Apresentação Mulheres (e Homens) Contam o Parto

753 views
480 views

Published on

Este livro quer oferecer um diferente ponto de vista sobre o assunto, o nosso, o de pessoas normais que nos demos conta do poder do parto. Nestes relatos encontra-se o outro lado da moeda, o da a subjetividade profunda que entra em jogo e impregna toda a experiência do parto consciente. Esta perspectiva não se sobrepõe ou contrapõe às demais questões relacionadas ao parto, mas as integra. Não podemos compreender este outro lado a não ser a partir da experiência e das reflexões das pessoas concretas. Elas dão o sangue e a carne que estatísticas e exames têm retirado do fenômeno parto, tornando-o um “evento médico” realizado numa “paciente” desconectada de seu corpo e entregue a médicos.

Mulheres Contam o Parto foi o primeiro livro publicado no Brasil com histórias de parto. Ele reflete o encantamento que o parto e o nascimento suscitam como experiências humanas profundas e transformadoras. Este livro quis, na época, introduzir uma abordagem diferente ao parto, não a técnica, distante e fria, da obstetrícia e seus especialistas, mas também não a melodramática, exaltada e assustadora do imaginário popular refletido pela mídia em geral.

Esta missão do livro continua viva nessa segunda edição, cujo objetivo é estimular o assunto parto a sair dos gabinetes médicos e dos quintais de madrinhas e matronas para se tornar uma matéria de interesse da nossa vida humana coletiva, algo sério, penetrante e fascinante. Uma experiência que transforma mulheres e homens, tornando-os pessoas melhores.

Published in: Health & Medicine
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
753
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
4
Actions
Shares
0
Downloads
7
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Apresentação Mulheres (e Homens) Contam o Parto

  1. 1. Mulheres (e homens) contam o parto 2Histórias de parto com sentido, alma e carinho Nova edição ampliada Adriana Tanese Nogueira
  2. 2. Mulheres Contam o Parto, escrito em em co-autoria com Ciça Lessa, foi o primeiro livro publicado no Brasil (2003) com histórias de parto. Ele reflete o encantamento que o parto e o nascimento suscitam como experiências humanas profundas e transformadoras. Este livro quis, na época, introduzir uma abordagem diferente ao parto, não a técnica, distante e fria, da obstetrícia e seus especialistas, mas também não a melodramática, exaltada e assustadora do imaginário popular refletido pela mídia em geral. Esta missão do livro continua viva nessa segunda edição, cujo objetivo é estimular o assunto parto a sair dos gabinetes médicos e dos quintais de madrinhas e matronas para se tornar uma matéria de interesse da nossa vida humana coletiva, algo sério, penetrante e fascinante. Uma experiência que transforma mulheres e homens, tornando-os pessoas melhores.
  3. 3. Este livro, rico em emoções, percepções, atitudes e significados particulares, nos brinda com os depoimentos de mulheres que generosamente nos oferecem suas experiências com o parto em sua interface com a assistência. Evidentemente, elas não pretendem retratar o que “deve ser” nem esgotar as diversas expectativas e experiências femininas com o parto. Mas, inegavelmente, demonstram quão fundamental é a efetiva participação da mulher na condução do nascimento. Tania di Giacomo do Lago Médica Sanitarista de formação, foi coordenadora da área de Saúde da Mulher durante a gestão de José Serra no Ministério da Saúde. É, hoje, coordenadora do Prosare (Programa de Apoio a Projetos em Sexualidade e Saúde Reprodutiva) do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
  4. 4. O resgate do parto Ser protagonista do próprio parto significa ter o papel mais relevante no acontecimento. Isso implica ter uma função ativa, se expressar, decidir, tomar parte. Mais do que isso: implica deixar desejos e instintos virem à tona, a fim de que seja vivenciada a magia da vida. Quem ouve as mulheres? Quantas delas ouvem sua própria intuição? Em que medida confiamos em nossos corpos de mulher?
