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Conteúdo da palestra "Entre o Fim-do-Mundo e o Fim de um Mundo" proferida no dia 21 de Dezembro de 2012 pelo académico Paulo Machado de Jesus na sede da ALA - Academia de Letras e Artes, no Monte ...

Conteúdo da palestra "Entre o Fim-do-Mundo e o Fim de um Mundo" proferida no dia 21 de Dezembro de 2012 pelo académico Paulo Machado de Jesus na sede da ALA - Academia de Letras e Artes, no Monte Estoril. A apresentação foi feita pela académica Drª. Isabel Magalhães, Presidente do Movimento SerCascais.

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Entre o Fim-do-Mundo e o Fim de um Mundo... Entre o Fim-do-Mundo e o Fim de um Mundo... Document Transcript

  • Academia de Letras e Artes 21 de Dezembro de 2012 ENTRE O FIM DO MUNDO E O FIM DE UM MUNDO, OU O PRIMEIRO SOLSTÍCIO DE INVERNO DE UMA ERA DE MUDANÇA (Em três andamentos porque a vida é ela própria uma sonata) por: Paulo Machado de Jesus 1 1º Andamento – Finlandia, de Sibelius O FIM DO MUNDO Conhecemos o mundo através de ritmos, de vibrações, como o som e a luz. Tudoo que conhecemos no mundo é vibração, ritmo, ondulação, pulsação, manifestando-seem muitas formas, criando estrelas, planetas, galáxias, gerando ciclos de vida, e definindoos ritmos daquilo a que chamamos tempo. Assim também o nosso sistema solar, com osseus planetas e a Terra, a nossa casa, a nossa nave espacial original, todo se moveconjungando os vários ritmos dos diversos astros, parecendo realizar uma dança, ritmadapor cadência própria. São os efeitos dessas cadências, e os seus ritmos, que, há milharesde anos, os nosso antepassados registaram em pedra, produzindo, assim, os primeiroscalendários. A princípio marcavam apenas os eventos astronómicos principais -- eclipses,equinócios e solstícios -- que tinham particular influência na sua vida e na suasobrevivência como caçadores e, mais tarde, como agricultores. Mais tarde, muito maistarde, tivémos os calendários anuais, como os conhecemos, com os dias, semanas, mesese anos, tão importantes hoje nas nossas agendas. Várias civilizações produziram os seus calendários próprios, baseados nas suascosmogonias particulares, dependentes das suas crenças e da sua relação com o meioambiente, bem como o lugar na Terra em que desenvolveram a sua sobrevivência, eonde basearam as suas observações astronómicas.
  • Pelo chamado movimento de recessão dos equinócios, verificou-se que o que hojechamamos ponto vernal (o grau zodiacal em que o Sol está quando nasce em 21 deMarço, equinócio da Primavera) recua regularmente completando um ciclo de 25796anos. Assim, em cada 2000 anos, isto em números redondos, muda a era, mudando, nafaixa zodiacal, a zona em que o ponto vernal se encontra, e à qual se atribui a regência deum signo. Muitos acreditam que tal mudança marca também uma alteração dasinfluências das vibrações projectadas pelos astros, o que provocaria uma alteração emmuitos aspectos da vida na Terra, nomeadamente influenciando as mentes humanas,provocando mudanças sociais e, naturalmente, revolucionando o protagonismo entre ascivilizações dominantes. Com os antigos cultos e religiões desenvolveu-se a crença no fim do mundo,também chamado “fim dos tempos”. Já no chamado “Livro dos Mortos”, encontradono Egipto e decifrado por Champollion, e que alguns estudiosos dizem ser o mais antigolivro do mundo, se encontra aí anunciada uma série de catástrofes e cataclismoscósmicos, precursores dos desastres bíblicos e do Apocalipse. Portanto, desde essestempos, há milénios, que ciclìcamente aparecem teorias de que o mundo vai acabar. Os actuais defensores do Fim dos Tempos provêm de diversos origens: uns, dasdiversas correntes teosóficas, desenvolvidas durante os séculos XVIII e XIX, e aindahoje disseminadas em diversos grupos esotéricos e ocultistas; outros, de tendênciasinspiradas por uma renovação do Cristianismo, influenciados por certas lojas esotéricas-gnósticas. Todos convergem para a