionais na distribuição do excesso de peso, prin-cipalmente entre os meninos: maior prevalência foi encontrada nas regiões Sul, Su-deste e Centro-oeste. Para meninas, essa diferença não é tão marcante, observando-seprevalência maior na Região Sul.15,313,911,8 11,621,51822,61719,315,6Fonte: Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003. IBGE, 2004.
  23. 23. 26[CAUSALIDADE]A maioria dos fumantes começa a fumarantes dos 20 anos e a experimentação do cigarroocorre precocemente na vida dos brasileiros – an-tes dos 12 anos. A adolescência também é a faseda vida em que o indivíduo está mais vulnerávelà influência da propaganda e do comportamentode grupos sociais. Estudos indicam uma asso-ciação da idade em que o jovem se inicia no usoregular do cigarro e a severidade da dependênciaque se estabelecerá no futuro.Dados recentes de um inquérito sobre ta-bagismo entre escolares no Brasil (Vigescola,2002-2005) mostram que, de um modo geral,não há mais diferenças marcantes no percentualde fumantes por gênero, embora se observe umaumento na proporção de meninas fumantes emrelação a meninos em algumas capitais.A prevenção primária,propondo modos de vidasaudáveis, e intervençõesambientais são a melhor opçãopara reduzir a crescente cargade câncer no mundo.
  24. 24. [CAUSALIDADE]27Em relação ao risco de câncer de pele, hoje está bem-estabelecido que o nú-mero de queimaduras devido à exposição solar na infância e na adolescência estáassociado ao aparecimento de melanoma cutâneo na idade adulta, o que torna aproteção das radiações solares extremamente importante nessa fase da vida.Assim,é fundamental o papel dos pais na aquisição dos hábitos de proteção contra o Solpara a saúde, tanto pela informação passada aos filhos quanto pelo exemplo ativo.Percentual de jovens de 15 a 19 anos que se protegemao se expor ao sol, por tipo de proteção e capital (2002-2005)Percentual de jovens de 15 a 19 anos que se protegemao se expor ao sol, por tipo de proteção e capital (2002-2005)051015202530VitóriaRecifeNatalRiodeJaneiroJoãoPessoaCuritibaBeloHorizonteAracajuSãoLuísFortalezaBelémDistritoFederalSãoPauloFlorianópolisPalmasPortoAlegreManausCampoGrandeFILTRO SOLARUSO DE CHAPÉUFonte: Inquérito domiciliar sobre comportamentos de riscoe morbidade referida de doençase agravos não-transmissíveis:MS/SVS/INCA, Brasil – 2002-2005.Levando-se em consideração, portanto, que na infância e na adolescência ocor-rem mudanças não apenas biológicas mas também psicológicas, que podem sermodificadas de forma favorável ou desfavorável ao desenvolvimento de doenças,a aquisição de hábitos de vida saudáveis nesta fase é vista, hoje, como a estratégiapreventiva que pode ajudar os indivíduos a se manterem por mais tempo saudáveis,evitando doenças crônicas na idade adulta.Para isso, não basta difundir já nas primeiras décadas de vida o conhecimentosobre os efeitos dos fatores de risco na expectativa média de vida da população e,principalmente, sobre a qualidade de vida: é preciso ainda que se desenvolvam estra-tégias preventivas que envolvam diversos setores da sociedade, em prol da mudan-ça de modos de vida baseada em evidências e de natureza duradoura. Além disso,identificar os indivíduos precocemente expostos a alguns desses fatores de risco denatureza ambiental e intervir nesses grupos específicos pode contribuir para a redu-ção da morbimortalidade por câncer.
  25. 25. 28[CAUSALIDADE]Infecção e câncerAtualmente, há evidências suficientes de que alguns tipos de vírus, bactérias eparasitos associados a infecções crônicas estão presentes no processo de de-senvolvimento do câncer. No mundo, estima-se que 18% dos casos de câncerse devam a agentes infecciosos, percentual que os coloca, ao lado do fumo,como os mais importantes agentes cancerígenos, com destaque para o papilo-mavírus humano (HPV), o Helicobacter pylori, os vírus das hepatites B e C.A tabela abai-xo apresenta os principais agentes cuja evidência de potencial carcinogênico é consideradaadequada pela International Agency for Research on Cancer (IARC), a unidade da OMSpara pesquisa em câncer, com sede na França.Principais infecções associadas ao câncerAgente Tipo de câncerPapilomavírus humano (HPV) Carcinoma cervicalHelicobacter pylori (HP) Carcinoma gástricoLinfoma gástricoVírus da hepatite B (HBV); Vírus da Hepatite C (HCV) HepatocarcinomaVírus Epstein- Barr Linfoma de BurkittLinfoma de HodgkinCarcinoma de nasofaringeHerpes vírus tipo 8 (HHV8) Sarcoma de KaposiVírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV-I) Linfoma de Células T do adultoOpisthorchis viverrini Carcinoma de vias biliaresSchistosoma haematobium Carcinoma de bexigaA prevenção dealgumas infecçõesevitaria 26% doscasos de câncerno mundo emdesenvolvimento.Fonte: IARC 1994, 1997, 2005.
  26. 26. [CAUSALIDADE]29Papilomavírus humano (HPV)No Brasil, o câncer do colo do útero representa 8,1% das neoplasias malignas emmulheres, inferior apenas aos casos de tumores da mama (20,6%). São aceitas pelaIARC as evidências do potencial carcinogênico de alguns tipos de HPV – como osHPV 16, 18, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 ou 66 – que podem causar câncer cer-vical. Os tipos de DNA virais mais prevalentes em mulheres com carcinoma no colodo útero são o 16 e o 18, associados a 70% destes cânceres. Estudos feitos em váriospaíses mostram a força da associação entre este vírus e o câncer do colo do útero.Os resultados de quatro estudos brasileiros são consistentes com achados in-ternacionais e mostram a elevada prevalência do HPV em mulheres com carcinomacervical e lesão precursora do câncer do colo do útero.Ao HPV se atribuem 100% dos casos de câncer do colo do útero – é responsávelpor 5,2% do total de casos de câncer no mundo em ambos os sexos. No Brasil, essepercentual é de 4,1%. Embora de ocorrência menos freqüente, cânceres em outrasáreas, como ano-genital, boca e faringe, são ainda associados à infecção pelo HPV.Prevalência de HPV estimada em estudos brasileirosLocal (autores) Método Tipode lesãoPrevalência (%) DNA HPV mais freqüentes(prevalências %)São Paulo, SP(Eluf-Neto et al, 1994)PCR CIN 84,0 16, 18, 31, 33 (33,66) *PCR CIN 70,3 16 (60,4)Belém, PA (Noronhaet al, 1999)NIC II/III 63,0 16 (54,5)PCR A ** 66,3 16 (49,5); 18 (4,5); 31 (11,9);Distrito Federal, DF(Câmara et al, 2003)B 50,0 33 (4,5); 53 (6,0); 58 (13,4)Goiânia, GO (Rabelo-Santos et al, 2003)PCR CIN 76,0 16, 33, 18 e 31* Prevalência obtida para estes tipos em conjunto.** A= CIN 2 + CIN 3 + SCC + ADENO; B= HPV + CIN 1 + ASCUS + AGUSCIN: carcinoma invasivo; NIC: neoplasia intra-epitelial cervical; SSC: carcinoma de células escamosas; Adeno: adenocarcinoma;ASCUS: atipias de significado indeterminado em células escamosas; AGUS: atipias de siginificado indeterminado em célulasglandulares; PCR: Polimerase Chain Reaction.