  5. 5. Adriana Tanese Nogueira Um parto domiciliar semente de futuro Eu tenho certeza que o êxito positivo, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico, do meu parto foi devido ao trabalho interior que eu realizei comigo mesma ao longo de toda a gestação. A coisa mais importante foi esse processo meu de conscientização, observação e cuidado com o que sentia. Os demais ingredientes são apoio externo, informações e uma equipe qualificada. Tive a sorte de ter tudo isso. Mas não será por que desde o início eu segui minha intuição desconsiderando tudo o que me levava longe dela? Terá sido a minha, ‘sorte’, ou, ao contrário, o êxito natural de um processo interior que seguiu seu curso com respeito e atenção?
  6. 6. Ciça Lessa Uma cesárea humanizada e outra traumática Minha cicatriz coça muito ao relatar essas histórias (e também quando muda o tempo). Ela existe demais. O contraste entre as minhas duas cesáreas – independente de qualquer consideração sobre a necessidade delas, menos importante para mim que seu ensinamento – é enorme. Sem dúvida, a primeira situação, uma cesárea humanizada, é infinitamente melhor: foi uma vivência especial proporcionada por profissionais incríveis que me ensinaram muito, até mesmo a querer mais. Se todas as cesáreas, ao menos, fossem assim! Todas elas, entretanto, devem ter algo em comum com as minhas duas: são uma marca visível e sensível do fato de que há algo sobre as gravidezes e os partos dos meus meninos que eu não vivi – infelizmente e para sempre.
  7. 7. Adelise Noal Monteiro, parteira relata: Parto domiciliar na água com visão final Eu sentia ser esse o papel do obstetra ou da parteira: assistir a vinda à luz do dia de um processo natural, o processo de penetração no próprio Self. Jung fala que o médico precisa dominar uma técnica e logo em seguida abandoná-la para poder mergulhar no espaço secreto de onde se pode dar a mão e trazer uma pessoa de volta; tratar e curar, este é o ofício, esta é a arte.
  8. 8. Adelise Noal Monteiro, parteira relata: Espiritualidade corporificada num parto natural hospitalar Lembro, aqui, dos escritos da monja budista Pema Chodron, em seu livro Quando tudo se desfaz: “A minha experiência é que, ao praticar sem uma ideia de como as coisas ‘devem ser’, lentamente vamos descobrindo o nosso estado de vigília e a nossa confiança. Sem nenhuma exigência exceto sermos honestos e afetuosos, assumimos a responsabilidade por estarmos aqui neste mundo imprevisível, neste momento único, neste precioso corpo humano.” É o que acontece de especial em cada parto que auxiliamos. As configurações se fazem de modo intuitivo-instintivo, só temos que fluir nelas. Essa é nossa tarefa.
  9. 9. Adriana Um parto natural em hospital Fomos, então, para a sala de parto e na minha cabeça só vinha uma frase: ‘Por favor, meu Deus, me dê forças para não precisar de anestesia; eu não quero.’ O dr. Paulo fez o toque e me disse: ‘Dilatação total, Adriana!’ Perguntei se ela nasceria se eu fizesse força a partir dali. Ele respondeu afirmativamente, e me lembro de ter ido direto para o local onde ficaria de cócoras. Então, tudo foi rápido. Parece que não durou nem cinco minutos, mas deve ter sido mais de meia hora... Lembro-me de ter olhado para um homem diferente, provavelmente o anestesista, atendendo ao meu pedido anterior, que sorria. Senti mais firmeza ainda. Eu estava lá, parindo, de cócoras, sem anestesia, com minha tia me sustentando, Milton me dando a mão e ajudando em tudo que era solicitado e o querido dr. Paulo me orientando, me dando toda a segurança de que precisava. Lembrei-me da frase da minha tia e, quando achei que ia ‘morrer de dor’, morri de alegria.
