Implementando learning management system (lms) em universidades - Marta de Campos Maia (2010)
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Implementando learning management system (lms) em universidades - Marta de Campos Maia (2010)

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A utilização das tecnologias educacionais emerge como uma grande oportunidade para reverter o processo de ensinoaprendizagem, ...

A utilização das tecnologias educacionais emerge como uma grande oportunidade para reverter o processo de ensinoaprendizagem,
que são tão antigos quanto a própria humanidade, e podem ampliar os potenciais educacionais, estimulando a
introdução de atividades mais dinâmicas, não só pela flexibilidade, mas ao proporcionar novas competências e novas formas
de aprendizado. Por esta razão, o computador emerge como uma força para a ruptura no modelo vigente e uma oportunidade
promissora para atender à demanda das escolas em trabalhar as múltiplas inteligências dos alunos, modelos e estilos de
aprendizagem distintos. Uma etapa inicial para esta ruptura é a utilização de um Sistema Gerenciador do Processo de
Aprendizagem (LMS). A implantação de LMS é uma tarefa de grandes proporções, que requer a mobilização de recursos
substanciais de investimento e considerável esforço organizacional. O trabalho apresentará um estudo de caso, que permitirá
analisar diversos aspectos envolvidos no processo de implementação de um LMS.

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Implementando learning management system (lms) em universidades - Marta de Campos Maia (2010) Document Transcript

  • 1. Maia Implementando LMS em Universidades Implementando Learning Management System (LMS) em Universidades Marta de Campos Maia FGV-EAESP Marta.maia@fgv.brBIOGRAFIAAdministradora e Doutora em Administração de Empresas pela FGV-EAESP. Atua como professora da FGV-EAESP, noINSPER e na FAAP nos cursos de pós-graduação e de Graduação. Atou como Coordenadora de Educação a Distância daFGV-EAESP e da FAAP. É autora de capítulos de livros e de dezenas de artigos, pesquisas e trabalhos sobre Tecnologia deInformação e Educação a Distância, publicados no Brasil e no exterior.RESUMOA utilização das tecnologias educacionais emerge como uma grande oportunidade para reverter o processo de ensino-aprendizagem, que são tão antigos quanto a própria humanidade, e podem ampliar os potenciais educacionais, estimulando aintrodução de atividades mais dinâmicas, não só pela flexibilidade, mas ao proporcionar novas competências e novas formasde aprendizado. Por esta razão, o computador emerge como uma força para a ruptura no modelo vigente e uma oportunidadepromissora para atender à demanda das escolas em trabalhar as múltiplas inteligências dos alunos, modelos e estilos deaprendizagem distintos. Uma etapa inicial para esta ruptura é a utilização de um Sistema Gerenciador do Processo deAprendizagem (LMS). A implantação de LMS é uma tarefa de grandes proporções, que requer a mobilização de recursossubstanciais de investimento e considerável esforço organizacional. O trabalho apresentará um estudo de caso, que permitiráanalisar diversos aspectos envolvidos no processo de implementação de um LMS.Palavras-chavesGerenciamento de conteúdo de aprendizagem; sistemas de informação, educação, universidade, inovação.INTRODUÇÃOO LMS é uma plataforma que facilita a criação de um ambiente educacional baseado na web. Automatiza a administração deeventos de um curso, e tem por objetivo possibilitar a criação de ambientes para que haja um aprendizado real. Estaferramenta deverá possibilitar a administração, apoio pedagógico, geração e distribuição de conteúdo aos alunos, bem comouma interação entre todos os envolvidos no processo (alunos, professores, monitores, coordenação e suporte).Para os supervisores e administradores, o sistema faz o rastreamento de dados, disponibiliza informações, auxilia na análise egera relatórios sobre o progresso dos participantes. Para os professores, o sistema permite um planejamento do curso,compartilhamento de informações com outros docentes, acompanhamento das atividades dos alunos e interação nas diversascomunidades de práticas disponíveis no LMS. Para os alunos, o sistema auxilia no planejamento individual