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Ivanilson França Vieira  ZzCouto <ul><li>O vendedor de veneno </li></ul> 
<ul><li>Já tinha virado uma peste. Não tinha uma só casa que tivesse menos de dez ratos infernizando a vida dos moradores....
<ul><li>Não tinha jeito. Miro chegou a comentar que quando colocava o veneno parecia que os bichos se multiplicavam. Na ci...
<ul><li>O prefeito já estava prestes a decretar calamidade pública quando apareceu no centro da cidade um vendedor de vene...
<ul><li>Podem comprar que eu garanto, na próxima quinta-feira eu estarei aqui para confirmar se o que eu digo é ou não ver...
<ul><li>Mai, seu moço, como qui a gente pode se assegurá qui o sinhô vem mermo? </li></ul><ul><li>Muito boa pergunta amigo...
<ul><li>Pois bem, seu Miro. Não só o senhor, como também todos os cidadãos aqui presentes. Vejam bem, eu sou um homem de v...
<ul><li>E digo mais, quando eu vier na próxima quinta feira, venho somente para confirmar se o produto é ou não é bom, se ...
<ul><li>A única garantia que eu dou é minha palavra, mas se ela não valer prá vocês, tudo bem eu pego meu produto e vou em...
<ul><li>- Vixi Maria, ôme? Quem falou pr’ocê que a gente num cunfia em tu? Eu só cunfii in ocê. </li></ul><ul><li>E assim ...
<ul><li>- Esperem um pouco, por favor. (Gritou o vendedor e quando todos já estavam virados para o seu lado ele declarou:)...
<ul><li>Muito obrigado e até quinta-feira. (Despediu-se o vendedor, que saiu em sua caminhonete lentamente, parando já qua...
<ul><li>Claro que ninguém sabia o que diabo era ingrediente, glóbulos, eficácia, mas confiava que o remédio era bom. Somen...
<ul><li>O Prefeito teve uma idéia e reuniu as figuras mais importantes da sociedade local e seus principais líderes. Motiv...
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<ul><li>- Alguém já me disse que o veneno não deu certo. Gostaria de saber agora como vocês usaram o produto. </li></ul><u...
<ul><li>- Logo vi que algo estava errado. Esse produto nunca falhou. </li></ul><ul><li>I o qui nos feiz qui num tá déreito...
 
Autor: Ivanilson França Vieira Música: Encabulado  Imagens: Internet Formatação: ZzCouto –  [email_address] Respeite os cr...
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  1. 1. Ivanilson França Vieira ZzCouto <ul><li>O vendedor de veneno </li></ul> 
  2. 2. <ul><li>Já tinha virado uma peste. Não tinha uma só casa que tivesse menos de dez ratos infernizando a vida dos moradores. Pelas ruas, nas vilas, nos becos, em casas de pobre ou nas casas de gente granfina. E até parecia que os roedores já estavam imunizados contra os venenos que eram aplicados. </li></ul> 
  3. 3. <ul><li>Não tinha jeito. Miro chegou a comentar que quando colocava o veneno parecia que os bichos se multiplicavam. Na cidade já não se encontrava mais nenhum tipo de veneno nem nas cidades vizinhas. </li></ul> 
  4. 4. <ul><li>O prefeito já estava prestes a decretar calamidade pública quando apareceu no centro da cidade um vendedor de veneno de ratos, “totalmente diferente de todos que vocês já conheceram”. </li></ul><ul><li>O ambulante em cima de um tamborete e tendo ao seu redor quase que toda a população da cidade, prometia: </li></ul> 
  5. 5. <ul><li>Podem comprar que eu garanto, na próxima quinta-feira eu estarei aqui para confirmar se o que eu digo é ou não verdade. Quem não estiver satisfeito com o produto eu devolverei o dinheiro, sem nenhum problema. </li></ul> 
  6. 6. <ul><li>Mai, seu moço, como qui a gente pode se assegurá qui o sinhô vem mermo? </li></ul><ul><li>Muito boa pergunta amigo... Como é sua graça? </li></ul><ul><li>Miro Conceição do Nascimento seu criado. </li></ul> 