  10. 10. Anna Uma cesariana necessária e humanizada e um parto normal humanizado Foi então que ela disse: ‘Vamos tentar mais uma vez’. Essas palavras mágicas até hoje ressoam como cruciais e, por esse momento, serei eternamente agradecida. Palavras que me devolveram a responsabilidade e o poder que tinha entregado a Lílian por ser a figura médica. Palavras mágicas, porque abriram em mim um horizonte novo, um espaço procurado, uma necessidade de encarar o presente com uma iniciativa decisiva. Realmente soube que era agora ou nunca mais. Entendi que queria me abrir, queria abrir as passagens, essa porta misteriosa entre a vida externa e as profundezas do meu interior – como um véu entre dois mundos –, queria ajudar essa criança a sair, participar dessa experiência, estarmos juntas de verdade na hora da separação. Lembro-me ainda dos músculos da virilha e dos ossos se relaxando num segundo de tempo e milimetricamente, e ouvi Lílian incitar com entusiasmo: ‘Assim, Anna!’.
  11. 11. Beatriz Tanese Seffrin Recordações luminosas do meu nascimento Lembro muito bem da excitação ecoando por todo meu estômago, expandindo-se e zumbindo. Tudo que eu podia ver era a escuridão, mas havia uma luz branca, linda e pura, espreitando de um espaço aberto que se expandia mais e mais. ... E, então, com a velocidade de um relâmpago, um pensamento atravessou minha mente: “Vou realmente viver nesse mundo?” Mas eu sabia, neste momento, que eu precisava nascer para este mundo, porque eu tinha alguma coisa para fazer aqui. Sem dúvida. E, naturalmente, alguém estava me esperando do outro lado. Este era o momento da vitória. Eu estava profundamente consciente que estava para emergir triunfante desse processo.
  12. 12. Bruce O alambique alquímico da paternidade Sou pai de dois lindos meninos, agora com 10 e 7 anos. Tenho muito orgulho de dizer que estive presente ao nascimento de ambos, e que aparei o segundo num parto domiciliar desassistido na água. Minha esposa, uma dançarina profissional (ballet e dança contemporânea) da África do Sul, foi fantástica, especialmente visto o histórico que ela tem. Ela foi assediada por anos por seus pais, incluindo abuso físico e sexual.
  13. 13. Cláudia Um parto normal humanizado Fiquei em êxtase por dois dias inteiros. Não tomei nenhuma medicação e a anestesia não fez falta. Minha autoestima foi às alturas. Hoje me sinto muito mais forte, saudável e com possibilidade de enfrentar qualquer coisa na vida. Confio em mim! É isso. Não desgrudei mais da minha Priscila. Ficamos com um vínculo diferente, forte e natural. Por duas horas seguidas nos olhamos e conversamos. Já nos amávamos no instante em que nos vimos. Ela tentava mexer a boquinha e me fitava calmamente. Tivemos nosso momento sublime, e juntas!
  14. 14. Cecília Em quatro filhos, o percurso de um parto normal hospitalar a um domiciliar Cada parto é um desafio, uma história. Conto até quatro, e observo como se transformou a pessoa que eu era. Percebo em meu corpo, no emaranhado de cicatrizes sobrepostas, o silêncio, a norma, a rotina hospitalar. Gradativamente, pude perceber que dar à luz pode se transformar numa experiência maravilhosa, de encontro com aspectos da identidade feminina. Com cada filho reconstrói-se a possibilidade de aprender de outra forma aquilo que já se dava como certo... Vieram Francisco, Clara Anna e Marina, o Sol, a Lua, o Mar. E agora Tainá nas terras caiçaras, meu pé no chão.
  15. 15. Damiane A incomparável alegria de fazer parte desse momento Desde o momento em que descobri que estava grávida, estava decidida a ter um parto cesariano. O motivo da escolha desta via de parto era o medo da dor, queria ter um parto “tranquilo”, sem grandes complicações, sem trabalho, rápido e simples. Acima de tudo, eu precisava de segurança....