de seus processosde aprendizagem, e permite que os mesmos colaborem entre si através da troca de informações e conhecimentos.Por estas características, o sistema precisa ser muito bem escolhido, para oferecer atividades variadas que provoquem oenvolvimento do aluno, de maneira a permitir o acesso ao conteúdo que está sendo trabalhado. Outros aspectos, como alinguagem e o nível de dificuldade de manuseio exigido pelo LMS, devem ser levados em consideração e precisam sercompatíveis com a infra-estrutura da Instituição de Ensino Superior (IES) e, principalmente, com o nível de capacitação dosfuncionários, professores e alunos envolvidos no processo.O objetivo deste trabalho é apresentar um caso de aplicação concomitante de dois modelos: para assimilação de tecnologia eadministração da mudança, que permitiram a IES obter uma melhor compreensão dos mecanismos que comprometiam aadoção da tecnologia pelos professores e embasaram o projeto de ações mobilizadoras e corretivas que resultaram numenorme crescimento e disseminação da utilização do LMS, como apoio ao ensino presencial tradicional.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 215
  • 2. Maia Implementando LMS em UniversidadesO problema a ser solucionado antes da implantação do sistema nas Universidades analisadas foi assim enunciado: “Comoabordar as dificuldades comportamentais e prevenir as deficiências de implementação de forma a maximizar a adoção dasnovas tecnologias educacionais nos cursos presenciais de uma Universidade tradicional, minimizando os riscos do projeto?”TECNOLOGIA EDUCACIONAL“Uma peça de giz e quadro-negro ou mesmo um galho e um chão de areia são ferramentas nas mãos de um "mestre". Taiseducadores podem ser professores da escola primária, instrutores militares, idosos de uma tribo ou educadores de outdoorsusando suas ferramentas para ensinar um aspecto de sua cultura aos aprendizes. De modo similar, equipamentos devideoconferência ou computadores pessoais podem ser usados como ferramentas educacionais por educadores que saibam - atecnologia de - como usá-las para propósitos pedagógicos. Ferramentas e tecnologias são tão fundamentais para educação queé difícil imaginá-la sem eles; especialmente os sons e símbolos como ferramentas e a escrita e a linguagem como tecnologias(Evans, 2002).A tecnologia deve ser utilizada como um catalisador de uma mudança do paradigma educacional (Valente, 1993). Umparadigma que promove a aprendizagem ao invés do ensino, que coloca o controle do processo de aprendizagem nas mãos doaprendiz, e que auxilia o professor a entender que a educação não é somente a transferência de conhecimento, mas umprocesso de construção do conhecimento pelo aluno, como produto do seu próprio engajamento intelectual ou do aluno comoum todo (Neitzel, 2001). As tecnologias não substituem o professor, mas permitem que algumas das tarefas e funções dosprofessores possam ser modificadas (Moran, 2008).A pedagogia moderna afirma que o aluno deve ser estimulado a buscar soluções em grupo, por meio dos recursos deinteração, a fim de estimular competências como as capacidades cognitivas de avaliação, análise, síntese, e não mais asimples memorização do conteúdo. Esta idéia foi proposta anteriormente por diversos autores, entre eles Piaget, Vygotsky,Freire, que afirmam que o que caracteriza a aprendizagem é o movimento de um saber fazer a um saber, o que não ocorrenaturalmente, mas por uma abstração reflexiva, processo pelo qual o indivíduo pensa o processo que executa e constróialgum tipo de teoria que justifique os resultados obtidos (Maia, 2010).A capacitação dos docentes é essencial para que ocorra efetivamente alguma inovação na sala de aula. O que normalmente seobserva nas escolas brasileiras é que o foco dessa capacitação limita-se ao desenvolvimento das habilidades do professor nouso do computador, em detrimento do entendimento das possibilidades que possam ser criadas por meio da interação, dacomunicação e da troca de informações entre todos os participantes.LMS - LEARNING MANAGEMENT SYSTEMO uso de novas tecnologias deve oferecer a possibilidade de reformulação constante dos cursos e de monitoramento daaprendizagem do aluno. A aprendizagem por meio de ambientes virtuais já é uma realidade em uma parcela