Morfologia Urbana e Desenho da Cidade
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Morfologia Urbana e Desenho da Cidade

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Parte II - A morfologia urbana Pág 35 até 130

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  • Este é um resumo do livro 'Morfologia Urbana e Desenho da Cidade' - José Lamas.
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  • Muito bom,mas teria a referencia bibliográfica?
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  • Obrigada... lembrando que esse trabalho foi feito por alunas do terceiro semestre de Arquitetura e Urbanismo!
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  • curti da cena e vo aplicar em pratica os conhecimentos adquiridos...
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    Morfologia Urbana e Desenho da Cidade Morfologia Urbana e Desenho da Cidade Document Transcript

    • 3 CAPÍTULO 2 – A MORFOLOGIA URBANAA MORFOLOGIA URBANA O termo morfologia utiliza-se para designar o estudo da configuração e da estruturaexterior de um objecto. É a ciência que estuda as formas, interligando-as com os fenómenosque lhes deram origem. O conhecimento do meio urbano implica necessariamente aexistência de instrumentos de leitura que permitam organizar e estruturar os elementosapreendidos, e uma relação objecto-observador. Portanto, podemos clarificar três pontos: - a morfologia urbana é o estudo da formado meio urbano nas suas partes físicas exteriores, ou elementos morfológicos, e na suaprodução e transformação no tempo; - um estudo da morfologia urbana ocupa-se da divisãodo meio urbano em partes e da articulação destes entre si com o conjunto que definem. Oque remete para a necessidade de identificação e clarificação dos elementos morfológicos,quer em ordem à leitura ou análise do espaço quer em ordem à sua concepção ou produção;- um estudo do morfológico deve ter em conta os níveis ou momentos de produção doespaço urbano.A FORMA URBANA Então a noção de “forma urbana” corresponderia ao meio urbano como arquitectura,ou seja, um conjunto de objectos arquitectónicos ligados entre si por relações espaciais, aarquitectura será assim a chave da interpretação correcta e global da cidade como estruturaespacial. Pode-se definir a forma urbana como: aspecto de realidade ou modo como seorganizam os elementos morfológicos que constituem e definem o espaço urbano,relativamente à materialidade dos aspectos de organização funcional quantitativa e dosaspectos qualitativos e figurativos. - Aspectos quantitativos: todos os aspectos da realidade urbana que podem serquantificáveis e que se referem a uma organização quantitativa: densidades, superfícies,fluxos etc. - Aspectos de organização funcional: relacionam-se com as actividades humanas:habitar, instruir-se, tratar-se, comerciar, etc, e também com o uso de uma área, espaço ouedifício, ouseja, o tipo de uso do solo. - Aspectos qualitativos: referem-se ao tratamento dos espaços, ao conforto e àcomodidade do utilizador. Nos edifícios poderão ser a insonorização, o isolamento térmico, acorrecta insolação, e no meio urbano pode ser o estado dos pavimentos, a adaptação aoclima, a acessibilidade, etc. - Aspectos figurativos: os aspectos figurativos relacionam-se essencialmente com acomunicação estética. Nos vários contextos históricos os elementos morfológicos são semelhantes: rua epraça, edifícios, fachadas e planos marginais, monumentos isolados. As diferenças resultamdo modo como esses elementos se posicionam, se organizam e se articulam entre si paraconstituir o espaço urbano. A forma terá de se relacionar com a função de modo a permitir o desenvolvimentoeficaz das actividades que nela se processam. Se os três princípios básicos da arquitectura – função, construção e arte – estãosempre presentes na arquitectura e na cidade, já o peso que cada um deles assume noprocesso criativo pode sofrer alterações entre duas posições extremas. Uma posição“funcionalista”, segundo a qual uma forma física que corresponde logicamente aos problemasfuncionais do contexto é bela, uma vez que a beleza é uma qualidade inerente a todo osistema bem resolvido, “FORM FOLLOWS FUNCTION”. Ou então o “antifuncionalismo”, queaceita que a concepção da forma seja ditada de modo independe por outros objectivos, paracriar a emoção ou o embelezamento da estrutura. Ou seja, a própria função também se RESUMO DE MORFOLOGIA URBANA E DESENHO DA CIDADE, JOSÉ LAMAS
