ENSAIO FILOSÓFICO - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERAÇÃO MORAL?

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  • 1. ESCOLA E. B. 2,3/ S DE MORA FILOSOFIA ENSAIO FILOSÓFICO SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERAÇÃO MORAL?MORA, 22 DE MAIO DE 2009 A.M.P. D.V. 10ºA
  • 2. SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO-HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERAÇÃO MORAL? Este ensaio discute o problema de saber se os animais não humanos sãodignos de consideração moral. A posição defendida é que os animais não-humanos são dignos de consideração moral. Os animais têm sido utilizados para os mais diversos fins: fonte dealimentação, testes de vacinas e produtos cosméticos; para experimentação dehipóteses em diversos campos da investigação científica; para satisfazerem acuriosidade humana (zoo) e o seu gosto pelo espectáculo. O balanço deste usonão pode ser motivo de orgulho. Submetendo os animais aos nossos interesses esupostas necessidades, infligimos-lhes enorme sofrimento e tratamo-los comdesprezo de quem pensa que não passam de coisas ao nosso dispor. Na sequência das diferenças entre o ser humano, por este usufruir deaptidões específicas, e as outra espécies existentes na Terra, desenvolveu-se nahumanidade uma ideia de espécie superior, o especismo, uma atitude queconsiste em, partindo do princípio de que somos animais superiores, julgamosque os outros animais nada mais são do que objectos ou coisas que estão aoserviço dos nossos interesses, sofram o que sofrerem com isso. Com base no especismo, desenvolveu-se a perspectiva tradicional, que édefendida por filósofos como Aristóteles, S. Tomás de Aquino e Kant, levandoeste último a afirmar que “Os animais não têm consciência de si e existemapenas como meio para um fim. Esse fim é o homem.”Na perspectivatradicional é sustentada a ideia de que só os seres humanos têm direitos moraise de que nós apenas temos obrigações indirectas para com os animais.Querendo isto dizer que, se os animais não-humanos têm certas parecenças comos humanos, não os devemos tratar com crueldade pois isso poderia fazer comque nós também fossemos tratados de igual forma. Apenas os devemos tratarde forma cruel, quando isso nos pode trazer benefícios, e não por diversão. Esta perspectiva foi refutada com a teoria de Charles Darwin pois,segundo ele, os humanos partilham a sua ascendência com os primatas e sãotambém resultado da selecção natural, mecanismo que produz a evolução dasespécies não tendo em vista qualquer finalidade. Desta forma, é falso dizer queos animais não-humanos existam para nosso benefício. Além disso, mesmo que um ser seja criado especificamente para umdeterminado fim, não quer dizer que esse fim seja correcto.
  • 3. Por oposição à perspectiva tradicional, existe a perspectiva utilitarista,justificada por Bentham e Singer, e a perspectiva dos direitos, argumentadapor Tom Regan. Em ambas as perspectivas é defendido que os animais têmdireitos e que o especismo é um erro. Para Bentham, se os animais não têm importância moral porque nãopossuem a capacidade de usar uma linguagem ou de pensar, então as criançasde tenra idade ou as pessoas com deficiências mentais profundas também nãotêm essa importância. E a senciência, a capacidade de sofrer e de ter prazer, éusada como o critério que permite integrar humanos e animais numa mesmacomunidade moral, não atribuindo maior peso aos nossos interesses. Porque,para Singer, se os animais dotados de sistema nervoso e de cérebro são, talcomo o homem, capazes de experimentar sofrimento, ora, o sofrimento éigualmente desagradável quer se seja humano ou animal. E, um ser é objecto deconsideração moral se tiver interesses e tem interesses porque pode sofrer.Razão para levar Singer a dizer que, as nossas dores não contam mais do que asdos outros animais, por maiores que sejam as nossas capacidades intelectuais emorais. Porém, Singer não considera que matar um rato é tão grave como matarum ser humano, que não devemos continuar a alimentar-nos de animais e quenão podemos utilizar os animais nas experiências médicas, isto porque issopoderia ter como consequência um aumento do sofrimento humano. A tesedeste centra-se no problema que é distinguir o mal de fazer sofrer e o mal dematar. Assim, se matarmos sem dor um animal e abrirmos espaço para queoutro passe a viver, não reduziremos a quantidade global de bem-estar nomundo. Interessa, sobretudo, assegurar uma vida decente aos animais enquantoestão vivos e não os fazer sofrer na hora da morte. Na perspectiva dos direitos, Regan defende que para além de interesses,os animais têm direitos e que nós temos o dever moral fundamental de tratarcom respeito todos os sujeitos-de-uma-vida (seres dotados de percepção,capacidade de sofrer, de emocionar-se, de recordar, etc.). Sendo que trataralguém com respeito consiste em não o tratar como meio para um fim, ou seja,tem valor intrínseco (vale por si só, e não depende dos benefícios que delepossamos obter) e não instrumental. Os animais não-humanos têm direitos sejaqual for o valor que lhes atribuamos, por isso devem ser respeitados. E, osanimais que têm direito a ser respeitados em virtude de possuírem um valorintrínseco, são os seres conscientes de si mesmos, capazes de experimentarprazer e dor, de ter crenças e desejos, de realizar acções intencionais, de ter umsentido de futuro (quase todos os mamíferos mentalmente normais de um anoou mais).
  • 4. Esta teoria pode objectar-se. Se algumas pessoas de outras culturas sósobrevivem usando alimentos de origem alimentar na sua dieta e no seuvestuário, elas iriam deixar-se morrer de fome e frio porque, nunca se podematar um animal sujeito de uma vida sejam quais for os benefícios. Seriatambém errado contribuir para organizações de combate à pobreza, uma vezque certamente elas distribuem produtos de origem animal. As organizações dedefesa dos animais teriam de ser condenadas pois muitas vezes alimentam osanimais abandonados com carne e produtos de origem animal. Os animais nãopoderiam ser utilizados em investigações médicas, mesmo que isso podessetrazer grandes benefícios que não poderiam ser alcançados de outra forma. O problema tratado neste ensaio foi a questão sobre se os animais nãohumanos são ou não dignos de consideração moral. Nós consideramos que elessão dignos de consideração moral e defendemos a perspectiva utilitarista. Nestaperspectiva o mais importante é promover o bem estar tanto aos animais comoaos humanos, que é igualmente importante. . RODRIGUES, Luís; Filosofia 10ºano (volume 2); Plátano editora, Lisboa, Maio2007 ALMEIDA, Aires; TEIXEIRA, Célia; MURCHO, Desidério, e outros; “A arte depensar” Filosofia 10ºano (volume 2); Plátano editora, Lisboa, Fevereiro, 2008