  16. 16. Gilberto A dimensão sagrada da nossa existência Tem radar aí na frente. Cuidado, um marronzinho. Será dia de rodízio? Farol fechado... Avenida Pompeia, farol fechando, passa com o amarelo. Passou. Graças a Deus. Heitor Penteado. Farol fechado... Abriu, p.q.p. não é possível! Outro farol?! Abre, abre, abre... ABRIU. Dr. Arnaldo. Ali na frente será que tá congestionada? Não corro de costume. Os deuses devem estar olhando por nós.
  17. 17. Graciela Parto domiciliar só Caminho para casa (cerca de 1500 metros) e vou começando a trabalhar a respiração. É quase uma hora. Sento-me na cama, respiro conscientemente. Em outro quarto, vejo as meninas brincarem. Peço a Cati (que tinha 7 anos) água e que fiquem tranquilas no quarto. Estou só, com meu bebê que já quer vir, eu sinto. Dou-me conta de que uma vez alguém me disse que podemos nos servir das forças da natureza. Respiro, me sinto canal, como se um vento forte me atravessasse. Converso com meu bebê, do coração, que estamos fazendo-o juntos, que vou ajudá-lo, que o espero aqui fora. Vem-me a imagem de umas árvores muito altas, de troncos largos e com as copas mexendo- se ao vento. Respiro e mando esse ar fresco para o meu bebê.
  18. 18. Fernanda Uma cesárea e um parto natural em hospital Guga ajudava a me erguer na hora de fazer força. Foi superemocionante poder tocar na cabecinha quando coroou. Falei para o Gu que esse bebê era cabeludo como Nando. Nasceu às 22h38min de uma noite bem quente. A primeira frase que me veio à cabeça e eu disse foi: ‘Eu consegui!’ Foi uma vitória muito grande. Nessa linha, resolvemos, eu e Guga, que na segunda gravidez nos cercaríamos de todos os cuidados a fim de não cairmos na mesma armadilha.
  19. 19. Isane Duas linhas num cartão fino… Nunca quis ser mãe. Por quê? Não sei ao certo. Nunca gostei de bonecas e bebês, nem de brincar de casinha... essas coisas de menina. Gostava de brincar de Barbie, fazer de conta que frequentava a faculdade e trabalhava num escritório. E umas duas décadas se passaram. Eu concluí a faculdade e tinha planos para muito breve (talvez em uns seis meses) cursar meu mestrado, quem sabe morando em outra cidade ou até mesmo na Espanha. E... BUM! Duas linhas num cartão fino. As duas linhas que indicavam “positivo” no teste de farmácia. Chorei. Para tudo que eu quero descer! Parei tudo. Mas não desci.
  20. 20. Jeane Uma cesariana supostamente necessária Em momento algum imaginei fazer uma cesariana. Para mim, um parto normal é consequência natural da gravidez. Minha irmã ainda me falou: ‘Mas dói muito’. Eu disse que sabia disso, mas Deus sabe que nunca tive medo de dor. O que tiver que encarar, eu encaro!
  21. 21. Juliana Um parto natural em hospital Saí daquela água morninha e comecei a caminhar pela sala. A cada contração, acocorava e fazia força, chamando meu bebê mentalmente. Recebia massagens da doula e palavras carinhosas de todos. Conversava e sorria nos intervalos das contrações. Foram leves como a brisa... Foi maravilhoso! Meu colo uterino alcançou os 10 centímetros em questão de duas horas e a médica propôs, então, um ‘ensaio’ do período expulsivo. Acocorei sobre a cama e meu marido ficou atrás, me dando apoio. Nas contrações, fazia força e soltava sons para ajudar a relaxar o períneo, pois não desejava fazer episiotomia. Essa fase durou cerca de meia hora, mas, para mim, pareceram duas horas! Foi o momento mais exaustivo do parto, em que me senti realmente cansada, esgotada. Dor, mesmo, posso dizer que não senti nenhuma.
