Gestão estratégica nas propriedades pecuaristas do sul de Minas Gerais
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Gestão estratégica nas propriedades pecuaristas do sul de Minas Gerais Gestão estratégica nas propriedades pecuaristas do sul de Minas Gerais Document Transcript

  • WANDERLEY BALDINIGESTÃO ESTRATÉGICA NAS PROPRIEDADES PECUARISTAS DO SUL DE MINAS GERAIS INSTITUTO MACHADENSE DE ENSINO SUPERIOR MACHADO - MG 2009
  • WANDERLEY BALDINIGESTÃO ESTRATÉGICA NAS PROPRIEDADES PECUARISTAS DO SUL DE MINAS GERAIS Monografia apresentada à Faculdade de Administração do INSTITUTO MACHADENSE DE ENSINO SUPERIOR como parte dos requisitos para obtenção do Título de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Esp. CÉSAR DE FREITAS MOURA JÚNIOR INSTITUTO MACHADENSE DE ENSINO SUPERIOR MACHADO - MG 2009
  • AVALIAÇÃO DA MONOGRAFIA Avaliação da Monografia intitulada “Gestão estratégica naspropriedades pecuarista do sul de Minas Gerais”, apresentada ao InstitutoMachadense de Ensino Superior, pelo acadêmico Wanderley Baldini,como requisito final para obtenção do título de Bacharel emAdministração. APROVADA em 15 de Dezembro de 2009. __________________________________________________ Prof. Esp. César de Freitas Moura Júnior - Orientador __________________________________________________ Prof. Esp. Luiz Gonzaga Ribeiro Neto - Avaliador __________________________________________________ Prof. Esp. Wellington Espanha Moreira - Avaliador MACHADO MINAS GERAIS - BRASIL
  • Dedico à minha mãe,à minha noiva Priscila Ribeiro e a Deus, que de alguma forma me guiou para conseguir realizar este projeto.
  • Agradeço à minha mãe, aos professores, aos orientadores, pelas possibilidades que nos foram dadas ao longo dessecurso, pelo apoio nas horas difíceise por nos prepararem para fazer donosso país um celeiro na produção de alimentos para o mundo.
  • O planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O planejamento é um instrumento para raciocinar agora, sobre que trabalhos e ações serão necessários hoje, para merecermos um futuro. O produto final do planejamentonão é a informação: é sempre o trabalho. (Peter Drucker)
  • RESUMOBALDINI, Wanderley. Gestão estratégica nas propriedades pecuaristas do sulde Minas Gerais: pecuária de corte. Machado: IMES, 2009. 62f. (Monografia emAdministração)∗. Instituto Machadense de Ensino Superior, Machado. Com o advento da globalização, e o mercado cada vez mais competitivo, asempresas, necessitam adotar estratégias que agreguem valor aos seus produtos,criando vantagens competitivas perante seus concorrentes. Com a pecuária de cortenão é diferente, além das ferramentas utilizadas para a melhoria do plantel existente,os pecuaristas buscam alcançar melhores resultados de seus negócios, através damelhoria na gestão de suas fazendas, utilizando ferramentas administrativasmodernas, dentre as quais se destaca o planejamento estratégico onde sãodefinidos, objetivos, metas e estratégias, que garantam um crescimento focado, commaior aproveitamento dos recursos e maximização dos resultados. A pesquisa tevecomo objetivo fazer uma comparação entre a antiga pecuária de corte brasileira e aatual, já implantada por alguns pecuaristas, buscando demonstrar a importância doplanejamento estratégico como ferramenta de gestão e conseqüente geradora deresultados. A metodologia utilizada para a coleta de dados foi a pesquisa qualitativaatravés de entrevista semi-estruturada, à pequenos e grandes pecuaristas e órgãosgovernamentais ligados a pecuária de corte, sendo verificada uma grande diferençaentre os pecuaristas que utiliza ferramentas administrativas, além das tecnologiasdisponíveis e o pequeno pecuarista que ainda está preso a velhos paradígmas,sendo resistentes em aceitar a nova forma de gestão rural, o que lhe tem causadoprejuízos.Palavras chave: Pecuária de corte. Gestão rural. Planejamento estratégico.∗ Orientador: Prof. Esp. César de Freitas de Moura Júnior. Titular da cadeira de administração
  • SUMÁRIOLISTA DE ILUSTRAÇÕES ................................................................................... iLISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ............................................................... ii1 INTRODUÇÃO ................................................................................ 011.1 Objetivo especifico .......................................................................... 021.2 Objetivo geral .................................................................................. 022 REFERÊNCIAL TEÓRICO .............................................................. 032.1 Análise da importância do empresário rural .................................... 032.1.1 Importância da pecuária de corte para a economia brasileira ......... 332.1.2 Importância da pecuária e da agricultura no PIB brasileiro ............. 052.2 Conceito de agronegócio ................................................................. 072.3 Conceito de pecuária de corte ......................................................... 072.4 Conceito de cruzamento industrial .................................................. 082.5 Pecuária de corte ............................................................................ 092.5.1 Rastreabilidade bovina .................................................................... 112.5.2 Controle sanitário bovino ................................................................. 122.5.3 Melhoramento genético ................................................................... 152.5.4 Cruzamento Industrial ..................................................................... 172.5.5 Boi verde versus boi orgânico ......................................................... 192.6 Transformação de fazenda em empresa ......................................... 202.6.1 Mudanças de horizontes ................................................................. 242.6.2 Visão empresarial ............................................................................ 252.6.3 Controle financeiro .......................................................................... 272.6.4 Adequação aos princípios da administração ................................... 282.7 Comportamento do empresário rural ............................................... 292.7.1 Lucro versus pecuarista .................................................................. 312.7.2 Análise SWOT ................................................................................. 332.8 Sucesso do segmento da pecuária ................................................. 35
  • 2.9 Dificuldades enfrentadas pelo pecuarista brasileiro ........................ 372.10 Conceito de estratégia..................................................................... 372.10.1 Conceito de planejamento estratégico ............................................ 402.10.2 Importância do planejamento estratégico nas empresas ................ 422.10.3 Importância da definição da missão da empresa ............................ 432.10.4 Diferenciação................................................................................... 442.10.5 Reestruturação empresarial ............................................................ 463 METODOLOGIA .............................................................................. 484 RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................... 495 CONCLUSÃO .................................................................................. 54REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 56APÊNDICE ....................................................................................................... 59GLOSSÁRIO .................................................................................................... 61
  • LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE QUADROSQuadro 1 Pecuaristas de pequeno porte ................................................. 34Quadro 2 Pecuarista de médio a grande porte ........................................ 34Quadro 3 Comparação entre estratégia e tática ...................................... 39 LISTA DE TABELASTabela 1 Participação do Agronegócio no PIB brasileiro ........................ 05Tabela 2 PIB do agronegócio de Minas Gerais de 2001 a 2008 ............ 06Tabela 3 Características gerais das propriedades entrevistadas ........... 49 LISTA DE FIGURASFigura 1 As bases do planejamento estratégico............................... 40Figura 2 Modelo de administração estratégica ...................................... 41 i
  • LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURASEMATER – MG Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas GeraisGPS Sistema Global de PosicionamentoHa HectareIMA Instituto Mineiro de AgropecuáriaITR Imposto Territorial RuralPIB Produto Interno BrutoPO Puro de OrigemSWOT Forças, fraquezas, ameaças e oportunidades ii
  • 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos o Brasil vem sendo reconhecido mundialmente como ogrande celeiro da economia mundial, por sua vasta, extensão territorial, comgrandes quantidades de terras produtivas, e água potável, além do climafavorável ao agronegócio nos mais variados segmentos produtivos. No caso da pecuária de corte, o Brasil saltou, nos últimos anos, daquinta posição para o primeiro lugar em volume de exportação de carne, sendoeste um avanço de grande importância, mas isso não é o suficiente, pois o paísproduz carnes de baixa qualidade, sem eficiência, com uma baixa taxa deretorno aos pecuaristas, sendo necessárias grandes extensões de terras, parauma baixa produção de seu rebanho. É fato que o Brasil avançou muito em termos de melhoramento genéticonos últimos anos, e opções aos pecuaristas não faltam. Hoje já existem raçaspara a necessidade de cada pecuarista brasileiro, mas o que ainda falta sãoinstrumentos de gestão que possam melhorar os resultados das propriedades.Um desses instrumentos é o planejamento estratégico, que visa definirobjetivos e metas a serem alcançados de forma organizada, otimizando osrecursos existentes, e auxiliando os pecuaristas na gestão do negócio de formaa aumentar seu lucro, controlar os custos de produção, estimar suas receitas, equalificar a mão-de-obra. A pecuária brasileira pode se tornar mais produtiva, com a adoção deuma gestão profissional nas fazendas produtoras, que possam aproveitar deforma mais eficiente o conjunto de incentivos do governo para melhoria dosrebanhos, e para a realização de cursos de capacitação em gestão para aospequenos pecuaristas, para que os mesmos possam ter acesso às ferramentasde planejamento das atividades rurais e utilizá-las, tornando-se profissionaisconscientes dos resultados que precisam ser alcançados, para obterem maiorlucro e aumentar seu market share. Porém, esta evolução da pecuária de corte passa pela quebra deparadigmas dos antigos fazendeiros que criavam o gado como seusantepassados, desprezando as novas técnicas e raças melhoradas
  • geneticamente para a criação e engorda do rebanho. E isso gera prejuízospara os pecuaristas, pois aumenta o tempo de engorda do rebanho em até 2,5vezes em comparação com a criação de gado no sistema de cruzamentoindustrial. Felizmente, existem empresários rurais que sempre saltam na frente eutilizam os melhores e mais avançados métodos de produção e de controle dagestão existentes, planejando de forma organizada as ações de crescimento donegócio e tendo visibilidade para a análise do custo de produção do rebanho esua margem de lucro, estando preparados para o enfrentamento dasadversidades da atividade e obtenção de “musculatura” para novosinvestimentos, representando os pilares para a pecuária moderna do país.1.1 Objetivo especifico Identificar as técnicas de administração utilizadas pelas empresas doagronegócio do sul de Minas Gerais.1.2 Objetivo geral Avaliar e comparar as estratégias e o uso das ferramentas da pecuáriade corte nas propriedades pecuaristas do sul de Minas Gerais. 2
  • 2 REFERENCIAL TEÓRICO2.1 ANÁLISE DA IMPORTÂNCIA DO EMPRESÁRIO RURAL A pecuária de corte brasileira é responsável por aproximadamente 7%do PIB brasileiro segundo Antonialli (2008), mas apesar disso o governobrasileiro não dá muita importância aos pecuaristas brasileiros, não oferececréditos de custeio, ou créditos de investimentos para esse segmento, emcomparação a outros segmentos como a cafeicultura, por exemplo, que possuivários tipos de linhas de créditos. O que não dá para entender é o porquê desse preconceito em relação àpecuária de corte, pois alem de movimentar milhões, e ser um dos grandescontribuintes para o crescimento do PIB, é o agronegócio que leva alimentopara as mesas de todo o mundo. Daí vem a grande importância do empresário rural, porque ele consegueproduzir em grande escala com alto aproveitamento de sua área, e aindaconsegue reduzir os custos do produto acabado. Pense que a culpa pelodescaso nacional com o agronegócio brasileiro, é dos próprios fazendeiros, queestão demorando para se profissionalizarem, e lutar pelos seus direitos e peloque é justo, pois não adianta somente ficar reclamando para todos seusconhecidos que o governo não apóia o agronegócio, que o preço de seuproduto está muito abaixo do necessário para cobrir os custos, se não há uniãocomo nos sindicatos das indústrias nacionais, que lutam por seus direitos e pormelhores preços.2.1.1 Importância da pecuária de corte para a economia brasileira Esse tema é interessante, porque poucas pessoas que moram nascidades conhecem uma fazenda de verdade e não apenas por televisão, e nãosabem que o agronegócio como um todo é muito importante para a economiado país, seja na geração de empregos, ou seja na geração de riquezas e ainda 3
  • sua representatividade no PIB nacional, ajudando o país a crescer e a dar umamelhor condição de vida ao povo brasileiro. O agronegócio, além de ter toda essa importância para a economianacional, é, por incrível que pareça, um dos segmentos mais discriminados denosso país, seja por pessoas dos mais altos cargos governamentais, ou aindapor qualquer pessoa que viva em uma cidade grande, pois o homem do campoé conhecido como um caipira, até mesmo os empresários rurais ainda sofremcom alguns descasos como esses, encontrar uma linha de crédito em umainstituição financeira pública ou privada é raridade, e ainda, quando éencontrada, o mais difícil é conseguir a aprovação do crédito pela instituiçãofinanceira, pela grande burocracia. É através da pecuária de corte que nos alimentamos de carne, que éuma das fontes de proteínas que possuímos, além de ser muito saborosa enutritiva, é recomendada à saúde humana. Trazendo o assunto para aeconomia nacional, no campo a pecuária não gera muitos empregos, e nemmovimenta rotineiramente muito dinheiro, em dentro de sua cadeia produtiva,ela movimenta milhões de reais, e gera muitos empregos fixos, ao contrário deoutras culturas que geram muito empregos, mas sazonalmente. Do momentoem que o rebanho é produzido nas empresas rurais, até a carne chegar aosnossos pratos, muitas pessoas trabalharam em naquele produto para que issoacontecesse, gerando emprego e renda aos brasileiros, e ainda tem as carnesque são exportadas, que até chegarem às mesas dos consumidoresexportadores, gerarão ainda mais empregos e renda. Muitas vezes é através de gado que algumas áreas não mecanizadassão exploradas, para potencializarem o aproveitamento da empresa rural. Oque falta é o pecuarista se tornar profissional e comandar seu negócio comoempresa, almejando sempre metas e objetivos a serem alcançados, tornandoseu negócio lucrativo e sustentável. 4