  27. 27. 30[CAUSALIDADE]Vírus da hepatite B (HBV)e da hepatite C (HCV)Estudos indicam que tanto oHBV quanto o HCV causam câncerdas células do fígado – nos países emdesenvolvimento, o HBV é respon-sável por 58,8% destes cânceres, e oHCV, por 33,4%. Nos casos de in-fecção associada (HBV mais HCV),essas frações se somam.Helicobacter pyloriO câncer de estômago representa 4,9% de todos os casos de câncerestimados para o país em 2006 pelo Instituto Nacional de Câncer. Iso-lada pela primeira vez em 1982, a partir de cultura de biópsia gástrica,a bactéria H. pylori produz resposta inflamatória na mucosa gástrica dosindivíduos infectados associada ao desenvolvimento de gastrite e úlcerapéptica. Atualmente, o papel do H. pylori no desenvolvimento do câncerde estômago está bem estabelecido e desde 1994 a bactéria é classificadacomo carcinogênica, sendo associada ao desenvolvimento do carcinoma edo linfoma gástrico.A proporção de casos de câncer de estômago atribuíveis ao H. pylorina população dos países em desenvolvimento, segundo Parkin (2006), cor-responderia a 78% dos casos localizados em porções fora da cárdia. Levan-do-se em conta estes parâmetros, poderíamos dizer que cerca de 15.000casos de câncer, do número total estimado para o Brasil em 2006, estariamassociados à infecção por este tipo de bactéria. Para melhor entender opeso do H. pylori no mecanismo causal dos tumores malignos de estômagona população brasileira seriam necessários, além de se conhecer a preva-lência da infecção em diferentes regiões do país, estudos que analisassem aassociação entre presença da infecção e risco de aparecimento de tumoresmalignos de estômago segundo porção anatômica.
  28. 28. [CAUSALIDADE]31Vírus Epstein-BarrSão conclusivas as evidências do potencial carcinogênicodo Vírus Epstein-Barr, predominante nos países em desenvol-vimento, principalmente na África Subsaariana: 85% dos Lin-fomas de Burkitt são por ele causados. Em relação ao carcinomade nasofaringe, embora fatores alimentares estejam associadosa um aumento de risco, quase todos os tumores ocorrem emconseqüência da infecção pelo EB. Para o Linfoma de Hodgkin,a associação a este vírus parece depender da idade: a proporçãode casos positivos é maior em crianças e em idades mais avan-çadas do que em adultos jovens. Nos países em desenvolvimen-to, a proporção de casos atribuíveis ao Epstein-Barr representaquase 50% dos casos.Outros agentesOutros agentes de menor importância são o Schistossomahaematobium, o vírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV I) eos parasitas hepáticos Clonirchis sinensis e Opisthorchis viverrini.O primeiro é associado ao câncer de bexiga em 3% dos casos, en-quanto O. viverrini é responsável por 0,4% dos cânceres de fígado.Para o C. sinensis as evidências não são consideradas suficientes.HIVDois tipos de câncer são freqüentemente associados à infec-ção pelo HIV: o sarcoma de Kaposi e o linfoma Não-Hodgkinque, com o câncer do colo do útero, estão entre as condiçõesque definem a síndrome de imunodeficiência adquirida – a sida,aqui conhecida pela sigla em inglês, aids. Todos os casos de sar-coma de Kaposi são atribuíveis ao vírus HHV8/HIV.Considerando-se a magnitude daocorrência de câncer associada a pro-cessos infecciosos, 26% dos casos decâncer seriam evitáveis nos países emdesenvolvimento com a adoção de açõesde prevenção destas infecções.
  29. 29. 32[CAUSALIDADE]TabagismoOtabagismo é amplamente reconhecido hoje como doença crônicagerada pela dependência da nicotina, estando por isso inserido naClassificação Internacional de Doenças (CID10) da OMS: o usuá-rio de produtos de tabaco é exposto continuamente a mais de 4 milsubstâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas. Esta exposição faz dotabagismo o mais importante fator de risco isolado de doenças graves e fatais.Os fumantes correm risco muito mais elevado de adoecer por câncer e outrasdoenças crônicas do que os não-fumantes. Principal causa isolada evitável de cân-cer, além de câncer de pulmão, o tabagismo é também fator de risco para câncer delaringe, pâncreas, fígado, bexiga, rim, leucemia mielóide e, associado ao consumo deálcool, de câncer de cavidade oral e esôfago.São atribuíveis ao consumo de tabaco:45%das mortes por doença coronariana (como o infarto do miocárdio)85%das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (como o enfisema)25%das mortes por doença cérebro-vascular (como os derrames)30%das mortes por câncer, sendo que90%dos casos de câncer de pulmão ocorrem em fumantes.O tabagismo é também considerado doença pediátrica:90%dos fumantes começam a fumar antes dos 19anos, sendo que15anos é a idade média de iniciação100 miljovens começam a fumar no mundo a cada dia, segundoo Banco Mundial80%deles vivem em países em desenvolvimento.O fumante é expostoa mais de 4 milsubstâncias tóxicas.32[CAUSALIDADE]
  30. 30. [CAUSALIDADE]33[CAUSALIDADE]33Entre todos os cânceres, o de pulmão está mais fortemente asso-ciado ao consumo de tabaco, e o risco de ocorrência e morte aumentaquanto maior a intensidade da exposição. A mortalidade por câncerde pulmão entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pes-soas que nunca fumaram na vida, enquanto entre ex-fumantes é cercade 4 vezes maior. Fumantes de 1 a 14 cigarros, 15 a 24 cigarros e maisde 25 cigarros têm, respectivamente, risco 8, 14 e 24 vezes maior demorte por este tipo de câncer do que pessoas que nunca fumaram. Acessação de fumar reduz consideravelmente o risco de morte por cau-sas associadas ao tabaco, aumentando em 9 anos a sobrevida médiade uma população.O tabagismo é também uma das principais causas de morta-lidade precoce por doenças isquêmicas do coração, doença cére-bro-vascular e doença pulmonar obstrutiva crônica. Com o cân-cer, as doenças isquêmicas e respiratórias são as principais causasde mortalidade no Brasil.O percentual de fumantes em nosso país diminuiu nos últimos15 anos, provavelmente como reflexo das políticas públicas de contro-le do tabaco. No entanto, a par das heterogeneidades regionais, aindatemos cerca de 22 milhões de fumantes no país.
  31. 31. 34[CAUSALIDADE]Além dos riscos para os fumantes, aspesquisas rapidamente acumularam evi-dências, a partir da década de 80, de que otabagismo passivo é causa de doenças, in-clusive câncer de pulmão e infarto, em não-fumantes; de que os filhos de pais fumantes,quando comparados aos filhos de não-fu-mantes, apresentam maior freqüência deinfecções e outros problemas respiratórios etaxas ligeiramente menores de aumento dafunção pulmonar à medida que o pulmãoamadurece; e que a simples separação de fu-mantes e não-fumantes num mesmo espaçopode reduzir, mas não eliminar, a exposiçãode não-fumantes à poluição tabagística am-biental. Estudos recentes mostram que, en-tre não-fumantes cronicamente expostos àfumaça do tabaco nos ambientes, o risco decâncer de pulmão é 30% maior do que entreos não-fumantes não-expostos – e tambémapresentam risco 24% maior de desenvolve-rem doenças cardiovasculares.Fumantes de 1 a 14cigarros, 15 a 24 cigarrose mais de 25 cigarros têm,respectivamente, riscoaproximado 8, 14 e 24vezes maior de morte porcâncer do que pessoas quenunca fumaram.34[CAUSALIDADE]
  32. 32. [CAUSALIDADE]35Mulheres e crianças sãoo grupo de maior risco na ex-posição passiva em ambientedoméstico. Também há riscona exposição em ambiente detrabalho, onde a maioria dostrabalhadores não é protegidada exposição involuntária dafumaça do tabaco pela regula-mentação de segurança e saúde,o que levou a OMS a considerara exposição à fumaça do tabacofator de risco ocupacional.O tabagismo passivocausa câncer depulmão e insuficiênciacoronariana entreadultos, problemasrespiratórios emcrianças e retardo nocrescimento do feto.[CAUSALIDADE]35
  33. 33. 36[CAUSALIDADE]Alimentação inadequada, seden-tarismo e consumo de álcoolsão determinantes ambientaisda incidência de câncer, po-dendo contribuir para o au-mento do risco da doença. Pelo menos 20%dos casos de câncer nos países em desenvol-vimento, entre eles o Brasil, estão relaciona-dos a esses fatores. Nos países desenvolvi-dos, esse percentual pode chegar a 30%.Apenas 1 em cada25 brasileiros dascapitais consomea quantidaderecomendada defrutas, legumes everduras.Alimentação efatores de risco
  34. 34. [CAUSALIDADE]37O padrão alimentardo brasileiro mudou:menos alimentosde origem vegetal(cereais, feijões,raízes e tubérculos),mais gorduras eaçúcares
  35. 35. 38[CAUSALIDADE]A relação entre câncer e fato-res alimentares é complexa. São re-levantes características como tiposde alimento, componentes especí-ficos de cada alimento (nutrientes,substâncias fitoquímicas), os mé-todos de preparo, o tamanho dasporções, a variedade da alimenta-ção, o equilíbrio calórico, a conser-vação, entre outras.A evidência científica temmostrado que o consumo de frutas,legumes e verduras confere grandeproteção contra o cancer. O consu-mo recomendado pela OMS é depelo menos cinco porções diáriasde frutas e vegetais – em torno de400g por dia.38[CAUSALIDADE]
  36. 36. [CAUSALIDADE]39ORIENTE A POPULAÇÃOPeso saudável: no máximo, 5 kg a mais na vida adultaModo de vida: fisicamente ativoAlimentação:Pelo menos 5 porções de frutas, legumes e verduras variados por diaAlimentos gordurosos, principalmente de origem animal, devem ser evitadosDefumados, embutidos e churrascos devem ser consumidos com moderaçãoDo lado oposto, dietas com grandes quantidades de gordura contribuem não apenas para a obe-sidade, por seu alto valor calórico, mas também aumentam o risco de câncer de várias localizações.Outros fatores alimentares associados ao câncer: alto consumo de bebidas alcoólicas, alimentos conta-minados por aflatoxinas (que podem estar presentes em grãos e cereais mofados), alimentos salgados(carne de sol, charque e peixes salgados) e embutidos (salsichas, salames).O álcool aumenta o risco de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado e mama. Este riscoaumenta independentemente do tipo de bebida e é maior para as pessoas que bebem e fumam. A re-comendação é que, caso haja consumo de bebida alcoólica, este se limite a no máximo duas doses pordia para homens e uma dose por dia para mulheres.
