Incentivado pela isenção de ir, o capital vai ao campo brasil

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Matéria do Portal Exame destaca o CRA - Certificados de Recebíveis Agrícolas, como alternativa ao financiamento ao campo. Destaque para a EcoAgro, uma das principais empresas a operarem a modalidade …

Matéria do Portal Exame destaca o CRA - Certificados de Recebíveis Agrícolas, como alternativa ao financiamento ao campo. Destaque para a EcoAgro, uma das principais empresas a operarem a modalidade no país.

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  • 1. 12/04/2011 Incentivado pela isenção de IR, o capi…Agronegócio 11/04/2011 11:07Incentivado pela isenção de IR, o capital vai ao campoUm instrumento que teve origem no mercado financeiro pode reduzir custos, aumentarlucros e diminuir a dependência dos produtores rurais do financiamento públicoMarcelo Onaga, da EXAMESão Paulo - O agronegócio brasileiro ganhou destaque mundo afora nos últimos anos. Do tradicionalaçúcar a frutas como maçã e melão, incorporadas há menos tempo, passando por grãos e carnes, osprodutos do campo brasileiro invadem em volume crescente mercados da Europa, da Ásia, da AméricaLatina e do Oriente Médio.Com milhares de pequenos e médios produtores e alguns gigantes surgindo, como Cosan e JBSFriboi, o agronegócio encorpou e hoje responde por quase um quarto da geração de riqueza nacional,algo em torno de 750 bilhões de reais no ano passado. Mesmo assim, a produção agrícola sofre com adificuldade para obtenção de financiamento e com as altas taxas de juro cobradas por bancos quandoliberam créditos. A baixa profissionalização que ainda vigora no setor e o pouco conhecimento dasinstituições financeiras sobre a atividade sempre foram empecilhos para que opções de crédito maismodernas aparecessem.Há agora a expectativa de que esse cenário possa mudar. Um instrumento financeiro mais familiar paraquem trabalha com o mercado de capitais do que com as lavouras começou a dar os primeiros passoscomo alternativa para que agricultores possam financiar as colheitas sem ter de recorrer a bancos ouficar reféns de fornecedores de insumos, que viraram nos últimos anos uma das principais fontes decrédito. O CRA, sigla para Certificado de Recebíveis Agrícolas, foi criado por lei em 2004. Mas, semregulação adequada e sem apetite de investidores, não decolou no mercado.No ano passado, quando suas regras foram equiparadas às dos Certificados de RecebíveisImobiliários, as primeiras operações começaram a surgir. Trata-se de um meio de financiamento queusa o produto das colheitas como garantia. Uma empresa de securitização faz a montagem e acoordenação da operação, que inclui o acompanhamento de advogados, o monitoramento da safra e aanálise de bancos e de agências de avaliação de risco.Os bancos também participam. Eles buscam investidores que possam ser atraídos por taxas deretorno que giram em torno de 18% ao ano — e pela isenção de imposto de renda criada para esse tipode operação. Ainda que o lucro prometido seja bom, a procura por enquanto ainda é pequena. Aimensidão de opções de investimento mais conhecidas com taxas atraentes é um obstáculo. “Mas como tempo isso tende a mudar. Ocorreu o mesmo com as CPRs, o primeiro título criado para o setoragrícola, que demoraram dez anos até se tornar um sucesso”, diz Roberto Machado, gerente de títulose registros da Bolsa Brasileira de Mercadorias da BM&F Bovespa.Para os produtores, apesar de as taxas serem tão altas quanto as dos financiamentos bancários, aforma de pagar o empréstimo e os prazos compensam. “Podemos montar as operações com prazosde pagamento que nos permitem armazenar a safra por um período e vendê-la no momento em que ospreços estão mais altos”, diz Cássio Iplinsky, produtor de cana-de-açúcar na região de Rio Verde, emGoiás. No financiamento comum com bancos, o pagamento coincide com a colheita, e a produção temexame.abril.com.br/noticia/…/imprimir 1/2
  • 2. 12/04/2011 Incentivado pela isenção de IR, o capi…de ser vendida no auge da safra, com os preços mais baixos.Os CRAs já motivam o surgimento de empresas dedicadas a estruturar as operações. A Ecoagro, deSão Paulo, primeira a atuar no setor, fez quatro operações no ano passado que somaram cerca de 200milhões de reais. Normalmente, essas empresas, as securitizadoras, ficam com comissões ao redorde 2%. “Dá trabalho, mas o resultado é bom para todos”, diz Moacir Teixeira, presidente da empresa.O trabalho ao qual Teixeira se refere é necessário porque a estrutura financeira da maioria dosprodutores rurais é precária. Raramente há balanços confiáveis e muitos agricultores nem sequer têmempresa constituída. Todo o levantamento de dados, a auditoria e o monitoramento têm de ser feitospelas securitizadoras. Depois disso, é preciso buscar investidores. “Ainda há poucos bancos atuandonisso, o que limita o mercado”, diz Clídio Carvalho, advogado do escritório Buranello Passos, queassessorou boa parte das operações realizadas até agora.Atualmente, 90% dos 116 bilhões de reais disponíveis para financiamento agrícola vêm de fontesoficiais, como BNDES e Banco do Brasil. O repasse, contudo, é difícil. “Há limitações de teto deempréstimos, ao redor de 400 000 reais em média. Com isso, muitos produtores, principalmente os demédio porte, precisam buscar outras fontes”, diz Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoriaMB Associados.A boa fase do setor contribuiu para que o caixa da maioria dos produtores se enchesse e a parcela definanciamento próprio aumentasse. “Mas o setor agrícola deve continuar crescendo por muito tempo. Enovas fontes de financiamento serão necessárias”, diz Mendonça de Barros. Os novos títulos podemajudar a melhorar esse cenário. No longo prazo, eles devem aumentar a competição e reduzir os juros— e, assim, tornar mais moderna a gestão financeira de um dos principais polos de crescimento daeconomia.Dependência estatalApenas 10% dos recursos que financiam o agronegócio são de fontes privadasFontes: Mapa e EsalqFaturamento do agronegócio R$ 735 bilhõesParticipação no PIB 23%Necessidade de financiamento do setor R$ 116 bilhõesParcela de recursos oficiais 90%Parcela de recursos privados 10%exame.abril.com.br/noticia/…/imprimir 2/2