  22. 22. Liliana Cesáreas e feridas na alma. Reflexões de uma militante da humanização O “parto humanizado” está se tornando uma mercadoria, assim como, anos atrás, aconteceu com as cesarianas. É preciso que aqueles que tenham um nível de consciência mais elevado reflitam e ajam a respeito. Penso que, nos embates que o movimento pela humanização do nascimento enfrenta diante da corrente tecnicista e capitalista predominante, seja inevitável que essas práticas sejam questionadas no que se refere ao valor do serviço e à forma como está se organizando a equipe do parto domiciliar, às vezes composta por médico (ou médica), enfermeira, doula, psicóloga, fisioterapeuta e nutricionista.
  23. 23. Liliana, doula relata: Cada mulher com seu ritmo Eu e a parteira voltamos para a sala, sentamos no sofá e começamos a divagar sobre o poder do subconsciente e sobre a possibilidade de uma circular de cordão estar atrasando o nascimento, embora os batimentos cardíacos do bebê se mantivessem normais e o líquido amniótico claro. Logo, não havia sofrimento fetal. Mas, diante do cansaço de Tâmara, começamos a desanimar. Entretanto não perdíamos a esperança de que aquele bebê poderia nascer a qualquer momento, afinal já estava coroado. Nesse exato momento vieram ruídos do quarto. Gemidos cada vez mais altos. Será que algo estava acontecendo? Permanecemos atentas ouvindo, quando o marido nos chamou...
  24. 24. Marina O direito a ouvir meus instintos e sentimentos mais profundos Poderia escrever linhas e mais linhas sobre o grande abismo que percebemos entre receber um filho em casa e tê-lo num hospital, e também de tudo que nos é revelado em relação à nossa natureza humana e divina no momento do parto. Mas, ainda assim, seria em vão, por mais bela que sejam as palavras, pois quem viveu sabe que a experiência do parto fala por si só! A preparação para o parto inclui, também, um caminho de autoconhecimento, união com a família e muitas outras grandes e incríveis descobertas!
  25. 25. Octávio Pai, acompanhante e parteiro Enquanto isso, do lado de fora, brilhava uma lua intensa, e o arder de uma enorme fogueira no gramado do jardim projetava para dentro do quarto de Maria uma luz fantástica, que, somada às velas, acabava por proporcionar um ambiente mágico, totalmente propício ao acontecimento.
  26. 26. Simone Um parto natural no chão do quarto da maternidade Tive de brigar para ir para outra sala. Quando cheguei lá, fui direto em busca do chuveiro, já em período expulsivo franco, ainda de roupa, pois o tempo era todo consumido em atravessar a barreira institucional. Tirei a roupa, toquei a cabeça de David na vulva e gritei por Artur, que conseguiu atravessar a barreira e chegou. Ainda teve a presença de espírito de pedir à circulante um campo cirúrgico do armário, pôs no chão, me apoiou pelas costas e David nasceu, ali no chão mesmo.
  27. 27. Socorro Uma cesárea supostamente de urgência Tenho um filho lindo, mas não foi desta vez que me fiz mulher... Já estava com 41 semanas e o obstetra resolveu marcar a cesariana por que o nenê não estava encaixado e eu não tinha entrado em trabalho de parto. Isso, apesar da ultrassonografia tirada no dia anterior ter indicado boa quantidade de líquido amniótico, boa maturidade da placenta, mostrando, enfim, que eu ainda poderia esperar algum tempo.
  28. 28. Soraya Uma cesárea não esperada Com a possibilidade levantada de haver um sofrimento fetal, fui encaminhada – chorando – à sala de cirurgia para a cesariana. A partir desse momento todo o meu envolvimento, minha participação e controle sobre o que estava acontecendo ficou a cargo da equipe médica. A sensação que tive foi como se ‘o fio da tomada’ tivesse sido desligado.