  37. 37. 40[CAUSALIDADE]Obesidade e atividade físicaOsobrepeso e a obesidade são apontados como asegunda causa evitável de câncer, atrás do taba-gismo. Estão associados ao aumento do risco decâncer de mama (em mulheres na pós-menopau-sa), cólon, endométrio, vesícula, esôfago, pâncrease rim. Também representam risco para doenças cardiovascula-res, hipertensão, derrames e diabetes tipo 2. O sobrepeso corporal pode ser estimado pelo cálculodo índice de massa corporal (IMC) a partir da divisão do peso (em quilogramas) pelo quadrado daaltura (em metros). Valores de IMC acima de 25 kg/m² são considerados excesso de peso; entre 25kg/m² e 29,9 kg/m², sobrepeso; maior ou igual a 30 kg/m², obesidade.O excesso de peso vem aumentando no mundo. No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar de2003 mostrou que o número de brasileiros adultos com excesso de peso tinha praticamente dobradoem relação a 1974, quando foi feito o Estudo Nacional de Despesas Familiares. Em 2003, o excesso depeso atingia, em média, 4 em cada 10 brasileiros adultos.A atividade física reduz o risco de câncer de cólon, mama e pulmão – redução que independe doimpacto da atividade física no peso do indivíduo. Entretanto, como a atividade física ajuda a mantero equilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto energético, evitando o acúmulo de calorias que podelevar ao aumento de peso, indiretamente contribui para a redução dos riscos de cânceres, doençascardiovasculares e diabetes.ORIENTE A POPULAÇÃOO IMC ideal está entre18,5 kg/m² e 24,9 kg/m²OR
  38. 38. [CAUSALIDADE]41O profissional de saúde deve ser conscientizado da importânciada prevenção e do tratamento de sobrepeso e obesidade no curso davida da população. Em suas atividades de promoção de saúde, devesempre incentivar a adoção da alimentação saudável e a prática de ati-vidade física regular. Os fatores comportamentais e ambientais con-tribuem de forma significativa para o sobrepeso e a obesidade e pro-piciam boas oportunidades para ações e intervenções voltadas paraprevenção e tratamento deste problema de saúde pública.ORIENTE A POPULAÇÃOA buscar equilíbrio calórico e peso saudável;A limitar o consumo de gorduras totais,dando preferência à gordura vegetal e evitando a animal;A aumentar o consumo de frutas e verduras, bem como de leguminosas, grãos integrais eoleaginosas (nozes, avelãs, amêndoas, castanha do Pará);A limitar o açúcar;A aumentar a atividade física – pelo menos 30 minutos de atividade física de intensidademoderada a intensa, regularmente, na maioria dos dias.OR
  39. 39. 42[CAUSALIDADE]Aexposição à radiação ul-tra-violeta (UV) prove-niente do Sol é conside-rada a principal causa decâncer de pele tipo me-lanoma e não-melanoma.Aproxima-damente 5% da radiação solar inci-dente na superfície da Terra provêmde raios ultravioleta, em intensidadeque varia em função de localizaçãogeográfica (latitude), hora do dia,estação do ano e condição climática.O Índice Ultravioleta (IUV) é umamedida dessa intensidade, apresen-tado para uma condição de céu clarona ausência de nuvens, representan-do máxima intensidade de radiação.A OMS classifica este índice em 5categorias, de acordo com a intensi-dade e estabelece as respectivas me-didas de proteção.Exposição solarradiaçãoultravioletaORIENTE A POPULAÇÃOMedidas de proteção:Evitar exposição ao Sol das 10h às 16hUsar chapéu, óculos escuros, camisa e bonéUsar filtro solar com fator de proteção (FPS)15 ou mais, aplicado 30 minutos antes daexposição e sempre que sair da água
  40. 40. [CAUSALIDADE]43O câncer de pele não-melanoma é otipo de câncer mais freqüente no Brasil emambos os sexos: para 2006, a estimativa é de116.640 novos casos. Mas raramente são fa-tais e podem ser removidos cirurgicamente.O câncer de pele melanoma apresenta letali-dade elevada, porém sua incidência é baixa.Os níveis de exposição à radiação UVestão relacionados tanto a característicasindividuais quanto a fatores ambientais, in-cluindo tipo de pele e fenótipo, história fa-miliar de câncer de pele e nível de exposiçãocumulativa ao longo da vida.FATORES DE RISCO PARA CÂNCER DE PELEHistória familiar de câncer de pelePessoas de pele clara e cabelos ruivos ou loirosPropensão a queimaduras e inabilidade para bronzearExposição à radiação UV intermitenteExposição à radiação UV cumulativaFAT
  41. 41. 44[CAUSALIDADE]França, Côte-dOr (1993-1997)Itália, Ligúria (1996-1997)Manaus (1999)Recife (1995-1999)Belém (1996-1998)Vitória (1997)João Pessoa (1999-2000)Fortaleza (1996)Cuiabá (2000-2001)Salvador (1997-2001)Natal (1998-2000)Aracaju (1996)Campinas (1991-1995)Distrito Federal (1996-1998)Belo Horizonte (2000)Palmas (2000)Goiânia (1996-2000)PortoAlegre (1994-1998)São Paulo (1997-1999)Austrália, New South Wales (1993-1997)Austrália, Western (1993-1997)Austrália, Queensland (1993-1997)Brasil0,00,00,30,90,20,90,70,61,41,22,81,72,83,64,33,53,94,55,925,930,738,140 30 20 10 0*Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.
  42. 42. [CAUSALIDADE]45A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estimaque pelo menos 80% dos melanomas sejam causados pela exposição aoSol. Também no mundo é o tipo mais freqüente: até 3 milhões de casossão diagnosticados a cada ano.A exposição cumulativa e excessiva nos primeiros 10/20 anos devida aumenta muito o risco de desenvolvimento de câncer de pele: a in-fância é uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do Sol.O Brasil, país de dimensão continental com área superior a 8,5 mi-lhões de km², localizado entre os paralelos 5º N e 34º S, tem índices deradiação UVA e UVB que variam muito de uma região a outra.A distribuição fenotípica brasileira apresentagrande heterogeneidade ao longo das latitudes, che-gando a 89% de população de pele clara nas áreasurbanas dos estados de Santa Catarina e Rio Gran-de do Sul, devido à forte presença da imigraçãoeuropéia (alemães, poloneses, italianos), e caindo a28% nas áreas urbanas de Amazonas e Pará.Pele clara associadaa uma ocupação que ex-ponha o indivíduo à ra-diação solar por muitashoras pode aumentar emmuito o risco de desen-volvimento do câncer depele. É o caso dos tra-balhadores agrícolas emcolônias de origem euro-péia do Sul do Brasil.É importante con-siderar fatores de riscocomo a ocupação, quan-do exige atividades aoar livre, o local de re-sidência, especialmen-te em áreas rurais, e odesconhecimento, porparte do indivíduo, deque a exposição exces-siva ao Sol pode causarcâncer de pele.Consulte o IUV diário de cadaregião no site do Institutode Pesquisas Espaciaishttp://satelite.cptec.inpe.br/uv/Fonte: Cancer incidence in five continents (IARC, 2002) e dados dos RCBP brasileiros.