teoria de que, e segundo a leitura zodiacal baseadanessa antigas cosmogonias, estaríamos a entrar na Era de Aquário. Mas daí a insistir naideia de que o mundo vai acabar é um passo… demasiado grande. Então de onde vem 2este alarido que levou a NASA a alertar os americanos (mais crédulos do que oseuropeus) para as incongruências do discurso pseudo-científico que se divulgou epropalou através da Internet e dos media? Dos vários indícios que apontam para uma data certa destacou-se, nos últimosanos, misturando o científico ao religioso, acrescido da credibilidade atribuível às velhascivilizações, consideradas por alguns mais sábias do que a actual, destacou-se, dizia, umapedra que os arqueólogos e outros investigadores interpretaram como sendo umcalendário em que se inscreveu, em caracteres próprios, a sequência de um grande cicloconcebido pelos Maias, o qual, segundo os mesmos esclarecidos intérpretes, terminariano solstício de Inverno do ano 2012 da Era Cristã. Até aqui nada de errado: acaba umciclo, começa outro. Mas os mais fanáticos, desiludidos com a passagem do ano 2000sem os cataclismos que esperavam, pegaram na deixa dos Maias e propalaram aos quatroventos que afinal o fim do mundo era em 2012, em vez de 2000, e no solstício deInverno, portanto… é hoje. Tenho por isso que me apressar pois posso ter de deixar apalestra a meio, que o dia já está perto do fim. Mas a verdade é que a NASA antecipouuma comunicação prevista para dia 22, divulgando-a já na passada semana, preocupadosque estavam ao tomarem conhecimento de que era grande o número de pessoas aconstruirem abrigos subterrâneos nos quintais e nas caves, a comprarem alimentos parameses ou anos de reserva e, até, a falarem em suicídios colectivos de famílias. O susto foigrande pois temia-se o caos nas cidades ou nas estradas, provocado por alguns maiscrédulos, e em pânico. Mas passemos em revista algumas dessas teses apocalípticas.
  • Para começar: a inversão dos pólos. Acontece, mas leva muitas dezenas oucentenas de milhares de anos a realizar-se. A última, assim identificada pelos cientistas,ocorreu há cerca de… 780.000 anos. Outra teoria: o alinhamento com o centro da galáxia. Houve um, o último, em1998, em que a Terra, o Sol e o centro da Galáxia estiveram alinhados. Alguém sentiualguma coisa de especial? Talvez uma ligeira dor de cabeça mas… galáctica! Os perigosos asteróides, especialmente uns, grandes e ameaçadores que, porrazões que desconhecemos, podem sair da órbita em que ordeiramente têm navegadodesde há milhões de anos, e vir por aí espatifar-se. Felizmente que a NASA, sempre anossa guardiã, já anunciou, em Setembro de 2011, que cerca de 90% dos maiores dosasteróides já estão assinalados e descritos, e têm, por isso, as suas órbitas monitorizadas.Mas se algum desordeiro vier por aí haverá, certamente, nalgum satélite, um canhão laserpronto para o desfazer,… como nos filmes. Claro que teriam também que estar presentes as previsões de uma destruiçãoprovocada pelo aumento exponencial de ciclones e tornados, o reactivamento de vulcõese o aumento do número e intensidade dos terramotos, acompanhados dos respectivosmaremotos, que reduziriam todas as construções humanas a pó e lama. E ainda faltam as invasões extra-terrestres, e até uma intervenção divina, com quealguns, um pouco fanáticos, intérperetes da Bíblia, antevêm um castigo merecido pelasmaldades dos humanos, e pela sua desobediência a Deus. E há quem fale no “cinturão fotónico no gancho da galáxia”, um pomposo nomede uma super-estrutura energética que provocará a alteração das nossas consciências,afinando-as para a percepção da 5ª dimensão. Como diria o Pessa: “e esta hein?” Mas 3esta tem uma vertente optimista: o mundo continua e nós, humanos, somos melhoradoscom um “upgrade”, como os computadores. Falamos do “Fim do Mundo”: a ligeireza, e até um certo humor, com que temosabordado este tema, escondeu o que realmente nos preocupa. Todas estas previsões decaos apontam causas de origem extra-humana. Mas há, no entanto, um tipo de previsõesque nos deve preocupar sèriamente, pois nos remete para a realidade -- uma realidadebem presente, e bem grave. Vamos atentar, então, no que tememos, por nos parecermais próximo, e mais do que possível: o “Fim de um Mundo”, o fim do “nosso mundo”tal como o conhecemos. 