  29. 29. Tacyana Dois partos normais humanizados A primeira consulta com doutor Paulo valeu por todas as outras que eu tive com o outro médico. Ele me tratou com um carinho e me deu tanto apoio que eu tive a absoluta certeza de que teria um parto maravilhoso. Lembro-me das palavras dele dizendo que o nascimento de uma criança era como o amanhecer. Tinha o momento exato e não precisava da interferência de ninguém. Sobre a dor do parto, ele comparou-a à dor de um maratonista após correr quilômetros: ao vencer a prova, depois de pegar a medalha, o atleta esquece de tudo.
  30. 30. Tami Nascida de parto domiciliar não programado Oi, meu nome é Tami e faz 25 dias que deixei de ser aquela espécie de peixe espremido e virei gente que respira. Sou a quarta filha de meu pai e a terceira de minha mãe, a temporona, a raspa do tacho, como se dizia antigamente. Obviamente não fui planejada, e, como na minha casa tudo é de verdade, não vamos ficar com falsos moralismos: ninguém me queria. Nem meu irmão de 11 anos, nem a minha irmã de 21 e muito menos a de 9. Papai engoliu em seco, e a única palavra que disse foi: ‘encaramos’.
  31. 31. Yanna Superando desafios, renovando corpo e alma Não sei quando ao certo aconteceu, mas sempre estive convencida de que morreria de parto. Em parte por que acreditava que não seria capaz de suportar a dor (“sempre fui meio mole nisso”, basicamente é o que todas pensamos), em parte por razões que nem Freud explica. Firmei isso de tal maneira que aos 35 anos, quando engravidei, senti um misto de alegria e tensão. Era hora de encarar um monstro que eu mesma tinha criado. Somado a isso tinha pavor dos atendimentos médicos, da hostilidade e indiferença dos profissionais de saúde, das cesáreas ultimamente quase unânimes e tão corriqueiras, das infecções hospitalares que recentemente tinham condenado mais de vinte recém-nascidos a óbito numa maternidade pública e, como não tinha plano de saúde, temia que estivesse destinada a uma verdadeira tortura num momento tão especial da minha vida...
  32. 32. Pequeno glossário do parto para mulheres Amniocentese, Analgesia, Anestesia, Assoalho pélvico, Bebê alto, Bebê encaixado, Bebê pélvico, Bolsa, Cadeira de parto, Campo cirúrgico, Casa de parto, Cerclagem, Cesariana, Colo do útero, Colostro, Contrações, Contrações de Braxton, Cordão umbilical enrolado, Depressão pós-parto, Descolamento de placenta, Desne-cesárea, Dilatação, Doula , Eclâmpsia, Ecografia, Endorfina, Enema, Epidural, Episiotomia, Evidências científicas, Exame de escuta do coração do bebê, Exame de glicose, Exame de toque, Falta de dilatação, Fórceps de alívio , Humanização, Iatrogenia, Índice de Apgar, Indução de parto, Líquido amniótico, Manobra de Kristeller, Mecônio, Ocitocina, Organização Mundial da Saúde (OMS), Parto ativo, Parto de cócoras, Parto domiciliar, Parto Leboyer , Parto natural, Parto normal , Pelve estreita , Peridural, Períneo, Período expulsivo, Plano de parto, Semanas , Septicemia, Tampão, Trabalho de parto, Tricotomia, Ultrassom ou ultrassonografia fetal, Ultrassonografia com doppler, Vernix.
  33. 33. O parto segundo a OMS A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas C) Condutas frequentemente utilizadas de forma inapropriada D) Condutas frequentemente utilizadas de modo inadequado
  34. 34. Autora: TANESE NOGUEIRA, ADRIANA Editora: Biblioteca 24 Horas 2010 258 páginas 313 gramas Preço: R$ 51,92 Onde comprar: Biblioteca 24 Horas e Livraria Cultura e Amazon adrianatnogueira@uol.com.br
  35. 35. Template Provided By www.animationfactory.com 500,000 Downloadable PowerPoint Templates, Animated Clip Art, Backgrounds and Videos

×