  43. 43. 46[CAUSALIDADE]Exposição ocupacionalcâncer relacionado ao trabalhoOcâncer ocupacional, causado pela exposição, durante a vida laboral,a agentes cancerígenos presentes nos ambientes de trabalho, repre-senta de 2% a 4% dos casos de câncer. Os fatores de risco de cân-cer podem ser externos (ambientais) ou endógenos (hereditários),estando ambos inter-relacionados, e interagindo de várias formaspara dar início às alterações celulares presentes na etiologia do câncer.
  44. 44. [CAUSALIDADE]47Os tipos mais freqüentes de câncer relacionados ao trabalho são, entre outros, osde pulmão, pele, bexiga, leucemias.Alguns agentes associados a estes cânceres: amianto,hidrocarbonetos policíclicos aromáticos,arsênico,berílio,radiação ionizante,níquel,cro-mo e cloroéteres. Atividades de trabalho sob exposição solar, principalmente entre pes-cadores e agricultores, aumentam o risco de câncer de pele entre estes trabalhadores.A IARC classifica 99 substâncias como reconhecidamente cancerígenas, agrupadasem agentes e grupos de agentes, misturas e circunstâncias de exposição. Considerandoestes agentes cancerígenos, a tabela abaixo mostra seis indústrias no Brasil, selecionadaspara que se estime o número de trabalhadores expostos, segundo dados de 2004 da Re-lação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego.Outra importante fonte de informação no Brasil é a Pesquisa Nacional deAmostras por Domicílio, em que a atividade é referida pela população. Os resulta-dos da PNAD 2003 informam que havia 79.233.543 trabalhadores participandodo mercado formal e informal de trabalho. Destes, 14,4% trabalhavam na indús-tria, 51,3%, no comércio e em serviços, e 20,7%, no setor agrícola.
  45. 45. 48[CAUSALIDADE]SimultaneidadedefatoresderiscoAocorrência do câncer é de etiologia multifatorial,podendo ter origem na combinação devários fatores – genéticos,ambientais e de modos de vida,como tabagismo,inatividadefísica,alimentação inadequada,excesso de peso,consumo excessivo de álcool,exposiçãoa radiações ionizantes e a agentes infecciosos específicos: aflatoxinas,entre outros.Este sinergismo potencializa o risco de desenvolvimento de determinadostipos de câncer, e a redução isolada de apenas um deles pode ser insuficiente para garantira efetividade das ações de prevenção.A prevenção primária, com intervenções em fatores ambientais e comportamentais des-de as fases iniciais da vida, tem potencial maior de sucesso, não apenas evitando o surgimentode câncer, como reduzindo substancialmente a proporção de óbitos pela doença. No entanto,vários estudos têm abordado o impacto de mudanças diversas nos padrões comportamen-tais da infância à idade adulta, e sugerem que as intervenções desde as fases iniciais da vidapodem ser mais eficazes do que as ações isoladas de prevenção, tratamento e cura, quandoconsideradas a incidência e a mortalidade por câncer.O quadro abaixo apresenta as frações atribuíveis na população, para países de baixa oumédia renda, dos fatores de riscos selecionados, isoladamente e em conjunto, associadosmais freqüentemente a alguns cânceres.Fonte: Danaei et al, 2005.
  46. 46. [CAUSALIDADE]49De acordo com Danaei e colaboradores, mais de um terço das mortes porcâncer no mundo podem ser atribuídas a nove fatores de risco potencialmentemodificáveis (tabagismo, consumo de álcool, baixo consumo de frutas, legumes everduras, inatividade física, sobrepeso e obesidade, fumaça proveniente da quei-ma de combustíveis sólidos em ambientes fechados, poluição urbana do ar, sexosem proteção e injeções contaminadas em unidades de saúde). Entre estes, ta-bagismo, baixo consumo de frutas, legumes e verduras e consumo de álcool sãoos principais fatores de risco para morte por câncer em países de baixa e médiarenda. Estima-se que, nestas regiões, o tabagismo seja responsável por 18% dasmortes por câncer; o baixo consumo de frutas, legumes e verduras, por 6%; oconsumo de álcool, por 5%.Considerando-se que, freqüentemente, o câncer é resultado da exposição aolongo da vida a vários fatores de risco e que, em alguns casos, um fator podepotencializar outro, os autores estimaram a fração atribuível de cada fator isola-damente e em conjunto a diversos tipos de câncer. Assim, para países de rendabaixa e média, entre os quais se classifica o Brasil, a fração atribuível na população(FAP) ao conjunto de fatores de risco associados a uma localização específica decâncer variou de 11% para cólon e reto a 66% para traquéia, brônquios e pulmão.Ou seja, 11% das mortes por câncer de cólon podem ser atribuídas, segundo essecálculo, a sobrepeso e obesidade, inatividade física e baixo consumo de vegetais.Alguns estudos no Brasil têm mostrado que as elevadas freqüências e conco-mitâncias de fatores de risco para doenças crônicas indicam a necessidade de queas ações de prevenção estabeleçam estratégias que trabalhem a simultaneidadedestes fatores ao longo da vida.
  47. 47. 50
  48. 48. 51OCORRÊNCIA
  49. 49. 52[OCORRÊNCIA]Magnitude do câncer no BrasilFonte: União Internacional Contra o Câncer (UICC), 2005.Aincidência do câncer cres-ce no Brasil, como em todoo mundo, num ritmo queacompanha o envelhecimen-to populacional decorrentedo aumento da expectativa de vida. É umresultado direto das grandes transfor-mações globais das últimas décadas, quealteraram a situação de saúde dos povospela urbanização acelerada, novos modosde vida, novos padrões de consumo.Estima-se para 2006 uma ocorrência de 472 mil casos novos de câncer no Brasil – ou 355 mil, seexcluídos os casos de tumores de pele não-melanoma –, o que corresponde a quase 2 casos novos por anopara cada 1.000 habitantes. Os cânceres mais incidentes, à exceção do de pele não-melanoma, são os depróstata, pulmão e estômago no sexo masculino; mama, colo do útero e intestino no sexo feminino.Quanto à mortalidade, em 2004 o Brasil registrou 141 mil óbitos. Câncer de pulmão, próstata eestômago foram as principais causas de morte por câncer em homens; mama, pulmão e intestino, asprincipais na mortalidade feminina por câncer.Números no mundo10 milhõesde casos novos6 milhõesde mortes200215 milhõesde casos novos12 milhõesde mortes2020
  50. 50. [OCORRÊNCIA]53O SUS registrou 423mil internações por neopla-sias malignas em 2005, alémde 1,6 milhão de consultasambulatoriais em oncologia.Mensalmente, são tratadoscerca de 128 mil pacientesem quimioterapia e 98 milem radioterapia ambulatorial.Nos últimos 5 anosocorreuumaumentoexpres-sivo no número de pacientesoncológicos atendidos pelasunidades de alta complexi-dade do SUS, o que podeestar refletindo uma melho-ra na capacidade do sistemaem aumentar o acesso aosrecursos de tratamento es-pecializado, ainda que pe-sem os gargalos existentesem algumas especialidades,as dificuldades de regulaçãoe articulação entre as unida-des da rede e a inexistênciade resultados positivos nasaúde da população.Fonte: IBGE, 2006.Fonte: Datasus, 2006.Fonte: Datasus, 2006.
