O BERRO
        ANO1 - N°8 JUNHO/2009


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Sua gaiola foi feita sob...
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O Berro número 8

  1. 1. O BERRO ANO1 - N°8 JUNHO/2009 R$ 1,00
  2. 2. Pag.1 JUNHO/2009 O BERRO EDITORIAL: Quando pensamos em retomar a principalmente através dos blogs idéia de fazer um fanzine, tivemos uma WWW.rebococaido. blogspot.com e animada discussão quanto ao nome. O WWW.comunidadeeditoria.blogspot.com. Alexandre nos pareceu bem apropriado e não Berro Outras característica nas quais nos nos lembramos, naquele momento, de destacamos, nos orgulhamos e fazemos nenhum veículo de comunicação que questão de manter assim, é nosso caráter tivesse este nome. Atualmente nos artesanal, que visa, entre outras coisas, esbarramos a cada esquina com um marcar a postura “faça você mesmo” e veículo que carrega esta nomenclatura. nosso foco experimental, onde não nos Alguns, mais antigos que o nosso, como preocupamos em esbarrar no inusitado, é o caso da revista de caprinocultura “O indo além de barreiras impostas e Berro”. Outros, mais recentes, como o alimentando discussões, ao invés de ser blog “O Berro Fanzine Eletrônico”. mais um guru apresentando caminhos E agora José? percorridos e respostas prontas. INDIFERENÇA Agora nada. Mas para não have- rem mal entendidos, vamos apenas Esse é o Berro. É o desenho feito pelas mãos inconformadas de Alexandre Mais uma cena rotineira da lembrar que nosso veículo é um fanzine Mendes, o conflito constante de Fabio da cidade grande impresso de Niterói, que tem a frente da Silva Barbosa e a postura política e quadrilha, ou melhor, da publicação, como ideológica de Winter Bastos. Além, é realizadores e idealizadores, Alexandre claro, da participação enriquecedora de Mendes, Fabio da Silva Barbosa e Winter vários colaboradores e da crítica dos Bastos. Na internet nosso trabalho se dá míopes de plantão. Para nos acompanhar e pedir números INFORMAÇÕES anteriores: ADICIONAIS Preço do zine 1,00 + despesas postais Foto da capa tirada por Alexandre Mendes (1zine: acrescentar 1,00 ao valor do zine) na subida de uma comunidade de Niterói. A partir de 2 zines: acrescentar Foto da entrevista com Glauco Mattoso apenas 1,50 (ao valor total) Ex: 10 fanzines retirada do site do escritor. = 10,00 + despesa postais (1,50) = 11,50 http://glaucomattoso.sites.uol.com.br Dados da conta: Winter Bastos - Banco Itaú Foto de divulgação do jornal Comunidade - ag:6002 conta: 30592-5 Editoria por Fabio da Silva Barbosa Aí é só mandar a cópia do comprovante Diagramação e textos: Fabio da Silva para a cx postal: 100050, Niterói,RJ, Barbosa 24020971 e receberá os exemplares solicitados. Revisão e textos: Winter Bastos Além de poder acompanhar o trabalho,você Ilustração e textos: Alexandre Mendes irá apoiar a imprensa alternativa/ independente. Agradecimentos: A todos que contribuem para o.berro@hotmail.com a existência e divulgação de O Berro.