    • 4adapta à forma, ou a mesma função pode coexistir e processar-se em formas diferentes,“FUNCTION FOLLOWS FORM”. Por exemplo, qualquer equipamento, como os cinemas ou os teatros, deve antes domais, funcionar, ou seja, centram-se no funcionamento do programa. A estética funcionalistaestende-se ao desenho de interiores, à decoração, ao desenho industrial, à moda e aovestiário, o bom funcionamento torna-se por si só um item de qualidade. A organizaçãofuncionalista das cidades anulou as considerações morfológicas. O zonamento e a atribuiçãode uma função exclusiva a cada parcela do território tornaram-se métodos universais dourbanismo, produzindo cidades monótonas e pouco estimulantes, sem lugar para a surpresa,a complexidade e a emoção. O funcionalismo foi, sem dúvida, uma teoria urbanística earquitectónica, mas foi, antes do mais, uma estratégia de representação desenhada econstruída, traduziu-se mais pela imagem estética, gráfica e espacial do que por umacorrelação exacta da forma com a função. Por outro lado uma mesma função pode existirconvenientemente em formas distintas, a reutilização de antigos edifícios tem permitidoobter excelentes resultados no grau de utilização, significado estético e quantidadeambiental. A concepção da forma não se esgota na correspondência a uma ou mais funções,tem também motivações mais complexas e profundas. A forma arquitectónica é a maneiracomo as partes ou estratos se encontram dispostos no objecto e também o poder deexplicitar e evidenciar esta disposição. É unicamente através da figura que podemosdescobrir o sentido do fenómeno e reconstruir a totalidade, a pluralidade dos seus elementosconstrutivos e das suas proposições. O que caracteriza a obra arquitectural é de naturezaeminentemente figurativa. Entende-se por aspectos figurativos, os aspectos da forma quesão comunicáveis através dos sentidos. E “figura”, ao poder de comunicação estética daforma, ou seja, ao modo como se organizam as diferentes partes que constituem a forma,com objectivos de comunicação. Os valores estéticos só são comunicáveis através dossentidos e que, apesar das características da forma não se resumirem aos aspectossensoriais, estes são determinados na sua compreensão. - Sistema de orientação: respeita o esquilíbrio vertical e também as cimas decima/baixo, esquerda/direita, etc., que permitem ao homem orientar-se na cidade. É comoum “sexto sentido”, que numa cidade dependerá fundamentalmente dos sistemas dereferência: marcas ou monumentos, zonas ou bairros, etc. - Sistema visual: É através da visão que se constrói a parte mais importante daimagem da cidade, no entanto, o sistema de observação do espaço urbano, pressupõe omovimento e a apreensão do espaço em sequência visual. - Sistema táctil: Aqui se incluem todas as percepções térmicas e de fricção com aatmosfera: o vento, as correntes de ar, o calor, o frio, que também são importantes navivência, compreensão e caracterização da cidade. - Sistema olfactivo: Este sistema pertence essexncialmente à experiência da cidade,embora seja um factor de menor controlo e incidência no desenho da forma urbana, tal comotem sido analisada.PRODUÇÃO E FORMA DA CIDADE E PRODUÇÃO FORMA DO TERRITÓRIO A expressão território designa a extensão da superfície terrestre na qual vive umgrupo humano, ou melhor, o espaço construido pelo homem, em oposição ao quepoderíamos designar por espaço natural, e que não terá sido humanizado. A forma humananão pode ser desligada do seu suporte geográfico, ou seja, o território preexistente constituisempre um elemento determinante na criação arquitectónica. A paisagem humanizada e a paisagem natural adquiriram qualidades figurativas,foram carregadas com atributos de beleza, capazes de provocar a emoção estética, permiteentão considerar que as operações sobre a paisagem são também do domínio arquitectónico-urbanístico. RESUMO DE MORFOLOGIA URBANA E DESENHO DA CIDADE, JOSÉ LAMAS