  51. 51. 54[OCORRÊNCIA]Perfil da incidênciaDo total de casos novos estimados para 2006, são esperados234.570 para o sexo masculino e 237.480 para sexo feminino.O câncer de pele não-melanoma (116 mil casos novos) é o maisincidente na população brasileira, seguido pelos tumores demama feminina (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil),cólon e reto (25 mil), estômago (23 mil) e colo do útero (19 mil).Os tumores mais incidentes no sexo masculino, excluindo-se o câncerde pele não-melanoma, são os de próstata, pulmão, estômago e cólon ereto. No sexo feminino, destacam-se os tumores de mama, colo do útero,cólon e reto e pulmão.A distribuição dos casos novos de câncer segundo localização primária ébem heterogênea entre estados e capitais do país, o que fica evidenciado ao seobservar a representação espacial das diferentes taxas brutas de incidência decada unidade da Federação. As regiões Sul e Sudeste apresentam as maiorestaxas, enquanto as regiões Norte e Nordeste mostram taxas mais baixas. Astaxas da Região Centro-Oeste apresentam padrão intermediário.
  52. 52. [OCORRÊNCIA]55Taxas de incidência por neoplasias malignas,por 100 mil homens, segundo Unidade daFederação, em 2006.(*) exceto pele não melanomaTaxas de incidência por neoplasias malignas,por 100 mil mulheres, segundo Unidade daFederação, em 2006.(*) exceto pele não melanomaFonte: MS/INCA.Fonte: MS/INCA.
  53. 53. 56[OCORRÊNCIA]Perfil da incidêncianas cidades com RCBP ativoEntre as cidades brasileiras com Registro de Câncer de Base Po-pulacional (RCBP) em funcionamento, há informações dispo-níveis de 19 delas, o que significa que são monitorados 19% dapopulação do país. Nestas cidades, observamos, em relação aosprincipais tumores – mama em mulheres e próstata em homens–, grandes variações nas taxas ajustadas, com valores mais elevados para ascidades localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.Estas diferenças regionais se repetem para cânceres de pulmão e in-testino, tanto em homens quanto em mulheres. Os tumores de pulmãoapresentam maior incidência no sexo masculino, enquanto os de intestinomostram pouca diferença na comparação entre os sexos. Os dados indi-cam ainda que o câncer de estômago atinge mais o sexo masculino – comocorrência de taxas altas em várias cidades na maioria das regiões. Já ostumores de colo do útero têm taxas mais elevadas nas cidades das regiõesNorte, Centro-Oeste e Nordeste.Distribuição das taxas de incidência de câncer de estômago,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer de estômago,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileiras35,234,228,327,623,121,220,420,320,019,319,319,219,012,211,79,78,77,85,34,44,26,17,29,710,17,18,18,710,28,28,58,510,812,814,514,316,6 36,6Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.0 10 20 301030 40Belo Horizonte (2000)São Paulo (1997-2000)Manaus (1999)Distrito Federal (1999-2001)Belém (1996-1998)Palmas (2000-2001)Fortaleza (1995-1999)Porto Alegre (1996-2000)Campinas (1991-1995)Goiânia (1996-2000)Natal (1998-2000)Aracaju (1996-1998)Curitiba (1998)Cuiabá (2000-2002)Campo Grande (2000)Recife (1997-2001)Salvador (1998-2002)João Pessoa (1999-2001)Vitória (1997)*Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.
  54. 54. [OCORRÊNCIA]57As variações regionais na incidência do câncer decorrem de perfis heterogê-neos de exposição a fatores de risco que se associam ao aparecimento de diferentestipos de câncer. As informações sobre incidência também são afetadas por dife-renças na capacidade diagnóstica dos serviços de saúde, o que pode levar a umasubestimação da incidência real em algumas regiões.São Paulo (1997-2000)Porto Alegre (1996-2000)Campinas (1991-1995)Distrito Federal (1999-2001)Curitiba (1998)Belo Horizonte (2000)Goiânia (1996-2000)João Pessoa (1999-2001)Cuiabá (2000-2002)Recife (1997-2001)Aracaju (1996-1998)Natal (1998-2000)Fortaleza (1995-1999)Campo Grande (2000)Salvador (1998-2002)Vitória (1997)Belém (1996-1998)Manaus (1999)Palmas (2000-2001)30 20 10 0 10 20 30Distribuição das taxas de incidência de câncer de cólon e reto,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer de cólon e reto,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileiras29,628,536,622,421,120,817,417,415,813,611,910,810,710,46,95,74,94,23,46,010,06,110,38,08,58,510,111,89,621,49,221,521,516,319,423,330,628,6Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação. *Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.
  55. 55. 58[OCORRÊNCIA]Distribuição das taxas de incidência de câncer de traquéia, brônquio e pulmão,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer de traquéia, brônquio e pulmão,ajustadas por idade*, em homens e mulheres, em capitais brasileirasPorto Alegre (1996-2000)São Paulo (1997-2000)Manaus (1999)Cuiabá (2000-2002)Belo Horizonte (2000)Curitiba (1998)Belém (1996-1998)Distrito Federal (1999-2001)Recife (1997-2001)Goiânia (1996-2000)Aracaju (1996-1998)Fortaleza (1995-1999)Campinas (1991-1995)Campo Grande (2000)Natal (1998-2000)Salvador (1998-2002)João Pessoa (1999-2001)Palmas (2000-2001)Vitória (1997) 4,811,22,44,76,47,94,79,87,09,58,911,57,511,310,215,016,813,021,238,038,028,025,224,524,523,521,722,520,718,616,414,713,711,210,99,438,270,220 0 20 40 60Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação. *Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.91,783,267,661,961,961,156,254,554,552,548,748,247,942,441,535,230,522,299,8Distribuição das taxas de incidência de câncer da mama,ajustadas por idade*, em mulheres, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer da mama,ajustadas por idade*, em mulheres, em capitais brasileirasSão Paulo (1997-2000)Belo Horizonte (2000)Porto Alegre (1996-2000)Curitiba (1998)Distrito Federal (1999-2001)Fortaleza (1995-1999)Recife (1997-2001)Natal (1998-2000)João Pessoa (1999-2001)Goiânia (1996-2000)Cuiabá (2000-2002)Aracaju (1996-1998)Vitória (1997)Campo Grande (2000)Campinas (1991-1995)Salvador (1998-2002)Manaus (1999)Palmas (2000-2001)Belém (1996-1998)0 20 40 60 10080Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação. *Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.
  56. 56. [OCORRÊNCIA]59Distribuição das taxas de incidência de câncer de colo do útero,ajustadas por idade*, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer de colo do útero,ajustadas por idade*, em capitais brasileiras0 10 20 30 40 50 60 7063,741,436,934,734,133,132,030,126,024,923,122,021,921,020,718,613,712,166,9Palmas (2000-2001)Manaus (1999)Goiânia (1996-2000)Cuiabá (2000-2002)Belém (1996-1998)Distrito Federal (1999-2001)Fortaleza (1995-1999)Belo Horizonte (2000)Aracaju (1996-1998)Curitiba (1998)Recife (1997-2001)São Paulo (1997-2000)Campo Grande (2000)João Pessoa (1999-2001)Vitória (1997)Porto Alegre (1996-2000)Natal (1998-2000)Campinas (1991-1995)Salvador (1998-2002)Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação. *Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.0 20 40 60 80 100 120Distribuição das taxas de incidência de câncer da próstata,ajustadas por idade*, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer da próstata,ajustadas por idade*, em capitais brasileiras107,499,397,590,887,578,764,761,454,554,552,846,840,430,927,626,416,713,5133,7Belo Horizonte (2000)Palmas (2000-2001)Goiânia (1996-2000)Porto Alegre (1996-2000)São Paulo (1997-2000)Distrito Federal (1999-2001)Cuiabá (2000-2002)Curitiba (1998)Salvador (1998-2002)Natal (1998-2000)Aracaju (1996-1998)Fortaleza (1995-1999)Recife (1997-2001)João Pessoa (1999-2001)Manaus (1999)Campinas (1991-1995)Campo Grande (2000)Belém (1996-1998)Vitória (1997)Fontes: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação. *Taxa por 100 mil habitantes ajustada para População Padrão Mundial, 1960.