  3. 3. CARTOON
  4. 4. Pag9 JUNHO/2009 O BERRO Sua gaiola foi feita sob medida para você Por Renata Machado Sorria, você é mais um na concentração do Respirar na sociedade, pode ser controle das consciências humanas, como cantar em uma gaiola em que você o sociedade unidimensional da pássaro capturado na natureza, primitivus irracionalidade racional.Ela administra seus et ingennus, se encontra aprisionado em um prazeres e necessidades, fabrica sua fome espaço limitado e toda vez que tenta bater de consumo, enquanto tua autonomia é as asas, acaba batendo nas artificiais grades assassinada e tua mente violentada. que te ferem e perturbam.A barreira entre a Dominado e doutrinado é o olhar grade e a liberdade, não é longa, porem sua amordaçado que agora olha as estrelas, gaiola foi feita sob medida para você.Toda olhar insaciável, que ao mesmo tempo que vez que ousar fugir do destino que aquele busca sente medo de ser livre, se prende a que te capturou destinou a ti, perceberá que conceitos e preconceitos. seu instinto está em um processo de O retorno a liberdade é o adestramento. sonho daquele que um dia foi capturado em Uma quantidade acumulada de excitação e seu estado primitivus et ingennus, onde o sentimento de repressão, vão estar veritas habitat in interiore homine e a vida presentes a cada sensação.O entretenimento flui como uma forte chama na consciência, é você na gaiola, seu dono coloca água, que se auto descobre na catarse. comida, limpa a sujeira do dia a dia e você paga a estadia cantando.Olhares esperam *Primitivus et ingennus – Primitivo e que os entretenha e divirta.Seu canto é a nascido livre lembrança da liberdade, a forma que muitas vezes se desliga da angústia, seu canto é *Veritas habitat in interiore homine – sua liberdade de expressão. Verdade habita no interior do homem A influência da mídia na cultura. Por Fabio da Silva Barbosa A mídia e seus paradigmas impostos assim que são apresentadas. Uma nação clonada vão alterando a cultura e os costumes dos povos do que é tido como perfeição pelos donos da através de sua constante lavagem cerebral. Isso verdade e do bom gosto. faz o belo e o correto serem únicos em toda E a rebeldia? Se dado a ela, usa jaquetas parte, independente da cultura local ou opinião de couro e causas jeans, se contrapondo ao pessoal. Pegando um jovem americano, japonês modeloimposto. Permanece o tênis. A diferença ou brasileiro, podemos averiguar os mesmos é que o rebelde adere à velha moda do All Star, hábitos e inclinações. Estarão de boné, tênis e enquanto aplayboizada compra a última moda. óculos escuros. Essa é a roupa de quem é jovem, É fácil ser rebelde hoje em dia. Basta comprar segundo a mídia . uma camisa do Che no shopping. O americanismo, implantado através A fruta típica da região não faz um suco das superproduções hollywodianas, vai tão vendido quanto a Coca-Cola, assim como a uniformi-zando a tudo e a todos. Quantas menina da escola nunca será tão bela quanto a brasileiras abusaram do implante de silicone capa da Play Boy. A Playboy é um tipo diferente para ficar como americanas esteriotipadas, de imposição midiática. Mulheres que não tem apresentadas nas telas como loiras fatais? Isso e nunca terão rugas ou celulites. Imagina uma nos lembra os cabelos loiros nas cabeças de pessoa normal vendo aquilo. Irá se punir até nossas morenas. Sem falar na questão: Será que conseguir ser como alguém que não existe. Só todas as americanas são assim? Todas clones assim atingirá o que é tido como beleza pela da Marilin Monmro? É obvio que não. Mas é mídia capitalista e seus terríveis manipuladores.