  • 2.1.2 Importância da pecuária e da agricultura no PIB brasileiro Que o agronegócio é de grande importância para o PIB brasileiro, todossabemos, pois a agricultura foi uma das primeiras atividades da história dohomem a buscar fins lucrativos, mas o que poucos sabem é da importância emnúmeros, o PIB do agronegócio movimentou em 2007, 642.634 milhões dereais conforme a tabela abaixo mostra, ou seja 25,11% do PIB nacional, o quemostra que não somente as empresas fazem o Brasil crescer. (ANTONIALLI,2008). Outro dado interessante, segundo o autor, é ressaltar a importância dapecuária dentro do agronegócio e do PIB nacional, pois a pecuária respondesozinha por 40% do PIB do agronegócio e 7% do PIB nacional, o que significamuito dinheiro para a economia brasileira. Tabela 1 - Participação do Agronegócio no PIB brasileiro PIB Brasileiro PIB Agronegócio Agronegócio Fonte: IBGE Fonte: Cepea- Agricultura Pecuária USP/CNA Dados em Milhões de reais 2000 2.248.296 514.161 354.243 159.918 2001 2.249.069 523.143 360.997 162.146 2002 2.248.854 569.220 399.444 169.766 2003 2.106.589 606.419 429.998 176.421 2004 2.119.158 621.910 442.451 179.459 2005 2.295.279 592.943 416.886 176.057 2006 2.451.488 595.626 427.859 167.767 2007 2.558.822 642.634 456.877 185.758Fonte: Antonialli (2008: 10) Mudando de cenário do nacional para o estadual, analisando a tabelaabaixo que mostra o PIB do agronegócio em Minas Gerais, podemos verificarque o agronegócio movimentou R$ 90.534 milhões de reais no ano de 2008, 5
  • considerando toda a cadeia do agronegócio, e se notarmos do ano de 2001 a2007, a agricultura sempre obteve melhores resultados que a pecuária, masum fato interessante é que em 2008 a pecuária obteve um crescimento de22,5% contra um crescimento de 7,5% da agricultura, o que mostra que apecuária está criando força em Minas Gerais, se consolidando como umaatividade lucrativa e que movimenta milhões anualmente.Tabela 2 - PIB do agronegócio de Minas Gerais de 2001 a 2008 (em milhões de reais)Fonte: Cepea (2009).NOTA: * Tomando como base a taxa de crescimento acumulada de janeiro a dezembro de 2008. 6
  • 2.2 CONCEITO DE AGRONEGÓCIO Soma das operações de produção e distribuição de suprimentosagrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, doarmazenamento, processamento e distribuição dos produtos agropecuários eitens produzidos a partir deles. (OLIVEIRA, 2009). Agronegócio é toda relação comercial e industrial envolvendo a cadeiaprodutiva agrícola ou pecuária. No Brasil, o termo agropecuário é usado paradefinir o uso econômico do solo para o cultivo da terra, associado com acriação de animais. Agronegócio (também chamado de agribusiness) é o conjunto denegócios relacionados à agricultura dentro do ponto de vista econômico. Costuma-se dividir o estudo do agronegócio em três partes. A primeiraparte trata dos negócios agropecuários propriamente ditos (ou de "dentro daporteira") que representam os produtores rurais, sejam eles pequenos médiosou grandes produtores, constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeirosou camponeses) ou de pessoas jurídicas (empresas). (ANTONIALLI, 2008) Na segunda parte, os negócios à montante ou "da pré-porteira", aos daagropecuária, representados pelas indústrias e comércios que forneceminsumos para a produção rural. Por exemplo, os fabricantes de fertilizantes,defensivos químicos, equipamentos, etc. E, na terceira parte, estão os negócios à jusante dos negóciosagropecuários, ou de "pós-porteira", onde está a compra, transporte,beneficiamento e venda dos produtos agropecuários, até chegar ao consumidorfinal. Enquadram-se nesta definição os frigoríficos, as indústrias têxteis ecalçadistas, empacotadores, supermercados e distribuidores de alimentos.2.3 CONCEITO DE PECUÁRIA DE CORTE “Pecuária é a arte ou o conjunto de processos técnicos usados nadomesticação e criação de animais com objetivos econômicos, feita no campo.Assim, a pecuária é uma parte específica da agricultura”. (PECUÁRIA, 2009). 7
  • Pecuária de corte é um dos ramos de atividade que exerce o pecuarista,ou o criador de rebanho. Existem tipos diferentes de pecuária de corte, variando de acordo com otipo de rebanho a ser abatido como bovinos, caprinos e ovinos: O abate de novilho ou garrote exige um rebanho mais aprimorado e maior tecnologia, é chamado de corte novo ou abate de novilhos. De gado confinado ou gado preso, esse tipo de abate é usado para engorda do gado e posterior abate, quando se precisa de carne mais nobre e em maior quantidade. Seletivo, esse tipo de abate não é muito comum, pois se usa, costumeiramente, abater o animal doente e posteriormente incinerar sua carcaça. Esse tipo de abate, normalmente é realizado sob a supervisão da autoridade sanitária, pois normalmente abatem-se os animais doentes e os que tiveram contato direto, como medida de prevenção e erradicação da doença.2.4 CONCEITO DE CRUZAMENTO INDUSTRIAL Na ultima década, o cruzamento industrial de bovinos tornou-se umaimportante ferramenta estratégica para programar a produção de carne nosdiferentes sistemas produtivos no Brasil. Isto em parte ocorreu em função,principalmente, do aumento da prática de inseminação artificial, econseqüentemente pela possibilidade e acessibilidade a sêmen de touros deuma ampla variedade de raças. Existem diversas formas de desenvolver sistemas de cruzamentos, oimportante é ressaltar que não há nenhum sistema nem combinação de raçasque seja adequado a todos os rebanhos ou sistemas de produção. A escolhade qual sistema utilizar vai depender de diversos fatores, tais como: ambiente,exigência de mercado, mão de obra disponível, nível gerencial, sistema deprodução, viabilidade do uso de inseminação artificial, objetivo doempreendimento, numero de vacas, e número e tamanho dos pastos(EMBRAPA, 1995). 8
  • A combinação ou o acasalamento de duas ou mais raças adaptadaspara corte de diferentes tipos biológicos, que tem por objetivo melhorareficiência na produção de carne, deve ser entendido como cruzamentoindustrial. O benefício gerado pela utilização do cruzamento industrial é poderexplorar os efeitos da heterose ou vigor híbrido, que podem estar relacionadosnão só no aspecto produtivo (ganho de peso, peso de carcaça, fertilidade,precocidade, etc.), mas também no aspecto qualitativo da carcaça (comomelhor acabamento, marmorização, e maciez). O cruzamento permite de forma mais rápida a obtenção decaracterísticas desejáveis (carcaça, precocidade, etc.) em relação à seleçãonas raças puras, efeito este também podendo ser chamado decomplementaridade. Neste ponto deve ser esclarecido e enfatizado que ocruzamento de Zebuínos com raças adaptadas para leite, não são e, portantonão devem ser chamados de cruzamento industrial, por razões óbvias.(LAZZARINI, 2000g).2.5 PECUÁRIA DE CORTE Segundo Barbosa e Souza (2007), o Brasil possuí o maior rebanhocomercial do mundo, e é o maior exportador de carne em toneladas e emfaturamento; entretanto possui taxas de produtividade abaixo dos seusconcorrentes. A pecuária de corte brasileira teve, nos últimos anos grandes avançostecnológicos, com a chegada de várias ferramentas que possibilitaram aoempresário rural melhorar suas condições de produção e aumentar seu lucro. Algumas ferramentas, como a melhoria da genética dos bovinos atravésde inseminação artificial, transferência de embriões, touros com qualidadegenética comprovada através de exames andrológicos, controle dos parasitasnaturais através de métodos biológicos e eficazes com baixo custo,rastreabilidade dos bovinos, cruzamentos entre raças de morfologia diferentes,além de manejar melhor suas pastagens através de aduções, rotação depastagem e, em alguns casos, até irrigação das pastagens. 9
  • As vias de acesso externas à fazenda devem comportar determinados sistemas produtivos. O caso de pecuarista que, ao resolver reformar suas pastagens com o uso de calcário, prontamente encomendou várias toneladas deste insumo, sem se dar conta, de que as vias de acesso à fazenda (estradas de terra) eram muito estreitas e não permitiam a passagem de veículos pesados, portanto é preciso entender que existem fatores externos à fazenda que precisam ser observados para evitar prejuízos. (LAZZARINI, 2000d: 13). Mas apesar de todos esses avanços tecnológicos, a maioria dosfazendeiros não se tornaram empresários rurais e aderiram aos avanços quelhe fossem convenientes, alguns por ainda terem bloqueios às inovaçõespresentes no mercado, outros por seguirem métodos antigos de produção enão se abrirem para a chegada do futuro, para a idéia de que a produçãoprecisa ser exata para se obter lucro. O agronegócio brasileiro ainda sofre muito preconceito, talvez pelo fatode os fazendeiros não terem se tornado empresários, pois o que muitaspessoas não sabem é a importância do agronegócio para o país, incluindo apecuária que é grande exportadora de carne, contribuindo para o equilíbrio dabalança comercial, e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)brasileiro. A pecuária de corte está presente praticamente em todo o país, estandomais concentrada nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás eMinas Gerais, que produzem 90% de toda a carne do país. (EMBRAPA,2000b). A pecuária de corte é um segmento do agronegócio que possui umbaixíssimo custo de produção, em relação a outros segmentos do agronegócio,pois dá para se aproveitar regiões montanhosas que dificultariam a produçãode cereais por não oferecerem condições de as maquinas trabalharem porserem íngremes, ou regiões alagadas como o pantanal de Mato Grosso. Semdúvida, é um segmento muito dinâmico, e oferece varias opções para oempresário rural. A pecuária de corte, por ser uma atividade de lucratividade sazonal, cujaprodução é escoada uma vez por ano, não oferece renda durante esse períodode entre safra que dura aproximadamente doze meses. Sendo assim, umimóvel agrícola que trabalha com a pecuária de corte pode se diversificar 10
  • trabalhando em conjunto com outro segmento, para aproveitar o período deprodução. Um pasto em condições de uso contínuo, sem cuidados na sua manutenção, tende a degradar-se cada vez mais, prejudicando o desempenho produtivo ao longo do tempo e reduzindo ainda mais a capacidade de suporte ou o desempenho animal. (LAZZARINI 2000e: 105). O investimento para se iniciar na pecuária de corte em regime extensivo(a pasto) é alto para implantação, porém para a manutenção do investimento,ele é baixo, sendo da seguinte forma o investimento: compra de um imóvel,estruturação física, como curral, cercas, preparo do solo, e das pastagens,compra dos bovinos. Os impostos são reduzidos, sendo somente o ImpostoTerritorial Agrícola (ITR), que é anual; os outros investimentos são apenas osde manutenção, como vacinas e remédios, sais mineirais e vaqueiros para alida com o gado.2.5.1 Rastreabilidade bovina A rastreabilidade é um processo que visa ter um registro de toda a vidado animal, desde seu nascimento até o abate, registrando tudo o queaconteceu em sua vida, como peso ao nascer, peso ao desmame, peso aoabate, registros de manejos, com data, hora e descrição do que foi feito, aduração desse procedimento, entre outros. Em sua simplicidade, arastreabilidade pode ser sinônimo de registro, pois é isso que será feito durantetoda a vida do animal. Segundo a Embrapa (2001b), a União Européia exige que todo oprocesso de produção de carne esteja inserido em um programa deidentificação e registro que possibilitem o levantamento de todas asinformações sobre o animal, desde seu nascimento até o consumo do produtofinal. Esta resolução atinge desde os produtores até as indústrias efornecedores. O diferencial de um rebanho rastreado é que esse rebanho pode serexportado para qualquer país importador da carne brasileira, e com isso o 11
  • empresário rural pula etapas da exportação e pode exportar diretamente aoimportador sem intermediários, agregando um valor muito maior ao seurebanho, obtendo um lucro maior de praticamente o dobro do mercado normal.O custo para esse tipo de produção não é tão alto quanto o seu beneficio aoprodutor, pois, como o processo consiste em basicamente registros da vida decada animal, desde seu nascimento até o momento do abate. A rastreabilidade bovina é um processo novo aqui no Brasil, mas quevem ganhando adeptos com muita força, devido às suas vantagens, e o lucrolíquido de quase o dobro do mercado normal. A rastreabilidade bovina será, no futuro, um processo obrigatório a todosos segmentos da pecuária de corte, pois facilita o serviço da vigilânciasanitária, evitando que animais doentes possam ir parar na mesa doconsumidor, podendo gerar doenças, contaminando os seres humanos, e osempresários que já produzem nesse sistema e estão ganhando dinheiro a maisque os produtores convencionais, já estarão um passo a frente dos que farão arastreabilidade quando ela for obrigatória.2.5.2 Controle sanitário bovino Uma prática simples, mas que, por incrível que pareça, muitospecuaristas não a fazem de maneira correta, às vezes por falta deconhecimento, ou por querer reduzir o custo e outras vezes apenas pelodescaso pelo processo. Dentro do controle sanitário bovino, existem várias etapas de vacinaçõesdurante o ano, como por exemplo, a vacinação contra a febre aftosa, contraraiva bovina, contra brucelose, além do controle parasitário de vermes,carrapatos, bernes, mosca do chifre. Uma vacina muito importante e obrigatóriaem praticamente todo o território nacional é a vacina contra a febre aftosa, queé dividida atualmente em duas etapas aqui em Minas Gerais, sendo a primeiraentre os meses de maio e junho e a segunda etapa entre novembro edezembro. 12