das instituiçõeseducacionais. Para consolidar e expandir essa situação, será necessário que a escolha da tecnologia para construção eutilização destes ambientes esteja submetida a uma estratégia didático-pedagógica compatível com as necessidades dosusuários, segundo Niquini e Botelho (2005).Os Sistemas Gerenciadores do Processo de Aprendizagem simplificam rotinas de administração e acadêmicas de cursos.Foram desenvolvidos para lidar com cursos de múltiplas publicações e múltiplos provedores. Podem registrar usuários, trilharcursos em um catálogo e gravar dados dos alunos. Normalmente, não incluem capacidade própria de autoria, focamcompatibilidade com cursos criados por uma variedade de fontes diversas.Um LMS possibilita diferentes maneiras de ensinar e aprender com tecnologias digitais e interativas. Entre os principaisobjetivos, destacam-se a ampliação da comunicação entre alunos e docentes, o desenvolvimento de uma nova metodologia deensino.Cada professor cria o ambiente virtual de sua disciplina de acordo com suas necessidades, podendo conter: o programadetalhado de suas aulas, conteúdos e atividades didáticas, bibliografias, materiais de apoio, metodologia, avaliação, testes,pesquisas, links, fóruns de discussão, gestão de grupo, ferramenta para verificação de plágio, entre outros diversos recursos.Desta forma, o professor pode dispor do tempo na sala de aula presencial para promover a interatividade entre os alunos,trabalhar dinâmicas de grupo e desenvolver novas metodologias de ensino, deixando para os momentos presenciais, situaçõesdiferenciadas que a interface tecnológica não permite.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 216
  • 3. Maia Implementando LMS em UniversidadesEste sistema auxilia os alunos no planejamento individual de seus processos de aprendizagem, e permite que os mesmoscolaborem entre si através da troca de informações e conhecimentos. Os alunos sentem uma sensação de igualdade, porquecada aluno tem a mesma oportunidade de participar e dar a sua opinião através das ferramentas de interação, independente defatores como sua voz ou seu sexo. Estudantes com uma certa timidez ou muito ansiosos sentem-se mais confortáveis,expressando idéias online, ao invés de falar perante a platéia da sala de aula.Outros aspectos, como a linguagem e o nível de dificuldade de manuseio exigido pelo LMS, devem ser levados emconsideração e precisam ser compatíveis com a infra-estrutura da IES e, principalmente, com o nível de capacitação dosfuncionários, professores e alunos envolvidos no processo.As ferramentas de comunicação e colaboração são instrumentos de interação entre os diversos atores em sistemas deinformação educacionais. Para Carvalho (2010) além das ferramentas de avaliação, as ferramentas de interação ecomunicação interativa são as mais importantes ferramentas de um LMS. Mas, em um LMS é possível encontrar inúmerasoutras funcionalidades, como as listadas abaixo (tabela 1):Funcionalidade de Trabalho Individual Funcionalidade de Interação e ComunicaçãoAcompanhamento de atividades Ambiente 3D interativoAtividades e jogos online Área do estudanteAuto-avaliacao Áudio conferenciaBloco de notas BlogControle operacional Chat textualFuncionalidade de acesso Comunicador instantâneoFuncionalidades de retorno Comunidades de aprendizagemGlossário Correio eletrônico internoHistórico de atividades DiversãoIdiomas FAQ ajudaInformações gerais FAQ inteligenteLinks externos Fóruns de discussãoLista de participantes M-learningMaterial para download MultimídiaMecanismos de busca MuralPersonalização Perfil do aluno Sala de aula virtual Vídeo conferencia Whiteboard Wiki Tabela 1: Características de Funcionalidade nos LMS Fonte: Carvalho (2010)Mas, na prática, apesar de todas as funcionalidades e recursos disponíveis, o LMS não está sendo utilizado na sua totalidade,e por isso, não está proporcionando a quebra de paradigma necessária ao processo de ensino e aprendizagem vigente.De acordo muitos autores (Arvan, 2009; Cuban, 2001; Lane, 2009; Departamento de Educação dos EUA, 2010) o perfil deuso do LMS é preocupante porque o LMS serve como uma afirmação de tecnologia tradicional de ensino. O professor não secontrapõe ao LMS, e o aluno recebe o benefício de conveniência de distribuição