2º Andamento – (Adagio in G Minor (Albinoni)) O FIM DE UM MUNDO As teorias fatalistas tiveram origem, durante milhares de anos, na angústia dosseres humanos perante a morte, destino inexorável de todos nós. Mas hoje, mais do queisso, reflectem uma grande insegurança e incerteza perante o futuro da própria espéciehumana, ou melhor, o futuro da Humanidade, que concebemos como um projectocolectivo de Amor e de Paz. Temos nas nossas mãos as chaves do nosso destino e, em vez de as utilizarmospara bem de todos, deixamos que paire sobre nós a ameaça de uma catástrofe planetáriaque ameaça grande parte da vida na Terra – incluindo a nossa. View slide
  • A maioria das teses apocalípticas que têm aparecido exprimem, pois, essaincerteza perante o futuro; mas são, ao mesmo tempo, um apelo a uma mudançanecessária e urgente. Quase tudo parece resumir-se, e concentrar-se, nos últimos anos,em torno de uma palavra: a crise. O Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José PedroMachado, define crise, entre outras sugestões, como “conjuntura perigosa, situaçãoanormal e grave; situação aflitiva; momento grave, decisivo, perigoso, num negócio||Situação de um governo cuja continuação encontra dificuldades muito graves”. Mas estapalavra crise também tem na sua origem grega, krísis, um sentido de “escolha,julgamento ou opção, acto ou faculdade de distinguir, decisão, solução”, como a define omesmo ilustre filólogo no seu Dicionário Etimológico. E é de facto de uma escolha que se trata, de uma decisão, necessária e urgente,quanto ao rumo a seguir. Além da palavra crise notemos que têm a mesma origem, naGrécia antiga, as palavras democracia, paradigma, política. Parece ser, pois, na Grécia,mais precisamente na Atenas de há 2300/2400 anos, no famoso século V, o século dePéricles, que podemos encontrar muita da inspiração para o sentido a dar à mudança.Poder-se-á dizer que a nossa actual crise, tanto em sentido lato, como no sentidoetimológico, se iniciou de facto há, pelo menos, 2400 anos; e, no entanto, ainda estamoslonge do que sonharam alguns dos melhores filósofos, sábios, legisladores e pedagogosdesse tempo. Vejamos alguns textos que corroboram a nossa argumentação de urgência namudança. Em Maio de 1931 era publicada uma pequena obra de onde extraí o seguinte 4fragmento: “Despotismo económico “É coisa manifesta, como nos nossos tempos não só se amontoamriquezas, mas acumula-se um poder imenso e um verdadeiro despotismoeconómico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, massimples depositários e administradores de capitais alheios, com que negoceiam aseu talante. “Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos odinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem dosangue de que vive toda a economia, e manipulam de tal maneira a alma damesma, que não pode respirar sem sua licença. “Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economiaactual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podemsobreviver os mais fortes, isto é, ordinariamente os mais violentos competidores eque menos sofrem de escrúpulos de consciência.” Trata-se, este texto, de um excerto da Encíclica “Quadragesimo Anno”, publicadaem tempo do Papa Pio XI. E acrescentava um comentário, em nota de rodapé, numadas reedições portuguesas da encíclica: “É esta uma das páginas mais brilhantes da encíclica. Todos os principaisvícios do regime liberal e do sistema económico dele saído estão apontados comrigor e clareza … /... Em resumo: vê-se que todo o mal está em a vida económicater saído fora do seu caminho e dos seus fins. Dominando primeiro o trabalho, o View slide