  • A vacina contra a febre aftosa é uma vacina de baixo custo comparadoao prejuízo que o pecuarista pode sofrer, com a morte e/ou sacrifício de seurebanho quando detectada a doença, mas um fato que ocorre em muitaspropriedades é que os fazendeiros compram a vacina, pelo fato de serobrigatória pelo governo, mais não a aplicam, deixando seu rebanhodesprotegido da doença, pelo simples fato de a vacina ter uma reação adversano animal vacinado, deixando o animal com o pelo arrepiado, uma leve perdade peso, e com um caroço no local de vacinação, deixando o animalincomodado. O que esses fazendeiros esquecem é que quando é detectado um focoda doença em qualquer região do país, todos os pecuaristas sofremconseqüências por isso, pois o mercado internacional é muito rigoroso emalguns critérios sanitários, sendo esse talvez o mais importante. A realidade é que, quando isso ocorre, o mercado exterior fecha a portapara a importação de nossos produtos bovinos, e com isso entra a lei da ofertae demanda, pois com o aumento da oferta interna e a pequena demandaexterna os preços caem, reduzindo o lucro ou gerando prejuízos aosempresários rurais. A vacina contra raiva bovina não é obrigatória pelo governo, mas é ummétodo de prevenção muito importante, o custo dela é um pouco maior que oda febre aftosa, mas que é justificado pela segurança que é dada ao rebanho,não o deixando correr o risco de perder algum animal por esse motivo, além dorisco de contaminação humana, porque a raiva pode ser transmitida ao homempelo contato com a saliva do animal ou sangue; a carne, desde que bempreparada, não causa risco à saúde. Essa etapa é anual, geralmente nosegundo semestre do ano, ficando, portanto, a critério do pecuarista suaaplicação ou não. A vacina contra brucelose também é obrigatória, como a da febre aftosa,porém destaca-se que é aplicada somente em fêmeas, entre três e novemeses, sendo controlada pelo governo, podendo ser aplicada somente por ummédico veterinário, e é uma vacina de um custo mais elevado do que as outrascomentadas anteriormente, mas cuja aplicação é feita uma única vez durantetoda a vida do animal. 13
  • A brucelose é uma doença séria, que também pode ser transmitida aoser humano, e que acarreta prejuízos a médio e longo prazo, pois gera umanimal infértil, cuja carne ou leite não podem ser consumidos. No caso dacarne, só pode ser consumida se o animal for vendido a um frigoríficoespecializado, que refrigera a carne a uma temperatura muito baixa, o queacaba com a doença, e que possui autorização para comercialização dessetipo de produto, mas isso ainda gerando ao pecuarista inúmeros transtornos eprejuízos, por conseqüência de não conseguir vender seu produto pelo preçoreal de mercado. Segundo Lazzarini (2001), boas condições de qualidade de sanidadeanimal devem fazer parte da filosofia de melhoramento do ambiente na criação,e ainda se sabe que, no Brasil, 60% dos defeitos dos couros têm origem nafazenda, e que destes, 40% são oriundos de ectoparasitas. O controle dasanidade animal, nesse aspecto, extrapola o seu próprio significado veterinárioe se mostra de vital importância para produção de couros de qualidade para aindústria. Os controles parasitários são os maiores custos de manutenção debovinos, seja com os endoparasitas (parasitas internos) ou com osectoparasitas (parasitas externos) como vermes são o maior parasita interno,que reduz o ganho de peso do animal, sua capacidade de desenvolvimento,além de ter um alto custo de controle, dependendo da situação, o rebanhosofre cerca de quatro vermifugações por ano. Os ectoparasitas, como os carrapatos, sugam o lucro do pecuarista, sejapelo baixo desempenho do animal em termos de ganho de peso, baixafertilidade, também é um controle de alto custo ao pecuarista. A mosca dochifre também gera prejuízos, mas em escala um pouco menor que os outrosectoparasitas, pois ela deixa o rebanho incomodado com sua presença,distraindo e cansam o rebanho na tentativa de espantá-las. Ainda falando dos ectoparasitas, felizmente hoje já existem métodosmais eficientes de combatê-los, com tratamentos sem traumas ao rebanho, ealtamente eficazes, combatendo ectoparasitas no cocho de suplementaçãoalimentar. Portanto, o próprio rebanho combate esses parasitas, sem notar queestão fazendo isso, através de uma rotina dos animais que é receber 14
  • suplementação mineral. Esse método, após um calculo detalhado, mostra queseu custo é baixo em comparação a todos os custos para aplicação deprodutos veterinários durante o ano todo, contando desde o estresse do animalao risco de perder algum animal durante o manejo. Então, para o empresário rural, a Embrapa disponibiliza um cronogramade manejo sanitário de bovinos anual, ou o próprio empresário rural pode criarseu cronograma de manejo sanitário que melhor se ajuste a sua região ou asua necessidade.2.5.3 Melhoramento genético Nos dias atuais é inaceitável o pecuarista ter um rebanho com baixagenética ou animais conhecidos por “gado pé duro”, que significa animais combaixa genética e baixo desempenho. Não podemos dizer que o pecuarista temque criar gado de elite para o abate mais sim fazer o cruzamento correto paraobter o melhor desempenho para atender sua expectativa, melhorando odesempenho de sua empresa rural, para então obter lucro e conseguir sercompetitivo no mercado. De acordo com a Embrapa (2000), existem duas ferramentas para sepromover o melhoramento genético: seleção e cruzamento. Seleção é adecisão de permitir que os melhores indivíduos de uma geração sejam pais dageração subseqüente. Cruzamento é o acasalamento de indivíduospertencentes a raças ou espécies diferentes. Existem várias formas de melhorar a genética de um rebanho bastafazer um planejamento correto, observando o clima da região, a topografia,para escolher o animal que possua as melhores características para a empresarural, ou ainda partir para outras tecnologias como a inseminação artificial,transferência de embriões, estação de monta natural ou com inseminaçãoartificial. O que não pode acontecer é o pecuarista continuar com um rebanho debaixa qualidade genética, porque esse pecuarista não sobreviverá, pois, napecuária os outros pecuaristas não são, por incrível que pareça seusconcorrentes diretos. Pois seu concorrente é o mercado, os custos de 15
  • produção, entre outros, porque o empresário rural não consegue de formaalguma, mesmo sabendo seu custo, colocar preço no seu produto (o boi), e opior é que ele não pode estocar seu produto como em outros segmentos daindústria ou do varejo, ficando totalmente nas mãos do mercado. Por isso, aimportância de reduzir ao máximo o custo de produção, e a melhor maneira dereduzir os custos é através do melhoramento genético de cruzamentosindustriais, ou qualquer outro método de melhoramento genético, pois reduziráo tempo do rebanho no pasto ou no cocho, pelo fato dos animais terem umamelhor conversão alimentar, tendo um maior ganho de peso, ficando prontopara o abate no mínimo na metade do tempo dos animais de baixa genética. Existem outras formas de reduzir o custo de produção do rebanho, massão formas que irão aumentar ainda mais o tempo de abate dos animais, o quepara os empresários rurais é prejuízo, e para os fazendeiros que não fazemconta do tempo de abate, o pasto, a suplementação mineral, e a mão de obra amais que esse lote do rebanho demorou em ficar pronto para o abate, e aindaacabam contabilizando como lucro. Segundo Barbosa e Souza (2007), o fazendeiro se esquece de fazer oscálculos de que, enquanto eles gastaram cinco anos para produzirem cem boiscom média de 16 arrobas pronta para o abate em uma área de 100 há, oempresário rural produz 200 bois com as mesmas 16 arrobas, na mesma áreae no mesmo tempo de cinco anos, aumentando a produtividade. E, portanto, oempresário rural produz o dobro com as mesmas características e o mesmocusto de produção do fazendeiro melhorando somente a genética de seusbovinos. Mais pode-se pensar que animais de melhor genética têm customaior, o que acaba sendo uma grande contraversão, pois com as matrizes, nãoprecisamos que sejam de origem pura, o conhecido Puro de Origem (PO), elassó precisam ter boa qualidade genética; os touros sim, quanto mais puros elesforem, melhor será sua produção e em média necessita-se de dois touros paracem matrizes, é uma excelente proporção; por isso, o custo de aquisição dorebanho de boa qualidade genética torna-se irrelevante, e que tanto espanta osfazendeiros, basta apenas fazer os cálculos a médio e longo prazo, paraconstatar que a diferença na aquisição será paga no primeiro lote acabado epronto para o abate. 16
  • Então porque os fazendeiros não melhoram a genética de seu rebanho?Talvez por haver pouco conhecimento e por não haver divulgações reais dadiferença do custo de produção comparando rebanhos com genéticas erebanhos sem genética. E melhoramento genético, como visto anteriormente, não é nenhumbicho de sete cabeças, sendo muito simples no caso de rebanho para o abate.Só é um pouco mais complicado no caso de rebanho Puro de Origem (PO),mas ainda assim basta estudar um pouco a relação sanguínea do rebanhopara enxergar o que precisa ser feito. É muito simples o raciocínio da genética: animais de boa genética irãoproduzir animais de boa genética, e vice versa, por exemplo, se você fizer ocruzamento de um excelente touro com uma matriz de baixa genética,certamente a produção desse cruzamento será um produto de razoável ou atéde boa qualidade; não tem mágica, é muito simples o raciocínio.2.5.4 Cruzamento industrial É o cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, onde o touro égeralmente de raça pura, buscando aumentar a eficiência na produção decarne. A razão principal para se fazer o cruzamento orientado entre raças éaumentar a lucratividade (renda líquida), através do aumento da produtividade(eficiência de produção). Nenhuma raça é perfeita, cada uma tem seus pontosfortes e fracos, o importante é saber fazer o cruzamento certo entre as raças oua heterozigose (cruzamento entre raças). É uma das novas técnicas de se produzir com alta eficiência e eficácia,bastando apenas o pecuarista fazer um planejamento correto, e escolher qual amelhor raça para sua região, qual o melhor estilo de cruzamento industrial,para se ter a maior produtividade por hectare possível, seja no sistema demanejo intensivo (confinamento) ou extensivo (pasto). Só para se formar uma idéia da importância de se produzir com altaeficiência e eficácia: com uma demanda elástica nas classes de até 10 saláriosmínimos, temos que, para um aumento de 10% na renda real desses 17
  • consumidores, 40% serão destinados ao consumo de proteína animal. E dessetotal 48% vão para o consumo de carne vermelha. (LAZZARINI, 2000a). O cruzamento industrial nada mais é que um método de se dar umchoque de sangue entre duas raças diferentes, conhecido no segmento comoheterose, onde se pega, por exemplo, uma raça zebuína que possui umamorfologia diferente e a cruza com uma raça taurina, de onde surgirá ocruzamento industrial, dando a essa nova raça características diferenciadascomo maior precocidade, maior ganho de peso, maior aproveitamento dacarcaça. Como nas indústrias, quanto mais rápido seu produto estiver pronto,menor será seu custo, e conseqüentemente maior será seu lucro, e assim aempresa rural terá mais giro e possuirá um maior capital de giro, facilitandoseus trabalhos diários. Complementaridade – A combinação das qualidades desejáveis dasraças parentais permite a obtenção de uma progênie superior. Ou seja, quantomais as raças utilizadas se complementarem nas características produtivas,melhor será o resultado dos produtos do cruzamento. O exemplo mais clarodisso é combinar características de adaptabilidade, ou seja, aproveitaremos aresistência e fertilidade das vacas zebu, e o ganho de peso, precocidadesexual e de acabamento das raças taurinas européias. Heterose - É a superioridade média dos produtos de cruzamento emrelação à média do país. A heterose será maior quanto maior for a distânciaevolutiva entre as raças em questão, ou seja, quanto tempo atrás elas sedistanciaram no processo de seleção natural e seleção induzida pelo homem. E as vantagens do cruzamento industrial não acabam aqui, pois além deo produto ficar pronto antes dos concorrentes, ele possui um baixo custo deprodução em relação a outras raças, porque normalmente uma raça comum,sem heterose, demora cerca de quatro a cinco anos para estar pronta; nocruzamento industrial, leva-se cerca de dois a três anos, aproximadamentemetade do tempo gasto em comparação a uma raça comum. E ainda como o produto é terminado mais cedo, possui maior qualidadena carne, tendo uma carne mais macia e saborosa, e por conseqüência, oprodutor ganha um pouco mais por arroba, então uma mudança simples naforma de produção pode aumentar e muito o ganho do empresário rural, seja 18
  • no tempo gasto para produção e valor agregado que o produto possui ou porter maior qualidade. A características do rebanho originado de cruzamento industrial noBrasil, é de maioria do gado de corte de origem zebuína, em maior numero osda raça nelore, cujas matrizes não possuem um alto custo e já é a raça que osfazendeiros trabalham em maior escala, portanto é só o empresário ruraladquirir um touro de uma raça européia, e pronto, ele já estará causando umaheterose e aumentando a eficiência do seu rebanho. E porque os fazendeirosnão optam por esse tipo de cruzamento? Porque justamente esses fazendeirosainda não se tornaram empresários rurais, seguem aquela história de “meu avôfazia assim”, “meu pai também” e continuam seguindo essa maneira deproduzir, e infelizmente poucos fazendeiros tornaram-se empresários rurais,produzindo com eficácia, tendo controle do seu negócio, sabendo seus custos,se atualizando, e seguindo as tendências do mercado. Infelizmente esses quese mantiverem como fazendeiros logo estarão decretando falência, pois nãoentendem que o sistema que seus antecessores trabalhavam hoje nãosobrevive mais.2.5.5 “Boi verde” versus “boi orgânico” O conceito de “boi verde” é muito mais simples do que parece, poissimplesmente é aquele boi criado totalmente a pasto, como se faziaantigamente e como ainda é feito na pecuária extensiva. O conceito de “boi orgânico” é aquele boi criado a pasto ou confinado,que porém exige ser tratado de maneira diferenciada, ficando sem acesso anenhum produto industrializado, e ainda exige uma rastreabilidade quecomprove que aquele boi não teve contato com nenhum produto que não sejanatural. Apesar de haver as diferenças, advoga-se que “o boi orgânico estariainserido em um filosofia holística que, além da produção, de carne preocupa-seainda com os aspectos sócio-ambientais envolvidos”. Um exemplo de norma éa exigência de que todas as crianças da fazenda estejam freqüentando aescola (EMBRAPA, 2000a). 19