eletrônica de documentos (e notas), maspouco mais do que isso. De acordo com estes autores os LMS não atendem às novas demandas do ensino centrado no aluno,pois eles trabalham de forma centrada no conteúdo.Um grande estudo realizado no Vale do Silício sobre os efeitos dos investimentos realizados com tecnologia nos EnsinosBásica, Fundamental e Médio americano concluiu que as formas tradicionais de ensino parecem continuar relativamenteintocadas apesar dos enormes investimentos em tecnologias que têm sido realizados desde 1960. Na maioria dos casos, osprofessores usam a tecnologia para manter as práticas existentes (Cuban, 2001). A tecnologia tem sido aplicada no que estáno exterior ao processo educativo, e não como uma ferramenta essencial na renovação do processo em si. Tão importanteAnais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 217
  • 4. Maia Implementando LMS em Universidadesquanto as conveniências que o LMS pode oferecer, é o sentimento que, de alguma forma, perdeu-se o maior potencial demelhoria e de transformação que a tecnologia poderia ter implementado na educação (Bush e Mott, 2009).Sistemas de gestão de aprendizagem têm dominado o panorama do ensino e da aprendizagem no ensino superior na décadapassada, conforme recente relatório da Delta Iniciative, o qual indica que mais de 90 por cento das faculdades e universidadesamericanos têm um LMS (Mott, 2010).METODOLOGIA DE PESQUISAAlém do levantamento bibliográfico para a construção do referencial teórico (Malhotra, 1999) constituído pelos modelosestudados, a metodologia utilizada neste trabalho foi o estudo de caso – devido às questões básicas de pesquisa, ausência decontrole dos eventos comportamentais e ênfase nos eventos contemporâneos (Yin, 2001).A capacitação contínua e permanente dos professores tem enfoque em duas áreas: metodologia de ensino que visa o ensinopresencial e a distância, e o uso prático dos recursos tecnológicos que mediarão o processo de aprendizagem, visando o usode recursos tecnológicos para a mediação da aprendizagem será analisada a evolução de um programa de capacitação deprofessores na IES em estudo.O atual estudo pode ser considerado como exploratório e descritivo. Segundo Mattar (1997, p. 80), “a pesquisa exploratóriavisa prover o pesquisador de um maior conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa em perspectiva”. Segundo esteautor, a pesquisa exploratória utiliza métodos como: levantamento em fontes secundárias, experiências, estudo de caso eobservação informal. Para Gil (1996), a pesquisa descritiva tem como principal característica a utilização de métodospadronizados de coleta de dados, como o questionário e a observação.Vergara (1998) propõe uma taxonomia para classificar os tipos de pesquisa, segundo dois critérios básicos: quanto aos fins equanto aos meios de investigação. Essa pesquisa é classificada quanto aos fins, como sendo exploratória e quanto aos meiosde investigação, como pesquisa de campo - por meio do método de estudo de caso (Yin, 2001) e bibliográfica.O estudo considerou e respeitou os vários aspectos, condições, recomendações, componentes e requisitos, definidos porvários autores, dentre eles Yin (2001).Um estudo de caso é um questionamento empírico que investiga um fenômenocontemporâneo com seus contextos de vida real, quando as fronteiras entre fenômeno e contexto não são claramenteevidentes, e nos quais fontes múltiplas de evidência são usadas (Yin, 2001).A aplicação da metodologia de estudo de caso baseou-se amplamente na experiência pessoal dos autores como participantesativos na condução do processo de assimilação de tecnologia aqui relatado, e foi realizada por meio de uma série deentrevistas com técnicos e professores da instituição, utilizando um protocolo elaborado especificamente para este fim. Esteprotocolo considerou a necessidade de conhecer a organização e seus processos de integração.Yin (2001) define o estudo de caso como o método que examina o fenômeno de interesse em seu ambiente natural, pelaaplicação de diversas metodologias de coleta de dados, visando obter informações de múltiplas entidades. Além disso, apesquisa será bibliográfica, já que os seguintes assuntos serão investigados: tecnologia educacional, metodologia de ensino,Internet