  57. 57. 60[OCORRÊNCIA]Enquanto os tumores nos adultos estão, em geral, relacionados à exposição aos vários fatoresde risco já citados, as causas dos tumores pediátricos ainda são pouco conhecidas – emboraem alguns tipos específicos já se tenha embasamento científico de que sejam determinadosgeneticamente. Do ponto de vista clínico, os tumores infantis apresentam menores períodosde latência, em geral crescem rapidamente e são mais invasivos. Por outro lado, respondemmelhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico.O câncer pediátrico representa de 0,5% a 3% de todos os tumores na maioria das populações.Internacionalmente, os tumores pediátricos mais comuns são as leucemias, os linfomas e os tumoresdo sistema nervoso central. No Brasil, a partir dos dados obtidos do RCBP, observou-se que os tumo-res pediátricos variaram de 1,0% (Palmas, 2000-2001) a 4,6% (Campo Grande, 2000), e que os maisfreqüentes também foram leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central.A leucemia é o câncer de maior ocorrência em crianças. Na maioria dos países, crianças abaixode 5 anos são as mais freqüentemente acometidas por este tipo de neoplasia. No Brasil, a variaçãopercentual deste tumor foi de 45% (Manaus, 1999) a 15% (Belo Horizonte, 2000).Câncer pediátrico
  58. 58. [OCORRÊNCIA]61As taxas de incidênciapara este tumor, com base nosdados dos RCBP brasileiros,variaram de 8,1 por 100.000em Cuiabá (2000-2002) a2,2 por 100.000 em Palmas(2000-2001) no sexo mascu-lino. No feminino, observou-se maior taxa em Curitiba(1998), de 6,8 por 100.000, ea menor em Goiânia (1996-2000), de 0,5 por 100.000.Distribuição das taxas de incidência de câncer de leucemias infantisajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileiras8,16,56,25,95,75,15,15,04,84,64,04,03,73,53,32,92,52,32,22,00,52,83,13,02,22,76,53,73,63,23,94,85,36,43,84,34,78 6 4 2 0 2 4 6 8 100,0Cuiabá (2000-2002)São Paulo (1999-2000)Natal (1998-2000)Curitiba (1998)Manaus (1999)Recife (1997-2001)Porto Alegre (1996-2000)Belo Horizonte (2000)Campinas (1994-1995)Distrito Federal (1999-2001)Campo Grande (2000)João Pessoa (1999-2001)Vitória (1997)Fortaleza (1995-1999)Aracaju (1996-1998)Belém (1996-1998)Goiânia (1996-2000)Salvador (1998-2002)Palmas (2000-2001)Distribuição das taxas de incidência de câncer de leucemias infantisajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileiras* População Padrão Mundial, 1960. Por 100.000 habitantes. Fonte: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional.
  59. 59. 62[OCORRÊNCIA]Nos países desenvolvidos, os linfomas cons-tituem de 7% a 18% das neoplasias pediátricas,ocupando o terceiro lugar. Já nos países em vias dedesenvolvimento, correspondem ao segundo lugar,atrás apenas das leucemias. No Brasil, segundo osdados levantados pelos RCBP,esse percentual varioude 23% (Natal, 1998-2000) a 9% (Aracaju, 1996-1998) (ver tabela da página 60). As maiores taxas deincidência observadas nos RCBP brasileiros foram6,1 por 100.000 em Belo Horizonte (2000) no sexomasculino e 3,9 por 100.000 em Natal (1998-2000)no sexo feminino. As menores taxas de incidênciaobservadas foram 1,0/100.000 (Manaus, 1999) e0,6/100.000 (Goiânia, 1996-2000), para o sexomasculino e feminino, respectivamente.6,15,44,44,24,03,63,02,92,32,32,21,81,81,81,41,21,11,02,62,12,61,81,51,93,91,82,11,01,01,70,61,10,60,91,11,8Belo Horizonte (2000)Campo Grande (2000)Porto Alegre (1996-2000)Distrito Federal (1999-2001)Curitiba (1998)São Paulo (1999-2000)Natal (1998-2000)Recife (1997-2001)João Pessoa (1999-2001)Cuiabá (2000-2002)Fortaleza (1995-1999)Campinas (1994-1995)Vitória (1997)Salvador (1998-2002)Goiânia (1996-2000)Belém (1996-1998)Aracaju (1996-1998)Manaus (1999)Palmas (2000-2001) 0,0 0,04 2 0 2 4 6 8* População Padrão Mundial, 1960. Por 100.000 habitantes. Fonte: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional.Distribuição das taxas de incidência de câncer de linfomas infantisajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer de linfomas infantisajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileiras
  60. 60. [OCORRÊNCIA]63Os tumores do sistema nervoso central correspondem de 8% a 15% das neo-plasias pediátricas – é o mais freqüente grupo de neoplasias sólidas malignas nafaixa pediátrica. Em países desenvolvidos, esses tumores representam o segundogrupo de diagnóstico mais comum; nos países em desenvolvimento, são o terceirotipo de neoplasia mais incidente. Nos RCBP brasileiros, o percentual desta neo-plasia variou de 18% (Goiânia 1996-2000) a 2% (João Pessoa, 1999-2001) (vertabela da página 60). As taxas de incidência variaram de 5,5/100.000 em BeloHorizonte (2000) a 0,4/100.000 em Natal (1998-2000) no sexo masculino. Parao sexo feminino observou-se a maior taxa no Distrito Federal (1999-2001), de 3,8por 100.000, e a menor em Vitória (1997), de 0,5 por 100.000.Essasinformaçõespodemcontribuir para a tomada dedecisões dos gestores de saúdeno enfrentamento do câncerpediátrico, bem como forne-cer subsídios para a formula-ção de hipóteses em estudosepidemiológicos a serem in-vestigadas futuramente.5,54,73,93,53,53,32,72,11,81,81,71,61,51,51,30,80,80,43,43,63,83,32,01,21,22,52,51,31,61,91,71,50,51,01,01,30,0 0,06 4 2 0 2 4 6Belo Horizonte (2000)Campo Grande (2000)Porto Alegre (1996-2000)Distrito Federal (1999-2001)Curitiba (1998)São Paulo (1999-2000)Natal (1998-2000)Recife (1997-2001)João Pessoa (1999-2001)Cuiabá (2000-2002)Fortaleza (1995-1999)Campinas (1994-1995)Vitória (1997)Salvador (1998-2002)Goiânia (1996-2000)Belém (1996-1998)Aracaju (1996-1998)Manaus (1999)Palmas (2000-2001)* População Padrão Mundial, 1960. Por 100.000 habitantes. Fonte: Dados dos Registros de Câncer de Base Populacional.Distribuição das taxas de incidência de câncer do sistema nervoso centralajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileirasDistribuição das taxas de incidência de câncer do sistema nervoso centralajustadas por idade*, em meninos e meninas, em capitais brasileirasRecomenda-secautela nainterpretaçãodos dados,sobretudo em locaiscom apenas umano de informaçãodisponível.
  61. 61. 64[OCORRÊNCIA]Em 2004,a mortalida-de por câncer representou13,7% de todos os óbitosregistrados no país, fican-do atrás apenas das doen-ças do aparelho circulató-rio, cujo percentual chegoua 27,9. As mortes por cau-sas externas aparecem emseguida, com 12,4%.Perfil da mortalidadeNo Brasil, a mortalidade proporcional por neoplasias cresceu consideravelmente ao longodas últimas décadas, acompanhando o crescimento da mortalidade relacionada às doen-ças do aparelho circulatório e por causas externas, ao mesmo tempo em que diminuíramas mortes por doenças infecto-parasitárias – esse perfil da mortalidade retrata a transi-ção epidemiológica e demográfica verificada em nosso país.
  62. 62. [OCORRÊNCIA]65Este perfil de mortalidade proporcional apresenta variaçõesentre homens e mulheres. Na mortalidade masculina, as causasexternas estão em segundo lugar, com 18,0%, e as neoplasias fi-cam em terceiro, com 12,8%. Entre as mulheres, as neoplasiasaparecem em segundo lugar, com 15,1%, e as causas mal defini-das em terceiro, com 13,0%.Em 2004, os cânceres de pulmão e de próstata foram osresponsáveis pela 10ª e a 11ª causa de morte entre as mais im-portantes nos homens no país, enquanto nas mulheres os tumo-res da mama e os de pulmão aparecem como a 7ª e a 11ª causaisolada de morte, entre as mais importantes.