  • É importante ressaltar que existe mercado para ambos os produtos, qualo melhor? Dependerá de uma avaliação de cada empresário rural, para definirqual dos segmentos se enquadra mais em sua necessidade de produção, euma analise crítica de mercado desse produto em sua região. Existe um maiorvalor agregado a esse tipo de produção de carne, mas talvez o boi orgâniconão seja tão rentável, comparando-o com o boi verde, que é a maneira maiseconômica de se produzir carne, e o nicho mercado do boi orgânico e suagrande maioria está no exterior, forçando o produtor desse tipo de carne aoptar pela a exportação. O que não pode existir de forma alguma é uma rivalidade desonestaentre os segmentos da pecuária de corte, trabalhando em cima dos pontosfracos de cada segmento, pois quando isso acontece abre espaço para outrostipos de produção de carne, como a carne de frango, de suíno, e até carnesexóticas, como de rã, avestruz, jacaré, entre outras, alem do vegetarianismoaumentar, portanto a competição entre os segmentos pode existir, mas desdeque com cautela para que não prejudique todo o setor.2.6 TRASNFORMAÇÃO DE FAZENDA EM EMPRESA Foi se o tempo que o fazendeiro era apenas um caipira, que não sabialer nem escrever, que sabia apenas produzir para sobreviver de sua fazenda,plantando o que iria comer, e o que sobrar para vender, e que inspirarammuitos compositores, com seu jeito simples de viver e sobreviver. Mas com a chegada da tecnologia no campo com a globalizaçãomundial, o capitalismo, a revolução industrial, entre outros fatores, aos poucosforam acabando esses fazendeiros chamados por alguns de caipiras, e algunsse modernizaram um pouco e atuam até hoje, mas logo também saírão docenário e darão lugar ao empresário rural que já chegou e em curto prazoassumirá a totalidade dos negócios do campo. O empresário rural é preocupado com o lucro liquido da sua empresa,sabe realmente seu custo de produção, seja por unidade ou por totalidade, émoderno, utilizando todos os recursos tecnológicos necessários para que suaempresa atinja o máximo de produtividade possível, aproveitando tudo e toda 20
  • área de possível exploração. Também é preocupado com o lado ambiental daempresa, preservando suas reservas e minas naturais, além de se preocuparcom o lado social de seus colaboradores, buscando sempre formas deincentivá-los a trabalharem melhor, oferecendo-lhes cursos e oportunidades deadquirirem conhecimentos. Mas a transformação de fazendeiro para empresário rural não é fácil enem é de graça, pois exige esforço de todos os envolvidos em sua empresa, etalvez a segunda etapa mais difícil dessa transformação seja a conscientizaçãodos colaboradores, que as coisas mudaram e que eles terão benefícios comessas mudanças, mas também terão deveres para que essa transformaçãopossa ocorrer da melhor maneira possível. A primeira, a mais importante e amais difícil etapa, é a conscientização do fazendeiro de que ele precisa setornar um empresário e que, para que isso possa acontecer, ele precisa mudar,e em alguns casos mudar muito seus métodos de administração de suaempresa, se atualizando e utilizando ferramentas administrativas para gerir suaempresa, aproveitando os seus pontos fortes e melhorando seus pontos fracos. Alguns fazendeiros dizem que essa etapa da transformação é muitodifícil e dependendo de seu segmento de negócio pode ficar muito onerosa,alguns precisaram mudar muitas coisas de suas estruturas, além de demitiralguns funcionários que não quiseram ou não conseguiram se adaptar ao novométodo de gestão de seu negócio. O general que vence a batalha é aquele que, no tempo ancestral, efetuou muitos cálculos detalhados e avaliações prévias e considerou que a maioria dos fatores está a seu favor. O general que perde a batalha é aquele que, no tempo ancestral, antes da batalha, faz poucos cálculos de antemão [...]. Se eu observar desta perspectiva, posso antever a vitória e a derrota, que me serão evidentes!. (CLAVELL, 2008: 33). Mas, felizmente, para o segmento de pecuária de corte essatransformação é um pouco mais fácil, pois a estrutura a ser utilizada serámenor, o número de funcionários é bem menor, a única etapa que ainda acabasendo de grande dificuldade é a conscientização do fazendeiro para se tornarum empresário rural, e aceitar que seus métodos de gestão podem estar 21
  • gerando prejuízos ao invés de lucro, e ainda aceitar que sua gestão não é maisindicada para o segmento. Para a pecuária de corte, é dever do empresário rural maximizar aprodutividade por área, por animal, e aproveitar todos os recursos naturais quesua propriedade possa oferecer, lembrando sempre de não prejudicar o meioambiente. Quando se diz em maximizar a produtividade por área, busca-sedizer que uma área onde se produzia 100 animais/ano, e tem potencial paraproduzir 150 animais/ano, é dever do empresário rural tornar essa estatísticaem realidade, seja tratando as pastagens de forma adequada, com adubações,calagem de solo, e descanso do terreno de forma adequada, ou sejamelhorando a genética de seu rebanho, aumentando a fertilidade, a conversãoalimentar, o ganho de peso, entre outros. No mesmo sentido, a produtividadepor animal, é dever do empresário rural identificar porque seu animal não rendeo necessário, se é por falta de pastagens de qualidade, por falta de genética,por falta de uma suplementação mineral de qualidade e adequada ànecessidade diária de cada animal, ou por falta de controle sanitário de seurebanho. A Cadeia Produtiva de Peles e Couros, em conjunto com o SistemaAgroindustrial das Carnes, encontra-se entre os segmentos de grandepotencial competitivo e inserção internacional. Essa afirmativa ganha aindamais destaque quando se considera que as pesquisas em peles e couros vêmassumindo um caráter mais abrangente, extrapolando as ações usuais deaplicação do produto em manufaturados e artefatos em peles e couros, entreoutros. (EMBRAPA, 2001a). Falando ainda da produtividade por animal, poucos produtoresaproveitam o couro de seus animais, subproduto que tem mercado, e que namaioria dos casos é jogado fora pelos açougueiros e frigoríficos, queaproveitam os pouquíssimos couros que chegam até eles nas condiçõesnecessárias para serem aproveitados na indústria como matéria prima paraprodutos à base de couro. O que é preciso fazer para obter um ganho umpouco maior por animal, com a venda do couro, é melhorar instalações comocercas, currais, transporte, e manejos, o que acaba sendo coisas muito simplese de fácil solução, para um ganho extra e de direito do empresário rural. 22
  • Utilizar planejamentos para que sua propriedade possa ter um destino aser alcançado, para que seus colaboradores saibam aonde a empresa querchegar, e como eles devem contribuir para que isso aconteça. Para auxiliar oempresário rural, existem vários tipos de sistema de informações, que fazem ocontrole de natalidade, período de desmama, peso ao nascer, peso aodesmame, peso ao abate, enfim são informações que podem orientar oempresário rural, mostrando o que precisa ser mudado e o que está sendo bemfeito, para que a empresa possa atingir suas metas e assim alcançar seusobjetivos, tudo em prol da empresa. Outra coisa importante é fazerem que o antigo fazendeiro e agoraempresário rural entenda que o lucro da empresa não pode ser o mesmo lucroseu, é importante ele saber que grande parte desse lucro precisa serreinvestido na propriedade ou investir em outra propriedade, isso deixa osfazendeiros irritados, pois a maioria deles pensam que, por serem donos daempresa, o lucro que ela possa dar é deles e de mais ninguém. E o último trunfo da transformação de fazenda em empresa é trabalhar omarketing de sua propriedade, sim, marketing de empresa rural. Alguns podemver isso com maus olhos, e dizerem que é loucura falar em marketing rural,mais isso é possível e já é realidade, basta observar quantos canais voltadosao agronegócio estão surgindo, que trabalham somente com esse segmento, eque estão crescendo trabalhando o agronegócio, fazendo com que ele cresça,e obtendo lucros com isso, através de divulgação de produtos destinados aoagronegócio, realizando transmissão de leilões e divulgação de propriedadesque produzam determinados produtos e que os queiram expor em Televisãopara aumentar a demanda por seu produto, mostrando a outros empresáriosrurais interessados em adquirir esse produto onde encontrar, quanto custa, ecomo comprar, isso não seria marketing? Ou ainda, divulgar sua propriedade como propriedade modelo, quepensa no meio ambiente, no social de seus funcionários, e que produz comsustentabilidade, o que significa produzir sem prejudicar outros biomas, oecossistema, não explorando o trabalhador; portanto o marketing rural é umarealidade e precisa ser explorado, e há muito mercado para essa exploração.Até na Televisão aberta, observando alguns jogos no estádio de Presidente 23
  • Prudente, pode-se ver alguns outdoors com o nome de uma raça chamadaCanchin, anunciando a venda de touros.2.6.1 Mudanças de horizontes A atual pecuária de corte brasileira está começando a mudar seushorizontes, deixando de ser um processo de produção antigo e semodernizando com a ajuda da Embrapa, órgão governamental de pesquisa eapoio ao agronegócio. Os fazendeiros ou produtores rurais estão aos pouco,mudando e se tornando empresários rurais, alguns criando barreiras, outrosnão, mas o fato é que as fazendas estão aos poucos mudando e se tornandoempresas, e com isso todos os que estão ligados ao agronegócio tambémestão se adaptando ao novo modelo de gestão rural. É difícil para alguns fazendeiros imaginarem suas fazendas comoempresas, mas o que todos querem, tanto os fazendeiros quanto osempresários, é o lucro, e com a concorrência mudando, se aperfeiçoando, amargem de lucro ficando cada vez menor, não há outra solução para ofazendeiro a não ser se tornar um empresário rural, seja por vontade ou sejapor necessidade do mercado, pois quem não acompanha o mercado, morre. Pode soar dura essa realidade, porém muitos especialistas nãoenxergam outra solução, a não ser o fazendeiro se tornar empresário. Planejaro futuro do negócio, utilizar metodologias administrativas, pesquisar ummercado, buscar informações, investir em máquinas, infra-estrutura e mão-de-obra capacitada, são algumas mudanças que deverão ser rotina na empresarural. E a pecuária é parte desse nicho de segmentos que deverão semodificar e se atualizar com a nova caracterização de fazendas em empresas,a boa notícia é que a pecuária e o agronegócio brasileiro estão, pelo menos emtermos de pesquisa e órgãos pesquisadores, a muitos passos na frente deoutros países emergentes, podendo até competir com igualdade com paísesdesenvolvidos. Isso será uma grande vantagem para o Brasil no futuro, poiscomo muitos dizem pelo mundo, o Brasil será o celeiro do mundo, pela 24
  • extensão territorial, pela qualidade de suas terras produtivas e em grande partefacilidade de mecanização. Portanto, todos os que são ligados ao agronegócio brasileiro, precisammudar seus horizontes, se tornar profissionais, produzindo com qualidade esendo eficientes, explorando ao máximo toda a vantagem que nosso clima,nossas terras, nossa tecnologia desenvolvida aqui e por nós brasileiros, nosorgulhando disso e aproveitando esse ponto forte de nosso país. Então por queentrar na disputa de mercados industrializados e deixar de lado o nossoagronegócio? Por que esse preconceito que existe com os empresários rurais,quanto a liberação de linhas de créditos em instituições financeiras? Oempresário rural precisa e deve ser tratado com igualdade, perante osempresários industriais, já basta todos esses anos em que os empresáriosrurais estão sofrendo, pelo fato do preço do seu produto no mercado estarcaindo, o custo de produção subindo, e como o agronegócio produz alimentosque em sua grande maioria são perecíveis a curto prazo e não tem como oprodutor estocá-lo trabalhando com a lei da oferta e demanda, esperando aoferta cair e preço subir para vender seu produto. Por isso devemos por nossa própria vontade nos tornamos profissionais,transformando nossas fazendas em empresas, buscando nas tecnologiasmeios de diminuir o custo de produção e conseqüentemente aumentar o lucro. E devemos lutar por tudo isso sem vergonha de dizer “Sou umempresário rural”, pois o agronegócio é muito importante e é dito por algunseconomistas como um dos pilares da economia brasileira e não é para menos,pois somente a pecuária de corte reponde por 7% do PIB brasileiro em 2007, eserá, no futuro, se trabalharmos agora, a principal fonte de renda dosbrasileiros. Portanto, se ficarmos esperando alguém fazer essa mudança pornós, iremos morrer sem que isso aconteça, por isso a hora de mudar é agora.(ANTONIALLI, 2008: 10).2.6.2 Visão empresarial Esse tema visão empresarial é, sem dúvida, o que mais falta para osfazendeiros, pois visão empresarial foca resultados, podendo ser de curto, 25
  • médio, e longo prazo, variando de acordo com o planejamento do empresáriorural. É parte importante do novo modelo de gestão rural, pois determina ondeo empresário rural pretende chegar; depois de definida essa visão, é precisoque todos os envolvidos no trabalho da empresa a conheçam, pois assim todosficarão alinhados e saberão quais são os planos para o futuro da empresa,aonde ela quer chegar, e assim também podem identificar até onde podemchegar em seus cargos e até onde podem crescer. E a empresa, possuindoessa visão empresarial, fica fácil estimar metas tangíveis para que consiga seuobjetivo de atingir essa visão e depois criar outra, que possa fazer a empresacrescer e lucrar ainda mais. A grande maioria dos fazendeiros não possui uma visão de seu negócio,isso quando sabe qual é realmente seu negócio, mas se eles não sabem ondequerem chegar, como farão para continuar trabalhando em seu segmento?Como estabelecer metas? Como criar um planejamento estratégico? E o maisimportante como conseguir obter lucro? São perguntas de difíceis respostaspara qualquer um de nós administradores, é muito importante que osfazendeiros ao se tornarem empresários rurais, saibam aonde pretendemchegar. E analisando a expressão “visão empresarial” literalmente, é necessárioaos fazendeiros que se tornarem empresários rurais verem suas empresascomo os empresários industriais vêem suas empresas; é necessário ver suaempresa como uma ferramenta geradora de lucro, não só para o proprietário,como para os clientes, fornecedores e também para os colaboradores, pois énecessário ter um circulo vicioso, chamado de ganha-ganha, isso mesmo,porque não é somente o empresário que deve lucrar, porque todos osenvolvidos nos elos da empresa necessitam lucrar. Caso contrário, esse elo sequebra, e prejudica toda a corrente de lucro, é claro que não é preciso quetodos esses elos lucrem igualmente, mas o importante é cada um dos eloslucrar um pouco. Quanto mais profissional for o empresário rural, mais profissionais serãoseus colaboradores; visão empresarial não quer dizer que não se deixa espaçopara erros, eles até podem acontecer, mas já estavam previstos anteriormente.A idéia é minimizar as chances de acontecerem erros sendo calculistas e 26