através de estudos de artigos, livros que tratem do assunto em bibliotecas, sites, instituições e etc.População, amostra e coleta de dadosNeste estudo, o processo de amostragem é não probabilístico, pois parte-se de um universo naturalmente restrito, uma vezque participaram apenas os professores que estavam dentro do requisito desejado. A IES analisada possui em seu quadrodocente cerca de 300 professores.A pesquisa baseou-se em questionário auto-aplicável, disponível em meio eletrônico e fundamentado na literatura resenhada.O questionário foi elaborado pela equipe interna da IES. O trabalho de desenvolvimento do questionário objetivou garantir ocorreto preenchimento das questões, tais como aquelas que permitiam somente uma alternativa como resposta ou aquelas quesolicitavam ao informante uma escolha dentre alternativas. Em caso de erro no preenchimento, o professor recebia umamensagem na tela, identificando a pergunta em que houvesse erro. Esse procedimento garantiu que todos os questionáriosrecebidos puderam ser considerados válidos. Um e-mail foi enviado aos professores, fazendo o convite para a pesquisa e oquestionário. A versão final do questionário consiste de 15 questões de várias naturezas, cobrindo diversos aspectos do LMS,inclusive aspectos relacionados ao aprendizado dos alunos.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 218
  • 5. Maia Implementando LMS em UniversidadesAPRESENTAÇÃO DO CASO : A PROBLEMÁTICA DA INTRODUÇÃO DAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NOSCURSOS PRESENCIAISEmbora a grande maioria dos professores perceba que as novas tecnologias aplicadas ao ensino irão transformar radicalmenteo ambiente acadêmico em futuro não muito distante, e reconheçam a necessidade de a IES posicionar-se proativamente emrelação a esta transformação, as entrevistas realizadas demonstraram que muitos relutam em inserir-se neste futuro eprojetam, de maneira algo velada, que esta transformação deverá ocorrer numa outra escola, situada além do seu tempo demagistério.Adicionalmente, as entrevistas revelaram que um tempo de resposta ruim, instabilidade do sistema, inexistência de umaestrutura adequada de apoio e baixo domínio do ambiente, foram fatores decisivos que levaram ao abandono do uso dastecnologias, à rejeição do LMS e ao reforço do comportamento conservador entre os professores. A análise revelou que,diferentemente dos cursos a distância ou semipresenciais, onde a infra-estrutura tecnológica é um fator crítico de sucesso, osprojetos de extensão do uso das tecnologias educacionais aos cursos presenciais necessitavam do mesmo rigor técnico,treinamento e infra-estrutura de apoio que favoreciam a sua adoção nas demais modalidades de ensino.Descrição do CasoAo longo dos últimos anos, a IES em análise desenvolveu um esforço de reforma e renovação de suas instalações eequipamentos. No que diz respeito especificamente à aplicação de tecnologia ao ensino e à aprendizagem, a adaptação docorpo docente à nova tecnologia, entretanto, vinha sendo feita de modo informal, ao sabor das iniciativas individuais e semum projeto definido que viesse a apoiar e garantir esta adaptação. Em 2001, observava-se que as aplicações das novastecnologias educacionais como apoio aos cursos presenciais encontravam-se, em sua maioria, muito restrita, estagnada. Asensação predominante, era de que as ferramentas demandavam muito trabalho e ofereciam um retorno duvidoso, outrosintoma típico da estagnação no primeiro nível.Projeto Pioneiros IA IES constatou a necessidade de fomentar a adoção destas novas tecnologias pelo corpo docente e elaborou o projetoPioneiros, com o intuito de selecionar e instrumentalizar um grupo de professores voluntários para desenvolvimento deconteúdo on-line para algumas disciplinas. Os professores receberam um incentivo financeiro, em forma de uma bolsa, poisfoi entendido que a correta remuneração deste esforço era um requisito fundamental para seu sucesso. O objetivo do projetoera apenas a produção de conteúdos on-line, sem preocupação com a sua efetiva implementação e posterior avaliação deresultados. O LMS então adotada na IES era o WebCT. Foi organizada uma série de palestras para os professoresselecionados, constituídas de: apresentação do projeto