  5. 5. O BERRO JUNHO/2009 Pag.2 UM POUCO DE HISTÓRIA Por Alexandre Mendes Cabeça de porco, na Rua Barão de São Félix, nº154. Havia quem dissesse que o Introdução número de moradores chegou a quatro mil, em tempos áureos. No dia 26 de janeiro de Muita gente se pergunta porque o Rio de 1893, se concretizou o desejo do prefeito Janeiro é conhecido em seus cartões Barata Ribeiro e empresários do ramo da postais, belas praias e pontos turísticos. Na construção: a demolição do Cabeça de realidade, o que repercute com mais Porco. Nesse dia, estipula-se que havia de frequência na imprensa internacional sobre quatrocentos a dois mil moradores no local. a cidade, são os morros e comunidades, As pessoas foram brutalmente expulsas do vistos como impérios do crime. Essa visão cortiço e, com seus apetrechos nas costas, poderia ser facilmente contestada, se os provavelmente passaram a noite no relento curiosos fossem mais a fundo nas (pois a operação iniciou às seis horas da investigações. Toda comunidade sempre tarde). Esse episódio marca a história da tem aquele morador simpático e agradável, urbanização carioca, como o fim dos que te recebe sorrindo com um copinho de “cortiços” e o “início” das “favelas”. O café na mão. Quem habita nossas prefeito Barata Ribeiro, em uma atitude comunidades? A maior parte é constituida contraditória a sua primeira conduta, de trabalhadores e estudantes; pessoas permitiu que os moradores levassem os vivendo em condições precárias, buscando destroços de suas casas, para que pudessem se adaptar a sociedade sob as condições que reconstruí-las (bem longe dalí). Entretanto, o Estado lhes oferece. há fortes indícios que grande parte das famílias expulsas subiu o morro, situado CLASSES PERIGOSAS atrás do extinto cortiço, e lá se instalaram. Falemos agora do passado. Antes de Mais tarde, em 1897, os soldados existirem os estereotipados morros do Rio, sobreviventes do massacre de Canudos haviam os cortiços. Eram pequenas ou foram contemplados com pequenos lotes enormes instalações, espalhadas pelas no dito morro. O local então passou a se principais ruas da cidade. Lá, habitavam chamar “Morro da Favela”, atual Morro da algumas famílias de imigrantes europeus; Providência. ex-escravos, seus descendentes e um grande contingente de trabalhadores, Apoiam e divulgam O Berro: identificados como “classes perigosas” ou Comunidade Editoria - “classes pobres”. Esses termos, um tanto comunidadeeditoria.blogspot.com pejorativos, eram utilizados pelo governo da época (final do século XIX) e, se pensarmos bem, ainda existe uma herança REBOCO CAÍDO - desses termos circulando na mentalidade rebococaido.blogspot.com da sociedade em geral. MISTER N LANCHES - CABEÇA DE PORCO Visconde do Rio Branco, 161, Centro, Niterói Dentre os cortiços, o mais badalado era o
  6. 6. Pag.3 - CONTO JUNHO/2009 O BERRO A hora da macaca manca Por Fabio da Silva Barbosa - Tudo que você tem fui eu que dei. Já fazia mais de uma hora que Sabe o que é estar agarrado naquele buraco, estava ali. O suor escorria pelo pescoço. sem dinheiro e sem pertencer a nenhuma O ventilador de teto espalhava o ar quente facção? Sabe o que acontece com um homem pelo lugar. Seu rô olhava Gonzaga com nessas condições? Ele deixa de ser homem. desconfiança. Ele vira um escravo. Vira um... - Tá olhando o que, português? - Tentei levar o dinheiro, mas ele não Não tô agradando avisa. Se não fosse por deixava. Disse que teria de escolher. Queria mim essa porcaria tava vazia. me transformar numa mulher séria. Não Seu Rô estalou os lábios e foi podia continuar sendo a prostituta protegida arrumar o freezer. Preferia estar só a ter por um preso sem nenhum tipo de poder aqui aquele tipo como único freguês. Mas fora. Estavam tomando tudo que ganhava. segunda-feira era um dia fraco e as contas Ninguém respeitava mais seu nome. não paravam de chegar. - Torpedo prometeu que cuidaria de - Pensei que não viesse.- Gruniu meus negócios. Gonzaga ao ver Zinda entrar no botequim. - Na primeira semana em que esteve - Só consegui chegar agora. O que preso ele me quebrou três costelas e disse você quer?