  7. 7. <ul><li>Pois bem, seu Miro. Não só o senhor, como também todos os cidadãos aqui presentes. Vejam bem, eu sou um homem de vergonha, tenho cabelo branco e não vou deixar que minha moral seja abalada por um real. Isso mesmo, esse produto que vai acabar de vez os ratos da cidade custa apenas um real. </li></ul> 
  8. 8. <ul><li>E digo mais, quando eu vier na próxima quinta feira, venho somente para confirmar se o produto é ou não é bom, se conseguiu ou não matar todos os ratos desta próspera cidade que eu, mesmo estando aqui há pouco tempo, já começo a gostar. </li></ul> 
  9. 9. <ul><li>A única garantia que eu dou é minha palavra, mas se ela não valer prá vocês, tudo bem eu pego meu produto e vou embora. </li></ul><ul><li>Eu cunfio no sinhô. </li></ul><ul><li>Eu tombém. </li></ul> 
  10. 10. <ul><li>- Vixi Maria, ôme? Quem falou pr’ocê que a gente num cunfia em tu? Eu só cunfii in ocê. </li></ul><ul><li>E assim foram se multiplicando, triplicando, quadruplicando as frases de apoio ao mascate e em poucos instantes todos os moradores da cidade já estavam com uma lata do produto que ira tirá-los do inferno. </li></ul> 
  11. 11. <ul><li>- Esperem um pouco, por favor. (Gritou o vendedor e quando todos já estavam virados para o seu lado ele declarou:) Esse produto, por conter um ingrediente de glóbulos pretos, só pode ser usado durante a noite. Não abram as latas agora, para não ter nenhum problema de perda da eficácia. </li></ul> 
  12. 12. <ul><li>Muito obrigado e até quinta-feira. (Despediu-se o vendedor, que saiu em sua caminhonete lentamente, parando já quando estava a alguns quilômetros da cidade para contar o lucro. Tinha vendido todo o estoque, que teria que trabalhar muito, pois no dia marcado teria que estar de volta para vender mais outro tanto). </li></ul> 
  13. 13. <ul><li>Claro que ninguém sabia o que diabo era ingrediente, glóbulos, eficácia, mas confiava que o remédio era bom. Somente à noite é que o remédio ia ser usado. O dia passou lentamente. Todos estavam ansiosos para colocar o veneno e no outro dia ficarem livres dos ratos. </li></ul> 
  14. 14. <ul><li>O Prefeito teve uma idéia e reuniu as figuras mais importantes da sociedade local e seus principais líderes. Motivo da reunião: Saber onde iriam enterrar todos os ratos no dia seguinte. </li></ul><ul><li>Quando a noite chegou, todos, quase que ao mesmo tempo, colocaram o veneno. </li></ul> 
  15. 15. <ul><li>Na quinta-feira, hora marcada lá vinha o vendedor com um sorriso de gerente de banco. A multidão já o esperava. Lentamente ele desceu da caminhonete subiu no tamborete que sempre trazia na boléia do carro e começou a falar, antes de ouvir qualquer reclamação: </li></ul> 
  16. 16. <ul><li>- Alguém já me disse que o veneno não deu certo. Gostaria de saber agora como vocês usaram o produto. </li></ul><ul><li>-Nóis espaiemos ele pelo chão. (Respondeu Miro, sendo acompanhado por todos com gestos de positivo e balanço de cabeça). </li></ul> 
  17. 17. <ul><li>- Logo vi que algo estava errado. Esse produto nunca falhou. </li></ul><ul><li>I o qui nos feiz qui num tá déreito? (Perguntou Miro, porta voz de todos). </li></ul><ul><li>- Vocês deveriam ter pego cada rato, aberto a boca dele e colocado o veneno... </li></ul> 
  18. 18.  
  19. 19. Autor: Ivanilson França Vieira Música: Encabulado Imagens: Internet Formatação: ZzCouto – [email_address] Respeite os créditos por favor...  
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