    • 5DIMENSÕES ESPACIAIS NA MORFOLOGIA URBANA A compreensão e concepção das formas urbanas ou do território coloca-se adiferentes níveis, diferenciados pelas unidades de leitura e de concepção. Dimensão sectorial: É a mais pequena unidade, ou porção de espaço urbano, comforma própria. Uma infinidade de elementos que organizados entre si, definem a formaurbana (edifícios, o traçado, estrutura verde, mobiliário urbano). Dimensão urbana: Pressupõe uma estrutura de ruas, praças ou formas de escalasinferiores. Os elementos morfológicos têm de ser identificados com as formas a escalasdiferentes e a análise da forma necessita do movimento e dos vários percursos (traçados epraças, quarteirões e monumentos, jardins e áreas verdes). Dimensão territorial: A forma estrutura-se através da articulação de diferentesformas à dimensão urbana. A forma das cidades define-se pela distribuição dos seuselementos primários ou estruturantes (bairros, grande infra-estruturas viárias e grandeszonas verdes). Tricart define três escalas principais na paisagem urbana: escala da rua,escala do bairro e a escala da cidade inteira. Estas categorias estabelecidas permitemsistematizar o conhecimento do espaço urbano. O desenho urbano – por necessidades daestrutura mental e operativa humana organiza a forma pela adição e composição doselementos morfológicos, ou formas de escalas inferiores. Esta classificação pretende clarificara leitura do território, articulando-a com os diferentes níveis de produção do espaço.OS ELEMENTOS MORFOLÓGICOS DO ESPAÇO URBANO Solo: É a partir do território existente e da sua topografia que se desenha ouconstrói a cidade. O pavimento é um elemento de grande importância no espaço urbano,contudo de uma grande fragilidade e sujeito a inúmeras mudanças. Os edifícios: É através dos edifícios que se constitui o espaço urbano e seorganizam os diferentes espaços identificáveis e com “forma própria”: a rua, a praça, o beco,a avenida, etc. Os edifícios agrupam-se em diferentes tipos, decorrentes da sua função eforma. Esta interdependência é um dos campos mais sólidos em que se colocam as relaçõesentre cidade e arquitectura. O lote: O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície do solo que ocupa,este é a génese e fundamento do edificado. A forma do lote é condicionante da forma doedifício e consequentemente, da forma da cidade. O quarteirão: O quarteirão é um contínuo d edifícios agrupados entre si em anel, ousistema fechado e separado dos demais, é o espaço delimitado pelo cruzamento de três oumais vias e subdivisível em lotes para construção de edifícios. O quarteirão agrega eorganiza os outros elementos da estrutura urbana: o lote e o edifício, o traçado e a rua, e asrelações que estabelecem com os espaços públicos, semipúblicos e privados. A fachada: A relação do edifício com o espaço urbano processa-se pela fachada. Sãoas fachadas que exprimem as características distributivas, o tipo de edificado, ascaracterísticas e linguagem arquitectónica, um conjunto de elementos que irão moldar aimagem da cidade. O logradouro: O logradouro constitui o espaço privado do lote não ocupado porconstrução, as traseiras, o espaço privado separado do espaço público pelo contínuoedificado. É através da utilização do desenho do logradouro que se faz parcialmente aevolução das formas urbanas do quarteirão até ao bloco construído. O traçado da rua: Assenta num suporte geográfico preexistente, regula adisposição dos edifícios e quarteirões, liga os vários espaços e partes da cidade, e confunde-se com o gesto criador. O traçado estabelece a relação mais directa de assentamento entre acidade e o território. É o traçado que define o plano, intervindo na organização da formaurbana a diferentes dimensões. A praça: A praça é um elemento morfológico das cidades ocidentais e distingue-sede outros espaços, que são resultado acidental de alargamento ou confluência de traçados. Apraça pressupõe a vontade e o desenho de uma forma e de um programa. É um elementomorfológico identificável na forma da cidade e utilizável no desenho urbano na concepçãoarquitectónica. RESUMO DE MORFOLOGIA URBANA E DESENHO DA CIDADE, JOSÉ LAMAS