  63. 63. 66[OCORRÊNCIA]Na comparação com as mulheres, as taxas ajustadas de mortalidade apontampara um maior risco entre homens. Em ambos, a tendência é de crescimentona última década, o que pode estar refletindo um aumento real na incidênciado câncer no país. Entretanto, no mesmo período, ocorreu uma melhora naqualidade das informações sobre mortalidade, o que se constata pela redução da mor-talidade por causas mal definidas.Observa-se entre os homens um crescimento das taxas ajustadas para câncer depulmão, próstata e intestino e uma diminuição para o câncer de estômago – 25 anosatrás, era a principal causa de morte por câncer entre os homens. Entre as mulheres,observa-se crescimento das taxas ajustadas para câncer de mama, pulmão e intestino ediminuição para o câncer de estômago, assim como entre os homens. Esse dado podeestar refletindo melhora nas condições de conservação dos alimentos.A mortalidade por câncer do colo do útero permanece estável no período. Des-taca-se o crescimento da mortalidade por câncer de pulmão, hoje em segundo lugar– há 25 anos, a quinta causa de morte. Um reflexo do aumento do tabagismo entre asmulheres nas últimas décadas.* População Padrão Mundial, 1960.Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/SIM • MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.0,020,040,060,080,0100,0120,01979198119831985198719891991199319951997199920012004Taxa de mortalidade por neoplasias, ajustada por idade*,por 100.000 habitantes no Brasil (1979-2004)Taxa de mortalidade por neoplasias, ajustada por idade*,por 100.000 habitantes no Brasil (1979-2004)HOMENSMULHERES1980198219841986198819901992199419961998200020022003MORTALIDADETendência paraos principais tipos
  64. 64. [OCORRÊNCIA]67ESTÔMAGO PULMÃO MAMA FEMININA COLO DO ÚTEROCÓLON E RETO ESÔFAGO LEUCEMIASTaxas de mortalidade por neoplasias ajustadas por idade paraas principais topografias por 100 mil mulheres no Brasil (1979-2004)Taxas de mortalidade por neoplasias ajustadas por idade paraas principais topografias por 100 mil mulheres no Brasil (1979-2004)
  65. 65. 68[OCORRÊNCIA]Amortalidade por neoplasias apresenta grande variação entre as uni-dades da Federação, refletindo as variações na própria incidênciado câncer decorrentes de perfis heterogêneos de exposição a fato-res de risco e modos de vida. Em geral, as taxas são maiores nosestados da Região Sul e menores na Região Norte, caracterizandoum gradiente regional típico da situação de saúde do Brasil. Este padrão geo-gráfico também é fortemente influenciado pela qualidade dos dados do Sistemade Informações sobre Mortalidade (SIM), como se constata pelas altas propor-ções de causas mal definidas de morte nas regiões Norte e Nordeste, apesar damelhora verificada na última década.As variações regionais por sexo são decorrentes das diferenças no perfil demortalidade dos diversos tipos de câncer. Na Região Norte são altas as taxas decâncer de colo do útero no sexo feminino, enquanto na Região Sul o câncer deesôfago no sexo masculino tem mortalidade maior do que em outras regiões.Além de refletirem a incidência e sua relação com os fatores de risco, mo-dos de vida e qualidade das informações, as variações regionais da mortalidadepor câncer também são influenciadas por diferenças nas condições de acesso,uso e desempenho dos serviços de saúde – componentes importantes das con-dições de vida da população brasileira.Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.MORTALIDADEDiferenças regionais
  66. 66. [OCORRÊNCIA]69Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/SIM• MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.Fontes: MS/SVS/DASIS/CGIAE/SIM• MP/IBGE • MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação.
  67. 67. 70[OCORRÊNCIA]Arazão entre incidência e mortalidade mostra a relação entre o número de casos novos e onúmero de óbitos registrados num determinado local e em período de tempo definido.Esta razão é influenciada por vários fatores mas, basicamente, demonstra a gravidade decada tipo de câncer. Para todos os tumores, em ambos os sexos, observamos relação médiade um óbito para cada três casos novos de câncer no período de um ano.Esta relação é conseqüência da sobrevida relativa média de cada tumor e é fortemente influenciadapelas características próprias de malignidade, possibilidade maior ou menor de um diagnóstico precoce eexistência de tratamento eficaz.Os cânceres de maior gravidade,em homens e mulheres,são os de pulmãoe esôfago, para os quais observamos as menores razões incidência/mortalidade. Os tumores de mamafeminina e colo do útero e os tumores da próstata apresentam-se como os de melhor prognóstico.A sobrevida relativa esperadapara todos os cânceres é de aproxi-madamente 50% em cinco anos, deacordo com a literatura existente.No Brasil, ainda carecemos de es-tudos que avaliem a sobrevida depacientes com câncer de forma maisrotineira e continuada por longosperíodos de tempo, como já aconte-ce em alguns países. No entanto, háestudos pontuais em algumas uni-dades especializadas e de referênciaque podem servir de exemplo paramostrar alguns resultados.Sobrevida, estadiamentorelação incidência/mortalidade
  68. 68. [OCORRÊNCIA]71Estudos com pacientesatendidos no INCA mos-tram que para os tumoresda mama a taxa de sobre-vida geral, em cinco anos,foi de 52% – no estádio insitu e IIa, de 80%; no está-dio IIb, de 70%; no estádioIIIa, de 50%; no IIIb, 32%,e no estádio IV, 5%. Paraos tumores de intestino, ataxa de sobrevida geral, emcinco anos, foi 46% – noestádio I, de 89%; no II, de80%; no III, de 39%; e noestádio IV foi de 5%. Paraos tumores de próstata, ataxa de sobrevida geral,em cinco anos, foi de 51%– no estádio A1 a B2, de90%; C1 e C2, 45%; noD1, de 50%; e, no estádioD2, foi de 39%.O que se constata comestes resultados é que umdos fatores que influenciamfortemente a sobrevida éa extensão da doença nomomento do diagnóstico.Essa extensão pode ser ava-liada pelo estadiamento dotumor nesta fase, quando,então, tem início o trata-mento adequado e preco-nizado para cada tipo decâncer, seja ele cirúrgicoe/ou clínico, com ou semradio/quimioterapia. Inter-nacionalmente, utiliza-se aClassificação dos TumoresMalignos (TNM) paraavaliar a extensão de cadatipo de câncer.Fonte: Rebelo M, 2004.Fonte: Rebelo M, 2004.Fonte: Rebelo M, 2004.