  • profissionais. Empresa que possui visão possui futuro, pois ela sabe o que querpara ela, trabalha de forma profissional, e lucra com isso.2.6.3 Controle financeiro Esse tema é algo essencial não somente para a empresa rural, comopara todas as empresas, como também em nossas vidas pessoais. Não épossível crescer sem controle, e de nada adiantará um bom planejamentoestratégico, se a empresa não tiver controle financeiro sobre seu negócio, eficar retendo ou liberando dinheiro sem critérios para essa ação, portanto épreciso haver interação entre os setores da empresa. Controle financeiro não significa somente reter os recursos financeirosda empresa, seguindo o sentindo literal da palavra, significa saber o que estáfazendo para não prejudicar a empresa no futuro aplicando e investindo osrecursos da melhor maneira possível, e que possa render o máximo possível. Trabalhando com empresas rurais, na maioria dos casos não se tem umprofissional especifico para essa função, geralmente são profissionaispolivalentes que executam diversas funções, o que pode facilitar essa ação,desde que o profissional seja competente e comprometido com resultado, mas,por não ser um especialista na área, e também ter que se preocupar comoutras situações rotineiras, as chances de cometer falhas são maiores do quepara um especialista trabalhando especificamente nessa área, e que se dedicartotalmente para a função, criando alternativas e oportunidades ao negócio. Mas, graças à tecnologia de Sistema de Informação, e o agronegócionão ficou de fora, existem softwares específicos para o agronegócio e tambémfocados somente na pecuária de corte, o que facilita o processo de informaçãoda empresa, auxiliando os empresários rurais nas tomadas de decisões,criando situações futuras e já se preparando através de planejamentos, eassim não sendo pegos de surpresa, podendo sair na frente dos fazendeiros eobtendo maiores lucros. Por trás de toda grande empresa e todo grande planejamento, éimprescindível ter um bom controle financeiro, pois de nada adiantarão, os 27
  • esforços em se criar um excelente planejamento, se a empresa tiver comproblemas no setor de finanças.2.6.4 Adequação aos princípios da administração Para os fazendeiros, essa fase pode ser considerada sem importânciapara seu negócio, pois apresenta teorias e fundamentos científicos, queembora sejam embasados em muita pesquisa, é muito difícil a aceitação, atémesmo em empresas industriais com conceitos antigos, e no agronegócio, emespecial a pecuária de corte não é diferente, pois existe uma forte resistênciados fazendeiros em se tornarem empresários, e quando lhes são apresentadosos métodos e princípios administrativos, é como se o mundo desabasse sobreeles. Todos aqueles princípios administrativos são usados pela empresa ruralmesmo que os fazendeiros não saibam, princípios como comandar, controlar,dirigir, segurança, são usados rotineiramente sem que eles o percebam, masprincípios como organizar e planejar são as grandes fraquezas das empresas,não só as empresas rurais, mas também em muitas empresas industriais, poisna maioria delas não existem organização e planejamento, e sem organizaçãoe planejamento, não há como executar os outros princípios com eficiência.Como dito, eles são usados mais ocasionalmente, sem que os fazendeiros ospercebam, e quando são apresentados aos fazendeiros que estão em processode transformação em empresa, eles os vêem como bicho de sete cabeças e osprincípios que eles não usavam, que são o da organização e planejamento,eles afirmam que os usam eficazmente. Mas na busca de informação sobre o setor, e através de notícias, e porconhecer alguns fazendeiros que estão buscando a transformação de suafazenda em empresa, felizmente observa-se o aumento considerável dessatransformação, o que é uma boa notícia para todos nós do agronegócio, porqueessa mudança transformará as fazendas em empresas rurais sustentáveis,sendo mais eficientes e eficazes. Obter-se com perfeição uma boa organização sobre uma empresaindustrial não é fácil, mas organizar e manter organizada uma empresa rural é 28
  • extremamente difícil, pela cultura de toda a mão-de-obra ligada aoagronegócio, em não aceitar essa mudança de costume. Por isso é muitodifícil, mas não impossível, é necessário, muito, dedicação e treinamentos comprofissionais externos à empresa, para que isso possa entrar nas cabeças dosfuncionários. Planejamento é outra grande fraqueza, que deriva da falta deorganização, pois sem dúvida não há como criar um planejamento para umaempresa desorganizada, e se criar-se um planejamento, certamente não seráexecutado, pois a desorganização criará barreiras para que essa execuçãopossa ser seguida com perfeição, ao invés de apenas corrigir somentepequenos desvios ao longo do planejamento. É difícil, mas muito difícil um pecuarista tradicional compreender essasmudanças, mas não se vê outra opção a eles, pois é o caminho que o mercadoestá seguindo, e nadar contra a correnteza é suicídio. Mesmo que seja a médioou a longo prazo, essas mudanças ocorrerão em todos os segmentosenvolvidos no agronegócio, mas como os empresários rurais sempre saem nafrente dos fazendeiros, eles obterão mais lucro, e quando os fazendeiroscomeçarem a mudar seus princípios administrativos, os empresários rurais jáestarão com eles aperfeiçoados, sem dificuldades para controlar suasempresas rurais.2.7 COMPORTAMENTO DO EMPRESÁRIO RURAL O comportamento do empresário rural é obviamente claro perante ocomportamento do fazendeiro, os empresários rurais sabem seus custos deprodução na ponta da língua, conhecem as tendências do mercado, estãosempre buscando alternativas de aumentarem seus lucros, conhecem enormalmente têm algum curso superior. Já o comportamento dos fazendeiros,pode-se dizer que é o oposto de tudo o que foi dito do empresário rural. O empresário rural nunca está satisfeito com o rendimento de suaempresa, ele quer sempre que a empresa cresça, se o mercado de seusegmento está em baixa, ela busca meios para poder desviar sua empresadessa tendência, isso quando ele não se planeja antes e planeja todo um 29
  • cenário para que possa contornar essa situação. No caso de pecuaristas se ospreços estão em baixa, eles normalmente seguram os bois no pasto, fazendocom que a oferta caia e a demanda aumente, trazendo consigo a alta dospreços, e não buscam associar-se a cooperativas, para conseguir melhorespreços, ou ainda deixam de usar a rastreabilidade para exportar seu rebanhosem intermediários e assim contornam os baixos preços. O empresário rural não pode mais ficar isolado na fazenda. É necessário que acompanhe as tendências de preços, oriente-se com a opinião de especialistas no mercado pecuário e planeje suas vendas. [...] para tanto, deve-se municiar-se de informações confiáveis e, nesse sentido, uma boa consultoria mercadológica não pode ser dispensada. [...] com analistas de mercados que estudam as tendências e estabelecem os principais cenários de preços possíveis no mercado pecuário, facilitando o processo de planejamento das vendas, [...] oferecendo condições de reduzir os custos de produção. (LAZZARINI, 2000c: 84) O empresário rural, conhece o mercado, e sabe que quanto maior aqualidade e quanto menor for seu custo de produção, maior será seu lucro.Falando-se em qualidade, ele sabe que ela é a essência do seu negócio, poisexiste hoje uma forte demanda, principalmente de produtos alimentícios de boaqualidade, e sabemos ser esse o futuro de todos os segmentos, pois oconsumidor não busca mais apenas preço, ele quer preço e qualidade. É comum encontrar empresários rurais com laptop, aparelhos doSistema Global de Posicionamento (GPS), câmeras digitais e celulares no meiodo pasto ou da lavoura acessando a internet, e negociando sua produção,diretamente de sua empresa, o que há alguns anos atrás era impossível eainda hoje são poucos os que usam essa tecnologia a seu favor. O empresário rural não precisa mais transportar seu gado para umadeterminada cidade para participar de leilões de gado, basta apenas que elefilme seu gado na propriedade, e envie por e-mail a canais específicos nessesegmento, para negociar seu gado e da mesma formar comprar gado, semtocar neles. Somente através da tela de uma televisão ou computador, elepode fazer essa transação diretamente de sua casa, propriedade, oudiretamente do seu pasto. 30
  • Através do Sistema Global de Posicionamento (GPS) é possível fazeruma divisão perfeitamente igual de sua área de pastagens, medido-as atravésdo satélite, e assim demarcam a área onde deverá passar a cerca para obterpastagens com a mesma área. O empresário rural deve estar atento e traçar um planejamento, quantoaos três principais fatores críticos à produtividade do rebanho na pecuária decorte: a gangorra da produção dos pastos (caracterizada tecnicamente comoestacionalidade de produção de pastagens), o potencial genético do rebanho eas condições de saúde dos animais. (LAZZARINI, 2000b). O interessante é que o empresário rural quer aproveitar 100% de todaárea explorável de sua propriedade, sendo assim toda área possível éexplorada para maximinizar seu lucro, cuidando das pastagens, do solo, dasnascentes, das reservas florestais, investindo em genética para aumentar aprodução por ha, enquanto o fazendeiro preocupa-se somente em produziruma quantidade que lhe garanta o sustento familiar, e mantenha a propriedade.Ele não se preocupa com o aproveitamento de sua propriedade, deixando aservas daninhas tomarem conta de suas pastagens, o solo está desgastado esem nutrientes para produzir pastagens de qualidade, nascentes e reservasflorestais ficam a mercê do acaso, não se preocupam em fazer algo parapreservá-los, investimento em genética para o fazendeiro é coisa de veterinárioquerendo ganhar um dinheiro fácil. Pode-se notar que são opostos o fazendeiro e o empresário rural, queenquanto um produz basicamente para a subsistência, o outro produz parafazer sua empresa crescer, com profissionalismo, e objetivos bem traçados,buscando sempre apoio da tecnologia, aproveitando tudo de melhor que elapode proporcionar-lhe para aumentar ao máximo seu lucro, no menor espaçode tempo possível e com o menor custo benefício possível.2.7.1 Lucro versus pecuarista Existem muitas pessoas que dizem que a pecuária não dá lucro, que osprodutos que dão lucro na realidade são café e soja, a questão é a seguinte:todos têm direito a ter uma opinião sobre determinado assunto, mas para dar 31
  • uma opinião é preciso conhecer a fundo o que será opinado, para nãoinfluenciar nas decisões de outras pessoas, é preciso ter fundamentoscientíficos que comprovem algo. Captar recursos em financiamento sem estimar a possibilidade de retorno e pagamento do capital é como atirar no escuro. Muitos “se enforcam”, admitindo ser imprescindível o financiamento, mas não observam os juros reais embutidos no empréstimo e nem a sua capacidade de quitar a dívida. [...]. (LAZZARINI, 1995: 61). É claro que a pecuária, como tantos outros segmentos, não é nenhumagalinha dos ovos de ouro, o que é preciso ser feito é reduzir os custos deprodução ao máximo, e aumentar a eficiência de sua produção, através de boagenética, boas instalações de manejo, boas pastagens, enfim, investir emqualidade e na produtividade para se obter lucro. Pois existe um ditado que diz:“Cada um colhe o que planta”, portanto é necessário trabalhar com produtos dequalidade para obtermos qualidade. Segundo Barbosa e Souza (2007), o cálculo não necessita ser muitocomplexo para concluir algo sobre a comparação de lucro versus pecuária. Porexemplo, se atualmente um pecuarista produz cem animais/ano em uma áreade 100ha, está claro que a produtividade por área está baixa, portanto, oempresário rural deverá aumentar essa produtividade explorando ao máximotoda a potencialidade de suas terras, através do manejo e adubações deacordo com as necessidades de minerais, e também se for o caso, trocandoseus animais por outros animais de melhor genética e qualidade. Aumentando assim a eficiência da propriedade, pois se em umapropriedade de 100ha é possível produzir quatrocentos animais/ano, ao invésde produzir somente cem animais/ano algo está errado. É preciso identificaronde está a falha no processo e corrigi-la, porque o prejuízo é muito maior coma menor produção do que com manejos para suprir as necessidades mineraisda terra. Sendo assim, vamos aos cálculos: trezentos animais/ano é o potencialperdido pela propriedade, colocando valores, trezentos animais prontos para oabate a um preço de R$ 80,00/arroba considerando animais de 16, darão umareceita líquida de R$ 384.000,00. Já a manutenção anual do solo de uma área 32
  • de 100ha fica em aproximadamente em torno de R$ 100.000,00 sendo assim oempresário rural deixa de faturar R$ 284.000,00/ano, sendo que o custo deaquisição dos animais é o mesmos, o custo de aquisição da propriedade é omesmo, os impostos serão os mesmo, isso se produzir cem animais/ano ouquatrocentos animais/ano. (BARBOSA; SOUZA, 2007). Além desse potencial que pode ser explorado, a pecuária de corte é umsegmento muito versátil e é compatível com outros segmentos, pois não exigegrande uso de mão-de-obra durante o ano, portanto a mão-de-obra utilizada napecuária pode ser aproveitada em outro segmento, um segmento queagregaria um grande valor à propriedade rural é o conhecido hotel fazenda,onde o empresário rural pode agendar períodos em que não está comatividades de manejo com o gado ou a propriedade e lucrar com o turismorural, que é uma atividade barata, com um bom custo beneficio aproveitando aociosidade da fazenda. O turismo rural é uma atividade que está em alta, e éuma boa alternativa para aumentar o lucro da empresa rural.2.7.2 Análise SWOT A análise de SWOT é o estudo que identifica os pontos fortes e fracosde uma empresa, seja qual for o segmento em que ela atue, sendo assim éimportante lembrar, que no agronegócio, essa análise é de grande importânciatambém para que o empresário rural possa visualizar o que sua empresa estáfazendo de bom e o que ela precisa melhorar. O objetivo da análise é possibilitar que a empresa se posicione para tirar vantagem de determinadas oportunidades do ambiente e evitar ou minimizar as ameaças ambientais. Com isso a empresa tenta enfatizar seus pontos fortes e moderar o impacto de seus pontos fracos. A análise também é útil para revelar pontos fortes que ainda não foram plenamente utilizados e identificar pontos fracos que podem ser corrigidos. (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2000: 86). Faremos uma análise dos pecuaristas de pequeno porte e dospecuaristas de médio e grande porte, para conseguir entender a SWOT,faremos um comparativo entre elas para identificar qual modelo apresenta mais 33