    • 6 O monumento: O monumento é um facto urbano singular, elemento morfológicoindividualizado pela sua presença, configuração e posicionamento na cidade e pelo seusignificado. O monumento desempenha um papel essencial no desenho urbano, caracteriza aárea ou bairro e torna-se pólo estruturante da cidade. A árvore e a vegetação: Caracterizam a imagem da cidade, têm individualidadeprópria, desempenham funções precisas: são elementos de composição e do desenhourbano, servem para organizar, definir e conter espaços. O mobiliário urbano: Situa-se na dimensão sectorial, na escala da rua, nãopodendo ser considerado de ordem secundária, dado as suas implicações na forma eequipamento da cidade. É também de grande importância para o desenho da cidade e a suaorganização, para a qualidade do espaço e comodidade.Evolução do Território A cidade como qualquer organismo vivo, encontra-se em contínua modificação. Otempo é fundamental para compreender o território como objecto físico e também paraposicionar a intervenção do arquitecto. A evolução das formas urbanas põe duas ordens dequestões: a primeira relacionada com o desenvolvimento urbano, o estudo morfológicopressupõe a consideração do crescimento urbano, que é indissociável ao estudo das cidades;e a segunda relativamente à reutilização de partes da cidade, as políticas de recuperação,reabilitação e restauro de áreas urbanas pressupõe diferentes usos e consequentesmodificações da imagem e da forma. A disciplina do urbanismo tem como objectivo dominar o território e os seusmecanismos de transformação: construir, adaptar ou conservar o espaço. O espaço já nãopode ser construído sem planos e projectos da sua implementação. Poète estabelece o conceito de persistência, que afirma que a análise histórica dacidade revela existirem elementos em contínua transformação e elementos que não semodificam totalmente e persistem, como os monumentos, traçados, vias e a estruturafundiária. À escala da rua, as transformações são facilmente visíveis, desde a montra da lojaao mobiliário urbano, já à dimensão urbana, o tipo de modificações é mais lento e de maiorprofundidade, novas ruas, novos edifícios, etc.NÍVEIS DE PRODUÇÃO DO ESPAÇO A prática do planeamento organiza-se em níveis de actuação determinados pelaprópria natureza dos métodos, objectivos e conteúdos, e escala dos problemas e dimensãogeográfica das intervenções. Podemos distinguir três níveis de produção do espaço: - Nível de Planeamento – Programação – Planificação: O arranque de todo oplaneamento é uma fase de determinação de objectivos socioeconómicos, a programaçãoaparece como etapa preliminar das acções do urbanismo, na qual se fixa o programa a serexecutado no futuro. - Nível urbanístico – O plano: Trata-se de precisar os objectivos no espaço e notempo e de espacializar com maior pormenor a execução dos propósitos anteriores, implica adefinição das morfologias urbanas e a consideração das possibilidades físicas do território. -Nível de construção – O projecto: Executa-se a construção do território deacordo com os objectivos e programa definidos, é a fase de construção, preparada peloprojecto e concretizada na obra.URBANISMO E ARQUITECTURA O que diferencia o urbanismo da arquitectura não é a dimensão espacial nem oescalão da intervenção, mas a acção político-administrativa a conduzir no tempo e no jogode forças económicas e sociais. O urbanismo implica a condução de um plano no tempo e nojogo de agentes e actores políticos, económicos e sociais, também tem como objectivo amediação e resolução dos conflitos entre os interesses públicos e privados que disputam afruição do espaço urbano. O desenho urbano e o desenho de edifícios não são mais que doismomentos de uma mesma disciplina: a arquitectura, intervindo em diferentes momentos ecom distintos processos, mas com um único instrumento fundamental: o desenho. RESUMO DE MORFOLOGIA URBANA E DESENHO DA CIDADE, JOSÉ LAMAS