- Perguntou Zinda sentando. - que se te falasse me mataria e botava a culpa Ô puguês, sai aquela gelada e um copo na polícia. para a moça aqui. Gonzaga era um baiano baixinho e Seu Rô, com ar contrariado, pôs a troncudo. Tinha quarenta e dois anos. Aos cerveja e o copo em cima do balcão. Zinda sete era engraxate. Aos nove vendia doce no levantou-se e foi buscar. Pegou a cerveja ônibus. Dos onze aos dezoito saiu pelo Brasil encheu o copo e já veio bebendo. a fora e conheceu os horrores das instituições Gonzaga apreciou o trajeto dela com para menores, ao ser pego roubando uma incontido interesse e admiração. Ela ainda bolsa em São Paulo. Participou de uma fuga era uma menina. Dezesseis? Dezessete? aos quinze, mas em menos de seis meses Quem sabe? Nem ela, sabia ao certo. estava de volta. Aos vinte veio para o Rio de Todos os documentos que tinha, foi ele Janeiro começar carreira de rufião. Ao ouvir quem arrumou com um amigo. Do nome essas palavras, tomou conhecimento da ele não gostou. Nome feio aquele. Podia traição do colega de profissão, tornando o escolher o nome que quisesse. Mas essa rosto rígido e trincando os dentes. era a única recordação que tinha. O único - Ele me paga. pedaço de história pessoal que possuía. - Paga nada. Isso é besteira. Se fizer Não sabia de mais nada. Pai...mãe...nada... qualquer coisa te trancam de novo. -Não posso demorar. Se -Volta a colar comigo e esqueço tudo Carboniere descobre que me encontrei isso. Te perdôo. Prometo. Vai ter vida de com você, vai se aborrecer. Prometi que rainha. nunca mais nos veríamos. -Não posso. - Então é ele? É por causa desse -Claro que pode. Deixa o maldito sujeito que você me abandonou? gringo comigo. Foto cedida -Ele tem sido bom para mim. Quer pelo-Você não entende. Pela primeira vez me tirar da rua. Me pediu em casamento. alguém quer realmente melhorar minha vida. entrevistado
  7. 7. O BERRO JUNHO/2009 Pag. 8 A especificidade anarquista estilo de vida que aproveita o máximo as Por Winter Bastos liberdades possíveis hoje. Ele tem que O anarquismo é um sistema de constituir também uma luta efetiva contra pensamento profundamente atidogmático. todos os opressores, visando à destruição Não tem um criador único. Nasceu das lutas do capitalismo e a construção de uma nova populares e tem vários sistematizadores, sociedade. Esta luta só tem real diferente do que ocorre, por exemplo, com possibilidade de êxito se travada pelo povo o bolchevismo, que segue os escritos do associado. autoritário Karl Marx como uma bíblia. Porém não devemos apenas nos O anarquismo traz em si a exigência associar em sindicatos, grêmios estudantis, de uma ética libertária: é preciso buscar associações de moradores etc. A atuação viver o anarquismo desde já em nossas em todos esses âmbitos é necessária, pois relações cotidianas. O socialismo libertário temos que estar sempre presentes nas lutas rejeita também a atuação parlamentar (a populares concretas por melhorias sociais. organização em partidos), pregando a Mas é preciso também que existam atividade política apartidária em sindicatos, organizações especificamente anarquistas. associações de moradores, estudantis etc. É nelas que podemos, em conjunto, traçar Porém essas características do planos de ação que conduzam à obtenção anarquismo podem levar algumas pessoas de nossos objetivos, evitando a dispersão a certos equívocos. Há quem ache que, pelo de esforços que uma atuação desarticulada fato de o anarquismo ser antidogmático e poderia acarretar. não ter uma rigidez teórica absoluta, Os coletivos de estudos anarquistas qualquer pessoa que se diga anarquista o é são imprescindíveis. É através deles que de fato. Isso é errado. Como o anarquismo muitos tomam conhecimento do se originou de noções das classes oprimidas anarquismo e permitem que muitos em revolta contra a opressão, construções descubram no socialismo libertário uma teóricas alheias à questão da emancipação ferramenta de luta por uma sociedade mais da classe trabalhadora não podem ser justa. chamadas anarquistas, por mais que seus Não basta, no entanto, a existência formuladores se autointitulem como tais. de círculos de estudo para que os ácratas Outro equívoco mais ou menos se considerem organizados construti- freqüente é considerar que basta a cada um vamente em prol da anarquia. É tentar mudar a si próprio, de forma isolada, imprescindível o engajamento em federa- para que estejamos contribuindo ções anarquistas, ou outro nome que queira efetivamente para a anarquia, promovendo se dar a tais organizações especificamente a ética libertária. Ora, apesar de buscar libertárias. O que é preciso ter claro é que aprimoramento individual já ser algo tais grupos tenham métodos de atuação benéfico, é justamente a associação que nos compatíveis com a ética libertária, faz fortes e não há por que renunciarmos a respeitando todos os demais indivíduos e ela, nos isolando e dando força a nossos organizações anarquistas, mesmo as que opressores. O anarquismo não pode ser optarem por adotar outros pressupostos entendido apenas como um teóricos, métodos deliberativos e formas de intervenção social.