  • vantagens e que deve ser utilizado, com base nesse estudo de forças efraquezas.Quadro 1 – Pecuaristas de pequeno porteForças: Baixo custo de produção, terras e clima favorável para produção degado de corte.Fraquezas: Ineficaz, Ineficiente, falta de planejamento, desorganização,desunião de pecuaristas, alto custo de produção por área.Oportunidades: Tecnologias disponíveis a baixo custo, preço do hárelativamente baixo, exportação.Ameaças: Doenças sanitárias bovinas, fechamento do mercado externo,aumento na demanda por grãos e tendência de expansão de usinas deprocessamento do etanol e chegada do biodiesel.Fonte: Elaborado pelo autorQuadro 2 – Pecuarista de médio a grande porteForças: Eficiência, eficácia, organização, planejamento, alta produtividade,baixo custo de produção, aproveitamento total da propriedade.Fraquezas: Dificuldade de implantação, falta de mão-de-obra capacitada.Oportunidades: Estratégias de marketing, exploração de outros segmentoscomumente com a pecuária de corte, negócios virtuais.Ameaças: Fechamento do mercado externo por culpa de outros pecuaristas,aumento na demanda por grãos e tendência de expansão de usinas deprocessamento do etanol e chegada do biodiesel.Fonte: Elaborado pelo autor Os Quadros 2 e 3 fazem um comparativo entre a atual pecuária de cortebrasileira, e a empresa rural. Como pode ser visto, a caracterização defazendas em empresas é sem duvida o melhor negocio para os pecuaristas decorte, pois não há duvidas de que, se continuar a trabalhar seu negócio comofazendeiros não sobreviverão, pois os grandes concorrentes não são os outros 34
  • pecuaristas, mas sim agricultores e usineiros, que fazem grandesinvestimentos em seus negócios, e o mercado aponta para forte demandafutura de seus produtos, seja o etanol, seja produtos alimentícios. Se ospecuaristas não se tornarem empresários rurais da pecuária, perderão espaçono mercado, por não terem seus custos de produção controlados e não seprofissionalizarem como fizeram os usineiros e alguns agricultores. Apesar deserem segmentos diferentes, quando dizemos perder espaço queremos dizerespaço em área ha (hectares) de terra e espaço de mercado. Talvez esse tipo de concorrência seja pior que as concorrências domesmo segmento, pois o cenário dele pode continuar igual, mesmo que o seusegmento tenha sofrido uma grande crise, o mercado de outro segmento podecontinuar normalmente, sem ao menos ter alguma previsão de risco.2.8 SUCESSO DO SEGMENTO DA PECUÁRIA Sucesso é derivado de muito trabalho e dedicação de quem o alcançou,ou almeja alcançá-lo, porque o único lugar em que o sucesso vem antes dotrabalho é no dicionário. Sendo assim, é de grande importância o investimento em melhoria degenética do rebanho, investimentos em infra-estrutura. Trabalhar a pecuária decorte não apenas como dizem por aí, que é apenas soltar o gado no pasto eesperar para se ter um lucro ou prejuízo. Trabalhar na pecuária de corte écomo se fosse uma arte, pois os empresários rurais, além de explorar todo opotencial produtivo de sua propriedade e rebanho, devem ainda criar atividadesprodutivas secundárias para a propriedade. Um exemplo já dado em outrocapitulo é o aproveitamento do turismo rural, que é muito rentável, e ainda épossível criar ovelhas e avestruzes consorciados ao rebanho bovino. Dasovelhas pode explorar-se a lã e a carne e dos avestruzes explorados as plumase a carne. Essas são consideradas carnes nobres, esses são apenas algunsexemplos de criação de outras espécies, em consórcio com rebanhos de gadode corte, pois os três exemplos são de custo muito baixo, sendo que em todosos três exemplos, os custos são basicamente o custo de aquisição dos 35
  • animais, e como se alimentam das mesmas pastagens que os bovinos, masem quantidade muito menor que os bovinos, o custo é quase zero. O justo equilíbrio entre a produção (que busca a produtividade, a qualidade, etc.) e o gerenciamento financeiro (que busca maiores lucros na empresa rural) é o sustentáculo de toda e qualquer atividade agropecuária. (LAZZARINI, 2000f: 115). Todos os fazendeiros podem alcançar o sucesso basta seprofissionalizarem, pois o conhecimento está ao alcance de todos, e o fato éque todos os fazendeiros que se profissionalizarem, tornando-se empresáriosrurais terão grandes chances de alcançarem o sucesso, mas para aquelesfazendeiros que resistirem a essa mudança, terão grandes probabilidades dedecretarem falência, pois o custo de produção que eles não sabem qual é,cada vez maior, a desorganização e a falta de planejamento são pontos fracos,e serão pontos fortes que favorecerão os que já tiverem se tornadoempresários rurais. A conseqüência será que os empresários rurais acabarãocomprando as propriedades desses fazendeiros que irão falir e venderão suaspropriedades quase de graça, isso quando as instituições financeiras não ofizerem antes, para pagar as dividas de empréstimos e custeios. A pecuária é um segmento muito promissor do agronegócio, mas foi umpouco prejudicada pelo fato de o etanol ter ganhado tanta importânciainternacional como alternativa na substituição ao petróleo, mas ela certamentesobreviverá, pois não exige terrenos planos ou mecanizados para sertrabalhada, e até mesmo terrenos pedregosos são úteis para a pecuária decorte. O processo de transformação de fazenda em empresa é muito difícil, oumelhor dizendo, burocrático, pois exigirá planejamento e não apenas a decisãodo fazendeiro em executar determinada tarefa ou fazer determinandoinvestimento, será tudo muito bem estudado e pesquisado antes de se tomardeterminada decisão. Mas o Brasil é um país de extensão territorial continental, bastaráapenas um bom planejamento governamental, conscientização eprofissionalização dos fazendeiros, que será possível realmente o Brasil ser oceleiro do mundo futuramente, fornecendo alimentos e energia para os outros 36
  • países, por isso tem-se esperança que isso aconteça, pois no momento emque isso acontecer o Brasil poderá se desenvolver muito mais com o apoio doagronegócio do que apenas apoiando-se nas indústrias.2.9 DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS PECUARISTAS BRASILEIROS A principal dificuldade encontrada pelos pecuaristas brasileiros é odescaso governamental, se comparada com outros segmentos do agronegócioe das indústrias. O governo sabe da importância da pecuária para o Brasil,sabe que apesar de ser uma atividade de risco, mas ainda assim riscosmenores que os da produção do café, batata e feijão, o risco que o pecuaristacorre é o de o preço da arroba (medida do quilo grama, sendo que 1 arroba éigual a aproximadamente 15 quilogramas) do boi cair, mas esse é um riscoque esses outros segmentos correm da mesma forma. O pecuarista ainda enfrenta dificuldades naturais, como estiagem maiordo que o normal, falta de água para os animais, alta carga de impostos dosprodutos para usos nos animais, e ainda infecções no rebanho, como febreaftosa, brucelose, raiva entre outras doenças sanitárias. O preço da arroba doboi gordo varia de acordo com o dólar por ser uma commodity agrícola, opecuarista não consegue na maioria das vezes, colocar preço no seu produto,o pecuarista não consegue estocar seu produto, pois um boi que está no pontopara o abate, pode ficar doente e emagrecer rapidamente, gerando assimprejuízos ao pecuarista. Os frigoríficos, são poucos os que possuem permissão para exportação,o que poderia agregar um valor maior ao produto acabado, além dasdificuldades logísticas pelas distâncias dos bons frigoríficos, o que acabafazendo o boi perder peso durante o transporte até o frigorífico, gerandoprejuízos ao pecuarista.2.10 CONCEITO DE ESTRATÉGIA A palavra estratégia tem origem grega, e era utilizada para designar afunção do chefe do exército. Durante muito tempo os militares utilizaram-na 37
  • para designar o caminho a ser seguido na guerra, visando sempre à vitória.Sendo assim, a elaboração de planos de guerra passou a ser denominadoestratégia. Estratégia refere-se aos planos da alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos gerais da organização. Pode-se encarar estratégia de três pontos de vantagem: (1) a formulação da estratégia (desenvolvimento da estratégia); (2) implementação da estratégia (colocar a estratégia em ação); e (3) controle estratégico (modificar ou a estratégia, ou sua implementação, para assegurar que os resultados desejados sejam alcançados). (WRIGHT; KROLL; PARNELL 2000: 24). Com o decorrer dos anos, a palavra estratégia passou a ser mais usadano cotidiano. Na Administração é utilizada para designar o caminho que aempresa irá seguir, no futuro, para atingir os seus objetivos. A palavraestratégia foi agregada a planejamento, que, genericamente pode ser definidocomo o estudo de medidas que serão utilizadas pela empresa no futuro. O antigo conceito militar define estratégia como a aplicação de forças em larga escala contra algum inimigo. Em termos empresariais, podemos definir a estratégia como “a mobilização de todos os recursos da empresa no âmbito global visando atingir os objetivos a longo prazo. Tática é um esquema específico de emprego de recursos dentro de uma estratégia geral. [...] No plano gerencial, orçamento anual ou o plano anual de investimentos é um plano tático dentro de um estratégia global a longo prazo. (CHIAVENATO, 2000: 280). Comparando estratégia e tática, pode-se ver que estratégia refere-se àempresa como um todo, pois possui objetivos globais, busca atingir objetivosorganizacionais, trabalha a longo prazo, e é definida pela alta administração,enquanto a tática refere-se aos departamentos, pois busca atingir objetivosdepartamentais, ou por unidade da organização, busca atingir objetivos amédio ou curto prazo, e é definida por gerentes dos departamentos, ou unidadeda organização. 38
  • Quadro 3: Comparação entre estratégia e tática Estratégia Tática • Envolve a organização como • Refere-se a cada departamento uma totalidade. ou unidade da organização. • É um meio para alcançar • É um meio de alcançar objetivos objetivos departamentais. organizacionais. • É orientada para médio ou curto • É orientada a longo prazo. prazo. • É definida no nível intermediário • É decidida no nível institucional por cada gerente de da organização. departamento ou unidade da organização.Fonte: Chiavenato (2000: 281) Estratégia competitiva são ações ofensivas ou defensivas para criar umaposição defensável numa indústria, para enfrentar com sucesso as forçascompetitivas e assim obter um retorno maior sobre o investimento. (PORTER1997). A Administração Estratégica é, atualmente, uma das disciplinas docampo da Administração de maior destaque e relevância, pela produçãocientífica e também pelo número de consultorias organizacionais. Qualquerorganização, conscientemente ou não, adota uma estratégia, considerando-seque a não adoção deliberada de estratégia por uma organização pode serentendida como uma estratégia. Além disso, a importância maior da Administração Estratégica está nofato de se constituir em um conjunto de ações administrativas que possibilitamaos gestores de uma organização mantê-la integrada ao seu ambiente e nocurso correto de desenvolvimento, assegurando-lhe atingir seus objetivos e suamissão. A estratégia, nesse contexto, assim como a organização e o seuambiente, não é algo estático, acabado; ao contrário, está em contínuamudança, desempenhando a função crucial de integrar estratégia, organizaçãoe ambiente em um todo coeso, rentável e sinérgico para os agentes que estãodiretamente envolvidos ou indiretamente influenciados. 39
  • 2.10.1 Conceito de planejamento estratégico Planejamento estratégico é o processo administrativo que proporcionasustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguidapela empresa visando ao otimizado grau de interação com o ambiente eatuando de forma inovadora e diferenciada. Segundo Chiavenato (2000), as bases do planejamento estratégicoconsiste em quatro passos que são: a formulação dos objetivosorganizacionais, análise SWOT (Análise interna e externa), e formulação dealternativas estratégicas.Figura 1: As bases do planejamento estratégico. Formulação dos objetivos organizacionais O que temos Análise interna Análise externa O que há no na empresa? da empresa do ambiente ambiente? Formulação de alternativas estratégicas O que fazer?Fonte: Chiavenato, (2000: 283) Na formulação dos objetivos organizacionais, criam-se os objetivosglobais da empresa de longo prazo e defini-se a importância e prioridade dosobjetivos. Na análise de SWOT, faz-se uma análise interna da empresa (forçase fraquezas), e uma análise externa da empresa (ameaças e oportunidades).E, por fim a formulação de alternativas estratégicas, onde serão criados os 40
  • planos estratégicos que a empresa pode adotar para alcançar os objetivosorganizacionais pretendidos, tomando como base a análise de SWOT. O planejamento estratégico deve especificar onde a organização pretende chegar no futuro e como se propõe a fazê lo a partir do presente. O fazê-lo planejamento estratégico deve comportar decisões sobre o futuro da organização, como: objetivos organizacionais, atividades escolhidas, mercado, atividades lucros, alternativas estratégicas quanto ao mercado, interação vertical, e novos investimentos em recursos. (CHIAVENATO, 2000: 285). O planejamento estratégico é normalmente de responsabilidade dosníveis mais altos da empresa e diz respeito tanto à formulação de objetivosquanto a seleção de cursos de ação a serem seguidos para su consecução, sualevando em conta as condições externas e internas da empresa como sua s aevolução esperada. (OLIVEIRA, 2004) 2004). Um bom planejamento estratégico não é um bicho de sete cabeçascomo pode parecer, apesar de estratégia ser uma palavra de origem militar.Para se criar um plano estratégico necessita se de uma análise dos ambientes necessita-seinternos e externos, a formulação de estratégias, implementaç implementação dasestratégias, e o controle estratégico.Figura 2: Modelo de administração estratégica.Fonte: Wright; Kroll; Parnell (2000: 27) right; 41