Pioneiros, apresentação dos princípios de Desenho Instrucional etreinamento na utilização do WebCT.O projeto foi desenvolvido por cerca de oito meses, durante os quais os professores contaram com apoio técnico no uso doWebCT e no desenho instrucional, caso achassem necessário. O resultado do projeto foi considerado um sucesso relativo.61% dos professores concluíram suas disciplinas, e elas foram utilizadas em níveis diferenciados pelos alunos, uma vez queconstituíam, em sua maioria, matérias complementares às disciplinas presenciais, não sendo obrigatória sua utilização pelosalunos. O melhor resultado do projeto foi a motivação dos professores envolvidos: aqueles que concluíram com sucesso aimplementação de suas disciplinas tornaram-se evangelizadores da utilização do novo ferramental, e passaram a adotá-lo emoutras disciplinas, atraindo outros professores e multiplicando os efeitos do projeto.Neste momento a IES empreendeu, uma análise dos projetos desenvolvidos, e aplicou entrevistas com os professoresenvolvidos, visando reunir elementos que justificassem um eventual prosseguimento do projeto. Esta avaliação revelou asseguintes conclusões: a) o conteúdo desenvolvido era, na maioria dos casos, uma mera transcrição do conteúdo presencial para o novo ambiente, sem explorar os princípios de desenho instrucional apresentados; b) o WebCT foi considerado uma ferramenta de difícil utilização, tanto por professores quanto pelos alunos, comprometendo os resultados do projeto; c) que a plataforma tecnológica (servidor) utilizado era deficiente, apresentando muita instabilidade (indisponibilidade) e dificultando a utilização dos conteúdos pelos alunos.Com base no resultado desta avaliação, e percebendo um promissor interesse e crescente adoção das novas tecnologias pelosprofessores, a IES decidiu investir numa nova plataforma tecnológica, integrada por servidores de alta capacidade,redundantes, hospedados num data center com capacidade de acesso (largura de banda) escalonável, e selecionando um novoLMS, o Blackboard. Surge assim o Projeto Pioneiros II.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 219
  • 6. Maia Implementando LMS em UniversidadesProjeto Pioneiros IINeste momento a IES decidiu desenvolver uma segunda versão do projeto Pioneiros para testar uma nova metodologia decapacitação de professores para desenvolvimento de professores elaborada pelos desenhistas instrucionais em resposta àsdeficiências diagnosticadas no primeiro projeto Pioneiros.Para elaboração desta nova abordagem, teve-se como tema principal o desenvolvimento de uma metodologia pedagógica quetivesse como objetivo repensar o papel do professor e do aluno no processo de ensinar e aprender. Foi levado emconsideração o processo de reflexão sobre as experiências individuais de cada professor juntamente com a abordagem teóricadas metodologias pedagógicas, as quais conduziriam ao desenvolvimento de uma nova estruturação das disciplinas que, apósconcebidas e adequadamente estruturadas, utilizariam os recursos tecnológicos educacionais disponíveis.A principal diferença no resultado é que, no Projeto Pioneiros II, os professores ao final dos três workshops tinham um siteda disciplina implementado na plataforma, contendo não apenas o programa detalhado, mas atividades didáticas que foramelaboradas a partir da sua análise baseada numa metodologia de ensino centrada no aluno. Enquanto que no projeto PioneirosI, os professores não tiveram a oportunidade de praticar e aplicar seus novos conhecimentos de uma maneira sistemática.Em termos de resultados estatísticos 93% dos professores do projeto Pioneiros II implementaram as suas disciplinas. Outroselementos citados pelos professores avaliados que contribuíram para uma maior adoção da metodologia e recursostecnológicos foram a plataforma adotada e as melhorias na infra-instrutora.Nas entrevistas com os participantes do projeto Pioneiros II foi unânime a constatação sobre a importância da metodologia deensino e como ela contribuiu para desenvolverem aulas de melhor qualidade. 70% dos professores disseram que se sentiammais preparados para desenvolverem atividades de aprendizagem elaboradas com recursos de tecnologia educacional. 