  8. 8. Pag7 JUNHO/2009 O BERRO RECOMENDAÇÕES: DESMASCARANDO Por Alexandre Mendes Por: Alexandre Mendes Vivemos na sociedade do medo e da PARA LER: incerteza. Com isso, quem tem trabalho Diretas já sempre aceita as imposições do empre- Diretas já, 1984 gador. As frases de efeito são comuns: Editora Record, RJ “Segura seu emprego que está difícil lá Se você conseguir ter acesso a este livro, vai fora!” ou “Tem até gente formada fazendo entender o humor negro dos anos 80. Henfil concurso para gari”. O grande causador retrata o fim da ditadura, trazendo aquela carga positiva pela qual o povo brasileiro passava com deste mal estar psicológico é a mídia . a possibilidade de um novo Brasil. O controle da opinião pública é praticada desde a antiguidade. Na Grécia Aí vai uma palhina: (séc.VI), professores de arte retórica, ou EPÍSTOLA AOS EMPRESÁRIOS PÁG.67, 68 sofistas, inicialmente, induziam o povo ao E aconteceu que, ouvindo o clamor de fome do voto com seus discursos. Eram aristocratas povo, decidiu o Senhor voltar à terra brasileira. e viviam no ócio, diferente do povo, com o E viu duas barcas que estavam à borda da lagoa. fardo pesado do trabalho, não tendo tempo E, entrando numa destas barcas, que era a de Delfim(ministro da economia na ditadura), de organizar seu raciocínio mediante aos rogou-lhe que se afastasse um pouco da terra. discursos bombásticos da elite. E, respondendo, Delfim disse-lhe: Mestre, esta Na Revolução Francesa (1789), a barca não mais nos pertence, pois a burguesia revoltada pelo custo dos maxidesvalorização transformou em sucata os impostos, articula a queda da monarquia barcos nacionais, tendo sido todos eles vendidos baseando-se no Iluminismo, idéia precurso- a preço de banana para as multinacionais, ra do Liberalismo capitalista. Usaram o conforme previam as escrituras do FMI. O povo, dizendo-se iguais. Quando senhor ordenou então a Delfim: Faze-te ao largo conseguiram to-mar o poder, demonstram a pé e lançai as vossas redes para pescar. E, respondendo Delfim disse-lhe: Mestre, mesmo seu verdadeiro pensamento: Igualdade trabalhando toda a noite, não apanharemos jurídica, não social. nada; as águas brasileiras estão envenenadas Dois acontecimentos observados em pela poluição industrial e pelos defensivos distintos momentos. Possuem apenas um agrícolas. O Senhor disse-lhe: Homem de pouca aspecto comum: A dominação através da fé, faça como te ordenei; lançai as vossas redes propaganda da idéia que antes de ser para pescar. E, respondendo, Delfim disse-lhe: aprovada pela maioria, parece perfeita. Mestre, ainda que confie em Tua palavra, não Esse poder se desenvolveu. Atual- poderemos lançar o que não temos; aplicamos mente é utilizado pelos grandes todas as nossas redes no black, todas asa nossas varas no ORTNs, LTNs e CDBs, todas as nossa empresários e políticos (latifundiários e linhas em ouro e todos os nossos anzóis no open. corruptos) que se interligam formando um O Senhor então tomou Delfim em suas mãos e conluio explora-dor. A Imprensa,com suas lançou-o de isca no meio do lago. E, tendo feito matérias sensacionalistas e dinâmicas, isto, os brasileiros colheram tão grande impedem ao trabalhador de raciocinar sobre quantidade de peixes que fizeram sinal aos si próprio. A Imprensa apoia a elite e perten- companheiros uruguaios e argentinos para que ce a ela. Se faz necessário o desenvol- viessem ajudar. E vieram e encheram tanto vimento de uma Imprensa desligada do ambas as nações,que quase afundavam de tanto aparelho Estatal e da classe empresarial. peixe, pão, leite, arroz, feijão... AMÉM “A Imprensa deve ser livre para conscientizar o povo de sua situação.” Alexandre Mendes