  • Na análise do ambiente externo, busca-se identificar as ameaças eoportunidades; no ambiente interno, identificam-se as forças e fraquezas daempresa, define-se a missão, visão, objetivo, etc.; na formulação, define-se otipo de estratégia, se é empresarial, por unidade de negócios ou funcionais, epor fim implantam-se e controlam-se as estratégias.2.10.2 Importância do planejamento estratégico nas empresas Nas grandes empresas, as estratégias são formuladas para atingir osobjetivos empresariais. Todavia, nas micro e pequenas empresas asestratégias, normalmente, não são planejadas ou não existem, necessitando dealgum tratamento diferenciado. Segundo Mintzberg (1973), apud Fernandes (2007), a estratégia, naspequenas empresas, é definida como o padrão de comportamento estabelecidopela tomada de decisão em face das mudanças ambientais percebidas peloempreendedor. Assim, de acordo com o modo empreendedor, cada tomada dedecisão reflete o comportamento estratégico da empresa. Quanto àcaracterística da estrutura organizacional, percebe-se a simplicidade dos níveishierárquicos e uma estrutura onde o dono da empresa gerencia cada função,exercendo grande influência sobre as decisões de toda a empresa. Contudo, poucas empresas possuem uma estratégia e quandopossuem, em muitos casos, a sua principal meta é o retorno elevado, ou seja,retorno acima da média do seu setor, o que já deve ser visto como um grandeavanço na prática da gestão. Mas é preciso entender que este é um focorestrito, que pode ser bom em curto prazo, mas uma sentença de morte emlongo prazo; isso porque não se busca prever as dificuldades que podem surgirnum futuro, as formas de lidar com elas e muito menos se tem nitidamente aidéia de qual caminho tomar. Segundo Porter (1997), a estratégia talvez seja mais importante para aspequenas empresas que para as grandes, uma vez que as grandes empresastêm uma maior margem de manobra, porque seus recursos são maiores e comisso conseguem sobreviver mesmo com uma estratégia ruim. 42
  • O planejamento serve, antes de tudo, para nortear decisões. Para sedefinir a estratégia empresarial é importante compreender quais são aspretensões dos dirigentes e as reais possibilidades da empresa. É necessáriotambém ter um profundo conhecimento da estrutura empresarial, de suaflexibilidade e de mercado, compreendido como concorrência, potenciaisentrantes, consumidores e potenciais substitutos e, por último, mas não menosimportante, uma boa dose de criatividade, que vai encontrar os melhorescaminhos de venda e as melhores margens. (PORTER, 1989).2.10.3 Importância da definição da missão da empresa Toda empresa que almeje chegar a um determinado objetivo necessitade uma boa e bem focalizada missão, que irá determinar o que a empresapretende fazer, dando um foco, e essa missão precisa ser clara, objetiva,realista, alcançável e precisa ser de conhecimento de todos da empresa, paraque todos possam trabalhar com o mesmo objetivo. Ter uma missão bem focalizada, bem como objetivos gerais e específicos, claros, é igualmente importante para as organizações sem fins lucrativos e para organizações empresariais. (WRIGHT; KROLL; PARNELL 2000: 404). Através da missão de uma empresa, é possível realizar as seguintesquestões: “Qual é o nosso negócio?”, “Quem é o nosso cliente?”, “Qual nossopublico alvo?”. Questões essas que relativamente parecem ser simples, masque fazem grande diferença no momento de definir um plano de negócio ou umplanejamento estratégico. Toda organização pode definir objetivos claros. A determinação do alcance dos objetivos pode ser feita por meio de fixação de parâmetros. [...] Além disso podem ser definidos quocientes de desempenho.(WRIGHT; KROLL; PARNELL 2000: 408). Tendo a missão da empresa definida, com um foco claro e objetivos,passa-se para os próximos passos que são a criação da visão da empresa,(aonde ela quer chegar no futuro, ou o que ela quer ser no futuro), determinam- 43
  • se os objetivos gerais e específicos, pois se uma empresa tem um objetivodefinido, tem-se um foco, tendo-se um foco criam-se portanto metas, que sãoetapas que a empresa deverá cumprir, antes de atingir o objetivo. Objetivo é algo macro que exige passos pequenos para ser atingido,pois se focalizarmos diretamente no objetivo, ele fica mais difícil de seralcançado, e estipulando metas, focalizamos nas etapas, sabendo que éatravés delas que atingiremos o objetivo.2.10.4 Diferenciação A diferenciação pode ser encarada como um dos elos de sucesso deuma empresa, pois os consumidores não querem aquilo que é normal, masalgo que seja diferente; em outras palavras, algo singular, que o deixe com asensação de exclusividade, de ser o único com aquele determinado produto ouserviço. Se uma empresa possui um diferencial competitivo, pode se dizer queela possui uma vantagem competitiva em relação às outras empresas, pois seela tem um diferencial que agrega valor a seu produto, conseqüentemente elaaumenta sua margem de lucro, o que a torna mais competitiva, oferecendo-lheoportunidade de investir mais em tecnologia ou simplesmente aumentar suareceita. Uma empresa diferencia-se da concorrência, quando oferece alguma coisa singular valiosa para os compradores além de simplesmente oferecer um preço baixo. A diferenciação permite que a empresa peça um preço-prêmio, venda um maior volume de seu produto por determinado preço ou obtenha benefícios equivalentes. [...] A diferenciação resulta em desempenho superior se o preço-prêmio alcançado ultrapassar qualquer custo adicionado do fato de ser singular. (PORTER, 1989: 113) Segundo Porter (1989), a diferenciação provém de atividadesespecíficas que uma empresa executa, surgindo da cadeia de valores daempresa. Um bom exemplo de diferenciação é o Cirque du Soleil, que mesmo emum segmento, cujo ciclo de vida está na fase final, conseguiu, através de uma 44
  • diferenciação crescer e conquistar a admiração do mundo inteiro, emborautilizando a mesma apresentação, somente com artistas se sincronizando comas músicas, realizando coisas quase que impossíveis e sem utilizar animais,algo que agradou muito seu público. Com este diferencial o Cirque du Soleilganhou mercado, conquistou novos públicos e cresceu; portanto, nota-se queum diferencial ajuda a empresa conquistar novos clientes e a mantém viva nomercado até que consigam criar algo novo e melhor do que ela fazia. Na pecuária, um diferencial que está em alta na mente do consumidoreuropeu de carne, é a rastreabilidade, que permite saber a origem do produto,as condições em que foi produzido, desde o social até o ambiental daprodução. Geralmente quando se ouve diferencial competitivo, a primeira coisa quevem à mente das pessoas é o marketing. É claro que uma empresa que possuium bom marketing, possui um pequeno diferencial, mas somente o marketing,não dá a ela um diferencial competitivo que lhe dê segurança perante seusconcorrentes, pois para o marketing basta ter dinheiro e bons profissionais parafazê-lo; o diferencial sim, lhe dá uma vantagem competitiva, pois a torna únicana mente do consumidor. A vantagem competitiva é um dos dois tipos de vantagem competitiva que uma empresa pode possuir. O custo é também de importância vital para estratégias de diferenciação porque um diferenciador deve manter o custo próximo da concorrência. A menos que o preço-prêmio resultante exceda o custo da diferenciação, um diferenciador não irá conseguir alcançar um desempenho superior.[...] Os administradores reconhecem a importância do custo, e muitos planos estratégicos estabelecem a “liderança de custo” ou a “redução de custo” como meta. (PORTER, 1989; 57). Portanto, se a liderança no custo é outro diferencial, pois se umaempresa consegue produzir com qualidade a um baixo custo, ela possui umavantagem competitiva perante seus concorrentes e, conseqüentemente, elapoderá oferecer o mesmo padrão de qualidade do concorrente a preçorelativamente menor, com uma margem de lucro maior. 45
  • 2.10.5 Reestruturação empresarial A reestruturação empresarial visa modificar o modelo de gestão edecisão da empresa, criando um novo modelo empresarial que visa obtermelhores resultados. As três modificações do processo de reestruturação são areestruturação organizacional, reestruturação financeira, reestruturação deportfólio. Reestruturação organizacional refere-se à modificação fundamental da própria organização do trabalho no nível empresarial ou reconfiguração de forma radical das atividades e das relações no nível da unidade de negocio. (WRIGHT; KROLL; PARNELL 2000: 128). A reestruturação organizacional pode ser feita em áreas da empresa ouem sua totalidade, pois o objetivo é aumentar a eficiência e eficácia daempresa. Por exemplo, pecuaristas que não utilizam técnicas administrativas etecnologias para melhorarem sua eficiência e eficácia, perdem produtividade, oque conseqüentemente dá-lhes prejuízos, pois o preço é o mercado quem dita,e portanto, quem não aumenta sua produtividade reduzindo custos deprodução fica com uma margem de lucro menor, ou até mesmo amargaprejuízos. Segundo Wright, Kroll e Parnell (2000), a reestruturação financeira visareduzir a quantidade de dinheiro disponível aos executivos da empresa, deforma que eles não possam despender as riquezas da empresa em projetosnão lucrativos, e que lhes pareça lucrativo. Por exemplo, um pecuarista comum projeto de confinar bois para engorda, mas cuja localização geográficaencontra-se num local montanhoso, que inviabiliza a produção de alimentospara os bois, sendo que ele teria que adquirir esse alimento de outra regiãoque consiga produzir com eficiência. Sendo assim, vê-se que esse projeto éinviável, e que o custo de oportunidade é menor quanto a fazer outroinvestimento como, como exemplo uma melhoria das pastagens. 46
  • A reestruturação de portfólio refere-se à aquisição ou desinvestimento de unidade de negócio para aumentar o valor da empresa. [...] A maioria das empresas começa a existir como organizações com apenas um único negócio. [...] Ao competir em único setor, a empresa beneficia-se do conhecimento especializado que obtém concentrando-se em área limitada de negócio. Esse conhecimento ajuda as empresas a oferecerem melhores produtos e serviços e se tornarem mais eficientes em suas operações. (WRIGHT; KROLL; PARNELL 2000: 130). A reestruturação do portfólio da empresa é importante para reduzirincertezas de um determinado produto e para que, em momentos de crise, aempresa possa ter uma alternativa para cobrir um outro produto afetado pelacrise. Mas a diversificação do portfólio deve estar sempre sendo analisada,porque de nada adianta a empresa ter um grande portfólio, que não lhe dêsegurança perante as incertezas dos mercado. Sendo assim, é importanteavaliar também o momento de desinvestir em uma unidade de negócio paraaumentar o valor da empresa. Segundo Wright, Kroll e Parnell (2000), o desinvestimento ocorre quandouma unidade de negócio possui um desempenho ruim ou não se adapta aoperfil estratégico da empresa, e a unidade pode ser vendida a outra empresa. 47
  • 3 METODOLOGIA Para alcançar os objetivos desse trabalho, foi necessário um estudobibliográfico, utilizando-se de um grande banco de dados da EmpresaBrasileira de Pecuária e Agricultura (Embrapa) gado de corte, sendo analisadoo material de pesquisas de longos anos. A região do sul de Minas Gerais é considerada fraca na criação de gadode corte, possuindo tendências para a cafeicultura, que atualmente encontra-seem crise, oportunizando a atividade de criação de gado de corte como maisrentável a pequenos proprietários de terra. Para o estudo foram utilizadas técnicas de coleta de dados secundáriosatravés de órgãos governamentais ligados à pecuária de corte para acaracterização da atividade e embasamento teórico das técnicas demelhoramento do plantel produtivo e de gestão através do uso do planejamentoestratégico como forma de melhoria de resultados do negócio E levantamento de dados primários, através de pesquisa qualitativasemi-estruturadas aplicada a pequenos e grandes pecuaristas. De acordo com Marconi e Lakatos (2001), apud Fernandes (2007), essetipo de questionário segue um roteiro pré-estabelecido, mas deixa oentrevistador livre para adaptar suas perguntas a determinadas situações. Foram realizadas dez entrevistas, com pecuaristas do sul de MinasGerais, selecionados aleatoriamente, sendo quatro a pequenos pecuaristas,quatro a grandes pecuaristas e duas a entidades de apoio a pecuária de corte.As entrevistas foram realizadas no período de 1 a 10 de setembro de 2009. Tem-se como variável independente a demonstração da importância doplanejamento estratégico para as pequenas propriedades rurais, como formade obtenção de vantagem competitiva e consequentemente melhoria nosresultados do negócio. E, como variável dependente, o método pelo qual a pecuária de corte éconduzida, em pequenas propriedades rurais, que não se importam com aqualidade de seus rebanhos e com os métodos de controle de sua produção,tornando o negócio pouco atrativo.
  • 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO As oito empresas entrevistadas estão no mercado há mais de dez anos,sendo que quatro empresas foram classificadas de média a grande, cujosproprietários ou responsáveis possuem ensino superior, e quatro propriedadesforam classificadas como pequenas e os proprietários possuem apenas oensino médio, e como a tendência de nossa região é a pecuária de leite 37%disseram ter como atividade principal a pecuária de leite e atividade secundáriaa pecuária de corte. Essas empresas foram classificadas como grande oupequena de acordo com o número dos hectares destinados à pecuária decorte. A Tabela 3 mostra as principais características das empresasentrevistadas e foi atribuído a elas um nome fictício. Tabela 3. Características gerais das propriedades entrevistadas. Atividade Tempo na Tamanho da Formação do principal atividade propriedade proprietárioPropriedade 1 Pecuária de leite 30 anos Média Ensino superiorPropriedade 2 Pecuária de corte 45 anos Média Ensino superiorPropriedade 3 Pecuária de corte 28 anos Grande Ensino superiorPropriedade 4 Pecuária de corte 20 anos Média Ensino superiorPropriedade 5 Pecuária de leite 29 anos Pequena Ensino médioPropriedade 6 Pecuária de leite 15 anos Pequena Ensino médioPropriedade 7 Pecuária de corte 40 anos Pequena Ensino médioPropriedade 8 Pecuária de corte 35 anos Pequena Ensino médio As principais características das empresas entrevistadas foram:1. METAS: De acordo com as propriedades estudadas, 50% possuem metas para aumentar a quantidade de animais prontos para o abate e 25% pretendem melhorar a eficiência do rebanho e os outros 25% pretendem reformar as pastagens.