  69. 69. AÇÕES DECONTROLE
  70. 70. 74[AÇÕESDECONTROLE]As mudanças na estrutura da sociedade contemporânea e nos modos de vidadosgruposdeindivíduostiveramprofundosimpactosnasaúdedapopulação.Hipertensão arterial, colesterol alto, consumo insuficiente de frutas, legumese verduras, excesso de peso, inatividade física e tabagismo, como já vimos,são apontados como os principais fatores de risco para o desenvolvimento dedoenças crônicas não-transmissíveis, como as cardiovasculares e diversos tipos de câncer.Quatro dos seis fatores apontados são claramente relacionados à alimentação.As práticas alimentares estão intimamente ligadas a mudanças sociais, técnicas,biológicas, psicológicas, como também de poder e informação. Os fatores que determi-nam as escolhas na construção dos modos de vida estão freqüentemente fora do alcan-ce do indivíduo, ou seja, muito além de sua opção pessoal. A experiência do dia-a-diarepresenta uma forma ativa de lidar com as opções, mas sua natureza é evidentementevariável, já afirmou o sociólogo inglês Anthony Giddens.O principal objetivo das políticas de saúde pública é oferecer à população as me-lhores condições para que desfrute muitos anos de vida saudável e ativa. Para isso de-vem ser dadas condições para escolhas melhores quanto à alimentação. Sob uma pers-pectiva de longo prazo, é necessário: 1) observar conhecimento e atitudes de indivíduose coletividades; 2) identificar as causas de natureza social, econômica e cultural dasituação de saúde da população; 3) identificar políticas públicas e iniciativas da socie-dade que ajudem a enfrentá-las, buscando garantir maior eqüidade e melhores condi-ções de saúde e qualidade de vida para os brasileiros; e 4) abarcar as contribuições dosmúltiplos setores da sociedade para gerar ações efetivas que resultem em melhoria daqualidade de vida em todas as etapas do ciclo vital. Objetivos que implicam a garantiado direito humano à alimentação e da segurança alimentar e nutricional.PREVENÇÃO PRIMÁRIAAlimentaçãopromovendoasaúde
  71. 71. [AÇÕESDECONTROLE]75Mobilização mundial organizada pela OMSculminou na Estratégia Global de Alimentação,Atividade Física e Saúde, aprovada pela 57ª As-sembléia Mundial da Saúde, em maio de 2004,que prevê esforços conjuntos de governos, profis-sionais de saúde, setor privado, mídia, sociedadecivil e organizações não-governamentais, numtrabalho intersetorial cuja missão é transformarescolhas saudáveis em escolhas alimentares e deatividade física acessíveis à população.O baixo consumo de frutas, legumes e ver-duras está entre os 10 principais fatores de riscoassociados à ocorrência de doenças crônicas não-transmissíveis, por isso o incentivo ao consumodesses alimentos tem sido priorizado. A OMSestima que até 2,7 milhões de vidas poderiamser salvas anualmente no mundo se o consumodesses alimentos fosse adequado. Frutas, legu-mes e verduras na alimentação diária substituema comida com altas concentrações de gordurassaturadas, açúcar e sal e fornecem ao organismocomponentes protetores como carotenóides, vita-minas antioxidantes, compostos fenólicos, terpe-nóides, esteróides, indoles e fibras.Alguns compostos em especial, os agentesquimiopreventivos, exercem ação protetora espe-cífica contra o desenvolvimento do câncer.Muitosdesses compostos químicos podem ser sintetiza-dos em laboratório, mas a maioria está disponí-vel nos alimentos: a soja, por exemplo, contémas isoflavonas; o licopeno está pronto no tomate;a luteína, no espinafre; a quercetina, na maçã; oresveratrol, na uva; as antocianinas, nas frutasvermelhas, como cereja, framboesa, amora.Você sabia? O Brasilestá entre os 5 países demaior área produtiva domundo mas, dos 46%de área potencialmentecultivável, apenas9% são aproveitados(FAO 2003).A segurança alimentar e nutricional refere-se ao direito a umaalimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficientee de modo permanente, baseada em práticas alimentares promotoras dasaúde, sem nunca comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.Um direito de se alimentar devidamente, respeitando as particularidadese características culturais (Consea: www.planalto.gov.br/consea).Fitoquímicos (do grego fitos = planta)são compostos químicos presentes noreino vegetal com efeitos benéficos aoorganismo.
  72. 72. 76[AÇÕESDECONTROLE]Estudos epidemiológicos e ensaios experimentais têm concluído que a alimentação ricaem frutas, legumes e verduras confere proteção contra o câncer – que os suplementos encap-sulados contendo substâncias quimiopreventivas não reproduzem. Isso significa que essesagentes protetores são eficazes quando ingeridos nos alimentos que os contêm naturalmente.Revisão internacional sobre o consumo de frutas, legumes e verduras e o risco de câncer,coordenada pela IARC em 2003, concluiu que a fração prevenível de câncer no mundo atri-buída à baixa ingestão desses alimentos está entre 5% e 12%, podendo chegar a 20% ou 30%para cânceres das porções superiores do trato gastrintestinal.Investigações sobre os mecanismos de atuação dos agentes protetores presentes em fru-tas, legumes e verduras demonstram que seu maior consumo leva à redução de lesões genéti-cas que poderiam desencadear o câncer – além de acelerar a velocidade de reparo do DNA,o que ajuda a entender por que esses alimentos conferem proteção contra diversos tipos decâncer, inclusive de pele.Foi com base nas evidências que se chegou à recomendação de consumo diário de, nomínimo, 400g de frutas, legumes e verduras para prevenção de doenças crônicas não-trans-missíveis. Evidências e recomendações têm sido transformadas em iniciativas de promoçãodo consumo, como os programas “5-ao-dia”, atualmente em mais de 40 países. Essas açõescontam com o respaldo e a participação da sociedade, facilitando a mobilização em favor depráticas alimentares saudáveis que melhoram a qualidade de vida da população.5 AO DIAA Cartilha de Sugestõesdo“5 ao dia” está no sitewww.5aodia.com.br5
  73. 73. [AÇÕESDECONTROLE]77A promoção da alimentação saudável no Brasil ganhou espaço desde a aprovação,em 1999, da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, cuja Coordenação Geral, vin-culada ao Ministério da Saúde, publicou guias alimentares para crianças abaixo de 2 anose para a população brasileira e um livro sobre alimentos regionais. Também promoveu a1ª Mostra de Experiências Bem-Sucedidas em Alimentação e Nutrição, para intercâm-bio de iniciativas, e lançou edital para seleção pública de propostas de apoio às atividadesde pesquisa direcionadas a estudos sobre alimentação e modos de vida saudáveis. OINCA tem atuado como facilitador e fomentador da promoção de práticas alimentaressaudáveis entre organizações não-governamentais, tanto em vigilância e investigação dedeterminantes da inadequação dessas práticas, quanto no desenvolvimento de políticaspúblicas que estimulem a alimentação saudável.Apesar dos avanços, o consumo de frutas, legumes e verduras ainda é limitado, dadas asbarreiras tanto individuais quanto estruturais. A própria comprovação científica dos benefíciosnão é suficiente.A construção de um senso coletivo relacionado à proteção contra o câncer peloaumento do consumo de frutas, legumes e verduras é imprescindível, exigindo ampla conju-gação de esforços. Antes de uma“intervenção” prática, contudo, é necessário conhecer o que éimportante ser compreendido. Se um dos alvos localizados é esquecido, a intervenção acabaráfalhando ou não será auto-sustentável, criando falsa imagem de solução do problema.O trabalho intersetorial tem aplicação cada vez mais consensual no campo da saúde pú-blica. A união de esforços com um mesmo fim facilitaria a resposta às seguintes perguntas:Por que as pessoas não aderem aos apelos à mudança? O que distancia o conhecimen-to da ação?As preocupações institucionais e populacionais são as mesmas? O que deve ser alvode preocupação?Qual deve ser a meta desejada? Como são estabelecidas essas metas? Quem desejaatingir essas metas?Quais são os riscos? Como são definidos?As respostas apontariam, a partir de diferentes perspectivas, as barreiras que separamo que se deseja do que é de fato desejado pela população, a escolha informada da cidadaniaativa e crítica.(RE)INVENTAR & EXPERIMENTARA natureza pôs a nossa mesa umarica variedade de frutas, legumes everduras, que o povo brasileiro, em suafértil diversidade cultural, temperou commuita criatividade. Além dos benefíciosidentificados pela ciência, pode ser imensoo prazer de cultivar, colher, preparar,partilhar e saborear os alimentos.(RE
  74. 74. 78[AÇÕESDECONTROLE]Oreconhecimento de que a rápida expansão do consumo do tabacopode ser atribuída aos vetores da globalização fez com que, na52ª Assembléia Mundial de Saúde, em maio de 1999, os Esta-dos-Membros das Nações Unidas propusessem a Convenção-Quadro Internacional para o Controle do Tabaco – um tratadointernacional com o objetivo de deter a expansão global do tabagismo. O Brasilé um dos mais de 130 Estados-Parte deste tratado e, apesar de ser um país emdesenvolvimento e o segundo maior produtor e o maior exportador de tabacoem folhas do mundo, tem conseguido desenvolver ações fortes e abrangentes decontrole do tabagismo.E alguns resultados positivos vêm sendo observados, como a reduçãode 42%, entre 1989 e 2004, do consumo anual per capita de cigarros, mes-mo computando-se as estimativas de consumo dos produtos provenientes domercado ilegal (contrabando e falsificações).A tendência de evolução do con-sumo é indicador do efeito do preço real do cigarro ou da adoção de medidasefetivas para o controle do tabaco adotadas nos últimos 16 anos.PREVENÇÃO PRIMÁRIAO controle dotabagismo78[AÇÕESDECONTROLE]

×