  9. 9. O BERRO JUNHO/2009 Pag.4 Ele realmente está cuidando de mim. Tem um professor me ensinando a ler. A EVOLUÇÃO DA - Ensinando a ler? Eu te dei muito mais que isso. Eu te ensinei a viver por ESCRAVIDÃO Por Alexandre Mendes você. Sem precisar de nada nem de Analisando o regime escravista em ninguém. O que vai conseguir sabendo ler? épocas e lugares diferentes,chegaremos a Oque importa é ter uma viração.- conclusão de que não há um modelo universal Argumentou Gonzaga atordoado. para a aplicação deste. - Não, baiano. Não quero mais isso.- Na Grécia Homérica,enquanto alguns Zinda pegou algumas notas e depositou escravos não eram dignos da menor confiança, sobre a mesa.- Isso deve dar para pagar a outros possuiam terras doadas pelo seus cerveja. donos,constituiam família e até adquiriam seus -E nós?- Suplicou Gonzaga.- próprios escravos.Ser escravo na Grécia,ainda era melhor do que não participar de nenhuma Sempre fizemos uma dupla infernal. Sabe família (Oikos), ser livre sem uma família (teta) que ninguém vai conseguir dar oque te dou. era a pior posição social. Juntos podemos tudo. Em roma,os escravos ocupavam -Não me procure mais. Não quero diversos cargos dentro das famílias: os rurais contrariar Carboniere. viviam em piores condições, havia os -E você pensa que é assim?- especializados em alguma função (vinhateiros, Gonzaga levantou-se agarrando Zinda pelo porqueiros,etc) O Vilicus obtinha a melhor braço. Sacou rapidamente da faca e a enfiou posição:administrava a terra e os demais com ferocidade na barriga da mulher, que escravos de seu senhor. No Brasil colônia,o escravo trabalhava nas plantações de forma sub- de olhos arregalados escorreu pelo ar, até humana,uma tentativa de fuga era seguida de cair sentada de volta na cadeira. diversas chibatadas no tronco,ou até a mutilação -Parado, se não eu atiro. como castigo. -Abaixa essa arma, português. Com um movimento rápido, Atualmente,o regime escravocrata é Gonzaga desarmou o comerciante passando considerado extinto.Porém reflita: a faca pela sua garganta.Foi até a porta. Conferiu se não vinha ninguém. Metendo *Você é livre para ir onde quiser amanhã? *O que acontece se você ficar desempregado? na cintura o trinta e oito que acabara de *Você já engoliu algum sapo do seu patrão, para adquirir, deu a volta por trás do balcão e não perder o emprego? pegou todo dinheiro do caixa. Ao sair *O que acontece se não pagar todas as suas esvaziou os bolsos do velho português e dívidas e impostos? pegou a bolsa de Zinda que foi esvaziando *E se você agredir verbalmente uma autoridade? pelo caminho. *E se ela te agredir verbalmente? Ao passar por uma esquina, leu no *O que acontece se você parar de votar? muro uma pixação que dizia: Essas e outras questões nos mostram como estamos presos a uma teia social* ,na qual um “Agora conjunto de leis,regras e costumes impostos pelo meu chapa, Estado e Elite, nos prende ao regime capitalista de forma covarde. Portanto a escravidão não é a hora da acabou, ela apenas foi adaptada para o modo de macaca podução capitalista atual. *Max weber manca”.