  • 2. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: As médias e grande propriedades possuem planejamento de médio a longo prazo, sendo feito anualmente de acordo com as metas do ano anterior que foram alcançadas e as que não foram atingidas são refeitas, sendo que esse planejamento é colocado no papel e relido sempre que surgem dúvidas. As propriedades pequenas não possuem planejamento de médio e/ou longo prazo, possuindo apenas planejamento a curto prazo e bastante simples, e que ficam apenas na cabeça dos proprietários.3. CONTROLE GERENCIAL: Todas as pequenas propriedades estudadas possuem apenas controle de custos de produção, sendo que as propriedades de médio e grande porte possuem um controle dos custos mais completos do que as pequenas, que fazem apenas o custo básico. Mas controle gerencial bem detalhado apenas 25% das propriedades estudadas possuem, e trabalham utilizando ferramentas administrativas para fazerem análises antes de tomarem quaisquer decisões.4. VISÃO DO NEGÓCIO: Nenhuma das pequenas propriedades possui, todas as propriedades possuem expectativa de melhora dos preços ao produtor, sendo que alguns grandes pecuaristas esperam que o governo garanta um preço mínimo a ser pago ao produtor (subsídio) e redução do preço dos insumos. Apenas 25% das propriedades estudadas tiveram posicionamento e souberam dizer aonde querem chegar, conhecendo inclusive seu público-alvo.5. TOMADA DE DECISÕES: A pesquisa mostrou que as pequenas propriedades tomam suas decisões baseadas somente nos custos que lhes forem propiciar. Já as médias e grandes propriedades tomam suas decisões baseadas em relatórios técnicos e de profissionais capacitados, conhecendo payback relativo às decisões tomadas.6. ADOÇÃO DE TECNOLOGIA: Ficou constatado que todas as propriedades conhecem as tecnologias disponíveis para melhoria da produção, porém as 50
  • pequenas propriedades utilizam apenas o melhoramento genético do plantel; através do uso de touros de melhor qualidade. Quanto as ferramentas de gestão, as pequenas propriedades utilizam anotações manuais para controles do rebanho e não pensam em adotar um software. Para os mesmos 25% das médias e grandes propriedades utilizam inseminação artificial, e utilizam um software especifico para ter uma análise completa de seu negócio e estão sempre se atualizando através de cursos palestras, feiras e eventos agropecuários.7. LUCRATIVIDADE: Entre todas as propriedades estudadas 75% estão satisfeitas com a atividade e querem que o governo garanta um preço mínimo (subsidio) a ser pago ao produtor para minimizar os riscos de produção. Os demais (25%) querem continuar como estão adotando o livre comercio como forma de regulação do mercado, fugindo da figura paternalista do Estado, argumentando que cada propriedade deve explorar seu potencial produtivo ao máximo, pois assim conseguirá obter melhores resultados.8. PARCERIAS: Nenhuma das propriedades busca fazer parcerias para melhorar o preço pago ao produtor, através de um maior poder de barganha, algumas justificando que a questão fiscal seria um empecilho para tal parceria. E também não pensam em criar, por exemplo, uma cooperativa para processar a carne produzida por eles.9. MELHORAMENTO DA ATIVIDADE: Todas as propriedades entrevistadas disseram que a melhor forma de melhorar a atividade pecuária é o investimento em melhoramento genético, e as grande propriedades também disseram que o investimento em pastagens de qualidade para o rebanho, também acaba sendo um diferencial produtivo. Foram entrevistados também dois órgãos públicos ligados diretamente apecuária, que são o Instituto mineiro de agropecuária (IMA), e Empresa deAssistência Técnica e Extensão Rural do estado de Minas Gerais (EMATER- 51
  • MG), que dão suporte e oferecem apoio à agropecuária, e a visão dessesórgãos em relação à pecuária de corte foi que falta conhecimento aospequenos pecuaristas sobre a importância da profissionalização de suasatividades, e adotação de planejamentos com embasamento científico, poisquando são chamados para dar uma consultoria nas pequenas propriedades,surge o conflito pela dificuldade de se quebrar paradigmas, e todo trabalhorealizado muitas vezes é perdido por falta dos produtores, aceitarem que aagricultura está se profissionalizando. E ainda, de acordo com a Emater, o Brasil, com toda extensão territorialque possui, e agora que chegou a profissionalização dos meios de produção eda administração dos produtores rurais, será no futuro “Celeiro mundial dealimentos”, pois enquanto outros países se industrializaram o Brasil continuouapostando na agricultura, e nesse período criou tecnologias capazes de mudarterras que eram inférteis em produtivas. Os pequenos pecuaristas utilizam muito pouco as ferramentasadministrativas a fim de explorarem o potencial do seu negócio, todos queremaumentar sua eficiência, mas não procuram se modernizar e também ficamcom medo de investir, justamente porque não possuem embasamentocientífico que lhes diminua os riscos inerentes ao investimento. Algunspossuem consciência de que o caminho é se profissionalizarem, mas nãotomam iniciativas. Algo que ficou em evidência nesse estudo foi que a única ferramentaadministrativa que os pequenos pecuaristas utilizam é um controle simples docusto de produção, não pensando em explorarem o potencial do segmento,não se preocupando com as ameaças, não exploram seus pontos fortes,conhecem suas fraquezas, mas não fazem muito para corrigi-las, e deixam asoportunidades passarem diante dos olhos sem agarrá-las, pensando apenas acurto prazo, não procurando anteciparem-se a possíveis cenários ruins quepossam causar-lhes prejuízos. Já nas médias e grandes propriedades, osprodutores conhecem e buscam minimizar os riscos e ameaças e exploram ospontos fortes e ficam de olho nas oportunidades. Outro fator preocupante é a falta de profissionalização dos pequenosprodutores, que na maioria das vezes, colocam a culpa de seus prejuízos no 52
  • governo, que não cria subsídio para ajudá-los (preço mínimo que garanta queos pecuaristas não terão prejuízos). Não se preocupando em aumentar suaprodutividade, reduzir os custos de produção, aumentar a eficiência e eficáciada propriedade através de uma maior produtividade, só pensando no curtoprazo, esquecendo de se prepararem para o futuro dos seus negócios. Outro problema sério é a falta de sistema de informação para ajudar nastomadas de decisões, pois ficou constatado no estudo que apenas 25% dospecuaristas entrevistados utilizam um sistema de informação para auxiliar natomada de decisão, sendo que esses fazem parte dos grandes pecuaristas. Em relação ao uso de tecnologias disponíveis para melhoria daprodutividade, apenas 25% das propriedades estudadas utilizam a inseminaçãoartificial, que é o método mais confiável de melhoramento genético, os outros75% utilizam a monta natural, que é mais barata, porém, com menoreschances de atingir uma melhor produtividade em cima do melhoramentogenético. Todos os pequenos pecuaristas entrevistados conhecem os váriostipos de melhoramento genético a as tecnologias disponíveis a eles, porém nãoutilizam, alegando alto custo de implantação, sendo incompatível com arealidade dos pequenos pecuaristas. Conforme demonstrado por Barbosa e Souza (2007), o tamanho dapropriedade em hectares não é tão importante quanto à capacidade de produzircom a máxima produtividade, pois assim reduz o custo de produção e éimportante conhecer o custo de produção real para que, no momento da venda,o pecuarista possa ter base para a negociação, com o comprador, assim, elenão precisa ficar se preocupando se a oferta do cliente está baixa, pois bastaráfazer as contas, para obter uma boa venda. De acordo com as entrevistas, a pecuária de corte brasileira para ospequenos produtores, ainda está muito atrasada em relação ao conceito deagronegócio, quando comparada a outros países e ainda falta aprofissionalização na gestão do negócio por parte dos pecuaristas, eexplorarem o potencial produtivo que suas terras de forma a obterem vantagemcompetitiva pela otimização na gestão dos seus recursos ao invés de ficarapenas esperando que o governo crie subsidio para apoiá-los. 53
  • 5 CONCLUSÃO Uma das principais formas dos pecuaristas de corte se manterem nomercado é a profissionalização de suas fazendas, pois através dela serápossível que o pecuarista tenha um controle total de sua propriedade, seja nagestão dos custos, no planejamento das ações, no aumento da eficiênciaprodutiva e no melhoramento dos processos decisórios, sendo possíveldiversificar os investimentos, diversificar a produção e os métodos de produçãocomo, investir em confinamento, cruzamentos industriais, gado de elite,produção de touros, matrizes, animais para cria, recria e engorda, enfim,investimento em tecnologia que possa agregar valor ao produto, sendo que adiversificação dos investimentos da empresa será de acordo com oplanejamento estratégico adotado, de acordo com a tendência do mercado etc. Investimentos em marketing, através de canais de comunicação rural,pois o agronegócio está em alta no mercado e o marketing é peça chave dentrodessa nova visão do agronegócio, é necessário o pecuarista mostrar seuproduto (boi), em qualquer linha de produção adotada pelo pecuarista, comogado de corte, de elite, touros matrizes, etc., demonstrando seu produto para omercado, tendo seu produto reconhecido e agregando valor a ele, induzindooutros produtores e consumidores a comprarem seus produtos obtendo comisso uma demanda maior. Outra peça importante é a contratação de profissionais formados emadministração, com vocação rural e de preferência com especialização emgestão rural, o que irá tornar muito rentável a propriedade, oferecendo ummaior retorno do capital investido, pois um profissional formado emadministração conhece ferramentas administrativas, que serão utilizadas nagestão profissional da propriedade. O conceito de agronegócio chegou com força, e é o caminho para tornara agropecuária sustentável e rentável, pois como foi analisado, o resultado daentrevista é preocupante, pois os médios e grandes produtores estãopreocupados em melhorar sua produtividade, já os pequenos, por falta deinstrução pedem subsídio para o governo, algo que não há possibilidade, e que
  • foge da idéia de livre mercado. É muito difícil o governo criar subsídios para apecuária, já que toda cadeia do agronegócio brasileira ainda está emdesenvolvimento, alguns segmentos mais avançados outros nem tanto, mas ogoverno seria forçado a criar subsídios a todos os segmentos para ser justo edemocrático. Então por que esperar, e ser dependente? Ao invés de criar,inovar, investir em tecnologia, melhorando sua produtividade, e dependamenos de fatores externos, focando em seus pontos fortes, por que esses simlhes trarão lucratividade. Portanto, o ponto fundamental para os pecuaristas é deixarem detrabalhar como amadores e se tornarem profissionais, utilizando ou trabalhandocom profissionais capacitados, utilizando tudo de que o mercado dispõe emtermos de tecnologias para o melhoramento da produtividade. E isso é possível através da boa gestão de suas propriedades, com focosempre na lucratividade e produtividade, com planejamentos consistentes ebem elaborados, assim os pecuaristas deixaram de serem amadores para setornarem profissionais entrando de vez para o agronegócio. 55
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANTONIALLI, Luiz Marcelo. Agronegócio brasileiro e sua importância. In:Semana do Administrador, Machado: IMES/FUMESC. 2008. Palestra.BARBOSA, Fabiano Alvim; SOUZA, Rafahel Carvalho. Administração defazenda de bovinos. Viçosa, Minas Gerais: Aprenda Fácil, 2007.CEPEA. PIB do agronegócio. Cepea, Piracicaba: Esalq, 2009 Disponível em:<http://www.cepea.esalq.usp.br/pib/>. Acesso em: 27 set. 2009.CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6 ed.Rio de Janeiro: Campus, 2000.CLAVELL, James. A arte da guerra. Sun Tzu. 1. ed. Google books, São Paulo:Globo, 2008. Disponivel em:<http://books.google.com.br/books?id=qR8O9uW55Z0C&pg=PA9&dq=a+arte+da+guerra#v=onepage&q=&f=false>. Acesso em: 27 set. 2009.EMBRAPA. Gado de corte: análise da cadeia produtiva de peles e couros noBrasil. Cnpgc Embrapa, Campo Grande. 2001a. Disponivel em:<www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/cot/COT68.html>. Acesso em: 06 jan. de2009.______. Boi orgânico, boi verde e convencional podem ir mais longe,caminhando na mesma direção. Cnpgc Embrapa, Campo Grande. 2000a.Disponivel em: <www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/ADM021.pdf>.Acesso em: 06 jan. 2009.______. Cruzamento e produção de carne. Cnpgc Embrapa, Campo Grande.1995. Disponivel em:<www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD03.html>. Acesso em: 06jan. 2009.______. Identificação eletrônica e rastreabilidade em bovinos. CnpgcEmbrapa, Campo Grande. 2001b. Disponovel em:<www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD49.html>. Acesso em: 06jan. 2009.
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  • PORTER, Michael Eugene Estratégia competitiva: técnicas de análise deindústrias e da concorrência. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando umdesempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1989.PECUÁRIA. Wikipédia, 2009. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Pecu%C3%A1ria>. Acesso em: 20 set. 2009.WRIGHT, Peter; KROLL, Mark J.; PARNELL, John. Administraçãoestratégica. São Paulo: Atlas, 2000. 58
  • APÊNDICE QUESTIONÁRIO APLICADO NAS EMPRESAS ESTUDADASNome da Empresa:Entrevistado:Grau de Formação: 1) Identificação: a) Qual o tamanho da empresa? ( )Pequena ( ) Média ( ) Grande b) Qual o ramo de atividade principal? ( ) Pecuária de corte Pecuária de leite c) Qual a quantidade de funcionários? ( ) Até 10 funcionários ( ) De 11 a 50 funcionários ( ) Mais de 50 funcionários d) Há quanto tempo está na atividade pecuária? ( ) Menos de 5 anos ( ) De 5 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos 2) Quais são suas metas para os próximos 2 anos? 3) A empresa utiliza algum tipo de planejamento estratégico a médio ou longo prazo? 4) Você utiliza algum tipo de controle gerencial em sua produção? Por quê? 5) Como você enxerga seu negócio daqui a dois anos? 6) Utiliza ferramentas administrativas para as tomadas de decisões? 7) Conhece e/ou utiliza as tecnologias disponíveis para aumentar a produtividade da propriedade? Se utilizam quais? E como?
  • 8) Você utiliza programas de melhoramento genético para seu plantel?9) Você possui algum controle dos custos de produção?10) Você está satisfeito com a atividade que executa?11) Você possui alguma parceria que visa melhorar o resultado do seu negócio?12) Em sua opinião, o que deveria ser feito para melhorar sua atividade? 60
  • GLOSSÁRIOAgronegócio Agribusiness: Soma das operações de produção e distribuiçãode suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas,do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agropecuáriose itens produzidos a partir deles.Alqueire: Medida utilizada para demarcar quantidade de terra, sendoequivalente a 24.200 m².Boi orgânico: Boi criado totalmente sem utilizar produtos inorgânicos, em todaa cadeia de produção, pode ser confinado desde que seu alimento não tenhatido contato com produtos inorgânicos.Boi verde: Boi criado a pasto, com pouco uso de produtos inorgânicos.Confinamento bovino: Método de criação de gado, que busca a terminaçãodo bovino o mais rápido possível, fornecendo alimentos com alto valor protéicono cocho, fazendo com que o animal engorde o mais rápido possível.Controle sanitário: Método utilizado para prevenir e controlar doenças bovinascontagiosas, e também os endoparasitas e ectoparasitas.Cruzamento industrial: Cruzamento entre raças diferentes, com propósito decriar heterose; método para aumentar a capacidade produtiva dos animaisgerados.Ectoparasitas: Parasitas externos, como carrapatos, mosca do chifre.Empresário rural: Antigo produtor rural, que evoluiu juntamente com o mundoe que hoje utiliza as tecnologias e conhecimentos existentes para extrair omáximo de seu negócio.Endoparasitas: Parasitas internos, como vermes e outros.Hectare: Medida utilizada para demarcar quantidade de terra, sendoequivalente a 10.000 m.².
  • Heterose: Choque de sangue; cruzamento entre raças diferentes.Melhoramento genético: Seleção de indivíduos com genótipo superior,realizando cruzamento entre si, com ênfase na criação de indivíduos commelhores desempenhos.Pecuária bovina de corte: Criação de gado destinado ao abate,especificamente gado com características genéticas para produção de carne.Rastreabilidade bovina: Método para controlar a criação de bovinos para umdeterminado fim. 62