  • capital, por meio das grandes facilidades de domínio que alcançou sobretudo emvirtude da organização do crédito e das sociedades anónimas, pretendeuestabelecer e estabeleceu uma autêntica ditadura que escravizou o próprioEstado. O remédio está em dominar a ditadura económica, fazendo voltar ocapital ao lugar que numa sociedade bem organizada lhe compete.” Também relacionado com este tema da economia publicou em Fevereiro de 2010,na revista Magazine do Jornal de Notícias, o jornalista e poeta Manuel António Pina,falecido em Outubro passado, um artigo intitulado “À mesa da usura”, de onde extraí asseguintes, e bem fundamentadas, afirmações: “Ezra Pound chamou-lhe «pecado contra a natureza» e o papa Cisto V«pecado contra Deus e contra os homens». O empréstimo de dinheiro a juros, o«lucro sem labor», é considerado imoral pela Bíblia (no Êxodo, no Levítico, noDeuteronómio, nos Evangelhos de Lucas e Mateus), proibido pelo Corão,condenado por filósofos (Platão, Aristóteles, Séneca, Plutarco, São Tomás deAquino…), por Maomé, por Moisés, pelo Buda; foi banido em concílios como ode Niceia e o de Latrão, declarado heresia e blasfémia por Clemente V; e Dantecolocou os usurários – a quem a Igreja chegou a recusar os sacramentos e ofuneral cristão – no interior do sétimo círculo do Inferno. “Os usurários tornaram-se entretanto gente respeitável, capaz de temer aDeus e pregar valores morais e, simultaneamente, ler pela cartilha de Benthamque, em 1787, na sua Defesa da Usura, defendeu que cada homem deve ser oúnico juiz do modo como obtém lucros, não tendo de se ater a empecilhosmorais.” 5 Esta era a crítica sábia de um grande jornalista e homem de letras que aquirecordo. Alarguemos ainda o nosso quadro de perspectivas sobre a herança do séc. XXpassando para outras áreas, como as do ambiente e da ecologia. Passemos uma vista deolhos através dos estudos do Clube de Roma. Fundado em 1968 foi constituídoinicialmente por um grupo de cientistas, a que se juntaram depois investigadores daschamadas ciências humanas tais como sociólogos, antropólogos, politólogos e atéhistoriadores, além de reconhecidas personalidades da política mundial como o Rei JuanCarlos, por exemplo. Em 1972 publicaram um relatório, “Os limites do crescimento”,onde com base em modelos matemáticos estabelecidos sobre os dados recolhidos desde1900, abrangendo diversos campos de variáveis que incluíam, entre outras, os recursosnaturais, a população mundial, o produto industrial per capita, a poluição e a quotaalimentar, foi elaborada uma pespectiva de evolução, das variáveis consideradas, até aoano 2100. A verdade é que a apresentação desse relatório marcou o fim do optimismono que toca ao crescimento económico global e harmonioso, gerando bem-estar eacabando com a fome, como se perspectivara a seguir à IIª Grande Guerra. Ainda quecriticado quanto a alguns possíveis erros o que é certo é que as suas previsões, mesmo asmais pessimistas, se têm revelado um sério motivo de angústia para os analistas maisconscienciosos, pois eram, apesar de tudo, mais optimistas dos que outras previsões quemais recentemente se realizaram, e nem sequer consideravam, naquele tempo, ainfluência negativa de possíveis conflitos entre nações, guerras civis ou desordens sociaisde vária ordem, passíveis de paralizar a economia, além dos efeitos nefastos tanto para o
  • desenvolvimento social, como para o meio ambiente. Em geral podemos resumir que sejá era previsível uma queda global da qualidade de vida entre 2000 e 2030, o quecoincide, curiosamente, com o período de maior incidência de datas atribuídas pelasdiversas profecias do Fim dos Tempos, os valores actualmente avaliados revelam umacentuar do declínio, com um aumento global da pobreza e a concentração de riquezanum número minoritário de milionários e ultra-milionários, a que se seguirá um aumentode convulsões sociais e uma tendência para o aparecimento de regimes totalitários ou, nomínimo, autoritários, ainda que sob a capa de