  10. 10. Pag.5 O BERRO JUNHO Entrevistando o poeta Por Fa Silva B Ele é poeta, ficcionista, de pancada da moleca- ensaísta, colaborou com da, ser “underdog” na diversos veículos de infor- vida ou “underground” mações, como a inesquecível na arte faz pouca revista em quadrinhos Chiclete differença... A margi- com Banana e tirou seu nome nalidade, social ou artístico da doença que o litteraria, veiu a ser meu cegou. Sabem quem é? Não proprio habitat. poderia ser outro, se não o grande Glauco Mattoso. Como foi trabalhar com o alternativo na Como foi o despertar para a época da ditadura? arte? Por ser a unica via livre Fallando em despertar, faço da censura, a imprensa logo um alerta: só escrevo n a n n i c a o f f e re c i a u m pela antiga orthographia e illimitado universo quero que minha escripta não c re a t i v o . M e u z i n e seja mexida, certo? Accordei anarchopoetico, “Jornal p a r a a a r t e p o rq u e d e s d e Dobrabil”, fez coisa que creança vi que minha janella nenhum grande orgam para a vida commum seria impresso podia fazer em fechada pela cegueira termos de linguagem, progressiva. Foi uma sahida diagramma-ção, existencial, uma escapatoria. conteudo, emfim, foi um vehiculo de commu- Qual o principal papel da nicação de facto. arte em sua vida? G l a u c o , c a re t a e m Antes de mais nada, evitar o relação às suas obras? suicidio, ou o alcoholismo, ou a s d ro g a s m a i s l e t a e s . D e Minha philosophia de quebra, a arte rendeu algum vida é o paradoxo. Acho tesão... (risos) que todos somos poços de contradicção, moci- O que é o underground para n h o s e b a n d i d o s a o “a merda na latrina daquele bar d você? mesmo tempo. Portanto, de botina de rotina de oficina g n a d a d e e x t r a n h o n o bosta com vitamina cocô com co Para quem ja cresceu na p e - facto de eu ser mais propina de hemorró ripheria e desde cedo foi sacco louco como personagem
  11. 11. O/2009 ENTREVISTA Pag.6 abio da Barbosa Entrevistando o poeta que como pessoa. “Poetica na politica”, e tenho commentado a respeito em minha Vo c ê s e v e n d e r i a columna na “Caros Amigos”. Não para ter uma vida ha o que accrescentar: fallar de mais confortável? m e rd a s e m p re foi minha especialidade. Através da historia, e em muitas regiões do A t e s e d e q u e t ro c a m o s a mundo, os deficientes ditadura militar pela capital é foram escravizados ou real? tiveram que se pros- tituir para sobrevive- S i m , m a s n a v e rd a d e n u n c a a rem. Si eu vivesse na trocamos. A dictadura economica India, provavelmente é permanente. Apenas a militar foi seria massagista e addicionada a ella durante aquelle chupador para ga- periodo. nhar o pão. Aqui posso me dar ao luxo O s e r h u m a n o s e e n t re g o u à de ser massagista e alienação? chupador para ga- nhar inspiração nos Pode ser, mas ha varios typos de sonetos ou nos con- alienação, umas damnosas, outras tos... (risos) Mas isso gozosas. Phantasias sexuaes, não significa que eu mesmo as minhas, que são assignaria contracto sadomasochistas, podem ser boa com uma editora estrategia para compensar as c o m m e rc i a l q u e m e difficuldades practicas. Ja a pagasse bem mas me desinformação é a peor forma de exigisse radicaes alienação, da qual fujo como o mudanças de estylo. Diabo da cruz. O atual panorama Seu epitáfio. político brasileiro e Epitaphio? Vira essa bocca para mundial segundo o la! Não pensei ainda. poeta: Ta l v e z n a h o r a d e m o r re r e u da esquina tem cheiro de batina Ja versejei demais decida. gasolina sabatina e serpentina Mas seria algo como “Aqui jaz ocaína merda de mordomia de s o b re o s c e n a r i o politico, particu- alguem que jamais soube o que óida e purpurina” larmente no livro dizer da morte e só fallou mal da vida”... (risos)
  12. 12. e al d jorn de Um erda v Comunidade Editoria Além dos muros PARA CONHECER ESSE NOVO IMPRESSO: comunidadeeditoria@yahoo.com.br www.comunidadeeditoria.blogspot.com

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