95%dos professores aprovaram o formato e temas do workshop, sendo que 80% solicitaram mais workshops sobre metodologiade ensino e didática. Todos sem exceção aprovaram a plataforma de ensino adotada pela instituição (Blackboard) e nãotiveram dificuldades em utilizá-la.Resultados AlcançadosO quadro abaixo sintetiza a evolução de utilização do LMS na IES a partir do primeiro semestre de 2001. As análises e açõesdescritas começaram a ser desenvolvidas no primeiro semestre de 2003, e seus resultados já se fazem notar nos dadosrelativos ao segundo semestre do mesmo ano. Pode-se observar que a utilização na IES evoluiu vegetativamente até osegundo semestre de 2003, quando o efeito das ações descritas neste caso propicia uma explosão de crescimento que veio a seconfirmar como tendência já no início do primeiro semestre de 2004 (Maia et al, 2004).Ao longo 2005 esperava-se a adesão de mais professores e a oferta de novas disciplinas em decorrência do efeito de contágioe da conclusão da segunda fase do projeto Pioneiros, a qual envolvia um processo intenso de capacitação em metodologia deensino-aprendizagem mediado por tecnologia.A partir do segundo semestre de 2003, quando houve um aumento considerável do uso do LMS, percebeu-se que em doisanos, chegou-se a quase 50% das disciplinas presenciais mediadas por tecnologia (gráfico 1). Considerando que o númerototal de disciplinas dos diversos programas da IES, em 2005 (tabela2) totalizavam 586 oferecidas através do sistema degestão do aprendizado (LMS). Período Disciplinas Alunos Observações o 1 sem 2001 11 250 11 professores do projeto Pioneiros I 2o sem 2001 13 295 11 professores do projeto Pioneiros II e 2 voluntários 1o sem 2002 22 465 5 professores do projeto Pioneiros I e II e 9 voluntários 2o sem 2002 23 425 Nº. exclui 15 disciplinas e 367 alunos das novas unidades 1o sem 2003 7 147 Descontinuidade do crescimento vegetativo: mudança do LMS 2o sem 2003 79 1.222 Crescimento explosivo da utilização do LMS 1o sem 2004 128 1.514 Aumento de números de disciplinas 2o sem 2004 258 3.506 Forte campanha dos alunos para o uso do Blackboard 2005 586 7.850 Estabilidade do sistemas e do uso do LMS 2006 a 2009 904 10.216 Tabela 2 - Utilização do LMS na IESAnais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 220
  • 7. Maia Implementando LMS em UniversidadesAlém dos dados quantitativos apresentados acima, as entrevistas com os professores e técnicos ao longo da implantação,corroboraram para a avaliação positiva dos resultados alcançados, que se evidencia na predominância de uma atitudeentusiasmada e confiante em relação aos benefícios do LMS e na predisposição para a adoção da tecnologia num númerocrescente de disciplinas.CONSIDERAÇÕES FINAISTodo processo educativo tem a necessidade de “traduzir” as mensagens pedagógicas. Por esta razão, quanto maisaprofundamos a pesquisa e o desenvolvimento das tecnologias educacionais, mais esta se torna presente dentro de uma IES,por meio de: um sistema integrado de gestão educacional; um repositório de learning objects; ambientes de colaboraçãovirtual, síncronos e assíncronos; e ambientes de conferência web (webcasting) para suportar aulas enriquecidas por vídeo,som, imagem e aplicativos diversos, tudo isto de forma simultânea, promovendo uma singular experiência na aprendizagem.Implantar tecnologia é uma tarefa relativamente fácil se comparada à mudança dos processos de ensino, que já é maiscomplexa e difícil de se promover. Para promover as mudanças, os esforços devem ser concentrados nas pessoas chaves - osprofessores. Estes devem ser capacitados para a promoção das mudanças, tornando-se agentes.A cada dia, mais e mais a tecnologia está presente de forma transversal dentro de todos os processos educacionais. Seja paracriar cursos híbridos (semipresenciais), seja para suportar os cursos presenciais por meio de ambientes virtuais, seja, ainda,para oferecer metodologias e conteúdos digitais, capacitar professores, avaliar alunos, criar uma matriz curricular comumentre os cursos, entre outras tantas possibilidades.Ao tornar-se mais presente dentro da instituição, a tecnologia vai gradativamente desaparecendo dentro dos processosorganizacionais. Ou seja, ela vai deixando de se tornar protagonista para se tornar coadjuvante. Procedendo desta forma,sobressaem-se as relações de ensino