democracias. Chegados a este ponto ou ficamos estáticos, assustados, paralisados de medo, ouaplicamos aquele conceito etimológico de crise e fazemos uma escolha. E a única escolhapossível só parece ser uma: unirmo-nos para a mudança. Se estamos conscientes daurgência então porquê hesitar e deixar sempre para outros as decisões tomadas sobre asnossa vidas? Façamos nossas as palavras de Fernando Pessoa quando escreveu na sua“Mensagem”: “é a hora!” 3º Andamento -- Allegro con brio (4° mov.) Sinfonia n°7 en la mayor opus92. L. V. Beethoven O PRIMEIRO SOLSTÍCIO DE UMA ERA DE MUDANÇA O que fazer então? Tudo. Restaurar a cidadania, o exercício do direito de cada um a participar no governo 6da cidade, a polis, dando à política o seu verdadeiro sentido. Criar um movimento desolidariedade e de partilha que seja estruturante de uma forma nova de viver emcomunidade, criando uma sociedade em que todos estejam conscientes da importânciada sua participação e de que podemos fazer história, desenvolvendo a acção social nosentido do desenvolvimento conjunto e integral da sociedade Estimular e desenvolver em todos a solidariedade e o voluntariado de modo atornar a participação, a partilha e a interacção transversal a toda a comunidade. Partir da experiência local, tornando mais abrangentes as reinvidicações, e criandoassim novos, e verdadeiros, movimentos sociais que lutem pelo acesso aos mecanismosde decisão política e económica, bem como à sua fiscalização. Mas acima de tudo ter presente que o futuro é das crianças de hoje. São elas asherdeiras do Mundo. É por elas e para elas, acima de tudo, que devemos aperfeiçoar osmétodos pedagógicos, ensinando-lhes a importância de valores éticos e de partilha,inspirados nos valores filosóficos e religiosos consagrados há mais de dois mil anos.Preparar os futuros dirigentes mais do que apenas pelas habilitações, pelo equilíbrio docarácter, pela motivação própria e pela capacidade de motivar os outros. E isso envolve a matemática, essencial para quase tudo e que é fundamental paracriar hábitos de raciocínio. O estudo da língua, para a comunicação correcta dopensamento. A História dos movimentos sociais, filosóficos, políticos, que contribuipara que os jovens adquiram a consciência de uma evolução social comum e dos valorescomunitários. As ciências naturais, que promovem uma aproximação à natureza,
  • ensinando os jovens a respeitá-la e fomentando a defesa do meio ambiente, a casa detodos nós. Mas também a música deverá ser incluída na aprendizagem de todos, pois é alinguagem universal da harmonia, e um meio de fomentar a disciplina no estudo, aatenção e o trabalho em conjunto. O respeito pela velhice deverá ser consagrado, com a integração dos mais idosos,ao invés de os rejeitar, e convidando os ainda válidos a participar, como um conselho desábios, à maneira dos antigos anciãos, nas deliberações da comunidade. A suaexperiência é essencial pois são um repositório de um saber adquirido tantas vezes nosgestos quase rituais dos antigos ofícios, à beira de se perder pelo desprezo a que foramvotados nesta era de tecnologia industrial. Só os velhos podem ainda fazer passar essessegredos, fazendo a ponte para as gerações futuras. Em 1849 Ernest Renan escrevia: “O passado foi religioso e anti-científico; opresente é arreligioso e científico; o futuro será religioso e científico”. Eis-nos à beiradesse futuro. O momento é de acção por que nos anima a vontade de respirar ar puro, avontade de erguer uma voz mais alto do que a voz da egoísmo, que é só ruído edestruição. A vitória passará sempre por uma mudança nos paradigmas da economia, sópor isso será difícil. Que a nossa Esperança seja uma antevisão do nosso destino para além do futuropróximo; e que esse destino seja a realização desse magnífico projecto que é aHumanidade, a humana unidade, que concebemos como o nosso melhor sonhocolectivo de Amor e de Paz. 7 Um Santo e Feliz Natal Monte Estoril, Dezembro de 2012 Paulo Machado de Jesus