e aprendizagem, que são o core educacional da instituição. É importante observar queuma mudança profunda e abrangente como a apresentada neste caso, que tem por objetivo a utilização das novas tecnologiaseducacionais em todos os cursos presenciais, não se faz de uma vez só, mas num processo mais ou menos contínuo, ondeindivíduos são cooptados para a mudança, empreendem a ação, e necessitam de mecanismos de fixação, estando todos osprocessos constantemente em atividade para diferentes indivíduos em diferentes momentos do seu processo de mudança.Os próximos passos indicam a necessidade do desenvolvimento de um processo de avaliação da efetividade do aprendizadono novo ambiente, com as disciplinas desenvolvidas com a metodologia adotada. Novos estudos teóricos são necessários parao desenvolvimento de métricas comparativas que permitam qualificar e quantificar o aprendizado, relacionando-o com ametodologia instrucional empregada. Finalmente, a completa assimilação das tecnologias em nível departamental eposteriormente institucional, deverão ser monitoradas e futuramente incorporadas a este estudo de maneira conclusiva.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. Delta Initiative. (2009). The State of Learning Management in Higher Education Systems, report for the California State University System, 2009, p. 5.2. Arvan, L. (2009). Dis-Integrating the LMS. Educause Quarterly, vol. 32, no. 2 (April-June 2009).3. Lane, L. M. (2009). Insidious Pedagogy: How Course Management Systems Impact Pedagogy. First Monday, vol. 14, no. 10 - October 5.4. Cuban, L. (2001). Oversold and Underused: Computers in the Classroom. Harvard University Press, Cambridge, MA, pp. 129, 138.5. U.S. Department of Education (2008). Harnessing Innovation to Support Student Success: Using Technology to Personalize Education. November 2008, see p. 9.6. Bush, M. and Mott, J. (2009). The Transformation of Learning with Technology: Learner-Centricity, Content and Tool Malleability, and Network Effects. Educational Technology, vol. 49, no. 2 (March/April 2009), pp. 3–20.7. CARVALHO, S. (2009). Dimensões de qualidade em ambientes virtuais de aprendizagem. Tese de Doutorado em Administração de Empresas – Universidade de São Paulo, FEA-USP.8. EVANS, T. (2002). Uma revisão da educação superior a distância: uma perspectiva Australiana. In Congresso de Ensino Superior a Distância. Apresentação, I, 2002. Petrópolis. Anais. Petrópolis: ESud.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 221
  • 8. Maia Implementando LMS em Universidades9. Maia, M. C.(2010). Entendendo a Necessidade de Renovação no Processo de Ensino e Aprendizagem. RAE-eletrônica, v. 9, n. 1, Resenha 1, jan./jun. 2010. Disponível em : <http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=XXXX&Secao=RSESNHA&Volume=9&Numer o=1&Ano=2010>. Acesso em: 10 abr. 2010.10. Maia, M., Mendonça, A. & Goes, P. (2004). Implementação de Ensino Mediado por Tecnologia em Cursos Presencias. Anais do 11º Congresso Internacional de Educação a Distancia, Salvador, Setembro 7-10.11. Malhotra, N. K (1999). Marketing research: an applied orientation. Upper Saddle River: Prentice Hall, 3. ed, 1999.12. Mott, J. (2010). Envisioning the Post-LMS Era: The Open Learning Network. Educause Quarterly -vol 33, number 1, 2010.13. Moran, J. M. (2008). Desafios da Internet para o Professor. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/eca/prof/moran/desafio.htm>. Acesso em: 10 out. 2008.14. Neitzel, L. C. (2001). Novas Tecnologias e Práticas Docentes: o hipertexto no processo de construção do conhecimento (uma experiência vivenciada na rede pública estadual de Santa Catarina). Dissertação (Mestrado), UFSC, Florianópolis.15. Niquini, D. P. e Botelho, F. V.(2008). Telemática na Educação. Disponível em: <http://www.intelecto.net/EaD/tele1.htm>. Acesso em: 10 jun. 2008.16. Valente, J. A. (1993). Por Quê o Computador na Educação. Em J. A. Valente (Org.), Computadores e Conhecimento: repensando a educação (pp. 24-44). Campinas, SP: Gráfica da UNICAMP.17. Vergara, S. C. (1998). Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2ª edição.18. Yin, R. (2001). Estudo de caso: Planejamento e Métodos. Porto Alegre: Bookman, 2ª edição.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 222